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Francisco Varatojo, consultório macrobiótico

Consultório de Francisco Varatojo


19/10/2015

O Francisco Varatojo é o director do Instituto Macrobiótico de Lisboa há muitos anos e


é, hoje, um dos mais conceituados consultores de saúde na área, dando palestras em
todo o mundo. Por eles passaram centenas de pacientes à procura de uma cura pela
alimentação e os resultados têm-se sido, na maior parte das vezes, positivos. O
Francisco tem vários livros editados sendo o mais conhecido “Mente Sã corpo São” e o
mais recente “Os alimentos também curam”.

O Francisco prestou-se a receber as vossas questões e virá responde-las, a este blog,


uma vez por mês (infelizmente a agenda não lhe permite vir com mais frequência).

Portanto, caríssimos leitores, se tiverem dúvidas ou precisarem de algum conselho por


estarem incomodados por alguma maleita, escrevam para o meu mail pessoal – e
aguardem a resposta do Francisco.

Já no dia 1 de Novembro teremos as vossas primeiras questões respondidas (e


esperemos, em breve, resolvidas).

Entretanto, para quem ainda não conhece o homem que vos pode esclarecer qualquer
assunto que tenha a ver com tratamentos através da comida, aqui vos deixo uma
entrevista recente que o próprio deu acerca do seu livro mais recente.
As primeiras respostas de Francisco Varatojo
01/11/2015

Segue o retorno às vossas perguntas do Francisco Varatojo, director do Instituto


Macrobiótico, professor, autor de vários livros e um dos consultores de cura pela
alimentação mais procurados do mundo. Tenham em conta que o Francisco não vos
conhece nem vos viu pessoalmente e que, por isso, não consegue ter o quadro geral da
vossa total condição física. Sendo assim, estas respostas não conseguem ser específicas
para cada um de vocês e foram respondidas sob uma base mais abrangente. Nenhum
destes conselhos deve ser seguido como se tivesse sido dado numa consulta particular e
devem, sempre, consultar o médico, quando acharem necessário.

DIANA MAIA

Boa tarde.
Ainda naõ sou totalmente adepta da macrobiotica mas estou a tentar informar-me para
tal. Assim, tenho um duvida: disseram-me que a soja é altamente tóxica para o nosso
organismo. Só na sua forma fementada (tofu por exemplo) é que se torna saudavel. É
verdade? Sendo eu adpeta de iogurtes e querendo retirar completamtne o leite e
derivados da minha alimentação torna-se dificil a sua substituição principalmente por
alimentos que não contenham soja. Alguma alternativa?
Obrigada

Resposta:
Olá Diana,
Grande parte da soja produzida atualmente é geneticamente modificada e prejudicial ao
nosso organismo, sendo que esta serve principalmente para alimentar a industria animal
– o que significa que comendo carne, acabamos por estar a receber esse tipo de soja de
forma indireta.
Na prática macrobiótica recomendo apenas os produtos de soja fermentada (como é o
caso do miso, shoyu, tofu, tempeh, natto) porque no processo de fermentação a soja
ganha propriedades que beneficiam a digestão. Os restantes produtos de soja, mesmo os
biológicos, costumam passar por processos industrializados que eliminam as
propriedades naturais da mesma e dificultam a sua assimilação. Em particular, o
granulado de soja deve mesmo ser evitado.
Para substituir o leite e os iogurtes, opta pelas papas (com água) de arroz, de aveia e de
outros cereais, às quais podes acrescentar frutos secos, passas ou um pouco de fruta
cozinhada (para ficar mais doce). Uma segunda opção são as bebidas de cereais (arroz,
millet, cevada, aveia, …) à venda em mercados de produtos naturais ou em mercados
biológicos, sendo que o ideal será fazeres a tua própria bebida em casa, para além de ser
mais ecológico.
Desejo-te as maiores felicidades

ANA MARGARIDA FERRO

Tenho eczemas, ou dermatite atópica como os médicos lhe chamam. Já fui ao


dermatologista que me receita pomadas com cortisona mas estes voltam sempre a
aparecer. Eu creio que poderei ter alguma intolerância/alergia alimentar que me poderá
causar isto. Poderá dar-me algum conselho relativamente ao tratamento/prevenção dos
eczemas através da alimentação?

Resposta:

Olá Ana,
No que se refere à alimentação, sugiro que acrescentes aos teus hábitos alimentares sopa
de miso de cevada não pasteurizada. Inclui também cereais integrais (em especial o
arroz integral) e uma boa variedade de vegetais verdes, ligeiramente escaldados. Opta
também por comer leguminosas em vez de carnes, sejam brancas ou vermelhas. As
lentilhas deverão resultar bem no teu caso.
Por outro lado, deves evitar ao máximo todo o tipo de lácteos (leite e todos os
derivados) e o açúcar e as farinhas refinadas (são inflamatórios). Se te apetecer uma
sobremesa, sugiro-te maça cozinhada ou abóbora com maçã. Sempre fruta da época e do
local cozinhadas. Fruta tropical não é boa opção.
Aproveito para te recomendar também cuidados externos. Nomeadamente, fazeres todas
as manhãs um banho seco, que consiste em esfrega o corpo com uma toalha quente e
húmida, de forma vigorosa mas sem pressionar demasiado a pele. Exercício físico
também ajuda, porque vai permitir que o corpo elimine, de outras formas, o que os
eczemas poderão estar a tentar eliminar. Evita ainda produtos de higiene sintéticos, bem
como roupa de corpo e de cama sintéticos. Opta por usar roupa de interior de algodão
porque ajuda a pele a respirar.
Desejo-te as maiores felicidades

ANA DIAS

A minha questão para o Dr. Francisco Varatojo é: sendo vegetariana gostaria de saber
quais os alimentos que me ajudam a ter um cabelo mais forte e saudável?

Resposta:
Olá Ana,
Para teres um cabelo mais forte e saudável, sugiro-te comeres bastantes raízes, como
sejam as cenouras, os nabos ou os rábanos, de preferência cozinhados de diferentes
formas. Sopa de miso de cevada não pasteurizada tomada frequentemente, também é
muito importante. Todo o tipo de feijões, com especial destaque para o feijão preto e o
feijão azuki, também ajudam à saúde do cabelo. As sementes de sésamo
(preferencialmente tostadas ou trituradas) também são muito boas.
Deves evitar o açúcar refinado, mesmo o amarelo e o agave, e as farinhas refinadas.
Evita também todo o tipo de alimentos demasiado salgados, porque são particularmente
prejudiciais à saúde do cabelo. As carnes brancas e vermelhas devem ser eliminadas;
opta por peixe de carne branca (como a pescada ou o linguado). Não abuses da fruta,
podendo comê-la, preferencialmente da época e cozinhada, bem como fora das
refeições.
Um remédio caseiro muito simples consiste em fazeres chá de feijão azuki e beber em
jejum (o chá é, nada mais nada menos, que a água que resulta da cozedura do feijão).
Finalmente, escova o cabelo com carinho ao final do dia; dá-lhe atenção pela positiva.
Desejo-te as maiores Felicidades

SOFIA SOMSEN

Envio este e-mail pois gostaria de colocar algumas questões. Tenho 26 anos e desde os
meus 10 (mais ou menos) que sofro de enxaquecas. Já tentei produtos naturais mas
infelizmente nada resulta e acabo por voltar sempre aos “químicos”. Sei que há muitos
factores que levam ao surgimento das mesmas e alguns eu já conheço e procuro evitar…
Contudo, já ouvi dizer que por vezes a própria alimentação poderá influenciar o
surgimento ou não de enxaquecas. Gostaria de saber a opinião do Dr. Francisco
Varatojo e possivelmente algumas dicas.
Outra questão está relacionada com o facto de muitas vezes comer e ficar a sentir-me
inchada e sofrer muito com cólicas. Também já ouvi falar de um Teste de Intolerância
Alimentar, será que deveria fazer? Aconselha que o faça? E haverá alguns alimentos
que deveria excluir da minha alimentação?

Resposta:
Olá Ana,
Sim, a alimentação pode influenciar a existência, ou não, de enxaquecas. E adianto que
existe uma relação entre o cérebro e o intestino, o que significa que as tuas reações
intestinais poderão estar associadas à própria enxaqueca.
Face à descrição apresentada, recomendo-te sopa de miso de cevada, não pasteurizada, à
qual podes acrescentar cebolinho e cenoura. Os cereais integrais, como o millet ou o
arroz integral podem ajudar muito, porque favorecem um melhor funcionamento do
intestino, mas deves demolhá-los por 3 horas ou mais e cozinhá-los até ficarem macios.
Deves usar vegetais de rama verde em abundância e em cada prato principal,
escaldando-os ou em estufados, por exemplo. Ao final do dia, poderás optar por maça
cozinhada em muito pouca água.
Mas importa também excluíres todo o tipo de alimentos refinados e processados da tua
prática diária (porque agridem o intestino e podem causar as enxaquecas). Aqui
incluem-se o açúcar e as farinhas de forno brancas. Também deverás eliminar todo o
tipo de alimentos lácteos (que também enfraquecem muito os intestinos) e as carnes
que, de difícil digestão, tendem a prejudicar o intestino.
Quanto ao teste de intolerância alimentar, não costumo recomendar. Estes testes
agregam os alimentos por componentes ativos, esquecendo que os alimentos não são
apenas um ou outro componente, mas um pacote completo de componentes que
interagem entre si. Aposta antes numa alimentação diversificada, com base em produtos
biológicos e da época e verás a diferença.
Finalmente, nota que as recomendações que te envio são resultado do quadro que me
apresentaste, o que não substitui uma consulta mais especializada. Por exemplo, o local
onde se dá a enxaqueca permite efetuar recomendações mais específicas ou o quadro
clinico histórico pode devolver outras pistas para a questão em si.
Desejo-te as maiores felicidades

SILVIA DIAS

Sempre tive o colesterol alto e fui cortando em diversas coisas como o leite e algumas
carnes, mas sempre fui comendo carnes brancas (franco, peru) , sem qualquer efeito,
pelos vistos é o meu próprio organismo que produz gordura, como não quero tomar
químicos vou experimentando comprimidos das ervanárias, agora tomo alcachofra para
desintoxicar fígado e comprimidos de arroz vermelho, melhorei um pouquinho (passei
de 268 total para 242) ao fim de 2 meses.

Para piorar as coisas descobri que também tenho ácido úrico e fiquei alarmada, já que
não como assim tanta carne. Mais do que nunca estou decidida a optar por uma
alimentação vegetariana.
Mas penso que mesmo assim pode não ser suficiente, já que é o meu organismo quem
produz em demasia o colesterol e o ácido.
Preciso de ajuda! Se a Ana ou o Dr. Varatojo me puderem dar dicas agradecia.
Obrigada,

Resposta:
Olá Sílvia,
Quando indicas que eliminaste o leite, referes-te também aos derivados, como o queijo e
a manteiga? Isto porque os derivados do leite, bem como outras gorduras densas, como
todo o tipo de carne, devem ser eliminadas da alimentação quando se tratam de
problemas de colesterol.
Substitui a proteína animal por leguminosas, em especial as lentilhas que são
particularmente favoráveis neste caso. Se tiveres de comer peixe, come com muita
moderação e opta pelo peixe branco e sem ser de viveiro, como a pescada, o linguado
ou a truta.
Sugiro-te que faças chá de cenoura e nabo ralados e que o bebas preferencialmente em
jejum, com duas gotinhas de molho de soja (de boa qualidade, sem açúcar adicionado),
todos os dias na primeira semana e ires espaçando na semana seguinte. O chá verde com
umas gotas de vinagre de arroz também ajuda.
Outro ponto importante é comeres a horas e em todas as refeições principais incluíres
uma porção de cereais integrais, assim como de vegetais verdes (seja escaldados,
estufados, assados) e ires variando. E naturalmente, deves evitar o açúcar, mesmo o
amarelo e o agave, por ser processado e inflamatório.
Finalmente, algo que costuma resultar bem nas questões de colesterol é o exercício
físico, pelo que seria uma boa ideia definires uma atividade física da qual tires prazer e
realizá-la sempre que possível. Caminhadas em passo rápido são uma ótima opção.
Felicidades
ANA MARGARIDA RIBEIRO

A minha mãe tem 50 anos, em 2009 fez uma cirurgia de remoção do útero, desde então
sofre com uma dor que surge de vez em quando (talvez mês sim mês não
sensivelmente) , localizada no quadrante inferior esquerdo do abdomén. São dores
muito fortes, começou por tomar voltaren depois passou para o nolotil outra
vezes tramadol (medicação que começou a nao ser tolerada pelo seu organismo,
acabando por vomitar). Então a solução começou ir para o Centro de Saúde levar esta
medicação na veia.. Eram dores tão fortes que a minha mãe nao conseguia ir trabalhar
(trabalha das 16h às 00h) e chegou a desmaiar. Este ano decidi falar eu prórpia com o
médico de família e sugeri que se subíssemos na escada da analgesia. Actualmente
encontra-se a tomar Tapentadol nos episódios para tentar controlar as dores, mesmo
assim nem sempre ajuda.
Já fez várias colonoscopias… ecografias abdominais.. e nada de resultados… ninguem
sabe muito bem o que a minha mãe possa ter, então chamaram-lhe síndrome do cólon
irritável (tal como eu, o nosso médico acha que se trata de só de um nome.. não há
grande estudo acerca do síndrome).
A minha grande questão prende-se com a alimentação da minha mãe:
nao come NADA de legumes verdes.. apenas feijão verde em vagem mas tenta escolher
os menos verdes… isto porque acha que os legumes lhe provocam as dores….
então os pratos dela são só carne/peixe com arroz/massa/batatas/cenoura… até mesmo a
sopa faz sempre um creme de cenoura so para ela… come pão branco (tentei introduzir
pão de centeio, que ela também nao come), come muita fruta cozida (excepto kiwi que
desde ha pouco tempo também acha que se relaciona com as suas dores)
penso que esta dieta nao é muito saudável. Para além disso desde os 30 anos que a
minha mãe pesa à volta de 80kg e mede 1,60m, pelo que devia perder uns quilinhos…
mas com esta alimentação é dificil. Acredito que isto possa ter muitas caracteristicas
centrais, de sensitização central, porque a dor também surge um dias após situações
muito stressantes.. e por isso acho que não tem assim TANTO a ver com a
alimentação…mas é dificil convencê-la… O que sugere?

Resposta:
Olá Ana,
Face ao que me descreves acerca da tua mãe, seria bom ela começar a usar alimentos
que reforcem o intestino.
Um remédio caseiro que ela poderá apreciar é chá de cenoura e nabo ralados, com duas
gotinhas de molho de soja (de boa qualidade, sem adição de açúcar). Outro remédio
muito bom para o intestino é o kuzu, que pode ser adquirido em lojas de produtos
naturais ou biológicas. Podes colocar uma colher de sopa num copo com água, ferver o
preparado e no final colocar duas gotas de molho de soja, antes de beber.
As refeições diárias também são muito importantes. Assim, sopa de miso deve ser
tomada em abundância, de preferência miso de cevada não pasteurizada, com cebolinho
e cenoura. Em todas as refeições principais deverá introduzir cereais integrais
(favorecem o intestino) muito bem cozinhados para serem facilmente absorvidos, em
especial o arroz integral. Se ela recusa vegetais verdes, tenta que tenha no prato os
restantes, como por exemplo puré de abóbora ou de cenoura e cebola estufada. A
abóbora e a cebola costumam ajudar nestes casos. Incluir também produtos com
fermentação de boa qualidade (sem açúcar adicionado) ao final de cada refeição, como
seja o chucrute. O peixe pode ser consumido, desde que seja o branco (pescada, entre
outros) e de mar.
Quanto à fruta cozida, se optar por fruta da época e local, como a maçã e as peras nesta
altura do ano, não haverá problema. Pode funcionar como calmante natural, desde que
não seja consumida em demasia, no máximo uma peça por dia e sempre fora das
refeições.
Mas importa também eliminar todo o tipo de alimentos prejudiciais ao intestino, a
começar pelo leite e derivados, pela carne e pelas massas e outras de farinha branca, que
inflamam a parede intestinal. A batata também não é o mais desejável, opta antes pela
babata doce. O açúcar também deve ser evitado a todo o custo, mesmo o amarelo e a
agave.
Aproveito para recomendar a mãe e filha, um abraço bem caloroso, diariamente. Às
vezes, os mais pequenos gestos fazem maravilhas.
As melhoras para a tua mãe.
Felicidades

DANIELA CARDOSO

Fiquei interessadíssima acerca dos alimentos que curam. Tenho 30 anos e sofro de
artrite reumatoide desde os 23. O meu médico disse-me que deveria ingerir alimentos
com vitamina D como o salmão, a sardinha e o atum.
Gostaria de conhecer outros alimentos anti-inflamatórios assim como conhecer os
alimentos que devo evitar e que ajudam a provocar a inflamação, e, consequentemente
dor, nas articulações.
Muito obrigada por esta oportunidade de conhecer mais sobre os alimentos e sobre o
meu corpo.

