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Impugnação contra penhora

Impugnação contra penhora "on line" em fase executiva. Necessidade, em face das
circunstâncias do caso concreto e pobreza do réu-executado, de concessão liminar sob o risco
de grave dano ou de difícil reparação.

Texto enviado ao JurisWay em 18/10/2007.

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EXCELENTÍSSIMO SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA XX VARA CÍVEL DA


COMARCA DE XXXXXXX/SP

PROC. XXXX/XXXX
XXXXXX XXXXXX XXXXX, já qualificado nos autos, por seu advogado,
vem perante Vossa Excelência IMPUGNAR a decisão que determinou a
penhora “on line” de fls. XXX/XXX nos termos do art. 475-J, § 1º,
combinado com o art. 475-L, III, primeira parte, do Código de Processo
Civil.

PRELIMINARMENTE, ressalte-se que a presente impugnação é


TEMPESTIVA conforme fl. XXX, ocasião em que este advogado teve vista dos
autos por força do art. 40, II, do CPC, devendo ser conhecida por V.
Excelência, portanto.

NO MÉRITO, requer-se o acolhimento do que se impugna em razão da


“PENHORA INCORRETA OU INVÁLIDA”, pelo seguinte motivo de fato e de
direito:

OS FATOS

O réu-executado, “operador de câmera”, encontra-se DESEMPREGADO


segundo “comunicação de dispensa” (DOC.1), “termo de rescisão de contrato
de trabalho” (DOC.2) e “recolhimento de FGTS rescisório” (DOC.3).

Além disso, foi recentemente operado na Santa Casa de XXXXX em


razão de uma APENDICITE AGUDA, permanecendo internado por causa da
intervenção cirúrgica em seu organismo (DOC.4).

Ficou afastado de suas atividades laborais (DOC.5).


Teve gastos com medicamentos receitados pelo médico (DOC.6).

O DIREITO

De fato, segundo o art. 649, inciso IV, do CPC, são ABSOLUTAMENTE


IMPENHORÁVEIS: “os vencimentos, subsídios, soldos, salários,
remunerações, proventos de aposentadoria, pensões, pecúlios e montepios; as
quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do
devedor e sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários
de profissional liberal, observado o disposto no § 3º deste artigo” [destacado,
em negrito, sobre o texto oficial].

Foi vetado o § 3º indicado pelo inciso IV do citado art. 649 do CPC.

José Carlos Barbosa Moreira, com efeito, diz que:

“Por ‘penhora incorreta’ (inciso III, principio) entende-se não


apenas aquela que haja realizado com preterição de formalidade
essencial (v.g., a feita por um único oficial de justiça, na hipótese
do art. 661), senão também a que recaia sobre bem
impenhorável (...)” (O novo processo civil brasileiro, exposição
sistemática do procedimento, Forense, RJ, 25ª ed., 2007, p. 198)
[destacado, em negrito, sobre o texto original].
No mesmo sentido, Fredie Didier Jr., Rafael Oliveira e Paula Sarno
Braga, ao afirmarem que:

“(...) a impugnação do executado é precedida da penhora e de


avaliação. Assim, cabe ao executado, se quiser discutir o valor da
avaliação, fazê-lo já na impugnação, sob pena de preclusão.
Também é ônus do executado discutir a validade da penhora em
sua impugnação (p. ex., suscitar impenhorabilidade ou
desrespeito à ordem de preferência do art. 655 do CPC)” (Curso
de Direito Processual Civil, Direito probatório, decisão judicial,
cumprimento e liquidação da sentença e coisa julgada, v. 2, ed.
JusPODIVM, Salvador, Bahia, 2007, p. 469) [destacado, em
negrito, sobre o texto original].

Segundo, ainda, o processualista Barbosa Moreira:

“Em princípio, a impugnação não produz o efeito de suspender o


curso da execução. Poderá o juiz, no entanto, atribuir-lhe tal i1
Vefeito, inclusive ex officio, ‘desde que relevantes seus
fundamentos e o prosseguimento da execução seja
manifestamente suscetível de causar ao executado grave
dano de difícil ou incerta reparação’ (art. 475-M, caput). Ainda
nessa hipótese, contudo, o exeqüente logrará fazer prosseguir o
processo executivo, se oferecer e prestar caução que o juiz
repute ‘suficiente e idônea’. Ela será arbitrada pelo órgão
judicial e prestada nos próprios autos (art. 475-M, § 1º).
(...)
Se a execução for suspensa, a impugnação será instruída e
processada nos mesmos autos. No caso contrário, processar-se-
á em autos apartados (art. 475-M, § 2º), a fim de não tumultuar os
da execução, que prossegue.
A decisão que acolher ou rejeitar a impugnação é recorrível por
agravo de instrumento, salvo quando acarretar a extinção
(total) da execução, hipótese em que caberá apelação (art. 475-
M, § 3º). No primeiro caso, ter-se-á decisão interlocutória; no
segundo, verdadeira sentença” (ob. cit. pp. 199/200) [destacado,
em negrito, sobre o texto original].

Admitida, pois, a extinção da execução ou fase executiva em processo


sincrético trazido pela reforma operada pela Lei 11.232, de 22 de dezembro de
2005, Fredie Didier Jr., Rafael Oliveira e Paula Sarno Braga dizem, in verbis:

“Como há cognição exauriente, a decisão que julga a demanda


executiva, após a impugnação, está apta a ficar imune pela
coisa julgada material, podendo, inclusive, ser alvo de ação
rescisória.

