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A IMPORTÂNCIA DO SABER CUIDAR NA PRÁTICA PASTORAL

Ary Carvalho Junior

Pdf gerado em 13/8/2018 a partir do texto disponível no endereço


http://blog.pastordavi.com/a-importancia-do-saber-cuidar-na-pratica-pastoral/

RESUMO

O presente artigo oferece um panorama sobre a importância do cuidado pastoral em suas


dimensões bíblica, teológica e psicoterapêutica, focalizado no desenvolvimento das pessoas e
da congregação. Mostra a dimensão conceitual do cuidado, bem como os seus significados e a
prática do aconselhamento como forma de cuidado pastoral nos dias atuais.

Palavras-chave: cuidado, aconselhamento pastoral, ética.

INTRODUÇÃO

A intenção deste texto não é simplesmente ponderar sobre o cuidar como uma atitude
de ocupação, preocupação, de responsabilidade e de envolvimento afetivo com o outro, mas
sim, mostrar que o cuidado pastoral é o sinal da presença de Jesus, e quem concede este
cuidado, precisa ser um mensageiro da esperança e da cura de Cristo.

O cristianismo nos apresenta o Deus Encarnado, Jesus de Nazaré, como alguém que
dispensou cuidados, inclusive tocando pessoas enfermas, curando-as e colocando as mãos
sobre a cabeça das crianças, abençoando-as. O cuidado de Jesus para com os outros era
imensamente prático.

A sociedade atual conseguiu desenvolver uma comunicação superficial em que se fala


muito e, às vezes, animadamente, mas sem interação pessoal, sem revelar quem realmente é
o falante e quem é o ouvinte. Os relacionamentos atuais são úteis para a manutenção dos
vínculos de amizades dentro de um grupo ou comunidade, mas pouco revela da
personalidade, do caráter, do jeito de ser dos indivíduos, mantendo-se escondidos nas mais
diversas formas.

A técnica do aconselhamento pastoral precisa ser organizada. Os pastores e agentes


pastorais precisam resgatar o sentido primevo, que se reflete na palavra cuidar. O pastor é
aquele que provê alimento. Este alimento, que é a palavra de Deus, unida às ações reais no
cotidiano das pessoas, precisa conduzi-las a formação de Cristo nas suas vidas. O cuidado
pastoral vai sempre acontecer em um campo aberto, onde pensamentos, valores, anseios,
sentimentos aflorarão na medida em que esta pessoa vai se abrindo para a transformação da
mente e do coração. A este respeito, Mack (2004, p. 12), escreve:
O aconselhamento verdadeiramente cristão está fundamentado, de modo consciente
e abrangente, na Bíblia, extraindo dela a sua compreensão a respeito de quem é o
homem, da natureza de seus problemas, dos “porquês” destes problemas e de como
resolvê-los. Em outras palavras, o conselheiro precisa estar comprometido, de modo
consciente e envolvente, com a suficiência das Escrituras para resolver e compreender
todas as dificuldades não-físicas, relacionadas ao pecado, que afetam o próprio
indivíduo e seu relacionamento com os outros. Muitos em nossos dias se declaram
conselheiros cristãos, mas não afirmam a suficiência das Escrituras. Em vez disso, eles
crêem que precisamos de discernimento proveniente de teorias psicológicas e extra-
bíblica para compreendermos e ajudarmos as pessoas, especialmente se elas têm
problemas sérios. Para tais conselheiros, a Bíblia possui autoridade apenas
designadora (ou seja, como um instrumento que nomeia) e não funcional (atual,
genuína e respeitada quanto à pratica) no aconselhamento. Estes conselheiros
reconhecem que a Bíblia é a Palavra de Deus e, por isso, digna de respeito, mas,
quando se refere a entender e resolver muitos dos problemas autênticos da vida, eles
crêem que a Bíblia possui valor limitado. Onde quer e por quem quer que seja
realizado esse tipo de aconselhamento, somos convencidos de que, embora o
conselheiro seja um crente, seu aconselhamento é sub-cristão, porque não está
fundamentado, de modo consciente e abrangente, na Bíblia.

