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A REVELAÇÃO DE DEUS

NO VELHO TESTAMENTO

Qual o motivo pelo qual deve ser estudada detalhadamente a


Bíblia Sagrada? Que é este livro chamado de Bíblia, que
tanto é apreciado? Trata-se da Revelação de Deus ao
Homem. Procedamos em seu estudo para verificar porque
afirmamos assim. Em primeiro lugar devemo-nos lembrar
de que Deus se tem revelado de diversas maneiras
diferentes, mas a Bíblia é o relato oficial e autoritativo de
toda a revelação que Deus deseja conservar em forma
permanente para nós, os homens.
INTRODUÇÃO AO ANTIGO TESTAMENTO
C o p y rig h t, 1 9 4 9 , p e la
The World Radio Missionary Fellowship, Inc.

Propriedade Literária

II Timóteo 2 :1 5

Primeira edição: 2004

Todos os direitaá
proibida a reprod uçã^^stôy Wç/no todo ou em parte,
sem a permissãcn rito dos Editores.

EDITORA BATISTA REGULAR


“C O N STR U IN D O V ID A S NA PA LA VRA D E D EU S”

Rua Kansas, 7 7 0 - Brooklin - CEP 0 4 5 5 8 -0 0 2 - São Paulo - SP


Site: www.editorabatistaregular.com.br
-y , í U '
INTRODUÇÃO AO
ANTIGO TESTAMENTO

DR. DONALDO D. TURNER

Fundador Ex-Diretor do Instituto Bíblico las Delícias,


C arip e, V en ezu ela. D ireto r E m érito da A cad em ia
Cristiana dei Aire de la HCJB

Este estudo é publicado no Brasil pela Editora Batista


Regular, em cooperação com a Academ ia Cristiana dei
Aire da HCJB, "La Voz de Los Andes", como um serviço
interdenom inacional.
c J u itie z

Capítulo Página

1. A Revelação de Deus no Antigo Testam ento..........................................................6


2. A Autoridade do Antigo Testam ento.....................................................................13
3. O Propósito do Antigo Testam ento........................................................................ 19
4. O Cânon do Antigo T estam ento..............................................................................25
5. Os Manuscritos do Antigo Testam ento................................................................ 32
6. A Inspiração do Antigo T estam ento......................................................................38
7. A Estrutura do Antigo Testam ento........................................................................ 48
8. Introdução Geral ao P entateuco..............................................................................56
9. O Primeiro Livro de Moisés, Chamado G ê n e sis................................................ 61
10. Segundo Livro de Moisés, Chamado Ê xod o.........................................................72
11. O Tabernáculo............................................................................................................... 80
12. Terceiro Livro de Moisés, Chamado L ev ítico ..................................................... 85
13. As Ofertas Levíticas (Capítulos 1 a 7 de L ev ítico )............................................ 91
14. Quarto Livro de Moisés, Chamado N ú m ero s.................................................... 97
15. Quinto Livro de Moisés, Chamado D euteronôm io...................................... 104
16. Livro de Jo su é ...........................................................................................................111
17. Os Livros de Juizes e R u te ................................................................................... 119
18. Os Livros Históricos: I e II S a m u e l.................................................................... 126
19. Primeiro Livro dos R e is ........................................................................................137
20. Segundo Livro dos Reis; Primeiro e Segundo Livros de C rô n ica s......... 147
21. Os Livros de Esdras, Neemias e E ster.............................................................. 156
22. Revisão da História do Antigo Testam ento................................................... 164
23. Introdução Geral aos Livros Poéticos ............................................................. 171
24. O Livro de J ó ............................................................................................................. 178
25. Introdução Geral aos S a lm o s.............................................................................. 187
26. Livro I dos Salmos - 1 a 4 1 .................................................................................. 196
27. Livro II dos Salmos - 42 a 7 2 ............................................................................... 206
28. Livro III dos Salmos - 73 a 89 .............................................................................211
29. Livro IV dos Salmos - 90 a 1 0 6 ...........................................................................214
30. Livro V dos Salmos - 107 a 1 5 0 ..........................................................................218
31. Livro de P ro v érb io s...............................................................................................224
32. Livro de Eclesiastes e Cantares de S a lo m ã o .................................................. 232
33. Introdução Geral aos Livros P ro fético s.......................................................... 243
34. O Livro do Profeta Isa ía s......................................................................................251
35. Livro de Jerem ias e Lamentações de Jerem ias............................................... 263
36. Livro do Profeta E z e q u ie l.....................................................................................273
37. Livro do Profeta D a n ie l......................................................................................... 283
38. A Profecia de O s é ia s ...............................................................................................291
39. Profecias de J o e le A m ó s ....................................................................................... 298
40. Profecias de Obadias e Jo n a s........... ................................................................... 308
41. Profecias de Miquéias e N au m ............................................................................ 317
42. Profecias de Habacuque e So fo n ia s................................................................... 328
43. Profecias de Ageu e Z a c a ria s.................................................................................337
44. Profecias de M a la q u ia s......................................................................................... 351

Todos que são beneficiados pelo que faço, fiquem


certos que sou contra a venda ou troca de todo
material disponibilizado por mim. Infelizmente
depois de postar o material na Internet não tenho o
poder de evitar que “ alguns aproveitadores tirem
vantagem do meu trabalho que é feito sem fins
lucrativos e unicamente para edificação do povo
de Deus. Criticas e agradecimentos para:
mazinhorodrigues(*)yahoo. com. br

Att: Mazinho Rodrigues.


C a p í t u l o 1

A REVELAÇÃO DE DEUS NO ANTIGO TESTAMENTO

"... Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi
sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras" (1 Coríntios 15.
3, 4).
"Para sempre, ó Senhor, está firmada a tua palavra no céu" (Salmo 119. 89).
"... magnificaste acima de tudo o teu nome e a tua palavra" (Salmo 138. 2).

Ensinou Jesus Cristo que a Palavra de Deus havia chegado aos homens, e
que as Escrituras não podem falhar (João 10.35). Qual o motivo pelo qual deve ser
estudada detalhadam ente a Bíblia Sagrada? Que é este livro chamado de Bíblia,
que tanto é apreciado? Trata-se da REVELAÇÃO DE DEUS AO HOMEM. Proceda­
mos em seu estudo para verificar porque afirmamos assim.
Em primeiro lugar devemo-nos lembrar de que Deus se tem revelado de
diversas maneiras diferentes, mas a Bíblia é o relato oficial e autoritativo de toda
a revelação que Deus deseja conservar em forma permanente para nós, os ho­
mens.

A. N Ã O É SUFICIENTE A REVELAÇÃO DE DEUS NA NATUREZA

Deus se tem revelado e continua a revelar-se na natureza. No Salmo 19.1-6,


lemos: "O s céus proclam am a glória de Deis e o firmamento anuncia as obras de
suas m ãos...", outra passagem mais forte ainda, visto que ensina a responsabili­
dade do homem à luz dessa revelação de Deus na natureza, é Romanos 1.18-23.
"A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens...
Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a
sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo,
sendo percebidos por meio das cousas que foram criadas. Tais homens são por
isso indesculpáveis..." Deus não somente criou o universo como também a todos
nós e, além de haver criado, sustenta todas as coisas (Colossenses 1.16,17; Hebreus
1.2, 3,1 0 ; Jó 33.4; Atos 17.28).
Deus tam bém se revela pela Providência. Toda a história de Israel está reple­
ta de exemplos da providência de Deus em proteger, sustentar e guiar o Seu povo
a fim de realizar Seu propósito a respeito deles. Gênesis 50.20 contém poderoso
testemunho da providência de Deus, provendo salvação para os israelitas, ape­
sar da maldade dos homens. No livro de Êxodo a libertação da escravidão no
Egito, o cordeiro pascal, a passagem em seco pelo Mar Vermelho, a provisão do
maná, são outras tantas manifestações da bondade, da justiça e do poder de Deus.
Examina-se tam bém passagens como 1 Samuel 14.8-15; 23.25-29;24.18,19; 25.32 e
2 Reis 7. As vezes Deus falava ao povo por intermédio da condições atmosféricas,
como em 2 Samuel 21.1 e 1 Reis 18.2 ,1 7 ,1 8 , e em que o profeta interpreta ao rei a
mensagem de Deus contida na seca.
Trata-se de verdadeiras revelações de Deus; contudo, não são suficientes
para o homem. Antes, revelam a necessidade de uma revelação mais completa e
satisfatória. A natureza nos diz que existe um Deus, mas não nos informa onde
se encontra Ele nem como podemos vir a conhecê-Lo. Por esse motivo busca­
mos uma revelação suficientemente ampla que satisfaça nossas necessidades.

B. A RAZÃO H UM AN A NÃO BASTA

Visto que tem os um Deus pessoal, é razoável esperar um a revelação da


parte d'Ele. Por natureza, o hom em é um ser religioso. Isso se torna evidente na
universalidade da religião, de uma forma ou de outra, entre todos os povo da
raça humana. M esmo os selvagens possuem alguma espécie de religião. Dizer
que a religião é uma criação de sacerdotes m al intencionados, não oferece qual­
quer explicação a tal fenômeno. As evidências contrariam tal afirmação, mas,
ainda que fosse verdadeira, tão somente comprovaria eu os homens precisam e
buscam ter religião, pois sua aceitação universal apoiaria o fato. O olho implica
na existência da luz; o ouvido, do som; a fome, dos alimentos; as afeições natu­
rais, dos objetos das m esmas; e o desejo de adquirir conhecim entos implica na
existência de um universo em que tal anelo pode ser satisfeito. Segundo o m es­
mo princípio, temos o apoio da razão quando esperamos que a capacidade religi­
osa do hom em encontre uma religião que se enquadre com essa capacidade e a
satisfaça. E essa capacidade só pode ser satisfeita com uma religião revelada, e
nunca com uma religião humana.
A razão nos diz que fomos criados por Alguém m aior que nós mesmos,
porém, não nos diz quem seja esse Alguém. A razão nos diz que devemos ado­
rar ao nosso Criador, mas não nos esclarece sobre como fazê-lo. Seguindo a pouca
luz da razão natural muitos homens tem sido levados aos mais disparatados relu­
tados. Alguns se tem tornado ateus, negando a existência de Deus e afirmando que
não há nenhum Ser supremo; outros se tornaram agnósticos, e dizem que, se
existe realmente Deus, é e sempre será impossível sabê-lo com certeza; outros são
materialistas, negando tudo o que se refere ao espírito e afirmando que a matéria
é eterna; alguns são panteístas, atribuindo o que é material e ao que é espiritual a
uma substância m isteriosa e desconhecida; ou então podemos falar nos céticos,
que duvidam de tudo; e há uma infinidade de outras crenças! Certamente que a
razão não é uma orientação digna de confiança quando se trata de questões espi­
rituais e de sua relação com o Deus infinito. E necessário que tenhamos uma
revelação do alto.

A. UM A RELVELAÇÃO ESCRITA É RAZOÁVEL

H. S. Miller apresentou esse argumento como segue:


"1. Uma revelação é possível. " ... para Deus tudo é possível" e "... para Deus
não haverá im possíveis" (Marcos 10.27 e Lucas 1.37). Certamente que o Deus
infinitamente sábio e infinitamente poderoso pode, caso deseje fazê-lo, revelar-
se a si próprio, bem como desvendar ao hom em Seus planos e Sua vontade.
2. Uma relação é necessária. (1) Ainda que o homem pecador talvez pudess
perceber algo do pecado e seu castigo, não obstante, nada conheceria do amor
de Deus, de Sua provisão para o perdão, da reconciliação, da salvação e das
bênçãos da nova vida em Cristo. Essas verdades tem que nos ser transmitidas
por meio de revelação. (2) As verdades da Trindade, da pessoa e da obra de
Cristo e do Espírito Santo, da imortalidade, dos galardões por meio de revela­
ção. (3) As opiniões hum anas não são guias suficientes nas questões da vida e da
conduta. Tais opiniões são variadas e contraditórias. A Lei de Deus, a única re­
gra suficiente, é conhecida somente por revelação. (4) O mundo pagão é deses­
peradamente corrupto, e sem a capacidade de melhorar-se por si mesmo (Ro­
manos 1.21-31; 3.9-18; 1 Coríntios 6.9-11; Efésios 2.1-3, 11, 12; 4.17-19). É somen­
te a Bíblia, que é a revelação de Deus, que nos salva da ignorância, da supersti­
ção, da crueldade e da im pureza das nações (S a lm o l9 .7 -ll; 119.9,11, 105; Efési­
os 1.13; 2.13). (5) A natureza m oral e espiritual do homem clama por Deus e pela
santidade. Deus tem suprido em parte essa necessidade mediante a revelação
de Si mesm o na natureza (Salmo 19.1; 95.3-5; Romanos 1.20; Isaías 40.12, 26). E
será que Ele não completou essa revelação inicial? Ele proveu a redenção e a
revelação da mesma. Não haverá Ele de fazer o m esmo quanto à necessidade
mais profunda de satisfação espiritual? (Salmo 107.9).
3. Uma revelação é possível. Se uma revelação é possível e necessária, e se
Deus ama às Suas criaturas, cuida delas e anela trazê-las à comunhão Consigo,
então certamente uma revelação é proeminente provável. "O s filósofos de todas
as épocas tem crido num a revelação provável, e tem esperado por ela".
4. Uma revelação é crível. Se tal revelação é possível necessária e provável, então
também é irresistivelmente crível. O fato é que seria muito difícil crer que tal
revelação provável, e tem esperado por ela".
5. Uma revelação é razoável. Disse Girdlestone: "U m a das mais maravilhosa
características da Bíblia é que ela contém uma longa série de m ensagens de Deus
ao homem. Não vejo m otivo de escândalo nisso. Seria deveras estranho se o Au-
tor de nosso ser, que nos tem capacitado para nos comunicarmos uns com os
outros de tantas maneiras diferentes, nunca se tivesse comunicado conosco. A
razão, longe de rejeitar tal idéia, a exige.
6. Uma revelação é certa.. E é essa a revelação que temos em nossa maravilhosa
B íb lia , que a firm a ser u m a re v e la ç ã o de D e u s, e cu jas a firm a çõ e s são
consubstanciadas por seus milagres, por suas profecias cumpridas, pela propa­
gação do Cristianismo, pelos frutos do Cristianismo e pela satisfação que infun­
de no coração hum ano em toda a face da terra.
Visto que o hom em é infinito: que a natureza e a razão são guias insuficien­
tes para levar-nos ao conhecimento de Deus, segue-se que, existindo um Deus
pessoal, é incrível que Ele não se tivesse revelado de modo adequado ao ho­
mem. Sendo criados por um Deus pessoal, Ele nos ama; visto que nos ama,
também deseja o que há de m elhor para nós; o que há de melhor para nós é
sermos sem elhantes a Ele e fazerm os Sua vontade; para poderm os fazer Sua
vontade Ele teria que revelar quais os nossos deveres e qual a provisão que criou
para nossa redenção; sem tal revelação, Deus não poderia levar-nos m oralm en­
te a juízo.
A revelação m ediante a Palavra inspirada escrita é o que há de mais razoá­
vel e prático. Se Deus falasse com cada hom em em segredo, o hom em poderia
dizer em público o que achasse ser de acordo com seu próprio proveito, en­
quanto outro hom em diria justam ente o contrário do primeiro, resultando daí a
confusão. E se Deus falasse a todos, em público, a voz de Deus tornar-se-ia tão
comum e desatendida como o relâmpago, que fala do poder sobre-humano.

D. UM A REVELAÇÃO ESCRITA É NECESSÁRIA

Deus revelou Sua vontade por meio de uma voz direta aos homens. Assim
falou Ele aos patriarcas, a Moisés, aos juizes de Israel, e a reis e profetas, (Gênesis
3.8-12; 18.20-33; Êxodo 3.14; Números 12.7,8; Josué 1.1-9; 1 Reis 16.34; Isaías 1.2;
Ezequiel 1.3; Habacuque 2.2; 2 Samuel 23.1,2, etc.). Às vezes essa voz de Deus
era audível como em 1 Samuel 3.1-21; outras vezes era acompanhada por uma
epifania ou aparição em forma visível do Senhor, como em Gênesis 18 ou Juizes
6 (mas noutras ocasiões Deus tam bém falou por intermédio de um mensageiro
celestial que não era o Senhor, como em Daniel 9.21, 22, de forma que nem sem­
pre as epifanias eram aparições divinas, mas tam bém podiam ser um anjo);
contudo, na m aioria das vezes, os profetas que ouviram a voz de Deus e escreve­
ram a mensagem, fizeram-no sem declarar se isso lhes foi transmitido por visão,
por voz audível, ou por terem escrito sem perceber o m étodo pelo qual o Espírito
Santo inspirava as Escrituras.
A encarnação de Deus em Jesus Cristo foi a revelação máxima, por excelên­
cia, pois em Cristo Deus nos manifesta todo o Seu caráter. Cristo veio ao mundo a
fim de revelar o Pai (Isaías 40.5 com João 1.14); foi Deus m anifestado em carne (1
Timóteo 3.16; João 3.16; 1.1,2,14,18; 3.2; 10.18; 1 João 1.1-3; 3.16; Hebreus 1.1-14;
Colossenses 2.9).
Esses fatos inegáveis não incluem a possibilidade de uma revelação escrita
mas, bem ao contrário, a exigem . Tornam necessária um a revelação escrita
autoritativa para que sejam preservadas aquelas preciosas revelações para as
gerações vindouras - escrita para evitar que sejam esquecidas, alteradas e torci­
das as verdades; inspirada para impedir que possam ser suplantadas.

E. TEMOS TAL REVELAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO

1. Testificada pelo próprio Jesus Cristo. Em nosso próximo capítulo verifica­


remos o uso que Cristo fez do Antigo Testamento, citando-o umas trinta e cinco
vezes. O Antigo Testamento era a Sua autoridade suprema em Seus argumentos
com os hom ens e com Satanás; era o Seu texto para Suas pregações nas sinagogas;
era a explicação para as coisas que Lhe sucediam. Quando Pedro quis defendê-Lo
com a espada, no jardim do Getsêmani, Cristo o repreendeu, dizendo: "Com o,
pois, se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve suceder?" (Mateus
26.54). E, estando já cravado na cruz, expressou Seus mais íntimos pensamentos
com as palavras do salmista (Mateus 27.46; Salmo 22.1).
Além do uso que Cristo fez do Antigo Testamento, é verdade bem clara
que se Jesus Cristo não tivesse vindo exatamente como e quando veio, o Antigo
Testamento não teria valor algum. A vinda do Messias, Jesus de Nazaré, foi pro­
fetizada com tantas particularidades no Antigo Testamento; o tempo de Seu
nascimento, e a localidade; que viria por meio de uma virgem; Sua vida m iniste­
rial e Suas parábolas; Sua morte e ressurreição; de tal forma que a vinda de Jesus
Cristo ao mundo testifica poderosamente o fato de que o Antigo Testamento é a
revelação de Deus.
2. Testificada pelos apóstolos. No Antigo Testamento a revelação de Deus
transparece no fato de que muitas referências foram feitas pelos apóstolos. Com e­
çando com o primeiro capítulo do livro dos Atos dos Apóstolos (1.20), em que
Pedro o cita como base para proceder à eleição do sucessor de Judas (Salmo 69.25;
109.8), até o último capítulo de Apocalipse (22.16) onde Cristo é chamado a raiz e
geração de Davi (Isaias 11.1), os apóstolos citam o Antigo Testamento. O livro aos
Hebreus foi escrito para mostrar a todos a relação correta entre o Antigo Pacto e
o novo Pacto. Paulo chama o Antigo Testamento de "os oráculos de D eus" confia­
dos aos judeus para benefício do mundo inteiro. Além de Lucas e Paulo, também
Tiago, Pedro e João citam o Antigo Testamento, e o pequeno livro de Judas está
repleto de referências a incidentes da história do Antigo Testamento, como a
libertação dos israelitas escravizados no Egito; Sodoma e Gomorra; o corpo de
Moisés, Caim, Balaão, Coré, Enoque, Adão, etc.
3. Testificada por seu conteúdo. Jesus Cristo nos forneceu o principal tema
do Antigo Testamento quando disse acerca das Escrituras: "... e são elas mesmas
que testificam de m im " (João 5.39). A primeira prova de que o Antigo Testamento
é a revelação de Deus, testificado por seu conteúdo, é que revela coisas que o
homem nunca poderia ter sabido se não tivessem sido reveladas no alto. A dou­
trina principal que m anifesta a origem divina da Bíblia é seu ensino sobre Deus.
Visto que o antigo Testamento foi escrito em meio a um mundo politeísta e suma­
mente idólatra, como é que ensina o monoteísmo? As Escrituras não só reconhe­
cem o único Deus supremo, Uno e Trino, o Criador do céu e da terra, como também
revela que Ele é santo, bondoso, onipotente, onipresente e onisciente.
O caráter de Deus é manifestado em Sua obra de redenção. Começando com
Gênesis 3.15, Deus prometeu um Salvador à pobre humanidade perdida, e logo dá
início a uma revelação progressiva, preparando o homem para receber inteligen­
temente ao Redentor, quando Este aparecesse sobre a terra. No terceiro capítulo
traçaremos o "fio escarlate" dos sacrifícios que percorre todo o Antigo Testamen­
to e chega até o Calvário, onde o Cordeiro de Deus derramou Seu precioso sangue
para tirar os pecados do mundo. O desenvolvimento progressivo da obra do
Messias é uma prova incontestável de que a Bíblia é uma obra do próprio Deus.
O Senhor Jesus disse, em Mateus 26.56: "Tudo isto, porém, aconteceu para
que se cumprissem as Escrituras dos profetas". Sim, a profecia contida no Anti­
go Testamento é outra prova de que a Bíblia é a revelação de Deus. Sobre isso há
exemplos de sobra. Uma comparação entre o capítulo 53 de Isaias com o capítu­
lo 27 de M ateus deve convencer até o mais cético leitor. Tomarem os um a só
ilustração, que inclui dois detalhes: "Designaram -lhe a sepultura com os perver­
sos, mas com o rico esteve na sua m orte...". Aqui vemos: (1) em situação co­
mum, o corpo de Jesus Cristo teria sido sepultado no campo do oleiro, onde
enterravam os criminosos e os pobres, mas (2) ainda que Cristo tenha sido cru­
cificado como se fosse um criminoso, Seu corpo foi sepultado no sepulcro de
um hom em rico, José de Arimatéia (Isaias 53.9 com Mateus 27.57-60). Examine-
se também Salmo 22.18 com João 19.23,24.

EM RESU M O : A BÍBLIA É A REV ELA Ç Ã O DE D EU S AO H O M EM , por­


que:

A. A revelação de Deus na natureza é insuficiente, não basta. Na provi­


dência tanto como nas coisas criadas, percebemos que há um Criador
e Conservador, mas essas coisas nos levam a buscar uma revelação
mais satisfatória e completa.
B. A razão hum ana não basta para revelar Deus ao homem. O homem
pode raciocinar muitas filosofias, mas necessita de um a revelação do
alto para que conheça a verdade.
C. Um a revelação escrita é razoável, porque:
1. E possível. 2. E necessária. 3. E provável. 4. E crível. 5. E lógica. 6. E
certa. Só na forma escrita é prática visto como a revelação oral
seria alterada com o tempo.
D. Uma revelação escrita é necessária, a fim de preservar o que foi reve­
lado na história de Israel e do Senhor Jesus.
E Que temos tal revelação no Antigo Testamento é testificada por: 1. Jesus
Cristo. 2. Os apóstolos. 3. Seu conteúdo: a) pelas verdades que só podem
ser conhecidas m ediante revelação: b) pelas profecias detalhadas que
só Deus poderia inspirar.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Por que a natureza não é suficiente como revelação de Deus ao homem?


2. Por que o homem, por seu próprio raciocínio, não pode chegar a uma com­
preensão satisfatória de Deus, sem um a revelação divina?
3. Dê três referências bíblicas que provam que o hom em necessita de uma
revelação divina.
4. Dê quatro razões que provam que uma revelação escrita deve ser esperada.
5. Que vantagem tem a revelação escrita sobre a revelação oral?
6. Por que cremos que o Antigo Testamento é a revelação autoritativa de Deus?
(^upítiilo 2

A AUTORIDADE DO ANTIGO TESTAMENTO

A. CONFIRM ADA POR SEUS NOM ES DIVINOS

O Senhor Jesus Cristo foi quem deu o nome ao que chamamos de Antigo
Testamento e, juntam ente com o nome, m ostrou que é autoritativo. Em João
10.35 Cristo o chamou de "Palavra de D eus" e tam bém de "as Escrituras". Esta
última designação foi repetida diversas vezes pelo Senhor, como em Mateus 4.4,
lemos: "... toda palavra que procede da boca de D eus", enquanto que a passagem
paralela, de Lucas 4.4, diz abertamente: ""... toda palavra de D eus" (João Ferreira
de Almeida, edição Revista e Corrigida, da Imprensa Bíblica Brasileira).
Uma com paração entre João 18.37, que diz: "Eu para isso nasci e para isso
vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade", com João 17.17: "... a tua
palavra é a verdade", o que certamente incluía o Antigo Testamento, nos dá um
título para o Antigo Testamento - "A Verdade" (Romanos 15.8).
Em Mateus 4.4, 7, 10 o Senhor referiu-se ao Antigo Testamento com as se­
guintes palavras: "Está escrito...", e em 5.21 e 38 usou a expressão: "... foi dito
aos antigos", mas nos versículos 27, 31 e 43 diz claramente: "... foi dito..." Quan­
do Cristo perguntou, em Lucas 10.26, ao doutor da lei: "Q ue está escrito na lei?
Como interpretas?", não houve dúvidas sobre que lei Ele se estava referindo,
visto que m uitas vezes empregou tal designação para todo o Antigo Testamento
(Mateus 5.18; Lucas 16.17; Lucas 16.16); e, em Lucas 24.44, chama-o de: "... na
Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salm os". Na última ceia usou da expressão:
"sangue da nova aliança" (Marcos 14.24), que deve ser comparada com Hebreus
9.15, onde encontramos as palavras "prim eira aliança" e "nova aliança". Esses
nomes, na boca do Filho de Deus, manifestam a alta estima e a autoridade que Ele
dava às Antigas Escrituras. Para Ele eram a própria Palavra de Deus.
Os apóstolos acrescentam seu testemunho também. O apóstolo Paulo diz
em Romanos 3.2 que aos judeus "foram confiados os oráculos de D eus". Seu
constante emprego da expressão "Q ue diz a Escritura?", como apelando a uma
autoridade divina, nos dá Sua idéia do significado do nom e "Escritura (Romanos
4.3; Gálatas 4.30). "A Escritura" é nom e usado para designar o Antigo Testamento
muitas vezes nas epístolas: Rom anos 9.17; 1 0 :1 1 ,1 Coríntios 15.34; Gálatas 3.8 -
22; 1 Tim óteo 5.18; 2 Timóteo 3.16; Tiago 2.8, 23; 4.5; 1 Pedro 1.20.
No próprio Antigo Testamento encontramos vários nom es usados em refe­
rência às mesmas Escrituras. O Salmo 119 é uma maravilha da literatura.
Consiste de 22 estrofes de oito versículos cada. No original hebraico, cada
versículo principia com a letra Beth, ou B; etc., passando por todas as 22 letras do
alfabeto hebraico, e quase todos os versículos, que somam o total de 176, falam
diretamente da Palavra de Deus é chamada por diversos nomes, nesse Salmo 119,
como: lei, prescrições, m andamentos, preceitos, juízos, decretos, palavra, teste­
munhos, promessa, etc. nesse Salmo a Palavra de Deus é exaltada por 176 vezes.
No Salmo 138.2 lemos: "...m agnificaste acima de todo o teu nom e e a tua palavra".
Somente um Livro autoritativo tem direito a títulos ou nomes divinos como
esses.

B. CONFIRM ADA PELO USO QUE CRISTO DELE FEZ

Quando Jesus Cristo atribuiu a Abraão as palavras que aparecem em Lucas


16, ao relatar a história do rico e de Lázaro, estava m anifestando bem claramen­
te a divina autoridade do Antigo Testamento: "Eles tem M oisés e os profetas;
ouçam-nos... Se não ouvem a M oisés e aos profetas, tão pouco se deixarão persu­
adir, ainda que ressuscite alguém dentre os m ortos".
Certamente que o Senhor Jesus considerava o Antigo Testamento como a
revelação da verdade de Deus aos homens, e tão eficaz quão autoritativo. Note­
mos também o que Ele diz em Lucas 16.17: "E mais fácil passar o céu e a terra,
do que cair um til sequer da lei".
Em Seu conflito com Satanás, durante os quarenta dias de tentação no de­
serto, Cristo usou passagens do Antigo Testamento como autoridade final para
derrotar o inimigo (Mateus 4.1-11; Lucas 4.1-13; especialmente M ateus 4.10). O
Senhor usou da mesm a tática com os homens, quando os saduceus e fariseus
vieram para discutir com Ele, e isso porque, para Ele, o que Deus disse nas
Escrituras era final (João 10.34 - 36; 5.37-^7; Lucas 20.37- 39, 41—44).
Jesus Cristo, segundo registrado no Novo Testamento, citou o Antigo Tes­
tamento cerca de trinta e cinco vezes. Quando pregava na sinagoga de Nazaré
encontrou Seu texto no livro de Isaías. Citou de João Batista (Mateus 13.14, 15).
Em Mateus 15 repreendeu os escribas e fariseus hipócritas por transpassarem o
mandamento de Deus, citando Êxodo 20.12 e 21.17, e logo lhes aplicou a profe­
cia de Isaías 29.13 (Mateus 15.1 - 1 0 ) . Igualmente, em João 5.46,47, o Mestre disse
que o motivo porque tam bém não criam em Moisés, ensinando assim que o Anti­
go Testamento é parte vital da revelação em Jesus Cristo. Sobre isso falaremos
mais, nos capítulos seguintes.
O Senhor Jesus Cristo testificou da origem divina do Antigo Testamento ao
chamá-lo de "a Palavra de D eus", etc., como por exemplo, em Mateus 15.4, quan­
do, ao citar a lei, no livro de Êxodo, disse: "... Deus ordenou: Honra a teu pai e a tua
mãe . E tam bém no versículo seis afirma: "E assim invalidastes a palavra de
Deus, por causa da vossa tradição". Não se trata aqui de uma aprovação como a
de muitos que até falam bem do Antigo Testamento, mas é uma sanção do Filho de
Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, à Lei de Deus. Assim como as leis
de uma nação, formuladas pelo parlamento ou congresso, por petição do rei ou do
presidente, necessitam da assinatura do primeiro magistrado para que se tor­
nem autênticas e postas em execução, assim também Cristo estampou Seu selo
divino à Antiga Lei. "Esse endosso real da parte do Filho de Deus nada acrescenta
à inspiração ou ao caráter sobrenatural inerente da Bíblia, que na sua visão apa­
recia como um todo perfeito; pelo contrário, concede àquilo que já é perfeito a
autoridade adicional incom ensurável que a sanção real lhe com unica".

C. CONFIRM ADA PELO USO QUE DELA FIZERAM OS APÓSTOLOS

Em sua prim eira ação juntam ente com os demais discípulos, depois da
ascensão do Senhor Jesus, Pedro justificou seu procedim ento pelas Escrituras
do Antigo Testamento (Atos 1.20); em seu sermão no dia de Pentecostes, quase
a metade do sermão consta de citações diretas do Antigo Testamento. Quando
Estevão se defendia diante do sinédrio, todo o seu discurso, com exceção dos
três últimos versículos, foi tirado do Antigo Testamento (Atos 7). Quando Paulo
fez seu primeiro sermão em sua primeira viagem missionária, introduziu seu
tema com seis versículos que repassavam a história do Antigo Testamento, e
depois apoiou todos os seus argumentos em citações tiradas daquelas Escritu­
ras, a metade do seu discurso com pondo-se de referências tiradas do Antigo
Testamento (Atos 13). No primeiro concílio da Igreja, ao decidir a controvérsia
sobre a relação dos gentios para com a lei, Tiago baseou a decisão sobre uma
passagem do Antigo Testamento (Atos 15). E assim podemos seguir adiante por
todas as epístolas. Os apóstolos em pregaram o Antigo Testamento como autori­
dade suprema para cada argumento, e todas as suas crenças tinham de estar de
conformidade com seu ensino.

D. CONFIRM ADA PELO USO QUE O ESPÍRITO SANTO FAZ DELE

Outra prova da autoridade do Antigo Testamento como Palavra de Deus, é


sua utilidade. Os homens mais espirituais testificam de uma experiência após
outra quando Deus lhes falou por intermédio das promessas e declarações do
Livro Santo. Quantas almas não tem encontrado nos Salmos os mesm os pensa­
mentos que passavam por seus corações? Entretanto, servem como veículos para
expressar nossas esperanças e nossos agradecimentos ao Senhor, e também ser­
vem como orações solicitando-Lhe a ajuda. Essa constante utilidade é um selo
divino.
Na obra "H istória, Doutrina e Interpretação da Bíblia", de Angus e Green, há
quatro razões da utilidade do Antigo Testamento:
"1. Ainda que a m aior parte do Velho Testamento foi dirigida a uma nação,
contudo ele prescreve muita coisa para o homem como homem, contendo princípios
de moralidade que são universais e eternos. Os preceitos dados a Adão, e o Decálogo,
e ainda as lições de todo o Livro, ilustram e reforçam a verdade moral.
2. Um a parte considerável da história do Velho Testamento é a história do
governo de Deus. Nesse governo revela Deus o Seu próprio caráter e o nosso. E
por isso todo e qualquer ensino que se possa tirar duma narração desse gênero
deriva dessa parte do volume sagrado.
3. Além disso, a im possibilidade de poder alguém salvar-se pela lei é clara­
mente patenteada nessa primeira dispensação. Portanto, o Velho Testamento foi
dado em parte para nos mostrar o nosso estado pecaminoso, e para nos encerrar
naquela fé que mais tarde se havia de m anifestar (Gálatas 3.23).
4. E para esta nova fé, é a Lei antiga uma introdução. Ensinava ela aos que
eram humildes e espirituais, na prim eira dispensação, alguma coisa do plano
da salvação, que na Segunda devia ser revelado. E por isso aparecem na Lei os
tipos, as profecias, os sacrifícios, com oferecimento de perdão ao penitente, e a
revelação de um Deus pronto a perdoar, embora a maneira em que o perdão
havia de ser recebido, a provisão divina que havia de revelar a união da justiça
com a misericórdia, não fosse inteiramente compreendida até que a obra repa­
radora de Cristo teve a sua realização.
A prim eira dispensação teve, sem dúvida, outros fins em vista. Foi preser­
vado o conhecimento do verdadeiro Deus, que poderia ter desaparecido; m os­
trou tam bém o efeito da verdadeira religião, mesm o nas suas form as menos
perfeitas, porém os objetivos já m encionados foram, provavelmente, os princi­
pais.

E. SUA AUTORIDADE PARA O DIA DE HOJE

Antes de deixarmos este tema convêm-nos notar certos ensinos de Jesus


Cristo e dos apóstolos que dizem respeito ao alcance da lei de Moisés. Cristo
ensinou que o Antigo Testamento era a Palavra de Deus. Disso não temos dúvi­
das. Ele cria nas histórias escritas no m esm o (Mateus 11.23, etc.); e declarou
repetidas vezes que tudo que os profetas disseram teria que cumprir-se (Lucas
24.44, 46; Lucas 24.25; 21.22; João 15.25, etc.). Também o que o Antigo Testamen­
to ensina concernente ao caráter de Deus é um a verdade eterna (Lucas 20.37, 38).
Tudo isso é para nós, e também é útil hoje tanto como nos dias em que foi escrito,
e por toda a eternidade permanecerá de pé. Não obstante, há uma parte do Antigo
Testamento cujos ensinos com suas aplicações e obrigações de observância
terminaram com a cruz de Cristo.
Jesus Cristo disse em M ateus 11.13 e em Lucas 16.16 que a lei e os profetas
vigoraram até João Batista. O divino Mestre declarou que o Antigo Testamento
era a Palavra de Deus (João 10.35, etc.); que Suas próprias palavras eram de Deus
(João 12.44 -5 0 ); e que o Espírito Santo haveria de guiar os Seus a toda a verdade
(João 14.26), assim colocando Seu selo divino sobre o Novo Testamento igualmen­
te. O Novo Testamento, inspirado conforme Sua promessa, toma lugar preem i­
nente na vida do crente de hoje em dia, e nos ensina que a antiga lei de Moisés,
ainda que tenha sido transmitida por Seus, já não está em vigor para conosco.
Cristo cumpriu e executou toda a penalidade imposta por aquela lei (Romanos
10.4; Colossenses 2.14; Filipenses 3.8, 9; Gálatas 3.23 - 39, etc.). Em M ateus 11.27-
30 Cristo ensina que o Pai Lhe tinha entregue todas as coisas e que nós nos deve­
mos dirigir a Cristo para obter a salvação, e nunca procurá-la na lei. Cristo esta­
beleceu uma nova aliança (Mateus 26.27,28), que tomou o lugar da antiga (Hebreus
8.13) de modo que hoje não observamos os rituais, as festas, os sacrifícios, etc., da
lei de Moisés, nem consideramos suficientes seus preceitos (Mateus 5.21-47). Pelo
contrário, devemos considerar-nos mortos para todas essas coisas a fim de vi­
vermos no poder de um a nova vida, outorgada por Cristo, e que é Ele mesmo
(Colossenses 3.1- 4; Rom anos 6.1-14; João 14.18, 19). O próprio Deus não sofre
alteração quanto ao Seu caráter, poder e atributos (Tiago 1.17), mas o progresso
do plano de Deus para a redenção da humanidade, e nossa condição de obedientes
ou desobedientes, faz com que Ele mude Sua maneira de tratar conosco (Marcos
12.1-12).

EM RESUMO: A AUTORIDADE DO ANTIGO TESTAMENTO FICA PRO ­


VADA por:

A. Seus nomes divinos, como: Palavra de Deus; Lei; M andam entos; etc.,
pois tais designações exigem que a Bíblia tenha autoridade divina.
B. O uso que Jesus Cristo fez do Antigo Testamento como palavra final
em todo controvérsia; a base de todo ensino; e Sua sanção divina ao
Antigo Testamento.
C. O uso que fizeram dele os apóstolos.
D. O uso que faz dele o Espírito Santo: fala ao hom em como homem ;
ensina-lhe a impossibilidade de salvação por meio da lei; e prepara-o
para aceitar a m ensagem do Novo Testamento, a salvação que é dada
por pura graça.
E Sua autoridade para os dias atuais: suas verdades eternas que nunca
sofrem transformação, porém Jesus Cristo cumpriu a lei de Moisés,
cancelando os sacrifícios levíticos, e na qualidade de Cordeiro de Deus,
deu Sua vida para tirar os pecados do mundo.
PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Como é que os nomes da Bíblia testificam de sua autoridade divina?


2. Dê pelo m enos quatro nomes divinos da Bíblia.
3. De que maneira Cristo provou a autoridade do Antigo Testamento?
4. Qual a utilidade do Antigo Testamento hoje em dia?
Capítulo 3

O PROPÓSITO DO ANTIGO TESTAMENTO

O Senhor Jesus Cristo forneceu o tema das Escrituras do Antigo Testamen­


to quando disse: "... são elas mesmas que testificam de m im " (João 5.39b). Exa-
mine-se também Lucas 24.27, 44.46. Também nos deu o principal propósito do
Antigo Testamento ao declarar: "Porque se de fato crêsseis em Moisés, também
creríeis em mim ; porquanto ele escreveu a meu respeito. Se, porém, não credes
nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?" (João 5.46, 47). O tema
principal do Antigo Testamento é Cristo, ou seja, a redenção da humanidade.

A. O CRIADOR EM RELAÇÃO COM SUAS CRIATURAS

Uma Bíblia sem propósito é inconcebível. Alguém já disse: "Se Deus não
pode revelar a Si próprio, não é Deus; e se pode, mas não o faz, então não é
m oral". Por que?" E possível responder da seguinte maneira: Sem uma revelação
da parte de Deus o hom em não tem responsabilidade alguma e, sem responsa­
bilidade, já não poderá haver julgam ento final, não haverá motivo na história
do universo; e, se não há desígnio ou plano, já não existe um Deus pessoal.
Por que Deus inspirou a Bíblia? Porque ama o homem. Deus não fez o ho­
mem para esquecer-se dele em seguida, mas, bem ao contrário, deseja ter cons­
tante com unhão com ele. M ediante as Escrituras Sagradas o hom em pode co­
nhecer a Deus e saber como entrar em Sua presença e ter comunhão com Ele,
correspondendo assim ao Seu amor. Se Deus não tivesse desejado ter criaturas
capazes de conhecê-Lo e de compreender Seus planos, Ter-se-ia contentado em
criar animais irracionais, que não tem consciência da existência de Seu criador.
Porém, uma das características ou capacidades que acompanham a de conhecer a
Deus é a do livre arbítrio: uma vontade independente. O fato é que o Criador
desejava ser amado pelo hom em que criou: amado livremente, por ser digno do
supremo amor de Sua criatura, não por imposição.
O fato do hom em possuir livre arbítrio abriu-lhe o caminho da possibilida­
de de pecar, o que realmente fez, desobedecendo a Deus e duvidando de Sua Pala­
vra.
Desde então Deus vem operando a redenção do homem, e a Bíblia é o instru­
mento vital nas m ãos de Deus Espírito Santo para efetuar essa redenção. Jesus
Cristo é o Redentor, o Espírito Santo opera no coração do hom em para que se
aproxime de Cristo com fé, e isso é explicado amplamente no Novo Testamento.
Milhares se convertem ao Senhor sem saber que ao m enos existe o Antigo Testa­
mento. Apesar disso, os ensinos do Novo Testamento, que conduzem o homem à fé
salvadora em Jesus Cristo, são o desenvolvimento lógico das verdades fundamen­
tais expostas no Antigo Testamento. Crer no Novo Testamento e descrer do Antigo
Testamento, ou negá-lo, seria uma anomalia, uma falta de lógica.
Além disso, acusamos àqueles que aceitam o Antigo Testamento mas não o
Novo Testamento, de que não compreenderam o Antigo Testamento. O capítulo
terceiro de II Coríntios explica o caso dizendo que os judeus não-cristãos, ao
lerem o Antigo Testamento, tem como que uma venda sobre os seus corações,
pelo que tam bém não são capazes de entendê-lo. Se tivessem uma compreensão
mais perfeita dos ensinos do Antigo Testamento, e cressem de todo coração no que
ali é dito do Messias, aceitariam o Senhor Jesus e creriam na Bíblia inteira (João
5.39-47).
Estão de acordo com o que dissemos acima, as palavras do apóstolo Paulo,
em Gálatas 3.24: "D e maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a
Cristo..." O aio era o servo encarregado de preparar a criança para a escola e
para o mestre. Em Gálatas 3.19 também é citada um a das coisas que desse aio - a
Lei - faz, preparando os corações para que confiem em Cristo: "Qual, pois, a razão
de ser da lei? Foi adicionada por causa das transgressões...", ou, conforme se diz
em Romanos 3.20: "... pela lei vem o pleno conhecimento do pecado". A consciên­
cia despertada acusa o homem de pecado, e o indivíduo que conhece seu estado de
pecador é tam bém aquele que ouve a chamada dAquele que disse: "... não vim
chamar justos, e sim, pecadores" (Marcos 2.17 e Mateus 9.13).
O propósito do Antigo Testamento, portanto, é: revelar Deus e Sua vontade
de modo suficiente para preparar o homem para aceitar a Jesus de Nazaré como
Filho de Deus e seu Salvador pessoal. E uma revelação verídica e autoritativa,
embora parcial e preparatória.

B. O FIO ESCARLATE (OU A LINHA DE SANGUE)

Para que se compreenda melhor o tema e o propósito da Bíblia, em confir­


mação do que dissemos acima, é útil seguir o desenvolvimento, o Antigo Testa­
mento, da doutrina do sacrifício, chamada às vezes de "fio escarlate". Depois
faremos o mesmo com a linha real de Cristo.
"O FIO ESCARLATE" - tal expressão tem origem bíblica em Josué 2.17-19,
em que os dois espias enviados por Josué a Jericó aconselharam Raabe a atar um
fio escarlate (ou vermelho) à janela de sua casa, e que foi o sinal da redenção ou
salvação para ela e sua família (Josué 6.25). O mesmo tema é ilustrado por antigo
costume inglês. Toda corda ou cabo da armada britânica tinha de ter um fio de cor
vermelha entretecido em todo comprimento do mesmo, como sinal de que per­
tencia ao rei. Onde quer que um cabo fosse cortado ali estava a cor do sangue.
Igualmente Deus pôs um "fio escarlate" na Bíblia - o desenvolvimento da doutri­
na do sacrifício.
Em Gênesis 3.21 verificamos que Deus vestiu a nudez de Adão e Eva com
peles de animais, porque as folhas de figueiras não eram suficientes para fazê-
lo. Foi necessário o sacrifício de animais e o derramamento de sangue para po­
der haver as peles com que foram cobertos os dois, depois que pecaram, essa é a
primeira menção feita por Deus de que Ele estava tomando uma providência
para cobrir o pecado. Desse ponto em diante o hom em é responsável, perante
Deus, de ter compreendido que só com a perda de vida se pode penetrar até Sua
presença.
A oferta da ovelha feita por Abel, que foi aceita, enquanto que a oferta de
frutos da terra, feita por Caim, não foi aceita por Deus, ajuda-nos a perceber o fio
escarlate e ver que a lição foi aprendida por um e rejeitada por outro dos irmãos.
Quando Deus admoestou a Caim, antes que matasse seu irmão (Gênesis 4.6 e 7),
disse-lhe que se não praticasse o que as palavras "o pecado jaz à porta" podem ser
igualmente traduzidas por: "o sacrifício pelo pecado está à porta (ou à m ão)".
Noé fez um altar e sacrificou animais a Deus, quando saiu da arca (Gênesis
8 .20, 21).
Abraão levantou diversos altares a Jeová (Gênesis 12.7 e 8; 13.18), e Deus
estabeleceu com ele um pacto de sangue (Gênesis 15); porém, no sacrifício de
Isaque, sobre o altar, sua mão refreada e o animal oferecido em substituição, dá-
nos um retrato claríssim o do Calvário a ponto de ficarm os admirados. M ais
uma vez vemos o fio escarlate na história.
Quando Deus chamou M oisés para libertar o povo israelita que estava es­
cravizado no Egito, esclareceu que tal libertação tinha o propósito de levá-los a
sacrificar a seu Deus (Êxodo 3.18). Quando Faraó propôs que o povo saísse sem
seus animais, os israelitas se recusaram a aceitar a proposta porque necessita­
vam de anim ais para o sacrifício, e porque o ato de sacrificar um a vaca, por
exemplo, era uma abominação para os egípcios, isso tornava necessária a saída
dos israelitas daquele país (Êxodo 8.25- 27; 10.24- 26). Em seguida lemos a histó­
ria da prim eira páscoa, durante a qual o sangue do cordeiro sacrificado foi
posto nas vergas e ombreiras das portas como sinal de que a morte passaria por
cima deles sem tocá-los. É um testemunho fortíssimo sobre o Cordeiro de Deus,
sacrificado a nosso favor, mas que só é eficaz quando Seu sangue é aplicado aos
nossos corações m ediante a fé em Cristo.
Os sacrifícios levíticos, e todo o sacerdócio baseado nesses mesm os sacrifíci­
os, juntam ente com os sacrifícios oferecidos de conformidade com essas leis du­
rante todos os séculos que decorreram até Cristo, proporcionam -nos sinal seguro
para seguir o fio escarlate através de todo Antigo Testamento. Os detalhes dos
sacrifícios levíticos serão exam inados mais adiante, ao estudarm os o Livro de
Levítico, porém, os diversos animais e pássaros sacrificados, e o uso que se fazia
de seu sangue nos mostra claramente o fio escarlate. Levítico 17.11 é digno de
nota: "... a vida da carne está no sangue".
A história de Balaão, em Números 22 a 24, é muito interessante. Não sabe­
mos como aquele profeta da Mesopotâmia sabia preparar altares e oferecer sacri­
fícios de animais aceitáveis a Deus, e assim entrar em comunhão ou contato com
Deus, ou Jeová. Mas o caso pelo m enos ensina que Deus deu testemunho dessa
verdade até naquele país estrangeiro.
No livro de Josué não somente temos a história do fio escarlate, já m encio­
nado, mas também vemos, em Josué 8.30, 31, como o chefe militar dos israelitas
fez um altar no qual foram oferecidos holocaustos a Deus.
Depois da morte de Josué, os juizes ofereciam sacrifícios ao Senhor, como
se percebe em Juizes 6.24; 21.4 e 1 Samuel 7.9. Quando o povo deixava de servir
a Deus de conformidade com Sua lei, começava a sofrer; porém, ao buscar a Sua
face, era salvo de seus opressores e se convertia a Ele.
Os reis tam bém ofereceram sacrifícios a Jeová, como Saul (1 Samuel 13.9),
Davi (2 Samuel 6.13; 24.25), Salomão (1 Reis 8.62, 63), Ezequias (2 Crônicas 29.20-
27); e tam bém os governadores, com o: Z orobabel (Esdras 3.6), e N eem ias
(Neemias 10.32, 33). Isso nos leva ao fim do tempo do Antigo Testamento. Desde
Gênesis 3, no princípio da história do homem, até o fim do Antigo Testamento,
temos acompanhado o caminho do fio escarlate.
A primeira promessa da vinda de um Redentor (Gênesis 3.15) menciona
que Satanás haveria de ferir o Salvador no calcanhar, o que sucede somente
numa crucificação; pelo que é em Gênesis 3 que tem início o fio escarlate, que
prossegue por muitas profecias em diversos livros até chegar à vinda do Filho
de Deus à terra, em form a de carne humana, para cumprir o que havia sido
predito a Seu respeito.
Aqui damos algumas poucas profecias acerca do Senhor quanto a Seu sa­
crifício na cruz: (1) Seria entregue (Salmo 41.9) por um traidor, cujo fim é dado
com detalhes (Salmo 69.25 e 109.8). (2) Seu preço foi fixado (Zacarias 11.12,13). (3)
Seria açoitado (Isaías 50.6). (4) Não seria julgado com justiça (Isaías 53.8). (5) Seria
abandonado e desamparado (Salmo 22.1; Zacarias 13.7). (6) Dar-Lhe-iam vinagre
com fel (Salmo 69.21). (7) Seria traspassado (Gênesis 3.15; Salmo 22.16; Zacarias
13.6; Isaías 53.5; Zacarias 12.10). (8) Seria zombado pelas multidões (Salmo 22.7,
8). (9) Suas vestes seriam divididas mas lançariam sortes sobre Sua túnica (Salmo
22.18). (10) Sua sepultura (Isaías 52.9). (11) Sua ressurreição (Salmo 16.10; 17.15).
(12) Sua ascensão (Salmo 18.5, 6; 24.7-10; 110.1; 16.11).

C. O FIO PURPURINO (OU A LINHA REAL)

A cor púrpura era usada pelas famílias reais como sinal de sua realeza ou
nobreza (Ester 1.6; Daniel 5.7, 16, 29). Por "traçar o fio purpurino" entendemos:
provar, através do Antigo Testamento, que Jesus Cristo é da linha real, o Messias
prometido aos judeus, o Filho de Deus e o /filho de Abraão.
Deus prometeu enviar um Redentor para salvar toda a humanidade, pro­
messa essa que teve início em Gênesis 3.15, na qual é desvendado que o Reden­
tor seria semente da mulher. Acompanhado a genealogia de Lucas 3 vemos que
Jeová escolheu a linha de Sete, entre os filhos de Adão, e a linha de Sem. Entre os
filhos de Noé, e em Gênesis 12.3; 15.4, etc., apresentamos que o Salvador, que
haveria de abençoar a todas as fam ílias da terra, seria filho de A braão. A
genealogia de Mateus 1, começa por isso mesmo com Abraão, o que é suficiente
para demonstrar a qualquer judeu que Jesus de Nazaré foi o Messias prometido
por Deus. Em Gênesis 12.12 notamos que Isaque foi separado em lugar de Esaú.
Na bênção que Jacó deu a seus filhos, é profetizado que o cetro seria de Judá
(Gênesis 49.8- 10), de modo que assim ficamos sabendo a qual das doze tribos
pertencia o R ed en to r, segundo a carne (1 Crônicas 5.2; Miquéias 5.2). Dentre os
descendentes de Judá foi escolhido Davi (2 Samuel 7.12-17); Salmo 89.3, 4, 34 37;
etc.).
Conhecer esses inform es referentes Aquele que Deus haveria de enviar para
salvar o hom em de seu pecado, é de transcendental importância. Se Jesus de
Nazaré não tivesse cumprido todas essas profecias de que quanto à carne seria
da descendência de Sete, Sem, Abraão, Isaque, Jacó, Judá e Davi, e que seria
Filho de um a m ulher virgem, e portanto sem pai hum ano, não poderia ser
nosso Salvador. Nesse caso teríamos de esperar por outro que cumprisse todas
essas exigências profetizadas, sem uma exceção sequer. Ora, hoje em dia seria
impossível tal coisa, pois ninguém entre os judeus pode provar que pertence a
esta ou aquela linha, visto que os livros das genealogias se perderam. Se Jesus
Cristo não é o Messias, já não pode haver Messias, e a pobre humanidade en-
contra-se sem esperanças de salvação. Porém, glórias sejam dadas a Deus, os
livros genealógicos foram preservados até a vinda do Senhor Jesus, para que se
cumprisse tudo o que está escrito a Seu respeito (Lucas 24.44- 46; João 20.31,
etc.), e agora temos a certeza de haver confiado no Príncipe de Judá, no Filho de
Davi, a Quem o próprio Davi chamou de seu Senhor (Marcos 12.35- 37).
Sem o Antigo Testamento, com suas múltiplas profecias, tipos, ensinos pre­
paratórios, etc., o mundo não teria podido compreender a vinda de Cristo. M es­
mo depois de m ilênios de preparativos, e contando com tão perfeita revelação
como as Escrituras do Antigo Testamento, mui poucos esperavam por Ele ou O
seguiram quando Ele apareceu. Para o crente de hoje em dia, sua fé é fortalecida
por Ter conhecimento dessa preparação que se prolongou por séculos, ensinan­
do a necessidade do derram am ento de sangue para ser efetuada a remissão de
pecados, a necessidade de santidade para alguém chegar até à presença de Deus,
etc. Sim, Deus Pai não enviou em vão. Graças a Deus, pois, pelo Antigo Testamen­
to.
EM RESUM O: Jesus Cristo nos ensinou qual o propósito principal do Antigo
Testamento: preparar o mundo para nEle crer.

A. O Criador em relação com Suas criaturas - a Bíblia foi escrita para


benefício da humanidade, revelando-lhe sua necessidade de um Sal­
vador divino.
B. O fio escarlate traçado através de todo o Antigo Testamento, prepara o
mundo para compreender o sacrifício de Cristo no Calvário, efetuado
para a redenção do homem.
C. O fio purpurino, que atravessa o Antigo Testamento é outra prova de
que Jesus de N azaré é o Messias prometido, o Filho profetizado. N e­
nhum a outra pessoa pode aprender as provas dessa realidade, senão
Ele.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Qual a necessidade de crer-se que o Antigo Testamento tem um propósito


sério?
2. Que significam as palavras do Apóstolo Paulo em Gálatas 3.24: "... a lei nos
serviu de aio para nos conduzir a Cristo"?
3. Relate a história do fio escarlate de Raabe.
4. Por que ocupa lugar tão proem inente no Antigo Testamento o derrama­
mento de sangue das vítimas?
5. Que importância tem o saber-se que Cristo era Filho de Davi e Filho de Abraão
(Mateus 1.1) ?
C a p ítu lo 4

O CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO

Foi o próprio Senhor Jesus Cristo Quem nos forneceu o cânon das Sagra­
das Escrituras, ou melhor ainda, as divisões do cânon do Antigo Testamento.
Em Lucas 24.44, disse Ele: "... importava que se cumprisse tudo o que de mim
está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salm os". Essas palavras, quan­
do com paradas com João 5.39: "Exam inais as Escrituras... e são elas m esmas
que testificam de m im ", provam que Cristo considerava que a obra conhecida
como "As Escrituras" está dividida em três partes: A Lei de Moisés, os Profetas e
os Salmos.

A. O CÂNON HEBRAICO

Nas Escrituras, ou Bíblia hebraica, os livros estão classificados em três di­


visões principais:
1. A Lei (5 livros) - Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
2. Os Profetas (8 livros):
a. Os profetas anteriores (4 livros) - Josué, Juizes, Samuel e Reis.
b. Os profetas posteriores (4 livros):
(1) Profetas maiores (3 livros) - Isaías, Jeremias, Ezequiel.
(2) Profetas menores (1 livro) - os outros doze profetas.
3. As Escrituras, ou "K ethubhim " (11 livros): '
a. Os livros poéticos (3 livros) - Salmos, Provérbios e Jó.
b. Os cinco rolos, ou "M egilloth" (5 livros) - Cantares de Salomão,
Rute, Lam entações de Jeremias, Eclesiastes e Ester.
c. Os livros históricos (3 livros) - Daniel, Esdras (com Neemias) e Crô­
nicas.

Conform e esse esboço verificam os que o núm ero desses livros é vinte e
quatro, mas trata-se dos mesmos livros que contamos no Antigo Testamento de
nossas Bíblias (versões Protestantes). Os livros históricos de Samuel, Reis, Crôni­
cas e Esdras-Neemias são por nós divididos em duas partes ou livros dos profetas
menores, que os hebreus consideravam como um livro só, fazem com que 24
livros m ais 4 livros mais 11 livros sejam os m esm os 39 livros que temos em
nossas Bíblias. Ocasionalm ente os judeus uniam Rute com Juizes e Lamentações
com Jeremias, perfazendo assim um total de somente 22 livros. (Isso correspondia
às letras do alfabeto hebraico).
Os judeus chamavam Josué, Juizes, Samuel e Reis de "profetas anteriores",
porque escreveram a história que vai da morte de Moisés ao fim do reino (Veja-se
Zacarias 1.4 e 7.7). A razão pela qual incluíam Daniel entre os livros, históricos é
porque ele não ocupou o ofício de profeta, e porque, ainda que tenha profetiza­
do, a metade de seu livro é pura história.
Quando o Senhor Jesus disse, em Mateus 23.35: "... desde o sangue do justo
Abel até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem m atastes entre o
santuário e o altar", citada de Gênesis 4.8, o primeiro livro do Antigo Testamen­
to, e 2 Crônicas 24.20- 22, o último dos livros da Bíblia hebraica, que era a que se
usava naqueles dias, por ainda não ter sido escrito o N ovo Testamento. As pala­
vras de Jesus tinham o m esm o sentido que a expressão por nós usada: "D o
Gênesis até M alaquias". Dessa forma Cristo nos assegura que o Antigo Testa­
mento é o mesmo volume que Ele chamava de "Palavra de D eus", e que tanto
amava.
A esse agrupamento dos livros sacros é que chamamos de "cânon" é defi­
nida como segue: "O s livros das Sagradas Escrituras aceitos pela Igreja Cristã
como aqueles que contém a regra autoritária da fé e da prática".

B. O NOSSO "CÂ N O N "

Cada estudante deve aprender de memória os nomes dos livros do Antigo


Testamento, na ordem em que se encontram na Bíblia, com as divisões comuns
de acordo com seu conteúdo, cuidando para que possa soletrá-los bem, preferi­
velmente conforme se encontram soletrados nas últimas revisões, que estão de
conformidade com a nova grafia portuguesa.
1. P e n ta te u c o (5 liv ro s) - G ê n e sis, Ê x o d o , L e v ític o , N ú m ero s e
Deuteronôm io.
2. Livros históricos (12 livros) - Josué, Juizes, Rute, 1 Samuel, 2 Samuel, 1
Reis, 2 Reis, lCrônicas, 2 Crônicas, Esdras, Neemias, e Ester.
3. Livros poéticos (5 livros) - Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantares
de Salomão.
4. Livros proféticos (17 livros):
a) Profetas M aiores (5 livros) Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel e
Daniel.
b) Profetas M enores (12 livros) - Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas,
Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
Como se vê, essas divisões estão de conformidade com o conteúdo dos livros,
visto que pareceu melhor esse arranjo aos compiladores, como coleção mais prá­
tica que o arranjo hebraico. Nunca dizemos que a ordem dos livros é inspirada.
Muitas vezes se diz que o Antigo Testamento tem cinco divisões, no qual caso os
profetas maiores são considerados como uma divisão, e os profetas menores como
outra. A razão para essa diferença entre profetas maiores e menores não se deve
a alguma diferença na inspiração, nem tem nada a ver com o tempo em que os
livros foram escritos, nem tão pouco com seu conteúdo. A única explicação razoá­
vel é que Oséias e Zacarias estejam divididos em 14 capítulos cada um, enquanto que
Daniel tenha somente 12 capítulos, verifica-se que Daniel contém muito mais mate­
rial, pois conta com 357 versículos, alguns dos quais bem longos, enquanto que
Oséias tem somente 197 versículos e Zacarias 210.

C. COMO FOI FORMADO O "CÂ N O N "

Como já temos visto, Jesus Cristo deu seu apoio legitimamente a todo o
Antigo Testamento; fez citações de cada um a de suas divisões; porém, nunca
citou qualquer outro livro, nem deu a entender que existiam outros livros inspi­
rados. Sabemos que existiam muitos outros livros escritos na língua hebraica,
dos quais cerca de 15 ou mais são m encionados no Antigo Testamento mesmo
(o livro dos Justos, em Josué 10.13; 2 Samuel 1:18; o livro das Guerras do Senhor,
em Números 21.14, etc.). Como, portanto, foram escolhidos aqueles 39 livros do
meio de tantos outros? como receberam sua autoridade canônica? Quem os com­
pilou num só volume, ficando assim encerrado o "cânon"?
O fato de haver outros livros em língua hebraica, alguns deles escritos ain­
da antes de que houvesse livros canônicos, livros religiosos evidentemente de
conformidade com a lei de Moisés, proíbe que nem o idioma, nem a antigüida­
de, nem o tema, nem a m oral prove sua canonicidade. A verdadeira prova é sua
inspiração, a qual será estudada noutra seção deste livro. Se Deus falou pelo
Espírito por intermédio de algum escritor humano, então o tal livro é inspirado
e útil para os propósitos de Deus - é Palavra viva e vivificadora. Os livros que tem
esse selo divino foram reconhecidos como divinos tanto pelo povo comum como
pelos líderes e sacerdotes, e o tempo mostrou gradualmente que a seleção fora
bem feita. Afinal, essa formação lenta do "cânon" é mais autoritária que a decisão
de qualquer concílio ou de indivíduo que se julgue autoridade no assunto.
Quem colecionou esses livros e os transformou num a obra só? Tais livros
foram escritos entre 2.000 a 400 anos antes de Cristo. O livro de Jó, com muita
probabilidade, data do tempo dos próprios patriarcas, e o livro de M alaquias foi
escrito entre 425 e 400 anos antes do nascimento de Jesus Cristo. Muitos outros
escreveram depois de Malaquias, mas os judeus consideravam esses escritos tão
somente como histórias humanas. Nos últimos anos do período do incluso no
"cân o n ", cinco grandes hom ens de Deus viveram ao mesmo tempo, a saber:
Esdras, Neemias, Ageu, Zacarias e Malaquias. Na sua época havia um grande
reavivam ento espiritual bem como um interesse sincero e prático pela lei de
Deus. Os sacerdotes começaram a ler a Bíblia para o povo, novamente, e a ensinar a
lei. Portanto, não é de estranhar que haja forte tradição favorável a Esdras que o
assinala como compilador do "cânon" foi encerrado com os 22 livros da divisão
hebraica, ou com os 39 livros de nossa própria divisão, serão dadas adiante.

D. EVIDÊNCIA INTERNA DO "CÂNON"

Como evidência interna do "cânon" do Antigo Testamento apresentamos


os seguintes considerações: (1) As tábuas da lei foram guardadas no Templo com
o máximo cuidado (Êxodo 25.21; 40.20; Deuteronômio 10.5; 1 Reis 8.9), como a
possessão m ais valiosa de Israel. (2) Eram consideradas com o au toritárias
(Deuteronômio 31.10-13; 17.18, 20; Josué 1.8; 1 Samuel 15.11-23; 1 Reis 11.38; 2
Crônicas 8.13; 14.4, etc.). (3) Os profetas eram respeitados igualmente como a lei
(2 Reis 17.13; Neemias 9.29, 30; Daniel 9.2 vemos o reconhecimento de um volu­
me de livros autoritários.
No Novo Testamento freqüentemente se vê o apelo que os escritores do
mesmo fazem aos escritos do Antigo Testamento como prova final e autoritária
das suas afirmações, e sempre se referem ao Antigo Testamento como Escritura
inspirada (Mateus 22.29; João 5.39; 10.35; 2 Timóteo 3.16; Hebreus 1.1; 2 Pedro
1.20, 21; Gálatas 3.16; etc.). No Novo Testamento são feitas citações de cada umas
das divisões do Antigo Testamento.

E. EVIDÊNCIA EXTERNA DO "CÂ N O N "

Os judeus palestinianos nunca aceitaram como inspirados outros livros


além daqueles que temos em nosso "cânon". Flávio Josefo, nascido em Jerusa­
lém, no ano 37 depois de Jesus Cristo, em sua obra contra Apiâo, diz: "N ós (os
judeus) não temos dezenas de milhares de livros, discordantes e contraditórios,
mas somente vinte e dois que contém o relato do tempo completo, e que tem
merecido ser considerados como divinos. Desses, cinco são os livros de Moisés,
que encerram as leis e as tradições desde a criação do homem até a sua morte.
Da m orte de M oisés até o reinado de A rtaxerxes, sucessor de Xerxes, rei da
Pérsia, os profetas que sucederam a Moisés escreveram treze livros. Os quatro
livros restantes são compostos de hinos a Deus e de conselhos para os homens
na conduta desta vida. Desde Artaxerxes até nosso próprio tempo tem sido tudo
escrito, mas não tem sido considerado como digno de igual crédito com os que
os tem precedido, porque a sucessão exata dos profetas cessou. Porém, a fé que
temos depositado em nossos próprios escritos é evidente por nossa conduta; por­
que, embora se tenha passado tanto tempo, ninguém se tem atrevido a acrescen­
tar-lhes ou tirar algo deles, ou fazer qualquer alteração. Todo judeu, entretanto,
respeita instintivamente esses escritos como mandamentos de Deus, obedece e, se
necessário fosse, morreria prazeirosamente por eles". O testemunho desse histo-
riador judeu nos fornece a autoridade, a extensão e a data em que o Antigo Testa­
mento foi completado; e está de conformidade com o que foi dito acima, no tercei­
ro parágrafo da divisão C.

F. OS LIVROS APÓCRIFOS

Terminamos este capítulo com uma palavra sobre os livros apócrifos. O


termo significa "escondido", "oculto". Inclui os seguintes livros: 1 Esdras, 2 Esdras,
Tobias, Judite, o resto de Ester, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque e a
epístola de Jeremias, o Canto dos Três Mancebos, a História de Susana, Bei e o
Dragão, A Oração de Manassés, 1 M acabeus e 2 Macabeus. O Códice Alexandrino
acrescenta 3 e 4 Macabeus, fazendo assim um total de 16 livros. A Vulgata Latina
não contém esses dois últimos livros. Na versão dos Setenta (LXX) ou Septuaginta,
encontra-se este 1 Esdras apócrifo, mas não o 2 Esdras. O Códice do Vaticano
não contém qualquer dos livros dos Macabeus, enquanto que o Códice Sináitico
contém 1 e 4 livros dos Macabeus. A Vulgata Latina contém os livros canônicos
de Esdras e Neemias, e também os livrosl e 2 Esdras apócrifos, mas, juntam en­
te com a Oração de Manassés, são considerados livros apócrifos e colocados
depois do Novo Testamento. Todos esses livros existem em grego, ainda que
seus autores sejam desconhecidos, excetuando o livro de Eclesiástico, que foi
escrito por um tal de Jesus, filho de Sidraque. E possível que esse livro, como
também Tobias e Judite e, provavelmente Baruque, fossem escritos originalmente
em hebraico. Nenhum desses livros tem a pretensão de ser de origem divina.
Todos eles, menos 3 e 4 Macabeus, foram escritos entre 200 e 100 anos antes de
Cristo.
Conforme já temos indicado, nem um só dos livros apócrifos tem encon­
trado lugar no "cânon" hebraico. Não sabemos quando foram incluidos na Ver­
são dos Setenta, porém, parece ter sido nos fins do século IV de nossa era, porque
Cirilo de Jerusalém faz referência à Septuaginta de seu tempo (315-386 depois de
Cristo) e manifesta que a mesm a não continha os livros apócrifos. E não aparecem
nas versões de Aquila e de Simaco. Filo, judeu filósofo nascido em Alexandria no
ano 20 antes de Cristo, escreveu muitas obras em que cita extensam ente a Bíblia,
mas nunca menciona os livros apócrifos nem nada cita deles. Tão pouco se encon­
tra, em qualquer dos catálogos de livros componentes da Bíblia, de antes dos fins
do século quarto de nossa era, qualquer referência aos mesmos livros. Procura-se
explicar sua inclusão da seguinte m aneira - nos m anuscritos mais antigos os
rolos eram tão volumosos que cada livro era escrito num rolo separado, e os rolos
de livros canônicos eram guardados juntam ente com os rolos de livros apócrifos,
ainda que todos conhecessem a diferença entre os dois grupos. Quando foram
iniciados os códices, isto é, a escrituração da Bíblia inteira em um só volume,
alguns escribas copiaram certos rolos apócrifos juntamente com os rolos canônicos,
sendo que esse equívoco foi que provocou tal diversidade.
Os livros apócrifos não declaram ser mensagens de Deus ao hom em, nem
seu nível m oral é tão alto como o dos livros canônicos; contêm erros históricos,
geográficos e cronológicos; aprovam a mentira, o suicídio, o assassinato, os en­
ca n tam en to s m ág ico s, as o raçõ es aos m o rto s, e a salvação p or m eio de
tratificações. Sua descrição de seres sobrenaturais com seus milagres e ações, é
algo fabuloso, grotesco e ridículo. Por isso é que se nota grande diferença em sua
leitura, depois de se ler os livros canônicos. Noutro capítulo trataremos do fator
de maior importância, a inspiração, que é a verdadeira causa pela qual rejeitamos
esses livros apócrifos como canônicos. Não foi senão no concílio católico de Trento
(1546 depois de Cristo) que a Igreja Ocidental passou a considerá-los autoritários.
Na sessão do concílio em que se votou sobre o assunto, somente 53 prelados se
achavam presentes, nenhum dos quais era homem destacado por seus conheci­
mentos históricos ou sobre documentos orientais, e alguns grandes homens se
opuseram à decisão ao saber do que acontecera. Um a nota de Miles diz: "O carde­
al Polo afirmou que assim agira o concílio a fim de dar maior ênfase às diferenças
entre os católicos-romanos e os evangélicos. Tanner afirma que o motivo foi que a
Igreja Católica Romana encontrou nesses livros o seu próprio espírito. Esse teste­
munho de dois em inentes m embros da Igreja Católica Rom ana é importante por­
que demonstra que a resolução do concílio não se baseou em informes puramente
históricos" (Introdução Popular, p. 65). (General Biblical Introdution - Miller, p.
122 ).
EM RESUM O - Jesus Cristo nos forneceu as três divisões principais do
Antigo Testamento: a Lei, os Salmos e os Profetas.

A. Na Bíblia hebraica o Antigo Testamento conta de 24 livros, ou de 22


caso se una Rute com Juizes e Lamentações com Jerem ias) mas trata-
se dos mesmos 39 livros que temos em nossas Bíblias, nem mais nem
menos.
B. Nossas Bíblias são divididas da m aneira seguinte: Pentateuco, 5 li­
vros; Livros históricos, 12 livros; Livros poéticos, 5 livros; Livros pro­
féticos: m aiores, 5 livros, e menores, 12 livros; assim perfazendo 39
livros.
C. O "cânon" foi formado gradualmente, conforme os livros inspirados
foram sendo provados pelo uso. Provavelmente Esdras compilou os
rolos do Antigo Testamento para formar o "cânon".
D. Evidência interna do "cânon".
E Evidência externa do "cânon".
F. Os livros apócrifos não encontram lugar em nosso "cân o n ", e com
grande razão.
PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Quais são as três divisões do Antigo Testamento, segundo os hebreus? E


quantos livros contém?
2. Como dividimos os livros, em nossas Bíblias?
3. Porque consideramos a formação gradual do "cânon" mais autoritária de
que se tivesse sido a decisão de algum concílio?
4. Que testem unho dá a Bíblia de si mesma, no que diz respeito à autoridade
do "cânon"?
5. Porque rejeitamos os livros apócrifos e não os consideramos canônicos?
6. Que testem unho fora da Bíblia prova que nosso "cânon" é correto?

B I BL IO TE CA Â U K R E Y Cl & R 8
(Capítulo 5

OS MANUSCRITOS DO ANTIGO TESTAMENTO

O Senhor Jesus Cristo leu um m anuscrito em forma de rolo quando pregou


na sinagoga de N azaré (Lucas 4.17-20). A Edição Revista e atualizada no Brasil,
da Sociedade Bíblica do Brasil, que estamos usando nestes estudos, diz assim:
"Então lhe deram o livro do profeta Isaías, e, abrindo o livro, achou o lugar...
Tendo fechado o livro, devolveu-o ao assistente...".
Em 2 Tim óteo 4.13, o apóstolo Paulo deu instruções a Timóteo para que lhe
trouxesse seus livros, especialm ente os pergaminhos. Talvez todos os seus li­
vros, no grego, que se encontra em Lucas 4.17 e 20; porém, os pergam inhos
eram rolos feitos de peles de animais, e eram usados para os manuscritos mais
preciosos, e nesse caso podemos estar certos de que se trata de rolos da Bíblia.

A. OS MANUSCRITOS ANTIGOS

Os M anuscritos (que na forma abreviada se escreve MS, no singular, e MSS,


no plural) são os rolos,pergaminhos ou livros escritos à mão, antes da invenção
da imprensa com tipos móveis, que foi inventada nos meados do século XV. Os
manuscritos gregos em form a de livro tam bém se chamavam de códices. Quan­
do a Bíblia é traduzida para algum idiom a, especialm ente se traduzida do
hebraico ou do grego, para outro idioma qualquer, é chamada de versão.
A preparação dos manuscritos do Antigo Testamento para serem usados
nas sinagogas, foi realizada com o máximo cuidado, segundo regras fixas que
demonstram quão sagrada era a Bíblia para os judeus. Aqui vão algumas das
regras que eles observavam: (1) O pergaminho tinha de ser feito da pele de ani­
mais cerimonialmente limpos, e as peles, costuradas umas às outras, com cor­
dões tirados de animais limpos, era um trabalho que devia ser feito por um judeu.
(2) Cada coluna tinha de ter não mais de sessenta linhas e não menos de quarenta
e oito. (3) A tinta, feita segundo fórmula especial, era negra. (4) O escriba tinha que
copiar de um manuscrito autêntico e nunca deveria escrever qualquer palavra de
memória. (5) Com reverência, tinha que lim par sua pena antes de escrever a
palavra "D eu s", e era absolutamente necessário banhar todo o corpo antes de
escrever a palavra "Jeová" (Yavé, V. Nacar Colunga). (6) Havia regras escritas a
respeito da forma das letras, dos espaços entre as letras, palavras e divisões, a cor
do pergaminho, o uso da pena, etc. (7) O rolo tinha que ser revisado dentro dos
trinta dias seguintes depois de terminado, ou ficaria sem valor. Um erro condena­
va a folha; três erros encontrados num a folha só condenava todo o manuscrito;
por três palavras escritas fora da linha, o todo era rejeitado. (8) Cada palavra e
cada letra eram contadas, e se uma letra faltava ou sobrava, ou se uma letra
tocava em outra, tudo era condenado e queimado em seguida. E havia ainda
muitas outras regras.
Todo o Antigo Testamento foi escrito em hebraico com exceção de Daniel
2.4 - 7.28; Esdras 4.8- 6.18; 7.12-26; e Jerem ias 10.11. Essas pequenas porções
foram escritas em aram aico. O exem plo m ais antigo que existe de escritura
hebraica atualmente existente é a "Inscrição Biblos", extensa inscrição encontra­
da recentemente em um sepulcro, em Biblos (a cidade Bíblica de Gibal, Josué
13.5; Gebal, Salm o 83.7), datada do tem po de Ram sés II (cerca de 1202-1225
antes de Cristo). Essa inscrição, diz o Dr. Mac Alister, "exibe o alfabeto não
somente plenamente desenvolvido, mas também em deterioração". O segundo
exemplo de escritura antiga em hebraico é a famosa "Pedra M oabita", esculpida
em caracteres fenícios, ou seja, em hebraico arcaico, durante o reinado de Mesa,
rei de Moabe, cerca do ano 860 antes de Cristo. Há um fragmento escrito em
papiro, de Êxodo 20.1-17, do segundo século depois de Cristo, que até pouco tem­
po era considerado o fragmento de papiro mais antigo, mas, bem recentemente
foi descoberto por alguns beduínos, num a cova ao noroeste do M ar Morto, um
rolo completo de Isaías, achava-se em um cântaro, envolto com breu. E muito
antigo. Calcula-se que tenha sido usado no tempo de Jesus Cristo, e que talvez
tenha sido escondido na cova no tempo da destruição de Jerusalém, no ano 70
depois de Cristo. Josefo, o historiador judeu, diz que uma cópia da lei ocupou
lugar proem inente na procissão efetuada depois da vitória de Vespasiano, de
formas que é certo que um exemplar oficial escapou da destruição de Jerusalém.
A comparação entre esses documentos muito antigos com o texto hebraico
moderno prova que o idioma hebraico sofreu bem pouca transformação; o de
M alaquias é quase o mesm o que o dos primeiros autores. A forma das letras
variou, e as vogais são indicadas no hebraico mais moderno, mas, como idioma,
tem permanecido sem variações através dos séculos. O grande número de m a­
nuscritos é outra ajuda que prova que o texto é correto. Certo inglês chamado
Kennicott, e um italiano de nome Rossi examinaram entre si o número total de
1.686 diferentes manuscritos hebraicos, e provaram que todos apresentam prati­
camente o m esm o texto. Visto que tudo foi copiado à mão, é admirável que as
variações sejam insignificantes.
B. MANUSCRITOS ATUALM ENTE DISPONÍVEIS

O Pentateuco Samaritano, existente hoje em dia, não é um documento anti­


go, mas os exem plares atualmente em existência são cópias do Pentateuco guar­
dadas separadamente das de Jerusalém pelos samaritanos, desde o quinto sé­
culo antes de Cristo. Trata-se de um manuscrito independente para ser com para­
do com os que foram guardados na Palestina ou por judeus de outros lugares.
Contém mudanças na cronologia e um a tentativa para justificar a adoração no
monte Gerzim; tais alterações, todavia, não são importantes para o Cristianismo
e são, obviamente, desvios do original.
Devido à prática dos judeus de queimar com toda a solenidade qualquer
rolo que ficasse m uito estragado pelo uso, depois de tê-lo copiado conforme
explicamos acima, os manuscritos em hebraico do antigo Testamento não são
muito antigos. O Códice de Leningrado tem a data do ano 916 depois de Cristo.
O Dr. Ginsburg disse que certo m anuscrito que há no M useu Britânico (do
Pentateuco) é de pelo m enos meio século antes do Códice de Leningrado, o qual
contém Isaías, Jeremias, Ezequiel e os doze profetas menores.
O manuscrito mais antigo de todo o Antigo Testamento é um que pertence
à famosa coleção Firkowizsch, trazida da Criméia. Tem a data do ano 1.010 de­
pois de Cristo.

C. AS VERSÕES

A mais importante das versões antigas é a Versão dos Setenta, que em for­
ma abreviada é chamada de Septuaginta (LXX). Segundo a tradição mais persis­
tente, Ptolom eo Filadelfo (Tolomeo ou Ptolom eo II, o rei do Egito, 285 a 247
antes de Cristo) apreciava muito as letras, e desejava conseguir para sua biblio­
teca em Alexandria um a cópia da Lei e das escrituras hebraicas. Solicitou de
Jerusalém setenta (ou 72, segundo alguns, 6 de cada tribo) anciãos eruditos, que
fizessem a tradução das escrituras hebraicas para o grego, em Alexandria. Essa
tradição nos explica o motivo porque foram acrescentados os livros apócrifos
na Septuaginta - para tê-los na biblioteca de Alexandria como literatura da na­
ção hebraica. Como recom pensa pelo favor concedido Tolomeo II libertou os
escravos judeus que se encontravam no Egito. Toda evidencia histórica é a favor
do Pentateuco, pelo menos, haver sido traduzido oficialmente para o grego du­
rante o reinado de Ptolom eo Filadelfo, e o restante do Antigo Testamento foi
traduzido muito depois. Essa é a versão do Antigo Testamento mais citada por
Cristo e Seus apóstolos. Sua linguagem é o grego popular, e não o grego literá­
rio, e se espalhou por todas as regiões do império romano.
Visto que a Versão dos Setenta era tão citada pelos Cristãos em seus cultos,
e tam bém em suas controvérsias doutrinárias com os judeus e os pagãos, os
judeus do segundo século depois de Cristo fizeram novas traduções do texto
hebraico para o grego. Versões notáveis eram: (1) a de Aquila, 130 anos depois
de Cristo, e que era tradução muito literal. (2) A de Teodózio, 150 anos depois de
Cristo, que provavelmente foi judeu convertido, que fez tradução bem aceitável;
a tradução de Daniel era tão superior à dos Setenta que suplantou-a de tal modo
que é o texto encontrado hoje nas cópias da Versão Septuaginta. (3) A de Simaco,
190 anos depois de Cristo, que procurou traduzir do hebraico para um grego
mais idiomático. Dessa maneira, no início do terceiro século havia quatro gran­
des versões, em grego, das Escrituras Hebraicas. Origines copiou essas quatro
versões e partes de outras em colunas paralelas, com o hebraico original em
seus caracteres ou sinais hebraicos, e também nas letras gregas. Essa obra foi
denominada "H exapla". Até hoje existem fragmentos da mesma.
H á quatro m an u scritos siríaco s: A V ersão C u reton ian a, a Pesh ito, a
Harcleana, e a Palestiniana, mas a mais importante é a Peshito. O nome "Peshito"
significa simples, comum ou literal. Crê-se que pertence aos meados do século
segundo depois de Cristo. Parece ter sido traduzida do hebraico antigo, e não da
Septuaginta. É útil para compreender-se o texto do hebraico antigo.
O m anuscrito mais completo e antigo que existe atualm ente é, talvez, o
Códice do Vaticano, escrito no quarto século. Consta de 759 folhas, de 25 por 26
centímetros de tamanho. Faltam-lhe as porções de Gênesis 1.1 a 46.28; 2 Reis 2.5-
7, 10-13; Salmos 106.27 a 138.6. Os livros dos M acabeus também não se encon­
tram ali. O Códice está na Biblioteca do Vaticano.
O próximo manuscrito em importância é o Códice Sináitico, tam bém do
quarto século, porém, não é tão completo como o Códice do Vaticano. Foi des­
coberto no Convento de Sta. Catarina, no m onte Sinai. Atualmente se encontra
no Museu Britânico, de Londres.
Em seguida vem o Códice Alexandrino, do quinto século. Anteriormente
era p ro p rie d a d e da C âm ara P a tr ia rc a l de A le x a n d ria ; fo i le v a d o p ara
Constantinopla pelo patriarca Cirilo Lucar e mais tarde enviado ao rei Carlos I
da Inglaterra, como presente. Está no Museu Britânico. Contém 775 folhas de 25
por 32 centímetros.
O Códice de Efrain, do século quinto, acha-se na Biblioteca Nacional de
Paris, e o Códice de Beza, do sexto século, está na Universidade de Cambridge,
na Inglaterrra.
Resta-nos considerar tão somente a chamada Vesrão Vulgata. A começar
do ano 150 depois de Cristo, fizeram-se diversas traduções da Bíblia inteira para
o idioma latino. O fato manifestou a necessidade de um a boa versão, sendo que
as muitas traduções então existentes eram de diferentes qualidades. Jerônimo,
que conhecia bem o hebraico, fez entre 390 e 405 depois de Cristo uma versão tão
boa que chegou a ser chamada "A Vulgata". Era mui fiel ao original. Jerônim o
:ez o trabalho por pedido de muitos amigos, especialmente do bispo romano
Dámaso. Não quis traduzir os livros apócrifos por não considerá-los dignos de
serem incluídos no "C â n o n ". Mais tarde, devido aos rogos persistentes de amigos
seus, fez uma tradução rápida de algunsdaqueles livros, porém, depois do tempo
de Agostinho a tradução do latim antigo dos livros apócrifos foi acrescentada à
Versão Vulgata, e assim permaneceu até hoje. Foi depois da morte de Jerônimo,
em 420 depois de Cristo, que sua versão chegou a Inglaterra e desde então come­
çou a ser usada quase universalmente.

D. VALOR DESSES MANUSCRITOS

De vez em quando se ouve a pergunta: Se a Bíblia tem influência tão podero­


sa no mundo de hoje, conforme se vê claramente, e é usada por Deus na conversão
e transformação das vidas hum anas diariamente, que necessidade temos de ape­
lar para os manuscritos antigos? A Bíblia testifica a seu próprio favor tão eficaz­
mente que é desnecessária a pesquisa de caráter histórico. Assim afirmam al­
guns. Não lhes negam os a razão. Para a fé de alguém que foi regenerado pela
divina semente da Palavra de Deus, não há tal necessidade de indagar a respeito
dos documentos antigos. Porém, também existem os críticos não convertidos que
negam toda base histórica e afirmam que a Bíblia é puro mito. Ainda há outros
que teim am em dizer que os manuscritos antigos dos quais é traduzida a Bíblia
são tão fragmentários e indignos de confiança que a Bíblia não merece a menor
consideração. Ouve-se freqüentemente a seguinte afirmação: A Bíblia é tirada de
um manuscrito, cujo papel foi usado primeiramente para outra coisa; porém,
apagaram a antiga escritura e por cima escreveram as novas palavras. Portanto,
estragaram o papel e escreveram palavras por cima das primeiras palavras.
E justam ente para responder a essas críticas, com poucas palavras, que acres­
centamos esta divisão.
No estudo da literatura antiga, ouve-se falar do poeta latino Virgílio, do
poeta grego Homero, dos filósofos gregos Platão, Aristóteles, e outros. Seus es­
critos são aceitos e estudados como autênticos sem dificuldades, apesar de que
nem um só deles conta com mais de quatro manuscritos atualmente existentes
como prova de sua origem! Compara-se com isso o fato de que existem quatro
m il m anuscritos da Bíblia! Além disso, leve-se em consideração que quando
João Ferreira de Alm eida começou a fazer a tradução para o português, da ver­
são que traz o seu nome, não havia sido ainda descoberto qualquer dos códices
importantes, os quais, por conseguinte, não estavam ainda ao alcance dos tra­
dutores. Não obstante, a tradução primitiva de João Ferreira de Almeida com ­
parada com um a m oderna tradução ou revisão, m ostra que as variações são
insignificantes. O mesmo resultado se encontra na versão do Padre Figueiredo,
que é versão católica romana. A única diferença , quase, é que as revisões mais
recentes são postas em português mais atual. Nenhum a doutrina é afetada, e
nenhuma das grandes verdades reveladas passa por tal transformação que não
seja mais a mesma.
Quanto ao fato de que alguns manuscritos sejam indignos de confiança por
terem usado o mesmo material de escrita pela segunda vez, confessamos que
existem alguns manuscritos dessa espécie, e são os chamados "palim psestos".
Formam uma parte bem pequena dos mais de quatro mil manuscritos da Bíblia,
e a Bíblia existiria tal como a temos em nossas mãos, se nunca tivessem aparecido
os tais "palim psestos". Nota-se, por conseguinte, o absurdo que é deixar de crer
na autenticidade da Bíblia por causa da existência de tais escritos. Nos dias em
que o papel era muito valioso, não era de estranhar que muitos monges e outros
tenham usado papel e pergaminho pela segunda vez.
A tarefa do expositor é a de por, em palavras compreensíveis, para o ouvinte
ou o leitor, o significado exato do texto. Esse texto foi escrito originalmente em
hebraico ou grego, pelo que o expositor da Palavra tem a obrigação de traduzir,
na linguagem do leitor ou ouvinte, a m ensagem esforçando-se para ser fiel ao
original até o ponto possível. Quanto mais se conhece dessas coisas, mais conven­
cido se fica de que Deus deu ao mundo uma revelação através dos séculos.
O Antigo Testamento que Cristo usou tanto em Suas pregações, é o mesmo
Antigo Testamento que possuím os hoje em dia, e é digno de toda confiança. Tal
como Ele disse. O Antigo Testamento é a Palavra de Deus, a Escritura não pode
falhar (João 10.35).
EM RESUMO: Jesus Cristo e os apóstolos usaram cópias do Antigo Testa­
mento feitas à mão, em formas de rolos.

A. Os manuscritos antigos são múltiplos, e foram copiados à mão com o


máximo cuidado pelos judeus.
B. O s m a n u scrito s a tu a lm en te e x iste n te s , in clu em : o P en tateu co
Samaritano; os Códices do Vaticano, Sináitico, Alexandrino, de Efraim,
etc.
C. As versões importantes, são: a dos Setenta; as siríacas Curetoniana,
Peshito, etc.; e a Vulgata Latina.
D. Esses m anuscritos são tão num erosos e sem elhantes entre si que é
absurdo rejeitar a Bíblia por motivo de achar que não possui autenti­
cidade literária.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Que m edidas tomavam os judeus para certificar-se que cada cópia do An­
tigo Testamento era exatamente igual ao original?
2. Qual o exemplo mais antigo de escritura hebraica?
3. Quais são os exem plares mais antigos da Bíblia, disponíveis hoje em dia?
4. Quem foi que deu origem à Versão dos Setenta? Em que época foi feita?
5. Quem fez a tradução que é chamada de "A Vulgata"?
C^apíta lo 6

A INSPIRAÇÃO DO ANTIGO TESTAMENTO

O Senhor Jesus Cristo disse em Mateus 22.43,44: "... Davi, pelo Espíorito,
chama-lhe Senhor...", citando o Salmo 110.1. Tam bém disse em M ateus 15.4:
"Porque Deus ordenou..." citando Êxodo 7.10, que é a passagem paralela, disse:
"Pois M oisés disse...", citando as mesmas referências do livro de Êxodo. Portan­
to, é claro que Jesus Cristo sabia que o Antigo Testamento foi escrito sob inspi­
ração de Deus - era o próprio Deus a falar. Neste capítulo vamos estudar o método
que Deus usou para proporcionar-nos o conhecimento de Sua vontade em forma
escrita.

A. AFIRM AÇÕES BÍBLICAS

Desde o primeiro versículo, em Gênesis 1.1,até o último livro, em Malaquias


4.6, o Antigo Testamento apresenta a verdade em forma afirmativa e positiva.
Nunca lança qualquer dúvida a respeito de suas próprias declarações, visto que
teve sua origem em Deus, e que escrevem aquilo que Deus mesmo quer que seja
escrito. Quando Deus chamou Moisés para sua grande obra, lhe disse: "... eu
serei com a tua boca e com a dele, e vos ensinarei o que deveis fazer" (Êxodo
4.12,15). E em Êxodo 20.1, lemos: "Então falou Deus todas estas palavras: "C h a­
mou o Senhor a M oisés e, da tenda da congregação, lhe disse...", enquanto que
20 dos 27 capítulos do livro começam com a expressão: "D isse m ais o Senhor a
M oisés...". Em alguns desses capítulos essa expressão é repetida no versículo
onze; enquanto que nos versículos 22 e 28, se lê: "D isse mais o Senhor a M oisés...".
E no resumo do capítulo, nos versículos 37, 38, se lê: "Esta é a lei... que o Senhor
ordenou a M oisés...". Números 1: 1 contém a mesma expressão: "...falou o Se­
nhor a M oisés...", que é repetida por muitas vezes naquele livro. Deuteronômio
1.1 diz que Moisés falou a todo Israel, e no versículo 6 vemos o início de seu
discurso, com as palavras: "O Senhor nosso Deus nos falou...".
Em Josué 1.1, encontramos: "Sucedeu depois da morte de Moisés, o servo do
Senhor, que este falou a Josué... dizendo...". E em Juizes 1.2: "Respondeu o Se­
nhor...". Quanto aos profetas, examine Isaías 1.2,10; Jerem ias 1.6-9; Ezequiel 1.3;
O séiasl.l, 2; Joel 1.1; etc. por vinte vezes Isaías declara que seus escritos são as
palavras do Senhor; Jerem ias repete quase cem vezes a expressão: "Assim diz o
Senhor", ou palavras semelhantes, enquanto que Ezequiel diz cerca de sessenta
vezes que o que escrevia fazia-o por revelação do Senhor, etc. Jeremias, capítulo
29, diz quinze vezes que Deus falou, no capítulo 30 essa declaração aparece onze
vezes, e no capítulo 31, vinte vezes.
Devemos acrescentar aqui as afirmações do Novo Testamento em referên­
cia ao Antigo Testamento. No capítulo sobre a autoridade divina do Antigo Tes­
tamento incluímos muitas passagens e referências que provam que Cristo e os
apóstolos consideravam o Antigo Testamento como Palavra de Deus, mas quere­
mos repetir aqui mais alguns exemplos: Jerem ias 31.31-34 com Hebreus 8.8-12;
Joel 2.28-32 com Atos 2.16-21; Êxodo 20.12 e 21.17 com Mateus 15.4, etc. Além
dessas referências, o Novo Testamento chama o Antigo Testamento de "a Escritu­
ra" ou "as Escrituras" cerca de 49 vezes, e a expressão equivalente: "Está escrito",
é usada cerca de 73 vezes. Há mais de trezentas citações, referências distintivas,
no Novo Testamento, e isso sem incluir a unidade e o desenvolvimento de suas
doutrinas, etc.
Portanto, é verdade que a Bíblia, em particular o Antigo Testamento, afir­
ma que é a Palavra do Único Deus, Criador dos céus e da terra; é Sua revelação
autoritativa, e é verdade absoluta. A Bíblia exige de todos os homens a conside­
ração e a obediência devidas à Palavra de Deus, inspirada e infalível.

B. DESENVOLVIMENTO DA DOUTRINA DAINSPIRAÇÃO DAS ESCRITURAS

No próprio Antigo Testamento há alguns ensinos a respeito do fato da ins­


piração das Escrituras Sagradas. Davi, o rei-profeta, estando já nos últimos dias
de sua vida, ocasião em que os hom ens geralmente usam de especial cuidado
para dizer a pura verdade, declarou:

"São estas as últimas palavras de Davi:


Palavra de Davi, filho de Jessé,
palavra do hom em que foi exaltado,
do ungido do Deus de Jacó,
do maravilhoso salmista de Israel.
O Espírito do Senhor fala por meu intermédio,
e a sua palavra está na minha língua.
Disse o Deus de Israel,
e a Rocha de Israel a m im me falou:
Aquele que domina com justiça sobre os homens,
que domina no temor de Deus,
é como a luz da manhã, quando sai o sol,
como m anhã sem nuvens,
cujo esplendor, depois da chuva, faz brotar da
terra a erva" (II Sam uel 23.1-4).

O versículo dois, por si só prova o que dissemos: "A Bíblia é Deus falando por
meio do Espírito Santo aos homens, por intermédio dos hom ens". E Suas Pala­
vras estiveram na língua do salmista, e não Seus pensamentos em sua cabeça; as
palavras da Bíblia são inspiradas.
Em Neemias 9.30, também lemos como segue: "N o entanto os aturaste por
muitos anos, e testemunhaste contra eles por teu Espírito, por intermédio dos
teus profetas...". Esse versículo reconhece que as palavras pronunciadas pelos
profetas eram palavras de Deus, o Espírito Santo. Jeremias 44.4 e Daniel 9.2-6
reconhecem a inspiração das Escrituras e a obrigação que os hom ens tem de
dar-lhes ouvidos. Jerem ias 36.1,2,27-32 é outra forte prova da inspiração das
Escrituras, juntam ente com o castigo dos que não crêem no fato. Além disso
verificamos nesses versículos o m andamento definitivo, dado por Deus ao pro­
feta, para que tomasse um rolo e escrevesse nele as palavras pronunciadas pelo
Senhor. E interessante notarm os que ali está escrito "palavras", e não somente
idéias, pensamentos, ou ensinos.
Entretanto, é somente no Novo Testamento que a doutrina da inspiração
das Escrituras Sagradas é amplamente desenvolvida. Em 2 Pedro 1.19-21 vemos
que, depois de falar da voz de Deus que Pedro, Tiago e João ouviram no monte
da transfiguração, diz aquele apóstolo: "Tem os assim tanto mais confirmada a
palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em
lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vossos cora­
ções; sabendo, primeiramente, isto, que nenhuma profecia da Escritura provém
de particular elucidação; porque nunca jam ais qualquer profecia foi dada por
vontade humana, entretanto hom ens falaram da parte de Deus m ovidos pelo
Espírito Santo". Por conseguinte, a Bíblia é mais firme permanente que uma
voz audível vinda do céu; os hom ens tem o dever de estar atentos à Bíblia; ela é
uma luz para os homens que vivem nas trevas; fala-nos de um dia quando have­
rá luz para o m undo inteiro; nenhuma profecia ou mensagem bíblica se origi­
nou da explicação que algum indivíduo quisesse dar,de maneira que a Escritura
inteira não é resultado do trabalho de alguns homens que se puseram a escrevê-
la, mas antes, foi Deus que impôs a certos homens escolhidos a tarefa de escrevê-
la. Assim notam os que Deus é a origem das Escrituras, porque não somente
impulsionou seus autores humanos a escrever, mas também os guiou enquanto
escreviam. E claro, portanto, que se houver erro nas Escrituras originais, então o
erro é da parte de Deus, o que já é um absurdo. A obra de Deus é perfeita, e de
conformidade com Seu caráter. :
Um outro esclarecim ento ainda encontram os em 2 Tim óteo 3.16, 17, que
provavelmente é a passagem mais clara a respeito da questão da inspiração das
Escrituras. Ali lemos: "Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino,
para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o
homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra". A
palavra aqui traduzida por "inspirada", no original grego, não é a mesm a pala­
vra que é traduzida dessa maneira em 2 Pedro 1.21. No original grego a palavra
tem o sentido de "respirada", "exalada". E o que 2 Timóteo 3.16 ensina é que
toda Escritura Sagrada é "soprada" por Deus. Em outras palavras, as Escrituras
são produzidas pelo próprio alento de Deus, e devemos escutá-las como se o
próprio Deus nos estivesse falando com Sua boca. Por isso é que Pedro ensina que
os autores humanos da Bíblia foram guiados e impulsionados pelo Espírito Santo
que supervisionou a obra de tal maneira que o que foi escrito é a Palavra de Deus
conforme Ele quis que ela fosse. Trata-se de um dos maiores milagres de Deus, que
produz um efeito divino, a Escritura perfeita.
Vejamos, pois, o ensino dessa passagem: (1) Toda Escritura, isto é, a Bíblia, é
considerada como um todo, porque a revelação de Deus constitui uma obra só, e
aqui percebem os que todas as porções tem a m esm a origem e a mesma autorida­
de. (2) E inspirada por Deus, o que nos fornece sua origem e método pelo qual a Bíblia
foi feita Palavra divina; foi o Espírito de Deus que operou por intermédio dos
escritores hum anos escolhidos, fazendo que as palavras escritas fossem as m es­
mas palavras que Deus desejava transmitir. (3) E útil... porque Deus não faz coisas
inúteis: e nisso temos um a prova preciosa da inspiração divina. A Palavra de
Deus produz os seguintes efeitos nas vidas dos que a seguem: (a) para o ensino, pois
os homens aprendem nela novas verdades acerca de Deus e sua vontade; (b) para
a repreensão, quando lida, pois então os homens se lembrem de seus pecados não
confessados e lhes são desvendados aquele pecados de que ainda não tinham
consciência; (c) para a correção, pois retifica nossas vidas, nossa maneira de agir e de
pensar; (d) para a educação na justiça, pois esclarece o caminho pelo qual devemos
palmilhar. Esse é o efeito da Bíblia, onde quer que seja lida, e é uma das mais
poderosas provas de sua divina inspiração, visto que não há outro livro no m un­
do que provoque tais transformações nas vidas de seus leitores. (4)...afim de que o
homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. Que propósito
digno de Deus, em todos os sentidos! O Senhor quer que "Seus homens sejam
efeitos, e inspirou a Bíblia para realizar esse propósito (1 João 2.1); Ele quer que os
Seus pratiquem as boas obras (Efésios 2.10; Tito 2.14), pelo que também inspirou
a Bíblia para que os Seus possam ser perfeitam ente instruídos ou habilitados
para as mesmas.

