Você está na página 1de 20

TV DESTINO

Central Destino de Produção Capítulo 12

MENINAS DO BRASIL
“MENSALÃO ESTILO ONCINHA”

UMA NOVELA DE
RAMON FERNANDES
IDEIA ORIGINAL
RYNALDO NASCIMENTO

ESCRITA POR
Ramon Fernandes

DIREÇÃO DE
Teresa Lampreia e Carlo Milani

DIREÇÃO GERAL
DENISE SARACENI

Personagens deste capítulo


BELINHA HELENA LAURO RAFAEL
CACAU HÉLIO MANDRAKE SANDRO
CLARICE HUGO MARINA THÉO
ELIANA HUMBERTO MURILO TRIPÉ
FREDERICO JANETE NELINHA VICENZO
GLÓRIA JUVENTINA OTÁVIA ZENILDA

Participação neste capítulo


ÁLVARO/ FOTÓGRAFO/ REPÓRTER/ EMPREGADA DE HELENA

Atenção
“Este texto é de propriedade intelectual exclusiva da TV DESTINO LTDA. e por conter informações
confidenciais, não poderá ser copiado, cedido, vendido ou divulgado de qualquer forma e por qualquer
meio, sem o prévio e expresso consentimento da mesma. No caso de violação do sigilo, a parte infratora
estará sujeita às penalidades previstas em lei e/ou contrato.”
MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 2

CENA 01. FAVELA DO URUBU. EXTERIOR. NOITE


CONTINUAÇÃO IMEDIATA DO CAPÍTULO ANTERIOR. SONOPLASTIA DE
SUSPENSE QUE SEGUE NA DE AÇÃO. MANDRAKE ATIRA, MAS ERRA.
RAFAEL APROVEITA A DISTRAÇÃO E COMEÇA A CORRER COM CACAU,
SEMPRE A PROTEGENDO. MANDRAKE ATIRA DE NOVO, MAS SUA ARMA
ESTÁ DESCARREGADA. CORTES DESCONTÍNUOS DA FUGA DO CASAL.
MANDRAKE NADA FAZ, POIS REALMENTE NÃO PODE FAZER NADA.
RAFAEL E CACAU CONTINUAM A CORRER PELAS VIELAS E BECOS DA
FAVELA ATÉ CHEGAR EM CASA.
CORTA PARA:

CENA 02. CASA DE CACAU. QUARTO DE CACAU. INTERIOR.


NOITE
CACAU TOMA UM COPO DE ÁGUA COM AÇUCAR. RAFAEL ENTRA E
ABRAÇA A NAMORADA QUE CHORA ABALADA.
CACAU — Foi horrível meu amor. Horrível.
RAFAEL — Calma. Eu estou aqui, já passou, tá tudo bem agora.
Calma.
CACAU — (em pânico) E se aquele homem me conhece Rafael? Se
ele sabe onde eu moro. A Belinha!
RAFAEL — Xi, sossega. Eu estou aqui do seu lado. (desanuvia) Eu não
sou o seu herói? Então, vou estar aqui te protegendo sempre,
não precisa ter medo.
CACAU — Eu tô falando sério.
RAFAEL — Eu também, meu amor.
CACAU — Mas a minha filha./
RAFAEL — (corta) A sua filha agora está dormindo na caminha dela e
sem febre. Apesar da falta de remédios. Parecia só uma febre
boba de criança.
CACAU — Eu ainda fiz dívidas na farmácia.
RAFAEL — Eu pago, não se preocupa com isso agora.
CACAU — Não vou deixar você pagar esta dívida.
RAFAEL — Relaxa Cláudia, por favor. Olha, eu sei que foi horrível o
que aconteceu, mas já passou meu amor.
MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 3

CACAU — Esse homem vai vir atrás de mim eu sei.


RAFAEL — Como você pode saber?
CACAU FICA NERVOSA E CONFUSA. COMEÇA A CHORAR. RAFAEL A
ABRAÇA. PROTEGE A AMADA. ELE FAZ CARINHO NA SUA CABEÇA.
NELES.
CORTA PARA:

CENA 03. FAVELA DO URUBU. CASA DE JUVENTINA. SALA.


INTERIOR. NOITE
JUVENTINA SAI DE SEU QUARTO E PASSA PELA SALA. HÉLIO ESTÁ
SENTADO NO SOFÁ OLHANDO PARA A SUA LISTA DE SUSPEITOS.
JUVENTINA — Ô meu filho, acordado ainda?
HÉLIO — É, eu estava aqui olhando essa bendita lista e quebrando a
cabeça. Sabia que essa bendita investigação empacou
mesmo? Mas e a senhora?
JUVENTINA — Acordei e vim tomar meu copo d água. Coisa de velha.
JUVENTINA SENTA NO SOFÁ COM ELE.
JUVENTINA — Isso não vai te fazer bem, Hélio. Por favor, para com essa
investigação toda. Garanto que te deixará com rugas antes de
ficar velho.
HÉLIO — (ri) Talvez. Há um ditado que diz que rugas são sinal de
sabedoria. Quem sabe estas rugas não me trazem a sabedoria
que não devemos perder tempo com isso?
JUVENTINA — Você é um desajuizado e respondão. Tem resposta pra
tudo.
HÉLIO E JUVENTINA RIEM. HÉLIO DEIXA A LISTA DE LADO E OLHA
FIXAMENTE PARA A MÃE.
HÉLIO — Posso fazer uma pergunta para a senhora?
JUVENTINA — Pode, mas não demora muito (ri).
HÉLIO — Não fica chateada com o que eu vou perguntar mãe, mas
eu fico intrigado ainda.
JUVENTINA — Fala menino.
HÉLIO — Na noite do crime, da morte do meu pai. A senhora jura
que não estava no apartamento do Sales no dia que ele
morreu?
MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 4

