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Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º Trimestre de 2018

Tema Geral: O Livro de Atos dos Apóstolos

Introdução ao Livro de Atos

Autor: Wilson Paroschi
Professor de Novo Testamento
Southern Adventist University
Collegedale, TN, EUA

Editor: André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br
Revisora: Josiéli Nóbrega

O Livro de Atos, ou Atos dos Apóstolos, é o quarto livro do cânon do Novo Testamento (NT),
e o segundo em tamanho. Com 18.450 palavras (no original grego), ele é menor apenas que
o Evangelho de Lucas, que tem 19.482 palavras. O terceiro é Mateus, com 18.346 palavras.

Autor. Assim como os evangelhos, Atos não traz o nome de seu autor. Segundo a tradição
cristã, o autor foi Lucas, identificado em Colossenses 4:14 como médico de formação e
assistente evangelístico de Paulo. A mesma passagem (Cl 4:10-15), deixa claro que Lucas
era gentio, ou seja, não judeu, visto que ali Paulo não o inclui entre aqueles que são “da
circuncisão”, no caso, judeus étnicos ou conversos à religião judaica. Fora isso, o Novo
Testamento pouco ou nada informa a respeito de Lucas, embora deixe implícito que ele
esteve com Paulo em pelo menos duas de suas viagens missionárias, a segunda e a
terceira, além do período de seu aprisionamento em Jerusalém, encarceramento em
Cesareia e subsequente viagem a Roma, após haver ele apelado ao imperador. Em Atos, a
primeira pessoa do plural (“nós”) é utilizada nessas partes do relato (At 16:10-17; 20:5–
21:18; 27:1–28:16), o que sugere que o autor tenha participado dos eventos que narrou. Em
2 Timóteo 4:11, Paulo também se referiu a ele em seu aprisionamento final em Roma.

A tradição da igreja também diz que Lucas era natural de Antioquia da Síria, mas não há
como comprovar a veracidade dessa informação. Seja como for, ao que tudo indica, Lucas
foi o único não judeu a contribuir para a formação do cânon bíblico. E, visto que ele também
deve ter sido o autor do evangelho que leva seu nome, o “primeiro livro” mencionado em
Atos 1:1, ele acabou sendo o escritor que mais contribuiu para a formação do NT: 27% ao
todo, superando o próprio apóstolo Paulo (23%).

Data. O último evento descrito em Atos é a prisão domiciliar de Paulo em Roma por dois
anos (At 28:30, 31), o que, segundo as melhores estimativas, deve ter ocorrido entre os
anos 61-63 d.C. Como Lucas nada falou sobre a libertação do apóstolo nem o que ele teria

feito em seguida, imagina-se que o livro foi escrito, ou pelo menos concluído, naquele
momento. O evangelho, por sua vez, o “primeiro livro” de Atos 1:1, deve ter sido escrito
durante o cativeiro de Paulo em Cesareia, nos dois anos que precederam sua viagem a
Roma e aprisionamento ali (At 24:27), ou seja, mais ou menos entre 58 e 60 d.C. Note que,
no prólogo do evangelho, Lucas disse que seu conhecimento da vida e do ministério de
Jesus chegou até ele por meio de “testemunhas oculares” (Lc 1:1-4). Como tais testemunhas
se achavam principalmente na Palestina, e Lucas esteve na Palestina ao final da terceira
viagem missionária de Paulo (At 21:18), exatamente a viagem que culminou com sua
detenção em Jerusalém, é bem provável que tenha sido durante os dois anos em que o
apóstolo esteve detido em Cesareia que o evangelho foi escrito. É desnecessário dizer que
Lucas acompanhou o apóstolo em sua viagem a Roma para ser julgado pelo imperador –
confira o uso da primeira pessoa do plural em At 27:1–28:16.

Destinatário. Ambos, o evangelho e Atos, foram dedicados a um certo Teófilo (Lc 1:3; At
1:1), de quem nada sabemos além do fato de que era um interessado na fé cristã, ou quem
sabe um recém-converso (cf. Lc 1:4). Há quem pense que Teófilo fosse uma pessoa
influente que poderia ajudar na divulgação tanto do evangelho quanto de Atos. Na
antiguidade, talvez ainda mais que hoje, a produção de livros exigia tempo e recursos. Nesse
caso, Teófilo seria o patronus libri de Lucas, o que era prática relativamente comum nos
tempos de Lucas. Seja como for, a relevância de ambos os livros vai muito além das
circunstâncias envolvendo Teófilo ou os leitores do primeiro século, e é por isso que dois mil
anos depois continuamos a estudá-los com profundo interesse.

Lucas-Atos. Juntos, esses dois livros de Lucas descrevem os primórdios da igreja cristã,
sua origem (a vida e o ministério de Jesus) e conquista do mundo greco-romano (os esforços
evangelísticos dos apóstolos, principalmente Paulo). Visto que Lucas se referiu ao
evangelho como “o primeiro livro” (At 1:1), é bem provável que esses dois volumes tenham
inicialmente circulado juntos, como os volumes um e dois de uma mesma obra. A
antiguidade produziu muitos livros assim. É interessante notar que Atos começa no mesmo
ponto em que o evangelho termina, ou seja, com as aparições e instruções finais de Jesus
aos discípulos, seguidas de Sua ascensão (Lc 24:36-53; At 1:1-11). Posteriormente, quando
o cânon do Novo Testamento começou a ser organizado, talvez já no início do segundo
século, esses dois livros acabaram sendo separados um do outro pelo Evangelho de João,
o último evangelho a ser escrito.

Período. Atos narra os primeiros trinta anos da história da igreja, desde a ascenção de
Jesus no ano 31 d.C até o final do primeiro aprisionamento de Paulo em Roma, em 63 d.C.
Esse período inclui episódios como o derramamento do Espírito (Pentecostes), a conversão
de Paulo e o início das missões gentílicas, sob a liderança do apóstolo. Foram três viagens

missionárias ao todo, mais uma quarta viagem a Roma como prisioneiro, o que não impediu
o apóstolo de testemunhar de Jesus (At 28:16-31). Foi no decurso de suas viagens (segunda
e terceira) e aprisionamento em Roma que Paulo escreveu a maioria de suas epístolas.
Após ser liberto pelo imperador, ele ainda voltaria a empreender pelo menos mais uma
viagem, dessa vez ao redor do Mar Egeu, e a escrever suas últimas epístolas, 1 e 2 Timóteo
e Tito (1Tm 1:3; Tt 1:5; 3:12; 2Tm 4:9-13), até ser preso novamente e executado em Roma
por volta do ano 67 d.C. (2Tm 4:6-8). Esses anos finais do apóstolo (63-67 d.C.), porém, são
posteriores ao período coberto pelo Livro de Atos.

Tema. Atos foi escrito para mostrar o cumprimento da comissão evangélica deixada por
Jesus aos discípulos (Lc 24:44-49; At 1:6-8). Fundamental nesse processo foi a vinda do
Espírito Santo (At 2:1-4) e a posterior conversão de Paulo (At 9:1-19; 22:6-16; 26:9-18), o
grande herói de Lucas, a quem ele dedica três quartos do livro. O evangelho é um só, tanto
para judeus quanto para gentios (Rm 1:16; 3:29; cf. 2Co 5:15; Cl 3:11; 1Tm 2:4-6; Tt 2:11),
e é por isso que ele não podia ficar circunscrito às fronteiras judaicas ou ao povo de Israel.
As boas-novas da salvação em Cristo são para todos, independemente de raça, sexo ou
posição social. Deus não faz acepção de pessoas e deseja salvar todos igualmente (At 1:8;
2:21, 39; 3:25; 10:28, 34-35). E o relato de Atos mostra como o evangelho saiu das
dependências de uma residência qualquer em Jerusalém (At 1:12-14; 2:1) para conquistar
o mundo da época, o mundo mediterrâneo, do qual os judeus faziam parte.

Essa conquista, porém, não foi fácil. Os triunfos da igreja apostólica não foram alcançados
senão em meio a muitas dificuldades. As principais delas, porém, não vieram de fora, mas
de dentro da própria comunidade de fé. Não devemos pensar nesse período como se tudo
fosse mil maravilhas. Os apóstolos, inclusive Paulo, eram humanos e sujeitos a fraquezas e
limitações. O Livro de Atos não esconde as enormes lutas e obstáculos que Paulo precisou
superar da parte de seus próprios irmãos na fé em Jerusalém, incluindo-se os demais
apóstolos. Havia muita incompreensão e tabus a ser quebrados. Esses foram anos de
debates, controvérsias e superação quando a igreja buscava uma nova identidade que
extrapolasse os limites do judaísmo e se tornasse o que é hoje: uma igreja mundial. Em
Atos, aprendemos como foi que tudo começou.

