Você está na página 1de 9

Fichamento “Normal e anormal” Devereux

As desordens étnicas

-As desordenas étnicas se inscrevem com facilidade nas categorias nosológicas


modernas e delas existe uma grande variedade, já que cada cultura irá ter ao menos uma
desordem característica; Devereux considera que o número e diversidade de desordens
étnicas em uma cultura indicam em que medida a sociedade em seu conjunto leva em
conta o individuo e sua personalidade

- Dois aspectos cruciais do problema: a estruturação complexa das desordens étnicas e


seu caráter multidimensional

-irá tratar de alguns casos específicos, embora estes não prejudiquem que a
compreensão se estenda para outros grupos, de modo que na maioria dos casos
estudados o grupo tem teorias acerca da natureza e causa das desordens, bem como
ideias precisas de seus sintomas, evolução e prognóstico

-autor cita várias desordens que por terem sido normalizadas culturalmente, não só
servem de modelo àqueles que sofrem de transtornos psíquicos, mas também um
mesmo comportamento anormal pode ser desencadeado por diferentes estímulos

-a etnopsiquiatria ensina que em situações de estresse, a mesma cultura proporciona ao


individuo indicações sobre os “modos de emprego abusivo”, o que é entendido por
Linton como “modelos de conduta incorreta”; “não faça tal coisa, mas se vai fazer, faça
dessa maneira”. Tal negativismo, segundo Devereux, se manifesta não somente a nível
individual, mas também dos processos sociais

- toda sociedade leva consigo não só aspectos funcionais, mas também crenças, dogmas
e tendências que contradizem e negam as operações e estruturas do grupo, e algumas
vezes, a sua própria existência. Exemplo da sociedade medieval que buscando ser a
“Cidade de Deus” condenava várias práticas e atividades sócio-economicas que eram
essenciais a sua existência, o que não significa que as mesmas não era exercidas, ou
seja, se “burla” a norma e as atividades se realizam para que a sociedade possa
continuar a existir. Esse mesmo tipo de conflito pode aparecer a nível individual.
Possibilidade de pensar isso que Devereux trás em relação à ideia de formação de
compromisso própria do sintoma, já que este funciona como essa alternativa que serve
tanto à repressão quanto à satisfação pulsional.

-São os materiais culturais que refletem o desacordo fundamental da sociedade são


sintetizados pelos indivíduos perturbados, de modo que a sociedade os aprova ou os
condena.

-Estes valores sociais antissociais que permitem o individuo ser antissocial de uma
maneira socialmente admitida e, algumas vezes, até prestigiosa são outra característica
importante. Isso porque, esses traços culturais que tem por característica revelar um
desacordo com a sociedade podem ser utilizados como sintomas que não precisam
passar pelo processo de distorção, como aconteceria com a maioria dos outros traços

-Outras três características importantes desse tipo de material:

a) Para converter em sintoma basta reverter uma crença em experiência


subjetiva (caso do xamã)
b) Transformar em sintomas materiais culturais racionais ao associá-los com
materiais culturais irracionais (exemplo de doentes que por crença recusam
uma transfusão de sangue sob o pretexto de que seria canibalismo)
c) Esses materiais que são irracionais se articulam com modos de pensar e
sentir que dependem do processo primário e do pensamento pré-lógico

-Todo ritual está, em seu cerne, em oposição com o sistema de valores comum da
cultura em seu conjunto; quanto mais sagrado e coercitivo um ato, maior o horror que
causaria fora do contexto religioso; o autor traz vários exemplos de que a maior parte
dos ritos importantes violam as regras e atacam os valores daquela sociedade,
representando assim um comportamento “em espelho”

-Xamanismo como mais um exemplo de negativismo social impregnado de


sobrenaturalismo

-O sobrenatural e o irracional guardam sempre a característica de sua origem


socialmente negativista

-“não vá ficar louco, mas se fica, comparte-se de determinada maneira..” cada sociedade
tem uma ideia bem precisa de como se comporta, pensa, sente e atua um louco

-Problema das erupções de anormalidade passageiras prescritas e quase exigidas pela


cultura (exemplo da crise convulsiva que, para os árabes, era não só uma desordem
mental, mas um testemunho de uma relação com o divino)