SOBE SONOPLASTIA DE MISTÉRIO. JUVENTINA FICA NERVOSA


VISIVELMENTE.
JUVENTINA — Eu já garanti isso pra você meu filho. Ocê já perguntou e
eu já respondi. Eu não estive lá naquele apartamento na noite
da morte daquele um.
HÉLIO — Jura mesmo, mãe?
JUVENTINA — Tá duvidando da palavra da sua mãe?
HÉLIO — Não. Se a senhora diz que não, eu acredito. Me desculpe.
HÉLIO LEVANTA.
HÉLIO — Bom, agora quem vai tomar um copo de água sou eu e ir
para a cama parar de adquirir rugas. (ri)
HÉLIO BEIJA A MÃE NA TESTA E SAI. JUVENTINA FICA NO SOFÁ
PREOCUPADA.
CORTA PARA:

CENA 04. CASARÃO DE CELESTINO. FRENTE. EXTERIOR. NOITE


TOMADA DA FRENTE DO CASARÃO. SONOPLASTIA: “NO WAY” – LADY
GAGA.
FUNDE PARA:

CENA 05. CASARÃO DE CELESTINO. COZINHA. INTERIOR.


NOITE
TRIPÉ JÁ DE CAMISA ESTÁ DE PÉ PERTO DA PORTA DA COZINHA. A
MÚSICA DA SONOPLASTIA ANTERIOR AGORA NESSA, SÓ QUE EM FORMA
DE PLAYBACK. MURILO DE COSTAS PARA ELE MEXE UMA JARRA DE
SUCO. ELE COLOCA O LÍQUIDO DO VIDRO DE SONÍFERO DENTRO.
TRIPÉ — Murilo, já tá tarde cara. Eu preciso trabalhar amanhã,
deixa esse suco pra outra hora. Fechado?
MURILO — Quê isso Tripé. Segura só mais um pouco aí cara.
MURILO ESCONDE O VIDRO NO BOLSO DA CAMISA E PEGA DOIS COPOS.
SERVE O SUCO.
MURILO — Já que você não aceita pagamento em dinheiro eu pago
com suco.
TRIPÉ — Melhor que pagar com o corpo né.
MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 5

MURILO — (desatento) O que é que você falou.


TRIPÉ — Eu nada!
MURILO DÁ O COPO DE TRIPÉ. ELE BEBE RÁPIDO. MURILO SORRI E NÃO
BEBE.
TRIPÉ — Cê não vai beber o seu?
MURILO — Vou, mas é que eu gosto do meu mais gelado. Vou pegar
uns cubinhos. Se quiser sentar e esperar pra tomar geladinho.
MURILO VAI ATÉ A GELADEIRA PACIENTEMENTE.
TRIPÉ — Não vai dar. Tô pregado mesmo brother. Deixa pra outra
hora.
MURILO — Calma Tripé, até parece que está fugindo.
TRIPÉ — Eu fugindo? (ri) Nada. (pausa) Escuta que música é essa
que tá tocando? Coisa de fresco hein.
MURILO RI ENQUANTO PEGA DUAS PEDRINHAS DE GELO. TRIPÉ COMEÇA
A BOCEJAR.
MURILO — Fresco?
TRIPÉ — É. Baitola, boiola, viadinho.
MURILO — (ri) Entendi. É, depende do ponto de vista de cada um.
TRIPÉ — (bocejando) Cara, está me dando sono. Acho que vou
indo, sem chance para outro suco.
MURILO COLOCA AS PEDRINHAS DE GELO NO SUCO E SORRI
DISCRETAMENTE. TRIPÉ BOCEJA SEM PARAR, VAI SE LEVANTAR, MAS
CAI SENTADO NA CADEIRA. MURILO OLHA PARA ELE E SORRI. A VISÃO
DE TRIPÉ PESA CONSIDERAVELMENTE.
TRIPÉ — Acho que... Que eu...
TRIPÉ CAI DE CABEÇA NA MESA. DORMIU PESADO. MURILO RI E DEIXA O
COPO SOBRE A MESA.
MURILO — Bons sonhos garoto.
EM MURILO.
CORTA RAPIDAMENTE PARA:

CENA 06. CASARÃO DE CELESTINO. QUARTO DE MURILO.