Após o trânsito em julgado dessa decisão, em razão da eficácia


preclusiva da coisa julgada material (art. 474 do CPC), não
poderá o executado voltar a juízo para rediscutir aquela mesma
pretensão executiva.
Acolhida a impugnação, os efeitos variarão conforme o respectivo
conteúdo, podendo implicar ou uma invalidação do título
judicial e do procedimento executivo, com a reabertura da fase
de conhecimento (art. 475-L, I), ou uma redução do valor
executado (art. 475-L, V) ou o reconhecimento da inexistência da
obrigação (art. 475-L, VI). A decisão que reconhecer a
inexistência da obrigação executada tem um efeito anexo: surge
para o exeqüente o dever de indenizar o executado pelos
prejuízos sofridos em razão da malsinada execução, tendo em
vista a incidência do art. 574 do CPC.

É correta a opinião de Araken de Assis, para quem só haverá


condenação ao pagamento de honorários advocatícios se
houver extinção da execução (art. 20, § 4º, CPC). Em um
primeiro momento, parece que ainda sobrevive a regra de que
cabe condenação ao pagamento de honorários advocatícios
na fase executiva, não obstante o fato de que a regra do art. 20,
§ 4º, CPC, mencione processo de execução. Em qualquer
hipótese, porém, acolhendo ou rejeitando a impugnação, o juiz
condenará o vencido ao pagamento das despesas do
incidente (art. 20, § 1º, CPC).

A decisão que julgar a impugnação é recorrível por agravo de


instrumento, salvo se extinguir a execução, quando será apelável
(art. 475-M, § 3º, CPC). A opção legislativa é clara: não acolhida a
impugnação, a execução deverá prosseguir; assim, a previsão do
agravo de instrumento é correta e adequada, exatamente para
permitir o prosseguimento da fase executiva nos autos principais,
que continuarão no juízo a quo, enquanto pendente o
processamento do recurso.
(...)
A apelação contra a sentença que acolher a impugnação tem
efeito suspensivo, o que implica o prosseguimento da execução
(o acolhimento não produzirá efeito imediato); pode o executado
pedir ao tribunal que retire a eficácia suspensiva da apelação
do exeqüente, impedindo, com isso, o prosseguimento da
execução” (ob. cit. pp. 475/476) [destacado, em negrito, sobre o
texto original].

Com efeito, o art. 475-R do CPC diz que se aplicam subsidiariamente ao


cumprimento da sentença, no que couber, as normas que regem o processo de
execução de título extrajudicial, regime, aliás, recentemente derrogado pela Lei
11.382, de 06 de dezembro de 2006.

Já o art. 591 do mesmo Código aponta que o devedor responde, para o


cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros,
salvo as restrições estabelecidas em lei [aqui já entra o art. 649, IV, do CPC
Excelência!].

O art. 598 do CPC manda que se aplique subsidiariamente à execução


as disposições que regem o processo de conhecimento.

Em capítulo que trata da execução por quantia certa contra devedor


solvente, o art. 648 do CPC, assecuratório e condizente com o art. 1º, III, da
Constituição Federal, prevê que não estão sujeitos à execução os bens que
a lei considera impenhoráveis ou inalienáveis [aqui, novamente, entra o art.
649, IV, do CPC Excelência!].

A propósito, o texto do mencionado art. 649, IV, do CPC: “São


absolutamente impenhoráveis: (...) IV - os vencimentos, subsídios, soldos,
salários, remunerações, proventos de aposentadoria, pensões, pecúlios e
montepios; as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao
sustento do devedor e sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e
os honorários de profissional liberal, observado o disposto no § 3º deste artigo”
[destacado, em negrito, sobre o texto oficial].

Foi vetado o § 3º indicado pelo inciso IV do citado art. 649 do CPC.

O PEDIDO

Assim, ciente de que a extinção da fase executiva só produz efeito


quando declarada por sentença, segundo o art. 795 do CPC, REQUER-SE A
EXTINÇÃO DO PROCESSO COM RESOLUÇÃO DE MÉRITO PELA
REJEIÇÃO DO PEDIDO DA AUTORA-EXEQÜENTE nos termos do art. 269, I,
do CPC, sem prejuízo, evidentemente, dos honorários advocatícios arbitrados
por V. Excelência nos termos do art. 20 do mesmo CPC.

Requer-se, SUBSIDIARIAMENTE, até que o mérito seja julgado por V.


Excelência, que os efeitos da fase executiva encetados pela penhora “on line”
sobre o patrimônio do réu-executado sejam suspensos, suspendendo-se a
execução dos autos por força do art. 475-M, caput, do CPC: “A impugnação
não terá efeito suspensivo, podendo o juiz atribuir-lhe tal efeito desde que
relevantes seus fundamentos e o prosseguimento da execução seja
manifestamente suscetível de causar ao executado grave dano de difícil
ou incerta reparação” [destacado, em negrito, sobre o texto oficial].

