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2988 Diário da República, 1.ª série — N.

º 104 — 30 de maio de 2014

ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA g) Racionalizar, reabilitar e modernizar os centros ur-


banos, os aglomerados rurais e a coerência dos sistemas
Lei n.º 31/2014 em que se inserem;
h) Promover a defesa, a fruição e a valorização do pa-
de 30 de maio trimónio natural, cultural e paisagístico;
i) Assegurar o aproveitamento racional e eficiente do
Lei de bases gerais da política pública de solos, solo, enquanto recurso natural escasso e valorizar a bio-
de ordenamento do território e de urbanismo diversidade;
A Assembleia da República decreta, nos termos da j) Prevenir riscos coletivos e reduzir os seus efeitos nas
alínea c) do artigo 161.º da Constituição, o seguinte: pessoas e bens;
k) Salvaguardar e valorizar a orla costeira, as margens
dos rios e as albufeiras;
TÍTULO I l) Dinamizar as potencialidades das áreas agrícolas,
florestais e silvo-pastoris;
Disposições gerais m) Regenerar o território, promovendo a requalificação
de áreas degradadas e a reconversão de áreas urbanas de
CAPÍTULO I génese ilegal;
Objeto, fins e princípios gerais n) Promover a acessibilidade de pessoas com mobilidade
condicionada aos edifícios, equipamentos e espaços verdes
Artigo 1.º ou outros espaços de utilização coletiva.
Objeto
Artigo 3.º
1 — A presente lei estabelece as bases gerais da polí-
Princípios gerais
tica pública de solos, de ordenamento do território e de
urbanismo. 1 — As políticas públicas e as atuações administrativas
2 — A presente lei não se aplica ao ordenamento e à em matéria de solos, de ordenamento do território e de
gestão do espaço marítimo nacional, sem prejuízo da coe- urbanismo estão subordinadas aos seguintes princípios
rência, articulação e compatibilização da política de solos gerais:
e de ordenamento do território com a política do ordena-
mento e da gestão do espaço marítimo nacional. a) Solidariedade intra e intergeracional, assegurando
às gerações presentes e futuras qualidade de vida e um
Artigo 2.º equilibrado desenvolvimento socioeconómico;
b) Responsabilidade, garantindo a prévia avaliação das
Fins intervenções com impacte relevante no território e esta-
Constituem fins da política pública de solos, de orde- belecendo o dever de reposição ou de compensação de
namento do território e de urbanismo: danos que ponham em causa o património natural, cultural
e paisagístico;
a) Valorizar as potencialidades do solo, salvaguardando c) Economia e eficiência, assegurando a utilização ra-
a sua qualidade e a realização das suas funções ambientais, cional e eficiente dos recursos naturais e culturais, bem
económicas, sociais e culturais, enquanto suporte físico e como a sustentabilidade ambiental e financeira das opções
de enquadramento cultural para as pessoas e suas ativida-
adotadas pelos programas e planos territoriais;
des, fonte de matérias-primas e de produção de biomassa,
d) Coordenação e compatibilização das diversas polí-
reservatório de carbono e reserva de biodiversidade;
b) Garantir o desenvolvimento sustentável, a compe- ticas públicas com incidência territorial com as políticas
titividade económica territorial, a criação de emprego e de desenvolvimento económico e social, assegurando uma
a organização eficiente do mercado fundiário, tendo em adequada ponderação dos interesses públicos e privados
vista evitar a especulação imobiliária e as práticas lesivas em presença;
do interesse geral; e) Subsidiariedade, simplificando e coordenando os pro-
c) Reforçar a coesão nacional, organizando o território cedimentos dos diversos níveis da Administração Pública,
de modo a conter a expansão urbana e a edificação dispersa, com vista a aproximar o nível decisório ao cidadão;
corrigindo as assimetrias regionais, nomeadamente dos f) Equidade, assegurando a justa repartição dos benefí-
territórios de baixa densidade, assegurando a igualdade de cios e dos encargos decorrentes da aplicação dos progra-
oportunidades dos cidadãos no acesso às infraestruturas, mas e planos territoriais e dos instrumentos de política
equipamentos, serviços e funções urbanas, em especial aos de solos;
equipamentos e serviços que promovam o apoio à família, g) Participação dos cidadãos, reforçando o acesso à
à terceira idade e à inclusão social; informação e à intervenção nos procedimentos de ela-
d) Aumentar a resiliência do território aos efeitos de- boração, execução, avaliação e revisão dos programas e
correntes de fenómenos climáticos extremos, combater os planos territoriais;
efeitos da erosão, minimizar a emissão de gases com efeito h) Concertação e contratualização entre interesses
de estufa e aumentar a eficiência energética e carbónica; públicos e privados, incentivando modelos de atuação
e) Evitar a contaminação do solo, eliminando ou mino- baseados na vinculação recíproca entre a iniciativa pú-
rando os efeitos de substâncias poluentes, a fim de garantir blica e a privada na concretização dos programas e planos
a salvaguarda da saúde humana e do ambiente; territoriais;
f) Salvaguardar e valorizar a identidade do território i) Segurança jurídica e proteção da confiança, garantindo
nacional, promovendo a integração das suas diversidades a estabilidade dos regimes legais e o respeito pelos direitos
e da qualidade de vida das populações; preexistentes e juridicamente consolidados.
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2 — As políticas públicas e as atuações administrativas Artigo 6.º


contribuem, ainda, para a preservação do ambiente e estão Outros direitos
subordinadas aos seguintes princípios ambientais:
1 — Todos têm o direito a:
a) Do desenvolvimento sustentável, que obriga à satis-
fação das necessidades do presente sem comprometer as a) Usar e fruir o solo, no respeito pelos usos e utilizações
das gerações futuras, para o que concorrem a preservação previstos na lei e nos programas e planos territoriais;
de recursos naturais e a herança cultural, a capacidade de b) Beneficiar, nos termos da lei, dos bens do domínio
produção dos ecossistemas a longo prazo, o ordenamento público e usar as infraestruturas de utilização coletiva;
racional e equilibrado do território com vista ao combate c) Aceder, em condições de igualdade, a espaços co-
às assimetrias regionais, a promoção da coesão territorial, letivos e de uso público, designadamente equipamentos,
a produção e o consumo sustentáveis de energia, a sal- espaços verdes e outros espaços de utilização coletiva.
vaguarda da biodiversidade, do equilíbrio biológico, do
clima e da estabilidade geológica, harmonizando a vida 2 — Todos gozam dos direitos de intervir e participar
humana e o ambiente; nos procedimentos administrativos relativos ao solo, orde-
b) Da prevenção e da precaução, que obrigam à adoção namento do território e urbanismo, nomeadamente:
de medidas antecipatórias com o objetivo de obviar ou
minorar os impactes adversos no ambiente; a) O direito de participação efetiva nos procedimentos
c) Da transversalidade e da integração de políticas com incidência na ocupação, uso e transformação dos
ambientais nas políticas de ordenamento do território solos através da apresentação de propostas, sugestões e
e urbanismo, nomeadamente mediante a realização de reclamações, bem como o direito a obter uma resposta
avaliação ambiental que identifique e monitorize efeitos fundamentada da administração nos termos da lei;
significativos no ambiente que resultem de um programa b) O direito de acesso à informação de que as entidades
ou plano territorial; públicas disponham e aos documentos que integram os
d) Do poluidor-pagador e do utilizador-pagador, que procedimentos referidos na alínea anterior.
obriga o responsável pela poluição ou o utente de serviços
públicos a assumir os custos da atividade poluente ou os Artigo 7.º
custos da utilização dos recursos; Deveres gerais
e) Da responsabilidade, que obriga à responsabiliza-
ção de todos os que direta ou indiretamente, com dolo ou Todos têm o dever de:
negligência, provoquem ameaças ou danos ao ambiente; a) Utilizar de forma sustentável e racional o território
f) Da recuperação, que obriga o causador do dano am- e os recursos naturais;
biental à restauração do estado do ambiente tal como se b) Respeitar o ambiente, o património cultural e a pai-
encontrava anteriormente à ocorrência do facto danoso. sagem;
c) Utilizar de forma correta os bens do domínio público,
as infraestruturas, os serviços urbanos, os equipamentos,
CAPÍTULO II os espaços verdes ou outros espaços de utilização coletiva,
Direitos e deveres gerais bem como abster-se de realizar quaisquer atos ou de de-
senvolver quaisquer atividades que comportem um perigo
Artigo 4.º de lesão dos mesmos.
Direito de propriedade privada do solo Artigo 8.º
1 — O direito de propriedade privada do solo é garan- Deveres do Estado, das regiões autónomas
tido nos termos da Constituição e da lei. e das autarquias locais
2 — O direito de propriedade privada e os demais di- 1 — O Estado, as regiões autónomas e as autarquias
reitos relativos ao solo são ponderados e conformados no locais têm o dever de promover a política pública de solos,
quadro das relações jurídicas de ordenamento do território de ordenamento do território e de urbanismo, no âmbito
e de urbanismo, com princípios e valores constitucionais das respetivas atribuições e competências, previstas na
protegidos, nomeadamente nos domínios da defesa nacio-
Constituição e na lei.
nal, do ambiente, da cultura e do património cultural, da
2 — Para efeitos disposto no número anterior, o Estado,
paisagem, da saúde pública, da educação, da habitação,
as regiões autónomas e as autarquias locais têm, designa-
da qualidade de vida e do desenvolvimento económico
damente, o dever de:
e social.
3 — A imposição de restrições ao direito de propriedade a) Planear e programar o uso do solo e promover a
privada e aos demais direitos relativos ao solo está sujeita respetiva concretização;
ao pagamento da justa indemnização, nos termos e de b) Garantir a igualdade e transparência no exercício dos
acordo com o previsto na lei. direitos e no cumprimento dos deveres relacionados com
o solo, designadamente, através do direito de participação
Artigo 5.º e do direito à informação dos cidadãos;
c) Garantir o uso do solo, de acordo com o desenvol-
Direito ao ordenamento do território
vimento sustentável e de modo a prevenir a sua degra-
Todos têm o direito a um ordenamento do território dação;
racional, proporcional e equilibrado, de modo a que a d) Garantir a existência de espaços públicos destinados
prossecução do interesse público em matéria de solos, a infraestruturas, equipamentos e espaços verdes ou ou-
ordenamento do território e urbanismo, se faça no respeito tros espaços de utilização coletiva, acautelando que todos
pelos direitos e interesses legalmente protegidos. tenham acesso aos mesmos em condições de igualdade;
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e) Garantir a sustentabilidade económica das obras in- municipal, para a prossecução de finalidades genéricas
dispensáveis à instalação e à manutenção de infraestruturas de interesse público relativas à política pública de solos,
e equipamentos; podem ser estabelecidas, por lei, restrições de utilidade pú-
f) Assegurar a fiscalização do cumprimento das regras blica ao conteúdo do direito de propriedade, prevalecendo
relativas ao uso, ocupação e transformação do solo e aplicar sobre as demais disposições de regime de uso do solo.
medidas de tutela da legalidade. 2 — Quando tenham caráter permanente e expressão
territorial suscetíveis de impedir ou condicionar o apro-
veitamento do solo, as restrições de utilidade pública são
TÍTULO II obrigatoriamente traduzidas nos planos territoriais de âm-
bito intermunicipal ou municipal, sem prejuízo do disposto
Política de solos no número seguinte.
3 — No âmbito dos procedimentos de elaboração, al-
CAPÍTULO I teração ou revisão dos planos territoriais de âmbito inter-
municipal ou municipal, podem ser propostas desafetações
Estatuto jurídico do solo ou alterações dos condicionamentos do aproveitamento
específico do solo resultantes das restrições de utilidade
SECÇÃO I pública, em função da respetiva avaliação e ponderação,
Disposições comuns nos termos e condições previstos na lei.