- Em resumo os estereótipos sociais, que determinam como os loucos devem se


comportar, se utilizam dos modelos de conduta incorreta e os indivíduos com desordens
étnicas orientam seus sintomas segundo esses modelos que imitam os verdadeiros
simuladores que tentar persuadir os outros que estão realmente “loucos”

-Em toda desordem étnica a estrutura do comportamento do sujeito anormal não só está
conforme o que a sociedade espera, mas também em completa oposição com nossas
próprias noções culturais sobre o modo ‘como se comporta o louco’

-Se a sintomatologia da psicose étnica concorda com as exigências culturais é por que
os prejuízos convencionais de ‘como se comporta o louco’ refletem a natureza
especifica dos conflitos predominantes na cultura, prejuízos determinados pelo tipo de
defesa produzido pela cultura para combater seus conflitos e pulsões; ou seja, o que é
entendido como o comportamento “padrão” do louco reflete diretamente o tipo de
conflito existente em uma determinada cultura

-É essa convergência entre os conflitos e defesas de uma determinada cultura e os


prejuízos sobre ‘o modo de comportamento do louco’ que explica o fato de haver
síndromes que proliferam em algumas sociedades e não em outras (por exemplo, ser
difícil de encontrar atualmente casos de histeria como na época de Charcot); // esse é
um ponto sobre o qual discute Melman, quando este discorre sobre a fenomenologia do
sintoma na histeria que tem se transformado, especialmente neste momento da pós
modernidade em que estaríamos vivendo a sociedade do espetáculo

-A porcentagem de diversos sintomas psiquiátricos varia em função do contexto cultural


// quadros depressivos, de ansiedade, fenomenologias de borda que tem cada vez mais
aparecido na clínica indicam o que de nossa sociedade? Como o contexto cultural no
qual estamos inseridos colabora para que haja um aumento desse tipo de caso?

-Tem se defendido que a proporção de indivíduos “normais” e “anormais” se mantém


constante para toda sociedade e a todo momento da historia (??)

-É absurdo, sociologicamente falando, pretender tirar conclusões pouco elaboradas da


simples relação proporcional entre todos aqueles que, em determinada sociedade, são
normais ou anormais desde o ponto de vista psiquiátrico, já que uma sociedade pode
tolerar uma alta porcentagem de anormais de estes forem histéricos, mas não se estes
forem esquizofrênicos (p. 67)

- Exemplo do menino mestiço (p.68) e em como este demonstra como um duplo alivio
cultural pode inscrever-se na série: conflito – defesa – conflito secundário – defesa
secundaria

-Semelhança entre desordem étnica e desordem xamãnica: as duas se utilizam das


defesas e sintomas obtidos pela cultura e são elaborados especificamente para este fim.
Diferenças: os mecanismos de defesa são tomados de diferentes segmentos; a origem do
conflito de base da ultima estão no inconsciente étnico e da primeira em traumatismos
idiossincráticos

-O que ocorre na desordem étnica é que a cultura se vê obrigada a oferecer defesas para
as desordens causadas, de modo que isso irá aparecer sob a forma dos sintomas modelo
que se fazem mais facilmente controláveis; a noção de “modelo de conduta incorreta”

-Psicótico étnico: segmento previsível do comportamento será aquele que se encontra


em “qualquer” psicótico do mesmo tipo  algo da ordem de uma estrutura comum //
No caso do idiossincrático se deve buscar ao contrário a compreensão da psicologia
individual  o que é da ordem da singularidade, do que é próprio de um sujeito
específico
-Que as desordens étnicas estejam culturalmente estruturadas reforça a concepção do
autor de que todas as desordens psicológicas causam um empobrecimento, uma
indiferenciação e uma desindividualização

- Continuação da analise separando os aspectos culturalmente pré-estruturados das


diferentes fases que influenciam nas desordens étnicas

 Caráter étnico e desordens étnicas:


- a grande diversidade de causas que, em dada sociedade, podem produzir um
mesmo tipo e irrupção estruturada, provam que as desordens étnicas estão
enraizadas especialmente no caráter étnico (e não no inconsciente étnico)