Todo processo de cuidado pastoral é uma ação ou realização continuada e prolongada


de alguma atividade que vise, ao final, o bem-estar daquele que necessita de cuidados. Trilhar
esse caminho de auxílio ao outro exige uma análise critica dos fatores que envolvem a vida da
pessoa em questão. Isso pode revelar as diversas origens do problema e, também, direcionar
para os melhores caminhos a fim de solucioná-los.

A FILOLOGIA DO CUIDAR

No exemplo da compaixão do cristianismo ao longo dos séculos, encontramos a força do


cuidado, do desejo de dedicar-se ao outro com interesse, compromisso, e muito amor. Jesus,
os apóstolos e a igreja cristã têm dado sentido ao cuidar, através de incontáveis exemplos
registrados na Bíblia e na história da humanidade. O cristianismo entendeu sua forma de ser
no mundo caminhando pelo cuidado.

Conforme Leonardo Boff (2001, p. 33), a palavra cuidado tem a mesma raiz da palavra
cura. Em sua forma mais antiga, no latim, cura escrevia-se coera e era usada num contexto de
relações de amor e amizade. No entanto, lembra o próprio autor, outros pesquisadores
consideram-na derivada de cogitare-cogitatus, no latim, cujo sentido é o mesmo de cura:
cogitar, pensar, colocar atenção, mostrar interesse, revelar uma atitude de desvelo e de
preocupação.

O cuidado (cogitatu, ou seja, pensado) somente surge quando a existência de alguém


tem importância pessoal. Cuidado significa, então, desvelo, solicitude, diligência, zelo, atenção,
bom trato. O cuidado tem sido lugar de encontro interdisciplinar de saberes que se projetam
tanto no ser humano quanto no cosmos. É possível o cuidado a objetos, plantas, animais, rios,
pessoas ou ao planeta Terra.

A partir desse valor substantivo emerge a dimensão de alteridade, de respeito, de


sacralidade, de reciprocidade e de complementaridade. Leonardo Boff destaca que “o cuidado
significa uma constituição ontológica sempre subjacente, sendo a constituição ontológico-
existencial mais original do ser humano”. O autor defende uma relação entre cuidado e
compaixão, compreendendo o ser humano como um “ser de cuidado e de compaixão".

Cuidado significa, então, desvelo, solicitude, diligência, zelo, atenção, bom trato. Trata-
se, como se depreende, de uma atitude fundamental. Como dizíamos anteriormente, cuidado
implica um modo-de-ser mediante o qual a pessoa sai de si e se centra no outro com desvelo e
solicitude. Temos, nas línguas latinas, a expressão “cura d’almas” para designar o sacerdote ou
o pastor cuja incumbência reside em cuidar do bem espiritual das pessoas e acompanhá-las
em sua trajetória religiosa. Tal diligência não se faz sem fino trato, sem zelo e dedicação,
semesprit definesse, como convém às coisas espirituais. (BOFF, 2001, p. 33)

Na atividade pastoral, o cuidado é condição sine-qua-non, pois cuidar pressupõe que há


alguém que cuida e alguém que é alvo desse cuidado.

Assim como Leonardo Boff, em Saber Cuidar, lembra-nos da importância do cuidado a


partir do ato de cativar. Ao se cativar alguém, ganha-se sua simpatia, sua estima, seu querer
bem. Em contrapartida, essa palavra dá origem à outra, nada simpática: cativeiro, que significa
prisão, escravidão, sofrimento.

O ACONSELHAMENTO COMO FORMA DE CUIDADO PASTORAL

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.


Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de
coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu
fardo é leve."

Mateus 11.28

Max Lucado (2002) em seu livro “Aliviando a Bagagem” destaca: “De todos os animais
criados por Deus, a ovelha é a menos capaz de cuidar de si própria”.

Não foi por acaso que Davi escolheu a ovelha para ilustrar o ser humano. Assim como as
ovelhas precisam e dependem de um pastor, o ser humano precisa de um pastor que o ajude a
entender qual a melhor direção a seguir, o melhor alimento para a sua alma, o melhor lugar
para repousar e recompor suas forças, o ser humano precisa e muito de Deus.