Artigo 9.º Artigo 12.º


Regime de uso do solo Áreas territoriais a reabilitar e a regenerar

1 — O uso do solo realiza-se no âmbito dos limites 1 — O Estado, as Regiões Autónomas e as autarquias
previstos na Constituição, na lei, nos planos territoriais de locais identificam, nos programas e planos territoriais, as
âmbito intermunicipal ou municipal em vigor e em confor- áreas territoriais a reabilitar e a regenerar e promovem as
midade com a respetiva classificação e qualificação. ações adequadas à prossecução desses objetivos.
2 — O regime de uso do solo define a disciplina relativa 2 — As áreas referidas no número anterior podem abran-
à respetiva ocupação, utilização e transformação. ger solo classificado como rústico ou urbano.
3 — O regime de uso do solo é estabelecido pelos planos
territoriais de âmbito intermunicipal ou municipal através SECÇÃO II
da classificação e qualificação do solo.
Direitos e deveres relativos ao solo
Artigo 10.º Artigo 13.º
Classificação e qualificação do solo
Direitos dos proprietários
1 — A classificação do solo determina o destino básico 1 — Os proprietários do solo têm o direito a utilizar o
do solo, com respeito pela sua natureza, e assenta na dis- solo de acordo com a sua natureza, e com observância do
tinção entre solo rústico e solo urbano.
previsto nos programas e planos territoriais.
2 — Para efeitos do disposto no número anterior,
2 — Os proprietários do solo rústico têm o direito de
entende-se por:
utilizar os solos de acordo com a sua natureza, traduzida
a) «Solo rústico», aquele que, pela sua reconhecida na exploração da aptidão produtiva desses solos, dire-
aptidão, se destine, nomeadamente, ao aproveitamento tamente ou por terceiros, preservando e valorizando os
agrícola, pecuário, florestal, à conservação, valorização bens culturais, naturais, ambientais e paisagísticos e de
e exploração de recursos naturais, de recursos geológicos biodiversidade.
ou de recursos energéticos, assim como o que se destina a 3 — Os proprietários do solo urbano têm, designada-
espaços naturais, culturais, de turismo, recreio e lazer ou à mente, os seguintes direitos, nos termos e condições pre-
proteção de riscos, ainda que seja ocupado por infraestru- vistos na lei:
turas, e aquele que não seja classificado como urbano;
b) «Solo urbano», o que está total ou parcialmente urba- a) Reestruturar a propriedade;
nizado ou edificado e, como tal, afeto em plano territorial b) Realizar as obras de urbanização;
à urbanização ou à edificação; c) Edificar;
d) Promover a reabilitação e regeneração urbanas;
3 — A classificação e reclassificação do solo como e) Utilizar as edificações.
urbano traduzem uma opção de planeamento, nos termos
e condições previstos na lei. Artigo 14.º
4 — A qualificação do solo define, com respeito pela Deveres dos proprietários
sua classificação, o conteúdo do seu aproveitamento por
referência às potencialidades de desenvolvimento do ter- 1 — Os proprietários têm o dever de preservar e valo-
ritório. rizar os bens naturais, ambientais, paisagísticos, culturais
e de biodiversidade.
Artigo 11.º 2 — Os proprietários têm, designadamente, os seguintes
Restrições de utilidade pública deveres:
1 — Sem prejuízo da definição do regime de uso do a) Utilizar, conservar e reabilitar imóveis, designada-
solo pelos planos territoriais de âmbito intermunicipal ou mente, o edificado existente;
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b) Ceder áreas legalmente exigíveis para infraestruturas, Administração Pública no prazo estabelecido no plano
equipamentos, espaços verdes e outros espaços de utiliza- territorial ou no instrumento de programação, findo o qual
ção coletiva, ou, na ausência ou insuficiência da cedência aquela reserva caduca, desde que o atraso não seja impu-
destas áreas, compensar o município; tável à falta de iniciativa do proprietário ou ao incumpri-
c) Realizar infraestruturas, espaços verdes e outros es- mento dos respetivos ónus ou deveres urbanísticos.
paços de utilização coletiva; 2 — Na falta de fixação do prazo a que se refere o nú-
d) Comparticipar nos custos de construção, manutenção, mero anterior, a reserva do solo caduca no prazo de cinco
reforço ou renovação das infraestruturas, equipamentos e anos contados da data da entrada em vigor do respetivo
espaços públicos de âmbito geral; plano territorial.
e) Minimizar o nível de exposição a riscos coletivos. 3 — As associações de municípios e as autarquias locais
são obrigadas a declarar a caducidade da reserva de solo,
Artigo 15.º nos termos dos números anteriores, e a proceder à redefi-
nição do uso do solo, salvo se o plano territorial vigente
Aquisição gradual das faculdades urbanísticas
tiver previsto o regime de uso do solo supletivamente
1 — A aquisição das faculdades urbanísticas que in- aplicável.
tegram o conteúdo do aproveitamento do solo urbano é
efetuada de forma sucessiva e gradual e está sujeita ao SECÇÃO III
cumprimento dos ónus e deveres urbanísticos estabelecidos Estruturação da propriedade
na lei e nos planos territoriais de âmbito intermunicipal ou
municipais aplicáveis. Artigo 19.º
2 — A inexistência das faculdades urbanísticas referidas
no número anterior não prejudica o disposto na lei em Estruturação da propriedade
matéria de justa indemnização devida por expropriação. 1 — O dimensionamento, fracionamento, emparcela-
mento e reparcelamento da propriedade do solo realiza-se
Artigo 16.º de acordo com o previsto nos planos territoriais, devendo
Imposição da realização de operações urbanísticas as unidades prediais ser adequadas ao aproveitamento do
solo neles estabelecido.
1 — A administração pode impor ao proprietário do 2 — Sem prejuízo da fixação legal de unidades míni-
imóvel a realização das operações urbanísticas necessárias mas de cultura em solo rústico, os planos territoriais de
à execução de um plano territorial de âmbito intermunicipal âmbito intermunicipal ou municipal podem estabelecer
ou municipal, incluindo, nomeadamente, a obrigação de critérios e regras para o dimensionamento dos prédios,
nele construir, de conservar, reabilitar e demolir as cons- nomeadamente para os lotes ou parcelas resultantes das
truções e edificações que nele existam ou de as utilizar em operações de transformação fundiária realizadas no âmbito
conformidade com o previsto em plano territorial. da sua execução.
2 — Sem prejuízo do disposto em lei especial, caso o 3 — As associações de municípios e as autarquias locais
proprietário não cumpra a obrigação no prazo estabelecido, podem promover, por sua iniciativa ou em cooperação com
ou manifeste a sua oposição à mesma, a sua execução ape- os proprietários de prédios, a reestruturação da proprie-
nas pode ter lugar mediante expropriação ou venda forçada dade, nos termos da lei, com vista a:
do imóvel, nos termos do artigo 35.º da presente lei.
a) Reduzir ou eliminar os inconvenientes socioeconó-
Artigo 17.º micos da fragmentação e da dispersão da propriedade;
b) Viabilizar a reconfiguração de limites cadastrais de
Sacrifício de direitos preexistentes terrenos;
e juridicamente consolidados c) Contribuir para a execução de operações de reabili-
1 — O sacrifício de direitos preexistentes e juridica- tação e regeneração;
mente consolidados só pode ter lugar nos casos expressa- d) Assegurar a implementação da política pública de
mente previstos na lei ou nos planos territoriais aplicáveis e solos prevista nos programas e planos territoriais;
mediante o pagamento de compensação ou indemnização. e) Ajustar a dimensão e a configuração dos prédios à
2 — A compensação ou indemnização a que se refere estrutura fundiária definida pelo programa ou plano ter-
o número anterior é prevista, obrigatoriamente e de forma ritorial;
expressa, no plano territorial de âmbito intermunicipal f) Distribuir equitativamente, entre os proprietários, os
ou municipal que fundamenta a imposição do sacrifício, benefícios e encargos resultantes da entrada em vigor do
nomeadamente através da definição de mecanismos de plano territorial;
perequação deles resultantes. g) Localizar adequadamente as áreas necessárias à im-
3 — Independentemente do disposto nos números an- plantação de infraestruturas, equipamentos, espaços verdes
teriores são indemnizáveis quaisquer sacrifícios impostos ou outros espaços de utilização coletiva, designadamente
aos proprietários do solo que tenham efeito equivalente a as áreas de cedência obrigatória.
uma expropriação.
4 — Os proprietários do solo rústico podem, indivi-
Artigo 18.º dualmente ou em associação, promover a reestruturação
Reserva de solo
da propriedade, nomeadamente para reduzir ou eliminar
os inconvenientes socioeconómicos da fragmentação e da
1 — A reserva de solo para infraestruturas urbanísticas, dispersão da propriedade.
equipamentos e espaços verdes e outros espaços de utili- 5 — Os proprietários do solo urbano podem reestru-
zação coletiva, que tenha por objeto propriedade privada turar a propriedade, nomeadamente promovendo o fra-
determina a obrigatoriedade da respetiva aquisição pela cionamento ou reparcelamento de prédios destinados à
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construção urbana, mediante operações urbanísticas de 2 — O disposto no número anterior pode ser afastado
loteamento que definam a edificabilidade e os prazos da no âmbito de uma operação urbanística, mediante decisão
sua concretização. fundamentada das autarquias locais, quando existir acordo
do proprietário e seja comprovadamente mais adequada,
Artigo 20.º do ponto de vista urbanístico, a manutenção ou integração
Uso do solo e edificabilidade
das áreas referidas no número anterior em titularidade
privada.
1 — O uso do solo é definido exclusivamente pelos 3 — Nas situações previstas no número anterior as au-
