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O desconstrucionismo no

cinema

TEORIA DO CINEMA
2015
Jacques Derrida e o desconstrucionismo

Nós expressamos o nosso conhecimento


através da linguagem, só que todas as
palavras, e o modo como as utilizamos nos
textos, geram ambiguidades.

As expressões de nossas ideias podem gerar


diferentes interpretações.
Jacques Derrida e o desconstrucionismo

As linguagens falada, escrita e imagética são


cheias de duplos sentidos e estão sujeitas às
interpretações dos receptores.
Jacques Derrida e o desconstrucionismo

Jacques Derrida propõe uma análise que não


está focada naquilo que um texto significa e
sim em como ele adquire significados.
Jacques Derrida e o desconstrucionismo

O audiovisual sempre traz uma mensagem onde


há polifonia na construção dos significados
MÚSICA
ROTEIRO

RUÍDOS
ATORES

ILUMINAÇÃO
FIGURINO

MONTAGEM
MAQUIAGEM

EFEITOS
CENOGRAFIA
ESPECIAIS
Marcelin Pleynet (revista Cinéthique, 1969) tratou
das relações entre “a câmera” e a "perspectiva
monocular":

A imagem não é uma duplicação do mundo.


Se a câmera (em uma situação historicamente
determinada) produz imagens que são cúmplices da
ideologia dominante, não é porque as imagens
reproduzem o mundo, mas porque a câmera constrói
uma representação de realidade alinhada com os
artifícios determinados da perspectiva monocular.
O exemplo da FOTOGRAFIA serve para o CINEMA.
Teorias sobre a perspectiva de Pierre Francastel:

A perspectiva não é uma realidade estável, exterior


ao homem. Aliás, não há uma perspectiva, mas
várias cujo valor absoluto é equivalente e se
constituem sempre que um grupo de indivíduos
atribui a um sistema um valor de análise e de
representação estável... exatamente como acontece
com um alfabeto ou um código de sinais.
(Cinéthique, 1977)
“Homem de Aço” é um herói
que protege os humanos, ou
um alienígena que interfere
no destino da Terra?

“Titanic” é um romance entre


jovens de classes sociais
diferentes, ou a história de
um acidente que matou
centenas de pessoas?

“Guerra ao Terror” é
propaganda sobre o poder
dos EUA no mundo árabe,
ou um manifesto contra os
horrores da guerra sobre os
homens?
“Jogos Vorazes” reproduz
uma sociedade num futuro
alternativo da Terra, ou
mostra a vida em outro
planeta?

“O Grande Hotel
Budapeste” é uma aventura
alegórica de época, ou a sua
narrativa está em tom de
fábula e caricatura?

“Garota Exemplar” tem


personagens que estão
mentindo o tempo todo, ou o
protagonista é mesmo um
criminoso?
As teorias da perspectiva são um ponto de intersecção
nesta aproximação do cinema com o estudo da Fotografia:

Se diante da imagem no cinema ocorre a


"impressão de realidade", é porque esta
imagem reproduz os códigos que definem a
objetividade visual segundo a cultura
dominante na sociedade.
Vale dizer que a revolução fotográfica foi
"objetiva" justamente porque ela era resultado
de um aparelho (a câmera) construído para
confirmar a nossa noção ideológica de
objetividade visual.
A "impressão de realidade" acaba figurando
como a afirmação de uma ideologia de
representação do espaço-tempo elaborada
historicamente chamada pelos redatores da
revista Cinéthique de "efeito-câmera".
(Ismail Xavier, 1970)

Vai de encontro ao pensamento de Karl Marx e Jacques Lacan:


“Associação da perspectiva artificial com a ideologia humanista e a
ideologia burguesa que deriva desta mesma perspectiva.” (Aumont, 1995)
A neutralidade dos aparelhos óticos foi muito
questionada, e nasceu a tese da existência de
um idealismo embutido no sistema câmera/
imagem/ montagem/ projetor/ sala escura...
e, às vezes, até a repercussão do filme.

Este conjunto (os “aparelhos


de base”) recebeu em 1975,
em um texto de Jean-Louis
Baudry, a denominação de...

DISPOSITIVO.
O ponto de partida de Baudry é a constatação
de que a visão “monocular” da câmera
responde às necessidades do sujeito
transcendental (o espectador), formuladas a
partir da época da Renascença, ou pelo menos
desde René Descartes.
O espectador ocupa um ponto de vista
privilegiado: distanciado do objeto de
sua observação, assim como o sujeito
transcendental tem a consciência
separada do mundo do “objeto”.
Jacques Aumont afirma que todo o
aparato do dispositivo terá
“necessariamente efeito sobre esse
espectador como indivíduo”.
Considerando esta natureza subjetiva
dos dispositivos, ele aponta então para o
nível simbólico destes.
E, atingindo a esfera do simbólico, os
dispositivos alcançam a esfera do social.
Os dispositivos têm a capacidade de
relacionar os campos da técnica e da
estética ao campo do simbólico. Este por
sua vez é determinado pelos recursos
materiais de uma sociedade.
O cinema é realmente a “verdade 24 vezes
por segundo”; mas desde que se possa
decompô-la, fazê-la se reavaliar e alterar a sua
natureza para reinventá-la.

Jacques Derrida Jacques Aumont

Jean-Louis Baudry Ismail Xavier