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Plantas Medicinais

INFORMAÇÕES SOBRE PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS

ARRANJO PRODUTIVO LOCAL DE


PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS
APL FITO, ITAPEVA-SP, 2015
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
ARRANJO PRODUTIVO LOCAL DE
PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS

Plantas Medicinais
INFORMAÇÕES SOBRE PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERÁPICOS

ITAPEVA-SP
2015
Organização/Projeto Pedagógico Agricultores
Instituto Giramundo Ana Júlia Domingues
Ana Marta Barbosa
Camila Fernandes Fortes
Texto Ezil Antunes de Moura
Beatriz Stamato Fabiana Aparecida Lara
Fátima Chechetto Geovano Batista
Helen Aparecida Delfino
Suelyn da Luz
Ivonete Fagundes
Jicelia Aparecida Divino Domingues
Joseneia Lourenço Domingues
Ilustração/Programação Visual/Arte Final Juliana Carvalho dos Santos
Joel Nogueira Luzimar Apolinário dos Santos
Luiz Ribeiro Madalena Barbosa Oliveira Melo
Maria Augusta Batista
Maria de Fátima Camargo
Comissão Gestora APL Fito Itapeva Maria de Lurdes Silva Dias
Luiz Fernando Tassinari Maria Lucia de Oliveira
Francine Campolim Moraes Maria Nazaré da Silva Carvalho
Patricia Apolinário Marilena Lopes de Oliveira
Jicélia Aparecida Divino Domingues Marli Donizete Delfino
Rodrigo Machado Moreira Neuci Martins da Costa
Beatriz Stamato Patrícia Apolinário
Glauco de Kruse Villas Boas Regiele Nunes Pereira
Thiago Monteiro Mendes Rodrigo Francisco Delfino
Angelita Ibanhez de Almeida Oliveira Lima Selma Aparecida Pereira
Sérgio Luis da Silva
Rosilene Martins Viel
Sheila Fabiana Batista
Sonia de Fátima da Silva Gomes
Tereza Mariano Pereira
Instituições colaboradoras Terezinha Silvério Pinto
Ministério da Saúde (DAF/SCTIES) Valdineia Aparecida Fernandes
SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE ITAPEVA Vandir Aparecido de Lima
COOPLANTAS Vani Fernandes Fortes
GIRAMUNDO MUTUANDO Vanilda Aparecida Camargo
FIOCRUZ Zilda Carolina da Silva
UNOESTE Ednylson Franzosi
Índice

Apresentação 05

1. O que é saúde? 08

2. Plantas medicinais, fitoterápicos e medicina caseira 10

3. O resgate das plantas medicinais 15

4. Política nacional de plantas medicinais e fitoterápicos 18

5 . O que são práticas integrativas e complementares? 21

6. Como usamos as plantas medicinais 26

7. Fichas das plantas medicinais 29


a. Alcachofra 29
b. Aroeira 29
c. Babosa 30
d. Calêndula 30
e. Camomila 31
f. Cavalinha 31
g. Cúrcuma 32
h. Garra-do-diabo 32
i. Gengibre 33
j. Guaco 33
l. Hortelã 34
m. Maracujá 34

8. Referências Bibliograficas 36
Apresentação

O uso de plantas medicinais na terapêutica é muito antigo, e está


intimamente relacionado com a própria evolução do homem. Para utilizarem
as plantas como medicamentos, os homens antigos valiam-se de suas próprias
experiências empíricas de acerto e erro, e da observação do uso de plantas
pelos animais, além da intervenção divina para determinadas doenças. Em
suma, percebe-se que mitos, lendas e tradições apontam para o emprego
amplo de plantas medicinais em todos os tempos, em todas as camadas
sociais e quase em toda a humanidade.
Além do mais, quando utilizados de maneira adequada, as plantas
medicinais e os medicamentos fitoterápicos apresentam efeitos terapêuticos,
às vezes, superiores aos medicamentos convencionais, com efeitos colaterais
minimizados. Os medicamentos sintéticos vêm se tornando, em algumas
situações, ineficientes ou inseguros. O excesso de efeitos colaterais, o uso
abusivo e a prescrição indiscriminada resultam em uma razão não ideal de
risco/benefício, que pode levar graves riscos ao paciente, podendo acarretar,
em muitos casos, em dependências.
Quem sou eu? Agrônoma, educadora popular, filha de agricultores, neta
de raizeiros e benzedores e que hoje transcende para os filhos e netos que
ainda mantêm a cultura.
Perante esta sabedoria de séculos que faz parte do conhecimento
popular, sou muito grata a todos e aos ensinamentos que aprendi tanto na
Amazônia e outras regiões, aonde tive o privilégio de evoluir espiritualmente e
aprender a amar melhor. Isto foi possível, principalmente, pelas práticas e
vivências familiar, grupos sociais, pastorais e convivência com um grupo de
mulheres que há 18 anos trabalham com plantas medicinais e constrói e
desenvolve ações voltadas a área da saúde. Mesmo com os fracassos e
decepções, descobrindo importantes e inestimáveis parceiros e
companheiras, verdadeiras professoras, que passaram e que ainda fazem
parte desse grupo e continuam em frente com muita humildade, força,
sabedoria aperfeiçoando este saber.
Nesses dezoito anos de trabalho com muita luta e perseverança essas
mulheres conquistaram respeito e credibilidade buscando desta forma
agregar experiências, trabalhar cooperativamente, ampliar parcerias, se
fortalecer politicamente e buscar viabilizar a utilização das plantas medicinais.
Suas atividades produtivas se concentram em resgatar e difundir os
conhecimentos da medicina popular, bem como preservar e multiplicar os
recursos genéticos da flora com propriedades medicinais.
O que me encanta é realizar uma missão, através de um trabalho que,
além do conhecimento adquirido nas escolas, além do mundo do consumo, da
motivação pelo dinheiro, transcende para a formação do ser humano mais
completo.
Quando cheguei à Itaberá em 1996 e conheci o trabalho que já era
desenvolvido nos assentamentos de reforma agrária e que não visava à lógica
materialista/industrial/capitalista, mas, sim o poder da cura provinda dos

