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Programa Catarinense de Desenvolvimento Regional e Setorial

PCDRS

Desenvolvimento Tecnológico Regional


DTR

Agência de Desenvolvimento Regional da AMUREL


ADRAM

Região da Associação dos Municípios da Região de Laguna


AMUREL
Revisão 04 – Maio/2004

Florianópolis, 2003
DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO REGIONAL

DIRETORIA

Presidente
José Fernando Xavier Faraco

Diretor Vice-Presidente
Alcantaro Corrêa

Diretoria Executiva

Diretor Superintendente
Jaime Oltramari

Diretor Administrativo e Financeiro


Cláudio José Dutra

Diretor Técnico
Henry Uliano Quaresma

DIRETORIA

Presidente do Conselho Deliberativo


Antônio Edmundo Pacheco

Diretoria Executiva

Diretor Superintendente
Carlos Guilherme Ziggelli

Diretor Técnico
Anacleto Angelo Ortigara

Diretor Administrativo Financeiro


José Alaor Bernardes
Agência de Desenvolvimento Regional da AMUREL
ADRAM

DIRETORIA

Presidente
Murilo Ghisoni Bortoluzzi

Vice-Presidente
Gerson Luiz Joner da Silveira

Secretário
Itamar Bressan Bonelli

Tesoureiro
Carlos Beck Fornazza

CORPO TÉCNICO

Superintendente Operacional
Ruben César Reinoso

Auxiliar Administrativo
Guilherme B. Miller

Auxiliar Técnico
Eraldo da S. Corrêa Junior
Associação dos Municípios da Região de Laguna
AMUREL

DIRETORIA

Presidente da AMUREL
Itamar Bressan Boneli

1ª Vice-Presidenta da AMUREL
Claudemir Souza dos Santos

2º Vice-Presidente da AMUREL
Ademir da Silva Matos

Conselho Fiscal da AMUREL

Titulares
Carlos José Stupp
Pedro Roussenq
Donilo Della Giustina

Suplentes
Bertilo Heidemann
Osny Souza Filho
Luiz Carlos Bunel Alves

Municípios Filiados
Armazém – Prefeito Rafael Bianchet
Braço do Norte – Prefeito Ademir da Silva Matos
Capivari de Baixo – Prefeito Luiz Carlos Brunel Alves
Grão Pará – Prefeito José Nei Allberton Ascari
Gravatal – Prefeito Jorge Leonardo Nesi
Imaruí – Prefeito Pedro Mota Roussenq
Imbituba – Prefeito Osny Souza Filho
Jagaruna – Prefeito Claudemir Souza dos Santos
Laguna – Prefeito Adilson Cadorin
Orleans – Prefeito Gelson Luiz Padilha
Pedras Grandes – Prefeito Romário Zapelini Ghisi
Rio Fortuna – Prefeito Lourivaldo Schuelter
Sangão – Prefeito Jaime Ondino Teixeira
São Ludgero – Prefeito Donilo Della Giustina
Santa Rosa de Lima – Itamar Bressan Boneli
São Martinho – Prefeito José Schotten
Treze de Maio – Rudi Ohlweiler
Tubarão – Carlos José Stupp
Universidade do Sul do Estado de Santa Catarina – Unisul

Reitor
Gerson Luiz Joner da Silveira

Vice-Reitor
Sebastião Salésio Herdt

Pró-Reitores da Unisul – Campus Tubarão

Pró–Reitor de Administração
Diclô Espedito Vieira

Pró–Reitor de Ensino
Ailton Nazareno Soares
EQUIPE TÉCNICA

Gerencia de Projetos Regionais e Setoriais do SEBRAE/SC


Marcondes da Silva Cândido

Coordenador da Unidade de Desenvolvimento Regional e Setorial do IEL/SC


Osny Taborda Ribas Junior

Gestor da ADR/DTR – SEBRAE/SC


Wilson Sanches Rodrigues

Agente de Articulação do SEBRAE/SC


Altair Lucínio Fiamoncini – Tubarão

Colaboradores do IEL/SC
Ana Rúbia Dela Justina Becker
Carolina Pereira Laurindo
Daniel Bloemer
Evandro Minuce Mazo
Fabrízio Machado Pereira
Fausto Ricardo Keske Cassemiro
Fernando Machado Pereira
Jorge Alberto Saldanha
Juçara Dutra Della Justina
Juliano Baby Amorim
Luis Henrique Pires
Marcelo Santos Barboza
Nasser Younes
Rafael Ernesto Kieckbusch
Ronaldo Cimetta

Professores Envolvidos da UNISUL


Jailson Coelho
ÍÍnnddiiccee

APRESENTAÇÃO ......................................................................................................XIX

CAPÍTULO 1 – Metodologia de Intervenção DTR ...................................................... 1


1. Introdução................................................................................................................... 3

1.1 Objetivos................................................................................................................... 3
1.2 Objetivo Principal...................................................................................................... 4
1.3 Principais Específicos .............................................................................................. 4

1.4 Principais Benefícios ................................................................................................ 5


1.5 Modelo de Referência............................................................................................... 6
1.6 Fases do Modelo de Referência ............................................................................ 10
1.6.1 Fase 1 – Planejamento........................................................................................ 10
1.6.1.1 Etapa 1.1 – Apresentar a Metodologia DTR..................................................... 10

1.6.1.2 Etapa 1.2 – Determinar o Coordenador............................................................ 10


1.6.1.3 Etapa 1.3 – Determinar a Equipe de Trabalho ................................................ 12

1.6.1.4 Etapa 1.4 – Elaborar o Plano de Trabalho.............. ......................................... 12


1.6.2 Fase 2 – Análise Sócio-econômica .................................................................... 14

1.6.2.1 Etapa 2.1 - Levantar os Dados Secundários.....................................................14


1.6.2.2 Etapa 2.2 - Elaborar a Análise Socioeconômica .............................................. 16
1.6.2.3 Etapa 2.3 – Entregar o Documento da Análise sócio-econômica......................18

1.6.3 Fase 3 – Análise da Cadeia Produtiva Estratégica...................... ....................... 19


1.6.3.1 Etapa 3.1 – Identificar os Principais Segmentos Econômicos na Região de
Intervenção. . ................................................................................................................ 19

1.6.3.2 Etapa 3.2 – Determinar o Segmento Econômico Estratégico...................... .... 20


1.6.3.3 Etapa 3.3 – Levantar Dados Secundários ...................... ................................. 21
1.6.3.4 Etapa 3.4 – Levantar Dados Primários............................................................. 21

1.6.3.5 Etapa 3.5 – Elaborar o Fluxograma do Segmento Econômico Estratégico.......22


1.6.3.6 Etapa 3.6 – Análise por Aglomerado...................... .......................................... 23
1.6.3.7 Etapa 3.7 – Elaborar Documento Preliminar da Análise da Cadeia
Produtiva Estratégica ................................................................................................... 24
1.6.4 Fase 4 – Indicativos de Potenciais Projetos...................... .................................. 26
1.6.4.1 Etapa 4.1 – Identificar os Fatores Chaves de Sucesso ....................................26
1.6.4.2 Etapa 4.2 – Identificar Oportunidades de Melhoria ..........................................27
1.6.4.3 Etapa 4.3 – Análise das Oportunidades de Melhoria .......................................27
1.6.4.4 Etapa 4.4 – Validar os Resultados e Priorizar os Indicativos de Potenciais

Projetos .........................................................................................................................28
1.6.4.5 Etapa 4.5 – Elaborar a Análise da Cadeia Produtiva Estratégica ....................29
1.6.4.6 Etapa 4.6 Entregar a Versão Final da Analise Socioeconômica e Análise
da Cadeia Produtiva Estratégica..................................................................................30
1.7 Referências Bibliográficas......................................................................................31

CAPÍTULO 2 – Análise Socioeconômica...................................................................37


2.1 Caracterização da Região ......................................................................................39
2.2 Raízes históricas .....................................................................................................42

2.2.1 Cronograma Histórico ..........................................................................................44

2.2.2 Armazém ..............................................................................................................47


2.2.3 Braço do Norte .....................................................................................................50
2.2.4 Capivari de Baixo .................................................................................................53
2.2.5 Grão Pará.............................................................................................................55

2.2.6 Gravatal................................................................................................................57
2.2.7 Imaruí ...................................................................................................................59
2.2.8 Imbituba................................................................................................................61
2.2.9 Jaguaruna ............................................................................................................65

2.2.10 Laguna ...............................................................................................................68


2.2.11 Orleans...............................................................................................................72
2.2.12 Pedras Grandes .................................................................................................75
2.2.13 Rio Fortuna.........................................................................................................78
2.2.14 Sangão ...............................................................................................................80

2.2.15 Santa Rosa de Lima...........................................................................................82


2.2.16 São Ludgero.......................................................................................................84

2.2.17 São Martinho ......................................................................................................86


2.2.18 Treze de Maio ....................................................................................................89

2.2.19 Tubarão ..............................................................................................................92


2.3 População Residente.............................................................................................. 95
2.4 Índice de Desenvolvimento Humano Municipal.................................................... 105
2.5 Instituições de Cultura .......................................................................................... 116
2.6 Infra-estrutura ....................................................................................................... 118

2.6.1 Transporte Rodoviário ....................................................................................... 119


2.6.2 Transporte Ferroviário ....................................................................................... 121
2.6.2.1 Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina.......................................................... 122
2.6.3 Transporte Hidroviário ....................................................................................... 124
2.6.4 Transporte Aeroviário ........................................................................................ 128

2.6.5 Energia Elétrica ................................................................................................. 130


2.6.6 Gás Natural........................................................................................................ 134
2.6.7 Telecomunicações............................................................................................. 136
2.6.8 Água e Saneamento .......................................................................................... 137

2.7 Atividade Econômica ............................................................................................ 140


2.7.1 Produto Interno Bruto – PIB .............................................................................. 141
2.7.2 Valor Adicionado................................................................................................ 144
2.7.3 Empregados e Estabelecimentos ...................................................................... 147
2.7.4 Principais Segmentos ........................................................................................ 160

2.7.5 Agricultura.......................................................................................................... 163


2.7.5.1 Arroz ............................................................................................................... 163
2.7.5.2 Batata ............................................................................................................. 168

2.7.5.3 Feijão .............................................................................................................. 169

2.7.5.4 Fumo............................................................................................................... 175


2.7.5.5 Mandioca ........................................................................................................ 177
2.7.5.6 Milho ............................................................................................................... 180
2.7.5.7 Tomate............................................................................................................ 184
2.7.6 Leite ................................................................................................................... 186

2.7.7 Mel ..................................................................................................................... 191


2.7.8 Turismo.............................................................................................................. 196
2.7.8.1 Circuitos.......................................................................................................... 196
2.7.8.2 Destaques Turísticos ..................................................................................... 198

2.8 Mapa de Oferta Tecnológica ................................................................................ 210


2.8.1 Universidade do Sul de Santa Catarina - UNISUL.............................................211
2.8.1.1 Unidade Braço do Norte..................................................................................211
2.8.1.2 Unidade Imbituba ............................................................................................211
2.8.1.3 Unidade Laguna ..............................................................................................212

2.8.1.4 Campus Tubarão.............................................................................................212


2.8.2 Faculdade de Capivari - FUCAP ........................................................................216
2.8.3 Faculdade de Educação do Alto Vale do Rio Tubarão - FEAVART...................216
2.8.4 Faculdade de Administração do Alto Vale do Rio Tubarão – FAAVART ...........217
2.8.5 Senai – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial ......................................217

2.8.5.1 Braço do Norte – Centro de Educação e Tecnologia......................................218


2.8.5.2 Capivari de Baixo – Centro de Educação e Tecnologia..................................218
2.8.5.3 Tubarão – Centro de Educação e Tecnologia.................................................219
2.8.6 Entidades de Apoio ............................................................................................221

CAPÍTULO 3 – Análise Tecnológica da Cadeia Produtiva.....................................223


3.1 Desenvolvimento Tecnológico Regional ..............................................................225
3.2 Determinação do Segmento Econômico...............................................................227
3.2.1 Variável – Valor adicionado................................................................................230

3.2.2 Variável Empresa ..............................................................................................231


3.2.3 Variável – Empregos ..........................................................................................232
3.2.4 Ranqueamento do Setor Econômico Estratégico ..............................................233
3.3 Cadeia Produtiva de Madeira - Móvel ...................................................................236

3.4 Competitividade da Cadeia Produtiva de Madeiras e Moveis do Brasil ...............241


3.4.1 Matéria-Prima.....................................................................................................242
3.4.1.1 Matéria-prima de Base Florestal ....................................................................243
3.4.1.2 Matéria-prima processada...............................................................................244
3.4.1.3 Qualidade da madeira .....................................................................................248

3.4.2 Produção de móveis: Tecnologia, Design e Mão-de-Obra ................................249


3.4.2.1 Tecnologia.......................................................................................................249

3.4.2.2 Design .............................................................................................................251


3.4.2.3 Mão-de-Obra ...................................................................................................252

3.5 Reflorestamento e Silvicultura...............................................................................253


3.6 Desdobramento e Fabricação de Produtos de Madeira ....................................... 260
3.7 Indústria de Móveis............................................................................................... 265
3.7.1 O Setor Produtor de Móveis no Mundo ............................................................. 267
3.7.2 A Indústria Moveleira no Brasil .......................................................................... 268

3.7.3 Exportações....................................................................................................... 271


3.7.4 Design e Tecnologia .......................................................................................... 278
3.7.5 Padronização.................................................................................................... 279
3.8 Análise Tecnológica da Cadeia Produtiva Madeira-Móveis – Enfoque móveis
Sob-Medida ............................................................................................................... 282

3.9 Metodologia Aplicada ......................................................................................... 286


3.10 Fatores Críticos de Sucesso............................................................................... 287
3.10.1 Silvicultura ....................................................................................................... 287
3.10.2 Tecnologia de Maquinário ............................................................................... 288

3.10.3 Mão-de-obra .................................................................................................... 288


3.10.4 Design – Desenvolvimento de Produtos – Inovação ....................................... 289
3.11 Diamante de Competitividade de Porter ........................................................... 289
3.11.1 Estratégia, Estrutura e Rivalidade entre as Empresas .................................... 289
3.11.2 Condições dos Fatores ................................................................................... 290

3.11.3 Condições de Demanda .................................................................................. 290


3.11.4 Indústrias Correlatas e de Apoio .................................................................... 291
3.12 Resultados Obtidos ............................................................................................ 291

3.13 Fatores Críticos de Sucesso .............................................................................. 291

3.13.1 Silvicultura ...................................................................................................... 291


3.13.2 Tecnologia - Máquinas .................................................................................... 294
3.13.3 Design.............................................................................................................. 298
3.13.3.1 O Papel Estratégico do Design na Indústria Moveleira sob Medida............. 298
3.13.3.2 Tendências do Setor Moveleiro sob Medida ................................................ 299

3.13.3.3 Desenvolvimento de Produtos – Inovação .................................................. 299


3.13.3.4 Introdução de Novos Produtos ..................................................................... 301
3.13.3.5. Estratégia de Tecnologia ............................................................................. 301
3.13.3.6 Investimento em P&D ................................................................................... 302

3.13.4 Capacitação da mão-de-obra .......................................................................... 303


3.13.4.1 Treinamento e Educação ..............................................................................303
3.14 Diamante de Competitividade de Porter .............................................................305
3.14.1 Estratégia, Estrutura e Rivalidade das Empresas............................................305
3.14.1.1 Conhecimento da Concorrência....................................................................307

3.14.1.2 Estruturação dos Canais de Venda...............................................................308


3.14.1.3 Planejamento de Marketing..........................................................................309
3.14.2 Condições dos Fatores ....................................................................................310
3.14.3 Condições de Demanda...................................................................................311
3.14.3.1 Estimativa de Demanda ................................................................................311

3.14.3.2 Pesquisa das Necessidades dos Clientes. ...................................................312


3.14.3.3 Variação nas Vendas ....................................................................................313
3.14.4 Indústrias Correlatas e de Apoio ......................................................................314
3.14.4.1 Fornecedores e Subcontratados ..................................................................314

3.14.4.2 Planejamento Logístico .................................................................................315


3.15 Conclusões e Recomendações...........................................................................318
3.16 Bibliografia...........................................................................................................323
3.17 Anexo – Questionário utilizado............................................................................324
3.18 Seminário Tecnológico Regional.........................................................................340
AApprreesseennttaaççããoo

Nos últimos anos ocorreram importantes mudanças no Brasil e no mundo, o planeta


Terra está cada vez mais com os seus recursos naturais escassos, a desestatização das
economias, a redução da participação direta dos governos e a atuação por agências
governamentais, forçam uma nova percepção da questão regional. Isto requer uma
mudança de paradigma, demandando novas matrizes de idéias, metodologias e técnicas
que sejam capazes de responder mais efetivamente às questões que surgem no plano
regional. O processo de crescimento econômico deve ser promovido dentro do contexto
social, ambiental, político, cultural e além do econômico. Para alcançá-lo,
sustentavelmente, faz-se necessário à existência de empresas bem sucedidas e
comprometidas com a qualidade de vida da população local. Entretanto essas
organizações devem buscar constantemente a inovação e as maneiras de aumentar sua
competitividade. Dessa forma, é necessária uma nova forma de entender o
desenvolvimento regional.

O presente documento tem por objetivo apresentar a fundamentação teórica, a


metodologia de intervenção DTR e a análise socioeconômica do Desenvolvimento
Tecnológico Regional – DTR desenvolvida pelo Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina
e aplicada na região da Associação dos Municípios da Região de Laguna, que tiveram
início em junho de 2002. O DTR consiste em sistematizar as ferramentas e as técnicas
com o propósito de fomentar o desenvolvimento regional, através de projetos de
intervenção focados em variáveis tecnológicas e competitivas. A região de intervenção é
composta por dezoito municípios da AMUREL, e se encontram no Estado de Santa
Catarina (ver Figura 1).

Com o intuito de intervir no foco do desenvolvimento regional, o Serviço Brasileiro de


Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina – SEBRAE/SC, em conjunto
com o Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina – IEL/SC, desenvolvem o Programa
Catarinense de Desenvolvimento Regional e Setorial – PCDRS. Deste programa, fazem
parte algumas metodologias, entre as quais, o Desenvolvimento Tecnológico Regional -
DTR.

xix

APRESENTAÇÃO • AMUREL
Figura 1 Mapa indicando a região da AMUREL no território catarinense
Fonte: Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina, 2003.

xx

APRESENTAÇÃO • AMUREL
t

CAPÍTULO 1

METODOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO
TECNOLÓGICO REGIONAL
1.1 Introdução

O presente documento tem por objetivo apresentar a metodologia de intervenção


chamada de Desenvolvimento Tecnológico Regional – DTR, desenvolvido pelo
Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina – IEL/SC, partindo da abordagem seletiva
(BALDIN, 1979) do segmento econômico estratégico.

Para o alcance da qualidade de vida e bem-estar, um programa de desenvolvimento com


âmbito regional, deve envolver pessoas em discussões de planos de ações que sejam
participativos e eficientes, desde a concepção até a execução. Para tanto, se faz
necessário que todos estejam comprometidos para a identificação e a solução dos
problemas regionais, mesmo que estes sejam percebidos apenas por um município, que
não os seus.

Define-se tecnologia como “... a maneira como os insumos são transformados em


produto no processo produtivo” (JONES, 2000, p. 65), ou “... o conjunto de habilidades
disposto em três categorias de referência: P&D, projetos e produção”.(ROSSETTI, 2000,
p. 133). Em outras palavras a tecnologia é o “como fazer”. São os meios pelos quais as
empresas e as organizações materializam os conhecimentos em meios competitivos.
Tais meios competitivos incluem-se dentro de toda a concepção do produto no sentido
amplo, envolvendo a cadeia de suprimentos, das etapas de pesquisa e projeto, até a
materialização e distribuição do produto.

Uma das formas de ação do Desenvolvimento Tecnológico Regional – DTR consiste na


elaboração do “mapa” do contexto regional, analisando a situação atual e as possíveis
tendências da cadeia produtiva de intervenção. Além disso, propor as iniciativas de
desenvolvimento com ênfase no estudo das variáveis econômicas, considerando suas
implicações tecnológicas e as possíveis intervenções regionais. Através deste mapa, a
região poderá desencadear e qualificar os projetos com base concreta de informações e
análises que normalmente são exigidas pelos órgãos financiadores, como a estrutura
governamental.

3
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
1.2 Objetivo Principal

Sistematizar as ferramentas e as técnicas com o propósito de fomentar o


desenvolvimento regional em uma região de intervenção, a partir do adensamento de
uma cadeia produtiva estratégica com projetos focados em variáveis tecnológicas e
competitivas.

1.3 Objetivos Específicos

ƒ Analisar a situação socioeconômica dos municípios da região de intervenção,


destacando as raízes históricas, população residente, índice de desenvolvimento
humano municipal, infra-estrutura, as principais atividades econômicas e a oferta
tecnológica, além das culturas empresariais bem sucedidas;

ƒ Identificar as iniciativas e projetos de desenvolvimento na região;

ƒ Conscientizar as principais entidades privadas, públicas e lideranças regionais sobre


a importância do desenvolvimento regional com enfoque nas variáveis tecnologia e
inovação;

ƒ Identificar o segmento econômico estratégico para a intervenção através da


metodologia específica;

ƒ Elaborar o fluxograma da cadeia produtiva a partir do segmento econômico


estratégico identificado;

ƒ Elaborar o estado da arte da cadeia produtiva, utilizando os dados primários e


secundários, com foco na região de intervenção;

ƒ Analisar a cadeia produtiva de intervenção, destacando os elos fortes, fracos,


existentes e inexistentes na região;

ƒ Analisar a cadeia produtiva de intervenção através do Diamante de Competitividade


de Porter;

ƒ Identificar os problemas e os pontos de melhoria da cadeia produtiva na região


através de dados primários;

4
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
ƒ Elaborar a matriz SWOT (pontos fortes, fracos, ameaças e oportunidades) da cadeia
produtiva;

ƒ Elaborar as relações de causa e efeito a partir dos problemas identificados na cadeia


produtiva;

ƒ Identificar as possíveis ações de melhoria a partir da matriz SWOT e das relações de


causa e efeito.

1.4 Principais Benefícios

Os principais benefícios da metodologia de Desenvolvimento Tecnológico Regional são:

ƒ Elaborar o diagnóstico da região que avalie a situação atual, as demandas e


oportunidades existentes, de forma a instrumentar a discussão de uma visão de futuro
conjunta, que direcione os esforços das instituições regionais;

ƒ Identificar ações estratégicas e específicas para a região, que proporcionem uma


evolução do seu nível de desenvolvimento;

ƒ Conhecer as características sociais, econômicas e as estruturas que apóiam as


atividades de geração e de utilização de tecnologia na região;

ƒ Identificar e disponibilizar um conjunto de informações através do software “Sistema


de Informações Regional”, com vistas à melhoria sistêmica da coesão social e
econômica do território;

ƒ Fomentar a adoção de uma postura cooperativa e integradora por parte dos atores
regionais, para promoção de ações conjuntas que otimizem esforços e recursos.

5
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
1.5 Modelo de Referência

As fases do modelo são apresentadas de forma resumida no quadro 1 e o detalhamento encontra-se no tópico a seguir.

Quadro 1 – Modelo de Referência da Metodologia de Desenvolvimento Tecnológico Regional

Tempo
Fases Etapas Objetivo Recursos Método previsto
(horas)
Apresentar a metodologia para todos Sala de reunião apropriada,
Etapa 1.1 – Apresentar a Reunião
os responsáveis pelo processo do computador e projetor 2
metodologia DTR explicativa.
DTR na região de intervenção. multimídia.
Determinar a pessoa responsável pela Responsáveis pelo DTR na
Etapa 1.2 – Determinar o Metodologia
coordenação do DTR na região de região de intervenção e equipe 40
coordenador do DTR própria.
intervenção. técnica do IEL/SC.
Determinar os integrantes, funções e
Etapa 1.3 – Definir a equipe de responsabilidades da equipe de Sala de reunião apropriada e
Reunião 4

FASE 1
trabalho trabalho do DTR na região de computador.

Planejamento
intervenção.
Elaborar um planejamento de trabalho
Etapa 1.4 – Elaborar o plano de Sala de reunião apropriada e
que contenha os integrantes, funções, Reunião. 8
trabalho computador.
datas previstas e tempo.
Sub-Total 54

6
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
Pesquisa
Levantar os dados secundários bibliográfica,
Etapa 2.1 - Levantar os Dados Banco de dados, computador e
necessários para a elaboração da Internet e banco 80
Secundários Internet.
análise socioeconômica. de dados
próprio.
Etapa 2.2 - Elaborar a Análise Elaborar a versão preliminar da Dados secundários, computador
Análise técnica. 160
Socioeconômica análise socioeconômica. e impressora.

FASE 2
Apresentar e entregar a versão
Sala de reunião apropriada, Reunião e
Etapa 2.3 – Entregar o documento preliminar da análise socioeconômica
computador, projetor multimídia apresentação 2
da Análise Socioeconômica para o coordenador do DTR e
e análise socioeconômica. audiovisual.

Análise Socioeconômica
integrantes da região de intervenção.
Sub-Total 242

7
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
Etapa 3.1 – Identificar os Identificar os segmentos econômicos de
Dados secundários, análise
principais segmentos maior relevância na região de Metodologia
técnica, computador e 40
econômicos na região de intervenção a partir de uma metodologia específica.
impressora.
intervenção específica.
Etapa 3.2 – Determinar o Determinar o segmento econômico Sala de reunião apropriada e
Reunião e
segmento econômico estratégico através de análises técnicas listagem dos segmentos 40
negociação.
estratégico e estratégicas. econômicos identificados.
Pesquisa
Levantar os dados secundários
Etapa 3.3 – Levantar dados Banco de dados próprio, bibliográfica,
necessários para a análise da cadeia 120
secundários computador e Internet. Internet, banco de
produtiva estratégica.
dados próprio.
Levantar os dados primários para
Entrevista em
Etapa 3.4 – Levantar dados subsidiar a elaboração do fluxograma e Entrevistadores e análise
campo e análise 160
primários análise pelo diamante de competitividade técnica.
técnica.

FASE 3
de Porter.
Etapa 3.5 – Elaborar o Elaborar o fluxograma da cadeia Pesquisa em
Dados primários e
fluxograma do Segmento produtiva estratégica, destacando-se os campo e análise 120
secundários.
Econômico Estratégico seus elos. técnica.
Elaborar a análise da cadeia produtiva Dados primários,
Etapa 3.6 – Análise por
principal através do diamante de secundários e fluxograma da Análise técnica. 80

Análise da Cadeia Produtiva Estratégica


aglomerado
competitividade de Porter. cadeia produtiva estratégica.
Etapa 3.7 – Elaborar Elaborar o documento preliminar da
Dados primários,
documento preliminar da análise da cadeia produtiva a partir dos
secundários, fluxograma e Análise técnica. 120
Análise da Cadeia Produtiva dados primários, secundários,
análise por aglomerado.
Estratégica fluxograma e análise por aglomerado.
Sub-Total 680

8
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
Etapa 4.1 – Identificar os Identificar os fatores chaves de sucesso da Dados primários e
Análise técnica. 40
Fatores Chaves de Sucesso cadeia produtiva estratégica. secundários.
Etapa 4.2 – Identificar Identificar as oportunidades de melhoria a Dados primários e Entrevistas em campo e
160
oportunidades de melhoria partir dos fatores chaves de sucesso. secundários. análise técnica.
Análise técnica através da
Etapa 4.3 – Análise das
Analisar as oportunidades de melhoria. Oportunidades de melhoria. matriz SWOT e relações de 80
oportunidades de melhoria
causa e efeito.
Etapa 4.4 – Validar os
Validar os resultados alcançados e Auditório apropriado, Validação através de
resultados e priorizar os
priorizar os indicativos de potenciais computador, projeto multimídia consenso e priorização 16
indicativos de potenciais
projetos. e mediador. através de votação.
projetos

FASE 4
Elaborar a segunda versão preliminar da
Dados primários, secundários,
Etapa 4.5 – Elaborar a Análise Análise da Cadeia Produtiva Estratégica a
primeira versão preliminar e os
da Cadeia Produtiva partir da primeira versão e complementada Análise técnica. 160
resultados do seminário
Estratégica com os resultados do seminário
tecnológico regional.
tecnológico regional.

Indicativos de Potenciais Projetos


Etapa 4.6 – Entregar da versão Apresentar e entregar as versões finais da Auditório apropriado,
final da Análise análise socioeconômica e da análise da computador, projetor
Apresentação audiovisual. 3
Socioeconômica e Análise da cadeia produtiva estratégica a região de multimídia, documentos
Cadeia Produtiva Estratégica intervenção. formatados.

Sub-Total 459
Total Geral 1435

9
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
1.6 Fases do Modelo de Referência

A Metodologia de Desenvolvimento Tecnológico Regional é composta pelas fases de


Planejamento, Análise Socioeconômica, Análise da Cadeia Produtiva Estratégica e os
Indicativos de Potenciais Projetos. Cada fase é descrita detalhadamente com as suas
respectivas etapas, destacando-se as suas definições, responsáveis, métodos, recursos
e tempo necessário. Dessa forma, compreende-se todo o funcionamento do DTR.

Entende-se por região de intervenção o conjunto de dois ou mais municípios associados


de alguma forma e que já foram previamente definidos.

1.6.1 Fase 1 – Planejamento

Na fase de planejamento do DTR apresenta-se a metodologia aos participantes da região


de intervenção, determina-se o coordenador do DTR, define-se a equipe e elabora-se o
plano de trabalho. Cada uma das etapas é descrita detalhadamente a seguir:

1.6.1.1 Etapa 1.1 – Apresentar a metodologia DTR

Esta etapa prevê a apresentação da metodologia pela equipe técnica do IEL/SC para os
participantes do DTR na região de intervenção.

Objetivo: apresentar a metodologia para os responsáveis pelo processo do DTR na


região de intervenção.

Responsável: equipe técnica do IEL/SC.

Método: reunião explicativa.

Recurso: sala de reunião apropriada, computador e projetor multimídia.

Tempo: aproximadamente duas horas.

Resultado: metodologia do DTR compreendida por todos os participantes.

1.6.1.2 Etapa 1.2 – Determinar o coordenador do DTR

Determinar o coordenador do DTR na região de intervenção, que será responsável pela


condução dos trabalhos e a pessoa de ligação com a equipe técnica do IEL/SC. Cabe a

10
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
equipe técnica do IEL/SC informar o perfil ideal dessa pessoa. Normalmente, essa etapa
tem início logo após a etapa de apresentação da metodologia DTR.

Entre as principais responsabilidades do coordenador do DTR são:

ƒ Acompanhar a execução dos trabalhos;

ƒ Fornecer dados e informações a respeito da região de intervenção;

ƒ Articular junto a região de intervenção os interesses do DTR;

ƒ Participar de reuniões de trabalho em que a presença do coordenador é fundamental,


seja na sede do IEL/SC e/ou na região de intervenção;

ƒ Participar e colaborar no Seminário Tecnológico Regional;

Objetivo: determinar a pessoa responsável pela coordenação do DTR na região de


intervenção.

Responsável: responsáveis pela região de intervenção.

Tempo: até 5 dias úteis.

Resultado: coordenador do DTR definido e informado a equipe técnica do IEL/SC.

11
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
1.6.1.3 Etapa 1.3 – Definir a equipe de trabalho

Para a execução dos trabalhos do DTR é necessária a existência de uma equipe de


trabalho. Essa equipe é composta por pessoas da equipe técnica do IEL/SC e do
coordenador do DTR. Entre os principais integrantes e responsabilidades estão:

ƒ Coordenador do DTR na região: função já descrita anteriormente.

ƒ Facilitador: consultor especializado da equipe técnica do IEL/SC, responsável pelo


acompanhamento da execução do DTR.

ƒ Analista técnico do DTR: consultor especializado da equipe técnica do IEL/SC,


responsável pela análise socioeconômica e da cadeia produtiva.

ƒ Equipe de entrevistadores: consultores especializados da equipe técnica do IEL/SC,


responsáveis pelas entrevistas de campo e por suas análises.

ƒ Equipe do seminário: consultores especializados da equipe técnica do IEL/SC,


responsáveis pela condução do seminário tecnológico.

ƒ Equipe da coleta de dados secundários: estagiário(s) da equipe técnica do IEL/SC,


com a função de buscar os dados e as informações para subsidiar as análises e
estudos.

Objetivo: determinar os integrantes, funções e responsabilidades da equipe de trabalho


do DTR na região de intervenção.

Responsável: equipe técnica do IEL/SC e coordenador do DTR.

Método: reunião.

Recurso: sala de reuniões apropriada e computador.

Tempo: aproximadamente quatro horas.

Resultado: integrantes da equipe de trabalho definidos e compostos a partir da equipe


técnica do IEL/SC e do coordenador do DTR.

1.6.1.4 Etapa 1.4 – Elaborar o plano de trabalho

Para que a execução dos trabalhos possa ser feita de forma clara e objetiva, fez-se
necessária a elaboração do plano de trabalho. O plano de trabalho é composto pelas
fases e etapas da metodologia com a atribuição de responsabilidade da equipe.

12
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
Objetivo: elaborar um planejamento de trabalho que contenha os integrantes, funções,
datas previstas e tempo.

Responsável: equipe de trabalho.

Método: reunião.

Recurso: sala de reunião apropriada e computador.

Tempo: aproximadamente oito horas.

Resultado: plano de trabalho elaborado.

13
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
1.6.2 Fase 2 – Análise Socioeconômica

Analisa-se nesta fase, a situação socioeconômica dos municípios da região de


intervenção, destacando suas vocações e potencialidades econômicas e servindo de
base para o adensamento das cadeias produtivas. A fase é composta pelo levantamento
de dados primários, secundários e análise propriamente dita. Participa nesta fase, a
equipe técnica do IEL/SC e o coordenador do DTR na região de intervenção. É
constituída pelas seguintes etapas:

1.6.2.1 Etapa 2.1 - Levantar os Dados Secundários

Consiste no levantamento dos dados secundários necessários para subsidiar a


elaboração da análise socioeconômica da região da intervenção. Os dados são
levantados e coordenados pela equipe técnica do IEL/SC através de pesquisa
bibliográfica, Internet, banco de dados próprio e no fornecimento de dados pela região de
intervenção, para cada um dos municípios.

Objetivo: levantar os dados secundários necessários para a elaboração da análise


socioeconômica.

Responsável: equipe técnica do IEL/SC, com a participação do coordenador do DTR.

Método: pesquisa bibliográfica, Internet e banco de dados próprio.

Recurso: banco de dados, computador e Internet.

Tempo: aproximadamente 80 horas.

Resultado: dados secundários levantados e formatados.

14
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
O levantamento de dados secundários consiste nos seguintes tópicos:

ƒ Raízes históricas: descrição do histórico, da colonização e das principais culturas,


além da cultura empresarial e empreendedora.

ƒ População residente: população residente total, rural, urbana, por sexo, faixa etária
e a dinâmica populacional de pelo menos duas séries históricas.

ƒ Índice de desenvolvimento humano municipal: Índice de Desenvolvimento


Humano Municipal – IDH-M, Índice de Desenvolvimento Humano Municipal –
Longevidade – IDHM-L, Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – Renda –
IDHM-R, Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – Educação – IDHM-E e as
principais instituições de culturas (bibliotecas, museus, teatros, casas de espetáculo e
cinemas) existentes na região.

ƒ Infra-estrutura: Transporte (transporte rodoviário, transporte ferroviário, transporte


hidroviário, transporte aeroviário e as principais distâncias), Energia (Energia Elétrica;
Gás Natural), Telecomunicações, Água e Saneamento Básico.

ƒ Atividade econômica: PIB (Produto Interno Bruto) municipal, Valor Adicionado (por
atividades e municípios), Empregados e Estabelecimentos (Número de Empregados,
Número de Estabelecimentos, Média Salarial, Nível de Escolaridade e Tamanho do
Estabelecimento, por atividades e municípios) e Setores Econômicos (Agricultura,
Pecuária, Industrial, Serviços e Turismo).

ƒ Oferta tecnológica: Universidades, Cursos Superiores e Pós-Graduação, Cursos


Técnicos e Profissionalizantes, Centros de Pesquisa & Desenvolvimento e Principais
projetos executados na região.

15
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
1.6.2.2 Etapa 2.2 - Elaborar a Análise Socioeconômica

Elaborar a análise socioeconômica da região de intervenção a partir dos dados


secundários levantados, sob a responsabilidade da equipe técnica especializada do
IEL/SC.

Objetivo: elaborar a versão preliminar da análise socioeconômica.

Responsável: equipe técnica do IEL/SC.

Método: análise técnica.

Recurso: dados secundários, computador e impressora.

Tempo: aproximadamente 160 horas.

Resultado: documento preliminar da análise socioeconômica.

Como resultado tem-se um documento preliminar encaminhado à região de intervenção,


incluindo os seguintes pontos:

ƒ Raízes históricas: descrever o histórico, a colonização e as principais culturas de


cada um dos municípios da região de intervenção, com o intuito de conhecer as
particularidades históricas e culturais, além da empreendedora.

ƒ População residente: analisar a população residente total, rural, urbana, por sexo e
faixa etária de pelo menos duas séries históricas para cada um dos municípios e a
região como um todo, comparando-se os resultados com as médias alcançadas no
Estado de intervenção e no país, de forma, a se ter um panorama da dinâmica
populacional.

ƒ Índice de desenvolvimento humano municipal: analisar os valores e as variáveis


que compõem o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – IDH-M, Índice de
Desenvolvimento Humano Municipal – Longevidade – IDHM-L, Índice de
Desenvolvimento Humano Municipal – Renda – IDHM-R, Índice de Desenvolvimento
Humano Municipal – Educação – IDHM-E de pelo menos duas séries históricas para
cada um dos municípios e a região como um todo, comparando-se os resultados com
a média do Estado de intervenção e do país. Além das principais instituições de
culturas (bibliotecas, museus, teatros, casas de espetáculo e cinemas) existentes na
região. Verificando-se o grau de evolução social, humano e educacional para cada
um dos municípios.

16
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
ƒ Infra-estrutura: analisar a disponibilidade da infra-estrutura que impacta no
desenvolvimento econômico da região, nos tópicos de Transporte (transporte
rodoviário, transporte ferroviário, transporte hidroviário, transporte aeroviário e as
principais distâncias), Energia (Energia Elétrica; Gás Natural), Telecomunicações,
Água e Saneamento Básico para cada um dos municípios da região de intervenção.

ƒ Atividade econômica: analisar pelo menos três séries históricas, o PIB (Produto
Interno Bruto) para cada um dos municípios da região e verificar a participação de
cada um no PIB da região, o valor adicionado por atividade econômica e por
município, as variáveis número de empregados, número de estabelecimentos, média
salarial, nível de escolaridade e tamanho do estabelecimento por atividade econômica
e por município. Além dos setores econômicos mais fortes e existentes da região,
entre eles agricultura, pecuária, industrial, serviços e turismo. Com o objetivo de
apresentar a vocação econômica e as potencialidades da região de intervenção.

ƒ Oferta tecnológica: listar as Universidades, Cursos Superiores e Pós-Graduação,


Cursos Técnicos e Profissionalizantes, Centros de Pesquisa & Desenvolvimento
existentes na região de intervenção. Além dos principais projetos e iniciativas de
desenvolvimento regional e econômico na região de intervenção.

17
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
1.6.2.3 Etapa 2.3 – Entregar o documento da Análise Socioeconômica

Nesta etapa faz-se uma apresentação e a entrega do documento com a análise


socioeconômica da região de intervenção para o coordenador do DTR na região de
intervenção.

Objetivo: apresentar e entregar a versão preliminar da análise socioeconômica para o


coordenador do DTR e integrantes da região de intervenção.

Responsável: equipe técnica do IEL/SC e o coordenador do DTR.

Método: reunião e apresentação audiovisual.

Recurso: sala de reunião apropriada, computador, projetor multimídia e análise


socioeconômica.

Tempo: aproximadamente duas horas.

Resultado: documento preliminar da análise socioeconômica apresentado ao


coordenador do DTR e integrantes da região de intervenção.

18
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
1.6.3 Fase 3 – Análise da Cadeia Produtiva Estratégica

A fase 3 da metodologia de intervenção DTR é composta pela identificação dos principais


segmentos econômicos, a determinação do segmento econômico estratégico, a
elaboração do fluxograma de sua cadeia produtiva e a análise da mesma, utilizando o
“Diamante de Competitividade de Porter”.

1.6.3.1 Etapa 3.1 – Identificar os principais segmentos econômicos na região


de intervenção

Nessa etapa busca-se identificar os principais segmentos econômicos existentes na


região de intervenção, através da metodologia específica. Isto é, identificam-se as
vocações econômicas da região, partindo da relevância relativa de concentração de
empresas. Essa metodologia ocorre em várias etapas, sendo que a primeira analisa a
relevância de duas variáveis (número de empregados e número de estabelecimentos) em
comparação à média encontrada no Estado. Na segunda etapa, verifica-se a abrangência
desses segmentos na região, levando-se em consideração os segmentos integrantes e
correlatos de uma pseudocadeia produtiva, ou seja, agrupam-se os segmentos
econômicos de maneira a formar possíveis cadeias produtivas, baseados nos elos
principais das mesmas. A próxima etapa , diz respeito a análise dessas possíveis cadeias
produtivas , com enfoque em outras variáveis (número de empregados, número de
estabelecimentos, grau de instrução, média salarial e tamanho dos estabelecimentos).
Por último, tem-se a lista com as possíveis cadeias produtivas identificadas.

Objetivo: identificar os segmentos econômicos de maior relevância na região de


intervenção a partir da metodologia específica.

Responsável: equipe técnica do IEL/SC.

Método: metodologia específica.

Recurso: dados secundários, análise técnica, computador e impressora.

Tempo: aproximadamente 40 horas.

Resultado: principais segmentos econômicos identificados da região de intervenção.

19
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
1.6.3.2 Etapa 3.2 – Determinar o segmento econômico estratégico

Entende-se por segmento econômico estratégico a cadeia produtiva determinada a partir


da listagem disponibilizada na etapa anterior. Passa-se a chamar somente cadeia
produtiva depois da elaboração da análise da mesma.

A determinação do segmento econômico estratégico considera dois aspectos: o técnico e


o estratégico. Isto é, a etapa anterior identificou as possíveis cadeias produtivas no
aspecto técnico. O aspecto estratégico envolve uma articulação com a região de forma a
identificar a cadeia produtiva que tenha mais sinergia com a aplicação do DTR. Nessa
parte, o coordenador do DTR tem uma função importante, que é a de fornecer os
subsídios e as informações com relação a listagem das possíveis cadeias produtivas para
a equipe técnica do IEL/SC. Através da análise desses dois fatores chega-se a cadeia
produtiva de intervenção.

Objetivo: determinar o segmento econômico estratégico através de análises técnicas e


estratégicas.

Responsável: equipe técnica do IEL/SC e coordenador do DTR.

Método: reuniões e negociação.

Recurso: sala de reunião apropriada e listagem dos segmentos econômicos


identificados.

Tempo: aproximadamente 40 horas.

Resultado: segmento econômico estratégico determinado.

20
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
1.6.3.3 Etapa 3.3 – Levantar dados secundários

O levantamento de dados secundários consiste na coleta de dados para subsidiar os


estudos e as análises, além do levantamento de dados primários nas próximas etapas
dessa fase. A busca será feita pela equipe técnica do IEL/SC com a participação da
região, através da pesquisa bibliográfica, Internet, banco de dados próprio e outros
meios.

Objetivo: levantar os dados secundários necessários para a análise da cadeia produtiva


estratégica.

Responsável: equipe técnica do IEL/SC e participação do coordenador do DTR.

Método: pesquisa bibliográfica, Internet, banco de dados próprio.

Recurso: banco de dados próprio, computador e Internet.

Tempo: aproximadamente 120 horas.

Resultado: dados secundários levantados.

1.6.3.4 Etapa 3.4 – Levantar dados primários

Esta etapa consiste no levantamento de dados primários na região de intervenção de


forma a subsidiar os estudos e análises das etapas seguintes. O levantamento de dados
primários ocorre através de entrevistas previamente preparadas e aplicadas pela equipe
técnica do IEL/SC. Subsidiarão, principalmente, a elaboração do fluxograma da cadeia
produtiva e dados para a análise do aglomerado através do Diamante de Competitividade
de Porter.

Objetivo: levantar os dados primários para subsidiar a elaboração do fluxograma e


análise pelo diamante de competitividade de Porter.

Responsável: equipe técnica do IEL/SC e participação do coordenador do DTR.

Método: entrevista em campo.

Recurso: entrevistadores e análise técnica.

Tempo: aproximadamente 160 horas.

Resultado: dados primários levantados.

21
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
1.6.3.5 Etapa 3.5 – Elaborar o fluxograma do Segmento Econômico Estratégico

A partir da definição do segmento econômico estratégico, elabora-se o fluxograma da


cadeia produtiva, partindo-se da análise a montante e a jusante da cadeia vertical de
empresas e instituições. O passo seguinte consiste na análise horizontal, para identificar
segmentos que utilizam distribuidores comuns ou que fornecem produtos ou serviços
complementares. Com base no uso de insumos ou tecnologias especializadas
semelhantes ou através de outros elos com os fornecedores, identificam-se cadeias
horizontais de segmentos. Após a identificação dos segmentos e empresas do
aglomerado, o passo subseqüente é o isolamento das instituições que oferecem
qualificações especializadas, tecnologias, informações, capital ou infra-estrutura e órgãos
coletivos envolvendo os participantes do aglomerado. O passo final consiste em procurar
as agências governamentais e outros órgãos reguladores que exerçam influências
significativas sobre os participantes do aglomerado.

Objetivo: elaborar o fluxograma da cadeia produtiva estratégica, destacando-se os seus


elos.

Responsável: equipe técnica do IEL/SC e participação do coordenador do DTR.

Método: pesquisa em campo e análise técnica.

Recurso: dados primários e secundários.

Tempo: aproximadamente 120 horas.

Resultado: fluxograma da cadeia produtiva elaborada.

22
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
1.6.3.6 Etapa 3.6 – Análise por Aglomerado

Entende-se por aglomerado (cluster) o agrupamento geograficamente concentrado de


empresas inter-relacionadas e instituições correlatas numa determinada área, vinculada
por elementos comuns e complementares. O escopo geográfico varia de um município ou
estado para todo um país ou mesmo uma rede de países vizinhos. Os aglomerados
assumem diversas formas, dependendo de sua profundidade e sofisticação, mas a
maioria inclui empresas de produtos ou serviços finais, fornecedores de insumos
especializados, componentes, equipamentos e serviços, instituições financeiras e
empresas em setores correlatos. Alguns aglomerados giram em torno de pesquisas
universitárias, ao passo que outros mal se aproveitam dos recursos das instituições
tecnológicas formais. Podem ser constituídos de setores tradicionais como nos de alta
tecnologia, nos de fabricação e nos de serviço. Em certas regiões, abrigam um único
aglomerado dominante, enquanto outras contêm várias (PORTER, 1999).

Objetivo: elaborar a análise da cadeia produtiva principal através do diamante de


competitividade de Porter.

Responsável: equipe técnica do IEL/SC.

Método: análise técnica.

Recurso: dados primários, secundários e fluxograma da cadeia produtiva estratégica.

Tempo: aproximadamente 80 horas.

Resultado: análise da cadeia produtiva através do diamante de competitividade de


Porter.

A partir do fluxograma da cadeia produtiva do segmento econômico estratégico, elabora-


se uma análise na visão de aglomerado (cluster) utilizando-se o “Diamante de
Competitividade de Porter”. O diamante é apresentado a seguir:

23
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
Figura 1 Diamante de Competitividade de Porter

A figura 1 apresenta o Diamante de Competitividade de Porter e os seus fatores são


descritos a seguir:

ƒ Condições de Fatores: são os insumos necessários para competir em qualquer


indústria como terra cultivável, trabalho, recursos naturais, capital, infra-estrutura e
P&D.

ƒ Condições de Demanda: ela determina o rumo e o caráter da melhoria e inovação


pelas empresas do país. Três atributos gerais da demanda interna são significativos:
a composição (natureza das necessidades do comprador), o tamanho e padrão de
crescimento e os mecanismos pelos quais a preferência interna é transmitida aos
mercados estrangeiros.

ƒ Indústrias Correlatas e de Apoio: é a presença no país de indústrias que possam


abastecer a produção industrial e dar suporte administrativo aos serviços, dentro de
uma cadeia de valor.

ƒ Estratégia, Estrutura e Rivalidade de Empresas: é o contexto no qual as empresas


são criadas, organizadas e dirigidas, bem como , a natureza da rivalidade interna.

1.6.3.7 Etapa 3.7 – Elaborar documento preliminar da Análise da Cadeia


Produtiva Estratégica

Como resultado desta etapa tem-se uma análise preliminar da cadeia produtiva e que
servirá de base para a próxima fase. Esse documento contém o estado da arte, o
24
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
fluxograma e a análise por aglomerado da cadeia produtiva de intervenção. Esse
documento preliminar será usado como material de apoio na fase do Seminário
Tecnológico Regional.

Objetivo: elaborar o documento preliminar da análise da cadeia produtiva a partir dos


dados primários, secundários, fluxograma e análise por aglomerado.

Responsável: equipe técnica do IEL/SC.

Método: análise técnica.

Recurso: dados primários, secundários, fluxograma e análise por aglomerado.

Tempo: aproximadamente 120 horas.

Resultado: documento preliminar da análise da cadeia produtiva estratégica.

25
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
1.6.4 Fase 4 – Indicativos de Potenciais Projetos

Na fase de “Indicativos de Potenciais Projetos” faz-se a intervenção propriamente dita na


região, com o uso de entrevistas para identificar as oportunidades de melhoria. Identifica-
se os fatores chaves de sucesso, faz-se as análises técnicas e o resultado se valida com
os integrantes da cadeia produtiva estratégica. Ao final, têm-se os indicativos de
potenciais projetos.

1.6.4.1 Etapa 4.1 – Identificar os Fatores Chaves de Sucesso

A partir da análise preliminar da cadeia produtiva de intervenção, analisam-se os fatores


chaves de sucesso que são os indutores de competitividade nos elos da cadeia
produtiva. Identificam-se, preferencialmente, os fatores chaves de sucesso que deveriam
ser indutores de competitividade e por algum motivo não o são. Podem-se identificar os
fatores chaves de sucesso através de estudos específicos existentes na literatura e/ou de
análises técnicas feitas a partir das entrevistas realizadas. Identificam-se os fatores com
o intuito de conhecer a competitividade da cadeia e as oportunidades de melhoria.

Objetivo: identificar os fatores chaves de sucesso da cadeia produtiva estratégica.

Responsável: equipe técnica do IEL/SC, com a participação do coordenador do DTR.

Método: dados primários, secundários e análise técnica.

Recurso: dados primários e secundários.

Tempo: aproximadamente 40 horas.

Resultado: fatores chaves de sucesso identificados.

26
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
1.6.4.2 Etapa 4.2 – Identificar oportunidades de melhoria

A busca pela identificação de oportunidades de melhoria ocorre a partir dos fatores


chaves de sucesso, ou seja, faz-se uma série de entrevistas com o intuito de descobrir os
problemas causadores da baixa competitividade da cadeia produtiva na região. As
entrevistas são conduzidas pela equipe técnica do IEL/SC com a possibilidade de
participação do coordenador do DTR. Após as entrevistas é feita uma análise técnica no
material pela equipe técnica do IEL/SC, que servirão de base para a matriz SWOT e a
relação de causa e efeito.

Objetivo: identificar as oportunidades de melhoria a partir dos fatores chaves de


sucesso.

Responsável: equipe técnica do IEL/SC com a participação do coordenador do DTR.

Método: entrevistas em campo e análise técnica.

Recurso: dados primários e secundários.

Tempo: aproximadamente 160 horas.

Resultado: oportunidades de melhoria identificadas.

1.6.4.3 Etapa 4.3 – Análise das oportunidades de melhoria

A análise das oportunidades de melhoria é feita através da matriz SWOT e das relações
de causa e efeito. A matriz SWOT é composta por pontos fortes, pontos fracos, ameaças
e oportunidades identificadas a partir das entrevistas e dos dados secundários. A sua
utilização , tem por objetivo , os problemas que podem ser resolvidos mais facilmente em
relação aos problemas que estão fora da esfera local de solução. A relação de causa e
efeito é elaborada a partir dos problemas identificados e da matriz SWOT. Através da sua
utilização, identificam-se os causadores dos problemas e encontram-se mais
objetivamente as propostas de solução. As duas ferramentas são elaboradas pela equipe
técnica do IEL/SC e são apresentadas e validadas no Seminário Tecnológico Regional.

27
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
Objetivo: analisar as oportunidades de melhoria.

Responsável: equipe técnica do IEL/SC.

Método: análise técnica através da matriz SWOT e relações de causa e efeito.

Recurso: oportunidades de melhoria.

Tempo: aproximadamente 80 horas.

Resultado: análise das oportunidades de melhoria.

1.6.4.4 Etapa 4.4 – Validar os resultados e priorizar os indicativos de


potenciais projetos

O Seminário Tecnológico Regional ocorre na região de intervenção e os participantes são


os integrantes dos elos da cadeia produtiva, incluindo a equipe técnica do IEL/SC e do
coordenador do DTR na região de intervenção. O seminário tem o objetivo de apresentar
e validar todos os resultados e ao final sair com indicativos de potenciais projetos de
melhoria da cadeia produtiva. Conduzido e mediado pelos técnicos do IEL/SC, são
apresentados todos os resultados do estudo da cadeia produtiva, a matriz SWOT e as
relações de causa e efeito. Após a explanação é realizada a validação, pelos integrantes
da cadeia produtiva, do material apresentado. Uma vez validado o material, procede-se
com a criação de grupos de trabalho que irão propor ações de melhoria para cada uma
das relações de causa e efeito validado. Essas propostas de ações são analisadas e
agrupadas de forma a criarem potenciais projetos. Ao final, os integrantes do seminário
priorizam até oito indicativos de potenciais projetos.

Objetivo: validar os resultados alcançados e priorizar os indicativos de potenciais


projetos.

Responsável: equipe técnica do IEL/SC e coordenador do DTR.

Método: validação através de consenso e priorização através de votação.

Recurso: auditório apropriado, computador, projeto multimídia e mediador.

Tempo: até 16 horas.

Resultado: trabalhos validados e indicativos de potenciais projetos priorizados.

28
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
1.6.4.5 Etapa 4.5 – Elaborar a Análise da Cadeia Produtiva Estratégica

A partir da conclusão do Seminário Tecnológico Regional faz-se a conclusão da segunda


versão preliminar da Análise da Cadeia Produtiva. A análise é composta pelo material da
primeira versão preliminar (o estado da arte, o fluxograma e a análise por aglomerado da
cadeia produtiva de intervenção), incluindo os problemas identificados, a matriz SWOT e
as relações de causa e efeito. Além das propostas de ações apresentadas pelos
integrantes da cadeia produtiva no seminário.

Objetivo: elaborar a segunda versão preliminar da Análise da Cadeia Produtiva


Estratégica a partir da primeira versão e complementar com os resultados do seminário
tecnológico regional.

Responsável: equipe técnica do IEL/SC.

Método: análise técnica.

Recurso: dados primários, secundários, primeira versão preliminar e os resultados do


seminário tecnológico regional.

Tempo: aproximadamente 160 horas.

Resultado: segunda versão preliminar da Análise da Cadeia Produtiva Estratégica.

29
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
1.6.4.6 Etapa 4.6 – Entregar a versão final da Análise Socioeconômica e
Análise da Cadeia Produtiva Estratégica

Nesta etapa faz-se uma apresentação e a entrega dos documentos da análise


socioeconômica e da análise da cadeia produtiva estratégica para o coordenador do DTR
na região de intervenção. Concluindo-se dessa forma, a quarta fase da metodologia DTR.

Objetivo: apresentar e entregar as versões finais da análise socioeconômica e da análise


da cadeia produtiva estratégica à região de intervenção.

Responsável: equipe técnica do IEL/SC, com a participação do coordenador do DTR.

Método: apresentação audiovisual.

Recurso: auditório apropriado, computador, projetor multimídia, documentos formatados.

Tempo: aproximadamente três horas.

Resultado: resultados apresentados e os documentos finais entregues.

30
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
1.7 Referências Bibliográficas

BALDWIN, Robert. Desenvolvimento e Crescimento Econômico. São Paulo: Pioneira,


1919.
BASSO, L. Planejamento Municipal - um estudo do processo de elaboração do plano
plurianual de um grupo de prefeituras gaúchas. Dissertação de Mestrado, Políticas e
Planejamento Governamental, Universidade Federal de Santa Catarina,
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CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
36
CAPÍTULO 1 – METODOLOGIA DE INTERVENÇÃO DTR • AMUREL
CAPÍTULO 2

ANÁLISE SOCIOECONÔMICA
2.1 Caracterização da Região

A Associação dos Municípios da Região de Laguna – AMUREL, fundada em 14 de


Agosto de 1970, originou-se do desconforto das administrações municipais,
especialmente as das pequenas cidades que se defrontavam com imensas barreiras
quando queriam ver ouvidas as suas reivindicações. Corresponde a um percentual de
6,06% da área total do Estado de Santa Catarina, perfazendo um total de 4.542 km2. A
população da região é de 324.591 habitantes, sendo 70,23% moradores da área urbana
e 29,77% habitantes da zona rural1.

1
Fonte: IBGE - Censo Demográfico 2000. Internet: http://www.ibge.com.br

39
CAPÍTULO 2 – CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO 2003 • AMUREL
40
CAPÍTULO 2 – CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO 2003 • AMUREL
Municípios que fazem parte da região da AMUREL:

ƒ Armazém ƒ Orleans

ƒ Braço do Norte ƒ Pedras Grandes

ƒ Capivari ƒ Rio Fortuna

ƒ Grão Pará ƒ Sangão

ƒ Gravatal ƒ Santa Rosa de Lima

ƒ Imaruí ƒ São Ludgero

ƒ Imbituba ƒ São Martinho

ƒ Jaguaruna ƒ Treze de Maio

ƒ Laguna ƒ Tubarão

Tabela 1 - Dados gerais sobre os municípios da região da AMUREL

Dados Gerais

Área (km2) 4.542


População (2000) 324.591
% urbano 70,23
% rural 29,77
Crescimento % populacional 1996/2000 7,22
Crescimento % urbano 1996/2000 10,36
Crescimento % rural 1996/2000 0,47
Postos de empregos (2001) 56.210
Valor adicionado R$ (2001) 802.819.347,00
Número de Empresas (2001) 498
PIB per capita (2000) 5425

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

41
CAPÍTULO 2 – CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO 2003 • AMUREL
2.2 Raízes Históricas

O processo de colonização do sul do Brasil teve início nas últimas décadas do séc. XVII.
Essa ocupação inicial, teve razões políticas e militares de caráter estratégico da Coroa
Portuguesa, face às excursões platino-hispânicas no sul do Brasil. Foram criados os
primeiros núcleos de povoamento lusovicentistas no litoral catarinense: São Francisco,
Desterro e Laguna.

O núcleo fundado por Domingos de Brito Peixoto, em 1676, recebeu o nome se Santo
Antonio dos Anjos da Laguna, e foi responsável pelo povoamento luso no interior sul
catarinense e campos de Viamão. Laguna emancipou-se em 1714 e dali partiram os
primeiros colonizadores inicialmente para Imbituba e Tubarão.

Em meados do séc. XVIII a imigração luso-açoriana veio reforçar o povoamento dos


núcleos iniciais no litoral. Apesar da falta de condições para o desenvolvimento agrícola,
dedicaram-se às atividades agropecuárias, de pesca e comércio marítimo e terrestre.
Ainda neste século, deu-se início à colonização de Imaruí, Gravatal e Jaguaruna por
moradores de Laguna.

No século XIX começaram a chegar elementos europeus de outras nacionalidades. Em


1820 foi concedido aos estrangeiros o direito de receberem terras do estado: as
chamadas “Sesmarias”. Nesta oportunidade deu-se o início da imigração alemã em Santa
Catarina, com a fundação das colônias de Teresópolis, São Pedro de Alcântara e outras.

Mais tarde, a partir de 1870, o imigrante Germânico procedente destes núcleos mais
antigos, veio a se estabelecer no sul do estado, formando novos núcleos ao longo do vale
do Rio Capivari (em São Martinho e Armazém), e subindo o vale do Rio Tubarão (em
Tubarão, São Ludgero, Braço do Norte e Rio Fortuna).

Ainda em 1870, Tubarão emancipou-se de Laguna.

No último quartel do séc. XIX, por iniciativa do Presidente da província Alfredo


D`Escragnolle Taunay, que justificou junto ao Governo Imperial as possibilidades que a
criação de núcleos coloniais proporcionariam para a Província, ( possuidora de terras de

42

CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


grande fertilidade e corrente de mão-de-obra), deu-se à introdução do imigrante italiano
no Estado de Santa Catarina. Iniciado o processo, em 1877, vieram os primeiros
imigrantes provenientes do norte da Itália. No sul do estado, instalou-se a Colônia de
Azambuja, depois fragmentada nos núcleos de Urussanga, Presidente Rocha e Acioli
Vasconcelos. Fixaram-se também , em áreas ocupadas pelo elemento germânico.

Em 1880 , vieram imigrantes alemães para terras do atual município de Gravatal.

Em 1883, foi fundada a Empresa de Terras e Colonização de Grão Pará e vieram os


primeiros imigrantes para Orleans e Grão Pará, entre eles italianos, alemães e alguns
poloneses. Em torno de 1887, as primeiras famílias de imigrantes de italianos vieram se
instalar em treze de Maio.

Em 1890, emancipou-se o município de Imaruí, desmembrado de Laguna. E, em 1913,


era a vez de Orleans desmembrar-se de Tubarão.

Somente em 1920, vieram para as terras, hoje pertencentes à Santa Rosa de Lima, os
primeiros colonos, de origem alemã, açoriana e mestiça.

Em 1930, deu-se a emancipação de Jaguaruna e em 1955, de Braço do Norte, ambos


desmembrados de Tubarão. Em 1958, Imbituba emancipou-se, desmembrando de
Laguna. No mesmo ano, emancipou-se Grão Pará, Armazém e Rio Fortuna. Em 1961,
emanciparam-se Gravatal, Pedras Grandes e Treze de Maio, e no ano seguinte foi à vez
de São Ludgero e São Martinho, todos eles desmembrados de Tubarão.

Também em 1962, Santa Rosa de Lima emancipou-se de Rio Fortuna.

Recentemente, em 1992, ocorreu a emancipação de Sangão e Capivari de Baixo,


desmembrados de Jaguaruna e Tubarão, respectivamente.

43

CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


2.2.1 Cronograma Histórico

É apresentado a seguir o cronograma histórico da região da AMUREL:

1963 – Fundação do Desterro por Francisco Dias Velho

1676 – Fundação de Laguna por Domingos de Brito Peixoto.

1714 – Emancipação do município de Santo Antonio dos Anjos da Laguna.

1720 - Início do povoamento de Imbituba por açorianos.

1721 – Início do povoamento de Tubarão por moradores da Laguna (em busca de terras
férteis).

1726 – Emancipação de Desterro (separando-se de Laguna).

1770 – Emancipação de Lages (separando-se de Laguna).

1800 – Início da colonização de Imaruí (oriundos de Laguna).

1816 – João Teixeira Nunes doou uma área para a construção de uma capela que
originou a futura freguesia de Tubarão

1833 – Criação do Distrito de Tubarão.

1839 – O governo de Farroupilha decretou Laguna como capital da República Juliana


(durou até março de 1845). Ida de várias famílias lagunenses para Imaruí.

1841- Feitos os primeiros estudos na bacia Carbonífera pelo geólogo Dr. Parigot em Grão
Pará.

1850 – Início da Colonização de Gravatal por moradores de Laguna.

1862 – Início da colonização de Braço do Norte, procedentes de Desterro.

1869 – Início da colonização de Jaguaruna.

44

CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


1870 – Chegada de imigrantes alemães a Braço do Norte, Tubarão, Armazém e Rio
Fortuna procedentes de Teresópolis, São Bonifácio, Anitápolis e do Rio Grande do Sul.

- Emancipação política do município de Tubarão.

1874 – Início da construção da estrada de Ferro Dna Tereza Cristina (término em 1885).

1873 – Chegada de imigrantes alemães para o município de São Marinho e São Ludgero.

1875 – Vinda de imigrantes italianos para Braço do Norte e São Ludgero.

1877 – Fundação da colônia de Azambuja por imigrantes italianos (Pedras Grandes).

1880 – Vinda de imigrantes alemães para Gravatal e Armazém.

1882 – Fundada a Empresa de Terras e Colonização de Grão Pará S. ª (Orleans).

1883 – Vinda de imigrantes alemães, italianos e poloneses para Orleans.

1884 - Jaguaruna é elevada à freguesia

- Inauguração da Estrada de ferro Dna. Tereza Cristina.

1887 – Início da colonização de Treze de Maio por italianos.

1888 – Pedras Grandes passou a distrito de Tubarão

- Orleans passou a distrito de Tubarão.

1890 – Emancipação política do município de Imaruí.

1891 - Emancipação política do município de Jaguaruna.

1892 – São Martinho foi elevado à categoria de distrito com nome de São Martinho do
Capivari.

1900 – Fundado o colégio São Ludgero, primeiro seminário de Santa Catarina.

1901 - Armazém é elevado à categoria de Vila.

45

CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


1905 – Início da colonização de Santa Rosa de Lima (primeiro colono de origem alemã).

1910 – Vinda dos primeiros italianos para Gravatal oriundos de Azambuja (Pedras
Grandes).

1909 – Criação do distrito de Rio Fortuna (pertencente a Imaruí) e depois revogado.

1912 – Henrique Lage iniciou, em 1912, uma linha de navios de carga e passageiros com
escala entre Rio de Janeiro e Porto Alegre.

1913 - Emancipação política do município de Orleans.

1920 – Vinda dos colonos para Santa Rosa de Lima de origem alemã, italiana, açoriana e
mestiços.

1921 – Rio Fortuna é elevada à categoria de distrito de Tubarão.

1926 – Criação do distrito denominado Paz do Coração de Jesus (Gravatal).

1930 – Emancipação política do município de Jaguaruna.

1933 – Rio Fortuna é elevado à categoria de Vila.

1942 – Instalação do Lavador de carvão da Companhia Siderúrgica Nacional – CSN em


Tubarão.

1955 – Emancipação política do município de Braço do Norte.

1957 – Santa Rosa de Lima é elevado à categoria de distrito de Rio Fortuna.

