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Gabaritando as provas de Direito Administrativo – 2017!

Aula 01 – Teoria Geral e Princípios da Administração Pública


Prof. Fabiano Pereira

AULA 01

Direito Administrativo
Teoria Geral e Princípios Administrativos
Professor Fabiano Pereira

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Olá!
Fico muito feliz em saber que você deseja conhecer os “atalhos” para
garantir uma excelente produtividade em seu concurso público. Doravante,
iremos estudar os principais tópicos do Direito Administrativo em
conformidade com as questões elaboradas pela ESAF, CESPE, FCC e FGV, que
são as responsáveis pelos principais concursos públicos realizados no país.
Em relação ao nosso curso, tente alcançar o máximo de produtividade. Para
isso, é necessário e imprescindível que você resolva todas as questões que forem
apresentadas, bem como envie para o fórum todas as dúvidas que surgirem.
Independentemente de sua experiência em concursos públicos (iniciante ou
profissional), aproveite a oportunidade para esclarecer todos aqueles pontos que
não foram bem assimilados durante a aula.
A propósito, você perceberá que a presente aula tem um formato
diferente, conforme antecipei na aula demonstrativa. Trata-se de uma
experiência que estou fazendo para verificar qual será a receptividade
da nova forma de exposição do conteúdo, que tem o formato mais
parecido com o de um livro, com citações diretas (tanto de questões
como de doutrinadores).
Por favor, conto com a sua colaboração no sentido de se manifestar
sobre a sua percepção sobre o novo formato da aula: se é melhor, pior,
não percebeu diferenças marcantes etc. Enfim, gostaria de seu feedback
para saber como irei desenvolver os próximos cursos.
Fique à vontade para apresentar sugestões ou críticas, pois TODAS serão
bem-vindas e respondidas.

Conto com você!!

Fabiano Pereira
fabianopereira@pontodosconcursos.com.br

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SUMÁRIO – Teoria Geral do Direito Administrativo

CAPÍTULO 1 – TEORIA GERAL DO DIREITO ADMINISTRATIVO


1. O Direito Administrativo .................................................................................... 05
1.1. O Direito Administrativo como sub-ramo do Direito Público ..................... 05
1.2. Codificação do Direito Administrativo ..................................................... 06
1.3. Origem do Direito Administrativo ........................................................... 06
1.4. Conceito de Direito Administrativo ........................................................ 07
1.4.1. Critério Legalista ou Exegético ................................................ 07
1.4.2. Critério do Poder Executivo ..................................................... 08
1.4.3. Critério do Serviço Público ...................................................... 08
1.4.4. Critério das relações jurídicas ................................................. 09
1.4.5. Critério teleológico ou finalístico .............................................. 09
1.4.6. Critério negativista ou residual ................................................. 10
1.4.7. Critério da Administração Pública ............................................ 10
1.5. Função administrativa .............................................................................. 12
1.5.1. Função administrativa e função de governo (função política)... 14
1.6. Competência para legislar sobre Direito Administrativo ........................... 18

2. Fontes do Direito Administrativo ......................................................................... 18


2.1. Fontes escritas e não escritas ................................................................. 18
2.2. Fontes primárias (diretas) e secundárias (indiretas)................................... 19
2.2.1. Fontes primárias ou diretas ...................................................... 19
2.2.1.1. Leis ........................................................................... 19
2.2.1.1.1. Tratados e acordos internacionais ........................... 19
2.2.2. Fontes secundárias ou indiretas .............................................. 20
2.2.2.1. Jurisprudência ............................................................ 20
2.2.2.1.1. Súmula Vinculante ................................................... 21
2.2.2.2. Costumes .................................................................... 22
2.2.2.2.1. Praxe administrativa ................................................. 22
2.2.2.3. Doutrina ...................................................................... 23
2.2.2.4. Princípios gerais do Direito .......................................... 24

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3. Sistemas administrativos ................................................................................... 24


3.1. Contencioso administrativo ou sistema francês ....................................... 24
3.2. Jurisdição única ou sistema inglês .......................................................... 25

4. Regime jurídico-administrativo ............................................................................ 26


5. Resumo de Véspera de Prova – RVP ................................................................... 31
6. Princípios da Administração Pública .................................................................. 33
7. Questões comentadas .......................................................................................... 101

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1. O DIREITO ADMINISTRATIVO
1.1. O Direito Administrativo como sub-ramo do Direito Público
Para facilitar o estudo do Direito em geral, a doutrina costuma desmembrá-
lo em dois grandes ramos: direito público e direito privado.
Apesar da divisão dicotômica, deve ficar claro que o Direito é um só,
indivisível. O desmembramento é realizado apenas para fins didáticos,
permitindo um estudo mais eficiente e especializado dos vários sub-ramos
jurídicos (disciplinas) que o compõem.
Ao direito privado incumbe disciplinar as relações jurídicas em que
prevalecem os interesses dos particulares, sem a participação direta do
Estado na transação. Podemos incluir nesse ramo o Direito Civil e o Direito
Empresarial. Se o indivíduo A deseja comprar um veículo do indivíduo B, por
exemplo, a relação jurídica será regulada pelo Direito Civil, sub-ramo do direito
privado.
De outro lado, se é o Estado que deseja adquirir alguns veículos para
compor a sua frota, a relação jurídica será disciplinada pelo direito público, mais
precisamente pelo Direito Administrativo (Lei Geral de Licitação e Contratos
Administrativos – 8.666/1993, em regra).
Ao direito público compete regular as relações jurídicas entre Estado e
particulares; entre os órgãos públicos e seus agentes; e entre entidades estatais
(União, Estados, Municípios e Distrito Federal) e/ou entidades administrativas
(autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações
públicas e consórcios públicos de direito público). Podemos incluir entre os seus
sub-ramos o Direito Administrativo, Direito Constitucional, Direito Processual Civil
e Penal, Direito Ambiental, Direito Tributário, Direito Financeiro, Direito Penal e
Direito Urbanístico.
Agora ficou fácil!
Considera-se o Direito Administrativo um sub-ramo do direito público
porque se trata de disciplina jurídica que tem por objetivo, dentre outros, regular
as relações jurídicas entre Estado, de um lado, e particulares, de outro; ou, ainda,
as relações existentes entre as próprias entidades integrantes da Administração
Pública, seus órgãos e agentes públicos.

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1.2. Codificação do Direito Administrativo


O Direito Administrativo brasileiro, atualmente, não se encontra
codificado. Isso significa que o interessado em estudá-lo deverá pesquisar
várias leis esparsas (espalhadas pelo ordenamento jurídico), variando em razão
do tema escolhido.
Se o objetivo é estudar as modalidades de licitação, por exemplo, o
interessado deverá recorrer à Lei Federal 8.666/1993, não se esquecendo,
também, da Lei Federal 10.520/2002, que versa sobre o pregão. Entretanto,
desejando estudar o tema “serviços públicos”, será necessário fazer a leitura da
Lei Federal 8.987/1995, assim como da Lei Federal 11.079/2004 (sem falar no
emaranhados de atos normativos secundários, leis estaduais e leis municipais).
Para estudar o “Direito Civil” a tarefa é mais simples. Basta acessar a Lei
10.406/2002, que, em seus 2.046 artigos, apresenta um panorama geral da
disciplina. Por ter sido codificado, as regras gerais do Direito Civil apresentam-se
em um documento único, sedimentado, selecionado, diferentemente do que
ocorre no Direito Administrativo.
Não restam dúvidas de que “a reunião dos textos administrativos num só
corpo de lei não só é perfeitamente exeqüível, a exemplo do que ocorre com os
demais ramos do Direito, já codificados, como propiciará à Administração e aos
administrados maior segurança e facilidade na observância e aplicação das
normas administrativas1”.
Todavia, não é o que acontece atualmente. As leis administrativas ainda
não se encontram reunidas em um único documento, isto é, a disciplina não
está codificada.

1.3. Origem do Direito Administrativo


O Direito Administrativo, como disciplina jurídica autônoma, é bastante
recente quando comparado a outros ramos do direito. Costuma-se afirmar que
“nasceu em fins do século XVIII e início do século XIX, o que não significa que
inexistissem anteriormente normas administrativas, pois onde quer que exista o
Estado existem órgãos encarregados do exercício de funções administrativas. O
que ocorre é que tais normas se enquadravam no jus civile, da mesma forma que
nele se inseriam as demais hoje pertencentes a outros ramos do direito2”.

1
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 27. ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p.46.
2
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 24. ed. São Paulo: Atlas, 2011, p.1.

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Para Edmir Netto de Araújo3, o Direito Administrativo começa a se


desenvolver a partir de “uma lei francesa do ano de 1800 (naquele excêntrico
calendário francês da época, de ’28 pluviose do ano VIII’), que, pela primeira
vez, dotou a Administração de uma organização juridicamente garantida e
estável, exteriormente obrigatória a todos os administrados”.
A partir de então foram criados tribunais administrativos com a
finalidade precípua de decidir os conflitos envolvendo a Administração Pública e
os particulares, excluindo-os da análise do Poder Judiciário. Surge então o
contencioso administrativo, sistema que iremos estudar posteriormente.
Considera-se um dos marcos do surgimento do Direito Administrativo a
instituição do Conselho Francês4, órgão máximo da jurisdição administrativa
francesa, que, a partir de 1872, passou a proferir decisões soberanas sobre
questões administrativas, insuscetíveis de revisão pelo Poder Judiciário.
O Conselho de Estado Francês atualmente é responsável não somente
pela decisão de questões envolvendo a Administração Pública francesa, mas
também pela assessoria jurídica de diversos órgãos governamentais, atuando de
ofício ou mediante provocação do interessado.
No Brasil, apesar da criação dos primeiros cursos jurídicos ter ocorrido
através de Lei de 11 de Agosto de 1827, em São Paulo e Olinda, a cadeira de
Direito Administrativo apenas se tornou obrigatória em 1851, fato que propiciou
e impulsionou o desenvolvimento científico da disciplina.

1.4. Conceito de Direito Administrativo


Não existe uniformidade sobre a conceituação do Direito Administrativo,
que irá variar em razão do critério adotado por cada autor.
Se você está se preparando para concursos públicos, destaco que o tema
não é muito frequente em questões de prova. É o CESPE a banca que mais
explora o assunto, principalmente nos concursos da área jurídica, exigindo,
assim, uma maior atenção do candidato.

1.4.1. Critério legalista ou exegético

3
ARAÚJO, Edmir Netto de. Curso de Direito Administrativo. 4 ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p.9.
4
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Procurador da Assembléia Legislativa do
Estado do Amazonas, realizado em pelo ISAE – Instituto Superior de Administração e Economia.

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De acordo com o critério legalista, o direito administrativo compreende o


conjunto de leis administrativas vigentes no país5. Em outras palavras, pode-se
afirmar que os adeptos do critério legalista ou exegético restringem o estudo
do Direito Administrativo, ao conceituá-lo, às leis e normas administrativas,
excluindo a doutrina, jurisprudência, costumes e princípios gerais do direito de
sua abrangência.
Não é necessário muito esforço para constatar que, nos dias atuais, é
inconcebível estudar a legislação administrativa de forma isolada,
desconsiderando-se suas demais fontes.

1.4.2. Critério do Poder Executivo


Pelo critério do Poder Executivo, inicialmente desenvolvido pela Escola
Italiana, o Direito Administrativo se restringe a estudar os atos editados pelo
Poder Executivo, desconsiderando os demais poderes.
Apesar de a atividade administrativa se manifestar predominantemente
no Poder Executivo, destaca-se que o Poder Judiciário e o Poder Legislativo
também estão autorizados a exercê-la. É o que ocorre, por exemplo, quando o
Supremo Tribunal Federal concede licença a um de seus servidores ou quando o
Senado Federal realiza licitação para a contratação de determinado serviço.
Nos dias atuais, não há como adotar o critério do Poder Executivo para
conceituar o Direito Administrativo, já que todos os poderes editam atos
administrativos.

1.4.3. Critério do serviço público


Maria Sylvia Zanella di Pietro6 afirma que o critério do serviço público
desenvolveu-se na França, inspirado na jurisprudência do Conselho de Estado,
que, a partir do caso Blanco7, decidido em 1873, passou a fixar a competência
dos Tribunais Administrativos em função da execução de serviços públicos.

5
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Procurador do Tribunal de Contas do Distrito
Federal, realizado pelo CESPE.
6
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 24. ed., p.43.
7
Agnès Blanco, no ano de 1873 (na época com cinco anos de idade), ao atravessar uma rua na cidade de Bordeaux acabou
sendo atropelada por vagonete da Companhia Nacional de Manufatura de Fumo (empresa estatal). Após seu pai ter proposto
ação indenizatória contra o Estado Francês na justiça comum civil, surgiu um grande debate sobre a competência para
julgar o caso. Na oportunidade, discutiu-se se o caso deveria ser julgado em conformidade com as regras do direito privado
(na justiça comum civil) ou do direito público (jurisdição administrativa - Conselho de Estado), prevalecendo,
posteriormente, a segunda tese. A partir do caso Blanco passou-se a fixar a competência da jurisdição administrativa em
razão da prestação de serviços públicos, isto é, se algum dano fosse causado a particular em razão da prestação de serviços
públicos, a jurisdição administrativa é que deveria julgar eventual pedido de indenização.

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O Direito Administrativo seria, então, nas palavras de Edmir Netto de


Araújo8, “o conjunto de regras referentes ao serviço público, seja esta expressão
considerada em sentido amplo, seja no sentido estrito”.
Entretanto, é sabido que várias são as atividades finalísticas exercidas
pela Administração Pública, a exemplo do fomento, polícia administrativa e
intervenção administrativa, o que tornou esse critério insuficiente para a
conceituação do Direito Administrativo, já que o restringia à prestação de serviços
públicos.

1.4.4. Critério das relações jurídicas


Consoante o critério das relações jurídicas, o Direito Administrativo abrange
o conjunto de normas jurídicas que regulam as relações entre a administração
pública e os administrados. Trata-se de definição criticada por boa parte dos
doutrinadores, que, embora não a considerem errada, julgam-na insuficiente
para especificar esse ramo do direito, visto que esse tipo de relação entre
administração pública e particulares, também se faz presente em outros ramos9.

É o que ocorre, por exemplo, com o Direito Tributário, Direito Penal, Direito
Constitucional, entre outros, que também regulam as relações jurídicas em que
estejam presentes o Estado, de um lado, e o administrado, de outro.

1.4.5. Critério teleológico ou finalístico


Pelo critério teleológico, define-se o direito administrativo como o sistema
dos princípios que regulam a atividade do Estado para o cumprimento de seus
fins10.
Esse critério apresenta o Direito Administrativo como o conjunto de
princípios e regras que disciplina a atividade material do Estado (atividade
administrativa) voltada para o cumprimento de seus fins coletivos.
Em que pese ter sido defendido inclusive por Oswaldo Aranha Bandeira de
Mello (com algumas ressalvas), esse critério associou o Direito Administrativo aos
fins do Estado, o que o tornou impróprio.

8
ARAÚJO, Edmir Netto de. Curso de Direito Administrativo. 4 ed., p.76.
9
Enunciado (adaptado) considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Procurador do Tribunal de Contas
do Distrito Federal, realizado pelo CESPE.
10
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Administrador do Tribunal de Justiça de
Roraima, realizado pelo CESPE.

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1.4.6. Critério negativista ou residual


Pelo critério em análise, define-se o conceito de Direito Administrativo por
exclusão. Nesse caso, o Direito Administrativo teria por objeto todas as atividades
estatais que não fossem legislativas ou jurisdicionais.

1.4.7. Critério da Administração Pública


Na busca de conceituação do Direito Administrativo encontra-se o critério
da Administração Pública, segundo o qual, sinteticamente, o Direito
Administrativo deve ser concebido como o conjunto de princípios que regem a
Administração Pública11.
Eis o critério mais explorado em provas de concursos públicos, tendo sido
adotado no Brasil por Hely Lopes Meirelles12, que o utilizou na elaboração de seu
conceito de Direito Administrativo, conforme analisaremos na sequência.
Também é necessário destacar o conceito de Maria Sylvia Zanella Di
Pietro13, que define o Direito Administrativo como “o ramo do direito público que
tem por objeto os órgãos, agentes e pessoas jurídicas administrativas que
integram a Administração Pública, a atividade jurídica não contenciosa que exerce
e os bens de que se utiliza para a consecução de seus fins, de natureza pública”.
Esse conceito de Direito Administrativo já foi explorado em provas de
concursos públicos, mais precisamente para o cargo de Técnico da Receita
Federal, realizado pela ESAF, vejamos:

(Técnico da Receita Federal/RFB/ESAF) No conceito de Direito Administrativo,


pode-se entender ser ele um conjunto harmonioso de normas e princípios, que
regem relações entre órgãos públicos, seus servidores e administrados, no
concernente às atividades estatais, mas não compreendendo
a) a administração do patrimônio público.
b) a regência de atividades contenciosas.
c) nenhuma forma de intervenção na propriedade privada.
d) o regime disciplinar dos servidores públicos.
e) qualquer atividade de caráter normativo.

Resposta: Letra “b”.

11
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Procurador do Distrito Federal, realizado pela
ESAF – Escola Superior de Administração Fazendária.
12
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 27. ed., p.38.
13
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 24. ed., p.48.

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Perceba que Maria Sylvia Zanella di Pietro exclui do âmbito do Direito


Administrativo a regência de atividades contenciosas (litigiosas) da
Administração Pública. Somente a atividade jurídica não contenciosa está
inserida em seu conceito de Direito Administrativo.
José dos Santos Carvalho Filho14, por sua vez, afirma ser o Direito
Administrativo “o conjunto de normas e princípios que, visando sempre ao
interesse público, regem as relações jurídicas entre as pessoas e os órgãos do
Estado e entre este e as coletividades a que devem servir”.
Por último, destaca-se o conceito de Direito Administrativo formulado por
Hely Lopes Meirelles15, que, se valendo do critério da Administração Pública,
o define como o “conjunto harmônico de princípios jurídicos que regem os órgãos,
os agentes e as atividades públicas tendentes a realizar concreta, direta e
imediatamente os fins desejados pelo Estado”.
Sobre o conceito apresentado pelo saudoso professor, grifei três expressões
que são de extrema importância para aqueles que estão se preparando para
concursos públicos: concreta, direta e imediatamente.
Primeiramente, destaca-se que não está inserida no âmbito do Direito
Administrativo a atividade legislativa do Estado, já que abstrata (tem por
objetivo regular uma quantidade indeterminada de situações futuras que se
enquadrem nos termos da lei). O Direito Administrativo restringe-se a disciplinar
atividades concretas (específicas), a exemplo da prestação de serviços
públicos, construção de escolas e hospitais, nomeação de aprovados em
concursos públicos, exercício de polícia administrativa etc.
A atividade administrativa é também atividade direta, pois a
Administração Pública é parte nas relações jurídicas de direito material e não
precisa ser provocada para agir (não precisa ser acionada por um particular
para tapar um buraco na rua, por exemplo). A Administração pode tapar o buraco
independentemente de solicitação do particular. Indireta é a atividade do Poder
Judiciário, que, em regra, somente pode agir mediante provocação do
interessado (terá que aguardar a propositura de ação judicial para atuar no caso
em concreto).
Ademais, lembre-se de que a atividade administrativa é imediata. Assim,
de sua atuação fica afastada a atividade mediata do Estado, que é a denominada

14
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 26. ed. São Paulo: Atlas, 2013, p.8.
15
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 27. ed., p.38.

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“ação social do Estado” (atividade de traçar as diretrizes sociais que devem ser
seguidas pelo Estado), pois esta incumbe ao Governo.

1.5. Função administrativa


No Brasil as atividades estatais básicas estão distribuídas entre Poderes
independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Judiciário e o Executivo,
vocacionados ao desempenho, respectivamente, das funções normativa, judicial
e administrativa, estando esta última concentrada no Executivo, o qual a exerce
precipuamente, mas sem exclusividade16.
Sem sombra de dúvidas, a função administrativa (também denominada de
atividade administrativa17) é exercida preponderantemente pelo Poder
Executivo, que possui como função típica (função principal) aplicar a lei de
ofício, “provendo de maneira imediata e concreta às exigências individuais ou
coletivas para a satisfação dos interesses públicos preestabelecidos em lei”18. É
o que acontece, por exemplo, quando a Administração Pública está recolhendo o
lixo gerado pelos indivíduos ou quando realiza licitação para aquisição de material
de escritório.
Todavia, não é correto afirmar que a função administrativa somente é
exercida pelo Poder Executivo, pois também se manifesta no âmbito do Poder
Legislativo e Poder Judiciário. Ao conceder licença, férias e outros afastamentos
a seus membros e aos juízes e servidores que lhes forem imediatamente
vinculados (CF/1988, art. 96, I, f), por exemplo, os Tribunais do Poder Judiciário
exercem função administrativa. O mesmo ocorre quando a Câmara dos
Deputados dispõe sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação,
transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços
(CF/1988, art. 51, IV).
No mesmo sentido, destaca-se que o Poder Executivo não se restringe ao
exercício da função administrativa, pois também lhe é assegurada a prerrogativa
de exercer função legislativa e judicial, porém, atipicamente. Quando edita
medida provisória, nos termos do art. 62 da Constituição Federal, o Chefe do
Poder Executivo Federal exerce função legislativa (competência também

16
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Juiz Federal Substituto do Tribunal Regional
Federal da 4ª Região, realizado pelo próprio Tribunal.
17
Para fins de concursos públicos, as expressões função administrativa e atividade administrativa são utilizadas como
sinônimas. Todavia, Marçal Justen Filho afirma que “a função administrativa é um conjunto de competências, e a atividade
administrativa é a sequência conjugada de ações e omissões por meio das quais se exercita a função e se persegue a
realização dos fins que a norteiam e justificam sua existência. A função administrativa se traduz concretamente na
atividade administrativa”. In Curso de Direito Administrativo. 8. ed. Belo Horizonte: Fórum, 2012, p.98.
18
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 24. ed., p.195.

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assegurada aos Governadores e Prefeitos em razão do princípio da simetria). De


outro lado, quando o Presidente da República concede indulto e/ou comutação
de pena (CF/1988, art. 84, XII), a decisão produzirá efeitos no âmbito judicial.
Assume relevo a função administrativa na medida em que é considerada
uma atividade estatal residual, ou seja, assume as competências que não forem
definidas como normativa e jurisdicional. Esse efeito faz com que o espectro de
competências do administrador público seja vastíssimo19.
Em outras palavras, alguns autores20 definem o que é função administrativa
por exclusão. Se a atividade sob análise não for legislativa (normativa) ou
jurisdicional, fatalmente será administrativa, abarcando, portanto, competências
relativas a planejamento, decisão, gerenciamento, organização, controle,
execução, fiscalização, entre outras.
As bancas examinadoras têm o hábito de apresentar em provas, como
exemplos de função administrativa, a prestação de serviços públicos, o
desenvolvimento de atividades de fomento (incentivo à iniciativa privada de
interesse público, a exemplo da concessão de empréstimos com juros
subsidiados), o exercício do poder de polícia administrativa e a intervenção
estatal na atividade econômica, mediante fiscalização e regulamentação.
Para Celso Antônio Bandeira de Mello21, função administrativa “é a função
que o Estado, ou quem lhe faça as vezes, exerce na intimidade de uma estrutura
e regime hierárquicos e que no sistema constitucional brasileiro se caracteriza
pelo fato de ser desempenhada mediante comportamentos infralegais ou,
excepcionalmente, infraconstitucionais, submissos todos a controle de legalidade
pelo Poder Judiciário”.
Analisando-se o conceito elaborado pelo eminente professor, podem ser
extraídas duas conclusões importantes para fins de concursos públicos:
1ª) particulares, desde que no exercício de função pública (“que
façam as vezes de Administração Pública”), também exercem função
administrativa, ainda que não integrem a Administração Pública
brasileira. É o caso dos concessionários e permissionários, que, depois de
apresentarem proposta mais vantajosa em processo licitatório, formalizam
contrato administrativo com o Poder Público e recebem a incumbência de prestar
serviços públicos (a exemplo do transporte coletivo urbano).

19
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Analista Jurídico da Procuradoria Geral do
Distrito Federal, realizado pelo IADES – Instituto Americano de Desenvolvimento.
20
MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. Curso de Direito Administrativo. 15. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2009, p. 23.
21
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2009, p. 36.

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2ª) a função administrativa é desempenhada através de condutas


infralegais ou, excepcionalmente, infraconstitucionais: a regra é a de que
a atividade administrativa seja desempenhada através de atos infralegais (que
possuem status hierárquico inferior ao da lei, a exemplo de decreto de
nomeação de candidato aprovado em concurso público). Todavia, em caráter
excepcional a função administrativa se materializa diretamente pela lei (ato
normativo que possui status hierárquico inferior ao da Constituição Federal,
portanto, infraconstitucional), sem a necessidade da edição de ato
administrativo. É o que ocorre, por exemplo, quando lei cria 30 cargos na
estrutura de determinado órgão público.
E para finalizar o nosso tópico sobre função administrativa, apresento
interessante assertiva considerada correta e cobrada na prova para o cargo de
Técnico Judiciário do TRE/SC, realizado pela PONTUA22 em 2011:

“A função administrativa é o conjunto de poderes jurídicos destinados a


promover a satisfação de interesses essenciais, relacionados com a promoção de
direitos fundamentais, cujo desempenho exige uma organização estável e
permanente, que se faz sob o regime jurídico infralegal e submetido ao controle
jurisdicional”.

1.5.1. Função administrativa e função de governo (função política)


Para responder às questões elaboradas pelas bancas examinadoras, o
candidato deve estar atento às diferenças conceituais entre as expressões
“função administrativa” e “função de governo”.
A função administrativa é atividade subordinada à lei (infralegal) e que
tem por objetivo a satisfação das necessidades coletivas através de atos
concretos (construção de um hospital, por exemplo). De outro lado, a função
política (ou função de governo) está pautada diretamente no texto
constitucional, caracterizando-se pela independência e discricionariedade
(celebração de tratados internacionais e decretação de intervenção federal, por
exemplo).
Enquanto a função administrativa é exercida pela Administração Pública,
a função política é exercida pelo Governo.

22
Na verdade, a banca simplesmente reproduziu a definição de função administrativa elaborada por Marçal Justen Filho,
disponível em seu Curso de Direito Administrativo. 8. ed. Belo Horizonte: Fórum, 2012, p. 94.

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A função de governo é responsável pelo estabelecimento de metas,


objetivos e diretrizes que devem orientar a atividade administrativa,
apresentando-se como soberana (porque somente se subordina ao texto
constitucional), de comando, coordenação, direção e planejamento.
Maria Sylvia Zanella di Pietro23 afirma que “existe uma preponderância do
Poder Executivo no exercício das atribuições políticas; mas não existe
exclusividade no exercício dessa atribuição. E quando se pensa em função política
como aquela que traça as grandes diretrizes, que dirige, que comanda, que
elabora os planos de governo nas suas várias áreas de atuação, verifica-se que
o Poder Executivo continua, na atual Constituição, a deter a maior parcela de
atuação política, pelo menos no que diz respeito às iniciativas, embora grande
parte delas sujeitas à aprovação, prévia ou posterior, do Congresso Nacional;
aumenta a participação do Legislativo nas decisões do Governo”.
A função política é exercida pelos poderes Executivo e Legislativo, que,
conjuntamente, são responsáveis pela elaboração das políticas públicas e
diretrizes que devem embasar a atuação da Administração Pública
(responsável pela execução das decisões tomadas pelo Governo). O Poder
Judiciário não exerce função de governo, apesar de possuir a prerrogativa de
controlá-la, quando forem violados os limites constitucionais.
Para facilitar ainda mais a assimilação das informações apresentadas,
utilizar-me-ei de um exemplo prático que, apesar de fictício, é bastante útil para
diferenciar a função administrativa da função política ou de governo.
Analisemos a notícia abaixo, veiculada no site globo.com, em
03/03/2009, de autoria da jornalista Soraya Aggege e com colaboração de
Catarina Alencastro.

“Desmatamento: Amazônia perdeu duas cidades do Rio em 6 meses

O desmatamento na Amazônia Legal atingiu pelo menos 2.639 quilômetros


quadrados de agosto de 2008 a janeiro deste ano, o equivalente a uma
área superior ao dobro da cidade do Rio de Janeiro. Os dados foram
divulgados nesta terça pelo Instituto Nacional de Pesquisas Aeroespaciais
(Inpe)”.

23
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 24. ed., p.54.

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Ficou assustado com a notícia? O Presidente da República, na época da


divulgação, também. Tanto é verdade que no ano de 2009 ele convocou uma
reunião extraordinária com o Ministro do Meio Ambiente e os Presidentes da
Câmara dos Deputados e do Senado Federal para discutir a elaboração de
políticas públicas aptas a reduzir o nível de desmatamento na Amazônia.
Na reunião, ficou acertado que o Poder Executivo enviaria para o
Congresso Nacional um projeto de lei criando regras mais restritivas ao
desmatamento na Amazônia, bem como proposta de criação de mais 2.000 (dois
mil) cargos públicos de fiscalização nos órgãos e entidades federais que integram
o Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA. De outro lado, o Poder
Legislativo assumiu o compromisso de aprovar o referido projeto em ambas as
casas (Câmara dos Deputados e Senado Federal). Todas essas condutas seriam
implementadas com a finalidade de reduzir, em 50%, o desmatamento na
Amazônia até o ano de 2015.
Pergunta: Na reunião acima, levando-se em consideração os “acordos” e
as decisões tomadas pelos participantes, colocou-se em prática a função de
governo ou a função administrativa?
É lógico que a função de governo! Mas por quê? Porque foram estabelecidas
diretrizes e políticas públicas. As autoridades participantes da reunião
chegaram a um consenso sobre o que deveria ser feito para reduzir o índice de
desmatamento. Todavia, faltava definir ainda quem iria executar as decisões
tomadas, isto é, efetivar as políticas públicas ambientais instituídas, após a
aprovação pelo Congresso Nacional.
Pergunta: Quem vai para o interior da floresta fiscalizar se os madeireiros
estão a desmatando ilegalmente? O Presidente da República, o Ministro do Meio
Ambiente, o Presidente da Câmara ou o Presidente do Senado Federal?
Nenhum deles! O Presidente da República e o Ministro do Meio Ambiente
(Poder Executivo), juntamente com os Presidentes da Câmara dos Deputados e
do Senado Federal (Poder Legislativo), que integram o núcleo do Governo, são
responsáveis apenas por elaborar e aprovar as políticas públicas de combate
ao desmatamento, conforme lhes autoriza a Constituição Federal (função de
governo).
A execução das políticas públicas de combate ao desmatamento, que
foram definidas pelo Governo, ficará sob a responsabilidade da Administração
Pública, através de seus órgãos e entidades de execução e fiscalização

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ambiental, a exemplo do IBAMA24 (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos


Recursos Naturais Renováveis) e ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação
da Biodiversidade), que ao atuarem estarão exercendo função administrativa.
Analisemos, agora, outra notícia postada em 05/06/2013 no mesmo site
(www.g1.com.br25), de autoria de Priscilla Mendes:

Amazônia Legal tem menor índice de desmatamento já medido


A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, divulgou nesta quarta-feira
(5) que o desmatamento da Amazônia Legal entre agosto de 2011 e julho
de 2012 foi de 4.571 km², menor índice desde que foram iniciadas as
medições, em 1988. A área equivale a três vezes o tamanho do município
de São Paulo.

Analisando-se conjuntamente as notícias postadas nos anos de 2009 e


2013, tudo leva a crer que a reunião realizada entre o Presidente da República,
Ministro do Meio Ambiente, Presidentes da Câmara dos Deputados e Senado
Federal começaram a produzir os seus efeitos.
As políticas públicas (diretrizes e metas) adotadas pelo Governo (Poderes
Executivo e Legislativo) no exercício da função política conseguiram reduzir o
índice de desmatamento na Amazônia. Entretanto, deve ficar claro que as
decisões políticas somente produziram bons resultados porque foram
implementadas eficientemente pela Administração Pública (Poder Executivo),
através de seus órgãos e entidades de execução (no exercício da função
administrativa, os agentes públicos dos órgãos e entidades promoveram
fiscalizações, apreensões, retenções de produtos naturais extraídos ilegalmente
etc.).
É possível afirmar que “o governo é atividade política e discricionária e tem
conduta independente, enquanto a administração é atividade neutra,
normalmente vinculada à lei ou à norma técnica e exercida mediante conduta
hierarquizada”26. Ademais, enquanto o Governo (função de governo) é estudado

24
A Lei 7.735/89, alterada pela Lei 11.516/07, dispõe em seu art. 2º que o IBAMA foi criado com a finalidade de: “I -
exercer o poder de polícia ambiental; II - executar ações das políticas nacionais de meio ambiente, referentes às atribuições
federais, relativas ao licenciamento ambiental, ao controle da qualidade ambiental, à autorização de uso dos recursos
naturais e à fiscalização, monitoramento e controle ambiental, observadas as diretrizes emanadas do Ministério do Meio
Ambiente; III - executar as ações supletivas de competência da União, de conformidade com a legislação ambiental
vigente”.
25
Acessado em http://g1.globo.com/natureza/noticia/2013/06/dado-consolidado-aponta-baixa-recorde-no-desmate-da-
amazonia.html. Acesso em 20/06/13, às 8h55m.
26
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Engenheiro Civil do INSS, realizado pelo
CESPE.

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no âmbito do Direito Constitucional, a Administração Pública (função


administrativa) é objeto de estudo do Direito Administrativo.

No concurso para o cargo de Assistente Técnico do Ministério da Integração,


realizado em 2013, o CESPE considerou correto o seguinte enunciado: “Na sua
acepção formal, entende-se governo como o conjunto de poderes e órgãos
constitucionais”.

1.6. Competência para legislar sobre Direito Administrativo


Todos os entes federativos (União, Estados, Municípios e Distrito Federal)
possuem competência para legislar sobre Direito Administrativo. E não poderia
ser diferente, já que possuem autonomia, isto é, capacidade de auto-
organização, autogoverno e autoadministração.
Em termos gerais, afirma-se que a União, Estados e Distrito Federal podem
legislar concorrentemente sobre o Direito Administrativo, nos termos do art.
24 da Constituição Federal de 1988. Os Municípios, em contrapartida, possuem
competência suplementar para legislar sobre a matéria, desde que sobre
assuntos de interesse local (CF/1988, art. 30, I).
Ao criar a Lei 8.112/1990 (Estatuto dos Servidores Públicos Federais), por
exemplo, a União exerceu a sua competência para legislar sobre o Direito
Administrativo. O mesmo acontece quando os Estados e Municípios criam os seus
respectivos estatutos jurídicos de servidores públicos, assegurando-lhes os
direitos e deveres expressamente arrolados na lei.

2. Fontes do Direito Administrativo

Segundo o Dicionário Larousse da Língua Portuguesa27, o vocábulo fonte


significa ”lugar em que continuamente nasce água”; “princípio, origem, causa”.
Nesse contexto, as fontes do Direito Administrativo são as formas pelas quais a
disciplina jurídica é levada ao conhecimento dos seus destinatários.
O Direito Administrativo se manifesta através da lei, sua fonte principal,
e também por meio da doutrina, jurisprudência e costumes administrativos.

27
LAROUSSE, Ática. Dicionário da Língua Portuguesa. 1. ed. São Paulo: Ática, 2001, p. 453.

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2.1. Fontes escritas e não escritas


Em relação ao Direito Administrativo, as fontes escritas são as chamadas
genericamente de lei (Constituição, Emenda Constitucional, Lei Complementar,
Lei Ordinária, Medida Provisória, entre outras), enquanto as não escritas são a
jurisprudência, os costumes, e os princípios gerais de direito28.

2.2. Fontes primárias (diretas) e secundárias (indiretas)


2.2.1. Fontes primárias ou diretas
As fontes primárias, também denominadas de diretas ou principais, são
aquelas que primeiramente devem pautar as condutas administrativas,
legitimando as atividades exercidas pelas entidades, agentes e órgãos públicos.
Tanto a Constituição Federal como a lei em sentido estrito constituem fontes
primárias do Direito Administrativo29.

2.2.1.1. Leis
Em decorrência do princípio da legalidade, a lei é a mais importante de
todas as fontes do direito administrativo30, apresentando-se como o único
instrumento hábil a criar obrigações e deveres para a Administração Pública e
para os que com ela se relacionem juridicamente.
No âmbito da expressão “lei” devem se incluídas as normas constitucionais
e os atos normativos primários previstos no artigo 59 da Constituição Federal
(emendas constitucionais, leis complementares, leis ordinárias, medidas
provisórias, leis delegadas, decretos legislativos e resoluções),
independentemente do ente estatal responsável pela edição (União, Estados,
Municípios e Distrito Federal).
A Administração Pública deve sempre observar os mandamentos previstos
nesses instrumentos normativos para exercer a atividade administrativa.
Qualquer conduta administrativa exercida sem amparo legal é, no mínimo,
ilegítima, ensejando, assim, a respectiva anulação pela própria Administração
ou pelo Poder Judiciário.

28
GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 27.
29
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Analista Judiciário do Tribunal Regional
Eleitoral de Pernambuco, realizado pela Fundação Carlos Chagas – FCC.
30
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Analista Judiciário do Tribunal Regional do
Trabalho da 10ª Região, realizado pelo CESPE.

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2.2.1.1.1. Tratados e acordos internacionais


Não restam dúvidas de que os tratados e acordos internacionais, quando
versarem sobre matérias afetas à Administração Pública, também serão fontes
do Direito Administrativo.
A Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, por exemplo,
impõe aos seus signatários (inclusive o Brasil) a obrigatoriedade de adoção de
vários instrumentos de controle da Administração Pública, além da necessidade
de criação de outras medidas que aumentem a transparência dos gastos públicos
e atos praticados por servidores.
A Convenção foi assinada em 9 de dezembro de 2003, na cidade de Mérida,
no México, tendo sido posteriormente ratificada pelo Decreto Legislativo nº 348,
de 18 de maio de 2005 , e promulgada pelo Decreto Presidencial nº 5.687, de 31
de janeiro de 2006.

2.2.2. Fontes secundárias ou indiretas


As fontes secundárias, também denominadas de indiretas, são
responsáveis por auxiliar o administrador público no exercício da atividade
administrativa, porém, sempre devem ser subordinar aos ditames da lei.

2.2.2.1. Jurisprudência
A jurisprudência pode ser definida como o conjunto reiterado de decisões
dos Tribunais, acerca de determinado assunto, no mesmo sentido. É
importante esclarecer que várias decisões monocráticas (proferidas por juízes
singulares de primeira instância, por exemplo) sobre um mesmo assunto, ainda
que proferidas no mesmo sentido, não constituem jurisprudência. Para que
tenhamos a formação de jurisprudência é necessário que as decisões (várias)
tenham sido proferidas por um Tribunal (STF, STJ, TRF da 1ª Região, TRE/MG
etc.).
Exemplo: atualmente, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no
sentido de que candidato aprovado em concurso público, dentro do limite de
vagas disponibilizadas no edital, tem direito líquido e certo à nomeação dentro
do prazo de validade do certame.
Caso o prazo de validade do concurso público tenha expirado sem a
nomeação do candidato, este pode impetrar mandado de segurança no Poder
Judiciário para assegurar o seu direito, ainda que não exista lei assegurando o
provimento.

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Nesse caso, o pedido de nomeação será baseado na jurisprudência do


Supremo Tribunal Federal, abaixo exemplificada:
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. CONCURSO
PÚBLICO. PREVISÃO DE VAGAS EM EDITAL. DIREITO À NOMEAÇÃO DOS
CANDIDATOS APROVADOS. I. DIREITO À NOMEAÇÃO. CANDIDATO
APROVADO DENTRO DO NÚMERO DE VAGAS PREVISTAS NO EDITAL.
Dentro do prazo de validade do concurso, a Administração poderá escolher o
momento no qual se realizará a nomeação, mas não poderá dispor sobre a própria
nomeação, a qual, de acordo com o edital, passa a constituir um direito do
concursando aprovado e, dessa forma, um dever imposto ao poder público. Uma
vez publicado o edital do concurso com número específico de vagas, o ato da
Administração que declara os candidatos aprovados no certame cria um dever de
nomeação para a própria Administração e, portanto, um direito à nomeação
titularizado pelo candidato aprovado dentro desse número de vagas. [...] (STF,
Recurso Extraordinário nº 598.099/MS, Rel. Min. GILMAR MENDES,
Publicado no em 03-10-2011).

2.2.2.1.1. Súmula vinculante


Considerada fonte secundária do direito administrativo, a jurisprudência
não tem força cogente de uma norma criada pelo legislador, salvo no caso de
súmula vinculante, cujo cumprimento é obrigatório pela administração pública31.
No Direito brasileiro, a jurisprudência não possui efeito vinculante, isto
é, não obriga os órgãos judiciários de instância inferior a decidirem de forma
idêntica. Ainda que o Supremo Tribunal Federal tenha jurisprudência consolidada
no sentido de que o candidato aprovado dentro do número de vagas em concurso
público possui direito à nomeação, os juízes que atuam em instâncias inferiores
não estão obrigados a segui-la, pois são livres para formar o próprio
convencimento (se o juiz proferir decisão contrária ao entendimento do STF
admite-se recurso para as instâncias superiores).
Entretanto, com a promulgação da Emenda Constitucional 45/04 o
Supremo Tribunal Federal recebeu a competência para editar súmula
vinculante (CF/1988, art. 103-A), que, a partir de sua publicação na imprensa
oficial, terá efeito vinculante (de observância obrigatória) em relação aos
demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas
esferas federal, estadual e municipal.

31
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Analista de Planejamento do INPI, realizado
pelo CESPE.

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Enquanto a jurisprudência é considerada fonte secundária do Direito


Administrativo, a súmula vinculante apresenta-se como fonte primária (direta
ou principal), já que produz efeitos semelhantes ao da lei, obrigando todos os
órgãos inferiores do Poder Judiciário e da Administração Pública brasileira.
No concurso público para o cargo de Analista Judiciário do TRT da 10ª
Região, realizado em 2013, o CESPE considerou incorreta a seguinte assertiva:
“As decisões judiciais com efeitos vinculantes ou eficácia erga omnes são
consideradas fontes secundárias de direito administrativo, e não fontes
principais”.
2.2.2.2. Costumes
O costume pode ser entendido como o conjunto de regras informais, não
escritas, praticado habitualmente no interior da Administração Pública (requisito
objetivo) com a convicção generalizada de que é obrigatório (requisito
subjetivo). Os costumes são considerados fontes do Direito Administrativo
porque, em várias situações, proporcionam o suprimento de lacunas ou
deficiências existentes na legislação administrativa.
É muito comum o servidor público praticar condutas administrativas que
foram “ensinadas” por colega da repartição. Contudo, na maioria das vezes o
servidor sequer procurar conhecer a origem legal de tal atividade, isto é,
pesquisar qual dispositivo de lei autorizou ou determinou a realização do ato. Por
se tratar de conduta que simplesmente foi “ensinada” por outro servidor mais
experiente, incorpora-se nas atribuições diárias, fundamentada na convicção de
que deve ser obrigatoriamente exercida daquela maneira (apesar de não existir
lei nesse sentido).
É o que acontece, por exemplo, quando o servidor arquiva em ordem
cronológica (por ano de instauração) os processos administrativos que
tramitaram em determinado órgão administrativo. Apesar de ser mais útil e
eficiente arquivá-los em ordem alfabética, o servidor tem a convicção de que o
arquivamento por ordem cronológica é obrigatório, já que a prática lhe foi
repassada por colega de repartição que acabara de se aposentar
compulsoriamente (aos setenta anos de idade).
Se o costume estiver em desacordo com a legislação vigente (contra
legem), não poderá prevalecer. Sobre os costumes praeter legem (além da lei),
ainda que admitidos em algumas situações especiais com o objetivo de
complementar o sistema normativo, não criam normas impostas
obrigatoriamente aos agentes públicos. Ainda que determinada atividade
administrativa esteja atualmente sendo exercida com base em costume, não

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existe a obrigatoriedade de sua manutenção para casos futuros, já que a lei pode
alterá-lo ou vedá-lo a qualquer momento.

2.2.2.2.1. Praxe administrativa


Para fins de concursos públicos, deve ficar claro que a doutrina distingue o
costume da praxe administrativa. Enquanto aquele apresenta,
cumulativamente, os requisitos objetivo (prática habitual e continua) e
subjetivo (convicção de que se trata de conduta obrigatória), esta não possui o
requisito subjetivo.
Em outras palavras, a praxe administrativa se refere às rotinas
desempenhadas no interior da Administração Pública com o propósito de facilitar
e tornar mais eficiente a execução das atividades administrativas previstas em
lei.
É praxe administrativa em vários órgãos da Administração Pública Federal,
por exemplo, designar servidor bacharel em Direito para presidir comissão de
processo administrativo disciplinar. Apesar do art. 149 da Lei 8.112/1990 não
exigir formação jurídica para o exercício da função, trata-se de prática rotineira,
presumindo-se que nesse caso o processo será conduzido mais tecnicamente.
Diogo de Figueiredo Moreira Neto afirma que “não obstante esta utilidade,
a doutrina, em geral, nega-lhes o caráter de fonte de direito, mas, do mesmo
modo que ocorre com o costume, nada impedirá que uma boa praxe
administrativa possa vir a ser referendada e tornada de observância obrigatória,
desde que formalmente reconhecida, no nível adequado, pelo ordenamento
jurídico”32.
Apesar do entendimento do eminente professor, destaca-se que no
concurso público para o cargo de Analista da FINEP, realizado em 2010, o CESPE
considerou correta assertiva que considerava tanto o costume quanto a praxe
administrativa fontes indiretas do Direito Administrativo: “O costume e a praxe
administrativa são fontes inorganizadas do direito administrativo, que só
indiretamente influenciam na produção do direito positivo”.
Se você está se preparando para concursos públicos organizados pelo
CESPE, deve ficar atento ao posicionamento da banca!

2.2.3. Doutrina

32
MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. Curso de Direito Administrativo. 15. ed. p. 75.

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A doutrina representa o estudo científico e sistematizado dos juristas e


professores em geral sobre a aplicabilidade e interpretação das normas
administrativas. Tem a função de esclarecer e explicar o correto conteúdo das
leis, bem como influenciar a criação de novas legislações através de opiniões
manifestadas em livros especializados, artigos, pareceres etc.
Trata-se de fonte secundária do Direito Administrativo, bastante utilizada
para suprir omissões ou deficiências legislativas que, não raramente, apresentam
alto grau de complexidade, principalmente se analisadas pelo cidadão leigo.

2.2.4. Princípios gerais do Direito


Os princípios são postulados fundamentais universalmente reconhecidos no
mundo jurídico, sejam eles expressos ou implícitos. Também são considerados
fontes do Direito Administrativo, já que servem de fundamento e base para a
criação da própria legislação administrativa, conforme estudaremos no próximo
capítulo.

3. Sistemas administrativos
Em termos gerais, afirma-se que os atos editados pela Administração
Pública podem ser submetidos a dois sistemas distintos de controle jurisdicional,
variando em razão do ordenamento jurídico sob análise: o contencioso
administrativo (também chamado de sistema francês) e o sistema judiciário
ou de jurisdição única (também conhecido como sistema inglês).

3.1. Sistema do contencioso administrativo ou sistema francês


Como a própria designação declara, o sistema do contencioso
administrativo nasceu na França, em 1790. À época, logo após a Revolução
Francesa, chegou-se à conclusão de que os órgãos do Poder Judiciário deveriam
ser impedidos de decidir questões que envolvessem a Administração Pública, já
que os magistrados eram nomeados pelo monarca, fato que poderia
comprometer a imparcialidade necessária aos julgamentos. Existia grande
receio de que os magistrados não proferissem decisões que pudessem contrariar
os interesses da Administração Pública.
Nesses termos, a jurisdição foi compartilhada entre o Poder Judiciário
(que ficou responsável pelo julgamento das causas comuns, que não
envolvessem a Administração Pública) e Tribunais Administrativos
(encarregados de solucionar as demandas de interesse da Administração

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Pública). Se um indivíduo fosse atropelado por veículo prestador de serviços


públicos, por exemplo, eventual ação de reparação pelos danos sofridos deveria
ser julgada pela jurisdição administrativa. De outro lado, se o atropelamento
fosse ocasionado por veículo particular, a demanda seria analisada pelo Poder
Judiciário.
A principal característica do sistema denominado contencioso
administrativo é a de que os ordenamentos jurídicos que o adotam conferem a
determinadas decisões administrativas a natureza de coisa julgada oponível ao
próprio Poder Judiciário33. Em outras palavras, as decisões proferidas pela
jurisdição administrativa não podem ser revistas pelo Poder Judiciário, fazendo
coisa julgada material.
Na França, o órgão encarregado de decidir, em última instância, as matérias
administrativas que envolvem a Administração Pública francesa é o Conselho de
Estado. Apesar de não integrar a estrutura do Poder Judiciário, este não poderá
rever as decisões proferidas pelo Conselho de Estado, cujas decisões também são
consideradas definitivas.
No Brasil não existem órgãos administrativos dotados de competências
semelhantes às do Conselho de Estado Francês. Aqui, todas as decisões
provenientes dos órgãos e entidades administrativas podem ser revistas pelo
Poder Judiciário, ainda que proferidas por agências reguladoras (ANATEL, ANS,
ANVISA etc.).
Fique atento ao responder às questões de concursos. Classificar um sistema
de controle jurisdicional da administração pública como sistema contencioso ou
sistema de jurisdição única não implica afirmar a exclusividade da jurisdição
comum ou especial, mas a predominância de uma delas34. Hely Lopes
Meirelles35 afirma que mesmo no contencioso administrativo existem certas
demandas de interesse da Administração que ficam sujeitas à justiça comum, a
saber: a) litígios decorrentes de atividades públicas com caráter privado; b)
litígios que envolvam questões de estado e capacidade das pessoas e de
repressão penal; c) litígios que se refiram à propriedade privada.
O sistema do contencioso administrativo não é adotado no Brasil.

3.2. Sistema de jurisdição única (una) ou sistema inglês

33
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Técnico Judiciário do Tribunal Regional
Eleitoral do Maranhão, realizado pelo CESPE.
34
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Procurador Federal da Advocacia Geral da
União, realizado pelo CESPE.
35
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 27. ed., p.52.

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Também conhecido como sistema judicial, impõe que todos os litígios


surgidos no âmbito social, de interesse da Administração Pública ou
exclusivamente de particulares, sejam solucionados pela jurisdição comum
(Poder Judiciário). Trata-se de sistema que possui forte influência inglesa e
americana.
No Brasil é adotado o sistema anglo-americano de unidade de jurisdição
para o controle jurisdicional da Administração Pública36.
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º, XXXV, declara
expressamente que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou
ameaça a direito”. Assim, mesmo que a Administração Pública tenha proferido
decisão sobre determinada matéria (aplicação de penalidade a servidor público,
imposição de multa a particular, revisão de processo administrativo etc.),
assegura-se àquele que se sentir prejudicado recorrer ao Poder Judiciário para
discutir novamente a questão.
Se o particular é multado por eventual infração de trânsito, por exemplo,
poderá recorrer diretamente à Administração Pública para tentar anulá-la, ou, se
preferir, propor ação judicial com o esse objetivo. Se optar pela primeira hipótese,
ainda que seu recurso administrativo seja indeferido poderá acionar o Poder
Judiciário pleiteando a anulação da decisão administrativa.
Em nosso ordenamento jurídico, apenas o Poder Judiciário possui a
prerrogativa de proferir decisões com força de coisa julgada material (que não
pode ser alterada), por isso se fala em jurisdição única. Nenhuma decisão
proferida pela Administração Pública possui caráter definitivo em relação aos
administrados, que podem ainda provocar o judiciário com o objetivo de alterar
a decisão administrativa que não lhes tenha sido favorável.
Em provas de concursos públicos, fique atento ao se deparar com a
expressão coisa julgada administrativa. Para José dos Santos Carvalho
Filho37, “significa tão somente que determinado assunto decidido na via
administrativa não mais poderá sofrer alteração nessa mesma via administrativa,
embora possa sê-lo na via judicial”. Se não é mais cabível recurso na esfera
administrativa para impugnar decisão desfavorável ao administrado, fala-se em
coisa julgada administrativa.

36
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Promotor de Justiça do Estado de Santa
Catarina, realizado pelo próprio órgão.
37
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 26. ed., p.966.

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4. Regime jurídico-administrativo
A expressão regime jurídico da Administração Pública é utilizada para
designar, em sentido amplo, os regimes de direito público e de direito privado
a que pode submeter-se a Administração Pública38.
A Constituição Federal de 1988, em seu art. 173, caput, preceitua que
ressalvados os casos previstos em seu texto, a exploração direta de atividade
econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da
segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos
em lei.
Apenas em situações excepcionais o Estado irá explorar atividade
econômica, valendo-se, nessas hipóteses, de empresas públicas e sociedades de
economia mista. Ademais, caso isso ocorra, ficará sujeito ao regime jurídico de
direito privado próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos
e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários.
Nesse caso, o Estado não gozará de prerrogativas especiais em suas
transações com os particulares, pois será estabelecida uma relação jurídica
horizontal. E não poderia ser diferente. Se o Estado está atuando em setor
inicialmente reservado à iniciativa privada, seria injusto que pudesse usufruir de
“vantagens” não outorgadas aos seus concorrentes. Assim, será nivelado aos
particulares.
As empresas públicas (Caixa Econômica Federal e Correios, por exemplo)
e as sociedades de economia mista (Banco do Brasil, Banco do Nordeste,
Petrobrás etc.), que atuam na exploração de atividades econômicas, reger-
se-ão pelas mesmas regras impostas às demais empresa que atuam em seus
respectivos mercados, isto é, normas de direito privado.
Lembre-se: o Estado não possui a faculdade de optar pelo regime jurídico
que melhor atenda às suas necessidades. Caso esteja atuando na exploração de
atividade econômica, submeter-se-á obrigatoriamente às regras de direito
privado, nos termos do art. 173, § 1º, II, da CF/1988.
Entretanto, são freqüentes as questões de concursos afirmando que o
regime jurídico a que se sujeitam as empresas públicas e as sociedades de
economia mista é de natureza híbrida39, pois, mesmo quando explorando

38
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Analista Tributário da Receita Federal do
Brasil, realizado pela ESAF.
39
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Auditor de Controle Externo do Tribunal de
Contas do Espírito Santo, realizado pelo CESPE.

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atividades econômicas, não serão submetidas apenas às regras de direito


privado.
A afirmação é correta e deriva do fato de que as empresas públicas e
sociedades de economia mista também devem obediência aos princípios
insculpidos no art. 37 da CF/1988 e vários outros preceitos de direito público.
Para contratar seus empregados, por exemplo, estão obrigadas a realizar
concurso público. Antes de contratar serviços, adquirir bens ou realizar obras
devem se submeter às regras licitatórias, nos termos da Lei 8.666/1993.
Além de submissão às normas de direito privado, as empresas públicas e
sociedades de economia mista também estão obrigadas a observar várias
sujeições impostas pelo direito público, por isso afirmamos que tais entidades
são regidas por regime jurídico híbrido.
De outro lado, se a entidade pública exerce atividade típica de Estado,
a exemplo do poder de polícia administrativa, segurança pública, atividade
jurisdicional, entre outras, será regida pelas regras do direito público, isto é,
pelo denominado regime jurídico-administrativo.
Maria Sylvia Zanella di Pietro conceitua o regime jurídico-administrativo
como “o conjunto das prerrogativas e restrições a que está sujeita a
Administração e que não se encontram nas relações entre particulares40”.
Nesse caso, o Estado se apresentará em situação de superioridade em
relação aos particulares, sendo estabelecida uma relação vertical entre a
Administração Pública e os administrados, fato que lhe outorgará diversas
prerrogativas necessárias à satisfação do interesse público.
Para Celso Antônio Bandeira de Mello41, as “pedras de toque” do regime
jurídico-administrativo são os princípios da supremacia do interesse púbico
sobre o privado e indisponibilidade, pela Administração, dos interesses
púbicos.
O princípio da supremacia do interesse púbico sobre o privado
assegura à Administração Pública uma série de prerrogativas, que podem ser
entendidas como “vantagens” ou “privilégios” necessários para se atingir o
interesse da coletividade, estabelecendo uma relação jurídica vertical,
desigual, portanto, em face dos administrados. Compreende, em face da sua
desigualdade, a possibilidade, em favor da Administração, de constituir os
privados em obrigações por meio de ato unilateral daquela. Implica, outrossim,

40
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 24. ed., p.63.
41
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 26. ed., p. 55.

