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METÁFORA EM SALA DE AULA: UMA PROPOSTA DE FERRAMENTA

METODOLÓGICA

Claudia Strey (claudiastrey@gmail.com - ESPM)


Leticia Presotto (letipresotto@gmail.com - PUCRS/CAPES)

Há algum tempo o ensino busca criar um espaço de aprendizagem que dê conta das
demandas de uma sociedade inclusiva, permeada pelas diferenças e apoiada no
conhecimento interdisciplinar (ARAUJO, 2011). Dentro de uma proposta ativa, o aluno
não apenas memoriza o conteúdo, mas passa a realizar tarefas mentais de alto nível
(MILLER, SCHAPIRO, HILDING-HAMANN, 2008). Dentro desse quadro, o presente
trabalho, que se encaixa na temática de ensino e avaliação de PLA em diferentes
contextos, tem como objetivo geral argumentar que a metáfora pode ser ressignificada
como ferramenta metodológica para o ensino de PLA em distintos níveis. Apesar de o
estudo da metáfora na perspectiva do ensino ser desenvolvido há bastante tempo, o
tema ainda continua relativamente novo na área de ensino de língua adicional (LOW,
2008; FERREIRA, 2007; LITTLEMORE; LOW, 2006). Especificamente sobre a
metáfora como ferramenta metodológica, os trabalhos nessa seara ainda são bastante
incipientes (MOURAZ; PEREIRA; MONTEIRO, 2013), havendo mais estudos sobre
quão usadas as metáforas são por professores ou por alunos (FERREIRA, 2016;
BADLEY; HOLLABAUGH, 2012; MAHLIOS; SHAW; BARRY, 2010). A fim de abordar
tal questão no PLA, nos apoiamos na Teoria da Metáfora Conceitual (LAKOFF;
JOHNSON, 1980), a qual entende que o sistema conceitual do ser humano é
fundamentalmente metafórico por natureza, ou seja, a linguagem é altamente
metafórica, em diferentes línguas e culturas, sendo, portanto, fundamentais para a
nossa concepção da realidade em geral (FITCHNER, 1999). Isso está ligado ao
experiencialismo, que procura entender como um indivíduo, pertencente a uma
comunidade linguística e a uma cultura, compreende o mundo. Em relação ao ensino,
a metáfora é vista como essencial para teoria e prática do ensino e aprendizagem de
línguas, sendo importante entendê-la como fenômeno linguístico e ferramenta para
propiciar a reflexão, bem como perceber seu papel na educação, e as suas
implicações do intercâmbio cultural para o ensino de línguas (CAMERON; LOW, 1999,
CAMERON, 2003). Através de uma proposta de metodologia ativa pela metáfora,
busca-se desenvolver habilidades e competências diferentes, tais como aumentar o
vocabulário do aluno, fazê-lo usar a língua criativamente, melhorar a sua capacidade
reflexiva e desenvolver sua autonomia. As atividades criadas baseadas nessa
metodologia teriam potencial de aplicabilidade nos mais variados contextos e para
diferentes alunos, considerando o seu nível de proficiência e o fim específico do
ensino. Dessa maneira, pretendemos contribuir para a área de ensino e aprendizagem
de PLA, bem como auxiliar alunos e professores na suas práticas.

Palavras-chave: Metáfora, PLA, metodologia, ensino.

Referências

ARAÚJO, U. F. A quarta revolução educacional: a mudança de tempos, espaços e


relações na escola a partir do uso de tecnologias e da inclusão social. ETD: educação
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FERREIRA, L. C. How Brazilian students conceptualize the experience of learning


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FICHTNER ,B. Metaphor and learning activity. In: Perpectives on Activity Theory. Yrjö
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LAKOFF, G.; JOHNSON, M. Metaphors we live by. Chicago: University of Chicago
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LITTLEMORE, J.; LOW, G. Metaphoric Competence, Second Language Learning, and
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2006.
LOW, G. Metaphor and education. In R. Gibbs (Ed.), The Cambridge handbook of
metaphor and thought. Cambridge: Cambridge University Press, p. 212-231, 2008.
MAHLIOS, M.; SHAW, D.; BARRY, A. Synthesis of metaphors: A review across three
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em: <http://kuscholarworks.ku.edu/dspace/>
MILLER, R.; SHAPIRO, H.; HILDING-HAMANN, K. E. School’s over: learning spaces
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Commission Joint Research Centre: Institute for Prospective Technological Studies,
2008.

MOURAZ, A.; PEREIRA, A. V.; MONTEIRO, R. The Use of Metaphors in the


Processes of Teaching and Learning in Higher Education. International Online Journal
of Educational Sciences, 5(1), 2013, p.99-110.