1958 –. Emancipação política de Armazém, Grão Pará, Imbituba e Rio Fortuna.

1960 - Instalação da Sociedade Termoelétrica Catarinense – SOTELCA, em Tubarão.

1961 – Emancipação política de Gravatal e Pedras Grandes.

1962 – Emancipação política de Santa Rosa de Lima, São Ludgero, São Martinho e
Treze de Maio.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


1971 - A SOTELCA / Tubarão passa a integrar o sistema ELETROSUL.

1992 – Emancipação política de Sangão e Capivari de Baixo.

São apresentados nos tópicos a seguir, resumos das raízes históricas de cada um dos
municípios1.

2.2.2 Armazém

A colonização das terras onde atualmente está situado o município de Armazém foi
iniciada por volta do ano de 1870, por imigrantes oriundos do estado do Rio Grande do
Sul. Anos mais tarde, com o advento da imigração alemã, houve maior impulso na
colonização da região, com estabelecimento
de pequenos núcleos de colonos que, aos
poucos, foram expandindo até que toda
área fosse colonizada. Predomina no
município a colonização de origem alemã.

O nome de Armazém foi originado de uma


pequena casa de comércio, onde, além das
mercadorias, servia de local para pernoite. Naquela época, todo o comércio era feito por
Laguna e Tubarão, principalmente por via fluvial, com o uso de canoas, pelo rio Capivari.
Por ser a única casa de comércio na região, o “armazém” era ponto de referência para
qualquer localização. Com o correr dos anos, o povoado passou a ser conhecido pelo
nome de Armazém.

Por volta de 1910, foi instalada a primeira escola, onde, além de Português, lecionava-se
também em alemão.

1
Resumos de: PIDSE – Programa Integrado de Desenvolvimento Sócio-Econômico – Santa
Catarina – Novas Oportunidades (SEPLAN / SEICT / CEAG-SC); Governo do Estado de Santa
Catarina – Internet: http://www.sc.gov.br.

47

CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Nos primeiros anos houve sérias divergências entre habitantes de origem alemã e
habitantes de origem portuguesa. Porém, com o passar dos anos e com a união das
novas gerações, tudo foi acertado.

Armazém, foi elevado à categoria de distrito pela Lei Municipal número 30, de 11 de maio
de 1901, pertencendo ao município de Tubarão.

Em 19 de dezembro de 1958, pela Lei número 380, foi elevado à categoria de município.
Após a Revolução Farroupilha e a queda da República Juliana, em Laguna, a terra onde
se encontra a cidade, foi doada a um militar, Manoel Lourenço Demétrio, que lutara
contra os rebeldes. Assim surge o primeiro povoado, em 1870, com a chegada dos
portugueses. Capivari, como era chamado o povoado, adotou o nome atual a partir da
instalação de um grande armazém na localidade de Sertão dos Corrêa. Em 1959,
Armazém emancipou-se do município de Tubarão.

Armazém é uma cidade privilegiada: abastecida por uma fonte de água mineral que serve
a todos os habitantes e é administrada pela CASAN, a cidade apresenta um dos mais
baixos índices de mortalidade infantil do País.

Destaque - Fonte de água mineral da cidade.

Características - A cidade é grande produtora de alimentos e produtos têxteis, que são


vendidos para todo o Brasil.

Data de fundação - 19 de dezembro de 1958.

Data festiva - 29 de junho (dia de São Pedro).

Principais atividades econômicas - A economia do município baseia-se no plantio, em


especial do fumo, milho e mandioca, e na criação de suínos e de gado leiteiro.

Colonização - Alemã e portuguesa.

Principais etnias - Alemã e portuguesa.

Localização - Sul do Estado, a 30km de Tubarão e 160km da capital.

48

CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Clima - Temperado e úmido, com temperatura média de 18ºC.

Altitude - 22m acima do nível do mar.

Cidades próximas - Tubarão, Gravatal e São Martinho.

Gentílico - Armazenense.

Infra-estrutura turística - A infra-estrutura turística de Armazém ainda é pobre, mas a


cidade tem algumas alternativas de hospedagem e vários restaurantes.

Como chegar - Armazém está a 30km de Tubarão e da BR-101. Vá pela SC-438 até
Gravatal, seguindo então pela SC-431. Para quem vem do oeste, o melhor caminho é a
rota Lages-São Joaquim-Gravatal, pela mesma SC-438.

Tabela 2 - Dados Gerais sobre o município de Armazém


Área (km²) 138

População (2000) / Porcentagem região 6.873 / 2,12%

% urbano 38,19

% rural 61,81

Crescimento % populacional 1996/2000 6,37

Crescimento % urbano 1996/2000 7,75

Crescimento % rural 1996/2000 5,54

PIB per capita (2000) R$ / Posição região 4.303 / 14°

Crescimento % PIB per capita 1996/2000 60,67

Postos de emprego (2001) / Posição região 1.099 / 11º

IDH-M (2000) / Posição região / Posição UF 0,796 / 12° / 137°

Valor adicionado (2001) R$ / Posição região 5.334.439,00 / 11º

Número de empresas (2001)/ Posição região 26 / 6º

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

49

CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


2.2.3 Braço do Norte

A colonização do município se iniciou em 1862. Procedentes da antiga Desterro, atual


Florianópolis, os primeiros povoadores seguiram até Tubarão, cruzando o rio Braço de
Cima, antigo nome do rio Braço do Norte,
estabelecendo-se, após quatro dias, as
margens. Foram eles: Tomaz Pinto, Manoel
Guerrilha, Manoel Nazário Corrêa, José
Marcolino Rosa e Leandro Demétrio
acompanhados de suas famílias.

Em 1865, vieram de Tubarão os primeiros


moradores oriundos de São Ludgero. Eram
eles: Pedro Zeferino, que se localizou na margem direita do rio Braço do Norte, Tomaz
Silva, Marcos Fernandes Lima e Pedro Martins de Souza, que se fixaram à margem
esquerda do mesmo.

Foi a vinda de sessenta famílias de colonos alemães que impulsionou o desenvolvimento


da localidade.

Braço do Norte, começou a ser povoado com a chegada dos imigrantes alemães, em
1870. Em 1875, chegaram os italianos e, em 1876, os portugueses. A partir daí, a
localidade começou a desenvolver-se rapidamente. A primeira igreja - e única durante
muito tempo - foi a Capela Santa Augusta, inaugurada em 1887. Em estilo gótico,
encontra-se totalmente preservada, assim como outras construções da época.

Características - Colonizada por italianos e alemães, Braço do Norte é a Capital Sul-


Americana da Moldura, caracterizando-se também por produzir a melhor carcaça suína
do Estado.

Data de fundação - 22 de outubro de 1955.

Data festiva - 22 de outubro (aniversário da cidade).

Principais atividades econômicas - Agricultura, indústria de transformação e pecuária.

50

CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Colonização - Alemã.

Principais etnias - Alemã, portuguesa e italiana.

Localização - Sul do estado, a 173 km de Florianópolis.

Clima - Temperado, com temperatura média entre 15ºC e 35ºC.

Altitude - 66m acima do nível do mar.

Cidades próximas - São Ludgero, Gravatal, Armazém, Rio Fortuna e Grão-Pará.

Gentílico - Braçonortense.

Turismo - Braço do Norte, como todas as cidades de origem européia, preserva a


tradição das festas em homenagem aos imigrantes. Uma delas é a Schweinfest (festa do
porco) que leva milhares de pessoas ao município. Outro destaque é a Festa de Santa
Augusta, realizada há mais de um século. A capela em homenagem à santa foi
inaugurada em 1887 e construída por um devoto italiano em agradecimento por uma
graça alcançada. É feita de barro amassado, assim como as imagens em seu interior.
Outros lugares que merecem uma visita são: a Igreja de Nosso Senhor do Bom Fim,
erguida na década de 1930, em estilo gótico, e a Gruta Nossa Senhora de Fátima,
situada na comunidade do Azeiteiro. O caminho até a gruta é rústico e nele é possível
encontrar as 15 estações da Via Crucis e uma bela cascata.

Infra-estrutura turística - A cidade está apta a receber turista, com infra-estrutura tímida,
mas confortável, e com excelente atendimento. Há vários pesque-pagues no interior do
município.

Destaque – A Capela de Santa Augusta, toda construída em barro amassado pelo


pedreiro italiano João Batista da Uliano, que teve a saúde restabelecida depois de rezar
para a santa de sua devoção. As imagens da capela foram modeladas e pintadas pelo
próprio João Batista, que utilizou pelo de porco e crina de cavalo em sua confecção.

Como chegar - Para quem vem do litoral, o acesso é pelas rodovias BR-101/SC-438,
passando por Gravatal ou a BR-282/SC-438, passando por Lages, para quem vem do
oeste.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Tabela 3 - Dados Gerais sobre o Município de Braço do Norte

Área (km²) 194

População (2000) / Porcentagem região 24.802 / 7,64%

% urbano 72,09

% rural 27,91

Crescimento % populacional 1996/2000 22,40

Crescimento % urbano 1996/2000 23,27

Crescimento % rural 1996/2000 20,21

PIB per capita (2000) R$ / Posição região 5.124 / 8°

Crescimento % PIB per capita 1996/2000 -25,64

Postos de emprego (2001) / Posição região 5.716 / 2°

IDH-M (2000) / Posição região / Posição UF 0,847 / 1° / 16°

Valor adicionado (2001) R$ / Posição região 87.123.604,00 / 3º

Número de empresas (2001)/ Posição região 81 / 2º

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


2.2.4 Capivari de Baixo

Os primeiros habitantes foram os índios carijós, que se fixaram nos sambaquis. A partir
de 1721, os açorianos que se deslocaram
de Laguna em busca de terras férteis e
boas para pastagens passaram a ocupar as
terras onde hoje está Capivari de Baixo. O
nome da cidade vem de uma espécie de
gramínea abundante na região, o capim-
vara, que deu origem à palavra capivara,
modificada depois para Capivari. O “de Baixo” deve-se à localização do município, na
parte baixa do Rio Capivari, cuja nascente está no Alto Capivari.

Características - O município sedia o Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, a maior


usina a carvão da América Latina e principal fonte econômica da região.

Data de fundação - 30 de março de 1992.

Data festiva - 30 de março (aniversário da cidade).

Principais atividades econômicas - Geração de energia termelétrica a partir do carvão.

Colonização - Açoriana.

Principais etnias - Açoriana.

Localização - Sul, na microrregião de Tubarão, a 142km de Florianópolis.

Clima - Mesotérmico úmido, com verão quente e temperatura média de 19,5°C.

Altitude - 12m acima do nível do mar.

Cidades próximas - Tubarão, Gravatal, Imaruí, Laguna, Jaguaruna.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Destaque - O Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, além de referência econômica, é
um interessante atrativo para os visitantes. Com tecnologia alemã e tcheca, a termelétrica
distribui energia através da rede que interliga outras usinas do sul do País. Além da
geração de energia, a Termelétrica Jorge Lacerda contribui para um aumento substancial
na produção da região carbonífera do Estado e o incremento da estrada-de-ferro Dona
Tereza Cristina, com o transporte do carvão das minas à usina. O Complexo Termelétrico
Jorge Lacerda pode ser visto por quem passa na BR-101. Aos poucos, porém, a
economia do município volta-se para outras atividades, como a indústria de construções
e do material de confecção.

Como Chegar - O acesso é pela rodovia BR-101.

Tabela 4 - Dados Gerais sobre o município de Capivari de Baixo

Área (km²) 47

População (2000) / Porcentagem região 18.561 / 5,72%

% urbano 93,94

% rural 6,06

Crescimento % populacional 1996/2000 7,51

Crescimento % urbano 1996/2000 6,40

Crescimento % rural 1996/2000 28,27

PIB per capita (2000) R$ / Posição região 7.619 / 3°

Crescimento % PIB per capita 1996/2000 -1,34

Postos de emprego (2001) / Posição região 2.222 / 7º

IDH-M (2000) / Posição região / Posição UF 0,813 / 8° / 75°

Valor adicionado (2001) R$ / Posição região 274.305.032,00 / 1º

Número de empresas (2001)/ Posição região 18 / 10°

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

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2.2.5 Grão Pará

A sede do município de Grão-Pará foi instalada em 08 de julho de 1882, quando a


Empresa de Terras e Colonização de Grão-Pará, dirigida pelo Visconde de Taunay e pelo
Conde D’Eu, começou a distribuir lotes de terras
para imigrantes alemães, italianos e poloneses. O
nome foi uma homenagem dos proprietários da
empresa ao filho de Conde D’Eu, Dom Pedro de
Alcântara, príncipe de Grão-Pará. Antes da
colonização, viviam na região índios botocudos. As
terras foram parte do presente de casamento que a princesa Isabel e o Conde D’Eu
receberam do imperador Dom Pedro II. Primeiros colonizadores do município: Francisco
de Oliveira Souza, Donato Tomaz da Costa e Antônio Tomaz da Costa.

Grão-Pará é um município que tem na agropecuária a fonte de renda de 80% de sua


população. As principais culturas são o fumo e o milho seguidos pela criação de suínos,
bovinos de corte e aves. Há ainda 1.300ha de reflorestamento de pinus e de eucalipto. As
indústrias instaladas em Grão-Pará exploram a madeira do reflorestamento,
transformando-a em móveis e molduras.

Características - As terras do município, que foram presentes de casamento para a


princesa Isabel, antes eram habitadas por índios botocudos.

Data de fundação - 20 de julho de 1958.

Data festiva - 20 de julho (aniversário da cidade).

Principais atividades econômicas - Agropecuária.

Colonização - Alemã, italiana e polonesa.

Principais etnias - Alemã.

Localização - Sul, na microrregião de Tubarão, a 186km de Florianópolis.

Clima - Mesotérmico úmido, com verão quente e temperatura média de 19,2°C.

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Altitude - 93m acima do nível do mar.

Cidades próximas - Braço do Norte, Orleans, São Ludgero, Gravatal.

Gentílico: Grãoparaense.

Destaque - Serra do Corvo Branco.

Como Chegar - A partir da BR-101, seguir pela SC-438, passando por Gravatal e Braço
do Norte, até Grão-Pará.

Tabela 5 - Dados Gerais sobre o município de Grão Pará


Área (km²) 329

População (2000) / Porcentagem região 5.817 / 1,79%

% urbano 45,97

% rural 54,03

Crescimento % populacional 1996/2000 -0,22

Crescimento % urbano 1996/2000 11,23

Crescimento % rural 1996/2000 -8,26

PIB per capita (2000) R$ / Posição região 6.151 / 5°

Crescimento % PIB per capita 1996/2000 12,23

Postos de emprego (2001) / Posição região 763 / 13º

IDH-M (2000) / Posição região / Posição UF 0,826 / 3° / 40°

Valor adicionado (2001) R$ / Posição região 2.844.538,00 / 14º

Número de empresas (2001)/ Posição região 34 / 4º

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

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2.2.6 Gravatal

O povoamento de Gravatal, como o da maior parte das cidades do sul do Estado, se


deve ao deslocamento de moradores da Colônia de Santo Antônio dos Anjos da Laguna
– a atual Laguna, que no passado abrangia toda a Região Sul. Em
1842, João Martins de Souza, um dos fundadores de Gravatal,
estabeleceu-se no local, fez grandes lavouras de mandioca e
cana-de-açúcar, construiu dois engenhos e dois alambiques e
abriu estradas. Entre 1880 e 1885, chegaram as primeiras famílias
de imigrantes italianos e em 1910, os alemães. Apesar da
influência dessas etnias, a tradição açoriana dos primeiros
colonizadores ainda é forte na cidade, tanto na arquitetura quanto
nos hábitos populares. Gravatal foi elevada a município em
dezembro de 1961. Suas terras férteis garantiam o suporte econômico através da
agricultura, substituída pelo turismo como mola-mestra da economia local a partir da
descoberta das termas.

Características - Responsáveis pelo desenvolvimento turístico e econômico de toda a


região, as águas termais de Gravatal é considerada a segunda do mundo em qualidade
terapêutica.

Data de fundação - 29 de dezembro de 1961.

Data festiva - Junho, Festa do Sagrado Coração de Jesus.

Principais atividades econômicas - Mais da metade da renda do município vem do


turismo.

Colonização - Açoriana, italiana e alemã.

Principais etnias - Açoriana, italiana e alemã.

Localização - Sul do estado, a 150km de Florianópolis.

Clima - Temperado, com temperatura média entre 18ºC e 27ºC.

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Altitude - 18m acima do nível do mar.

Cidades próximas - Armazém, Braço do Norte, Tubarão, Orleans, Lauro Müller, Imaruí.

Gentílico - Gravatalense.

Destaque - O maior atrativo turístico de Gravatal é a Estância de Águas Hidrominerais,


que leva até a cidade milhares de visitantes de todas as regiões do Brasil. Suas termas
estão classificadas entre as melhores do mundo. A água é captada "in natura" pelos
hotéis, que têm piscinas coletivas e banheiras individuais nos apartamentos, contando
também com excelente infra-estrutura de gastronomia e lazer.

Como Chegar - Acesso pelas rodovias BR-101, até Tubarão, e SC-438. O aeroporto
mais próximo é o de Criciúma, para vôos domésticos. O aeroporto internacional de
Florianópolis fica a cerca de 150km.

Tabela 6 - Dados Gerais sobre o município de Gravatal

Área (km²) 194

População (2000) / Porcentagem região 10.799 / 3,33%

% urbano 35,78

% rural 64,22

Crescimento % populacional 1996/2000 22,00

Crescimento % urbano 1996/2000 37,46

Crescimento % rural 1996/2000 14,81

PIB per capita (2000) R$ / Posição região 4.880 / 10°

Crescimento % PIB per capita 1996/2000 282,54

Postos de emprego (2001) / Posição região 1.358 / 10º

IDH-M (2000) / Posição região / Posição UF 0,799 / 11° / 129°

Valor adicionado (2001) R$ / Posição região 5.092.518,00 / 12º

Número de empresas (2001)/ Posição região 19 / 9°

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

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2.2.7 Imaruí

Contam os historiadores que a primeira colonização da região onde hoje está Imaruí
ocorreu antes de 1800 e foi realizada por um grupo de pescadores oriundos de Laguna.
Em 1833, foi criada a Freguesia de São João
Batista do Imaruí, que se tornou distrito de
Laguna. Um dos colonizadores foi o gaúcho
João Vieira da Rocha, que acompanhou os
farrapos até Laguna e que mais tarde mudou-se
para Imaruí em companhia dos filhos. A guerra
que se seguiu à instalação da República Juliana
fez com que muitas famílias deixassem Laguna para morar em Imaruí, por volta de 1839.
Imaruí passou à categoria de município em 27 de setembro de 1890, e o nome foi dado
por uma tribo de índios que habitava o local: vem do mosquito “maruim”, comum na
região.

Características - A influência da colonização açoriana se faz presente no dia-a-dia da


cidade, tanto na arquitetura como nas festas e manifestações religiosas.

Data de fundação - 27 de setembro de 1890.

Data festiva - Março ou abril (Festa do Senhor Bom Jesus dos Passos) e junho (Festa de
São João Batista).

Principais atividades econômicas - Pesca e agricultura.

Colonização - Açoriana.

Principais etnias - Açoriana.

Localização - Sul, na microrregião de Tubarão, a 128km de Florianópolis.

Clima - Mesotérmico úmido, com verão quente e temperatura média de 19,5°C.

Altitude - 12m acima do nível do mar.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Cidades próximas - Imbituba, Laguna, Capivari de Baixo, Tubarão.

Gentílico - Imaruiense.

Turismo - A cidade, às margens da lagoa de Imaruí, preserva a cultura açoriana,


presente nas brincadeiras do Pão-por-Deus, Boi-de-Mamão e Entrudo. No Interior,
encontram-se contadores de “causos” que refletem a religiosidade através das crenças e
mitos como a do lobisomem, da mula-sem-cabeça e do boitatá.

Destaque - Gruta de Santa Albertina e monumento a Jesus Cristo e São João Batista (na
praça central).

Como Chegar - O principal acesso é pela rodovia SC-437, a partir da BR-101.

Tabela 7 - Dados Gerais sobre o município de Imaruí


Área (km²) 541

População (2000) / Porcentagem região 13.404 / 4,13%

% urbano 29,16

% rural 70,84

Crescimento % populacional 1996/2000 -3,00

Crescimento % urbano 1996/2000 -0,35

Crescimento % rural 1996/2000 -4,11

PIB per capita (2000) R$ / Posição região 2.940 / 18°

Crescimento % PIB per capita 1996/2000 435,28

Postos de emprego (2001) / Posição região 577 / 14°

IDH-M (2000) / Posição região / Posição UF 0, 742 / 18° / 266°

Valor adicionado (2001) R$ / Posição região 756.930,00 / 17º

Número de empresas (2001)/ Posição região 8 / 16º

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

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2.2.8 Imbituba

O bonito e secular nome de Imbituba, segundo os historiadores, provém do indígena, isto


é, “Embétuba” ou “Imbetuba” que significa, zona com grande quantidade de Imbé, uma
espécie de cipó, muito resistente, cuja fibra em contato com a água durante mais de
meio século, não apodrece e, também, por possuir uma extraordinária porção de “tanino
natural” usado pelos indígenas e, depois, pelos civilizados, para fazer cordas.

Quanto ao povoamento de Imbituba,


presume-se que tenha sido logo após a
fundação de Laguna e Vila Nova,
possivelmente entre 1670 e 1720, por um
pequeno número de pescadores e
agricultores açorianos e escravos.

Anos depois, por iniciativa do governo


português, ou no início do Império, foi organizada uma armação, a Quarta do Brasil, para
a pesca da baleia. A finalidade desta era o fornecimento de azeite para a iluminação
pública das poucas cidades do Brasil, como também para ser misturado à argamassa,
na construção de fortalezas e edifícios mais importantes, para dar-lhes uma resistência
semelhante à do cimento de nossos dias, inexistente naquela época.

O Município foi criado pela Lei número 348, de 21-06-58.

Desenvolveu-se mais rapidamente a partir de 1912, quando passou a servir de escala


para uma linha de navios de carga e passageiros que ligava o Rio de Janeiro a Porto
Alegre, e com a ampliação do porto - o que favoreceu o comércio do carvão, muito
explorado na época. Tornou-se independente em 1958.

Características - Além da exuberância do litoral, Imbituba tem porto, lagos, montanhas,


baleias...

Data de fundação - 21 de junho de 1958.

Data festiva - 08 de dezembro (Dia de Nossa Senhora da Conceição).

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Principais atividades econômicas - O porto de Imbituba é o segundo maior do Estado e
representa uma das maiores fontes de emprego do município, que também depende da
indústria, do comércio e do turismo.

Colonização - Açoriana.

Principais etnias - Açoriana.

Localização - Sul, a 87km de Florianópolis.

Clima - Temperado. A temperatura média varia entre 18ºC e 30ºC.

Altitude - 30m acima do nível do mar.

Cidades próximas - Garopaba, Laguna, Gravatal, Imaruí, Florianópolis.

Gentílico: Imbitubense.

Turismo - Conhecida nacionalmente por seu porto, Imbituba também ficou célebre pela
Praia do Rosa – que, segundo os surfistas, tem ondas que só perdem para as de
Fernando de Noronha. Também ganhou fama por transformar-se, entre maio e
novembro, em maternidade das baleias-francas, que vêm parir e amamentar seus filhotes
em suas águas e ficam bem próximas da costa, oferecendo um verdadeiro show aos
turistas. Vale conferir as festas do calendário turístico, em especial a Festa do Camarão e
o Festival de Verão, em janeiro; a Semana do Município, em junho, e o Zimba Moto
Praia, um encontro de motos que acontece em novembro.

Praia e Natureza - As belezas naturais de Imbituba são responsáveis por uma verdadeira
revolução a cada verão, quando a cidade é invadida por hordas de turistas que buscam
suas praias, muitas ainda quase intocadas, além das lagoas, dunas, rios e ilhas. As
praias da Vila, do Rosa, da Barra, de Ibiraquera e do Porto, com águas classificadas
como cinco estrelas pelo órgão ambiental do Estado, são de beleza inconfundível. A
Praia de Itapirubá também ganhou fama por suas características de preservação
ecológica. A Lagoa de Ibiraquera é um dos mais belos cenários da região e é famosa
pela pesca do camarão. Visite também a Lagoa do Peri e do Meio. Além das praias e
lagoas, Imbituba também tem algumas ilhas, como a Sant'Ana de Dentro, Sant'Ana de

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Fora, Araras, Tacami, Ouvidor e a Ilhota do Batuta... Faça um passeio de escuna e
caminhe pelas trilhas ecológicas, que conduzem a praias desertas ou a lagoas
misteriosas...

Infra-estrutura turística - Imbituba conta com vários hotéis, pousadas e outras formas
de hospedagem alternativa. A rede gastronômica serve de churrasco a frutos-do-mar e o
comércio é tão atraente que muitos turistas vêm de outros Estados comprar mercadorias
para revender em suas cidades.

Destaque - A Praia do Rosa, conhecida como o Paraíso dos Surfistas, é talvez o maior
atrativo de Imbituba. Diz-se que as suas ondas só perdem para as de Fernando de
Noronha. Para os amantes do windsurf e da vela, a Lagoa de Ibiraquera é um bom
endereço. Além disso, de maio a novembro o mar de Imbituba é maternidade das
baleias-francas, que vêm às águas catarinenses para parir e amamentar seus filhotes.
Privilegiada com um litoral recortado, com águas transparentes e pontilhado por
promontórios, Imbituba é um excelente lugar para observar esses gigantes marinhos.

Como Chegar - Imbituba é uma cidade portuária e pode-se chegar até ela de diversas
maneiras. Pelo mar, Latitude 28°14'24", Longitude 48°40'13". Por via rodoviária, a 5km da
BR-101. Pelo ar, no pequeno aeroporto da cidade.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Tabela 8 - Dados Gerais sobre o município de Imbituba

Área (km²) 185

População (2000) / Porcentagem região 35.700 / 11,00%

% urbano 96,71

% rural 3,39

Crescimento % populacional 1996/2000 8,58

Crescimento % urbano 1996/2000 26,28

Crescimento % rural 1996/2000 -79,00

PIB per capita (2000) R$ / Posição região 4.797 / 11°

Crescimento % PIB per capita 1996/2000 41,88

Postos de emprego (2001) / Posição região 4.569 / 3º

IDH-M (2000) / Posição região / Posição UF 0.805 / 9° / 104°

Valor adicionado (2001) R$ / Posição região 33.912.718,00 / 6º

Número de empresas (2001)/ Posição região 18 / 11º

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


2.2.9 Jaguaruna

O município começou a ser povoado a partir


de 1867. O coronel Luiz Francisco Pereira,
o primeiro morador, ganhou uma sesmaria
na região sul da província de Santa
Catarina e no mesmo ano transferiu-se para
as novas terras. Por causa da presença de
um tipo de onça preta existente na região, a
cidade recebeu o nome de Jaguaruna
("onça preta", em tupi-guarani). Os principais colonizadores foram os açorianos, que
chegaram a partir de 1870.

Características - Palco de esportes radicais como surfe de areia, as dunas de Jaguaruna


movem-se ao sabor dos ventos.

Data de fundação - 11 de dezembro de 1930.

Data festiva - 15 de setembro (Dia de Nossa Senhora das Dores, padroeira da cidade).

Principais atividades econômicas - Agricultura, com ênfase no plantio de arroz e de


mandioca, além de pesca, turismo e pecuária.

Colonização - Açoriana.

Principais etnias - Açoriana.

Localização - Litoral sul, a 165km de Florianópolis.

Clima - Subtropical, com temperatura média de 20ºC.

Altitude - 12m acima do nível do mar.

Cidades próximas - Capivari de Baixo, Sangão, Tubarão, Criciúma.

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Turismo - A cada verão, 150.000 pessoas visitam Jaguaruna, à procura das praias,
dunas, lagoas, sítios arqueológicos e do centro urbano típico de uma cidade do Interior. O
Chuveirão, uma roda-d'água construída na década de 1950 para gerar energia elétrica, e
as praias de Arroio Corrente, Camacho e Dunas do Sul. Destacam-se as praias de
Campo Bom, Nova Camboriú, Copa 70, Janaína, Torneiro, Esplanada e Figueirinha,
algumas ainda não exploradas pelos turistas. As lagoas de Garopaba, Figueirinha, da
Encantada, do Campo Bom, Preta, de Jaguaruna e do Delfino, todas indicadas para o
banho e para a pesca, completam o roteiro de opções aquáticas da cidade.

Patrimônio Histórico - Além de muitos atrativos turísticos, Jaguaruna possui também


riquezas culturais e históricas. São mais de 30 sítios arqueológicos, incluindo o de
Garopaba do Sul, considerado o maior sambaqui do mundo em extensão. O sítio
arqueológico tem uma área de 101.000m2, o equivalente a 10ha. Visite também a Igreja
Matriz de Nossa Senhora das Dores. Conheça o Museu de Jaguaruna, o Bosque, a
Estação Ferroviária (passeios turísticos ferroviários são realizados uma vez por mês), as
ruínas da Casa da Nação, a Barra do Camacho, de onde se pode ver até o Farol de
Santa Marta em Laguna.

Infra-estrutura turística - Além de ter boa infra-estrutura turística nas praias, Jaguaruna
também oferece turismo rural, com trilhas ecológicas, banho em lagoas, campings,
pousadas e bons restaurantes. As praias possuem hotéis, áreas de acampamento e infra-
estrutura adequada para receber os turistas.

Destaque - Sítio arqueológico Garopaba do Sul, que tem uma área de 101.000m2, o
equivalente a 10ha, medindo cerca de 25 metros de profundidade. É considerado o maior
sambaqui do mundo.

Como Chegar - Jaguaruna está a 4km da BR-101, no litoral sul de Santa Catarina, pela
SC-442 - entrada fica 23km ao sul de Tubarão.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Tabela 9 - Dados Gerais sobre o município de Jaguaruna

Área (km²) 328

População (2000) / Porcentagem região 14.613 / 4,50%

% urbano 70,06

% rural 29,94

Crescimento % populacional 1996/2000 8,92

Crescimento % urbano 1996/2000 13,88

Crescimento % rural 1996/2000 -1,15

PIB per capita (2000) R$ / Posição região 4.170 / 17°

Crescimento % PIB per capita 1996/2000 46,57

Postos de emprego (2001) / Posição região 1.481 / 9º

IDH-M (2000) / Posição região / Posição UF 0,793 / 17° / 162°

Valor adicionado (2001) R$ / Posição região 13.474.419,00 / 8º

Número de empresas (2001)/ Posição região 28 / 5°

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

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2.2.10 Laguna

Laguna foi fundada em 1676 e é a terceira cidade mais antiga de Santa Catarina. Nessa
época, ocupava todo o sul do Estado e servia como ponto de apoio para a Coroa
Portuguesa colonizar as terras do sul do
País e evitar que fossem ocupadas pela
Espanha. A cidade foi palco de eventos
importantes da História do Brasil, como a
Guerra dos Farrapos e a fundação da
República Juliana - Estado independente
do Império Brasileiro, aliado à República de
Piratini, localizada no Rio Grande do Sul e
que também se havia declarado independente do restante do País. Laguna guarda em
suas ruas estreitas e em seu casario, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional, as lembranças de um passado glorioso de luta e de coragem. É a terra
de Anita Garibaldi, a "heroína de dois mundos", que ficou famosa por combater ao lado
do marido, o italiano Giuseppe Garibaldi, em diversas revoluções, no Brasil e na Itália.
Ele esteve à frente da Guerra dos Farrapos e do movimento de unificação da Itália.

Características - Palco de eventos importantes da História do Brasil, cidade histórica e


praiana, Laguna tem o melhor carnaval do sul do País.

Data de fundação - 20 de janeiro de 1876.

Data festiva - 13 de junho (Dia de Santo Antônio dos Anjos, padroeiro da cidade).

Principais atividades econômicas - Laguna tem como base econômica,a pesca nas
lagoas e na costa atlântica, com alta produção de camarão e siri. O turismo também é
grande fonte de renda, especialmente no verão, quando milhares de turistas invadem
suas lindas praias.

Colonização - Açoriana.

Principais etnias - Açoriana.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Localização - Sul, a 118km de Florianópolis.

Clima - Mesotérmico úmido. A temperatura média varia entre 18ºC e 30ºC.

Altitude - 02m acima do nível do mar.

Cidades próximas - Garopaba, Imbituba, Tubarão, Gravatal, Capivari de Baixo,


Jaguaruna.

Turismo - Laguna é uma cidade encantadora, com mais de uma dezena de praias, um
centro histórico com mais de 600 casas e monumentos históricos, tombados pelo
Patrimônio Histórico Nacional, e o carnaval de rua mais animado do Sul do país. Dona de
cenários cinematográficos (como o Farol de Santa Marta - o maior da América do Sul,
segundo maior do mundo, construído em 1891 -, o Marco de Tordesilhas e as docas -
ancoradouro de iates e pequenas embarcações, bem no centro da cidade, de onde se
pode apreciar um cinematográfico pôr-do-sol), tem suas praias e recantos invadidos por
milhares de turistas, todo verão. Fora da temporada de verão, é interessante observar a
pesca da tainha e do camarão. De abril a julho, época da tainha, os botos sempre vêm
ajudar os pescadores que ficam parados nos Molhes da Barra, esperando os cardumes
que eles trazem até a praia. Considerados como amigos, os botos têm até nome:
Canivete, Chinelo, Filho do Chinelo, Galha, Torta, Jucelino... Nas noites, o espetáculo fica
a cargo dos pescadores de camarão, que o fazem de maneira totalmente artesanal,
acendendo milhares de lâmpadas a gás - para atrair os camarões - e transformam as
lagoas de Imaruí e Santo Antônio em tapetes iluminados. É um espetáculo singular.

História e Cultura - A cidade tem muitos locais que merecem ser visitados. Dê especial
atenção, à Fonte da Carioca - construída em 1863 por escravos e ampliada em 1906 -, a
Casa Pinto d'Ulysséa (1866), cópia fiel de uma Quinta Portuguesa, totalmente revestida
com azulejos importados de Portugal, um luxo para a época, e a Igreja Matriz Santo
Antônio dos Anjos da Laguna - o altar em estilo barroco mineiro foi esculpido em 1789, e
a parede lateral é enriquecida por uma tela de Victor Meirelles, retratando a Imaculada
Conceição, executada em Roma, em 1856. Além da história de Anita Garibaldi, da
Revolução Farroupilha e da República Juliana, mostrada no Museu Anita Garibaldi e na
Casa de Anita. O Museu ocupa uma construção de 1747, na Praça República Juliana,
antiga Câmara de Vereadores e Cadeia Pública da cidade. A Casa de Anita é de 1711 e

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


conserva diversas peças pertencentes a Anita Garibaldi. Visite também a Pedra do
Frade, o Morro da Glória (com 126 m de altura, é o ponto mais alto da região) e os
Molhes da Barra.

Praias - Laguna possui 12 praias, algumas ainda virgens, procuradas somente por
pessoas que praticam esportes náuticos. Entre as praias mais conhecidas estão a do Mar
Grosso, Iro, Gi, Sol, Itapirubá, do Farol, Tereza, do Gravatá, da Galheta, Prainha, do
Ipuã, do Siri e Prainha.

Infra-estrutura turística - Laguna tem excelente parque hoteleiro, além de inúmeras


pousadas, casas de veraneio e campings. Há bons restaurantes, bons serviços,
shopping, teatro, cinema e total infra-estrutura de turismo e lazer.

Destaque - O Carnaval de Laguna é considerado, o melhor do Sul do país. Nos dias de


Carnaval, a população da cidade quase triplica. Jovens vindos de vários estados,
principalmente Rio Grande do Sul e de São Paulo, tomam conta das ruas e praias da
cidade.

Como Chegar - Laguna fica às margens da BR-101, 118km ao sul de Florianópolis.


Conta com um pequeno aeroporto de saibro, de 1.500m x 23m, e um porto (Latitude:
28°28'57", Longitude: 48°46'51").

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Tabela 10 - Dados Gerais sobre o município de Laguna

Área (km²) 445

População (2000) / Porcentagem região 47 568 / 14,65%

% urbano 78,38

% rural 21,62

Crescimento % populacional 1996/2000 8,42

Crescimento % urbano 1996/2000 8,55

Crescimento % rural 1996/2000 7,97

PIB per capita (2000) R$ / Posição região 4.176 / 16°

Crescimento % PIB per capita 1996/2000 247,41

Postos de emprego (2001) / Posição região 4.281 / 4º

IDH-M (2000) / Posição região / Posição UF 0,793 / 16° / 161°

Valor adicionado (2001) R$ / Posição região 8.442.334,00 / 10º

Número de empresas (2001)/ Posição região 15 / 13º

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


2.2.11 Orleans

O casamento da princesa Isabel com o Conde D’Eu deu início ao que, bem mais tarde,
seria o município de Orleans. O casal recebeu de presente do imperador Dom Pedro II e
da imperatriz Teresa Cristina um lote de
terra de 98 léguas, que poderiam ser
escolhidas em Santa Catarina e no Recife
(PE). Os noivos decidiram-se por uma área
no vale do Rio Tubarão, por causa da
descoberta de carvão mineral no lugar. A
demarcação abrangia os municípios de
Orleans, parte de São Ludgero, Grão-Pará,
Rio Fortuna, Santa Rosa de Lima, parte de Anitápolis, Armazém, São Martinho e São
Bonifácio. Foi decidida a implantação de uma estrada-de-ferro para atender à região
carbonífera e, em sua construção trabalharam imigrantes de diversas procedências:
italianos, alemães, letões e poloneses. O nome Orleans e o local exato onde está a
cidade foram escolhidos pelo próprio Conde D’Eu, em 26 de dezembro de 1884, quando
viajava pela estrada-de-ferro. Trata-se de uma homenagem à família do Conde, de
nobres franceses.

Características - Esculturas no Paredão, criadas pelo artista Zé Diabo, projetam o nome


do município na América do Sul.

Data de fundação - 26 de dezembro de 1884.

Data festiva - De 30 de agosto a 07 de setembro (Semana Cultural).

Principais atividades econômicas - Agricultura e indústria.

Colonização - Italiana.

Principais etnias - Alemã, polonesa, letã e portuguesa.

Localização - Região sul, a 180km de Florianópolis.

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Clima - Mesotérmico úmido, com verão quente e temperatura média de 18,8°C.

Altitude - 132m acima do nível do mar.

Cidades próximas - Lauro Müller, Grão-Pará, São Ludgero, Urussanga, Criciúma,


Tubarão.

Turismo - A cultura e a religiosidade caracterizam o município e estimulam o turismo. A


Matriz Santa Otília, destaca-se entre as principais igrejas do Estado. Sua construção foi
iniciada em 1922 e por longo tempo, a igreja, ficou sem a torre. A obra foi concluída em
24 de janeiro de 1960. Uma grande atração é o Morro da Igreja, o pico mais alto do
Estado, com 1.822m de altura. Há mais de três séculos, o lugar é cercado de lendas e há
registros sobre a existência de uma mina de prata ou de um provável tesouro nas
imediações – os padres jesuítas teriam escondido ali grande quantidade de peças em
ouro, prata e pedras preciosas. Parte das histórias e muitos documentos oficiais, alguns
com mais de 200 anos de idade, foram transcritos pelo padre João Leonir Dall’Alba no
livro “O Tesouro do Morro da Igreja”, em 1994.

Destaque - O Museu ao Ar Livre, iniciado em 1974 pelo padre João Leonir Dall’Alba,
após a devastação das enchentes, resgata todas as fases da colonização da região de
Orleans – entre outras curiosidades, são mostrados engenhos e serrarias movidos por
roda d’água ou pela força de bois. O museu foi inaugurado em 30 de agosto de 1980.
Vale também, visitar as Esculturas do Paredão, criadas pelo artista José Fernandes, mais
conhecido como Zé Diabo, natural de Orleans. Encravadas no paredão de passagem da
estrada-de-ferro que margeia o Rio Tubarão, no centro da cidade, são painéis que
representam passagens bíblicas e que se tornaram conhecidos não só no Brasil, mas
também na América do Sul.

Como Chegar - A partir da BR-101, seguir pela rodovia SC-438, passando pelos acessos
para Gravatal e São Ludgero. Outro caminho é pela SC-446, a partir de Criciúma.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Tabela 11 - Dados Gerais sobre o município de Orleans
Área (km²) 600

População (2000) / Porcentagem região 20.031 / 6,17%

% urbano 63,97

% rural 26,03

Crescimento % populacional 1996/2000 -5,94

Crescimento % urbano 1996/2000 28,34

Crescimento % rural 1996/2000 -36,19

PIB per capita (2000) R$ / Posição região 5.879 / 6°

Crescimento % PIB per capita 1996/2000 -3,66

Postos de emprego (2001) / Posição região 4.043 / 5º

IDH-M (2000) / Posição região / Posição UF 0,814 / 7° / 71°

Valor adicionado (2001) R$ / Posição região 38.573.182,00 / 5º

Número de empresas (2001)/ Posição região 49 / 3º

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

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2.2.12 Pedras Grandes

Localizada no Vale do Rio Tubarão, Pedras Grandes já, foi ponto de parada dos tropeiros
que faziam a ligação comercial entre os
campos de Lages e Tubarão. Fundada em
28 de abril de 1877, com a chegada das
primeiras 90 famílias de italianos, a cidade
viveu um período de extremo
desenvolvimento depois da descoberta das
minas de carvão em Lauro Müller e da
construção da estrada-de-ferro Dona
Thereza Christina, quando foi erguida no município uma estação ferroviária – hoje
transformada em Museu da Cultura Italiana. Foi elevada a distrito em 1888 e a município
em 1961, quando se desmembrou de Tubarão.

Características - Berço da colonização italiana no sul de Santa Catarina, Pedras


Grandes é também antigo ponto de passagem de tropeiros.

Data de fundação - 29 de dezembro de 1961.

Data festiva - 29 de setembro (Dia de São Gabriel Arcanjo).

Principais atividades econômicas - Agricultura, com ênfase no plantio de fumo,


batatas, uvas, ameixa e pêssego.

Colonização – Italiana.

Principais etnias - Italiana.

Localização - No sul do Estado, a 157km de Florianópolis.

Clima - Subtropical, com temperatura média entre 16ºC e 27ºC.

Altitude - 49m acima do nível do mar.

Cidades próximas - Tubarão, Gravatal, São Ludgero, Urussanga, Orleans.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Turismo - Pedras Grandes é considerada o berço da colonização italiana no sul do
Estado e a herança deixada pelos imigrantes, está preservada em vários pontos da
cidade. Visite a Igreja de São Pedro, o Sobrado Genovez, a Casa dos Arcos Zaboti, a
antiga estação ferroviária, a casa da família Felippe, restaurada em 1997 (a família
Felippe é dona da mais antiga vinícola de Pedras Grandes).

Natureza - Em função de sua topografia acidentada, com vales, rios e montanhas,


Pedras Grandes tem belíssimas quedas d'água, como a do Salto dos Machados, a 4km
do centro, e as cachoeiras de Fornazza, Felippe e do rio Coral. O Morro da Pedra e o
Parque Ecoturístico de Pedras Grandes, constituído por enormes formações rochosas - o
Mirante Norte, a Cachoeira, o Muro de Pedra (paredão de granito com 240m de
comprimento e 8m de altura) e a Pedra em Balanço. Uma boa opção para os amantes de
esportes radicais é a prática de rafting no Rio das Pedras Grandes.

Infra-estrutura turística - A cidade conta com boa infra-estrutura para o turismo rural e
ecológico, com parques, pousadas, campings e alternativas de hospedagem.

Como Chegar - Acesso pelas rodovias BR-101/SC-440, passando por Tubarão.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Tabela 12 - Dados Gerais sobre o município de Pedras Grandes
Área (km²) 153

População (2000) / Porcentagem região 4.921 / 1,52%

% urbano 17,58

% rural 82,42

Crescimento % populacional 1996/2000 -2,72

Crescimento % urbano 1996/2000 9,07

Crescimento % rural 1996/2000 -4,92

PIB per capita (2000) R$ / Posição região 4.428 / 13°

Crescimento % PIB per capita 1996/2000 29,77

Postos de emprego (2001) / Posição região 400 / 16º

IDH-M (2000) / Posição região / Posição UF 0,804 / 10° / 113°

Valor adicionado (2001) R$ / Posição região 1.744.828,00 / 15º

Número de empresas (2001)/ Posição região 6 / 17º

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


2.2.13 Rio Fortuna

Colonizada por alemães no início do século XX, a cidade de Rio Fortuna pertenceu à
antiga Sesmaria de Laguna. Sua economia, já dependeu unicamente da agricultura, mas
hoje, se baseia também na extração de fluorita, na piscicultura, na indústria de laticínios e
na extração de madeira.

Características - Situada no sul do Estado, Rio Fortuna mantém as tradições alemãs e


possui uma das maiores reservas de fluorita de Santa Catarina.

Data de fundação - 21 de junho de 1958.

Data festiva - 21 de junho (aniversário da cidade).

Principais atividades econômicas - Agricultura, em especial a produção de fumo, a


piscicultura , também merece destaque o extrativismo mineral e de madeira.

Colonização - Alemã.

Principais etnias - Alemã.

Localização - Sul do estado, a 117 km de Florianópolis.

Clima - Temperado, com temperatura média entre 16ºC e 27ºC.

Altitude - 130m acima do nível do mar.

Cidades próximas - Criciúma, São Martinho, Santa Rosa de Lima, Braço do Norte,
Armazém.

Destaque – A localidade de Rio dos Bugres, onde está uma das maiores reservas de
fluorita do Estado, ou algum dos muitos pesque-pagues existentes na cidade.

Como chegar - Acesso pela rodovia SC-482, passando por Braço do Norte.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Tabela 13 - Dados Gerais sobre o município de Rio Fortuna
Área (km²) 286

População (2000) / Porcentagem região 4.320 / 1,33%

% urbano 28,08

% rural 71,92

Crescimento % populacional 1996/2000 2,36

Crescimento % urbano 1996/2000 7,91

Crescimento % rural 1996/2000 0,35

PIB per capita (2000) R$ / Posição região 8.215 / 1°

Crescimento % PIB per capita 1996/2000 88,07

Postos de emprego (2001) / Posição região 436 / 15º

IDH-M (2000) / Posição região / Posição UF 0,823 / 5° / 47°

Valor adicionado (2001) R$ / Posição região 4.319.689,00 / 13º

Número de empresas (2001)/ Posição região 18 / 12°

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


2.2.14 Sangão

Antes mesmo de ser colonizada, no final do século XIX, a região de Sangão, recebia
tropeiros que desciam do Planalto Serrano em direção a Laguna. Ali paravam para
descansar e, como o frio era intenso,
acendiam fogueiras para se aquecer e
espantar os animais selvagens. Esse
costume deu ao local seu primeiro nome:
Rua de Fogo. Os troncos de lenha ardiam
durante dias seguidos e, mesmo depois da
partida dos tropeiros, as brasas
permaneciam acesas até a chegada de
novos viajantes. O nome Sangão, foi dado pelo primeiro morador da vila, o lavrador
Manoel Francisco da Silva – em sua propriedade, ele tinha uma sanga que ligava as
areias ao morro. Sangão emancipou-se de Jaguaruna em 30 de março de 1992.

Características - A indústria cerâmica é a principal fonte de renda do município, que


exporta seus produtos para outros Estados brasileiros e para os países do Mercosul.

Data de fundação - 30 de março de 1992.

Data festiva - 18 de dezembro (Festa da Padroeira).

Principais atividades econômicas - Indústria cerâmica.

Colonização - Açoriana.

Principais etnias - Açoriana, italiana e afro-brasileira.

Localização - Sul, na microrregião de Tubarão, a 165km de Florianópolis.

Clima - Mesotérmico úmido, com verão quente e temperatura média de 19,4°C.

Altitude - 50m acima do nível do mar.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Cidades próximas - Jaguaruna, Tubarão, Treze de Maio, Morro da Fumaça, Criciúma,
Urussanga.

Como Chegar - O principal acesso é pela rodovia BR-101.

O principal filão econômico do município de Sangão é a indústria de cerâmica vermelha,


que tem suas principais unidades instaladas ao longo da BR-101. A produção anual
chega a 100.000.000 de unidades, que são exportadas para outros Estados brasileiros e
para os países do Mercosul. O sucesso da produção, deve-se em muito ao solo,
abundante em argila. Ainda no setor industrial, a exploração de pedras gera muitos
empregos. Na agricultura, destaca-se o cultivo da mandioca, seguido do arroz e do feijão.
Outra atividade econômica é o beneficiamento e empacotamento da mandioca. A
proximidade dos municípios do litoral faz de Sangão um local repleto de chácaras e
casas de veraneio.

Tabela 14 - Dados Gerais sobre o município de Sangão

Área (km²) 83

População (2000) / Porcentagem região 8.128 / 2,50%

% urbano 44,59

% rural 55,41

Crescimento % populacional 1996/2000 19,72

Crescimento % urbano 1996/2000 22,47

Crescimento % rural 1996/2000 17,59

PIB per capita (2000) R$ / Posição região 4.276 /15°

Crescimento % PIB per capita 1996/2000 25,24

Postos de emprego (2001) / Posição região 1.643 / 8º

IDH-M (2000) / Posição região / Posição UF 0,795 / 15° / 153°

Valor adicionado (2001) R$ / Posição região 15.121.545,00 / 7º

Número de empresas (2001)/ Posição região 6 / 18º

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


2.2.15 Santa Rosa de Lima

Na história do município de Santa Rosa de Lima, sobressai a figura de Adão Wagner.


Liderando colonos de ascendência alemã,
quase todos oriundos de municípios
vizinhos, Wagner dava início ao
povoamento das terras do município, no
ano de 1905. A localidade progrediu
rapidamente, dada a boa qualidade das
terras. E, por muitos anos, a comuna
enfocada, não mais foi que uma “excelente
colônia”, tardando a formar-se uma boa vila, o que lhe dificultou a emancipação política,
que teve na proximidade de Rio Fortuna, o principal entrave.

Foi elevado à categoria de distrito, em 1957. A Lei número 823, de 10 de maio de 1962
criava o município, com terras desmembradas de Rio Fortuna.

A instalação da novel comuna verificou-se no dia 10 de junho de 1962. O Sr. Adolfo


Boeing foi o primeiro prefeito nomeado e José Francisco Schmidt, o primeiro prefeito
eleito.

Data de fundação - 10 de maio de 1962.

Data festiva - 10 de maio (aniversário da cidade).

Principais atividades econômicas - Agricultura.

Colonização - Alemã.

Principais etnias - Alemã.

Localização - Sul do Estado, a 120km de Florianópolis.

Clima - Tropical temperado, com temperatura média de 18ºC.

Altitude - 240m acima do nível do mar.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Cidades próximas - Rio Fortuna, Anitápolis, Grão-Pará, São Martinho, Braço do Norte.

Gentílico – Santarronense. Sua economia tem apoio na agricultura, pecuária e algumas


indústrias de transformação.

Turismo - Situada nas encostas da Serra do Corvo Branco e às margens do rio Braço
do Norte, Santa Rosa de Lima tem inúmeras belezas naturais. Existe uma fonte de águas
termais, matas, morros, vales, rios... Seus moradores fundaram uma associação de
Agricultura Ecológica e oferecem aos visitantes, produtos sem conservantes químicos ou
agrotóxicos.

Infra-estrutura Turística - A infra-estrutura turística do município é acanhada.


Destaque - As trilhas ecológicas do município são uma boa opção de lazer.

Como Chegar - Acesso pela SC-482, estrada não-pavimentada que liga São Martinho a
Anitápolis.

Tabela 15 - Dados Gerais sobre o município de Santa Rosa de Lima

Área (km²) 184

População (2000) / Porcentagem região 2007 / 0,62%

% urbano 21,08

% rural 78,92

Crescimento % populacional 1996/2000 7,15

Crescimento % urbano 1996/2000 7,90

Crescimento % rural 1996/2000 6,95

PIB per capita (2000) R$ / Posição região 7.887 / 2°

Crescimento % PIB per capita 1996/2000 266,33

Postos de emprego (2001) / Posição região 83 / 18º

IDH-M (2000) / Posição região / Posição UF 0,795 / 14° / 147°

Valor adicionado (2001) R$ / Posição região 867.512,00 / 16º

Número de empresas (2001)/ Posição região 10 / 15º

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


2.2.16 São Ludgero

As primeiras famílias de colonizadores chegaram em 1870. Eram alemães da região de


Westphalia, que tinha São Ludgero como padroeiro. A derrubada das matas para a
instalação das primeiras roças foi um
desafio ao povo, que buscava na
religiosidade a força para seguir em frente
sem perder as raízes germânicas. A área
de terra, que hoje é São Ludgero
desmembrou-se de Braço do Norte, mas
era pequena. Para que o município tivesse
a extensão que tem hoje, foi preciso uma
“manobra” dos imigrantes alemães: ao mesmo tempo, forçaram a emancipação de
Colônia, que ia da Barra do Norte até o Rio Cachorrinhos. Emancipadas as duas
localidades, logo ocorreu a fusão de Colônia com São Ludgero, resultando no território
atual do município.

A agropecuária, por muito tempo, principal pilar da economia da cidade, disputa hoje a
primazia com a indústria de plástico e de madeira. Em propriedades de no máximo 50ha,
cultiva-se feijão, milho, fumo e hortifrutigranjeiros. Destaca-se também, a criação de
suínos e gado para corte, além da produção de ovos. Paralelamente, desenvolve-se a
indústria de embalagens, copos plásticos, molduras de madeira e fecularia. Para os
turistas, um atrativo é o Morro do Cruzeiro, onde são realizadas as festividades religiosas
que atraem centenas de visitantes, todos os anos.

Características - A derrubada das matas para a instalação das primeiras roças foi um
desafio ao povo, que buscava na religiosidade o incentivo para seguir em frente.

Data de fundação - 12 de junho de 1962.

Data festiva - 12 de junho (aniversário da cidade) e 26 de março (Dia de São Ludgero).

Principais atividades econômicas - Agropecuária.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Colonização - Alemã.

Principais etnias - Alemã.

Localização - Sul, na microrregião de Tubarão, a 182km de Florianópolis.

Clima - Mesotérmico úmido, com verão quente e temperatura média de 19,3°C.

Altitude - 55m acima do nível do mar.

Cidades próximas - Braço do Norte, Lauro Müller, Orleans, Gravatal, Armazém, Grão-
Pará.

Destaque - Igreja-Matriz, Colégio Estadual São Ludgero e Morro do Cruzeiro.

Como Chegar - O acesso é pela rodovia SC-438 distante 40km da BR-101.

Tabela 16 - Dados Gerais sobre o município de São Ludgero


Área (km²) 120

População (2000) / Porcentagem região 8.587 / 2,65%

% urbano 69,81

% rural 30,19

Crescimento % populacional 1996/2000 14,47

Crescimento % urbano 1996/2000 46,90

Crescimento % rural 1996/2000 -24,21

PIB per capita (2000) R$ / Posição região 5.789 / 7°

Crescimento % PIB per capita 1996/2000 -46,2

Postos de emprego (2001) / Posição região 2.913 / 6º

IDH-M (2000) / Posição região / Posição UF 0,826 / 4° / 44°

Valor adicionado (2001) R$ / Posição região 71.056.437,00 / 4º

Número de empresas (2001)/ Posição região 20 / 7°

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


2.2.17 São Martinho

Os colonizadores chegaram por volta de 1860, vindo da colônia de Teresópolis, hoje


Águas Mornas. De origem alemã, esses colonos foram responsáveis pelo início do
desenvolvimento econômico da cidade.
Construíram casas, abriram estradas e
ruas, construíram as primeiras escolas e
igrejas. Até hoje, suas tradições são
preservadas, no dia-a-dia dos habitantes da
cidade - nas casas em estilo enxaimel, nos
jardins floridos, nos cafés coloniais, no
idioma falado nas ruas, na dança, na
música, na gastronomia, no modo de ser e de viver...

Características - Uma mistura de religiosidade, cultura alemã, gastronomia, natureza e


ecologia fazem de São Martinho um bom roteiro de turismo.

Data de fundação - 14 de novembro de 1962.

Data festiva - 14 de novembro (aniversário da cidade).

Principais atividades econômicas - A agropecuária é a base da economia da cidade,


destacando-se o plantio de milho, fumo e feijão.

Colonização - Alemã.

Principais etnias - Alemã.

Localização - No sul do Estado, a 140km de Florianópolis.

Clima - Temperado, com temperatura média entre 15ºC e 25ºC.

Altitude - 38m acima do nível do mar.

Cidades próximas - Braço do Norte, Rio Fortuna, Armazém, Gravatal, Santa Rosa de
Lima, Imaruí.

86

CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Turismo - O Portal Turístico, em estilo germânico, complementa a paisagem de morros
e verdes gramados, que embelezam a estrada asfaltada de acesso à cidade, que tem
como principais atrativos: as suas belezas naturais, a cultura e a religiosidade do seu
povo. A Fluss Hauss, ou Casa do Rio, uma fábrica de biscoitos artesanais na localidade
de Vargem do Cedro, ou a Deutsches Hauss. Em frente a fábrica, tem uma pousada em
estilo alemão, construída em cima de um rio. O Arquivo e o Museu Histórico de São
Martinho ficam na Casa da Cultura e, ali pode-se encontrar muitos pertences dos antigos
moradores da cidade: livros em alemão, móveis e louças, mobílias de casas antigas
habitadas por alemães. São Martinho é considerada pelo Vaticano a Capital Mundial das
Vocações Sacerdotais, pelo grande número de padres que gerou. Visite também, a Gruta
Nossa Senhora de Fátima, construída em pedra rústica, e a Igreja Evangélica, construída
na época da colonização e tombada como patrimônio histórico cultural. São Martinho é
também, terra de cachoeiras, parques, trilhas, açudes, e muito verde. São muitas as
belezas naturais. Comumente, acompanhadas de boa infra-estrutura para esportes. O
Salto das Águas, Salto do Rio Capivari, Cascata Aparecida, Salto de Cima, Lago
Hoinzen.

Eventos - Um vasto calendário de festas típicas, evidencia os costumes e as tradições


deixados pelos imigrantes. Como a Festa do Pato, do Colono, do Produto Colonial, além
da Expofeira de Gado e a Festa de São Martinho.

Delícias Coloniais - Durante todo o ano os moradores vendem produtos coloniais ao


longo das estradas, verdadeiras delícias. Doces decorados, pães, defumados, cachaça,
licores, queijo, feitos artesanalmente nas propriedades rurais. Também, vendem
artesanato em porcelana, vidros e madeira.

Infra-estrutura turística - São Martinho é uma cidade pequena, com pouco mais de
3.000 habitantes. Mas tem razoável estrutura para o turismo, com pousadas e pequenos
hotéis. Junto às suas belezas naturais (cachoeiras, lagos, parques...) sempre há boa
infra-estrutura para esportes e lazer.

Como Chegar - Acesso pela BR-101/SC-438, via Gravatal, e SC-431, via Armazém.

87

CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Tabela 17 - Dados sobre o município de São Martinho
Área (km²) 236

População (2000) / Porcentagem região 3.274 / 1,01%

% urbano 27,12

% rural 72,88

Crescimento % populacional 1996/2000 -1,71

Crescimento % urbano 1996/2000 13,70

Crescimento % rural 1996/2000 -6,43

PIB per capita (2000) R$ / Posição região 5.024 / 9°

Crescimento % PIB per capita 1996/2000 198,67

Postos de emprego (2001) / Posição região 266 / 17º

IDH-M (2000) / Posição região / Posição UF 0,817 / 6° / 66°

Valor adicionado (2001) R$ / Posição região 503.758,00 /18º

Número de empresas (2001)/ Posição região 20 / 8º

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

88

CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


2.2.18 Treze de Maio

Um núcleo de negros libertados depois da assinatura da Lei Áurea, em 1888, deu origem
ao primeiro povoado da região, chamado
Quadro. Os ex-escravos, porém, não se
adaptaram ao local e dispersaram-se por
outras cidades. Daqueles tempos, ficou o
nome Treze de Maio e a estátua de um
negro que olha para o céu, como se
vislumbrasse a liberdade. A partir de 1900,
chegaram os imigrantes italianos, que se
instalaram definitivamente no local.

Em 1889, as famílias Bonelli e Formentim, sabedores da desistência das terras pelos


escravos, formularam um pedido às autoridades competentes para se instalarem no local.
Com a autorização concedida deram início a colonização e receberam outras famílias,
também, de origem italiana. Em 1926, foi elevada à categoria de Distrito, com o nome de
Treze de Maio, em homenagem à libertação dos escravos. Em 1961, passou a município,
através da Lei No. 803 de 20 de dezembro, com terras desmembradas de Tubarão.

Treze de Maio, tem na agropecuária 85% de sua arrecadação. Predominam as culturas


de fumo, milho e feijão, além da pecuária de corte e a criação de suínos e de aves. O
município, porém, busca novas alternativas para diversificar sua economia. Um desses
caminhos é investir no turismo – para atrair mais visitantes vêm sendo incrementadas as
festas mais tradicionais da região, como a de São Cristóvão e a de São José, padroeiro
da cidade. Também, há projetos, para roteiros que contemplem visitas às grutas e
cachoeiras localizadas no interior da localidade.

89

CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Características - O núcleo de negros livres que deu origem ao município dispersou-se e
cedeu lugar à comunidade de imigrantes italianos.

Data de fundação - 31 de dezembro de 1961.

Data festiva - 25 de julho (Festa de São Cristóvão), 19 de março (Festa de São José) e
setembro (Fecoarte/Feira do Colono e Artes Artesanais).

Principais atividades econômicas - Agropecuária.

Colonização - Italiana.

Principais etnias - Italiana.

Localização - Sul, na microrregião de Tubarão, a 165km de Florianópolis.

Clima - Mesotérmico úmido, com verão quente e temperatura média de 18,8°C.

Altitude - 190m acima do nível do mar.

Cidades próximas - Sangão, Jaguaruna, Morro da Fumaça, Tubarão.

Gentílico - Trezemaiense.

Destaque - Gruta Nossa Senhora da Saúde, na Linha Fragnano.

Como Chegar - O acesso é pela SC-441, a partir da BR-101.

90

CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Tabela 18 - Dados Gerais sobre o município de Treze de Maio
Área (km²) 180

População (2000) / Porcentagem região 6.716 / 2,07%

% urbano 26,27

% rural 73,73

Crescimento % populacional 1996/2000 6,92

Crescimento % urbano 1996/2000 35,37

Crescimento % rural 1996/2000 -0,52

PIB per capita (2000) R$ / Posição região 4.444 / 12°

Crescimento % PIB per capita 1996/2000 11,63

Postos de emprego (2001) / Posição região 971 / 12º

IDH-M (2000) / Posição região / Posição UF 0,796 / 13° / 139°

Valor adicionado (2001) R$ / Posição região 8.563.399,00 / 9º

Número de empresas (2001)/ Posição região 11 / 14º

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


2.2.19 Tubarão

Com a abertura do caminho entre Lages e Tubarão, por volta de 1773, iniciou-se o
povoamento da cidade. O rio Tubarão era parte da rota Lages/Laguna, tendo como ponto
de parada os portos do "Poço Fundo" e do
"Poço Grande", ambos na região da atual
Tubarão. Em agosto de 1774, duas
sesmarias, situadas no atual perímetro
urbano, foram doadas ao capitão João da
Costa Moreira e ao sargento-mor Jacinto
Jaques Nicós, marcando o início efetivo do
povoamento. Em 1833 já existia o distrito
de Poço Grande do Rio Tubarão e em 1836
foi criada a Paróquia de Nossa Senhora da Piedade de Tubarão. Tubarão desmembrou-
se de Laguna em maio de 1870. A imigração européia, a implantação da estrada-de-ferro
Dona Thereza Christina e a criação da comarca de Tubarão, em 1875 foram
responsáveis diretos pelo desenvolvimento econômico do município.

Características - Entre a serra e o mar, Tubarão encanta por suas belezas. Dotada de
ótima infra-estrutura urbana, seu potencial turístico concentra-se nas águas termais,
canalizadas para confortáveis complexos hoteleiros.

Data de fundação - 27 de maio de 1836.

Data festiva - 27 de maio (aniversário da cidade) e 15 de setembro (Dia de Nossa


Senhora da Piedade, padroeira da cidade).

Principais atividades econômicas - Tubarão destaca-se na pecuária e na agricultura. É


o segundo centro comercial do sul do Estado, principalmente na área de cerâmica.
Destaque também para o turismo, centrado em suas estâncias hidrominerais.

Colonização - Italiana, alemã e açoriana.

Principais etnias - Italiana, alemã e açoriana.

92

CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Localização - No sul do Estado, a 66km de Criciúma e 133km de Florianópolis.

Clima - Subtropical, com temperatura média de 23ºC.

Altitude - 09m acima do nível do mar.

Cidades próximas - Mafra, Gravatal, Treze de Maio, Jaguaruna, Pedras Grandes,


Laguna, Capivari de Baixo, São Ludgero, Orleans.

Gentílico - Tubaronense.

Turismo - Tubarão tem uma excelente infra-estrutura urbana e seu potencial turístico
concentra-se nas águas termais, canalizadas para confortáveis complexos hoteleiros.
Pólo de integração da região, oferece passeios turísticos semanais nas locomotivas
Maria-Fumaça pela ferrovia Thereza Christina, ligando as cidades de Imbituba, Laguna,
Criciúma e Urussanga. O percurso, liga estas cidades às praias, à subida da Serra do Rio
do Rastro, aos monumentos históricos e às tradições das etnias que ajudaram a povoar a
região. É mantida pela Rede Ferroviária Federal. A ferrovia, situada entre a serra e o mar,
às margens do rio Tubarão, tem como um dos seus atrativos as inúmeras pontes.
Conheça a Praça Dona Thereza Christina, inaugurada em 1884, por ocasião do
Centenário da Ferrovia do mesmo nome, ou faça um passeio de barcaça pelo rio
Tubarão, rumo à Laguna. O percurso, de 20km, reproduz o antigo roteiro dos
colonizadores.

Destaque - A referência na cidade é o rio Tubarão, que proporciona belos cenários,


especialmente ao cair da tarde. O passeio até Laguna, repete o caminho dos
colonizadores.

Como Chegar - A cidade tem um aeroporto particular de saibro - 1.100m x 40m - e conta
também com o aeroporto público de Forquilhinha, distante 79km. Acesso rodoviário feito
pela BR-101, para quem vem do sul ou do norte. Para quem vem do oeste, acesso pela
BR-116 até Lages, seguindo pela BR-282 e SC-438.

