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Gabaritando as provas de Direito Administrativo – 2017!

Aula 09 – Bens Públicos e Lei de Acesso à Informação


Prof. Fabiano Pereira

AULA 09

Direito Administrativo
Bens Públicos e Lei de Acesso à Informação
Professor Fabiano Pereira

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Aula 09 – BENS PÚBLICOS E LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO

Olá!

Chegamos ao final do nosso curso teórico.


Isso significa que a data da sua prova está cada vez mais próxima, o que
lhe exigirá concentração, esforço e, principalmente, muita paciência!
Lembre-se de que é IMPRESCINDÍVEL resolver TODAS as questões
apresentadas nas aulas, preferencialmente duas vezes (a segunda vez, na
semana que antecede a data da prova), pois essa é a melhor tática para
gabaritar as questões de qualquer banca examinadora.
Se precisar de qualquer auxílio durante a preparação, lembre-se
de que estou sempre à sua disposição!

Bons estudos!

Fabiano Pereira.
fabianopereira@pontodosconcursos.com.br
www.facebook.com.br/fabianopereiraprofessor

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SUMÁRIO – BENS PÚBLICOS

1. Conceito ..................................................................................... 03

2. Classificação .............................................................................. 06

3. Afetação e desafetação ............................................................... 10

4. Regime jurídico ........................................................................... 12


4.1. Inalienabilidade ............................................................... 12
4.2. Impenhorabilidade ........................................................... 13
4.3. Imprescritibilidade ........................................................... 13
4.4. Não-onerabilidade ............................................................ 14
5. Principais espécies de bens públicos ........................................... 14

6. Uso dos bens públicos ................................................................. 18

6.1. Utilização pela Administração Pública .............................. 18


6.2. Utilização pelo povo ......................................................... 19
6.3. Utilização privativa .......................................................... 19
6.3.1. Autorização de uso ....................................................... 19
6.3.2. Permissão de uso .......................................................... 20
6.3.3. Concessão de uso .......................................................... 20

7. Alienação de bens públicos ......................................................... 22

8. Revisão de véspera de prova – “RVP”........................................... 30

8. Questões comentadas ................................................................. 32

9. Lei de Acesso à Informação Pública ............................................ 77

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1. Conceito

Esta aula versará sobre um tema bastante tranquilo, de fácil assimilação e


que não tem sido muito cobrado nos últimos concursos públicos organizados
pelas principais bancas organizadoras: bens públicos.
Apesar de não ser um conteúdo preferencial da banca, é necessário
esclarecer que o tema apresenta algumas peculiaridades que costumam induzir
os candidatos ao erro, por isso temos que ficar atentos.
Dentre os vários conceitos de bens públicos formulados pelos nossos
principais doutrinadores, destaca-se o de Hely Lopes Meirelles, segundo o qual
bens públicos são “todas as coisas, corpóreas ou incorpóreas, imóveis, móveis e
semoventes, créditos, direitos e ações, que pertençam, a qualquer título, às
entidades estatais, autárquicas, fundacionais e empresas governamentais”.
Analisando-se o conceito do saudoso professor, percebe-se que são
incluídos como bens públicos aqueles de titularidade das empresas públicas e
sociedades de economia mista, entendimento que é criticado pela doutrina
majoritária e que também não está em conformidade com o conceito legal.
Nos termos do artigo 98 do Código Civil Brasileiro (Lei 10.406/02), são
“públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de
direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a
pessoa a que pertencerem”. O citado artigo é claro ao afirmar que somente os
bens pertencentes às entidades regidas pelo direito público podem ser
considerados bens públicos.
Nesse sentido, somente podem ser considerados bens públicos aqueles
pertencentes à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios, às
autarquias e às fundações públicas de direito público, nas respectivas esferas.
Pergunta: Professor, qual conceito devo adotar para responder às
questões de concursos públicos?
Bem, apesar de o professor Hely Lopes Meirelles incluir os bens das
empresas públicas e sociedades de economia mista (denominadas pelo autor de
empresas governamentais) como bens públicos, esse não é o entendimento
exigido nas questões de concursos públicos, pois contraria expressamente o
artigo 98 do Código Civil Brasileiro, já que ambas as entidades são regidas pelo
direito privado. Sendo assim, em regra, os bens pertencentes às empresas
públicas e sociedades de economia mista devem ser considerados bens
privados.

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Lembre-se de que as empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam


serviços públicos em regime de exclusividade (monopólio), como é o caso da
Empresa Brasileira de Correios, gozam de todas as prerrogativas das entidades
regidas pelo direito público, inclusive em relação aos seus bens, que serão
considerados públicos para os fins legais.

Além disso, é válido destacar ainda que os bens de titularidade das


fundações públicas de direito privado não são considerados públicos,
prerrogativa inerente somente aos bens das fundações públicas de direito
público.

1.1. Domínio público


Antes de iniciarmos o estudo das principais características e classificações
dos bens públicos, devemos nos atentar para os vários significados atribuídos à
expressão “domínio público”, que se apresenta essencial para o bom
entendimento do presente tópico.
Hely Lopes Meirelles, com a precisão que lhe é peculiar, além de
conceituar o domínio público em sentido amplo, ainda o desmembra em
dois sentidos: político (domínio eminente) e jurídico (domínio patrimonial):
O domínio público em sentido amplo é o poder de dominação ou de
regulamentação que o Estado exerce sobre os bens do seu patrimônio (bens
públicos), ou sobre os bens do patrimônio privado (bens particulares de
interesse público), ou sobre as coisas inapropriáveis individualmente, mas de
fruição geral da coletividade (res nullius). Neste sentido amplo e genérico o
domínio público abrange não só os bens das pessoas jurídicas de Direito Público
Interno como as demais coisas que, por sua titularidade coletiva, merecem a
proteção do Poder Público, tais como as águas, as jazidas, as florestas, a fauna,
o espaço aéreo e as que interessam ao patrimônio histórico e artístico nacional1.

Nesses termos, conclui o saudoso professor que o domínio público se


exterioriza “em poderes de Soberania e em direitos de propriedade. Aqueles se
exercem sobre todas as coisas de interesse público, sob a forma de domínio
eminente; estes só incidem sobre os bens pertencentes às entidades públicas,
sob a forma de domínio patrimonial2”.

1
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 27. ed., p. 483.
2
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 27. ed., p. 483-484.

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1.2. Domínio eminente e domínio patrimonial


Domínio eminente traduz o poder político (soberano) que o Estado
exerce sobre todas as coisas que se encontram em seu território: bens
públicos (prédio pertencente à autarquia IBAMA, por exemplo), bens
particulares e bens de fruição geral da coletividade (a fauna e a flora, por
exemplo). É o poder eminente que permite ao Estado realizar desapropriações,
requisições, servidões administrativas, entre outras formas de utilização
compulsória da propriedade privada.
Além do poder eminente, destaca-se que o Estado também exerce o
direito de propriedade (domínio patrimonial) sobre todos os bens que
integram o seu patrimônio, isto é, aqueles que pertencem à União, Estados,
Municípios, Distrito Federal, autarquias e fundações públicas de direito público.
O domínio patrimonial exercido pelo Estado não alcança os bens particulares,
mas apenas os que pertencem às entidades de direito público.
É bastante pertinente a afirmação de Celso Antônio Bandeira de Mello,
citando Rui Cerne Lima, de que “a noção de domínio público é mais extensa
que a de propriedade, pois nele se incluem bens que não pertencem ao Poder
Público; a marca específica dos que compõem tal domínio é a de participarem
da atividade administrativa pública, encontrando-se, pois, sob o signo da
relação de administração, a qual domina e paralisa a propriedade, mas não a
exclui3”.

(FCC/Juiz do Trabalho – TRT 1ª Região/2012) Considerando o regime


jurídico ao qual se submetem os bens públicos, os bens imóveis sem
destinação de propriedade de sociedade de economia mista controlada
pela União são
a) impenhoráveis e inalienáveis.
b) inalienáveis, porém passíveis de penhora.
c) imprescritíveis e impenhoráveis, porém alienáveis, observadas as exigências
legais.
d) inalienáveis e impenhoráveis, salvo em função de dívidas trabalhistas.
e) alienáveis e passíveis de penhora, observadas as exigências legais.

Gabarito: Letra e.

3
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 26. ed., p.903.

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2. Classificação
São várias as classificações de bens públicos formuladas pelos nossos
principais doutrinadores, mas, para fins de concursos públicos, é importante
destacar a que leva em conta a titularidade (propriedade), a disponibilidade e a
destinação.

2.1. Quanto à titularidade


Quanto à titularidade ou propriedade, os bens públicos podem ser
federais (como é o caso do Rio São Francisco, que banha mais de um Estado
e, portanto, pertence à União); estaduais ou distritais (como é o caso das
rodovias estaduais ou distritais: MG 120, SP 160, DF 280, etc.); municipais
(como acontece com inúmeras praças públicas); autárquicos (um prédio
pertencente ao INSS, por exemplo) ou fundacionais (veículo pertencente ao
IBGE, que é uma fundação pública de direito público).
No artigo 20 da CF/1988 estão relacionados os bens pertencentes à
União. Já os bens de titularidade dos Estados e Distrito Federal estão
relacionados no artigo 26 da CF/88. Entretanto, é importante esclarecer que
a relação prevista no artigo 26 não é taxativa, pois aos Estados podem
pertencer outros bens como seus prédios, veículos, dívida ativa, entre outros.
Em relação aos Municípios, constata-se que os seus bens não foram
expressamente relacionados no texto constitucional. Todavia, é lógico que
existe um conjunto de bens que são de sua titularidade, a exemplo das ruas,
praças, logradouros públicos, jardins públicos e ainda edifícios, veículos e
demais bens móveis e imóveis que integram o seu patrimônio.

2.2. Quanto à disponibilidade


Essa classificação objetiva distinguir os bens públicos em relação à sua
disponibilidade pelas pessoas jurídicas a que pertencem.

2.2.1. Bens indisponíveis


São bens indisponíveis aqueles não podem ser alienados (onerados nem
desvirtuados das finalidades a que estão afetados) pela Administração Pública
em razão de não possuírem natureza patrimonial (quanto custa o mar que
banha Fernando de Noronha?). Nesse caso, recai sobre o Poder Público a
obrigação de conservá-los e melhorá-los em prol da coletividade.

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Como exemplo, podemos citar grande parte dos bens de uso comum do
povo, tais como as florestas, os mares, os rios, etc.

2.2.2. Bens patrimoniais indisponíveis


Bens patrimoniais indisponíveis são aqueles que não podem ser alienados
pela Administração Pública, mesmo possuindo natureza patrimonial, pois
estão afetos a uma destinação específica.
É válido esclarecer que os bens patrimoniais indisponíveis são
suscetíveis de avaliação pecuniária, mas, enquanto estiverem sendo
utilizados pelo Estado para alcançar os seus fins, não podem ser alienados.
Podemos citar como exemplos os bens de uso especial (edifícios
públicos onde estão instalados vários serviços públicos e ainda os veículos
públicos). Enquanto o Estado estiver utilizando um edifício de sua propriedade
para a prestação de serviços públicos, por exemplo, mesmo que receba uma
proposta financeira muito vantajosa, não poderá dispor do imóvel.

2.2.3. Bens patrimoniais disponíveis


Como o próprio nome informa, bens patrimoniais disponíveis são
aqueles passíveis de alienação (venda, por exemplo), desde que respeitadas as
condições e formas estabelecidas em lei, já que não estão afetos a nenhuma
finalidade pública específica, a exemplo dos bens dominicais.

2.3. Quanto à destinação ou ao objetivo a que se destinam


2.3.1. Bens de uso comum do povo
São as coisas móveis ou imóveis pertencentes às entidades regidas pelo
direito público e que podem ser utilizadas por qualquer indivíduo,
independentemente de autorização ou qualquer formalidade, a exemplo das
praias, rios, ruas, praças, estradas e os logradouros públicos (inciso I, artigo
99, do Código Civil).
Qualquer ser humano pode utilizar-se dos citados bens públicos,
independentemente de sexo, idade, cor, origem ou religião, desde que respeite
a destinação e as regras estabelecidas para a sua utilização. Um indivíduo
não pode fechar a rua em que está localizada a sua casa, por exemplo, para
realizar uma festa junina, sem autorização do Poder Público. Da mesma forma,
não é possível utilizar a praça central da cidade para se esticar um gigantesco
varal com o objetivo de secar roupas (dureza, né!).

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Para a utilização anormal do bem de uso comum do povo, é necessário


e imprescindível comunicar previamente ao Poder Público, ou, conforme
acontece em alguns casos, solicitar autorização.
ATENÇÃO: Atualmente tem sido muito comum a Administração cobrar
pela utilização de determinados bens de uso comum do povo, como acontece
com os pedágios. A título de exemplo, para se fazer uma viagem de Belo
Horizonte a São Paulo pela BR 381 (Rodovia Fernão Dias – bem de uso comum
do povo), o motorista terá que pagar, em cada um dos 10 (dez) pedágios que
foram construídos, o valor de R$ 1,40 (um real e quarenta centavos) a título de
tarifa.
É válido destacar que a referida cobrança é constitucional (pelo menos
esse é o entendimento do STF) e está respaldada em diversos dispositivos
legais, a exemplo do artigo 103 do Código Civil Brasileiro.

Para responder às questões do CESPE: Considerando que um governador de


estado prometa a construção de uma praça para atividades esportivas para toda
a comunidade de seu estado, é correto afirmar que essa praça, tão logo seja
construída, será classificada no direito administrativo brasileiro como bem de uso
especial (Analista Administrativo/ANATEL 2009/CESPE). Assertiva
considerada incorreta pela banca examinadora.

2.3.2. Bens de uso especial


Bens públicos de uso especial são aqueles utilizados pelos seus
proprietários (União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e
fundações públicas de Direito público) na execução dos serviços públicos e de
suas atividades finalísticas, a exemplo de seus computadores, dos veículos, do
prédio de uma escola, de um hospital, de uma cadeia, do edifício onde se
encontra uma repartição pública etc.
Deve ficar bem claro que, neste caso, temos bens que estão sendo
usados para um fim especial: a satisfação do interesse público. Sendo
assim, enquanto possuírem essa destinação, são inalienáveis.
Além de serem utilizados pelos seus proprietários (União, Estados, Distrito
Federal, Municípios, autarquias e fundações públicas de Direito público), é
lógico que os bens de uso especial também podem ser usados por
particulares, em situações específicas.

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Exemplo: Quando o indivíduo comparece ao prédio público onde está


instalado o INSS para formalizar o seu pedido de aposentadoria, está
usufruindo de um bem de uso especial. O mesmo ocorre com os alunos de uma
escola pública estadual ou municipal. Por outro lado, o indivíduo não pode
solicitar o “empréstimo” do computador de propriedade do INSS para fazer as
suas atividades de faculdade no fim de semana, pois este possui uma finalidade
de uso restrito ao INSS.

Quando os bens de uso especial forem passíveis de utilização por particulares, a


Administração poderá regular essa utilização, estabelecendo a necessidade de
pagamento de determinado valor (como ocorre na visitação a museus públicos), o
respeito a horários (que deve ser seguido pelos alunos de uma escola pública) etc.

No concurso público para o cargo de Analista Executivo da


SEGER/ES, realizado em 2013, o CESPE elaborou a seguinte questão
sobre o tema:

(CESPE/Analista Executivo – SEGER ES/2013) Os hospitais públicos e as


universidades públicas, que visam à execução de serviços
administrativos e de serviços públicos, classificam-se, quanto à sua
destinação, como
a) enfiteuse.
b) bens de uso comum do povo.
c) bens dominicais.
d) bens de uso especial.
e) bens de concessão de direito real de uso.

Gabarito: Letra d.

2.3.3. Bens dominicais


Bens dominicais são aqueles que, apesar de integrarem o patrimônio da
União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e fundações públicas de
direito público, não estão sendo utilizados para uma destinação pública
especifica, a exemplo de prédios públicos desativados, dívida ativa, terrenos
sem qualquer destinação específica, entre outros.

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Sendo assim, se um bem pertencente a uma entidade de Direito público


está sendo utilizado em prol da coletividade ou, ainda, está sendo utilizado
especificamente pelo seu proprietário na consecução das atividades
administrativas, não poderá ser enquadrado como dominical, pois possui uma
finalidade ou destinação específica.
Enquanto forem considerados dominicais, a Administração poderá
dispor desses bens, desde que respeitadas as formas e as condições
estabelecidas em lei.

(FCC/Juiz do Trabalho – TRT 20ª Região/2012) Os bens públicos são


classificados em
a) de uso especial e de uso comum do povo, considerados de domínio privado do
Estado, e os de domínio público, também denominados bens dominicais.
b) de uso comum do povo, de uso especial e dominicais, todos inalienáveis,
imprescritíveis e impenhoráveis, salvo as terras devolutas.
c) de uso comum do povo ou privativos do Estado, conforme a forma de
aquisição da propriedade pelo Poder Público.
d) de uso especial, de uso comum do povo e dominicais, estes últimos alienáveis
observadas as exigências da lei.
e) de uso especial e de uso comum do povo, sendo apenas os de uso especial
passíveis de utilização pelo particular sob a forma de concessão ou permissão de
uso.

Gabarito: Letra d.

3. Afetação e desafetação
O professor José dos Santos Carvalho Filho explica com maestria os dois
institutos. Para o autor, “o tema da afetação e da desafetação diz respeito aos
fins para os quais está sendo utilizado o bem público. Se um bem está sendo
utilizado para determinado fim público, seja diretamente pelo Estado, seja pelo
uso dos indivíduos em geral, diz-se que está afetado a determinado fim
público. Por exemplo: uma praça, como bem de uso comum do povo, se estiver
tendo sua natural utilização será considerada um bem afetado ao fim público.
O mesmo se dá com um ambulatório público: se no prédio estiver sendo
atendida a população com o serviço de assistência médica e ambulatorial,
estará ele também afetado a um fim público.

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Ao contrário, o bem se diz desafetado quando não está sendo usado


para qualquer fim público. Por exemplo: uma área pertencente ao Município na
qual não haja qualquer serviço administrativo é um bem desafetado de fim
público. Uma viatura policial alocada ao depósito público como inservível
igualmente se caracteriza como bem desafetado, já que não utilizado para a
atividade administrativa normal”.

Para responder às questões do CESPE: A desativação do prédio sede de uma


agência reguladora localizada na capital federal implica sua desafetação
(Analista Administrativo/ANTEL 2009/CESPE). Assertiva correta.

Quando os bens não estão afetados a um fim público, serão


considerados dominicais e, portanto, poderão ser alienados pela Administração
nos termos e condições previstas na lei.
Por outro lado, caso a Administração decida alienar um bem de uso
comum do povo (o terreno onde atualmente está construída uma praça, por
exemplo) ou mesmo um bem de uso especial (o prédio onde atualmente
funciona uma Secretaria de Governo), deverá primeiramente efetuar a
desafetação desse bem para, somente depois, concretizar a transação,
mediante autorização legislativa. Nesse caso, depois que os bens de uso
comum do povo ou de uso especial forem desafetados, tornar-se-ão bens
dominicais.
Da mesma forma que determinados bens podem ser desafetados de
uma finalidade pública, passando a ser considerados dominicais, também
poderão ser afetados por ato administrativo ou por lei.
Exemplo: Um terreno abandonado, de propriedade do município (até
então considerado dominical), pode ser afetado a uma finalidade pública,
servindo de estacionamento para os veículos da Secretaria Municipal da
Fazenda. Nesse caso, o bem (terreno) deixará de ser dominical para ser um
bem de uso especial.

Somente a entidade proprietária do bem público possui competência para realizar as operações
de afetação e desafetação, valendo-se da melhor oportunidade e conveniência. Sendo assim,
um Estado não pode afetar um bem público que seja de titularidade de um Município, assim
como a União não pode desafetar um bem público que seja de titularidade de um Estado.

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No concurso público para o cargo de Auditor Fiscal do Trabalho,


realizado em 2006, a ESAF elaborou a seguinte questão sobre o tema:

O regime jurídico-administrativo ampara-se, entre outros, no princípio


da supremacia do interesse público. Esse princípio protege o patrimônio
público. Desse modo, assinale, no rol abaixo, o único instituto que se
aplica, conforme o regime jurídico-administrativo, ao patrimônio
público.
a) desafetação
b) usucapião
c) hipoteca
d) penhora
e) arresto

Gabarito: Letra “a”

4. Regime jurídico
Como consequência do regime jurídico-administrativo, os bens públicos
gozam de algumas características que já estudamos anteriormente e que os
diferenciam dos bens privados: a inalienabilidade, a impenhorabilidade, a
imprescritibilidade e a não-onerabilidade.

4.1. Inalienabilidade
A inalienabilidade é uma característica que impede a alienação ou
transferência (venda, doação, permuta) de bens públicos a terceiros enquanto
estiverem afetados. Entretanto, caso os bens sejam desafetados, poderão ser
alienados, desde que respeitadas as condições legais.
É importante esclarecer que existem bens públicos que serão sempre
inalienáveis, a exemplo dos mares, rios, praias e florestas, que são bens de uso
comum do povo e possuem natureza não-patrimonial.
ATENÇÃO: O próprio Código Civil, em seus artigos 100 e 101, afirma que
os bens de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto
conservarem sua qualificação, na forma que a lei determinar. Já os bens
públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei.
Pergunta: Professor, “inalienabilidade” e “alienabilidade condicionada”
são expressões sinônimas?
Existem alguns doutrinadores que afirmam que a expressão
inalienabilidade não consegue transmitir, com precisão, essa característica dos

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bens públicos. O professor José dos Santos Carvalho Filho, por exemplo, afirma
que o mais correto seria incluir como uma das características dos bens públicos
a “alienabilidade condicionada” e não a “inalienabilidade”.
O eminente autor afirma que “a regra é a alienabilidade na forma em que
a lei dispuser a respeito, atribuindo-se a inalienabilidade somente nos casos do
art. 100, e assim mesmo enquanto perdurar a situação específica que envolve
os bens”.

