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02/05/2017 Golçalves

Congressos e Encontros Nacionais da Gestalt­Terapia Brasileira (ISSN: 2179­
5673), IX Congresso e XII Encontro Nacional de Gestalt­Terapia_Setembro/2009

MESA REDONDA 08 – PARTE I: PROPONDO UMA VISÃO GESTÁLTICA
SOBRE O AUTISMO
Autor: Sandro Quintana Gonçalves

Eixo Temático: Práticas da Gestalt­terapia na atualidade e os seus caminhos
 

RESUMO
Este artigo visa apresentar uma nova visão do autismo, articulando aspectos
teóricos da gestalt­terapia com relatos e depoimentos de autistas e pessoas
ligadas  ao  autismo.  Analisaremos  a  existência  do  ajustamento  criativo  na
pessoa  autista,  a  concepção  desta  pessoa  dentro  da  teoria  do  ciclo  do
contato, buscando  compreender  os  recursos  necessários  ao  terapeuta  para
atender suas necessidades singulares.

Palavras Chave: Autismo, gestalt­terapia, pessoa autista.
 

ABSTRACT
This  article  aims  at  to  present  a  new  vision  of  the  autism,  articulating
theoretical  aspects  of  the  gestalt­therapy  with  reports  and  testimonies  of
autists and people connected to the autism. We will analyze the existence of
the  creative  adjustment  in  the  autistic  person,  the  conception  of  this  person
inside  of  the  theory  of  the  cycle  of  the  contact,  searching  to  understand  the
resources necessary to the therapist to take care of their singular necessities.

Keywords: Autism, gestalt­therapy, autistic person.

INTRODUÇÃO
Desde  sua  descoberta  por  Kanner  e  Asperger,  nos  meados  dos  anos
quarenta, o autismo tem se apresentado como um mistério para a psicologia,
a psiquiatria e a educação.
Os  primeiros  estudos  apontaram  que  a  causa  do  transtorno  estava  na
incapacidade dos pais, particularmente da mãe, de transmitir amor à criança
e criar um ambiente seguro para a expressão de seus sentimentos, gerando
um  bloqueio  na  mesma  em  sua  capacidade  afetiva,  surge  assim  o  termo
“mães­geladeira” (Bettelheim, 1967, in Coll, 1995).
Pesquisas mais atuais, apontam para uma disfunção dos recém descobertos
neurônios­espelho (Oberman e outros, 2006), neurônios pré­motores que se
ativam quando observamos uma ação ou quando percebemos a intenção de
uma ação observada.
No  presente  artigo,  tenho  o  objetivo  de  trazer  uma  visão  diferente  do
autismo,  através  da  gestalt­terapia,  segundo  a  qual,  nos  importa  muito
menos o “por que”, ou  seja,  a  causa  do  autismo,  e  muito  mais  o  “como”,  a
forma  como  o  ser  da  pessoa  autista  se  configura  para  lidar  com  suas
limitações  e  dificuldades,  através  de  seus  próprios  ajustamentos  criativos,
dentro do campo do possível.
 