Resposta:
Olá Daniela,
Realmente a alimentação pode ajudar no teu caso.
Um remédio caseiro benéfico é o caldo de vegetais doces. Colocar numa panela uma
porção de abóbora, uma de cebola, uma de couve e uma de cenoura, cobre com água e
deixa ferver por 20 minutos. No final coa e bebe o líquido.
Chá de feijão azuki com alga kombu também ajuda nestes casos. Procura estes produtos
em lojas de produtos naturais ou biológicas.
É importante que utilizes cereais integrais, em especial o arroz, em todas as refeições
bem como vegetais verdes ligeiramente cozinhados (escaldados ou a vapor). Evita no
entanto a aveia. Para a artrite, importa cozinhar tanto os vegetais como a fruta e no caso
da fruta deve ser da época e comida com muita moderação e fora das refeições. A
cenoura e o nabo devem ser usados com abundância.
Tal como referes, e bem, existem alimentos mais inflamatórios e que deves eliminar.
São estes o leite e seus derivados, as farinhas refinadas, os açucares refinados (aqui
também se inclui o açúcar amarelo e o agave) e os óleos refinados. A batata, a beringela
e o tomate, conhecidos como solenáceos, também são particularmente desfavoráveis
neste caso, bem como todo o tipo de carne (vermelhas e brancas). Alimentos com
glúten, de forno e comida demasiado salgada também devem ser rejeitados.
Para um alívio externo, podes fazer compressas de couve ou massagens com óleo de
sésamo.
Desejo-te as maiores felicidades
VERA PESSOA

Conheci o Francisco e a sua maravilhosa família no Zimp deste ano, aos quais quero
agradecer os fabulosos dias que proporcionaram a tanta gente, eu incluída �
A minha questão é a seguinte… Sou magrita… Tenho 35 anos, 52 Kg (com sorte),
1,70m de altura. Não me sinto mal fisicamente mas gostava de ser um pouquito mais
robusta, eheh. Ainda pra mais agora que comecei a fazer caminhada, bicicleta, corrida
porque me faz muito, muito bem.
Toda a gente põe a mão à cabeça e pensa “esta magricela deve querer desaparecer”. E
eu também tenho receio de emagrecer, apesar de comer bem. O que acontece é que
tenho o metabolismo tão acelerado, que não chego a assimilar o que como, se é que isto
é possível.
Não faço alimentação macrobiótica regularmente. Faço algumas experiências, vou a
todos os workshops do tema, retirei carnes vermelhas e laticínios.
Não retirei glutén, nem carnes brancas.
Que poderei fazer para engordar? Ou para aumentar a minha resistência ao exercício
físico?

Resposta:
Olá Vera,
Obrigado pelo cumprimento.
A boa noticia é que nos meses de Outono e Inverno, tendencialmente, é mais fácil
engordar do que nos meses da Primavera e Verão. Nota também que esta altura do ano é
altura de recolhimento, portanto exercício físico é sempre bom, mas com alguma
moderação.
Seguem algumas dicas para te tornares mais robusta, mantendo a saúde: arroz integral
com castanhas é ótimo e estamos na altura delas; o arroz glutinoso e o millet glutinoso
também são muito bons, assim como a quinoa, o bulgur e outros cereais semi-integrais.
A acompanhar podes usar e abusar de todo o tipo de leguminosas, como o grão ou o
feijão vermelho. Ao pequeno-almoço podes fazer papas de aveia e como snacks para a
tarde, faz barritas de cereais, cuja receita está disponível no blog da Ana Galvão, ou
bolachas de amêndoa (com farinhas de boa qualidade e geleia de arroz, como
substituição do açúcar).
Se gostares de doces e já conheces o Instituto Macrobiótico, podes sempre fazer o
workshop de ‘Doces Caseiros sem Açúcar’ que vai ocorrer no próximo dia 15 de
novembro, mas desde que os comas com moderação.
Para a resistência ao exercício físico, o grão é particularmente bom, assim como o
millet.
Desejo-te as maiores felicidades

MARIANA AZEVEDO

Eu ainda não tenho uma alimentação totalmente macrobiótica, mas vou estando cada
vez mais interessada.
A minha pergunta é: Porque razão é que se eu tomar o pequeno
almoço assim que me levanto, principalmente se beber um copo cheio de leite (simples
ou com café, chocolate, etc) fico mal disposta? Se o fizer mais tarde não acontece…

Resposta:
Olá Mariana,
Obrigado pelo cumprimento.
Se já conheces a alimentação macrobiótica saberás que não recomendo o leite e seus
derivados. Por um lado, deixámos de ter enzimas necessárias à digestão do leite logo
após o desmame e, por outro, o leite de vaca é ideal para fazer crescer um bezerro, mas
não para ser bebido pelo ser humano.
Assim, o que acontece é que a maior parte das pessoas tem algum nível de intolerância
ao leite, mas na maior parte dos casos não associam os sintomas ao mesmo. Os sintomas
podem passar por problemas de estômago, intestinais, urticária e outros, dependendo do
estado interno de cada um. Diria que sentes os efeitos do leite quando o tomas ao
pequeno-almoço porque é quando o teu estômago está vazio, mais limpo e portanto com
maior sensibilidade ao que ingeres.
A minha recomendação é que elimines o leite da tua dieta, assim como os seus
derivados. Para fortaleceres o estômago poderás cozinhar um cereal chamado millet,
seja em sopas ou no prato, bem como usar muita abóbora e cebola cozinhada.
Finalmente, caso tenhas interesse em conhecer receitas de pequenos-almoços saudáveis,
poderás consultar o blog da Ana, que certamente virá a colocar ideias para pequenos-
almoços, ou fazer o workshop de um dia no Instituto Macrobiótico de Portugal, sobre
pequenos-almoços e lanches saudáveis. O próximo irá decorrer já dia 14 de novembro.
Desejo-te as maiores felicidades

ANA INGLES

Eu sou a Ana, tenho 35 anos e foi-me diagnosticado ha 2 semanas hernia do hiato.


Comecei a fazer testes devido a uma tosse cronica que começou ha 5 meses (quando
segundo a medica de familia, tive um virus ou bacteria que desencadeou a tosse).
Entretanto o otorrino detectou acido na garganta e em seguida um teste detectou a
hernia de hiato.
Pergunto-lhe , que aconselha para que eu consiga levar uma vida equilibrada. Sei que a
alimentação e fundamental e estou a tentar corrigir a minha dieta o melhor possível. O
blog da Ana Galvão, vem mesmo em hora certa!
Estou a passar uma fase de grande ansiedade porque sempre fui saudável e de repente
vejo a minha vida muito limitada pela hernia e acido. Estou a tomar Omeprazol e Zantac
mas gostaria muito de em breve controlar o acido reflux com apenas a alimentação e
outros cuidados.
Sou professora e esta a ser dificil continuar a dar aulas como antes, ja que continuo com
os sintomas de tosse (quando estou em silencio quase nao tenho tosse, ao falar agrava a
tosse ja que a garganta esta irritada)

Resposta:
Olá Ana,
Para reduzir os problemas associados à hérnia do hiato é importante que incluas cereais
integrais em todas as refeições principais, em especial o millet e o arroz integral. Usa
também sempre legumes verdes levemente cozinhados, nomeadamente abóbora e
cebola com abundância. A carne não é nada recomendada, pelo que o ideal será
consumires leguminosas, em especial o grão. Também podes comer peixe branco
(pescada, truta e outros), 3 a 4 vezes por semana.
Sopa de miso, preferencialmente de cevada não pasteurizada, nestes casos ajuda muito.
Podes toma-la antes das refeições ou pela manhã, adicionando cebolinho antes de a
levar à mesa. Chá de três anos ajuda a aliviar a condição e, se possível, procura por
pasta umeboshi em lojas de produtos naturais ou biológicos, para tomares de vez em
quando ou nas alturas de maior aflição.
A bebida de kuzu com umeboshi e shoyu é um bom remédio para a hérnia do hiato. – 2
a 3 vezes por semana durante 1 mês.
Muito importante também será usares sal marinho com moderação, em vez de sal
refinado, comer a fruta com muita moderação e fora das refeições (preferencialmente
cozinhada) e não beber líquidos durante as mesmas (dificulta o trabalho do estômago).
Porque vão piorar a condição do estômago, deves evitar, ou mesmo eliminar no
primeiro mês, as solanáceas, isto é, o tomate, a batata, a beringela (são acidificantes). As
carnes, como anteriormente indicado, também devem sair definitivamente da
alimentação diária, assim como os óleos de má qualidade, as farinhas brancas e o açúcar
refinados.
Comer 2 a 3 horas antes de ir dormir também é muito importante, porque na posição
deitada um estômago cheio vai transbordar.
Desejo-te as melhoras

JOANA SILVA

Tenho 30 anos, casada e mãe de um rapaz de 3 anos e sempre fui bastante saudável.
Mas nas férias do ano de 2013, no Algarve, tudo mudou. Nesse ano eu e a minha
família ficamos num hotel, onde as refeições já estavam incluídas no pacote. Acabei
por, provavelmente, abusar. O que aconteceu foi que comecei a andar mal disposta,
enfartada, cheguei mesmo a vomitar, e associado a isto, e sem saber se até relacionado
com isto, apareceu-me pela primeira vez, urticária. Na altura fui ao posto médico, onde
me receitaram Rosilan, um corticoide para aliviar a urticária. De facto essa parte ficou
resolvida nessa altura, porém o mau estar, os enjoos, e enfartamento continuou. Já de
volta à minha terra natal, São João da Pesqueira, consultei um especialista que me disse
que provavelmente o que tinha tido seria uma gastrite derivada dos abusos alimentares,
ou derivada mesmo do medicamento Rosilan.
Desde essa altura ainda não descobri, ao certo, o que aconteceu, mas os meus problemas
de estômago continuam, assim como a urticária. Cheguei a fazer 2 endoscopias, nada
detectaram. Fiz o tratamento para a irradicação da bactéria Helico Bacter Pylori, que
entretanto descobriram que tinha, mas logo me disseram que isso não poderia ser a
causa para o resto dos problemas.
Conclusão: continuo na mesma. Depois de ter consultado vários médicos especialistas,
gastroenterologista e imuno-alergologia.
Em relação à urticária aparece várias vezes, principalmente quando estou adoentada,
quando tomo ibuprofeno. Em relação ao estômago, agora nem são dores que sinto, sinto
sim má disposição e excesso de gases, estou sempre a “arrotar”, e às vezes quando nem
isso consigo fazer, pareço um balão, em que nem a saliva consigo engolir.
Factos relevantes: O meu trabalho é muito sedentário, passo muito tempo sentada; tenho
alguns problemas depressivos, tomo medicação para induzir o sono, devido a uma
depressão que tive a alguns anos. Actualmente só tomo esse medicamento (Trazadona,
acho eu que é assim que se escreve) – 1/4; Sou uma pessoa que sofre de alguma
ansiedade; Há cerca de 1 ano e alguns meses, fiz o desmame do resto da medicação que
tomava (antidepressivos), e não sei se por causa disso, perdi 20 quilos, em muito pouco
tempo, sem exercício físico, apenas com as precauções que tenho que ter sempre com a
alimentação; Como de tudo, mas não gosto de queijo, e cada vez mais detesto comer
carne. Acho que por mim, comia só massa e arroz, como costumo dizer.
Penso que falei do que acho ser mais importante e espero sinceramente que a sua
colaboração juntamente com a do Doutor Francisco Varatojo me ajudem, ou me façam
ver alguma luz ao fundo do túnel.
Muitos parabéns, e muito obrigada

Resposta:
Olá Joana,
Obrigado pelo cumprimento. Saúdo-te também por estares a deixar a carne, a tua
intuição foi acertada.
Relativamente ao desconforto do estômago, um alimento que ajuda muito é o millet, um
cereal que podes encontrar em lojas de produtos naturais ou biológicas. No entanto,
apenas cereal não basta. Para além do cereal integral, que deve estar sempre presente
nas refeições principais, também é importante incluíres legumes no teu prato. A abóbora
e cebola cozinhadas são muito boas para o estômago, mas inclui também verdes
escaldados e raízes (cenouras e nabos, que ajudam muito a reduzir a ansiedade). Um
preparado que ajuda a aliviar o estômago é caldo de vegetais doces, que podes fazer
adicionando a uma panela uma porção de couve, outra de abóbora, outra de cebola e
outra de cenoura, cortadas aos cubos, cobrir com água e deixar ferver durante 20
minutos. No final bebes o caldo. O ideal será beberes no mesmo dia em que fazes o
preparado, durante duas semanas, dia sim, dia não.
No que se refere às leguminosas, dá preferência ao grão, mas também ao feijão preto e
ao feijão azuki. Também podes comer peixe de carne branca mas evita os de carne
vermelha (atum, salmão, …).
No que se refere a alimentos a eliminar, são o leite e derivados, todo o tipo de refinados,
como as farinhas brancas e de forno, os óleos refinados e, muito importante, o açúcar
(incluindo o agave). Nota que o açúcar é inflamatório e está associado a uma série de
problemas de ansiedade da atualidade.
Substitui o sal integral pelo sal refinado e mastiga muito bem, caso contrário vais estar a
redobrar o trabalho do estômago. E comer sentada, com tempo e em paz, apreciando a
refeição, faz milagres.
Evita comer 2 a 3 horas antes de ires de dormir e troca a televisão e o computador por
um livro ou outra atividade relaxante, para favorecer um sono mais harmonioso.
Experimenta pôr os pés de molho em água quente com sal antes de ir dormir.
Atividade física, como o ioga ou chi kung, também é muito importante, ou andar
descansa na relva.
Desejo-te as maiores felicidades

MARTA FARIA

Sou ansiosa e muito nervosa (tenho um medo terrível da condução e evito conduzir a
todo o custo, não sei se é relevante este aspecto) e em tempos quando era confrontada
com situações que me deixavam nervosa sofria muito de barriga Até aqui era viciada
em bolachas com chocolate, pão caseiro com manteiga, ovos estrelados, rissóis,
croquetes, leite com café* (misturado), isto era a minha alimentação diária e não ficava
por 1 pão apenas nem um pacote de bolachas. Só que entretanto fiz um teste no celeiro e
descobri diversas intolerâncias (não sei até que ponto este teste será certo),
nomeadamente ao glutén, lactose e couves, alface, pepino, entre outras coisas, umas
mais e outras menos saudáveis. Desde aí, alterei algumas coisas na minha alimentação e
quando o faço estou bem sem sentir a sensação de me sentir cheia. Quando como pão,
bolos, bolachas (que são o meu vício, especialmente quando me enervo e fico
triste/nervosa/ansiosa) com glúten etc, no outro dia noto, de novo, a minha barriga mais
fraca e problemas intestinais. A minha questão é como posso melhorar a minha
condição? É caso para preocupação? Quando como s/ lactose, gluten, durante 3 dias
acordo mais leve, mais animada e curiosamente sem cansaço.
* Quanto ao café, desde os 15 anos que quando bebia café pingado, capuchino, galão, à
noite quando saia com colegas, durante essa noite acordava para ir vomitar e ficava com
intestinos afectados, ficava pálida, a tremer etc, até que deixei. E hoje não bebo nem
leite, nem café, nada e passo bem sem isso. Até o cheiro me faz impressão.

Resposta:
Olá Marta,
Deixo-te aqui algumas recomendações que ajudam a melhorar a condição intestinal.
Como o cérebro está muito ligado ao intestino, é provável que também sintas melhorias
ao nível das tuas ansiedades.
Come sopa de miso, preferencialmente de cevada não pasteurizada, pela manhã ou antes
do almoço. Podes juntar-lhe cenoura e cebolinho, este último imediatamente antes de a
servires.
Um prato principal saudável deve incluir um cereal integral (bem cozinhado até ficar
sedosos, devendo ser demolhado, preferencialmente o arroz integral), legumes
cozinhados em abundância (dá preferência à cenoura, ao nabo, ao rábano e a outras
raízes, mas não esquecendo de também incluir os verdes no prato) e ainda leguminosas
ou peixe bancos (este último, duas a três vezes por semana). Nas leguminosas, dá
preferência ao feijão preto e ao feijão azuki (demolhados por 8 horas e cozinhados com
alga kombu).
Inclui picles de boa qualidade no prato, como o chucrute sem açúcar (lê o rótulo). Um
tempero que ajuda particularmente no teu caso, e que podes encontrar em lojas naturais
ou biológicas, é tekka.
Evita todo o tipo de alimentos processados, como as farinhas brancas, os óleos
hidrogenados e os açúcares. Em particular o açúcar é muito amigo da ansiedade; opta
por geleia de arroz, se quiseres adoçar sobremesas. Evita os pratos de forno durante
cerca de um mês.
Como remédio caseiro, experimenta chá de feijão azuki ou de feijão de soja preto, com
2 a 3 gotinhas de molho de soja saudável (sem inclusão e açúcar, lê os rótulos).
É também importante mastigares muito bem, comer sentada, com tempo e em paz. A
mastigação proporciona um relaxamento natural, para além de favorecer a digestão.
O exercício também é importante, opta por ioga, chi king ou outras das quais tires
prazer.
Desejo-te as maiores felicidades

TELMA GUERREIRO

Estou a escrever-lhe com uma dúvida para o Francisco Varatojo. Tenho 27 anos e fui
recentemente diagnosticada com esclerose múltipla. Sei que é possível uma vida
normal, mas também sei que há certos cuidados que tenho de ter. Já antes tinha
começado a cuidar da minha alimentação, mas agora ainda penso que é mais
importante. Tento comer massa e arroz sempre integrais, muitos legumes e fruta, tento
não comer nada que tenha açúcares adicionados, entre outros. Por vezes é difícil
equilibrar-me pois estou neste momento a tirar um curso de pastelaria, e entre provar as
coisas nas aulas e os horários longos das aulas, torna-se por vezes um desafio.
A minha questão é se há algum cuidado específico que deveria ter, em termos de
alimentação, por causa desta doença? Há algum alimento que deva evitar ou cortar, ou
algum que devesse começar a ingerir?
Resposta:
Olá Telma,
Já vi casos com esclerose múltipla em que a alimentação teve resultados incríveis, ainda
que cada caso seja um caso e cada ser humano é, em si, diferente e especial.
Sugiro-te a seguinte experiência: durante um mês elimina as farinhas de forno, como o
pão, bolachas e outros da tua alimentação. O açúcar também deve ser excluído
totalmente porque ataca o sistema nervoso. Deves eliminar também todos os produtos
de origem animal, nos quais se incluem os produtos lácteos e todo o tipo de carne. As
gorduras, nas quais se incluem os óleos e o azeite devem ser usadas em pequena
quantidade, sob a forma de vegetais salteados, 3 a 4vezes por semana.
Agora que estás a pensar no que irás comer durante o mês experimental, recomendo:
que continues com o arroz integral e outros cereais integrais em todas as refeições, bem
como legumes de folhas verdes (muito importantes) e algas. As leguminosas no prato
também são importantes, tens as lentilhas, o feijão azuki ou feijão de soja preto. Toma
diariamente sopa de miso com gengibre, ao início da manhã ou antes das refeições. Se
quiseres um doce, abóbora cozinhada como muito pouca geleia de arroz é uma boa
opção.
Comer sentada, calmamente, mastigando muito bem também é essencial para equilibrar
e relaxar o sistema nervoso – não é por acaso que comemos quando estamos nervosos.
Para além da alimentação, é importante fazeres diariamente um banho seco, que
consiste em passares uma toalha húmida e quente pelo corpo, de forma vigorosa,
preferencialmente pela manhã. À água quente também podes adicionar um pouco de
gengibre, de vez em quando. Compressas de gengibre ao longo da coluna (exceto
durante a gravidez) ou esfregar as palmas das mãos e dos pés com gengibre também
podem ajudar.
Depois do mês de experiencia, vê como te sentes. Depois desse mês pode começar a
introduzir muito pouco azeite e outros, mas notando sempre quais as alterações no
estado de saúde.
Cantar, inscreveres-te num coro, ou exercícios respiratórios… Às vezes, pequenas
atividades fazem muita diferença. E respeitares os teus tempos, descansares quando
estás cansada e agires quando com energia.
Desejo-te as maiores felicidades

JOANA LEAL

Sou a Joana Leal, tenho 20 anos e estudo fisioterapia. No início de 2015 vi o filme
Cowspiracy que, segundo a minha mãe, me “fez uma lavagem cerebral”. Entretanto já
vi mais um montão de documentário sobre comida, comida a sério. Uma das coisas que
aboli da minha cozinha foi o sal e passei a usar especiarias nomeadamente: Açafrão. Já
me disseram que o iodo do sal faz falta ao nosso organismo e acabei por ficar com
algumas dúvidas. Fará mesmo falta o sal ou pode ser substituído pelas especiarias?