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º Trimestre de 2018

Tema Geral: O Livro de Atos dos Apóstolos

Lição 1: 30 de junho a 6 de julho

“Sereis Minhas testemunhas”

As intruções finais aos discípulos (At 1:1-8) O livro de Atos é a continuação do evangelho de Lucas. como nos reinos terrestres. EUA Editor: André Oliveira Santos: andre. a mensagem favorita de Jesus desde o início de Seu ministério foi: “Arrependei-vos. Lc 24:21). A ascensão (At 1:9-11) III. por causa da eleição de Israel e do conceito de nação santa (cf. 16:11. o reino de Deus se confunda um pouco com um reino político. será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” (At 1:6. o reino de Deus é o governo ou a soberania espiritual de Deus no Universo.oliveira@cpb. cf. A noção de reino no ensino de Jesus tem que ser vista à luz do pecado e do fato de Satanás haver usurpado o domínio desta Terra das mãos de Adão (Jo 14:30) e lançado uma enorme sombra de dúvida sobre o caráter e o governo moral de Deus em todo o Universo. ou seja.Autor: Wilson Paroschi Professor de Novo Testamento Southern Adventist University Collegedale. . Por isso. O que é o reino de Deus? Em termos simples. ainda que no Antigo Testamento (AT). porque está próximo o reino dos Céus” (Mt 4:17).com. com as aparições de Jesus após a ressurreição e Suas instruções finais aos discípulos (cf. 1. Instruções finais aos discípulos (At 1:1-8) II. Apenas Lucas nos informa que o período entre a ressurreição e a ascensão foi de quarenta dias e que o foco dos ensinos de Jesus aos discípulos nesse período foi o reino de Deus (At 1:5). Lc 24:44-53). O preparo para o Pentecostes (At 1:12-14) IV. Ap 12:7-10). Êx 19:5. A escolha de Matias (At 1:15-26) I. Cristo veio para restabelecer o reino de Deus e Ele o fez por meio da Sua morte (Jo 12:31. algo antecipado por João Batista (Mt 3:2). A pergunta dos discípulos sobre o reino O que levou Jesus a Se concentrar na questão do reino de Deus foi a enorme incompreensão dos discípulos quanto à Sua morte.br Revisora: Josiéli Nóbrega Esboço da lição da semana I. e não uma área geográfica delimitada por fronteiras com um governo central e um grupo de súditos. TN. e começa no mesmo ponto em que o evangelho termina. como foi revelado na pergunta que eles Lhe fizeram: “Senhor. 6).

porém. e foi por isso que eles se aproximaram de Jesus e perguntaram mais esperaçosos do que nunca: “Senhor. deixando-a em aberto e mudando o assunto do diálogo para a missão que os discípulos teriam que realizar (At 1:7. Jesus não tocou na questão do tempo. como veremos na lição três. eles continuavam presos à ideia de um Messias e um reino políticos. por causa do cativeiro babilônico e das muitas ocupações estrangeiras que se seguiram. Jo 2:19-22. presente na expectativa dos discípulos. que requer tempo. A ascensão (At 1:9-11) Lucas é o único evangelista a narrar a ascensão de Jesus. Todos os seus sonhos de glória e independência ruíram completamente (Lc 24:18-21). A ressurreição. É interessante. o conceito de um breve retorno. II. Embora a princípio isso também os deixasse confusos quanto à sequência dos eventos finais (a questão do tempo do verso 6). A resposta de Jesus Foi por causa da incompreensão dos discípulos que Jesus gastou boa parte do período pós- ressurreição instruindo-os quanto à natureza espiritual do reino (At 1:3) e como isso se relacionava com Sua morte.Porém. Jesus sabia o que estava fazendo. 33. a figura do Messias prometido começou a ser associada mais e mais a um rei que viria para libertar Israel das mãos dos opressores pagãos. mesmo na noite anterior à crucificação (Jo 14:19. da perspectiva humana. os judeus começaram a relacionar o reino de Deus com a esperança de um reino terrestre que restaurasse não só a soberania de Jeová sobre todos os deuses (das nações inimigas) como também a dinastia de Davi em Judá. A despeito dos esforços Dele para prepará-los para a realidade da Sua morte (Mt 16:21. 17. ela ocupa um versículo apenas (At 1:9). 34. 2. 12:32). 36. 3:18-26. 10:11. . ver como Lucas narra o episódio envolvendo a pergunta do verso 6 de Atos 1 e o que aconteceu em seguida. e o estabelecimento definitivo do reino de Deus no Universo não parecem se harmonizar com uma missão de caráter mundial. 10:37). 20. 18. 32. O principal interesse de Lucas parece ter sido a aparição dos anjos e a promessa da volta de Jesus (At 1:10. e o faz de maneira muito breve (Lc 24:50-53). Mc 10:38. 11). Em sua resposta. 4:10. Ele sabia que. algo que os discípulos finalmente parecem ter compreendido (At 2:22-24. 16:16-22). Infelizmente. 5:30. Isso explica o estado de absoluta desolação em que ficaram em decorrência da cruz. 8). Em Atos. será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” (At 1:6). fez com que tais sonhos se reavivassem. No conturbado período de cerca de quatrocentos anos entre o retorno dos exilados de Babilônia e o nascimento de Jesus. era isso que os discípulos tinham em mente quando deixaram tudo para seguir Jesus (Mc 9:33. no entanto. principalmente após a ascensão. 31).

III. Na verdade. como alguns afirmam. eles não deixaram substitutos. não há vida cristã saudável senão por meio da oração. Como a ascensão foi visível. Jo 20:19. “Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir” (At 1:11. Nada pode substituí- la como fonte de poder e vida. a oração é para a alma. Mas. Ao contrário. 11:1). assim que cumprissem sua missão mundial. a promessa dos anjos naturalmente levaria os discípulos a concluir que. e. O essencial aqui é destacar como os discípulos e aqueles que os acompanhavam aguardaram a vinda do Espírito: com intensa oração (At 1:14). com o Pentecostes. Aqui há uma importante lição para nós. Ap 1:7). formavam um grupo único na igreja primitiva. os responsáveis pelo doutrinamento da igreja (At 2:42. A escolha de Matias (At 1:15-26) Não está claro porque os apóstolos quiseram substituir Judas. em geral das famílias mais abastadas. nas cercanias de Betânia (Lc 24:50). ao deixar os discípulos em suspense quanto ao tempo em que o reino seria restaurado. A segunda coisa importante em relação às palavras dos anjos tem a ver com a maneira da volta de Jesus. cenaculum) era apenas um cômodo no segundo pavimento de uma casa qualquer. Ele virá “com poder e grande glória” (Lc 21:27) e um número incontável de anjos (Mt 25:31. Primeira. 26). A Bíblia não nos informa se esse foi o mesmo cenáculo em que Jesus tivera a última ceia com os discípulos ou outro qualquer (cf. 5:42). ¹ IV. o ponto é que desdobramentos posteriores em Atos mostram que. Tais cômodos costumavam ser alugados para atividades ou ocasiões específicas (Lc 22:7-13). cf. eles eram testemunhas da Sua ressurreição (At 1:21. O que a respiração é para o corpo. Mt 24:14). ainda em seus dias. os discípulos retornam ao cenáculo em Jerusalém – a ascensão havia ocorrido do lado oriental do Monte das Oliveiras. A preparação para o Pentecostes (At 1:12-14) Empolgados com a possibilidade de um breve retorno de Seu amado Mestre. E não havia nada de errado nisso (cf. portanto. Jesus voltaria. 22:39-46. Em nenhum lugar as Escrituras sugerem que Jesus voltará de forma invisível. Sua volta também seria visível. Nunca é demais repetir que o cenáculo (em latim. 18:1. 6:12. cf. algo que eles certamente haviam aprendido com o próprio Jesus (Lc 3:21. 22) e depositários de Seus ensinos (Mt 28:20). Talvez porque Jesus havia escolhido doze (Lc 9:1-6) e prometido que eles se assentariam em tronos para julgar as doze tribos de Israel (Lc 22:28-30). Trataremos disso na lição três. com Matias agora no lugar de Judas (At 1:26). Não há outra forma de se receber o Espírito senão por meio de fervora oração. Ninguém que viesse . os discípulos pensaram que Sua missão mundial já estivesse concluída e que Jesus voltaria num breve espaço de tempo.Duas coisas aqui devem ser destacadas. 9:28. Os doze. Como aqueles que acompanharam Jesus em Seu ministério terrestre (Mc 3:14). Lc 9:26). Como tais.

v. 16). na Alemanha (2011). . não tem qualquer base bíblica e é rejeitada pela grande maioria das igrejas protestantes. Ninguém sobre a Terra tem ou jamais teve a mesma prerrogativa que eles. segundo a qual a autoridade eclesiástica foi transmitida pelos apóstolos de forma ininterrupta através dos séculos até os nossos dias. por mais de trinta anos. Autor do comentário: Wilson Paroschi ensinou na Faculdade de Teologia do Unasp. 256. 289. é professor de Novo Testamento na Southern Adventist University. Mensagens aos Jovens. que também foi uma testemunha da ressurreição e foi especialmente chamado por Deus para ser apóstolo aos gentios (1Co 9:1. p. p. em Collegedale. p. 15:7. Tennessee. à exceção de Paulo. 9. portanto. A chamada sucessão apostólica. 228. 1. Veja também Ellen G. ² Nisto Cremos. White.depois deles poderia ser apóstolo no sentido técnico ou autoritativo como eles o foram. 595. Ele é PhD em Novo Testamento pela Andrews University (2004) e realizou estudos de pós-doutorado na Universidade de Heidelberg. Gl 1:15. O legado dos apóstolos são seus escritos: os livros que formam o cânon do NT e que. Engenheiro Coelho. p. 416.² Conclusão Pontos a ser enfatizados em classe: – A natureza espiritual do reino de Deus – O significado da morte de Jesus para o estabelecimento do reino de Deus – A certeza da ressurreição (At 1:3) – A missão de testemunhar a todo o mundo (At 1:8) e o que significa o ato de testemunhar – A promessa da segunda vinda de Jesus (At 1:11) – O papel da oração na vida cristã – O legado dos apóstolos para a igreja _____________________________ ¹ Ellen G. Desde janeiro deste ano. O Grande Conflito. são nossa única regra de fé e prática. Evangelismo. Estados Unidos. juntamente com as Escrituras do AT. p. White. Mensagens Escolhidas.

