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A Pele

Quando pela garganta


Por Fátima Trinchão Por Paulo Colina

Quando pela garganta


Esta Pele Que Me Cobre, desce abrupta mão,

Esta Pele Que Me Envolve nenhum punho fechado pode


transmutar nosso canto livre
O corpo, Em grito

Esta Pele Que Me Marca


Há sede é verdade,
E Me Faz Único esse ardor pelo espaço usurpado

Em Meio A Tantos, e nervos


sem declinar de qualquer sentimento gentil salvo a palavra
Esta Pele Que Me Define, bruta.

Manto De Extrema
Tudo o que transporta o ar,
Leveza, nós revelamos.

Como A Noite Sonhamos coisas que existirão,


ainda que você sempre duvide.
Repleta D’estrelas, Nem todo o privado de visão é cego;

Cobre O Mundo, quem rala a alma pelo lado de fora


sim.
A Terra Inteira,
Pele Preta Ventre armazenado de calor.
Negro, a cor de princípios.
Preta Pele,
Beleza Que Me Acaricia. FRONTEIRAS

Esta Pele Que Me Veste,


sei das fronteiras
Em Claro E Sereno Rito,
que a mim traçaram
Esta Pele Que Me Encobre,
desconheço contudo qualquer porta
Manto De Extrema Grandeza
que a noite não pede licença
Esta Pele Que Me Marca, que a pele é surda

Que Me Marca E Me Comove e grita

Esta Pele Que Me Encobre


Como A Noite A Terra Inteira sei da solidão que pudessem

os fracos
Em Claro E Profundo Rito
sempre a mim legariam
Manto De Extrema Grandeza
e paciente tocaio afetos
É Esta A Pele Que Habito. no momento desatento

ignorar porém quisera

que um beijo igualmente dilacera

que um beijo igualmente dói


Diário de um golpe
Por Géssica Borges

Aqui onde
A mulher preta tampa
O rosto, a cor, a alma
Com base branca
Onde são quatro
Os filhos da moça
Dois descalços
Dois sem touca
Na cinza manhã fria
O orelhão ainda é
Uma ponte pra Bahia
Aqui onde
Sente como uma mocinha!
Preto não sai da linha
Que a senhora tricota
Com o cerne entristecido
Aqui onde
O homem vende espetinho
Alheio aos direitos dos bichos
E dos humanos
O chicote estrala na viela
O soco cala a boca dela
Eles invadem
Sem mandado, sem sequela
E eu sou livre
Para cobiçar o pulo
Da plataforma de ferro acobreado
Aqui onde todo dia é 64
E nada está nos trilhos.
Erê do Candomblé Ketu/Nagô
O Erê estará sempre ligado as determinações do Orixá, pois

No Candomblé o Erê é uma energia oriunda do Orixá ligada sem a presença do Orixá não haverá Erê, é condição básica a

ao inconsciente infantil do noviço, o Erê participa como presença do Orixá para o que o mesmo deixe o Erê chegar,

sendo um elo de incorporação. como também para o Erê ir embora, o Orixá também

retornará realinhando as energias.


É também por meio do Erê que o Orixá se interioriza ao

noviço aprendendo as coisas fundamentais do candomblé, O Erê acompanhará sempre o sentimento do Orixá com os

como as danças e os ritos e toda a liturgia. mesmos Ewós, kizilas, ajeuns e indumentária básica.

O Erê é o mensageiro do Orixá em qualquer situação, No dia seguinte a festa da saída do Iyawo, um novo ritual

inclusive, podendo substituí-lo momentaneamente em várias acontece chamado Panan, que é o reaprendizado do dia dia,

circunstâncias, inclusive no xirê. quebra de ewós, readaptação a vida social, onde pode haver

a participação do Erê, o Erê ganhará um nome que esteja


Em casos raros em que o Orixá foge (desincorporar
intimamente ligado ao seu Orixá, escolhido por quem o
subitamente) é o Erê que toma a frente, até de forma lúdica,
apadrinhou.
mantendo o iyawo em transe para posterior retorno do

Orixá. Todos os iniciados tem Erê, porém nem todo Orixá deixa o

Erê, ainda assim existe um orô para chamar o Erê. Erê Mi!
O Erê também cumpre funções que o zelador determinar

dentro da Casa de Santo, podendo lavar, cozinhar, passar e Os Erês podem participar e serem vistos em algumas casas

cumprir as multas ou chimbas aplicadas ao filho. antigas no ritual chamado “Carurú de Ibeji”, onde são

homenageados os Orixás gêmeos que regem o nascimento


A palavra Erê vem do Yorubá, iré, que significa “brincar”.
do Orixá no ronkó. Só não podemos confundir Erê de Orixá
O Erê também recebe oferendas que são as comidas do seu de personalidade infantil com os Orixás Ibeji.
Orixá, e também, simbolicamente, brinquedos infantis,
Hoje em dia quase não se vê mais um orô de Erê,
festas, bolos, aí já dentro do sincretismo religioso.
o sincretismo os uniu as crianças da Umbanda, Ibejadas,
O Erê é responsável pelo cumprimento litúrgico do ronkó Cosme e Damião, etc.
independente do iyawo estar virado ou não, é o vigia do
Erê cura, reza, faz ebó, presente, passado, futuro e fala sério
Orixá.
brincando!
O Erê também responsável pelo resguardo do iyawo
Texto: Fernando D’Osogiyan
defendendo-o contra tudo e em qualquer momento em que

estiver fora da Casa de Santo.

O Erê quando muito bem educado e doutrinado, pode

ocupar depois de algum tempo, lugar de destaque na Casa de

Candomblé podendo dar eventualmente, consultas, indicar

ebós, etc.