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O LAMENTO DOS OPRIMIDOS EM DOIS ROMANCES DE MIA COUTO

José Benedito dos Santos (UFAM)1

E-mail: profbenesantos@hotmail.com

RESUMO: Esta comunicação tem como objetivo refletir sobre a representação de


sujeitos subalternos no espaço enunciativo em dois romances de Mia Couto, os quais
denunciam o silenciamento sociocultural, ao mesmo tempo em que o autor esboça
críticas às práticas culturais em curso em Moçambique pós-colonial. No contexto das
literaturas africanas escritas em língua portuguesa, a obra de Mia Couto tem chamado a
atenção para a construção de uma nova nação moçambicana e de uma identidade
literária para Moçambique. Assim, as duas obras escolhidas nos permite realizar
algumas reflexões sobre as relações entre opressão, exclusão e marginalidade presentes
nos romances Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2003) e A Confissão
da Leoa (2012), que trazem à tona esses temas e destacar, também, que a prosa ficcional
desse autor tem chamado a atenção para a construção da identidade das personagens
femininas. Nesse sentido, a discussão aponta que na obra de Mia Couto a representação
da marginalidade, amparada na violência e na opressão, é uma forma de intervenção
social da literatura africana contemporânea.

Palavras-Chave: Mia Couto; Literaturas de Língua Portuguesa; Identidade; Narrativas.

ABSTRACT: Esta comunicação tem como objetivo refletir sobre a representação de


sujeitos subalternos no espaço enunciativo em dois romances de Mia Couto, os quais
denunciam o silenciamento sociocultural, ao mesmo tempo em que o autor esboça
críticas às práticas culturais em curso em Moçambique pós-colonial. No contexto das
literaturas africanas escritas em língua portuguesa, a obra de Mia Couto tem chamado a
atenção para a construção de uma nova nação moçambicana e de uma identidade

1
Mestre em Letras - pela Universidade Federal do Amazonas - UFAM. Membro do Grupo de Estudos e
Pesquisa em Literaturas de Língua Portuguesa. Professor Credenciado de Língua e Literatura Portuguesa
do Departamento de Língua e Literatura Portuguesa – DLLP –ICHL - da Universidade Federal do
Amazonas – UFAM. Manaus – Amazonas - Brasil. CEP: 69077-000.
literária para Moçambique. Assim, as duas obras escolhidas nos permite realizar
algumas reflexões sobre as relações entre opressão, exclusão e marginalidade presentes
nos romances Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2003) e A Confissão
da Leoa (2012), que trazem à tona esses temas e destacar, também, que a prosa ficcional
desse autor tem chamado a atenção para a construção da identidade das personagens
femininas. Nesse sentido, a discussão aponta que na obra de Mia Couto a representação
da marginalidade, amparada na violência e na opressão, é uma forma de intervenção
social da literatura africana contemporânea.

Palavras-Chave: Mia Couto; Literaturas de Língua Portuguesa; Identidade; Narrativas.

INTRODUÇÃO

Mia Couto apresenta em seus romances personagens nativas de Moçambique, as


quais se configuram como vozes de resistência, uma vez que simbolizam os dilemas
culturais e sociais vivenciados tanto pela mulher como pelo homem moçambicano, na
atualidade, como seres de fronteiras que transitam entre a tradição e a modernidade, ora
reafirmando, ora rejeitando os valores que vigoram em Moçambique pós-colonial. A
escolha desses romances justifica-se pela complexidade que move as relações familiares
e as práticas culturais de opressão política, social e sexual contra a mulher africana.
Nesse sentido, os romances Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2003) e
A confissão da leoa (2012), de Mia Couto, escolhidos para nossa análise têm a função
de nos fazer refletir sobre as consequências da opressão do patriarcado africano e
colonial contra as mulheres na África, mas especificamente as de Moçambique. Assim,
a prosa ficcional de Mia Couto interessa a nós, pesquisadores, sobretudo nos
intercruzamentos que traçam entre ficção e história, esta última, desdobrada em
múltiplas narrativas que se traçam, se desenvolvem nos destroços de Moçambique, um
país marcado na História pela violência colonial.
O escritor moçambicano Mia Couto é considerado um dos mais premiados autores
das literaturas africanas escritas em língua portuguesa. Em maio de 2013, ele recebeu o
Prêmio Camões, o mais importante de língua portuguesa. Em outubro de 2013 foi o
vencedor do prêmio Neustadt International Prize for Literature, considerado o "Nobel
americano". Com um total de 30 livros publicados, essa premiação distingue toda a obra
de Mia Couto ao longo da sua vida, incluindo os romances, as crônicas, os contos e a
poesia. Sua prosa ficcional já foi traduzida para mais de 20 línguas. Terra Sonâmbula
(1992), seu primeiro romance é considerado um dos dez melhores livros africanos do
século XX.