apareceram línguas. TN. A vinda do Espírito Santo (At 2:1-4) II. todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas. Após seguir a orientação dada pelo próprio Jesus de aguardar em Jerusalém o poder prometido (1:4) os apóstolos estavam reunidos a fim de receber a unção do Espírito do Senhor que os habilitaria a testemunhar de Cristo. visível e corpóreo. As imagens de vento e fogo eram parte do . O dom de línguas (At 2:5-13) III. o qual não deve ser confundido com o local da Última Ceia de Lucas 22:11 (katalyma). O sermão de Pedro (At 2:14-36) IV. Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º Trimestre de 2018 Tema Geral: O Livro de Atos dos Apóstolos Lição 2: 7 a 14 de julho O Pentecostes Editor: André Oliveira Santos: andre. que pousaram sobre cada um deles.com. Embora Lucas tenha sido um pouco vago quanto à referência ao local. e (3) finalmente. parecido com um vento impetuoso. A vinda do Espírito Divino é descrita em três declarações paralelas: (1) veio do céu um som. Reunidos ali para celebrar a festa de Pentecostes. que encheu toda a casa. os discípulos foram surpreendidos com manifestações sobrenaturais que acompanharam o derramamento do Espírito Santo. A ênfase de Lucas está na objetividade do evento. parecidas com fogo. O primeiro batismo (At 2:37-41) I. EUA Esboço da lição da semana I.oliveira@cpb. (2) em seguida. A vinda do Espírito Santo (At 2:1-4) O tempo de espera havia acabado. RS Supervisor: Wilson Paroschi Professor de Novo Testamento Southern Adventist University Collegedale.br Revisora: Josiéli Nóbrega Cristian Piazzetta Capelão da Escola Adventista Cachoeirinha. Ele foi audível. pode-se inferir que os discípulos estavam reunidos no mesmo cenáculo de Atos 1:13 (hyperoon).

Em 1 Coríntios 12. Lucas foi enfático ao destacar a vasta quantidade de nações representadas em Jerusalém por ocasião da festividade judaica (v. a intervenção miraculosa do Pentecostes se deu no fato de que aqueles simples . 8) Embora já tenha sido sugerido que o milagre. o texto é claro ao indicar que foram os discípulos que receberam o Espírito Santo. o apóstolo Paulo listou uma série de outros dons do Espírito Santo (v. ou seja. se deu no fato de as pessoas entenderem os discípulos. a barreira linguística que separava os apóstolos delas precisava ser transposta. a fim de que o Evangelho fosse anunciado àquelas pessoas. se Jesus os havia comissionado para ser Suas testemunhas até os confins da Terra. cf. logo a manifestação se deu neles. 8-11). o impacto desses símbolos estava em demonstrar que o próprio Deus estava ali presente e a tão aguardada promessa do derramamento do Espírito Santo era agora uma realidade (Jl 2:28-30. Jo 14:16. At 1:8). Tão ampla era a representatividade de povos ali que Lucas hiperbolizou ao dizer que ali havia judeus “vindos de todas as nações debaixo do céu” (v. não a multidão. 15:26.aparato utilizado por Deus em Suas manifestações (teofanias) nos tempos do Antigo Testamento (cf. indicando que Sua manifestação “é concedida a cada um visando um fim proveitoso” (v. é importante ressaltar que ele é apenas uma dentre as mais diversas formas de o Espírito de Deus Se manifestar. O dom de línguas (At 2:5-13) Os versos seguintes apresentam o resultado do derramamento do Espírito Santo sobre aqueles que estavam no cenáculo: eles falaram em línguas. então. É notável o espanto daquelas pessoas quando perceberam como os discípulos podiam então falar em suas línguas maternas (v. ou seja. 9-11). O porquê das línguas O próprio contexto do episódio evidencia que o ato de falar em línguas no Pentecostes foi a capacitação necessária para que os apóstolos dessem início à missão mundial da igreja. 5). Outro ponto importante é o próprio fato de as pessoas terem ficado atônitas e perplexas ao ver os discípulos “falando” em suas línguas maternas” (v. 8). na verdade. Certamente. Sem dúvida. A habilidade linguística conferida aos apóstolos foi a intervenção divina para que a mensagem fosse anunciada. o que indica que o milagre estava ligado à faculdade de falar. era de suma importância que eles fossem capazes de comunicar o Evangelho na língua nativa dos ouvintes com os quais entrariam em contato. E isso aconteceu já no próprio dia de Pentecostes. Por que. uma capacitação especial para compreendê-los. 1Rs 19:11. Em outras palavras. Embora falar outras línguas seja um dom espiritual legítimo. Is 66:15). a manifestação do Espírito Santo se deu na forma de línguas no dia de Pentecostes? 1. Lc 3:16. cada dom tem um propósito específico. II. 7). O fato é que.

Enquanto o dom de línguas bíblico é tipificado pela inteligibilidade (1Co 14:9-11) e pela edificação da igreja (1Co 14:12) não é isso o que acontece hoje nas manifestações de glossolalia em alguns círculos cristãos. Indonésia e Japão. A natureza das línguas Que as línguas faladas pelos apóstolos se tratavam de idiomas conhecidos é a conclusão mais lógica e pertinente do próprio vocábulo grego empregado por Lucas para expressar a reação da multidão ao ouvir os discípulos: “E como os ouvimos falar. Refere-se apenas a uma língua humana. A palavra grega traduzida por “língua” é dialektos. O Espírito Santo fez por eles o que não teriam podido fazer por si mesmos em toda uma existência. falando com perfeição a língua daqueles por quem trabalhavam. Essa diversidade de línguas teria sido um grande empecilho à proclamação do evangelho. (University of Chicago Press. publicou seus resultados em 1972 em uma extensa monografia entitulada: Speaking in Tongues: A Cross-Cultural Study in Glossolalia. Ellen G. e em seu exílio tinham aprendido a falar várias línguas. etc. sintaxe. se trata do mesmo fenômeno. depois de realizar estudos in loco de várias comunidades pentecostais de fala inglesa e espanhola nos Estados Unidos e no México e de comparar gravações de aúdios de rituais não cristãos da África. onde pessoas entram em estado de transe e pronunciam sons sem sentido. daí a origem da palavra “dialeto”. Uma boa evidência disto é o estudo da Dra. como relatado por Heródoto e por Virgílio. Então eles podiam proclamar as verdades do evangelho em toda parte. incompreensíveis a elas mesmas e aos outros participantes. que significa o idioma de uma nação ou região. White comenta: “‘E em Jerusalém estavam habitando judeus. Durante a dispersão os judeus tinham sido espalhados por quase todas as partes do mundo habitado. É conhecido o fato de que línguas extáticas eram amplamente comuns e praticadas em cultos pagãos da antiguidade. Muitos desses judeus estavam nessa ocasião em Jerusalém.² Análises realizadas por linguistas têm destacado a grande similaridade entre as línguas extáticas nos movimentos pentecostais e aquelas praticadas em rituais pagãos. […] Cada língua conhecida estava por eles representada. Bornéu. 1972) [Falando em . Não deve haver dúvidas de que os apóstolos falaram os idiomas estrangeiros das nações ali representadas. gramática. ou seja. varões religiosos. Tentativas de equiparar o dom de línguas de Atos 2 aos fenômenos carismáticos modernos não condizem com a caracterização bíblica do dom. uma antropóloga e linguista que. Portanto. de maneira miraculosa. Felicitas Goodman. A finalidade exclusiva era pregar o Evangelho. com vocabulário. 8). cada um em nossa própria língua materna?” (v. de todas as nações que estão debaixo do céu’ (At 2:5).galileus podiam então falar idiomas que até então eram desconhecidos por eles. Deus supriu a deficiência dos apóstolos.”¹ 2.

A profecia de Joel Para Pedro. que seria o alvorecer da era messiânica. A profecia de Joel foi originalmente concebida após uma praga de gafanhotos ter devastado a terra de Israel e resultado numa fome severa.Línguas: Um Estudo Transcultural em Glossolalia]. Pedro enfatizou a relevância histórica do momento. o que havia acabado de acontecer era o cumprimento profético de Joel 2. 32). sotaque e especialmente a entonação geral. 2. e (2) a exaltação de Jesus. o conteúdo da pregação inicial cristã que geralmente consistia em textos das Escrituras relacionando o Messias a Jesus. foi a ressurreição que recebeu maior ênfase. isto é. No entanto. ressurreição e exaltação de Jesus. Por ser o Messias (v. Ele já foi outorgado por Deus ao Seu povo. pois representa o “Kerygma primitivo” (primeira proclamação) da igreja. Ele não poderia ser detido pela morte e. bem como com um chamado ao arrependimento. A questão é que a vinda do Espírito era condicional à vitória de Jesus na cruz (Jo 17:4-5) e Sua subsequente exaltação no Céu (Jo 7:39). Deus recuperou o . a evidência final de que Jesus não era um homem comum. Joel conclamou as pessoas ao arrependimento. ou seja. pois representou o elemento decisivo na história do evangelho. tornando assim possível a vinda do Espírito Santo. Goodman afirma que “quando todos os aspectos da glossolalia são levados em consideração. Ef 5:18) desde aquele momento. O que falta é nos apropriarmos completamente do dom que já está disponível (cf. sílabas. A exaltação de Jesus Após ter destacado o significado profético do Pentecostes. frases) e outros elementos como ritmo. O sermão de Pedro (At 2:14-36) O sermão de Pedro após a manifestação do dom de línguas foi o primeiro dos “discursos evangelísticos” do livro de Atos e é muito significativo. A mensagem de Pedro enfatizou dois aspectos principais: (1) A profecia de Joel. quando o Espírito seria derramado sobre toda carne. Pedro dirigiu sua atenção para os acontecimentos então recentes da vida. O Espírito havia finalmente sido disponibilizado completamente e o ato final do grande drama da salvação havia começado. por haver sido ressuscitado (v. 1. Ao interpretar o evento do Pentecostes à luz dessa profecia. Pela cruz. prometendo a restauração da terra e prevendo a chegada do Dia do Senhor. morte. a associação entre transe e glossolalia é então aceita por muitos pesquisadores como uma suposição correta.”³ III. foi exaltado por Deus à Sua destra. a estrutura segmentar (como sons. com ênfase em Sua morte e ressureição. O corolário desse fato é que o Espírito já veio. 23). estava claro que. A profecia de Joel havia acabado de ser cumprida.