05
ancestrais, do cuidado com o próximo, da solidariedade, da oportunidade e do
valor social através do coletivo. Esses motivos me fizeram estudar e me
apaixonar pelas plantas medicinais e respeita-las.
Então, aprimorar os conhecimentos sobre as plantas medicinais,
utilizadas na cura das doenças muito tem a contribuir com o desenvolvimento
de novas pesquisas, na promoção da saúde e ainda na obtenção de novas
formas farmacêuticas.
Desse modo, entende-se que a saúde deva elencar, em suas referências,
a valorização aos conhecimentos e as práticas vivenciadas pelas comunidades,
construindo-se, um conceito subjetivo, particular e peculiar para cada pessoa e
grupo intimamente ligados com a qualidade de vida tão esmerada. Além disso,
tem sido referido que o planejamento das ações em saúde necessita considerar
as diferentes práticas de cuidado, valorizando as diferenças culturais.
Portanto, a presente cartilha tem como um dos objetivos, recrutar os
praticantes dessa medicina como aliados na organização e implementação de
medidas para melhorar a saúde da comunidade, bem como os profissionais da
saúde que vislumbram ampliar seus conhecimentos, assim, reafirmam a
necessidade da informação para os trabalhadores da saúde e também para os
usuários, enfocando o uso racional das plantas medicinais e fitoterápicos.
Espero que esta cartilha sirva, também, para integrar os conhecimentos
científicos ao conhecimento popular/tradicional, valorizar e legitimar o espaço
das comunidades, despertar para o cultivo das plantas medicinais gerando
renda, saúde, qualidade de vida, autonomia e sustentabilidade, estimulando o
cuidado e amor à vida e ao próximo.

Patrícia Apolinário

06 Plantas Medicinais
1

No capítulo 1 vamos debater o que significa


saúde e doença a partir de uma visão ampla e
como estes conceitos foram avançando ao longo
dos anos.
1 O que é saúde?

S aúde não significa apenas ausência de doença, dentro de uma visão


mais ampla. Isto porque a saúde depende de um bem-estar integral, dinâmico,
que envolve as dimensões física, emocional, mental, social e espiritual dos
seres humanos.
A saúde também é um valor coletivo que pode ser vivenciado e que se
realiza através de um relacionamento respeitoso, solidário e de cooperação
com a sociedade, a natureza, o planeta, com tudo, todas e todos integrados.

A OMS avalia que 80% da população dos países em


desenvolvimento dependem das plantas medicinais para suas
necessidades básicas de saúde, envolvendo o uso de seus extratos.
Isto significa que 3,5 a 4 bilhões de pessoas dependem das plantas
medicinais.

08 Plantas Medicinais
2

Neste capítulo você vai entender alguns princípios


das Plantas Medicinais e de que forma estas podem
contribuir para nosso bem estar de forma profunda
e acessível. Vamos falar da importância do resgate
dos saberes relacionados ao cultivo e uso destas
plantas e da valorização das práticas tradicionais e
populares, remédios caseiros e medicamentos
fitoterápicos para a promoção e cuidado da
saúde.
2 Plantas medicinais, fitoterápicos e medicina caseira

A humanidade, antes de desenvolver o conhecimento científico,


desenvolveu saberes que eram passados por diferentes gerações, ao longo do
tempo. A fitoterapia é fruto deste “saber popular” que faz parte de um
patrimônio histórico milenar que deve ser preservado e melhorado. Nesta
história as mulheres têm tido um papel fundamental nesta construção. Elas são
curandeiras, parteiras e herbalistas, ou seja, estudiosas do uso das plantas
medicinais. Elas foram, durante séculos, doutoras sem título, importantes
guardiãs de um saber de extrema utilidade. Hoje em dia, muitos autores
consideram a fitoterapia como um ramo da alopatia, o que em parte é
verdadeiro, porém a fitoterapia científica de hoje recebe influências de escolas
tradicionais e de sistemas médicos milenares, com uma visão
holística. A cura, dessa forma, não seria vista como um
mero alívio de sintomas, mas uma condição de equilíbrio,
exigindo monitoramento diário e com a participação
ativa do paciente, pois na crença ou sabedoria popular:

As plantas continuam desempenhando seu papel


como há milhares de anos: cuidar do ser humano
como um todo, restaurando seu equilíbrio.

Visão Holística

Considera o todo e não apenas as partes. Ou seja, considera que


muitos sintomas e doenças podem ter sua origem ou
ramificações em sistemas, órgãos ou funções aparentemente
distantes, mas que possuem relações.