C DEFINIÇÕES E LIMITAÇÕES

Pode-se definir a inspiração de maneira bem simples, como segue: “A ins-


viração das Escrituras é aquela influência que Deus exerceu sobre os autores
humanos por intermédio de quem o Antigo e o Novo Testamentos foram escri­
tos" (Chafer).
Outra definição é: "A inspiração, quando aplicada à Bíblia, é o sopro de Deus
dentro dos hom ens, habilitando-os dessa forma a receber e a comunicar a verda­
de divina" (Miller).
Outra ainda: "A inspiração bíblica é aquela influência do Espírito Santo so­
bre certos hom ens escolhidos por Deus para ensinar Sua vontade, que os guar­
dava de erro na comunicação de tudo que deveria construir uma parte da reve­
lação divina" (Miles). M iles acrescenta ainda: "Essa influência se estendia: I o- à
isenção do erro no relato dos fatos históricos; 2°- à confirmação autoritária das
verdades da revelação natural às quais faz referência; e 3o- à revelação sobrena­
tural, ou seja, às verdades que só podem ser conhecidas por revelação direta de
Deus."
Quando falamos em "inspiração plenária" entendemos que toda a Bíblia é
inspirada; que é a Palavra de Deus, não que somente contém a Palavra de Deus.
Em outras palavras, a Bíblia, em sua inteireza, é considerada como igualmente
fidedigna para as pessoas a quem cada parte é dirigida, e toda Escritura original
foi inspirada por Deus, sem exceção de uma só palavra.
Revelação é a obra de Deus por meio da qual Ele comunicou fatos e verda­
des que antes não eram conhecidos. Geralmente se trata daquilo que o homem
não poderia Ter sabido se Deus não tivesse desvendado. A REVELAÇÃO desco­
bre novas verdades para o homem.
Iluminação é aquela operação do Espírito Santo pela qual Ele faz os homens
com preenderem as verdades da Palavra de Deus, esclarecendo-lhe o sentido.
Todo Cristão tem essa iluminação. A ILUM INAÇÃO abre o entendimento do
hom em p ara que ele p ossa en ten d er as v erd ad es IN SP IR A D A S, ou seja,
comunicadas sem erro nas Escrituras.
A inspiração inclui a revelação, porque os autores humanos da Bíblia rece­
beram e com unicaram inequivocamente as novas verdades que Deus lhes co­
municou, ainda que nem sempre as tivessem compreendido (1 Pedro 1.10-12).
Ou seja, havia revelação e inspiração, mas não iluminação. Devemos fazer a
distinção entre essas três coisas diferentes.
Não era necessária a revelação para que Moisés escrevesse a história das
peregrinações dos filhos de Israel desde o Egito até Canaã, porque ele se achava
presente e sabia pessoalm ente a história; porém, o que deveria ser incluído na
Escritura, e o que decorrentemente, com a finalidade de instruir-nos (1 Coríntios
10 .11 ).
A inspiração inclui tão somente os docum entos originais - não inclui a
isenção de erro por parte de algum copista ou tradutor, ainda que notamos ex­
tremoso cuidado da parte de Deus m esm o quanto a esse particular. Tão pouco
significa que tudo o que os escritores fizeram ou disseram durante suas vidas
particulares era correto; as Escrituras é que são inspiradas, e não as vidas de seus
autores humanos. Quando Davi praticou uma maldade, a Bíblia nos fornece a
história inspirada de sua queda, arrependimento, condição e perdão. O relato é
inspirado, mas o que ele praticou era mau, além disso, Deus não aprova todos os
fatos relatados ou todas as palavras pronunciadas nas histórias bíblicas. Por
exemplo, quando lemos palavras ditas por Satanás, que são mentirosas, devemos
reconhecer que o registro é verídico, e que Deus quis que soubéssemos a mentira
dita pelo diabo, porém Deus sempre mostra que Satanás não disse a verdade. (Jó).

D. FALSAS TEORIAS SOBRE A INSPIRAÇÃO

Há diversas teorias errôneas a respeito da inspiração da Bíblia. Se explica­


mos bem o que é a inspiração, então não deve ser difícil para o estudante perce­
ber o que não é.
Abaixo damos algumas das teorias falsas sobre a inspiração:
1. A falsa teoria de que as idéias foram inspiradas, m as não as palavras.
Essa teoria sustenta que Deus revelou novas verdades e inspirou idéias divinas
nas mentes dos escritores, porém, permitiu-lhes expressar essas idéias em suas
próprias palavras, de modo que temos que passar por alto os erros nas palavras
e crer somente nas idéias expressas na Bíblia.
Essa teoria supõe que o Deus infalível entregou Sua verdade infalível a
homens falíveis para escrevê-las como melhor lhes parece, pelo que o Deus que
não erra é Autor de um livro sem falha, nem erros. Essa teoria não é verdadeira
inspiração; seria a mesm a coisa que dizer que os escritores usaram uma inspira­
ção natural, como a dos poetas, por exemplo. Não há a menor autoridade nem
apoio para tal conceito na Bíblia.
2. A inspiração parcial é outra dessas teorias falsas. Pretende dizer que a
Bíblia é inspirada mas só em certas partes, mas que o leitor tem que usar seu
próprio critério para distinguir entre o que é inspirado e o que não o é, aceitan­
do e obedecendo só o que lhe pareça melhor.
E claro que tal teoria nos deixaria sem uma Bíblia autoritativa, e nos daria
um conceito sobre Deus bem distante da verdade. Deus ensina que toda Escritu­
ra é inspirada (II Timóteo 3.16, 17) e não nos enganou ao assim ensiná-lo.
3. No outro extremo, há os que sustentam a falsa teoria da inspiração dita­
da. Esses querem dizer que os autores eram tão somente como umas máquinas -
Deus ditava as palavras e eles escreviam maquinalmente, sem usar seu próprio
cérebro em coisa alguma. Essa teoria às vezes também é chamada de mecânica.
Não podem os sustentar tal teoria, porque ela não tem fundamento. Se fosse
verdadeira, então toda a Bíblia, em todas as suas porções, não im portando quem
fosse o escritor, nem a época em que foi escrita, teria sempre o mesmo estilo literá­
rio e o mesm o vocabulário. Mas Deus inspirou os autores hum anos e os guardou
do erro. Não obstante, empregou suas mentes e talentos individuais, pelo que não
temos um livro monótono quanto ao estilo, etc., mas vemos os característicos
particulares de cada um dos seus èscritores, e o Espírito Santo superintendendo
tudo para produzir um Livro Divino, isento de erro ou engano. Longe do Espírito
Santo anular ou por de lado os talentos naturais dos escritores sacros. U sou-os
para Seu propósito, tal com o é Sua m aneira de agir até hoje em toda obra
esp iritu al.
E. OBJEÇÕES

M uitos são os críticos da Bíblia que se opõem à doutrina da inspiração


plenária e verbal porque, se puderem derrubar essa verdade, consequentemente
toda a Bíblia perderá sua autoridade. M iles divide as objeções dos críticos em três
classes principais: científicas, históricas e morais.
São somente as teorias dos cientistas que estão em desacordo com a Bíblia,
e não as verdades comprovadas pela ciência. Os que falam com tanta "preten­
são de sabedoria" da "unânim e opinião da ciência", falam de uma ficção, sendo
que não existe tal opinião unânime. Falaremos mais disto no próximo capítulo.
Como história, a Bíblia, com o passar dos anos, vem sendo cada vez mais
respeitada. A arqueologia, ou seja, a ciência que trata das coisas antigas, escavan­
do nos lugares bíblicos da antigüidade, está constantemente descobrindo pontos
de apoio aos dados históricos fornecidos pelas Escrituras. No princípio do século
XX, os críticos afirmavam que Moisés não poderia ter escrito o Pentateuco porque
naquela época ninguém sabia ainda escrever. Mas, quando foram descobertas as
pedras contendo a lei de Hamurabi, de quinhentos anos antes de Moisés, m uda­
ram de pensar e disseram que M oisés copiou suas leis do código de Hamurabi:
contudo, nunca se abalançaram a explicar o conhecimento que Moisés tinha do
Deus Único, Criador do céu e da terra. As descobertas, feitas nas escavações, tem
comprovado de tal maneira os informes dados pela Bíblia que não tem força as
críticas feitas à ela na parte histórica.
As objeções morais são todas respondidas pela interpretação correta das
passagens e por uma consideração de todas as circunstâncias relacionadas com
os fatos. Citaremos algumas passagens discutíveis, como exemplo da necessida­
de de esquadrinharmos melhor a Palavra de Deus.
Em Êxodo 13.5; 23.23; 33.2, etc., Deus disse a Israel que lhes daria a terra
dos amorreus e de outras nações, destruindo aqueles habitantes defronte dos
israelitas. Objeta-se que isto é uma crueldade, uma arbitrariedade e um a injusti­
ça. Examinando-se um pouco mais a primeira referência dada acima, percebe-
se que Deus, há muito tempo antes, havia prometido a m esm a coisa a Abraão
(Gênesis 15.18-21); porém, no versículo dezesseis de Gênesis 15 encontramos a
chave que nos leva à compreensão dos pensamentos de Deus. O Senhor disse a
Abraão que sua semente desceria ao Egito, mas que no quarto século depois
voltaria à Palestina, e Deus então lhe daria a terra. Não o fez naquela mesma
ocasião porque, segundo Deus mesmo explicou, "não se encheu ainda a medida
de iniquidade, um ponto na vida das nações e dos indivíduos em que se pode
dizer que perderam o direito de viver. Os amorreus chegaram a ficar tão idóla­
tras e iníquos que só criavam filhos para a perdição, e eram um perigo de conta­
minação às nações vizinhas, pelo que, foi para im pedir a propagação e continua­
ção da maldade que Deus resolveu extinguir aquele povo, que foi a mesma coisa
que um pai que tivesse morto uma serpente que quisesse m order a sue filho. Deus
não destruiu os am orreus enquanto havia a menor esperança de que m elhoras­
sem ou se arrependessem.
Os chamados Salmos imprecatórios são chamados de baixos, cruéis, frutos
das paixões hum anas mais infames, como o Salmo 58.6 e 109.10 e, especialmen­
te o Salmo 137.8, 9, que diz: "Filha de Babilônia, que hás de ser destruída; feliz
aquele que te der o pago do mal que nos fizeste! Feliz aquele que pegar teus filhos
e esmagá-los contra a pedra". Respondemos que a lei espiritual de Gálatas 6.7
entra em cena aqui: "...aquilo que ohom em semear, isso também ceifará", além de
relembrarmos o estudante que a Babilônia há de ser destruída, conforme está
profetizado. A Babilônia tem sido a sede da maior id olatria, inimiga do povo de
Deus por séculos e séculos, e há muitas outras considerações que a tornam m ere­
cedora do castigo divino. (Veja-se Apocalipse 18.5, 6, 20 e Isaías 13.16-18).
Sobre as supostas contradições da Bíblia, citaremos um exemplo, em N úm e­
ros 25.9, onde lemos: "O s que morreram da praga foram vinte e quatro m il",
enquanto que em 1 Coríntios 10.8, o apóstolo Paulo disse: "e não pratiquemos
imoralidade, como alguns deles o fizeram, e caíram num só dia vinte e três m il".
Entretanto, Moisés diz que em toda a praga ou castigo morreram 24 mil indiví­
duos, enquanto que Paulo dá o número dos que morreram num dia só. Os res­
tantes m il m orreram em dias anteriores ou posteriores ao daquele que Paulo se
refere.
No estudo dos diversos livros citaremos mais esses problemas e suas res­
pectivas soluções. Estes exemplos devem ser suficientes para nos fazerem saber
que a própria Bíblia contém a resposta para as dificuldades que os homens apre­
sentam, porque ela é a m ensagem inspirada por Deus para nós, os homens.
Resta-nos apenas mais uma coisa para considerar neste capítulo. Prom ete­
mos falar dos livros apócrifos e da inspiração. No tratado sobre a autoridade das
Escrituras fornecemos muitas provas de sua inspiração, especialmente do Antigo
Testamento. Aqui acrescentamos mais uma prova, que está baseada em 2 Tim ó­
teo 3.16,17 especialmente nas palavras: "... é útil para o ensino, para a educação
na justiça, a fim de que o hom em de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado
para toda a boa obra". Quando o crente, aquele que é renascido ou regenerado
pela fé no Senhor Jesus Cristo, lê a Bíblia, o Espírito Santo dá testemunho com a
Palavra de Deus de que aquilo que ele está lendo é inspirado por Deus. Diz o
crente em sua alma: "m e ensina, me repreende, me corrige, me leva no caminho
da justiça, me aperfeiçoa, me repara para servir a D eus".
Porém, ao lermos os livros apócrifos não sentimos o mesmo impacto, pelo
contrário, o coração dos leitores fica frio e não se nota a utilidade espiritual
como quando se lê livros do "cânon" das Escrituras. Lendo em Tobias (6.1-9)
que a fum aça do coração de um peixe queimado afugenta os demônios, segun­
do a palavra do arcanjo Rafael, o Cristão sente um choque em seu espírito. Na
versão espanhola de Félix Torres Amat há um comentário sobre a questão, que
diz como segue: "Se a essa fumaça Deus concedeu a virtude de afugentar os demô­
nios, por que não há de poder conceder o mesmo poder "a água benta" sobre a
qual a Igreja invoca a bênção de Deus?..." O verdadeiro crente reage vigorosamente
contra essas palavras, pois bem sabe, pelo que a Bíblia diz - nos livros canônicos
- que não é essa a verdade. O mesmo se verifica quando lemos em 2 M acabeus
12.43 que Judas (Macabeu) "tendo feito uma coleta de doze mil dracmas de prata,
enviou-a a Jerusalém a fim de que se oferecesse um sacrifício pelos pecados dos
defuntos, pois tinha bons e religiosos sentimentos acerca da ressurreição", ape­
sar de que não se encontra este livro de Macabeus em nenhum manuscrito hebraico,
a nota a respeito deste versículo diz como segue: "Todos os códices latinos e tam­
bém os gregos e siríacos são uniform es sobre essa importante passagem, na qual
se vê claramente a doutrina ensinada pela Igreja Católica a respeito do purgató­
rio e dos sufrágios pelos defuntos". Sustentamos que essas passagens são úteis
para a Igreja Católica Rom ana para suas finalidades ritualistas e suas doutrinas
humanas não inspiradas, mas não são úteis para ensinar, para repreender, para
corrigir ou para instruir na justiça, pois não se encontra ali o alento ou sopro de
Deus: não foram inspiradas por Deus.

EM RESUM O: Jesus Cristo sabia que o Antigo Testamento era inspirado


(Mateus 22.43, 44; 15.4).

A. Afirmações bíblicas - Centenas de vezes os autores hum anos afirmam


que Deus falou o que escreveram. No Novo Testamento há mil refe­
rências diretas ou indiretas ao Antigo Testamento, todas avaliadas
como Palavra de Deus.
B. O desenvolvimento da doutrina da Inspiração nas Escrituras: 2 Samuel
23.1, 2; Neemias 9.30; Jerem ias 36.1, 2, 27-32; 2 Pedro 1.19-21; 2 Timó­
teo 3.16, 17.
C. Definições e limitações - A inspiração: 3 definições. A inspiração ple­
nária e verbal. Definição da revelação e da iluminação.
D. Teorias falsas:
1. A inspiração de idéias ou conceitos, e não de palavras.
2. A inspiração parcial - que nos deixa sem Bíblia autoritária.
3. A inspiração mecânica, ou por ditado, que é impossível de susten­
tar, visto que Deus usou os característicos e os talentos pessoais
dos autores humanos, embora os tenha resguardado de qualquer
erro.
E. Objeções - as objeções históricas e científicas já não tem força; as obje-
ções m orais são explicadas dando-se maior atenção aos ensinos do
Antigo Testamento.

Nota- se sobre os livros apócrifos não serem inspirados.


PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Escreva em ensaio sobre o tema: "A Inspiração da Bíblia", dando um a defini­


ção adequada, com suas próprias palavras.
2. Faça a distinção entre a inspiração, a revelação e a iluminação.
3. Quantas provas sobre a autoridade do Antigo Testamento, m encionadas no
capítulo 1 se pode alegar como provas de sua inspiração igualmente?
4. Você já experim entou que a Bíblia é útil, de conformidade com o que diz em
2 Tim óteo 3.16?
(^ apítu lo 7

A ESTRUTURA DO ANTIGO TESTAMENTO

Certamente o Senhor Jesus Cristo se referia a toda a Palavra de Deus quando


disse que as Escrituras não podem falhar (João 10.35). Também falou no plano das
Escrituras e de seu propósito, ao dizer que elas m esmas testificam sobre Ele, e que,
se os judeus não criam em Moisés, como poderiam crer em Suas palavras? (João
5.39-47).
Em parte alguma Cristo ou os apóstolos intimaram que o Antigo Testamen­
to poderia ser dividido de tal maneira que uma parte seria a Palavra de Deus e
outra parte, não; que certos livros eram autoritativos, mas não outros. Jesus e os
apóstolos, pelo contrário, sempre consideraram o Antigo Testamento, em sua
inteireza, como uma obra só, produzida por inspiração de Deus para o benefício
espiritual de toda a humanidade.

A. SUA UNIDADE

Nota-se a unidade da Bíblia inteira em sua estrutura e no desenvolvimento


do plano de Deus através dos séculos (Atos 15.18; Rom anos 11.33, 36).

Nos dois primeiros capítulos da Bíblia le- m os a respeito da nova criação do novo
mos sobre a criação do céu e a terra, e do céu e da nova terra, do segundo Adão e de
primeiro homem e a sua esposa, Adão e Eva. sua esposa.
O terceiro capítulo nos relata a queda No ante-penúltimo capítulo da Bíblia o
do hom em e a entrada do pecado no mun- relato do término do pecado no mundo, da
do, a sujeição a Satanás, e a primeira pro- sujeição de Satanás, e da consum ação da
m essa de redenção. red enção.
Seguindo a história, vemos em Gênesis a No livro de apocalipse encontram os o
destruição do mundo por meio do dilúvio e relato da destruição do m undo atual por
sua renovação e reabilitação; a edificação da m eio do fogo e sua reab ilitação eterna;
Babilônia - a cidade inimiga de Deus, etc. também notamos a destruição de Babilônia
Nos dois último capítulos da Bíblia le- e de todos os inimigos de Deus, etc.
A continuidade da Bíblia, que desdobra o tema principal, fazendo a conexão
entre o Antigo Testamento, verifica-se nos seus tipos e anti-tipos; nas profecias
preditas no Antigo Testamento; a antecipação da vinda de Cristo no Antigo Tes­
tam ento e Sua apresentação nos E vangelhos de Sua exaltação no livro de
Apocalipse.
O Antigo Testamento nos fornece, não a história de um a descoberta gradual
de Deus por parte do hom em , mas antes, uma auto-revelação progressiva de
Deus ao homem. No princípio Deus falava diretamente com o homem, como se
verifica em Gênesis 2.16, 17; 3.8-13; 4.9-15; etc. Porém, conforme o hom em se
submergia no pecado, afastava-se de Deus, tornando-se incapaz de ouvir sua
voz. Dessa forma Deus se foi revelando cada vez mais, não por intermédio de
preceitos didáticos, mas antes, por meio de Sua providência nos acontecimentos
da vida diária. M uitas vezes a expressão "a palavra de D eus" não se refere as
Escrituras, mas antes, a uma viva comunicação de Deus aos seres hum anos (1
Samuel 3.1; Isaías 38.4-8; Jerem ias 2, etc.). Mais tarde ordenou que aquelas revela­
ções fossem escritas, para que se tornassem úteis para nós também.
No que diz respeito especialmente ao Antigo Testamento, sua continuida­
de é m aravilhosa, ao considerarmos: I o dezesseis séculos tinham decorrido des­
de que o primeiro escritor bíblico pegara na pena para grafar as palavras sacras
no pergaminho até que o último registrou a última palavra que Deus inspirou;
2o que os autores humanos eram de níveis e ocupações diferentes, como reis e
pastores de ovelhas, profetas e estadistas, generais de exércitos, grandes líde­
res, e hom ens desconhecidos a parte de seus escritos; 3 o alguns dos trinta e
nove livros do Antigo Testamento foram escritos em terras estrangeiras, e os
escritos feitos na Palestina cobrem tempos bem diferentes, no que se refere às
condições físicas e políticas. Apesar disso tudo, o Antigo Testamento é uma obra
só, que desdobra o mesmo tema principal, cada livro fazendo sua contribuição
para levar ao clímax o propósito divino. Temos no Antigo Testamento um relato
em ordem da história do homem, do ponto de vista espiritual; trata-se a história
do trato de Deus com o hom em através dos milênios. Bem fazemos em exclamar
juntamente com o apóstolo Paulo:

"O profundidade da riqueza, tanto da sabedoria, como do conhecimento


de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus
caminhos! Quem, pois conheceu a m ente do Senhor? Ou quem foi o seu
conselheiro? Ou quem prim eiro lhe deu a ele para que lhe venha a ser
restituído? Porque dele e por meio dele e para ele são todas as coisas. A ele,
pois, a glória eternamente. A m ém " (Romanos 11.33-36).

Antes de term inarm os as considerações a respeito da unidade da Bíblia,


desejamos responder àqueles que se queixam da Bíblia pela mesma razão, dizen­
do que se realmente Deus revelou algo ao homem, deveria ser um a revelação tal
que pudesse responder a todas as perguntas que possam surgir na m ente do
homem, sobre todos os ramos da ciência divina ou humana. Se a Bíblia fosse de
Deus, dizem eles, deveria ser antes um tratado científico, e não sobre assuntos
religiosos. Para responder a tal objeção, poderíamos perguntar em primeiro lu­
gar: Como é que o hom em pode saber o que convém a Deus? Que hom em sabe
tanto que possa aconselhar a Deus? Outra vez dizemos: Deus ama ao hom em e
deseja sua eterna salvação; não se propõe educá-lo um pouco sobre um assunto
para em seguida deixar que o homem passe a eternidade na perdição. Visto, pois,
que a Bíblia é uma revelação de Deus ao homem, expondo tudo quanto Deus fez
para obter sua redenção, bem como a maneira pela qual a criatura hum ana pode
ser salvo, não é lógico esperarmos que essa revelação trate daquelas coisas que não se referem
ao tema principal da salvação. Seríamos homens mais devotados a Deus se soubésse­
mos exatamente qual a causa das marés e qual o benefício que provém delas? O
que é melhor, saber orar com eficácia, ou saber explicar o sol? E, se numa obra
científica ninguém espera encontrar um a discussão teológica, por que, em uma
obra como a Bíblia devemos esperar achar uma discussão científica? Em obra
sobre medicina ninguém busca instruções para a construção de uma casa, nem
como navegar em alto mar, mas antes, os m edicamentos para as diversas enfer­
midades. Tão pouco devemos pensar encontrar na Bíblia as explicações de cada
uma das leis da natureza, um tratado sobre botânica, etc. Antes, na Bíblia encon­
tramos o remédio eficaz para a enfermidade universal do homem - o pecado.
Não obstante, onde quer que a Bíblia m encione algo que tenha a ver com a
natureza ou com a ciência, a Palavra de Deus jam ais se engana. Com a ciência, a
Palavra de Deus jam ais se engana. Com o passar dos séculos a ciência se torna
cada vez mais de conformidade com a Bíblia, e até a data atual nem uma só das
coisas ali escritas se tem podido derrubar. Com isso não queremos dizer que a
Bíblia esteja de acordo com todas as teorias científicas, porque não é verdade, e é
melhor que não nos apoiemos nessa teoria, pois amanhã a ciência apresentará
novas teorias, contrárias às que são sustentadas hoje em dia. O fato é que não há
unidade de opiniões; porém, aquilo que a ciência tem podido provar, está de acor­
do com a Bíblia, porque a verdade é uma só.
Convém fazermos uma observação mais. Embora a Bíblia fale em lingua­
gem comum, nunca apoia qualquer idéia falsa, nem afirma coisa alguma que
não seja pura verdade. A Bíblia já falava da redondeza da terra enquanto a opi­
nião universal, por outro lado, era de que a terra era plana. N ão obstante, a
Bíblia declara que o sol se põe, por exemplo, usando uma linguagem ao referir-
se a fenômenos naturais conforme são vistos pelos homens. Segundo esse ponto
de vista, não é mais correto dizer que o mundo gira até o ponto em que o sol não
é mais visto no ponto onde se encontra aquele que fala, que dizer que o sol se
põe, e todos com preendem os ao que o escritor se refere. Sustentamos que não
há um único erro científico na Bíblia.
B. PLANO OU ESTRUTURA DO ANTIGO TESTAMENTO

Neste ponto seguiremos o desenrolar histórico das diversas épocas. Cremos


que a maioria dos crentes estudiosos aceita esse plano que é notável por sua simpli­
cidade e clareza. E dado, páginas adiante, em forma de esquema, para que o estudan­
te possa memorizá-lo com mais facilidade e possa estudá-lo melhor.
E interessante dizermos algo sobre a cronologia, nesta altura do estudo. A
cronologia é causa de muita controvérsia desnecessária, visto que, graças ao Se­
nhor, nossa salvação ou comunhão com Deus não depende de datas. Pode-se crer
que Cristo foi crucificado na Quarta-feira, na Quinta-feira o na Sexta-feira da
"Sem ana Santa"; ou que Ele nasceu no ano 1 de nosso Senhor Jesus Cristo; ou no
ano 4 antes de Cristo; ou no ano 5, ou ainda no ano 7 antes de Cristo, conforme
dizem certos críticos, alegando que há um pequeno equívoco em nosso calendá­
rio. Contudo, o que alguém acredita a respeito da data exata desses acontecimen­
tos não afeta ao m ínim o sua relação com Deus. O que realmente é de máxima
importância, é que tenham os uma fé viva em Cristo, como nosso Salvador pesso­
al, que m orreu na cruz para pagar a sentença que nossos pecados mereciam - a
morte - e que Ele ressuscitou depois de haver satisfeito a Deus, e como pagamento
de nossa conta.
Quanto à cronologia do Antigo Testamento, toda data anterior ao cativeiro
assírio do reino do norte (722- anos antes de Jesus Cristo) é aproximada. Dessa
data para cá não há muita dúvida pelas diversas maneiras de nos certificarmos
do tem po dos acontecim entos. As datas apresentadas no esquem a, portanto,
não são infalíveis, mas há razões para crer-se que se aproximam da exatidão e
ajudarão o estudante a colocar os eventos em sua devida ordem. Comentários
sobre os diversos problemas cronológicos se encontrarão na discussão dos dife­
rentes livros, nos capítulos que seguem.
As dispensações são as mesmas épocas, mas vistas do ponto de vista do
trato de Deus para com os homens, e portanto estão intim am ente relacionadas
com os pactos ou alianças. Deus nunca muda quanto ao Seu caráter ou atribu­
tos, mas tem variado sua maneira de tratar com o homem. O homem tem m uda­
do, tem fracassado, tem desobedecido, e tem sido necessário que Deus o trate com
mais severidade ou com m enos exigência, conforme o caso. Os pactos são as con­
dições estabelecidas por Deus sobre o hom em em cada nova dispensação, para o
homem poder andar com Deus.
en
hJ
Um Esquema dos Livros Contemporâneos da Bíblia em sua Ordem Cronológica

Gênesis Êxodo Números Josué Juizes 1 Samuel 2 Samuel 1 e 2 Reis Daniel Esdras

e e e e e e e e

Jó Levítico Deutcronômio Rute I Crônicas 2 Crônicas Ezequiel Ester

Salmos Provérbios Neemias

Eclesiastes Ageu

Cantares Zacarias

Joel Malaquias

Amós

Jonas

Oséias

Isaías

INTRODUÇÃO
Miquéias

Sofonias

AO ANTIGO TESTAMENTO
Naum

Habacuque

Jeremias

Lamentações

Obadias
Também a seguinte divisão dos livros proféticos tem sido de grande ajuda:
Os livros proféticos que se relacionam com a crise assíria: Jo e l, A m ós,
Jonas, Oséias, Isaías, Miquéias, Naum.
Os livros proféticos que se relacionam com a crise babilónica: Sofonias,
Habacuque, Jerem ias, Lamentações, Obadias.
Os livros proféticos escritos durante o cativeiro babilónico: Daniel, Ezequiel.
Os livros proféticos escritos depois do exílio babilónico: Ageu, Zacarias,
M alaquias.

EM RESUM O - A unidade da Bíblia se verifica no desenvolvimento do plano


de Deus, através dos séculos, que se nota em suas páginas; em sua apresentação
de Cristo; primeiram ente em tipos ou profecias; e também em Sua vida e glória; e
pelo fato dos diferentes autores terem produzido uma só obra, que desdobra um
tema principal único - a redenção do homem.
O plano ou estrutura da Bíblia é a história espiritual da hum anidade - Deus,
sempre o mesmo, mas tratando o hom em de conformidade com a necessidade
deste, e constantem ente lemos adiante Seu plano que visa a redenção do pecador.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Cristo deu a entender que havia unidade na Bíblia?


2. Como se pode provar a unidade da Bíblia?
3. Porque é m aravilhoso existir unidade entre os diversos livros da Bíblia?
4. Aconselhamos o estudante a aprender de memória as épocas históricas do
antigo Testamento, em sua ordem cronológica.
A HISTÓRIA BÍBLICA EM ÉPOCAS

Dispensação O Pacto As
Anos antes de Total Acontecimentos que Marcam
Nome Popular Cursada Pela que Referências
Jesus Cristo
Epoca Regia Bíblicas
da O Começo e o Fim da Época Personagens

Época Desde Até Desde Até Desde Até

A idade
a a
Deus Adão Inocência Edêmico Gênesis 1-3
da Criação Queda

Inocência

A
a 0
Idade 2441 1656 Expulsão Dilúvio Adão Noé Consciência Adâmico Gênesis 4-6

Antediluviana

A Idade
o A Chamada Governo

INTRODUÇÃO
de uma 2441 2014 427 Dilúvio de Abraão Noé Abraão Humano Noaico Gênesis 7 -1 1

só Raça

Os Patriarcas A Chamada A Lei em


Jó - Gn. 12

AO ANTIGO TESTAMENTO
2014 1558 430 de Abraão Sinai Abraão M oisés Promessa Abrâmico
A Opressão a Êxodo 4

As Peregrinações A Lei em o Estabele­ Êxodo 12 a


cimento
A Conquista 1584 1057 527 Sinai do Reino M oisés Saul Lei M osaico Rute 4

As Libertações
A ESTRUTURA
A HISTÓRIA BÍBLICA EM ÉPOCAS

Dispensação O Pacto As
Anos antes de Total Acontecimentos que M arcam Referências
Nome Popular Cursada Pela que
Jesus Cristo Bíblicas
O Começo e o Fim da Época Personagens Epoca Regia
da

DO
Época Desde Até Desde Até Desde Até

ANTIGO
IS m . 1
O O I R s . 11
Estabeleci- A Divisão
I Cr. 1 - II Cr. 10
Reino 1057 937 120 mendo do do Saul Roboão Lei Mosaico Sl, Pr, Ec,Ct

TESTAM EN TO
Reino Reino
Unido

O
A Divisão O Cativeiro I R s 1 2 -1 1 Rs 18
Reino 937 722 215 do Assírio Roboão Ezequias Lei Mosaico II Cr 11-31
Reino de Israel Jl, Jn, Am, etc.
Dividido

O O Cativeiro
O Cativeiro II Rs 18 a
Zede-
722 606 116 Assírio de Babilónico Ezequias L^ei M osaico II Cr 11-31
Reino quias
Israel de Judá Is, Jr, etc.
de Judá

O Cativeiro O Cativeiro A volta dos Zoro-


Zede- Daniel
606 536 70 Babilónico Judeus a babel Lei M osaico
quias Ezequiel
Babilónico de Judá Palestina

A Restauração A Mala- Esdras, Ester, Ne,


O Fim do Zoro-
536 432 104 Lei Mosaico Ageu, Zc,
Volta Antigo Test. babel quias
Malaquias

Inter- O Fim do O Nascimento M ala- Jesus


432 do Senhor Lei Mosaico
Testamentário Antigo Test. quias Cristo
Jesus Cristo
C a p í t u l o 8

INTRODUÇÃO GERAL AO PENTATEUCO

A. O SEU AUTOR HUMANO

Jesus Cristo atribuiu a Moisés todos os cinco livros do Pentateuco, como


verificamos por meio de um a consideração de todos os quatro Evangelhos. Em
Mateus 19.7 o Senhor faz referência a Deuteronômio 24.1, dizendo que foi Moisés
quem o escreveu. Em Marcos 1.44 ordenou que o leproso purificado oferecesse
aquilo que Moisés mandou como testemunho aos sacerdotes, e tais instituições
são encontradas em Levítico 14.3,4. Lucas 20.37 é bem claro: "E que os mortos hão
de ressuscitar, M oisés o indicou no trecho referente à sarça, quando chama ao
Senhor o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó", disse Cristo citando
Êxodo 3.6. Falando em João 7.22,23, Cristo faz referência a Gênesis 17.9-13, junta­
mente com Levítivo 12.3, atribuindo essa passagem novam ente a Moisés. O se­
nhor condenou a tradição, e no entanto estabeleceu a autoridade da lei (Mateus
15.6).
Além das passagens dessa classe, que se referem a um livro, há tam bém as
passagens em que o Senhor Jesus se refere à lei de Moisés, incluindo todo o
Pentateuco, isto é, os cinco prim eiros livros da Bíblia (Lucas 24.44; João 7.19).
Também disse às vezes, de modo semelhante: "M oisés", indicando dessa m a­
neira os seus escritos (Lucas 16.29, 31; João 5.45, 46).
Os apóstolos tam bém afirmam que Moisés é o autor do Pentateuco: Pedro
(Atos 3.22); Tiago (Atos 15.21); João (Apocalipse 15.3); Paulo (Atos 28.23; Rom a­
nos 10.5, 19; 1 Coríntios 9.9; etc.). Veja-se também: Estêvão (Atos 7.44). A epísto­
la aos Hebreus está repleta de referências ao Pentateuco, e nunca m enciona outro
autor além de Moisés. O mesmo se pode dizer a respeito da epístola de Judas.
No próprio Antigo Testamento notamos provas de que Moisés foi o autor
do Pentateuco. Primeiro notam os que Deus mesmo lhe ordenou: "Então disse o
Senhor a Moisés: Escreve isto para m em ória num livro..." (Êxodo 17.14), e que
M oisés cum priu esse m and am ento de D eus (Êxodo 24.3-7; N úm eros 33.2;
Deuteronômio 28.58, 61; 31.9-12, 24). Esse Livro da Lei era guardado juntamente
com a Arca da Aliança (Deuteronômio 31.25,26). O rei Davi exortou a seu filho
para que observasse a lei do Senhor escrita por Moisés (1 Reis 2.3), de modo que
sabemos que na época da vida de Davi cerca de mil anos antes de Cristo, a lei de
Moisés era muito conhecida. O livro da Lei era a base para as reformas religiosas
em Judá ( 2 Crônicas 23.18; 24.6; 34.14-33), e os que regressaram do cativeiro na
Babilônia basearam seu culto e sua vida nacional sobre a própria lei (Esdras 3.1-
5; 7.6,10; Neem ias 8.13-18), de maneira que até o ano 445 antes de Cristo a lei era
conhecida como lei de Moisés.
No capítulo 4, parágrafo E, vimos o testemunho de Josefo, o historiador ju ­
deu, que atribuiu os cinco primeiros livros do Antigo Testamento a Moisés. No
Talmude, que é o livro das tradições dos judeus, é declarado que o desviar-se dos
ensinos que M oisés escreveu no Pentateuco seria digno de castigo com a exclusão
do desobediente do Paraíso. Que Moisés é o único autor hum ano do Pentateuco
tem sido crido firmemente pelos judeus desde o tempo de Josué até os nossos dias.
Os que rejeitam as declarações bíblicas de que M oisés é o autor desses cinco
livros, fazem-no por pura conjectura, sem apresentar qualquer evidência razoá­
vel do que afirmam, e sem apresentar outro autor capaz de fazê-lo; nem ao menos
dão nome a outro hipotético autor. Esses críticos necessariamente negam a divin­
dade de Cristo e dizem que Ele ou estava equivocado ou que não sabia ou que não
queria desenganar o povo. Mas, dizer isso, é estar aproximando-se da blasfêmia.
Outra coisa que os críticos fazem é provocar um problema maior que o que "solu ­
cionam" - Se Moisés não é o autor do Pentateuco, por que tem Moisés um lugar tão
proeminente naqueles livros? Por que os outros supostos autores escreveram,
dando a esse "M oisés inventado", sem exceção, a maior honra que jam ais foi
atribuída a qualquer ser humano? Ter-se-ia dado o caso em que se puseram de
acordo para exaltá-lo? E com que finalidade o fariam? Não, tal conceito não pode
ser aceito senão pelos que estão determinados a não crer no que a Bíblia ensina.
Há certos críticos que dizem que, pelo fato de às vezes Deus ser chamado de
"Elohim " e outras vezes "Jeová", nas Escrituras do original hebraico, é evidente
que dois homens diferentes de tempos diferentes, escreveram os livros que atri­
buímos a Moisés; porém, essa conclusão é insustentável, por falta de provas. Deus
é chamado "Elohim " quando é mencionado em relação com a criação, e é chamado
"Jeová" quando é mencionado em relação com o homem. Jeová é Quem estabelece
alianças com o homem, ainda que Ele seja chamado Elohim quando a Bíblia relata
que Ele é o Criador do Universo. Elohim significa "D eus forte", enquanto Jeová
significa "Aquele que sempre existe", o EU SOU. O uso de dois nom es aplicados a
Deus não prova que tenham sido dois os escritores. Em vez de Êxodo 6.2,3, provar
que um autor qualquer escreveu partes do livro de Gênesis séculos depois de
Moisés, devido ter usado o nom e de Jeová para Deus, bem ao contrário, comprova
que Moisés mesm o foi seus escritor - do livro inteiro - porque sabia usar o nome
corretamente. Assim dizem aqueles versículos (com os nomes de Deus segundo o
original): "Falou mais Deus a Moisés e lhe disse: Eu sou o Senhor (JEOVÁ). Apareci
a Abraão, a Isaque e a Jacó, como Deus Todo-poderoso (El Shaddai, a palavra "E l"
sendo o nome mais simples e antigo que os semíticos davam a Deus); mas pelo
meu nome, o Senhor (JEOVÁ), não lhes fui conhecido".
O fato de haver relatos históricos misturados com leis e ordenanças, não
argúi a favor de vários autores ou de distintos documentos, mas antes, aponta
simplesmente para o fato que M oisés escrevia o que ia acontecendo, anotando as
verdades conforme iam sendo reveladas, ao mesmo tempo que escrevia a história
do povo de Deus conforme iam-se sucedendo os acontecimentos (Êxodo 32; Levítico
10.14,15).
É razoável pensar que outro, talvez Josué, tenha escrito a história da morte
de Moisés, acrescentando-a ao livro de Deuteronômio, como último capítulo e
conclusão do Pentateuco; porém, isso não derruba o que dissemos: "M oisés é o
autor hum ano dos cinco primeiros livros da Bíblia".

B. A UNIDADE DO PENTATEUCO

A unidade do Pentateuco não somente constitui outra prova de que foi escri­
to por um só autor, mas tam bém explica o motivo porque os livros sempre foram
considerados como um todo pelos judeus, e porque todos eles juntos formavam o
rolo conhecido pelo nom e de "a lei de M oisés".
O livro de Gênesis é uma introdução geral da história que se segue - a do
estabelecim ento da teocracia; e é indispensável para que compreendamos o fenô­
meno. N a prim eira parte do livro de Êxodo en con tram os um a introdu ção
especial para a apresentação da Lei, porque relata a libertação dos filhos de Isra­
el, que estavam escravizados no Egito, bem como sua viagem até o monte Sinai.
Os israelitas não teriam aceito a imposição daquelas leis se não tivessem apreci­
ado os m ilagres daquela libertação. As instituições m osaicas pressupõem um
santuário como centro m aterial e visível. A última porção do livro de Êxodo,
depois da promulgação dos dez mandam entos e dos preceitos ligados aos m es­
mos, ocupa-se devidamente dos problemas da construção do Tabernáculo e seus
móveis, juntam ente com as vestes e a consagração dos sacerdotes para que m i­
nistrassem ali. No livro de Levítico, que é o livro central do Pentateuco, temos
também a instituição central da econom ia mosaica, que é o sistema de sacrifícios
que tinha de ser levado a efeito pelo sacerdócio, e também, em geral, o corpo de
ordenanças entregue à sua direção. À teocracia, que foi form ada no Sinai, segui­
ram-se os preparos para a m archa em ordem do povo até a terra de Canaã. Com
isso inicia-se o livro de Números, onde logo encontramos a narração das diversas
experiências do povo israelita pelo deserto, vendo-se ali as crônicas de seus acam ­
pamentos, com a adição de algumas novas ordenanças necessárias. O livro de
Deuteronôm io contém o último e grande discurso de M oisés aos israelitas, no
qual ele faz o sumário dos preceitos que já tinham sido dados para o povo em
geral, sendo feitas certas modificações e adições, de acordo com as novas condi­
ções a que o povo ficaria sujeito na terra de Canaã.
Em Êxodo 3.6-10, Jeová fala com M oisés na qualidade de Deus de Abraão,
Isaque e Jacó, e chama os israelitas de "m eu povo". Por diversas vezes Moisés
descreveu Canaã como a "terra que o Senhor jurou dar a vossos pais Abraão,
Isaque e Jacó, e à sua semente depois deles". Como temos o livro de Gênesis, essas
declarações são claras; sem esse livro, seriam incom preensíveis. Gênesis 15 é
parte essencial da história de Israel. Examine-se também Êxodo 13.19, que não
teria significação sem Gênesis 50.25; e as referências feitas ao sábado de Jeová
seguem o mesmo estilo.
Concluímos, portanto, que o Pentateuco constitui uma obra completa. A
unidade de seu plano, a harm onia de suas partes, o progresso contínuo, desde o
seu princípio até o fim, são suas grandes características, e provam que não se
trata apenas de uma coleção de escritos diversos, reunidos sem ordem; pelo con­
trário, são obra de uma só mente, escritos sob a orientação do Espírito de Deus,
conforme testifica tam bém todo o restante da Bíblia.
Se aceitarmos a autenticidade do Pentateuco, crendo que ele é o que afirma
ser, então toda a história dos judeus, bem como sua existência atual e suas cren­
ças, tornam -se perfeitam en te in teligíveis e razoáveis. M as, se n egarm os a
historicidade do Pentateuco, que explicação temos para o atual povo judeu, ou
para sua história que atravessa milênios?
"D evem os ter cuidado para não cair no erro de supor que a lei de Moisés
prescrevia uma religião de formas e ritos exteriores meramente. Pelo contrário,
estava penetrada em todas as partes pelo princípio evangélico. Não reconhecia
qualquer forma de religião de que o coração também não participasse. Para a
observação de todas as suas ordenanças era exigida a base do amor, da gratidão
e da humildade. Para podermos compreender em que variedade de formas essas
graças interiores da alma, que constituem a essência da religião, são inculcadas
no Pentateuco, é bastante lermos o livro de Deuteronômio; ali se verá como a lei de
Moisés tinha por finalidade tom ar os homens religiosos, não quanto à letra, mas
quanto ao espírito; como as observações da letra se apoiavam na devoção interior
a Deus. O sumário feito por nosso Salvador, sobre a lei mosaica, foi por Ele expres­
so com as próprias palavras da lei: "Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu
coração de toda a tua alma, e de toda a tua força" (Deuteronômio 6.4,5) - "Este é o
grande e primeiro m andam ento". E: "O segundo, semelhante a este, é: Am arás o
teu próximo como a ti m esm o" (Levítico 19.18). Este amor além disso, não está
limitado a um círculo muito reduzido; porque é dito o mesmo a respeito do es­
trangeiro que está peregrinando em Israel: "... amá-lo-eis como a vós m esmos..."
(Levítico 19.34).
EM RESUM O - Jesus Cristo e Seus apóstolos ensinaram, em termos bem
claros, que Moisés foi quem escreveu os livros da lei.
O próprio Antigo Testamento reconhece, em todas as suas porções, que Moisés
foi o escritor dos cinco primeiros livros da Bíblia.
Se assim não é, quem foi que os escreveu? Por que os outros autores dão tanta
honra a Moisés, se não foi ele o escritor do Pentateuco? Quem mais estava em
condições de escrever aqueles livros?
A unidade do Pentateuco também prova que foi escrito por um só autor, e
que Moisés é o único que poderia ter usado corretamente os nomes de Deus desde
o princípio.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Dê as razões pelas quais você crê que M oisés escreveu o Pentateuco.


2. Que unidade ou continuidade percebe você no Pentateuco?
(^apítulo 9

PRIMEIRO LIVRO DE MOISÉS,


CHAMADO GÊNESIS

O Senhor Jesus Cristo fez citações tão diretas do livro de Gênesis, apelando
para ele como autoridade final, que não resta nenhuma dúvida de que o livro de
Gênesis é Palavra de Deus escrita por Moisés. Em Mateus 19.4-8 (e Marcos 10.2-9)
Cristo diz que no princípio Deus criou o hom em e a mulher; Cristo reconheceu que
todo judeu é filho de Abraão (Lucas 13.16; 19.9); falou dos patriarcas Abraão,
Isaque e Jacó (Mateus 8.11; Lucas 13.28) e, para o judeu, o seio de Abraão era
equivalente ao Paraíso (Lucas 16.22-31). Cristo tam bém se referiu à passagem em
que Deus chama a si mesmo de "O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó", como
prova final da ressurreição (Mateus 22.32; Marcos 12.24-27; Lucas 20.37); falou da
destruição de Sodoma e Gom orra (Lucas 17.29, 32); e, em sua polêm ica com os
judeus, (João 8.33-58), parece fazer distinção entre semente ou descendência de
Abraão, e filhos de Abraão, e diz claramente: Que significado teriam essas passa­
gens sem o livro de Gênesis?
As epístolas contém diversas citações diretas tiradas desse livro, desde o
descanso de Deus no capítulo dois, até a história de Esaú e Jacó, no capítulo 25.
Aqui está a lista dessas citações: Hebreus 4.4 cita Gênesis 2.2; 1 Coríntios 15.45
cita Gênesis 2.7; Atos 3.25 e Gálatas 3.8 citam Gênesis 12.3; Gálatas 3.16, 19 cita
Gênesis 17.7; Gálatas 4.30 e Hebreus 11.18 citam Gênesis 21.10,12; Hebreus 6.13,
14 e Tiago 2.23 citam Gênesis 22.16 e 17; Romanos 9.12 cita Gênesis 25.23. De
referências indiretas há muitas, começando com o fato do homem ter sido criado
à semelhança de Deus; também sobre a santidade do matrimônio; sobre Eva en­
gan ad a p ela se rp e n te ; so bre o sa c rifíc io de A b el; so b re E n o q u e; so b re
Melquizedeque; sobre Sodoma e Gomorra; sobre a fé e o sacrifício de Abraão;
sobre Agar; sobre Esaú, terminando com a história de Jacó, em Gênesis 47.31, que
é citada em Hebreus 11.21. Certamente que o livro de Gênesis não era apenas um
livro bem conhecido entre os judeus, mas tam bém um livro fundam ental na
história daquele povo. Sem o livro de Gênesis, não resta explicação para a existên­
cia da nação dos judeus, gente peculiar entre as demais nações e raças do mundo.
Há diversas maneiras de dividirmos o livro de Gênesis capaz de dar-nos
uma sinopse da história ali relatada. No esquema das épocas, na lição 7, vê-se que
esse livro inclui épocas desde a criação do mundo até que os filhos de Israel desce­
ram ao Egito, e até à morte de José. O livro principia com Deus, mas termina com
as palavras "... e o puseram num caixão no Egito". Nisso descobrimos o motivo
porque o Dr. G. Campbell M organ deu como resumo do livro as seguintes divi­
sões:
A. Geração, caps. 1 e 2.
B. Degeneração, caps. 3 a 11.
C. Regeneração, caps. 12 a 50.
Igualmente se pode perceber a sabedoria da divisão de Ayre, que é muito
simples:
I. História primitiva da humanidade, caps. 1 a 11.
E. História primitiva dos judeus, caps, 12 a 50.

Neste capítulo seguiremos um a sinopse, porém, iremos assinalando as divi­


sões conforme formos avançando no estudo:
I. De Adão a Noé, caps. 1 a 5.
H. De Noé a Abraão, caps. 6 a 11.
Hl. De Abraão a Jacó, caps. 12 a 26.
IV. De Jacó a José, caps. 27 a 26.
V. José, caps. 37 a 50.

I. DE ADÃO A NOÉ, Capítulos 1 a 5

A. A CRIAÇÃO, 1 .1 -2 .2 5
I. A criação do universo, 1.1. Aqui notamos a maneira em que a Bíblia come­
ça com Deus sem fazer qualquer esforço para explicar Sua existência. Por quê?
(Salmo 14.1; 53.1; 10.4; Romanos 1.19-23). Quando é que Deus teve princípio? Nunca.
Ele não teve princípio, mas é eterno, e deu princípio a tudo quanto existe (Isaías
57.15; Salmos 33.9; 45.6; Jerem ias 10.10). A palavra "criar" quer dizer "fazer do
nada" (Salmo 33.6,9; 148.5; Jó 26.7). Quantas vezes é dito nesse capítulo que "criou
Deus"? Quando foi que Deus criou os céus e a terra (todo o universo)? As primeiras
palavras da Bíblia respondem a essa pergunta. Poderia ter sido antes do princí­
pio? Poderia ter sido depois? Antes desse "princípio" Deus existiu, Uno e Trino ao
mesmo tempo (João 1.1; Gênesis 1.26; Colossenses 1.17; Hebreus 1.10).
2. A condição da terra, 1.2. "A terra, porém, era sem forma e v a z ia ..." O verbo
em hebraico que aqui é traduzido por "era", admite igualmente a tradução "fi­
cou", visto que tem ambos os significados. Se admitirmos essa tradução, para que
o versículo leia como segue: "A terra, porém, ficou sem forma e vazia...", quanto
tempo poderia ter transcorrido entre o primeiro e o segundo versículo do livro de
Gênesis? Lemos em Isaías 45.18: "Porque assim diz o Senhor que criou os céus, o
único Deus, que formou a terra, que a fez e a estabeleceu; que não a fez para ser um
caos..." O profeta nos ensina que Deus criou o universo, composto dos céus e da
terra; e que a terra não foi criada para ser um caos, que, no hebraico, é a mesma
palavra traduzida por "vazia", usada em Gênesis 1.2. Isaías também explica que
Deus formou a terra (não inclui os céus) enquanto que em Gênesis 1.2 está dito que
o Espírito de Deus se movia por cima das águas, e então o relato prossegue para
contar como Deus colocou em ordem a terra. A ciência moderna está se aproxi­
mando cada vez m ais de Gênesis capítulo um, afirmando que esta terra foi criada
ou chegou a existir, ao mesm o tempo que o restante do universo; que há muitos
sinais de que esta terra sofreu em certa época antes do dilúvio, um tremendo
cataclismo; que depois desse acontecimento a terra recebeu sua forma e condições
atuais, o que se tem verificado em tempo com parativamente recentes, talvez não
mais que dez m il anos. Até aqui tem chegado a ciência humana, ainda que não
com voz unânime.
3. A formação da terra e sua população, 1.3 - 2.3. No primeiro versícu
"criou Deus os céus e a terra"; no segundo versículo a terra ficou em desordem, as
trevas encobriam tudo, e o Espírito de Deus se movia sobre a massa ou abismo de
águas. Em seguida temos o relato da obra de Deus que, por intermédio de Sua
Palavra, trouxe ordem à matéria e fez deste globo o mundo ordenado em que
agora habitamos.
a. No primeiro dia - a luz é separada das trevas, 1.3-5. Deus pôs em ordem
a luz. Deus m ora na luz e ama a luz. Ele é luz (1 João 1.5; 1 Timóteo 6.16;
Isaías 45.7). A natureza de Deus é transform ar as trevas em luz. Atual­
mente a ciência aceita o fato que há luz à parte do sol e dos demais corpos
luminosos celestiais, e que é provável que a luz tenha existido antes des­
ses corpos celestes.
b. No segundo dia - as águas da terra são separadas das águas da expan­
são, o que fez aparecer a expansão ou atmosfera ao redor da terra, 1.6-8.
c. No terceiro dia - os mares são separados da terra seca, com a erva, as
plantas e as árvores dando fruto e produzindo sementes, cada qual se­
gundo o seu próprio gênero, 1.9-13. Não apareceu prim eiramente a se­
mente, mas antes, a planta madura e perfeita, capaz de reproduzir-se -
um a "econom ia de m ilagres" (Salmo 95.4, 5).
d. No quarto dia - os luminares, os corpos lum inosos celestiais, não foram
criados para produzir luz, mas para enviar a luz até a terra, com o fim de
iluminá-la, 1.14-19. Esse quarto dia está relacionado com o primeiro dia,
assim como o quinto está relacionado com o segundo, e o sexto com o
terceiro dia.
e. No quinto dia - as águas são povoadas de peixes e os ares de aves, e cada
peixe ou ave é capaz de reproduzir-se segundo a sua natureza, 1.20-23.
f. No sexto dia - os animais da terra seca são criados conforme as suas
espécies. Porém, Deus não ficou satisfeito com tudo isso. A Trindade con­
ferenciou entre si, e criou o hom em diferente de todos os animais, pois foi
criado segundo a imagem e semelhança de Deus (Salmo 100.3; 119.73;
Efésios 4.24; Colossenses 3.10), 1.24-31.
g. No sétimo dia - Deus repousou, mas não por sentir-se cansado, mas
antes, porque havia feito bem aquilo que pensara fazer, 2.1-3. Quando
Deus disse que tudo era muito bom, não o disse porque se tenha surpre­
endido com o resultado da criação, mas porque queria que nós soubésse­
mos disso.
4. Explicação de alguns detalhes do sexto dia. 2.4-25.
a. Fenômeno da natureza - não havia chuva, 2.4-9. Talvez essa condição se
tenha prolongado até o dilúvio.
b. O hom em foi formado do pó da terra, mas Deus lhe deu o alento da vida,
2.7. Não se trata de um a nova criação, mas apenas de uma explicação
detalhada da mesm a de 1.27.
c. O jardim do Éden, habitação do homem, 2.8-14.
d. A proibição, prova da obediência do homem, 2.15-17. O Pacto Edênico,
aqui delineado, é o primeiro dos pactos estabelecidos entre Deus e os
homens. Percebem -se claramente as condições: o hom em tinha a obriga­
ção de multiplicar-se; de subjugar a terra; de dominar a criação animal;
de comer frutas e ervas (nada de carne - senão depois do dilúvio); e NÃO
comer da árvore do bem e do mal, pois doutra sorte, morreria (1.28-30;
2.15-17). Tal como aconteceu com todas as demais alianças, o hom em não
cumpriu a sua parte, pelo que sobreveio o castigo. O Pacto Edênico durou
somente até a queda do homem.
e. A formação da mulher - "N ão da cabeça do homem para assenhorar-se
dele; nem do pé, para ser desprezada; mas antes, de perto do coração,
para ser amada, e de debaixo do braço, para ser protegida" - 2.18-25.

B. A QUEDA DO HOM EM e seus resultados imediatos, 3.1-24.


O princípio do pecado humano.

1. A serpente engana Eva, que desobedece a Deus e come da fruta, estando só,
3.1-6a . Não trataremos aqui do problema da origem de Satanás, mas, o que é
ensinado aqui a respeito de seu caráter e de seu desejo para com os homens? Qual
seu método para atacar as pessoas, a fim de fazê-las cair no pecado? Que relação
há entre esse versículo 6 e João 2.16?
2. A d ão tam bém d eso bed ece d ep ois, não por ter sido ilu d id o , m as
deliberadamente (1 Tim óteo 2.14) 3.6b.
3. Conseqüências imediatas do pecado de Adão, 3.7-24:

a. Perderam sua veste de inocência, e foram incapazes de recobrá-la, 7.


b. Deus não alterou Seu caráter; veio para ter comunhão com eles; porém, o
hom em é que havia mudado para pior e Deus mudou Sua maneira de
tratá-lo, 8.11.
c. Adão lançou a culpa de seu pecado sobre Eva, e também se pode dizer que
a lançou sobre Deus, por Ele lhe ter dado a mulher, 12.
d. Eva culpou a serpente, 13.
e. Deus pronunciou a sentença do castigo contra todos os três, porém, em
Sua graça, também transmitiu a promessa de um Redentor - a semente
da mulher - que haveria de vencer a Satanás (15), e Adão e Eva foram
expulsos do jardim, 14-24. Aqui vemos o primeiro sacrifício de animais
para cobertura do pecado, o sangue derramado para prover peles de
animais para cobrir o pecador, versículo 21. Os versículos 16 a 19 forne­
cem o Pacto Adâmico, que se estendeu até o dilúvio. Suas condições, eram:
(1) Para a m ulher - suas dores e concepções multiplicadas; dores nos
partos; sujeição ao seu marido. (2) Para o hom em - a terra foi amaldiço­
ada para produzir cardos e espinhos; com muito trabalho a terra produ­
ziria a erva e a comida necessária ao homem; haveria dor em sua vida
diária; a morte física já tinha começado a operar em seus corpos, e os
sinais da morte espiritual imediata se tornaram patentes porque, com a
terra amaldiçoada e com as dores multiplicadas, certamente que a bên­
ção de Deus se havia apertado deles. As Escrituras não registram mais,
em lugar algum, que Deus tenha vindo novamente para passear no jar­
dim com Adão. Houve uma separação e a morte é uma separação.

C CA IM E ABEL, 4.1-24

Neste capítulo temos o primeiro relato, existente na Bíblia, de uma oferta


feita pelo hom em a Deus; a vida de um animal oferecido a Deus é aceita por Deus.
Também temos aqui o primeiro homicídio. Até este ponto temos dado diversas
subdivisões juntam ente com algumas de suas lições, porém, o espaço não perm i­
te que continuemos a fazê-lo. O que já fornecemos servirá de exemplo para o
estudante, que poderá fazer o mesmo por conta própria, segundo o tempo neces­
sário para isso. De agora por diante forneceremos apenas as subdivisões maiores,
com algumas lições.
O problem a desse capítulo 4 é o versículo 17, pois há milhares de pessoas
que desejam saber onde Caim obteve sua esposa, pois essa pergunta inútil obscu­
rece seus olhos para os ensinamentos preciosos do capítulo a respeito do verda­
deiro sacrifício e da idade da consciência. A Palavra de Deus não diz que Caim se
casou naquele mesmo dia. Gênesis 5.4 ensina que Adão e Eva viveram 800 anos
ainda, gerando filhos e filhas, e que estes também tiveram filhos. Na linhagem de
Sete, terceiro filho de Adão e Eva, há dez gerações desde Adão até o dilúvio (Gênesis
5.1-32), enquanto que na linha de Caim são anotadas somente oito gerações (Gênesis
4.17-22), de modo que Caim se casou com alguma de suas irmãs ou sobrinhas, ou
ainda com a filha de um sobrinho qualquer. Naqueles dias os homens necessaria­
mente se casavam com suas parentes bem chegadas.
D. AS GERAÇÕES ATÉ NOÉ, 5.1-32.
Note-se, antes de mais nada, Enoque, o sétimo depois de Adão, que foi arre­
batado sem ver a morte (Judas 14 e 15).

II. DE NOÉ A ABRAÃO, Capítulos 6 a 11

A. NECESSIDADE DO DILÚVIO - DEGENERAÇÃO MORAL DOS HOMENS,


6.1- 12.

Os hom ens haviam perdido o direito de viver; criavam filhos só para a


perdição, e era necessário começar tudo novamente para que alguns pudessem
ser salvos. Deus não mudou nem foi colhido de surpresa, nem deixou de amar ao
homem, pelo que tam bém não pôde enviar o dilúvio sem sentir profundamente a
necessidade de provocar a morte de toda aquela geração, excetuando Noé e sua
família. Que conceito teríamos de Deus se tivesse feito friamente o que lemos aqui,
sem que isso Lhe tivesse pesado no coração? Sua santidade e Sua justiça exigiam
o dilúvio; o caráter de Deus não sofreu variação alguma (Tiago 1.17).

B. A ARCA CONSTRUÍDA; NOÉ, SUA FAMÍLIA E OS ANIMAIS ENTRAM NELA,


6.13-7.9.

Por quanto tempo Noé esteve a construir a arca (5.32; 7.11)? Que fazia ele
durante o período da construção (1 Pedro 3.20; 2 Pedro 2.5)? Qual era a caracterís­
tica notável de Noé (Hebreus 11.7)? e como se m anifestou essa característica
(Gênesis 7.5-7; 8.50)? Não obstante, devemos recordar que Noé foi salvo pela gra­
ça de Deus (Gênesis 6.8). De quantas formas diferentes a arca é um tipo ou símbolo
de Jesus Cristo?

C. O DILÚVIO É ENVIADO E NOÉ É SALVO DA MORTE, 7.10-8.12.

D. NOÉ E SUA FAMÍLIA SAEM DA ARCA PARA POVOAR A TERRA NOVA­


MENTE, 8.13-22.

N ote-se que a prim eira coisa que N oé fez, depois de sair da arca, foi
ed ificar um altar e sacrificar anim ais a Deus. Quanto a 9.20,21, vemos que Deus
não repreendeu a Noé, porque é bem provável que não houvesse fermentação na
terra antes do dilúvio. Talvez pelo m otivo de diversas coisas serem diferentes na
natureza, Deus não tenha permitido ao hom em comer carne antes do dilúvio;
depois, entretanto, deu-lhe essa permissão, contanto que ele não comesse sangue.
Aqui já passam os da era da consciência para a era do governo humano; de agora
por diante o hom em seria responsável para castigar o homicida. Deus prometeu
não enviar outra dilúvio ao mundo; prometeu as estações da primavera, verão,
dia e noite. Deus tam bém ordenou que o hom em tornasse a povoar a terra. Esses
mandamentos e promessas são as condições do Pacto Noético, até hoje em vigên-
cia (Gênesis 8.21 - 9.7). O arco-íris é o sinal desse pacto.

E AS GERAÇÕES DE NOÉ A ABRAÃO, 10.1-32.

Nota-se que Abraão é descendente de Sem, e, daqui por diante, só essa linha
é anotada em suas gerações, porque é a única que nos interessa, já que dela des­
cende Davi e Cristo, segundo a carne.

F. BABEL, A CONFUSÃO DAS LÍNGUAS, E O COMEÇO DAS NAÇÕES, 11.1-9.

Os homens pensavam chegar até o céu fazendo um edifício de barro. Quan­


do os hom ens edificam sem o concurso de Deus, o Senhor envia a confusão.

III. DE ABRAÃO A JACÓ, Capítulos 12 a 26

A. A CHAMADA DE ABRAÃO E SUAS PEREGRINAÇÕES COM LÓ EM BETEL,


EGITO E CANAÃ, Capítulos 12 e 13.

Os propósitos de Deus, ao chamar Abraão para formar uma nova nação,


foram: (1) Usá-lo como testemunho de que existe um só Deus; (2) ensinar ao m un­
do por intermédio daquela nação, que há bênção para o que serve a Deus e desas­
tre para quem O desobedece; (3) dar ao mundo as Escrituras Sagradas, por meio
dos israelitas; e (4) trazer ao mundo o Salvador, que seria filho de Davi, filho de
Abraão.

B. VITÓRIA SOBRE QUATRO REIS E RESGATE DE LÓ, Capítulo 14.

Atualm ente esses reis acham-se identificados pela arqueologia, pelo que tra­
ta-se de um relato vindicado pela história. Qual a importância da história de
Melquizedeque (Hebreus 7.1-21)? Quanto àquele personagem tão singular, pode­
remos notar: O nom e "M elquizedeque" significa "rei de justiça". Ele era rei da
cidade de Salem (a mesm a Jerusalém de nossos dias), e esse termo, "Salem ", signi­
fica "p az" (Hebreus 7.2). Alguns crêem que M elquizedeque é o próprio Senhor
Jesus Cristo que apareceu em forma humana, e bem pode ser essa a verdade;
porém, a interpretação mais natural de Hebreus 7.3 é que M elquizedeque era rei,
não por ser de certa família, conforme era o costume das nações governadas por
reis. Geralmente cada rei era sucedido por seu filho m ais velho. Deduzimos que
Melquizedeque foi escolhido rei por ser homem digno pessoalmente, e não por sua
genealogia. Também, antes de um rei morrer, já punham outro em seu lugar, pelo
que nunca havia um m omento em que não houvesse rei. Além disso, o rei também
era pontífice, pois ocupava os dois ofícios ao mesmo tempo, o de rei e de sacerdote.
E fácil percebermos, portanto, porque Jesus Cristo era sacerdote segundo a ordem
de Melquizedeque, e não segundo a ordem de Arão - Cristo não foi escolhido
sacerdote da ordem araônica por não ter pertencido àquela família, visto que a
morte não podia fazer cessar Seu sacerdócio, um a vez que não se poderia marcar-
lhe "fim de dias"; ninguém, entretanto, O superava em dignidade (Hebreus 7.4).

C. O PACTO FEDERAL DE DEUS COM ABRAÃO, GARANTINDO-LHE UM FI­


LHO E A TERRA DE CANAÃ, Capítulo 15.

Nesta altura do estudo podemos tratar do Pacto Abraâmico (Gênesis 12.2,3;


15.4-7,18; 17.2-21). Trata-se de um pacto com muitas promessas da parte de Deus;
e continua em vigor, ainda que tenha sido inaugurada a Dispensação da Prom es­
sa. E que Deus ainda cumprirá o que prometeu aos filhos de Abraão. As condições
do pacto são: Deus engrandecerá o nome de Abraão; abençoá-lo-á; abençoará aos
que o bendisserem ; amaldiçoará aos que o amaldiçoarem; fará dele uma grande
nação por meio de Isaque (sem contar os descendentes de Ismael e de seus outros
filhos); abençoará por ele ou por sua semente (Gálatas 3.8,16) todas as famílias da
terra (uma prom essa referente ao Salvador, Jesus Cristo); dar-lhe-á a terra da
Palestina. O sinal do Pacto foi a circuncisão da parte de Abraão, e este capítulo 15
ensina que Deus foi Quem estabeleceu qual devia ser o sinal. Abraão tomou todos
os animais que mais tarde foram usados nos sacrifícios levíticos (Levítico, caps. 1
a 7; Lição 13), dividiu-os, pondo uma metade de um lado e a outra metade do lado
oposto, e ele e Deus passaram pelo meio dos sacrifícios. Isso selava o Pacto de
Sangue, como era chamado, um pacto firme, segundo os costumes daquele dia.

D. O NASCIMENTO DE ISMAEL, FILHO NATURAL DE ABRAÃO, Capítulo 16.

Por causa disso Abraão viveu em estado de decadência espiritual pelo espa­
ço de quinze anos.

E JEOVÁ RENOVOU SEU PACTO COM ABRAÃO.

Abrão, o nome original de Abraão, significava "grande pai". Mas Deus m u­


dou-lhe o nome para Abraão, que quer dizer "Pai de muitas nações", capítulo 17.

F. O SEN H OR VISITOU ABRAÃO EM MANRE, E DESTRUIU SODOMA E


GOMORRA, Capítulos 18 e 19.

Os moabitas e amonitas, filhos da terrível fornicação das filhas de Ló, chega­


ram a ser povos muito pecaminosos e perseguiram os israelitas durante séculos
antes de serem varridos da terra (1 Reis 11.5-7; Amós 1.13-2.3).

G. PEREGRINAÇÕES DE ABRAÃO E O NASCIMENTO DE ISAQUE, FILHO DA


PROM ESSA, Capítulos 20 e 21.
A maneira pela qual Abraão tratou a Agar estava de conformidade com as
leis das nações naqueles dias. Que lição está encerrada para nós no nascimento
desses dois filhos de Abraão (Gálatas 4.21-31)?

H SACRIFÍCIO DE ABRAÃO - O EVANGELHO LHE É ANUNCIADO,


Capítulo 22.

Vejam-se Gálatas 3.7, 9; Hebreus 11.17-19. Quantas semelhanças podem ser


encontradas entre esse sacrifício do filho de Abraão e o sacrifício do Filho de Deus?
Por exemplo, Isaque carregou a lenha para o sacrifício, enquanto Cristo carregou
a cruz.

I. MORTE DE SARA E CASAMENTO DE ISAQUE COM REBECA,


Capítulos 23 e 24.

Quantas semelhanças se pode descobrir entre o fato do criado de Abraão


procurar uma esposa para Isaque e o Espírito Santo procurar uma esposa para
Jesus Cristo?

J. MORTE DE ABRAÃO E VIDA PACÍFICA DE ISAQUE - NASCIM ENTO DE


ESAÚ E JACÓ, Capítulos 25 e 26.

IV. DE JACÓ A JOSÉ, Capítulos 27 a 36.

Depois de Abraão e Moisés, Jacó é o patriarca mais nomeado na Bíblia. Jacó


significa "Suplantador", nome que lhe foi dado por sua maneira de nascer (Gênesis
25.26). Mais tarde seu nome foi mudado para Israel, ou "Príncipe com D eus", e
isso marca a divisão natural do estudo de sua vida. A expressão "o Deus de Jacó"
é muito em pregada nas Escrituras, e tem sido o consolo de milhares de crentes
através dos séculos. Vendo-se a graça de Deus para com Jacó, que o abençoou
apesar de seus esforços e fracassos carnais, e reconhecendo-se que o seu Deus é o
mesmo Deus de hoje, "o Deus de Jacó" significa muito para nós. O estudante
encontrará m uitas bênçãos ao descobrir, enquanto lê o relato bíblico, as razões
para ser usado tantas vezes esse título para o Senhor Deus (Salmos 20.1; 46.7; 84.8;
146.5; etc.)

A. PRIMEIROS ANOS DE JACÓ, SUA VIDA EM HARÃ, FORMANDO FAMÍLIA,


Capítulos 27 a 31.

Devem ser incluídas aqui as seguintes sub-divisões: 1. Jacó compra de Esaú


sua primogenitura (25.33). 2. Jacó engana seu pai e seu irmão para conseguir a
bênção paterna (27.18-27). 3. Sua visão em Betei, quando fugia para Harã (Cap.
28). 4. Seu casamento e serviço na casa de Labão, período em que Jacó continuava
a esforçar-se segundo a carne, a enganar os outros, em lugar de agir com honra e
depender de Deus para conseguir prosperidade (capítulos 29 e 30). 5. Sua fuga de
Harã (capítulo 31).

B. ÚLTIMOS DIAS DE JACÓ, AGORA ISRAEL, capítulos 32 a 36.

A principal coisa nesta fase de sua vida foi sua experiência com o Anjo do
Senhor, em 32.24-30.

V. JOSÉ, Capítulos 37 a 50

A biografia de José encerra preciosa lição da providência divina. Visto que o


Senhor sabia de antemão a fome que haveria de assolar a terra por sete anos,
preparou José com antecedência, e o levou ao posto devido no tempo necessário
para salvar da morte a família de Jacó. Depois encaminhou os filhos de Jacó a
Gósen, no Egito, e os tornou imensamente prósperos, transformando-os em nu­
merosa nação em poucos anos.
José também prefigura Cristo, o divino Salvador, naquilo em que foi: o filho
amado e escolhido como herdeiro da bênção (Gênesis 37.3; M ateus 11.27; João
3.16; 5.20); invejado e odiado por seus irmãos (Gênesis 37.4,11; Marcos 3.21; João
7.5); vendido, tentado, maltratado, exaltado, etc. O estudante pode fazer esse es­
tudo com grande proveito.

A. JOSÉ VENDIDO E LEVADO AO EGITO, Capítulo 37 (Parêntese, capítulo 38).

B. EM CASA DE POTIFAR - TENTADO E ENCARCERADO, Capítulos 39 e 40.

C. INTERPRETOU O SONHO DE FARAÓ E É FEITO GOVERNADOR DO EGITO,


encarregado de armazenar o trigo com o fim de preservar a nação escolhida para
os propósitos de Deus, Capítulo 41.

D. PRIMEIRO ENCONTRO COM SEUS IRMÃOS, NO EGITO, Capítulo 42.

E SEGUNDO ENCONTRO COM SEUS IRMÃOS, NO EGITO, Capítulos 43-45.

F. JACÓ E TODA SUA FAMÍLIA DESCEM AO EGITO, Capítulos 46 e 47.

G. MORTE DE JACÓ, Capítulos 48,49.

H SEPULTAMENTO DE JACÓ E MORTE DE JOSÉ, Capítulo 50.

EM RESUMO:
I. De Adão a Noé - a criação e a queda; Caim e Abel; a degeneração.
II. De Noé a Abraão - a arca; o dilúvio; a torre de Babel e a confusão de
línguas.
III. De Abraão a Jacó - a chamada de Abraão; nascimento de Israel; destrui­
ção de Sodoma e Gomorra; sacrifício de Isaque; morte de Abraão.
IV. De Jacó a José - primeiros anos de Jacó, quando vivia no plano carnal; seus
últimos anos como Israel, príncipe de Deus.
V. José é enviado, invejado, vendido, vitorioso e exaltado.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Que diz a Bíblia quanto à data da criação do universo?


2. Que explicação dá a Bíblia para esclarecer a existência de Deus?
3. Explique em poucas palavras a relação bíblica da criação da vida vegetal,
animal e humana.
4. Como foi que o pecado entrou no mundo?
5. Por que Deus enviou o dilúvio?
6. Por que Deus escolheu Abraão e sua semente entre todos os demais homens
que há do mundo?
(Capítulo 10

SEGUNDO LIVRO DE MOISÉS,


CHAMADO ÊXODO

O Senhor Jesus Cristo citou Êxodo 20.12 e 21.17, em M ateus 15.4, quando
disse: "Porque Deus ordenou: Honra a teu pai e a tua mãe e: Quem maldisser a seu
pai ou a sua mãe, seja punido de m orte". Em Marcos 7.10 citou Moisés, na passa­
gem paralela. Em Mateus 19.18, 19 citou Êxodo 20.12-16, falando de quatro dos
dez mandamentos. Cristo e Seus apóstolos citaram cerca de 25 vezes textos desse
livro, e há quase o mesmo número de alusões feitas a ele. (Ver Atos 7.44; Romanos
9.15-17; 2 Coríntios 8.15, etc.). Igualmente, as repetidas referências à passagem da
sarça, onde Deus se revelou como Jeová, o Deus vivo que sempre existe, o Eterno,
prova a autenticidade da história relatada no livro de Êxodo (Marcos 12.26; Mateus
22.32).
Tal como os livros de Levítico, Números e Deuteronômio, o livro de Êxodo
começa com a conjunção simples "E " no hebraico, m anifestando sua íntima rela­
ção com o livro de Gênesis. O livro de Êxodo não poderia ser facilmente compre­
endido sem o livro de Gênesis, e sem Êxodo, o livro de Gênesis nos daria uma
história incompleta. Um só autor escreveu ambos os livros. Em Gênesis 15.13,14,
Deus revelou a Abraão que sua descendência seria oprimida ou afligida no Egito,
mas que mais tarde sairia dali com grandes riquezas, e que Deus julgaria os egíp­
cios. Em Gênesis 46.3 diz Deus a Jacó: "... não temas descer para o Egito, porque lá
eu farei de ti uma grande nação". É fácil verificarmos que foi necessário o livro de
Êxodo para que a história ficasse completa.
Há várias provas da história relatada no livro de Êxodo na história pagã, e a
arqueologia tem descoberto muitas provas disso. É bem conhecido que os hicsos,
reis pastores semíticos, reinaram no Egito quando José era governador do país.
Esses reis vieram da Ásia ocidental e dominavam o Egito. Eram criadores de gado,
profissão essa muito odiada pelos egípcios. Assim é que a história esclarece a
passagem de Gênesis 46.33, 34, em que José apresenta seus irmãos a Faraó, e lhes
aconselha a dizer que são pastores, porque os egípcios abominam todo pastor de
ovelhas! Ora, se todo pastor de ovelhas era uma abominação para os egípcios,
porque José aconselhou seus irmãos a dizerem ao rei que eram pastores de ove­
lhas? Fica claro que foi porque o rei do Egito, naquele tempo, era um dos reis
pastores, ou hicsos. A história apóia ainda o relato sagrado, pois, em Êxodo 1.8
lemos que "Entrem entes se levantou novo rei sobre o Egito, que não conhecera a
José". Agora já se sabe, pelos documentos históricos descobertos no Egito, que se
iniciara outra dinastia governante. Os egípcios se tinham rebelado e expulsado
os hicsos do país, e os novos faraós aborreciam os hebreus, que eram pastores de
gado, e consideravam José como colaborador de seus conquistadores, um inimigo
cujo jugo já tinham sacudido, e agora tomavam por escravos a todos os hebreus.
A história secular tam bém corrobora o livro de Êxodo ao contar-nos que os
grandes edifícios do Egito foram construídos naquela época. Os arqueólogos têm
descoberto muitas esculturas que representam escravos fazendo ladrilhos, en­
quanto os comissários ou capatazes se encontram de pé, com um chicote na mão,
para apressar o trabalho. Têm sido escavados ou descobertos restos de paredes
de estuque no Egito, em que os primeiros estuques são bons, unidos com boa
palha; mas logo mais aparecem estuques feitos com restolho, e então surgem
estuques feitos de barro duro, sem nada para segurá-los melhor. Certamente que
o capítulo cinco do livro de Êxodo é verídico.
O Dr. G.C. M organ dá a seguinte sinopse do livro de Êxodo: Opressão, capítu­
los 1 a 5; Libertação, capítulos 6 a 18; Organização, capítulos 19 a 40. Muitos
outros dividem o livro apenas em duas partes: Capítulos 1 a 18 e 19 a 40. A única
diferença gira somente em torno de quais são as divisões principais e quais são as
secundárias; por isso seguiremos o esboço dado:

I. A família de hóspedes se converte num a nação de escravos, capítulo 1.


II. Preparação de um líder - Moisés, capítulos 2 a 4.
UI. Resistência de Faraó e as pragas, capítulos 5 a 11.
IV. Redenção de Israel, capítulos 12 a 15.
V. Israel no deserto, capítulos 16 a 18.
VI. Revelação de Deus no Sinai, capítulos 19 a 31.
VII. Pecado dos israelitas, capítulos 32 a 34.
VIII. Construção e ereção do Tabernáculo, capítulos 35 a 40.

I. A FAMÍLIA DE HÓSPEDES SE CONVERTE NUMA NAÇÃO DE ESCRA­


VOS, Capítulo 1

A. PRIMEIRO TEMOS A LISTA DOS FILHOS DE ISRAEL, PARA QUE DEUS SEJA
GLORIFICADO NAS PROVAS DE SUA BÊNÇÃO - os poucos que desceram
ao Egito já são uma nação numerosa, 1.1-7.

B. COMEÇO DA OPRESSÃO, 1.8-21.


1. Depois de terem recebido tantos privilégios, são sujeitados a uma servi­
dão am arga, 1.8-14. Deus tinha vários propósitos para perm itir esta
opressão: e a maior, talvez, era fazer com que os israelitas apreciassem a
liberdade e a desejassem, preparando-os para querer sair do Egito e
formar sua própria nação, uma nação onde o estrangeiro poderia encon­
trar asilo, porque os judeus sabiam por experiência o que era ser estran­
geiro.
2. Faraó m anifesta a perversidade de seu coração, que é homem sem es­
crú pulo, m and and o m atar todos os m en in os recém -n ascid os dos
hebreus; contudo, seu desígnio foi frustrado, 1.15-22. Faraó termina or­
denando que os judeus lancem seus próprios filhos no rio. Hom em tão
cruel certamente perdera o direito de viver, e se Deus o deixou com vida
foi para usá-lo de alguma maneira que resultasse na glória do Senhor.

II. PREPARAÇÃO DE UM LÍDER - MOISÉS, Capítulos 2 a 4

A. NASCIMENTO DEM OISÉS,DA TRIBO DE LEVI, SENDO LANÇADO NO RIO


EM UM A PEQUENA ARCA, 2.1-4.

B. MOISÉS É SALVO PELA FILHA DE FARAÓ, QUE ENCARREGA A SUA MÃE


DE CRIÁ-LO, 2.5-10.

Disso provém o nome de Moisés, que significa "salvo das águas". Vemos a
mão de Deus não somente salvando a vida do menino, mas também providenci­
ando sua educação em toda a sabedoria, artes militares e segredos egípcios, para
depois saber tratar com Faraó, e para ser líder organizador de uma nova nação.

C. TENTATIVA DE MOISÉS SALVAR SEUS IRMÃOS E SUA FUGA PARA MIDIÃ,


2 . 11 - 22 .

D. DEPOIS DE MOISÉS FICAR 40 ANOS NO DESERTO, DEUS VÊ QUE ELE JÁ


APRENDERA A HUMILDADE, E ESTÁ EM CONDIÇÕES DE SER USADO POR
SEU ESPÍRITO.

O Senhor toma a iniciativa para salvar o seu povo, e assim cumprir o que
havia prometido a Abraão e a Jacó, 2.23 - 3.9

E A VOCAÇÃO DE MOISÉS PARA SUA GRANDE OBRA, 3.10-4.17.

Ao desviar-se de seu trabalho para ver a sarça queimar, Moisés demonstrou


não haver perdido interesse nas coisas divinas, porém, por sua obstinação em
não querer ir, demonstrou que havia mudado de um extremo para o outro - o da
confiança própria em demasia, como no capítulo 2, em que se nota que ele chegara
ao ponto em que não cria que o próprio Deus pudesse usá-lo. Ambos os extremos
são pecado.
F. M OISÉS DESCEU AO EGITO, E APRESENTOU-SE COM SEU IRMÃO AOS
ANCIÃOS DOS ISRAELITAS, 4.18-31.

III. RESISTÊNCIA DE FARAÓ E AS PRAGAS, Capítulos 5 a 11

Em lugar de simplesmente enumerar as pragas com suas referências, que o


estudante deve fazer por sua própria iniciativa, será mais proveitosa um a expli­
cação dos propósitos de Deus nessa história. Em 7.4, 5, lemos: "... e farei sair as
minhas hostes, o meu povo, os filhos de Israel, da terra do Egito, com grandes
manifestações de julgamento. Saberão os egípcios que eu sou o Senhor, quando estender eu
a minha mão sobre o Egito..." E em 12.12, lemos: "...executarei juízo sobre todos os deuses do
Egito". Dessa forma verificamos que as pragas tiveram o propósito não só de
libertar os israelitas, mas também de convencer os egípcios de que Jeová era Deus;
e que os deuses dos egípcios não eram verdadeiros deuses. Abaixo damos uma
opinião de Angus e Green:
"As dez pragas, que testificaram da divina comissão dada a Moisés e Arão,
ainda que relacionadas em parte com fenómenos ordinários da vida egípcia, tive­
ram uma significação especial como prova do poder de Deus e da condenação da
idolatria.
1. O Nilo em sangue, o objeto do culto transform ado em objeto de abomi­
nação.
2. A própria rã que era sagrada, foi para os egípcios uma praga.
3. Os piolhos que eram julgados como coisa desonrosa e vil, a ponto de se
considerar uma profanação a entrada no templo com eles, cobrem todo
o país como poeira levantada no ar.
4. Os moscardos (Zebub) tão reverenciados no Egito, tom am -se um flagelo.
5. O gado que era adorado cai morto diante dos seus adoradores.
6. As cinzas que os sacerdotes espalhavam como sinais de bênçãos, produ­
zem terríveis úlceras nos homens e no gado.
7. ísis e Osíris, os deuses da água e do fogo, são imponentes para proteger o
Egito, contra o fogo e a saraiva que caem do céu, fora da estação própria.
8. Supunha-se que íris e Serápis eram os protetores do país contra os gafa­
nhotos. Os ventos do ocidente podiam trazer esses inimigos, mas o ven­
to oriental nunca era receado, porque o Mar Vermelho era uma defesa do
Egito. Mas agora o poder de Isis falha, e o próprio vento oriental que era
reverenciado, é causa duma grande calamidade.
9. M ostra-se que estão sob a direção de Deus os astros e os elementos que
eram objetos de adoração.
10. A últim a praga explica todas as outras: o Egito tinha oprim ido os
primogênitos de Deus; agora são os primogênitos dos egípcios que são
destruídos. Deve-se dizer que as duas primeiras pragas tinham sido
anunciadas por Moisés e foram imitadas pelos magos do Egito, que im ­
potentes para continuarem nas suas operações, confessaram que todas
aquelas maravilhas eram obra do dedo de Deus".
IV. REDENÇÃO DE ISRAEL, Capítulos 12 a 15

A. PRIMEIRA PÁSCOA, 12.1-36.

1. Instruções para que os israelitas separassem um cordeiro, matassem-


no, e aplicassem o sangue sobre as ombreiras e vergas das portas, e se
refugiassem dentro de casa, a comer a carne assada do cordeiro, com
pães sem fermento e com ervas amargosas, 12.1-13. "Pois também Cris­
to, nosso Cordeiro pascal, foi im olado" (1 Coríntios 5.7). Note-se que era
necessário aplicar o sangue. O Anjo destruidor passava por cima de
cada casa, via o sangue aplicado na porta, e não em qualquer outro lugar,
como derramado no solo. Igualmente é necessário hoje em dia que o
pecador se aproprie, pela fé, do sangue de Cristo, o Cordeiro de Deus. Se
o hom em não deposita fé viva e pessoal em Cristo, como seu Salvador,
então, para esse incrédulo, não há salvação.
2. Instituição da festa da Páscoa, para ser celebrada anualmente, 12.14-27.
3. Os judeus cumpriram o m andamento de Deus, aplicando o sangue do
cordeiro na porta de suas casas, e o Senhor feriu a todos os primogênitos
dos egípcios, e não tocou naqueles que se achavam nas casas protegidas
pelo sangue à porta. Os egípcios, em seguida, apressam os israelitas
para que saiam de sua terra, 12.28-36.

B. O POVO DE ISRAEL SAI DO EGITO, 12.37-51.

Segundo o versículo 41, o dia da saída dos israelitas havia sido fixado quatro
séculos antes. Quantas coisas Deus preparara de antemão para cumprir a Sua
promessa, como: o líder, o faraó, etc?

C. A SANTIDADE DOS PRIMOGÊNITOS DOS ISRAELITAS redimidos mediante


o Cordeiro pascal, que agora pertencem ao Senhor, 13.1-16.

D. JORNADAS DOS TRÊS PRIMEIROS DIAS, FEITAS PELOS ISRAELITAS - De


Ramessés a Sucote, a Etã, a Pi-Hairote, à beira do Mar Vermelho, 13.17 -1 4 .2 .
Qual foi a outra obra de três dias que trouxe a redenção a uma multidão
(Mateus 20.18,19; Romanos 4.25)?

E OS ISRAELITAS ATRAVESSAM O MAR VERMELHO EM SECO, 14.3-31. Con­


tudo, os egípcios morrem afogados nas águas do Mar Vermelho ao tentarem
imitar os israelitas. Cristo é ao mesmo tempo o nosso Salvador e a derrota de
nossos inimigos (Romanos 6.17-23).

F. CANTO DE VITÓRIA DE MOISÉS EMIRIÃ, 15.1-21.


V. ISRAEL NO DESERTO, Capítulos 15.22-18.27

A. NAS ÁGUAS DE MARA, 15.22-27. Deus já lhe mostrou, prezado estudante,


um a árvore que adoça a vida (Gálatas 3.13)?

B. O MANÁ, PÃO DO CÉU, DADO AOS ISRAELITAS, JUNTAMENTE COM AS


LEIS PARA SEU USO, capítulo 16. Jesus Cristo é o pão do céu para o crente, e
devemos alimentar-nos d'Ele, segundo ensina João 6.26-63.

C ÁGUA DA ROCHA FERIDA, EM REFIDIM, 17.1-7. À luz deste relato, qual o


significado de 1 Coríntios 10.4?

D. VITÓRIA SOBRE OS AMALEQUITAS, 17.8-16.

E VISITA DE JETRO, SOGRO DE MOISÉS, capítulo 18.

VI. REVELAÇÃO DE DEUS NO SINAI, Capítulos 19 a 31

A. DEUS PROPÕE O PACTO MOSAICO, A LEI, E O POVO ACEITA, 19.1-9. Quem


é que recebe as mesmas promessas dadas nos versículos 5 e 6, mas não sob a
condição de obediência, mas antes, por motivo de pura graça (1 Pedro 2.9;
1.18, 19)? As condições desse Pacto será estudadas no restante do estudo
sobre este livro, e através de todo o estudo do Pentateuco. Esteve em vigên­
cia até a cruz de Cristo (Colossenses 2.14; Romanos 10.4; etc.).

B. PREPARAÇÃO DO POVO PARA RECEBER A LEI, 19.10-25.

C DEUS DÁ A ISRAEL OS DEZ MANDAMENTOS, 20.1-17. E também diversas


instruções e ordenanças, 20.18 - 23.33.

D. DEPOIS DE ASPERGIR O POVO COM SANGUE, Moisés e os anciãos subiram


ao monte, 24.1-18.

E DEUS DÁ INSTRUÇÕES A MOISÉS, para que ele construísse o Tabernáculo,


para estabelecer o sacerdócio, os sacrifícios e o sábado, capítulos 25 a 31.

VII. PECADO DOS ISRAELITAS, Capítulos 32 a 34

A. O POVO "OBRIGOU " ARÃO A FAZER UM BEZERRO DE OURO, que repre­


sentasse Deus, mas o Senhor condenou a idolatria e Moisés destruiu o ídolo,
capítulo 32.

B. ORAÇÃO DE MOISÉS PARA QUE DEUS OS ACOMPANHASSE E PERDOAS­


SE, cap. 33.1-17.
C. MOISÉS PEDIU A DEUS PARA VER A SUA GLÓRIA, e Deus respondeu e en­
trou em aliança com o povo, 33.18 - 34.35. Conforme diz 2 Coríntios 3.13,
qual o motivo pelo qual Moisés cobria o rosto com um véu ao falar com o
povo (Êxodo 34.30-35)?

VIII. CONSTRUÇÃO DO TABERNÁCULO, Capítulos 35 a 40

Em 33.7-11 lemos sobre Moisés a eregir o Tabernáculo, porque é uma passa­


gem que fala da necessidade dele interceder pelo povo junto ao Senhor, bem como
fala da presença do Senhor na nuvem. Naturalmente que a história é bosquejada
em traços rápidos, mas, nos capítulos 35 a 40, temos os detalhes de como foi
fabricado o material, etc., bem como a ordem da edificação do Tabernáculo. Este
será estudado no próximo capítulo.

EM RESUM O - H á muitas provas da autenticidade do livro de Êxodo: Jesus


Cristo o citou como livro inspirado por Deus; os apóstolos também fazem o m es­
mo; seu conteúdo é parte vital da história bíblica da relação de Deus para com o
homem; a história secular e a arqueológica corroboram os fatos ali relatados.'

I. A família que desceu ao Egito como hóspedes favorecidos, se transfor­


ma em um a multidão de escravos, capítulo 1.
II. Deus prepara um líder para tirar Seu povo do Egito, dando a Moisés
quarenta anos da melhor "instrução do Egito" e quarenta anos da "u n i­
versidade do deserto", capítulos 2 a 4.
Hl. Faraó resiste a Deus e torna-se evidente que os deuses do Egito são
inúteis, em vista das pragas que o Senhor enviou contra o Egito, capítu­
los 5 a 11.
IV. Israel é redimido pelo sangue do cordeiro, e sai com grandes despojos,
atravessando o Mar Vermelho de maneira milagrosa; a mesma passa­
gem do mar que para os israelitas significou salvação, para o exército
egípcio significou a perdição, capítulos 12 a 15.
V. Israel m archa do Mar Vermelho ao Monte Sinai; as águas de Mara; o
maná; a vitória sobre os amalequitas, capítulos 15.22 a 18.27.
VI. Deus se revela no monte Sinai, dando as tábuas da lei moral e diversas
outras ordenanças, capítulos 19 a 31.
VII. Os israelitas fazem um bezerro de ouro, mas são castigados, capítulos
32 a 34.
VTIL O Tabernáculo é construído e armado, e Deus vem morar com o Seu
povo, capítulos 35 a 40.
PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Quais são algumas das provas da autenticidade do livro de Êxodo?


2. Como Deus se conservou justo ao endurecer o coração de Faraó? Quantas
vezes a Bíblia diz que Faraó endureceu seu próprio coração, antes de dizer
que Deus o endureceu?
3. Explique a sabedoria de Deus na preparação de Moisés para a grande tarefa
de libertar os escravizados israelitas e de transformá-los numa nação ideal.
4. Que propósitos tinha Deus ao enviar as pragas contra o Egito, além do pro­
pósito de libertar os israelitas?
5. Na história da primeira Páscoa, quando os israelitas foram redimidos da
morte, m ediante o sangue do cordeiro, aplicado nas ombreiras e vergas das
portas de suas casas, quantas verdades do Evangelho são ali tipificadas?
(Capítulo 11

O TABERNÁCULO

ÊXODO, CAPÍTULOS 25 A 40

Jesus Cristo é a base mesma do Tabernáculo. O Tabernáculo foi edificado a


fim de ensinar verdades espirituais acerca d'Ele. É abundante em tipos e simbo­
lismo que ensinam ao povo a única maneira pela qual o homem pode aproximar-
se de Deus, à base do sangue derramado: Êxodo, capítulos 25 a 40.

UM DESENHO DO TABERNÁCULO

Explicações:
1. A cortina branca, pendurada sobre pilares, ao redor do átrio e do
Tabernáculo, 27.9-15.
2. A porta única, virada para o oriente, de cortina bordada, e pendurada
sobre quatro colunas, 27.16.
3. O átrio, onde podia entrar qualquer judeu puro segundo a lei, 27.17,18
(Atos 21.28).
4. O altar de bronze para sacrifícios, holocaustos e expiações, 27.1-8.
5. O lavabo (ou fonte) de bronze para água para os sacerdotes se lavarem,
30.17-21.
6. Entrada do Tabernáculo, com uma cortina bordada pendurada sobre
colunas, 26.36, 37.
7. As paredes de tábuas de madeira cobertas de ouro, por três lados do
Tabernáculo, 26.15-29.
8. O Santo Lugar, onde os sacerdotes entravam para m inistrar, 26.33
(Hebreus 9.6).
9. O candelabro de ouro, para iluminar o Santo Lugar, 25.31-40.
10. A m esa para os pães da proposição, 25.23-30.
11. O altar de ouro para queimar incenso com fogo do altar de bronze, 30.1-10.
12. O véu ou cortina bordada prim orosam ente para separar o Lugar
Santíssim o, 26.31-33.
13. O Santo dos Santos (ou Lugar Santíssimo) onde o sumo sacerdote entra­
va um a vez por ano, 26.33 (Hebreus 9.7, 8).
14. A arca do Testemunho, com a coberta chamada de "Propiciatório",
25.10-22.