 Modelos culturais e marcas clínicas:


-uma desordem étnica forma uma estrutura coerente tanto em sua evolução
como em suas manifestações propriamente ditas; o que sustenta uma desordem
étnica, não apenas é a configuração psidramática particular que determina a
permite ao sujeito desvencilhar-se da quantidade de problemas subjetivos
diversos através de somente um complexo de sintomas. Exemplo e prova disso
é que uma simples crise de malária pode desencadear uma crise amok em um
malaio, o que não ocorreria nunca em um europeu, ainda que tivesse vivido
muito tempo nos países malaios.
- ninguém está totalmente aculturado se antes não tenha reagido a um stress
culturalmente específico com a desordem culturalmente apropriada a ele
- independente de sua frequência uma desordem não é étnica até que não tenha
passado por uma estruturação cultural
- a etnopsiquiatria deve, pois, reservar os termos de diagnósticos específicos à
manifestações correspondentes; o termo amok, por exemplo, somente à
explosão criminosa do malaio, que se comporta segundo o modelo tradicional
- assinala a importancia diagnostica do modelo apropriado

 Modelo e elemento:
- são numerosos os sintomas étnicos que parecem desprender dos traços de
comportamento aprovados pela sociedade. Assim o louco destemor (também
traduzido como coragem, temeridade, imprudência, bravura) do corredor de
amok ou do berserker não é mais do que uma manifestação extrema do valor
tão admirado no ilustre guerreiro malaio ou viking
- o que faz patológica essa coragem, como a do amok, é a sua inutilidade social
e o fato de que suas vítimas sejam membros de seu próprio grupo e não
inimigos
- analogia entre os principais sintomas da esquizofrenia e os modelos de
comportamento socialmente valorizados pela nossa cultura; Devereux diz que
isso é discutido melhor em outro capítulo (o cap 10)
- os sintomas de uma desordem idiossincrática, ao contrário do que ocorre na
étnica, raras vezes coincidem com elementos de comportamentos aprovados
pela sociedade. Isso justifica o uso do termo “modelo” na formulo “modelo de
conduta incorreta” de Linton
- em toa desordem étnica é sobretudo o modelo, mais que qualquer e seus
elementos constitutivos, o que é anormal, e sua anormalidade toma a forma de
uma caricatura do modelo cultural total; ou seja, o que caracteriza essa
desordem é ser algo como uma exacerbação do modelo cultural de determinada
sociedade

 Problemas de identificação dos sintomas:


- há um paralelismo entre a definição de um comportamento enquanto
“sintoma” em relação a critérios absolutos de normalidade e a definição deste
mesmo comportamento formulada em termos culturais
- Exemplo dos índios das planícies em que o covarde teria a solução de virar
travesti, enquanto que em Madagascar o travestismo é o refúgio do homem
sexualmente deficiente
- a adoção de um mesmo comportamento desviado por tipos diferentes de
sujeitos em situação de stress prova que o travestismo segue sendo um sintoma,
apesar de sua estruturação e enquadre cultural

 Traumatismo, motivação e justificação social:


- esses elementos se estão quase misturados nas desordens étnicas; a mesma
cultura define a natureza e o grau de intensidade do stress ou do determinismo
que justifica o “ficar louco”
- Exemplo que o que cultura Crow define como uma “decepção intolerável”
acarreta na síndome do Perro loco, mas nada do que não define como tal é
suscetível de motivar ou de provocar esta desordem étnica. Para que um Crow
fique louco do forma “respeitável”, ou étnica, devem se cumprir duas
condições: 1. O stress socialmente reconhecido deve ser vivido de modo
convencional e deve receber uma solução que também o seja (o índio que teme
a morte tem direito de se tornar um travesti, mas não um pacifista) 2. Frente
uma “decepção intolerável”, mas ainda assim conveniente, pode reagir
convertendo-se em Perro loco e com isso ganha o respeito dos membros da
tribo (como quando a ambição de ser chefe é frustrada)
- em resumo, os traumatismos culturalmente reconhecidos provocam em geral
desordens étnicas; aqueles em que a cultura se nega a reconhecer um motivo
plausível da loucura provocam desordens idiossincráticas