10 Plantas Medicinais
Plantas medicinais, fitoterápicos e medicina caseira

O que é um fitoterápico: Conforme a legislação RDC 26 da ANVISA, de 13 de


maio de 2014, fitoterápico é o produto obtido de matéria-prima ativa vegetal,
exceto substâncias isoladas, com finalidade profilática, curativa ou paliativa,
incluindo medicamento fitoterápico e produto tradicional fitoterápico, podendo
ser simples, quando o ativo é proveniente de uma única espécie vegetal
medicinal, ou composto, quando o ativo é proveniente de mais de uma espécie
vegetal (BRASIL, 2014, p.52 DOU). São considerados medicamentos fitoterápicos
os obtidos com emprego exclusivo de matérias-primas ativas vegetais cuja
segurança e eficácia sejam baseadas em evidências clínicas e que sejam
caracterizados pela constância de sua qualidade e são considerados produtos
tradicionais fitoterápicos os obtidos com emprego exclusivo de matérias-primas
ativas vegetais cuja segurança e efetividade sejam baseadas em dados de uso
seguro e efetivo publicados na literatura técnico-científica e que sejam
concebidos para serem utilizados sem a vigilância de um médico para fins de
diagnóstico, de prescrição ou de monitorização (BRASIL, 2014, p.52 DOU)

a Mas afinal, o que é fitoterápico ou planta medicinal?

Na Fitoterapia pode-se utilizar a planta medicinal e/ou o fitoterápico. As


plantas produzem substâncias responsáveis por uma ação farmacológica ou
terapêutica, que são chamadas de princípios ativos. Quando falamos “planta
medicinal”, estamos nos referindo a uma espécie vegetal, cultivada ou não, utilizada
com o propósito terapêutico (RDC 26/2014). Para produzir um fitoterápico
podemos utilizar a planta fresca, que é coletada para logo ser usada, ou a planta
seca, que também é chamada droga vegetal, pois este é um nome dado à planta
medicinal ou suas partes que contenham as substâncias responsáveis pela ação
terapêutica, após processos de coleta/colheita, estabilização, quando aplicável, e
secagem, podendo estar na forma íntegra, rasurada, triturada ou pulverizada; (
Brasil, 2014, p.52 DOU). Temos ainda, como matéria-prima de um fitoterápico, o
derivado vegetal que é o produto da extração da planta medicinal in natura ou da
droga vegetal, podendo ocorrer na forma de extrato, tintura, alcoolatura, óleo fixo e
volátil, cera, exsudato e outros (Brasil, 2014, p.52 DOU).

11
Na fitoterapia pode-se utilizar a planta medicinal e/ou o fitoterápico. As
plantas produzem substâncias responsáveis por uma ação farmacológica
ou terapêutica, que são chamados de princípios ativos. Quando falamos
“planta medicinal”, estamos nos referindo a uma espécie vegetal,
cultivada ou não, utilizada com o propósito terapêutico (RDC 26/2014).

Geralmente, as drogas vegetais são utilizadas na preparação de


medicamentos fitoterápicos.

b A medicina popular e a medicina tradicional

A chamada “medicina popular” é diferente da medicina oficial dominante.


São práticas de cura que oferecem respostas concretas aos problemas de
doenças do dia a dia. A medicina popular pode ser realizada dentro de casa, em
agências religiosas de cura, em clínicas, entre outros. Pode ser realizado por
várias pessoas (pais, tias, avós) ou por profissionais populares de cura

12 Plantas Medicinais
Plantas medicinais, fitoterápicos e medicina caseira

(benzedeiras, médiuns, raizeiros, ervateiros, parteiras).


Já a chamada “medicina tradicional” compreende diversas práticas,
enfoques, conhecimentos e crenças que incluem plantas, animais e/ou
medicamentos baseados em minerais, terapias espirituais, técnicas manuais e
exercícios aplicados individualmente ou em combinação para o bem estar, além
de tratar, diagnosticar e prevenir as enfermidades.
Entre as recomendações da Conferência de Alma-Ata sobre cuidados
primários de saúde, há uma que se refere à incorporação destas práticas nos seus
contextos sociais. Entre os conhecimentos e práticas existentes estão aqueles
relativos ao uso de plantas medicinais e que também são chamados de medicina
familiar, medicina popular ou caseira e medicina tradicional.
No caso do uso familiar, se recorre às plantas medicinais (remédios
caseiros, aconselhamento) de pessoas que se inserem em uma rede social e
cultural de cuidado familiar (família, amigos, vizinhos, parentes).
O uso de plantas medicinais popular é praticado por especialistas
populares não profissionalizados. Os saberes e práticas populares baseiam-se em
herança familiar, marca de nascença, “dom” e ou aprendizado com outro curador.
Estes especialistas estabelecem um forte vínculo de confiança com os usuários
devido à identidade, proximidade na linguagem, conhecimento da comunidade
ou por falta de acesso ao cuidado biomédico.

O uso tradicional de plantas medicinais ocorre quando é


enraizado na cultura de uma população ou povo com identidade e
longa tradição próprias. Pode ser inserido ou não em uma
racionalidade médica. Por exemplo, a medicina indígena faz parte da
Medicina Tradicional brasileira, mas que se difere, em geral, das
práticas familiares e populares.

13
3

No capítulo 3 deste caderno vamos compreender


a importância do resgate de saberes popular que
envolvam as Plantas Medicinais no que diz
respeito aos seus usos e formas de preservar a
biodiversidade ambiental e sociocultural
envolvida.
O resgate das plantas medicinais 3

O Brasil é o país que possui a maior biodiversidade do mundo em plantas


medicinais e há uma rica variedade de culturas que as utilizam. As plantas medicinais
são importantes para as populações locais, no entanto, estes recursos estão sendo
destruídos. Estamos perdendo os conhecimentos tradicionais de nossos avós e a
diversidade da natureza esta sendo fragilizada. A troca de saberes e o resgate desses
conhecimentos é fundamental na conservação, preservação e utilização deste
patrimônio biológico e cultural.