planos territoriais de âmbito intermunicipal ou municipal, tarquias locais asseguram a utilização coletiva das áreas
através da definição de áreas de construção ou, na impos- que se mantenham ou sejam integradas em titularidade
sibilidade dessa definição, pela aplicação de parâmetros privada, e regulam os respetivos termos, através de regu-
e índices quantitativos e qualitativos, de aproveitamento lamento municipal e de contrato celebrado com os pro-
ou de edificabilidade, nos termos da lei. prietários.
2 — A edificabilidade pode ser objeto de direitos subje- 4 — A cessação de restrições de utilidade pública ou ser-
tivos autónomos do solo, nomeadamente para viabilizar a vidões administrativas de utilidade pública e a desafetação
transferência de edificabilidade, nos termos da lei. de imóveis do domínio público ou dos fins de utilidade
pública a que se encontravam adstritos, designadamente
Artigo 21.º os do domínio privado indisponível do Estado, mesmo que
Transferência de edificabilidade integrem o património de institutos públicos ou de empre-
sas públicas, têm como efeito a caducidade do regime de
1 — Os planos territoriais de âmbito intermunicipal ou uso do solo para eles especificamente previsto nos planos
municipal podem permitir que a edificabilidade por eles territoriais de âmbito intermunicipal ou municipal, caso
atribuída a um lote ou a uma parcela de terreno seja trans- estes não tenham estabelecido o regime de uso do solo
ferida para outros lotes ou parcelas, visando prosseguir, aplicável em tal situação.
designadamente, as seguintes finalidades: 5 — Sempre que ocorra a caducidade do regime de uso
a) Conservação da natureza e da biodiversidade; do solo nos termos do número anterior, as associações de
b) Salvaguarda do património natural, cultural ou pai- municípios ou as autarquias locais devem redefinir o uso
sagístico; do solo mediante a elaboração ou alteração de instrumento
c) Prevenção ou minimização de riscos coletivos ine- de planeamento territorial.
rentes a acidentes graves ou catástrofes e de riscos am-
bientais; Artigo 23.º
d) Reabilitação ou regeneração; Domínio privado e políticas públicas de solos
e) Dotação adequada em infraestruturas, equipamentos,
espaços verdes ou outros espaços de utilização coletiva; Sem prejuízo de outras finalidades previstas na lei, os
f) Habitação com fins sociais; bens imóveis do domínio privado do Estado, das regiões
g) Eficiência na utilização dos recursos e eficiência autónomas e autarquias locais podem ser afetos à pros-
energética. secução de finalidades de política pública de solos, com
vista, designadamente, à:
2 — Para efeitos do disposto no número anterior, os
planos territoriais de âmbito intermunicipal ou municipal a) Regulação do mercado do solo, tendo em vista a
regulam a previsão da edificabilidade transferida, defi- prevenção da especulação fundiária e a regulação do res-
nindo os termos e condições em que os valores do direito petivo valor;
concreto de construir podem ser utilizados, bem como os b) Aplicação de princípios supletivos associados aos
mecanismos para a respetiva operacionalização, de acordo mecanismos de redistribuição de benefícios e encargos;
com o procedimento previsto na lei. c) Localização de infraestruturas, de equipamentos e
3 — A transferência de edificabilidade deve ser objeto de espaços verdes ou de outros espaços de utilização co-
de inscrição no registo predial do lote ou parcela de terreno letiva;
a que essa edificabilidade estava atribuída, nos termos a d) Realização de intervenções públicas ou de iniciativa
definir em legislação específica. pública, nos domínios da proteção civil, da agricultura, das
florestas, da conservação da natureza, da habitação com
fins sociais e da reabilitação e regeneração urbana;
CAPÍTULO II e) Execução programada dos programas e planos ter-
ritoriais.
Propriedade pública do solo e intervenção do Estado,
das regiões autónomas e das autarquias locais Artigo 24.º
Autonomização de bens imóveis de titularidade
SECÇÃO I ou afetação pública
Propriedade pública do solo 1 — O Estado, as regiões autónomas e as autarquias
Artigo 22.º locais devem autonomizar, nos seus planos de atividades
e orçamento e nos documentos de prestação de contas,
Espaços de uso público, equipamentos e infraestruturas os bens imóveis integrantes do seu domínio público ou
de utilização coletiva
privado e outros ativos patrimoniais, que ficam afetos à
1 — Os espaços de uso público e os equipamentos e prossecução de finalidades de política fundiária.
infraestruturas de utilização coletiva integram o domínio 2 — Os bens imóveis podem ingressar na titularidade
público ou privado da administração. pública ou ser afetos à prossecução das finalidades das
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entidades referidas no número anterior por qualquer meio c) Reestruturação de prédios rústicos e urbanos;
legalmente admitido, nomeadamente: d) Preservação e valorização do património natural,
cultural e paisagístico.
a) Aquisição originária;
e) Prevenção e redução de riscos coletivos.
b) Reafetação de terrenos de titularidade pública;
c) Compra e venda, permuta, arrendamento, locação
financeira e outros contratos de natureza análoga; Artigo 30.º
d) Sucessão, doação e renúncia; Direito de superfície
e) Expropriação por utilidade pública;
1 — O Estado, as regiões autónomas e as autarquias
f) Cedências no âmbito de operações urbanísticas e
locais podem constituir o direito de superfície sobre bens
compensações perequativas.
imóveis integrantes do seu domínio privado para a pros-
secução de finalidades de política pública de solos, nos
Artigo 25.º termos da lei.
Cedência de bens imóveis 2 — O direito de superfície é, em regra, constituído a
título oneroso.
Os bens imóveis que tenham sido cedidos pelos particu-
lares, para fins de utilidade pública, no âmbito de operações Artigo 31.º
urbanísticas e integrem o domínio das autarquias locais,
não podem deixar de ser afetos a fins de utilidade pública, Cedência de utilização de bens do domínio privado
ainda que distintas das que motivaram a cedência sob pena 1 — O Estado, as regiões autónomas e as autarquias
de reversão, nos termos da lei. locais podem ceder, a título precário e com caráter one-
roso, a utilização de bens do respetivo domínio privado,
SECÇÃO II para assegurar a prossecução de finalidades de política
pública de solos.
Meios de intervenção administrativa no solo 2 — A cedência é devidamente fundamentada e procura
garantir a conservação, a valorização e a rentabilização
Artigo 26.º dos bens cedidos.
Instrumentos de política de solos 3 — A lei estabelece o procedimento de cedência e as
condições em que se realizam a fiscalização da atividade
O Estado, as regiões autónomas e as autarquias locais do cessionário e a restituição dos bens imóveis cedidos.
conduzem a política pública de solos, no quadro das res-
petivas atribuições e das competências dos seus órgãos, Artigo 32.º
para prossecução das finalidades que lhe são cometidas,
no respeito da Constituição e da lei. Concessão da utilização e exploração do domínio público
1 — O Estado, as regiões autónomas e as autarquias
Artigo 27.º locais podem celebrar contratos de concessão ou conce-
Gestão territorial der licenças de uso privativo de bens que integrem o seu
domínio público, designadamente para efeitos de utiliza-
A gestão territorial é um meio de intervenção adminis- ção, exploração ou gestão de infraestruturas urbanas e de
trativa no solo e contribui para a realização dos objetivos espaços e equipamentos de utilização coletiva.
de política pública de solos e de regulação fundiária ao 2 — A lei estabelece as regras a observar quanto ao
nível nacional, regional e local. prazo de vigência da concessão, à fixação dos critérios
para o pagamento de taxas pelo concessionário, às obri-
Artigo 28.º gações e aos direitos do concessionário, aos bens afetos à
Transação de bens do domínio privado concessão, às garantias a prestar, ao sequestro, ao resgate
e à responsabilidade perante terceiros.
Salvo se o contrário resultar da lei, da natureza ou do
objeto do ato a praticar, o Estado, as regiões autónomas Artigo 33.º
e as autarquias locais podem, para a prossecução de fina-
lidades de política pública de solos, adquirir ou alienar Servidões administrativas
bens imóveis ou direitos reais sobre eles incidentes, pelos 1 — Para a prossecução de finalidades concretas de
meios previstos no direito privado, nomeadamente compra, interesse público relativas à política fundiária podem, nos
venda ou permuta. termos legalmente previstos, ser constituídas servidões
administrativas sobre bens imóveis que, com carácter real,
Artigo 29.º
limitem o direito de propriedade ou outros direitos reais,
Direito de preferência por lei, ato administrativo ou contrato, prevalecendo sobre
as demais restrições de uso do solo.
O Estado, as regiões autónomas e as autarquias locais
2 — Para efeitos do disposto no número anterior, po-
têm o direito de exercer, nos termos legalmente previstos,
dem, designadamente, ser impostas aos titulares dos di-
o direito de preferência nas transmissões onerosas de pré-
reitos reais sobre bens imóveis, obrigações de não adotar
dios entre particulares, tendo em vista a prossecução de
condutas que prejudiquem as finalidades de interesse
objetivos de política pública de solos para as finalidades
público prosseguidas pelo Estado, regiões autónomas e
seguintes:
autarquias locais, na medida estritamente necessária para
a) Execução dos programas e planos territoriais; a prossecução dessas finalidades.
b) Reabilitação e regeneração de áreas territoriais rús- 3 — A constituição, ampliação ou alteração de uma
ticas e urbanas; servidão administrativa por ato administrativo deve ser
2994 Diário da República, 1.ª série — N.º 104 — 30 de maio de 2014