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muitas vezes, o direito de modificar, também unilateralmente, relações já


estabelecidas42.
Como exemplos dessas prerrogativas (ou vantagens), podemos citar a
existência de cláusulas exorbitantes nos contratos administrativos,
possibilitando à Administração, por exemplo, alterar ou rescindir unilateralmente
um contrato administrativo; a concessão de prazos diferenciados nos
processos em que for parte no Poder Judiciário (prazo em quádruplo para
contestar e em dobro para recorrer – art. 188 do Código de Processo Civil);
presunção de legitimidade e veracidade dos atos administrativos, entre
outras.
Sob uma primeira análise, pode parecer que as prerrogativas asseguradas
à Administração Pública são descabidas, desprovidas de qualquer razoabilidade,
pois colocam o particular em situação jurídica desfavorável. Todavia, destaca-se
que quem exerce “função administrativa” está adstrito a satisfazer interesses
públicos, ou seja, interesses de outrem: a coletividade. Por isso, o uso das
prerrogativas da Administração é legítimo se, quando e na medida dispensável
ao atendimento dos interesses públicos; vale dizer, do povo, porquanto nos
Estados Democráticos o poder emana do povo e em seu proveito terá de ser
exercido43.
A atuação da Administração Pública seria praticamente inviabilizada se,
antes de retirar os moradores de imóvel particular prestes a desabar, por
exemplo, tivesse que propor ação judicial pleiteando autorização para assim
proceder. Até que fosse deferida a autorização judicial, provavelmente, o imóvel
já teria desabado e morrido todos os seus moradores.
Em razão da supremacia do interesse público, os atos administrativos
gozam do atributo da autoexecutoriedade, portanto, a Administração Pública não
precisa de autorização judicial para executar as suas próprias decisões em
situações de emergência. No exemplo citado, os moradores poderiam ser
retirados do imóvel inclusive com a utilização de força policial, se necessário,
independentemente de autorização judicial.
Se o princípio da supremacia do interesse público sobre o privado assegura
“privilégios” (prerrogativas) para a Administração Pública, de outro lado, o
princípio da indisponibilidade do interesse público impõe restrições, isto
é, sujeições ou limitações à atividade administrativa, gerando a
responsabilização civil, penal e administrativa dos agentes que as
desrespeitarem. Dentre tais restrições, citem-se a observância da finalidade

42
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 26. ed., p. 70.
43
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 26. ed, p. 72

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pública, bem como os princípios da moralidade administrativa e da legalidade, a


obrigatoriedade de dar publicidade aos atos administrativos e, como decorrência
dos mesmos, a sujeição à realização de concursos para seleção de pessoal e de
concorrência pública para a elaboração de acordos com particulares44.
A obrigatoriedade de licitação para a contratação de serviços, aquisição de
bens ou realização de obras fundamenta-se no interesse público, que impõe a
seleção da proposta mais vantajosa dentre aquelas que foram apresentadas.
Assim, o Prefeito de determinado município não poderá adquirir 1.000 (mil)
computadores para os órgãos públicos municipais sem realizar licitação (essa é a
regra). Caso isso ocorra, estará dispondo do interesse público, que exige
licitação.
Maria Sylvia Zanella di Pietro afirma que “ao mesmo tempo em que as
prerrogativas colocam a Administração Pública em posição de supremacia
perante o particular, sempre com o objetivo de atingir o benefício da coletividade,
as restrições a que está sujeita limitam a sua atividade a determinados fins e
princípios que, se não observados, implicam desvio de poder e conseqüente
nulidade dos atos da Administração45”.
O regime jurídico-administrativo deve pautar a elaboração de atos
normativos administrativos, a execução de atos administrativos e, ainda, a sua
respectiva interpretação.

44
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 24. ed., p.63.
45
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 24. ed., p.63.

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RESUMO DE VÉSPERA DE PROVA - RVP

É subramo do Direito Público.


No Brasil, não se encontra codificado.
Começa a se desenvolver na França, a partir do ano de 1800.
Direito Administrativo Todas as entidades políticas (União, Estados, Distrito Federal e
Municípios) podem legislar sobre Direito Administrativo.

Regulamenta a atividade administrativa (ou função


administrativa), que se materializa preponderantemente no
Poder Executivo, apesar de também ser exercida pelo Poder
Legislativo e Judiciário.
Legalista ou exegético: restringe o Direito Administrativo
somente às leis, deixando de lados os princípios, jurisprudência
e demais fontes.
Poder Executivo: o Direito Administrativo tem por objeto de
estudo apenas os atos do Poder Executivo.
Serviço Público: o Direito Administrativo se limita à
regulamentação de serviços públicos.

Critérios para a Relações jurídicas: o Direito Administrativo é o único ramo do


conceituação do Direito Direito que disciplina as relações entre Administração Pública e
Administrativo administrados.

Teleológico ou finalístico: o Direito Administrativo


regulamenta apenas as atividades voltadas para os fins do
Estado.
Negativista ou residual: o Direito Administrativo teria por
objeto todas as atividades estatais que não sejam legislativas ou
jurisdicionais.
Administração Pública (adotado pela maioria dos autores): o
Direito Administrativo pode ser entendido como o conjunto de
princípios que regem a Administração Pública.
Primárias ou diretas: a Constituição Federal e as leis vigentes,
incluindo os tratados e acordos internacionais firmados pelo
Brasil.
Fontes do Direito Secundárias ou indiretas: jurisprudência (a súmula
Administrativo vinculante é interpretada como fonte primária); costumes (não
podem ser contrários à lei); doutrina; e princípios gerais do
Direito.

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Contencioso administrativo ou francês: existe uma


jurisdição administrativa (para decidir as demandas de interesse
Sistemas de controle
da Administração Pública) e a comum (responsável pelo
jurisdicional dos atos da
julgamento das demandas que não envolvam a Administração
Administração Pública
Pública). O Poder Judiciário não pode rever as decisões
(Sistemas proferidas no âmbito da jurisdição administrativa.
administrativos)

Jurisdição única ou inglês: compete ao Poder Judiciário


processar e julgar, em última instância, todas as demandas
existentes na sociedade, incluindo aquelas de interesse da
Administração Pública. É conseqüência do princípio do amplo
acesso ao Poder Judiciário ou inafastabilidade do Poder Judiciário
(art. 5º, XXXV, CF/1988). É o sistema adotado no Brasil.

É expressão utilizada para designar, em sentido amplo, os


regimes de direito público e de direito privado a que pode
submeter-se a Administração Pública.

Está pautado, basicamente, em dois princípios: supremacia do


interesse público sobre o privado (prerrogativas, a exemplo
da possibilidade de alteração unilateral dos contratos
administrativos) e indisponibilidade do interesse público
(sujeições, a exemplo da obrigatoriedade de realização de
concurso público e licitação).

Regime jurídico- O regime jurídico-administrativo deve pautar a elaboração de


administrativo atos normativos administrativos, a execução de atos
administrativos e, ainda, a sua respectiva interpretação.

Se a Administração Pública está atuando na exploração de


atividade econômica (nas hipóteses autorizadas pelo art. 173 da
CF/1988), submeter-se-á às regras de direito privado,
inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais,
trabalhistas e tributários. Também é correto afirmar que as
empresas públicas e sociedades de economia mista estão
submetidas a regime híbrido.

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SUMÁRIO – Princípios da Administração Pública

1. Considerações iniciais .................................................................................... 36


2. Normas, princípios e regras. Distinções básicas ............................................. 36
3. Colisão entre princípios .................................................................................. 39
4. Hierarquia entre princípios .............................................................................. 40
5. Princípios expressos e implícitos ................................................................... 40
6. Princípios básicos da Administração Pública ................................................. 42
7. Princípios constitucionais expressos ............................................................. 42
7.1. Princípio da legalidade ...................................................................... 42
7.1.1. Princípio da legalidade em relação aos particulares ................. 43
7.1.2. Princípio da legalidade em relação à Administração Pública ..... 45
7.1.3. Exceções provisórias e excepcionais ...................................... 45
7.1.3.1. Lei em sentido formal e sentido material .................... 46
7.1.4. Legalidade e discricionariedade administrativa ......................... 47
7.1.5. Princípio da legalidade e legalidade estrita .............................. 48
7.1.6. A deslegalização no direito brasileiro ...................................... 48
7.1.7. Demais atos normativos primários .......................................... 50
7.2. Princípio da impessoalidade .............................................................. 51
7.2.1. Dever de tratamento isonômico .............................................. 51
7.2.1.1. Súmula Nº 339 do STF .............................................. 52
7.2.1.2. Suspeição ou impedimento ....................................... 52
7.2.2. Vedação de promoção pessoal .............................................. 53
7.2.2.1. Teoria do funcionário (ou servidor) de fato ................ 53
7.2.3. Impessoalidade e finalidade pública ........................................ 53
7.3. Princípio da moralidade ..................................................................... 55
7.3.1. Moralidade comum e moralidade administrativa ....................... 55
7.3.2. Moralidade e Lei de Improbidade Administrativa ...................... 56
7.3.3. Vedação ao nepotismo – Súmula vinculante nº 13 do STF ....... 57
7.3.3.1. Nepotismo cruzado ................................................... 59
7.3.3.2. Exceção ao nepotismo: cargos políticos.................... 59
7.4. Princípio da publicidade .................................................................... 61
7.4.1. Exceções ao princípio da publicidade ..................................... 62

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7.4.2. Instrumentos de divulgação oficial .......................................... 63


7.4.3. Condição de eficácia e moralidade do ato .............................. 63
7.4.4. A divulgação da remuneração de agentes públicos ................. 64
7.4.5. Chamada pública ................................................................... 65

7.5. Princípio da eficiência ....................................................................... 66


7.5.1. Eficiência e economicidade ................................................... 66
7.5.2. Eficiência, eficácia e efetividade ............................................ 67
7.5.3. Manifestações constitucionais do princípio da eficiência .......... 67
8. Princípios implícitos
8.1. Princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse privado
............................................................................................................................ 69
8.1.1. Direito adquirido, ato jurídico perfeito e coisa julgada ............ 70
8.1.2. Prerrogativas decorrentes da supremacia do interesse público 70
8.2. Princípio da indisponibilidade do interesse público ......................... 71
8.2.1. Acordos judiciais .................................................................. ...... 72
8.2.1.1. Atenuação do princípio da indisponibilidade ............ 73
8.2.2. Alienação de bens públicos .................................................. 73
8.3. Princípios da razoabilidade e proporcionalidade .............................. 74
8.3.1. Princípio da razoabilidade ..................................................... 75
8.3.2. Princípio da proporcionalidade .............................................. 76
8.3.2.1. Tríplice fundamento da proporcionalidade ................. 77
8.4. Princípio da autotutela ...................................................................... 78
8.4.1. Princípio da sindicabilidade ................................................... 79
8.4.2. Ampla defesa e contraditório ................................................. 80
8.5. Princípio da tutela ou controle .......................................................... 80
8.6. Princípio da segurança jurídica ........................................................ 81
8.6.1. Princípio da proteção à confiança ......................................... 82
8.6.2. Princípio da boa-fé ..................................................................... 83
8.6.3. Princípio da continuidade dos serviços públicos ................... 85
8.6.3.1. Atividades públicas essenciais ........................................... 86
8.7. Princípio da motivação ..................................................................... 86
8.7.1. Motivo e motivação .............................................................. ....... 87

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8.7.2. Motivação aliunde ................................................................. 88


8.7.3. Teoria dos motivos determinantes .......................................... 89
8.8. Princípio da especialidade ................................................................ 90
8.9. Princípios da ampla defesa e contraditório ....................................... 90
8.10. Princípio da presunção de legitimidade e veracidade ..................... 91
8.11. Princípio do controle judicial dos atos administrativos .................. 92
8.12. Princípio da juridicidade ...................................................................... 93
9. Revisão de Véspera de Prova – RVP .................................................................... 94
10. Questões Comentadas ......................................................................................... 99

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1. Considerações iniciais
Quando alguém está iniciando a construção de um edifício sempre se
preocupa em realizar uma boa fundação, pois esta é responsável pela
sustentação da obra. A fundação, juntamente com os pilares da construção,
servirá de base para o assentamento dos tijolos e demais produtos que
culminarão no imóvel.
Se posteriormente o proprietário quiser derrubar uma parede de tijolos do
imóvel para aumentar o tamanho de um quarto, provavelmente será autorizado
pelo engenheiro. Todavia, se pretender quebrar um pilar, que é responsável pela
estrutura da edificação, certamente será desaconselhado.
No Direito, os princípios exercem função semelhante à da fundação e dos
respectivos pilares, pois servirão de base à criação das leis e execução da
atividade administrativa. Os princípios são verdadeiros guias que
estruturam, orientam e direcionam o legislador, no momento da elaboração
das leis, assim como o administrador público, no momento de sua aplicação.
Leis editadas em desconformidade com os princípios podem ser declaradas
inconstitucionais. Condutas administrativas que contrariem mandamentos
contidos em princípios podem ser consideradas ilegítimas e estão sujeitas à
invalidação pela própria Administração Pública ou pelo Poder Judiciário.
Em brilhante explanação, Celso Antônio Bandeira de Mello afirma que
“[...] violar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma
qualquer. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um
específico mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É
a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o
escalão do princípio violado, porque representa insurgência contra todo o
sistema, subversão de seus valores fundamentais, contumélia irremissível
a seu arcabouço lógico e corrosão de sua estrutura mestra46”.

2. Normas, princípios e regras. Distinções básicas.


As normas jurídicas podem ser entendidas como proposições gerais que
facultam, proíbem ou impõem comportamentos aos indivíduos.

46
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 26. ed., p.53.

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Em sua gênese, conforme a doutrina tradicional, as normas se confundiam


com as regras de conduta que veiculavam, sendo os princípios utilizados,
primordialmente, como instrumentos de interpretação e integração47.
Atualmente, os princípios deixaram de ser meros coadjuvantes, simples
instrumentos de integração e interpretação da norma, assumindo status de
verdadeira norma jurídica. É por isso que a doutrina majoritária afirma que a
expressão norma pode ser entendida como gênero, do qual se extraem duas
espécies: as regras e os princípios.
Luís Roberto Barroso e Ana Paula de Barcellos, em explicação
esclarecedora, afirmam que:
Regras são, normalmente, relatos objetivos, descritivos de determinadas
condutas e aplicáveis a um conjunto delimitado de situações. Ocorrendo a
hipótese prevista no seu relato, a regra deve incidir, pelo mecanismo
tradicional da subsunção: enquadram-se os fatos na previsão abstrata e
produz-se uma conclusão. A aplicação de uma regra se opera na
modalidade tudo-ou-nada: ou ela regula a matéria em sua inteireza, ou é
descumprida. Na hipótese do conflito entre duas regras, só uma será válida
e irá prevalecer. Princípios, por sua vez, contêm relatos com maior grau
de abstração, não especificam a conduta a ser seguida e se aplicam a um
conjunto amplo, por vezes indeterminado, de situações. Em uma ordem
democrática os princípios frequentemente entram em tensão dialética,
apontando direções diversas. Por essa razão, sua aplicação deverá se dar
mediante ponderação: à vista do caso concreto, o intérprete irá aferir o
peso que cada princípio deverá desempenhar na hipótese, mediante
concessões recíprocas, e preservando o máximo de cada um, na medida do
possível. Sua aplicação, portanto, não será no esquema do tudo-ou-nada,
mas graduada à vista das circunstâncias representadas por outras normas
ou por situações de fato48.

Em termos gerais, os princípios possuem um grau de abstração elevado,


enquanto as regras possuem um grau relativamente baixo. Os princípios não têm
o condão de detalhar exaustivamente todas as condições em que serão aplicados,
diferentemente das regras.

47
GARCIA. Emerson; Alves, Rogério Pacheco. Improbidade Administrativa. 6. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2011, p.
46.
48
BARROSO, Luís Roberto; BARCELLOS, Ana Paula de. A nova interpretação constitucional dos princípios. In:
LEITE, George Salomão (org). Dos princípios constitucionais. Considerações em torno das normas princípiológicas da
Constituição. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 109.

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Se a norma tiver que ser cumprida ou descumprida integralmente (tudo-


ou-nada), em sua plenitude, estar-se-á diante de regra. Se a norma permite o
seu cumprimento gradual, de acordo com as condições e possibilidades fáticas,
ter-se-á um princípio.
O art. 3º da Constituição Federal de 1988 preceitua que:
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do
Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades
sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo,
cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Nas normas constitucionais citadas como exemplo, estamos diante de


regras ou princípios? Antes de responder, lembre-se de que as regras devem
ser cumpridas de plano, integralmente, enquanto os princípios permitem
cumprimento gradual, em conformidade com as condições existentes.
Ora, não restam dúvidas de que estamos diante de princípios. Será que
os objetivos constitucionais traçados no art. 3º podem ser cumpridos de plano,
imediatamente? Certamente que não! Tais objetivos fundamentais somente
serão concretizados com o passar do tempo, gradualmente, através da criação e
desenvolvimento de políticas públicas que levem em conta, inclusive, a reserva
do possível49.
Em relação às regras, destaca-se como exemplo a norma contida no art.
5º, XL, da Constituição Federal de 1988, que assim dispõe: “XL - a lei penal não
retroagirá, salvo para beneficiar o réu”.
Nesse caso, fica claro que a norma tem que ser cumprida de plano, não
admitindo sua implementação gradual, com o transcurso do tempo. Ou a lei penal
é mais benéfica para o réu e retroage para beneficiá-lo, ou é prejudicial e não
poderá retroagir. É tudo ou nada. Essa é uma das características da regra.

49
No julgamento do Recurso Especial nº 1.185.474/SC, cujo acórdão foi publicado pelo Superior Tribunal de Justiça
em 29/04/2010, o Ministro relator Humberto Martins afirmou que “a insuficiência de recursos orçamentários não pode
ser considerada uma mera falácia. Tanto é assim que a doutrina e jurisprudência germânica, conscientes da existência de
limitações financeiras, elaboraram a teoria da "reserva do possível" (Der Vorbehalt des Möglichen ), segundo a qual os
direitos sociais a prestações materiais dependem da real disponibilidade de recursos financeiros por parte do Estado”.

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Se não existe regra que permita, por meio de sua aplicação direta,
apresentar a solução jurídica para o problema real, o exame dos princípios
gerais da Administração Pública sempre apresentará a solução. Os princípios da
moralidade, impessoalidade, eficiência, razoabilidade, finalidade, motivação e
tantos outros sempre permitem a construção de soluções juridicamente
adequadas quando aplicados ao caso em concreto, tanto para questões já
enfrentadas quanto para as novas situações nunca enfrentadas e que requerem
a adoção de solução por parte do administrador50.

3. Colisão entre princípios


Se duas regras distintas (leis, em sua maioria) disciplinam de forma
diferente a mesma situação fática, gerando um aparente conflito, somente uma
delas pode prevalecer no caso em concreto, sendo a outra declarada inválida. O
conflito geralmente é solucionado através dos critérios de hierarquia (prevalece
a norma de maior hierarquia), cronológico (prevalece a norma mais recente) ou
da especialidade (prevalece a norma específica sobre o tema). Entre princípios
não é possível falar em conflito, mas apenas em colisão.
Na colisão de princípios a decisão por um deles não elimina o outro. Muito
pelo contrário, é dever do aplicador auferir a máxima efetividade dos princípios
em questão (daí serem mandamentos de otimização), de modo a restringir
apenas o estritamente necessário para salvaguardar um bem jurídico que, no
caso específico, carece de maior proteção. Contudo, mesmo o princípio que foi
afastado naquela situação específica continuará vigente e operante e com toda
sua força normativa, vinculando condutas positivas e negativamente. Assim,
mudadas as circunstâncias do caso concreto e estando os mesmos princípios
envolvidos no conflito, aquele que teve que ser afastado no outro caso poderá
prevalecer nessa nova situação, porque houve alterações nos elementos
constitutivos do caso concreto51.
Diante da colisão entre princípios, o intérprete (administrador ou juiz)
deverá considerar o peso relativo de cada um deles e verificar, no caso concreto
em análise, qual deverá prevalecer ou ter maior incidência normativa. A solução
da colisão dar-se-á através da ponderação entre os diversos valores jurídicos
envolvidos, pois os princípios possuem um alcance (peso) diferente em cada caso
concreto e aquele que possuir maior abrangência deverá prevalecer.

50
FURTADO, Lucas Rocha. Curso de Direito Administrativo. Belo Horizonte: Fórum, 2007, p. 92.
51
LEITE, George Salomão; LEITE, Glauco Salomão. A abertura da Constituição em face dos princípios.. In: LEITE,
George Salomão (org). Dos princípios constitucionais. Considerações em torno das normas princípiológicas da
Constituição. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 154.

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Não é correto afirmar que o princípio “x” sempre prevalecerá em face do


princípio “y”, ou vice-versa. Somente ao analisar o caso em concreto é que o
intérprete terá condições de afirmar qual princípio deve prevalecer. Para a
ponderação de princípios o intérprete poderá valer-se, inclusive, de outros
princípios, principalmente o da proporcionalidade.
A colisão entre princípios constitucionais resolve-se com a técnica da
ponderação52.

4. Hierarquia entre princípios


Os princípios da Administração Pública se aplicam, em igual medida e de
acordo com as ponderações determinadas pela situação concreta, a todas as
entidades integrantes da Administração direta e indireta53.
Não há hierarquia entre princípios, apesar de ser muito comum em provas
de concursos questões afirmando que o princípio da supremacia do interesse
público sobre o privado é superior aos demais (assertivas incorretas,
obviamente!). Também costumam fazem essa afirmação em relação ao princípio
da legalidade, o que não é verdade.

5. Princípios expressos e implícitos


Princípios expressos são aqueles expressamente previstos em norma
jurídica de caráter geral, obrigatória para todas as entidades políticas (União,
Estados, Municípios, Distrito Federal e seus respectivos órgãos públicos), bem
como para as entidades administrativas (autarquias, fundações públicas,
empresas públicas, sociedades de economia mista e consórcios públicos de direito
público).
Os princípios expressos podem ser encontrados no texto
constitucional, a exemplo daqueles contidos no caput do art. 37 da CF/1988,
ou na legislação infraconstitucional (o art. 3º da Lei 8.666/1993, por
exemplo, impõe a obrigatoriedade de respeito aos princípios da legalidade,
moralidade, publicidade, vinculação ao instrumento convocatório, julgamento
objetivo, dentre outros, durante os procedimentos licitatórios).
Alguns princípios são considerados expressos porque é possível identificar,
claramente, o “nome” de cada um deles no texto legal ou constitucional. É o que

52
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Juiz do Trabalho do TRT da 23ª Região,
realizado pelo próprio Tribunal.
53
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Agente Técnico Legislativo da Assembleia
Legislativa do Estado de São Paulo, realizado pela Fundação Carlos Chagas.

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acontece, por exemplo, com o princípio da moralidade. A sua designação não


é “princípio do respeito à ética e à moral”, mas sim moralidade, com todas as
letras!
Em alguns casos, os princípios estarão expressos em leis que não são de
observância obrigatória para toda a Administração Pública brasileira, mas
somente para determinado ente político, a exemplo da nº Lei 9.784/1999, que
regula o processo administrativo no âmbito federal.
Em seu artigo 2º, a Lei de Processo Administrativo Federal dispõe que a
Administração Pública obedecerá, entre outros, aos princípios da legalidade,
finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla
defesa, segurança jurídica, eficiência, do interesse público e do contraditório.
Nesse caso, tais princípios são considerados expressos somente para a
Administração Pública Federal (União, seus respectivos órgãos e entidades da
administração indireta), que é a destinatária da norma.
Os princípios previstos no artigo 2º da Lei nº 9.784∕1999 não podem ser
considerados expressos para os demais estados brasileiros ou para os seus
milhares de municípios. O Estado de Minas Gerais, por exemplo, possui lei própria
regulando os processos administrativos que tramitam em âmbito estadual.
A lei mineira nº 14.184/2002, em seu art. 2º, dispõe que a Administração
Pública estadual obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade, finalidade, motivação, razoabilidade,
eficiência, ampla defesa, do contraditório e da transparência.
No texto da Lei nº 9.784/1999 não consta a obrigatoriedade de respeito ao
princípio da transparência, que será expresso em relação à Administração Pública
Estadual, porém, não o será em relação à Administração Pública federal.
De outro lado, princípios implícitos são aqueles que não estão previstos
expressamente em norma jurídica de caráter geral, pois são consequências dos
estudos doutrinários e jurisprudenciais. São princípios cujos nomes não irão
constar claramente no texto constitucional ou legal, mas que, ainda sim, vinculam
as condutas e atos praticados pela Administração Pública.
O princípio da eficiência é um bom exemplo.
Esse princípio somente foi introduzido no caput do artigo 37 da Constituição
Federal de 1988 a partir de 04 de junho de 1998, com a promulgação da Emenda
Constitucional nº 19. Entre a data de promulgação da Constituição Federal
vigente (05/10/1988) e a data da promulgação da EC nº 19 (04/06/1998), o
princípio da eficiência era considerada implícito. Somente a partir de
04/06/1998 passou a ser expresso, com previsão no caput do art. 37 da CF/1988.

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Em 1996, no julgamento do Recurso em Mandado de Segurança nº 5.590-


6/DF, em voto do Ministro relator Luiz Vicente Cernicciaro, o Superior Tribunal de
Justiça já fazia referência à necessidade de respeito ao princípio da eficiência
(que ainda não era considerado expresso), ao afirmar que a “Administração
Pública é regida por vários princípios. Além dos arrolados no art. 37, da
Constituição da República: legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade,
outros se evidenciam na mesma Carta Política. Sem dúvida, não se contesta,
urge levar em conta ainda o princípio da eficiência, ou seja, a atividade
administrativa deve voltar-se para alcançar resultado e interesse público”.

6. Princípios básicos da Administração Pública


Princípios básicos da Administração Pública são aqueles expressos no art.
37 da Constituição Federal de 1988, a saber: legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência (o famoso “L.I.M.P.E.”). Esse é o
entendimento da doutrina majoritária.
Todavia, o art. 37 da Constituição Federal não é taxativo, pois, outros
princípios existem, previstos em leis esparsas, ou, mesmo, não expressamente
contemplados no direito objetivo, aos quais se sujeita a Administração Pública54.
Os demais princípios a que se sujeita à Administração Pública (implícitos,
previstos em leis esparsas ou fruto da doutrina e jurisprudência) são
denominados princípios gerais, fato que não traz nenhuma repercussão
relevante para o nosso estudo.
Se você está se preparando para concursos públicos, fique atento.
Frequentemente as bancas incluem em seus editais o tópico “princípios básicos
da Administração Pública”, porém, no momento da prova, elaboram questões
abrangendo também os princípios gerais. Como não há uniformidade de
abordagem, aconselha-se o estudo de todos os princípios do Direito
Administrativo.
No julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.694-6/AP, de
relatoria do Ministro Néri da Silveira, cujo acórdão foi publicado em 15/12/2000,
o Supremo Tribunal Federal, além de se referir aos princípios do art. 37 da
CF/1988 como “gerais”, ainda afirmou que eles “são invocáveis de referência à
administração de pessoal militar federal ou estadual, salvo no que tenha explícita
disciplina em atenção às peculiaridades do serviço militar."

54
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Analista Judiciário do TRT da 15ª Região,
realizado pela Fundação Carlos Chagas.

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7. Princípios constitucionais expressos


7.1. Princípio da legalidade
É quase um consenso doutrinário a afirmação de que o princípio da
legalidade possui como marco formal a Magna Carta inglesa do ano de 1215,
imposta pelos Barões e pelo Clero ao Rei João sem Terra com o objetivo de limitar
os seus poderes. Doravante, o princípio também se manifestou no Petition of
Rights de 1628, Habeas Corpus Act de 1679, Bill of Rights de 1690, Declaração
Francesa dos Direitos do Homem e do cidadão de 1789 e na Constituição
Americana de 1787.
Tais diplomas consagraram a existência dos denominados direitos
fundamentais, estabelecendo princípios de limitação e de divisão dos poderes, o
que culminou em erigir o princípio da legalidade à categoria de garantia dos
direitos do homem, protegendo-o contra o absolutismo dos governantes e
apresentando-se como verdadeiro alicerce da solidariedade e da
interdependência sociais .
55

O princípio da legalidade, essencial ao Estado de Direito, pode ser estudado


sob dois enfoques distintos, ambos com respaldo no texto constitucional: em
relação aos particulares e em face da Administração Pública.

7.1.1. Princípio da legalidade em relação aos particulares


No que se refere aos particulares, o princípio da legalidade está
consagrado no art. 5º, II, da Constituição Federal de 1988, ao dispor que
"ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude
da lei".
Em regra, somente o Poder Legislativo (Congresso Nacional, Assembleias
Legislativas, Câmara Legislativa e Câmaras de Vereadores), através de lei
aprovada pelo processo legislativo previsto no texto constitucional, pode proibir
determinado comportamento ou obrigar alguém a fazer alguma coisa56.

55
GARCIA. Emerson; Alves, Rogério Pacheco. Improbidade Administrativa. 6. ed., p. 68.
56
No julgamento do recurso de apelação nº 2001.01.00.037891-8/DF, de relatoria do Desembargador Souza Prudente, o
Tribunal Regional Federal da 1ª Região considerou ilegítima a cobrança obrigatória de gorjeta sem autorização ou
determinação legal, ao decidir que “o pagamento de acréscimo pecuniário (gorjeta), em virtude da prestação de serviço,
possui natureza facultativa, a caracterizar a ilegitimidade de sua imposição, por mero ato normativo (Portaria nº. 4/94,
editada pela extinta SUNAB), e decorrente de convenção coletiva do trabalho, cuja eficácia abrange, tão-somente, as partes
convenientes, não alcançando a terceiros, como no caso, em que se pretende transferir ao consumidor, compulsoriamente,
a sua cobrança, em manifesta violação ao princípio da legalidade, insculpido em nossa Carta Magna (CF, art. 5º, II) e ao

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Se o indivíduo estiver transitando pela cidade de Montes Claros/MG e jogar


uma garrafa de água mineral vazia pela janela do veículo, por exemplo,
certamente será taxado de mal educado por algum morador. Apesar disso, não
poderá ser punido por tal conduta, pois não existe qualquer lei local a proibindo
(se não é proibido, é permitido).
Entretanto, se alguém pratica essa mesma conduta no município do Rio de
Janeiro/RJ, a situação é bem diferente. É que a Lei Carioca nº 3.273/2001 proíbe
e impõe multas de R$ 157,00 a R$ 3.000,00, dependendo da infração, àqueles
que jogarem lixo na rua, deixando de lhe conceder a destinação correta.
Nessa hipótese, perceba que uma lei municipal foi responsável pela
proibição da conduta, portanto, foi respeitado o art. 5º, II, da CF/1988.
Voltemos ao exemplo de Montes Claros/MG.
Imaginemos que, após ter sido inspirado pela lei carioca, o Prefeito da
cidade mineira tenha editado um decreto também proibindo e impondo multa
de R$ 100,00, por infração, àquele que jogar lixo em locais públicos.
Após a publicação do decreto, se alguém for flagrado praticando a infração,
poderá ser legitimamente multado pelo município de Montes Claros?
Certamente que não, pois decreto não é lei. Trata-se de ato normativo
secundário (ato administrativo) editado pelo Chefe do Poder Executivo e que
tem por finalidade explicar e permitir a fiel execução das leis.
Em decorrência do princípio da legalidade, a Administração Pública não
pode, por simples ato administrativo, conceder direitos de qualquer espécie, criar
obrigações ou impor vedações aos administrados; para tanto, ela depende de
lei57 aprovada pelo Poder Legislativo.
Pode-se concluir que os particulares (também chamados de
administrados) estão autorizados a praticar todas as condutas que não forem
vedadas por lei (tudo o que não é proibido, é permitido). De outro lado, o
administrador público somente pode atuar se existir lei o autorizando
previamente.

Código de Defesa do Consumidor (Lei nº. 8.078/90, arts. 6º, IV, e 37, § 1º), por veicular informação incorreta, no sentido
de que a referida cobrança estaria legalmente respaldada”.
57
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Analista Judiciário do TRT da 22ª Região,
realizado pela Fundação Carlos Chagas.

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Nas palavras de Hely Lopes Meirelles, “enquanto na administração


particular é lícito fazer tudo o que a lei não proíbe, na Administração Pública só é
permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular significa ‘pode fazer
assim’; para o administrador público significa ‘deve fazer assim58”.
O princípio da legalidade, em relação aos particulares, também é
denominado de princípio da autonomia da vontade, pois é assegurada
liberdade para os indivíduos agirem da maneira que entenderem mais
conveniente, desde que respeitados os limites eventualmente previstos em lei.

7.1.2. Princípio da legalidade em relação à Administração Pública


O art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, dispõe que “a
administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (...)”.
Em relação à Administração Pública, o princípio da legalidade assume um
enfoque diferente, dispondo que o Administrador Público está, em toda a sua
atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem
comum, e dele não pode se afastar ou se desviar, sob pena de praticar ato
inválido e se expor à responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o
caso59.
Se não existe lei autorizando a prática de conduta que, sob a visão do
administrador público, seria relevante e de interesse da coletividade, não será
possível praticá-la, sob pena de violação ao princípio da legalidade.
Celso Antônio Bandeira de Mello afirma que o princípio da legalidade “é o
da completa submissão da Administração às leis. Esta deve tão somente obedecê-
las, cumpri-las, pô-las em prática. Daí que a atividade de todos os seus agentes,
desde o que lhe ocupa a cúspide, isto é, o Presidente da República, até o mais
modesto dos servidores, só pode ser a de dóceis, reverentes, obsequiosos
cumpridores das disposições gerais fixadas pelo Poder Legislativo60”.
Sob uma primeira análise, pode parecer que a necessidade de autorização
legal para a atuação da administração estaria “engessando” a atividade
administrativa, além de incentivar o ócio. Entretanto, não é esse o objetivo do
referido princípio.

58
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 27. ed., p.86.
59
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Juiz Substituto do Tribunal de Justiça do
Estado do Rio de Janeiro, realizado pela Fundação VUNESP.
60
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 26. ed., p.101.

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O princípio da legalidade é exigência que decorre do próprio Estado de


Direito, que impõe a necessidade de que o administrador público somente atue
quando a lei autorizar ou determinar, pois a “vontade” da Administração
Pública é a que decorre da lei. Por isso o administrador público tem o dever de
aplicar a lei de ofício.

7.1.3. Exceções provisórias e excepcionais


O princípio da legalidade pode sofrer exceções (constrições) em função de
circunstâncias excepcionais e provisórias mencionadas expressamente no texto
constitucional, a exemplo da edição de medidas provisórias e decretação de
estado de defesa e estado de sítio pelo Presidente da República.
Nessas situações excepcionais os particulares serão obrigados a fazer ou
deixar de fazer alguma coisa em virtude de atos que não são editados pelo Poder
Legislativo, mas pelo Poder Executivo. Isso ocorre porque a medida provisória
e os decretos que instituem estado de defesa e estado de sítio, apesar de não se
enquadrarem no conceito de lei em sentido formal, podem ser considerados lei
em sentido material.
Se o Presidente da República edita e publica no Diário Oficial da União, em
02/01/2014, medida provisória alterando o valor do salário mínimo para R$
1.000,00 (mil reais), é a partir da data mencionada que os empregadores terão
que pagar aos seus respectivos empregados o novo valor, salvo se constar outra
data no texto do ato normativo.
Em outras palavras, pode-se afirmar que os particulares estão obrigados a
cumprir a medida provisória como se fosse uma lei, apesar de possuir apenas
“força” de lei. Por isso dizemos que se trata de exceção ao princípio da legalidade
(não é lei, mas tem que ser cumprida como exceção à legalidade).

7.1.3.1. Lei em sentido formal e sentido material


Em regra, lei em sentido formal é aquela que se origina no Poder
Legislativo, com a participação do Poder Executivo e em conformidade com o
processo legislativo previsto no texto constitucional.
Para que a lei seja caracterizada como formal é irrelevante o seu conteúdo,
bastando que tenha respeitado o processo legislativo (forma) previsto na
Constituição Federal e que tenha sido criada pelo Poder Legislativo. É o caso, por
exemplo, da Lei Federal nº 12.843/2013, ao dispor que “o açude Figueiredo,

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localizado no Município de Alto Santo, no Estado do Ceará, passa a denominar-


se Açude Deputado Francisco Diógenes Nogueira”.
Nesse caso, fica claro que o conteúdo da lei não é assim tão relevante, já
que a finalidade é atingir uma situação concreta, específica (atribuir nome – por
sinal, de um deputado, a determinado açude), sem possuir abstração ou
generalidade (característica marcante das leis). A princípio, um simples ato
administrativo poderia ser suficiente para atingir o fim pretendido, mas o
ordenamento jurídico exige lei.
Lei em sentido material é aquela cujo conteúdo possui caráter geral
(aplicável a número indefinido e indeterminável de pessoas) e abstrato
(aplicável a número indefinido e indeterminável de situações futuras),
independentemente do órgão ou entidade que a tenha criado, de observância
obrigatória por todos que se enquadrem nas situações abstratamente previstas
em seu texto. Não é relevante, nesse caso, o processo (forma) ou o órgão
responsável pela criação, mas sim o seu conteúdo, que deve ser geral e
abstrato.
O decreto regulamentar expedido pelo Presidente da República (CF/88,
art. 84, IV), por exemplo, pode ser considerado lei em sentido material se
levarmos em conta o seu conteúdo (apesar de ser ato administrativo em sua
origem). Trata-se de ato normativo que tem a finalidade de atingir número
indeterminado de pessoas (generalidade) ou situações jurídicas (abstração).
Nesse caso, o seu conteúdo será obrigatório para todos que sejam alcançados
pelos seus respectivos dispositivos (a exemplo do Decreto Federal nº
3.298/1999, que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa
Portadora de Deficiência).
Podemos denominar de leis em sentido material as normas que tenham
caráter geral e abstrato, criadas pelo processo legislativo previsto no texto
constitucional, e, também, os atos normativos de caráter geral e abstrato
emanados de órgãos distintos do Poder Legislativo (a exemplo dos Regimentos
Internos dos Tribunais ou decretos regulamentares expedidos pelo Presidente da
República).
A aprovação, pelo Poder Legislativo, de lei que conceda pensão vitalícia à
viúva de ex-combatente, embora constitua formalmente ato legislativo,
caracteriza materialmente o exercício de função administrativa61.

61
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Analista Executivo da SEGER/ES, realizado
pelo CESPE.

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7.1.4. Legalidade e discricionariedade administrativa


O conteúdo do princípio constitucional da legalidade, não exclui a
possibilidade de atividade discricionária pela Administração Pública, desde que
observados os limites da lei, quando esta deixa alguma margem para a
Administração agir conforme os critérios de conveniência e oportunidade62.
Para responder às questões de concursos públicos, deve ficar claro que a
lei apenas limita a atividade discricionária da Administração Pública (que será
estudada posteriormente). Não é correto afirmar que o princípio da legalidade
exclui ou veda a discricionariedade administrativa.
No momento de escolher a opção mais conveniente e oportuna ao
interesse público, o administrador público sempre deverá respeitar os limites
que o legislador estabeleceu, sob pena de praticar excesso de poder. Não poderá,
portanto, sob a justificativa de que atua na satisfação do interesse coletivo, tomar
decisões que não estejam autorizadas ou que sejam proibidas pela lei.

7.1.5. Princípio da legalidade e legalidade estrita


O princípio da legalidade estrita nada mais é do que um desdobramento do
próprio princípio da legalidade. Neste, a lei se restringe a autorizar ou
determinar a prática de determinada atividade administrativa. Naquele, a lei
disciplina detalhadamente a atuação da Administração Pública, sem deixar
margem discricionária para decisões administrativas (é comum se falar em
legalidade estrita em relação às leis que impõe a edição de atos vinculados).
É dever do Administrador público atuar segundo a lei, proibida sua atuação
contra-legem e extralegem – princípio da legalidade ou legalidade estrita63.
Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo afirmam que “a Administração, além
de não poder atuar contra a lei ou além da lei, somente pode agir segundo a lei
(a atividade administrativa não pode ser contra legem nem praeter legem, mas
apenas secundum legem). Os atos eventualmente praticados em desobediência
a tais parâmetros são atos inválidos e podem ter sua invalidade decretada pela
própria Administração que o haja editado ou pelo Poder Judiciário64”.

62
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Analista Judiciário do TRT da 4ª Região,
realizado pela Fundação Carlos Chagas – FCC.
63
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Analista Judiciário do Tribunal Regional
Eleitoral de Santa Catarina, realizado pela PONTUA.
64
ALEXANDRINO, Marcelo; PAULO, Vicente. Direito Administrativo Descomplicado. 14. ed. Rio de Janeiro: Impetus,
2007, p. 139.

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7.1.6. A deslegalização no direito brasileiro


A transferência da função normativa (sobre matérias determinadas) da
sede legislativa estatal para outra sede normativa denomina-se deslegalização65.
A deslegalização ocorre quando a própria lei se encarrega de retirar
determinada matéria de seu domínio, permitindo que seja tratada por outro ato
normativo, ainda que de hierarquia inferior, editado por órgão distinto do Poder
Legislativo (decreto expedido pelo Presidente da República, por exemplo).
Diogo de Figueiredo Moreira Neto afirma que “a lei de deslegalização não
necessita, assim, sequer penetrar na matéria de que trata, bastando-lhe abrir
essa possibilidade a outras fontes normativas, estatais ou não, de regulá-la por
atos próprios que, por óbvio, não serão de responsabilidade do Poder Legislativo,
ainda que sobre eles possa continuar a ser exercido um controle político quanto
a eventuais exorbitâncias66”.
Foi o que ocorreu com a publicação da Lei 12.38267, publicada em 25 de
fevereiro de 2011, que, em seu texto, assim dispõe:
Art. 1º. O salário mínimo passa a corresponder ao valor de R$ 545,00
(quinhentos e quarenta e cinco reais).
Art. 2º. Ficam estabelecidas as diretrizes para a política de valorização do
salário mínimo a vigorar entre 2012 e 2015, inclusive, a serem aplicadas
em 1º de janeiro do respectivo ano.
(...) § 4º. A título de aumento real, serão aplicados os seguintes
percentuais:
I - em 2012, será aplicado o percentual equivalente à taxa de crescimento
real do Produto Interno Bruto - PIB, apurada pelo IBGE, para o ano de
2010;
II - em 2013, será aplicado o percentual equivalente à taxa de crescimento
real do PIB, apurada pelo IBGE, para o ano de 2011;
III - em 2014, será aplicado o percentual equivalente à taxa de crescimento
real do PIB, apurada pelo IBGE, para o ano de 2012; e

65
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Analista de Finanças e Controle da Secretaria
do Tesouro Nacional, realizado pela ESAF.
66
MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. Mutações do Direito Administrativo. 3. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2007, p.
218.
67
A Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 4568/DF, através da qual o PPS, PSDB e DEM pediam a declaração de
inconstitucionalidade dos dispositivos legais que permitiam o reajuste do valor do salário mínimo através de decreto, foi
julgada improcedente pelo Supremo Tribunal Federal, que, nesses termos, reconheceu a aplicação da tese da
deslegalização no direito brasileiro.

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IV - em 2015, será aplicado o percentual equivalente à taxa de crescimento


real do PIB, apurada pelo IBGE, para o ano de 2013.
Art. 3º. Os reajustes e aumentos fixados na forma do art. 2º serão
estabelecidos pelo Poder Executivo, por meio de decreto, nos termos
desta Lei.

Analisando-se o art. 1º da Lei 12.382/2011, constata-se que o próprio


texto legal fixou o valor do salário mínimo, para vigência a partir de fevereiro
de 2011, em R$ 545,00 (quinhentos e quarenta e cinco reais). Todavia, em seu
art. 3º, autorizou que decreto editado pelo Presidente da República fixasse os
novos valores, ano a ano, levando em conta os percentuais indicados no art. 2º.
Em respeito ao comando legal, no dia 23/12/2011 foi publicado o decreto
nº 7.655, que, em seu art. 1º, alterou o valor do salário mínimo de R$ 545,00
(valor inicialmente fixado pela lei) para R$ 622,00, com início de vigência em
01/01/2012.
No exemplo citado, não restam dúvidas de que um decreto (ato
administrativo) alterou o conteúdo legal, restando configurada a deslegalização.
Por sua vez, o decreto nº 8.618/15 fixou o valor do salário mínimo para o
ano de 2016 em R$ 880,00 (oitocentos e oitenta reais).
Marçal Justen Filho68 assim se manifesta em relação à tese da
deslegalização:
A figura da deslegalização vem sendo praticada no direito italiano e consiste
na transferência, por meio de lei, de competência normativa primária para
a Administração Pública. Na origem, a deslegalização se destinava a
promover a sistematização de setores em que a disciplina legislativa era
arcaica e complexa. Assim, a autoridade administrativa poderia explicitar
os dispositivos legais revogados e aqueles em vigor. Com o passar do
tempo, começou-se a praticar a transferência para a Administração Pública
de poderes para, por meio de atos administrativos, promover a revogação
de dispositivos legais e a edição de novas regras – presumivelmente mais
adequadas e compatíveis com a evolução dos tempos.

7.1.7. Demais atos normativos primários

68
JUSTEN FILHO, Marçal. Curso de Direito Administrativo. 8. ed. Belo Horizonte: Fórum, 2012, p.201.

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Analisando-se os dispositivos da Constituição Federal de 1988, assim como


diversas decisões proferidas no âmbito do Supremo Tribunal Federal, conclui-se
que existem vários outros instrumentos normativos no ordenamento jurídico
brasileiro que, apesar de não serem criados pelo processo legislativo
constitucional, também são atos normativos primários, produzindo os
mesmos efeitos das leis.
Ao proferir o seu voto no julgamento da Ação Declaratória de
Constitucionalidade nº 12, que pleiteava a confirmação da constitucionalidade da
Resolução nº 7/2005 do Conselho Nacional de Justiça (que proíbe a prática
de nepotismo no Poder Judiciário), o Ministro Relator Carlos Ayres Britto assim
se manifestou:
“(...) são exemplos de atos normativos primários, estruturados a partir da
linguagem do Texto Constitucional: resoluções do Senado Federal (art. 52, VII,
VIII e IX e art. 155, § 2º, V, alíneas a e b, todos da Constituição Federal);
medidas provisórias (art. 62 da Constituição Federal); decreto - regulamento
autônomo – (art. 84, VI, a da Constituição Federal); resolução do Conselho
Nacional de Justiça (art. 103-B, II da Constituição Federal); regimento
internos dos tribunais (art. 96, I, alínea a da Constituição Federal).

7.2. Princípio da impessoalidade


O princípio da impessoalidade pode ser estudado sob vários aspectos
distintos, a saber:
1º) dever de tratamento isonômico a todos os administrados;
2º) imputação dos atos praticados pelos agentes públicos diretamente às
pessoas jurídicas a que estejam vinculados, vedada a promoção
pessoal;
3º) dever de perseguir a finalidade pública.

7.2.1. Dever de tratamento isonômico


O princípio de direito administrativo que objetiva o tratamento igualitário
aos administrados por parte da administração, representando um desdobramento
do princípio da isonomia, é o princípio da impessoalidade69.

69
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para Titular de Serviços de Notas e de Registros – TJ/RJ,
realizado pelo CETRO.

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O princípio da impessoalidade impõe à Administração Pública a obrigação


de conceder tratamento isonômico a todos os administrados que se encontram
em idêntica situação jurídica. Assim, fica vedado o tratamento privilegiado a
um ou alguns indivíduos em função de amizade, parentesco ou troca de favores.
O princípio também proíbe que administradores públicos pratiquem atos
prejudiciais aos particulares em razão de inimizades ou perseguições políticas.
Celso Antônio Bandeira de Mello afirma que o princípio da impessoalidade
“traduz a ideia de que a Administração tem que tratar a todos os administrados
sem discriminações, benéficas ou detrimentosas. Nem favoritismos nem
perseguições são toleráveis. Simpatias ou animosidades pessoais, políticas ou
ideológicas não podem interferir na atuação administrativa. O princípio em causa
não é senão o próprio princípio da igualdade ou isonomia70”.
A obrigatoriedade de realização de concurso público para a seleção de
pessoal (CF/1988, art. 37, II), bem como licitação para as obras, serviços,
compras e alienações no âmbito da Administração Pública, são consequências dos
mandamentos contidos no princípio da impessoalidade (ou isonomia, nas
palavras de Celso Antônio Bandeira de Mello).

7.2.1.1. Súmula nº 339 do STF


O Supremo Tribunal Federal, através da súmula nº 339, consolidou o
entendimento de que “não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função
legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob fundamento de
isonomia”.
Nos últimos anos, tem sido comum a propositura de ações judiciais por
servidores públicos do Poder Executivo federal pleiteando a equiparação, a título
de isonomia, de verbas remuneratórias pagas aos servidores dos demais poderes.
No ano de 2013, por exemplo, enquanto os servidores do Poder Executivo Federal
recebiam apenas R$ 373,00 (trezentos e setenta e três reais) a título de auxílio-
alimentação, os servidores do Tribunal de Contas da União recebiam R$ 740,96
(setecentos e quarenta reais e noventa e seis centavos).
Todavia, o Poder Judiciário tem indeferido os respectivos pleitos com
fundamento na Súmula nº 339 do STF, alegando que a concessão acarretaria
interferência inadmissível em outro Poder, violando, assim, o art. 2º da
CF∕198871.

70
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 26. ed., p.114.
71
É importante destacar que recentemente o Plenário Virtual do Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a existência
de repercussão geral da questão constitucional suscitada no Recurso Extraordinário (RE) 710293, em que se discute a

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7.2.1.2. Suspeição ou impedimento


Regras relativas a impedimentos e suspeições são aplicadas a servidores
públicos como corolário do princípio da impessoalidade72. O objetivo é evitar que
autoridades públicas participem de processos ou da edição de atos
administrativos que sejam de seu interesse direito ou indireto ou que envolvam
seus parentes, amigos íntimos ou inimigos notórios, pois, nesse caso, a
impessoalidade (imparcialidade) estará comprometida73.

7.2.2. Vedação de promoção pessoal


A CF/1988, em seu art. 37, § 1º, dispõe que “a publicidade dos atos,
programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter
educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes,
símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou
servidores públicos”.
Ao realizar a divulgação dos atos, programas, obras e serviços executados
pela Administração Pública, o gestor público não pode se valer da oportunidade
para promover o seu nome ou imagem perante a sociedade, apresentando-se
como se fosse o único responsável pelos feitos administrativos. Também não
pode ser aproveitar do fato de exercer função pública (o que lhe garante respeito
e prestígio perante outras autoridades) para atribuir o seu nome ou de parentes
vivos a bens públicos.
A Lei nº 6.454/1977, que dispõe sobre a denominação de logradouros,
obras serviços e monumentos públicos federais, assim se manifesta sobre o
tema:
Art. 1º É proibido, em todo o território nacional, atribuir nome de pessoa
viva ou que tenha se notabilizado pela defesa ou exploração de mão de
obra escrava, em qualquer modalidade, a bem público, de qualquer
natureza, pertencente à União ou às pessoas jurídicas da administração
indireta.

possibilidade, ou não, de equiparação de auxílio-alimentação de servidores públicos pertencentes a carreiras diferentes,


tendo como fundamento o princípio da isonomia. Em breve, a matéria será decida definitivamente pela Corte Superior.
72
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Procurador do Ministério Público junto ao TCU,
realizado pelo CESPE.
73
O art. 18 da Lei nº 9.784/1999 dispõe que “é impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou autoridade
que: I - tenha interesse direto ou indireto na matéria; II - tenha participado ou venha a participar como perito, testemunha
ou representante, ou se tais situações ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o terceiro grau; III -
esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou respectivo cônjuge ou companheiro”. Ademais,
dispõe no art. 20 que “pode ser argüida a suspeição de autoridade ou servidor que tenha amizade íntima ou inimizade
notória com algum dos interessados ou com os respectivos cônjuges, companheiros, parentes e afins até o terceiro grau”.

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Art. 2º É igualmente vedada a inscrição dos nomes de autoridades ou


administradores em placas indicadores de obras ou em veículo de
propriedade ou a serviço da Administração Pública direta ou indireta.
A despeito da proibição expressa contida em lei, parece que nem todos os
agentes públicos a conhecem, pois a prática é bastante comum em todo o
território nacional, inclusive em relação a bens públicos da União74.
Os atos praticados por agente público, no exercício da função pública, não
são imputados à sua pessoa física, mas à pessoa jurídica a qual está vinculado.
Se determinado Agente da Polícia Federal pratica conduta danosa a particular,
por exemplo, eventual ação judicial de indenização deverá ser proposta em face
da União (já que a Polícia Federal é apenas um órgão de sua estrutura) e não do
agente causador do dano. Este somente responderá perante a União mediante
ação regressiva, desde que comprovado que agiu com dolo ou culpa.

7.2.2.1. Teoria do funcionário (ou servidor) de fato


Celso Antônio Bandeira de Mello nos ensina que “’funcionário de fato’ é
aquele cuja investidura foi irregular, mas cuja situação tem a aparência de
legalidade75”.
Se o indivíduo foi regularmente investido em cargo público, respeitando-
se todos os trâmites legais, será considerado servidor (ou funcionário)
público de direito. Todavia, se ocorreu alguma irregularidade durante o seu
provimento, mas, ainda sim, está exercendo função pública, será denominado de
servidor público (ou funcionário) de fato.
É o que ocorre, por exemplo, quando candidato aprovado em concurso
público toma posse em cargo efetivo sem que sua nomeação tenha sido publicada
no Diário Oficial ou instrumento equivalente. Nesse caso, não restam dúvidas de
que a investidura foi ilegal. Todavia, enquanto estiver no exercício da função
pública todos os atos que praticar serão válidos, pois têm “aparência” de
legalidade (teoria da aparência).
Já que os atos praticados pelos agentes públicos devem ser imputados à
pessoa jurídica a qual estão vinculados (consequência do princípio da
impessoalidade), não faz sentido anulá-los, ainda que provenientes de

74
No julgamento da apelação nº 2005.37.00.004467-5, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região confirmou sentença que
determinou a retirada do letreiro com o nome de José Sarney da fachada da sede do Tribunal Regional do Trabalho do
Maranhão (16ª Região), por manifesta violação ao princípio da impessoalidade.
75
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 26. ed., p. 244.

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funcionário de fato, pois, juridicamente, quem os praticou foi a própria pessoa


jurídica (União, Estados, Municípios, autarquias etc.).
Pela aplicação do princípio da impessoalidade, o ato administrativo
praticado por funcionário irregularmente investido no cargo ou função é válido76.

7.2.3. Impessoalidade e finalidade pública


Hely Lopes Meirelles informa que “o princípio da impessoalidade, referido
na Constituição de 1988 (art. 37, caput), nada mais é que o clássico princípio
da finalidade, o qual impõe ao administrador público que só pratique o ato para
o seu fim legal. E o fim legal é unicamente aquele que a norma de Direito indica
expressamente ou virtualmente como objetivo do ato, de forma impessoal77”.
A finalidade pública deve ser observada tanto em sentido amplo quanto
em sentido estrito. Em sentido amplo, a finalidade dos atos editados pela
Administração Pública sempre será a satisfação imediata do interesse público. Em
sentido estrito, é necessário que se observe também a finalidade específica
de cada ato praticado pela Administração, que estará prevista em lei.
Se o agente público pratica ato visando a fim diverso daquele previsto,
explícita ou implicitamente, na regra de competência prevista em lei, restará
configurado o desvio de finalidade, ensejando a nulidade do ato.
É o que ocorre, por exemplo, quando a remoção ex officio é utilizada para
punir servidor público federal. A finalidade legal da remoção ex officio não é
possibilitar a punição de servidores públicos, mas suprir a carência de pessoal no
âmbito do mesmo quadro do órgão ou entidade, entre outras.
Se a remoção ex officio de servidor público for determinada por autoridade
superior com o intuito de puni-lo por desídia profissional, por exemplo, ocorrerá
verdadeiro desvio de finalidade, pois essa não é a finalidade legal do instituto.

7.3. Princípio da moralidade


O princípio da moralidade também está previsto expressamente no artigo
37, caput, da Constituição Federal de 1988, impondo que agentes públicos e
particulares que se relacionem com a Administração Pública atuem com
honestidade, boa-fé e lealdade, respeitando a isonomia e demais preceitos éticos.

76
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para Juiz do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região,
realizado pelo próprio TRT/2ª Região.
77
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 27. ed., p.90.

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A violação aos demais princípios expressos e implícitos constantes no


ordenamento jurídico brasileiro, quase sempre, também caracteriza afronta ao
princípio da moralidade, que comporta grande elasticidade em sua
conceituação.
Se determinado Prefeito decide colocar o seu nome no novo aeroporto da
cidade, por exemplo, certamente estará afrontando o princípio da
impessoalidade. Entretanto, tal conduta também violará, concomitantemente,
o princípio da moralidade.