– A natureza das línguas faladas. Carlyle May. Hb 2:9). Era hora de atacar o reino de Satanás e resgatar o ser humano de volta para Deus. quase três mil. 39-40. A exaltação de Jesus foi o momento supremo em que isso foi reconhecido não apenas por Deus. 75. por mais de trinta anos. 38). (2) batismo. Engenheiro Coelho. revela a forte atuação do Espírito no coração daquelas pessoas. _____________________________ ¹ Ellen G. Conclusão Pontos a ser enfatizados em classe: – O cumprimento da promessa do derramamento do Espírito Santo. IV. O número expressivo de batismos naquele dia. 23.governo moral do Universo e o direito de reclamar a humanidade de volta para Si. p. As palavras inspiradas do apóstolo de fato “perfuraram [katenyg?san] o coração” dos ouvintes (v. – Vida. – A exaltação de Jesus como prerrogativa para a vinda do Espírito Santo. (1956). O Pentecostes foi a primeiro assalto ao reino de Satanás depois da cruz. O Pentecostes foi o resultado de tudo isso. ² L. 37). ampliando esse assalto e trazendo mais e mais cativos do pecado para o reino do nosso grande Deus. Pedro. ‘A Survey of Glossolalia and Related Phenomen in Non-Christian Religions’ in American Antrophology. O primeiro batismo (At 2:37-41) A resposta ao sermão de Pedro não poderia ter sido mais positiva. Cada um de nós tem hoje o privilégio de testemunhar de Jesus. Autor do comentário: Wilson Paroschi ensinou na Faculdade de Teologia do Unasp. p. mas também pelos anjos e todos os demais seres criados (Ap 5:8-14. então. é professor de Novo Testamento na . (3) perdão de pecados e (4) recebimento do dom do Espírito (v. destacou os quatro principais aspectos da experiência da conversão: (1) arrependimento. que apenas queriam saber o que fazer depois de tão profunda exposição acerca dos efeitos da morte e ressureição de Jesus. White. Fp 2: 8-9. morte e ressurreição de Jesus. cf. Atos dos Apóstolos. ³ Felicitas Goodman (1972). – Nossa participação individual na obra de resgate iniciada pelos apóstolos no Pentecostes. Desde janeiro deste ano. – O propósito do dom de línguas. Speaking in Tongues: A Cross-Cultural Study in Glossolalia.

RS Supervisor: Wilson Paroschi Professor de Novo Testamento Southern Adventist University Collegedale. EUA Esboço da lição da semana I. Comunhão nos lares 3. em Collegedale. Ensino e comunhão (At 2:42-47. 4:32–5:11) 1. Senso de urgência . Ele é PhD em Novo Testamento pela Andrews University (2004) e realizou estudos de pós-doutorado na Universidade de Heidelberg.com. Ananias e Safira 5. na Alemanha (2011).br Revisora: Josiéli Nóbrega Autor: Cristian Piazzetta Capelão da Escola Adventista Cachoeirinha. O papel dos apóstolos 2. Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º Trimestre de 2018 Tema Geral: O Livro de Atos dos Apóstolos Lição 3: 14 a 21 de julho A vida na Igreja Primitiva Editor: André Oliveira Santos: andre. Estados Unidos. TN. Tennessee.oliveira@cpb.Southern Adventist University. Partilha dos bens 4.

Tais ensinamentos provavelmente incluíssem conceitos como a morte e a ressureição de Jesus. 5:12-42) 1. que ocorria nos lares. A prisão de Pedro e João 4. os apóstolos possuíam autoridade necessária para orientar a igreja em seu estágio inicial. Vivendo em irmandade. certamente. no partir do pão e nas orações (2:42). Há indícios de que. A segunda prisão dos apóstolos I.II. Esse processo de instrução acontecia em geral nas dependências do templo. portanto. Essas quatro práticas. 12). As refeições em questão eram as chamadas Festas da Fraternidade (agap?). Comunhão nos lares A vida de intensa comunhão espiritual era outra marca da piedade cristã primitiva. . falsos mestres estavam usando essa confraternização para introduzir condutas imorais entre os primeiros cristãos (cf. Mais milagres 5. que acontecia no templo (2:46). sendo essas ocasiões oportunas para assistir os membros mais pobres da igreja. na comunhão. Como guardiões da vida e dos ensinamentos de Cristo. 5:12. Judas 4. especialmente no pórtico chamado “de Salomão” (3:11. Assim como eles haviam sido instruídos por Jesus (At 1:3). A cura de um paralítico 2. que consistiam em refeições regulares praticadas pelos primeiros cristãos. agora os discípulos deviam passar adiante as orientações para os novos conversos. 4:32–5:11) Após ter descrito o derramamento do Espírito Santo e a subsequente conversão massiva de judeus no Pentecostes. Lucas dedicou espaço para relatar como era a vida espiritual desses novos conversos incorporados à comunidade cristã. suas próprias reminiscências de outros ensinos de Cristo. O papel dos apóstolos A função apostólica na igreja primitiva estava essencialmente ligada ao ensino. e ao ensino. O sermão de Pedro (o segundo em Atos) 3. 25 e 42). celebravam a Ceia do Senhor. oravam e compartilhavam suas refeições com alegria e singeleza de coração (2:44-46). mais tarde. Essa seção foi introduzida com a informação de que os cristãos primitivos perseveravam na doutrina dos apóstolos. as Escrituras do Antigo Testamento e. Oposição das autoridades judaicas (At 3:1–4:31. 2. estavam relacionadas à comunhão. 21. eles estavam sempre juntos. Ensino e comuhnão (At 2:42-47. 1.

É inegável que os primeiros cristãos. Partilha de bens Outra atitude marcante dos cristãos primitivos era a partilha de bens. Ananias e Safira Deve-se enfatizar aqui que a partilha de bens entre os cristãos primitivos era de caráter voluntário e não um pré-requisito para alguém se tornar membro da igreja. será que esse sacrifício não foi o plano de Deus. é compreensível a atitude de permanecer em Jerusalém e de vender todos seus pertences. e considerando que Deus providenciou. Ancorados na suposição de que esses dois requisitos já haviam sido cumpridos no Pentecostes. por que se preocupar com o amanhã. Senso de urgência Embora a atitude generosa da igreja primitiva reflita um desejo autêntico de estar em harmonia com o plano de Deus. 37). se não haveria um amanhã? Para os cristãos primitivos. Por outro lado. será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” (At 1:6) indicam que os primeiros cristãos viam a chegada do reino de Deus sobre a Terra como uma realidade iminente. recursos e oportunidades para que o cristianismo se expandisse em todo o mundo? 4. eram essas as duas condições estabelecidas pelo próprio Jesus para que Ele voltasse: o recebimento do Espírito Santo e a pregação a todas as nações (1:8). até mesmo os próprios discípulos.3. há indícios de que havia outra motivação por trás desse ato de caridade. Questionamentos como: “Senhor. Embora a prática certamente tenha contribuído para promover a unidade entre os cristãos. pela falta de integridade em relação aos compromissos assumidos diante de Deus. 5. e ainda que a partilha de bens certamente tenha sido benéfica aos mais necessitados da comunidade. Possivelmente. . além de atender eventuais necessidades que surgissem entre os mais pobres da igreja (At 2:45). Afinal de contas. mais tarde ela se mostrou problemática devido ao empobrecimento da igreja de Jerusalém e à falta de recursos para enviar missionários às nações gentílicas. como a de Barnabé (At 4:36. considerando que o Espírito Santo estava guiando a igreja. Afinal de contas. pelo ministério de Paulo. promovendo a unidade por meio das ofertas que as igrejas gentílicas também enviaram a Jerusalém. Isso se torna evidente no caso de Ananias e Safira (5:1-11). Embora Lucas relate um bom exemplo de ofertas voluntárias. o fato de que o Espírito já tinha vindo sobre a igreja (At 2:4) e de que todas as nações debaixo do céu haviam sido evangelizadas (At 2:6-41) tenha levado a comunidade cristã primitiva a entender que o retorno de Cristo fosse apenas uma questão de dias. houve dificuldades internas no grupo de crentes. caracterizada pela prática de vender seus bens e propriedades e de manter todas as coisas em comum. ameaçando a unidade da igreja e a lealdade a Deus. a volta de Jesus era uma questão de dias. mantinham uma ardente expectativa pelo breve retorno de Jesus.