precedida de audiência prévia dos interessados e de partici- temporal, pode haver lugar a expropriação ou à retoma do
pação em termos análogos aos previstos para a participação procedimento de venda forçada.
nos programas especiais. 5 — A venda forçada só pode ter lugar quando outros
4 — As participações poderão ter por objeto a ilega- meios menos lesivos não sejam suficientes para assegurar
lidade ou a inutilidade da constituição, ampliação ou a prossecução das finalidades de interesse público em
alteração da servidão ou a sua excessiva amplitude ou causa.
onerosidade. 6 — Na falta de acordo do proprietário quanto ao valor
5 — Quando tenham caráter permanente e expres- do bem em procedimento de venda forçada é assegurado
são territorial suscetíveis de impedir ou condicionar o ao proprietário do imóvel o valor de justa indemnização.
aproveitamento do solo, as servidões administrativas são
obrigatoriamente traduzidas nos planos territoriais de âm- Artigo 36.º
bito intermunicipal ou municipal podendo, no âmbito dos
Arrendamento forçado e disponibilização
procedimentos de elaboração, alteração ou revisão destes de prédios na bolsa de terras
planos, ser ponderadas desafetações ou alterações.
6 — As servidões administrativas que tenham efeito 1 — Os edifícios e as frações autónomas objeto de ação
análogo à expropriação são constituídas mediante paga- de reabilitação podem ser sujeitos a arrendamento forçado,
mento de justa indemnização, nos termos da lei. nos casos e nos termos previstos na lei.
2 — Os prédios rústicos e os prédios mistos sem dono
Artigo 34.º conhecido e que não estejam a ser utilizados para fins
agrícolas, florestais, silvo-pastoris ou de conservação da
Expropriações por utilidade pública
natureza, podem ser disponibilizados na bolsa nacional de
1 — Para a prossecução de finalidades concretas de in- terras, nos termos da lei.
teresse público relativas à política pública de solos podem
ser realizadas expropriações por utilidade pública de bens
imóveis, mediante o pagamento de justa indemnização, TÍTULO III
nos termos da lei.
2 — As expropriações por utilidade pública visam, no-
Sistema de gestão territorial
meadamente, a prossecução das seguintes finalidades:
a) Realização de operações urbanísticas; CAPÍTULO I
b) Reabilitação e regeneração de áreas territoriais rús- Gestão territorial
ticas e urbanas;
c) Realização de intervenções públicas ou de iniciativa Artigo 37.º
pública;
d) Instalação de infraestruturas e equipamentos de uti- Objetivos da gestão territorial
lização coletiva; A gestão territorial visa executar a política de solos, de
e) Integração de terrenos na titularidade pública do ordenamento do território e de urbanismo e garantir:
solo;
f) Execução de programas e planos territoriais. a) A melhoria das condições de vida e de trabalho das
populações;
3 — A expropriação só pode ter lugar quando a cons- b) A correta distribuição e localização no território das
tituição de uma servidão de direito administrativo ou de atividades económicas, das funções de habitação, de tra-
outros meios menos lesivos não seja suficiente para asse- balho, de cultura e de lazer;
gurar a prossecução das finalidades de interesse público c) A criação de oportunidades diversificadas de emprego
em causa. como meio para a fixação das populações, particularmente
nas áreas menos desenvolvidas;
Artigo 35.º d) A preservação e defesa de solos com potencialidade
para aproveitamento com atividades agrícolas, pecuárias ou
Venda forçada
florestais, de conservação da natureza, de turismo e lazer,
1 — Os proprietários que não cumpram os ónus e de- de produção de energias renováveis ou de exploração de
veres decorrentes de operação de regeneração prevista em recursos geológicos, de modo a que a afetação daqueles
plano territorial de âmbito intermunicipal ou municipal ou solos a outros usos se restrinja às situações em que seja
de operação de reabilitação urbana podem ser sujeitos a efetivamente necessária e se encontre devidamente com-
venda forçada, nos termos da lei, em alternativa à expro- provada;
priação, por motivo de utilidade pública. e) A adequação de níveis de densidade urbana, impe-
2 — Os edifícios em estado de ruína ou sem condições dindo a degradação da qualidade de vida, bem como o
de habitabilidade, bem como as parcelas de terrenos re- desequilíbrio da organização económica e social;
sultantes da sua demolição, podem ser sujeitos a venda f) A rentabilização de infraestruturas, evitando a ex-
forçada, nos termos da lei tensão desnecessária das redes e dos perímetros urbanos
3 — Os adquirentes dos edifícios e parcelas de terrenos e racionalizando o aproveitamento das áreas intersticiais;
referidos nos números anteriores estão vinculados aos mes- g) A aplicação de uma política de habitação que permita
mos ónus e deveres, no prazo e programação estipulados resolver as carências existentes;
no ato de venda forçada. h) A reabilitação e a revitalização dos centros históricos
4 — No caso de o adquirente em venda forçada não e dos elementos do património cultural classificados, bem
cumprir os ónus e deveres previstos nos planos territoriais como do respetivo parque habitacional em detrimento de
e na respetiva programação no prazo da respetiva execução nova construção;
Diário da República, 1.ª série — N.º 104 — 30 de maio de 2014 2995

i) Promover a acessibilidade de todos os cidadãos aos conta o sistema urbano, as infraestruturas e os equipa-
edifícios, bem como aos espaços públicos e de uso coletivo; mentos de utilização coletiva de interesse nacional, bem
j) A recuperação e regeneração de áreas degradadas; como as áreas de interesse nacional em termos de defesa
k) A prevenção e redução de riscos coletivos; nacional e segurança pública, agrícolas, florestais, ambien-
tais, patrimoniais e económicos, de exploração de recursos
Artigo 38.º geológicos e de aproveitamento das energias renováveis;
Estrutura do sistema de gestão territorial b) As grandes opções de investimento público, com
impacte territorial significativo, suas prioridades e progra-
1 — A política de solos, de ordenamento do território e mação, em articulação com as estratégias definidas para a
de urbanismo é desenvolvida, nomeadamente, através de aplicação dos fundos europeus e nacionais.
instrumentos de gestão territorial que se materializam em:
a) Programas, que estabelecem o quadro estratégico de 3 — Os programas sectoriais estabelecem, no âmbito
desenvolvimento territorial e as suas diretrizes programáti- nacional e de acordo com as políticas sectoriais da União
cas ou definem a incidência espacial de políticas nacionais Europeia, a incidência territorial da programação ou con-
a considerar em cada nível de planeamento; cretização de políticas públicas dos diversos sectores da
b) Planos, que estabelecem opções e ações concretas em administração central do Estado, nomeadamente, nos do-
matéria de planeamento e organização do território bem mínios da defesa, segurança pública, prevenção de riscos,
como definem o uso do solo. ambiente, recursos hídricos, conservação da natureza e
da biodiversidade, transportes, comunicações, energia,
2 — O sistema de gestão territorial organiza-se num cultura, saúde, turismo, agricultura, florestas, comércio
quadro de interação coordenada que se reconduz aos âm- ou indústria.
bitos nacional, regional, intermunicipal e municipal, em 4 — Os programas especiais constituem um meio de
função da natureza e da incidência territorial dos interesses intervenção do Governo e visam a prossecução de obje-
públicos prosseguidos. tivos considerados indispensáveis à tutela de interesses
públicos e de recursos de relevância nacional com reper-
Artigo 39.º cussão territorial, estabelecendo exclusivamente regimes
de salvaguarda de recursos e valores naturais, através de
Ponderação de interesses públicos e privados medidas que estabeleçam ações permitidas, condicionadas
1 — Os programas e planos territoriais identificam, ou interditas em função dos objetivos de cada programa,
graduam e harmonizam os vários interesses públicos e prevalecendo sobre os planos territoriais de âmbito inter-
privados com tradução no ordenamento do território. municipal e municipal.
2 — Os programas e planos territoriais asseguram a 5 — Os programas especiais compreendem os pro-
harmonização dos vários interesses públicos com expressão gramas da orla costeira, programas das áreas protegidas,
espacial, tendo em conta a defesa nacional, a segurança, programas de albufeiras de águas públicas e os programas
a saúde pública, a proteção civil e as estratégias de de- dos estuários.
senvolvimento, bem como a sustentabilidade territorial, Artigo 41.º
em termos económicos, sociais, culturais e ambientais, a Âmbito regional
médio e longo prazo.
3 — As entidades responsáveis pela elaboração, aprova- 1 — Os programas regionais estabelecem:
ção, alteração, revisão, execução e avaliação dos progra- a) As opções estratégicas de organização do território
mas e planos territoriais devem assegurar, nos respetivos regional e o respetivo modelo de estruturação territorial,
âmbitos de intervenção, a necessária coordenação entre tendo em conta o sistema urbano, as infraestruturas e os
as diversas políticas com incidência territorial e a política equipamentos de utilização coletiva de interesse regio-
de ordenamento do território e urbanismo, mantendo uma nal, bem como as áreas de interesse regional em termos
estrutura orgânica e funcional apta a prosseguir uma efetiva agrícolas, florestais, ambientais, ecológicos e económi-
articulação, cooperação e concertação no exercício das cos, integrando as redes nacionais de infraestruturas, de
várias competências. mobilidade e de equipamentos de utilização coletiva com
expressão regional;
Artigo 40.º b) As grandes opções de investimento público, com
Âmbito nacional impacte territorial significativo, suas prioridades e progra-
mação, em articulação com as estratégias definidas para a
1 — Os programas territoriais de âmbito nacional defi- aplicação dos fundos europeus e nacionais.
nem o quadro estratégico para o ordenamento do espaço
nacional e para a sua integração na União Europeia, es-
2 — Os programas regionais constituem o quadro de
tabelecendo as diretrizes a considerar a nível regional e
referência estratégico para a elaboração dos programas
a compatibilização das políticas públicas sectoriais do
intermunicipais e dos planos territoriais de âmbito inter-
Estado, bem como, na medida do necessário, a salvaguarda
municipal e municipal.
de valores e recursos de reconhecido interesse nacional,
nos termos dos números seguintes.
2 — O programa nacional da política de ordenamento Artigo 42.º
do território estabelece, em concretização das opções Âmbito intermunicipal
europeias de desenvolvimento territorial e do quadro de
1 — O programa intermunicipal é de elaboração facul-
referência europeu:
tativa e abrange dois ou mais municípios territorialmente
a) As opções estratégicas de organização do território contíguos integrados na mesma comunidade intermunici-
nacional e o modelo de estruturação territorial tendo em pal, salvo situações excecionais, autorizadas pelo membro
2996 Diário da República, 1.ª série — N.º 104 — 30 de maio de 2014