O PEDIDO LIMINAR ACAUTELATÓRIO

O prosseguimento da execução, constrito o patrimônio do réu-


executado, permanecendo os efeitos dessa fase processual, pode “causar
grave dano de difícil ou incerta reparação”, risco esse que deve ser
suportado pela autora-exeqüente, exclusivamente, por ser pessoa jurídica de
direito privado com patrimônio suficiente para arcar com o ônus de um litígio.
Por outro lado, o réu-executado é pobre, encontra-se desempregado, mora
com sua mãe, não possui patrimônio penhorável, e, ainda, está em fase de
recuperação depois de sofrer uma intervenção cirúrgica em razão de
apendicite aguda, necessitando, igualmente, de arcar com tratamento
farmacológico aliado ao sustento seu e de sua família até que consiga novo
emprego, ainda que informal.
Como já foi apontado por Barbosa Moreira, nas hipóteses em que se
faz mister a suspensão imediata do processo decorrente da fase executiva
impugnada pelo réu-executado e até que se decida o mérito da lide, pode o juiz
- inclusive de ofício - atribuir efeito suspensivo ao feito (à penhora “on line”):

“(...)‘desde que relevantes seus fundamentos e o


prosseguimento da execução seja manifestamente suscetível
de causar ao executado grave dano de difícil ou incerta
reparação’ (art. 475-M, caput). Ainda nessa hipótese, contudo, o
exeqüente logrará fazer prosseguir o processo executivo, se
oferecer e prestar caução que o juiz repute ‘suficiente e
idônea’. Ela será arbitrada pelo órgão judicial e prestada nos
próprios autos (art. 475-M, § 1º) [...]” (ob. cit. p. 199) [destacado,
em negrito, sobre o texto original].

Admitindo, destarte, que o mérito da lide não seja julgado de plano por
V. Excelência, requer-se, subsidiariamente - conforme foi mencionado sobre a
suspensão dos autos - que a autora-exeqüente preste CAUÇÃO “SUFICIENTE
E IDÔNEA” em face da constrição ao patrimônio do réu-executado, medida
assecuratória em face de eventuais danos que podem ser causados,
arbitrando-se judicialmente a cautela segundo o livre convencimento motivado
ou persuasão racional (art. 131 do CPC).

Esses os fundamentos de fato e de direito que indicam ser o mais


prudente caminho tomado por V. Excelência a extinção do processo com
resolução de mérito, rejeitando a pretensão executiva da autora-exeqüente por
vedação legal, que é a IMPENHORABILIDADE DOS BENS DO RÉU-
EXECUTADO, atendendo-se no caso concreto a dignidade da pessoa
humana como fundamento da República Federativa do Brasil!
Requer-se, por último, a juntada de xerocópias autenticadas por este
advogado: da “comunicação de dispensa” (DOC.1); do “termo de rescisão de
contrato de trabalho” (DOC.2); do “recolhimento de FGTS rescisório” (DOC.3);
da “solicitação médica ao INSS sobre sua internação” (DOC.4); do “atestado
médico” (DOC.5); do “receituário médico” (DOC.6) e do extrato bancário onde
foi penhorado o dinheiro, demonstrando-se que o numerário constrito refere-se
à rescisão de seu contrato de trabalho, de nítido caráter impenhorável (DOC.7).

Termos em que,

Pede deferimento.

XXXXX, XX de XXXXX de 2007.

XXXXXXXX XXXXXXX

OAB/SP XXX.XXX

Rol de documentos:

DOC.1: “comunicação de dispensa”;


DOC.2: “termo de rescisão de contrato de trabalho”;

DOC.3: “recolhimento de FGTS rescisório”;

DOC.4: “solicitação médica ao INSS sobre sua internação”;

DOC.5: “atestado médico”;

DOC.6: “receituário médico”;

DOC.7. “extrato bancário”.

EXMO.(A) SR.(A) DR.(A) JUIZ(ÍZA) DA 02ª VARA DO TRABALHO DE MONTES


CLAROS /MG

Processo nº xx
Executada: xxx
Exequente: xx

A xxxx, por seu representante infra-assinado, vem, nos autos em epígrafe, oferecer
IMPUGNAÇÃO aos embargos aviados à execução em apenso, pelas razões que a seguir
aduz.

Trata-se de embargos à execução fiscal, através dos quais a embargante argúi a


inexigibilidade do título exeqüendo, sob os seguintes argumentos:

1. Impenhorabilidade do bem de família;


2. Meação do cônjuge virago;
3. Excesso de Penhora.

Tais argumentos são de todo improcedentes, conforme será demonstrado a seguir.

DA HIGIDEZ DA PENHORA – Suposto bem de família


O Embargante aduz que o bem penhorado é bem de família, portanto não está sujeito à
constrição.
Juntou certidão do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca onde residem, que aponta
que o Embargante é proprietário conjuntamente com sua esposa do imóvel objeto da
penhora.

Todavia, não merece prosperar sua pretensão.

A Lei nº 8009/90, que instituiu a impenhorabilidade do bem de família, como asseveram os


próprios Embargantes, destina seus dispositivos à proteção da família, o que faz de forma
expressa, fazendo, sempre, referência ao imóvel destinado à residência do casal ou de
entidade familiar.
Releva transcrever, neste passo, o que dispõe o art. 1º do enfocado diploma legal:

“Art. 1º O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e


não responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de
outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus
proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei.” (Grifamos).

Também o art. 5º e seu parágrafo único, da mesma lei, fazem referência ao casal e à
entidade familiar, verbis:

“Art. 5º Para os efeitos de impenhorabilidade, de que trata esta lei, considera-se residência
um único imóvel utilizado pelo casal ou pela entidade familiar para moradia permanente.
Parágrafo único. Na hipótese de o casal, ou entidade familiar, ser possuidor de vários
imóveis utilizados como residência, a impenhorabilidade recairá sobre o de menor valor,
salvo se outro tiver sido registrado, para esse fim, no Registro de Imóveis e na forma do
art. 70 do Código Civil.”

A referência é constante, assim, no sentido de abranger-se, com a proteção legal a família


ou entidade equiparada.

Assim, é imperioso, quando se invoca a proteção legal referida, demonstrar-se, não só que
o imóvel é o único que possui o devedor, mas, também, que é destinado à residência
familiar.