Em questões de concursos, pode ser que você encontre as expressões


“inalienabilidade” (que é mais comum) ou “alienabilidade condicionada”, mas
ambas estão corretas (a não ser que a questão queira abordar justamente essa
diferenciação).

4.2. Impenhorabilidade
A impenhorabilidade é a característica do bem público que impede que
sobre esse bem recaia uma penhora judicial.
Podemos conceituar a penhora, nas palavras de Liebman, “como o ato
pelo qual o órgão judiciário submete a seu poder imediato determinados bens
do executado, fixando sobre eles a destinação de servirem à satisfação do
direito do exeqüente. Tem, pois, natureza de ato executório".
Sendo assim, quando um devedor deixa de pagar suas dívidas, o credor
pode ingressar com uma ação judicial e requerer ao juiz que determine a
penhora de bens daquele a fim de que sejam posteriormente vendidos, em
hasta pública, e o respectivo valor repassado ao credor.
Entretanto, como os bens públicos são impenhoráveis, caso o credor
tenha algum crédito a receber da União, Estados, Municípios, Distrito Federal,
autarquias ou fundações públicas de direito público, não poderá requerer ao
judiciário a penhora de bens públicos para garantir o seu crédito, pois este será
pago nos termos do artigo 100 da Constituição Federal, ou seja, através do
regime de precatórios.

4.3. Imprescritibilidade
A imprescritibilidade assegura a um bem público a impossibilidade de
ser adquirido por terceiros mediante usucapião. O usucapião nada mais é que

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a aquisição da propriedade em decorrência do transcurso de um certo lapso


temporal (15, 10 ou 05 anos, dependendo da situação específica).
O § 3º do artigo 183, bem como o artigo 191 da Constituição Federal,
estabelecem expressamente que “os imóveis públicos não serão adquiridos por
usucapião”.
Isso quer dizer que, independentemente do tempo que a pessoa tiver a
posse mansa e pacífica de um bem público, móvel ou imóvel, jamais
conseguirá a propriedade definitiva desse bem, mesmo mediante ação judicial,
pois ele integra o patrimônio da União, Estados, Municípios, Distrito Federal,
autarquias ou fundações públicas de direito público, e, portanto, é
imprescritível.

4.4. Não-onerabilidade
Onerar um bem significa fornecê-lo em garantia ao pagamento de uma
determinação obrigação. Assim, caso um particular necessite de um
empréstimo e tenha uma joia guardada em casa, por exemplo, poderá
comparecer à Caixa Econômica Federal e oferecê-la como garantia para a
obtenção de um empréstimo. Futuramente, quando o empréstimo for pago, a
joia será devolvida para o seu proprietário. Entretanto, caso o devedor não
consiga pagar o empréstimo, ela será vendida e o valor, utilizado para quitar o
débito.
Em relação aos bens públicos, o artigo 1.420 do Código Civil é expresso
ao afirmar que “só aquele que pode alienar poderá empenhar, hipotecar ou
dar em anticrese”. Sendo assim, como os bens públicos são inalienáveis,
também não poderão sem empenhados, hipotecados ou dados em anticrese”,
ou seja, não podem ser onerados.

5. Principais espécies de bens públicos


São várias as espécies de bens públicos apresentadas pelos principais
doutrinadores nacionais. Contudo, para fins de concursos públicos, iremos nos
restringir às principais, que são realmente objeto de provas.

5.1. Terras devolutas


Terras devolutas são aquelas que integram o patrimônio das pessoas
federativas (União, Estados, Municípios e Distrito Federal), mas não são
utilizadas para quaisquer finalidades públicas específicas.

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Nos termos do inciso II, art. 20, da CF/1988, são bens da União somente
“as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e
construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação
ambiental, definidas em lei”. As demais terras devolutas, não compreendidas
entre as da União, são de propriedade dos Estados, nos termos do inciso IV, do
artigo 26, da CF/1988.

(ESAF∕Analista de Finanças e Controle – CGU∕2006) As terras devolutas


da União incluem-se entre os seus bens
a) afetados.
b) aforados.
c) de uso comum.
d) de uso especial.
e) dominicais.

Gabarito: Letra “e”

5.2. Terrenos de marinha


Levando-se em conta a média de marés altas e baixas no ano de 1831,
traçou-se uma linha imaginária que atravessa toda a costa brasileira (alguns
metros depois do local em que você atualmente toma o seu banho de mar).
Partindo-se dessa linha em sentido ao litoral brasileiro, considerar-se-ão
terrenos de marinha todos aqueles que estivem a 33 (trinta e três) metros da
linha imaginária - chamada de preamar.
O Decreto-Lei nº 9.760/1946, em seu art. 2º, dispõe que são terrenos de
marinha, em uma profundidade de 33 (trinta e três) metros, medidos
horizontalmente, para a parte da terra, da posição da linha do preamar-médio
de 1831:
a) os situados no continente, na costa marítima e nas margens dos rios e
lagoas, até onde se faça sentir a influência das marés;
b) os que contornam as ilhas situadas em zona onde se faça sentir a
influência das marés.

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5.2.1. Laudêmio
Laudêmio é o valor pago à União, pelo vendedor de imóvel localizado em
terreno de marinha, sempre que estiver realizando uma transação de compra e
venda (em regra, correspondente a 5% do valor do bem). Se alguém deseja
vender a sua casa de praia que está localizada na orla do município de
Santos∕SP, por exemplo, deverá recolher para os cofres públicos federais o
percentual relativo ao laudêmio.
No julgamento do recurso especial nº 1.296.044∕RN, que ocorreu em
15/8/2013, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que “a transferência, para
fins de desapropriação, do domínio útil de imóvel aforado da União constitui
operação apta a gerar o recolhimento de laudêmio”.
O acórdão ficou ementado nos seguintes termos:
DIREITO ADMINISTRATIVO. COBRANÇA DE LAUDÊMIO NA HIPÓTESE DE
DESAPROPRIAÇÃO DO DOMÍNIO ÚTIL DE IMÓVEL AFORADO DA UNIÃO.
A transferência, para fins de desapropriação, do domínio útil de imóvel
aforado da União constitui operação apta a gerar o recolhimento de
laudêmio. Isso porque, nessa situação, existe uma transferência onerosa
entre vivos, de modo a possibilitar a incidência do disposto no art. 3º do
Decreto-lei 2.398/1987, cujo teor estabelece ser devido o laudêmio no
caso de “transferência onerosa, entre vivos, de domínio útil de terreno
aforado da União ou de direitos sobre benfeitorias neles construídas, bem
assim a cessão de direito a eles relativos”.
Nesse contexto, ainda que a transferência ocorra compulsoriamente, é
possível identificar a onerosidade de que trata a referida lei, uma vez que
há a obrigação de indenizar o preço do imóvel desapropriado àquele que
se sujeita ao império do interesse do Estado. REsp 1.296.044-RN, Rel.
Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 15/8/2013 (Informativo nº
0528).

5.3. Terrenos acrescidos


“São terrenos acrescidos de marinha os que se tiverem formado,
natural ou artificialmente, para o lado do mar ou dos rios e lagoas, em
seguimento aos terrenos de marinha” (artigo 3º do Decreto-Lei 9.760/46).
Nos moldes do já citado inciso VII, artigo 20, da CF/88, os terrenos
acrescidos também são bens da União.

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5.4. Terrenos reservados ou terrenos marginais


Terrenos reservados são aqueles que, banhados pelas correntes
navegáveis, fora do alcance das marés, se estendem até a distância de 15
metros para a parte da terra, contados desde a linha média das enchentes
ordinárias.

5.5. Terras tradicionalmente ocupadas pelos índios


O § 1º, do art. 231, da CF/1988, declara expressamente que as terras
tradicionalmente ocupadas pelos índios são “as por eles habitadas em caráter
permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à
preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as
necessárias à sua reprodução física e cultural, segundo os usos, costumes e
tradições”.
Afirma o inciso XI, do artigo 20, da CF/1988, que são bens da União “as
terras tradicionalmente ocupadas pelos índios”, sendo consideradas, então,
bens de uso especial, já que possuem uma destinação específica.

5.6. Plataforma continental


Plataforma Continental é a designação atribuída à margem dos
continentes que está submersa pelas águas do oceano. Possui como principal
característica o declive pouco acentuado e o aumento progressivo da
profundidade até cerca de 200 metros, descendo depois bruscamente para
maiores profundidades (a esta zona de descida brusca é dada a designação de
talude continental). Trata-se geralmente de uma região com muitos recursos
naturais, notadamente piscatórios e petrolíferos, o que justifica o fato de o
inciso V, artigo 20,da CF/88, incluí-la entre os bens da União.

5.7. Ilhas
O professor Diógenes Gasparini define ilha como uma “porção de terra
que se eleva acima das águas mais altas e por estas cercada em toda a sua
periferia”. Afirma ainda o autor que “podem surgir no mar e, nesse caso, são
chamadas marítimas, ou no curso dos rios públicos, nos de águas comuns ou
nos lagos, e aí são chamadas, respectivamente, de fluviais e lacustres”.
As ilhas marítimas podem ser oceânicas ou costeiras. São oceânicas
quando localizadas distantes da costa e não têm relação geológica com o relevo
do continente. Por outro lado, são denominadas costeiras quando se formam

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do próprio relevo da plataforma continental. Nos termos do inciso IV, do artigo


20, da CF/1988, ambas integram o patrimônio da União, exceto as que
contenham a sede de Municípios, aquelas áreas afetadas ao serviço público e a
unidade ambiental federal, e aquelas previstas no inciso II, do artigo 26, da
CF/1988 (que integram o patrimônio do Estado).
Consoante o disposto no inciso IV, do artigo 20, da CF/1988, as ilhas
fluviais e lacustres somente pertencerão à União quando se localizarem nas
zonas limítrofes com outros países. Nos demais casos, integrarão o patrimônio
do Estado em que estiver localizada (inciso III, do artigo 26, da CF/1988).

5.8. Faixa de fronteira


O artigo 1º da Lei 6.634/79 estabelece que “é considerada área
indispensável à Segurança Nacional a faixa interna de 150 km (cento e
cinqüenta quilômetros) de largura, paralela à linha divisória terrestre do
território nacional, que será designada como Faixa de Fronteira.”.
O § 2º, do artigo 20, da CF/1988, também afirma que “a faixa de até
cento e cinqüenta quilômetros de largura, ao longo das fronteiras terrestres,
designada como faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa do
território nacional, e sua ocupação e utilização serão reguladas em lei”.

6. Uso dos bens públicos

6.1. Utilização pela Administração Pública


Os bens públicos podem ser utilizados pelos seus respectivos proprietários
(União, Estados, Municípios, Distrito Federal, autarquias e fundações públicas
de Direito público), pelo povo, através do uso comum e por quaisquer pessoas
físicas ou jurídicas, através do uso privativo.
A utilização dos bens públicos pela própria Administração rege-se pelas
normas administrativas internas, que são editadas com o objetivo de garantir a
conservação, a guarda e o melhoramento de tais bens. Informa o professor
Diógenes Gasparini que o uso deve sempre observar a legislação que lhe é
pertinente, principalmente a municipal, no que concerne a leis de zoneamento,
de edificação e de uso e ocupação do solo, não importando a natureza do
usuário (federal, estadual, municipal ou ainda particular).

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6.2. Utilização pelo povo


Diferentemente do que ocorre na utilização privativa de um bem público
por particulares, que deverá observar as condições legais, na utilização
comum pelo povo, existe uma maior liberdade, marcada pela igualdade dos
usuários e pela inexistência de qualquer outorga administrativa (concessão,
permissão ou autorização). A utilização ocorre sem maiores formalidades legais
até que não seja dada uma destinação específica ao bem.

6.3. Utilização privativa


É possível que a Administração imponha aos bens públicos,
principalmente os imóveis, um regime de utilização privativa que satisfaça ao
interesse público e não importe em alienação, desde que atendidos os
requisitos legais de uso.
Embora o uso privativo decorra, em regra, de institutos jurídicos próprios
do Direito privado, a exemplo da locação e do comodato, é possível
vislumbrarmos ainda a utilização através da autorização, permissão e
concessão de uso (que são os mais exigidos em questões de concursos
públicos).
No concurso público para o cargo de Defensor Público de Roraima,
realizado em 2013, o CESPE considerou correta a seguinte assertiva:
“Os bens de uso especial estão fora do comércio jurídico de direito privado, pois
só podem ser objeto de relações jurídicas regidas pelo direito público, razão por
que, para fins de uso privado de tais bens, os instrumentos possíveis são a
autorização, a permissão e a concessão”.

6.3.1. Autorização de uso


Nas palavras do professor Celso Antônio Bandeira de Mello, "autorização
de uso de bem público é o ato unilateral pelo qual a autoridade administrativa
faculta o uso de bem público para utilização episódica de curta duração”. Trata-
se de um ato discricionário e precário pelo qual a Administração autoriza o
particular a utilizar um bem público, de forma gratuita ou onerosa, para
satisfazer inicialmente o seu interesse privado.
É necessário esclarecer que a Administração não está obrigada a autorizar
o particular a utilizar um bem público, mesmo que sejam atendidos todos os
requisitos previstos em lei, pois a decisão insere-se dentro da
discricionariedade administrativa. Ademais, por se tratar de ato precário,
mesmo que a Administração decida autorizar a utilização de determinado bem

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público, pode rever a decisão a qualquer momento, independentemente de


indenização (quando as autorizações forem concedidas por prazo
indeterminado).
Por último, destaca-se que não existe a necessidade de licitação para a
concessão de autorização de uso de bem público.

6.3.2. Permissão de uso


O professor Celso Antônio Bandeira de Melo afirma que se trata de “ato
unilateral, precário e discricionário quanto à decisão de outorga, pelo qual se
faculta a alguém o uso de um bem público. Sempre que possível, será
outorgada mediante licitação ou, no mínimo, com obediência a procedimento
em que se assegure tratamento isonômico aos administrados (como, por
exemplo, outorga na conformidade de ordem de inscrição)”.
São muito semelhantes as características da autorização e da permissão
de uso. Na verdade, a principal diferença entre ambos os institutos está no fato
de que na primeira prevalece o interesse do particular, apesar de também se
vislumbrar o interesse público, mas em caráter secundário. Em relação à
permissão de uso, ocorre a conjugação do interesse público com o interesse
particular.
O professor José dos Santos Carvalho Filho informa que “o ato de
permissão de uso é praticado intuitu personae, razão por que sua
transferência a terceiros só se legitima se houver consentimento expresso da
entidade permitente. Nesse caso, a transferibilidade retrata a prática de novo
ato de permissão de uso a permissionário diverso do que era favorecido pelo
ato anterior”.
Quanto à necessidade de licitação, declara o mesmo autor que “será
necessária sempre que for possível e houver mais de um interessado na
utilização do bem, evitando-se favorecimentos ou pretensões ilegítimas. Em
alguns casos especiais, porém, a licitação será inexigível, como, por exemplo, a
permissão de uso de calçada em frente a um bar, restaurante ou sorveteria”.

6.3.3. Concessão de uso


Concessão de uso de bem público é o contrato administrativo pelo qual
o Poder Público atribui a utilização exclusiva de um bem de seu domínio a um
particular, para que o explore por sua conta e risco, segundo a sua específica
destinação.

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Trata-se de um ato bilateral (o que o caracteriza como um contrato


administrativo) ao contrário das autorizações e permissões de uso, que são
atos administrativos unilaterais. Sendo ato bilateral de natureza negocial
ou contratual, possui maior solenidade e expectativa de permanência ou
estabilidade que a permissão ou autorização de uso de bem público, que se
caracterizam pelo alto grau de precariedade.
Outra importante informação é o fato de que, em algumas concessões de
uso, o interesse do particular estará nivelado ao interesse da Administração, o
que não é uma regra, pois é possível constatarmos em concessões de uso a
prevalência do interesse particular, em situações específicas.

As concessões de uso podem ser realizadas onerosa ou gratuitamente, dependendo do


caso em concreto. Além disso, a regra em relação à concessão de uso é a
obrigatoriedade de licitação para a seleção do concessionário que apresenta as
melhores condições de utilização do bem público.

7. Alienação de bens públicos


Alienar um bem significa transferir a sua propriedade a terceiros, valendo-
se, para tanto, das várias formas contratuais previstas no direito privado.
A expressão alienação não se restringe ao contrato de compra e venda,
abrangendo, ainda, a doação, permuta e a dação em pagamento. Ademais,
também é possível que a alienação ocorra através de instrumentos específicos
do Direito Administrativo.
Embora a inalienabilidade tenha sido tratada como uma das
características dos bens públicos, afirmou-se que não poderia ser considerada
absoluta, pois, em situações especiais e desde que respeitadas as condições
legais, é possível aliená-los.
As regras gerais de observância obrigatória para a alienação de bens
públicos estão previstas na Lei nº 8.666/1993 (artigos 17 a 19), sendo
assegurada competência constitucional para que os demais entes estatais
(Estados, Distrito Federal e Municípios) criem regras específicas para atender às
peculiaridades regionais ou locais.
De qualquer forma, destaca-se que somente os bens desafetados
podem ser alienados. Bens de uso comum do povo ou de uso especial, por
estarem vinculados a finalidades públicas específicas, não estão sujeitos à

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alienação. Casos sejam desafetados, transformando-se em bens públicos


dominicais, aí sim serão passíveis de alienação, desde que respeitadas as
condições legais.

7.1. Bens imóveis


Dispõe o art. 17 da Lei nº 8.666/1993 que a alienação de bens imóveis
integrantes do patrimônio da Administração Pública deve atender os seguintes
requisitos:

7.1.1. Órgãos da Administração Direta, autarquias e fundações


públicas de direito público
1º - Interesse público devidamente justificado;
2º - Avaliação prévia do bem;
3º - Autorização legislativa (se a alienação for de interesse de autarquia
estadual, autorização da Assembleia Legislativa; caso a alienação esteja sendo
promovida por fundação pública municipal, autorização legislativa da Câmara de
Vereadores);
4º - licitação na modalidade concorrência (dispensada nas hipóteses
arroladas no art. 17, I, da Lei nº 8.666/1993, que, em regra, são: doação,
permuta, dação em pagamento, venda para outro órgão ou entidade da
Administração e investidura).

7.1.2. Empresas públicas e sociedades de economia mista


1º - Interesse público devidamente justificado;
2º - Avaliação prévia dos bens;
3º - Não há necessidade de autorização legislativa;
4º - licitação na modalidade concorrência (dispensada a licitação nas
hipóteses arroladas no art. 17, I, da Lei nº 8.666/1993, que, em regra, são:
doação, permuta, dação em pagamento, venda para outro órgão ou entidade da
Administração e investidura).
O art. 19 da Lei nº 8.666/1993 dispõe que os bens imóveis da
Administração Pública, cuja aquisição haja derivado de procedimentos
judiciais (execução fiscal, por exemplo) ou de dação em pagamento,
poderão ser alienados por ato da autoridade competente, observadas as
seguintes regras:

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I – avaliação dos bens alienáveis;


II – comprovação da necessidade ou utilidade da alienação;
III – adoção do procedimento licitatório, sob a modalidade de
concorrência ou leilão.
No concurso público para o cargo de Auditor Fiscal do Município de
São Paulo, realizado em 2012, a Fundação Carlos Chagas elaborou
interessante questão sobre o tema, considerando correto o seguinte
enunciado:
No curso de processo de execução fiscal, o Município adjudicou, como forma de
pagamento da dívida do contribuinte, o imóvel no qual estava instalada a fábrica
da empresa executada, além de veículos e outros bens móveis, passando, todos,
a integrar o patrimônio da municipalidade. Ocorre que esses bens, exceto os
veículos, não são do interesse da Administração, que decidiu, assim, aliená-los.
De acordo com o regime jurídico dos bens públicos e conforme as disposições
aplicáveis da Lei no 8.666/93, o Município poderá alienar todos os bens,
mediante prévia avaliação e licitação na modalidade leilão, comprovando a
necessidade ou utilidade da venda dos imóveis e o caráter inservível dos móveis.

7.1.3. Bens imóveis da União


Para a alienação de bens imóveis da União, não há necessidade de
autorização legislativa para cada negócio jurídico.
A Lei nº 9.636/1998, em seu art. 23, afirma que a alienação poderá
ocorrer mediante ato do Presidente da República, sempre precedida de
parecer da Secretaria do Patrimônio da União – SPU (órgão integrante da
estrutura do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MPOG) quanto
à sua oportunidade e conveniência. A competência outorgada ao Presidente da
República para autorizar a alienação poderá ser delegada ao Ministro de Estado
da Fazenda, permitida a subdelegação.
Dispõe ainda o texto legal que “a alienação ocorrerá quando não houver
interesse público, econômico ou social em manter o imóvel no domínio da
União, nem inconveniência quanto à preservação ambiental e à defesa nacional,
no desaparecimento do vínculo de propriedade” (art. 23, § 2º).

7.2. Bens móveis


A alienação de bens móveis também está condicionada à observância das
condições legais, nos seguintes termos:

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1º - Interesse público devidamente justificado;


2º - Avaliação prévia dos bens;
3º - Autorização legislativa, que pode ser genérica, estendendo essa
possibilidade a todos os bens da Administração Pública;
4º - licitação na modalidade leilão (para a venda de bens móveis
avaliados, isolada ou globalmente, em quantia superior a R$ 650.000,00, torna-
se obrigatória a utilização da modalidade concorrência, nos termos do art. 17,
§ 6º, da Lei nº 8.666/1993).
A regra geral impõe como obrigatória a realização de licitação para a
alienação de bens móveis. Todavia, destaca-se que o art. 17, II, da Lei nº
8.666/1993, apresenta várias hipóteses nas quais a licitação será dispensada.

7.3. Instrumentos de direito privado utilizados na alienação


São vários os instrumentos de contratação, regidos pelo direito privado,
que podem ser utilizados pela Administração Pública para a alienação de seus
bens, a saber: venda, doação, permuta e dação em pagamento.