7.3.1. Moralidade comum e moralidade administrativa


A moralidade administrativa possui conteúdo específico, que não coincide,
necessariamente, com a moral comum da sociedade, em determinado momento
histórico; não obstante, determinados comportamentos administrativos
ofensivos à moral comum podem ensejar a invalidação do ato, por afronta
concomitante à moralidade administrativa78.
Se o dirigente de uma autarquia federal, casado, decide levar consigo para
o exterior, durante o período de férias, mulher que não seja sua esposa para lhe
fazer companhia afetiva, ter-se-á situação que provavelmente violará a moral
comum, não afetando, a priori, a moralidade administrativa. Todavia, se o
agente público decide custear a viagem da acompanhante com recursos públicos,
estamos diante, concomitantemente, de violação à moralidade administrativa.
A ofensa à moral comum não caracteriza, necessariamente, ofensa à
moralidade administrativa, que se vincula a uma noção de moral jurídica,
exigindo padrões objetivos de conduta dos administradores públicos. Todavia,
existem situações nas quais a conduta do indivíduo pode violar, ao mesmo tempo,
a moral comum e a moral administrativa.
O ato praticado em desconformidade com a moralidade administrativa
(também denominada de “moralidade jurídica”) produzirá efeitos jurídicos,
portanto, sujeitar-se-á à anulação pela própria Administração Pública ou pelo
Poder Judiciário.
Afirma-se que a moralidade administrativa pauta as condutas ocorridas
no âmbito interno da Administração Pública, enquanto a moral comum orienta
as atividades externas, realizadas no convívio social entre particulares.

78
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para Juiz Substituto do Tribunal de Justiça do Estado da
Bahia, realizado pelo CESPE.

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Todavia, é importante destacar que “a função pública deve ser tida como
exercício profissional e, portanto, se integra na vida particular de cada servidor
público. Assim, os fatos e atos verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida
privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional”
(Decreto nº 1.171/1994, inciso VI).

7.3.2. Moralidade e Lei de Improbidade Administrativa


A Constituição Federal de 1988, em seu parágrafo 4º, dispõe que “os atos
de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos,
a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao
erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível”.
Para a doutrina majoritária79, a probidade administrativa caracteriza-se
como espécie do gênero moralidade administrativa. Assim, a improbidade
administrativa também seria espécie do gênero imoralidade administrativa,
porém, qualificada pela conduta de agentes públicos ou particulares que atentam
contra os princípios da Administração Pública, causam prejuízos ao erário ou se
enriquecem ilicitamente.
Com o objetivo de exemplificar as condutas que podem caracterizar
violação à probidade administrativa, e, consequentemente, à própria moralidade
administrativa, foi publicada a Lei nº 8.429/1992, que dispõe sobre as sanções
aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício
de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta
ou fundacional e dá outras providências.
Por se tratar de conteúdo que será estudado detalhadamente em capítulo
próprio, não iremos nos aprofundar no assunto, neste momento.

7.3.3. Vedação ao nepotismo – Súmula vinculante nº 13 do STF


O dicionário Larousse da Língua Portuguesa conceitua nepotismo como
“distribuição de cargos públicos entre parentes ou amigos; favoritismo, proteção
escandalosa80”.
Com o intuito de impedir a prática do nepotismo no âmbito da
Administração Pública Brasileira, o Supremo Tribunal Federal, em 29/08/2008,
publicou a Súmula Vinculante nº 13, que assim dispõe:

79
Esse é o posicionamento, por exemplo, de José Afonso da Silva. In SILVA, José Afonso da. Curso de Direito
Constitucional Positivo. 25. ed. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 669.
80
LAROUSSE, Ática. Dicionário da Língua Portuguesa. 1. ed. p. 690.

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A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral


ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou
de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia
ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança
ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta
em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola
a Constituição Federal.
Analisando-se o texto da citada súmula vinculante, constata-se que estão
impedidos de exercer cargos ou funções de confiança na Administração Pública
os seguintes parentes de autoridades administrativas com poder de nomeação,
além do cônjuge e companheiro:
Parentes em linha reta
GRAU DE Consanguinidade Afinidade
PARENTESCO
1º Pais e filhos Sogro e sogra; genro e nora;
madrasta e padrasto; enteado
e enteada.
2º Avós e netos Avós e netos do cônjuge ou
companheiro
3º Bisavós e bisnetos Bisavós e bisnetos do cônjuge
ou companheiro.

Parentes em linha colateral


GRAU DE Consanguinidade Afinidade
PARENTESCO
1º Não há Não há
2º Irmãos Cunhado e cunhada
3º Tios e sobrinhos Tios e sobrinhos do cônjuge ou
companheiro.

Se você está se preparando para concursos públicos, lembre-se de que


primos não são alcançados pelas normas da súmula vinculante nº 13, portanto,
podem ser designados para o exercício de cargos ou funções de confiança na
Administração Pública pelas autoridades competentes.

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No julgamento do recurso extraordinário nº 579.951-4/RN, ao fazer


referência à Resolução nº 7 do Conselho Nacional de Justiça, que veda o
nepotismo no âmbito do Poder Judiciário, o Supremo Tribunal Federal ratificou
o entendimento de que não é necessária a existência de lei formal para vedar o
nepotismo no âmbito da Administração Pública brasileira, pois a proibição decorre
diretamente dos princípios contidos no art. 37, caput, da CF/1988:
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. VEDAÇÃO NEPOTISMO. NECESSIDADE DE LEI
FORMAL. INEXIGIBILIDADE. PROIBIÇÃO QUE DECORRE DO ART. 37, CAPUT, DA
CF. RE PROVIDO EM PARTE.
[...]. I. Embora restrita ao âmbito do Judiciário a Resolução 7/2005 do Conselho
Nacional de Justiça, a prática do nepotismo nos demais Poderes é ilícita.
II. A vedação do nepotismo não exige a edição de lei formal para coibir a prática.
III. Proibição que decorre diretamente dos princípios contidos no art. 37, caput,
da CF.
IV – Precedentes.
V – RE conhecido e parcialmente provido para anular a nomeação do servidor,
aparentado com agente político, ocupante de cargo em comissão.

7.3.3.1. Nepotismo cruzado


O texto da súmula vinculante nº 13 também veda a prática do nepotismo
cruzado, isto é, o ajuste mediante designações recíprocas realizadas por
autoridades públicas distintas.
É o que ocorre, por exemplo, quando o Juiz da 1ª Vara Cível da comarca
de Montes Claros/MG nomeia como sua assessora a esposa do Juiz da 2ª Vara
Criminal da cidade de Sete Lagoas/MG. De outro lado, este decide nomear como
assessor o irmão daquele. Enfim, nada mais do que uma “troca de favores”.
O Supremo Tribunal Federal está atento às práticas de nepotismo cruzado,
repelindo-as, no caso em concreto, quando violadoras da súmula vinculante nº
13:
EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO.
NEPOSTISMO CRUZADO. ORDEM DENEGADA.
(...) No mérito, configurada a prática de nepotismo cruzado, tendo em vista que
a assessora nomeada pelo impetrante para exercer cargo em comissão no Tribunal
Regional do Trabalho da 17ª Região, sediado em Vitória-ES, é nora do magistrado
que nomeou a esposa do impetrante para cargo em comissão no Tribunal Regional
do Trabalho da 1ª Região, sediado no Rio de Janeiro-RJ.

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A nomeação para o cargo de assessor do impetrante é ato formalmente lícito.


Contudo, no momento em que é apurada a finalidade contrária ao interesse
público, qual seja, uma troca de favores entre membros do Judiciário, o ato deve
ser invalidado, por violação ao princípio da moralidade administrativa e por estar
caracterizada a sua ilegalidade, por desvio de finalidade.
Ordem denegada. Decisão unânime. (Mandado de Segurança nº
24.020/DF. Rel. Min. Joaquim Barbosa. Publicado no DJE em
13/06/2012).

7.3.3.2. Exceção ao nepotismo: cargos políticos.


Ao proferir o seu voto no julgamento do recurso extraordinário nº 579.951-
4/RN, o Ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal, afirmou que devem
ser excluídos da abrangência da súmula vinculante nº 13 os denominados cargos
políticos, a exemplo dos Ministros, Secretários Estaduais e Secretários
municipais.
Sendo assim, não há qualquer ilegitimidade se o Prefeito nomear a sua irmã
como Secretária Municipal de Saúde, desde que atenda aos requisitos exigidos
pelo cargo. No mesmo sentido, é lícita a nomeação do pai do Governador para o
cargo político de Secretário Estadual de Obras.
"Então, quando o art. 37 refere-se a cargo em comissão e função de
confiança, está tratando de cargos e funções singelamente administrativos,
não de cargos políticos. Portanto, os cargos políticos estariam fora do
alcance da decisão que tomamos na ADC nº 12, porque o próprio capítulo
VII é Da Administração Pública enquanto segmento do Poder Executivo. E
sabemos que os cargos políticos, como por exemplo, o de secretário
municipal, são agentes de poder, fazem parte do Poder Executivo. O cargo
não é em comissão, no sentido do artigo 37. Somente os cargos e funções
singelamente administrativos - é como penso - são alcançados pela
imperiosidade do artigo 37, com seus lapidares princípios. Então, essa
distinção me parece importante para, no caso, excluir do âmbito da
nossa decisão anterior os secretários municipais, que
correspondem a secretários de Estado, no âmbito dos Estados, e
ministros de Estrado, no âmbito federal." (Recurso Extraordinário nº
579.951-4/RN. DJe 24/10/2008).
Esse entendimento foi posteriormente ratificado pelo Supremo Tribunal
Federal, conforme se constata no julgamento do Agravo Regimental na
Reclamação 6650/PR:

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AGRAVO REGIMENTAL EM MEDIDA CAUTELAR EM RECLAMAÇÃO.


NOMEAÇÃO DE IRMÃO DE GOVERNADOR DE ESTADO. CARGO DE
SECRETÁRIO DE ESTADO. NEPOTISMO. SÚMULA VINCULANTE Nº 13.
INAPLICABILIDADE AO CASO. CARGO DE NATUREZA POLÍTICA. AGENTE
POLÍTICO. ENTENDIMENTO FIRMADO NO JULGAMENTO DO RECURSO
EXTRAORDINÁRIO 579.951/RN. OCORRÊNCIA DA FUMAÇA DO BOM
DIREITO.
1. Impossibilidade de submissão do reclamante, Secretário Estadual de
Transporte, agente político, às hipóteses expressamente elencadas na
Súmula Vinculante nº 13, por se tratar de cargo de natureza política.
2. Existência de precedente do Plenário do Tribunal: RE 579.951/RN, rel.
Min. Ricardo Lewandowski, DJE 12.9.2008.
3. Ocorrência da fumaça do bom direito.
(...) 6. Agravo regimental improvido”.

No concurso para Titular de Serviços de Notas e de Registros do


Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, realizado em 2012, o IESES
(Instituto de Estudos Superior do Extremo Sul) elaborou interessante
questão sobre o tema, a saber:

De acordo com súmula vinculante editada pelo Supremo Tribunal Federal,


assinale a alternativa que enumera as proposições em que há VIOLAÇÃO aos
princípios constitucionais de Direito Administrativo, em especial os previstos
expressamente no art. 37, caput, da Constituição Federal:

I. A nomeação para o exercício de cargo em comissão, de cônjuge ou


companheiro da autoridade nomeante.

II. A nomeação para o exercício de cargo em comissão, de bisneto de servidor da


mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento.

III. A nomeação para o exercício de função gratificada na administração pública,


de primo da autoridade nomeante.

IV. A nomeação de pessoas contratadas de forma temporária, em qualquer caso.


a) Em todas as proposições.
b) Somente nas proposições III e IV.
c) Somente nas proposições I, II e III.
d) Somente nas proposições I e II.
Gabarito: Letra d.

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7.4. Princípio da publicidade


O princípio da publicidade impõe que a Administração Pública conceda aos
seus atos a mais ampla divulgação possível entre os administrados, pois só
assim estes poderão fiscalizar e controlar a legitimidade das condutas
praticadas pelos agentes públicos. Ademais, a publicidade dos atos, programas,
obras e serviços dos órgãos públicos deverão ter caráter educativo, informativo
ou de orientação social, nos termos do art. 37, § 1º, da CF/1988.
O princípio encontra amparo no caput do artigo 37 da Constituição Federal
de 1988, bem como no art. 5º, inc. XXXIII, ao dispor que:
XXXIII - Todos têm direito a receber dos órgãos públicos
informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou
geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de
responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja
imprescindível à segurança da sociedade e do Estado.

7.4.1. Exceções ao princípio da publicidade


Assim como ocorre na esfera judicial, em que certos atos podem ter sua
publicidade restrita em virtude da preservação da intimidade das partes, alguns
atos administrativos também poderão ter sua publicidade restrita com amparo
em dispositivo da Constituição Federal81.
O art. 5º, XXXIII, da CF/1988, prevê duas hipóteses de restrição à
publicidade dos atos da Administração Pública:
a) quando for imprescindível à segurança da sociedade, a exemplo das
informações que possam colocar em risco a vida, a segurança ou a saúde da
população;
b) se necessário à segurança do Estado, a exemplo das informações
sobre a defesa nacional, que podem pôr em risco a defesa e a soberania nacional
ou a integridade do território nacional.
A Lei nº 12.527/2011, que dispõe sobre os procedimentos a serem
observados pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, com o fim de
garantir o acesso a informações públicas, classifica as informações sigilosas em
ultrassecretas, secretas ou reservadas:

81
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para Delegado da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro,
realizado pela FUNCAB.

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Art. 24. A informação em poder dos órgãos e entidades públicas, observado o seu
teor e em razão de sua imprescindibilidade à segurança da sociedade ou do
Estado, poderá ser classificada como ultrassecreta, secreta ou reservada.
§ 1º Os prazos máximos de restrição de acesso à informação, conforme a
classificação prevista no caput, vigoram a partir da data de sua produção e são os
seguintes:
I - ultrassecreta: 25 (vinte e cinco) anos;
II - secreta: 15 (quinze) anos; e
III - reservada: 5 (cinco) anos.

Por último, destaca-se ainda o teor do art. 93, IX, da CF/1988, ao impor
que “todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e
fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar
a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou
somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do
interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação”.

7.4.2. Instrumentos de divulgação oficial


Em regra, os atos editados no âmbito da Administração Pública serão
divulgados através do Diário Oficial do respectivo ente federativo (União,
Estados, Municípios e Distrito Federal). Todavia, alguns municípios, por mais
absurdo que possa parecer, ainda não criaram os seus diários oficiais. Nesse caso,
admite-se a divulgação através da afixação dos atos em quadros ou murais de
avisos, geralmente localizados no saguão da sede do Poder Executivo
(Prefeitura) ou da Câmara de Vereadores.
Diógenes Gasparini afirma que “a publicação para surtir os efeitos
desejados é a do órgão oficial. De sorte que não se considera como tendo
atendido ao princípio da publicidade a mera notícia, veiculada pela imprensa
falada, escrita ou televisiva, do ato praticado pela Administração Pública, mesmo
que a divulgação ocorra em programas dedicados a noticiar assuntos relativos ao
seu dia-a-dia, como é o caso da Voz do Brasil, conforme já decidiu o STF ao julgar
o RE 71.56282”.
Se a lei não exigir expressamente a divulgação do ato administrativo
através de Diário Oficial, a publicidade estará atendida com a simples publicação
em boletim informativo interno, cuja circulação normalmente está restrita ao

82
GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 11. ed. p. 12.

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próprio órgão ou entidade responsável pela edição. Entretanto, é necessário que


o ato não seja destinado à produção de efeitos externos (fora da
Administração), pois, caso contrário, exige-se a publicação em órgão oficial.
É o que ocorre, por exemplo, com o ato de nomeação de candidato
aprovado em concurso público. Como o objetivo do ato é produzir efeitos
externos, comunicando o candidato que se encontra fora do âmbito
administrativo, deverá ser publicado em Diário Oficial, pois, caso contrário, o seu
destinatário terá dificuldade para conhecer o seu conteúdo. De outro lado, se o
ato é classificado como interno (de efeitos restritos ao interior da própria
administração), a exemplo daquele que concede auxílio-transporte a servidor
público, é suficiente publicá-lo em boletim informativo interno.

7.4.3. Condição de eficácia e moralidade do ato


O Decreto Federal nº 1.171/1994, em seu inc. VII, afirma que “salvo os
casos de segurança nacional, investigações policiais ou interesse superior do
Estado e da Administração Pública, a serem preservados em processo
previamente declarado sigiloso, nos termos da lei, a publicidade de qualquer ato
administrativo constitui requisito de eficácia e moralidade, ensejando sua
omissão comprometimento ético contra o bem comum, imputável a quem a
negar”.
Esse também é o entendimento de Hely Lopes Meirelles83, ao afirmar que
“a publicidade não é elemento formativo do ato; é requisito de eficácia e
moralidade. Por isso mesmo, os atos irregulares não se convalidam com a
publicação, nem os regulares a dispensam para sua exequibilidade, quando a lei
ou o regulamento a exige”.
Sendo assim, não restam dúvidas de que a seguinte assertiva deve ser
considerada incorreta: “a publicidade dos atos administrativos é requisito de sua
eficácia, sua forma e sua moralidade, propiciando ao gestor público a
transparência em suas atuações e possibilitando aos administrados a defesa de
seus direitos84”.

7.4.4. A divulgação da remuneração de agentes públicos

83
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 27. ed. p.92.
84
Enunciado considerado incorreto e cobrado no concurso para o cargo de Analista Judiciário do TRE/MT, realizado
pelo CESPE.

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Durante certo tempo, houve grande discussão na doutrina e jurisprudência


sobre a constitucionalidade de leis que exigiam a divulgação das remunerações
recebidas pelos servidores públicos através dos sites das respectivas entidades e
órgãos públicos na internet.
De um lado, os servidores públicos (quase sempre representados pelos
respectivos sindicatos) defendiam que a divulgação violaria o direito a
intimidade e à segurança privada e familiar, pois tal conduta poderia torná-los
potenciais alvos de criminosos em razão das elevadas cifras recebidas
mensalmente (nem todos, é claro!). De outro, a Administração Pública afirmava
que a divulgação seria uma consequência obrigatória do princípio da
publicidade, já que as remunerações eram pagas com recursos públicos,
portanto, a sociedade teria o direito de saber quanto cada um de seus
“servidores” recebe.
A questão foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento
do Agravo Regimental em Suspensão de Segurança nº 3902/SP, a seguir
apresentada:
Ao aplicar o princípio da publicidade administrativa, o Plenário desproveu agravo
regimental interposto de decisão do Min. Gilmar Mendes, Presidente à época, proferida
nos autos de suspensão de segurança ajuizada pelo Município de São Paulo. A decisão
questionada suspendera medidas liminares que anularam, provisoriamente, o ato de
divulgação da remuneração bruta mensal, com o respectivo nome de cada servidor, em
sítio eletrônico da internet, denominado “De Olho nas Contas”. Na espécie, o Município
impetrante alegava grave lesão à ordem pública, retratada no descumprimento do
princípio da supremacia do interesse público sobre interesses particulares. Na impetração
originária, de outra monta, sustentara-se violação à intimidade e à segurança privada e
familiar dos servidores. Reputou-se que o princípio da publicidade administrativa,
encampado no art. 37, caput, da CF, significaria o dever estatal de divulgação de atos
públicos. Destacou-se, no ponto, que a gestão da coisa pública deveria ser realizada com
o máximo de transparência, excetuadas hipóteses constitucionalmente previstas, cujo
sigilo fosse imprescindível à segurança do Estado e da sociedade (CF, art. 5º, XXXIII).
Frisou-se que todos teriam direito a receber, dos órgãos públicos, informações de interesse
particular ou geral, tendo em vista a efetivação da cidadania, no que lhes competiria
acompanhar criticamente os atos de poder. Aduziu-se que a divulgação dos
vencimentos brutos de servidores, a ser realizada oficialmente, constituiria
interesse coletivo, sem implicar violação à intimidade e à segurança deles, uma
vez que esses dados diriam respeito a agentes públicos em exercício nessa
qualidade. Afirmou-se, ademais, que não seria permitida a divulgação do
endereço residencial, CPF e RG de cada um, mas apenas de seu nome e matrícula
funcional. Destacou-se, por fim, que o modo público de gerir a máquina estatal
seria elemento conceitual da República (SS 3902 Segundo AgR/SP, rel. Min.
Ayres Britto, 9.6.2011).

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7.4.5. Chamada pública


Se você está se preparando para concursos públicos, é bom que conheça o
instituto da chamada pública, pois, em virtude de sua reiterada utilização pela
Administração Pública, certamente será objeto de questionamentos em provas
futuras.
A chamada pública é instrumento utilizado para levar ao conhecimento de
eventuais interessados a intenção da Administração Pública em realizar eventos
específicos, contratar serviços, selecionar projetos de pesquisas etc. Nesse caso,
a chamada pública será materializada através de edital divulgado da forma mais
abrangente possível, principalmente pela internet, contendo em seu bojo um
resumo das principais informações acerca do objetivo administrativo.
José dos Santos Carvalho Filho, ao fazer referência à chamada pública,
afirma que “espelha, sem dúvida, a aplicação do princípio da publicidade, na
medida em que, de forma transparente, a Administração divulga seus objetivos
e permite que interessados do setor privado acorram na medida de seus
interesses85”.

7.5. Princípio da eficiência


O princípio da eficiência não constava expressamente no texto original da
Constituição Federal de 1988. Somente com a promulgação da emenda
constitucional nº 19, que ocorreu em 04 de junho de 1998, foi inserido no caput
do art. 37 da CF/1988.
Para Hely Lopes Meirelles86, o princípio da eficiência exige que a atividade
administrativa seja exercida com presteza, perfeição e rendimento
funcional. É o mais moderno princípio da função administrativa, que já não se
contenta em ser desempenhada apenas com legalidade, exigindo resultados
positivos para o serviço público e satisfatório atendimento das necessidades da
comunidade e de seus membros.
É o princípio pelo qual se espera alcançar o melhor desempenho possível,
no tocante ao modo de agir dos agentes, e de angariar os melhores resultados
na prestação dos serviços, no pertinente à atuação da Administração Pública87.

85
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 26. ed., p.29.
86
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 27. ed., p.94.
87
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para Titular de Serviços de Notas e de Registros do Tribunal de
Justiça de Rondônia, realizado pelo IESES.

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Em termos gerais, o princípio da eficiência impõe a adoção, no âmbito da


Administração Pública, das mais modernas técnicas de gerenciamento há muito
utilizadas na iniciativa privada, produzindo efeitos diretos em relação aos
agentes públicos (imposição de avalição periódica de desempenho, por
exemplo) e entidades e órgãos administrativos.
Como consequência, vislumbra-se o aumento tanto da produtividade dos
servidores públicos quanto da qualidade nos serviços públicos prestados à
coletividade, além da redução de custos nas atividades administrativas, gerando
economia de recursos para os cofres públicos.

7.5.1. Eficiência e economicidade


O princípio da eficiência está diretamente relacionado à economia de
recursos na execução das despesas públicas, isto é, impõe-se ao administrador
público a maximização dos resultados e minimização dos custos, garantindo-
se, assim, uma satisfação ótima dos interesses da coletividade. Nesse caso, fala-
se em economicidade.
O princípio da economicidade está previsto no art. 70 da Constituição
Federal de 1988, que assim dispõe:
Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e
patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta,
quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das
subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional,
mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada
Poder.
Todavia, apesar de constar expressamente no texto constitucional,
entende-se que o princípio da economicidade seria um dos aspectos definidores
do princípio da eficiência, configurando-se aquele como uma das formas de
manifestação deste.

7.5.2. Eficiência, eficácia e efetividade


José dos Santos Carvalho Filho, em lição lapidar, afirma que eficiência,
eficácia e efetividade são expressões com significados distintos:
A eficiência não se confunde com a eficácia nem com a efetividade. A
eficiência transmite sentido relacionado ao modo pelo qual se processa o
desempenho da atividade administrativa; a ideia diz respeito, portanto, à
conduta dos agentes. Por outro lado, eficácia tem relação com os meios e

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instrumentos empregados pelos agentes no exercício de seus misteres na


administração; o sentido aqui é tipicamente instrumental. Finalmente, a
efetividade é voltada para os resultados obtidos com as ações
administrativas; sobreleva nesse aspecto a positividade dos objetivos. O
desejável é que tais qualificações caminhem simultaneamente, mas é
possível admitir que haja condutas administrativas produzidas com
eficiência, embora não tenham eficácia ou efetividade. De outro prisma,
pode a conduta não ser muito eficiente, mas, em face da eficácia dos meios,
acaba por ser dotada de efetividade. Até mesmo é possível admitir que
condutas eficientes e eficazes acabem por não alcançar os resultados
desejados; em consequência, serão despidas de efetividade88.

7.5.3. Manifestações constitucionais do princípio da eficiência


O princípio da eficiência não se impõe apenas à Administração Pública, na
execução das atividades administrativas, mas também àqueles que são
responsáveis pela materialização concreta dessas atividades, isto é, aos
servidores públicos.
A submissão dos servidores públicos ao princípio da eficiência fica evidente
na leitura do art. 41, § 4º, da CF/1988, que, após a promulgação da emenda
constitucional 19/1998, passou a exigir, como condição para aquisição da
estabilidade, a obrigatoriedade de submissão à avaliação especial de
desempenho por comissão instituída para essa finalidade.
A Constituição Federal de 1988, em diversos de seus dispositivos, faz
referência expressa ou implícita à observância do princípio da eficiência, a
saber:
1º - Art. 37, § 8º: “a autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos
órgãos e entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada
mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público,
que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou
entidade, cabendo à lei dispor sobre: I - o prazo de duração do contrato; II - os
controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e
responsabilidade dos dirigentes; III - a remuneração do pessoal”;
2º - Art. 5º, LXXVIII: “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são
assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a
celeridade de sua tramitação”;

88
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 26. ed., p.32.

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3º - Art. 37, § 3º, I: “a lei disciplinará as formas de participação do usuário


na administração pública direta e indireta, regulando especialmente: I - as
reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a
manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica,
externa e interna, da qualidade dos serviços (...)”;
4º - Art. 74, II: “Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão,
de forma integrada, sistema de controle interno com a finalidade de: II -
comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e eficiência, da
gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da
administração federal, bem como da aplicação de recursos públicos por entidades
de direito privado”;
5º - Art. 144, § 7º: “a lei disciplinará a organização e o funcionamento
dos órgãos responsáveis pela segurança pública, de maneira a garantir a
eficiência de suas atividades”.

8. Princípios implícitos

8.1. Princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse


privado89
Um dos princípios informativos do Direito Administrativo, que o distingue
dos demais ramos, no disciplinamento das relações jurídicas, sob sua incidência,
é o da supremacia do interesse público sobre o privado90.
Apesar de não constar expressamente no texto constitucional, o princípio
da supremacia do interesse público sobre o privado é um dos responsáveis pela
estruturação do regime jurídico-administrativo, estabelecendo a posição de
supremacia da Administração Pública nas relações jurídicas travadas com os
particulares (relação vertical).
Essa relação jurídica desigual é aconselhável e necessária, pois a
Administração Pública atua na satisfação de interesses de toda a coletividade,
sempre vislumbrando o bem comum. Nesse caso, o indivíduo tem que ser visto
como integrante da sociedade, não podendo os seus direitos, em regra, ser
equiparados aos direitos sociais91. Se for necessário estabelecer restrições a

89
Maria Sylvia Zanella di Pietro também denominada o princípio da supremacia do interesse público sobre o privado como
princípio da finalidade.
90
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Analista Judiciário do Ministério Público da
União, realizado pela ESAF.
91
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 26. ed., p.33.

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direitos individuais em prol da coletividade, a Administração Pública está


autorizada a fazê-lo, apesar de a Constituição Federal considerar intocáveis
alguns direitos assegurados aos particulares.
A título de exemplo, destaca-se que o Decreto-Lei nº 3.365/1941, em seu
art. 2º, dispõe que “mediante declaração de utilidade pública, todos os bens
poderão ser desapropriados pela União, pelos Estados, Municípios, Distrito
Federal e Territórios”. Nesse caso, ainda que o particular resida em imóvel de sua
propriedade por várias gerações e que com ele tenha uma inestimável relação de
“afeto”, a Administração Pública poderá desapropriá-lo para a construção de
uma nova avenida cujo trajeto irá passar justamente onde está localizado.
Prevalece, na hipótese, o interesse público.
O princípio da supremacia do interesse público está presente tanto no
momento da elaboração da lei como no momento de sua execução em concreto
pela Administração Pública. Ele inspira o legislador e vincula a autoridade
administrativa em toda a sua atuação estatal92.

8.1.1. Direito adquirido, ato jurídico perfeito e coisa julgada


O interesse público não se sobrepõe, de forma absoluta, aos interesses
particulares. Existem direitos individuais que estão resguardados pelo próprio
texto constitucional, conforme se constata no art. 5º, XXXVI, que assim dispõe:
Art. 5º. XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico
perfeito e a coisa julgada.

A Lei nº 8.213/1991, em seu art. 48, por exemplo, afirma que a


aposentadoria por idade será devida ao segurado que, cumprida a carência
exigida em seu texto, completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem,
e 60 (sessenta), se mulher.
Todavia, nada impede que a Administração Pública, alegando necessidade
de interesse público (diminuição do déficit previdenciário em razão da elevação
da expectativa de vida do brasileiro), aumente em 5 (cinco) anos a idade mínima
de aposentadoria para homens e mulheres, passando, assim, para 70 (setenta)
e 65 (sessenta e cinco) anos, respectivamente.
No exemplo citado, ainda que a elevação da idade tenha sido realizada
através de lei, esta não poderá afetar a situação jurídica daqueles que já estavam

92
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 24. ed., p.65.

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aposentados, pois detentores de direito adquirido. O segurado que se


encontrava, no momento da publicação da lei, com 64 anos de idade, terá que
aguardar por mais 6 (seis) anos para se aposentar. Entretanto, o trabalhador que
já contava com 66 (sessenta e seis) anos de idade no momento da publicação da
lei, mas ainda não havia requerido a aposentadoria, não será afetado pelas novas
regras, pois detentor de direito adquirido à aposentadoria de acordo com a
legislação anterior.

8.1.2. Prerrogativas decorrentes da supremacia do interesse


público
Para a satisfação dos interesses da coletividade, o princípio da supremacia
do interesse público assegura à Administração Pública diversas prerrogativas,
que podem ser entendidas como verdadeiros “privilégios”, pois não estão
presentes nas relações jurídicas que envolvem exclusivamente os particulares.
Essas prerrogativas posicionam a Administração Pública e,
consequentemente, os seus respectivos servidores, em patamar de superioridade
(relação vertical) frente aos particulares, sendo possível citar os seguintes
exemplos, dentre vários:
1º - a existência de cláusulas exorbitantes nos contratos
administrativos, que permitem à Administração Pública rescindi-los e alterá-los
unilateralmente (Lei 8.666/1993, art. 65, I e 78);
2º - requisição administrativa, que permite à autoridade competente,
no caso de iminente perigo público, usar de propriedade particular, assegurada
ao proprietário indenização ulterior, se houver dano (CF/1988, art. 5º, XXV);
3º - prazo em quádruplo para contestar e em dobro para recorrer quando
a parte for a Fazenda Pública (Código de Processo Civil, art. 188)93;
4º - impenhorabilidade (não podem ser penhorados para pagamento de
débitos judiciais) e imprescritibilidade (não podem ser usucapidos) dos bens
públicos;

93
O art. 7º da Lei 12.153/2009, que dispõe sobre os Juizados Especiais da Fazenda Pública no âmbito dos Estados, do
Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, afirma que “não haverá prazo diferenciado para a prática de qualquer
ato processual pelas pessoas jurídicas de direito público, inclusive a interposição de recursos, devendo a citação para a
audiência de conciliação ser efetuada com antecedência mínima de 30 (trinta) dias”. Todavia, essa restrição somente
abrange os processos que tramitarem no âmbito dos Juizados Especiais de Fazenda Pública e Juizados Especiais
Federais (Lei 10.259/2001, art. 9º).

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5º - presunção relativa de que os atos editados pela Administração Pública


são legítimos, isto é, praticados em conformidade com a determinação da lei e
do Direito em geral (presunção de legitimidade).

8.2. Princípio da indisponibilidade do interesse público


De acordo com o princípio da indisponibilidade, os bens e interesses
públicos não pertencem à Administração, cabendo aos agentes administrativos
apenas geri-los e conservá-los em prol da coletividade94.
Para evitar que abram mão do interesse público para beneficiarem a si
próprios ou a terceiros, os agentes públicos estão obrigados a observar diversas
restrições (também denominadas de sujeições) impostas pelo princípio em
estudo. Como atuam apenas como administradores dos bens e interesses
comuns (considerados inalienáveis), não podem praticar atos sem que exista
autorização legal, principalmente se onerosos à coletividade.
Enquanto o princípio da supremacia do interesse público assegura
prerrogativas (privilégios) para a Administração Pública e seus agentes, o
princípio da indisponibilidade impõe sujeições (restrições). Ambos fundamentam
e disciplinam o regime jurídico-administrativo.
A necessidade da realização de concurso público; a necessidade, em regra,
de realizar licitação antes de contratações públicas são exemplos de
manifestações do princípio da indisponibilidade do interesse público95.

8.2.1. Acordos judiciais


A Lei Federal nº 9.469/1997, que dispõe sobre a intervenção da União nas
causas em que figurarem, como autores ou réus, entes da administração indireta,
autoriza a celebração de acordos judiciais, evitando-se, assim, a alegação de
suposta violação ao princípio da indisponibilidade do interesse público:
Art. 1º. O Advogado-Geral da União, diretamente ou mediante delegação, e os
dirigentes máximos das empresas públicas federais poderão autorizar a realização
de acordos ou transações, em juízo, para terminar o litígio, nas causas de valor
até R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais).

94
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Analista de Trânsito do Detran/PE, realizado
pela FUNCAB.
95
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Advogado da CELESC, realizado pela FEPESE.

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§ 1º. Quando a causa envolver valores superiores ao limite fixado neste artigo, o
acordo ou a transação, sob pena de nulidade, dependerá de prévia e expressa
autorização do Advogado-Geral da União e do Ministro de Estado ou do titular da
Secretaria da Presidência da República a cuja área de competência estiver afeto o
assunto, ou ainda do Presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal,
do Tribunal de Contas da União, de Tribunal ou Conselho, ou do Procurador-Geral
da República, no caso de interesse dos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário,
ou do Ministério Público da União, excluídas as empresas públicas federais não
dependentes, que necessitarão apenas de prévia e expressa autorização de seu
dirigente máximo.

A Lei Federal nº 10.259/2001, que dispõe sobre a instituição dos Juizados


Especiais Cíveis e Criminais no âmbito da Justiça Federal, também autoriza os
representantes judiciais da União, autarquias, fundações e empresas públicas
federais a formalizarem acordos judiciais, evitando, assim, que tais condutas
sejam apontadas como violadoras do princípio da indisponibilidade:
Art. 10. As partes poderão designar, por escrito, representantes para a
causa, advogado ou não.
Parágrafo único. Os representantes judiciais da União, autarquias,
fundações e empresas públicas federais, bem como os indicados na forma
do caput, ficam autorizados a conciliar, transigir ou desistir, nos processos
da competência dos Juizados Especiais Federais.

8.2.1.1. Atenuação do princípio da indisponibilidade


No julgamento do recurso extraordinário nº 253.885/MG, de relatoria da
Ministra Ellen Gracie, cujo acórdão foi publicado em 21/06/2002, o Supremo
Tribunal Federal assim se manifestou, ao considerar válido acordo judicial
firmado entre Município e servidores públicos sem autorização legal
específica:
“Em regra, os bens e o interesse público são indisponíveis, porque pertencem à
coletividade. É, por isso, o Administrador, mero gestor da coisa pública, não tem
disponibilidade sobre os interesses confiados à sua guarda e realização. Todavia,
há casos em que o princípio da indisponibilidade do interesse público deve ser
atenuado, mormente quando se tem em vista que a solução adotada pela
administração é a que melhor atenderá à ultimação deste interesse."

Na oportunidade, o Supremo Tribunal Federal reconheceu que apesar de


inexistência de lei municipal específica autorizando o acordo judicial, este não era
oneroso nem gerava gravame patrimonial para o município. Não era o caso de

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comprometimento de bens, afetação de verbas, criação de novos cargos ou


inusitado aumento de despesas. Tratava-se, apenas, de pagamento de verbas
remuneratórias de servidores públicos indevidamente retidas, por isso foi
validado o acordo judicial.
É importante destacar que a decisão acima exposta não pode ser
considerada uma regra, mas sim exceção. Tanto é verdade que no concurso
público para o cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal, realizado no ano de
2005, a ESAF considerou correta a seguinte assertiva: “Por decorrência do regime
jurídico-administrativo não se tolera que o Poder Público celebre acordos
judiciais, ainda que benéficos, sem a expressa autorização legislativa”.

8.2.2. Alienação de bens públicos


Em decorrência do princípio da indisponibilidade do interesse público, não
é permitido à administração alienar qualquer bem público enquanto este bem
estiver sendo utilizado para uma destinação pública específica96.
Os bens públicos de uso comum do povo e os bens públicos de uso
especial não podem ser alienados (vendidos) pela Administração Pública, pois
estão afetados a finalidades públicas específicas. Bens dominicais, a exemplo dos
terrenos sem utilização e veículos inservíveis podem ser alienados, pois não estão
afetados à finalidade pública específica.
Para evitar que agentes públicos abram mão do interesse público no
momento da alienação desses bens (vendendo ou doando para quem for mais
conveniente aos seus interesses pessoais), a Lei nº 8.666/1993 impõe, em seu
art. 17, a obrigatoriedade de licitação, nos seguintes moldes:
Art. 17. A alienação de bens da Administração Pública, subordinada à
existência de interesse público devidamente justificado, será precedida de
avaliação e obedecerá às seguintes normas:
I - quando imóveis, dependerá de autorização legislativa para órgãos da
administração direta e entidades autárquicas e fundacionais, e, para todos,
inclusive as entidades paraestatais, dependerá de avaliação prévia e de
licitação na modalidade de concorrência, dispensada esta nos seguintes
casos: (...)

96
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Agente Administrativo da Polícia Rodoviária
Federal, realizado pelo CESPE.

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8.3. Princípios da razoabilidade e proporcionalidade


Em termos gerais, os princípios da razoabilidade e proporcionalidade são
considerados implícitos, pois não estão positivados no texto da Constituição
Federal de 1988. Entretanto, destaca-se que vários dispositivos jurídicos os
consagram em seus respectivos textos.
O art. 13 da Constituição do Estado de Minas Gerais, por exemplo, impõe
de forma expressa a necessidade de observância do princípio da razoabilidade
para toda a administração pública mineira:
Art. 13 – A atividade de administração pública dos Poderes do Estado e a
de entidade descentralizada se sujeitarão aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência e razoabilidade.
De outro lado, os princípios da razoabilidade e proporcionalidade podem ser
considerados expressos para a administração pública federal, já que
previstos no art. 2º da Lei Federal nº 9.784/1999:
Art. 2º. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios
da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade,
moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse
público e eficiência.
Alguns autores afirmam que os dois princípios são sinônimos97, outros,
porém, defendem que proporcionalidade e razoabilidade são princípios que não
se confundem inteiramente98.
Essa mesma divergência também é encontrada nas bancas examinadoras,
que ainda não chegaram a um consenso em suas provas. A ESAF, por exemplo,
costuma apresentar as características isoladas de cada princípio, considerando-
os autônomos. De outro lado, a Fundação Carlos Chagas os considera
sinônimos, abordando as características do princípio da proporcionalidade como
se fossem, também, do princípio da razoabilidade, vejamos:
(ESAF/Analista – MPOG/2010) A observância da adequação e da
exigibilidade, por parte do agente público, constitui fundamento do princípio
da proporcionalidade. Assertiva considerada correta.
(FCC/Analista Judiciário – TRE PI/2009) O princípio da razoabilidade
objetiva aferir a compatibilidade entre os meios e os fins, de modo a evitar
restrições desnecessárias ou abusivas por parte da Administração Pública,
com lesão aos direitos fundamentais. Assertiva considerada correta.

97
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 24. ed., p.81.
98
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 26. ed., p. 111.

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Como o objetivo deste livro é facilitar o seu percurso rumo à aprovação no


concurso público desejado, apresentaremos as principais características de cada
princípio, de forma isolada.

8.3.1. Princípio da razoabilidade


Celso Antônio Bandeira de Mello, em exposição clássica, assim se manifesta
sobre o princípio da razoabilidade:
Enuncia-se com este princípio que a Administração, ao atuar no exercício
de discrição, terá de obedecer a critérios aceitáveis do ponto de vista
racional, em sintonia com o senso normal de pessoas equilibradas e
respeitosa das finalidades que presidiram a outorga da competência
exercida. Vale dizer: pretende-se colocar em claro que não serão apenas
inconvenientes, mas também ilegítimas – e, portanto, jurisdicionalmente
invalidáveis -, as condutas desarrazoadas, bizarras, incoerentes ou
praticadas com desconsideração às situações e circunstâncias que seriam
atendidas por quem tivesse atributos normais de prudência, sensatez e
disposição de acatamento às finalidades da lei atributiva da discrição
manejada99.
O princípio da razoabilidade está diretamente relacionado ao senso
comum, à percepção que a maioria das pessoas possui sobre determinado tema
ou assunto. Por isso, quando o administrador público tiver que atuar, terá sempre
que observar o bom senso, levando em consideração o entendimento do
“homem médio”, isto é, daquele que nem possui inteligência sobrenatural nem
possui intelecto de criança.
Atualmente, muito se discute sobre a razoabilidade da exigência de idade
máxima para ingresso em cargos públicos, principalmente na área militar. Penso
que a exigência de idade máxima de 32 anos para ingresso em cargo de soldado
da Polícia Militar, por exemplo, não afronta o princípio da razoabilidade, pois são
bastante peculiares as atribuições exercidas. Todavia, certamente violaria tal
princípio o dispositivo legal que determinasse a idade máxima de 32 anos para
ingresso em cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal, cujas atribuições não
estão diretamente relacionadas com o condicionamento físico do servidor.

99
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 26. ed., p. 109.

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Aliás, esse é o entendimento divulgado pela súmula nº 683 do Supremo


Tribunal Federal: “o limite de idade para a inscrição em concurso público só se
legitima em face do art. 7º, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado
pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido”.

8.3.2. Princípio da proporcionalidade


A Lei Federal nº 9.784/1999, em seu art. 2º, VI, dispõe que nos processos
administrativos serão observados, entre outros, os critérios de adequação entre
meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida
superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público.
Apesar de se tratar de regra imposta à administração pública federal, eis a
essência do princípio da proporcionalidade: garantir que os meios adotados pelas
entidades e órgãos administrativos de todos os entes da federação, assim como
seus respectivos agentes, sejam adequados aos fins legais que se deseja
alcançar.
Quando se fala em vedação de imposição de obrigações, restrições e
sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento
do interesse público, está-se referindo ao princípio da proporcionalidade100, por
isso é também denominado de princípio da proibição de excessos.
A Lei nº 8.112/1990, em seu art. 117, II, afirma ser vedado ao servidor
retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou
objeto da repartição. De outro lado, dispõe o art. 129 que a sanção aplicável ao
caso será a advertência.
Nesses termos, se determinado servidor for flagrado praticando a infração
descrita no art. 117, I, da Lei nº 8.112/1990, e, após regular processo
administrativo, receber suspensão por 90 (noventa) dias a título de penalidade,
a sanção certamente terá sido desproporcional. Em outras palavras, os meios
utilizados pela autoridade competente (suspensão por 90 dias) não foram
adequados (a penalidade foi excessiva) aos fins legais desejados (punição do
servidor nos termos da lei).
Constatando-se, no caso em concreto, que a penalidade imposta foi
desproporcional à infração funcional cometida, garante-se o acesso ao Poder
Judiciário com a finalidade de anular o excesso cometido pela autoridade
competente e garantir a aplicação de sanção mais branda:

100
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Técnico Judiciário do Tribunal Regional
Eleitoral do Acre, realizado pela Fundação Carlos Chagas.

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EMENTA: ADMINISTRATIVO. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. SERVIDOR


PÚBLICO. DEMISSÃO POR ATO DE IMPROBIDADE. PRINCÍPIO DA
PROPORCIONALIDADE. PENA MENOS SEVERA.
(...) Embora o Judiciário não possa substituir-se à Administração na
punição do servidor, pode determinar a esta, em homenagem ao princípio
da proporcionalidade, a aplicação de pena menos severa, compatível com
a falta cometida e a previsão legal.
(Supremo Tribunal Federal. RMS 21791/DF. Relator Min. Carlos Brito. DJE
11.02.2005).

8.3.2.1. Tríplice fundamento da proporcionalidade


A doutrina majoritária costuma afirmar que, no caso em concreto, para que
o ato da administração esteja em conformidade com o princípio da
proporcionalidade, devem estar presentes os seguintes elementos ou
subprincípios: adequação, necessidade e a proporcionalidade.
José dos Santos Carvalho Filho, substituindo a necessidade pela
exigibidade, porém, sem alterar o conteúdo do elemento, assim dispõe:
(...) para que a conduta estatal observe o princípio da proporcionalidade,
há de revestir-se de tríplice fundamento: (1) adequação, significando que
o meio empregado na atuação deve ser compatível com o fim colimado; (2)
exigibilidade, porque a conduta deve ter-se por necessária, não havendo
outro meio menos gravoso ou oneroso para alcançar o fim público, ou seja,
o meio escolhido é o que causa o menor prejuízo possível para os
indivíduos; (3) proporcionalidade em sentido estrito, quando as
vantagens a serem conquistadas superarem as desvantagens101.

No concurso público para o cargo de Técnico Judiciário do Tribunal


Superior Eleitoral, realizado em 2012, a Consulplan abordou o tema, nos
seguintes moldes:

101
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 26. ed., p.43.

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(CONSULPLAN/Técnico Judiciário – TSE/2012) Marque a alternativa que


contém os fundamentos ou subprincípios do princípio da
proporcionalidade.
a) Adequação, razoabilidade e racionalidade.
b) Adequação, exigibilidade e proporcionalidade em sentido estrito.
c) Razoabilidade, necessidade e boa-fé.
d) Regularidade, exigibilidade e proporcionalidade em sentido estrito.

Gabarito: Letra b

8.4. Princípio da autotutela


A autotutela, uma decorrência do princípio constitucional da legalidade, é o
controle que a administração exerce sobre os seus próprios atos, o que lhe
confere a prerrogativa de anulá-los ou revogá-los, sem necessidade de
intervenção do Poder Judiciário102.
A Administração Pública, mesmo após a edição de seus atos, continua
realizando sobre eles efetivo e constante controle administrativo. Assim, caso
verifique posteriormente que editou ato ilegal, está autorizada a anulá-lo. No
mesmo sentido, caso edite ato legal que futuramente se torne inconveniente
ou inoportuno, poderá realizar a revogação.
É o que consta no teor da súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, que
assim dispõe:
A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios
que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-
los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos
adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.
A anulação e revogação de ato administrativo podem ocorrer tanto de
ofício, por iniciativa da própria administração, quanto por provocação de
particulares atingidos pelos seus efeitos. Entretanto, a possibilidade de a própria
administração revisar os seus atos não afasta eventual controle pelo Poder
Judiciário, que possui a prerrogativa de analisar a legalidade de todos os atos
administrativos, sejam eles vinculados ou discricionários.

102
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Assessor do Tribunal de Contas do Rio
Grande do Norte, realizado pelo CESPE.

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Apesar de tratarmos do assunto em estudo, com mais detalhes, em


capítulos posteriores, destaca-se que a anulação de ato administrativo possui
efeitos ex tunc (retroativos, isto é, desde a sua edição). De outro lado, a
revogação por razões de conveniência e oportunidade somente opera efeitos a
partir da data que se realizar (ex nunc).

8.4.1. Princípio da sindicabilidade


Recentemente, as bancas têm elaborado várias questões sobre o princípio
da sindicabilidade, que, para muitos, nada mais é do que o próprio princípio da
autotutela, que assegura à Administração Pública a prerrogativa de fiscalizar e
controlar os seus próprios atos.
Todavia, o princípio da sindicabilidade nos parece ser ainda mais amplo
que o princípio da autotutela, podendo ser entendido como a possibilidade jurídica
de submeter-se efetivamente qualquer lesão de direito e, por extensão, as
ameaças de lesão de direito a algum tipo de controle103, ainda que não seja o
da própria Administração Pública (Poder Judiciário, por exemplo).
No concurso público para o cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do
Brasil, realizado em 2012, a ESAF elaborou a seguinte questão sobre o tema:

(ESAF/Auditor Fiscal - Receita Federal do Brasil/2012) A possibilidade jurídica


de submeter-se efetivamente qualquer lesão de direito e, por extensão, as
ameaças de lesão de direito a algum tipo de controle denomina-se
a) Princípio da legalidade.
b) Princípio da sindicabilidade.
c) Princípio da responsividade.
d) Princípio da sancionabilidade.
e) Princípio da subsidiariedade.

Gabarito: Letra b.

8.4.2. Ampla defesa e contraditório

103
MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. Curso de Direito Administrativo. 15. ed. p. 93.

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Segundo entendimento consolidado do STF, qualquer ato da administração


pública que repercuta no campo dos interesses individuais do cidadão deverá ser
precedido de prévio procedimento administrativo, no qual se assegure ao
interessado o efetivo exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa104.
Apesar de ser assegurada à Administração Pública a prerrogativa de anular
e revogar os seus próprios atos administrativos, nos termos da súmula nº 473
do Supremo Tribunal Federal, destaca-se que, previamente, deve ser instaurado
o devido processo administrativo, assegurando-se aos atingidos pelos efeitos do
ato o contraditório e a ampla defesa:
EMENTA: DIREITO ADMINISTRATIVO. ANULAÇÃO DE ATO
ADMINISTRATIVO CUJA FORMALIZAÇÃO TENHA REPERCUTIDO NO CAMPO
DE INTERESSES INDIVIDUAIS. PODER DE AUTOTUTELA DA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. NECESSIDADE DE INSTAURAÇÃO DE
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO SOB O RITO DO DEVIDO PROCESSO
LEGAL E COM OBEDIÊNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA
AMPLA DEFESA. (Supremo Tribunal Federal. Repercussão Geral em
Recurso Extraordinário nº 594.296/MG. Relator Min. Menezes
Direito. DJE 13.02.2009)

8.5. Princípio da tutela ou controle


A propósito dos princípios que informam a atuação da Administração
pública tem-se que o princípio da tutela permite que a administração pública
exerça, em algum grau e medida, controle sobre as autarquias que instituir, para
garantia da observância de suas finalidades institucionais105.
O princípio da tutela, também conhecido como princípio do controle,
permite que a Administração Pública Direta (União, Estados, Municípios e
Distrito Federal) fiscalize e controle as atividades exercidas pelas entidades da
Administração Pública Indireta (autarquias, fundações públicas, sociedades
de economia mista, empresas públicas e consórcios públicos de direito público) a
fim de que cumpram as finalidades legais reproduzidas em seus atos
constitutivos.

104
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para a função de Técnico de nível superior do Ministério das
Comunicações, realizado pelo CESPE.
105
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Analista Judiciário do Tribunal Regional do
Trabalho da 1ª Região, realizado pela Fundação Carlos Chagas.

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Apesar de se permitir o controle e fiscalização dos atos praticados pelas


entidades da Administração Indireta, estas não estão hierarquicamente
subordinadas à Administração Direta. Nesse caso, existe apenas uma relação de
vinculação administrativa.
O Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, que possui natureza jurídica
de autarquia federal, está apenas vinculado administrativamente ao Ministério
da Previdência Social. Entre eles não há relação de hierarquia. O mesmo ocorre
em relação à Caixa Econômica Federal – CEF (empresa pública federal), que
está apenas vinculada administrativamente ao Ministério da Fazenda, sem
qualquer relação de hierarquia ou subordinação.
Se você está se preparando para concursos públicos, saiba distinguir o
princípio da tutela do princípio da autotutela. No primeiro, autoriza-se
legalmente que a Administração Direta e seus respectivos órgãos fiscalizem e
controlem as atividades da Administração Indireta. Com fundamento no segundo,
permite-se que a Administração Pública Direta ou Indireta realize o controle de
seus próprios atos, anulando-os, quando ilegais, ou submetendo-os à
revogação, se não forem mais convenientes ou oportunos.

8.6. Princípio da segurança jurídica


O homem precisa de estabilidade nas situações jurídicas que presencia ou
de que é parte. A vida seria muito tormentosa se tivéssemos que continuar nos
preocupando com situações que, no passado, já foram objeto de análise e decisão
pelos órgãos ou entidades da Administração Pública.
Nesse ponto, tem especial relevância os institutos da coisa julgada, ato
jurídico perfeito e direito adquirido, que nem mesmo por lei poderão ser
violados (CF/1988, art. 5º, XXXVI), garantindo, assim, que os indivíduos não
serão surpreendidos posteriormente por novas e prejudiciais decisões ou
interpretações administrativas, sobre o mesmo tema.
A Lei nº 9.784/1999, em seu art. 2º, XIII, dispõe que nos processos
administrativos serão observados, entre outros, os critérios de:
XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta
o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa
de nova interpretação.
Analisando-se a regra em comento, constata-se que a as entidades e
órgãos administrativos podem alterar as interpretações que possuem sobre a
execução dos dispositivos legais vigentes. Entretanto, a nova interpretação

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somente poderá ser aplicada às situações jurídicas futuras, não prejudicando,


assim, aqueles que foram beneficiados pela interpretação administrativa anterior.
A título de exemplo, destaca-se que com fundamento no princípio da
segurança jurídica o Supremo Tribunal Federal106 cassou acórdão do Tribunal de
Contas da União que considerou ilegal o recebimento de gratificação, por
servidor público, depois de 13 (treze) anos de sua concessão, mesmo diante da
confirmação de legalidade da percepção por decisão judicial transitada em
julgado:
(...)- O Tribunal de Contas da União não dispõe, constitucionalmente, de poder para
rever decisão judicial transitada em julgado (RTJ 193/556-557) nem para determinar a
suspensão de benefícios garantidos por sentença revestida da autoridade da coisa
julgada (RTJ 194/594), ainda que o direito reconhecido pelo Poder Judiciário não tenha
o beneplácito da jurisprudência prevalecente no âmbito do Supremo Tribunal Federal,
pois a “res judicata” em matéria civil só pode ser legitimamente desconstituída mediante
ação rescisória. Precedentes.
- Os postulados da segurança jurídica, da boa-fé objetiva e da proteção da
confiança, enquanto expressões do Estado Democrático de Direito, mostram-se
impregnados de elevado conteúdo ético, social e jurídico, projetando-se sobre as
relações jurídicas, mesmo as de direito público (RTJ 191/922, Rel. p/ o acórdão
Min. GILMAR MENDES), em ordem a viabilizar a incidência desses mesmos
princípios sobre comportamentos de qualquer dos Poderes ou órgãos do Estado
(os Tribunais de Contas, inclusive), para que se preservem, desse modo, situações
administrativas já consolidadas no passado.
- A fluência de longo período de tempo culmina por consolidar justas expectativas no
espírito do administrado e, também, por incutir, nele, a confiança da plena regularidade
dos atos estatais praticados, não se justificando – ante a aparência de direito que
legitimamente resulta de tais circunstâncias – a ruptura abrupta da situação de
estabilidade em que se mantinham, até então, as relações de direito público entre o
agente estatal, de um lado, e o Poder Público, de outro. Doutrina. Precedentes.

8.6.1. Princípio da proteção à confiança


O princípio da proteção à confiança não possui previsão expressa no
ordenamento jurídico brasileiro. Para a doutrina majoritária, trata-se de princípio
que corresponde ao aspecto subjetivo da segurança jurídica.

106
Supremo Tribunal Federal. Acórdão. Recurso em Mandado de Segurança nº 25.805/DF. Rel. Ministro Celso de Mello.
DJE 25.03.2010.