INTERIOR. NOITE
MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 6

MURILO ARRASTA TRIPÉ PARA O SEU QUARTO. ACENDE A LUZ E VAI


CARREGANDO O CARA COM DIFICULDADE. SONOPLASTIA EM ALTA. ELE
CONSEGUE COLOCAR TRIPÉ SOBRE A CAMA. MEIO DESAJEITADO. OLHA
PARA O CORPO DELE E ALISA O SEU PRÓPRIO. TRIPÉ DORME
PROFUNDAMENTE. MURILO TIRA SUA CAMISA E A JOGA NO CHÃO.
COLOCA AS PERNAS DE TRIPÉ SOBRE A CAMA E COMEÇA A DESABOTOAR
A CAMISA DO RAPAZ.
CORTA PARA:

CENA 07. CASARÃO DE CELESTINO. FRENTE. EXTERIOR. NOITE


A LUZ DO QUARTO DE MURILO LIGADA. REVELAMOS GLÓRIA EM FRENTE
À CASA. ESTRANHA.
GLÓRIA — Que será que tá acontecendo aí dentro?
GLÓRIA FIXA OS OLHOS NA JANELA PARA VER SE TENTA DESCOBRIR.
CAM SOBE REVELANDO A SOMBRA DE MURILO PASSANDO POR ALI E
FECHANDO AS CORTINAS.
CORTA RAPIDAMENTE PARA:

CENA 08. CASA DE CLARICE. FRENTE. EXTERIOR.NOITE


A MÚSICA ANTERIOR VAI CESSANDO EM SEUS ACORDES FINAIS.
TOMADA DA MANSÃO DE CLARICE. GIRO 360º.
FUNDE PARA:

CENA 09. CASA DE CLARICE. QUARTO DE CLARICE E LAURO.


INTERIOR. NOITE
LAURO E CLARICE NA CAMA. LAURO DORME, MAS CLARICE NÃO. ELA SE
REMEXE E O MARIDO ACABA ACORDANDO.
LAURO — O que foi Clarice? Está sentindo alguma coisa?
CLARICE — Não, meu amor. Preocupada com a ONG só.
LAURO BUFA E VIRA PARA O LADO. CLARICE PERCEBE.
CLARICE — Tá nervosinho porque hein?
LAURO — Não é nada. Fica aí pensando na sua maravilhosa ONG
que amanhã eu tenho que trabalhar a sério.
MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 7

CLARICE — (analisa) Trabalhar sério... Por acaso você está dizendo


que a minha ONG não é uma coisa séria?
LAURO — Pelo menos para você deve ser sim. Já que não tem tempo
nem para o nosso casamento, deve ser bastante séria.
CLARICE — Eu não acredito nessa sua infantilidade. (ri) Começou a
competir com a Meninas do Brasil por um espaço, Lauro?
LAURO SENTA NA CAMA E CONCORDA.
LAURO — Pois saiba que é exatamente assim que eu me sinto.
Competindo com a ONG. E eu estou em um ponto que vejo
que vou acabar perdendo a guerra.
CLARICE — Não seja ridículo, meu amor. Isso não é guerra.
LAURO — Raras as vezes que você tem um tempo para mim, para
nós, Clarice. Qual a última vez que saímos juntos só nos dois
para curtir uma noite, uma tarde fugida que seja?
CLARICE — Lauro, não pensa que é você. Sou eu, é meu trabalho que é
muito sério. Se eu não ficar atenta./
LAURO — O mundo pode acabar e a Super-Clarice não estará lá para
resolver.
CLARICE — Não é nada disso.
LAURO — Ah quer saber? Cansei. Realmente não adianta discutir
com você sobre esse assunto, porque tudo que eu disser você
vai rebater e não vai me convencer de nada.
CLARICE — Então qual a sua conclusão?
LAURO LEVANTA.
LAURO — A minha conclusão pelo menos por enquanto é que eu vou
dormir no quarto de hóspedes. Vou só pegar as minhas
roupas de trabalho amanhã, prometo nem te incomodar, não
vou nem te acordar. Se é que você não vai estar já na ONG,
não é?
CLARICE — Para com isso, Lauro. Não seja irônico.
LAURO — Não é ironia, eu juro que não. (pausa) É mágoa.
CLARICE — Não quer conversar mais sobre isso que está te magoando?
LAURO — (ri) Não faça o papel da Fabiana. Não lhe cai bem.
CLARICE FICA CONTRARIADA, MAS CONCORDA.
LAURO — Boa noite.
MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 8

CLARICE — (fria) Boa noite, querido.


LAURO VAI SAINDO E QUANDO CHEGA À PORTA SE VIRA PARA ELA.
LAURO — Talvez se eu casasse com a Marina as coisas não seriam
outras hoje.
CLARICE — (suspira) Ainda tá em tempo. Pela última conversa nada
amigável que nós tivemos, eu pude perceber que ela não te
esqueceu. Vai que você também não se esqueceu dela... Corre
atrás, quem sabe consegue um horário na agenda da
presidente.
LAURO ENGOLE EM SECO E SORRI IRÔNICO. SAIU. CLARICE JOGA UM
TRAVESSEIRO NA PORTA.
CLARICE — Merda!
CLARICE PASSA A MÃO PELOS CABELOS IRRITADA. NELA.
CORTA PARA:

1º INTERVALO COMERCIAL

CENA 10. CASARÃO DE CELESTINO. QUARTO DE MURILO.