7.3.1. Venda
O art. 481 do Código Civil brasileiro dispõe que “pelo contrato de compra
e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e
o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro”. Valendo-se do contrato de
compra e venda para alienar bem público, a Administração figurará em um dos
polos como vendedora, e, no outro, como comprador, o eventual interessado.
Ao referido contrato não serão aplicadas, em regra, as cláusulas
exorbitantes existentes nos contratos administrativos. No contrato de compra e
venda as partes encontram-se niveladas, estabelecendo uma relação jurídica
horizontal.
A Administração Pública não pode impor o seu preço ao particular, que,
de outro lado, não pode ser obrigado a adquirir o bem.
Antes da formalização de contrato de compra e venda pela Administração
Pública devem ser obedecidas todas as condições legais previstas no item 5.1
deste capítulo, sob pena de nulidade, ressalvas as hipóteses de licitação
dispensada.

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7.3.2. Doação
Dispõe o art. 538 do Código Civil brasileiro que “considera-se doação o
contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio
bens ou vantagens para o de outra”.
Na esfera administrativa, a doação somente ocorrerá em hipóteses
excepcionais, desde que presente interesse público e atendidas as condições
previstas na Lei nº 8.666/1993, que, dentre outras, afirma que será “permitida
exclusivamente para outro órgão ou entidade da administração pública, de
qualquer esfera de governo”.
A imposição legal de que a doação seja feita exclusivamente em benefício
de órgão ou entidade da administração pública obriga apenas a União, por não
se tratar de norma geral, conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal no
julgamento da ADI 927/RS4. Os demais entes estatais (Estados, Municípios e
Distrito Federal) podem estabelecer suas regras específicas, permitindo,
inclusive, que doações sejam feitas a particulares.
Esse também é o posicionamento de José dos Santos Carvalho Filho, que
assim se manifesta sobre o tema:
Essa restrição, como já vimos, aplica-se exclusivamente à União Federal. O
fundamento consiste em que a legislação federal só pode dispor sobre normas
gerais de contratação e licitação, e esse tipo de restrição não se enquadra nessa
categoria normativa, como já decidido pela mais alta Corte. Dessa maneira,
nada impede que a legislação estadual, distrital ou municipal permita a doação
para outras espécies de destinatários, como é o caso, por exemplo, de
instituições associativas ou sem fins lucrativos, não integrantes da
Administração5.

Atualmente, com a publicação da Lei nº 11.952/2009 – que alterou vários


dispositivos da Lei nº 8.666/1993 -, admite-se que a União realize doações a
particulares quando se tratar de programas habitacionais ou de regularização
fundiária, nos termos do art. 17, I, f, h e i.

7.3.3. Permuta
A permuta nada mais é do que a troca de bens. No mesmo instante em
que o ente público A transfere um bem para o patrimônio do ente público B,
recebe em seu próprio patrimônio bem diverso, transferido pelo ente A.

4
STF, Ação Direta de Inconstitucionalidade 927/RS, Rel. Min. Carlos Velloso, Tribunal Pleno, DJe 11/11/1994.
5
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 26. ed., p. 1197.

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A permuta de bem público, como as demais alienações, exige autorização


legal e avaliação prévia das coisas a serem trocadas, mas não exige licitação
(que é legalmente dispensada), pela impossibilidade mesma de sua realização,
uma vez que a determinação dos objetos da troca não admite substituição ou
competição licitatória.

7.3.4. Dação em pagamento


Quando o credor consente em receber prestação diversa da que lhe é
devida, ter-se-á a dação em pagamento.
É o que ocorre quando a Administração Pública oferece um bem de sua
propriedade (um prédio desafetado, por exemplo) para quitar débito perante
um particular. Caso este consinta em recebê-lo no lugar da quantia devida por
aquela, materializa-se a dação em pagamento.

7.4. Instrumentos de direito público utilizados na alienação


Além dos instrumentos de direito privado listados anteriormente, a
Administração Pública também poderá se valer de diversos instrumentos de
direito público para realizar alienações.

7.4.1. Investidura
A Lei nº 8.666/1993, em seu art. 17, § 3º, contempla duas formas de
investidura:
I - alienação aos proprietários de imóveis lindeiros de área remanescente
ou resultante de obra pública, área esta que se tornar inaproveitável
isoladamente, por preço nunca inferior ao da avaliação e desde que esse não
ultrapasse a R$ 40.000,00 (quarenta mil reais).
Se a Administração Pública constata, ao término de uma obra, que
“sobrou” determinada área pública que isoladamente não possui qualquer
utilidade (um pequeno espaço territorial que anteriormente era utilizado como
canteiro de obras, por exemplo), poderá aliená-la aos proprietários de imóveis
vizinhos (também chamados de imóveis lindeiros), desde que atendidas as
condições legais.

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Exige-se avaliação prévia da área a ser transferida e preço não superior


ao que a lei estabelece. Em algumas ocasiões, o Poder Público permite que o
pagamento da área seja feito pelo proprietário em parcelas, tudo conforme o
que for decidido em cada caso pela Administração6.

7.4.2. Concessão de domínio


Concessão de domínio é o instrumento utilizado pelo Poder Público para
transferir para terceiros terras devolutas da União, Estados e Municípios, nos
termos do art. 188, § 1º, da CF/1988, exigindo-se prévia aprovação do
Congresso Nacional quando se tratar de área superior a dois mil e quinhentos
hectares.
Hely Lopes Meirelles, com a clareza que lhe é peculiar, assim se manifesta
sobre o instituto:
Tais concessões não passam de vendas ou doações dessas terras públicas,
sempre precedidas de lei autorizadora e avaliação das glebas a serem
concedidas a título oneroso ou gratuito, além da aprovação do Congresso
Nacional quando excedentes de dois mil e quinhentos hectares. Quando feita por
uma entidade estatal a outra, a concessão de domínio formaliza-se por lei e
independe de registro; quando feita a particulares exige termo administrativo ou
escritura pública e o título deve ser transcrito no registro imobiliário competente,
para transferência do domínio.

7.4.3. Retrocessão
O art. 519 do Código Civil brasileiro dispõe que se ao bem particular
desapropriado pelo Poder Público para fins de necessidade ou utilidade pública,
ou por interesse social, não for dado o destino para o qual se desapropriou, ou
não for utilizado em obras ou serviços públicos, deverá ser oferecido ao ex-
proprietário, que, se tiver interesse, poderá adquiri-lo novamente pagando o
preço atual. É o que se denomina retrocessão.
Em relação às condições para a sua efetivação, “não há necessidade de lei
especial, porquanto a lei civil já prevê expressamente o instituto. Dispensável
também é a avaliação prévia, porque o preço a ser pago corresponde ao da
indenização recebida pelo expropriado. Desnecessária, por fim, a licitação,
porque o ex-proprietário é pessoa certa e determinada, sendo inviável, por
conseguinte, o regime de competição7”.

6
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 26. ed., p. 1201.
7
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 26. ed., p. 1202.

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7.4.4. Incorporação
Quando a Administração Pública Direta institui empresa pública ou
sociedade de economia mista, também realiza a transferência de bens móveis e
imóveis para essas entidades, mediante autorização legal. Tais bens serão
incorporados definitivamente ao patrimônio da entidade criada, que passará a
exercer todas as prerrogativas inerentes à propriedade, por isso dá-se o nome
de incorporação.

7.4.5. Legitimação de posse


A legitimação de posse é instituto de direito público, com caráter
eminentemente social, que tem por objetivo transferir para o particular o
domínio de área pública ocupada por muito tempo e que está sendo utilizada
para fins de moradia familiar.
Como a área pública não pode ser objeto de usucapião, o Poder Público
opta por legitimar a sua ocupação pelo particular e expedir o respectivo título
de propriedade em favor dos ocupantes, desde que atendidos os termos legais.
A Lei nº 11.977/2009, que dispõe sobre o Programa Minha Casa, Minha
Vida e a regularização fundiária de assentamentos localizados em áreas
urbanas, apresenta em seu texto claro exemplo de legitimação de posse para
fins de moradia.
Em seu art. 59, § 1º, com redação alterada pela Lei nº 12.424/2011,
dispõe que a legitimação de posse será concedida aos moradores cadastrados
pelo poder público, desde que:
I - não sejam concessionários, foreiros ou proprietários de outro imóvel urbano
ou rural;
II - não sejam beneficiários de legitimação de posse concedida anteriormente.

Ademais, afirma em seu art. 60 que sem prejuízo dos direitos decorrentes
da posse exercida anteriormente, o detentor do título de legitimação de
posse, após 5 (cinco) anos de seu registro, poderá requerer ao oficial de
registro de imóveis a conversão desse título em registro de propriedade,
tendo em vista sua aquisição por usucapião8, nos termos do art. 183 da
Constituição Federal.

8
José dos Santos Carvalho Filho entende ser equivocada a utilização da expressão usucapião, visto que as áreas
públicas não estão sujeitas a tal instituto, nos termos do art. 183, § 3º, da CF/1988.

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RESUMO DE VÉSPERA DE PROVA - RVP

1. Nos termos do artigo 98 do Código Civil Brasileiro (Lei 10.406/02), são


“públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de
direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a
pessoa a que pertencerem”. O citado artigo é claro ao afirmar que somente os
bens pertencentes às entidades regidas pelo direito público podem ser
considerados bens públicos. esse sentido, somente podem ser considerados
bens públicos aqueles pertencentes à União, aos Estados, ao Distrito Federal,
aos Municípios, às autarquias e às fundações públicas de direito público, nas
respectivas esferas;
2. Lembre-se de que as empresas públicas e sociedades de economia mista
que prestam serviços públicos em regime de exclusividade (monopólio),
como é o caso da Empresa Brasileira de Correios, gozam de todas as
prerrogativas das entidades regidas pelo direito público, inclusive em
relação aos seus bens, que serão considerados públicos;
3. Bens de uso comum do povo são as coisas móveis ou imóveis
pertencentes às entidades regidas pelo Direito público e que podem ser
utilizadas por qualquer indivíduo, independentemente de autorização ou
qualquer formalidade, a exemplo das praias, rios, ruas, praças, estradas e os
logradouros públicos (inciso I do artigo 99 do Código Civil);
4. Bens públicos de uso especial são aqueles utilizados pelos seus
proprietários (União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e
fundações públicas de Direito público) na execução dos serviços públicos e
de suas atividades finalísticas, a exemplo de seus computadores, dos veículos,
do prédio de uma escola, de um hospital, de uma cadeia, do edifício onde se
encontra uma repartição pública etc;
5. Quando os bens de uso especial forem passíveis de utilização por
particulares, a Administração poderá regular essa utilização, estabelecendo a
necessidade de pagamento de determinado valor (como ocorre na visitação a
museus públicos), o respeito a horários (que deve ser seguido pelos alunos de
uma escola pública), entre outros;
6. Bens dominicais são aqueles que, apesar de integrarem o patrimônio da
União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e fundações públicas
de direito público, não estão sendo utilizados para uma destinação pública
especifica, a exemplo de prédios públicos desativados, dívida ativa,
terrenos sem qualquer destinação específica, entre outros;

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7. Cuidado para não confundir as expressões “afetação” e “desafetação”. Se


um bem está sendo utilizado para determinado fim público, seja diretamente
pelo Estado, seja pelo uso dos indivíduos em geral, diz-se que está afetado a
determinado fim público. Por exemplo: uma praça, como bem de uso comum
do povo, se estiver tendo sua natural utilização será considerada um bem
afetado ao fim público. O mesmo se dá com um ambulatório público: se no
prédio estiver sendo atendida a população com o serviço de assistência
médica e ambulatorial, estará ele também afetado a um fim público. Ao
contrário, o bem se diz desafetado quando não está sendo usado para
qualquer fim público. Por exemplo: uma área pertencente ao Município na qual
não haja qualquer serviço administrativo é um bem desafetado de fim público.
Uma viatura policial alocada ao depósito público como inservível igualmente se
caracteriza como bem desafetado, já que não utilizado para a atividade
administrativa normal;
8. Como consequência do regime jurídico-administrativo, os bens públicos
gozam de algumas características e que os diferenciam dos bens privados: a
inalienabilidade, a impenhorabilidade, a imprescritibilidade e a não-
onerabilidade;

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QUESTÕES COMENTADAS

01. (ESAF∕PECFAZ – Ministério da Fazenda∕2013) Quanto aos Bens


Públicos, é correto afirmar:
a) sob o aspecto jurídico, há duas modalidades de bens públicos: os
do domínio público do Estado e os do domínio privado do Estado.
b) da imprescritibilidade exsurge a impossibilidade de oneração dos
bens públicos.
c) no caso de uso privativo estável, como é o caso da permissão, a
precariedade do uso encontra-se já na origem do ato de outorga.
d) na permissão de uso, a utilização do bem não é conferida com
vistas à utilidade pública, mas no interesse privado do utente.
e) no uso compartilhado, há a utilização de um bem público pelos
membros da coletividade sem que haja discriminação entre os
usuários, nem consentimento estatal específico para esse fim.

Comentários
a) Maria Sylvia Zanella di Pietro dispõe que, sob o aspecto jurídico, pode-se
dizer que há duas modalidades de bens públicos: 1 – os do domínio público
do Estado, abrangendo os de uso comum do povo e os de uso especial; 2 – os
do domínio privado do Estado, abrangendo os bens dominicais. Assertiva
correta.
b) A imprescritibilidade dos bens públicos impede a possibilidade de usucapião
pelos particulares, nos termos do art. 183, § 3º, da Constituição Federal.
Assertiva incorreta.
c) A permissão não é modalidade estável de utilização de bem público, pois,
em razão da precariedade que lhe é peculiar, pode ser revogada a qualquer
momento. Assertiva incorreta.
d) São muito semelhantes as características da autorização e da permissão de
uso. Na verdade, a principal diferença entre ambos os institutos está no fato de
que na primeira prevalece o interesse do particular, apesar de também se
vislumbrar o interesse público, mas em caráter secundário. Em relação à
permissão de uso, ocorre a conjugação do interesse público com o interesse
particular. Assertiva incorreta.
e) Ocorre o uso compartilhado de bem público quando pessoas públicas ou
privadas, prestadores de serviços públicos, precisam utilizar bens que integram
o patrimônio de pessoas diversas, a exemplo do que ocorre com a
implantação de tubulação de gás canalizado no subsolo. Assertiva incorreta.
Gabarito: Letra a.

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02. (ESAF∕Técnico Administrativo – DNIT∕2013) Correlacione os bens


constantes da Coluna I às nomenclaturas da Coluna II. Ao final,
assinale a sequência correta para a Coluna I.
COLUNA I COLUNAS II
( ) Ruas e praças 1. Bens dominicais
( ) Escolas e Hospitais Públicos 2. Bens públicos de uso comum
( ) Terrenos de marinha 3. Bens de uso especial
( ) Terras devolutas
( ) Veículos oficiais

a) 2 / 3 / 2 / 2 / 1
b) 2 / 3 / 2 / 2 / 3
c) 2 / 2 / 1 / 1 / 3
d) 3 / 2 / 1 / 1 / 2
e) 2 / 3 / 1 / 1 / 3

Comentários
Bens de uso comum do povo são as coisas móveis ou imóveis
pertencentes às entidades regidas pelo Direito público e que podem ser
utilizadas por qualquer indivíduo, independentemente de autorização ou
qualquer formalidade, a exemplo das praias, rios, ruas e praças, estradas e os
logradouros públicos (inciso I do artigo 99 do Código Civil).
Bens públicos de uso especial são aqueles utilizados pelos seus
proprietários (União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e
fundações públicas de Direito público) na execução dos serviços públicos e de
suas atividades finalísticas, a exemplo de seus computadores, dos veículos
oficiais, Escolas e Hospitais Públicos, de uma cadeia, do edifício onde se
encontra uma repartição pública etc.
Bens dominicais são aqueles que, apesar de integrarem o patrimônio da
União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e fundações públicas de
direito público, não estão sendo utilizados para uma destinação pública
especifica, a exemplo de prédios públicos desativados, dívida ativa, terrenos
de marinha, terras devolutas, entre outros.

Gabarito: Letra e.

(Técnico em assuntos educacionais/DPU 2010/CESPE - adaptada)


Quanto aos bens públicos, julgue os seguintes itens.

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03. São bens de uso comum do povo os prédios públicos em que se


localizam as repartições públicas de atendimento à população.
Bens de uso comum são as coisas móveis ou imóveis pertencentes às
entidades regidas pelo direito público e que podem ser utilizadas por qualquer
indivíduo, independentemente de autorização ou qualquer formalidade, a
exemplo das praias, rios, ruas, praças, estradas e os logradouros públicos
(artigo 99, I, do Código Civil). Assertiva incorreta.

04. Os bens de uso comum constituem o aparelhamento material da


administração para atingir suas finalidades.
Ao contrário do que consta no texto da assertiva, lembre-se sempre de
que os bens utilizados pela administração (aparelhamento material) para
exercer as suas atividades finalísticas, a exemplo de seus computadores, dos
veículos, do prédio de uma escola, de um hospital, de uma cadeia, do edifício
onde se encontra uma repartição pública etc, enquadram-se na categoria dos
bens de uso especial, o que invalida o texto da assertiva.

05. Os bens públicos pertencentes a uma autarquia municipal podem


ser onerados por hipoteca judicial.
Onerar um bem significa fornecê-lo em garantia ao pagamento de uma
determinação obrigação. Assim, caso um particular necessite de um
empréstimo e tenha uma jóia guardada em casa, por exemplo, poderá
comparecer à Caixa Econômica Federal e oferecê-la como garantia para a
obtenção de um empréstimo. Futuramente, quando o empréstimo for pago, a
jóia será devolvida para o seu proprietário. Entretanto, caso o devedor não
consiga pagar o empréstimo, ela será vendida e o valor, utilizado para quitar o
débito.
Em relação aos bens públicos, o artigo 1.420 do Código Civil é expresso
ao afirmar que “só aquele que pode alienar poderá empenhar, hipotecar ou
dar em anticrese”. Assim, como os bens públicos são inalienáveis, também não
poderão sem empenhados, hipotecados ou dados em anticrese”, ou seja, não
podem ser onerados. Assertiva incorreta.

06. Os bens públicos de uso comum possuem, como característica, a


disponibilidade.
Alguns bens públicos são considerados inalienáveis, isto é, não estão
disponíveis para o comércio, a exemplo dos mares, rios, praias e florestas. São
bens de uso comum do povo, possuindo, assim, natureza não-
patrimonial. Assertiva incorreta.

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(Analista de Saneamento – Direito/EMBASA 2010/CESPE) Acerca das


regras que regulamentam os bens e a classificação legal, julgue o item
subsequente.
07. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são
inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a
lei determinar. Os bens públicos dominicais podem ser alienados,
observadas as exigências da lei.
Perceba que o texto da assertiva simplesmente reproduziu o teor dos
artigos 100 e 101 do Código Civil, vejamos:
Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial
são inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que
a lei determinar.
Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as
exigências da lei.
Assim, não restam dúvidas de que o texto da assertiva deve ser
considerado correto.

(Advogado/IPAJM 2010/CESPE - adaptada) Acerca de bens públicos,


julgue os seguintes itens.
08. São considerados bens públicos os bens pertencentes a sociedades
de economia mista e empresas públicas, ainda que submetidos à
destinação especial e à administração particular de tais instituições,
para consecução de seus fins estatutários.
Dentre os vários conceitos de bens públicos formulados pelos nossos
principais doutrinadores, destaca-se o de Hely Lopes Meirelles, segundo o qual
bens públicos são “todas as coisas, corpóreas ou incorpóreas, imóveis, móveis
e semoventes, créditos, direitos e ações, que pertençam, a qualquer título, às
entidades estatais, autárquicas, fundacionais e empresas governamentais”.
Analisando-se o conceito do saudoso professor, percebe-se que são
incluídos como bens públicos aqueles de titularidade das empresas públicas e
sociedades de economia mista, entendimento que é criticado pela doutrina
majoritária e que também não está em conformidade com o conceito legal.
Nos termos do artigo 98 do Código Civil Brasileiro (Lei 10.406/02), são
“públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de
direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a
pessoa a que pertencerem”.
O citado artigo é claro ao afirmar que somente os bens pertencentes às
entidades regidas pelo direito público podem ser considerados bens
públicos, o que não é o caso das empresas públicas e sociedades de
economia mista, que são regidas pelo direito privado.

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Na divulgação do gabarito preliminar, o CESPE considerou a assertiva


correta, adotando o posicionamento (que não é majoritário) de que os bens
integrantes do acervo das empresas públicas e sociedades de economia mista
também são considerados públicos. Todavia, após a fase de apresentação dos
recursos a questão foi anulada pela banca, que se valeu do argumento de que o
tema é “controverso” na doutrina.
Apesar de existirem autores que defendem posicionamento contrário,
entendo que a melhor opção para fins de concursos públicos é não considerar
como públicos os bens integrantes do patrimônio das empresas públicas e
sociedades de economia mista. Fique atento (a)!!

09. Nem todos os bens públicos são passíveis de uso especial por
particulares.
Ao contrário do que consta no texto da assertiva, deve ficar claro que
todas as espécies de bens públicos são passíveis de uso especial por
particulares, sejam os bens de uso comum do povo, os bens de uso especial ou
os dominicais. Assertiva incorreta.

10. Cessão de uso de bens públicos é ato unilateral, discricionário e


precário pelo qual a administração consente na prática de determinada
atividade individual incidente sobre bem público. Não há forma nem
requisitos especiais para sua efetivação, pois visa apenas a atividades
transitórias e irrelevantes para o poder público, bastando que se
consubstancie em ato escrito, revogável sumariamente a qualquer
tempo e sem ônus para a administração.
O professor José dos Santos Carvalho Filho afirma que “cessão de uso é
aquela em que o Poder Público consente o uso gratuito de bem público por
órgãos da mesma pessoa ou de pessoa diversa, incumbida de desenvolver
atividade que, de algum modo, traduza interesse da coletividade”.
Em caráter excepcional, entende a doutrina majoritária que pode ocorrer
a cessão gratuita de bem público a pessoa jurídica de direito privado que
desempenhe atividade não lucrativa, desde que tenha a finalidade de satisfazer
o interesse coletivo.
Ao contrário do que consta no texto da assertiva, as cessões de uso de
imóveis públicos devem obedecer às formalidades legais, a exemplo das que
constam na Lei 9.636/1998. Assertiva incorreta.

