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Adições dos Cimentos

PCC 3222
2017
© Poli USP 2017

Objetivo da aula

Apresentar os diferentes tipos de adições


dos cimentos comerciais

Compreender como as adições podem alterar


as propriedades desses cimentos

Analisar os cimentos comerciais e as


condições mais indicadas de uso.

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Fonte: http://www.abcp.org.br/cms/wp-content/uploads/2009/12/adicoes-cimento-ilustra-3.jpg
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Nomenclatura dos Cimentos

CIMENTO PORTLAND CLASSE DE RESISTÊNCIA (AOS 28 DIAS)

CP II Z 32 RS

CIMENTO COMPOSTO
RESISTÊNCIA A SULFATOS
content/uploads/2015/10/saco-azul-CP-II-Z-esq.jpg
http://www.cimentonacional.com.br/wp-

http://images.taqi.com.br/large_730x730/041532_z_large.jpg

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Fonte: adaptado da apresentação de Silva Vieira – Conceitos básicos sobre cimentos (Votorantim Cimentos )
Composições dos Cimentos (normas)
Cimento Clínquer + Escória de Pozolana Fíler Classe
gesso alto forno calcário
Comum CP I 100 -
Comum com
CP I-S 95-99 - - 1-5
adição
25
CP II-E 56-94 6-34 - 0-10
32
Composto CP II-Z 76-94 6-14 0-10
40
CP II-F 90-94 - 0-10
Com escória
de alto forno CP III 25-65 35-70

25
Pozolânico CP IV 45-85 15-50 0-5
32
Alta -
Resistência CP V 95-100 -
Inicial (ARI)
www.abcp.org.br/cms/wp-content/uploads/2016/05/BT106_2003.pdf
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Fonte: adaptado da apresentação de Silva Vieira – Conceitos básicos sobre cimentos (Votorantim Cimentos )

Uso das adições no cimento


Fonte: adaptado da apresentação de Silva Vieira – Conceitos básicos sobre cimentos (Votorantim Cimentos )

Pozolanas no NE

Escórias no SE

Cinzas volantes no S

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Uso de adições no Brasil
35%
Ano 2013
30%
3%
25% 3%

20%
13
15% %

10%

7%
5%

0%
1.990 2.000 2.005 2.006 2.007 2.008 2.009 2.010 2.011 2.012 2.013
Gypsum Limestone Slag Fly ash Puzzolana Others
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Mercado predominante
(ensacado, consumidor formiga)

Total 34,3 65,7

Sul

Sudeste

Centro-Oeste

Nordeste

Norte

0% 20% 40% 60% 80% 100%

Granel Saco

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Dados: Sindicato Nacional da Indústria de Cimento
Razões para o uso das adições

 Econômicas
 Reduz o teor do clínquer no cimento
Ambiental
 Uso de resíduos (outras indústrias), redução de aterros
 Emissões de CO2 de resíduos  zero.

E clinquer × clinquer (%) + E adições × adições (%)


E cimento (CO 2 ) =
clinquer + adições (%)

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Emissões do CO2 (Cimentos Brasileiros)


Emissões do cimento (kg CO2/t cimento)

Média brasileira: ~600kg/t, teor de clínquer 69%


Fonte: Heinrich (2015)
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Efeito das adições no cimento
 Alteram o calor de hidratação
 Escória, pozolana, fíler calcário (REDUZ)
 Metacaulim, microsílica (AUMENTA)
 Alteram a resistência do cimento no tempo
• Depende do tipo de adição, da área específica e da idade.
• As resistências nas primeiras idades (< 28 dias) reduzem
• As resistências nas idades avançadas (> 28 dias) aumentam
 Alteram a durabilidade
• Menos permeável (a agentes agressivos)
• Ataque por sulfatos
• Reduzir Al2O3 no cimento (< 8%)
• Reação álcali-agregado
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Curva de resistência típica dos cimentos


55
50 Mesmo teor de água (relação água/ligante)
Resistência à compressão (MPa)

45
40
35
30
25
20
15 CP I-S CP II CP III CP IV CP V
10
5
0 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30
Idade (dias)
www.abcp.org.br/cms/wp-content/uploads/2016/05/BT106_2003.pdf
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Como agem as adições no cimento?

SÃO MATERIAIS NÃO CRISTALINOS, COMPOSTOS


PELOS ÓXIDOS PRINCIPAIS DO CIMENTO
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Fonte:Lothenbach et al. Supplementary cementitious materials. Cement and Concrete Research 41 (2011) 1244–1256

Fonte: http://our.componentone.com/wp-content/uploads/2014/02/ternary.gif

A + B + C = 100%
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Identificação de fase não cristalina
Análise mineralógica (Difração de Raios-X)

Fase não cristalina

Fonte: Hoppe Filho (2008).


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Escórias de Alto Forno (EAF)


https://sc01.alicdn.com/kf/HTB1wGJgKXXXXXcOXpXXq6xXFXXXY/EAF-black-steel-Furnace-Slag.jpg

http://wwwo.metalica.com.br/escoria-granulada-de-alto-forno

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De onde vem?