Neste sentido, é fundamental promover o reconhecimento e a valorização das


práticas tradicionais e populares de uso das plantas medicinais, remédios caseiros e
medicamentos fitoterápicos para a promoção e cuidado da saúde, bem como para o
fortalecimento comunitário. A fitoterapia é uma importante ferramenta no serviço de
saúde para a recuperação, prevenção e promoção da saúde e o Sistema Único de
Saúde (SUS) estimula o uso deste conhecimento.

15
A “ECOLOGIA DE SABERES” compartilha do pensamento de
que não existe um único saber válido para o cuidado da saúde
e o uso comunitário de plantas medicinais. O saber
comunitário e popular sobre plantas, baseado nas tradições
culturais, pode ser visto como uma possibilidade de
aproximação, inclusive de profissionais da saúde e usuários.

todos nós, agricultores e agricultoras,


profissionais da saúde e gestores públicos,
temos conhecimentos complementares.
Todos juntos podemos promover mais saúde
por meio do uso das plantas medicinais!

Esta interação entre a comunidade e equipe de saúde pode ocorrer em


encontros, para compartilhar experiências como, por exemplo, a identificação
das plantas, como são preparadas, suas indicações e de que forma são
utilizadas pelas comunidades em um diálogo respeitoso e mútuo. Cria-se,
desta maneira, um ambiente favorável e enriquecedor entre saberes, técnicas,
tradições diversas em saúde.

16 Plantas Medicinais
4

Neste capítulo vamos apresentar a história de


como se consolidou a atual Política de Plantas
Medicinais no Brasil, já que entender a história
nos ajuda a compreender o que temos hoje e o
que ainda precisamos conquistar.
4 Política nacional de plantas medicinais e fitoterápicos

2001 Para que novas políticas públicas neste setor fossem aprovadas,
muitas pessoas colaboraram, por meio de recomendações em Conferências
Nacionais de Saúde, de Assistência Farmacêutica e Fóruns Nacionais, como o Fórum
Nacional para a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, que
aconteceu em Brasília, em 2001, e contou com a participação de aproximadamente
400 profissionais de diversos segmentos, e o Seminário Nacional de Plantas
Medicinais, Fitoterápicos e Assistência Farmacêutica, também em Brasília, em 2003,
com profissionais de diferentes áreas e representantes de comunidades.

2006 Em 2006 foram aprovadas a Política Nacional de Práticas


Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde, por meio da
Portaria GM Nº 971, de 03 de maio de 2006, e a Política Nacional de Plantas
Medicinais e Fitoterápicos, por meio do Decreto Presidencial 5813, de 22 de
junho de 2006. Estas Políticas, que há muitos anos vinham sendo almejadas
pela sociedade brasileira, têm a intenção de harmonizar e otimizar ações e
recursos, de forma integrada, para o desenvolvimento do setor no país.

Estas duas políticas públicas reconhecem a fitoterapia como uma


prática oficial no SUS, definindo a fitoterapia como um recurso
terapêutico que faz uso de plantas medicinais em suas diferentes
formas, além de incentivar o desenvolvimento comunitário, a
solidariedade e a participação social.

18 Plantas Medicinais
Plantas medicinais, fitoterápicos e medicina caseira

2012 No Brasil, atualmente, existem cerca de 350 ações/programas


de plantas medicinais em várias regiões (BRASIL, 2012) que contemplam diferentes
ações e serviços, como: hortas e hortos didáticos, farmácia-viva, rodas de conversa
com plantas medicinais, educação permanente, oficinas de manipulação de
fórmulas tradicionais, orientação e apoio ao uso autônomo, hortas em escolas e
comunidades, entre outros.

19
5

Neste capítulo você vai entender melhor o que


são as chamadas Práticas Integrativas e
Complementares, quais são elas, sua história e
importância.
O que são práticas integrativas e complementares? 5

A s chamadas Práticas Integrativas e Complementares são discutidas


pela OMS há algumas décadas na Atenção Básica de Saúde. Estas práticas buscam
estimular a prevenção de doenças e recuperação da saúde, usando a escuta
acolhedora, no desenvolvimento do vínculo terapêutico e na integração do ser
humano com o meio ambiente e a sociedade. Outro ponto dessas práticas é a
visão holística do processo saúde-doença e a promoção global do cuidado
humano, especialmente do autocuidado.

1980 No Brasil, a legitimação e institucionalização das Práticas Integrativas e


Complementares em Saúde tiveram início na década de 1980, quando os estados e
municípios ganharam mais autonomia na definição de suas políticas e ações de
saúde, a partir do Movimento da Reforma Sanitária e criação do SUS, que incluiu a
descentralização e participação popular. Assim, foram implantadas experiências
pioneiras envolvendo estas práticas. Essas abordagens têm contribuído para a
ampliação da responsabilidade conjunta dos indivíduos pela saúde, colaborando
para o aumento do exercício da cidadania.

No caso das plantas medicinais e da fitoterapia, a política tem a intenção


de tornar disponíveis plantas medicinais e/ou fitoterápicos nas Unidades de
Saúde da Família, seja no modelo tradicional ou nas unidades de média e alta
complexidade, na forma da planta medicinal fresca, planta medicinal seca
(droga vegetal), fitoterápico manipulado e fitoterápico industrializado.