No caso presente, embora o Embargante informe, em sua qualificação, na petição que é


casado não veio aos autos qualquer comprovação neste sentido.

E a prova, que na espécie seria de natureza documental, deveria ter sido produzida com a
petição inicial (art. 396, CPC).

Ainda que se pretendesse a demonstração de qualquer fato, por meio de prova diversa da
documental, deveria isto ter sido requerido na inicial, de forma especificada, o que não foi.

Ademais, não há prova nos autos que o bem penhorado é a única propriedade do
Embargante!

A embargante não juntou aos autos as certidões dos cartórios imobiliários da Comarca,
provando que apenas possui aquele imóvel, além de não ter requerido prova testemunhal
com pessoas que freqüentam a residência. As correspondências carreadas aos autos,
concessa venia, são antigas e nada provam. Não existe nos autos, pois, substrato
probatório a embasar os pleitos da embargante.

Como se vê, foi alegado, mas não foi provado. A jurisprudência, contudo, faz tal exigência:

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA.


BEM DE FAMÍLIA. LEI Nº 8.009/90. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. I - A Leinº 8.009/90
excepciona o bem de família, assim compreendido como a residência, o único imóvel
utilizado pela entidade familiar para moradia permanente, da constrição judicial por dívida.
II - A concessão do beneplácito depende da comprovação nos autos de dois requisitos,
embora não em conjunto: a) que o bem penhorado seja o único imóvel de propriedade do
executado; ou b) existindo outros imóveis de propriedade do executado, que o bem
penhorado constitua a moradia da entidade familiar. Precedentes do STJ. (...) TRIBUNAL -
TERCEIRA REGIÃO AC - APELAÇÃO CIVEL – 812891 DJU DATA:31/01/2007 JUIZA
ALDA BASTO (grifamos e suprimimos)

É preciso, rogata venia, que o Judiciário atente para o seguinte fato: a alegação de bem de
família foi desvirtuada pelos devedores! Atualmente, toda e qualquer execução em que se
penhore um imóvel encontra a alegação de bem de família. Com certeza, ainda que o
interesse que se pretenda proteger com a Lei 8.009/90 seja legítimo, não é o interesse da
dita Lei revogar a obrigação dos devedores em honrar suas obrigações com todo seu
patrimônio (artigo 391 do Código Civil).

“Art.391 – Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor.”

Ante estas considerações, tendo em vista que não se demonstrou concorrerem todos os
requisitos da Lei 8009/90, requer-se sejam julgados improcedentes os pedidos iniciais,
mantendo-se a penhora e condenando-se os Embargantes no pagamento das verbas de
sucumbência.

Acaso resulte a Embargada vencida, o que se admite em atenção ao princípio da


eventualidade, espera sejam os honorários advocatícios fixados em valores módicos, em
face do que dispõe o art. 20, § 4º, do CPC.

DA MEAÇÃO DA MULHER DO EMBARGANTE

Ilustre Magistrado: O Embargante é casado em regime de comunhão universal de bens


desde antes do ajuizamento da execução fiscal.

Obviamente, pelos dados do parágrafo anterior, conclui-se que ambos os cônjuges


adquiriram juntos o bem penhorado e, a atividade profissional do executado,
inexoravelmente, contribuiu para a aquisição de tal bem e todas as demais despesas do
casal.

Ora, agora que um dos cônjuges torna-se devedor da EXEQÜENTE e quer tentar proteger
a meação do outro desvinculando-se de suas obrigações?! Puro absurdo!!!

A jurisprudência é uníssona ao analisar esses casos:

“PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE TERCEIRO. QUESTÕES PERTINENTES À


EXECUÇÃO: NULIDADE DE PENHORA, CONEXÃO DOS PROCESSOS DE
EXECUÇÃO. IMPENHORABILIDADE DO IMÓVEL RESIDENCIAL. BEM DE FAMÍLIA.
JUSTIÇA GRATUITA.
1. Nos embargos de terceiro, não se pode discutir matéria pertinente à execução. Aa
embargante não interessa se deve ou não haver conexão e se as penhoras são ou não
nulas. O que importa é que foi constritado um seu bem, que não poderia sofrer penhora .
2. A jurisprudência se firmou no sentido de que o cônjuge deve provar que não se
beneficiou com a dívida assumida pelo companheiro, para obter a exclusão de sua
meação.
3. Dispõe a Lei 8.009, de 1990, que "quando a residência familiar constituir-se em imóvel
rural, a impenhorabilidade restringir-se-á à sede de moradia, com os respectivos bens
móveis, e, nos casos do art. 5º, inciso XXVI, da Constituição, à área limitada como
pequena propriedade rural". Na hipótese, não houve penhora da casa e sim de 6,0
hectares de terras de um total de 80,26 hectares.
4. Ainda que gozando a parte dos benefícios da justiça gratuita, deve ser condenada no
pagamento da verba honorária e das despesas processuais, pois, se, no prazo de cinco
anos, tiver condições de pagá-las, poderá haver a cobrança.
(AC 1997.01.00.055563-2/MG, Rel. JUIZ TOURINHO NETO, TERCEIRA TURMA do TRF
1ª Região, DJ de 06/11/1998 P.174).” (Destacou-se).