Resposta:
Olá Joana,
Acerca do sal, o mesmo é essencial a certas funções do corpo, já que o sódio permite a
transmissão de impulsos nervosos no corpo e está associado à movimentação muscular.
Nota que o sal está presente em todos os líquidos do corpo humano, seja nas lágrimas,
no sangue ou na urina. Para além disso é também fundamental para nos sentirmos
saciados quando comemos.
Naturalmente, que deve ser usado sal de boa qualidade à refeição, isto é, sal integral, e
de forma moderada. O sal a evitar é o refinado, ao qual, no seu processo de refinamento,
são adicionados outros compostos, alterando as qualidades originais do mesmo.
Noto ainda que as especiarias não são a melhor opção, usa antes as aromáticas.
Deixo-te aqui uma outra dica de como usares sal integral: se sentires dificuldade em
adormecer ou relaxar, podes molhar os pés em água quente com sal. Induz a um
relaxamento muscular.
E posto isto, desejo-te que faças as pazes com o sal (de boa qualidade) e que o passes a
utilizar de forma equilibrada. Se não quiseres usar sal, podes sempre usar algas como
condimento, como por exemplo a nori ou a kombu.
Felicidades

http://anagalvao.pt/2015/11/743/

Respostas do Francisco Varatojo – Parte 2


25/11/2015

Aqui seguem as respostas do Francisco Varatojo às vossas questões. Desculpem o


atraso, é suposto as dúvidas ficarem esclarecidas de 15 em 15 dias mas o Francisco,
para além de ter uma das agendas mais preenchidas que eu já ví na vida, tem o cuidado
de analisar cada uma das vossas mensagens com todo o cuidado, disso podem ter a
certeza. De todas as formas quero recordar que todas as recomendações estão a ser
dadas sem o Francisco Varatojo vos ter visto, portanto é uma coisa abrangente sem ter
em conta o resto da vossa condição física e ISTO É MUITO IMPORTANTE: Estas
recomendações não invalidam uma visita vossa ao médico ou outros tratamentos se o
acharem necessário.

As perguntas que não aparecem aqui serão respondidas na próxima fornada,


combinado? Já agora quero lembrar que o Francisco, Varatojo é o director do Instituto
Macrobiótico de Lisboa (onde dá consultas diárias) e tem muitos livros publicados
sobre a cura através da alimentação.

Então vamos lá:

ANA PAULA

Olá Ana
Parabéns pelo seu blogue gosto da forma simples e natural de como explica as suas
receitas e acho que tenho muito a aprender. Um grande beijinho.
Gostaria de perguntar ao Francisco Varatojo o que me aconselha a mudar nesta minha
nova fase da vida:
Tenho 52 anos e estou na pré menopausa tenho um 1,50 de altura e peso 72 quilos assim
como um perímetro abdominal de 100 cm que me ficou de uma gravidez de gémeos,
sou muito sedentária, e tenho muito dificuldade em emagrecer sei que nesta fase é muito
complicado de o fazer mas sei que é possível, tenho uns triglicéridos de 260 e é a única
coisa alta nas minhas análises de rotina, isto já se mantém desde os meus 30 anos tomo
medicação para os baixar mas não tenho conseguido grande coisa e estou a pensar
deixar de os tomar, não tenho problemas de tiroide nem colesterol nem diabetes mas já
estiveram uma única vez a 110. Que conselhos é que me pode dar sei que tenho de fazer
mudanças na alimentação mas ando muito baralhada já fui a uma nutricionista já me
aconselhei bastante já mudei muito a minha alimentação mas somos 5 adultos cá em
casa e torna-se difícil fazer comida para mim e para o resto da família pois esta gente
adora comer. Já reduzi o consumo de carne como mais legumes e vegetais quanto ao
peixe por ser um bocado mais caro e grande parte de aquicultura não compro tanto. O
que me pode aconselhar por onde é que eu posso começar a mudar, eu gosto de tudo
menos de açorda
Beijinho e desculpem-me por este testamento.

Resposta:
Olá Ana Paula,
A menopausa representa uma fase em que a mulher sai do periodo de maternidade, para
entrar numa fase mais contemplativa, mais harmoniosa da sua vida (as crianças são
maravilhosas, mas também dão muitas preocupações, como é sabido) e pode ser vivida
de forma muito bonita.
Assim, deves reduzir substancialmente o consumo de alimentos que criem tensão no
corpo – ou seja, todo o topo de carnes (brancas e vermelhas), os estimulantes (açúcar,
café, o chocolate) e os lacticínios. E tentar limpar os excessos consumidos ao longo dos
anos.
Para isso, sugiro o consumo, a todas as refeições, de vegetais verdes, de cereais integrais
e de leguminosas (estas últimas, por substituição das carnes brancas e vermelhas). No
caso das leguminosas, são particularmente boas o feijão azuki e o feijão de soja preto
(demolhar por 8 horas e cozinhar com alga kombu). Também podes usar peixe branco
duas a três vezes por semana.
Um remédio caseiro, a tomar diariamente na primeira semana e depois ir espaçando, é
chá de nabo e cenoura ralados pela manhã, em jejum, com duas gotas de molho de soja
de boa qualidade (sem açúcar, ver rótulo). O chá de cevada torrada também é benéfico
(torrar a cevada e fazer o chá ou compra-la em lojas de produtos naturais ou biológicos
e no final acrescentar duas gotas de molho de soja).
Quanto aos triglicéridos, são principalmente afetados pelo açucar e pelas farinhas
brancas, encontradas no pão e na massa branca refinada, pelo que as deves evitar. Se
quiseres comer pão, sugiro que o faças muito ocasionalmente e preferencialmente
escolhendo pão com farinhas de boa qualidade, os quais podes encontrar nas lojas de
produtos naturais e biológicas.
Finalmente, a acupuntura costuma ajudar na fase da entrada na menopausa, assim como
abordar a menopausa de forma positiva – infelizmente, no ocidente, por vezes existe
uma conotação negativa associada à mesma.
A vida está a dar-te a oportunidade de entrar numa nova fase, aproveite-a!
Felicidades
DANIELA GONÇALVES

Olá, tenho 39 anos, não tenho problemas de peso e sou aparentemente saudável. Vivo
diariamente um drama familiar que não sei como resolver? Sou mãe de 3 filhos, duas
meninas (7 e 8 anos) magras mas com hipercolesteremia aparentemente genética, e um
rapaz com 16 anos, que adora doces, carne e não come legumes a não ser na sopa. O
meu marido é obeso e também sofre de colesterol. Tento proporcinar-lhes uma
alimentação saudável mas queria ir mais além na aproximação a macrobiótica. No
entanto todas as refeições q preparo nesta variante, são rejeitadas, sejam pratos
principais, lanches ou pequenos-almoços. Sinto-me frustrada por não conseguir cativar
o interesse deles por este tipo de alimentação. O que me sugere?
Grata pela atenção

Resposta:
Olá Daniela,
Entendo a tua preocupação, mas para reduzir o colesterol elevado importa mesmo
eliminar o consumo de gorduras densas (lacticínios e carnes, tanto brancas como
vermelhas) e passar a consumir alimentos que favoreçam a limpeza do sangue, como
vegetais de rama verde.
Um primeiro passo começa pela compra de produtos alimentares que fazes para casa.
Imagino que sejas tu quem faz as compras para o lar? Se sim, sugiro que leias os rótulos
e que evites comprar produtos demasiado processados e tudo o que incluía açucares
refinados adicionados. Se em casa não houver à disposição, pelo menos aí ninguém os
come, o que já é um bom começo.
Tenta eliminar os laticínios e derivados (em especial o queijo e as manteigas) e por
substituição das carnes, utiliza leguminosas, em especial as lentilhas. Também podes
incluir peixe no prato, mas com moderação, duas a três vezes por semana, optando por
peixe branco e sem ser de viveiro, como a pescada, o linguado, a truta ou muitos dos
outros peixes magros existentes em Portugal.
Os cereais integrais também são muito importantes e devem ser comidos numa base
diária. Se vires que a tua família os rejeita, começa por colocá-los na sopa, para garantir
que todos os consomem. Mas era importante ir incluindo também no prato, por
substituição da batata e das massas, que são refinadas. Por exemplo, em empadão, o
millet resulta muito bem.
No caso dos alimentos que ajudam a limpar as gorduras do sangue, os vegetais verdes
são muito bons e devem aparecer sempre no prato, escaldados ou ao vapor. Um remédio
caseiro que costuma ajudar nestes casos é chá de cenoura e nabo ralados, com duas
gotinhas de molho de soja (de boa qualidade, sem açúcar adicionado). Deve ser tomado,
em jejum, todos os dias na primeira semana e ir espaçando na semana seguinte. Chá
verde com umas gotas de vinagre de arroz também é bom mas não deve ser tomado
diariamente.
O exercício físico ajuda muito a reduzir o colesterol e já que se trata de uma questão que
afeta a maior parte da família sugiro uma caminhada em família, em passo rápido,
diária, após o jantar. Pela saúde das crianças, julgo que todos se comprometerão. Outra
forma será inscreveres as tuas filhas num desporto de que elas gostem.
Finalmente, sobre o ‘não conseguir cativar o interesse deles’, sugiro um curso breve de
iniciação à culinária macrobiótica, o próximo a ocorrer já no final de novembro no
Instituto Macrobiótico de Portugal. Isto porque, para quem está a começar, permite
obter pequenos truques que fazem maravilhas num prato, para além de aprofundar um
pouco melhor o que se entende por alimentação saudável.
Felicidades
PAULO COELHO
Olá Ana,
Antes de mais parabéns por mais esta iniciativa que é blog e pela partilha das tuas
experiências, preocupações e soluções.
A questão que me leva a escrever, está relacionada com as crises de aftas e candidíases
que afetam a minha mulher com bastante frequência. 40 anos, saudável, mãe, com uma
alimentar “normal” que faz tratamentos farmacológicos com regularidade e que não são
uma solução, porque apenas tratam o efeito, mas não a causa. Gostaria de conhecer a
opinião da Macrobiótica, em particular, do Dr, Francisco Varatojo?
O Meu Obrigado. Paulo

Resposta:
Olá Paulo,
A candidíase ataca quando o sistema imunitário está em baixo e na medicina chinesa
está ligada a fragilidades do baço e do fígado. Ora as aftas também se podem dever ao
fígado, pelo que é provável que tratando um caso, o outro também se resolva. Os
tratamentos farmacológicos ajudam no tratamento dos casos extremos, mas mesmo
nesses, se não for tratada a origem, acabam por invariavelmente retornar.
Assim, na macrobiótica, primeiro é muito importante evitar os alimentos que favorecem
o desenvolvimento da candidíase. O açúcar (incluindo-se aqui a stevia, o aspartame e a
sacarina), as farinhas refinadas e os fermentos artificiais (incluídos no pão ou nas
massas, por exemplo) devem ser totalmente eliminados, assim como o chocolate. A
ingestão de bebidas com álcool, o vinagre e alimentos fritos também devem ser
substancialmente reduzidos numa primeira fase.
Já para favorecer um sistema que combata a candidíase, sugiro que a tua parceira coma,
diariamente, durante uma semana, sopa de miso (preferencialmente de cevada, não
pasteurizado) pela manhã e em todas as refeições principais, cereais integrais
(especialmente trigo-sarraceno e soba – esparguete desse mesmo cereal) e legumes,
como a cenoura, a bardana e o nabo. E acrescentar picles de boa qualidade ao final da
refeição (sem açúcar – os de chucrute costumam ser uma boa opção).
Em termos de leguminosas, o feijão azuki e o feijão de soja preto (demolhar por 8 horas
e cozinhar com alga kombu) são os mais indicados. Um remédio caseiro bom para a
candidíase consiste em beber chá de feijão azuki – basta juntar água e feijão e deixa
cozinhar por 20 minutos, incluindo, no final, duas gotas de bebida de soja de boa
qualidade (ver rótulo, não deve ter açúcar adicionado, ao contrário da generalidade dos
molhos de soja disponibilizados nos restaurantes orientais) antes de servir o chá. Beber
durante uma semana seguida, todos os dias, e depois ir espaçando.
Se ela substituir a carne pelas leguminosas e pelo peixe branco (duas a três vezes por
semana), tanto melhor, porque o corpo não vai acidificar tanto e as melhoras tendem a
ser mais rápidas.
Externamente, tradicionalmente usa-se iogurte natural (sem adição de açúcar ou
sabores) localmente, ou a água de um alho demolhado durante a noite. De acordo com a
macrobiótica, ela também pode fazer um banho de assento (consiste em ferver alga
aramé com umas gotas de limão e uma pitada de sal, coar a água, colocar num alguidar
e sentar-se no preparado, juntando água quente até que fique coberta até aos rins) e
irrigação com chá de três anos.
Finalmente, nota que tanto a candidíase como as aftas são negativamente afetadas pelo
stress. Assim, seria bom que conversassem sobre o que pode estar a preocupar a tua
parceira e, dependendo da questão em causa, fazerem um programa a dois e/ou ela
encontrar uma atividade diária que lhe permita libertar o stress, como ioga, ou outra.
Quanto à adaptação às sugestões acima mencionadas, se ambos a adotarem (exceto o
banho de assento e da irrigação, dos quais estás dispensado), não só poderá ser mais
uma experiência partilhada, como tenho como certo que verás, também em ti, melhorias
na saúde.
Felicidades aos dois
CLAUDIA CABAÇO
Olá,
Parabéns pelo blog!
Nao sou macrobiótica a 100%, porque ainda nao consegui fazer a mudança la em casa,
mas aos poucos temos vindo a mudar muitos habitos alimentares, no sentido da
macrobiótica.
Tenho uma filha de 19 meses que nasceu prematura (34 semanas), mas muito pequenina
para a idade gestacional. Tem tido muitas dificuldades em crescer e engordar. Nao ajuda
o facto de ela nao ter interesse na comida. De momento pesa 7900kg e mede 75cm.
Existe a possibilidade de ter o Sindrome de Silver Russel, mas ainda não está
confirmado.
Gostaria de saber que tipo de combinações poderei fazer nas sopas dela, de modo a
ajuda-la a engordar mais. De modo a que o pouco que come seja saudavel, mas muito
nutritivo e lhe de um aporte energetico maior.
Gostaria ainda de saber que tipo de leite vegetal é mais recomendado para ela. De
momento esta a beber os leites de crianças comerciais…mas gostaria de mudar.
Obrigada e beijinho

Resposta:
Olá Cláudia,
O desenvolvimento de cada criança é único, ainda que também dependa da estrutura
corporal dos pais. Eu tenho quatro filhos e são todos como eu… pequenos como a
sardinha, mas muito bem-dispostos (vou ter problemas em casa se eles lerem esta
passagem…).
Nota que ao ter nascido prematura, a tua filha está a nascer cá fora o que devia ter
continuado a nascer na barriga e, portanto, é natural que seja um pouco mais pequenina
do que outros bebés da mesma idade. Se ela tiver de ser de estatura alta, há-de, com o
tempo, lá chegar. Assim, o mais importante é que verifiques se é uma bebé com energia,
feliz, atenta aos estímulos que lhe dás.
No caso da alimentação, até aos dois anos não deve ser dado qualquer alimento com sal
aos bebés, já que, de acordo com a abordagem oriental, prejudica o crescimento da
criança.
Recomendo-te que faças creme de arroz e aveia, que consiste em juntar uma taça de
arroz integral, metade de aveia e oito taças de água, com uma tira de alga kombu,
cozinhadas por duas horas na panela de pressão ou quatro horas numa panela normal.
Depois, passar tudo num passe-vite, o mais moído possível, se ela ainda não tem dentes.
Pode-se substituir a aveia por outro cereal à escolha.
Para alimentos entre refeições, dá preferência ao creme de maçã com abóbora
(cozinhadas por 30 minutos e reduzidas a puré no final), ou a gelatina de maçã, feita a
partir de alga agar-agar, maçã e geleia de arroz (em vez das gelatinas de compra,
tendencialmente muito industrializadas).
Os produtos indicados, como as algas kombu e agar-agar e a geleia de arroz podem ser
encontrados nas lojas de produtos naturais ou biológicos.
De todo, não recomendo leites comprados, mas antes bebida de cereais feitas em casa,
misturando-se dois cereais de cada vez e sendo feitos de forma semelhante aos cremes,
mas com mais água.
Felicidades
ANA OLIVEIRA

Olá, estou de uma forma gradual, a introduzir novos alimentos no meu dia à dia, para
alterar a minha alimentação. A quinoa é um dos meus novos alimentos, gosto muito mas
tive de deixar de consumir pois empre que a comia e normalmente quando adicionava
nas minhas saladas ficava com uma dor de estômago enorme. Existe alguma maneira de
cozinhar a quinoa de forma a que seja mais tolerante? Obrigada e votos de bom
trabalho.–

Resposta:
Olá Ana,
Para uma melhor digestão da quinoa, sugiro que a demolhes por duas horas antes de a
cozinhar e que a cozinhes com uma tira de alga kombu. Podes encontrar a alga nas lojas
de produtos naturais e biológicos.
No entanto, nota que atualmente não recomendo muito o consumo de quinoa por
questões éticas. Com o aumento acentuado do seu consumo, o seu preço aumentou tanto
que, neste momento, os povos indígenas que originalmente a cultivavam não têm
possibilidade de a comprar.
Para além disso, a quinoa é um cereal que deve ser comido principalmente no verão, já
que tende a arrefecer o corpo. Estando o Inverno à porta, isso não é o mais desejável.
Assim, recomendo-te que substituas a quinoa por outros cereais na salada, como o arroz
integral, o millet, a cevada e, quando chegar o inverno rigoroso, pelo trigo-sarraceno
(aquece o corpo e fica bem em saladas). De vez em quando, também podes usar nas
saladas bulgur ou couscous. O millet é particularmente bom para o estômago.
Finalmente, nota que é possível que as dores de estômago resultem de uma fraca
mastigação, pelo que sugiro que mastigues muito bem (é aqui que começa a digestão) e
que tentes comer sentada, sem pressa e o mais calmamente possível, por forma a
facilitar o processo digestivo.
Felicidades
MARIA JOSE

Olá Ana!
Sou hipertensa e tomo medicação para a controlar. Tenho cuidado com a ingestão de sal
e de há um ano a esta parte, tenho alterado a alimentação. Consumimos mais vegetais,
sementes, frutas e reduzimos (bastante) o consumo de carne. A minha pergunta é,
através dos alimentos, será que consigo controlar a tensão arterial?