O pastoreio depende essencialmente do amor de Deus pelas suas ovelhas. O amor,


biblicamente falando, não é definido apenas como um sentimento. O amor se expressa em
ações concretas na relação com a pessoa amada. O vocábulo grego ágape traduzido por amor
nos textos do Novo Testamento, pressupõe sacrifício e disponibilidade pessoais em relação à
pessoa amada. Davi, diz que o Senhor Deus, na condição de Grande Pastor, vivencia esse amor
em ações concretas.

Paul Tillich (1959, p.21) assevera que o cuidar é universalmente humano: "O cuidar é
universalmente humano. Ninguém pode cuidar de si mesmo em todas as situações. Ninguém
pode, até mesmo, falar a si próprio sem que lhe tivesse sido falado por outrem”.

Ronaldo Sathler Rosa (2004) em “Cuidado Pastoral em Tempos de Insegurança” trabalha


como eixo central o tema do cuidar, cuidar como elemento fundamental nas relações que
procurem à fidelidade e que motivem o serviço para o livre caminhar das pessoas, grupos,
famílias no difícil caminho do abandono de si mesmas.

Aconselhamento Pastoral pode ser definido como um processo através do qual “as
pessoas se encontram para repartir lutas e esperanças”. A motivação para o exercício dessa
modalidade de cuidado tem raízes, especialmente, na mensagem bíblica do Reino de Deus que
anuncia a Boa Nova para a humanidade. Nessa tarefa podemos recorrer, além dos recursos
tradicionais do pastoreio cristão, tais como as Escrituras, a tradição, a oração, os meios de
graça e a teologia, às ciências que investigam a natureza humana e que têm como
compromisso a busca da plena saúde humana. Wayne Oates (1974, p. 9-10) define
Aconselhamento Pastoral como:

[...] “disciplina não-médica cujos objetivos essenciais são facilitar e agilizar o


crescimento da personalidade; ajudar as pessoas a modificarem padrões de vida com
os quais estão insatisfeitas e prover companheirismo e sabedoria para as pessoas que
estão enfrentando perdas e desapontamentos.”

Vivemos em um mundo em que muitos se sentem solitários. Às vezes não têm a quem
procurar para dividir suas preocupações, suas lutas e suas alegrias. A figura do pastor
representa, para muitos, um porto seguro onde as pessoas podem se ancorar, narrar suas
dificuldades e, mais importante, podem ser ouvidas com atenção. Quando se encontra alguém
disposto a ouvir essa atitude cria condições para que as pessoas ganhem novas perspectivas
sobre si mesmas e sua existência.

É preciso dar atenção às palavras ditas pelas pessoas que procuram apoio pastoral. É
fundamental entender que para quem está falando não foi fácil chegar até esse momento de
procurar ajuda e expor a sua vida. Nesse caso, fala-se, também, através do longo silêncio e dos
espaços silenciosos, do olhar com ternura e interesse. É preciso aceitá-los como expressão de
sentimentos difíceis de serem ventilados. Podemos aprender a “ouvir” o silêncio de outras
pessoas, suas expressões e a nos sentirmos à vontade com o nosso próprio silêncio diante do
inexplicável, do imponderável, do inesperado. O silêncio também fala. E a Palavra pode
desvelar-se no silêncio. Como lembra G. Gutierrez (1984 p. 44), “a teologia é um falar
enriquecido por um calar”.
O Aconselhamento Pastoral tem como objetivo promover a maturidade cristã, ajudar as
pessoas amadurecerem, entrando numa experiência mais rica de adoração a Deus, numa vida
mais efetiva de serviço a Deus e ao próximo, em todos os momentos e circunstâncias da
vida. Deve levar o aconselhando a deportar-se com todos e quaisquer problemas da vida, com
uma determinação de agir coerentemente com as Escrituras. E conseqüentemente
desenvolvendo um caráter interior que se conforme com o caráter (atitude) crenças e
propósitos de Cristo.