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CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


Tabela 19 - Dados Gerais sobre o município de Tubarão
Área (km²) 284

População (2000) / Porcentagem região 88.470 / 27,26%

% urbano 79,04

% rural 20,96

Crescimento % populacional 1996/2000 5,66

Crescimento % urbano 1996/2000 -2,87

Crescimento % rural 1996/2000 58,00

PIB per capita (2000) R$ / Posição região 7.002 / 4°

Crescimento % PIB per capita 1996/2000 24,79

Postos de emprego (2001) / Posição região 23.389 / 1º

IDH-M (2000) / Posição região / Posição UF 0,842 / 2° / 20°

Valor adicionado (2001) R$ / Posição região 230.782.465,00 / 2º

Número de empresas (2001)/ Posição região 111 / 1°

Fonte: Censo IBGE 2000, RAIS 2001, DIEF 2001.

94

CAPÍTULO 2 – RAÍZES HISTÓRICAS 2003 • AMUREL


2.3 População Residente

A região da AMUREL teve um crescimento populacional de 7,22% de 2000 em relação a


1996, atingindo um total de 324.591 habitantes. Desta população, 227.496 (70,23%)
encontram-se no meio urbano e 96.645 (29,77%) no meio rural em 2000.

A figura 2 apresenta um gráfico comparativo da população total de 1996 e 2000 da região


da AMUREL a partir da tabela 20.

Figura 2 Gráfico da população total em 1996 e 2000.

90.000

80.000

70.000

60.000

50.000

40.000

30.000

20.000

10.000

0
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População 1996
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R
a

População 2000
C
nt
Sa

Fonte: Adaptado de IBGE – Contagem Populacional de 1996, IBGE - Censo Demográfico de 2000.

95

CAPÍTULO 2 – POPULAÇÃO RESIDENTE 2003 • AMUREL


Tabela 20 População Residente Total, Urbana, Rural e Participação Relativa
em 1996 e 2000.
População 1996 População 2000
Urbana Rural Urbana Rural
Municípios
Total % s/ % s/ Total % s/ % s/
Hab Hab Hab Hab
total total total total
Armazém 6.461 2.436 37,70 4.025 62,30 6.873 2.625 38,19 4.248 61,81
Braço do Norte 20.262 14.503 71,58 5.759 28,42 24.802 17.879 72,09 6.923 27,91
Capivari de
17.263 16.386 94,92 877 5,08 18.561 17.436 93,94 1.125 6,06
Baixo
Grão Pará 5.830 2.404 41,23 3.426 58,77 5.817 2.674 45,97 3.143 54,03
Gravatal 8.851 2.811 31,76 6.040 68,24 10.799 3.864 35,78 6.935 64,22
Imaruí 13.825 3.923 28,38 9.902 71,62 13.404 3.909 29,16 9.495 70,84
Imbituba 32.876 27.341 83,16 5.535 16,84 35.700 34.527 96,71 1.173 3,29
Jaguaruna 13.416 8.990 67,01 4.426 32,99 14.613 10.238 70,06 4.375 29,94
Laguna 43.870 34.346 78,29 9.524 21,71 47.568 37.284 78,38 10.284 21,62
Orleans 21.296 9.983 46,88 11.313 53,12 20.031 12.813 63,97 7.218 36,03
Pedras
5.059 793 15,68 4.266 84,32 4.921 865 17,58 4.056 82,42
Grandes
Rio Fortuna 4.220 1.124 26,64 3.096 73,36 4.320 1.213 28,08 3.107 71,92
Sangão 6.789 2.959 43,59 3.830 56,41 8.128 3.624 44,59 4.504 55,41
Santa Rosa de
1.873 392 20,93 1.481 79,07 2.007 423 21,08 1.584 78,92
Lima
São Ludgero 7.501 4.081 54,41 3.420 45,59 8.587 5.995 69,81 2.592 30,19
São Martinho 3.331 781 23,45 2.550 76,55 3.274 888 27,12 2.386 72,88
Treze de Maio 6.281 1.303 20,75 4.978 79,25 6.716 1.764 26,27 4.952 73,73
Tubarão 83.728 71.991 85,98 11.737 14,02 88.470 69.925 79,04 18.545 20,96
Total
302.732 206.547 68,23 96.185 31,77 324.591 227.946 70,23 96.645 29,77
AMUREL
Total SC 4.875.244 3.565.130 73,13 1.310.267 26,87 5.356.360 4.217.931 78,75 1.138.429 21,25
% AMUREL
6,21 5,79 7,34 6,06 5,40 8,49
sobre SC

Fonte: Adaptado de IBGE – Contagem Populacional de 1996 e IBGE - Censo Demográfico de 2000.

A tabela 20 apresenta a população residente total, urbana, rural e participação relativa da


região da AMUREL de 1996 e 2000. Os municípios mais populosos em 2000 são
Tubarão (88.470), Laguna (47.568) e Braço do Norte (24.802), e os menos populosos são

96

CAPÍTULO 2 – POPULAÇÃO RESIDENTE 2003 • AMUREL


Santa Rosa de Lima (2.007), São Martinho (3.274) e Rio Fortuna (4.320). Os municípios
mais urbanizados em 2000 são Imbituba (96,71%), Capivari de Baixo (93,94%) e Tubarão
(75,52%) e, os municípios que apresentam as maiores porcentagens no meio rural são
Pedras Grandes (82,42%), Santa Rosa de Lima (78,92%) e Treze de Maio (73,73%).

Tabela 21 Dinâmica populacional da AMUREL de 1996 e 2000


Municípios Total % Urbano % Rural %
Armazém 6,37 7,75 5,54
Braço do Norte 22,40 23,27 20,21
Capivari de Baixo 7,51 6,40 28,27
Grão Pará -0,22 11,23 -8,26
Gravatal 22,00 37,46 14,81
Imaruí -3,00 -0,35 -4,11
Imbituba 8,58 26,28 -79,00
Jaguaruna 8,92 13,88 -1,15
Laguna 8,42 8,55 7,97
Orleans -5,94 28,34 -36,19
Pedras Grandes -2,72 9,07 -4,92
Rio Fortuna 2,36 7,91 0,35
Sangão 19,72 22,47 17,59
Santa Rosa de Lima 7,15 7,90 6,95
São Ludgero 14,47 46,90 -24,21
São Martinho -1,71 13,70 -6,43
Treze de Maio 6,92 35,37 -0,52
Tubarão 5,66 -2,87 58,00

Total 7,22 10,36 0,47

Fonte: Adaptado de IBGE – Contagem Populacional de 1996 e IBGE - Censo Demográfico de 2000.

A tabela 21 apresenta a dinâmica populacional da região da AMUREL, ou seja, apresenta


a evolução da população residente total, urbana e rural de 2000 em relação a 1996. Os
municípios que apresentaram os maiores crescimentos da população residente total são
Braço do Braço do Norte (22,40%), Gravatal (22,00%) e Sangão (19,72%), os municípios
de São Ludgero (46,90%), Gravatal (37,46%) e Treze de Maio (35,37%) apresentam os
maiores crescimentos da participação urbana e, os municípios de Imbituba (-79,00%),

97

CAPÍTULO 2 – POPULAÇÃO RESIDENTE 2003 • AMUREL


Orleans (-36,19%) e São Ludgero (-24,21%) apresentaram os maiores decréscimos da
participação rural.

Figura 3 Mapa Temático da População Residente Total da região da AMUREL


em 2000.
Fonte: Adaptado de Censo Demográfico de 2000.

A figura 3 apresenta o mapa temático da população residente total da região da AMUREL


em 2000. Destaca que nove municípios encontram-se a baixo de 10.000, quatro entre
10.000 e 20.000 e cinco acima de 20.000 habitantes.

98

CAPÍTULO 2 – POPULAÇÃO RESIDENTE 2003 • AMUREL


A figura 4 apresenta a participação relativa da população residente total dos municípios
da região da AMUREL em 2000. Destacam-se os municípios de Tubarão (27,26%),
Laguna (14,65%) e Imbituba (7,64%).

Tubarão

Laguna

Imbituba

B raço do No rte

5,72% 4,50% Orleans


6,17% 4,13%
3,33% Capivari de B aixo
7,64% 2,65%
2,50% 2,07% Jaguaruna
2,12% Imaruí
1,79%
11,00% Gravatal
8,34%
1,52%
São Ludgero
1,33%
Sangão
1,01%
14,65% A rmazém
0,62%
27,26% Treze de M aio

Grão P ará

P edras Grandes

Rio Fo rtuna

São M artinho

Santa Ro sa de Lima

Figura 4 Gráfico da participação relativa da população residente total dos


municípios da região da AMUREL em 2000.
Fonte: IBGE – Contagem Populacional de 1996, IBGE - Censo Demográfico de 2000 e dados primários

A tabela 22 apresenta a população residente total e por sexo para os municípios da


região da AMUREL em 2000. Comparando-se a porcentagem da participação masculina
e feminina da região com o Estado de Santa Catarina, percebe-se que há mais homens
do que mulheres na região do que ocorre no Estado.

99

CAPÍTULO 2 – POPULAÇÃO RESIDENTE 2003 • AMUREL


Tabela 22 População Residente Total e por Sexo para os municípios da
região AMUREL em 2000
Municípios Total Homens % Homens Mulheres % Mulheres
Armazém 6.873 3.520 51,21% 3.353 48,79%
Braço do Norte 24.802 12.538 50,55% 12.264 49,45%
Capivari de Baixo 18.561 9.081 48,93% 9.480 51,07%
Grão Pará 5.817 3.004 51,64% 2.813 48,36%
Gravatal 10.799 5.383 49,85% 5.416 50,15%
Imaruí 13.404 6.850 51,10% 6.554 48,90%
Imbituba 35.700 17.616 49,34% 18.084 50,66%
Jaguaruna 14.613 7.264 49,71% 7.349 50,29%
Laguna 47.568 23.396 49,18% 24.172 50,82%
Orleans 20.031 10.088 50,36% 9.943 49,64%
Pedras Grandes 4.921 2.482 50,44% 2.439 49,56%
Rio Fortuna 4.320 2.239 51,83% 2.081 48,17%
Sangão 8.128 4.118 50,66% 4.010 49,34%
Santa Rosa de Lima 2.007 1.052 52,42% 955 47,58%
São Ludgero 8.587 4.413 51,39% 4.174 48,61%
São Martinho 3.274 1.713 52,32% 1.561 47,68%
Treze de Maio 6.716 3.405 50,70% 3.311 49,30%
Tubarão 88.470 42.980 48,58% 45.490 51,42%

Total AMUREL 324.591 161.142 49,64% 163.449 50,36%


Total SC 5.356.360 2.669.311 49,83% 2.687.049 50,17%
% AMUREL sobre SC 6,06% 6,04% 6,08%

Fonte: IBGE – Censo Demográfico 2000 e Dados primários

Dos dezoito municípios, apenas seis municípios apresentaram mais mulheres do que
homens, com destaque para os municípios de Tubarão (51,42%) e Capivari de Baixo
(51,07%). Mesmo assim, na média geral da região há mais mulheres que homens.

100

CAPÍTULO 2 – POPULAÇÃO RESIDENTE 2003 • AMUREL


Figura 5 Gráfica da participação relativa por sexo da população residente
total da região da AMUREL 2000.

49,64% Homens
50,36% Mulheres

Fonte: IBGE – Censo Demográfico 2000 e Dados primários

A figura 5 apresenta a participação relativa por sexo da população residente total da


região da AMUREL em 2000. Percebe-se que os homens são 49,64% e as mulheres
50,36% do total.

A tabela 23 apresenta a população residente por grupos de idade segundo os municípios


da região da AMUREL em 2000. A divisão por grupos de idade da região acompanha
percentualmente a divisão por grupos do Estado de Santa Catarina. A faixa de 60 ou
mais anos possui a maior participação (7,10%) e, a faixa de 0 a 4 anos possui a menor
participação com 5,50% cada.

101

CAPÍTULO 2 – POPULAÇÃO RESIDENTE 2003 • AMUREL


Tabela 23 População Residente, por grupos de idade, segundo os
municípios da região da AMUREL em 2000.
População residente
Grupos de Idade
Municípios
0a4 5a9 10 a 19 20 a 29 30 a 39 40 a 49 50 a 59 60 anos
Total
anos anos anos anos anos anos anos ou mais
Armazém 6.873 536 659 1.378 1.007 1.083 803 605 802
Braço do Norte 24.802 2.362 2.685 5.120 4.223 4.287 2.757 1.680 1.688

Capivari de Baixo 18.561 1.603 1.718 3.796 3.044 3.196 2.460 1.360 1.384

Grão Pará 5.817 490 579 1.176 904 984 710 473 501
Gravatal 10.799 916 1.078 2.127 1.635 1.768 1.311 889 1.075
Imaruí 13.404 1.057 1.216 2.644 1.833 1.896 1.563 1.351 1.844
Imbituba 35.700 2.880 3.218 7.201 5.534 5.619 4.703 3.073 3.472
Jaguaruna 14.613 1.192 1.396 2.951 2.198 2.193 1.876 1.338 1.469
Laguna 47.568 3.810 4.277 9.200 7.306 7.155 5.931 4.584 5.305
Orleans 20.031 1.729 1.869 3.954 3.475 3.351 2.385 1.526 1.742
Pedras
4.921 333 408 1.002 712 795 650 433 588
Grandes
Rio Fortuna 4.320 293 430 874 557 767 577 369 453
Sangão 8.128 877 927 1.761 1.366 1.279 905 498 515
Santa Rosa de
2.007 161 201 396 276 338 263 182 190
Lima
São Ludgero 8.587 825 860 1.804 1.592 1.543 901 499 563
São Martinho 3.274 236 264 597 437 486 446 343 465
Treze de Maio 6.716 571 680 1.324 1.020 1.110 806 576 629
Tubarão 88.470 6.304 7.340 17.650 14.104 15.147 12.235 7.794 7.896
Total
324.591 26.175 29.805 64.955 51.223 52.997 41.282 27.573 30.581
AMUREL
Total SC 5.356.360 475.622 507.600 1.062.038 919.881 883.511 667.822 409.453 430.433
% AMUREL
6,06% 5,50% 5,87% 6,12% 5,57% 6,00% 6,18% 6,73% 7,10%
sobre SC

Fonte: IBGE – Censo Demográfico, 2000.

102

CAPÍTULO 2 – POPULAÇÃO RESIDENTE 2003 • AMUREL


Figura 6 Mapa Temático percentual por faixas etárias da população residente
total da região da AMUREL.
Fonte: Adaptado de IBGE – Censo Demográfico, 2000.

A figura 6 apresenta o mapa temático percentual por faixas etárias da população


residente total da região da AMUREL. O município de Sangão é o município mais jovem
com 44% de sua população abaixo dos 19 anos, os municípios de Tubarão e Capivari de
Baixo apresentam 47% da sua população entre 20 e 49 anos, e São Martinho apresenta
25% de sua população acima dos 50 anos de idade.

103

CAPÍTULO 2 – POPULAÇÃO RESIDENTE 2003 • AMUREL


A figura 7 apresenta a participação relativa dos grupos de idade da região da AMUREL
em 2000. Analisando-se a figura, 37,25% da população encontram-se entre 0 e 19 anos
e, 16,33% encontra-se com 60 ou mais anos.

0a4 anos
9,42% 8,06%
8,49% 9,18% 5a9 anos
10 a 19 anos
12,72%
20 a 29 anos
30 a 39 anos
20,01%
40 a 49 anos
16,33% 50 a 59 anos
15,78%
60 anos ou mais

Figura 7 Gráfico da participação relativa da população residente dos grupos


de idade dos municípios da região da AMUREL em 2000
Fonte: IBGE – Censo Demográfico, 2000 e Dados primários.

104

CAPÍTULO 2 – POPULAÇÃO RESIDENTE 2003 • AMUREL


2.4 Índice de Desenvolvimento Humano Municipal

A educação e a qualificação não são apenas necessidades econômicas, constituem-se


em direitos fundamentais e inalienáveis do ser humano. Este direito pode ser garantido
pela educação formal e informal, em todos os níveis de ensino, com base nos princípios
éticos de liberdade, igualdade, diversidade, participação, tolerância e solidariedade. Para
isso é necessário formar e capacitar professores, ter escolas em boas condições
ambientais para todos, criar uma didática de alta qualidade, ter materiais adequados para
os alunos, construir uma abordagem contemporânea para a educação na visão de
sustentabilidade, ter um currículo conectado aos desafios dos novos tempos, estabelecer
uma conexão adequada entre escola e vida e garantir um processo que assegure o
acesso das pessoas1.

São apresentados a seguir os Índices de Desenvolvimento Humano Municipal – IDH-M2,


Índice de Longevidade – IDHM-L3, Índice de Educação – IDHM-E4 e Índice de Renda –
IDHM-R, além da Esperança de Vida ao Nascer5, Taxa de Alfabetização de Adultos6,
Taxa Bruta de Freqüência Escolar7 e a Renda per capita8 para os anos de 1991 e 2000.
Esses índices foram preparados pelo Programa das Nações Unidas para
Desenvolvimento – PNUD9, e retratam, em parte, a realidade da educação para a região
dos municípios da AMUREL.

1
Agenda 21 Catarinense, Documento Preliminar, Outubro de 2002.
2
Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M): É obtido pela média aritmética simples de três índices,
referentes às dimensões Longevidade (IDHM-Longevidade), Educação (IDHM-Educação) e Renda (IDHM-Renda).
3
Índice do IDHM relativo à dimensão Longevidade: É obtida a partir do indicador esperança de vida ao nascer, através
da fórmula: (valor observado do indicador - limite inferior) / (limite superior - limite inferior), onde os limites inferiores e
superior são.
4
Índice do IDHM relativo à Educação: Obtido a partir da taxa de alfabetização e da taxa bruta de freqüência à escola,
convertidas em índices por: (valor observado - limite inferior) / (limite superior - limite inferior), com limites inferior e
superior.
5
Esperança de vida ao nascer (em anos): Número médio de anos que as pessoas viveriam a partir do nascimento.
6
Taxa de alfabetização de adultos (%): Percentual de pessoas acima de 15 anos de idade que sabem ler e escrever.
7
Taxa bruta de freqüência escolar (%): Proporção entre o número total de pessoas em todas as faixas etárias que
freqüentam os cursos fundamentais, segundo grau ou superior em relação ao total de pessoas na faixa etária de 7 a 22
anos.
8
Renda per capitã (em R$ de 2000): Razão entre o somatório da renda de todos os indivíduos (incluindo aqueles com
renda nula) e a população total.
9
Para maiores informações, acesse http://www.pnud.org.br/ e/ou http://www.undp.org

105

CAPÍTULO 2 – IDH-M 2003 • AMUREL


O Brasil melhorou sua posição no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M)
nos últimos nove anos, passando de 0,696, em 1991, para 0,766, em 2000. A mudança
demonstra avanços brasileiros nas três variáveis que compõe o IDH-M: renda,
longevidade e educação. Em comparação com 1991, o índice aumentou em todos os
estados e em quase todos os municípios brasileiros. No ano 2000, do total de 5.507
municípios, 23 foram classificados de baixo desenvolvimento, 4.910, de médio e 574, de
alto desenvolvimento humano. Na classificação internacional, o Brasil continua sendo um
país de médio desenvolvimento humano10.

O Índice de Desenvolvimento Humano foi criado originalmente para medir o nível de


desenvolvimento humano dos países a partir de indicadores de educação (alfabetização
e taxa de matrícula), longevidade (esperança de vida ao nascer) e renda (PIB per capita).
O índice varia de 0 (nenhum desenvolvimento humano) a 1 (desenvolvimento humano
total). Países com IDH até 0,499 têm desenvolvimento humano considerado baixo; os
países com índices entre 0,500 e 0,799 são considerados de médio desenvolvimento
humano; países com IDH maior que 0,800 têm desenvolvimento humano considerado
alto. Para aferir o nível de desenvolvimento humano de municípios as dimensões são as
mesmas – educação, longevidade e renda -, mas alguns dos indicadores usados são
diferentes. Embora meçam os mesmos fenômenos, os indicadores levados em conta no
IDH municipal (IDHM) são mais adequados para avaliar as condições de núcleos sociais
menores11.

A tabela 24 apresenta o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) em 1991


e 2000 para a região da AMUREL. Em 1991 todos os municípios são considerados, de
acordo com o PNUD, como sendo de médio desenvolvimento humano. Comparando-se
com o ano de 2000, 50% dos municípios da região passaram a um bom desenvolvimento
regional com destaque para Braço do Norte (0,846) e Tubarão (0,842) que possuem os
melhores indicies da região.

10
Novo Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, disponível em http://www.undp.org.br, acesso em 27/06/2003.
11
Novo Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, Entenda o cálculo do IDH Municipal, disponível em
http://www.undp.org.br, acesso em 27/06/2003.

106

CAPÍTULO 2 – IDH-M 2003 • AMUREL


Tabela 24 Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) em 1991 e
2000 dos municípios da região da AMUREL.
1991 2000 Variações
Município
Posição IDH-M Posição IDH-M % 91/00 Posições
Braço do Norte 3 0,739 1 0,846 14,48% 2
Tubarão 1 0,775 2 0,842 8,65% -1
Grão Pará 4 0,739 3 0,826 11,77% 1
São Ludgero 2 0,757 4 0,825 8,98% -2
Rio Fortuna 8 0,733 5 0,822 12,14% 3
São Martinho 12 0,719 6 0,816 13,49% 6
Orleans 6 0,736 7 0,814 10,60% -1
Capivari de Baixo 7 0,735 8 0,812 10,48% -1
Imbituba 5 0,739 9 0,805 8,93% -4
Pedras Grandes 10 0,721 10 0,799 10,82% 0
Gravatal 9 0,722 11 0,798 10,53% -2
Treze de Maio 17 0,698 12 0,796 14,04% 5
Armazém 13 0,714 13 0,795 11,34% 0
Santa Rosa de Lima 14 0,712 14 0,795 11,66% 0
Sangão 16 0,702 15 0,794 13,11% 1
Laguna 11 0,720 16 0,793 10,14% -5
Jaguaruna 15 0,702 17 0,793 12,96% -2
Imaruí 18 0,678 18 0,742 9,44% 0

Média AMUREL 0,725 0,806 11,29%


SC 0,748 0,822 9,89%
BRASIL 0,696 0,766 10,06%
Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano Municipal, disponível em http://www.undp.org.br.

Os municípios de São Martinho e Treze de Maio foram os que mais ganharam posições,
seis e cinco no total, respectivamente, de 2000 em relação a 1991, e o município de
Imbituba perdeu quatro posições de 2000 em relação a 1991. Em 1991, apenas o
município de Tubarão (0,775) estava acima da média do Estado (0,748), e em 2000, os
municípios Braço do Norte (0,846), Tubarão (0,842), Grão Pará (0,826), São Ludgero
(0,825) e Rio Fortuna (0,822) encontravam-se acima da média do Estado (0,822).

107

CAPÍTULO 2 – IDH-M 2003 • AMUREL


Figura 8 Mapa Temático do IDH-M da região da AMUREL em 2000.
A figura 8 apresenta o mapa temático do IDH-M da região da AMUREL em 2000.
Destaca-se que nenhum município encontra-se abaixo do 0,499, ou seja, de
desenvolvimento baixo. Oito municípios encontram-se entre 0,499 e 0,799, ou seja, de
desenvolvimento médio, e acima de 0,799 são dez municípios, ou seja, de
desenvolvimento alto.

A figura 9 apresenta o crescimento percentual dos municípios da região da AMUREL no


IDH-M de 2000 em relação a 1991. Os municípios de Braço do Norte (14,48%), Treze de
Maio (14,04%) e São Martinho (13,49%) obtiveram os maiores crescimentos percentuais.

108

CAPÍTULO 2 – IDH-M 2003 • AMUREL


16,00%
14,00%
12,00%
10,00%
8,00%
6,00%
4,00%
2,00%
0,00%

l
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o
Ri
pi

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a
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nt
Sa

Figura 9 Gráfico do crescimento percentual do IDH-M de 2000 em relação a


1991 dos municípios da região da AMUREL.
Fonte: Novo Atlas de Desenvolvimento Humano Municipal, disponível em http://www.undp.org.br, Secretaria
do Estado do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente – SDM e dados primários.

A tabela 25 apresenta o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – Longevidade


(IDHM-L) em 1991 e 2000 para os municípios da região da AMUREL. Todos os
municípios da região melhoraram o IDHM-L, sendo Capivari de Baixo com o maior
crescimento percentual de 10,31% e subiu treze posições. Destaca-se que o município
de Braço do Norte caiu seis posições de 2000 em relação a 1991.

Destaca-se que apenas três dos municípios da região AMUREL apresentaram o índice
IDHM-L menor da média do Estado em 2000.

109

CAPÍTULO 2 – IDH-M 2003 • AMUREL


Tabela 25 Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – Longevidade
(IDHM-L) em 1991 e 2000 dos municípios da região da AMUREL.
1991 2000 Variações

vida ao nascer

vida ao nascer
Esperança de

Esperança de

Posições
% 91/00
IDHM-L

IDHM-L
Posição

Posição
Município

Capivari de Baixo 14 70,96 0,766 1 75,71 0,845 10,31% 13


Orleans 2 72,68 0,795 2 75,17 0,836 5,16% 0
Rio Fortuna 3 72,68 0,795 3 75,17 0,836 5,16% 0
São Ludgero 9 71,50 0,775 4 75,17 0,836 7,87% 5
Tubarão 10 71,50 0,775 5 75,17 0,836 7,87% 5
Sangão 11 71,12 0,769 6 75,17 0,836 8,71% 5
Pedras Grandes 4 72,38 0,790 7 75,02 0,834 5,57% -3
Santa Rosa de Lima 5 72,38 0,790 8 75,02 0,834 5,57% -3
São Martinho 6 72,38 0,790 9 75,02 0,834 5,57% -3
Gravatal 7 71,89 0,781 10 75,02 0,834 6,79% -3
Braço do Norte 1 73,03 0,800 11 74,96 0,833 4,12% -10
Armazém 12 71,09 0,768 12 74,96 0,833 8,46% 0
Grão Pará 13 71,09 0,768 13 74,96 0,833 8,46% 0
Imbituba 8 71,89 0,781 14 74,61 0,827 5,89% -6
Treze de Maio 18 69,51 0,742 15 74,07 0,818 10,24% 3
Jaguaruna 15 70,41 0,757 16 73,23 0,804 6,21% -1
Laguna 16 70,41 0,757 17 73,23 0,804 6,21% -1
Imaruí 17 69,51 0,742 18 71,38 0,773 4,18% -1

Média AMUREL 71,47 0,775 74,61 0,827 6,78%


SC 70,16 0,753 73,69 0,811 7,70%
BRASIL 64,73 0,662 68,61 0,727 9,82%
Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano Municipal, disponível em http://www.undp.org.br.

110

CAPÍTULO 2 – IDH-M 2003 • AMUREL


A figura 10 apresenta o gráfico do crescimento percentual do IDHM-L dos municípios da
região da AMUREL de 2000 em relação a 1991. Os municípios de Capivari de Baixo
(6,91%), Treze de Maio (10,24%) e Sangão (8,71%) tiveram os maiores crescimentos
percentuais.

12,00%
10,00%
8,00%
6,00%
4,00%
2,00%
0,00% Lu al
Ro Gra a

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Figura 10 Gráfico do crescimento percentual do IDH-L de 2000 em relação


a 1991 dos municípios da região da AMUREL.
Fonte: Novo Atlas de Desenvolvimento Humano Municipal, disponível em http://www.undp.org.br, Secretaria
do Estado do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente – SDM e dados primários.

A tabela 26 apresenta o Índice de Desenvolvimento Humano – Educação (IDHM-E) em


1991 e 2000 para os municípios da região da AMUREL. Com relação a 2000, os
municípios de Tubarão (0,924), Braço do Norte (0,919), Rio Fortuna (0,918) e Capivari de
Baixo (0,911) encontram-se acima de 0,906. Isso demonstra que o Estado melhorou
muito mais que os municípios da região nesse índice. Os municípios de Braço do Norte e
Grão Pará no total cinco posições.

111

CAPÍTULO 2 – IDH-M 2003 • AMUREL


Tabela 26 Índice de Desenvolvimento Humano – Educação (IDHM-E) em
1991 e 2000 dos municípios da região da AMUREL.
1991 2000 Variações

Taxa bruta de

Taxa bruta de
alfabetização

alfabetização
freqüência à

freqüência à

Posições
% 91/00
IDHM-E

IDHM-E
Taxa de

Taxa de
Posição

Posição
Município

escola

escola
Tubarão 1 91,71 73,83 0,858 1 94,60 87,99 0,924 7,69% 0
Braço do Norte 7 89,56 56,66 0,786 2 94,59 86,50 0,919 16,92% 5
Rio Fortuna 4 92,92 57,85 0,812 3 95,64 84,19 0,918 13,05% 1
Capivari de Baixo 2 89,34 68,01 0,822 4 93,99 85,24 0,911 10,83% -2
São Ludgero 3 92,69 59,29 0,816 5 94,79 79,92 0,898 10,05% -2
Imbituba 5 86,73 66,43 0,800 6 91,39 85,32 0,894 11,75% -1
Grão Pará 12 88,20 55,52 0,773 7 93,18 80,67 0,890 15,14% 5
Orleans 10 88,51 55,05 0,774 8 93,63 79,27 0,888 14,73% 2
Santa Rosa de Lima 13 90,55 50,68 0,773 9 93,69 78,09 0,885 14,49% 4
Laguna 6 86,67 65,74 0,797 10 91,50 81,67 0,882 10,66% -4
São Martinho 8 88,93 57,87 0,786 11 93,54 76,65 0,879 11,83% -3
Gravatal 11 85,17 61,47 0,773 12 91,16 80,93 0,877 13,45% -1
Pedras Grandes 9 89,44 54,30 0,777 13 93,06 75,77 0,873 12,36% -4
Jaguaruna 17 83,18 51,50 0,726 14 90,52 79,31 0,868 19,56% 3
Treze de Maio 15 87,86 49,26 0,750 15 90,77 75,08 0,855 14,00% 0
Armazém 14 85,31 56,01 0,755 16 88,11 79,46 0,852 12,85% -2
Sangão 16 83,08 52,47 0,729 17 90,02 67,64 0,826 13,31% -1
Imaruí 18 76,01 58,11 0,700 18 83,00 75,84 0,806 15,14% 0

Média AMUREL 87,55 58,34 0,778 92,07 79,97 0,880 13,12%


SC 90,09 62,17 0,808 93,68 84,36 0,906 12,13%
BRASIL 79,93 63,63 0,745 86,37 84,89 0,849 13,96%
Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano Municipal, disponível em http://www.undp.org.br.

112

CAPÍTULO 2 – IDH-M 2003 • AMUREL


A figura 11 apresenta o gráfico do crescimento percentual do IDHM-E de 2000 em
relação a 1991 dos municípios da região da AMUREL. Os municípios de Jaguaruna
(19,56%), Braço do Norte (16,92%) e Grão Pará (15,14%) foram os que mais cresceram
percentualmente.

25,00%
20,00%
15,00%

10,00%
5,00%

0,00%

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Figura 11 Gráfico do crescimento percentual do IDHM-E de 2000 em


relação a 1991 dos municípios da região da AMUREL.
Fonte: Novo Atlas de Desenvolvimento Humano Municipal, disponível em http://www.undp.org.br, Secretaria
do Estado do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente – SDM e dados primários.

A tabela 27 apresenta o Índice de Desenvolvimento Humano – Renda (IDHM-R) em 1991


e 2000 dos municípios da região da AMUREL. Os municípios de Braço do Norte (0,786),
Tubarão (0,766) e Grão Pará (0,754) possuem os melhores índices em 2000. O município
de São Martinho teve o maior crescimento percentual (26,68%) e subiu doze posições
comparando 2000 em relação a 1991. O índice do Brasil teve um aumento no período de
2000 em relação a 1991, comparando-se com o Estado de Santa Catarina de 6,17%.

113

CAPÍTULO 2 – IDH-M 2003 • AMUREL


Tabela 27 Índice de Desenvolvimento Humano – Renda (IDHM-R) em 1991 e
2000 dos municípios da região da AMUREL.
1991 2000 Variações

Renda per

Renda per

Posições
IDHM-R

IDHM-R

% 91/00
Posição

Posição
Município

Capita

Capita
Braço do Norte 6 172,23 0,632 1 433,10 0,786 24,37% 5
Tubarão 1 245,47 0,691 2 382,69 0,766 10,85% -1
Grão Pará 3 222,93 0,675 3 357,30 0,754 11,70% 0
São Ludgero 2 227,96 0,679 4 330,77 0,741 9,13% -2
São Martinho 17 127,01 0,581 5 321,28 0,736 26,68% 12
Sangão 11 148,75 0,608 6 293,36 0,721 18,59% 5
Orleans 4 178,46 0,638 7 286,13 0,717 12,38% -3
Treze de Maio 13 143,12 0,601 8 281,62 0,714 18,80% 5
Rio Fortuna 16 135,41 0,592 9 279,32 0,713 20,44% 7
Jaguaruna 7 163,49 0,624 10 268,38 0,706 13,14% -3
Armazém 8 160,05 0,620 11 258,08 0,700 12,90% -3
Imbituba 5 175,29 0,635 12 248,42 0,693 9,13% -7
Laguna 12 146,08 0,605 13 247,23 0,693 14,55% -1
Pedras Grandes 14 137,61 0,595 14 241,69 0,689 15,80% 0
Gravatal 10 151,77 0,611 15 235,02 0,684 11,95% -5
Capivari de Baixo 9 156,46 0,616 16 229,25 0,680 10,39% -7
Santa Rosa de Lima 18 121,76 0,574 17 211,43 0,666 16,03% 1
Imaruí 15 136,34 0,593 18 187,74 0,647 9,11% -3

Média AMUREL 163,90 0,621 282,93 0,711 14,65%


SC 232,27 0,682 348,72 0,750 9,97%
BRASIL 230,30 0,681 297,23 0,723 6,17%
Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano Municipal, disponível em http://www.undp.org.br.

114

CAPÍTULO 2 – IDH-M 2003 • AMUREL


A figura 12 apresenta o gráfico do crescimento percentual do IDHM-R de 2000 em
relação a 1991 dos municípios da região da AMUREL. Os municípios de São Martinho
(26,68%), Braço do Norte (24,37%) e Rio Fortuna (20,44%) obtiveram os maiores
crescimentos percentuais.

30,00%
25,00%
20,00%
15,00%
10,00%
5,00%
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Figura 12 Gráfico do crescimento percentual do IDHM-R de 2000 em


relação a 1991 dos municípios da região da AMUREL.
Fonte: Novo Atlas de Desenvolvimento Humano Municipal, disponível em http://www.undp.org.br, Secretaria
do Estado do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente – SDM e dados primários.

115

CAPÍTULO 2 – IDH-M 2003 • AMUREL


2.5 Instituições de Cultura

Para a cultura, a premissa básica é a de inserir - através do diálogo entre os saberes


populares, os saberes tradicionais e os saberes científicos - os movimentos, atividades e
ações da cultura popular, num contexto mais amplo, onde possa obter apoio da
sociedade organizada para a sua valorização como postura identificatória de grupos
tradicionais. O maior obstáculo é a falta de investimento e de reconhecimento do valor de
suas manifestações para ajudar na solução de problemas sociais12.

Figura 13 Mapa Temático das instituições de culturas da região da AMUREL


em 1999.
Fonte: Anuário Estatístico de Santa Catarina, 2000.

12
Agenda 21 Catarinense, Documento Preliminar, Outubro de 2002.

116

CAPÍTULO 2 – IDH-M 2003 • AMUREL


A figura 13 apresenta o mapa temático das instituições ligadas a cultura, por tipo de
instituições, segundo os municípios da região da AMUREL em 1999.

A tabela 28 apresenta as instituições ligadas à cultura segundo os municípios da região


da AMUREL em 1999. Os municípios de Tubarão e Laguna são os que apresentam um
maior número de instituições ligadas à cultura com uma grande vantagem por parte do
município de Tubarão que possui 1 cinema e inúmeras bibliotecas públicas.

Tabela 28 Instituições ligadas a cultura, por tipo de instituições, segundo os


municípios da região da AMUREL em 1999.
Tipo de instituições
Municípios Total Bibliotecas Teatros / Casa de
Museus Cinemas
Públicas Espetáculos
Armazém 1 1 - - -
Braço do Norte 2 1 - - 1
Capivari de Baixo 2 1 - 1 -
Grão Pará 1 1 - - -
Gravatal 4 4 - - -
Imaruí 2 2 - - -
Imbituba 4 3 1 - -
Jaguaruna 2 1 1 - -
Laguna 6 3 2 1 -
Orleans 3 1 2 - -
Pedras Grandes 2 1 1 - -
Rio Fortuna 1 1 - - -
Sangão - - - - -
Santa Rosa de Lima - - - - -
São Ludgero 3 2 1 - -
São Martinho 1 1 - - -
Treze de Maio 2 1 1 - -
Tubarão 13 10 1 1 1

Total AMUREL 49 34 10 3 2
Total SC 540 345 109 37 49
% AMUREL / SC 9,07% 9,86% 9,17% 8,11% 4,08%
Fonte: Anuário Estatístico de Santa Catarina, 2000.

117

CAPÍTULO 2 – IDH-M 2003 • AMUREL


2.6 Infra-Estrutura

Um dos fatores externos que influenciam a competitividade das empresas é a infra-


estrutura pública. A deterioração da base física e da qualidade dessa infra-estrutura no
Brasil, após mais de uma década de instabilidade macroeconômica, colapso do
financiamento e do investimento públicos, constitui um grande entrave ao esforço de
reestruturação competitiva da indústria3

Figura 14 Mapa de Santa Catarina com as principais rodovias, aeroportos e


portos.
Fonte: Ministério dos Transportes. Acesso em 18 de junho de 2003. http://www.transportes.gov.br

3
COUTINHO, Luciano; FERRAZ, João Carlos. Estudo da Competitividade da Indústria Brasileira. Campinas, SP:
Papirus, 1994. P. 145.

118

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA 2003 • AMUREL


São apresentadas a seguir informações sobre o sistema rodoviário, ferroviário, hidroviário
e aeroviário da região dos municípios da AMUREL. A Figura 14 mostra o Estado de
Santa Catarina e as principais rodovias federais e estaduais, aeroportos e portos.

2.6.1 Transporte Rodoviário

A região da AMUREL é servida pelas rodovias estaduais: SC 434, SC 435, SC 436, SC


438, SC 440, SC 441, SC 442 e SC 482 (pavimentadas), e SC 407, SC 431, SC 437 e
SC 443 (não pavimentadas), além da rodovia federal BR-101 (pavimentada). O
atendimento na região é feito pelo Departamento Nacional de Infra-estrutura Terrestre de
Santa Catarina através do 5º Distrito, de Tubarão.

Tabela 29 Principais distâncias (em km)


Município Florianópolis Curitiba Porto Alegre
Imbituba 87 371 395
Laguna 118 402 364
Tubarão 144 428 338
Fonte: www.dnit.gov.br. DNIT - Departamento Nacional de Infra-Estrutura Terrestre. Distâncias entre as
cidades.

A figura 15 apresenta o mapa da região da AMUREL, com as principais rodovias.

119

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA • AMUREL


Figura 15 Mapa rodoviário da região da AMUREL
Fonte: Departamento Estadual de Infra-Estrutura do Governo do Estado de Santa Catarina. Internet: http://www.deinfra.sc.gov.br Acesso em: 15/out/2003

120

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA 2003 • AMUREL


2.6.2 Transporte Ferroviário

O transporte ferroviário do Estado de Santa Catarina é operado através da empresa


concessionária América Latina Logística – ALL. A ALL foi fundada em março de 1997,
quando a Ferrovia Sul Atlântico venceu o processo de privatização da malha sul da Rede
Ferroviária Federal, passando a operar a malha nos estados do Paraná, Santa Catarina e
Rio Grande do Sul. A Figura 29 apresenta o mapa das linhas férreas que a empresa
América Latina Logística tem concessão, o qual duas de suas linhas cortam o Estado de
Santa Catarina não passam pela região da AMUREL. São as ferrovias Mafra-Lages a
leste, e Porto União-União da Vitória-Uruguai a oeste.

Figura 16 Mapa Geral das linhas férreas da América Latina Logística – ALL
Fonte: Ministério dos Transportes – Internet: http://www.transportes.gov.br/bit/ferro/all/mapa-all.jpg acesso
em 30/06/03

121

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA • AMUREL


2.6.2.1 Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina
Com 113 anos de história para contar, a Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina foi
importante na colonização do Sul do Estado. Ela preserva até hoje sua história no Museu
Ferroviário que está sendo organizado na Cidade de Tubarão. Seu maior acervo são 14
Marias-Fumaça, algumas do início do século. Para não deixar essas raridades apenas no
museu, a Secretaria da Indústria, Comércio e Turismo de Tubarão, mais a ABPF
(Associação Brasileira de Preservação Ferroviária) e a SALV (Sociedade dos Amigos da
Locomotiva a Vapor) promovem roteiros turísticos com as antigas locomotivas, pelos
trilhos da Tereza Cristina. Os passeios têm atraído turistas interessados em ver de perto
essas relíquias em funcionamento. Dois roteiros já foram ativados. A linha Tubarão-
Urussanga, calcada na colonização italiana, oferece visitas às cantinas de vinho,
restaurantes típicos, e apresentações de corais e grupos de danças folclóricas. Já a linha
Tubarão-Cabeçudas, em Laguna, é um passeio pela colonização açoriana e portuguesa
da região. No percurso dos dois passeios belas paisagens enchem os olhos. No verão, a
Secretaria de Turismo colocará à disposição dos turistas uma terceira linha: Tubarão-
lmbituba.4

Figura 17 Mapa da Ferrovia Dona Tereza Cristina


Fonte: Revista Mares do Sul.

4
Resumo da Revista "Mares do Sul", Edição Especial, Ano 4, nº 18, outubro/1997, p. 118-119

122

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA 2003 • AMUREL


Marcos de Desenvolvimento

ƒ Primeiro Marco - A EFDTC veio a ter seu grande impulso em 1945, com a instalação
do lavador de Capivari e o início do suprimento de carvão metalúrgico à CIA.
Siderúrgica Nacional e, posteriormente, a toda a Siderurgia Brasileira integrada a
carvão mineral.

ƒ Segundo Marco – Estabelecimento da Indústria Carboquímica Catarinense (ICC), em


Imbituba em 1978, com o objetivo de aproveitar os rejeitos piritosos do carvão como
fonte de enxofre, com a conseqüente demanda de seu transporte.

ƒ Terceiro Marco – A segunda crise do Petróleo, que despertou maior interesse pelo
uso do carvão Nacional. A conjunção desses fatores levou ao período áureo da
Ferrovia, entre 1983 –1986, quando o transporte se situou ao nível de sete milhões de
toneladas/ano. Com a superação da crise do petróleo e com o fim da obrigação em
1990 das siderúrgicas utilizarem o mínimo de 20% do carvão nacional, e com a
paralisação da ICC, em 1992 a demanda de transporte reduziu-se às necessidades
de suprimento da Usina Termelétrica Jorge Lacerda, situada no município de Capivari
de Baixo, cuja primeira unidade iniciou a operação em 1965. Em 1997 – Operação da
Ferrovia pela Iniciativa Privada. Inauguração da etapa quatro da usina Jorge Lacerda.
Escassez de energia no País.

Histórico: a Ferrovia Tereza Cristina S.A. opera a Malha Tereza Cristina da Rede
Ferroviária Federal S.A. - RFFSA, abrangendo a antiga SR-9 (Tubarão), ferrovia
localizada no Estado de Santa Catarina.

Concessão: outorga de concessão pelo Decreto de 24/1/97, publicada no DOU n.° 18,
de 27/1/97, para a exploração e desenvolvimento do serviço público de transporte
ferroviário de carga na Malha Tereza Cristina, por um período de 30 anos, prorrogável
por igual período.

Grupo controlador: Gemon - Geral de Engenharia e Montagens S.A.; Interfinance S.A.


Participações; e Santa Lúcia Agro-Indústria e Comércio Ltda.

Informações gerais: Início da operação: 1º de fevereiro de 1997.

123

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA • AMUREL


Extensão: 164 km;

Bitola: 1,00 m.

Transporte Realizado: em 1997 transportou 2,07 milhões de toneladas de mercadorias


(carvão mineral tipo energético), equivalente a 148,37 milhões de TKU, empregando 165
funcionários.

2.6.3 Transporte Hidroviário

Figura 18 Portos Catarinenses


Fonte: SANTUR. Internet: http://www.santur.sc.gov.br Acesso em: 04/set/2003.

A região dos municípios da AMUREL tem a sua disposição três portos no Estado de
Santa Catarina:

Porto de Imbituba – As principais atividades desempenhadas pelo porto são:


Desembarque de fertilizante e soda cáustica e embarque de açúcar. As instalações de
acostagem estão distribuídas em quatro trechos distintos de cais, totalizando 582m de
extensão:

ƒ Cais velho ou cais de carvão, com 160m de comprimento e 9,5m de profundidade,


compreendendo um berço, servido por um pátio descoberto, para coque, com
1.600m2 e capacidade de 5.000t, e dois berços para carga geral.

124

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA 2003 • AMUREL


ƒ Cais novo, com 250m de comprimento, contendo três berços e 10m de profundidade.
É atendido por um pátio descoberto, para contêineres e carvão, com área de
25.000m2, permitindo a estocagem de 90.000t.

ƒ Cais ro-ro, de 24m, com profundidade de 7,5m, servido por um pátio descoberto, de
retaguarda, de 5.000m2.

O porto possui, ainda, dois tanques para soda cáustica, com capacidade de 8.760t. Os
armazéns junto à Indústria Carboquímica Catarinense S.A. (ICC), com 19 módulos, estão
arrendados à Biogran Produtos Agrícolas e Naturais Ltda. e são utilizados para salitre.

Figura 19 Porto de Imbituba


Fonte:

Porto de São Francisco do Sul – essencialmente exportador tem como principais


produtos movimentados em seu cais a soja (grãos, farelo e óleo), azulejos, madeira
serrada, milho, frangos congelados, papel kraft, motores elétricos, móveis de madeira,
motocompressores, auto-peças e têxteis, entre outros. O porto está situado a 40 Km de
Joinville, a maior cidade do Estado. A malha ferroviária conecta o porto com várias
regiões economicamente importantes através da estrada de ferro 485, na cidade de
Mafra. Podendo deste ponto ser acessada com São Paulo, Porto Alegre e o oeste do

125

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA • AMUREL


Paraná, bem como todo o Mercosul, interligando os oceanos Pacíficos e Atlântico. Sua
infra-estrutura de armazenagem conta com três armazéns internos com capacidade de
76.500 m3, numa área total de 13.500m2. Existem na retaguarda os armazéns de granel
sólido da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola (CIDASC), que tem
capacidade estática total de 120 mil toneladas, e tanque para óleo vegetal com
capacidade nominal para 9 mil m³. 5

Figura 20 Foto do Porto São Francisco do Sul


Fonte: http://www1.apsfs.sc.gov.br

Porto de Itajaí – Os principais produtos movimentados são têxteis, motores elétricos,


madeiras, móveis, frangos congelados, azulejos e pisos, açúcar e derivados de petróleo,
papel, entre outros. Suas instalações têm mais de 15.000 m² de área coberta para
estocagem de produtos e 38.000 m² de área descoberta para armazenagem de
contêineres. Os usuários do Porto de Itajaí têm a sua disposição mais de 70
equipamentos, com capacidade de 1 a 37 toneladas para auxílio na carga e descarga de
suas mercadorias. As unidades operacionais do Porto de Itajaí são totalmente
informatizadas. O Porto de Itajaí conta ainda com uma Estação Aduaneira de Interior
(porto seco), totalmente alfandegada e sincronizada com o Porto, com 31.500 m² para
armazenagem coberta e pátios de armazenagem de contêineres com mais de 120.000

5
SANTA CATARINA. Administração do Porto de São Francisco do Sul. Acesso em 20 de junho de 2003.
http://www.apsfs.sc.gov.br/

126

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA 2003 • AMUREL


m² de área. Esse porto chega a movimentar uma média de 10 contêineres por hora,
igualando-se aos principais portos do mundo.6

Figura 21 Foto do Porto de Itajaí


Fonte: http://www.transportes.gov.br/bit/portos/itajai/poitajai.htm

Tabela 30 Distância Rodoviária em Km, dos municípios da região da


AMUREL, aos municípios onde estão localizados os portos de Itajaí e São
Francisco do Sul.
Município Imbituba Itajaí São Francisco do Sul

Imbituba - 183 283


Laguna 35 217 303
Tubarão 50 222 319
Fonte: SANTA CATARINA. Departamento de Infra-Estrutura. Distâncias entre as cidades.

6
PORTO DE ITAJAÍ. Instalações e Maquinários. Capturado em 13 de outubro. 2000. On-line. Disponível na Internet
http://www.portoitajai.com.br/instal.htm
PORTO DE ITAJAÍ. Sobre o Porto. Capturado em 20 de junho. 2003. On-line. Disponível na Internet
http://www.portoitajai.com.br/institucional/sobre.php

127

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA • AMUREL


2.6.4 Transporte Aeroviário

O estado de Santa Catarina dispõe de 32 aeroportos. Dentre os públicos, 16 têm pistas


pavimentadas, sendo que seis estão capacitados para operações de pousos e
decolagens por instrumento e noturna.

Figura 22 Aeroportos Catarinenses


Fonte: SANTUR. Internet: http://www.santur.sc.gov.br Acesso em: 04/set/2003.

A região da AMUREL tem a sua disposição os aeroportos polarizadores de Joinville,


Navegantes e Florianópolis.

ƒ Aeroporto Afonso Pena – localizado no município de Joinville, este aeroporto possui


pistas asfaltadas, dimensões de 1.640m x 45m e uma altitude de 4 metros. Atende a
grandes pólos regionais, como a região de Joinville, Blumenau e à própria região de
Jaraguá do Sul.

ƒ Aeroporto de Navegantes – Localiza-se no município de Navegantes. O aeroporto


possui pistas asfaltadas, dimensões de 1.700m x 45m e altitude de 5 metros. O
aeroporto de Navegantes foi inaugurado em 19/10/1978. Atende principalmente, as
cidades situadas no vale do Itajaí, como Blumenau, Brusque, Gaspar, Porto Belo,
Tijucas, Pomerode, Penha e Piçarras e as cidades turísticas litorâneas, como
Balneário Camboriu, Itajaí e o parque do Beto Carrero World em Penha. O acesso ao

128

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA 2003 • AMUREL


aeroporto pela cidade de Blumenau é por meio da BR 101 e BR 470; por Itajaí o
acesso deverá ser feito pelo ferry boat, na travessia do rio Itajaí-Açu, que separa as
duas cidades.

ƒ Aeroporto Internacional Hercílio Luz – Localiza-se no município de Florianópolis. É


um aeroporto internacional compartilhado, com dimensões de 2.300m x 45m e
1.500m x 45m e altitude de 6 metros. Atende principalmente à demanda do turismo,
em especial no verão, de pessoas vindas da Argentina.

Tabela 31 Distância Rodoviária em Km, dos municípios da região da


AMUREL, aos municípios onde estão localizados os aeroportos.
Município Joinville Navegantes Florianópolis

Imbituba 262 195 87


Laguna 293 230 114
Tubarão 312 235 144
Fonte: SANTA CATARINA. Departamento de Estradas e Rodagens. Distâncias entre as cidades.

129

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA • AMUREL


2.6.5 Energia Elétrica

Conforme a figura 23 os maiores consumos de energia elétrica encontram-se no setor


industrial com 34,64% e o rural com 30,94%.

23,27%
30,94%
Residencial
Industrial
Comercial
Rural
11,15% 34,64%

Figura 23 Consumo Anual de Energia Elétrica (mercado CELESC), por classe


de consumidores, da região da AMUREL em 2001.
Fonte: CELESC, 2001 apud Anuário Estatístico de Santa Catarina, 2001.

A tabela 32 apresenta o consumo de energia elétrica por classes de consumidores e


municípios da região da AMUREL em 2001. Os municípios de Laguna e Tubarão são os
maiores consumidores de energia elétrica da região da AMUREL.

130

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA 2003 • AMUREL


Tabela 32 Consumo de Energia Elétrica por municípios da região e classe de
consumidores da AMUREL em 2001
Classe de Consumidores (kwh)
Municípios Total
Residencial Industrial Comercial Rural
Armazém 6.589.800 - - - 6.589.800
Braço do Norte 143.235.670 - - - 143.186.400
Capivari de Baixo 20.253.820 10.674.216 4.152.103 1.915.224 978.450
Grão Pará - - - - -
Gravatal 14.235.900 - - - 14.235.900
Imaruí 8.666.078 5.895.412 740.048 743.409 371.581
Imbituba 47.076.954 19.357.002 13.344.828 9.404.207 155.806
Jaguaruna 30.999.334 7.917.881 6.681.604 1.378.557 13.421.192
Laguna 240.368.389 74.809.828 98.303.458 35.087.330 2.506.874
Orleans 61.355.612 7.566.320 39.370.020 3.672.426 9.016.484
Pedras Grandes 1.807.435 691.131 393.065 217.530 255.946
Rio Fortuna - - - - -
Sangão 27.373.305 2.606.106 22.694.128 585.990 874.147
Santa Rosa de Lima - - - - -
São Ludgero - - - - -
São Martinho - - - - -
Treze de Maio 7.342.835 - 1.212.615 - 6.112.400
Tubarão 209.438.319 48.447.676 78.093.198 32.318.594 38.920.159

Total AMUREL 818.743.451 177.965.572 264.985.067 85.323.267 236.625.139

Fonte: CELESC – Centrais Elétricas de Santa Catarina.

A tabela 32 apresenta o consumo de energia elétrica por municípios da classe industrial


da AMUREL de 1999 a 2001. Os municípios de Laguna e Tubarão são os principais
consumidores da região. A média de crescimento da região de 2000 em relação a 1999
foi de 3,77%, e de 80,90% de 2001 em relação a 2000.

131

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA • AMUREL


Tabela 33 Consumo de Energia Elétrica por municípios da região da classe
industrial da AMUREL em 1999 a 2001
Industrial (kwh)
Municípios Variação Variação
1999 2000 2001
99/00 00/01
Armazém - - -
Braço do Norte - - -
Capivari de Baixo 3.949.933 3.702.089 -6,27% 4.152.103 12,16%
Grão Pará - - - - -
Gravatal - - -
Imaruí 690.158 732.542 6,14% 740.048 1,02%
Imbituba 13.805.491 15.679.476 13,57% 13.344.828 -14,89%
Jaguaruna 3.321.215 6.302.088 89,75% 6.681.604 6,02%
Laguna 3.592.994 3.791.274 5,52% 98.303.458 2492,89%
Orleans 32.142.531 36.802.802 14,50% 39.370.020 6,98%
Pedras Grandes 152.356 214.696 40,92% 393.065 83,08%
Rio Fortuna - - - - -
Sangão 17.761.882 19.918.061 12,14% 22.694.128 13,94%
Santa Rosa de Lima - - - - -
São Ludgero - - - - -
São Martinho - - - - -
Treze de Maio 1.607.768 1.138.833 -29,17% 1.212.615 6,48%
Tubarão 85.903.351 84.619.893 -1,49% 78.093.198 -7,71%

Total AMUREL 141.160.882 146.485.559 3,77% 264.985.067 80,90%

Fonte: CELESC – Centrais Elétricas de Santa Catarina.

A tabela 33 apresenta o consumo de energia elétrica por municípios da região da classe


rural da AMUREL de 1999 a 2001. A média de crescimento de 2000 em relação a 1999
foi de 11,21%, e 3,78% de 2001 em relação a 2000. Os municípios de Braço do Norte e
Tubarão são os maiores consumidores da região.

132

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA 2003 • AMUREL


Tabela 34 Consumo de Energia Elétrica por municípios da região da classe
rural da AMUREL em 1999 a 2001
Rural
Municípios Variação Variação
1999 2000 2001
99/00 00/01
Armazém 6.909.000 9.013.870 30,47% 6.589.800 -26,89%
Braço do Norte 120.873.900 135.326.333 11,96% 143.186.400 5,81%
Capivari de Baixo 1.279.255 1.055.366 -17,50% 978.450 -7,29%
Grão Pará - - - - -
Gravatal 13.646.520 14.534.100 6,50% 14.235.900 -2,05%
Imaruí 301.677 303.057 0,46% 371.581 22,61%
Imbituba 163.725 169.983 3,82% 155.806 -8,34%
Jaguaruna 11.426.117 12.843.675 12,41% 13.421.192 4,50%
Laguna 536.296 733.392 36,75% 2.506.874 241,82%
Orleans 7.851.607 8.529.336 8,63% 9.016.484 5,71%
Pedras Grandes 251.090 258.987 3,15% 255.946 -1,17%
Rio Fortuna - - - - -
Sangão 898.232 951.848 5,97% 874.147 -8,16%
Santa Rosa de Lima - - - - -
São Ludgero - - - - -
São Martinho - - - - -
Treze de Maio 5.430.600 5.987.800 10,26% 6.112.400 2,08%
Tubarão 35.451.302 38.290.439 8,01% 38.920.159 1,64%

Total AMUREL 205.019.321 227.998.186 11,21% 236.625.139 3,78%

Fonte: CELESC – Centrais Elétricas de Santa Catarina.

133

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA • AMUREL


2.6.6 Gás Natural

O Gasoduto Bolívia-Brasil transporta para o Brasil o gás natural proveniente da Bolívia.


Em Santa Catarina (ver Figura 24), o gasoduto cruza o estado a partir de Guaruva, divisa
com o Paraná, até a cidade de Timbó do Sul, na divisa com o Rio Grande do Sul,
passando a leste de Blumenau.

Figura 24 Mapa da rede de distribuição da SCGás.


Fonte: SCGás. Internet: http://www.scgas.com.br Acesso em: 11/jul/2003.

O gás natural deve contribuir para o aumento da produtividade, competitividade e


modernização da indústria local, substituindo o carvão, a lenha e o óleo combustível.
Entre as principais vantagens do gás natural estão:

♦ menor custo de manutenção;

♦ maior vida útil dos equipamentos;

♦ inexistência de custo de estocagem;

134

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA 2003 • AMUREL


♦ melhoria dos padrões ambientais, pois a combustão completa evita impurezas e
resíduos poluentes, além disso, não necessita de frete rodoviário.

Figura 25 Mapa de distribuição da SCGás na região de Tubarão.


Fonte: SCGás. Internet: http://www.scgas.com.br Acesso em: 22/out/2003.

Segundo a SCGás, está concluído o Ramal San Marcos. Foram necessários a


construção e montagem de aproximadamente 8.400 metros de tubulação ao longo da
Rodovia BR -101, passando pelos municípios de Tubarão, Jaguaruna, Sangão e Treze
de Maio. Proporcionando as empresas locais uma nova possibilidade, comprovando os
benefícios do uso deste energético. Atualmente, três indústrias são consumidoras de Gás
Natural. A disseminação do uso do gás natural pressupõe a necessidade da divulgação
de seus benefícios (inclusive para médias e pequenas empresas) e a existência de
profissionais e equipamentos adequados aos seus diferentes contextos de utilização.

135

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA • AMUREL


2.6.7 Telecomunicações

O Estado de Santa Catarina dispõe de um sistema de comunicações relativamente


eficiente, que permite contatos com qualquer localidade do país e do exterior por meio de
som e imagem, texto, dados e voz. Além disso, o estado está interligado ao serviço móvel
marítimo, permitindo contato por telefone ou envio de mensagem para qualquer ponto do
planeta.

Tabela 35 Linhas telefônicas instaladas na região da AMUREL em 2000.


Domicílios Linhas telefônicas Part.% no total de
Municípios
Total Instaladas domicílios
Tubarão 26.111 12.923 49,50
Imbituba 10.335 4.347 42,10
Armazém 1.937 726 37,50
São Ludgero 2.289 761 33,20
Orleans 5.460 1.665 30,50
Pedras Grandes 1.376 417 30,30
Braço do Norte 6.669 2.003 30,00
Laguna 14.243 4.279 30,00
Treze de Maio 1.816 539 29,70
Gravatal 3.133 905 28,90
Sangão 2.103 608 28,90
Capivari de Baixo 5.370 1.347 25,10
São Martinho 857 215 25,10
Santa Rosa de Lima 493 100 20,30

Jaguaruna 4.183 810 19,40


Grão Pará 1.484 251 16,90
Rio Fortuna 1.082 165 15,20
Imaruí 3.884 448 11,50
Total 92.825 32.509 28,00%
Fonte: SDE – Anuários Estatística de Santa Catarina – 2001.

A principal concessionária dos serviços de telecomunicações de SC, TELESC Brasil


Telecom S.A., atende aos 293 municípios do estado. No âmbito nacional, o atendimento

136

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA 2003 • AMUREL


é feito através da Embratel – Empresa Brasileira de Telecomunicações S.A., da Intelig
Telecomunicações Ltda. e da GVT – Global Village Telecom.

A tabela * apresenta o número de linhas telefônicas instaladas em 2000. A média da


participação percentual de residências com linhas telefônicas é de 28,00 % em 2000. Os
municípios de Tubarão (49,50%), Imbituba (42,10%) e Armazém (37,50%) possuem as
maiores participações relativas de linhas instaladas. O município de Imaruí possui a
menor participação com 11,50%.

2.6.8 Água e Saneamento

Em Santa Catarina os Sistemas de Abastecimento de Água, operados pela Casan,


beneficiam 322 localidades e um Município do Estado do Paraná. Além do abastecimento
de água, os 27 sistemas de Esgotos Sanitários operados pela Casan, atendem a 16
Municípios e 2 Distritos.7

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Social, Urbano e Meio Ambiente de


Santa Catarina, “com relação ao abastecimento de água o Estado possui uma cobertura
de aproximadamente 90% da população urbana em água tratada, não se podendo
garantir, no entanto, que a quantidade de água oferecida à população possua um
controle da qualidade adequado”. Em termos de esgotamento sanitário no estado,
apenas 6,85% da população urbana possui coleta de esgoto e apenas parte desse
volume coletado consegue ter tratamento satisfatório. De acordo com estudos realizados,
Santa Catarina, a fim de resgatar o déficit sanitário em coleta e tratamento de esgoto
sanitário, necessitaria investir em média 0,37% de seu PIB por ano para atingir uma meta
de atendimento de 41% da população urbana do estado em 10 anos.8

De acordo com dados da Secretaria do Desenvolvimento Municipal – SDM, referente ao


lançamento de esgotos industriais, tem-se que:

ƒ 27,47% lançam na rede pública com tratamento e 72,53% sem tratamento; e.

7
SANTA CATARINA. Companhia Catarinense de Águas e Saneamento. Capturado em 18 de junho de 2003. On-line.
Disponível na Internet http://www.casan.com.br
8
SANTA CATARINA. Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social, Urbano e Meio Ambiente. Capturado em 18 de
junho de 2003. On-line. Disponível na Internet: http://www.sds.sc.gov.br/

137

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA • AMUREL


ƒ 26,08% lançam diretamente em cursos d’água com tratamento e 73,92% sem
tratamento.

ƒ Em nível estadual, são disponibilizadas pela SDM as seguintes informações:


aproximadamente 50% dos municípios utilizam o sistema individual de tratamento;

ƒ 28,11% dos municípios utilizam o sistema de coleta de águas pluviais com um


sistema unitário de coleta;

ƒ 25,91% utilizam vala negra9 para dispor os dejetos; e.

ƒ 22,72% lança diretamente nos cursos d’água a carga orgânica proveniente do


esgotamento sanitário doméstico.

A população atendida na região da AMUREL por serviços de coleta de resíduos sólidos é


de 93.287 habitantes, correspondendo a 77,61% (45.785) da população urbana da
Região, ficando sem atendimento 22,39% (13.206.habitantes). Tomando como referência
a média per capita de resíduos sólidos gerados de 0,49 kg/habitantes/dia, estima-se que
são gerados na região 46 ton/dia. Na área urbana são produzidas 29 ton/dia (63,04% do
total). Dessas, são coletadas 22 ton/dia (75,86%) e 6 ton/dia (20,70%) deixam de ser
coletadas.

9
A vala negra é uma solução sanitária condenável para a disposição de dejetos.

138

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA 2003 • AMUREL


Tabela 36 Resíduos sólidos por municípios da AMUREL em 1999
População Censo 2000

População com

Coleta Seletiva
Total Ton/dia
(Kg/habxdia)
% Atendido

Gerado Pop

Gerado Pop

Doméstico
Qdade per

Tipo Adm

Destino
Ton/dia
Urbana
coleta

capita
Municípios Urbana

Rural
Total

Adm. Não
Armazém 6.870 2.624 4.246 1.329 50,66 0,37 2,53 0,97
Direta possui
Lixão

Adm. Não
Braço do Norte 24.771 17.857 6.914 17.857 100 2,17 53,7 38,71
Direta possui
Lixão

Capivari de
Baixo
18.559 17.434 1.125 - - - - - - - Lixão

Grão Pará 5.814 2.674 3.140 - - - - - - - Lixão

Gravatal 9.911 3.865 6.046 - - - - - - - Lixão

Adm. Não
Imaruí 13.397 3.899 9.498 1.066 27,35 0,47 6,35 1,85
Direta possui
Lixão

Imbituba 35.700 34.527 1.173 - - - - - - - Lixão

Jaguaruna 14.603 10.236 4.367 - - - - - - - Lixão

Laguna 47.543 37.255 10.288 - - - - - - - Lixão

Adm. Não
Orleans 20.021 12.802 7.219 6.679 52,17 0,52 10,34 6,61
Direta possui
Lixão

Adm.
Pedras Grandes 4.921 865 4.056 605 69,99 0,23 1,11 0,2
Direta
Possui Lixão

Adm. Não
Rio Fortuna 4.316 1.213 3.103 465 38,36 1,06 4,59 1,29
Direta possui
Lixão

Adm. Não
Sangão 8.126 3.622 4.504 1.565 43,21 0,57 4,64 2,07
Direta possui
Lixão

Santa Rosa de Adm. Não


Lima
1.873 392 1.481 89 22,66 2,67 4,99 1,05
Direta possui
Lixão

Adm. Não
São Ludgero 8.586 5.993 2.593 3.672 61,27 0,71 6,1 4,26
Direta possui
Lixão

Adm.
São Martinho 3.274 888 2.386 - - - - -
Direta
Possui Lixão

Adm. Não
Treze de Maio 6.716 1.764 4.952 448 25,37 0,24 1,58 0,42
Direta possui
Lixão

Adm. Não
Tubarão 89.338 69.907 19.431 59.512 85,13 0,85 76,03 59,49
Direta possui
Lixão

Fonte: Diagnóstico do levantamento de dados dos resíduos sólidos nos municípios do Estado, com revisão
das diretrizes para a formulação da política estadual dos resíduos sólidos. Secretaria de Estado do
Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente – SDM, Florianópolis, Outubro de 2001.