Resposta:
Olá Maria José,
Pela minha experiência, a alimentação ajuda em muito a melhorar questões relacionadas
com o sangue, nas quais se inclui a tensão arterial.
Foi mesmo um bom passo reduzires o consumo de carne, mas a minha sugestão é que a
elimines totalmente (ou que a consumas só em dias de festa, no máximo). Deves
substituir as carnes por leguminosas, em especial o feijão vermelho (demolhado por
cerca de 8 horas e cozinhado com alga kombu) e também podes consumir peixe branco,
em pequenas quantidades, duas a três vezes por semana e que não seja de viveiro. Os
lacticínios também devem ser eliminados, devido ao excesso de gordura que incluem e
que acabam inevitavelmente por influenciar o sangue.
Para favorecer uma melhor tensão arterial sugiro que comeces com um pequeno-almoço
à base de polenta (um cereal elaborado a partir do milho), muito simples de fazer e
saboroso, ao qual podes acrescentar uma compota caseira, adoçada com geleia de arroz
em vez do açúcar refinado (o qual deves eliminar da alimentação, assim como a stevia,
o aspartame e a sacarina).
As refeições principais devem incluir sempre cereais integrais e legumes, dando
preferência aos verdes amargos (grelos, couve portuguesa, rama da cenoura, nabiças,
agrião, …).
O álcool, as especiarias (substitui por ervas aromáticas) e os pratos demasiado
condimentados também não são boa opção.
Alguns remédios caseiros propícios à hipertensão são o chá de alga kombu (muito
benéfico) e o chá de cenoura com rábano ralados, devendo ser tomados durante uma
semana, todos os dias e depois ir alargando a toma. O chá verde também é bom, mas
não deve ser tomado todos os dias. Também podes fazer rama de cenoura com agrião,
salteada em pouco óleo ou no vapor, e acrescentar ao prato.
Antes de dormir, sumo de maçã morno ou ainda sumo de melão cozinhado (este ultimo
mais no verão, época do melão) também ajudam.
Relativamente ao sal, a moderação é importante, mas também utilizar sal de boa
qualidade, integral e não refinado, porque ao sal refinado são incluídos outros elementos
não muito benéficos.
Se não houver questões oncológicas, compressas de gengibre nos rins também
costumam ajudar.
Finalmente, é importante criar ritmo na vida, como comer a horas, dormir a horas, entre
outras. Fazer exercício também ajudaria, como ioga, tai chi, chi kung e outros que
induzam ao relaxamento.
Felicidades
MC
A ti Ana obrigada pela ajuda que me deste sem saberes…
Ao Dr peço o favor de me ajudar: o meu intestino funciona poucas vezes/semana,
mesmo c 1 kiwi em jejum/dia. E quando consigo que funcione sinto alívio por dentro
mas a barriga distende como um balão e demora a ir ao sitio. As fezes são pequenas
bolas e mesmo tendo mudado a alimentação desde ha 2 semanas cortando na carne e
acrescentado saladas macrobiótica não vi ainda resultados. Agradeço a atenção.
Cumprimentos e agradecimentos aos dois

Resposta:
Olá MC,
Sugiro que evites o kiwi e todo o tipo de frutas tropicais porque arrefecem o corpo e,
para além disso, têm um impacto ambiental desnecessário, quando temos tanta fruta da
época e local à nossa disposição. Substitui-o por maçã, preferencialmente cozinhada em
pouca água até ficar macia. Ou melhor ainda, faz gelatina de maçã usando agar-agar (a
gelatina de compra tende a ser muito industrializada e não surte o mesmo efeito), o que
ajuda a libertar o intestino.
Para favorecer uma boa condição intestinal, nem demasiado presa, nem demasiado
solta, recomendo que comas sopa de miso com alga wakame e vegetais verdes pela
manhã, todos os dias, durante uma semana, e depois passes a um registo, dia sim, dia
não.
Os cereais integrais também são importantes, devendo aparecer em todos os pratos
principais e ser cozinhados até ficarem muito macios, devendo ser temperado com
gomásio (uma mistura de sementes de sésamo e pouco sal, triturados). Os vegetais
também devem aparecer em todas as refeições, em especial os vegetais verdes de rama,
regados com duas gotas de óleo de sésamo.
A carne deve ser totalmente eliminada, já que o corpo humano tem dificuldade em
digeri-la, seja a branca ou a vermelha, e esta fica tipicamente alojada nos intestinos.
Deves substitui-la por leguminosas e duas a três vezes por semana, por peixe branco que
não seja de viveiro. No que se refere às leguminosas, feijão azuki muito bem cozinhado
é muito bom para a condição que descreves.
Também deves evitar as farinhas de forno, como as bolachas, pão, pizas, porque
prejudicam o intestino, tendendo a contraí-lo.
O exercício físico também é um ótimo descongestionante físico, ajudando muito a
movimentar o intestino e a facilitar um bom funcionamento do mesmo. Portanto, seria
bom praticares algo em que sintas que movimentas muito o corpo, que te canse, como
por exemplo, correr ou fazer natação, entre outros.
Felicidades
BIA

Olá Ana!!!! Parabéns pelo fantástico blog!!!! A minha questão é a seguinte… sofro de
infecções urinárias recorrentes. O que é que a macrobiótica pode fazer para prevenir
este meu problema?

Resposta:
Olá Bia,
As infeções urinárias são relativamente fáceis de tratar com a alimentação macrobiotica.
Assim, sugiro-te que, durante uma semana, comas sopa de miso de boa qualidade
diáriamente. Outros remédios caseiros que favorecem a bexiga são o chá de barbas de
milho, o chá de nabo ralado (fervido em dois minutos, com duas gotas de molho de soja
de boa qualidade – sem adição de açúcar) ou ainda o chá de daikon com alga nori e
gengibre. Escolhe um deles e toma-o diariamente durante uma semana e na semana
seguinte começa a espaçar a toma.
Também importa evitar os alimentos que acidificam o sangue e ajudam a manter a
infeção. São eles os estimulantes, como o açúcar (também o aspartame, a sacarina e a
stevia), as bebidas com álcool, o vinagre, o café, o chocolate, entre outros. E as carnes
(brancas ou vermelhas) também devem ser eliminadas, assim como as farinhas refinadas
que também acidificam o sangue.
Para reduzir a infeção, importa tornar o organismo mais alcalino, o que se consegue
através do consumo de cereais integrais (especialmente trigo-sarraceno, em grão ou em
esparguete – soba) e de legumes a todas as refeições principais. Os legumes que mais
poderão favorecer a bexiga são a bardana, a cenoura e o nabo e podes usar como
condimento um produto chamado tekka (benéfico à bexiga) e que encontras à venda em
lojas de produtos naturais e biológicos. A carne deves substitui-la por leguminosas, em
especial o feijão azuki e o feijão de soja preto (demolhar por 8 horas e cozinhar com
alga kombu) e por peixe branco (duas a três vezes por semana).
Em termos de tratamentos externos, podes fazer compressas de gengibre nos rins, se não
houver questões oncológicas.
Finalmente, nota que quando os níveis de stress aumentam, há uma tendência maior
para se desencadear uma infeção urinária, sendo que talvez fosse favorável verificares
se existem fontes de stress na tua vida que possas melhorar de forma a reduzir eventuais
stresses. Procurares atividades que te descontraiam, como o ioga, passear num jardim
diariamente, entre outras, também poderão ajudar a favorecer o teu sistema.
Felicidades
ANA CARAMELO

Olá! Sou a Ana Caramelo e tenho desde a adolescência acne, como 31 anos ela cá
continua como se ainda fosse adolescente, para ajudar também tenho eczema. Digamos
que a minha pele é um órgão muito complicado. O meu dermatologista já me deu dois
tipos de tratamentos um com isotretinoína, mas em concentração reduzida devido ao
eczema, e outro com antibiótico. A verdade é que acabam os tratamentos e a acne volta.
Na última consulta referiu que a minha acne poderia melhorar com a alimentação, mas
infelizmente não sobe aprofundar o assunto, dizendo apenas que não deveria consumir
lacticínios e azeitonas. Por isso gostava muito de saber qual a alimentação mais
adequada para melhorar a minha acne e também para não agravar o eczema.
Muito obrigada pela atenção.
Obrigada.

Resposta:
Olá Ana,
A pele é um dos principais excretores do nosso organismo, pelo que possivelmente o
acne e os eczemas podem ser uma limpeza necessária ao teu organismo, que caso não
saísse dessa forma, ou ficaria alojada no corpo, ou teria de sair de outras formas.
Na macrobiótica, o acne é visto como um excesso de calor interno que pode ter várias
origens, sendo necessários mais indicadores para poder determinar eventuais causas.
Ainda assim, se reduzires o calor interno, julgo que poderás ver melhorias quanto ao
acne. Assim, reduz o consumo dos alimentos que favorecem esse calor, como sejam os
produtos animais, em especial a carne (branca e vermelha) e os estimulantes, como o
açúcar, o café ou o chocolate. Os lácteos também devem ser eliminados, pelo excesso
de gordura que contêm, bem como os óleos de má qualidade (hidrogeneizados) –
mesmo os óleos de boa qualidade e as oleaginosas devem ser evitados no primeiro mês.
A carne deve ser substituída por leguminosas (em particular, pelo feijão mung) e por
peixe branco, sem ser de viveiro, duas a três vezes por semana. Também ajuda passares
a incluir cereais integrais em todas as refeições principais, bem como legumes de rama
verde, porque vão favorecer o intestino e consequentemente favorecer a limpeza do
organismo através dessa via (reduzindo assim a excreção a partir da pele).
Enquanto remédios caseiros, sugiro-te chá de três anos com uma gotas de molho de soja
de boa qualidade (sem adição de açúcar) e sopa de miso (de cevada, não pasteurizado)
pela manhã diariamente na primeira semana, passando a dia sim, dia não nas semanas
seguintes.
Externamente, podes lavar a cara com chá de malva ou esfregar a pele com um pouco
de vinagre de ameixa. Compressas de tofu também poderão ajudar.
Para além da alimentação, importa também reduzir o stress, sendo que correr poderá
ajudar, desde que feito com gosto. Ambientes calmos e reconfortantes também ajudam,
assim como cantar e técnicas de respiração. Se gostas de cantar, uma boa opção seria
inscreveres-te num coro.
Felicidades

JOANA GONÇALVES

Bom dia, gostaria de saber como poderei tratar crises de ansiedade, seguidas de ataques
de pânico, com a alimentação. Desde há 3 anos que o meu marido tem crises muito
fortes de ansiedade, raramente se conseguindo controlar, acabando por ter que tomar
xanax ou alprazolam. Existe algum tipo de alimentaçao que recomende? Obrigada,
Joana Gonçalves

Resposta:
Olá Joana,
Sim, existem determinados alimentos que recomendo e outros que sugiro que sejam
evitados, por forma a ver melhorar a condição que indicas.
Assim, de acordo com o que me descreveste, sugiro que ele coma sopa de miso,
preferencialmente de cevada, não pasteurizada, pela manhã ou antes do almoço,
diariamente durante duas semanas e depois passar a consumi-la em dias alternados. Não
compres qualquer miso, alguns têm açúcar adicionado e devem ser evitados, e podes
juntar cenoura e cebolinho à sopa, este último imediatamente antes de a servires.
Em todas as refeições principais deverá comer cereais integrais, em especial o trigo-
sarraceno (em grão ou em esparguete, este ultimo chamado soba), legumes escaldados
ou ao vapor em abundância (os principais neste caso são as raízes, isto é, a cenoura, o
nabo, o rábano, mas não esquecendo de incluir também outros vegetais no prato) e
leguminosas ou peixe bancos (este último, duas a três vezes por semana). No caso das
leguminosas, deve dar preferência ao feijão preto e ao feijão azuki, devendo ser
demolhados por 8 horas e cozinhados com alga kombu. Incluir também picles de boa
qualidade no prato, como o chucrute sem açúcar (lê o rótulo) porque vai ajudar o
intestino, que está ligado ao cérebro e às questões nervosas.
Nos produtos que devem mesmo ser evitados, estão todo o tipo de alimentos
processados, como as farinhas brancas, os óleos hidrogenados e o açúcar (muito mau no
caso da ansiedade; se quiseres fazer um doce, utiliza geleia de arroz). A carne, seja
branca ou vermelha, acidifica o sangue que vai oxigenar o cérebro e também deve ser
evitada.
Como remédios caseiros há um tempero chamado tekka, que pode ser utilizado por cima
dos cereais ou na sopa, incluído depois de servidos. Um chá bastante bom nesse caso é
o chá de feijão azuki ou de feijão de soja preto, com 2 a 3 gotinhas de molho de soja
saudável (sem inclusão e açúcar, lê os rótulos), que deverá beber durante duas semanas
numa base diária e depois alargando a sua toma.
Praticar exercício físico, seja de ioga, chi king, corrida, é muito importante, desde que
não seja natação ou outros que envolvam água. Ao final do dia ou nos dias de maior
tensão, massajar os pés e em particular os dedos mínimos do pé também costuma
ajudar, assim como fazer um escalda-pés (colocar os pés de molho em água quente e
sal).
Compressas de gengibre nos rins (1 ou 2 vezes por semana) são também excelente para
ajudar a reduzir a ansiedade.
Finalmente, se sentirem dificuldades ao início em fazer estas alterações, não
desanimem. Custa o primeiro mês porque é necessário mudar algumas rotinas, mas
depois torna-se mais simples. Se sentirem que precisam de dicas sobre como preparar os
pratos de forma saborosa, talvez seja boa ideia fazerem um curso de iniciação à
culinária macrobiótica no Instituto Macrobiótico de Portugal, para aprender algumas
dicas.
Felicidades a ambos
CLAUDIA BRAVO

A minha questão para o Dr. Francisco Varatojo é a seguinte:

Tenho 29 anos, meço 1,76 m e peso 60 kg, e sou mãe de uma bebe de 1 ano, e resido em
Coimbra.
Desde sempre me preocupei com a alimentação mas nunca fiz uma dieta rigorosa. Tento
sempre comer coisas saudáveis, mas como de tudo (carne, peixe, iogurtes, aveia, etc).
No entanto, de há uns tempos para cá, quando como certas comidas (que não sejam ou
grelhados, ou cozidos), isto é, quando como comidas assim mais elaboradas e
condimentadas fico com uma barriga que parece que estou gravida outra vez! Fico com
um balão enorme, e não paro de arrotar, fico muito enfartada. E até já me aconteceu
ficar com palpitações de tal ordem que pensei que parecia que o coração me ia sair pela
boca.
Já pensei fazer um daqueles testes de intolerância alimentar, mas já li numa das suas
respostas anteriores, que o Dr. não é muito de acordo com estes testes. Daí estar a
escrever-lhe… Como saber o que me está a fazer mal? Será o glúten… Será a lactose….
Ainda por cima agora que a minha filha já começa a comer a nossa comida, queria
tentar dar-lhe o mais saudável possível, e sem lhe fazer o mal que me faz a mim… Se
me puder ajudar agradecia muito.
Muito obrigada por tudo.