11. A concessão especial de uso para moradia pode ser conferida a


quem, a qualquer tempo, possua como seu, por cinco anos,
ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros
quadrados de imóvel público situado em área urbana, utilizando-o para

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sua moradia ou de sua família, desde que não seja proprietário ou


concessionário, a qualquer título, de outro imóvel urbano ou rural.
O professor José dos Santos Carvalho Filho afirma que “como os imóveis
públicos não são suscetíveis de ser adquiridos por usucapião, conforme averba
o art. 183, § 3º, da CF, sentiu-se a necessidade de adotar para eles outro
instrumento que guardasse similitude com aquele instituto, sempre tendo em
mira atender às necessidades reclamadas pela política urbana. Foi então
instituída a concessão de uso especial para fins de moradia, disciplinada
pela Medida Provisória nº 2.220, de 4/9/2001”.
Para responder corretamente às questões de prova, é necessário ficar
atento aos dois institutos, já que são muito semelhantes. O professor José dos
Santos Carvalho Filho afirma que “a distinção entre a concessão de uso especial
para fins de moradia e o usucapião especial urbano, quanto aos pressupostos,
reside em dois pontos: 1º) nesta o objeto imóvel é privado, ao que passo que
naquela é imóvel público (federal, estadual, distrital ou municipal, desde que
regular a ocupação, como reza o art. 3º); 2º) na concessão só se conferiu o
direto ao possuidor se os pressupostos foram atendidos até 30 de
junho de 2001, ao passo que no usucapião não foi previsto termo final para a
aquisição do direito. Significa que, se o indivíduo, naquela data, tinha a posse
do imóvel público por quatro anos, por exemplo, não adquirirá o direito à
concessão de uso especial”.
Analisando-se o texto da assertiva, constata-se que o erro está no fato de
ter afirmado que a concessão especial de uso para fins de moradia pode ser
concedida “a quem, a qualquer tempo, possua como seu, por cinco anos,
ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros quadrados
de imóvel público situado em área urbana”.
Perceba que na concessão só se conferiu ao possuidor tal direito se
os pressupostos foram atendidos até 30 de junho de 2001. Assertiva
incorreta.

12. A utilização, a título precário, de áreas de domínio da União para a


realização de eventos de curta duração, de natureza recreativa,
esportiva, cultural, religiosa ou educacional, depende de concessão.
O art. 22 da Lei nº 9.636/1998, regulamentado pelo art. 14 do Decreto nº
3.725/2001, possibilita que o poder público autorize, pela permissão de uso,
a utilização de áreas de domínio da União, a título precário, para a realização de
eventos de curta duração, de natureza recreativa, esportiva, cultural, religiosa
ou educacional. Assertiva incorreta.

(Promotor de Justiça Substituto/MPE ES 2010/CESPE - adaptada) A


respeito dos serviços públicos, da concessão e permissão e da
classificação dos bens públicos, julgue os itens seguintes.

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13. Bens públicos de uso especial são todas as coisas, móveis ou


imóveis, corpóreas ou incorpóreas, utilizadas pela administração
pública para a realização de suas atividades e a consecução de seus
fins.
Bens públicos de uso especial são aqueles utilizados pelos seus
proprietários (União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e
fundações públicas de direito público) na execução dos serviços públicos e de
suas atividades finalísticas, a exemplo de seus computadores, dos veículos, do
prédio de uma escola, de um hospital, de uma cadeia, do edifício onde se
encontra uma repartição pública etc. Assertiva correta.

14. Os bens públicos podem ser objeto de uso comum ou de uso


especial, mas somente os bens de uso especial podem estar sujeitos a
uso remunerado.
A professora Maria Sylvia Zanella di Pietro afirma que a utilização do bem
de uso comum, em regra, não está sujeita à remuneração, “mas pode,
excepcionalmente, ser remunerado; no direito brasileiro, o artigo 103 do Código
Civil expressamente permite que o uso de bens públicos seja gratuito ou
remunerado, conforme for estabelecido legalmente pela entidade a cuja
administração pertencerem”. Assertiva incorreta.

(Promotor de Justiça Substituto/MPE SE 2010/CESPE - adaptada)


Julgue os itens seguintes a respeito de bens públicos.
15. Consideram-se bens dominicais todas as coisas, móveis ou imóveis,
corpóreas ou incorpóreas, utilizadas pela administração pública para
realização de suas atividades e consecução de seus fins.
Bens dominicais são aqueles que, apesar de integrarem o patrimônio da
União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e fundações públicas de
direito público, não estão sendo utilizados para uma destinação pública
especifica, a exemplo de prédios públicos desativados, dívida ativa, terrenos
sem qualquer destinação específica, entre outros.
Sendo assim, se um bem pertencente a uma entidade de Direito público
está sendo utilizado em prol da coletividade ou, ainda, está sendo utilizado
especificamente pelo seu proprietário na consecução das atividades
administrativas, não poderá ser enquadrado como dominical, pois possui uma
finalidade ou destinação específica. Assertiva incorreta.

16. Os bens de uso comum do povo são aqueles que se destinam à


utilização geral pelos indivíduos e podem ser federais, estaduais ou
municipais.

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Bens de uso comum do povo são as coisas móveis ou imóveis


pertencentes à União, Estados, Municípios e Distrito Federal e que podem ser
utilizadas por qualquer indivíduo, independentemente de autorização ou
qualquer formalidade, a exemplo das praias, rios, ruas, praças, estradas e os
logradouros públicos (inciso I, do artigo 99, do Código Civil). Assertiva correta.

17. São bens patrimoniais disponíveis os de uso especial, que,


entretanto, só podem ser alienados nas condições que a lei estabelecer.
Os bens de uso especial, enquanto estiverem sendo utilizados para a
satisfação do interesse coletivo (afetados a uma finalidade pública), são
inalienáveis. Assertiva incorreta.

18. Diz-se afetado o bem utilizado para determinado fim público, desde
que a utilização se dê diretamente pelo Estado.
A afetação e desafetação são institutos que dizem respeito à
destinação e utilização dos bens públicos, sendo de extrema relevância essa
distinção para responder corretamente às questões de concursos públicos.
O professor José dos Santos Carvalho Filho explica muito bem a diferença
entre esses dois institutos, ao afirmar que “se um bem está sendo utilizado
para determinado fim público, seja pelo uso dos indivíduos em geral, diz-se que
está afetado a determinado fim público. Por exemplo: uma praça, como bem
de uso comum do povo, se estiver tendo sua natural utilização será considerada
um bem afetado ao fim público. Ao contrário, o bem se diz desafetado quando
não está sendo usado para qualquer fim público. Por exemplo: uma área
pertencente ao Município na qual não haja qualquer serviço administrativo é um
bem desafetado de fim público.
Assim, não restam dúvidas de que o texto da assertiva está incorreto,
pois não é necessário que o bem afetado seja utilizado pelo próprio Estado, a
exemplo do que ocorre com os bens de uso comum do povo.

19. Os bens de uso comum do povo, os de uso especial e os dominicais


têm como característica a inalienabilidade e, como decorrência desta, a
imprescritibilidade, a impenhorabilidade e a impossibilidade de
oneração.
A doutrina majoritária defende o posicionamento de que a
inalienabilidade não é uma característica dos bens públicos, pois existe a
possibilidade de que sejam alienados, desde que respeitadas as condições
previstas legalmente. Tanto é verdade que a Lei 8.666/1993, entre os artigos
17 e 19, apresenta as condições legais para que ocorram alienações de bens
móveis e imóveis integrantes do patrimônio público.

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O professor José dos Santos Carvalho Filho afirma que o mais correto é
utilizar a expressão “alienabilidade condicionada”, que traduz a possibilidade de
alienação, desde que atendidos os requisitos legais. Assertiva incorreta.

20. (ESAF∕Nível superior – Ministério da Integração Nacional∕2012)


Uma das características dos bens públicos é a sua imprescritibilidade, o
que significa dizer que tais bens não podem
a) ser alienados.
b) ser usucapidos.
c) ser penhorados.
d) ter destinação para uso particular.
e) ser objeto de ações por cobranças de dívidas.

Comentários
A imprescritibilidade assegura a um bem público a impossibilidade de
ser adquirido por terceiros mediante usucapião. O usucapião nada mais é que
a aquisição da propriedade em decorrência do transcurso de um certo lapso
temporal (15, 10 ou 05 anos, dependendo da situação específica).
O § 3º do artigo 183, bem como o artigo 191 da Constituição Federal,
estabelecem expressamente que “os imóveis públicos não serão adquiridos por
usucapião”.
Isso quer dizer que, independentemente do tempo que a pessoa tiver a
posse mansa e pacífica de um bem público, móvel ou imóvel, jamais
conseguirá a propriedade definitiva desse bem, mesmo mediante ação judicial,
pois ele integra o patrimônio da União, Estados, Municípios, Distrito Federal,
autarquias ou fundações públicas de direito público, e, portanto, é
imprescritível.
Gabarito: Letra b.

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RELAÇÃO DE QUESTÕES COMENTADAS – COM GABARITO

01. (ESAF∕PECFAZ – Ministério da Fazenda∕2013) Quanto aos Bens


Públicos, é correto afirmar:
a) sob o aspecto jurídico, há duas modalidades de bens públicos: os do
domínio público do Estado e os do domínio privado do Estado.
b) da imprescritibilidade exsurge a impossibilidade de oneração dos
bens públicos.
c) no caso de uso privativo estável, como é o caso da permissão, a
precariedade do uso encontra-se já na origem do ato de outorga.
d) na permissão de uso, a utilização do bem não é conferida com vistas
à utilidade pública, mas no interesse privado do utente.
e) no uso compartilhado, há a utilização de um bem público pelos
membros da coletividade sem que haja discriminação entre os usuários,
nem consentimento estatal específico para esse fim.

02. (ESAF∕Técnico Administrativo – DNIT∕2013) Correlacione os bens


constantes da Coluna I às nomenclaturas da Coluna II. Ao final,
assinale a sequência correta para a Coluna I.
COLUNA I COLUNAS II
( ) Ruas e praças 1. Bens dominicais
( ) Escolas e Hospitais Públicos 2. Bens públicos de uso comum
( ) Terrenos de marinha 3. Bens de uso especial
( ) Terras devolutas
( ) Veículos oficiais

a) 2 / 3 / 2 / 2 / 1
b) 2 / 3 / 2 / 2 / 3
c) 2 / 2 / 1 / 1 / 3
d) 3 / 2 / 1 / 1 / 2
e) 2 / 3 / 1 / 1 / 3

(Técnico em assuntos educacionais/DPU 2010/CESPE - adaptada)


Quanto aos bens públicos, julgue os seguintes itens.
03. São bens de uso comum do povo os prédios públicos em que se
localizam as repartições públicas de atendimento à população.

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04. Os bens de uso comum constituem o aparelhamento material da


administração para atingir suas finalidades.
05. Os bens públicos pertencentes a uma autarquia municipal podem
ser onerados por hipoteca judicial.
06. Os bens públicos de uso comum possuem, como característica, a
disponibilidade.

(Analista de Saneamento – Direito/EMBASA 2010/CESPE) Acerca das


regras que regulamentam os bens e a classificação legal, julgue o item
subsequente.
07. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são
inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a
lei determinar. Os bens públicos dominicais podem ser alienados,
observadas as exigências da lei.

(Advogado/IPAJM 2010/CESPE - adaptada) Acerca de bens públicos,


julgue os seguintes itens.
08. São considerados bens públicos os bens pertencentes a sociedades
de economia mista e empresas públicas, ainda que submetidos à
destinação especial e à administração particular de tais instituições,
para consecução de seus fins estatutários.
09. Nem todos os bens públicos são passíveis de uso especial por
particulares.
10. Cessão de uso de bens públicos é ato unilateral, discricionário e
precário pelo qual a administração consente na prática de determinada
atividade individual incidente sobre bem público. Não há forma nem
requisitos especiais para sua efetivação, pois visa apenas a atividades
transitórias e irrelevantes para o poder público, bastando que se
consubstancie em ato escrito, revogável sumariamente a qualquer
tempo e sem ônus para a administração.
11. A concessão especial de uso para moradia pode ser conferida a
quem, a qualquer tempo, possua como seu, por cinco anos,
ininterruptamente e sem oposição, até duzentos e cinquenta metros
quadrados de imóvel público situado em área urbana, utilizando-o para
sua moradia ou de sua família, desde que não seja proprietário ou
concessionário, a qualquer título, de outro imóvel urbano ou rural.
12. A utilização, a título precário, de áreas de domínio da União para a
realização de eventos de curta duração, de natureza recreativa,
esportiva, cultural, religiosa ou educacional, depende de concessão.

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(Promotor de Justiça Substituto/MPE ES 2010/CESPE - adaptada) A


respeito dos serviços públicos, da concessão e permissão e da
classificação dos bens públicos, julgue os itens seguintes.
13. Bens públicos de uso especial são todas as coisas, móveis ou
imóveis, corpóreas ou incorpóreas, utilizadas pela administração
pública para a realização de suas atividades e a consecução de seus
fins.
14. Os bens públicos podem ser objeto de uso comum ou de uso
especial, mas somente os bens de uso especial podem estar sujeitos a
uso remunerado.

(Promotor de Justiça Substituto/MPE SE 2010/CESPE - adaptada)


Julgue os itens seguintes a respeito de bens públicos.
15. Consideram-se bens dominicais todas as coisas, móveis ou imóveis,
corpóreas ou incorpóreas, utilizadas pela administração pública para
realização de suas atividades e consecução de seus fins.
16. Os bens de uso comum do povo são aqueles que se destinam à
utilização geral pelos indivíduos e podem ser federais, estaduais ou
municipais.
17. São bens patrimoniais disponíveis os de uso especial, que,
entretanto, só podem ser alienados nas condições que a lei estabelecer.
18. Diz-se afetado o bem utilizado para determinado fim público, desde
que a utilização se dê diretamente pelo Estado.
19. Os bens de uso comum do povo, os de uso especial e os dominicais
têm como característica a inalienabilidade e, como decorrência desta, a
imprescritibilidade, a impenhorabilidade e a impossibilidade de
oneração.

20. (ESAF∕Nível superior – Ministério da Integração Nacional∕2012)


Uma das características dos bens públicos é a sua imprescritibilidade, o
que significa dizer que tais bens não podem
a) ser alienados.
b) ser usucapidos.
c) ser penhorados.
d) ter destinação para uso particular.
e) ser objeto de ações por cobranças de dívidas.

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GABARITO

01.A 02.E 03.E 04.E 05.E 06.E 07.C 08.X

09.E 10.E 11.E 12.E 13.C 14.E 15.E 16.C

17.E 18.E 19.E 20.B

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QUESTÕES COMENTADAS - FCC

01. (FCC∕Juiz Substituto – TJ PE∕2015) Observe as seguintes


características, atribuíveis a determinados bens públicos:
I. pertencem ao domínio do Município ou do Distrito Federal, se
localizado(a)s nas respectivas circunscrições, incorporando-se ao
domínio da União quando situado(a)s em território federal.
II. são de titularidade da União, assegurada, nos termos da lei, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios participação no resultado
de sua exploração.
III. pertencem aos Estados, salvo se, por algum título, forem do
domínio federal, municipal ou particular.
As descrições I, II e III correspondem, correta e respectivamente, aos
seguintes bens:
a) terrenos de marinha e acrescidos - cavidades naturais subterrâneas
e os sítios arqueológicos e pré-históricos - os recursos naturais da
plataforma continental e da zona econômica exclusiva.
b) bens arrecadados de herança vacante - recursos minerais e
potenciais de energia hidráulica - terrenos reservados às margens das
correntes e lagos navegáveis.
c) águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em
depósito - terras tradicionalmente ocupadas pelos índios - terras
devolutas indispensáveis à preservação ambiental.
d) cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-
históricos - terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras -
recursos minerais e potenciais de energia hidráulica
e) recursos minerais e potenciais de energia elétrica - terras devolutas
indispensáveis à defesa das vias federais de comunicação - terrenos
marginais.

Comentários
Item I – O Código Civil Brasileiro, em seu art. 1.822, dispõe que “a
declaração de vacância da herança não prejudicará os herdeiros que legalmente
se habilitarem; mas, decorridos cinco anos da abertura da sucessão, os bens
arrecadados passarão ao domínio do Município ou do Distrito Federal,
se localizados nas respectivas circunscrições, incorporando-se ao domínio da
União quando situados em território federal”.

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Item II – A Constituição Federal, em seu art. 20, VIII e IX, dispõe que
são bens da União os potenciais de energia hidráulica e os recursos minerais,
inclusive os do subsolo. Por sua vez, dispõe § 1º, do mesmo artigo, que “é
assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, participação
no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos
para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no
respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica
exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração”.
Item III – O art. 14 do Decreto 24.643/34, que instituiu o Código de
Águas, dispõe que “terrenos reservados são os que, banhados pelas
correntes navegáveis, fora do alcance das marés, vão até a distância de 15
metros para a parte de terra, contados desde o ponto médio das enchentes
ordinárias”. Por sua vez, dispõe o art. 31 que pertencem aos Estados os
terrenos reservados as margens das correntes e lagos navegáveis, se, por
algum título, não forem do domínio federal, municipal ou particular.
Gabarito: Letra b.

02. (FCC∕Juiz Substituto – TJ GO∕2015) Suponha que determinada


empresa privada promotora de eventos pretenda utilizar um imóvel
público, atualmente sem destinação e cuja propriedade foi adquirida
pelo Estado por meio de adjudicação levada a efeito em processo de
execução fiscal, para a instalação de um centro de convenções com a
finalidade de realizar feiras agropecuárias. Considerando o regime
jurídico a que se sujeitam os bens públicos, a utilização do imóvel pelo
referido particular, em caráter exclusivo, poderá se dar mediante
a) cessão de uso, que pressupõe a transferência do domínio e se dá,
necessariamente, a título oneroso.
b) permissão de uso, em caráter discricionário e precário em razão do
interesse no uso beneficiar exclusivamente o particular.
c) autorização de uso, sem prazo determinado e revogável mediante
indenização ao particular.
d) permissão qualificada, onerosa e precedida de licitação, que não
admite indenização ao particular no caso de revogação a critério da
Administração.
e) concessão de uso, precedida de licitação, com prazo determinado,
com direito do particular a indenização caso rescindida antes do termo
final.
Comentários

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A outorga do uso privativo de bem de uso comum do povo ou de uso


especial somente pode ocorrer através de institutos regidos pelo direito
público – autorização, permissão e concessão de uso -, assegurando-se à
Administração Pública diversas prerrogativas especiais na relação jurídica a ser
constituída.
Concessão de uso é o contrato administrativo pelo qual o Poder Público
atribui a utilização exclusiva de um bem de seu domínio a particular, para que o
explore segundo sua destinação específica. O que caracteriza a concessão de
uso e a distingue dos demais institutos assemelhados – autorização e
permissão de uso – é o caráter contratual e estável da outorga do uso do
bem público ao particular, para que o utilize com exclusividade e nas condições
convencionadas com a Administração.
O instituto geralmente é utilizado em operações que envolvem grandes
quantias financeiras e que demandem duração de médio e longo prazo. Nesse
caso, afastar-se-á a precariedade administrativa, assegurando-se, assim, que
a Administração Pública não rescindirá o contrato administrativo por simples
razões de conveniência e oportunidade. Deverá respeitar, para tanto, as
hipóteses previstas no art. 78 da Lei nº 8.666∕1993.
Gabarito: Letra e.

03. (FCC∕Auditor Estadual – SEFAZ PI∕2015) Os bens públicos


classificados como dominicais
a) são os materialmente utilizados pela Administração pública para a
consecução de seus fins e realização de suas atividades.
b) podem ser usados por todos do povo, em face de sua natureza ou
por determinação legal.
c) são inalienáveis, enquanto não desafetados da função pública que
lhes foi normativamente conferida.
d) são aqueles integrantes do domínio público do Estado e, portanto,
inalienáveis.
e) integram o domínio privado do Estado, ou seja, seu patrimônio
disponível.
Comentários
Bens dominicais são aqueles que, apesar de integrarem o patrimônio da
União, Estados, Distrito Federal, Municípios, autarquias e fundações públicas de
direito público, não estão sendo utilizados para uma destinação pública
especifica, a exemplo de prédios públicos desativados, dívida ativa, terrenos
públicos abandonados, viaturas policiais inservíveis e alocadas em depósitos
públicos, entre outros.

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A noção de bem público dominical é residual, porque nessa categoria se


situam todos os bens que não se caracterizem como de uso comum do povo ou
de uso especial. Se o bem, portanto, serve ao uso público em geral, ou se se
presta à consecução das atividades administrativas, não será enquadrado como
dominical.
Em regra, por não estarem afetados a uma destinação pública específica,
os bens dominicais são considerados disponíveis, isto é, suscetíveis de
alienação, desde que atendidas as condições previstas em lei.
Gabarito: Letra e.