139

CAPÍTULO 2 – INFRA-ESTRUTURA • AMUREL


2.7 Atividade Econômica

O perfil da estrutura industrial de Santa Catarina é marcado pela forte presença de


setores tradicionais têxtil-vestuário e alimentos, mas com um setor eletro-metal-mecânico
ganhando importância e, em grande parte, sustentando o crescimento do produto
industrial do estado nos anos recentes.

Os principais setores industriais do estado encontram-se concentrados em regiões


específicas, registrando-se evidentes especializações regionais, resultado de um
processo histórico e descentralizado de formação industrial. Essa conformação regional
alia-se, em cada indústria, a uma estrutura constituída por algumas grandes empresas,
muitas delas líderes nacionais, e por uma infinidade de empresas de pequeno e médio
porte, de origem tipicamente familiar1.

É na região sul, na qual se insere a AMUREL, que está localizado o complexo mineral em
função das jazidas de carvão, caulim e argila. O estado é o maior produtor de carvão
mineral do País, partindo daqui mais de 60% da produção nacional. O caulim e a argila
são as matérias-primas para a indústria de pisos e azulejos, com qualidade reconhecida
mundialmente.

Na região da AMUREL, as atividades de maior valor adicionado são: a geração e


fornecimento de energia elétrica e a fabricação de artefatos de madeira. Destacam-se as
empresas de revestimentos cerâmicos, atividades de fabricação de artigos diversos de
madeira, inclusive o mobiliário, várias indústrias de matérias plásticas e dos demais
setores.

A primeira parte apresenta o PIB dos municípios da região da AMUREL, seguido do valor
adicionado, empregado e estabelecimento, e por últimos, os principais segmentos
econômicos encontrados na região.

1
CAMPOS, Renato Ramos; NICOLAU, José Antônio; CÁRIO, Silvio Antônio Ferraz. Sistemas Locais de Inovação: um
estudo preliminar de casos selecionados no Estado de Santa Catarina. Rio de Janeiro: Instituto de Economia da
Universidade Federal do Rio de Janeiro: [s.n.], 1998. 39 p. Faz parte do “Projeto de Pesquisa Globalização e Inovação

140

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


2.7.1 Produto Interno Bruto – PIB

O PIB per capita municipal é o valor aproximado do produto interno bruto, originado do
valor adicionado. Compreende o valor global que as unidades econômicas de produção
da agropecuária, da indústria, do comércio e dos serviços agregam aos seus produtos, à
medida que esses passam adiante, desde o setor primário até os consumidores finais.

12.000

10.000

8.000

6.000

4.000

2.000

0
Pe Arm ão

na
Sa a

ba

Lu te

ap Tu á
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d ão
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Pa

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G

a
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o

os

R
dr

Tr

a
C

nt

1996 2000

Figura 26 Gráfico comparativo do PIB per capita de 1996 em relação a


2000.
Fonte: DURB/SDM – SC

A tabela 37 apresenta o PIB per capita para a região da AMUREL de 1996 a 2000, ela se
encontra classificada em ordem decrescente do PIB per capita para o ano 2000. A região
apresenta um PIB per capita muito inferior com a média do Estado de Santa Catarina,
perfazendo uma média de R$ 4.378,00 contra R$ 7.406,60 (no período compreendido

Localizada: Experiências de Sistemas Locais no Âmbito do Mercosul e Proposições Políticas de C&T”. Coordenação Geral
do Ministério da Ciência e Tecnologia do Brasil, patrocínio da Organização dos Estados Americanos.

141

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


entre os anos de 1996 a 2000). O Estado de Santa Catarina apresentou uma queda de
2,10% neste indicador no período analisado contra um crescimento de 4,07% da região.
Dos dezoito municípios, segundo a figura 26, quatro apresentaram um decréscimo do PIB
per capita e catorze um acréscimo. Os municípios de Imaruí (435,28%), Santa Rosa de
Lima (266,33%) e Gravatal (282,54%) apresentaram os maiores crescimentos e, São
Ludgero (-46,20%), Braço do Norte (-25,64%) e Orleans (-3,66%) apresentaram os
maiores decréscimos.

Tabela 37 - Estimativa do PIB per Capita, Segundo Valor Adicionado Fiscal a


Preços de 1999 (IGP/DI FGV) - 1996-2000.
PIB per capita - R$ por Hab
Classificação
Municípios Crescimento
(Base 2000) 1996 1997 1998 1999 2000
do PIB 96/00
1 Rio Fortuna 4.368 4.090 4.102 4.256 8.215 88,07%
2 Santa Rosa de Lima 2.153 2.582 3.169 2.715 7.887 266,33%
3 Capivari de Baixo 7.723 11.624 13.087 10.434 7.619 -1,34%
4 Tubarão 5.611 5.750 5.953 5.781 7.002 24,79%
5 Grão Pará 5.481 6.029 5.684 5.717 6.151 12,23%
6 Orleans 6.103 4.730 4.142 4.994 5.879 -3,66%
7 São Ludgero 10.761 8.499 7.072 8.333 5.789 -46,20%
8 Braço do Norte 6.891 6.951 7.245 6.751 5.124 -25,64%
9 São Martinho 1.682 2.488 1.938 2.101 5.024 198,67%
10 Gravatal 1.276 1.341 1.317 1.315 4.880 282,54%
11 Imbituba 3.381 2.720 2.840 2.983 4.797 41,88%
12 Treze de Maio 3.981 4.352 4.100 4.215 4.444 11,63%
13 Pedras Grandes 3.412 3.289 2.666 3.226 4.428 29,77%
14 Armazém 2.678 2.849 2.498 2.667 4.303 60,67%
15 Sangão 3.414 3.362 3.703 3.334 4.276 25,24%
16 Laguna 1.202 1.245 1.296 1.285 4.176 247,41%
17 Jaguaruna 2.845 2.783 2.923 2.858 4.170 46,57%
18 Imaruí 551 628 709 680 2.949 435,28%
Região da AMUREL 4.084 4.184 4.136 4.091 5.395
Santa Catarina 7.539 7.378 7.364 7.370 7.381

Fonte: Elaboração: DURB/SDM – SC


OBS: O PIB de 1996 a 1998 foi calculado a partir do valor adicionado; O PIB de 1999 foi calculado levando-
se em consideração a média aritmética do Valor Adicionado dos anos de 1996 a 1998. (PIP PER CAPITA =
VALOR ADICIONADO MUNICIPAL X PIB SC / VALOR ADICIONADO SC / POPULAÇÃO DO MUNICÍPIO).

142

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Figura 27 Mapa temático da densidade do PIB per capita dos municípios da
região da AMUREL em 2000.
Fonte: adaptado de DURB/SDM – SC

A figura 27 apresenta o mapa temático da densidade do PIB per capita dos municípios da
região da AMUREL em 2000. Os municípios que apresentam uma densidade maior de
pontos possuem um PIB per capita maior. Destacam-se os municípios de Rio Fortuna,
Santa Rosa de Lima e Capivari de Baixo.

143

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


2.7.2 Valor Adicionado

A Tabela 38 apresenta o valor adicionado2 por municípios da região da AMUREL de 1999


a 2001. Os municípios de Capivari de Baixo (34,17%), Tubarão (28,75%) e Braço do
Norte (10,85%) são os principais arrecadadores do valor adicionado da região em 2001.
A região obteve um crescimento de 23,27% de 2000 em relação a 1999 e de 12,05% de
2001 em relação a 2000.

300.000.000,00

250.000.000,00

200.000.000,00
Braço do Norte
150.000.000,00 Capivari de Baixo
Tubarão
100.000.000,00

50.000.000,00

-
1999 2000 2001

Figura 28 Valor Adicionado de 1999, 2000 e 2001 dos municípios de Braço


do Norte, Capivari de Baixo e Tubarão.
Fonte: adaptado de Valor Adicionado (DIEF) 1999 a 2001.

A figura 28 apresenta o valor adicionado de 1999 a 2001 dos municípios de Braço do


Norte, Capivari de Baixo e Tubarão da região da AMUREL. Percebe-se que o município
de Tubarão teve um decréscimo em 2001 em relação a 2000.

2
Valor Adicionado corresponde, para cada Município, ao valor das mercadorias saídas acrescido
do valor das prestações de serviços (da incidência do ICMS), no seu território, deduzido o valor
das mercadorias entradas, em cada ano civil, computando-se, inclusive:
a) as operações e prestações que constituam fato gerador do imposto, mesmo quando o
pagamento for antecipado ou diferido, ou quando o crédito tributário for diferido, reduzido ou
excluído em virtude de isenção ou outros benefícios, incentivos ou favores fiscais;
b) as operações imunes do imposto.

144

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Tabela 38 - Valor Adicionado por municípios da região da AMUREL de 1999 a
2001.
1999 2000 2001
Municípios
Total R$ % Total R$ % % 99/00 Total R$ % % 00/01

Armazém 3.951.570,00 0,68% 6.289.008,00 0,88% 59,15% 5.334.439,00 0,66% -15,18%


Braço do Norte 66.646.855,00 11,47% 60.280.854,00 8,41% -9,55% 87.123.604,00 10,85% 44,53%
Capivari de
221.326.213,00 38,08% 261.479.277,00 36,50% 18,14% 274.305.032,00 34,17% 4,91%
Baixo
Grão Pará 2.566.557,00 0,44% 2.701.303,00 0,38% 5,25% 2.844.538,00 0,35% 5,30%
Gravatal 2.893.038,00 0,50% 3.605.558,00 0,50% 24,63% 5.092.518,00 0,63% 41,24%
Imaruí 556.686,00 0,10% 464.544,00 0,06% -16,55% 756.930,00 0,09% 62,94%
Imbituba 26.551.204,00 4,57% 18.553.266,00 2,59% -30,12% 33.912.718,00 4,22% 82,79%
Jaguaruna 4.665.960,00 0,80% 10.473.224,00 1,46% 124,46% 13.474.419,00 1,68% 28,66%
Laguna 7.474.768,00 1,29% 8.249.628,00 1,15% 10,37% 8.442.334,00 1,05% 2,34%
Orleans 22.009.534,00 3,79% 28.104.501,00 3,92% 27,69% 38.573.182,00 4,80% 37,25%
Pedras
569.540,00 0,10% 867.929,00 0,12% 52,39% 1.744.828,00 0,22% 101,03%
Grandes
Rio Fortuna 1.783.223,00 0,31% 4.309.652,00 0,60% 141,68% 4.319.689,00 0,54% 0,23%
Sangão 12.127.915,00 2,09% 13.945.913,00 1,95% 14,99% 15.121.545,00 1,88% 8,43%
Santa Rosa de
140.401,00 0,02% 882.365,00 0,12% 528,46% 867.512,00 0,11% -1,68%
Lima
São Ludgero 29.485.711,00 5,07% 43.277.482,00 6,04% 46,77% 71.056.437,00 8,85% 64,19%
São Martinho 253.975,00 0,04% 156.872,00 0,02% -38,23% 503.758,00 0,06% 221,13%
Treze de Maio 7.855.717,00 1,35% 9.090.342,00 1,27% 15,72% 8.563.399,00 1,07% -5,80%
Tubarão 170.367.015,00 29,31% 243.735.490,00 34,02% 43,06% 230.782.465,00 28,75% -5,31%

Total AMUREL 581.225.882,00 716.467.208,00 23,27% 802.819.347,00 12,05%

Total SC 15.612.567.011 18.287.574.230 17,13% 21.644.699.496 18,36%

%AMUREL/SC 3,72% 3,92% 3,71%

Fonte: Valor Adicionado (DIEF) 1999 a 2001 e dados primários.

A região teve um crescimento percentual maior em 99/00 e menor em 00/01,


comparando-se com o Estado de Santa Catarina.

145

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Figura 29 Mapa temático do valor adicionado (%) por setores econômicos
dos municípios da região da AMUREL em 2001.
Fonte: adaptado de DIEF 2001.

A figura 29 apresenta o mapa temático do valor adicionado (%) por setores econômicos
dos municípios da região da AMUREL em 2001. Destaca-se que as significâncias dos
setores por municípios variam muito. Tem-se, por exemplo, o município de Laguna com
uma predominância no Comércio (61%) e os demais na Indústria.

146

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


2.7.3 Empregados e Estabelecimentos

Esse tópico apresenta informações sobre número de empregados, número de


estabelecimento, grau de instrução e o tamanho dos estabelecimentos dos municípios
que compõem a região da AMUREL. Essas informações foram extraídas da RAIS3 e são
baseadas apenas em dados formais. Isto é, não estão computados profissionais que
trabalham em setores informais. O número de empregados registrados na região diminuiu
em 17,38% no período de 1999 a 2001 e o número de empresas cresceu na importância
de 13,49% no mesmo período.

Tubarao

7,62% 7,19% 5,18% Braco do Norte


Imbituba
8,13% 3,95%
2,63% Laguna
2,92%
2,42% Orleans
10,17% Sao Ludgero
13,23% 1,96%
Capivari de Baixo
Sangao
6,22%
Jaguaruna
Gravatal
Armazem
41,61%
Demais

Figura 30 Gráfico da participação relativa do número de empregados dos


municípios da região da AMUREL em 2001
Fonte: RAIS 2001 e Dados primários.

Conforme a figura 30, os municípios de Tubarão (41,61%), Braço do Norte (10,17%) e


Imbituba (8,13%) têm as maiores participações no número de empregos formais da

3
RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) - tem por objetivo o suprimento às necessidades
de controle da atividade trabalhista no País, e ainda, o provimento de dados para a elaboração de
estatísticas do trabalho e a disponibilização de informações do mercado de trabalho às entidades
governamentais. As informações são repassadas pelas empresas para o Ministério do Trabalho e
Emprego. Internet: http://www.mte.gov.br Acesso em: 01/07/03.

147

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


região da AMUREL. A tabela 39 apresenta o número de empregados por municípios da
região da AMUREL de 1999 a 2001.

Tabela 39 - Número de Empregados por municípios da região da AMUREL –


1999 - 2001
Municípios 1999 2000 % 99/00 2001 % 00/01
Armazém 1.240 1.378 11,13% 1.099 -20,25%
Braço do Norte 6.454 7.654 18,59% 5.716 -25,32%
Capivari de Baixo 2.698 2.745 1,74% 2.222 -19,05%
Grão Pará 888 991 11,60% 763 -23,01%
Gravatal 1.739 1.751 0,69% 1.358 -22,44%
Imaruí 1.111 929 -16,38% 577 -37,89%
Imbituba 4.734 5.840 23,36% 4.569 -21,76%
Jaguaruna 1.952 2.052 5,12% 1.481 -27,83%
Laguna 6.011 6.566 9,23% 4.281 -34,80%
Orleans 4.758 5.041 5,95% 4.043 -19,80%
Pedras Grandes 319 360 12,85% 400 11,11%
Rio Fortuna 433 472 9,01% 436 92,37%
Sangão 1.822 2.191 20,25% 1.643 -25,01%
Santa Rosa de Lima 228 210 -7,89% 83 -60,48%
São Ludgero 2.994 3.627 21,14% 2.913 -19,69%
São Martinho 284 288 1,41% 266 -7,64%
Treze de Maio 1.359 1.456 7,14% 971 -33,31%
Tubarão 29.016 32.013 10,33% 23.389 -26,94%
Total 68.040 75.564 11,06% 56.210 -25,61%

Fonte: RAIS 1999, 2000 e 2001.

A tabela 40 apresenta o número de empregados por setores econômicos e municípios da


região da AMUREL em 2001. O total de empregos na região está concentrado nos
setores da indústria e no de serviços. Os municípios de Imbituba e Laguna possuem
uma concentração maior no setor de serviços, e os demais possuem uma concentração
significativa no setor industrial.

148

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Tabela 40 - Número de empregados por setores econômicos e municípios da
região da AMUREL em 2001.

Construção civil

Agropecuária,

caca e pesca.
extr vegetal,
Comercio
Industria

Serviços

Total
Municípios

Armazém 633 20 100 326 20 1.099


Braço do Norte 3.612 82 893 979 150 5.716
Capivari de Baixo 987 68 262 901 4 2.222
Grão para 476 2 55 207 23 763
Gravatal 385 29 226 712 6 1.358
Imaruí 163 1 71 334 8 577
Imbituba 810 52 1.169 2.519 19 4.569
Jaguaruna 622 2 217 502 138 1.481
Laguna 448 53 1.504 2.191 85 4.281
Orleans 1.929 52 1.018 926 118 4.043
Pedras Grandes 115 0 93 192 0 400
Rio Fortuna 180 3 98 141 14 436
Sangão 1.442 0 43 153 5 1.643
Santa Rosa de Lima 49 0 17 12 5 83
São Ludgero 2.136 70 284 373 50 2.913
São Martinho 96 0 40 130 0 266
Treze de Maio 694 0 73 199 5 971
Tubarão 5.853 2.733 5.466 9.187 150 23.389
Total 20.630 3.167 11.629 19.984 800 56.210

Fonte: RAIS 1999, 2000 e 2001.

A figura 31 apresenta o mapa temático com a participação relativa por setores


econômicos dos municípios da região da AMUREL. A figura apresenta os dados da
tabela 40 com valores relativos (%) dos setores por municípios.

149

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Figura 31 Mapa temático com a participação relativa por setores
econômicos dos municípios da região da AMUREL.
Fonte: adaptado de RAIS 2001.

A tabela 41 apresenta o número de estabelecimentos por municípios da região da


AMUREL de 1999 a 2001. Percebe-se que no período de 1999/2000 o número de
estabelecimentos cresceu 3,28% em média, e de 2000/2001 houve um acréscimo de
9,88%. Comparando-se o número de empregados com o número estabelecimentos
verifica-se que o 2000/2001 houve decréscimo no número de empregados e acréscimo
no número de estabelecimentos.

150

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Tabela 41 - Número de estabelecimentos por municípios da região da
AMUREL de 1999 a 2001.
Municípios 1999 2000 % 99/00 2001 % 00/01
Armazém 326 313 -3,99% 368 17,57%
Braço do Norte 1.229 1.283 4,39% 1.399 9,04%
Capivari de Baixo 447 467 4,47% 551 17,99%
Grão para 208 230 10,58% 253 10,00%
Gravatal 425 461 8,47% 495 7,38%
Imaruí 243 207 -14,81% 234 13,04%
Imbituba 1.225 1.288 5,14% 1.410 9,47%
Jaguaruna 543 591 8,84% 656 11,00%
Laguna 1.361 1.410 3,60% 1.570 11,35%
Orleans 961 927 -3,54% 1.029 11,00%
Pedras Grandes 146 138 -5,48% 149 7,97%
Rio Fortuna 146 160 9,59% 169 5,62%
Sangão 251 283 12,75% 314 10,95%
Santa Rosa de Lima 92 98 6,52% 110 12,24%
São Ludgero 355 389 9,58% 449 15,42%
São Martinho 126 125 -0,79% 140 12,00%
Treze de Maio 273 279 2,20% 313 12,19%
Tubarão 4.956 5.101 2,93% 5.500 7,82%
Total 13.313 13.750 3,28% 15.109 9,88%

Fonte: RAIS 1999, 2000 e 2001.

A figura 32 apresenta um gráfico da participação relativa do número de estabelecimentos


dos municípios da região da AMUREL em 2001. Os municípios de Tubarão (22,29%),
Braço do Norte (16,27%) e Orleans (9,84%) possuem as maiores participações relativas
do número de estabelecimentos da região.

151

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


9,26% 6,81% Tubarao

9,33% Laguna
4,34% 3,65%
Imbituba
3,28%
Braco do Norte
10,39% 2,97% Orleans
23,46% Jaguaruna
13,57% Capivari de Baixo
Gravatal
Sao Ludgero

36,40% Demais

Figura 32 Gráfico da participação relativa do número de estabelecimentos


dos municípios da região da AMUREL em 2001
Fonte: adaptado de RAIS 2001.

A tabela 42 apresenta o número de estabelecimentos por setores econômicos e


municípios da região de AMUREL em 2001. O maior número de estabelecimentos
concentra-se no setor comercial, seguido pelo de serviços.

152

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Tabela 42 - Número de estabelecimentos por setores econômicos e
municípios da região da AMUREL em 2001

Construção civil

Agropecuária,

caca e pesca.
extr vegetal,
Comercio
Industria

Serviços

Total
Municípios

Armazém 85 17 144 114 8 368


Braço do Norte 307 63 632 331 66 1.399
Capivari de Baixo 103 12 263 169 4 551
Grão para 53 7 118 63 12 253
Gravatal 120 14 225 127 9 495
Imaruí 31 1 113 82 7 234
Imbituba 121 25 688 556 20 1.410
Jaguaruna 157 11 281 189 18 656
Laguna 136 35 778 594 27 1.570
Orleans 171 33 441 364 20 1.029
Pedras Grandes 49 2 56 42 0 149
Rio Fortuna 26 3 71 56 13 169
Sangão 195 1 75 39 4 314
Santa Rosa de Lima 18 1 30 54 7 110
São Ludgero 86 13 174 152 24 449
São Martinho 32 0 55 52 1 140
Treze de Maio 104 4 119 80 6 313
Tubarão 907 170 2.596 1.775 52 5.500
Total 2.701 412 6.859 4.839 298 15.109

Fonte: RAIS 2001.

153

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


A figura 33 apresenta o mapa temático com a participação dos estabelecimentos por
setores econômicos dos municípios da região da AMUREL em 2001. Os valores são
baseados a partir da tabela 42.

Figura 33 Mapa temático com a participação relativa dos estabelecimentos


por setores econômicos dos municípios da região da AMUREL em 2001.
Fonte: adaptado de RAIS 2001.

154

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


A tabela 43 apresenta a média salarial por municípios da região da AMUEL de 1999 a
2001. Percebe-se que no período de 1999/2000 houve um aumento médio de 8,37%, e
de 2000/2001 um aumento de 7,06% na média salarial. O município de Capivari de Baixo
possui a melhor média de 1999 a 2001.

Tabela 43 - Média Salarial por municípios da região da AMUREL de 1999 a


2001.
Municípios 1999 2000 % 99/00 2001 % 00/01
Armazém 252,60 270,37 7,04% 283,49 4,85%
Braço do Norte 285,50 291,20 2,00% 325,42 11,75%
Capivari de Baixo 733,24 753,73 2,79% 827,26 9,76%
Grão para 272,38 262,97 -3,45% 329,14 25,16%
Gravatal 275,81 301,25 9,22% 320,05 6,24%
Imaruí 274,72 235,94 -14,12% 363,79 54,19%
Imbituba 416,28 395,76 -4,93% 445,47 12,56%
Jaguaruna 259,70 606,62 133,58% 475,73 -21,58%
Laguna 278,53 307,92 10,55% 289,75 -5,90%
Orleans 271,77 323,76 19,13% 350,14 8,15%
Pedras Grandes 306,57 284,05 -7,34% 327,40 15,26%
Rio Fortuna 312,81 332,28 6,22% 375,80 13,10%
Sangão 199,59 231,34 15,91% 242,11 4,65%
Santa Rosa de Lima 349,51 438,12 25,35% 455,88 4,05%
São Ludgero 319,26 324,35 1,60% 368,98 13,76%
São Martinho 320,61 305,28 -4,78% 354,54 16,14%
Treze de Maio 256,42 259,80 1,32% 256,63 -1,22%
Tubarão 380,32 410,80 8,01% 439,00 6,87%
Média 348,52 377,68 8,37% 404,34 7,06%

Fonte: adaptado de RAIS 1999, 2000 e 2001.

155

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


A tabela 44 apresenta a média salarial por setores econômicos e municípios da região da
AMUREL em 2001. O município de Capivari de Baixo possui a melhor média salarial com
R$ 2.023,79 no setor industrial.

Tabela 44 - Média Salarial por setores econômicos e municípios da região da


AMUREL em 2001.
Municípios Industria Construção civil Comercio Serviços Agropecuária Média
Armazém 363,47 242,04 277,36 355,87 316,11 350,31
Braço do Norte 463,61 264,65 340,78 515,87 310,76 446,51
Capivari de Baixo 2.023,79 435,61 413,93 530,25 280,09 1.176,61
Grão para 323,17 252,00 310,11 618,97 261,28 400,42
Gravatal 364,75 486,95 312,29 475,60 237,51 416,19
Imaruí 274,71 600,00 387,83 425,85 274,09 376,67
Imbituba 729,16 455,49 341,06 684,01 307,74 600,10
Jaguaruna 356,14 362,50 334,59 399,20 457,55 377,04
Laguna 444,13 356,29 391,60 518,20 386,22 461,35
Orleans 429,14 501,63 378,13 520,77 515,22 440,73
Pedras Grandes 271,29 - 381,66 420,35 - 368,50
Rio Fortuna 450,30 305,00 297,74 528,31 230,82 433,19
Sangão 297,75 - 382,45 477,08 378,00 316,91
Santa Rosa de Lima 898,89 - 289,59 509,46 344,48 684,39
São Ludgero 512,32 286,60 444,21 517,23 275,87 496,82
São Martinho 279,87 - 275,59 585,59 - 428,64
Treze de Maio 354,24 - 385,96 529,58 216,00 391,84
Tubarão 632,02 455,51 468,18 795,11 1.275,83 641,29
Média 568,68 444,16 413,74 658,64 549,24 561,32
Fonte: adaptado de RAIS 2001.

156

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


A tabela 45 apresenta o grau de instrução por municípios da região da AMUREL em
2001. Percebe-se que os municípios de Capivari de Baixo, Imaruí, Laguna, Rio Fortuna.
São Martinho e Tubarão possuem as maiores porcentagens com profissionais com ou
fazendo o ensino superior.

Tabela 45 - Grau de instrução por municípios da região da AMUREL em 2001

incompleto

incompleto
incompleta

incompleta
Analfabeto

completo

completo
completa

completa

Superior

Superior
4ª série

4ª série

8ª série

8ª série

2º grau

2º grau
Municípios

Armazém 2,37% 3,82% 19,02% 18,11% 24,02% 6,73% 22,38% 0,64% 2,91%
Braço do Norte 3,50% 3,43% 20,24% 20,19% 21,87% 8,62% 15,48% 2,71% 3,95%
Capivari de Baixo 1,26% 1,62% 7,11% 13,14% 21,02% 10,76% 34,88% 2,66% 7,56%
Grão para 2,10% 4,59% 29,75% 18,61% 14,29% 11,01% 15,86% 1,18% 2,62%
Gravatal 1,03% 3,76% 11,71% 21,21% 21,87% 13,99% 20,18% 2,87% 3,39%
Imaruí 0,35% 12,48% 15,77% 10,05% 22,53% 11,79% 19,58% 1,04% 6,41%
Imbituba 0,53% 3,92% 8,73% 9,06% 33,88% 10,20% 26,85% 1,93% 4,90%
Jaguaruna 0,61% 12,09% 27,41% 16,75% 15,26% 7,83% 14,85% 1,55% 3,65%
Laguna 2,62% 5,79% 5,44% 9,44% 16,23% 21,28% 29,62% 3,90% 5,68%
Orleans 2,37% 6,88% 18,18% 15,51% 14,22% 8,31% 26,05% 3,69% 4,80%
Pedras Grandes 1,25% 5,75% 21,25% 13,00% 36,00% 5,00% 13,00% 1,50% 3,25%
Rio Fortuna 0,00% 1,83% 25,46% 15,37% 22,02% 6,42% 21,56% 2,29% 5,05%
Sangão 1,52% 5,78% 52,89% 20,15% 10,10% 2,01% 5,05% 1,16% 1,34%
Santa Rosa de Lima 0,00% 2,41% 54,22% 6,02% 18,07% 3,61% 13,25% 0,00% 2,41%
São Ludgero 1,17% 4,26% 21,63% 21,49% 23,34% 8,07% 14,35% 3,06% 2,64%
São Martinho 0,75% 12,78% 17,29% 7,89% 21,80% 8,27% 23,31% 2,26% 5,64%
Treze de Maio 0,21% 11,23% 40,78% 15,86% 10,92% 3,50% 11,53% 2,27% 3,71%
Tubarão 0,70% 2,14% 7,11% 19,19% 22,63% 10,66% 21,37% 4,13% 12,07%

Fonte: RAIS 2001.

157

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


A tabela 46 apresenta o tamanho do estabelecimento em número de empregados (%) por
faixas de empregados dos municípios da região da AMUREL em 2001. Percebe-se que
20,06% dos empregados registrados encontram-se em estabelecimentos que empregam
mais de 1000 funcionários. Os municípios de Gravatal (20,69%), Laguna (20,02%) e São
Martinho (30,45%) possuem até quatro empregados.

Tabela 46 - Tamanho do estabelecimento em número de empregados (%) por


faixas de empregados dos municípios da região da AMUREL em 2001.
De 10 a De 20 a De 50 a De 100 De 250 a De 500 1000 ou
Municípios Ate 4 De 5 a 9
19 49 99 a 249 499 a 999 mais
Armazém 13,74% 12,01% 8,46% 17,83% 16,38% 31,57% 0,00% 0,00% 0,00%
Braço do Norte 13,79% 10,90% 10,90% 15,87% 6,42% 15,97% 26,15% 0,00% 0,00%
Capivari de Baixo 10,08% 9,95% 11,39% 6,17% 6,12% 17,51% 14,31% 24,48% 0,00%
Grão para 13,37% 9,44% 8,26% 13,50% 6,55% 48,89% 0,00% 0,00% 0,00%
Gravatal 20,69% 16,35% 14,87% 11,05% 11,93% 25,11% 0,00% 0,00% 0,00%
Imaruí 18,02% 12,82% 4,16% 19,41% 0,00% 0,00% 45,58% 0,00% 0,00%
Imbituba 13,94% 13,02% 10,07% 13,53% 9,91% 7,75% 14,90% 16,87% 0,00%
Jaguaruna 16,41% 11,34% 13,23% 20,39% 9,79% 6,89% 21,94% 0,00% 0,00%
Laguna 20,02% 14,51% 12,15% 13,85% 10,86% 9,30% 0,00% 19,32% 0,00%
Orleans 14,96% 13,41% 11,72% 11,35% 10,64% 18,67% 19,24% 0,00% 0,00%
Pedras Grandes 15,00% 11,25% 20,50% 29,50% 23,75% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00%
Rio Fortuna 20,87% 14,22% 14,91% 16,06% 33,94% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00%
Sangão 7,91% 16,86% 16,31% 28,18% 12,05% 18,69% 0,00% 0,00% 0,00%
Santa Rosa de
54,22% 0,00% 0,00% 45,78% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00%
Lima
São Ludgero 7,52% 7,11% 7,42% 8,00% 7,42% 22,76% 14,80% 24,99% 0,00%
São Martinho 30,45% 12,78% 21,05% 9,77% 25,94% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00%
Treze de Maio 12,87% 7,83% 8,24% 20,80% 13,29% 36,97% 0,00% 0,00% 0,00%
Tubarão 12,60% 11,29% 13,01% 14,14% 8,68% 12,10% 5,40% 2,71% 20,06%

Fonte: adaptado da RAIS 2001.

158

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


A tabela 47 apresenta o tamanho do estabelecimento em número de estabelecimentos
(%) por faixas de empregados dos municípios da região da AMUREL em 2001.
Comparando-se as tabelas 46 e 47 têm-se algumas análises interessantes, por exemplo:
20,06% da força de trabalho de Tubarão encontram-se em empresas acima de 1000
funcionários, essa por sua vez, corresponde apenas a 0,02% dos estabelecimentos
existentes, demonstrando a concentração. Outro exemplo é o município de Jaguaruna
possui 92,22% dos estabelecimentos com até quatro empregados e empregam 16,41%
da mão de obra.

Tabela 47 - Tamanho do estabelecimento em número de estabelecimentos


(%) por faixas de empregados dos municípios da região da AMUREL em 2001.
1000
De 5 a De 10 De 20 De 50 De 100 De 250 De 500
Municípios 0 Ate 4 ou
9 a 19 a 49 a 99 a 249 a 499 a 999
mais
Armazém 69,29% 20,38% 5,43% 1,90% 1,63% 0,82% 0,54% 0,00% 0,00% 0,00%
Braço do Norte 56,68% 29,74% 7,08% 3,29% 2,14% 0,43% 0,36% 0,29% 0,00% 0,00%
Capivari de 69,51% 19,60% 5,63% 3,27% 0,73% 0,36% 0,54% 0,18% 0,18% 0,00%
Baixo
Grão para 69,57% 20,95% 4,74% 1,98% 1,19% 0,40% 1,19% 0,00% 0,00% 0,00%
Gravatal 58,99% 28,69% 6,87% 3,43% 1,21% 0,40% 0,40% 0,00% 0,00% 0,00%
Imaruí 67,52% 24,79% 4,70% 0,85% 1,71% 0,00% 0,00% 0,43% 0,00% 0,00%
Imbituba 66,45% 22,27% 6,67% 2,48% 1,35% 0,43% 0,14% 0,14% 0,07% 0,00%
Jaguaruna 72,10% 20,12% 3,66% 2,29% 1,22% 0,30% 0,15% 0,15% 0,00% 0,00%
Laguna 61,59% 27,83% 6,05% 2,48% 1,34% 0,45% 0,19% 0,00% 0,06% 0,00%
Orleans 55,49% 29,74% 8,16% 3,50% 1,65% 0,68% 0,58% 0,19% 0,00% 0,00%
Pedras 63,09% 24,16% 4,70% 4,70% 2,68% 0,67% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00%
Grandes
Rio Fortuna 60,95% 27,22% 5,92% 2,96% 1,78% 1,18% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00%
Sangão 53,82% 21,34% 13,06% 6,05% 4,14% 0,96% 0,64% 0,00% 0,00% 0,00%
Santa Rosa de 76,36% 22,73% 0,00% 0,00% 0,91% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00%
Lima
São Ludgero 57,46% 28,06% 7,13% 3,56% 1,78% 0,67% 0,89% 0,22% 0,22% 0,00%
São Martinho 62,14% 30,00% 3,57% 2,86% 0,71% 0,71% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00%
Treze de Maio 69,65% 21,09% 3,83% 1,92% 1,92% 0,64% 0,96% 0,00% 0,00% 0,00%
Tubarão 58,31% 27,16% 7,33% 4,13% 2,05% 0,55% 0,33% 0,07% 0,02% 0,05%
Total 61,06% 26,10% 6,71% 3,34% 1,77% 0,52% 0,36% 0,11% 0,03% 0,02%

Fonte: adaptado de RAIS 2001.

159

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


2.7.4 Principais Segmentos

Neste tópico são abordadas informações a respeito do Valor Adicionado, Agricultura,


Suinocultura e Turismo.

A tabela 48 apresenta o valor adicionado e a participação dos segmentos econômicos da


região da AMUREL em 2001. O setor de indústrias de transformação tem a maior
participação com 47,63% na região da AMUREL e, o segmento de Transportes
armazenagem e comunicações perfazem 9,75% da região da AMUREL.

Tabela 48 - Valor Adicionado da região da AMUREL por setores econômicos


em 2001.
Agricultura, Pecuária, Silvicultura E Exploração Florestal.
Agricultura, Pecuária e Serviços Relacionados com essas Atividades. 5.321.761,00 0,66%
Silvicultura, Exploração Florestal e Serviços Relacionados com estas 36.858,00 0,00%
Atividades.
Total 5.358.619,00 0,67%
Empresas
Serviços prestados principalmente às empresas 2.257.572,00 0,28%

Atividades de informática e conexas 305.389,00 0,04%


Aluguel de veículos, máquinas e equipamentos sem condutores ou 17.660,00 0,00%
operadores e de objetos pessoais e domésticos.

Total 2.580.621,00 0,32%


Pessoais E Domésticos
Comércio varejista e reparação de objetos pessoais e domésticos 30.949.022,00 3,86%

Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas; e 1.323.791,00 0,16%


comércio a varejo de combustíveis.

Total 32.272.813,00 4,02%

(continua)

160

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Indústrias de Transformação
Fabricação de produtos de madeira 95.131.622,00 11,85%
Fabricação de produtos de minerais não-metálicos 75.876.209,00 9,45%

Fabricação de artigos de borracha e plástico 74.462.991,00 9,28%


Metalurgia básica 54.916.377,00 6,84%
Fabricação de produtos alimentícios e bebidos 26.453.657,00 3,30%

Confecção de artigos do vestuário e acessórios 12.559.370,00 1,56%

Fabricação de produtos químicos 10.700.096,00 1,33%


Fabricação de produtos têxteis 9.294.499,00 1,16%
Fabricação de produtos do fumo 5.357.975,00 0,67%
Edição, impressão e reprodução de gravações. 4.735.805,00 0,59%

Fabricação de móveis e indústrias diversas 4.659.208,00 0,58%


Fabricação de máquinas e equipamentos 3.612.526,00 0,45%
Fabricação de material eletrônico e de aparelhos e equipamentos de 1.254.658,00 0,16%
comunicações
Fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos. 889.413,00 0,11%

Fabricação de produtos de metal - exclusive máquinas e 851.307,00 0,11%


equipamentos
Preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos de 486.949,00 0,06%
viagem e calçados.

Fabricação de máquinas para escritório e equipamentos de informática 358.152,00 0,04%

Fabricação e montagem de veículos automotores, reboques e 356.742,00 0,04%


carrocerias.
Fabricação de celulose, papel e produtos de papel. 323.931,00 0,04%

Fabricação de equipamentos de instrumentação médico-hospitalares, 110.712,00 0,01%


instrumentos de precisão e ópticos, equipamentos para automação
industrial, cronômetros e relógios.

Total 382.392.199,00 47,63%


Indústrias Extrativas
Extração de minerais não-metálicos 13.333.351,00 1,66%
Extração de petróleo e serviços correlatos 1.093.552,00 0,14%
Extração de minerais metálicos 240.925,00 0,03%
Extração de carvão mineral 49.169,00 0,01%
Total 14.716.997,00 1,83%

(continua)

161

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Outros Serviços Coletivos Pessoais e Sociais
Serviços pessoais 548.965,00 0,07%
Atividades associativas 455.746,00 0,06%
Atividades recreativas, culturais e desportivas. 10.157,00 0,00%

Limpeza urbana e esgoto; e atividades conexas. 4.813,00 0,00%

Total 1.019.681,00 0,13%


Transporte, Armazenagem e Comunicações.
Transporte terrestre 77.583.963,00 9,66%
Atividades anexas e auxiliares do transporte e agências de viagem 675.320,00 0,08%

Transporte aquaviário 38.211,00 0,00%


Total 78.297.494,00 9,75%
Outras Atividades
Alojamento e alimentação 5.616.316,00 0,70%
Construção 1.406.846,00 0,18%
Intermediação financeira, exclusive segura e previdência privada. 114.292,00 0,01%

Pesca, aqüicultura e atividades dos serviços relacionados com estas 211.866,00 0,03%
atividades.
Eletricidade, gás e água quente. 278.831.603,00 34,73%
Total 286.180.923,00 35,65%
Total Geral 802.819.347,00
Fonte: DIEF 2001 e dados primários

162

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


2.7.5 Agricultura

As principais culturas da região da AMUREL são: o arroz, a batata, o fumo, e a mandioca,


além de outras culturas anuais, com menor expressão.

A seguir serão comentados os principais produtos agrícolas da região. No entanto,


convém ressaltar que os estudos de safras estão divididos por microrregiões que
geralmente não coincidem com as regiões das associações de municípios. A maior parte
dos municípios da AMUREL está inserida na microrregião de Tubarão. A microrregião de
Tubarão é composta por todos os municípios da região de AMUREL e o município de
Garopaba.

2.7.5.1 Arroz

A produção mundial de arroz em casca veio crescendo progressivamente até 1999,


quando alcançou 610 milhões de toneladas. A partir daí, retrocedeu moderadamente,
produzindo, em 2001, 593 milhões de toneladas. Para este ano, está estimada em 587
milhões de toneladas, ou seja, menos 1% em relação a 2001 e menos 4% em relação a
1999. São dados que mantêm as tendências, já manifestadas, de declínio da produção
chinesa e de estabilização da indiana, as quais representam, juntas, metade do arroz do
planeta (Tabela 48).

Em termos de rendimento, porém, a curva tendencial muda de direção. Seu crescimento


médio esteve próximo a 11% nos 11 anos considerados. Foi declinante em apenas um
dos dez países detentores dos maiores níveis de produtividade por área (Tabela 2).

163

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Tabela 49 - Arroz em casca – quantidade produzida dos principais países –
1990/2001
ESTADO 1990 1995 2000 2001
TONELADAS
Mundo 518.166.426 546.719.453 600.638.089 592.831.326
China 191.614.680 187.297.968 189.814.060 181.514.992
Índia 111.517.408 115.440.000 129.444.000 131.900.000
Indonésia 45.178.752 49.744.140 51.898.000 50.096.000
Bangladesh 26.777.904 26.398.000 37.442.000 39.112.000
Vietnã 19.225.104 24.963.700 32.529.500 31.925.400
Mianmar 13.971.800 17.956.900 21.323.868 20.600.000
Japão 13.124.000 13.435.000 11.863.000 11.320.000
Brasil 7.420.931 11.226.064 11.089.800 10.207.200
EUA 7.080.000 7.887.000 8.657.810 9.663.560
Coréia do
Sul 7.721.968 6.387.301 7.124.773 7.316.216
EM PERCENTUAL SOBRE A PRO DUÇÃO DE 1990
Mundo - 5,5 15,9 14,4
China - (2,3) (0,9) (5,3)
Índia - 3,5 16,1 18,3
Indonésia - 10,1 14,9 10,9
Bangladesh - (1,4) 39,8 46,1
Vietnã - 29,8 69,2 66,1
Mianmar - 28,5 52,6 47,4
Japão - 2,4 (9,6) (13,7)
Brasil - 51,3 49,4 37,5
EUA - 11,4 22,3 36,5
Coréia do
(17,3) (7,7) (5,3)
Sul -

Fonte: FAO In Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

164

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Tabela 50 - Arroz em casca: rendimento dos 10 principais países –
1990/2001
1990 1995 2000 2001
( kg/ha)
Mundo 3.528,5 3.660,8 3.896,7 3.912,0
Austrália 8.838,3 8.544,1 12.089,7 9.530,8
Egito 7.266,3 8.135,6 9.102,4 8.769,2
EUA 6.197,5 6.301,0 7.039,7 7.205,5
Coréia do Sul 6.205,7 6.052,4 6.753,1 6.929,9
Japão 6.327,9 6.343,2 6.702,3 6.658,8
China 5.716,6 6.021,0 6.264,1 6.349,6
Argentina 3.670,9 5.030,6 4.779,8 5.677,8
Irã 3.778,7 4.068,3 3.689,6 4.583,3
Turquia 4.962,5 4.000,0 4.375,0 4.425,0
México 3.741,8 4.679,2 4.180,5 4.342,4

EM PERCENTUAL SOBRE O RENDIMENTO DE 1990


Mundo - 3,7 10,4 10,9
Austrália - (3,3) 36,8 7,8
Egito - 12,0 25,3 20,7
EUA - 1,7 13,6 16,3
Coréia do Sul - (2,5) 8,8 11,7
Japão - 0,2 5,9 5,2
China - 5,3 9,6 11,1
Argentina - 37,0 30,2 54,7
Irã - 7,7 (2,4) 21,3
Turquia - (19,4) (11,8) (10,8)
México - 25,1 11,7 16,1

Fonte: FAO In Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

O Mercosul, em 1997, produzia 10,7 milhões de toneladas de arroz. Alcançou seu ápice
dois anos depois, ao produzir 14,8 milhões de toneladas. Recuou a partir de 2000,
totalizando, em 2001, 12,2 milhões de toneladas – valor bem próximo ao esperado na
presente safra. A participação das produções dos países platinos neste desempenho foi
inquestionável: em 1997, o Uruguai produzia 1,02 milhão de toneladas e a Argentina, 1,2
milhão de toneladas. Em 1999, alcançaram os respectivos recordes de 1,33 e 1,66
milhão de toneladas. Em 2001, suas safras reduziram-se, respectivamente, 22% (para
1,03 milhão) e 48% (para 855,5 mil toneladas). Para o ano de 2002, prevê-se uma
produção uruguaia de 850 mil toneladas e, para a Argentina, de 680 mil toneladas. A

165

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


produção brasileira de arroz, por sua vez, vem recuando moderadamente nos últimos
anos. Em 1997, produziu 8,4 milhões de toneladas. Em 1999, praticamente se igualou à
demanda interna do País (11,7 milhões de toneladas). Encolheu para 10,2 milhões de
toneladas no passado ano agrícola. No presente ano, deve movimentar-se em direção
contrária, acrescendo 130 mil toneladas a este total (Tabela 50).

Tabela 51 - Arroz em casca – evolução da produção por país e total do


mercosul – 1997-2002
ESTADO 1997 1998 1999 2000 2001 2002 (1)
TONELADAS
Brasil 8.351.665 7.716.090 11.709.700 11.089.800 10.207.200 10.500.000
Uruguai 1.023.800 949.800 1.328.200 1.209.100 1.030.200 850.000
Argentina 1.205.140 1.011.135 1.658.200 903.630 855.480 680.000
Paraguai 141.580 80.921 128.093 101.049 102.330 100.000
Total 10.722.185 9.757.946 14.824.193 13.303.579 12.195.210 12.130.000
EM PERCENTUAL SOBRE O TOTAL
Brasil 77,9 79,1 79,0 83,4 83,7 77,9
Uruguai 9,5 9,7 9,0 9,1 8,4 9,5
Argentina 11,2 10,4 11,2 6,8 7,0 11,2
Paraguai 1,3 0,8 0,9 0,8 0,8 1,3

Fonte: FAO In Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

A produção brasileira de arroz vem evoluindo gradativamente, através de movimentos de


contração e expansão. Mesmo tendo ultrapassado dez milhões de toneladas em 1986,
drásticas quedas de produção a recolocaram em patamares inferiores, inclusive em anos
mais recentes. Mesmo assim, desde 1997 o rendimento médio nacional por área elevou-
se 25% (a produção subiu 11% e a área cultivada baixou em idêntica proporção). Este
processo de incorporação de tecnologia mostrou-se mais dinâmico em alguns estados de
produção expressiva (Mato Grosso, Santa Catarina, Pará e Mato Grosso do Sul); em
outros, do Norte e Nordeste, com pequeno e ascendente volume de produção.

A produção catarinense da safra 01/02 foi superior à imediatamente anterior em quase


3%, alcançando 917 mil toneladas. Deste total, cerca de 98,5%, ou, 903 mil toneladas,
constituiu-se de arroz irrigado.

166

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Indica uma queda de 34% da produção de arroz de sequeiro, que agora está em torno de
14 mil toneladas (LSPA/IBGE, junho/2002). Os eventos climáticos negativos ocorridos
durante o desenvolvimento biológico das plantas de sequeiro fizeram seu rendimento cair
acentuadamente, de 1,9 mil quilos por hectare na safra passada para os atuais 1,33 mil
quilos por hectare.

Tabela 52 - Arroz irrigado – produção e rendimento nas principais


microrregiões geográficas – Santa Catarina – 2000-2002
MICRORREGIÃO 2000 2001 2002 CRESCIMENTO (%)
GEOGRÁFICA (t) % SC (t) % SC (t) % SC 02/01 02/00
PRODUÇÃO
Santa Catarina 799.031 100,0 885.653 100,0 903.403 100,0 2,0 13,1
Araranguá 245.204 30,7 283.685 32,0 297.957 33,0 5,0 21,5
Joinville 132.632 16,6 147.429 16,6 149.011 16,5 1,1 12,3
Tubarão 100.684 12,6 110.410 12,5 124.070 13,7 12,4 23,2
Criciúma 93.677 11,7 98.758 11,2 91.431 10,1 (7,4) (2,4)
Rio do Sul 78.142 9,8 84.689 9,6 83.164 9,2 (1,8) 6,4
Blumenau 60.356 7,6 63.359 7,2 68.154 7,5 7,6 12,9
Itajaí 52.295 6,5 61.153 6,9 69.286 7,7 13,3 32,5
Outras MRGs 36.041 4,5 36.170 4,1 20.330 2,3 (43,8) (43,6)
RENDIMENTO
MICRORREGIÃO 2000 2001 2002 CRESCIMENTO (%)
GEOGRÁFICA (kg/ha) ÍNDICE (kg/ha) ÍNDICE (kg/ha) ÍNDICE 02/01 02/00
Santa Catarina 5.920,9 100,0 6.457,1 100,0 7.047,4 100,0 9,1 19,0
Araranguá 5.800,9 98,0 6.451,8 99,9 6.181,0 87,7 (4,2) 6,6
Joinville 7.068,1 119,4 8.045,2 124,6 7.129,0 101,2 (11,4) 0,9
Tubarão 5.918,8 100,0 6.397,4 99,1 6.970,0 98,9 9,0 17,8
Criciúma 6.103,5 103,1 6.318,5 97,9 5.927,0 84,1 (6,2) (2,9)
Rio do Sul 7.362,9 124,4 7.673,2 118,8 7.786,0 110,5 1,5 5,7
Blumenau 7.177,5 121,2 7.411,3 114,8 6.979,0 99,0 (5,8) (2,8)
Itajaí 6.630,5 112,0 6.953,2 107,7 7.475,0 106,1 7,5 12,7
Outras MRGs 2.460,3 41,6 2.676,7 41,5 5.422,8 76,9 102,6 120,4

Fonte: IBGE In Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

A produção do arroz irrigado cresceu 2% entre as duas últimas safras, mas, se


comparada com a da safra 99/00, seu crescimento foi expressivo (13%). Este resultado
deve-se ao incremento substancial da produtividade média estadual, que alcançou 7,05

167

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


mil quilos por hectare na safra 01/02. Isto significa que se elevou 19% entre esta e a safra
99/00, e 9% se comparada com a safra 00/01.

Dentre as regiões produtoras do irrigado, os maiores índices de crescimento situam-se


nas microrregiões de Tubarão e Itajaí. A primeira incrementou sua produtividade em 9%
entre as duas últimas safras; a segunda, em 7,5%. Comparando-se a última com a safra
99/00, o rendimento de Itajaí cresceu 12,5% e o de Tubarão, 18% (Tabela 52).

2.7.5.2 Batata

O total da produção brasileira de batata colhido no ciclo correspondente ao ano agrícola


00/01, considerando-se as diversas cultivadas no País, foi de aproximadamente 2.787,38
mil toneladas. A distribuição percentual da produção colhida nesta safra, segundo os
principais estados produtores, de acordo com dados do IBGE, apresentou-se conforme a
tabela 534.

Tabela 53 - Batata – Área plantada, produção e rendimento no Brasil – Safra


00/01.
Área Plantada Rendimento
Estado Produção (t)
(ha) (kg/ha)

Minas Gerais 36.561 860.472 23.535


São Paulo 32.173 741.070 23.034
Paraná 32.062 582.440 18.166
Rio Grande do Sul 37.084 384.501 10.368
Santa Catarina 10.556 128.814 12.203
Brasil 152.435 2.787.382 18.286

Fonte: IBGE In Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

4
Resumo de Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-
SC.

168

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Tabela 54 - Batata – Área plantada, produção e rendimento nas
microrregiões geográficas – SC – Safra 00/01.
Microrregião Área Produção (t) Rendimento
Geográfica Plantada (ha) (kg/ha)

Campos de Lages 2.608 29.708 11.391


Tubarão 1.865 23.156 12.416
Canoinhas 735 12.490 16.993
Criciúma 702 11.135 15.862
Tabuleiro 833 10.487 12.589
Joaçaba 580 9.679 16.688
Rio do Sul 649 6.455 9.946
Ituporanga 576 5.175 8.984
Florianópolis 396 4.646 11.732
Curitibanos 292 4.460 15.274
Outras 1.320 11.423 8.654
Santa Catarina 10.556 128.814 12.203

Fonte: IBGE In Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

2.7.5.3 Feijão

A produção mundial de feijões veio crescendo progressivamente desde princípio dos


anos 60 do século passado. Alcançou 15 milhões de toneladas ao iniciar-se a década de
80 e desde o seu final passou a oscilar em torno de 16 milhões de toneladas.5.

Nos últimos cinco anos, a evolução da produção da variada gama de feijões no mundo
mostrou minúsculo crescimento de 2%. Em relação ao ano 2000, a atual safra mundial
foi-lhe inferior nos mesmos 2%. Entre os principais países produtores, os três maiores
perderam representatividade no início do período. Com efeito, Índia, Brasil e EUA, juntos,
em 1997 eram responsáveis por 43% da produção mundial de feijão. Em 2001, passaram
a produzir 8% menos, destacando-se a contração da produção estadunidense, 26% nos
dois últimos anos, e 33,5% nos cinco anos em questão. Os demais países desse grupo,

5
Resumo de Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-
SC.

169

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


segundo a Tabela 55, - exceto a Indonésia, que estabilizou sua produção – expandiram-
na de maneira expressiva, notadamente o africano Uganda (130%), o americano Canadá
(96%) e o asiático Mianmar (57%).

Tabela 55 - Feijão – Percentual da produção no mundo e nos principais


países – 1997/2001
%sobre %sobre
País % 2000/01 % 1997/01
Total 1997 Total 2001

MUNDO 100,0 100,0 (2,2) 2,2


Índia 18,0 15,3 (2,3) (13,1)
Brasil 17,3 14,6 (19,5) (13,9)
China 8,0 9,2 (6,7) 18,0
Mianmar 5,7 8,7 14,2 56,7
México 5,9 6,6 24,6 14,0
Indonésia 5,3 5,4 - 3,4
EUA 8,1 5,3 (26,0) (33,5)
Uganda 1,3 3,0 21,7 131,2
Canadá 1,0 1,9 20,5 96,3
Demais Países 29,3 30,0 3,1 4,4

Fonte: In Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

A produção brasileira de feijão veio oscilando, no mesmo período, entre 2,2 milhões e 3,2
milhões de toneladas. No entanto, nos últimos seis anos cresceram cerca de 5,5% em
quantidade produzida e perdeu 17% de área colhida. Logo, seus níveis de produtividade
elevaram-se 27,5%. Entre os dois últimos anos agrícolas, produziu-se aproximadamente
30% mais feijão em área 22% maior. Em conseqüência, seu rendimento elevou-se 6,5%.
A primeira safra (por critério do IBGE/LSPA) do corrente ano agrícola teve maior parcela
de responsabilidade nesse desempenho. Ampliou sua produção em 39%, com relação à
quantidade produzida na primeira safra do ano agrícola 00/01, e em 20% nos seis anos
mencionados. Estes números resultaram basicamente dos incrementos de 14,5% na
produtividade e de 0,6% na área colhida no biênio; de 19% de produtividade e de 22% da
área no período maior. Estes números, não só revelaram limitações no processo de
incorporação de tecnologia à produção, como também mostraram correlação direta com
o comportamento de mercado do produto. Mas, não só. Foram matizadas ainda pelas
ocorrências climáticas no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, Minas Gerais e Goiás.

170

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Nesses dois últimos estados, condições climáticas favoráveis durante o desenvolvimento
das lavouras proporcionam expectativa de níveis elevados de produtividade, porém, o
excesso de chuvas na colheita, além de prejudicar o rendimento das plantas, afetou
bastante a qualidade do produto.

Tabela 56 - Feijão – variação da produção, área colhida e rendimento no


Brasil e principais estados – 1997-2002.

% 2002-(1997)

% 2002-(2001)
Brasil 1997

Brasil 2002
% Sobre

% sobre
Estados 1997 1998 1999 2000 2001 2002*

PRODUÇÃO (t)
Brasil 2.989.637,0 2.199.934,0 2.815.960,0 3.038.238,0 2.436.356,0 3.153.439,0 100,0 100,0 5,5 29,4
Paraná 475.458,0 494.558,0 570.289,0 473.084,0 462.675,0 619.623,0 15,9 19,6 30,3 33,9
Minas Gerais 350.762,0 338.966,0 381.215,0 407.097,0 387.596,0 482.044,0 11,7 15,3 37,4 24,4
Bahia 472.929,0 221.125,0 348.873,0 540.125,0 246.031,0 453.546,0 15,8 14,4 (4,1) 84,3
Paulo 221.100,0 254.430,0 293.600,0 237.776,0 320.887,0 283.900,0 7,4 9,0 28,4 (11,5)
Goiás 166.582,0 184.518,0 199.151,0 200.415,0 219.914,0 214.149,0 5,6 6,8 28,6 (2,6)
Ceará 133.769,0 58.056,0 189.824,0 196.696,0 117.124,0 214.068,0 4,5 6,8 60,0 82,8
Santa
226.239,0 158.284,0 210.958,0 227.923,0 164.148,0 170.000,0 7,6 5,4 (24,9) 3,6
Catarina
Rio Grande
139.796,0 119.273,0 158.363,0 146.375,0 140.381,0 145.143,0 4,7 4,6 3,8 3,4
do Sul
Subtotal 2.186.635,0 1.829.210,0 2.352.273,0 2.429.491,0 2.058.756,0 2.582.473,0 73,1 81,9 18,1 25,5
ÁREA COLHIDA (ha)
Brasil 4.826.287,0 3.324.388,0 4.148.057,0 4.332.314,0 3.280.782,0 3.992.177,0 100,0 100,0 (17,3) 21,7
Bahia 807.578,0 439.777,0 652.154,0 826.693,0 556.941,0 772.237,0 16,7 19,3 (4,4) 38,7
Ceará 393.488,0 359.202,0 576.736,0 569.777,0 510.215,0 592.504,0 8,2 14,8 50,6 16,1
Paraná 554.838,0 564.538,0 632.500,0 537.069,0 453.958,0 553.063,0 11,5 13,9 (0,3) 21,8
Minas Gerais 451.806,0 432.595,0 454.444,0 436.329,0 405.453,0 416.353,0 9,4 10,4 (7,8) 2,7
São Paulo 212.870,0 208.390,0 261.500,0 211.700,0 219.625,0 210.920,0 4,4 5,3 (0,9) (4,0)
Rio Grande
186.701,0 181.202,0 197.083,0 181.713,0 147.868,0 165.691,0 3,9 4,2 (11,3) 12,1
do Sul
Santa
237.664,0 212.204,0 240.379,0 212.799,0 143.441,0 153.000,0 4,9 3,8 (35,6) 6,7
Catarina

(continua)

171

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


RENDIMENTO (kg/ha)
Brasil 619,4 661,8 678,9 701,3 742,6 789,9 100,0 100,0 27,5 6,4
Goiás 1.611,7 1.703,2 1.384,9 1.785,0 1.532,7 1.698,8 260,2 215,1 5,4 10,8
São Paulo 1.038,7 1.220,9 1.122,8 1.123,2 1.461,1 1.346,0 167,7 170,4 29,6 (7,9)
Minas Gerais 776,4 783,6 838,9 933,0 956,0 1.157,8 125,3 146,6 49,1 21,1
Paraná 856,9 876,0 901,6 880,9 1.019,2 1.120,3 138,3 141,8 30,7 9,9
Santa Catarina 951,9 745,9 877,6 1.071,1 1.144,4 1.111,1 153,7 140,7 16,7 (2,9)
Rio Grande do
748,8 658,2 803,5 805,5 949,4 876,0 120,9 110,9 17,0 (7,7)
Sul
Bahia 585,6 502,8 535,0 653,4 441,8 587,3 94,5 74,4 0,3 33,0
Ceará 340,0 161,6 329,1 345,2 229,6 361,3 54,9 45,7 6,3 57,4

Fonte: In Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

A produção catarinense de feijão vem seguindo a mesma trajetória da produção


brasileira, tendente à redução. Tanto assim é que, desde 1997, seu volume de produção
diminuiu 24%. Conjugando-se este fato com a forte redução de área (36% em seis anos),
a produtividade cresceu quase 20%. Entre os dois últimos anos agrícolas, os excessos
climáticos trouxeram redução da área colhida e de produtividade – a primeira cresceu
apenas 6% e a segunda declinou 3,5%. Em decorrência, a quantidade produzida elevou-
se pouco menos de 3%. As dez principais regiões, que produziram 91,5% do feijão
estadual na produção de 01/02, mostraram recuo de 26% na quantidade produzida e
38% de área. Por isso, seu rendimento médio subiu quase 20%. Nos dois últimos anos
agrícolas, este mesmo rendimento baixou quase 2%, devido ao crescimento de 2% na
produção e à expansão de 4% na área (Tabela 57).

172

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Tabela 57 - Feijão total – Produção, área colhida e rendimento nas principais
microrregiões geográficas – Santa Catarina – 1997-2002.

% 2002-(1997)

% 2002-(2001)
% sobre Brasil
Brasil 1997
% Sobre
Microrregião

2002
1997 1998 1999 2000 2001 2002*
Geográfica

PRODUÇÃO (t)
Santa
226.239,0 158.284,0 210.958,0 227.923,0 166.456,0 171.870,0 100,0 100,0 (24,0) 3,3
Catarina
Curitibanos 45.585,0 31.904,0 50.327,0 46.782,0 30.126,0 33.039,0 20,1 19,2 (27,5) 9,7
Canoinhas 13.733,0 18.098,0 23.528,0 30.619,0 17.238,0 30.454,0 6,1 17,7 121,8 76,7
Campos de
27.652,0 22.424,0 26.475,0 22.996,0 24.304,0 25.511,0 12,2 14,8 (7,7) 5,0
Lages
Chapecó 69.185,0 25.663,0 40.669,0 46.157,0 27.377,0 22.474,0 30,6 13,1 (67,5) (17,9)
Joaçaba 15.433,0 11.288,0 13.163,0 17.156,0 16.856,0 14.714,0 6,8 8,6 (4,7) (12,7)
Xanxerê 9.104,0 8.162,0 11.705,0 17.259,0 11.044,0 9.195,0 4,0 5,3 1,0 (16,7)
Criciúma 5.776,0 10.289,0 10.393,0 9.325,0 7.134,0 8.940,0 2,6 5,2 54,8 25,3
Tubarão 4.296,0 5.247,0 6.704,0 6.318,0 5.188,0 5.355,0 1,9 3,1 24,7 3,2
São Miguel do
12.893,0 5.389,0 7.373,0 10.453,0 8.742,0 5.346,0 5,7 3,1 (58,5) (38,8)
Oeste
Concórdia 8.445,0 4.694,0 4.195,0 5.711,0 6.109,0 2.188,0 3,7 1,3 (74,1) (64,2)
Subtotal 212.102,0 143.158,0 194.532,0 212.776,0 154.118,0 157.216,0 93,8 91,5 (25,9) 2,0
Demais
14.137,0 15.126,0 16.426,0 15.147,0 12.338,0 14.654,0 6,2 8,5 3,7 18,8
MRGs
ÁREA COLHIDA (ha)
Santa
237.664,0 212.204,0 240.379,0 212.799,0 143.208,0 151.853,0 100,0 100,0 (36,1) 6,0
Catarina
Chapecó 83.860,0 65.843,0 74.641,0 61.268,0 31.306,0 32.122,0 35,3 21,2 (61,7) 2,6
Campos de
27.678,0 27.161,0 27.320,0 23.166,0 19.972,0 21.480,0 11,6 14,1 (22,4) 7,6
Lages
Curitibanos 34.280,0 26.333,0 34.147,0 29.767,0 21.220,0 21.205,0 14,4 14,0 (38,1) (0,1)
Canoinhas 11.452,0 15.800,0 16.495,0 18.340,0 11.650,0 18.830,0 4,8 12,4 64,4 61,6
Joaçaba 13.091,0 12.335,0 11.964,0 12.825,0 12.091,0 10.772,0 5,5 7,1 (17,7) (10,9)
São Miguel do
17.000,0 14.477,0 14.804,0 13.570,0 10.100,0 9.014,0 7,2 5,9 (47,0) (10,8)
Oeste
Criciúma 6.995,0 9.160,0 11.525,0 9.635,0 7.840,0 8.890,0 2,9 5,9 27,1 13,4
Xanxerê 11.052,0 9.608,0 12.658,0 13.508,0 7.280,0 6.616,0 4,7 4,4 (40,1) (9,1)
Tubarão 6.363,0 6.245,0 7.640,0 6.955,0 5.300,0 6.106,0 2,7 4,0 (4,0) 15,2
Concórdia 10.510,0 8.288,0 8.628,0 8.860,0 6.190,0 3.068,0 4,4 2,0 (70,8) (50,4)
Subtotal 222.281,0 195.250,0 219.822,0 197.894,0 132.949,0 138.103,0 93,5 90,9 (37,9) 3,9
Demais
15.383,0 16.954,0 20.557,0 14.905,0 10.256,0 13.750,0 6,5 9,1 (10,6) 34,1
MRGs

173

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


RENDIMENTO (kg/ha)
Santa
951,9 745,9 877,6 1.071,1 1.170,2 1.131,8 100,0 100,0 18,9 (3,3)
Catarina
Canoinhas 1.199,2 1.145,4 1.426,4 1.669,5 1.479,7 1.617,3 126,0 126,4 34,9 9,3
Curitibanos 1.329,8 1.211,6 1.473,8 1.571,6 1.419,7 1.558,1 139,7 121,3 17,2 9,7
Xanxerê 823,7 849,5 924,7 1.277,7 1.517,0 1.389,8 86,5 129,6 68,7 (8,4)
Joaçaba 1.178,9 915,1 1.100,2 1.337,7 1.394,1 1.365,9 123,8 119,1 15,9 (2,0)
Campos de
999,1 825,6 969,1 992,7 1.216,9 1.187,7 105,0 104,0 18,9 (2,4)
Lages
Criciúma 825,7 1.123,3 901,8 967,8 909,9 1.005,6 86,7 77,8 21,8 10,5
Tubarão 675,2 840,2 877,5 908,4 978,9 877,0 70,9 83,7 29,9 (10,4)
Concórdia 803,5 566,4 486,2 644,6 986,9 713,2 84,4 84,3 (11,2) (27,7)
Chapecó 825,0 389,8 544,9 753,4 874,5 699,6 86,7 74,7 (15,2) (20,0)
São Miguel do
758,4 372,2 498,0 770,3 865,5 593,1 79,7 74,0 (21,8) (31,5)
Oeste
Subtotal 954,2 733,2 885,0 1.075,2 1.159,2 1.138,4 100,2 99,1 19,3 (1,8)
Demais
919 892,2 799 1.016,20 1.203,00 1.065,70 96,5 102,8 16 -11,4
MRGs

Fonte: In Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

Estes números expressam:

ƒ Uma regularidade na produção sul do Estado. A região de Tubarão não é conhecida


como uma grande produtora de feijão, mas consegue um bom rendimento com
relação a prod/rend.