Resposta:
Olá Cláudia,
Efetivamente não costumo recomendar os testes de intolerância alimentar, também
porque acredito que se comermos de forma saudável numa base diária, as intolerâncias,
seja de que ordem forem, tendem a desaparecer.
Com base no que me indicas (e aqui precisava de uma análise mais detalhada e de mais
informação) é possível que o teu sistema digestivo esteja sobrecarregado e que reaja
quando comes de forma mais elaborada. Também pode ser uma intolerância, mas se
alterares a alimentação, esta tende a passar.
Assim, o que te sugiro é que incluas em todas as refeições principais vegetais de rama
verde, escaldados ou ao vapor, porque vão ajudar numa melhor digestão. Também
importa passares a incluir cereais integrais na tua alimentação – o arroz integral poderá
ajudar bastante no caso que me descreves. Há uma grande diversidade de cereais
integrais que podem, e devem ser utilizados. Por exemplo, se quiseres fazer um
empadão de legumes, em vez da batata usa millet, um cereal muito bom para a digestão
e que a Ana Galvão descreve no seu blog.
Importa também reduzir o consumo de gorduras mais densas, para que o organismo
possa fazer a sua limpeza. Assim, sugiro-te que elimines de vez da tua dieta os
lacticínios (são fonte de uma série de intolerâncias, sendo que a maior parte das pessoas
apenas não associa os sintomas aos lacticínios) e as carnes vermelhas e brancas – usa
antes peixe branco, sem ser de viveiro (duas a três vezes por semana) e leguminosas, em
particular as lentilhas.
Finalmente, fazes exercício? Se não o fazes, recomendo-te que comeces a praticar algo
que te dê prazer, quem sabe até que possas fazer com a tua filha. A alimentação é muito
importante, mas não devemos descurar o exercício físico, que também nos ajuda a
reequilibrar.
Felicidades
JOÃO POUSADAS

Olá, Ana!
Em primeiro lugar, MUITOS PARABENS pelo seu Blog!!!! Acho que fazia falta um
espaço assim!
Fiquei muito interessada na alimentação macrobiótica e numa alimentação cada vez
mais saudavel.
O meu nome é João, e foi-me diagnosticada há uns aninhos hemocromatose herditária,
por outras palavras, tenho ferro a mais no organismo.
Uma das coisas que realmente influencia o meu problema é a alimentação. Deixei de
comer (ou evito) carne vermelha e certos legumes.
No entanto, e talvez por ter uma miuda pequena, tenho sentido cada vez mais
necessidade de uma alimentação o mais saudavel possível.
A minha pergunta ao Dr. Francisco vem no sentido: o que devo comer tendo em conta o
meu problema (hemocromatose) e uma vez que pretendo emagrecer (pois ganhei alguns
quilinhos), pois os alimentos que tenho visto, alguns são ricos em ferro (o que no meu
caso é impensavel) e outros podem engordar….
Que aconselha????
Obrigada e continuem assim!!!! E já agora, workshops de macrobiótica, há?

Resposta:
Olá João,
Teres eliminado/ evitares a carne vermelha foi um ótimo grande passo na condição que
indicas. O que te sugiro é que vás um pouco mais longe e que elimines também a
branca, já que afeta o organismo como a vermelha, mas apenas por outras vias. Substitui
por leguminosas, em especial o grão, e por peixe branco sem ser de viveiro
ocasionalmente – num máximo de duas vezes por semana. Ovos, leite e derivados
também devem ser eliminados.
Quanto às restantes componentes da alimentação, importa comeres muitos vegetais
verdes, bem como vegetais redondos (abóbora, cebola, entre outros…) e que incluías a
todas as refeições principais cereais integrais – que julgo podem ser muito benéficos no
reequilíbrio dos níveis de ferro no organismo.
Podes também beber caldo de vegetais doces todo os dias (ferve durante 20 minutos a
mesma quantidade de cenouras, cebolas, abóbora e couve em cinco vezes mais de água.
Coa e bebe) durante um mês.
Fazer exercício de libertação de energia também seria muito benéfico no teu caso, desde
que não fosse de competição, assim como atividades que te permitam relaxar,
descontrair, libertar, como meditação e exercícios respiratórios.
Quanto a workshops de macrobiótica, sim, existem alguns mais breves de iniciação a
esta forma de alimentação e outros mais longos. Depois também tens alguns mais
temáticos, como refeições específicas para as festividades natalícias, sobremesas sem
açúcar e pequenos-almoços e lanches saudáveis, entre outros. Procura na página do
Instituto Macrobiótico de Portugal.
Felicidades
MANUELA QUINTANILHA

Em Dez. de 2014, faz agora 1 ano, chegou-me ás mãos o livro de David Perlmutter,
cérebro de farinha e após este já li alguns que envolvem esta problemática da nossa má
alimentação e de como a industria alimentar nos “esconde” tanta coisa. Claro que vamos
todos morrer mas se for com melhor saúde nos nossos últimos anos – quem chegar a
mais velho, claro – seria de louvar.
Felizmente sinto-me genericamente bem, tenho 50 anos, faço exercício físico regular,
peso 55 kg, para 1,65m de altura e não costumo ter grandes maleitas nem de estômago,
nem de dores de cabeça, do que chamamos “dor de barriga”, etc. O meu principal
problema é uma tendência para dor muscular mais ou menos generalizada. Tenho
também uma fascite plantar que de manhã não me deixa colocar o pé no chão! só
passado 15/20m retomo o normal.
Gostaria de alguns conselhos para incidir numa alimentação que me pudesse ajudar a
um alivio desta dor muscular. Entretanto durante este ano deixei de comer carne
vermelha (só como frango de campo e peru), uso massa de arroz ou de milho e não de
trigo; como vegetais e fruta; não bebo leite nem iogurtes mas adoro queijos! como
bastante peixe de carne branca; 1 pão por dia ou então outras alternativas sem gluten.
Enfim, tentei melhorar mas parece que me falta qualquer coisa!

Resposta:
Olá Manuela,
Fizeste muito bem em deixar de comer carne vermelha. Nota, porém, que apesar de se
dizer que a carne vermelha é pior do que a branca, acredito que a diferença entre ambas
é mais ao nível dos órgãos que vão prejudicar e não tanto se uma é pior do que outra. E
assim, o que te sugiro é que deixes também a carne branca.
Quanto ao glúten, julgo que este parece causar tantos problemas, mais pela falta de
qualidade do glúten consumido (a maior parte das vezes é farinha branca refinada, não
muito favorável ao organismo) e pelos restantes compostos que vêm associado ao
glúten (o açúcar, os fermentos ou os óleos de má qualidade), do que pelo glúten em si.
Assim, sugiro que comeces a incluir em todas as refeições principais um cereal integral,
em especial o millet (a Ana Galvão fala dele no seu blog). As massas também podem
ser utilizadas, mas menor frequentemente e a batata deve ser evitada, porque ataca os
ossos. Os vegetais redondos, como a cebola, a abóbora, os brócolos ou a couve
lombarda também são muito benéficos neste caso e devem entrar sempre no prato, seja
ao vapor, seja escaldados.
Por substituição da carne, uma alternativa que já utilizas é o peixe branco, mas sem ser
de viveiro, devendo ser consumido até três vezes por semana. Outra alternativa saudável
são as leguminosas, muito usadas pelos nossos antepassados, sendo o grão
recomendável no teu caso e devendo ser demolhado por oito horas e cozinhado com
alga kombu.
Quanto à fruta, dá preferência à fruta da época, sem abusar do consumo da mesma, e
evita a tropical (apenas benéfica para quem vive nos trópicos, ou quando lá estamos a
passar uns dias). Fruta local especialmente boa é a maçã, que deve ser cozinhada em
pouca água.
Queijo e outros lacticínios, só mesmo em dias de festa, assim como os alimentos com
açúcar (incluindo-se aqui a stevia), que devem ser evitados ao máximo por serem
inflamatórios.
Um remédio caseiro que poderá ajudar é caldo de vegetais doces, que consiste em
colocar numa panela uma porção de abóbora, uma de cebola, uma de couve e uma de
cenoura, cobrir com água, deixar ferver por 20 minutos e no final coar e bebe o líquido.
Chá de arnica também poderá ajudar nas questões musculares, mas bebido com
moderação.
Finalmente, como pareces interessar-te por estes temas, se sentires necessidade em
aprofundar mais a alimentação macrobiótica sugiro-te um curso de iniciação à culinária
macrobiótica no Instituto Macrobiótico de Portugal.
Felicidades
ANDREIA TEIXEIRA

Antes demais, parabéns pela iniciativa e o trabalho que tem feito no blog. Acompanho
desde o primeiro dia e tenho gostado, especialmente porque desconstroi um conjunto de
paradigmas à volta da cozinha alternativa em geral, e da macrobiótica em particular.
Não tem que ser tudo complicado…as compras, as receitas, o equilibrio entre alimentos,
etc..
Estou decidida a iniciar um processo no caminho de uma alimentação mais saudável e
incluir a minha familia comigo.
Dúvidas para o consultório: Andreia Sousa
Tenho 32 anos, com uma filha de 16 meses. Sou uma pessoa sedentária há muitos anos,
sempre fui magra sem qualquer esforço (48kgs para 1,58m), o meu peso não variava,
sempre tive pouco apetite mas sentia a necessidade de comer várias vezes ao dia. Sofri
algumas consequências com o desiquilibrio hormonal inerente a uma gravidez e pós
parto, mas passado quase 1 ano e meio, continuo a sentir mudanças que quero “atacar”
com urgência pois não me sinto saudável: o apetite quadriplicou, a massa gorda (medida
ontem) está nos 36%, o meu sistema imunitário está fraco (tive inicio de pneumonia há
2 semanas), barriga sempre inchada (especialmente abaixo do umbigo, parece que tenho
uma bolsa).
Tomei a iniciativa de ir a uma nutricionista que aconselhou cortar no leite (só bebo leite
de arroz) e em relação aos hidratos (que eu tanto adoro) aconselhou as opções
alternativas (pão marca Miolo ou escuro; arroz integral; quinoa; etc.). Carne como peixe
(todo o tipo), frango, peru. Gosto muito de gelados e chocolate, comendo pelo menos 2
vezes por semana algo doce. Não gosto de iogurtes de qualquer tipo.
Que dicas me pode dar para melhorar a minha condição fisica e a minha saúde? Não
existem milagres, eu sei, mas estou comprometida a mudar. Já comecei a fazer desporto
esta semana, dei um primeiro passo. Mas sei que a alimentação é a peça chave em todo
este processo.

Resposta:
Olá Andreia,
Parabéns por teres iniciado uma atividade física. Cuidados com a alimentação
combinados com exercício físico costumam resultar muito bem na manutenção da saúde
e na restauração do peso mais indicado ao nosso corpo.
Teres começado por cortar o leite (e derivados), assim como passar a consumir pão de
boa qualidade foi um bom princípio, mas há outras sugestões que me parecem eficazes e
que te poderão ajudar.
Assim, começa por incluir na tua prática alimentar a sopa de miso, de boa qualidade
(preferencialmente de cevada, não pasteurizado) bem como passa a incluir cereais
integrais em todas as refeições principais – em especial o trigo-sarraceno, assim como
vegetais cozinhados ao vapor ou ligeiramente escaldados. Os cereais integrais dão uma
maior sensação de saciação e ajudam o intestino a funcionar melhor. No caso dos
vegetais, favorece as raízes, como a cenoura, o nabo, o rabano, entre outros. Ao
pequeno-almoço, seria boa ideia fazeres papa de cereais, caso consigas substitui-la pelo
pão, já que vai ajudar a emagrecer.
A carne (vermelha e branca) e o leite e derivados devem ser evitados ao máximo porque
criam obstruções no organismo e o excesso de gordura dos mesmos instalam-se
facilmente no corpo. Substitui as carnes por leguminosas (em especial o feijão azuki, o
feijão preto e o feijão de soja preto) e por peixe branco sem ser de viveiro, sendo que no
caso do peixe, num máximo de três vezes por semana. Alimentos fermentados de boa
qualidade (sem álcool e sem açúcar) também devem ser incluídos no prato.
Não é trágico gostar de alimentos doces; é aliás um sabor muito importante e que deve
constar sempre no prato, caso contrário surgirá a vontade de comer uma sobremesa.
Mas importa que comas doces de boa qualidade, em vez de doces que inflamam o
organismo e o prejudicam (como aqueles que indicas e que geralmente incluem açúcar,
stevia, aspartame, sacarina,…). Assim, sugiro-te que acrescentes ao prato puré de
abóbora, de cenoura, de castanha ou de outro legume doce, ou ainda cebolada, entre
outras.
No caso das sobremesas, opta por fazer as tuas sobremesas, usando geleia de arroz e
outras geleias à base de cereais integrais que entram de forma mais lenta no sangue e
são menos agressivas ao corpo, ou compra adoçadas com geleias de cereais, que podes
encontrar em lojas de produtos naturais ou biológicos – as sobremesas não devem ser
comidas à refeição mas entre refeições, sendo as mais benéficas, maçã cozinhada ou
maçã com abóbora, entre outras. O Instituto Macrobiótico de Portugal realiza
workshops de sobremesas sem açúcar caso sintas necessidade de ter algumas ideias a
este nível, o próximo a ocorrer já em dezembro.
Um remédio caseiro que ajuda a reduzir a vontade de comer doces é caldo de vegetais
doces: coloca numa panela uma porção de abóbora, uma de cebola, uma de couve e uma
de cenoura, cobre com água, deixa ferver por 20 minutos e no final coa e bebe o líquido.
Fazer durante uma semana seguida e na semana seguinte ir espaçando a toma.
Podem não existir milagres, mas as mudanças acontecem, desde que nos proponhamos a
concretiza-las.
Desejo-te as maiores felicidades nesta tua mudança.
ERMELINDA SERGIO

Boa tarde Dr. Francisco Varatojo,


Interesso-me e muito pelo tema da alimentação saudável, sendo uma autodidata e cobaia
das minhas experiências. Com relativa facilidade, cruzando informação de várias fontes
tenho conseguido chegar a conclusões que se têm repercutido na melhoria significativa
do meu bem estar geral, contudo existe um assunto para o qual ainda não encontrei
consenso, que tem a haver com as incompatibilidades alimentares, nomeadamente ao
nível da digestão. Gostava muito de saber o que pensa sobre este tema.
Se puder, agradeço informação sobre bibliografia que ajude a um melhor entendimento.

Resposta:
Olá Ermelinda,
Na macrobiótica existe a preocupação de comer de forma equilibrada e com qualidade,
sendo que, quando se respeitam estas duas, as incompatibilidades acabam por ser
abordadas de uma forma menos direta. Por exemplo, recomendo que se coma a
sobremesa fora das refeições, porque tal atrasa a digestão – o índice glicémico da
sobremesa passa a prioritário na digestão do estomago, atrasando a digestão dos
restantes alimentos, com menor índice glicémico.
Outro tipo de incompatibilidade são os alimentos frios e os alimentos oleosos, que
tendem a degenerar o fígado, ou a combinação das farinhas com os óleos, que tendem a
degenerar o baço e o pâncreas.
Beber água (mesmo em formato de chá) à refeição ou na hora seguinte após a mesma
também é contraindicado, porque vai dissolver os sucos gástricos e piorar a digestão.
Como este é um tema relativamente ao qual não presto muita atenção não estou a par de
bibliografia atualizada e fidedigna sobre o mesmo

Felicidades
INES LEAL

Gosto imenso do seu blog. Obrigada pela partilha.


E olá Francisco, e obrigada também pela ajuda.
Queria saber se as crianças podem fazer sempre uma alimentação sem qualquer proteína
animal e se há, nestes casos, algum alimento que não deva faltar para a substituir.
Pelo que percebo, a macrobiótica está relacionada com uma forma de vida mais
abrangente, não só a alimentação. Pode indicar-me livros mais globais, que sejam bons?
Há tanta coisa publicada hoje em dia e não sei o que é que é mais fiável.
Posso fazer outra pergunta? : ) O uso do forno é desaconselhado?

Resposta:
Olá Inês,
Respondendo à tua questão sobre se as crianças podem fazer uma alimentação sem
qualquer proteína animal, acredito que sim, desde que a proteína se vá buscar a outras
fontes. O curioso é que, de acordo com vários estudos, a proteína vegetal é bem mais
saudável do que a animal.
O truque está em combinar um cereal integral com uma leguminosa, obtendo-se
praticamente todos os aminoácidos que estão incluídos na proteína animal. Por
exemplo, arroz integral com feijão é um prato com proteína completa, não havendo
necessidade de juntar a carne. Outro exemplo é pasta de húmus (feita a partir de grão)
em pão (de boa qualidade).
Mas nota que o cereal deve ser integral. Por exemplo, o arroz branco passou por um
processo em que alguns dos aminoácidos se perdem e portanto a combinação arroz
branco e feijão não é tão rica quanto arroz integral e feijão.
Quanto à leguminosa, devem ser demolhadas e cozinhadas com alga kombu (para
ajudar à digestão, em vez de comprar as de frascos ou latas, com outros compostos
adicionados.
Assim, para substituição da carne, deves usar em cada refeição principal um cereal
integral e uma leguminosa (há uma larga variedade delas e uma imensidão de receitas a
partir das mesmas) – as crianças costumam gostar das lentilhas. Também podes incluir
peixe na alimentação, tua e das crianças, desde que seja branco e que não seja de
viveiro, no máximo três vezes por semana.
E sim, a macrobiótica é uma forma de estar na vida, em que se privilegia a ação pelo
Todo, em vez da ação pela parte; em que o individuo toma como sua responsabilidade
as suas ações e a sua vida, não descurando questões éticas como o impacto ambiental e
social dessas ações. Porque natureza e homem são partes do mesmo mundo. Assim, não
basta apenas melhorar a alimentação, mas agir em conformidade com o meio que nos
rodeia, estando presentes e tendo consciência das decisões que tomamos no dia-a-dia e
de como estas afetam o nosso mundo interior e exterior.
Quanto aos livros sobre filosofia macrobiótica, sugeria-te que lesses o livro do Michio
Kushi e Alex Jack, “A humanidade numa encruzilhada”, o meu livro “Mente sã, corpo
são” ou o livro do Denny Waxman “Uma vida plena”, entre outros.
O uso do forno não é desaconselhado mas não é normalmente um método culinário que
se use todos os dias, em particular no Verão e dias quentes. É um método melhor para
usar nos dias frios.
Já o uso do micro-ondas é totalmente desaconselhável, independentemente da condição
de saúde da pessoa ou da época do ano.
Felicidades
RAQUEL CERDEIRA

Boa tarde Francisco.