PARTE E TODO, FIGURA E FUNDO
Para começarmos a falar da pessoa autista a partir da gestalt­terapia, temos
que primeiramente eliminar a separação entre pessoa e autista. É comum ao
conversar  com  profissionais  que  atendem  pessoas  autistas  ouvir  a  frase
“cada autista  é  único”,  mas  a  veracidade  desta  afirmativa  reside  no  fato  de
que cada autista é uma pessoa, e cada pessoa é única.
Para tratarmos uma pessoa autista, temos que nos desprender da figura, o
comportamento  autístico,  que  muitas  vezes  é  identificado  como  o  próprio
autismo, e ir ao fundo, o que mais esta pessoa é, além de autista?
“Autismo,  embora  possa  ser  visto  como  uma  condição  médica,  e
patologizado  como  uma  síndrome,  também  deve  ser  encarado  como  um
modo de ser completo, uma forma de identidade profundamente diferente.” –
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patologizado  como  uma  síndrome,  também  deve  ser  encarado  como  um
modo de ser completo, uma forma de identidade profundamente diferente.” –
Oliver Sacks  (1995)  Tratar  uma  pessoa  autista  não  é  o  mesmo  que  curá­la
do  autismo,  até  porque  falar  em  uma  cura  do  autismo  é  no  mínimo
controverso.  O  que  buscamos  “curar”?  O  comportamento  autístico?  As
dificuldades  sociais  e  de  aprendizagem  que  estas  pessoas  sofrem?  Ou  a
nossa própria incapacidade de lidar com o diferente? Além disso, o autismo
é  uma  condição  pervasiva  da  pessoa  que  o  possui,  ou  seja,  faz  parte  de
quem  ele  é.  Chamo  a  atenção  para  este  ponto,  porque  ainda  existe  o
pensamento de que ao se curar os comportamentos autísticos, curaremos o
autismo.
“Eu  entendo  que  o  desejo  de  eliminar  todos  os  comportamentos  autísticos
derivam  provavelmente  de  uma  falta  de  compreensão  destes
comportamentos, combinada com o desejo de que as pessoas tenham uma
vida  feliz.  O  que  não  ocorre  a  algumas  pessoas,  é  que  essas  duas  coisas
necessariamente  não  se  excluem.”  –  Kris  Brink,  portador  da  síndrome  de
Asperger,  fevereiro/2001.  Este  conceito  possivelmente  deriva  de  nossa
projeção do que seja uma vida 
feliz, e também daquilo que temos insituído como “saúde” e “doença”.
 

UMA VISÃO GESTÁLTICA DO DESENVOLVIMENTO
A gestalt­terapia não  possui  uma  teoria  do  desenvolvimento  formalizada  ou
divida  em  fases  como  ocorre  com  as  teorias  de  Freud,  Piaget  ou  Erikson,
que  deram  grande  importância  ao  desenvolvimento  do  ser  humano  na
infância.  Para  a  gestalt¬terapia,  o  ser  humano  está  em  constante
desenvolvimento ao longo de toda a sua vida.
Luciana Aguiar (2005), coloca que “... concebemos o desenvolvimento como
um  processo  de  inter­ação  homem/mundo.  A  relação  estabelecida  com  o
mundo  não  se  caracteriza  pela  passividade,  mas  pela  possibilidade  –
guardada  as  devidas  proporções  determinadas  pelos  recursos  do  indivíduo
por  um  lado,  e  pelas  possibilidades  do  meio,  por  outro  lado  –  de  ação  e
transformação  do  meio  com  a  finalidade  de  ajustar­se  da  melhor  forma
possível às circunstâncias”.
Esta  inter­ação  ocorre  através  do  conceito  chamado  auto­regulação
organísmica,  que  entende  os  organismos  em  constante  busca  de  equilíbrio
homeostático, a partir da emergência de nossas necessidades, que por sua
vez  emergem  no  contato  com  o  mundo.  Estas  necessidades  não  se
resumem  apenas  as  necessidades  fisiológicas,  mas  também  abarcam
necessidades  psicológicas  e  sociais,  organizadas  por  uma  hierarquia  que
depende do contexto interacional do indivíduo.. Sob este paradigma, a sede
ou  a  fome,  são  necessidades  tão  importantes  quanto  ler  um  livro,  o  desejo
de  ser  abraçado,  expressar  um  pensamento  ou  sentimento,  ou  a
necessidade de realizar um determinado movimento auto­estimulador.
Aguiar continua:  “O  processo  de  auto­regulação  organísmica  objetiva  então
alcançar o melhor acordo possível entre organismo e meio a cada momento,
ao qual denominamos de “ajustamento criativo”... ele é “criativo”, pois implica
na ação do indivíduo no mundo a fim de torná­lo o mais assimilável possível,
ficando com aquilo que o nutre e recusando e/ou transformando aquilo que
não lhe serve.”
Temple Grandin (1992), uma mulher autista de 59 anos, fala de sua infância:
“Minha mãe e meus professores ficavam imaginando porque eu gritava tanto.
Os gritos eram a única maneira que eu tinha para me comunicar. Às vezes
eu  pensava  logicamente  comigo  mesma,  “eu  vou  gritar  agora  porque  eu
quero falar para alguém que não quero fazer determinada coisa”.
O  comportamento  descrito  por  Temple  é  uma  mostra  de  um  ajustamento
criativo  de  uma  criança  autista.  Ela  tenta  recuperar  o  equilíbrio  perturbado
pela  necessidade  de  expressar  seu  desagrado  em  fazer  determinada  coisa
através dos recursos que dispõe para tanto.
Grandin diz que “Durante  meus  anos  escolares primários, a minha fala não
era completamente normal (...) Cantar, porém, era bem fácil.” O que refere à
outro ajustamento criativo relatado pelas mães de alguns autistas com quem
tive  contato,  que  é  o  uso  de  músicas  para  tentar  se  comunicar.  A  música
“Água  Mineral”  do  grupo  Timbalada  é  relatada  por  estas  mães  como  uma
unanimidade entre seus filhos para indicar que estão com sede.
Ser  capaz  de  reconhecer,  acolher,  respeitar  e  estimular  os  ajustamentos
criativos  da  pessoa  autista  é  um  ponto  fundamental  do  atendimento  dos
mesmos. Para isso, é preciso desenvolver a awareness.
Awareness  é  um  conceito  em  gestalt­terapia  de  difícil  tradução,  mas  aqui
opto  por  me  utilizar  da  de  “tornar­se  presente”,  ou  seja,  entrar  em  contato
com  seu  próprio  organismo,  suas  necessidades,  o  ambiente  ao  seu  redor,
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com  seu  próprio  organismo,  suas  necessidades,  o  ambiente  ao  seu  redor,
seu contexto no aqui e agora.
 