O pastor, ao lidar com problemas apresentados, deve levar em conta a dignidade da


imagem de Deus e a depravação do pecado como sendo elementos fundamentais do ser
humano, tendo compaixão pelo pastoreado e sabedoria para falar do pecado, como algo
possível de se abandonado em prol de uma nova forma de vida. O Teólogo Julio César
Zabatieiro diz que para o pastor cuidar bem do rebanho de Cristo ele precisa primeiro ser
cuidado pelo Supremo Pastor.

Muitos pastores e modelos pastorais hoje têm uma visão do cuidado pastoral na
moldura da multidão no templo, do frenesi momentâneo produzido na reunião, na cura
realizada, nas campanhas destituídas de afeto relacional e de interesse genuíno na dor do
outro.

O cuidado pastoral não pode ser somente via púlpito, via reunião em suas várias
expressões, mas ele deve seguir o modelo cristológico da aproximação, da compreensão, da
percepção, da misericórdia, do ensino curador, libertador, do envolvimento em todas as
facetas da vida desde a alegria até a tristeza, a dor, desde a vida ate a morte desde o ganho
ate a perda. Ele deve estar solidificado na justiça e na paz.

Henry Nouwen (2001) em seu livro “O Sofrimento que Cura”, mostra que o cuidado
pastoral contemporâneo deve ser margeado também por uma compreensão do componente
humano, mostrando também a visão macro do ministério e do cuidado pastoral que abrange
não só a “igreja”, mais o “bairro”, a “cidade” e o “mundo” do Senhor. Um
cuidado integralizado, pois Jesus Cristo, modelo de cuidado pastoral, não armou a sua tenda
num “gabinete pastoral” e esperou as pessoas virem a ele, mas ele armou sua tenda de cidade
em cidade, abençoando as vidas na busca do perdido, na busca da justiça em seu tom integral,
na busca do fraco, dos injustiçados, na busca dos que não tinham amigos, na busca do perdido.

Jesus Cristo, em seu cuidado pastoral, não priorizou a multidão mais o indivíduo que faz
parte da multidão. Hoje essa atitude é bem diferente. Muitos pastores valorizam o
aglomerado humano como massa de manobra do que o indivíduo como imagem de Deus,
priorizam o reino aqui e agora e o patrulhamento ideológico como sucesso terreno, gloria
humana, corredor da fama, trocadilho financeiro, promessas de um pseudo Celeste por vir em
contornos humanistas, e uma ênfase demasiada na pregação egocêntrica e das necessidades.

A reformulação da excelência do ministério e do cuidado pastoral é sem dúvida


necessária e urgente e deve ter a cruz de Cristo como modelo. David Hansen (2001) em seu
livro “A Arte de Pastorear”, diz que o cuidado pastoral e o ministério pastoral jamais podem
ser dirigidos por tendências contemporâneas como modismo, tarefas, entre outros. Ele faz
uma crítica aos teólogos profissionais que reduziram o trabalho pastoral em realização de
coisas e isso gera uma falta de tempo para a leitura já que os teólogos profissionais reclamam
que pastores quase não lêem.

Ele diz que devemos prestar atenção em duas áreas do ministério de Jesus Cristo que é
importante para esse resgate do excelente: Primeiro o seu “ministério” e segundo o “roteiro
de sua vida”.

O Aconselhamento Pastoral hoje constitui dentro dos princípios e das práticas cristãs,
um dos setores específicos do ministério do Pastor. Pois o Aconselhamento Pastoral abrange
uma área de especialização na teologia pastoral. Tem como propósito, dentre outros, a re-
orientação para a vida, educação, higiene mental, recondução e a administração da vida
espiritual.

Tem como objetivo, ajudar a pessoa a enfrentar eficazmente a situação difícil e voltar ao
seu nível comum de comportamento. Diminuir a ansiedade, a apreensão e outros tipos de
insegurança que possam persistir depois de ter passado a crise. Ensinar técnicas de solução de
crises, a fim de que a pessoa fique melhor preparada para antecipar e tratar das crises futuras.
E considerar os ensinos bíblicos sobre as crises, a fim de que a pessoa aprenda com as mesmas
e cresça como resultados dessa experiência.