Isso demonstra que a compreensão teológica dos primeiros cristãos ainda estava em . como regra.e eles queriam estar devidamente preparados. Alguns membros da igreja possivelmente estivessem abandonando o trabalho para aguardar a volta de Jesus. não porque Jesus não estivesse voltando naquele tempo. A cura de um paralítico Dos muitos milagres relatados em Atos. Isso coube à Antioquia da Síria e os missionários ainda precisaram contar com as ofertas dos cristãos gentios para aliviar suas próprias necessidades (cf. ou seja. enfatizava que Jesus havia ressuscitado dentre os mortos. O fato de Pedro realizar a cura em nome de Jesus demonstra. possivelmente houve uma perversão relação à vida cristã em preparação para a volta de Cristo. que. Será que essa postura de viver como se estivessem às vésperas da segunda vinda de Jesus foi guiada pelo Espírito Santo. Embora os apóstolos estivessem a serviço de Deus e testemunhando em Jerusalém. não acreditavam na ressurreição. 1. a cura do coxo à porta do templo é um dos que mais se assemelham aos milagres de Jesus registrados nos evangelhos. 5:12-42) Assim como a igreja começava a enfrentar dificuldades internas. o fato de eles subirem ao templo para a oração da hora nona (horário equivalente ao sacrifício da tarde. entre outros aspectos. especialmente por parte de alguns líderes judeus de Jerusalém. que. Na igreja de Tessalônica. e que aqueles que não quisessem trabalhar. A liderança do templo era na sua maioria composta por Saduceus. também não deviam comer (2Ts 3:10). 1Co 16:1-3. a continuidade da obra que Cristo havia iniciado (At 3:6). 30. II. At 11:29. mesmo que Jesus não estivesse voltando em tão pouco tempo assim? No entanto.” A oração de Jesus pelos discípulos em João 17:15-18 ainda é tão válida hoje como foi no primeiro século. permanecer em Jerusalém se mostrou um grave equívoco. a oposição externa também começava a surgir. mas porque havia uma missão mundial de pregação do evangelho que devia ser iniciada. eles ficaram muito incomodados com a pregação de Pedro. Oposição das autoridades judaicas (At 3:1–4:31. mas continuar trabalhando [em favor do evangelho] como se Ele ainda fosse levar cem anos para voltar. O fato é que não foi a igreja de Jerusalém que tomou a iniciativa de promover o evangelismo mundial. etc). Aprendemos aqui uma preciosa lição para nossos dias: precisamos manter o equilíbrio entre o senso de urgência quanto à volta de Jesus e a missão da igreja. por meio do ministério apostólico. Como alguém disse: “Devemos estar prontos como se Jesus voltasse hoje. 15h) pode sugerir que eles ainda estivessem participando dos sacrifícios cerimoniais mesmo após a morte de Jesus na cruz. Rm 15:25-27. Paulo foi enfático ao dizer que outras coisas ainda precisavam acontecer para que Jesus voltasse (2Ts 2:3-6). Logo.

Somente mais . Ao serem interrogados pelas autoridades judaicas quanto à autoridade pela qual estavam pregando e operando prodígios. e a incrível cura do paralítico deu a Pedro a oportunidade de testemunhar através de outro sermão. pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4:12) e “não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (At 4:20). e temendo a crescente popularidade do movimento. Embora muitas dessas pessoas viessem de cidades vizinhas na esperança de obter a cura (At 5:16). responderam que era em nome de Jesus Cristo que tal homem havia sido curado. Deus estava pacientemente trabalhando para o amadurecimento teológico de Sua igreja. porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome. Nesse contexto foram proferidas duas das mais belas declarações no livro de Atos: “E não há salvação em nenhum outro. dado entre os homens. Santo. Tamanha era sua reputação entre as pessoas. 4. cheios do Espírito Santo e com profunda convicção. 3:13-15). Jo 16:12). Assim como a revelação de Deus foi progressiva (cf. Jo 12:16). decidiram mantê-los sub custódia até o dia seguinte. de fato. para que a sombra de Pedro pudesse ser projetada sobre eles (At 5:15). O discurso pode ser dividido em duas porções principais: Primeiro o apóstolo estabeleceu a relação entre a cura do paralítico e a proclamação cristã da morte e ressurreição de Jesus (3:12-16) e. que os enfermos eram deixados pelas ruas. as autoridades judaicas deliberaram que os apóstolos deveriam parar de pregar e ensinar no nome de Jesus.processo de formação. Não podendo negar que o milagre tinha sido. Justo e Autor da Vida (cf. Mais milagres Lucas novamente destacou o ministério de cura exercido pelos apóstolos. Vale mencionar também que nesse sermão Pedro mencionou uma série de títulos de cristãos primitivos que possivelmente fossem usados para identificar Jesus. Pedro e João. 2. São eles: Servo. realizado (o homem curado estava na frente deles). quando seriam julgados pelo Sinédrio. A prisão de Pedro e João Falavam eles ainda ao povo quando os sacerdotes. o ministério dos apóstolos ainda estava restrito a Jerusalém e circunvizinhanças (At 9:32-43). especialmente a ressurreição de Jesus (At 4:2). ele aproveitou a ocasião para apelar veementemente aos judeus para que se arrependessem e aceitassem Jesus como o Messias enviado por Deus (3:17-26). também o foi a assimilação dessa revelação (cf. incomodados com os ensinamentos dos apóstolos. 3. segundo. O sermão de Pedro (o segundo em Atos) A segunda mensagem de Pedro em Atos se assemelha em muitos aspectos ao sermão do Pentecostes.

Desde janeiro deste ano. a prisão não durou muito. Ele é PhD em Novo Testamento pela Andrews University (2004) e realizou estudos de pós-doutorado na Universidade de Heidelberg. New York : Doubleday. David Noel Freedman. um anjo abriu as portas do cárcere e libertou os apóstolos. Mas. Isso os levou a prendê-los uma segunda vez. Conclusão Pontos que devem ser enfatizados na classe: – A importância dos lares na igreja primitiva. The Anchor Yale Bible Dictionary. 1: p.tarde o evangelho seria pregado nas regiões adjacentes (At 8:4-40) e finalmente no mundo gentílico (At 11:19-21). – A resolução dos apóstolos em obedecer primeiro a Deus. mais se enchiam de inveja os líderes religiosos. é professor de Novo Testamento na Southern Adventist University. Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º Trimestre de 2018 Tema Geral: O Livro de Atos dos Apóstolos Lição 4: 21 a 28 de julho Os primeiros líderes da igreja . – A expectativa da volta de Jesus e a missão mundial da igreja. Engenheiro Coelho. A segunda prisão dos apóstolos Quanto mais crescia a popularidade dos apóstolos. – O conteúdo da pregação apostólica. Estados Unidos. 1. 90 Autor do comentário: Wilson Paroschi ensinou na Faculdade de Teologia do Unasp. 5. em Collegedale. De maneira extraordinária. por mais de trinta anos. Tennessee. 1996. v. depois aos homens. na Alemanha (2011). mostrando a validade das palavras de Pedro: “Antes importa obedecer a Deus do que aos homens” (5:29).

EUA Esboço da lição da semana I. Eles identificaram que o problema era sobre o “ministrar às mesas” (v. como as constantes prisões e perseguições (At 4:3. Talvez o problema levantado pelos helenistas não fosse apenas que suas viúvas estivessem passando fome ou alguma outra necessidade.com. os apóstolos. A expansão do evangelho (At 8:1-40) I. ou diária. Já outras nasceram dentro da própria comunidade de crentes. 5:17-18. A “ministração cotidiana” ou “ministrar às mesas” e o “ministério da Palavra” apontam. por mais diligentes que fossem. Algumas delas tinham origem externa. 1. A palavra usada aqui é diakone?. Um exemplo disso pode ser visto em Atos 6:1-7. conforme relata o livro de Atos (4:34-35). 8:1). Esses usos indicam uma relação entre as atividades. Problema interno na igreja (At 6:1-7) A igreja cristã passou por dificuldades e provações desde o seu início.Editor: André Oliveira Santos: andre. respectivamente. Prisão e julgamento de Estêvão (At 6:8-7:60) III. ao se referir ao “ministério da Palavra”. já mencionado. 2). os apóstolos entenderam a expressão claramente. às viúvas helenistas. mas . usada nos versos 1. Assim. Com o aumento do número de conversos. não conseguiam atender a todas as demandas da igreja. Alemanha Supervisor: Wilson Paroschi Professor de Novo Testamento Southern Adventist University Collegedale. para as atividades de comunhão e de ensino (ver lição 3). Problema interno na igreja (At 6:1-7) II. O motivo da reclamação A reclamação era sobre a não “ministração cotidiana” (ACF).oliveira@cpb. TN. Embora o termo “ministração cotidiana” possa ser vago para os leitores modernos. e 4. certas atividades deixaram de ser realizadas satisfatoriamente e um grupo de pessoas passou a não ser assistido.br Revisora: Josiéli Nóbrega Rafael Krüger Pastor distrital Munique. Ela é a da mesma família que diakonia.