O LAMENTO DOS OPRIMIDOS EM DOIS ROMANCES DE MIA COUTO

A prosa ficcional de Mia Couto discute sobre as fronteiras da ficção e da


realidade, a fusão do discurso narrativo e da linguagem poética, o conflito entre o
universo ancestral e a herança colonial, também discute sobre o lugar social ocupado
pelas mulheres moçambicanas na sociedade pós-colonial, pois, esse autor dedica-se
amplamente à representação de sujeitos femininos subalternos no espaço enunciativo de
sua obra literária, tendo como objetivo denunciar a opressão, a violência e, ao mesmo
tempo em que esboça críticas às práticas culturais em curso na sociedade moçambicana
pós-colonial, ou seja, é um testemunho do escritor sobre o seu tempo, sobre a vida e
sobre a relação entre história e literatura. Partindo dessa perspectiva, encontramos, nos
romances Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2003) e em A confissão da
leoa (2012), de Mia Couto, várias personagens com distintas peculiaridades sociais, mas
com um aspecto em comum: são os “condenados da terra” pela marcha da colonização
europeia, mas também, no presente, são os excluídos das benesses do Estado-Nação em
Moçambique pós-colonial.
Em Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2003), de Mia Couto, a
personagem Dulcineusa Mariano, quando solteira “era magrita, bem cabida nos panos,
lenço adornando a cabeça, brinco de missangas na orelha” (COUTO, 2003, p. 48). Era
funcionária da fábrica de caju que, antes de se casar com Dito Mariano, ainda era uma
mulher fisicamente perfeita, porque “nessa altura, as mãos dela ainda não tinham sido
comidas pelas seivas corrosivas do caju” (COUTO, 2003, p. 48). Mas, no final da
narrativa, o narrador Fulano Malta, descreve as consequências nefastas desse trabalho
para sua mãe, Dulcineusa, pois “as mãos dela foram perdendo formato, dissolvidas pela
grande fábrica, sacrificadas para que seus filhos se tornassem homens” (COUTO, 2003,
p. 76). Assim, ao longo das duas narrativas, temos referências à exploração do trabalho
feminino pelo regime colonial, mas também sobre o trabalho infantil, em Moçambique
pós-colonial.
Na obra de Mia Couto, uma das formas de opressão social contra a mulher
moçambicana está relacionada à herança familiar. Quando a personagem Miserinha
enviuvou teve os bens subtraídos pelos familiares do seu falecido marido, Jorojo
Filimone. Desde então, ela perambula entre Luar-do-Chão, onde mora, e a cidade.
Marianinho, na apresentação dessa personagem, já denuncia, e ela própria confirma, a
sua condição de viúva espoliada no próprio nome. Despojada de seu patrimônio,
Miserinha vai morar de favor na casa de Dito Mariano, seu cunhado, mas, por conta da
disputa entre ela e Admirança pelos favores sexuais do patriarca do clã dos Malilanes, a
primeira tenta eliminar a sua rival. No dia seguinte, Miserinha é expulsa da casa de Dito
Mariano. Nessa mesma narrativa, assistimos ao desespero da matriarca Dulcineusa,
quando seu marido, Dito Mariano, morre, pois, ela teme passar pela mesma situação que
Miserinha experimentou, de ter o patrimônio familiar saqueado pelos parentes do
falecido. Na tradição banta, “a viúva não tem direito à herança, mas os filhos têm direito
a partes iguais, independente do sexo” (NEGRÃO, 2001, p. 212). No âmbito familiar, é
o homem que toma as decisões. Reitera-se o que disse Dulcineusa: “Nunca na minha
vida tive que concordar ou discordar. Não é agora que vou aprender” (COUTO, 2003, p.
132). Por isso, ela precisa legitimar o neto Marianinho como o novo líder da família,
para que possa tomar posse dos bens deixados pelo seu falecido marido. Assim:

A mulher colonizada teve de negociar não só os desequilíbrios da sua


relação com o seu próprio homem, mas também a ordem barroca e
violenta das normas hierárquicas e restrições que estruturam as suas
novas relações com o homem e a mulher imperiais (McCLINTOCK,
1995, p. 6).