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Ao proferir o seu voto no julgamento do recurso em mandado de segurança


nº 25.805/DF, anteriormente citado, o Ministro Relator Celso de Mello (STF),
citando o professor português J. J. Gomes Canotilho, assim se manifestou:
“Estes dois princípios - segurança jurídica e protecção da confiança - andam
estreitamente associados a ponto de alguns autores considerarem o princípio da
protecção de confiança como um subprincípio ou como uma dimensão
específica da segurança jurídica. Em geral, considera-se que a segurança
jurídica está conexionada com elementos objectivos da ordem jurídica - garantia
de estabilidade jurídica, segurança de orientação e realização do direito - enquanto
a protecção da confiança se prende mais com as componentes subjectivas da
segurança, designadamente a calculabilidade e previsibilidade dos indivíduos em
relação aos efeitos jurídicos dos actos dos poderes públicos. A segurança e a
protecção da confiança exigem, no fundo: (1) fiabilidade, clareza,
racionalidade e transparência dos actos do poder; (2) de forma que em relação
a eles o cidadão veja garantida a segurança nas suas disposições pessoais e nos
efeitos jurídicos dos seus próprios actos. Deduz-se já que os postulados da
segurança jurídica e da protecção da confiança são exigíveis perante 'qualquer
acto' de 'qualquer poder' - legislativo, executivo e judicial.”

Maria Sylvia Zanella di Pietro afirma que, “na realidade, o princípio da


proteção à confiança leva em conta a boa-fé do cidadão, que acredita e espera
que os atos praticados pelo Poder Público sejam lícitos e, nessa qualidade, serão
mantidos e respeitados pela própria Administração e por terceiros107”.
A atividade administrativa deve ser pautada na estabilidade e
previsibilidade, prestigiando-se a confiança depositada pelo administrado de
boa-fé e que o levou a usufruir dos direitos concedidos pelo respectivo ato.
Assim, não deve ser surpreendido e prejudicado futuramente por eventual
decisão administrativa de extinção de seus efeitos sob a alegação de equivocada
ou má interpretação da legislação vigente.

8.6.2. Princípio da boa-fé


A Lei nº 9.784∕1999, em seu art. 4º, III, impõe como dever do administrado
perante a Administração proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé. Atua com
boa-fé aquele que pratica condutas leais, honestas, certo de que amparado pela
legislação vigente.

107
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 24. ed., p.87.

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Alguns autores afirmam que o princípio da boa-fé possui estreita relação


com o princípio da proteção à confiança108. Outros declaram que, embora em
muitos casos possam ser confundidos, não existe identidade absoluta109.
Maria Sylvia Zanella di Pietro assim dispõe sobre o princípio da boa-fé:
Pode-se dizer que o princípio da boa-fé deve estar presente do lado da
Administração e do lado do administrado. Ambos devem agir com lealdade, com
correção. O princípio da proteção à confiança protege a boa-fé do administrado;
por outras palavras, a confiança que se protege é aquela que o particular deposita
na Administração Pública. O particular confia em que a conduta da Administração
esteja correta, de acordo com a lei e com o direito. É o que ocorre, por exemplo,
quando se mantêm atos ilegais ou se regulam os efeitos pretéritos de atos
inválidos110.

No julgamento do recurso em mandado de segurança nº 24.715∕ES, de


Relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, o Superior Tribunal de
Justiça se valeu dos princípios da proteção à confiança e da boa-fé para impedir
que a Administração debitasse na remuneração de servidor público valores que
supostamente teriam sido recebidos indevidamente, por falha administrativa:
AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA.
ADIANTAMENTO DE REMUNERAÇÃO DESTINADA À CARREIRA DE MAGISTÉRIO.
PAGAMENTO INDEVIDO À IMPETRANTE EM RAZÃO DO GOZO DE LICENÇA
ESPECIAL REMUNERADA. MÁ APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO PELA
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RECEBIMENTO DE BOA-FÉ. PRETENSÃO
ADMINISTRATIVA DE RESTITUIÇÃO DOS VALORES. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO
DESPROVIDO.
1. É incabível a exigência de restituição ou a procedência de descontos referentes
a valores pagos em decorrência de interpretação equivocada ou má aplicação da
legislação regente pela própria Administração, quando constatada a boa-fé do
beneficiado.
2. O requisito estabelecido para a não devolução de valores pecuniários
indevidamente recebidos é a boa-fé do servidor que, ao recebê-los na aparência
de serem corretos, firma compromissos com respaldo na pecúnia; a escusabilidade
do erro cometido pelo agente, autoriza a atribuição de legitimidade ao
recebimento da vantagem.

108
SARLET, Ingo Wolfgang. A Eficácia do Direito Fundamental à Segurança Jurídica: Dignidade da Pessoa Humana,
Direitos Fundamentais e Proibição de Retrocesso Social no Direito Constitucional Brasileiro. In: ANTUNES, Cármen
Lúcia (Org.). Constituição e segurança jurídica: direito adquirido, ato jurídico perfeito e coisa julgada. Estudos em
homenagem a José Paulo Sepúlveda Pertence. Belo Horizonte: Fórum, 2004, p. 97/98.
109
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 24. ed., p.88.
110
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 24. ed., p.88.

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3. Não há que se impor a restituição pelo Servidor de quantias percebidas de


boa-fé e por equívoco do erário, ainda que a título de adiantamento de
remuneração destinada à carreira de magistério, porquanto tais valores não lhe
serviram de fonte de enriquecimento ilícito, mas de sua subsistência e de sua
família.
4. Recurso desprovido.
(AgRg no RMS 24715/ES - Relator Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO - DJe
13/09/2010)

Em recente concurso público para a função de Técnico de nível superior


do Ministério das Comunicações, realizado em 2013, o CESPE considerou
correto o seguinte enunciado: “a administração pública não pode exigir a
devolução ao erário dos valores recebidos de boa-fé pelo servidor público, quando
estes tiverem sido pagos indevidamente em função de errônea interpretação ou
má aplicação da lei”.

8.6.3. Princípio da continuidade dos serviços públicos


A prestação de serviços públicos deve ocorrer de forma contínua, não se
permitindo, em regra, a interrupção ou suspensão daqueles considerados
essenciais às atividades cotidianas da sociedade. Nesse caso, o princípio alcança
tanto os serviços prestados de forma direta quanto indiretamente (através de
concessionários ou permissionários) pelo Estado.
A título de exemplo e com fundamento no art. 11 da Lei nº 7.783∕1989,
são considerados essenciais o tratamento e abastecimento de água; a produção
e distribuição de energia elétrica, gás e combustíveis; serviços funerários;
controle de tráfego aéreo; assistência médica e hospitalar, entre outros.
Apesar da essencialidade, destaca-se que a Lei nº 8.987∕1995, no seu art.
6º, § 3º, prevê duas hipóteses legais de interrupção da prestação de serviços
públicos sem violação ao princípio em estudo:
Art. 6º. § 3º. Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua
interrupção em situação de emergência ou após prévio aviso, quando:
I - motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações;
e,

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II - por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da


coletividade.
Para que fique caracterizada a continuidade do serviço público, não é
necessário que a prestação ocorra diariamente, mas sim com regularidade. O
serviço de coleta de lixo na maioria das cidades brasileiras, por exemplo, não é
realizado diariamente, mas de forma regular, em determinados dias da semana.

8.6.3.1. Atividades públicas essenciais


Apesar de ser possível a suspensão da prestação de serviços públicos em
razão da inadimplência do usuário, nos termos art. 6º, § 3º, da Lei 8.987∕1995,
destaca-se que o Superior Tribunal de Justiça não a admite nos casos de unidades
públicas essenciais, como hospitais, pronto socorros, escolas e creches:
PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL EM MANDADO
DE SEGURANÇA. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 6º, § 3º, II, DA LEI 8.987/95, E
17, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 9.427/96. FORNECIMENTO DE ENERGIA
ELÉTRICA. MUNICÍPIO. INTERRUPÇÃO. POSSIBILIDADE. PRESERVAÇÃO
DAS UNIDADES PÚBLICAS ESSENCIAIS. PRECEDENTES. PROVIMENTO.
1. É lícito à concessionária interromper o fornecimento de energia elétrica
se, após aviso prévio, o consumidor permanecer inadimplente (Lei
8.987/95, art. 6º, § 3º, II). A finalidade é resguardar a continuidade do
serviço, a qual restaria ameaçada porque oneraria a sociedade como um
todo, que teria de arcar com o prejuízo decorrente de todos os débitos.
2. Tratando-se de pessoa jurídica de direito público, prevalece
nesta Corte a tese de que o corte de energia é possível (Lei
9.427/96, art. 17, parágrafo único), desde que não aconteça
indiscriminadamente, preservando-se as unidades públicas
essenciais, como hospitais, pronto-socorros, escolas e creches (...)
(STJ. REsp 654.818/RJ, Rel. Min. Denise Arruda, DJe 19.10.2006)

8.7. Princípio da motivação


O princípio da motivação implica para a Administração o dever de justificar
seus atos, apontando-lhes os fundamentos de direito e de fato, assim como
a correlação lógica entre os eventos e situações que deu por existentes e a
providência tomada, nos casos em que este último aclaramento seja necessário

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para aferir-se a consonância da conduta administrativa com a lei que lhe serviu
de arrimo111.
Ao motivar os atos praticados, o agente público apresentará, por escrito,
os pressupostos, razões ou fundamentos de fato e de direito que justificaram a
respectiva edição. Na concessão de licença à servidora pública federal gestante,
por exemplo, o pressuposto de fato (acontecimento, situação real) será o início
do nono mês de gravidez ou o parto em si. De outro lado, o pressuposto de
direito (dispositivo legal que autoriza ou determina a edição do ato) será o art.
207 da Lei 8.112∕1990.
Alguns doutrinadores entendem que a motivação dos atos administrativos
não é obrigatória112. Outros, porém, defendem que todos os atos administrativos
devem ser motivados, sejam eles discricionários ou vinculados113.
Para responder às questões de concursos públicos é mais prudente adotar
o entendimento da segunda corrente doutrinária, que é majoritária. Ademais,
esse também é o posicionamento que vigora no âmbito do Superior Tribunal
de Justiça:
AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA.
ADMINISTRATIVO. ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA.
1. O motivo é requisito necessário à formação do ato administrativo e a
motivação, alçada à categoria de princípio, é obrigatória ao exame da
legalidade, da finalidade e da moralidade administrativa.
2. Como ato diverso e autônomo que é, o ato administrativo que torna sem efeito
ato anterior, requer fundamentação própria, não havendo falar em retificação, se
o ato subseqüente não se limita a emendar eventual falha ou erro formal,
importando na desconstituição integral do ato anterior.
3. O ato administrativo, como de resto todo ato jurídico, tem na sua publicação o
início de sua existência no mundo jurídico, irradiando, a partir de então, seus
legais efeitos, produzindo, assim, direitos e deveres. (STJ. AgRg RMS nº
15.350∕DF. Rel. Min. Hamilton Carvalhido. DJe 08.09.2003)

Apesar de se impor como regra geral a motivação dos atos


administrativos, deve ficar claro que existem exceções pontuais. Para responder
às questões de concursos públicos, por exemplo, lembre-se de que os atos de
nomeação e exoneração em cargos de confiança (também denominados de
cargos em comissão), não exigem motivação.

111
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Juiz do Trabalho do Tribunal Regional do
Trabalho da 24ª Região, realizado pelo próprio Tribunal.
112
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 26. ed., p.115.
113
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 24. ed., p.213.

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8.7.1. Motivo e motivação


Motivo e motivação não são expressões sinônimas, possuindo, cada uma
delas, seu real e distinto significado.
O motivo está presente quanto o agente indica os pressupostos de fato e
de direito que ensejaram a edição do ato. De outro lado, a motivação se
configura com a descrição, por escrito, do respectivo motivo.
Suponhamos que determinado servidor federal tenha comparecido ao
Departamento de Pessoal do órgão publico e anunciado, verbalmente, o seu
interesse em se desligar da Administração Pública para trabalhar na iniciativa
privada. Nesse caso, para a edição do ato de exoneração a pedido, devem estar
presentes os pressupostos de fato e de direito que o ensejarão (que configuram
o motivo): pedido do servidor (fato) e art. 34 da Lei nº 8.112∕1990 (direito).
De outro lado, é necessário que a autoridade do Departamento de Pessoal
escreva esse motivo em formulário próprio (ao colocar no “papel” o motivo da
exoneração, efetiva-se a motivação), que posteriormente fundamentará a
publicação do ato no Diário Oficial da União.

8.7.2. Motivação aliunde


Pelo princípio da motivação, é possível a chamada motivação aliunde, ou
seja, a mera referência, no ato, à sua concordância com anteriores pareceres,
informações, decisões ou propostas, como forma de suprimento da motivação do
ato114.
É o que consta no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784∕1999, ao dispor que “a
motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em
declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres,
informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do
ato”.
Florivaldo Dutra de Araújo, professor da Universidade Federal de Minas
Gerais e grande estudioso do tema, afirma que se a motivação encontra-se no
mesmo documento em que se registra o ato motivado, recebe o nome de
contextual. Achando-se em escrito distinto, será aliunde ou per relationem115.

114
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Analista Judiciário do Tribunal de Justiça
do Rio de Janeiro, realizado pelo CESPE.
115
ARAÚJO, Florivaldo Dutra de. Motivação e controle do ato administrativo. 2. ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2005, p.
119

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Ao motivar portaria de remoção de servidor público em razão de processo


seletivo interno, por exemplo, o agente público competente não necessita
apresentar, detalhadamente, todos os fatos e dispositivos legais que a
ensejaram, sendo suficiente fazer referência ao edital e decisão final do
respectivo processo administrativo.

8.7.3. Teoria dos motivos determinantes


A motivação, em regra, não exige formas específicas, podendo ser ou não
concomitante com o ato, além de ser feita, muitas vezes, por órgão diverso
daquele que proferiu a decisão116. Entretanto, exige-se que os motivos alegados
para a edição do ato sejam verdadeiros, isto é, correspondam a fatos realmente
existentes.
Se o interessado demonstra e comprova que os motivos alegados não
correspondem à realidade ou sequer existiram, o ato deverá ser anulado pela
própria Administração Pública ou pelo Poder Judiciário por violação à teoria dos
motivos determinantes.
Celso Antônio Bandeira de Mello, ao dispor sobre a teoria dos motivos
determinantes, afirma que:
De acordo com esta teoria, os motivos que determinam a vontade do
agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a
validade do ato. Sendo assim, a invocação de “motivos de fato” falsos,
inexistentes ou incorretamente qualificados vicia o ato mesmo quando,
conforme já se disse, a lei não haja estabelecido, antecipadamente, os
motivos que ensejariam a prática do ato. Uma vez enunciados pelo agente
os motivos em que se calçou, ainda quando a lei não haja expressamente
imposto a obrigação de enunciá-los, o ato só será válido se estes realmente
ocorreram e o justificavam117.
Suponhamos que, no dia 12∕08∕2013, a autoridade administrativa
competente tenha indeferido pedido de férias do servidor público A, para início
de gozo no dia 01∕10∕2013, sob a alegação de era reduzida a quantidade de
servidores em exercício no mês de outubro. Todavia, imaginemos agora que, no
dia 15∕08∕2013, a mesma autoridade tenha deferido o pedido do servidor público

116
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Procurador do Município de Teresina∕PI,
realizado pela Fundação Carlos Chagas – FCC.
117
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 26. ed., p. 398.

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B para gozar as suas férias a partir do dia 01∕10∕2013 sob a alegação de que
seria conveniente e oportuno ao interesse público.
Ora, no exemplo citado, não restam dúvidas de que o motivo inicialmente
informado pela autoridade administrativa não era verdadeiro, pois, alguns dias
depois, foi simplesmente desconsiderado na motivação de ato administrativo com
o mesmo objeto. Nesse caso, o servidor público A poderia pleitear a anulação do
ato administrativo que indeferiu o seu pedido de férias, baseando-se, para isso,
na teoria dos motivos determinantes.

8.8. Princípio da especialidade


A Administração Pública brasileira organiza-se, didaticamente, em direta e
indireta. A Administração Direta é formada pelas entidades estatais, também
chamadas de entidades políticas (União, Estados, Municípios e Distrito Federal) e
seus respectivos órgãos públicos.
A Administração Indireta é integrada pelas “entidades administrativas”
(autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia
mista e consórcios públicos de direito público), que são criadas pelas entidades
estatais, por lei ou mediante autorização legal, para a execução de atividades
administrativas de forma descentralizada, porém, mediante vinculação às
entidades estatais criadoras.
Ao criar ou autorizar a criação de entidade administrativa, a lei
estabelece previamente a sua área de atuação (finalidade legal), isto é, a sua
especialidade. Desse modo, somente por lei será possível em momento
posterior alterar a finalidade (especialidade) desta mesma entidade. Em
nenhuma hipótese será permitida a alteração das finalidades institucionais da
entidade por simples vontade de seus administradores, sob pena de
responsabilização penal, cível e administrativa.
A Lei Federal nº 7.735/1989, por exemplo, foi responsável pela criação do
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis –
IBAMA. Em seu artigo 2º, a citada lei assegurou ao IBAMA natureza jurídica de
autarquia federal dotada de personalidade jurídica de direito público, autonomia
administrativa e financeira, vinculada ao Ministério do Meio Ambiente. Afirmou,
ainda, que a finalidade, isto é, a especialidade do IBAMA seria exercer o poder
de polícia ambiental; executar ações das políticas nacionais de meio ambiente;
executar as ações supletivas de competência da União, de conformidade com a
legislação ambiental vigente, dentre outras.

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Como as finalidades (especialidades) do IBAMA foram previstas


expressamente em lei, somente esta poderá alterá-las em momento futuro. Caso
o Presidente do IBAMA, por exemplo, decida emitir ordens no sentido de
direcionar a atuação da entidade para uma finalidade diferente daquela prevista
na lei (educação superior, por exemplo), violará expressamente o princípio da
especialidade, dentre outros.

8.9. Princípios da ampla defesa e contraditório


A CF∕1988, em seu art. 5º, LV, dispõe que “aos litigantes, em processo
judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”.
Por contraditório, entende-se a garantia assegurada ao administrado de
participar dos atos praticados durante o processo administrativo, de ser
comunicado, de ser ouvido (dimensão formal). Entretanto, não basta que o
administrado seja ouvido no processo administrativo, mas que tenha condições
de poder influenciar a decisão a ser proferida pela autoridade administrativa
(dimensão substancial)118.
Em relação ao princípio da ampla defesa, afirma-se que está inserido no
âmbito do próprio contraditório, assegurando aos administrados a possibilidade
de se valerem de todos os meios permitidos legalmente para fundamentar suas
alegações.
Para responder às questões de concursos públicos, deve-se ficar atento ao
conteúdo da súmula vinculante nº 5 do Supremo Tribunal Federal, que assim
dispõe: “a falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo
disciplinar não ofende a constituição”.
Assim, fica ao critério do administrado contratar, ou não, a assistência
técnica de advogado para defender seus interesses em processo administrativo,
inclusive de natureza disciplinar. Caso decida participar de processo
administrativo sem assessoria advocatícia, não haverá violação aos princípios do
contraditório e da ampla defesa, pois se trata de opção pessoal.

8.10. Princípio da presunção de legitimidade e veracidade


Não é comum encontrar em provas questões sobre o princípio da
presunção de legitimidade ou veracidade, pois o tema é abordado, de maneira

118
DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil. Vol. 1. 15. ed. Salvador: JusPodium, 2013, p. 57.

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mais ampla e com maior profundidade, no estudo dos elementos ou requisitos do


ato administrativo.
Todavia, para evitar surpresas no momento da prova, é prudente conhecer
os ensinamentos de Maria Sylvia Zanella di Pietro, que assim dispõe:
Esse princípio, que alguns chamam de princípio da presunção de
legalidade, abrange dois aspectos: de um lado, a presunção de verdade,
que diz respeito à certeza dos fatos; de outro lado, a presunção de
legalidade, pois, se a Administração Pública se submete à lei, presume-se,
até prova em contrário, que todos os seus atos sejam verdadeiros e
praticados com observância das normas legais pertinentes119.
O princípio da presunção de legitimidade ou de veracidade dos atos
administrativos trata de presunção relativa, sendo o efeito de tal presunção o de
inverter o ônus da prova120.

8.11. Princípio do controle judicial dos atos administrativos


No Brasil, vigora o sistema de jurisdição única, também denominado de
sistema inglês, portanto, somente o Poder Judiciário possui a prerrogativa de
decidir, em última instância, os conflitos que envolvam Administração Pública e
seus respectivos administrados.
Nesse sentido, compete ao Poder Judiciário realizar o controle de
legalidade de todos os atos praticados pela Administração Pública, inclusive os
atos administrativos, sejam eles discricionários ou vinculados. Ademais, incumbe
ao Poder Judiciário, caso provocado, avaliar se o conteúdo do ato administrativo
está em conformidade com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade.
Esse é o posicionamento que prevalece no âmbito do Superior Tribunal de
Justiça:
SERVIDOR PÚBLICO. PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR.
DEMISSÃO. CONTROLE DE LEGALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO.
POSSIBILIDADE DE EXAME PELO PODER JUDICIÁRIO.
PROPORCIONALIDADE DA PENA APLICADA.
1. Os atos administrativos comportam controle jurisdicional amplo, em
especial aquele que impõe sanção disciplinar a servidor público. Isso,
porque o Judiciário, quando provocado, deve examinar a razoabilidade e a

119
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 24. ed., p.69.
120
Enunciado considerado correto e cobrado no concurso para o cargo de Procurador do Município de Teresina∕PI,
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proporcionalidade do ato, em avaliação que observe os princípios da


dignidade da pessoa humana, culpabilidade e proporcionalidade.
2. A pena de demissão mostra-se proporcional, pois foi apurado em regular
processo disciplinar que a servidora deixou de observar os procedimentos
administrativos previstos para a concessão de auxílio-maternidade. Com
isso, foi responsável por 11 (onze) benefícios previdenciários indevidos,
causando prejuízos à Administração. 3. Ordem denegada.
(STJ - MS: 14283 DF 2009/0069195-4, Relator: Ministro JORGE
MUSSI, Data de Julgamento: 23/03/2011, S3 - TERCEIRA SEÇÃO,
Data de Publicação: DJe 08/04/2011)

8.12. Princípio da juridicidade


O art. 2º, parágrafo único, inc. II, da Lei nº 9.784∕1999, dispõe que nos
processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de atuação
conforme a lei e o Direito.
Nos dias atuais, a Administração Pública não se restringe apenas à
observância do princípio da legalidade estrita, mas também de todos os demais
atos normativos primários (decretos autônomos, por exemplo) e princípios gerais
do direito. Por isso se fala em observância do princípio da juridicidade, que é
mais amplo que o princípio da legalidade.
Emerson Garcia e Rogério Pacheco Alves assim se manifesta sobre o
princípio da juridicidade:
Com a constitucionalização dos princípios, que terminaram por normatizar
inúmeros valores de cunho ético-jurídico, a concepção de legalidade cedeu
lugar à noção de juridicidade, segundo a qual a atuação do Estado deve
estar em harmonia com o Direito, afastando a noção de legalidade estrita
– com contornos superpostos à regra -, passando a compreender regras e
princípios121.

121
GARCIA. Emerson; Alves, Rogério Pacheco. Improbidade Administrativa. 6. ed., p. 68.

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RESUMO DE VÉSPERA DE PROVA - RVP

Princípios Principais informações para revisão


Regras (leis) e princípios são espécies de um gênero maior,
denominado norma.
Condutas administrativas violadoras de leis são consideradas
ilegais; se violadoras de princípios, ilegítimas.
Eventual conflito entre princípios deve ser solucionado através
da ponderação de valores, analisando-se a incidência individual
de cada princípio no caso em concreto.
Noções gerais Não há hierarquia entre princípios, que se aplicam em igual
medida e de acordo com as ponderações determinadas pelo caso
em concreto.
Princípios expressos são aqueles escritos em norma de caráter
geral (L.I.M.P.E., por exemplo, previstos na CF∕1988); princípios
implícitos são fruto da doutrina e jurisprudência (proteção à
confiança, por exemplo).
Nas palavras de Hely Lopes Meirelles, “enquanto na
administração particular é lícito fazer tudo o que a lei não proíbe,
na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei
autoriza. A lei para o particular significa ‘pode fazer assim’; para
o administrador público significa ‘deve fazer assim”.
Atos administrativos (decretos regulamentares, por exemplo)
não podem criar direitos ou impor obrigações a particulares.
Em situações excepcionais, os administrados serão obrigados a
cumprir determinações ou proibições que não estarão previstas
LEGALIDADE
em leis, mas em medidas provisórias e decretos que instituem
estado de defesa e estado de sítio.
O princípio da legalidade não impede a discricionariedade
administrativa, apenas impõe limites à sua atuação, que deve
ocorrer nos termos da lei.
Existem atos normativos primários que, mesmo não se
enquadrando como lei em sentido formal, também poder impor
obrigações ou proibições aos administrados: medidas
provisórias, decretos autônomos, resoluções do CNJ e CNMP e
regimentos internos dos tribunais.
O princípio da impessoalidade pode ser estudado sob vários
aspectos distintos: dever de tratamento isonômico a todos os
administrados; imputação dos atos praticados pelos agentes
públicos diretamente às pessoas jurídicas a que estejam
vinculados, vedada a promoção pessoal; imposição de que os
atos da Administração sejam editados para a satisfação da
finalidade pública.

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IMPESSOALIDADE Regras relativas a impedimentos e suspeições são aplicadas a


servidores públicos como corolário do princípio da
impessoalidade
Em razão do princípio da impessoalidade, o ato administrativo
praticado por funcionário irregularmente investido no cargo ou
função é válido (teoria do funcionário de fato, que leva em conta
a aparência de legalidade do ato praticado).
Quando a remoção ex officio de servidor público for realizada
com o intuito de puni-lo, ter-se-á o desvio de finalidade, pois
essa não é a finalidade do ato prevista legalmente.
A moralidade administrativa (interna) possui conteúdo
específico, podendo coincidir, ou não, com a moral comum
(externa) da sociedade, em determinado momento histórico.
A ofensa à moral comum não caracteriza, necessariamente,
ofensa à moralidade administrativa, que se vincula a uma noção
de moral jurídica, exigindo padrões objetivos de conduta dos
administradores públicos. Todavia, existem situações nas quais
a conduta do indivíduo pode violar, ao mesmo tempo, a moral
MORALIDADE
comum e a moral administrativa.
Em razão da súmula vinculante nº 13 do STF, que veda o
nepotismo (inclusive na forma cruzada), os primos são os únicos
parentes (4º grau) da autoridade competente que podem ser
nomeados para cargos em comissão ou função gratificada.
Parentes podem ser nomeados para o exercício de cargos
políticos (Ministérios e Secretarias Estaduais e Municipais) sem
que ocorra violação ao teor da súmula vinculante nº 13 do STF.
Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de
seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que
serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade,
ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança
da sociedade e do Estado.
Quando a lei exigir ou for necessária a produção de efeitos
externos, o ato administrativo deverá ser publicado em Diário
PUBLICIDADE
Oficial ou instrumento equivalente. De outro lado, quando se
tratar de atos de efeitos internos, a divulgação poderá ser feita
em boletim informativo do próprio órgão ou entidade.
A publicidade não é elemento formativo do ato; é requisito de
eficácia e moralidade.

Como consequência do princípio da publicidade, é legítima a


divulgação, através da internet, da remuneração recebida pelos
agentes públicos.
O princípio da eficiência exige que a atividade administrativa
seja exercida com presteza, perfeição e rendimento funcional,
alcançando tanto a Administração Pública quanto os seus
respectivos agentes, de forma individualizada.
EFICIÊNCIA Somente foi introduzido no art. 37, caput, da CF∕1988 em
04∕06∕1998, com a promulgação da EC nº 19∕1998.

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O princípio da eficiência está diretamente relacionado à


economia de recursos na execução das despesas públicas,
portanto, também se manifesta através do princípio da
economicidade.
Assegura à Administração Pública diversas prerrogativas nas
relações jurídicas frente aos particulares (a exemplos de prazos
processuais mais dilatados e cláusulas exorbitantes nos
contratos administrativos).
SUPREMACIA DO A supremacia do interesse público não é absoluta, pois deve
INTERESSE PÚBLICO respeitar o ato jurídico perfeito, direito adquirido e coisa julgada,
nos termos do art. 5º, XXXVI, CF∕1988.
É princípio responsável pela estruturação do regime jurídico-
administrativo, juntamente com o princípio da indisponibilidade
do interesse público.
Dispõe que os agentes públicos são meros administradores dos
interesses da coletividade (dos bens públicos, por exemplo),
INDISPONIBILIDADE DO
portanto, não podem praticar condutas que sejam lesivas a
INTERESSE PÚBLICO
esses interesses, sob pena de responsabilização.
A necessidade de realização de concursos públicos e licitação são
exemplos da manifestação do princípio da indisponibilidade. No
mesmo sentido, também são exemplos a necessidade de lei para
formalização de acordos judiciais e alienação de bens públicos
pela Administração Pública.
Também é conhecido como princípio do bom senso, pois exige
que o administrador público tome decisões pautadas no senso
comum, isto é, em sintonia com o entendimento da maioria das
RAZOABILIDADE pessoas sobre o tema.
Atos administrativos desarrazoados estão sujeitos ao controle do
Poder Judiciário.
Impõe a adequação entre meios e fins, vedada a
imposição de obrigações, restrições e sanções em medida
superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento
PROPORCIONALIDADE do interesse público.
É também conhecido como princípio da proibição de excessos.
Decisão administrativa em conformidade com o principio da
proporcionalidade é aquela que seja adequada, necessária e
proporcional.
É a prerrogativa assegurada à Administração Pública de rever os
seus próprios atos sem necessidade de recorrer ao Poder
Judiciário.
AUTOTUTELA A súmula 473 do STF dispõe que administração pode anular seus
próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais,
porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo
de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos
adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação
judicial.

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A anulação ou revogação de ato administrativo deve ser


precedida do devido processo legal administrativo,
assegurando-se o contraditório e ampla defesa.

TUTELA O princípio da tutela, também conhecido como princípio do


controle, permite que a Administração Pública Direta fiscalize e
controle as atividades exercidas pelas entidades da
Administração Pública Indireta a fim de que cumpram as
finalidades legais reproduzidas em seus atos constitutivos.
Apesar da fiscalização e controle exercidos sobre a
Administração Pública Indireta, esta não está subordinada à
Administração Pública Direta, mas apenas vinculada.
As entidades e órgãos administrativos podem alterar as
interpretações que possuem sobre a execução dos dispositivos
legais vigentes. Entretanto, a nova interpretação somente
poderá ser aplicada às situações jurídicas futuras, não
prejudicando, assim, aqueles que foram beneficiados pela
SEGURANÇA JURÍDICA
interpretação administrativa anterior.
O princípio da proteção à confiança, que não possui previsão
expressa no ordenamento jurídico brasileiro, corresponde ao
aspecto subjetivo da segurança jurídica.
A prestação de serviços públicos deve ocorrer de forma contínua,
não se permitindo, em regra, a interrupção ou suspensão
CONTINUIDADE DOS
daqueles considerados essenciais às atividades cotidianas da
SERVIÇOS PÚBLICOS
sociedade.
Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua
interrupção em situação de emergência ou após prévio aviso,
quando: I - motivada por razões de ordem técnica ou de
segurança das instalações; e, II - por inadimplemento do
usuário, considerado o interesse da coletividade.
Exige que o administrador público apresente, por escrito, os
pressupostos de fato e de direito que ensejaram a edição do ato,
sob pena de anulação.
Motivo e motivação não são expressões sinônimas.
Pelo princípio da motivação, é possível a chamada motivação
aliunde, ou seja, a mera referência, no ato, à sua concordância
MOTIVAÇÃO
com anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas,
como forma de suprimento da sua motivação.
A teoria dos motivos determinantes dispõe que se o agente
público apresentou, por escrito, os motivos que ensejaram a
edição do ato, estes devem ser verdadeiros e corresponder à
realidade, ainda que se trate de ato que não exigia motivação (a
exemplo da nomeação para cargos em comissão).
Ao criar ou autorizar a criação de entidade administrativa, a lei
estabelece previamente a sua área de atuação (finalidade legal),
ESPECIALIDADE
isto é, a sua especialidade. Desse modo, somente por lei será

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possível alterar a finalidade (especialidade) desta mesma


entidade posteriormente.
A CF∕1988, em seu art. 5º, LV, dispõe que “aos litigantes, em
processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e
recursos a ela inerentes”.
AMPLA DEFESA E Fica ao critério do administrado contratar, ou não, a assistência
CONTRADITÓRIO técnica de advogado para defender seus interesses em processo
administrativo, inclusive de natureza disciplinar. Caso decida
participar de processo administrativo sem assessoria
advocatícia, não haverá violação aos princípios do contraditório
e da ampla defesa, pois se trata de opção pessoal.
Esse princípio, que alguns chamam de princípio da presunção de
legalidade, abrange dois aspectos: de um lado, a presunção de
PRESUNÇÃO DE
verdade, que diz respeito à certeza dos fatos; de outro lado, a
LEGITIMIDADE E
presunção de legalidade, pois, se a Administração Pública se
VERACIDADE
submete à lei, presume-se, até prova em contrário, que todos
os seus atos sejam verdadeiros e praticados com observância
das normas legais pertinentes.
Compete ao Poder Judiciário realizar o controle de legalidade de
todos os atos praticados pela Administração Pública, inclusive os
CONTROLE JUDICIAL
atos administrativos, sejam eles discricionários ou vinculados.
DOS ATOS
Ademais, incumbe ao Poder Judiciário, caso provocado, avaliar
ADMINISTRATIVOS
se o conteúdo do ato administrativo está em conformidade com
os princípios da razoabilidade e proporcionalidade.
Nos dias atuais, a Administração Pública não se restringe apenas
à observância do princípio da legalidade estrita, mas também de
todos os demais atos normativos primários (decretos
JURIDICIDADE autônomos, por exemplo) e princípios gerais do direito. Por isso
se fala em observância do princípio da juridicidade, que é mais
amplo que o princípio da legalidade.

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MAPA MENTAL

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RELAÇÃO DE QUESTÕES COM GABARITO – “BATERIA CESPE”

(CESPE/Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2015) No que se


refere a ato administrativo, agente público e princípios da administração
pública, julgue o próximo item.
01. De acordo com entendimento dominante, é legítima a publicação em
sítio eletrônico da administração pública dos nomes de seus servidores
e do valor dos vencimentos e das vantagens pecuniárias a que eles fazem
jus.
02. O princípio da eficiência, considerado um dos princípios inerentes à
administração pública, não consta expressamente na CF.

(CESPE/Técnico Federal de Controle Externo – TCU/2015) No que se


refere aos princípios e conceitos da administração pública e aos
servidores públicos, julgue o próximo item.
03. Ofenderá o princípio da impessoalidade a atuação administrativa que
contrariar, além da lei, a moral, os bons costumes, a honestidade ou os
deveres de boa administração.

(CESPE/Administrador – FUB/2015) Julgue o item subsecutivo, de


acordo com os princípios que compõem o direito administrativo
brasileiro.
04. A ação administrativa tendente a beneficiar ou a prejudicar
determinada pessoa viola o princípio da isonomia.
05. O agente público só poderá agir quando houver lei que autorize a
prática de determinado ato.

(CESPE/Auditor – FUB/2015) No que concerne ao regime jurídico-


administrativo, julgue o item subsequente.
06. A proteção da confiança, desdobramento do princípio da segurança
jurídica, impede a administração de adotar posturas manifestadamente
contraditórias, ou seja, externando posicionamento em determinado
sentido, para, em seguida, ignorá-lo, frustrando a expectativa dos
cidadãos de boa-fé.

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07. O princípio da segurança jurídica não se sobrepõe ao da legalidade,


devendo os atos administrativos praticados em violação à lei, em todo
caso, ser anulados, a qualquer tempo.

(CESPE/Assistente em administração – FUB/2015) A administração


pública é regida por princípios fundamentais que atingem todos os entes
da Federação: União, estados, municípios e o Distrito Federal. Com
relação a esse assunto, julgue o item subsecutivo.
08. A pretexto de atuar eficientemente, é possível que a administração
pratique atos não previstos na legislação.
09. O princípio da legalidade limita a atuação do Estado à legislação
existente.
10. De acordo com o princípio da moralidade, os agentes públicos devem
atuar de forma neutra, sendo proibida a atuação pautada pela promoção
pessoal.
11. Apesar de o princípio da moralidade exigir que os atos da
administração pública sejam de ampla divulgação, veda-se a publicidade
de atos que violem a vida privada do cidadão.
12. Na hierarquia dos princípios da administração pública, o mais
importante é o princípio da legalidade, o primeiro a ser citado na CF.

(CESPE/Técnico – MPU/2015) O servidor responsável pela segurança da


portaria de um órgão público desentendeu-se com a autoridade superior
desse órgão. Para se vingar do servidor, a autoridade determinou que, a
partir daquele dia, ele anotasse os dados completos de todas as pessoas
que entrassem e saíssem do imóvel.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item que se segue.
13. O ato praticado pela autoridade superior, como todos os atos da
administração pública, está submetido ao princípio da moralidade,
entretanto, considerações de cunho ético não são suficientes para
invalidar ato que tenha sido praticado de acordo com o princípio da
legalidade.

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(CESPE/Nível Superior – FUB/2015) Com base no que dispõem a Lei n.º


9.784/1999, o Estatuto e o Regimento Geral da UnB, julgue os itens que
se seguem.
14. Como decorrência dos princípios da legalidade e da segurança
jurídica, é correto afirmar que os processos administrativos regidos pela
Lei n.º 9.784/1999 devem, em regra, guardar estrita correspondência
com as formas estabelecidas para cada espécie processual, podendo a
lei, em determinadas hipóteses, dispensar essa exigência.

(CESPE/Técnico Judiciário – TRE-GO/2015) No que se refere ao regime


jurídico-administrativo brasileiro e aos princípios regentes da
administração pública, julgue o próximo item.
15. Por força do princípio da legalidade, o administrador público tem sua
atuação limitada ao que estabelece a lei, aspecto que o difere do
particular, a quem tudo se permite se não houver proibição legal.
16. Em decorrência do princípio da impessoalidade, previsto
expressamente na Constituição Federal, a administração pública deve
agir sem discriminações, de modo a atender a todos os administrados e
não a certos membros em detrimento de outros.
17. O princípio da eficiência está previsto no texto constitucional de
forma explícita.
18. O regime jurídico-administrativo brasileiro está fundamentado em
dois princípios dos quais todos os demais decorrem, a saber: o princípio
da supremacia do interesse público sobre o privado e o princípio da
indisponibilidade do interesse público.

(CESPE/Técnico Federal de Controle Externo – TCU/2015) 19. Se for


imprescindível à segurança da sociedade e do Estado, será permitido o
sigilo dos atos administrativos.

(CESPE/Técnico Federal de Controle Externo – TCU/2015) 20. Conforme


a teoria dos motivos determinantes, a validade do ato administrativo
vincula-se aos motivos que o determinaram, sendo, portanto, nulo o ato
administrativo cujo motivo estiver dissociado da situação de direito ou
de fato que determinou ou autorizou a sua realização.

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(CESPE/ Juiz de Direito Substituto - TJ-DFT/2014 - adaptada)


Considerando a relevância dos princípios do direito administrativo para
atividade de administrador público, julgue os itens seguintes:
21. Estando o administrador diante de ato administrativo viciado, o
princípio da segurança jurídica lhe confere a opção, observado o critério
de conveniência e oportunidade, de convalidar o ato se o vício for
sanável, reconhecer a sua estabilização pelo decurso do tempo, modular
os efeitos da anulação ou, ainda, invalidar o ato, com efeitos ex tunc.
22. O princípio da supremacia do interesse público vem sendo
questionado pela doutrina, em especial, após a CF, que estabeleceu o
Estado democrático de direito e assegurou direitos e garantias
individuais acima dos interesses do Estado, não existindo, por outro lado,
norma constitucional que respalde a permanência de tal princípio no
ordenamento jurídico.
23. O princípio da eficiência funciona como diretriz a ser seguida pelo
administrador, mas não pode ser utilizado como parâmetro de controle
externo pelo tribunal de contas para fins de verificação de regularidade
dos atos e contratos celebrados pelos administradores públicos.
24. A violação de princípios da administração pública, tais como da
moralidade, da impessoalidade e da eficiência, caracteriza ato de
improbidade administrativa, desde que comprovado o dolo, ainda que
genérico, do agente.
25. Na esfera de atuação do poder de polícia, não pode a administração
pública efetuar a demolição de obra irregular de forma sumária, sem
observar os princípios do contraditório e da ampla defesa, devendo haver
a oitiva prévia do interessado.

(CESPE/Técnico - ANTAQ/2014) Com relação à administração pública e


seus princípios fundamentais, julgue os próximos itens.
26. O princípio da publicidade está relacionado à exigência de ampla
divulgação dos atos administrativos e de transparência da administração
pública, condições asseguradas, sem exceção, ao cidadão.

(CESPE/ Analista Administrativo - ANATEL/2014) Julgue o item, a


respeito de atos e processos administrativos.

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27. Atualmente, no âmbito federal, todo ato administrativo restritivo de


direitos deve ser expressamente motivado.

(CESPE/ Titular de Serviços de Notas e de Registros - TJ-SE/2014 -


adaptada) Considerando os conceitos do direito administrativo e os
princípios do regime jurídico-administrativo, julgue os itens seguintes:
28. O princípio da proteção à confiança legitima a possibilidade de
manutenção de atos administrativos inválidos.
29. Consoante o critério da administração pública, o direito
administrativo é o ramo do direito que tem por objeto as atividades
desenvolvidas para a consecução dos fins estatais, excluídas a legislação
e a jurisdição.
30. Adotando-se o critério do serviço público, define-se direito
administrativo como o conjunto de princípios jurídicos que disciplinam a
organização e a atividade do Poder Executivo e de órgãos
descentralizados, além das atividades tipicamente administrativas
exercidas pelos outros poderes.
31. São fontes primárias do direito administrativo os regulamentos, a
doutrina e os costumes.
32. Dado o princípio da supremacia do interesse público sobre o privado,
é possível à administração pública, mediante portaria, impor vedações
ou criar obrigações aos administrados.

(CESPE/ Analista Judiciário – Direito - TJ-SE/2014) No que se refere aos


princípios que regem a administração pública, julgue os seguintes itens.
33. Em consonância com os princípios constitucionais da impessoalidade
e da moralidade, o STF, por meio da Súmula Vinculante n.º 13,
considerou proibida a prática de nepotismo na administração pública,
inclusive a efetuada mediante designações recíprocas — nepotismo
cruzado.

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(CESPE/ Técnico Judiciário - TJ-CE/2014 - adaptada) Com relação aos


princípios que fundamentam a administração pública, assinale a opção
correta.
34. A publicidade marca o início da produção dos efeitos do ato
administrativo e, em determinados casos, obriga ao administrado seu
cumprimento.

35. Pelo princípio da autotutela, a administração pode, a qualquer tempo,


anular os atos eivados de vício de ilegalidade.
36. O regime jurídico-administrativo compreende o conjunto de regras e
princípios que norteia a atuação do poder público e o coloca numa
posição privilegiada.
37. A necessidade da continuidade do serviço público é demonstrada, no
texto constitucional, quando assegura ao servidor público o exercício
irrestrito do direito de greve.
38. O princípio da motivação dos atos administrativos, que impõe ao
administrador o dever de indicar os pressupostos de fato e de direito que
determinam a prática do ato, não possui fundamento constitucional.

39. (CESPE/ Técnico Judiciário - TJ-CE/2014) Assinale a opção que


explicita o princípio da administração pública na situação em que um
administrador público pratica ato administrativo com finalidade pública,
de modo que tal finalidade é unicamente aquela que a norma de direito
indica como objetivo do ato.
a) eficiência
b) moralidade
c) razoabilidade
d) impessoalidade
e) segurança jurídica

(CESPE/Analista Judiciário - TJ-CE/2014 - adaptada) Com base no


regime jurídico-administrativo e nos princípios da administração pública,
julgue os itens seguintes:
40. O princípio da proteção à confiança, de origem no direito norte-
americano, corresponde ao aspecto objetivo da segurança jurídica,

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podendo ser invocado para a manutenção de atos administrativos


inválidos quando o prejuízo resultante da anulação for maior que o
decorrente da manutenção do ato ilegal.
41. O princípio da razoabilidade é considerado um princípio implícito da
administração pública, por não se encontrar previsto explicitamente na
legislação constitucional ou infraconstitucional.

42. As restrições ou sujeições especiais no desempenho da atividade de


natureza pública são consideradas consequências do princípio da
supremacia do interesse público sobre o privado, que integra o conteúdo
do regime jurídico- administrativo.
43. De acordo com o princípio da tutela, a administração pública direta,
com o objetivo de garantir a observância de suas finalidades
estabelecidas nos contratos, fiscaliza apenas as atividades
desempenhadas pelas empresas concessionárias e permissionárias de
serviço público.
44. Em observância ao princípio da motivação, deve a administração
pública indicar os fundamentos de fato e de direito de suas decisões,
sendo dispensável esse princípio quando se tratar da prática de atos
discricionários.

(CESPE/ Analista Judiciário - TJ-CE/2014 - adaptada) No que se refere


ao regime jurídico administrativo, julgue os itens seguintes.
45. A criação de órgão público deve ser feita, necessariamente, por lei; a
extinção de órgão, entretanto, dado não implicar aumento de despesa,
pode ser realizada mediante decreto.
46. A autotutela administrativa compreende tanto o controle de
legalidade ou legitimidade quanto o controle de mérito.
47. A motivação deve ser apresentada concomitantemente à prática do
ato administrativo.
48. De acordo com o princípio da publicidade, que tem origem
constitucional, os atos administrativos devem ser publicados em diário
oficial.

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49. No Brasil, ao contrário do que ocorre nos países de origem anglo-


saxã, o costume não é fonte do direito administrativo.

(CESPE/ Analista - TC-DF/2014) Acerca do regime jurídico


administrativo, julgue o próximo item.
50. O princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse
privado é um dos pilares do regime jurídico administrativo e autoriza a
administração pública a impor, mesmo sem previsão no ordenamento
jurídico, restrições aos direitos dos particulares em caso de conflito com
os interesses de toda a coletividade.
(CESPE/ Analista de Administração Pública - TC-DF/2014) Suponha que
um servidor público fiscal de obras do DF, no intuito de prejudicar o
governo, tenha determinado o embargo de uma obra de canalização de
águas pluviais, sem que houvesse nenhuma irregularidade. Em razão da
paralisação, houve atraso na conclusão da obra, o que causou muitos
prejuízos à população. Com base nessa situação hipotética, julgue os
itens que se seguem.
51. O ato de embargo da obra atenta contra os princípios da legalidade,
da impessoalidade e da moralidade.

(CESPE/Analista de Administração Pública – Organizações - TC-


DF/2014) Acerca do regime jurídico administrativo, julgue os próximos
itens.

52. Em razão do princípio da legalidade, a administração pública está


impedida de tomar decisões fundamentadas nos costumes.

(CESPE/ Técnico – MEC/2014)


“Os princípios da administração pública estão previstos, de forma
expressa ou implícita, na CF e, ainda, em leis ordinárias. Esses princípios,
que consistem em parâmetros valorativos orientadores das atividades
do Estado, são de observância obrigatória na administração direta e
indireta de quaisquer dos poderes da União, dos estados, do DF e dos
municípios. Acerca desses princípios e da organização administrativa do
Estado, julgue os itens a seguir.”

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53. Os princípios do contraditório e da ampla defesa aplicam-se tanto aos


litigantes em processo judicial quanto aos em processo administrativo.

(CESPE/ Técnico - MEC/2014) Com base na disciplina legal e na doutrina


nacional acerca dos atos e processos administrativos, julgue os próximos
itens.
54. A motivação do ato administrativo deve ser explícita, clara e
congruente, não sendo suficiente a declaração de concordância com
fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou
propostas.
(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014) A respeito
do regime jurídico administrativo, julgue o item a seguir.
55. Postulados de natureza ética, como o princípio da boa-fé, não se
aplicam às relações estabelecidas pela administração.

(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014) A respeito


do regime jurídico administrativo, julgue o item a seguir.

56. O regime jurídico administrativo é instituído sobre o alicerce do


princípio da legalidade restrita, o que impede a aplicação, no âmbito da
administração pública, de princípios implícitos, não expressamente
previstos na legislação.

(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014) A respeito


do regime jurídico administrativo, julgue o item a seguir.
57. O princípio da indisponibilidade do interesse público não impede a
administração pública de realizar acordos e transações.

(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014)

“A Constituição Federal de 1988 (CF) acolheu a garantia do devido


processo legal, de origem anglo-saxônica, assegurando que a atuação da
administração pública seja realizada mediante “um processo formal
regular para que sejam atingidas a liberdade e a propriedade de quem

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quer que seja e a necessidade de que a administração pública, antes de


tomar as decisões gravosas a um dado sujeito, ofereça-lhe a
possibilidade de contraditório e ampla defesa, no que se inclui o direito
a recorrer das decisões tomadas”.
Celso Antônio B. Mello. Curso de direito
administrativo. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 103
(com adaptações).

Tendo o texto acima como referência inicial e considerando os múltiplos


aspectos relacionados ao direito administrativo que ele suscita, julgue o
seguinte item .”

58. Os princípios da legalidade e da finalidade, que norteiam os


processos administrativos federais, estão intimamente ligados, uma vez
que a finalidade de qualquer ato deve estar prevista explícita ou
implicitamente na lei.

(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014) A respeito


dos princípios administrativos, julgue os próximos itens.
59. O art. 37, caput, da Constituição Federal indica expressamente à
administração pública direta e indireta princípios a serem seguidos, a
saber: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência,
entre outros princípios não elencados no referido artigo.

(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014) A respeito


dos princípios administrativos, julgue os próximos itens.
60. O princípio da publicidade como valor republicano, assimilado de
forma crescente pela vida e pela cultura política, conforma o direito
brasileiro a imperativo constitucional de natureza absoluta, contra o qual
não há exceção.

(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014) A respeito


dos princípios administrativos, julgue os próximos itens.
61. O princípio da impessoalidade é corolário do princípio da isonomia.

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(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014) A respeito


dos princípios administrativos, julgue os próximos itens.
62. O princípio da legalidade implica dispor o administrador público no
exercício de seu munus de espaço decisório de estrita circunscrição
permissiva da lei em vigor, conforme ocorre com agentes particulares e
árbitros comerciais.

(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014) Em relação


à administração pública indireta e seus temas correlatos, julgue os itens
subsequentes.

63. A vedação ao nepotismo no ordenamento jurídico brasileiro, nos


termos da súmula vinculante n.º 13/2008, ao não se referir à
administração pública indireta, excetua a incidência da norma em
relação ao exercício de cargos de confiança em autarquias.

(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014) Acerca do


direito administrativo brasileiro, julgue os itens a seguir.
64. Os princípios da administração explicitamente previstos na CF não se
aplicam às entidades paraestatais e às sociedades de economia mista,
por serem essas entidades pessoas jurídicas de direito privado que
atuam em atividades do setor econômico, embora sejam criadas por lei.

(CESPE/ Contador – MTE /2014) Julgue os itens a seguir acerca da


responsabilidade civil do Estado e do Regime Jurídico Administrativo.
65. A supremacia do interesse público sobre o privado e a
indisponibilidade, pela administração, dos interesses públicos, integram
o conteúdo do regime jurídico-administrativo.

(CESPE/ Agente Administrativo – MTE /2014) “Acerca do regime


jurídico administrativo e dos atos administrativos, julgue os próximos
itens.”

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66. Viola o princípio da impessoalidade a edição de ato administrativo


que objetive a satisfação de interesse meramente privado.

(CESPE/Nível Superior - Caixa Econômica/2014) Em relação à


organização administrativa do estado brasileiro e aos princípios
administrativos, julgue os itens a seguir:
67. Dado o princípio da legalidade, os agentes públicos devem, além de
observar os preceitos contidos nas leis em sentido estrito, atuar em
conformidade com outros instrumentos normativos existentes no
ordenamento jurídico nacional.

(CESPE/ Nível Superior - SUFRAMA/2014) A respeito do direito


administrativo, julgue o item subsecutivo.
68. A impossibilidade da alienação de direitos relacionados aos
interesses públicos reflete o princípio da indisponibilidade do interesse
público, que possibilita apenas que a administração, em determinados
casos, transfira aos particulares o exercício da atividade relativa a esses
direitos.

(CESPE/ Promotor de Justiça - MPE-AC/2014 - adaptada) Com relação


aos princípios que regem a administração pública, julgue os itens
seguintes:
69. Constatadas a concessão e a incorporação indevidas de determinada
gratificação especial aos proventos de servidor aposentado, deve a
administração suprimi-la em respeito ao princípio da autotutela, sendo
desnecessária a prévia instauração de procedimento administrativo.
70. Segundo o entendimento do STF, para que não ocorra violação do
princípio da proporcionalidade, devem ser observados três
subprincípios: adequação, finalidade e razoabilidade stricto sensu.
71. O princípio da razoabilidade apresenta-se como meio de controle da
discricionariedade administrativa, e justifica a possibilidade de correção
judicial.
72. O princípio da segurança jurídica apresenta-se como espécie de
limitação ao princípio da legalidade, prescrevendo o ordenamento

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jurídico o prazo decadencial de cinco anos para a administração anular


atos administrativos que favoreçam o administrado, mesmo quando
eivado de vício de legalidade e comprovada a má-fé.
73. Ferem os princípios da isonomia e da irredutibilidade dos
vencimentos as alterações na composição dos vencimentos dos
servidores públicos, mediante a retirada ou modificação da fórmula de
cálculo de vantagens, gratificações e adicionais, ainda que não haja
redução do valor total da remuneração.

(CESPE/ Nível Médio – CADE/2014) Com relação ao direito


administrativo, julgue o item seguinte.
74. Ainda que as sociedades de economia mista sejam pessoas jurídicas
de direito privado com capital composto por capital público e privado, a
elas aplicam-se os princípios explícitos da administração pública.
(CESPE/ Agente Administrativo – SUFRAMA/2014) Considerando que
uma empresa tenha solicitado à SUFRAMA a concessão de benefícios
fiscais previstos em lei para as empresas da ZFM que observassem o
processo produtivo básico previsto em regulamento, julgue os itens
abaixo.
75. O eventual indeferimento do referido pedido, assim como os demais
atos que neguem direitos à empresa, deverá ser necessariamente
motivado.

(CESPE/ Nível Superior – SUFRAMA/2014) Acerca do direito


administrativo, julgue o item a seguir.
76. O princípio administrativo da autotutela expressa a capacidade que
a administração tem de rever seus próprios atos, desde que provocada
pela parte interessada, independentemente de decisão judicial.

(CESPE/ Nível Superior – SUFRAMA/2014) Acerca do direito


administrativo, julgue o item a seguir.
77. Do ponto de vista objetivo, a expressão administração pública se
confunde com a própria atividade administrativa exercida pelo Estado.

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(CESPE/ Conhecimentos Básicos - Nível Superior/Polícia Federal/2014)


No que se refere ao regime jurídico administrativo, aos poderes da
administração pública e à organização administrativa, julgue o item
subsequente.
78. Em face do princípio da isonomia, que rege toda a administração
pública, o regime jurídico administrativo não pode prever prerrogativas
que o diferenciem do regime previsto para o direito privado.

(CESPE/ Agente Administrativo - Polícia Federal/2014)


“Considerando que o DPF é órgão responsável por exercer as funções de
polícia judiciária da União, julgue os itens a seguir.”
79. O DPF, em razão do exercício das atribuições de polícia judiciária,
não se submete ao princípio da publicidade, sendo garantido sigilo aos
atos praticados pelo órgão.
(CESPE/Agente Administrativo – MDIC/2014) No que concerne à
licitação, ao controle da administração pública e ao regime jurídico-
administrativo, julgue os seguintes itens:
80. Os princípios da administração pública expressamente dispostos na
CF não se aplicam às sociedades de economia mista e às empresas
públicas, em razão da natureza eminentemente empresarial dessas
entidades.

(CESPE/ Procurador do Estado - PGE-BA/2014)


“Acerca do regime jurídico-administrativo e dos princípios jurídicos que
amparam a administração pública, julgue os itens seguintes.”
81. O atendimento ao princípio da eficiência administrativa autoriza a
atuação de servidor público em desconformidade com a regra legal,
desde que haja a comprovação do atingimento da eficácia na prestação
do serviço público correspondente.

(CESPE/ Procurador do Estado - PGE-BA/2014)


“Acerca do regime jurídico-administrativo e dos princípios jurídicos que
amparam a administração pública, julgue os itens seguintes.”

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82. Suponha que o governador de determinado estado tenha atribuído o


nome de Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, a escola pública
estadual construída com recursos financeiros repassados mediante
convênio com a União. Nesse caso, há violação do princípio da
impessoalidade, dada a existência de proibição constitucional à
publicidade de obras com nomes de autoridades públicas.