174

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


2.7.5.4 Fumo

O Brasil ocupa papel de destaque na produção e no mercado internacional de fumo. É o


terceiro produtor e primeiro exportador mundial desse produto em folha. A fumicultura
brasileira depende muito do comportamento das exportações, já que entre 60% e 70% da
produção tem como destino o mercado externo.

Tabela 58 - Fumo – Área plantada, produção e rendimento, segundo os


estados e regiões – Brasil – 1999-2001.
Área plantada (ha) Produção (t) Rendimento (kg/ha)
Estado / Região
1999 2000 2001* 1999 2000 2001* 1999 2000 2001*
Rio Grande do
151.765 145.480 148.658 306.393 294.873 298.166 2.019 2.027 2.006
Sul
Santa Catarina 105.523 96.117 93.678 204.675 188.327 178.207 1.940 1.959 1.902
Paraná 36.047 33.908 34.384 67.872 64.554 64.869 1.883 1.904 1.887
Região Sul 293.335 275.505 276.720 578.940 547.754 541.242 1.974 1.988 1.956
Alagoas 28.573 17.710 10.448 32.148 15.876 10.868 1.125 896 1.040
Bahia 12.300 10.399 10.597 9.491 8.419 8.846 772 810 835
Sergipe 3.941 3.411 1.666 6.417 5.364 1.992 1.628 1.573 1.196
Paraíba 480 373 183 387 246 130 806 660 710
Rio Grande do
170 171 - 112 115 - 659 - -
Norte
Ceara 130 125 106 105 102 97 808 816 915
Piauí 23 21 - 21 19 - 913 - -
Maranhão 29 - - 14 - - 483 - -
Pernambuco 12 10 - 3 7 - 250 - -
Região Nordeste 45.658 32.220 23.000 48.698 30.148 21.933 1.067 936 954
Minas Gerais 1.933 2.059 1.858 1.402 1.311 1.300 725 637 700
São Paulo 132 132 126 65 65 61 492 492 484
Região Sudeste 2.065 2.191 1.984 1.467 1.376 1.361 710 628 686
Acre 211 234 - 168 187 - 796 - -
Para 273 294 - 138 148 - 505 - -
Amazonas 189 189 - 114 114 - 603 - -
Região Norte 673 717 - 420 449 - 624 - -
Total 341.731 310.633 301.704 629.525 579.727 564.536 1.842 1.866 1.871

Fonte: IBGE In Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

Assim, a produção nacional tem variado para mais ou para menos dependendo,
sobretudo, das condições do mercado internacional. Nos últimos anos, como o Brasil
175

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


ampliou o seu espaço no mercado internacional, a produção brasileira tem sido
crescente.

Tabela 59 - Fumo – Área plantada, produção e rendimento, segundo as meso


e microrregiões geográficas – Santa Catarina – 1999/2001.
Microrregião Área plantada (ha) Produção (t) Rendimento (kg/ha)
Mesorregião 1999 2000 2001* 1999 2000 2001* 1999 2000 2001*
São Miguel do Oeste 10.351 9.569 9.330 18.356 17.245 17.348 1.773 1.802 1.859
Chapecó 10.562 10.465 9.875 18.493 18.782 18.386 1.751 1.795 1.862
Xanxerê 1.029 1.088 1.149 1.861 1.970 2.194 1.809 1.811 1.909
Joaçaba 835 878 751 1.482 1.602 1.340 1.775 1.825 1.784
Concórdia 706 649 513 1.293 1.201 954 1.831 1.851 1.860
Oeste Catarinense 23.483 22.649 21.618 41.485 40.800 40.222 1.767 1.801 1.861
Canoinhas 17.268 16.882 16.901 33.926 33.985 31.853 1.965 2.013 1.885
São Bento do Sul 460 632 517 942 1.239 1.003 2.048 1.960 1.940
Joinville 102 64 42 209 129 81 2.049 2.016 1.929
Norte Catarinense 17.830 17.578 17.460 35.077 35.353 32.937 1.967 2.011 1.886
Curitibanos 601 613 575 1.080 1.118 1.064 1.797 1.824 1.850
Campos de Lages 1.029 1.020 872 2.033 2.039 1.671 1.976 1.999 1.916
Serrana 1.630 1.633 1.447 3.113 3.157 2.735 1.910 1.933 1.890
Rio do Sul 16.801 15.344 15.077 33.005 30.129 28.965 1.964 1.964 1.921
Blumenau 1.117 997 1.048 2.289 2.029 2.068 2.049 2.035 1.973
Itajaí 22 - 6 45 - 10 2.045 - 1.667
Ituporanga 8.288 8.056 8.021 16.720 16.142 15.193 2.017 2.004 1.894
Vale do Itajaí 26.228 24.397 24.152 52.059 48.300 46.236 1.985 1.980 1.914
Tijucas 3.087 2.677 2.684 6.192 5.366 4.973 2.006 2.004 1.853
Florianópolis 17 21 15 32 40 29 1.882 1.905 1.933
Tabuleiro 592 545 573 1.192 1.104 1.084 2.014 2.026 1.892
Grande Florianópolis 3.696 3.243 3.272 7.416 6.510 6.086 2.006 2.007 1.860
Tubarão 9.975 8.699 7.715 19.924 17.791 14.860 1.997 2.045 1.926
Criciúma 8.185 6.677 6.365 16.611 13.575 12.381 2.029 2.033 1.945
Araranguá 14.496 11.241 11.649 28.990 22.841 22.750 2.000 2.032 1.953
Sul Catarinense 32.656 26.617 25.729 65.525 54.207 49.991 2.007 2.037 1.943
Santa Catarina 105.523 96.117 93.678 204.675 188.327 178.207 1.940 1.959 1.902

Fonte: IBGE In Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

Essa maior participação brasileira é decorrente, principalmente, dos seguintes fatores:


sensíveis reduções na produção e nos estoques mundiais; perda de competitividade das
exportações dos Estados Unidos e do Zimbábue; agressividade das indústrias brasileiras

176

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


no mercado internacional; competitividade do preço e da qualidade do fumo nacional em
relação aos de outros importantes exportadores mundiais. A produção brasileira de fumo
praticamente se confunde com a da Região Sul, que responde por mais de 95% do total
nacional. Em Santa Catarina, o setor fumageiro ganha cada vez maior importância
econômica e social. Na safra 01/02, pouco menos de 52 mil produtores plantaram fumo
no estado, tendo nesta atividade uma das suas principais fontes de renda. O estado é o
segundo produtor nacional, com cerca de 33% da produção brasileira6.

2.7.5.5 Mandioca

A mandioca é cultivada em mais de 90 países, exercendo forte função social,


principalmente junto às famílias de baixo poder aquisitivo. Assim, alimenta mais de meio
milhão de pessoas no mundo inteiro. Segundo a FAO, o consumo global per capita é de
aproximadamente 18 kg/hab/ano. A mesma fonte mostra que a estrutura de consumo
está basicamente voltada para a agricultura familiar, com 58% da produção destinada ao
consumo humano in natura, 27% para o animal e apenas 15% para o industrial.

Na safra 00/01, a produção mundial de raiz foi de quase 179 milhões de toneladas, nu-
ma área colhida de 17 milhões de hectares, conforme tabela 60.

A Tailândia destaca-se nas vendas de farinha e de amido natural no mercado


internacional, com participação de 92% e 86%, respectivamente, em relação ao volume
total comercializado.

Os países que mais importaram farinha de mandioca foram a Nigéria (representando uma
fatia de 46,6% do volume total adquirido) e Singapura (com 29,8% das compras totais
efetivadas). Por outro lado, a China (com 42,3%), a Indonésia (19,9%), o Japão (11,2%) e
a Malásia (9,5%) foram os maiores compradores de amido de mandioca.

6
Resumo de Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-
SC.

177

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Tabela 60 - Mandioca – área colhida e produção – mundial e nos principais
países – 1999-2001
ÁREA COLHIDA (1.000 ha) PRODUÇÃO (1.000 t)
PAÍS
1999 2000 2001 1999 2000 2001
Mundo 16.641 17.032 17.024 171.918 176.784 178.868
China 235 235 240 3.751 3.801 3.851
Brasil 1.571 1.722 1.656 20.864 23.336 22.479
Rep. Dem. 2.034 1.967 1.902
Congo 16.500 15.959 15.436
Gana 640 600 600 7.845 8.107 8.512
Índia 268 270 270 6.700 7.000 7.000
Indonésia 1.350 1.284 1.280 16.438 16.089 16.158
Moçambique 958 926 926 5.353 5.362 5.362
Nigéria 3.072 3.135 3.135 32.697 33.854 33.854
Tailândia 1.065 1.131 1.150 16.507 19.064 18.283
Tanzânia 656 848 761 7.181 5.758 5.650
Outros países 4.792 4.914 5.104 38.082 38.454 42.283

Fonte: FAO In Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

As estimativas do IBGE referentes à safra nacional eram, em abril, de uma área de


mandioca a ser colhida de 1.645 mil hectares e produção de 22.888 mil toneladas. Estes
números, comparados com os da safra passada, mostram-se praticamente inalterados.

Em alguns estados, a atividade de colheita de mandioca está apenas começando.


Entretanto, nos estados produtores localizados nas Regiões Centro e Sul, esses serviços
encontram-se em plena atividade.

As dificuldades de comercialização para os produtos e subprodutos da farinha


prosseguem nos estados produtores nas Regiões Centro-Oeste e Sul durante o primeiro
semestre deste ano, influindo nos preços do produto. Estes, embora estejam com
tendência de queda no final do mês de junho e início de julho, se situarão acima dos
níveis do mesmo período do ano passado.

Este quadro, entretanto, deverá persistir ainda no terceiro trimestre de 2002, pois, à
medida que se intensificam as atividades de colheita nos estados produtores, provocarão
excesso de produção e, conseqüentemente, continuarão mantendo os preços desses

178

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


produtos estáveis, podendo refletir-se negativamente nos valores pagos pela matéria-
prima.

Em Santa Catarina, em 2001, o mercado da farinha grossa conviveu com a forte


concorrência do produto paranaense, que, devido à sensível diminuição nos negócios
pelos estados nordestinos, buscou outros centros consumidores do País.

Tabela 61 - Raiz de mandioca – área colhida e produção nas microrregiões


geográficas de Santa Catarina – 1999-2001
MICRORREGIÃO ÁREA COLHIDA PRODUÇÃO
1999 1999 2001
GEOGRÁFICA (ha) 2000 2001 (t) 2000
Santa Catarina 35.211 38.544 37.983 632.547 691.996 708.950
Araranguá 2.845 3.965 3.945 42.010 58.680 53.870
Blumenau 2.289 2.582 3.224 42.652 47.605 59.792
Campos de Lages 92 92 92 970 1.062 1.063
Canoinhas 737 697 517 11.605 10.755 7.875
Chapecó 4.663 4.782 4.957 72.692 81.399 87.451
Concórdia 1.706 1.498 1.511 30.294 25.859 25.849
Criciúma 1.010 1.210 780 17.020 20.260 13.890
Curitibanos 56 106 41 753 1.428 573
Florianópolis 1.447 1.447 1.387 21.275 24.260 22.800
Itajaí 457 489 413 6.825 6.986 6.159
Ituporanga 1.700 1.225 1.585 32.150 24.750 37.350
Joaçaba 335 505 319 5.344 8.009 5.028
Joinville 1.406 1.433 1.406 25.185 25.327 26.575
Rio do Sul 4.175 4.715 4.845 85.715 100.995 110.160
São Bento do Sul 90 50 70 1.395 775 1.075
São Miguel do Oeste 2.580 2.580 2.947 57.725 58.325 69.465
Tabuleiro 570 900 900 14.650 23.550 23.550
Tijucas 1.055 1.270 1.290 19.350 23.370 23.760
Tubarão 7.565 8.589 7.315 139.210 143.111 126.595
Xanxerê 433 409 439 5.727 5.490 6.070

Fonte: IBGE In Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

As estimativas do IBGE/GCEA-SC, de abril, apresentavam uma variação negativa da


safra atual em relação à safra 00/01: área plantada de 33 mil hectares (-13,1%) e
produção esperada de 600 mil toneladas (-14,6%), conforme a tabela 61. Este

179

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


comportamento de queda foi ocasionado pela falta de estímulo ao produtor (baixos
preços da raiz e derivados), forçando-o a buscar alternativas de renda em outras culturas
(fumo, milho, feijão e cebola).

As atividades de colheita nas duas maiores regiões produtoras, Sul Catarinense e Alto
Vale do Itajaí, este ano, excepcionalmente iniciaram no mês de abril. A comercialização
da matéria-prima continuou até o final de agosto. O aumento gradativo da produção dos
derivados da mandioca nos meses de junho e julho, as limitações nas vendas e a
conseqüente formação de estoques torna mais competitivo o mercado da farinha, fécula
e polvilho azedo, possibilitando alguma conquista de espaço no volume comercializado
por quem tem mais tradição, além de criatividade, melhor preço e qualidade.

O produtor catarinense está se acostumando a conviver com um mercado pouco


comprador e de preços estáveis, praticamente inalterados nos meses deste ano, embora
se tenham apresentado em níveis relativamente acima dos custos de produção, dando
aos segmentos produtivos e de transformação algumas esperanças de uma possível
reação após o encerramento da safra, ao final de agosto.

As perspectivas para o setor mandioqueiro nacional são de que, até o final do ano, o
produtor continuará convivendo com as poucas opções de venda, principalmente para as
farinhas. As agroindústrias paranaenses, que concentram as maiores produções
nacionais, continuarão operando abaixo da capacidade instalada.

2.7.5.6 Milho

A produção mundial de milho da safra 00/01 situou-se em 586,1 milhões de toneladas,


patamar 3,4% menor que o da safra 99/00 (606,7 milhões). Este decréscimo só não foi
maior porque o forte recuo da produção chinesa (de 128,1 milhões para 106,0 milhões de
toneladas) foi compensado pela recuperação da produção norte-americana e pela boa
safra do Brasil.

Na safra 00/01, a produção de milho do Mercosul situou-se em 58,1 milhões de


toneladas, apresentando um crescimento de 16,2% em relação à anterior (50 milhões). O
recuo da produção da Argentina (de 17,2 milhões para 15,4 milhões de toneladas) foi

180

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


compensada com sobra pelo incremento da produção brasileira, que avançou de 31,64
milhões para 41,54 milhões de toneladas. Para a safra 01/02, as últimas projeções
apontavam para uma produção regional em torno de 50 milhões de toneladas. O forte
recuo decorre da diminuição da produção da Argentina para apenas 13 milhões de
toneladas e a do Brasil, para apenas 36 milhões de toneladas.

Tabela 62 - Milho – Oferta / Demanda – Brasil – Safras 98/99 – 01/02 –mil/t


Safras
Discriminação
98/99 99/00 00/01 01/02*
Estoque Inicial 6.494,2 4.676,9 3.534,8 3.464,9
Produção 32.393,4 31.640,9 41.535,2 36.015,7
Importação 796,9 1.759,2 548,1 600,0
Consumo 35.000,0 34.480,0 36.235,5 36.000,0
Exportação 7,7 62,1 5.917,8 1.500,0
Estoque Final 4.676,9 3.534,8 3.464,9 2.580,6

Fonte: CONAB (maio 2002) In Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA,
Florianópolis-SC.

A produção brasileira de milho na safra 00/01 situou-se em 41,5 milhões de toneladas.


Este volume representou um avanço de 31,3% em relação aos 31,6 milhões de toneladas
colhidos na anterior. Tal resultado se deveu ao aumento da área semeada e à excelente
produtividade registrada na primeira safra do Centro-Sul, afora a boa performance da
safrinha, cuja produção alcançou 6,3 milhões de toneladas. O Paraná, com 29% do total
permaneceu como o principal produtor, seguido, em importância, pelo Rio Grande do Sul,
Goiás, Minas Gerais e Santa Catarina.

181

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Tabela 63 - Milho – Oferta / Demanda – Santa Catarina – 1999-2002 – mil/t
Anos
Discriminação
1999 2000 2001 2002
I – consumo 4.056,0 4.374,6 4.591,1 4.749,8
1 - humano 85,0 85,0 85,0 85,0
2 - animal 3.917,8 4.235,7 4.452,1 4.610,8
• suínos 1.928,6 1.992,0 2.062,6 2.116,3
• aves 1.851,6 2.123,7 2.269,5 2.388,0
• outros 120,0 120,0 120,0 120,0
3 - indústrias/outros 54,0 54,0 54,0 54,0
II - perdas 135,0 162,0 195,0 100,0
III - necessidade total 4.191,8 4.536,7 4.786,1 4.849,8
IV - produção(1) 2.770,0 3.455,0 4.000,0 3.250,0
V - déficit 1.421,8 1.081,7 786,1 1.599,8

Fonte: Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

A safra catarinense apresentou excelente desempenho. O aumento de 8,5% na área


plantada, o clima favorável e o melhor uso de tecnologia possibilitaram um incremento de
16% em relação à já boa produção, obtida em 99/00. O incremento do plantio decorreu
tanto do bom desempenho da comercialização em 2000, quanto do incentivo
proporcionado pelo Programa de Auto-Suficiência de Milho, com destaque para a
distribuição de sementes e de calcário. Por outro lado, o bom desempenho do clima e o
maior uso de insumos permitiram que o rendimento médio das lavouras atingisse 4.404
kg/ha, ou seja, apresentasse um incremento de quase 7% em relação ao obtido na safra
99/00 (4.120 kg/ha). O crescimento da produção repercutiu favoravelmente sobre o
quadro da oferta/demanda catarinense. Apesar do continuado avanço do consumo, o
déficit estadual, que já havia caído de 1,42 milhão de toneladas em 99 para 1,04 milhão
em 2.000, recuou para pouco menos de 800 mil toneladas em 20017.

A Tabela 63 apresenta área plantada, a produção e rendimento de milho das


microrregiões de Joaçaba e Curitibanos, comparada com as demais do Estado de Santa

7
Resumo de Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-
SC.

182

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Catarina. Percebe-se que as duas microrregiões encontram-se entre as principais do
estado.

Tabela 64 - Milho – área plantada, produção e rendimento por microrregião


geográfica – Santa Catarina – Safras – 99/00-01/02.
Área plantada (ha) Produção (t) Rendimento (kg/ha)
Microrregião
Geográfica 01/02
99/00 00/01 01/02 (1) 99/01 00/02 01/02 (1) 99/01 00/02
(1)
São M. do
119.100 126.700 124.140 439.331 500.688 305.200 3.688 3.952 2.457
Oeste
Chapecó 193.690 217.120 201.430 773.611 904.805 690.000 3.994 4.167 3.426
Xanxerê 82.850 96.100 79.650 403.298 512.810 383.000 4.867 5.336 4.809
Joaçaba 82.430 86.130 85.930 358.415 395.506 274.980 4.348 4.592 3.200
Concórdia 79.060 78.810 78.330 285.871 323.116 242.820 3.615 4.100 3.100
Canoinhas 70.700 80.900 72.900 384.300 458.796 455.340 5.435 5.671 6.246
São Bento do
7.800 7.840 7.940 34.020 36.588 45.676 4.361 4.667 5.753
Sul
Joinville 1.638 1.581 1.484 6.279 5.577 5.283 3.833 3.528 3.560
Curitibanos 49.170 56.980 50.300 235.081 292.449 259.982 4.780 5.132 5.169
Campos de
44.440 46.740 45.290 131.570 143.295 132.892 2.960 3.066 2.934
Lages
Rio do Sul 29.105 29.090 27.085 110.601 120.174 111.939 3.800 4.131 4.133
Blumenau 6.707 6.770 5.373 18.877 19.642 15.912 2.815 2.901 2.961
Itajaí 470 348 60 1.253 888 149 2.665 2.552 2.483
Ituporanga 17.750 18.700 17.200 80.850 84.564 76.280 4.554 4.522 4.435
Tijucas 4.520 4.910 3.690 15.141 16.606 13.592 3.350 3.382 3.683
Florianópolis 1.385 1.437 1.535 4.599 4.798 5.139 3.320 3.333 3.348
Tabuleiro 5.600 5.600 5.580 18.010 19.620 22.984 3.216 3.504 4.119
Tubarão 11.595 11.796 11.630 41.452 43.895 44.970 3.575 3.721 3.867
Criciúma 8.300 9.280 8.382 32.076 35.793 36.900 3.864 3.857 4.402
Araranguá 9.700 9.280 6.480 28.630 27.269 18.796 2.952 2.983 2.900
Santa
826.010 896.112 834.409 3.403.265 3.946.870 3.141.789 4.120 4.404 3.765
Catarina

Fonte: IBGE In Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

183

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


2.7.5.7 Tomate

O tomate é uma das mais importantes hortaliças cultivadas no mundo, sendo a segunda
em volume de produção, superada apenas pela quantidade produzida de batatas. A
produção mundial em 2001 totalizou 100,3 milhões de toneladas, numa área plantada de
3.745.229 hectares, segundo relatório da FAO divulgado em maio último. A cultura do
tomateiro em Santa Catarina se destaca como a terceira ocupação hortícola; é atividade
de pequenos e médios produtores rurais e envolve, segundo o Censo Agropecuário de
1995, do IBGE, cerca de 10.700 agricultores. A produção estadual, em 2001, teve
aumentado sua participação na oferta nacional, sendo o sexto maior produtor, apesar de
ser a sétima maior área plantada. O volume produzido foi 8,5% maior que o obtido no ano
2000, embora a área plantada tenha evoluído somente 3,6%. Isto significou um aumento
no rendimento médio das lavouras, em torno de 3,5%, resultado do aumento do uso da
tecnologia disponível observado nas regiões produtoras do estado. A atividade está se
tornando importante, fazendo com que, em maior ou menor escala, o plantio comercial
seja adotado em todas as regiões. Os destaques na produção estadual, como se pode
observar na tabela 65, foram às microrregiões de Joaçaba, Tabuleiro e Florianópolis;
juntas, produziram 69% do total estadual.

184

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Tabela 65 - Tomate – Área plantada, produção e rendimento nas
microrregiões geográficas de Santa Catarina – 2000-2001.
Microrregião Área plantada (ha) Produção (t) Rendimento (kg/ha)
Geográfica 2000 2001 2000 2001 2000 2001
Blumenau 85 87 2.585 3.385 30.412 38.908
Campos de Lages 152 170 6.848 9.334 45.053 54.906
Canoinhas 55 55 3.315 4.060 60.273 73.818
Chapecó 34 34 1.825 1.492 53.676 43.882
Concórdia 13 13 571 621 43.923 47.769
Criciúma 35 27 825 955 23.571 35.370
Curitibanos 50 55 1.850 2.200 37.000 40.000
Florianópolis 536 533 22.802 26.350 2.541 49.437
Itajaí 18 16 670 680 7.222 42.500
Ituporanga 68 70 3.039 4.051 44.691 57.871
Joaçaba 624 799 37.515 38.015 60.120 47.578
Joinville 54 26 1.718 948 1.815 36.462
Rio do Sul 40 40 1.685 1.900 2.125 47.500
São Bento do Sul 17 17 680 680 40.000 40.000
Tabuleiro 510 480 20.780 22.300 40.745 46.458
Tijucas 93 81 3.660 3.220 9.355 39.753
Tubarão 135 110 4.970 5.010 36.815 45.545
Xanxerê 1 0 64 0 64.000 0
TOTAL 2.435 2.526 112.817 121.816 46.331 48.225

Fonte: In Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

185

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


2.7.6 Leite

A produção mundial de leite continua em crescimento. Segundo o Departamento de


Agricultura dos Estados Unidos (Usda), a produção dos principais produtores mundiais,
que respondem por pouco menos de 80% dos 480 milhões de toneladas métricas
produzidos mundialmente, deve chegar, em 2002, aos 382,59 milhões de toneladas,
contra 378,53 milhões em 2001. Ao contrário do que se esperava alguns anos atrás, não
se confirma à tendência de decréscimo na produção dos dois principais produtores
mundiais, União Européia (UE) e Estados Unidos (EUA), que respondem por quase 40%
do total mundial. No caso dos EUA, pelo contrário, embora em 2001 a produção tenha
sido menor que a de 2000, verifica-se um crescimento de quase 9% de 1997 até 2002. A
União Européia apresenta produção praticamente estabilizada no período, o que
significa, que os problemas sanitários ocorridos em parte do rebanho dos países da
comunidade, não repercutiram sobre a produção total de leite.

186

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Tabela 66 - Produção de Leite de Vaca de alguns países selecionados – 1997-
2002 (1.000t métricas)
1997 1998 1999 2000 2001 2002
América do Norte
Canadá 8.100 8.200 8.164 8.159 8.250 8.250
México 7.850 8.366 8.877 9.305 9.485 9.675
Estados Unidos 70.802 71.373 73.807 76.049 75.075 77.050
Subtotal 86.752 87.939 90.848 93.513 92.810 94.975
América do Sul
Argentina 9.060 9.450 10.300 9.800 9.600 9.200
Brasil 20.600 21.630 21.700 22.134 22.580 23.260
Chile 2.112 2.142 2.130 2.060 2.100 2.120
Peru 850 998 1.050 1.100 1.100 1.115
Venezuela 1.150 1.239 1.312 1.300 1.300 1.300
Subtotal 33.772 35.459 36.492 36.394 36.680 36.995
União Européia
Dinamarca 4.633 4.668 4.656 4.719 4.660 4.600
França 24.893 24.793 24.892 24.874 24.875 24.875
Alemanha 28.702 28.378 28.400 28.332 27.886 27.666
Irlanda 5.547 5.370 5.408 5.408 5.416 5.470
Itália 10.818 10.736 10.444 10.400 10.600 10.700
Países 10.922 11.000 11.174 11.155 11.200 10.500
Espanha 5.700 5.600 5.844 6.294 6.600 6.650
Suécia 3.303 3.331 3.299 3.300 3.300 3.300
Reino Unido 14.841 14.640 15.021 14.489 14.350 14.450
Subtotal 109.359 108.516 109.138 108.971 108.887 108.211
Leste Europeu
Polônia 11.980 12.500 12.068 11.800 12.000 12.200
Romênia 5.390 5.160 5.165 5.100 5.020 5.150
Subtotal 17.370 17.660 17.233 16.900 17.020 17.350
Antiga União Soviética
Rússia 34.100 33.000 32.000 31.900 32.100 33.000
Ucrânia 13.650 13.800 13.140 12.400 13.100 13.300
Subtotal 47.750 46.800 45.140 44.300 45.200 46.300
Sul da Ásia
Índia 34.500 35.500 36.000 36.250 36.400 36.500

187

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Subtotal 34.500 35.500 36.000 36.250 36.400 36.500
Ásia
China 6.674 6.620 7.176 8.274 8.660 9.067
Japão 8.642 8.573 8.457 8.497 8.300 8.170
Subtotal 15.316 15.193 15.633 16.771 16.960 17.237
Oceania
Austrália 9.274 9.722 10.483 11.172 10.865 11.038
Nova 11.500 11.640 11.070 12.835 13.705 13.980
Subtotal 20.774 21.362 21.553 24.007 24.570 25.018
TOTAL 365.593 368.429 372.037 377.106 378.527 382.586

Fonte: USDA in Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

A produção brasileira também continua em crescimento, especialmente a recebida pelas


indústrias. Segundo os números do IBGE, em 2001, o volume de leite comercializado
para as indústrias inspecionadas cresceu 9,6% em relação ao ano de 2000. Em alguns
estados, os incrementos foram bem superiores aos deste percentual nacional. A
produção brasileira total de 2001 é estimada em pouco mais de 21 bilhões de litros. Em
relação às importações, o ano de 2001 foi de grandes mudanças. A redução nos preços
internos do leite e derivados, a firmeza da taxa de câmbio, a elevação dos preços
internacionais de alguns lácteos e as medidas adotadas pelo governo contra as
importações de alguns países, inclusive do Mercosul, fizeram com que, as importações
brasileiras, descessem a patamares bem inferiores aos dos últimos anos.

188

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Tabela 67 - Produção brasileira segundo os estados – 1985/2000 (mil litros)
Estado / Ano 1985 1995/96 1996 1997 1998 1999 2000
Minas Gerais 3.772.411 5.499.862 5.601.112 5.602.015 5.688.011 5.801.063 5.865.486
Goiás 1.055.295 1.830.057 1.999.398 1.868.976 1.978.579 2.066.404 2.193.799
Rio Grande do
1.280.804 1.885.640 1.860.984 1.913.124 1.914.556 1.974.662 2.102.018
Sul
São Paulo 1.810.408 1.847.069 1.985.388 2.003.165 1.981.966 1.913.499 1.861.425
Paraná 919.892 1.355.487 1.514.481 1.579.837 1.625.226 1.724.917 1.799.240
Santa Catarina 603.704 869.419 866.064 852.169 870.809 906.540 1.003.098
Bahia 648.995 633.339 660.302 688.475 682.503 672.394 724.897
Rio de Janeiro 424.191 434.719 432.019 451.223 455.144 457.736 468.752
Mato Grosso do
268.014 385.526 407.069 414.947 426.896 409.044 427.261
Sul
Mato Grosso 122.917 375.426 375.397 380.517 406.374 411.390 422.743
Rondônia 47.279 343.069 317.250 335.913 371.975 408.749 422.255
Pará 122.660 287.217 237.899 290.210 311.315 311.162 380.319
Espírito Santo 281.412 308.002 319.677 339.339 340.075 367.903 378.068
Ceará 354.021 384.836 390.384 387.990 313.297 325.267 331.873
Pernambuco 308.419 406.606 421.987 357.853 285.827 266.171 292.130
Alagoas 110.022 188.172 223.266 301.614 244.928 214.813 217.887
Tocantins 88.501 144.921 144.150 138.083 140.318 152.726 156.018
Maranhão 97.559 139.451 139.371 138.961 137.548 142.596 149.976
Rio Grande do
140.735 158.815 159.591 161.629 129.904 129.165 144.927
Norte
Sergipe 92.933 134.392 134.806 127.228 118.022 122.424 115.142
Paraíba 172.938 154.923 150.189 149.802 86.863 95.684 105.843
Piauí 62.336 73.459 75.110 75.504 71.062 73.302 76.555
Acre 18.146 32.538 31.356 31.831 32.850 36.625 40.804
Amazonas 19.325 27.005 27.004 32.487 35.436 36.054 36.680
Distrito Federal 14.986 19.716 28.000 30.749 32.889 36.683 36.318
Roraima 7.426 9.534 10.659 9.523 8.816 10.000 9.958
Amapá 1.089 2.049 2.468 2.832 2.713 3.062 3.735
Brasil 12.846.418 17.931.249 18.515.390 18.666.010 18.693.914 19.070.048 19.767.206

Fonte: IBGE in Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

189

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


A exemplo do que ocorreu no País, a produção catarinense apresentou expressivo
crescimento em 2001. Estima-se que o volume de leite recebido pelas indústrias
catarinenses com inspeção tenha atingido cerca de 720 milhões de litros, um crescimento
de 25% em relação aos 575,51 milhões de 2000. A produção total do estado em 2001 é
estimada em 1,053 bilhão de litros.

Tabela 68 - Leite – Produção segundo as micros e mesorregiões geográficas –


Santa Catarina – 1985/200 (mil litros)
Micro e Mesorregião 1985 1995/96 1996 1997 1998 1999 2000
Chapecó 75.139 145.240 144.957 129.259 122.642 128.861 167.552
Concórdia 50.351 90.351 90.351 93.113 94.282 99.737 103.500
Joaçaba 60.603 83.293 83.392 85.556 88.046 90.085 93.362
São Miguel do Oeste 61.030 128.612 125.014 131.120 142.955 159.157 174.002
Xanxerê 23.370 37.655 38.535 33.946 36.668 39.064 64.391
Oeste Catarinense 270.493 485.151 482.249 472.994 484.593 516.904 602.807
Canoinhas 21.609 46.422 45.099 47.640 44.675 43.396 46.320
Joinville 32.659 22.900 23.265 23.786 22.853 23.171 22.512
São 4.401 4.903 5.180 5.150 5.150 5.141 5.219
Norte Catarinense 58.669 74.225 73.544 76.576 72.678 71.708 74.051
Florianópolis 6.767 6.392 6.391 6.533 7.069 7.933 7.935
Tabuleiro 9.219 12.436 12.436 10.649 13.127 13.353 15.196
Tijucas 9.509 9.315 9.315 7.480 7.766 8.055 9.303
Grande Florianópolis 25.495 28.143 28.142 24.662 27.962 29.341 32.434
Campos de Lages 34.315 36.567 36.422 36.686 39.164 40.172 40.505
Curitibanos 12.838 14.708 14.708 14.924 14.826 14.700 13.666
Serrana 47.153 51.275 51.130 51.610 53.990 54.872 54.171
Araranguá 14.526 14.778 14.767 14.647 14.596 12.081 11.585
Criciúma 14.781 18.004 18.228 17.518 16.663 16.380 17.629
Tubarão 32.866 48.245 48.390 49.014 49.267 49.466 50.279
Sul Catarinense 62.173 81.027 81.385 81.179 80.526 77.927 79.493
Blumenau 48.995 38.971 38.972 39.620 40.784 41.223 40.701
Itajaí 5.908 6.737 6.749 6.824 7.868 8.832 8.870
Ituporanga 18.879 22.964 22.964 21.379 23.922 24.946 26.205
Rio do Sul 65.939 80.925 80.925 77.320 78.479 80.779 84.365
Vale do Itajaí 139.721 149.597 149.610 145.143 151.053 155.780 160.141
TOTAL DO ESTADO 603.704 869.418 866.064 852.169 870.809 906.540 1.003.098

190

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Fonte: IBGE in Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

A produção brasileira e a catarinense, por sua vez, tanto para o ano de 2002 como para o
futuro próximo, dificilmente deixarão de seguir a tendência de crescimento verificada nos
últimos anos. O que pode sofrer alteração é a taxa de crescimento, de acordo com os
momentos mais ou menos satisfatórios para a produção e, certamente, com a distribuição
geográfica da produção.

2.7.7 Mel

A produção mundial de mel, segundo a FAO, é de cerca de 1,3 milhão de toneladas,


gerando um valor bruto anual de um 1,8 bilhão de dólares. No entanto, à medida que se
agregam as transações oriundas dos derivados, tais como geléia real, pólen, polinização,
dentre outros, este montante sobe substancialmente. Parte expressiva da produção está
concentrada na Turquia, Ucrânia, México, Índia e Ucrânia, responsáveis por mais da
metade (54%), do volume físico total mundial (Tabela 56). A mesma fonte, informa que
em 2000 foram exportadas, mundialmente, cerca de 370 mil toneladas de mel in natura
nos principais centros consumidores mundiais, representando um montante de 436
milhões de dólares.

No Brasil, com a expansão da apicultura nas Regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste


tornaram-se possível aumentar as produções nacionais de mel, passando do 17º lugar no
ranking mundial na década de 70, para o 14º lugar na década de 90.

Nos anos mais recentes, o número nacional de colméias e de apiários cresceu, em


média, 5% ao ano, embora a atividade no Brasil tenha perdido espaço no ranking
mundial, provavelmente pela pouca importância dada ao setor e pela limitação do
trabalho de parcerias entre os diversos agentes do setor, tornando os produtos e
subprodutos mais competitivos, conciliando competência, qualidade, preços e
investimentos (em inovação do processo, marketing e recursos humanos).

191

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Tabela 69 - Mel – Quantidade total produzida no mundo e nos principais
países – 1997 – 2001 (t)
PAÍS 1997 1998 1999 2000 2001
Mundo 1.157.096 1.188.473 1.234.086 1.265.494 1.262.812
Angola 23.000 22.000 22.000 23.000 23.000
Alemanha 15.069 16.306 20.286 20.409 18.000
Argentina 75.000 75.000 93.000 98.000 90.000
Austrália 27.044 22.021 18.852 18.852 18.852
Brasil 19.062 18.308 19.751 21.865 20.000
Canadá 31.010 46.080 37.010 31.460 31.733
China 215.138 210.691 236.283 251.839 256.000
Espanha 31.544 32.700 32.000 32.000 32.000
Estados Unidos 89.147 99.930 94.000 100.243 100.243
Etiópia 27.600 28.000 28.500 29.000 29.000
França 15.797 17.212 18.097 18.000 18.000
Índia 51.000 51.000 51.000 52.000 52.000
Quênia 24.500 24.700 24.800 24.940 24.940
México 53.681 55.297 55.323 58.935 55.783
Tanzânia 24.500 25.000 25.500 26.000 26.000
Turquia 63.319 67.490 71.000 71.000 71.000
Ucrânia 58.062 58.899 55.451 52.439 52.000

Fonte: FAO in Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

A atividade apícola nacional contribui ativamente na geração de benefícios econômicos e


sociais, proporcionando a geração de mais de meio milhão de empregos diretos,
principalmente nos serviços de manutenção dos apiários, na produção de equipamentos
e no manejo dos produtos de mel, pólen, cera, geléia real e polinização de pomares.

No ano de 2000, segundo o IBGE, a produção nacional alcançou 21.865 toneladas. Os


estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Piauí
foram responsáveis por mais de 80%, conforme mostra a tabela 70.

192

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Tabela 70 - Mel – Produção brasileira e nos principais estados – 1996-2000 (t)
Estado 1996 1997 1998 1999 2000
Brasil 21.173 19.062 18.309 19.751 21.865
Rio Grande do Sul 6.155 5.440 5.717 5.985 5.816
Santa Catarina 4.262 3.432 3.474 3.344 3.984
Paraná 2.478 2.418 2.209 2.540 2.871
São Paulo 2.983 2.350 1.956 1.805 1.830
Minas Gerais 1.235 1.279 1.573 1.885 2.101
Piauí 1.137 1.720 1.127 1.587 1.863
Demais Estados 2.923 2.422 2.253 2.605 3.401

Fonte: IBGE in Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

O Estado de Santa Catarina dispõe de farta vegetação natural e cultivada, de boa


qualidade floral e melífera, que proporciona excelentes condições para a exploração da
atividade apícola, atuando como fonte complementar da renda familiar do produtor.

Além de mel, a apicultura estadual produz, a exemplo da nacional, cera, própolis, geléia
real e pólen, dentre outros produtos. Realiza também serviços de polinização, que
contribuem para a melhoria da produtividade dos produtos agrícolas, especialmente
frutas, sementes e grãos.

São mais de 30 mil apicultores, entre profissionais e amadores, que se dedicam à


atividade, responsáveis pela exploração de cerca de 400 mil colméias espalhadas em
todo o território catarinense. Deste contingente, apenas cerca de três mil são
profissionais e tem na apicultura a principal fonte de renda; os demais 90% são amadores
e consideram a atividade secundária ou marginal e apenas fonte complementar de renda.

193

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


Tabela 71 - Mel – Quantidade produzida e participação por microrregião
geográfica de Santa Catarina – 1996-2000 (t)
Microrregião Participação
1996 1997 1998 1999 2000
Geográfica %
Santa Catarina 4.261,70 3.431,80 3.474,10 3.344,30 3.983,70 100
Araranguá 91 91 176 84,5 120 3
Blumenau 98,7 117,7 139,8 111 122 3,2
Campos de Lages 804,7 420,2 428,1 392 535,8 14
Canoinhas 396,4 401 424 422 418 11,1
Chapecó 272,7 215,4 245,8 239,1 296,6 6,9
Concórdia 221 216,8 108 100,4 120,3 4,1
Criciúma 797,2 686,7 519,1 398,1 723,5 16,9
Curitibanos 138 121,7 98,1 102,5 108,1 3,1
Florianópolis 26,6 27 31,7 43,1 43,3 0,9
Itajaí 15,5 5,4 15,2 16,9 17,4 0,4
Ituporanga 47 15,5 73 83,6 74,2 1,6
Joaçaba 298,9 306,2 234,6 260,7 263,6 7,4
Joinville 54,4 16,4 30,7 28,9 28,4 0,9
Rio do Sul 109,7 83,6 147 191,9 172,9 3,8
São Bento do Sul 62 65 43 46,5 46,7 1,4
São Miguel do Oeste 181,2 149 193,2 264,3 293,8 5,8
Tabuleiro 151 121 195,4 213,2 180,5 4,7
Tijucas 119 57 72,8 75,6 86,6 2,2
Tubarão 240,6 214,9 199,8 174,7 227,2 5,7
Xanxerê 136,3 100,6 98,8 95,4 104,9 2,9

Fonte: IBGE in Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

Embora as estatísticas oficiais indiquem com pouca precisão o destino do mel


catarinense, estima-se que aproximadamente metade da produção seja consumida no
mercado interno; os demais 50% são vendidos para os principais centros consumidores
do País (São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Minas Gerais e Tocantins) e para o mercado
mundial, principalmente Alemanha, Argentina, Japão e Uruguai. Segundo a
SECEX/DECEX, em 2001, Santa Catarina exportou para esses países um total de 2.042
toneladas, representando 1.814 mil dólares, o que demonstra a expressiva participação
estadual - cerca de 73% - no volume total das exportações brasileiras de mel. Somente
no primeiro quadrimestre de 2002, o acumulado das vendas catarinenses já soma 1.060

194

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


toneladas, conforme dados da tabela 58, com destaque para os mercados alemães, que
continua sendo o nosso principal parceiro.

Tabela 72 - Mel – Quantidade e Valor das exportações brasileiras, por estado


– 2000-2002.
2000 2001 2002
Estado Valor FOB Valor FOB Valor FOB (U$
Quantidade Quantidade Quantidade
(U$ 1000) (U$ 1000) 1000)
Minas Gerais 8,9 0,7 50,2 41,7 31,3 21
São Paulo 39,1 12,6 249,6 197,4 1.010,40 731,3
Paraná 0,2 0,1 146,5 122,9 72,4 56,3
Santa Catarina 262,5 243,6 2.042,30 1.814,50 1.060,50 839,5
Ceará - - 236,9 244,5 360,2 275,5
Espírito Santo - - 65,8 60,9 - -
Pará 10 9,5 - - - -
Demais Estados 10,4 2,4 18 6,7 1,3 0,5
Total 331,1 268,9 2.809,40 2.488,60 2.536,10 1.924,20

Fonte: SECEX/DECEX in Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-
SC.

195

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


2.7.8 Turismo

A região da AMUREL apresenta um turismo bem diversificado, com a presença de eco-


turismo, turismo religioso, turismo litorâneo, turismo histórico-cultural, e muitos outros.
Além disso, há muitas culturas características de cada região.

2.7.8.1 Circuitos

A Santa Catarina Turismo (SANTUR) apresenta muitos circuitos para o Estado, alguns
dos municípios da AMUREL fazem parte. Podem ser citados8:

ƒ Circuito da Cultura Germânica: São Martinho:

Neste circuito, a herança germânica deixou seus traços no espírito festivo, na fartura à
mesa, na música alegre. A região se parece com certas partes da Europa, com suas
casas no estilo enxaimel e pequenas propriedades rurais. No que tange a este,
evidencia-se as compras, com destaque para os têxteis, cristais e porcelanas.

ƒ Circuito da Cultura Açoriana: Imaruí, Jaguaruna, Imbituba e Tubarão:

O Litoral Catarinense apresenta traços culturais de base açoriana, que fundamentam um


corredor turístico-cultural de valores muito peculiares. Os 4.500 açorianos que se fixaram
em Santa Catarina no decorrer do século XVIII (1748 a 1756), localizaram-se inicialmente
em 8 núcleos de colonização. Hoje, seus descendentes se expandiram em várias
direções e mantém traços originais da cultura em vários municípios de Santa Catarina.

ƒ Circuito da Cultura Alemã: São Martinho, Rio Fortuna e Santa Rosa de Lima:

Os primeiros imigrantes alemães em Santa Catarina escolheram a região compreendida


entre os rios Maruim e Cubatão para iniciar sua vida no Brasil. Mais precisamente em
São Pedro de Alcântara, em 1829, começaram a trabalhar seu novo chão, imprimindo

8
Resumo de SANTUR. Internet: http://www.santur.sc.gov.br Acesso em 25 de setembro de 2003.

196

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


neste clima subtropical as marcas da sua cultura e da sua terra natal. Estas marcas estão
preservadas ainda hoje, na arquitetura e na paisagem, onde casas, jardins floridos e
igrejas localizadas sobre colinas tornam primorosa a paisagem da imigração alemã.

ƒ Circuito Litorâneo: Imbituba e Laguna:

No litoral de 561,4 km de extensão, o destaque são as centenas de praias.


Algumas ainda são agrestes, apropriadas ao mergulho submarino e eco-turismo. Outras,
de mar bravo, são muito procuradas para a prática do surfe. A orla do Estado catarinense
recebe em média cerca de 1,5 milhão de turistas nos meses de verão.

ƒ Circuito de Águas Termais: Gravatal e Tubarão:

Este circuito apresenta inúmeras fontes, com águas à temperatura de até 38º C
centígrados. Nas estâncias termais, existem bons hotéis de categoria internacional.

ƒ Circuito Ferroviário: Tubarão e Imbituba:

As antigas locomotivas a vapor "Maria Fumaça" ainda são encontradas em certas regiões
catarinenses, atravessando túneis, pontes, gargantas e paisagens rurais, com paradas
em pontos interessantes. Na região Sul, passa por Urussanga, Tubarão e Imbituba.

ƒ Circuito Ecológico: Orleans:

A natureza apresenta muitas opões para os aventureiros e esportistas radicais em Santa


Catarina, devido à presença de montanhas, cavernas, corredeiras, ondas. Em matéria de
eco-turismo, o Estado possui muita diversidade e qualidade.

ƒ Circuito de Esportes: Imbituba, Laguna, Jaguaruna e Tubarão:

Os adeptos dos chamados esportes radicais podem usufruir deles visitando Santa
Catarina, praticando windsurfe, jet-ski, parapente, assim como regatas oceânicas de
todas as espécies. O surfe pode ser praticado em Imbituba e Laguna. Para o trecking,
existem trilhas e pistas especiais em, praticamente, todo o Estado.

197

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


ƒ Circuito Náutico: Imbituba, Laguna e Tubarão:

O litoral catarinense proporciona aos visitantes a oportunidade de conhecer praias e ilhas


paradisíacas, de aproveitar o mar de águas transparentes para a prática do mergulho de
observação da rica fauna e conhecer os costões do sul do país. Além disso, poderão
navegar em embarcações projetadas, em rios caudalosos e lagoas.

ƒ Circuito de Observação de Baleias: Laguna e Imbituba:

A Baleia Franca - Eubalaena australis - é um monumento natural do Estado de Santa


Catarina, isto porque estes cetáceos, em extinção em todo o planeta, se reproduzem em
águas do litoral catarinense no período de maio a outubro, transformando as costas em
um "berçário marinho". Nesse período, as baleias se aproximam muito da praia - de 20 a
30 metros em alguns lugares - proporcionando aos turistas o chamado Turismo de
Observação. Este fenômeno ocorre desde o Balneário de Morro dos Conventos, no sul
do Estado, até as enseadas de Bombinhas no litoral - norte.

2.7.8.2 Destaques turísticos

Alguns atrativos turísticos podem ser destacados da região da AMUREL:

ƒ ÁGUAS TERMAIS: Gravatal e Tubarão.

Em Gravatal situa-se o maior complexo hidromineral do sul do país, apresenta a segunda


água mais rica em fluoretos do mundo, onde suas propriedades terapêuticas são
indicadas para diversos tratamentos como dermatoses, artrites, neurite e males dos
nervos. Já sua qualidade só é superada pelo complexo de Aux-de-Ther-mes, na França.
Possui hotéis de boa qualidade e uma boa infra-estrutura de lazer para receber os
turistas. Também na região de Tubarão existem meios de hospedagem com menos
estrutura9.

9
Resumo de http://www.sul-sc.com.br e http://www.belasantacatarina.com.br. Acesso em 26 de
setembro de 2003.

198

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


ƒ PRAIA DO ROSA: Imbituba.

Figura 34 Imagem da Praia do Rosa


Fonte: Praia do Rosa. Internet: http://www.praiadorosa.tur.br

A Praia do Rosa, conhecida como praia dos surfistas, está localizada a 90 km de


Florianópolis, tem características geográficas e sociais únicas. Apresenta lagoas à beira-
mar, encostas cheias de verde pontilhadas por casas de veraneio construídas em estilo
peculiar, confortáveis pousadas, bons restaurantes e bares, e um mar bem propício a
prática de surfe. Porém, esta apresenta estradas esburacadas. A praia não tem estrutura
para receber multidões ao mesmo tempo.

Até o começo da década de 80, a praia do Rosa era uma pequena e dispersa colônia de
pescadores e plantadores de mandioca, sem nenhum tipo de comércio e nem mesmo
centro urbano. Sem linha de ônibus, supermercado ou farmácia, começou a se
transformar em um balneário de verão com a chegada das pessoas vindas do Rio
Grande do Sul. Com o tempo, esta gente foi criando raízes, filhos e juízo, e de suas
casinhas rústicas surgiram às primeiras pousadas do morro. Nos últimos anos, a praia
vem registrando um crescimento, com dezenas de novas construções e estabelecimentos
comerciais10.

10
Resumo de Praia do Rosa. Internet: http://www.praiadorosa.tur.br Acesso em: 26 de setembro
de 2003.

199

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


ƒ BALEIA FRANCA: Imbituba.

Figura 35 Imagem da Baleia Franca


Fonte: http://www.baleiafrancasc.hpg.ig.com.br.

A Baleia Franca é uma das espécies de cetáceos mais ameaçada de extinção no planeta.
Desde o período colonial tem-se notícia do interesse dos conquistadores e das
populações costeiras pelas Baleias Francas, devido a sua espessa capa de gordura que
servia para a produção de óleo destinado à iluminação. Apesar de seu tamanho
gigantesco (até 18 metros de comprimento), esta espécie é muito sensível à degradação
ambiental provocada pelo homem. Hoje, a mesma região onde se praticava a caça
predatória abriga a APA – Área de Proteção Ambiental – da Baleia Franca. O exemplo
catarinense é um marco na história da proteção da Baleia Franca. Em 1995, o estado
decretou a espécie como monumento natural catarinense, possibilitando assim a
interferência do governo federal em criar mais uma área protegida em nosso país,
garantindo assim a sua preservação.

Todos os anos, de junho a novembro, as Baleias Francas visitam em grande número o


sul do Brasil. Neste período, elas encontram refúgio na região costeira que vai de
Florianópolis em Santa Catarina a Torres no Rio Grande do Sul. As baleias procuram
esta região em busca de águas mais quentes, para procriar e amamentar os seus
filhotes.11

11
Resumo de Praia do Rosa. Internet: http://www.praiadorosa.tur.br Aceso em 26 de setembro de
2003.

200

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


ƒ CARNAVAL DE LAGUNA

Figura 36 Imagem do carnaval de Laguna


Fonte: http://www.belasantacatarina.com.br

O carnaval de Laguna teve início no século XX com o famoso "Zé Pereira", que constava
de um bumbo, uma caixa de rufa e um par de pratos. Logo após foram fundadas as
Sociedades Carnavalescas. Foi a partir daí que a cidade teve sua época de ouro no
carnaval.
Hoje, sendo conhecido no Sul do Brasil, o carnaval de Laguna atrai turistas de todo o
país e até do exterior. No centro histórico da cidade, acontecem os desfiles das Escolas
de Samba, que através de seus sambas enredos e fantasias retratam um pouco da
cultura e história de Laguna e os desfiles dos Blocos Carnavalescos. Já na praia do Mar
Grosso, a festa é realizada com shows noturnos ao ar livre, através de bandas locais e
trios elétricos que proporcionam aos foliões momentos de descontração e alegria durante
todo o dia. No domingo de carnaval a grande atração é o Bloco da Pracinha, que
acompanhado por foliões e trios elétricos, sai do Bairro Magalhães em direção à Praia do
Mar Grosso.12

12
Resumo de http://www.lagunagolfinho.com.br Acesso em 26 de setembro de 2003

201

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


ƒ FAROL DE SANTA MARTA – Laguna.

Figura 37 Imagem do Farol de Santa Marta


Fonte: http://www.cidadesdobrasil.com.br/

Le Phare de Santa Marta, como diriam os franceses que o construíram em 1891, é o


primeiro do mundo em alcance, sendo o maior da América do Sul. Possui 29 metros de
altura, altitude de foco de 74 metros e alcance geográfico de 92 quilômetros. O Farol está
instalado a 14 quilômetros do centro de Laguna. Quando foi inaugurado, em 11 de junho
de 1891, era alimentado por querosene. Mais tarde, em 7 de fevereiro de 1941, recebeu
energia elétrica. Atualmente possui três geradores de 15 KVA. O motor que possibilita o
movimento de rotação (ele dá uma volta a cada dois minutos), funciona nos moldes de
um relógio. Possui um peso de 45 quilos na extremidade de um cabo, que funciona como
um pêndulo. Leva quatro horas para descer, Para dar corda (o cabo é enrolado
manualmente), leva-se de 10 a 15 minutos. Quase todas as peças são de bronze. Uma
escada em caracol, com 142 degraus conduz os faroleiros e turistas ao topo do farol. Lá
se pode obter uma visão das lentes, que ainda são originais. Uma parte permite a
projeção de luz em círculos (olhos óticos) e a outra é sem projeção de luz (retangular). A
torre, de onde partem os potentes lampejos duplos de luz, a cada 15 segundos, tem a
altura de um edifício de 9 andares. Do alto da torre da construção, são visualizadas as
praias do Farol, Cigana e Camacho. Três militares da Marinha e dois civis residem no
local. Além dos cuidados com o instrumento de auxílio à navegação, coletam dados
meteorológicos. Atualmente encontra-se também instalado um equipamento de rádio-
farol que emite um som sonoro a cada sete segundos na freqüência de 310 Kilohertz
para a orientação não só da navegação marítima, mas também aérea, com alcance de

202

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


aproximadamente 700 quilômetros. Nem sempre a Marinha permite o acesso às
instalações do Farol. No verão, contudo, ele se transforma numa das principais atrações
turísticas da cidade de Laguna.13

ƒ PESCA DA TAINHA E DO CAMARÃO – Laguna.

Figura 38 Imagem da Pesca da Tainha e do Camarão.


Fonte: http://www.belasantacatarina.com.br

Um dos pontos fortes da economia e do turismo de Laguna é a Pesca Artesanal.


Praticada em alta escala, utiliza-se a técnica de iluminação a gás e a bateria. O
"Camarão Laguna" é famoso e reconhecido como um dos melhores do Brasil. A pesca
com auxílio dos botos já faz parte da cultura lagunense e hoje atrai turistas para a cidade
durante o ano todo. O espetáculo da pesca em parceria com os botos só existe em três
lugares no mundo: na Austrália, África do Sul e em Laguna. Os botos aparecem durante
o ano todo, mas é nos meses de abril, maio e junho que se tornam mais atraentes,
devido ao ciclo da tainha. Este procedimento acontece principalmente nos Molhes da
Barra. A pesca da tainha é considerada uma forte atividade em Laguna, e tornou-se um
dos pratos mais procurados na região.14

13
Resumo de http://www.lagunagolfinho.com.br Acessado em 26 de setembro de 2003.
14
Idem.

203

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


ƒ MUSEU ANITA GARIBALDI E CASA DE ANITA – Laguna.

Figura 39 Imagem do Museu Anita Garibaldi e Casa de Anita.


Fonte: http://www.anitagaribaldi.freeservers.com

O museu Anita Garibaldi, criado no ano de 1747, é um prédio histórico situado na Praça
República Juliana. Foi construído para servir de Cadeia Pública no térreo, e para Câmara
Legislativa Municipal no piso superior. Nesse prédio foi assinada e proclamada a
República Juliana, em 1839, quando Santa Catarina separou-se do regime monárquico e,
em Laguna, instalou-se a Capital da República Juliana. Aberto em 1949 pelo centenário
da morte de Anita Garibaldi, fechado por algum tempo, e aberto definitivamente para
visita pública em 1956, hoje o Museu conserva muitas peças de elevado valor histórico e
arqueológico, como a mesa onde foi assinada a ata da Proclamação. O acervo eclético e
rico é prova de que na cidade de Laguna circulava muita riqueza e muitas personalidades
do velho mundo. 15

15
Idem.

204

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


ƒ MORRO DA IGREJA – Orleans.

Figura 40 Imagem do Morro da Igreja.


Fonte: http://www.orleans.sc.gov.br/

O município é contornado no lado Oeste pela Serra Geral, despontando na parte norte,
no limite inter municipal com Bom Jardim da Serra e Urubici, mas em território
Orleanense o Morro da Igreja, com 1822 metros de altitude é o pico mais alto do Estado
de Santa Catarina. No local se acha instalada a torre de controle aéreo do Sindacta que
norteia os vôos em toda a região Sul do País.16

16
Resumo de http://www.orleans.sc.gov.br acessado em 26 de setembro de 2003

205

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


ƒ SERRA DO CORVO BRANCO – Santa Rosa de Lima.

Figura 41 Imagem da Serra do Corvo Branco.


Fonte: http://www.iscc.com.br/

Quando se passa pelas encostas íngremes e presta-se atenção nas formações rochosas
pode-se perceber a figura do corvo branco em cima da serra. No entanto nada mais é
que uma obra importante incrustada na rocha pelas máquinas e pelas mãos dos homens.
Seu trajeto deve ser feito por estrada de chão, passando por lugarejos pitorescos,
prósperos na agricultura e hospitaleiro no coração dos homens. Devido à estrutura em
determinada parte da estrada, muitos usufruem dela com seus jipes.17

17
Resumo de http://www.iscc.com.br Acessado em 26 de setembro de 2003.

206

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


ƒ CAPITAL MUNDIAL DAS VOCAÇÕES SACERDOTAIS – São Martinho.

Figura 42 Imagem da Igreja.


Fonte: http://www.sc.gov.br/portalturismo

São Martinho, uma cidade bem pacata no interior de Santa Catarina, é considerada pelo
Vaticano como capital mundial das vocações sacerdotais devido ao número de padres
que este município gerou.18

18
Resumo de http://www.sc.gov.br/portalturismo Acessado em 26 de setembro de 2003.

207

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


ƒ MARIA-FUMAÇA E MUSEU FERROVIÁRIO – Tubarão.

Figura 43 Imagem do museu


Fonte: Museu Ferroviário.

As antigas locomotivas a vapor "Maria Fumaça" são encontradas em território


catarinense, passando por vários municípios com características diferenciadas. Na região
Sul, passa por Urussanga, Tubarão e Imbituba. Com saída de Tubarão, do Museu
Ferroviário, a centenária Maria Fumaça faz a linha com a cidade de Urussanga,
passando por Jaguaruna e Morro da Fumaça, com sua colonização italiana e sua
tradição açoriana. Liga o litoral chegando a Imbituba, cortando lagoas e costeando o mar.

Com 113 anos de história, a Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina foi importante na
colonização do Sul do Estado. Ela preserva até hoje sua história no Museu Ferroviário na
Cidade de Tubarão. Seu maior acervo são catorze Marias-Fumaça, algumas do início do
século. Para não deixar essas raridades apenas no museu, a Secretaria da Indústria,
Comércio e Turismo de Tubarão, mais a ABPF (Associação Brasileira de Preservação
Ferroviária) e a SALV (Sociedade dos Amigos da Locomotiva a Vapor) realizam roteiros
turísticos com as antigas locomotivas, pelos trilhos da Tereza Cristina. Os passeios têm
atraído turistas interessados em ver de perto essas relíquias em funcionamento. Dois
roteiros já foram ativados. A linha Tubarão-Urussanga, calcada na colonização italiana,
oferece visitas às cantinas de vinho, restaurantes típicos, e apresentações de corais e
grupos de danças folclóricas. Já a linha Tubarão-Cabeçudas, em Laguna, é um passeio

208

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


pela colonização açoriana e portuguesa da região. No verão, a Secretaria de Turismo
coloca à disposição dos turistas uma terceira linha: Tubarão-lmbituba.

O Museu Ferroviário foi o primeiro do gênero em Santa Catarina. No museu, o


turista encontra 23 peças, entre vagões e locomotivas, vindos da França, Japão, Bélgica,
Inglaterra, Polônia, Alemanha, Estados Unidos e Tchecoslováquia. O acervo tem ainda
relógios, pinturas, ferramentas, telefones, telégrafos, máquinas de escrever, placas,
sinos, fotografias e esculturas.19

19
Resumo de http://www.transportes.gov.br e do http://www.senado.gov.br Acessado em 26 de
setembro de 2003.

209

CAPÍTULO 2 – ATIVIDADE ECONÔMICA 2003 • AMUREL


2.8 Mapa de Oferta Tecnológica

A eficiência da aprendizagem tecnológica depende do nível de inteligência social


resultante do esforço educacional e da formação profissional. Assim sendo, o sistema
precisa produzir profissionais polivalentes e capazes de aprender continuamente, e
não apenas com o mero domínio da leitura e da escrita, pois “a capacidade de
entendimento de informações mais complexas e de comunicação é essencial. No
processo de apropriação de tecnologia, são necessários profissionais, em todos os
níveis, com capacidade de aprender e de tomar decisões”. 1 A análise da quantidade
de estabelecimentos de ensino, de cursos técnicos, profissionalizantes e de
universidades em cada região, revela o cenário de possíveis potencialidades e
deficiências em relação ao desenvolvimento tecnológico, quando analisado juntamente
com outros dados, como índice de desenvolvimento humano, número de empresas
que essa mão-de-obra qualificada tem que atender, etc.. Outro ponto fundamental
para avaliação deste item é a percepção que os entrevistados, as lideranças
empresariais locais, têm sobre a qualidade desta mão-de-obra.

Existem quatro universidades na região da AMUREL. A mais importante e com maior


destaque é a UNISUL. Existem ainda duas faculdades no Vale do Rio Tubarão e uma
faculdade em Capivari de Baixo. A faculdade em Capivari de Baixo se chama FUCAP
– Faculdade de Capivari. E as demais chamam: FEAVART – Faculdade de Educação
do Alto Vale do Rio Tubarão e FAAVART – Faculdade de Administração do Alto Vale
do Rio Tubarão.

1
SEBRAE; CNPq; IEL; EMBRAPA. Agropolo: uma proposta metodológica. Brasília: ABIPTI, 1999. 364 p. P. 36.

210

CAPÍTULO 2 – MAPA DE OFERTA TECNOLÓGICA 2003 • AMUREL


2.8.1 Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL

A história da universidade começa em 1964. Neste ano, em Tubarão, foi aberto o


Curso de Ciências Econômicas, embrião da FESSC, Fundação Educacional do Sul de
Santa Catarina, que em 1989 se tornaria a Universidade do Sul de Santa Catarina,
Unisul. O campus de Tubarão é, além da origem e da história, a sede oficial,
coordenando as unidades de Braço do Norte, Imbituba e Laguna, cidades vizinhas.

Caracteriza-se por ser uma universidade Privada – Comunitária – Filantrópica, tem


como principal diretor: Gerson Luis Joner da Silveira. Hoje possui vários outros campi.

2.8.1.1 Unidade Braço do Norte

Cursos de Graduação oferecidos:

ƒ Administração;

ƒ Pedagogia;

ƒ Magistério das Séries Iniciais do Ensino Fundamental.

Cursos Seqüenciais:

ƒ Arte e Educação.

2.8.1.2 Unidade Imbituba

Cursos de Graduação Oferecidos:

ƒ Administração;

ƒ Comércio Exterior;

ƒ Pedagogia;

ƒ Magistério das Séries Iniciais do Ensino Fundamental.

211

CAPÍTULO 2 – MAPA DE OFERTA TECNOLÓGICA 2003 • AMUREL


Cursos Seqüenciais:

ƒ Administração no Turismo;

ƒ Língua Inglesa - Nível Básico;

ƒ Língua Inglesa - Nível Intermediário.

2.8.1.3 Unidade Laguna

Cursos de Graduação Oferecidos:

ƒ Pedagogia,

ƒ Magistério das Séries Iniciais do Ensino Fundamental,

ƒ Turismo,

ƒ Gestão do Turismo,

ƒ Gestão Hoteleira.

Cursos Seqüenciais:

ƒ Língua Inglesa - Nível Básico,

ƒ Pesquisa e Prática Pedagógica.

2.8.1.4 Campus de Tubarão

Cursos de Graduação Oferecidos:

ƒ Administração de Empresas; ƒ Arquitetura e Urbanismo;

ƒ Marketing; ƒ Ciências;

ƒ Administração; ƒ Matemática;

ƒ Agronomia; ƒ Ciências Biológicas;

212

CAPÍTULO 2 – MAPA DE OFERTA TECNOLÓGICA 2003 • AMUREL


ƒ Ciências Contábeis; ƒ Matemática;

ƒ Ciências da Religião; ƒ Medicina;

ƒ Ciências Econômicas; ƒ Odontologia;

ƒ Ciência da Computação; ƒ Pedagogia;

ƒ Comunicação Social; ƒ Educação Especial;

ƒ Jornalismo; ƒ Magistério das Séries Iniciais do


Ensino Fundamental;
ƒ Publicidade e Propaganda;
ƒ Magistério do Ensino Fundamental
ƒ Direito;
- Educação Especial;

ƒ Enfermagem;
ƒ Magistério do Ensino Fundamental

ƒ Engenharia Civil; - Educação Infantil;

ƒ Engenharia Química; ƒ Psicologia;

ƒ Farmácia; ƒ Química;

ƒ Farmácia - Análises Clínicas / ƒ Química Industrial;

Bioquímica;
ƒ Relações Internacionais;

ƒ Fisioterapia;
ƒ Secretariado Executivo;

ƒ Geografia;
ƒ Serviço Social;

ƒ História;
ƒ Sistemas de Informação;

ƒ Letras;
ƒ Sistema de Informação Noturno;

ƒ Letras - Secretariado Executivo;


ƒ Tecnologia em Eletroeletrônica;

ƒ Português / Espanhol;
ƒ Tecnologia em Processos

ƒ Português / Inglês; Industriais.