Concordamos com a assertiva de Francisco Noa de que “a colonização acabou por


agudizar as relações patriarcais no território subjugado, tornando a esfera familiar e a
mulher nativa, em particular, no último reduto de preservação de valores ligados à
cultura autóctone e à nacionalidade” (NOA, 2002, p. 326). Por outro lado, segundo Ania
Loomba, “pensar a arena do colonialismo como um ‘encontro’ entre civilizações
descaracteriza a violência colonial e suas relações de submissão e dominação”
(LOOMBA, 1998, p. 68-9). Dessa perspectiva, a percepção de Mia Couto sobre a
condição social das mulheres, presentes em vários dos seus romances, é de que: “As
mulheres rurais de Moçambique há muito que estão sendo devoradas por um sistema de
patriarcado que as condena a uma situação marginal e de insuportável submissão”
(COUTO, 2012, p. 1). Dessa forma, a trajetória ficcional de Mia Couto evoca uma
postura reflexiva e crítica diante do processo histórico e cultural vivido pela mulher em
Moçambique do século XXI.
Em A confissão da Leoa (2012), a estrutura social, também, estabelece a
subordinação das mulheres em relação aos homens. Eles ocupam os espaços públicos e
se dedicam à política, cultura, economia e trabalho; e as mulheres devem ocupar o
espaço doméstico, e são responsáveis por todas as obrigações da família e filhos. Os
homens são os únicos que têm a capacidade de decisão, e as mulheres devem aceitar o
que outro grupo decide por elas. Nesse sentido, a personagem Hanifa Assulua, após a
morte das suas filhas gêmeas, deixou de pronunciar palavras. Assim, “Preferir não era
um verbo feito para ela. Quem nunca aprendeu a querer como pode preferir” (COUTO,
2012, p. 24). Em dado momento da narrativa, Hanifa Assulua quebra o silêncio ao
expor o seu temor em relação aos familiares de seu marido, caso venha ficar viúva. “─
Não quero mais aqui nenhum dos seus familiares. Correm hoje para as condolências.
Amanhã, quando eu ficar viúva, correrão mais depressa para me roubarem tudo”
(COUTO, 2012, p. 23). Assim, as personagens, Dulcineusa, Miserinha, Hanifa Assulua,
para existirem como mulheres subalternas na sociedade moçambicana precisam dos
seus maridos para gozar de uma relativa “segurança social”.
Caso contrário, sem a proteção de um homem e sem família, essas mulheres
transformam-se em mendigas, como é o caso da personagem Miserinha Um rio
chamado tempo, uma casa chamada terra (2003), que, diariamente, faz a travessia entre
a Ilha de Luar-do-Chão e a cidade, para pedir esmolas. Por outro lado, esta condição de
espoliada e abandonada pela família é responsável pela lucidez de Miserinha em relação
a sua condição social, em particular, e à condição da mulher africana em geral. Por sua
vez, a personagem Hanifa Assulua de A confissão da leoa, também, não tinha dúvidas
sobre a condição das mulheres de Kulumani. “Acordávamos de madrugada como
sonolentos soldados e atravessávamos o dia como se a Vida fosse nossa inimiga.
Regressávamos de noite sem que nada e nem ninguém nos confortasse das batalhas que
enfrentávamos” (COUTO, 2012, p. 135). Mas também, afirma que: ─ Nós todas,
mulheres, há muito que fomos enterradas. Seu pai me enterrou; sua avó, sua bisavó,
todas foram sepultadas vivas (COUTO, 2012, p. 43). No contexto do patriarcado
africano, as personagens Dulcineusa, Miserinha e Hanifa Assulua são as vozes
silenciadas pelo poder masculino.
O lugar social e de fala das personagens, Dulcineusa, Miserinha, Hanifa Assulua,
é semelhante ao das mulheres indianas vítimas da colonização inglesa. Gayatri Spivak,
ao refletir sobre a história das mulheres indianas e da imolação das viúvas, evidencia o
lugar intrincado e inquietante ocupado pelas mulheres no contexto pós-colonial: “que
não pode se autorrepresentar e, logo, não pode falar fora do contexto patriarcal e pós-
colonial. (...) A mulher como subalterna, não pode falar e quando tenta fazê-lo não
encontra os meios para se fazer ouvir” (2010, p. 15). Por essa razão, as mulheres
submetidas às leis do patriarcado transformam-se em seres humanos espoliados que
carregam em seus ombros o peso da tradição africana, em que o papel social reservado a
elas é de reprodutora, ouvinte e de manter-se em silêncio, ou seja, viver à sombra do
homem. O silenciamento do colonizado, em particular da mulher nativa, é visto como
um fato emblemático por alguns teóricos do discurso colonial, como, por exemplo,
Gayatri Spivak que, em seu livro Pode o subalterno falar? Considera que:

se o discurso do subalterno é obliterado, a mulher subalterna encontra-se em


uma posição mais periférica pelos problemas de gênero. Se no contexto da
produção colonial, o sujeito não tem história e não pode falar, o sujeito
subalterno feminino está ainda mais profundamente na obscuridade
(SPIVAK, 2010, p. 82-83).

