Você está na página 1de 7

INSTRUÇÕES DE COMO MONTAR UM CONSULTORIO FARMACEUTICO

CONSULTORIA FARMACEUTICA
EXIGENCIAS INICIAIS
1º PASSO: Formação do empreendedor.
Deve ser farmacêutico, graduado como Bacharel em Farmácia por uma instituição de
ensino superior devidamente reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC). O
profissional deve estar devidamente registrado no Conselho Regional de Farmácia
(CRF) da sua jurisdição, e não se encontrar impedido por motivos éticos ou
administrativos de exercer a profissão. Este primeiro requisito é fundamental para a
consolidação do farmacêutico clínico que busca empreender na prestação de serviços
farmacêuticos e de saúde direcionados aos usuários de medicamentos.

2º PASSO: Capacitação.
A grande maioria dos farmacêuticos que atuam em farmácias comunitárias e drogarias,
públicas ou privadas, no Brasil, não tiveram formação clínica durante a graduação. Isso
mudará a partir da conclusão da revisão das Diretrizes Curriculares dos Cursos de
Farmácia - processo em andamento atualmente. Portanto, agregar conhecimentos e
competências clínicas e em gestão de serviços de saúde é fundamental para o
farmacêutico que busca empreender em um consultório.

3º PASSO: Estabelecer os objetivos.


Realizar estudo crítico da legislação que regulamente as atribuições clínicas do farmacêutico e a
prescrição farmacêutica no Brasil, especificamente as Resoluções 585 e 586 do CFF, ambas
publicadas em 29 de agosto de 2013. É recomendável, também, uma releitura da RDC-ANVISA
44, de 17 de agosto de 2009, que dispõe, entre outros temas, sobre a prestação de serviços
farmacêuticos em farmácias e drogarias. Completando este estudo preliminar, a leitura analítica
da Lei 13.021, de 08 de agosto de 2014, será de grande contribuição para a conclusão quanto
aos objetivos de um consultório em relação à prestação da assistência farmacêutica e de serviços
em saúde.

4º PASSO: Decidir se o consultório farmacêutico será implantado dentro da instalação de


uma farmácia ou drogaria ou será instalado de forma independente, sem relação ou interligação
com um estabelecimento farmacêutico.

 Consultório farmacêutico instalado em farmácia ou drogaria


a regulamentação segue uma via mais simples, pois este estará anexado a uma estrutura já
existente e que será regulamentada como um estabelecimento farmacêutico (farmácia ou
drogaria) que passa a oferecer serviços na sua prática profissional. Serão necessárias
atualizações da documentação quanto às atividades desenvolvidas para os estabelecimentos
já em funcionamento ou, em caso de estabelecimentos novos, uma adequada descrição
inicial das atividades a serem desenvolvidas quando do processo de abertura do
estabelecimento junto à Vigilância Sanitária local. Em ambos os casos, o enquadramento da
atividade econômica na Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE se dará
por um dos seguintes códigos: 4771-7/01 (comércio varejista de produtos farmacêuticos, sem
manipulação de fórmulas); e/ou 4771-7/02 (comércio varejista de produtos farmacêuticos,
com manipulação de fórmulas); e/ou 4771-7/03 (comércio varejista de produtos
farmacêuticos homeopáticos).

 Consultório farmacêutico independente de farmácia ou drogaria


Serão necessárias uma adequada descrição inicial das atividades a serem desenvolvidas
quando do processo de abertura do estabelecimento junto à Vigilância Sanitária local.
Enquadramento da atividade econômica na Classificação Nacional de Atividades
Econômicas – CNAE se dará por um dos seguintes códigos: 4771-7/01 (comércio varejista
de produtos farmacêuticos, sem manipulação de fórmulas); e/ou 4771-7/02 (comércio
varejista de produtos farmacêuticos, com manipulação de fórmulas); e/ou 4771-7/03
(comércio varejista de produtos farmacêuticos homeopáticos). No estado de São Paulo
Portaria CVS nº 01/2017.

