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ALLISON VARGAS DA SILVA, 3158190-0

ASTRONOMIA, ENEX50042

LEITE, C.; HOSOUME, Y. Os professores de Ciências e suas formas de pensar a Astronomia.


Revista Latino-Americana de Educação em Astronomia, n. 4, p. 47-68, 2007.

→ Há um nítido receio de ensinar Astronomia por parte de professores do Ensino Fundamental. O


que justifica tal fato é a inexistência de tal Ciência no currículo escolar, mesmo que tal ensino seja
incentivado pelos PCNs (principalmente ao que se refere ao período da 5ª à 8ª série).
→ Os que se propõem a ensinar utilizam como fonte de pesquisa os livros didáticos, esses que trazem
informações insuficiente e conteúdos conceituais errôneos, além de gozarem de fragmentação.
→ Há uma despreocupação no ensino e na pesquisa relacionados à Astronomia sobre a
tridimensionalidade dos corpos celestes, mesmo sendo de suma importância a compreensão de
conhecimentos espaciais e de relações de profundidade.
→ Não fica explícito o objetivo da investigação proposta pelo artigo, mesmo que esta seja feita
identificando a concepção de alguns conceitos da área e analisando a percepção tridimensional de tais
conceitos.
→ Os dados foram coletados com professores com formação inicial em Biologia, Matemática e
Química, todos com habilitação para atuação no ensino de Ciências. Tais docentes tiveram que
pendurar objetos que representassem corpos que eles mesmos descreviam, sendo livre a adição de
planetas, estrelas ou qualquer objeto de qualquer natureza espacial.
→ Com relação aos resultados, os entrevistadores obtiveram dados, descrições e representações que
indicaram a origem da concepção estabelecida pelos professores. As categorias foram: vivencial,
relacionada à observação direta; transição, relacionada a alguma visão dentre os diversos matizes
entre a visão vivencial e científica; científico, relacionada à visão literalmente científica; livro
didático, relacionada a modelos trazidos por materiais didáticos comuns no ensino de Ciências; e
outros, categoria criada para abarcar todas as identidades conceituais não abordadas nas demais
categorias.
→ TERRA: foram apresentadas representações da Terra como algo plano, quase como um sinônimo
de continente. Além disso, o planeta também foi representado como oco ao ser questionado onde o
indivíduo se localizaria, e o docente inseriu um boneco dentro do objeto representacional. Os autores
também falam de uma idealização da Terra como uma esfera com vertical absoluta, mas não entendi
a proposta. Alguns professores utilizaram uma esfera para representar o planeta (o que caracteriza a
concepção científica [SIC]), enquanto outros usaram uma esfera achatada (visão dos livros didáticos
[SIC]) e até um planisfério, encontrando-se na mesma visão [SIC].
→ Não concordo que a Terra seja tida como uma esfera perfeita no âmbito científico. Mesmo que
seja este o formato geométrico, existe uma diferença de ≅ 42km entre o diâmetro polar e o diâmetro
equatorial devido ao movimento centrífugo, esta que não é perceptível por nós, mas que faz com que
o planeta seja de fato mais achatado nos polos do que na linha do Equador. Fico em dúvida em qual
seria a melhor representação, mas acho errado indicar a outra como não-científica (atestando uma
subjetiva invalidez).
→ PLANETAS: foram representados de forma esférica e de forma plana, havendo discrepância de
proporções, como em um caso em que um docente representou Plutão maior que a Terra. Além disso,
alguns professores utilizaram a estrela de cinco pontas para representar Vênus, por este ser também
conhecido como “estrela d’alva”.
→ LUA: também representada de forma esférica, ora era fixa à superfície terrestre, ora não. Algumas
representações foram planos, utilizando meia lua ou isopor em formato de foice.
→ ESTRELA: o maior uso para a representação das estrelas foi de estrelas de cinco pontas, havendo
discursos defendendo a inexistência de padrões para a forma de tais corpos e outros a existência do
padrão esférico. Diferiram também a localização – alguns colocaram as estrelas sempre no centro, e
outros ao redor dos planetas.
→ SOL: foi majoritariamente representado por sua forma personificada, com uma coroa, olhos, boca
e nariz, o que caracteriza a forma plana de imaginar e observar tal corpo.
→ CÉU: ao serem questionados sobre o céu, os professores disseram que ele ficava em cima da Terra,
esta tida como continente (formato plano [SIC]). Disseram também que céu era o mesmo que
atmosfera, que era tudo além da atmosfera e que era a totalidade do universo, estando a Terra também
imersa nesse todo.
→ UNIVERSO: um realismo ingênuo (também compartilhado por crianças) é evidenciado na visão
dos professores ao representarem o universo, visto que alguns utilizam o termo como sinônimo de
sistema solar. Com relação à representação, a Terra foi colocada no chão e os outros astros
pendurados, havendo também professores que colocaram todos os objetos na mesma altura. Tais
concepções revelam a força da observação direta dos corpos celestes, esta que é errônea por estar
ligada à uma cosmovisão geocêntrica.
→ “Consideramos o ensino de Astronomia importante principalmente para estabelecer uma relação
do aluno com o mundo físico que o rodeia, em uma dimensão que supera o seu entorno imediato”.