do Governo responsável pela área do ordenamento do prosseguem objetivos de interesse nacional e estabelecem
território, após parecer das comissões de coordenação e os princípios e as regras orientadoras da disciplina a definir
desenvolvimento regional. pelos programas regionais.
2 — O programa intermunicipal assegura a articulação 2 — Os programas regionais prosseguem os objetivos
entre o programa regional e os planos territoriais de âmbito de interesse regional e respeitam o disposto nos programas
intermunicipal ou municipal, no caso de áreas que, pela territoriais de âmbito nacional.
interdependência estrutural ou funcional ou pela existência 3 — Os planos territoriais de âmbito intermunicipal
de áreas homogéneas de risco, necessitem de uma ação e municipal devem desenvolver e concretizar as orien-
integrada de planeamento. tações definidas nos programas territoriais preexistentes
3 — O programa intermunicipal estabelece as opções de âmbito nacional ou regional, com os quais se devem
estratégicas de organização do território intermunicipal e compatibilizar.
de investimento público, suas prioridades e programação, 4 — Os planos territoriais de âmbito municipal devem
em articulação com as estratégias definidas nos progra- ainda atender às orientações definidas nos programas in-
mas territoriais de âmbito nacional, sectorial e regional, termunicipais preexistentes.
definindo orientações para os planos territoriais de âmbito 5 — A existência de um plano diretor, de um plano
intermunicipal ou municipal. de urbanização ou de um plano de pormenor de âmbito
4 — Os planos territoriais de âmbito intermunicipal intermunicipal exclui a possibilidade de existência, ao
são o plano diretor intermunicipal, o plano de urbanização nível municipal, de planos territoriais do mesmo tipo, na
intermunicipal e o plano de pormenor intermunicipal. área por eles abrangida, sem prejuízo das regras relativas
5 — O plano diretor intermunicipal estabelece, de modo à dinâmica de planos territoriais.
coordenado, a estratégia de desenvolvimento territorial 6 — Sempre que entre em vigor um programa territorial
intermunicipal, o modelo territorial intermunicipal, as de âmbito nacional ou regional, é obrigatória a alteração
opções de localização e de gestão de equipamentos de ou atualização dos planos territoriais de âmbito intermu-
utilização pública locais e as relações de interdependência nicipal e municipal, que com ele não sejam compatíveis,
entre dois ou mais municípios territorialmente contíguos, e nos termos da lei.
a sua aprovação dispensa a elaboração de planos diretores 7 — O programa ou o plano territorial posterior avalia
municipais, substituindo-os. e pondera as regras dos programas ou planos preexistentes
6 — Os planos de urbanização e os planos de pormenor ou em preparação, identificando expressamente as normas
intermunicipais abrangem parte do território contíguo dos incompatíveis a alterar ou a revogar nos termos da lei.
concelhos a que respeitam.
7 — A existência de um plano intermunicipal não pre- Artigo 45.º
judica o direito de cada município gerir autonomamente o Articulação de programas e planos territoriais com os planos
seu território, de acordo com o previsto nesse plano. de ordenamento do espaço marítimo
1 — Os programas e os planos territoriais asseguram
Artigo 43.º a respetiva articulação e compatibilização com os pla-
Âmbito municipal nos de ordenamento do espaço marítimo nacional, sem-
pre que incidam sobre a mesma área ou sobre áreas que,
1 — Os planos territoriais de âmbito municipal estabe-
pela interdependência estrutural ou funcional dos seus
lecem, nos termos da Constituição e da lei, de acordo com
elementos, necessitem de uma coordenação integrada de
as diretrizes estratégicas de âmbito regional, e com opções
planeamento.
próprias de desenvolvimento estratégico local, o regime
2 — A articulação e a compatibilização dos programas
de uso do solo e a respetiva execução.
e dos planos territoriais com os planos de ordenamento do
2 — Os planos territoriais de âmbito municipal são o
espaço marítimo nacional são feitas nos termos da lei.
plano diretor municipal, o plano de urbanização e o plano
de pormenor.
3 — O plano diretor municipal é de elaboração obri- Artigo 46.º
gatória, salvo se houver um plano diretor intermunicipal, Vinculação
e estabelece, nomeadamente, a estratégia de desenvolvi- 1 — Os programas territoriais vinculam as entidades
mento territorial municipal, o modelo territorial municipal, públicas.
as opções de localização e de gestão de equipamentos de 2 — Os planos territoriais de âmbito intermunicipal e
utilização coletiva e as relações de interdependência com municipal vinculam as entidades públicas e ainda, direta
os municípios vizinhos. e imediatamente, os particulares.
4 — O plano de urbanização desenvolve e concretiza o 3 — O disposto no n.º 1 do presente artigo não prejudica
plano diretor municipal e estrutura a ocupação do solo e o a vinculação direta e imediata dos particulares relativa-
seu aproveitamento, definindo a localização das infraes- mente a normas legais ou regulamentares em matéria de
truturas e dos equipamentos coletivos principais. recursos florestais.
5 — O plano de pormenor desenvolve e concretiza o 4 — Os programas territoriais que prossigam objetivos
plano diretor municipal, definindo a implantação e a volu- de interesse nacional ou regional, cujo conteúdo em função
metria das edificações, a forma e organização dos espaços da sua incidência territorial urbanística deva ser vertido
de utilização coletiva e o traçado das infraestruturas. em plano diretor intermunicipal ou municipal e em outros
planos territoriais estabelecem, ouvidos a associação de
Artigo 44.º municípios ou os municípios abrangidos, o prazo para
a atualização destes planos e indicam expressamente as
Relações entre programas e planos territoriais
normas a alterar, nos termos da lei.
1 — O programa nacional da política de ordenamento 5 — Findo o prazo estabelecido nos termos do número
território, os programas sectoriais e os programas especiais anterior, se a associação de municípios ou o município
Diário da República, 1.ª série — N.º 104 — 30 de maio de 2014 2997