04. (FCC∕Procurador – TCM GO∕2015) Durante o curso de uma ação de


execução de título extrajudicial ajuizada por uma empresa particular
em face de uma sociedade de economia mista, foi identificado um
terreno localizado às margens de uma rodovia, pertencente à estatal e
desocupado de pessoas, construções e coisas. A empresa credora
requereu a penhora do bem para garantia do crédito, com intenção de
levar o bem à hasta pública caso perdurasse a inadimplência da estatal.
O requerimento
a) pode ser deferido, porque se trata de bem de natureza privada e
presume-se desafetado, porque desocupado, facultado à empresa
estatal a comprovação de eventual afetação do bem à prestação de
serviço público para pleitear a suposta impenhorabilidade.
b) não pode ser penhorado, em razão do domínio pertencer à empresa
estatal, mas pode ser adjudicado pelo credor, mantida eventual
afetação à prestação de serviço público.
c) não pode ser deferido, tendo em vista que os bens imóveis que
compõem o patrimônio das empresas estatais são protegidos pelo
regime jurídico de direito público, sendo, portanto, impenhoráveis.
d) pode ser deferido apenas para fins de garantia do crédito, decidindo-
se pela penhora e bloqueio do bem, vedada, no entanto, a alienação
judicial do imóvel.
e) não pode ser deferido porque todos os bens das estatais são
tacitamente afetados à prestação de serviço público, cuja
essencialidade impede a disposição judicial do imóvel.

Comentários
O Código Civil brasileiro, em seu art. 98, adotou o critério da titularidade
do bem para conceituá-lo como público. Assim, pode-se afirmar que “são
públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de

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direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a
pessoa a que pertencerem”.
Analisando-se o dispositivo legal, não restam dúvidas de que os bens
integrantes do patrimônio das empresas públicas e sociedades de economia
mista exploradoras de atividades econômicas são considerados bens
particulares, da mesma forma que os bens pertencentes às pessoas jurídicas
que atuam na iniciativa privada.
Todavia, em várias oportunidades o Supremo Tribunal Federal decidiu que
os bens integrantes do acervo das empresas públicas e sociedades de economia
mista, prestadoras de serviços públicos exclusivos do Estado (que alguns
denominam de monopólio), são considerados públicos, portanto,
impenhoráveis.
Se for essa a situação da empresa estatal, ser-lhe-á facultada a
comprovação de eventual afetação do bem à prestação de serviço público para
pleitear a suposta impenhorabilidade.
Gabarito: Letra a.

05. (FCC∕Juiz Substituto – TJ CE∕2014) Acerca dos bens públicos, é


correto afirmar:
a) A imprescritibilidade é característica dos bens públicos de uso
comum e de uso especial, sendo usucapíveis os bens pertencentes ao
patrimônio disponível das entidades de direito público.
b) As terras devolutas indispensáveis à preservação ambiental
constituem, nos termos do art. 225, caput, da Constituição Federal,
bem de uso comum do povo.
c) Os bens pertencentes aos Conselhos Federais e Regionais de
Fiscalização são bens públicos, insuscetíveis de constrição judicial para
pagamentos de dívidas dessas entidades.
d) Os bens das representações diplomáticas dos Estados estrangeiros e
de Organismos Internacionais são considerados bens públicos, para
fins de proteção legal.
e) Os imóveis pertencentes à Petrobrás, sociedade de economia mista
federal, são considerados bens públicos, desde que situados no
Território Nacional.
Comentários
a) Uma das características dos bens públicos é a sua imprescritibilidade, o
que significa dizer que tais bens não podem ser usucapidos, ou seja, não podem
ser transferidos a particulares através de ação judicial de usucapião. Assertiva
incorreta.

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b) Terras devolutas são aquelas que integram o patrimônio das pessoas


federativas (União, Estados, Municípios e Distrito Federal), mas não são
utilizadas para quaisquer finalidades públicas específicas. Constituem espécie do
gênero terras públicas, integrando a categoria de bens públicos dominicais.
Assertiva incorreta.
c) Como os Conselhos Profissionais são autarquias em regime especial,
seus bens são considerados públicos para todos os efeitos. Assertiva correta.
d) O Código Civil, em seu art. 98, dispõe que “são públicos os bens do
domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno;
todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que
pertencerem”. Assertiva incorreta.
e) Como a Petrobras é sociedade de economia mista exploradora de
atividade econômica, seus bens são considerados privados para fins diversos.
Assertiva incorreta.
Gabarito: Letra c.

06. (FCC∕Juiz do Trabalho – TRT 18ª Região∕2014) No tocante ao


regime legal dos bens das entidades pertencentes à Administração
pública, é correto afirmar:
a) Os bens pertencentes a autarquia são impenhoráveis, mesmo para
satisfação de obrigações decorrentes de contrato de trabalho regido
pela Consolidação da Legislação Trabalhista.
b) Os bens pertencentes às entidades da Administração indireta são
bens privados e, portanto, passíveis de penhora.
c) A imprescritibilidade é característica que se aplica tão somente aos
bens públicos de uso comum e especial, não atingindo os bens
dominicais.
d) Em face da não aplicação do art. 730 do Código de Processo Civil às
lides trabalhistas, os bens públicos podem ser penhorados para
satisfação de débitos reconhecidos pela Justiça Laboral.
e) A regra da imprescritibilidade dos bens públicos, por ter origem
legal, não se aplica ao instituto da usucapião especial urbana, de status
constitucional.
Comentários
a) Como os bens das autarquias são considerados públicos e, portanto,
impenhoráveis, caso o agente público tenha algum crédito a receber, não
poderá requerer ao judiciário a penhora de bens para garantir o seu crédito,
pois este será pago nos termos do artigo 100 da Constituição Federal, ou seja,
através do regime de precatórios. Assertiva correta.

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b) Em relação às entidades da Administração Pública indireta, somente


os bens das empresas públicas e sociedades de economia mista são
considerados privados, portanto, passíveis de penhora. Os bens das demais
entidades regidas pelo direito público são considerados públicos. Assertiva
incorreta.
c) A imprescritibilidade não se restringe aos bens de uso comum do povo
e aos bens de uso especial, abrangendo, também, os bens dominicais. Aliás,
esse é o teor da súmula 340 do Supremo Tribunal Federal: “Desde a vigência
do Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem
ser adquiridos por usucapião”. Assertiva incorreta.
d) O art. 100 da CF/1988 dispõe que “os pagamentos devidos pelas
Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de
sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de
apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a
designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos
adicionais abertos para este fim”. Assertiva incorreta.
e) Apesar de existir expressa disposição legal assegurando a aquisição da
propriedade através da usucapião, tal regra não se aplica aos bens públicos,
pois o art.182, § 3º, da CF/1988, é claro ao afirmar que “os imóveis públicos
não serão adquiridos por usucapião”, independentemente de sua espécie.
Assertiva incorreta.
Gabarito: Letra a.

07. (FCC∕Analista Legislativo – ALEPE∕2014) Uma empresa privada


solicitou autorização ao Estado para utilizar imóvel público consistente
em um antigo centro de exposições agropecuárias desativado,
objetivando reformá-lo e recolocá-lo em operação conforme sua
destinação original. Considerando o regime jurídico dos bens públicos,
a) a utilização do imóvel ao particular somente é possível mediante
contrato de arrendamento.
b) o Estado poderá outorgar permissão de uso, a título precário, desde
que mediante prévia autorização legislativa.
c) o Estado somente poderá autorizar a utilização do imóvel pelo
particular se o mesmo for desafetado.
d) é possível a outorga de autorização de uso do imóvel, porém não em
caráter privativo.
e) o Estado poderá outorgar concessão de uso, por prazo determinado,
mediante licitação.

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Comentários
Concessão de uso é o contrato administrativo pelo qual o Poder Público
atribui a utilização exclusiva de um bem de seu domínio a particular, para que o
explore segundo sua destinação específica. O que caracteriza a concessão de
uso e a distingue dos demais institutos assemelhados – autorização e
permissão de uso – é o caráter contratual e estável da outorga do uso do
bem público ao particular, para que o utilize com exclusividade e nas condições
convencionadas com a Administração.
O instituto geralmente é utilizado em operações que envolvem grandes
quantias financeiras e que demandem duração de médio e longo prazo, a
exemplo do citado Centro de Exposições Agropecuárias. Nesse caso, afastar-se-
á a precariedade administrativa, assegurando-se, assim, que a Administração
Pública não rescindirá o contrato administrativo por simples razões de
conveniência e oportunidade. Deverá respeitar, para tanto, as hipóteses
previstas no art. 78 da Lei nº 8.666∕1993.
É importante destacar também que por se tratar de instituto formalizado
através de contrato administrativo, exigir-se-á realização de licitação, salvo
quando configurada hipótese de dispensa ou inexigibilidade, devidamente
motivada pela autoridade administrativa competente.
Gabarito: Letra e.

08. (FCC∕Procurador – Prefeitura do Recife∕2014) Considere os itens a


seguir, sobre bens públicos:
I. Com a EC no 46/2005, pacificou-se dúvida quanto à titularidade das
ilhas costeiras e fluviais que contêm sede de Municípios, passando-se a
atribuí-la expressamente aos municípios respectivos
II. Por disposição constitucional, as terras devolutas não
compreendidas entre as da União ou dos Estados incluem-se entre os
bens do Município.
III. A encampação, a investidura e o tombamento são modos de
formação do patrimônio público.
IV. É defeso pelo ordenamento jurídico usucapião de bens públicos
dominicais.
Está correto o que consta APENAS em

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a) IV.
b) I
c) II e III.
d) II e IV.
e) I, II e III.
Comentários
Item I - Com a alteração promovida pela EC 46/2005, as ilhas costeiras
que contenham sede de Município deixaram de integrar o patrimônio da União.
Todavia, caso as ilhas costeiras estejam afetadas ao serviço público federal
ou a unidade ambiental federal, continuarão sob o domínio da União (ou
somente a parte da ilha costeira afetada). Assertiva incorreta.
Item II - São considerados bens da União, nos termos do art. 20, II, da
CF/1988, as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das
fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à
preservação ambiental, definidas em lei (em regra, as terras devolutas
pertencem aos Estados, salvo nas hipóteses previstas neste inciso). Assertiva
incorreta.
Item III – Os institutos citados não são modos de formação do
patrimônio público. A encampação nada mais é do que uma das formas de
retomada do serviço público pela Administração Pública; a investidura é
instrumento de direito púbico utilizado pelo Poder Público para alienar bens; por
último, tombamento é uma das espécies de intervenção na propriedade
privada com a finalidade de conservar o patrimônio histórico. Assertiva
incorreta.
Item IV – A Súmula 340 do STF dispõe que “desde a vigência do Código
Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser
adquiridos por usucapião”. Assertiva correta.

Gabarito: Letra a.

09. (FCC∕Juiz do Trabalho – TRT 6ª Região∕2014) Paulo, proprietário de


terreno lindeiro a uma área abandonada de titularidade da União,
passou a ocupar e exercer a vigilância da referida área, sem sofrer
qualquer oposição da União. Considerando o regime jurídico dos bens
públicos, Paulo.
a) não poderá usucapir a área, haja vista a impossibilidade de oneração
dos bens públicos, que só pode ser afastada por lei específica.
b) poderá usucapir a área, observados os prazos e requisitos legais,
desde que a mesma não esteja afetada a finalidade pública específica.
c) poderá usucapir a área, mediante o instituto da in- vestidura, se
comprovado que o terreno é inaproveitável.

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d) não poderá usucapir a área, haja vista a imprescritibilidade dos bens


públicos, seja qual for a sua natureza.
e) somente poderá usucapir a área se a mesma for remanescente de
desapropriação ou de obra pública e não comportar, isoladamente,
aproveitamento para edificação urbana.

Comentários
Apesar de existir expressa disposição legal assegurando a aquisição da
propriedade através da usucapião, tal regra não se aplica aos bens públicos,
pois o art.182, § 3º, da CF/1988, é claro ao afirmar que “os imóveis públicos
não serão adquiridos por usucapião”.
A imprescritibilidade não se restringe aos bens de uso comum do povo e
aos bens de uso especial, abrangendo, também, os bens dominicais. Aliás, esse
é o teor da súmula 340 do Supremo Tribunal Federal: “Desde a vigência do
Código Civil, os bens dominicais, como os demais bens públicos, não podem ser
adquiridos por usucapião".
A ocupação irregular de bem público, ainda que dominical, não passa de
mera detenção, caso em que se afigura inadmissível o pleito de proteção
possessória contra ente público9.

Gabarito: letra d.

10. (Analista Judiciário/TRE PI 2009/FCC) São bens da União


(A) as ilhas fluviais e lacustres em zonas Municipais.
(B) os lagos que banhem um Estado.
(C) as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras.
(D) os potenciais de energia solar.
(E) os recursos minerais, exceto os do subsolo.
Comentários
Os bens integrantes do patrimônio da União estão arrolados no art. 20 da
CF/88. Em seu inciso II, por exemplo, consta expressamente que “as terras
devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções
militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental,
definidas em lei”, são bens da União.

GABARITO: LETRA C.

9
STJ, Recurso Especial 863.939/RJ, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 24/11/2008.

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11. (Analista Judiciário/ TRE AL 2010/FCC) Sobre os bens públicos,


considere:
I. Afetação e desafetação são institutos que dizem respeito à
destinação e utilização dos bens públicos.
II. Os bens públicos desafetados podem ser alienados porque não são
de uso comum nem de uso especial.
III. Os bens públicos afetados nunca podem ser desafetados, porque a
afetação é uma característica intrínseca do bem público.
IV. O bem público de uso especial pode ser alienado, desde que afetado
para essa finalidade.
V. A inalienabilidade é uma das características do bem público de uso
especial.
Está correto o que se afirma APENAS em

(A) I, II e V.
(B) I, IV e V.
(C) II e III.
(D) II, IV e V.
(E) III e V.
Comentários
Item I – O texto da assertiva está correto, pois afetação e desafetação
realmente são institutos que dizem respeito à destinação e utilização de bens
públicos. O professor José dos Santos Carvalho Filho explica muito bem a
diferença entre esses dois institutos.
Afirma o professor que “se um bem está sendo utilizado para determinado
fim público, seja pelo uso dos indivíduos em geral, diz-se que está afetado a
determinado fim público. Por exemplo: uma praça, como bem de uso comum do
povo, se estiver tendo sua natural utilização será considerada um bem afetado
ao fim público. Ao contrário, o bem se diz desafetado quando não está sendo
usado para qualquer fim público. Por exemplo: uma área pertencente ao
Município na qual não haja qualquer serviço administrativo é um bem
desafetado de fim público.
Item II – O Código Civil brasileiro, em seu art. 100, prevê que “os bens
públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis,
enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar”.

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Desse modo, se o bem público for desafetado, deixará de ser considerado


um bem de uso comum do povo ou de uso especial, e, portanto, poderá ser
alienado. Assertiva correta.
Item III – A afetação não é uma característica intrínseca do bem
público, que pode deixar de ser utilizado para atendimento de determinada
finalidade pública, ocorrendo, assim, a desafetação.
Isso acontece, por exemplo, quando a Administração municipal decide
desocupar um prédio, de sua propriedade, que estava sendo utilizado como
sede da Prefeitura e que não mais comporta a sua estrutura administrativa.
Nesse caso, se não houver uma afetação desse imóvel para outra finalidade
pública, ocorrerá a desafetação. Assertiva incorreta.
Item IV – A professora Maria Silvia Zanella di Pietro afirma que com
relação aos bens de uso comum e de uso especial, nenhuma lei estabelece a
possibilidade de alienação; por estarem afetados a fins públicos, estão fora do
comércio jurídico de direito privado, não podendo ser objeto de relações
jurídicas regidas pelo Direito Civil, como compra e venda, doação, permuta,
hipoteca, locação, comodato. Para serem alienados pelos métodos de
direito privado, têm de ser previamente desafetados, ou seja, passar para
a categoria de bens dominicais, pela perda de sua destinação pública. Assertiva
incorreta.
Item V – A inalienabilidade é uma característica tanto dos bens
públicos de uso especial quanto bens públicos de uso comum do povo, o que
torna a assertiva correta. Todavia, fique atento às questões de prova, pois não
é correto afirmar que a inalienabilidade seja absoluta.
GABARITO: LETRA A.

12. (Técnico Superior/PGE RJ 2009/FCC) O instrumento jurídico


adequado para a destinação de bens públicos às organizações sociais
integrantes do terceiro setor é a
(A) concessão de direito real de uso, com prévia licitação.
(B) autorização de uso, com prévia licitação.
(C) concessão de uso, sendo dispensada a licitação.
(D) permissão de uso, sendo dispensada a licitação.
(E) permuta, sendo dispensada a licitação.

Comentários

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O art. 12 da lei 9.637/98 dispõe que às organizações sociais poderão ser


destinados recursos orçamentários e bens públicos necessários ao
cumprimento do contrato de gestão. Ademais, declara ainda os bens públicos
serão destinados mediante permissão de uso, consoante cláusula expressa do
contrato de gestão, sendo dispensada a licitação.
GABARITO: LETRA D.

13. (Técnico Superior/PGE RJ 2009/FCC) Quando se afirma que o bem


público não admite a possibilidade de aquisição de seu domínio por via
de usucapião está-se referindo à hipótese de
(A) titularidade.
(B) inalienabilidade.
(C) impenhorabilidade.
(D) identificação como de uso comum.
(E) imprescritibilidade.
Comentários
A professora Maria Silvia Zanella di Pietro declara que a Constituição de
1988 proibiu qualquer tipo de usucapião de imóvel público, quer na zona
urbana (art. 183, § 3º), quer na área rural (art. 191, parágrafo único).
Ademais, destaca que o texto constitucional também não fala mais em
legitimação de posse; mas também não a proíbe, razão pela qual o instituto
continua a existir, com fundamento na legislação ordinária que a disciplina.
Para responder às questões da FCC, lembre-se sempre de que a
impossibilidade de que o bem público seja adquirido mediante usucapião é
conseqüência direta da imprescritibilidade.
GABARITO: LETRA E.

14. (Assessor Jurídico/TJ PI 2010/FCC) Analise as seguintes assertivas


acerca da utilização dos bens públicos.
I. Permissão de uso é ato negocial, unilateral, discricionário e precário
através do qual a Administração faculta ao particular a utilização de
determinado bem público, com ou sem condições, de forma gratuita ou
remunerada, por tempo certo ou indeterminado.
II. Autorização de uso é ato unilateral, discricionário e precário pelo
qual a Administração consente na prática de determinada atividade

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individual incidente sobre um bem público, visando atividades


transitórias e irrelevantes para o Poder Público.
III. Cessão de uso é a transferência gratuita da posse de um bem
público de uma entidade ou órgão para outro, a fim de que o
cessionário o utilize nas condições estabelecidas no respectivo termo,
por tempo certo ou indeterminado.
IV. Concessão de uso é contrato administrativo pelo qual a
Administração atribui a utilização exclusiva de um bem de seu domínio
a particular, sempre de forma remunerada, para que explore segundo
sua destinação específica, por tempo certo ou indeterminado, mas
sempre precedido de autorização legal e, normalmente, de licitação.
Está correto o que se afirma APENAS em
(A) I e II.
(B) I e III.
(C) III e IV.
(D) I, II e III.
(E) I, III e IV.
Comentários

Item I – O texto da assertiva está correto, pois simplesmente reproduziu


o conceito de permissão de uso formulado pelo professor Hely Lopes
Meirelles.
A professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro apresenta conceito
semelhante, ao afirmar que “permissão de uso” é ato administrativo
unilateral, discricionário e precário, gratuito ou oneroso, pelo qual a
Administração Pública faculta a utilização privativa de bens públicos de
quaisquer espécies, para fins de interesse público.
Item II – O conceito apresentado no texto da assertiva também reflete o
entendimento do professor Hely Lopes Meirelles, que ainda destaca que a
autorização de uso não tem forma nem requisitos especiais para sua
efetivação, pois visa apenas a atividades transitórias e irrelevantes para o Poder
Público, bastando que se consubstancie em ato escrito, revogável
sumariamente a qualquer tempo e sem ônus para a Administração. Assertiva
correta.
Item III – A cessão de uso nada mais é do que um ato de
colaboração entre entidades públicas, através da qual uma entidade que
possui bens desnecessários às suas atividades, cede a outra que precisa deles.
Assertiva correta.

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Item IV – A professora Maria Sylvia Zanella di Pietro define a concessão


de uso como um contrato administrativo pelo qual a Administração Pública
faculta ao particular a utilização privativa de bem público, para que a exerça
conforme a sua destinação. Sua natureza é a de contrato de direito público,
sinalagmático, oneroso ou gratuito, comutativo e realizado intuitu personae.
Diante do conceito apresentado pela professora, constata-se que o texto
da assertiva está incorreto, pois afirmou que a concessão de uso deve sempre
ocorrer de forma remunerada, o que não é verdade.
GABARITO: LETRA D.

15. (Analista do Ministério Público/MPE SE 2009/FCC) A


imprescritibilidade dos bens públicos implica a
(A) continuidade de sua sujeição ao regime de direito público, mesmo
se cedidos a particulares.
(B) necessidade de autorização legislativa para sua alienação.
(C) insuscetibilidade de o proprietário perder o domínio, em razão de
usucapião.
(D) impossibilidade de recuperação de sua posse por meio de
reintegração liminar.
(E) perenidade de sua existência no tempo.
Comentários
Os bens públicos possuem quatro características básicas que são muito
cobradas em provas de concursos, a saber: inalienabilidade, impenhorabilidade,
imprescritibilidade e não-onerabilidade.
A inalienabilidade impõe a proibição de que os bens públicos sejam
alienados enquanto estiverem afetos a uma finalidade pública. Alguns autores
afirmam que a expressão “inalienabilidade” não é tecnicamente correta e
precisa, pois, a princípio, alguns bens públicos podem ser alienados, desde que
obedecidas as condições previstas em lei. Sendo assim, sugerem a utilização da
expressão “alienabilidade condicionada”, em substituição à expressão
“impenhorabilidade”. Esse é o posicionamento do professor José dos Santos
Carvalho Filho, por exemplo.
De outro lado, a impenhorabilidade impede que bens públicos, de
titularidade das entidades regidas pelo direito público, sejam penhorados para
pagamento de débitos provenientes de decisões judiciais proferidas em
desfavor dessas entidades. Isso porque o art. 100 da CF/88 determina que, em
regra, os débitos provenientes de decisões judiciais desfavoráveis à Fazenda
Pública sejam pagos através do regime de precatórios.