. Esses últimos. se destacaram na pregação do evangelho (v. e orações que eram realizadas nas igrejas do lar da comunidade cristã. mas a verdade é que em Atos 6:1 lemos que as viúvas helenistas estavam sendo negligenciadas no serviço da comunhão nos lares e em suas necessidades. Tais divergências contribuíam para um distanciamento e tensões históricas entre os dois grupos. por exemplo. 3. O ministério dos Sete Para solucionar o problema existente. idioma falado na Palestina. Suas mensagens provavelmente tratassem sobre esse aspecto. aspectos esses importantes para os hebreus. suas atribuições eram mais amplas do que as de um diácono moderno. a Santa Ceia. II. surgiu a seguinte indagação: por que apenas elas foram deixadas de lado? Havia diferenças culturais e religiosas entre os judeus da Palestina (os “hebreus” de At 6:1) e os nascidos no mundo greco-romano. sete homens dentre a própria comunidade dos judeus cristãos helenistas foram escolhidos para que se responsabilizassem pelas atividades de comunhão nos lares. Um grupo preterido Após entender o problema que afligia as viúvas helenistas. o evangelista. 8:26. que envolvia as refeições comunais. Por algum motivo. em outras palavras. elas certamente estavam apoiadas em aspectos verídicos da posição de Estêvão. Estêvão e Filipe.que elas estavam também sendo negligenciadas em uma importante atividade espiritual. Não é à toa que ele foi acusado de blasfemar contra a lei e o santo lugar (templo). 13-14). não estavam familiarizados com o aramaico. os helenistas. Prisão e julgamento de Estêvão (At 6:8-7:60) Como cristão helenista. às leis aplicadas apenas à terra de Israel e ao santuário. Embora as acusações fossem deturpadas. Além disso. Estêvão provavelmente tivesse demonstrado mais facilidade que seus irmãos hebreus para compreender que a morte de Jesus marcava o fim do sistema cerimonial. 2. o que. É difícil saber até que ponto essa separação também se refletiu dentro da igreja. 8-9. Embora eles sejam costumeiramente denominados de diáconos. era considerado blasfemar contra Moisés e o próprio Deus (6:11. e também não eram tão ligados às tradições. Eles eram como que líderes congregacionais que tinham como função principal o atendimento às atividades cristãs realizadas nos lares. 21:4). talvez elas não estivessem sendo atendidas no serviço da comunhão.

inclusive. Além disso. Somente então podemos entender o motivo pelo qual Estêvão dedicou a maior parte da sua fala recontando a história do povo de Israel para um público que certamente a conhecia (7:2- 50). A parábola dos lavradores maus estava se cumprindo (Mt 21:33-44). Um dos elementos da estrutura da aliança é o prólogo. 2:38. como profeta. é possível entender o motivo pelo qual sua fala se demora em questões históricas do povo de Israel. Js 24:1-13). porém. cuja melhor tradução é “demanda judicial da aliança”. 1-2) e um prólogo é feito (v. Quando um profeta tinha a missão de trazer o povo de volta às estipulações do pacto do Sinai. 1. O pacto era missional. assim. Estêvão foi o último profeta a tratar Israel como o povo da aliança. O fim de um período A morte de Estêvão tem implicações teológicas profundas. ele fez um longo e histórico discurso apresentando os erros de seus ouvintes e de seus pais. 3-5). transformando. de acordo com o seu contexto. ele às vezes também usava a palavra hebraica rîb.No Sinédrio. Esse. Estêvão não se preocupou com sua defesa. Antes. o próprio Messias. havia sido traído e assassinado. . onde o rîb é pronunciado três vezes (v. O discurso à luz da aliança É fundamental analisar o discurso de Estêvão sob a ótica da aliança no Antigo Testamento. Antes. o rompimento da aliança não implica necessariamente na rejeição ou perdição dos judeus. quando estes também estiveram no Sinédrio (At 5:30. 51-53). Assim. 2. foi o chamado original de Abraão (Gn 12:1-3). o que incluía o prólogo. foi diferente da fala de seus predecessores e mesmo dos apóstolos Pedro e João. e consistia num meio idealizado por Deus para transmitir Sua salvação a todas as nações. significando o fim de sua relação teocrática com Deus (Dn 9:24-27). em que a relação entre Deus e a nação israelita é descrita (Êx 20:2. 3:19. aspecto comum nos sermões relatados em Atos (cf. Assim. profetas foram mortos e a lei não fora guardada. 17:30). os seus acusadores em réus. Devemos lembrar que a aliança com Israel não implicava em salvação automática. 31). ali chamado de Justo. demonstrou que o pacto havia sido quebrado: o Espírito Santo foi sistematicamente resistido. ele dava a ideia de um tribunal. Ao fazer isso. Isso pode ser visto em Miqueias 6. Ela marca o encerramento das 70 semanas sobre o povo de Israel. Ele não trouxe uma mensagem de esperança e tampouco chamou seus ouvintes ao arrependimento. ele aplicava a fórmula da aliança. O conteúdo do seu discurso. em que Deus apresentava uma ação contra Israel. Ele estava fazendo um longo prólogo antes de trazer a demanda judicial que Deus tinha para com os judeus (v. Por fim.

Um deles foi externo: a perseguição sofrida pela igreja (8:1). Isso fez com que cristãos se espalhassem para outras localidades circunvizinhas e ali testemunhassem de Jesus. – O término da aliança de Deus com Israel. Autor do comentário: Wilson Paroschi ensinou na Faculdade de Teologia do Unasp. . judeus helenistas. Por um lado. Tennessee. em Collegedale. que impulsionaram a pregação aos tão odiados samaritanos e a um gentio etíope. Isso estaria agora a cargo daqueles que aceitassem Jesus como Messias e Salvador. Conclusão Pontos que devem ser enfatizados na classe: – O contexto por trás da negligência às viúvas helenistas. por mais de trinta anos. Desde janeiro deste ano. III. Engenheiro Coelho. Outra dificuldade foi interna: as diferenças marcantes entre os cristãos helenistas e os hebreus. samaritanos e gentios). – A relevância e o significado do discurso e da morte de Estêvão. foram as perspectivas desse grupo. – Aspectos negativos e positivos das diferenças entre helenistas e hebreus. essas divergências estavam em algum grau no pano de fundo da negligência às viúvas helenistas. é professor de Novo Testamento na Southern Adventist University. A expansão do evangelho (At 8:1-40) Dois problemas foram decisivos para que o evangelho rompesse as barreiras judaicas. Estados Unidos. que entendia o cristianismo de maneira mais abrangente e inclusiva. Por outro.mas que. Ele é PhD em Novo Testamento pela Andrews University (2004) e realizou estudos de pós-doutorado na Universidade de Heidelberg. como nação. ela não mais seria o instrumento de Deus para tornar as bênçãos salvíficas de Deus conhecidas ao mundo. – O caráter inclusivo do evangelho (hebreus. na Alemanha (2011).

porém. Por isso ele é descrito como consentindo na morte de Estêvão (At 8:1). certamente para inibir acusações apressadas (Dt 17:7). As palavras parecem ser cuidadosamente escolhidas para expressar a ideia de que. No caso de Estêvão. as testemunhas haviam sido subornadas para que o acusassem (At 6:11). e o fato de deixarem as vestes aos pés de Saulo (At 7:58) sugere que ele estava. senão de liderança. Início do ministério (At 9:20-30) I. supervisionando a execução.com. Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º Trimestre de 2018 Tema Geral: O Livro de Atos dos Apóstolos Lição 5: 28 de julho a 4 de agosto A conversão de Paulo Autor: Wilson Paroschi Professor de Novo Testamento Southern Adventist University Collegedale. A primeira perseguição da igreja Em seguida ao martírio de Estêvão.oliveira@cpb. Saulo o aprovou. A lei determinava que. 22:3). EUA Editor: André Oliveira Santos: andre. 1. na Cilícia (At 21:39. na ocasião. a maioria dos quais era dos mesmos judeus cristãos helenistas convertidos no Pentecostes (At 2:5. TN. 2) Paulo (ou Saulo) aparece pela primeira vez no relato bíblico no contexto da morte de Estêvão. “levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém”. o que forçou muitos fiéis a abandonarem a cidade (At 8:1). 2) II. as primeiras pedras fossem lançadas pelas testemunhas.br Revisora: Josiéli Nóbrega Esboço da lição da semana I. Perseguidor da igreja (At 9:1. É bem provável que Saulo frequentasse . embora não participando ativamente no apedrejamento. o mesmo acontecendo com Saulo. 8:1) dá a entender que Saulo exerceu um papel importante. 9-11). em caso de apedrejamento. que era natural de Tarso. Convém notar que Estêvão foi um helenista (At 6:1-5). Conversão próximo a Damasco (At 9:3-19) III. A descrição de Lucas (At 7:58. por assim dizer. Perseguidor da igreja (At 9:1.