A tribo de Judá estava acampada ao oriente do Tabernáculo, de maneira que


o homem que trazia sua oferta a Deus tinha que passar por meio de Judá para
entrar pela única porta que havia para o Tabernáculo (Gênesis 49.9,10; Apocalipse
5.5; Atos 4.12). A prim eira coisa que o ofertante encontrava no átrio era o altar de
sacrifício, primeiro requisito para alguém aproximar-se de Deus (Hebreus 9.22).
O sacerdote, depois de queimar o sacrifício sobre o altar, lavava as mãos e os pés
com água do lavabo ou lavatório (Salmo 24.3, 4); em seguida entrava pela cortina
(26.36, 37), dentro do Lugar Santo para acender as lâm padas do candelabro
(Levítico 24.1-4; Êxodo 27.20, 21); ou para trocar pães (Levítico 24.5-9); ou para
queimar perfume ou incenso sobre o altar de ouro (Êxodo 30.8). Assim também o
crente, qual sacerdote (1 Pedro 2.9; Apocalipse 1.6), ministra, tendo recebido a
Cristo que foi crucificado por nossos pecados (Hebreus 9.13,14; 1 Coríntios 5.7); e
lavados pela regeneração (Tito 3.5); entramos para desfrutar da comunhão (ilus­
trada pela m esa dos pães da proposição), e da luz da Palavra (o candelabro), e a
oração (o altar de ouro, Apocalipse 8.3, 4).
O sumo sacerdote só podia entrar no Santo dos Santos uma vez por ano;
nenhuma outra pessoa podia jam ais ali entrar (Hebreus 9.6-12); porém quando o
véu que separava o Santo dos Santos das vistas do povo partiu-se, no momento
em que Cristo morreu sobre a cruz (Mateus 27.51), todo o judaísmo term inou e
Cristo tomou seu lugar com único acesso a Deus (Mateus 11.27-30; Gálatas 2.15-
21; Hebreus 9.15 -1 0 .1 4 ; etc.). Resulta, pois, que Cristo é nosso Pontífice ou Sumo
Sacerdote (Hebreus 3.1; 4.14,15; 8.1) que entrou no verdadeiro Tabernáculo ou
Templo, nos céus, levando Seu próprio precioso sangue, e compareceu perante
Deus como nosso representante - fiel Pontífice eterno (Hebreus 9.11-26, etc.).
Os crentes são sim bolizados pelas tábuas que form avam as paredes do
Tabernáculo. Eram feitas de madeira de cetim (ou acácia), tomadas do deserto, e
cobertas completamente de ouro puro. Cada tábua era apoiada em duas bases de
prata, e se unia às demais tábuas por meio de cinco barras, quatro das quais eram
visíveis, passando por anéis de ouro por fora das tábuas; a outra barra passava
por dentro das tábuas e era invisível (Êxodo 26.15-29). O crente é tirado do deser­
to deste mundo e coberto do ouro da perfeição de Jesus Cristo (Colossenses 3.3,4;
Gálatas 3.27; Efésios 2.3-7); tal como as tábuas do Tabernáculo, está firmado em
duas bases de prata: a morte e a ressurreição do Senhor Jesus, as duas bases
principais do Evangelho (1 Coríntios 15.3,4; Romanos 4.25). Vemos, em Atos 2.42,
que os crentes tam bém estão unidos por cinco barras, quatro visíveis e outra
invisível, que é a mais poderosa, o Espírito Santo (1 Coríntios 12.12,13).
As cortinas que cobriam o Tabernáculo falam claramente do Senhor Jesus
Cristo (Êxodo 26.1-14). A cortina que sempre se via, que era posta sobre as outras,
era feita de peles de foca, e tinham cor de terra (Levítico 26.14), cor muito prática
e, sem dúvida, melhor para o propósito para que serviam: útil para proteger o
Tabernáculo da poeira dos rigores do tempo. Ao mesmo tempo, essa cortina exte­
rior fala da vida humana de Jesus Cristo que, segundo Isaías 53.2, "...foi subindo
como renovo perante ele, e como raiz duma terra seca; não tinha aparência nem
formosura... nenhum a beleza havia que nos agradasse", o que significa que não
somos atraídos a Cristo por qualquer formosura natural e física. Em todos os
Evangelhos não há uma só descrição do Senhor, quanto à Sua aparência corporal.
A cortina seguinte, por debaixo daquela primeira, era de peles de carneiro
tingidas de verm elho (26.14), que representa Cristo em Seu sacrifício na cruz,
onde derramou Seu sangue a nosso favor. Ao entrar alguém no Tabernáculo, a
prim eira coisa que via era o altar do sacrifício; igualmente, ao levantar a cortina
da vida hum ana do Senhor Jesus, o que alguém vê é Sua m orte pelos pecadores.
Veio Ele à terra e viveu num corpo humano para poder morrer. Se não tivermos fé
n'Ele como Salvador, não podemos conhecê-Lo em Sua divindade.
A terceira cortina que estava por debaixo da cortina vermelha, era feita de
peles de cabra, e era branca, sem ser tingida (26.7-13), e fala da pureza do Senhor
e da justiça perfeita e divina com que Ele cobre aqueles que confiam no Seu sangue
(2 Coríntios 5.21; Filipenses 3.9).
A quarta cortina, abaixo de todas, e que podia ser vista pelo lado de dentro
do Tabernáculo, no Santo Lugar e no Santo dos Santos, era de linho branco e fino,
com bordados primorosos de figuras de querubins (26.1-6), de jacinto, púrpura e
escarlate. Essa beleza fala da glória, o céu para onde Cristo leva aqueles que con­
fiam em Seu sangue e são embranquecidos (João 14.1-3).
A Arca do Testemunho ficava no centro do Tabernáculo, porque ali habitava
a Glória de Deus. A arca era um a caixa de madeira de acácia coberta de ouro por
dentro e por fora, onde estavam guardadas as tábuas da lei, uma m edida de
m aná, e tam bém a vara de A rão, que floresceu . A A rca era coberta pelo
Propiciatório, nome que era dado à tampa da arca, porque sobre o Propiciatório o
sumo sacerdote aspergia o sangue da expiação, fazendo propiciação pelo povo
(Levítico 16.14,15). O Propiciatório era feito de ouro puro, lavrado a martelo, de
um a peça só com as figu ras dos querubins, um de cada lado extrem o do
Propiciatório, com as asas estendidas para cima e tocando-se no alto, e os rostos
voltados um para o outro. Entre esses querubins, em cima do Propiciatório, habi­
tava a Glória de Deus (Êxodo 25.10-22). Dessa forma o Tabernáculo era o palácio
do Rei-Deus, de onde governava o povo de Israel.
Todo o Tabernáculo era fabricado conforme o modelo que Deus mostrou a
Moisés, e conforme o Tabernáculo ou Templo não feito por mãos hum anas, que
existe nos céus (Êxodo 25.8, 9; 26.30; Atos 7.44; Hebreus 8.2, 5). Portanto, é no céu
que se encontra o verdadeiro lugar de adoração, do qual o Tabernáculo terrestre
era tão somente um a cópia ou sombra. Em certos versículos do livro de Apocalipse
encontramos referência à mobília do Templo celeste, como candeeiros (1.12); o
altar de incenso (8.3, 4); e tam bém se lê a respeito da Ceia do Cordeiro (19.9).
Certamente que no Tabernáculo celeste não há cortinas que façam separação,
nem arca, nem propiciatório, porque ali se encontra o próprio trono de Deus. O
mais importante é saber que o sacrifício de Cristo no Calvário é eficaz naquele
verdadeiro Tabernáculo celeste. Ali penetrou o Senhor Jesus, levando Seu próprio
precioso sangue "tendo obtido eterna redenção" para todos os que n'Ele confiam
(Hebreus 9.11,12). Hoje em dia Cristo está m inistrando perante Deus, a interceder
por nós (Hebreus 7.25; 1 João 2.1; 1 Timóteo 2.5).
No capítulo 28 do livro de Êxodo temos a descrição das vestes sacerdotais.
Todos os sacerdotes tinham vestes brancas, que lhes faziam lembrar de seu dever
de levar uma vida limpa e santa. Além disso, o sumo sacerdote tinha diversas
vestes especiais: a estola sacerdotal, com suas pedras preciosas; o manto da estola
sacerdotal; as lâminas de ouro e a mitra. A túnica e o cinturão eram iguais aos de
todos os sacerdotes, porém, por cima da túnica o sumo sacerdote usava o manto
da estola sacerdotal. O manto era de jacinto (talvez isso se refira à cor - azul
claro); tinha aberturas para os braços e para a cabeça que era debruada, para que
não se rasgasse. "Em toda a orla da sobrepeliz farás romãs de estofo azul, púrpu­
ra e carmesim; e campainha de ouro no meio delas. Haverá em toda a orla da
sobrepeliz uma cam painha de ouro e uma romã, outra campainha de ouro e
outro romã. Esta sobrepeliz estará sobre Arão quando ministrar, para que se
ouça o seu sonido, quando entrar no santuário diante do Senhor, e quando sair, e
isso para que não m orra" (Êxodo 28.33-35). As romãs representavam a abundân­
cia de fruto, de bênçãos, como a rom ã muitas vezes se parte, ao amadurecer, e
vemos a abundância de sementes. Esse manto devia ser muito bonito, de acordo
com o que diz o versículo dois desse capítulo.
Sobre o m anto se colocava a própria estola (28.6-14). Esta consistia de um a
tela de linho torcido, bordado a ouro, fio torcido, púrpura e carmesim. Uma peça
caía por diante e outra por detrás, sendo unidas sobre os om bros com engastes
de ouro que sustentavam um a pedra de ônix sobre cada ombro. Cada pedra
trazia gravados os nom es de seis das tribos de Israel, conforme a ordem de seu
nascimento. A estola sacerdotal tinha um cinturão finam ente trabalhado, para
prendê-lo.
Sobre a estola sacerdotal, na parte da frente, era posto o peitoral do juízo.
Esta ficava sobre o peito ou coração do sumo sacerdote, presa por correias de ouro
puro engastadas em anéis de ouro à estola sacerdotal (28.15-29). O peitoral de
juízo também era feito de linho torcido, bordado com fios de ouro, jacinto, púrpu­
ra e escarlate. Era duplo, do tamanho de um palmo, e dobrado pelo meio, como era
sua posição natural, ficava quadrado; na face externa trazia doze pedras precio­
sas diversas, e cada pedra tinha gravado o nom e de uma das tribos de Israel,
colocadas na ordem em que se acampavam ao redor do Tabernáculo. Dessa m a­
neira o sumo sacerdote levava as doze tribos de Israel sobre o coração e sobre os
ombros.
A mitra era uma lâmina de ouro puro com as palavras: "Santidade A Jeová"
(ao Senhor), gravadas sobre ela. A lâmina era colocada sobre uma faixa de jacinto
(ou estofo azul), e o sumo sacerdote a punha sobre sua frente, onde permanecia
(28.36-38).
Tal veste servia para honra e formosura. Em Levítico 16.4, 23, 24, lemos que
um a vez por ano, no Dia da Expiação, o sumo sacerdote não usava essas vestes,
mas antes, vestia-se todo de branco bem alvo, para levar o sangue diante de Deus,
ao Lugar Santíssimo. Imediatamente depois disso, entretanto, tornava a vestir-
se de suas roupagens comuns e apresentava-se ao povo. Jesus Cristo, depois de
uma vida pura e santa, levou Seu sangue até a própria presença de Deus, no
Templo celeste. O mundo O despreza e não confia n'Ele, mas algum dia Ele virá em
Sua glória, qual Sumo Sacerdote de Israel, em Suas vestes de honra e formosura.
"... para que ao nom e de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da
terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai"
(Filipenses 2.10,11 - Apocalipse 1.7; Mateus 25.31; etc.).
EM RESUM O - No livro de Êxodo, capítulos 25 a 40, Deus nos fornece a
descrição do Tabernáculo. Foi construído segundo o desenho divino, de acordo
com as características do templo no céu. Ensinava a Santidade de Deus e o modo
de aproximar-se da Sua presença.
Jesus Cristo é simbolizado a cada instante no Tabernáculo:
Uma só entrada - por meio de Judá. Primeiro, o altar dos sacrifícios - Cristo,
nossa Páscoa, foi sacrificado por nós.
Em seguida vinha o lavatório - limpeza ou purificação produzida pela Pala­
vra do Senhor (João 13.8; 15.3).
M inistério no Santo Lugar - a comunhão; a luz da P alav ra; a oração.
A cortina que ocultava a Arca de Deus, foi rasgada de alto a baixo, quando
Jesus Cristo m orreu na cruz (Mateus 27.51; Hebreus 10.19-22).
As cortinas - Sua humanidade, Seu sacrifício, Sua pureza, e Sua glória.
A arca e o propiciatório - Deus m ora com os homens, pois Jesus Cristo era
Deus em carne (João 1.14,17,18).
As tábuas - madeira do deserto coberta de ouro puro e postas sobre bases de
prata, que simbolizava o crente, que é coberto com a glória e a justiça de Cristo,
quando se firma sobre o fundamento da morte e da ressurreição de Cristo.
As vestes sacerdotais - Cristo virá em Sua glória para levar a cabo o plano de
Deus.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Nomeie os móveis do Tabernáculo, e explique cada um deles.


2. De m em ória, m ostre tod as as m an eiras pelas quais o E v ang elh o foi
prefigurado no Tabernáculo, segundo puder fazê-lo.
(Q ajfuiulfr 12

TERCEIRO LIVRO DE MOISÉS, CHAMADO LEVÍTICO

O Senhor Jesus Cristo citou do livro de Levítico quando deu o "segundo


grande m andam ento", em Mateus 22.39, tirado de Levítico 19.18. (Veja-se tam ­
bém M arcos 12.31 e M ateus 19.19). O Senhor, igualmente, depois de purificar
alguns leprosos (ver M ateus 8.2-4), enviou-os por diversas vezes aos sacerdotes
para que oferecessem aquilo que Moisés ordenara, fazendo referência a Levítico
14.2-4. O Senhor mesmo foi levado ao Templo quando tinha quarenta dias de
idade, conforme estipulado pela lei, em Levítico 12.2-8 (Lucas 2.22-24).
Em Gálatas 4.4, lemos: "... vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou
seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a l e i . Durante Sua vida terrena, o
Senhor esteve sujeito à lei. Quando foi criticado por não observar o mandamento
do sábado, explicou que não estava desobedecendo o mandamento, mas sim, Seus
críticos é que interpretavam mal a lei (Mateus 12.1-13). A verdade é que não lemos
que Jesus Cristo tenha entrado no Templo com um animal a fim de oferecer um
sacrifício por Seus pecados, porque era santo e não tinha a menor necessidade
disso. Disse, pois, Jesus, aos fariseus: "Quem de vós me convence de pecado?", e
ninguém pôde dizer nada. Estamos certos de que o Mestre esteve em Jerusalém,
durante a festa da Páscoa, apenas duas vezes, durante Seu ministério (João 2.13 e
13.1), e pode ser que João 5.1 também fale de uma terceira Páscoa; contudo, pare­
ce-nos que ele só celebrou a ceia da Páscoa na últim a vez, na noite em que foi
aprisionado.
Há várias referências ao livro de Levítico nas Epístolas: 1 Pedro 1.16; Rom a­
nos 13.9; Gálatas 5.14; Tiago 2.8; Hebreus 9.12,13; 10.4; 13.11-13; 2 Coríntios 6.16,
e também João 1.14; Apocalipse 7.15 e 21.3, que fala sobre o "Tabernáculo de Deus
entre os hom ens", de Levítico 26.11,12.
O livro de Levítico segue-se ao livro de Êxodo tão logicamente, e estão tão
estreitamente unidos entre si, que não há dificuldade em os aceitarmos como
partes da mesm a obra. Nos originais, começa com a conjunção "e ", fazendo a
consideração de que as ofertas seguem muito naturalmente a história da constru­
ção e ereção do Tabernáculo. Visto que esse livro trata das leis concernentes aos
sacerdotes, que pertencem à tribo de Levi, é chamado de "Levítico". Seu tema é a
SANTIDADE, palavra que significa "separado" ou "consagrado". M uitas vezes é
usado esse termo para designar aquilo que é separado do uso comum, e também de
tudo quanto é pecaminoso (2.3,10; 7.1; 16.4).
Conforme já indicamos, o propósito principal da lei foi o de preparar o m un­
do para receber o Senhor Jesus com inteligência, aceitando-O como o Salvador,
como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Gálatas 3.24). Além disso,
a lei serviu para separar os israelitas como povo peculiar de Deus entre todos os
povos (Êxodo 19.4-6), santo, apartado das demais nações, para que não com parti­
lhasse de suas idolatrias e imundícias, fazendo-os sentir profundamente a santi­
dade de Deus e Sua ira contra o pecado; e também para transformá-los, de uma
nação de escravos em uma nação ideal, em que cada qual amasse a seu próximo,
cuidasse das viúvas e dos órfãos, e socorresse aos pobres, etc.
Por esses motivos, os sacrifícios e as festas religiosas tinham dois propósi­
tos: l 9) simbolizar Jesus Cristo de alguma maneira, preparando o povo para Sua
vinda; e 2Q) ensinar ao povo a santidade de Deus de tal maneira que sua maneira
de andar diária fosse uma santidade prática. No estudo dos diferentes capítulos
veremos esses aspectos de cada oferta. Essas são as verdades que estabelecem a
diferença entre os sacrifícios dos israelitas e as horríveis orgias pagãs, com seus
sacrifícios hum anos e idólatras. Nessas leis nunca se encontra a idéia de aplacar
uma divindade qualquer sempre disposta a praticar o mal contra os homens mas
que, em vista da oferta feita, fique aplacado em sua ira e mude de idéia. Pelo
contrário, aquelas leis sempre apontam um Deus santo que, à base do sacrifício,
aceita o pecador e o perdoa, e entra em comunhão com ele e o bendiz.
Quanto àqueles que se opõem à idéia de um Deus santo que exige sacrifícios
sangrentos, devemos compreender que os povos da terra vinham oferecendo aos
seus deuses sacrifícios semelhantes desde séculos antes do tempo de Moisés. Tam­
bém se deve levar em consideração a necessidade de ensinar ao povo quão terrí­
vel é o pecado, que exige o derramamento de sangue e a perda de vida como
propiciação; porém, o mais im portante é a lição constante da substituição, prepa­
rando o povo para a vinda de Cristo, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do
mundo. É injusto condenar o sacrifício de animais sem levar em consideração
essas verdades preciosas do plano de Deus.
O Dr. G. C. M organ dá o seguinte esboço do livro de Levítico:

A. Dedicação - as ofertas, caps. 1 a 7. Provisão para a aproximação.


B. M editação - os sacerdotes, caps. 8 a 10. Apropriação da provisão.
C. Separação - o povo, caps. 11 a 22. Condições da apropriação.
D. Consagração - as festas, caps. 23, 24. Benefícios da aproximação.
E Ratificação - os sinais, caps. 25 a 27. Símbolo da relação.
I. As ofertas, caps. 1 a 7.
n. Consagração de Arão e seus filhos, caps. 8 a 10.
HL Distinção entre o puro e o imundo, caps. 11 a 22 (excetuando o capí­
tulo 16, que trata da festa anúal do Dia da Expiação).
IV. Calendário sagrado - as festas, os sábados, caps. 23 a 27.

I. AS OFERTAS, Capítulos 1 a 7

(As ofertas serão tratadas com mais detalhes no capítulo seguinte).


A. O HOLOCAUSTO OU OFERTA QUEIMADA, capítulos 1; 6.8-13; 7.8.
B. A OFERTA DE MANJARES, capítulos 2; 6.14-23; 7.9,10.
C. A OFERTA PACÍFICA, capítulos 3; 7.11-36.
D. A OFERTA PELO PECADO, capítulos 4 .1 -5 .1 3 ; 6.24-30.
E A OFERTA PELA CULPA, capítulos 5.14 - 6.7; 7.1-7.

II. CONSAGRAÇÃO DE ARÃO E SEUS FILHOS, Capítulos 8 a 10

A consideração sobre os sacrifícios é seguida, muito naturalmente, pela con­


sagração dos sacerdotes e pela enumeração de algumas regras referentes a eles.

A. A CONSAGRAÇÃO, Capítulo 8.

1. Deus ordena que toda a congregação se reúna para a cerimônia, e seu


cumprimento, 1-5. A consagração é a vontade de Deus.
2. Moisés prepara os sacerdotes para a consagração; lava-os (6); veste, pri­
meiramente a Arão e o unge com o azeite sagrado (7-12), e em seguida faz o
mesmo com seus filhos (13).
3. Sacrifica o novilho como oferta pelo pecado (14-17).
4. Oferece o carneiro do holocausto (18-21).
5. Sacrifica o carneiro da consagração, e põe o sangue sobre a orelha e sobre
os polegares direitos da mão e do pé de Arão (22,23), bem como sobre seus filhos
(24), em sinal da consagração de seus sentidos, seu serviço e sua maneira de
andar.
6. A própria consagração consistia das m ãos de Arão e de seus filhos se
ocuparem completamente do serviço de Deus; nesse caso apresentaram a oferta
movida (25-29).
7. São novamente ungidos com azeite (30).
8. Os sacerdotes comem a carne e o pão da consagração em lugar santo (31,32).
9. Sete dias de separação, sendo feita expiação diária, para completar a con­
sagração (33-36).

B. ARÃO OFERECE SEUS PRIMEIROS SACRIFÍCIOS, Capítulo 9.

São aceitos por Deus por meio de um fogo divino que consumiu o holocausto
sobre o altar.
C. PECADO DE N ADA BEEA BIÚ , Capítulo 10.

Oferecem fogo estranho na presença do Senhor, em lugar de usarem o fogo


do altar dos sacrifícios, e Deus tirou-lhes a vida como exemplo de Sua santidade
para todos. O pecador precisa aproximar-se de Deus por meio do sacrifício, m edi­
ante o altar onde o sangue é derramado.

III. DISTINÇÃO ENTRE O PURO E O IMUNDO, Capítulos 11 a 22

Esta secção, com exceção do capítulo 16, que será tratado na próxima divi­
são, fala de várias leis sobre a saúde e a religião, conduzindo a um andar santo.
Não só tinham o fim de resguardar o povo israelita das imundícias das nações
que viviam ao seu redor, m as também tinham o propósito de ensinar-lhes ainda
mais a respeito da santidade do Senhor. Também tinham o propósito de ajudá-los
a viver de maneira mais pura, evitando os excessos carnais. Os animais, aves e
insetos proibidos, eram os de vida sem higiene, cujas carnes são indigestas, e cuja
abstenção os ajudaria a levar uma vida mais santa.

IV. CALENDÁRIO SAGRADO, Capítulos 23 a 27, e 16

A. AS FESTAS, Capítulos 23 (e 16)

1. O sábado do descanso semanal, 23.1-3.


2. A Páscoa, 23.4, 5. Celebrada no primeiro mês, no dia catorze. Tipo da
redenção, com em orando a saída dos israelitas do Egito (Êxodo, caps. 12 a 14), e o
Calvário (1 Coríntios 5.7). Essas festas são contadas segundo o calendário religio­
so do Tabernáculo. Veja-se Êxodo 12.1, 2 para saber a razão do calendário religi­
oso. A redenção principia uma vida nova.
3. Festa dos Pães Asmos, 23.5-8. Comiam pães asmos, isto é, sem fermento,
por sete dias, começando no dia quinze do primeiro mês. É o tipo da vida santa
dos redimidos (1 Coríntios 5.8).
4. Festa das Primícias, 23.9-14. No dia seguinte ao sábado da festa dos Pães
Asmos, ofereciam as primeiras espigas de trigo, que nessa estação começavam a
amadurecer. Juntam ente com as primícias do trigo, oferecidas como oferta de
manjares (que constava de legumes), também apresentavam a oferta do holocausto.
Essa festa simbolizava a ressurreição (1 Coríntios 15.22, 23). O trigo era o prim ei­
ro grão dos campos a amadurecer. Depois dessa festa, os israelitas recolhiam a
colheita do trigo, e ao terminarem as sete semanas, até a Festa de Pentecostes, já
principiavam a am adurecer a cevada, as frutas, como as maçãs, amêndoas, pêras
e uvas. Por isso é que as primícias eram apresentadas também na Festa de Pente­
costes. Ainda, não se verificava nessa ocasião a colheita completa de todos os
produtos da terra. Os israelitas eram obrigados pela lei a trazer o melhor dos
prim eiros frutos ao Tabernáculo, como oferta ao Senhor, antes que pudessem
comer dos frutos do ano. Depois traziam o dízimo da colheita.
5. Festa de Pentecostes, 23.15-22. Cinqüenta dias depois do primeiro dia da
Festa dos Pães Asmos, que também era o dia das Primícias, e o dia depois do
sábado da Páscoa, celebrava-se a Festa de Pentecostes. O primeiro e o último dia
dessas festas eram chamados "sábados festivos", porque nesses dias era proibido
o trabalho. Juntam ente com suas ofertas de manjares, na festa de Pentecostes,
traziam dois pães preparados com fermento, para oferta movida, ofertas pelo
pecado, sacrifícios pacíficos e holocausto. Essa festa simbolizava a vinda do Es­
pírito Santo, para tomar de entre todas as nações tanto judeus como gentios, um
povo para o nome do Senhor (Atos 2.1-4; 15.14), obra em que Ele está ocupado até
o dia de hoje.
6. Festa das Trombetas, 23.23-25. Essa festa era celebrada no primeiro dia do
sétimo mês, segundo o calendário sagrado, mas também era o dia do Ano Novo
no calen d á rio civ il. G eralm en te se co n sid erav a essa festa com o tip o do
reajuntamento de Israel, em preparação para a segunda vinda do Senhor Jesus
Cristo (Mateus 24.29-31; Ezequiel 37.1-14; Jerem ias 16.14, 15; Isaías 11.11, 12).
Segundo essa interpretação, o longo período entre a festa de Pentecostes e a festa
das Trombetas, simbolizava a presente dispensação da graça, em que o Espírito
Santo está formando a Igreja, a espera de Jesus Cristo.
7. Dia da Expiação, 23.26-32; caps. 16 e 17. O décimo dia do sétimo mês era o
dia mais solene de todo o ano judaico. Era o único dia do ano em que o Sumo-
sacerdote entrava no Santo dos Santos. Nesse dia, tendo sacrificado a oferta pelo
pecado, levava o sangue, vestido de suas vestes brancas, o mais alvas possíveis,
até a presença da glória de Deus, entre os querubins do Propiciatório, que cobria
a Arca do Testemunho. O próprio sumo sacerdote tinha que apresentar os ani­
mais perante o Senhor, e ele m esm o os sacrificava. Fazia tudo quanto estava
relacionado com os atos do dia, porque representava o povo e o sacrifício era a
favor da nação inteira, pois fazia expiação pelos pecados nacionais. O capítulo 16
é o coração do culto judaico. E a representação mais completa e perfeita da obra de
Jesus Cristo, que morreu pelos pecados do mundo. Os dois bodes eram apresenta­
dos perante o Senhor, e eram assinalados por sorte, um para ser degolado, para
fazer expiação pelos pecados, pois seu sangue era apresentado ao Senhor, no San­
to dos Santos; e, era somente depois que o sumo sacerdote saía do Tabernáculo, o
que servia de prova de que o sacrifício fora aceito, é que era enviado ao deserto o
bode que fora deixado vivo, que assim tipifica a maneira pela qual o Senhor Jesus,
por Seu sangue, tira os nossos pecados para sempre. A obra de Cristo é tão ampla
que exige os dois animais para representá-la corretamente. Tudo isso nos faz pen­
sar sobre o que acontecerá quando Israel for recolhido novamente pelo Senhor: como
se arrependerão ao ver o Senhor que traspassaram (Zacarias 12.10 - 13.1).
8. Festa dos Tabernáculos, ou Tendas, que se prolongava desde o dia quinze
do sétimo mês até se completarem oito dias (23.33-43). Essa era a festa de maior
alegria, pois constava de oito dias de regozijo, depois do fim das colheitas, das
vindimas e de todos os frutos. Fazia recordação dos dias, depois de terem saído do
Egito, em que moravam em tendas (Zacarias 14.16-21; Neemias 8.14-18). Essa
festa tipifica o descanso e a prosperidade de Israel por ocasião da segunda vinda do
Messias, para estabelecer Seu reino milenar (Isaías 65.18-25; Zacarias 2.10-12; etc.).

B. O AZEITE PARA O CANDEEIRO, 24.1-4; E OS PÃES DA PROPOSIÇÃO, 24.5-9.

Aqui temos um parêntese histórico para relatar a história de um indivíduo


blasfem o e seu castigo, 24.10-23.

C. LEI DO SÁBADO DA TERRA, 25.1-7, em que se estabelece que a terra deveria


descansar por um ano de sete em sete anos; é a LEI DO ANO DO JUBILEU, 25.8-55.
No Ano do Ju b ileu todo escravo era posto em liberdade, as propriedades
retornavam a seus antigos donos, a terra repousava, etc. Não há indício que a
nação tenha jam ais observado essa lei, e foi isso um dos motivos de terem sido
levados cativos para a Babilônia (2 Crônicas 36.21).

D. DIVERSAS EXORTAÇÕES AO POVO PARA CUM PRIREM A LEI, com pro­


messas de bênçãos, caso obedecessem, ou de dispersão, caso desobedecessem,
capítulos 26 e 27.
EM RESUMO:
I. Os Sacrifícios, Capítulos 1 a 7.
II. Consagração de Arão e seus filhos, capítulos 8 a 10. Redimidos, purifica­
dos e ungidos, passaram a ocupar-se inteiramente de Deus e do ministério - isso
é consagração.
III. Distinção entre o puro e o imundo, capítulos 11 a 22. Eram regulamentos
que tinham em vista apartar o povo das imundícias das nações idólatras que
viviam ao redor, e fazer-lhes apreciar a santidade de seu Deus.
IV. Calendário Sagrado, capítulos 23 a 27. As festas sagradas, forneciam uma
visão profética geral da história futura do povo de Deus, e também relembravam
as experiências do passado. Deus exortava o povo a ser obediente para receber a
Sua bênção.
PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Descreva a cerimônia da consagração de Arão e de seus filhos ao sacerdócio.


2. Por que Deus tirou a vida de Nadabe e Abiú, os filhos mais velhos de Arão?
3. Quais os propósitos de Deus ao qualificar certos animais, aves e peixes de
imundos?
4. Explique o procedimento que deveria seguir qualquer leproso purificado, a
fim de retornar à sua casa e à sociedade.
5. Por que o Dia da Expiação era o dia mais im portante e sagrado do ano
israelita?
6. Quantas coisas fazia o sumo sacerdote no Dia da Expiação para seu povo,
que Cristo agora faz para nós?
7. Qual o significado profético de cada uma das festas dos israelitas?
(Papífulo 13

AS OFERTAS LEVÍTICAS
Capítulos 1 a 7 de Levítico

O Senhor Jesus Cristo é o cumprimento ou a realidade (antítipo) do qual os


sacrifícios são os tipos. Ele é nosso Pontífice perfeito (Hebreus 7.24-28) do qual
Arão era tipo ou símbolo. O Senhor como nosso Sumo Sacerdote tem feito para
nós todo o que fez Arão para os judeus, e o tem feito em forma permanente sem
necessidade de repeti-lo (Hb. 8.1-6). Ele conseguiu o perdão de nossos pecados,
tirando a culpa; Ele é nossa paz; e n'Ele somos aceitos diante de Deus na consagra­
ção ou dedicação de nosso ser a Deus (Atos 13.39; Gl. 3.13; Rm. 5.1; Ef. 2.14; Rm.
12.1; Ef. 1.6).
Estudaremos primeiro as ofertas da Lei Mosaica na ordem em que se encon­
tram nos primeiros sete capítulos de Levítico. Esta ordem é em relação ao sacrifício
a Jesus Cristo, ou, desde o ponto de vista de Deus. Depois serão tratadas desde o
ponto de vista do homem que as oferece, ou seja, segundo sua relação ao pecador.

I. O HOLOCAUSTO, OU OFERTA QUEIMADA, Capítulo 1

Veja também: Levítico 6.8-13; 7.8; Salmo 40.5; Hebreus 10.4-10; Efésios 5.2.
Deus põe a este primeiro, ainda que é o último sacrifício que o pecador oferece,
porque é o quadro mais precioso de Jesus Cristo. E oferecido depois da oferta pela
culpa, a oferta pelo pecado, o sacrifício pacífico, e a oferta de manjares, de modo
que o pecador já está perdoado e restaurado à comunhão com Deus, mas oferece o
holocausto em adoração. Já não pensa tanto em si mesmo, mas em Deus, a quem
adora e se dedica. Todo animal era queimado sobre o altar, menos a pele que era
dada ao sacerdote para seu uso; o que antes cobria a oferta queimada agora cobre
ao sacerdote.
Este é o aspecto mais profundo da cruz de Cristo. A perfeita obediência do
Senhor, entregando-se à morte em cumprimento da vontade de Deus, não somen­
te fala de nossa salvação, mas da justiça e santidade de Deus, quem agora fica
satisfeito, porque toda a demanda da Lei é cumprida, e Deus é glorificado. Nin­
guém podia comer deste sacrifício, porque nenhum hom em pode participar deste
aspecto do sacrifício de Cristo, nem entrar completamente em seu significado. A
Cristo seja toda a glória porque Ele sofreu só quando redimiu ao homem das
conseqüências de seu pecado. Assim o animal sem mancha, oferecido voluntaria­
mente, fala da aceitação do pecador diante de Deus por meio do perfeito sacrifício,
Jesus Cristo.
No versículo 11 vê-se que se sacrificava o animal ao lado norte do altar. Do
norte vinham os juízos de Deus sobre o povo (Jr. 1.14; Ez. 1.4; 9.2), de modo que o
sacrifício sim bolizava ao Senhor Jesus sobre quem caiu o castigo de nossos peca­
dos, o divino Substituto que sofreu em nosso lugar. Ao terminar o sacrifício, o
sacerdote vestia-se em seus vestidos mais santos, os de linho branco, e recolhia as
cinzas, pondo-as ao lado do altar; logo mudava seus vestidos e levava as cinzas
fora do acampamento a um lugar limpo. Cinzas - "Consum ado é", uma obra
terminada mas uma obra santa - ainda as cinzas são postas em lugar limpo -
porque o sacrifício de Cristo era santo, ordenado por Deus, e eficaz para sempre;
um só sacrifício que não há de ser repetido.
O holocausto, então, é a adoração de um hom em ao Deus a quem ele conhece
como tão santo que demanda o sacrifício da vida para pagar pelo pecado, mas tão
cheio de amor e de graça que tem provido tal sacrifício como meio para o homem
acercar-se a seu Criador. Ele que oferece, rende a Deus a suprema adoração de sua
alma e expressa seu desejo de dedicar-se a Ele. E oferta queimada de aroma agra­
dável diante de Deus.

II. A OFRETA DE MANJARES, Capítulo 2

Veja tam bém Levítico 6.14-23; 7.9-10; e João 6.33. Este sacrifício não incluía
sangue, mas era oferecido sempre em conexão com o holocausto ou outro sacrifí­
cio de sangue. Era voluntário e não obstante tinha regras rígidas para sua obser­
vação. Tinha que ser de flor de farinha, isto é, de farinha fina bem moída, sem
nada do tosco da cevada ou da aveia. Também se admitia espigas novas, tostadas
ao fogo, mais terno, que nos fala de Cristo, quem, numa idade não avançada (foi
crucificado aos 33 anos de vida terrena), foi cortado da terra, primícias dentro os
homens (Lucas 3.23; Is. 53.8; 1 Co. 15.20).
Esta oferta nos fala da vida perfeita do Senhor Jesus Cristo, quem veio do céu
para dar de comer aos homens o alimento espiritual da verdade (João 6.33-35;
Salmo 37.5). A oferta não podia conter fermento (tipo da corrupção, 1 Co. 5.7 e 8)
porque em Cristo não houve nada de engano, de imperfeição, mas toda a sinceri­
dade. Nem podia conter mel (tipo da doçura natural humana, o mel sendo o único
doce que o corpo absorve sem o processo da digestão). Cristo em Sua vida terreal
não efetuou nada por uma natureza humana "tão simpática", mas que Deus obrava
n'Ele; o Filho não fazia nada de Si mesmo (2 Co. 5.19; João 5.30; 8.28). Mas toda a
oferta de manjares continha azeite (tipo do Espírito Santo, Zc. 4.2-6; Êx. 30.31); e
incenso, porque Jesus Cristo, nascido sem pecado da virgem por obra e graça do
Espírito Santo, foi também ungido pelo Espírito. Era de sumo agrado ao Pai por
Sua obediência até a morte, simbolizada pela farinha fina misturada com azeite e
o perfume de aroma agradável em cima de tudo (Atos 10.38). Também todo o
sacrifício requeria sal, o oposto do fermento. E "O Sal do Concerto de teu Deus"
(Lv. 2.13; Nm. 18.19; 2 Cr. 13.5) e tem sido chamado "o princípio conservativo da
justiça ativa", talvez de Marcos 9.49 e 50.
Uma parte da oferta de manjares era queimada sobre o altar, e o demais era
comido pelos sacerdotes, em lugar santo, sem usar fermento com a farinha. E
chamada "coisa santíssim a" (Lv. 6.17). Assim o crente, o sacerdote do Novo Tes­
tamento, hoje está em terra santa e se alimenta de Cristo (1 Pedro 2.9; Hb. 13.15-
16; Cl. 3.1-4).

III. A OFERTA DE PAZ OU SACRIFÍCIO PACÍFICO, Capítulo 3

Veja também Levítico 7.11-36; Colossenses 1.19, 20; Efésios 2.13, 14. Neste
sacrifício vemos a Jesus Cristo, quem por Seu sacrifício na cruz fez a paz entre o
homem e Deus. Cristo abriu o caminho para Deus poder ter comunhão com o
homem. Aqui não se fala de nenhum pecado particular, mas o hom em trazia sua
oferta ao Tabernáculo, punha sua mão sobre a cabeça do animal (assim identifi­
cando-se com ele e fazendo-o seu substituto); logo degolava o animal. O sacerdote
tomava o sangue e o espargia ao redor do altar. Aqui há o reconhecimento de que
o homem é pecador e necessita duma propiciação de sangue para poder acercar-
se de Deus. Então o sacerdote queimava sobre o altar o sebo, os rins e o fígado, as
partes vitais que não se podia conseguir sem matar a vítima, e eram consumidas
completamente pelo fogo. O peito do animal, falando do amor de Cristo, era para
todos os filhos de Arão; a perna direita, falando da força do Senhor, era para o
mesmo sacerdote que oficiava no sacrifício; e o demais era para o que oferecia o
sacrifício pacífico. Em 7.14 vemos que era apresentado junto com pães, para fazer
uma comida completa. O homem e sua família ou seus amigos podiam comer da
carne e os pães, com tal que tiveram cuidado de estar "lim pos" segundo a Lei.
Assim, graças à obra redentora e reconciliadora de Cristo no Calvário, todos
podemos comer juntos em comunhão Cristã, participando da provisão de Deus
em Jesus Cristo. Nossa paz para com Deus se deve inteiramente ao Senhor Jesus.

IV. A OFERTA PELO PECADO, Capítulos 4.1 a 5.13

Veja também Levítico 6.24-30; Isaías 53.10; e 2 Coríntios 5.21. Para poder
distinguir bem entre esta e a próxima oferta, veja Levítico 14.10-12, 19. Nestes
dois sacrifícios que faltam, o do pecado e o da culpa, vemos uma conexão muito
estreita entre o pecado particular, cometido por ele que oferece, e seu sacrifício.
Ainda é Cristo quem é simbolizado pelo sacrifício para o pecado. Deus os chama
pecados de ignorância (Atos 3.17), mas necessitam de propiciação porque sem
derramamento de sangue não se faz remissão (Hb. 9.22; At. 4.12).
Vemos um a diferença quanto ao que era aceitável, segundo os recursos de
cada pessoa, mas todo o pecado pedia um sacrifício. O sacerdote ou o príncipe,
sendo mais responsável como exemplo e líder entre o povo, tinha que trazer um
sacrifício mais custoso, mas o mais pobre estava sob a obrigação de oferecer algo.
Todo o oferecido representa a Cristo, que é suficiente em Seu sacrifício perfeito,
para limpar o pecador da contaminação do pecado, diante de Deus (Rm. 6.23).
Toda prenda tinha que ser sem mancha, como era Cristo sem imperfeição (1 Pedro
1.18,19). No caso de extrema pobreza era permitido, como oferta pelo pecado, um
pouco de flor de farinha, sem azeite nem incenso (por não ser de aroma agradável
a Deus, pois é oferta pelo pecado), falando do corpo de Cristo imolado por nós.
Todo o demais do animal era levado fora do campo, ao lugar limpo onde
jogava as cinzas, e ali era queimado. Em Hebreus 13.11-13 lemos: "Porque os
corpos dos animais, cujo sangue é pelo pecado; trazido pelo sumo sacerdote para
o santuário, são queimados fora do arraial. E por isso tam bém Jesus, para santifi­
car o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos pois a ele fora
do arraial, levando o seu vitupério". De m odo que a oferta pelo pecado era para
limpar o pecador de seu pecado, fazendo-lhe apto para poder acercar-se a Deus
com sua oferta de paz ou sacrifício pacífico.

V. A OFERTA PELA CULPA, Capítulos 5.14 a 6.7

Veja tam bém Levítico 7.1-7 e Salmo 51. E dito que esta oferta apresenta a
obra primária da cruz, querendo dizer que é o aspecto da obra redentora de
Cristo mais familiar, a de perdoar a culpa do pecado, de pagar a dívida do peca­
dor diante de Deus. Alguns querem fazer um a distinção entre a classe de pecado
que requeria a oferta pelo pecado, e outra classe que requeria a oferta pela culpa.
Pecados cometidos por ignorância (Lv. 4.2; Salmo 19.12), ou por imundície (Lv.
12.6), requerem a oferta pelo pecado; pecados cometidos por inadvertência ou
pelo ceder a tentação, fazem necessária a oferta pela culpa. Também é feito a
distinção seguinte: pecados contra a natureza de Deus demandam a oferta pelo
pecado; pecados contra o governo de Deus exigem a oferta pela culpa.
Em todo caso se vê: 1. Não há pecado leviano. 2. M uitas vezes há grande
culpa onde não se suspeita culpa alguma. 3. No m omento em que descobrimos
que temos pecado, devemos confessá-lo e buscar o perdão. 4. Não nos temos arre­
pendido a m enos que tenhamos feito o possível para retificar o dano causado.
Em Levítico 5.14-19 se fala de pecados cometidos diretamente contra Deus,
como, por exemplo, a falta de trazer as primícias ou os dízimos ao Senhor, ou de
não observar os sábados, etc., enquanto Levítico 6.1-7 m enciona vários pecados
contra os próximos. A natureza do pecado não afeta a responsabilidade de trazer
uma oferta sem mancha, nem o efeito do sacrifício devidamente apresentado.
Cristo é nosso Sacrifício. Ele pagou nossa dívida e nos lavou de nossa culpa diante
de Deus.
UMA RECONSIDERAÇÃO DOS MESMOS SACRIFÍCIOS
DESDE O PONTO DE VISTA DO HOMEM

Nestas cinco ofertas do povo hebraico temos considerado desde o ponto de


vista de Deus, em sua relação com Cristo; o holocausto; a oferta de manjares; o
sacrifício pacífico; a oferta pelo pecado; e a oferta pela culpa. Todas representam a
obra de Cristo, que no Calvário fez uma só oferta perfeita que não tem necessida­
de de repetir-se (Hebreus, capítulos 9 e 10). Agora vamos estudá-las desde o pon­
to de vista do pecador que as oferece.
Ponhamo-nos uma ilustração. Suponham os que um judeu, vivendo sob a
Lei de Ofertas Levíticas, cai no pecado. Ele reconhece que tem faltado a Deus e que
leva culpa diante d'Ele, mas deseja o perdão. Conforme esta Lei, o homem traz sua
oferta ao Tabernáculo. Ali, diante de Deus, põe sua mão sobre a cabeça do animal.
Esse ato transfere seu pecado ao animal. Logo o degola e o animal derrama seu
sangue, isto é, sua vida, pelo pecado de seu dono que o oferece. Assim, o homem
saberia que a culpa lhe era perdoada; mas poderia sentir ainda que ele era conta­
minado pelo pecado. Para limpar sua consciência da contaminação do pecado,
faria expiação, isto é, ofereceria a Deus outro animal como oferta pelo pecado.
Logo, este suposto indivíduo, contemplando ainda a santidade de Deus e sua
própria condição, deseja expressar a Deus seu desejo de ter com unhão com Ele.
Assim que, reconhece a provisão que Deus tem feito para que o pecador tenha a
paz com Deus, e desta vez oferece o sacrifício pacífico, oferta voluntária em grati­
dão a Deus pelo perdão já outorgado, o qual abre caminho para a comunhão com
Ele. Então, regozijando-se na sua relação de intimidade com Deus, apresenta sua
oferta de manjares.
Resta agora o holocausto como um ato de adoração e consagração inteira de
seu ser, a Deus que lhe perdoou, limpou-o e lhe trouxe a paz e a comunhão com Ele.
Todo o animal é consumido sobre o altar, subindo a Deus como aroma agradável,
e o homem sabe que sua adoração e consagração são aceitáveis por Deus. Muitos
crentes hoje em dia chegam até este ponto na sua vida espiritual mas não reco­
nhecem a responsabilidade de uma consagração de seu ser inteiro a Deus.
Temos ocupado tanto tempo com isto por ser ele tão fundamental na Lei, na
vida da nação de Israel, e em nós mesmos, para podermos compreender o plano
de Deus em dar a Seu Filho em propiciação pelos pecados do mundo.
EM RESUMO: Estes sacrifícios tinham dois ofícios: (1) eram tipos de Jesus
Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo; assim ensinavam as
distintas fases de Seus sacrifício no Calvário em preparação para Sua aceitação
quando se encarnou; (2) eram uma provisão para poder acercar-se de Deus, de­
monstrando Sua santidade, a seriedade do pecado, e que o único remédio era o
derramamento da vida.
I. O holocausto ou oferta queimada: a dedicação do ser a Deus.
II. A oferta de manjares: a comunhão com Deus.
UI. A oferta pacífica: a restauração à paz e à comunhão.
IV. A oferta pelo pecado: a limpeza da contaminação do pecado.
V. A oferta pela culpa: a dívida paga e a culpa expiada.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Nomeie os cinco sacrifícios mais usados, na ordem em que seriam observa­


dos por um judeu que busca expiação por seu pecado.
2. Qual sacrifício era consumido sobre o altar?
3. Quais sacrifícios eram de aroma agradável a Deus, e por que?
(Capítulo 14

QUARTO LIVRO DE MOISÉS, CHAMADO NÚMEROS

O Senhor Jesus Cristo provou que cria na canonicidade do livro de Números,


e no relato ali registrado, quando disse em João 3.14, 15: "E do modo por que
Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do hom em seja
levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna". Igualmente falou, em
Mateus 18.16, da necessidade de mais de uma testemunha para condenar alguém,
conforme estipula Números 35.30. Em Mateus 23.5, Jesus Cristo faz referência às
franjas ou bordos das vestimentas que os judeus usavam, segundo está escrito
em Números 15.38.
Em 1 Coríntios 10.1-11 há várias referências aos relatos escritos no livro de
Números. Em Hebreus 3.5,6,8,16,17; 7.5,8,9; 8.2; 9.4,13; 10.28 e 13.11 há referências
ao livro de Números. E o caso de Balaão (Números 22 a 24) é citado em 2 Pedro
2.14-16; Judas 11; e Apocalipse 2.14.
O livro de N úm eros é chamado de "o livro das peregrinações" como desig­
nação popular. Os israelitas chamavam-no "N o deserto", palavras essas que se
encontram no primeiro versículo do livro. Depois da tradução feita pelos Setenta,
tomou o nome de "N úm eros", pois, estando o povo no monte Sinai, há treze
meses, depois da saída do Egito, o Senhor lhes ordenou que fizessem o recensea­
mento de todos os homens, e é justam ente com isso que se inicia o livro de Núm e­
ros. No capítulo dez verifica-se que a multidão parte do monte Sinai, e no capítulo
catorze que os israelitas não entraram em Canaã por causa de sua incredulidade.
Em resultado disso, são condenados a vagar pelo deserto até que morresse toda
aquela geração, de vinte anos para cima, que se recusou a entrar na terra prome­
tida. No capítulo vinte e seis nota-se que foi feito outro recenseamento, no fim das
peregrinações do povo israelita. Essas duas enumerações do povo é que dão seu
nome ao livro. Eram necessários os dois recenseamentos para que se conhecesse e
provasse a fidelidade de Deus à Sua Palavra (14.28-34).
O livro forma um elo importantíssimo na cadeia da história de Israel, pro­
vendo detalhes referentes a 39 anos de sua existência, desde o Sinai até a entrada
na terra de Canaã. Não há motivo para alguém duvidar que foi Moisés o seu
autor; o estilo é sempre o de um a testemunha ocular. Está escrito em forma de
crônicas familiares, conforme iam acontecendo novas experiências e conforme
novas leis e regulam entos de Deus iam sendo reveladas.
Usaremos o esboço do Curso Preliminar novamente:
I. Preparativos para saírem do Sinai, capítulos 1.1 a 10.10.
II. Viagem do Sinai à Moabe, capítulos 10.11 a 21.35.
m Preparativos para a entrada em Canaã, capítulos 22 a 26.

I. PREPARATIVOS PARA SAÍREM DO SINAI, Capítulos 1.1 a 10.10.

A. O PRIMEIRO RECENSEAMENTO, Capítulos 1 e 2.

As tribos foram enumeradas e colocadas em ordem de marcha:


1. A cam pam ento de Judá - tribos de Judá, Issacar e Z eb u lo m ............... . 186.400
2. A cam pam ento de Rubem - tribos de Rubem , Sim eão eG a d e ... .1 51.450
3. A cam pam ento de Efraim - tribos de Efraim, M anasses e Benjam im .1 08.100
4. Acam pam ento de Dã - tribos de Dã, Aser e N a fta li........................ . 157.600
Total, excetuando a tribo de L e v i ............................................................ .6 03.550

B. OS LEVITAS, Capítulos 3 e 4.

1. Os filhos de Arão são separados para o sacerdócio, mas os demais levitas


são encarregados da administração do Tabernáculo, 3.1-10.
2. Os levitas são aceitos em lugar dos primogênitos da nação, e o preço do
resgate dos prim ogênitos é pago a Arão, 3.11-51.
3. O serviço do Tabernáculo é distribuído entre as três famílias dos levitas:
os coatitas, os gersonitas e os meratitas. Que nos ensina a respeito de santidade de
Deus a forma de desarmar o Tabernáculo (4.4-6,19)?

C. NOVAS LEIS, Capítulos 5 e 6.

1. Os leprosos são separados, 5.1-4. Deve um crente de nossos dias reclamar


quando o M inistério da Saúde Pública de uma nação o obriga a observar as leis da
quaresma?
2. Leis sobre a restituição e sobre os ciúmes entre um hom em e sua esposa,
5.5-51.
3. Regras a respeito do voto do nazireu, 6.1-21.
4. A bênção sacerdotal, 6.22-27.

D. OS ÚLTIMOS DIA S NO SINAI, Capítulos 7 .1 a 10.10.

1. As ofertas das tribos durante doze dias, cap. 7.


2. Os levitas são preparados para servir dos 25 aos 50 anos de idade, cap. 8.
3. Celebração da Páscoa e sua regulamentação, cap. 9.1-14. Comparar essa
passagem com 1 Coríntios 5.7,8.
4 .0 Senhor guia o povo com a nuvem, de dia, e com a coluna de fogo à noite
cap. 9.15-23.
5. As duas trombetas para chamar o povo a reunir-se, 10.1-10.

II. VIAGEM DO SINAI À MOABE, Capítulos 10.11 a 21.35.

A. EXPERIÊNCIAS DA VIAGEM DO SINAI A CADES-BARNÉIA, NO DESERTO


DE PARÃ, Capítulos 10.11 -1 2 .1 6 .

1. Ordem da m archa para o povo sair do Sinai, cap. 10.11-36.


2. O povo murmura contra o Senhor e são castigados, caps. 11.1-3.
3. Queixa da multidão mista (ver Êxodo 12.38), por causa da falta de carne,
11.4-9. Nota-se que o povo de Israel queixou-se primeiramente de Deus, e logo a
multidão mista, que os acompanhara desde o Egito, também começou a reclamar.
O testemunho dos israelitas era o oposto do que deveria ser. Que lições estão
encerradas nesse relato, para a Igreja de Cristo?
4. Oração de Moisés a Deus, pedindo-Lhe ajuda na responsabilidade, e o
Senhor dá de Seu Espírito sobre setenta anciãos do povo, 11.10-29. Por que não há
mais obreiros hoje em dia que tenham a mesma atitude de Moisés, que desejava
que todos os israelitas tam bém tivessem a plenitude do Espírito Santo a fim de
poderem pregar, conforme aparece em 11.10-29?
5. O Senhor envia codornizes da parte do mar para que o povo comesse
carne, mas castiga aos glutões com a morte, 11.30-34. As aves voavam a mais ou
menos a uma altura de um metro da terra, para que o povo pudesse apanhá-las;
não que form assem uma m assa sólida do solo até à altura de mais ou menos um
metro, como alguns pensam que deve ser a interpretação dessa passagem a fim de
zombarem da Bíblia. Deve-se notar que comer carne, não é coisa má em si mesmo,
mas foram as queixas contra Deus, e a cobiça de carne, e o dar rédeas soltas aos
apetites desenfreados que constituíram o pecado que Deus castigou.
6. O povo chega a Hazerote, onde M iriã e Arão falaram contra Moisés, 11.35
-1 2 .1 5 . M iriã foi castigada com lepra, e Arão confessou seu pecado. Então Moisés
rogou ao Senhor, e Miriã foi sarada; porém, teve que ser separada do acampam en­
to por uma semana. Que lição acha-se aqui, para o obreiro do Senhor hoje em dia?
Devemos meditar sobre a atitude e o comportamento de Moisés, e sobre Quem foi
que o justificou, mais ainda do que sobre o castigo imposto a Miriã.
7. O povo se desloca de Hazerote a Cades, no deserto de Parã, 13.1 (12.16).

B. EXPERIÊNCIAS EM CADES-BARNÉIA, Capítulos 13 e 14.

1. Por ordem do Senhor, Moisés envia um homem de cada tribo para reco
nhecer a terra de Canaã, 13.2-26.
2. Os exploradores (ou espias) voltam depois de quarenta dias e prestam
suas declarações: a terra, verdadeiramente, flui leite e mel, porém, ali vivem os
gigantes! Calebe e Josué, porém, exortam o povo para que tenha fé em Deus e suba
para conquistar a terra, mas o povo crê antes nos dez que deram más informações
sobre a terra e se recusa a subir, 13.27 - 14.10. Quantos crentes "covardes" (v. 34)
há hoje em dia, temerosos de empreender algo para o Senhor, por temer aquilo
que consideram gigantes obstáculos!
3. O povo, então, é condenado por Deus a vaguear no deserto até se cumpri­
rem quarenta anos, e até se consumiram no deserto todos os homens de vinte
anos de idade para cima, que por causa de sua incredulidade não quiseram entrar
com Deus na terra prometida, 14.11-39.
4. Tarde demais, alguns dentre o povo presumiram poder subir sozinhos
para efetuar a conquista da terra, mas são derrotados no prim eiro encontro,
14.40-45.

C. DE CADES A MOABE, 38 ANOS DE PEREGRINAÇÕES, Capítulos 15 a 21.

1. Leis a respeito dos sacrifícios, a mesma lei para o natural e para o estran­
geiro, 15.1-31.
2. O castigo do hom em que desobedecesse a lei do sábado, 15.32-36.
3. A lei sobre fazer franjas nas bordas das vestimentas, como recordação de
que eles mesmos estavam circundados pelos mandamentos do Senhor, 15.37-41.
4. Rebelião de Core e outros levitas contra Moisés e Arão, cap. 16. Elias e
Enoque são os dois personagens sobre os quais a Bíblia se refere, de que subiram
ao céu sem passar pela experiência da morte física (Gênesis 5.24; 2 Reis 2.11), mas
este é o único caso em que algumas pessoas desceram vivas ao abismo (ou sheol,
palavra hebraica que significa "lugar dos m ortos"). Onde será o inferno, de con­
formidade com os versículos 31 a 33 desse capítulo, e segundo Isaías 14.9; Salmo
16.10 e Mateus 12.40?
5. Prova de que Deus havia escolhido a família de Arão para ministrar dian­
te d'Ele, capítulo 17. A vara de Arão floresce e é guardada na Arca (Hebreus 9.4).
6. Regras que dizem respeito ao serviço e remuneração dos levitas, e às águas
da purificação caps. 18 e 19.
7. O povo chega novam ente a Cades-Barnéia; morte de Miriã, 20.1.
8. Agua da rocha é dada ao povo, 20.2-13. O povo havia clamado pedindo
água; Moisés e Arão oraram a Deus, que lhes ordenou q u e falassem com a rocha (v.
8); os dois reuniram a congregação diante da rocha e disseram: "Ouvi, agora,
rebeldes, porventura farem os sair água desta rocha para vós outros?" (v. 10).
Além disso, Moisés desobedeceu a Deus, ferindo a rocha por duas vezes, em lugar
de falar com a rocha, porém o Senhor, em Sua misericórdia, concedeu água para o
povo e em seguida pronunciou o castigo que seria aplicado a Moisés e Arão, cas­
tigo esse que era o de não terem o privilégio de introduzirem o povo na terra
prometida (versículo 12).
9. Os edomitas não permitem que os israelitas atravessem seu país, 20.14-
21.
10. O povo chega ao monte Hor, onde falece e é sepultado Arão; seu filho,
Eleazar, torna-se o sumo sacerdote, 20.22-29.
11. Israel derrota os cananeus, o rei de Arade, 21.1-3.
12. Praga das serpentes ardentes, 21.4-9. A m ordida das serpentes era fatal.
O único remédio era olhar para a serpente de bronze. A luz de João 3.14,15 vemos
que essa serpente de bronze não era idolatria (visto que o povo não a adorava),
mas antes, servia como ensino profético, preparando o povo para a vinda do
Redentor divino. Lendo-se primeiramente João 3.14, 15; 2 Coríntios 5.21 e Atos
4.12, de quantas maneiras é simbolizado o Cristo crucificado?
13. Os israelitas continuam sua peregrinação em direção ao rio Jordão, 21.10-
35. Cântico do poço, em Beer (versículos 17, 18). Vitória sobre os amorreus e a
possessão de sua terra pelos israelitas, versículos 21 a 32. Vitória de Israel sobre
Ogue, rei de Basã, versículos 33 a 35 (Deuteronômio 3.1-17).

III. PREPARATIVOS PARA ENTRAR EM CANAÃ, Capítulos 22 a 36.

A. O PECADO DE BALAÃO, Capítulos 22 a 24.

1 .0 temor infundado de Balaque, rei de Moabe, e sua consulta com os anciãos


de Mídia, 22.1-4. Os israelitas achavam -se à beira do rio Jordão, com o rosto
voltado para Canaã, sem ao m enos pensar em pelejar contra os moabitas.
2. A prim eira comissão enviada a Balaão, 22.5-14. O fato que a Bíblia se
ocupa mais dos israelitas, de Gênesis, capítulo doze, em diante, não significa que
Deus não tivesse certas testemunhas entre as nações pagãs, ou que não amasse a
todo o mundo e não desejasse sua salvação. Balaão era um adivinho que tinha
surpreendente conhecimento de Deus e da maneira de aproximar-se d'Ele por
meio de sacrifícios perfeitos. Não obstante, era um profeta muito carnal, cobiçoso
de honrarias e riquezas, preferindo essas coisas à glória de Deus. O que fazia para
Deus era quase como uma obrigação, visto que Deus o proibia de amaldiçoar o Seu
povo. Se Balaão tivesse sido um profeta legítimo, teria despedido imediatamente
os mensageiros de Balaque, com uma redonda negação, desde o mom ento em que
soube que Israel era uma nação abençoada por Deus.
3. Segunda comissão enviada por Balaque e ida de Balaão a Moabe, 22.15-38.
Deus permitiu que o adivinho fosse dessa vez, sob a condição de que nada dissesse
contra Israel (versículo 20). No caminho, Balaão tinha os olhos tão fixos na recom ­
pensa material de Balaque que não viu o Anjo do Senhor, que viera para adverti-
lo novamente para que tivesse o cuidado de nada dizer contra Israel, senão aquilo
que Deus lhe ordenasse. O jum ento sobre o qual Balaão ia montado, percebeu
mais que o falso profeta, e um jum ento repreendeu a loucura do profeta (2 Pedro
2.15, 16). Quando Balaão confessou seu injusto procedimento, Deus abriu seus
olhos (versículo 31). Deus exortou novam ente a Balaão para que se submetesse ao
que Deus lhe dissesse, e ordenou-lhe que prosseguisse caminho, pois o Senhor
tinha a intenção de transformar a maldição em bênção, (Deuteronômio 23.5; Josué
24.10; Neemias 13.2), e assim glorificar ao Seu santo nome.
4. Por três vezes Balaão bendiz a Israel, 22.39 - 24.9
5. Balaão profetiza a vitória de Israel sobre Moabe, Edom e Amaleque, e fala sobre
a ESTRELA que sairia de Jacó, que seria contemplada por todos, ainda pelo que
estivesse mais distante, 24.10-25.

B. O PECADO DE ISRAEL, Capítulo 25.

Fornicação carnal (versículo 1) e fornicação espiritual (versículo 2). Mesmo


um príncipe de Israel não podia fornicar com uma princesa midianita, pois isso
afetaria o povo inteiro; pelo que também foram ambos mortos, cessando assim a
praga. Faça-se uma com paração de Números 25.17 com Romanos 12.21 e Mateus
28.18-20. Que grande diferença há entre Israel, que estava debaixo da lei, e a Igreja
que está sob a graça?

C. O SEGUNDO RECENSEAMENTO DO POVO, Capítulo 26.

Demonstrou um total de 601.730, sem contar os levitas. Compara-se isso


com o primeiro recenseamento. Qual foi a tribo que mais diminuiu em número, e
qual a que mais aumentou?

D. VÁRIAS LEIS E NOVAS REVELAÇÕES, Capítulos 27 a 30.

1. Sobre a herança das filhas, cap. 27.


2. Sobre o holocausto contínuo e sobre as ofertas feitas durante as festivida­
des religiosas, caps. 28 e 29.
3. Sobre os votos feitos pelas filhas ou esposas, cap. 30.

E ISRAEL DERROTA OSMIDIANITASPOR ORDEM DO SENHOR, EREPARTE


OS DESPOJOS, Capítulo 31.

F. AS TRIBOS DE RÚBEM E GADE, E A METADE DA TRIBO DE MANASSÉS,


RECEBEM POR HERANÇA AS TERRAS CONQUISTADAS AO LESTE DO RIO
JORDÃO, mas antes prometem enviar seus homens armados para ajuda­
rem seus irmãos na conquista de Canaã, capítulo 32. O versículo 23 encerra
famosa declaração de um a lei espiritual: "Porém , se não fizerdes assim, eis
que pecastes contra o Senhor; e sabei que o vosso pecado vos há de achar".
N ota-se que esse trecho fala sobre um pecado de omissão, ou seja, o de saber-
se fazer o bem mas não praticá-lo (Tiago 4.17).

G. RESUMO DOS QUARENTA ANOS DE PEREGRINAÇÃO DOS ISRAELITAS,


Capítulo 33.
H ORDENANÇAS SOBRE A REPARTIÇÃO DA TERRA DE CANAÃ, Capítulos
34 a 36.

1. Os termos da terra que os israelitas haveriam de herdar, 34.1-15.


2. Os hom ens que teriam a responsabilidade de repartir os terrenos são
apontados, 34.16-29.
3. As cidades de refúgio que seriam entregues aos levitas, bem como as leis
relativas ao seu uso, cap. 35.
4. Regras para o casamento das filhas possuidoras de heranças, cap. 36.

EM RESUM O - O livro de Números deriva seu nome das duas enumerações


do povo, a primeira quando o povo se encontrava no monte Sinai, e a última ao
fim dos quarenta anos de peregrinações dos israelitas.
I. Preparativos do povo para sair do Sinai: o recenseamento; novas leis de
segregação, etc.; as ofertas das tribos e a celebração da Páscoa, 1.1 a
10. 10.
II.Do m onte Sinai a M oabe: o povo e a m ultidão m ista se queixam
amiudadas vezes; as codornizes; a rebelião de Miriã e Arão; os espias
trazem informações desalentadoras; por falta de fé os israelitas se recu­
sam a entrar na terra de Canaã e são condenados a vaguear por quaren­
ta anos pelo deserto; a rebelião de Core e seus seguidores; água tirada da
rocha; a praga das serpentes ardentes; chegada em Moabe, 10.11 a 21.35.
UI. Preparativos do povo para entrar em Canaã: a maldição de Balaão é
tran sform ad a em bên ção; forn icação do povo com as m oabitas e
m idianitas; o segundo recenseam ento; a vitória de Israel sobre os
mídianitas e a repartição das terras além do rio Jordão, caps. 22 a 36.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Quais foram os propósitos de Deus ao mandar fazer os dois recenseamentos


do povo?
2. Explique a maneira do Senhor orientar o povo israelita pelas suas jornadas.
3. Havia alguma desculpa para o povo de Israel queixar-se tão depressa e tão
amiudadas vezes contra Deus e contra Moisés? Se tivéssem os visto com
nossos próprios olhos tantos milagres como aqueles, comportar-nos-íamos
de igual maneira?
4. Em Hebreus 3.7-19 há uma forte exortação baseada sobre a experiência dos
israelitas ao entrarem em Canaã. Crê você que os sentimentos de Deus ex­
pressos nessa passagem, são justificados?
5. Ensinam as Escrituras em alguma parte que as almas dos que morreram no deserto
estão eternamente perdidas, ou que perderam simplesmente suas vidas?
6. Qual experiência dos anos de peregrinação lhe tem impressionado mais?
7. Quantos adultos havia vivos, em ambos os recenseamentos do povo? E por
que foram feitos esses recenseamentos?
(^apífttlo 15

QUINTO LIVRO DE MOISÉS,


CHAMADO DEUTERONÔMIO

Jesus Cristo, o Salvador, nos dias de Sua carne, manifestou apreço altíssimo
por esse livro de Deuteronômio, e uma confiança sobremaneira notável em suas
verdades, quando citou somente desse livro passagens em Sua defesa contra os
ataques de Satanás, na tentação do deserto. As seguintes referências provam o
que afirmamos: Deuteronôm io 6.13 com Mateus 4.10 e Lucas 4.8; Deuteronômio
6.16 com Mateus 4.7 e Lucas 4.12; Deuteronômio 8.3 com Mateus 4.4 e Lucas 4 .4 .0
Senhor tem sido por isso comparado a Davi, que escolheu uma de cinco pedras, e
com essa só matou o gigante (1 Samuel 17.40,49). Não menos forte é Sua aprova­
ção no livro de Mateus 22.36-38, onde cita Deuteronômio 6.5 com o primeiro e
grande mandamento: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a
tua alma, e de todo o teu entendim ento". Deuteronômio 18.18 comparado com
João 5.46 e 17.8 é uma referência direta de Moisés a Cristo, e de Cristo a Moisés.
Os apóstolos fizeram muitas referências ao livro de Deuteronômio, de tal
maneira que não há dúvida que era considerada por eles como obra autoritária,
inspirada por Deus e escrita por Moisés. Em Atos 3.22 e 7.37 há referências a
Deuteronôm io 18.15,18; em Romanos 2.28, 29 vemos referência a Deuteronômio
10.16 (veja-se tam bém Colossenses 2.11). Em Hebreus 12.29 é dito que Deus é um
fogo consumidor, citando Deuteronômio 4.24 e 9.3; em Romanos 12.19 e Hebreus
10.30 lemos que a vingança pertence a Deus, verdade essa que é declarada pela
primeira vez em Deuteronôm io 32.35. Além dessas referências, há várias outras
que falam de distintas coisas na lei que são repetidas, como "N ão atarás a boca ao
boi, quando debulha" (Deuteronômio 25.4; 1 Coríntios 9.9; 1 Timóteo 5.18). A his­
tória relatada em Judas 9, em que o arcanjo Miguel disputa com o diabo a respeito
do corpo de Moisés, teria pouca significação para nós se não fosse o último capítu­
lo do livro de Deuteronômio. Veja-se também Deuteronômio 31.24-26.
Este livro tem o nome de Deuteronômio, que significa "Segunda lei". A neces­
sidade de ser repetida a lei pode ser percebida ao compreendermos: ( l 2) que todos
os homens que saíram do Egito e viram a maneira majestosa com que Deus entre-
gou a lei ao povo, tinham falecido, com exceção de Calebe e Josué. Mui poucos dos
que ouviram o discurso de Moisés poderiam recordar-se ainda da primeira oca­
sião; (2L>) que o povo havia provado ter dura cerviz, isto é, era empedernido em
sua teimosia, e estava pronto para esquecer-se da lei e das promessas de Deus.
Agora, com a terra prometida à vista, era boa hora de relembrar-lhes que Deus
era Aquele que havia feito a promessa e que os tinha trazido fielmente até ali; (3S)
que desde sua entrada na terra de Canaã transformar-se-ia sua vida econômica e
social; pois, na segunda vez em que a lei é expressa, lemos a respeito de "cidades",
em lugar de "acam pam ento"; em alguns outros pontos a lei foi modificada, como
por exemplo, em Levítico 17.3,4, onde fora proibido terminantemente que algum
israelita m atasse um animal para alimentar-se, dentro do acampamento; antes,
os israelitas tinham que trazer o animal que deveria ser abatido no Tabernáculo
e deveriam doar a porção que cabia ao Senhor. Porém, em Deuteronômio 12.15,16
os israelitas foram desobrigados dessa norma, e daí por diante podiam matar e
comer os animais limpos, em todas as cidades, quantas vezes o quisessem, contanto
que não comessem sangue.
Este livro cobre cerca de dois meses de história (Comparar Deuteronômio
1.3 com Josué 4.19). Os próprios discursos não tomariam mais que algumas ho­
ras, é verdade, porém, o último capítulo fala de trinta dias de luto por Moisés. O
livro se compõe de diversos discursos ditados por Moisés, e são seus últimos
conselhos e seu último testemunho ao povo que ele havia conduzido do Egito e
liderado, sob Deus, por quarenta anos. A cena do capítulo 34, em que se vê Moisés
a sós com Deus, no cume do monte Nebo, que está defronte de Jericó, é muito
comovente. O Senhor lhe mostrou toda a terra, tão extensa e tão fértil, e lhe repe­
tiu a promessa de que a daria aos filhos de Jacó; Moisés conservava as mesmas
forças e faculdades de sua juventude, porém, não podia entrar em companhia do
povo. Séculos mais tarde, M oisés entrou para um a entrevista com o Messias, em
toda a Sua glória (Lucas 9.30,31). Se foi Josué ou algum outro contem porâneo que
escreveu esse último capítulo, e não o próprio Moisés, isso não significa que Moisés
não tenha sido o autor humano do livro de Deuteronômio ou de todo o Pentateuco.
Moisés profetizou acerca do Redentor, que só veio uns quinze séculos mais tarde.
Foi Deus Quem inspirou toda essa obra composta de cinco livros, pelo que não era
impossível que o próprio Moisés tenha escrito esse curto último capítulo; porém,
o mais natural é crer que Deus tenha usado um outro qualquer para descrever-
nos a interessante história da morte de Moisés, nos braços do Senhor, bem como
de sua sepultura desconhecida.
O livro de Deuteronômio é muito mais que mera repetição da lei que foi dad
no m onte Sinai. Alguém já disse com ênfase que "recorda o passado com a vista
voltada para o futuro". O livro todo é um tratado divino sobre obediência. Moisés já
tinha evidência tangíveis de que a nova geração não se compunha de pessoas
melhores que seus pais, e sabia que tudo dependia da obediência - a própria vida;
a possessão de Canaã; a vitória sobre os inimigos; a prosperidade e o desfrutamento
da terra. Por isso, é que, com toda força do seu ser ardente, o idoso líder argüiu
com a nova geração. Ele lhes chamava a atenção para o fato de que Deus desejava
que fossem obedientes (5.29) porque eram Seus (1.30; 14.1), e os amava (4.37; 7.7,
8); desejava preservá-los e torná-los prósperos (4.1, 40; 5.29; 6.2,3 e 24 etc); e que
por gratidão a Deus, devido à Sua m aravilhosa graça, amor, m isericórdia e privi­
légios que lhes foram outorgados, eles deveriam render-lhe tal obediência (4.7,8 e
33; 5 - 6 ; etc.). Toda a força e beleza desse livro só podem ser descobertas mediante
a leitura corrida do livro, de um a vez só. Trata-se de um apelo emocionante e
comovedor.
rim ite rn n A m in to m c i r l n a t a r n r l n m pn 'c f p r n í m p n f p n o l n c r r í t i r n c r ta " F e r n i a

da A lta C rítica ", que qualquer outro livro da B íblia. A data da escrita., de
Deuteronôm io é um a questão decisiva do alta crítica do Antigo Testamentc
críticos declaram que o livro não foi escrito por Moisés, mas por alj
escritor qualquer, ou escritores desconhecidos, pelo m enos 600 anmafâp
Moisés, porque segundo às alegações dos mesmos críticos, o i
grande parte para glorificar o sacerdócio em Jerusalém !icular, para
estabelecer Jerusalém como o centro, e seu altar coiOa o ^ iceitável para a
adoração de Jeová". Com o é, então, que o nome J&tmsâijáí i se encontra no
livro de Deuteronômio, nem tampouco uma w gU cv ely qu Iquer dos livros de
Moisés? Relembrando-nos do uso que o S e r' : do livro de Deuteronômio
não é de estran h ar o ódio que Satanás lêvóta nem seus esforços para
desacreditá-lo.
Todos concordam que o livro delím íteronôm io seja composto de vários dis­
cursos feitos por Moisés, po/ám>, pequena diferença nas divisões, entre um
com entarista e outro. esboço abaixo:

sobre as peregrinações de Israel e a paciência de Deus,


1 .1 -4 .4 3 .
tejitórização sobre as leis do Sinai, Capítulos 4.44 - 11.32.
i especiais para serem observadas em Canaã, Capítulos 12 a 26.
Obediência, desobediência, e suas conseqüências, Capítulos 27 e 28.
O pacto de Deus quanto à Terra Prometida, Capítulos 29 e 30.
A última exortação e o cântico de Moisés, Capítulos 31 e 32.
Bêr 5ão de Moisés aos isra = as, Capí _._
Suplemento: morte e sepultamento de Moisés, Capítulo 34.

I. REM EM O RIZA Ç Ã O SO BR E AS PEREG RIN A ÇÕ ES DE ISR A EL E A PA­


CIÊN CIA DE D EU S, Capítulos 1.1 - 4.43.

A. INTRODUÇÃO - O LUGAR E O TEMPO, 1.1-5.

B. REMEMORIZAÇÃO DAS PEREGRINAÇÕES, 1.6 - 4.40

1. Viagem até Cades, e o fracasso verificado ali, 1.6-46.


2. As peregrinações: paz com Moabe e Amom, mas vitória sobre Seon e Ogue,
ficando ocupada Hesbom e Basã, capítulos 2 e 3.
3. Reflexões e exortações baseadas na história recordada, 4.1-40. É um privi­
légio muito grande ter um Deus que sustenta uma íntima relação com Seu povo, e
que ouve e responde às suas orações (versículos 7 e 8). Conhecer esse Deus dá-nos
a responsabilidade de nos guardarmos para Ele e de ensinar a nossos filhos a
obedecê-Lo também (versículo 9). A idolatria é proibida porque Deus é vivo e
pode falar com eles (versículos 10 a 40). No versículo 37 encontra-se a primeira
declaração de que Deus ama às Suas criaturas.

C. CIDADES DE REFÚGIO, Capítulos 4.41-43.

II. REMEMORIZAÇÃO SOBRE AS LEIS DO SINAI, Capítulos 4.44 -11.32.

A. INTRODUÇÃO AO SEGUNDO DISCURSO, 4.44-49. Talvez esse discurso te­


nha incluído tam bém a divisão seguinte, isto é, até o capítulo 26; porém, esta
parte refere-se à lei dada no Sinai, repetida para a nova geração.

B. OS DEZ MANDAMENTOS DADOS NO SINAI, E EXORTAÇÕES,


Capítulos 5 e 6.

1. Moisés foi o m ediador do pacto entre o Senhor e os israelitas, 5.1-5.


2. Os dez mandamentos, 5.6-22. Nota-se um novo motivo para ter sido dado
o mandamento do sábado semanal: para celebrar o descanso da nação depois de
ter sido libertada da escravidão no Egito (5.14,15). Esse propósito não tem qual­
quer ligação com os crentes em Cristo de nossos dias. Nem nossos pais nem nós
fomos libertados do Egito por Moisés. Celebram os o primeiro dia da semana
porque foi nesse dia que Jesus Cristo saiu da sepultura, e descansamos em Sua
obra de redenção, efetuada por meio de Sua morte, sepultamento e ressurreição (1
Coríntios 15.3, 4; Romanos 4.25; 5.1; Gálatas 5.1).
3. Exortações aos israelitas para que amassem a Deus de todo coração, que
não O tentassem, ao mesmo tempo em que são dados mandamentos que ordenam
que os israelitas deveriam ensinar essas leis aos seus filhos, capítulo 6 .0 capítulo
6.4 é uma declaração de um a eterna verdade, porém, deve-se compreender que a
mesm a não exclui a verdade da Triunidade; bem ao contrário, exige que assim
seja. O nome "D eu s", usado naquele versículo encontra-se no plural, no hebraico
- "Elohim " - e a palavra "u m " é a mesma palavra usada em Gênesis 2.24, em que
Deus diz que o hom em e sua m ulher seriam "um a só carne". Não se trata de uma
unidade, mas antes de um composto, de uma união.

C. EXORTAÇÕES À OBEDIÊNCIA, Capítulos 7 a 11.

1. Aos israelitas é ordenado que destruam as nações de Canaã, para que nã


se contaminem com suas idolatrias, cap. 7.
2. Ao entrar na posse da terra prometida e conseguirem prosperidade, devi­
am relembrar-se de suas experiências no deserto e não se esquecerem dos casti­
gos sofridos, enaltecendo seu coração, cap. 8.
3. Era devido à compaixão e à fidelidade de Deus à Sua aliança que os israelitas
se encontravam na terra, e não por sua justiça própria, 9.1 - 10.11.
4. Exortações para que fossem obedientes, a fim de prosperarem em Suas
bênçãos, e evitarem a m aldição, 10.12 - 11.32.

III. LEIS ESPECIAIS PARA SEREM OBSERVADAS EM CANAÃ,


Capítulos 12 a 26.

A. ORIENTAÇÕES PARA ISRAEL OBSERVAR, Capítulos 12.1 a 16.17.

1. Quanto aos sacrifícios no lugar devido, cap. 12.


2. Quanto à necessidade de destruir todos os que quisessem desviá-los para
a idolatria, cap. 13.
3. Para que não observassem as práticas pagãs das nações ao seu redor, mas
que observassem a lei, 14.1 - 16.17.

B. ORDENANÇAS PARA O ESTABELECIMENTO DO ESTADO TEOCRÁTICO,


Capítulos 16.18 - 26.19.

1. Nom eação dos juizes e seus deveres de julgarem aos malfeitores, 16.18 -
17.13.
2. Eleição de um rei, por parte do Senhor, e seus deveres, 17.14-20.
3. Os levitas e os falsos profetas, cap. 18.
4. Regras sobre a santidade de vida, 19.1-13; sobre a propriedade, 19.14-31;
e sobre os deveres na guerra, caps. 20 e 21.
5. Deveres sociais e domésticos, caps. 22 a 25.
6. As leis das primícias, cap. 26.

IV. OBEDIÊNCIA, DESOBEDIÊNCIA, E SUAS CONSEQÜÊNCIAS,


Capítulos 27 e 28.

A. ORDEM DE SER ESCRITA A LEI SOBRE PEDRAS, NO MONTE EB AL, 27.1-10.

B. SEIS TRIBOS NO MONTE GERIZIM DITARIAM AS BÊNÇÃOS, E SEIS NO


MONTE EB AL PRONUNCIARIAM AS MALDIÇÕES, 27.11-26.

C. MOISÉS EXPÕE AS CONDIÇÕES DA OBEDIÊNCIA E OS RESULTADOS DA


DESOBEDIÊNCIA, Capítulo 28.
V. PACTO DE DEUS QUANTO À TERRA PROMETIDA, Capítulos 29 e 30.

M oisés renova a aliança da lei com o povo, porém, aqui são incluídas as
condições de um novo pacto, geralmente chamado de Pacto Palestiniano, porque
as condições para os israelitas possuírem e permanecerem na terra, são dadas
aqui? Se desobedecessem seriam desterrados por algum tempo, mas seriam fi­
nalmente restaurados (29.1,12,13,24-28; 30.1-5).

VI. A ÚLTIMA EXORTAÇÃO E O CÂNTICO DE MOISÉS, Capítulos 31 e 32.

A. AS ÚLTIMAS OBRAS DE MOISÉS, Capítulo 31. Exortações (1-6); Josué é insta­


lado como seu sucessor (7 ,8 ,2 3 ); Moisés termina a escrituração dos livros da
lei e os entrega nas mãos dos levitas, para que fossem lidos ao povo 99-13,
24-30); o Senhor anuncia a Moisés a sua morte e prediz, em traços rápido,s a
futura história do povo israelita (14-22).

B. CÂNTICO DE MOISÉS, Capítulo 32.

VII. BÊNÇÃO DE MOISÉS AOS ISRAELITAS, Capítulo 33.

Nota-se neste capítulo a menção de "m iríades de santos", ou anjos, que esta­
vam com o Senhor, no monte Sinai, quando Deus entregou a lei a Moisés (33.2;
Atos 7.53; Gálatas 3.19; Hebreus 2.2; Apocalipse 5.11). A lei é chamada aqui de
herança (versículo 4; Salmo 119.111). "O Deus eterno é a tua habitação, e por
baixo de ti estende os braços eternos" são palavras que têm consolado milhares
de pessoas (versículo 27).

VIII. SUPLEMENTO: MORTE E SEPULTAMENTO DE MOISÉS, Capítulo 34.

Este capítulo é maravilhoso. Nenhum hom em jam ais poderia criar os deta­
lhes aqui relatos: Deus mostrou a Moisés toda a extensão da terra prometida;
Moisés faleceu ali, aos cento e vinte anos de idade, mas com todo o vigor de sua
juventude; Deus mesm o o sepultou em um vale. Todas essas coisas são pensa­
mentos dignos de Deus para Seu servo Moisés.
EM RESUM O - O título, "Deuteronôm io", significa: "Segunda Lei", e trata-se
de um livro bem autenticado pelo testemunho do Senhor e dos apóstolos.

I. Rememorização das peregrinações, com as lições aprendidas, 1 .1 -4 .4 3 .


II. Rem emorização da lei do Sinai, com exortações fervorosas à obediên­
cia, 4.44 a 11.32.
UI. Leis especiais para serem observadas em Canaã: quanto à obrigação de
sacrificar no lugar marcado; quanto ao resguardar-se da idolatria; quan­
to ao dirigir-se como nação governada por Deus, capítulos 20 a 26.
IV. A obediência, a desobediência, e suas conseqüências: o monte Gerizim
para bênção, e o m onte Ebal para maldição, capítulos 27 e 28.
V. O Pacto Palestiniano: os judeus podem possuir a terra prometida en­
quanto obedecerem a lei; se desobedecerem, serão castigados e dester­
rados, mas finalmente restaurados, capítulos 29 e 30.
VI e VII. Ultimas exortações, cântico e bênção de Moisés; sua morte nos braços
de Deus, capítulos 31 a 34.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Quais os propósitos que levaram Moisés a repetir a lei ao povo?


2. Que nova razão é dada em Deuteronômio para os israelitas observarem a
guarda do descanso sabático semanal, e em que isso nos afeta?
3. Desejaria você ter vivido debaixo da obrigação de observar as leis judaicas
de Moisés, que prometem prosperidade em caso de obediência e maldição
em caso de desobediência? - ou antes sente gozo e gratidão em seu coração
por viver nesta era da graça, em que a única condição para a salvação da
alma é a fé em Jesus Cristo?
(Capítulo 16

LIVRO DE JOSUÉ

O Senhor Jesus Cristo fazia referência a esses livros históricos quando falou
dos "profetas", em Lucas 24.44, visto que os judeus chamavam os livros de Josué,
Juizes (com Rute), Samuel e Reis, de "profetas anteriores". Os demais livros dos
doze livros históricos faziam parte da divisão que os israelitas chamavam de
"Escrituras" ou "os Escritos". Estes doze livros fornecem a história de Israel, des­
de a morte de Moisés até o tempo de Neemias, que é o fim da história relatada no
Antigo Testamento. Aqui encontra-se o relato da conquista de Canaã; dos dias de
debilidade e de duras servidões durante a época dos juizes; da formação do reino
e da grande prosperidade que houve sob Davi e Salomão; da divisão do reino, sua
degeneração e derrota, que resultou no cativeiro; do regresso e da reedificação do
Templo, em preparação para a vinda do Messias.
E interessante repetir aqui as características e os propósitos desse relato
bíblico. Em primeiro lugar, não pretende contar a história do mundo inteiro, nem
mesmo tudo que se passou com o povo escolhido. Alguém já disse, e muito bem,
que a Bíblia é uma seleção da história do povo, justamente o suficiente para in­
cluir princípios de conduta, para revelar o caráter de Deus e para preparar o
caminho para a vinda de Seu Filho. Grandes acontecimentos políticos no mundo
são deixados de lado, a não ser que tenham relação com o povo de Deus, em Sua
revelação das verdades divinas. Não existe tema demasiadamente humilde para
os escritores sagrados, contanto que esteja ligado á revelação do caráter ou do
plano de Deus (o livro de Rute; a viúva de Sarepta, etc.). Daniel fala da queda do
grande reino da Babilônia sem mencionar seus pormenores ou significação polí­
tica, porém, salienta detalhes íntimos que dizem respeito à relação do monarca
babilónico com Deus. Temos, por conseguinte, uma história espiritual, um relato
completo daquilo que, como homens, devemos saber para chegar a uma reta
relação com Deus.
O Senhor Jesus Cristo tinha, durante os dias de Sua encarnação, o mesmo
nome do líder Josué. Em hebraico, o nome "Josué" significa "salvação", ou "Salva­
dor", sendo uma contração de "Jehosué", que significa "Jeová é salvação". "Jesus",
o nome humano do Senhor, quer dizer, em grego: "Salvador", sendo a tradução do
nome Josué. No capítulo quatro do livro aos Hebreus, lemos a respeito do descan­
so que Josué deu aos israelitas, que foi um descanso insuficiente, porém, Jesus, o
Filho de Deus, é um Sumo Sacerdote poderoso que dá descanso e segurança sob
todas as circunstâncias.
Os apóstolos tam bém citaram esse livro quando repassavam a história de
Israel porque, sem esse livro, haveria um vácuo bem grande em nosso conheci­
mento sobre a obra de Deus através dos séculos. Eis algumas referências do Novo
Testamento sobre a história de Josué: Tiago 2.25, cita capítulo dois de Josué; Hebreus
11.30,31, de Josué 6.20-23; Atos 13.19 de Josué 14.1,2; Atos 7.16 e Hebreus 11.22 de
Josué 24.32.
O livro toma o título do nome de seu herói, Josué, que foi o autor da maior
parte do livro. Segundo a tradição judaica, Josué escreveu o livro inteiro com
exceção dos últimos cinco versículos. Há quem diga que o autor foi Eleazar, ou
talvez seu filho Finéias (Josué 24.33); outros dizem que talvez tenha sido Samuel.
O certo é que foi escrito antes do estabelecimento da monarquia. Em Josué 6.25
lemos, entretanto, que Racabe ainda estava viva, de modo que essa porção, pelo
menos, foi escrita por um contemporâneo, e não por Samuel. O relato da destrui­
ção de Jericó foi escrito por um a testemunha ocular, porque só alguém que esti­
vesse presente poderia fornecer detalhes escritos (6.20-23). Em Josué 16.10 lemos
que os israelitas não dominaram os cananeus de Gezer, mas que estes permane­
cem até "h oje"; e em 1 Reis 9.16 lemos que Faraó saiu do Egito e tomou a Gezer, e
matou os cananeus, de modo que Josué foi escrito antes do tempo de Salomão. Em
Josué 11.8 e 19.28 Sidom é chamada de "a grande", mas, no ano de 1.208 antes de
Cristo, Sidom foi conquistada pelos fenícios, e a capital foi transferida para Tiro.
Isso só poderia ter sucedido bem antes de Davi, e mesmo antes de Saul. Em Josué
13.4-6 Sidom acha-se na lista dos inimigos de Israel, porém, em 1 Reis 5.1 vemos
que os sidônios eram amigos de Davi. Compare-se também Josué 15.63 com 2
Samuel 5.6-9.
Josué era filho de Num (Josué 1.1), da tribo de Efraim (1 Crônicas 7.22,27); foi
um dos doze espias que entraram em Canaã (Números 13.9, com o nome de Oséias);
era homem espiritual ("hom em em quem há o Espírito", Números 27.18); compa­
nheiro e auxiliar de Moisés, subiu com ele ao monte Sinai; custodiava continua­
mente o Tabernáculo (Êxodo 24.13; 32.17; 33.11); foi designado por Deus para
assumir o comando depois de Moisés (Deuteronômio 31.14, 23); era bom general
(Josué 10.9, 18, 19; etc.); era hom em de fé e oração (Números 14.6-9; Josué 10.12,
13); magistrado firme e discreto (Josué 7.19; 17.14-18); e diligente em repartir os
despojos com eqüidade (Josué 19.49-51); porém, a característica mais notável era
sua humildade. Nos últimos dois capítulos do livro ele fala com o povo, mas
apenas menciona o fato de que era general e líder, mas dá toda a glória a Deus.
Há dois particulares no livro que para alguns constituem problemas, espe­
cialmente para os que não são crentes: os milagres e o mandamento que Deus deu
de exterminar aos habitantes de Canaã e ocupar-lhes a terra. Os milagres estão
intimamente relacionados com a conquista, e são provas de que Deus ajudava os
israelitas contra seus inimigos. O fato é que Deus usou os israelitas como verdu­
gos oficiais para executar a sentença de morte contra os cananeus. Não procura­
remos evitar a dificuldade tentando suavizar um pouco os fatos, porque, em
Deuteronômio 20.16-18, Deus ordenou, em termos inequivocamente claros, que
os israelitas destruíssem por completo a todas aquelas nações, e é nessa passa­
gem também que encontramos o motivo dessa ordem de extermínio.
Em Josué encontramos a história da introdução do povo escolhido na terra
escolhida por Deus, para estabelecer ali a verdadeira religião, na cidade para isso
selecionada. Em vista desse aspecto do plano de Deus, os milagres não são incrí­
veis nem surpreendentes, mas são lógicos e de esperar-se. São a aprovação ou selo
do Altíssimo à obediência de Seu povo, e são o testemunho divino às nações ao
redor de Canaã, de que Deus estava fazendo uma obra de conformidade com a Sua
vontade. Foi um tem po análogo ao do estabelecim ento da Igreja: os milagres
registrados no livro de Atos testificam ao mundo sobre a divindade da obra.
Quanto ao problema de Deus ordenar o extermínio de sete nações a fim de
estabelecer outra raça em seu território, temos que levar em consideração que
havia certas nações que estavam condenadas à morte, e que era uma nação pecu­
liar a que entraria para tomar posse da terra, com uma finalidade e uma respon­
sabilidade únicas. As nações que habitavam na terra de Canaã eram muito cru­
éis, imorais e idólatras (Levítico, cap. 18; Deuteronôm io 9.4; 18.10-12, etc.). H avi­
am sido admoestadas pelo dilúvio, bem como o restante do mundo; mas também
tiveram a admoestação especial concretizada na destruição das cidades vizinhas
de Sodoma e Gomorra (Gênesis, capítulo 19), e contudo, não se arrependeram. Já
não havia mais esperanças (Gênesis 15. 16; 1 Reis 21.25, 26; Números 33.51-53).
Tais populações haviam perdido o direito de viver, porque só criavam filhos para
a perdição. Deus usou os israelitas, em lugar de outro dilúvio ou terremoto, para
executar Sua sentença contra aquelas nações. Esse método produziu como resul­
tado que os verdugos, ou judeus, recebessem forte impressão das verdades da
santidade de Deus e do salário do pecado, que é a morte; dessa forma, temeriam e
não cairiam na mesm a falta. O fato de que os israelitas não cumpririam bem seu
cometimento, prova que não mataram por gosto nem por crueldade. Os cananeus
que não foram exterminados se transformaram numa pedra de tropeço e numa
tentação para os israelitas, causando-lhes muitas dificuldades, tal qual o Senhor
havia prognosticado (Deuteronômio 20.18, etc.). Se Deus não as tivesse destruído,
imediatamente a nação de Israel teria sido absorvida entre as demais nações, e
então, onde ficaria o testemunho da existência de um só Deus verdadeiro?
Onde ficaria a esperança da vinda de um Salvador ao mundo? Os propósitos de
Deus, de abençoar o mundo inteiro, exigiam o estabelecimento do povo escolhido na terra prome­
tida.
Empregaremos o esboço abaixo:
I. Entrada na terra, capítulos 1.1 a 5.12.
II. Conquista da terra, capítulos 5.13 a 12.24.
HL Possessão da terra, capítulos 13 a 24.

I. ENTRADA NA TERRA, CAPÍTULOS 1.1 A 5.12

A. A CHAMADA, capítulo 1

1. Deus chama a Josué, 1.1-9. Deus deseja obreiros valentes, fortes, destem i­
dos, cheios de ânimo; porém, a força deve ser do Senhor, a fé deve ser conforme a
Palavra de Deus; e a presença de Deus deve ser a fonte do valor.
2. Josué convoca o povo, 1.10-15, e o povo atende, 1.16-18. Prom etem obede­
cer a Josué da m esm a maneira que obedeceram a Moisés, e a história prova que
assim o fizeram.

B. OS ESPIAS ENVIADOS A JERICÓ, Capítulo 2.

E de notar-se aqui: o temor que Deus havia infundido nos corações dos habi­
tantes de Jericó, debilitando assim suas m ãos para a guerra; a orientação do
Espírito Santo ao dirigir os espias à casa de Raabe. Sobre Raabe podemos notar:
Ela era uma m ulher má, porém tinha fé naquilo que Deus havia decretado; vivia
em uma cidade condenada mas, por sua fé, foi salva da morte; um fio da cor de
sangue era a senha para que sua casa fosse salva; e ela tam bém se interessou pela
salvação de seus pais e irmãos; depois se casou bem. (Mateus 1.5).

C. TRAVESSIA DO JORDÃO POR TERRA SECA, Capítulos 3 e 4.

A única explicação do fato é que foi um milagre operado por Deus para au­
mentar o temor das nações e para fortalecer a confiança dos filhos de Israel. Note-
se a fé necessária para os sacerdotes que transportavam a arca: primeiramente
tiveram que m olhar os pés nas águas, antes que essas se dividissem; então tive­
ram que ficar firm es no meio do Jordão, até que todo povo tivesse acabado de
atravessar o rio. Que lições de fé nos fornecem esse relato? Que significado terão
as pedras que foram levantadas como memorial, no meio do Jordão, para o crente
dos nossos dias (2 Timóteo 2.8; 2 Pedro 1.9; Tiago 1.25; Isaías 51.1)?

D. PREPARAÇÃO PARA A CONQUISTA, EM GILGAL, Capítulos 5.1-12.

1. A circuncisão do povo renovando o pacto abraâmico, 5.1-9.


2. A celebração da páscoa, 5.10.
3. O povo come do fruto da terra, e o maná cessa, 5.11 e 12.

II. CONQUISTA DA TERRA, Capítulos 5.13 a 12.24.

A. O PRÍNCIPE DO EXÉRCITO DO SENHOR APRESENTA-SE A JOSUÉ PARA


ASSUMIR O COMANDO DA CAMPANHA, Capítulo 5.13-15.
B. A CONQUISTA DE JERICÓ, Capítulo 6.

1 .0 m étodo de ataque foi ordenado por Deus, 6.1-5. E possível que o métod
de fazer todo povo rodear o muro três vezes pudesse afetar os fundamentos da
muralha, mas só Deus poderia saber disso de antemão. O mais provável é que isso
foi realizado com o propósito de infundir medo nos corações dos habitantes da
cidade de Jericó e de aumentar a fé dos israelitas, fazendo-os perder o temor e
anelar a vitória. Isso tam bém lhes ensinava a fé e a obediência, pois aprenderam
que o método ensinado por Deus sempre é o melhor.
2. Ao obedecerem, pondo-se em marcha, deram o grito da fé e do triunfo; os
muros caíram e cada israelita entrou na cidade, penetrando pela brecha que lhe
ficava em frente. Assim tomaram a cidade, destruindo-a por completo, 6.6-21. A
cidade era anátema e ninguém podia tomar para si do despojo; tão somente as
coisas de metal seriam guardadas no tesouro para o Senhor (6.17-19), Essa pri­
meira cidade foi assim apartada como teste aos israelitas. Depois puderam apro­
veitar dos despojos das demais cidades. Mesmo hoje em dia, Deus faz seu povo
rodear as dificuldades, em lugar de dar-lhes a vitória, mas esse ainda é o método
mais eficaz para aumentar a nossa fé e preparar-nos para o dia quando, dando o
grito de triunfo, veremos os muros caírem e poderemos subir e tomar conta da
cidade.
3. Raabe e toda sua família são salvos da destruição, 6.22-25.
4. A maldição que Josué pronunciou contra o hom em que reedificasse à cida­
de, 6.26-27. Veja seu cumprimento, em 1 Reis 16.34.

C. A CONQUISTA DE AI, Capítulo 7 e 8.

1. Para nosso próprio proveito espiritual seria interessante notar as causas


do fracasso dos israelitas em Ai, capítulo 7.
a. Josué seguiu o conselho dos espias, sem orar e sem receber instruções da
parte de Deus, 7.1-6. Depois do fracasso, Josué orou e Deus lhe mostrou o
motivo do fracasso, 7.7-15.
b. O pecado de um só homem afetou o povo inteiro, 7 .1 1 ,1 2 ,2 0 .0 remédio,
7.16-26 - na formação da Igreja Cristã Deus agiu de modo semelhante
(Atos 5.1-11). Afim de ensinar a todos que, ainda que estejamos debaixo
da graça, o pecado é pecado e o salário do pecado é a morte (Romanos 6.23).
Porém, que deve fazer a Igreja Cristã hoje em dia, com os m embros que
caem em pecado (1 Coríntios 5)?
2. Sob instrução do Senhor, o povo conquista Ai e a saqueia, 8.1-29. Como é
fácil vencer, contanto que estejamos em boas relações com Deus!
3. O altar edificado no monte Ebal e a leitura de toda lei ao povo, 8.30-35.

D. JOSUÉ, ILUDIDO, FAZ PAZ COM GIBEOM, E A RESGATA DOS CINCO REIS
INIMIGOS, Capítulos 9 e 10.
1. Os gibeonitas, com astúcia aparentam ter vindo de muito longe, e solici­
tam pacto de paz com Israel, 9.1-13.
2. Josué, sem consultar ao Senhor, estabelece paz com eles, 9.14,15.
3. Desenganados, os israelitas transformam os gibeonitas em lenhadores e
carregadores de água (9.16-27).
4. Cinco reis vizinhos se congregam para pelejar contra Gibeom, 10.1-5.
5. Os gibeonitas apelam para Josué, que derrota os cinco reis aliados com a
ajuda de Deus (10.6-27). O milagre do dia mais comprido da história foi uma
resposta à oração de Josué, 10.11-14. Quando que alguém é justificado ao pedir a
Deus que Ele opere algo contrário às leis da natureza (1 João 5.14)?
6. Josué estende sua conquista até incluir todo território do Sul, 10.28-43.

E CONQUISTA DO TERRITÓRIO DO NORTE, Capítulo 11.

Josué sobreveio repentinamente sobre aquelas cidades, junto às águas de


Merom, e depois continuou conquistando suas cidades.

F. REMEMORIZAÇÃO DAS CONQUISTAS, Capítulo 12.

III. POSSESSÃO DA TERRA, Capítulos 13 a 24

A. PARTILHA DA TERRA PELAS DOZE TRIBOS. Capítulos 13 a 19.

1. Os limites da tribo de Rubem, Gade e da tribo de Manasses, ao oriente do


rio Jordão, capítulo 13.
2. Os limites da tribo de Judá, capítulos 14 e 15. Calebe recebeu Hebrom,
como herança especial, capítulo 14, e a conquistou, 15.13-20. Pelos versículos
14.7-10 aprende-se que a conquista durou sete anos: Calebe, aos quarenta anos de
idade, foi espia com os que passaram pela terra, no segundo ano depois de terem
saído do Egito (Números 9.1; 13.7; 14.30); passou 38 anos no deserto depois de ter
servido de espia, de modo que tinha 78 anos de idade ao começarem as conquis­
tas; ao term inarem as conquistas afirmou ele que contava 85 anos de idade e que
havia sido espia há 45 anos atrás; é claro, portanto, que a conquista geral se
prolongou por sete anos. Dali por diante, cada tribo se encarregava de conquistar
os pontos de seu território que ainda estavam em mãos de inimigos.
3. As porções dos filhos de José: a tribo de Efraim e a meia tribo de Manassés,
capítulos 16 e 17. Nota-se que essas porções, como a de Judá, eram muito grandes
e mais tarde foi necessário dar um a parte a outras tribos porque a terra não lhes
era suficiente para dar tanto a essas tribos mais proeminentes. Considera-se o
relato desse detalhe como uma das provas mais fortes da inspiração do livro
como história autêntica, pois o autor de um a lenda nunca escreveria de forma tão
cândida o relato dos pormenores de um equívoco tão sério.
4. A terra é delineada e repartida por sorte entre as sete tribos restantes,
capítulos 18 e 19.
B. DESIGNAÇÃO DE SEIS CIDADES DE REFÚGIO, TRÊS AO LESTE E TRÊS AO
OESTE DO RIO JORDÃO, COM AS REGRAS PARA SEU USO, Capítulo 20.

Vemos, novamente, Deus a prover para Seu povo um refúgio. Hoje em dia,
Jesus Cristo é o refúgio de todo pecador arrependido: não está longe de qualquer
de nós. As cidades de refúgio não permitiam ao perverso escapar de seu justo
juízo, nem eram um substituto para os sacrifícios. Jesus Cristo é o Refúgio perfei­
to providenciado por Deus, porque em Cristo se encontra tudo o que o pecador
pode necessitar para a sua salvação: o perdão, a justificação e a adoção de filho.

C OS LEVITAS RECEBEM 48 CIDADES ESPALFIADAS ENTRE AS TRIBOS, JUN­


TAMENTE COM OS ARRABALDES, Capítulo 21.

D. OS GUERREIROS DAS DUAS TRIBOS E MEIA, DO LESTE DO JORDÃO, SÃO


ENVIADOS DE VOLTA À SUA HERANÇA, DEVIDO TEREM TERMINADO AS
CONQUISTAS, Capítulo 22.

Ao regressar, edificaram um altar para testemunho, e não para oferecerem


sacrifícios, testificando de sua íntima relação com as demais tribos. Porém, o ato
foi interpretado mal pelas outras tribos, até que a comissão enviada ouviu as
razões apresentadas pelos edificadores do altar, e então todos se deram por satis­
feitos. Quantas desavenças não seriam evitadas se primeiramente se fizesse um
esforço para compreender as razões do outro lado!

E OS DOIS DISCURSOS DE DESPEDIDA DE JOSUÉ, 23.1 - 24.28.

1. Primeiro discurso, capítulo 23. Louvores ao Senhor e exortações para que


os israelitas se resguardem da idolatria.
2. Último discurso, 24.1-28. Por meio de um diálogo bem dramático, Josué
renova o Pacto com o povo. O versículo 15 é digno de nota - palavras solenes de
um fiel servo do Senhor que bem logo comparecerá perante a Sua presença.