21
Mesmo tendo conquistado novas políticas públicas precisamos
fortalecer e ampliar a participação popular e o controle social, com medidas
que possam resgatar e valorizar o conhecimento tradicional e promover a troca
de informações entre grupos e usuários, pessoas com conhecimentos
tradicionais ou populares, técnicos, trabalhadores em saúde e representantes
da cadeia produtiva de plantas medicinais e fitoterápicos, assim como a
preservar e conservar estes recursos naturais, criando hortos de espécies
medicinais, com o apoio do trabalho da população visando à geração de
emprego e renda.

22 Plantas Medicinais
Plantas medicinais, fitoterápicos e medicina caseira

a O que influencia na qualidade da planta?

Estes fatores irão influenciar na produção de princípios ativos das


plantas, que podem aumentar ou diminuir, conforme estas condições.

LATITUDE
SOLO
UNIDADE RELATIVA
DO AR
TEMPERATURA

ALTITUDE

COMPRIMENTO DISPONIBILIDADE DE
DO DIA ÁGUA E NUTRIENTES

Um importante fator a ser observado é a identidade da planta, que se não


for esclarecida pode levar à confusão com plantas tóxicas ou de princípios
ativos diferentes do que se quer. Um exemplo é o caso da “erva cidreira”, nome
popular pelo qual são conhecidas pelo menos três espécies diferentes:
Cymbopogoncitratus, (CD) Stapf., MelissaofficinalisL. e Lippia alba ( Mill) N.E.
Brown. É fundamental, portanto, a correta identificação botânica da planta
cultivada. Em seguida, é importante manter um viveiro com as espécies melhor
adaptadas na região, para dispor sempre de material de propagação de boa
qualidade e com identidade botânica assegurada.

b A importância da segurança, da eficácia e da qualidade

O cultivo de plantas medicinais exige que vários profissionais estejam


sempre interagindo, como botânicos (na identificação das plantas e descrição
do ambiente onde ocorrem), agrônomos (na produção agronômica) e
farmacêuticos (no controle de qualidade).

23
Como as plantas medicinais serão usadas para a promoção ou
recuperação da saúde, é fundamental que estejam livres de
agroquímicos, advindas de um sistema agroecológico, que contribua
para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável, do ponto de
vista técnico, ambiental, social e econômico.

A produção e
beneficiamento das
plantas medicinais deve
seguir as normas para que
o produto tenha
qualidade!

24 Plantas Medicinais
6

Neste capítulo vamos conhecer as principais


formas de preparo e formas de uso. Como
escolher, colher, manipular, beneficiar e usar
respeitando os princípios e formas de uso ara
cada tipo de planta.
6 Como usamos as plantas medicinais

P rincipais formas de preparo e orientações de uso:

FORMAS DE PREPARO

Chás
Uso interno – Na prática, utiliza-se 5 (cinco) gramas de
planta seca ou de 10 a 15 (dez a quinze) gramas de planta
fresca para 500 ml (meio litro) de água.
Uso externo em compressas ou limpeza de ferimentos - Na
prática, utiliza-se 10 (dez) gramas da planta seca ou 20
(vinte) gramas de planta fresca para 200 ml de água.
Infusão (para flores, folhas tenras e frutos tenros)
• Colocar a planta em uma xícara.
• Despejar a água fervendo sobre o chá.
• Abafar por 15 minutos.
A infusão deve ser usada no mesmo dia da preparação

Decocção
(Chás à base de sementes, caules, raízes, folhas e frutos
mais duros)
•Colocar água fria em um recipiente.
• Despejar a planta.
•Ferver por 10 minutos com o recipiente tampado.

26 Plantas Medicinais
Plantas medicinais, fitoterápicos e medicina caseira

Xarope
O xarope pode ser feito com calda de açúcar ou mel de abelha,
usando uma medida do chá para uma medida do mel ou
calda. Para que o xarope não fermente, guardar em recipiente
limpo, fechado e em geladeira, de preferência, ou em local
fresco. Usar este preparado por no máximo sete dias. Sempre
observar se aparecem grumos brancos no xarope (mofo), sinal
de coalhada ou cheiro azedo. Se isto acontecer, não usar.

Gargarejo e bochecho
Preparar o chá por infusão e decocção. Tampar e deixar
em repouso por 15 minutos. Coar e fazer o gargarejo ou
bochecho.

Cataplasma
Preparar o chá por decocção. Ainda quente, acrescentar
FARINHA farinha, fazendo uma papa. Colocar sobre um pano
limpo, observar se não está muito quente e aplicar sobre a
região afetada.

Compressa
Embeber um pano ou pedaço de algodão no chá ou sumo
da planta. Aplicar na área afetada. Pode ser quente ou fria.

Banho
Preparar o chá por infusão ou decocção. Depois de coado
colocar o chá em uma bacia e fazer o banho.