INTERIOR. NOITE
SONOPLASTIA CONTINUA. EM SLOW-MOTION: MURILO SEM CAMISETA
VAI TIRANDO AS ROUPAS DE TRIPÉ. A SUA CAMISA, O SAPATO, MEIAS, A
CALÇA E O ANALISA APENAS DE CUECA. ELE TIRA O SEU JEANS. AJEITA
TRIPÉ NA CAMA E SE DEITA SOBRE ELE. SORRI EMOCIONADO, QUASE
CHORA. COMEÇA A BEIJAR O SEU PESCOÇO, PASSA A MÃO PELOS SEUS
BRAÇOS, TÓRAX. É A PRIMEIRA VEZ QUE PASSA A MÃO EM OUTRO
HOMEM. EMOÇÃO EM CENA. TRIPÉ DORMINDO PROFUNDAMENTE NADA
SENTE. APENAS MURILO QUE LEVANTA-SE E TIRA A SUA CUECA E DEPOIS
A DO MOTORISTA. MURILO PASSA A MÃO PELO SEU PÊNIS E SORRI. BEIJA
O CORPO DE TRIPÉ, BEIJA O SEU ÓRGÃO. COLOCA NA MÃO E RI. VOLTA A
SE DEITAR SOBRE ELE, O ABRAÇA, O CHEIRA, COMO SE ELE FOSSE EU,
LHE PERTENCESSE. MURILO REPOUSA A CABEÇA SOBRE O DORSO DE
TRIPÉ. ALGUÉM BATE NA PORTA. SONOPLASTIA ENCERRA. MURILO
LEVANTA SUPER NERVOSO. AS BATIDAS FORTES CONTINUAM.
MURILO — Será que é o velho que chegou? Ai meu Deus!
EM MURILO APAVORADO.
CORTA PARA:
MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 9

CENA 11. CASARÃO DE CELESTINO. SALA. INTERIOR. NOITE


MURILO JÁ VESTIDO ATENDE A PORTA. GLÓRIA VAI ENTRANDO E
OLHANDO PARA TUDO.
MURILO — (estranha) Dona Glória?!
GLÓRIA — Você está bem meu filho?
MURILO — Como assim? A senhora ficou louca? É claro que eu estou
bem, que pergunta.
GLÓRIA — Eu vi a luz do seu quarto acesa e pensei que./
MURILO — A senhora sabia que é falta de respeito espiar a casa dos
outros? Não sei o que o meu pai vai falar sobre isso.
GLÓRIA — Vai me apoiar. O pastor sempre adere as minhas ideias.
GLÓRIA SENTA NO SOFÁ DESPOJADA. MURILO NERVOSO COM A PORTA
ABERTA.
MURILO — A senhora não vai embora?
GLÓRIA — Vou ficar aqui cuidando de você. Posso subir pra
descansar?
MURILO ARREGALA OS OLHOS. LÍVIDO. EM GLÓRIA SORRIDENTE E SEM
NOÇÃO.
CORTA PARA:

CENA 12. CASA DE JULIANO. SALA. INTERIOR. NOITE


REUNIDOS NA SALA, SENTADOS NO CHÃO ESTÃO OTÁVIA, SANDRO,
ELIANA E VICENZO. COMEM PIPOCA ENQUANTO CONVERSAM
ANIMADOS.
ELIANA — Otávia desculpa pelo flagrante tá?
OTÁVIA — Ai Eli, esquece isso. Já foi, já me viu pelada mesmo.
VICENZO — Isso é coisa de dizer Otávia?
OTÁVIA — Ficou moralista agora meu irmãozinho? Não seja hipócrita
Vicenzo. Vai me dizer que você também não fica quando
transa com a Eliana?
VICENZO FICA SEM GRAÇA E AS DUAS RIEM.
SANDRO — Sabia que amanhã vai inaugurar uma boate de um amigo
meu na Lapa?
MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 10

ELIANA — Lapa alta ou a baixa? Se for a baixa eu nem vou, muito


franca.
SANDRO — (ri) Alta. Então vamos?
OTÁVIA — Demorou.
VICENZO — Ah, eu não sei. Tenho projeto para terminar e já fugi hoje.
Preciso entregar na próxima semana.
ELIANA — Meu amor, não seja estraga-prazeres. O projeto você tem
qualquer dia para terminar, esta badalada é única.
VICENZO — (ri) Tudo bem vai. Não vou estragar programa de
ninguém. Vamos então.
ELIANA COMEMORA E BEIJA O NAMORADO.
OTÁVIA — Invejei agora.
OTÁVIA BEIJA SANDRO. NOS CASAIS.
CORTA PARA:

CENA 13. CASA DE JULIANO. COZINHA. INTERIOR. NOITE


A EMPREGADA TERMINA COM OS SERVIÇOS E VAI SAINDO. A PORTA DA
COZINHA SE ABRE RAPIDAMENTE. É HELENA QUE CHEGA EMBRIAGADA.
EMPREGADA — Meu Deus, dona Helena. O que aconteceu com a senhora?
HELENA — Cala a boca./
HELENA FAZ SINAL PARA QUE ELA SE CALE. ATORDOADA.
HELENA — (ri) Eu fui me divertir ué. Me ajuda, me ajuda.
A EMPREGADA AMPARA HELENA E FAZ EXPRESSÃO CONTRARIADA.
HELENA RINDO.
EMPREGADA — O seu Juliano não ia gostar nada de ver a senhora de fogo.
HELENA — (ri) Que Juliano?
EMPREGADA — Seu marido. Será que a senhora perdeu a memória igual
aquela moça da novela?
HELENA RI E VAI ENTRANDO NA SALA. A EMPREGADA A PUXA.
EMPREGADA — Não dona Helena. Seus filho tão tudo aí na sala, a senhora
fica aqui que eu levo à senhora pro meu quarto e curo essa
bebedeira. Amanhã a senhora inventa alguma coisa.
HELENA — Ô Maria, tem pudim? Ai eu quero. (tom) Quero um
pudim!
MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 11

HELENA RI DESCONTROLADA. A EMPREGADA VAI LEVANDO-A PARA SEU


QUARTO ANEXO À COZINHA.
HELENA — Gente, meu pudim.
EMPREGADA — Só se for de cachaça.
HELENA — Ué, adoro.
HELENA RI SENDO LEVADA.
CORTA PARA:

CENA 14. APARTAMENTO DE HUMBERTO. SUÍTE DO CASAL.