O farmacêutico empreendedor contará com dados e argumentos que permitirão o início


da elaboração do plano de negócio, que deve considerar o aspecto inovador da iniciativa
de se implantar um consultório farmacêutico em uma comunidade que ainda não está
familiarizada com este tipo de serviço de saúde, o que ocorre praticamente em todo o
Brasil. A qualidade do plano de negócio será essencial para a tomada de decisão de iniciar
ou não o empreendimento e mais, caso o farmacêutico empreendedor venha a precisar
levantar recursos financeiros para o investimento.

Considerando a necessidade de buscar recursos junto às instituições financeiras, um novo


desafio surge: a inovação deste modelo de negócio. Por um lado, a inovação é positiva,
quando possibilita diferenciação de mercado e conquista de mercados ainda não
explorados. Por outro lado, quando se trata de captação de recursos, esta iniciativa pode
gerar insegurança na instituição credora no processo de aprovação do financiamento. É
neste sentido que a qualidade do plano de negócio poderá contribuir para a expressão da
confiança necessária junto aos investidores. Em se tratando de consultórios farmacêuticos
instalados em farmácias e drogarias o processo de captação de recursos pode ser mais
simples, por configurar uma expansão das atividades do negócio já existente. Quanto aos
consultórios independentes, o fato de ainda não haver um código de CNAE específico
para esta atividade pode ser um agravante neste processo.

Como se preparar em termos de recursos financeiros

As estratégias devem ser bem diferentes, de acordo com a natureza e configuração do


negócio. Consultórios farmacêutico implantados em farmácias ou drogarias podem
requerer menores investimentos. Entretanto, esta conclusão é dependente do nível de
adaptação necessária na infraestrutura do estabelecimento para receber a nova expansão.
Já os consultórios independentes tendem a requerer maior investimento inicial,
considerando que precisarão ser submetidos a todo o processo de abertura e
regulamentação de uma nova empresa, o que envolve diversos custos com processos e
documentação.

Em se tratando da estrutura necessária, ambos os modelos podem ser muito semelhantes.


Isto dependerá dos serviços a serem realizados e do potencial de atendimento pretendido.
Estas decisões também dependem da avaliação crítica do plano de negócio.

Tomadas as decisões, e feita a planilha de custos, sugere-se que o empreendedor preveja


um valor próximo àquele definido para o investimento de implantação destinado ao
capital de giro, de modo a sustentar o empreendimento até que se atinja o ponto de
equilíbrio econômico e financeiro. Muitos novos empreendimentos fracassam no Brasil
antes de completarem um ano de atividade por falta deste tipo de previsão.

Equipamentos necessários

A definição dos equipamentos necessários depende diretamente dos serviços a serem


oferecidos. Nesta análise é importante que o farmacêutico empreendedor saiba diferenciar
serviços farmacêuticos de serviços de saúde. Os serviços farmacêuticos compreendem
basicamente a análise da farmacoterapia, a conciliação de medicamentos prescritos, o
manejo de doenças autolimitadas e o acompanhamento farmacoterapêutico. Os principais
equipamentos para a prática desses serviços são o conhecimento e a expertise clínica do
profissional. Entretanto, o farmacêutico pode se apoiar em um aplicativo informatizado
para a gestão dos serviços e em referências bibliográficas de qualidade, entre livros e
bancos de dados de informações clínicas na internet.

Já os serviços de saúde, que complementam e integram os serviços farmacêuticos,


requerem instrumentos específicos para a sua realização. São exemplos:
esfigmomanômetro com estetoscópio, aparelho determinador de glicemia, insumos para
aplicação e administração de medicamentos, refrigerador com controle de temperatura
para armazenamento de vacinas, entre outros.

A estrutura geral se assemelha muito a de qualquer outro consultório de cuidado à saúde,


envolvendo cadeiras, mesas, computadores, maca, pia com água corrente, entre outros,
respeitando a legislação sanitária específica ou aquela que melhor se aplicar.