Medidas Aproximadas de Plantas Secas e Moídas:


1 copo de vidro comum – 200ml
1 xícara de café pequena – 150 ml
1 colher de sopa – 4 a 5g (folha) 3g de flor, 10g de raiz
1 colher de chá – 2 a 3g de folhas
1 colher de café – 1g de fruto seco, como por exemplo: funcho

27
7

FICHAS DAS PLANTAS MEDICINAIS


Fichas das plantas medicinais 7

a. ALCACHOFRA
Nome científico: Cynara cardunculus var. Scolymus
(L.) Fiori
Nomes populares: alcachofra
Família - Asteraceae
Origem e descrição botânica – originária da região do
Mediterrâneo. Planta herbácea que atinge até 1,50m de
altura. Folhas grandes, de cor verde claro, coberta por
penugem branca. Inflorescência em capítulo.
Indicações – dispepsia (alivia males gástricos).
Parte usada - folhas
Propriedades: colagoga (aumenta a contração da
vesícula biliar, ajuda o trabalho da bílis) colerética
(ativa a produção da bílis) depurativa.
Uso interno: 1 colher de sopa para 1 xícara de chá de água fervente. Tomar 1 xícara
após as refeições.
Precauções: Não se deve usar na gravidez e em mães que estão amamentando por
conter substâncias amargas.
Pode provocar dermatite de contato.

b. AROEIRA
Nome científico: Schinus terebinthifolia Raddi
Nomes populares: aroeira
Família – Anacardiaceae
Origem e descrição botânica – Árvore de pequeno a
médio porte, alcançando até 9m de altura, Originária da
América do Sul (Argentina, Brasil e Paraguai). Folhas
compostas, com 7 a 13 folíolos verdes, flores pequenas
branco-esverdeadas dispostas em inflorescências.
Frutos pequenos, redondinhos, rosados a
avermelhados.
Indicações – Inflamação vaginal, leucorréia
(corrimento vaginal), em caso de hemorragias,
problemas de pele, erisipela.
Parte usada - cascas
Uso: O chá pode ser utilizado como antisséptico em feridas expostas, sendo que seu óleo
essencial tem ação antimicrobiana contra um amplo espectro de bactérias, fungos e vírus . O
chá de aroeira é indicado para distúrbios respiratórios, dentre outras condições de saúde. Para
uso tópico, o óleo da planta é eficaz contra micoses, candidíases e outras infecções
vulvovaginais. Além disso, possui ação regeneradora dos tecidos, sendo útil em escaras,
queimaduras e problemas de pele em geral por ajudar na cicatrização. Pode ser incorporado em
loções, géis ou sabonetes. Para o uso em banhos, as cascas da aroeira podem ser fervidas em
água para aliviar sintomas de reumatismo. Como compressas intravaginais, o extrato aquoso
das cascas de aroeira, na concentração de 10%, promove a cura de cervicite e cervicovaginites
em cerca de 3 semanas. Para gargarejos e bochechos no caso de dores de garganta e
gengivites, deve-se cozinhar em 1 litro de água, 100g da entrecasca limpa e seca. Nos casos de
azia, úlcera e gastrite, utilizar os frutos cozidos por 2 vezes, cada vez com meio litro de água e
beber em doses de 30 ml, duas vezes ao dia.
Precauções: O uso medicinal das preparações de aroeira deve ser feito com cautela, pois há
possibilidade do desencadeamento de reações alérgicas na pele e mucosas devido à sua seiva
irritante.
Propriedades: cicatrizante, hemostática, adstringente,antimicrobiana.
29
c. BABOSA
Nome científico: Aloe vera (L.) Burm. f.
Nomes populares: babosa, aloé, erva de azebre,
caraguatá.
Família – Xanthorrhoeaceae
Origem e descrição botânica - planta de origem
africana de aproximadamente 60 cm de altura, folhas
suculentas, dispostas em rosetas, lanceoladas, com
dentes espinhosos nas margens, com interior com
tecido mole e viscoso, caule duro, achatado e
grosso. Flores amareladas.
Propagação – março/abril ou setembro a
novembro. Propagação através de sementes ou rebentos.
Espaçamento: 80 cm x 50 cm
Solo e adubação: Prefere solos bem drenados, fertilidade média, levemente argilosos e
boa exposição solar. Adubar com 2 kg/m² de esterco de curral ou composto orgânico.
Colheita: colher as folhas a partir de 6 meses a um ano após o plantio, de preferência no
verão. Permite até 3 cortes. Deve ser replantada a cada ano.
Indicações: como cicatrizante, no tratamento de queimaduras, em afecções da pele,
seborreia (caspa), queda de cabelo.
Parte usada - folhas
Propriedades: anti-inflamatória, bactericida, cicatrizante.
Uso externo: utiliza-se o sumo mucilaginosos recém-tirado das folhas. No caso de
queimaduras e cicatrizações aplica-se diretamente ou com uma parte cortada da própria
folha. Antes de ser cortada, a folha deve ser limpa, lavada.

d. CALENDULA
Nome científico: Calendula officinalis L.
Nomes populares: calêndula, bem-me-quer,
maravilha
Família – Asteraceae
Origem e descrição botânica – Planta anual,
originária do Egito e cultivada em todo o mundo.
Atinge cerca de 50 cm de altura. Tem folhas
grossas, pilosas, inteiras e flores amarelas à
laranja, tipo capítulo. Floresce quase todo o
ano, resiste a geadas e secas. Vegeta em vários
tipos de solos. É planta anual, com cerca de 35
a 70 cm de altura. As folhas são inteiras ou
ligeiramente denteadas. As flores são amarelo de cor amarela a alaranjada,
com diâmetro de 4 a 5 cm.
Colheita: colher as flores a partir do 3º mês, quando estiverem desabrochadas.
Indicações – Inflamações e lesões, contusões, queimaduras, assaduras por fraldas.
Parte usada – flores.
Propriedades: antisséptica, anti-inflamatória, cicatrizante.
Uso externo: Colocar 5 g das flores secas em 1 copo ( 200 ml) de água fervente e
abafar. Lavar ou fazer compressas nas lesões.
30 Plantas Medicinais
Plantas medicinais, fitoterápicos e medicina caseira