 A instigação:
- não confundir com motivação
- é um sinal formalizado que serve para desencadear as desordens tanto
sagradas quanto étnicas
- uma crise pode ser provocada acidental ou intencionalmente, autoinduzida ou
por causa externa
- desencadeadores bioquímicos mais frequentes são o álcool e outras drogas;
comum o uso de álcool na indução de estados anormais;
- da mesma forma se interpreta as danças frenéticas que são comumente
utilizadas para induzir a estados anormais, como se fosse um auto embebedar-
se, já que a fadiga física produz um estado de autointoxicação

 O desencadeamento neurofisiológico:
- toque do tambor e efeitos de estímulos luminosos que por modificarem as
ondas cerebrais induzem a um estado anormal que é explicável em termos
eletroneurofisiológicos
-certo gênero de crises podem ser desencadeadas ou por um estimulo cultural
de ordem convencional ou por uma droga
- Exemplo da velha malaia que frente a aparição de um tigre havia foi levada a
uma crise latah que assustou tanto o animal por seu comportamento imitativo
que o fez fugir; conclusão do autor que de é um mecanismo histérico que
sustenta essas crises
- técnica de desencadeamento particularmente interessante é a autoindução da
crise que ocorre com o anseio da antecipação de seus sintomas ou por
preparação para a crise. Exemplo do grupo de soldados que começam a agir
como se estivessem em estado amok que é o que os permite realmente ficar
assim
- numerosas crises, tanto sagradas como étnicas, podem ser provocadas por
meios culturalmente padronizados; seu desencademento é as vezes positiva e
negativamente controláveis

 Do manejo:
- as neuroses étnicas são controláveis, este é um de seus traços distintivos
- Exemplo do Perro loco que é facilmente controlado já que faz o contrário do
que se solicita que ele faça
- certos esquizofrênicos ocidentais se prestam a essa forma de controle reverso
o que não significa que um Perro loco seja um esquizofrênico, ele nada mais é
do que um Perro loco
- o psicótico étnico é controlável por meios essencialmente culturais, enquanto
que o psicótico idiossincrático não é controlado mais do que pelos modelos
psicológicos

 Resolução da crise:
- é preferível abordar o processo de resolução da crise em função de medidas
profiláticas que tentem prevenir o excesso de sintomas; a melhor forma de por
fim a uma crise é curá-la
- certas crises tem duração predeterminada. Exemplo da crise histérica em que
se joga água fria na pessoa ou simplesmente a abandona por si mesma, já que a
histeria, sendo uma “desordem social”, exige um publico
- essa teoria das psicoses étnicas não exclui a possibilidade de classificar essas
desordens segundo a nosologia psiquiátrica tradicional, já que os processos
psicodinâmicos fundamentais tem um caráter universal, mesmo quando se
expressam de formas diversificadas
- seja normal ou anormal, pertença a uma cultura ou outra, o sujeito pode
recorrer a mecanismos de defesa que são basicamente os mesmos; o normal
difere do anormal não em função da presença ou ausência de certos
mecanismos de defesa, mas da estruturação do conjunto de suas defesas e da
importância relativa concedida pela cultura a cada uma delas

As desordens idiossincrásicas

- caso de traumatismos em que a cultura não proporciona meios de defesa nem sintomas
que permitam fixar a angustia e fazer frente aos conflitos provocados

- o sujeito que sofrer disso apresentará uma neurose ou psicose ordinária, ou seja, não
étnica

- este tipo de desordem se caracteriza pela improvisação de defesas e sintomas que


habitualmente se realiza a partir da deformação de alguns itens culturais que a principio
não deveriam destinar-se a proporcionar uma defesa contra angustia

- as semelhanças entre as desordens convencionais e as idiossincrásicas não são nem a


imitação nem relativa uniformidade de caráter étnico que marca a todos de um grupo,
mas ao fato de que os materiais culturais deste tipo se prestam muito bem a uma
utilização sintomática

Aplicações clínicas

- a pedra angular da saúde mental não é a adaptação em si, mas a capacidade do sujeito
para readaptações sucessivas, sem perder a sensação de sua própria continuidade no
tempo