“EMBARGOS DE TERCEIRO - PENHORA DE BEM PARTICULAR DO CÔNJUGE -


IMPOSSIBILIDADE.
1. Os bens particulares do cônjuge em razão de casamento sob o regime da comunhão
parcial não responde por dívida contraída pelo outro consorte, exceto se o negócio ensejar
proveito econômico para ambos. Inteligência dos artigos 274 e 275, ambos do Código
Civil.
2. Apelação provida. Recurso adesivo prejudicado. (AC 94.01.37414-7/MG, Rel. JUIZ
EVANDRO REIMÃO DOS REIS (CONV.), TERCEIRA TURMA SUPLEMENTAR do TRF 1ª
Região, DJ de 01/04/2002 P.198).” (Destacou-se).

Ora, sem dúvida, a atividade empresarial do executado serviu de fonte de renda para o
casal (sob o regime de comunhão), por corolário lógico, as dívidas de um estender-se-ão a
ambos.

Afinal, é Princípio Geral do Direito: quem aufere o bônus, deve arcar com o ônus.
Reitera o STJ:

Acórdão RESP 282753/SP ; RECURSO ESPECIAL


(2000/0105465-1)
Fonte DJ DATA:18/12/2000 PG:00210
Relator(a) Min. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA (1088)
Data da Decisão 16/11/2000
Órgão Julgador T4 - QUARTA TURMA
Ementa PROCESSO CIVIL E CIVIL. EXECUÇÃO. PENHORA. MEAÇÃO DA MULHER.
DÍVIDA
CONTRAÍDA PELO MARIDO. BENEFÍCIO DA FAMÍLIA. INCLUSÃO NA EXECUÇÃO.
ÔNUS DA PROVA. PRECEDENTES. RECURSO PROVIDO.
I - A meação da mulher casada não responde pela dívida contraída
exclusivamente pelo marido, exceto quando em benefício da família.
II - É da mulher o ônus de provar que a dívida contraída pelo marido
não veio em benefício do casal, não se tratando, na espécie, de
aval.
Decisão Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da
Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos
votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, conhecer
do recurso e dar-lhe provimento. Votaram com o Relator os Ministros
Barros Monteiro, Cesar Asfor Rocha, Ruy Rosado de Aguiar e Aldir
Passarinho Júnior.

(Destacamos).

Acórdão AGA 185764/SP ; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO


(1998/0027622-0)
Fonte DJ DATA:22/11/1999 PG:00160
Relator(a) Min. BARROS MONTEIRO (1089)
Data da Decisão 31/08/1999
Orgão Julgador T4 - QUARTA TURMA
Ementa AGRAVO. PREQUESTIONAMENTO. MULHER CASADA. DEFESA DA MEAÇÃO.
Ausência de prequestionamento quanto aos temas dos arts. 302, 333,
inc. I, e 334, inc. II, do CPC. Incidência das Súmulas nºs 282-STF e
211-STJ.
Constitui ônus do cônjuge provar que as dívidas contraídas pelo
outro não reverteram em benefício da família. Precedentes. Aplicação
da Súmula nº 83-STJ.
Agravo desprovido.
Decisão Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas:
Decide a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça, por
unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, na forma do
relatório e notas taquigráficas precedentes que integram o presente
julgado. Votaram com o Relator os Srs. Ministros Cesar Asfor Rocha,
Ruy Rosado de Aguiar, Aldir Passarinho Júnior e Sálvio de Figueiredo
Teixeira.

(Destacamos).

Definitivamente, a embargante NÃO fez prova de que a atividade empresarial do varão


não beneficiou seu cônjuge, devendo, pois, arcar com o ônus da penhora.

Outrossim, por cautela, deve ser aduzido que, em verdade, a jurisprudência do Superior
Tribunal de Justiça, firmou entendimento de que a meação do cônjuge será resguardada
mediante a reserva de metade do valor alcançado por ocasião da arrematação do bem em
leilão. Nesse sentido:

Processo
RESP 132901 / SP ; RECURSO ESPECIAL
1997/0035450-4
Relator(a)
Ministro CASTRO MEIRA (1125)
Órgão Julgador
T2 - SEGUNDA TURMA
Data do Julgamento
05/02/2004
Data da Publicação/Fonte
DJ 15.03.2004 p. 218
Ementa
RIO. EMBARGOS DE TERCEIRO. EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA. BEM
INDIVISÍVEL. MEAÇÃO. ALIENAÇÃO.
1. Os bens indivisíveis, de propriedade comum decorrente do regime de comunhão no
casamento, na execução podem ser levados à hasta pública por inteiro, reservando-se à
esposa a metade do preço alcançado Corte Especial, REsp 200.251/SP, Rel. Min. Sálvio
de Figueiredo Teixeira, DJU de 29/04/2002.
2. Como apenas a metade do produto da alienação judicial reverterá em benefício do
exeqüente, sendo que a outra parte ficará com o cônjuge meeiro do executado, restará,
pois, resguardada a meação.
3. Recurso Especial parcialmente provido.
Acórdão
Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior
Tribunal de Justiça: por unanimidade, deu parcial provimento ao
recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro-Relator.
Os Srs. Ministros Francisco Peçanha Martins, Eliana Calmon,
Franciulli Netto e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro
Relator.

Pelo exposto, requer a improcedência do pedido de meação.

DO ALEGADO EXCESSO DE PENHORA

A Embargante sustenta a existência de excesso de penhora, em face do descompasso


entre o valor dos bens submetidos àquela constrição e o valor da dívida exeqüenda.

Entretanto, sobreleva reconhecer-se que o excesso de penhora não constitui matéria


argüível em embargos do devedor.