2. a fé em Jesus postulava uma grotesca contradição. Gl 1:15. Para Paulo. O problema para os judeus tinha a ver. 2. e que foi dali que veio a oposição contra ele. Jesus fugia aos padrões estabelecidos no primeiro século: Ele não havia frequentado as escolas rabínicas de Seus dias (Jo 7:15). mas representavam uma ameaça aos pilares da fé judaica. 26:12). Do ponto de vista judaico. Sabendo que muitos fiéis haviam fugido para Damasco. visto que Ele – assim pensavam – não poderia ser ao mesmo tempo o escolhido de Deus e o maldito de Deus. 22:5. uma cidade com grande colônia judaica cerca de 215 km ao norte de Jerusalém (em linha reta). 16) que mudou completamente perspectiva e a vida daquele jovem fariseu. a crítica feita por Estêvão quanto ao templo e suas cerimônias (At 6:13. 14. 5. os problemas disseram respeito mais à ala helenista da igreja. 11. Ou seja. como um shaliah. A “heresia” cristã Paulo declarou em 1 Coríntios 1:23 que a fé cristã era “escândalo para os judeus e loucura para os gregos”. decidiu exterminá-los (At 22:4. Por isso. 15:8. o que parece explicar a razão pela qual os apóstolos (At 8:1) e os demais cristãos palestinos (At 11:1) puderam permanecer em Jerusalém. uma por Lucas (9:3-19) e duas em relatos atribuídos ao próprio Paulo (22:6-16. Estêvão e os demais cristãos não eram somente apóstatas. e a mensagem da ressurreição era uma afronta aos saduceus. Isso quase sempre era feito por meio de um shaliah (“enviado”). com o fato de Jesus ter morrido numa cruz. II. 26:13-18). O apóstolo também a menciona brevemente em Gálatas 1:15-24. portanto. 1Co 9:1. E foi assim. pois a lei declarava que todo aquele que fosse pendurado num madeiro seria considerado maldito de Deus (Dt 21:23). Gl 1:13. O sumo sacerdote era o presidente do sinédrio. e era dele a responsabilidade de administrar as comunidades judaicas ao redor do mundo. mas um encontro real com o Cristo ressuscitado (At 9:17.a mesma sinagoga que Estêvão (At 6:9). uma espécie de suprema corte judaica. Além disso. Conversão próximo a Damasco (At 9:3-19) A conversão de Paulo nas proximidades de Damasco é mencionada três vezes em Atos. ou um apóstolo do Sinédrio – a palavra “apóstolo” significa “enviado” – que Saulo partiu para Damasco. Mc 7:5. os líderes máximos do templo e do Sinédrio (At 23:8). Saulo era o líder da perseguição. acima de tudo. transformando-o do maior inimigo da fé no seu maior defensor. Além disso. 26:10. O que ocorreu ali foi mais que uma visão no sentido profético. Depois do . alguém autorizado pelo Sinédrio para exercer funções administrativas e religiosas. Jo 5:1-16). 7:48-50) tocava no que de mais sagrado havia no judaísmo do primeiro século. ele foi ao sumo sacerdote e pediu autorização para que estendesse a perseguição até lá (At 9:1. Fp 3:6). Seu comportamento não era pautado pelas tradições rabínicas (Mt 11:19.

mas sua morte não acrescenta força ao inimigo. Quando cruzamos as informações dos vários relatos da conversão de Paulo. 25:10-12). mas aprouve a Deus em Sua graça usar um cristão chamado Ananias para que Paulo recuperasse a visão e fosse batizado (At 9:10-19). não só frustrou as expectativas dos líderes judaicos da época como também fortaleceu sobremaneira o movimento cristão. Após a visita de . não apenas se perdem seus serviços como ganham clara vantagem aqueles com quem ele se une. Paulo cresceu em Jerusalém. alcançou a posição de membro do Sinédrio (At 26:10. Mas Deus. “Um general que tomba em combate está perdido para seu exército. Paulo também era cidadão romano por direito de nascimento (At 22:28). Paulo nasceu na cidade de Tarso. onde se tornou fariseu (At 23:6. principalmente no contexto de sua prisão e julgamento (At 16:35-39. e muita força se teria retirado do poder perseguidor. podia facilmente ter sido morto pelo Senhor. cf. o cristianismo nunca mais seria o mesmo. 22:25-29. podemos reconstruir com mais clareza seus primeiros movimentos como cristão. Por algum motivo que desconhecemos. Deus usaria Barnabé para aproximar Paulo dos demais apóstolos em Jerusalém (At 9:26. 22:3). Com Paulo. e grandes esperanças eram acalentadas com respeito a ele como capaz e zeloso defensor da antiga fé”. em caminho para Damasco. Isso dava uma série de vantagens ao apóstolo e ele soube fazer uso delas. mas converteu-o. em Sua providência. Mas quando um homem preeminente se une às forças opositoras. de onde o apóstolo sairia em suas três viagens missionárias. porém. 27) e integrá-lo nos trabalhos evangelísticos em Antioquia da Síria (At 11:25. o que significa que o pai dele deve ter sido um cidadão romano antes dele.Pentecostes. e era visto por todos “como jovem altamente promissor. nenhum outro evento foi tão imporante para a igreja nascente como esse. Sua conversão. o que fazia dele um judeu helenista e profundo conhecedor da cultura greco-romana. o que o habilitava plenamente a discutir questões profundas relacionadas à lei. 22:20). De família cem por cento judaica (Fp 3:5). não apenas preservou a vida de Saulo. transferindo assim um campeão do campo do inimigo para o lado de Cristo”. At 7:58). 26). Saulo de Tarso. à história de Israel e à salvação. 12). Mais tarde. Gamaliel (At 22:3). Muito cedo na vida (cf. Início do ministério (At 9:20-30) A conversão de Paulo não foi intermediada. Fp 3:5) e foi educado aos pés do maior rabino judeu da época. O Novo Testamento nos dá preciosas informações sobre a vida de Paulo anterior à sua conversão que muito nos ajudam a entender seu ministério e o evangelho por ele pregado. III. capital da província romana da Cilícia (At 21:39. 26:5. nem sequer testemunhada por nenhum dos apóstolos (Gl 1:11.

localizado mais ou menos na região correspondente à moderna Jordânia. 29). Mas. na Cilícia. Mas eles também procuraram tirar-lhe a vida. profundo estudo das Escrituras e comunhão com Deus. Engenheiro Coelho. dirigindo-se em seguida para Jerusalém (At 9:26). 6:9). sua cidade natal (At 9:30). Autor do comentário: Wilson Paroschi ensinou na Faculdade de Teologia do Unasp. – A revelação por meio de Ananias. que era como se chamava o reino nabateano. 19) e procurou testemunhar aos mesmos judeus helenistas que. Paulo começou a pregar. Tennessee. Deve ter sido um período de reclusão. Nada sabemos do ministério de Paulo nesse período. Conclusão Pontos a ser enfatizados em classe: – O papel do próprio Estêvão na conversão de Paulo (cf. por mais de trinta anos. onde permaneceria por vários anos até que Barnabé fosse à sua procura e o trouxesse à Antioquia (At 11:25. que na época estava sob administração nabateana (2Co 11:32). Saulo. At 26:19). – A fiel resposta de Paulo ao chamado de Deus (cf. 16). ele foi fiel ao seu chamado (At 26:15). anos antes. – A preocupação que Paulo teve de pregar aos mesmos judeus helenistas que anteriormente haviam se levantado contra Estêvão (At 9:29. Foi nessa ocasião que ele foi descido num cesto por uma janela da muralha (2Co 11:33).Ananias. de que ele teria um poderoso ministério e que ele muito sofreria pelo nome de Jesus (At 9:15. 26). Estados Unidos. Ele é PhD em Novo . num período aproximado de três anos (Gl 1:18). – A pergunta de Jesus na estrada de Damasco: “Saulo. a não ser que ele fez vários conversos ali (At 15:41). mesmo assim. Mais ou menos ao final dos três anos. é professor de Novo Testamento na Southern Adventist University. pelo que os irmãos o enviaram a Tarso. At 7:60). mas logo surgiu a oposição e ele foi forçado a fugir da cidade (At 9:20-25). Em Damasco. onde se encontrou com alguns apóstolos (Gl 1:18. cf. em Collegedale. haviam se levantado contra Estêvão (At 9:28. Ali. Desde janeiro deste ano. ele voltou para Damasco. por que Me persegues?” (At 9:4). Paulo se preparou para o início de seu ministério. Paulo foi à Arábia (Gl 1:17).

O NT e o historiador judeu Flávio Josefo concordam que. Josefo. Comentário da Lição da Escola Sabatina – 3º Trimestre de 2018 Tema Geral: O Livro de Atos dos Apóstolos Lição 6: 4 a 11 de agosto O ministério de Pedro Autor: Wilson Paroschi Professor de Novo Testamento Southern Adventist University Collegedale.1. 20. 20. O sumo sacerdote sempre era o presidente do Sinédrio (1 Macc 14:44. At 4:1.10. 13.3) e outros membros aristocráticos da classe sacerdotal.10. Josefo. As fontes (gregas) do período intertestamentário e do primeiro século são amplamente consideradas mais confiáveis para a reconstrução da história do Sinédrio no período anterior ao ano 70 AD.1). 5:17. 3 Ibid. EUA . mas o rabino Gamaliel mencionado em Atos 5:33-39. Ap. Lc 22:4. na Alemanha (2011). Tal informação é problemática.10.4. C. Mc 14:53. p. At 5:17. acredita que as tradições acerca do Sinédrio preservadas na Mishnah reflitam a situação em Jâmnia após a destruição de Jerusalém em 70 AD. 1 Ouve-se. 20. nem o sumo sacerdote. veja 1 Macc 7:33. O segundo em poder era o capitão do templo (Josefo. 26).24.8.9. às vezes. TN.16. 24:1. que o presidente do Sinédrio na época de Jesus não era saduceu. Ant. Atos dos Apóstolos.2. p. A maioria dos estudiosos modernos. na época de Jesus e dos apóstolos. Mt 27:41. os principais integrantes do Sinédrio eram os sumos sacerdotes (archiereis. 112.2. Mt 26:57.. Wars 1. Wars 2.6. 124. 52. Ant.1). Josefo. Josefo. 14.2—16. Ant.Testamento pela Andrews University (2004) e realizou estudos de pós-doutorado na Universidade de Heidelberg. 20. Ant. 20. 24. 2. 2.10. ela deriva de fontes rabínicas tardias e suspeitas. 14. eles pertenciam ao partido dos saduceus (At 4:1.9.9.5-9). 14:24-49. 11:23.14.2.9. 2 Ellen G. Para outras informações acerca do Sinédrio e o poder do sumo sacerdote no período anterior ao primeiro século. de onde os sumos sacerdotes eram escolhidos. tanto cristãos quanto judeus. White.1. 20. 12:6.1.15.