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Outra importante característica que deve ser destacada é a


imprescritibilidade, que assegura a impossibilidade de que os bens públicos
sejam adquiridos mediante usucapião, independentemente da categoria a que
pertençam. Desse modo, mesmo que um particular tenha a posse de um bem
público há mais de cinqüenta anos, por exemplo, não poderá adquirir o domínio
de tal bem, diferentemente do que ocorre em relação aos bens privados.
Por último, lembre-se ainda de que os bens públicos não podem ser
objeto de garantia real, isto é, não podem ser oferecidos como garantia ao
credor no caso de contratação de um empréstimo, por exemplo. A essa
característica dá-se o nome de não-onerabilidade.
GABARITO: LETRA C.

16. (Auditor Fiscal – RFB∕2012) A coluna I traz características


fundamentais dos diversos meios de intervenção do Estado na
propriedade. A coluna II relaciona o nomen iuris de cada um desses
institutos.
Correlacione as colunas e, ao final, assinale a opção que apresenta a
sequência correta para a coluna II.
COLUNA I COLUNA II
(1) Ônus real incidente sobre imóvel alheio ( ) Requisição
para permitir utilização pública.
(2) Direito pessoal da Administração Pública ( ) Ocupação temporária
que, diante de um perigo iminente, de forma
transitória, pode utilizar-se de bens móveis,
imóveis ou serviços.
(3) Intervenção pela qual o Poder Público usa ( ) Servidão administrativa
transitoriamente imóveis privados como meio
de apoio à execução de obras e serviços
públicos.
(4) Restrição geral imposta ( ) Limitações administrativas
indeterminadamente às propriedades
particulares em benefício da coletividade.

a) 1, 3, 2, 4
b) 2, 3, 4, 1
c) 3, 2, 1, 4
d) 4, 3, 1, 2
e) 2, 3, 1, 4

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Comentários
Requisição: foi mencionada no item 2 da “Coluna I”. A propósito,
destaca-se que a requisição administrativa está prevista no inciso XXV,
artigo 5º, da CF∕1988, segundo a qual, “no caso de iminente perigo público, a
autoridade competente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao
proprietário indenização ulterior, se houver dano”.
Ocupação temporária: o conceito foi apresentado no item 3 da “Coluna
I”. Trata-se de ato administrativo unilateral que permite a utilização
transitória, remunerada ou gratuita de imóveis de particulares pelo Estado,
com o objetivo de satisfazer as necessidades administrativas rotineiras, a
exemplo do apoio na execução de obras, serviços ou atividades de interesse
público.
Servidão administrativa: consta no item 1 da “Coluna I”. Pode ser
definida como o ônus real de uso imposto pela Administração à propriedade
particular para assegurar a realização e a conservação de obras e serviços
públicos ou de utilidade pública, mediante indenização dos prejuízos
efetivamente suportados pelo proprietário.
Limitações administrativas: consta no item 4 da “Coluna I”. A
propósito, podem ser definidas como determinações de caráter geral,
unilaterais e gratuitas, através das quais o Estado impõe a proprietários
indeterminados o condicionamento de atividades e direitos, com fundamento na
supremacia do interesse público sobre o privado.
Gabarito: Letra e.

17. (FCC∕Procurador – MANAUSPREV∕2015) A empresa estatal


delegatária dos serviços de transporte metroviário está executando
obras de prolongamento de uma das linhas urbanas. Durante a fase de
execução de obras, além das áreas que serão efetivamente utilizadas
pelo modal de transporte, são necessários canteiros de obras.
Considerando que esses canteiros de obras perdem sua utilidade após a
conclusão das obras, o instrumento mais adequado para ser utilizado
pelo Poder Público para essa finalidade é a
a) limitação administrativa, que obriga os proprietários a
disponibilizarem, gratuitamente, seus terrenos para viabilizar obras
públicas essenciais.
b) requisição administrativa, que obriga os proprietários a
disponibilizarem, gratuitamente e por tempo indeterminado, seus
terrenos para dar suporte a áreas públicas.

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c) desapropriação, pois é facultado, ao término das obras, oferecer a


área utilizada para ser adquirida pelo expropriado com sensível
desconto no valor de mercado.
d) ocupação temporária, que permite a utilização dos terrenos
mediante pagamento de indenização compatível com o tempo em que
vigorar a restrição.
e) servidão administrativa, que se consubstancia em restrição à
propriedade, permitindo que o proprietário continue utilizando a área.
Comentários
A ocupação temporária é ato administrativo unilateral que permite a
utilização transitória, remunerada ou gratuita de imóveis de particulares
pelo Estado, com o objetivo de satisfazer as necessidades administrativas
rotineiras, a exemplo do apoio na execução de obras, serviços ou atividades de
interesse público.
Gabarito: Letra d.

18. (FCC∕Analista – CNMP∕2015) O proprietário de um imóvel vizinho a


edifício tombado em razão de seu valor histórico pretende construir
mais um pavimento, o que, contudo, impedirá a visibilidade do bem
tombado. De acordo com a legislação federal que rege a matéria, esse
proprietário
a) não poderá realizar a obra, sem prévia autorização do Serviço do
Patrimônio Artístico e Histórico Nacional, sob pena de ser mandada
remover a obra, sem prejuízo de eventual imposição de multa.
b) não possui qualquer impedimento para edificar, salvo se instituída
servidão administrativa sobre seu imóvel.
c) somente estará impedido de realizar a obra na hipótese de seu
imóvel também ser tombado.
d) terá direito a indenização por desapropriação indireta, na hipótese
de ser impedido de realizar a obra pretendida.
e) somente estará impedido de realizar a obra se o seu imóvel for
declarado acessório no processo de tombamento do imóvel vizinho, de
acordo com os limites de tal declaração.

Comentários
É possível concluir que o tombamento tem por objetivo conservar a coisa
reputada de valor histórico e artístico, com a sua fisionomia e característica. Por
outro lado, visa também assegurar a fruição cultural do bem pela
coletividade.

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É interessante destacar os efeitos gerados pelo tombamento após o


respectivo registro no Ofício de Registro de Imóveis, conforme nos informam os
professores Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino:
a) é vedado ao proprietário, ou ao titular de eventual direito de uso,
destruir, demolir ou mutilar o bem tombado;
b) o proprietário somente poderá reparar, pintar ou restaurar o bem após
a devida autorização do Poder Público;
c) o proprietário deverá conservar o bem tombado para mantê-lo dentro
de suas características culturais; para isso, se não dispuser de recursos
para proceder a obras de conservação e restauração, deverá
necessariamente comunicar o fato ao órgão que decretou o tombamento,
o qual poderá mandar executá-las a suas expensas;
d) independentemente de solicitação do proprietário, pode o Poder
Público, no caso de urgência, tomar a iniciativa de providenciar as obras
de conservação;
e) no caso de alienação do bem tombado, o Poder Público tem direito de
preferência; antes de alienar o bem tombado, deve o proprietário notificar
a União, o Estado e o Município onde se situe, para exercerem, dentro de
trinta dias, seu direito de preferência; caso não seja observado o direito
de preferência, será nula a alienação, ficando autorizado o Poder Público a
sequestrar o bem e impor ao proprietário e ao adquirente multa de 20%
(vinte por cento) do valor do contrato;
f) o tombamento do bem não impede o proprietário de gravá-lo por meio
de penhor, anticrese ou hipoteca;
g) não há obrigatoriedade de o Poder Público indenizar o proprietário do
imóvel no caso de tombamento.
Por último, destaca-se que o art. 18 do Decreto Federal 25/37 dispõe
expressamente que “sem prévia autorização do Serviço do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional, não se poderá, na vizinhança da coisa tombada, fazer
construção que lhe impeça ou reduza a visibilidade, nem nela colocar anúncios
ou cartazes, sob pena de ser mandada destruir a obra ou retirar o objeto,
impondo-se neste caso a multa de cinquenta por cento do valor do mesmo
objeto”.
Gabarito: Letra a.

19. (FCC∕Analista de Controle – TCE GO∕2015) Considere as seguintes


assertivas concernentes ao tema desapropriação:

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I. O sujeito ativo da desapropriação é apenas aquela pessoa jurídica


que pode submeter o bem à força expropriatória, o que se faz pela
declaração de utilidade pública ou de interesse social.
II. Os concessionários de serviços públicos poderão promover
desapropriações (fase executória) mediante autorização expressa
constante de lei ou contrato.
III. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) dispõe do poder de
declarar de utilidade pública determinadas áreas necessárias à
implantação de instalações de concessionários, permissionários e
autorizados de energia elétrica.
IV. Os estabelecimentos de caráter público ou que exerçam funções
delegadas de poder público não poderão promover desapropriações
(fase executória).
Está correto o que consta APENAS em
a) I e II.
b) I, II e III.
c) I, II e IV.
d) II e IV.
e) III e IV.

Comentários
Item I - Todos os entes federados (União, Estados, Municípios e Distrito
Federal) possuem competência para valorar os casos de interesse social ou
utilidade pública que justifiquem a desapropriação. Entretanto, é necessário
destacar que é de competência privativa da União a desapropriação por
interesse social para fins de reforma agrária (artigo 184 da CF/88). Assertiva
correta.
Item II - Neste caso, trata-se da competência para promover
efetivamente a desapropriação, providenciando todas as medidas e executando
as atividades que culminarão na transferência da propriedade. Além da União,
Estados, DF, Municípios e suas respectivas entidades integrantes da
Administração Indireta, também podem executar a desapropriação as
concessionárias e as permissionárias de serviços públicos, sendo-lhes
reservadas todas as prerrogativas, direitos, obrigações, deveres e respectivos
ônus, inclusive o relativo ao pagamento da indenização. Assertiva correta.

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Item III - A Lei 9.074/95, em seu art. 10, dispõe que cabe à Agência
Nacional de Energia Elétrica - ANEEL, declarar a utilidade pública, para fins de
desapropriação ou instituição de servidão administrativa, das áreas necessárias
à implantação de instalações de concessionários, permissionários e autorizados
de energia elétrica.
É importante esclarecer que, em regra, a competência declaratória
restringe-se aos entes federados. Todavia, existem duas exceções, conforme o
mencionado na Lei 9.074/1995 e, também, no art. 82 da Lei 10.233/01, ao
dispor que são atribuições do DNIT “declarar a utilidade pública de bens e
propriedades a serem desapropriados para implantação do Sistema Federal de
Viação”. Assertiva correta.
Item IV - Além da União, Estados, DF, Municípios e suas respectivas
entidades integrantes da Administração Indireta, também podem executar a
desapropriação as concessionárias e as permissionárias de serviços públicos,
sendo-lhes reservadas todas as prerrogativas, direitos, obrigações, deveres e
respectivos ônus, inclusive o relativo ao pagamento da indenização.
Gabarito: Letra b.

20. (FCC∕Analista de Controle – TCE GO∕2015) Considere as seguintes


assertivas:
I. O espaço aéreo e o subsolo também podem ser objeto de
desapropriação, quando da utilização do bem puder resultar prejuízo
patrimonial ao proprietário.
II. Determinados bens são inexpropriáveis; é o caso, por exemplo, dos
direitos personalíssimos, como o direito pessoal do autor.
III. Os bens do domínio dos Estados podem ser desapropriados pela
União Federal e os dos Municípios, pelos Estados.
IV. Os bens móveis, bem como os incorpóreos não são passíveis de
desapropriação.
A propósito dos bens suscetíveis de desapropriação, está correto o que
consta APENAS em
a) III.
b) II e IV.
c) I e III.
d) I, II e IV.
e) I, II e III.

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Comentários
Item I – É o que consta no art. 2º, §1º, do Decreto-Lei nº 3.365/41.
Assertiva correta.
Item II - Existem alguns bens que não podem ser desapropriados
(expropriados), conforme previsão legal, a exemplo dos bens e direitos
personalíssimos, como a honra, a liberdade, os títulos profissionais
(advogado, médico, professor etc.) e os títulos honoríficos (Medalha dos
Inconfidentes, Cidadão Honorário etc.). Não se permite também a
desapropriação da moeda corrente, já que ela é o próprio instrumento de
pagamento do bem desapropriado. Assertiva correta.
Item III - Os bens públicos podem ser objeto de desapropriação pelas
entidades estatais superiores, desde que haja autorização legislativa para o ato
expropriatório e seja observada a hierarquia política entre estas entidades.
Assim, a União pode desapropriar bens dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios; os Estados podem desapropriar bens dos Municípios; os bens da
União não são passíveis de expropriação; os Municípios e o Distrito Federal não
têm poder de desapropriar os bens das demais entidades federativas.
Da mesma forma, há vedação em relação a Estados e Municípios, uns em
face dos outros. Por exemplo: um Estado não pode desapropriar bens de outros
Estados; o Estado não pode desapropriar bem de Município situado em Estado
diverso, tampouco podem os Municípios desapropriar bens de outros Municípios.
Assertiva correta.
Item IV - Em regra, todo bem pode ser desapropriado, desde que
atenda aos pressupostos de utilidade pública ou interesse social, seja ele móvel
ou imóvel, corpóreo ou incorpóreo. Assertiva incorreta.

Gabarito: Letra e.

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RELAÇÃO DE QUESTÕES COMENTADAS – COM GABARITO

01. (FCC∕Juiz Substituto – TJ PE∕2015) Observe as seguintes


características, atribuíveis a determinados bens públicos:
I. pertencem ao domínio do Município ou do Distrito Federal, se
localizado(a)s nas respectivas circunscrições, incorporando-se ao
domínio da União quando situado(a)s em território federal.
II. são de titularidade da União, assegurada, nos termos da lei, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios participação no resultado
de sua exploração.
III. pertencem aos Estados, salvo se, por algum título, forem do
domínio federal, municipal ou particular.
As descrições I, II e III correspondem, correta e respectivamente, aos
seguintes bens:
a) terrenos de marinha e acrescidos - cavidades naturais subterrâneas
e os sítios arqueológicos e pré-históricos - os recursos naturais da
plataforma continental e da zona econômica exclusiva.
b) bens arrecadados de herança vacante - recursos minerais e
potenciais de energia hidráulica - terrenos reservados às margens das
correntes e lagos navegáveis.
c) águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em
depósito - terras tradicionalmente ocupadas pelos índios - terras
devolutas indispensáveis à preservação ambiental.
d) cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-
históricos - terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras -
recursos minerais e potenciais de energia hidráulica
e) recursos minerais e potenciais de energia elétrica - terras devolutas
indispensáveis à defesa das vias federais de comunicação - terrenos
marginais.

02. (FCC∕Juiz Substituto – TJ GO∕2015) Suponha que determinada


empresa privada promotora de eventos pretenda utilizar um imóvel
público, atualmente sem destinação e cuja propriedade foi adquirida
pelo Estado por meio de adjudicação levada a efeito em processo de
execução fiscal, para a instalação de um centro de convenções com a
finalidade de realizar feiras agropecuárias. Considerando o regime
jurídico a que se sujeitam os bens públicos, a utilização do imóvel pelo
referido particular, em caráter exclusivo, poderá se dar mediante

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a) cessão de uso, que pressupõe a transferência do domínio e se dá,


necessariamente, a título oneroso.
b) permissão de uso, em caráter discricionário e precário em razão do
interesse no uso beneficiar exclusivamente o particular.
c) autorização de uso, sem prazo determinado e revogável mediante
indenização ao particular.
d) permissão qualificada, onerosa e precedida de licitação, que não
admite indenização ao particular no caso de revogação a critério da
Administração.
e) concessão de uso, precedida de licitação, com prazo determinado,
com direito do particular a indenização caso rescindida antes do termo
final.

03. (FCC∕Auditor Estadual – SEFAZ PI∕2015) Os bens públicos


classificados como dominicais
a) são os materialmente utilizados pela Administração pública para a
consecução de seus fins e realização de suas atividades.
b) podem ser usados por todos do povo, em face de sua natureza ou
por determinação legal.
c) são inalienáveis, enquanto não desafetados da função pública que
lhes foi normativamente conferida.
d) são aqueles integrantes do domínio público do Estado e, portanto,
inalienáveis.
e) integram o domínio privado do Estado, ou seja, seu patrimônio
disponível.

04. (FCC∕Procurador – TCM GO∕2015) Durante o curso de uma ação de


execução de título extrajudicial ajuizada por uma empresa particular
em face de uma sociedade de economia mista, foi identificado um
terreno localizado às margens de uma rodovia, pertencente à estatal e
desocupado de pessoas, construções e coisas. A empresa credora
requereu a penhora do bem para garantia do crédito, com intenção de
levar o bem à hasta pública caso perdurasse a inadimplência da estatal.
O requerimento
a) pode ser deferido, porque se trata de bem de natureza privada e
presume-se desafetado, porque desocupado, facultado à empresa
estatal a comprovação de eventual afetação do bem à prestação de
serviço público para pleitear a suposta impenhorabilidade.
b) não pode ser penhorado, em razão do domínio pertencer à empresa
estatal, mas pode ser adjudicado pelo credor, mantida eventual
afetação à prestação de serviço público.

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c) não pode ser deferido, tendo em vista que os bens imóveis que
compõem o patrimônio das empresas estatais são protegidos pelo
regime jurídico de direito público, sendo, portanto, impenhoráveis.
d) pode ser deferido apenas para fins de garantia do crédito, decidindo-
se pela penhora e bloqueio do bem, vedada, no entanto, a alienação
judicial do imóvel.
e) não pode ser deferido porque todos os bens das estatais são
tacitamente afetados à prestação de serviço público, cuja
essencialidade impede a disposição judicial do imóvel.

05. (FCC∕Juiz Substituto – TJ CE∕2014) Acerca dos bens públicos, é


correto afirmar:
a) A imprescritibilidade é característica dos bens públicos de uso
comum e de uso especial, sendo usucapíveis os bens pertencentes ao
patrimônio disponível das entidades de direito público.
b) As terras devolutas indispensáveis à preservação ambiental
constituem, nos termos do art. 225, caput, da Constituição Federal,
bem de uso comum do povo.
c) Os bens pertencentes aos Conselhos Federais e Regionais de
Fiscalização são bens públicos, insuscetíveis de constrição judicial para
pagamentos de dívidas dessas entidades.
d) Os bens das representações diplomáticas dos Estados estrangeiros e
de Organismos Internacionais são considerados bens públicos, para
fins de proteção legal.
e) Os imóveis pertencentes à Petrobrás, sociedade de economia mista
federal, são considerados bens públicos, desde que situados no
Território Nacional.

06. (FCC∕Juiz do Trabalho – TRT 18ª Região∕2014) No tocante ao


regime legal dos bens das entidades pertencentes à Administração
pública, é correto afirmar:
a) Os bens pertencentes a autarquia são impenhoráveis, mesmo para
satisfação de obrigações decorrentes de contrato de trabalho regido
pela Consolidação da Legislação Trabalhista.
b) Os bens pertencentes às entidades da Administração indireta são
bens privados e, portanto, passíveis de penhora.
c) A imprescritibilidade é característica que se aplica tão somente aos
bens públicos de uso comum e especial, não atingindo os bens
dominicais.

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d) Em face da não aplicação do art. 730 do Código de Processo Civil às


lides trabalhistas, os bens públicos podem ser penhorados para
satisfação de débitos reconhecidos pela Justiça Laboral.
e) A regra da imprescritibilidade dos bens públicos, por ter origem
legal, não se aplica ao instituto da usucapião especial urbana, de status
constitucional.

07. (FCC∕Analista Legislativo – ALEPE∕2014) Uma empresa privada


solicitou autorização ao Estado para utilizar imóvel público consistente
em um antigo centro de exposições agropecuárias desativado,
objetivando reformá-lo e recolocá-lo em operação conforme sua
destinação original. Considerando o regime jurídico dos bens públicos,
a) a utilização do imóvel ao particular somente é possível mediante
contrato de arrendamento.
b) o Estado poderá outorgar permissão de uso, a título precário, desde
que mediante prévia autorização legislativa.
c) o Estado somente poderá autorizar a utilização do imóvel pelo
particular se o mesmo for desafetado.
d) é possível a outorga de autorização de uso do imóvel, porém não em
caráter privativo.
e) o Estado poderá outorgar concessão de uso, por prazo determinado,
mediante licitação.

08. (FCC∕Procurador – Prefeitura do Recife∕2014) Considere os itens a


seguir, sobre bens públicos:
I. Com a EC no 46/2005, pacificou-se dúvida quanto à titularidade das
ilhas costeiras e fluviais que contêm sede de Municípios, passando-se a
atribuí-la expressamente aos municípios respectivos
II. Por disposição constitucional, as terras devolutas não
compreendidas entre as da União ou dos Estados incluem-se entre os
bens do Município.
III. A encampação, a investidura e o tombamento são modos de
formação do patrimônio público.
IV. É defeso pelo ordenamento jurídico usucapião de bens públicos
dominicais.
Está correto o que consta APENAS em

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a) IV.
b) I
c) II e III.
d) II e IV.
e) I, II e III.

09. (FCC∕Juiz do Trabalho – TRT 6ª Região∕2014) Paulo, proprietário de


terreno lindeiro a uma área abandonada de titularidade da União,
passou a ocupar e exercer a vigilância da referida área, sem sofrer
qualquer oposição da União. Considerando o regime jurídico dos bens
públicos, Paulo.
a) não poderá usucapir a área, haja vista a impossibilidade de oneração
dos bens públicos, que só pode ser afastada por lei específica.
b) poderá usucapir a área, observados os prazos e requisitos legais,
desde que a mesma não esteja afetada a finalidade pública específica.
c) poderá usucapir a área, mediante o instituto da in- vestidura, se
comprovado que o terreno é inaproveitável.
d) não poderá usucapir a área, haja vista a imprescritibilidade dos bens
públicos, seja qual for a sua natureza.
e) somente poderá usucapir a área se a mesma for remanescente de
desapropriação ou de obra pública e não comportar, isoladamente,
aproveitamento para edificação urbana.