não tiver procedido à referida atualização, suspendem-se 4 — Os programas e planos territoriais de âmbito in-
as normas do plano territorial intermunicipal ou muni- termunicipal são elaborados pelas câmaras municipais
cipal que deveriam ter sido alteradas, não podendo, na dos municípios associados para o efeito ou pelo conselho
área abrangida, haver lugar à prática de quaisquer atos executivo da associação de municípios e são aprovados,
ou operações que impliquem a alteração do uso do solo, respetivamente, pelas assembleias municipais interessadas
enquanto durar a suspensão. ou pela assembleia intermunicipal.
6 — Sem prejuízo de outras sanções previstas na lei, a 5 — Os planos territoriais de âmbito municipal são
falta de iniciativa, por parte de associação de municípios elaborados pela câmara municipal e aprovados pela as-
ou município, tendente a desencadear o procedimento de sembleia municipal.
atualização do plano intermunicipal ou municipal referida
no número anterior, bem como o atraso da mesma atuali- Artigo 49.º
zação por facto imputável às referidas entidades, implica Informação e participação
a rejeição de candidaturas de projetos a benefícios ou
subsídios outorgados por entidades ou serviços públicos O procedimento de elaboração, alteração ou revisão dos
nacionais ou comunitários, bem como a não celebração de programas e planos territoriais assegura aos particulares as
contratos-programa, até à regularização da situação. garantias gerais que a lei lhes confere, nomeadamente, a
informação e os meios de participação pública efetiva, bem
Artigo 47.º como o direito de apresentação de observações e sugestões
à entidade responsável pela sua elaboração e de consulta
Contratualização do planeamento do respetivo processo, nos termos da lei.
1 — A elaboração, a alteração, e a revisão, a suspensão
e a execução de planos territoriais de âmbito intermu- Artigo 50.º
nicipal ou municipal pode ser precedida da celebração Dinâmica
de contratos entre o Estado, as regiões autónomas e as
autarquias locais. 1 — Os programas e planos territoriais podem ser objeto
2 — Os contratos referidos no número anterior podem de revisão, alteração, suspensão ou revogação, em razão
ter por objeto, nomeadamente, as formas e os prazos para da evolução ou reponderação das condições económicas,
adequação dos planos existentes em relação a programas sociais, culturais e ambientais subjacentes à sua elaboração,
supervenientes com os quais aqueles devam ser conformes com fundamento em relatório de avaliação a elaborar nos
ou compatíveis. termos estabelecidos na lei.
3 — Os particulares interessados na elaboração, altera- 2 — A atualização de planos territoriais decorrentes da
ção ou revisão de um plano de urbanização ou de plano de entrada em vigor de normas legais e regulamentares, que
pormenor podem apresentar propostas de contratos para não implique uma decisão autónoma de planeamento, é
planeamento aos municípios. obrigatória e depende de declaração da entidade respon-
4 — A contratualização prevista no número anterior não sável pela elaboração do plano.
prejudica o exercício dos poderes públicos de planeamento,
as garantias procedimentais de intervenção de outras en- Artigo 51.º
tidades públicas ou de participação dos interessados, nem Ratificação de planos territoriais de âmbito
a observância das disposições legais e regulamentares intermunicipal e municipal
aplicáveis.
1 — A ratificação pelo Governo do plano diretor in-
5 — Os procedimentos de formação dos contratos re-
termunicipal ou do plano diretor municipal é excecional,
feridos nos números anteriores asseguram uma adequada
ocorrendo nas situações em que, no âmbito do respetivo
publicitação e a realização de discussão pública.
procedimento de elaboração e aprovação, seja suscitada
pela associação de municípios ou pelo município a sua
CAPÍTULO II incompatibilidade com programa especial, regional ou
sectorial.
Formação e dinâmica dos programas 2 — A ratificação pelo Governo do plano diretor inter-
e planos territoriais municipal ou do plano diretor municipal tem como efeito a
revogação ou alteração das normas do programa regional,
Artigo 48.º sectorial ou especial incompatíveis com as opções muni-
Elaboração e aprovação cipais ou intermunicipais ratificadas.
3 — A ratificação pelo Governo do plano diretor inter-
1 — O programa nacional da política de ordenamento municipal ou do plano diretor municipal pode ser total ou
do território é elaborado pelo Governo e aprovado por lei parcial, aproveitando apenas a parte objeto de ratificação.
da Assembleia da República.
2 — Os programas regionais de ordenamento do territó-
rio são elaborados e aprovados pelo Governo, sob coorde- CAPÍTULO III
nação do membro responsável pela área do ordenamento
do território. Medidas preventivas e normas provisórias
3 — Os programas especiais e sectoriais são elaborados Artigo 52.º
e aprovados pelo Governo, sob coordenação do membro
Medidas preventivas
responsável pela área cujo interesse público é tutelado no
programa a título principal, em articulação com o membro 1 — As associações de municípios e as autarquias locais
do Governo responsável pela área do ordenamento do podem, pelo prazo máximo a definir em lei, estabelecer as
território. medidas preventivas necessárias para evitar a alteração das
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circunstâncias de facto existentes em determinada área do planos territoriais de âmbito intermunicipal e municipal e
território, de modo a garantir a liberdade na elaboração de nos respetivos instrumentos de programação.
programas e planos territoriais de âmbito intermunicipal ou 3 — A realização de infraestruturas na execução de
municipal a ele relativos, e evitar que a sua execução fique planos territoriais é precedida de contrato de urbanização,
comprometida ou se torne excessivamente onerosa. nos termos da lei.
2 — Para salvaguardar situações excecionais de re-
conhecido interesse nacional ou regional ou garantir a Artigo 55.º
elaboração dos programas especiais, o Governo pode
Execução sistemática e não sistemática
estabelecer medidas preventivas destinadas a evitar a al-
teração de circunstâncias e das condições existentes que 1 — A execução sistemática consiste na realização, me-
possam comprometer a respetiva execução ou torná-la diante programação municipal, de operações urbanísticas
mais onerosa. integradas, tendo em vista a transformação, reabilitação
3 — A adoção de medidas preventivas por motivo de ou regeneração ordenada do território abrangido.
revisão ou alteração de um plano territorial de âmbito inter- 2 — A execução não sistemática é efetuada sem neces-
municipal ou municipal, ou para salvaguarda de situações sidade de prévia delimitação de unidades de execução,
excecionais de reconhecido interesse nacional ou regional por intermédio de operações urbanísticas a realizar nos
e garantia de elaboração de programas especiais, determina termos da lei.
a suspensão da eficácia deste na área abrangida por aquelas 3 — A execução sistemática dos planos territoriais de
medidas e, ainda, quando assim seja determinado no ato âmbito intermunicipal ou municipal é concretizada através
que as adota, a suspensão dos demais programas e planos de políticas urbanas integradas, nomeadamente, mediante
em vigor na mesma área. a aquisição ou disponibilização de terrenos, operações
4 — A adoção de medidas preventivas dá lugar a in- de transformação fundiária e formas de parceria ou con-
demnização, nos termos da lei. tratualização que incentivem a concertação dos diversos
interesses em presença, no âmbito de unidades de execução
Artigo 53.º delimitadas nos termos da lei.
Normas provisórias
Artigo 56.º
1 — Quando a salvaguarda de interesses públicos a
prosseguir não possa obter-se mediante a imposição das Programação da execução
proibições e limitações a que se refere o artigo anterior, 1 — Os programas e planos territoriais estabelecem as
podem ser adotadas, pelo prazo máximo e procedimento orientações sobre a forma da respetiva execução, incluindo,
a definir em lei, normas provisórias que definam o re-
designadamente:
gime transitoriamente aplicável a uma determinada área
do território e se revelem necessárias para a salvaguarda a) A explicitação dos respetivos objetivos e a iden-
daqueles interesses. tificação das intervenções consideradas estratégicas ou
2 — Só pode haver lugar à adoção de normas provi- estruturantes;
sórias quando o procedimento de elaboração ou revisão b) A descrição e a estimativa dos custos individuais e da
do plano diretor intermunicipal ou do plano diretor muni- globalidade das ações previstas bem como dos respetivos
cipal que o substitua se encontre em estado avançado de prazos de execução;
elaboração que permita a adoção fundamentada de regras c) A ponderação da respetiva sustentabilidade ambiental
regulamentares específicas. e social, da viabilidade jurídico-fundiária e da sustentabili-
3 — A adoção de normas provisórias é precedida dos dade económico-financeira das respetivas propostas;
pareceres das entidades da Administração Pública com d) A definição dos meios, dos sujeitos responsáveis
competências específicas e de discussão pública, nos ter- pelo financiamento da execução e dos demais agentes a
mos aplicáveis ao plano territorial de âmbito intermunicipal envolver;
ou municipal a que respeitam. e) A estimativa da capacidade de investimento público
4 — As normas provisórias caducam com a entrada relativa às propostas do plano territorial em questão, tendo
em vigor do plano territorial de âmbito intermunicipal ou em conta os custos da sua execução.
municipal para a área em questão.
5 — A adoção de normas provisórias pode dar lugar a 2 — Os elementos referidos no número anterior inte-
indemnização quando destas resulte sacrifício de direitos gram, de forma autónoma, o programa de execução e o
preexistentes e juridicamente consolidados, nos termos plano de financiamento dos programas e planos territo-
da lei. riais.
3 — A programação da execução dos programas e pla-
CAPÍTULO IV nos territoriais obedece às orientações referidas no n.º 1,
estabelece as ações tendentes à sua execução, define o
Execução dos programas e planos territoriais modo e os prazos em que estas se processam e identifica os
Artigo 54.º responsáveis pela execução e respetivas responsabilidades.
4 — São instrumentos de programação, designada-
Promoção pública da execução
mente, as unidades de execução e as operações de rea-
1 — A promoção da execução dos programas e planos bilitação urbana delimitadas pela câmara municipal nos
territoriais é uma tarefa pública, cabendo ao Estado, às termos previstos na lei.
regiões autónomas ou às autarquias locais, a sua progra- 5 — A programação dos planos territoriais de âmbito
mação e coordenação. intermunicipal ou municipal é obrigatoriamente inscrita
2 — Os particulares têm o dever de concretizar e adequar nos planos de atividades e nos orçamentos municipais,
as suas pretensões aos objetivos e prioridades definidos nos nos termos e condições previstos na lei.
Diário da República, 1.ª série — N.º 104 — 30 de maio de 2014 2999

Artigo 57.º finalização de operações urbanísticas inacabadas ou aban-


Monitorização e avaliação
donadas pelos seus promotores.
2 — A regularização das operações urbanísticas não
1 — Todos os programas e planos territoriais devem prejudica a aplicação de sanções e de medidas de tutela da
definir parâmetros e indicadores que permitam monito- legalidade urbanística, bem como o cumprimento dos pla-
rizar a respetiva estratégia, objetivos e resultados da sua nos intermunicipais e municipais e demais normas legais e
execução. regulamentares em vigor à data em que tenham lugar.
2 — O Estado, as regiões autónomas e as autarquias 3 — Sem prejuízo do disposto no número anterior, a lei
locais recolhem a informação referida no número anterior pode dispensar o cumprimento de requisitos de legalidade
e promovem a elaboração dos respetivos relatórios de relativos à construção cuja aplicação se tenha tornado
execução, bem como a normalização de fontes de dados impossível ou que não seja razoável exigir, assegurando
e de indicadores comuns, no prazo e condições a definir o cumprimento dos requisitos atinentes à saúde pública e
na lei. à segurança de pessoas e bens.
3 — A informação referida no número anterior é dispo-
nibilizada publicamente, através dos meios informáticos Artigo 60.º
adequados e que promovam a interoperabilidade e a arti-
culação a nível nacional, regional e local. Utilização e conservação do edificado
4 — A necessidade da alteração, revisão ou revogação 1 — As edificações devem respeitar as condições de
de um programa ou plano territorial fundamenta-se no segurança, salubridade e estéticas necessárias ao fim a
respetivo relatório de execução. que se destinam.
2 — Os proprietários têm o dever de manter as edifica-
ções existentes em boas condições de utilização, realizando
TÍTULO IV as obras de conservação ou de outra natureza que se re-
Operações urbanísticas velem indispensáveis a essa finalidade, nos termos da lei.

Artigo 58.º Artigo 61.º


Controlo administrativo das operações urbanísticas Reabilitação e regeneração

1 — O controlo administrativo das operações urbanís- 1 — A reabilitação é a forma de intervenção territorial


ticas destina-se a assegurar a conformidade das operações integrada que visa a valorização do suporte físico de um
urbanísticas com as disposições legais e regulamentares território, através da realização de obras de reconstrução,
aplicáveis e a prevenir os perigos ou danos que da sua recuperação, beneficiação, renovação e modernização do
realização possam resultar para a saúde pública e segu- edificado, das infraestruturas, dos serviços de suporte e
rança de pessoas e bens, bem como a garantir uma efetiva dos sistemas naturais, bem como de correção de passivos
responsabilização dos técnicos legalmente qualificados e ambientais ou de valorização paisagística.
dos particulares responsáveis pelos eventuais prejuízos 2 — A regeneração é a forma de intervenção territorial
causados por tais operações. integrada que combina ações de reabilitação com obras de
2 — A realização de operações urbanísticas depende, demolição e construção nova e com medidas adequadas
em regra, de controlo prévio vinculado à salvaguarda dos de revitalização económica, social e cultural e de reforço
interesses públicos em presença e à definição estável e da coesão e do potencial territorial.
inequívoca da situação jurídica dos interessados. 3 — Sem prejuízo do disposto na alínea a) do n.º 2 do
3 — Quando a salvaguarda dos interesses públicos em artigo 14.º, incumbe ao Estado, às regiões autónomas e
causa seja compatível com a existência de um mero con- às autarquias locais promover a reabilitação ou regene-
trolo sucessivo, a lei pode isentar de controlo prévio a ração das áreas urbanas que dela careçam, programando
realização de determinadas operações urbanísticas, desde ou conduzindo a realização das respetivas operações de
que as condições de realização sejam suficientemente de- reabilitação urbana ou concedendo apoios e outros incen-
finidas em plano municipal. tivos financeiros e fiscais.
4 — A realização de quaisquer operações urbanísticas
está sujeita a controlo sucessivo, independentemente da
sua sujeição a controlo prévio. TÍTULO V
5 — A lei estabelece mecanismos com vista a assegurar
a efetiva responsabilização dos diversos intervenientes Regime económico e financeiro
nos processos de urbanização e de construção, bem como
a garantia da qualidade. CAPÍTULO I
6 — O Estado, as regiões autónomas e as autarquias
locais podem determinar medidas de tutela da legalidade Financiamento de infraestruturas urbanísticas
em quaisquer ações ou operações urbanísticas realizadas
em desconformidade com a lei ou planos territoriais. Artigo 62.º
Princípios gerais
Artigo 59.º
1 — A execução de infraestruturas urbanísticas e de
Regularização de operações urbanísticas
equipamentos de utilização coletiva pelo Estado, pelas
1 — A lei estabelece um procedimento excecional para regiões autónomas e pelas autarquias locais obedecem a
a regularização de operações urbanísticas realizadas sem critérios de eficiência e sustentabilidade financeira, sem
o controlo prévio a que estavam sujeitas bem como para a prejuízo da coesão territorial.
3000 Diário da República, 1.ª série — N.º 104 — 30 de maio de 2014