F. CONCLUSÃO, 24.29-33.

Morte e sepultamento de Josué e de Eleazar; os ossos de Josué são sepultados


em Siquém.
EM RESUM O - Os livros históricos do Antigo Testamento não pretendem
fornecer a história completa do mundo, mas somente a história do povo de Deus,
e mesmo assim, somente o suficiente para que conheçamos a Deus por meio de
Suas relações com Seu povo, e para preparar o mundo para receber devidamente
ao Senhor Jesus Cristo, por ocasião de Sua vinda.
O livro de Josué não é a história de uma conquista qualquer, mas sim, d
povo escolhido de Deus, estabelecido por Ele na terra que o Senhor prometera,
para assim cumprir os propósitos divinos da redenção do mundo:
I. Entrada na terra, mediante a travessia do rio Jordão por terra seca; a
renovação do Pacto; e o temor de Deus cai sobre os habitantes de Jericó,
1.1 a 5.12.
II. A conquista da terra: a queda de Jericó; a dificuldade verificada em Ai; o
engano com que os gibeonitas iludiram os israelitas; a conquista das
terras do sul; a derrota dos reis do norte e a possessão de suas terras,
5.13 a 12.24.
m. A possessão da terra: o território conquistado é repartido entre as nove
tribos e meia do Oeste do Rio Jordão; últimas palavras e despedida de
Josué, capítulos 13 a 24.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1 Por que Deus prometeu exterminar os habitantes de Canaã e dar sua terra
aos israelitas?
2. Por que a Bíblia não inclui um a história completa do mundo? Qual o propó­
sito principal dos livros históricos da Bíblia?
3. Uma vez que o povo de Israel já se achava dentro do país, por que Deus não
lhe permitiu lutar contra os habitantes segundo os métodos de guerra co­
muns?
4. Qual teria sido a razão pela qual Deus lhe deu instruções tão estranhas para
a conquista de Jericó?
5. Comparando-se 1 Coríntios 12.26, 27 com Josué 7, que lições espirituais se
encontram que são úteis para a Igreja Cristã de hoje em dia?
6. Explique o uso das cidades de refúgio.
7. Como é que as vidas de Calebe (Josué 14.10-13) e de Josué (Josué 23.14) são
ilustrações do versículo 3 do primeiro Salmo?
(Capítulo 1 7

OS LIVROS DE JUÍZES E RUTE

OLIVRODEJUÍZES

O Senhor Jesus Cristo, durante Sua vida terrena, relatada nos Evangelhos,
não fez qualquer referência ao livro de Juizes e há somente duas referências a ele
em todo o restante do Novo Testamento - em Atos 13.20 onde lemos simplesmen­
te que Deus deu juizes ao povo, até o tempo de Samuel; e em Hebreus 11.32 onde
recebem menção honrosa quatro dos juizes: Baraque, Gideão, Jefté e Sansão. Tal­
vez esse fato revele o caráter do livro de Juizes como nenhum outro fato. O livro
de Juizes relata a história do povo de Israel durante alguns séculos, mas, não
obstante, os eventos ali registrados são tão tristes e penosos que não foram utili­
zados pelo Senhor Jesus Cristo e por Seus apóstolos, excetuando as duas referên­
cias acima mencionadas.
Tem-se afirmado que todo o conteúdo do livro de Juizes pode ser resumido
em quatro palavras: pecado, castigo, arrependimento, liberdade. Alguém tam­
bém já disse que a m ensagem do livro de Juizes é um a só: "Resguardai-vos dos
ídolos", e que para isso foi escrito. As palavras características do livro, são: "N a­
queles dias não havia rei em Israel: cada um fazia o que achava mais reto" (Juizes
21.25).
Não se sabe quem escreveu o livro de Juizes, nem quando foi escrito. A tradi­
ção judaica afirma que foi Samuel, e há realmente certas indicações que é possível
que tenha sido assim. Em 17.6, lemos: "N aqueles dias não havia rei em Israel: cada
qual fazia o que parecia bem aos seus olhos". Deduzimos, disso, que o livro foi
escrito quando já havia rei em Israel (veja-se tam bém 18.1 e 19.1). Entretanto, em
1.21 notamos que os jebuseus habitavam ainda em Jerusalém, enquanto que em 2
Samuel 5.6,7, lemos que Davi, no princípio de seu reinado, tomou a cidade e feriu
aos jebuseus. E certo, por conseguinte, que essa porção do livro de Juizes foi escri­
ta antes de Davi ser rei. N em os assírios nem os caldeus são mencionados nesse
livro, o que nos obriga a rejeitar a idéia de que foi escrito ou compilado séculos
depois da história ali relatada. O mais provável é que Samuel o tenha escrito,
porém isso não afeta sua posição no "cânon", nem sua isnpiração. Sem esse livro
na Bíblia haveria um lapso bem grande na história sagrada. Lições espirituais
abundam, mas, em sua maioria, seguem o estilo de admoestações e exortações.
A cron olog ia do livro tem sido m uito discutida. Sem quererm os ser
dogmáticos sobre a questão, que afinal de contas não é de primeira importância,
oferecemos a tábua abaixo da cronologia do livro de Juizes:
"Depois disto, por quase quatrocentos e cinqüenta anos, lhes deu juizes, até
ao profeta Sam uel" (Atos 13.20).

1. Servidão sob Cusã- R isataim Juizes 3.8 8 anos


2. Judicatura de Otniel Juizes 3.11 40 anos
3. Servidão sob Eglom , m oabita Juizes 3.14 18 anos
4. Judicatura de Eúde e de Sangar Juizes 3.15-31 80 anos
5. Servidão sob Jabim , canaanita Juizes 4.1-3 20 anos
6. Ju d icatu ra de D ébora e Baraque Juizes 4.4 - 5.31 40 anos
7. Servidão sob os m idianitas Juizes 6.1 7 anos
8. Jud icatura de Gideão Juizes 8.28 40 anos
9. Ju d icatu ra de Abim eleque Juizes 9.22 3 anos
10. Judicatura de Tola Juizes 10.1, 2 23 anos
11. Judicatura de Jair Juizes 10.3 22 anos
12. Servidão sob os filisteus e os am onitas Juizes 10.7, 8 18 anos
13. Ju d icatu ra de Jefté Juizes 12.7 6 anos
14. Ju d icatu ra de Ibsã Juizes 12.8, 9 7 anos
15. Judicatura de Elom Juizes 12.11 10 anos
16. Judicatura de Abdom Juizes 12.13-15 8 anos
17. Servidão sob os filisteus Juizes 13.1 40 anos
18. Ju d icatu ras de Sansão Juizes 15.20 20 anos
19. Judicatura de Eli 1 Samuel 4.18 40 anos
TOTAL 450 ANOS

O Esboço do livro de Juizes é:


I. Introdução ao período dos juizes, capítulos 1.1 a 3.6.
D. História dos juizes, capítulos 3.7 a 16.31.
UI. Apêndice: infidelidade e imoralidade do período dos juizes,
capítulos 17 a 21.

I. INTRODUÇÃO AO PERÍODO DOS JUÍZES, Capítulos 1.1 a 3.6.

A. CONDIÇÕES REINANTES - NAÇÕES PAGÃS ENTRE OS ISRAELITAS,


Capítulo 1.
1. Judá, 1.1-21.
2. José, 1.22-29.
3. As outras tribos, 1.30-36. O motivo porque prevaleciam essas condições
era, talvez, que enquanto Josué e seu exército deixavam o sul para ir pelejar no
norte, m uitos dos naturais da terra voltaram a ocupar as cidades. O exército
israelita, igualmente, não destruiu todas as aldeias, mas só as que se opuseram à
sua marcha. A história relata a respeito de muitos que fugiram de diante de Josué
e foram estabelecer-se em outras terras, porém, alguns regressaram em tempos
oportunos às suas casas e aos seus povos.

B. O ANJO DE JEOVÁ TRAZ UM A MENSAGEM DE DEUS AO POVO, 2.1-5.0


povo perdera o favor de Deus devido à sua desobediência, e teve de sofrer
por causa de seu pecado.

C. UMA REMEMORIZAÇÃO, 2.3-10, E UM A SINOPSE DO LIVRO DE JUÍZES,


2.11-13.

D. LISTA DO S INIMIGOS, 3.1-6. Por não tê-los reconhecido como inimigos é que
Israel caiu na idolatria.

II. HISTÓRIA DOS JUÍZES, Capítulos 3.7 a 16.31.

A. OPRESSÃO DE CUSÃ-RISATAIM, REI DA MESOPOTÂMIA.

Durou oito anos. Otniel, sobrinho de Calebe, liberta o povo. A liberdade


durou 40 anos. Otniel foi o prim eiro dos juizes, 3.7-11.

B. OPRESSÃO DE EGLOM, REI DE MOABE.

Durou dezoito anos. Eúde e Sangar, libertam a terra, que descansou por 80
anos, 3.12-31.

C. OPRESSÃO SOB JABIM, REI DE CANAÃ.

Durou 20 anos. Débora e Baraque libertaram a terra, que descansou por 40


anos, capítulos 4 e 5. Nota-se aqui como Deus usou um a m ulher para animar o
homem, e a outra mulher para matar o inimigo. Débora conhecia o Senhor e tinha
fé e valor tais que Baraque e o exército reconheciam-na como digna de honra e de
serem seguidos os seus conselhos. O capítulo quatro descreve a batalha e relata a
morte de Sísera, por Jael; o capítulo cinco encerra o cântico de triunfo depois da
batalha.

D. OPRESSÃO DOS MIDIANITAS.

Durou sete anos. Foi Gideão o libertador, e a terra descansou por 40 anos.
Outros juizes o seguiram: Abimeleque, que julgou por três anos; Tola, por
vinte e três anos; e Jair, por vinte e dois anos, 6.1 - 10.5.
1. A forte opressão dos midianitas, 6.1-6.
2. O arrependimento do povo e a m ensagem do profeta, 6.7-10.
3. A chamada de Gideão, que pediu provas da parte de Deus, 6.11-40. De que
"força" falou o Anjo do Senhor, em 6.14? Foi o espírito de seu pai (6.31) ou o
Espírito do Senhor (6.34) que tornou valente a Gideão?
4. Trezentos israelitas vão com Gideão e com Deus e derrotam a multidão
inumerável de midianitas, capítulo 7. Primeiramente, Deus rejeitou os covardes.
A segunda prova também foi bem prática: ao atravessarem o arroio, os que se
baixassem para tomar a água, não eram bons soldados; somente 300 levaram a
água à boca, com a mão, conservando os olhos abertos para vigiar o inimigo, e foi
com esses 300 que Deus salvou o povo. Mas, Deus rejeita como soldados Seus aos
covardes, e aos que buscam sua comodidade e abundância? Há outra interpreta­
ção dada a essa prova. Alguns crêem que os que se baixaram eram idólatras,
devido o costume de se prostrarem defronte de seus ídolos (1 Reis 19.18).
5. As vitórias de Gideão, 8.1-23; seu fracasso e pecado, 8.24-31; sua morte,
8.32.
6 .0 povo infiel elege Abimeleque como juiz, 8 .3 3 -9 .6 ; parábola de Jotão, 9.7
21; as dificuldades e a vergonhosa morte de Abimeleque, 9.22-57.
7. Tola e Jair tornam -se juizes, por 23 e 22 anos, respectivamente, 10.1-5.

E OPRESSÃO DOS FILISTEUS EAMONITAS.

Durou 18 anos. Jefté é o libertador, e sua liderança se prolongou por 6 anos;


Ibsã, juiz por 7 anos; Elom, por 10 anos; e Abdom, por 8 anos, 10.6 -1 2 .1 5 . O voto
de Jefté (11.30,31) é cumprido por sua filha (11.34-39); mas isso nem foi solicitado
nem foi aprovado pelo Senhor. O escritor, com grande sabedoria, não fornece
maiores detalhes, visto como o Senhor condenara os sacrifícios humanos.

F. OPRESSÃO DOS FILISTEUS.

Durou 40 anos. Sansão é o juiz libertador, e sua liderança durou 20 anos,


capítulos 13 a 16. Sansão é o exemplo do herói que NÃO deve ser imitado.
1. Preparação dos pais de Sansão e seu nascimento, capítulo 13.
2. A carnalidade de Sansão deu-lhe ocasião contra os filisteus e Sansão os
derrotou mediante o poder do Espírito de Deus, capítulos 14 e 15. A Palavra de
Deus não diz que o Espírito do Senhor permanecia nele, mas tão somente que
vinha sobre ele m omentaneamente para usá-lo na libertação do povo. N em tudo
que Sansão fazia era aprovado por Deus, e Seu Espírito não podia habitar perma­
nentemente em Sansão.
3. Pecado e queda de Sansão, bem como sua morte, capítulo 16. Foi uma
morte gloriosa ou vergonhosa? Triste era a condição de Israel quando Deus teve
de usar um hom em como Sansão, por falta de melhor instrumento.

III. APÊNDICE: INFIDELIDADE E IMORALIDADE DO PERÍODO DOS


JUÍZES, Capítulos 17 a 21.

A HISTÓRIA ILUSTRATIVA DA ANARQUIA RELIGIOSA DO PERÍODO - Mica,


da tribo de Efraim, nom eando seus filhos como sacerdotes, e em seguida a
um levita, capítulo 17 os danitas levam com eles o levita sacerdote e aos
ídolos, como furto, capítulo 18.

B. HISTÓRIA ILUSTRATIVA DA ANARQUIA MORAL DO PERÍODO - o levita


de Efraim e sua concubina, em Gibeá, capítulo 19.

C. HISTÓRIA ILUSTRATIVA DA ANARQUIA NACIONAL DO PERÍODO - a tri­


bo de Benjam im é reduzida a 600 homens, capítulo 20; os israelitas lhes
conseguem esposas, capítulo 21.

Por que se encontram esses relatos na Bíblia? São de um caráter que não
permitem que sejam lidos em público! É verdade. Mas em um livro de medicina,
encontram-se muitas coisas que não devem ser lidas em público, porém são úteis
e necessárias em seu próprio lugar,e até uma jovem pode aproveitar de sua leitu­
ra, na solidão de seu quarto.
Semelhantemente,esses relatos do livro de juizes nos fornecem detalhes da
terrível enfermidade do pecado em que caiu a nação escolhida, quando se afastou
de Deus. Vemos os sintomas, as manifestações, as causas e os resultados da enfer­
midade da idolatria e do afastar-se de Deus. Lidas estas histórias em particular,
fazem-nos aborrecer o pecado; fazem-nos reconhecer a depravação do coração
humano; e nos levam a clamar a Deus para que ele nos guarde de semelhantes
excessos.

O LIVRO DE RUTE

Quanto à parte humana, Jesus Cristo era descendente de Rute e Boaz, que
foram os bisavós do rei Davi. O nome de Rute figura na genealogia do Senhor, em
Mateus 1:5. Não há outras referências a esse livro do Novo Testamento.
O autor do livro é desconhecido, ainda que a tradição judaica ensine que foi
Samuel. Pelo primeiro versículo podemos calcular que a data de sua escrita se
situa depois de ter sido estabelecida a monarquia. E, pelo último versículo, veri­
fica-se que essa data deve ter sido depois do nascimento de Davi. A época em que
ocorreram os detalhes relatados foi provavelmente, quando Gideão era juiz,caso
a fome de que fala Rute 1.1 seja a mesm a que é mencionada em juizes 6.2-6. Igual­
mente em Mateus 1.5, lemos que Boaz era filho de Raabe, de modo que o tempo de
Gideão seria a época em que ele teria a idade requerida para os eventos aqui
relatados.
Esse livro serve de elemento de ligação entre o livro de juizes e o de 1 Samuel.
Trata-se de uma seqüência ou apêndice ao primeiro e de uma introdução ao se­
gundo desses dois livros. Sem dúvida o propósito principal do livro é traçar a
genealogia de Davi, e, portanto, a de Jesus Cristo, o "Senhor de D avi". E um livro
notável por ser o único livro da Bíblia inteira cujo o tema principal é uma mulher.
Há dois livros que trazem nomes femininos: Rute, uma gentia, que se casou com
um israelita; e Ester uma judia que se casou com um gentio. O livro de Rute é uma
história de amor, o amor que vence todos os obstáculos; porém, não a história de
amor entre noivos jovens, mas antes, o amor de uma viúva por sua sogra. O livro
nos fornece um ideal para o matrimônio, e nos relata os costumes hebraicos da­
quele tempo de maneira mui instrutiva e interessante. A cena campestre prova
que nem todo o Israel era degenerado e corrompido. Visto que no relato é nom e­
ada a cidade e as pessoas principais da história (excetuando o nom e do parente
próximo), e em vista da natureza simples com que é relatado o evento, cremos que
se trata de uma história verídica, que se passou exatamente conforme está escri­
to. N ã o obstante, há nesse livro uma alegoria marcante que se relaciona com o
Evangelho. Rute é tipo de nós, que somos gentios, enquanto Boaz representa Cris­
to, o Redentor, que veio ao mundo, em carne, a fim de ser nosso parente humano.
Dessa forma, o relato é um a predição da vocação dos gentios. A moabita, que era
excluída do seio do povo israelita pela lei (Deuteronômio 23.3), é admitida pela
graça de Deus (Efésios 2.11-18). Rute é tipo dos pecadores gentios: (1) estrangeira
e afastada; (2) pobre e necessitada; (3) aparentada com Boaz mediante o m atrim ô­
nio (como nós com Cristo mediante a união de nossa natureza hum ana com a Sua
natureza divina); (4) houve um parente redentor mais próximo, mas incapaz de
redimir: a lei natural, ou seja, nossos próprios esforços e talentos naturais, ou
segundo outros, a lei de Moisés, que recomenda que nos salvemos por m eio da
natureza humana. Boaz, por outro lado, é tipo de Cristo: (1) era hom em poderoso;
(2) senhor da m esse; (3) olhou para a m ulher gentia com misericórdia; (4) cobriu
com seu abrigo aquela que se achava aos seus pés pedindo redenção, e lhe falou
palavras consoladoras, prom etendo operar a seu favor; (5) redimiu-a, uniu-a
com ele mesmo, de modo que a solidão foi substituída pela comunhão íntima, por
uma vida frutífera e por uma fonte de bênçãos para todos. Igualmente, hoje, em
dia, para todos os que o queiram, há descanso por meio da união com nosso
bendito Redentor, que é poderoso para redimir-nos, ainda que nosso parente
mais próximo não o possa fazer.
Será suficiente dar aqui a sinopse do livro, há certas maneiras de dividir a
história do livro de Rute, conforme se considera Noemi ou Rute como persona­
gens principais. No capítulo 1 vemos a família vagando, chorando e regressando.
Esse capítulo tem sido chamado: "Rute decidindo" ou "O descanso abandonado",
ou "A escolha da fé", ou "O amor acompanhado". No capítulo 2 vemos Rute traba­
lhando juntam ente com as servas de Boaz a fim de sustentar sua sogra, e também
o primeiro encontro entre Rute e Boaz. Esse capítulo tem sido chamado de: "Rute
servindo", ou "O descanso desejado", ou "A obra da fé", ou "O amor trabalhan-
do". No capítulo 3 notam os Rute solicitando de Boaz a redenção. Tal capítulo tem
sido denominado: "Rute descansando", ou "O descanso procurado", ou "A aven­
tura da fé", ou "O amor exigindo". No último capítulo vemos Boaz redimindo a
herança e casando-se com Rute. Chama-se esse capítulo de: "Rute recom pensa­
da", ou "O descanso encontrado", ou "A recompensa da fé", ou "O amor frutifi­
cando".
EM RESUM O - O livro de Juizes cobre vários séculos da história do povo de
Israel, e pode ser resumido em quatro palavras: "pecado", "castigo", "arrependi­
m ento" e "liberdade".

I. Introdução ao período: detalhes da conquista parcial das diversas por­


ções da terra; rememorização e uma lista dos inimigos de Israel, 1.1 a 3.6.
n. A história dos juizes, sete opressões e livramentos; e uns treze juizes
libertam sucessivamente a terra, 3.7 a 16.31.
ItL Apêndice: a infidelidade e a imoralidade do período: histórias ilustrativas
da anarquia religiosa, m oral e nacional daqueles dias, capítulos 17 a 21.

O LIVRO DE RUTE é um elo muito interessante na cadeia da genealogia


rei Davi e, por conseguinte, do Senhor Jesus. Também ensina a redenção por inter­
médio de um redentor aparentado, de modo que a afastada e estranha é recolhida
e transformada em esposa frutífera.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Como se pode resumir, em poucas palavras, a história relatada no livro de


Juizes?
2. A quais juizes o jovem crente deve imitar? E a quais não deve imitar?
3. Explique o motivo de Deus ter rejeitado milhares de soldados para redimir
Israel, mas fê-lo com somente 300 homens, liderados por Gideão.
4. Explique como a história de Rute é semelhante à história dos gentios e do
Evangelho.
(^tipítulo 18

OS LIVROS HISTÓRICOS: I E II SAMUEL

I SAMUEL

O Senhor Jesus Cristo citou 1 Samuel 21.6, quando relatou como Davi comeu
dos pães da proposição falando em Mateus 12.3,4; Marcos 2.25, 26; e Lucas 6.3,4.
Também, em Atos 13.20-22, há um resumo da história de Samuel, Saul e Davi.
Mas, talvez a citação mais notável seja a que se encontra em Lucas 1.46-55, o
cântico de Maria, denominado de "M agnificat", que está baseado no cântico de
Ana, a mãe de Samuel, em 1 Samuel 2.1-10. Em Jeremias 15.1 há um a famosa
referência à pessoa de Samuel como hom em de oração, e está unido ao nome de
Moisés de tal maneira que se nota a alta estima em que Deus considera Samuel.
Esse livro de 1 Samuel tem sido chamado de "o livro da transição", porque
ali termina a história da monarquia e é dado o começo da linha dos profetas.
Alguns consideram Samuel como juiz (1 Samuel 7.15) e também como profeta
(Atos 3.24; 13.20; 1 Samuel 10.5), ou vidente, significa: aquele que vê, especialmen­
te coisas secretas, que somente Deus poderia revelar (1 Samuel 9.11). O propósito
principal do livro é fornecer a história do princípio da monarquia, preparativo
para o reinado de Davi. E tão importante a história de Davi por ser ele, o rei mais
ilustre de Israel; por ser o progenitor do M essias segundo o Pacto Davídico em 2
Samuel 7 e por sua im portância na profecia.
Os livros de Samuel são assim chamados devido ao seu conteúdo, ou seja,
por causa do profeta Samuel, que foi o instrumento que Deus usou para o estabe­
lecimento da m onarquia, com a unção de Saul e também de Davi. O próprio
Samuel, entretanto, escreveu uma boa porção do primeiro livro (1 Samuel 10.25)
e, pode-se deduzir de 1 Crônicas 29.29 que Natã e Gade, os profetas companheiros
de Davi, escreveram o restante (1 Samuel 22.5; 2 Samuel 24.11-14; 7.2; 12.1, 25).
Há muitos ensinam entos espirituais e práticos nesse livro, como seja, o de­
ver dos pais para com seus filhos, e os maus resultados advindos do não cum pri­
mento dessa responsabilidade; o perigo do ritualismo; o perigo da obediência
parcial, etc.; porém, a principal lição é a da oração. O nome "Sam uel" significa:
"Pedido a D eus", e toda a vida daquele profeta é um comentário a respeito da
oração. Por meio da oração Israel obteve a vitória sobre seus inimigos (1 Samuel
7.5-10). Em sua tristeza, Sam uel orou (8.5, 6) e Deus lhe explicou Sua vontade
(9.15). Samuel considerava pecado não orar por Israel (12.19-23). Quando Deus
não respondeu à oração de Saul, isso foi prova de que o havia rejeitado (28.6).
Samuel galgou à sua posição de autoridade na nação devido à potência de
seu testemunho (3.2-21). Deus estava com ele. Em 1 Samuel 3.1 notamos que nos
dias anteriores não havia quem sustentasse uma relação suficientemente íntima
com Deus para poder indicar ao povo qual fosse a vontade do Senhor. Não lemos
a respeito de Eli a orar, ainda que pareça ter sido hom em moral e honrado, e tenha
reconhecimento que era Deus que falava com o menino Samuel. Samuel, tendo
aprendido como poderia comunicar-se com Deus (à base de sacrifício cruento,
7.9) fundou a "Escola de profetas" (19-20), que continuou em existência até pelo
menos os dias de Eliseu.
Vários dos salmos de Davi se baseiam nas experiências que passou antes de
subir ao trono, conforme são relatados em 1 Samuel.
Ao darmos o esboço do livro perceberemos o motivo porque os israelitas
consideravam os dois livros de Samuel como um só. Também estão de tal m anei­
ra unidos aos livros dos Reis que, afinal de contas, compõem um a só história, e a
versão dos Setenta ou Septuaginta chama os dois livros de Samuel de 1 e 2 Reis. O
nome, nesse caso, não é de tanta importância, como também não o é a maneira
exata de traçar o esboço dos livros. 1 Samuel fala do período em que Eli foi juiz, da
vida de Samuel e do reino de Saul. Samuel, entretanto, continuou julgando a
Israel mesm o depois de Saul Ter sido elevado à posição de rei, e Davi também
toma im portante posição na história; pelo que muitos dividem o livro entre
Samuel, capítulos 1 a 7; Saul, capítulos 8 a 15; e Davi, capítulos 16 a 31. Outros são
de opinião que Samuel deve encabeçar os capítulos 1 a 12. Seguiremos a divisão
bem simples:

I. Samuel, o juiz-profeta, capítulos 1 a 7.


II. A carreira de Saul, capítulos 8 a 31.

I. SAMUEL, O JUIZ PROFETA, Capítulos 1 a 7

Esta divisão m arca o fim do período dos juizes.

A. NASCIMENTO E CHAMADA DE SAMUEL, Capítulos 1 a 3.

1. Voto de Ana, mãe de Samuel, l.l-1 9 a .


2. N ascim ento e meninice de Samuel, 1.19b-23.
3. Dedicação de Samuel ao Senhor, 1.24-28.
4. Cântico de Ana, 2.1-10.
Até aqui vemos várias lições espirituais que apenas podemos mencionar:
(1) Os resultados da poligamia são o descontentamento e a tristeza, os
ciúmes, as facções, etc.; (2) o perigo de julgar os motivos ou o caráter de
outra pessoa, c o mo Eli julgou a Ana; (3) o poder da oração sincera e fervo­
rosa; (4) o dever de cumprir os próprios votos, ainda que isso envolva
sacrifício próprio. No canto de Ana há a primeira menção sobre o M essi­
as (2.10), e se nota seu conhecimento sobre Deus, de forma que sua influ­
ência de mãe ajudou Samuel a chegar a ser hom em de oração também.
5. Samuel preferiu seguir Eli, e não o mau exemplo dos filhos de Eli, 2.11-26.
6. Um mensageiro de Deus pronuncia o castigo que sobreviria à casa de Eli,
2.27-36.
7. A vocação de Samuel como profeta: recebeu diretamente de Deus uma
mensagem e declarou-a a Eli, para quem ela se destinava, 3.1-18.
8. Samuel é reconhecido pelo povo como profeta do Senhor, 3.19-21.

B. DERROTA DOS ISRAELITAS, CAPTURA DA ARCA PELOS FILISTEUS,


Capítulos 4.1 - 7.1

1. Os filisteus derrotam Israel, matando quatro mil homens, 4.1, 2.


2. Os anciões ordenam que a Arca de Deus seja trazida ao campo de bata­
lha, 4.3-6. Note-se que foram malvados filhos de Eli que sugeriram essa
medida, e não Eli ou Samuel.
3. Os filisteus capturam a Arca de Deus, e no combate m orrem os filhos de
Eli, seguidos do próprio Eli, conforme predissera a m ensagem de Deus,
4.7-22. Que nos ensina isso sobre a importância da religião formal: uma
confiança nos instrum entos ou aparatos da religião, em vez de uma con­
fiança viva no Deus vivo?
4. A Arca de Deus acabou sendo uma fonte de dissabores e de morte para os
filisteus, capítulo 5. Conforme os versículos 2 a 5, que diria você dos
filisteus: desejavam conhecer o verdadeiro Deus Todo-Poderoso para
adorá-lo? ou antes desejavam continuar sendo idólatras, apesar de esta­
rem convencidos da inutilidade e ineficiência da idolatria?
5'. Os filisteus devolvem a Arca de Deus, capítulo 6. Nota-se que Deus casti­
gou a falta de reverência ou respeito da parte dos israelitas. Deve-se re­
cordar, igualmente, que Deus não agia assim com outra coisa senão com
a Arca da Aliança, a qual era a sede de Seu tabernáculo ou m oradia entre
os homens. Isso não justifica o uso de imagens nem torna nulo o segundo
mandam ento.

C. SAMUEL JULGA A ISRAEL, 7.2-17.

1. Samuel esperou vinte anos para Deus operar nos corações dos israelitas,
7.2. Deus ouviu sua oração e lhes concedeu um a grande vitória sobre seus
inimigos, e tiveram paz, 7.3-17. Note-se a conexão entre o sacrifício e a
vitória, 7.10; que conduziram à pedra "Ebenézer", m emorial de que "até
aqui nos ajudou o Senhor".

II. A CARREIRA DE SAUL, Capítulos 8 a 31

A. O REI PEDIDO E ESCOLHIDO, Capítulos 8 a 10.

1. O triste fracasso de Samuel com seus próprios filhos, 8.1-3, é desculpa


para os anciãos de Israel pedirem um rei, 8 .4 ,5 a ; o verdadeiro motivo era
que queriam ser iguais às outras nações, 8.5b.
2. Samuel se entristeceu, mas Deus lhe ordenou que ordenasse um rei sobre
o povo, 8.6-22.
3. Saul, por providência de Deus, se encontra com Samuel, que o unge como
rei sobre o povo de Israel, prim eiram ente, em particular, 9.1-10, 16, e
depois publicamente, 10.17-27. Mas, quão pouco tempo durou a hum il­
dade de Saul, demonstrada em 10.22 e 27.

B. SAUL, COM UM EXÉRCITO DE 330.000 HOMENS LIBERTA A JABES-GILEADE


DOS AMONITAS, Capítulo 11.

C. SAMUEL EXORTA O POVO A NÃO DEIXAR DE TEMER A DEUS E A SERVÍ-


LO, JÁ QUE AGORA TEM UM REI, Capítulo 12. Os versículos 18 e 23 são mui
instrutivos quanto à oração. Era a época do ano em que nunca chovia, mas
Deus governa o tempo e foi glorificado ao responder a oração de Samuel.

D. DEGENERAÇÃO DE SAUL E DE SEU REINADO, Capítulos 13 a 15.

1. Saul estabeleceu um exército permanente, 13.1-2. Note-se que alguns anos


do reinado de Saul são passados em silêncio. Em 9.2 Saul é chamado de
mancebo, mas, em 13.2 já tem um filho adulto, capaz de encarregar-se de
uma guarnição de soldados. Em 11.8 cerca de 330.000 homens seguem a
Saul; em 13.2, somente 3.000. Em 7.13,14 Saul têm os filisteus humilhados
e expulsos das fronteiras de Israel; em 13.3 os filisteus têm uma guarni­
ção entre os israelitas e, em 13.20-22 nota-se que os filisteus já conserva­
vam os israelitas sem arm am entos e com pletamente subjugados. São
necessários anos para que essas m udanças se verifiquem.
2. Os filisteus se apresentam para a batalha 13.3-23; e Deus opera grande
salvação por intermédio de Jônatas, o filho de Saul, capítulo 14. Saul
pecou por motivo de impaciência e presunção, oferecendo ele mesmo o
sacrifício, e Deus o rejeitou, dizendo que nenhum filho seu seria rei depois
dele, 13.8-14.
3. A ob ed iên cia p arcial de Saul con sistiu em não ter d estru ído aos
amalequitas, conforme Deus lhe tinha dito, e foi rejeitado por Deus para
que não fosse mais o rei, capítulo 15. Que lição espiritual há para nós,
hoje em dia, nos preciosos versículos 22 e 23?

E SAUL E DAVI, Capítulos 16 a 27.

1. Samuel ungiu a Davi, para que este fosse o novo rei, 16.1-13. Porém, Davi
teve que esperar o tempo assinalado por Deus para poder subir ao trono.
2. Davi serve a Saul como tangedor, por algum tempo, 16.14-23.
3. Davi e Golias, capítulo 17. Esta história tem sido usada continuamente
por ser de grande atração para as crianças e, contada da maneira dram á­
tica é magnífica para essa finalidade, porém, contém muitas lições espiri­
tuais para o crente da atualidade. Por exemplo, que lição de confiança há
no versículo 45? O estudante deve procurar as diversas lições encerradas
neste capítulo, para bênção de sua alma.
4. Davi permaneceu com Saul como capitão do exército, portando-se com
prudência, 18.1-5. Celebração do pacto de amizade e afeição entre Davi e
Jônatas.
5. As m ulheres tributam mais honras a Davi que a Saul: o rei começou a
invejar a Davi, e disso lhe veio o desejo de Saul eliminar a Davi, 18.6-16.
6. Saul persegue a Davi, primeiramente com astúcia, 18.17-30, porém, de­
pois, abertamente, ordenando que seus servos fossem à casa de Davi a
fim de matá-lo; mas Mical, sua esposa, o salvou, 19.1-17.
7. Davi foge de Saul, porque não deseja fazer mal ao ungido do Senhor, 19.18
- 27.12.
a. Davi se refugiou com Samuel e Deus impediu que Saul tocasse em
Davi, 19.18-24.
b. Jônatas defendeu inutilmente a Davi; o pacto entre Jônatas e Davi é
renovado, capítulo 20.
c. Davi foge para Nobe, recebe os pães da proposição e a espada de Golias,
e parte para Gate, onde se finge de demente defronte de Aquis, o rei da
cidade, capítulo 21.
d. Davi se refugia na cova de Adulão, onde muitos se reuniram com ele;
Saul mata os sacerdotes de Nobe; Abiatar somente escapa, vindo ter
onde estava Davi, trazendo a estola sacerdotal, capítulo 22.
e. Davi salva a cidade de Queila, mas foge juntamente com os seus habi­
tantes de diante de Saul, capítulo 23.
f. Davi não tira a vida de Saul na cova de En-Gedi, capítulo 24.
g. Morte de Samuel, 25.1.
h. Davi e Nabal, 25.2-44. Nesta história há preciosos ensinam entos acer­
ca da vida vitoriosa em Cristo. Os versículos 26, 29-33 e 38 fornecem
o ensino central. O crente não se vinga, nem peleja com armas carnais
nem procura justificar-se. Sua vida acha-se "ligada intimamente com
D eus", e o Senhor mesmo se encarrega de vingá-lo (Romanos 12.19;
Colossenses 3.1-4; etc.).
i. Davi chega até à cabeceira de Saul, no acampamento, no deserto de
Zife, mas lhe perdoa a vida, recusando vingar-se ou tirar a vida da­
quele que Deus mandou ungir, capítulo 26. Talvez a experiência com
Nabal tenha preparado o espírito de Davi para essa prova,
j. Davi e seu bando se refugiam em Ziclague, capítulo 27.

F. SAUL, A MULHER COM ESPÍRITO ADIVINHADOR, E SAMUEL, Capítulo 28.

Saul é condenado à morte. Há muita controvérsia acerca do que realmente


aconteceu aqui, e sobre até que ponto um "m édium " ou espírita tem o poder de
comunicar-se com os mortos. A grande maioria das m odernas demonstrações de
comunicação com os mortos não passam de fraudes, e o que houver de poder
sobrenatural, é realizado por poder satânico. Sobre esse relato, entretanto, estamos
inclinados a crer que Deus interpôs Sua mão e permitiu a Saul falar com Samuel.
A pintonisa ficou assustadíssima e muito surpreendida, porque não estava acos­
tumada à realidade, mas à ilusão. Esta é a nossa interpretação sobre essa passa­
gem. O pecado de Saul consistiu em ter consultado os espíritos dos mortos, em
lugar de confessar seu pecado e pôr-se em condições de ser ouvido por Deus. Por
sua presunção, a família de Saul foi rejeitada para que não ocupasse mais o trono
depois dele; por sua obediência parcial, o próprio Saul foi rejeitado, e agora, por
causa de seu pecado, é-lhe exigida a vida.

G. DAVI VAI À BATALHA, em companhia de Aquis, mas não são aceitos os


homens de Davi pelos príncipes, capítulo 29; ao regressar a Ziclague encon-
tra-a saqueada pelos amalequitas, mas recobra tudo em seguida, capítulo
30.

H DERROTA DE ISRAEL EM GILBOA, PELOS FILISTEUS; MORTE DE SAUL E


JÔNATAS, Capítulo 31.

2 SAMUEL
III. DAVI, REI DE JUDÁ, 1.1 a 5.5

A. DAVI LAMENTA A MORTE DE SAUL E JÔNATAS, Capítulo 1.

1. Davi ordena a morte do amalequita que se acusou de ter matado a Saul,


1.1-16.
2. Lamentação de Davi, chamada "H ino ao A rco"; elogia Saul por seu valor
e por seu amor a seu filho Jônatas; e lamenta muito a morte de seu estima­
do amigo Jônatas, 1.17-27. O versículo 26 é notável:
"Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; tu eras amabilíssimo para comigo!
Excepcional era o teu amor, ultrapassado o amor de m ulheres".

B. DAVI SOBE A HEBROM, ONDE É UNGIDO COMO REI SOBRE A CASA DE


JUDÁ, 2.1-4a.

C. GUERRA CIVIL ENTRE JUDÁ E ISRAEL. Davi e Is-Bosete, 2.4b - 4.12.

1. Davi bendiz os habitantes de Jabes-Gileade por terem sepultado a Saul,


2.4b - 7.
2. Abner faz de Is-Bosete rei sobre Israel, 2.8-11.
3. Israel é derrotado diante de Judá em batalha, mas Abner mata a Asael,
irmão de Joabe, 2.12-32.
4. Desavença entre Abner e Is-Bosete, 3.1-11; Abner faz pacto com Davi,
mas é morto por Joabe, para vingar a morte de Asael, 3.12-39.
5. Morte de Is-Bosete; mas Davi manda executar os assassinos de Is-Bosete,
capítulo 4.

D. DAVI É UNGIDO REI SOBRE TODA A NAÇÃO, 5.1-5.

IV. DAVI, REI DE ISRAEL, Capítulos 5.5 a 20.25

A. DAVI TOMA JERUSALÉM DOS JEBUSEUS, E TRANSFERE SUA CAPITAL DE


HEBROM PARA JERUSALÉM, ONDE PROSPERA, 5.6-16. Note-se que Deus
nunca aprovou a ação de Davi ter escolhido mais mulheres para si.

B. DUAS VITÓRIAS SOBRE OS FILISTEUS, 5.17-25. Davi consultou o Senhor


antes de sair à batalha e recebeu instruções d'Ele para saber como devia agir
para obter a vitória. O versículo 24 é muito instrutivo. Vê-se que a batalha
principal se desenrola nos ares, as hostes de Deus lutando contra os poderes
de Satanás (Daniel 10.13; Efésios 6.12).

C. TRASLADO DA ARCA DE DEUS PARA JERUSALÉM, Capítulo 6.

1. Primeiro o traslado foi feito como os pagãos o fariam (1 Samuel 6.7, 10,
11), 6.1-11. A morte de Uzá, à primeira vista, parece injusta e arbitrária,
mas, o fato é que era uma presunção estender a mão para tocar na Arca.
Todo o procedimento era contrário à lei e os levitas deveriam ter adver­
tido a Davi sobre o transporte da Arca. A morte de Uzá fez com que os
israelitas tivessem cuidado com suas ações; ensinou-lhes a apreciar m e­
lhor a santidade de Deus. Dessa forma, buscaram a lei e procederam
corretam ente.
2. Quando os levitas levaram a Arca de Deus de conformidade com o esti-
pulado na lei, tudo correu bem, e chegaram a Jerusalém alegremente,
6.12-23. Com respeito ao versículo 14 e sobre a zombaria de Mical contra
Davi, deve-se compreender que Davi não dançava com uma mulher, como
num baile moderno, mas saltava de alegria, sem abraçar nem tocar a
pessoa alguma. Sua esposa não pôde compreender tal alegria espiritual,
e considerou tudo segundo os padrões carnais, pelo que tam bém Deus a
castigou.

D. O PACTO DAVÍDICO, Capítulo 7. Este é um capítulo muito importante na


história de Israel.

1. Davi deseja edificar um templo para o Senhor, 7.1-3.


2. Deus lhe proibiu edificar um templo para Si, visto que havia derramado
muito sangue, 7 .4 -lla . (1 Crônicas 22.8).
3. Deus estabeleceu com Davi um PACTO, llb -1 6 (Veja-se tam bém o Salmo
89.19-37 e 1 Crônicas, capítulo 17). Nesse Pacto Deus promete edificar
casa a Davi; dar-lhe um filho que reinaria para sempre, ou seja - dar a
seus descendentes um trono pstável. Por isso muitos deduzem que, quan­
do Cristo regressar ao mundo, um filho de Davi será Seu regente em
Jerusalém. Outros opinam que somente Cristo será o Rei, sentado sobre
Seu trono em Jerusalém, como cumprimento dessa profecia.
4. A oração e ações de graças de Davi, 7.17-29. Nota-se a fé sincera com que
Davi aceitou o Pacto, tão gratuitamente oferecido por Deus.

E DAVI EXTENDE SEU REINO, Capítulos 8 a 10.

1. Derrota os filisteus, 8.1; os moabitas, 8.1-4; os sírios de Damasco, 8.5-8;


dedica os despojos ao Senhor, 8.9-12; vence os edomitas, 8.13,14. Oficiais
de Davi, 8.15-18.
2. Parêntese: a m isericórdia de Davi para com Mefibosete, filho de Jônatas,
capítulo 9. Trata-se de um grande exemplo da graça de Deus, no Evange­
lho: um inútil, dentre os inimigos naturais de Davi, é recolhido por Seu
amor e colocado na posição de filho, comendo da mesma mesa do rei!
Procurando o estudante o significado dos nomes próprios de pessoas e
lugares deste capítulo, num Dicionário Bíblico, verá o mesmo ensino mais
estabelecido ainda.
3. Davi derrota os filhos de Am om e os sírios; quis fazer um bem, mas é
insultado, capítulo 10.

F. PECADO DE DAVI E SUAS CONSEQÜÊNCIAS, Capítulos 11 a 20.

1. Davi, estando em sua casa sem nada fazer, quando deveria estar em cam­
po de batalha, peca gravemente com Bate-Seba, 11.1-5. Só Deus relataria
os pecados de seus heróis dessa forma; mas, se o faz, é para nosso ensino,
relatando, juntam ente com o pecado, o castigo correspondente, o método
para obtenção do perdão, e de voltar à comunhão com Ele.
2. Porém, Davi continuou amontoando pecados, causando a morte de Urias
para ocultar seu próprio pecado com a esposa daquele, 11.6-27.
3. Natã, o profeta enviado pelo Senhor a Davi, repreende-o e o acusa, 12.1-
12; confissão de Davi, remissão de sua culpa perante Deus. Mas, teve que
sofrer a perda da criança, 12.13, 14.
4. Morre a criança, apesar do jejum e da oração de Davi, 12.15-23; nasci­
mento de Salomão, 12.24, 25. O versículo 23 e o comportamento de Davi
naquelas circunstâncias nos ensinam preciosas lições: NÃO podemos,
com nossas orações ou penitências, afetar no mínimo que seja, aqueles
que tiverem morrido, nem podemos fazê-los voltar a este mundo para
falar com eles, mas nós mesmos iremos ter com eles. Visto que Davi era
salvo, e ao m orrer iria ter juntam ente com a criança.
5. Vitória sobre Rabá, 12.26-31.
6. Amnom, filho de Davi, peca com sua irmã Tamar, e é morto por Absalão,
outro irmão, capítulo 13. Nota-se nisso tudo a influência do pecado de
Davi entre seus filhos: fornicação e homicídio, seguindo o exemplo do pai.
7. Astúcia e rebelião de Absalão, capítulos 14 e 18.

a. Desterrado por haver assassinado Amnom, Absalão se vale de Joabe


para ser perdoado e retorna a Jerusalém, capítulo 14. Percebe-se aqui
a diferença entre o ser simplesmente perdoado e aquele que é justifica­
do e restaurado à plena comunhão. Cristo nos justificou e restaurou à
comunhão com Deus (Romanos 4.25; Hebreus 7.25; etc.).
b. Absalão trama uma conspiração, 15.1-12.
c. Davi e os seus são obrigados a fugir, 15.13 - 16.23. Veja-se o Salmo 3,
que foi escrito nessa ocasião.
d. Absalão segue o conselho de Husai, amigo secreto de Davi, rejeitando
o conselho de Aitofel, o qual se enforcou em sua casa (pelo que é cha­
mado de "o Judas do Antigo Testam ento"), 17.1-14.
e. Davi e os seus atravessam o rio Jordão e se acampam em Maanaim,
17.15-29.
f. Os homens de Davi derrotam os rebeldes; Joabe mata Absalão, capítulo 18.

8. Regresso de Davi a Jerusalém, capítulo 19. Há duas famosas declarações


nesse capítulo. No versículo 10: "... por que vos calais, e não fazeis voltar
o rei?". E no versículo 11: "Por que seríeis vós os últimos em tornar a
trazer o rei para a sua casa?". Será que Deus poderia fazer-nos essas
perguntas, concernente o regresso de Seu Filho Jesus Cristo (Apocalipse
22 .20 )?
9. Rebelião de Seba e seu fracasso, capítulo 20. Com isso termina a história
consecutiva do reinado de Davi, porém, são adicionados certos aconteci­
mentos como apêndice.

V. APÊNDICE, Capítulos 21 a 24

A. DAVI, ATURDIDO POR TRÊS ANOS CONSECUTIVOS DE FOME, CONSULTA


0 SENHOR E FAZ EXPIAÇÃO PELO PECADO DE SAUL, POR NÃO TER RES­
PEITADO O PACTO FEITO COM OS GIBEONITAS, 21.1-14.

B. LUTAS CONTRA OS FILISTEUS: Morte dos gigantes, 21.15-22.

C. SALM OS DE AÇÕES DE GRAÇAS DE DAVI, capítulo 22. (Compare com o


Salmo 18).

D. ÚLTIMAS PALAVRAS DE DAVI, um Salmo ou Cântico, 23.1-7. Os versículos


2 e 3 contêm uma declaração da inspiração dos escritos de Davi.

E LISTA DOS HOMENS VALENTES QUE AJUDARAM A DAVI, 23.8-39.

F. RECENSEAMENTO DO POVO, TOMADO POR RAZÕES CARNAIS, E SEU


CASTIGO E EXPIAÇÃO, capítulo 24.

1 Crônicas 21.1 diz que foi Satanás que incitou Davi a enumerar o povo de
Israel, e aqui está escrito que isso sucedeu porque Deus se irou contra eles. Ambas
as coisas são verdadeiras, no sentido que nem mesmo Satanás pode fazer alguma
coisa sem a permissão de Deus. Fica subentendido que Satanás foi tão somente
um instrumento nas mãos de Deus para executar juízo sobre a nação, por causa
de seu orgulho.
EM RESUM O - 1 Samuel fornece o fim da história dos juizes, o estabeleci­
mento da monarquia, e o reinado de Saul, que durou 40 anos; 2 Samuel relata a
história de Davi (é contemporâneo de 1 Crônicas).
I. Samuel, juiz-profeta, capítulos 1 a 7. Sam uel foi dado em resposta à
oração de sua mãe, e dedicado a Deus; chegou a ter comunhão com Deus
como ninguém havia tido por muitos anos e Deus lhe fez juiz e profeta.
Os filisteus capturaram a Arca de Deus; morrem Eli e seus filhos; Samuel
começa a julgar o povo. Depois de vinte anos o povo busca o Senhor e,
enquanto Samuel oferece holocaustos, o exército derrota os filisteus e os
expulsa do país.
II. Carreira de Saul, capítulos 8 a 31. Saul reinou bem no princípio, mas
seus últim os anos foram ocupados em perseguir inutilmente a Davi;
Saul é rejeitado por Deus: (1) por causa de sua presunção já não teria
herdeiro no trono; (2) por causa de sua obediência parcial, ele mesmo já
não tinha direito ao trono; (3) por causa de seu pecado, quando consul­
tou a pitonisa, até sua vida lhe foi arrebatada. Morreu em Gilboa.
Hl. Davi, rei de Judá, 2 Samuel 1.1 - 5.5. Abner e Is-Bosete se esforçam para
sustentar a casa de Saul sobre o trono, mas fracassam.
IV. Davi, rei de toda a nação de Israel, capítulos 5 a 20. Conquista Jerusalém
e a torna capital de seu reino; traslada para Jerusalém a Arca de Deus.
Deus estabelece uma aliança com Davi, e estende seu reino, capítulos 5 a
11. Davi peca gravemente e Deus o castiga com a rebelião de seus filhos,
capítulos 12 a 20.
V. Apêndice, capítulos 21 a 24. Davi concede o desejo dos gibeonitas, capí­
tulo 21; canta louvores a Deus; capítulos 22 e 23; toma o censo do povo,
contra a vontade de Deus, e o Senhor envia uma praga, que só foi detida
por meio de sacrifícios e holocaustos, capítulo 24.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Por que 1 Samuel é chamado de "livro de transição"?


2. Sublinhe as palavras erradas. Samuel era: juiz, vidente, rei, profeta, escritor,
sacerdote, general do exército.
3. Qual era a condição espiritual da nação quando Samuel se tornou homem?
4. Que sinais havia da degeneração do reinado de Saul?
5. Uma só das sentenças abaixo é correta como resposta. Qual é? Davi matou a
Saul: (1) por não ter oportunidade para isso; (2) por não ter arma com que
fazê-lo; (3) por não querer m atar um hom em ungido pelo Senhor; (4) por
temer o exército de Saul.
6. Crê você que Davi era sincero em sua lamentação pela morte de Saul? de
Abner? de Absalão?
7. Que lições espirituais recebeu você do estudo da vida de Davi?
(C apítulo 19

PRIMEIRO LIVRO DOS REIS

O Senhor Jesus Cristo falou de Salomão em toda a sua glória (Mateus 6.29;
Lucas 12.27); da rainha de Sabá (Mateus 12.42), e da viúva de Sarepta (Lucas 4.25,
26). Todos esses personagens figuram na história relatada por esse Primeiro livro
dos Reis. Certamente que o Mestre sabia que são relatos dignos de confiança, pois,
de outra forma, não teria baseado sobre eles os Seus ensinamentos.
O templo de Salomão é mencionado por Estevão em sua defesa perante
Sinédrio (Atos 7.47). Tiago falou de Elias e da seca como grande ilustração da
eficácia da oração dos santos (Tiago 5.17); enquanto o apóstolo Paulo escreve
sobre Elias e os sete mil que não dobraram o joelho perante Baal (Romanos 11.2-
4). Outra importante referência, que não teria significado algum sem a história
relatada em 1 Reis (16.29-34) é o uso do nome "Jezabel" em Apocalipse 2.20.
No "cânon" hebraico os dois livros de Reis compõem uma obra só, e o mais
provável é que tenham sido obra de um só escritor. Nota-se a mesma fórmula, em
ambos os livros, para introduzir ou encerrar o reinado de cada um dos reis; são
usadas as m esm as palavras para descrever a maldade dos reis de Israel - ("Fez o
que era mau perante o Senhor, como fizera Manassés, seu p a i..."). E nos mesmos
termos fala do caráter dos reis de Judá - ("Fez o que era reto perante o Senhor,
ando em todo o caminho de seu pai D a v i..."). E segue a mesma prática de selecio­
nar o material histórico e de escrever somente aquilo que contribuía para seus
propósitos.
Não há muitas dúvidas sobre a data em que foi escrito o livro, ou melhor, os
dois livros, considerando-os como uma obra só. Em 2 Reis 25.27-30 se aprende
que isso se verificou depois que Evil-M erodaque se tornou rei da Babilônia, o que
sucedeu no ano 561 antes de Cristo. Como não há a menor menção do regresso dos
judeus a Jerusalém, sob a liderança de Zorobabel, no ano 536 antes de Cristo, tem-
se por certo que os livros de Reis foram escritos nessa época, talvez bem ao redor
do ano 560 antes de Cristo Jesus. 1 Reis 8.8 foi escrito enquanto o templo de Jeru­
salém ainda estava de pé, porém isso não evita que Jeremias poderia tê-lo escrito.
Portanto, quem foi o autor dos livros dos Reis? A tradição judaica ensina que
foi Jeremias, e muitos críticos dizem que a linguagem empregada nesses livros é
muito semelhante às expressões encontradas nos livros de Jeremias e Lamentações
de Jeremias. Pode-se citar as referências abaixo como prova dessa semelhança de
linguagem dos livros de Reis com Jeremias:
Compare:

1 Reis 8.25 com Jerem ias 33.17


2 Reis 17.14 com Jerem ias 7.26
2 Reis 17.15 com Jerem ias 2.5
2 Reis 17.20 com Jerem ias 7.15
2 Reis 17.13 com Jerem ias 18.11; 25.5; 35.15
2 Reis 21.12 com Jerem ias 19.3
2 Reis 21.14 com Jerem ias 12.7
2 Reis 22.17 com Jerem ias 7.20
2 Reis 21.13 com Lamentações 2.8
e muitas outras.

Para verificar-se que os profetas costumavam escrever informes puramente


históricos, pode-se examinar: 2 Crônicas 26.22; Isaías, capítulos 36 a 38; Jerem ias
39.1 - 43.7 e capítulo 52; e Daniel, capítulos 1 a 6.
Para muitos, o problem a do livro de 1 Reis é o da cronologia. Certamente que
nenhuma doutrina das Escrituras depende da correção da cronologia, mas, visto
que a Bíblia é a Palavra de Deus, é claro que nos documentos originais, não podia
haver equívoco de qualquer espécie. No fim do Dicionário Bíblico e do Manual
Bíblico pode-se encontrar um "índice Cronológico" que dá uma idéia de como
coordenar os reinados dos diferentes reis de Israel e Judá. A maneira comum de
solucionar-se as diferenças entre um e outro reinado, é levar em consideração que
às vezes o filho é regente juntam ente com seu pai, como em 2 Reis 15.5, ou por
considerar como intervalo o tempo em que uma das duas nações ficou sem rei,
como aconteceu com Israel até o fim, quando uma semelhante condição de anar­
quia reinava no país. A verdade é que se tivéssemos todos os informes, seria fácil
correlacionar os reinos com perfeição, e, se isso fosse uma necessidade para nossa
salvação ou conhecimento de Deus, certamente que Ele teria revelado tais porme­
nores.
Em 1 Reis 6.1, lemos: "N o ano de quatrocentos e oitenta, depois de saírem os
filhos de Israel do Egito, Salomão, no ano quarto do seu reinado sobre Israel, no
mês de Zive (este é o mês segundo), começou a edificar a casa do Senhor". Em Atos
13.20, podemos ler: "... vencidos cerca de quatrocentas e cinqüenta anos. Depois
disto lhes deu juizes até o profeta Sam uel". Como é possível que os juizes tenham
governado por 450 anos depois de Josué e antes de Saul, se desde a saída do Egito
até o quarto ano do reinado de Salomão não se passaram senão 450 anos? Se dos
480 anos de 1 Reis 6.1 diminuirmos os 40 anos de Israel no deserto, os 17 anos da
conquista e de Josué, os quarenta anos do reinado de Saul, e igual número de anos
do reinado de Davi, bem como quatro anos do reinado de Salomão, antes de ter-se
iniciado a construção do Templo, obteremos o resultado de somente 339 anos,
como o tempo ocupado pelos juizes. E, se examinarmos a tábua cronológica, no
capítulo sobre os juizes, notaremos que essa tábua dá aos juizes o total de 450
anos; porém, tam bém se notará que por 111 anos Israel esteve sob a opressão das
nações vizinhas. Durante esse tempo Deus não governava Seu povo, pelo que
também, ao ser escrito o livro de 1 Reis 6.1, os anos de cativeiros não são tomados
em consideração. Para Deus foram anos perdidos por Seu povo. O total de 450
anos, menos os 111 anos de cativeiro, dão o resultado de 339 anos, que foi justa­
mente o tempo durante o qual os juizes governaram.
De que ponto de vista o autor hum ano escreve esses livros dos Reis? Deseja
preencher aquilo que poderia ser um vazio histórico? Cremos que sua finalidade
foi maior que essa. Esses livros estão escritos pela mesma razão que os demais
livros da Bíblia - para revelar aos homens o caráter e a vontade de Deus. Vê-se
que há seis reis que ocupam a maior parte da totalidade do relato: Salomão (1
Reis, capítulos 1 a 11); Jeroboão I (1 Reis 1 2 .2 5 -1 4 .2 0 ); Acabe (1 Reis 1 6.29-22.40);
Jorão (2 Reis 3.1 - 9.26); Ezequias (2 Reis, capítulos 18 a 20); e Josias (2 Reis, capítu­
los 22 e 23). Que nos ensina tudo isso sobre Deus e Suas relações com os homens?
Muita coisa. Salomão nos faz perceber que teria sido o reino, caso o povo tivesse
seguido o Senhor de todo coração. Jeroboão I introduziu a adoração dos bezerros,
que levou dez tribos ao cativeiro. Acabe foi quem deu início à adoração a Baal em
Israel, que também afetou a Judá; enquanto que Jorão foi o último em cujo reino foi
adorado Baal. Ezequias salvou Judá do cativeiro assírio por meio de um reforma
religiosa; e Josias adiou a ruína de Judá mediante outra reforma.
O esboço do livro é muito simples:

I. Desde a coroação até a morte de Salomão, capítulos 1 a 11.


II. Desde a divisão do reino até a morte de Acabe, capítulos 12 a 22.

I. DESDE A COROAÇÃO ATÉ A MORTE DE SALOMÃO, Capítulos 1 a 11.

A. CONSPIRAÇÃODE ADONIAS, ESTANDO DAVI, SEU PAI, ADOENTADO, 1.1-


10, 41-52. Que luz é lançada pelo versículo 6 sobre o caráter de Adonias?
Percebe-se novam ente a responsabilidade dos pais corrigirem e encam i­
nharem seus filhos para que respeitem a lei.

B. COROAÇÃO DE SALOMÃO COMO REI, PELAS DOZE TRIBOS, 1.11-40.

1. Plano de Natã, o profeta, e Bate-Seba, mãe de Salomão, 1.11-31. Devemos


recordar que Deus havia ordenado que Salomão seria rei depois de Davi,
seu pai, porque Deus tinha proposto que Salomão fizesse um trabalho
especial (1 Crônicas 22.6-10).
2. A coroação é efetuada por ordem do rei Davi, 1.32-40.

C. ÚLTIMOS CONSELHOS DE DAVI A SALOMÃO, E SUA MORTE, 2.1-11.

D. REINADO DE SALOMÃO EM RESPLENDOR E PROSPERIDADE, 2.12-10.29.

1. Seu trono é firmado, 2.12-46.


a. Execução de A donias, 2.13-25. Por seu golpe político tão astuto,
Adonias provou que era um traidor, pelo que também foi morto.
b. Castigo de Abiatar e execução de Joabe, 2.26-46. Visto que os dois
conspiraram injustam ente com Adonias, tornaram-se merecedores
do castigo.
2. Primeira aparição do Senhor a Salomão, capítulo 3.
a. Am or e obediência parcial de Salomão ao Senhor, 3.1-4.
b. Oferta do Senhor e petição de Salomão, 3.5-9. Note-se o conceito em
que Salomão tinha seu pai: relembrava-o como hom em que andava
perante Deus em verdade, justiça e retidão de coração, 3-6.
c. Deus responde a petição de Salomão com acréscimos, 3.10-28. Talvez
Salomão seja mais conhecido pelo juízo ditado sobre a questão do
menino vivo do que por qualquer outra coisa. Mas, que indício nos
fornece o incidente sobre a condição moral da nação?
3. Organização do reino e sabedoria do rei, capítulo 4.
4. Edificação do Templo de Salomão, capítulo 5 a 7.
a. Fez contrato com Hirã, rei de Tiro, para que lhe enviasse madeira do
Líbano, capítulo 5.
b. Descrição do Templo, capítulos 6 e 7, com um parêntese (7.1-8) que fala
sobre as casas do próprio Salomão. O Templo edificado por Salomão,
que p e rm a n e c e u de pé até o c a tiv e iro b a b iló n ic o , q u an d o
Nabucodonosor destruiu a cidade de Jerusalém, por volta do ano 586
antes de Cristo, foi o Templo mais majestoso que os judeus já tiveram.
O plano do edifício e do átrio seguiam o mesmo desenho do Tabernáculo,
com a adição de outro átrio e dos pórticos. O Templo achava-se situa­
do no alto do monte Moriá, onde Davi, por meio de sacrifícios, estan­
cou a praga (2 Samuel 24.18-25; 1 Crônicas 21.18-30; 22.1; 2 Crônicas
3.1). O terreno foi nivelado, pois era muito irregular, e o edifício foi
construído no alto do monte, com os átrios ao redor. O próprio Tem­
plo tinha setenta côvados de comprimento e vinte de largura. (O côvado
tinha a m edida do antebraço e da mão do sumo sacerdote, desde a
ponta dos dedos até o cotovelo, pelo que era de pouco menos de meio
metro). O edifício era dividido, em seu comprimento, como segue: O
pórtico tinha dez côvados e era muito alto e imponente, pois possuía
colunas; o Santo Lugar media quarenta côvados, e contava com os
mesmos móveis que apareciam no Tabernáculo; e o Santo dos Santos
era de vinte côvados. As paredes eram de pedras brancas, cobertas
por dentro com tábuas de cedro, e estas recobertas com placas de
ouro puro, tudo gravado com querubins, palmeiras e botões de flores.
Além disso, havia as duas figuras de querubins, com asas estendidas,
de modo que atingiam de um lado ao outro do Santo dos Santos, e por
baixo das asas ficava a Arca do Testemunho, que antes estivera no
Tabernáculo. Todo o Templo era recoberto de ouro por dentro. A única
cortina era o véu pesado e formosíssimo que separava o Santo Lugar
do Santo dos Santos. Por fora do edifício foram feitos aposentos para
habitação dos sacerdotes. Entre o pátio ou átrio dos sacerdotes, que
estava ao redor do edifício do Templo, e o pátio de Israel, que era o
amplo átrio exterior, havia um muro duplo e coberto, que servia como
depósito de lenha, etc., e também como moradia. Um muro grande
fechava o átrio de Israel, e havia uma porta para o lado do leste, volta­
do para o m onte das Oliveiras. A disposição do altar, da bacia de
cobre, do Santo Lugar e do Santo dos Santos era a mesm a que no
Tabernáculo, de maneira que as lições espirituais acerca do m odo que
o pecador pode entrar na presença de Deus e ter seus pecados perdo­
ados, eram ensinados tal qual o eram, por símbolos, no Tabernáculo.
5. Dedicação do Templo, capítulo 8. Os sacerdotes colocaram a Arca da Ali­
ança dentro do Santo dos Santos, e a glória do Senhor encheu a casa, de
modo que não podiam ministrar ali. Salomão fez a oração dedicatória,
uma oração sublime pelo seu conceito de Deus, especialmente em Seu
desejo de perdoar e em Seu amor para com o mundo inteiro, e não para
com Israel unicamente. Salomão sabia que Deus ouvia e respondia às
orações; que Ele era justo, santo e misericordioso; que sabia de tudo e que
estava presente em todos os lugares.
6. Segunda aparição do Senhor a Salomão, 9.1-9. Deus prometeu abençoar a
obediência e castigar a desobediência.
7. As cidades de Salomão, 9.10-28.
8. Visita da rainha de Sabá a Jerusalém, e a glória de Salomão, capítulo 10.
Note-se, no versículo 5, que o que mais impressionou a rainha foi a m a­
neira dos israelitas se aproximarem de Deus. O Senhor Jesus aprovou a
ação da rainha de Sabá, por ter vindo ouvir a sabedoria de Salomão, e
ensinou que, sendo Ele mesmo maior que Salomão, todos devemos dar
ouvidos às Palavras de Vida por Ele pronunciadas (Mateus 12.42).

E DEGENERAÇÃO DE SALOMÃO E SEU REINADO, ATÉ SUA MORTE,


Capítulo 11.

1. As mulheres estrangeiras é que lhe desviaram o coração, 11.1-8.


2. M ensagem de Deus a Salomão, 11.9-13. Algumas pessoas são de opinião
que o próprio Salomão nunca chegou a adorar os ídolos, mas apenas que
cooperou com suas mulheres, provendo-lhes os meios de seguirem suas
idolatrias. Porém, a linguagem do versículo 10 nos sustenta na crença
que Salomão se entregou ao culto dos ídolos: "E acerca disso lhe tinha
ordenado que não seguisse a outros deuses. Ele, porém, não guardou o que o
Senhor lhe ordenara". Teria sido salvo Salomão? Estará ele nos céus, junta­
mente com os remidos? Que ele não foi salvo pelas obras da lei não pode
haver a m enor dúvida. Pois não há salvação senão na graça de Deus.
Pessoalmente nos sentimos imensamente agradecidos a Deus por não
termos de decidir o destino eterno de ninguém; não queremos ter a res­
ponsabilidade de Deus por um minuto sequer.
3. As provações e a morte de Salomão, 11.14-43.

II. DESDE A DIVISÃO DO REINO ATÉ A MORTE DE ACABE,


Capítulos 12 a 22

A. DIVISÃO DO REINO, 12.1-24.

1. Roboão é entronizado em lugar de seu pai, Salomão, 12.1-17.0 que Robòão


e seus jovens conselheiros consideravam de valor, era tão somente im ­
prudência e falta de consideração.
2. As dez tribos do norte se rebelam contra Roboão, lideradas por Jeroboão,
e Deus ordena que aceite o castigo passivamente, sem declarar guerra às
tribos revoltadas, 12.18-24. Dessa data em diante o reino do norte passou
a chamar-se Israel, enquanto o do sul começou a ser conhecido como
reino de Judá. A tribo de Efraim era a mais poderosa das tribos do norte,
e por isso, às vezes, a Bíblia chama de Efraim a nação de Israel.

B. O TERRÍVEL PECADO DE APOSTASIA E A MORTE DE JEROBOÃO, 12.25 -


14.20.

1. Tendo entrado em acordo com os chefes do povo, 12.28, Jeroboão fez dois
bezerros de ouro; colocou um em Betei e outro em Dã, e disse ao povo:
"Basta de subirdes a Jerusalém ; vês aqui os teus deuses, ó Israel, que te
fizeram subir da terra do Egito!" Esse pecado afetou Israel até levar a
nação à ruína, um século e meio depois, 12.25-33.
2. Deus admoesta Jeroboão e Israel por sua idolatria; morte do profeta deso­
bediente, capítulo 13. Não devemos ser dogmáticos sobre a interpreta­
ção desse capítulo, porém, podemos observar algumas indicações. Note
que o profeta ancião morava em Betei, assento da idolatria, assim pro­
vando que não era hom em muito espiritual, visto que muitos indivíduos
de Israel; que buscaram ao Senhor e se recusaram a submeter-se à idola­
tria de Jeroboão, foram para Jerusalém (2 Crônicas 11.16, 17). Deus per­
mitiu o teste do profeta de Judá e lhe tirou a vida como castigo por sua
desobediência, porém, isso não significa que sua alma se tenha perdido,
necessariamente. Percebe-se que o castigo foi de caráter sobrenatural, e
sem dúvida o evento fez com que muitos dessem atenção à admoestação
e à profecia, o que provavelmente, não teriam feito de outro modo.
3. M orte de Jeroboão e seu filho, 14.1-20.

C. REINADO E MORTE DE ROBOÃO, 14.21-31.

1. Degeneração m oral e espiritual, 14.22-24.


2. A punição: Sisaque, rei do Egito, saqueia Jerusalém, 14.25,26.
3. Sentença e morte de Roboão, 14.27-31.

D. REINADOS DE ABIAS E ASA EM JUDÁ, 15.1-24.

1. Abias, filho de Roboão, fez mau reino por três anos, 15.1-8.
2. Asa, filho de Abias, fez bom reino, por 41 anos, 15.9-24.

E NADABE, FILHO DE JEROBOÃO I, reina dois anos e é morto, terminando


assim a prim eira dinastia (ou família reinante) em Israel, 15.25-28.

F. SEGUNDA DINAISTIA EM ISRAEL, 15.28 -16.14.

1. Baasa reina m al por vinte e quatro anos, depois de matar a Nadabe, 15.28
-1 6 .6 . Deus usou Baasa para executar a sentença de condenação contra a
casa de Jeroboão, porém, Baasa seguiu pelos mesmos caminhos crimino­
sos, e por isso foi igualmente condenado.
2. Elá, filho de Baasa, reinou por dois anos em Israel e foi morto, terminando
assim a segunda dinastia, 16.7-14.

G. TERCEIRA DINASTIA EM ISRAEL, 16.15-20. Zinri assassinou Elá; reinou ini-


quamente por uma semana e se suicidou, sem deixar filho para reinar em
seu lugar.

H. QUARTA DINASTIA EM ISRAEL: reinados de Onri, Acabe e Acazias, 16.21 -


22.54.

1. Onri tomou o reino, fez de Samaria sua capital, e reinou por doze anos,
16.21-28.
2. Acabe reinou em Samaria por vinte e dois anos, 16.29 - 22.40.
a. Casou-se com a idólatra Jezabel, princesa de Sidom, 16.31.
b. Introduziu a adoração a Baal, em Israel, 16.31-33.
c. M inistério do profeta Elias, 17.1 - 19.21.
(1) Elias predisse a seca e não choveu por três anos e meio, capítulo 17.
(a) A profecia, 17.1.
(b) O profeta é sustentado pelos corvos e pelo riacho, 17.2-7.
(c) Uma viúva de Sarepta o manteve vivo por milagre do Se­
nhor, 17.8-16. Quando o Senhor Jesus se referiu a essa viúva
(Lucas 4.25, 26), deixou patente o fato que Deus queria usar
uma judia para receber tal privilégio, mas não achou uma
só que tivesse fé. Uma estrangeira fiel era preferível que uma
mulher do povo escolhido, mas destituída de fé no Senhor.
(d) O filho da viúva é ressuscitado mediante a oração de Elias,
17.17-24.
(2) O conflito entre Elias e os sacerdotes de Baal, no monte Carmelo,
capítulo 18. Este capítulo apresenta um a história verídica com
cenas mui emocionantes, e merece muito estudo e atenção. Note-
se: a intrepidez do profeta Elias (18.17, 18); sua fé e zelo pelo
Senhor (18.19); sua certeza de que Baal não era deus, pelo que
também não podia ouvir nem responder, mas sua igual certeza
de que o Senhor lhe responderia (18.27-37); seu desafio ao povo
para que decidisse a quem queria servir (18.21); sua persistência
em oração e a recompensa de sua fé (18.42-45).
(3) Elias foge de Jezabel e aprende novas lições da parte de Deus,
capítulo 19.
(a) Elias, debaixo de um zimbro, pede a morte para si, 19.1-7.
Aqui se nota o outro lado do caráter de Elias. Se desejava
realm ente morrer, por que não permaneceu em Samaria,
para Jezabel realizar sua ameaça? Segundo parece, no fundo
do coração, Elias estava se queixando do tratamento que
Deus lhe dava. Faz parte da experiência freqüente dos ser­
vos do Senhor que, depois de uma grande vitória, e por cau­
sa do cansaço, sobrevêm a tentação. As vezes trata-se do
desalento ou da comiseração própria, pela qual o crente jul­
ga que Deus deveria ter maior consideração para com ele,
que é Seu Servo; às vezes o motivo é o descuido, em que o
crente passa a confiar na vida passada. N osso dever é
relembrar o Senhor Jesus, que, depois de Seu batismo, foi
fortemente tentado, mas saiu-se vencedor por intermédio
da Palavra de Deus.
(b) O Senhor fala com Elias - não por meio do vento impetuoso,
nem pelo terremoto, nem pelo fogo, mas por meio de um
cicio tranqüilo e suave, 19.8-18. Dessa forma Deus curou o
desencorajamento do profeta, ensinando-lhe que não era o
único que amava ao Senhor, mas que também havia outros
sete mil que não tinham dobrado os joelhos perante Baal, o
ídolo detestável. Também lhe ensinou que Deus tinha recur-
sos suficientes para continuar com Seus planos, mesmo sem
Elias, e lhe mandou ungir seu sucessor.
(c) A chamada de Eliseu, 19.19-21.
(d) Guerra entre Israel e os sírios, capítulo 2 0 .0 Senhor concede
a Israel duas vitórias para glória de Seu nome, mas Acabe se
faz amigo do beberrão Ben-Hadade e é repreendido por um
profeta anônimo.
(e) Acabe toma a vinha de Nabote por meio dos planos iníquos
de Jezabel, e sua repreensão por Elias, capítulo 21. Note-se
especialmente o versículo 20.
(f) Acabe e Josafá pelejam contra Ramote de Gileade, e são ven­
cidos; Acabe foi morto em batalha, capítulo 22.1-40. A cena
que se verificou no palácio, com a altercação entre os profe­
tas, é bastante comovente. O versículo 16 é muito instruti­
vo: um profeta de Deus é conjurado por um infiel.
(g) Acazias é feito rei em Israel em lugar de seu pai, Acabe, 22.52-
54.

I. REINADO E MORTE DE JOSAFÁ, FILHO DE ASA, EM JUDÁ, 22.41-51.

EM RESUM O - Os dois livros de Reis fornecem a história da relação de Deus


com Seu povo durante os reinados de Salomão e dos demais reis, até o cativeiro
babilónico.
I. Reinado de Salomão, capítulos 1 a 11. Por decreto de Deus e de Davi, seu
pai, Salomão sucede a Davi no trono, e reina por quarenta anos. Deus
apareceu-lhe e o abençoou em grande maneira, porém, por sua vez, as
m ulheres estrangeiras lhe extraviaram o coração, fazendo-o adorar os
ídolos. Salomão é conhecido por sua sabedoria e por haver edificado o
famoso Templo de Jeová.
II. Desde a divisão do reino até a morte de Acabe, capítulos 12 a 22.
Roboão recebe o reino de seu pai, Salomão, mas Deus puniu a família de
Davi, tirando-lhe dez tribos, que formaram a nação de Israel, enquanto
os filhos ou descendentes de Davi continuaram reinando sobre Judá, em
Jerusalém. 1 Reis contém o relato dos reinados de Salomão, Roboão, Abias,
Asa e Jeosafate, reis de Judá.
Apostasia de Jeroboão, fazendo dois bezerros e levando o povo de Israel a
afastar-se de Deus. Por causa de seu pecado de idolatria, a dinastia de Jeroboão é
rejeitada, e quatro dinastias sucessivas reinam sobre Israel no relato coberto pelo
livro de 1 Reis. A família mais famosa dessa dinastia foi a dinastia de Onri, cujo
filho, Acabe, introduziu a adoração ao ídolo Baal, em Israel.
Durante o reinado de Acabe, temos a história do ministério do profeta Elias:
a seca; o sacrifício no m onte Carmelo, com a morte dos sacerdotes de Baal; a
chuva; a fuga de Elias e sua experiência com Deus no monte; sua acusação contra
Acabe na vinha de Nabote, onde Elias profetiza a morte do perverso rei.
Termina o livro com o relato dos reinados de Josafá e Acabe, derrotados
diante de Ramote-Gileade, segundo foi profetizado por Mica, e é dado o relato da
morte de ambos os reis.

PEGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Qual o propósito dessa história dos reis?


2. Esboce a história espiritual do rei Salomão:
3. Q u ais são as d iferen ça s p rin c ip a is en tre o Tem p lo de Salo m ão e o
Tabernáculo?
4. Em que consiste o pecado de Jeroboão, o primeiro rei das dez tribos?
5. Nomeie os principais acontecimentos da vida do profeta Elias:
(Q a p íiu L fr 2 0

SEGUNDO LIVRO DOS REIS;


PRIMEIRO E SEGUNDO LIVROS DE CRÔNICAS

II REIS

O Senhor Jesus Cristo usou a história da cura do sírio Naamã, que foi curado
de lepra, como resposta às críticas feitas sobre Seu primeiro sermão na sinagoga
de Nazaré (Lucas 4.27; 2 Reis 5.14). Serviu de forte repreensão contra os judeus
por causa de sua falta de fé, e o resultado foi que a ira lhes subiu tanto à cabeça que
chegaram ao ponto de atentar contra a vida do Senhor. Se a história de Naamã
não fosse verídica, não teria provocado tal reação, nem o Senhor teria lançado
mão dela, caso houvesse dúvida sobre sua autenticidade. Quando Tiago e João se
ofereceram para castigar a falta de hospitalidade dos samaritanos, usaram como
exemplo a Elias, quando fez descer fogo do céu sobre os m ensageiros de Acazias
(Lucas 9.54; 2 Reis 1.10-12).
A genealogia do Senhor Jesus, em Mateus 1.1-16, nomeia reis de Judá que
aparecem em 2 Reis, com exceção de Joás, Amazias e Uzias, descendentes de
Acazias, o rei que introduziu a adoração de Baal em Judá, e cuja mãe fora Atalia,
filha de Acabe e de Jezabel, o casal que trouxe a idolatria de Baal para a nação de
Israel. Por motivo do pecado daquele casal, o filho, o neto e o bisneto não são
nomeados na genealogia de Mateus, pois o Senhor visitara a iniqüidade naquelas
três gerações. Em Mateus 1.12 se faz menção exata sobre a deportação para a
Babilônia.
Em relação ao autor hum ano e aos propósitos da história, o estudante pode
examinar a introdução dada a 1 Reis.
A sinopse do livro de 2 Reis, é como segue:

I. Desde o reinado de Acazias até o cativeiro do reino do norte, capítulos 1


a 17.
II. Desde o reinado de Ezequias até o cativeiro do reinado do sul, capítulos
18 a 25.
I. DESDE O REINADO DE ACAZIAS ATÉ O CATIVEIRO DO REINADO
DO NORTE, Capítulos 1 a 17.

A. FIM DA QUARTA DINASTIA DE ISRAEL, 1.1 - 9.26.

1. Moabe se rebela contra Israel e obtém sua independência, 1.1.


2. Enfermidade, pecado e morte de Acazias, 1.2-18.
a. Tendo sofrido um acidente, o rei envia m ensageiros a Baal-Zebube,
deus de Ecrom, mas Elias faz os mensageiros voltarem ao rei com uma
m ensagem de Deus, 1.2-6.
b. Acazias envia três capitães com cinqüenta soldados cada um, suces­
sivamente, a fim de prender a Elias, 1.7-15. A razão do fogo ter caído
do céu e consumido os primeiros dois capitães com seus cinqüenta
soldados, aparentemente foi devido ao fato que os dois primeiros ca­
pitães participavam , juntam ente com o rei, em seu desprezo para
com Deus e Seu profeta, tratando desrespeitosamente o mensageiro
de Deus e tudo quanto ele representava.
c. Condenação e morte do rei, 1.16-18.
3. Arrebatamento de Elias ao céu, 2.1-12. Eliseu solicita porção dupla do
espírito de Elias - a porção do primogênito - e Elias lhe diz que isso
dependia do próprio Eliseu, pois do contrário não teria a concentração e
a percepção espiritual suficientes para poder vê-lo quando fosse arreba­
tado ao céu. Eliseu provou que era dono dessas qualidades, e recebeu o
manto de Elias e o que havia solicitado.
4. Milagres feitos por Eliseu, 2.13-25. Talvez seja interessante fazermos bre­
ve com entário explicativo quanto aos rapazes e aos ursos. Devem os
relem brar a condição espiritual de Israel, como a nação estava afastada
de Deus, e não esquecer os esforços de Deus para levá-los ao arrependi­
mento. A Bíblia nada diz sobre o vestuário de Eliseu, se ele se vestia de
peles como Elias, e a idéia sugerida pela expressão "calvo", não é tanto
que ele fosse careca, mas sim, que não usava vasta cabeleira como seu
antecessor. Por esse motivo os rapazes faziam a distinção entre os dois
pelo rosto, intimando que Eliseu não era profeta por não se parecer com
Elias. Assim como Elias prefigurava a João Batista (Lucas 1.17), alguns
crêem que Eliseu prefigurava o Senhor. Certamente que o incidente acima
demonstra a diferença entre os dois profetas, como Mateus 11.16-19 tam­
bém manifesta a diferença entre João Batista e Jesus Cristo.
5. Jorão, rei de Israel; Josafá, rei de Judá; e o rei da Iduméia, derrotam Mesa,
rei de Moabe, com a ajuda de Eliseu, capítulo 3.
6. Mais milagres feitos por Eliseu, 5.1 a 8.15.
a. A viúva e a vasilha de azeite, 4.1-7.
b. A mulher sunamita e seu filho, 4.8-37. H á muitas semelhanças entre a
história dessa sunamita e a história de um pecador que se converte ao
Senhor; primeiramente, um interesse passageiro; em seguida, um in­
teresse mais firme; e então, uma nova vida, dada por milagre de Deus;
essa nova vida é recebida como que por uma ressurreição; testemu­
nho diante do rei depois da peregrinação.
c. Cura de Naamã, o sírio, capítulo 5.
d. O machado recuperado, 6.1-7.
e. Eliseu e o exército da Síria, 6.8-23. Eliseu não faltou com a verdade, no
versículo 19, pois, em realidade, os sírios buscavam o rei, segundo se
verifica nos versículos 9 e 10, e Eliseu cumpriu sua promessa de levá-
los à sua presença.
f. A fome e a libertação preditas por Eliseu, 6.24 - 7.20. Entre os versículos
6.23 e 6.24 certamente se passaram muitos anos, o que permitiu que os
sírios se tivessem esquecido da experiência com Eliseu. Note-se 7.9.
Oxalá que todos os crentes tivessem o mesmo sentimento de levar aos
perdidos as boas novas de salvação do Evangelho!
g. A sunamita volta de suas peregrinações e testifica diante do rei, 8.1-6.
h. Eliseu e Hazael em Damasco, 8.7-15.
7. Reinados de Jorão e Acazias, em Judá, 8.16-29.
8. Jeú, ungido como rei de Israel, mata o rei Jorão, chegando assim ao fim a
dinastia de Onri, 9.1-26.

B. QUINTA DINASTIA DE ISRAEL - REINADO DE JEÚ, 9.27 -10.36.

1. Jeú também mata a Acazias, rei de Judá, que era da família de Acabe por
parte de sua mãe, 9.27-29.
2. M orte de Jezabel, 9.30-37.
3. Toda a família de Acabe é extirpada, juntam ente com os adoradores de
Baal, capítulo 10. Morte de Jeú.

C. REINADOS DE ATALIA E JOÁS, EM JUDÁ, Capítulos 11 e 12.

1. Atalia toma o trono por usurpação, capítulo 11.


2. Joás reina por quarenta anos; no princípio, é bom rei, e fez reparos no
Templo, capítulo 12.

D. REINADOS DE JEOCAZ E JOÁS, EM ISRAEL, Capítulo 13. Morte de Eliseu,


13.20.

E REINADOS DE AMAZIAS, EM JUDÁ, 14.1-20; E DE AZARIAS (Uzias), 14.21,


22; 15.1-7

F. REINADOS DE JEROBOÃOII, 14.23-29; E DE ZACARIAS, EM ISRAEL, 15.8-12.


Com Zacarias termina a Quinta dinastia de Israel.
G. SEXTA DINASTIA, SALUM, DE UM MÊS; 15.13-15; E A SÉTIMA, DE MENAÉM
E PECAÍAS, EM ISRAEL, 15.16-26.

H. OITAVA DINASTIA EM ISRAEL, PECA, REINADO DE 20 ANOS, 15.27-31. Os


assírios levam muitos israelitas para a Assíria.

I. REINADOS DE JOTÃO, 15.32-38, E DE ACAZ, 16.1-20, EM JUDÁ. Acaz profa­


na o Templo de Jerusalém.

J. NONA E ÚLTIMA DINASTIA EM ISRAEL, COM O CATIVEIRO ASSÍRIO, Ca­


pítulo 17.

1. Reinado de Oséias, 17.1,2.


2. Queda de Samaria, 17.3-6.
3. Razões deste castigo de Deus, 7.7-23.
4. O rei da Assíria trouxe outros povos para viverem no reino do norte,
17.24-41.

II. DESDE O REINADO DE EZEQUIAS ATÉ O CATIVEIRO DO REINO DO


SUL, Capítulos 18 a 25.

A. REINADO DE EZEQUIAS, Capítulos 18 a 20.

1. Promoveu uma reforma religiosa, 18.1-8.


2. Senaqueribe invade Judá, mas é castigado por sua blasfêmia, vencido e
morto, 18.9 - 19.37. M inistério de Isaías, 19.1-7, 20-34.
3. Enfermidade, cura e imprudência de Ezequias, sua morte, capítulo 20.

B. REINADO DE MANASSÉS, 21.1-18.

Esse reinado provocou gravíssima degeneração entre o povo, durante os 52


anos pelos quais se prolongou - Manassés restabeleceu o culto a Baal e a adoração
dos corpos celestes, em Judá.

C. MAU REINADO DE AMOM, 21.19-26.

D. O BOM REINADO DE JOSIAS, 22.1 - 23.30. É encontrado o livro da lei; a


reforma que se verificou em conseqüência disso, adia por algum tempo a
destruição de Judá.

E O MAU REINADO DE JEOACAZ. POR 3 MESES, Jeoacaz é deposto por Faraó-


Neco, 23.30-33.
F. M AU REINADO DE ELIAQUIM, 23.34 - 24.6. Primeiro passo para o cativeiro.

G. M AU REINADO DE JOAQUIM , 24.7-16. Dez mil pessoas e muitos despojos


são levados para a Babilônia.

H ZEDEQUIAS REINA POR ONZE ANOS EM JERUSALÉM, antes dessa cidade


ser destruída por Nabucodonosor. A última deportação se verifica no ano
586 antes de Cristo, 24.17 - 25.21.

1. GEDALIAS, GOVERNADOR, É MORTO À TRAIÇÃO, E O POVO RESTANTE


FOGE PARA O EGITO, 25.22-26.

J. JOAQ U IM É SOLTO DO CÁRCERE POR EVIL-M ERODAQUE, REI DA


BABILÔNIA, 25.27-30. Nisso se percebe a preparação para o regresso dos
judeus, porém, tal fato não é relatado no livro dos Reis.

LIVRO DE CRÔNICAS

Estes livros de Crônicas tratam sobre a história dos israelitas desde o reina­
do de Davi até o regresso do cativeiro na Babilônia. Dessa forma, têm o mesmo
tema dos livros de 2 Samuel e 1 e 2 Reis. É interessante estudar as diferenças entre
os dois relatos.
A tradição atribui os livros de Crônicas à pena de Esdras, e é bem possível
que essa seja a verdade. D e que foram escritos depois do regresso da Babilônia se
verifica em 2 Crônicas 36.22, 23, versículos esses que são repetidos em Esdras 1.1-
2. O conteúdo tam bém apoia a idéia de que Esdras tenha sido seu autor, porque
veio a Jerusalém juntam ente com o segundo grupo de judeus que saíram da
Babilônia, com o propósito expresso de restaurar o culto e fomentar uma reforma
religiosa em Judá.
Os livros de Crônicas se prestam admiravelmente para essa finalidade. Co­
m eçam com nove capítulos sobre genealogias, as quais não só garantem a
genealogia intacta preparativa para a vinda do Messias, apesar do cativeiro, mas
também fazem a conexão entre os judeus que voltaram do cativeiro e a vida
nacional antes da queda do reino. Fala sobre como os sacerdotes, os levitas, os
cantores, os porteiros e demais funcionários do Templo receberam seus postos
por famílias; sua participação no funcionamento do Templo tornava necessário
que Esdras soubesse com exatidão as genealogias para poder efetuar a reorgani­
zação do culto (Nota-se Neemias 7. 63-65, como ilustração do fato).
O fato de que os livros de Crônicas se ocupam tanto dos reinados de Davi e
Salomão, descrevendo com particularidade a organização dos sacerdotes por
turnos, os encargos dos levitas, os regulamentos sobre os cantores, os porteiros, e
demais servidores do Templo, nos ajuda a crer que um sacerdote hábil foi o autor
desses livros. Fiel ao seu propósito, o escritor dos livros de Crônicas não meneio-
na o pecado de Davi com Bate-Seba e suas terríveis conseqüências, por não consi­
derar o fato pertinente.
Alguns chamam os livros de Crônicas de "a história profética de Judá, por
ter sido escrita do ponto de vista dos profetas e da vida religiosa, e não tanto do
ponto de vista do reino, do que era civil. Eis algumas referências históricas que
podem ser encontradas nos livros de Crônicas, mas que não aparecem nem nos
livros de Samuel nem nos de Reis, para salientar dessa forma a diferença entre os
relatos: 1 Crônicas 22.1-19; 28.1-21; 29.1-22; 2 Crônicas 2.3-16; 12.5-8; 13.4-18;
14.9-12; 15.1-15; 16.7-10; 17.3-11; 19.1-11; 20.1-30, 37; 21.12-15; 24.17-22; 25.5-10,
14-16; 26.16-20; 28.6-15; 29.3-36; 30.1-27; 31.1-21; 32.2-16. Essas porções tratam,
em sua maioria, de questões religiosas, provando assim a índole dos livros de
Crônicas.
O esboço inclui os dois livros:

I. Genealogias - 1 Crônicas, capítulos 1 a 9.


n Reinado de Davi, capítulos 10 a 29.
UI. Reinado de Salomão - 2 Crônicas, capítulos 1 a 9.
IV. Da divisão do reino até a restauração, capítulos 10 a 36.

I. GENEALOGIAS - 1 CRÔNICAS, Capítulos 1 a 9.

A. DE ADÃO A ABRAÃO, 1.1-28.

1. De Adão a Noé, 1.1-4.


2. Filhos de Noé, 1.5-28. Deve-se notar que, ainda que Sem tenha tido nove
filhos, aparece a descendência som ente de A rfaxade, porque leva a
genealogia até Abraão, de quem haveria de descender o Messias.

B. DE ABRAÃO ÀS TRIBOS, 1.29-54.

1. Filhos naturais de Abraão, 1.29-33.


2. Isaque, filho da promessa, 1.34.
3. ^Esaú e Israel (Jacó), 1.34.
4. Gerações de Esaú, pai dos edomitas, 1.35-54.

C. FILHOS DE JACÓ, OS DOZE PATRIARCAS QUE FORMARAM AS DOZE TRI­


BOS, E SEUS DESCENDENTES, capítulos 2 a 8. Nota-se que a tribo de Judá
recebe atenção especial, visto que dela participava Davi. Os descendentes de
Davi são acompanhados até o cativeiro.

D. HABITANTES DE JERUSALÉM, DEPOIS DO CATTVEIRO BABILÓNICO, E SEUS


CARGOS, capítulo 9.
II. REINADO DE DAVI, Capítulos 10 a 29.

A. MORTE DE SAUL E SEUS FILHOS. DAVI É FEITO REI, 10.1 -1 1 .3 .


B. HOMENS VALENTES QUE SEGUIAM A DAVI, 11.4 -12.40.
C. A ARCA DE DEUS É TRANSPORTADA DE QUTRIATE-JEARIM A JERUSALÉM;
o cântico de Davi, capítulos 13,15 e 16.
D. FAMÍLIA DE DAVI E SUAS VITÓRIAS SOBRE OS FILISTEUS, capítulo 14.
E DAVI RESOLVE CONSTRUIR UMA CASA PARA DEUS, MAS ISSO LHE É PROI-
BIDO. Celebração do Pacto Davídico, capítulo 17.
F. VITÓRIAS MILITARES DE DAVI, capítulos 18 a 20.
G. PECADO DE DAVI AO MANDAR FAZER O RECENSEAMENTO, E SUAS CON­
SEQÜÊNCIAS, capítulo 21.
H PREPARATIVOS PARA A EDIFICAÇÃO DO TEMPLO, E A ORGANIZAÇÃO
DO CULTO, capítulos 22 a 26.
I. ORGANIZAÇÃO CIVIL DO REINO, capítulo 27.
J. ÚLTIMAS EXORTAÇÕES DE DAVI AO POVO, E SUA MORTE, Capítulos 28 e
29.

III. REINADO DE SALOMÃO - 2 CRÔNICAS, Capítulos 1 a 9.

A. ORAÇÃO DE SALOMÃO E SUA PROSPERIDADE, capítulo 1.


B. EDIFICAÇÃO E DEDICAÇÃO DO TEMPLO, capítulos 2 a 7.
C. OBRAS, SABEDORIA, GLÓRIA E MORTE DE SALOMÃO, capítulos 8 e 9.

IV. DA DIVISÃO DO REINO À RESTAURAÇÃO, Capítulos 10 a 36.

A. REINADO DE ROBOÃO, capítulos 10 a 12.

1. Divisão do reino, capítulo 10.


2. Fortificações de Judá, capítulo 11.
3. Pecado de Roboão e sua humilhação por Sisaque, rei do Egito, capítulo 12.

B. REINADOS DE ABIAS E ASA, EM JERUSALÉM, capítulos 13 a 16.

C. O BOM REINADO DE JOSAFÁ, suas reformas e seus erros, capítulos 17 a 20.

D. REINADOS DE JORÃO, ACAZIAS E ATALIA, capítulos 21 e 22.

E O BOM REINADO DE JOÁS, os reparos efetuados no Templo, etc., capítulos


23 e 24.

F. REINADOS DE AMAZIAS, UZIAS, JOTÃO E ACAZ, capítulos 25 a 28.


G. O BOM REINADO DE EZEQUIAS, durante o cativeiro de Israel, capítulos 29
a 32.

1. Limpa o Templo e restabelece o culto, capítulo 29.


2. Celebração da Páscoa, capítulo 30.
3. Reorganização do culto, capítulo 31.
4. Grande vitória milagrosa sobre os assírios, capítulo 32.

LL MAUS REINADOS DE MANASSES E AMOM, capítulo 33.

I. REINADO DE JOSIAS, COM SUAS REFORMAS QUE ADIARAM O CATIVEI­


RO, capítulos 34 e 35.

J. MAUS REINADOS DE JEOCAZ, ELIAQUIM, JEOAQUIM, E ZEDEQUIAS, com


a rápida deterioração do reino e o cativeiro babilónico conseqüente, 36.1-21.

K RESTAURAÇÃO EFETUADA POR CIRO, REI DA PÉRSIA, 36.22,23.

EM RESUM O - 2 Reis foi escrito durante o cativeiro. Nos primeiros 17 capí­


tulos é relatada a história de Israel, sua degeneração contínua até ser destruída
pelos assírios. Nos capítulos 18 a 25 é relatado como a nação do sul, Judá, conti­
nuou em existência por 116 anos mais, durante o qual ínterim houve duas refor­
mas religiosas. Porém, perdeu a fé de tal maneira que Deus permitiu o cativeiro
babilónico.
1 e 2 Crônicas fornecem as genealogias desde o princípio até a restauraçã
em 536 antes de Jesus Cristo, pondo ênfase nos reinados de Davi, Salomão e as
reformas levadas a efeito sob Asa, Josafá, Joás, Ezequias e Josias. Esses livros pro­
vam que os judeus que regressaram da Babilônia à Jerusalém estavam ligados
aos antigos reis e ao culto ao Senhor Deus.

PERGUNTAS DO F M DO CAPÍTULO

1. Qual foi a condição imposta a Eliseu para que este recebesse uma porção
dupla do espírito de Elias?
2. Descreva os milagres efetuados por intermédio de Eliseu.
3. Quando o reino do norte caiu perante os assírios? E como se salvou Judá da
mesma derrota?
4. Quais os reis de Judá que efetuaram reformas?
5. Explique a diferença entre os relatos da história dos reis em 2 Samuel, 1 e 2
Reis e a história dos mesmos em 1 e 2 Crônicas.
A experiência prova que a maneira usada em cima é a mais apropriada para o
estudo corrido destes livros, mas para a facilidade na referência, damos o seguin­
te quadro:

R E IS D E JU D A A n o s q u e re in o u R E I D E IS R A E L A n o s q u e re in o u D a ta A .C .

R o b o ã o ........................................... 1 7 J e r o b o ã o ...................................... 2 2 976


A b iã o ou A b i a s ..........................3 N a d a b e ..........................................2
A s a ..................................................... 4 1 B a a sa ..............................................2 4
E l á ....................................................2

Z i n r i ................................................ 7 dias
O n r i ................................................ 1 2

Jo safá 25 A c a b e ............................................ 2 2

A c a z i a s .........................................2
J o r ã c ...............................................1 2
J e o r ã o .............................................. 8

A c a z ia s ........................................... 1
A talia ................................................ 6 J e ú ....................................................2 8

Jo á s ................................................... 4 0 J e o a c a z ........................................ 1 7

J e o á s ...............................................1 6
A m a z i a s ......................................... 2 7 Je ro b o ã o I I .................................4 1

U z ia s ou A z a r i a s ...................... 2 7 In te rr e g n o ( ? ) ...........................11

Z a c a r ia s .........................................6 m e s e s

S a l u m ............................................ 1 m ê s
M e n a é m ......................................1 0

P e c a í a s ..........................................2

J o t ã o .................................................. 1 6 P e c a ................................................ 2 0

A c a z ................................................. 1 6 O s é i a s ...........................................9

E z e q u ia s .........................................2 9 C a t i v e i r o .................................... 721

M a n a s s e s ....................................... 5 5
A m o m ..............................................2

Jo s ia s ................................................ 3 1

J e o a c a z ............................................ 3 m e s e s
E lia q u im ou J e o a q u i m ........... 11

Jo aq u im ...........................................3
Z e d e q u i a s ...................................... 11 a n o s te rm in a n d o co m o c a tiv e ir o b a b iló n ic o
(Capítulo 2 1

OS LIVROS DE ESDRAS, NEEMIAS E ESTER

O LIVRO DE ESDRAS

O Senhor Jesus Cristo, o "desejado das nações" e o "Anjo da aliança", veio ao


Seu Templo, conforme Ageu (2.7-9) e M alaquias (3.1) haviam profetizado com
respeito ao Templo que Zorobabel edificara (Esdras 3.8-13; 5.1-5; 6.14-16). E ver­
dade que cerca de 46 anos antes do Senhor dar início ao Seu ministério, o rei
Herodes começou a reedificar, reformar e engrandecer o Templo (João 2.19-21). Foi
a esse Templo que José e M aria trouxeram o Senhor, quando Ele tinha 40 dias e
quando tinha 12 anos de idade (Lucas 2.22-24, 41-51). Por duas vezes o Senhor
expulsou os vendilhões do Templo (João 2.14-17; Lucas 19.45, 46).
O propósito do Senhor, ao fazê-los retornar da Babilônia a Jerusalém, era
prepará-los para a vinda de Jesus Cristo, o Messias prometido. Trouxe-os, de
conformidade com os relatos encontrados nos livros de Esdras e Neemias, e os
impulsionou a confrontar os perigos e circunstâncias até que foram terminados o
Templo e os muros de Jerusalém. Não descansaram enquanto o culto não foi res­
tabelecido, enquanto os sacerdotes, levitas, e o coro não foram novamente organi­
zados. Leram e ensinaram a lei de Moisés, voltaram a celebrar as festas religiosas,
e ofereceram os sacrifícios diários, conforme a antiga lei.
Jerusalém foi cativada por Nabucodonosor no ano de 606 antes de Jesus
Cristo, e o Templo foi destruído no ano de 586 antes de Cristo. No ano 536 antes de
Cristo, Ciro, rei da Pérsia, fez com que o primeiro grupo de judeus voltasse da
Babilônia a Jerusalém, sob a liderança de Zorobabel. Ciro também entregou os
vasos do Templo de Salomão, e ordenou que fosse edificado outro Templo para o
"Senhor Deus dos céus". Juntam ente com Zorobabel subiu Josué (Ageu 2.2, 4;
Zaçarias 3.1-3), e cerca de 50.000 judeus. Zorobabel era o governador civil e Josué
era o sumo sacerdote. Primeiramente colocaram o altar de bronze sobre sua an­
tiga base e ofereceram sacrifícios a Deus. Fizeram os fundamentos do novo Tem­
plo, mas os samaritanos, árabes e amonitas estorvaram as obras por cerca de
vinte anos. Deus dirigiu os profetas Ageu e Zacarias, qu estimularam o povo a
terminar a edificação do Templo. Assim foi cumprido mais ou menos no ano de
516 antes de Jesus Cristo. Não há mais crônicas sobre a história dos judeus até a
vinda de Esdras, que trouxe um segundo grupo de judeus da Babilônia, aproxi­
madamente 58 anos depois da edificação do Templo. Segundo relatado em seu
livro, trouxe ele consigo cerca de 7.000 judeus. Os últimos dois capítulos contam
as reformas efetuadas por Esdras.
As duas divisões do livro de Esdras são bem evidentes, devido aos 58 anos
que transcorreram entre o fim do sexto capítulo e o princípio do sétimo. Portanto,
sabe-se que Esdras poderia muito bem ter escrito os últimos quatro capítulos
como testemunha ocular e figura mais importante dos acontecimentos desenro­
lados, porém, escreveu os primeiros seis capítulos com a ajuda de documentos
históricos, talvez de autoria de Ageu ou Zacarias. Os críticos não têm podido
encontrar razões para duvidar da autenticidade e historicidade desse livro.