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Fonte:https://sites.google.com/site/tecnologiaprocessometalurgico/_/rsrc/1369619383569/fundicao-i/2-fornos/9-f-especiais/Auto-Forno.png

Escória de alto-forno

1550oC

lento
rápido
Energia

Moída, em meio alcalino


aglomerante
Adição agregados
Agregado
(reativa) (inerte)
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Escória de alto forno: características e efeitos
no cimento
 Reatividade
 depende de quantidade de fase não cristalina,
contaminantes, alcalinidade do meio
 reação lenta (reduz calor)
 Resistência à compressão (mat. cimentícios)
 Menor nas primeiras idades (<28 dias)
 Maior nas idades avançadas (> 28 dias)
 Durabilidade (mat. cimentícios)
 Forma mais produtos hidratados
 Menos poros
 Retração (maior)
poros menores (maior quantidade)
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Pozolanas naturais

Cinzas vulcânicas (as primeiras pozolanas naturais)

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Pozolanas (argilas calcinadas)
Argila alimentada no forno (à esquerda) e argila calcinada em ambiente redutor (à direita)
Desenvolvimento do IPT para atender à exigência de cor pelo usuário.

Fonte: www.ipt.br/noticia/1082-argila_calcinada_no_cimento.htm
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Pozolanas (resíduos industriais)


Disponíveis no mercado para adição ao concreto
Disponíveis no CP-IV

Cinza volante Sílica ativa (NBR13956)


e argamassas

Cinza de casca de arroz © Poli USP Metacaulinita


2017 (NBR15894)
(pouco usada)
Microestrutura (pozolanas)
Cinza volante Metacaulinita

Materiais geralmente mais finos que o cimento Portland (aglomeram)


Vítreos/amorfos (não cristalinos)
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Área Específica (pozolanas)

Adição Área específica (m2/kg)


Metacaulinita 10.000 – 25.000
Cinza volante 300-700
Sílica ativa 13.000-30.000 (*)

(*) Aditivo dispersante é essencial para


reduzir consumo de água
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Como ocorre a reação pozolânica no
cimento?

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Reação de Hidratação: cimento Portland


Silicatos de Cálcio (Clínquer)
 Mais Rápida
2C3S + 6H → C3S2H3 + 3 CH
C-S-H CAL HIDRATADA

SUBPRODUTO DA
 Mais Lenta HIDRATAÇÃO
2C2S + 4H → C3S2H3 + CH
C-S-H CAL HIDRATADA

PREENCHEM VAZIOS!!!!
Simbologia: C = CaO S=SiO2 H=H2O CH = Ca(OH)2
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Entendendo a reação pozolânica

Reação Pozolânica (condições):

Produtos de hidratação (C-S-H)

3CH + 2S → 2C3S2H3

Sílica vítrea (amorfa), solúvel em meio alcalino


Subproduto da hidratação
do cimento portland

REAÇÃO LENTA!!!!
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Pozolanas: características e efeitos no


cimento
 Reatividade
• depende do tipo, da fração não cristalina (amorfa),
área específica, etc
• a reação é geralmente lenta.
 Resistência à compressão (mat. cimentícios)
 Menor nas primeiras idades (<28 dias)
 Maior nas idades avançadas (> 28 dias)
Durabilidade (mat. cimentícios)
 Forma menos cal hidratada
 Menos poroso (mais C-S-H)

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É possível produzir um cimento
integralmente composto por pozolana?

Quais características são desejáveis para uma


pozolana?

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Teor crítico de adição


80
Resistência à compressão (MPa)

60 dias
91
28
40

3
20

0
0 20 40 60 80
Teor de cinza (%)
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Fíler: por que adicionar?

 Usado para reduzir o teor de clínquer em


materiais cimentícios
 Quando mais fino que o cimento, pode reduzir
demanda de água dos materiais cimentícios
 Tem pouco efeito químico (reação), mas pode
gerar um pequeno aumento na resistência à
compressão.

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(Efeito) Fíler

QUANDO O FÍLER CALCÁRIO É MAIS FINO QUE O CIMENTO,


O MESMO PODE GERAR EMPACOTAMENTO DOS SÓLIDOS E
REDUZIR A DEMANDA DE ÁGUA.
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(Efeito) Fíler

QUANDO MAIS FINOS QUE O CIMENTO, PODEM ACELERAR A


REAÇÃO DE HIDRATAÇÃO DO CIMENTO (EFEITO NUCLEADOR)
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Exercício 1

• Estime a geração de escória de alto forno no


Brasil.
• Discuta se a produção do cimento poderia
ser integralmente substituída pela escória de
alto forno.

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Resposta

•Produção de Cimento (2015)


• 65,3 milhões de t/ano
•Produção de ferro gusa (2015)
• 27,016 milhões de t/ano
• Geração de escória de alto forno
• 0,300 t de escória/ t de ferro gusa
•Produção de escória de alto forno (2015)
• 27,016 x 0,30 = 8,105 milhões de t/ano
•Teor estimado de substituição
• 8,1/65,3=12% !!!!
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Exercício 2
 Defina um cimento comercial para uso em
uma obra de fundação de grande porte na
cidade de São Paulo.
• No solo local, foi identificada a presença de
sulfatos.
 Justifique a sua escolha.

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Bibliografia

DAL MOLIN, D.C.C. Adições minerais. In: Geraldo


Cechella Isaia. (Org.). Concreto: Ciência e Tecnologia.
2ed.São Paulo: Instituto Brasileiro do Concreto
(IBRACON), 2011, v. 1, p. 185-232.

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