Necessidade de colaboradores

Esta questão também deve ser respondida de forma diferenciada, dependendo da natureza
e modelo do negócio. Os consultórios instalados em farmácias ou drogarias já contarão
com o suporte de RH já existente no estabelecimento. Nesses casos, pode ser necessária
a contratação de outro profissional farmacêutico, seja para as atividades clínicas, seja para
desempenhar as demais funções de responsabilidade técnica.

Em se tratando de consultórios independentes, a estrutura de RH adequada é outra. Parte-


se da necessidade de uma secretária, incumbida do agendamento e do controle das
informações dos pacientes. Em alguns casos, dependendo dos serviços ofertados, uma
auxiliar de enfermagem pode contribuir na realização e procedimentos, como
determinação de parâmetros fisiológicos e bioquímicos, realização de pequenos curativos
ou ainda na aplicação e administração de medicamentos e vacinas. Em ambos os casos,
os serviços devem ser prestados e coordenados por um farmacêutico com formação
clínica.

Seleção de pessoal

Caso o empreendedor não seja farmacêutico clínico, o primeiro critério é selecionar um


profissional com essa qualificação. Este profissional deve ter competências não somente
em práticas clínicas e em farmacoterapia, mas também em gestão, que o permitam atender
aos pacientes e administrar todo o processo de cuidado a eles.
Os demais profissionais devem ser selecionados de acordo com os critérios de cada
empresa. Entretanto, é importante se avaliar o nível de credibilidade e confiança que esses
profissionais depositam nos serviços ofertados, pois serão fundamentais no
estabelecimento de relações de cuidado ao paciente.

Período desde o planejamento até a abertura

Este tempo também dependerá da natureza e do modelo do negócio. Entretanto, o ideal é


que, em qualquer caso, o tempo entre a elaboração do plano de negócio, a captação dos
recursos financeiros, e a conclusão do processo de implantação não ultrapasse seis meses.
Este prazo deve ser considerado na incorporação do capital de giro necessário para
sustentar o empreendimento até que se atinja o ponto de equilíbrio econômico e
financeiro.

O que é essencial na hora de abrir as portas

• Infraestrutura completa;

• Regulamentação fiscal e sanitária;

• Farmacêutico clínico com competências em gestão;

• Equipe de RH treinada;

• Divulgação à sociedade e aos demais profissionais da saúde da região.

Inauguração

A inauguração pode ser explorada em dois focos: o público-alvo, ou seja, a população em


geral; e os profissionais de saúde prescritores. Assim, o importante é demonstrar a
natureza do consultório farmacêutico como estabelecimento prestador de serviços de
saúde. Campanhas educativas em saúde podem estabelecer melhor esse contexto. O velho
e tradicional modelo com palhaços, pipocas, algodão doce e bexigas coloridas pode
chamar a atenção, mas não transfere mensagem alguma nem tão pouco marca a natureza
do negócio junto ao público-alvo, portanto são desaconselhados. Ações com laboratórios
da indústria farmacêutica e divulgação com os mesmos nos consultórios médicos.

Divulgação à comunidade

Esta também deve ser uma abordagem dupla: focada na população e, diferentemente, aos
profissionais prescritores. No primeiro caso esclarecendo quanto aos benefícios e
vantagens dos serviços oferecidos. No segundo, apresentando as contribuições que tais
serviços podem proporcionar à qualidade dos tratamentos dos pacientes.

O atendimento

Pode-se estabelecer uma sequência mínima de ações que devem ser contempladas na
prática do cuidado ao paciente:

a) Atendimento cortez e atencioso pela recepção (seja por uma secretária ou pela
equipe de atendimento de uma farmácia ou drogaria);
b) Triagem do paciente. Em farmácias e drogarias isto é importante no sentido de se
identificar a real necessidade de se encaminhar o paciente ao serviço
farmacêutico. Em consultórios independentes, este processo pode integrar as
funções da recepcionista/secretária no sentido de identificar a real compreensão
do paciente quanto aos serviços oferecidos no consultório.

c) Acolhimento do paciente. Realizado de forma atenciosa e comprometida pelo


farmacêutico clínico, que demonstra verdadeiro interesse em cuidar da saúde do
paciente que busca por seus serviços.

d) Acompanhamento. Por meio do estabelecimento de uma metodologia de


monitoramento do processo de cuidado ao paciente, considerando suas
necessidades individuais.