I. REGRESSO SOB ZOROBABEL, Capítulos 1 a 6.

A. EDITO DE CIRO, capítulo 1. Isso aconteceu no ano 536 antes de Jesus Cristo,
dois anos depois dos medo-persas terem conquistado a Babilônia. Veja-se as
profecias de Isaías 13.1-22; 14.22; 21.2; 44.28 - 45.4; 45.13; 46.11. Ciro entre­
gou a Zorobabel os vasos e utensílios que Nabucodonosor havia levado
para a Babilônia, e que foram profanados por Belsazar (Daniel 5).

B. REGISTRO DAS FAMÍLIAS QUE SUBIRAM E SEUS BENS, capítulo 2.

C. O POVO SE REÚNE EM JERUSALÉM PARA CELEBRAR A FESTA DOS


TABERNÁCULOS. Colocaram o altar sobre sua antiga base; ofereceram
holocaustos e organizaram serviços, mesmo antes de possuírem Templo,
3.1-6.

D. INÍCIO DA EDIFICAÇÃO DO TEMPLO. 3.7-13. A cena descrita nos versículos


3.7-13 é muito vívida, pois podemos imaginar os velhos chorando em altos
brados por causa de sua tristeza, ao compararem o valor desprezível do
novo Templo com o luxuosíssimo Templo de Salomão; e os jovens que não
tinham conhecido o Templo de Salomão a se regozijarem por verem prontos
os fundamentos do novo Templo.

E OS INIMIGOS FAZEM CESSAR A OBRA ATÉ O SEGUNDO ANO DO REI


DARIO, capítulo 4.

1. Prim eiram ente se ofereceram para cooperar na edificação do Templo,


mas sua oferta foi rejeitada, 4.1-3. Os sam aritanos eram idólatras, ao
mesmo tempo que professavam adorar ao Senhor (2 Reis 17.33, 34). Não
eram israelitas (2 Reis 17.24). A hostilidade desde então iniciada se pro­
longou até os dias de Jesus Cristo (João 4.9).
2. Ao serem rejeitadas as suas propostas começaram a perturbar a obra -
escreveram ao rei; subornaram conselheiros na corte; e pela força obri­
garam os débeis e fracos judeus a abandonarem a edificação do Templo.

F. O TEM PLO É TERM INADO E DEDICADO, capítulo 5 e 6. Ao subir Dario ao


trono, Deus inspirou os profetas Ageu e Zacarias para que animassem o
povo a esforçar-se para terminar o Templo. Os inimigos procuram estorvar
a obra novamente, mas Deus protege os judeus e o Templo é dedicado no ano
de 516 antes de Cristo.

II. REGRESSO SOB ESDRAS E SUAS REFORMAS, Capítulos 7 a 10.

A. ESDRAS, "ESCRIBA FIÁBIL NA LEI DE MOISÉS", SOLICITA PERMISSÃO AO


REI ARTAXERXES LONGIMANUS, NO SÉTIMO ANO DE SEU REINADO, E
SOBE DA BABILÔNIA A JERUSALÉM COM CERCA DE SETE MIL JUDEUS (em
458 antes de Jesus Cristo), capítulos 7 e 8. Esdras tinha o coração preparado
e podia compreender e ensinar a lei (7.10). Era hom em de fé corajosa (8.21-23)
e pessoa muito honrada (8.24, 29, 33).

B. REFORMAS EFETUADAS POR ESDRAS, capítulos 9 e 10.

1. Condições religiosas e sociais degeneradas, encontradas por Esdras em


Jerusalém , 9.1,2..
2. Reação e oração de Esdras, 9.3-15.
3. Confissão e reforma do povo, capítulo 10. Quando a congregação de uma
igreja, hoje em dia, confessar seus pecados e disser ao seu pastor o que os
judeus disseram a Esdras, em 10.4, haverá grandes bênçãos e avivamen-
to espiritual.

LIVRO DE NEEMIAS

Treze anos depois do regresso sob a liderança de Esdras, Neemias deixou a


corte de Artaxerxes e subiu a Jerusalém , tendo sido nom eado governador da
cidade. Esse livro, em verdade, é a continuação da história da restauração dos
judeus na Judéia, e pode dizer-se que Neemias é a seqüência de Esdras, mas não
parecem ter sido escritos pelo mesm o autor. O mais provável é que Neemias
tenha escrito o livro, ainda que tenha usado de outros registros e crônicas para
relatar certas porções (7.5; 12.1-47).
Neemias era instrumento bem preparado nas mãos de Deus, para a obra que
precisava ser feita em Jerusalém, naquela época. Encontrou aliado muito compe­
tente na pessoa de Esdras. Juntos, deram aos judeus um governo próprio, bom
conhecimento da lei e zelo na sua observância, coisas que garantiam a continui­
dade da nação, em Jerusalém , até a vinda do Messias. O povo estava em perigo de
perder sua nacionalidade, suas características, sua separação das demais nações
e até seu próprio conhecimento sobre Deus. Estavam misturando-se com os po­
vos que viviam ao seu redor, existindo assim o perigo de serem absorvidos por
outras raças. Esdras e Neem ias foram usados por Deus para endireitar essas
condições e para preparar os filhos de Jacó para sua missão de formar um am bi­
ente religioso para a vinda de Cristo. Cristo deveria chegar ao mundo e viver
entre pessoas que estivessem aguardando o Messias, com corações preparados
para n'Ele crerem, capazes de compreender Seu sacrifício a favor do mundo.
Assim vemos que Deus, em conformidade com Sua promessa feita a Abraão,
fez com que o rem anescente voltasse a Jerusalém, e de tal modo os tornou próspe­
ros que a terra que havia sido abandonada e arruinada, tornou a ser habitada e se
tornou centro da religião judaica. Chegaram a ser tão zelosos na observância da
lei que formaram a seita dos "fariseus", famosos pela minuciosidade com que
observavam os preceitos de Moisés, juntam ente com todas as tradições impostas
pelos rabinos (Mateus 15.1-20; Marcos 7.3-4). Essa força que Neemias deu aos
judeus, e as reformas efetuadas, sustentaram o povo até a vinda de Jesus Cristo e
o estabelecimento do Evangelho no mundo. Jerusalém e o Templo foram destruídos
pelos romanos, no ano 70 depois de Cristo.
Ciro decretou o edito que Zorobabel reedificasse o Templo; Artaxerxes orde­
nou que Neem ias reedificasse os muros e a cidade de Jerusalém. Essa distinção é
necessária para a correta interpretação de certas profecias (Daniel 11.24-26).
Eis a sinopse do livro:
I. Oração de Neemias, capítulo 1.
n. Edificação dos muros, capítulos 2 a 6.
m. Lista dos que regressaram do cativeiro, capítulo 7.
rv. Consagração do povo, capítulos 8 a 10.
v. Distribuição do povo, 11.1 - 12.26.
VI. Dedicação do muro, 12.27 -13.3.
VII. As reformas, 13.4-31.

I. ORAÇÃO DE NEEMIAS, Capítulo 1.

A. NEEMIAS OUVE AS NOTÍCIAS DAS TRISTES CONDIÇÕES DE JERUSALÉM,


os muros derrubados e as portas queimadas, 1.1-3.
B. ORAÇÃO DE NEEM IAS, relembrando a Deus Sua aliança e Suas promessas
de misericórdia, 1.4-11.

II. EDIFICAÇÃO DOS MUROS, Capítulos 2 a 6.

A. NEEM IAS É COM ISSIONADO PELO REI ARTAXERXES, 2.1-8. Vê-se que
Neemias era um fiel servo do rei (2.1, 2); hom em dedicado à oração (2.4, 5);
em quem o rei tinha plena confiança (2.8).
B. CHEGADA À JERUSALÉM, e a investigação dos muros, 2.9-16.
C. OS SACERDOTES, NOBRES E MAGISTRADOS SÃO ANIMADOS A EMPRE­
ENDER A OBRA DE REPARAÇÃO dos muros e portas da cidade, 2.17,18.
D. COMEÇA A OPOSIÇÃO, 2.19,20.
E LISTA DOS QUE RESTAURAM DIFERENTES PARTES DO MURO, Capítulo 3.
Nota-se boa organização, divisão de responsabilidades, e cooperação, ele­
mentos que sempre asseguram o progresso e o êxito.
F. A OPOSIÇÃO DOS INIMIGOS OBRIGA OS JUDEUS A SE ARMAREM PARA A
DEFESA, mas a obra prossegue, capítulo 4.
G. OPRESSÃO DE ALGUNS JUDEUS QUE COBRAVAM COM USURA E APRO-
VEITAVAM-SE DA OPORTUNIDADE PARA COMERCIAREM com os que vi­
nham do campo para trabalhar no muro, capítulo 5. Neemias, por palavras
e por exemplo, corrige esses abusos.
H OS INIMIGOS SE VALEM DE MEIOS EXCUSOS, MAS DEUS RESGUARDA A
NEEM IAS E A OBRA PROSPERA, capítulo 6. Em 52 dias foi terminada a obra
(6.15).

III. LISTA DOS QUE REGRESSARAM DO CATIVEIRO, Capítulo 7.

A. OS MUROS SÃO TERMINADOS E AS PORTAS SÃO ASSENTADAS - guardas


são postos para proteção e observação da lei de Moisés, 7.1-4.
B. REGISTRO DAS GENEALOGIAS, 7.5-73. A necessidade desse registro se nota
em 7.63, 64.

IV. CONSAGRAÇÃO DO POVO, Capítulos 8 a 10.

A. CELEBRAÇÃO DA FESTA DOS TABERNÁCULOS, capítulo 8. Os levitas lêem


a lei em público, e lhes fazem entender a Palavra de Deus, o que resultou
numa reforma religiosa.

B. CELEBRAÇÃO DO DIA DE CONFISSÃO, ORAÇÃO E RENOVAÇÃO DO PAC­


TO COM O SENHOR, no dia 24 do sétimo mês, capítulos 9 e 10.

V. DISTRIBUIÇÃO DO POVO, 11.1 - 12.26.

Convinha que alguns dos judeus vivessem dentro dos muros de Jerusalém,
a fim de protegerem a cidade, em lugar de viverem em suas fazendas, nos campos,
ou em outros povoados.

VI. DEDICAÇÃO DO MURO, 12.27 - 13.3.

Esdras organizou dois grupos corais, com coros de cantores, e marcharam


sobre o muro cantando, até chegarem ao Templo, onde sacrificaram "grande nú­
mero de animais e se alegraram porque Deus lhes tinha alegrado com grande
regozijo".

VII. AS REFORMAS, 13.4-31.

Neemias tinha ido à Pérsia, para servir o rei, mas, ao regressar a Jerusalém,
encontrou muito descuido a respeito da lei e do Templo. Primeiramente limpou o
Templo e voltou a organizar os sacerdotes e os levitas em seus turnos. Em seguida
estabeleceu a lei do sábado semanal, mandando que as portas ficassem fechadas
o dia inteiro, etc.

LIVRO DE ESTER

Ester é um dos livros mais interessantes de todo o Antigo Testamento. E o


único livro da Bíblia em que Deus não é nomeado de forma alguma. Não obstante,
a providência e o cuidado de Deus por Seu povo é o tema do livro inteiro. Em cada
página se nota a mão de Deus operando, e Seu povo foi salvo do extermínio nova­
mente.
Os eventos relatados no livro de Ester sucederam durante o tempo coberto
pelo livro de Esdras. Cronologicamente, o livro de Ester pertence ao tempo limita­
do pelos capítulos 6 e 7 do livro de Esdras; isso significa que sucedeu depois do
Templo haver sido terminado, mas antes de Esdras sair da Babilônia. O rei Assuero,
falado no livro, é o mesm o rei Xerxes I, que reinou entre os anos 485 e 464 antes de
Jesus Cristo. Tudo o que o livro de Ester relata sobre seu caráter está de conformi­
dade com o que se acha escrito na história pagã.
O autor hum ano desse livro não podemos assegurar qual seja exatamente,
mas, com toda probabilidade foi Mordecai. O escritor descreve cenas do palácio
com bastante familiaridade, e fala de coisas do conhecimento íntimo de Mordecai
e Ester, pelo que é fácil acreditar que ele mesm o foi o autor hum ano do livro de
Ester.
No livro de Ester temos não somente a explicação da "festa de Purim ", que os
judeus celebram no dia 15 do seu mês de Adar (Março), o que é outro testemunho
de como Deus é fiel na preservação de Seu povo, impedindo que seja exterminado.
E um bom texto para o estudo da maneira pela qual Deus opera por meio da
providência.
O esboço é muito simples:
I. A ameaça aos judeus, capítulos 1 a 4.
II. O resgate dos judeus, capítulos 5 a 10.

I. A AMEAÇA AOS JUDEUS, Capítulos 1 a 4.

A. DESTITUIÇÃO DA RAINHA VASTI, abrindo caminho para a elevação de


Ester, capítulo 1. Não pretendemos saber por qual razão Vasti resolveu de­
sobedecer ao rei. É possível que ela tenha sido mulher virtuosa e não tenha
querido aparecer perante os bêbados do festim. Também é possível, de con­
formidade com 1.9, que a própria Vasti estivesse ébria, e não compreendesse
o que lhe estava sendo dito. E impossível determinar suas desculpas, porém,
podemos crer que Deus estava operando conforme o Seu plano.

B. ELEIÇÃO DE ESTER COMO RAINHA, Capítulo 2 .0 nome Ester significa "Es­


trela". Seu nom e hebraico, "H adassa", quer dizer: "M irto". Ela era judia,
criada por Mordecai, da tribo de Benjamim. Ester não declarou ao rei sua
nacionalidade judaica. Foi escolhida por sua beleza, mas Deus teve Seu pro­
pósito em elevá-la à posição de rainha. Os últim os três versículos desse
capítulo 2 relatam como M ordecai descobriu um "com plô" contra a vida do
rei e o denunciou.

C. HAMÃ, DESCENDENTE DE AGAGUE, RESOLVE DESTRUIR OS JUDEUS, ca­


pítulo 3. Quando Saul, da tribo de Benjamim, o primeiro rei de Israel, foi
enviado por Deus para destruir os amalequitas, com tudo que lhes perten­
cia, só obedeceu parcialmente. Salvou a vida de Agague, rei de Amaleque, a
quem Samuel matou.

Neste relato do livro de Ester, outro descendente de Agague, Hamã, ameaça


todos os judeus; contudo, outro filho de Benjamim lhe faz frente com maior êxito.
Talvez se Saul tivesse sido mais diligente em obedecer a Deus, Mordecai e os
judeus não tivessem tido tal inimigo. Devemos lembrar o fato que Hamã lançou
sortes para decidir em que data se faria a matança dos judeus. Disso se deriva o
nome da festa que os judeus celebram em memória de sua libertação - a festa de
Purim (ou sortes). Hamã ofereceu ao rei dez milhões de dólares, do saque contra
os judeus, e o rei lhe concedeu permissão para extingui-los.

D. MORDECAI ORDENA A ESTER QUE SALVE SEU POVO, capítulo 4. Este capí­
tulo contém duas sublimes passagens, nos versículos 14 e 16. "Porque, se de
todo te calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e
livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para tal conjun­
tura como esta é que foste elevada a rainha?" "... eu e as minhas servas também
jejuaremos. Depois irei ter com o rei, ainda que é contra a lei; se perecer, pereci".
Ambos os versículos formam poderoso comentário sobre a responsabilida­
de individual. Se Deus nos tem concedido privilégios e oportunidades espe­
ciais, tais coisas devem ser usadas para o benefício de todos.

II. O RESGASTE DOS JUDEUS, Capítulos 5 a 10.

A história da libertação dos judeus é fácil de entender, de modo que não há


necessidade de muito comentário. Ester entrou até à presença do rei, foi aceita e
convidou o rei e Hamã para um banquete. Na noite depois do primeiro banquete
o rei não podia conciliar o sono, pequena circunstância que fez com que fosse
descoberto o feito de Mordecai. No segundo banquete, Ester declarou tudo ao rei,
Hamã foi enforcado e o edito de Hamã foi anulado por outro que autorizava os
judeus a se defenderem.
Certamente que a mão de Deus se manifestou nos eventos que conduziram a
essa libertação. Se Ester tivesse apresentado sua petição por ocasião do primeiro
banquete, é possível que toda a sua causa estivesse perdida. Em coisas aparente­
mente tão insignificantes a orientação de Deus era certa.

EM RESUM O - O livro de Esdras contém a história do regresso de 50.000


judeus sob a liderança de Zorobabel, da Babilônia à Jerusalém , no ano 536 antes
de Cristo, capítulos 1 a 6. E de 7.000 judeus sob a liderança de Esdras, em 458 antes
de Cristo. Zorobabel reedificou o Templo depois de 20 anos de inatividade causa­
da pela oposição dos samaritanos. Esdras efetuou reformas religiosas, principal­
mente a separação entre os judeus e suas m ulheres estrangeiras.
O livro de Neem ias relata a vinda de Neemias, da corte da Pérsia a Jerusa­
lém, na qualidade de governador; a reparação do muro e das portas de Jerusalém;
o registro das famílias, e várias outras reformas efetuadas.
O livro de Ester conta a história de uma grande crise na história da nação de
Israel, pois os judeus foram ameaçados de extermínio. Contudo, Deus interpôs
Sua mão e os judeus foram salvos.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Que necessidade havia para os judeus regressarem à Palestina?


2. Quais foram os dois profetas que animaram a Zorobabel para que os judeus
terminassem a construção do Templo?
3. Que reformas foram efetuadas por Esdras, quando chegou a Jerusalém?
4. Apesar da oposição, quanto tempo em pregaram os judeus, sob Neemias,
para reconstruir o muro de Jerusalém?
5. De quantas maneiras diferentes os inimigos dos judeus tentaram estorvar a
obra de Neemias?
6. Quais reformas foram levadas a efeito por Neemias?
7. Relate a história de Ester com suas próprias palavras, demonstrando como
isso prova o cuidado de Deus para com Seu povo.
(Capítulo 2 2

REVISÃO DA HISTÓRIA DO
ANTIGO TESTAMENTO

O Senhor Jesus Cristo é a realização da principal finalidade da história do


Antigo Testamento. Isso se verifica no primeiro versículo do Novo Testamento:
"Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de A braão". Pentateuco
e nos livros históricos, com a finalidade de ajudar os estudantes a recordarem os
pontos mais importantes da história, e para assegurar que, por detrás de seus
detalhes, o estudante tenha visto o seu Autor, não somente do relato escrito, mas
também dos próprios acontecimentos.
Ao contem plarm os um edifício grande e custoso, todos se admiram, apreci­
ando sua harm onia e formosura. Não é necessário muito talento para estimar
devidamente a beleza do edifício já terminado. Porém, há poucas pessoas que
podem examinar a planta do tal edifício, traçada no papel, e formar um conceito
correto do edifício, uma vez construído de conformidade com a planta. Contudo,
ainda é menor o número daqueles que sabem interpretar a planta de um edifício de
tal maneira que possam descobrir nela o espírito ou o caráter pessoal do arquiteto.
Assim mesmo, todos os que vêem a um hom em que conhece a Deus e que
anda diariamente com Ele, podem apreciar o valor e a beleza de tal vida. Não é
necessário interpretação, mas tão somente observação, pois sua atração é paten­
te. Da mesm a form a que um edifício terminado, a vida necessita de um planeja­
mento, e o hom em que edifica a sua vida de conformidade com a planta traçada
na Bíblia, é aquele cujo testemunho tem valor para Deus. Nem todos lêem as
Escrituras ou querem tomar o tempo necessário para analisar o plano ali esboça­
do, para moldar suas vidas pelo mesmo. Um dos propósitos desta obra é o de
ajudar os estudantes em seus exames do planejamento bíblico, para que edifiquem
suas vidas de conformidade com o mesmo.
Há outro propósito importante no estudo desse bendito Livro: por detrás do
plano traçado no papel, o estudante esquadrinhador deve encontrar o próprio
Arquiteto que resolveu construir o edifício. Não devemos ter apenas algumas
noções sobre a existência do Autor, mas também temos que ter conhecimentos
seguros sobre Seu caráter e sobre a beleza do conjunto de Seus atributos. Não se
pode ver Seu rosto na planta, mas Sua Pessoa sim, e tão atrativamente pintada
que pode ser amado de todo coração.

A CRIAÇÃO

O fato que o homem existe, exige um começo, uma ocasião em que o primeiro
homem começou a viver. Nas Escrituras esse m omento é descrito em termos tão
dignos do Criador e da criatura, que ambos são exaltados pelo fato. Que origem
mais elevada poderia ter o homem que o de ser "feitura de Deus"? Que ato de Deus
pode ser mais benigno, que o de criar o hom em à Sua im agem e semelhança, para
que viva em eterna comunhão com Ele? Nenhum homem é mais que homem; pois
ser hom em significa que tem a dignidade de haver sido criado à imagem de Deus.
Nenhum hom em é menos que hom em porque, por mais desfigurada que esteja a
imagem de Deus, enquanto for hom em é capaz de manifestar a glória de seu
Criador.
"... Deus criou o h om em ..." (Deuteronômio 4.32). "Sabei que o Senhor é Deus:
foi ele quem nos fez e dele somos ..." (Salmo 100.3). "As tuas mãos me plasmaram
e me aperfeiçoaram ..." (Jó 10.8). "O Espírito de Deus me fez; e o sopro do Todo-
poderoso me deu vida" (Jó 33.4). Assim encontramos escrito na mensagem que
Deus preparou para nós. Não é possível concebermos origem mais sublime para
o homem.
Com qual finalidade Deus nos fez? Um a resposta categórica é: Fez-nos para
Sua glória. Porém, como pode um homem glorificar a seu Criador? Qual era a
intenção de Deus quando criou o homem? Que queria Ele que o hom em fizesse, a
fim de glorificá-Lo?
O Senhor colocou o hom em em um jardim com árvores tão preciosas que
Deus as considerava perfeitas; com plantas, animais, aves e rios em abundância.
O Senhor quis que o hom em cuidasse do jardim, porque Deus vinha cada dia para
passear pelo jardim em companhia íntima com o homem. Era o prazer do Senhor
estar perto de Sua criatura, ensinando-lhe as coisas que podia fazer, e falando-lhe
de Seus planos.
À luz de Gênesis 1.28 não há lugar para dúvida de que a intenção do Senhor
era que o hom em e sua esposa tivessem filhos, e que os criassem com toda a
santidade, ensinando-lhes a obediência a Deus e o bendito serviço com que Lhe
poderiam agradar.
Para que o hom em pudesse sustentar tal relação com o Senhor, havia neces­
sidade de um amor sincero, espontâneo e livre de toda a compulsão, da parte do
homem para com Deus. O Senhor deve ser amado porque Ele é digno de nosso
supremo amor, e não por obrigação. Em um "am o r" exigido pela força, não have­
rá glória para aquele que é amado. Por isso era necessária um a alternativa, a
possibilidade de que o hom em fizesse outra coisa em vez de amar e obedecer a
Deus. Por meio da eleição ou escolha apropriada o homem chegaria a amar a Deus
voluntária e livremente. Percebendo o amor e a bondade de Deus para consigo, e
contemplando a santidade e as perfeições de Seu caráter, convinha ao homem
apegar-se a Deus de todo coração.

A QUEDA

O hom em desobedeceu a Deus, provando assim sua falta de amor perfeito e,


portanto, sua falta de fé na Palavra de Deus. O efeito dessa desobediência foi
infinitamente maior que o que os homens geralmente costumam considerar. M ui­
tos até se recusam a m editar sobre a questão. Com a queda o hom em perdeu seu
direito à vida eterna com Deus. Perdeu a comunhão com Deus. O Senhor não veio
mais para passear com Sua criatura, como Homem com homem. A morte come­
çou a operar no corpo hum ano físico, e a mente do hom em já não se dedicava a
pensar somente em Deus, mas antes, tornou-se não somente capaz mas também
propensa a ser tomada por pensamentos baixos e indignos.
Uma vez experim entada a desobediência, era impossível que o hom em per­
desse o sabor da experiência ou evitar suas tremendas conseqüências. Agora, em
lugar de esperar pela companhia de Deus, a ira de Deus estava sobre ele. Em lugar
de contemplar com prazer um futuro eterno com Deus, na glória, estava aguar­
dando a fria mão da morte, nas trevas. Em lugar de pensar em ter seus filhos em
santidade, tinha que lutar contra a carnalidade que agora era função natural em
sua pessoa e que, inevitavelmente tinha que passar a seus filhos, como herança
maldita.
No próprio hom em não havia a menor esperança de retificar sua situação.
Era impossível desfazer o que tinha sido feito. E o pior de tudo é que a mente do
homem já não o ajudava a compreender os pensamentos de Deus para com a
humanidade. Cristalizou-se na m ente hum ana conceito tão destorcido do Se­
nhor, tão baixo e errôneo, e de tal maneira contrário a Deus, que foram necessários
vários milênios da providência e cuidados divinos, antes que o homem estivesse
preparado para receber a suprema revelação do amor de Deus, na pessoa de Jesus
Cristo. E da história desses m ilhares de anos que nós ocuparemos agora.

A REDENÇÃO É INICIADA

Deus com preendia muito melhor que o homem as conseqüências da queda


de Sua criatura. Ele conhecia a radical transformação que se opera na alma do
homem, cujas faculdades agora se inclinavam para o mal, e não para o bem ; como
o hom em era incapaz de transformar-se ou de expiar, no mais íntimo grau, o seu
pecado. Deus, entretanto, continuava amando Sua criatura e já tinha um plano
traçado para sua salvação.
Começando com Gênesis 3.15, percebemos o desenvolvimento do divino
plano para a redenção da humanidade. Incluídos nesse plano estavam os milha­
res de anos dedicados ao ensino e aos preparativos para o supremo ato de expia-
ção pelo pecado - a crucificação do Filho de Deus. Algumas das importantes lições
que Deus teve de inculcar na mente do homem, foram: Sua própria incapacidade
de salvar-se a si mesmo; o único remédio, a única expiação aceitável pelo pecado
era a morte, ou seja, o derramamento de sangue, porque "... a vida da carne está
no sangue ..." (Levítico 17.11). O hom em também tinha de ser instruído sobre a
verdade da substituição ou propiciação por intermédio de outro; que Deus m es­
mo providenciaria o Substituto, o Sacrifício perfeito que concederia a salvação
gratuitamente a todo aquele que quisesse confiar; e, sobre todas as coisas, tinha
que aprender a verdade de que Deus continuava amando o homem com um amor
eterno.
Qual o m étodo que Deus empregaria para ensinar ao hom em caído tais ver­
dades espirituais? O Senhor adotou o melhor método: o da vida. Nos aconteci­
mentos aparentemente naturais da vida diária, o Senhor provou ao homem que o
amava, e que o estava chamando para que se aproximasse d'Ele. A história da
humanidade é, por conseguinte, a história do amor de Deus a operar a redenção.
A queda do hom em não constituiu surpresa para o Criador, nem se achou Ele no
meio de um problema sem saber o que fazer. Com passo firme (ainda que para nós
pareça muito lento), o plano prosseguiu em seu desenvolvimento. Ainda que
muitos dos seres hum anos haveriam de rejeitar a oferta da salvação, extendida
ao homem mediante a graça de Deus, esta graça alcançaria a multidões que acei­
tariam a livre redenção.
Adão e Eva pecaram e Deus os expulsou do jardim do Éden, porque já não era
lugar apropriado para eles. Poderiam comer da "árvore da vida". Enquanto se
encontrassem em seu estado pecaminoso isso não seria uma bênção. Com sua
mente tornada "carnal", por causa do pecado, convinha ao homem ter trabalho
que fazer para não ocupar-se exclusivamente de seu pecado.
O primeiro filho do casal matou o segundo filho. Assim rápida foi a degene­
ração do homem. Os descendentes de Caim ainda duraram por sete gerações,
quando já estavam tão corruptos que Deus, em Sua misericórdia, os eliminou. Os
filhos de Sete, chamados de “a linha espiritual", sofreram o mesmo castigo, com
exceção de apenas oito pessoas. Passaram-se pelo m enos dezesseis séculos antes
da vinda do dilúvio, e todo esse tempo foi um a carreira para a perdição. Um só
homem se destacou, entre os milhões de homens da terra, como hom em espiritual
que andava com Deus. Chamava-se Enoque, sétimo depois de Adão, na linha da
descendência. Ele pregava contra os "ím pios" e suas obras ímpias. O ímpio é
aquele que vive como se Deus não existisse. Tal era a condição m oral de três
gerações anteriores a Noé. Quando o Senhor percebeu "que a maldade do homem
se havia multiplicado na terra, e que era continuamente mau todo desígnio do seu
coração", com profunda tristeza Deus extirpou da terra a corrupção conhecida
como raça humana. Tal foi o resultado do pecado.
Mas Noé achou graça aos olhos do Senhor, e foi salvo juntam ente com toda a
sua família, totalizando oito pessoas. Com elas o Criador começou, novamente, o
Seu plano, tendo prometido que não faria repetir-se o dilúvio. Poucos séculos
depois da destruição daquela perversa geração, os homens se uniram com o pro­
pósito expresso de frustrar os planos de Deus. Em lugar de se espalharem pela
terra, se agruparam num a cidade. Em lugar de adorarem a Deus conforme Ele
lhes ensinou, resolveram chegar até o céu, o próprio trono de Deus, mediante a
obra de suas próprias mãos, "para não ser espalhados", isto é, para não serem
obrigados a obedecer a Deus. O Todo-poderoso estorvou, entretanto, o propósito
dos homens e os obrigou a se separarem. Deus formou as nações, mas o propósito
divino era que cada nação O buscasse, no dizer do apóstolo Paulo.
Em seguida Deus escolheu a um hom em e dele formou uma nova nação: a
única do mundo que sempre tem conhecido ao único Deus verdadeiro e que O tem
adorado. Essa nação não chegou gradualmente a ter conhecimento de Deus. O
judeu do tempo de João Batista não conhecia ao Senhor melhor que Davi, Moisés
ou Abraão. De onde foi que os israelitas receberam o conhecimento sobre o Único
Deus? Por meio de revelação da parte de Deus.
Quando cada nação já se havia entregue à idolatria, com as superstições e
im oralidades conseqüentes, Deus chamou a Abraão. A chamada do "pai dos ju ­
deus" foi um passo importantíssimo para a redenção do mundo. Assegurou o
cumprimento das promessas de Deus e, por conseguinte, fez abrir-se a porta da
salvação para cada ser humano. Com Abraão e seus descendentes, o Senhor teve
no mundo um testemunho vivo sobre Ele mesmo. A nação escolhida gozou do
grande privilégio de conhecer a Deus; "Feliz és tu, ó Israel! Quem é como tu? Povo
salvo pelo Senh or..." (Deuteronômio 33.29), disse Moisés. E Davi orou como segue:
"Q uem há como o teu povo, como Israel gente única na terra? a quem tu, ó Deus,
foste resgatar para ser teu povo; e fazer a ti mesmo um nome, e fazer a teu povo
estas grandes e tremendas coisas ..." (2 Samuel 7.23). Porém, paralelamente a isso,
Israel tinha responsabilidades e sofria restrições. Quando pecavam, Deus os cas­
tigava severamente, mas não os destruía por completo. Até o dia de hoje vivem
perseguidos a sofrer.
Os outros dois propósitos que Deus teve ao escolher a esse povo, como
custodiador e testemunha da verdade, era o de contar com um veículo menos
corrupto e inteiramente livre da idolatria, para dar a Bíblia ao mundo, e por
quem tam bém enviaria o Salvador à terra. Por isso é que naquela nação muitos
estavam esperando o Salvador Prometido e à semelhança de André, puderam
dizer: "Achamos o M essias".
Deus ensinou muitas verdades a Abraão. Apareceu-lhe como o Deus Todo-
poderoso, o Altíssimo, e lhe ordenou que saísse de Ur para ir a uma terra que lhe
daria. Não lhe perguntou se queria ir ou não. Já que era Deus, teve o direito de
mandá-lo, e o mandou. Abraão creu e obedeceu, ainda que tivesse levado Ló
consigo. Com a passagem dos anos, entretanto, a fé de Abraão cresceu ainda mais,
e ele foi fiel ao ponto de ter levado seu filho Isaque, o filho da promessa, ao altar do
sacrifício. A voz do Senhor deteve a mão de Abraão e Deus lhe ensinou a verdade
da substituição; o carneiro foi morto em lugar de Isaque.
Jacó gerou aos doze patriarcas, os quais deram seus nomes às doze tribos, e
a família continuava crescendo. Abraão, Isaque e Jacó viviam em tendas, e iam de
um lugar para outro, conforme encontravam pasto para seus rebanhos. Como se
aproximasse época de grande seca, que não permitiria que os hebreus se susten­
tassem naquelas terras, Deus prepara o caminho diante deles e fez com que José
fosse levado ao Egito, onde pôde dar asilo à sua família, na melhor terra do Egito.
Os israelitas ficaram instalados na terra de Gósen por diversas gerações, e
quando já se tinham transform ado em tribos num erosas, Deus lhes permitiu
perder o favor real e ser escravizados, porque havia chegado ao seu extremo a
iniqüidade dos cananeus, e era chegado o tempo dos israelitas formarem uma
nação. O líder, Moisés, já tinha sido aprontado pelo Senhor, e assim chegou a
libertar o povo.
Por meio das pragas do Egito, por meio do sangue do cordeiro pascal, e por
meio da passagem pelo M ar Vermelho, em terra seca, os israelitas da nova gera­
ção chegaram a conhecer muito da grandeza, poder e santidade de Deus. No
monte Sinai aprenderam a temer ao glorioso Deus e aceitaram a Aliança da Lei.
Por meio de mandamentos, leis, e ordenanças, foi organizada a vida civil, moral e
religiosa do povo. Por meio das leis levíticas ficaram sabendo que o único remédio
para o pecado é o sacrifício de um substituto que derrame sua vida a favor do
pecador. Igualmente foi instituído o sacerdócio, e o povo vinha ao sumo sacerdote
para que levasse a carga dos pecados da nação e oferecesse o sangue da expiação
perante a presença de Deus.
A geração seguinte entrou na terra de Canaã, ainda que seus pais não tives­
sem tido a fé necessária para tanto e morreram no deserto. Dessa maneira pude­
ram aprender que ritos, cerimônias, festas e sacrifícios não valem coisa alguma, a
menos que também exista a fé naquele que ordenou tudo, Deus. Na terra obti­
nham vitória por onde quer que fossem ao encontro de seus inimigos. Uma triste
crônica é a que mostra que deixaram de vencer porque deixaram de batalhar, e
seus inimigos quase os destruíram com suas idolatrias e abominações.
Durante séculos o povo se entregou à idolatria, e foi hum ilhado pelas nações
vizinhas. O Senhor os fazia prosperar ou punia segundo as necessidades. Por
quatro séculos os israelitas formavam uma teocracia, pois Deus é Quem governa­
va por intermédio dos juizes. Mas os israelitas em seguida pediram um rei, e
chegaram a ser uma autocracia, mas sempre Deus lhes exigia a lealdade, como
verdadeiro Rei sobre os reis e sobre o povo todo.
O primeiro rei constituiu um grande fracasso pessoal, e deixou a nação em
estado de miséria. Mas Deus elevou Davi à posição real, estendeu grandemente o
reino, e fez que chegasse a ser uma potência entre as nações. O Senhor prometeu a
Davi uma casa duradoura e um trono estável e firme; mas disse que se seu filho
pecasse, seria castigado, mas que, apesar disso, não seria rejeitado para sempre.
Depois de Salomão, o reino foi dividido e o reino do norte, Israel, ia em deca­
dência cada vez maior, sem experimentar um a reforma sequer, e sem nunca ter-se
apartado de sua idolatria. Foi introduzida a adoração a Baal e Jezabel ensinou os
israelitas a pecarem ainda mais. O Senhor, então, lhes enviou profetas cujas men­
sagens foram rejeitadas, e a nação foi levada cativa para a Assíria.
O reino de Judá se comportou da melhor maneira, visto que diversos de seus
reis cumpriram a lei de Deus com diversos graus de perfeição; porém, no final, as
idolatrias e o pecado venceram, e Judá tam bém foi levado ao cativeiro, para a
Babilônia, para ali purificar-se de "seu amor aos ídolos".
O remédio foi eficaz. Ao voltarem os judeus da Babilônia, nunca mais se
entregaram à idolatria. Sob a liderança de Zorobabel, o Templo foi reedificado e o
culto foi reorganizado. Esdras efetuou uma reforma, devolvendo ao povo a obedi­
ência à lei. Neem ias restaurou o muro e pôs as portas de Jerusalém.
Ao cerrar-se o "cânon" do Antigo Testamento, notam os que Deus cumpriu
Sua promessa, e que as condições que prevaleciam eram as que garantiam o cum­
primento das profecias. O Senhor formou dos filhos de Abraão um povo zeloso
por Sua lei. Acham-se na terra prometida; celebram as festas sagradas e estudam
as Escrituras. Por dois mil anos o Senhor teve misericórdia e paciência com aque­
la nação, apesar de sua rebeldia e dura cerviz, antes de poder enviar-lhes o M es­
sias prometido. Esse povo, o único do mundo que não estava entregue à idolatria
e à falsidade, suportou as provas dos quatro séculos intermediários entre os dois
Testamentos, e, ainda que estivessem debaixo do domínio o Império Romano, era
o instrumento adequado, nas mãòs de Deus, parâ a vinda do Redentor ao mundo.
Deu-Lhe Seus primeiros discípulos e, em Jerusalém, foi formada a primeira Igreja
Cristã.
Podemos dizer em resumo que os livros históricos do Antigo Testamento
revelam o Deus Todo-poderoso, Criador do céu e da terra. Provam que Ele traçou
um plano para a redenção da hum anidade e o levará a efeito. Ensinam que a
salvação vem por meio do derramamento do sangue de um substituto, e que Deus
prometeu Alguém, proveniente da linhagem de Davi, e de Abraão, para cumprir
Seu propósito de obter a eterna redenção para todo aquele que n'Ele confiar.
V(ipíttth) 2 3

INTRODUÇÃO GERAL AOS


LIVROS POÉTICOS

O Senhor ]esus Cristo, o Messias, é Quem tem inspirado o maior núm ero de
poesias, e cujos ensinam entos são citados como de suma autoridade, e cuja obra
é cantada mais que qualquer outro relato. Ele é o Filho amado em Quem Deus teve
mais prazer do que em Jó; foi Ele Quem inspirou os Salmos messiânicos; é mais
sábio que Salomão, e digno de muito maior honra; Ele é Quem satisfaz a alma,
mais que todas as experiências do pregador no livro de Eclesiastes; e Ele é Quem
ama e inspira mais forte e puro amor que o que se encontra no livro de Cântico dos
Cânticos. Foi Ele o autor do maior sermão do mundo, chamado de "Serm ão da
M ontanha", começando com as incomparáveis "bem -aventuranças" e terminan­
do com as duas casas, uma edificada sobre a rocha e a outra sobre a areia, quando
vieram os ventos, as chuvas e os rios para testá-las; certamente, esse Pregador
tinha a maior alma de poeta, que qualquer outro que se conhece no mundo. Não é
de estranhar, portanto, que o Senhor tenha citado por muitas vezes passagens
dos Salmos e que tenha expressado Seus sentimentos íntimos com as palavras do
salmista (Salmo 22:1 com M arcos 15:34, etc.). Cristo tam bém declarou que os
Salmos falavam de Si (Lucas 24:44).
Ao darmos início ao estudo dos livros poéticos será útil considerarmos as
características da poesia hebraica. Pois, não só afetam os cinco livros que chama­
mos de poéticos, mas também os proféticos, que em sua maior parte foram escri­
tos em forma de poesia ou, como alguns os chamam, em prosa poética. Os israelitas
intitulavam de poéticos somente três livros, a saber: Jó, Salmos e Provérbios.
Esses três, em verdade, possuem um ritmo mais estrito que os outros livros que
denominamos poéticos também. Trata-se de um ritmo de cláusulas, com um sis­
tema peculiar de acentuação. Nesse sentido, tomando em consideração a prosa
poética dos profetas, uma terça parte do Antigo Testamento é composta de poe­
sia. Há certas versões que demonstram este fato claramente.
I. SUA FIDELIDADE À VERDADE

A poesia hebraica é diferente da poesia de outras nações, o que também já


era de se esperar, visto que era a única nação a conhecer o verdadeiro Deus em
todo o mundo. Pode-se dizer que é original e viva, com pensamentos, idéias, com­
parações e verdades simples, ou profundas, expressos numa linguagem que che­
ga a arrebatamentos sublimes e passagens tão majestosas, que só Deus podê-los-
ia ter inspirado. Além disso, temos a considerar que essa poesia, com tanta vari­
edade de uma parte para outra, é sempre fiel à lei de Deus, à verdade de um só
Deus, o Senhor (Jeová), o qual está presente com todo o Seu poder, guiando o povo
em sua vida diária. Assim como era a vida do povo, assim também é a poesia
hebraica.
Ao estudar a poesia hebraica, encontraremos referencias aos eventos salien­
tes da história do povo israelita, e tais alusões são dignas de confiança como
relatos verídicos e fiéis aos fatos. Se houver algum detalhe acrescentado ao relato
dos livros históricos, devemos considerá-lo como revelação autorizada, e não ’
simplesmente como licença poética. Certamente, devemos não nos esquecer que a i
linguagem empregada nessa poesia é figurada (como os montes saltando, etc.),
mas isso também é usado na prosa comum. As declarações sobre o caráter de
Deus são verdadeiras, e não fruto da imaginação do autor. As palavras atribuídas
ao Senhor são revelações fidedignas, e não m ensagens dos escritores humanos
que, dessa maneira, quisessem ser glorificados. Igualmente, as profecias contidas
nos livros poéticos são prognósticos autênticos, inspirados por Deus. Cristo já
cumpriu aquelas profecias que diziam respeito ao Seu primeiro advento, e do
mesmo modo haverão de ser cumpridas as que falam sobre Sua segunda vinda,
para estabelecer Seu reino (Salmo 41:9 com João 13:18, etc.; enquanto que o segun­
do Salmo ainda deve ser cumprido). Porém, além dos ensinamentos doutrinários
e das profecias contidas nesses poemas hebraicos, encontramos ali as expressões
da alma em suas mais íntimas relações e experiências espirituais com Deus (veja
por exemplo, o Salmo 63). Dessa maneira, passam em revista a vida religiosa e a
expressam em palavras cantadas com música que brota da alma, quando a ad­
versidade, a dor, a vitória e todas as experiências da vida tangem as cordas do
amor, da fé e dos dem ais sentim entos do coração. Por essa razão, os salmos
hebraicos jam ais envelhecerão.

E SEU USO NA HISTÓRIA

Em Gênesis 4:23, 24 temos o primeiro exemplo de um cântico, na história do


homem, preservado em forma escrita. Seu tema é muito indigno, visto que seu
autor se jacta de suas maldades e caráter vingativo. O sétimo depois de Adão,
seguindo a linha de Sete, Enoque, pregava contra as impiedades dos homens (Judas
14 e 15), e foi arrebatado sem ter visto a morte (Gênesis 5:24); porém, o sétimo
depois de Adão, seguindo a linha de Caim (Lameque) canta sua própria glória,
como bravo homicida e vingador. Da mesma forma, em Gênesis 9:25-27, vemos
Noé a profetizar em forma poética a respeito de seus filhos.
Talvez a primeira poesia hebraica tenha sido a bênção de Isaque sobre seus
filhos, Jacó e Esaú, em Gênesis 27:27-29 e 39, 40. Também pode-se observar a
profecia de Jacó concernente aos seus doze filhos, os patriarcas ou cabeças das
tribos de Israel (Gênesis 49). Tais escritos, entretanto, apenas m erecem ser cha­
mados de poemas.
O cântico de M oisés e o cântico de Miriã em Êxodo 15, são poemas hebraicos
que deixam entrever os muitos Salmos e obras poéticas que a nação deveria pro­
duzir para o deleite do mundo inteiro. Foram baseados numa vitória do povo
israelita sobre seus inimigos, de modo que, juntam ente com muitos dos Salmos,
são históricos; são geralmente classificados como poemas líricos, porém têm algo
de épico no estilo, ainda que não na extensão. Toda a glória é atribuída ao Senhor,
que é chamado de Jeová ou Yah (forma poética de Jeová), Senhor e Deus. Abundam
os paralelism os nesses cânticos, pelo que qualquer um creria serem poem as
hebraicos, mesm o sem saber que foram escritos por Moisés e sua irmã. O coro de
Miriã (Êxodo 15:21) é típico por sua espontânea atribuição de toda honra ao Se­
nhor. Outros exemplos da poesia hebraica, fora dos livros poéticos e proféticos,
são: o cântico de Débora com Baraque, em Juizes 5; a oração ou cântico de Ana, em
I Samuel 2:1-10; o "H ino ao A rco", ou lamento de Davi por Saul e Jônatas, em II
Samuel 1:19-27; e a respeito de Abner, em II Samuel 3:33, 34; o cântico da liberta­
ção, em II Samuel 22, que é o mesmo Salmo 18; e as últimas palavras de Davi, em
II Samuel 23:1-7.
O uso da poesia na nação hebraica, não obstante, era o emprego dos Salmos
no culto do povo. Por meio dos Salmos os israelitas expressavam suas ações de
graças a Deus, e foram o veículo para exaltar o Nome e tributar honra e glória ao
Senhor Jeová. Os Salmos 120 a 134 são chamados de "Cântico dos degraus" ou
"Cântico de rom agem ", conforme a versão. Muitos consideram que esses eram os
Salmos entoados pelos peregrinos que vinham de todas as partes até Jerusalém, a
fim de celebrarem as festividades religiosas dos israelitas.

m. SUAS CARACTERÍSTICAS

A característica saliente da poesia hebraica - o paralelismo. Tal paralelismo


se divide em três formas: a antitética, a sinônima e a sintética. Cada forma admite
muitas variações e também, às vezes, se combinam duas formas em um verso só.
A forma antitética (que denota contraposição) consta de duas cláusulas,
uma fazendo contraste com a outra, e, assim, esclarecendo a significação de ambas.
Por isso a forma antitética se adapta bem ao ensino, e é muito usada no livro de
Provérbios. Abaixo damos alguns exemplos, usando sempre a Edição Revista e
Atualizada no Brasil, da Sociedade Bíblica do Brasil, como temos feito até agora
em todas as citações:
"Q uem ama a disciplina ama o conhecimento, mas o que aborrece a repreen­
são é estúpido" (Provérbio 12:1).

"Balança enganosa é abominação para o Senhor, mas o peso justo é o seu


prazer" (Provérbio 11:1).

"A memória do justo é abençoada, mas o nome dos perversos cai em podri­
dão" (Provérbio 10:7).

"Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios
perecerá" (Provérbio 1:6).

As vezes há duas frases ou cláusulas na primeira afirmação, e duas na se­


gunda, como no Salmo 44:3:

"Pois não foi por sua espada que possuíram a terra, nem foi o seu braço que
lhes deu vitória, e, sim, a tua destra, e o teu braço, e o fulgor do teu rosto".

A forma sinônima (de significado semelhante) da poesia hebraica consta


das passagens em que o mesmo pensamento geral é repetido em duas ou mais
cláusulas. Essa forma é muito usada, mas se encontra mais a miúdo na poesia
contemplativa e tranqüila. Em alguns versos as cláusulas paralelas repetem idên­
tica verdade com palavras diferentes, enquanto que, em outros casos, há somente
uma semelhança geral. Abaixo damos alguns exemplos:

"Pois o Senhor é o reino, é ele quem governa as nações" (Salmo 22:28).

"Praza-te, ó Deus, em livrar-me; dá-te pressa, ó Senhor, em socorrer-me"


(Salmo 70:1).

"Sejam envergonhados e cobertos de vexame os que me demandam a vida;


tornem atrás e cubram-se de ignomínia os que se comprazem no meu m al"
(Salmo 70:2).

"A falsa testem unha não fica impune, e o que profere mentiras não escapa"
(Provérbio 19:5).

No Salmo 28:4, há um verso composto de dois paralelism os duplos:

"Paga-lhes segundo as suas obras, segundo a malícia dos seus atos; dá-lhes
conforme a obra de suas mãos, retribui-lhes o que m erecem ".
E há casos de paralelismo em que as cláusulas chegam a ser tão numerosas
que, afinal, constituem uma série de frases de mais ou m enos o mesmo significa­
do, como:

"Para quem são os ais?


para quem os pesares?
para quem as rixas?
para quem as queixas?
para quem as feridas sem causa?
e para quem os olhos verm elhos?" (Provérbio 23:29).

Veja-se, igualmente, Eclesiastes 12:1-7.


As vezes as cláusulas paralelas são precedidas ou seguidas por uma frase
curta, como:

"Senhor,
não é soberbo o m eu coração,
nem altivo o meu olhar;
não ando à procura de grandes coisas,
nem de coisas maravilhosas demais para m im " (Salmo 131:1).

"Bem -aventurado o homem


que não anda no conselho dos ímpios,
não se detém no caminho dos pecadores,
nem se assenta na roda dos escarnecedores" (Salmo 1:1).

Os Salmos 146 a 150 começam e terminam com a palavra: "Aleluia!", que


significa: "Louvai a Yah"; enquanto que cada um desses Salmos fornece uma lista
de instruções sobre como louvar a Deus.
A terceira forma de paralelismo é a sintética (termo grego que significa: "reu ­
nido" ou "juntado"). Nesta é necessária um a cláusula para explicar a significação
da outra. A relação de uma cláusula a outra pode ser a da comparação, ou de
causa e efeito, ou de esclarecimento. As vezes é subentendida essa relação, e não
expressa. Exemplos:

"A estultícia do hom em perverte o seu caminho, mas é contra o Senhor que o
seu coração se ira" (Provérbios 19:3).

"N ão te glories no dia de amanhã,


porque não sabes o que trará a luz" (Provérbios 27:1).

"M elhor é a repreensão franca


do que o amor encoberto" (Provérbio 27:5).
"O Senhor é o m eu pastor:
nada me faltará" (Salmo 23:1).

Há várias combinações dessas três formas na poesia hebraica, fazendo ver­


sos bem variados e graciosos. No Salmo 103:11-13, verificam-se três paralelismos
sintéticos (uma cláusula dependente da outra), os quais formam um paralelismo
sinônimo (de igual significação) tríplice:

"Pois quanto o céu se alteia acima da terra,


assim é grande a sua m isericórdia para com os que o temem.
Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas trans­
gressões.
Como um pai se compadece de seus filhos,
Assim o Senhor se compadece dos que o tem em ".

No Salmo 28:5, dois paralelismos sinônimos juntos formam um paralelismo


sintético:

"E visto que não atentam para os efeitos do Senhor, nem para o que as suas
mãos fazem, ele os derrubará e não os reedificará".

Às vezes, em estrofes de quatro linhas, as cláusulas se correspondem


alternadamente, a prim eira linha correspondendo à terceira e a segunda linha à
quarta:

"O Senhor olha dos céus;


vê todos os filhos dos homens;
do lugar de sua morada
observa todos os moradores da terra" (Salmo 33:13, 14).

Outras vezes, ainda, a primeira e a quarta linha se correspondem, e de igual


maneira a segunda com a terceira:

"se o perverso amontoar prata como pó,


e acumular vestes como barro,
ele os acumulará, mas o justo é que os vestirá,
e o inocente repartirá a prata" (Jó 27:16, 17).

"A nervosa simplicidade e concisão da musa hebraica - diz Campbell - im­


pede que o paralelismo degenere em monotonia. Ao repetir a mesma idéia com
diferentes palavras, parece como se desse voltas a uma preciosa pedra de opala,
que oferece nova beleza a cada nova faceta que apresenta. Suas amplificações de
um dado pensamento são como os ecos de uma solene melodia; suas repetições,
como o reflexo de uma paisagem num arroio; e suas perguntas e respostas, ao
mesmo tempo que dão um efeito como de coisa viva às suas composições, nos
recordam as vozes que se alternam no culto público, ao qual se adaptam de m a­
neira notável" - Angus e Green.

Além do paralelismo, há algumas poesias que tem uma disposição alfabéti­


ca dos versos, seguindo as letras do alfabeto hebraico por sua ordem. Assim são
os Salmos 9 ,1 0 , 25,119, etc., e outros trechos, como veremos adiante.

RESUMO - O Senhor Jesus Cristo, o Poeta divino, usou as palavras do salmista


para expressar Seus mais íntimos sentimentos, quando estava na cruz, e disse:
"deus meu, Deus meu, por que m e desam paraste?" (Marcos 15:34). E também
disse, em Lucas 24:44, que os Salmos falam a Seu respeito.
Uma terça parte do Antigo Testamento foi escrita em forma de poesia. A
poesia hebraica sempre é fiel à lei e à doutrina, especialmente sobre a unidade de
Deus. Os israelitas celebravam suas vitórias nas batalhas com cânticos em forma
de poesia; assim os patriarcas abençoavam os seus filhos, e can tav am a m o rte d o s
heróis. Os Salmos foram usados no culto do Templo, para assim louvar a Deus.
A característica saliente da poesia hebraica é o uso de paralelismos, que se
dividem em três formas: a antitética, a sinônima e a sintética. Visto que a poesia
hebraica consta de um ritmo ou correspondência de idéias, e não tanto de sons,
presta-se admiravelmente para a tradução em outras línguas, sem perder muito
de sua beleza.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Pode dar, de memória, duas citações dos livros poéticos que se encontram no
Novo Testamento?
2. Qual a proporção do Antigo Testamento que é poesia?
3. Que utilidade há nos livros poéticos do Antigo Testamento?
4. Explique as três formas de paralelismo existentes na poesia hebraica.
(djCLfuhjilfr 2 4

O LIVRO DE JÓ

O Senhor Jesus Cristo é o eterno Redentor de quem Jó falou em 19:25-27.


Cristo estava vivo quando Jó deu seu testemunho de fé nEle; muitos séculos de­
pois, Cristo veio à terra e efetuou a obra da redenção, assegurando a ressurreição
de cada homem, conforme Jó manifestou em sua declaração de fé. Depois de Sua
ressurreição, Cristo tam bém incluiu este livro na designação de "O s Salm os", em
Lucas 24:44, que falava dEle mesmo.
Este livro talvez seja o mais antigo livro existente de toda a literatura. Pelo
menos, é o poem a ou história dram atizada mais antiga que se conhece. Não
obstante, o conceito de Deus, do livro, é que Ele é o Ser Supremo, que exerce todos
os atributos de personalidade, sendo justo, santo, verdadeiro, onipresente, oni­
potente, onisciente, que ama as Suas criaturas e opera nelas de tal modo que
chegam a conhecê-Lo melhor. Tais coisas, nesse livro, provam sua inspiração
divina. E verdade que apresenta Satanás como um ser angelical, maligno, que
desejava destruir o bom testemunho do justo patriarca, senhor de todas as carac­
terísticas delineadas nas Escrituras subseqüentes; mas Deus é apresentado como
o Todo-poderoso, que limita a atividade de Satanás, protege Seu servo da morte e
ainda faz com que a perseguição movida por Satanás resulte em maiores bênçãos
para o fiel Jó. Tais conhecimentos sobre as realidades espirituais ultrapassam em
muito a filosofia humana, de tal maneira, que o leitor tem que reconhecer que o
conteúdo do livro é um a revelação da parte de Deus, visto que não poderia ter
sido o produto de um cérebro humano. Até o dia de hoje ainda não foi produzida
no mundo uma obra literária desse estilo que a supere.
Há m uitas razões para crermos que o livro relata uma história autêntica,
verificada no tempo dos patriarcas, e que não é uma alegoria ou parábola escrita
m uitos séculos depois. Jó, o pai de fam ília, oferece sacrifícios de anim ais,
holocaustos, a Deus, a favor de todos os seus filhos, conforme era o costume dos
patriarcas. Não há a menor menção do Tabernáculo, do Templo, da lei de Moisés,
dos levitas ou de sacerdócio qualquer. A história é relatada com grande simplici­
dade de estilo e não há qualquer artifício para eliminar do escrito, referências
àquelas instituições que chegaram a ser parte integrante da vida dos israelitas.
Tão pouco há qualquer referência aos milagres, em conexão com o êxodo dos
israelitas do Egito. A vida prolongada de Jó se situa entre os patriarcas. Por essas
razões se crê que Jó foi contemporâneo de Abraão, ou talvez de Isaque ou de Jacó.
Alguns identificam Elifaz, o temanita (Jó 2:11), com Elifaz, filho de Esaú, que teve
um filho chamado Tema (Gênesis 36:10, 11), porém a conclusão não é final. O
mesmo se pode dizer sobre a afirmação de que Jó 15:34; 18:15 e 20:26 provam que
Sodoma e Gomorra já haviam sido destruídas por fogo e enxofre, segundo diz
Gênesis, capítulo 19. Há certa semelhança entre algumas passagens do livro de Jó
com passagens em Provérbios e Salmos, como, por exemplo, Jó 28:28 comparado
com Salmo 111:10 e Provérbios 1:7; 9:10 e Eclesiastes 12:13; porém, segundo Pro­
vérbios 1:6 tais passagens nestes livros bem podem ser citações tiradas do livro
de Jó, de modo que não provam, de maneira alguma, que o livro de Jó tenha sido
escrito mil anos depois do tempo dos patriarcas.
Em Ezequiel 14:14 e 20, o Senhor menciona Jó juntam ente com Noé e Daniel
como pessoas históricas, e no livro de Tiago (5:11) é usada a paciência de Jó como
exemplo e estímulo aos irmãos cristãos. Tais referências não teriam valor algum,
se Jó fosse pessoa fictícia, e não histórica.
Não se sabe quem foi o autor do livro de Jó. Algumas tradições afirmam que
Moisés escreveu a introdução e a conclusão em prosa, mas que o próprio poema
foi redigido por ele de docum entos antigos. Outros crêem que Eliú, filho de
Baraquel, o escreveu, baseando-se no uso do pronome "eu ", em Jó 32:6. O autor
humano é desconhecido, mas foi Deus quem inspirou o livro. A verdade é que o
Diabo gostaria que o mundo nunca tivesse conhecido as coisas aqui reveladas a
seu respeito - seu caráter e suas ações.
Antes de entrar no estudo do texto do livro, será proveitoso considerar por
um momento o propósito e a m ensagem do mesmo. E fácil dizer que o livro de Jó
explica ou fornece a solução do problema do sofrimento dos justos neste mundo.
E igualmente fácil dizer que o livro não soluciona o problema, mas que prova que
Deus impõe a Sua vontade ao homem e o obriga a submeter-se sem queixas, nem
dúvidas. Estas declarações são parcialmente verdadeiras, pois não há no livro de
Jó um credo ou artigo de fé que inclua tudo que se possa saber ou que deve ser
crido quanto ao sofrimento humano, mas, cértamente que ali há uma preciosa
revelação da parte de Deus para encorajar o homem ante o sofrimento. Sem dúvi­
da, a verdade da soberania de Deus é sua m ensagem principal.
Ao descerrar-se a cortina de sobre a cena celestial, permitindo-nos escutar o
diálogo entre Deus e Satanás, o Livro nos ensina que nosso Pai celestial pode ter
propósitos espirituais que estão além de nossa compreensão, perm itindo que
soframos. Conforme disse o Senhor Jesus, em João 11:4: "Esta enfermidade não é
para morte, e, sim, para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela
glorificado". Efésios 2:6, 7 e 3:10, comparados com II Coríntios 4:4; Efésios 2:2 e
6:12, provam que nós, os crentes de hoje em dia, estamos empenhados em conflito
contra essas potestades malignas, nos ares. Deus tem o direito de usar-nos para
fins ocultos, como também para dar testemunho aos incrédulos por meio de nos­
sa paciência e fé em meio à dor. Em II Coríntios 2:14-16 vemos que o Senhor usa os
Seus para trazer alguns à vida, e para trazer sobre aqueles que rejeitam o teste­
munho, a condenação da morte espiritual. O crente não pode evadir-se dessa
responsabilidade, nem lhe é dado saber sempre quais são os que recebem ou
rejeitam o seu testemunho.
O livro de Jó também é um grande comentário sobre Rom anos 8:28. Jó era
tão justo que Deus pôde usá-lo como prova dada a Satanás da possibilidade de
um homem ser fiel ao Senhor, sob todas as circunstâncias. Ainda que Jó tivesse
falta de um conhecimento mais íntimo de Deus, o Senhor fez com que todas as
coisas cooperassem juntas para seu bem.
Outra lição importante deste livro é que Deus não abandonou o Seu servo,
nem por um m omento sequer. Estava a seu lado sustentando-o a cada passo. A
verdade de I Coríntios 10:13 é patentemente ilustrada. Jó não era tentado além de
suas forças. Era Satanás, e não Deus, quem o tentava, como tam bém está ensinado
em Tiago 1:13; não obstante, o Senhor estabeleceu os limites, estipulando a Sata­
nás até que ponto poderia atacar Seu servo. Quando, no princípio de sua prova,
sua esposa lhe aconselhou que negasse a Deus e morresse, Jó teve forças para
responder-lhe que ela falava como qualquer mulher sem juízo. Quando seus três
amigos - "m iseráveis consoladores" - o acusaram e começaram sua segunda
série de discursos, Jó lhes respondeu: Ainda que me mate, esperarei nEle! Sim,
Deus não abandonou Jó para que enfrentasse Satanás em luta desigual, mas forta­
leceu-o para a luta e lhe concedeu esplêndida vitória.
Para muitos, o problema mais sério do livro é que, no mesmo, se lê que
Satanás se apresentou pessoalmente ao Senhor, nos Céus. O Todo-poderoso não
teme ao diabo, nem sofre imposição da parte dele, em qualquer ocasião. O que
lem os nessa passagem está de acordo com o teor das outras Escrituras. Em
Apocalipse 12:10, lemos que: "Agora... foi expulso o acusador de nossos irmãos, o
mesmo que os acusa de dia, e de noite, diante do nosso D eus". Zacarias 3:1, 2
descreve outra cena muito semelhante às do livro de Jó.
O livro se divide em três partes:

I.
Prólogo histórico (em prosa), capítulos 1 e 2.
II.
Diálogos entre Jó e seus chamados amigos, e, por fim, a voz do Senhor
(poesia), capítulos 3:1 a 42:6.
HL Conclusão: Restauração dos bens de Jó, capítulo 42:7-17.
I. PRÓLOGO HISTÓRICO

Capítulos 1 e 2

A. Apresentação de Jó, herói do livro, e uma descrição de seu caráter e grandeza


(1:1-5).

1. Sua origem: da terra de Uz (cheia de árvores, fértil), geralmente conside­


rada como situada entre o rio Jordão e o rio Eufrates, ao nordeste da
Iduméia (1:1a).
2. Seu caráter:
a) Perfeito
b) Honrado
c) Temente a Deus
d) Apartado do mal (lb).
3. Suas riquezas:
a) 7 filhos e 3 filhas, 1:2, 3
b) grandes possessões:
7.000 ovelhas
3.000 camelos
500 juntas de bois
500 jum entas
muitos servos
4. Sua prática:
a) A família desfrutava de íntima comunhão
b) Jó m adrugava diariamente a fim de oferecer holocaustos a favor de
sua família (1:4, 5).

B. Deus permite que Jó seja testado pelo sofrimento, 1:6 - 2:10.

1. Jó é acusado por Satanás, 1:6-11.


a) Satanás se apresenta diante de Deus, 1:6, 7.
b) O Senhor obriga Satanás a considerar o testemunho do caráter de Jó,
1:8. Se Jó, em condições tão inferiores, foi fiel a Deus, que desculpa
teria Satanás por haver sido infiel, sob condições tão superiores?
c) Satanás acusa Jó de ter motivos interesseiros e egoístas como expli­
cação de sua fidelidade, e pede permissão para pô-lo debaixo de teste,
1:9-11. A forma de petição foi realmente um repto a Deus, mas o Se­
nhor compreendeu o desejo do diabo e também sabia que Jó perma­
neceria fiel, suportando a prova.
2. Primeira prova de Jó - perda de suas possessões, 1:12-19.
a) A permissão é concedida, mas Satanás é proibido de tocar na pessoa
de Jó, 1:12.
b) Perda das possessões e dos filhos de Jó, 1:13-19. Tudo aconteceu como
se tivessem sido acidentes naturais, mas, pelo que antecede, sabemos
que o diabo inspirou os sabeus, o incêndio, os caldeus e o vento. Sata­
nás é cham ado príncipe das potestades do ar (Efésios 2:2); em
Apocalipse 13:13 faz descer fogo do céu; e em Marcos 4:39 o Senhor
Jesus repreendeu o vento, provando assim que o vento era causado
por Satanás.
3. Fidelidade, constância e paciência de Jó, 1:20-22.
A declaração de Jó, em 1:21 tem sido de grande estímulo e conforto para
muitos: "N u saí do ventre de minha mãe, e nu voltarei; o Senhor o deu, e
o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!"
4. Segunda acusação de Satanás, 2:1-5.
O versículo 4 contém uma das mentiras de Satanás. E verdade que ele
disse isso, mas o que disse não representa a verdade. M ilhares de homens
têm morrido por sua fé, preferindo o m artírio a negar ao Senhor.
5. A segunda prova - perda da saúde, 2:6-9.
Alguns crêem que a enfermidade de Jó foi a lepra, mas é impossível sabê-
lo, nem é importante esse conhecimento. Talvez a mais séria prova pela
qual tenha passado Jó, foi o conselho de sua esposa de que negasse a seu
Deus e morresse.
6. Fidelidade e paciência de Jó, 2:10.

C. Visita dos três amigos de Jó e a preparação para o poema, 2:11-13.

D. DIÁLOGOS ENTRE JÓ E SEUS CHAMADOS AMIGOS E, POR FIM, A VOZ


DO SENHOR
Capítulos 3:1 a 42:6

A. Primeira série de discursos de controvérsia em que Jó e seus três visitantes


apresentam o enredo do problema do sofrimento do patriarca, capítulos 3 a
14.
1. Jó dá início à discussão com uma série de lamentações, capítulo 3.
a) M aldiz o dia de seu nascimento, 3:1-10.
b) Queixa-se de ter vida, quando a mesma é tão amarga, 3:11-26.
2. Elifaz, temanita, fala e Jó responde, capítulos 4 a 7.
a) Elifaz apresenta sua tese de que o hom em colhe o que semeou, e
quem já pereceu que fosse inocente? Portanto, Jó sofre porque
pecou, capítulos 4 e 5. Tal proposição é apoiada por uma visão
noturna que Elifaz crê ser um a revelação divina (4:12-21). Insi­
nua que Jó deve arrepender-se (5:8-27).
b) Jó responde, afirmando que tem razão para queixar-se, capítulos
6 e 7. Continuam as queixas, desejando a morte, e acusando Deus
de havê-lo tratado injustamente.
3. Bildade, suíta, fala e Jó responde, capítulos 8 a 10.
a) Bildade tam bém afirma que Deus castiga o pecado e, portanto, Jó
deve reconhecer seu pecado, capítulo 8. Bildade apóia sua tese
sobre o que disseram os antigos, os das gerações passadas (8:8-
10), que ensinaram que a ruína se abate sobre os que se esquecem
de Deus (8:11-22).
b) Jó responde, alegando que sofre sem causa, mas que Deus é tão
terrível, tão grande e arbitrário, que não permite a Jó defender-se,
capítulos 9 e 10.
4. Zofar, naamitita, fala e Jó responde, capítulos 11 a 14.
a) Zofar repreende severamente a Jó, dizendo que Deus o está casti­
gando m enos do que o merecido por sua iniqüidade, capítulo 11.
Zofar apela para a sabedoria em apoio à sua acusação, e diz que
se Jó endireitar seu coração, Deus o abençoará novamente.
b) Jó responde, capítulos 12 a 14. Zomba da suposta sabedoria de
seus três amigos, que nada explicam sobre Deus, mas a não ser o
que todos sabem, capítulo 12; resolve dirigir-se ao próprio Deus,
que deve tratá-lo com justiça, capítulo 13; porém, o hom em dura
poucos dias e tem bem pouca esperança, capítulo 14. O versículo
13:15, que diz: "Eis que me matará... contudo defenderei o meu
procedim ento!" prova que apesar de suas provações, o patriarca
nunca deixou de confiar em Deus como Aquele que cuida dos que
são Seus.

B. Segunda série de discursos de controvérsias entre Jó e seus três amigos,


capítulos 15 a 21.

1. Elifaz fala pela segunda vez e Jó responde, capítulos 15 a 17.


a) Elifaz acusa Jó de haver falado iniqüam ente e com soberba, e discorre
sobre o castigo de Deus sobre os perversos, capítulo 15.
b) Jó responde chamando os três amigos de "consoladores m olestos",
que procuravam consolá-lo de sua desolação com palavras vazias, e
descreve seu desespero, esperando ser vindicado por Deus no fim,
capítulos 16 e 17.
2. Bildade fala pela segunda vez e Jó responde, capítulos 18 e 19.
a) Bildade repreende a Jó por suas palavras, e descreve o castigo que
vem ao pecador empedernido, capítulo 18.
b) Jó responde, queixando-se das falsas acusações de seus amigos e do
mau tratamento que recebe de todos, mas expressa sua fé no Reden­
tor e na ressurreição, capítulo 19. Os versículos 25 a 27 são m aravi­
lhosos, como expressão de fé, sob aquelas circunstâncias.
3. Zofar fala pela segunda vez e Jó responde, capítulos 20 a 21.
a) Zofar fala de sua inteligência, provando que as riquezas e a prosperi­
dade dos perversos dura pouco tempo e terminam na miséria, capí­
tulo 20.
b) Jó apela a seus amigos que considerem alguns perversos que vivem
por muitos anos na prosperidade, enquanto que outros homens mor­
rem sem nunca ter desfrutado do bem, capítulo 21.

C. Terceira série de discursos de controvérsias, entre Jó e seus amigos, capítu­


los 22 a 31.

1. Elifaz fala pela terceira vez e Jó responde, capítulos 22 a 24.


a) Elifaz alega que os sofrimentos de Jó provam que ele é iníquo em
muitas coisas, mas que, se se converter, será restaurado à prosperi­
dade, capítulo 22.
b) Jó refuta a idéia apresentada pelos três de que todo sofrimento é um
castigo pelo pecado, e alega que Deus se retrai do homem e por isso, não
pode ser encontrado para que faça justiça na terra, capítulos 23 a 24.
2. Bildade toma a palavra pela última vez e Jó responde, capítulos 25 a 31.
a) Em curto discurso, Bildade termina os discursos dos três, porque
Zofar não fala nesta terceira série. Outra vez alega que Deus é grande
e que todo hom em é injusto diante dEle, capítulo 25.
b) Jó despreza tal conselho e conforto, e descreve mais eloqüentemente a
grandeza de Deus, capítulo 26; reafirma sua inocência, bem como sua
fé, de que o malvado pagará por sua maldade, capítulo 27; declara
que a verdadeira sabedoria está em Deus, e convém que o hom em se
submeta a Ele, capítulo 28; descreve sua prosperidade, benevolência
e honradez passadas, capítulo 29; e sua atual triste condição, capítu­
lo 30; e termina protestando sua inocência, capítulo 31.

D. Eliú, filho de Baraquel, buzita, da família de Rão, pronuncia longo discurso


no qual estabelece a verdade de que Deus, por Seu amor, usa o sofrimento
para purificar e instruir o homem, capítulos 32 a 37. Buz e Arã eram filhos de
Nacor e Milca (Gênesis 22:21). Aqui principia a solução do problem a do
sofrimento do hom em justo sobre a terra, até o ponto em que o hom em pode
entender tal problema.

1. Apresenta e explica as razões por ter falado, capítulo 32; roga a Jó que o
escute com calma porque Jó não é juiz sem preconceito sobre sua própria
inocência ou culpa, capítulo 33.
2. Discurso sobre a absoluta justiça de Deus, capítulo 34.
a) Eliú censura Jó por duvidar dela, 34:1-9.
b) Prova a justiça de Deus por Seu governo no mundo, 34:10-30.
c) Se Jó acusa a Deus de injustiça, por que quer apresentar seu caso
perante Ele? 34:31-37.
3. Discurso provando que a piedade atrai a bênção, capítulo 35; explica que
Deus não castiga nem resgata o hom em imediatamente, mas que espera,
para que o hom em aprenda a temer seu Criador.
4. Seu último discurso, sobre os atributos de Deus e sobre Sua benevolên­
cia, e justiça no governo do mundo, capítulos 36 e 37. Os perversos se
rebelam e são destruídos, mas os que respondem com humilde obediên­
cia são abençoados. Termina afirmando que o Deus, Todo-poderoso, viria
para falar-lhes (37:22-24).

E O Senhor fala do torvelinho, capítulos 38:1 a 42:6.

O Deus Todo-poderoso e Onisciente, com quem nenhum mortal deve dispu­


tar, pode ordenar o sofrimento para testar os justos.

1. Prim eiro discurso ou revelação, capítulos 38 e 39.


a) Introdução, 38:1-3.
b) Perguntas de Deus a Jó, destinadas a tirar de Jó a confiança em sua
própria sabedoria, e a aumentar sua confiança no cuidado de Deus
pelos que são Seus, 38:4 - 39:30.
Em relação com a criação, 38:4-15;
Em relação com o espaço, as alturas sobre a terra e as profundidades
debaixo dela, 38:16-38;
Em relação com o cuidado pelos animais silvestres, 38:39 - 39:30.
2. O Senhor convida Jó a responder-lhes, mas Jó diz que não pode, por causa
de sua vileza, e que põe a mão sobre a boca, 40:1-5.
3. Segundo discurso ou revelação do Senhor, 40:6 - 41:34.
a) Censura severamente a Jó por duvidar de Sua justiça, 40:6-14.
b) Deus com para a debilidade ou im potência de Jó com o poderio das
grandes criaturas da natureza, 40:15 a 41:34. Geralmente se traduz a
palavra "beem ote" como hipopótam o e "leviatan" como crocodilo.
4. Jó se arrepende, confessando sua falta de conhecimento e, portanto, sua
insensatez por haver falado.

m. CONCLUSÃO - RESTAURAÇÃO DOS BENS DE JÓ

Capítulo 42:7-17

A. O Senhor censura os três amigos e justifica a Jó diante deles, 42:7-9.

B. O Senhor concede a Jó o dobro de tudo que teve antes da provação, 42:10-17.


O fato que Jó só teve mais dez filhos, não quer dizer que ele não tenha recebi­
do o dobro de tudo. Antes, é poderoso testemunho sobre a verdade da imor­
talidade da alma humana. Os animais que possuía a princípio estavam eter­
nam ente perdidos, mas seus prim eiros dez filhos, m esm o que tivessem
morrido, ainda existiam.

RESUM O - O Senhor Jesus Cristo é o Redentor em que Jó confiava (19:25-27).


O patriarca era o sacerdote de sua família; viveu mais de dois séculos, a idade de
um patriarca; e o livro não menciona a lei, nem qualquer livro das Escrituras.
Portanto, aceitamos a história como relato fidedigno, e não produto da im agina­
ção de um escritor qualquer que tenha vivido séculos depois de Moisés. A descri­
ção feita sobre Satanás está de conform idade com os ensinam entos da Bíblia
inteira.
A principal lição do livro é a respeito da soberania de Deus. Esta se percebe
de três maneiras diferentes: (1) Deus pode ter propósitos espirituais que ultrapas­
sem nossa compreensão e permitir que experimentemos o sofrimento. (2) Deus
faz com que todas as coisas contribuam juntam ente para o bem. (3) Deus nunca
abandona aos Seus, mas antes gradua a prova de acordo com a necessidade de
praticar o bem e nunca nos permite ser tentado além do que podemos suportar.

1. Introdução em prosa, em que Satanás recebe permissão para provar a Jó,


tirando-lhe suas possessões e a saúde. Deus, sabendo qual seria o resulta­
do, permite tudo para testemunho a Satanás, e para instruir e abençoar
mais ainda a Jó.

2. Poema - Três amigos porfiam com Jó, acusando-o de sofrer por causa de
sua pecam inosidade; Jó protesta sua inocência e lamenta, amargamente,
sua injusta condição; Eliú censura a Jó por duvidar da justiça de Deus;
finalmente, o Senhor fala e Jó se arrepende de ter falado insensatamente.

3. Jó é restaurado à honra e respeito de todos, e é abençoado com o dobro de


suas possessões.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Por que se deve crer que o livro de Jó é um relato do tempo dos patriarcas,
como pretende ser?
2. Quais lições espirituais recebeu desse livro, no que diz respeito ao consolo
ou utilidade em sua vida?
3. O estudo desse livro tem lhe proporcionado um novo conceito sobre Deus?
4. Quais versículos provam que, apesar de suas amargas queixas, Jó nunca
perdeu sua fé em Deus?
5. Se Jó, recebeu bênçãos duplicadas depois da provação, por que não teve o
dobro de filhos?
6. Até que ponto o livro de Jó soluciona o problema do sofrimento dos justos
neste mundo?
Q a p ítu lo 2 5

INTRODUÇÃO GERAL AOS SALMOS

O Senhor Jesus Cristo tinha em altíssima conta o livro dos Salmos, e m ilha­
res de crentes têm seguido esse saudável exemplo durante os séculos. Quando
lemos em Marcos 14:26, que no fim da Ceia, Cristo e Seus discípulos entoaram um
hino, todos entendemos que cantaram um Salmo. Não se deve estranhar que o
Filho de Deus tenha cantado, nem que tenha usado das palavras de um hino para
louvar ao Pai celestial. Disse Ele, em Lucas 24:44, que os Salmos falavam dEle, e
quando os sacerdotes e escribas se indignaram por Ele ter aceito os louvores das
crianças no Templo, dizendo: "H osana ao Filho de D avi!", o Senhor Jesus citou em
justificação do fato, o Salmo 8:2. Respondeu-lhes Cristo: "...nunca lestes: Da boca
de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor?" (Mateus 21:16). Sim, os
Salmos falam do Senhor Jesus. As próprias expressões de adoração usadas pelo
povo e pelas crianças, eram as palavras empregadas pelo salmista, Salmo 118:25,
26; M ateus 2 1 :9 ,1 5 ,1 6 ).
O Senhor Jesus tam bém usava os Salmos em Seus ensinamentos ao povo,
desde o Sermão da Montanha, quando declarou que os mansos herdariam a terra
(Mateus 5:5 com Salmo 37:11); ao falar por parábolas (Mateus 13:35, com Salmo
78:2); até o fim de Sua existência terrena, quando ensinava no Templo, pouco
antes de ser crucificado. Cristo profetizou Sua rejeição citando o Salmo 118:22,23
(Mateus 21:42). Certa vez, o Mestre fez uma citação do Salmo 82:6 para provar a
Seus inimigos quão injusto era o juízo deles contra Ele (João 10:34-36).
Igualmente, muitos acontecimentos do ministério de Jesus Cristo foram pre­
ditos nos Salmos. Seu zelo pela casa de Deus, no princípio de Seu ministério terre­
no, fez com que Seus discípulos se lembrassem do Salmo 69:9 (João 2:17). Ao
referir-se ao traidor, o Senhor o fez com as palavras do Salmo 41:9 (João 13:18). Na
própria Ceia, referindo-se ao ódio do povo, citou o Salmo 35:19 e o Salmo 69:4:
"...Odiaram -m e sem motivo" (João 15:25). Estando sobre a cruz, em meio à agonia
mais profunda, tanto de alma como de corpo, as palavras que brotaram de seus
sagrados lábios foram frases tiradas dos Salmos: "D eus meu, Deus meu, por que
me desam paraste?" (Salmo 22:1 com Mateus 27:46). E suas últimas palavras: "Pai,
nas tuas mãos entrego o meu espírito!", eram do Salmo 31:5 (Lucas 23:46). Sua
ressurreição, glória e reino futuro também são preditos nos Salmos messiânicos,
como veremos mais tarde.
Os apóstolos tam bém em pregaram as palavras desses h in os em seus
ensinamentos. Pedro citou o Salmo 16 em seu sermão no dia de Pentecoste (Atos
2:27), e Paulo citou do mesmo em seu sermão em Antioquia da Pisídia (Atos 13:35).
Em sua carta à igreja de Roma, o apóstolo aos gentios explica o Evangelho, como
é que Deus salva ao pecador que crê, e a epístola contém diversas referências aos
Salmos (Romanos 3:4; Salmo 51:4-6; Romanos 3:20; Salmo 143:2; Romanos 4:6-8;
Salmo 32:1, 2; Rom anos 8:36; Salmo 44:22; Rom anos 11:9, 10; Salmo 69:21-25;
Romanos 15:11; Salmo 117:1). O livro aos Hebreus contém muitas frases e verda­
des tiradas dos Salmos, como: Hebreus 1:5; 5:5; Salmo 2; Hebreus 1:7; Salmo 104:4;
Hebreus 1:8, 9; Salmo 45:6; Hebreus 1:10-12; Salmo 102:26, 27; Hebreus 2:5-9; Sal­
mo 8:5-7; Hebreus 2:11, 12; Salmo 22:22; Hebreus 3:7; 4:7; Salmo 95:7; Hebreus
10:5-10; Salmo 40:6; Hebreus 13:6; Salmo 118:6, etc. Essas referências são suficien­
tes para indicar-nos a importância do livro dos Salmos na estrutura da Bíblia, a
permanente revelação da vontade de Deus. Tem-se calculado que três sétimos, ou
seja, quase a metade das citações do Velho Testamento, encontradas no Novo
Testamento, foram tiradas dos Salmos.
Desde tempos antigos, essa coleção de cânticos sagrados tem ocupado lugar
proeminente na vida dos crentes. O bispo Taylor afirma que a igreja primitiva
não admitia ninguém às ordens superiores do clero, a menos que, entre outros
requisitos, pudesse citar de memória todo o livro dos Salmos. Tertuliano, que
viveu no segundo século de nossa era, escreveu que os cristãos cantavam os Sal­
mos como antífonas. Hilário, Crisóstomo e Agostinho, mencionam todos os uso
dos Salmos nos cultos dos cristãos. A ordem do culto era: leitura de uma das
epístolas, depois a congregação entoava um Salmo, ou talvez o Salmo era parte
lido e parte cantado, ou ainda, cantado ou recitado em parte por um indivíduo, o
restante pela congregação, etc.; em seguida era feita a leitura de uma porção dos
Evangelhos. Pelo Talmude e pelas inscrições na versão Septuaginta, ou dos Seten­
ta, percebe-se que o Salmo 63 era usado na abertura do culto matutino, e que o
Salmo 141 era para o culto vespertino. Durante a semana da Paixão (a Semana
Maior) se cantava o Salmo 22. Há igrejas, até hoje, que não permitem outros hinos
durante seus. cultos, além dos Salmos.
Esse livro foi a primeira porção da Bíblia hebraica a ser impressa, depois do
descobrimento da imprensa. Muitas vezes é impresso e encadernado juntamente
com o Novo Testamento. Quando o Concílio de Tolossa (em 1229 depois de Cristo)
proibiu a leitura da Bíblia por parte dos leigos, fez um a exceção especial em rela­
ção aos Salmos. O restante da Bíblia, em sua maior parte, é a voz de Deus a falar
com o hom em mas, nos Salmos, temos as palavras inspiradas do homem com
Deus. O livro de Jó é diferente de todo outro produto da mente hebraica; porém, ao
contrário do livro de Jó, o livro dos Salmos exibe as características peculiares dos
israelitas, de forma mais plena e exata que qualquer outro livro. Não há livro na
literatura antiga, profana ou sagrada, que manifeste uma simpatia tão ampla e
perfeita, pelo hom em em sua debilidade e em sua força, em seu gozo e em seu
sofrimento.
Atanásio (298-373 depois de Cristo), escreveu: "N os outros livros (das Escri­
turas) há discursos cujo alvo é dissuadir-nos das coisas iníquas; mas neste temos
indicado para nós, como é que nós devemos abster das coisas pecaminosas. Por
exemplo: somos ordenados a nos arrepender, e arrepender não significa que ces­
semos de pecar; mas aqui temos esboçado como nos arrepender e que devemos
dizer ao fazê-lo. Noutra ocasião, disse Paulo: A tribulação opera a paciência na
alma, e a paciência, etc.; mas nos Salmos encontramos escrito e gravado como
devemos suportar as aflições; que devemos dizer em meio às nossas aflições; que
devemos dizer depois de afligidos; como cada um é provado; quais são as pala­
vras daqueles que esperam pelo Senhor. Há, ainda, um mandamento de que em
tudo devemos dar graças; mas os Salmos nos ensinam o que devemos dizer ao dar
graças. Então, quando lemos nas Escrituras: "Ora, todos quantos querem viver
piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos", pelos Salmos sabemos o que
devemos dizer ao ser desterrados, e quais palavras devemos apresentar a Deus,
tanto por ocasião das perseguições, como quando somos livres delas. Somos exor­
tados a bendizer ao Senhor, e a fazer-Lhe confissão, porém, nos Salmos nos é
informado tanto como devemos louvar ao Senhor, ou quais palavras devemos
usar para fazer-Lhe m elhor confissão. E, em cada caso, acharem os que esses
cânticos divinos são adequados para nossas necessidades, para nossos sentimen­
tos e para as circunstâncias". Essas palavras de Atanásio tem um duplo interesse
ao recordar como era a sua vida; as muitas vezes em que foi desterrado, as perse­
guições que teve de suportar e os muitos perigos de que foi salvo.

I. OS AUTORES E AS INSCRIÇÕES

O título do livro dos Salmos, na Bíblia hebraica, é "Tehillim " que significa:
"Louvores" ou "Cânticos de Louvor". As vezes também é chamado de "Sepher
Tehillim", que significa: "Livro de louvores". Porém, a versão dos Setenta usa o
nome "Salm os", título usado hoje em dia. E o título de vários dos Salmos (3 ,4 ,5 ,9 ,
etc.) e se refere a forma, que é um poema que se canta acompanhado com instru­
mentos de música. Originalmente, não significava o conteúdo religioso do cântico,
mas seu uso durante os séculos, emprestou este significado à palavra "salm os".
A consideração sobre seus autores depende muito das inscrições ou títulos,
que podem ser estudados juntos. Segundo os títulos Davi escreveu 72 dos Salmos;
Salomão, dois; Asafe, doze; os filhos de Core, doze; Etã, um; Hemã um; Moisés um;
e 49 são anônimos. Essas designações são um tanto ou quanto flexíveis, especial­
mente quanto ao número atribuído a Davi, se aceitarmos a afirmação de alguns
que o Salmo 10 pertence ao Salmo 9; que o 33 pertence ao 32, etc. Também há uma
tradição que diz que Moisés escreveu não somente o Salmo 90 mas tam bém o
Salmo 91 ou mesmo todos desde o Salmo 90 até o Salmo 100.
Será útil notar que existe uma diferença na maneira de dividir e enumerar os
Salmos. As versões romanas seguem a Vulgata, que está de conformidade com a
Versão dos Setenta, enquanto que as igrejas evangélicas seguem o texto hebraico.
A tábua abaixo ajudará o estudante a reconciliar as duas versões. A versão roma­
na "N ácar-Colunga" usa a enumeração hebraica, indicando entre parêntesis a da
Vulgata.

HEBRAICO VULGATA
CO

1 -8
1

9 -1 0 9
11 - 113 1 0 -1 1 2
1 1 4 -1 1 5 113
116 1 1 4 -1 1 5
1 1 7 -1 4 6 116 - 145
147 146 - 147
148 - 150 148 - 150

As inscrições ou esclarecimentos, encontrados no princípio da maioria dos


Salmos, tem três propósitos:
Ia - Alguns títulos indicam o autor;
2° - Outros dão instruções quanto à música que osacompanhava;
3S - Outros, ainda, fornecem circunstâncias históricas comemoradas nos
Salmos, ou sob as quais o Salmo foi escrito. Certos títulos combinam
dois, ou todos esses propósitos.

Quanto ao prim eiro uso desses títulos, podemos dizer que é muito natural
esperar que um cântico ou poema leve o nome de seu autor. Os poemas ou compo­
sições líricas de outros livros do Antigo Testamento trazem títulos formais: Gênesis
4:23; 49:1,2; Êxodo 15:1; Deuteronômio 31:30; 33:1; Juizes 5:1; I Samuel 2:1; II Samuel
1:17; 22:1; 23:1; Isaías 38:9; 2:1; 13:1; Habacuque 3:1; etc. Há pouca probabilidade
que esses títulos, que são muito antigos, tenham sofrido alteração, especialmente
se levarmos em consideração o alto respeito dos israelitas para com suas Escritu­
ras Sagradas. Alguns tentam provar que Davi escreveu todos os Salmos, dizendo
que a preposição "d e" (Salmo de Asafe, por exemplo) deve ser lida: "Salm o para
Asafe", o diretor do cântico, no Templo. Isso é desnecessário, vai de encontro à
tradição e carece de evidência suficiente, quer seja externa, quer seja interna. É
muito natural dizer "os Salmos de D avi", ainda que nem todos os Salmos tenham
sido escritos por ele; escreveu, contudo, a grande m aioria dos Salmos que trazem
o nome de um autor, e sem dúvida deu início à sua compilação, segundo II Crôni­
cas 23:18 (veja-se tam bém II Crônicas 29:30).
Os títulos ou inscrições cuja finalidade é assinalar o tom da música, ou qual
o instrumento acompanhante que deveria ser empregado, são fáceis de compre­
ender, caso se use a versão da qual estamos fazendo todas as citações deste estu­
do, ou seja, a Versão Revista e Atualizada no Brasil, da Sociedade Bíblica do
Brasil. Por exemplo: No Salmo 22, o título ou inscrição, conforme aparece na
versão "Alm eida" antiga, diz: "Salm o de Davi, para cantor-mor, sobre Ajelé-Has-
Saar"; enquanto que na Versão Revista e Atualizada no Brasil, lemos: "Ao mestre
de canto. Segundo a melodia: Corça de manhã. Salmo de D avi". Nesta última
versão se percebe qual o significado, em português, das palavras hebraicas da
versão mais antiga. Outros títulos mais comuns, são:
M asquil, que é o título de 13 Salmos, que significa "didático", dando a enten­
der que o Salmo é para dar instrução.
Miquitã, palavra traduzida de várias maneiras, como "m istério", "de ouro",
ou segundo alguns, deve ser simplesmente "poem a escrito".
O termo "Selá", encontrado no texto, indica uma pausa na música, talve
para a meditação do que acaba de ser cantado; por conseguinte, não deve ser lido
juntamente com o texto sagrado.
Quanto aos informes históricos de alguns dos títulos, é de notar-se que o
próprio texto raramente menciona o nome de algum inimigo, ou é de alguma
forma limitado, de modo que temos no próprio Salmo a expressão de sentimentos
aplicáveis a nossas próprias situações particulares, sem temor de "arrancar o
texto de seu contexto". Os Salmos de Davi se situam em distintas épocas de sua
vida, e nos trazem maior bênção se dermos atenção aos seus títulos, a exemplo do
que se percebe claramente nos Salmos 3 e 51.
Resta acrescentar que os títulos ou inscrições nunca foram considerados
como inspirados, nem pelos israelitas, nem pelos crentes. São muito antigos, e há
razão para considerá-las autênticas mas, tal como as divisões em capítulos ou
versículos, não formam parte integrante do texto sagrado.

H. A FORMAÇÃO DO LIVRO DOS SALMOS

Quando, por quem, e sob quais circunstâncias foi redigido esse livro? Quem
determinou a ordem dos diversos Salmos? Estas perguntas são difíceis de respon­
der. Sabem os que a form a que tem hoje os Salmos é a m esm a do tempo dos
Macabeus, e não há razão para crer que Judas Macabeu tenha alterado a forma
dada por Neemias. Bem reconhecido é o respeito fanático que os judeus demonstra­
vam pela tradição, pelo que era antigo, e especialmente pelo seu cuidado em guardar
intacto tudo que tinha a ver com seus antigos líderes, ou os heróis de sua fé.
Julgando pelas indicações internas, podemos afirmar que o Livro I (Salmos 1
a 41) foi compilado em sua forma presente logo depois de organizar-se o culto no
Templo de Salomão. Asafe e seus colaboradores não perderiam tempo em trans­
crever os Salmos de Davi (I Crônicas 16:37). Provavelmente, o segundo Livro
(Salmos 42 a 72) foi compilado a fim de ser utilizado pelo coro, no Templo, e no
ritual do culto. A conclusão, que diz: "Findam as orações de Davi, filho de Jessé"
(Salmos 72:20), marca uma época na formação do livro dos Salmos.
Alguns têm sugerido que os Salmos 1 e 2 são introdutórios; que os Salmos 3
a 6 foram adicionados para ser cantados pela manhã e à tarde; que os Salm os 8 a
13 são do tempo da juventude de Davi; que os de número 14 a 21 são do primeiro
período de seu reinado; enquanto que os demais Salmos do primeiro Livro, com
certas exceções, pertencem aos dias difíceis que precedem a fuga de Absalão. Os
do segundo Livro são, talvez, desse último período de seu reinado. O terceiro
Livro dos Salmos (73 a 89) crê-se ter sido compilado mais tarde, talvez durante o
reinado de Jeosafá. E o quarto Livro (90 a 106), durante o reinado de Ezequias
(veja-se II Crônicas 29:30). O quinto e último Livro contêm Salmos do tempo de
Esdras (137) e de Neemias, além de alguns de Davi.
Alguns críticos afirmam que certos Salmos são do período dos Macabeus.
Citam II M acabeus 2:14: "D o mesmo modo (isto é, como Neemias havia feito),
Judas reuniu todos os livros espalhados pelas guerras, que nos sobrevieram, e
esta coleção se encontra em nosso poder".
Mas, abaixo damos algumas razões que levam a descrer que qualquer dos
Salmos seja do período dos Macabeus:
1. A citação não diz que Judas M acabeu tenha escrito algo de sua própria
autoria; tão somente alega que ele reuniu os escritos existentes, no tempo de
Neemias (o que incluiria todo o "cânon" do Antigo Testamento) e que os conser­
vou. Neemias viveu cerca de trezentos anos antes do tempo de Judas Macabeu.
2. Há indicações de que as doxologias que aparecem no fim de cada um dos
cinco livros dos Salmos, existiam quando foi escrito o livro de I Crônicas (veja-se
I Crônicas 16:36). Isso seria mais de quatrocentos anos antes de Cristo.
3. Não há indicações, nos livros dos Macabeus, de que tenha havido escritor
inspirado naquela época, ou que houvesse poesia lírica escrita naquele período.
Foi aquela uma época em que a guerra mais cruel ocupava a atenção e a energia
dos homens. Se tivesse havido naquele período um hom em capaz de escrever
Salmos, como é que desapareceram todos os traços de tal homem?
4. Os Salmos que os críticos atribuem ao tempo dos M acabeus têm o mesmo
estilo puro e a dignidade dos demais Salmos. Não diferem nem sequer quanto às
expressões usadas, nem são diferentes dos formosos Salmos da idade de ouro da
nação judaica.

HL CLASSIFICAÇÃO DOS SALMOS

Como é de se esperar, há várias maneiras de dividir os Salmos, segundo seu


conteúdo. Também se pode fazer uma divisão cronológica dos Salmos de Davi. A
divisão em cinco livros é a mais comum e antiga.
1. A classificação dos Salmos, segundo seu conteúdo, necessariam ente tem
que incluir alguns Salmos em duas ou mais divisões, e nunca se pode satisfazer a
todos, em sua maneira de classificá-lo. A tabela abaixo dá uma idéia do que se
pode fazer:
A. Salmos de agradecimento, adoração e louvor:

1. Ação de graças por indivíduos: 9 ,1 8 ,3 0 ,3 4 ,4 0 , 7 5 ,1 0 3 ,1 0 8 ,1 1 6 ,1 1 8 ,1 3 8 ,


144.
2. Ação de graças pela nação: 46, 48, 65, 66, 68, 76, 81, 85, 98, 105, 124, 129,
135, 136, 149.
3. Louvores a Deus por causa de Seus méritos: 8 ,1 9 ,2 4 ,2 9 ,3 3 ,4 7 , 50, 65, 66,
76, 93, 94, 95, 96, 97, 99, 1 0 4 ,1 1 1 ,1 1 3 ,1 1 4 , 115, 1 3 4 ,1 3 9 ,1 4 7 ,1 4 8 , 150.
4. Louvores a Deus por causa de Seus cuidados: 2 3 ,3 4 ,3 6 , 91,10 0 ,1 0 3 ,1 0 7 ,
117, 121, 145, 146.
5. Expressão de confiança em Deus: 3 ,1 6 , 27, 31, 54, 56, 57, 61, 62, 71, 86.

B. Salmos devocionais e de oração:

1. Os chamados sete Salmos de penitência: 6, 32, 38, 5 1 ,1 0 2 ,1 3 0 ,1 4 3 .


2. Orações pedindo auxílio e libertação de provas: 4 ,5 ,1 1 , 28,41, 44, 55, 59,
60, 64, 70, 74, 79, 80, 83, 89, 9 4 ,1 0 2 ,1 0 9 , 120, 129, 1 3 7 ,1 4 0 ,1 4 1 ,1 4 3 .
3. Várias orações: 7, 13, 17, 20, 26, 35, 42, 43, 63, 67, 69, 77, 84, 88, 122, 132,
143, 144.

C. Salmos didáticos:

1. Ensinos éticos - a felicidade dos bons e a miséria dos perversos; as virtu­


des, etc.: 1 ,5 ,7 ,9 ,1 0 ,1 1 ,1 2 ,1 4 ,1 5 ,1 7 ,2 4 ,2 5 ,3 4 ,3 6 ,3 7 ,3 9 ,4 0 ,5 0 ,5 2 ,5 3 ,5 8 ,
73, 75, 84, 90, 91, 92, 9 4 ,1 1 2 ,1 2 5 ,1 2 7 , 1 2 8 ,131,133.
2. Ensinos sobre a Palavra de Deus: 1 ,1 9 ,1 1 9 .
3. Ensinos sobre a natureza: 8 ,1 9 , 29, 65,104.
4. Ensinos sobre os governantes: 82, 101.

2. A cronologia dos Salmos será comentada sob os diversos livros nos capí­
tulos subseqüentes.
3. A divisão dos Salmos em cinco livros é muito antiga. Epifânio e Hipólito
fizeram menção da mesma. No comentário sobre o Salmo 1:1, o M idrash hebraico
(comentário rabínico) diz: "M oisés deu os cinco livros da lei aos israelitas e, em
adição aos mesmos, Davi deu os Salmos, que constam de cinco livros."

LIVRO I, SALM OS 1 a 41. Nesta divisão, todos os Salmos são atribuídos a


Davi, menos quatro, que são: 1, 2, 10, 33. Os primeiros dois parecem constituir
uma introdução, especialmente o primeiro. Nesses quarenta e um Salmos é usado
o nome de "Jeová" cerca de 275 vezes, enquanto que o nome "Elohim " se encontra
apenas 68 vezes. Esses cânticos foram colecionados primeiro, talvez, pelo próprio
Davi, mas possivelmente compilados por Salomão, com a introdução e a doxologia
(41:13), e usados nos cultos do Templo de Salomão.
LIVRO II, SALM OS 42 a 72. esta divisão consta de 31 Salmos, e contém 7 que
são atribuídos aos filhos de Core, 18 a Davi, um a Asafe, um a Salomão, e 4 anôni­
mos. Nesta divisão predomina o nome "Elohim ", aplicado a Deus mas, na doxologia
no fim do Salmo 72, são usados ambos os nomes, (72:18,19), talvez para assinalar
as características dos dois primeiros livros dos Salmos. Ignora-se o motivo dessa
alteração; ainda não se encontrou nenhuma explicação satisfatória para o fato. A
comparação do Salmo 53 com o Salmo 14, ambos atribuídos a Davi, e os dois
quase iguais em seu conteúdo, m anifesta o fato que o Salmo 14, do Livro I dos
Salmos, usa mais o nom e de "Jeová" para designar a Deus, enquanto que o Salmo
53, que faz parte do Livro II dos Salmos, usa tão somente "Elohim " ou Deus. Este
segundo livro dos Salmos é notável por suas amplas inscrições, explicativas das
circunstâncias ou épocas históricas dos Salmos particulares.