Ando à cerca de 3/4 meses com muitas dores de estômago, tudo o que como, me
provoca desconforto/dor. Estou com o estômago mesmo sensível, penso que terá sido
por uma fase da minha vida (mastites constantes) que tive que tomar cerca de 5
antibióticos em 5 meses,um terror.
Tenho uma alimentação saudável, em casa comemos macrobiótica, não bebo leite nem
derivados, açucares muito raramente, não sei o que se passa com o meu estômago.
Agradeço resposta �

Resposta:
Olá Raquel,
Dado que já praticas uma alimentação macrobiótica, possivelmente teria de te ver para
poder fazer uma análise mais específica sobre o teu caso. Ainda assim, na macrobiótica
os alimentos que beneficiam o funcionamento do estômago e que portanto podes
consumir com mais frequência, são o millet (enquanto cereal integral), os vegetais
redondos (abóbora, a cebola ou a couve lombarda, entre outros) e no caso das
leguminosas optar pelo grão.
Sugiro-te que cozinhes os cereais integrais muito bem até ficarem macios, para facilitar
a digestão e que o grão seja demolhado por oito horas e cozinhado com alga kombu.
Como sobremesa, podes optar por abóbora com maçã, maçã cozinhada em pouca água
ou creme de millet. Evita a fruta tropical e quando comeres fruta local, tenta come-la
cozinhada em pouca água.
Evita a batata, a beringela e o tomate por acidificarem o estômago. Evita também todo o
tipo de estimulantes, como o açúcar, o café, o chocolate, mas também as farinhas e os
óleos refinados, que agridem o sistema digestivo e fora de casa também a carne, seja
branca ou vermelha (dificulta a digestão).
Não sei se conheces a receita de caldo de vegetais doces? Preparas numa panela uma
porção de abóbora, uma de cebola, uma de couve e uma de cenoura, cobres com água,
deixas ferver por 20 minutos e no final coas e bebes o líquido. Bebe todos os dias
durante uma semana e na semana seguinte vai alargando os dias da toma. Chá de três
anos com ameixa umebochi e duas gotas de molho de soja de boa qualidade (shoyu),
também ajuda nestes casos, devendo ser tomado três dias numa semana, alternando os
dias e durante duas semanas.
Finalmente, para além da comida, deves mastigar muito bem (vai facilitar o processo do
estômago), comer sentada e em paz.
Exercício físico em grupo talvez fosse uma boa ideia. Escolhe um e aventura-te. A
combinação alimentação mais exercício físico costuma resultar muito bem.
Felicidades
JACINTA OLIVEIRA

Gosto muito do seu blog.


Sei que teve um problema no estômago e que depois de consultar o Dr. Francisco
Varatojo melhorou bastante.
Gostaria de lhe perguntar qual o alimento ou alimentos que usa para melhorar os
sintomas do estômago, pois eu já tive o problema da bactéria Pyloris no estômago,
tomei vários antibioticos melhorou, mas o meu estômago nunca mais foi o mesmo, anda
sempre muito sensível.

Resposta:
Olá Jacinta,
O melhoramento do estômago passa tanto pelos alimentos que consumimos como por
aqueles que precisamos de deixar de parte da nossa alimentação.
Assim, no caso dos alimentos a consumir, devem ser privilegiados os cereais integrais
(em especial o millet, indicado pela Ana Galvão no seu blog), bem cozinhados até
ficarem macios, assim como os legumes redondos, como a abóbora, a cebola ou a couve
lombarda, ao vapor ou escaldados. Quer os cereais integrais como os legumes devem
aparecer em todas as refeições principais. Evita a batata, a beringela e o tomate por
acidificarem o estômago. Mas podes usar massas semi-integrais ocasionalmente.
Eliminar a carne, seja branca ou vermelha é importante, porque a carne atrasa a digestão
e acidifica o organismo (se não for biológica também costuma estar cheia de antibiótico,
o que debilita o sistema imunitário). Sugiro-te que a substituas por leguminosas, em
especial o grão, demolhado por oito horas e cozinhado com alga kombu. Outra
alternativa é o peixe branco sem ser de viveiro, desde que o consumas até três vezes por
semana.
Algumas sobremesas, se sentes falta destas, são abóbora com maçã, ou maçã cozinhada
em pouca água. Não convém que comas fruta tropical. Dá preferência à fruta da época e
local, sem abusar do consumo da mesma, devendo ser comida fora das refeições, para
não atrasar o processo digestivo.
Também deverás eliminar os alimentos com açúcar, as farinhas e os óleos refinados,
que agridem o sistema digestivo.
Um remédio caseiro bom para o estômago é o caldo de vegetais doces – colocas numa
panela uma porção de abóbora, uma de cebola, uma de couve e uma de cenoura, cobrir
com água, deixas ferver por 20 minutos e no final coas e bebes o líquido. Outro
benéfico é chá de três anos com ameixa umebochi e duas gotas de molho de soja de boa
qualidade (shoyu), bebido por três dias numa semana, alternando os dias (podes
encontrar estes produtos em lojas de produtos naturais ou biológicos).
Finalmente, é importante mastigar muito bem, porque uma má mastigação obriga o
estômago (onde começa a digestão) a ter trabalho redobrado e tentares comer sentada,
calmamente, para que a digestão se faça de forma harmoniosa.
Felicidades

http://anagalvao.pt/2015/11/respostas-do-francisco-varatojo-parte-2/

O consultório de Francisco Varatojo está de volta


09/02/2016
O Francisco Varatojo, director do Instituto Macrobiótico de Lisboa (IMP) , prestou-se a,
regularmente, responder às vossas questões. O Francisco é, recordo, um dos mais
prestigiados nomes, no mundo, na área macrobiótica, dá aulas em diversos países,
escreveu vários livros sobre a temática, já leccionou em várias universidades para além
de ter sido consultor de vários espaços de saúde. O Francisco dá consultas no IMP,
portanto, se o quiserem consultar pessoalmente, é só ligar para lá (aqui está a página de
net)

Aqui vos deixo as respostas a mais uma série de vossas questões. Lembrem-se que,
como o Francisco não vos está a ver e não consegue, sem ter falado convosco
directamente, ter uma imagem completa de quem são, as respostas são mais generalistas
que precisas e personalizadas. E também recordem que estes conselhos não substituem
uma consulta privada com ele ou com um médico, coisa que devem fazer se acharem
necessário, está bem. Podem deixar as vossas dúvidas para as próximas respostas, só
vos peço que as enviem para anagalvao3@gmail.com

Maria João

Bom, devo começar por dizer que tenho 30 anos e estou a começar/recomeçar a prática
do desporto.
Eu não como carnes vermelhas. Como algumas brancas, ocasionalmente, não bebo
lácteos e o ovos que compro são de galinhas criadas ao ar livre. Tenho preocupação com
a minha saúde mas também sou uma apaixonada pelos animais pelo que ando assim
numa tentativa de mudar algumas coisas na minha vida.
As minhas dúvidas são as seguintes:
Eu preciso de emagrecer e neste regime mais macrobiótico está implícito o consumo de
uma quantidade de cereais maior que aquela que costumo consumir… pela questão,
mito ou não, de reduzir o consumo de HC para se emagrecer. Será que com um regime
assim macrobiótico consigo atingir o meu objetivo? A comer Quinoa, cevadas e afins?
Outra dúvida está relacionada com as algas. Eu tenho vários nódulos na tiróide e tomo
medicação. As algas e o iodo são ou não benéficas para uma pessoa com problemas de
tiróide?
Por último: tens necessidades de tomar vitamina. Fala-se muito na necessidade da
Vitamina B12 num regime vegetariano. Concordas?
Muito obrigada por leres este meu e-mail e continua a ser assim como és!
Uma fã J
Maria João

Resposta:
Olá Maria João,
Antes de mais, parabéns. A prática regular de exercício físico associada a uma
alimentação cuidada só te poderá trazer bons resultados.
Quanto às questões que colocas: “e neste regime mais macrobiótico está implícito o
consumo de uma quantidade de cereais maior que aquela que costumo consumir”, nota
que os cereais integrais devem ser principalmente consumidos em grão e neste caso são
ótimos para emagrecer, já que dinamizam o funcionamento do intestino e permitem
eliminar de forma mais eficaz as gorduras instaladas no corpo. Os macrobióticos são
aliás conhecidos por terem corpos secos. Quando te referes a HC que engordam, estás-te
a referir aos hidratos que são processados e que o nosso corpo tem dificuldade em
digerir, como sejam todos os produtos com farinhas refinadas (por exemplo, pão,
bolachas e algumas massas de compra). Quanto mais processado o HC, mais
dificuldade na sua absorção, para além de que costumam vir acompanhados por óleos e
açucares, o que não acontece com os cereais integrais de grão. Assim, recomendo-te que
em todas as refeições incluas os cereais integrais em grão, sem a preocupação de virem
a pesar na balança. Ainda relativamente à quinoa, esse cereal é mais indicado para o
Verão, pelo que não recomendo muito a sua utilização nesta altura do ano. Por outro
lado, há algumas questões eticas associadas à utilização da quinoa, que te sugiro que
pesquises acerca das mesmas, ou que procures em respostas que dei anteriormente.
Um remédio caseiro bom para emagrecer (não descurando de incluir o cereal em grão a
todas as refeições) é chá de cenoura e nabo ralados com duas gotinhas de shoyu (bebida
de soja, sem açucar), bebido em jejum, todos os dias na primeira semana e espaçar na
semana seguinte.
Relativamente às algas e à tiroide, se se tratar de hipertiroidismo há certas algas que
devem ser evitadas enquanto no caso do hipotiroidismo as algas são mesmo
recomendadas. No entanto, como deves imaginar, seria necessária uma análise mais
detalhada do teu caso, já que cada caso é único.
Finalmente, no que se refere à B12, a sua deficiência tanto se pode encontrar em
vegetarianos como em omnivoros que consumam muita carne, porque a questão nem
sempre resulta da maior ou menor quantidade de B12 consumida, mas antes da
(in)capacidade de o organismo a fabricar e absorver. Num regime totalmente
vegetariano (vegan) a deficiência de B12 pode às veze ser um problema pelo que pode
ser necessário tomar um suplemento desta vitamina. Se te quiseres tornar vegan sugiro
que faças análises anuais à B12 e que tomes um suplemento se os valores estiverem
muito baixos.
Desejo-te as maiores felicidades
Cátia

Há alguns anos atrás, fui à minha primeira consulta de acupuntura (que deixei de fazer
por incapacidade económica) para tentar tratar um grave problema de hiperidrose que
tenho desde criança, foi agravando ao longo dos anos e que se mantém.
Nessa consulta, foi-me diagnosticado, o que na medicina chinesa se entente por, vazio
de yang. Na altura a médica disse-me que era um caso grave e já em estado extremo.
Sou uma jovem com 30 anos e tenho os vários sintomas associados: transpiração
profusa (muito abundante, em várias partes do corpo, sendo que mais intensa nas mãos,
pés e axilas e tanto de dia como à noite), membros das mãos e pés frios, pulso fraco, tez
pálida, pele seca, ansiedade, falta de auto estima, insegurança, irritabilidade,
palpitações, apatia e tendência para cair facilmente em depressão, pouco apetite sexual,
a memória também está notavelmente muito afectada, sinto-me mais cansada embora
tenha uma vida pouco activa, estou demasiado magra, não tenho apetite e
consequentemente sinto o corpo mais fraco e debilitado.
Gostaria de saber se me pode ajudar e indicar qual a melhor dieta macrobiótica para o
meu caso e também se existem remédios caseiros que possam ajudar a melhorar o meu
estado.
Aproveito para dar os meus parabéns a toda a família Varatojo pelo excelente trabalho,
dedicação e partilha!
Muito obrigada e os melhores cumprimentos!

Resposta:
Olá Cátia,
Face ao que descreves, julgo que a prática macrobiotica te poderá ajudar.
Assim, sugiro-te que comas, a todas as refeições, cereais integrais em grão (usando
regularmente trigo sarraceno ou massa de trigo sarraceno, também conhecida por Soba,
que é bastante saborosa), assim como legumes escaldados e/ou estufados (especialmente
as raizes, como as cenouras, a bardana ou o nabo) e leguminosas, em especial o feijão
azuki e o feijão preto.
Também deverás consumir sopa de miso, todos os dias ou com bastante frequência,
preferencialmente antes do almoço.
Deves mesmo evitar todo o tipo de estimulantes, como os açucares, o café, o chocolate e
o alcool (desestabilizam o sistema nervoso), assim como as carnes (brancas e
vermelhas) e as farinhas processadas e com fermentos que não são naturais, porque
baixam a imunidade ao atacarem o intestino.
Enquanto remédio caseiro, sugiro-te que faças chá de feijão azuki durante uma semana
seguida, todos os dias, e depois ir espaçando. Basta juntar água e feijão e deixa cozinhar
por 20 minutos, incluindo, no final, duas gotas de bebida de soja de boa qualidade, isto
é, sem açúcar adicionado.
Também te sugiro que faças diariamente um escalda-pés antes de dormir, que consiste
em colocar os pés em água quente e sal durante uns 3 a 4 minutos e depois podes
massajar suavemente a base dos pés durante mais dois minutos. Definires uma atividade
que te dê prazer, como caminhadas na natureza, assim como uma atividade fisica de que
gostes, como ioga, tai shi ou outra (aqui a natação não será a melhor opção) seriam
otimas opções.
Desejo-te as maiores felicidades.
Maria Pereira Silva

Há vários meses que tento ter uma alimentação correta mas não consigo saber o que
realmente me inflama. Como pouca carne e praticamente só as brancas… no entanto
sofro duma troncaterite e de osteopenia e principalmente fico inchada se por acaso
como uma refeição mais abundante. Tambem como tenho as fezes duras isso causa que
muitas vezes sangro.
Deixei de comer praticamente laticínios e bebo água de Monchique, no entanto queria
umas indicações para saber o que me faz mal já que não consigo sair deste impasse.
Os
meus agradecimentos.

Resposta:
Olá Maria,
Pelo que descreves relativamente à tua condição intestinal, julgo que deves eliminar
todo o tipo de farinhas de forno (nas quais se inclui o pão, as massas de compra, os
bolos, as pizas, …) e os estimulantes (como o açucar, o café, o alcool), porque os
primeiros secam os intestinos e os segundos inflamam-nos.
Indicas que deixaste de comer carne vermelha e muito bem. No entanto, sugiro-te que
elimines também as brancas, porque tal como as vermelhas, prejudicam a condição
intestinal e são fonte de gordura muito pouco saudável ao organismo – podes e deves
trocar a carne por leguminosas, como o grão, o feijão e principalmente, neste quadro
que indicas, as lentilhas. Também te sugiro que elimines totalmente os laticinios (leite,
iogurtes, queijo) já que também não são benéficos ao intestino e não ajudam a estrutura
óssea, pelo contrário. Nota que o consumo excessivo de proteína animal faz o
organismo perder minerais como cálcio contribuindo significativamente para a
osteopenia e osteoporose.
Assim, julgo que se eliminares as carnes e os leites, bem como as farinhas de forno e os
estimulantes, que já vais sentir diferenças na tua condição intestinal, assim como na
troncaterite.
Se quiseres favorecer o intestino, sugiro que faças, uma vez ao dia e antes as refeições,
sopa de miso de cevada não pasteurizada com alga wakame e vegetais verdes, que serve
como remédio caseiro, devendo ser tomada diariamente, por duas semanas. Às refeições
também deves incluir vegetais verdes (não bastando as saladas cruas e sendo necessário
também legumes escaldados ou estufados), os cereais integrais em grão (principalmente
a cevada e o arroz integral, podendo até ser cozinhados em conjunto e devendo ser
demolhados antes de cozinhados por cerca de três horas) e finalmente as leguminosas
(de que te falei em cima).
Finalmente, o exercicio fisico é ótimo para fortalecer o intestino, pelo que te recomendo
caminhadas de 30 minutos, em passo rápido, diáriamente.
Desejo-te as maiores felicidades
Mafalda Matos

Para o Francisco: tenho 24 anos e desde os 16 que tomava anticontraceptivos orais. Em


Janeiro deste ano deixei de tomar e, desde então, amenorreia. Em Fevereiro mudei de
país e, consequentemente de clima (a Suíça é bem mais fresquinha que o nosso
Portugal) e hábitos.
Sei que após deixar a pílula pode haver uma amenorreia temporária, mas 10 meses
parece-me demais. Gostaria de saber a sua opinião e o que posso/devo fazer. Obrigada!
Resposta:
Olá Mafalda,
Aproveito para te fazer uma pequena introdução à alimentação macrobiótica, indicando
que esta passa por incluir no prato um cereal integral (preferencialmente em grão),
legumes variados, uma leguminosa e um picle natural, sendo que a forma de incluir
estes elementos é muito diversa (por exemplo podem ser usados sob a forma de
empadão ou lasanha, entre outras), devendo também ser consumida sempre sopa antes
da refeição (excluindo a batata).
Especificamente para o caso que descreves, os cereais que recomendo são o arroz
glutinoso, o millet glutinoso e a aveia (em grão); já as leguminosas que mais deves
utilizar (demolhadas por 8 horas e cozinhadas posteriormente com alga kombu) são o
feijão de soja preto e o feijão azuki; e no caso dos legumes, nomeadamente o alho
francês, assim como das raízes, como sejam a cenoura, o nabo ou o rábano. O peixe
branco de mar também é indicado no teu caso, devendo ser consumido 1 a duas vezes
por semana, mas deves evitar alimentos demasiado salgados.
Sugiro-te ainda que evites todo o tipo de alimentos de forno (pão, bolachas, …) bem
como os estimulantes (açúcar, álcool, café), porque não ajudam na tua condição.
Em termos de remédio caseiro podes fazer chá de feijão azuki com duas gotas de molho
de soja (de boa qualidade, sem açúcar adicionado), diariamente por duas semanas e
depois ires reduzindo a toma.
Externamente, podes fazer antes de dormir um escalada pés com água salgada, antes de
dormir, assim como praticar um desporto que descontraia, como caminhadas sem passo
muito apressado ou dança.
É normal ficar com amenorreia quando se para com a pilula contracetiva, mas a
condição deverá normalizar, ainda que possa demorar alguns meses.
Felicidades

Anabela Fernandes

Gostaria de saber se me podes orientar com a ajuda do Dr. Francisco Varatojo, para com
o meu problema. Sofro de insuficiência linfatica, o que provoca inchaço nas pernas e
acumulação de gordura nas mesmas. Nao sendo gorda, porque tenho o IMC na média,
tenho no entanto um indice de massa gorda um pouco açima do desejável. O que posso
fazer em termos alimentares para eliminar essa gordura que se instala e provoca dores.
Devo deixar os lácteos? A carne? Actualmente faço uma alimentação (tradicional)
variada saudável, mas ainda não aderi à vertente dos cereais.