(CESPE/ Analista Técnico – MDIC/2014) Julgue os itens seguintes,


relativos à administração pública e aos atos administrativos.
83. O exercício das funções administrativas pelo Estado deve adotar,
unicamente, o regime de direito público, em razão da indisponibilidade
do interesse público

(CESPE/ Procurador - TCE-PB/2014 – adaptada) No que se refere ao


direito administrativo e seus princípios, julgue os itens seguintes:
84. Em face do princípio da legalidade, a administração pública pode
realizar uma interpretação contra legem, secundum legem e praeter
legem, conforme a necessidade, adequação e proporcionalidade em prol
do interesse público.
85. O conceito de moralidade administrativa foi defendido por Gaston
Jezè, a partir da noção de boa administração, o que influenciou a ideia
do princípio da moralidade na contemporaneidade.
86. A alteração de edital de concurso prescinde da veiculação em jornal
de grande circulação, podendo ser veiculada apenas em diário oficial sem
que isso ofenda o princípio da publicidade.
87. A lei é fonte primária do direito, sendo que o costume, fonte
secundária, não é considerado fonte do direito administrativo
88. Para Gaston Jezè, defensor da Escola do Serviço Público, o direito
administrativo tem como objeto a soma das atividades desenvolvidas
para a realização dos fins estatais, excluídas a legislação e a jurisdição.

89. (CESPE/ Professor da Educação Básica - SEDF /2017) A respeito dos


princípios da administração pública e da organização administrativa,
julgue o item a seguir.

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Se uma autoridade pública, ao dar publicidade a determinado programa


de governo, fizer constar seu nome de modo a caracterizar promoção
pessoal, então, nesse caso, haverá, pela autoridade, violação de preceito
relacionado ao princípio da impessoalidade.

90. (CESPE/ Nível Médio - SEDF /2017) Em relação aos princípios da


administração pública e à organização administrativa, julgue o item que
se segue.

O administrador, quando gere a coisa pública conforme o que na lei


estiver determinado, ciente de que desempenha o papel de mero gestor
de coisa que não é sua, observa o princípio da indisponibilidade do
interesse público.

91. (CESPE/ Escrivão de Polícia Civil - PC-GO /2016) Sem ter sido
aprovado em concurso público, um indivíduo foi contratado para exercer
cargo em uma delegacia de polícia de determinado município, por ter
contribuído na campanha política do agente contratante.
Nessa situação hipotética, ocorreu, precipuamente, violação do princípio
da
a) supremacia do interesse público.
b) impessoalidade.
c) eficiência.
d) publicidade.
e) indisponibilidade.

92. (CESPE/ Analista de Controle - TCE-PR /2016) Quando a União firma


um convênio com um estado da Federação, a relação jurídica envolve a
União e o ente federado e não a União e determinado governador ou
outro agente. O governo se alterna periodicamente nos termos da
soberania popular, mas o estado federado é permanente. A mudança de
comando político não exonera o estado das obrigações assumidas. Nesse
sentido, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem entendido que a inscrição
do nome de estado-membro em cadastro federal de inadimplentes

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devido a ações e(ou) omissões de gestões anteriores não configura


ofensa ao princípio da administração pública denominado princípio do(a)
a) intranscendência.
b) contraditório e da ampla defesa.
c) continuidade do serviço público.
d) confiança legítima.
e) moralidade.

93. (CESPE/ Auditor de Controle Externo - TCE-PA /2016) Acerca dos


servidores públicos, dos poderes da administração pública e do regime
jurídico-administrativo, julgue o item que se segue.

A supremacia do interesse público sobre o interesse particular, embora


consista em um princípio implícito na Constituição Federal de 1988,
possui a mesma força dos princípios que estão explícitos no referido
texto, como o princípio da moralidade e o princípio da legalidade.

94. (CESPE/ Auditor de Controle Externo - TCE-PA /2016) Acerca de


função administrativa e atos administrativos, julgue o item a seguir.

Em razão do princípio da indisponibilidade do interesse público, o Estado


somente poderá exercer sua função administrativa sob o regime de
direito público.

95. (CESPE/ Escrivão de Polícia Civil - PC-PE /2016) Julgue o item a


seguir:

A possibilidade que tem a administração pública de, nos termos da lei,


constituir terceiros em obrigações mediante atos unilaterais constitui
aplicação do princípio da supremacia do interesse público.

96. (CESPE/ Técnico Judiciário - Área Administrativa - TRT - 8ª Região


/2016) A respeito dos princípios da administração pública, assinale a
opção correta.

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a) Em decorrência do princípio da autotutela, apenas o Poder Judiciário


pode revogar atos administrativos.

b) O princípio da indisponibilidade do interesse público e o princípio da


supremacia do interesse público equivalem-se.

c) Estão expressamente previstos na CF o princípio da moralidade e o da


eficiência.

d) O princípio da legalidade visa garantir a satisfação do interesse


público.

e) A exigência da transparência dos atos administrativos decorre do


princípio da eficiência.

97. (CESPE/ Analista Judiciário - Serviço Social - TRT - 8ª Região /2016)


Assinale a opção correta a respeito dos princípios da administração
pública.

a) O princípio da eficiência deve ser aplicado prioritariamente, em


detrimento do princípio da legalidade, em caso de incompatibilidade na
aplicação de ambos.
b) Os institutos do impedimento e da suspeição no âmbito do direito
administrativo são importantes corolários do princípio da
impessoalidade.
c) A administração deve, em caso de incompatibilidade, dar preferência
à aplicação do princípio da supremacia do interesse público em
detrimento do princípio da legalidade.
d) A publicidade, princípio basilar da administração pública, não pode
sofrer restrições.
e) A ofensa ao princípio da moralidade pressupõe afronta também ao
princípio da legalidade.

98. (CESPE/ Juiz de Direito - TJ-DF /2016) Um prefeito, no curso de seu


mandato e atendendo a promessa de campanha, realizou e finalizou a
construção de uma ponte sobre o rio que corta a cidade, inaugurando-a
na metade de seu mandato. Considerando a situação hipotética
apresentada, assinale a opção correta.

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a) Em consonância com o princípio constitucional da eficiência, o


contrato administrativo deveria ser anulado caso fosse ultrapassado o
lapso temporal estipulado no instrumento contratual para a execução do
objeto.
b) Em atenção ao princípio da impessoalidade, o prefeito não poderá
apresentar propaganda em que conste vinculação direta de seu nome à
realização da obra, mas nada obsta que sua imagem seja veiculada no
outdoor da publicidade da conclusão da ponte.
c) O princípio da autotutela autorizaria o prefeito a anular ou revogar a
licitação de ofício caso fosse constatada ilegalidade no procedimento.
d) Caso houvesse descumprimento de cláusulas contratuais pela
empresa contratada, o princípio da supremacia do interesse público
facultaria a rescisão unilateral do contrato pela administração pública.
e) A decretação, pelo prefeito, do sigilo dos atos referentes à contratação
e à execução do contrato, com a finalidade de evitar a pressão de grandes
empreiteiras e de prestigiar pequena empresa sediada no município,
contratada diretamente para execução da obra, não configura
desrespeito ao princípio constitucional da publicidade.

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GABARITO

01.C 02.E 03.E 04.E 05.C 06.C 07.E 08.E

09.C 10.E 11.E 12.E 13.E 14.E 15.C 16.C

17.C 18.C 19.C 20.C 21.E 22.E 23.E 24.C

25.E 26.E 27.C 28.C 29.E 30.E 31.E 32.E

33.C 34.E 35.E 36.C 37.E 38.E 39.D 40.E

41.E 42.C 43.E 44.E 45.E 46.C 47.E 48.E

49.E 50.E 51.C 52.E 53.C 54.E 55.E 56.E

57.C 58.C 59.C 60.E 61.C 62.E 63.E 64.E

65.C 66.C 67.C 68.C 69.E 70.E 71.C 72.E

73.E 74.C 75.C 76.E 77.C 78.E 79.E 80.E

81.E 82.E 83.E 84.E 85.E 86.C 87.E 88.E

89.C 90.C 91.B 92.A 93.C 94.E 95.C 96.C

97.B 98.

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QUESTÕES COMENTADAS- BATERIA “CESPE”


(CESPE/Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2015) No que se
refere a ato administrativo, agente público e princípios da administração
pública, julgue o próximo item.
01. De acordo com entendimento dominante, é legítima a publicação em
sítio eletrônico da administração pública dos nomes de seus servidores
e do valor dos vencimentos e das vantagens pecuniárias a que eles fazem
jus.
No julgamento da Suspensão de Segurança nº 3902/SP, que ocorreu em
09/06/2011, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a divulgação dos
vencimentos brutos de servidores, a ser realizada oficialmente, constituiria
interesse coletivo, sem implicar violação à intimidade e à segurança deles, uma
vez que esses dados diriam respeito a agentes públicos em exercício nessa
qualidade. Afirmou-se, ademais, que não seria permitida a divulgação do
endereço residencial, CPF e RG de cada um, mas apenas de seu nome e matrícula
funcional. Assertiva correta.
02. O princípio da eficiência, considerado um dos princípios inerentes à
administração pública, não consta expressamente na CF.
O princípio da eficiência consta expressamente no caput do art. 37 da CF/1988.
Todavia, deve ficar claro que somente foi introduzido no texto constitucional em
1998, com a promulgação da Emenda Constitucional nº. 19. Antes disso, ele era
considerado um princípio implícito. Assertiva incorreta.

(CESPE/Técnico Federal de Controle Externo – TCU/2015) No que se


refere aos princípios e conceitos da administração pública e aos
servidores públicos, julgue o próximo item.
03. Ofenderá o princípio da impessoalidade a atuação administrativa que
contrariar, além da lei, a moral, os bons costumes, a honestidade ou os
deveres de boa administração.
O princípio da moralidade, também previsto expressamente no artigo 37, caput,
da Constituição Federal de 1988, determina que os atos e atividades da
Administração devem obedecer não só à lei, mas também à própria moral, pois
nem tudo que é legal é honesto. Como consequência do princípio da moralidade
(e não da impessoalidade), os agentes públicos devem agir com honestidade,
boa-fé e lealdade, respeitando a isonomia e demais preceitos éticos. Assertiva
incorreta.

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(CESPE/Administrador – FUB/2015) Julgue o item subsecutivo, de


acordo com os princípios que compõem o direito administrativo
brasileiro.
04. A ação administrativa tendente a beneficiar ou a prejudicar
determinada pessoa viola o princípio da isonomia.
O princípio da impessoalidade impõe à Administração Pública a obrigação de
conceder tratamento isonômico a todos os administrados que se encontrarem
em idêntica situação jurídica. Assim, fica vedado o tratamento privilegiado a
um ou alguns indivíduos em função de amizade, parentesco ou troca de favores.
Da mesma forma, o princípio também veda aos administradores que pratiquem
atos prejudiciais ao particular em razão de inimizade ou perseguição política,
por exemplo.
Penso que a questão é passível de recurso, pois, da forma que o enunciado foi
exposto, também poderia caracterizar violação ao princípio da isonomia. De
qualquer forma, a banca manteve o gabarito. Assertiva incorreta.

05. O agente público só poderá agir quando houver lei que autorize a
prática de determinado ato.
Segundo o saudoso professor Hely Lopes Meirelles, “enquanto os indivíduos, no
campo privado, podem fazer tudo o que a lei não veda, o administrador público
só pode atuar onde a lei autoriza”. Assertiva correta.

(CESPE/Auditor – FUB/2015) No que concerne ao regime jurídico-


administrativo, julgue o item subsequente.
06. A proteção da confiança, desdobramento do princípio da segurança
jurídica, impede a administração de adotar posturas manifestadamente
contraditórias, ou seja, externando posicionamento em determinado
sentido, para, em seguida, ignorá-lo, frustrando a expectativa dos
cidadãos de boa-fé.
O princípio da proteção à confiança não possui previsão expressa no
ordenamento jurídico brasileiro. Para a doutrina majoritária, trata-se de princípio
que corresponde ao aspecto subjetivo da segurança jurídica. A atividade
administrativa deve ser pautada na estabilidade e previsibilidade, prestigiando-
se a confiança depositada pelo administrado de boa-fé e que o levou a usufruir
dos direitos concedidos pelo respectivo ato. Assim, não deve ser surpreendido e
prejudicado futuramente por eventual decisão administrativa de extinção de seus

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efeitos sob a alegação de equivocada ou má interpretação da legislação vigente.


Assertiva correta.

07. O princípio da segurança jurídica não se sobrepõe ao da legalidade,


devendo os atos administrativos praticados em violação à lei, em todo
caso, ser anulados, a qualquer tempo.
Não há hierarquia entre princípios, apesar de ser muito comum em provas de
concursos questões afirmando que o princípio da supremacia do interesse público
sobre o privado é superior aos demais (assertivas incorretas, obviamente!).
Também costumam fazem essa afirmação em relação ao princípio da legalidade
e ao da segurança jurídica, o que não é verdade.
Ademais, deve ficar claro que nem todo ato administrativo contrário à lei deve
ser anulado. Caso o vício de ilegalidade esteja presente nos requisitos forma ou
competência, admitir-se-á a convalidação em alguns casos (quando não se
tratar de competência exclusiva, por exemplo). Assertiva incorreta.

(CESPE/Assistente em administração – FUB/2015) A administração


pública é regida por princípios fundamentais que atingem todos os entes
da Federação: União, estados, municípios e o Distrito Federal. Com
relação a esse assunto, julgue o item subsecutivo.
08. A pretexto de atuar eficientemente, é possível que a administração
pratique atos não previstos na legislação.
A busca pela eficiência, princípio previsto expressamente no art. 37, caput, da
CF, não pode servir de pretexto para que a Administração Pública pratique atos
não previstos na legislação. O administrador somente pode agir quando
autorizado pela lei ou quando houver determinação legal. Assertiva incorreta.

09. O princípio da legalidade limita a atuação do Estado à legislação


existente.
Por força do princípio da legalidade, o administrador público tem sua atuação
limitada ao que estabelece a lei, aspecto que o difere do particular, a quem tudo
se permite se não houver proibição legal.
Todavia, penso que a questão é passível de recurso, pois, pela forma que o
enunciado foi apresentado, excluiu-se a necessidade de observância aos
princípios administrativos. Assertiva correta.

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10. De acordo com o princípio da moralidade, os agentes públicos devem


atuar de forma neutra, sendo proibida a atuação pautada pela promoção
pessoal.
É o princípio da impessoalidade que impõe que o agente público atue de forma
neutra, deixando de privilegiar os amigos ou prejudicar os inimigos. Ademais,
impõe que os cargos ou atividades administrativas não sejam utilizados para a
promoção pessoal do agente. Assertiva incorreta.

11. Apesar de o princípio da moralidade exigir que os atos da


administração pública sejam de ampla divulgação, veda-se a publicidade
de atos que violem a vida privada do cidadão.
É o princípio da publicidade que impõe que a Administração Pública conceda aos
seus atos a mais ampla divulgação possível entre os administrados, pois só
assim estes poderão fiscalizar e controlar a legitimidade das condutas praticadas
pelos agentes públicos. Assertiva incorreta.

12. Na hierarquia dos princípios da administração pública, o mais


importante é o princípio da legalidade, o primeiro a ser citado na CF.
Não há hierarquia entre princípios, apesar de ser muito comum em provas de
concursos questões afirmando que o princípio da supremacia do interesse público
sobre o privado é superior aos demais (assertivas incorretas, obviamente!).
Também costumam fazem essa afirmação em relação ao princípio da legalidade,
o que não é verdade. Assertiva incorreta.

(CESPE/Técnico – MPU/2015) O servidor responsável pela segurança da


portaria de um órgão público desentendeu-se com a autoridade superior
desse órgão. Para se vingar do servidor, a autoridade determinou que, a
partir daquele dia, ele anotasse os dados completos de todas as pessoas
que entrassem e saíssem do imóvel.
Com referência a essa situação hipotética, julgue o item que se segue.
13. O ato praticado pela autoridade superior, como todos os atos da
administração pública, está submetido ao princípio da moralidade,
entretanto, considerações de cunho ético não são suficientes para
invalidar ato que tenha sido praticado de acordo com o princípio da
legalidade.

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Nem tudo que é legal é moral. Assim, atos praticados em conformidade com a
legislação vigente podem ser posteriormente anulados, caso fique demonstrada
expressa violação ao princípio da moralidade. Assertiva incorreta.

(CESPE/Nível Superior – FUB/2015) Com base no que dispõem a Lei n.º


9.784/1999, o Estatuto e o Regimento Geral da UnB, julgue os itens que
se seguem.
14. Como decorrência dos princípios da legalidade e da segurança
jurídica, é correto afirmar que os processos administrativos regidos pela
Lei n.º 9.784/1999 devem, em regra, guardar estrita correspondência
com as formas estabelecidas para cada espécie processual, podendo a
lei, em determinadas hipóteses, dispensar essa exigência.
A Lei 9.784/99, em seu art. 22, dispõe que “os atos do processo administrativo
não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a
exigir”. Sendo assim, pode-se concluir que existe uma regra e a exceção. A regra
é a de que os atos do processo administrativo não dependem de forma
determinada, conseqüência do princípio do informalismo. Todavia, em caráter
excepcional, deve ficar claro que pode ocorrer de a lei estabelecer uma forma
específica para a realização dos respectivos atos.
Perceba que o enunciado simplesmente inverteu as informações contidas no art.
22 da Lei 9.784/1999, portanto, deve ser considerado incorreto.

(CESPE/Técnico Judiciário – TRE-GO/2015) No que se refere ao regime


jurídico-administrativo brasileiro e aos princípios regentes da
administração pública, julgue o próximo item.
15. Por força do princípio da legalidade, o administrador público tem sua
atuação limitada ao que estabelece a lei, aspecto que o difere do
particular, a quem tudo se permite se não houver proibição legal.
Segundo Hely Lopes Meirelles, “enquanto os indivíduos, no campo privado,
podem fazer tudo o que a lei não veda, o administrador público só pode atuar
onde a lei autoriza”. Assertiva correta.

16. Em decorrência do princípio da impessoalidade, previsto


expressamente na Constituição Federal, a administração pública deve
agir sem discriminações, de modo a atender a todos os administrados e
não a certos membros em detrimento de outros.

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O princípio da impessoalidade impõe à Administração Pública a obrigação de


conceder tratamento isonômico a todos os administrados que se encontrarem
em idêntica situação jurídica. Assim, fica vedado o tratamento privilegiado a
um ou alguns indivíduos em função de amizade, parentesco ou troca de favores.
Da mesma forma, o princípio também veda aos administradores que pratiquem
atos prejudiciais ao particular em razão de inimizade ou perseguição política,
por exemplo. Assertiva correta.

17. O princípio da eficiência está previsto no texto constitucional de


forma explícita.
O princípio da eficiência somente foi introduzido no texto constitucional em 1998,
com a promulgação da Emenda Constitucional nº. 19. Antes disso, ele era
considerado um princípio implícito, porém, atualmente consta na CF/1988 de
forma explícita. Assertiva correta.

18. O regime jurídico-administrativo brasileiro está fundamentado em


dois princípios dos quais todos os demais decorrem, a saber: o princípio
da supremacia do interesse público sobre o privado e o princípio da
indisponibilidade do interesse público.
O regime jurídico-administrativo pauta-se sobre os princípios da supremacia do
interesse público sobre o particular e o da indisponibilidade do interesse público
pela administração, ou seja, erige-se sobre o binômio “prerrogativas da
administração — direitos dos administrados”. O princípio da indisponibilidade do
interesse público impõe para a Administração Pública uma série de limitações
ou restrições denominadas “sujeições”, que realmente têm o objetivo de
resguardar o interesse público. Assertiva correta.

(CESPE/Técnico Federal de Controle Externo – TCU/2015) 19. Se for


imprescindível à segurança da sociedade e do Estado, será permitido o
sigilo dos atos administrativos.
O art. 5º, XXXIII, da CF/1988, prevê duas hipóteses de restrição à publicidade
dos atos da Administração Pública: a) quando for imprescindível à segurança da
sociedade, a exemplo das informações que possam colocar em risco a vida, a
segurança ou a saúde da população; b) se necessário à segurança do Estado,
a exemplo das informações sobre a defesa nacional, que podem pôr em risco a
defesa e a soberania nacional ou a integridade do território nacional. Assertiva
correta.

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(CESPE/Técnico Federal de Controle Externo – TCU/2015) 20. Conforme


a teoria dos motivos determinantes, a validade do ato administrativo
vincula-se aos motivos que o determinaram, sendo, portanto, nulo o ato
administrativo cujo motivo estiver dissociado da situação de direito ou
de fato que determinou ou autorizou a sua realização.
Celso Antônio Bandeira de Mello afirma que, de acordo com a teoria dos
motivos determinantes, os motivos que determinam a vontade do agente, isto
é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a validade do ato.
Sendo assim, a invocação de “motivos de fato” falsos, inexistentes ou
incorretamente qualificados vicia o ato mesmo quando, conforme já se disse, a
lei não haja estabelecido, antecipadamente, os motivos que ensejariam a prática
do ato. Uma vez enunciados pelo agente os motivos em que se calçou, ainda
quando a lei não haja expressamente imposto a obrigação de enunciá-los, o ato
só será válido se estes realmente ocorreram e o justificavam. Assertiva correta.

(CESPE/ Juiz de Direito Substituto - TJ-DFT/2014 - adaptada)


Considerando a relevância dos princípios do direito administrativo para
atividade de administrador público, julgue os itens seguintes:
21. Estando o administrador diante de ato administrativo viciado, o
princípio da segurança jurídica lhe confere a opção, observado o critério
de conveniência e oportunidade, de convalidar o ato se o vício for
sanável, reconhecer a sua estabilização pelo decurso do tempo, modular
os efeitos da anulação ou, ainda, invalidar o ato, com efeitos ex tunc.
O erro do enunciado está no fato de ter afirmado ser possível “modular os efeitos
da anulação” do ato administrativo, o que não é verdade. Quando um ato
administrativo é anulado, os efeitos serão sempre ex tunc, não se admitindo a
respectiva modulação (anulação com efeitos ex nunc, por exemplo). Assertiva
incorreta.

22. O princípio da supremacia do interesse público vem sendo


questionado pela doutrina, em especial, após a CF, que estabeleceu o
Estado democrático de direito e assegurou direitos e garantias
individuais acima dos interesses do Estado, não existindo, por outro lado,
norma constitucional que respalde a permanência de tal princípio no
ordenamento jurídico.
Podemos considerar correta a afirmação de que o princípio da supremacia do
interesse público vem sendo questionado pela doutrina (parte dela, mais

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precisamente). Todavia, a segunda parte do enunciado afirma que não existe


norma constitucional que respalde a permanência de tal princípio no
ordenamento jurídico, o que não é verdade. A título de exemplo, podemos citar
o art. 5º, XXIV, da CF/1988, que se refere ao procedimento para desapropriação
por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social. Assertiva incorreta.

23. O princípio da eficiência funciona como diretriz a ser seguida pelo


administrador, mas não pode ser utilizado como parâmetro de controle
externo pelo tribunal de contas para fins de verificação de regularidade
dos atos e contratos celebrados pelos administradores públicos.
O art. 74, II, da CF/1988, dispõe que os Poderes Legislativo, Executivo e
Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle interno com a
finalidade de comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto à eficácia e
eficiência, da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos órgãos e
entidades da administração federal, bem como da aplicação de recursos públicos
por entidades de direito privado. No mesmo sentido, o princípio da eficiência
também pode (e deve) ser utilizado pelo tribunal de contas para fins de
verificação de regularidade dos atos e contratos celebrados pelos administradores
públicos. Assertiva incorreta.

24. A violação de princípios da administração pública, tais como da


moralidade, da impessoalidade e da eficiência, caracteriza ato de
improbidade administrativa, desde que comprovado o dolo, ainda que
genérico, do agente.
No julgamento do Recurso Especial 997.564/SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves,
DJe 17∕11∕2010, o Superior Tribunal de Justiça ratificou o entendimento de que
“se faz necessária a comprovação dos elementos subjetivos para que se repute
uma conduta como ímproba (dolo, nos casos dos artigos 11 e 9º e, ao menos,
culpa, nos casos do artigo 10), afastando-se a possibilidade de punição com base
tão somente na atuação do mal administrador ou em supostas contrariedades
aos ditames legais referentes à licitação, visto que nosso ordenamento jurídico
não admite a responsabilização objetiva dos agentes públicos”. Assertiva correta.

25. Na esfera de atuação do poder de polícia, não pode a administração


pública efetuar a demolição de obra irregular de forma sumária, sem
observar os princípios do contraditório e da ampla defesa, devendo haver
a oitiva prévia do interessado.

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Um dos atributos do poder de polícia é a autoexecutoriedade, que assegura à


Administração Pública a prerrogativa de executar as suas próprias decisões sem
a necessidade de autorização do Poder Judiciário ou oitiva do interessado,
principalmente em situações de urgência/emergência. Assertiva incorreta.

(CESPE/Técnico - ANTAQ/2014) Com relação à administração pública e


seus princípios fundamentais, julgue os próximos itens.
26. O princípio da publicidade está relacionado à exigência de ampla
divulgação dos atos administrativos e de transparência da administração
pública, condições asseguradas, sem exceção, ao cidadão.
Assim como ocorre na esfera judicial, em que certos atos podem ter sua
publicidade restrita em virtude da preservação da intimidade das partes, alguns
atos administrativos também poderão ter sua publicidade restrita com amparo
em dispositivo da Constituição Federal, o que invalida o enunciado.
O art. 5º, XXXIII, da CF/1988, prevê duas hipóteses de restrição à publicidade
dos atos da Administração Pública:
a) quando for imprescindível à segurança da sociedade, a exemplo das
informações que possam colocar em risco a vida, a segurança ou a saúde da
população;
b) se necessário à segurança do Estado, a exemplo das informações sobre a
defesa nacional, que podem pôr em risco a defesa e a soberania nacional ou a
integridade do território nacional.

(CESPE/ Analista Administrativo - ANATEL/2014) Julgue o item, a


respeito de atos e processos administrativos.
27. Atualmente, no âmbito federal, todo ato administrativo restritivo de
direitos deve ser expressamente motivado.
A Lei 9.784/99, em seu art. 50, dispõe que os atos administrativos deverão ser
motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I -
neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses. Assertiva correta.

(CESPE/ Titular de Serviços de Notas e de Registros - TJ-SE/2014 -


adaptada) Considerando os conceitos do direito administrativo e os
princípios do regime jurídico-administrativo, julgue os itens seguintes:

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28. O princípio da proteção à confiança legitima a possibilidade de


manutenção de atos administrativos inválidos.
Maria Sylvia Zanella di Pietro afirma que, “na realidade, o princípio da proteção
à confiança leva em conta a boa-fé do cidadão, que acredita e espera que os atos
praticados pelo Poder Público sejam lícitos e, nessa qualidade, serão mantidos e
respeitados pela própria Administração e por terceiros”. A atividade
administrativa deve ser pautada na estabilidade e previsibilidade,
prestigiando-se a confiança depositada pelo administrado de boa-fé e que o
levou a usufruir dos direitos concedidos pelo respectivo ato. Assim, não deve ser
surpreendido e prejudicado futuramente por eventual decisão administrativa de
extinção de seus efeitos sob a alegação de equivocada ou má interpretação da
legislação vigente. Assertiva correta.

29. Consoante o critério da administração pública, o direito


administrativo é o ramo do direito que tem por objeto as atividades
desenvolvidas para a consecução dos fins estatais, excluídas a legislação
e a jurisdição.
Na busca de conceituação do Direito Administrativo encontra-se o critério da
Administração Pública, segundo o qual, sinteticamente, o Direito
Administrativo deve ser concebido como “o conjunto de princípios que regem a
Administração Pública”. O critério a que se refere o enunciado é o residual,
portanto, assertiva incorreta.

30. Adotando-se o critério do serviço público, define-se direito


administrativo como o conjunto de princípios jurídicos que disciplinam a
organização e a atividade do Poder Executivo e de órgãos
descentralizados, além das atividades tipicamente administrativas
exercidas pelos outros poderes.
O erro do enunciado está no fato de ter citado o "critério do serviço público" mas
ter utilizado informações sobre o "critério do Poder Executivo" para conceituá-lo.
Seguido por Duguit, Bonnard e Gastón Jèze, o critério do serviço
público restringia o Direito Administrativo à organização e prestação
de serviços públicos, não fazendo nenhuma distinção entre a atividade jurídica
do Estado e o serviço público, que é atividade material.
Entretanto, é sabido que várias são as atividades finalísticas exercidas pela
Administração Pública, a exemplo do fomento, polícia administrativa e

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intervenção administrativa, o que tornou esse critério insuficiente para a


conceituação do Direito Administrativo.
Por sua vez, segundo o critério do Poder Executivo, o Direito Administrativo
pode ser conceituado como o conjunto de princípios e regras que disciplina a
organização e o funcionamento do Poder Executivo. Assertiva incorreta.
31. São fontes primárias do direito administrativo os regulamentos, a
doutrina e os costumes.
As fontes primárias, também denominadas de diretas ou principais, são aquelas
que primeiramente devem pautar as condutas administrativas, legitimando as
atividades exercidas pelas entidades, agentes e órgãos públicos. Tanto a
Constituição Federal como a lei em sentido estrito constituem fontes primárias
do Direito Administrativo. Por sua vez, a doutrina e os costumes são denominadas
fontes secundárias do Direito Administrativo. Assertiva incorreta.

32. Dado o princípio da supremacia do interesse público sobre o privado,


é possível à administração pública, mediante portaria, impor vedações
ou criar obrigações aos administrados.
Em decorrência do princípio da legalidade, a Administração Pública não pode,
por simples ato administrativo (portaria, por exemplo), conceder direitos de
qualquer espécie, criar obrigações ou impor vedações aos administrados; para
tanto, ela depende de lei aprovada pelo Poder Legislativo. Assertiva incorreta.

(CESPE/ Analista Judiciário – Direito - TJ-SE/2014) No que se refere aos


princípios que regem a administração pública, julgue os seguintes itens.
33. Em consonância com os princípios constitucionais da impessoalidade
e da moralidade, o STF, por meio da Súmula Vinculante n.º 13,
considerou proibida a prática de nepotismo na administração pública,
inclusive a efetuada mediante designações recíprocas — nepotismo
cruzado.
O texto da súmula vinculante nº 13 também veda a prática do nepotismo
cruzado, isto é, o ajuste mediante designações recíprocas realizadas por
autoridades públicas distintas. É o que ocorre, por exemplo, quando o Juiz da 1ª
Vara Cível da comarca de Montes Claros/MG nomeia como sua assessora a esposa
do Juiz da 2ª Vara Criminal da cidade de Sete Lagoas/MG. De outro lado, este
decide nomear como assessor o irmão daquele. Enfim, nada mais do que uma
“troca de favores”. Assertiva correta.

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(CESPE/ Técnico Judiciário - TJ-CE/2014 - adaptada) Com relação aos


princípios que fundamentam a administração pública, assinale a opção
correta.
34. A publicidade marca o início da produção dos efeitos do ato
administrativo e, em determinados casos, obriga ao administrado seu
cumprimento.
Para responder às questões de prova, lembre-se sempre de que existem alguns
atos administrativos que não exigem publicação e/ou publicidade, mas, mesmo
assim, produzem os seus respectivos efeitos (é o caso, por exemplo, de alguns
atos internos ou sigilosos). Assertiva incorreta.

35. Pelo princípio da autotutela, a administração pode, a qualquer tempo,


anular os atos eivados de vício de ilegalidade.
A Lei 9.784/99, em seu art. 54, dispõe que “o direito da Administração de anular
os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários
decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo
comprovada má-fé”. Assertiva incorreta.

36. O regime jurídico-administrativo compreende o conjunto de regras e


princípios que norteia a atuação do poder público e o coloca numa
posição privilegiada.
Maria Sylvia Zanella di Pietro conceitua o regime jurídico-administrativo como “o
conjunto das prerrogativas e restrições a que está sujeita a Administração e que
não se encontram nas relações entre particulares”. Nesse caso, o Estado se
apresentará em situação de superioridade em relação aos particulares, sendo
estabelecida uma relação vertical entre a Administração Pública e os
administrados, fato que lhe outorgará diversas prerrogativas necessárias à
satisfação do interesse público. Assertiva correta.

37. A necessidade da continuidade do serviço público é demonstrada, no


texto constitucional, quando assegura ao servidor público o exercício
irrestrito do direito de greve.
A Constituição Federal de 1988, em seu art. 37, VII, dispõe que o direito de greve
dos servidores púbicos será exercido nos termos e nos limites definidos em lei

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específica. Desse modo, fica claro que não há exercício irrestrito do direito de
greve. Assertiva incorreta.

38. O princípio da motivação dos atos administrativos, que impõe ao


administrador o dever de indicar os pressupostos de fato e de direito que
determinam a prática do ato, não possui fundamento constitucional.
A necessidade geral de motivação dos atos administrativos não está prevista
expressamente no artigo 37 da Constituição Federal de 1988, mas consta no
artigo 93, X (em relação aos atos administrativos editados pelo Poder Judiciário)
e 129, § 4º (em relação aos atos administrativos editados pelo Ministério Público).
Assertiva incorreta.

39. (CESPE/ Técnico Judiciário - TJ-CE/2014) Assinale a opção que


explicita o princípio da administração pública na situação em que um
administrador público pratica ato administrativo com finalidade pública,
de modo que tal finalidade é unicamente aquela que a norma de direito
indica como objetivo do ato.
a) eficiência
b) moralidade
c) razoabilidade
d) impessoalidade
e) segurança jurídica
Comentários
Sob um de seus aspectos, o princípio da impessoalidade pode ser estudado
como uma aplicação do princípio da finalidade, pois o objetivo maior da
Administração deve ser sempre a satisfação do interesse público.
A finalidade deve ser observada tanto em sentido amplo quanto em
sentido estrito. Em sentido amplo, a finalidade dos atos editados pela
Administração Pública sempre será a satisfação imediata do interesse público. Em
sentido estrito, é necessário que se observe também a finalidade específica
de todo ato praticado pela Administração, sempre prevista em lei.
Gabarito: Letra d.

(CESPE/Analista Judiciário - TJ-CE/2014 - adaptada) Com base no


regime jurídico-administrativo e nos princípios da administração pública,
julgue os itens seguintes:

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40. O princípio da proteção à confiança, de origem no direito norte-


americano, corresponde ao aspecto objetivo da segurança jurídica,
podendo ser invocado para a manutenção de atos administrativos
inválidos quando o prejuízo resultante da anulação for maior que o
decorrente da manutenção do ato ilegal.
O princípio da proteção à confiança não possui previsão expressa no ordenamento
jurídico brasileiro. Para a doutrina majoritária, trata-se de princípio que
corresponde ao aspecto subjetivo da segurança jurídica. Maria Sylvia Zanella
di Pietro afirma que, “na realidade, o princípio da proteção à confiança leva em
conta a boa-fé do cidadão, que acredita e espera que os atos praticados pelo
Poder Público sejam lícitos e, nessa qualidade, serão mantidos e respeitados pela
própria Administração e por terceiros. Assertiva incorreta.

41. O princípio da razoabilidade é considerado um princípio implícito da


administração pública, por não se encontrar previsto explicitamente na
legislação constitucional ou infraconstitucional.
Em termos gerais o princípio da razoabilidade realmente é considerado implícito,
pois não possui previsão expressa no texto constitucional. Todavia, deve ficar
claro que tal princípio possui previsão expressa no art. 2º da Lei 9.784/1999,
portanto, deve ser observado obrigatoriamente por toda a Administração Pública
Federal. Assertiva incorreta.

42. As restrições ou sujeições especiais no desempenho da atividade de


natureza pública são consideradas consequências do princípio da
supremacia do interesse público sobre o privado, que integra o conteúdo
do regime jurídico- administrativo.
Maria Sylvia Zanella di Pietro afirma que se o princípio da supremacia do interesse
público sobre o privado assegura “privilégios” (prerrogativas) para a
Administração Pública, de outro lado, o princípio da indisponibilidade do
interesse público impõe restrições, isto é, sujeições ou limitações à
atividade administrativa, gerando a responsabilização civil, penal e administrativa
dos agentes que as desrespeitarem. Dentre tais restrições, citem-se a
observância da finalidade pública, bem como os princípios da moralidade
administrativa e da legalidade, a obrigatoriedade de dar publicidade aos atos
administrativos e, como decorrência dos mesmos, a sujeição à realização de

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concursos para seleção de pessoal e de concorrência pública para a elaboração


de acordos com particulares.
Analisando-se o texto do enunciado, constata-se que a banca afirmou que as
restrições ou sujeições são consequências do princípio da supremacia do
interesse público, o que não é tecnicamente verdadeiro. Todavia, por incrível que
pareça, o gabarito original foi mantido e a questão não foi anulada. Assertiva
correta.
43. De acordo com o princípio da tutela, a administração pública direta,
com o objetivo de garantir a observância de suas finalidades
estabelecidas nos contratos, fiscaliza apenas as atividades
desempenhadas pelas empresas concessionárias e permissionárias de
serviço público.
O princípio da tutela, também conhecido como princípio do controle, permite
que a Administração Pública Direta (União, Estados, Municípios e Distrito
Federal) fiscalize e controle as atividades exercidas pelas entidades da
Administração Pública Indireta (autarquias, fundações públicas, sociedades
de economia mista, empresas públicas e consórcios públicos de direito público) a
fim de que cumpram as finalidades legais reproduzidas em seus atos
constitutivos. Assertiva incorreta.

44. Em observância ao princípio da motivação, deve a administração


pública indicar os fundamentos de fato e de direito de suas decisões,
sendo dispensável esse princípio quando se tratar da prática de atos
discricionários.
Em regra, todos os atos administrativos devem ser motivados, sejam eles
discricionários ou vinculados. Apenas em situações excepcionais dispensa-se a
motivação de alguns atos administrativos discricionários, a exemplo da nomeação
e exoneração para cargos em comissão. Assertiva incorreta.

(CESPE/ Analista Judiciário - TJ-CE/2014 - adaptada) No que se refere


ao regime jurídico administrativo, julgue os itens seguintes.
45. A criação de órgão público deve ser feita, necessariamente, por lei; a
extinção de órgão, entretanto, dado não implicar aumento de despesa,
pode ser realizada mediante decreto.
A extinção ou criação de órgãos públicos deve ser criada necessariamente por lei.
Assertiva incorreta.

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46. A autotutela administrativa compreende tanto o controle de


legalidade ou legitimidade quanto o controle de mérito.
A autotutela, uma decorrência do princípio constitucional da legalidade, é o
controle que a administração exerce sobre os seus próprios atos, o que lhe
confere a prerrogativa de anulá-los (controle de legalidade) ou revogá-los
(controle de mérito), sem necessidade de intervenção do Poder Judiciário.
Assertiva correta.
47. A motivação deve ser apresentada concomitantemente à prática do
ato administrativo.
No julgamento do agravo regimental no recurso em mandado de segurança nº
40.427/DF, cujo acórdão foi publicado no DJE de 10/09/2013, a Primeira Turma
do Superior Tribunal de Justiça decidiu que se no momento da edição do ato
administrativo não ocorreu a sua respectiva motivação, maculando-o de
invalidade, nada impede que a Administração Pública a apresente
posteriormente, quando provocada, convalidando o vício até então existente no
ato. Para tanto, faz-se necessário que a Administração Pública demonstre os
seguintes requisitos: I - que o motivo extemporaneamente alegado preexistia; II
– que era idôneo para justificar o ato e III - que tal motivo foi a razão
determinante da prática do ato. Assertiva incorreta.

48. De acordo com o princípio da publicidade, que tem origem


constitucional, os atos administrativos devem ser publicados em diário
oficial.
Em regra, os atos editados no âmbito da Administração Pública serão divulgados
através do Diário Oficial do respectivo ente federativo (União, Estados,
Municípios e Distrito Federal). Todavia, alguns municípios, por mais absurdo que
possa parecer, ainda não criaram os seus diários oficiais. Nesse caso, admite-se
a divulgação através da afixação dos atos em quadros ou murais de avisos,
geralmente localizados no saguão da sede do Poder Executivo (Prefeitura) ou da
Câmara de Vereadores. Assertiva incorreta.

49. No Brasil, ao contrário do que ocorre nos países de origem anglo-


saxã, o costume não é fonte do direito administrativo.

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No Brasil o costume também é considerado fonte do Direito Administrativo,


porém, fonte secundária. Assertiva incorreta.

(CESPE/ Analista - TC-DF/2014) Acerca do regime jurídico


administrativo, julgue o próximo item.
50. O princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse
privado é um dos pilares do regime jurídico administrativo e autoriza a
administração pública a impor, mesmo sem previsão no ordenamento
jurídico, restrições aos direitos dos particulares em caso de conflito com
os interesses de toda a coletividade.
O princípio da supremacia do interesse público realmente é um dos pilares do
regime jurídico-administrativo. Entretanto, lembre-se sempre de que somente
a lei pode impor restrições aos direitos dos particulares. Assertiva incorreta.

(CESPE/ Analista de Administração Pública - TC-DF/2014) Suponha que


um servidor público fiscal de obras do DF, no intuito de prejudicar o
governo, tenha determinado o embargo de uma obra de canalização de
águas pluviais, sem que houvesse nenhuma irregularidade. Em razão da
paralisação, houve atraso na conclusão da obra, o que causou muitos
prejuízos à população. Com base nessa situação hipotética, julgue os
itens que se seguem.
51. O ato de embargo da obra atenta contra os princípios da legalidade,
da impessoalidade e da moralidade.
Analisando-se o texto do enunciado, não restam dúvidas de que a conduta
praticada pelo agente público viola os princípios da legalidade (por ter sido
contrária à lei, pois não existiam irregularidades), da impessoalidade (o ato de
embargo foi determinado para satisfazer interesses pessoais) e da moralidade
(pois o agente não atuou com ética e respeito à coisa pública). Assertiva correta.

(CESPE/Analista de Administração Pública – Organizações - TC-


DF/2014) Acerca do regime jurídico administrativo, julgue os próximos
itens.

52. Em razão do princípio da legalidade, a administração pública está


impedida de tomar decisões fundamentadas nos costumes.

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O costume pode ser entendido como o conjunto de regras informais, não


escritas, praticado habitualmente no interior da Administração Pública (requisito
objetivo) com a convicção generalizada de que é obrigatório (requisito
subjetivo). Os costumes são considerados fontes do Direito Administrativo
porque, em várias situações, proporcionam o suprimento de lacunas ou
deficiências existentes na legislação administrativa, proporcionando a tomada
de decisões. Assertiva incorreta.

(CESPE/ Técnico – MEC/2014)


“Os princípios da administração pública estão previstos, de forma
expressa ou implícita, na CF e, ainda, em leis ordinárias. Esses princípios,
que consistem em parâmetros valorativos orientadores das atividades
do Estado, são de observância obrigatória na administração direta e
indireta de quaisquer dos poderes da União, dos estados, do DF e dos
municípios. Acerca desses princípios e da organização administrativa do
Estado, julgue os itens a seguir.”
53. Os princípios do contraditório e da ampla defesa aplicam-se tanto aos
litigantes em processo judicial quanto aos em processo administrativo.
A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, LV, dispõe que “aos litigantes,
em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados
o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”.
Assertiva correta.

(CESPE/ Técnico - MEC/2014) Com base na disciplina legal e na doutrina


nacional acerca dos atos e processos administrativos, julgue os próximos
itens.
54. A motivação do ato administrativo deve ser explícita, clara e
congruente, não sendo suficiente a declaração de concordância com
fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou
propostas.
Pelo princípio da motivação, é possível a chamada motivação aliunde, ou seja,
a mera referência, no ato, à sua concordância com anteriores pareceres,
informações, decisões ou propostas, como forma de suprimento da motivação do
ato. Assertiva incorreta.

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(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014) A respeito


do regime jurídico administrativo, julgue o item a seguir.
55. Postulados de natureza ética, como o princípio da boa-fé, não se
aplicam às relações estabelecidas pela administração.
A Lei nº 9.784∕1999, em seu art. 4º, III, impõe como dever do administrado
perante a Administração proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé. Atua com
boa-fé aquele que pratica condutas leais, honestas, certo de que amparado pela
legislação vigente. Assertiva incorreta.

(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014) A respeito


do regime jurídico administrativo, julgue o item a seguir.

56. O regime jurídico administrativo é instituído sobre o alicerce do


princípio da legalidade restrita, o que impede a aplicação, no âmbito da
administração pública, de princípios implícitos, não expressamente
previstos na legislação.

Princípios implícitos são aqueles que não estão previstos expressamente em


norma jurídica de caráter geral, pois são consequências dos estudos doutrinários
e jurisprudenciais. São princípios cujos nomes não irão constar claramente no
texto constitucional ou legal, mas que, ainda sim, vinculam as condutas e atos
praticados pela Administração Pública. Assertiva incorreta.

(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014) A respeito


do regime jurídico administrativo, julgue o item a seguir.
57. O princípio da indisponibilidade do interesse público não impede a
administração pública de realizar acordos e transações.
A Lei Federal nº 9.469/1997, por exemplo, que dispõe sobre a intervenção da
União nas causas em que figurarem, como autores ou réus, entes da
administração indireta, autoriza a celebração de acordos judiciais, evitando-se,
assim, a alegação de suposta violação ao princípio da indisponibilidade do
interesse público. Assertiva correta.

(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014)

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“A Constituição Federal de 1988 (CF) acolheu a garantia do devido


processo legal, de origem anglo-saxônica, assegurando que a atuação da
administração pública seja realizada mediante “um processo formal
regular para que sejam atingidas a liberdade e a propriedade de quem
quer que seja e a necessidade de que a administração pública, antes de
tomar as decisões gravosas a um dado sujeito, ofereça-lhe a
possibilidade de contraditório e ampla defesa, no que se inclui o direito
a recorrer das decisões tomadas”.
Celso Antônio B. Mello. Curso de direito
administrativo. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 103
(com adaptações).

Tendo o texto acima como referência inicial e considerando os múltiplos


aspectos relacionados ao direito administrativo que ele suscita, julgue o
seguinte item .”
58. Os princípios da legalidade e da finalidade, que norteiam os
processos administrativos federais, estão intimamente ligados, uma vez
que a finalidade de qualquer ato deve estar prevista explícita ou
implicitamente na lei.
Hely Lopes Meirelles informa que “o princípio da impessoalidade, referido na
Constituição de 1988 (art. 37, caput), nada mais é que o clássico princípio da
finalidade, o qual impõe ao administrador público que só pratique o ato para o
seu fim legal. E o fim legal é unicamente aquele que a norma de Direito indica
expressamente ou virtualmente como objetivo do ato, de forma impessoal”,
observando-se, assim, o princípio da legalidade. Assertiva correta.

(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014) A respeito


dos princípios administrativos, julgue os próximos itens.
59. O art. 37, caput, da Constituição Federal indica expressamente à
administração pública direta e indireta princípios a serem seguidos, a
saber: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência,
entre outros princípios não elencados no referido artigo.
Princípios básicos da Administração Pública são aqueles expressos no art. 37 da
Constituição Federal de 1988, a saber: legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência (o famoso “L.I.M.P.E.”). Esse é o entendimento da
doutrina majoritária. Todavia, o art. 37 da Constituição Federal não é taxativo,
pois, outros princípios existem, previstos em leis esparsas, ou, mesmo, não

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expressamente contemplados no direito objetivo, aos quais se sujeita a


Administração Pública. Assertiva correta.

(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014) A respeito


dos princípios administrativos, julgue os próximos itens.
60. O princípio da publicidade como valor republicano, assimilado de
forma crescente pela vida e pela cultura política, conforma o direito
brasileiro a imperativo constitucional de natureza absoluta, contra o qual
não há exceção.
A CF/1988, em seu art. 5º, XXXIII, dispõe que “todos têm direito a receber dos
órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo
ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade,
ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e
do Estado”. Todavia, conforme é possível constatar da leitura do citado dispositivo
constitucional, nem toda informação de interesse particular ou de interesse
coletivo ou geral serão disponibilizadas aos interessados, pois foram ressalvadas
aquelas que coloquem em risco a segurança da sociedade e do Estado.
Assertiva incorreta.

(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014) A respeito


dos princípios administrativos, julgue os próximos itens.
61. O princípio da impessoalidade é corolário do princípio da isonomia.
O princípio da impessoalidade pode ser estudado como corolário (consequência)
do princípio da isonomia, e a obrigatoriedade de realização de concurso público
para ingresso em cargo ou emprego público (artigo 37, II), bem como a
obrigatoriedade de realização de licitação pela Administração (artigo 37, XXI),
são exemplos clássicos de tal princípio, já que proporcionam igualdade de
condições para todos os interessados. Assertiva correta.

(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014) A respeito


dos princípios administrativos, julgue os próximos itens.
62. O princípio da legalidade implica dispor o administrador público no
exercício de seu munus de espaço decisório de estrita circunscrição
permissiva da lei em vigor, conforme ocorre com agentes particulares e
árbitros comerciais.

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A obrigatoriedade de o administrador público atuar sob o manto da lei não lhe


retira o “espaço decisório” assegurado em situações específicas, previstas
expressamente em lei. É o que chamamos de poder discricionário, que deve ser
exercido nos limites estabelecidos legalmente. Assertiva incorreta.

(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014) Em relação


à administração pública indireta e seus temas correlatos, julgue os itens
subsequentes.
63. A vedação ao nepotismo no ordenamento jurídico brasileiro, nos
termos da súmula vinculante n.º 13/2008, ao não se referir à
administração pública indireta, excetua a incidência da norma em
relação ao exercício de cargos de confiança em autarquias.
A vedação ao nepotismo, contida no texto da súmula vinculante nº 13, abrange
tanto a Administração Pública Direta quanto a Administração Pública Indireta.
Assertiva incorreta.
(CESPE/ Analista Legislativo - Câmara dos Deputados/2014) Acerca do
direito administrativo brasileiro, julgue os itens a seguir.
64. Os princípios da administração explicitamente previstos na CF não se
aplicam às entidades paraestatais e às sociedades de economia mista,
por serem essas entidades pessoas jurídicas de direito privado que
atuam em atividades do setor econômico, embora sejam criadas por lei.
Princípios expressos são aqueles expressamente previstos em norma jurídica
de caráter geral (a exemplo do texto constitucional), obrigatória para todas as
entidades políticas (União, Estados, Municípios, Distrito Federal e seus
respectivos órgãos públicos), bem como para as entidades administrativas
(autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia
mista e consórcios públicos de direito público). Ademais, em situações especiais,
também podem ser impostos às entidades paraestatais, principalmente quando
firmarem convênios ou contratos para atuar em nome da Administração Pública.
Assertiva incorreta.

(CESPE/ Contador – MTE /2014) Julgue os itens a seguir acerca da


responsabilidade civil do Estado e do Regime Jurídico Administrativo.

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65. A supremacia do interesse público sobre o privado e a


indisponibilidade, pela administração, dos interesses públicos, integram
o conteúdo do regime jurídico-administrativo.
O regime jurídico-administrativo foi construído tendo como base dois grandes
princípios jurídicos: a supremacia do interesse público sobre os interesses
privados e a indisponibilidade dos interesses públicos. Esses dois princípios
conferem ao citado regime o caráter de Direito Público e suas especificidades,
bem como sua natureza jurídica. Assertiva correta.

(CESPE/ Agente Administrativo – MTE /2014) “Acerca do regime


jurídico administrativo e dos atos administrativos, julgue os próximos
itens.”
66. Viola o princípio da impessoalidade a edição de ato administrativo
que objetive a satisfação de interesse meramente privado.
O professor Celso Antônio Bandeira de Mello nos ensina que o princípio da
impessoalidade “traduz a ideia de que a Administração tem que tratar a todos os
administrados sem discriminações, benéficas ou detrimentosas. Nem
favoritismos nem perseguições são toleráveis. Simpatias ou animosidades
pessoais, políticas ou ideológicas não podem interferir na atuação
administrativa”. Afirma ainda o professor que “o princípio em causa não é senão
o próprio princípio da igualdade ou isonomia.” Assertiva correta.

(CESPE/Nível Superior - Caixa Econômica/2014) Em relação à


organização administrativa do estado brasileiro e aos princípios
administrativos, julgue os itens a seguir:
67. Dado o princípio da legalidade, os agentes públicos devem, além de
observar os preceitos contidos nas leis em sentido estrito, atuar em
conformidade com outros instrumentos normativos existentes no
ordenamento jurídico nacional.
O princípio da legalidade é exigência que decorre do próprio Estado de Direito,
que impõe a necessidade de que o administrador público somente atue quando a
lei (ou outros instrumentos normativos) autorizar ou determinar, pois a
“vontade” da Administração Pública é a que decorre da lei. Por isso o
administrador público tem o dever de aplicar a lei de ofício. Assertiva correta.

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(CESPE/ Nível Superior - SUFRAMA/2014) A respeito do direito


administrativo, julgue o item subsecutivo.
68. A impossibilidade da alienação de direitos relacionados aos
interesses públicos reflete o princípio da indisponibilidade do interesse
público, que possibilita apenas que a administração, em determinados
casos, transfira aos particulares o exercício da atividade relativa a esses
direitos.
Para evitar que abram mão do interesse público para beneficiarem a si próprios
ou a terceiros, os agentes públicos estão obrigados a observar diversas
restrições (também denominadas de sujeições) impostas pelo princípio em
estudo. Como atuam apenas como administradores dos bens e interesses
comuns (considerados inalienáveis), não podem praticar atos sem que exista
autorização legal, principalmente se onerosos à coletividade. Assertiva correta.

(CESPE/ Promotor de Justiça - MPE-AC/2014 - adaptada) Com relação


aos princípios que regem a administração pública, julgue os itens
seguintes:
69. Constatadas a concessão e a incorporação indevidas de determinada
gratificação especial aos proventos de servidor aposentado, deve a
administração suprimi-la em respeito ao princípio da autotutela, sendo
desnecessária a prévia instauração de procedimento administrativo.
No julgamento do recurso em mandado de segurança nº 17.576/ES, o Superior
Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que “ainda que indevida a
gratificação especial pelo exercício de trabalho técnico, sua subtração, após ter
sido concedida e incorporada aos proventos de aposentadoria do Recorrente,
depende de prévio procedimento administrativo, em que se assegure ao servidor
o contraditório e ampla defesa”. Assertiva incorreta.

70. Segundo o entendimento do STF, para que não ocorra violação do


princípio da proporcionalidade, devem ser observados três
subprincípios: adequação, finalidade e razoabilidade stricto sensu.
A doutrina majoritária costuma afirmar que, no caso em concreto, para que o ato
da administração esteja em conformidade com o princípio da proporcionalidade,
devem estar presentes os seguintes elementos ou subprincípios: adequação,
necessidade e a proporcionalidade. Assertiva incorreta.

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71. O princípio da razoabilidade apresenta-se como meio de controle da


discricionariedade administrativa, e justifica a possibilidade de correção
judicial.
O Poder Judiciário possui a prerrogativa de analisar a legalidade de todos os
atos administrativos, sejam eles vinculados ou discricionários. Todavia, em
relação aos atos discricionários, não poderá se manifestar em relação ao mérito,
campo de atuação reservado ao administrador público, salvo se violar os
princípios da moralidade, razoabilidade e proporcionalidade. Assertiva correta.

72. O princípio da segurança jurídica apresenta-se como espécie de


limitação ao princípio da legalidade, prescrevendo o ordenamento
jurídico o prazo decadencial de cinco anos para a administração anular
atos administrativos que favoreçam o administrado, mesmo quando
eivado de vício de legalidade e comprovada a má-fé.

A Lei 9.784/99, em seu art. 54, dispõe que “o direito da Administração de anular
os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários
decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo
comprovada má-fé”. Assertiva incorreta.

73. Ferem os princípios da isonomia e da irredutibilidade dos


vencimentos as alterações na composição dos vencimentos dos
servidores públicos, mediante a retirada ou modificação da fórmula de
cálculo de vantagens, gratificações e adicionais, ainda que não haja
redução do valor total da remuneração.
O Supremo Tribunal Federal fixou jurisprudência no sentido de que não há
direito adquirido à regime jurídico-funcional pertinente à composição dos
vencimentos ou à permanência do regime legal de reajuste de vantagem, desde
que eventual modificação introduzida por ato legislativo superveniente
preserve o montante global da remuneração, não acarretando decesso de
caráter pecuniário (RE 599.618-ED, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 1º-
2-2011, Primeira Turma, DJE de 14-3-2011). Assertiva incorreta.