A conversão de Cornélio (At 10:1–11:18) A parte central da seção (caps. Lucas descreve dois milagres realizados por Pedro. O encontro entre Pedro e Cornélio foi providencial. no caso da filha de Jairo (Mc 5:41). a forma grega do seu nome. cidade portuária localizada ao norte de Jope. exceto por uma única letra: “Talita. ou até maiores. em toda a região. no caso de Dorcas (At 9:40). mas os preconceitos judaicos da época contra gentios incircuncisos eram uma barreira muito grande que . Ali Pedro ressuscitou uma fiel chamada Tabita. O primeiro foi em Lida. o que remete à declaração de Jesus de que os discípulos seriam capazes de fazer obras iguais. cumi!”. A conversão de Cornélio (At 10:1-11:18) 3. as frases de Jesus e Pedro no momento da ressurreição teriam sido idênticas.Editor: André Oliveira Santos: andre. II. Ministério de cura (At 9:32-34) Havendo Paulo se retirado para Tarso (At 9:30).oliveira@cpb. as atenções de Lucas se voltam para Pedro. e “Tabita.com. que vivia em Cesareia. O outro milagre foi em Jope. Cesareia era uma bela cidade que. O milagre tem semelhança com a cura do paralítico de Cafarnaum (Lc 5:17-26). 10–11) descreve a conversão de um centurião chamado Cornélio. que jazia em seu leito havia oito anos. que é descrito numa espécie de ministério itinerante ao longo da região costeira da Palestina. A perseguição de Herodes (At 12:1-25) I. 42. e mostra que Deus tinha a intenção clara de usar o apóstolo para trazer à fé o primeiro gentio.br Revisora: Josiéli Nóbrega Esboço da lição da semana 1. que as Dele (Jo 14:12). a ressurreição da filha de Jairo (Lc 8:41. Ministério de cura (At 9:32-43) 2. sob a administração romana. Em aramaico. onde Pedro curou um paralítico chamado Eneias. A ordem de Jesus era que os apóstolos levassem o evangelho a todo o mundo (At 1:8). cumi!”. havia se tornado a sede do governo provincial. foram fortemente impactados e se converteram ao Senhor (At 9:35). Muitos. os quais lembram bem de perto milagres realizados pelo próprio Jesus. 49-56). A descrição de Tabita impressiona por suas obras de caridade e amor desinteressado ao próximo. a língua falada na Judeia na época. também conhecida por Dorcas. O milagre também lembra bem de perto outro milagre de Jesus. A igreja de Antioquia (At 11:19-26) 4.

e tribos diante de uma prática assim? Deus trabalhou com Cornélio (At 10:1-8) e com Pedro simultaneamente (At 10:9-23). O simples contato com gentios incircuncisos. 19. A visão de Pedro reflete o conceito exclusivista judaico da época. tanto judeus quanto gentios. A preocupação com a contaminação da idolatria pagã era tão grande que os rabinos ensinavam que nenhum judeu deveria se associar a um gentio incircunciso. Em última instância. 30). todos carecem da graça de Deus para a salvação (Rm 3:23). a resposta de Deus a Pedro no verso 15 mostra que Deus não estava purificando carnes impuras (akarthartos). impedindo o judeu de comparecer perante Deus no templo para adorá-Lo. Pedro não deveria se preocupar com uma eventual contaminação cerimonial pelo simples fato de entrar na casa de Cornélio e assentar-se com ele à mesa. quer para gentios (Rm 3:29. Isso mostra que o evangelho é inclusivo. para descrever as carnes imundas em Levítico 11.precisava ser vencida. versão grega do Antigo Testamento (AT). é para todos. Seu uso nessa passagem reflete o conceito rabínico de contaminação por associação. Para que não restasse nenhuma dúvida de que Deus estava administrando a situação. O termo akarthartos é o mesmo utilizado na Septuaginta. Como a igreja iria fazer conversos de todos os povos. ainda de acordo com os rabinos. Ou seja. Já o termo koinos não é usado no AT em relação à alimentação. concedendo uma visão a ambos. essa prática era cumprida tão à risca que muitos criticavam os judeus por seu espírito exclusivista e sectário. provocava impureza cerimonial. Foi por isso que Deus respondeu: “Ao que Deus purificou [kathariz?] não consideres comum [koino?]” (At 10:15). e é por isso que a salvação é unicamente pela fé. quer para judeus. mas apenas tentando mostrar ao apóstolo que carnes limpas não eram contaminadas pela associação com as imundas. 22). nações. Como todos. A circuncisão era o sinal do concerto abraâmico (Gn 17:9-27) e a marca que distinguia o povo de Deus das demais pessoas. Mas. tais animais teriam sido contaminados. Pedro se recusa a comer até mesmo os animais limpos do lençol. nesse período. e o que se segue é a primeira conversão de um gentio incircunciso relatada no livro de Atos. A resistência de Pedro em comer até mesmo os animais limpos do lençol é explicada da seguinte forma: “Jamais comi coisa alguma comum [koinos] e imunda [akarthartos]” (At 10:14). Ele permitiu que o Espírito Santo viesse sobre Cornélio e . pois para ele. Mesmo carnes limpas – os rabinos ensinavam – ficariam contaminadas ao entrar em contato com carnes imundas. o ponto de Deus nem era o alimento em si. pecaram (Rm 3:9. 35). e que Deus não tem favoritos (At 10:34. A visão tem sido utilizada para defender a ideia de que a distinção entre carnes limpas e impuras do AT não está mais em vigor. Há evidências de que. Pedro entendeu a mensagem. mas a situação dos gentios incircuncisos. aquilo que é intrinsicamente puro não é contaminado pelo simples contato com aquilo que é impuro.

sua família antes mesmo do batismo e que eles falassem em línguas (At 10:44-46). sendo ferido por um anjo de Deus e tendo uma morte pública humilhante e aparentemente dolorosa (verso 23). III. sem que ele primeiro precisasse se tornar um adepto do judaismo por meio da circuncisão. Sentindo o potencial do trabalho. em Antioquia. associado à reação de Pedro (At 10:47. se converteram ao Senhor” (At 11:21). crendo. demonstra que o propósito delas foi apenas convencer a Pedro e aos que com ele estavam de que Deus estava aceitando a conversão direta de um gentio incircunciso. A forma como a igreja de Jerusalém depois cobrou explicações de Pedro por haver ele entrado em contato com um gentio incircunciso (At 11:1-18) mostra como essa questão despertava enormes preconceitos. foi martirizado nessa ocasião (verso 2). que os seguidores de Jesus foram pela primeira vez chamados “cristãos” (At 11:26). que viu na excecução dos líderes da igreja de Jerusalém uma forma de agradar os judeus em geral (At 12:3). Nem tudo seria resolvido nessa ocasião (cf. O fenômeno das línguas neste caso não foi por razões evangelísticas. Fato histórico significativo é que foi ali. que Cornélio falou em línguas antes mesmo de ser batizado. Vários refugiados da perseguição de Saulo chegaram até ali e compartilharam a mensagem tanto com judeus quanto com gentios. que ficava relativamente perto de Antioquia. e Pedro seria o próximo. Conclusão Pontos a ser enfatizados em classe: . “e muitos. Por fim. como no Pentecostes. à procura de Paulo. não fosse o poderoso livramento de Deus (versos 7-19). O relato termina com uma breve nota. porém. 11:15-17) e da igreja de Jerusalém posteriormente (At 11:18). mas suficiente para mostrar a direção divina da igreja: “A Palavra do Senhor crescia e se multiplicava” (verso 24). O impacto parece ter sido grande. Este é o único relato em todo o Novo Testamento de alguém falando em línguas no momento em que se converte. o que. Tiago. o irmão de João. IV. A perseguição de Herodes (At 12:1-25) O relato que se segue é de uma perseguição imposta por Herodes Agripa I. tanto que Barnabé foi enviado desde Jerusalém para averiguar a situação. e muito menos por ser a evidência típica da conversão. ele foi a Tarso. mas Deus estava aos poucos conduzindo sua igreja a uma realidade universal. e por todo um ano eles trabalharam juntos evangelizando a cidade. Herodes colheu os resultados da sua própria crueldade e arrogância. Gl 2:11-14). A igreja de Antioquia (At 11:19-26) A conversão de Cornélio oferece ensejo a Lucas para relatar a expansão do evangelho em Antioquia da Síria. É interessante notar.

. em Collegedale. Tennessee. . é professor de Novo Testamento na Southern Adventist University.O poder do ministério de Pedro. Ele é PhD em Novo Testamento pela Andrews University (2004) e realizou estudos de pós-doutorado na Universidade de Heidelberg. Engenheiro Coelho.A perpetuidade das leis de saúde do AT. Autor do comentário: Wilson Paroschi ensinou na Faculdade de Teologia do Unasp. Estados Unidos. na Alemanha (2011).A fidelidade da igreja apostólica em face da perseguição e as lições que podemos tirar disso para nós hoje.. Desde janeiro deste ano. .A universalidade do evangelho. . por mais de trinta anos.