Resposta:
Olá Anabela,
Respondendo às tuas questões sobre se deves deixar os lácteos e a carne, a resposta é
sim, deves, não só pela gordura associada a esses alimentos, como pelo facto de, ao
contrário do que atualmente temos ideia, não eram alimentos que fossem consumidos
tradicionalmente, na mesma quantidade que hoje são consumidos, mas apenas em dia de
festa. Para além disso, tanto a carne como o leite, no passado, não eram produzidos
como hoje em dia o são, ou seja, de forma mais industrializada e com muitos
antibióticos.
Assim, recomendo-te que substituas a carne (tanto a branca como a vermelha) por peixe
branco, preferencialmente de mar, assim como por leguminosas (demolhadas por 8
horas e cozinhadas com alga Kombu), como o grão, o feijão e as leguminosas. Em cada
prato também deverás incluir cereais integrais de grão, como sejam o millet, o arroz
integral, a cevada, ou o trigo-sarraceno, entre outros (devendo estes ser demolhados por
3 horas) e ainda incluir verdes variados escaldados ou estufados em todos os pratos (as
saladas são mais benéficas no verão).
Comer sopa diariamente também é importante. Deves fazer frequentemente sopa de
miso, preferencialmente de cevada não pasteurizada, pela manhã ou antes do almoço,
juntando cenoura e cebolinho, este último imediatamente antes de servir.
Um remédio caseiro que poderá ajudar na condição que descreves é chá de nabo e
cenoura ralados com duas gotinhas de shoyu, bebido em jejum, todos os dias na
primeira semana e espaçar na semana seguinte.
Um remédio externo que deverá ajudar é fazeres todas as manhãs um banho seco, que
consiste em esfrega o corpo com uma toalha quente e húmida, de forma vigorosa mas
sem pressionar demasiado a pele. Finalmente, seria bom fazeres exercício físico,
dinamiza o corpo e ajuda na condição.
Desejo-te as maiores felicidades

Mafalda Rodrigues

Muitos parabéns pelo teu blog, acredito que na nossa vida nada acontece por acaso.
A minha preocupação e procura por uma alimentação saudável fez-me chegar até ti, até
ao teu blog, que está excelente.
Tenho 43 anos, casada e sou mãe de 2 rapazes.
Estou no inicio de uma caminhada nada fácil mas não impossível, tento transmitir e
desenvolver hábitos saudáveis com a minha família.
Tenho lido muitos artigos e não desisto, sei que a mudança vai ser possível mas quero
introduzir as alterações em pequenos passos.
É neste sentido que peço ao Dr. Francisco algumas orientações para iniciar esta minha
nova vida.
Em casa somos quatro e bem diferentes em termos de saúde, mas acredito que tudo se
tornará mais fácil com alterações a nível alimentar:
O meu filho mais velho, tem 14 anos, tem diabetes tipo 1 desde os 5 anos, usa bomba
infusora de insulina.
Já foi seguido por vários nutricionistas e sinceramente cada um com a sua teoria, algo
que me deixou um pouco confusa pois se uns diziam para comer hidratos de carbono
outros aboliram por completo. É um adolescente muito responsável e adere facilmente a
novas rotinas alimentares.
O meu filho mais novo, tem 2 anos e meio.
É um caos para comer, come muito pouco em termos de diversidade, como canja (sem
frango), arroz de manteiga, batatas fritas(eu sei é um horror), banana, maça, pera,
melão, alface, tomate, pão, queijo, leite, iogurtes e bolachas.
É um suplicio, tenho consciência que tem uma péssima alimentação, já tentei de tudo,
de todas as estratégias possíveis, já teve 19horas sem comer e nada resulta, não quer
experimentar nada de novo.
É uma frustração constante que sinto diariamente, sei que tem carências nutricionais e
estou sinceramente muito preocupada.
O meu marido é obeso, já tentou várias dietas, perde peso mas depois acaba sempre por
recuperar.
Eu sofro desde os meus 10 anos (pelo menos que me lembre) de enxaquecas, já fiz
alguns tratamentos e nada resultou a sensação que ficava sempre é que estava a encher-
me de químicos e não via nenhuma melhoria, talvez no inicio as crises não fossem tão
fortes, mas depois tudo voltava ao mesmo.
Todos (à excepção do pequeno) comemos sempre sopa e legumes ao almoço e jantar,
comemos mais peixe do que carne, só os miúdos bebem leite.
Por onde posso começar?
Muito obrigada pela vossa ajuda
Atentamente
Resposta:
Olá Mafalda,
O facto de teres consciência de que desejas mudar de hábitos alimentares é ótimo e só
por isso, os meus parabéns.
Face ao que descreves, julgo que um primeiro passo poderá ser a inclusão de cereais
integrais de grão na alimentação, como é o caso do arroz integral, do millet, da cevada
ou do trigo-sarraceno, entre outros. Podes inclui-los na sopa e nos pratos principais. O
millet costuma ser muito apreciado por quem não é macrobiótico, podes dar mais
preferência a esse cereal.
Os legumes também são essenciais aos casos que descreves, pelo que o ideal seria, para
além de continuarem a comer sopa (preferencialmente sem batata), incluir também
legumes escaldados ou estufados no prato, variando bastante nos legumes usados.
A proteína animal (carnes brancas e vermelhas, ovos, lacticínios, …) deve ser
substituída por leguminosas, como é o grão, os feijões, as lentilhas e a soja que passa
por fermentação (tofu, tempeh), porque permitem obter a proteína necessária ao
organismo e não incluem a gordura saturada presente na proteína animal.
Um remédio caseiro que toda a família pode usar é caldo de vegetais doces, que consiste
em colocar numa panela uma porção de couve, outra de abóbora, outra de cebola e outra
de cenoura, cortadas aos cubos, cobrir com água e deixar ferver durante 20 minutos. No
final, beber o caldo, idealmente no mesmo dia em que o preparado é feito e tomar
durante duas semanas, dia sim, dia não.
Externamente, poderia ser benéfico que toda a família fizesse passeios diários e
vigorosos de 30 minutos, que ajudariam a melhorar a condição de todos, mas também
seriam uma forma de pais participarem na saúde dos filhos e inversamente.
Finalmente, se tiveres possibilidade, sugiro-te que faças um curso breve de culinária no
Instituto Macrobiótico de Portugal, onde poderás aprender pequenos truques que por
vezes fazem muita diferença no que se refere à confeção de pratos macrobióticos.

Claudia Bravo

Antes de mais agradeço o facto de o Dr. Francisco Varatojo ter respondido à minha
questão! Fiquei muito agradecida e esclarecida!
Fiquei no entanto com uma duvida acerca da implementação do que o Dr. sugeriu.
Os cereais integrais e os legumes à refeição já estão inseridos e sem grandes problemas.
O meu problema surge com a tentativa de eliminar (ou pelo menos reduzir) o consumo
de carne lá em casa, pois choca logo com dois aspectos: o meu marido e a minha filha
(1 ano). O meu marido é atleta de competição e necessita de um grande aporte de
proteínas, que actualmente está a ir buscar à carne (essencialmente à carne branca),
ovos, etc. Onde é que ele poderá ir buscar a mesma quantidade de proteína sem ser à
carne? E terá o mesmo efeito? E à minha filha, também lhe vamos dando carne (em
muito pouca quantidade), mas será que lhe podemos eliminar?
Outra coisa que queria perguntar é o que sugere comer entre refeições? Estou habituada
a comer de 3 em 3 horas, e como treino todos os dias, tenho sempre muita fome… O
que sugere?
Também gostava de saber se tem algum workshop/palestra prevista para a zona de
Coimbra. Gostava muito de fazer o curso de macrobiótica, mas em Lisboa é impossível.
Resposta:
Olá Cláudia,
Começo por te sugerir que pesquises na Internet sobre atletas de alta competição que
são vegetarianos. � Vais ficar positivamente surpreendida com o que vais encontrar.
Isto porque a proteína de fonte vegetal é tão eficaz como a de origem animal, desde que
se saiba onde ir busca-la.
Não é de todo necessário os atletas de alta competição comerem carne. Se o teu marido
quiser continuar a comer alimentos de origem animal é preferível usar peixe à carne.
É fácil obter proteína completa combinando cereais integrais com leguminosas ou com
sementes ou oleaginosas (nem tem que ser na mesma refeição.
Não será por acaso que a generalidade das culturas têm um prato que liga o cereal com a
leguminosa, sendo no caso português um dos exemplos o arroz com feijão. Para além
das leguminosas, também podes usar a soja, desde que esta tenha sido fermentada,
como é o caso do tofu, do tempeh, do miso e do molho de soja (sem açúcar).
E sim, também sugiro que se elimine a carne à tua filha, até porque a carne, tendo
proteína, tem também Purinas, as quais, em excesso, causam ácido úrico, e são fonte de
gordura saturada, prejudicial ao sistema circulatório, entre outras.
Quanto ao que comer entre refeições, há várias opções. Podes por exemplo procurar a
receita de barritas de cereais que a Ana Galvão tem no blog dela e que são boas tanto
para ti como para o teu marido ou comer por exemplo uma maçã acompanhada de frutos
secos.
Relativamente a palestras/workshops na zona de Coimbra, podes tentar contactar a
Cozinha Consciente no telefone 929412000.

Teresa Carvalho

Tenho um problema de olhos secos há mais de 10 anos (tenho 41 anos) que me provoca
ser mais sensível (do que seria “normal”) ao sol, fumos, pós, produtos químicos (de
limpeza e outros)… Nunca usei lentes de contacto (nem uso óculos). Deixei de utilizar
anticoncecionais como a pílula pois agravavam o problema. Uso um hidratante ocular
diariamente. Se me descuido um pouco na sua aplicação a sensação de desconforto,
ardor, secura e dor aumentam o que me obriga a recorrer a outros colírios. Facilmente
faço conjuntivites e outras inflamações oculares mais complicadas que me obrigam a
usar diferentes colírios – líquidos e pomadas (antibióticos e não só). Até à data estas
infeções nunca atingiram o eixo de visão. Há 10/11 anos fiz alguns exames para
despiste de problemas reumatológicos e de coração, mas aparentemente estava tudo
bem. Gostaria de saber de que forma a macrobiótica me pode ajudar.
Gostaria ainda de saber se uma grávida pode consumir produtos regularmente usados
em macrobiótica como kuzu, miso, ameixa umebochi,… de forma segura ao longo de
toda a gestação ou se há algum que deva evitar. Conhece bibliografia específica de
macrobiótica acerca da gravidez?
Muito obrigada!

Resposta:
Olá Teresa,
Para os olhos secos podes experimentar aplicar compressas de chá três anos morno
levemente salgado.
No que se refere aos produtos que indicas e o seu consumo na gravidez, podem
consumir-se esses produtos, desde que não exagere na quantidade. Deves ter algum
cuidado com o excesso de alimentos salgados (o miso e a ameixa umeboshi são um
pouco salgados), devendo dar-se preferência a alimentos saudáveis e reconfortantes,
como por exemplo fazer creme de cereais de grão (por exemplo, creme de arroz ou
creme de millet), abóbora e cebola cozidas ou na sopa, feijão azuki estufado e, por
exemplo, maçã cozida como sobremesa. Sopa de soba (esparguete à base de trigo
sarraceno também é muito bom no caso de gravidez). Estes são apenas alguns
exemplos. O mais importante é que haja muita variedade (saudável) na alimentação da
grávida.
Não há praticamente bibliografia atualizada sobre a macrobiótica na gravidez mas a
minha mulher está precisamente neste momento a trabalhar num livro para grávidas,
bebés e crianças que deve ser publicado ainda este ano.
Para mais informações, existem alguns workshops que fazemos no Instituto
Macrobiótico de Portugal sobre gravidez e alimentação para crianças que te poderão dar
mais informação sobre esse tema.

Bruno Costa

Há cerca de um ano resolvi deixar de comer produtos animais e fui retirando-os aos
poucos da minha alimentação. Comecei por deixar de consumir leite, seguindo-se a
carne e o peixe. Ainda me restam alguns latícinios (porque sou doido por queijo) e os
ovos e que, ainda que sejam consumidos em menor quantidade, com o tempo, quero
eliminá-los da minha alimentação.
O único fator que me preocupa é o aporte correto de vitamina B12. Li no recente livro
da Marta Horta Varatojo que algumas algas possuem quantidades significativas de
vitamina B12, contudo alguma outra literatura parece referir que a mesma não é bem
absorvida pelos humanos.
Uma vez que na alimentação macrobiótica também se aconselha o reduzido consumo de
produtos animais, gostaria de questionar o Dr. Francisco Varatojo sobre a melhor forma
de colmatar a necessidade de B12.
Resposta:
Olá Bruno,
A questão da vitamina B12 em regimes totalmente vegetarianos é realmente uma
consideração.
Apesar de existirem alguns produtos vegetais como as algas que contêm alguma B12
muitas vezes esta não é bem absorvida, pelo que é possível desenvolver carência de B12
com uma prática totalmente vegan (ou predominantemente vegan).
Apesar de existirem vegans há muitos anos que não apresentam quaisquer deficiências
assim como comedores de carne em grande quantidade que têm deficiências sérias. A
questão não é assim tão linear e passa muito também pela capacidade do organismo de
sintetizar e assimilar B12.
Assim, sugiro que tenhas uma prática essencialmente macrobiótica vegetariana com
bastante variedade de métodos culinários e uso regular de alimentos fermentados. Faz
um exame à B12 uma vez por ano para saber como estão os níveis da mesma. Se
estiverem muito baixos (perto dos valores mínimos) aconselho-te a fazer suplementação
de B12 ou comer algum produto animal sob a forma de peixe.
Esperando ter sido útil,

Isabel Silva
Antes de mais, muitos parabéns pela iniciativa!… Um blog bem útil e elucidativo, sem
dúvida! J E, desde já quero agradecer ao Dr. Francisco Varatojo pela atenção e
disponibilidade que me possa dispensar.
A minha questão prende-se com o seguinte:
Sou vegetariana há aproximadamente 4 anos, tenho 43 anos e, no geral, sinto-me bem
psicológica e fisicamente. Estou minimamente informada acerca da problemática, que
irei expor de seguida, pelo que tento fazer uma alimentação equilibrada… porém,
parece-me que não há meio de me sentir estabilizada.
Passo a explicar então!
Acho que sofro, efetivamente, de anemia crónica… penso até que desde sempre! Nada
tem, pois, a ver com o facto de me ter tornado vegetariana. Lembro-me que nem sempre
tinha energia, vitalidade…! E percebo agora o porquê da minha dificuldade de
memorização nos tempos de estudante!
Embora não me sinta mal, apenas na altura do período menstrual em que me sinto com
poucas forças e sem iniciativa ou ânimo, receio que futuramente possa ter problemas de
saúde graves. Acredito que a minha anemia surge em consequência do fluxo menstrual
mais intenso, nos dois primeiros dias. E, após o período, no intervalo entre as
menstruações, o organismo não deve chegar a recuperar.
Tento, por isso, fazer uma alimentação rica em ferro, uma alimentação rica em vegetais
de folha verde, brócolos, salsa, beterraba,… como leguminosas e também escolho
alimentos ricos em Vit.C (fruta cítrica e tomate) para ajudar a fixar o ferro. E, sei que
devo evitar comer alimentos ricos em cálcio, porque o cálcio é um inibidor natural da
absorção do ferro, tais como oleaginosas, sementes, tofu, cereais (em geral), ou beber
vinho, juntamente com os alimentos ricos em ferro numa refeição.
Apesar de todos estes cuidados algo me escapa e acabo por concluir que o problema
está em mim… ou melhor, no meu organismo, que simplesmente não absorve o que
necessito!… E isto preocupa-me imenso!!
Será que tenho que começar a suplementar B12, ferro e ácido fólico até ter os níveis de
ferro estáveis? Não gostaria de ficar dependente destes produtos… Consumo ovos
biológicos (também só os como porque posso adquirir ovos caseiros)…
Dr. Francisco, é possível contornar esta minha carência apenas com um plano alimentar
específico?!
Tendo presente a sua experiência… peço-lhe, p.f., que me ajude a traçar então um plano
alimentar, isto é, a saber quais os melhores ingredientes que devo incluir semanalmente
nas minhas refeições diárias.
E, qual o procedimento ideal para ajudar o meu corpo a aproveitar todos os nutrientes de
que necessita, especialmente no que toca às carências que referi?
Grata uma vez mais pela ajuda!