LIVRO III, SALM OS 73 a 89. Esta divisão de 17 Salmos contém onze de Asafe,
um de Davi, um de Etã, e quatro dos filhos de Core, dos quais um, o Salmo 88, tem
além disso, o nome de Hemã. Este livro contém diversos termos musicais nos seus
títulos, manifestando seu uso litúrgico no Templo. Predomina um tanto o nome
"Elohim ", especialmente até o Salmo 84. O nome "Jeová" se encontra 44 vezes,
"Elohim " 80 vezes, e "Adonai" (Senhor), 15 vezes.

LIVRO IV, SALM OS 90 a 106. Esta divisão também consta de 17 Salmos.


Começa com o Salmo de Moisés; em seguida, aparecem 14 Salmos anônimos, e
dois são de Davi. O nome de "Jeová" é encontrado 103 vezes. "E lohim " aparece 72
vezes.

LIVRO V, SALM OS 107 a 150. Nesta última e maior divisão, há 13 Salmos de


Davi, um de Salomão, e os restantes são anônimos. O nome "Jeová" é encontrado
236 vezes, em sua forma concentrada "Jah " mais 32 vezes, enquanto que Elohim
aparece apenas 40 vezes.

R E S U M O - O S e n h o r Je su s C risto e os a p ó s to lo s e m p re g a ra m ,
freqüentemente, os Salmos. Dessa maneira manifestaram o importante lugar que
esse livro ocupava na vida dos judeus. E hoje o livro mais usado e conhecido do
Antigo Testamento.

O testemunho de Atanásio acerca do valor dos Salmos.

I. Os autores e as inscrições ou títulos. E mais razoável aceitar os títulos,


juntam ente com os autores, como autênticos, ainda que os títulos não
possam ser considerados como inspirados ou parte integral do texto
sagrado. As diferentes m aneiras de enumerar os Salmos. Os títulos:
indicam o autor, dão instruções sobre a música; e fixam as circunstân­
cias históricas do Salmo.
II. A formação do livro dos Salmos. Os cinco livros de que se compõe o livro
dos Salmos foram formados, provavelmente, como coleções separadas:
o Livro I para uso no Templo, nos dias de Salomão, e o Livro II pouco
depois; o Livro III talvez nos dias de Jeosafá; o Livro IV nos dias de
Ezequias; e o Livro V nos dias de Esdras e Neemias. Não há motivos
para ser aceita a teoria de que existam Salmos dos Macabeus.
UI. Classificação ou divisões do Livro dos Salmos:
a) Conforme o conteúdo;
b) Cronologicamente;
c) Em cinco livros:
Livro I - Salmos 1 a 41
Livro II - Salmos 42 a 72
Livro III - Salmos 73 a 89
Livro IV - Salmos 90 a 106
Livro V - Salm os 107 a 150.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Que lugar ocupavam os Salmos no ministério do Senhor Jesus?


2. Que uso fizeram os apóstolos do livro dos Salmos?
3. Explique algo sobre o uso dos Salmos na Igreja primitiva.
4. Dê um resumo do testemunho de Atanásio sobre o valor dos Salmos.
5. Qual a utilidade das inscrições ou títulos, visto que não são inspirados?
6. Quando foram colecionados os Salmos e reunidos em um livro como agora o
temos?
7. De quantas maneiras se pode dividir os Salmos?
(^ a p ífu t o 2 6

LIVRO I DOS SALMOS - 1 A 41

SALM O 1. O Senhor Jesus Cristo, ao apresentar as leis de Seu reino, no Ser­


mão da M ontanha (Mateus, capítulos 5 a 7), começou empregando a mesma pala­
vra que aparece no primeiro Salmo: "Bem -aventurado". Assim como Ele disse em
João 3:17: "Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o
mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele", assim tam bém nos Salmos
não há um só "a i" pronunciado contra alguém. (Em 120:5 se encontra "Ai de
m im ", mas creio que não é usado outro "a i" em todo o livro dos Salmos).
Neste primeiro Salmo temos três versículos sobre o homem bem-aventura-
do e tres sobre o hom em ímpio. No primeiro versículo se apresenta o lado negati­
vo de uma vida bem-aventurada, enquanto que os versículos 2 e 3 desvendam o
lado positivo. Assim como o peixe vivo nada contra a correnteza, o homem de
Deus tem necessidade de saber dizer: "N ão" ao mundanismo; por isso é preciso
que haja o positivo na vida espiritual. Só se constrói uma cerca em torno de um
jardim quando existe algo semeado ali dentro. O versículo 2 explica que o segredo
da vida bem -aventurada depende de onde está firmado o seu deleite ou onde se
encontra sua delícia. Se seu deleite se encontra na lei do Senhor, e não em sua
própria vontade ou desejo, então sua vida estará enraizada e será frutífera. Muito
nos faz pensar a expressão: "...tudo quanto ele faz será bem sucedido".
Os últimos três versículos fornecem o quadro triste daqueles cuja vida não
está enraizada e não produz fruto. As palavras: "não são assim ", nos apresentam
as sombras, ou trevas, do outro lado da luz de Deus. Em lugar de árvore plantada
e nutrida, há poeira (palha), arrebatada pelo vento: "...não prevalecerão..." e "...o
caminho dos ímpios perecerá...".
A divisão deste Salmo é um exemplo do que se deve fazer no estudo de todos
os Salmos. Não nos será possível fazer um comentário assim de cada Salmo em
particular, porém, desejamos fornecer alguns exemplos para ajudar nos passos
mais difíceis, a fim de que o estudante possa dividir em estrofes, fazer compara­
ções e retirar para si os ensinamentos principais de cada Salmo. Neste capítulo
trataremos somente dos Salmos que pertencem ao Livro I.
Há dois outros Salmos semelhantes a este, quanto ao fato de ensinar a felici­
dade daquele que anda de conformidade com a lei do Senhor - os Salmos 15 e 112,
como também o Salmo 24, ainda que este último seja mais considerado como
Salmo messiânico. No Salmo 15, cada versículo forma uma estrofe, e o amigo de
Deus, ou melhor, aquele que realmente ama a Deus, é nele descrito. Na qualidade
de Salmos que louvam a Palavra de Deus, os Salmos 19 e 119 se unem com este
primeiro Salmo. No Salmo 9 e 119 se unem com este primeiro Salmo. No Salmo 9,
os versículos 1 a 6 formam uma preciosa estrofe sobre a natureza, e nos versículos
7-10 e 11-14 se encontram duas estrofes sobre a revelação escrita de Deus, de
modo que as duas revelações formam um só cântico. A natureza e a revelação
escrita constituem dois testemunhos de Deus sobre a terra.

O SALMO 2 E OS SALMOS MESSIÂNICOS

Primeiramente, devemos considerar o conteúdo do Salmo 2, e em seguida as


características dos Salmos messiânicos.
O Salmo 2 contém quatro estrofes de três versículos cada uma. Também
pode ser adaptado a uma apresentação teatral, ou a uma apresentação radiofônica,
como programa dramático. Em primeiro lugar, se ouve a voz do profeta (ou do
locutor), dizendo: "Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas
vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o Senhor e
contra o seu Ungido, dizendo":
Voz de príncipes rebelados: "Rom pam os os seus laços e sacudamos de nós
as suas algem as".
Profeta (locutor): "Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles.
Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar, e no seu furor os confundirá".
Voz celestial: "Eu porém constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião".
Voz do Senhor: "Proclam ai o decreto do Senhor: Ele me disse":
Voz Celestial: "Tu és meu filho, eu hoje te gerei. Pede-me, e eu te darei as
nações por herança, e as extremidades da terra por tua possessão. Com varas de
ferro as regerás, e as despedaçarás como um vaso de oleiro".
Profeta (locutor): "Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos advertir,
juizes da terra. Servi ao Senhor com temor, e alegrai-vos nele com tremor. Beijai o
Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se
lhe inflamará a ira. Bem-aventurados todos os que nele se refugiam ".
Todos os esforços para fixar, na história de Israel, eventos ou circunstâncias
como as que estão delineadas neste Salmo, tem sido infrutíferos. Nunca houve um
tempo quando "os reis da terra" se rebelaram contra um rei de Israel, a fim de
"rom per os seus laços", ocasião em que o rei de Jerusalém se ria deles, em seus
esforços por se livrarem. Tão pouco se podem aplicar os versículos 7 e 8 a qual­
quer homem. Nenhum rei histórico de Israel é considerado nessa passagem.
Se não se refere esta passagem ao rei Davi, nem ao seu filho Salomão, os
únicos dois reis de Israel, no apogeu de sua glória, a quem se refere então? Diz-se
que havia uma regra rabínica para a interpretação dos Salmos - que tudo o que
não se referia claramente a Davi, ou a um personagem bem conhecido, de fato
estava se referindo ao Messias. Seja como for, este segundo Salmo é muito claro e
compreensivo, uma vez interpretado como uma profecia relativa ao Messias, por
ocasião de Seu segundo advento. Os Salmos que têm por tema o primeiro ou o
segundo advento de Cristo, são chamados de "Salm os m essiânicos". A palavra
"M essias", equivalente ao vocábulo "C risto", significa "U ngido". Estes termos,
escritos com letra maiúscula, sempre se referem ao Senhor Jesus. Ele é o Escolhido,
o Ungido de Deus (Mateus 16:16). Há profecias isoladas em outros Salmos mas,
aqueles cuja m ensagem central é Cristo, são chamados de "Salm os m essiânicos".
Mais tarde, no estudo dos livros proféticos, será estudado com maior aten­
ção o que está profetizado a respeito do Messias, porém, devemos compreender
duas ou três coisas fundamentais a respeito desse tema. Há profecias cumpridas
e profecias ainda por cumprir. Estão profetizados dois adventos do Messias: pri­
meiro, em humildade, para ser crucificado; e segundo, em glória e autoridade,
para reinar. As profecias que dizem respeito à Sua primeira vinda, já se cumpri­
ram. O Salmo 2 não é desta classe de profecias, mas o Salmo 22 o é. E verdade que
em João 1:49; 6:69 e em M ateus 26:63, são feitas referências a Jesus Cristo, como o
Filho de Deus, um'a doutrina ensinada no Salmo 2; porém, Sua existência no Novo
Testamento, não significa necessariamente que esta profecia tenha sido cumpri­
da. Igualmente, Atos 13:33 e Rom anos 1:4, falam de Jesus Cristo, na qualidade de
Filho de Deus, mediante a ressurreição de entre os mortos, como diz o Salmo 2:7;
em Atos 4:25-28 é aplicado o Salmo 2:1, 2 aos sofrimentos de Jesus Cristo sob
Herodes, Pilatos e o povo, porém, isso não esgota todo o significado deste Salmo.
Finalm ente, entretanto, haverá um cum prim ento pleno que não deixará
qualquer dúvida sobre a fidelidade de Deus à Sua Palavra. Contudo, ainda vere­
mos as nações se amotinando contra Deus, para romper todo vestígio de Seu
domínio sobre elas. Há duas possibilidades para a colocação do futuro cum pri­
mento de todo este Salmo: (1). No fim da grande tribulação, pouco antes de ser
estabelecido o reino milenar do Senhor Jesus Cristo (compare-se Apocalipse 19:1
- 20:4 com Salmo 2:8-12); (2). No fim do reino milenar de Cristo (compare-se
Apocalipse 20:7-15 com o Salmo 2:1-7). Talvez a primeira possibilidade seja a
preferível, pois coloca a batalha primeiro e o reino em seguida. Não queremos
com estas palavras menosprezar a aplicação do Salmo ao primeiro advento do
Senhor Jesus, como já explicamos.
Outros Salmos proféticos deste Livro I dos Salmos, é o Salmo 16, onde os
versículos 9 e 10 se referem à ressurreição do Senhor Jesus (Atos 2:27); e o Salmo
22, que comentaremos em separado; e também o Salmo 40. Em Hebreus 10:5-7 se
vê que o Salmo 40:6-8 está falando do primeiro advento de Jesus Cristo.
SALMO 3. O estudo deste Salmo nos leva aos Salmos de Davi e ao problema
de sua ordem cronológica. Apesar de haver 37 Salmos neste Livro I dos Salmos
atribuídos a Davi, e apesar de que, segundo Atos 4:25, o Salmo 2 também seja
atribuído a ele, há apenas cinco Salmos, cujas inscrições ou títulos fixam, com
mais ou menos exatidão, o tempo da vida do autor a que pertence o poema (3, 7,
18, 30 e 34). Não obstante, tem os detalhes suficientes da vida de Davi nos Livros
Históricos (I e II Samuel, e I Crônicas), a ponto de não nos ser difícil imaginar quais
teriam sido os eventos que produziram os sentim entos expressados nas suas
diversas composições. Certos Salmos poderiam situar-se, naturalmente, em duas
ou três épocas de sua vida. No Salmo 23, por exemplo, podemos ver perfeitamente
a expressão da juventude de Davi, quando deixou pela primeira vez os seus reba­
nhos e foi levado à corte do rei Saul. Tinha sido desprezado por sua própria
família, diante de Samuel, quando este viera para ungi-Lo, e agora estava na
companhia do rei. Contudo, este Salmo pode ser igualmente atribuído ao fim da
vida de Davi, como expressão do cuidado que o Senhor teve dele durante os 80
anos de sua peregrinação neste mundo, e como expressão de sua confiança de
estar-lhe garantindo um local de delicados pastos, a esperá-lo no além.
Essa prática de não limitar o Salmo a um acontecimento histórico, faz com
que o leitor, em qualquer época, tenha o direito de simpatizar com o poeta, e por
sua vez utilizar as estrofes como expressões de sua própria experiência, ao estar
debaixo de quaisquer circunstâncias que tornem apropriadas suas palavras.
Segundo as inscrições ou títulos, os Salmos de Davi seguem em ordem cro­
nológica, segundo a lista abaixo:

Salmos
- Davi caluniado na corte de Saul 7
- Davi perseguido por Saul 59
- Fuga de Davi a Gate 34; 56
- Quando fugia de Saul, na cova de Adulão 57; 142
- Quando Doegue disse a Saul que Davi se
refugiara com Abimeleque 52
- Traído pelos Zífeus 54
- Quando escapou das mãos de Saul 18
- Quando estava no deserto 63
- Ao ser dedicada a casa de Davi 30
- Ao derrotar os moabitas e os sírios 60
- O grande pecado e o arrependimento de Davi . 51
- Quando fugia de Absalão 3

M uitos são os que tem tentado organizar os demais Salmos de Davi em sua
ordem cronológica, mas todos diferem entre si. Não é necessária muita im agina­
ção para crer-se que o Salmo 32 foi escrito pouco depois do Salmo 51, e talvez o 38
e o 39 também, porém, os ensinam entos são os mesmos, e a utilidade que esses
Salmos tem para nós é a mesma, não importando a data exata de sua composição.
Se a data histórica fosse necessária, Deus a teria revelado.
Vejamos por alguns m omentos o Salmo 3, cujo título indica haver sido escri-
to "quando fugia de seu filho Absalão". É o último Salmo, segundo a lista dada
acima, porém, na ordem em que os Salmos aparecem na Bíblia, é colocado entre os
primeiros, talvez por ter sido considerado como oração apropriada para ser feita
pela manhã.
O SALM O 3 consta de quatro estrofes de dois versículos cada uma. Prim ei­
ramente Davi clama pelo Senhor e Lhe explica sua perigosa situação. A segunda
estrofe é uma expressão de confiança no Senhor, o Escudo ou Defensor do necessi­
tado, e Aquele que responde à sua oração. O tempo gramatical dos verbos no
versículo quatro prova que o costume de Davi era orar a Deus, e o Senhor lhe
respondia constantemente. A confiança expressada na terceira estrofe é extraor­
dinária, dada a circunstância de que a esse tempo se esforçava por salvar a vida,
sem fortaleza, nem muros, nem defesa natural. "Deito-m e e pego no sono; acordo,
porque o Senhor me sustenta". Que Deus nos conceda, a todos, essa fé! Então pela
manhã, fortalecido pelo doce sono e descanso da noite, pôde dizer: "N ão tenho
medo de milhares de povo que tomam posição contra mim, de todos os lados". A
última estrofe é uma oração, solicitando ao Senhor que Ele o salve, quebrando os
dentes (tornando-os incapazes de fazer dano) dos adversários, e tudo por pura
graça. "D o Senhor é a salvação".
SALMO 4. Este Salmo é uma oração noturna (compare-se 4:8 com 3:5) e é um
tanto semelhante ao Salmo 3, em sua estrutura. Tem uma pausa no fim do segun­
do e do quarto versículos. Compare-se também 4:6 com 3:2a.
SALM OS 5, 6 e 7. Estas são orações pedindo ao Senhor para ser libertado de
seus inimigos.
SALMO 8. Aqui um Salmo de louvor a Deus, por causa da natureza e em
vista de Sua criação do homem. A descrição do homem, como um pouco menor
que os anjos, e como senhor de tudo o mais na criação, é precedida pelos versículos
três e quatro, que falam da insignificância e da indignidade do homem, para que
lembremos que a honra e a glória pertencem ao Senhor.
SALM O 9, e os Salmos Imprecatórios. Este é um Salmo acróstico, ainda que
imperfeitamente. O próximo Salmo completa o alfabeto hebraico, mas, nem por
isso significa que os dois devem constituir um cântico só. No Salmo 9 os inimigos
são estrangeiros, e no Salmo 10 os inimigos são domésticos; o tom do Salmo 9 é de
um glorioso triunfo, enquanto que o tom do Salmo 10 é m enos vitorioso. Cada
dois versículos formam um par, que começa com uma letra, na ordem do alfabeto
hebraico. O cântico se divide em duas partes: versículos 1 a 12 e 13 a 20. A prim ei­
ra divisão começa e termina com louvores ao Senhor (versículos 1, 2 e 11, 12);
enquanto que a última divisão começa e termina com orações (13,14 e 19, 20). A
porção central é dos juízos do Senhor, já executados (3-6 e 15, 16); seguida por
uma declaração dos eternos juízos que Deus haverá de levar a cabo entre aquelas
nações rebeldes (7-10 e 17,18). Além disso, os juízos enumerados com verbos em
tempo pretérito perfeito podem ser profecias sobre o castigo mais amplo que
sobrevirá sobre as nações gentílicas. E por causa dessas porções que o Salmo 9 é
um daqueles que se chamam "Salm os Im precatórios".
Sabemos que Davi era hom em de coração bondoso. Por duas vezes o seu
perseguidor, Saul, esteve à sua mercê, e teria sido bem fácil tirar-lhe a vida, po­
rém, nem tocou em Saul, e nem permitiu que seus homens o fizessem. Conhecida
é a bondade que Davi demonstrou para com Mefi-Bosete, neto de Saul, etc. Porém,
quando Davi falava dos inimigos do Senhor, os idólatras, então era outra coisa (II
Samuel 12:31; veja-se tam bém Números 31:15-17).
O Deus que ordenou o dilúvio nos dias de Noé é o Pai Celeste que até o dia de
hoje cuida dos que são Seus. Quando uma nação ou indivíduo degenera tanto, a
ponto de haver resolvido não se arrepender, nem aceitar o dom da salvação ofere-
. tdo por Deus, e quando a existência dessa nação ou indivíduo se transforma num
perigo de infecção m oral para seus semelhantes, então Deus, em Sua m isericór­
dia, permite que o pecado tenha seu efeito natural - a morte.
Interpretando os Salm os Imprecatórios à luz da profecia, veremos que eles
se relacionam com os castigos profetizados sobre as nações incorrigíveis no "Dia
do Senhor". O Salmo 137 é, provavelmente, o mais citado pelos críticos, e será
comentado mais tarde, no capítulo que trata do Livro V dos Salmos, porém, a
destruição da Babilônia foi profetizada como castigo contra seus muitos pecados.
Este Salmo 9 tam bém fala do castigo que Deus imporá aos inimigos, mas,
examinando-se os versículos sete e oito, percebe-se que o Salmo se refere ao tempo
do julgamento e, no versículo onze, vê-se que Sião está habitado por adoradores
do Senhor, e que o versículo catorze o confirma. Nos versículos 15-17, lemos:
"Afundam-se as nações na cova que fizeram, no laço que esconderam prendeu-se-
lhes o pé. Faz-se conhecido o Senhor, pelo juízo que executa; enlaçado está o ímpio
nas obras de suas próprias mãos. Os perversos serão lançados no inferno, e todas
as nações que se esquecem de Deus!" Outra vez, neste caso, são as nações gentílicas
pagando por seus maus tratos contra os judeus, a quem Deus escolheu como
instrumentos para a redenção do mundo. Realmente, "...faz-se conhecido o Se­
nhor, pelo juízo que executa" (Salmo 9:16).
Assim é que, nestes Salmos Imprecatórios há um profundo sentimento de
justiça e de juízo divino. Não é o escritor que pede permissão para matar, ou fazer
vingança, mas antes, pede o justo juízo de Deus.
Tem sido sugerido por alguns que estes Salmos devem ser interpretados
como referindo-se ao inimigo pessoal, o homem velho e carnal que existe dentro
de cada um dos crentes. Citam o Salmo 83:13 a 18 como aplicável a essa interpre­
tação. Sem dúvida que há certo valor ao implorar tais castigos contra nossa natu­
reza pecaminosa, que se levanta contra Deus, mas, a maneira mais natural de
interpretar esses Salmos Imprecatórios é aceitá-los como orações de quem sofreu
muito e que espera que o Senhor se encarregue de sua justificação e vingança. As
vezes tais imprecações ultrapassam a ocasião que as originou, e alcançam até o
castigo justo que Deus executará no Dia do Senhor sobre as nações incorrigíveis
que terão perdido seu direito de continuar existindo.
SALM OS 10 a 13. O Senhor é o Defensor contra os iníquos.
SALM O 14. este Salmo é repetido, com pequenas variações no Livro II, o
Salmo 53. Ambos são atribuídos a Davi e, se interpretarmos os versículos seis e
sete no sentido em que a mesm a expressão é usada em Jó 42:10: "...M udou o Se­
nhor a sorte...", então não haverá razão para duvidarmos da inscrição ou título
deste Salmo. A expressão em apreço pode referir-se a outros versículos do Salmo,
onde nos é dado um quadro muito triste sobre o povo de Israel. Nota-se, prim ei­
ramente, que o hom em que diz em seu coração: "N ão há D eus", é um insensato,
um néscio. Muitos homens dizem assim com os lábios, mas são poucos os que o
crêem em seu coração. Ainda que sejam poucos, também são bem poucos os que
buscam a Deus, conforme diz também o versículo dois. Todo hom em necessita de
um Salvador; não há ninguém perfeito, mas o Senhor é o refúgio de que precisa­
mos; nEle há salvação. O néscio diz em seu coração que não existe Deus, mas o
sábio se refugia no Senhor.
SALM O 15. No Salmo é descrito o andar do hom em que agrada ao Senhor.
SALM O 16. Trata-se de um cântico de louvor a Deus, por Sua bondade par­
ticular para com o salmista. Os dois últimos versículos expressam sua crença na
ressurreição, e constam de uma promessa e de uma profecia que foi cumprida na
ressurreição corporal do Messias, o Senhor Jesus (Atos 2:27).
SALM O 17. Trata-se de outra oração que solicita proteção, terminando com
uma declaração de fé na ressurreição e na vida eterna.
SALM O 18. Este Salmo é um cântico de louvores a Deus, por Deus ter livrado
o salmista de seus inimigos, segundo diz o título. Há muita coisa neste Salmo que
parece ultrapassar bastante as experiências pessoais de Davi, e a m aior parte
pode ser atribuída ao Senhor Jesus.
SALM O 19. Este precioso Salmo se divide em duas partes. Os primeiros seis
versículos falam do testem unho que a natureza dá sobre Deus, enquanto que os
últimos oito versículos exaltam a Palavra de Deus. O versículo 1 é uma declara­
ção bem clara sobre o propósito principal do universo - o de glorificar ao seu
Criador. Os v ersícu lo s dois e três tem sido severam ente criticad os, com o
ininteligíveis, mas agora a ciência tem descoberto que há sons musicais na luz do
sol, na terra, nos planetas e estrelas e através do espaço. Em verdade, há uma
"Sinfonia celestial do universo", e a versão que usamos diz corretamente: "N ão
há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por
toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras até aos confins do m undo"
(Salmo 19:3, 4). As duas últimas estrofes, de quatro versículos cada um falam da
lei do Senhor, como perfeita, fiel, reta, clara, limpa, verdadeira, desejável e doce.
Veremos mais a respeito ao estudarmos o Salmo 119. A oração com que se encerra
este Salmo 19 é um a preciosa petição, juntam ente com um testemunho fiel. Con-
vém-nos orar assim mais a miúdo.
SALM O 20 e 21. São orações e louvores ao Senhor, da parte do rei, como sua
esperança e fortaleza.
SALM O 22. Eis aqui o Salmo que fala, profeticamente, da crucificação e da
ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Neste Salmo temos um bom exemplo da
inspiração dos homens santos que escreveram aquilo que lhes era indicado pelo
Espírito Santo, ainda que os m esm os escritores não pudessem compreender tudo
quanto escreviam (I Pedro 1:10-12). A crucificação de Cristo, no Calvário cumpriu
tantos detalhes aqui descritos, que somente um cego obstinado diria que não se
percebe a correspondência entre a profecia e seu cumprimento. Jesus Cristo, cra­
vado na cruz ("traspassaram -m e as mãos e os pés" - Salmo 22:16), gritou em Sua
agonia: "D eus meu, Deus meu, por que me desam paraste?". O povo, que O obser­
vava, escarneceu dEle com as palavras dos versículos sete e oito. O cumprimento
dos detalhes do versículo dezoito é admirável. Suas vestes foram repartidas en­
tre os soldados, mas havia uma peça de Seu vestuário - a túnica - que, por ter sido
tecida como uma peça inteiriça, não quiseram rasgá-la, para poder reparti-la,
pelo que tam bém lançaram sorte sobre ela. Que fidelidade à letra vemos nesse
cumprimento da profecia escrita quase m il anos antes de seu acontecimento!
A começar do versículo 22 nota-se grande alteração neste Salmo. Em lugar
de petições, há louvores. Da morte, a alma saiu vitoriosa e agora tem novas de
grande regozijo para anunciar à assembléia. O versículo 26 é muito precioso.
Verdadeiramente, os que comem de Seu sacrifício ficam satisfeitos e louvam a
Deus.
SALM O 23. Seguindo o Salmo 22, em ordem natural vem o Salmo do Pastor.
Trata-se do Cristo sacrificado, sepultado e saído do túmulo que sabe pastorear o
Seu rebanho. Esse curto poema provavelmente é a peça literária mais famosa no
mundo. E aprendido de memória pelas crianças, e recitado pelas congregações,
mais que qualquer outra porção das Escrituras. Tem consolado milhares de cren­
tes no momento de sua morte, e tem animado a milhares mais em ocasiões de
grande dificuldade. Cada versículo, sim, e cada frase, tem servido como texto
para sermões inumeráveis, porém nunca foi esgotada a sua beleza ou a aplicação
de seus ensinos à vida diária do crente. Poderíamos utilizar várias páginas apre­
sentando testem unhos sobre as diferentes m aneiras pelas quais tem o Senhor
usado este Salmo, e em seu comentário, porém, o limite deste capítulo nos impede
de fazê-lo.
O filho do proprietário das ovelhas é um bom pastor, e não um pastor assa­
lariado (João 10), e é Ele quem cuida das ovelhas para que nada lhes venha a faltar.
Ele as leva pelas pastagens verdes, porque a ovelha não sabe procurar o melhor
alimento. Fá-las descansar junto de águas tranqüilas, porque a ovelha não bebe
direito quando a água está agitada, e o descanso é necessário para a alma. O
pastor tem má fama ou grande renome, conforme sua habilidade de levar seu
rebanho através dos campos semeados, sem que uma só ovelha deixe o caminho
para meter-se entre o trigo, que lhe não pertence. Dessa maneira, damos glória ao
nome de Cristo ou lançam os vergonha sobre Seu nome, segundo andamos nos
caminhos retos ou não. Ao sobrevir o verão, a erva dos vales se secava, e os
pastores levavam suas manadas pelos passos entre as montanhas, a pastos mais
altos. Porém, com seu cajado conduzia as ovelhas, e com sua vara matava os
lobos ou os leões, de modo que infundia confiança. Também sabia encontrar o
alimento, m esm o entre os pastos pedregosos, de modo que preparava "m esa, na
presença dos... adversários". Cada noite o bom pastor contava ovelha por ovelha
e, ao notar que uma delas estava fatigada ou enferma, ungia-lhe a cabeça com
azeite e buscava água fresca em abundância para que se recompusesse. Por con­
seguinte, a confiança da ovelha em seu pastor é símbolo da fé e do amor que o
crente deve ter para com Cristo Jesus. O último versículo deste Salmo é a expres­
são de tal confiança, e tem sido usado para consolar e animar a multidões de
filhos de Deus através dos séculos.
SALM O 24. Os versículos 1 a 6 formam a primeira estrofe deste Salmo. Se é
verdade, o que é tão natural supor, que este Salmo foi composto por Davi para ser
cantado quando a Arca subiu da casa de Obede-edom até Jerusalém (II Samuel 6),
então essa prim eira estrofe seria cantada enquanto subiam o monte, até chegar às
portas do muro da cidade. Talvez essa estrofe, como também a segunda, fosse
cantada como antífona, um coro respondendo a outro, porque se presta admira­
velm ente para esta finalidade. Ao chegar defronte da porta, o coro de fora com a
Arca, pede entrada, enquanto que do lado de dentro sai a pergunta: "Q uem é o Rei
da G lória?". Então o grupo do lado de fora replica: "O Senhor, forte e poderoso, o
Senhor, poderoso nas batalhas!" e novamente exige entrada, com efeito dramático.
Será esta, igualmente, uma profecia sobre a maneira pela qual os anjos can­
taram quando o Senhor Jesus Cristo ascendeu, do m onte das Oliveiras, até à
destra do Pai, lá nos céus?
SALM O 25. É um acróstico o Salmo 25, como também os Salmos 34, 37,111,
112,119 e 145. Esses poem as didáticos usam o alfabeto em sua ordem costumeira,
às vezes com certas modificações, provavelmente para obter o interesse dos ou­
vintes e para ajudar a memorização do Salmo. Este Salmo 25 pede socorro ao
Senhor, bem como o perdão dos pecados.
SALM O 26 a 30. Todos são Salmos de adoração ao Senhor.
SALM O 32. Os sete Salmos, chamados de "Salm os Penitenciais", são: 6, 32,
38, 51, 102, 130 e 143. As verdades do Evangelho podem ser vistas a cada passo
nesses cânticos. Serão mais comentados quando chegarmos ao Salmo 51 mas, no
Salmo 32, se nota: a bênção e a segurança do perdão; que é possível que o pecado
seja escondido da vista de Deus; a necessidade de confessar a Deus e a aceitação do
pecador por parte do Senhor. Tudo isso termina em regozijo e gozo para o perdo­
ado. A exortação que há no versículo nove é muito prática. Diz que não devemos
ser impetuosos como cavalo fogoso, nem obstinado como o jumento. A razão
disso é que os olhos de Deus estão sobre nós para guardar-nos em Seu caminho, e
devemos ser sensíveis à Sua orientação.
SALM O 37. Só usaremos algumas linhas mais, neste capítulo, para chamar
a atenção sobre este precioso cântico de confiança em Deus. O Salmo se inicia com
uma exortação à calma e à esperança, apesar dos ímpios. Os versículos três a
cinco encerram grandes promessas de Deus a Seu povo, ou talvez seja melhor
chamá-las declarações de leis espirituais: "Confia no Senhor e faze o bem; habita
na terra e alimenta-te da verdade. Agrada-te do Senhor, e ele satisfará aos desejos
do teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará!"
Como Deus é bondoso! O hom em que desejar desfrutar dessas bênçãos terá de
cumprir as condições que aparecem no versículo três, e alimentar-se da verdade.
O Salmo prossegue para falar das bênçãos que são dadas àqueles que servem ao
Senhor. Os versículos 23 e 25 são muito conhecidos.
Os demais Salmos, não comentados nos limites deste capítulo, devem ser
lidos pelo estudante, e o tema e a lição principal de cada um devem ser anotados.
Salmo 41:13 é a doxologia com que se encerra o Livro I dos Salmos. Visto que os
Salmos tratados são comentados em ordem cronológica, pode-se facilmente refe­
rir-se a eles sem um resumo.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Dos Salmos do Livro I que todo obreiro deve conhecer de memória, o mínimo
será: Salmos 1 e 23; depois 2, 3 ,1 9 , 22, 24, 32 e 37.
2. Como se deve dividir o primeiro Salmo em suas estrofes, e qual o tema de
cada estrofe?
3. Como se sabe que o Salmo 2 é um Salmo messiânico?
4. Explique como é que a inscrição ou título que aparece sobre o Salmo 3 nos
ajuda a compreendê-lo.
5. No Salmo 9 que explicação se pode dar dos Salmos Imprecatórios, em vista
do fato que Deus é amor?
6. Que há de maravilhoso nas profecias do Salmo 22?
7. No Salmo 23, qual lição será para você de maior importância espiritual?
Q iLpjííuh^ 27

LIVRO II DOS SALMOS - 42 A 72

SALM O 42. O Senhor Jesus Cristo é o único que pode satisfazer o anelo da
alma, anelo esse expressado nos primeiros versículos deste Salmo: "Com o suspi­
ra a corça pelas correntes das águas, assim por ti, ó Deus, suspira a minha alma.
A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo..." Somente Ele pode responder
satisfatoriamente à pergunta: "O teu Deus, onde está?"
SALM OS 42 e 43 são os lamentos de um coração abatido. Estes Salmos são
atribuídos aos filhos de Core, na prim eira parte do Livro II dos Salm os. Os
comentadores que fazem finca-pé sobre a semelhança entre o Pentateuco e os
cinco livros dos Salmos, explicam a presença destes Salmos de abatimento aqui,
por corresponderem aos primeiros capítulos do livro de Êxodo. Visto que o Livro
I dos Salm os trata do homem, corresponderia assim ao livro de Gênesis; enquan­
to que o Livro II dos Salmos trata da ruína, do Redentor e da redenção; o Livro III
dos Salmos corresponderia ao livro de Levítico, e trata do santuário; o Livro IV
dos Salmos trata da terra, e o Livro V dos Salmos trata da Palavra de Deus, e
dessa forma corresponderiam aos livros de Números e Deuteronômio respecti­
vamente.
SALM O 44. O Salmo 44 é semelhante aos dois Salmos precedentes mas, em
vez de ser pessoal, é antes nacional em seu caráter. O autor relembra os dias
antigos, quando os patriarcas se gloriavam em Deus e em Sua bênção; mas agora
os israelitas eram vendidos, e se tinham tornado semelhantes a ovelhas destina­
das ao matadouro; Deus tinha escondido deles o Seu rosto, e o salmista Lhe roga
para que se levante a fim de ajudá-los.
SALM O 45. Tem-se considerado o Salmo 45 como um cântico de amores para
celebrar o casamento de algum rei, talvez o casamento de Salomão com a filha de
Faraó. Considero isso improvável, entretanto, visto que tal união seria uma vio­
lação à lei de M oisés (Deuteronômio 7:1-4); por conseguinte, tal casamento não
seria celebrado tão jubilosamente pela nação, especialmente por ter sido efetuado
no Templo, pelos cantores, como m emorial de uma bênção. O fato é que as pala-
vras chegam a um arrebatamento de espírito, que ultrapassa o elogio legitima­
mente feito a um rei hum ano e são aplicáveis somente ao Senhor Jesus (versículos
6 e 7). Assim é que essas palavras são citadas em Hebreus 1:8 e 9, pelo que este
Salmo é considerado messiânico, e a interpretação comum é que dá uma idéia de
como serão as bodas de Cristo com Sua Igreja, nos céus.
SALM O 46. Este é um Salmo de testemunho e louvores a Deus. Tão contínuo
é o tom de triunfo que mais parece um cântico do povo de Israel a celebrar a
segunda vinda do Messias, quando Ele haverá de por fim à Grande Tribulação e
est abel ecer c.-,,, — — ar r ' — eg^— cacJa -----j g (-------:
na com a pausa (Selá) que exige meditação do que se acabou de ler. Alguém jádfese
que devemos interpretar essas palavras: "Selá", ou "P ausa", como - "Qu^içse
parece?", ou: "Considere bem isso!" O versículo dez é uma exorta ãp-pai^^juP
todos guardem silêncio diante de Deus, reconhecendo que Ele é o S o b e r •Todo-
poderoso, e assim Ele será exaltado em toda a terra. Hoje em c i^há 'tèçtesskíade de
relembrar esta verdade. A cláusula: "O Deus de Jacó é o n o á^ reféíg io ", é muito
expressiva, porque Aquele que acompanhava a Jacó, aQssí/çi J$nus debilidades e
enganos, é um Refúgio para nós, ainda que sejainosf tãpaTJÊHgnos. Ensina-nos
muito a respeito da bondade de nosso Pai Celeáfe>/b<^oIa-nos e anima-nos, na
luta pela vida! / ''" v v V
SALM O 47. Fala de Deus, com^xl' ^smrelals nações.
SALM O 48. Glorifica ao Senhol,9 o !* o^Rel de Sião, a cidade santa e formosa
do Senhor Jeová.
SALM O 49. É um com érjíaitó sobre a vida, a morte e a imortalidade, que
provém de Deus, sencíffX2 jwe 1Se_£jQuem redime a alma e a toma para Si.
SALM O 50. E ^tribúwiptó^sa , e está escrito em forma de conferência - Deus
convoca o p ov oid h es fsü^Me sua hipocrisia ao oferecer-Lhe sacrifícios. O que Ele
quer é a com tí^ am íiam Seu povo, à base do sangue sacrificado; e não que eles, de
má vonj^eCLne^ârereçam animais, para logo continuar em sua maldade.
MD^>LDeve ser lido à luz do acontecimento histórico que o ocasionou (II
-15). O rei Davi havia cometido adultério e homicídio, por cujo moti-
íe )o õ profeta Natã, por revelação de Deus, e acusou Davi de seu pecado. Davi
3 rependeu de todo coração, e o Salmo 51 é sua oração de penitência e confissão.
„ Salmo _ muito instrutivo ^ tem ^ _______ ___________ _______
derem melhor o que deve fazer qualquer filho de Deus, que tenha incorrido em
pecado, assinalando também o caminho do perdão e da alegria renovada. Deve-
se notar que não há lugar para a auto-justificação, nem se apresenta desculpa,
senão uma humildade confissão e uma sincera petição para que seja perdoado.
Somente Deus pode justificar-nos, e nada podemos fazer por nós mesmos, nesse
particular.
E mister crer que Deus pode apagar nosso pecado, porque, sem essa fé, nossa
oração não teria significado.
O versículo quatro contém uma im portantíssima verdade: todo pecado é,
primeiramente, contra o Senhor. Ele nos criou, não para que vivamos no pecado,
mas para que sirvamos de glória para nosso Criador. Quando incorremos em
pecado, constituímos um a vergonha para Deus, e não uma honra. Por conseguin­
te, todo pecado é prim eiram ente uma ofensa contra nosso Criador, não im portan­
do a natureza do crime, nem quão leve tenha sido o mesmo pecado, nem quem
tenha sido a vítim a entre os homens, devido à nossa maldade. Juntam ente com
isso, é útil dizer, que o verdadeiro arrependimento é o reconhecimento de nosso
pecado diante de Deus, e não simplesmente uma tristeza natural por havermos
provocado o sofrimento de algum irmão por causa de nossa fraqueza. Um a boa
ilustração dessa verdade se encontra em Lucas 22:61. Pedro havia negado ao
Senhor, diante das servas e diante dos homens no pátio do palácio, e nada sentiu
até que o Senhor Jesus, de onde se encontrava perante o governador Pilatos, sendo
julgado, virou a cabeça e olhou para ele. Ao dar fé de que os olhos do Filho de Deus
estavam fitos nele, e que Deus sabia tudo perfeitam ente o que havia acontecido,
saiu e chorou amargamente. Esse é o arrependimento aceitável por Deus.
Outra verdade notável que se encontra neste Salmo, é a que se vê no versículo
doze, onde Davi pede a Deus que lhe devolva a alegria de sua salvação, e não que
Deus o torne a salvar. Certamente há pessoas que sustentam que se Davi não se
tivesse arrependido, e tivesse morrido, estaria perdido em seu pecado. Somente
Deus, porém, é que sabe o que teria acontecido a um indivíduo, se as circunstân­
cias tivessem sido diferentes (Mateus 11:21), e melhor nos convém não perder
tempo discutindo sobre a salvação de Davi, caso não se tivesse arrependido, nem
sobre a salvação de Salomão, a fim de nos ocuparmos em levar as boas novas a
todas as criaturas.
O versículo dezessete ensina uma verdade que é tão útil para nós, como er
em seus dias: "Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrado; coração
compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus".
M uitos alegam que os últimos dois versículos foram acrescentados séculos
depois, por alguns copistas, porém, era muito natural que um rei deixasse de
pensar em si mesmo, a fim de orar pelo seu povo, especialmente a favor de sua
capital. Os habitantes já sabiam a respeito do pecado de seu amado rei; portanto,
havia muita necessidade de solicitar a Deus que edificasse os muros, para que o
pecado, como um a onda de exército inimigo, não arrebatasse o povo inteiro. So­
mente quando os muros da resistência contra o mal estão edificados, é que os
sacrifícios do povo podem agradar ao Senhor.
SALMO 52. Segundo a inscrição ou título, foi escrito no princípio da perse­
guição que Saul m oveu contra Davi, quando este ainda era jovem. Não obstante,
ele deixa o caluniador nas mãos de Deus e expressa sua confiança no Senhor. O
perverso perecerá, mas o justo é uma oliveira verde na casa do Senhor: não um
fruto maduro e colhido, mas uma árvore viva cujas raízes alcançam a água da
vida.
SALM O 53. É muito semelhante ao Salmo 14.
SALM O 54. E a oração de Davi, quando foi traído e quase alcançado por Saul.
SALMO 55. Também é de Davi, quando seu amigo íntimo lhe foi infiel. Sobre
quem, na vida de Jesus Cristo, lhe fazem pensar os versículos 12-14? Note-se com
atenção o versículo vinte e dois.
Os SALM OS 56 ,5 7 e 59 são fervorosas orações de Davi, durante as persegui­
ções de que foi vítima.
O SALMO 58 não está fixado a algum tempo especial de sua vida, mas Davi
roga a Deus que Ele se vingue dos iníquos e que glorifique a Si mesmo, manifestan­
do a diferença entre os justos e os perversos.
SALM O 60. Diz a inscrição que este Salmo foi escrito quando Davi tinha
pelejado contra os amonitas, moabitas e edomitas, porém, o cântico teria sido
escrito por Davi antes de entrar na batalha (versículo 1-4), ou o que parece mais
de conform idade com a linguagem da primeira estrofe; é possível que Israel tives­
se sofrido uma derrota na primeira batalha, ainda que o relato de II Samuel 8 e de
I Crônicas 18 não o mencionem. Na segunda estrofe Deus toma a palavra e prom e­
te vitória, em frases muito gráficas. Na última estrofe, o poeta rei volta a pedir que
o Senhor saia novamente com o exército, e diz: "Em Deus faremos proezas, porque
ele mesm o calca a o s p é s o s n o s s o s a d v ersá rio s" .
O SALM O 61 é um cântico de Davi. Na qualidade de rei, pedindo forças e
fazendo votos a Deus.
O SALM O 62 canta a dignidade de Deus, como a Esperança do homem.
O SALMO 63 é mais significativo ao vermos a inscrição ou título: "Salm o de
Davi, quando no deserto de Judá". Isso significa que o Salmo foi escrito quando
Davi fugia de Absalão (II Samuel 15:23; 16:2 e 17:16). Ali, onde tudo era seco, e se
amanhece com sede e procurando água, Davi disse: "Ó Deus, tu és o meu Deus
forte, eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja,
numa terra árida, exausta, sem água... Porém, os que me procuram a vida para a
destruir, abismar-se-ão nas profundezas da terra. Serão entregues ao poder da
espada... O rei, porém, se alegra em Deus...". Como vemos, Davi não menciona seu
filho Absalão por nome, nem mesm o considera-o chefe da revolução, mas diz:
"...os que me procuram a vida..."
SALM O 64. Descreve Deus como o Defensor dos caluniados.
SALMO 65. Exalta Deus por Suas obras na natureza, a favor do homem.
Note-se o versículo onze: "Coroas o ano da tua bondade; as tuas pegadas desti­
lam fartura..."
SALM O 66. Exalta Deus por Suas obras, pelas provas e pela liberação delas,
e promete oferecer sacrifícios, em gratidão por tudo. Note-se o versículo 18, tão
útil no estudo da doutrina da oração.
O SALM O 67 fala de Deus como o Juiz e Pastor de todas as nações. Note-se
que todos os verbos estão no tempo gramatical futuro, depois da introdução. Será
este um Salmo m essiânico? Note-se nos dois primeiros versículos que é por inter­
médio de Suas bênçãos aos Seus, que Deus é conhecido entre as nações. Então
devem estar em condições de receber de Sua bondade.
O SALM O 68 é um louvor a Deus, em vista do cuidado do Senhor pelo Seu
povo; é Pai dos órfãos e Defensor das viúvas; proporciona fortaleza e forças ao
povo. Note-se o versículo onze. Deus usa as mulheres para levar as boas novas
àqueles que ainda não as ouviram.
SALM O 69. E a oração de um homem aflito. Sobre quem nos fazem pensar os
versículos 20 e 21? No entanto, Ele não pediu vingança conforme fez o salmista
nos versículos 22 a 28.
SALM O 70. É a oração de um hom em aflito e necessitado.
SALM O 71. E a oração de um hom em idoso ao Deus da esperança de sua
velhice. Os versículos 17 e 18 fornecem o tema do cântico.
SALM O 72. Conta a m aravilhosa obra de Deus, ao dar fruto aos campos e ao
cuidar dos pobres. O Livro II dos Salm os term ina com um a doxologia, nos
versículos 18 e 19 deste Salmo, e há uma observação que assinala o fim desta
coleção de Salmos. Talvez essa observação inclua tanto o Livro I como o Livro II
dos Salmos.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Que se pode responder àquele que por acaso nos pergunte: Onde está o teu
Deus?
2. Que referências, a Jesus Cristo, você viu neste Livro II dos Salmos?
3. Aprendeu de memória alguns versículos destes Salmos?
4. Que lições nos ensina o Salmo 51?
(C a p ítu lo 2 8

LIVRO III DOS SALMOS - 73A 89

O Senhor Jesus Cristo é o Pastor referido no Salmo 80, que arrancou uma
vide do Egito e a plantou na terra de Canaã, acompanhando a multidão, todos os
dias, pelo deserto. Ele é o eterno Deus, que no princípio lançou os fundamentos da
terra, e cujos anos nunca se extinguirão (Salmo 102:25-27; Hebreus 1:8-12). Foi
por meio dEle que Deus pôde afastar de nós as nossas transgressões (Salmo 103:12).
Em João 10:34 o Senhor Jesus citou o Salmo 82:6 em Sua controvérsia com os
fariseus, e a chamou a Escritura que "não pode falhar".
SA LM O 73. Este Salm o de A safe relata um a experiência espiritu al do
salmista, uma contenda em sua alma. Contemplava a vida dos iníquos e observa­
va que eram cheios de soberbia, violência e blasfêmia, ao mesmo tempo que goza­
vam de prosperidade m aterial e de saúde, sem sofrer castigos nem trabalhos
como os demais seres mortais. Tudo isso confundia o poeta, que perguntava a si
mesmo: "Com o sabe Deus? Acaso há conhecimento no Altíssimo? Eis que são estes
os ímpios; e sempre tranqüilos, aumentam suas riquezas. Com efeito, inutilmente
conservei puro o coração e lavei as m ãos na inocência". Porém, nos versículos 16
e 17 ele encontra a solução de seu problema e sai da confusão m ental em que se
encontrava, dizendo: "Em só refletir para compreender isso, achei mui pesada
tarefa para mim; até que no santuário de Deus e atinei com o fim deles". O Salmista
prossegue, falando do que acontecerá aos perversos, até o versículo vinte. Nos
versículos 21 e 22 o salmista acusa a si mesmo de não haver compreendido antes
essa verdade, e o resto do cântico é uma expressão de confiança em Deus. Os
versículos 24 e 25 merecem ser aprendido de memória.
O SALM O 74 é também de Asafe, um lamento pela destruição do Templo, no
monte de Sião: "...tudo quanto de mal tem feito o inimigo no santuário... e agora a
todos esses lavores de entalhe quebram também, com machados e martelos. Dei­
tam fogo ao teu santuário; profanam, arrasando-o até ao chão, a morada do teu
nom e". Isso nos dá razão para crer que este Salmo tenha sido escrito no começo da
invasão dos caldeus e do cativeiro babilónico. Neste caso, é provável que os iní­
quos prósperos de que fala o Salmo 73 sejam os caldeus. O autor levanta ainda
mais o seu lamento, dizendo: "Já não vemos os nossos símbolos; já não há profeta;
nem, entre nós, quem saiba até quando". O autor não se lembrava da profecia de
Jeremias, que fixava o término do cativeiro depois de 70 anos (Jeremias 25:11),
nem sabia que Deus tinha dois grandes profetas no tempo do cativeiro - Ezequiel
e Daniel. Sua tristeza lhe cegava os olhos para o cuidado e a misericórdia de Deus.
O restante do Salmo relembra ao Senhor, Suas grandes obras no passado, e solici­
ta ajuda, conforme o Pacto estabelecido com Seu povo.
O SALM O 75 é um cântico de ações de graças pelo cuidado e pela justiça de
Deus, bem como pela certeza de que retribuirá com justiça aos iníquos soberbos.
O SALM O 76 é tam bém atribuído a Asafe, porém, não se pode encontrar, na
época dos Salmos que precedem, um acontecimento histórico com o qual possa­
mos relacioná-lo. Em vez de aplicar-se à época do cativeiro, pertence antes a
algum período como o da invasão assíria e da derrota do exército de Senaqueribe,
fora de Jerusalém, quando o Anjo do Senhor feriu a 185.000 soldados assírios em
uma noite só. O Salmo fala dos que dormem seu sono, que jazem em um sono
profundo, e isso se aplica facilmente aos que morreram enquanto dormiam. O
autor conclama todos a renderem culto ao Senhor, pagando-Lhe os seus votos’. O
versículo 10 é a expressão de uma lei na providência de Deus, porém, poucos são
os que crêem nela: "Pois até a ira hum ana há de louvar-te; e do resíduo das iras te
cinges".
O SALM O 77 apresenta-nos outra vez a conturbação de alma do escritor,
por causa da angústia de seu povo; a condição triste de Israel e a aparente indife­
rença por parte do Senhor. Ter-se-ia esquecido Deus de usar de misericórdia?
Então, na terceira estrofe, o salmista pensa do passado, e diz: "Isto é a minha
aflição: mudou-se a destra do Altíssimo. Recordo os feitos do Senhor, pois me
lembro das tuas maravilhas da antiguidade". Dessa maneira, pensando na santi­
dade e na grandeza de Deus, e em Suas obras do passado, o salmista encontra
sossego para seu espírito.
O SALM O 78. E um repassar da história da paciência de Deus para com
Israel, Seu povo. Em sua maior parte, cada quatro versículo compõem uma estro­
fe, mas às vezes, são três ou cinco. Notem -se as épocas de bênçãos e de castigos,
segundo Deus teve de tratar com eles, de conformidade com sua obediência. En­
tão, nos versículos 67 a 72 vê-se que Deus elegeu a Judá, Jerusalém e Davi porque
foi essa a Sua vontade soberana. O último versículo encerra valioso testemunho
sobre a fidelidade de Davi à obra, à qual foi chamado pelo Senhor.
O SALM O 79 descreve a triste condição de Jerusalém, como um montão de
escombros, cujos cadáveres não foram sepultados, mas são comidos pelas aves e
pelas feras. E triste o lamento do autor: "Por que diriam as nações: Onde está o seu
Deus?" Em seguida, invoca a vingança de Deus contra os inimigos, e dessa forma,
o Seu povo, ovelhas de Seu pasto, O exaltará.
O SALM O 80 é um a oração comovedora, fazendo ver que foi Deus quem
trouxe os judeus desde o Egito e os plantou e os tornou prósperos em Canaã,
embora agora estejam cortados, queimados a fogo e desmaiados. E o autor ora
pedindo novas forças - nova vida.
O SALM O 81 é um diálogo, no qual Deus mesmo toma palavra e acusa a Seu
povo de idolatria, de dureza de coração e de não querer escutá-Lo. O resto do
Salmo (versículo 13 a 16) é uma promessa ou declaração de qual seria o resultado,
se o povo fosse obediente e fiel.
O SALM O 82 apresenta uma cena m ajestosa e solene. Deus está sentado para
julgar os deuses ou juizes de Israel (porque se pode traduzir a palavra "deuses"
como "juizes"). No versículo dois o Senhor os acusa de haver julgado injustam en­
te. Nos versículos três e quatro lhes dá instruções, porém, no versículo cinco diz
que não querem entender, e nos versículos seis e sete os condena. O último versículo
roga a Deus que faça em todas as nações o que Ele já tinha feito em Israel.
O SALM O 83 dá uma lista das nações inimigas que desejavam destruir Isra­
el, e em seguida há imprecações contra elas, solicitando sua destruição.
O SALM O 84 é atribuído aos filhos de Core. E um cântico de louvor a Deus e
expressão do am or dos judeus para com a Casa de Deus - o Templo de Jerusalém.
Dos versículos cinco a sete se deduz que são peregrinos, em caminho para Jerusa­
lém, aqueles que cantam, porque, como se diz nos versículos dois a quatro, e
também no versículo dez, anelam ardentemente por estar no Templo. O versículo
onze é digno de ser aprendido de memória.
O SALM O 85, igualmente, também é dos filhos de Core, e é uma oração ao
Deus que perdoa e restaura aos caídos e desamparados.
O SALM O 86 é um a oração particular de Davi solicitando ajuda. Os versícu­
los 11, 15, 17 merecem ser conhecidos de memória, ainda que todo o Salmo seja
um bom modelo para a oração.
O SALM O 87 é um cântico sobre as glórias de Jerusalém.
O SALM O 88 é dos filhos de Core, mas também traz o nome de Emã, esraíta.
E um lamento ou queixa de um homem que se sente afligido por Deus e em buraco
profundo e obscuro.
O SALM O 89 - atribuído a Etã, esraíta, e que se divide em três partes: versí­
culos 1-18, que falam da fidelidade, do poder e da misericórdia de Deus. Os versí­
culos três e quatro dão, em síntese, o Pacto Davídico, segundo II Samuel 7, o qual
é estendido, detalhadamente, em linguagem poética na segunda divisão, versícu­
los dezenove a trinta e sete. O problem a tão sério apresentado pelo contraste
entre as grandes promessas contidas no Pacto com Davi e a presente condição,
sumamente triste, tanto em Jerusalém, como na nação inteira, se nota na última
divisão, versículos trinta e oito a cinqüenta e um. O versículo cinqüenta e dois é a
doxologia deste Livro III dos Salmos. No Salmo 89 o salmista resolve meditar nos
atributos eternos de Deus e confiar nEle, apesar das condições ou circunstâncias
em que se encontrava. Esse é o tema de seu cântico, segundo os versículos um e
dois.
(h ip íitílo 2 9

LIVRO IV DOS SALMOS - 90 A 106

O SALMO 90 é, segundo sua inscrição, uma oração de Moisés, varão de Deus.


Os que com param os cinco livros dos Salmos com os cinco livros do Pentateuco,
têm razão em chamar-nos a atenção para o fato que este Livro IV dos Salmos, q,ue
corresponde ao Livro das Peregrinações de Israel (Números), começa com o Sal­
mo de Moisés, o líder que levou o povo pelo deserto. Alguns crêem que Moisés
também escreveu os dez Salmos anônimos que seguem (91 a 100), porém isso é
uma conjetura, sem prova. Quanto ao fato de Moisés ser o autor deste Salmo,
note-se que seria muito natural que ele o tivesse cantado sobre o tema da brevida­
de da vida humana, em contraste com a eternidade de Deus (primeira estrofe,
versículos 1 a 6), e o pecado como causa da morte (segunda estrofe, versículos 7 a
12). Que época na história poderia im pressionar tanto a mente de um poeta com
tais verdades, como os anos passados no deserto, com a finalidade de esperar a
morte de toda aquela geração, como castigo por seu pecado? A terceira estrofe
(versículos 13 a 17) é uma oração baseada sobre o quão débil e mortal é o homem.
O último versículo, na boca de Moisés, tem uma força e significação muito maior
do que se tivesse sido dito por outro qualquer. O rosto de M oisés soltava raios de
luz, de tal maneira que o povo lhe rogava que pusesse um véu sobre o rosto, e
contudo diz ele: "Seja sobre nós a graça do Senhor nosso D eus". M oisés tinha
operado mais milagres e maiores em vulto, que qualquer outro, e não obstante,
rogava a Deus: "...confirm a sobre nós as obras das nossas m ãos...".
O SALM O 91, conhecido de m em ória por muitos crentes, é uma jóia da lite­
ratura. Tem fortalecido a fé a milhares e tem animado a multidões a seguirem a
Deus, apesar dos perigos e dificuldades do caminho. Considerando o Salmo como
um cântico de duas vozes, além do coro, para ser cantado antifonalmente, a difi­
culdade quanto à m udança de primeira, segunda e terceira pessoas desaparece.
O primeiro versículo fornece o tema do cântico: a segurança daquele que se
refugia em Deus. E um paralelismo sintético. A segunda cláusula é dependente e
explica a primeira, porém, as frases: "no esconderijo do Altíssim o" e "à sombra
do Onipotente" são sinônimas. A figura é tirada do propiciatório, onde a glória do
Senhor estava debaixo da proteção das asas dos querubins. Aquele que está com
Deus está tão seguro como Ele está.
O segundo versículo deve ser cantado isolado. A pessoa que canta aqui dá
sua resposta pessoal à verdade expressa em termos gerais no primeiro versículo,
a qual, por sua vez, é a mesm a pessoa que canta o coro nos versículos 9b a 13; e
aquele de quem Deus fala nos versículos 14 a 16. Esse personagem responde: "M eu
refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio". Faz sua a verdade e põe sua
confiança no Deus, que o convida a refugiar-se nEle.
Em seguida o coro entoa as bem -aventuranças daquele que assim fez. Será
cuidado como se fosse uma pomba ou outro pássaro indefeso, pelo que nem o laço,
nem as flechas do caçador o alcançarão, porque a verdade será seu escudo prote­
tor. O viajante, no oriente, temia os ataques dos ladrões ou das feras noturnas; os
bandos de salteadores que atacavam em pleno dia; ou a tempestade de vento que
levantava a areia e causava pestilência e perda do caminho, pelo que muitos não
sobreviviam. De tudo isso será salvo aquele que se abriga em Deus.
A prim eira linha ou cláusula do versículo nove deve ser lida sem as palavras
em letra cursiva. O estudante deve saber que as palavras im pressas em letras
cursivas são acrescentadas para completar o significado, porém, não aparecem
no idiom a original, assim demonstrando geralmente uma diferença entre o origi­
nal e o português. O versículo 9a é, portanto, a mesm a voz daquele que disse no
versículo dois: "...M eu refúgio e meu baluarte, Deus m eu...". E o coro responde
novamente, nos versículos 9b-13. Aqui é prometida a proteção divina contra os
perigos do caminho, seja por ser levado pelos anjos, para não tropeçar em alguma
pedra, seja por conceder a vitória em meio ao perigo, pisando aos pés o leão e a
serpente venenosa.
Agora ouçamos a voz do próprio Deus, que corrobora tudo o que o coro
cantou, e acrescenta ainda mais. Promete Ele: Livrar, pôr em lugar de salvação,
responder, estar com ele na angústia, glorificá-lo, dar longa vida e mostrar Sua
salvação. Poderá um Deus oferecer algo mais? E qual a condição? "Porque a mim
se apegou com amor..." Que sejamos todos incluídos entre os que recebem essas
promessas, porquanto temos cumprido com esta condição.
SALM O 92. É um cântico de louvores a Deus, por Suas maravilhosas obras
(versículo 5), e é um hino especial para o dia de descanso, segundo a inscrição. Os
três primeiros versículos são uma introdução. Portanto temos, primeiramente,
um louvor ao Senhor, por Suas grandes obras e profundos pensamentos. Os ver­
sículos seis a nove dão a reação dos inimigos de Deus a essa verdade de Suas
obras, interrompida pela exclamação do versículo oito. O resto do Salmo fala dos
justos, que são como palmeiras e cedros nos átrios do Senhor, que florescem até
mesmo quando a velhice chega.
SALM O 93 é um hino de adoração, que exalta o nome de Deus por Sua
grandeza, na qualidade de Rei eterno.
SALM O 94 principia e termina falando dos iníquos, os quais receberão o
peso da vingança de Deus contra eles; porém, os versículos doze e dezenove falam
dos justos, sendo os versículos 17 a 19 um testemunho pessoal do salmista acerca
do socorro oportuno do Senhor. O argumento dos versículos oito a onze deve
envergonhar qualquer malfeitor que pronuncie, por causa da maldade e cegueira
de seu coração, as palavras do versículo sete.
OS SALM OS 95 a 100 são cânticos de louvores e adoração a Deus. Recom en­
damos aos estudantes que leiam, cuidadosamente, cada um destes Salmos, para
que saibam todas as razões expostas, pelas quais o homem deveria render louvo­
res a Deus. Outrossim, devem dar especial atenção às referências sobre a santida­
de do Senhor, sobre a menção da idolatria, e sobre as obras de Deus.
O SALMO 101 é atribuído a Davi, o qual na qualidade de rei de Israel, prome­
te a Deus que usará tão somente os justos no governo da nação, e que perseguirá
aos perversos.
O SALM O 102 é a oração e clamor de um aflito. Da profundeza de sua dor
pede a ajuda de Deus, porém expressa, nos versículos doze a vinte e dois a sua
confiança em que o Senhor cuidará de Sião, ainda que não acuda imediatamente
ao salmista. A oração do versículo vinte e quatro declara, com clareza, a verdade
da eternidade de Deus; também em Hebreus 1:8-12 vemos esses versículos aplica­
dos, em termos inequívocos, ao Senhor Jesus.
O SALMO 103 é um hino de puro louvor ao Senhor. E mencionada a brevida­
de da vida do homem, porém, não há queixa, nem nota amarga em todo o Salmo.
Conclama todas as almas, todos os anjos, e toda a criação, para que bendigam ao
Senhor. Os versículos um e dois, e dez a catorze são os mais citados, porém, é
aconselhável ter todo o Salmo no coração, como fortaleza contra o desânimo. Será
impossível que o estudante cante este hino de coração sincero e ainda fique triste.
O SALM O 104 é o grande Salmo de louvores ao Deus da natureza. Talvez o
versículo vinte e quatro seja o tema do cântico. A contemplação, sem preconceito,
da natureza leva o hom em à adoração de Deus, seu Criador, para Quem o univer­
so é como uma vestidura (versículo 2); as nuvens como Sua carruagem (versículo
3); os ventos como Seus m ensageiros (versículo 4), etc. Por detrás da linguagem
poética e figurada, percebe-se Deus exaltado no coração do salmista, o qual com
sinceridade exorta sua alma para que bendiga ao Senhor, no princípio e no fim de
seu cântico.
OS SALM OS 105 E 106 são cânticos históricos, repassando a história de
Israel, desde Abraão até o cativeiro. Em 106:48 encontramos a doxologia do livro
dos Salmos.
PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Que explicação se pode dar ao fato de que quase todos os Salmos deste livro
central dos Salmos mencionam o santuário ou o Templo?
2. Por que se acredita que o Salmo 76 se refere a uma experiência tal como a
derrota de Senaqueribe por Deus?
3. Porque em muitos Salmos, o seu autor sente-se muito abatido e confundido
pelo fato de Jerusalém achar-se em ruínas, apesar das promessas de Deus a
Davi? - como saía de seu abatimento o salmista?
4. Qual é o tema do Salmo 90, o único que foi escrito por Moisés?
5. Que conforto há para o crente no Salmo 91?
6. Qual Salmo é louvor puro, sem queixa nem lamento?
(^apítulo 3 0

LIVRO V DOS SALMOS - SALMOS 107 A 150

O Senhor Jesus Cristo é claramente profetizado neste grupo de Salmos. O


Salmo 110 apresenta-O como Potentado, sentado à mão direita do Altíssimo,
enquanto Seu povo apresenta-Lhe ofertas voluntárias; como Sumo-sacerdote eter­
no, por nom eação do Senhor; e como Juiz de todas as nações, investido de autori­
dade e poder irresistível. Em toda a adoração do saltério (os Salmos), Cristo é
adorado porque é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que forma o Elohim,
o nosso Deus.
O SALM O 107, que dá início a este último livro dos Salmos, apresenta o
Senhor como Redentor de todos aqueles que O invocam, sem importar a dificul­
dade em que se encontrem. E um Salmo digno de dar início a esta última coleção
de hinos, que finaliza o grande livro de adoração que temos estado a estudar. Os
primeiros dois versículos servem de introdução, e por sua vez, fornecem também
o tema do Salmo em apreço: "A bondade e a misericórdia do Senhor, manifestadas
em Suas obras redentoras", e devem estimular os redimidos para que O exaltem
e Lhe dêem graças, testificando a todos a respeito de Sua redenção. Então os pere­
grinos, os desterrados e perdidos, ao clamar a Ele, são redimidos e exortados a
louvá-Lo. Depois são os marinheiros que clamam a Ele em meio à tempestade, que
são salvos e conclamados a exaltá-Lo. Os próximos são os que vivem em lugares
áridos, desertos, os quais prosperam como rios de águas, enquanto os príncipes
(os ricos, em contraste com os pobres) (versículos 40 e 41), são desprezados. E bom
haver passado pela prova, pois o resultado é que ficamos conhecendo a Deus,
como nosso redentor e, então, O glorificaremos com sinceridade de coração.
O SALMO 108 é a repetição de partes de dois Salmos: os versículos um a
cinco pertencem ao Salmo 57:7-11, e os versículos seis a treze pertencem ao Salmo
60:5-12, com pequenas variações, sem importância. Talvez as condições novas,
semelhantes às que deram motivo àqueles dois primeiros Salmos, motivaram a
união dessas duas porções em um novo cântico.
O SA LM O 109 é o m ais profundo dos Salm os Im precatórios. O com eço
(versículos 1-5) e o fim (versículos 21-31) são orações h um ildes pedindo aju ­
da, porém , a porção central (versículos 6-20) roga a D eus que am ontoe sobre
os adversários toda espécie de m isérias. As palavras: "...e tome outro o seu
encargo...", do versículo oito, foram ditas em referência a Judas Iscariotes, de
modo que é correto dizer que, ainda que este seja um Salmo de Davi, também tem
aplicação ao tempo do Filho de Davi que nasceu como Rei dos judeus, ou seja, o
próprio Filho de Deus. O versículo quatro aplica-se bem ao Senhor Jesus. Será
possível que Davi tenha visto em visão o que haveria de acontecer ao Messias,
quando Este viesse, e que os versículos seis a vinte sejam a expressão de seus
sentimentos contra Judas Iscariotes?
O SALM O 110 é um Salmo M essiânico de Davi, sem a menor dúvida, pelo
menos para aquele que aceita a autoridade do Senhor Jesus Cristo. Em Seu argu­
mento com os fariseus, em Mateus 22:44, vemos que é necessário que Davi tenha
sido o autor deste Salmo, e que o Senhor, de quem fala o Salmo, seja o M essias, o
próprio Cristo Jesus. O fato que o rei Davi chamou esse personagem de seu Senhor
e também o fato que esse Senhor era pessoa distinta de Jeová, além de Deus O
colocar à Sua direita (o que significava participação em Sua divindade, autorida­
de e governo), todas essas verdades nos obrigam a crer que o Salmo está falando
do Filho de Deus, Jesus Cristo. Para esse M essias divino o salmista promete uma
vitória absoluta sobre todos os Seus inimigos, um trono em Jerusalém , e um dia
futuro de poder, quando Seu povo então virá com regozijo, para presenteá-Lo
com ofertas voluntárias, em santidade. Além disso, esse Rei divino e absoluto é
também Sacerdote, por ordem eterna, segundo o versículo 4. O capítulo sete do
livro aos Hebreus é excelente comentário sobre este versículo. O Rei-Sacerdote
acha-se à mão direita de Deus, com igual autoridade (Mateus 28:18), o Rei dos reis
e Senhor dos senhores. E também é o Juiz.
SALM OS 111 a 114. Estes cânticos de adoração foram colecionados para
serem usados no culto. Os Salmos 111 e 112 são acrósticos, cada cláusula come­
çando com uma letra do alfabeto hebraico, em sua ordem. Os Salmos 111, 112 e
113 começam com a palavra "Aleluia", e o Salmo 113 também termina com essa
palavra. Isso certamente tinha um a significação especial para o coro, no Templo,
porém, mesmo agora o lê-lo prepara o coração para a adoração.
O SALM O 115 é um cântico a respeito da glória do nome do Senhor. O pri­
meiro versículo é uma grande ajuda para o servo de Deus, especialmente útil para
o fim de um culto que tenha sido abençoado pelo Espírito Santo. A prática de citar
esse versículo no coração, como oração sincera a Deus, nos momentos em que os
crentes se apresentam com suas felicitações por um bom culto, é de grande auxí­
lio e defesa contra a tentação de orgulhar-se. A pergunta do versículo dois e sua
resposta no versículo três constituem uma experiência muito comovedora na
vida do obreiro cristão. Porque um incrédulo perguntar a um crente, ocasionada
a interrogação pelas circunstâncias de manifesta impotência por parte deste: "...
onde está o Deus deles? Os crentes falam de um Deus poderoso. Onde está, pois,
esse Deus? por que não os ajuda agora?", faz o crente humilhar-se e esquadrinhar
seu coração e orar com mais fervor. Os versículos quatro e sete são fáceis de ser
interpretados na América Latina, e o versículo oito igualmente, quando reconhe­
cemos que a pessoa que confia em um ídolo ou im agem não está usando de sabe­
doria; dos sentidos naturais com que Deus a dotou. Vê a imagem mas não percebe
que aquilo nada mais é que madeira, ou gesso, ou pedra, ou o que quer que seja, e
se engana a si próprio, crendo que o ídolo tem algum poder mágico.
SALMO 116 é muito usado nos cultos, por ocasião da celebração da Santa
Ceia, nas igrejas cristãs, especialmente do versículo catorze em diante.
O SALM O 117 é o mais curto dos Salmos, e provavelmente era usado no
Templo como responsório, depois da oração, ou algo semelhante. E demasiada­
mente sagrado para ser citado com leviandade, como prova de que se pode recitar
um capítulo inteiro da Bíblia.
O SALMO 118 tem por tema a m isericórdia eterna do Senhor. Encerra mui­
tos versículos preciosos. Diz-se que os versículos oito e nove são os versículos
centrais da Bíblia. A expressão: "...em nome do Senhor..." está cheia de conforto
para o crente. O versículo dezessete foi dado pelo Espírito Santo a crentes desani­
mados, para a glória de Deus. Os versículos 22 e 23 são citados por diversas vezes
no Novo Testamento (Mateus 21:42; Marcos 12:10; Lucas 20:17; Atos 4:11; Efésios
2:20; I Pedro 2:4-7). Ao amanhecer com o coração entristecido, é aconselhável citar
o versículo vinte e quatro para benefício da própria alma.
O SALM O 119 é um a das m aravilhas da literatura. Seu tema é: "A Palavra de
D eus", a qual é m encionada em quase cada versículo, de diversas maneiras dife­
rentes. Recom endam os ao estudante que prepare um a lista dos diferentes nomes
dados à Bíblia, neste Salmo, e que também anote o versículo ou versículos que não
se referem a ela. Também se deve anotar as coisas que devemos fazer com a Pala­
vra do Senhor, bem como os resultados e efeitos produzidos por ela.
Este Salmo também é u m acróstico. Cada oito versículos formam uma estro­
fe. Cada versículo da prim eira estrofe começa com a letra A (alefe) em hebraico;
cada versículo da segunda estrofe começa com a letra B (bete), etc., percorrendo
assim todas as 22 letras do alfabeto hebraico. A prim eira estrofe contém uma
oração ou petição; a segunda contém duas; a terceira, quatro; a quarta, seis; e a
quinta, oito, um a em cada versículo.
- Quer saber quem são os bem-aventurados?
Leia os versículos 1 e 2.
- Quer saber como manter puro o teu caminho?
Leia o versículo 9.
- Quer saber como vencer o pecado?
Leia o versículo 11.
- Quer saber como ver maravilhas?
Leia o versículo 18.
- Quer saber o que se deve fazer quando sua alma estiver se derretendo de
tristeza?
Leia o versículo 28.
- Quer saber como andar com liberdade?
Leia o versículo 45.
- Quer saber por que é bom ter sido afligido?
Leia o versículo 71.
- Quer saber o que é melhor que ouro e prata?
Leia o versículo 72.
- Quer saber quem te criou?
Leia o versículo 73.
- Quer saber até quando a Palavra de Deus permanecerá?
Leia o versículo 89.
- Quer saber como pode ser mais sábio que teus inimigos?
Leia o versículo 98.
- Quer saber como entender mais que os seus professores?
Leia o versículo 99.
- Quer saber como compreender mais que os anciãos?
Leia o versículo 100.
- Quer saber o que é mais doce que o mel?
Leia o versículo 103.
- Quer saber como ter luz para o teu caminho?
Leia o versículo 105.
- Quer saber como ganhar uma herança eterna?
Leia o versículo 111.
- Quer saber como pode estar em segurança?
Leia o versículo 117.
- Quer saber como gozar de grande paz, sem tropeços?
Leia o versículo 165.

OS SALM OS 120 a 134 são chamados "cânticos de rom agem " ou "cânticos
dos degraus", de conformidade com a versão usada. Ainda que não seja possível
dizer exatamente, há razões para considerar-se que estes Salmos eram cantados
pelo povo que subia a Jerusalém para celebrar qualquer das festas no Templo, que
então existia, segundo os Salmos 122 e 134. Essa coleção de cânticos começa com
um cântico que m anifesta a angústia da alma por causa da associação com pesso­
as que não estavam de acordo com os princípios mosaicos, e por isso empreende
a peregrinação à sua amada Jerusalém. O Salmo 122 celebra a chegada à cidade de
Jerusalém. Em seguida vêm os cânticos de adoração.
O SALM O 135 é um cântico admirável para ser usado pelo coro, no Templo,
quer seja cantado por judeus ou crentes. O Senhor é adorado, como o Deus eterno
e todo-poderoso.
O SALMO 136 é singular por causa da repetição de seu tema: cada versículo
termina com a mesma expressão: "...porque a sua misericórdia dura para sempre".
O SALM O 137 é o último dos Salmos Imprecatórios (veja-se os versículos 7-
10). O cântico é lúgubre, triste em extremo, quando se leva em consideração o
amor apaixonado dos judeus para com Jerusalém e o Templo. Era mais que sim­
ples patriotismo; fazia parte de sua vida, de sua religião; pois as promessas de
Deus e a esperança da glória futura da raça estavam envoltas na prosperidade de
Jerusalém. Já que a cidade estava arruinada e desolada, e já que o povo havia sido
levado à Babilônia como escravo, sentiam trem endo abatimento. Parecia-lhes
que Deus havia falhado, era como se tivessem agora razão de duvidar do caráter
de Deus. Os salgueiros são árvores que inspiram tristeza. Seus ramos delgados
com folhas estreitas, se inclinam para baixo e dão a impressão de que a árvore
está chorando. Os judeus, na Babilônia, se sentavam junto aos rios, em cujas
margens eram abundantes os salgueiros; perduravam suas harpas naquelas ár­
vores chorosas, e choravam, eles mesmos, relembrando-se de Sião. Seus senho­
res, os caldeus, exigiam-lhes que cantassem sobre sua terra, Sião, dizendo-lhes:
"Entoai-nos algum dos cânticos de Sião". E os judeus davam a resposta eivada de
tristeza: "Com o, porém, haveríam os de entoar o canto do Senhor em terra estra­
nha?" Os versículos cinco e seis expressam um sentimento que tem perdurado
nos corações dos judeus, pelos dois m il e quinhentos anos que se passaram desde
aqueles dias, o que é explicável somente pela Palavra de Deus e pela obra do
Senhor. O versículo sete será explicado no comentário sobre o livro de Obadias.
Os dois últim os versículos são um a invocação, pedindo que seja retribuído à
Babilônia aquilo que ela fez com os judeus. O último versículo parece cruel em
extremo, porém, ali é profetizada a destruição completa da Babilônia, e o salmista
diz que serão ditosos os que viverem nos dias do cumprimento dessa profecia.
O SALM O 138 é um cântico de ações de graças a Deus. Contém dois versícu­
los muito conhecidos, ainda que todo o Salmo seja excelente. O versículo dois diz
que Deus tem engrandecido a Sua promessa (ou Palavra) sobre todo o Seu Nome.
Em outras palavras, se a Palavra de Deus não é fiel e verdadeira, então o Nome de
Deus nada vale, nem deve ser considerado como alguma coisa. Glórias sejam
dadas, porém, a Deus, porque ambos, tanto Sua Promessa como Seu Nome, são
eternamente seguros, dignos de toda a confiança. Então, o último versículo asse­
gura que o Senhor levará a cabo Sua boa obra começada (veja-se Filipenses 1:6).
O SALM O 139 é um cântico didático, com a doutrina da onipotência e da
onisciência de Deus como tema. Não somente é maravilhoso o fato que Davi tives­
se tal conceito e conhecimento sobre o Senhor, mas também que pudesse expres­
sar essas verdades de forma tão prática. Os versículos quinze e dezesseis nos
asseguram que Deus conhece a cada indivíduo, mesmo antes que esse nasça. Os
versículos vinte e três e vinte e quatro são às vezes repetidos em coro em cultos de
consagração, ou antes da celebração da Santa Ceia.
OS SALM OS 140 a 144 são orações de Davi, quando era perseguido.
O SALM O 145 é acróstico, louvando a Deus com o alfabeto. Canta sobre Sua
grandeza (versículos 1-6); Sua bondade (versículos 7-10); Seu reino (versículos
14-21). Ele é digno de toda adoração e louvor. Também serve de introdução ao
último grupo que encerra o livro dos Salmos.
OS SALM OS 146 a 150 formam um grupo chamado de "H inos de Aleluia".
Constituem uma peroração ou conclusão ao saltério sacro. São adaptados, para
serem entoados nos cultos públicos, e tem sido também chamados de "O louvor
perfeito".

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Quais Salmos neste Livro V dos Salmos têm sido de maior bênção para você?
2. Como é que uma porção do Salmo 109 é citada com referência ao traidor,
Judas Iscariotes?
3. De quantas m aneiras o Salmo 110 apresenta o M essias - o Senhor Jesus
Cristo?
4. Quantas maravilhas você encontra no Salmo 119? Qual é o seu tema?
5. Sobre o que fala o Salmo 139?
(^apíhtlo 3 1

LIVRO DE PROVÉRBIOS

O Senhor Jesus Cristo é a Sabedoria de Deus, encarnada (Provérbios 1:20-33;


8:l-9:6. Com pare-se essas passagens com João 1:1-4 e 14:10, com Provérbio 8).
Jesus é representado na passagem de Provérbios 8:22-35 - Ele é o Orador, e é o
eterno Criador, a Vida de todos os que O encontram. E provável que as palavras
proferidas pelo Senhor, em João 7:38, façam referências a Provérbio 18:4. Outras
referências neo-testam entárias ao livro de Provérbios, que testificam de seu lu­
gar no "cânon", são: Hebreus 12:5,6, de Provérbios 3:11,12; Tiago 4:6 e I Pedro 5:5,
de Provérbios 3:11,12; Tiago 4:6 e I Pedro 5:5, de Provérbio 3:34; Romanos 12:20,
de Provérbios 25:21, 22; e II Pedro 2:22, de Provérbio 26:11.
Um provérbio é uma frase curta que expressa um princípio moral, ou uma
lição prática em forma concisa e aguda; e algumas vezes se aplica esse nome a
proposições enigmáticas, com semelhante tendência moral ou prática. O livro de
Provérbios é a principal fonte da ética do Antigo Testamento, especialmente so­
bre as questões da virtude e do dever. São as aplicações à vida particular do
indivíduo, das regras m osaicas para a vida nacional, em seus aspectos religioso e
político.
Os Provérbios form avam parte das Escrituras chamadas "Sabedoria", pe­
los israelitas. Os filósofos gregos (e muitos filósofos modernos) começavam com
este m undo e buscavam uma explicação para todas as coisas. Prim eiram ente
diziam que era a matéria; depois arrazoavam que a mente era a causa e a explica­
ção de tudo. Raciocinavam partindo das coisas do mundo, procurando chegar até
Deus. Entre os israelitas sucedia justam ente o oposto. Tudo era uma revelação de
Deus. Para o israelita, Deus era a Causa e a explicação de tudo; de modo que o mais
sábio era aquele que conhecia a Deus.
Neste livro temos o melhor texto para o estadista, o m elhor código para o
governador, as melhores instruções para o juiz, a melhor receita para o êxito do
comerciante, os melhores ensinamentos para o estudante, o m elhor guia para o
jovem e a melhor m editação para o ancião. Tem-se dito que os Provérbios são
uma prova de que a Bíblia não deprecia o senso comum e o discernimento. Pelo
contrário, o senso com um aprova a sabedoria refletida nesses Provérbios e o
discernimento nos faz ver que o senso comum não produziu tal sabedoria, que
antes foi produto da inspiração de Deus.
Quanto ao autor, está escrito em Provérbio 1:1: "Provérbios de Salomão,
filho de Davi, o rei de Israel". Isso, necessariamente, tem valor, até que o texto diga
algo em contrário. Em 10:1 desse livro, lemos: "Provérbios de Salom ão". Em 22:17,
encontramos: "...palavras dos sábios", e, em 24:23: "São também estes provérbios
dos sábios". Pode ser, portanto, que a porção compreendida entre 22:17 e 24:34
seja uma compilação de ditos antigos, feita por Salomão, ou por algum outro. Em
25:1 encontram os uma nova divisão: "São tam bém estes provérbios de Salomão,
os quais transcreveram os homens de Ezequias, rei de Judá". Assim segue até 30:1,
que atribui esse capítulo a Agur, filho de Jaque; e 31:1, que diz que esse último
capítulo se deve ao rei Lemuel. Nada sabemos a respeito desses dois últimos
personagens. Em I Reis 4:32, aprendemos que Salomão compôs três mil provérbi­
os. Não há razão, portanto, para duvidar-se que Salomão, filho de Davi, tenha
sido o autor dos provérbios que lhe são atribuídos nesse livro. Deus lhe prometeu
sabedoria, em resposta à sua petição (I Reis 3:5-12) e sua história testifica sobre
esse fato ( I Reis 4:30; 5:7; 10:1-13; 3:16-28). Talvez Provérbios 4:1-4 seja uma refe­
rência particular de Salomão à sua vida pessoal.
Quanto à maneira de interpretarem os provérbios, deve-se levar em consi­
deração o que foi dito a respeito dos paralelismos. Se o versículo ou passagem em
estudo não se entende facilmente, convém averiguar em seguida se as duas cláu­
sulas expressam o m esm o pensam ento com palavras diferentes; ou se a segunda
explica a primeira, sendo as duas mutuam ente dependentes; ou se a segunda
expressa um pensam ento oposto à primeira, de modo a ensinar a verdade por
meio de contraste. Geralmente a determinação do m étodo usado esclarece a sig­
nificação do versículo. Se isso não o faz, é provável que entre no assunto algum
orientalismo, um modism o ou costume do extremo oriente, e é necessário saber a
que se refere, para que sua significação possa ser bem interpretada. Em 6:1 e em
22:26 (veja tam bém Jó 17:3 e Ezequiel 17:18) se fala de dar a mão. Compreendendo
que isso não era uma saudação, o que os hom ens faziam por meio de abraços, mas
antes, sinal de que se havia selado um convênio, ou negócio, os versículos que
falam do assunto logo ficam esclarecidos, e se nota que o falar de fiador e de dar a
mão, em cláusulas contíguas, é um paralelismo sinônimo, ou seja, o mesmo pen­
samento expresso com palavras diferentes.
Outra coisa que se deve tomar em consideração, para a interpretação dos
Provérbios, é que alguns deles falam em termos muito gerais, seguindo o estilo de
ditos e adágios que existem em todos os idiomas. Por exemplo, em Provérbio
11:31, lemos: "Se o justo é punido na terra, quanto mais o perverso e o pecador!”
Essa é a verdade comumente observada; é a experiência comum; porém, há exce­
ções, como se vê no caso de Caim e Abel. Não na terra, mas antes, no céu, veremos
o justo sendo recompensado cabalmente, e no inferno o perverso e o pecador
receberão a retribuição que merecem. M esmo na terra, o caminho dos pecadores
é duro (13:15), e o mal persegue os pecadores (13:21), "...os perversos serão elimi­
nados da terra, e os aleivosos serão dela desarraigados" (2:22); e "Pela sua malícia
é derrubado o perverso, mas o justo, ainda m orrendo, tem esperança" (14:32).
Os exemplos bíblicos tam bém servem bem para a interpretação dos Provér­
bios. Comentarem os alguns casos, no desenvolvimento do livro. Um bom exem­
plo da verdade expressa em 1:7: "O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os
loucos desprezam a sabedoria e o ensino", se encontra no caso de Roboão, em I
Reis 12:13; e no caso dos filhos de Eli, em I Samuel 2:25; e, para a prim eira parte do
versículo há num erosos exemplos: os israelitas ao cruzarem o mar Vermelho,
para em seguida verem seus inimigos perecerem; Josué, ao submeter-se ao Prín­
cipe do exército do Senhor e seguir as Suas instruções para a conquista de Jericó;
ou o rei Davi, ao sair à guerra, quando orou a Deus para receber instruções a
respeito da ordem da batalha; etc.
O propósito do livro de Provérbios se encontra em 1:1-6. E para dar a conhe­
cer a sabedoria e a instrução no bom procedimento, especialmente no que diz
respeito aos jovens, porém, igualmente, para todos. Dessa forma, é um livro prá­
tico para a vida diária. Tem uma base religiosa (1:7; 9:10; 28:7-9); apela aos m oti­
vos mais altos (16:6); ensina a necessidade de ter o coração bem debaixo dos olhos
de Deus (5:21; 15:11); e apresenta as verdades da recompensa da retidão e do
castigo da maldade (19:29; 23:17-19; 26:10); e mostra o segredo do êxito - que é o
Espírito de Deus no coração hum ilhado (1:23).
O esboço do livro é como segue:

I. Discurso de Salom ão sobre a sabedoria, capítulos 1 a 9.


E. Provérbios de Salomão, capítulos 10:1 a 22:16.
m. Palavras dos sábios, capítulos 22:17 a 24:34.
IV. Provérbios de Salomão, compilados pelos homens de Ezequias, capítu­
los 25 a 29.
V. Palavras de Agur, 30; e Lemuel, 31.

I. Discurso de Salomão Sobre a Sabedoria, Capítulos 1 a 9:


1: Exórdio - introdução e propósito do livro, 1:1-6
a. Autor, 1:1
b. Propósito, 1:2-6
1) Para dar a conhecer a sabedoria e a instrução.
2) Para fazer entender as palavras de inteligência.
3) Para que se adquira instrução no bom procedimento, na justiça e
na eqüidade.
4) Para comunicar prudência aos simples.
5) E ao jovem, ciência e discrição.
6) Para aumentar o cabedal do sábio, que queira ouvir.
7) Para que o entendido adquira conselhos sábios.
8) Para que todos possam entender:
as parábolas;
os aforismos;
as palavras dos sábios;
os ditos profundos.

2. Um poem a didático sobre a sabedoria, 1:7; 9:18.


Seu lema: O temor do Senhor é o princípio do saber, 1:7.
a. As adm oestações e as recom pensas da sabedoria, 1:7 - 3:35.
1) A base, 1:7. Aqui é necessário darmo-nos conta da significação dada à
palavra "sa b er", neste livro. Nos livros proféticos se vê muitas refe­
rências aos sábios referindo-se aos conselheiros da corte (Daniel 2:2,
12, 13). Várias vezes os profetas zombaram dos sábios (Isaías 5:21;
10:13; Jeremias 49:7). Eva foi tentada com a promessa de adquirir muita
sabedoria instantaneamente, ainda que de forma ilegal (Gênesis 3:5).
Porém, o temor do Senhor é o princípio do saber (Provérbios 1:7; 9:10), e
assim é a palavra usada no sentido religioso (Isaías 19:12; Jeremias
9:23, 24; Deuteronôm io 4:6). Aquele que se aparta e não dá ouvidos à
lei do Senhor é néscio e não sábio (Provérbio 28:9; Deuteronôm io 32:6;
Salmo 14:1; Jeremias 8:9). O verdadeiro sábio é aquele que leva em
consideração o que é espiritual, tanto quanto o que é material; que
cuida de sua relação com Deus, ainda melhor que de sua relação com
os outros hom ens; que vive para a vida eterna, tanto como para a vida
temporal (Lucas 12:20). Alguém já disse: "N a religião, o sábio é aquele
que aplica às coisas de Deus a mesm a penetração e agudeza que os
demais hom ens empregam nos assuntos m ateriais" (Lucas 16:8). No
mundo, a sabedoria é a conduta prudente e o manejo dos negócios, e
vem por meio da experiência. Na religião, a sabedoria é o viver cons­
tantemente reconhecendo o lugar que Deus merece em nossas vidas; o
fazer tudo por Ele e para Ele, e vem por meio da fé e da submissão.
2) Um a exortação ao filho, para evitar os com panheiros iníquos, 1:8-19.
O entendido não é enganado (1:17), seja pássaro ou homem.
3) A sabedoria exorta à insensatez e lhe mostra os funestos resultados
de seu mau proceder, 1:20-33.
4) Os benéficos resultados do buscar e obedecer à sabedoria, 2:1 - 3:26.
5) Exortação para que se aceitem as virtudes da benevolência, da since­
ridade, da paz, da retidão, da justiça e da humildade, porque os sábios
herdarão a terra, 3:27-35.
b. Admoestação e instruções na sabedoria, Capítulos 4 a 7.
1) O pai exorta o filho a aderir à sabedoria e a afastar-se dos vícios, a
mesma coisa que o avô havia aconselhado ao pai, em sua juventude,
Capítulo 4.
2) Adm oestações contra:
a) a libertinagem, 5:1-23;
b) ficar fiador de outro, 6:1-5;
c) a preguiça, 6:6-11;
d) a malícia e a violência, 6:12-19;
e) o adultério, 6:20-35;
f) a meretriz, 7:1-27.
c. Dois discursos sobre a sabedoria, Capítulos 8 e 9.
1) A sabedoria personificada fala de:
a) aquele que é rico em sabedoria, 8:1-21;
b) sua origem em Deus, 8:22-31 (compare-se com João 1:1-3, onde se
nota que a sabedoria personificada se refere a Jesus Cristo). Esta é
a passagem mais bela em todo o livro;
c) a bem -aventurança dos que possuem a sabedoria, 8:32-36.
2) A sabedoria convida todos para que participem de um banquete em
su a casa, 9:1-12.
3) A insensata convida os que vão passando que comam pão escondido e
que tom em águas furtadas, 9:13-18.

H. Provérbios de Salomão, Capítulos 10:1 a 22:16.

Esta é a parte central do livro, talvez a primeira coleção de Provérbios, que


deu lugar ao livro inteiro. Contém 374 provérbios separados, a m aior parte dos
quais é antitética, especialmente os da primeira divisão. Referem-se à ética nas
relações da vida.

I. A primeira divisão, capítulos 10 a 15, em que quase todos os provérbios são


antitéticos, fazendo contraste entre os piedosos e os iníquos, e suas condi­
ções na vida. O Dr. D. P. Lange apresenta as seguintes subdivisões, mas reco­
nhecem os que leva em consideração somente fatos gerais.
a. Comparação entre os piedosos e os ímpios, com referência à sua vida e
conduta em geral, capítulo 10.
b. Comparação entre os benéficos resultados da piedade e as desvantagens
e as penas da impiedade, capítulos 11 a 15.
1) Com referência à conduta justa ou injusta, benévola ou m alévola para
com o próximo, capítulo 11.
2) Com referência às ocupações domésticas e públicas, capítulo 12.
3) Com referência ao uso dos bens temporais e da Palavra de Deus, como
o mais excelente dos bens, capítulo 13.
4) Com referência à relação entre os sábios e os néscios, os ricos e os
pobres, os senhores e os escravos, capítulo 14.
5) Com referência às várias relações da vida e das vocações, especial­
mente na esfera religiosa, capítulo 15.
2. A segunda divisão, capítulos 16:1 a 22:16, que contém exortações ao temor de
Deus e à obediência.
a. A confiança em Deus, como sábio Governador do universo, capítulo 16.
b. Ao contentamento e a uma disposição pacificadora, capítulo 17.
c. A afabilidade, fidelidade e virtudes da vida social, capítulo 18.
d. A humildade, mansidão e doçura de caráter, capítulo 19.
e. A evitar a bebedice, a indolência, etc., capítulo 20.
f. A justiça, paciência e submissão a Deus, capítulo 21.
g. A adquirir e conservar um bom nome, capítulo 22:1-16.

Acrescentam os nesta altura alguns exemplos bíblicos como ilustrações de


diversos provérbios, da porção central do livro:
Provérbio 10:2 - "O s tesouros da impiedade de nada aproveitam "; (Tiro,
Ezequiel 26:15-28:20; o hom em rico, Lucas 16:23; Lucas 12:16-21); "m as a justiça
livra da m orte". Noé, Gênesis 7:1, com Hebreus 11:7; Belsazar, contrastado com
Daniel, Daniel 5:6.
Provérbio 10:24 - "Aquilo que teme o perverso, isso lhe sobrevirá". Os
cananeus, Josué 5; Belsazar, Daniel 5; Acabe, I Reis 22; Amã, Ester 7:7-10; "m as o
anelo do justo, Deus o cum pre". Ana, I Samuel 1; Ester 4:16; 8:15-17; Simeão, Lucas
2:29, 30.
Provérbio 11:2 - "Em vindo a soberba, sobrevêm a desonra". Miriã, N úm e­
ros 12:10; Uzias, II Crônicas 26:16-21; Nabucodonosor, Daniel 4:30, etc. "m as com
os humildes está a sabedoria". Daniel, Daniel 2:30; José, Gênesis 41:16.
Provérbio 12:13 - "Pela transgressão dos lábios o mau se enlaça". Adonias,
I Reis 2:23; Ananias, Atos 5:1-5. "m as o justo sairá da angústia". Jó, Jó 42:12, 13;
Davi, I Samuel 23:13; 24:22, etc.
Há muitos outros exemplos, e o estudante deve pensar nos exemplos bíbli­
cos, tanto como em ilustrações de sua própria experiência, para compreender
melhor as verdades expressas no livro de Provérbios.

IH. Palavras dos Sábios, Capítulos 22:17 a 24:34.

1. Primeira divisão, 22:17 a 24:22.


a. Introdução, 22:17-21.
b. Provérbios simples sobre a virtude e o resguardar-se de hom ens per­
versos e dos vícios, 22:22 - 24:22.
2. Segunda divisão, 24:23-34.
a. Conduta para com o próximo, 24:23-29.
b. Resultados da indulgência, 24:30-34.

Esta subdivisão é um poema muito verídico e deve-se ensinar aos filhos


inclinados para a preguiça.
IV. Provérbios de Salomão Compilados pelos Homens de Ezequias, Capítulos 25
a 29.

A verdadeira sabedoria é proclamada como o mais excelente dos bens, para


reis e para seus súditos.

1. O sobrescrito ou título, 25:1.


2. Admoestações a temer a Deus e a ser justos, tanto o rei, como seus súdi­
tos, 25:2-28.
3. Várias advertências contra:
a. A conduta indigna, capítulo 26.
b. A arrogância e o orgulho, capítulo 27 (versículos 23-27 exortam ao
trabalho).
c. Os negócios injustos, a opressão, etc., capítulo 28.
d. A obstinação e a desobediência, capítulo 29.

V. Palavras de Agur, 30; e de Lemuel, 31

1. Palavras de Agur, filho de Jaque, a seus discípulos Itiel e Ucal, capítulo 30.
a. Introdução - a Palavra de Deus é a fonte de toda a sabedoria, 30:1-6.
b. Oração solicitando libertação da tentação por ser demasiado rico ou
ser demasiado pobre, 30:7-9.
c. Várias máximas ou ditos sábios e breves, 30:10-33.
2. Palavras do rei Lemuel, que sua mãe lhe ensinou, capítulo 31.
a. Adm oestações ao rei, 31:1-9.
b. Um poema acróstico alfabético, louvando a mulher virtuosa, sá­
bia e industriosa, 31:10-31.

Antes de deixarmos de considerar este livro de Provérbios, será proveitoso


fornecer uma lista de Provérbios que sirvam de textos para sermões, primeira­
mente aos crentes e então aos descrentes. Essas listas são muito reduzidas, po­
rém, poderão sugerir ao estudante idéias para maiores estudos, ou talvez, para
classes bíblicas. Além disso, aconselhamos a todos que, seja com a ajuda de uma
concordância bíblica, seja pelas referências na margem ou coluna do texto da
Bíblia, seja pelo próprio estudo, se faça um a lista dos Provérbios que tratam do
tema da amizade, por exemplo, ou do amor, ou da língua, ou do que a congregação
mais necessite, e que dessa lista seja preparado um estudo bíblico.
Textos no livro dos Provérbios para sermões:

Evangelísticos Devocionais ou Exortatórios

1:7 1:23
2:22 3 :5 ,6
13:9 11:24 e 13:7
14:34 12:1
18:1 16:7
18:10 19:7
18:12 21:31
18:24 22:1
21:2 22:6, 15
21:29, 30 24:10
24:16 25:21, 22
24:19, 20 25:26
26:12 25:28
27:1 26:17
28:1 26:20
28:13 27:5
28:17 27:17
29:1 31:10-31
29:25

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Qual é o versículo que dá o tema do livro de Provérbios?


2. Qual é a maneira de interpretar os Provérbios, a fim de se compreender seu
significado?
3. Citem de mem ória pelo menos três Provérbios que sejam aconselháveis para
admoestar os que não são crentes.
4. Dê uma ilustração bíblica, que confirme a verdade de algum Provérbio.
5. Sobre o que tratam os capítulos 8 e 9 do livro de Provérbios, especialmente
8:22-36?
6. De que trata a última porção do último capítulo do livro de Provérbios?
&apítul(% 3 2

LIVRO DE ECLESIASTES E
CANTARES DE SALOMÃO

O Senhor Jesus Cristo é mais sábio e maior que Salomão (Mateus 12:42);
solucionou o problem a do hom em de modo muito mais satisfatório que o prega­
dor de Eclesiastes (João 7:37,38), ama e é mais Amado do que Salomão pôde des­
crever em seu cântico de amores. Jesus Cristo é nossa Rosa de Sarom, o Lírio dos
Vales, o mais formoso, entre todos os milhares da terra.