Documentos a serem oferecidos ao paciente

Após cada atendimento, o paciente deve receber a Declaração de Serviço Farmacêutico,


em cumprimento ao Artigo 81, Seção III, da RDC-ANVISA nº 44, de 2009, referida
anteriormente. Ainda, em caso de prescrição farmacêutica decorrente do serviço de
manejo de problema de saúde autolimitado, o paciente também deve receber a primeira
via da prescrição emitida, independentemente dessa prescrição conter tratamentos
farmacológicos ou não.

Nos casos em que os serviços farmacêuticos são cobrados do paciente, o que deve se
consolidar como tendência, o paciente ainda deve receber o recibo de serviços, de acordo
com a legislação vigente em cada Estado da federação.

Indicação da farmácia para a compra de medicamentos

Essa é uma discussão bastante importante diretamente relacionada à ética profissional.


Considerando que uma prescrição farmacêutica seja emitida em um consultório instalado
em uma farmácia ou drogaria, não há impeditivos legais ou éticos que impeçam o paciente
de adquirir seus medicamentos nesse mesmo estabelecimento. Do mesmo modo, esse
cliente não pode ser coagido a fazê-lo, tendo total liberdade para decidir adquiri-los em
outro estabelecimento, se assim julgar conveniente.

Em se tratando de um consultório farmacêutico independente de uma farmácia ou


drogaria, a indicação de um estabelecimento para a aquisição de medicamentos ou outros
recursos terapêuticos prescritos pode incorrer em prática antiética, passível de processo
ético-administrativo.

Cobrança pela consulta

A consulta farmacêutica, assim como qualquer outro serviço farmacêutico, deve ser
cobrada. Esse é um dos caminhos a ser percorrido na busca do maior reconhecimento
profissional do farmacêutico clínico. Todo serviço de saúde de qualidade e prestado com
bases na ética deve ser devidamente e justamente remunerado, e nisso se incluem os
serviços farmacêuticos.

A determinação dos valores a serem cobrados deve ser o resultado de um estudo de


formação de preços, no qual devem ser considerados a natureza e complexidade dos
serviços prestados, as condições socioeconômicas do público-alvo, os custos operacionais
do consultório e a expectativa de lucro do empreendimento. Deste modo, os valores
variam conforme cada realidade. Experiência já em funcionamento, indicam valores que
variam de R$ 15,00 a R$ 100,00 por consulta e serviços farmacêuticos prestados.

Recibo

É necessário emitir Recibo de Serviço, uma vez que se trata de prestação de serviço em
saúde. O recibo deve conter nome, CPF, endereço, carimbo e o CRF ao qual está ligado.

Pós-atendimento

O pós-atendimento é muito importante no sentido de acompanhar os resultados dos


serviços farmacêuticos prestados. A estratégia e a qualidade deste acompanhamento
estarão atreladas aos princípios e valores da empresa. Quanto ao aspecto clínico, o
acompanhamento deve ser parte da metodologia empregada no processo de cuidado dos
pacientes, principalmente nos casos de revisão e conciliação da farmacoterapia, do
manejo de problemas de saúde autolimitados e do acompanhamento farmacoterapêutico.

Controle da farmacoterapia

O controle da farmacoterapia engloba o monitoramento dos resultados e a identificação


de possíveis resultados negativos associados aos medicamentos (RNMs) decorrentes de
problemas relacionados ao uso dos medicamentos (PRMs), que podem ser desde o uso
incorreto dos medicamentos, reações adversas a estes, e até interações medicamentosas.

A sistemática de acompanhamento e controle dependerão da metodologia de atenção


farmacêutica praticada pelo farmacêutico clínico. Entretanto, as formas de comunicação
e relacionamento como paciente podem envolver desde consultas frequentes por
agendamento, até contatos por telefone e sistemas de mensagens via aparelhos celulares
e seus aplicativos.

Você também pode gostar