213

CAPÍTULO 2 – MAPA DE OFERTA TECNOLÓGICA 2003 • AMUREL


Cursos Seqüenciais:

ƒ A História e a Contemporaneidade; ƒ Direito e Processo do Trabalho;

ƒ Administração de Recursos ƒ Disciplinas Propedêuticas do


Humanos; Direito;

ƒ Administração e Gerenciamento de ƒ Ensino, Memória e Espaço;


Farmácia e Ervanária;
ƒ Estudo sobre Choque de
ƒ Administração e Gerência de Rede; Civilizações: Europa X América;

ƒ Administração no Turismo; ƒ Estudos da Modernidade


Contemporânea;
ƒ Analise de Investimentos;
ƒ Estudos Históricos e a Educação;
ƒ Análises Laboratoriais;
ƒ Estudos Historiográficos;
ƒ Arte e Educação;
ƒ Estudos Sobre o Mundo Medieval a
ƒ Biofarmacologia;
sua Relação com o Contexto Atual;

ƒ Ciências Exatas Aplicadas à


ƒ Formação Básica Teórica e
Contabilidade;
Instrumental;

ƒ Ciências Humanas no Direito;


ƒ Formação em Artes Visuais;

ƒ Contabilidade Gerencial para


ƒ Formação em História Geral;
Administradores;
ƒ Formação em Música;
ƒ Curso Superior de Formação
Específica em Gestão Estratégica ƒ Formação Especial para Magistério
das Organizações; Superior;

ƒ Desenvolvimento de Sistemas de ƒ Formação Fazendária;


Informação utilizando Tecnologia
ƒ Formação Pedagógica para o
Oracle;
Ensino Médio;

214

CAPÍTULO 2 – MAPA DE OFERTA TECNOLÓGICA 2003 • AMUREL


ƒ Gestão de Empreendedores; ƒ Instrumentação Superior Básica
para o Ensino de Química;
ƒ Gestão de Marketing Promocional;
ƒ Introdução ao Direito Empresarial;
ƒ Gestão de Mercado de Capitais;
ƒ Introdução à Estruturas;
ƒ Gestão de Recursos Materiais e
Patrimoniais; ƒ Introdução à Teoria Constitucional;

ƒ Gestão de Talentos Humanos; ƒ Introdução às Ciências Exatas;

ƒ Gestão de Vendas; ƒ Língua Espanhola - Nível Básico;

ƒ Gestão Empresarial; ƒ Língua Inglesa - Nível Básico;

ƒ Gestão Estratégica de Marketing e ƒ Língua Inglesa - Nível


Vendas; Intermediário;

ƒ Gestão Estratégica de Recursos ƒ Memória e Espaço Noturno;


Humanos;
ƒ Metodologia de Ensino do Contexto
ƒ Gramática da Língua Portuguesa; Sócio Histórico e Artístico;

ƒ Higiene e Conservação de ƒ Morfologia e Funcionamento do


Alimentos; Corpo Humano;

ƒ Higiene e Conservação de ƒ Métodos Extrativos de Princípios


Alimentos - Produtos de Origem Ativos de Plantas;
Vegetal;
ƒ Noções e Cuidados com a Saúde
ƒ Historiografia e Memória; Coletiva;

ƒ História e Memória; ƒ Relações Humanas e Qualidade no


Atendimento;
ƒ Humanismo no Direito;

ƒ Implantação e Gerenciamento de
Micro e Pequenas Empresas;

215

CAPÍTULO 2 – MAPA DE OFERTA TECNOLÓGICA 2003 • AMUREL


ƒ Transações Imobiliárias;
ƒ Relações Jurídicas no Âmbito
Familiar;
ƒ Tópicos de Matemática Aplicada.

ƒ Relações Públicas;

2.8.2 Faculdade de Capivari – FUCAP

A FUCAP foi criada em 21 de novembro de 2001 se caracteriza por ser uma faculdade
privada em sentido estrito. Encontra-se em Capivari de Baixo e tem como diretor
Expedito Michels.

Cursos de Graduação Oferecidos:

ƒ Administração;

ƒ Empreenderorismo;

ƒ Ciências Contábeis;

ƒ Curso Superior de Tecnologia em Hotelaria.

2.8.3 Faculdade de Educação do Alto Vale do Rio Tubarão – FEAVART

Caracteriza-se por ser uma faculdade Privada – Comunitária – Filantrópica assim


como a FAAVART se localiza no município de Orleans. Fundada em 24 de outubro
de1999 tem como diretor: Antônio João Tavares.

Cursos de Graduação Oferecidos:

ƒ Bacharelado em Museologia; ƒ Educação Pré – Escolar;

ƒ Museus de História; ƒ Magistério das Sedes Iniciadas do


Ensino Fundamental.
ƒ Pedagogia;

216

CAPÍTULO 2 – MAPA DE OFERTA TECNOLÓGICA 2003 • AMUREL


2.8.4 Faculdade de Administração do Alto Vale do Rio Tubarão –
FAAVART

Se caracteriza por ser uma faculdade Privada – Comunitária – Filantrópica assim


como a FEAVART se localiza no município de Orleans. Fundada em 20 de janeiro de
1998 tem como diretor: Enio Coan.

Cursos de Graduação Oferecidos:

ƒ Administração;

ƒ Administração de Empresas;

ƒ Ciências Contábeis.

2.8.5 SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial

A instituição que oferece cursos técnicos e profissionalizantes na região da AMUREL é


o SENAI que se encontra nos municípios de Braço do Norte, Capivari de Baixo e
Tubarão.

O SENAI iniciou suas atividades no município de Tubarão em 1954 junto a Rede


Ferroviária Federal S.A. Em 1979, firmou convênio com a FESSC e instalou o Centro
de Treinamento no CENTEC, onde permaneceu até 1986. Em 1987, foi firmado
convênio de comodato com a CSN e transferiu-se para a Escola Industrial, no antigo
distrito de Capivari de Baixo. Hoje, o SENAI mantém em funcionamento três unidades
para atender a AMUREL são: Capivari de Baixo, Tubarão e Braço do Norte.

217

CAPÍTULO 2 – MAPA DE OFERTA TECNOLÓGICA 2003 • AMUREL


2.8.5.1 Braço do Norte – Centro de Educação e Tecnologia

Cursos Oferecidos:

ƒ Auto CAD 2000;

ƒ Eletricista Instalação Industrial;

ƒ Eletrônica Básica;

ƒ Especialista em Indústria de Molduras;

ƒ Especialista em Indústria de Transformação de Produtos Plásticos.

2.8.5.2 Capivari de Baixo – Centro de Educação e Tecnologia

Cursos Oferecidos:

ƒ AutoCAD 2000; ƒ Eletrônica Digital Hidráulica


Básica;
ƒ Automação Industrial;
ƒ Leitura e Interpretação de
ƒ Controladores Lógicos
Desenho Técnico Mecânica;
Programáveis;
ƒ Mecânica Industrial;
ƒ Costura Industrial;
ƒ Mecânico Geral Aprendizagem
ƒ Des. Planificação de Chapas
Industrial;
Caldeiraria;
ƒ Melhoramentos de Métodos de
ƒ Desenho Mecânico;
Trabalho (TWI-3a fase);

ƒ Direção Defensiva;
ƒ Metrologia Dimensional;

ƒ Eletricista Instalador Industrial;


ƒ Operador de Empilhadeira;

ƒ Eletricista Instalador Predial;


ƒ Operador de Máquinas CNC;

ƒ Eletrônica Básica;
ƒ Pneumática Básica;

218

CAPÍTULO 2 – MAPA DE OFERTA TECNOLÓGICA 2003 • AMUREL


ƒ Relacionamento Interpessoal; ƒ Treinamento Complementar
para Condutores de Veículos
ƒ Relações Humanas no
Rodoviários Transportadores
Trabalho (TWI-2a fase);
de Produtos Perigos

ƒ Serralheiro em Esquadrias de Treinamento Específico de

Alumínio; Condutores de Veículos


Rodoviários Transportadores
ƒ Soldagem - TIG; de Produtos Perigosos;

ƒ Soldagem Básica - Eletrodo ƒ Técnicas de Treinamento


Revestido; (TWI-1a fase);

ƒ Soldagem Eclético - Eletrodo ƒ Técnico em Eletromecânica;


Revestido, MIG/MAG e
Oxiacetilênico; ƒ Técnico em Montagem e
Manutenção de Sistemas de
ƒ Tecnologia em Gás Combustível.
Eletroeletrônica;

ƒ Tecnologia em Processos
Industriais - Habilitação em
Eletromecânica;

ƒ Torneiro Mecânico;

2.8.5.3 Tubarão – Centro de Educação e Tecnologia

Cursos Oferecidos:

ƒ AutoCAD 2000; ƒ Direção Defensiva;

ƒ Automação Industrial; ƒ Eletricista Instalador Industrial;

ƒ Controladores Lógicos ƒ Eletricista Instalador Predial;


Programáveis;
ƒ Eletrônica Básica;
ƒ Costura Industrial;

219

CAPÍTULO 2 – MAPA DE OFERTA TECNOLÓGICA 2003 • AMUREL


ƒ Eletrônica Digital; ƒ Serralheiro em Esquadrias de
Alumínio;
ƒ Hidráulica Básica;
ƒ Soldagem - TIG Soldagem Básica -
ƒ Instalação e Manutenção de linhas
Eletrodo Revestido;
Telefônicas;
ƒ Soldagem Eclético - Eletrodo
ƒ Leitura e Interpretação de Desenho
Revestido, MIG/MAG e
Técnico Mecânica;
Oxiacetilênico;

ƒ Mecânica Industrial;
ƒ Tecnologia em Eletroeletrônica;

ƒ Mecânica de Motocicletas;
ƒ Tecnologia em Processos

ƒ Mecânica de Máquina de Costura; Industriais - Habilitação em


Eletromecânica;
ƒ Melhoramentos de Métodos de
Trabalho (TWI-3a fase); ƒ Torneiro Mecânico;

ƒ Metrologia Dimensional; ƒ Técnicas de Treinamento (TWI-1a


fase);
ƒ Operador de Máquinas CNC;
ƒ Técnico em Eletromecânica;
ƒ Pneumática Básica;
ƒ Técnico em Montagem e
ƒ Relacionamento Interpessoal; Manutenção de Sistemas de Gás
Combustível .
ƒ Relações Humanas no Trabalho
(TWI-2a fase);

220

CAPÍTULO 2 – MAPA DE OFERTA TECNOLÓGICA 2003 • AMUREL


2.8.6 Entidades de Apoio

A tabela 73 apresenta a presença das entidades de apoio da Epagri (Empresa de


Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina S.A.) e da CIDASC
(Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina) na região da
AMUREL em 2001.

A EPAGRI tem a missão de viabilizar o conhecimento, a tecnologia e a extensão para


o desenvolvimento auto-sustentável do meio rural, florestal e pesqueiro, em benefício
da sociedade. E os objetivos fins de promover a melhoria da qualidade de vida do
meio rural e pesqueiro. Buscar a competitividade da agricultura catarinense frente a
mercados globalizados, adequando os produtos às exigências dos consumidores.
Promover a preservação, recuperação, conservação e utilização sustentável dos
recursos naturais.

A CIDASC tem a missão de melhorar a qualidade de vida da sociedade catarinense,


promovendo a saúde pública e o desenvolvimento integrado e sustentável dos setores
agropecuário, florestal e pesqueiro, através de ações voltadas ao apoio à produção e
comercialização, controle de qualidade e saneamento ambiental. Atuam nas áreas de
Saúde Animal, Fomento da Produção Animal, Saúde Vegetal, Sementes e Mudas,
Apoio Florestal, Classificação de Produtos de Origem Vegetal, Armazenagem,
Engenharia Rural e Inspeção de Produtos de Origem Animal.

De acordo com a tabela 73, a região dispõe de uma gerencia regional da EPAGRI e
uma administração regional da CIDASC, atuando em todos os municípios da região da
AMUREL.

221

CAPÍTULO 2 – MAPA DE OFERTA TECNOLÓGICA 2003 • AMUREL


Tabela 73 - Entidades de Apoio na região da AMUREL

Epagri Cidasc
Municípios Unidade Gerência Unidade Gerência
Local Regional Local Regional
Armazém Sim Tubarão Sim Tubarão
Braço do Norte Sim Tubarão Sim Tubarão
Capivari de Baixo Sim Tubarão Sim Tubarão
Grão Pará Sim Tubarão Sim Tubarão
Gravatal Sim Tubarão Sim Tubarão
Imaruí Sim Tubarão Sim Tubarão
Imbituba Sim Tubarão Sim Tubarão
Jaguaruna Sim Tubarão Sim Tubarão
Laguna Sim Tubarão Sim Tubarão
Orleans Sim Tubarão Sim Tubarão
Pedras Grandes Sim Tubarão Sim Tubarão
Rio Fortuna Sim Tubarão Sim Tubarão
Sangão Sim Tubarão Sim Tubarão
Santa Rosa de
Sim Tubarão Sim Tubarão
Lima
São Ludgero Sim Tubarão Sim Tubarão
São Martinho Sim Tubarão Sim Tubarão
Treze de Maio Sim Tubarão Sim Tubarão
Tubarão Sim Tubarão Sim Tubarão
18 1
1 Gerência 18 Unidades
Regiões Escritórios Administração
Regional Locais
Regionais Local

222

CAPÍTULO 2 – MAPA DE OFERTA TECNOLÓGICA 2003 • AMUREL


CAPÍTULO 3

ANÁLISE TECNOLÓGICA DA CADEIA PRODUTIVA


3.1 Desenvolvimento Tecnológico Regional

A metodologia de intervenção regional denominada Desenvolvimento Tecnológico


Regional – DTR desenvolvida pelo Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina – IEL/SC tem
por objetivo sistematizar as ferramentas e as técnicas com o propósito de fomentar o
desenvolvimento regional, através de projetos de intervenção focados em variáveis
tecnológicas e competitivas. Essa metodologia visa ser um mecanismo para a promoção
do desenvolvimento regional e a sua aplicação requer, no entanto, uma série de medidas,
tanto por parte do poder público, da iniciativa privada e das lideranças regionais. Ela
fornece subsídios para a realização de intervenções regionais, com base na análise de
dados e informações e, conscientizar sobre a importância da tecnologia e inovação para
o desenvolvimento regional.

O DTR, juntamente, com a metodologia de Estruturação de Agências de


Desenvolvimento Regional – ADR foram aplicadas na região da Associação dos
Municípios da Região de Laguna sob a supervisão do IEL/SC e tiveram o seu início em
junho de 2002. Desses trabalhos resultaram na oficialização da Agência de
Desenvolvimento Regional da AMUREL – ADRAM e a articulação com vários parceiros,
entre eles: AMUREL e UNISUL. Além disso, da aplicação do DTR, tem-se como o
resultado a proposição de ações e projetos de adensamento da Cadeia Produtiva de
Madeira-Móveis, com enfoque em móveis sob-medida.

Por se tratar, de uma metodologia de intervenção regional, o DTR possui em sua


metodologia de aplicação, o princípio de promover o desenvolvimento regional a partir da
determinação de segmento econômico de relevância na região, denominado segmento
econômico estratégico. A partir de sua determinação, faz-se uma análise desse
segmento pela visão de uma cadeia produtiva, elaborando-se o seu fluxograma de
funcionamento e levantando-se uma série de dados primários junto aos empresários.

A seqüência metodológica do DTR é apresentada na figura 44, destacando-se as fases e


as principais etapas aplicadas na região da AMUREL.

225

CAPÍTULO 3 – DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO REGIONAL 2003 • AMUREL


Figura 43 Seqüência metodológica do DTR
Fonte: Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina, 2002.

226

CAPÍTULO 3 – DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO REGIONAL 2003 • AMUREL


3.2 Determinação do Segmento Econômico

A metodologia de determinação do segmento econômico é fundamentada pelo tripé


básico da economia: família, empresas e governo. São consideradas três variáveis
preliminares e disseminadoras de crescimento: número de empregos ocupados nas
atividades, número de empresas operantes nas atividades e montante do valor
adicionado na atividade em questão. Faz-se um ranqueamento das dez maiores
atividades em cada uma das variáveis. A primeira atividade de cada variável recebe o
valor 10, a segunda 9 e assim por diante. A classificação deu-se a partir da interação
entre estas três variáveis de forma equivalente, sendo o maior somatório para o
segmento mais favorável (ver Figura 45).

Ranqueamento Ranqueamento Ranqueamento


decrescente decrescente decrescente Valor
Empresas (RAIS) Empregos (RAIS) Adicionado(DIEF)

Pontuação dos Pontuação dos Pontuação dos


10 primeiros 10 primeiros 10 primeiros

Ranqueamento por soma


aritmética da pontuação

Classificação Final

Figura 45 Fluxograma da metodologia de determinação do segmento


econômico
Fonte: Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina, 2002.

A eficiência produtiva é adotada como o ponto chave para a classificação, tomando-se


como ponto de partida as atividades primárias (produção rural e indústria de
transformação), considerando-as a base de sustentação da economia e como foco
central de fornecedores diversos de insumos produtivos, serviços de suporte e serviços
de comercialização e transporte.

227
CAPÍTULO 3 – DETERMINAÇÃO DO SEGMENTO ECONÔMICO 2003 • AMUREL
Nas famílias, está a principal base de todo o consumo assalariado e distribuidor da renda.
Desta forma, quanto maior o número de empregos gerado por uma determinada atividade
mais esta estará contribuindo com o bem estar econômico e social de uma localidade. E
este foi um ponto bem forte quando da escolha desta variável, a eficácia alocativa dos
recursos.

As empresas, por sua vez, são os instrumentos geradores de emprego, e apresentam


também uma forte parcela no desenvolvimento econômico local. A questão observada na
metodologia proposta para escolha do segmento está centrada na consideração referente
à concentração de empresas. Considerou-se em conjunto com as outras duas variáveis
para evitar que poucas empresas apenas concentrassem a oferta de empregos da
região. Tal expediente dificultaria a mobilidade dos empregados e pressionaria seus
salários para baixos níveis. A dificuldade de mobilidade poderia gerar uma crise de
emprego, caso a empresa em questão, por motivos diversos, demitisse ou mesmo
decidisse encerrar suas atividades na região.

Estas duas primeiras variáveis geram distribuição de renda a partir das relações de oferta
e consumo, fortalecendo a base econômica privada. Todavia, essa relação econômica
registrada, acarreta em arrecadação de impostos que, por sua vez, possibilita ao setor
público, possibilidade de investimentos em infra-estrutura econômica (estradas, energia
elétrica, telefonia, portos etc.) e em infra-estrutura social (educação, saúde, segurança
etc.).

O valor adicionado é a variável que determina a eficiência da atividade em termos de


resultados gerados. Em suma, consideraram-se as atividades que mais geram empregos,
que apresentam maior número de empresas e que adicionam maior valor (com base no
ICMS).

A classificação das atividades do Valor Adicionado adotado pelo Estado de Santa


Catarina são baseadas numa definição diferente da CNAE1 (o qual é adotada pelo RAIS
para Empresas e Empregos). Essas atividades passaram por um processo de migração

1
CNAE – Classificação Nacional de Atividade Econômica. Quando é feito o registro do CNPJ (Cadastro Nacional de
Pessoa Jurídica) junto a Receita Federal, é solicitado a atividade principal que compõe a empresa.

228

CAPÍTULO 3 – DETERMINAÇÃO DO SEGMENTO ECONÔMICO 2003 • AMUREL


para o CNAE-Fiscal2 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e,
posteriormente, ao CNAE. Passando as três variáveis a terem a mesma especificidade.

Desta forma, foram selecionados todos os grupos que compõem as seguintes seções do
CNAE (Classificação Nacional de Atividade Econômica):

ƒ Agricultura, pecuária, silvicultura e exploração florestal;

ƒ Pesca;

ƒ Indústrias extrativas; e

ƒ Indústrias de transformação.

O próximo passo foi ranquear os dez principais grupos de cada variável baseado no
somatório das quatro seções destacadas anteriormente.

As cinco tabelas a seguir, apresentam o comportamento das três variáveis e a


classificação das atividades relacionadas. Os dados apresentam como base o ano de
2001, por ser o mais recente disponível para análise.

2
CNAE-Fiscal – CNAE desenvolvido pelo IBGE visando à migração do Valor Adicionado das unidades federativas para o
CNAE.
229
CAPÍTULO 3 – DETERMINAÇÃO DO SEGMENTO ECONÔMICO 2003 • AMUREL
3.2.1 Variável – Valor Adicionado

A Tabela 75 apresenta os dez principais grupos do Valor Adicionado para o ano de 2001.
Para fins de uso da metodologia considera-se apenas a última série histórica disponível.
O grupo “Fabricação de produtos de madeira, cortiça e material trançado - exclusive
móveis” é o de maior valor adicionado para o ano de 2001.

Tabela 75 - Os dez principais grupos de valor adicionado e a pontuação de 2001


Ordem Grupos 2001 (R$) Pontuação
Fabricação de produtos de madeira, cortiça e material
1 93.092.402,00 10
trançado - exclusive móveis
2 Fabricação de produtos de plástico 72.791.018,00 9
3 Fabricação de produtos cerâmicos 72.561.080,00 8
4 Metalurgia de metais não-ferrosos 53.857.462,00 7

5 Confecção de artigos do vestuário 12.559.370,00 6

6 Extração de pedra, areia e argila 10.915.391,00 5

7 Fabricação de outros produtos alimentícios 10.853.189,00 4


Moagem, fabricação de produtos amiláceos e de rações
8 8.820.659,00 3
balanceadas para animais
9 Fabricação de produtos químicos inorgânicos 7.200.639,00 2
10 Serviços de acabamento em fios, tecidos e artigos têxteis 5.556.476,00 1

Fonte: DIEF 2001.

Na posição 1 do ano 2001 tem-se, apenas, o seguinte grupo integrante da Cadeia


Produtiva Madeira-Móveis:

ƒ Fabricação de produtos de madeira, cortiça e material trançado - exclusive móveis.

230

CAPÍTULO 3 – DETERMINAÇÃO DO SEGMENTO ECONÔMICO 2003 • AMUREL


3.2.2 Variável – Empresas

A Tabela 76 apresenta os dez principais grupos de empresas (estabelecimentos) para o


ano de 2001 e a pontuação. O grupo “Confecção de artigos do vestuário” possui o maior
número de empresas em 2001.

Tabela 76 - Os dez principais grupos de empresas para o ano 2001 e a pontuação


Ordem Grupos 2001 Pontuação
1 Confecção de artigos do vestuário 288 10
2 Pecuária 139 9

3 Fabricação de produtos cerâmicos 133 8

Fabricação de produtos de madeira, cortiça e material trançado -


4 110 7
exclusive móveis
5 Fabricação de outros produtos alimentícios 103 6
6 Fabricação de artigos do mobiliário 92 5

7 Desdobramento de madeira 64 4

8 Fabricação de produtos de plástico 56 3


9 Produção de lavouras temporárias 48 2
10 Fabricação de produtos diversos de metal 39 1

Fonte: DIEF 2001.

Nas posições 4, 6 e 7 têm-se, respectivamente, os seguintes grupos ligados a Cadeia


Produtiva Madeira-Móveis:

ƒ Fabricação de produtos de madeira, cortiça e material trançado - exclusive móveis;

ƒ Fabricação de artigos do mobiliário; e

ƒ Desdobramento de madeira.

231
CAPÍTULO 3 – DETERMINAÇÃO DO SEGMENTO ECONÔMICO 2003 • AMUREL
3.2.3 Variável – Empregos

A Tabela 77 apresenta os dez principais grupos de empregados para o ano de e a


pontuação. O grupo “Confecção de artigos do vestuário” tem o maior número de
empregados no ano de 2001.

Tabela 77 - Os dez principais grupos de empregados para os anos 1999-2001 e a


pontuação de 2001

Ordem Grupos 2001 Pontuação

1 Confecção de artigos do vestuário 6.289 10


Fabricação de produtos de madeira, cortiça e material trançado -
2 4.012 9
exclusive móveis
3 Fabricação de produtos cerâmicos 3.723 8
4 Fabricação de produtos de plástico 3.350 7
5 Fabricação de máquinas e equipamentos de uso geral 1.035 6
6 Fabricação de outros produtos alimentícios 869 5
7 Fabricação de produtos diversos de metal 791 4
8 Desdobramento de madeira 684 3
9 Pecuária 645 2
10 Abate e preparação de produtos de carne e de pescado 587 1

Fonte: DIEF 1999, 2000 e 2001 e Dados primários.

Nas posições 2, e 8 têm-se, respectivamente, os seguintes grupos integrantes a Cadeia


Produtiva de Madeira-Móveis:

ƒ Fabricação de produtos de madeira, cortiça e material trançado - exclusive móveis;

ƒ Desdobramento de madeira.

232

CAPÍTULO 3 – DETERMINAÇÃO DO SEGMENTO ECONÔMICO 2003 • AMUREL


3.2.4 Ranqueamento do Segmento Econômico Estratégico

A partir do somatório da pontuação obtida em cada uma das variáveis tem-se a


classificação. Os grupos que obtiverem as maiores pontuações são os que possuem um
maior destaque na região. A maior pontuação possível é trinta, ou seja, na situação onde
o grupo apresentar o maior número de empresas, gerar o maior número de empregos e
apresentar o maior montante de valor adicionado.

Tabela 78 - Posição dos grupos de Empresas, Empregos e Valor Adicionado em


2001
Valor
Posição Grupo Empresas Empregos
Adicionado
1 Confecção de artigos do vestuário 1 1 5
Fabricação de produtos de madeira, cortiça e
2 4 2 1
material trançado - exclusive móveis
3 Fabricação de produtos cerâmicos 3 3 3
4 Fabricação de produtos de plástico 8 4 2
5 Fabricação de outros produtos alimentícios 5 6 7
6 Pecuária 2 9 12
7 Desdobramento de madeira 7 8 21
8 Metalurgia de metais não-ferrosos 41 16 4
Fabricação de máquinas e equipamentos de
9 13 5 38
uso geral
10 Extração de pedra, areia e argila 16 29 6
11 Fabricação de artigos do mobiliário 6 12 13
12 Fabricação de produtos diversos de metal 10 7 60
Moagem, fabricação de produtos amiláceos e
13 17 15 8
de rações balanceadas para animais
14 Fabricação de produtos químicos inorgânicos 52 37 9
15 Produção de lavouras temporárias 9 32 50
Abate e preparação de produtos de carne e de
16 12 10 18
pescado
Serviços de acabamento em fios, tecidos e
17 46 38 10
artigos têxteis

Fonte: elaboração do autor.

233
CAPÍTULO 3 – DETERMINAÇÃO DO SEGMENTO ECONÔMICO 2003 • AMUREL
A Tabela 78 apresenta a posição dos grupos de empresas, empregados e valor
adicionado para o ano 2001 da região da AMUREL. O grupo “Confecção de artigos do
vestuário” é que se encontra entre as primeiras posições nas três variáveis analisadas.

A Tabela 79 apresenta a pontuação em cada uma das variáveis e a pontuação total.


Considerando-se a pontuação final baseado em Empresas, Empregos e Valor Adicionar,
os grupos “Confecção de artigos do vestuário” e “Fabricação de produtos de madeira,
cortiça e material trançado - exclusive móveis“ obtiveram 26 (vinte e quatro) pontos cada.
Isto é, a partir da análise da pontuação final de todos os grupos, a cadeia produtiva de
intervenção é a Cadeia Produtiva de Madeira-Móveis. Pois ao final, 3 dos dezessete
grupos são ligados a essa cadeia.

Nas posições 2, 7 e 11 têm-se, respectivamente, os seguintes grupos ligados a Cadeia


Produtiva de Madeira-Móveis:

ƒ Fabricação de produtos de madeira, cortiça e material trançado - exclusive móveis;

ƒ Desdobramento de madeira; e

ƒ Fabricação de artigos do mobiliário.

234

CAPÍTULO 3 – DETERMINAÇÃO DO SEGMENTO ECONÔMICO 2003 • AMUREL


Tabela 79 - Pontuação Final dos Grupos Econômicos de Empresas, Empregos e
Valor Adicionado
Valor
Posição Grupo Empresas Empregos Total
Adicionado
1 Confecção de artigos do vestuário 10 10 6 26
Fabricação de produtos de madeira,
2 cortiça e material trançado - exclusive 7 9 10 26
móveis
3 Fabricação de produtos cerâmicos 8 8 8 24
4 Fabricação de produtos de plástico 3 7 9 19
Fabricação de outros produtos
5 6 5 4 15
alimentícios
6 Pecuária 9 2 11
7 Desdobramento de madeira 4 3 7
8 Metalurgia de metais não-ferrosos 7 7
Fabricação de máquinas e
9 6 6
equipamentos de uso geral
10 Extração de pedra, areia e argila 5 5
11 Fabricação de artigos do mobiliário 5 5
Fabricação de produtos diversos de
12 1 4 5
metal
Moagem, fabricação de produtos
13 amiláceos e de rações balanceadas 3 3
para animais
Fabricação de produtos químicos
14 2 2
inorgânicos
15 Produção de lavouras temporárias 2 2
Abate e preparação de produtos de
16 1 1
carne e de pescado
Serviços de acabamento em fios,
17 1 1
tecidos e artigos têxteis

Fonte: elaboração do autor.

235
CAPÍTULO 3 – DETERMINAÇÃO DO SEGMENTO ECONÔMICO 2003 • AMUREL
3.3 Cadeia Produtiva de Madeira-Móveis

Durante a década de 90, a cadeia produtiva de madeira e móveis em termos mundiais


sofreu grandes transformações com conseqüentes ganhos de produtividade, não
somente, no que se refere à introdução de equipamentos automatizados na área
produtiva e à utilização de novas técnicas de gestão, como também ao uso de outras
fontes de matérias-primas, já que por questões ambientais a utilização de madeiras
nobres encontra hoje, uso restrito. Em relação à matéria-prima para a confecção de
móveis, conforme Gorini (2000), o desenvolvimento de tecnologia moderna reduziu as
dificuldades existentes na utilização de madeiras menos nobres, permitindo que novas
espécies reflorestáveis passassem a ser utilizadas. Dentre elas destacam-se o pinus (que
substituiu a Araucária no Brasil); o eucalipto (que embora ainda seja usado em menor
escala no Brasil, já é utilizado na Nova Zelândia, Austrália, Chile); e a seringueira (na
Malásia, Indonésia, Filipinas e Ceilão já começam a surgir móveis feitos a partir de
seringueira). É importante destacar que a norma ISO-4000 deverá inibir o uso de madeira
de lei e estimular o uso de madeira de reflorestamento. Além do aumento do uso de
madeira oriunda de reflorestamento, outra tendência verificada tanto no Brasil como
internacionalmente é o crescimento do uso de medium-density fiberboard (MDF), sendo
que para reduzir custos, mas mantendo o padrão de qualidade, verifica-se a mistura de
diversos materiais no mesmo móvel (MDF nas partes frontais, fundos de chapa dura e as
laterais feitas de aglomerado).

Segundo Gorini (2000), estas transformações influenciaram o mercado consumidor,


tendo havido uma massificação no consumo, especialmente no segmento de móveis
lineares retilíneos (fabricados a partir de painéis de madeira), sendo que neste segmento
em países desenvolvidos o ciclo de reposição sofreu grande redução, aumentando o
dinamismo da indústria. Conforme a autora, outra tendência verificada nos países
desenvolvidos, principalmente Estados Unidos e Europa, é que o novo modo de vida da
sociedade priorizou maior funcionalidade e conforto do móvel, tendo crescido
consideravelmente a linha ready to assemble e do it yourself, eliminando a necessidade
do montador, reduzindo o custo de frete e de montagem. Alguns países, como Taiwan,
que têm participação importante no mercado internacional, vêm desenvolvendo uma linha

236

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


de produtos de maior valor agregado em mercados pouco explorados, como por
exemplo, móveis de metal e grande diversidade de estilos. Por sua vez, a Itália continua
agregando valor a seu produto por meio do design, conseguindo obter uma renda
adicional por confeccionar um móvel diferenciado (Gorini, 2000). Portanto, com exceção
de casos em que se fabrica estes produtos de alto valor agregado, como na Itália, a
concorrência é via preço, sendo a eficiência um importante fator de competitividade. As
tendências para o futuro são de um móvel prático, padronizado, de baixo custo, e
confeccionado a partir de madeira de reflorestamento.1

A figura 46 apresenta esse sistema, o sistema industrial de base florestal. Dentro dele
situa-se o subsistema da indústria moveleira, o qual é mostrado na figura 47. Nota-se
pela figura 47 que a indústria moveleira é responsável pela segunda transformação
industrial da madeira.

Figura 46 Sistema industrial de base florestal


O subsistema da indústria moveleira (figura 47) depende, a montante da indústria
siderúrgica, fornecedora de metais para móveis, da indústria química, fornecedora de

1
Resumo de Estudo da competitividade de cadeias integradas no Brasil. Cadeia: Madeira-Móveis. Nota técnica final.
UNICAMP, Dezembro de 2002.

237

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


colas, tintas, PVC, vernizes e vidro, da indústria de couro, indústria têxtil e da indústria
responsável pelo processamento da madeira.

A indústria moveleira pode ser segmentada tanto em função dos materiais que os móveis
são confeccionados, como também de acordo com os usos a que se destinam. Quanto
aos usos, existem os móveis de madeira para residência (que contemplam os móveis
retilíneos seriados, os móveis torneados seriados e móveis sob medida) e os móveis para
escritório (móveis sob encomenda e móveis seriados).

Figura 47 Subsistema da indústria moveleira

238

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


Figura 48 Cadeia Produtiva de Madeira-Móveis
Fonte: Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina, 2003.

239

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


A Cadeia Produtiva de Madeira-Móveis, apresentada na figura 47, é composta por vários
elos e a partir deste, pode-se dar origem a outras cadeias. Por exemplo, a Cadeia
Produtiva do Papel e Celulose. Além disso, várias outras cadeias fornecem algum tipo de
subsídio.

Divide-se a Cadeia Produtiva de Madeira-Móveis, conforme a figura 47, em três grandes


partes: Extrativismo, Processamento e Destino final. No Extrativismo têm-se todas as
etapas de extração da madeira, silvicultura e reflorestamento. O elo de Floresta Plantada
torna-se um ponto de destaque, principalmente, no que tange ao manejo florestal. Na
etapa de desdobramento da madeira, que incluem os elos de serrarias, secagem,
laminadora e partículas, têm-se os primeiros beneficiamentos ocorridos com a madeira. O
elo de Produção de Chapas ocorre mais um beneficiamento com a madeira que será
utilizada na indústria de móveis ou encaminhados para a exportação. As próximas etapas
são a transformação em móveis e a sua posterior comercialização com o consumidor.

A exportação na Cadeia Produtiva de Madeira-Móveis possui características próprias, ou


seja, em várias etapas parte da madeira é encaminhada diretamente para exportação.
Assim, ela não chega às etapas finais de industrialização.

240

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


3.4 Competitividade da Cadeia Produtiva de Madeira e Móveis do
Brasil2

As principais questões relativas à competitividade relacionam-se à matéria-prima, à


produção propriamente dita (tecnologia e design) e às vendas. Rangel (1993) afirma que
“os fatores básicos da competitividade a nível internacional podem ser resumidos em
quatro pontos básicos: tecnologia, especialização da produção, design e estratégias
comerciais”. Num trabalho mais recente, Gorini (1998) identifica os seguintes fatores de
competitividade da indústria moveleira: matérias-primas, tecnologia, mão-de-obra e
design.

Evidentemente, matérias-primas, tecnologia, mão-de-obra e design são componentes de


custo que afetam os preços e a qualidade dos produtos. No entanto, para que as
empresas tenham sucesso em suas estratégias precisam coordenar adequadamente
fornecedores e distribuidores. Essa coordenação engloba a capacidade de informar
fornecedores de suas necessidades em termos de qualidade (atributos físicos do
produto), quantidade e regularidade de fornecimento.

A coordenação da cadeia produtiva torna-se tão mais importante quanto mais a


concorrência se faz, com base em atributos de qualidade – diferenciação de produto.
Para garantir que seu produto chegue ao comprador, com as propriedades visadas na
estratégia de produção e comercialização da empresa, é necessário que a coordenação
se estenda aos segmentos à jusante da fábrica. Sendo assim, os instrumentos utilizados
para coordenar a cadeia produtiva constituem também um importante fator de
competitividade.

A característica marcante da organização industrial do setor é a grande verticalização do


processo produtivo. Trata-se, portanto, de um arranjo organizacional bastante diferente
de países como a Itália, por exemplo. No Brasil,ainda é comum que as empresas
produtoras de móveis assumam todas as etapas de produção após adquirir a madeira

2
Resumo de Estudo da competitividade de cadeias integradas no Brasil. Cadeia: Madeira-Móveis. Nota técnica final.
UNICAMP, Dezembro de 2002.

241

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


serrada, isto é, desde a secagem e pré-processamento da madeira, até a fabricação do
móvel propriamente dito. Há também casos em que a própria empresa mantém
reflorestamentos, buscando obter matéria-prima adequada às suas necessidades.

Alguns trabalhos consideram que a integração da indústria moveleira é excessiva, o que


acarretaria ineficiências em todo o processo, já que a desverticalização da produção
poderia contribuir para uma maior flexibilização da produção, bem como para a redução
dos custos industriais. No entanto, esta conclusão só deve ser tirada, depois de uma
análise detalhada das transações com fornecedores e distribuidores de forma a garantir a
estratégia de concorrência, adotada pela empresa.

Assim, tendo em mente a necessidade futura de aprimoramento da análise referente aos


mecanismos de coordenação, buscou-se neste documento evidenciar os principais
gargalos existentes na cadeia madeira-móveis, de modo a orientar o processo de decisão
para eventuais políticas governamentais.

3.4.1 Matéria-prima

As principais matérias primas utilizadas pela indústria moveleira atualmente são as


chapas de madeira processada/reconstituída - aglomerado e médium density fiberboard
(MDF) – e madeira maciça proveniente de florestas plantadas (pinus e eucalipto), sendo
que o uso de madeira serrada de floresta nativa vem se reduzindo ao longo do tempo.

Quanto aos aspectos de competitividade da matéria-prima para a indústria moveleira,


devem-se considerar aqueles relativos à base florestal, ao processamento da madeira e à
sua qualidade.

242

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


3.4.1.1 Matéria-prima de Base Florestal

Em relação à quantidade disponível de matéria-prima, o Programa Nacional de Florestas


(PNF), do Ministério do Meio Ambiente, aponta para um déficit de matéria-prima florestal
oriunda de reflorestamento. De acordo com o PNF3, “estudos conduzidos pela Sociedade
Brasileira de Silvicultura – SBS e associações setoriais identificam a existência de um
desequilíbrio entre a oferta e a procura de madeira, para atender às projeções de
crescimento da indústria de base florestal a partir do início desta década”. Segundo o
documento “Contribuição do Grupo de Trabalho ‘Madeira e Móveis’4 ao Fórum de
Competitividade da Cadeia Produtiva da Indústria e Madeira e Móveis do MDIC”, para
suprir todos os segmentos industriais são cortadas cerca de 450 mil ha/ano de pinus e
eucalyptus e a área reflorestada anualmente tem sido de 150 mil ha, ocasionando,
portanto, um déficit de 300 mil ha/ano. Ao persistir esta tendência, a exaustão dos
estoques de madeira ocorrerá na metade desta década.

Embora o Programa de Florestamento e Reflorestamento executado entre 1967-1987


tenham resultado em superávit de madeira na época, seu término ocasionou um
descompasso entre a expansão do consumo e a oferta de matéria-prima, o que pode
comprometer o potencial de expansão de segmentos importantes, como o de papel e
celulose, o moveleiro, o de siderurgia, o de carvão vegetal, e a produção de chapas e de
madeira sólida.

Bacha (2000) salienta que a capacidade de produção anual de madeira de


reflorestamento já está igual ao consumo. Além disso, considerando-se que a taxa de
crescimento da área anualmente reflorestada é menor que o crescimento da demanda,
que a produtividade não está crescendo e que não se pode contar com oferta maior de
madeira nativa, percebe-se que a questão da oferta de madeira torna-se um gargalo
importante, já que pode ocorrer a falta num futuro próximo.

3
BRASIL. Programa Nacional de Florestas – PNF. Brasília: MMA/SBF/DIFLOR, 2000. 52p.

4
As entidades que constituem este grupo de trabalho são: ABIMCI, ABIMOVEL, ABIPA, ABPM, ABRACAVE, CPTI, Fórum
Nacional das Atividades de Base Florestal, IBAMA/LPF, IPT e SBS.

243

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


Outro aspecto relevante à competitividade é que o aproveitamento da madeira (bem
como sua qualidade, tratada no tópico seguinte) está intimamente relacionado ao sistema
de manejo, ao sistema de corte e extração, à tecnologia empregada no processamento
primário e à capacitação e treinamento de mão-de-obra. Na Amazônia, por exemplo, o
rendimento médio da matéria-prima é de 30% a 35%, sinalizando o elevado grau de
desperdício, e impactos negativos sobre o meio ambiente, decorrentes dos resíduos
gerados.

É importante também notar que os resíduos da extração e industrialização da madeira


acabam por ser destinado para a produção de energia, por meio de queima, para uso
doméstico e produção de carvão ou, simplesmente para a queima a céu aberto. O
aproveitamento eficiente deste resíduo teria impactos positivos em toda a cadeia
produtiva, beneficiando desde as indústrias de processamento primário até a indústria de
móveis.

Deste modo, o aprimoramento das técnicas de corte, de manuseio e de extração da


madeira, bem como o aprimoramento tecnológico no seu beneficiamento são necessários
para melhorar a eficiência nas serrarias e laminadoras.

3.4.1.2 Matéria-prima processada

A análise do segmento produtor de sólidos de madeira, especificamente no que diz


respeito às matérias-primas básicas da indústria moveleira, indica que a demanda por
serrados de florestas nativas concentra-se nos móveis sob encomenda e vêm caindo nos
principais pólos moveleiros. Os serrados de florestas plantadas, por outro lado, têm sido
cada vez mais utilizados: o pinus vem se constituindo na principal matéria-prima das
empresas exportadoras de móveis e o eucalipto apresenta um potencial bastante
promissor.

No segmento de painéis reconstituídos observa-se, de um lado, uma demanda crescente


por aglomerados e MDF e, de outro, uma relativa estabilidade no consumo de chapas de
fibra dura.

244

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


A indústria moveleira utiliza basicamente:

ƒ AGLOMERADO: tampos de mesas, laterais de portas e de armários, racks,


divisórias, laterais de estantes;

ƒ MADEIRA SERRADA: tampos de mesa, frontal e lateral de balcões, assento e


estrutura de cadeiras, estruturas de camas, molduras, pés de mesa, estrutura de
sofás, laterais de gavetas, embalagem, pés de cama, pés de racks, estrados,
acabamento de móveis;

ƒ COMPENSADO: fundos de gaveta, armários, roupeiros, tampos de mesa, laterais de


móveis, braços de sofá, fundos de armários, prateleiras;

ƒ MEDIUM DENSITY FIBERBOARD (MDF): componentes frontais, internos e laterais


de móveis, fundos de gaveta, estantes, tampos de mesa, racks; e

ƒ CHAPA DE FIBRA DURA (HARDBOARD): fundos de gavetas, de armários e de


racks, tampos de móveis, móveis infantis e divisórias.

O parque industrial brasileiro produtor de serrados é composto por aproximadamente


10.000 empresas, e cerca de 60% das serrarias existentes estão localizadas na região
Centro-Oeste e Norte do país.

Em termos gerais, a produção e o consumo de madeira serrada vêm crescendo a taxas


praticamente iguais. De acordo com a ABIMCI, o crescimento médio da produção foi de
3,1% ao ano enquanto o consumo cresceu 3,2% ao ano. Vale notar que a indústria
moveleira consome apenas algo em torno de 15% da produção total de madeira serrada.

A indústria de painéis (aglomerado, MDF e de chapas de fibra) obteve um faturamento


em 2001 de cerca de US$ 500 milhões, sendo que as exportações de US$ 60 milhões
são oriundas do comércio de chapas duras. Dentre os painéis, os de madeira aglomerada
são os mais consumidos no mundo, cuja produção alcançou 84 milhões de m3 em 2000.
A produção nacional ocupou o nono lugar com 2% do volume produzido (BNDES,
2002a).

245

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


No que se refere aos painéis de madeira aglomerada, convém destacar que os pólos
moveleiros são os principais mercados consumidores, posto que entre 80% e 90% do
volume produzido são destinados à fabricação de móveis, absorvidos diretamente pela
indústria.

Em relação ao MDF, a produção mundial foi da ordem de 18,3 milhões de m3, e o


consumo mundial vem crescendo cerca de 20% ao ano em média entre 1996 e 2000,
destacando-se o crescimento do Brasil (64,6% ao ano) e da Alemanha (40,6% ao ano),
sendo os principais consumidores os Estados Unidos, China e Alemanha, os quais são
responsáveis por aproximadamente 50% do total demandado (BNDES, 2002a).

No Brasil, o MDF começou a ser produzido em 1997, e utiliza principalmente espécies


selecionadas de pinus em função de suas propriedades agroindustriais e de sua
valorização no mercado. A oferta nacional de MDF é voltada predominantemente para o
mercado interno e vem substituindo as importações.

No que se refere à produção dos painéis de compensado, predominam no Brasil as


pequenas e médias empresas, situadas em sua maioria na região sul e, em especial, no
Paraná. Uma das principais características do setor é a inexistência de barreiras à
entrada, devido ao baixo volume de investimentos requerido. Isto faz com que a oferta
seja bastante heterogênea, pois a produção é feita por unidades de diferentes níveis
tecnológicos.

Convém também notar que, até 1998, metade da produção de compensado era feita na
região Amazônica e a outra metade era produzida nas regiões Sul e Sudeste. No entanto,
dado que algumas espécies de madeiras nativas utilizadas em sua fabricação têm
restrições de exploração devido às questões ambientais, e reduzida utilização do manejo
sustentável das florestas nativas, o compensado de madeira tropical pode continuamente
perder mercado mediante substituição da madeira de nativas por madeira de pinus.

De acordo com o Fórum de Competitividade de Madeira e Móveis (2001), as tendências


para a indústria de madeira processada são as seguintes:

246

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


ƒ a demanda nacional de serrados de florestas nativas crescerá 3% a.a. e as de
plantadas 5% a.a. e os serrados de eucalipto contribuirão com 10 a 15% dos serrados
oriundos de plantações;

ƒ substituição parcial e gradativa na demanda de serrados de madeira de florestas


nativas por serrados oriundos de florestas plantadas;

ƒ as demandas nacionais por compensados e laminadas deverão crescer 3% a.a,


sendo que o consumo nacional de compensados em 2005 será da ordem de 1,0 a 1,2
milhão m3 (50% de madeira de Pinus e 50% de madeira de florestas nativas);

ƒ a produção nacional de painéis reconstituídos deverá alcançar 5,4 milhões m3 em


2004 e o crescimento maior será no segmento de MDF, que projeta quadruplicar a
produção nos próximos 5 anos. A indústria de aglomerados deverá produzir 3,2
milhões de m3 em 2004 e sua produção será quase totalmente direcionada para
atender o mercado interno, principalmente de móveis.

Considerando o Programa Nacional de Florestas (PNF) e as posições dos participantes


do Fórum, ressalta-se a questão da potencial escassez de madeira, pois:

ƒ à distância dos centros consumidores, os questionamentos ambientais e os aspectos


institucionais têm limitado a expansão da produção de madeira tropical. Ademais, o
aproveitamento das toras é ineficiente, com baixo grau tecnológico e o sistema de
exploração florestal predominante é o extrativismo itinerante, que acaba por causar
distorções na oferta de madeira. Há ainda o problema de que muitas madeiras de boa
qualidade e padrão não são conhecidas no mercado externo e interno;

ƒ a indústria de painéis reconstituídos, consumidora de Eucalyptus e Pinus, consumirá


10 milhões de m3/ano a partir de 2004, o que implica na necessidade de dobrar em
curto prazo as áreas florestais ligadas a esta indústria; • limite estimado de produção
sustentada de toras de Pinus é de 7 milhões m3/ano, de modo que, se a demanda for
superior a este valor ter-se-á, necessariamente que consumir os estoques em
crescimento ou importar madeira;

ƒ já se nota a diminuição dos estoques de toras de Pinus para laminação e para


serrados e, frente às reduzidas taxas de plantio nos anos 80 e 90, o problema tende a

247

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


se agravar; a indústria de compensados também pode ser afetada pela escassez de
toras no mercado, embora esteja projetando uma demanda futura aquém da sua
capacidade instalada;

ƒ diante da ampliação da produção das indústrias de celulose e papel, haverá


dificuldades para a oferta de toras de eucalipto no curto e médio prazo.

3.4.1.3 Qualidade da madeira

No entanto, não é apenas a quantidade de madeira um fator limitante. Há problemas


também quanto à qualidade da madeira processada.

Existe uma grande carência de fornecedores especializados no processamento da


madeira serrada para a indústria moveleira. O problema não se restringe às madeiras
nativas. As empresas moveleiras que adquirem madeira serrada de pinus enfrentam
problemas ligados à alta incidência de nós, secagem (teor de umidade e rachaduras) e
ao desdobro inadequado (desbitolamentos). Devido a esta questão muitas empresas
possuem plantios próprios de pinus para garantir a qualidade da matéria-prima, o que
implica num grande nível de verticalização.

Desta forma, ressalta-se a necessidade das empresas avaliarem qual a forma mais
eficiente de se adquirir a matéria-prima. Uma alternativa possível, seria a adoção de
contratos com os fornecedores da madeira ou com as serrarias, especificando os
requisitos técnicos necessários.

Ou seja, existe um problema de coordenação afetando toda a cadeia produtiva que


merece um detalhamento futuro maior. A variabilidade da matéria-prima afeta o
desempenho do maquinário mais moderno, geralmente importado e preparado para
absorver variações dimensionais bem mais restritas do que aquelas apresentadas pela
madeira serrada disponível. Da mesma forma, o PNF salienta que a Amazônia contribui
com 85% da produção anual de madeiras oriundas de florestas nativas, e que em geral o
processamento das toras é ineficiente, com um aproveitamento, após o desdobramento,
de apenas 35% do estoque removido.

248

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


Gorini (1998) afirma que a concorrência com produtores “informais”, trabalhando em sua
maior parte com serrarias obsoletas (gerando desperdícios no processamento da
madeira em tora entre 40% e 60%), também é um fator limitador de maiores
investimentos no plantio e processamento da madeira reflorestável destinada ao setor
moveleiro. A grande informalidade existente no setor moveleiro gera ineficiências em toda
a cadeia industrial, dificultando, por exemplo, a introdução de normas técnicas que
atuariam na padronização dos móveis, assim como das suas partes e componentes
intermediários.

São recentes os investimentos de empresas do setor de papel e celulose com foco na


produção de matéria-prima (madeira serrada) para a indústria moveleira, como por
exemplo à serraria da Aracruz. Porém, em que pesem as elevadas sinergias da produção
destinada aos dois setores, os altos investimentos na secagem da madeira e a sua
incipiente difusão na indústria moveleira nacional dificultam maiores investimentos nessa
área.

3.4.2 Produção de móveis: Tecnologia, Design e Mão-de-Obra

Os fatores de competitividade da etapa de produção de móveis contemplam as questões


de tecnologia, especialização da produção, design e mão-de-obra.

3.4.2.1 Tecnologia

Os pólos que mais investiram em tecnologia foram os de Bento Gonçalves e o de São


Bento do Sul. Basicamente, os investimentos foram em sua maioria realizados na
aquisição de equipamentos com controle numérico computadorizado - CNC, pelas
empresas de maior porte, e são, geralmente, importados da Itália, Alemanha e Espanha.

Conforme Gorini (1998), embora na década de 90 a indústria de móveis tenha investido


pesadamente no parque de máquinas, em automação e controle de qualidade, com
conseqüente aumento da escala de produção das principais empresas do setor, as
empresas mais modernas, geralmente ligadas ao comércio internacional, são poucas
dentro de um universo grande de empresas desatualizadas tecnicamente e com baixa

249

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


produtividade, tendo se restringido às grandes e médias empresas do setor. Portanto,
percebe-se que o nível de tecnologia não é uniforme em todo o setor moveleiro, e que
são necessários investimentos de modo a permitir que mais empresas possam concorrer
com o produto externo.

A autora ressalta que a alta verticalização da produção doméstica aumenta os custos


industriais, e que a terceirização das etapas sucessivas de produção (tal qual ocorre na
Itália) traria aumento de eficiência. Assim, surge novamente o problema de governança
entre os elos da cadeia produtiva. O setor moveleiro também acredita que um maior grau
de desverticalização seria mais eficiente, a partir da comparação feita com a Itália. No
entanto, não existem ainda no país condições institucionais (normas técnicas,
padronização, etc.) que permitam tal grau de desverticalização. Além disso, as
características das transações podem requerer este grau de verticalização. Desta forma,
o alto grau de verticalização atualmente encontrado pode ser as estruturas mais
eficientes, cabendo estudos adicionais relativos a esta questão.

No segmento de móveis de pinus podem ser identificados alguns gargalos,


principalmente no que tange às etapas de preparação da madeira e de acabamento do
móvel. Embora muitas empresas possuam plantios próprios de pinus para garantir a
qualidade da matéria-prima, os níveis de acabamento e usinagem são tecnologicamente
inferiores aos apresentados pelos europeus, considerando-se empresas do mesmo porte.

Estes fatores acabam comprometendo a competitividade das empresas, tornando o


processo de desverticalização da produção mais difícil.

250

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


3.4.2.2 Design

Embora o Brasil tenha potencial competitivo para ampliar as exportações de móveis feitos
a partir de madeira de reflorestamento, tem um problema importante a ser superado que
é a falta de um design genuinamente nacional, já que hoje a maioria dos móveis
exportados são cópias modificadas dos produtos do exterior. O desenvolvimento de um
novo design envolve vários aspectos, tais como a diminuição do uso de insumos, a
redução do número de partes e peças envolvidas num determinado produto, além da
redução do tempo de fabricação. Design é mais que um avanço na estética, significa o
aumento da eficiência global na fabricação do produto, incluindo-se aí as práticas que
minimizem a agressão ao meio ambiente.

No que se refere aos novos materiais, verificam-se grandes mudanças decorrentes das
inovações ocorridas nas indústrias química e petroquímica que permitiram a introdução
de um expressivo número de inovações na indústria moveleira.

No entanto, a indústria moveleira nacional não possui pessoal especializado em design.


As exceções são as empresas líderes, as quais possuem profissionais mais
especializados, como arquitetos, engenheiros, desenhistas e designers. Além disso,
apenas três dos sete pólos registram um nível de difusão apreciável de equipamentos
CAD, os quais são utilizados quase exclusivamente pelas grandes empresas.

Via de regra a pequena e média empresa não investe em design próprio. A estratégia
utilizada por elas é a cópia e adaptação do design das empresas maiores. O desafio,
portanto, é superar esta cultura de cópia, disseminada em parte do setor, por meio de
estratégias que contemplem a importância do design como elemento de agregação de
valor ao móvel, favorecendo o desenvolvimento de uma cultura de desenvolvimento de
produto e inovação com correspondente registro de patente para sua proteção legal.

A dificuldade de adoção de um design pelas empresas menores, visto que pessoal


especializado exigiria escala e escopo nem sempre existentes nestas empresas, poderia
ser viabilizado por condomínios ou pelas associações de classe.

251

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


Algumas iniciativas importantes para tentar solucionar a falta de design do móvel
brasileiro estão sendo tomadas. Vários projetos conjuntos entre iniciativa privada e
governo5 estão sendo desenvolvidos para a criação de núcleos de desenvolvimento de
design, nos quais bolsistas do CNPq especialistas do setor, equipados com
computadores, atendem as empresas moveleiras, procurando disseminar a cultura do
design e desenvolver uma metodologia para desenvolvimento de novos produtos.

3.4.2.3 Mão-de-Obra

É importante notar, que apesar da indústria moveleira ser intensiva em mão-de-obra, a


inovação tecnológica visando aumento da produtividade exigem maior qualificação do
pessoal, sendo de grande importância os investimentos em treinamento e capacitação.
Ademais, há a necessidade de se aperfeiçoar as condições de saúde e segurança
ocupacional em toda a cadeia produtiva da indústria de madeira e móveis, com o objetivo
de reduzir problemas relacionados ao elevado número de acidentes e doenças do
trabalho, aumento do uso de dispositivos de proteção e redução da informalidade de
vínculo empregatício.

Os principais centros destinados à formação de mão-de-obra e ao desenvolvimento


tecnológico da indústria moveleira no Brasil estão localizados em pólos moveleiros e são
geridos pelo SENAI. Estes centros são responsáveis por atividades de aprendizagem
industrial e cursos profissionalizantes, treinamentos operacionais específicos, cursos
técnicos formais de segundo e terceiro graus, assistência técnica e convênios
tecnológicos com empresas para o desenvolvimento conjunto de produtos utilizando
novos materiais.

5
Um dos 16 projetos do Promóvel é a criação de 12 núcleos de desenvolvimento de design, sendo que dois já foram
implementados.

252

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


3.5 Reflorestamento e Silvicultura

As florestas cobrem atualmente cerca de 30% da área territorial do conjunto de países do


globo terrestre. São quase 3,9 bilhões de hectares de florestas no mundo, sendo 95% de
formação natural e apenas 5% de florestas plantadas. A Rússia e o Brasil são os maiores
detentores das florestas mundiais, com 22% e 14,1%, respectivamente, da superfície
total (Tabela 80). As florestas plantadas somam aproximadamente 186,7 milhões de
hectares, a maior parte no continente asiático. A China, com mais de 45 milhões de
hectares reflorestados, detém 24% da área mundial cultivada com florestas, seguida pela
Índia (17,4%), a Rússia, (9,3%), os Estados Unidos (8,7%), o Japão (5,7%) e a Indonésia
(5,3%). O Brasil, com aproximadamente 5 milhões de hectares reflorestados, é o sétimo
país que mais refloresta no mundo. As florestas plantadas somam aproximadamente
186,7 milhões de hectares, a maior parte no continente asiático. A China com mais de 45
milhões de hectares reflorestados, detém 24% da área mundial cultivada com florestas,
seguida pela Índia (17,4%), a Rússia, (9,3%), os Estados Unidos (8,7%), o Japão (5,7%)
e a Indonésia (5,3%). 6

O Brasil possui aproximadamente 65% (5,5 milhões de Km²) do seu território coberto por
florestas. Desse total quase 2/3 é formado pela Floresta Amazônica enquanto o restante
compõe-se de Mata Atlântica e ecossistemas associados (sul, sudeste e nordeste),
Caatinga (nordeste) e Cerrados (centro-oeste). O País possui a maior extensão de
floresta tropical do mundo, abriga a maior biodiversidade e é, simultaneamente, o maior
produtor e também líder mundial em consumo de madeira tropical. Só a Amazônia
representa um terço das florestas tropicais do mundo. A região abriga as maiores
reservas de produtos madeireiros (60 bilhões de m³ em tora). A vocação econômica da
Amazônia é o manejo florestal e a industrialização de produtos e subprodutos florestais.
A produção atual de madeira representa cerca de US$ 2,5 bilhões/ano.

6
Resumo de Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC

253

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


Tabela 80 - Cobertura Florestal Mundial – 2001
Total Porcentagem do Florestas
Área total
Continente e país de florestas total de florestas Plantadas
(1.000 ha)
(1.000 ha) (%) (1.000 ha)
Mundo 13.063.900 3.869.455 100,0 186.733
África 2.978.394 649.866 16,8 8.036
República do
226.705 135.207 3,5 97
Congo
Demais países 2.751.689 514.659 13,3 7.939
Ásia 3.084.746 547.793 14,2 115.847
China 932.743 163.480 4,2 45.083
Índia 297.319 64.113 1,7 32.578
Indonésia 181.157 104.986 2,7 9.871
Japão 37.652 24.081 0,6 10.682
Tailândia 51.089 14.762 0,4 4.920
Demais países 1.584.786 176.371 4,6 12.713
Oceania 849.096 197.623 5,1 2.848
Austrália 768.230 154.539 4,0 1.043
Demais países 80.866 43.084 1,1 1.805
Europa 2.259.957 1.039.251 26,9 32.015
Rússia 1.688.851 851.392 22,0 17.340
Ucrânia 57.935 9.584 0,2 4.425
Demais países 513.171 178.275 4,6 10.250
América do Norte e
2.136.966 549.304 14,2 17.533
A. Central
Canadá 922.097 244.571 6,3 -
Estados Unidos da
915.895 225.993 5,8 16.238
América
Demais países 298.974 78.740 2,0 1.295
América do Sul 1.754.741 885.618 22,9 10.455
Brasil 845.651 543.905 14,1 4.982
Demais países 909.090 341.713 8,8 5.474
Fonte: FAO in Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC

Certamente com a adoção de prática de manejo, poder-se-ia atender a demanda interna


por madeira, de forma sustentável, utilizando-se apenas de um pequeno percentual das

254

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


áreas com potencial produtivo. Com relação às florestas plantadas o Brasil possui 4,6
milhões de hectares. A maioria localizada nos Estados do Paraná, São Paulo, Minas
Gerais e Espírito Santo. As áreas de reflorestamento são constituídas principalmente por
eucalipto e pinus com larga utilização no setor moveleiro.

Tabela 81 - Produção mundial de madeira em toras segundo as continentes e


principais países – 1997-2000 (mil m3)
Continente e pais 1997 1998 1999 2000
Mundo 3.286.128 3.181.868 3.291.183 3.352.470
África 582.476 584.936 588.946 596.373
Republica do Congo 64.878 66.050 67.367 68.630
Etiópia 85.504 86.532 88.247 89.930
Nigéria 67.740 67.836 68.292 68.767
Demais Países 364.353 364.518 365.041 369.047
América do Norte e A. Central. 769.605 764.080 776.871 782.569
Canadá 191.178 176.619 186.402 187.444
Estados Unidos da América 485.880 494.016 497.641 500.434
Demais Países 92.547 93.445 92.827 94.691
América do Sul 303.778 303.040 332.702 337.999
Brasil 213.480 213.703 231.563 235.402
Demais Países 90.298 89.336 101.139 102.597
Europa 522.151 463.152 529.613 577.311
Rússia 134.664 95.000 143.600 158.100
Finlândia 51.329 53.660 53.637 54.263
Suécia 60.200 60.600 58.700 61.800
Demais Países 275.958 253.892 273.676 303.148
Ásia 1.055.455 1.014.346 1.008.576 998.598
China 311.153 298.489 291.413 287.472
Índia 316.442 317.163 318.286 319.498
Indonésia 139.093 123.108 121.774 120.339
Demais Países 288.766 275.586 277.103 271.289
Oceania 52.664 52.316 54.476 59.620
Fonte: FAO in Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

O Brasil, com aproximadamente 5 milhões de hectares reflorestados, é o sétimo país que


mais refloresta no mundo. A produção mundial total de madeira atingiu 3,35 bilhões de m3

255

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


em 2000, 1,9% a mais do que em 1999. Os EUA têm participação de cerca de 15% neste
montante, seguidos pela Índia (9,5%) e pela China (8,6%). O Brasil é o quarto maior
produtor mundial de madeira, tendo participado com 7% da produção total no ano de
2000 (Tabela 81).

Tabela 82 - Produção mundial de madeira em toras para fins industriais segundo


os continentes e principais países – 1997-2000 (mil m3)
Continente e pais 1997 1998 1999 2000
Mundo 1.538.297 1.480.954 1.536.804 15.865.390
África 68.855 68.455 68.196 68.826
América do Norte e A. Central. 614.239 608.345 620.542 624.343
Canadá 185.859 173.615 181.763 182.787
Estados Unidos da América 416.092 422.034 425.659 428.452
Demais países 12.288 12.696 13.120 13.104
América do Sul 128.053 126.332 150.053 152.953
Brasil 84.684 83.764 100.395 102.994
Demais países 43.369 42.568 49.658 49.959
EUROPA 418.988 396.683 422.501 463.937
Alemanha 35.488 36.441 35.063 46.504
Rússia 88.374 77.400 94.600 105.800
Finlândia 47.288 49.541 49.593 50.148
França 31.316 32.718 33.237 39.120
Suécia 56.400 54.700 52.800 55.900
Demais países 160.122 145.884 157.208 166.465
ÁSIA 266.600 240.261 232.879 229.063
China 107.046 107.437 100.361 96.421
Indonésia 45.538 31.216 31.358 31.358
Demais paises 114.016 101.609 101.160 101.284
OCEANIA 41.564 40.877 42.633 47.418
Fonte: FAO in Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

Estes quatro países, mais o Canadá e a Rússia, são responsáveis por mais da metade
de toda a madeira produzida no mundo. A madeira produzida na América do Norte e na
Europa destina-se majoritariamente ao aproveitamento industrial, enquanto nos países da
América Central, da América do Sul e da Ásia, a maior parte da madeira é utilizada para
produção de energia. Nos países da África e na Índia, quase toda a produção é usada

256

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


como fonte energética. No global, mais da metade de toda a produção mundial de
biomassa florestal é usada para produção de energia (lenha e carvão vegetal). Do 1,59
bilhão de m3 de madeira destinada à transformação industrial no mundo em 2000, 27%
foi produzido pelos EUA, 11,5% pelo Canadá, 6,7% pela Rússia, 6,5% pelo Brasil e 6,1%
pela China (Tabela 82).

Tabela 83 - Produção mundial de madeira em toras para processamento


mecânico segundo os continentes e principais países – 1997-2000 (mil m3)
Continente e pais 1997 1998 1999 2000
MUNDO 940.532 889.813 919.216 949.836
ÁFRICA 26.894 28.017 27.518 28.196
América do Norte e A. Central. 408.323 391.925 406.680 409.547
Canadá 151.582 142.303 149.497 150.368
Estados Unidos da América 247.112 239.237 246.241 248.241
Demais países 9.629 10.385 10.942 10.938
AMERICA DO SUL 77.043 72.296 79.022 79.459
Brasil 47.779 46.779 48.300 49.290
Demais países 29.264 25.517 30.722 30.169
EUROPA 237.972 226.713 235.821 263.143
Alemanha 25.387 24.633 23.404 33.829
Rússia 40.586 42.400 46.500 49.700
Finlândia 24.976 25.587 25.090 25.995
França 21.134 21.967 22.185 26.500
Suécia 34.100 32.000 30.800 30.700
Demais países 91.789 80.127 87.842 96.419
ÁSIA 170.017 150.437 148.762 146.593
China 59.111 59.559 55.583 53.623
Indonésia 30.833 21.815 24.861 24.861
Malásia 29.907 20.207 20.288 21.442
Demais países 50.166 48.856 48.030 46.667
OCEANIA 20.285 20.425 21.413 22.897
Fonte: FAO in Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

Nos últimos dois anos, a produção mundial de madeira para uso industrial cresceu mais
de 3% ao ano. O aumento vem ocorrendo em quase todas as regiões, exceto no
continente asiático, que tem apresentado, nos últimos anos, uma queda sistemática na

257

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


oferta de madeira para a indústria. As maiores contribuições para este crescimento
ocorreram na Europa, com destaque para a Rússia e a França e, na América Latina,
principalmente o Brasil. Da produção mundial de madeira para uso industrial,
aproximadamente 60% se destina ao processamento mecânico. O restante se divide
entre a produção de papel e celulose e a fabricação de painéis reconstituídos. No ano de
2000, dos cerca de 950 milhões de m3 de madeira bruta destinada à produção de
serrados, laminados e compensados, os EUA e o Canadá responderam, juntos, por mais
de 40% (Tabela 83). Os maiores crescimentos desta produção nos últimos anos foram
verificados na Europa, enquanto na Ásia ocorreu, no período, uma significativa contração.