INTERIOR. NOITE
HUMBERTO DORME. JANETE ACORDADA COM OS OLHOS FIXOS NO TETO.
SONOPLASTIA: “WHAT IF I STAY” – MELANIE C.
Inserir flashback:
JANETE — O que?
HUGO — Que a senhora chegue aqui na favela um dia desses para eu mostrar
para a senhora que existe gente honesta e trabalhadora aqui.
JANETE — (ri) Tudo bem, eu aceito. Mas me diga qual o seu nome?
HUGO — É Hugo. E o seu?
JANETE — Janete, meu nome é Janete.
HUGO — Bonito nome.
JANETE VAI CUMPRIMENTÁ-LO, MAS HUGO BEIJA A MÃO DELA. ELA FICA SEM GRAÇA E
SORRI.

CORTE COMBINADO PARA:

CENA 15. CASA DE HUGO. COZINHA. INTERIOR. NOITE


VOLTA PARA HUGO QUE PENSA NA MESMA CENA. TOMA UM COPO DE
ÁGUA E SORRI.
HUGO — (pensativo) Janete...
ELE SORRI CARINHOSO. NELE.
CORTA PARA:

CENA 16. PORTO ALEGRE. EXTERIOR. NOITE


UM GIRO RÁPIDO PELA NOITE GAÚCHA. TERMINA NA FACHADA DO
PRÉDIO DE MARINA.
MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 12

FUNDE PARA:

CENA 17. APARTAMENTO DE MARINA. SALA. INTERIOR. NOITE


MARINA SENTADA NO SOFÁ. NERVOSA. FREDERICO ENTRA
RAPIDAMENTE EM CASA.
MARINA — (levanta) Onde você estava?
FREDERICO — (assustado) Acordada ainda?
MARINA — Te esperando. (insiste) Onde estava?
FREDERICO — (impaciente) Reunião, Marina. Não avisei que ia participar
de uma reunião? Que saco.
MARINA — Isso são modos Frederico de Castro?
FREDERICO — (saindo) Não enche.
FREDERICO SAI. MARINA FICA INDIGNADA.
MARINA — Chegou muito nervosinho para o meu gosto. Sei bem a
reunião. Devia estar com alguma desclassificada. (grita)
Desgraçado!
EM MARINA QUE BUFA DE ÓDIO.
CORTA PARA:

CENA 18. CASARÃO DE CELESTINO. SALA. INTERIOR. NOITE


CONTINUAÇÃO IMEDIATA DA CENA 11. MURILO PARADO NA PORTA.
GLÓRIA — Escuta não tem um cafezinho?
MURILO — Pelo amor de Cristo, dona Glória. Me desculpa, mas a
senhora está sendo inconveniente, eu quero ir dormir.
GLÓRIA — Vá meu filho, eu não me importo. Eu vim para cuidar de
você e vou cuidar de você.
MURILO — Não preciso de babá.
GLÓRIA — Seu pai me deixou no encargo.
MURILO — A senhora não é uma babá não, tem razão. A senhora é um
encosto! Uma cruz mais pesada que a de Cristo! As sete
chagas juntas!
GLÓRIA HORRORIZADA COLOCA AS MÃOS SOBRE A BOCA. LEVANTA-SE
INDIGNADA.
MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 13

GLÓRIA — Eu nunca fui tão insultada na minha vida.


MURILO — Se convenceu a ir embora então?
GLÓRIA — (senta) Não.
MURILO — Tudo bem então.
MURILO SENTA-SE NO SOFÁ AO LADO DELA.
MURILO — Dona Glória, a senhora nunca pensou em ser pastora da
nossa igreja?
GLÓRIA — Pastora? Como assim?
MURILO — Pastora igual o meu pai. Não queria?
GLÓRIA — (deslumbra) Pastora do nosso templo. O órgão máximo da
religião da nossa comunidade. Glória do Amor Divino
pastora!
GLÓRIA LEVANTA-SE E OLHA PARA O HORIZONTE COMO SE VISSE TUDO.
MURILO SORRI E VAI AO SEU LADO.
MURILO — Eu posso convencer o meu pai ceder o cargo pra senhora.
Bom, mas para isso a senhora teria que ir embora pra eu
poder estar descansado quando ele chegasse.
GLÓRIA — Oh, entendo. É você pode ter razão sim.
MURILO — Então...
MURILO INDICA A PORTA DA RUA. GLÓRIA SORRI E CONCORDA.
GLÓRIA — Obrigada Murilinho, você é um arcanjo. Que Cristo te
ilumine.
MURILO — Vai dona Glória.
MURILO VAI EMPURRANDO GLÓRIA ATÉ A PORTA QUE BALBUCIA
“PASTORA” MAIS ALGUMAS VEZES. LONGE, PENSATIVA. MURILO BATE A
PORTA E TRANCA. ENCOSTA-SE NELA.
MURILO — Juro que se ela insistisse mais um pouco eu bulia nessa
velha. (ri) Gente, que crente chata.
MURILO SAI DALI. SOBE A ESCADARIA PARA O SEU QUARTO
RAPIDAMENTE.
CORTA PARA:

CENA 19. SÃO PAULO. EXTERIOR. DIA


MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 14

TAKES DA NOITE DANDO LUGAR AO DIA EM SÃO PAULO. SONOPLASTIA:


“NO WAY” – LADY GAGA. POR ENTRE OS PRÉDIOS, TUDO AMANHECENDO.
AS PESSOAS COMEÇAM A CIRCULAR, TRÂNSITO NAS RUAS, OS METRÔS
ENCHENDO RAPIDAMENTE. TUDO COMEÇANDO A CRIAR COR
NOVAMENTE. TOMADA PANORÂMICA DA FAVELA DO URUBU.
CORTA PARA:

CENA 20. FAVELA DO URUBU. EXTERIOR. MANHÃ


RAFAEL E CACAU CIRCULAM PELA FAVELA LEVANDO BELINHA PARA O
COLÉGIO. CONVERSAM. CACAU NADA ANIMADA. MANDRAKE SAI DE UM
BARZINHO E DÁ DE CARA COM ELES. O CASAL FICA COM MEDO E VAI
SAINDO DE MANSINHO. CACAU LÍVIDA.
RAFAEL — Calma meu amor. É só aquele marginal, não é o que...
(olha p/ Belinha) Não é ele.
CACAU — Se tratando do Mandrake, não é só o Mandrake... É tudo o
de ruim que ele representa!
CACAU OLHA PARA TRÁS E O TRAFICANTE ESTÁ OLHANDO PARA ELES.
CACAU TREME DE NERVOSO. RAFAEL A ABRAÇA
RAFAEL — Não precisa ficar tão nervosa.
CACAU — Impossível meu amor. Eu ainda estou abalada com tudo o
que aconteceu, poxa.
RAFAEL — Desculpa.
RAFAEL OLHA PARA TRÁS. MANDRAKE OS ENCARA.
RAFAEL — Sujeitinho abusado. Qualquer dia eu ainda mato ele.
BELINHA — (assustada) Matar tio Rafa?
CACAU — É só um jeito de falar, filha. O tio Rafa não vai matar
ninguém, não é?
RAFAEL — Você conhece ele pessoalmente?
CACAU — (nervosa) Claro que não.
RAFAEL — É só expressão da palavra mesmo Belinha. (p/ Cacau) Tio
Rafa não vai matar ninguém não.
RAFAEL DÁ UM BEIJO NO ROSTO DE CACAU. CONTINUAM O SEU
TRAJETO. MANDRAKE DÁ MAIS UMA OLHADA NELES E SAI PARA OUTRO
LADO.
CORTA PARA:
MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 15

1º INTERVALO COMERCIAL

CENA 21. PORTO ALEGRE. PRÉDIO DE MARINA. EXTERIOR.


MANHÃ
CAM SUBINDO REVELANDO O PRÉDIO DO DEPUTADO.
FUNDE PARA:

CENA 22. APARTAMENTO DE MARINA. SALA DE JANTAR.


INTERIOR. MANHÃ
MARINA TOMANDO O CAFÉ DA MANHÃ COM MUITAS FRUTAS E
GOSTOSURAS IMAGINÁVEIS. MESA FARTA. FREDERICO ENTRA COM
CARA DE POUCOS AMIGOS. SENTA-SE E COLOCA SEU CAFÉ. MARINA O
OLHA DE CANTO.
MARINA — Vai me contar o que está acontecendo? É sobre a minha
candidatura, se é fala logo que eu odeio surpresas
desagradáveis.
FREDERICO — Que candidatura o que, Marina. Não é nada, só estou
cansado.
MARINA — Sei. Tudo bem então, se não quer compartilhar...
FREDERICO A OLHA E NÃO FALA NADA. PEGA O SEU JORNAL QUE ESTÁ
AO LADO DA MESA E JÁ OLHA PARA A CAPA. NA MANCHETE
ESCANCARADA: “MENSALÃO ESTILO ONCINHA”. ABAIXO UMA FOTO DO
FLAGRANTE NO MOTEL: FREDERICO E NELINHA NÚS. AO LADO O
VESTIDO QUE ELA USAVA COM ESTAMPA DE ONÇA. FREDERICO
EXTREMAMENTE NERVOSO JOGA DE LADO O JORNAL. MARINA
ESTRANHA.
MARINA — O que foi homem?
MARINA PEGA O JORNAL. FREDERICO TREME DE NERVOSO. LEVANTA-SE
E ENCARA MARINA. MARINA VÊ A CAPA. EXPRESSÃO CHOCADA. MARINA
O ENCARA E SACODE O JORNAL:
MARINA — (tom) O que significa essa palhaçada toda?
FREDERICO — (nervoso) Calma. Eu posso explicar.
MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 16