e. CAMOMILA
Nome científico: Chamomilla recutita (L.)
Rausch.
Nomes populares: camomila, maçanilha
Família – Asteraceae
Origem e descrição botânica – Planta anual,
originária da Europa e cultivada em todo o
mundo, produzindo bem em clima temperado,
não tolera secas e calor em excesso. Atinge até
50 cm de altura, com folhas muito recortadas e
flores reunidas em capítulos.
Indicações – cólicas intestinais, ansiedade,
inflamações da boca e gengiva, má digestão,
assaduras por fraldas, brotoejas, conjuntivite, erupção dentária de bebê.
Parte usada – flores.
Propriedades: anti-inflamatória, analgésica, digestiva, cicatrizante,
antiespasmódica.
Uso interno - infusão: colocar 5 g de flores secas para meio litro de água. Para
bebês usar 1g para 240 ml ( 1 mamadeira). Tomar 1 xícara 3 vezes ao dia.
Uso externo – 5g em 1 copo de água (200 ml)

f. CAVALINHA
Nome científico: Equisetum arvense L.
Nomes populares: cavalinha, rabo de cavalo,
bambuzinho
Família – Equisetaceae
Origem e descrição botânica – planta originária
da Europa. Possui caule ereto verde de
aproximadamente 1 m de altura. Apresenta estrias
e é impregnada de sílica. Folhas pequenas, em
forma de escamas. Não produz flores, nem
sementes. A reprodução é feita através de esporos
que ficam na parte final do caule reprodutivo.
Indicações - Edemas por retenção de líquidos,
remineralizante.
Parte usada – caules vegetativos.
Propriedades: diurética, remineralizante.
Uso interno - Chá decocção: 1colher de sopa do caule picado em 1 xícara de água
em fervura, ferver 10 minutos e abafar durante 15 minutos. Tomar 1 xícara 2 vezes
ao dia.
Precauções: Não tomar após as 17 horas. Usada em excesso, causa irritação
gástrica; no sistema urinário e ainda reduz a vitamina B1 no organismo. Pessoas que
sofrem com insuficiências cardíaca ou renal, tem os sintomas dessas doenças
agravados ao ingerirem o chá, portanto, não devem tomá-lo.

31
g. CURCUMA
Nome científico: Curcuma longa L.
Nomes populares: cúrcuma.
Família – Zingiberaceae
Origem e descrição botânica – erva de
tamanho mediano, ereta, aromática, anual, de
origem asiática. Folhas grandes, alongadas,
flores amarelas e dispostas em espigas. Possui
rizoma com cheiro característico de cor
vermelho alaranjado.
Colheita: de 8 a 10 meses depois do plantio,
quando a parte aérea começa a amarelar e secar.
Indicações – auxilia a digestão, prisão de ventre
por mal funcionamento da vesícula, úlceras, artrite e artrose.
Parte usada – rizomas.
Propriedades: digestivo, anti-inflamatório
Uso interno: eliminar cuidadosamente a parte externa do rizoma antes de
cortá-lo em pequenos pedaços, imediatamente antes do uso. Devem ser
tomadas 3 porções de cinco gramas que podem ser incluídas na alimentação
em mistura com frutas e verduras.

h. GARRA-DO-DIABO
Nome científico: Harpagophytum procumbens D.C
Nomes populares: garra do diabo
Família – Pedaliaceae
Origem e descrição botânica – Planta selvagem,
frequente no deserto de Kalahari e no sul da África.
Tem flores tubulares de cor malva ou vermelho
violeta, os tubérculos secundários possuem
"ganchos” que agarram nas pessoas.
Propagação – por sementes, na primavera.
Solo e adubação: cresce geralmente em condições
muito áridas.
Colheita: os tubérculos são desenterrados do solo, no
final da estação de chuvas. Após a coleta, são fatiados rapidamente para a secagem,
para que não apodreçam ou embolorem.
Indicações - dores articulares, processos inflamatórios articulares, gota.
Parte usada – tubérculos.
Propriedades: analgésica, ainti-inflamatória.
Uso: É efetivo para reumatismo e artrites. É ainda relatada como uma
alternativa ao uso de anti-inflamatórios. O chá geralmente é preparado
adicionando 1 colher de sopa de tubérculos picados em 1/2 litro de água
fervente. Podem ser consumidas de 2 a 3 xícaras de chá por dia, evitando o
consumo à noite, devido ao efeito diurético.

32 Plantas Medicinais
Plantas medicinais, fitoterápicos e medicina caseira

i. GENGIBRE
Nome científico: Zingiber officinale Roscoe
Nomes populares: gengibre, mangarataia.
Família – Zingiberaceae
Origem e descrição botânica – Planta
originária da Ásia e cultivada no Brasil. É
herbácea, perene, ereta atingindo cerca de 50
cm de altura. Suas folhas são simples e possui
inflorescências com flores de cor branco –
amarelo-esverdeadas. Possui rizomas, com
cheiro forte e sabor picante.
Indicações - enjoo, náusea e vômito da
gravidez, de movimento e pós-operatório.
Dispepsia em geral, afecções das vias respiratórias ( gripe, resfriado,
inflamação da garganta).
Parte usada – rizomas.
Propriedades: estimulante, digestiva, anti-inflamatório.
Uso interno – decocção: colocar 2 colheres de café em 150 ml de água. Utilizar
uma xícara de chá de 2 a vezes ao dia.
Precauções: Em caso de presença de cálculos biliares, utilizar somente com
acompanhamento médico. Evitar uso em pacientes que estejam usando
anticoagulantes, com desordens de coagulação, irritação gástrica e hipertensão,
especialmente em doses altas. Evitar o uso em menores de 6 anos.