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(CESPE/ Nível Médio – CADE/2014) Com relação ao direito


administrativo, julgue o item seguinte.
74. Ainda que as sociedades de economia mista sejam pessoas jurídicas
de direito privado com capital composto por capital público e privado, a
elas aplicam-se os princípios explícitos da administração pública.
Os princípios previstos no art. 37 da Constituição Federal aplicam-se a todas as
entidades da Administração Pública Direta (União, Estados, Municípios e Distrito
Federal) e Administração Pública Indireta (autarquias, empresas públicas,
sociedades de economia mista e fundações públicas). Assertiva correta.

(CESPE/ Agente Administrativo – SUFRAMA/2014) Considerando que


uma empresa tenha solicitado à SUFRAMA a concessão de benefícios
fiscais previstos em lei para as empresas da ZFM que observassem o
processo produtivo básico previsto em regulamento, julgue os itens
abaixo.
75. O eventual indeferimento do referido pedido, assim como os demais
atos que neguem direitos à empresa, deverá ser necessariamente
motivado.
A Lei 9.784/99, em seu art. 50, dispõe que os atos administrativos deverão ser
motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I -
neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses. Assertiva correta.

(CESPE/ Nível Superior – SUFRAMA/2014) Acerca do direito


administrativo, julgue o item a seguir.
76. O princípio administrativo da autotutela expressa a capacidade que
a administração tem de rever seus próprios atos, desde que provocada
pela parte interessada, independentemente de decisão judicial.
A anulação e revogação de ato administrativo podem ocorrer tanto de ofício, por
iniciativa da própria administração, quanto por provocação de particulares
atingidos pelos seus efeitos. Entretanto, a possibilidade de a própria
administração revisar os seus atos não afasta eventual controle pelo Poder
Judiciário, que possui a prerrogativa de analisar a legalidade de todos os atos
administrativos, sejam eles vinculados ou discricionários. Assertiva incorreta.

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(CESPE/ Nível Superior – SUFRAMA/2014) Acerca do direito


administrativo, julgue o item a seguir.
77. Do ponto de vista objetivo, a expressão administração pública se
confunde com a própria atividade administrativa exercida pelo Estado.
Em sentido objetivo, material ou funcional, a expressão administração
pública (que deve ser grafada com as iniciais minúsculas), consiste na própria
função administrativa exercida pelos órgãos, entidades e agentes que
integram a Administração Pública em sentido subjetivo. Nesse caso, estudaremos
as atividades finalísticas exercidas pela administração, a exemplo do fomento,
serviço público, polícia administrativa e intervenção administrativa, e não a sua
composição e estruturação. Assertiva correta.

(CESPE/ Conhecimentos Básicos - Nível Superior/Polícia Federal/2014)


No que se refere ao regime jurídico administrativo, aos poderes da
administração pública e à organização administrativa, julgue o item
subsequente.
78. Em face do princípio da isonomia, que rege toda a administração
pública, o regime jurídico administrativo não pode prever prerrogativas
que o diferenciem do regime previsto para o direito privado.
O regime jurídico-administrativo assegura à Administração Pública uma série de
prerrogativas, que podem ser entendidas como “vantagens” ou “privilégios”
necessários para se atingir o interesse da coletividade, que não existem em
relação aos particulares. Como exemplos dessas prerrogativas, podemos citar a
existência das denominadas cláusulas exorbitantes nos contratos
administrativos, possibilitando à Administração, por exemplo, modificar ou
rescindir unilateralmente um contrato administrativo; a concessão de prazos
diferenciados quando estiver litigando perante o judiciário (prazo em quádruplo
para contestar e em dobro para recorrer – artigo 188 do Código de Processo
Civil); imunidade tributária recíproca; a presunção de legitimidade e veracidade
dos atos administrativos, entre outras. Assertiva incorreta.

(CESPE/ Agente Administrativo - Polícia Federal/2014)


“Considerando que o DPF é órgão responsável por exercer as funções de
polícia judiciária da União, julgue os itens a seguir.”

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79. O DPF, em razão do exercício das atribuições de polícia judiciária,


não se submete ao princípio da publicidade, sendo garantido sigilo aos
atos praticados pelo órgão.
Os princípios previstos no art. 37 da Constituição Federal aplicam-se a todas as
entidades da Administração Pública Direta (União, Estados, Municípios e Distrito
Federal e seus respectivos órgãos, a exemplo da DPF) e Administração Pública
Indireta (autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e
fundações públicas). Assertiva incorreta.

(CESPE/Agente Administrativo – MDIC/2014) No que concerne à


licitação, ao controle da administração pública e ao regime jurídico-
administrativo, julgue os seguintes itens:
80. Os princípios da administração pública expressamente dispostos na
CF não se aplicam às sociedades de economia mista e às empresas
públicas, em razão da natureza eminentemente empresarial dessas
entidades.
Os princípios previstos no art. 37 da Constituição Federal aplicam-se a todas as
entidades da Administração Pública Direta (União, Estados, Municípios e Distrito
Federal e seus respectivos órgãos, a exemplo da DPF) e Administração Pública
Indireta (autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e
fundações públicas). Assertiva incorreta.
(CESPE/ Procurador do Estado - PGE-BA/2014)
“Acerca do regime jurídico-administrativo e dos princípios jurídicos que
amparam a administração pública, julgue os itens seguintes.”
81. O atendimento ao princípio da eficiência administrativa autoriza a
atuação de servidor público em desconformidade com a regra legal,
desde que haja a comprovação do atingimento da eficácia na prestação
do serviço público correspondente.
Em decorrência do princípio da legalidade o agente público somente pode agir
quando a lei determinar ou autorizar. Ainda que sob o pretexto de aumentar a
eficiência na prestação dos serviços públicos o agente não pode atuar em
desconformidade com a legislação vigente. Assertiva incorreta.

(CESPE/ Procurador do Estado - PGE-BA/2014)

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“Acerca do regime jurídico-administrativo e dos princípios jurídicos que


amparam a administração pública, julgue os itens seguintes.”
82. Suponha que o governador de determinado estado tenha atribuído o
nome de Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, a escola pública
estadual construída com recursos financeiros repassados mediante
convênio com a União. Nesse caso, há violação do princípio da
impessoalidade, dada a existência de proibição constitucional à
publicidade de obras com nomes de autoridades públicas.
A Lei nº 6.454/1977, que dispõe sobre a denominação de logradouros, obras serviços e
monumentos públicos federais, assim se manifesta sobre o tema:

Art. 1º É proibido, em todo o território nacional, atribuir nome de pessoa viva ou que tenha
se notabilizado pela defesa ou exploração de mão de obra escrava, em qualquer
modalidade, a bem público, de qualquer natureza, pertencente à União ou às pessoas
jurídicas da administração indireta.

Art. 2º É igualmente vedada a inscrição dos nomes de autoridades ou administradores em


placas indicadores de obras ou em veículo de propriedade ou a serviço da Administração
Pública direta ou indireta.

Nesses termos, constata-se que não há proibição de atribuição de nomes de


pessoas a bens públicos, desde que tal conduta não seja praticada com o objetivo
de “presentear” parentes ou amigos, hipótese que violaria o princípio da
impessoalidade. Assertiva incorreta.

(CESPE/ Analista Técnico – MDIC/2014) Julgue os itens seguintes,


relativos à administração pública e aos atos administrativos.
83. O exercício das funções administrativas pelo Estado deve adotar,
unicamente, o regime de direito público, em razão da indisponibilidade
do interesse público
A expressão regime jurídico da Administração Pública é utilizada para designar,
em sentido amplo, os regimes de direito público e de direito privado a que
podem submeter-se a Administração Pública. As entidades da Administração
Direta (União, Estados, Municípios e Distrito Federal), bem como autarquias e
fundações públicas são regidas pelo regime jurídico de direito público. Por sua
vez, empresas públicas e sociedades de economia mista são regidas pelo regime
jurídico de direito privado. Assertiva incorreta.

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(CESPE/ Procurador - TCE-PB/2014 – adaptada) No que se refere ao


direito administrativo e seus princípios, julgue os itens seguintes:
84. Em face do princípio da legalidade, a administração pública pode
realizar uma interpretação contra legem, secundum legem e praeter
legem, conforme a necessidade, adequação e proporcionalidade em prol
do interesse público.
Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo afirmam que “a Administração, além de não
poder atuar contra a lei ou além da lei, somente pode agir segundo a lei (a
atividade administrativa não pode ser contra legem nem praeter legem, mas
apenas secundum legem). Os atos eventualmente praticados em desobediência
a tais parâmetros são atos inválidos e podem ter sua invalidade decretada pela
própria Administração que o haja editado ou pelo Poder Judiciário. Assertiva
incorreta.

85. O conceito de moralidade administrativa foi defendido por Gaston


Jezè, a partir da noção de boa administração, o que influenciou a ideia
do princípio da moralidade na contemporaneidade.
A ideia atual de moralidade foi sistematizada por Maurice Hauriou e não Gaston
Jezè, conforme informou incorretamente a assertiva.

86. A alteração de edital de concurso prescinde da veiculação em jornal


de grande circulação, podendo ser veiculada apenas em diário oficial sem
que isso ofenda o princípio da publicidade.
Em diversos julgados (a exemplo do RE 390.939) o Supremo Tribunal Federal
ratificou o entendimento de que “a divulgação no Diário Oficial é suficiente per se
para dar publicidade a um ato administrativo, sendo desnecessária
(prescindindo) a sua veiculação em jornais de grande circulação”. Assertiva
correta.

87. A lei é fonte primária do direito, sendo que o costume, fonte


secundária, não é considerado fonte do direito administrativo
Enquanto a lei é considerada fonte primária do Direito Administrativo, os
costumes podem ser enquadrados como fonte secundária. Assertiva incorreta.

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88. Para Gaston Jezè, defensor da Escola do Serviço Público, o direito


administrativo tem como objeto a soma das atividades desenvolvidas
para a realização dos fins estatais, excluídas a legislação e a jurisdição.
Maria Sylvia Zanella di Pietro afirma que o critério do serviço público
desenvolveu-se na França, inspirado na jurisprudência do Conselho de Estado,
que, a partir do caso Blanco, decidido em 1873, passou a fixar a competência dos
Tribunais Administrativos em função da execução de serviços públicos. O
enunciado está se referindo ao critério residual e não ao critério do serviço
público. Assertiva incorreta.

89. (CESPE/ Professor da Educação Básica - SEDF /2017) A respeito dos


princípios da administração pública e da organização administrativa,
julgue o item a seguir.

Se uma autoridade pública, ao dar publicidade a determinado programa


de governo, fizer constar seu nome de modo a caracterizar promoção
pessoal, então, nesse caso, haverá, pela autoridade, violação de preceito
relacionado ao princípio da impessoalidade.

A CF/1988, em seu art. 37, § 1º, dispõe que “a publicidade dos atos,
programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter
educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes,
símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades
ou servidores públicos”.

Ao realizar a divulgação dos atos, programas, obras e serviços executados pela


Administração Pública, o gestor público não pode se valer da oportunidade
para promover o seu nome ou imagem perante a sociedade, apresentando-
se como se fosse o único responsável pelos feitos administrativos. Também não
pode ser aproveitar do fato de exercer função pública (o que lhe garante respeito
e prestígio perante outras autoridades) para atribuir o seu nome ou de parentes
vivos a bens públicos. Assertiva correta.

90. (CESPE/ Nível Médio - SEDF /2017) Em relação aos princípios da


administração pública e à organização administrativa, julgue o item que
se segue.

O administrador, quando gere a coisa pública conforme o que na lei


estiver determinado, ciente de que desempenha o papel de mero gestor

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de coisa que não é sua, observa o princípio da indisponibilidade do


interesse público.

De acordo com o princípio da indisponibilidade do interesse público, os bens e


interesses públicos não pertencem ao administrador, cabe aos agentes
administrativos apenas geri-los e conservá-los em prol da coletividade.

Para evitar que abram mão do interesse público para beneficiarem a si próprios
ou a terceiros, os agentes públicos estão obrigados a observar diversas restrições
(também denominadas de sujeições) impostas pelo princípio da indisponibilidade.
Como atuam apenas como administradores dos bens e interesses comuns
(considerados inalienáveis), não podem praticar atos sem que exista autorização
legal, principalmente se onerosos à coletividade. Assertiva correta.

91. (CESPE/ Escrivão de Polícia Civil - PC-GO /2016) Sem ter sido
aprovado em concurso público, um indivíduo foi contratado para exercer
cargo em uma delegacia de polícia de determinado município, por ter
contribuído na campanha política do agente contratante. Nessa situação
hipotética, ocorreu, precipuamente, violação do princípio da
a) supremacia do interesse público.
b) impessoalidade.
c) eficiência.
d) publicidade.
e) indisponibilidade.

Comentários
Celso Antônio Bandeira de Mello afirma que o princípio da impessoalidade
“traduz a ideia de que a Administração tem que tratar a todos os administrados
sem discriminações, benéficas ou detrimentosas. Nem favoritismos nem
perseguições são toleráveis. Simpatias ou animosidades pessoais,
políticas ou ideológicas não podem interferir na atuação administrativa.
O princípio em causa não é senão o próprio princípio da igualdade ou isonomia ”.
A obrigatoriedade de realização de concurso público para a seleção de
pessoal (CF/1988, art. 37, II), bem como licitação para as obras, serviços,
compras e alienações no âmbito da Administração Pública, são consequências dos
mandamentos contidos no princípio da impessoalidade (ou isonomia, nas
palavras de Celso Antônio Bandeira de Mello).

Gabarito Letra B

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92. (CESPE/ Analista de Controle - TCE-PR /2016) Quando a União firma


um convênio com um estado da Federação, a relação jurídica envolve a
União e o ente federado e não a União e determinado governador ou
outro agente. O governo se alterna periodicamente nos termos da
soberania popular, mas o estado federado é permanente. A mudança de
comando político não exonera o estado das obrigações assumidas. Nesse
sentido, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem entendido que a inscrição
do nome de estado-membro em cadastro federal de inadimplentes
devido a ações e(ou) omissões de gestões anteriores não configura
ofensa ao princípio da administração pública denominado princípio do(a)
a) intranscendência.
b) contraditório e da ampla defesa.
c) continuidade do serviço público.
d) confiança legítima.
e) moralidade.
Comentários

Analisando-se o enunciado constata-se que o CESPE está antenado na


jurisprudência dos Tribunais Superiores, inclusive do Supremo Tribunal
Federal. A questão refere-se a tema abordado no Informativo 791/2015, mais
precisamente o “princípio da intranscendência”.

“O princípio da intranscendência subjetiva das sanções, consagrado pelo


STF, inibe a aplicação de severas sanções às administrações por ato de
gestão anterior à assunção dos deveres públicos. Com base nessa
orientação e, com ressalva de fundamentação do Ministro Marco Aurélio, a
Primeira Turma, em julgamento conjunto, negou provimento a agravos
regimentais em ações cautelares ajuizadas com a finalidade de se
determinar a suspensão da condição de inadimplente de Estado-Membro,
bem como das limitações dela decorrentes, com relação a convênios com a
União. (...)

Diante do exposto, deve ficar claro que após a tomada de contas especial, com o
reconhecimento definitivo de irregularidades praticadas pelo Estado (ou outro
ente estatal), permite-se a respectiva inscrição nos cadastros de restrição aos
créditos organizados e mantidos pela União, ainda que as obrigações tenham sido
assumidas por gestões anteriores.

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Gabarito: Letra A

93. (CESPE/ Auditor de Controle Externo - TCE-PA /2016) Acerca dos


servidores públicos, dos poderes da administração pública e do regime
jurídico-administrativo, julgue o item que se segue.

A supremacia do interesse público sobre o interesse particular, embora


consista em um princípio implícito na Constituição Federal de 1988,
possui a mesma força dos princípios que estão explícitos no referido
texto, como o princípio da moralidade e o princípio da legalidade.

Os princípios da Administração Pública se aplicam, em igual medida e de acordo


com as ponderações determinadas pela situação concreta, a todas as entidades
integrantes da Administração direta e indireta.

Não há hierarquia entre princípios, apesar de ser comum em provas de


concursos questões afirmando que o princípio da supremacia do interesse público
sobre o privado é superior aos demais (assertivas incorretas, obviamente!).
Também costumam fazem essa afirmação em relação ao princípio da legalidade
e ao princípio da moralidade, o que não é verdade, os princípios (implícitos
ou explícitos na CF) possuem a mesma força. Assertiva correta.

94. (CESPE/ Auditor de Controle Externo - TCE-PA /2016) Acerca de


função administrativa e atos administrativos, julgue o item a seguir.

Em razão do princípio da indisponibilidade do interesse público, o Estado


somente poderá exercer sua função administrativa sob o regime de
direito público.

De acordo com o princípio da indisponibilidade do interesse público, os bens e


interesses públicos não pertencem ao administrador, cabendo aos agentes
administrativos apenas geri-los e conservá-los em prol da coletividade.

Esse princípio não exige que o Estado só possa exercer sua função
administrativa sob o regime de direito público. Tanto é verdade que em diversas
situações o Estado deve exercer a sua função administrativa sob o regime
de direito privado, sem que isso signifique agressão ao princípio da
indisponibilidade do interesse público, a exemplo do que ocorre nas atividades
exercidas pelas empresas públicas e sociedades de economia mista. Assertiva
incorreta.

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95. (CESPE/ Escrivão de Polícia Civil - PC-PE /2016) Julgue o item a


seguir:

A possibilidade que tem a administração pública de, nos termos da lei,


constituir terceiros em obrigações mediante atos unilaterais constitui
aplicação do princípio da supremacia do interesse público.

O princípio da supremacia do interesse púbico sobre o privado assegura


à Administração Pública uma série de prerrogativas, que podem ser
entendidas como “vantagens” ou “privilégios” necessários para se atingir o
interesse da coletividade, estabelecendo uma relação jurídica vertical, desigual,
portanto, em face dos administrados. Compreende, em face da sua
desigualdade, a possibilidade, em favor da Administração, de constituir
os privados em obrigações por meio de ato unilateral daquela. Implica,
outrossim, muitas vezes, o direito de modificar, também unilateralmente,
relações já estabelecidas.

Como exemplo dessa prerrogativa podemos citar a existência de cláusulas


exorbitantes nos contratos administrativos, possibilitando à Administração, por
exemplo, alterar ou rescindir unilateralmente um contrato administrativo.
Assertiva correta.

96. (CESPE/ Técnico Judiciário - Área Administrativa - TRT - 8ª Região


/2016) A respeito dos princípios da administração pública, assinale a
opção correta.
a) Em decorrência do princípio da autotutela, apenas o Poder Judiciário
pode revogar atos administrativos.
b) O princípio da indisponibilidade do interesse público e o princípio da
supremacia do interesse público equivalem-se.
c) Estão expressamente previstos na CF o princípio da moralidade e o da
eficiência.
d) O princípio da legalidade visa garantir a satisfação do interesse
público.
e) A exigência da transparência dos atos administrativos decorre do
princípio da eficiência.
Comentários

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a) Para responder às questões do CESPE, destaca-se que em hipótese alguma o


Poder Judiciário pode revogar atos editados pela Administração Pública. Apenas
a administração pode revogar os seus próprios atos. Assertiva incorreta.

b) Esses princípios não são equivalentes, apresentam sentidos diversos. Se o


princípio da supremacia do interesse público sobre o privado assegura
“privilégios” (prerrogativas) para a Administração Pública, de outro lado, o
princípio da indisponibilidade do interesse público impõe restrições, isto
é, sujeições ou limitações à atividade administrativa, gerando a responsabilização
civil, penal e administrativa dos agentes que as desrespeitarem. Assertiva
incorreta.

c) Ambos os princípios constam expressamente no caput do art. 37 da CF/1988.


Assertiva correta.

d) O princípio da legalidade visa garantir que a Administração Pública


cumpra a lei. É exigência que decorre do próprio Estado de Direito, que impõe
a necessidade de que o administrador público somente atue quando a lei
autorizar ou determinar, pois a “vontade” da Administração Pública é a que
decorre da lei. Por isso o administrador público tem o dever de aplicar a lei de
ofício. Assertiva incorreta.

e) A exigência da transparência dos atos administrativos decorre do


princípio da publicidade. É o princípio da publicidade que impõe que a
Administração Pública conceda aos seus atos a mais ampla divulgação
possível entre os administrados, pois só assim estes poderão fiscalizar e
controlar a legitimidade das condutas praticadas pelos agentes públicos.
Assertiva incorreta.

Gabarito: Letra C

97. (CESPE/ Analista Judiciário - Serviço Social - TRT - 8ª Região /2016)


Assinale a opção correta a respeito dos princípios da administração
pública.
a) O princípio da eficiência deve ser aplicado prioritariamente, em
detrimento do princípio da legalidade, em caso de incompatibilidade na
aplicação de ambos.
b) Os institutos do impedimento e da suspeição no âmbito do direito
administrativo são importantes corolários do princípio da
impessoalidade.

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c) A administração deve, em caso de incompatibilidade, dar preferência


à aplicação do princípio da supremacia do interesse público em
detrimento do princípio da legalidade.
d) A publicidade, princípio basilar da administração pública, não pode
sofrer restrições.
e) A ofensa ao princípio da moralidade pressupõe afronta também ao
princípio da legalidade.

Comentários

a) Não há hierarquia entre princípios. Os princípios da Administração Pública


se aplicam, em igual medida e de acordo com as ponderações determinadas pela
situação concreta, a todas as entidades integrantes da Administração direta e
indireta. Assertiva incorreta.

b) Regras relativas a impedimentos e suspeições são aplicadas a servidores


públicos como corolário do princípio da impessoalidade. O objetivo é evitar
que autoridades públicas participem de processos ou da edição de atos
administrativos que sejam de seu interesse direito ou indireto ou que envolvam
seus parentes, amigos íntimos ou inimigos notórios, pois, nesse caso, a
impessoalidade (imparcialidade) estará comprometida. Assertiva correta.

c) Não há hierarquia entre princípios. Os princípios da Administração Pública


se aplicam, em igual medida e de acordo com as ponderações determinadas pela
situação concreta, a todas as entidades integrantes da Administração direta e
indireta. Assertiva incorreta.

d) Assim como ocorre na esfera judicial, em que certos atos podem ter sua
publicidade restrita em virtude da preservação da intimidade das partes, alguns
atos administrativos também poderão ter sua publicidade restrita com
amparo em dispositivo da Constituição Federal.

O art. 5º, XXXIII, da CF/1988, prevê duas hipóteses de restrição à


publicidade dos atos da Administração Pública:

I - Quando for imprescindível à segurança da sociedade, a exemplo das


informações que possam colocar em risco a vida, a segurança ou a saúde da
população;

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II - Se necessário à segurança do Estado, a exemplo das informações sobre a


defesa nacional, que podem pôr em risco a defesa e a soberania nacional ou a
integridade do território nacional. Assertiva incorreta.

e) Nem toda situação contrária a moralidade administrativa é ilegal. O


ato pode ofender a ética necessária no âmbito da Administração Pública, mas não
constar em nenhum instrumento legal. José dos Santos Carvalho Filho afirma que
o princípio da moralidade “impõe que o administrador público não dispense os
preceitos éticos que devem estar presentes em sua conduta.”. Ou seja, o
princípio da moralidade se liga ao cumprimento de preceitos éticos, enquanto o
princípio da legalidade exige o cumprimento do que está disposto na lei. Assertiva
incorreta.

Gabarito: Letra B

98. (CESPE/ Juiz de Direito - TJ-DF /2016) Um prefeito, no curso de seu


mandato e atendendo a promessa de campanha, realizou e finalizou a
construção de uma ponte sobre o rio que corta a cidade, inaugurando-a
na metade de seu mandato. Considerando a situação hipotética
apresentada, assinale a opção correta.
a) Em consonância com o princípio constitucional da eficiência, o
contrato administrativo deveria ser anulado caso fosse ultrapassado o
lapso temporal estipulado no instrumento contratual para a execução do
objeto.
b) Em atenção ao princípio da impessoalidade, o prefeito não poderá
apresentar propaganda em que conste vinculação direta de seu nome à
realização da obra, mas nada obsta que sua imagem seja veiculada no
outdoor da publicidade da conclusão da ponte.
c) O princípio da autotutela autorizaria o prefeito a anular ou revogar a
licitação de ofício caso fosse constatada ilegalidade no procedimento.
d) Caso houvesse descumprimento de cláusulas contratuais pela
empresa contratada, o princípio da supremacia do interesse público
facultaria a rescisão unilateral do contrato pela administração pública.
e) A decretação, pelo prefeito, do sigilo dos atos referentes à contratação
e à execução do contrato, com a finalidade de evitar a pressão de grandes
empreiteiras e de prestigiar pequena empresa sediada no município,
contratada diretamente para execução da obra, não configura
desrespeito ao princípio constitucional da publicidade.

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Comentários

a) O princípio que estabelece a possibilidade da Administração Pública anular um


ato e/ou contrato é o princípio da Autotutela. O princípio da eficiência é o
princípio pelo qual se espera alcançar o melhor desempenho possível, no tocante
ao modo de agir dos agentes, e de angariar os melhores resultados na
prestação dos serviços, no pertinente à atuação da Administração Pública.

A anulação em si encontra fundamento no Princípio da Autotutela e não


no Princípio da Eficiência. Assertiva incorreta.

b) O art. 37, § 1º da Constituição Federal é claro ao estabelecer que:

“A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos


públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela
não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem
promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.”.

Sendo assim, caso o prefeito conste a sua imagem no outdoor da publicidade da


conclusão da ponte ofenderá diretamente o princípio da impessoalidade.
Assertiva incorreta.

c) A constatação de ilegalidade em um procedimento administrativo permite


apenas a anulação do procedimento, não a sua revogação. A assertiva
afirmou ser possível as duas possibilidades (anulação ou revogação) no caso de
uma ilegalidade. Assertiva incorreta.

d) Os artigos 78 e 79 da Lei 8.666/93 definem o seguinte:

“Art. 78 - Constituem motivo para rescisão do contrato:

I - o não cumprimento de cláusulas contratuais, especificações, projetos ou


prazos;”

“Art. 79 - A rescisão do contrato poderá ser:

I - determinada por ato unilateral e escrito da Administração, nos casos


enumerados nos incisos I a XII e XVII do artigo anterior;”.

O não cumprimento de cláusulas contratuais pela contratada, diante do


princípio da supremacia do interesse público, é razão para a rescisão
unilateral do contrato pela administração pública. Assertiva correta.

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e) A situação apresentada pela assertiva é uma notória ofensa ao


princípio da publicidade. O art. 5º, XXXIII da CF/1988, prevê apenas duas
hipóteses de restrição à publicidade dos atos da Administração Pública:

I - Quando for imprescindível à segurança da sociedade, a exemplo das


informações que possam colocar em risco a vida, a segurança ou a saúde da
população;

II - Se necessário à segurança do Estado, a exemplo das informações sobre


a defesa nacional, que podem pôr em risco a defesa e a soberania nacional ou a
integridade do território nacional.

Evitar a pressão de grandes empreiteiras e prestigiar pequena empresa


sediada no município não são razões justificáveis para restringir o
princípio da publicidade, com a decretação do sigilo de atos. Assertiva
incorreta.

Gabarito: Letra d.

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RELAÇÃO DE QUESTÕES COM GABARITO – “BATERIA FCC”

01. (FCC∕Juiz do Trabalho – TRT 6ª Região∕2015) Acerca dos princípios


informativos da Administração pública, considere:
I. O princípio da publicidade aplica-se também às entidades integrantes
da Administração indireta, exceto àquelas submetidas ao regime jurídico
de direito privado e que atuam em regime de competição no mercado.
II. O princípio da moralidade é considerado um princípio prevalente e a
ele se subordinam os demais princípios reitores da Administração.
III. O princípio da eficiência, que passou a ser explicitamente citado pela
Carta Magna a partir da Emenda Constitucional no 19/1998, aplica-se a
todas as entidades integrantes da Administração direta e indireta.
Está correto o que consta APENAS em
a) III.
b) I e II.
c) II e III.
d) I
e) II

02. (FCC∕Analista Judiciário – TRT 19ª Região∕2014) Determinada


empresa do ramo farmacêutico, responsável pela importação de
importante fármaco necessário ao tratamento de grave doença, formulou
pedido de retificação de sua declaração de importação, não obtendo
resposta da Administração pública. Em razão disso, ingressou com ação
na Justiça, obtendo ganho de causa. Em síntese, considerou o Judiciário
que a Administração pública não pode se esquivar de dar um pronto
retorno ao particular, sob pena inclusive de danos irreversíveis à própria
população. O caso narrado evidencia violação ao princípio da
a) publicidade.
b) eficiência.
c) impessoalidade.
d) motivação.
e) proporcionalidade.

03. (FCC∕Analista Judiciário – TRF da 3ª Região∕2014) A proibição de que


determinado governo − de qualquer nível − ao exteriorizar em placas,

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anúncios, propaganda e outros meios de divulgação de suas obras, faça


qualquer referência ao nome do Presidente, Governador ou Prefeito ou
do Partido Político ou coligação pelo qual foi eleito é uma decorrência do
princípio constitucional da
a) finalidade.
b) publicidade.
c) legalidade.
d) impessoalidade.
e) eficiência.

04. (FCC∕Juiz Substituto – TJ AP∕2014) Dentre os princípios que norteiam


a produção de atos administrativos, está o princípio da motivação. NÃO
configura violação desse princípio a edição de ato administrativo
imotivado que
a) cesse a designação de servidor para exercício de função temporária.
b) indefira requerimento de licença para exercício de atividade
considerada ilegal pela Administração.
c) indefira o gozo de férias pelo servidor público.
d) anule ato administrativo flagrantemente inválido.
e) exonere servidor durante o estágio probatório.

05. (FCC∕Analista Legislativo – AL PE∕2014) O Governo de determinado


Estado realizou campanha publicitária, paga com recursos públicos
advindos da arrecadação de impostos, para divulgação do programa de
saúde pública instituído no Estado. A campanha publicitária afirmou que
o programa de saúde pública era uma realização do partido político ao
qual o Governador do Estado era filiado, tendo o Governador sido citado
nominalmente na campanha, que também utilizou sua imagem.
Considerando o disposto na Constituição Federal, trata-se de publicidade
realizada
a) regularmente, uma vez que a publicidade dos programas de saúde
pública exige a indicação da autoridade responsá-vel pelo programa, em
razão do princípio da transparência, devendo ter caráter educativo,
informativo ou de orientação social.
b) regularmente, uma vez que o cidadão tem direito a ser informado
sobre as políticas públicas instituídas pelo Governo, devendo ter caráter
educativo, informativo ou de orientação social.
c) irregularmente, uma vez que da publicidade dos programas dos
órgãos públicos não poderão constar nomes, símbolos ou imagens que

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caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos,


devendo ter caráter educativo, informativo ou de orientação social.
d) irregularmente, uma vez que é vedada a realização de campanha
publicitária dos programas de governo com recursos públicos, salvo se
provenientes de doações.
e) irregularmente, uma vez que não poderia ter sido utilizada a imagem
do Governador, ainda que seu nome e o nome de seu partido pudessem
ser utilizados na campanha.

06. (FCC∕Analista Judiciário – TRT 12ª Região∕2013) Matheus, Prefeito


de determinado Município de Santa Catarina, contratou advogado para
atuar em sua defesa em ação de improbidade administrativa em que
figura como réu. A contratação objetivou a defesa pessoal do Chefe do
Poder Executivo, às expensas do erário, isto é, visou a tutela de
interesses pessoais do administrador público. O caso em questão
evidencia a violação ao princípio da Administração Pública denominado
a) Moralidade.
b) Publicidade.
c) Eficiência.
d) Razoabilidade.
e) Presunção de Veracidade.

07. (FCC∕Técnico Judiciário – TRT 9ª Região∕2013) Diante de uma


situação de irregularidade, decorrente da prática de ato pela própria
Administração pública brasileira, é possível a esta restaurar a legalidade,
quando for o caso, lançando mão de seu poder
a) de tutela, expressão de limitação de seu poder discricionário e
corolário do princípio da legalidade.
b) de autotutela, que permite a revisão, de ofício, de seus atos para,
sanar ilegalidade.
c) de autotutela, expressão do princípio da supremacia do interesse
público, que possibilita a alteração de atos por razões de conveniência e
oportunidade, sempre que o interesse público assim recomendar.
d) disciplinar, que se expressa, nesse caso, por meio de medidas
corretivas de atuação inadequada do servidor público que emitiu o ato.
e) de tutela disciplinar, em razão da atuação ilegal do servidor público,
que faz surgir o dever da Administração de corrigir seus próprios atos.

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08. (FCC/Analista Judiciário – TRT 1ª Região/2013) A propósito dos


princípios que informam a atuação da Administração pública tem-se que
o princípio da
(A) supremacia do interesse público e o princípio da legalidade podem
ser excludentes, devendo, em eventual conflito, prevalecer o primeiro,
por sobrepor-se a todos os demais.
(B) publicidade está implícito na atuação da administração, uma vez que
não consta da constituição federal, mas deve ser respeitado nas mesmas
condições que os demais.
(C) eficiência e o princípio da legalidade podem ser excludentes, razão
pela qual cabe ao administrador a opção de escolha dentre eles, de
acordo com o caso concreto.
(D) tutela permite que a administração pública exerça, em algum grau e
medida, controle sobre as autarquias que instituir, para garantia da
observância de suas finalidades institucionais.
(E) autotutela permite o controle dos atos praticados pelos entes que
integram a administração indireta, inclusive consórcios públicos.

09. (FCC/Defensor Público – DPE PR/2012) Sobre os princípios


orientadores da administração pública é INCORRETO afirmar:
a) A administração pública não pode criar obrigações ou reconhecer
direitos que não estejam determinados ou autorizados em lei.
b) A conduta administrativa com motivação estranha ao interesse
público caracteriza desvio de finalidade ou desvio de poder.
c) A oportunidade e a conveniência são delimitadas por razoabilidade e
proporcionalidade tanto na discricionariedade quanto na atividade
vinculada da administração pública.
d) Além de requisito de eficácia dos atos administrativos, a publicidade
propicia o controle da administração pública pelos administrados.
e) O princípio da eficiência tem sede constitucional e se reporta ao
desempenho da administração pública.

10. (FCC/Técnico Judiciário – TRT 6ª Região/2012) Pode-se, sem


pretender esgotar o conceito, definir o princípio da eficiência como
princípio
a) constitucional que rege a Administração Pública, do qual se retira
especificamente a presunção absoluta de legalidade de seus atos.
b) infralegal dirigido à Administração Pública para que ela seja gerida de
modo impessoal e transparente, dando publicidade a todos os seus atos.

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c) infralegal que positivou a supremacia do interesse público, permitindo


que a decisão da Administração sempre se sobreponha ao interesse do
particular.
d) constitucional que se presta a exigir a atuação da Administração
Pública condizente com a moralidade, na medida em que esta não
encontra guarida expressa no texto constitucional.
e) constitucional dirigido à Administração Pública para que seja
organizada e dirigida de modo a alcançar os melhores resultados no
desempenho de suas funções.

11. (FCC/Comissário da Infância – TJ RJ/2012) O princípio da


supremacia do interesse público
a) informa toda a atuação da Administração Pública e se sobrepõe a
todos os demais princípios e a todo e qualquer interesse individual.
b) está presente na elaboração da lei e no exercício da função
administrativa, esta que sempre deve visar ao interesse público.
c) informa toda a atuação da Administração Pública, recomendando,
ainda que excepcionalmente, o descumprimento de norma legal, desde
que se comprove que o interesse público restará melhor atendido.
d) traduz-se no poder da Administração Pública de se sobrepor
discricionariamente sobre os interesses individuais, dispensando a
adoção de formalidades legalmente previstas.
e) está presente na atuação da Administração Pública e se consubstancia
na presunção de veracidade dos atos praticados pelo Poder Público.

12. (FCC/Analista Judiciário – TJ RJ/2012) O Poder Público contratou,


na forma da lei, a prestação de serviços de transporte urbano à
população. A empresa contratada providenciou todos os bens e materiais
necessários à prestação do serviço, mas em determinado momento,
interrompeu as atividades. O Poder Público assumiu a prestação do
serviço, utilizando-se, na forma da lei, dos bens materiais de titularidade
da empresa. A atuação do poder público consubstanciou-se em
expressão do princípio da
a) continuidade do serviço público.
b) eficiência.
c) segurança jurídica.
d) boa-fé.
e) indisponibilidade do interesse público.

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13. (FCC/Analista de Controle Externo – TCE AP/2012) De acordo com a


Constituição Federal, os princípios da Administração Pública aplicam-se
a) às entidades integrantes da Administração direta e indireta de
qualquer dos Poderes.
b) à Administração direta, autárquica e fundacional, exclusivamente.
c) às entidades da Administração direta e indireta, exceto às sociedades
de economia mista exploradoras de atividade econômica.
d) à Administração direta, integralmente, e à indireta de todos os
poderes e às entidades privadas que recebem recursos públicos,
parcialmente.
e) à Administração direta, exclusivamente, sujeitando- se as entidades
da Administração indireta ao controle externo exercido pelo Tribunal de
Contas.

14. (FCC∕Consultor Legislativo - Assembleia Legislativa SP∕2014) O


princípio da continuidade do serviço público serve de fundamento para a
a) proibição do direito de greve de servidores públicos, prevista inclusive
na Constituição Federal.
b) proibição, em qualquer hipótese, de suspensão da execução do
contrato administrativo pelo particular.
c) regra legal da inexigibilidade de licitação nos casos de guerra ou grave
perturbação da ordem.
d) exigência de permanência do servidor em serviço, ainda que este
preencha os requisitos para aposentadoria compulsória.
e) utilização compulsória de equipamentos, recursos humanos e
materiais da empresa contratada e empregados na execução do
contrato, quando este tiver sido rescindido unilateralmente.

15. (FCC∕Auditor Público Externo – TCE RS∕2014) Os princípios que


regem a Administração pública
a) são aqueles que constam expressamente do texto legal, não se
reconhecendo princípios implícitos, aplicando-se tanto à Administração
direta quanto à indireta.
b) podem ser expressos ou implícitos, os primeiros aplicando-se
prioritariamente em relação aos segundos, ambos se dirigindo apenas à
Administração direta.
c) são prevalentes em relação às leis que regem a Administração pública,
em razão de seu conteúdo ser mais relevante.

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d) dirigem-se indistintamente à Administração direta e às autarquias,


aplicando-se seja quando forem expressos, seja quando implícitos.
e) aplicam-se à Administração direta, indireta e aos contratados em
regular licitação, seja quando forem expressos, seja quando implícitos.

16. (FCC∕Técnico Judiciário – TJ AP∕2014) O Supremo Tribunal Federal


editou o enunciado sumular segundo o qual a Administração pública pode
declarar a nulidade de seus próprios atos. Referido enunciado sumular
diz respeito ao princípio ou poder de autotutela. Quanto a esse princípio,
é correto afirmar que a Administração pública pode
a) declarar a nulidade de seus próprios atos, no entanto, somente o
judiciário pode revogar os atos administrativos, em razão do princípio da
inafastabilidade da jurisdição.
b) revogar os atos eivados de vícios insanáveis e anular os atos
inoportunos e inconvenientes, desde que, nesse último caso, não sejam
atingidos terceiros de boa-fé.
c) anular ou declarar a nulidade dos atos ilegais e revogar os atos
inoportunos e inconvenientes, mesmo quando atingidos terceiros de
boa-fé, isso em razão do princípio da eficiência.
d) anular ou declarar a nulidade dos atos ilegais e revogar os atos
inoportunos e inconvenientes, de forma motivada e respeitados os
limites à anulação e à revogação.
e) anular ou declarar a nulidade dos atos ilegais e revogar os atos
inoportunos e inconvenientes contudo, no primeiro caso, somente pode
agir por provocação, tendo em vista o princípio da inércia.

17. (FCC/Técnico Judiciário TRT 12ª Região/2013) O reconhecimento da


validade de ato praticado por funcionário irregularmente investido no
cargo ou função, sob o fundamento de que o ato pertence ao órgão e não
ao agente público, decorre do princípio
a) da especialidade.
b) da moralidade.
c) do controle ou tutela.
d) da impessoalidade.
e) da hierarquia.

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18. (FCC∕Auditor Público Externo – TCE RS∕2014) A necessidade de


publicação dos atos administrativos no Diário Oficial e, em alguns casos,
em jornais de grande circulação é forma de observância do princípio da
a) legalidade, ainda que essa obrigação não esteja prevista na legislação.
b) impessoalidade, na medida em que os atos administrativos são
publicados sem identificação da autoridade que os emitiu.
c) eficiência, posto que a Administração deve fazer tudo o que estiver a
seu alcance para promover uma boa gestão, ainda que não haja lastro na
legislação
d) supremacia do interesse público, pois a Administração tem prioridade
sobre outras publicações.
e) publicidade, na medida em que a Administração deve dar
conhecimento de seus atos aos administrados.

19. (FCC∕Analista Judiciário – TRT 16ª Região∕2014) O Diretor Jurídico


de uma autarquia estadual nomeou sua companheira, Cláudia, para o
exercício de cargo em comissão na mesma entidade. O Presidente da
autarquia, ao descobrir o episódio, determinou a imediata demissão de
Cláudia, sob pena de caracterizar grave violação a um dos princípios
básicos da Administração pública. Trata-se do princípio da
a) presunção de legitimidade.
b) publicidade.
c) motivação.
d) supremacia do interesse privado sobre o público.
e) impessoalidade.

20. (FCC∕Jornalista – TCE PI∕2014) Uma determinada empresa pública


ao rescindir unilateralmente o contrato de trabalho com um de seus
empregados públicos assim o fez sem indicar qualquer fundamento de
fato e de direito para sua decisão. O ato em questão evidencia violação
ao princípio administrativo
a) do controle.
b) da eficiência.
c) da publicidade.
d) da presunção de legitimidade.
e) da motivação.

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21. (FCC/Técnico Judiciário TRT 22ª Região/2012) O princípio da


administração pública que tem por fundamento que qualquer atividade
de gestão pública deve ser dirigida a todos os cidadãos, sem a
determinação de pessoa ou discriminação de qualquer natureza,
denomina-se
a) Eficiência.
b) Moralidade.
c) Legalidade.
d) Finalidade.
e) Impessoalidade.

22. (FCC/Analista em Planejamento SEFAZ SP/2012) A respeito dos


princípios que regem a Administração pública, é correto afirmar que o
princípio da
a) supremacia do interesse público sobre o privado autoriza a
Administração a impor restrições aos direitos dos particulares,
independentemente de lei.
b) eficiência autoriza as sociedades de economia mista que atuam no
domínio econômico a contratarem seus empregados mediante processo
seletivo simplificado, observados os parâmetros de mercado.
c) publicidade obriga as entidades integrantes da Administração direta e
indireta a publicarem extrato dos contratos celebrados.
d) legalidade determina que todos os atos praticados pela Administração
devem contar com autorização legal específica.
e) moralidade é subsidiário ao princípio da legalidade, de forma que uma
vez atendido este último considera-se atendido também o primeiro.

23. (FCC/Analista Judiciário TRE-SP/2012) De acordo com a Constituição


Federal, constituem princípios aplicáveis à Administração Pública os da
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Tais
princípios aplicam-se às entidades
a) de direito público, excluídas as empresas públicas e sociedades de
economia mista que atuam em regime de competição no mercado.
b) de direito público e privado, exceto o princípio da eficiência que é
dirigido às entidades da Administração indireta que atuam em regime de
competição no mercado.

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c) integrantes da Administração Pública direta e indireta e às entidades


privadas que recebam recursos ou subvenção pública.
d) integrantes da Administração Pública direta e indireta,
independentemente da natureza pública ou privada da entidade.
e) públicas ou privadas, prestadoras de serviço público, ainda que não
integrantes da Administração Pública.

24. (FCC/Analista Judiciário - TRE-SP/2012) A eficiência, na lição de


Hely Lopes Meirelles, é um dever que se impõe a todo agente público de
realizar suas atribuições com presteza, perfeição e rendimento funcional.
É o mais moderno princípio da função administrativa, que já não se
contenta em ser desempenhada apenas com legalidade, exigindo
resultados positivos para o serviço público e satisfatório atendimento
das necessidades da comunidade e de seus membros. (Direito
Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 2003. p. 102).
Infere-se que o princípio da eficiência
a) passou a se sobrepor aos demais princípios que regem a
administração pública, após ter sua previsão inserida em nível
constitucional.
b) deve ser aplicado apenas quanto ao modo de atuação do agente
público, não podendo incidir quando se trata de organizar e estruturar a
administração pública.
c) deve nortear a atuação da administração pública e a organização de
sua estrutura, somando-se aos demais princípios impostos àquela e não
se sobrepondo aos mesmos, especialmente ao da legalidade.
d) autoriza a atuação da administração pública dissonante de previsão
legal quando for possível comprovar que assim serão alcançados
melhores resultados na prestação do serviço público.
e) traduz valor material absoluto, de modo que alcançou status jurídico
supraconstitucional, autorizando a preterição dos demais princípios que
norteiam a administração pública, a fim de alcançar os melhores
resultados.

25. (FCC/Analista Judiciário TRE RO/2014) Dentre os princípios básicos


da Administração, NÃO se inclui o da
a) celeridade da duração do processo.

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b) impessoalidade.
c) segurança jurídica.
d) razoabilidade.
e) proporcionalidade.

GABARITO

01.A 02.B 03.D 04.A 05.C 06.A 07.B 08.D

09.C 10.E 11.B 12.A 13.A 14.E 15.D 16.D

17.D 18.E 19.E 20.E 21.E 22.C 23.D 24.C

25. A

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QUESTÕES COMENTADAS- BATERIA “FUNDAÇÃO CARLOS CHAGAS”

01. (FCC∕Juiz do Trabalho – TRT 6ª Região∕2015) Acerca dos princípios


informativos da Administração pública, considere:
I. O princípio da publicidade aplica-se também às entidades integrantes
da Administração indireta, exceto àquelas submetidas ao regime jurídico
de direito privado e que atuam em regime de competição no mercado.
II. O princípio da moralidade é considerado um princípio prevalente e a
ele se subordinam os demais princípios reitores da Administração.
III. O princípio da eficiência, que passou a ser explicitamente citado pela
Carta Magna a partir da Emenda Constitucional no 19/1998, aplica-se a
todas as entidades integrantes da Administração direta e indireta.
Está correto o que consta APENAS em
a) III.
b) I e II.
c) II e III.
d) I
e) II

Comentários
Item I – O princípio da publicidade, assim como todos os demais previstos
no art. 37, caput, da CF/1988, aplicam-se indistintamente a todas as entidades
da Administração Pública Direta (União, Estados, Municípios e Distrito Federal) e
Administração Pública Indireta (autarquias, fundações públicas, sociedades de
economia mista e empresas públicas). Assertiva incorreta.
Item II - Não há hierarquia entre os princípios administrativos, apesar de
vários autores afirmarem que o princípio da supremacia do interesse público
sobre o interesse privado é o princípio fundamental do Direito Administrativo.
Assertiva incorreta.
Item III - O princípio da eficiência somente foi introduzido no texto
constitucional em 1998, com a promulgação da Emenda Constitucional nº. 19.
Antes disso, ele era considerado um princípio implícito. De qualquer forma,
lembre-se de que o princípio se impõe a todas as entidades da Administração
Pública Direta e Indireta. Assertiva correta.

Gabarito: Letra a.

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02. (FCC∕Analista Judiciário – TRT 19ª Região∕2014) Determinada


empresa do ramo farmacêutico, responsável pela importação de
importante fármaco necessário ao tratamento de grave doença, formulou
pedido de retificação de sua declaração de importação, não obtendo
resposta da Administração pública. Em razão disso, ingressou com ação
na Justiça, obtendo ganho de causa. Em síntese, considerou o Judiciário
que a Administração pública não pode se esquivar de dar um pronto
retorno ao particular, sob pena inclusive de danos irreversíveis à própria
população. O caso narrado evidencia violação ao princípio da
a) publicidade.
b) eficiência.
c) impessoalidade.
d) motivação.
e) proporcionalidade.
Comentários
Em várias oportunidades o Poder Judiciário decidiu que não é lícito à
Administração Pública prorrogar indefinidamente a duração de seus processos,
pois é direito do administrado ter seus requerimentos apreciados em tempo
razoável, conforme preceitua os arts. 5º, LXXIII, da Constituição Federal e 2º da
Lei n. 9.784 /99.
No julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.143.129∕ES,
por exemplo, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que “em homenagem aos
princípios da eficiência e moralidade previstos na Constituição Federal, tem-
se admitido, na falta de previsão legal, a possibilidade de se estabelecer prazo
para o encerramento da instrução do processo administrativo quando sua
apreciação se mostrar morosa e injustificada”.
Gabarito: Letra b.

03. (FCC∕Analista Judiciário – TRF da 3ª Região∕2014) A proibição de que


determinado governo − de qualquer nível − ao exteriorizar em placas,
anúncios, propaganda e outros meios de divulgação de suas obras, faça
qualquer referência ao nome do Presidente, Governador ou Prefeito ou
do Partido Político ou coligação pelo qual foi eleito é uma decorrência do
princípio constitucional da
a) finalidade.
b) publicidade.
c) legalidade.
d) impessoalidade.

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e) eficiência.
Comentários
Em razão do princípio da impessoalidade, neste caso previsto no art. 37, §
1º, da CF∕1988, ao realizar a divulgação dos atos, programas, obras e serviços
executados pela Administração Pública, o gestor público não pode se valer da
oportunidade para promover o seu nome ou imagem perante a sociedade,
apresentando-se como se fosse o único responsável pelos feitos administrativos.
Também não pode ser aproveitar do fato de exercer função pública (o que lhe
garante respeito e prestígio perante outras autoridades) para atribuir o seu nome
ou de parentes vivos a bens públicos.
Gabarito: Lera d.

04. (FCC∕Juiz Substituto – TJ AP∕2014) Dentre os princípios que norteiam


a produção de atos administrativos, está o princípio da motivação. NÃO
configura violação desse princípio a edição de ato administrativo
imotivado que
a) cesse a designação de servidor para exercício de função temporária.
b) indefira requerimento de licença para exercício de atividade
considerada ilegal pela Administração.
c) indefira o gozo de férias pelo servidor público.
d) anule ato administrativo flagrantemente inválido.
e) exonere servidor durante o estágio probatório.

Comentários
Apesar de a motivação dos atos administrativos ser imposta como regra
geral, deve ficar claro que existem exceções pontuais.
Para responder às questões de concursos públicos, por exemplo, lembre-
se de que os atos de nomeação e exoneração em cargos de confiança (também
denominados de cargos em comissão), não exigem motivação, pois se trata de
hipótese muito cobrada pelas bancas.
Gabarito: Letra a.

05. (FCC∕Analista Legislativo – AL PE∕2014) O Governo de determinado


Estado realizou campanha publicitária, paga com recursos públicos
advindos da arrecadação de impostos, para divulgação do programa de
saúde pública instituído no Estado. A campanha publicitária afirmou que
o programa de saúde pública era uma realização do partido político ao

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qual o Governador do Estado era filiado, tendo o Governador sido citado


nominalmente na campanha, que também utilizou sua imagem.
Considerando o disposto na Constituição Federal, trata-se de publicidade
realizada
a) regularmente, uma vez que a publicidade dos programas de saúde
pública exige a indicação da autoridade responsá-vel pelo programa, em
razão do princípio da transparência, devendo ter caráter educativo,
informativo ou de orientação social.
b) regularmente, uma vez que o cidadão tem direito a ser informado
sobre as políticas públicas instituídas pelo Governo, devendo ter caráter
educativo, informativo ou de orientação social.
c) irregularmente, uma vez que da publicidade dos programas dos
órgãos públicos não poderão constar nomes, símbolos ou imagens que
caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos,
devendo ter caráter educativo, informativo ou de orientação social.
d) irregularmente, uma vez que é vedada a realização de campanha
publicitária dos programas de governo com recursos públicos, salvo se
provenientes de doações.
e) irregularmente, uma vez que não poderia ter sido utilizada a imagem
do Governador, ainda que seu nome e o nome de seu partido pudessem
ser utilizados na campanha.

Comentários
No julgamento do recurso extraordinário nº 191.668/RS, de relatoria do
Ministro Menezes Direito, o Supremo Tribunal Federal afirmou que “o caput e o
parágrafo 1º do artigo 37 da Constituição Federal impedem que haja qualquer
tipo de identificação entre a publicidade e os titulares dos cargos alcançando os
partidos políticos a que pertençam. O rigor do dispositivo constitucional que
assegura o princípio da impessoalidade vincula a publicidade ao caráter
educativo, informativo ou de orientação social é incompatível com a menção de
nomes, símbolos ou imagens, aí incluídos slogans, que caracterizem promoção
pessoal ou de servidores públicos. A possibilidade de vinculação do conteúdo da
divulgação com o partido político a que pertença o titular do cargo público mancha
o princípio da impessoalidade e desnatura o caráter educativo, informativo ou de
orientação que constam do comando posto pelo constituinte dos oitenta”.

Gabarito: letra c.

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06. (FCC∕Analista Judiciário – TRT 12ª Região∕2013) Matheus, Prefeito


de determinado Município de Santa Catarina, contratou advogado para
atuar em sua defesa em ação de improbidade administrativa em que
figura como réu. A contratação objetivou a defesa pessoal do Chefe do
Poder Executivo, às expensas do erário, isto é, visou a tutela de
interesses pessoais do administrador público. O caso em questão
evidencia a violação ao princípio da Administração Pública denominado
a) Moralidade.
b) Publicidade.
c) Eficiência.
d) Razoabilidade.
e) Presunção de Veracidade.

Comentários
No julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 681.571∕GO,
o Superior Tribunal de Justiça ratificou o entendimento de que “se há para o
Estado interesse em defender seus agentes políticos, quando agem como tal,
cabe a defesa ao corpo de advogados do Estado, ou contratado às suas custas.
Entretanto, quando se tratar da defesa de um ato pessoal do agente político,
voltado contra o órgão público, não se pode admitir que, por conta do órgão
público, corram as despesas com a contratação de advogado. Seria mais que uma
demasia, constituindo-se em ato imoral e arbitrário”, configurando
improbidade administrativa.

Gabarito: Letra a.

07. (FCC∕Técnico Judiciário – TRT 9ª Região∕2013) Diante de uma


situação de irregularidade, decorrente da prática de ato pela própria
Administração pública brasileira, é possível a esta restaurar a legalidade,
quando for o caso, lançando mão de seu poder
a) de tutela, expressão de limitação de seu poder discricionário e
corolário do princípio da legalidade.
b) de autotutela, que permite a revisão, de ofício, de seus atos para,
sanar ilegalidade.
c) de autotutela, expressão do princípio da supremacia do interesse
público, que possibilita a alteração de atos por razões de conveniência e
oportunidade, sempre que o interesse público assim recomendar.

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d) disciplinar, que se expressa, nesse caso, por meio de medidas


corretivas de atuação inadequada do servidor público que emitiu o ato.
e) de tutela disciplinar, em razão da atuação ilegal do servidor público,
que faz surgir o dever da Administração de corrigir seus próprios atos.

Comentários
A Administração Pública, mesmo após a edição de seus atos, continua
realizando sobre eles efetivo e constante controle administrativo, conseqüência
do princípio da autotutela. Assim, caso verifique posteriormente que editou
ato ilegal, está autorizada a anulá-lo. No mesmo sentido, caso edite ato legal
que futuramente se torne inconveniente ou inoportuno, poderá realizar a
revogação.
Gabarito: Letra b.

08. (FCC/Analista Judiciário – TRT 1ª Região/2013) A propósito dos


princípios que informam a atuação da Administração pública tem-se que
o princípio da
(A) supremacia do interesse público e o princípio da legalidade podem
ser excludentes, devendo, em eventual conflito, prevalecer o primeiro,
por sobrepor-se a todos os demais.
(B) publicidade está implícito na atuação da administração, uma vez que
não consta da constituição federal, mas deve ser respeitado nas mesmas
condições que os demais.
(C) eficiência e o princípio da legalidade podem ser excludentes, razão
pela qual cabe ao administrador a opção de escolha dentre eles, de
acordo com o caso concreto.
(D) tutela permite que a administração pública exerça, em algum grau e
medida, controle sobre as autarquias que instituir, para garantia da
observância de suas finalidades institucionais.
(E) autotutela permite o controle dos atos praticados pelos entes que
integram a administração indireta, inclusive consórcios públicos.