O CUIDADO E A ÉTICA PASTORAL

Richard L. Mayhue mostra quais são as responsabilidades básicas do pastor baseado na


epístola do apóstolo Paulo aos irmãos de Tessalônica:

Orar (I Ts.1.2,3;3.9-13); Evangelizar (I Ts.1.4,5,9,10); Capacitar (I Ts.1.6-8); Defender (I


Ts. 2.1-6); Amar (I Ts. 2.7,8); Labutar (I Ts.2.9); Exemplificar (ITs.2.10); Liderar (I
Ts.2.10-12); Alimentar (I Ts. 2.13); Vigiar (I Ts.3.1-8); Alertar (I Ts. 4.1-8); Ensinar (I Ts.
4.9-5.11); Exortar (I Ts. 5.12-24); Encorajar (II Ts. 1.3-12); Corrigir (II Ts. 2.1-12);
Confrontar (II Ts. 3.6,14) e Resgatar (II Ts. 3.15).

A comunicação, na prática do aconselhamento pastoral precisa ser terapêutica, embora


o processo de aconselhamento não seja ‘terapia’, em sentido estritamente técnico-
profissional. Ou seja, em seu modo próprio, proclama a Palavra de salvação - cuja expressão na
Bíblia acha-se associada a termos tais como ‘saúde’, ‘paz’, ‘bem-estar’, que se torna visível,
também, em condições gerais de bem-estar, na saúde e em relacionamentos significativos.
Além disso, pastores e pastoras devem honrar o compromisso da confidencialidade.

Em seu livro “Despertando para um Grande Ministério”, H.B London Jr. e Neil B.
Wiseman pensando em termos ministeriais dizem que:

Toda a responsabilidade é terra santa por que Jesus se entregou pelas pessoas que
vivem ali. Todo lugar é importante por que Deus quer que você realize algo
sobrenatural ali. Toda situação é especial por que o ministério é necessário ali. Como a
Rainha Ester, você veio para o Reino para um tempo como este. (LONDON JR &
WISEMAN,1996, p.20).
Isso é um fato importante a ser tratado por que o cuidado pastoral deve ser elevado á
um grau de excelência e não uma peça decorativa na atividade poimênica. A igreja corpo de
Cristo tem que ser cuidada, protegida, amada, curada, sanada, crescente e isso somente
acontecerá a partir de uma visão cristológica.

Como a rainha Ester (Ester 4.16), este é o nosso tempo e não podemos deixar escapar o
sobrenatural de Deus nas vidas das pessoas a partir de um cuidado pastoral sadio. O Brasil
contemporâneo a nível eclesial tem enfrentado muitos problemas no campo eclesiástico e
doutrinal em virtude do pragmatismo e o afastamento dos princípios da palavra de Deus,
porém urge a hora que Deus nos chama para fazer diferença em épocas nebulosas.

Com a Bíblia nas mãos e com o coração encharcado de misericórdia e compaixão, é


possível celebrar a comunhão como caminho de cura e ação terapêutica no cuidado pastoral
como expressou o Dr. Larry Crabb (2000) em seu livro “O lugar mais seguro da Terra”.

O cuidado pastoral não é feito somente por uma única pessoa e sim pela comunidade da
fé, esse cuidado também não está trancado no chão geográfico eclesial mais ele se move em
busca do aflito em solução de conflito apaziguando as beligerâncias humanas. Ele se mistura e
se envolve no drama do outro e no rosto do outro contempla a face de Deus.

Esse cuidado pastoral não se move em busca de honra, favor, glória, fama mais ele se
posiciona como se posicionou o bom samaritano que atendeu o ferido sem pedir nada em
troca e viu no outro o seu próximo.

CONCLUSÃO

O objeto do ministério pastoral resume-se numa única palavra: gente. Gente no sentido
de indivíduo, de pessoa como entidade, única e incomparável. Gente de todo tipo, pois uma
das grandes marcas da igreja de Cristo é a diversidade. A igreja é formada por indivíduos, cada
um com sua história de vida, com seus talentos e com suas necessidades. E muitas dessas
necessidades exigem que o pastor esteja preparado a prestar nada menos que um
atendimento personalizado e sob medida.