2 — Para efeitos do número anterior, qualquer decisão 4 — A redistribuição de benefícios e encargos a efe-
de criação de infraestruturas urbanísticas é precedida da tivar nos termos do número anterior, aplica-se a todas as
demonstração do seu interesse económico e da sustenta- operações urbanísticas sistemáticas e não sistemáticas que
bilidade financeira da respetiva operação, incluindo os ocorram no território em causa, concretizando a afetação
encargos de conservação, justificadas pela entidade com- das mais-valias decorrentes do plano ou de ato adminis-
petente no âmbito da programação nacional, regional ou trativo.
intermunicipal. 5 — A redistribuição de benefícios e encargos a efe-
3 — Os municípios elaboram obrigatoriamente um pro- tivar no âmbito de unidades de execução ou de outros
grama de financiamento urbanístico que integra o programa instrumentos de programação determina a distribuição
plurianual de investimentos municipais na execução, na dos benefícios e encargos pelo conjunto dos respetivos
manutenção e no reforço das infraestruturas e a previsão de intervenientes.
custos de gestão urbana e identifica, de forma explícita, as 6 — Para efeitos do disposto nos números anteriores, os
fontes de financiamento para cada um dos compromissos planos territoriais de âmbito intermunicipal ou municipal
previstos. fundamentam o processo de formação das mais-valias
4 — Os municípios devem constituir um fundo mu- fundiárias e definem os critérios para a sua parametrização
nicipal de sustentabilidade ambiental e urbanística, ao e redistribuição.
qual são afetas receitas resultantes da redistribuição de 7 — A lei pode ainda estabelecer mecanismos de distri-
mais-valias, com vista a promover a reabilitação urbana, a buição de encargos e benefícios destinados a compensar
sustentabilidade dos ecossistemas e a prestação de serviços os custos decorrentes da proteção de interesses gerais,
ambientais, sem prejuízo do município poder afetar outras nomeadamente, a salvaguarda do património cultural, a
receitas urbanísticas a este fundo, com vista a promover a valorização da biodiversidade ou da proteção de ecos-
criação, manutenção e reforço de infraestruturas, equipa- sistemas.
mentos ou áreas de uso público. Artigo 65.º
5 — Os instrumentos tributários podem ter taxas de
tributação diferenciadas em função dos custos das infraes- Objetivos da redistribuição de benefícios e encargos
truturas territoriais disponibilizadas, da respetiva utilização A redistribuição de benefícios e encargos tem em con-
e de opções de incentivo ou desincentivo justificadas por sideração os seguintes objetivos:
objetivos de ambiente e ordenamento do território.
a) Garantia da igualdade de tratamento relativamente
Artigo 63.º a benefícios e encargos decorrentes de plano territorial de
âmbito intermunicipal ou municipal;
Tributação do património imobiliário
b) Disponibilização de terrenos e edifícios ao município
1 — A tributação do património imobiliário urbano res- para a implementação, instalação ou renovação de infraes-
peita o princípio da equivalência ou do benefício, aten- truturas, equipamentos, espaços verdes e outros espaços de
dendo ao investimento realizado em habitação com fins utilização coletiva, bem como para compensação de parti-
sociais, infraestruturas territoriais, equipamentos de utili- culares nas situações em que tal se revele necessário;
zação coletiva, ações de regeneração e reabilitação urbana, c) Garantia da igualdade de tratamento relativamente
preservação e qualificação ambientais, que beneficiem o a benefícios e encargos no âmbito de uma unidade de
desenvolvimento socioeconómico das populações, nos execução de um plano territorial de âmbito intermunicipal
termos da Constituição e da lei. ou municipal.
2 — A tributação do património imobiliário rústico Artigo 66.º
respeita o princípio da capacidade contributiva, tomando
em consideração o rendimento fundiário decorrente de Tipos de redistribuição de benefícios e encargos
uma utilização eficiente do solo e promovendo o efetivo Constituem tipos de redistribuição de benefícios e en-
aproveitamento do mesmo. cargos:
a) Afetação social de mais-valias gerais atribuídas pelo
CAPÍTULO II plano territorial de âmbito intermunicipal ou municipal;
Instrumentos equitativos b) Distribuição dos benefícios e encargos decorrentes
do plano territorial de âmbito intermunicipal ou municipal
Artigo 64.º entre os proprietários fundiários;
c) Contribuição com áreas para a implementação, insta-
Redistribuição de benefícios e encargos lação e renovação de infraestruturas, equipamentos, espa-
1 — Todas as operações urbanísticas sistemáticas e não ços verdes e outros espaços de utilização coletiva.
sistemáticas estão sujeitas ao regime económico-financeiro
regulado nos termos da lei e dos artigos seguintes. CAPÍTULO III
2 — Os planos territoriais de âmbito intermunicipal ou
municipal contêm instrumentos de redistribuição equitativa Avaliação
de benefícios e encargos deles resultantes.
3 — A redistribuição de benefícios e encargos a efetivar Artigo 67.º
no âmbito dos planos territoriais de âmbito intermunicipal Âmbito de aplicação
ou municipal toma por referência unidades operativas de
planeamento e gestão, bem como unidades de execução, 1 — O disposto no presente capítulo aplica-se à avalia-
considerando a globalidade de território por eles abran- ção do solo, das instalações, das construções, edificações
gida. e outras benfeitorias, bem como dos direitos legalmente
Diário da República, 1.ª série — N.º 104 — 30 de maio de 2014 3001

constituídos sobre ou em conexão com o solo e benfeitorias 2 — A avaliação do solo urbano atende:
que suporta.
a) Ao valor correspondente ao aproveitamento ou edifi-
2 — A avaliação, nos termos do número anterior, tem
cabilidade concreta estabelecidos pelo plano aplicável ou,
por objeto a determinação:
na sua ausência, ao valor referente à edificabilidade média
a) Do valor fundiário para efeitos de execução dos pla- definida no plano territorial de âmbito intermunicipal ou
nos territoriais de âmbito intermunicipal ou municipal, na municipal, deduzidos os valores de cedência média por
ausência de acordo entre os interessados; via perequativa, nos termos legais;
b) Do preço a pagar ao proprietário na expropriação por b) Ao valor do edificado existente no seu estado atual
utilidade pública e na venda ou no arrendamento forçados, bem como, quando seja esse o caso, o valor dos ónus e
nos termos da lei; deveres previstos para realização da edificabilidade con-
c) Do valor dos imóveis para efeitos fiscais. creta prevista no plano territorial de âmbito intermunicipal
ou municipal.
Artigo 68.º
3 — As benfeitorias são avaliadas de forma indepen-
Valor do solo dente em relação ao solo mediante a aplicação de crité-
1 — O valor do solo obtém-se através da aplicação de rios diferenciadores de avaliação que atendam à respetiva
mecanismos de regulação económico-financeiros, a definir conformidade com a lei, programas e planos territoriais
nos termos da lei, tendo em conta a política pública de aplicáveis ou mecanismos de controlo prévio ou sucessivo
solos, do ordenamento do território e de urbanismo, que de operações urbanísticas.
incluem, designadamente, a redistribuição de benefícios
e encargos decorrentes de planos territoriais de âmbito
intermunicipal ou municipal, nos termos da lei. CAPÍTULO IV
2 — As mais-valias originadas pela edificabilidade esta-
Avaliação de programas e planos territoriais
belecida em plano territorial são calculadas e distribuídas
entre os proprietários e o fundo municipal de sustentabi-
Artigo 72.º
lidade ambiental e urbanística.
Relatório sobre o estado do solo, do ordenamento
do território e do urbanismo
Artigo 69.º
Critérios gerais para a avaliação do solo
O Governo apresenta à Assembleia da República, de dois
em dois anos, um relatório sobre o estado dos programas e
1 — O solo é avaliado pelo método de avaliação mais planos territoriais, no qual é feita a avaliação da execução
apropriado, tendo em consideração a sua situação concreta, do programa nacional das políticas de ordenamento do
nos termos dos artigos seguintes. território e são discutidos os princípios orientadores e as
2 — A avaliação do solo faz-se de acordo com os méto- formas de articulação das políticas sectoriais e regionais
dos comparativo de valores de mercado, de capitalização com incidência territorial.
do rendimento ou de custo de reposição, a definir em lei.
3 — A avaliação das edificações tem em conta o respe-
tivo estado de conservação. Artigo 73.º
Acompanhamento da política de solos, de ordenamento
do território e de urbanismo
Artigo 70.º
1 — A lei estabelece formas de acompanhamento per-
Avaliação do solo rústico
manente e de avaliação técnica da gestão territorial e prevê
1 — O solo rústico é avaliado mediante a capitalização mecanismos que garantam a eficiência dos instrumentos
do rendimento anual, plurianual, real e atual da exploração. que a concretizam.
2 — As benfeitorias são avaliadas de forma indepen- 2 — A lei estabelece ainda a criação de um sistema
dente em relação ao solo, mediante a aplicação de critérios nacional de informação territorial que permita a disponibi-
diferenciadores de avaliação que atendam à respetiva con- lização informática de dados sobre o território, articulado
formidade com a lei, os programas e os planos territoriais aos níveis nacional, regional e local.
aplicáveis ou mecanismos de controlo prévio ou sucessivo 3 — A lei estabelece a criação de um sistema nacional
das operações urbanísticas. de informação cadastral que permita identificar as unida-
3 — As benfeitorias, quando avaliadas de forma inde- des prediais.
pendente do solo, são valorizadas pelo método do custo
de reposição depreciado no momento a que a avaliação
respeita. TÍTULO VI
4 — As plantações são valorizadas pelo método de ca-
pitalização do rendimento.
Publicidade e registo
Artigo 74.º
Artigo 71.º Publicação e publicitação
Avaliação do solo urbano
Todos os programas e planos territoriais são publica-
1 — O solo urbano é avaliado considerando o valor dos no Diário da República, acompanhados do respetivo
conjunto do solo e das benfeitorias nele realizadas, nos ato de aprovação, e publicitados no Sistema Nacional de
termos da lei. Informação Territorial.
3002 Diário da República, 1.ª série — N.º 104 — 30 de maio de 2014