O AUTISMO COMO UM PADRÃO DE CONTATO
“Nem todo contato é saudável, nem toda defesa é patológica.” – Fritz Perls,
1977
Jorge Ponciano Ribeiro, em seu livro “O Ciclo do Contato” (1997), propõem
uma  forma  de  diagnóstico  em  gestalt­terapia,  onde  a  patologia  se  formaria
quando há um padrão de contato, ou seja, os recursos criativos utilizados no
passado  em  um  determinado  contexto  continuam  sendo  utilizados  hoje,
quando o contexto mudou e esta elaboração criativa não mais é necessária
ou benéfica.
O  Ciclo  do  Contato,  descrito  por  Ponciano,  pode  ser  resumido  da  seguinte
forma:
Alguma coisa  nos  tira  de  nosso  estado  de  inércia,  e  precisamos  de  Fluidez
para  nos  movermos.  A  partir  do  momento  que  nos  colocamos  em  um
movimento  interno,  buscamos  a  Sensação  para  nos  situarmos.  Quando
sentimos,  entramos  em  contato  com  nós  mesmos,  e  a  partir  daí  tomamos
Consciência. Com a tomada de consciência, fazemos toda uma Mobilização
para entrarmos em Ação. Mas agir, é agir no mundo, agir em relação, e por
isso  nossa  ação  se  torna  Interação.  Quando  nossa  interação  é  plena
alcançamos um Contato Final que nos traz Satisfação. Satisfeitos, podemos
realizar uma Retirada até um novo contato.
Quando  este  ciclo  é  interrompido,  surgem  os  chamados  “mecanismos  de
defesa  ou  de  sobrevivência”,  descritos  por  autores  como  Perls,  Zinker,  os
Polsters  e  Crocker,  e  organizados  por  Ponciano,  que  são  exatamente  os
bloqueios no ciclo do contato descritos anteriormente.
Dentre  os  padrões  descritos  nesta  obra,  quero  destacar  um  em  particular
que  considero  pertinente  de  ser  aplicado  no  caso  do  autismo:  “Fixação
(“Parei  de  existir”):  Processo  pelo  qual  me  apego  excessivamente  às
pessoas,  idéias  ou  coisas  e,  temendo  surpresas  diante  do  novo  e  da
realidade, sinto­me incapaz de explorar situações que flutuam rapidamente,
permanecendo fixado em coisas e emoções, sem verificar as vantagens de
tal situação.”(pp. 45)
A  descrição  de  Ponciano  sobre  a  Fixação  encaixa  perfeitamente  nas
colocações  de  Kris  Brink  (2001):  “Nós  precisamos  continuamente  nos
assegurarmos  que  certas  partes  de  nós  de  fato  existem.  Pode  ajudar  se
movermos  o  corpo  muitas  vezes.  Às  vezes,  alguns  dos  meus
comportamentos auto­agressivos têm essa causa, embora eu esteja sempre
procurando subtituí­los. Pode  ser  difícil,  mas  tente  imaginar  o  medo  que  se
origina da sensação de que nada separa você do caos do mundo.”
Onde Ponciano fala de um temor diante do novo, e de lidar com as surpresas
da  vida,  o  desconhecido,  Brink  nos  pede  que  imaginemos  o  medo  de  se
estar desprotegido diante do caos do mundo. O mundo é um lugar caótico e
imprevisível para o autista, acompanhar as transformações deste mundo às
vezes é até doloroso para eles, por isso, eles se utilizam de fixações  como
um ponto seguro aonde se firmar em meio ao turbilhão do mundo.
Alguns  possuem  fixações  por  números,  como  o  personagem  de  Dustin
Hoffman no filme Rain Man, outros possuem fixações por insetos, fantasias,
dinossauros, ou seu próprio corpo e seus sentidos, dentre outras.
Ponciano  coloca  que  o  fator  de  cura  para  a  fixação  é  a  fluidez,  que  ele
descreve como “Processo pelo qual me movimento, localizo­me no tempo e
no  espaço,  deixo  posições  antigas,  renovo­me,  sinto­me  mais  solto  e
espontâneo  e  com  vontade  de  criar  e  recriar  a  minha  própria  vida”.  Pode
parecer,  a  primeira  vista  que  para  obtermos  a  fluidez  temos  que
necessariamente  eliminar  toda  e  qualquer  fixação.  Entretanto,  podemos
tentar um caminho diferente, baseado no conceito anteriormente exposto do
ajustamento criativo para gerar uma fluidez dentro da própria fixação.
Grandin  fala  de  suas  próprias  fixações,  e  de  como  elas  poderiam  ter  sido
utilizadas  para  estimulá­la  na  infância:  “Mesmo  que  a  minha  atração  por
propagandas eleitorais tenha se iniciado por razões sensoriais, eu acabei me
interessando por eleições. Meus professores deviam ter tirado proveito disso
para  me  estimular  e  me  fazer  interessada  em  Estudos  Sociais.  Calcular  os
pontos  das  eleições  poderia  me  ajudar  em  Matemática.  A  minha  leitura
poderia ser motivada através da leitura das propagandas e das pessoas que
estavam  concorrendo  aos  cargos  políticos.  Se  uma  criança  se  interessa
muito por aspiradores de pó, então use o livreto de instruções do aspirador
como livro texto para essa criança.”
Pode  parecer  que  se  seguíssemos  as  indicações  de  Grandin  descritas
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como livro texto para essa criança.”
Pode  parecer  que  se  seguíssemos  as  indicações  de  Grandin  descritas
acima, estaríamos estimulando uma parte do problema ao invés de “curá­lo”,
mas como já foi colocado, não se trata de buscar uma cura para o autismo,
mas  de  buscar  novas  gestalts  para  a  pessoa  autista  através  de  um
ajustamento criativo.
 