Neste sentido, vale a pena transcrever a precisa lição de Araken de Assis (in MANUAL DO
PROCESSO DE EXECUÇÃO, 6ª edição revista, atualizada e ampliada, 2000, Editora
Revista dos Tribunais, SP, págs. 606/606):

“215. Excesso de penhora e excesso de execução

Distingue-se, em sede doutrinária, entre excesso de penhora e excesso de execução. Este


último consta no art. 743 e aquele sequer é alegável em embargos.
Ensina Amílcar de Castro: ‘não se deve confundir excesso de penhora com excesso de
execução. Excesso de penhora é a apreensão de bens de valor muito maior que o do
crédito do exeqüente e seus acessórios; só é alegável após a avaliação, mediante
requerimento do devedor’.
Pretendendo o devedor reduzir a constrição, porque excessiva, deve fazê-lo através de
requerimento, até a expedição dos editais, consoante dispõe o art. 685, parágrafo único.
Em realidade, não há direito líquido e certo de o executado reduzir a penhora aos bens
estritamente suficientes à satisfação do credor. Talvez requerimento deste teor seja de
impossível atendimento: o produto da arrematação, a priori, se revela desconhecido, pois
se adscreverá à álea natural do certame, ao interesse maior ou menor dos licitantes.
Também é descabido reduzir se o bem foi predestinado à solução da dívida (retro, 214). E,
finalmente, fatores práticos impedem amiúde a redução (p. ex., o bem do executado não
comporta divisão cômoda; inexiste bem penhorável adequado à bitola da dívida;
qualquer combinação de bens de reduzido valor do executado excede o do crédito;
e assim por diante).
Certo é que, à hasta pública, devem ser levados bens amplamente suficientes à satisfação
do crédito. Toda cautela se mostra pouca no exercício da faculdade do art. 685, I.”
Assim, o excesso de execução deve ser alegado e apreciado nos autos da própria
execução, sendo matéria estranha à discussão nos embargos do devedor. É nos
autos da execução que se decide acerca da conveniência e/ou da legitimidade da
penhora efetivada.

Portanto, impõe-se seja desacolhido o pedido da Embargante.

De outro, há que se salientar que a Embargante não indicou os bens à penhora, nos autos
da execução fiscal, pretendendo fossem constritados aqueles suficientes à garantia do
débito cobrado. A não indicação de bens tem por razão a inaptidão da própria exeqüente,
quase sempre presente, para avalia-los, bem assim, assegurar-se a realização de penhora
que venha a garantir, efetivamente, o Juízo da execução, apontando-se um leque maior de
bens, visto a possibilidade, sempre presente, não serem todos eles encontrados pelo
Oficial de Justiça ou não serem todos eles passíveis de penhora, por qualquer razão de
ordem material e até jurídica.

Portanto, reconhecida que seja a necessidade de redução da penhora aos limites do


valor do crédito exeqüendo, não se haverá impor à Embargada o ônus do
pagamento das verbas de sucumbência, visto que não esta não deu causa,
injustificadamente, à constrição excessiva de bens.

Resta demonstrado a improcedência do pedido.

DOS PEDIDOS
Ante todo o exposto, requer:
1) Sejam julgados totalmente improcedentes os pedidos dos presentes Embargos à
Execução, condenando-se a Embargante no pagamento das verbas de sucumbência e por
ter litigado com má-fé.

Protesta pela produção das provas admitidas em direito, em especial da documentação


que acompanha a presente.

Nestes Termos,
Pede deferimento.
Belo Horizonte, 16 de agosto de 2007.

xxxxx
OAB/MG xx

Modelo:impugnação aos embargos à execução fundados na


impenhorabilidade do bem de família

Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da Vara Cível de Coquinhos

Processo nº 00000
Embargado: Município de Coquinhos
Embargante: Fulana de Tal

Município de Coquinhos, Pessoa Jurídica de Direito Público, com sede na Rua Coronel
Pedro Osório n° 000, por meio de seu procurador abaixo firmatário, vem respeitosamente
perante V. Exa. para impugnar os embargos apresentados por Fulana de Tal, já qualificada
no feito em epígrafe, pelos seguintes fatos e fundamentos jurídicos:

Preliminarmente

1-A tese do Embargante ao aduzir que o imóvel o qual alega sofrer penhora é bem de
família não é matéria cabível de discussão em sede de embargos. Neste sentido, a
jurisprudência:

EMENTA: EMBARGOS A EXECUCAO. ARGUICAO DE IMPENHORABILIDADE.


EXTINCAO DO INCIDENTE. MATERIA QUE NAO SE ENQUADRA NA DISPOSICAO DO
ART. 741 DO CODIGO DE PROCESSO CIVIL. O MANEJO DOS EMBARGOS NAO SE
PRESTA TAO-SO PARA ARGUIR MATERIA REFERENTE A IMPENHORABILIDADE,
PODENDO SER FEITA POR MEIO DE SIMPLES PETICAO NOS AUTOS DA EXECUCAO.
NO MAIS, OS BENS PENHORADOS NAO SAO TIDOS COMO INDISPENSAVEIS A
FAMILIA E SUA INDICACAO PARTIU DA PROPRIA DEVEDORA. QUANTO AO
TELEVISOR, NADA FOI REFERIDO SER O UNICO DA ESPECIE NA RESIDENCIA DA
EMBARGANTE. APELACAO DESPROVIDA (APELAÇÃO CÍVEL Nº 70003138161,
DÉCIMA SEXTA CÂMARA CÍVEL, TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RS, RELATOR: PAULO
AUGUSTO MONTE LOPES, JULGADO EM 24/10/2001).