Comentários
a) Errado. Não há hierarquia entre os princípios administrativos, portanto,
o princípio da supremacia do interesse público não irá sobrepor-se aos demais,
apesar de ser um dos princípios fundamentais do regime jurídico-administrativo.
Diante de um aparente conflito entre princípios o intérprete (administrador ou
juiz) deverá valer-se da ponderação de interesses, valorando as circunstâncias

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e peculiaridades do caso em concreto com a finalidade de decidir qual dos


interesses possui, abstratamente, mais relevância na situação em análise,
incidindo com mais ênfase.
b) Errado. Diferentemente no que consta no texto da assertiva, o princípio
da publicidade está previsto expressamente no caput do art. 37 da Constituição
Federal.
c) Errado. Os princípios administrativos devem ser interpretados de forma
harmônica e sistemática, portanto, é incorreto afirmar que os princípios da
legalidade e da eficiência podem ser excludentes.
d) Correto. O princípio da tutela, também conhecido como “princípio do
controle”, permite à Administração Pública Direta (União, Estados, Municípios
e Distrito Federal) controlar o exercício das finalidades institucionais das
entidades integrantes da Administração Pública Indireta (autarquias,
fundações públicas, sociedades de economia mista e empresas públicas).
e) Errado. O princípio da autotutela (que é diferente do princípio da
tutela) assegura à Administração Pública a prerrogativa de rever os seus
próprios atos, anulando-os, quando ilegais, ou revogando-os, quando
inoportunos ou inconvenientes ao interesse público.

GABARITO: LETRA D.

09. (FCC/Defensor Público – DPE PR/2012) Sobre os princípios


orientadores da administração pública é INCORRETO afirmar:
a) A administração pública não pode criar obrigações ou reconhecer
direitos que não estejam determinados ou autorizados em lei.
b) A conduta administrativa com motivação estranha ao interesse
público caracteriza desvio de finalidade ou desvio de poder.
c) A oportunidade e a conveniência são delimitadas por razoabilidade e
proporcionalidade tanto na discricionariedade quanto na atividade
vinculada da administração pública.
d) Além de requisito de eficácia dos atos administrativos, a publicidade
propicia o controle da administração pública pelos administrados.
e) O princípio da eficiência tem sede constitucional e se reporta ao
desempenho da administração pública.

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Comentários
a) O princípio da legalidade, previsto no art. 37, caput, da Constituição
Federal de 1988, realmente impõe que a Administração Pública atue nos estritos
termos da lei, sendo-lhe vedada a criação de obrigações ou reconhecimento de
direitos através de atos administrativos, por exemplo. Assertiva correta.
b) Nos termos da alínea “e”, parágrafo único, artigo 2º, da Lei nº 4.717/65
(Lei de Ação Popular), o desvio de poder ou finalidade ocorre quando “o agente
pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente,
na regra de competência”. Assertiva correta.
c) A atividade discricionária da Administração Pública caracteriza-se pela
conveniência e oportunidade, isto é, ao agente público competente é
assegurada legalmente uma relativa margem de liberdade para atuar,
materializada na escolha dos requisitos “motivo” e “objeto” do ato
administrativo.
Todavia, deve ficar claro que a discricionariedade não estará presente na
atividade vinculada da Administração Pública, pois, neste caso, a própria lei se
encarregou de estabelecer todos os requisitos do ato administrativo
(competência, forma, finalidade, motivo e objeto), impossibilitando que o agente
público atue da maneira que entender mais conveniente e oportuna para o
interesse público. Assertiva incorreta.
d) Não restam dúvidas de que a publicidade é requisito de eficácia e
moralidade do ato administrativo, pois, somente com a sua divulgação nos
órgãos oficiais de imprensa ou boletins internos, quando for o caso, é que os
administrados terão acesso ao seu conteúdo, podendo impugná-lo perante o
Poder Judiciário ou Administração Pública. Assertiva correta.
e) O princípio da eficiência, previsto expressamente no caput do art. 37 da
Constituição Federal de 1988, impõe que a Administração Pública atue com
rapidez, perfeição e rendimento. Assertiva correta.

GABARITO: LETRA C.

10. (FCC/Técnico Judiciário – TRT 6ª Região/2012) Pode-se, sem


pretender esgotar o conceito, definir o princípio da eficiência como
princípio
a) constitucional que rege a Administração Pública, do qual se retira
especificamente a presunção absoluta de legalidade de seus atos.
b) infralegal dirigido à Administração Pública para que ela seja gerida de
modo impessoal e transparente, dando publicidade a todos os seus atos.

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c) infralegal que positivou a supremacia do interesse público, permitindo


que a decisão da Administração sempre se sobreponha ao interesse do
particular.
d) constitucional que se presta a exigir a atuação da Administração
Pública condizente com a moralidade, na medida em que esta não
encontra guarida expressa no texto constitucional.
e) constitucional dirigido à Administração Pública para que seja
organizada e dirigida de modo a alcançar os melhores resultados no
desempenho de suas funções.

Comentários
Para responder às questões da Fundação Carlos Chagas sobre o princípio
da eficiência, é importante ficar atento às seguintes informações:
1ª - Trata-se de princípio expresso, já que insculpido no caput do art. 37
da Constituição Federal de 1988;
2ª - Se o princípio consta expressamente no texto constitucional, não pode
ser considerado infralegal (abaixo da lei);
3ª - Até a promulgação da emenda constitucional nº 19, em 04/06/1998,
que foi responsável pela sua inclusão no texto constitucional, era
considerado princípio implícito;
4ª - Impõe-se tanto à Administração Pública quanto aos seus agentes, já
que ambos devem sempre atuar na incansável rotina de alcançar os
melhores resultados para a coletividade, com máxima produtividade;
5ª - Está relacionado diretamente com o princípio da economicidade
(alguns autores o consideram uma espécie deste), que impõe à
Administração Pública a obrigatoriedade de praticar as atividades
administrativas com observância da relação custo/benefício, de modo que
os recursos públicos sejam utilizados de forma mais vantajosa e eficiente
para o poder público.

GABARITO: LETRA E.

11. (FCC/Comissário da Infância – TJ RJ/2012) O princípio da


supremacia do interesse público
a) informa toda a atuação da Administração Pública e se sobrepõe a
todos os demais princípios e a todo e qualquer interesse individual.

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b) está presente na elaboração da lei e no exercício da função


administrativa, esta que sempre deve visar ao interesse público.
c) informa toda a atuação da Administração Pública, recomendando,
ainda que excepcionalmente, o descumprimento de norma legal, desde
que se comprove que o interesse público restará melhor atendido.
d) traduz-se no poder da Administração Pública de se sobrepor
discricionariamente sobre os interesses individuais, dispensando a
adoção de formalidades legalmente previstas.
e) está presente na atuação da Administração Pública e se consubstancia
na presunção de veracidade dos atos praticados pelo Poder Público.
Comentários
a) O princípio da supremacia do interesse público, apesar de representar
um dos pilares do regime jurídico-administrativo, não é hierarquicamente
superior aos demais princípios administrativos. Não há hierarquia entre
princípios, que devem ser interpretados sistematicamente, através de um juízo
de ponderação de valores presentes no caso em concreto. Assertiva incorreta.
b) A professora Maria Sylvia Zanella di Pietro afirma que “esse princípio
está presente tanto no momento da elaboração da lei como no momento de sua
execução em concreto pela Administração Pública. Ele inspira o legislador e
vincula a autoridade administrativa em toda a sua atuação”. Assertiva correta.
c) Em nenhum momento a legislação poderá ser descumprida sob a
alegação de que o interesse público restará melhor atendido. Caso isso ocorra,
restará caracterizada grave e inadmissível violação ao princípio da legalidade.
Assertiva incorreta.
d) O princípio da supremacia do interesse público realmente coloca a
Administração Pública em patamar de superioridade em relação aos
administrados, estabelecendo uma relação jurídica vertical. Todavia, as condutas
praticadas sob o seu manto devem sempre estar pautadas em lei, sob pena de
anulação pelo Poder Judiciário ou pela própria Administração Pública. Assertiva
incorreta.
e) O princípio da supremacia do interesse público não se consubstancia na
presunção de veracidade dos atos praticados pelo Poder Público, já que possui
um alcance muito mais abrangente. A presunção de veracidade nada mais é do
que um dos atributos dos atos administrativos, que possui vários outros.
Assertiva incorreta.

GABARITO: LETRA B.

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12. (FCC/Analista Judiciário – TJ RJ/2012) O Poder Público contratou,


na forma da lei, a prestação de serviços de transporte urbano à
população. A empresa contratada providenciou todos os bens e materiais
necessários à prestação do serviço, mas em determinado momento,
interrompeu as atividades. O Poder Público assumiu a prestação do
serviço, utilizando-se, na forma da lei, dos bens materiais de titularidade
da empresa. A atuação do poder público consubstanciou-se em
expressão do princípio da

a) continuidade do serviço público.


b) eficiência.
c) segurança jurídica.
d) boa-fé.
e) indisponibilidade do interesse público.

Comentários
Por serem considerados essenciais à coletividade, existem alguns serviços
públicos ou atividades que devem ser prestados de forma ininterrupta, a
exemplo do tratamento e abastecimento de água; produção e distribuição de
energia elétrica, gás e combustíveis, entre outros.
Nesses termos, caso o particular responsável pela execução não tenha
condições de garantir a sua fruição pelos usuários, o Poder Público está
autorizado legalmente a utilizar os bens materiais de titularidade da empresa
para assegurar a sua prestação, consequência direta do princípio da
continuidade do serviço público.
Somente em situações excepcionais, previstas legalmente, poderá ocorrer
a interrupção da prestação de serviços públicos, a exemplo daquelas contidas no
art. 6º, § 3º, da Lei 8.987/1995, que assim dispõe:
§ 3º. Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção em
situação de emergência ou após prévio aviso, quando:
I - motivada por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações; e,
II - por inadimplemento do usuário, considerado o interesse da coletividade.

GABARITO: LETRA A.

13. (FCC/Analista de Controle Externo – TCE AP/2012) De acordo com a


Constituição Federal, os princípios da Administração Pública aplicam-se

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a) às entidades integrantes da Administração direta e indireta de


qualquer dos Poderes.
b) à Administração direta, autárquica e fundacional, exclusivamente.
c) às entidades da Administração direta e indireta, exceto às sociedades
de economia mista exploradoras de atividade econômica.
d) à Administração direta, integralmente, e à indireta de todos os
poderes e às entidades privadas que recebem recursos públicos,
parcialmente.
e) à Administração direta, exclusivamente, sujeitando- se as entidades
da Administração indireta ao controle externo exercido pelo Tribunal de
Contas.
Comentários
Nos termos do art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, a
administração pública direta (União, Estados, Municípios e Distrito Federal) e
indireta (autarquias, fundações públicas, sociedades de economia mista,
empresas públicas e consórcios públicos) de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
GABARITO: LETRA A

14. (FCC∕Consultor Legislativo - Assembleia Legislativa SP∕2014) O


princípio da continuidade do serviço público serve de fundamento para a
a) proibição do direito de greve de servidores públicos, prevista inclusive
na Constituição Federal.
b) proibição, em qualquer hipótese, de suspensão da execução do
contrato administrativo pelo particular.
c) regra legal da inexigibilidade de licitação nos casos de guerra ou grave
perturbação da ordem.
d) exigência de permanência do servidor em serviço, ainda que este
preencha os requisitos para aposentadoria compulsória.
e) utilização compulsória de equipamentos, recursos humanos e
materiais da empresa contratada e empregados na execução do
contrato, quando este tiver sido rescindido unilateralmente.

Comentários
a) É importante esclarecer que o direito de greve dos servidores públicos
não é proibido pelo texto constitucional, que, em seu art. 37, VII, é expresso ao
reconhecê-lo. Todavia, lembre-se de que a Constituição Federal de 1988

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condiciona o exercício desse direito aos termos e limites previstos em lei


específica (que ainda não foi criada). Assertiva incorreta.
b) A impossibilidade de o particular alegar que a Administração não
cumpriu a sua obrigação no contrato, para deixar de prestar o serviço público,
não é absoluta. Com o objetivo de evitar abusos e arbitrariedades por parte da
Administração, o legislador estabeleceu, no artigo 78, incisos XIV, XI e XVI, da
Lei de Licitações, hipóteses nas quais o particular poderá rescindir o contrato ou
optar pela suspensão dos serviços em virtude de conduta praticada pela
Administração Pública. Assertiva incorreta.
c) As hipóteses de guerra ou grave perturbação da ordem permitem a
dispensa de licitação e não a declaração de sua inexigibilidade. Assertiva
incorreta.
d) Em relação à aposentadoria compulsória, aos setenta anos de idade, do
titular de cargo público efetivo (que, por sinal, deveria ter sido mencionado no
enunciado), não há exceções.
No dia que completa a idade limite de setenta anos o servidor é obrigado a
se aposentar, independentemente de sua vontade ou interesse de permanência
manifestado pela Administração Pública. Assertiva incorreta.
e) Ocorrendo a rescisão unilateral do contrato administrativo por parte da
Administração Pública, dispõe o art. 80, I, da Lei 8.666∕1993, que será possível
a ocupação e utilização do local, instalações, equipamentos, material e pessoal
empregados na execução do contrato, necessários à sua continuidade. Assertiva
correta.
Gabarito: Letra e.

15. (FCC∕Auditor Público Externo – TCE RS∕2014) Os princípios que


regem a Administração pública
a) são aqueles que constam expressamente do texto legal, não se
reconhecendo princípios implícitos, aplicando-se tanto à Administração
direta quanto à indireta.
b) podem ser expressos ou implícitos, os primeiros aplicando-se
prioritariamente em relação aos segundos, ambos se dirigindo apenas à
Administração direta.
c) são prevalentes em relação às leis que regem a Administração pública,
em razão de seu conteúdo ser mais relevante.
d) dirigem-se indistintamente à Administração direta e às autarquias,
aplicando-se seja quando forem expressos, seja quando implícitos.

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e) aplicam-se à Administração direta, indireta e aos contratados em


regular licitação, seja quando forem expressos, seja quando implícitos.

Comentários
Ao responder às questões da Fundação Carlos Chagas, lembre-se sempre
de que os princípios administrativos se dividem em expressos e implícitos.
Princípios expressos são aqueles taxativamente previstos em uma
norma jurídica de caráter geral, obrigatória para todas as entidades políticas
(União, Estados, Municípios, Distrito Federal e seus respectivos órgãos públicos),
bem como para as entidades administrativas (autarquias, fundações públicas,
empresas públicas e sociedades de economia mista). Não interessa se a norma
jurídica de caráter geral possui status constitucional ou infraconstitucional,
mas sim se é de cunho obrigatório para toda a Administração Pública, em todos
os níveis.
Por outro lado, princípios implícitos são aqueles que não estão previstos
expressamente em uma norma jurídica de caráter geral, pois são consequência
dos estudos doutrinários e jurisprudenciais.
Em termos gerais, deve ficar claro que os princípios não são prevalentes
em relação às leis que regem a Administração Pública, pois são aplicados
concomitantemente à legislação vigente.
Gabarito: Letra d.

16. (FCC∕Técnico Judiciário – TJ AP∕2014) O Supremo Tribunal Federal


editou o enunciado sumular segundo o qual a Administração pública pode
declarar a nulidade de seus próprios atos. Referido enunciado sumular
diz respeito ao princípio ou poder de autotutela. Quanto a esse princípio,
é correto afirmar que a Administração pública pode
a) declarar a nulidade de seus próprios atos, no entanto, somente o
judiciário pode revogar os atos administrativos, em razão do princípio da
inafastabilidade da jurisdição.
b) revogar os atos eivados de vícios insanáveis e anular os atos
inoportunos e inconvenientes, desde que, nesse último caso, não sejam
atingidos terceiros de boa-fé.
c) anular ou declarar a nulidade dos atos ilegais e revogar os atos
inoportunos e inconvenientes, mesmo quando atingidos terceiros de
boa-fé, isso em razão do princípio da eficiência.

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d) anular ou declarar a nulidade dos atos ilegais e revogar os atos


inoportunos e inconvenientes, de forma motivada e respeitados os
limites à anulação e à revogação.
e) anular ou declarar a nulidade dos atos ilegais e revogar os atos
inoportunos e inconvenientes contudo, no primeiro caso, somente pode
agir por provocação, tendo em vista o princípio da inércia.
Comentários
A súmula 473 do Supremo Tribunal Federal dispõe que “a administração
pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais,
porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de
conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e
ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial”.
Gabarito: Letra d.

17. (FCC/Técnico Judiciário TRT 12ª Região/2013) O reconhecimento da


validade de ato praticado por funcionário irregularmente investido no
cargo ou função, sob o fundamento de que o ato pertence ao órgão e não
ao agente público, decorre do princípio
a) da especialidade.
b) da moralidade.
c) do controle ou tutela.
d) da impessoalidade.
e) da hierarquia.
Comentários
Em decorrência do princípio da impessoalidade, os atos praticados pelos
agentes públicos devem ser imputados à entidade a qual se encontram
vinculados e não a si próprios. Eis o que impõe a “teoria do órgão”, criada pelo
professor alemão Otto Gierke.
A professora Maria Sylvia Zanella di Pietro nos informa que “essa teoria é
utilizada por muitos autores para justificar a validade dos atos praticados por
funcionários de fato; considera-se que o ato do funcionário é ato do órgão e,
portanto, imputável à Administração. A mesma solução não é aplicável à pessoa
que assuma o exercício de função pública por sua própria conta, quer
dolosamente (como usurpador de função), quer de boa-fé, para desempenhar
função em momentos de emergência, porque nesses casos é evidente a
inexistência de investidura do agente no cargo ou função”.
GABARITO: LETRA D.

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18. (FCC∕Auditor Público Externo – TCE RS∕2014) A necessidade de


publicação dos atos administrativos no Diário Oficial e, em alguns casos,
em jornais de grande circulação é forma de observância do princípio da
a) legalidade, ainda que essa obrigação não esteja prevista na legislação.
b) impessoalidade, na medida em que os atos administrativos são
publicados sem identificação da autoridade que os emitiu.
c) eficiência, posto que a Administração deve fazer tudo o que estiver a
seu alcance para promover uma boa gestão, ainda que não haja lastro na
legislação
d) supremacia do interesse público, pois a Administração tem prioridade
sobre outras publicações.
e) publicidade, na medida em que a Administração deve dar
conhecimento de seus atos aos administrados.

Comentários

O princípio da publicidade impõe à Administração Pública a obrigatoriedade


de conceder aos seus atos a mais ampla divulgação possível entre os
administrados, pois só assim estes poderão fiscalizar e controlar a legitimidade
das condutas praticadas pelos agentes públicos. Ademais, a publicidade de atos,
programas, obras e serviços dos órgãos públicos deverão ter caráter educativo,
informativo ou de orientação social.
A divulgação oficial dos atos praticados pela Administração ocorre, em
regra, mediante publicação no Diário Oficial, isso em relação à União, aos Estados
e ao Distrito Federal. Em relação aos Municípios, pode ser que algum não possua
órgão oficial de publicação de seus atos (Diário Oficial). Nesse caso, a divulgação
poderá ocorrer mediante afixação do ato na sede do órgão ou entidade que os
tenha produzido.

Gabarito: Letra e.

19. (FCC∕Analista Judiciário – TRT 16ª Região∕2014) O Diretor Jurídico


de uma autarquia estadual nomeou sua companheira, Cláudia, para o
exercício de cargo em comissão na mesma entidade. O Presidente da
autarquia, ao descobrir o episódio, determinou a imediata demissão de
Cláudia, sob pena de caracterizar grave violação a um dos princípios
básicos da Administração pública. Trata-se do princípio da
a) presunção de legitimidade.

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b) publicidade.
c) motivação.
d) supremacia do interesse privado sobre o público.
e) impessoalidade.

Comentários
Não restam dúvidas de que o Diretor Jurídico da autarquia praticou conduta
configurada como nepotismo, vedada expressamente pela Súmula Vinculante 13
do Supremo Tribunal Federal, que assim dispõe:
A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral
ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou
de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia
ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança
ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta
em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola
a Constituição Federal.
Analisando-se o texto da citada súmula vinculante, constata-se que estão
impedidos de exercer cargos ou funções de confiança na Administração Pública
os seguintes parentes de autoridades administrativas com poder de nomeação,
além do cônjuge e companheiro:
Parentes em linha reta
GRAU DE Consanguinidade Afinidade
PARENTESCO

1º Pais e filhos Sogro e sogra; genro e nora; madrasta


e padrasto; enteado e enteada.

2º Avós e netos Avós e netos do cônjuge ou


companheiro

3º Bisavós e bisnetos Bisavós e bisnetos do cônjuge ou


companheiro.

Parentes em linha colateral


GRAU DE Consanguinidade Afinidade
PARENTESCO

1º Não há Não há

2º Irmãos Cunhado e cunhada

3º Tios e sobrinhos Tios e sobrinhos do cônjuge ou


companheiro.

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Para responder às questões de prova, lembre-se de que primos não são


alcançados pelas normas da súmula vinculante nº 13, portanto, podem ser
designados para o exercício de cargos ou funções de confiança na Administração
Pública pelas autoridades competentes.
Em suma, pode-se afirmar que os atos de nepotismo violam o princípio
da impessoalidade (esse é o entendimento cobrado na maioria das questões
da Fundação Carlos Chagas). Todavia, a própria banca já considerou correto
enunciado que afirmava que o nepotismo violava o princípio da moralidade.
Nesse caso, fique atento (a) ao enunciado!
Gabarito: Letra e.

20. (FCC∕Jornalista – TCE PI∕2014) Uma determinada empresa pública


ao rescindir unilateralmente o contrato de trabalho com um de seus
empregados públicos assim o fez sem indicar qualquer fundamento de
fato e de direito para sua decisão. O ato em questão evidencia violação
ao princípio administrativo
a) do controle.
b) da eficiência.
c) da publicidade.
d) da presunção de legitimidade.
e) da motivação.

Comentários
O princípio da motivação impõe à Administração Pública a obrigação de
apresentar as razões de fato (o acontecimento, a circunstância real) e as
razões de direito (o dispositivo legal) que a levaram a praticar determinado
ato.
Sendo assim, no momento de motivar o ato, o administrador não pode
limitar-se a indicar o dispositivo legal que serviu de base para a sua edição. É
essencial ainda que o administrador apresente, detalhadamente, todo o
caminho que percorreu para chegar a tal conclusão, bem como o objetivo que
deseja alcançar com a prática do ato.
Agindo dessa maneira, o administrador estará permitindo que os
interessados possam exercer um controle efetivo sobre o ato praticado, que
deve respeitar as diretrizes do Estado Democrático de Direito, o princípio da

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legalidade, da razoabilidade, proporcionalidade, do devido processo legal, entre


outros.
A propósito, destaco que no julgamento do recurso extraordinário nº
589.998, que ocorreu em 21/03/2013, o Supremo Tribunal Federal declarou
ser “obrigatória a motivação da dispensa unilateral de empregado por empresa
estatal e sociedade de economia mista tanto da união, quanto dos estados, do
distrito federal e dos municípios”.
Nesses termos, deve ficar claro que apesar de os empregados de empresas
estatais não possuírem estabilidade no emprego público, somente podem ser
demitidos mediante ato motivado, isto é, que apresente os fundamentos de fato
e de direito que justificaram a respectiva dispensa.
Gabarito: Letra e.
21. (FCC/Técnico Judiciário TRT 22ª Região/2012) O princípio da
administração pública que tem por fundamento que qualquer atividade
de gestão pública deve ser dirigida a todos os cidadãos, sem a
determinação de pessoa ou discriminação de qualquer natureza,
denomina-se
a) Eficiência.
b) Moralidade.
c) Legalidade.
d) Finalidade.
e) Impessoalidade.

Comentários

O professor Celso Antônio Bandeira de Mello nos ensina que o princípio da


impessoalidade “traduz a ideia de que a Administração tem que tratar a todos
os administrados sem discriminações, benéficas ou detrimentosas. Nem
favoritismos nem perseguições são toleráveis. Simpatias ou animosidades
pessoais, políticas ou ideológicas não podem interferir na atuação
administrativa”. Afirma ainda o professor que “o princípio em causa não é senão
o próprio princípio da igualdade ou isonomia.”
GABARITO: LETRA E.

22. (FCC/Analista em Planejamento SEFAZ SP/2012) A respeito dos


princípios que regem a Administração pública, é correto afirmar que o
princípio da

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a) supremacia do interesse público sobre o privado autoriza a


Administração a impor restrições aos direitos dos particulares,
independentemente de lei.
b) eficiência autoriza as sociedades de economia mista que atuam no
domínio econômico a contratarem seus empregados mediante processo
seletivo simplificado, observados os parâmetros de mercado.
c) publicidade obriga as entidades integrantes da Administração direta e
indireta a publicarem extrato dos contratos celebrados.
d) legalidade determina que todos os atos praticados pela Administração
devem contar com autorização legal específica.
e) moralidade é subsidiário ao princípio da legalidade, de forma que uma
vez atendido este último considera-se atendido também o primeiro.
Comentários
a) Errado. Com fundamento no princípio da supremacia do interesse
público sobre o privado, a Administração irá atuar com superioridade em relação
aos demais interesses existentes na sociedade. Isso significa que será
estabelecida uma relação jurídica “vertical” entre o particular e a
Administração, já que esta se encontra em situação de superioridade.
Apesar de tal supremacia, o interesse público não se sobrepõe de forma
absoluta ao interesse privado, pois o próprio texto constitucional assegura a
necessidade de obediência ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e à
coisa julgada (artigo 5º, XXXVI). Ademais, eventuais restrições aos direitos dos
particulares somente poderão ser estabelecidas mediante lei, observando-se,
assim, o princípio da legalidade.

b) Errado. Nos termos do art. 37, II, da Constituição Federal, as empresas


públicas e sociedades de economia mista também estão obrigadas a realizar
concursos públicos para contratar os seus respectivos empregados, não sendo
lícita a adoção de processo seletivo simplificado.
c) Correto. Essa obrigatoriedade consta, por exemplo, no art. 20 do
Decreto Federal nº 3.555/2000 (que aprova o regulamento da modalidade
licitatória Pregão), ao dispor que “a União publicará, no Diário Oficial da União, o
extrato dos contratos celebrados, no prazo de até vinte dias da data de sua
assinatura, com indicação da modalidade de licitação e de seu número de
referência”.

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d) Errado. Para a edição de atos administrativos não é necessário que


exista autorização legal específica. Para observância ao princípio da legalidade,
é suficiente que exista autorização legislativa genérica, ainda que não
apresente, detalhadamente, todas as características e condições do ato
administrativo.
e) Errado. O fato de ter sido respeitado o princípio da legalidade não
significa que também foi atendido o princípio da moralidade, pois a lei pode ser
imoral e a moral pode ultrapassar o âmbito da lei.

GABARITO: LETRA C.

23. (FCC/Analista Judiciário TRE-SP/2012) De acordo com a Constituição


Federal, constituem princípios aplicáveis à Administração Pública os da
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Tais
princípios aplicam-se às entidades
a) de direito público, excluídas as empresas públicas e sociedades de
economia mista que atuam em regime de competição no mercado.
b) de direito público e privado, exceto o princípio da eficiência que é
dirigido às entidades da Administração indireta que atuam em regime de
competição no mercado.
c) integrantes da Administração Pública direta e indireta e às entidades
privadas que recebam recursos ou subvenção pública.
d) integrantes da Administração Pública direta e indireta,
independentemente da natureza pública ou privada da entidade.
e) públicas ou privadas, prestadoras de serviço público, ainda que não
integrantes da Administração Pública.

Comentários
O art. 37 da Constituição Federal preceitua que “a administração pública
direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência”.
Conforme se constata no texto do dispositivo constitucional, não há
qualquer referência ao fato de a entidade ser regida pelo direito púbico ou pelo
direito privado. Assim, não restam dúvidas de que todas as entidades da
Administração Direta (União, Estados, Municípios e Distrito Federal) e

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Administração Indireta de direito público (autarquias e fundações públicas) ou


de direito privado (empresas públicas, sociedades de economia mista ou
fundações públicas) devem obediência aos citados princípios.
GABARITO: LETRA D.

24. (FCC/Analista Judiciário - TRE-SP/2012) A eficiência, na lição de


Hely Lopes Meirelles, é um dever que se impõe a todo agente público de
realizar suas atribuições com presteza, perfeição e rendimento funcional.
É o mais moderno princípio da função administrativa, que já não se
contenta em ser desempenhada apenas com legalidade, exigindo
resultados positivos para o serviço público e satisfatório atendimento
das necessidades da comunidade e de seus membros. (Direito
Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 2003. p. 102).
Infere-se que o princípio da eficiência
a) passou a se sobrepor aos demais princípios que regem a
administração pública, após ter sua previsão inserida em nível
constitucional.
b) deve ser aplicado apenas quanto ao modo de atuação do agente
público, não podendo incidir quando se trata de organizar e estruturar a
administração pública.
c) deve nortear a atuação da administração pública e a organização de
sua estrutura, somando-se aos demais princípios impostos àquela e não
se sobrepondo aos mesmos, especialmente ao da legalidade.
d) autoriza a atuação da administração pública dissonante de previsão
legal quando for possível comprovar que assim serão alcançados
melhores resultados na prestação do serviço público.
e) traduz valor material absoluto, de modo que alcançou status jurídico
supraconstitucional, autorizando a preterição dos demais princípios que
norteiam a administração pública, a fim de alcançar os melhores
resultados.

Comentários

a) Errado. Não há hierarquia entre os princípios administrativos. Diante


de uma aparente colisão entre princípios, o intérprete (administrador ou o juiz)
deverá considerar o peso relativo de cada um deles e verificar, no caso concreto
em análise, qual deverá prevalecer. A solução da colisão dar-se-á através da
ponderação entre os diversos valores jurídicos envolvidos, pois os princípios

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possuem um alcance (peso) diferente em cada caso concreto e aquele que possuir
maior abrangência deverá prevalecer.
b) Errado. O princípio da eficiência deve ser aplicado tanto em relação ao
modo de atuação do agente público, quanto em relação à organização e
estruturação da administração pública brasileira.
c) Correto. Os princípios da legalidade e da eficiência não se excluem,
portanto, busca-se a aplicação conjunta durante a execução de todas as
atividades administrativas, garantindo-se, assim, a plena satisfação do interesse
púbico.
d) Errado. O agente público não poderá, sob o pretexto de que o princípio
da legalidade está comprometendo a eficiência da atividade administrativa,
deixar de aplicar a legislação vigente, pois, se assim agir, estará sujeito à
responsabilização na esfera penal, administrativa e cível.

e) Errado. Não é correto afirmar que o princípio da eficiência alcançou


status jurídico supraconstitucional (superior ao próprio texto constitucional), pois
todos os princípios administrativos, sejam eles expressos ou implícitos, possuem
a mesma força de incidência sobre os atos e atividades realizadas pela
Administração Pública na satisfação do interesse coletivo.

GABARITO: LETRA C.

25. (FCC/Analista Judiciário TRE RO/2014) Dentre os princípios básicos


da Administração, NÃO se inclui o da
a) celeridade da duração do processo.
b) impessoalidade.
c) segurança jurídica.
d) razoabilidade.
e) proporcionalidade.

Comentários
Segundo a doutrina majoritária, PRINCÍPIOS BÁSICOS da Administração
Pública são aqueles previstos expressamente no art. 37 da Constituição Federal,
a saber: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência (o
famoso L.I.M.P.E.). Nesse sentido, os demais princípios poderiam ser

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classificados como GERAIS, pois estão previstos em leis esparsas ou são fruto do
entendimento doutrinário e jurisprudencial.
Analisando-se os últimos editais publicados pela Fundação Carlos Chagas,
constata-se que a banca tem o hábito de incluir no programa de Direito
Administrativo o seguinte tópico: “Administração Pública - princípios
básicos”.
Apesar disso, as questões elaboradas pela FCC não se restringem aos
princípios da Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência. As
questões também abrangem os demais princípios implícitos impostos à
Administração Pública, a exemplo do Princípio da Segurança Jurídica, Princípio da
Razoabilidade, Princípio da Proporcionalidade, entre outros.
Desse modo, ao se deparar com o tópico “Administração Pública:
princípios básicos” nos editais da Fundação Carlos Chagas, aconselho que você
estude todos os princípios gerais do Direito Administrativo, evitando, assim,
eventuais surpresas desagradáveis no momento da prova.
Em relação às alternativas apresentadas pela questão, somente a letra “a”
pode ser marcada como resposta, pois não existe o “princípio da celeridade na
duração do processo”, mas sim o “princípio da duração razoável do processo”,
previsto no art. 5º, LXXVIII, da Constituição Federal.
GABARITO: LETRA A.

26. (FCC/ Técnico Administrativo - PGE-MT /2016) A Mesa Diretora da


Assembleia Legislativa do Estado pretende ordenar a contratação de
serviços de manutenção de ar condicionado. No que tange à
principiologia aplicável a tal contratação, há de se conhecer que ela se
sujeita

a) ao princípio da separação dos poderes, por força do qual o Poder


Legislativo deve criar as próprias regras de contratação de serviços,
independentemente do que disponham as normas gerais de licitação e
contratação públicas.

b) aos princípios do processo legislativo, por tratar-se de atividade de


Administração pública desempenhada pelo Poder Legislativo.

c) aos princípios do processo judicial, por ser o Poder Judiciário o órgão


responsável pela revisão de contratações realizadas no âmbito dos
demais Poderes do Estado.

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d) ao princípio da separação dos poderes, por força do qual o regramento


aplicável às contratações a cargo do Poder Legislativo deve ser distinto
do aplicável às contratações a cargo do Poder Executivo.

e) aos princípios da Administração pública, por tratar-se de atividade da


Administração pública, ainda que desempenhada pelo Poder Legislativo.

Comentários

Apesar de a atividade administrativa se manifestar predominantemente no


Poder Executivo, destaca-se que o Poder Judiciário e o Poder Legislativo
também estão autorizados a exercê-la. É o que ocorre, por exemplo, quando
o Supremo Tribunal Federal concede licença a um de seus servidores ou quando
o Senado Federal realiza licitação para a contratação de determinado serviço, ou
como na situação da questão, quando a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa
do Estado pretende ordenar a contratação de serviços de manutenção de ar
condicionado.

O Poder Legislativo deve obedecer aos princípios da Administração


Pública, como determina a Constituição Federal em seu art. 37:

“A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da


União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”.

Gabarito: Letra E

27. (FCC/ Analista Judiciário - Área Administrativa - TRT - 20ª REGIÃO


/2016) Em importante julgamento proferido pelo Supremo Tribunal
Federal, considerou a Suprema Corte, em síntese, que no julgamento de
impeachment do Presidente da República, todas as votações devem ser
abertas, de modo a permitir maior transparência, controle dos
representantes e legitimação do processo. Trata-se, especificamente, de
observância ao princípio da
a) publicidade.
b) proporcionalidade restrita.
c) supremacia do interesse privado.
d) presunção de legitimidade.
e) motivação.

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Comentários

Ao garantir maior transparência em um processo público, permitindo


acesso aos administrados, o princípio diretamente observado é o da
Publicidade.

O princípio da publicidade impõe que a Administração Pública conceda aos seus


atos a mais ampla divulgação possível entre os administrados, pois só assim estes
poderão fiscalizar e controlar a legitimidade das condutas praticadas pelos
agentes públicos.

O princípio encontra amparo no caput do artigo 37 da Constituição Federal


de 1988, bem como no art. 5º, inc. XXXIII, ao dispor que:

“XXXIII - Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu
interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no
prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja
imprescindível à segurança da sociedade e do Estado.”.

Gabarito: Letra A

28. (FCC/ Auxiliar administrativo - Copergás - PE /2016) Um dos


princípios do Direito Administrativo denomina-se especialidade. Referido
princípio
a) decorre dos princípios da legalidade e da indisponibilidade do
interesse público e concerne à ideia de descentralização administrativa.
b) tem aplicabilidade no âmbito dos órgãos públicos, haja vista a relação
de coordenação e subordinação que existe dentro dos referidos órgãos.
c) aplica-se somente no âmbito da Administração direta.
d) decorre do princípio da razoabilidade e está intimamente ligado ao
conceito de desconcentração administrativa.
e) relaciona-se ao princípio da continuidade do serviço público e destina-
se tão somente aos entes da Administração pública direta.

Comentários

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Ao criar ou autorizar a criação de entidade administrativa, a lei estabelece


previamente a sua área de atuação (finalidade legal), isto é, a sua
especialidade.

Maria Sylvia Zanella di Pietro é clara ao afirmar: “dos princípios da


legalidade e da indisponibilidade do interesse público decorre, dentre
outros, o da especialidade, concernente à ideia de descentralização
administrativa.”.

José dos Santos Carvalho Filho reforça: “O princípio da especialidade aponta


para a absoluta necessidade de ser expressamente consignada na lei a
atividade a ser exercida, descentralizadamente, pela entidade da
Administração Indireta. Em outras palavras, nenhuma dessas entidades pode ser
instituída com finalidades genéricas, vale dizer, sem que se defina na lei o objeto
preciso de sua atuação.”.

Pelo exposto fica claro que o princípio da especialidade decorre dos


princípios da legalidade e da indisponibilidade do interesse público e que
concerne à ideia de descentralização administrativa.

Gabarito: Letra A

29. (FCC/ Auditor Fiscal da Receita Estadual - SEGEP-MA /2016) São


fontes do Direito Administrativo:

I. lei.

II. razoabilidade.

III. moralidade.

IV. jurisprudência.

V. proporcionalidade.

Está correto o que consta APENAS em


a) I e II.
b) II e IV.
c) I e IV.
d) III e V.
e) IV e V.

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Comentários

São Fontes do Direito Administrativo:

Primárias ou diretas: a Constituição Federal e as leis vigentes, incluindo os


tratados e acordos internacionais firmados pelo Brasil.

Secundárias ou indiretas: jurisprudência (a súmula vinculante é interpretada


como fonte primária); costumes (não podem ser contrários à lei); doutrina; e
princípios gerais do Direito.

Dessa forma, a questão apresenta duas fontes do direito administrativo,


a assertiva I – Lei e a assertiva IV – Jurisprudência.

Razoabilidade, moralidade e proporcionalidade são princípios da


Administração Pública e não fontes do direito administrativo.

Gabarito: letra C

15. (FCC/ Agente de Apoio Legislativo - AL-MS /2016) O regime jurídico


administrativo tipifica o próprio direito administrativo e confere à
Administração

a) prerrogativas instrumentais à consecução de fins de interesse geral,


não a sujeitando, no entanto, a restrições, isso em razão do princípio da
supremacia do interesse público sobre o privado.

b) prerrogativas não aplicáveis ao particular e instrumentais à cura do


interesse público, tais como a autotutela e o poder de polícia, dentre
outras tantas, que lhe permitem assegurar a supremacia do interesse
público sobre o privado.

c) privilégios em face do particular, que podem ser exercidos de forma


ampla e irrestrita, em razão de sua posição vertical face aos mesmos.

d) restrições e prerrogativas necessárias à consecução dos seus fins, que


são igualmente identificáveis nas relações entre os privados em razão do
princípio da isonomia.

e) amplo poder em face do particular, que se sujeita aos seus comandos


independentemente do fim objetivado, uma vez que o agir administrativo
é presumidamente de acordo com a lei.

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Comentários

a)

O regime jurídico administrativo confere a Administração Pública prerrogativas


para atender o interesse público, mas também estabelece restrições
visando o próprio interesse público. Ou seja, a Administração Pública se
sujeita a restrições. Assertiva incorreta.

b) prerrogativas não aplicáveis ao particular e instrumentais à cura do


interesse público, tais como a autotutela e o poder de polícia, dentre
outras tantas, que lhe permitem assegurar a supremacia do interesse
público sobre o privado.

- Maria Sylvia Zanella di Pietro conceitua o regime jurídico-administrativo


como “o conjunto das prerrogativas e restrições a que está sujeita a
Administração e que não se encontram nas relações entre particulares ”.

Nesse caso, o Estado se apresentará em situação de superioridade em relação


aos particulares, sendo estabelecida uma relação vertical entre a Administração
Pública e os administrados, fato que lhe outorgará diversas prerrogativas
necessárias à satisfação do interesse público.

Para Celso Antônio Bandeira de Mello, as “pedras de toque” do regime jurídico-


administrativo são os princípios da supremacia do interesse púbico sobre
o privado e indisponibilidade, pela Administração, dos interesses púbicos.

O princípio da supremacia do interesse púbico sobre o privado assegura


à Administração Pública uma série de prerrogativas, que podem ser
entendidas como “vantagens” ou “privilégios” necessários para se atingir o
interesse da coletividade, estabelecendo uma relação jurídica vertical, desigual,
portanto, em face dos administrados. Compreende, em face da sua desigualdade,
a possibilidade, em favor da Administração, de constituir os privados em
obrigações por meio de ato unilateral daquela. Implica, outrossim, muitas vezes,
o direito de modificar, também unilateralmente, relações já estabelecidas.

É possível afirmar que o regime jurídico administrativo confere à


Administração diversas prerrogativas, que não são possíveis ao
particular, por serem direcionadas somente a Administração Pública na
garantia da supremacia do interesse público sobre o privado, como a
possibilidade de autotutela e o poder de polícia. Assertiva correta.

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c) privilégios em face do particular, que podem ser exercidos de forma


ampla e irrestrita, em razão de sua posição vertical face aos mesmos.

- Os privilégios conferidos a Administração Pública não podem ser exercidos


de forma irrestrita, existem exceções e limites que precisam ser respeitados.

O interesse público não se sobrepõe, de forma absoluta, aos interesses


particulares. Existem direitos individuais que estão resguardados pelo próprio
texto constitucional, conforme se constata no art. 5º, XXXVI, que assim dispõe:

“Art. 5º. XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito
e a coisa julgada.”. Assertiva incorreta.

d) restrições e prerrogativas necessárias à consecução dos seus fins, que


são igualmente identificáveis nas relações entre os privados em razão do
princípio da isonomia.

- O princípio da isonomia não é o que fundamenta a relação entre a Administração


Pública e os particulares. As restrições e prerrogativas necessárias à consecução
dos fins da Administração Pública e suas relações entre os privados é pautada
pelo princípio da supremacia do interesse púbico sobre o privado.
Assertiva incorreta.

e) amplo poder em face do particular, que se sujeita aos seus comandos


independentemente do fim objetivado, uma vez que o agir administrativo
é presumidamente de acordo com a lei.

- As prerrogativas asseguradas à Administração Pública diante dos particulares


devem ter como finalidade atender ao interesse público, ou seja, os particulares
não estão sujeitos aos comandos da Administração independentemente
do fim objetivado, é preciso que o fim objetivado esteja de acordo com o
interesse público. Assertiva incorreta.

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RELAÇÃO DE QUESTÕES COM GABARITO – “BATERIA ESAF”


01. (ESAF∕Analista Técnico-Administrativo – Min. Turismo∕2014)
Assinale a opção em que consta princípio da Administração Pública que
não é previsto expressamente na Constituição Federal.
a) Publicidade.
b) Eficiência.
c) Proporcionalidade.
d) Legalidade.
e) Moralidade.

02. (Analista em Planejamento/SEFAZ SP 2009/ESAF) Quanto aos


princípios direcionados à Administração Pública, assinale a opção
correta.
a) O princípio da legalidade significa que existe autonomia de vontade
nas relações travadas pela Administração Pública, ou seja, é permitido
fazer tudo aquilo que a lei não proíbe.

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b) O ato administrativo em consonância com a lei, mas que ofende os


bons costumes, as regras da boa administração e os princípios de justiça,
viola o princípio da moralidade.
c) É decorrência do princípio da publicidade a proibição de que conste
nome, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de
autoridades ou servidores públicos em divulgação de atos, programas ou
campanhas de órgãos públicos.
d) A Administração Pública pode, por ato administrativo, conceder
direitos de qualquer espécie, criar obrigações ou impor vedações aos
administrados.
e) O modo de atuação do agente público, em que se espera melhor
desempenho de suas funções, visando alcançar os melhores resultados
e com o menor custo possível, decorre diretamente do princípio da
razoabilidade.

03. (Analista de Finanças e Controle/STN 2008/ESAF) O art. 37, caput,


da Constituição Federal de 1988 previu expressamente alguns dos
princípios da administração pública brasileira, quais sejam, legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Consagra-se, com
o princípio da publicidade, o dever de a administração pública atuar de
maneira transparente e promover a mais ampla divulgação possível de
seus atos. Quanto aos instrumentos de garantia e às repercussões desse
princípio, assinale a assertiva incorreta.
a) Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu
interesse particular ou de interesse coletivo ou geral, ressalvadas
aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do
Estado.
b) É assegurada a todos a obtenção de certidões em repartições públicas,
para a defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse
pessoal.
c) Da publicidade dos atos e programas dos órgãos públicos poderá
constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção
pessoal de autoridades ou servidores públicos, desde que tal iniciativa
possua caráter educativo.
d) Cabe habeas data a fim de se assegurar o conhecimento de
informações relativas à pessoa do impetrante, constante de registros ou
bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público.
e) É garantido ao usuário, na administração pública direta e indireta, na
forma disciplinada por lei, o acesso a registros administrativos e a

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informações sobre atos de governo, observadas as garantias


constitucionais de sigilo.

04. (Especialista em Políticas Públicas/MPOG 2008/ESAF) A Agência


executiva é a qualificação dada à autarquia ou fundação que celebre
contrato de gestão com o órgão da Administração Direta a que se acha
vinculada, introduzida no direito brasileiro em decorrência do
movimento da globalização. Destarte, assinale qual princípio da
administração pública, especificamente, que as autarquias ou fundações
governamentais qualificadas como agências executivas visam observar
nos termos do Decreto n. 2.487/98:
a) eficiência
b) moralidade
c) legalidade
d) razoabilidade
e) publicidade

05. (Analista de Finanças e Controle/CGU 2008/ESAF) Quanto à


aplicação de princípios constitucionais em processos administrativos, é
entendimento pacificado no Supremo Tribunal Federal, constituindo
súmula vinculante para toda a administração e tribunais inferiores, que,
nos processos perante o Tribunal de Contas da União, asseguram-se o
contraditório e a ampla defesa
a) mesmo quando da decisão não resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, inclusive a apreciação da
legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e
pensão.
b) quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, sem exceção.
c) quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da
legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e
pensão.
d) quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, inclusive na apreciação da
legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e
pensão.
e) quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, inclusive a apreciação da

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legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, exceto reforma


e pensão.

06. (Analista de Planejamento e Orçamento/MPOG 2010/ESAF) A


observância da adequação e da exigibilidade, por parte do agente
público, constitui fundamento do seguinte princípio da Administração
Pública:
a) Publicidade.
b) Moralidade.
c) Legalidade.
d) Proporcionalidade.
e) Impessoalidade.

07. (Analista de Planejamento e Orçamento/MPOG 2010/ESAF)


Relativamente à necessidade de estabilização das relações jurídicas
entre os cidadãos e o Estado, há dois princípios que visam garanti-la.
Assinale a resposta que contenha a correlação correta, levando em
consideração os aspectos objetivos e subjetivos presentes para a
estabilização mencionada.

( ) Boa-fé;
( ) Presunção de legitimidade e legalidade dos atos da Administração;
( ) Prescrição;
( ) Decadência.

(1) Segurança Jurídica - aspecto objetivo.


(2) Proteção à confiança - aspecto subjetivo.

a) 1 / 1 / 2 / 2.
b) 2 / 1 / 2 / 1.
c) 2 / 2 / 1 / 1.
d) 1 / 1 / 1 / 2.
e) 2 / 2 / 2 / 1.

08. (Analista de Finanças e Controle/CGU 2008/ESAF)O princípio


constitucional do Direito Administrativo, cuja observância forçosa, na
prática dos atos administrativos, importa assegurar que, o seu resultado,
efetivamente, atinja o seu fim legal, de interesse público, é o da

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a) legalidade.
b) publicidade.
c) impessoalidade.
d) razoabilidade.
e) moralidade.

09. (Analista de Finanças e Controle/CGU 2008/ESAF) Assinale a opção


que elenque dois princípios norteadores da Administração Pública que se
encontram implícitos na Constituição da República Federativa do Brasil
e explícitos na Lei n. 9.784/99.
a) Legalidade / moralidade.
b) Motivação / razoabilidade.
c) Eficiência / ampla defesa.
d) Contraditório / segurança jurídica.
e) Finalidade / eficiência.

10. (Analista Administrativo/ANA 2009/ESAF) Assinale a opção correta


relativa à Administração Pública na Constituição Federal de 1988.

a) A Constituição Federal não proíbe a nomeação de cônjuge,


companheiro, ou parente, em linha reta, colateral ou por afinidade, até o
terceiro grau, inclusive da autoridade nomeante ou de servidor da
mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou
assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança,
ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública direta e
indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios.
b) Em obediência ao princípio da publicidade, instituição financeira não
pode invocar sigilo bancário para negar ao Ministério Público
informações e documentos sobre nomes de beneficiários de empréstimos
concedidos com recursos subsidiados pelo erário, em se tratando de
requisição para instruir procedimento administrativo instaurado em
defesa do patrimônio público.
c) A lei que posteriormente é declarada inconstitucional perece mesmo
antes de nascer, por isso, os efeitos eventualmente por ela produzidos
não podem incorporar-se ao patrimônio dos administrados, ainda que se
considere o princípio da boa-fé.
d) Antes do provimento do cargo, o candidato tem mera expectativa de
direito à nomeação ou, se for o caso, à participação na segunda etapa do

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processo seletivo, mas a Administração Pública não pode, enquanto não


concluído e homologado o concurso público, alterar as condições do
certame constantes do respectivo edital, para adaptá-las à nova
legislação aplicável à espécie.
e) Os bens e o interesse público são indisponíveis, porque pertencem à
coletividade. O Administrador é mero gestor da coisa pública e não tem
disponibilidade sobre os interesses confiados à sua guarda e realização
em razão do princípio da indisponibilidade do interesse público, que não
pode ser atenuado.

GABARITO

01.C 02.B 03.C 04.A 05.C 06.D 07.C 08.C

09.B 10.B

QUESTÕES COMENTADAS – “BATERIA ESAF”

01. (ESAF∕Analista Técnico-Administrativo – Min. Turismo∕2014)


Assinale a opção em que consta princípio da Administração Pública que
não é previsto expressamente na Constituição Federal.
a) Publicidade.
b) Eficiência.
c) Proporcionalidade.
d) Legalidade.
e) Moralidade.
Comentários

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Se você está assustado (a) com o nível das questões elaboradas pela ESAF,
que, em regra, é bastante elevado, eis um exemplo de que a banca também
“pega leve” em determinados temas.
Perceba que a questão está exigindo do candidato que simplesmente
conheça o inteiro teor do art. 37, caput, da CF∕1988, que assim dispõe: “A
administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”.
Gabarito: Letra c.

02. (Analista em Planejamento/SEFAZ SP 2009/ESAF) Quanto aos


princípios direcionados à Administração Pública, assinale a opção
correta.
a) O princípio da legalidade significa que existe autonomia de vontade
nas relações travadas pela Administração Pública, ou seja, é permitido
fazer tudo aquilo que a lei não proíbe.
b) O ato administrativo em consonância com a lei, mas que ofende os
bons costumes, as regras da boa administração e os princípios de justiça,
viola o princípio da moralidade.
c) É decorrência do princípio da publicidade a proibição de que conste
nome, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de
autoridades ou servidores públicos em divulgação de atos, programas ou
campanhas de órgãos públicos.
d) A Administração Pública pode, por ato administrativo, conceder
direitos de qualquer espécie, criar obrigações ou impor vedações aos
administrados.
e) O modo de atuação do agente público, em que se espera melhor
desempenho de suas funções, visando alcançar os melhores resultados
e com o menor custo possível, decorre diretamente do princípio da
razoabilidade.
Comentários

a) O princípio da legalidade pode ser estudado sob dois enfoques distintos:


em relação aos particulares e em relação à Administração Pública.
Em relação aos particulares, o princípio da legalidade está consagrado no
inciso II do artigo 5º da Constituição Federal de 1988, segundo o qual "ninguém
será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei".
Isso significa que, em regra, somente uma lei (ato emanado do Poder Legislativo)
pode impor obrigações aos particulares, sendo possível afirmar que ao particular

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é permitido fazer tudo aquilo que a lei não proíbe (princípio da autonomia da
vontade). Por outro lado, em relação à Administração Pública, o princípio da
legalidade impõe a obrigatoriedade de que os atos e condutas praticados no
âmbito administrativo sejam respaldados por lei, conforme preceitua o caput do
artigo 37 da CF/88.
É possível constatar que a banca examinadora simplesmente inverteu as
definições do princípio da legalidade em relação à Administração Pública e em
relação aos particulares. A assertiva está incorreta porque o princípio da
autonomia da vontade se aplica nas relações travadas pelos particulares e não
pela Administração.
b) O princípio da moralidade, previsto expressamente no caput do artigo
37 da Constituição Federal de 1988, determina que os atos e atividades da
Administração Pública devem obedecer não só à lei, mas também à própria moral,
pois nem tudo que é legal é justo e honesto.
A professora Maria Sylvia Zanella di Pietro nos informa que “sempre que
em matéria administrativa se verificar que o comportamento da Administração
ou do administrado que com ela se relaciona juridicamente, embora em
consonância com a lei, ofende a moral, os bons costumes, as regras de boa
administração, os princípios de justiça e de equidade, a idéia comum de
honestidade, estará havendo ofensa ao princípio da moralidade.” Por isso, está
correta a assertiva.
c) A proibição de que conste nome, símbolos ou imagens que caracterizem
promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos em divulgação de atos,
programas ou campanhas de órgãos públicos é uma decorrência do princípio da
impessoalidade e não do princípio da publicidade.
Isso porque os atos e condutas praticados pelos agentes públicos no
exercício da função pública devem ser atribuídos aos órgãos ao qual estão
vinculados e não a si próprios. É o que impõe a teoria do órgão, formulada pelo
alemão Otto Gierke.
d) O princípio da legalidade impede que a Administração Pública conceda
direitos ou imponha vedações e obrigações aos administrados através de ato
administrativo. O inciso II do artigo 5º da CF/88 estabelece expressamente que
“ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude
de lei”. Portanto, está incorreta a assertiva.
e) O princípio da eficiência, denominado pelos italianos de “dever de boa
administração”, impõe aos agentes públicos um modo de atuação pautado no

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aumento da produtividade, na perfeição dos atos praticados e no bom trato


com os administrados.
Desse modo, está incorreta a assertiva ao afirmar que o princípio da
razoabilidade cria em relação ao agente público uma exigência de melhor
desempenho de suas funções, visando alcançar os melhores resultados e com o
menor custo possível. Na verdade, essa é uma exigência imposta pelo princípio
da eficiência.
GABARITO: LETRA B.

03. (Analista de Finanças e Controle/STN 2008/ESAF) O art. 37, caput,


da Constituição Federal de 1988 previu expressamente alguns dos
princípios da administração pública brasileira, quais sejam, legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Consagra-se, com
o princípio da publicidade, o dever de a administração pública atuar de
maneira transparente e promover a mais ampla divulgação possível de
seus atos. Quanto aos instrumentos de garantia e às repercussões desse
princípio, assinale a assertiva incorreta.
a) Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu
interesse particular ou de interesse coletivo ou geral, ressalvadas
aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do
Estado.
b) É assegurada a todos a obtenção de certidões em repartições públicas,
para a defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse
pessoal.
c) Da publicidade dos atos e programas dos órgãos públicos poderá
constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção
pessoal de autoridades ou servidores públicos, desde que tal iniciativa
possua caráter educativo.
d) Cabe habeas data a fim de se assegurar o conhecimento de
informações relativas à pessoa do impetrante, constante de registros ou
bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público.
e) É garantido ao usuário, na administração pública direta e indireta, na
forma disciplinada por lei, o acesso a registros administrativos e a
informações sobre atos de governo, observadas as garantias
constitucionais de sigilo.