CLOSES ALTERNADOS DO CASAL. A PIOR EXPRESSÃO POSSÍVEL DE


MARINA. MARINA LEVANTA-SE COM O JORNAL NA MÃO. FREDERICO
ACUADO.
MARINA — É bom você começar a se explicar mesmo Frederico,
porque o sangue tá começando a me subir, e quando./
FREDERICO — Calma Marininha.
MARINA JOGA UM PRATO NA PAREDE. FREDERICO SE ASSUSTA.
MARINA — (grita) Marininha é um cu bem sujo!
FREDERICO — (chocado) Para com isso meu amor.
MARINA JOGA OUTRO PRATO NA PAREDE QUE SE ESPATIFA.
MARINA — Vou precisar quebrar quantas peças da minha porcelana
chinesa para você se explicar.
MARINA BATE COM O JORNAL NA CARA DE FREDERICO.
DESEQUILIBRADA. EXPLORAR O MÁXIMO DA PERSONAGEM NESTE
SENTIDO.
MARINA — (grita) Diz logo o que significa a sua foto pelado no
jornal!
FREDERICO — É a minha foto nu no jornal. Você mesmo disse.
MARINA — (indo para cima) Você acha que eu sou idiota? Deve achar
mesmo. (pausa) Me traindo Frederico com aquela biscate
oferecida, aquela putinha da Farrapos! (grita) Eu vou matar
aquela lambisgóia, mas depois eu acerto com ela.
FREDERICO — (por cima) Isso meu amor. A dona Nelinha tem a culpa
toda.
MARINA VAI BATENDO NELE, ATÉ ENCOSTÁ-LO NA PORTA DA VARANDA.
MARINA — Seu salafrário! Eu confiei a minha vida, a minha carreira
nas tuas mãos achando que você era confiável.
FREDERICO — Eu sou o amor da sua vida!
MARINA — (ri descompensada) Você tá é maluco né?! Eu não disse
amor da minha vida, eu disse confiável. Tu não é uma coisa,
nem outra.
FREDERICO — Casamos por amor.
MARINA — Que amor seu cafajeste? Bebeu? Eu nunca te amei, casei
com você porque a minha mãe achava melhor juntar o meu
sobrenome com uma potência forte e fazer carreira.
MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 17

FREDERICO — (acusa) Carreirista! É isso que você é! Você não vale


nada, Marina. Nada!
SONS DE VEÍCULOS SE APROXIMANDO DO PRÉDIO. MARINA VAI ATÉ A
VARANDA E VÊ A MÍDIA TODA ALI EMBAIXO. UMA ENORME
MOVIMENTAÇÃO DA IMPRENSA E DE CURIOSOS EM FRENTE AO PRÉDIO.
FILMAM E SOLTAM FLASHES CONTRA A VARANDA DO CASAL. MARINA
CORRE PARA DENTRO.
MARINA — Seu imbecil! A imprensa está toda aí fora.
FREDERICO SE AFASTA COM MEDO.
FREDERICO — Meu mandato... Ai, meu mandato vai ser cassado.
MARINA — Não vai ser cassado não, Frederico. Eu não vou permitir.
FREDERICO — (eufórico) Não meu amor?
MARINA — Claro que não. Você acha que eu permitiria só isso com
você?
MARINA PEGA UMA FACA EM CIMA DA MESA. FREDERICO VAI SAINDO
NERVOSO.
MARINA — Eu vou te matar seu cachorro desgraçado.
MARINA CORRE ATRÁS DE FREDERICO DE FACA EM PUNHO. FREDERICO
CORRE O MÁXIMO QUE PODE. ELES VÃO PARA O INTERIOR DO
APARTAMENTO.
CORTA PARA:

CENA 23. PRÉDIO DE MARINA. FRENTE. EXTERIOR. MANHÃ


A MÍDIA ESCRITA, RADIOFÔNICA E TELEVISIVA TODA EM FRENTE AO
PRÉDIO DE MARINA. TODOS EUFÓRICOS COCHICHAM ENTRE SI. ALGUM
REPÓRTER FALA COM O PORTEIRO. CURIOSOS TENTAM DESCOBRIR
ALGO. MORADORES DO EDIFÍCIO SÃO BARRADOS AO SAÍREM DE CARRO
OU A PÉ DO PRÉDIO. TODOS MUITOS EUFÓRICOS. CORTA PARA A EQUIPE
DE ÁLVARO. ELE EM FRENTE ÁS CÂMERAS.
ÁLVARO — Eu fui o primeiro a dar a exclusiva da traição do deputado
Frederico de Castro com a secretária e toda a mídia seguiu o
meu rastro. Tenho certeza que eu fiz história na história desse
país!
ÁLVARO ORGULHOSO. CORTA PARA OUTRO PONTO ONDE ESTÁ UMA
REPÓRTER. ELA SE ARRUMA. CONTAGEM PARA ENTRAR NO AR. ENTROU.
MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 18

REPÓRTER — Estamos aqui com exclusividade na frente do prédio do


deputado Frederico de Castro e da candidata à presidência
Marina Braga Motta. O escândalo do flagrante do deputado
com a secretária em um motel da cidade tem causado furor,
não só pelo escândalo, mas pela apuração de contas do
deputado. Consta entre outros crimes políticos vários
mensalões que envolvem indiretamente a sua esposa Marina.
Isso pode acarretar prejuízos para a campanha da política
assim como a suspensão de sua candidatura. Chegando a ter o
seu mandato cassado por um longo período. Fernanda
Simeão para o Jornal da Manhã.
CAM SAI DA REPÓRTER E MOSTRA MAIS UM POUCO A MOVIMENTAÇÃO
ALI EM FRENTE.
CORTA PARA:

CENA 24. CASARÃO DE CELESTINO. COZINHA. INTERIOR.