O AJUSTAMENTO CRIATIVO DO TERAPEUTA
Anteriormente,  neste  mesmo  artigo,  citei  a  importância  do  acolhimento  e
estímulo  aos  ajustamentos  criativos  da  pessoa  autista,  no  entanto,  no
atendimento  de  pessoas  portadoras  de  síndrome  do  espectro  autista,  é
preciso  que  o  ajustamento  criativo  do  próprio  terapeuta  também  seja
trabalhado.
É  preciso  que  enquanto  terapeutas,  entremos  constantemente  em  contato
com  a  pessoa  diante  de  nós,  buscando  perceber  suas  dificuldades  e
principalmente, suas forças. Este pensamento, que poderia ser utilizado em
qualquer  atendimento  realizado  por  um  gestalt­terapeuta,  precisa  ser
reforçado  ao  lidarmos  com  autistas.  Pessoas  autistas,  por  conta  de  suas
próprias  alterações  sensoriais  e  de  linguagem  são  incrivelmente
imprevisíveis.  E  um  terapeuta  que  não  se  encontre  aware  e  fluído,  não
estará em contato, numa verdadeira relação Eu­Tu.
Temple Grandin construiu aos 19 anos uma máquina de compressão que ela
imaginava desde os cinco anos de idade. Com esta máquina, ela conseguia
ter  a  sensação  de  um  abraço,  mas  onde  ela  poderia  controlar  a  força  do
mesmo para que este contato não se tornasse nocivo para ela. Ela descobriu
que  esta  máquina  tinha  nela  um  efeito  relaxante  e  reduzia  a  sua
sensibilidade exacerbada ao tato, o que lhe permitia entrar em contato mais
facilmente com pessoas e animais, inclusive lhe desenvolvendo a empatia.
Com  todos  estes  benefícios  causados  pela  máquina,  Temple  descreve  que
“Enquanto  o  psicólogo  queria  eliminar  a  minha  máquina  de  compressão,  o
meu  professor  encorajou­me  a  ler  jornais  científicos  para  que  eu  pudesse
entender  porque  a  máquina  tem  um  efeito  relaxante.”  E  continua  “Se  o
psicólogo  tivesse  tido  sucesso  em  tirar  de  mim  a  minha  máquina
compressora,  talvez  agora  eu  estivesse  sentada  em  algum  canto
apodrecendo em frente a uma TV em vez de estar escrevendo...”
Este exemplo ilustra bem o que tenho desenvolvido desde o princípio deste
artigo.  Não  só  devemos  estimular  a  awareness  da  pessoa  diante  de  nós,
mas  nossa  própria  awareness  precisa  ser  ampliada  para  que  não  nos
prendamos  ao  comportamento  autistíco  e  nem  tentemos  “curar”  aquela
pessoa.  Lembrando  que  em  gestalt­terapia,  “a  pessoa  é  a  maior
conhecedora  de  si  mesma”,  pois  ela  sabe  quais  são  as  suas  próprias
necessidades  e  dificuldades.  Devemos  também  estar  atentos  as  nossas
próprias necessidades e dificuldades na relação terapêutica.
 