- é esta capacidade que falta, por exemplo, a pacientes “modelo” hospitalizados e de


característica crônica, pois estão perfeitamente adaptados ao meio hospitalar e se
mostram razoáveis e cooperativos enquanto estão nesse meio, mas não demoram a
‘desmoronar’ quando dali saem

- a psicoterapia do xamã deve dedicar-se unicamente a seu caráter de xamã, tentar


“desxamãniza-lo”, mas sem encolher com isso a estrutura de seu caráter étnico; deve
esforçar-se em ativar nele sua capacidade de readaptação destruindo sua adaptação
patológica, rígida e relativamente marginal e que tem lugar somente em sua tribo
- o autor refuta a crítica de que “curando” o xamã estaria privando a tribo de algo que
lher é

lhes é necessário, já que um sujeito adaptável poderia desempenhar esse papel, sem
correr o risco de transmitir aos seus pacientes a sua própria neurose

- Devereux relata uma situação em uma tribo específica, na qual percebeu que mesmo
ao tratar seus pacientes com medicamentos e indicações de cuidados, os mesmo
recorriam aos xamãs na busca de rituais curativos. Para acabar com tal situação ele
mesmo se declarou xamã e além de entregar os remédios fazia alguns rituais curativos
tradicionais, o que proporcionou aos pacientes a “ajuda psicológica” que necessitavam e
ele considerou tal prática como uma “psicoterapia de urgência”; uma atitude
profissional tranqüilizadora

- relação da técnica diagnostica que reconhece o xamã com um neurótico ou psicótico


em estado de atenuação e o psicótico étnico um sujeito adaptado a um modelo de
conduta incorreta, com a técnica de diagnostico tradicional baseada no critério de
adaptação; em ambos os casos o risco mais grave é o de confundir delírio e crença

- relato do autor sobre uma situação em que auxiliou o psiquiatra de uma prisão nesta
distinção entre o que era crença e delírio de índios que estavam condenados à morte

- algumas conclusões relativas às psicoses étnicas e/ou xamãnicas:

1. podem ser a primeira manifestação de uma psicose idiossincrásica

2. em um estagio posterior podem marcar uma psicose idiossincrásica subjacente

3. em alguns casos constituem a manifestação restitucional terminal de uma psicose de


caráter inicialmente idiossincrásico

Conclusão

- Sobre o sentido pratico da teoria:

 Não se pode esperar que um psiquiatra se converta em um etnógrafo, nem que


estude com cada detalhe a cultura de cada paciente que deve diagnosticar e
tratar
 A questão que se coloca então não é em relação a tal ou tal cultura, mas ao
conceito de cultura; o conceito de cultura considerado enquanto experiência
vivida, de que modo um individuo vive a apreende sua cultura, tanto em estado
de saúde mental quanto no de desordem psicológica
 A validade desta técnica se apresenta quando Devereux diagnostica
corretamente dois indígenas dos quais desconhecia a cultura, mas tinha
conhecimentos de etnografia geral e sobre a função da Cultura em si e a
natureza do “modelo cultural universal”
 Uma analise verdadeira do modelo cultural universal e uma determinação
exaustiva de sua natureza exigem que, todo estudo da cultura, se tenha em
conta a perspectiva psiquiátrica; homem como criador, criatura, manipulador e
mediador da cultura em todo lugar e da mesma forma
 No passado de utilizou o termo “psiquiatria transcultural” agora se propõe o
uso de transetnográfico, metaetnográfico ou metacultural
 A atividade que examina os problemas psiquiátricos em termos de Cultura e
não das culturas é também mais eficaz do ponto de vista prático, terapêutico e
teoricamente superior a qualquer outra atividade cultural, pois torna possível
uma compreensão mais profunda da psicodinâmica, a qual, por sua vez, conduz
a um conhecimento etnológico mais profundo da natureza da Cultura
 A etnopsiquiatria estuda a Cultura e a maneira como o individuo apreende sua
cultura, completando a ciência que os “culturólogos” estudam como se o
homem não existisse
 É impossível dissociar o estudo da Cultura do estudo do psiquismo,
precisamente porque estes são dois conceitos que, ainda que distintos, se
encontram em relação de complementaridade