LIVRO DE ECLESIASTES

Tem sido m uito discutida a questão de quem seja o autor do livro de


Eclesiastes, bem como a data em que teria sido escrito. O primeiro versículo diz
como segue: "Palavra do Pregador, filho de Davi, rei de Jerusalém ". Há muitos
críticos que afirmam que esse Pregador não pode ser Salomão, mas antes, algum
descendente afastado, do quarto ou quinto século antes de Cristo, ou seja, cinco ou
seis séculos depois de Salomão. Para apoiar essa posição dizem: l 2) a linguagem é
diferente da que se encontra no livro de Provérbios, e no livro de Cantares e há
muitos vocábulos de origem estrangeira, de época mais recente; 2e) que em 1:12
diz: "...fui rei sobre Israel em Jerusalém ..." (Tradução de Almeida), indicando que
quando o autor escreveu, já não era rei, enquanto que sabemos que Salomão conti­
nuou sendo rei até falecer; 3e) que em 1:16 e em 2:7, 8 diz o autor que era mais rico
e sábio que todos os reis de Jerusalém, anteriores a ele, apesar do fato de que Davi,
seu pai, tinha sido o único rei israelita sobre Jerusalém, antes de Salomão e que
seria um orgulho im perdoável para Salomão jactar-se de ser superior ao seu pai;
e 4a) que as condições sociais e econômicas, pintadas no livro, não se enquadram
com a abundância e a prosperidade do tempo de Salomão. Ainda que o assunto
não seja de tal natureza que afete em muito o estudo do conteúdo do texto, é de
valor quanto ao fato de ajudar-nos em nossa apreciação sobre a inspiração do
livro inteiro.
Pode-se responder aos críticos que: 1Q) Por ter tantas esposas estrangeiras, e
por negociar com cavalos, ouro, víveres, etc., com tantos países estrangeiros,
Salomão estava em excelente posição para saber empregar tais vocábulos estran­
geiros, antes de entrarem no vocabulário comum do idioma. Não se tem provado
que os vocábulos de origem estrangeira sejam prova absoluta de uma origem de
meio milênio mais tarde, sendo que muitas daquelas palavras discutidas se en­
contravam em outros idiomas, antes que os judeus fossem levados ao cativeiro
babilónico. Também é de esperar-se que a linguagem do livro seja diferente da do
livro de Provérbios, visto que trata da filosofia da vida, um problema bem amplo,
e que provavelmente pertence aos últimos anos da vida de Salomão, talvez mais
de um quarto de século depois dos outros dois primeiros livros escritos por ele;
2a) A frase em 1:12 se esclarece na versão atualizada, que diz: "Venho sendo rei de
Israel, em Jerusalém ". 3Q) a limitação da palavra "tod os", em 1:16 e 2:7, 8, a "reis",
não tem razão de ser; ali está escrito "todos" - todos os homens, e não somente
reis. Além disso, o propósito do autor, ao contar a respeito de suas riquezas, era
ensinar uma lição que não o glorificava em nada, mas antes, que o humilhava; 4a)
As condições sociais e econômicas, segundo dizem, apontam certamente o tempo
do cativeiro, ou pouco depois, visto que fala de opressão e pobreza (4:1-3) e que o
governo era corrupto (9:11; 14:15), por não recompensar aos que mereciam ser
premiados: (10:4; 16:18-20). E necessário apenas dizer que esses versículos não
dizem que assim estavam as coisas em Jerusalém, nem por inferência, mas ape­
nas asseveram que assim Salomão via as coisas debaixo do sol e, por conseguinte,
começou a m editar sobre elas. Qual rei de Jerusalém poderia haver dito o que
disse Salomão em 1:16 e 2:7-10?
Eclesiastes é um livro da Bíblia que é sumamente necessário ler-se em sua
totalidade, de um a vez só, para poder ser compreendido. Aquele que lê somente
os prim eiros capítulos há de acreditar que foram escritos por um pessim ista
ferrenho.
Qual é a m ensagem do livro de Eclesiastes? Por que esse livro se encontra no
"cânon" das Escrituras? Para poderm os responder a estas perguntas devida­
mente, temos que notar certas peculiaridades do livro de Eclesiastes. Por trinta e
nove vezes é usado o nome de Deus, "Elohim ". Nunca, nem uma vez só, é usado o
nome "Jeová". Elohim, ou Deus, também era nome usado pelos pagãos, para seus
deuses falsos, de forma que aqui significa o Deus Todo-poderoso, na qualidade de
Criador e Governador do universo. Visto que a palavra "Israel", ou qualquer
referência ao povo escolhido, não se encontra no livro, e há apenas uma alusão
vaga ao Templo de Jerusalém (5:1), entende-se que a mensagem do livro é para o
mundo inteiro e não está lim itado aos judeus. Salomão seria o único escritor
hebreu de quem se poderia esperar tal amplitude de visão e de propósito. O pro­
blema é apresentado como o de um homem qualquer em sua relação com o m un­
do governado pelo Todo-poderoso, e não como o de um judeu em sua relação com
a Palestina, a terra prometida, com Jeová, o Deus que estabelece Pacto com o
homem.
Concordam com isso as palavras mais comuns do livro de Eclesiastes: l s)
"Vaidade", que ocorre 39 vezes, muitas vezes como "vaidade de vaidades, tudo é
vaidade", ou como aparece também por sete vezes: "tudo é vaidade e correr atrás
do vento"; 2e) "Debaixo do sol", expressão que se encontra cerca de 30 vezes neste
livro. Também se nota a repetição de expressões como: "Disse em meu coração",
"refleti em meu coração"; "falei comigo m esm o", etc.
Alguns críticos opinam que Salomão escreveu Eclesiastes dessa maneira
porque havia caído em idolatria e, entristecido, por haver perdido seu direito
como filho da Aliança, em vista de seu pecado, ou por proibição do Espírito Santo,
não usou o título "Jeová" uma vez sequer. Seja como for, não seria de acordo com
a índole do livro se fosse usado outro título para Deus, além do nome "Elohim ".
O livro de Eclesiastes, portanto, é a meditação do homem debaixo do sol, que
não conhece a Deus, senão como o Todo-poderoso. E o hom em a contemplar os
fenômenos da natureza, as vicissitudes e experiências da vida, e procura encon­
trar, sem uma revelação do alto, qual seja "o todo do hom em ", ou seja, "a súmula
do dever hum ano", segundo expresso no versículo 12:13. Parece não se interessar
o autor pela origem do hom em , como chegou até esta terra, mas, antes, visto que
já se encontra aqui, que é que lhe convém fazer? Por obras, por experiências ou por
meditação, procura averiguar o seu dever, ou seja, o que dará melhor e mais
duradouro resultado.
Este relato inspirado sobre o esforço do hom em debaixo do sol, por chegar a
uma solução de seu problema, está incluído na Bíblia para nossa instrução. Suas
lições são várias. I 2) Salienta a grande diferença entre o que é revelado por Deus e
o que é meditado pelos homens. Efésios 1:3-14 revela mais conhecimento sobre
Deus e sobre o homem, sobre os planos eternos de Deus e o destino do homem, que
toda a sabedoria demonstrada por uma dúzia de pregadores, como o autor de
Eclesiastes. 2Q) Ensina-nos até onde o homem debaixo do sol pode chegar em suas
meditações, e, portanto, revela a absoluta necessidade de uma revelação divina.
3a) Até o próprio hom em debaixo do sol, ao meditar bem sobre o caso, julga as
glórias, honras e riquezas do mundo como simplesmente vaidades e correr atrás
do vento, quando não conhece a Deus. 4e) Até o próprio hom em debaixo do sol
reconhece, instintivam ente, a sua responsabilidade pessoal para com o Ser
Suprem o, e a certeza de um ju ízo futuro, quando terá de prestar contas a seu
Criador.
O livro pode ser dividido simplesmente, como segue:

I. Introdução e apresentação do problema da vida, 1:1-11.


II. Observações a respeito do problema, 1:12 - 12:8.
UI. Conclusão, 12:9-14.

I. Apresentação do Problema: Os Valores da Vida, 1:1-11.

1. Autor, 1:1
2. Tema, 1:2
3. Seu problema, 1:3. Que proveito tem o gênero hum ano de todo o seu afã?
4. Sua provação, 1:4-11. A terra é mais estável que o homem.
a. O sol nasce, fielmente, todas as manhãs, 1:5.
b. O vento faz, continuamente, o seu circuito, 1:6.
c. Os rios vão e voltam ao mar, 1:7.
d. Tudo se repete, mas só o hom em vai para não voltar, 1:8-11.

II. Observações Quanto ao Problema, 1:12 - 12:8.

1. Busca do sumário do dever humano na sabedoria, 1:12-18:


Naturalm ente que um hom em como Salomão buscaria o campo da sabe­
doria para ver se poderia encontrar a solução do problema que pesava
sobre seu coração. O versículo 18 fornece a conclusão que ele tirou: "P or­
que na muita sabedoria há muito enfado; e quem aumenta ciência, au­
menta tristeza". Sem dúvida que Salomão estava falando apenas na sa­
bedoria humana.

2. Busca do prazer, capítulo 2.


Indagação da vida alegre, 2:1-3; experiência de construir grandes edifíci­
os, 2:4a; de plantar grandes vinhas, 2:4b-6, de ter riquezas em servos,
gado, prata, ouro e mulheres, 2:7,8; e de ultrapassar a todos os demais em
possessões, entregando-se sem reserva à indulgência, sem negar-se nada
do que se deseja, 2:9,10. A triste conclusão tirada, 2:11.

3. Reflexão sobre os resultados, comparando a sabedoria com a insensatez,


2:12-26. Da m esm a forma acontece a todos (morrem, e tudo quanto pos­
suíam passa a ser de outro), concluindo-se que todo o seu esforço não
passa de vaidade.

4. Os homens estão limitados pelas leis inexoráveis de Deus, e finalmente


morrem de modo semelhante ao das feras, capítulo 3. A conclusão é que o
homem deve comer, beber e desfrutar de todo o bem que puder nesta
vida, porque Deus não julgará ao iníquo e ao injusto senão no outro mun­
do. O versículo treze é muito citado pelos beberrões e pelos ociosos entre­
gues aos prazeres, porém, sempre deve-se tomar em conta que aqui te­
mos o raciocínio do homem debaixo do sol, e até mesmo ele considera
tudo isso como vaidade e correr atrás do vento. Os versículos dez e onze
são típicos da altura a que chega o pensamento humano sem a ajuda da
revelação divina. O Criador todo-poderoso deu um trabalho para que
cada homem se ocupe dele; fez o mundo bem atrativo (com cores, gostos
e odores encantadores aos sentidos humanos), e colocou no coração do
homem o anelo pela eternidade; porém, o cérebro hum ano não consegue
acertar com a verdade m ediante o próprio esforço, pois não pode desco­
brir sozinho se há satisfação ou não para esse anelo.
5. Reflexões sobre o trabalho debaixo do sol, capítulo 4.
A opressão torna tão amarga a vida que é melhor não ter nascido que ser
oprimido, 4:1-3; o esforço no trabalho também é vaidade, 4:4-6; o homem
solitário não tira proveito, 4:7-12; e ainda que seja rei, o hom em velho não
é apreciado, 4:13-16. Os versículos nove a doze desse capítulo servem
como excelente texto a favor da cooperação. Não há motivo para não os
usarmos em nossas pregações e meditações.

6. Raciocínios hum anos sobre a oração e os votos, 5:1-7. Se o Filho de Deus


passava a noite inteira em oração (Lucas 6:12), certamente que nós ou­
tros não devemos acreditar que a oração secreta se deva limitar a algu­
mas poucas palavras.

7. Reflexões sobre as riquezas e sobre seu uso, 5:8 - 6:12.

8. Vários provérbios e conselhos para aquele que desejam que o dia de sua
morte seja melhor que o dia de seu nascimento, 7:1-29. Em 7:28 o prega­
dor confessa não haver ainda encontrado as razões dessas coisas, porém,
em 7:29, chega outra vez a um daqueles arrebatamentos do raciocínio
humano, quando chega bem perto da verdade revelada.

9. Benefícios da sabedoria e da justiça, 8:1-13.


Novamente, nos versículos doze e treze, o pregador se aproxima bastan­
te da verdade revelada. Ve que, ao mesmo tempo que avança em suas
reflexões, mais e mais se vai aproximando da verdade revelada.

10. Observações sobre a vaidade das coisas debaixo do sol, 8:14 - 9:18. As
recompensas sobre a terra não estão de acordo com o justamente mereci­
do.

11. Provérbios a respeito da sabedoria e da insensatez, capítulo 10.

12. Bons conselhos sobre a prudência, capítulo 11. No versículo 9 temos uma
indicação do que será a solução do problema do Pregador. Alguns crêem
que os capítulos 11 e 12 formam a solução e a conclusão; porém, são
realmente parte de suas investigações.

13. Um poema sobre a velhice, com o conselho para o homem lembrar-se de


seu Criador ainda na mocidade, 12:1-8. É verdade que alguns não vêem
nesta passagem senão o quadro de uma casa abandonada e caindo em
ruínas. A descrição da velhice por meio de símbolos é mais completa e
adequada, e muito de acordo com a índole do contexto.
1) Na velhice sem conhecimento íntimo de Deus, como Pai celestial, não
há consolo; todos os dias são amargos.
2) Ao obscurecer-se o sol, etc., o pregador fala da vista que já não conse­
gue perceber as coisas distantes, nem as nuvens que seguem a chuva,
o que fala do desânimo da velhice, enquanto o jovem deixa passar a
tempestade e logo recupera a esperança.
3) As mãos que defendem a casa tremem chegando à velhice, os ombros
se encurvam, os dentes caem, enquanto os olhos se ofuscam.
4) As portas se fecham, devido aos poucos negócios e as poucas visitas;
qualquer som perturba o sono leve do ancião; e não há gosto nem
prazer que possa entretê-lo.
5) O ancião não aprecia subir por uma escada, visto que treme e já não
possui o equilíbrio da juventude; não tem desejos de sair à rua, te­
mendo o movimento do povo e do tráfego. A amendoeira era a primei­
ra árvore a florescer na primavera, que prometia a colheita vindoura
do verão; porém, para o ancião as flores caem e ele não vê senão um
eterno inverno. O gafanhoto era um alimento saboroso, um prato
delicado, para o jovem que tem a paciência de tirar-lhe a carne comes­
tível, mas isso é um peso para o ancião, cujo sentido do gosto já se
encontra embotado; o apetite lhe desaparece porque se aproxima o
dia quando deixará a casa de seu corpo carnal, e logo será celebrado o
seu enterro.
6) Aqui temos uma descrição poética da morte. Qualquer destas coisas
provoca a morte: "...se rompa o fio de prata...", fala do quebrantamento
da coluna vertebral; "...se despedace o copo de ouro...", refere-se ao
crânio; "...se quebre o cântaro junto à fonte...", fala, talvez, do coração
e da circulação do sangue, ainda que talvez se refira aos pulmões. Os
detalhes não podemos precisar, e se alguém tiver melhor interpreta­
ção, está perfeitamente bem - que Deus o abençoe.
7) Esta é uma verdade, ainda que também em forma de poesia. Ao m or­
rer, o corpo é sepultado e se decompõe, mas outro tanto não sucede ao
espírito.
8) O Pregador conclui suas experiências, buscas e averiguações, dizen­
do: "Vaidade de vaidade, diz o Pregador, tudo é vaidade".

HL Conclusões, 12:9-14

1. Segundo o costume do oriente próximo, Salomão deseja reduzir suas


conclusões a um provérbio. No livro de Eclesiastes temos muitos provér­
bios. O autor confessa que ele mesmo compôs muito desses provérbios.
Essas palavras dos sábios são como cravos profundamente fincados.
2. O propósito do Pregador é a admoestação, especialmente aos jovens.
3. A admoestação é: que o sumo dever do homem não é estudar muito em
muitos livros, mas antes, como diz em 1:7, que tema a Deus e obedeça aos
Seus mandamentos.
4. A razão é que, no fim, todos teremos de prestar contas a Deus. Até aqui
chega a razão humana; isso se verifica debaixo do sol. A sabedoria hum a­
na (sem a revelação divina), as riquezas, as obras humanas, a ambição e
o esforço, e tudo o mais - sem Deus - não passam de vaidade. Porém,
apesar disso a razão nos diz que há um Criador que nos julgará por
nossas obras; pelo que tivermos feito com as nossas vidas.

CANTARES DE SALOMÃO

E muito lógico e natural que, entre os livros poéticos da Bíblia, o Livro para
toda a humanidade, exista um cântico de amor. A mais poderosa e universal das
paixões humanas é o amor. No livro de Rute contamos com uma história que é um
tratado sobre o amor de um a mulher para com outra; no livro de Ester descobri­
mos uma história que manifesta o amor de uma m ulher para com sua raça ou
povo; porém, no livro de Cantares de Salomão, temos a história dramatizada do
amor de uma mulher para com seu marido.
O primeiro versículo do livro diz: "Cântico dos cânticos de Salom ão". Isso
significa que esse é o único cântico por excelência, o melhor entre muitos. Em I Reis
4:32 são atribuídos a Salomão mil e cinco cânticos, porém, temos de confessar que
é possível que este cântico não seja de Salomão somente no sentido que foi escrito
a seu respeito, conforme muitos alegam. O mais natural é crer que Salomão mes­
mo o tenha escrito. Muito depende da interpretação, conforme veremos. O certo é
que o livro foi escrito nos dias de Salomão ou muito pouco tempo depois. As
descrições são m uito detalhadas, como de um a testem unha ocular, porém, o
versículo 6:4 é uma evidência clara daquela época. Faz-se referência a Tirza e a
Jerusalém, como cidades igualmente formosas. Tirza chegou a ser a capital de
Jeroboão, pouco depois da morte de Salomão, pelo que, durante sua vida, teria
adquirido certa importância. Durante o reinado de Onri, cerca de cinqüenta anos
depois, a capital foi mudada para Samaria, e Tirza caiu de sua alta posição. Visto
que o livro foi composto no tempo de Salomão; que ele foi o autor de mais de mil
cânticos; e que este cântico é chamado de Cântico dos Cânticos de Salomão; e que
a tradição judaica se inclina totalmente a favor de sua autoria, devemos, portan­
to, aceitar as palavras em sua significação normal, aceitando a autoria salomônica,
e também que ele mesmo foi um dos personagens incluídos no poema.
Além disso, o titulo nos assegura que no livro temos um só cântico, e não
uma coleção de passagens amorosas, sem ligação nem enredo. Qual o plano do
enredo? Isso é algo que será discutido até à vinda do Senhor. Há três maneiras de
interpretar o livro: (1) Histórica exclusivamente, crendo-se que se trata de uma
canção que fala dos amores de Salomão com uma princesa ou camponesa. (2)
Alegórica exclusivamente, negando-se ao mesmo uma base histórica, e crendo-se
que tudo não passa de um símbolo da relação existente entre Jeová e Israel, ou
entre Cristo e a Igreja ou o crente. (3) Histórica, mas com aplicação ao crente ou à
Igreja em sua ligação com o Salvador, ou a Israel e Jeová, mais ou menos como o
apóstolo Paulo faz em Efésios 5:25-33.
Com certas variações, a interpretação histórica se limita a duas idéias. Numa
delas, existe um só amado, Salomão (alguns crêem que isso tenha sucedido em sua
juventude, pouco antes de subir ao trono); e a noiva, a sulamita, que significa uma
jovem de Sunem, um povoado ao norte da Palestina, perto de Em-Gedi. Além
disso há um coro de mulheres: "filhas de Jerusalém "; e também os irmãos da
sulamita. Segundo essa interpretação, o plano da história é mais ou menos como
segue:
Cena I - No pátio ou jardim de Salomão 1:2 - 3:5. A sulamita fala às mulheres
do harém, elogiando o esposo, defendendo-se por ser morena, e perguntando pelo
paradeiro do esposo, 1:2-7; elas respondem, 1:8; entra Salomão e sustenta com ela
uma conversação amorosa, 1 :9 -2 :1 7 , com exceção de 2:7, que é dirigido às m ulhe­
res. Em 3:1-5, a sulamita conta um sonho seu às mulheres. Deve-se dizer que,
conforme era costume no oriente próximo, as mulheres andavam despidas da
cintura para cima, e que uma referência aos seios era tão natural, como aos braços
ou à cabeça. Isso não deve ser considerado como falta de delicadeza num livro
hebraico.
Cena II - Os desposórios, 3: 6-11, e outra conversação amorosa, 4:1 - 5:1.
Cena III - No palácio, 5:2 - 8:4. Outro sonho, e a resposta das mulheres, 5:2-
9; a noiva exalta ao esposo, e elas respondem, 5:10 - 6:1.
A noiva, 6:2,3; e o esposo, 6:4-10. Ela relata às mulheres a sua vinda a Jerusa­
lém, 6:11-13. Falam os noivos, 7:1 - 8:4, em cuja conversação ele a convida para
que visite seu lar.
Cena IV - No lar da sulamita, 8:5-14.
A outra interpretação histórica tem muitos pontos a seu favor. Segundo essa
interpretação, é introduzido outro amante, talvez o esposo mas, mais provavel­
mente, o prometido da sulamita. Trata-se de um pobre mas honrado pastor de
ovelhas. Segundo esse enredo, ela estava cuidando da vinha de seus irmãos (1:6),
quando desceu ao jardim das nogueiras e foi capturada por Salomão e levada a
Jerusalém, contra a sua vontade (6:11, 12). Apesar das pretensões, promessas e
presentes do rei Salomão, a sulamita permanece fiel a seu prometido, o qual vem
do campo, resgata-a e a leva para sua casa. A linguagem e as descrições do campo,
e a maneira pela qual ela fala de seu amado, está mais de conformidade com essa
interpretação. H á dificuldade em determinar quem fala, porque o poema não o
revela em parte alguma, porém, o conteúdo esclarece a questão, a maior parte das
vezes. Toda interpretação apresenta suas próprias dificuldades; e a interpretação
do pastor amante faz com que o livro de Cantares de Salomão seja uma lição
sobre o amor puro e leal, apesar das tentações mais poderosas que o possam
assaltar. Os versículos 2:7; 3:5 e 8:4 devem ser interpretados como a sulamita a
conjurar as mulheres para que não procurassem despertar nela outro amor, se­
não o do pastor amado. Cada vez que ela elogia o amado, pensa no pastor. Os
sonhos, 3:1-4 e 5:2-8, são dele, e alguns acreditam que o poema diz que ele a tenha
seguido até Jerusalém, desde que foi capturada, e que 4:1 - 5:1 seja uma conversa­
ção entre eles dois. Em 6:10 teríamos as palavras do próprio Salomão, que teria
deixado de galantear a sulamita, e passou a respeitar tanto a camponesa devido
à sua lealdade, que permite sua liberdade. As mulheres a chamam para vê-la
bailar, mas ela e seu amado decidem ir-se para o campo, 7:1-4. Os vizinhos vêem-
nos a chegar (8:5a). Ele relembra a ela o lugar onde se encontraram pela primeira
vez (8:5b). Ela é arrebatada por seu amor, pronunciando as palavras mais notá­
veis sobre o tema (8:6, 7). Os irmãos da sulamita a recebem com certa dúvida, e
procuram averiguar se ela permaneceu fiel e se não caiu nas tentações a que foi
sujeita na corte. Ela lhes assegura que é um muro, e não uma porta, e que Salomão
bem pode vender sua casa de campo e sua vinha, que a ela pouco importa, e pede
a presença de seu amado.
A interpretação que considera tudo alegoricamente, sem aceitar que o poe­
ma tenha a menor base histórica, dá uma significação figurada a cada cláusula do
livro. Alega que Salomão foi inspirado a escrever em linguagem poética, as expe­
riências mais íntimas de uma alma com Deus, ou melhor, entre um crente e o
Senhor Jesus Cristo. Merece consideração esse método de interpretação do livro
de Cantares, ainda que a crítica apresente fortes razões contra a mesma. Uma
forma de dividir o poema, por esse método, é em cinco partes: 1 .1:2 - 2:7; II. 2:8 -
3:5; III. 3:6 - 5:1; IV. 5:2 - 8:4; V. 8:5 - 8:14. Só podemos dar em seguida um a idéia do
cuidado com que se esquadrinham as características de cada planta, animal, lu­
gar, cor ou costume mencionados para dali tirar uma lição espiritual.
O cântico tem início com o crente em comunhão com o Senhor, amando-o,
mas tomado pelo tão grande amor de Cristo pela Sua criatura. Assim como o
crente é representado pela noiva (às vezes toda a Igreja é inclinada, porém, geral­
mente, trata-se tão somente do indivíduo) será melhor usar a palavra alma em
lugar de crente. "Beija-m e com os beijos de tua boca..." Significa que o Senhor
guiará com Seus lábios, ou seja, com Sua Palavra, a alma que nEle confia. "Porque
melhor é o teu amor do que o vinho", o que significa que o amor do Senhor é
melhor que o prazer terreno. Assim prossegue pelos versículos 1:2-4. Ao pensar
no Senhor, a alma se dá contas de sua própria injustiça (como Jô 42:6; Isaías 6:5;
etc.), e confessa sua indignidade natural ao dizer: "Eu estou m orena..."; e, contu­
do, confessa sua fé na justificação divina, com a qual a tem dotado, ao declarar:
"...porém form osa...". As palavras: "O s filhos de minha mãe se indignaram contra
mim, e me puseram por guarda de vinhas", é um a confissão de haver servido aos
demais crentes (filhos de sua mãe que representa o Espírito Santo) em lugar de
mirar somente a Cristo, para receber dEle instruções para o ministério. Assim
prossegue a primeira divisão. O nardo e a mirra representam a morte do Senhor
Jesus, enquanto que a hena representa Sua ressurreição. O mesm o se dá, respecti­
vamente, com os cedros e os ciprestes.
Na segunda divisão, que tem início em 2:8, há uma sombra sobre a comu­
nhão da alma com Cristo, e o amado está distante, "detrás da nossa parede" (um
obstáculo, ou pecado que a alma erige entre ela e seu Amado), porém a chama
para vir à comunhão com Ele novamente. Ele a aconselha a acompanhá-Lo, para
apanhar as raposinhas (pequenos pecados, descuidados) que entraram para
apartá-la dEle. Ela está certa que pertence ao Senhor, que está salva, porém, demo-
ra-se um pouco em segui-Lo. O resultado é que cai a noite sobre ela, porém, com
isso, ela desperta da indiferença e sai a buscá-Lo. Em 3:5 prova que Ele a recebe
novamente.
A terceira divisão fala do cuidado e do sublime amor de Cristo para com a
alma. Em 4:8 se nota uma chamada à alma para segui-Lo mais adiante na vida
espiritual. A figura de um jardim fechado, em 4:12 - 5:1, é muito instrutiva.
A quarta divisão começa com outra separação; a noiva, a dormitar, ouve a
voz de seu amado. Em 5:4 diz que Ele meteu a mão por uma fresta. No oriente
tinha-se o costume de fechar as portas da rua de tal modo que um dos moradores
da casa poderia passar a mão pela fresta, levantar a barra, e entrar. Porém, à
noite, o dono da casa fechava a porta com mais segurança, e não podia ser aberta,
senão pelo lado de dentro. Assim se deu aqui. A noiva fechou sua porta de modo
que não podia ser aberta pelo lado de fora. Dessa vez lhe custou muito mais
trabalho, e até afrontas para encontrar seu Amado e entrar em comunhão com
Ele novamente. Em 8:1 a noiva falta em sua devoção a Cristo, desejando limitar o
Seu afeto ao de um irmão.
A última divisão descreve a noiva apoiando-se em seu Amado. Já aprendera
sua lição e sabe que em si não tem forças para sustentar-se, pois agora se apóia
constantemente no Amado. Em 8:8-10 ela fala a Ele de uma certa irmãzinha, e
dizem que a ensinarão a verdade da separação (uma parede), e como entrar na
vida vitoriosa (uma porta). O livro termina com uma chamada da alma a seu
Amado, para que Ele venha. Deseja a constante companhia dEle.
Resta-nos agora a terceira interpretação ou método de entender o livro: a
base histórica, com uma aplicação ao crente. Isso quer dizer que se acredita que o
poema fala do próprio Salomão e de uma mulher sulamita que realmente existiu,
etc., mas que os elogios e expressões de amor usado pelos personagens, podem
servir-nos como veículos para expressarmos nosso amor ao Salvador Jesus Cris­
to. Deve um hom em poder dizer a um a mulher palavras de carinho e amor tão
sublimes, que não possam ser usados com toda a sinceridade para com o Senhor
Jesus Cristo? O principal é, realmente, amar ao Redentor; Ele é digno de nosso
amor. Ele deseja ter comunhão íntima com cada alma, semelhante a que é delineada
neste livro. Considerar Salomão como o único amado histórico, faz com que as
duas interpretações, a histórica e a alegórica, estejam mais de conformidade com
a realidade, permitindo um a aplicação à comunhão da pessoa com Deus.
Antes de condenarmos um método ou outro, convém que o cursante torne a
ler o livro m uitas vezes, sempre orando para que o Espírito Santo o ilumine.
M esmo assim convém esperar que tenha mais experiência na vida cristã, e mais
conhecimentos gerais da Bíblia. Aconselhamos seriamente que, ainda que creia
que para ele o livro de Cantares de Salomão queira dizer tão somente isso, que
espere alguns anos, cerca de cem anos, antes de condenar aos que não estejam de
acordo com ele. Nenhuma doutrina bíblica depende dos detalhes da interpreta­
ção desse livro, o qual, não obstante, tem sido usado por Deus para levar muitos
a uma vida mais íntima com Ele. O Espírito Santo o inspirou, e o fez incluir no
cânon certamente não de maneira vã. Deixemos que Ele o use em nossas vidas
também. "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o coração".

RESUM O - O livro de Eclesiastes é um relato inspirado dos raciocínios hu­


manos debaixo do sol. Deus é conhecido aqui somente como o Todo-poderoso
Criador. Não são m encionados o Evangelho, a redenção, o perdão, etc. Está na
Bíblia para que nós saibamos até que ponto chega o raciocínio humano.
A evidência é a favor de que Salomão foi o escritor do livro Cantares de
Salomão. Há três m étodos de interpretação: (1) Histórico; (2) Alegórico, e (3) H is­
tórico com aplicação espiritual da comunhão da alma com Deus.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Quem escreveu o livro de Eclesiastes? Que provas podem-se alegar para


confirmá-lo?
2. Qual é o tema do livro? Quais expressões são repetidas freqüentemente?
3. Qual o problem a que pesava sobre o Pregador, e que ele procura solucionar?
4. Que procedimento segue para fazê-lo?
5. Qual sua conclusão ou solução?
6. Qual interpretação histórica, de Cantares, lhe parece m ais lógica?
7. Você mudou de idéias acerca da significação do livro de Cantares de Salomão,
mediante o estudo deste capítulo?
8. Que lição espiritual aprendeu com o estudo deste livro?
C^apíta lo 3 3

INTRODUÇÃO GERAL AOS


LIVROS PROFÉTICOS

O Senhor Jesus Cristo é o Foco das visões dos profetas. Ele mesm o declarou
que os profetas falavam dEle (Lucas 24:44-46). Deus foi o primeiro dos profetas, e
Sua profecia anunciava a vinda do Redentor ao mundo para morrer (Gênesis
3:15). Enoque, o sétimo depois de Adão, foi o primeiro homem de quem se diz que
profetizou e falou da segunda vinda de Jesus Cristo (Judas 14,15). O Senhor Jesus
deu às profecias a Sua aprovação mais alta, quando explicou a necessidade de ser
entregue à morte, afirmando ser mister se cumprirem as Escrituras dos profetas
(Mateus 26:54-56).

I. PROFECIA DE ADÃO A SAMUEL

Nas Escrituras hebraicas, os livros proféticos formavam a porção central de


seu cânon, situando-se entre o Pentateuco e os Escritos. Assim tam bém era no
pensamento dos judeus. No Pentateuco tinham o relato de seu início como nação,
juntam ente com as leis que os tornavam povo distinto das demais nações. Os
livros proféticos contêm sua história espiritual, juntam ente com as interpreta­
ções e pregações dos profetas. Em último lugar, tinha os Escritos, ou livros poéti­
cos. A profecia era um a parte im portante e poderosa na vida dos judeus, e ainda
o é. Sua esperança na vinda do Messias e na glória futura da nação, lhes tem dado
forças na batalha é tem impedido que se m isturem com as demais nações, no seio
das quais tem vivido por muitos séculos. Nestes dias os judeus estão regressando
à Palestina, animados pela mesma esperança do cumprimento do que foi dito
pelos antigos profetas, a respeito de sua terra. Ainda que a linha de profetas se
tenha iniciado de maneira especial, já havia profecia antes destes dias. Os patri­
arcas também eram chamados de profetas. Acima, Enoque foi mencionado. Quando
a M atusalém foi dado o seu nome, mais de nove séculos e meio antes do dilúvio, é
claro que já havia certo conhecimento dos eventos futuros, porque seu nome
significa: "H om em de envio". E um nome composto, a primeira parte significando
"hom em ", enquanto que a segunda parte significa uma derivação do verbo "en ­
v iar", ou "m and ar". Se calcularmos bem, verificaremos que o dilúvio foi enviado
no mesmo ano do falecimento de Matusalém (Gênesis 5:25; 5:27,28; 7:11). Em Gênesis
20:7, Deus diz que Abraão é profeta (Salmo 105:15), e não há dúvidas de que ele
conhecia a Deus e que representava a Deus entre os homens. Isaque, Jacó e José
profetizaram acerca de seus filhos (Gênesis 27:28, 29, 33, 39, 40; 49:1-27; 50:24, 25).
M oisés era reconhecido por todos com o profeta, e assim foi cham ado
(Deuteronômio 18:18; 34:10). Moisés também explica algumas diferenças entre os
sacerdotes levíticos (Deuteronômio 18:1-8), os adivinhos pagãos (Deuteronômio
18:9-14), o Profeta divino (Deuteronômio 18:15-19), e os profetas falsos de Israel
(Deuteronômio 18:20-22). Em I Samuel 3:1 lemos que "Naqueles dias a palavra do
Senhor era mui rara; as visões não eram freqüentes". Isso abrangeria todo o tem­
po dos juizes.
Com a apostasia dos filhos de Eli, os sacerdotes levíticos provocaram uma
crise na história de Israel. Samuel sucedeu a Eli como juiz, porém, foi o último da
linha de juizes que governavam a nação. Samuel estabeleceu a monarquia, e tam­
bém foi o primeiro da linha dos profetas, linha essa que continuou até Malaquias.
A Samuel também se atribui, o estabelecimento das escolas ou com panhias’de
profetas, ou seja, "os filhos dos profetas" (I Samuel 10:5,10; 19:20; II Reis 4:38, etc).

ü. TÍTULOS E OFÍCIOS DOS PROFETAS

Os nomes dados aos profetas foram muito variados. Foram chamados de:
"H om ens de D eus" (I Reis 17:18; II Reis 4).
"Servo do Senhor" (II Samuel 7; II Crônicas 24:6-9; Isaías 20:3; etc.).
"M ensageiro do Senhor" (Isaías 42:19; M alaquias 3:1).
"Intérprete" (Isaías 43:27).
"Atalaia" (Habacuque 2:1-2; Ezequiel33:2).
"H om em de espírito" (Oséias 9:7; Miquéias 3:8).
"V idente" (I Samuel 9:9-19; II Crônicas 16:7; 19:2; Isaías 30:10; Amós 7:12).
"Profeta" (muitas referências, começando com Êxodo 7:1). Em Gênesis 20:7
vemos que o profeta também era um mediador. Em Oséias 9:7; II reis 9:11 e Jeremias
29:26 os profetas são chamados "loucos" pelos apóstatas, porém, assim também
chamaram ao Senhor Jesus Cristo, em João 10:20.
O nome "vidente" significa aquele que via coisas incomuns, que compreen­
dia mistérios, etc. O termo "profeta" é bem explicado pela maneira por que Deus
o usou em Êxodo 7:1, a primeira vez em que é mencionada na Bíblia. O Senhor
disse a Moisés que o punha por deus a Faraó, e que Arão seria seu profeta. Daquele
momento em diante Moisés teve certo domínio sobre Faraó, de modo que, segun­
do sua palavra, vinham as pragas e cessavam quando ele o dizia. Porém, era Arão
que servia de profeta ou porta-voz para Moisés. Arão era quem falava a Faraó o
que Moisés dizia. "Profeta", em hebraico, é palavra que quer dizer: aquele que
derrama ou verte; em grego, significa: aquele que fala em lugar de outro. Em
ambos os casos, na Bíblia essa palavra se refere àqueles que com unicavam a
vontade de Deus aos demais. Tem-se dito que o sacerdote representava os homens
diante de Deus, enquanto que o profeta era comissionado pelo Senhor para levar
Sua mensagem àqueles para quem se destinava. Geralmente o profeta era envia­
do a reis, príncipes ou grupos importantes, porém, às vezes, era uma voz falando
para todo o povo. As mensagens dos profetas diziam respeito às condições m o­
rais, assuntos políticos, ou deveres dos ouvintes.
O capítulo 18 do livro de Deuteronômio, como já indicamos acima, esclarece
muito as distinções entre os sacerdotes e os profetas. Estes não formavam uma
casta, ou ordem na sociedade, nem eram escolhidos por sua parentela (Amós 7:14,
15). Não era costume ungir com óleo o profeta, nem havia qualquer cerimônia
para iniciar-se sua vocação. O profeta era chamado particularmente pelo Senhor,
que operava nele pelo Espírito Santo, e sua aceitação diante do povo aguardava a
prova do cumprimento de sua palavra (Deuteronômio 18:22). Deus falou por in­
termédio de Balaão, Saul, Caifás, e até mesmo pela jum enta de Balaão, mas esses
não são tipos de profetas. E verdade o que esclareceu o apóstolo Pedro: "...hom ens
falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo" (II Pedro 1:21).
E grande erro crer que tudo quanto os profetas faziam era prognosticar, ou
predizer o futuro. Essa era apenas uma parte de sua obra. Alguns têm observado
que os levitas explicavam a lei, enquanto que os profetas a faziam cumprir. Os
sacerdotes, no Templo, se ocupavam com os símbolos da redenção, enquanto que
os profetas viviam entre o povo e os exortavam a ter um coração reto para com
Deus. Explicavam a significação das catástrofes, como castigos ou mensagens da
parte de Deus, ou esclareciam a razão pela qual Deus concedia vitórias. Nunca
lhes faltou patriotismo, mesmo que tivessem que predizer a derrota e aconselhar
a submissão. Eram partidários da teocracia, ou governo de Deus, e não da hierar­
quia hum ana e corrupta, e pregavam a justiça de retribuição contra o mal, da
parte de Deus.
Há uma outra crença muito comum de que os profetas recebiam todas as
suas revelações da parte de Deus, por meio de um êxtase, ou estado hipnótico,
acompanhado às vezes por danças pagãs, como acontece entre os "dervixes", dos
mulçumanos. E verdade que Saul se comportou dessa maneira exótica quando
profetizou, em I Samuel 19:24, ainda que a palavra "despiu" se deve tomar em
sentido relativo, como em II Samuel 6:20; o que significa que tirou apenas a túnica
real exterior. Como quer que Saul se tenha comportado, isso, não significa que
todos os profetas agissem da mesma maneira, nem ao profetizar, nem em qual­
quer outra o c a s iã o : O fa to d e usarem in stru m en tos de m ú sica em seu s cultos (I
Samuel 10:5) não é motivo para alguém criticá-los, dizendo estarem fora de si, ao
profetizar.
Elias, como também João Batista, se vestia de peles e vivia fora dos agrupa­
mentos urbanos, pelo que seus costumes estranhos atraíam as multidões para
escutá-lo. Eliseu, entretanto, nem usava a grande cabeleira, nem as vestes de
Elias, e por isto os meninos o depreciaram por sua aparência comum, ao mesmo
tempo que pretendia ser profeta, sucessor de Elias, chamando-o de "calvo". Tais
rapazinhos foram castigados a fim de ensinar a todos que ser profeta não depen­
dia nem do vestuário, nem da cabeleira.
E verdade que os profetas tiveram visões e sonhos, mas nem por isso deixa­
ram de ser humanos, e a maioria das revelações foram dadas a eles e nos foram
transmitidas, sem que eles nos expliquem como lhes foram dadas. O importante
não era o m étodo de recepção, mas antes, a realidade da verdade revelada. Em
certas ocasiões também usaram de lições objetivas, como o cinturão de Jeremias
(cap. 13); ou representavam o que queriam ensinar, como Isaías, no capítulo 20.
Contudo, na m aioria das vezes, pregavam ao povo as mensagens de Deus, da
maneira mais simples possível.

LU. DE SAMUEL A MALAQUIAS

A história de Israel é a história de seus profetas (Amós 3:7, 8). Temos falado
dos profetas que viveram antes de Samuel, mas agora faremos uma breve revisão
do desenvolvimento da profecia no resto do Antigo Testamento. Samuel foi o
primeiro na linha de profetas, que operaram juntam ente com os sacerdotes e’ os
reis. Não eram juizes, governadores, nem sacerdotes, nem tão pouco viviam sob
as ordens deles. Eram servos do Senhor e recebiam suas instruções, diretamente
dEle.
Depois de Samuel, nos dias de Davi, Natã e Gade foram os profetas mais
citados. Tal como Samuel, escreveram crônicas históricas (I Crônicas 29:29), po­
rém nenhum deles nos deixou escrito um livro sobre suas profecias. Natã foi
quem repreendeu a Davi na questão que envolvia Bate-Seba (II Samuel 12), e Gade
foi quem o repreendeu a respeito do recenseamento (II Samuel 24).
Nos dias de Salomão foi profeta Aias, silonita (I Reis 11:29 e talvez 6:11 e
11:11). Sobreviveu até os dias de Jeroboão I (I Reis 14:1-14); Aias escreveu profeci­
as, mas nada mais sabemos sobre elas (II Crônicas 9:29). Ido é outro profeta que
escreveu crônicas históricas (II Crônicas 9:29; 12:15; 13:22). Nos dias de Roboão
Deus usou o profeta Sem aías para evitar a guerra civil (I Reis 12:21-24); para
exortar ao arrependimento (II Crônicas 12:5-8); e para escrever crônicas (II Crôni­
cas 12:15). Depois deles apareceram Elias e Eliseu. Estes dois últimos tiveram
ministérios extensos e poderosos, porém, nada sabemos de qualquer coisa que
porventura tivessem escrito. Eliseu viveu até os dias de Joás, rei de Israel, cerca do
ano 830, antes de Cristo (II Reis 13:14-20).
Isso nos leva aos dias dos "profetas canônicos", ou seja, os que escreveram
livros de profecia, que formam parte do cânon.
E difícil dar precisam ente as datas da maioria dos livros chamados Profetas
Menores, mas essa data exata não é de primordial importância. Quatro são esses
profetas que pertencem ao século anterior à queda do reino do Norte (Israel), o que
se verificou no ano 722 antes de Cristo: Joel, Amós, Jonas e Oséias. O primeiro se
dirigiu a Judá, o terceiro a Nínive, e os outros dois a Israel. O último deles viveu
até o tempo do reinado de Ezequias (do sul), pelo que, por muitos anos, foi contem­
porâneo dos profetas Isaías e Miquéias, porém, como seu livro nada diz sobre a
queda de Israel, historicamente, pode-se deduzir que faleceu antes daquela catás­
trofe.
Isaías e Miquéias profetizaram juntos para Judá, antes e depois da queda da
Israel, enquanto que Naum, depois do triunfo da Assíria sobre Israel, profetizou a
destruição de Nínive, a capital assíria.
Depois disso houve uma geração, ou mais, sem que fosse escrito qualquer
outro livro profético; merecido pelo reino de Judá, o Senhor enviou um profeta,
após outro para admoestar o povo. Primeiro Sofonias levantou a voz nos dias do
rei Josias, mais ou menos 630 anos antes de Cristo. Jerem ias foi chamado naquela
mesma época de Josias e continuou profetizando até que os últimos judeus, deixa­
dos na terra pelos caldeus, fugiram para o Egito. Habacuque também profetizou
pouco antes da queda de Jerusalém. Os livros de Lamentações e de Obadias perten­
cem aos próprios dias da queda, entre a primeira rendição e o saqueamento final.
Durante o cativeiro babilónico, escreveram os profetas Ezequiel e Daniel, e,
depois da restauração surgiram os profetas Ageu, Zacarias e Malaquias, os quais
escreveram os livros com os quais se encerra o cânon do Antigo Testamento.
Repassando assim rapidamente a história dos profetas, surge a pergunta: "Com o
é que os livros chamados dos Profetas Maiores estão em ordem cronológica, en­
quanto que os dos Profetas Menores não o estão?" A verdade é que não se sabe a
razão por que os judeus sempre os conservaram nessa ordem em que se encon­
tram em nossas Bíblias. Temo-los deixado assim como se encontravam. Neste
estudo seguiremos a ordem canônica, e não a ordem cronológica, para facilitar a
referência aos livros mais tarde; mas sempre indicaremos, na introdução, a época
a que pertence cada um dos livros.

INTERPRETAÇÃO DA PROFECIA

IV. REGRAS DE INTERPRETAÇÃO

Aqui falaremos tão somente de algumas regras gerais de interpretação, em


sua aplicação aos livros proféticos do Antigo Testamento. Alguém já disse: E ób­
vio que ninguém pode interpretar corretamente a profecia no Antigo Testamento,
sem que tenha observado seu perfeito desenvolvimento no Novo Testamento,
como também ninguém que jam ais tenha visto um carvalho poderá calcular bem
como seja ou a semente, ou um carvalho ainda pequeno.
Uma das primeiras coisas que se tem de fazer, na interpretação da profecia,
é averiguar se a mesm a está falando em sentido literal ou em linguagem figurada,
ou alegórica. Um a maneira de determinarmos isso é mediante o axioma: se o
sentido literal apresenta sentido comum, não se busque outro sentido. Deus não
fala com duplo sentido. A revelação foi dada para revelar, e não para confundir,
ou enganar. Há certas coisas que não convém que o homem saiba, como por exem-
plo, a data da segunda vinda de Jesus Cristo (Atos 1:7; Mateus 24:42), porém as
revelações são para nós (Deuteronômio 29:29). A primeira profecia (Gênesis 3:15)
é um bom exemplo disso. Prediz a luta, a inimizade entre o bem e o mal, durante
os séculos; mas essa inimizade atinge seu ponto culminante no Calvário, onde,
Aquele que é semente da mulher, nascido de uma virgem, foi ferido no calcanhar
pela crucificação, instigado pela obra de Satanás, nos corações dos homens; po­
rém, o Calvário foi o golpe mortal contra o poder de Satanás, na vida de cada
crente. Se não percebem os nessa profecia nada mais que uma antipatia, mais ou
menos universal, entre as serpentes e os homens, então na verdade a letra mata (a
profecia); porém, a interpretação de milhares e milhares de crentes, através dos
séculos, tem sido que esse versículo se refere ao Senhor Jesus, como nosso Reden­
tor, a única interpretação que concorda com o contexto e que é digna dAquele que
falava, e que prova que o Espírito proporciona vida (João 6:63; I Coríntios 3:6).
Vimos como a história de certos personagens, como José e Moisés, ainda que
h isto ricam en te veríd ica, p refigu rava a vida de Jesu s C risto n este m undo
(Deuteronômio 18:18). O Tabernáculo, igualmente, era um conjunto de símbolos
sobre Cristo e Sua obra redentora. Foi por essa razão que foi estabelecido o culto
levítico. Os profetas, entretanto, foram enviados por Deus para representá-Lo
perante a nação, fazendo, propositalmente, coisas simbólicas (Oséias 1 e 3; Isaías
8:1-4; 20:1-6). Quando Cristo é chamado de último Adão, com isso a Bíblia não está
dizendo que o relato bíblico da vida do primeiro Adão seja um a alegoria, sem
fundamento histórico. O relato é verídico, porém, há uma analogia entre certos
pontos da vida de Adão e da vida de Jesus Cristo (I Coríntios 15:45-48; veja-se
também Flebreus 4:8, 9; 5:6). Quando fatos históricos contêm semelhanças inte­
ressantes, gostamos de contemplar o plano de Deus na Sua providência; contudo,
não devemos fundamentar uma doutrina sobre a dita analogia, a menos que a
própria Bíblia autorize tal ensino. Porém, quando a razão da existência de algu­
ma coisa era apenas para servir de símbolo, então ficamos sob a obrigação de
aceitá-la dessa maneira.
A maior dificuldade para que alguém compreenda as profecias é o elemento
tempo, primeiramente, e depois a ordem dos acontecimentos. Se aceitarmos pri­
meiramente duas proposições, creio que será evitada muita confusão. Primeira
proposição: nenhuma profecia, por si só, contém o plano completo e detalhado do
futuro. Segunda proposição: Deus não pretende, em parte alguma, haver declara­
do aos homens a data exata da segunda vinda de Jesus Cristo, e nem que todos os
pormenores das coisas profetizadas tenham sido revelados. O propósito de Deus,
na profecia, é consolar-nos, em meio às aflições diárias, com a promessa da vitó­
ria final; e admoestar-nos para que nos conservemos alertas, deixando obscuro o
tempo exato em que haveremos de ser arrebatados deste mundo. Os indícios da
razão nos animam, enquanto que a incerteza de datas nos admoesta.
O Senhor nos tem fornecido um exemplo instrutivo na Sua maneira de citar
a profecia de Isaías 61:1, 2 (Lucas 4:17-20). A comparação entre Lucas 4:19 com
Isaías 61:2 nos faz ver que o Divino Mestre deixou de citar uma oração gramatical
inteira. Leu Ele as palavras: "...enviou-m e para... apregoar o ano aceitável do
Senhor...", e não prosseguiu. As palavras ditas por Jesus fazem referência à Sua
primeira vinda. A frase seguinte: "...e o dia da vingança do nosso Deus...", confor­
me se encontra em Isaías 61:2, fala sobre a Sua segunda vinda, pelo que o Senhor
não a leu. Vemos aqui uma grande verdade: uma só profecia pode conter predi­
ções sobre as duas vindas do Senhor, unidas na mesm a oração, sem indício algum
concernente ao período de tempo que as separa. E como se ver à distância várias
colinas, com dois picos que se elevam grandiosamente, na mesma perspectiva da
visão. A distância, é impossível perceber o claro que existe entre os dois picos,
visto que os separa acha-se invisível. De igual modo, os profetas anunciaram o
que viram em visão acerca dos dois adventos do Messias - em humildade e em
glória - porém passaram por alto a época presente, da Igreja. A razão disso é que
a oferta do reino a Israel, na primeira vinda de Cristo, foi fidedigna, feita de boa fé.
M uitas profecias foram cumpridas quase imediatamente depois de pronuncia­
das, e não há razão para buscarm os outro cumprimento das mesmas. Assim foi
no que diz respeito ao dilúvio, à escravidão de Israel no Egito, ao regresso de
M oisés ao Sinai, etc. (Veja-se I Samuel 2:34; 10:2-7; 23:9-12; I Reis 13:2 com II Reis
23:15-17). Quando as profecias mencionam um espaço específico de tempo, como
os setenta anos do cativeiro babilónico (Jeremias 25:11, 12), devemos aceitar a
predição tal qual é, sem qualquer dúvida. Não obstante, as maiorias das profecias
não fornecem núm eros exatos, mas apenas dizem: Nos dias vindouros, ou coisa
semelhante. O mais que devemos fazer nesse caso é colocar os diversos eventos
preditos, em sua ordem cronológica, da melhor maneira possível.
Quando um acontecim ento cumpre plenamente determinada profecia, e
quando recebe um cumprimento apenas parcial, esperando seu cumprimento
total para mais tarde, constitui um dos pontos mais difíceis nesse estudo sobre as
profecias. O apóstolo João diz, em I João 4:3 que o espírito do anticristo profetiza­
do já se encontrava no mundo, mas por isso não cremos que não aparecerá algum
dia um homem, chamado hom em do pecado, o qual será o pleno cumprimento da
profecia. Veja-se tam bém Atos 2:16-21, comparado com Joel 2:28-32. O que se
busca no cumprimento é que tenha levado a cabo o propósito de Deus, contido na
profecia. Ao prosseguirmos neste estudo, explicaremos mais acerca da profecia.
EM RESUM O - o Senhor Jesus Cristo é o Foco dos raios de luz que vêm da
profecia.
I. Os patriarcas foram profetas, mas Samuel fundou a linha dos profetas
que serviam ao Senhor, juntam ente com a monarquia e o sacerdócio.
II. Os nomes ou títulos explicam a função do profeta. Métodos de receber as
revelações. Erros comuns.
HL Profecia desde Samuel a Malaquias, antes da crise assíria e novamente
em relação à crise babilónica. Deus admoestou o povo por intermédio de diversos
profetas. Foram essas as épocas em que houve maior número de profecias, porém,
depois da restauração dos judeus à Palestina, escreveram ainda três profetas,
encerrando assim o cânon do Antigo Testamento.
IV. Regras para a interpretação das profecias:
1. Determ inar se devemos tomar as palavras proféticas em sentido lite­
ral ou figurativo, tipo ou analogia.
2. Não procurar fixar datas para profecias que não estipulem datas;
mas contentarmo-nos em colocar os eventos preditos, em sua devida
relação entre si.
3. Distinguir entre as predições já cumpridas e as que ainda se cumpri­
rão.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Qual a relação de Jesus Cristo com as profecias?


2. Quem foi o primeiro a profetizar?
3. Dê quatro títulos dados aos homens que profetizavam.
4. Quais eram as funções ou responsabilidades dos profetas?
5. Por que houve mais profetas, um pouco antes e durante as crises nacionais
dos israelitas?
6. Dê algumas regras para a interpretação das profecias.
O LIVRO DO PROFETA ISAÍAS

O Senhor Jesus Cristo foi previsto pelo profeta Isaías com mais clareza que
pelos demais profetas de Israel, tanto concernente ao Seu primeiro advento, como
no tocante ao Seu segundo advento. Isaías foi o primeiro profeta a empregar o
vocábulo "M essias" (que significa Ungido). Referia-se ele a um redentor que have­
ria de aparecer, Ciro, rei da Pérsia, que conquistaria a Babilônia e, assim, daria
liberdade aos judeus para que regressassem à Palestina (Isaías 45:1) mas também
da raiz de Jessé viria um, sobre quem descansaria o Espírito (Isaías 11:1-5; 61:1,2).
Jesus Cristo fez citação dessa profecia em Seu primeiro discurso na sinagoga de
Nazaré (Lucas 4). Felipe encontrou o etíope lendo o profeta Isaías e, começando
por essa porção das Escrituras, pregou-lhe as boas novas em Jesus. Talvez a cita­
ção mais maravilhosa dentre todas as muitas referências a essa profecia, seja a
que se encontra em João 12:41, onde a visão de Isaías 6:1 é identificada com o
próprio Senhor Jesus, em forma humana.

O AUTOR

Mui pouco sabemos sobre a vida particular de Isaías. Seu pai se chamava
Amós, o qual, segundo a tradição judaica, era irmão do rei Amazias. Isaías chama
sua esposa de "a profetiza" (8:3), e seus dois filhos receberam nomes com signifi­
cação profética (8:3-18). Além deste livro de profecia, Isaías escreveu algumas
crônicas reais (II Crônicas 26:22).

SUA ÉPOCA

O tempo exato do ministério de Isaías, não o sabemos, porém, foi muito


extenso. Uzias morreu cerca do ano 759 antes de Cristo, e nesse tempo Isaías já
estava profetizando. Sabemos que continuou profetizando até, pelo menos, o ano
15 do reino de Ezequias (II Crônicas 29:1; II Reis 20:6; Isaías 38 e 39; Isaías 36:1), o
que n o s levaria até o ano 710, antes de Cristo.
Tem sido apresentada a seguinte sinopse cronológica dos capítulos:
1. Durante o reinado de Uzias, caps. 1 - 5 .
2. Durante o reinado de Jotão, cap. 6.
3. Durante o reinado de Acaz, caps. 7:1 -1 4 :2 7 .
4. Durante a prim eira metade do reinado de Ezequias, caps. 14:28 - 35:10.
5. Durante a segunda metade do reinado de Ezequias, caps. 36 - 66.

No reino do Norte, o de Israel, profetizaram Elias, Eliseu, Amós e Oséias,


anunciando que, apesar da prosperidade comercial da nação, o juízo estava de­
terminado contra ela, por sua idolatria. Em Oséias 4:17 lemos que: "Efraim está
entregue aos ídolos; é deixá-lo".
Joel começou, em Judá, a profecia escrita, declarando que o "D ia do Senhor",
"grande e terrível", se aproximava. Em Judá também havia prosperidade econô­
mica; o reino estava fortificado e em melhores condições do que se havia visto
desde os dias de Salomão. Os filisteus foram derrotados; novas máquinas de guerra
foram inventadas; grandes cisternas foram cavadas para regar a terra (II Crôni­
cas 26). Em resultado dessa prosperidade, o coração de Azarias (Uzias) se encheu
de orgulho. Demonstrou seu desprezo pela lei de Deus, quando se ocupou em
oferecer sacrifícios. Era assim a hipocrisia daquela época. Deus castigou o rei com
lepra, que brotou em sua testa, enquanto oficiava perante o altar, e desde aquele
dia até sua morte, Uzias viveu num a casa separada.
Foi durante o reinado de Uzias que o profeta Isaías deu início ao seu m inisté­
rio. E natural calcular que os primeiros cinco capítulos tivessem sido escritos
durante os últim os anos de Uzias, visto que o primeiro versículo do sexto capítu­
lo fala de sua morte. A essa nação próspera, orgulhosa e idólatra, com uma reli­
gião de cerimônias pomposas, ainda que ocas, o profeta entregou a mensagem
divina: "O boi conhece o seu possuidor, e o jum ento o dono de sua manjedoura;
mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende... Por que haveis de
ainda ser feridos, visto que continuais em rebeldia? Toda a cabeça está doente e
todo o coração enfermo. Desde a planta do pé até à cabeça não há nele cousa sã,
senão feridas, contusões e chagas inflamadas... Lavai-vos, purificai-vos, tirai a
maldade de vossos atos de diante dos meus olhos: Cessai de fazer o mal. Aprendei
a fazer o bem... Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos
pecados são como a escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são
vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã. Se quiserdes, e me ouvirdes,
comereis o melhor desta terra".
Contudo, o povo não se arrependia, nem aceitava a oferta de perdão. Zom ­
bava da m ensagem (5:19). No capítulo seis, Deus concedeu uma nova visão ao
profeta, e lhe disse que teria de levar a m ensagem de condenação ao povo rebelde.
Ouvem mas não entendem, vêem mas não percebem, porque se tornaram seme­
lhantes aos seus próprios ídolos. Isaías teria que lhes anunciar seu destino - o
cativeiro - porém, o tempo poderia ser adiado, se os judeus se voltassem dos seus
maus caminhos. Os assírios viriam e assolariam várias nações, porém Judá tinira
possibilidade de salvar-se por meio do arrependimento. Em 6:13 é mencionada a
"santa sem ente", aquele pequeno remanescente de fiéis, cujas orações eram ouvi­
das pelo Senhor e que, à semelhança do sal da terra, poderia preservar a nação
inteira da destruição.
Isaías tam bém predisse que os assírios seriam quebrantados, enquanto as­
solassem a Judá. Os assírios contariam com um exército considerável, porque os
judeus teriam de ser humilhados e castigados até certo ponto, mas Deus, em Sua
misericórdia, salvaria um restante. E assim aconteceu, conforme os capítulos
históricos, 36 e 37, narram. Tendo conquistado Israel e a cidade de Judá, o exército
assírio chegou perto de Jerusalém, mas não passou adiante. O anjo do Senhor os
visitou num a só noite e matou 185.000 soldados assírios; Senaqueribe, o rei da
Assíria, voltou à sua terra envergonhado, e seus próprios filhos o assassinaram.
Os capítulos 38 e 39 também são históricos, e relatam a enfermidade, a cura
e o orgulho do rei Ezequias; e terminam com anúncios claros sobre o inevitável
cativeiro babilónico.
A última divisão do livro de Isaías inclui os capítulos 40 a 66. Contem a
mensagem que o profeta ouviu dos serafins, na visão (6:3): "Santo, santo, santo é
o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória". Envolvido nas
predições sobre o M essias que viria e sobre as glórias do reino m ilenar futuro,
temos tam bém o prognóstico que o Senhor haveria de trazer da Babilônia os
cativos e que o Emanuel anunciado em 7:14 viria a Jerusalém, em humildade, para
entregar Sua vida em oferta pelo pecado (53:10), e depois (cap. 60) apareceria o
reino com toda a sua glória.
Ao nos darmos contas do fato que Isaías predisse com tanta exatidão os
pormenores do nascimento, ministério e sofrimento do Divino Salvador, sete sé­
culos antes de Seu aparecimento, não nos parece incrível que tam bém pudesse
profetizar sobre um reino ainda futuro.
Não obstante, como se trata de assunto muito discutido, trataremos aqui da
questão da unidade do livro. São muitos os críticos que afirmam que o autor dos
primeiros capítulos não é o mesm o que escreveu a última divisão. No pouco
espaço aqui disponível refutaremos, em poucas palavras, tais críticas, deixando
uma consideração mais ampla sobre o livro para a citada exposição.

UM SÓ AUTOR

Primeiro: Os leitores espirituais têm lido este livro durante séculos sem
abrigar dúvidas, nem imaginar dois ou mais distintos escritores. Por que, então,
somente os modernos críticos haveriam de descobrir esse detalhe?
Segundo: Se a segunda secção (capítulo 40 a 66) foi escrita por outro, então as
referências citadas dessa secção no Novo Testamento estão erradas e, portanto,
são indignas de confiança, o que é opinião insustentável (Mateus 3:3; 4:14; 12:17;
Lucas 3:4; 4:17; João 12:38, 39; Romanos 10:16-20; Atos 8:30-34).
Terceiro: Como é que o testemunho judaico, durante os milênios desde Isaías,
tem sido unânim e sobre o fato que ele escreveu o livro todo?
As objeções à aceitação de um só autor do livro carecem de evidência positi­
va; consistem em críticas negativas. São de duas classes: primeiramente, negam a
possibilidade de que qualquer homem pudesse prever um futuro distante; em
segundo lugar, alegam que a linguagem e o estilo das duas secções são tão diferen­
tes que não poderiam ter saído da mesma pena. Essas são as principais objeções a
uma autoria só do livro de Isaías.
Respondem os: Quanto à prim eira objeção, é im possível sustentá-la. Nos
capítulos 3, 5 e 6 há profecias claras sobre a desolação futura da terra. Foram
pregadas durante período de abundante prosperidade. Portanto, que há de estra­
nho em que nos últimos capítulos do livro de Isaías existam predições semelhan­
tes? Longe disso, provar a existência de dois autores, comprova antes que houve
um só. Em 8:7-18 e 10:5-34, escritos nos dias de Acaz, quando a Assíria era consi­
derada como nação amiga, não perigosa, Isaías profetizou a chegada das tropas
assírias, como se fosse uma inundação que passaria por Samaria e chegaria até à
garganta de Judá, mas que ali seriam detidas, voltariam atrás e seriam derrota­
das. Passaram-se cerca de 30 anos, sem verificar-se o menor cumprimento do que
fora profetizado por Isaías; mas, finalmente, sucedeu tal como Isaías havia predi­
to. Sim, é possível para um hom em saber os planos de Deus, por meio de revelação,
e assim profetizar acontecimentos futuros.
Com respeito ao que foi predito em Isaías sobre Jesus Cristo, especialmente
os detalhes sobre Sua morte, no capítulo 53, seria tão fácil tê-los previsto sete
séculos antes de ocorrerem, como cinco ou três séculos apenas.
A invenção de outro Isaías, chamado número dois, para escrever a última
parte do livro, dois séculos mais tarde, não soluciona o "problem a" do milagre da
profecia.
Com referência à segunda alegação, de que a linguagem e o estilo são diferen­
tes nos últim os capítulos, exigindo para isso um segundo escritor, negamos que
essa seja a explicação lógica das pequenas alterações registradas. Depois de cin­
qüenta anos de experiência, de escrever e pregar, é natural que Isaías tivesse um
estilo um pouco mais suave e amplo, do que quando deu início ao seu ministério.
Além disso, a m udança de tema e de pensamento inspirava um estilo diferente,
adequado ao tema mais sublime.
Exemplos abundam nos quais um determinado autor muda de estilo, segun­
do o tema de que trata. Entre a literatura contemporânea podemos procurar uma
prova. A chilena Gabriela Mistral, em "O Grito", escreve: "...M estre: Ensina em
tua classe o sonho de Bolívar, o primeiro vidente. Crava na alma de teus discípu­
los, esse sonho, como agudo estilete de convencimento. Descreve tua América.
Faze amar a luminosa "m eseta" mexicana, a verdejante estepe da Venezuela, a
negra selva austral. Dize tudo sobre tua América; dize como se canta no pampa
argentino, como se arranca a pérola no Caribe, como se povoa de brancos a
Patagônia". Contudo, foi a m esm a escritora que escreveu: "M ãesinha minha,
mãesinha minha, como se parece a tua sorte com a m inha"! Certamente que a
inspiração divina pode fazer mais e melhor que a simples inspiração natural de
um poeta. Não temos espaço aqui, porém, para mais considerações a respeito da
questão, e, mesmo, não há necessidade disso.
Oséias, Jonas e Amós profetizaram em Israel, enquanto que Miquéias e Isaías
estavam profetizando em Judá. Quem quiser saber mais concernente àqueles dias
precisa ler esses livros, tanto como II Reis, capítulos 15 a 20.
O livro de Isaías contém duas divisões gerais: Capítulos 1 a 39 e capítulos 40
a 66. O Dr. G. C. Morgan fornece a seguinte divisão do livro:
A. Profecias de juízo, caps. 1 a 35.
B. Parêntesis histórico, caps. 36 a 39.
C. Profecias de paz, caps. 40 a 66.
O sr. A. L. Flory apresenta a mesm a divisão, mas a denomina de forma
diferente:
A. Profecias de julgam ento, com a Assíria em lugar de proeminência, e a
salvação de Jeová, caps. 1 a 35.
B. Interlúdio histórico, caps. 36 a 39.
C. Profecias de julgamento, com a Babilônia em lugar de proeminência, e a
salvação de Jeová, caps. 40 a 66.
E o sr. Myer Pearlman oferece a seguinte divisão:
A. Secção Condenatória, caps. 1 a 35.
B. Secção Histórica, caps, 36 a 39.
C. Secção Consolatória, caps. 40 a 66.
Todos esses autores têm razão em sua maneira de classificar as diferentes
divisões do livro de Isaías. Cada generalização tem suas exceções, porém, lhe dá a
índole principal, segundo a vê o comentarista. E de valor observar, entretanto,
que os capítulos 1 a 37 dizem respeito à crise assíria, enquanto que os capítulos 38
a 66 se relacionam com a crise babilónica.

I. PROFECIAS DE JULGAMENTO

Capítulos 1 a 35

A. Profecias concernentes a Judá e Jerusalém, caps. 1 a 12

1. O primeiro capítulo é introdutório. O primeiro versículo fornece a época


do ministério do profeta, e em seguida profetiza segundo a visão recebida. Explica
ele que sua profecia é "sobre Judá e Jerusalém ". Esse capítulo marca a índole de
toda a primeira divisão do livro: o povo se havia contaminado, estava enfermo,
era infiel e hipócrita. Se se voltasse ao Senhor, os seus pecados seriam perdoados
e se tornariam brancos como a neve. O versículo 18 é o principal versículo desse
capítulo.
2. Os capítulos 2 a 4 formam um discurso sobre Sião. Começa com uma visão da
cidade, em sua glória futura (2:1^1). Esses quatro versículos contêm, em germe, a mensa­
gem principal da ultima divisão do livro. Em 2:5 a 4:1 o profeta expõe a corrupção que
prevalecia e o julgamento merecido. O discurso termina com outra referência aos dias
posteriores, quando o Senhor limpará Sião com julgamento (4:2-6).
3 .0 capítulo 5 é o "Cântico da vinha", no qual Isaías repreende os judeus por
não terem cumprido suas responsabilidades para com Deus e pronuncia "ais"
contra a avareza, a dissipação, a incredulidade, a hipocrisia, a presunção e a
perversão da justiça. Os versículos 25 a 30 descrevem o inimigo que o Senhor
haveria de enviar contra Judá, como castigo.
4. Faleceu o rei Uzias e Deus consolou o profeta com uma nova visão do
Senhor, em Sua glória, e lhe deu uma nova comissão. Isaías viu o Senhor, sentiu
seu próprio pecado e o do povo. Havendo-o confessado, Deus o purificou, com o
resultado que o profeta em seguida ouve a voz da Trindade a chamá-lo. Sua res­
posta foi imediata e sem reserva: "Eis-m e aqui, envia-me a m im ". Em seguida é
dada a divina comissão: "Vai, e dize a este povo...". De agora por diante, a m ensa­
gem de Isaías seria de condenação, de julgamento, porém isso é o que o povo
merece, porque não dá ouvidos, nem atende à m ensagem celeste. N ão obstante,
nem todos se perderiam, mas um a semente santa, um restante, seria salvo.
5. Os capítulos 7 a 12 contêm a história do rei Acaz durante a crise política
mencionada em 7:1. O profeta exorta ao rei que não procure fazer aliança com os
assírios para que o ajudem contra os siros e efraimitas, mas que confie no Senhor,
o qual lhe prometeria a vitória (7:1-9). Isaías disse ao rei que este poderia solicitar
um sinal de que a casa de Davi não seria destruída, porém, quando Acaz se recu­
sou a tentar a Deus, pedindo um sinal, o próprio Senhor lhes deu este sinal: "Eis
que a virgem concederá, e dará à luz um filho, e lhe chamará Em anuel" (7:14 com
Mateus 1:21-23). Em 9:1-7 o mesm o menino é novamente mencionado como Deus
forte, sobre cujos ombros acha-se o domínio do mundo. Certamente que só Jesus
Cristo cumpriu essas profecias e as continuará cumprindo. Os capítulos 11 e 12
prosseguem para falar das condições na terra quando Jesus Cristo, "rebento" do
trono de Jessé, cheio do Espírito Santo, julgará entre as nações. Até as próprias
feras viverão em paz naqueles dias, e a inveja entre as nações terminará.

B. Profecias concernentes às nações, caps. 13 a 23.

1. Sentença contra Babilônia, 13:1 a 14:27. No capítulo 13 é dito que a form o­


sa Babilônia será como Sodoma e Gomorra. No capítulo 14 é profetizada a restau­
ração de Judá, a qual se gloriará sobre o rei da Babilônia, cuja queda é símbolo da
derrota de Satanás (14:1-20).
2. Sentença contra a Filístia, 14:28-32. Que os filisteus não se alegrem com a
queda de Judá, pois esta nação será restaurada.
3. Sentença contra Moabe, caps. 15 e 16. Moabe seria abatida dentro do espa­
ço de três anos, mas o tabernáculo de Davi seria confirmado.
4- Sentença contra Damasco, cap. 17. Damasco, ou seja, a Síria ficará trans­
formada num montão de ruínas.
5. "Ai" da Etiópia! Cap. 18. Seus m ensageiros e navios não trazem ajuda.
6. Sentença contra o Egito, caps. 19 e 20. A terra será subjugada e decairá,
porém, no fim, voltar-se-á para o Senhor, e o Egito, juntamente com a Assíria,
servirão ao Senhor (19:18-25).
7. Sentença contra o deserto do mar (Babilônia), cap. 21:1-10. Outra vez é
predita a sua ruína.
8. Sentença contra Duma (Seir), cap. 21:11,12. Inquieta e confusa, não encon­
tra satisfação.
9. Sentença contra a Arábia, cap. 21:13-17. Sua glória será imediatamente
desfeita.
10. Sentença contra o vale da visão (Jerusalém) cap. 22. A cidade está alegre,
alvoroçada e turbulenta, apesar do perigo que corre.
11. Sentença contra Tiro, cap. 23. A cidade será convertida em ruínas por 70
anos e depois será restaurada.

C. Profecias de julgam ento contra as nações e restauração de Jerusalém na


vitória, caps. 24 a 35.

1. O julgam ento de Deus contra a Palestina e contra as nações da terra é


descrito no capítulo 24, porém, nessa visitação, Jeová vem a Sião e dali reina
(24:23), fazendo com que Israel cante os cânticos dos capítulos 25 e 26:1-19. Em
26:20, 21 o Senhor exorta o povo que tenha paciência, até que essas coisas sejam
cumpridas, e isso está de conformidade com a interpretação que afirma que essa
profecia ainda será cumprida.
2. O Senhor promete destruir os inimigos, enquanto guardará a Jacó, a quem
castiga levemente, em comparação, para ser purificada, reunida e abençoada.
3. Os capítulos 28 a 32 são uma extensão do capítulo anterior: Israel e Judá
serão castigados por uma série de "ais" devido a suas bebedeiras, falsidades, etc.
Nos capítulos 30 e 31 são repreendidos por não consultarem ao Senhor, mas antes
descerem ao Egito, enganados por uma esperança falsa. No capítulo 32 há uma
visão profética do reino justo do Senhor, o qual trará paz à terra toda.
4. Os capítulos 32 a 35 repetem a mensagem, porém pronunciam juízos
especiais contra a Assíria e contra Edom, e em seguida descrevem os efeitos da
restauração de Judá. O capítulo 35 é um capítulo que promete, em poucas pala­
vras, a mensagem de consolação contida na última divisão do livro (caps. 40 a 66).
A própria natureza participará da redenção, enquanto que o povo viverá em
segurança, em santidade e alegria.

D. DIVISÃO HISTÓRICA DO LIVRO

Capítulos 36 a 39

A. A crise, em Jerusalém, por causa da invasão do exército assírio, e o milagroso


resgate, caps. 36 e 37.
Este emocionante relato da intervenção de Deus, em resposta à oração do rei,
influiu grandemente na história de Judá. Israel já estava conquistada e o inimigo
pelejava contra as cidades do sul. Enquanto os assírios sitiavam Laquis, o rei
assírio - Senaqueribe - enviou seu capitão, Rabsaqué, a Jerusalém, com mui gran­
de exército, com o pensamento, entretanto, de que a cidade se rendesse, sem pele­
ja. Rabsaqué apela para o fato que nenhum povo, nenhum rei e nenhum deus
tinha podido resistir ao exército assírio, esperando assim inspirar tanto medo
aos judeus que dessa maneira entregariam a cidade, sem a menor resistência. No
capítulo 37 notam os que o rei Ezequias envia uma embaixada ao profeta Isaías,
exigindo-lhe que ore a Deus, e o profeta responde com uma mensagem de consola­
ção, dizendo que os assírios não conquistariam Jerusalém, mas que o Rei assírio
voltaria à sua terra e ali seria morto à espada. Imediatamente depois chegaram
m ensageiros da parte de Senaqueribe com um a carta para Ezequias, carta essa
que zomba do Deus dos judeus. Dessa vez o rei não pediu ao profeta que orasse,
mas ele mesmo entrou na Casa do Senhor, estendeu a carta defronte do Senhor e
Lhe rogou que salvasse ao povo. Naquela mesma noite se cumpriu o que havia
sido predito por intermédio de Isaías. O Anjo do Senhor feriu a 185.000 soldados
assírios, e Senaqueribe regressou, humilhado, a Nínive, com os sobreviventes. Ali
chegando, entretanto, foi assassinado por seus próprios filhos, conforme a profe­
cia de Isaías.

B. Enfermidade, cura e imprudência de Ezequias, caps. 38 e 39.

Depois do resgate da capital, o rei Ezequias caiu enferm o e estava a morte,


chegando Deus a mandar-lhe dizer que preparasse a sua casa para morrer. O rei
Ezequias chorou, com pranto amargo, entretanto, Deus lhe concedeu mais 15
anos de vida, dando como sinal disso que faria recuar a sombra no relógio de sol.
Sarou o rei, porém melhor teria sido se tivesse submetido à vontade de Deus e
morresse. Chegaram mensageiros, ou embaixadores vindos da Babilônia; Ezequias
se encheu de orgulho ao recebê-los e lhes mostrou todos os seus tesouros. Im edi­
atamente o profeta o repreendeu por sua loucura e predisse o cativeiro babilónico.
O rei recebeu essa revelação com desdém, satisfeito porque esses desastres não o
atingiriam. Mais tarde, seu bisneto, Josias, ouviu falar dessa profecia da destrui­
ção da nação pela Babilônia, humilhou-se, orou e conclamou todo o povo ao ar­
rependimento e a se voltar para o Senhor, para ver se era possível evitar a ruína
(II Reis 22 e 23).

ffl. PROFECIAS DE CONSOLAÇÃO E PAZ

Capítulos 40 a 66

A. E difícil passar rapidamente sobre esses preciosos capítulos, mas há necessi­


dade de fazê-lo.
Os capítulos 40 a 48 falam a respeito de Ciro, o medo-persa que haveria de
nascer 150 anos mais tarde, o qual livraria os judeus da Babilônia e os enviaria de
volta à sua terra. Ciro é figura do Messias, o qual, mais tarde ainda, daria liberda­
de espiritual ao povo (42:1-8; etc.). Nesses capítulos há várias referências aos
ídolos à loucura e cegueira dos que os adoram; o capítulo 44 contém um a conde­
nação clássica e lógica da idolatria. Em 44:13 se vê que Isaías não está falando de
figuras de animais, como os egípcios adoravam, mas de semelhanças de seres
humanos. O Senhor Deus é infinitamente superior a todos os ídolos. Ele pode
revelar o futuro, o que ninguém mais pode fazer. Devem os esperar nEle e confiar
em Suas promessas.

B. Profecias concernentes ao Príncipe da Paz, caps. 49 a 57:

Capítulo 49. A futura glória de Israel habitando em paz, em Jerusalém, e as


demais nações a servi-la.
Capítulo 50. O Senhor chama para a prestação de contas o povo de Israel,
por sua falta em dar-Lhe ouvidos (versículo dois). Assenta a base para Seus pla­
nos futuros, dizendo: "Acaso se encolheu tanto a minha mão que já não pode
remir ou já não há força em mim para livrar?" Nos versículos 4 a 9 parece-nos
ouvir a voz do Messias a falar, e o versículo 6 é o centro de seu testemunho, que
prefigura Seu sofrimento. O versículo 10 é uma declaração de certa lei espiritual,
como também se vê em João 8:12. Aquele que anda com Deus, anda na luz (I João
1:5-7).
Capítulo 51. Profecias sobre a glória vindoura de Jerusalém.
Capítulo 52. Prossegue a descrição de Sião redimida, porém, em 52:13 com e­
ça a profecia do sofrimento do Messias.
Capítulo 53. Deus é descrito como a desnudar o braço para fazer uma obra
assombrosa e para anunciar uma mensagem na qual poucos crerão: o Messias, o
Redentor pessoal, seria sem formosura, desprezado, aborrecido dos homens, va­
rão de dores que conhece o que é padecer, ferido, castigado de Deus, aflito, traspas­
sado, quebrantado, oprimido, calado, julgado injustamente, cortado, feito m aldi­
ção, sepultado. Que triste esse quadro! Mas a descrição continua: O Senhor dese­
jou quebrantá-lo: tem-no afligido! Isso parece horrível, mas ainda há mais: certa­
mente que ele levou nossos sofrimentos e das nossas dores se carregou; foi traspas­
sado por nossas transgressões, quebrantado por nossas iniqüidades, etc. Outro
passo ainda: quando apresentar a sua vida como oferta, verá sua descendência,
prolongará seus dias, e o prazer do Senhor prosperará em suas mãos; verá o fruto
do trabalho de sua alma e ficará satisfeito: com seu conhecimento o meu Servo
justificará muitos, pois levará sobre si suas iniqüidades. E em seguida vem a
descrição da exaltação do Messias: Portanto lhe darei sua parte com os grandes, e
com os poderosos repartirá os despojos. Não! Crer que um homem pudesse haver
escrito por si mesm o esta descrição da morte, sepultamento e ressurreição de
Cristo, e da salvação daqueles que nEle confiassem, sete séculos antes de tudo isso
se ter realizado, requer mais crença que aceitar a verdade bíblica da inspiração
divina das Escrituras.
Capítulos 54 - 57. Prosseguindo no esboço do quadro do Redentor e Sua obra
no Calvário, temos mais descrições de Israel como redimida, vitoriosa, e vivendo
em paz. O versículo 54:2 foi usado pelo sr. Guilherme Carey em seu famoso ser­
mão, que deu princípio ao m ovimento missionário moderno. O versículo 54:17 é
uma promessa que tem consolado a muitos, que são injustamente caluniados. O
convite do capítulo 55 é precioso (vs. 1, 6 e 7), e as palavras que seguem (vs. 8, 9)
nos asseguram que Deus deseja fazer-nos mais bem do que podemos imaginar. O
resto do capítulo fornece os resultados da Palavra de Deus, quando propagada
entre o povo. Esta divisão termina com uma palavra de condenação contra os
rebeldes e idólatras, porém, em meio às palavras de julgamento encontra-se a
preciosa promessa de 57:15, outro exemplo das sublimes passagens que fazem do
livro de Isaías uma fonte de tanto consolo, para tantos milhares de corações.

C. Profecias concernentes ao povo e sua paz, caps. 58 a 66:

1. Os capítulos 58 e 59 preparam o caminho para as gloriosas descrições que


seguem. Em 58:15 há uma condenação contra a hipocrisia, o formalismo em lugar
da adoração sincera a Deus, e uma chamada a Israel para que abandone o seu
pecado; quando Israel confessar que seu castigo é proveniente de seus pecados,
então o Senhor se encarregará de redimi-la, 59:15b-21.
2. A futura glória de Sião, caps. 60 a 6 2 .0 capítulo 60 fala da glória do Senhor,
que nasce sobre Sião: a cidade crescerá, os gentios virão a ela, e o Senhor será sua
luz. O texto para o primeiro sermão do Senhor Jesus em Nazaré (Lucas 4), foi
Isaías 61:l-2a. Esse capítulo fala da missão do Messias, que traria a paz e a justiça
a Israel, o qual se regozijaria no Senhor e em Sua salvação. O capítulo 62 descreve
a restauração de Sião, em resposta às orações dos fiéis; relembra as promessas
que o Senhor fez de que lhes daria descanso e que só ficaria satisfeito ao ver todas
elas cumpridas por intermédio do Salvador que viria.
3. Caps. 63:1 a 65:16. Primeiro encontramos a representação da vitória do
Senhor sobre os inimigos rebeldes (63:1-6). E uma forma de diálogo bem claro e
poderoso. Em 63:7 e 64:12 tem os as exortações do profeta ao povo, e uma
rememorização das misericórdias do Senhor para com eles, com orações que im ­
ploram a manifestação de Sua graça. Deus ouviu a oração do profeta, responden­
do que os iníquos, que abominam ao Senhor, não seriam redimidos, mas que Seus
servos teriam consolo e paz.

CONCLUSÃO
Capítulos 65:17 a 66:24

Digna do livro é a sua conclusão. Primeiramente há a descrição da glória do


milênio, em Jerusalém. Voltará a terra às condições que prevaleciam antes do dilú­
vio, e os homens viverão durante séculos, como os patriarcas; haverá paz e prospe­
ridade na terra inteira; e até a própria natureza será alterada, perdendo os efeitos do
pecado; não havendo mais ave de rapina nem animal carnívoro (65:17-25).
Os prim eiros catorze versículos do últim o capítulo pintam as condições
espirituais em Sião durante o futuro reinado do Messias. Em seguida, observa­
mos a revelação de parte do processo que se desenrolará para trazer o mundo
inteiro aos pés do Senhor Jesus Cristo, em sincera adoração e obediência. O Se­
nhor aparece com fogo para conquistar as nações, eliminando os abomináveis
rebeldes; então irão m ensageiros às nações, levando o testemunho, e multidões
virão a Jerusalém a fim de contemplarem a glória do Senhor; os crentes, que se
submeterem ao Senhor, viverão com Ele em santidade e paz; porém, os rebeldes,
sofrerão a perdição eterna. E assim termina esse sagrado rolo da profecia.

RESUM O - O Senhor Jesus Cristo é delineado por Isaías com mais clareza e
detalhes do que pelos demais profetas. O profeta teve um ministério m uito exten­
so, desde o rei Uzias até o rei Ezequias. Teve participação importante na salvação
de Jerusalém e na derrota do rei assírio, Senaqueribe, que havia invadido a Terra
Santa, quando o reino do Norte, Israel, caiu.
Não há evidência suficiente para provar que o livro tenha sido escrito por
dois ou mais autores. E mais acertado aceitá-lo como um livro revelado por Deus
ao autor designado, nesse caso o profeta Isaías.
O livro se divide em duas divisões principais: Capítulos 1 a 39 e 40 a 66. Os
capítulos 36 a 39 são históricos, e foram escritos em prosa, pelo que é costumeiro
fazer deles uma outra divisão, colocada entre as duas partes principais.
A primeira divisão consta de profecias de julgam ento contra Judá e as de­
mais nações ao redor. O capítulo 6 é notável pela visão que Isaías teve do Senhor,
e na qual foi chamado por Ele. As profecias a respeito do Messias são várias,
porém são notadas especialmente em: 6:14; 9:6, 7; 11:1-16 e 32:1, 2.
A porção histórica relata a libertação de Jerusalém; a enfermidade e cura do
rei Ezequias; e a visita dos embaixadores da Babilônia.
A últim a divisão, capítulos 40 a 66, descreve as visões de Sião redimida; de
Jesus Cristo em humildade, de Sua primeira vinda, cuja finalidade foi Sua morte,
e na glória de Seu segundo advento, cuja finalidade será a de reinar. O capítulo 53
é a "obra prim a" da profecia.
PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Que se sabe sobre a pessoa do profeta Isaías?


2. Quais eram as condições políticas e econômicas dos israelitas, sob as quais
pregava?
3. Por que devemos rejeitar a idéia de que o livro teve dois autores ou mais?
4. Quantos versículos você pode citar de memória deste livro?
5. Quantas coisas pode anotar de memória sobre o que Isaías profetizou acerca
de Jesus Cristo?
6. Qual tem sido a lição espiritual mais im portante que tem aprendido pelo
estudo deste livro?
C^apíta lo 35

LIVRO DE JEREMIAS E
LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS

LIVRO DE JEREMIAS

O Senhor Jesus Cristo é o Renovo justo de Davi, chamado de "O Senhor,


Justiça N ossa", de quem fala Jerem ias (23:5, 6; 33:15). Aqui também se encontra a
profecia a respeito de Herodes, que mandou matar aos meninos de Belém, em seu
esforço para m atar tam bém a Jesus Cristo (31:15; M ateus 2:18). A ssim como
Jerem ias profetizou a queda de Jerusalém, pelos exércitos dos caldeus (15:1-9),
assim também o Senhor Jesus profetizou a queda da cidade nas mãos dos exérci­
tos romanos (Mateus 24:1, 2). Não se diz, nem do Senhor Jesus, nem de Jeremias,
que se riam, mas antes, que choravam.

AUTOR

Jeremias, nascido em Anatote, filho de Hilquias (1:1), foi homem de nasci­


mento nobre, da linhagem de Finéias, o terceiro sumo-sacerdote. Não sabemos se
seu pai era o mesm o Flilquias de II Reis 22:8. Jerem ias foi respeitado pelos reis
(26:24), pelos príncipes e pelo povo (26:10, 16, 17, 24; 36:11-19, 25; 38:8-10). Teve
como escriba a Baruque, que era homem de alta categoria social (51:59; 32:12; II
Crônicas 34:8). Até mesmo os caldeus respeitaram o profeta (40:1-4). Era solteiro
(16:2), retraído da vida social (16:5), homem fiel, apesar da m uita perseguição.
Jeremias era hom em de caráter forte, ainda que tivesse espírito bem sensível.
Queixava-se amiudadas vezes de sua sorte, enquanto que os falsos profetas pros­
peravam; da falta de resultados em seu ministério; e de que Deus não operava
milagres, nem para ele, nem por intermédio dele, etc. (12:1; 14:13; 15:10; 15:16-18;
20:7-18). Apesar de suas queixas, Jeremias não fraquejou em sua obra, mas cum­
priu fielmente toda a sua missão, não lhe importando as circunstâncias. O cará­
ter, espírito, e dons ou talentos de Jeremias se prestavam admiravelmente à tare­
fa de que Deus o encarregou. Seus escritos são repletos de ilustrações, de lições
objetivas e de visões; porém, não transformou essas figuras em arrebatamentos
literários ou retóricos, mas antes expôs seus argumentos e mensagens em frases
diretas e simples. Estava tão absorvido em sua missão que não teve tempo para a
retórica. Devido ao seu profundo sentimento, a respeito da mensagem que levava
tem sido ele chamado de: "O perfeito poeta da tristeza".

FRASES OU PALAVRAS CHAVES EM JEREMIAS

"D eixar", "abandonar" 24 vezes


"Apóstata", "reincidente" 13 vezes
"V olver" 47 vezes
"M adrugando e falando" 13 vezes

CITAÇÕES

Há diversas referências ao livro de Jerem ias no Novo Testamento. Compare-


se Mateus 21:13 com Jerem ias 7:11; Mateus 23:38 com Jeremias 22:5; I Coríntios
1:31 com Jerem ias 9:24; I Tessalonicenses 2:4 com Jeremias 11:20; Apocalipse 2:23;
14:8; 15:4; 18:4, 21, 22, 23 com Jerem ias 51:7-9; 17:10; 51:45; 51:63, 64 e 25:10, res­
pectivamente. Veja-se também Mateus 2:17, 18 com Jeremias 31:15; e Lucas 1:78
com Jerem ias 23:5. Porém, a mais importante contribuição que Jerem ias fez à
profecia foi predizer o estabelecimento do Novo Pacto, que se encontra em Jeremias
31:31-34 (Hebreus 8:8-13 e 10:15-17; Mateus 26:28). Além disso veja-se Jeremias
3:16, que fala de um dia em que a Arca da Aliança não seria mais relembrada, o
que significa que o judaísm o seria suplantado pelo cristianismo. Percebe-se, pois,
que o profeta Jerem ias tinha uma visão clara do Evangelho e da futura glória de
Israel: porém, seu sensível coração sentia-se tão agoniado com a presente condi­
ção de seu povo, que não pôde suster as lágrimas.

TEMPO

Jerem ias começou a profetizar no décimo terceiro ano do rei Josias, de Judá.
Nínive' decaiu depois da derrota de Senaqueribe em Jerusalém e sua morte por
assassinato em Nínive. Seus sucessores se entregaram aos prazeres, até a des­
truição completa da capital pelos elamitas e babilônios. O Egito procurou imedia­
tamente conquistar a supremacia mundial. Os reis de Judá puseram sua confiança
no Egito. Mas Deus revelou a Jeremias que os caldeus da Babilônia, e não os egípcios,
é quem dominariam o mundo. Tal mensagem parecia tão absurda, a ponto dos reis
de Judá se recusarem a crer nela (leia especialmente os capítulos 35 e 36).
Quanto à moralidade e à religião, a nação de Judá estava pecando terrivel­
mente. Durante o longo reinado de Manassés, os judeus se entregaram desenfre­
adamente à idolatria, perseguindo, e até mesmo matando, os profetas fiéis ao
Senhor. O arrependimento de Manassés não transformou a nação. Seu filho, Amom,
pai de Josias, voltou à idolatria. Josias, entretanto, foi um bom rei, que adorava ao
Senhor, e tratou de estabelecer novamente o culto do Senhor. Foi no décimo tercei­
ro ano de Josias, pois, que Jerem ias deu início ao seu ministério.
A missão de Jerem ias foi a de auxiliar o rei nessa reforma, advertindo o povo
que a mudança na religião, sem que se deixe o pecado e pratique a justiça, de nada
vale. O profeta afirmou que nenhum só dos judeus andava retamente diante de
Deus (5:1) e acusou-os de graves pecados (9:2-5).

SINOPSE

Não se pretende que as diversas profecias do livro de Jerem ias se encontrem


na ordem cronológica, nem inteiramente de acordo com seu conteúdo. Levando
em consideração as circunstâncias da vida de Jeremias, tais como: o primeiro rolo
de suas profecias escritas foi queimado pelo rei; teve que se esconder até à prim ei­
ra derrota de Jerusalém; passou muitos anos no cárcere; testemunhou a destrui­
ção total de Jerusalém e teve que acompanhar o povo na viagem final para o Egito;
vê-se, que foi por verdadeiro milagre que pode preservar o seu segundo m anus­
crito da ruína. Supondo que, depois do profeta ter sido levado acorrentado de
Jerusalém a Rama, Nebuzaradã o soltou, teria regressado a Jerusalém, sem nada
mais além da roupa que trazia sobre si. Teve poucos dias nos quais ele e Baruque
puderam procurar os escritos; visto que quase imediatamente foi assassinado o
governador Gedelias, com toda crueldade, e o profeta foi obrigado a marchar
para o Egito, contra a sua própria vontade, em companhia do povo. Certamente
que, sob essas circunstâncias, é por milagre que os seus escritos foram conserva­
dos sob qualquer forma, e não é para estranhar que não tivesse havido tempo
para redigi-los com calma e pô-los em ordem. Pelo contrário, Deus assinalou que
assim deveria ser, como evidência de que o que temos em nossas mãos são as
profecias autênticas e exatas de Jeremias. Nem Baruque, o escritor, quis alterar
em nada, os escritos de seu amado mestre.

Sinopse do Livro:
I. Profecias contra Judá, antes da invasão dos caldeus, caps. 1 a 35
II. História de Jerem ias e suas profecias escritas, caps. 36 a 45
UI. Profecias contra as nações, caps. 46 a 51
IV. Apêndice histórico, cap. 52

I. - PROFECIAS CONTRA JUDÁ, ANTES DA INVASÃO DOS CALDEUS

Capítulos 1 a 35

1. Chamado e comissão do profeta, cap. 1

a. Introdução, 1:1-3. Genealogia, residência e tempo.


b. Seu chamado pessoal, 1:4-10. Era jovem , mas Deus o chamou e capacitou
para seu ministério. Note-se as duas partes de sua comissão: (1) arran­
car, derrubar, destruir e arruinar completamente; (2) edificar também e
plantar. Deus tem o direito de usar os Seus segundo à Sua santa vontade.
Nesse caso havia necessidade de um profeta como Jeremias, para esse
trabalho especial. O Senhor sabia que Israel não Lhe daria ouvidos, mas,
enviando Jeremias, Deus já tinha vindicado a Sua justiça. Faça-se o con­
traste entre Jerem ias 1:10 com Atos 26:16-18.
c. Sua comissão ou investidura oficial, com promessa de proteção, 1:11-19:
1) Prim eira visão: uma vara de amendoeira, 1:11, 12. essa árvore era a
prim eira a florescer na prim avera, sim bolizando assim que havia
vida, apesar da morte aparente durante o inverno, e desse modo era
testificada a fidelidade de Deus à Sua promessa, em Gênesis 8:22.
2) Segunda visão: a panela a ferver, e sua interpretação, 1:13-16.
Invasão pelos exércitos inimigos como castigo pela idolatria de Judá,
é a principal m ensagem de Jeremias.
3) A promessa de perseguição e de proteção, porque a mensagem será
cumprida sem falta, 1:17-19.

2. Primeira série de profecias, talvez durante o reinado de Josias, capítulos 2 a


12. Nessas primeiras mensagens Deus oferece perdão à nação se, de todo
coração, se voltasse para Ele, em arrependimento e reforma nacional.
a. Prim eira m ensagem a Judá, 2:1 a 3:5. Esse discurso, em verso, se compõe
de acusações, manifestando o pecado do povo reincidente. O versículo
2:13 é o texto desse sermão.
b. Segunda mensagem, conclamando o povo para que se volte ao Senhor, 3:6
- 6:30.
1) Introdução (em prosa) 3:6-12a
2) A divina mensagem, 3:12b a 6:26, em que Deus convida carinhosa­
m ente a apóstata Israel para que se volte para Ele, visto que é miseri­
cordioso. O único requisito para a aceitação é que reconheça sua ini­
qüidade, sua rebelião, 3:13. Caso Israel não aceitasse esse convite,
viriam contra ela o julgam ento e o cativeiro.
3) Conclusão do sermão, 6:27-30. M ensagem pessoal ao profeta, fortale­
cendo-o.
c. Terceira mensagem, esclarecendo ao povo seus pecados espirituais, 7:1 -
10:25:
1) Introdução, 7:1,2. Jeremias é encarregado de pregar ao povo, na por­
ta do Templo de Jerusalém.
2) Discurso sobre a necessidade de emendar seus caminhos, caso quei­
ram ficar em Jerusalém e com o Templo, 7:3 - 8:17. Seria um bom
exercício para o estudante se fizesse uma lista dos pecados do povo e
dos sacerdotes, segundo esse discurso.
3) Lam ento pessoal do profeta, pela condenação dos judeus, 8:18 - 9:6.
4) Jerem ias procura fazer o povo meditar, 9:7 - 10:18.
5) Conclusão, 10:19-25. Solilóquio do profeta.
d. Discurso acerca da violação do Pacto, 11:1 - 12:17. Talvez o fato de ter-se
encontrado o livro da lei, no Templo, durante a reforma de Josias (II Reis
22:3-13), tenha sido o que deu origem a esta mensagem. Vê-se por estas
palavras de Jeremias, que a reforma foi apenas superficial; o coração do
povo continuava rebelde.

3. Profecias a respeito da destruição de Jerusalém e o cativeiro de Judá, capítu­


los 13 a 35.
a. Lição objetiva do cinturão apodrecido, capítulo 13. O versículo 11 é o
texto deste sermão, e a mensagem se resume no versículo 27: "Ai de ti,
Jerusalém " Até quando ainda não te purificarás?"
b. Intercessão de Jerem ias a favor do povo, e as respostas de Deus, capítulos
14 e 15. Note-se os versículos 14:11, 12 e 15:1-4 para ver-se que Deus
havia determinado a destruição de Jerusalém e da nação, salvando ape­
nas um pequeno "resto" - aqueles que buscavam ao Senhor.
c. Deus proíbe o profeta de contrair matrimônio, devido à maldade do povo
e a certeza de seu castigo, capítulos 16 e 17. O discurso em 17:19 a 27
impõe as condições para que seja evitado o desastre, mas sem esperança
de que seja escutado; o castigo é repetido no versículo 27.
d. Lição do oleiro, sua aplicação e os resultados, capítulos 18 a 20. assim
como o oleiro faz do barro o vaso que lhe pareça melhor, assim também
Deus tem o direito de proceder com Suas criaturas. O barro jamais faz
objeção à vontade do oleiro, mas os habitantes de Israel foram rebeldes à
vontade de Deus, e resolveram andar pelos seus próprios caminhos (ca­
pítulo 18). Assim como um vaso de barro é quebrado, assim o Senhor
haveria de destruir Jerusalém (capítulo 19). Jeremias foi perseguido por
profetizar o cativeiro de Judá, e o sacerdote Pasur o colocou no tronco,
mas ele se fortaleceu em seu Deus (capítulo 20). Os últimos versículos (14-
18) são um lamento poético, em que o profeta manifesta profundo abati­
m ento de espírito.
e. M ensagem aos reis de Judá, capítulos 21 e 22:
1) M ensagem a Zedequias, em resposta à sua conduta, capítulo 21.
2) M ensagem ao rei Joaquim, acusando-o de seus pecados e declarando
o castigo de seu irmão e sucessor, Salum, 22:1-19.
3) Mensagem ao rei Conias (Jeconias ou Joaquim), 22:20-30. Os versículos
29, 30 encerram em si a condenação ou castigo mais severo que seria
possível pronunciar contra um descendente de Davi, rei de Judá.
f. M ensagem de condenação contra os falsos profetas e pastores do povo,
capítulo 23. Este capítulo é clássico como denúncia contra os m ensagei­
ros falsos, e se aproxima do discurso do Senhor Jesus, em Mateus 23,
contra os escribas e fariseus hipócritas.
g. Visão dos figos: uns sumamente bons, e outros, extrem am ente maus,
capítulo 24. Os figos bons são os judeus entregues à Babilônia; os maus
são os rebeldes que ficaram com Zedequias.
h. Profecias durante o reinado de Joaquim, capítulos 25 e 26:
1) Deus havia dado o domínio à Babilônia, pelo que Judá e as nações
gentias haveriam de servi-la por setenta anos, capítulo 25.
2) Jerem ias é aprisionado pela segunda vez, por haver anunciado a des­
truição de Jerusalém, porém, é socorrido pelos príncipes e salvo da
morte, capítulo 26.
i. Segunda série de discursos, durante o reinado de Zedequias, capítulos 27
a 34:
1) Lição objetiva relativa ao jugo sobre a cerviz de Jeremias, simboli­
zando a submissão obrigatória das nações a Nabucodonosor, capí­
tulos 27 e 28.
2) Jerem ias escreve uma carta aos judeus que já estavam deportados,
dizendo-lhes que haveriam de ficar ali por muitos anos, pelo que
deveriam edificar casas e procurar manter a paz da cidade onde es­
tavam exilados, capítulo 29.
3) Jerem ias escreve em um livro as suas profecias a respeito do regresso
dos judeus do cativeiro e da futura glória de Israel, capítulos 30 e 31.
Notável no capítulo 31 é a profecia a respeito dos meninos de Rama
(31:15 comparado com Mateus 2:18); e a profecia sobre o Novo Pacto
(31:31-34, comparado com Hebreus 8). A profecia em 31:37-40, a res­
peito da santa Jerusalém, edificada para o Senhor, está de conformi­
dade com as profecias de Isaías e Ezequiel (Isaías 65:17-19; 66:20-22;
Ezequiel 4 0 -4 8 ).
4) Jerem ias compra um campo, em Anatote, como prova de sua fé na
promessa de que o Senhor tornaria a trazer os judeus de seu cativei­
ro, capítulo 32.
5) Profecia acerca do cumprimento do Pacto Davídico, capítulo 33. Veja-
se II Samuel 7.
6) M ensagem particular de Deus ao rei Zedequias, capítulo 34.
j. Jerem ias ensina a tem perança e a obediência por meio dos recabitas,
capítulo 35.