10. (Analista Judiciário/TRE PI 2009/FCC) São bens da União


(A) as ilhas fluviais e lacustres em zonas Municipais.
(B) os lagos que banhem um Estado.
(C) as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras.
(D) os potenciais de energia solar.
(E) os recursos minerais, exceto os do subsolo.

11. (Analista Judiciário/ TRE AL 2010/FCC) Sobre os bens públicos,


considere:
I. Afetação e desafetação são institutos que dizem respeito à
destinação e utilização dos bens públicos.
II. Os bens públicos desafetados podem ser alienados porque não são
de uso comum nem de uso especial.
III. Os bens públicos afetados nunca podem ser desafetados, porque a
afetação é uma característica intrínseca do bem público.

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IV. O bem público de uso especial pode ser alienado, desde que afetado
para essa finalidade.
V. A inalienabilidade é uma das características do bem público de uso
especial.
Está correto o que se afirma APENAS em
(A) I, II e V.
(B) I, IV e V.
(C) II e III.
(D) II, IV e V.
(E) III e V.

12. (Técnico Superior/PGE RJ 2009/FCC) O instrumento jurídico


adequado para a destinação de bens públicos às organizações sociais
integrantes do terceiro setor é a
(A) concessão de direito real de uso, com prévia licitação.
(B) autorização de uso, com prévia licitação.
(C) concessão de uso, sendo dispensada a licitação.
(D) permissão de uso, sendo dispensada a licitação.
(E) permuta, sendo dispensada a licitação.

13. (Técnico Superior/PGE RJ 2009/FCC) Quando se afirma que o bem


público não admite a possibilidade de aquisição de seu domínio por via
de usucapião está-se referindo à hipótese de
(A) titularidade.
(B) inalienabilidade.
(C) impenhorabilidade.
(D) identificação como de uso comum.
(E) imprescritibilidade.

14. (Assessor Jurídico/TJ PI 2010/FCC) Analise as seguintes assertivas


acerca da utilização dos bens públicos.
I. Permissão de uso é ato negocial, unilateral, discricionário e precário
através do qual a Administração faculta ao particular a utilização de
determinado bem público, com ou sem condições, de forma gratuita ou
remunerada, por tempo certo ou indeterminado.

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II. Autorização de uso é ato unilateral, discricionário e precário pelo


qual a Administração consente na prática de determinada atividade
individual incidente sobre um bem público, visando atividades
transitórias e irrelevantes para o Poder Público.
III. Cessão de uso é a transferência gratuita da posse de um bem
público de uma entidade ou órgão para outro, a fim de que o
cessionário o utilize nas condições estabelecidas no respectivo termo,
por tempo certo ou indeterminado.
IV. Concessão de uso é contrato administrativo pelo qual a
Administração atribui a utilização exclusiva de um bem de seu domínio
a particular, sempre de forma remunerada, para que explore segundo
sua destinação específica, por tempo certo ou indeterminado, mas
sempre precedido de autorização legal e, normalmente, de licitação.
Está correto o que se afirma APENAS em
(A) I e II.
(B) I e III.
(C) III e IV.
(D) I, II e III.
(E) I, III e IV.

15. (Analista do Ministério Público/MPE SE 2009/FCC) A


imprescritibilidade dos bens públicos implica a
(A) continuidade de sua sujeição ao regime de direito público, mesmo
se cedidos a particulares.
(B) necessidade de autorização legislativa para sua alienação.
(C) insuscetibilidade de o proprietário perder o domínio, em razão de
usucapião.
(D) impossibilidade de recuperação de sua posse por meio de
reintegração liminar.
(E) perenidade de sua existência no tempo.

16. (Auditor Fiscal – RFB∕2012) A coluna I traz características


fundamentais dos diversos meios de intervenção do Estado na
propriedade. A coluna II relaciona o nomen iuris de cada um desses
institutos.
Correlacione as colunas e, ao final, assinale a opção que apresenta a
sequência correta para a coluna II.

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COLUNA I COLUNA II
(1) Ônus real incidente sobre imóvel alheio ( ) Requisição
para permitir utilização pública.
(2) Direito pessoal da Administração Pública ( ) Ocupação temporária
que, diante de um perigo iminente, de forma
transitória, pode utilizar-se de bens móveis,
imóveis ou serviços.
(3) Intervenção pela qual o Poder Público usa ( ) Servidão administrativa
transitoriamente imóveis privados como meio
de apoio à execução de obras e serviços
públicos.
(4) Restrição geral imposta ( ) Limitações administrativas
indeterminadamente às propriedades
particulares em benefício da coletividade.

a) 1, 3, 2, 4
b) 2, 3, 4, 1
c) 3, 2, 1, 4
d) 4, 3, 1, 2
e) 2, 3, 1, 4

17. (FCC∕Procurador – MANAUSPREV∕2015) A empresa estatal


delegatária dos serviços de transporte metroviário está executando
obras de prolongamento de uma das linhas urbanas. Durante a fase de
execução de obras, além das áreas que serão efetivamente utilizadas
pelo modal de transporte, são necessários canteiros de obras.
Considerando que esses canteiros de obras perdem sua utilidade após a
conclusão das obras, o instrumento mais adequado para ser utilizado
pelo Poder Público para essa finalidade é a
a) limitação administrativa, que obriga os proprietários a
disponibilizarem, gratuitamente, seus terrenos para viabilizar obras
públicas essenciais.
b) requisição administrativa, que obriga os proprietários a
disponibilizarem, gratuitamente e por tempo indeterminado, seus
terrenos para dar suporte a áreas públicas.
c) desapropriação, pois é facultado, ao término das obras, oferecer a
área utilizada para ser adquirida pelo expropriado com sensível
desconto no valor de mercado.
d) ocupação temporária, que permite a utilização dos terrenos
mediante pagamento de indenização compatível com o tempo em que
vigorar a restrição.
e) servidão administrativa, que se consubstancia em restrição à
propriedade, permitindo que o proprietário continue utilizando a área.

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18. (FCC∕Analista – CNMP∕2015) O proprietário de um imóvel vizinho a


edifício tombado em razão de seu valor histórico pretende construir
mais um pavimento, o que, contudo, impedirá a visibilidade do bem
tombado. De acordo com a legislação federal que rege a matéria, esse
proprietário
a) não poderá realizar a obra, sem prévia autorização do Serviço do
Patrimônio Artístico e Histórico Nacional, sob pena de ser mandada
remover a obra, sem prejuízo de eventual imposição de multa.
b) não possui qualquer impedimento para edificar, salvo se instituída
servidão administrativa sobre seu imóvel.
c) somente estará impedido de realizar a obra na hipótese de seu
imóvel também ser tombado.
d) terá direito a indenização por desapropriação indireta, na hipótese
de ser impedido de realizar a obra pretendida.
e) somente estará impedido de realizar a obra se o seu imóvel for
declarado acessório no processo de tombamento do imóvel vizinho, de
acordo com os limites de tal declaração.

19. (FCC∕Analista de Controle – TCE GO∕2015) Considere as seguintes


assertivas concernentes ao tema desapropriação:
I. O sujeito ativo da desapropriação é apenas aquela pessoa jurídica
que pode submeter o bem à força expropriatória, o que se faz pela
declaração de utilidade pública ou de interesse social.
II. Os concessionários de serviços públicos poderão promover
desapropriações (fase executória) mediante autorização expressa
constante de lei ou contrato.
III. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) dispõe do poder de
declarar de utilidade pública determinadas áreas necessárias à
implantação de instalações de concessionários, permissionários e
autorizados de energia elétrica.
IV. Os estabelecimentos de caráter público ou que exerçam funções
delegadas de poder público não poderão promover desapropriações
(fase executória).
Está correto o que consta APENAS em
a) I e II.
b) I, II e III.
c) I, II e IV.
d) II e IV.
e) III e IV.

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20. (FCC∕Analista de Controle – TCE GO∕2015) Considere as seguintes


assertivas:
I. O espaço aéreo e o subsolo também podem ser objeto de
desapropriação, quando da utilização do bem puder resultar prejuízo
patrimonial ao proprietário.
II. Determinados bens são inexpropriáveis; é o caso, por exemplo, dos
direitos personalíssimos, como o direito pessoal do autor.
III. Os bens do domínio dos Estados podem ser desapropriados pela
União Federal e os dos Municípios, pelos Estados.
IV. Os bens móveis, bem como os incorpóreos não são passíveis de
desapropriação.
A propósito dos bens suscetíveis de desapropriação, está correto o que
consta APENAS em
a) III.
b) II e IV.
c) I e III.
d) I, II e IV.
e) I, II e III.

GABARITO

01.B 02.E 03.E 04.A 05.C 06.A 07.E 08.A

09.D 10.C 11.A 12.D 13.E 14.D 15.C 16.E

17.D 18.A 19.B 20.E

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LEI DE ACESSO À INFORMAÇÃO PÚBLICA – LEI 12.527∕11

1. Alcance da Lei 12.527/2011


A lei de acesso à informação pública não se restringe à esfera federal,
alcançando também os Estados, Distrito Federal e Municípios, assim como
os seus respectivos órgãos e entidades.
Para responder às questões de prova, lembre-se sempre de que estão
subordinados ao teor da citada lei:
I - os órgãos públicos integrantes da administração direta dos Poderes
Executivo, Legislativo, incluindo as Cortes de Contas, e Judiciário e do
Ministério Público;
II - as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as
sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou
indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
E não para por aí!
Os dispositivos da lei 12.527/2011 também podem alcançar às entidades
privadas sem fins lucrativos que recebam, para realização de ações de
interesse público, recursos públicos diretamente do orçamento ou mediante
subvenções sociais, contrato de gestão, termo de parceria, convênios, acordo,
ajustes ou outros instrumentos congêneres.
Todavia, a publicidade restringe-se apenas à parcela dos recursos
públicos recebidos e à sua destinação, sem prejuízo das prestações de contas
a que estejam legalmente obrigadas. Assim, se determinada entidade recebeu
R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) em recursos financeiros no mês de
agosto, sendo R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) provenientes de recursos
públicos e R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) doados por particulares, somente
estará obrigada a tornar pública a movimentação e destinação do primeiro
valor.
No concurso público para o cargo de Técnico Federal de Controle
Externo do TCU, cujas provas foram aplicadas em 02/09/2012, o CESPE
elaborou uma assertiva que acabou confundindo muitos candidatos,
vejamos:

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A respeito das disposições da Lei n.º 12.527/2011 (Lei de Acesso à


Informação), julgue os itens seguintes.
As entidades privadas sem fins lucrativos que recebam recursos
públicos diretamente do orçamento ou mediante subvenções sociais,
contrato de gestão, termo de parceria, convênios, acordo, ajustes ou
outros instrumentos congêneres estão obrigadas a divulgar o montante
e a destinação de todos os recursos que movimentam, uma vez que
estão sujeitas às disposições da referida lei.

No gabarito preliminar, a assertiva foi considerada incorreta pela banca,


fato que causou descontentamento em muitos candidatos que erraram a
questão. Todavia, perceba que existe uma “pegadinha” em seu texto.
A questão afirma que as entidades privadas sem fins lucrativos estão
obrigadas a divulgar o montante e a destinação de todos os recursos que
movimentam, o que não é verdade. Essa obrigatoriedade está limitada à
parcela de recursos públicos que recebam, por isso a assertiva não pode ser
considerada correta.

Não se sujeitam ao disposto na Lei 12.527/2011 as informações relativas à atividade


empresarial de pessoas físicas ou jurídicas de direito privado obtidas pelo Banco
Central do Brasil, pelas agências reguladoras ou por outros órgãos ou entidades no
exercício de atividade de controle, regulação e supervisão da atividade econômica cuja
divulgação possa representar vantagem competitiva a outros agentes
econômicos.Lembre-se sempre de que a finalidade é o efeito jurídico mediato
(secundário) que o ato administrativo produz.

2. Diretrizes
Os procedimentos previstos na Lei 12.527/2011 destinam-se a assegurar
o direito fundamental de acesso à informação e devem ser executados em
conformidade com os princípios básicos da administração pública e com as
seguintes diretrizes:

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I - observância da publicidade como preceito geral e do sigilo como


exceção;
II - divulgação de informações de interesse público,
independentemente de solicitações;
III - utilização de meios de comunicação viabilizados pela tecnologia da
informação;
IV - fomento ao desenvolvimento da cultura de transparência na
administração pública;
V - desenvolvimento do controle social da administração pública.

2.1. Conceitos legais


A fim de favorecer a sua interpretação e consequente aplicação prática
das diretrizes traçadas, o próprio texto legal tratou de apresentar “definições”
para expressões que são constantemente utilizadas por aqueles que precisam
acionar à Administração Pública em busca de informações:
I - informação: dados, processados ou não, que podem ser utilizados
para produção e transmissão de conhecimento, contidos em qualquer
meio, suporte ou formato;
II - documento: unidade de registro de informações, qualquer que seja
o suporte ou formato;
III - informação sigilosa: aquela submetida temporariamente à
restrição de acesso público em razão de sua imprescindibilidade
para a segurança da sociedade e do Estado;
IV - informação pessoal: aquela relacionada à pessoa natural
identificada ou identificável;
V - tratamento da informação: conjunto de ações referentes à produção,
recepção, classificação, utilização, acesso, reprodução, transporte,
transmissão, distribuição, arquivamento, armazenamento, eliminação,
avaliação, destinação ou controle da informação;
VI - disponibilidade: qualidade da informação que pode ser conhecida e
utilizada por indivíduos, equipamentos ou sistemas autorizados;
VII - autenticidade: qualidade da informação que tenha sido produzida,
expedida, recebida ou modificada por determinado indivíduo,
equipamento ou sistema;

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VIII - integridade: qualidade da informação não modificada, inclusive


quanto à origem, trânsito e destino;
IX - primariedade: qualidade da informação coletada na fonte, com o
máximo de detalhamento possível, sem modificações.

2.2. Gratuidade
É dever do Estado garantir o direito de acesso à informação, que será
franqueada, mediante procedimentos objetivos e ágeis, de forma transparente,
clara e em linguagem de fácil compreensão.
A busca e o fornecimento da informação são gratuitos, ressalvada a
cobrança do valor referente ao custo dos serviços e dos materiais utilizados,
tais como reprodução de documentos, mídias digitais e postagem.
Está isento de ressarcir os custos dos serviços e dos materiais utilizados
aquele cuja situação econômica não lhe permita fazê-lo sem prejuízo do
sustento próprio ou da família, declarada nos termos da Lei no 7.115, de 29 de
agosto de 1983.

3. Do acesso a informações e da sua divulgação


Cabe aos órgãos e entidades do poder público, observadas as normas e
procedimentos específicos aplicáveis, assegurar a:
I - gestão transparente da informação, propiciando amplo acesso a
ela e sua divulgação;
II - proteção da informação, garantindo-se sua disponibilidade,
autenticidade e integridade; e
III - proteção da informação sigilosa e da informação pessoal,
observada a sua disponibilidade, autenticidade, integridade e eventual
restrição de acesso.
O acesso à informação compreende, entre outros, os direitos de
obter:
I - orientação sobre os procedimentos para a consecução de acesso, bem
como sobre o local onde poderá ser encontrada ou obtida a informação
almejada;
II - informação contida em registros ou documentos, produzidos ou
acumulados por seus órgãos ou entidades, recolhidos ou não a arquivos
públicos;

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III - informação produzida ou custodiada por pessoa física ou entidade


privada decorrente de qualquer vínculo com seus órgãos ou entidades,
mesmo que esse vínculo já tenha cessado;
IV - informação primária, íntegra, autêntica e atualizada;
V - informação sobre atividades exercidas pelos órgãos e entidades,
inclusive as relativas à sua política, organização e serviços;
VI - informação pertinente à administração do patrimônio público,
utilização de recursos públicos, licitação, contratos administrativos; e
VII - informação relativa:
a) à implementação, acompanhamento e resultados dos
programas, projetos e ações dos órgãos e entidades públicas, bem
como metas e indicadores propostos;
b) ao resultado de inspeções, auditorias, prestações e tomadas de
contas realizadas pelos órgãos de controle interno e externo,
incluindo prestações de contas relativas a exercícios anteriores.

O acesso à informação não compreende as informações referentes a projetos de


pesquisa e desenvolvimento científicos ou tecnológicos cujo sigilo seja imprescindível à
segurança da sociedade e do Estado. Quando não for autorizado acesso integral à
informação por ser ela parcialmente sigilosa, é assegurado o acesso à parte não
sigilosa por meio de certidão, extrato ou cópia com ocultação da parte sob sigilo.

3.1. Consequências da ausência de fundamentação no


indeferimento do pedido formulado
Sempre que o interessado formular pedido de acesso a informações
mantidas por órgãos ou entidades da Administração Pública, será necessário
que a autoridade competente se manifeste expressamente, emitindo ato
administrativo através do qual fundamente a sua decisão.
Caso a autoridade decida indeferir o pedido formulado pelo interessado,
sem apresentar a respectiva fundamentação da negativa, está sujeito às
seguintes penalidades, após a observância do devido processo legal
administrativo (garantindo-se previamente o contraditório e a ampla defesa):

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I - para fins dos regulamentos disciplinares das Forças Armadas,


transgressões militares médias ou graves, segundo os critérios neles
estabelecidos, desde que não tipificadas em lei como crime ou
contravenção penal; ou
II - para fins do disposto na Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e
suas alterações, infrações administrativas, que deverão ser apenadas, no
mínimo, com suspensão, segundo os critérios nela estabelecidos.

A ausência de fundamentação no indeferimento do pedido poderá levar o


militar ou agente público a responder, também, por improbidade
administrativa, conforme o disposto nas Leis nos 1.079, de 10 de abril de
1950, e 8.429, de 2 de junho de 1992.

3.2. Extravio de informação solicitada


Caso o interessado seja comunicado sobre o extravio de seu pedido de
informação, poderá requerer à autoridade competente a imediata abertura de
sindicância para apurar o desaparecimento da respectiva documentação.
Confirmado o extravio do pedido, o responsável pela guarda da
informação extraviada deverá, no prazo de 10 (dez) dias, justificar o fato e
indicar testemunhas que comprovem sua alegação.

4. Divulgação de informações de interesse coletivo ou geral


É dever dos órgãos e entidades públicas promover, independentemente
de requerimentos, a divulgação em local de fácil acesso, no âmbito de suas
competências, de informações de interesse coletivo ou geral por eles produzidas
ou custodiadas.
Na divulgação das informações, deverão constar, no mínimo:
I - registro das competências e estrutura organizacional, endereços e
telefones das respectivas unidades e horários de atendimento ao público;
II - registros de quaisquer repasses ou transferências de recursos
financeiros;
III - registros das despesas;
IV - informações concernentes a procedimentos licitatórios, inclusive os
respectivos editais e resultados, bem como a todos os contratos
celebrados;

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V - dados gerais para o acompanhamento de programas, ações, projetos


e obras de órgãos e entidades; e
VI - respostas a perguntas mais frequentes da sociedade.

Para cumprimento da obrigatoriedade de divulgação das informações, os


órgãos e entidades públicas deverão utilizar todos os meios e instrumentos
legítimos de que dispuserem, sendo obrigatória a divulgação em sítios oficiais
da rede mundial de computadores (internet).
Os sítios (sites) deverão, na forma de regulamento, atender, entre outros,
aos seguintes requisitos:
I - conter ferramenta de pesquisa de conteúdo que permita o acesso à
informação de forma objetiva, transparente, clara e em linguagem de fácil
compreensão;
II - possibilitar a gravação de relatórios em diversos formatos eletrônicos,
inclusive abertos e não proprietários, tais como planilhas e texto, de modo a
facilitar a análise das informações;
III - possibilitar o acesso automatizado por sistemas externos em formatos
abertos, estruturados e legíveis por máquina;
IV - divulgar em detalhes os formatos utilizados para estruturação da
informação;
V - garantir a autenticidade e a integridade das informações disponíveis para
acesso;
VI - manter atualizadas as informações disponíveis para acesso;
VII - indicar local e instruções que permitam ao interessado comunicar-se, por
via eletrônica ou telefônica, com o órgão ou entidade detentora do sítio; e
VIII - adotar as medidas necessárias para garantir a acessibilidade de conteúdo
para pessoas com deficiência, nos termos do art. 17 da Lei no 10.098, de 19 de
dezembro de 2000, e do art. 9º da Convenção sobre os Direitos das Pessoas
com Deficiência, aprovada pelo Decreto Legislativo no 186, de 9 de julho de
2008.

Os Municípios com população de até 10.000 (dez mil) habitantes ficam dispensados
da divulgação obrigatória na internet, mantida a obrigatoriedade de divulgação, em
tempo real, de informações relativas à execução orçamentária e financeira, nos
critérios e prazos previstos no art. 73-B da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de
2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal).

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4.1. Instrumentos de acesso a informações públicas


O acesso a informações públicas será assegurado mediante:
I - criação de serviço de informações ao cidadão, nos órgãos e
entidades do poder público, em local com condições apropriadas
para:
a) atender e orientar o público quanto ao acesso a informações;
b) informar sobre a tramitação de documentos nas suas respectivas
unidades;
c) protocolizar documentos e requerimentos de acesso a informações; e

II - realização de audiências ou consultas públicas, incentivo à


participação popular ou a outras formas de divulgação.

5. Do procedimento de acesso à informação

5.1. Aplicação subsidiária da Lei 9.784/1999


O art. 20 da Lei 12.527/2011 é expresso ao afirmar que se aplica ao
procedimento de acesso à informação pública, no que couber, a Lei nº
9.784/1999 (Processo Administrativo Federal). Assim, é correto afirmar que se
trata de uma aplicação subsidiária ou supletiva.