MANHÃ
CAM CIRCULA PELA COZINHA. VAI REVELANDO TRIPÉ JÁ DEVIDAMENTE
COM SUAS ROUPAS, CABEÇA BAIXA, SENTADO NA MESA DORMINDO.
TRIPÉ VAI ACORDANDO E ASSUSTA-SE AO VER ONDE ESTÁ.
TRIPÉ — O que eu tô fazendo na casa do pastor?
CORTA RAPIDAMENTE PARA:

CENA 25. CASARÃO DE CELESTINO. SALA. INTERIOR. MANHÃ


TRIPÉ ENTRA NO AMBIENTE AINDA MUITO ASSUSTADO. OLHA TUDO EM
VOLTA E NADA ENCONTRA.
TRIPÉ — Pastor Celestino? (pausa) Murilo?
MURILO — [off] Aqui Tripé. No altar.
TRIPÉ ESTRANHA E CAMINHA ATÉ OUTRO PONTO DA SALA QUE É
DIVIDIDO COM O RESTO DO AMBIENTE APENAS POR UMA CORTINA.
TRIPÉ ABRE A CORTINA E MURILO ESTÁ DE JOELHOS EM UM ALTAR COM
UMA BÍBLIA, ORANDO CONCENTRADO.
MURILO — Bom dia.
TRIPÉ — Bom dia?! (surpreso) O que eu estou fazendo aqui na sua
casa? Eu acordei na cozinha!
MURILO — É, acho que acordou sim.
MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 19

TRIPÉ — Mas o que aconteceu aqui ontem? Eu lembro que eu


consertei o cano da pia e tomei um suco. Só, não me lembro
de mais nada.
MURILO — (estranha) Não lembra? Depois do suco nós conversamos
um pouco, você pediu para descansar e apagou ali mesmo.
Como eu não vi nada demais eu permiti. Não ia te jogar para
fora de casa né...
TRIPÉ — Mas isso nunca me aconteceu antes.
MURILO — Sempre tem a primeira vez Tripé. (pausa) Tem certeza que
não se lembra de nadinha, nadinha?
TRIPÉ — Pô Murilo, se eu me lembrasse falava ou acordaria na
minha cama. Que coisa estranha.
MURILO — Vai ver foi o cansaço. Mas está descansado, bem
disposto?
TRIPÉ — (estranha) É, estou. Bom, agora eu vou indo porque eu
ainda tô um pouco zonzo.
MURILO CONCORDA E TRIPÉ VAI EMBORA. SOBE SONOPLASTIA. MURILO
SE VIRA PARA A BÍBLIA, SÉRIO. FAZ O SINAL DA CRUZ E SORRI DE
CANTO.
CORTA PARA:

CENA 26. CASARÃO DE CELESTINO. EXTERIOR. MANHÃ


TRIPÉ VAI SAINDO PELA PORTA DE TRÁS DO CASARÃO DE CELESTINO.
ATORDOADO AINDA. NINGUÉM CIRCULA POR ALI. ELE OLHA PARA
TODOS OS LADOS E VAI EMBORA RAPIDAMENTE PARA NÃO SER VISTO
ALI. SAI. CAM REVELA DO OUTRO LADO DA RUA A CASA DE GLÓRIA. ELA
OLHA PELA JANELA. CHOCADA.
CORTA PARA:

CENA 27. CASA DE GLÓRIA. SALA. INTERIOR. MANHÃ


PRIMEIRA VEZ QUE O AMBIENTE É MOSTRADO. CASA MODESTA. GLÓRIA
SAI DA JANELA CHOCADÍSSIMA.
GLÓRIA — O Tripé saindo da casa do pastor tão cedo. O que ele foi
fazer lá essa hora? E como ele entrou que eu não vi? Será que
ele dormiu na casa do pastor Celestino? Com o Murilo?!
Gente... Chocada!
MENINAS DO BRASIL CAPÍTULO 12 PÁG.: 20

NELA.
CORTA PARA:

CENA 28. APARTAMENTO DE MARINA. QUARTO DO CASAL.


INTERIOR. MANHÃ
FREDERICO LÍVIDO VENDO SUAS IMAGENS PELA TELEVISÃO. MARINA
BATE DESESPERADA NA PORTA DO QUARTO.
MARINA — [off] Abre essa porta Frederico!
FREDERICO — Eu não. Você vai me matar!
MARINA — [off] Não vou apenas te matar não, eu vou te trucidar, vou
te cortar em cubinhos e servir em praça pública, seu
desgraçado! Você acabou com a minha carreira.
FREDERICO — Marina, me deixa sair e nós conversamos.
MARINA — [off] Eu não estou te obrigando a ficar trancado aí dentro.
Você pode sair à hora que quiser.
FREDERICO — Promete que não me mata?
MARINA — [off/ grita] Sai logo porra!
FREDERICO NERVOSO, NA SUA PIOR EXPRESSÃO POSSÍVEL. CONGELA.
CORTA PARA:

EFEITO FINAL: O ROSTO DE FREDERICO FICA CINZA, ENQUANTO O


PLANO DE FUNDO É PREENCHIDO COM AS CORES DA BANDEIRA DO
BRASIL.

FIM DO CAPÍTULO 12

Créditos sobem ao som de: “Tudo Vira Bosta – Rita Lee”.

Interesses relacionados