Por outro lado, as reflexões sobre a situação da mulher no período colonial, segundo
Maria do Carmo Tedesco (2008, p. 71), não levaram em consideração as especificidades
do gênero no interior da sociedade africana, tampouco as diferenças entre as próprias
mulheres. Da mesma forma estes estudos não colocaram em questão a permanência do
patriarcalismo posteriores à Independência. Diversos estudos desenharam a identidade da
mulher, nesse período, como analfabeta, sujeita a um trabalho penoso, submetida ao poder
patriarcal e, por ter alternativa, reprodutora junto às gerações seguintes das mesmas
rotinas a que esteve sujeita. De modo geral essas reflexões atribuíam ao colonialismo tais
características de vidas das mulheres.
Nesse sentido, a condição de espoliado a que os moçambicanos estão sujeitos é
observada, segundo Spivak, nas “camadas mais baixas das sociedades constituídas pelos
modos específicos de exclusão dos mercados, da representação política e legal e da
possibilidade de tornarem membros plenos no extrato social dominante” (2010, p. 12).
Essa é a condição de parte da população africana que parece condenada a não ter rosto e
a falar pela voz de outros. Todavia, a personagem Miserinha, quando pluraliza
“Estamos doentes, todos nós”, dá um grito de revolta que acaba por quebrar “a
conspiração do silêncio”2 imposta ao povo moçambicano durante o regime colonial e
que, na pós-colonialidade, foi adotada pela burguesia de Moçambique para silenciar o
povo. Para a ensaísta Inocência Mata, “O pós-colonial pressupõe, por conseguinte, uma
nova visão de sociedade que reflete sobre a sua condição periférica, tanto a nível
estrutural como conjuntural” (MATA, 2007, p. 39). Dessa perspectiva, Moçambique
com suas desigualdades socioeconômicas faz parte do mundo globalizado.
Outra forma de opressão contra a mulher africana, em particular a moçambicana,
surge em Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2003), de Mia Couto, na
figura da personagem Mariavilhosa que tem sua vida marcada pela violência sexual
cometida por Frederico Lopes - administrador da Ilha de Luar-do-Chão. Após ser
estuprada descobre que está grávida. Em segredo, Mariavilhosa aborta, porém esse
aborto clandestino deixou sequelas. O estupro de Mariavilhosa cometido pelo
colonizador revela a face oculta da história colonial na África portuguesa. Assim, fica
evidente uma das atrocidades cometidas pelo colonizador: o estupro contra as mulheres,
como forma de silenciar e/ou abafar qualquer ato de resistência por parte do colonizado.
Nos romances Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2003) e A
confissão da leoa (2012), Mia Couto constrói o apagamento da mulher, seja na
realidade tradicional ou no contexto do assimilado, a qual é subjugada por meio da
exploração, da agressão física e da negação do direito à voz. Em A confissão da leoa,
por exemplo, a personagem Martina Baleiro é submetida à kusungabanga (expressão da
língua de Manica que significa “fechar à faca”), isto é, a mulher tem a vagina costurada
com agulha e linha pelo seu marido, antes de viajar a trabalho. Essa tradição foi adotada
por Henrique Baleiro, em sua esposa, Martina Baleiro. “No caso de Martina Baleiro,
essa infecção foi fatal” (COUTO, 2012, p. 203). Para vingar a morte de sua mãe,
Rolando, um dos filhos do casal, mata o pai com um tiro.
A narradora Mariamar e sua irmã Silência são abusadas sexualmente pelo pai,
Genito Mpepe. Reitera-se o que diz a narradora: “durante anos, meu pai, Genito Mpepe,
abusou das filhas. Primeiro aconteceu com Silência. Minha irmã sofreu calada, sem
partilhar esse terrível segredo. Assim que me despontaram os seios, fui eu a vítima”
(COUTO, 2012, p. 187). Tandi, empregada do administrador da província, é violentada
e assassinada pelos homens da aldeia, por cruzar uma região sagrada, foi punida: todos

2
Expressão cunhada pelo teórico Homi K. Bhaba. In: O Local da Cultura. Tradução: Myriam Ávila,
Eliana Lourenço de Lima Reis e Glaucia Renate Gonçalves. Belo Horizonte: UFMG, 1998, p. 23.
os homens que estavam presentes no local abusaram dela. O fato foi denunciado às
autoridades, mas nenhuma providência foi tomada. Ninguém, em Kulumani, tem
coragem de se erguer contra a tradição. Todas as mulheres são proibidas de frequentar a
shitala, local de encontro dos homens na comunidade. Contudo, Naftalinda, a esposa do
administrador, desafia as mais antigas das interdições: ela invade a shitala símbolo do
poder masculino em Kulumani, para denunciar o crime cometido pelos homens e
demonstrar publicamente a sua oposição às regras de submissão impostas às mulheres.