Resposta:
Olá Isabel,
No que se refere à anemia, é possível que o ferro consumido não esteja a ser
corretamente assimilado. Assim, para favorecer a condição intestinal, sugiro que tomes
sopa de miso, consumida diariamente, ou outros produtos com fermentação de boa
qualidade, como molho de soja de boa qualidade (sem açúcar) ou picles às refeições
(sem adição de açúcar ou vinagres). Para fortalecer o intestino também é importante
incluir cereais integrais (em grão) na alimentação, como sejam o millet, o arroz integral
ou a cevada (que fica muito bem na sopa. Quanto às leguminosas, as mesmas devem ser
demolhadas (por cerca de 8 horas) e para serem melhor digeridas, devem ser cozinhadas
com alga kombu. No teu caso as lentilhas são particularmente boas.
Para anemia é essencial comer muitas folhas verdes como nabiças, grelos, agrião, couve
portuguesa, etc. O uso de vegetais salteados é também uma boa ajuda.
Se o fluxo menstrual for muito intenso isso pode realmente contribuir para uma
condição mais anémica mas uma prática alimentar adequada deverá ajudar a melhorar
esta condição.
Para a anemia podes também usar chá de kuzu. O chá consiste em adicionar a uma
chávena de água, uma colher de chá de kuzu e um pouco de polpa de ameixa umeboshi.
Coloque ao lume e deixe cozinhar em chama baixa, mexendo sempre, até engrossar. No
final pode adicionar umas gotas de molho de soja.
Deve ser bebido quente, duas a três vezes por semana, durante duas semanas.
Por questões de tempo e espaço não me é de todo possível deixar-lhe aqui planos
alimentares ou fazer recomendações mais específicas. Para tal, teria que te ver numa
sessão de aconselhamento.
Desejo-te as maiores felicidades

São Mendonça

Eu sou seguida a vários anos por vários médicos (desde gastro, médicos família) por ter
a doença de Crohn. A última médica onde estou a ser seguida (hospital Cascais) diz que
não sabe bem se o que tenho é Crohn. O facto é que tenho imensas dores de estômago
(com nervos e ansiedade pioram), as vezes fico com a barriga tão inchada que pareço
estar com 6 meses de gravidez, não sei o que deva comer visto que o q é integral faz-me
mal assim como vegetais.

Será que a cozinha macrobiótica pode ajudar? Agradeço que envies a minha questão ao
Francisco Varatojo. Posso até marcar uma consulta.

Muito obrigada e sucesso nesta nova etapa.

Resposta:
Olá São,
Indico de seguida algumas sugestões que ajudam a melhorar o intestino,
independentemente de ter ou não doença de Crohn.
Assim, são de evitar todo o tipo de farinhas de forno, como sejam o pão, as bolachas, ou
as pizas, entre outros. No entanto não precisa de eliminar os cereais integrais, muito
pelo contrário. Os cereais integrais devem ser incluídos na alimentação, desde que
sejam em grão, devendo ser demolhados por cerca de 3 horas e cozinhados com alga
kombu até ficarem bem macios.
Antes das refeições deverá comer sopa de miso (pode incluir cenoura e cebolinho, este
último antes de servir) principalmente de cevada não pasteurizada.
À refeição deverá incluir muitos vegetais verdes de rama, bem como pickles naturais
(sem açúcar adicionado e nem qualquer tipo de vinagre). Os picles pode faze-los em
casa ou é possível encontrar picles de chucrute, que respeitam as características, nas
lojas de produtos naturais e/ou biológicos.
Deve eliminar todo o tipo de carnes (brancas e vermelhas) bem como os estimulantes
(açúcar, café, chocolate, álcool, …) e os lácteos (que atacam bastante o intestino).
Por substituição das carnes, pode comer peixe de carne branca duas a três vezes por
semana, assim como algumas leguminosas, que devem estar de molho por 8 horas e ser
cozinhadas com alga kombu, para favorecer a sua digestão.
Um remédio caseiro para o intestino consiste em fazer chá de kuzu duas a três vezes por
semana. O chá de kuzu consiste em incluir a uma chávena de água, uma colher de chá
de kuzu e um pouco de polpa de ameixa umeboshi. Coloque no lume e depois de ferver,
apague, inclua meia colher de chá de molho de soja (sem açúcar) e beba quente. O kuzu
é muito benéfico ao intestino.
Finalmente, ajudaria se tivesse uma prática desportiva moderada, como por exemplo
andar por 30 minutos vigorosamente, todos os dias. A caminhada é extremamente
benéfica para os intestinos e conjugada com uma boa alimentação pode fazer mesmo a
diferença.

As vossas perguntas podem ser enviadas para anagalvao3@gmail.com

http://anagalvao.pt/2016/02/o-consultorio-de-francisco-esta-de-volta/

A consulta de Francisco Varatojo


18/03/2016

Aqui vos deixo, amigas e amigos do blog, mais três questões respondidas pelo
Francisco Varatojo, director do Instituto Macrobiótico de Lisboa. Recordo, como
sempre, que estas respostas são genéricas e que não as devem assumir como substitutas
de uma consulta a sério pois o Francisco não fez uma avaliação vossa completa. Por
isso, devem marcar uma consulta com ele, ou com um médico, se acharem necessário.
As melhoras.

Mandem as vossas questões para o mail anagalvao3@gmail.com

Todas as questões serão respondidas, quem enviou e ainda não tem aqui a resposta, não
se apoquente, está a chegar.

Anabela Oliveira
Antes de mais queria-lhe dar os parabéns pelo blog que para mim é uma verdadeira
inspiração. Aliás, a Ana é uma grande inspiração por si só.
Então, vou tentar resumir ao máximo a minha condição para, depois, colocar as
questões ao Dr. Francisco.
Chamo-me Anabela, tenho 48 anos, vivo no Porto e à 15 anos tive um problema
oncológico que veio alterar em muito a minha vida. Fiquei bem, graças a Deus, mas
fiquei com muitas mazelas devido aos tratamentos agressivos a que fui sujeita. Na
altura, não havia a informação que hoje dispomos e cada caso era um caso e portanto
uma solução muitas vezes não era aplicável a todos da mesma forma. Ora, foi o que
aconteceu comigo. Com os tratamentos fiquei com uma enterite rádica, síndroma de
cólon irritável, desenvolvi uma anemia crónica severa, uma osteoporose que passou
ultimamente a osteopenia. Desenvolvi ainda um linfedema na perna esquerda. Este
problema está a ser tratado em Barcelona, pois aqui em Portugal não temos solução para
este tipo de problemas tão incapacitantes.
Enfim, ainda assim tentei ao máximo levar uma vida o mais normal possível, sem
grandes resultados. O facto de ter estes problemas, acabou por me afetar em muito o
meu dia a dia, o meu desempenho profissional e o meu desempenho em geral.
Desde o lançamento do seu blog que eu passei a introduzir os cereais na minha dieta.
Utilizo o millet, o arroz integral, algumas algas, o miso o kuzo…Contudo, a maioria dos
alimentos que me podem dar energia e ajudar a combater a anemia, eu não os consigo
comer: frutos vermelhos, citrinos, vegetais de folha verde, feijão.
Em 15 anos, já experimentei introduzi-los por diversas vezes e os resultados são sempre
tão nefastos para a minha saúde que até tenho medo. Fico com cólicas terríveis,
diarreias durante dias, perco imenso peso. A recuperação é sempre muito lenta e a
minha dieta tem sempre de ser pobre em resíduos. Pois é Ana, estou nesta vida à tempo
demais e logo eu que gosto tanto de comer. Talvez por isso eu tenha sempre tentado
manter a “coisa” o mais normal possível, não dar muita importância ao assunto. Não
resultou. Tenho vindo a piorar imenso e os médicos só me mandam tomar ferro
injetável 2 vezes por anos e montes de medicação. É assim à tempo demais.
Assim sendo, gostaria que me ajudasse a conseguir minimizar estes meus problemas,
através de uma alimentação mais saudável e adaptável a estes meus problemas.
Já agora e só para terminar, sou intolerante à lactose, não consumindo por isso leite nem
os seus derivados. Também não consumo carnes vermelhas.
Obrigada Ana e um grande beijinho para si.

Resposta

Olá Anabela,

Alguns pontos positivos na situação que descreve são o facto de não consumir carnes
vermelhas e ser intolerante à lactose. No que se refere à carne, sugiro que também
elimine as carnes brancas por também serem prejudiciais. Por substituição, deverá
utilizar peixe branco (preferencialmente de mar), duas a três vezes por semana, e
leguminosas, como por exemplo, lentilhas, grão, feijão. Por forma a serem melhor
digeridos pelo intestino, as leguminosas devem ser demolhadas por um mínimo de 8
horas (deitar fora a agua da demolha) e cozinhadas com alga kombu.
Nestes casos em que o intestino parece estar fragilizado, também é importante eliminar
todo o tipo de estimulantes, como o açúcar (mesmo o amarelo e a agave), o café e o
álcool e reduzir ao máximo todo o tipo de farinhas refinadas e óleos.
Por contraste, os alimentos fermentados de boa qualidade vão fortalecer o intestino, pelo
que se recomendam. Alguns exemplos são a sopa de miso (preferencialmente miso de
cevada não pasteurizado, podendo juntar à sopa cenoura e cebolinho, este último já no
final, antes de servir) e os produtos fermentados de forma natural mas sem açúcar
adicionado ou álcool (procure por picles de chucrute, que não costumam ter estes dois
ingredientes adicionados, sugiro que confirme sempre nos rótulos).
Deverá privilegiar, em todas as refeições principais, os cereais em grão, devendo ser
cozinhados até ficarem bem macios (dê preferência ao arroz integral) e evitar a batata, a
beringela e a beterraba, podendo ocasionalmente optar pela batata-doce. Os legumes
verdes (comece por optar por aqueles que consegue digerir melhor) e raízes (cenouras,
nabos, …, muito importantes no quadro que descreve) devem aparecer sempre no prato
e ser consumidos cozinhados de formas diferentes, como por exemplo em sopas e em
estufados.
Como sobremesa, opte por fruta cozida em vez de crua, da época e local,
preferencialmente a maçã e as peras nesta altura do ano. Doce de abóbora também é
uma opção, desde que utilize geleia de arroz ou de outro cereal, em vez do açúcar
(mesmo o açúcar amarelo é prejudicial)
No que se refere à anemia, é possível que a deficiência não se deva à falta de consumo
de ferro mas a uma dificuldade de assimilação por parte do intestino. Para que ocorra a
assimilação, é necessário que o ferro seja consumido com vitamina C e que o intestino
esteja em boas condições. Assim, melhorando o intestino, à partida melhorará a anemia.
Como remédio caseiro para fortalecer o intestino, poderá utilizar ainda bebida de kuzu
com umeboshi e duas a três gotas de shoyu, bebida 2 a 3 vezes por semana em jejum
durante 1 mês. Uma outra alternativa é chá de cenoura e nabo ralados, com duas
gotinhas de shoyu.
Finalmente, note que para poder realizar recomendações mais específicas teria de ter em
conta outras indicações das quais não disponho, pelo que lhe sugiro, se assim o
entender, uma visita ao Instituto Macrobiótico de Portugal.
Desejo-lhe as maiores felicidades

Carla Pereira

Olá Ana,
Aqui segue a minha questão:

Tenho 38 anos, 1,64m e até ao meu casamento e gravidez sempre fui relativamente
magra (55/58Kg).
Após a gravidez, com um trabalho que gera muita ansiedade e competividade engordei
16 Kg.
Entretanto, após a leitura de alguns livros da Catarina Beato que por sua vez me
encaminharam para o mundo da macrobiótica já consegui perder 10 Kg.
Acontece que os restante 6 kg estão a ser difíceis de perder.
Por razões sociais ainda não eliminei por completo as carnes (vermelhas e brancas) mas
eliminei os lacticínios a 90% e as carnes a 70%.
Faço caminhadas durante uma hora cerca de 3 vezes por semana. Tenho privilegiado os
cereais integrais, leguminosas, vegetais e alguma fruta da época.
Tem alguma sugestão para a minha perda de peso? Tenho receio que ao comer arroz
integral, grão, feijão, millet, quinoa e cevada esteja apenas a manter o peso, ou até
aumentá-lo, em vez de emagrecer…

O IMP nunca pensou em proporcionar aos habitantes do norte e centro do país as suas
aulas via video/Skype/online? com custo como é evidente…Era uma alternativa a
alguém como eu que não tem recursos para se deslocar frequentemente a Lisboa.
Resposta

Olá Carla,
Antes de mais obrigada pela ideia que deste sobre aulas online, vamos ver o que
podemos fazer. Entretanto, estão disponíveis na internet alguns vídeos em que falo
sobre macrobiótica e que te poderão ser uteis. Podes consultar a minha página do
youtube https://www.youtube.com/channel/UCmjvF4z2SeOvlyff7WVJi8Q

Relativamente ao consumo de cereais integrais em grão (arroz integral, millet, quinoa e


cevada, como bem indicas) estes não só não engordam (se consumidos em quantidades
moderadas a cada refeição), como ajudam, em muitos casos, a emagrecer. Nota que o
cereal integral tem muita fibra e esta sacia mais do que os cereais em forma mais
refinada (como o pão, as massas e outros), como também ajuda a restabelecer o
intestino, beneficiando uma maior eliminação por parte do corpo. Quanto mais
refinados os cereais, mais difícil a absorção por parte do corpo e maior a tendência para
a sua acumulação interna, em especial quando ingeridos em conjunto com gorduras ou
com fermentações químicas. Ou seja, nem sempre tem a ver com as calorias que
ingerimos, mas antes com aquelas que o nosso corpo consegue processar e largar.
Assim, sugiro que reduzas ao máximo todo o tipo de farinhas processadas, como o pão,
as massas e que dês preferência aos cereais em grão, devendo ser incluídos em todas as
refeições principais do dia. O arroz e a cevada são particularmente bons para ajudar a
emagrecer, pelo que deves demolhar metade-metade por 3 horas, coze-los em conjunto
e utilizá-los frequentemente à refeição.
A sopa de miso, preferencialmente não pasteurizada e de cevada, tomada diariamente
também poderá ajudar.
O ideal seria deixares não só o leite mas também os seus derivados; o queijo engorda
bastante, assim como a manteiga. Reduzir ainda mais a carne também seria uma boa
opção, substituindo-as pelas leguminosas que indicaste (grão, feijão) assim como
lentilhas ou por peixe de mar, branco, cerca de duas vezes por semana. As refeições
também devem incluir muitos vegetais e cozinhados de diferentes formas, porque
ajudam na eliminação dos excessos.
Como remédio caseiro proponho-te fazeres chá de cenoura e nabo ralado, com umas
gotas de molho de soja de boa qualidade (shoyu, sem açúcar), bebido durante duas
semanas e em jejum.
Fazer um banho seco diariamente também é muito útil. Este banho consiste em esfregar
o corpo vigorosamente com uma toalha húmida e quente pela manhã, à qual também se
pode adicionar um pouco de gengibre, de vez em quando.
Quanto à caminhada, é uma ótima prática, sendo que se for realizada em passo bem
acelerado, tanto melhor.
Desejo-te as maiores felicidades

Susana

Chamo-me Susana e estou a fazer 44 anos.


No inicio de 2015 tive eczema da mama no qual usei corticoides com que não me dei
bem, apenas estabilizou com o Protopic, que neste momento o uso 2xsemana.
Depois em Maio 2015, fiz alergia a um creme para bebes da farmácia que me fez ficar
com o corpo cheio de eczemas e que após este episódio e através de teste se comprovou
que sou alérgica a uma serie de conservantes (formaldeido) e ao dexpantenol.
Ao final de alguns meses tudo estabilizou, mas agora desde Dezembro 2015 até hoje
1xmes me aparece herpes nas costas (e sou daquelas pessoas que em toda a vida apenas
tive no máximo 4 vezes herpes na boca). A médica me receitou Aciclovir. Será que
existe algum tipo de alimentação que possa acabar com isto?

Resposta

Olá Susana,

Tendo em conta que a pele é um dos principais órgãos do corpo com função de
excreção, pelas características que descreves é possível que o teu corpo esteja a tentar
eliminar elementos que te podem estar a prejudicar. Por outro lado, os herpes atacam
quando o sistema imunitário está em baixo, o que em grande parte dos casos se deve a
uma fraqueza ao nível do intestino (onde se encontram a maior parte das nossas defesas
naturais), o que se pode dever a várias causas, uma das quais pode mesmo ser a
necessidade de eliminação.
É por este motivo que te sugiro, por um lado passares a ingerir determinados alimentos
à refeição e por outro eliminares outros que podem ser mais nefastos quando
consumidos regularmente.
Assim, deves incluir cereais integrais (em grão, preferencialmente o arroz integral) em
todas as refeições, assim como legumes (verdes e raízes) cozinhados de formas
diferentes, não só em sopas mas também aparecendo no prato. O alho francês e o
cebolinho são particularmente bons aqui, podendo ser acrescentados picadinhos na sopa
de miso, adicionado imediatamente antes de servir.
Como remédio caseiro sugiro que tomes todas as manhãs, durante duas semanas, sopa
de miso preferencialmente de cevada não pasteurizada, à qual deves juntar alga wakame
e vegetais. Depois das duas semanas, passa para um registo de dia sim, dia não. Outra
opção (que pode ser combinada com a anterior) é gelatina de maçã usando agar-agar (a
gelatina de compra tende a ser muito industrializada e não surte o mesmo efeito)
No que se refere aqueles que podem ser prejudiciais, sugiro-te reduzires ou,
preferencialmente, eliminares três grupos de produtos da tua alimentação.
Os primeiros são os estimulantes, nos quais se inclui o açúcar, o chocolate, o café.
Os segundos são as carnes (branca e vermelha), porque o corpo humano tem dificuldade
em digeri-la, devendo ser substituída por leguminosas e por peixe branco que não seja
de viveiro, duas a três vezes por semana.
Os terceiros são as farinhas de forno refinadas, como as bolachas, pão, pizas, sendo que
nestes casos temos a combinação de farinhas refinadas com óleos (muitas vezes de má
qualidade) e fermentos (geralmente químicos, que continuam a levedar mesmo depois
de consumidos).
Acredito que ao reduzires a quantidade de substâncias a eliminar, que poderás ver
francas melhorias no quadro que descreves.
Finalmente, o exercício físico é um ótimo descongestionante físico. Correr, andar a uma
velocidade rápida, ioga, tai chi, meditação, … sugiro-te que escolhas e que pratiques
aquele que mais te anime.
E finalmente, confiança na vida, cantar uma musica animada diariamente, por vezes
também é necessário.
Felicidades

http://anagalvao.pt/2016/03/a-consulta-de-francisco-varatojo/

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