H. HISTÓRIA DE JEREMIAS E DE SUAS PROFECIAS ESCRITAS

Capítulos 36 a 45

I. Estando encarcerado, Jeremias, por mandado do Senhor, escreveu um rolo


com todas as suas profecias; Baruque as leu no Templo, aos ouvidos do povo,
e os príncipes levaram o rolo ao rei Joaquim, que o queimou. Jeremias tornou
a escrever o rolo, adicionando mais ainda ao que havia escrito no primeiro
rolo, capítulo 36.
2. O profeta avisa ao rei que, ainda que os caldeus se tenham retirado de Jeru­
salém, por causa dos egípcios, essa retirada seria por pouco tempo e que logo
voltariam , 37:1-10.
3.. Jerem ias quis ver o campo que havia comprado em Anatote (veja o capítulo
32), e foi novam ente aprisionado e encarcerado, 37:11-21.
4. O profeta, colocado em uma cisterna para morrer, foi salvo por Ebede-
Meleque, etíope, 38:1-13. Imediatamente Jerem ias aconselhou ao rei que se
entregasse aos caldeus, 38:14-28.
5. Queda de Jerusalém, morte dos nobres, mas Jeremias, Baruque e Ebede-
M eleque são salvos, capítulo 39.
6. Triste história do remanescente ou resto do povo, que os caldeus tinham
deixado em Judá, capítulos 40 a 45:
a. Jerem ias preferiu ficar em Jerusalém com Gedalias, o novo governador,
capítulo 40.
b. Ismael assassina Gedalias e Joanã, e, é feito capitão, capítulo 41.
c. O povo pede conselho a Jerem ias acerca de ficar em Judá, ou descer ao
Egito. Jerem ias responde por revelação que deveriam ficar em Judá e se
subm eter aos caldeus, mas o povo não lhe dá ouvidos; antes, levam
Jerem ias à força consigo, para o Egito, capítulos 42 e 43.
d. Profecias contra o Egito e do extermínio dos judeus que tivessem descido
até ali, capítulo 44.
e. M ensagem especial a Baruque, capítulo 45.

m. PROFECIA ACERCA DAS NAÇÕES

Capítulos 46 a 51

(Veja Salmo 83; II Reis 24:1-7 e Amós, capítulo 1)

1. Contra o Egito, capítulo 46. Aqui foram preditas a vitória da Babilônia na


batalha de Carquemis, e a conquista da terra do Egito, ainda que isso não
afetasse Judá (46:1-12, 13-26, 27, 28).

2. Contra os filisteus, capítulo 47. O país cairá em poder do inimigo.

3. Contra Moabe, capítulo 48. Esta profecia sobre a destruição de Moabe é muito
forte. O versículo 10 pronuncia uma maldição contra os que fazem negligen­
temente a obra do Senhor; porém, devemos ter muito cuidado ao usar tal
texto, como se verifica no resto do versículo, pois se aplica aos caldeus se não
acabassem de m atar os m oabitas, executando julgam ento contra eles. O
versículo 11, juntam ente com o versículo 47, prova que esse castigo resulta­
ria no bem da nação, como faz bem ao vinho ser transferido de um tanque
para outro, durante seu processo de destilação, deixando de cada vez as
suas fezes, para produzir um bom sabor. Também se nota que uma das
razões do castigo de Moabe foi sua inimizade contra Judá, versículos 26 e 27.
4. Contra os amonitas, capítulo 49:1-6. Os amonitas tomaram Gade, quando
esta pertencia por direito a Judá (49:1 com II Reis 15:29; 17:20). Em certas
versões nota-se que os versículos um a três falam do rei dos amonitas, en­
quanto que a versão que usamos usa o nome de Malcã, que era a designação
do deus ou ídolo dos filhos de Amom. Não era estranho na literatura orien­
tal chamarem uma nação pelo nome de seu deus.
5. Contra Edom, 49:7-22. Veja-se Ezequiel 25:12-14; capítulo 35; e Obadias. A
destruição total de Edom é profetizada. Não se fala de restauração.
6. Contra Damasco, capital da Síria, 49:23-27. Também haveria de ser destruída.
7. Contra Quedar e Hazor, 49:28-33. Estes reinos eram árabes, e foram assola­
dos por Nabucodonosor.
8. Contra Elam, 49:34-39. Desterro e dispersão completa é prognosticado con­
tra essa nação, ao leste da Caldéia. Compara-se 49:39 com Atos 2:9.
9. Contra Babilônia, capítulos 50 e 51. A destruição predita da grande cidade
está de acordo com a história secular, e o estudante deve ler Daniel 5: Isaías
13; 14; 47; Apocalipse 18; e o livro de Habacuque. Neste último livro o profeta
pergunta a Deus: "Com o é possível que vejas a iniqüidade de Teu povo sem
nada fazer?" O Senhor lhe respondeu que levantaria os caldeus para casti­
gar Judá. Habacuque protesta que os caldeus são piores que os judeus. Deus,
porém, assegura ao profeta que a Babilônia seria usada como chicote na Sua
mão, mas, depois de usá-la, a julgaria e castigaria, por causa de seus própri­
os pecados.

IV. APÊNDICE HISTÓRICO

Capítulo 52

Este capítulo apresenta um resumo da história da queda de Jerusalém, se­


gundo o capítulo 39. Cronologicamente, vem depois dos livros dos Reis e das
Crônicas.

LIVRO DAS LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS

O Senhor Jesus Cristo foi chamado de Jeremias, quando estava neste mundo
(Mateus 16:14). Tal como aquele profeta, o Salvador chorou sobre Jerusalém e
lamentou sua destruição (Lucas 19:41-44). Numa pequena colina, chamada de
Calvário, um pouco fora da cidade santa, há uma concavidade que não merece o
nome de cova; mas que corresponde, segundo a imaginação de alguns, ao olho de
uma caveira, donde a colina recebe seu nome. A tradição afirm a que nessa
concavidade, que é chamada de "G ruta de Jerem ias", sentou-se o profeta, em meio
às suas lágrimas, a contemplar as ruínas de Jerusalém, e aí compôs o livro de
"Lam entações". Caso tenha sido assim, então Jeremias estava à pouca distância
do local onde seu Messias haveria de dar a vida, em resgate de Seu povo.
O s m o tiv o s p a ra cre r-se que Je re m ia s ten h a e s c rito esse liv ro de
"Lam entações" são diversos. A descrição das ruínas é demasiado viva para crer-
se que tenha sido escrita pela pena de outra geração. Além disso, sabemos que
Jeremias era o único, naquela época, que sentia tão profundam ente a ruína de sua
amada cidade e do Templo, e que também era capaz de sentir as causas que pro­
moveram o tremendo castigo. Além disso, a versão dos LXX (SEPTUAGINTA)
traz o seguinte prefácio ao livro de que nos ocupamos: "E aconteceu, depois de
Israel ser levada em cativeiro, e Jerusalém ser assolada, que Jerem ias se sentou
chorando, e lamentou com esta lamentação sobre Jerusalém, e disse: "...
Sim, a tradição judaica atribui esse livro a Jeremias, conforme vemos na versão
dos LXX. O m ais natural é crer que Jerem ias tenha sido autor do livro de
Lamentações.
Os judeus lêem esse livro em suas sinagogas, no dia 9 de julho. Essa é a data
do aniversário da destruição do Templo. Também era recitado ou cantado em
cada sexta-feira, no "Lugar do Lam ento", em Jerusalém, antes dos judeus estabe­
lecerem ali seu governo, em anos recentes.
O professor W hyte escreveu: "N ão existe nenhuma obra literária como as
Lamentações de Jeremias, no mundo inteiro. Tem havido muita tristeza em cada
época e em cada terra, mas pregador e autor, com um coração de tal m odo voltado
para a aflição, nunca mais voltou a nascer. Dante viveu depois de Jeremias, e
sabemos que Jerem ias era o profeta favorito daquele grande desterrado".
E o Dr. Scofield declarou: "A significação patética deste livro consiste no fato
de que descobre o amor e o pesar pelo mesmo povo que está castigando - um
sentimento operado pelo Espírito no coração de Jerem ias".
Cada capítulo forma, separadamente, um poema ou lamento. Foram com­
postos em forma de acrósticos alfabéticos, segundo o alfabeto hebraico de 22
letras. O terceiro capítulo tem três versículos para cada letra, enquanto que os
demais capítulos dão um só versículo para cada letra. O último capítulo é um
tanto irregular, em sua conformidade com o alfabeto. Os versículos chaves do
livro são 3:22, 23.
CAPITULO I. Jerusalém arruinada é personificada como viúva a lamentar
amargamente à noite, porque seus filhos lhe foram arrebatados, seus amantes se
têm portado falsamente e seus inimigos têm prevalecido contra ela. E puro la­
mento esse cântico, e termina com um a petição de vingança.
CAPÍTULO II. Aqui se diz que o castigo do prolongado sítio, com a fome, a
derrota e a ruína da cidade, vieram da parte do Senhor. O poema termina com
uma petição a Deus para que tenha compaixão.
CAPÍTULO III. Neste poema o profeta se identifica com a cidade; ainda que
lamente sua presente condição, expressa sua confiança no Senhor, de que, em Sua
misericórdia, não desprezará Seu povo para sempre, mas antes, tra-los-á ao reco­
nhecimento de seu pecado, e tornará a abençoar a Judá. Notáveis são as passa­
gens de 3:22, 23, 39 e 55-57.
CAPÍTULO IV. Aqui Jerusalém é comparada com o ouro que era puro, mas
que está empanado, transformado e sem valor. Passou a ser como um vaso de
barro. Seu castigo tem sido pior que a morte repentina. O povo pecou, mas foram
os sacerdotes e os profetas falsos e iníquos que os desencaminharam.
CAPÍTULO V. A cidade é apresentada como se fosse uma órfã desamparada,
escrava de escravos, a m endigar o pão. Termina com uma súplica fervorosa para
que o Senhor a faça volver à sua antiga condição.
RESUM O - Jeremias, chamado desde a juventude como profeta do Senhor,
teve um ministério que se prolongou por quarenta anos ou mais. No princípio
pregava que haveria salvação dos inimigos se o povo se voltasse para Deus, mas
depois, em vista da sua obstinação, predisse que o cativeiro viria irrem ediavel­
mente. Também profetizou a duração do cativeiro, 70 anos, bem como o regresso
dos judeus à Palestina.
Os primeiros 35 capítulos são mensagens a Judá, antes da queda de Jerusa­
lém. Sua m ensagem foi rejeitada, mas ele permaneceu fiel, denunciando os falsos
profetas.
Os dez capítulos seguintes relatam a história da perseguição sofrida pelo
profeta, bem como os acontecimentos sucedidos depois da queda de Jerusalém.
Em seguida vêm seis capítulos de profecias contra as nações vizinhas, espe­
cificando a destruição da Babilônia.
O último capítulo é um apêndice histórico, sobre a fuga para o Egito.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Que pontos de comparação há entre Jesus Cristo e Jeremias?


2. Dê os detalhes da chamada de Jeremias
3. Em que época da vida nacional dos judeus profetizou Jeremias?
4. Quais profecias deste livro são citadas no Novo Testamento?
5. Por que se acredita que Jeremias tenha sido o autor do livro de Lamentações?
6. Que lições espirituais você tem aprendido pelo estudo das obras de Jeremias?
(Capítulo 3 6

LIVRO DO PROFETA EZEQUIEL

O Senhor Jesus Cristo é o Rei dos reis, o Altíssimo e Exaltado, a Revelação do


Invisível, a quem Ezequiel contemplou em visão. Jesus e Ezequiel foram os dois
chamados de "Filho do hom em ". Ambos profetizaram a queda e a destruição de
Jerusalém. Mais que qualquer outro profeta, Ezequiel teve visões claras do futuro,
quando Cristo voltaria a estar entre Seu povo, no Seu reinado milenar. O Senhor
Jesus Cristo falou em parábolas, enquanto que Ezequiel gostava de falar em lin­
guagem figürada. Suas visões foram numerosas e dramáticas.

OAUTOR

Ezequiel era sacerdote, filho de Buzi. Segundo o que se percebe em seus escri­
tos, estava familiarizado com o Templo; parece que havia oficiado como sacerdote
em Jerusalém, mas foi levado cativo na segunda deportação, no ano 597 antes de
Cristo. Isto tam bém nos faz acreditar que ele fosse de alta categoria (II Reis 24:15).
Tinha sua própria casa (8:1) e era casado (24:18); de modo que seria homem madu­
ro ao ser chamado para o ofício de profeta. Pertencendo à família sacerdotal de
Zodoque, estava acostumado a servir no Templo, e nota-se em seu livro um alto
apreço pelos ritos levíticos, ainda que ali seja con d en ad a a m ald ad e dos
sacerdotes.Foi hom em apegado ao que era simbólico e Deus usou esse talento
para levar Sua m ensagem aquela geração. Tal como João, desterrado na ilha de
Patmos, viu visões do Apocalipse, assim também Ezequiel, desterrado para perto
do rio ou canal Quebar, viu a Deus em visão e O descreveu em seu livro. Ainda que
Ezequiel não tenha manifestado seus próprios sentimentos a miúdo, à semelhan­
ça de Jerem ias, e ainda que ao ver a visão da glória do Senhor, nos diz apenas uma
palavra acerca do efeito que isso teve sobre ele, não obstante não era homem frio
ou estóico (3:14; 9:8). Foi fiel mesmo sabendo que não dariam ouvidos à sua m en­
sagem.
O TEMPO

Aquela foi uma época de calamidade nacional. O nascimento de Ezequiel ter-


se-ia verificado mais ou menos no tempo da reforma, durante o reinado de Josias
que se verificou depois de ter-se achado o livro da lei no Templo. Ezequiel, portan­
to, passou seus ternos anos na atm osfera de uma reform a ou avivam ento de
religião. Certamente também teria ouvido o profeta Jeremias a denunciar a hipo­
crisia e a superficialidade daquela dita reforma. Ao crescer, e entrar na prepara­
ção para seu ministério como sacerdote, no Templo de Jerusalém, Ezequiel teve
muitas oportunidades de observar a decadência espiritual sob o reinado de Joa­
quim, antes que fosse levado cativo para a Babilônia, juntam ente com aquele rei.
Quando chegou à Caldéia já tinha idade suficiente para ser dono de convicções
fortes, mas era sacerdote, e não profeta. Havia visto duas vitórias dos caldeus
contra Jerusalém , uma em 606, quando Daniel foi levado cativo; e outra em 597,
quando ele m esm o foi transportado para a Babilônia. Cinco anos depois começou
a profetizar e explicou ao povo que os judeus não haveriam de triunfar contra a
Babilônia. Seis anos mais tarde, Jerusalém se rendeu.

SUA VISÃO E COMISSÃO

Por chamado divino foi que Ezequiel foi constituído profeta. Começou com
uma visão de Deus, a qual lhe deu um a nova concepção sobre a santidade divina.
Foi muito detalhada essa visão, e repetida diversas vezes, exercendo poderosa
influência sobre sua mensagem. Nestes dois pontos foi distinta das visões de
qualquer outro dos profetas. Alguém já disse que a visão que Isaías teve foi um
drama, enquanto que a visão de Ezequiel foi um espetáculo.
As freqüentes visões sobre a glória do Senhor deram ao profeta o mais alto
apreço pela responsabilidade individual. Os capítulos 18 e 36 expressam sua
penetração nessa grande verdade. Até então o Senhor tratava com os israelitas
como nação, mas Ezequiel recebeu a revelação da responsabilidade pessoal de
cada indivíduo. Por isso é que Ezequiel tem sido chamado de "o profeta da transi­
ção". Daniel explica a transição de Israel para "o tempo dos gentios", o que signi­
fica que Deus já não se limitava à nação judaica como canal ou instrumento prin­
cipal, com a finalidade de falar ao mundo, mas de agora por diante empregaria
para isso as próprias nações gentias, tratando diretamente com elas. Ezequiel fala
dessa mesm a transição, porém, da maneira em que isso afetaria aos judeus indi­
vidualmente. Cada um agora era responsável por confiar na Palavra revelada de
Deus pelo profeta, a fim de obedecê-la; a nação ficaria dissolvida presentemente.
Enquanto que Jeremias, em Jerusalém, persuadia os judeus a se entregarem
aos caldeus, por ordem do Senhor (Jeremias 21:8-10), e também escrevia aos de­
portados, dizendo-lhes que aceitassem a vontade de Deus acerca do dilatado ca­
tiveiro (Jerem ias 29), Ezequiel, em Quedar, na Caldéia, persuadia-os a que não
confiassem nas palavras dos falsos profetas, porque não regressariam imediata-
mente à sua pátria e que sem falta Jerusalém seria destruída; e que somente de­
pois de muitos anos é que voltariam à Judéia.

SINOPSE

E fácil traçar-se a sinopse ou esboço do livro. E possível dividi-lo de diversas


maneiras, porém, vê-se que o acontecido entre os capítulos 1 a 24 ocorreu antes da
derrota final de Jerusalém, por Nabucodonosor; os eventos cobertos pelos capítu­
los 25 a 32 ocorreram por ocasião da queda; e os eventos cobertos pelos capítulos
33 a 48 ocorreram depois da queda de Jerusalém.
I. Profecias para os judeus, antes da queda de Jerusalém, capítulos 1 a 24.
II. Profecias contra as nações, capítulos 25 a 32.
IH. Adm oestações e promessas para Israel e Judá, capítulos 33 a 39.
IV. Profecias sobre um futuro glorioso, capítulos 40 a 48.

I. PROFECIAS PARA OS JUDEUS, ANTES DA QUEDA DE JERUSALÉM

Capítulos 1 a 24

A. Chamada de Ezequiel, capítulos 1 a 3.

1. A visão, capítulo 1.
a. Introdução, 1:1-3. Ezequiel tinha a mesma idade do Senhor Jesus quan­
do deu início a seu ministério (Lucas 3:23).
b. A visão em sua aparência geral, versículo 4. Uma nuvem e um fogo
que se recolhia dentro de si mesmo; ao redor um resplendor; por den­
tro um a refulgência.
c. O s quatro seres v iv en tes, v ersícu lo s 5 a 14. São ch am ad os de
"querubins" no capítulo 10. tinham a aparência humana, mas, além
de terem rosto de homem, também tinham rostos de leão, de boi e de
águia. Todos os rostos olhavam para cima para Aquele que estava sobre o trono.
Representavam a natureza inteira: o leão, o rei dos animais silvestres;
o boi, o mais serviçal, ou rei dos animais domésticos; a águia, rei das
aves; e o homem, coroa de toda a criação deste mundo. No livro de
Apocalipse (4:6-8) estes querubins se encontram bem perto do trono e
servem Aquele que está assentado sobre ele. Caminhavam olhando
sempre para o mesmo lado, talvez significando com isso que Deus não
muda de propósito; para Deus não há surpresas, nem emergências;
segue sempre avante, segundo Sua santa e perfeita vontade.
d. As rodas tocando na terra, versículos 15 a 21. Não pretendo poder
explicar toda a significação destas rodas dentro de outras, que cami­
nhavam sem mudar de direção. Para mim, essas rodas cheias de olhos
e com o mesm o espírito dos seres viventes dentro delas, representam
a obra do Senhor Deus no mundo: o Espírito de Deus operando entre os
homens, não apenas na salvação, mas também em todas as circunstân­
cias da vida. E difícil para o homem compreender os alvos ou propósitos
imediatos de Deus, nas experiências que Ele nos concede nesta vida. Há
ocasiões em que um filho de Deus se sente incapaz de descobrir o objeti­
vo do Pai Celeste ao permitir as muitas dificuldades, perigos e aparentes
fracassos que toldam sua vida. Parecem-lhe rodas dentro de rodas. Po­
rém, o Espírito Santo está operando Sua santa vontade. Seus olhos vêem
tudo quanto se passa, e não há motivo para desconfiarmos dEle, ainda
que não possamos compreender o que sucede,
e. Visão do trono e seu Ocupante, versículos 22 a 28. Esta é a parte mais
importante de toda a visão. No começo os olhos do profeta não se
atreviam a levantar-se até o próprio trono. E mesmo depois, o profeta
não deteve a vista na contemplação daquele rosto. O profeta notou a
ação dos seres viventes a cobrir os seus corpos ao adorarem a Deus,
ato que fala claramente da santidade perfeita e absoluta do Criador.
Por cima das cabeças dos querubins havia uma expansão resplendente.
Sobre a expansão havia uma voz que dirigia todas as atividades dos
seres viventes e das rodas. Quando o profeta, por fim levantou a vista,
no alto viu um trono, como de safira (pedra dura de cor azul). Sobre o
trono estava sentado Alguém que dava a impressão de ser um ho­
mem, mas que resplandecia tão gloriosamente que o profeta não po­
dia distinguir a Sua fisionomia. Da cintura para cima, era semelhante
a bronze avermelhado ao fogo. E da cintura para baixo, sua aparência
era como o próprio fogo. Ao redor de Seu corpo havia uma refulgência
de luz, uma manifestação de glória celestial. Toda a visão se achava
envolta num arco-íris muito brilhante. "Esta era a aparência da gló­
ria do Senhor", disse Ezequiel. Ezequiel não se atreveu a dizer que
tinha visto o Todo-poderoso cara a cara, mas confessou que vira ape­
nas a semelhança de Sua glória. Veja João 1:18.

2. A voz, comissionando o profeta, capítulos 2 e 3. A visão anterior tinha


sido muda, excetuando o ruído das asas dos querubins. Agora ouvimos a
Voz e distinguimos as palavras. O capítulo se inicia com o profeta caído
com o rosto em terra. Mas o Espírito entra nele e o habilita a pôr-se de pé
para escutar Aquele que falava. Nesse ato se subentende que é incluída a
obediência àquela Voz. Em seguida é dada a comissão a Ezequiel. Ezequiel
foi enviado como profeta, com uma m ensagem para todos os filhos de
Israel, ainda que seu ministério tivesse de ser entre os desterrados. O
profeta foi exortado a não ser rebelde como a casa de Israel, e como prova
de sua obediência, uma mão lhe foi estendia com o rolo de um livro,
enquanto que a voz lhe dizia: "Filho do homem, come o que achares; como
este rolo, vai e fala à casa de Israel".
Este ato simbólico de que um profeta comera um rolo escrito para logo em
seguida pregar ao povo, não tinha acontecido pela primeira vez (Jeremias 15:16),
nem foi único (Apocalipse 10:9,10). Representava o dom da inspiração, uma com ­
preensão da m ensagem divina e uma convicção de sua vocação. Além disso se
percebe que o profeta, ao entender os pensamentos de Deus, estava de acordo com
Ele. Via a justiça de Seus juízos e de todo coração desejava cumprir sua missão de
esclarecer a verdade a seus ouvintes para que eles também se submetessem à
vontade do Senhor.
Nos versículos 12 a 15, o profeta é levado pelo Espírito a sentar-se no meio
dos cativos. Isso lhe foi uma amargura de espírito, e ficou ali mudo por sete dias.
(Comparar com a última frase de Apocalipse 10:10).
Os versículos 16 a 21 explicam a Ezequiel que Deus o tinha posto como ata­
laia sobre a casa de Israel. Um atalaia se m antém no ponto mais alto da torre,
para mais prontamente dar-se contas do inimigo que se aproxima. Não pensa
apenas que deve defender a cidade, mas também considera que é responsável por
avisar aos cidadãos acerca do inimigo que os ameaça, do progresso da batalha,
etc. Assim também, hoje em dia, cada crente é um atalaia encarregado de anunci­
ar ao povo o perigo que o ameaça e de dizer-lhe que Cristo é o Salvador, que oferece
segurança e vitória.

B. Profecias sobre a destruição de Jerusalém, capítulos 4 a 24:

Politicam ente, foi por resistir à Babilônia, mas, em realidade foi por sua
idolatria e por colocar sua confiança nas nações pagãs da Assíria e do Egito, que
Deus determinou castigar a Judá. Esses capítulos expressam esta mensagem sob
diversas figuras e aspectos, da seguinte maneira:
Capítulo 4. O sítio babilónico, prefigurado graficamente pelo profeta, que
traçou um quadro representando assim a cidade; e comia e bebia por medida,
como os habitantes haveriam de fazer, por ocasião do sítio.
Capítulo 5. Derrota de Jerusalém e disposição do povo prefigurada pela divi­
são dos cabelos.
Capítulo 6. Causa do castigo - a idolatria. Um resto seria salvo, e não adora­
ria mais a ídolos.
Capítulo 7 . Profecia concernente à certeza do fim da nação.
Capítulo 8. Ezequiel é levado em espírito a Jerusalém, onde vê no Templo as
abominações: Apesar de estar ali a glória do Senhor, haviam posto ali a imagem
dos ciúmes; tam bém adoravam ídolos em formas de répteis e feras detestáveis;
mulheres choravam e Tamuz (Adonis); homens adoravam o sol.
Capítulo 9. Visão do juízo executado sobre Jerusalém. O varão vestido de
linho branco que selava os que gemiam por causa da idolatria; os varões ou anjos
que matavam os que não tivessem sido selados.
Capítulo 10. Visão da glória do Senhor: pôs-se no umbral da casa e se elevou
dali.
Capítulo 11. Visão dos hom ens da porta do oriente, maquinando contra
Deus; Ezequiel profetizava, e enquanto falava morreu Pelatias; o Senhor promete
trazer os judeus de volta do desterro; a glória do Senhor abandona o Templo.
Capítulo 1 2 .0 profeta é tipo de Judá - tira seus trajes para ir para o cativeiro
- assim servindo de símbolo dos que se encontravam em Jerusalém; a visão era
certa e o tempo de seu cumprimento já se aproximava.
Capítulo 13. Acusação contra os falsos profetas e as iníquas profetizas.
Capítulo 14. Versículos 1 a 11: Condenação dos que erigem ídolos em seu
coração e, por outro lado, consultam um profeta do Senhor.
Versículos 12 a 23: Destruição de Jerusalém determinada, mas um resto se­
ria livrado.
Capítulo 15. Jerusalém seria queimada como uma videira, ficando apenas
um pedaço chamuscado.
Capítulo 16. História alegórica de Jerusalém, como um a menina jovem e
como mulher: seu compromisso com o Senhor e seus adultérios desleais, e seu
castigo, que a haverá de purificar.
Capítulo 1 7 .0 Senhor propõe um enigma á casa de Israel: uma grande águia
plantou um cedro, ou uma videira em terra boa, mas a videira deu seu fruto a
outra águia. O rei Zedequias é a videira que não foi leal a Nabucodonosor, mas
antes, procurou o Egito. Não poderia prosperar. O Senhor plantaria outro cedro.
Capítulo 1 8 .0 adágio: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é
que se embotaram.
Deus diz que todas as almas são suas e que a alma que pecar, essa morrerá.
Capítulo sobre a responsabilidade pessoal.
Capítulo 19. Canto fúnebre sobre os príncipes de Israel - como leãozinhos
apanhados na cova - como videira frutífera, arrancada e plantada no deserto.
Capítulo 20. Versículos 1 a 44: Os anciãos vieram para consultar ao Senhor
por meio de Ezequiel, mas Deus lhes refere a história espiritual de Israel desde o
Egito, manifestando suas desobediências e suas idolatrias.
Versículos 45 a 49: Profecia contra o bosque do sul.
Capítulo 21. Cânticos da espada afiada e desembainhada que sairá contra
Jerusalém e Amom.
Capítulo 22. Jerusalém descrita como cidade cheia de escória e de maldade.
Capítulo 23. Jerusalém , qual Samaria, como irmãs, têm fornicado grave­
mente com o Egito, a Assíria e a Caldéia. Samaria foi castigada, mas Jerusalém não
mudou, mas pecou mais ainda. Por conseguinte, contra Jerusalém viria o mesmo
castigo que tinha sido descarregado contra Samaria. Os mesmos caldeus que Judá
buscava antes (II Reis 20:12-15), mas que agora odiava ("a quem aborreces",
versículo 28), seriam os instrumentos do castigo.
Capítulo 24. Versículos 1 a 14: Revelação e m ensagem aos cativos acerca da
queda e destruição de Jerusalém, naquele mesmo dia.
Versículos 15 a 27: A morte da esposa de Ezequiel, como sinal da destruição
do Templo em Jerusalém: Deus lhes tiraria "o objeto do seu orgulho, o seu júbilo,
a sua glória, a delícia dos seus olhos e o anelo de sua alm a", ou seja, seus filhos e
filhas.

H. PROFECIAS CONTRA AS NAÇÕES

Capítulos 25 a 32

A. Contra Amom, 25:1-7.


B. Contra Moabe, 25:8-11.
C. Contra Edom, 25:12-14.
D. Contra os filisteus, 25:15-17.
E Contra Tiro, 26:1 - 28:19.
F. Contra Sidom, 28:20-26.
G. Contra o Egito, 29:1 - 32:32

A passagem que mais necessita comentário nesta divisão é o capítulo 28,


especialmente os versículos 11 a 19. Encontramos a passagem em meio às profe­
cias sobre destruição de diversas nações, e ao fim da profecia contra Tiro, cidade
soberba da costa, um pouco ao norte da Palestina. Muitos crêem que trata-se de
linguagem poética, e que simplesmente se refere ao homem que era rei de Tiro
naquela época. Josefo diz que o nome desse rei era Ethbaal II. Não há dúvida que os
versículos 1 a 10 falam sobre um homem mortal, e há versículos nessa passagem
acerca do rei (11 a 19) que parecem ser dirigidos também a um ser humano,
especialmente os versículos 18 e 19.
Não obstante, existe muito nessas palavras que nos faz crer que, ainda que
aquele príncipe fosse mortal (1-10), o "rei" (11-19) é um ente sobrenatural. Não é
Deus, mas antes, um dos principais anjos, e, provavelmente o próprio Lúcifer ou
Satanás. Sobre o fato que Satanás m antém um exército de anjos caídos, organiza­
do em batalhões em cada país, encarregados de pôr a perder as almas, por meio
da idolatria e do mundanismo, não há dúvidas para o estudante da Bíblia (Daniel
10:12,13; Efésios 6:12; I Coríntios 10:20; II Coríntios 4 :3 ,4 ; I João 5:19; etc.).
A interpretação desta passagem (Ezequiel 28:11-19) como trecho que se refe­
re a Satanás, está de acordo com o restante da doutrina bíblica, acerca do Adver­
sário (Isaías 14:12-15; Lucas 10:19, 20; João 8:44).
N ão é fácil aceitar o fato que o D eus santíssim o tivesse dito a respeito de
um hom em pagão: "Tu és o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e form osu ­
ra. Estavas no Éden, jard im de D eus... eras querubim da guarda, ungido, e te
estabeleci... P erfeito eras nos teus cam inhos, desde o dia em que foste criado,
até que se achou iniqüidade em ti... pecaste; pelo que te lançarei, profanado,
fora do m onte de D eu s...".
m. ADMOESTAÇÕES E PROMESSAS PARA ISRAEL E JUDÁ

Capítulos 33 a 39

Capítulo 33. Considero os versículos 1 a 20 não apenas uma renovação opor­


tuna da comissão do profeta (3:16-21), mas também uma repetição e esclareci­
mento da verdade da responsabilidade individual de cada alma diante de Deus
(capítulo 18). Percebe-se o motivo dessa reiteração ao ler os versículos 21 a 23. Um
que tinha escapado chegou de Jerusalém com as notícias da queda e da destruição
da cidade. Certamente que daquele momento em diante os judeus necessitavam
de outra espécie de mensagem. Já sabiam que Jeremias, Daniel e Ezequiel estavam
com a razão, pelo que não dariam mais atenção aos profetas falsos. Dali por dian­
te as mensagens dos profetas foram, em sua maior parte, profecias a respeito de
um futuro glorioso de Israel ao regressar do cativeiro babilónico e tam bém a
respeito do reino milenar, em futuro distante.
Capítulo 34. Este capítulo fala dos falsos pastores e profetas que haviam
enganado o povo, com suas predições de paz e um regresso imediato a Jerusalém.
Então Ezequiel dá a m ensagem de Deus: "Eis que eu mesm o procurarei as minhas
ovelhas, e as buscarei... Suscitarei para elas um só pastor, e ele as apascentará; o
meu servo Davi é que as apascentará...".
Capítulos 35 e 36. Falam sobre a destruição de Seir, ou Iduméia, devido ao
modo como que trataram aos israelitas. Dessa forma, todas as nações vizinhas
levariam seu opróbrio, mas Israel haveria de prosperar. Os versículos 36:22-32
profetizam um avivamento espiritual dos judeus, o qual, entretanto, ainda não se
cumpriu. Cremos que isso se verificará quando o Senhor mesmo vier para efetuar
tal milagre, em Seu regresso em glória, na terra.
Capítulo 37. Visão do vale dos ossos secos que reviveram, e dos paus reuni­
dos, são profecias dramáticas do que Deus haverá de fazer com a nação de Israel.
Não há dificuldade em compreender as visões, mas, para os que não conhecem a
Deus é difícil crer no que é profetizado. Fioje, mais de dois mil anos depois, vemos
o princípio do cumprimento dessas profecias. No ano de 1918 o número de judeus
que habitavam na Palestina era de 50.000; em 1943 era de 550.000; e em 1950
chegou a 1.000.000. Quem pode dizer que isso não é significativo?
Capítulos 38 e 39. Profecia sobre o grande exército do norte, que "nos anos
vindouros" virá sobre Israel para conquistá-la. Por meio de um terrem oto e por
meio de fogo, Deus destruirá as multidões invasoras e salvará Israel. Os judeus
despojarão os mortos, em lugar de serem despojados por eles. Os comentaristas
são quase unânim es em assegurar que M eseque é Moscou; e que Tubal e Rosh
("príncipe") são Tobolsk e Rússia, no idioma hebraico. Considera-se que "G ogue"
se refere ao rei e que "M agogue" à nação, porém, em Apocalipse 20:7-9 esses no­
mes são usados para representar a todos os incrédulos e rebeldes da terra. Cre­
mos que Ezequiel 38 e 39 falam do tempo da grande tribulação de Jacó, mas que
termina com um triunfo decisivo, que dá início à época que chamamos de reino
milenar de nosso Senhor Jesus Cristo.
IV. PROFECIAS SOBRE UM FUTURO GLORIOSO

Capítulos 40 a 48

Estes últimos nove capítulos do livro de Ezequiel dão detalhes bem minuci­
osos concernentes ao futuro de Israel. E demasiadamente glorioso para considerá-
los já cumpridos no Templo de Zorobabel ou no de Herodes. E inteiramente sim­
bólico sobre o que seria ideal para Israel, segundo alguns comentaristas. Os de­
mais estão de acordo sobre que Ezequiel viu em visão o Templo tal qual existirá
em Jerusalém durante o reino m ilenar de Jesus Cristo.
Os capítulos 40 a 42 contêm um a descrição dos átrios, câmaras e do edifício
do Templo.
Capítulo 43. Os versículos 1 a 9 descrevem a vinda da Glória do Senhor, para
ocupar o Templo e morar na companhia dos homens. Os versículos 10 a 12 forne­
cem o propósito de Deus na visão: foi para ensinar, a todos os judeus, o quanto
Deus os considerava preciosos aos Seus olhos, para que se envergonhassem de
sua idolatria e rebeldia. O restante do capítulo fala do altar e dos sacrifícios. E
notável que aqui se fala em primeiro lugar da oferta pelo pecado, a qual é a última
oferta, na ordem, no livro de Levítico; enquanto que o holocausto ali é o último,
ainda que em Levítico seja o primeiro. Dessa forma se deduz que todas as ofertas
nesse novo Templo haverão de ser comemorativas, olhando para a cruz, bem
como os sacrifícios levíticos olhavam para o futuro Cordeiro de Deus, que haveria
um dia de subir ao Calvário. Porém, aqui no capítulo 43, não é mencionado um
cordeiro, como no capítulo 46, pelo que é m uito possível que este último se refira
a sacrifícios comemorativos, enquanto que as ofertas do primeiro sejam um culto
para os judeus para confessarem seus pecados e estarem em comunhão com Deus.
O que é certo é que o sangue de animais jam ais teve poder para purificar o pecado,
nem jamais o terá; tão somente efetuava uma purificação cerimonial (Hebreus
9:13; 10:4). O sangue de Jesus Cristo, derramado na cruz do Calvário, é o único
sacrifício eficaz para tirar o pecado (Hebreus 9:14, 26; 10:5-14).
Capítulo 44. As ordenanças acerca dos levitas e seu serviço, incluindo os
sacerdotes.
Capítulos 45 e 46. Primeiramente é dada a ordem de deixar no meio da terra,
ao ser repartida, uma porção para o Santuário e outra para o Príncipe, e outra
para os sacerdotes, e outra ainda para a cidade. Desde 45:9 até 46:24 há regula­
mentos acerca das ofertas, das festas, etc., tão sagradas para o coração do judeu.
Capítulos 47 e 48. O rio de água em grande abundância, que saía de debaixo
do umbral da Casa. Produzia frutos novos cada mês, sem falta, por meio das
árvores em suas margens: seu fruto é para ser comido e suas folhas para serem
usadas como medicamento. Desde 47:13 até o fim do livro há instruções a respeito
da disposição da terra. Naquele dia Israel haverá de possuir muito mais territó­
rio que antes, e o Príncipe habitará entre o povo, e haverá paz. Entendemos que
esses capítulos não se estão referindo ao estado eterno, mas antes, ao reino milenar
de Jesus Cristo. Na eternidade não haverá mais dor e nem necessidade de m edica­
mentos, e nem mesm o de Templo algum.
RESUM O - Ezequiel, sobre cuja vida particular se sabe muito pouco, foi
levado para a Babilônia por ocasião da segunda leva de exilados, no ano 597 antes
de Cristo. Foi constituído profeta cinco anos depois e profetizou a queda e a des­
truição completa de Jerusalém, o que ocorreu seis anos mais tarde. Os capítulos 1
a 24 advertem os judeus, em cativeiro na Caldéia, que seu exílio seria prolongado,
apesar dos falsos profetas dizerem o contrário, e cada indivíduo se tornou res­
ponsável devendo dar ouvidos ao que avisasse o atalaia. Os capítulos 25 a 32
profetizam a respeito das nações vizinhas e sua destruição pelos caldeus. Os
capítulos 33 a 48 foram escritos depois da queda de Jerusalém, e profetizam um
porvir glorioso para os judeus. Estes morariam novamente na Palestina, com seu
Templo e com o Príncipe entre eles.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Onde estava e que fazia Ezequiel, quando Deus o chamou para ser profeta?
Qual foi a sua comissão?
2. Qual a sua im pressão ao ler a visão que teve Ezequiel? Que conceito sobre
Deus vos dá essa visão?
3. Qual a maneira de comprovar se um profeta é enviado mesmo por Deus, ou
se é um profeta falso?
4. Por qual motivo Ezequiel é chamado de "o profeta da responsabilidade pes­
soal"?
5. Pode-se dizer que Ezequiel teve êxito em seu ministério?
6. O estudante que quiser estudar mais detalhadamente este livro, poderá fa­
zer um a lista das profecias já cumpridas, e em seguida das profecias que
ainda esperam cumprimento; e poderá separar dentre estas últimas, as que
sucederão antes da vinda de Jesus Cristo a este mundo, e as que se cum pri­
rão após a Sua vinda.
(Capítulo 3 7

LIVRO DO PROFETA DANIEL

O Senhor Jesus Cristo é a Pedra que não foi cortada ou lavrada por mão de
homem, a qual caiu (ou cairá) sobre as nações inimigas a fim de esmiuçá-las (2:34)
e chegou a ser um a grande montanha que cobriu a terra inteira (2:35). Foi Ele,
igualmente, que andou juntam ente com os três hebreus fiéis, no meio das chamas
do forno (Daniel, capítulo 3). Ele é Quem governa os reinos deste mundo, Quem
restituiu o juízo a Nabucodonosor e foi adorado por Ele (Capítulo 4). Foi Jesus
Cristo Quem acompanhou Daniel à cova dos leões (Capítulo 6); e sobre Seu reino
falou Daniel em suas profecias (7:27, etc.).
Em M ateus 24:15 o Senhor Jesus Cristo chama Daniel de "o profeta", assim
colocando Seu selo divino e infalível sobre o fato que Daniel foi o que o texto de seu
livro afirma: um profeta que viveu durante o cativeiro babilónico (Daniel 9:27;
11:31; 12:11). Sendo ainda jovem foi levado de Jerusalém no ano 606 antes de Jesus
Cristo, ou seja, no terceiro ano do rei Joaquim. Estando já na Babilônia foi escolhi­
do, juntam ente com três outros jovens da alta sociedade judaica, para receber
boa educação com a finalidade de entrar no serviço do rei.
Ezequiel (14:14,20; 28:3) faz referência a Daniel, não como se tratasse apenas
de um livro, mas como a um personagem, comparável a Noé e Jó. Daniel era
hom em justo, devoto e sábio. Daniel foi levado para a Babilônia no ano 606 antes
de Cristo, e Ezequiel no ano 597 antes de Cristo, pelo que, se Daniel tivesse 20 anos
de idade ao ser levado cativo, teria cerca de 35 anos, ao começar Ezequiel o seu
ministério público. Certamente isso dá o tempo necessário para que Daniel fosse
bem conhecido pelos judeus e fosse considerado como seu representante e espe­
rança na corte.
M uitos críticos apresentam objeções à autenticidade do livro de Daniel, afir­
mando que o mesmo foi escrito na época de Antíoco Epifânio (rei da Síria, 174 a
164 antes de Cristo), com o fim de consolar os judeus na perseguição, relatando-
lhes a história do cuidado de Deus pelos Seus em épocas passadas. Dizem os
críticos que o livro menciona instrumentos musicais em grego, o que não poderia
ter sido antes do tempo de Alexandre, o Grande. Porém, nem esse, nem todos os
outros argumentos apresentados pelos críticos, podem ser sustentados com su­
cesso. Pois é fato histórico bem conhecido que a Grécia possuía colônias ao longo
das m argens do G rande M ar, ou M ed iterrân eo, m uito antes do cativeiro
babilónico. E nada de estranho há em que tais instrumentos musicais tenham
sido chamados pelos seus nomes estrangeiros. Como disse Raven: "O livro não
nos apresenta a história do cativeiro babilónico, do ponto de vista dos tempos de
Antíoco, mas os tempos de Antíoco, do ponto de vista do cativeiro".
Já explicam os anteriormente o motivo por que os judeus não colocavam o
livro de Daniel entre os livros proféticos. Isso se deve ao fato de Daniel não ter sido
profeta oficialmente. Ele foi um verdadeiro profeta, mas não foi esse o seu ofício. Por
essa razão é que os judeus colocam seu livro entre os livros históricos de suas
Escrituras. Se esse livro tivesse sido escrito mais ou m enos no ano 165 antes de
Cristo, nunca teria sido aceito pelos judeus no cânon do Antigo Testamento, já
que não teria havido ocasião para ser universalmente aceito, a tempo de ser in­
cluído no cânon.
Outro dos argumentos aduzidos pelos críticos é a impossibilidade de que
Daniel pudesse prognosticar a história futura com tanta exatidão. Tais críticos
são as pessoas que negam a inspiração da Bíblia e rejeitam todo elemento m ila­
groso que nela se encontra. O fato é que se Deus pode revelar um pouco, também
pode revelar muito, segundo a Sua santa vontade. As coisas hum anamente im ­
prováveis ou im possíveis, narradas no livro, servem apenas para com provar
sua inspiração. Um livro falso, escrito para enganar, não incluiria coisas difíceis
de serem cridas.
Quanto às críticas que se referem ao nome do rei medo, Dario, nome esse
desconhecido na história pagã, basta recordar a controvérsia a respeito do nome
Belsazar, há alguns anos passados. Os críticos afirmavam que Balsazar era nome
fictício ou falso, porque não se encontrava na história de Babilônia, que Nabonido
é que tinha sido o filho de Nabucodonosor, o qual foi morto pelos persas por
ocasião da queda de Babilônia. Descobertas de pedras e tábuas, com inscrições a
respeito da história de Babilônia, têm revelado,entretanto, que Nabonido colocou
Belsazar como governador ou rei na Babilônia, enquanto ele mesmo saía com o
exército para proteger o império. Por esse motivo é que Belsazar pôde oferecer a
Daniel o privilégio de ser o terceiro governante do reino (5:16). E possível que
Dario, o medo, seja outro nom e de Gobrias, o medo, o general que ajudou Ciro a
conquistar a cidade, e a quem Ciro colocou por governador ou rei, enquanto ele
mesmo prosseguiu, para completar a conquista. A história pagã diz que Gobrias
nomeou governadores sobre todas as cidades (veja Daniel 6:1). Se o nome de
Beltesazar foi revelado nessas novas descobertas, é provável que mais tarde se
encontre a solução do problema a respeito do nome de Dario, por enquanto desco­
nhecido fora da Bíblia. Josefo, o historiador judeu, diz: "Ele (Dario) era filho de
Astiages, e tinha outro nom e entre os gregos" (Ant. X, 11,4).
Daniel escreve como testemunha ocular, e todos os acontecimentos históri-
cos descritos por ele são plenamente confirmados pela história secular. O que ele
diz sobre o caráter de N abucodonosor concorda com o que os historiadores secu­
lares dizem a seu respeito: era iracundo, caprichoso, orgulhoso, mas também
generoso. Daniel foi outro exemplo de um cativo que serviu fielmente a Deus.
Estando desterrado, viu visões celestiais. Foi provado por grandes tentações, mas
não é registrada uma só falta contra ele; ainda que em sua oração, no capítulo 9, se
tivesse identificado com o povo, dizendo: Temos pecado, etc. etc. Teve um extenso
ministério, desde Nabucodonosor, nos primeiros anos de seu reinado, até Ciro, ou
seja, já no tempo do domínio dos medo-persas. Nunca regressou a Jerusalém.
Nada sabemos sobre sua morte, mas certamente deverá ter ocorrido perto do
tempo da restauração dos judeus à Palestina (9:2), ou talvez pouco depois de
terem Zorobabel e Josué regressado a Jerusalém (10:1; Esdras 1:1).
O livro se divide em duas secções:

I. Histórica, capítulos 1 a 6.
II. Profética, capítulos 7 a 12.

I. HISTÓRIA DE DANIEL E SEUS COMPANHEIROS

Capítulos 1 a 6

Capítulo 1. Aqui Daniel é apresentado, juntam ente com seus três compa­
nheiros: Hananias, M isael e Azarias. Seus nomes foram alterados, para se confor­
marem aos desejos e costumes dos caldeus, tirando toda referência ao Deus de
Israel e pondo-lhes nom es referentes aos ídolos babilónicos. "D aniel" significa
"D eus é meu ju iz", mas seu nome novo, Beltessazar, significa: Favorecido de Bei.
"H ananias" quer dizer "Protegido por D eu s". Seu nome novo, Sadraque, significa,
talvez: Iluminado pelo sol. "M isael" quer dizer: "Q uem é como D eus?"; mas seu
novo nome, Mesaque, quer dizer: Quem é como Shack - Vênus - deus da terra?
"Azarias" quer dizer "Aquele a quem o Senhor sustenta". Seu novo nome, Abede-
Nego - deus do fogo.
Essas traduções não são exatas em um ou outro caso, mas vemos: l 2) Os
babilônios não quiseram ficar ouvindo diariamente os nomes hebraicos, porque
sabiam que Jeová, o Senhor era Deus do céu e da terra, pelo que isso os ofendia em
vista da fé que tinham em seus próprios ídolos; 22) Ainda que tivessem mudado
os nomes, não puderam mudar o caráter dos quatro jovens; 3Q) Daniel sempre se
referia a si mesm o pelo seu próprio nome - Daniel - e não pelo novo nome pagão
que lhe tinham dado.
Neste capítulo, a lição sobre a tem perança e a separação entre o crente e o
mundo, ainda que em meio à tentação, são lições claras e úteis. Devem os conside­
rar igualmente o fato que o hom em que tinha tal contato com Deus, aponto de
poder revelar segredos, foi aquele que resolveu não se contaminar, nem desobede­
cer à lei de Deus, ainda que estivesse cativo e desterrado. No livro são menciona-
dos apenas esses quatro judeus fiéis, mas sem dúvida Deus tinha muitos outros
filhos fiéis entre os judeus. Dam o-nos conta, pois, que se desejarmos andar em
íntima relação com o Senhor, temos que viver separados das contaminações do
mundo.
Capítulo 2. Este é, talvez, o capítulo mais importante de todo o livro. Recen­
temente Deus havia rejeitado a nação hebraica, como Seu instrumento para reve­
lar-se ao mundo. Resolveu fazer uso das nações gentias, tratando com elas direta­
mente; logo depois as julgaria também (Mateus 25). Assim foi que, desde o começo
dessa alteração, Deus revelou Seus propósitos acerca daquele dia de juízo, ao
primeiro im perador do mundo.
Nabucodonosor deveria ter-se submetido a Deus em humildade, e lhe con­
vinha pedir ao Senhor a sabedoria para reinar bem.
O ponto principal da história do capítulo de que estamos tratando é que
Deus revelou ao hom em os Seus planos para o mundo. A interpretação mais
lógica da visão é que o império babilónico foi representado pela cabeça do ouro; o
império medo-persa pelo peito e pelos braços; o império grego, pelo ventre e pelas
coxas; e o império romano, pelas pernas e pelos pés. Vemos uma degeneração
quanto ao valor, de ouro em prata, de prata em bronze, e de bronze em ferro. O
último é forte, mas comum, e além disso, se achava misturado com barro nos pés.
A interpretação dada por Daniel explica a maneira por que é concebido o plano de
Deus para com o mundo, e se prolonga até à vinda do Senhor à terra, novamente,
para estabelecer aqui o Seu próprio reino. No capítulo sete voltaremos a estudar
esses impérios.
Capítulo 3. Em lugar de humilhar-se, o rei Nabucodonosor fez uma colossal
estátua, imagem de ouro, sem dúvida semelhança de si próprio. Tencionou obri­
gar a todos a orar a essa imagem. Não sabemos onde se encontrava Daniel, uma
vez que não aparece no capítulo inteiro. Porém, seus três companheiros deram
bom testemunho, recusando-se a adorar a outro deus além do seu, o Senhor Jeová.
Os três foram am arrados e lançados vivos no forno quentíssimo. As chamas
soltaram suas cordas e ficaram em liberdade. Além disso, o próprio Senhor veio
para atravessar a prova com eles. Saíram sem cheiro, nem fogo em suas vestes.
Oxalá que nós, que nos chamamos crentes segundo o Novo Testamento, pudésse­
mos sair de nossas provas sem o odor do fogo sobre nós! Essa determinação de não
desobedecer a Deus, ainda que isso nos custe a vida, é algo que os membros das igrejas
cristãs de hoje em dia precisam aprender.
Capítulo 4. Aqui temos um a lição sobre o orgulho. Um rei tem de que se
gloriar, talvez em com paração com os demais hom ens, mas também se encontra
numa posição tal que a cada passo convém reconhecer que há um Deus Soberano
no céu, a quem deve estar sujeito. Há m uitas lições espirituais nestes capítulos,
mas não nos devemos deter mais aqui. Note-se o versículo 27, como exortação.
Capítulo 5. Um a cena mais dramática que a história deste capítulo seria
difícil de imaginar. O rei e mil de seus príncipes se banqueteavam, bebendo nos
vasos sagrados, quando aparece na parede uma mão, a escrever as seguintes
palavras: "Enum erado-Pesado-Dividido". Daniel, a conselho da rainha, foi cha­
mado e interpretou as palavras para o rei: "Contou Deus o teu reino, e deu cabo
dele... Pesado foste na balança, e achado em falta... Dividido foi o teu reino, e dado
aos medos persas". Naquela mesma noite todas essas palavras se cumpriram!
Que lições para a juventude há nesta história! Ai dos que não respeitam a Deus!
Capítulo 6. O reino mudou, mas os corações dos hom ens permaneceram tais
como antes. O servo de Deus foi perseguido tal como o fora pelos caldeus. O rei
Dario era orgulhoso e susceptível às lisonjas. A vanglória da vida lhe parecia
muito atraente. Daniel, já ancião, permaneceu fiel e cheio de coragem. Alguém já
disse que "os leões não devoraram Daniel, porque todo ele era uma coluna verte­
bral", querendo com isso dizer que era muito valoroso. Em realidade, foi um
milagre operado pelo Criador, dando prosseguimento ao Seu propósito divino,
para que outro rei desse testemunho de fé em Deus.

H. PORÇÃO PROFÉTICA

Capítulos 7 a 12

Capítulo 7. Com este capítulo chegamos à seção apocalíptica do livro e nota­


mos que essas visões foram dadas a um só hom em que, ao que parece, não as
pregou, mas tão somente escreveu. Neste sétimo capítulo temos outra profecia
acerca dos quatro im périos universais; nesta ocasião são contemplados do ponto
de vista de Deus, para quem esses impérios são como animais, ainda que não seja
assim que o hom em os vê: um homem colossal, com cabeça de ouro. O versículo 4
descreve o animal, primeiro a Babilónia: um leão com asas, que foi dado um
coração de homem. Assim é descrita a história de Nabucodonosor e do império
babilónico. O versículo 5 pinta o segundo animal, semelhante a um urso, que se
levantava sobre um de seus lados. Efetivamente, isso ocorreu ao império medo-
persa, no qual os persas sobressaíram mais que os medos. O versículo 6 nos
apresenta o terceiro animal, representado por um leopardo com quatro asas e
quatro cabeças, que significam o império grego com seu exército e suas rápidas
conquistas das terras do Oriente, o qual, finalmente, se dividiu entre os quatro
generais.
Os versículos 7 e 8 falam do império romano, que foi o mais forte, e que durou
mais que os outros. M aiores explicações sobre esse império são encontradas nos
versículos 19 a 25.
Os versículos 9 a 14 e 26 a 28 são uma descrição sobre o reino de nosso
Senhor Jesus Cristo; é apenas outra maneira de expressar o que já foi dito no
capítulo dois, acerca da pedra não feita por mãos, lavrada da montanha, e que
caiu sobre os pés da estátua, e a esmiuçou e cresceu até cobrir a terra inteira,
segundo diz em 2:34, 35.
Capítulo 8. Esta nova visão se refere aos dois reinos, o medo-persa e o grego.
O carneiro com os chifres desiguais é o reino ou império medo-persa. Foi destruído
pelo bode de um chifre só, ou seja, a Grécia. Alexandre Magno veio com seu exér­
cito e conquistou rapidam ente todas as terras do oriente. Diz-se que faleceu la­
mentando que não houvesse mais mundo para conquistar. Deixou seu reino para
quem pudesse tomá-lo, o que deu origem a que fosse dividido entre seus quatro
generais. Ptolomeu ficou com o Egito; Seleuco, com a Síria e a Ásia Menor; Lisímaco
com a Trácia; e Cassandro com a M acedônia e a Grécia.
O nono dos reis selêucidas foi Antíoco Epifânio (175-164 A. C.), o qual, com
sua perseguição contra os judeus, cumpriu tudo quanto estava profetizado nos
versículos 9-12 e 23-25, e representa o "pequeno chifre". Profanou o santuário,
levantando no lugar santíssim o um a estátua a Júpiter, m as 2.300 dias mais tarde,
foi restituído o santuário pelos Macabeus.
Capítulo 9. Estudando Daniel o livro do profeta Jeremias, percebeu que se
aproximavam do fim os setenta anos do cativeiro, conforme Jerem ias 2 5 :1 1 ,1 2 .0
resultado foi que orou fervorosamente ao Senhor, confessou os pecados do povo,
incluindo a si próprio entre eles. Sua confissão e petição, para alcançar o perdão,
constituem uma excelente preparação para o estudo bíblico e a compreensão da
vontade de Deus.
A parte principal desta visão é a revelação das setenta semanas. Percebe-se
claramente que nenhum a destas épocas tem relação com a Igreja de Cristo, e que
tão pouco está incluída ali a dispensação da graça. Referem-se exclusivam ente a
Israel. Estão divididas em três períodos; sete semanas e sessenta e duas semanas;
um espaço vazio, e logo em seguida a últim a semana. O ponto de partida é o edito
sobre a reconstrução de Jerusalém . Este fato é muito importante, já que se compu­
tarmos o tempo desde o edito de Ciro a Zorobabel e à reedificação do Templo, todo
o cálculo será errado.
No ano de 445 antes de Cristo, Artexerxes entregou a Neemias a ordem de
reconstruir Jerusalém . Ora, calculando estas semanas ou setes como anos, em
lugar de dias, verificam os que o primeiro período de 49 anos nos levará ao ano
396 A. C. Alguns crêem que nessa data foram levantados os novos muros de
Jerusalém, o que não parece provável. Ignoramos a razão para essa divisão.
As sessenta e duas semanas, ou seja, 434 anos, contando desde o ano de 396
A. C., nos levam ao ano 32 D. C., sendo esse mais ou menos a data em que, segundo
os historiadores, nosso Senhor se apresentou aos chefes em Jerusalém, no "D o­
mingo de Ram os", e foi rejeitado e crucificado antes de terminar aquela semana.
Resta, entretanto, o último período de sete anos. Conforme diz o versículo
24, no fim do tem po seria introduzida a justiça perdurável e o Santo dos santos
(Jesus Cristo) seria ungido. É claro que esses sete anos falam dos últimos anos de
tribulação, antes que nosso Senhor venha estabelecer Seu reino m ilenar na terra.
Comparando o versículo 27 com o livro de Apocalipse, vê-se a concordância
entre Daniel e o livro de Apocalipse. Os últimos sete anos antes do fim serão de
muita tribulação para os judeus, e se acham divididos em dois períodos iguais.
Capítulo 10. A última visão inclui todo o resto do livro. Neste capítulo ve­
mos Daniel entregue a três semanas de oração. Também vemos como o exército de
Satanás, no ar, opõe-se a que os homens venham ao conhecimento da verdade. O
anjo saiu da presença de Deus no primeiro dia em que Daniel se pôs a procurar a
face de Deus, mas foi detido pelos príncipes ou autoridades nos lugares celestiais,
até que os anjos de Deus conseguiram a vitória, e o mensageiro divino pôde che­
gar à terra com a sua mensagem.
Capítulo 11. Este capítulo fornece muitos detalhes sobre as intrigas e bata­
lhas que se dariam entre o rei do Egito, no sul, e o rei da Síria, no norte. Por
encontrarem -se os judeus em território intermediário entre essas duas nações,
naturalmente foram afetados pelos acontecimentos. Essa revelação preparava o
povo judeu para aqueles dias de conflito. A consideração do caráter malévolo do
rei da Síria, Antíoco Epifânio, leva Daniel à revelação do Anticristo, o qual haverá
de vir no tempo marcado.
Capítulo 12. Prossegue a revelação sobre os últimos tempos. Não se fala
mais aqui sobre as perseguições levadas a efeito por Antíoco Epifânio, mas sobre
os dias da vinda de Cristo novam ente a este mundo. Fala da ressurreição dos
mortos e da glória futura dos salvos. Em seguida há algumas referências a tempos
assinalados, juntam ente com instrumentos para que sejam seladas as palavras,
até o tempo do fim. Os sábios entenderão, porém, que isso se refere aos que estive­
rem vivos naquele tempo futuro, porque Daniel iria para seu descanso.
RESUM O - O Senhor Jesus Cristo chamou Daniel de "profeta" e não há a
menor evidência para crer-se que o livro não tenha sido autenticamente escrito
por Daniel, durante o tempo do cativeiro babilónico.
Os prim eiros seis capítulos são a história de Daniel e de seus três compa­
nheiros, judeus fiéis a Jeová, no cativeiro.
O capítulo 2 contém a revelação do curso dos séculos: os quatro impérios que
levantar-se-iam da terra; revelação feita ao rei Nabucodonosor na forma de ho­
mem colossal, composto de diversos elementos.
A mesma verdade revelada a Daniel, mas desta vez segundo o ponto de vista de
Deus, teve a forma de quatro animais, cada um deles representando um império.
Desde o capítulo 8 a 11:35 o tema é a aflição que viria sobre Israel, por meio
dos impérios e suas guerras.
No capítulo 9 há a revelação das setenta semanas; 69 semanas até o Messias,
e no tempo do fim, imediatamente antes do estabelecimento do reino milenar, a
últim a das 70 semanas. De 11:30 até o fim do livro, o livro fala do Anticristo e dos
últimos acontecimentos, antes do reino de Jesus Cristo.

PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Descreva o caráter de Daniel e explique como seu caráter o preparou para


receber as revelações (12:10).
2. Dê os nom es, pela ordem cronológica, dos quatro im périos m undiais dos
capítulos 2 a 7.
3. Que lições espirituais você tem aproveitado dos primeiro seis capítulos?
4. Que responderia se um pagão lhe dissesse que Deus deve, então, ajudá-lo a
adivinhar e resolver os pensamentos e os sonhos?
5. De todas as profecias dos últim os seis capítulos, quais não se têm cumprido
até agora, e quais tam bém são encontradas no livro de Apocalipse?
6. Que lições, acerca da oração, tem aprendido nos capítulos 9 e 10?
7. O aluno que possua uma Bíblia com referências centrais aproveitará muito
procurando e lendo todas as referências do livro de Apocalipse e comparan­
do-as com as passagens semelhantes do livro de Daniel.
@ japíiul& 38

A PROFECIA DE OSÉIAS

O Senhor Jesus Cristo, o Perfeito Israel, cumpriu a profecia de Oséias 11:1:


"...do Egito chamei o meu filho", citada em Mateus 2:15. Cristo obedeceu implici­
tamente, enquanto que Israel desobedeceu. Oséias tem sido chamado de "o profe­
ta com o coração quebrantado". Nesse particular tem ligeira semelhança com
Nosso Senhor, cujo coração tam bém muito sofreu. O nome Oséias significa "sal­
vação", pois vem da mesm a raiz que a palavra "Jesu s" ou "Josu é". E interessante
observar que dos três homens do Antigo Testamento cujos nomes são semelhan­
tes ao de nosso Senhor Jesus, um foi o profeta (Oséias 1:1); outro foi sacerdote
(Zacarias 3); e outro o líder, governador ou rei. Veja também 6:2. Em M ateus 9:13
e 12:7 o Senhor citou Oséias 6:6.

OAUTOR

A respeito de Oséias não se sabe mais do que seu próprio livro nos revela. Era
filho de Beeri, hom em desconhecido. Sobre o caráter peculiar de Oséias não há
dúvida alguma. Sua leal obediência ao Senhor foi extraordinária. Certamente que
Deus sabia com quem estava tratando, antes de entregar-lhe aquelas comissões
tão difíceis, e tam bém é claro que Oséias teve um conceito bem alto da majestade
de Deus, visto que teve um amor tão profundo pelo povo errante de Israel. Oséias
tem sido chamado de "o Jerem ias de Israel", isto é, que ocupou o mesmo lugar, no
reino do Norte, que Jerem ias ocupou, mais tarde, em Judá.

ÉPOCA

Entre os anos 790 e 725 antes de Cristo, profetizou Oséias, cessando suas profecias
pouco antes do cativeiro de Israel. Todos os reis de Israel se conduziram mal. Não
houve nem um a só reforma digna deste nome. Deus usou o profeta Oséias como
tipo ou representante, e a esposa desleal não foi mais iníqua que a nação; como se
portou ela, assim se portou o povo. Oséias dá os nomes dos reis de Judá que
reinaram durante todo o seu ministério, mas só dá o nom e de Jeroboão II dentre os
reis de Israel. Lendo em II Reis 14 a 18, vê-se que Zacarias, Salum, Menaém, Pecaías,
Peca e Oséias, filho de Ela, ocuparam o trono durante aquele tempo, mas o período
foi caracterizado pela anarquia. Ezequias estava ocupando o trono de Judá antes
e depois da queda de Samaria, e Oséias profetizou durante o período do reinado
de Ezequias; não obstante, não é mencionada no livro de Oséias a derrota e o
cativeiro como história, pelo que se calcula que Oséias tenha falecido antes de ver
aquele desastre que cumpriu suas profecias.
Oséias foi contemporâneo de Amós, em Israel, durante a última parte do
ministério deste; e foi contem porâneo de Isaías e Miquéias, em Judá.
Em Oséias são m encionadas quatro classes de apostasia, que prevaleciam em
Israel, antes do cativeiro:

1. Apostasia política - 7:11. Buscaram a Assíria e o Egito, em lugar de busca­


rem ao Senhor, em sua necessidade.
2. Apostasia religiosa - 8:5-7. Adoraram aos bezerros e a Baal, em vez de ado­
rarem a Deus.
3. Apostasia m oral - 4:2. São enumerados seis pecados: perjúrio, má fé, hom i­
cídio, furto, adultério e contendas.
4. Apostasia federal, ou do pacto - 4:6. Israel se esquecera da lei de Deus, pelo
que seu castigo lhe sobreviria por certo.

PROBLEMA DO LIVRO

O livro de Oséias apresenta um problema principal. Tal como o que sucedia


entre o profeta e sua esposa, era uma ilustração do que eram as relações entre
Israel e o Senhor, algumas pessoas querem negar que trata-se aqui de fatos histó­
ricos. Afirm am que tudo é alegórico, sem base em fatos. Há outros que aprovei­
tam os três primeiros capítulos do livro para acusarem a Deus de imoralidade, e
assim tiram a importância não somente deste livro particular, mas também da
Bíblia inteira, declarando os tais que as Escrituras contêm um conceito indigno
do Ser Supremo. Certamente que essas asseverações, não têm o menor valor.
Cremos que o que se acha relatado no livro de Oséias é verídico e digno do
Senhor. Gômer era o nome de uma virgem, com quem o profeta se casou, e assim
serviu ela para símbolo da nação de Israel, quando o Senhor a encontrou em sua
meninice e inocência, desposando-a consigo mesmo. Entretanto, a semelhança de
Israel, Gômer, ainda em sua virgindade, tinha um coração mau e o caráter desleal
de adúltera. Depois de seu m atrim ônio foi infiel e abandonou seu marido, para ir
após os seus amantes. Terminou no mercado público, como escrava posta à ven­
da. Oséias a comprou, pô-la num a casa com todo o necessário para viver e com
instruções para permanecer ali fielmente, até que ele regressasse de uma longa
viagem. Israel tam bém cometeu adultério espiritual e moral; abandonou ao Se­
nhor para seguir após os ídolos; colocou sua confiança nas nações para sua salva­
ção, em lugar de esperar no Senhor; e se esqueceu da lei, a fim de cometer toda
sorte de imoralidades. O Senhor enviou os profetas para que atraíssem Israel,
para que se voltasse novam ente para Ele, e com esse objetivo, ofereceu-lhe com­
pleto perdão e graça.
Se negarmos o aspecto histórico do m atrimônio de Oséias e do pecado de sua
esposa, então torna-se difícil fazer a distinção entre o que é simbólico e o que é real
nas Sagradas Escrituras. As regras de interpretação bíblica não teriam valor sob
tal explicação e ficaríamos sujeitos aos caprichos de cada comentarista. Por outro
lado, se aceitarmos a interpretação que Deus ordenou ao profeta que se casasse
voluntariamente com uma mulher adúltera, estaríamos acusando Deus de im o­
ralidade, desaparecendo assim a analogia que há entre a história do profeta nes­
tes três primeiros capítulos do livro e a história de Israel nos últimos onze capítu­
los do mesmo. Se dissermos, igualmente, que Gômer era idólatra (adúltera espiri­
tual, mas não m oralmente) então estaremos violando o m andamento do próprio
Deus, que impede a união desigual dos crentes com os incrédulos.
E possível que Gômer fosse filha ilegítima, como alguns interpretam a frase
“filhos de prostituição", em 1:2. Porém, isso tão pouco concorda com a lei da
interpretação, porque Israel não era "filha ilegítim a". Pelo contrário, creio que 1:2
explica que Gôm er era virgem, como Israel era no princípio de sua vida nacional,
mas que tinha um coração m au e corrompido, como também os israelitas tinham
o coração para com o Senhor Deus. Dessa forma, analogamente, ela foi tipo da
nação israelita; não tinha caráter, nem apreciava a lealdade. Seu amor era somen­
te interesseiro.
Qual foi o propósito de Deus ao colocar o profeta frente a experiência tão
triste? Primeiramente, para dar uma lição objetiva à nação. Em segundo lugar,
para preparar o espírito de Oséias para seu ministério, a fim de que pudesse
predizer o castigo que haveria de sobrevir aos israelitas, não com prazer, nem
amargura, mas antes, com lágrimas. Somente assim cumpriria Deus a Sua vonta­
de para com a nação israelita e lhe revelaria Seu imenso amor, ao lado de Sua
determinação em castigá-la.

O ESBOÇO É SIMPLES

I. História doméstica profética, do profeta, caps. 1 a 3.


II. Discursos à nação israelita, caps. 4 a 14.

I. HISTÓRIA DOMÉSTICA PROFÉTICA, DO PROFETA

Capítulos 1 a 3

Esta parte tam bém é chamada de "a preparação do profeta".


A. Introdução, 1:1
B. Vida doméstica e sua relação com Israel, 1:2 a 3:5:
1. O matrimônio, 1:2,3. Leia Gênesis 12:1-3 e I Reis 12:1-24 como referên­
cia ao princípio do reino de Israel.
2. Os filhos com nomes significativos, 1:3-9
"G ôm er" significa "consum ação"
"D iblaim ", "tortas de figos conservados", coisa luxuosa
"Jezreel", "D eus espalhará"
"Lo-Ruam a"
"Lo-A m í"

Dessa forma, o Senhor usou os filhos de Oséias para advertir a toda nação da
condenação de que se faziam merecedores devido à sua conduta.

3. Esperança para o futuro, 1:10 - 2:1. Esta profecia curta fornece, em


poucas palavras, a certeza da restauração e os propósitos que Deus
tinha para com Israel e Judá.
4. A tragédia no lar de Oséias: a infidelidade de sua esposa, 2:2-23. E
difícil distinguir entre a voz do profeta a falar de sua esposa, e a voz
do Senhor a falar de Israel. Em ambos os casos nota-se a obra do amor:
(a) terá de ser posta a descoberto a iniqüidade; (b) tornar-se-ia difícil
o caminho do perverso. O amor exige a disciplina; (c) o triunfo do
amor: a restauração. Nesse caso o triunfo nacional precede o triunfo
pessoal, ou particular. Ao ser m encionada a queda, falou-se prim eira­
mente da tragédia do profeta, mas, ao falar-se da restauração, profe­
tiza-se primeiramente a da nação.
5. A restauração de Gômer, 3:1-5.

Oséias comprou novam ente a sua esposa e fez com ela um pacto, prelúdio de
uma longa ausência. Semelhantemente, Israel acha-se hoje em dia sem rei, sem
príncipe, sem sacrifício, etc. O versículo 5 promete a Israel a fidelidade de Deus
para com a nação, e que Ele fará os corações do povo se voltarem para Ele.

n. DISCURSOS À NAÇÃO ISRAELITA

Capítulos 4 a 14

Estes discursos não se acham na ordem cronológica, nem separados quanto


ao seu conteúdo. Levando em consideração o extenso ministério de Oséias, calcu­
lamos que nesses poucos discursos encontramos o resumo das mensagens do
profeta. Não obstante, há a repetição das três seguintes experiências, nessa or­
dem: ( l s) a transgressão; (2e) a visitação, ou manifestação do amor, prim eiramen­
te em severidade, e em seguida, em ternura; (3S) a restauração.
Oséias lança mão de muitas ilustrações e uma linguagem muito direta, apesar
de haver sido um poeta de talento. Note-se suas expressões ilustrativas: "vacas
rebelde", 4:16; "a nuvem da manhã... o orvalho da madrugada", 6:4; "forno aceso
pelo padeiro", 7:4; "pão que não foi virado", 7:8; "pom ba enganada ", 7:11; "aves do
céu", 7:12; "semeiam ventos, e segarão tormentas", 8:7; "o jumento montês anda
solitário", 8:9; etc.
A nação do norte é chamada de "Israel", "Sam aria", ou "Efraim ". Amiudadas
vezes é difícil saber se o profeta expressa seus próprios sentimentos, ou se cita as
palavras do Senhor, porém, este particular não tem importância, visto que Oséias
estava unido a Deus de tal maneira, e de tal modo ensinado por meio de suas experi­
ências, que pensava da mesma forma e sentia as mesmas coisas que o Senhor.
Não é possível dividir essa seção do livro, mas consideramos que se tratam
de seis discursos, ainda que não queiramos ser dogmáticos nessa divisão:

A. Prim eiro discurso, capítulo 4. Acusações contra Israel. Os muitos peca­


dos do povo procedem da ignorância voluntária, 1-6. O Senhor pronun­
cia o castigo, 7 a 19. Os versículos 6 a 17 são de especial interesse, neste
capítulo.
B. Segundo discurso, capítulos 5 a 7:
1. O capítulo 5 é uma denúncia contra os sacerdotes apóstatas que fazi­
am o povo desviar-se para o pecado, por meio da idolatria, 5:1-9.
2. Denúncia contra os príncipes, por causa de sua avareza e opressão,
com o castigo conseqüente, 5:10 - 6:3.
3. Pecados do povo, e o julgam ento do Senhor, 6:4 - 7:16.
Nesta seção são notáveis os versículos 5:15: "...estando eles angustia­
dos, cedo te buscarão..."; 6:1: "...tornem os para o Senhor, porque ele
nos despedaçou, e nos sarará; fez a ferida, e a ligará"; 6:3: "Conheça­
mos, e prossigamos em conhecer ao Senhor..."; 6:6: "...m isericórdia
quero, e não sacrifício; e o conhecim ento de D eus, m ais do que
holocaustos", etc. Em 7:8 vemos as palavras: "Efraim se m istura com
os povos, é um pão que não foi virado", o que é uma comparação
muito expressiva. Significa que não houve reforma, que continuou
degenerando-se inconscientemente (7:9), e como resultado chegou a
decadência muito grande, no que se refere ao mundo, ao pecado e à
idolatria, com total desconhecimento sobre Deus e sobre a adoração
que Ele merece.
C. Terceiro discurso, capítulo 8.
A idolatria de Israel foi a primeira causa do cativeiro com que seriam
escravizados. A Assíria, em quem confiavam, haveria de devorá-los. O
versículo 7 ensina a lei divina de causa e efeito. Muitas vezes uma coisa
pequena produz grandes resultados, existindo entre os dois uma íntima
relação: "...aquilo que o hom em semear, isto também ceifará" (Gálatas
6:7). O versículo 12 ilustra a maneira pela qual o hom em costuma descul­
par-se por não cumprir, nem obedecer à lei de Deus, apoiando-se em sua
ignorância sobre ela.
D. Quarto discurso, 9:1 a 11:11.
1. Pecados de Israel e o castigo resultante, 9:1 -1 0 :5 .
2. Expressão do entranhável amor de Jeová, 11:1-11.
A passagem 10:12 é um bom texto para um sermão que chame os
reincidentes a se voltarem para o Senhor, "...arai o campo virgem ",
significa, espiritualmente, que nós devemos voltar para Deus, em ar­
rependimento e confissão dos pecados, para procurar novamente a
comunhão com ele.
Expressões de amor, como 11:4, 8, 9, levando em consideração as cir­
cunstâncias e o caráter daqueles a quem foram dirigidas as palavras,
talvez não sejam encontradas em qualquer outra literatura.
O texto 11:1 é um exemplo ou ilustração clássica do que se chama "a
lei da dupla referência". No Antigo Testamento, Deus chamou Israel
para ser Seu filho, para sair do Egito e para fazer a Sua vontade; po­
rém, o que Israel não fez, devido ao pecado, o Senhor Jesus cumpriu
com perfeição. A respeito dessa mesma lei da dupla referência, com ­
pare Oséias 1:10 e 2:23 com Romanos 9:25, 26.
E Quinto discurso, 11:12 - 13:16. Estes capítulos são uma condenação con­
tra os muitos pecados de Israel. Deus os chama para que se voltem para
Ele, mas não respondem por estarem demasiadamente ocupados em busca
de riquezas. O castigo da destruição está decretado contra Samaria. N o­
tem os versículos 12:5, 6; 13:4,14.
E Sexto discurso, capítulo 14.
Deus repete Sua chamada a Israel, para que se volte para Ele. Chega a pôr
na boca do povo a oração que deveriam fazer perante Ele, e promete
abençoá-los, em sua restauração.
Note que o castigo haverá de produzir bons resultados, visto que Efraim
haveria de dizer: "...que tenho eu com os ídolos?" Por isso Deus disse:
"Curarei a sua infidelidade, eu de m im mesmo os amarei, porque a m i­
nha ira se apartou deles".

RESUM O - Oséias, o profeta da ira e do amor, já foi chamado de "o Jeremias


da nação de Israel". Profetizou antes da queda de Samaria. Conclamava o povo
para que abandonasse a idolatria e se voltasse para o Senhor.
Deus lhe ordenou que se casasse com uma m ulher que lhe foi infiel, mas a
qual Oséias amava e a tornou a comprar, afim de restaurá-la à sua casa. Assim foi
que Deus ensinou ao povo o Seu amor para com eles, ao mesmo tempo em que
denunciava os seus pecados.
Os três primeiros capítulos relatam a história trágica do lar de Oséias, en­
quanto que o resto do livro se compõe de discursos que esclarecem as transgres­
sões, a visitação de Deus e as promessas de restauração.
PERGUNTAS DO FIM DO CAPÍTULO

1. Relate, a história doméstica do profeta Oséias.


2. Qual foi o propósito de Deus, ao fazer o profeta passar por experiência tão
amarga?
3. Que lições tem encontrado no livro, a respeito da reincidência (ir para trás,
esfriar ou apostatar)?
4. Quais pecados, condenados por Oséias, são comuns hoje em dia?
5. Aprenda de m em ória ao menos os versículos 6:6; 11:4 e 11:8, 9.
6. Quais lições espirituais você aprendeu no estudo do livro de Oséias?
C a p ítu lo 3 9

PROFECIAS DE JOEL E AMÓS

PROFECIA DE JOEL

O Senhor Jesus Cristo é Aquele que, havendo subido ao céu depois de Sua
morte e ressurreição, enviou o Espírito Santo, no dia de Pentecoste, conforme a
profecia que se encontra em Joel 2:28-32 (Atos 2:17-21). Foi a base do que o Senhor
Jesus Cristo pôde profetizar o dia em que seria oferecida a salvação a todo aquele
que invocasse o nome do Senhor (Joel 2:32; Atos 2:21 e Romanos 10:13).
A sinopse mais recom endada depende da interpretação. Alguns fazem duas
divisões, como segue:

Coisas presentes 1:1 a 2:27.


Coisas futuras 2:28 a 3:21.

Outra divisão, porém, acompanha os capítulos do livro, como damos abaixo:


Capítulo I - O dia do Senhor, visto como data imediata. Invasão dos gafa­
nhotos.
Capítulo II - O dia do Senhor, visto como iminente. A invasão dos assírios.
Capítulo III - O dia do Senhor, visto como data futura. A invasão final.
FRASE CHAVE, OU TEMA - "O dia do Senhor" (2:1, 11). Trata-se de um
período de julgam ento, por meio da praga dos gafanhotos, e de um período poste­
rior de bênção pentecostal para Judá. "H á um primeiro julgam ento contra o povo
escolhido, executado pela invasão dos gafanhotos (ainda que essa praga não seja
mencionada nos livros históricos). Esse julgam ento desaparece, mediante o jejum
e a intercessão. A praga dos gafanhotos é apresentada como base para um dia
terrível de julgam ento final, que haverá de incluir todas as nações. Os fiéis recebe­
rão galardões, enquanto que os perversos serão castigados".
Texto chave: 2:11 comparado com 3:21: "O Senhor levanta a sua voz diante
do seu exército; porque muitíssimo grande é o seu arraial; porque é poderoso
quem executa as suas ordens; sim, grande é o dia do Senhor, e mui terrível! Quem
o poderá suportar?... Eu expiarei o sangue dos que não foram expiados; porque o
Senhor habitará em Sião".
Também têm sido sugeridos os seguintes textos: 2:1; 2:13; 1:15.

AUTOR

Joel, filho de Petuel. Nada se sabe definitivamente a respeito dele, além desta
curta introdução sobre si mesmo, em 1:1: "Palavra do Senhor, que foi dirigida a
Joel, filho de Petuel".
Joel significa "Jeová é D eus", ou "Jeová é meu D eus". Note que esse nome
contém tanto Jeová como Eloim, tal como "E lias" (Elijah), ainda que neste último
caso "Eloim " venha em primeiro lugar, e "Jeová" venha em último lugar.
Joel foi um dos homens, que recebeu esse nome no Antigo Testamento. Veja I
Samuel 8:2 (o primogênito de Samuel foi o primeiro no Velho Testamento que
recebeu este nom e); I Crônicas 4:35; 5:4, 12; 6:36; 7:3; 11:38; 15:7, 26:22; 27:20; II
Crônicas 29:12; Esdras 10:43; Neemias 11:9.
Evidentemente Joel não era sacerdote, mas vivia em Jerusalém e foi profeta
enviado ao reino do sul, 1:13,14; 2:17. Um a tradição judaica diz que era natural de
Betom, da tribo de Rúben.
Em I Crônicas 24:16 é mencionado um hom em chamado Petaías. Alguns
tentam relacionar esse nom e com o de Petuel, pai de Joel, para provar que ele
provinha de uma descendência de sacerdotes; porém, isto não é prova suficiente.
Alguns comentaristas judeus declaram que Petuel é Samuel, visto que Samuel
teve um filho chamado Joel; porém, em vista das Escrituras dizerem que os filhos
de Samuel foram malvados, tal afirmação só pode ser incorreta. O próprio livro
não fornece qualquer indício a respeito de sua história pessoal.

TEMPO

Aproxim adam ente oitocentos anos antes de Jesus Cristo. Os mais eruditos
estudiosos judeus e cristãos afirmam que Joel viveu em época bem recuada. Em
vista do fato de Joel não fazer referência alguma a Nínive ou Babilônia, mas antes
mencionar os filisteus, Tiro e Sidônia, Edom e Egito, sua profecia poderia muito
bem ter sido escrita antes que os grandes impérios mundiais dos assírios e caldeus
tivessem chegado ao seu clímax. Essa interpretação oferece menos dificuldades e
assinala Joel como o primeiro autor de profecias escritas, e o primeiro profeta de
Judá, com um ministério que teve início pouco depois do ministério de Eliseu.
Alguns comentaristas crêem que Amós 1:2 é uma citação tirada de Joel 3:16 (veja
também Amós 5:16-18). Por isso se acredita que Joel tenha vivido antes de Amós.
Como Amós viveu nos dias de Uzias, rei de Judá, e de Jeroboão II, rei de Israel, o
ministério de Joel certamente teve lugar antes do governo desses reis. Os críticos
destrutivos colocam o tempo da escrita do livro depois do cativeiro, cerca do ano
500 antes de Cristo. Alegam que a menção dos muros de Jerusalém (2:7,9) assinala
uma data posterior a Esdras e Neemias... Também se opõem a uma data antiga
porque são m encionados os gregos em 3:6. Porém, também sabemos que os gregos
são mencionados num a inscrição de Sargão (cerca do ano 710 antes de Cristo); e
muito antes disso, nas Cartas de El-Armana, segundo o professor Sayce, autor de
"A Alta Crítica e os M onum entos", também há menção de um grego.
OCASIÃO - Um a seca muito severa e um a praga de gafanhotos haviam
causado muita ruína por toda parte.
Ainda que M oisés (Deuteronômio 28:28,39) e Salomão (I Reis 8:37) tivessem
mencionado os gafanhotos como um dos instrumentos do castigo divino, o povo,
naquela ocasião, não reconheceu a praga como tal.
A missão de Joel foi manifestar a seu povo que a triste condição de sua vida
espiritual era a causa pela qual Deus tinha enviado a praga, e exortava a nação ao
arrependimento, como primeiro passo de regresso a Deus.
PONTOS IMPORTANTES - Joel é "o profeta do Pentecoste" (2:28-32).
Autoridades literárias competentes declaram que, do ponto de vista do esti­
lo, esse pequeno livro é um a jóia literária. Seu estilo é proem inentem ente puro, e
caracterizado por sua suavidade, fluidez, força e ternura.
E especialmente notável por três motivos:
a) Contém a descrição mais eloqüente de toda a literatura sobre a devasta­
ção provocada pelos gafanhotos. Mais da metade dessa profecia curta
contém a descrição da praga dos gafanhotos. Atenção especial é dada à
destruição das vinhas e árvores frutíferas (1:7). Tão densas eram as nu­
vens de insetos devastadores que o sol foi obscurecido e a luz reduzida,
como durante um eclipse solar (2:2). Parece que a praga foi acompanhada
por um a forte seca (1:18, 20).
b) Fornece a primeira notícia a respeito da vinda do Espírito Santo sobre
toda a carne (2:28-32).
c) Suas profecias são notáveis por seu alcance, estendendo-se desde seus
próprios dias, até o fim dos tempos.
Augus e Green dizem: "O estilo de Joel é notável, claro e elegante; obscuro
unicamente no final, onde sua beleza é velada por alusões a acontecimentos ainda
não realizados. A dupla devastação predita nos capítulos um e dois, a primeira
pelos gafanhotos e a segunda pelos invasores, da qual a prim eira serviu de arau­
to, é pintada em term os m etafóricos e adm iravelm ente adequados ao caráter
duplo da descrição".

NOTAS:

Note como Joel dirige sua mensagem a distintas classes, ou grupos de pesso­
as: "...vós, velhos..." (1:2); "...todos os habitantes da terra... (1:2); "...ó terra..." (2:21);
"...anim ais do cam po..." (2:22); "...filhos de Sião..." (2:23).
O versículo 1:3 indica o grande alcance da m ensagem desta profecia.
1:4 - Às vezes as invasões de gafanhotos cobriam a extensão de vários quilô­
metros de terra, e onde quer que fosse faziam desaparecer inteiramente a verdu­
ra; a colheita era consumida, as árvores e as plantas perdiam as folhas, as ram a­
gens ficavam peladas e os rebentos desapareciam. O gafanhoto é talvez a forma
mais terrível de calamidade que possa acontecer a um povo agrícola. Os gafanho­
tos foram um a das pragas que o Senhor enviou contra o Egito, e Moisés havia
profetizado que Deus os empregaria novamente para castigar a Seu próprio povo,
se se tornasse desobediente (Deuteronômio 28:38,42). Deus não precisa chamar as
grandes forças da natureza, como o terremoto, o relâmpago ou a tempestade,
para efetuar Seus julgam entos contra Suas criaturas rebeldes. Ele pode fazer com
que instrum entos m uito insignificantes levem a cabo os Seus propósitos. O
versículo 1:4 diz assim: "O que deixou o gafanhoto cortador comeu-o o gafanhoto
migrador; o que deixou o migrador comeu-o o gafanhoto devorador; o que deixou
o devorador com eu-o o gafanhoto d estru id or". Essas palavras, no original
hebraico, não expressam insetos de diferentes espécies, mas simplesmente o m es­
mo inseto, o gafanhoto, em quatro etapas de seu desenvolvimento. "G azam " sig­
nifica "ro er" ou "com er pouco a pouco". "Arbeh", significa "serem m uitos". Esse
é um nome comum para os gafanhotos, devido a seu costume de se m ultiplicarem
muito. "Jélek" significa "lam ber" ou "com er lam bendo"; e "C hasel" quer dizer
"devorar" ou "con su m ir". O gafanhoto passa por um estado quádruplo em seu
desenvolvimento, até chegar à maturidade. Primeiramente, ao nascer, é o gafa­
nhoto roedor; em seguida recebe asas e voa; então começa sua obra destrutiva,
consumindo o que encontra; finalmente, alcança seu pleno desenvolvimento e
devora tudo quanto estiver no seu cam inho". Esses quatro tipos de gafanhotos
são interpretados, muitas vezes, como uma profecia a respeito da Babilônia, da
Pérsia, da Grécia e de Roma, as nações que invadiriam e dominariam Judá. Quan­
do alguém disser: "Vejam quão grandes coisas os gafanhotos fizeram " muitos
responderão: "...grandes coisas fez o Senhor por nós; por isso estamos alegres"
(Salmo 126:3).
1:9 - Tão grande foi a devastação que não se podia encontrar suficiente fari­
nha fina, azeite e incenso para a "m inchah", ou seja, a oferta que acompanhava o
oferecimento diário, que se fazia com o incenso. O mesmo ocorria com o vinho
para as libações. Essa interrupção no decurso da adoração foi considerada uma
grande calamidade... prenúncio da retirada do Senhor dentre o Seu povo.
1:15 - Parecia que as cinco referências ao "dia do Senhor", em Joel, são pro­
gressivas, em sua natureza. 1:15 é a única vez onde é empregado o termo "Shaddai"
(Todo-poderoso) para designar o Senhor, no livro de Joel. Aqui Ele é citado como o
Deus "m ais que sufuciente". Nesse caso, essa designação é usada com referência a
Seu julgam ento contra o pecado. Os juizes de Deus são tão certos, como Seus
favores e misericórdias.
Em 2:2, tal como em 1:4 são empregadas quatro palavras hebraicas distin­
tas, com um significado ligeiramente diferente uma da outra, 2:3-20. A praga dos
gafanhotos - como enfrentá-la? Com um a vassoura tentar-se-á varrê-la? Assim é
a maneira pueril do mundo agir. Não; pelo contrário, deve-se invocar o Espírito
do Deus vivo; deve-se empregar o fogo para combater o fogo.

CAPÍTULO I - A INVASÃO DOS GAFANHOTOS

A. Introdução, 1:1

B. A praga e sua significação para o povo de Judá, 1:2-20.

1. Versículos 2-14 e 16-20 descrevem esta praga que foi a pior que já
tinham testemunhado. Os versículos 5 e 6 antecipam o ensino do pró­
xim o capítulo. Do versículo 13 em diante Deus conclama o povo ao
arrependimento. (Ver nota sobre 1:4).
2. Versículo 1:15. O propósito do Espírito Santo, ao fazer referência aqui
ao "dia do Senhor", seria o de unir o pensamento do castigo com a
praga, e por sua vez, com o "d ia do Senhor". Também assim prepara­
va as m entes dos ouvintes, ou leitores para o ensinamento do capítulo
dois.
CAPÍTULO II - A INVASÃO DO INIMIGO

Versículos 1-11. A vinda do exército.


Versículos 12-17. Conclamação ao arrependimento.
Versículos 18-32. Promessas de grandes bênçãos materiais e espirituais.
Os versículos 18-27 descrevem o derramamento do Espírito Santo sobre toda
a carne. Essa é ainda uma promessa para o futuro, ou foi cumprida em Jerusalém,
no dia de Pentecoste? Certamente que Pentecoste participou dessa bênção profe­
tizada, mas os versículos 30-37 ainda não foram cumpridos de forma alguma.
Seu cumprimento pleno haverá de verificar-se oportunamente, no dia assinalado
por Deus para isso.

CAPÍTULO ffl - INVASÃO FINAL DAS HOSTES INIMIGAS

Este será o último esforço de Satanás para destruir a nação de Israel, antes
da vinda do Senhor Jesus para o estabelecimento de Seu reino. O inimigo avança­
rá, conquistando e oprimindo. Porém, o Senhor Jesus interferirá e porá fim à
existência do inimigo. A profecia termina com promessas de bênçãos para Israel,
no dia de sua futura glória. Ao estudante convém, antes de terminar o estudo
deste livro, preparar uma lista das cinco referências, no livro de Joel, ao "dia do
Senhor", a fim de estudá-las.

A PROFECIA DE AMÓS

O Senhor Jesus Cristo, o Criador (João 1:3), é o Jeová e o Juiz a Quem os


israelitas adoravam e perante Quem andavam, e a Quem ofendiam (Amós 4:12,
13). Ele é Quem há de vir novam ente para estabelecer o reino de que falou Amós
(9:11-15). Jesus Cristo haverá de por fim ao cativeiro de Seu povo e haverá de
implantá-los em seu próprio solo. A predição de Amós contra a hipocrisia e a
iniqüidade de seus dias faz-nos pensar na denúncia contra as mesmas coisas,
feita pelo Senhor Jesus, em Mateus 23. Não obstante, no caráter de Jesus Cristo
havia um profundo amor para com todas as almas que não estão visível em
Amós.
AUTOR

O nome Amós significa "um a carga", ou "um hom em com carga". Por causa
de sua hum ilde origem, o profeta não nos fornece o nome de seu pai ou de seus
antepassados. Era natural de Tecoa, pequeno povoado, cerca de 19 quilômetros ao
sul de Jerusalém, e a 9 quilômetros, além de Belém. Seu ofício foi de pastor de gado.
Quando Amazias, o sacerdote, lhe disse que fosse para o sul, para a terra de Judá,
onde havia nascido, para ali pregar, Amós lhe respondeu: "Eu não sou profeta,
nem discípulo de profeta, mas boieiro e colhedor de sicômoros. Mas o Senhor me
tirou de após o gado, e me disse: "Vai, e profetiza ao meu povo de Israel". Dessa
maneira, Amós prova sua hum ildade e, paralelamente, a convicção de sua cha­
mada. E provável que a expressão: "discípulo de profeta" signifique aqui aquele
grupo ou escola dos que ganhavam a vida "profetizando" (II Reis 4:38; 6:1; etc.).
Amós, por conseguinte, não se graduara num seminário, nem recebera título em
universidade, mas teve um coração que ardia com paixão para com o Senhor.
Sabia que Deus o tinha enviado para clamar contra o pecado e a corrupção que
prevaleciam em Israel. Assim como aconteceu a Moisés e Davi, a ocupação de
pastor era m uito favorável à reflexão e à cultura mental. Amós, pois, foi um
estudante dedicado dos livros de Moisés.

Compare: Amós 1:10 com Deuteronômio 29:5


Amós 4:6-10 com Deuteronômio 4:30; 30:2
Amós 4:11 com Deuteronômio 29:23
Amós 5:11 com Deuteronômio 28:30-39
Amós 5:12 com Números 35:21

O escritor Roberto Lee apresenta o seguinte esboço do livro de Amós, como


obreiro exemplar:

1. Humildade. Não fez esforço algum para ocultar seu nascimento e emprego
humilde. Seu chamado para o ofício de profeta não foi arruinado pelo
orgulho. Q uand o falou de "sicô m o ro s", referia-se à fru ta que era
consumida pelos mais pobres. Diz-se que os sicômoros não amadureci­
am, se não fossem apertados por diversas vezes durante seu desenvolvi­
mento. Amós, assim, declarava sua origem humilde.
2. Sua indústria e observação. Devido à sua ocupação, tinha que passar muito
tempo sozinho, mas esses momentos passou em comunhão com Deus e
observando a natureza. As ilustrações, espalhadas pelo seu livro, são
todas tiradas da vida diária, demonstrando perspicácia de vista e origi­
nalidade de pensam entos (2:12; 4:9; 5:8; 6:12; 7:1, 2).
3. Sua sabedoria.Ainda que usasse uma linguagem bem correta, provando
que não era hom em sem educação, não obstante não pregava em termos
fora do alcance da compreensão de seus ouvintes, mas antes, lançava
mão de frases familiares para todos.
4. Seu tato ganhou a atenção do povo, desde o princípio, por falar prim eira­
mente contra as nações inimigas.
5. Sua fidelidade.Não deliciou nem lisonjeou os ouvidos, mas antes, tratou
fielmente com o povo, traçando caminhos retos para suas consciências.
6. Sua firm eza. Recusou ser desviado da tarefa que Deus lhe tinha dado (7:10-
17). Conservou os olhos fixos no divino Mestre.
7. Sua mensagem.Teve uma comunicação que dizia: "Assim diz o Senhor",
diretamente de Deus. Era oportuna aquela mensagem, adaptada a uma
época que renunciava seu Criador.
8. Seu êxito.Foi abençoado com maravilhoso êxito (7:10). Exerceu influência
poderosa sobre todo o povo.

TEMPO

Nos dias de Uzias, rei de Judá, e de Jeroboão II, rei de Israel, foi que Amós
pregou, o que seria, aproxim adam ente, entre os anos 810 e 760, antes de Cristo (II
Crônicas 26 e II Reis 14:23-29). Em sua juventude certamente conheceu o profeta
Elias.
No primeiro versículo do livro de Amós lemos que a Palavra do Senhor lhe
veio "dois anos antes do terrem oto". Há indícios de prognósticos sobre essa ca­
tástrofe nos versículos 5:8, 9; 6:11; 8:8; 9:5.
N aquela ocasião o povo de Israel estava nos píncaros da prosperidade m ate­
rial, mas estava enchendo rapidamente a medida de seus pecados. Por esse m oti­
vo a missão de Amós foi mais de ameaçar que a de consolar. Repreendia, entre
outras coisas, a corrupção que corria paralelamente com a prosperidade; acusa­
va os principais hom ens de parcialidade; aos juizes, de violarem a justiça em seu
trato com os pobres. Predisse, como castigo de Deus, o cativeiro das dez tribos de
Israel em país estrangeiro, predição essa que se cumpriu sessenta anos mais tar­
de, quando Salmaneser e Sargão, reis da Assíria destruíram o reino de Israel. A
decadência interna, a par da prosperidade material externa, foi a oportunidade
para que Deus enviasse Amós com sua m ensagem a Israel.

ESBOÇO
I. Juízos contra as nações vizinhas, 1:1 a 2:5
H. Juízos contra Israel, 2:6 a 6:14
HL Cinco visões de juízo contra Israel, 7:1 a 9:10
IV. Profecia sobre a restauração de Israel, 9:11-15
I. JUÍZOS CONTRA AS NAÇÕES VIZINHAS

Capítulos 1:1 a 2:5

Com sabedoria inesperada em um orador não-profissional, Amós cativa a


atenção de seus ouvintes ao pronunciar juízos divinos contra as nações que rode­
avam Israel. Tendo vindo do deserto, o boiadeiro Amós, da localidade de Tecoa, no
sul de Judá, chegou à próspera cidade de Betei, onde os sacerdotes profissionais
dirigiam o culto idólatra da corte e do povo, e usou de muito tino para preparar
seus ouvintes a receberem sua mensagem.
Começou falando das nações mais afastadas ou que representavam menor
perigo para Israel, e logo se aproximou mais e mais da nação, que era o objetivo
principal de sua mensagem. O próprio reino de Judá, reino irmão do sul, recebeu
sua condenação e promessa de juízo, antes que o profeta mencionasse Israel. Sen­
do Amós um cidadão de Judá, essa particularidade criava da parte de seus ouvin­
tes uma predisposição a favor de sua mensagem, além da convicção de sua justiça
e retidão.
E de notar-se que as causas pelas quais Deus castigaria aquelas nações eram
muitas, expressas em form a poética, na frase: "P or três transgressões... e por
quatro..." Porém, as causas mencionadas expressamente são suas ações e atitudes
para com Israel, o povo de Deus, porque isso era indício de sua própria atitude
para com o próprio Senhor.

D. JUÍZOS CONTRA ISRAEL

Capítulos 2:6 a 6:14

A. Israel recebe agora sua própria ameaça de juízo, outro tanto que as na­
ções vizinhas, 2:6-16. São manifestados os seus pecados de injustiça, co­
biça, im oralidade e idolatria. Tudo isso sucedia, apesar dos longos anos
de m isericórdia do Senhor, pelo que também o castigo era certo.
B. Três discursos sobre o pecado de Israel e seu castigo. Capítulos 3 a 6.
1) Primeiro discurso, capítulo 3.
a. O castigo pronunciado, 3:1, 2
b. A certeza de que o Senhor é Quem castigava, 3:3-6
c. A parte do profeta, 3:7, 8
d. As razões desse castigo, 3 :9,10
e. O alcance do castigo, 3:11-15
2) Segundo discurso, capítulo 4.
Alguns consideram que a passagem 4:1-3 se refere às mulheres, po­
rém, pode ser que todo o povo tenha sido comparado às vacas de Basã,
fugidias, indomáveis, que se esforçavam por sair pelas brechas. Deus
declarou ao povo que E