─ Sabe por que não deixam as mulheres falar? Porque elas já estão
mortas. Esse aí, os poderosos do governo, esses ricos de agora, usam-
nas para trabalhar nas suas machambas.
(...)
─ Uns poucos ficam ricos. Há mortos que trabalham de noite para
que uns poucos fiquem ricos.
. ─ Os leões cercando a aldeia e os homens continuam a mandar as
mulheres vigiarem as machambas, continuam a mandar as filhas e as
esposas coletar lenha e água de madrugada. Quando é que dizemos
não? Quando já não restar nenhuma de nós? (COUTO, 2012, p. 115
e 195, respectivamente).

Em Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2003), observa-se que, de
acordo com a tradição banta, é obrigação do irmão do falecido cuidar da viúva. No caso
da personagem Miserinha, essa tradição não foi cumprida. “Não se respeitando os
direitos que as mulheres tinham na sociedade tradicional” (LEITE, 2003, p. 70). Dessa
forma, Miserinha, que não tinha filhos, ficou desprotegida, então Dito Mariano resolve
protegê-la. Dulcineusa, mulher de Dito Mariano, porém, enciumada, recusa-se a
cumprir essa tradição cultural, negando-se a submeter-se à poligamia, ao lugar social de
subalterna a que o poder masculino lhe reserva. Existe, porém, outro lado oposto a essa
condição de subalternidade, conforme mostra a pesquisadora Irene Dias de Oliveira ao
escrever sobre a importância da mulher na sociedade moçambicana:

Na família africana, a mulher ocupa um lugar essencial, ainda que não


reconhecido oficialmente: - elas são o ponto focal da família, a base do clã e
da comunidade, as mestras, as que providenciam os cuidados primários;
formam as crianças, especialmente nos primeiros cincos anos; - são
curandeiras, parteiras e transmissoras dos valores e crenças tradicionais; são
mediadoras dos espíritos (OLIVEIRA, 2002, p. 150).

Na sociedade patriarcal, é através do casamento que a mulher obtém sua


identidade social. Casar, cuidar da família, gerar muitos filhos, essas são as
responsabilidades femininas para com o grupo social a que pertence. Admirança é uma
das personagens que, oficialmente, por não ter se casado, por não ter gerado filhos, nega
a prática do lobolo, isto é, o procedimento tradicional que promove o intercâmbio das
mulheres entre os diferentes grupos familiares. Ou seja, ela nega a necessidade do
casamento e da maternidade como elementos essenciais na construção da sua identidade
social feminina. Nesse sentido e conforme Feliciano (1998), as mulheres são a maior
riqueza destas sociedades produtoras, “inseridas na divisão sexual do trabalho (...) e o
centro das principais estratégias de poder dos mais velhos, procurando-as para os seus
dependentes e para si” (FELICIANO, 1998, p. 274). Por essa razão, recai sobre a
personagem Admirança “o maior peso que, neste lado do mundo, uma mulher pode
carregar: ser estéril” (COUTO, 2003, p. 146). Esse mesmo estigma contra a mulher
moçambicana que se nega a casar ou que seja considerada como estéril reaparece nas
palavras da narradora Mariamar de A confissão da leoa (2012). “Eu, Mariamar Mpepe,
estava duplamente condenada: a ter um único lugar e a ser uma única vida. Uma mulher
infértil, em Kulumani, é menos que uma coisa. É uma simples existência” (COUTO,
2012, p. 121). Assim, a existência da mulher, para o patriarcado africano em vigor, em
Moçambique no século XXI, ainda é a de reprodutora e de mercadoria que pode ser
negociada a peso de ouro pelos chefes dos clãs familiares.
Nos dois romances de Mia Couto, temos referência à guerra da independência, na
descrição do narrador Marianinho que traz indícios da luta de libertação nacional e da
transição do poder para a Frelimo. A personagem Fulano Malta, “Mal escutou que havia
guerrilheiros lutando por acabar com o regime colonial, se lançou rio afora para se
juntar aos independentistas” (COUTO, 2003, p. 72). Lutou para que todos partilhassem
de uma nação livre e igual para todos. Ao retornar da guerra observa que parte da
população de Luar-do-Chão sofre os efeitos da violência e da miséria. Percebe também
o oportunismo político, pois no dia da independência do país “aqueles, que naquela
tarde, desfilavam bem na frente, esses nunca se tinham sacrificado na luta” (COUTO,
2003, p. 73). Além do desabafo de Fulano Malta sobre o oportunismo político,
observamos, também, os atos de expropriação das riquezas da Ilha de Luar-do-Chão,
pelo administrador que, sob as ordens de Ultímio e de outra gente graúda da capital, em
flagrante abuso de poder, desvia recursos naturais, pois “usavam o barco público para
privados carregamentos de madeiras. (...) Às vezes, até doentes ficavam por evacuar”
(COUTO, 2003, p. 213). Desse modo, “Sabia-se o nome dos culpados mas, ao contrário
das letras verdes no casco, a identidade dessa gente permanecia oculta por baixo do
medo (COUTO, 2003, p. 99). Assim, a elite política e a burguesia moçambicana, na
medida em que fortalece a corrupção no país parece reeditar a política colonial. No
passado, os ideais lusitanos de “civilizar” o continente africano levaram os portugueses
a saquear Moçambique. No século XXI, os próprios moçambicanos adotam esse modelo
europeu de fazer política, para espoliar o pouco que restou em seu país.
Já em A confissão da leoa (2012), a narradora Mariamar relata o fim da guerra
civil em Moçambique. “A guerra acabara nesse mesmo ano de 1992, mas restava ainda
um invisível garrote asfixiando o nosso lugar” (COUTO, 2012, p. 50), porém, na
estrada quase vazia de Kulumani, passavam caminhões transportando madeiras.
“Aqueles negócios eram propriedades de gente poderosa, a quem chamamos de ‘donos
da terra’” (COUTO, 2012, p. 50). No confronto entre interesses coletivos e individuais,
parece que o lado perdedor foram os moçambicanos e seus anseios por liberdade e
igualdade social. Assim, a opressão, a incerteza, o medo, a violência envolvem esse
contingente de excluídos das benesses do Estado-nação em todas as dimensões de sua
vida. Da perspectiva da elite moçambicana:

Supõe-se que o atual destino do continente não advém de escolhas


livres e autônomas, mas do legado de uma história imposta aos
africanos, marcada a ferro e fogo em sua carne através do estupro, da
brutalidade e de todo tipo de condicionamentos econômicos
(MBEMBE, 2001, p. 176).

Além da exploração do trabalho feminino, da opressão sexual contra as


mulheres, os atos de corrupção praticados pela classe política de ambas as comunidades,
cenários das duas narrativas, observa-se, também, a prática da violência física como
forma de silenciar aqueles que se opõem aos desmandos dos governantes. O diálogo
entre o narrador Marianinho e o coveiro, Curozero Muando, personagens do romance
Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2003), exemplifica a dimensão exata
dessa opressão. “− É que um morto ainda podemos enterrar. Mas o medo, isso não se
pode enterrar. (...) – Você [Marianinho] é que já esqueceu. O medo, aqui, é o primeiro
ensinamento” (COUTO, 2003, p. 182).
A personagem Ultímio, político da Ilha de Luar-do-Chão, põe essa comunidade
periférica em contato com o tráfico de drogas comandado por ele e seus filhos. Com a
promessa que traria a riqueza, para a ilha de Luar-do-Chão, o carregamento de drogas
foi entregue na ilha e, em seguida, desapareceu. Na verdade, o conteúdo foi lançado na
terra por Dito Mariano e Juca Sabão, eles pensaram que o pó branco era adubo. Por
conta desse engano, a cobrança dos traficantes “foi conversa afiada, cheia de ameaça de
lâmina e sangue. (...) Até que um dos tais, arma na mão, aplicou pontaria na cabeçorra
de Juca Sabão” (COUTO, 2003, p. 172). Ele é a primeira vítima fatal da violência que
impera em Luar-do-Chão. Os supostos criminosos foram presos, no entanto, há pessoas
na ilha, ainda que em silêncio, acusam os filhos de Ultímio pela morte de Juca. Após a
morte de Juca Sabão, o narrador Marianinho volta à Ilha. O fato de ele percorrer a Ilha,
diariamente, chamou a atenção dos policiais. Eles desconfiaram que Marianinho
estivesse tentando descobrir provas sobre a morte de Juca Sabão. Por conta dessa
suspeita, Marianinho é preso. O seu pai, Fulano Malta, tenta retirá-lo da prisão, mas
também é espancado pelos policiais, os quais recorrem à violência para intimidar
aqueles que ousam se imiscuir nos negócios de seu patrão, Ultímio.
Em Kulumani, espaço ficcional do romance A confissão da leoa, temos a
personagem Simão Mutapa, adjunto da administração local, que foi acusado de ter
poderes invisíveis. “Era na casa de Simão, diziam, que se fabricavam os leões”
(COUTO, 2012, p. 142). Na verdade, a acusação contra Simão Mutapa está relacionada
ao fato de ele acumular riquezas. Para qualquer um de nós, os bens daquele funcionário
eram escassos, quase invisíveis. Uns poucos pés de cana-de-açúcar, umas tantas
bananeiras e um alambique onde as filhas produziam lipa (espécie de cachaça
moçambicana). Aos olhos da aldeia, porém, aquela riqueza era enorme e inexplicável.
Num lugar em que ninguém pode ser alguém, Simão Mutapa acabou dando nas vistas
(p. 143). Por essa razão, ele “foi espancado e ameaçado de morte. No dia seguinte, ele e
sua família desapareceram na estrada” (COUTO, 2012, p. 143). Dessa forma, a elite