j. GUACO
Nome científico: Mikania glomerata Spreng.
Nomes populares: guaco, erva de cobra, uaco.
Família – Asteraceae
Origem e descrição botânica – planta nativa do
Brasil e em campo aberto é sensível a geadas. É
trepadeira, perene, apresenta ramos lenhosos com
grande quantidade de folhas de coloração verde
intensa com formas ovaladas a oblongo -
lanceoladas. As flores têm coloração branco-
creme.
Indicações - bronquite alérgica e infecciosa, tosse,
gripe, resfriado (expectorante).
Parte usada – folhas
Propriedades: broncodilatador e expectorante
Uso interno - Infusão: Colocar 5g das folhas secas ou 3 a 4 folhas verdes em meio
litro de água. Tomar 1 xícara 3 vezes ao dia. Xarope: com folhas verdes: preparar
uma calda com 7 colheres de sopa de açúcar para 200 ml de água ( 1 copo), após
apurar; acrescentar 15 folhas frescas picadas e abafar por 1 hora ( não ferver mais).
Filtrar. Colocar em recipiente limpo. Para crianças – uma colher de chá, 3 a 4 vezes ao
dia. Para adultos – 1colher de sopa, 3 a 4 vezes ao dia.
Precauções: Não usar em crianças menores de 2 anos. Pode causar sonolência.

33
l. HORTELÃ PIMENTA
Nome científico: Mentha x piperita L.
Nomes populares: hortelã pimenta, hortelã,
menta.
Família – Asteraceae
Origem e descrição botânica – Planta
originária da Europa, sendo cultivada em todo o
Brasil. É uma erva, com cerca de 30cm de altura,
semiereta. Possui ramos verde-escuros a roxo-
púrpura.
Indicações: O chá de hortelã-pimenta contém
várias propriedades, principalmente para o
sistema digestivo, uma vez que a hortelã possui
vitaminas do complexo B, cálcio e potássio, que auxiliam na digestão quando o
mesmo é tomado após as refeições, além de ser útil para pessoas que estão com
ataques de diarreia, cólicas, dores de barriga ou problemas estomacais. Fazer
gargarejos com o chá de hortelã melhora o hálito e pode ajuda a combater
dores de garganta.
Parte usada – folhas e sumidades floridas.
Propriedades: digestiva, anti-inflamatória, antiespasmódica.
Uso interno – infusão: colocar 5 g de folhas secas em meio litro de água.
Tomar 1 xícara 3 vezes ao dia. Podem-se fazer bochechos e gargarejos.
Precauções: Não usar a planta em casos de obstruções biliares, danos hepáticos
severos, cálculos biliares e durante a lactação.

m. MARACUJÁ
Nome científico: Passiflora alata Curtis
Nomes populares: maracujá, maracujá doce, flor da
paixão.
Família – Passifloraceae
Origem e descrição botânica – planta originária da
América Tropical. Ocorre no Brasil, da Bahia a Santa
Catarina. É trepadeira com caule quadrado,
folhas ovaladas, flores avermelhadas com roxo,
fruto ovóide.
Propagação – planta-se de setembro a novembro, e
sua propagação se dá por sementes que darão
mudas a serem transplantadas em locais próximos a cercas ou espaldeiras,
para que a planta possa subir.
Indicações – ansiedade, insônia e como calmante suave.
Parte usada – folhas.
Propriedades: calmante
Uso interno – infusão: Colocar 5 g de folhas secas em meio litro de água. Tomar 1
xícara 3 vezes ao dia.
Precauções: O uso pode provocar sonolência. Doses elevadas podem causar efeitos
tóxicos no fígado e pâncreas.

34 Plantas Medicinais
Referências Bibliográficas 7

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos


Estratégicos.
Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos.
Programa
Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Brasília: Ministério da Saúde,
2009.
136p. 2009,

BRASIL.Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.


Resolução de Diretoria Colegiada - RDC nº. 26, de 13 de maio de 2014.
Dispõe sobre o registro de medicamentos fitoterápicos e o registro e a
notificação de produtos tradicionais fitoterápicos.Disponível
em:http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2014/rdc0026_13_05
_2014.pdf. Acesso em: 08 mai. 2015. 2014.

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.


Resolução - RDC Nº 18, de 3 de abril de 2013. Dispõe sobre as boas práticas
de processamento e armazenamento de plantas medicinais, preparação e
dispensação de produtos magistrais e oficinais de plantas medicinais e
fitoterápicos em farmácias vivas no âmbito do Sistema Único de Saúde
(SUS).Disponível
em:<http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2013/rdc0018_03_0
4_2013.html>. Acesso em : 08 mai. 2015.2013.

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.


Instrução normativa nº 02 de 13 de maio de 2014. Publica a “Lista de
medicamentos fitoterápicos de registro simplificado” e a “Lista de produtos
tradicionais fitoterápicos de registro simplificado” Disponível
em:http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2014/int0002_13_05
_2014.pdf. Acesso em: 08 mai, 2015. 2014.

BRASIL. Ministério da Saúde. Práticas integrativas e complementares: plantas


medicinais e fitoterapia na Atenção Básica. Cad. de Atenção Básica, n. 31,
p.27-84, 2012. (Série A. Normas e Manuais Técnicos). Disponível em:
http://189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/geral/miolo_CAP_31.pdf .
Acesso em: 20 mar. 2015.

36
Informações

www.mutuando.org.br
Apoio
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