Anote-se, ainda, que o Executado não apresentou nenhuma prova de que o imóvel é
usado como residência da entidade familiar, pressuposto para reconhecimento do bem de
família (Lei 8009/90, art. 1º), como tem pronunciado a jurisprudência:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUCAO. PENHORA DE BEM IMOVEL. ARGUICAO


DE IMPENHORABILIDADE. OPORTUNIDADE. A ARGUICAO DA IMPENHORABILIDADE
DO BEM CONSTRITO PODE SER APRESENTADA, VIA PETICAO NOS AUTOS DA
ACAO EXECUTIVA, QUANDO JA DESIGNADA PRACA E ATE MESMO EM EMBARGOS
A ARREMATACAO, MESMO QUE NAO TENHA SIDO SUSCITADO O TEMA EM OUTRO
MOMENTO, RESSALVADA A POSSIBILIDADE DE CONDENACAO DO DEVEDOR NAS
DESPESAS PELO RETARDAMENTO INJUSTIFICADO E EVENTUAL EXACERBACAO
DA VERBA HONORARIA DEVIDA. COMPETE AO DEVEDOR O ONUS DA PROVA DE
QUE O IMOVEL PENHORADO E O UNICO E QUE SERVE DE RESIDENCIA PARA A
FAMILIA. A AUSENCIA DE TAL DEMONSTRACAO ACARRETA NO NAO
RECONHECIMENTO DA IMPENHORABILIDADE DO BEM. PRELIMINAR REJEITADA E
RECURSO DESPROVIDO. (AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 70006650113, DÉCIMA
QUINTA CÂMARA CÍVEL, TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RS, RELATOR: RICARDO RAUPP
RUSCHEL, JULGADO EM 10/09/2003)

Da Impenhorabilidade

Equivoca-se a Embargante ao alegar que seu imóvel encontra-se ao abrigo da Lei


8009/90, visto que o diploma legal autoriza a penhora do bem quando o débito refere-se
aos impostos devidos em função do imóvel familiar (Lei 8009/90, art. 3º, IV).

Sinale-se que o débito ora em execução é o Imposto Predial e Territorial Urbano referente
ao imóvel penhorado em folha 14 do feito.

A Embargante ainda inconforma-se pelo fato do valor ora em execução ser 50 (cinqüenta)
vezes menor que o valor do imóvel penhorado.

Ocorre que a Embargante na oportunidade que poderia indicar bens à penhora quedou-se
silente tampouco ofereceu bens.

Ademais, esta alegação carece de amparo legal.


Da Prescrição

Improcede o argumento da prescrição.

A prescrição em direito tributário é regida pelo art. 173 do CTN, no qual estatui que o
direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se em 5 anos.

Por outro lado, a ação de constituir o crédito prescreve em 5 anos, contados da data de
sua constituição definitiva. Mas a prescrição se interrompe “por qualquer ato inequívoco
ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor” (CTN, art.
174, IV).

A Embargante foi regularmente notificada do débito fiscal, tanto pela notificação individual,
como pela publicação do edital, conforme cópias que ora anexamos.

Uma vez sendo a Embargante notificada em 20 de março de 1997, não há falar em


prescrição do direito da Fazenda Pública em ajuizar a execução fiscal.

Isto posto, requer a improcedência dos embargos, condenando a Autora nas custas,
despesas processuais e honorários advocatícios.

Coquinhos , 4 de dezembro de 2003.

Fulano de Tal
Procurador do Município
OAB n° 000

IMPUGNAÇÃO: BEM DE FAMILIA


Processo n°.
Impugnante/executado: M. A
Impugnada/exeqüente: F. O

Vistos etc.

M. A, já qualificado, inconformado com a penhora efetivada às fls. 171,


interpôs incidente de impugnação, nos autos da ação de reconhecimento e
dissolução de união estável que move contra si F.O, com fulcro nos artigos
475-L e seguintes do CPC, em razão dos seguintes fatos:

Relata o autor que a penhora efetuada é incorreta, uma vez que recaiu sobre
bem de família, sendo imóvel residencial, cuja impenhorabilidade é protegida
por lei.

Alega ainda, que já entregou à requerente o objeto do acordo, quais sejam,04


(quatro) quitinetes, estando a impugnante na posse das supracitadas.

Fundamenta seu argumento com os dispositivos da Lei 8.009/90, requerendo,


por fim, a procedência do pedido, com a concessão de efeito suspensivo e a
procedencia da presente impugnação com o cancelamento da penhora do
imóvel situado à rua Rodrigues Fernandes (atual rua do passeio) .
Manifestação da exequente às fls. 192/197.

É o relatório.

Com fundamento no princípio do sincretismo processual, trazido pela Lei n.


11.232/2005 - segundo o qual não há mais separação entre cognição e
execução - foi criada a impugnação, espécie de defesa incidental do
executado e consequência lógica da referida reforma, eis que,
diferentemente dos embargos, é interposta sem a necessidade do
ajuizamento de ação autônoma.

Assim, passou o executado a contar com a celeridade imposta pelo novo


procedimento, no qual, porém, a atividade jurisdicional fica restrita apenas à
verificação da existência e validade dos requisitos da execução, face à
imutabilidade da coisa julgada (art. 474 CPC)[1], operada na fase cognitiva.

DO CASO EM CONCRETO

O imóvel do executado foi penhorado para garantir o cumprimento de


sentença na qual acordaram que a requerente ficaria com 04 (quatro)
quitinetes , localizadas na Rua 0), São Francisco.

Ocorre que as quitinentes, até os dias atuais, não foram transferidas, visto
não serem legalizadas.