Artigo 75.º recursos territoriais e valores naturais diretamente vincu-


Sistema de informação lativas dos particulares que devam ser integradas em plano
intermunicipal ou municipal.
1 — O Estado, as regiões autónomas e as autarquias 3 — As normas identificadas pelas comissões de coor-
locais devem, nos termos legalmente estabelecidos, dis- denação e desenvolvimento regional nos termos do número
ponibilizar no respetivo sítio da Internet a informação anterior, são comunicadas à associação de municípios ou
administrativa relativa à prossecução das suas atribuições município em causa, para efeitos de atualização dos planos
em matéria de solos, de ordenamento do território e de intermunicipais e municipais, sendo aplicável o disposto
urbanismo, sem prejuízo do exercício do direito geral à no n.º 4 do artigo 46.º
informação, salvaguardando a necessária reserva face aos 4 — Findo o prazo definido no n.º 1, os planos espe-
interesses da defesa nacional e da segurança pública. ciais continuam a vigorar mas deixam de vincular direta
2 — É obrigatória, nos termos e condições previstos na e imediatamente os particulares, sem prejuízo do disposto
lei, a disponibilização de informação relativa a: nos n.os 5 e 6 do artigo 46.º
a) Regulamentos administrativos e programas e planos
territoriais, incluindo todo o conteúdo documental destes; Artigo 79.º
b) Tramitação dos procedimentos de formação e dinâ- Planos regionais de ordenamento do território
mica de programas e planos territoriais;
Os planos regionais de ordenamento do território apro-
c) Decisões respeitantes à programação da execução
vados nos termos do Decreto-Lei n.º 380/99, de 22 de
dos planos territoriais; setembro, continuam em vigor até à sua alteração ou re-
d) Tramitação dos procedimentos de controlo prévio de visão.
operações urbanísticas; Artigo 80.º
e) Decisões finais sobre os procedimentos de controlo
prévio referidos na alínea anterior; Instrumentos de gestão territorial
f) Contratos celebrados com o Estado, as regiões autó- Todos os instrumentos de gestão territorial vigentes
nomas e as autarquias locais ou com particulares; devem ser reconduzidos, no âmbito do sistema de planea-
g) Relatórios sobre a execução de programas e planos mento estabelecido pela presente lei e no prazo e condi-
territoriais e sobre as operações urbanísticas realizadas; ções a estabelecer em legislação complementar, ao tipo de
h) Ações de fiscalização de atividades de uso, ocupação programa ou plano territorial que se revele adequado ao
e transformação do solo. âmbito de aplicação específica.

Artigo 81.º
TÍTULO VII
Legislação complementar
Disposições transitórias e finais No prazo de seis meses a contar da data da entrada
Artigo 76.º em vigor da presente lei são aprovados os diplomas le-
gais complementares que reveem o regime jurídico dos
Registo predial, inscrição matricial e cadastral instrumentos de gestão territorial, o regime jurídico da
Estão sujeitos a registo predial, a inscrição matricial, urbanização e edificação e o regime aplicável ao cadastro
bem como a georreferenciação e a inscrição no cadastro predial e respetivos diplomas regulamentares.
predial, os factos que afetem direitos reais relativos a um
determinado imóvel ou lhe imponham um ónus, nos ter- Artigo 82.º
mos da lei. Norma transitória
Artigo 77.º 1 — A presente lei aplica-se aos procedimentos de ela-
Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território boração, alteração ou revisão de planos territoriais penden-
tes à data da sua entrada em vigor que ainda não tenham
O Programa Nacional da Política de Ordenamento do iniciado o respetivo período de discussão pública, sem
Território, aprovado pela Lei n.º 58/2007, de 4 de setembro, prejuízo da salvaguarda dos atos já praticados e dos direitos
mantém-se em vigor até à sua alteração ou revisão. preexistentes e juridicamente consolidados.
2 — As regras relativas à classificação de solos, previs-
Artigo 78.º tas na presente lei, são aplicáveis aos procedimentos de
Planos especiais elaboração, alteração ou revisão de planos territoriais de
âmbito intermunicipal ou municipal, que se iniciem após a
1 — O conteúdo dos planos especiais de ordenamento data da sua entrada em vigor e aos que ainda se encontrem
do território em vigor deve ser vertido, nos termos da lei, pendentes um ano após essa data, sem prejuízo do disposto
no plano diretor intermunicipal ou municipal e em outros no número seguinte.
planos intermunicipais ou municipais aplicáveis à área 3 — Nos procedimentos de elaboração, alteração ou
abrangida pelos planos especiais, no prazo máximo de três revisão de planos territoriais a que se refere o número
anos, a contar da data da entrada em vigor da presente lei. anterior, os terrenos que estejam classificados como solo
2 — Compete às comissões de coordenação e desenvol- urbanizável ou solo urbano com urbanização programada,
vimento regional, com o apoio das entidades responsáveis mantêm a classificação como solo urbano para os efei-
pela elaboração dos planos especiais de ordenamento do tos da presente lei, até ao termo do prazo para execução
território em vigor e das associações de municípios e mu- das obras de urbanização que tenha sido ou seja definido
nicípios abrangidos por aqueles, a identificação, no prazo em plano de pormenor, por contrato de urbanização ou
de um ano a contar da data da entrada em vigor da presente de desenvolvimento urbano ou por ato administrativo de
lei, das normas relativas aos regimes de salvaguarda de controlo prévio.
Diário da República, 1.ª série — N.º 104 — 30 de maio de 2014 3003

Artigo 83.º processo comum de execução para pagamento de quantia


Norma revogatória
certa, nos termos do artigo 550.º do Código de Processo
Civil;
São revogados: b) A dívida seja certa, exigível e líquida;
a) A Lei n.º 48/98, de 11 de agosto, alterada pela Lei c) O requerente indique o seu número de identificação
n.º 54/2007, de 31 de agosto; fiscal em Portugal, bem como o do requerido.
b) O Decreto-Lei n.º 794/76, de 5 de novembro, alterado
pelos Decretos-Leis n.os 313/80, de 19 de agosto, 400/84, Artigo 4.º
de 31 de dezembro, e 307/2009, de 23 de outubro; Apresentação do requerimento inicial
c) O Decreto-Lei n.º 181/70, de 28 de abril;
d) O Decreto-Lei n.º 152/82, de 3 de maio, alterado pelo A apresentação do requerimento inicial é efetuada em
Decreto-Lei n.º 210/83, de 23 de maio. plataforma informática do Ministério da Justiça ou por este
aprovada, criada especificamente para o efeito, nos termos
Artigo 84.º a definir por portaria do membro do Governo responsável
pela área da justiça.
Início de vigência
A presente lei entra em vigor no prazo de 30 dias após Artigo 5.º
a data da sua publicação. Requerimento inicial
Aprovada em 11 de abril de 2014. 1 — O procedimento inicia-se com a entrega do reque-
A Presidente da Assembleia da República, Maria da rimento, por via eletrónica, através da plataforma informá-
Assunção A. Esteves. tica referida no artigo anterior, no qual o requerente:
Promulgada em 22 de maio de 2014. a) Se identifica, indicando o nome, o número de iden-
tificação fiscal, a morada e um número de identificação
Publique-se.
bancária (NIB) referente a conta aberta junto de institui-
O Presidente da República, ANÍBAL CAVACO SILVA. ção de crédito na qual devam ser depositados quaisquer
Referendada em 23 de maio de 2014. montantes;
b) Identifica o requerido, indicando o nome, o número
O Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho. de identificação fiscal e a morada;
c) Indica o valor em dívida, discriminando:
Lei n.º 32/2014 i) Capital em dívida;
de 30 de maio ii) Juros vencidos e respetiva taxa de juro aplicável;
iii) Juros compulsórios, quando devidos;
Aprova o procedimento extrajudicial pré-executivo iv) Quaisquer impostos que possam incidir sobre os
juros;
A Assembleia da República decreta, nos termos da v) Datas de início de contagem dos juros;
alínea c) do artigo 161.º da Constituição, o seguinte: vi) Taxas de justiça pagas no âmbito de procedimento
ou processo que deu origem ao título executivo;
Artigo 1.º vii) Valores pagos no âmbito do procedimento em causa
Objeto antecipadamente à entrega do requerimento inicial;
A presente lei aprova o procedimento extrajudicial pré-
d) Expõe sucintamente os factos que fundamentam o
-executivo.
pedido, quando não constem do título executivo;
Artigo 2.º e) Pede os juros vincendos, indicando a taxa de juro
Natureza e fins aplicável;
f) Pede os valores a pagar ao agente de execução a título
O procedimento extrajudicial pré-executivo é um pro- de honorários no âmbito do procedimento em causa;
cedimento de natureza facultativa que se destina, entre
g) Identifica o mandatário, sempre que se encontre re-
outras finalidades expressamente previstas na presente
lei, à identificação de bens penhoráveis através da dispo- presentado por advogado ou solicitador.
nibilização de informação e consulta às bases de dados de
acesso direto eletrónico previstas no Código de Processo 2 — Havendo pluralidade de credores ou devedores:
Civil, aprovado pela Lei n.º 41/2013, de 26 de junho, para a) Indicam-se os elementos constantes das alíneas a)
os processos de execução cuja disponibilização ou consulta e b) do número anterior relativamente a todos os inter-
não dependa de prévio despacho judicial. venientes;
b) Discriminam-se as responsabilidades de cada reque-
Artigo 3.º rido perante os requerentes, bem como a natureza solidária,
Requisitos conjunta ou subsidiária das mesmas.
O recurso ao procedimento extrajudicial pré-executivo 3 — Pretendendo-se a identificação de bens comuns, o
é admissível desde que verificados os seguintes requisitos: requerente indica ainda o nome e o número de identifica-
a) O requerente esteja munido de título executivo que ção fiscal do cônjuge do requerido e o respetivo regime
reúna as condições para aplicação da forma sumária do de bens do casamento.