O Brasil tem uma posição importante na produção e no comércio internacional de


produtos florestais. Em 2000, a produção de madeira bruta de espécies cultivadas para a
produção de papel e celulose e para o processamento mecânico cresceu, em relação a
1999, expressivos 12% e 10%, respectivamente (Tabela 84).

Tabela 84 - Produção dos principais produtos florestais – Brasil – 1997-2000

Unidade
Produto 1997 1998 1999 2000
Medida
EXTRAÇÂO VEGETAL
Carvão Vegetal t 1.650.835 1.284.032 1.281.125 1.429.180
Erva-mate t 189.469 183.504 176.922 174.481
Lenha m³ 62.461.750 58.347.879 54.672.259 50.395.399
Madeira em tora m³ 26.303.849 22.149.783 21.310.243 21.918.527
SILVICULTURA
Carvão Vegetal t 3.784.064 3.042.789 2.536.847 2.385.516
Erva-mate t 307.327 424.433 462.665 522.019
Lenha m³ 27.392.913 30.252.670 35.770.568 40.469.405
Madeira p/ papel e celulose m³ 35.451.543 38.648.350 41.129.624 46.009.475
Madeira p/ outras finalidades m³ 21.663.350 33.933.841 23.433.414 25.708.036
Fonte: IBGE in Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

O expressivo crescimento das exportações catarinenses de produtos florestais, verificado


nos últimos anos, vem mantendo a expansão da demanda de matérias-primas. A
indústria de móveis e de laminados e compensados consomem cerca de 40% da madeira
bruta utilizada no processamento mecânico. O restante é consumido nas serrarias e

258

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


transformado em diversos outros produtos derivados da madeira. Os reflorestamentos de
pinus são responsáveis pela quase totalidade da oferta de madeira para a indústria
florestal catarinense. Esta indústria consome cerca de 13 milhões de m3 por ano de toras
de pinus. Deste montante, aproximadamente 4,5 milhões de m3 são transformados em
celulose e pastas de alto rendimento, 6,9 milhões m3 se transformam em madeira
serrada, 1,3 milhão de m3 é consumido na produção de compensados e o restante é
utilizado na produção de aglomerados, MDF e energia. As exportações catarinenses de
produtos florestais, nos últimos anos, foram responsáveis, em boa parte, pelo aumento
da demanda por matéria-prima florestal. O valor exportado pelos três segmentos do setor
em 2001 foi 45% superior ao verificado em 1998 (tabela 85).

Tabela 85 - Exportação de produtos florestais – SC – 1995-2001 (US$ 1.000 FOB)


Item 1996 1997 1998 1999 2000 2001
ERVA-MATE E DERIVADOS 4.401 3.479 3.180 2.559 2.638 2.913
MADEIRA E OBRAS DE
207.251 240.219 223.979 293.333 298.908 321.959
MADEIRA
Madeira bruta 2.425 - - - 976 -
Madeira serrada 43.175 64.163 67.328 90.799 85.364 100.468
Madeira laminada 4.030 5.490 2.293 2.314 2.383 1.765
Madeira perfilada 22.212 28.533 26.241 35.841 31.197 2.627
Painéis de mad.
Reconstituída (MDF e 17.199 17.834 8.658 2.903 5.789 10.109
aglomerado)
Painéis de madeira
39.860 40.883 32.795 51.566 52.486 51.884
compensada
Molduras de madeira 505 214 1.614 4.199 3.936 6.330
Caixas, engradados e
8.110 3.925 3.523 3.516 4.522 2.089
paletes de madeira.
Ferramentas, armações e
9.653 11.078 12.522 12.878 12.104 13.403
cabos de madeira.
Portas, janelas, assoalho e
outras Obras de marcenaria 58.809 64.980 67.681 86.190 86.647 86.776
e carpintaria.
Outras madeiras e obras de
1.273 3.119 1.324 3.127 13.504 46.508
madeira
PAPEL E CELULOSE 102.866 94.947 82.424 93.757 104.221 110.827
Pasta de celulose e papel
20.560 18.250 11.541 8.700 9.429 12.284
sanitário

259

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


Item 1996 1997 1998 1999 2000 2001
Embalagens e pasta "quate" 5.342 5.275 4.086 2.713 4.648 5.939
Papel e cartão Kraft,
69.743 65.874 63.736 78.785 87.119 90.115
Kraftline.
Outros Papéis 7.221 5.548 3.061 3.559 3.025 2.490
MÓVEIS DE MADEIRA 158.392 178.517 151.419 184.238 214.290 233.720
Móveis de Madeira p/
4.689 4.031 2.542 2.609 4.008 2.577
escritório
Moveis de Madeira p/
19.054 13.141 10.220 6.176 7.524 5.454
cozinha
Móveis de Madeira p/ quarto 72.314 72.560 55.779 72.240 82.546 88.307
Outros móveis de madeira 62.335 85.350 78.200 91.609 108.857 99.832
Componentes p/ móveis de
0 3.435 4.678 11.604 11.355 20.486
madeira
TOTAL PRODUTOS
472.910 517.162 461.002 573.887 620.057 669.419
FLORESTAIS
TOTALEXPORTAÇOES -
2.637.308 2.805.718 2.605.306 2.567.364 2.711.703 3.028.399
SANTA CATARINA
Fonte: SECEX/DECEX in Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-
SC.

Para melhorar a competitividade dos produtos florestais no mercado internacional, o


Brasil tem-se preocupado em certificar suas florestas econômicas. Atualmente, já há mais
de um milhão de hectares de florestas certificadas com o selo florestal FSC (Conselho de
Manejo Florestal), situação que coloca o País na quarta posição mundial em área
certificada. São 763 mil hectares certificados com florestas plantadas e 287 mil hectares
certificados com florestas nativas da Região Amazônica. O objetivo da certificação
florestal é fornecer a garantia de que os produtos são originários de florestas manejadas
de modo sustentável, com padrões ambientalmente corretos, economicamente viáveis e
socialmente benéficos. A certificação das florestas é o ponto de partida para a
certificação da cadeia de custódia, relativa a toda a cadeia produtiva, condição para a
obtenção do selo verde (FSC), para o produto final.

3.6 Desdobramento e Fabricação de Produtos de Madeira

Dentre as matérias-primas mais utilizadas na confecção de móveis está o pinus, o


eucalipto e a seringueira. O eucalipto é utilizado em menor escala no Brasil, no entanto, é

260

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


utilizado em países como Nova Zelândia, Austrália e Chile. Já a seringueira, começa a
surgir móveis na Malásia, Indonésia, Filipinas e Ceilão. Leis como a ISO 4000 estimulam
o uso de madeira de reflorestamento. Outra tendência tanto do Brasil como
internacionalmente é o crescimento do uso de medium-density fiberboard (MDF) sendo
composto misturas de diversos materiais num mesmo móvel com a intenção de diminuir
os custos e manter o padrão de qualidade.

As chapas de madeira processada/reconstituída – aglomerado e medium density


fiberboard (MDF) – são as matérias-primas mais utilizadas pela indústria de móveis. A
madeira maciça também é bastante utilizada no Brasil, sendo que as madeiras
provenientes de mata nativa estão com sua utilização em rápido declínio. Em
substituição, tábuas provenientes de plantios das espécies pinus e eucalipto vêm se
firmando. Estima-se que cerca de 60% da madeira maciça industrializada pela indústria
moveleira já sejam provenientes de plantios. O uso da madeira de eucalipto para a
fabricação de móveis vem se consolidando no Brasil, principalmente após a implantação
da moderna serraria da Aracruz, sendo os segmentos produtores de camas e de salas de
jantar os que mais a utilizam. Os pólos moveleiros são os principais mercados
consumidores de painéis de madeira aglomerada e de MDF, posto que mais de 90% do
volume produzido dessas chapas destinam-se à fabricação de móveis. A maior parcela
da produção nacional é absorvida diretamente pela indústria. Um volume menor é
comercializado pelas revendas, juntamente com chapas de madeira compensada, e
destina-se a empresas de menor porte e artesãos ou é usado para a execução de
serviços domésticos, na confecção de armários e prateleiras. A Tabela 94 indica os
atuais fornecedores de chapas de aglomerado e de MDF instalados no Brasil. Toda a
produção desses painéis é sustentada por florestas plantadas, sendo que as empresas
Placas do Paraná, Tafisa e Berneck utilizam 100% de pinus na fabricação de painéis de
aglomerado e/ou MDF, a Eucatex utiliza 100% de eucalipto e a Duratex e a Satipel
combinam pinus e eucalipto em proporções variadas. Em virtude do considerável
aumento da oferta interna de madeira aglomerada e de chapas de MDF ocorrido nos
últimos anos e que contou com apoio expressivo de financiamentos do BNDES, seu

261

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


fornecimento já é considerado adequado pela indústria produtora de móveis, que não
demonstra preocupação quanto ao seu suprimento em termos dos volumes ofertados7.

Tabela 86 - Fabricantes de Painéis de Madeira Aglomerada e de MDF no Brasil


Empresas Aglomerado MDF
Berneck Sim Não
Duratex Sim Sim
Eucatex Sim Não
Masisa Não Sim
Placas do Paraná Sim Sim
Satipel Sim Não
Tafisa Sim Sim
Fonte: BNDES

A participação das florestas nativas no fornecimento de madeira para processamento


mecânico vem diminuindo sistematicamente. Segundo o IBGE, em 2000 foram extraídos
21,9 milhões de m3 de madeira em toros das florestas nativas e 25,7 milhões de m3 de
madeira da silvicultura destinada à serraria ou laminação. Em 2000, foram produzidos no
país 23,1 milhões de m3 de serrados, um crescimento de 22% em relação a 1999 (Tabela
95). Nos últimos seis anos, a taxa média de crescimento anual da produção das serrarias
foi de 5,7%. As exportações de serrados neste período mantiveram-se num percentual
entre 7% e 9% da produção, alcançando 1.800 mil m3 em 2000.

7
Resumo de Documento básico para elaboração do Plano Nacional de Florestas – MMA. Internet: http://www.mma.gov.br

262

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


Tabela 87 - Produção e destino da madeira serrada – Brasil – 1994-2000
Ano Produção Consumo Exportação Importação
1994 16.610 15.630 1.331 351
1995 17.180 16.592 1.295 707
1996 17.700 16.944 1.259 503
1997 18.500 17.400 1.446 346
1998 18.200 17.110 1.327 245
1999 18.900 17.700 1.741 -
2000 23.100 20.300 1.800 -
Fonte: Abimici in Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

A produção de laminados e compensados em 2000 foi de 2,5 milhões de m3, volume 12%
superior ao obtido em 1999 (Tabela 96).

Tabela 88 - Produção e destino de laminados e compensados – Brasil – 1994-


2000
Ano Produção Consumo Exportação
1994 1.900 1.002 898
1995 1.600 852 748
1996 1.670 1.012 658
1997 1.650 1.000 650
1998 1.600 980 620
1999 2.200 2.000 1.300
2000 2.470 1.000 1.400
Fonte: Abimici in Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

Em 2001, o volume de madeira compensada exportada pelo Brasil cresceu 10% em


relação a 2000. Para 2002, as estimativas do setor apontam para um crescimento das
exportações da ordem de 3% a 4%. O segmento de painéis reconstituídos também
presenteou grande crescimento nos últimos anos, com uma taxa anual de expansão da
produção de 13% entre 1994 e 2000 (Tabela 97). O elevado crescimento verificado no

consumo interno de chapas de aglomerado impulsionou sua produção nos últimos anos,
tendo atingido 1,8 milhão de metros cúbicos em 2000.

263

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


Tabela 89 - Produção e destino dos painéis reconstituídos – Brasil – 1944-2000
(m3)
Ano Produtos Produção Importação Exportação Consumo
1994 758.286 3.178 55.736 705.728
1995 879.296 43.136 56.567 865.865
1996 1.059.056 114.272 58.729 1.114.599
1997 Aglomerado 1.224.112 120.107 49.462 1.294.757
1998 1.313.053 12.667 3.646 1.322.074
1999 1.499.947 1.363 28.019 1.473.291
2000 1.762.220 15.349 15.712 1.761.857
1994 554.400 82 281.230 273.252
1995 555.500 425 271.051 284.874
1996 538.040 4.258 236.667 305.630
Chapa de
1997 539.230 16.131 233.397 321.964
Fibra
1998 506.692 1.164 207.779 300.077
1999 535.691 - 204.929 330.762
2000 558.766 - 194.920 363.846
1994 - 6.616 - 6.616
1995 - 21.486 - 21.486
1996 - 53.462 - 53.462
1997 MDF 30.036 113.287 - 143.323
1998 166.692 35.589 17.918 184.363
1999 357.041 10.977 17.430 350.588
2000 381.356 10.559 3.037 388.878
1994 1.312.686 9.876 336.966 985.596
1995 1.434.796 65.047 327.618 1.172.225
1996 Todos os 1.597.096 171.992 295.396 1.473.691
1997 tipos 1.793.378 249.525 282.859 1.760.044
1998 de painéis 1.986.437 49.420 229.343 1.806.514
1999 2.392.679 12.340 250.378 2.154.641
2000 2.702.342 25.908 213.669 2.514.581
Fonte: ABIPA in Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina – 2001-2002, ICEPA, Florianópolis-SC.

O consumo brasileiro de MDF (Mediam Density Fiberboard), particularmente pela


construção civil e pela indústria de móveis, cresceu rapidamente, passando de 6,6 mil m3
em 1994 para quase 400 mil m3 em 2000. Este produto era totalmente importado até

264

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


1997, ano em que começou a operar no Brasil a primeira planta industrial produtora desta
chapa. Em 1999, o País já se tornou auto-suficiente. Para os próximos anos, prevê-se
que estarão em operação cinco unidades industriais produtoras de MDF e uma de OSB
(Oriented Strand Board), com grande expansão da produção, do consumo e das
exportações do produto.

3.7 Indústria de Móveis

A indústria brasileira de móveis apresenta produção geograficamente dispersa por todo


território nacional, localizando-se principalmente na região centro-sul do país, que
responde por 90% da produção nacional e 70% da mão-de-obra do setor. No Brasil,
assim como em outros países, a indústria moveleira caracteriza-se pela organização em
pólos regionais, sendo os principais: Grande São Paulo (SP), Bento Gonçalves (RS), São
Bento do Sul (SC), Arapongas (PR), Ubá (MG), Votuporanga e Mirassol (SP). Com uma
estrutura bastante fragmentada, esta indústria conta com aproximadamente 13.500
empresas: cerca de 10 mil microempresas (até 15 funcionários), 3 mil pequenas
empresas (de 15 até 150 funcionários) e apenas 500 empresas de porte médio (acima de
150 funcionários). Na sua quase totalidade, são empresas familiares, de capital
inteiramente nacional. Entretanto, nos últimos anos tem-se verificado a entrada de
empresas estrangeiras no segmento de móveis de escritório, em geral via aquisição de
fabricantes locais.8

O produto final da indústria moveleira é relativamente simples, a tecnologia de produção


depende quase que totalmente do que é desenvolvido pela indústria de bens de capital.
Dada a sua baixa participação no valor adicionado da indústria de transformação em
geral, a indústria moveleira não é um cliente privilegiado da indústria de máquinas. Isto
explica a defasagem tecnológica do maquinário produzido nos países em que a indústria
moveleira é menos pujante. Pelo mesmo motivo, explica-se a concentração da produção
de tecnologia de ponta nos países líderes, sobretudo Itália e Alemanha, agravando a
defasagem tecnológica dos outros países e os obrigando a investir pesadamente em

8
Resumo de Design como fator de competitividade na indústria moveleira, Campinas, março de 1999. Internet:
http://www.abimóvel.com Acesso em: 17/jul/2003.

265

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


importações de maquinário. Isto faz com que a tecnologia de ponta de fabricação do
setor esteja disponível a todos no mercado. Em suma, a tecnologia não é o fator central
da competitividade do setor moveleiro. Uma vez que a tecnologia já é bastante difundida
e acessível neste segmento, a simples integração entre indústrias de móveis e de
máquinas – como ocorre em alguns países da Europa – permite uma constante
atualização de base técnica. Além da tecnologia, os demais fatores de competitividade da
indústria de móveis relacionam-se com novas matérias-primas, design, especialização da
produção, estratégias comerciais e de distribuição, entre outros. A inovação está
principalmente no que se refere à inovação de produtos, através do aprimoramento do
design e da utilização de novos materiais.9

Embora apreciados no mercado externo, os móveis de pinus - lançados no mercado


brasileiro na década de 70 - ainda encontram resistência no Brasil, pois sua
comercialização foi prejudicada pela imagem malsucedida da estréia do produto no
mercado doméstico, onde foram lançados como móveis de baixo preço, envolvendo
pequenos investimentos em design. Além disso, apresentavam inúmeras falhas na
madeira, em função do manejo inadequado dos reflorestamentos: ausência de desbastes
e podas, corte precoce de árvores muito jovens e com diâmetro reduzido, assim como
mistura de espécies. Outro fator desfavorável foi à utilização de tecnologia inadequada na
industrialização da madeira: uso de equipamentos de acabamento e beneficiamento
obsoletos ou adaptados, despreparo nos programas de secagem e corte inapropriado da
madeira, deixando muitos nódulos, o que poderia ser minimizado com emprego de
tecnologia ótica. Apesar dessa primeira fase malsucedida, as empresas do setor
modernizaram suas instalações industriais e passaram a produzir móveis de pinus para o
mercado externo. Hoje, possuem máquinas e equipamentos mais modernos: leitoras
óticas para o corte de pinus, prensas de alta freqüência para a montagem dos painéis,
centros de usinagem flexíveis com controle numérico, encontrando também o uso de
cabine pressurizada na etapa do acabamento. Pode-se dizer que este é um segmento

9
Fonte: - Informativo SECEX ANO VI nº 33 Janeiro/2003, Panorama Setorial.

266

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


bastante competitivo da indústria nacional de móveis e que atua num mercado em que a
concorrência se dá via preços.10

Devido às crescentes restrições de caráter ambiental ao uso de madeiras de lei, tem


aumentado muito a importância, no comércio internacional, das madeiras de
reflorestamento como o pinus e o eucalipto. Pode-se mesmo dizer que o futuro da
indústria de móveis reside no uso crescente dessas madeiras, ou seja, a antiga vantagem
comparativa representada pelas florestas naturais torna-se cada vez mais ineficaz num
mundo extremamente preocupado com questões de meio ambiente (GORINI et alli).

3.7.1 O Setor Produtor de Móveis no Mundo

A produção mundial de móveis está estimada no patamar de US$ 200 bilhões. Nos
países desenvolvidos a produção representa 79% do total mundial, sendo de 64% a
parcela das sete maiores economias industriais: Estados Unidos, Itália, Japão, Alemanha,
Canadá, França e Reino Unido. A fatia restante de 21% corresponde à produção de
móveis em países emergentes, sendo que três deles (China, México e Polônia) vêm
apresentando rápido aumento na atividade moveleira, graças a investimentos recentes
em novas plantas, especialmente projetadas e construídas para exportações. O comércio
mundial de móveis envolve cerca de 50 países, tendo registrado cerca de US$ 55 bilhões
em transações em 2000. Os maiores importadores são : Estados Unidos, Alemanha,
França, Reino Unido, Japão e Canadá, enquanto os maiores exportadores são : Itália,
Canadá, Alemanha, China, Estados Unidos, Polônia e França. No período 1995/2000
houve expansão significativa nas importações por parte dos Estados Unidos e pequenos
aumentos em vários países europeus, além do Canadá e do Japão. A Itália permanece
no seu posto de maior exportador, participando com 20% do total exportado no mundo,
sendo que o valor de suas vendas externas tem permanecido praticamente constante.
Por outro lado, as exportações do Canadá e de cinco países emergentes – China,
Polônia, Malásia, Indonésia e México – aumentaram substancialmente11.

10
Abimóvel. Internet: http://www.abimovel.com Acesso em: 22/jul/2003

11
Resumo de BNDES Setorial, Rio de Janeiro, n. 15, p. 83-96, mar. 2002

267

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


3.7.2 A Indústria Moveleira no Brasil

Embora os dados sejam antigos, visto que datam do último Censo Industrial do IBGE,
realizado há 16 anos, ainda se afirma que a indústria brasileira de móveis é constituída
por aproximadamente 13.500 micro, pequenas e médias empresas, que empregam cerca
de 185 mil pessoas. A Abimóvel12 estima, no entanto, que, entre empresas formais e
informais, existam atualmente no país mais de 50 mil unidades produtoras de móveis.
São empresas familiares tradicionais e, na grande maioria, de capital inteiramente
nacional. Recentemente, em alguns segmentos específicos, como o de móveis para
escritório, ocorreu à entrada de empresas estrangeiras. Nos últimos anos, com o
aumento havido nas exportações, a indústria aprimorou sua capacidade de produção e
apurou significativamente a qualidade de seus produtos, sem que isso significasse
aumento dos lucros na mesma proporção. A indústria está investindo atualmente em
modernização da tecnologia e na adaptação do design, visando atender aos
consumidores de países europeus, especialmente o Reino Unido, e dos Estados Unidos.
Em 1999, a política cambial vigente levou a uma contração na produção de móveis. Em
2000, com uma taxa de câmbio mais estável e uma recuperação econômica geral, o setor
voltou a apresentar um bom crescimento. A figura 49 apresenta a estimativa de
faturamento realizada anualmente pela Abimóvel, em levantamento feito pelas
associações regionais/locais. Salienta-se que 60% referem-se a móveis residenciais,
25% a móveis de escritório e 15% a móveis institucionais, escolares, móveis para
restaurantes, hotéis e similares. Além disso, de 1994 a 1996 estão considerados apenas
os móveis de madeira.

12
ABIMOVEL: Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário. Internet: http://www.abimovel.com

268

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


12
10,3
10 9,7
8,8
7,4
8 7,3
6,2
6
4,6
4 3,7 3,9

0
1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002

Figura 49 Gráfico do faturamento da Indústria Moveleira de 1994 a 2002


Fonte: SECEX/Abimóvel

Em alguns estados estão implantados pólos moveleiros consolidados e tradicionais,


como, por exemplo, os de Bento Gonçalves (Rio Grande o Sul), São Bento do Sul (Santa
Catarina), Arapongas (Paraná), Mirassol, Votuporanga e São Paulo (São Paulo), Ubá
(Minas Gerais) e Linhares (Espírito Santo). Além desses tradicionais pólos, existem
alguns outros menores, em regiões próximas a eles, e também em outros estados, onde
dezenas ou centenas de pequenas empresas estão constituídas, sem que essas regiões
sejam caracterizadas formalmente como “pólos moveleiros”. A tabela 107 mostra a
distribuição dos pólos moveleiros por estado e as regiões onde existem concentrações de
empresas produtoras de móveis que não são consideradas como pólos.

269

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


Tabela 90 - Pólos Moveleiros Consolidados e Potenciais no Brasil
Arapongas Linhares
Curitiba Espírito Santo Colatina
Paraná Londrina Vitória
Cascavel Ubá
Francisco Beltrão Bom Despacho
São Bento do Sul Martinho Campos
Rio Negrinho Uberaba
Minas Gerais
Santa Catarina Coronel Freitas Uberlândia
Pinhalzinho Governador Valadares*
São Lourenço do Oeste Vale do Jequitinhonha*
Bento Gonçalves Carmo do Cajuru
Caxias do Sul Votuporanga
Restinga Seca Mirassol
Santa Maria São Paulo
São Paulo
Erechim Bálsamo
Rio Grande do Sul
Lagoa Vermelha Jaci
Passo Fundo Neves Paulista
Canela Nova Iguaçu*
Rio de Janeiro
Flores de Cunha Duque de Caxias*
Grama Bahia Salvador*
Amazonas Manaus* Pernambuco Recife*
Maranhão Imperatriz* Ceará Fortaleza*
Fonte: Movergs
* Não considerado como pólo moveleiro.

A indústria moveleira de Santa Catarina está concentrada no Vale do Rio Negro, mais
especificamente nos municípios de São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre.
Este pólo moveleiro surgiu nos anos 50, da atividade dos imigrantes alemães, estando
voltado inicialmente para produção de móveis coloniais de alto padrão. Nos anos 70,
destacou-se na produção de móveis escolares e cadeiras de cinema. Atualmente, São

270

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


Bento do Sul é o principal pólo exportador do país, respondendo por metade das vendas
de móveis brasileiros no exterior. 13

3.7.3 Exportações

As exportações brasileiras de móveis passaram de US$ 40 milhões para US$ 535


milhões entre 1990 e 2002, respectivamente. Para o ano de 2003, tem-se apenas as
informações até maio. Apesar desse crescimento expressivo, tais valores absolutos não
representam adequadamente o esforço exportador nacional, tendo em vista que os
preços dos móveis exportados vêm caindo desde 1999 (Figura 50).

600

500

400

300

200

100

0
*
90

91

92

93

94

95

96

97

98

99

00

01

02

03
19

19

19

19

19

19

19

19

19

19

20

20

20

20

Figura 50 Gráfico das Exportações Brasileiras de Móveis – 1990/2003 (em USS$


milhões)
Fonte: SECEX/Abimóves14

A tabela 108 apresenta os principais destinos das exportações brasileira de móveis de


2000 a 2002. Os países Estados Unidos, Argentina, França, Reino Unido e Alemanha
têm constituído os principais mercados externos da indústria de móveis brasileira,

13
Resumo de Design como fator de competitividade na indústria moveleira, Campinas, março de 1999. Internet:
http://www.abimóvel.com Acesso em: 17/jul/2003.

14
Disponível em http://www.abimovel.com Acesso em: 22/jul/2003. Vide metodologia de cálculo no mesmo endereço.

271

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


concentrando 70% dos valores exportados em 2000 a 2002. Nos anos 80, com a retração
do mercado interno, tiveram início as exportações brasileiras de móveis. Na Tabela 91,
verifica-se que as exportações apresentaram forte aceleração nos anos 90, e isto se deve
principalmente a três fatores15:

a) melhoria na capacidade produtiva da indústria, que possibilitou a elevação da


qualidade dos produtos e a redução de seus preços;

b) transformações ocorridas no Leste Europeu, que levaram as empresas brasileiras a


substituir estes países no fornecimento de móveis de madeira maciça para os EUA e,
principalmente, para Europa;

c) os avanços na área do Mercosul, que abriu o mercado dos países vizinhos, em


particular da Argentina, para as empresas brasileiras.

Tabela 91 - Destino das Exportações Brasileiro de Móveis – Principais países


(US$ FOB)

Destinos 2000 2001 % 00/01 2002 %01/02

Estados Unidos 115.294.756 155.312.828 34,71% 239.227.468 54,03%


França 70.022.828 63.250.170 -9,67% 65.920.378 4,22%
Reino Unido 38.343.350 39.743.676 3,65% 46.121.055 16,05%
Países Baixos 33.047.076 22.536.477 -31,80% 27.790.661 23,31%
Alemanha 40.444.613 23.121.691 -42,83% 25.888.240 11,97%
Uruguai 30.071.512 23.215.972 -22,80% 9.141.969 -60,62%
Argentina 85.084.658 69.921.594 -17,82% 7.157.905 -89,76%
Outros 91.870.103 104.225.262 13,45% 108.017.309 3,64%
Fonte: MOVERGS / SECEX

O grande problema relacionado com as exportações de móveis é que, na maioria dos


casos, os projetos (design) são determinados pelos importadores. Sendo assim, as
empresas brasileiras são apenas subcontratadas para executar a produção destes
móveis. Entretanto, a maioria das empresas exportadoras apresenta um elevado padrão

15
Resumo de Design como fator de competitividade na indústria moveleira, Campinas, março de 1999. Internet:
http://www.abimóvel.com Acesso em: 17/jul/2003.

272

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


tecnológico, tanto em relação à estrutura produtiva, como em relação aos equipamentos
específicos para o desenvolvimento do design. Desta maneira, estas empresas possuem
condições técnicas para, em médio prazo, elaborar o design de seus próprios produtos,
incrementando assim a exportação do móvel nacional, com o lançamento da identidade
brasileira no mercado mundial. No segmento de móveis de escritório, somente a adoção
da estratégia de desenvolvimento de projeto próprio permite que as empresas deste
segmento possam exportar seus produtos livremente, já que os projetos importados
enfrentam restrições comerciais por parte das empresas licenciadoras. Estas empresas
estrangeiras estabelecem informalmente uma divisão internacional do mercado, no qual
suas congêneres brasileiras atendem, no máximo, aos países da América Latina. Em
suma, o desenvolvimento interno é fundamental para que as empresas nacionais
obtenham independência em relação às líderes mundiais do setor, e mesmo que seja
conveniente a manutenção de acordos com estas empresas estrangeiras, o
desenvolvimento interno do design pelas empresas nacionais amplia o seu poder de
barganha16.

A tabela 92 apresenta os principais itens exportados (Assentos, Outros Móveis e


Colchões) de 1999 a 2002. Os móveis de madeira respondem por cerca de 70% das
exportações, enquanto assentos e cadeiras respondem por cerca de 7% e móveis de
outros materiais, partes e outros tipos respondem pelo restante.

16
MOVERGS – Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul. Internet:
http://www.movergs.com.br

273

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


Tabela 92 - Exportação detalhada por item – 1999 a 2002 (em USS$)

Exportações detalhadas por item 1999 2000 2001 2002


Descrição U$ U$ U$ U$
9401- Assentos 52.075.026 74.138.198 77.758.761 77.016.995
9401.20.00 - Assentos para veículos
1.229.301 3.249.804 4.439.692 3.038.537
automóveis
9401.30.10 - Assentos giratórios, de altura
107.722 8.869 15.077 103.684
ajustáveis de madeira
9401.30.90 - Assentos giratórios, de alt.
481.312 972.508 594.052 318.302
ajustável de outr. mat.
9401.40.10 - Assentos transformáveis em
120.958 947.883 1.216.213 997.514
camas de madeira
9401.40.90 - Assentos transformáveis em
47.209 21.019 29.676 25.114
camas de outros mat.
9401.50.00 - Assentos de cana, vime,
11.814 20.879 76.661 41.829
bambu ou mat. similares
9401.61.00 - Assentos Estofados, com
11.003.033 19.021.758 20.403.266 33.041.528
armação de madeira
9401,69,00 - Outros assentos com armação
9.403.745 12.292.771 11.534.447 12.712.581
de madeira
9401,71,00 - Assentos Estofados, com
3.194.442 4.767.331 3.436.432 3.416.591
armação de metal
9401.79.00 - Outros assentos com armação
5.808.074 7.317.396 6.676.078 2.458.993
de metal
9401.80.00 - Outros assentos 896.376 940.790 1.018.755 856.607
9401.90.10 - Partes para assentos de
295.884 378.555 258.813 76.876
madeira
9401.90.90 - Partes p/ assentos de outros
19.371.050 23.794.582 28.059.599 19.928.839
materiais
Outros 104.106 404.053 0 0
Sub-total 52.075.026 74.138.198 77.758.761 77.016.995
(continua)

274

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


9403 - Outros móveis e suas
partes (escritórios, cozinhas, salas,
331.814.167 413.404.671 404.827.454 457.233.754
dormitórios de madeira, plásticos,
metais, vime, bambu, etc).
9403.10.00 - Móveis de metal para
1.139.841 889.899 621.437 439.708
escritório
9403.20.00 - Outros móveis de metal 9.313.635 14.160.191 14.220.128 7.508.566
9403.30.00 - Móveis de madeira para
10.846.530 18.284.278 16.784.927 18.245.044
escritório
9403.40.00 - Móveis de madeira para
19.796.087 26.586.959 23.633.596 26.102.722
cozinhas
9403.50.00 - Móveis de madeira para
124.176.261 149.729.954 152.562.954 167.442.723
quartos de dormir
9403.60.00 - Outros móveis de
140.632.683 177.482.630 161.183.379 198.795.102
madeira
9403.70.00 - Móveis de plástico 1.476.245 1.538.895 1.724.931 934.929
9403.80.00 - Móveis de outras
897.667 815.957 757.432 740.644
matérias, incl.rotim, vime, bambu
9403.90.10 - Partes para móveis, de
19.779.623 20.145.916 27.892.270 31.771.356
madeira
9403.90.90 - Partes para móveis de
3.755.595 3.755.595 5.446.400 5.252.960
outros matériais
Sub-total 331.814.167 413.404.671 404.827.454 457.233.754
9404 - Colchões 1.313.327 1.285.440 938.709 1.274.285
9401.20.00 - Colchões de
656.169 522.666 337.141 348.774
borracha/plásticos alveolares
9404.29.00 - Colchões de outros
657.158 762.774 601.568 925.511
materiais
Sub-total 1.313.327 1.285.440 938.709 1.274.285
Fonte: SECEX / Abimóvel.

275

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


Tabela 93 - Os 20 principais municípios exportadores do Brasil de 1998 a 2001
1998 1999 2000 2001
1 São Bento do Sul São Bento do Sul São Bento do Sul São Bento do Sul
2 Flores da Cunha Flores da Cunha Bento Gonçalves Bento Gonçalves
3 Bento Gonçalves Caçador Flores da Cunha Flores da Cunha
4 Caçador Bento Gonçalves Caçador Caçador
5 São Paulo São Paulo São Paulo Rio Negrinho
6 Rio Negrinho Rio Negrinho Rio Negrinho Campo Alegre
7 São Joaquim de Bicas Campo Alegre Joinville Restinga Seca
8 Campo Alegre Caxias do Sul Campo Alegre Joinville
9 Caxias do Sul Garibaldi Restinga Seca Caxias do Sul
10 Restinga Seca Restinga Seca Caxias do Sul Arapongas
11 Garibaldi Pien Garibaldi Tupandi
12 Urussanga Joinville Arapongas Pien
13 S. Bernardo do Campo Urussanga Pien Garibaldi
14 Pien Rio Negro Tupandi São Paulo
15 Novo Hamburgo Arapongas São José Nova Prata
16 São José São José Urussanga Fraiburgo
17 Rio de Janeiro Fraiburgo Rio Negro Florianópolis
18 Fazenda Rio Grande Santa Cecília Fraiburgo Salto
19 Joinville São Joaquim de Bicas Santa Cecília Pouso Alegre
20 Rio Negro Novo Hamburgo Vargem Grande Paulista Santa Cecília
Fonte: Abimóvel.

276

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


Tabela 94 - As 20 maiores empresas exportadoras do Brasil de 1998 a 2001
1998 1999 2000 2001
1 Artefama Artefama Artefama Intercontinental
2 Toigo Toigo Toigo Artefama
3 Resil Leopoldo Thoratex Toigo
4 Gaudêncio Frame Leopoldo Gaudêncio
5 SCA Florense Florense Thoratex
6 Leopoldo Madecal Gaudêncio Madecal
7 Florense Gaudêncio Famossul Kappesberg
8 Frame SCA Weihermann Famossul
9 Treboll Treboll Frame Johnson Controls
10 Weihermann Famossul Kappesberg Florense
11 Tuper Thoratex Madem Renar
12 Pérola Neumann 3 Irmãos Madem
13 Neumann Pérola Neumann Ponzoni
14 Johnson Controls Weihermann Madecal 3 Irmãos
15 Famossul Tuper Treboll Weihermann
16 Chies Chies Madarco Incema Invert
17 Jasab 3 Irmãos Chies Chies Carraro S A
18 Serraltense Serraltense SCA Neumann
19 Rotta Ltda Jor Pérola Eucatex
20 Madarco Rotta Ltda Tuper SCA
Fonte: Abimóvel

277

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


3.7.4 Design e Tecnologia

A indústria de móveis é uma indústria tradicional, cuja dinâmica produtiva e de


desenvolvimento tecnológico é determinada por: máquinas e equipamentos utilizados no
processo produtivo, introdução de novos materiais e aprimoramento do design. Do ponto
de vista do padrão tecnológico das máquinas e equipamentos incorporados por esta
indústria, a grande mudança ocorrida foi à substituição da base eletromecânica pela
microeletrônica, o que permitiu maior flexibilidade na produção e melhor qualidade nos
produtos. Entretanto, como o processo produtivo da indústria de móveis, em geral, não é
seriado, mas descontínuo, existe a possibilidade de uso conjunto de máquinas de
diferentes bases tecnológicas. Apesar de a indústria moveleira ser intensiva em mão-de-
obra, as inovações tecnológicas estão levando a uma grande redução no uso desta,
principalmente em segmentos cuja produção possa ser transformada em processo
contínuo, como é o caso de móveis retilíneos seriados produzidos com painéis de
madeira. Em relação aos novos materiais, verificam-se grandes mudanças decorrentes
das inovações ocorridas nas indústrias química e petroquímica (materiais compostos,
plásticos mais resistentes, novas tintas, etc.), que permitiram a introdução de um
expressivo número de inovações na indústria moveleira. Entre estes novos materiais,
destaca-se o surgimento do MDF, que, devido à sua resistência mecânica e estabilidade
dimensional, permite que o trabalho seja feito com fresas, sendo assim um substituto
natural da madeira maciça. Além disso, apresenta a vantagem de ser produzido com
madeiras reflorestáveis. Observa-se, assim, que o único fator de inovação próprio da
indústria de móveis é dado pelo design, que, ao propiciar a diferenciação do produto
frente aos demais, se constitui em um dos elementos-chave para as condições de
concorrência nesta indústria. Cabe destacar que a difusão de equipamentos com base
microeletrônica (CAD-CAM)17, em conjunto com a crescente utilização de novos
materiais, têm impulsionado o design na indústria de móveis. 18

17
CAD - Design auxiliado por computador e CAM - Manufatura auxiliada por computador.

18
Resumo de Design como fator de competitividade na indústria moveleira, Campinas, março de 1999. Internet:
http://www.abimóvel.com Acesso em: 17/jul/2003.

278

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


O design tem sido considerado o ponto mais vulnerável da indústria moveleira nacional,
devendo ser aprimorado não só pelo fato de se pretender expandir as exportações, mas
sobretudo em função de que uma parcela considerável do consumidor brasileiro, em
termos de poder aquisitivo, é bastante exigente e está disposta a pagar preços
razoavelmente maiores por produtos que considere elegantes, funcionais e resistentes. A
Abimóvel/Promóvel recentemente implantou “núcleos de desenvolvimento de design” em
duas cidades (Curitiba e São Bento do Sul), mas sua pretensão é chegar, ao longo dos
próximos anos, a um total de 30 núcleos. Em decorrência desse trabalho, 25 técnicos
foram visitar, em 2001, a Escola de Design Politécnica de Milão. Para esse programa,
50% dos recursos provêm da Agência de Promoção de Exportações (Apex), 25% de
empresas do setor moveleiro e 25% dos fornecedores de insumos. A maior dificuldade
encontrada até agora reside na falta de estrutura de ensino superior vinculada à maioria
das regiões onde os pólos moveleiros estão situados. Com a recente introdução no
mercado nacional das chapas de MDF, novas perspectivas se abrem para as atividades
de criação, em virtude das características técnicas dessas chapas, que possibilitam o
trabalho em relevo19.

3.7.5 Padronização

Na área de normatização e certificação, o Brasil ainda se encontra defasado em relação


aos países da Europa e da América do Norte. A ergonomia é o fator mais importante a
ser trabalhado, ainda faltando pesquisas básicas que possam constituir referência para
futuras normas, como, por exemplo, a finalização de estudos sobre o perfil ergonômico
do brasileiro, trabalho que vem sendo feito em conjunto com a indústria de confecções. O
estabelecimento de normas técnicas é fundamental para o desenvolvimento da indústria
moveleira, na medida em que permite20:

ƒ restringir a concorrência predatória exercida pelos produtores de móveis de baixa


qualidade, que atuam no setor informal da economia;

19
Resumo de BNDES Setorial, Rio de Janeiro, n. 15, p. 83-96, mar. 2002

279

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


ƒ obrigar os fornecedores a seguirem estas normas, o que facilita o processo de
terceirização da produção;

ƒ estimular as exportações, em particular para os países desenvolvidos, onde os


produtos estão sujeitos a normas técnicas (ademais, as referências para criação das
normas brasileiras são as próprias normas internacionais);

ƒ restringir as importações de produtos de baixa qualidade que não seguem qualquer


tipo de norma técnica, produzidos particularmente no leste asiático;

ƒ proibir a exportação de madeira bruta, exportando apenas produtos de maior valor


adicionado, no caso os móveis (uma estratégia que visa reter uma importante fonte
de competitividade).

A Abimóvel, juntamente com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), vem


realizando, já há quatro anos, um trabalho de normatização para a indústria fabricante de
móveis. Até o final de 2001, a ABNT já havia publicado 35 normas que afetam
diretamente o setor, a maior parte referente a móveis para escritórios (Tabela 95).

No caso específico dos produtores de móveis de escritório, cabe enfatizar a importância


da consolidação das normas técnicas, pois a ergonomia é um elemento essencial para o
desenvolvimento do design neste segmento, e precisa estar suficientemente normalizada.
O estabelecimento de normas técnicas também é importante para o segmento de móveis
residenciais, neste caso com a participação dos arquitetos de interiores, que muito
poderiam auxiliar na elaboração destas normas.

20
Resumo de Design como fator de competitividade na indústria moveleira, Campinas, março de 1999. Internet:
http://www.abimóvel.com Acesso em: 17/jul/2003.

280

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


Tabela 95 - Normas Publicadas pela ABNT para o Segmento Moveleiro
Assunto Quantidade
Móveis para Escritório 13
Móveis Escolares 2
Ferragens e Acessórios para Móveis 11
Móveis para Cozinhas 2
Berços Infantis 1
Cadeias Altas 1
Tratamento de Superfície em 1
Móveis
Móveis (Geral) 2
Vidros e Tecidos para Móveis 2
Fonte: ABNT

Uma importante tendência que se destaca são as normas técnicas de caráter ecológico,
sendo importante:

1. conscientização e preparação das empresas em relação à certificação ISO 14000, por


meio da promoção de seminários nos principais pólos produtores, além da elaboração
de um manual específico para aplicação desta norma no setor moveleiro;

2. estímulo ao uso de chapas de madeiras reflorestáveis, como o pinus e o eucalipto, ou


mesmo de materiais recicláveis, dado o aumento das restrições ecológicas aos
móveis fabricados com madeiras nativas. É importante que o IBAMA certifique que a
origem da madeira utilizada em móveis é proveniente de fontes renováveis, o
chamado “selo verde”;

3. o IBAMA também deveria aprimorar a política de uso e aproveitamento racional das


espécies nativas, sendo necessário estabelecer uma política de extração de madeira
para móveis.

281

CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - FUNDAMENTAÇÃO 2003 • AMUREL


3.8 Análise Tecnológica da Cadeia Produtiva Madeira-Móveis –
enfoque móveis sob-medida

O processo de desenvolvimento regional pressupõe mudança de comportamento e


atitude das comunidades regionais, no sentido de cooperarem fortemente entre si, na
busca de metas comuns, visando o desenvolvimento do território no qual estão
inseridas, em função das competências, habilidades e culturas existentes. Assim,
alcançam o objetivo superior desejado através do desenvolvimento das vantagens
competitivas e comparativas ou, quando for o caso, da redução das desvantagens
existentes.

A Análise Tecnológica da Cadeia Produtiva Estratégica do Desenvolvimento


Tecnológico Regional - DTR, cuja elaboração é fruto da parceria formada entre a
ADRAM, UNISUL, SEBRAE/SC, IEL/SC e demais parceiros locais, é identificar as
características competitivas das micro e pequenas empresas fabricantes de móveis
sob medida que atuam na região da AMUREL. Em função do resultado obtido com as
informações colhidas e avaliadas para constar deste diagnóstico tecnológico, propõe-
se priorizar projetos para a implantação de ações que aumentem a competitividade
das empresas do citado segmento, em relação aos concorrentes mais diretos.

Outra razão para encetar o referido diagnóstico da forma como está previsto na
metodologia é a constituição de um exemplo metodológico, possibilitando que os
técnicos da parceria ADRAM/UNISUL reapliquem aqueles conceitos em qualquer
outra atividade econômica de interesse da região.

Ao final do processo de diagnosticar e priorizar, juntamente com as lideranças e os


empresários da região, a execução dos projetos de desenvolvimento ficarão sob
responsabilidade da ADRAM/UNISUL, que, em pareceria com outros atores
econômicos, articulará com a Secretária de Desenvolvimento Regional, prefeituras
municipais, associações comerciais/industriais, SEBRAE/SC, SENAI/SC e SESI/SC
dentre outros, o planejamento da implantação e gestão dos projetos priorizados.

Concomitantemente, no ato de obter as opiniões que fundamentam este estudo,


foram realizadas reuniões com personalidades locais envolvidas com o setor
madeireiro para provir que o elo de fabricação de Móvel sob Medida, inserido na fase

282
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
denominada Processamento da Cadeia Produtiva (ver figura 47), seria aquele que
responderia de maneira mais rápida e objetiva aos projetos e às ações de melhorias
sugeridas pelo diagnóstico tecnológico, elaborado a partir destas informações.

A definição do elo Móvel Sob Medida como sendo o primeiro segmento a ser avaliado
sob o enfoque tecnológico, pertencente à Cadeia Produtiva Madeira-Móveis,
considerada a de maior impacto econômico da região da AMUREL, após o estudo
sócio-econômico acurado, foi validada pelas principais lideranças da região e efetivada
sob a ótica metodológica da Análise Tecnológica de Cadeia Produtiva do
Desenvolvimento Tecnológico Regional - DTR exposta mais adiante neste mesmo
documento.

Portanto, este segmento é constituído de empresas que reúnem inúmeras


características que impeliram o desejo das lideranças locais em sua direção, no afã de
vê-lo em pleno desenvolvimento rapidamente. Elas são:

• Constituída em sua grande maioria de micro e pequenas empresas – menos do


que dez colaboradores por empresa – que apresentam as seguintes
características:

ƒ Absorvem mais mão-de-obra por capital investido;

ƒ Maior produção por capital investido;

ƒ Possuem importante ação complementar ao grande empreendimento;

ƒ Promovem a descentralização das atividades industriais do país, induzindo o


desenvolvimento regional por inteiro;

ƒ Reduzem o fluxo migratório, já que permitem a criação de novos empregos em


regiões específicas;

ƒ Formação de novos empreendedores resulta no fortalecimento do


empresariado nacional com técnicas e soluções melhores adaptadas às
necessidades brasileiras;

ƒ O surgimento de empresas com novas tecnologias, nas quais se associam o


pequeno investidor e o técnico responsável pela geração da tecnologia;

ƒ A capacidade de adaptação às constantes mutações das condições de


mercado é muito grande;

283
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
ƒ A característica das relações de trabalho, em que o contato entre patrão e
empregado é facilitado, promove um ambiente de trabalho mais agradável;

ƒ Ocupam nichos de mercado que normalmente não são atrativos às grandes


empresas;

ƒ Podem garantir uma pauta de exportação mais diversificada ao país;

ƒ Caracterizam-se como postos de treinamento de mão-de-obra, já que, como os


empregados são mais solicitados, estes têm maior oportunidade de se
desenvolver profissionalmente, e de maneira mais eclética.

• Bem distribuídas espacialmente, atingindo todos os 18 municípios que compõem a


AMUREL;

• De estrutura familiar, utilizando a mão-de-obra disponível próxima ao principal


empreendedor;

• De fácil inserção tecnológica, pois o principal empreendedor, por ser jovem em sua
maioria, está mais suscetível a inovações.

O quadro a seguir destaca os principais desafios identificados pela região em reunião


participativa ocorrida em novembro de 2003, no município de Termas do Gravatal/SC,
onde foi utilizada a metodologia da visualização móvel (METAPLAN) e compareceram
lideranças sindicais, empresariais e políticas, de âmbito estadual e municipal:

O tópico Metodologia descreve a concepção da metodologia utilizada para a


realização das entrevistas e avaliação do nível de competitividade das empresas
entrevistadas. No próximo tópico é apresentado os resultados obtidos com as
entrevistas programadas, bem como a estruturação dos resultados de forma gráfica.
E, finalmente, apresenta as considerações finais e os indicativos de projetos com
potencial de serem desenvolvidos pela região, visando o aumento da competitividade
das empresas de móveis sob medida da região da AMUREL.

284
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Mão-de-obra Financiamento Compras Núcleo dos Posicionament Controle em Apoio
qualificada em geral conjuntas produtores o do selo ou da relação ao Tecnológico
marca no plantio
mercado

Escola para Recursos para Central de Falta diálogo – Posto de venda Escassez de Aumentar a
mão-de-obra adquirir novas compras sem medo da matéria prima escala de
qualificada tecnologias gerar tributo concorrência produção
adicional

Desenvolvimen Recursos c\ Instituir um Mercado Madeira de


to de recursos juros mais Pólo Moveleiro qualidade
humanos baixos para
capital de giro

Mão-de-obra Financiamento Divulgação Padronização


especializada s para com padrão de da madeira
investimentos qualidade
em máquinas uniforme

Treinamento e Venda
conhecimento programada

Show Room
Integrado

Novos
mercados

Figura 51 Desafios identificados pela região da AMUREL.


Fonte: dados primários.

285
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
3.9 Metodologia Utilizada

Após a determinação do elo estratégico - móvel sob-medida - da Cadeia Produtiva


Madeira-Móveis, definida pela região da AMUREL como prioritária, delimitou-se uma
amostra significativa de empresas fabricantes, nas quais foram realizadas entrevistas
técnicas com os empreendedores com o intuito de diagnosticar tecnologicamente o
segmento.

Nestes encontros, com duração média de uma hora, foi aplicado um questionário que
avalia a situação da empresa, e conseqüentemente a do segmento, em quatro Fatores
Críticos de Sucesso e nas quatro faces do Diamante de Competitividade de Porter.

O questionário, ferramenta utilizada para coletar a informação na empresa, possui dois


tipos de indicadores, o quantitativo e o qualitativo.

O indicador quantitativo foi mensurado através do questionário cujo modelo é


explicado abaixo e foi formatado segundo um sistema de pontuação que varia de 1 a
5, conforme mostra a Figura 52. A escala descreve três situações correspondentes às
práticas implantadas ou ao desempenho obtido pelas empresas. A nota 1 irá equivaler
a 20% do nível de prática implantada ou desempenho alcançado, a nota 3 irá equivaler
a 60% do nível de prática implantada ou desempenho alcançado e a nota 5 equivalerá
a 100% do nível de prática implantada ou desempenho alcançado. As notas 2 e 4
correspondem a situações intermediárias entre as descritas e deverão ser escolhidas
quando a empresa apresentar características em ambas as colunas.

1 2 3 4 5 Pontos

Código Nome do
indicador Descrição 1 Descrição 2 Descrição 3 3

Descrição 2 é a mais
apropriada para a
empresa. Logo, a
pontuação é 3.

Figura 52 Sistema de pontuação do questionário


Fonte: Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina, 2003.

286
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Para facilitar a análise dos resultados e torná-la didática são utilizados dois gráficos do
tipo Radar, sobre os quais estão expostos os resultados relativos aos Fatores Críticos
de Sucesso - FCS, bem como, os resultados da análise do Diamante de
Competitividade de Porter.

Assim, ambos os gráficos apresentam uma visão dos indicadores pontuados no


questionário, dispostos numa escala que varia de 0 a 100%. Esta variação é relativa à
pontuação destes indicadores no questionário, cuja escala está baseada em intervalos
que estão dispostos entre os números inteiros de 1 a 5, sendo, posteriormente,
transformada em porcentagem mediante a multiplicação por um fator igual a vinte.
Desta forma, a pontuação obtida pela empresa no questionário é multiplicada por vinte
e estes valores geram os percentuais possíveis nos gráficos, ilustrando os resultados
da empresa analisada.

Cada um dos gráficos apostos é formado por 4 eixos, cada eixo tem uma escala de 0
a 100% e a posição da empresa é definida nesta escala por um ponto, totalizando
quatro pontos dispostos em círculo, que unidos por linhas, formam um polígono
fechado de quatro lados e quatro vértices.

3.10 Fatores Críticos de Sucesso

Os fatores críticos de sucesso identificados para a cadeia produtiva madeira-móveis


com enfoque em móveis sob-medida são: silvicultura, tecnologia de maquinários, mão-
de-obra e design.

3.10.1 Silvicultura

A silvicultura apresenta-se como fator fundamental para atingir uma condição desejada
que possibilite contribuir consideravelmente para a competitividade das empresas do
elo Móvel sob Medida, pois a madeira serrada e as chapas industrializadas
representam a maior parte do total dos custos dos insumos materiais. Para ponderar
sobre este fator, foram consideradas as questões apresentadas abaixo:

Em qual formato é adquirida a madeira serrada?

Qual a principal procedência da madeira serrada?

287
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Para a finalidade de uso na empresa, como é considerada a madeira serrada
adquirida?

Quais os principais defeitos que apresenta a madeira serrada?

Como é considerada a qualidade das matérias-primas disponíveis?

3.10.2 Tecnologia de maquinário

Como em todos os setores da atividade produtiva, a tecnologia disponível em termos


de equipamentos a preços razoáveis para a produção dos bens de consumo,
representa um Fator Crítico de Sucesso. Logo, nas entrevistas realizadas foram
tratados os seguintes aspectos:

Como está a Organização no “Chão de Fábrica”?

Qual o Grau de Mecanização do processo produtivo?

Sobre os equipamentos, qual a idade média deles na empresa?

Há necessidade de investimento em equipamentos? Estimativa de valor,


quando for o caso.

Sobre o Sistema de Informação, quais os que são utilizados.

Como e quando são efetuados os Serviços de Manutenção dos


equipamentos, máquinas e instalações elétricas e hidráulicas?

3.10.3 Mão-de-obra

Este fator apresenta-se como decisivo para a competitividade do segmento, pois a


qualidade do móvel fabricado sob medida depende, basicamente, do treinamento e
qualidade da mão-de-obra existente, e por ser este o fator de uso mais intensivo na
produção. Portanto, por ocasião das entrevistas, foram abordadas as seguintes
questões:

Informações sobre os aspectos de Treinamento e Educação?

Qual é o nível médio de Escolaridade dos empregados?

Qual o tipo específico de profissional que as empresas mais precisam?

288
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Qual o treinamento adequado para os empresários, neste momento?

3.10.4 Design – Desenvolvimento de Produtos – Inovação

Este fator é um dos que mais influencia o consumidor na hora de decidir pela compra
do móvel sob medida, decorrendo daí, uma parcela importante na formação do preço
de mercado auferido pelo produto. Logo, o ato de trabalhar a melhoria do design se
mostra indispensável para a evolução da competitividade e lucratividade do segmento:

Quais as características relevantes do Investimento em P&D?

Quais as características relevantes aplicadas no Desenvolvimento de Novos


Produtos?

Quais são as fontes usuais de informação da empresa?

Quais as Estratégias Tecnológicas que a empresa utiliza?

3.11 Diamante de Competitividade de Porter

Segundo Michael Porter (1993), o desenvolvimento sócio-econômico está diretamente


relacionado à competitividade nacional, a qual o autor denominou de Diamante de
Competitividade. Ainda segundo ele, a resposta reside em quatro atributos que,
individualmente ou como um sistema, definem o campo de ação que cada nação
estabelece e opera para suas indústrias:

3.11.1 Estratégia, Estrutura e Rivalidade entre as Empresas

É o contexto no qual as empresas são criadas, organizadas e dirigidas, e também


como a natureza da rivalidade interna da indústria se processa no ambiente
competitivo.

Qual o Conhecimento sobre a Concorrência?

Como se efetiva a Estruturação dos Canais de Venda?

Quais as principais ações em Planejamento de Marketing?

O ambiente empresarial no qual a empresa opera tem mudado


significativamente ao longo dos últimos anos?

289
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Qual o Grau de Cooperação Atual entre as empresas do mesmo setor, com
atuação em âmbito local ou regional?

Qual a principal dificuldade para melhorar a cooperação entre a sua empresa


e as demais do mesmo setor da região?

3.11.2 Condições dos Fatores

São os elementos necessários para se alcançar competitividade em qualquer ramo


industrial: terra cultivável, mão de obra, trabalho, recurso natural, capital e infra-
estrutura.

Como considera o relacionamento com as instituições existentes no


território?

3.11.3 Condições de Demanda

Ela determina o rumo e o caráter da melhoria e inovação pelas empresas do território.


Três atributos gerais da demanda interna são significativos: a composição (natureza
das necessidades do comprador), o tamanho e padrão de crescimento e os
mecanismos pelos quais a preferência interna é transmitida aos mercados
estrangeiros.

Para quais regiões a empresa vende seus produtos diretamente?


Especifique, em Reais, o quanto é vendido para cada região?
Para quais clientes você vende a maior parte de sua produção?

Quanto representa percentualmente sobre o total das vendas?

A empresa elabora Estimativa de Demanda para o próximo ano?

Como a empresa efetua a Pesquisa das Necessidades dos Clientes?

Em relação ao volume das vendas mensais, qual é o seu comportamento


durante o decorrer do ano?

290
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
3.11.4 Indústrias Correlatas e de Apoio

É a presença, no país, de empresas especializadas e indústrias que possam


abastecer com insumos e serviços a produção industrial e, dar suporte administrativo
aos serviços, dentro de uma cadeia de valor.

Em relação aos Fornecedores de Materiais e Serviços, bem como sobre as


empresas Subcontratadas, como se comporta o mercado regional?

Quais as informações relevantes sobre o Planejamento Logístico de


recebimento de insumos e a entrega de produtos acabados, na local da
montagem?

Quantos são seus principais fornecedores? (os que representam 80% dos
custos / volume de compra)

Geograficamente, onde se localizam os principais fornecedores?

Quanto representa em cada região?

3.12 Resultados Obtidos

Os resultados obtidos através do levantamentos de dados foram agrupados nos


fatores críticos de sucesso e no diamante de competitividade de Porter.

3.13 Fatores Críticos de Sucesso

3.13.1 Silvicultura

Pelo fato da região onde estão localizados os municípios que compõem a Associação
dos Municípios da Região de Laguna - AMUREL ter quase trezentos anos de
civilização e, paralelamente, abrigar uma variedade significativa de atividades
econômicas, pode-se deduzir que grande parte das florestas composta por espécies
florestais nativas, está à beira da extinção. Houve muitos anos de exploração
irracional, sem nenhum controle dos governos federal, estadual ou municipal, onde as
riquezas florestais naturais não tiveram tempo de se recuperar como florestas, até

291
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
atingirem a idade adulta, para não caírem em fase de extinção, como se encontram
atualmente.

Neste interregno de tempo, há pelo menos quarenta anos, foi iniciado um movimento
de preservação ecológica por parte de profissionais de algumas áreas do
conhecimento, que se tornou forte e impossível de deter seu progresso, pois utilizava
o irresistível argumento de que o homem não deveria degradar o meio ambiente onde
vive, evitando malefícios irreparáveis para a sua saúde. Infelizmente, através de
“doses homeopáticas”, as previsões “catastróficas” de técnicos abnegados, foram
sendo confirmadas, ainda que classificadas de alarmistas e estapafúrdias, pois
doenças e epidemias surgiram na medida em que a raça humana foi destruindo o
ambiente onde vivera por milhares de anos em equilíbrio com a natureza.

Entretanto, como esta história não é privilégio desta região, tendo o feito também
ocorrido em outras partes do estado de Santa Catarina e Sul do país, surgiram outras
espécies de unidades florestais, originárias de outros países, que aqui se adaptaram
de forma surpreendente, tornando-se uma riqueza de excelente desempenho
econômico, como por exemplo, as espécies chamadas “pinus elliotis” ou “taeda” e o
“eucalipto grandis”.

Ora, com a destruição da riqueza endógena existente, com a comprovação da


economicidade positiva do plantio de florestas exóticas e com a conscientização
crescente da sociedade, não mais permitindo o abate de florestas nativas, os agentes
econômicos do setor madeira-móvel viram-se impelidos a intensificar o plantio destas
árvores exóticas para fins industriais.

Entretanto, considerando os dados que se dispõe, estruturados a partir de


levantamento de informações com os agentes econômicos locais, foi constatado que
os proprietários das fábricas de móveis sob medida não possuem florestas próprias,
sendo obrigados a comprar madeira serrada de empresas localizadas nos municípios
localizados próximos ao “pé” da Serra do Mar - Orleans, Lauro Muller, entre outros -
sem ter a preocupação de que se a madeira é oriunda de floresta nativa ou não.

Portanto, devido às características desta matéria prima, pode-se assinalar que a


madeira serrada fornecida atualmente é considerada de qualidade aceitável (27%) ou
boa (73%), não contendo nenhum aspecto qualitativo ou quantitativo preocupante que
indique cuidado ou mereça atenção, por resultar na diminuição da competitividade do

292
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
setor em relação à concorrência. Contudo, também acontece das empresas
fornecedoras entregarem alguns produtos com defeito, que podem ser classificados da
seguinte forma:

• Madeira torta ou desalinhada;

• Madeira mole, difícil de ser trabalhada;

• Medidas da madeira fora de padrão;

• Chapas industrializadas com falta de cola;

• Chapas industrializadas com densidade interna não adequada.

Transcorridos aproximadamente quatro décadas, existem nas regiões sul e sudeste do


Brasil algumas fábricas implantadas que produzem chapas de madeira para serem
utilizadas na fabricação de móveis sob medida – fórmica, MDF, compensado, entre
outras – alterando significativamente a metodologia de fabricar móveis personalizados,
relegando a madeira serrada maciça à condição de matéria prima complementar,
utilizada apenas na estruturação interna do móvel sob medida.

Obviamente, que estas mudanças trouxeram alterações importantes nas suas


características, pois os móveis ficaram:

• Mais leve;

• Menos duradouro;

• Mais quebradiço;

• Com desenho mais versátil;

• Possibilidade de mesclar vários materiais – metal, vidro, espelho, couro, fibras


naturais, plástico, etc;

• Com modificações importantes nas formas externas e internas;

• Com maior rapidez na fabricação e montagem;

• Com redução no preço do produto final;

• Mais exigente em mão-de-obra treinada.

Portanto, é adequado ressaltar neste momento, quando as lideranças políticas e


empresariais da região da AMUREL procuram avaliar caminhos e desafios a percorrer

293
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
nos seus mais diversos setores da economia, através da conscientização e
constatação do dever e da possibilidade de comandar o próprio desenvolvimento
sustentado, que precisam resgatar rapidamente o plantio de espécies nativas
industrializáveis economicamente, pois no passado recente foram muito utilizadas na
fabricação de móveis sob medida.

Para tanto, será necessário conceber, elaborar e implantar um projeto de pesquisa,


articulando as diversas entidades públicas e privadas que possuam interesses no
setor madeira–móveis, onde o principal objetivo será identificar e comprovar que,
aproveitando os avanços tecnológicos alcançados na execução das tarefas de manejo
florestal e desenvolvimento genético, várias espécies endógenas terão desempenhos
econômicos equivalentes aos obtidos pelo pinus e pelo eucalipto, recuperando, assim
precioso patrimônio natural da região.

3.13.2 Tecnologia - Máquinas

O elo da cadeia madeira-móveis que trata da parte que fabrica móveis sob medida
possui, no aspecto tecnológico, considerações mais próximas dos conceitos que
regem o desenvolvimento do artesanato (“manualização” do trabalho), do que aqueles
que se relacionam com os outros elos desta mesma cadeia produtiva. Ou seja, a
importância da consideração tecnológica no processo de fabricação está muito mais
ligada aos desenhos e projetos criativos, que utilizam diversos materiais como adorno
e estética, idealizados pelos próprios artesãos ou por profissionais especializados em
criação de móveis, como por exemplo, os arquitetos e/ou decoradores.

Decorrente deste raciocínio, as máquinas e equipamentos utilizados para este fabrico,


também não se caracterizam como equipamentos com tecnologia de última geração.
São máquinas simples, resistentes, de pequeno porte, cujo avanço tecnológico mais
expressivo tem ocorrido na linha da precisão da tarefa para a qual foi projetada,
possibilitando que o Brasil tenha muitas indústrias que comercializam estes
equipamentos a preços compatíveis com a atividade e ao mesmo tempo competitivos
em relação aos produtos estrangeiros.

Dentro desta descrição sucinta, verifica - se que uma das deficiências mais relevantes
encontradas na maioria expressiva deste conjunto de empresas está na Organização
do “Chão de Fábrica”, considerando a disposição física dos equipamentos, pois a

294
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
movimentação irracional dos insumos acarreta aumento de custos – mão-de-obra,
tempo, risco de quebra, circulação de pessoas, etc. Para tanto, deve ser considerado
para avaliação itens como arranjo físico, ergonomia, limpeza, arrumação nos locais de
trabalho e guarda das máquinas manuais, conforme quadro abaixo:

Conceito 1 3 5

Materiais e Materiais Empresa limpa e


Organização equipamentos organizados e conservada, sempre
do “Chão de organizados de identificados; uma “pronta para
Fábrica” maneira descontínua; pessoa é inspeção”; a
excesso de responsável pela disposição das
movimentação entre limpeza; máquinas e
os postos de trabalho; equipamentos
equipamentos
materiais obsoletos na permite a flexibilidade
dispostos de
fábrica. na produção.
forma lógica, de
acordo com fluxo
dos produtos.

Nota Média obtida pelas empresas = 1,0

Em seqüência, devem ser avaliados aspectos referentes à mecanização da fábrica,


através da introdução de processos mecânicos de produção, guiados por sistemas
eletrônicos e pelo computador, objetivando o aumento de produtividade da empresa e
melhorar a performance da qualidade no processo.

Ao avaliar detalhadamente o setor, seguindo diretriz traçada na caracterização da


“manualização” do processo de fabricação, que a automação ou automatização dos
processos produtivos é incompatível economicamente com esta atividade, apesar da
importância que ela possui para o monitoramento mais eficaz das etapas de produção.
Talvez, no rol de todas as empresas da região que fabricam móveis sob medida,
encontre-se uma ou outra unidade industrial, cuja relação benefício/custo comporte o
investimento necessário visando implementar esta melhoria. A informação que
fundamenta esta avaliação consta dos aspectos contidos no quadro abaixo:

295
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Conceito 1 3 5

Mecanização Alguma Automação em algumas Automação integrando


mecanização; etapas do processo; etapas do processo
intenso trabalho computadores são produtivo;
manual. utilizados para o
computadores
controle e planejamento
conectados às
da produção.
máquinas gerenciam a
qualidade dos
produtos;
computadores
utilizados para facilitar
o desenvolvimento de
produtos e prever
falhas.