O aconselhamento é o remédio que o pastor tem em mãos para tratar as feridas


emocionais que muitas ovelhas carregam pela vida. Utilizar-se das Escrituras para exercer o
aconselhamento é uma tarefa sábia para os pastores que estão comprometidos com o
crescimento espiritual de suas ovelhas.

A prática do aconselhamento pastoral é fundamental na sociedade em que vivemos. As


pessoas continuam com problemas, mas a igreja pode ajudá-las a vencer a si mesmas, às
dificuldades interiores e aos obstáculos que se formaram no decorrer de sua existência. As
pessoas precisam ser cuidadas, necessitam de apoio para continuar sobrevivendo e há
métodos que podem ser utilizados pelo conselheiro pastoral.
Esse conselheiro não precisa ser necessariamente o pastor da igreja. Membros da igreja
podem receber treinamento teórico e prático para auxiliar a liderança da igreja e ajudar
aqueles que necessitam de cuidados.

À medida que entendemos que a igreja é uma comunidade terapêutica, uma


comunidade da poimênica, que presta assistência, promove cura e possibilita crescimento,
então é certo dizer que também cabe ao pastor a tarefa de treinar a igreja nesta vocação, a fim
de que seus membros desenvolvam na prática a verdade do “sacerdócio universal de todos os
santos”, sendo ministros uns dos outros. O papel do pastor consiste em treinar, inspirar e
supervisionar as pessoas leigas no ministério.

Podemos perceber então a importância do trabalho pastoral na transformação de uma


igreja local em comunidade terapêutica. Pastores saudáveis e equilibrados, ou pelo menos
conscientes de suas limitações e em busca de sua integralidade, saberão orientar os membros
rumo ao crescimento. Por outro lado, pastores sem esta consciência, desfocados de sua
integralidade, dificultarão e prejudicarão o desenvolvimento dos membros de sua
comunidade.

Poderíamos dizer então que, neste caso, pastores nervosos gerarão igrejas neuróticas.
Quão grande é a responsabilidade do pastor quanto ao bem estar e crescimento da igreja
rumo ao cumprimento de sua missão integral.

REFERÊNCIAS

BOFF, Leonardo. Saber Cuidar. 7ª ed. Petrópolis: Vozes, 2001.

CRAAB, L. O Lugar mais seguro da Terra. São Paulo: Mundo Cristão, 2000.

GUTIERREZ, Gustavo. Falar sobre Deus. Concilium, 1984.

HANSEN, David. A arte de pastorear. São Paulo: Shedd Publicações, 2001.

LONDON H.B. - WISEMAN Neil Despertando Para um Grande Ministério: Um Livro de Pastor
para Pastor. Traduçao Guilherme Kerr. Sao Paulo: Editora Mundo Cristao 1996.

LUCADO, Max. Aliviando a bagagem. RJ: CPAD, 2002.

MACK, Wayne. Características distintivas do aconselhamento cristão: Fé para hoje. São José
dos Campos, SP, 2004.

MACARTHUR, JOHN. Redescobrindo o Ministério Pastoral: Moldando o Ministério


Contemporâneo aos Preceitos Bíblicos. Traduçao Lucy Yamakami. Rio de Janeiro: Editora CPAD.
1999.

MAYHUE, Richard L. “A Família do Pastor”, cp. 9 em John MacArthur, Jr. Redescobrindo o


Ministério Pastoral. RJ: CPAD, 1999.
NOUWEN Henri, O Sofrimento que Cura: Por meio de Nossas próprias feridas, podemos nos
tornar fonte de Vida para o Outro, traduçao Pedro Elyseu Scweitzer, Sao Paulo: Ediçoes
Paulinas, 2001.

OATES, Wayne. The Bible in Pastoral Care. Philadelphia, Westminster, 1953.

SATHLER-ROSA, Ronaldo. Cuidado Pastoral em Tempos de Insegurança. Uma Hermenêutica


Contemporânea. São Paulo: ASTE, 2004.

ZABATIERO, Julio. Cuida (n) do – A Arte do Pastorado, out. – dez 2001.

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