Você está na página 1de 2

Psicologia no Brasil: História e campos de atuação UFMG

Prof. (a): Sérgio Dias Cirino Aluno: Pedro Henrique Chaves Cardoso

PUBLICAÇÃO EM PSICOLOGIA
Título do artigo: Psicologia escolar: cenários atuais
Ano de publicação do artigo: 2009
Nome da revista científica na qual o artigo foi publicado: PEPSIC (Periódicos
Eletrônicos em Psicologia)

A Psicologia foi inserida nas escolas inicialmente com um objetivo adaptacionista,


isto é, como um meio de possibilitar uma melhor inserção de alunos com algum tipo de
problema de aprendizagem no âmbito escolar. Assim, entendia-se como um
redirecionamento do modelo clínico de atuação do psicólogo para o interior das escolas.
Dessa forma surgiu a figura do psicólogo escolar (ou educacional), como um
instrumento para classificar crianças com dificuldades escolares e propor métodos
específicos de educação, a fim de ajustá-las ao que a sociedade vigente considera
“normal”. Entendeu-se, depois, que esse método promoveu a culpabilização do aluno
por suas próprias dificuldades, isentando outras esferas de suas responsabilidades.
Ainda, compreendeu-se que a simples aplicação de métodos clínicos de psicologia não
era o adequado para as instituições de ensino, pois eram desconsideradas a
humanização da criança e também sua realidade social e familiar. Refletindo acerca
disso, mudanças no campo da Psicologia Escolar foram propostas, sendo, então,
caracterizada como um campo de atuação profissional e de produção científica, tendo
por objetivo principal a mediação dos processos de desenvolvimento humano e de
aprendizagem. Acerca de sua atuação profissional, há certa discordância entre autores
sobre o espaço de trabalho. Alguns consideram a escola como espaço preferencial e
específico para o desenvolvimento de seu trabalho, visto que a identidade do psicólogo
escolar é definida, principalmente, por sua imersão no âmbito escolar, não só enquanto
espaço de efetivação da educação, mas também enquanto local preferencial para a
canalização cultural. Outros, defendem que a atuação do profissional se estende para
outros lugares que não a escola, pois consideram que a inserção do psicólogo é na
educação e não propriamente na escola, sendo efetivada menos pela ocupação de um
espaço e mais por seus objetivos e finalidades. Assim, evidencia-se que a atuação da
Psicologia Escolar tem como contexto principal a escola, apesar de não figurar como o
único.
O cenário atual da Psicologia Escolar aponta para a necessidade de o psicólogo
escolar modificar o processo de culpabilização e de exclusão dos alunos, algo enraizado
desde a concepção do campo de atuação. Isso não quer dizer que o psicólogo não pode
trabalhar a individualidade dos alunos, mas deve fazê-lo sem retirar o aluno do contexto
social e familiar ao qual está inserido. Como resposta, há a perspectiva preventiva como
uma forma de atuação diferenciada, que busca antever determinados fenômenos, evitar
que eles ocorram e propor soluções para as possíveis problemáticas. Essa proposta
pretende contribuir para que aconteçam reformulações pessoais e institucionais
objetivando oportunizar transformações e saltos qualitativos no desempenho das
pessoas envolvidas, não funcionando como uma forma de “adequar” os alunos aos
padrões estabelecidos socialmente. Sendo assim, a proposta busca encaminhar as
concepções educativas para um caminho mais amplo e integrador. Uma das formas
seria a inserção do professor como um coparticipante da atuação da psicologia escolar,
o que seria importantíssimo para o trabalho do psicólogo, visto que, por estar inserido
há mais tempo no ambiente, por passar mais tempo junto aos alunos, poderia dar outra
perspectiva ao profissional de fora. Funcionaria também como uma troca de
informações. Ainda, por meio da participação do professor, o psicólogo escolar pode
favorecer processos de questionamentos e conscientização sobre as formas de ensino,
o que acarretaria em mudanças até mesmo nas práticas pedagógicas.