Nota Média obtida pelas empresas = 1,0

Respondida a questão sobre a conveniência tecnológica de trabalhar os aspectos


práticos da automação, registra-se que a idade média dos equipamentos que
compõem a linha de fabricação de móveis sob medida é de pouco mais de dez anos.
Isto é, são máquinas que ainda possibilitam trabalhos com a qualidade desejada pelo
mercado, desde que os marceneiros que com elas operarem, tenham a característica
de bons artesãos.

Outro ponto, muito importante na definição do estágio de utilização da tecnologia


disponível no mercado, por parte das empresas do elo de móveis sob medida, está na
informatização dos processos industrial e gerencial, sistematizando a coleta de dados
e a geração de informações sobre a gestão da empresa. Estes sistemas podem ser
geridos automaticamente por softwares adequados ou através do preenchimento de
fichas de acompanhamento dos processos. A gestão deste sistema de informações
disponível e confiável deve proporcionar o conhecimento de como as tarefas estão
sendo trabalhadas, auxiliando no gerenciamento dos principais processos e no
alcance das metas estabelecidas. Neste aspecto, como característica principal, as
empresas tratam a informação manualmente e de forma não sistemática.

296
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Conceito 1 3 5

Sistemas de O tratamento da O tratamento da O sistema de informação


Informação informação é informação é é eletrônico e
manual e não sistematizado e amplamente utilizado;
sistematizado. eletrônico; existem
a comunicação é
algumas funções
integrada em toda
integradas, porém
empresa, com os clientes
restringindo-se aos
e fornecedores; o
controles
sistema de produção
operacionais.
permite otimizar a
utilização de recursos,
sistematizando e
rastreando a produção

Nota Média obtida pelas empresas = 1,27

Por último, foi avaliado se a empresa criou medidas práticas para permitir aos
colaboradores realizarem tarefas de manutenção de rotina, sem necessitar recorrer ao
pessoal especializado, de fora dos quadros da empresa, através de manutenção
planejada para evitar paradas inesperadas. Na organização das tarefas de
manutenção preventiva, as causas de paradas dos equipamentos devem ser
registradas, bem como os mecanismos de execução da manutenção preventiva,
dando-se ênfase para a situação real e não para intenções e/ou procedimentos
escritos.

Conceito 1 3 5

Manutenção Manutenção corretiva As paradas para Há um programa de


de (equipamentos são manutenção são manutenção preventiva
equipamento concertados quando realizadas em que é cumprido e cada
apresentam períodos operário participa nas
problemas) planejados operações básicas de
manutenção

Nota Média obtida pelas empresas = 1,91

297
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
3.13.3 Design

3.13.3.1 O Papel Estratégico do Design na Indústria Moveleira sob Medida

É fato que o design é de crucial importância para o aumento da competitividade da


indústria moveleira sob medida e assim podemos entendê-lo como um importante
componente no processo de inovação tecnológica. No entanto, é verdade que
somente após a abertura do mercado nacional aos fornecedores externos, ocorrida no
início da década de 90, o design e sua conseqüentemente inovação tecnológica, vem
sendo difundido com maior ênfase no meio empresarial.

Em vários países e em particular no Brasil, não existe a cultura de utilizar novos


designs, disseminada junto à indústria de móveis sob medida. Este fator negativo
existe, principalmente, por que no Brasil este segmento apresenta a característica de
atender o mercado consumidor somente por demanda, utilizando, na maioria das
vezes, um design previamente definido pelo consumidor. Portanto, o empreendedor
característico do segmento não tem a cultura de desenvolver produtos novos,
criativos, procurando seguir a tendência demonstrada pelos mercados externos mais
competitivos.

Este fato é uma desvantagem para o segmento industrial que se vê na condição de


disputar o mercado regional empregando a estratégia do preço mínimo e/ou do preço
possível e não a do preço justo.

Logo, é possível concluir que a estratégia da inovação, através do design, apresenta-


se como uma excelente oportunidade de melhoria tecnológica, resultando em aumento
de competitividade da indústria local.

As empresas do setor, sobre tudo as médias e pequenas, não costumam investir em


design próprio por desconhecerem os benefícios que essa iniciativa pode trazer,
sobretudo, por julgarem que é uma despesa adicional, desnecessária e o retorno
financeiro demorado.

O estudo do design é um fator de extrema relevância para melhora contínua da


competitividade de uma empresa, não só pelo fato do desenho representar um
diferencial, mas também pelo fato do planejamento do design permitir a valorização
das funções do produto. Além disto, potencializa a otimização dos processos

298
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
produtivos, aprimorando desempenhos, adequando a aparência às expectativas dos
consumidores, aumentando o nível de segurança, economizando insumos, reduzindo
matéria-prima, racionalizando mão-de-obra e otimizando o processo de fabricação.

A empresa que valoriza o produto, investindo em pesquisa e desenvolvimento,


utilizando a inovação como vantagem competitiva, pode alcançar vários benefícios
imediatos, como por exemplo, a imagem da empresa que passa a ser vista como uma
organização inovadora e atualizada, seguindo as tendências mundiais do setor e,
conseqüentemente tem grandes possibilidades de ostentar uma posição de liderança
no mercado.

3.13.3.2 Tendências do Setor Moveleiro sob Medida

O segmento de Móveis sob Medida está passando por mudanças profundas,


sobretudo em função do novo perfil do consumidor. As mudanças estão relacionadas à
ecologia, aos novos materiais, à forma, ao aspecto social, à montagem e à
informatização dos ambientes.

No que se refere à ecologia, há uma forte tendência na utilização de madeiras com


certificação ambiental e de manejo sustentável, uso de chapas e painéis de madeira e
materiais recicláveis, como MDF dentre outros e de fibras naturais, como o vime, cuja
enorme produção acontece na Serra Catarinense.

Quanto aos indicadores analisados e que compõem o fator crítico de sucesso –


design, serão apresentados abaixo, bem como os principais resultados alcançados
nas entrevistas realizadas com os empresários do segmento.

3.13.3.3 Desenvolvimento de Produtos – Inovação

O desenvolvimento de produto compreende as etapas do desenvolvimento de uma


idéia ou amostra em produto. Interação entre pessoas, formação de grupos de
trabalho é uma maneira de transformar conhecimento e experiência individuais,
informais, em conhecimento organizacional. Quem participa no desenvolvimento de
novos produtos? Como áreas diferentes da empresa participam dos processos? Até
que ponto existe trabalho em equipe, em vez de somente consultas?

299
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Conceito 1 3 5

Desenvolvimento Responsabilidade Baseado em Novos produtos


de produtos exclusiva de um grupos de lançados
grupo ou de uma trabalho, com freqüentemente,
única pessoa; falta de participação orientados pela política
integração entre as da área de de marketing e/ou
etapas de produção. necessidades dos
desenvolvimento de clientes; o
produtos e produção. desenvolvimento de
novos produtos é feito
com a participação de
clientes e
fornecedores.

Nota Média obtida pelas empresas = 1,0

Neste indicador, o segmento analisado obteve pontuação média igual a 1,


apresentando excelente oportunidade de melhoria, pois o design não é tido como um
fator de diferenciação. As empresas respondem à demanda dos clientes / escritórios
de arquitetura, ou desenvolvem os móveis, baseando-se em produtos nacionais vistos
em feiras ou revistas especializadas.

Outro ponto fraco identificado no desenvolvimento de novos produtos é a pouca


integração existente entre as várias funções dentro de uma empresa, onde geralmente
o projeto é desenvolvido por uma pessoa, seja da empresa ou um arquiteto junto ao
cliente e então o desenho técnico é repassado ao marceneiro que, freqüentemente,
apresenta dificuldades para interpretá-lo.

A utilização de ferramenta computacional que venha a auxiliar o desenvolvimento do


produto é muito pouco utilizado pela maioria das empresas. A utilização desta prática
se perfaz como um fator de extrema relevância para agilizar o desenvolvimento de
novos produtos, melhorando a apresentação, facilitando a interpretação dos desenhos
e em caso de correção, para que esta possa ser realizada de forma rápida e precisa.
Haja visto que o cliente, no início do processo de compra do móvel, apenas alimenta
um desejo não-estruturado pelo produto, necessitando de auxílio para confeccionar
seu modelo mental, que irá ser transportado para o desenho.

300
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
3.13.3.4 Introdução de Novos Produtos

Este índice avalia o grau de inventividade da empresa, medindo o número de novos


produtos lançados, suas características diferenciais e o valor agregado adicionado.

Conceito 1 3 5

Introdução Nos últimos 2 anos a Colocou no A empresa tem


de empresa tem mercado dois ou estabelecido
conservado os mais produtos, tendências no setor?
novos
mesmos produtos; alguns com tem introduzido
produtos
segue tendência da características mudanças radicais
(últimos 2 concorrência. diferenciais em na(s) linha(s) de
anos) relação aos produto(s), nos
produtos processos industriais e
concorrentes. serviços aos clientes.

Nota Média obtida pelas empresas = 1,18

A pontuação média deste indicador foi de 1,2 caracterizando que o segmento


apresenta baixo grau de inovação e que necessita de uma estratégia para
potencializar a competitividade no que se refere à introdução de novos produtos.
Apesar de desenvolver, habitualmente, móveis diferentes um do outro para atender as
aspirações dos diferentes clientes, estes seguem uma tendência bastante comum e
semelhante a atual, o que não caracteriza inovação. Existe a pretensão de que a
inovação irá se caracterizar pela integração de diferentes materiais (vime, couro, vidro,
alumínio, ferragem, entre outros), resultando móveis com formas e cores diferenciadas
e arrojadas.

3.13.3.5 Estratégia de Tecnologia

Este indicador avalia a estratégia da empresa em relação à tecnologia dos seus


produtos. De que forma a empresa investe em tecnologia? É uma estratégia pró-ativa,
com políticas bem definidas de pesquisa e investimentos, ou a empresa assume uma
posição de reação, procurando resolver problemas ou limitações tecnológicas atuais?

Conceito 1 3 5

301
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Estratégia As necessidades de Análise das Possui uma política
de novas tecnologias são necessidades de explícita de
tecnologia orientadas por novas tecnologias a investimento em
necessidades cada novo projeto, novas tecnologias,
funcionais atuais; há com processos com monitoramento
limitações e problemas sistemáticos para do nível tecnológico
devido às limitações sua obtenção. da concorrência.
tecnológicas.

Nota Média obtida pelas empresas = 1,0

As empresas do segmento pontuaram 1 neste indicador que reflete a estratégia atual


das empresas, onde o investimento em tecnologia não é priorizado, pois a
preocupação está centrada em atender a demanda, mantendo uma posição reativa em
relação às tendências mundiais, no que se refere à tecnologia de novos materiais e
designs. Logo, o fator tecnologia não é priorizado, sobretudo o design. É prática
comum copiar desenhos de produtos que estejam em revistas ou em catálogos
especializados.

3.13.3.6 Investimento em P&D

A proposta deste indicador é avaliar a política de investimento e seu planejamento no


que se refere às atividades de pesquisa e desenvolvimento; de que forma a empresa
investe em pesquisa (tendências do setor, tecnologia de produto e processo) e em
desenvolvimento (novos produtos ou aperfeiçoamento dos atuais)? Este processo é
formalizado e previsto no orçamento ou somente as atividades críticas são atacadas?

Conceito 1 3 5

Investimento em Não há um Planejamento Há planejamento dos


pesquisa & orçamento limitado e eventual investimentos em
desenvolvimento planejado dos recursos, que P&D, com
para P&D. são reservados para percentuais pré-
atividades críticas. definidos dos
recursos.

Nota Média obtida pelas empresas = 1,0

302
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Todas as empresas pesquisadas pontuaram nota 1 neste indicador, refletindo o baixo
grau de importância que os empresários dão a questão do P&D, e conseqüentemente
o baixo investimento que lhe é destinado.

Para que a empresa obtivesse uma melhor pontuação neste indicador é imprescindível
se tenha um plano formal de investimento em P&D buscando sua atualização
tecnológica em termos de máquinas, processo, design e capacitação dos
colaboradores.

3.13.4 Capacitação da mão-de-obra

3.13.4.1 Treinamento e Educação

É a capacitação e o desenvolvimento das habilidades dos colaboradores. A


capacitação da mão-de-obra é algo importante e necessário na era da gestão do
conhecimento, onde a participação do colaborador deve ocorrer de forma integral e
pró-ativa. Atualmente, o maior diferencial competitivo de qualquer empresa é a
capacitação dos recursos humanos.

Existe algum planejamento de treinamento para os funcionários? A pontuação


dependerá do tipo, importância e abrangência dos programas de treinamento e
educação através da organização. Nas decisões de treinamento, em que medida a
empresa compara os conhecimentos e habilidades de seus empregados com aqueles
que precisariam possuir para desempenhar bem suas tarefas?

Conceito 1 3 5

Treinamento Não há Algum treinamento Mais de 60 horas de


e educação planejamento; e qualificação para treinamento por funcionário
todos, realizados de por ano, com forte ênfase
é realizado
acordo com em qualidade; o número de
somente
planejamento, horas vem crescendo nos
quando há
subsidiados últimos anos; é feito um
oferta de
parcialmente pela acompanhamento dos
cursos.
empresa. resultados após os
treinamentos.

Nota Média obtida pelas empresas = 1,18

A nota média do indicador treinamento e educação que é igual a 1,2 traduzindo a


realidade da MPE em relação a esta política. Apesar de todos considerarem a falta de

303
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
qualificação da mão-de-obra um dos grandes entraves para a empresa, poucos tem se
preocupado em planejar ou promover os treinamentos necessários para o
aperfeiçoamento da mão-de-obra. Geralmente os treinamentos acontecem quando há
oferta de cursos na cidade ou região, seja por parte de alguma entidade
profissionalizante, a exemplo do Senai, ou quando é oferecido por alguma grande
empresa fornecedora de matérias-primas, por exemplo, o que nem sempre atende às
necessidades mais relevantes da empresa demandante.

Na média, o nível de escolaridade formal dos empregados das empresas do segmento


é baixo, apenas o primeiro grau. Dentre os cursos de capacitação e treinamento
apontados pelos empresários como os mais necessários temos:

• Interpretação de desenhos técnicos;

• Formação em marcenaria;

• Formação em pintura;

• Formação de liderança para o chão de fábrica;

• Cursos de design e tendências;

• Capacitação e treinamento para utilização de ferramentas básicas da qualidade


entre outros.

No nível gerencial, os principais problemas apontados foram: a falta de treinamento


em ferramentas financeiras, desconhecimento de técnicas de vendas, insipiente
planejamento estratégico das empresas e conseqüentemente ausência de
transparência nas metas, desconhecimento e controle inadequado dos custos de
produção.

Na figura 53 abaixo, está apresentado o gráfico radar para os quatro Fatores Críticos
de Sucesso do segmento Móveis sob Medida da região da AMUREL.

304
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Fatores Críticos de Sucesso

(%) Silvicultura
100

90

80

70

60

50

40

30

20

10

(%) Design 0 (%) Tecnologia - Máquinas

(%) Capacitação da Mão-de-obra


Média Móveis Sob Medida AMUREL Cuidado Necessário
Soluções equacionadas Estado Satisfatório

Figura 53 Gráfico Radar dos Fatores Críticos de Sucesso

3.14 Diamante de Competitividade de Porter

3.14.1 Estratégia, Estrutura e Rivalidade das Empresas.

É o contexto no qual as empresas são criadas, organizadas e dirigidas, e também de


como a natureza da rivalidade interna da indústria se processa no ambiente
competitivo.

O segmento de Móveis sob Medida apresenta uma característica muito particular, no


que tange à criação e organização das empresas. O capital inicial necessário para
este tipo de negócio é relativamente baixo, induzindo o marceneiro, após ter adquirido
um certo “know-how”, a desligar-se da empresa que trabalha, para iniciar o seu próprio
negócio. Esta situação gera um “inchamento” de tentativas de novos empreendedores
no segmento, acirrando excessivamente a rivalidade entre as empresas,

305
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
particularmente e lamentavelmente, via vilipêndio do cálculo do custo efetivo do móvel,
anulando a possibilidade de alcançar a lucratividade desejada.

Além do “inchaço” do número de empresas que atuam no segmento de móveis sob


medida, outro fator determinante para acirrar a rivalidade é a falta de diferenciação de
produtos e serviços oferecidos pelas empresas. Basicamente, os produtos não
possuem diferenças significativas perceptíveis aos clientes, a despeito do fato de cada
produto apresentar características únicas e personalizadas, de altíssimo valor
agregado, lado esquerdo da curva U de Porter – figura 54.

Portanto, o excessivo número de empresas, a conseqüente desorganização do


segmento e a não diferenciação dos produtos, possibilitam aos clientes procederem a
um “leilão” do preço do móvel, forçando as fábricas a competirem no mesmo nicho de
mercado, praticando preços próximos ao custo efetivo de produção.

Retorno do
Investimento

Ênfase Produtos Padronizados


no Produto Ênfase no Processo
Flexibilidade

Diferenciação Liderança de Custo

Parcela de
Mercado

Figura 54 Curva “U” proposta por Porter (1986)

Este cenário, típico em mercados onde a oferta é maior que a demanda, reduz
drasticamente a lucratividade das empresas fabricantes de Móveis sob Medida, pois
por serem micro ou pequenas, não alcançam ganhos de escala e competem fora da
estratégia básica da diferenciação.

Uma das possíveis alternativas para solucionar este impasse é o agrupamento das
empresas em redes flexíveis, pois neste caso, como se observa na figura abaixo, elas
podem obter bom retorno do investimento, mantendo suas estruturas atuais. O
conceito de rede de empresas refere-se a um conjunto de empresas entrelaçadas por
relacionamentos formais ou simplesmente negociais, podendo ou não ser circunscrito
a uma região. Este passo para o ganho de competitividade já está sendo dado por

306
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
alguns empresários da região, pois está sendo estruturada uma rede de empresas que
fabricam Móveis sob Medida. No entanto, como era de se esperar, algumas
dificuldades estão sendo enfrentadas, como a falta de um líder articulador que fomente
a cooperação e o não reconhecimento do cooperativismo como forma de aumento de
competitividade.

Retorno do
Investimento Redes Flexíveis
Redes
Topdown

Ênfase Produtos Padronizados


no Produto Ênfase no Processo
Flexibilidade
Diferenciação Liderança de Custo

Parcela de
Mercado

Figura 55 Curva “U” e estratégias competitivas genéricas ampliadas


Fonte: adaptado por Casarotto e Pires (2001) a partir do diagrama original de Porter (1986)

Com a função de compor o Diamante de Competitividade de Porter, alguns


indicadores foram criados e serão apresentados nos próximos tópicos.

3.14.1.1 Conhecimento da Concorrência

Avalia de que forma a empresa observa seus concorrentes. Uma análise sistemática
da concorrência mostra-se importante para todas as empresas, uma vez que a
comparação do preço, da forma de pagamento, do design, da qualidade, da garantia,
da durabilidade, do atendimento pós-venda e da estratégia de promoção entre as
empresas concorrentes é realizada a todo o momento pelos clientes. A empresa deve
conhecer a concorrência melhor do que os seus clientes, pois dessa forma pode
enfatizar seus pontos fortes e atacar os pontos fracos dos concorrentes nas
negociações.

307
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Conceito 1 3 5

Conhecimento Os A empresa estuda A empresa conhece seus


da concorrentes e pesquisa concorrentes; há um
concorrência não são apenas o preço e registro atualizado dos
conhecidos as campanhas seus dados (preço,
nem publicitárias dos garantias, qualidade) que
pesquisados. concorrentes. são analisados e utilizados
para melhorias;
vendedores treinados a
enfatizar os pontos fracos
da concorrência.

Nota Média obtida pelas empresas = 2.54

A maioria das empresas pesquisadas encontra-se entre o primeiro e segundo cenário


evolutivo, pois conhece seus concorrentes, mas estuda apenas o preço. Devido ao
mercado extremamente competitivo no qual estão inseridas, as empresas deveriam
monitorar a concorrência de forma mais abrangente, registrando aspectos importantes,
como pontos fortes e fracos, preço, prazo de pagamento, design, qualidade, garantia,
prazo de entrega e atendimento pós-venda, tornando este aspecto do negócio um
possível diferencial competitivo no momento da negociação.

3.14.1.2 Estruturação dos Canais de Venda

Os Canais de Venda são o conjunto de organizações interdependentes envolvidas no


processo de tornar o produto ou serviço disponível para consumo. Diversas
configurações de Canais de Venda podem ser estruturadas conforme a necessidade
dos clientes: tamanho do lote, tempo de espera, conveniência espacial, variedade de
produtos desejada e retaguarda de prestação de serviços técnicos. Quanto melhor o
planejamento do canal, maior será a eficiência, para todos os envolvidos, dos recursos
financeiros investidos em marketing.

308
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Conceito 1 3 5

Estruturação Formado em Focado no A administração do


dos canais de decorrência do atendimento a canal possui caráter
venda processo de quantidade, estratégico;
vendas da variedade, suporte,
a estruturação do
empresa; enfoque deslocamento e
canal agrega valor
somente na tempo de espera
adicional aos
diminuição dos desejado pelos
produtos e serviços,
custos de consumidores; canais
e sua integração
distribuição, não é adotam critérios de
promove sinergia
considerado atuação próprios.
nos esforços de
estratégico.
marketing

Nota Média obtida pelas empresas = 2,36

Todas as empresas pesquisadas vendem 100% da sua produção diretamente para o


cliente final, através de um Canal de Venda responsável por grande parte destas
vendas – os arquitetos. Este elo da cadeia produtiva possui papel fundamental para o
sucesso das empresas, mas, como foi observada nas entrevistas, a administração
deste Canal de Venda não possui caráter estratégico. Uma maior interação entre
empresas e arquitetos faz-se extremamente necessária para o crescimento e
concretização dos fabricantes de Móveis sob Medida.

3.14.1.3 Planejamento de Marketing

O Planejamento de Marketing é o processo de transformar as estratégias de marketing


em programas através da tomada de decisões básicas quanto à integração dos
investimentos nas cinco áreas: produto, preço, praça, promoção e pessoas. Um bom
planejamento em marketing maximiza as chances de sucesso da campanha e da
organização.

309
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Conceito 1 3 5

Planejamento Não existe um Existe um Existe um programa


de Marketing planejamento de planejamento formal, que orientado
marketing formal; formal que se pelas metas da
decisões são restringe aos empresa, define uma
tomadas com base programas de estratégia com
na percepção e promoção. orçamento de gastos,
experiência do composto de marketing
gestor. (produto, praça, preço e
promoção), programa de
ação e resultados
esperados.

Nota Média obtida pelas empresas = 1,0

A forma de marketing mais utilizada é a informação “boca-a-boca” entre os


consumidores, clientes e arquitetos. Não há um planejamento formal, aumentando a
suscetibilidade das empresas aos altos e baixos do mercado. Como o ambiente
empresarial tem se acirrado drasticamente nos últimos anos, uma das alternativas é a
definição de um programa formal de marketing, seja individual ou coletivo.

3.14.2 Condições dos Fatores

São os insumos necessários para competir em qualquer indústria como:

1) Recursos Humanos - implica na capacidade, quantidade e custo da mão-de-obra


presentes no território;

2) Recursos Físicos - o posicionamento geográfico do território em questão é


extremamente importante para esta análise, pois se considera a qualidade,
acesso, abundância e custo dos recursos físicos;

3) Recursos de Conhecimento - relaciona-se diretamente à capacidade intelectual


disponível no território ou seja, as capacitações da mão-de-obra presente na
região;

4) Recursos de Capital - resume-se na capacidade econômica e na definição das


garantias que o território dispõe para o financiamento de investimentos
tecnológicos;

310
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
5) Infra-Estrutura - tipo, qualidade e valor de uso da infra-estrutura disponível que
afeta a competição, inclusive os sistemas de transportes, os sistemas de
telecomunicações, pagamentos ou transferências de fundos.

As condições dos fatores foram mensuradas através da análise do relacionamento


entre as empresas com as instituições de suporte da região, pois são mecanismos
importantes que podem aumentar a competitividade do segmento através do
fornecimento de serviços dentro das suas respectivas competências.

As entrevistas realizadas demonstraram que devido à desorganização do setor, a


demanda por serviços de instituições como o SEBRAE, EPAGRI, FIESC (SENAI, SESI
e IEL), ACI, AMPE, Bancos de Desenvolvimento, Universidade, Governo Municipal e
Estadual é incipiente e não-estruturada, levando a um baixo grau de relacionamento.
Possivelmente, com a estruturação de um núcleo forte e representativo, a demanda
far-se-á estruturada e o apoio das instituições será inerente ao processo de efetivação
da demanda por parte das empresas.

3.14.3 Condições de Demanda

Determina o rumo e o caráter da melhoria e inovação pelas empresas do território.


Três atributos gerais da demanda interna são significativos: a composição (natureza
da necessidade do comprador), o tamanho e padrão de crescimento e o mecanismo
pelo qual a preferência interna é transmitida aos mercados estrangeiros.

Como dito anteriormente, o mercado regional está saturado e as empresas que


conseguem melhores margens de lucro competem em outros mercados como
Florianópolis, Joinville, Porto Alegre e Curitiba. Porém, para alcançar a referida
expansão geográfica existe o fator condicionante de reduzir o índice de retrabalho na
produção do móvel em relação às etapas de embalar, transportar, montar e concluir o
acabamento no local definido pelo cliente, haja vista que o custo das não-
conformidades que acontecem nestas ocasiões, inviabiliza a atuação nestes
mercados.

3.14.3.1 Estimativa de Demanda

A Estimativa de Demanda desempenha um papel essencial, uma vez que é utilizada


pelo empreendedor para prever o volume dos recursos financeiros necessários para a

311
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
operação como um todo: a manufatura propriamente dita, o estabelecimento da
capacidade de produção, o volume de compras para suprir-se dos materiais e a
atitude de contratar as pessoas necessárias para atingir as metas de produção.

Se a previsão for distante da realidade, a empresa poderá ter problemas de liquidez


financeira devido ao estoque excessivo; ou se o estoque for insuficiente, terá que
repô-lo a custo elevado, diminuindo a lucratividade de qualquer forma.

Conceito 1 3 5

Estimativa A demanda não Demanda Além do histórico de vendas, a


de é estimada estimada com demanda é estimada com base
demanda formalmente. base no em fontes de informação como
histórico de contato com canais de vendas e
vendas. distribuidores, informações sócio-
econômicas, entre outras.

Nota Média obtida pelas empresas = 1,09

O desempenho quantitativo da venda de móveis sob medida oscila em dois períodos


distintos do ano. Nos meses de setembro a dezembro ocorre a época de maior
demanda, enquanto que de fevereiro até junho acontece uma retração normal no
mercado. Portanto, a estimativa de demanda faz-se importante, pois munido de
informações confiáveis, o gestor pode encontrar mecanismos para diminuir o impacto
negativo desta significativa variação.

3.14.3.2 Pesquisa das Necessidades dos Clientes

A pesquisa das necessidades dos clientes consiste numa das práticas mais
importantes para a orientação das empresas. O levantamento destas informações é
fundamental para diversas áreas da empresa, como desenvolvimento de produtos,
distribuição, transporte e marketing, fazendo com que todas atendam às expectativas
dos consumidores. A empresa não deve somente reagir às reclamações, mas
identificar antes do consumidor, os possíveis pontos que não atendem as
necessidades e expectativas dos mesmos.

312
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Conceito 1 3 5

Pesquisa das Não são feitas Pesquisas Possui uma verba


necessidades pesquisas sobre as esporádicas para destinada à
dos clientes necessidades dos conhecer as pesquisa de
clientes; a empresa necessidades e mercado e as
baseia-se em expectativas dos realiza
informações isoladas clientes; existe um constantemente.
de relacionamento canal disponível
com poucos para reclamações
consumidores. ou críticas

Nota Média obtida pelas empresas = 1,36

Da amostra de empresas visitadas, algumas pesquisam informalmente as


necessidades dos clientes, mas as informações ficam retidas nas lideranças da
empresa, não sendo disseminadas e utilizadas junto aos colaboradores como
instrumento útil que embase a melhoria contínua dos produtos. Uma alternativa
simples e viável é o uso de questionário para pesquisar a satisfação do cliente,
antevendo as futuras necessidades, bem como conhecer as tendências do mercado
para os próximos tempos.

3.14.3.3 Variação nas Vendas

A Variação nas Vendas é utilizada como medida ativa do desempenho da empresa e é


avaliada mediante a razão calculada entre as vendas do período atual e do período
anterior. Este indicador é medido com base na variação do volume e valores das
vendas dos últimos anos.

Conceito 1 3 5

Variação nas vendas Em declínio Estável Em crescimento

Nota Média obtida pelas empresas = 3,18

Este indicador demonstra que o volume de venda das empresas se mantém no


mesmo patamar há algum tempo, desempenho explicado pelo busca de novos
mercados. No entanto, algumas empresas apresentam declínio no volume de vendas,
pois continuam competindo no mercado regional, já saturado.

313
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
3.14.4 Indústrias Correlatas e de Apoio

É a presença no país de indústrias que possam abastecer a produção industrial e dar


suporte aos serviços necessários para realizar as operações normais. As empresas
fabricantes de Móveis sob Medida possuem, em média, 12 fornecedores,
concentrados em sua grande maioria na região, sendo alguns deles revendedores de
insumos necessários para a confecção dos móveis.

3.14.4.1 Fornecedores e Subcontratados

A maioria das empresas compra alguns itens importantes baseados somente no


preço, mas reconhecem outros fatores que afetam o sucesso comercial, como por
exemplo, o prazo de entrega e a flexibilidade de adaptação na fase da montagem e
acabamento final.

Um processo de avaliação formal e sistêmico dos fornecedores é importante para


garantir e avaliar a confiabilidade do fornecedor. Manter parcerias abertas com
fornecedores, baseadas em confiança mútua e trabalhando no melhor interesse de
todas as partes envolvidas é importante para conquistar uma posição competitiva,
visto que, fornecedores devem estar ativamente encorajados a contribuir para o
desenvolvimento e melhoria do processo e do produto.

A empresa participa de programas de qualidade em parceria com os fornecedores? A


empresa utiliza política de incentivos com os fornecedores/subcontratados, motivando-
os a melhorar a qualidade dos serviços? Quais outros fatores são levados em
consideração no momento da compra?

314
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Conceito 1 3 5

Fornecedores e Muitos Alguns Fornecedores


subcontratados fornecedores; fornecedores cadastrados e avaliados
compra preferenciais; além periodicamente;
baseada do fator preço parcerias com
somente no alguns outros fornecedores no
preço. fatores são levados desenvolvimento de
em consideração; novos produtos e na
programação da
a empresa tem
produção.
buscado
desenvolver
parcerias.

Nota Média obtida pelas empresas = 2,81

Todas as empresas compram segundo dois critérios principais – preço e qualidade.


Poucas já possuem fornecedores preferenciais, mas pecam na formação de parcerias.
Em função das fábricas de Móveis sob Medida serem micro ou pequenas empresas, o
volume de compra individual é pequeno, mas caso elas se aglutinem numa rede de
empresas, o volume passa a ser expressivo e a possibilidade de barganha aumenta,
reduzindo o custo das principais matérias-primas – chapas industrializadas, madeira
serrada, tintas, ferragens em geral, entre outras.

3.14.4.2 Planejamento Logístico

Dada a importância da logística, seja na aquisição dos insumos ou na distribuição dos


produtos acabados, as questões como quantidade, qualidade, prazo e local, tornam-se
essencial num planejamento logístico a médio e longo prazo. Muitas vezes a definição
incorreta de fornecedor e cliente alvo acaba prejudicando o desempenho da empresa,
incorrendo em problemas com a compra e distribuição de materiais/produtos. Um bom
planejamento define prioridades e necessidades que devem nortear a logística da
empresa.

315
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Conceito 1 3 5

Planejamento Não há Algumas pessoas Há um planejamento de


planejamento (chefia) responsáveis médio ou longo prazo
logístico
com relação à pelas decisões onde são definidas as
logística; referentes à necessidades
imprevistos aquisição e relacionadas ao
freqüentes nas distribuição; elas material, quantidade e
compras ou definem fornecedores transporte; são
distribuição. e clientes baseados definidas as prioridades
na experiência, (qualidade, prazo e
contatos, localização. preço) e segmentação
do mercado.

Nota Média obtida pelas empresas = 1,18

Os gestores das fábricas de Móveis sob Medida relataram que quando não realizam
planejamento logístico, alguns imprevistos ocorrem, atingindo a qualidade dos
produtos e das matérias-primas. Quando da realização de compras maiores este
planejamento faz-se extremamente necessário e significativo.

Enfim, como pode ser observada na figura a seguir, a empresa de Móveis sob Medida
encontra-se entre um cenário de Cuidado Necessário e outro de Soluções
Equacionadas, nas quatro áreas do Diamante de Competitividade de Porter.
Especificamente, na área Estratégia, Estrutura e Rivalidade das Empresas, a
média das pontuações obtida pelas empresas foi próxima a 40, em uma escala de 0 a
100, atestando as deficiências nos indicadores: Conhecimento da Concorrência,
Estruturação dos Canais de Venda e Planejamento de Marketing.

A situação diagnosticada na área Condições dos Fatores demonstra a necessidade


de atenção – média dos indicadores foi 30 – destacando o distanciamento entre a
referida classe empresarial e as instituições que podem dar suporte para um futuro
aumento de competitividade.

A média obtida dos indicadores: Estimativa de Demanda, Pesquisa das Necessidades


dos Clientes e Variação nas Vendas, que compõem a área Condições de Demanda,
foi 37, expressando uma situação perigosa.

A última área do diamante – Indústrias Correlatas e de Apoio – com uma média de


40% nos indicadores: Fornecedores e Subcontratados e Planejamento Logístico,

316
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
segue a tendência dos demais, identicamente necessitando de atenção por parte do
segmento de Móveis sob Medida. Portanto, é relevante a adoção das ações propostas
no presente relatório, para que haja aumento de competitividade das empresas do
segmento.

Rivalidade das empresas


100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
Indústrias Correlatas e de Apoio 0 Condições dos Fatores

Condições de Demanda

Média Móveis Sob Medida AMUREL Cuidado Necessário


Soluções equacionadas Estado Satisfatório

Figura 56 Gráfico Radar do Diamante de Competitividade de Porter

317
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
3.15 Conclusões e Recomendações

1. Investir no desenvolvimento de novos produtos, assistido por programa de


específico de design que vislumbre a criação de uma marca regional.

Conforme avaliado nos indicadores relacionados ao Desenvolvimento de Produtos,


Introdução de Novos Produtos e Investimento em P&D concluiu-se que as empresas
analisadas investem muito pouco no processo de desenvolvimento de novos produtos
e na criação de novos desenhos (design), isto se reflete nas baixas pontuações
obtidas pelas empresas avaliadas, pois elas obtiveram nota pouco superior a 1,0.

Como o design é um fator de inovação que promove características diferenciais às


empresas do segmento de móveis sob medida, exigindo que as empresas que atuam
neste segmento invistam constantemente no desenvolvimento de novos processos e
produtos, é importante que tenham apoio freqüente de profissionais conhecedores das
tendências e das exigências do mercado.

Para tanto se apresenta como uma excelente oportunidade de mercado que um grupo
de empresas constitua uma parceria com profissionais de arquitetura, especializados
em design, que proceda o desenvolvimento de novos produtos em conjunto,
almejando atender um público exigente, com móveis de alto valor agregado em termos
da utilização de novos materiais e desenvolvimento de novos desenhos.

2. Treinamento para o “chão de fábrica” nos instrumentos de gestão da


produção (implementação de indicadores de desempenho, cálculo dos
custos de produção, ferramentas da qualidade, 5´s).

No que se refere à gestão empresarial e a organização do chão de fábrica, foi possível


avaliar mediante aplicação do questionário e análise dos dados, que as empresas
analisadas utilizam muito pouco as ferramentas de gestão e muitas delas
desconhecem qualquer técnica de organização do “chão de fábrica”.

Ficou evidenciada a deficiência das empresas quanto: a disposição dos equipamentos


de forma a racionalizar a movimentação interna dos materiais, organização e
identificação dos materiais, gestão dos custos de produção, gestão dos estoques e
dos pedidos e gestão da qualidade.

318
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Os itens referentes à disposição dos equipamentos, organização e identificação dos
materiais foram avaliados pelo indicador “organização do chão de fábrica” e a nota das
empresas ficou em torno de 1, ou seja, a pontuação mais baixa do questionário.

No que se refere à gestão dos custos, a maioria das empresas o calculam em função
do metro quadrado de face do móvel, o que é uma prática inadequada, pois em função
das diferenças de design - se retilíneo ou curvilíneo e dos materiais utilizados -
ocorrerá variações no custo dos insumos e no tempo de produção.

Quanto à gestão da qualidade, poucas empresas utilizam o trabalho em grupo para


resolução de problemas internos e não utilizam indicadores de gestão para o
monitoramento dos resultados desejados, entre outras deficiências.

Mediante esta análise, é indicado como sendo de grande importância a realização de


assessorias e consultorias de gestão e tecnológicas para o “chão de fábrica”
(implementação de indicadores de desempenho, organização e racionalização do
processo produtivo, ferramentas da qualidade, 5´s, entre outras), direcionadas às
empresas em questão. Ainda, visando maior eficácia no resultado das assessorias e
consultorias, está indicado que as mesmas sejam acompanhadas por um técnico que
auxiliará o empresário e os seus colaboradores na implementação dos instrumentos
de gestão, transmitidos durante a consultoria.

O técnico pode ser um estudante em estágio que será cedido pela universidade,
mediante parceria firmada entre as entidades interessadas, objetivando uma melhor
formação do profissional e uma maior efetividade, por parte da empresa, na utilização
dos conhecimentos aprendidos durante a consultoria.

3. Viabilizar a compra conjunta de software para otimizar o corte das chapas.

De acordo com os indicadores “automação” e “sistema de informação” verifica-se que


as empresas analisadas utilizam muito pouco tais tecnologias, dificultando a gestão
dos custos, o controle da utilização de matérias-primas e insumos, a gestão da
produção e a otimização dos processos, o monitoramento da produtividade, o
desenvolvimento de novos produtos através do uso de computador, bem como uma
melhor apresentação das propostas aos clientes.

Portanto, a inclusão digital de tais empresas, visando a utilização de softwares de


gestão dos custos, gestão dos estoques, software para otimizar o corte das chapas,
319
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
entre outros, se caracteriza como uma excelente oportunidade para que as empresas
analisadas aumentem o seu nível de competitividade.

4. Desenvolver e implementar modelos de gestão de recursos humanos,


visando a remuneração por produtividade.

Desenvolver e implementar modelos de gestão de recursos humanos, visando


estabelecer uma remuneração variável por produtividade individual, aprimorando o
modelo de gestão mais utilizado pelas empresas que se caracteriza pela remuneração
fixa, independente da produtividade dos colaboradores. A remuneração variável, em
função da produtividade, poderá funcionar como um fator motivador para que os
colaboradores se comprometam com metas audaciosas.

5. Desenvolver e fortalecer a imagem do núcleo de empresas de móveis sob


medida, existente em Tubarão.

Realizar consultoria para desenvolver e fortalecer a imagem do núcleo de empresas


de móveis sob medida, existente em Tubarão. Conforme avaliado pelo indicador
“Planejamento de Marketing”, quando as empresas obtiveram uma nota baixa,
significando que elas não realizam planejamento formal de marketing, tomando
decisões apenas com base na percepção e experiência do gestor. Atualmente a forma
mais freqüente utilizada pelas empresas para se promoverem e divulgarem seus
produtos e serviços dá-se pela propaganda “boca a boca”.

Com base nesta realidade e almejando as melhores condições de competição no


mercado, se perfaz como uma excelente oportunidade de melhoria, o planejamento
formal de uma política de marketing, visando uma melhor divulgação das empresas e
dos produtos fabricados por estas, bem como das características diferenciais, dos
pontos fortes, dos serviços oferecidos e demais vantagens com a finalidade de
consolidar uma marca regional e com isto agregar valor aos produtos produzidos pelas
empresas da região da AMUREL.

6. Implementar cursos de formação no âmbito de tecnólogo em design.

Igualmente, apontam a dificuldade apresentada pelos atuais colaboradores no que se


refere à interpretação de desenhos técnicos e a pouca oferta de profissionais na área
do design. Com base no resultado identificado pelo indicador “treinamento e
educação”, apresenta-se como uma oportunidade para a universidade e escola técnica
locais a formatação de cursos, no âmbito de tecnólogo em design, cursos técnicos de
320
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
atualização em marcenaria, pintura e cursos de formação em interpretação de
desenhos técnicos.

7. Estruturar uma Central de Compra Conjunta.

Esta recomendação visa aumentar o poder de barganha das empresas perante os


fornecedores, incrementando o nível de qualidade e reduzindo o custo das matérias-
primas, principalmente as mais representativas – madeira serrada e MDF. A despeito
disto, esta ação solucionará os eventuais defeitos existentes na madeira, relatados
pelos empresários quando questionados sobre a qualidade das matérias-primas.

Faz-se importante salientar que a estruturação de uma Central de Compra passa por
um período de amadurecimento do grupo de empresários, somente conseguido com
reuniões periódicas e orientação de profissionais especializados neste tipo de negócio.

A experiência em outras regiões do Estado de Santa Catarina nos leva a crer que há a
possibilidade de redução de até 30% no custo das principais matérias-primas,
comprando diretamente dos principais fabricantes.

8. Capacitação da mão-de-obra produtiva em gestão da qualidade, manutenção


preventivas dos equipamentos e interpretação de desenhos técnicos.

Ao se analisar o indicador treinamento e educação – média igual a 1,2 – pode-se


entender a necessidade das empresas investirem na capacitação dos seus
colaboradores. Um dos treinamentos sugeridos é a interpretação de desenhos
técnicos, a ser oferecido para marceneiros em início de carreira, com o intuito de
acelerar a formação destes profissionais, tão escassos na região.

Outra capacitação importante é em manutenção preventiva, introduzindo o conceito de


que cada profissional precisa ser responsável pelo seu posto de trabalho, pois a nota
nesta questão foi pouco maior que 1, demonstrando que a maioria das empresas
utiliza a manutenção corretiva.

A capacitação em gestão da qualidade apresenta-se como última sugerida. Ao


analisar a situação atual das empresas na face Estratégia, Estrutura e Rivalidade
das Empresas do Diamante de Competitividade de Porter, é possível perceber a
necessidade das empresas buscarem novos mercados no grandes centros
consumidores próximos a região da AMUREL – Florianópolis, Joinville, Porto Alegre e
Curitiba –, no entanto, existe uma condição sine qua non, a implementação da gestão

321
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
da qualidade, sem a qual, o custo de não-conformidades inviabilizará a competição
nestes mercados.

9. Curso para o nível gerencial em moderna ferramenta / técnicas de gestão


empresarial.

Quando questionados sobre capacitação gerencial, os gestores indicaram a


necessidade em diversas áreas fundamentais para o sucesso da empresa, como:
finanças, custos, vendas e planejamento estratégico. Portanto, como recomendação,
pode-se organizar um “pacote” de treinamentos para as lideranças das empresas nas
áreas supra citadas. O SEBRAE/SC possui um programa específico nesta área,
mesclando capacitação e consultoria, chamado de Competitividade Setorial, que
poderia ser utilizado.

10. Curso e palestras sobre metodologias associativistas.

Uma das formas de catalisar o processo de associação das empresas é a


apresentação de casos de sucesso de outras regiões. Deste fato, sugere-se a
realização de palestras com empresários que obtiveram ganhos de competitividade
através da cooperação, e também poderia ser ministrado um curso sobre formas
legais de associação, como: consórcio, cooperativa, associação, etc.

11. Viabilizar missões empresariais e visita a feiras.

O contato com novas tecnologias, tendências, materiais e a troca de informações pode


ser feito visitando feiras ou outras empresas. Todos os anos acontecem inúmeras
feiras sobre temas relacionados à fabricação de móveis sob medida no sul do Brasil,
sendo o custo de participação não muito alto, caso distribuído entre algumas
empresas.

Durante o trabalho, foi diagnosticada a falta de diferenciação entre as empresas deste


segmento, panorama passível de ser alterado, conhecendo-se a realidade do
segmento em outras regiões do Brasil.

Por último, é imprescindível salientar a real necessidade das empresas formarem uma
rede de empresas forte e representativa, ponto de partida para a realização das
demais ações recomendadas.

322
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
3.16 Bibliografia

CASAROTTO FLHO, N. PIRES, L. H. Redes de pequenas e médias empresas e


Desenvolvimento Local – Estratégia para conquista da competitividade Global com
base na experiência Italiana. São Paulo: Atlas, 1999.

FERRAZ, João Carlos. Made in Brazil: desafios competitivos para indústria. Tradução,
João Carlos Ferraz, David Kupfer, Lia Haguenauer. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

FILHO, Arlindo Villaschi. BUENO, Flávio de Oliveira. ESTUDOS EMPÍRICOS:


ELEMENTOS DINÂMICOS DO ARRANJO PRODUTIVO MADEIRA/MÓVEIS NO
NORDESTE CAPIXABA – LINHARES. Rio de Janeiro. Instituto de Economia da
Universidade Federal do Rio de Janeiro – IE/UFRJ, 2000.

Fundação Economia de Campinas – Fecamp. Estudo da Competitividade da Indústria


Brasileira: Competitividade da Indústria de Móveis de Madeira. Coordenador do
Estudo: Coutinho, Luciano G. Campinas, 1993.

MAZO, Evandro Minuce. Benchstar – Metodologia de Benchmarking para Análise da


Gestão da Produção nas Micro e Pequenas Empresas, 2003. Dissertação (Mestrado
em Engenharia de Produção) - Programa de Pós-Graduação em Engenharia de
Produção, UFSC, Florianópolis.

__________, Metodologia Radargest, Manual Operacional, Florianópolis, IEL/FIESC,


2001.

__________, Metodologia MADE IN BRAZIL, Manual Operacional, Florianópolis,


IEL/FIESC, 2001.

PORTER, M.E. Competitive Strategy. New York: The Free Press, 1980.

PORTER, M.E. The competitive advantage of nations. New York: The Free Press,
1990.

Ulises, Elias. Castaneda, Carlos. Gutierrez, Raquel. DIAGNOSTICO TECNOLÓGICO


DEL SECTOR MADERA EN LA REGIÓN NUEVA VIZCAYA. Disponível em:
“http://ceudet.uach.mx/archivos/ccasta/Diagnostico_tecnologico _madera_v1.2.PDF”
Acesso em: Outubro de 2003.

VENÂNCIO, Sarah da Rocha. ESTUDO DA INSERÇÃO DO DESIGN NA INOVAÇÃO


DE PRODUTOS NA INDUSTRIA MOVELEIRA DO PARANÁ: O CASO DO PÓLO DE

323
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
ARAPONGAS, 2002. Dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em
Tecnologia do Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná, Curitiba.

3.17 Anexos – Questionário utilizado

Nome da Empresa _______________________________________________________

Marca da Empresa _______________________________________________________

Endereço ______________________________________________________________

Nome dos Sócios ________________________________________________________

Data de Fundação _______________________________________________________

Telefone _______________________________

e-mail _________________________________

Número de Funcionários __________________________________________________

Número de Marceneiros ___________________________________________________

Número de Familiares que trabalham na empresa ______________________________

Data da Entrevista _______________________________________________________

Silvicultura

Em qual formato é adquirida a madeira?

Tora _____________________________% Chapas ___________________________%

Madeira Serrada ___________________% Outros ___________________________%

Procedência da madeira:

Floresta Própria Floresta com manejo Santa Catarina

Floresta de Terceiros Floresta sem manejo Paraná

Serraria Espécies: ______________ Rio Grande do Sul

______________________

Outros _______________ Não sabe Outros _______________

324
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Para a finalidade de uso na empresa, a madeira adquirida é considerada:

de boa qualidade de qualidade aceitável de qualidade ruim

Quais os principais defeitos da madeira?

____________________________________________________________________________
________________________________________________________

Qualidade das matérias-primas

Qualidade dos insumos é aplicada como atributo de produtos que satisfazem a quem se
destinam (cliente). O termo qualidade se refere aos produtos que estejam em condições
perfeitas de uso e no momento necessário. Por isso, o termo qualidade, além de características
do próprio produto, também avalia a questão de confiabilidade, ou seja, a quantidade e o prazo
de entrega devem estar em conformidade com condições pré-definidas.

Qualidade As matérias-primas As matérias-primas Índice de aceitação maior que


das matérias- chegam a sua chegam a sua 95%. Os critérios de aceitação
primas empresa em más empresa em previamente definidos são
condições. condições sempre cumpridos. O índice é
regulares. medido e avaliado.
Índice de aceitação
menor que 70%. Índice de aceitação
em torno de 90%.

Tecnologia – Máquinas

Organização no chão de fábrica

Qual é a disposição física do equipamento? A empresa deve necessariamente avaliar a


movimentação de materiais com objetivo de definir um fluxo mais racional e econômico da
produção e de circulação de objetos e pessoas, minimizando o transporte entre os postos de
trabalho. Neste indicador são avaliados os itens: layout, 5´s, ergonomia.

325
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Organização Materiais e equipamentos Materiais Empresa limpa; auto-
no chão de organizados de maneira organizados e mantida; sempre “pronta
fábrica descontínua; excesso de identificados. Uma para inspeção”. A
movimentação de-para pessoa é disposição das
postos de trabalho; responsável pela máquinas e
materiais obsoletos na limpeza. equipamentos permite
fábrica flexibilidade na produção
Equipamentos
dispostos de forma
lógica de acordo
com fluxo dos
produtos.

Por quê?___________________________________________________________

__________________________________________________________________

Mecanização

Introdução de processo mecânicos de produção guiados por sistemas eletrônicos e nos quais a
participação do homem é mínima. O objetivo é a substituição da mão-de-obra por
equipamentos/máquinas com propósito de aumentar a produtividade da empresa e melhorar a
performance da qualidade no processo. A automação ou automatização do controle dos
processos produtivos é importante para um monitoramento mais eficaz das etapas de
produção.

Automação Alguma Automação em algumas Automação integrando


mecanização, etapas do processo; etapas do processo
intenso trabalho computadores são utilizados produtivo.
manual para o controle e
Computadores
planejamento da produção
conectados às máquinas
gerenciam a qualidade
dos produtos.

Computadores utilizados
para facilitar o
desenvolvimento de
produtos e prever falhas

326
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Idade média dos equipamentos = Em média, quantos anos têm os equipamentos da
empresa?

______________________________________

Há necessidade de investimento em equipamentos? Estimativa de valor.

Sistema de informação

É uma forma sistemática de coleta, avaliação de dados e de geração de informações sobre a


gestão da empresa. Os sistemas de informação, preferencialmente, podem ser geridos
automaticamente por software adequados, ou através de fichas de acompanhamento. A gestão
de um sistema de informação deve proporcionar informações que serão utilizadas no
gerenciamento dos principais processos e metas da empresa. A informação deve estar sempre
disponível e ser confiável.

Sistemas de O tratamento da O tratamento da O sistema de informação é


Informação informação é informação é eletrônico e amplamente
manual e não sistematizado e utilizado.
sistematizado. eletrônico. Existem
A comunicação é integrada
algumas funções
em toda empresa, com os
integradas, porém se
clientes e fornecedores. O
restringindo a controles
sistema de produção
operacionais.
permite otimizar a utilização
de recursos, seqüenciar e
rastrear a produção

Como?_____________________________________________________________

_______________________________________________________________

Manutenção

A empresa deve criar medidas práticas para permitir aos funcionários realizarem tarefas de
manutenção de rotina, sem recorrer a pessoal especializado. A manutenção deve ser
planejada para evitar paradas inesperadas. Na manutenção preventiva as causas de parada
dos equipamentos devem ser registradas e mecanismos devem ser criados para reduzir o
tempo perdido no trabalho de manutenção. A ênfase deve ser para a situação real, não para
intenções ou procedimentos escritos.

327
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Manutenção de Manutenção corretiva As paradas para Há um programa de
equipamentos (equipamentos são manutenção são manutenção preventiva
concertados quando realizadas em que é cumprido e cada
apresentam períodos operário participa nas
problemas). planejados. operações básicas de
manutenção.

Como?_____________________________________________________________

__________________________________________________________________

Capacitação da mão-de-obra

Treinamento e Educação

É a capacitação e o desenvolvimento das habilidades dos empregados. A capacitação da mão-


de-obra é algo importante e necessário, na era da gestão do conhecimento, onde a
participação do funcionário deve ocorrer de forma participativa e pró-ativa, o maior diferencial
competitivo de qualquer empresa é a capacitação de seus recursos humanos. Existe algum
planejamento de treinamento para os empregados? A pontuação dependerá do tipo,
importância e abrangência dos programas de treinamento e educação através de toda a
organização. Nas decisões de treinamento, em que medida a empresa compara os
conhecimentos e habilidades de seus empregados com aqueles que precisariam possuir para
desempenhar bem suas tarefas.

Treinamento Não há Algum treinamento e Mais de 60 horas de treinamento


e educação planejamento. qualificação para por funcionário por ano, com
todos, realizados de forte ênfase em qualidade. O
É realizado
acordo com número de horas vem crescendo
somente quando
planejamento, nos últimos anos. É feito um
há oferta de
subsidiados acompanhamento dos
cursos.
parcialmente pela resultados após os
empresa. treinamentos.

Qual é o nível médio de escolaridade dos empregados?

__________________________________________________________________

Há falta de algum tipo de profissional específico para as empresas?

____________________________________________________________________________
__________________________________________________

328
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Há falta de algum tipo de treinamento para os empresários?

____________________________________________________________________________
__________________________________________________

Design – Desenvolvimento de produtos – Inovação

Investimento em P&D

Refere-se aos recursos destinados às atividades de Pesquisa & Desenvolvimento. De que


forma a empresa investe em pesquisa (tendências do setor, tecnologia de produto e processo)
e em desenvolvimento (novos produtos ou aperfeiçoamento dos atuais)? Este processo é
formalizado e previsto no orçamento ou somente atividades críticas são atacadas?

Investimentos em Não há um Planejamento limitado e Há planejamento dos


pesquisa & orçamento eventual dos recursos, investimentos em P&D,
desenvolvimento planejado para que são reservados com percentuais pré-
P&D. para atividades críticas. definidos dos recursos.

Desenvolvimento de produtos

São as etapas do desenvolvimento de uma idéia ou amostra em produto. Interação entre


pessoas, formação de grupos de trabalho é uma forma de transformar conhecimento individual,
informal, experiência individuais em conhecimento organizacional. Quem participa no
desenvolvimento de novos produtos? Como diferentes áreas da empresa participam dos
processos? Até que ponto existe trabalho em equipe, em vez de somente consultas?

Desenvolvimento Responsabilidade Baseado em Novos produtos lançados


exclusiva de um grupo grupos de freqüentemente, orientados
de produtos
ou de uma única pessoa. trabalho, com pela política de marketing
Falta de integração entre participação da e/ou necessidades dos
as etapas de área de clientes. O
desenvolvimento de produção. desenvolvimento de novos
produtos e produção. produto é feito com a
participação de clientes e
fornecedores.

Como?_____________________________________________________________

__________________________________________________________________

329
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Quais são as fontes de informação da empresa?

____________________________________________________________________________
__________________________________________________

Introdução de novos produtos

Este índice avalia o grau de inovatividade da empresa. Mede o número de novos produtos
lançados, as características diferenciais e o valor agregado adicionado.

Introdução Nos últimos 2 anos Colocou no mercado A empresa tem


de sua empresa tem dois ou mais produtos, estabelecido tendências no
conservado os alguns com setor; tem introduzido
novos
mesmos produtos; características mudanças radicais na(s)
produtos
segue tendência da diferenciais em relação linha(s) de produto(s), nos
(últimos 2
concorrência. aos produtos processos industriais e
anos)
concorrentes. serviços aos clientes.

Por quê?___________________________________________________________

__________________________________________________________________

Estratégia de Tecnologia

Este indicador avalia a estratégia da empresa com relação à tecnologia dos seus produtos. De
que forma a empresa investe em tecnologia? É uma estratégia pró-ativa, com políticas bem
definidas de pesquisa e investimentos, ou a empresa assume uma posição de reação,
procurando resolver problemas ou limitações tecnológicas atuais?

Estratégia As necessidades de Análise das Possui uma política


de novas tecnologias são necessidades de explícita de investimento
tecnologia orientadas por novas tecnologias a em novas tecnologias,
necessidades funcionais cada novo projeto, com monitoramento do
atuais. Há limitações e com processos nível tecnológico da
problemas devido à sistemáticos para sua concorrência.
limitações tecnológicas. obtenção.

Por quê?__________________________________________________________

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Estratégia, Estrutura e Rivalidade das Empresas

330
CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
É o contexto no qual as empresas são criadas, organizadas e dirigidas, bem como a natureza
da rivalidade interna.

Conhecimento da Concorrência

Avalia de que forma a empresa observa seus concorrentes. Uma análise sistemática da
concorrência mostra-se importante para toda empresa, uma vez que comparações de preço,
qualidade, garantias, estratégias de promoção, desempenho de produtos entre empresas
concorrentes são realizadas a todo momento pelos clientes. A empresa deve conhecer a
concorrência melhor do que seus clientes, pois dessa forma pode enfatizar seus próprios
pontos fortes e os pontos fracos dos concorrentes nas negociações.

Conhecimento Os concorrentes A empresa estuda e A empresa conhece seus


da não são pesquisa apenas o concorrentes. Há um registro
concorrência conhecidos nem preço e as atualizado dos seus dados
pesquisados. campanhas (preço, garantias, qualidade)
publicitárias dos que são analisados e utilizados
concorrentes. para melhorias. Vendedores
treinados a enfatizar os pontos
fracos da concorrência.

Como?_____________________________________________________________

__________________________________________________________________

Estruturação dos Canais de venda

Canais de venda são o conjunto de organizações interdependentes envolvidas no processo de


tornar o produto ou serviço disponível para consumo. Diversas configurações de canais de
venda podem ser estruturadas conforme a necessidade dos clientes quanto ao tamanho do
lote, tempo de espera, conveniência espacial, variedade de produtos desejada e retaguarda de
serviços. Quanto melhor o planejamento do canal, maior será a eficiência dos recursos
investidos em marketing para todos os envolvidos.

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CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Estruturação Formado em Focado no atendimento a A administração do
dos canais de decorrência do quantidade, variedade, canal possui caráter
venda processo de vendas suporte, deslocamento e estratégico.
da empresa. Enfoque tempo de espera
A estruturação do
somente na desejados pelos
canal agrega valor
diminuição dos custos consumidores. Canais
adicional aos produtos
de distribuição. Não é adotam critérios de
e serviços, e sua
considerado atuação próprios.
integração promove
estratégico.
sinergia nos esforços
de marketing .

Por quê?___________________________________________________________

__________________________________________________________________

Planejamento de Marketing

O planejamento de marketing é o processo de transformar as estratégias de marketing em


programas através da tomada de decisões básicas quanto aos investimentos e mix de
marketing nas quatro áreas: produto, preço, praça e promoção. Um bom planejamento de
marketing maximiza as chances de sucesso da campanha de marketing da organização.

Planejamento Não existe um Existe um Existe um programa formal, que


de Marketing planejamento de planejamento orientado pelas metas da
marketing formal. formal que se empresa, define uma estratégia
Decisões são restringe aos com orçamento de gastos,
tomadas com base programas de composto de marketing(produto,
na percepção e promoção. praça, preço e promoção),
experiência do programa de ação e resultados
gestor. esperados.

O ambiente empresarial no qual a empresa opera tem mudado significativamente ao


longo dos últimos anos?

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Grau de Cooperação Atual:

1 – Péssimo 2 – Ruim 3 – Regular 4 – Bom 5 – Ótimo

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CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Aquisição de MP

Treinamento

Desenvolvimento Tecnológico

Vendas em conjunto

Exportação em conjunto

Publicidade

Participação em feiras e missões


empresariais

Qual a principal dificuldade para melhorar a cooperação entre a sua empresa e as


demais do mesmo setor da região?

Falta de articulador que fomente a


cooperação

Desconfiança entre empresas

Disputa pelos mesmos mercados

Não reconhecer c/ forma do


aumento da competitividade

Outra:

Condições dos Fatores

São os insumos necessários para competir em qualquer indústria como terra cultivável,
trabalho, recursos naturais, capital e infra-estrutura. Os fatores são dotados de:

1) Recursos Humanos - implica na capacidade, quantidade e custo da mão-de-obra,


considerando-se a carga horária semanal e a ética de trabalho.

2) Recursos Físicos - o posicionamento geográfico é extremamente importante para esta


análise, considera-se a qualidade, acesso, abundância e custo de itens como terra, água,
minérios, fontes de energia etc.

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CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
3) Recursos de Conhecimento - relaciona-se diretamente à capacidade intelectual disponível
no país.

4) Recursos de Capital - resume-se na capacidade econômica e garantias que o país dispõe


para o financiamento de investimentos tecnológicos.

5) Infra-Estrutura - tipo, qualidade e valor de uso da infra-estrutura disponível que afeta a


competição, inclusive os sistemas de transportes, os sistemas de telecomunicações,
pagamentos ou transferências de fundos, assistência médica etc.

Como considera o relacionamento com as seguintes instituições:

1 – Péssimo 2 – Ruim 3 – Regular 4 – Bom 5 – Ótimo

Sebrae SENAI/SENAC

Epagri Inst. de tecn./design

Sindicato/Fiesc Inst. de Capacitação

ACI Governo municipal

AMPE Governo estadual

Bancos de Desenvolvimento

Universidade

Condições de Demanda

Ela determina o rumo e o caráter da melhoria e inovação pelas empresas do país. Três
atributos gerais da demanda interna são significativos: a composição (natureza das
necessidades do comprador), o tamanho e padrão de crescimento e os mecanismos pelos
quais a preferência interna é transmitida aos mercados estrangeiros.

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CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Para quais regiões a empresa vende seus produtos diretamente? Especifique, em Reais,
o quanto é vendido para cada região?

No Município

Na Região

No Estado

No País

No Exterior

Para quais clientes você vende a maior parte de sua produção? Quanto representa sobre
o total das vendas?

Para o comércio (%)

Direto p/ o cliente final (%)

Para distribuidores (%)

Indústria (%)

Outros (%)

Estimativa de Demanda

A previsão de demanda desempenha um papel essencial uma vez que é utilizada pelos
departamentos financeiro para levantar dinheiro para as operações, manufatura, para
estabelecer a capacidade e níveis de produção, de compras adquirir materiais e RH contratar
pessoas. Se as previsões forem distantes a empresa terá problemas de liquidez, perderá
dinheiro com estoques e níveis baixos de produção.

Estimativa A demanda Demanda Além do histórico de vendas, a demanda é


de demanda não é estimada com estimada com base em fontes de
estimada. base no histórico informação como contato com canais de
de vendas. vendas e distribuidores, informações sócio-
econômicas, entre outras.

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CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Como?_____________________________________________________________

__________________________________________________________________

Pesquisa das Necessidades dos Clientes

A pesquisa das necessidades dos clientes consiste numa das práticas mais importantes para a
orientação das empresas. O levantamento destas informações é fundamental para diversas
áreas da empresa, como desenvolvimento de produtos, distribuição e marketing, todas
atendendo às expectativas dos consumidores. A empresa não deve somente reagir às
reclamações, mas sim, identificar antes do consumidor os possíveis pontos que não atendem
as necessidades e expectativas dos mesmos.

Pesquisa das Não são feitas Pesquisas esporádicas Possui uma verba
necessidades pesquisas sobre as para conhecer as destinada à
dos clientes necessidades dos necessidades e pesquisa de
clientes. A empresa expectativas dos clientes. mercado e as
baseia-se em Existe um canal disponível realiza
informações isoladas para reclamação/críticas. constantemente.
de relacionamento com
poucos consumidores.

Como?_____________________________________________________________

__________________________________________________________________

Variação nas vendas

A variação nas vendas é usada como medida ativa do desempenho da empresa, é avaliada
mediante razão entre as vendas do período atual e do período anterior. Este indicador é
medido com base na variação do volume e valores das vendas dos últimos anos.

Variação nas vendas Em declínio Estável Em crescimento

Por quê?___________________________________________________________

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CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Indústrias Correlatas e de Apoio

É a presença no país de indústrias que possam abastecer a produção industrial e dar suporte
administrativo aos serviços, dentro de uma cadeia de valor.

Fornecedores e Subcontratados

A maioria das empresas compra alguns itens baseados somente no preço, mas são
reconhecidos outros fatores que afetam o sucesso comercial, como por exemplo, o prazo e a
flexibilidade na entrega. Um processo de avaliação formal e sistêmico dos fornecedores é
importante para garantir e avaliar a confiabilidade do fornecedor. Manter parcerias abertas com
fornecedores, baseadas em confiança mútua e trabalhando no melhor interesse de todas as
partes é importante para conquistar uma posição competitiva, visto que, fornecedores devem
estar ativamente encorajados a contribuir para o desenvolvimento e melhoria do processo e do
produto. A empresa participa de programas de qualidade em parceria com os fornecedores? A
empresa utiliza política de incentivos com os fornecedores/subcontratados, motivando-os a
melhorar a qualidade dos serviços? Quais outros fatores são levados em consideração no
momento da compra?

Fornecedores e Muitos Alguns fornecedores Fornecedores cadastrados e


subcontratados fornecedores; preferenciais. Além avaliados periodicamente.
compra baseada do fator preço alguns Parcerias com fornecedores
somente no outros fatores são no desenvolvimento de
preço. levados em novos produtos e na
consideração. programação da produção.

A empresa tem
buscado desenvolver
parcerias.

Como?_____________________________________________________________

__________________________________________________________________

Planejamento Logístico

Dada a importância, seja na logística de aquisição ou de distribuição, de questões como


quantidade, qualidade, prazo e local, torna-se essencial um planejamento logístico a médio e
longo prazo. Muitas vezes a definição incorreta de fornecedores e clientes alvo acaba
prejudicando o desempenho da empresa, incorrendo em problemas com a compra e
distribuição de materiais/produtos. Um bom planejamento define prioridades e necessidades
que devem nortear a logística da empresa.

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CAPÍTULO 3 – CADEIA PRODUTIVA MADEIRA-MÓVEIS - ANÁLISE 2003 • AMUREL
Planejamento Não há Algumas pessoas Há um planejamento a
planejamento com (chefia) responsáveis médio ou longo prazo onde
logístico
relação à logística. pelas decisões são definidas as
Imprevistos referentes à aquisição e necessidades relacionadas
freqüentes nas distribuição. Elas ao material, quantidade e
compras ou definem fornecedores e transporte. São definidas as
distribuição. clientes baseados na prioridades (qualidade,
experiência, contatos, prazo e preço) e