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Cálculo II

Prof.ª Dra. Vanessa Davanço Pereira de Lima

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1. Derivadas e Taxa de Variação

O tipo especial de limite usado para encontrar as tangentes e as velocidades dá origem à ideia
central do cálculo diferencial – a derivada.

1.2. Tangente

A reta tangente a uma curva y=f(x) em um ponto P(a, f(a)) é a reta por P que tem a inclinação

f ( x) f (a)
m lim
x a x a

desde que este limite exista.

1.2.1. Os Problemas da Tangente e da Velocidade

Veremos ver como surgem os limites quando tentamos encontrar a tangente a uma curva ou a
velocidade de um objeto.

O PROBLEMA DA TANGENTE

A palavra tangente vem do latim tangens, que significa “tocando”.


Assim, uma tangente a uma curva é uma reta que toca a curva. Ou seja, uma reta tangente deve
ter a mesma direção que a curva no ponto de contato.
Para um círculo, poderíamos simplesmente, como Euclides, dizer que a tangente é uma reta
que intercepta o círculo uma única vez.

Exemplo 1: Encontre uma equação da reta tangente à parábola y = x2 no ponto P(1,1).

• Se soubermos como encontrar a inclinação m seremos capazes de achar


uma equação para a reta tangente t.
• A dificuldade está em termos somente um ponto P, sobre t, ao passo que
para calcular a inclinação são necessários dois pontos.

Observe, porém, que podemos calcular uma aproximação de m escolhendo um ponto próximo
Q(x, x2) sobre a parábola e calculando a inclinação mPQ da reta secante PQ.

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Muitas funções não são descritas por equações explícitas; elas são definidas por dados
experimentais. O exemplo a seguir mostra como estimar a inclinação da reta tangente ao gráfico
de uma dessas funções.

Exercício 1: Encontre uma equação da reta tangente y=x3, no ponto (1,2) e a=1

Exemplo 2: Encontre uma equação a reta tangente a hipérbole y= 3/x no ponto (3,1).

O PROBLEMA DA VELOCIDADE – Aplicação de Derivada

Se você observar o velocímetro de um carro no tráfego urbano, verá que o ponteiro não fica
parado por muito tempo; isto é, a velocidade do carro não é constante.
• Podemos supor da observação do velocímetro que o carro tenha uma
velocidade definida em cada momento.
• Mas como definir essa velocidade “instantânea”?

Exemplo 3: Suponha que uma bola é solta a partir do ponto de observação no alto da Torre
CN em Toronto, 450 m acima do solo.
a) Encontre a velocidade da bola após 5 segundos?
 Por meio de experimentos feitos séculos atrás, Galileu descobriu que a distância
percorrida por qualquer objeto em queda livre é proporcional ao quadrado do tempo em que
ele esteve caindo.
b) Com qual velocidade a bola chega ao solo?

2. Derivadas

A derivada de uma função f em um número a, denotada por f´(a), é

f (a h) f (a)
f ´( a) lim (1)
h 0 h

Exemplo 4: Encontre a derivada da função f ( x) x 2 8 x 9 em um número a.

Exemplo 5: Encontre uma equação da reta tangente à parábola y x 2 8 x 9 no ponto (3,-


6).

Exercício: Encontre a derivada da função dada usando a definição:


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a) f ( x) 9 x 2 5 x
b) f ( x) 4 x 2 2 x 3
c) f (t ) t 2 5t
2t 1
d) f (t )
t 3

2.1. A Derivada como uma Função

Se substituirmos a na equação 1 por uma variável x, obteremos

f (x h) f ( x)
f ´( x) lim (2)
h 0 h

Dado qualquer número x para o qual esse limite exista, atribuímos a x o número f’(x).
Assim, podemos considerar f como uma nova função, chamada derivada de f’ e definida pela
Equação 2. Sabemos que o valor de f’ em x, f’ (x), pode ser interpretado geometricamente como a
inclinação da reta tangente ao gráfico de f no ponto (x, f (x)).
A função f’ é denominada derivada de f, pois foi “derivada” a partir de f pela operação-
limite na Equação 2. O domínio de f é o conjunto {x|f’(x) existe} e pode ser menor que o domínio
de f.

Exemplo 1: a) Se f(x) = x3 - x, encontre uma fórmula para f’(x).


a. Ilustre, comparando os gráficos de f e f’.

Exemplo 2: Se f ( x) x , encontre a derivada de f. Diga qual é o domínio de f´.

1 x
Exemplo 3: Encontre f’, se f ( x)
2 x

OUTRAS NOTAÇÕES

Se usarmos a notação tradicional y = f(x) para indicar que a variável independente é x


enquanto y é a variável dependente, então algumas notações alternativas para a derivada são as
seguintes:
 Os símbolos D e d/dx são chamados operadores diferenciais, pois indicam a operação de
diferenciação, que é o processo de cálculo de uma derivada.
 O símbolo dy/dx, introduzido por Leibniz, não deve ser encarado como um quociente (por
ora). Trata-se simplesmente de um sinônimo para f’(x). Todavia, essa notação é muito útil
e proveitosa, especialmente quando usada em conjunto com a notação de incremento.

Definição: Uma função f é derivável ou diferenciável em a se f’ (a) existir. É derivável ou


diferenciável em um intervalo aberto (a, b) se for diferenciável em cada número do intervalo.

Exemplo 4: Onde a função f(x) = |x| é diferenciável?

Teorema : Se f for diferenciável em a, então f é contínua em a.


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COMO PODE UMA FUNÇÃO NÃO SER DIFERENCIÁVEL?

Vimos que a função y = |x| do Exemplo 4 não é diferenciável em 0, e a Figura mostra que
em x = 0 a curva muda abruptamente de direção.

Em geral, se o gráfico de uma função f tiver uma “quina” ou uma “dobra”, então o gráfico
de f não terá tangente nesse ponto e f não será diferenciável ali. (Ao tentar calcular f (a), vamos
descobrir que os limites à esquerda e à direita são diferentes).
O Teorema nos dá outra forma de uma função deixar de ter uma derivada. Se f for
descontínua em a, então f não será diferenciável em a. Assim, em toda descontinuidade de f (por
exemplo, uma descontinuidade de salto), ela deixa de ser diferenciável.
Uma terceira possibilidade surge quando a curva tem uma reta tangente vertical em x = a.
Isto é, f é contínua em a e

lim f ´( x)
x a

Isso significa que a reta tangente fica cada vez mais íngreme quando x a. As figuras
mostram duas formas diferentes disso acontecer.

A Figura ilustra as três possibilidades discutidas.