Diante do exposto, a requerente pleiteou a sustituição dos imóveis


supracitados pela metade do imóvel indicado às fls.103, face o princípio da
fungibilidade.

Sendo deferido por este juízo a penhora da metade do imóvel localizado às


fls. 103.

Interposição de impugnação no prazo legal (fl. 188), tendo por base o inciso III
do artigo 475 – L do CPC[2], justificada com o argumento de ser impenhorável
o imóvel constrito, por ser bem de família, protegido que está pela Lei
8.009/90 e com fulcro também no inciso.

Ocorre que o caso em análise não está coadunado ao preceito em referência.


Senão vejamos:

Com efeito, penhora incorreta ou irregular é aquela levada a efeito em


afronta a disposição legal, quer no aspecto material, quer no aspecto formal,
nela incluída, a priori, o bem de família. Assim, preenchidos os requisitos
previstos em lei para caracterização do bem de família, não poderia haver
expropriação, nos termos do artigo 475-L, III do CPC.

[
[
Inicialmente, insta tecer breves considerações sobre a impenhorabilidade do
bem de família e os elementos necessários a considerar um determinado bem
como tal.

Dispõe o art. 1º da Lei 8.009/90:

Art. 1º. O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é


impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil,
comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos
cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele
residam, salvo nas hipóteses previstas nesta Lei.

Parágrafo único. A impenhorabilidade compreende o imóvel sobre o qual


se assentam a construção, as plantações, as benfeitorias de qualquer
natureza e todos os equipamentos, inclusive os de uso profissional, ou
móveis que guarnecem a casa, desde que quitados.

O dispositivo não exige que o casal tenha apenas um imóvel, exige é que
nele resida. A exigência é de que, para que seja considerado como bem de
família, o imóvel deve servir como local de residência do proprietário e de
seus familiares.

Há equivocada idéia de que deve ser o único imóvel de propriedade do


executado, mas não é essa a exigência da lei. O que ela estabelece é que,
se ele tiver duas residências, apenas uma será considerada bem de família.

O equívoco é de plano esclarecido perante o que dispõe o art. 5o da mesma


lei:

Art. 5º. Para os efeitos de impenhorabilidade, de que trata esta Lei,


considera-se residência um único imóvel utilizado pelo casal ou pela
entidade familiar para moradia permanente.

Parágrafo único. Na hipótese de o casal, ou entidade familiar, ser


possuidor de vários imóveis utilizados como residência, a
impenhorabilidade recairá sobre o de menor valor, salvo se outro tiver sido
registrado, para esse fim, no Registro de Imóveis e na forma do artigo 70
do Código Civil.

O parágrafo único do Art. 5º é cristalino ao reconhecer a impenhorabilidade


quando o devedor possuir mais de um imóvel e ainda resolve a questão,
determinando que, nesse caso, a impenhorabilidade recairá sobre o imóvel de
menor valor.

Observa-se dos autos que o bem penhorado é mesmo de propriedade do


embargante. No mesmo diapasão, ficou claro nos autos que o embargante não
reside no logradouro do bem penhorado, mormente pelo fato de que seu
endereço residencial para intimações é diferente do endereço do imóvel
constrito, conforme pode se extrair das certidões do oficial de justiça, fls.36,
46, 65 e da procuração advocatícia de fls.83, aonde declara expressamente
que reside na Rua Virgílio S/N, São Francisco, nesta comarca.

O documento de f. 103 apenas atesta a propriedade do imóvel penhorado,


mas não se presta a comprovar que o embargante ali reside. Se o imóvel em
que reside atualmente é alugado (e não há provas disto) pouco importa, uma
vez que mesmo se assim considerarmos, não vislumbro a presença de um dos
elementos caracterizadores da impenhorabilidade: a necessidade de
utilização do bem penhorado para fim residencial do proprietário ou de
seus familiares ou de sua renda para cobrir o aluguel de onde reside.

Para que o imóvel locado pode ser considerado bem de família há de ficar
comprovado que o valor do aluguel é essencial para o pagamento de outro
imóvel. Não é o que aqui ocorre, posto não haver nenhuma alegação nesse
sentido.

No caso em questão não vislumbro a presença de nenhum dos dois


elementos que caracterizem o imóvel como bem familiar, quais sejam, a
efetiva utilização do bem como local de moradia e nem a utilização do
valor do imóvel para custear o aluguel do local aonde reside, motivos pelos
quais não devem prosperar a presente impugnação.

Isto posto, julgo improcedente a impugnação interposta por M.A, contra a


penhora efetuada às fls. 170/172, nos autos que promove contra si F. O, para
determinar o prosseguimento da execução, deferindo, via de conseqüência, o
pedido de adjudicação (fls. 140) do bem penhorado, metade do imóvel
localizado à rua do passeio, nos moldes do artigo 685-A e seguintes do CPC e o
faço com fulcro na Lei n. 8.009/90, artigos 1.723 e seguintes do Código Civil e
nos demais princípios constitucionais que tutelam a boa-fé e a entidade
familiar da união estável.

Lavre-se o auto de adjudicação e a respectiva carta.

Publique-se. Intimem-se.

São Luís, 09 de janeiro de 2009

José de Ribamar Castro


Juiz de Direito
1ª Vara da Família
[
1] Art. 474. Passada em julgado a sentença de mérito, reputar-se-ão
deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor
assim ao acolhimento como à rejeição do pedido.
[
2] Art. 475-L. A impugnação somente poderá versar sobre:
[...]
III – penhora incorreta ou avaliação errônea;
Postado por José de Ribamar Castro às 03:22

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