5.2. Do Pedido de Acesso


Qualquer interessado poderá apresentar pedido de acesso a informações
aos órgãos e entidades integrantes da Administração Pública, por qualquer meio
legítimo (sem maiores formalidades), devendo o pedido conter a identificação
do requerente e a especificação da informação requerida.
Não é necessário ser advogado ou constituir procurador para pleitear
informações públicas, sendo suficiente apresentar um pedido escrito,
independentemente de modelo prévio a ser preenchido, com a identificação do
interessado e das informações que estão sendo pleiteadas.
É importante esclarecer que os órgãos e entidades não podem criar
exigências que impeçam ou dificultem a identificação do requerente, a exemplo
da obrigatoriedade da apresentação da carteira de identidade como único
instrumento de identificação. Ademais, não é necessário apresentar os
motivos que ensejam o pedido formulado.

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Os órgãos e entidades do poder público devem viabilizar alternativa de


encaminhamento de pedidos de acesso por meio de seus sítios oficiais na
internet, fato que aumenta a celeridade do processo e reduz o custo operacional
do acesso às informações.
Para responder às questões de prova, fique atento ao conteúdo do art. 11
da Lei 12.527/2011, pois são grandes as chances de você encontrar em prova
uma questão sobre o tema:

Art. 11. O órgão ou entidade pública deverá autorizar ou conceder o acesso imediato
à informação disponível.
§ 1º. Não sendo possível conceder o acesso imediato, na forma disposta no caput, o
órgão ou entidade que receber o pedido deverá, em prazo não superior a 20 (vinte)
dias:
I - comunicar a data, local e modo para se realizar a consulta, efetuar a reprodução ou
obter a certidão;
II - indicar as razões de fato ou de direito da recusa, total ou parcial, do acesso
pretendido; ou
III - comunicar que não possui a informação, indicar, se for do seu conhecimento, o
órgão ou a entidade que a detém, ou, ainda, remeter o requerimento a esse órgão ou
entidade, cientificando o interessado da remessa de seu pedido de informação.
§ 2º. O prazo referido no § 1º poderá ser prorrogado por mais 10 (dez) dias, mediante
justificativa expressa, da qual será cientificado o requerente.

Sem prejuízo da segurança e da proteção das informações e do


cumprimento da legislação aplicável, o órgão ou entidade poderá oferecer
meios para que o próprio requerente possa pesquisar a informação de que
necessitar.
Quando não for autorizado o acesso por se tratar de informação
total ou parcialmente sigilosa, o requerente deverá ser informado sobre
a possibilidade de recurso, prazos e condições para sua interposição,
devendo, ainda, ser-lhe indicada a autoridade competente para sua
apreciação.
A informação armazenada em formato digital será fornecida nesse
formato, caso haja anuência do requerente.

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Caso a informação solicitada esteja disponível ao público em formato


impresso, eletrônico ou em qualquer outro meio de acesso universal, serão
informados ao requerente, por escrito, o lugar e a forma pela qual se poderá
consultar, obter ou reproduzir a referida informação, procedimento esse que
desonerará o órgão ou entidade pública da obrigação de seu fornecimento
direto, salvo se o requerente declarar não dispor de meios para realizar por si
mesmo tais procedimentos.
Quando se tratar de acesso à informação contida em documento cuja
manipulação possa prejudicar sua integridade, deverá ser oferecida a consulta
de cópia, com certificação de que esta confere com o original.
Na impossibilidade de obtenção de cópias, o interessado poderá
solicitar que, a suas expensas e sob supervisão de servidor público, a
reprodução seja feita por outro meio que não ponha em risco a conservação do
documento original.

Para responder às questões de prova: É direito do requerente obter o


inteiro teor de decisão de negativa de acesso, por certidão ou cópia.

5.2. Dos Recursos

No caso de indeferimento de acesso a informações ou às razões da


negativa do acesso, poderá o interessado interpor recurso contra a decisão no
prazo de 10 (dez) dias a contar da sua ciência.
O recurso será dirigido à autoridade hierarquicamente superior à que
exarou a decisão impugnada, que deverá se manifestar no prazo de 5 (cinco)
dias.
Negado o acesso a informação pelos órgãos ou entidades do Poder
Executivo Federal, o requerente poderá recorrer à Controladoria-Geral da
União, que deliberará no prazo de 5 (cinco) dias se:
I - o acesso à informação não classificada como sigilosa for negado;
II - a decisão de negativa de acesso à informação total ou parcialmente
classificada como sigilosa não indicar a autoridade classificadora ou a
hierarquicamente superior a quem possa ser dirigido pedido de acesso ou
desclassificação;
III - os procedimentos de classificação de informação sigilosa
estabelecidos nesta Lei não tiverem sido observados; e

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IV - estiverem sendo descumpridos prazos ou outros procedimentos


previstos na Lei 12.527/2011.

O recurso somente poderá ser dirigido à Controladoria-Geral da União depois de


submetido à apreciação de pelo menos uma autoridade hierarquicamente superior
àquela que exarou a decisão impugnada, que deliberará no prazo de 5 (cinco) dias.

Verificada a procedência das razões do recurso, a Controladoria-Geral da


União determinará ao órgão ou entidade que adote as providências necessárias
para dar cumprimento ao disposto na Lei 12.527/2012.
Negado o acesso à informação pela Controladoria-Geral da União,
poderá ser interposto recurso à Comissão Mista de Reavaliação de Informações
(instituída pelo art. 35 da Lei 12.527/2012).

6. Das restrições de acesso à informação

Não poderá ser negado acesso à informação necessária à tutela judicial


ou administrativa de direitos fundamentais. As informações ou documentos
que versem sobre condutas que impliquem violação dos direitos humanos
praticada por agentes públicos ou a mando de autoridades públicas não
poderão ser objeto de restrição de acesso.

O disposto na Lei 12.527/2011 não exclui as demais hipóteses legais de sigilo e de


segredo de justiça nem as hipóteses de segredo industrial decorrentes da exploração
direta de atividade econômica pelo Estado ou por pessoa física ou entidade privada que
tenha qualquer vínculo com o poder público.

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7. Da Classificação da Informação quanto ao Grau e Prazos de Sigilo

Para responder às questões de prova, é importantíssimo que você


assimile todo o conteúdo referente à “classificação das informações”. Por se
tratar de um tópico que apresenta várias peculiaridades, inclusive prazos
distintos, são grandes as chances de você encontrar uma questão em sua
prova.
Lembre-se de que são consideradas imprescindíveis à segurança
da sociedade ou do Estado e, portanto, passíveis de classificação as
informações cuja divulgação ou acesso irrestrito possam:
I - pôr em risco a defesa e a soberania nacionais ou a integridade do território
nacional;
II - prejudicar ou pôr em risco a condução de negociações ou as relações
internacionais do País, ou as que tenham sido fornecidas em caráter sigiloso por
outros Estados e organismos internacionais;
III - pôr em risco a vida, a segurança ou a saúde da população;
IV - oferecer elevado risco à estabilidade financeira, econômica ou monetária do
País;
V - prejudicar ou causar risco a planos ou operações estratégicos das Forças
Armadas;
VI - prejudicar ou causar risco a projetos de pesquisa e desenvolvimento
científico ou tecnológico, assim como a sistemas, bens, instalações ou áreas de
interesse estratégico nacional;
VII - pôr em risco a segurança de instituições ou de altas autoridades nacionais
ou estrangeiras e seus familiares; ou
VIII - comprometer atividades de inteligência, bem como de investigação ou
fiscalização em andamento, relacionadas com a prevenção ou repressão de
infrações.

A informação em poder dos órgãos e entidades públicas,


observado o seu teor e em razão de sua imprescindibilidade à
segurança da sociedade ou do Estado, poderá ser classificada como
ultrassecreta, secreta ou reservada.
Os prazos máximos de restrição de acesso à informação, conforme
a classificação prevista, vigoram a partir da data de sua produção e são
os seguintes:

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I - ultrassecreta: 25 (vinte e cinco) anos;


II - secreta: 15 (quinze) anos; e
III - reservada: 5 (cinco) anos.
Alternativamente a esses prazos, poderá ser estabelecida como termo
final de restrição de acesso a ocorrência de determinado evento, desde que este
ocorra antes do transcurso do prazo máximo de classificação. Transcorrido o
prazo de classificação ou consumado o evento que defina o seu termo final, a
informação tornar-se-á, automaticamente, de acesso público.
Para a classificação da informação em determinado grau de sigilo,
deverá ser observado o interesse público da informação e utilizado o critério
menos restritivo possível, considerados:
I - a gravidade do risco ou dano à segurança da sociedade e do Estado; e
II - o prazo máximo de restrição de acesso ou o evento que defina seu
termo final.

As informações que puderem colocar em risco a segurança do Presidente e Vice-


Presidente da República e respectivos cônjuges e filhos (as) serão classificadas
como reservadas e ficarão sob sigilo até o término do mandato em exercício ou do
último mandato, em caso de reeleição.

8. Da Proteção e do Controle de Informações Sigilosas


É dever do Estado controlar o acesso e a divulgação de informações
sigilosas produzidas por seus órgãos e entidades, assegurando a sua proteção.
O acesso, a divulgação e o tratamento de informação classificada como
sigilosa ficarão restritos a pessoas que tenham necessidade de conhecê-la e que
sejam devidamente credenciadas na forma do regulamento, sem prejuízo
das atribuições dos agentes públicos autorizados por lei.
O acesso à informação classificada como sigilosa cria a obrigação para
aquele que a obteve de resguardar o sigilo.
As autoridades públicas adotarão as providências necessárias para que o
pessoal a elas subordinado hierarquicamente conheça as normas e observe as
medidas e procedimentos de segurança para tratamento de informações
sigilosas.

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A pessoa física ou entidade privada que, em razão de qualquer vínculo


com o poder público, executar atividades de tratamento de informações
sigilosas adotará as providências necessárias para que seus empregados,
prepostos ou representantes observem as medidas e procedimentos de
segurança das informações resultantes da aplicação da Lei 12.527/2011.

9. Dos Procedimentos de Classificação, Reclassificação e


Desclassificação
A classificação do sigilo de informações no âmbito da administração
pública federal é de competência:
I - no grau de ultrassecreto, das seguintes autoridades:
a) Presidente da República;
b) Vice-Presidente da República;
c) Ministros de Estado e autoridades com as mesmas prerrogativas;
d) Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica; e
e) Chefes de Missões Diplomáticas e Consulares permanentes no exterior;
II - no grau de secreto, das autoridades referidas no item I, dos
titulares de autarquias, fundações ou empresas públicas e
sociedades de economia mista; e
III - no grau de reservado, das autoridades referidas nos itens I e
II e das que exerçam funções de direção, comando ou chefia, nível
DAS 101.5, ou superior, do Grupo-Direção e Assessoramento
Superiores, ou de hierarquia equivalente, de acordo com
regulamentação específica de cada órgão ou entidade.

A competência prevista nos itens I e II, no que se refere à classificação


como ultrassecreta e secreta, poderá ser delegada pela autoridade
responsável a agente público, inclusive em missão no exterior, vedada a
subdelegação.
A classificação de informação no grau de sigilo ultrassecreto pelas
autoridades previstas nas alíneas “d” e “e” do item I deverá ser ratificada pelos
respectivos Ministros de Estado, no prazo previsto em regulamento.
A classificação de informação em qualquer grau de sigilo deverá
ser formalizada em decisão que conterá, no mínimo, os seguintes
elementos:

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I - assunto sobre o qual versa a informação;


II - fundamento da classificação, observados os critérios
estabelecidos no art. 24 da Lei 12.527/2011;
III - indicação do prazo de sigilo, contado em anos, meses ou dias,
ou do evento que defina o seu termo final, conforme limites
previstos no art. 24 da Lei 12.527/2011; e
IV - identificação da autoridade que a classificou.

A classificação das informações será reavaliada pela autoridade


classificadora ou por autoridade hierarquicamente superior, mediante
provocação ou de ofício, nos termos e prazos previstos em regulamento, com
vistas à sua desclassificação ou à redução do prazo de sigilo, observado o
disposto no art. 24 da Lei 12.527/2011.
Na citada reavaliação, deverão ser examinadas a permanência dos
motivos do sigilo e a possibilidade de danos decorrentes do acesso ou da
divulgação da informação. Na hipótese de redução do prazo de sigilo da
informação, o novo prazo de restrição manterá como termo inicial a data da
sua produção.
A autoridade máxima de cada órgão ou entidade publicará, anualmente,
em sítio à disposição na internet e destinado à veiculação de dados e
informações administrativas, nos termos de regulamento:
I - rol das informações que tenham sido desclassificadas nos últimos 12
(doze) meses;
II - rol de documentos classificados em cada grau de sigilo, com
identificação para referência futura;
III - relatório estatístico contendo a quantidade de pedidos de informação
recebidos, atendidos e indeferidos, bem como informações genéricas
sobre os solicitantes.
Os órgãos e entidades deverão manter exemplar da publicação prevista
para consulta pública em suas sedes. Ademais, manterão extrato com a lista de
informações classificadas, acompanhadas da data, do grau de sigilo e dos
fundamentos da classificação.

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9.1. Pedido de desclassificação de informação


No caso de indeferimento de pedido de desclassificação de informação
protocolado em órgão da administração pública federal, poderá o requerente
recorrer ao Ministro de Estado da área, sem prejuízo das competências da
Comissão Mista de Reavaliação de Informações.
O recurso somente poderá ser dirigido às autoridades mencionadas depois
de submetido à apreciação de pelo menos uma autoridade hierarquicamente
superior à autoridade que exarou a decisão impugnada e, no caso das Forças
Armadas, ao respectivo Comando.
Indeferido o citado recurso que tenha como objeto a desclassificação de
informação secreta ou ultrassecreta, caberá outro recurso à Comissão Mista de
Reavaliação de Informações prevista no art. 35.
Os procedimentos de revisão de decisões denegatórias proferidas
no recurso previsto no art. 15 da Lei 12.527/2011 e de revisão de
classificação de documentos sigilosos serão objeto de regulamentação
própria dos Poderes Legislativo e Judiciário e do Ministério Público, em
seus respectivos âmbitos, assegurado ao solicitante, em qualquer caso,
o direito de ser informado sobre o andamento de seu pedido.

Os órgãos do Poder Judiciário e do Ministério Público informarão ao Conselho


Nacional de Justiça e ao Conselho Nacional do Ministério Público,
respectivamente, as decisões que, em grau de recurso, negarem acesso a informações
de interesse público.

10. Das Informações Pessoais


O tratamento das informações pessoais deve ser feito de forma
transparente e com respeito à intimidade, vida privada, honra e imagem das
pessoas, bem como às liberdades e garantias individuais.
As informações pessoais relativas à intimidade, vida privada, honra e
imagem:
I - terão seu acesso restrito, independentemente de classificação de sigilo
e pelo prazo máximo de 100 (cem) anos a contar da sua data de
produção, a agentes públicos legalmente autorizados e à pessoa a que
elas se referirem; e

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II - poderão ter autorizada sua divulgação ou acesso por terceiros diante


de previsão legal ou consentimento expresso da pessoa a que elas se
referirem.

O consentimento referido no item II não será exigido quando as


informações forem necessárias:
I - à prevenção e diagnóstico médico, quando a pessoa estiver física ou
legalmente incapaz, e para utilização única e exclusivamente para o
tratamento médico;
II - à realização de estatísticas e pesquisas científicas de evidente
interesse público ou geral, previstos em lei, sendo vedada a identificação
da pessoa a que as informações se referirem;
III - ao cumprimento de ordem judicial;
IV - à defesa de direitos humanos; ou
V - à proteção do interesse público e geral preponderante.

A restrição de acesso à informação relativa à vida privada, honra e


imagem de pessoa não poderá ser invocada com o intuito de prejudicar
processo de apuração de irregularidades em que o titular das informações
estiver envolvido, bem como em ações voltadas para a recuperação de fatos
históricos de maior relevância.

11. Das responsabilidades

Constituem condutas ilícitas que ensejam responsabilidade do agente


público ou militar:
I - recusar-se a fornecer informação requerida nos termos da Lei
12.527/2011, retardar deliberadamente o seu fornecimento ou fornecê-la
intencionalmente de forma incorreta, incompleta ou imprecisa;
II - utilizar indevidamente, bem como subtrair, destruir, inutilizar,
desfigurar, alterar ou ocultar, total ou parcialmente, informação que se
encontre sob sua guarda ou a que tenha acesso ou conhecimento em
razão do exercício das atribuições de cargo, emprego ou função pública;
III - agir com dolo ou má-fé na análise das solicitações de acesso à
informação;

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IV - divulgar ou permitir a divulgação ou acessar ou permitir acesso


indevido à informação sigilosa ou informação pessoal;
V - impor sigilo à informação para obter proveito pessoal ou de terceiro,
ou para fins de ocultação de ato ilegal cometido por si ou por outrem;
VI - ocultar da revisão de autoridade superior competente informação
sigilosa para beneficiar a si ou a outrem, ou em prejuízo de terceiros; e
VII - destruir ou subtrair, por qualquer meio, documentos concernentes a
possíveis violações de direitos humanos por parte de agentes do Estado.

Atendido o princípio do contraditório, da ampla defesa e do devido


processo legal, as condutas citadas serão consideradas:
I - para fins dos regulamentos disciplinares das Forças Armadas,
transgressões militares médias ou graves, segundo os critérios neles
estabelecidos, desde que não tipificadas em lei como crime ou
contravenção penal; ou
II - para fins do disposto na Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e
suas alterações, infrações administrativas, que deverão ser apenadas, no
mínimo, com suspensão, segundo os critérios nela estabelecidos;
III - Pelas condutas ilícitas anteriormente relacionadas, poderá o militar
ou agente público responder, também, por improbidade
administrativa, conforme o disposto nas Leis nos 1.079, de 10 de abril
de 1950, e 8.429, de 2 de junho de 1992.

Lembre-se de que a pessoa física ou entidade privada que detiver informações em


virtude de vínculo de qualquer natureza com o poder público e deixar de observar o
disposto na Lei 12.527/2011 estará sujeita às seguintes sanções:
I - advertência;
II - multa;
III - rescisão do vínculo com o poder público;
IV - suspensão temporária de participar em licitação e impedimento de contratar com a
administração pública por prazo não superior a 2 (dois) anos; e
V - declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a administração pública,
até que seja promovida a reabilitação perante a própria autoridade que aplicou a
penalidade.

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As sanções previstas nos itens I, III e IV acima apresentados, poderão ser


aplicadas juntamente com a do item II, assegurado o direito de defesa do
interessado, no respectivo processo, no prazo de 10 (dez) dias.
A reabilitação referida no item V será autorizada somente quando o
interessado efetivar o ressarcimento ao órgão ou entidade dos prejuízos
resultantes e após decorrido o prazo da sanção aplicada com base no item IV.
Ademais, sua aplicação é de competência exclusiva da autoridade máxima do
órgão ou entidade pública, facultada a defesa do interessado, no respectivo
processo, no prazo de 10 (dez) dias da abertura de vista.
Os órgãos e entidades públicas respondem diretamente pelos danos
causados em decorrência da divulgação não autorizada ou utilização indevida
de informações sigilosas ou informações pessoais, cabendo a apuração de
responsabilidade funcional nos casos de dolo ou culpa, assegurado o
respectivo direito de regresso.
Essa responsabilização também se aplica à pessoa física ou entidade
privada que, em virtude de vínculo de qualquer natureza com órgãos ou
entidades, tenha acesso a informação sigilosa ou pessoal e a submeta a
tratamento indevido.

12. Da Comissão Mista de Reavaliação de Informações

A Comissão Mista de Reavaliação de Informações, que decidirá, no


âmbito da administração pública federal, sobre o tratamento e a
classificação de informações sigilosas, será composta pelos titulares dos
seguintes órgãos, que exercerão mandato de 02 anos: Casa Civil da
Presidência da República, que a presidirá; Ministério da Justiça; Ministério das
Relações Exteriores; Ministério da Defesa; Ministério da Fazenda; Ministério do
Planejamento, Orçamento e Gestão; Secretaria de Direitos Humanos da
Presidência da República; Gabinete de Segurança Institucional da Presidência
da República; Advocacia-Geral da União e Controladoria Geral da União.
O art. 35, § 1º, da Lei 12.527/2011, dispõe sobre a competência da
Comissão Mista de Reavaliação de Informações:
I - requisitar da autoridade que classificar informação como ultrassecreta
e secreta esclarecimento ou conteúdo, parcial ou integral da informação;
II - rever a classificação de informações ultrassecretas ou secretas, de
ofício ou mediante provocação de pessoa interessada, observado o
disposto no art. 7º. e demais dispositivos da Lei 12.527/2011; e

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III - prorrogar o prazo de sigilo de informação classificada como


ultrassecreta, sempre por prazo determinado (limitado a uma
renovação), enquanto o seu acesso ou divulgação puder ocasionar
ameaça externa à soberania nacional ou à integridade do território
nacional ou grave risco às relações internacionais do País, observado o
prazo previsto no § 1º, art. 24, da Lei 12.527/2011.

A revisão de ofício a que se refere o item II deverá ocorrer, no


máximo, a cada 4 (quatro) anos, após a reavaliação prevista no art. 39
da Lei 11.257/2011, quando se tratar de documentos ultrassecretos ou
secretos. A não deliberação sobre a revisão pela Comissão Mista de
Reavaliação de Informações, no prazo informado, implicará a desclassificação
automática das informações.

13. Núcleo de Segurança e Credenciamento (NSC)

É instituído, no âmbito do Gabinete de Segurança Institucional da


Presidência da República, o Núcleo de Segurança e Credenciamento (NSC), que
tem por objetivos:
I - promover e propor a regulamentação do credenciamento de
segurança de pessoas físicas, empresas, órgãos e entidades para
tratamento de informações sigilosas; e
II - garantir a segurança de informações sigilosas, inclusive
aquelas provenientes de países ou organizações internacionais
com os quais a República Federativa do Brasil tenha firmado
tratado, acordo, contrato ou qualquer outro ato internacional, sem
prejuízo das atribuições do Ministério das Relações Exteriores e
dos demais órgãos competentes.

Os órgãos e entidades públicas deverão proceder à reavaliação das informações


classificadas como ultrassecretas e secretas no prazo máximo de 2 (dois) anos,
contado do termo inicial de vigência da Lei 11.257/2011.

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