política moçambicana assume a postura do colonizador quando saqueia as riquezas de
suas comunidades, mas também, quando reproduz práticas de dominação e de abusos de
poder, ou seja: são os novos “donos da terra” que detêm o poder de vida e morte sobre a
população pobre da Ilha de Luar-do-Chão pós-colonial.
Apesar de a Ilha de Luar-do-Chão ser descrita por um dos narradores como sendo
lugar arrumado na periferia do mundo, assemelha-se a qualquer região pobre e violenta
do planeta. Assim, “As casas de cimento [que] estão em ruína, exaustas de tanto
abandono”, refletem as sequelas das guerras, a pobreza, a existência de uma política
excludente e a expropriação das riquezas da ilha. Por sua vez, a parede em ruínas,
descascada pela ação do tempo, onde se lê as expressões: “A nossa terra será o túmulo
do capitalismo” (COUTO, 2003, p. 27), ou “Abaixo a exploração do homem pelo
homem” (COUTO, 2003, p. 114), escritas durante a guerra colonial, ao contrário, opõe-
se à atual realidade social das personagens presentes na ficção de Mia Couto. Para os
ex-colonizados foi negado igual acesso aos direitos e recursos do novo Estado-nação,
por conta das forças políticas corruptas que governam o país. Contrariando, assim, o
discurso utópico dos ideais revolucionários que preconizava uma sociedade igualitária
para todos.
Por outro lado, observamos em Kulumani, cenário do romance A confissão da
leoa, que “As casas descoloridas [parecem], tristonhas, como que arrependidas de terem
emergido do chão. Pobre Kulumani que nunca desejou ser aldeia” (COUTO, 2012, p.
44). Mas também, essa comunidade é descrita como sendo “um lugar fechado, cercado
pela geografia e atrofiado pelo medo” (COUTO, 2012, p. 21). Por isso, “para escapar de
Kulumani não há estrada, (...) No mato estão os leões matadores. Toda saída é uma
emboscada. O único caminho que resta é o rio” (COUTO, 2012, p. 48). Por essa razão,
os moradores dessa comunidade isolada estão à espera do golpe final, pois “durante
séculos existiram à margem do mundo” (COUTO, 2012, p. 107). Castigadas pelas
guerras essas comunidades moçambicanas em ruínas, também aparecem em outras
obras de Mia Couto, as quais refletem a perda e o abandono em que se encontra o povo
e a nação moçambicana na pós-colonialidade.
As personagens de Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (2003), a
partir da perspectiva dialógica, com as personagens de A confissão da leoa (2012), de
Mia Couto, denunciam a marginalidade, amparada na violência e na opressão do poder
masculino, como uma forma de problematizar a construção da identidade feminina na
África pós-colonial. De acordo Stuart Hall:

A África passa bem, obrigado, na diáspora. Mas não é nem a África


daqueles territórios agora ignorados pelo cartógrafo pós-colonial, de
onde os escravos eram sequestrados e transportados, nem a África de
hoje, que é pelos menos quatro ou cinco ‘continentes’ embrulhados
num só, suas formas de subsistência destruídas, seus povos
estruturalmente ajustados a uma pobreza moderna devastadora
(HALL, 2003, p. 40).

Igualmente as personagens de Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra


(2003), as quais simbolizam os dilemas culturais e sociais vivenciados pela mulher e o
homem moçambicano, na atualidade, como seres de fronteiras que transitam entre a
tradição e a modernidade, ora reafirmando, ora rejeitando os valores que vigoram em
Moçambique pós-colonial, as personagens de A confissão da leoa (2012), no contexto
da modernidade atuante na África, oscilam, também, entre a afirmação da sua
individualidade e da sua condição de cidadãos africanos periféricos e à margem de um
mundo globalizado. Por outro lado, o rio Lindu Lideia no espaço ficcional desse
romance, separa não só a comunidade de Kulumani da capital, a cultura africana de
tradição macondes (etnia banta) da modernidade europeia, mas também faz com que as
personagens atravessem a fronteira entre mundos. Assim, a narradora Mariamar transita
entre a tradição oral e a escrita; Hanifa Assulua entre a violência do marido e o sonho de
liberdade; Naftalinda, a primeira dama de Kulumani, entre o direito de ter voz e a
covardia de seu marido; Genito Mpepe entre a arte de caçar e a de seduzir suas filhas.
Todavia, essa comunidade retratada no referido romance sugere ser um dos locais onde
a colonização europeia não foi muito profunda, pois a cultura oral e as tradições bantas
sobrevivem. Todavia, as histórias dessas personagens se entrecruzam para denunciar a
existência de antigas práticas socioculturais de opressão contra mulheres e homens em
Moçambique pós-colonial. Neste sentido, as obras de Mia Couto interessam a nós,
pesquisadores, porque os protagonistas são mulheres e homens excluídos que, “no caso
de Moçambique são vistos como entidades marginais, sem voz, sem outra história senão
aquela a quem os “donos da terra” lhes emprestam”. Entretanto e ao mesmo tempo, o
autor ao ouvir e traduzir as vozes silenciadas dessas personagens, seus anseios de
liberdade, atribui-lhes, ainda que parcialmente a autonomia discursiva.

Considerações finais

O romance A confissão da leoa (2012), de Mia Couto, oferece-nos inúmeras


possibilidades de leitura, entretanto o que mais nos chamou a atenção foi o fato de que a
narradora Mariamar afirma: “Em Kulumani, muitos se admiram da minha habilidade de
escrever. Numa terra em que a maioria é analfabeta, causa estranheza que seja
exatamente uma mulher que domina a escrita. (...) Num mundo de homem e caçadores,
a palavra foi a minha primeira arma” (COUTO, 2012, p. 89). Nesse sentido, a maneira
como Mia Couto ficcionaliza a personagem Mariamar, sujeito feminino subalterno, no
espaço enunciativo de sua obra literária, como uma africana letrada, flui para a ideia do
crítico Thomas Bonnici, sobre a importância da linguagem para a construção da
identidade feminina. Assim, “a mais eficaz estratégia de descolonização feminina
concentra-se no uso da linguagem” (BONNICI, 2000, p. 16), como uma das
possibilidades de reconstruir a identidade e a feminina silenciada, negada, desfigurada,
estilhaçada, pelo patriarcado africano e, posteriormente, ampliada pela colonização
europeia em Moçambique.
A relação entre o poder masculino e a submissão da mulher no mundo globalizado
das nações africanas onde convivem diferentes posições de sujeitos, segundo Branca
Cabeda Moellwald (2008, p. 226), em que o oprimido de ontem ainda luta por libertar-
se do jugo das opressões sociais, religiosas, políticas demanda também uma revisitação
à tradição quando, por exemplo, ela exclui e oprime. Relações de poder em que se
visibilizam misoginia, miséria, violência e solidão, como bem ilustram as personagens
femininas de Couto, que às vezes usam ‘locais’ de prestígio como classe social e
religião para se impor, e muitas vezes também para oprimir, mas lutam para fugir desses
mesmos locais culturais, negando-se a submeter ao seu controle, aos papéis serviçais
que a tradição lhes reserva. Duplamente colonizadas pela tradição e pela modernidade,
na inter-relação entre o local e o global, reagem com o autoexílio, como forma de não
sujeição, ou com a palavra insistente contra a morte. Sujeitos em um ambiente patriarcal
e ‘colonizador’ contra o qual se rebelam.
Embora o espaço literário na obra de Mia Couto esteja circunscrito a
Moçambique, ao passado colonial e ao pós-colonialismo, as dimensões dramáticas
atingem, porém, as relações entre mulheres empobrecidas e silenciadas presentes nos
dois romances por nós analisados. Essas personagens se movem na periferia dos
acontecimentos, sem autonomia de decisão ante os fatos históricos, e homens que
acreditam deter em suas mãos o poder sobre as vidas alheias. Para estes, o outro que é a
mulher representa apenas uma peça na engrenagem do poder patriarcal. Essa
subalternidade, presente nas relações entre homens que mandam e mulheres que
obedecem, e que Mia Couto dá ênfase na sua narrativa, está entre as discussões dos
estudos pós-coloniais. Dessa perspectiva, a literatura de Mia Couto volta-se, para o
passado colonial e pós-colonial, na tentativa de resgatar essas vozes silenciadas pela
violência do patriarcado africano, posteriormente reforçado pelo colonizador europeu e,
na atualidade, consolidado pelos novos “donos do poder” em Moçambique pós-colonial.
Novamente, a exemplo de seus romances anteriores, Mia Couto tece História e ficção na
construção de sua narrativa.

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