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir de uma visão holística e organísmica, o objetivo deste artigo foi o de
trazer  um  novo  enfoque  sobre  o  autismo,  não  mais  como  uma  doença  ou
transtorno, mas como uma forma diferenciada de ser.
Apesar do nome do artigo ser “O Atendimento ao Portador de Síndrome do
Espectro  Autista:  Uma  Visão  Gestáltica”,  estou  aware  de  que  o  mesmo  se
concentrou  muito  mais  em  uma  correlação  teórica  e  muito  pouco  em  uma
prática. Isso se deve ao fato de meu contexto enquanto estudante. Gostaria
de revisar este artigo daqui a alguns anos, já munido de experiência clínica e
de maior contato com o universo autista.
O  autismo  ainda  é  um  território  desconhecido,  cheio  de  mistérios.  Espero
que este artigo tenha dado novos ventos para aqueles que desejam singrar
por estes mares ainda não mapeados. 
BIBLIOGRAFIA
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Editora Livro Pleno.
BRINK,  K.  (2001)  Eliminar  o  comportamento  autístico  não  cura  o  autismo.
Disponível  na  internet  em
http://www.maoamigaong.trix.net/eliminarcomport.htm:  consulta  efetuada  em
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GRANDIN,  T.  (1992)  AnInside  View  of  Autism. 
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Disponível  na  internet  em  http://www.painet.com.br/rocha/temple.htm:
Consulta efetuada em 2008.
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PERLS, F. S. (1977) Gestalt­terapia explicada, São Paulo: Summus.
PONCIANO  RIBEIRO,  J.  (1997)  O  ciclo  do  contato:  temas  básicos  na
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SACKS, O. (1995) Um antropólogo em Marte: sete histórias paradoxais. São
Paulo: Companhia das Letras. 

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