Comentários

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a) Esse é o teor do inciso XXXIII do artigo 5º da CF/88. É importante


esclarecer que o direito à informação, assim como os demais direitos
fundamentais, não pode ser considerado absoluto. Isso porque as informações
que sejam imprescindíveis à segurança do Estado e da sociedade poderão ser
conservadas em sigilo e, portanto, está correta a assertiva.
O artigo 2º do Decreto Federal nº 4.553/02 declara que “são considerados
originariamente sigilosos, e serão como tal classificados, dados ou informações
cujo conhecimento irrestrito ou divulgação possa acarretar qualquer risco à
segurança da sociedade e do Estado, bem como aqueles necessários ao
resguardo da inviolabilidade da intimidade da vida privada, da honra e da imagem
das pessoas”.
b) O direito de obter certidão para a defesa de direitos e esclarecimento de
situações de interesse pessoal também está assegurado expressamente no inciso
XXXIV do artigo 5º da CF/88, o que torna a assertiva correta.
Para responder às questões de concursos públicos, lembre-se sempre de
que a negativa por parte dos órgãos e entidades públicas em fornecer a certidão
requerida pelos administrados, independentemente do pagamento de taxas, pode
ensejar a propositura do mandado de segurança. É muito comum encontrar
assertivas em provas afirmando incorretamente que a ação constitucional cabível
para se ter acesso a certidões negadas pela Administração é o habeas data,
portanto, fique atento.
c) Como conseqüência do princípio da impessoalidade, na divulgação
dos atos e programas dos órgãos públicos não poderá constar nomes, símbolos
ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores
públicos. Portanto, está incorreta a assertiva.

d) O texto da assertiva está em conformidade com o teor do inciso LXXII


do artigo 5º da CF/88. Ademais, é importante destacar ainda que o habeas data
também poderá ser proposto para a retificação de dados, quando não se prefira
fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo.
e) A participação do usuário na administração pública direta e indireta está
garantida no § 3º do artigo 37 da CF/88 e deverá ser regulamentada por lei, que,
dentre outras situações, deverá prever o procedimento para as reclamações
relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção
de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna,
da qualidade dos serviços e a disciplina da representação contra o exercício

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negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na administração pública.


Assertiva correta.
GABARITO: LETRA C

04. (Especialista em Políticas Públicas/MPOG 2008/ESAF) A Agência


executiva é a qualificação dada à autarquia ou fundação que celebre
contrato de gestão com o órgão da Administração Direta a que se acha
vinculada, introduzida no direito brasileiro em decorrência do
movimento da globalização. Destarte, assinale qual princípio da
administração pública, especificamente, que as autarquias ou fundações
governamentais qualificadas como agências executivas visam observar
nos termos do Decreto n. 2.487/98:
a) eficiência
b) moralidade
c) legalidade
d) razoabilidade
e) publicidade
Comentários
A qualificação de autarquia ou fundação como Agência Executiva poderá
ser conferida mediante iniciativa do Ministério responsável pela sua área de
atuação, com anuência do Ministério do Planejamento, que verificará o
cumprimento, pela entidade candidata à qualificação, dos seguintes requisitos:
1º) ter celebrado contrato de gestão com o respectivo Ministério
supervisor;
2º) ter plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento
institucional, voltado para a melhoria da qualidade da gestão e para a redução
de custos, já concluído ou em andamento.
O plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional
das entidades candidatas à qualificação como Agências Executivas contemplará
vários objetivos, todos eles arrolados no artigo 2º do Decreto Federal 2.487/98.
Dentre esses objetivos é possível citar o reexame dos processos de trabalho,
rotinas e procedimentos, com a finalidade de melhorar a qualidade dos serviços
prestados e ampliar a eficiência e eficácia de sua atuação.
De uma forma em geral, é possível constatar que as autarquias e fundações
públicas que se qualificam como Agências Executivas vislumbram sempre o
aumento da eficiência no exercício de suas atividades administrativas.

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GABARITO: LETRA A.

05. (Analista de Finanças e Controle/CGU 2008/ESAF) Quanto à


aplicação de princípios constitucionais em processos administrativos, é
entendimento pacificado no Supremo Tribunal Federal, constituindo
súmula vinculante para toda a administração e tribunais inferiores, que,
nos processos perante o Tribunal de Contas da União, asseguram-se o
contraditório e a ampla defesa
a) mesmo quando da decisão não resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, inclusive a apreciação da
legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e
pensão.
b) quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, sem exceção.
c) quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da
legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e
pensão.
d) quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, inclusive na apreciação da
legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e
pensão.
e) quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato
administrativo que beneficie o interessado, inclusive a apreciação da
legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, exceto reforma
e pensão.
Comentários

O texto da súmula vinculante nº 3, aprovada pelo Supremo Tribunal Federal


em 30/05/2007, afirma que “nos processos perante o Tribunal de Contas da
União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder
resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado,
excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de
aposentadoria, reforma e pensão”.
Perceba que o próprio texto da súmula vinculante apresenta a ressalva de
que não é necessário assegurar o contraditório e a ampla defesa no procedimento
de apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma
e pensão.

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O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que o ato


administrativo de concessão de aposentadoria configura-se como complexo, isto
é, somente está apto a produzir a plenitude de seus efeitos com o registro no
Tribunal de Contas. Antes do controle de legalidade do Tribunal de Contas, o
ato administrativo de concessão de aposentadoria, reforma ou pensão ainda não
está completo, sendo considerado um ato imperfeito. Nas palavras do professor
Hely Lopes Meirelles, ato imperfeito “é o que se apresenta incompleto na sua
formação ou carente de um ato complementar para tornar-se exeqüível e
operante”.
Lembre-se sempre de que o ato de concessão de aposentadoria, reforma
ou pensão somente completa o seu ciclo de formação após o registro realizado
no Tribunal de Contas, portanto, não há que se falar em contraditório e ampla
defesa no período compreendido entre a concessão de aposentadoria pela
Administração e o controle de legalidade exercido pelo Tribunal de Contas.
GABARITO: LETRA C.

06. (Analista de Planejamento e Orçamento/MPOG 2010/ESAF) A


observância da adequação e da exigibilidade, por parte do agente
público, constitui fundamento do seguinte princípio da Administração
Pública:
a) Publicidade.
b) Moralidade.
c) Legalidade.
d) Proporcionalidade.
e) Impessoalidade.

Comentários

O art. 37 da CF/1988 apresenta um rol de princípios expressos que


devem ser obrigatoriamente observados no âmbito da administração pública
direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, a exemplo da legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência.
Todavia, é importante esclarecer que a atuação administrativa também se
submete a diversos outros princípios implícitos, a exemplo do princípio da
proporcionalidade, que deriva do princípio do devido processo legal.
Nas palavras do professor José dos Santos Carvalho Filho, “para que a
conduta estatal observe o princípio da proporcionalidade, há de revestir-se de

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tríplice fundamento: 1) adequação, significando que o meio empregado na


atuação deve ser compatível com o fim colimado; 2) exigibilidade, porque a
conduta deve ter-se por necessária, não havendo outro meio menos gravoso ou
oneroso para alcançar o fim público, ou seja, o meio escolhido é o que causa o
menor prejuízo possível para os indivíduos; 3) proporcionalidade em sentido
estrito, quando as vantagens a serem conquistadas superarem as
desvantagens”.
Diante dos comentários apresentados, constata-se que a observância da
adequação e da exigibilidade constitui fundamento da proporcionalidade.
GABARITO: LETRA D.

07. (Analista de Planejamento e Orçamento/MPOG 2010/ESAF)


Relativamente à necessidade de estabilização das relações jurídicas
entre os cidadãos e o Estado, há dois princípios que visam garanti-la.
Assinale a resposta que contenha a correlação correta, levando em
consideração os aspectos objetivos e subjetivos presentes para a
estabilização mencionada.

( ) Boa-fé;
( ) Presunção de legitimidade e legalidade dos atos da Administração;
( ) Prescrição;
( ) Decadência.

(1) Segurança Jurídica - aspecto objetivo.


(2) Proteção à confiança - aspecto subjetivo.

a) 1 / 1 / 2 / 2.
b) 2 / 1 / 2 / 1.
c) 2 / 2 / 1 / 1.
d) 1 / 1 / 1 / 2.
e) 2 / 2 / 2 / 1.

Comentários
O professor José dos Santos Carvalho Filho afirma que “no direito
comparado, especialmente no direito alemão, os estudiosos se têm dedicado à
necessidade de estabilização de certas situações jurídicas, principalmente em

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virtude do transcurso do tempo e da boa-fé, e distinguem os princípios da


segurança jurídica e da proteção à confiança. Pelo primeiro, confere-se relevo ao
aspecto objetivo do conceito, indicando-se a inafastabilidade da estabilização
jurídica; pelo segundo, o realce incide sobre o aspecto subjetivo, e neste se
sublinha o sentimento do indivíduo em relação a atos, inclusive e principalmente
do Estado, dotados de presunção de legitimidade e aparência de legalidade”.
A boa-fé e a presunção de legitimidade e legalidade dos atos da
Administração estão relacionados com o aspecto subjetivo da estabilização das
relações jurídicas, enquanto a prescrição e a decadência referem-se ao aspecto
objetivo, pois fixam um prazo específico para que a Administração possa anular
os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários,
por exemplo.
GABARITO: LETRA C.

08. (Analista de Finanças e Controle/CGU 2008/ESAF)O princípio


constitucional do Direito Administrativo, cuja observância forçosa, na
prática dos atos administrativos, importa assegurar que, o seu resultado,
efetivamente, atinja o seu fim legal, de interesse público, é o da
a) legalidade.
b) publicidade.
c) impessoalidade.
d) razoabilidade.
e) moralidade.
Comentários

O princípio da impessoalidade está previsto expressamente no caput do


art. 37 da CF/1988 e impõe que os atos praticados pela Administração tenham
por finalidade a satisfação do interesse público, vedando, assim, que a atuação
administrativa seja direcionada com o objetivo de beneficiar ou prejudicar
pessoas determinadas.

É importante destacar que o § 1º do art. 37 da CF/1988 apresenta outra


manifestação do princípio da impessoalidade, ao afirmar que “a publicidade dos
atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter
caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar
nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades
ou servidores públicos.”
Isso significa que o texto constitucional proíbe que o agente público utilize-
se do aparelhamento estatal para realizar sua promoção pessoal, como

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acontece, por exemplo, quando afirma que foi ele o responsável pela construção
de determinada rodovia, pela reforma do hospital municipal, pela arborização do
parque, etc. Lembre-se sempre de que os atos praticados pelos agentes públicos
devem ser imputados à pessoa jurídica a qual estão vinculados, e não a si
próprios.
GABARITO: LETRA C.

09. (Analista de Finanças e Controle/CGU 2008/ESAF) Assinale a opção


que elenque dois princípios norteadores da Administração Pública que se
encontram implícitos na Constituição da República Federativa do Brasil
e explícitos na Lei n. 9.784/99.
a) Legalidade / moralidade.
b) Motivação / razoabilidade.
c) Eficiência / ampla defesa.
d) Contraditório / segurança jurídica.
e) Finalidade / eficiência.

Comentários
O art. 37 da CF/1988 prevê que “a administração pública direta e indireta
de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência”.
Esses princípios são considerados expressos, pois é possível identificar,
claramente, o “nome” de cada um deles no texto constitucional. É o que acontece,
por exemplo, com o princípio da moralidade. O nome desse princípio não é
“princípio do respeito à ética e à moral”, mas sim MORALIDADE, com todas as
letras!
Por outro lado, princípios implícitos são aqueles que não estão grafados
expressamente em uma norma jurídica de caráter geral, pois derivam dos
estudos doutrinários e da jurisprudência. São princípios cujos nomes não irão
constar claramente no texto constitucional ou legal, mas que, de qualquer forma,
vinculam as condutas e atos praticados pela Administração Pública.
Um bom exemplo a ser citado é o princípio da razoabilidade. Perceba
que não existe qualquer dispositivo constitucional que determine,
expressamente, que as atividades administrativas sejam razoáveis, isto é,
pautadas no bom senso. Isso porque o princípio da razoabilidade encontra-se

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implícito no texto constitucional, sendo uma conseqüência do princípio do


devido processo legal, este sim previsto expressamente no inc. LIV do art. 5º
da CF/1988.
O mesmo ocorre em relação ao princípio da motivação. Não existe
qualquer dispositivo constitucional que determine, expressamente, que a
Administração Pública esteja obrigada a motivar os seus atos administrativos. Tal
obrigatoriedade constitucional restringe-se aos atos administrativos editados pelo
Poder Judiciário (art. 93, X, CF/1988) e aos atos administrativos editados pelo
Ministério Público (129, § 4º, CF/1988). De qualquer forma, entende a doutrina
majoritária que o princípio da motivação deve ser considerado implícito em
relação aos demais órgãos e entidades integrantes da Administração Pública.
Apesar de não constarem expressamente no texto constitucional, é
importante esclarecer que os princípios da motivação e da razoabilidade estão
explícitos no art. 2º da Lei 9.784/99, que é claro ao afirmar que “a
Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade,
finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla
defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência.”
GABARITO: LETRA B.

10. (Analista Administrativo/ANA 2009/ESAF) Assinale a opção correta


relativa à Administração Pública na Constituição Federal de 1988.

a) A Constituição Federal não proíbe a nomeação de cônjuge,


companheiro, ou parente, em linha reta, colateral ou por afinidade, até o
terceiro grau, inclusive da autoridade nomeante ou de servidor da
mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou
assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança,
ou, ainda, de função gratificada na Administração Pública direta e
indireta, em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios.
b) Em obediência ao princípio da publicidade, instituição financeira não
pode invocar sigilo bancário para negar ao Ministério Público
informações e documentos sobre nomes de beneficiários de empréstimos
concedidos com recursos subsidiados pelo erário, em se tratando de
requisição para instruir procedimento administrativo instaurado em
defesa do patrimônio público.
c) A lei que posteriormente é declarada inconstitucional perece mesmo
antes de nascer, por isso, os efeitos eventualmente por ela produzidos
não podem incorporar-se ao patrimônio dos administrados, ainda que se
considere o princípio da boa-fé.

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d) Antes do provimento do cargo, o candidato tem mera expectativa de


direito à nomeação ou, se for o caso, à participação na segunda etapa do
processo seletivo, mas a Administração Pública não pode, enquanto não
concluído e homologado o concurso público, alterar as condições do
certame constantes do respectivo edital, para adaptá-las à nova
legislação aplicável à espécie.
e) Os bens e o interesse público são indisponíveis, porque pertencem à
coletividade. O Administrador é mero gestor da coisa pública e não tem
disponibilidade sobre os interesses confiados à sua guarda e realização
em razão do princípio da indisponibilidade do interesse público, que não
pode ser atenuado.
Comentários
a) O texto da assertiva está incorreto, pois contraria o conteúdo da súmula
vinculante nº 13, aprovada pelo STF em 21/08/2008.
Lembre-se sempre de que “a nomeação de cônjuge, companheiro ou
parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive,
da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em
cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em
comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração
pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações
recíprocas, viola a Constituição Federal.”
b) No julgamento do Mandado de Segurança 21.729-4/DF, que teve como
redator do acórdão o Ministro Néri da Silveira, o Supremo Tribunal Federal decidiu
que, em respeito ao princípio da publicidade, “não cabe ao Banco do Brasil
negar, ao Ministério Público, informações sobre nomes de beneficiários de
empréstimos concedidos pela instituição, com recursos subsidiados pelo erário
federal, sob invocação do sigilo bancário, em se tratando de requisição de
informações e documentos para instruir procedimento administrativo instaurado
em defesa do patrimônio público.”
Desse modo, constata-se que o texto da assertiva simplesmente reproduziu
o entendimento do Supremo Tribunal Federal, e, portanto, deve ser considerado
correto.

c) Ao julgar o Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 359.043-0/AM,


em 03/10/2006, o Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que
“embora a lei inconstitucional pereça mesmo antes de nascer, os efeitos

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eventualmente por ela produzidos podem incorporar-se ao patrimônio dos


administrados, em especial quando se considere o princípio da boa-fé”.
Com fundamento em tal princípio, o Supremo Tribunal Federal permitiu que um
servidor público do Estado do Amazonas continuasse a receber a integralidade de
seus proventos de aposentadoria, mesmo com a declaração de
inconstitucionalidade da lei estadual que lhe assegurava a incorporação de
uma vantagem pecuniária prevista em seu texto.
Para tentar confundir o candidato, a ESAF inverteu o sentido do
entendimento do Supremo Tribunal Federal, tornando incorreta a assertiva.

d) No julgamento do Recurso Extraordinário 290.346, de relatoria do


Ministro Ilmar Galvão, o Supremo Tribunal Federal decidiu que “em face do
princípio da legalidade, pode a Administração Pública, enquanto não concluído
e homologado o concurso público, alterar as condições do certame constantes do
respectivo edital, para adaptá-las à nova legislação aplicável à espécie, visto que,
antes do provimento do cargo, o candidato tem mera expectativa de direito à
nomeação ou, se for o caso, à participação na segunda etapa do processo
seletivo." Assertiva incorreta.

e) O Supremo Tribunal Federal, ao decidir o Recurso Extraordinário


253885-0/MG, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, decidiu que “em regra, os
bens e o interesse público são indisponíveis, porque pertencem à coletividade. E,
por isso, o Administrador, mero gestor da coisa pública, não tem disponibilidade
sobre os interesses confiados à sua guarda e realização. Todavia, há casos em
que o princípio da indisponibilidade do interesse público deve ser
atenuado, mormente quando se tem em vista que a solução adotada pela
Administração é a que melhor atenderá à ultimação deste interesse”.
No citado Recurso Extraordinário, o Município de Santa Rita do Sapucaí/MG
tentava desconstituir acórdão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que manteve
sentença homologatória de transação (acordo) celebrada entre alguns servidores
e o respectivo Município, consistente no pagamento de verbas remuneratórias
devidas e atrasadas. Após ter realizado o “acordo”, o Município concluiu que não
poderia tê-lo feito, diante da inexistência de lei que autorizasse tal conduta, e,
nesse sentido, tentou desfazê-lo.
Todavia, o Supremo Tribunal Federal entendeu que, no caso em concreto,
não seria necessária a existência de lei para autorizar a transação realizada pelo
Município, pois o acordo celebrado não era oneroso e nem comprometia bens,

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afetação de verbas ou gerava aumento de despesas para a municipalidade. Na


verdade, tratava-se apenas de um mero ressarcimento decorrente de sua
responsabilidade administrativa, isto é, pagamento de “salários” devidos.
Sendo assim, deve ficar claro há casos em que o princípio da
indisponibilidade do interesse público pode ser atenuado, o que invalida a
assertiva.

GABARITO: LETRA B.

RELAÇÃO DE QUESTÕES COMENTADAS – COM GABARITO

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01. (FGV/Advogado – CODEMIG/2015) Além dos princípios expressos


previstos no art. 37, caput, da Constituição Federal, a Administração
Pública ainda se orienta por outras diretrizes que também se incluem em
sua principiologia. Trata-se de regras gerais de proceder da
Administração e são denominados princípios reconhecidos ou implícitos.
Dentre eles, de acordo com a doutrina de Direito Administrativo,
destaca-se o princípio da:
a) publicidade, segundo o qual exige-se a ampla divulgação dos atos
praticados pela Administração Pública, inclusive por parte do Poder
Judiciário, que não pode restringir a publicidade dos atos processuais,
nem mesmo quando a defesa da intimidade o exigir;
b) pessoalidade, segundo o qual a Administração deverá levar em
consideração as peculiaridades do caso concreto, como situação
econômica, cultural e social do administrado, para praticar determinado
ato administrativo em seu desfavor;
c) autotutela, segundo o qual a Administração exerce o controle sobre
os próprios atos, com a possibilidade de anular os ilegais e revogar os
inconvenientes ou inoportunos, independentemente de recurso ao Poder
Judiciário;
d) improbidade administrativa, segundo o qual os atos e contratos
administrativos deverão ser praticados da forma mais vantajosa para a
Administração Pública, visando ao lucro e ao interesse público;
e) continuidade dos serviços públicos, segundo o qual a Administração
deve prestar diretamente os serviços públicos essenciais, vedada a
delegação a particulares, a fim de evitar interrupções.

02. (FGV/Fiscal de Tributos - Prefeitura de Niterói – RJ/2015) Prefeito


Municipal, no exercício da função e utilizando verba pública, determinou
a confecção e distribuição de milhares de panfletos, às vésperas do dia
dos pais, com os seguintes dizeres: “O Prefeito Fulano, na qualidade de
melhor administrador público do país e verdadeiro pai para seus
administrados, deseja feliz dia dos pais a todos. Nas próximas eleições,
continuem me prestigiando com o seu voto!”. Essa conduta do agente
político feriu, frontal e mais diretamente, os seguintes princípios
administrativos expressos no art. 37, caput, da Constituição Federal:
a) probidade e pessoalidade;

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b) indisponibilidade e legalidade;
c) autotutela e igualdade;
d) impessoalidade e moralidade;
e) isonomia e eficiência.

03. (FGV/Guarda Municipal - Prefeitura de Paulínia – SP/2015)


Princípios administrativos são os postulados fundamentais que
conduzem todo o modo de agir da Administração Pública como um todo.
O art. 37, caput, da Constituição da República elencou os chamados
princípios administrativos expressos a serem observados por todas as
pessoas administrativas de qualquer dos entes federativos, como por
exemplo, os princípios da:
a) impessoalidade, eficiência e moralidade;
b) igualdade, legalidade e improbidade;
c) legalidade, disponibilidade e proporcionalidade;
d) eficácia, isonomia e economicidade;
e) igualdade, pessoalidade e razoabilidade.

04. (FGV/Fiscal de Posturas - Prefeitura de Niterói – RJ/2015) Ao


realizar diligência fiscalizatória, André, Fiscal de Posturas Municipal,
lavrou auto de infração em desfavor do cidadão Hamilton, por realizar
atividade sem a respectiva licença, não obstante lhe tenha sido
apresentado o documento necessário. No prazo legal, Hamilton
apresentou defesa e logrou comprovar que possuía a necessária licença,
que foi desconsiderada pelo agente público no momento da fiscalização.
Assim sendo, o Município concluiu pela procedência da impugnação e
declarou a invalidade do auto de infração. A decisão da municipalidade
de revisar seu próprio ato (por provocação ou até de ofício) foi baseada
no princípio implícito de Direito Administrativo da:
a) revogabilidade, que obriga a Administração Pública a rever seus
próprios atos, revogando os ilegais, sem necessidade de prévia
provocação do Poder Judiciário;
b) anulação, que possibilita a Administração Pública de rever seus
próprios atos, revogando os ilegais, sem necessidade de prévia
provocação do Poder Judiciário;
c) conveniência, que obriga a Administração Pública a rever seus
próprios atos, anulando os ilegais, com prévia autorização do Poder
Judiciário;

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d) normatividade, que possibilita a Administração Pública de rever seus


próprios atos, invalidando os ilegais, com prévia autorização do Poder
Judiciário;
e) autotutela, que possibilita a Administração Pública de rever seus
próprios atos, invalidando os ilegais, sem necessidade de prévia
provocação do Poder Judiciário.

05. (FGV/Contador - Prefeitura de Niterói – RJ/2015) João, ocupante do


cargo efetivo municipal de contador, visando favorecer seu vizinho de
longa data, valendo-se da função pública de chefe do setor, pegou o
processo administrativo de seu amigo e, passando na frente de todos os
outros que aguardavam ser despachados há mais tempo, providenciou o
imediato andamento necessário. A conduta do servidor público no caso
em tela feriu, em tese, o princípio da administração pública que, por um
lado, objetiva a igualdade de tratamento que a Administração deve
dispensar aos administrados que se encontrem em idêntica situação
jurídica e, por outro, busca a supremacia do interesse público, e não do
privado, vedando-se, em consequência, sejam favorecidos alguns
indivíduos em detrimento de outros. Trata-se do princípio informativo
expresso do art. 37, caput, da Constituição da República, chamado
princípio da:
a) publicidade;
b) razoabilidade;
c) eficácia;
d) indisponibilidade;
e) impessoalidade.

06. (FGV/Técnico Legislativo - Câmara de Caruaru – PE/2015) Os


princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência, segundo a Constituição Federal de 1988, condicionam toda a
estrutura das organizações públicas.
Quando o agente público atua de forma imparcial, buscando somente o
fim público pretendido pela lei, sem privilégios ou discriminações de
qualquer natureza, seu procedimento está baseado no princípio da

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a) moralidade.
b) publicidade.
c) eficiência.
d) impessoalidade.
e) legalidade.

07. (FGV/Técnico Legislativo - Câmara de Caruaru – PE/2015) A


Constituição da República de 1988, em seu Art. 37, estabelece
expressamente que a Administração Pública direta e indireta obedecerá
aos seguintes princípios:
a) Legitimidade, imparcialidade, modicidade, popularidade e empatia.
b) Legalidade, imparcialidade, moralidade, popularidade e eficiência.
c) Legitimidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e empatia.
d) Legalidade, impessoalidade, modicidade, publicidade e eficiência.
e) Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

08. (FGV/Técnico – SSP AM/2015) A Constituição da República de 1988


dedicou um capítulo à Administração Pública e, em seu art. 37, deixou
expressos os princípios a serem observados por todas as pessoas
administrativas. Dentre esses princípios expressos, que revelam as
diretrizes fundamentais da Administração, destaca-se o princípio da:
a) competitividade, segundo o qual agente público deve desempenhar
com excelência suas atribuições para lograr resultados mais produtivos
do que aqueles alcançados pela iniciativa privada;
b) legalidade, segundo o qual existe uma presunção absoluta de que os
atos praticados pelos agentes administrativos estão de acordo com os
ditames legais;
c) pessoalidade, segundo o qual todos os administrados que se
encontrem em idêntica situação jurídica devem ser tratados da mesma
forma, sem privilégios pessoais;
d) improbidade, segundo o qual o administrador público deve pautar sua
conduta com preceitos éticos e agir com honestidade;

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e) eficiência, segundo o qual agente público deve desempenhar da


melhor forma possível suas atribuições, para lograr os melhores
resultados, inclusive na prestação dos serviços públicos.

09. (FGV/Técnico – SSP AM/2015) Daniel, Policial Militar, ao realizar


diligência destinada a reprimir o comércio ilícito de mercadorias
receptadas, encontrou em flagrante delito seu amigo de infância Juvenal
praticando crime. Por conta da longa amizade, Daniel deixou de realizar
sua prisão em flagrante e liberou seu amigo, inclusive com os bens objeto
do crime. No caso em tela, Daniel ofendeu mais diretamente os princípios
administrativos da:
a) legalidade e pessoalidade;
b) autotutela e disciplina;
c) publicidade e eficiência;
d) hierarquia e disciplina;
e) moralidade e impessoalidade.

10. (FGV/Analista Judiciário – TJ BA/2015) Os princípios administrativos


implícitos são diretrizes que orientam a Administração Pública, como
regras gerais de proceder, reconhecidas pela doutrina e pela
jurisprudência. Nesse contexto, destaca-se o princípio da:
a) supremacia do interesse público, segundo o qual os direitos
individuais dos cidadãos isoladamente considerados devem prevalecer
sobre os interesses da coletividade;
b) autotutela, segundo o qual a Administração Pública exerce o controle
sobre os seus próprios atos, com a possibilidade de anular os ilegais e
revogar os inconvenientes ou inoportunos, independentemente de
recurso ao Poder Judiciário;
c) indisponibilidade, segundo o qual os bens e interesses públicos
pertencem à Administração Pública e a seus agentes, que têm a livre
disposição sobre eles;
d) moralidade, segundo o qual os agentes administrativos devem agir
com improbidade administrativa, com escopo de observar a necessária
impessoalidade na prática do ato, para se atingir o interesse público;
e) eficiência, segundo o qual os agentes administrativos são obrigados a
utilizar moderna tecnologia e métodos mais eficazes do que aqueles

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disponíveis na iniciativa privada, com o objetivo de atingir o interesse


público.
11. (FGV/Analista Judiciário – TJ RJ/2015) Maria, diretora de
determinada creche municipal, recusou o pedido de matrícula do menor
Caio, de 3 anos, com o argumento de que a criança não tinha idade para
ser matriculada. Na semana seguinte, a direção da creche foi modificada,
assumindo Fernanda. A nova diretora, argumentando que a Constituição
da República estabelece que o dever do Estado com a educação será
efetivado mediante a garantia de educação infantil, em creche e pré-
escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade, declarou a invalidade do
ato administrativo que indeferiu a matrícula e matriculou Caio na creche.
A Administração Pública é autorizada a rever seus próprios atos,
inclusive declarando a nulidade dos ilegais, pelo princípio administrativo
da:
a) nulidade;
b) autotutela;
c) segurança jurídica;
d) eficiência;
e) moralidade.

12. (FGV/Analista Administrativo – PROCEMPA/2015) Assinale a opção


que apresenta somente princípios previstos expressamente no Art. 37,
caput, da Constituição da República Federativa do Brasil.
a) Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
economicidade.
b) Liberdade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficácia.
c) Legalidade, indelegabilidade, moralidade, pluralidade e eficiência.
d) Legalidade, impessoalidade, modicidade, publicidade e eficiência.
e) Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

13. (FGV/Tecnologia da Informação – TCM SP/2015) Membros da


comissão permanente de licitação de determinado Município fraudaram
um certame, para favorecer sociedade empresária cujo sócio
administrador é amigo íntimo de um dos membros da citada comissão.
No caso em tela, os agentes públicos envolvidos afrontaram diretamente

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o princípio administrativo expresso no art. 37, caput, da Constituição da


República. Trata-se do princípio da:

a) razoabilidade;
b) competitividade;
c) economicidade;
d) isonomia;
e) impessoalidade.

14. (FGV/Fiscal - Prefeitura de Florianópolis – SC/2015) Na clássica


comparação do doutrinador de Direito Administrativo Hely Lopes
Meirelles, enquanto os indivíduos no campo privado podem fazer tudo o
que a lei não veda, o administrador público só pode atuar onde a lei
autoriza. Tal afirmativa está relacionada diretamente ao princípio
administrativo expresso do Art. 37, caput, da Constituição da República
chamado princípio da:
a) igualdade;
b) impessoalidade;
c) moralidade;
d) legalidade;
e) eficiência.

15. (FGV/Fiscal - Prefeitura de Florianópolis – SC/2015) De acordo com


o texto constitucional, em matéria de disposições gerais da
Administração Pública, a publicidade dos atos, programas, obras,
serviços e campanhas dos órgãos públicos:
a) somente pode ser realizada por meio de veiculação, pela imprensa
oficial, de informações de caráter educativo ou de orientação social, dela
podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem
promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos, desde que
verdadeira a publicidade;
b) deve ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela
não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem
promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos;
c) tem natureza informativa, visando ao controle social das atividades
desempenhadas pelos Administradores, podendo constar nomes,

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símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades


ou servidores públicos, pelo princípio da transparência;
d) deve ter caráter informativo, eleitoral ou de orientação social, dela
não podendo constar informações que caracterizem promoção pessoal
de autoridades ou servidores públicos;
e) pode ser feita apenas em ano eleitoral e possui caráter educativo,
político ou de orientação social, dela não podendo constar nomes,
símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades
ou servidores públicos.

16. (FGV∕Auditor – TCE BA∕2013) Tendo em vista o princípio da ampla


defesa, aplicado no âmbito da Administração Pública, analise as
afirmativas a seguir.
I. O advogado é indispensável no processo administrativo disciplinar.
II. O direito de recorrer integra o princípio da ampla defesa.
III. A defesa anterior ao ato decisório mostra-se medida inerente à
ampla defesa.
Assinale:
a) se apenas a afirmativa I estiver correta.
b) se apenas a afirmativa II estiver correta
c) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas.
d) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas

17. (FGV∕Técnico – DPE RJ∕2014) Os princípios administrativos são os


postulados fundamentais que inspiram o modo de agir da Administração
Pública. Entre os princípios da Administração Pública, destaca-se:
a) impessoalidade, que diz que a pena não passará da pessoa do
condenado e que os sucessores responderão pelos débitos do falecido
apenas nos limites da herança.
b) moralidade, segundo o qual, no caso de aparente colisão, se deve
analisar no caso concreto qual direito fundamental deve prevalecer,
através da técnica da ponderação de interesses.
c) autotutela, segundo o qual qualquer lesão ou ameaça de lesão a direito
não será excluída da apreciação do Poder Judiciário, razão pela qual os
atos da Administração Pública também estão sujeitos ao controle
judicial.

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d) publicidade, que prevê que a ampla publicidade dos atos, programas,


obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter
educativo, informativo ou eleitoral.
e) continuidade dos serviços públicos, excetuado quando se permite a
paralisação temporária da atividade, como no caso de necessidade de
reparos técnicos.

18. (FGV∕Auditor – AL BA∕2014) No que concerne ao princípio da


autotutela, analise as afirmativas a seguir.
I. A autotutela poderá envolver o reexame de mérito de atos
administrativos.
II. A autotutela poderá envolver a revisão de atos ilegais.
III. A autotutela tem um de seus limites no instituto da decadência.
Assinale:
a) se todas as afirmativas estiverem corretas.
b) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
d) se apenas a afirmativa II estiver correta.
e) se apenas a afirmativa I estiver correta.

19. (FGV∕Juiz Substituto – TJ AM∕2013) A CRFB/88 colocou-se como


marco do Estado Democrático brasileiro, dando uma nova leitura à
legislação que foi por ela recepcionada. Possibilitou a sedimentação de
vários princípios administrativos, abrindo caminho para que, hoje, se fale
sobre a expectativa legítima, também chamada de proteção à confiança.
A esse respeito, assinale a afirmativa correta.
a) A proteção à confiança está intimamente ligada à publicidade, pois é
por causa desta, e imediatamente a esta, que se cria uma expectativa
legítima a ser defendida.
b) A expectativa legítima é um princípio que possui nascente no direito
alemão, não sendo aceito pelos tribunais brasileiros por violar o princípio
da legalidade
c) A expectativa legítima, a acarretar a necessidade de proteção à
confiança criada por uma conduta aparentemente legal da
Administração, recebe a chancela do princípio da segurança jurídica e
vem sendo aceita pelos tribunais brasileiros

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d) A expectativa legítima se prende ao princípio da eficiência, e apenas


pode ser chancelada se conveniente e oportuno ao interesse interno da
Administração, por meio de um juízo de razoabilidade econômica
e) A expectativa legítima liga-se à ideia de justa indenização no âmbito
da desapropriação, como forma de proteção à confiança no cumprimento
dos preceitos constitucionais
20. (FGV∕Analista Judiciário – TJ AM∕2013) A administração, revendo
interpretação de determinada lei, suprimiu direitos adquiridos por
servidores. A esse respeito, assinale a afirmativa correta.
a) A atitude é correta pois a administração pode agir da forma
mencionada com base na autotutela.
b) A administração agiu corretamente com base no princípio da
indisponibilidade do interesse público.
c) A administração agiu corretamente com base no princípio da
impessoalidade.
d) A administração agiu corretamente com base no princípio da
supremacia do interesse público.
e) A administração agiu incorretamente, pois violou a segurança jurídica.

21. (FGV∕Auxiliar Judiciário – TJ AM∕2013) A Administração Pública


direta e indireta de qualquer dos poderes da União obedecerá aos
princípios relacionados a seguir, à exceção de um. Assinale-o.
a) Publicidade.
b) Eficiência.
c) Moralidade.
d) Arbitrariedade.
e) Impessoalidade.

22. (FGV∕Analista Judiciário – TJ AM∕2013) A administração pública


interpretou uma determinada lei, reconhecendo que determinado
grupo de pessoas não deve ser tributado. Posteriormente alterou
essa interpretação e quer cobrar o tributo dessas pessoas de forma
retroativa. Tal atitude é vedada pelo nosso ordenamento jurídico.
Assinale a alternativa que indica o princípio que possui ligação direta e
imediata com essa vedação.
a) Indisponibilidade do interesse público.
b) Segurança jurídica.
c) Impessoalidade.
d) Supremacia do interesse público.

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e) Autotutela.

23. (FGV∕Advogado – INEA RJ∕2013) Acerca do princípio de confiança


legitima (Proteção da Confiança) no Direito Administrativo, analise as
afirmativas a seguir.
I. É o princípio que exige do administrador um agir conforme a lei,
mesmo que isso implique em prejuízo da Administração.
II. É o princípio que deriva da ideia de segurança jurídica e boa-fé
objetiva do administrado.
III. É o princípio segundo o qual a Administração Pública não pode mudar
de conduta se isso prejudica o administrado, uma vez que é vedado um
comportamento contraditório.
Assinale:
a) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
c) se somente a afirmativa III estiver correta.
d) se somente a afirmativa II estiver correta.
e) se somente a afirmativa I estiver correta.

24. (FGV∕Técnico Judiciário – TRE PA∕2012) De acordo com a


Constituição Federal de 1988, a Administração Pública obedecerá aos
seguintes princípios:
a) legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
b) legalidade, impessoalidade, moralidade, probidade e externalidade.
c) legitimidade, impessoalidade, moralidade, probidade e externalidade.
d) razoabilidade, proporcionalidade, improbidade e personalismo.
e) discricionariedade, ponderação, isenção e separação de poderes.

25. (FGV∕Técnico de Contabilidade – MPE RS∕2013) Princípios


administrativos são fundamentos que inspiram todo o modo de agir da
Administração Pública, estabelecendo as regras de conduta do Estado
quando no exercício da atividade administrativa. Com relação aos
princípios administrativos, analise as afirmativas a seguir.
I. Princípio da Legalidade - toda e qualquer atividade administrativa deve
ser autorizada por Lei.

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II. Princípio da Impessoalidade - aos administrados, que se encontram


em idêntica situação jurídica, deve ser dada igualdade de tratamento.
III. Princípio da Moralidade - os princípios éticos devem estar presentes
na conduta do administrador público.
Assinale:

A) se somente a afirmativa I estiver correta.


B) se somente a afirmativa II estiver correta.
C) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
D) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
E) se todas as afirmativas estiverem corretas.

26. (FGV∕Agente Penitenciário – SEGEP MA∕2013) “Princípios


administrativos são os postulados fundamentais que inspiram todo o
modo de agir da administração pública. Representam cânones pré-
normativos, norteando a conduta do Estado quando no exercício de
atividades administrativas.” (Carvalho Filho, J. S., 2012).
Tendo em conta a existência de princípios expressos e também dos
chamados princípios implícitos ou reconhecidos, assinale a alternativa
que apresenta somente princípios implícitos ou reconhecidos.
a) Razoabilidade, publicidade e autotutela.
b) Continuidade do serviço público, supremacia do interesse público e
segurança jurídica.
c) Eficiência, indisponibilidade do interesse público e segurança jurídica.
d) Moralidade, proporcionalidade e indisponibilidade do interesse
público.
e) Publicidade, autotutela e proporcionalidade.

27. (FGV∕Agente Penitenciário – SEGEP MA∕2013) "A Administração


Pública Direta e Indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios
constitucionais".”Os princípios constitucionais a que se refere o
fragmento acima estão relacionados a seguir, à exceção de um. Assinale-
o.
A) Legalidade.
B) Moralidade.
C) Pessoabilidade.
D) Publicidade.
E) Eficiência.

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28. (FGV∕Analista Técnico – SUDENE∕2013) A Administração Pública é


regida por uma série de princípios. Em relação ao princípio da
publicidade, assinale a afirmativa correta.
a) Em um Estado Democrático como o Brasil, o princípio da publicidade
é completamente irrestrito.
b) Por instrumentos, como o direito de certidão, é concretizado o
princípio da publicidade.
c) O princípio da publicidade é um princípio implícito.
d) O princípio da publicidade é um princípio absoluto.
e) O princípio da publicidade permite realizar a promoção pessoal de
agentes públicos.

29. (FGV∕Analista Técnico – SUDENE∕2013) Quanto aos princípios


constitucionais relativos à Administração Pública, analise as afirmativas
a seguir e assinale V para a verdadeira e F para a falsa.
( ) A Constituição estabelece que a Administração Pública obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência.
( ) A obediência ao princípio da eficiência pelos órgãos da Administração
Pública, por ter sido o último princípio acrescentado à Constituição
Federal, é facultativa.
( ) O princípio da eficiência está voltado para a ação idônea, a ação
econômica e a ação satisfatória na Administração Pública.
As afirmativas são respectivamente:
a) V, F e V.
b) V, V e F.
c) F, V e F.
d) V, F e F.
e) F, F e V.

30. (FGV∕Analista Técnico – SUDENE∕2013) Entre os princípios que


regem a Administração Pública, listados a seguir, assinale o que está
mais diretamente vinculado à probidade administrativa.
a) Igualdade.
b) Eficiência.
c) Publicidade.
d) Discricionariedade.

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e) Moralidade.

31. (FGV∕Consultor Legislativo – AL MA∕2013) "Os bens e interesses


públicos não pertencem à administração pública nem a seus agentes.
Cabe-lhes apenas administrá-los em prol da coletividade, esta, sim, a
verdadeira titular dos direitos e interesses públicos". O fragmento acima
se refere à diretriz que norteia os princípios da Administração Pública,
denominada
a) supremacia do interesse público.
b) tutela ou controle.
c) presunção da legitimidade.
d) indisponibilidade.
e) razoabilidade.

32. (FGV∕Auditor Fiscal – Pref. Angra dos Reis∕2010) A respeito dos


princípios básicos da Administração Pública, considera-se que
a) o princípio da eficiência é o único critério limitador da
discricionariedade administrativa.
b) o princípio da legalidade não autoriza o gestor público a, no exercício
de suas atribuições, praticar todos os atos que não estejam proibidos em
lei.
c) o princípio da eficiência faculta a Administração Pública que realize
policiamento dos atos administrativos que pratica.
d) o princípio da eficiência não pode ser exigido enquanto não for editada
a lei federal que deve estabelecer os seus contornos.
e) a possibilidade de revogar os atos administrativos por razões de
conveniência e oportunidade é manifestação do princípio da legalidade.

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GABARITO

01.C 02.D 03.A 04.E 05.E 06.D 07.E 08.E

09.E 10.B 11.B 12.E 13.E 14.D 15.B 16.D

17.E 18.A 19.C 20.E 21.D 22.B 23.D 24.A

25.E 26.B 27.C 28.B 29.A 30.E 31.D 32.B

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QUESTÕES COMENTADAS - PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

01. (FGV/Advogado – CODEMIG/2015) Além dos princípios expressos


previstos no art. 37, caput, da Constituição Federal, a Administração
Pública ainda se orienta por outras diretrizes que também se incluem em
sua principiologia. Trata-se de regras gerais de proceder da
Administração e são denominados princípios reconhecidos ou implícitos.
Dentre eles, de acordo com a doutrina de Direito Administrativo,
destaca-se o princípio da:
a) publicidade, segundo o qual exige-se a ampla divulgação dos atos
praticados pela Administração Pública, inclusive por parte do Poder
Judiciário, que não pode restringir a publicidade dos atos processuais,
nem mesmo quando a defesa da intimidade o exigir;
b) pessoalidade, segundo o qual a Administração deverá levar em
consideração as peculiaridades do caso concreto, como situação
econômica, cultural e social do administrado, para praticar determinado
ato administrativo em seu desfavor;
c) autotutela, segundo o qual a Administração exerce o controle sobre
os próprios atos, com a possibilidade de anular os ilegais e revogar os
inconvenientes ou inoportunos, independentemente de recurso ao Poder
Judiciário;
d) improbidade administrativa, segundo o qual os atos e contratos
administrativos deverão ser praticados da forma mais vantajosa para a
Administração Pública, visando ao lucro e ao interesse público;
e) continuidade dos serviços públicos, segundo o qual a Administração
deve prestar diretamente os serviços públicos essenciais, vedada a
delegação a particulares, a fim de evitar interrupções.

Comentários

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a) A CF/1988, em seu art. 5º, LX, dispõe que a lei só poderá restringir a
publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse
social o exigirem. Assertiva incorreta.
b) O princípio que consta expressamente no caput do art. 37 da CF/1988 é o da
impessoalidade e não o da pessoalidade, conforme apresentado no enunciado.
Assertiva incorreta.

c) A autotutela, uma decorrência do princípio constitucional da legalidade, é o


controle que a administração exerce sobre os seus próprios atos, o que lhe
confere a prerrogativa de anulá-los ou revogá-los, sem necessidade de
intervenção do Poder Judiciário. Assertiva correta.
d) Não existe um “princípio da improbidade administrativa”, mas sim uma lei que
versa sobre o assunto, qual seja, a Lei 8.429/1992. Ademais, a afirmação
apresentada pelo enunciado está completamente errada. Assertiva incorreta.
e) A prestação de serviços públicos deve ocorrer de forma contínua, não se
permitindo, em regra, a interrupção ou suspensão daqueles considerados
essenciais às atividades cotidianas da sociedade. Nesse caso, o princípio alcança
tanto os serviços prestados de forma direta quanto indiretamente (através de
concessionários ou permissionários) pelo Estado. Assertiva incorreta.
Gabarito: Letra c.

02. (FGV/Fiscal de Tributos - Prefeitura de Niterói – RJ/2015) Prefeito


Municipal, no exercício da função e utilizando verba pública, determinou
a confecção e distribuição de milhares de panfletos, às vésperas do dia
dos pais, com os seguintes dizeres: “O Prefeito Fulano, na qualidade de
melhor administrador público do país e verdadeiro pai para seus
administrados, deseja feliz dia dos pais a todos. Nas próximas eleições,
continuem me prestigiando com o seu voto!”. Essa conduta do agente
político feriu, frontal e mais diretamente, os seguintes princípios
administrativos expressos no art. 37, caput, da Constituição Federal:
a) probidade e pessoalidade;
b) indisponibilidade e legalidade;
c) autotutela e igualdade;
d) impessoalidade e moralidade;
e) isonomia e eficiência.

Comentários

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A CF/1988, em seu art. 37, § 1º, dispõe que “a publicidade dos atos, programas,
obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo,
informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos
ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores
públicos”.

Ao realizar a divulgação dos atos, programas, obras e serviços executados pela


Administração Pública, o gestor público não pode se valer da oportunidade para
promover o seu nome ou imagem perante a sociedade, apresentando-se como
se fosse o único responsável pelos feitos administrativos. Também não pode ser
aproveitar do fato de exercer função pública (o que lhe garante respeito e
prestígio perante outras autoridades) para atribuir o seu nome ou de parentes
vivos a bens públicos ou se autopromover em datas comemorativas.
Caso essas condutas sejam praticadas, não restam dúvidas de que será violado
o princípio da impessoalidade. Ademais, como consequência também será
afrontado o princípio da moralidade administrativa.
Gabarito: Letra d.

03. (FGV/Guarda Municipal - Prefeitura de Paulínia – SP/2015)


Princípios administrativos são os postulados fundamentais que
conduzem todo o modo de agir da Administração Pública como um todo.
O art. 37, caput, da Constituição da República elencou os chamados
princípios administrativos expressos a serem observados por todas as
pessoas administrativas de qualquer dos entes federativos, como por
exemplo, os princípios da:
a) impessoalidade, eficiência e moralidade;
b) igualdade, legalidade e improbidade;
c) legalidade, disponibilidade e proporcionalidade;
d) eficácia, isonomia e economicidade;
e) igualdade, pessoalidade e razoabilidade.

Comentários
Princípios básicos da Administração Pública são aqueles expressos no art. 37 da
Constituição Federal de 1988, a saber: legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência (o famoso “L.I.M.P.E.”). Esse é o entendimento da
doutrina majoritária.

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Todavia, o art. 37 da Constituição Federal não é taxativo, pois, outros princípios


existem, previstos em leis esparsas, ou, mesmo, não expressamente
contemplados no direito objetivo, aos quais se sujeita a Administração Pública

Gabarito: Letra a.

04. (FGV/Fiscal de Posturas - Prefeitura de Niterói – RJ/2015) Ao


realizar diligência fiscalizatória, André, Fiscal de Posturas Municipal,
lavrou auto de infração em desfavor do cidadão Hamilton, por realizar
atividade sem a respectiva licença, não obstante lhe tenha sido
apresentado o documento necessário. No prazo legal, Hamilton
apresentou defesa e logrou comprovar que possuía a necessária licença,
que foi desconsiderada pelo agente público no momento da fiscalização.
Assim sendo, o Município concluiu pela procedência da impugnação e
declarou a invalidade do auto de infração. A decisão da municipalidade
de revisar seu próprio ato (por provocação ou até de ofício) foi baseada
no princípio implícito de Direito Administrativo da:
a) revogabilidade, que obriga a Administração Pública a rever seus
próprios atos, revogando os ilegais, sem necessidade de prévia
provocação do Poder Judiciário;
b) anulação, que possibilita a Administração Pública de rever seus
próprios atos, revogando os ilegais, sem necessidade de prévia
provocação do Poder Judiciário;
c) conveniência, que obriga a Administração Pública a rever seus
próprios atos, anulando os ilegais, com prévia autorização do Poder
Judiciário;
d) normatividade, que possibilita a Administração Pública de rever seus
próprios atos, invalidando os ilegais, com prévia autorização do Poder
Judiciário;
e) autotutela, que possibilita a Administração Pública de rever seus
próprios atos, invalidando os ilegais, sem necessidade de prévia
provocação do Poder Judiciário.
Comentários
A Administração Pública, mesmo após a edição de seus atos, continua realizando
sobre eles efetivo e constante controle administrativo. Assim, caso verifique
posteriormente que editou ato ilegal, está autorizada a anulá-lo. No mesmo

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sentido, caso edite ato legal que futuramente se torne inconveniente ou


inoportuno, poderá realizar a revogação. Trata-se de uma consequência do
princípio da autotutela.
É o que consta no teor da súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, que assim
dispõe:

A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os
tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo
de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e
ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.
A anulação e revogação de ato administrativo podem ocorrer tanto de ofício, por
iniciativa da própria administração, quanto por provocação de particulares
atingidos pelos seus efeitos. Entretanto, a possibilidade de a própria
administração revisar os seus atos não afasta eventual controle pelo Poder
Judiciário, que possui a prerrogativa de analisar a legalidade de todos os atos
administrativos, sejam eles vinculados ou discricionários.
Gabarito: Letra e.

05. (FGV/Contador - Prefeitura de Niterói – RJ/2015) João, ocupante do


cargo efetivo municipal de contador, visando favorecer seu vizinho de
longa data, valendo-se da função pública de chefe do setor, pegou o
processo administrativo de seu amigo e, passando na frente de todos os
outros que aguardavam ser despachados há mais tempo, providenciou o
imediato andamento necessário. A conduta do servidor público no caso
em tela feriu, em tese, o princípio da administração pública que, por um
lado, objetiva a igualdade de tratamento que a Administração deve
dispensar aos administrados que se encontrem em idêntica situação
jurídica e, por outro, busca a supremacia do interesse público, e não do
privado, vedando-se, em consequência, sejam favorecidos alguns
indivíduos em detrimento de outros. Trata-se do princípio informativo
expresso do art. 37, caput, da Constituição da República, chamado
princípio da:
a) publicidade;
b) razoabilidade;
c) eficácia;
d) indisponibilidade;

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e) impessoalidade.
Comentários
O princípio de direito administrativo que objetiva o tratamento igualitário aos
administrados por parte da administração, representando um desdobramento do
princípio da isonomia, é o princípio da impessoalidade.
O princípio da impessoalidade impõe à Administração Pública a obrigação de
conceder tratamento isonômico a todos os administrados que se encontram
em idêntica situação jurídica. Assim, fica vedado o tratamento privilegiado a
um ou alguns indivíduos em função de amizade, parentesco ou troca de favores.
O princípio também proíbe que administradores públicos pratiquem atos
prejudiciais aos particulares em razão de inimizades ou perseguições políticas.
Gabarito: Letra e.

06. (FGV/Técnico Legislativo - Câmara de Caruaru – PE/2015) Os


princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência, segundo a Constituição Federal de 1988, condicionam toda a
estrutura das organizações públicas.
Quando o agente público atua de forma imparcial, buscando somente o
fim público pretendido pela lei, sem privilégios ou discriminações de
qualquer natureza, seu procedimento está baseado no princípio da
a) moralidade.
b) publicidade.
c) eficiência.
d) impessoalidade.
e) legalidade.
Comentários
O princípio da impessoalidade impõe à Administração Pública a obrigação de
conceder tratamento isonômico a todos os administrados que se encontrarem
em idêntica situação jurídica. Assim, fica vedado o tratamento privilegiado a
um ou alguns indivíduos em função de amizade, parentesco ou troca de favores.
Da mesma forma, o princípio também veda aos administradores que pratiquem
atos prejudiciais ao particular em razão de inimizade ou perseguição política,
por exemplo.
Gabarito: Letra d.

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07. (FGV/Técnico Legislativo - Câmara de Caruaru – PE/2015) A


Constituição da República de 1988, em seu Art. 37, estabelece
expressamente que a Administração Pública direta e indireta obedecerá
aos seguintes princípios:

a) Legitimidade, imparcialidade, modicidade, popularidade e empatia.


b) Legalidade, imparcialidade, moralidade, popularidade e eficiência.
c) Legitimidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e empatia.
d) Legalidade, impessoalidade, modicidade, publicidade e eficiência.
e) Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Comentários
Eis uma questão muito simples, que tem sido cobrada frequentemente em provas
da Fundação Getúlio Vargas. De qualquer forma, penso que dificilmente você a
errará se for cobrada no seu concurso!!
Lembre-se de que os princípios básicos da Administração Pública são aqueles
expressos no art. 37 da Constituição Federal de 1988, a saber: legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (o famoso “L.I.M.P.E.”).
Esse é o entendimento da doutrina majoritária.
Todavia, o art. 37 da Constituição Federal não é taxativo, pois, outros princípios
existem, previstos em leis esparsas, ou, mesmo, não expressamente
contemplados no direito objetivo, aos quais se sujeita a Administração Pública
Gabarito: Letra e.

08. (FGV/Técnico – SSP AM/2015) A Constituição da República de 1988


dedicou um capítulo à Administração Pública e, em seu art. 37, deixou
expressos os princípios a serem observados por todas as pessoas
administrativas. Dentre esses princípios expressos, que revelam as
diretrizes fundamentais da Administração, destaca-se o princípio da:
a) competitividade, segundo o qual agente público deve desempenhar
com excelência suas atribuições para lograr resultados mais produtivos
do que aqueles alcançados pela iniciativa privada;

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b) legalidade, segundo o qual existe uma presunção absoluta de que os


atos praticados pelos agentes administrativos estão de acordo com os
ditames legais;
c) pessoalidade, segundo o qual todos os administrados que se
encontrem em idêntica situação jurídica devem ser tratados da mesma
forma, sem privilégios pessoais;
d) improbidade, segundo o qual o administrador público deve pautar sua
conduta com preceitos éticos e agir com honestidade;
e) eficiência, segundo o qual agente público deve desempenhar da
melhor forma possível suas atribuições, para lograr os melhores
resultados, inclusive na prestação dos serviços públicos.
Comentários
A CF/1988, em seu art. 37, caput, dispõe expressamente que a administração
pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
Nesses termos, fica fácil eliminarmos as alternativas que fazem referência aos
princípios da “competitividade”, “pessoalidade” e “improbidade”. Ademais, deve
ficar claro que o princípio da legalidade não assegura a presunção absoluta de
que os atos administrativos foram editados em conformidade com a lei. Sempre
que o ato possuir alguma ilegalidade, pode ser impugnado pelo destinatário
perante o Poder Judiciário ou a própria Administração Pública.
Sendo assim, somente nos restou o princípio da eficiência como resposta da
questão. A propósito, destaca-se que tal princípio somente foi introduzido no
texto constitucional em 1998, com a promulgação da Emenda Constitucional nº.
19. Antes disso, ele era considerado um princípio implícito.
O professor Diógenes Gasparini informa que esse princípio é conhecido entre os
italianos como “dever de boa administração” e impõe à Administração Pública
direta e indireta a obrigação de realizar suas atribuições com rapidez, perfeição
e rendimento.
Gabarito: Letra e.

09. (FGV/Técnico – SSP AM/2015) Daniel, Policial Militar, ao realizar


diligência destinada a reprimir o comércio ilícito de mercadorias
receptadas, encontrou em flagrante delito seu amigo de infância Juvenal
praticando crime. Por conta da longa amizade, Daniel deixou de realizar

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sua prisão em flagrante e liberou seu amigo, inclusive com os bens objeto
do crime. No caso em tela, Daniel ofendeu mais diretamente os princípios
administrativos da:
a) legalidade e pessoalidade;
b) autotutela e disciplina;
c) publicidade e eficiência;
d) hierarquia e disciplina;
e) moralidade e impessoalidade.
Comentários
O princípio da impessoalidade impõe à Administração Pública a obrigação de
conceder tratamento isonômico a todos os administrados que se encontrarem
em idêntica situação jurídica. Assim, fica vedado o tratamento privilegiado a
um ou alguns indivíduos em função de amizade, parentesco ou troca de favores.
Da mesma forma, o princípio também veda aos administradores que pratiquem
atos prejudiciais ao particular em razão de inimizade ou perseguição política,
por exemplo.
Nesse caso, tem-se o princípio da impessoalidade como uma faceta do princípio
da isonomia, e a obrigatoriedade de realização de concurso público para
ingresso em cargo ou emprego público (artigo 37, II), bem como a
obrigatoriedade de realização de licitação pela Administração (artigo 37, XXI),
são exemplos clássicos de tal princípio, já que proporcionam igualdade de
condições para todos os interessados.
Em suma, o princípio da impessoalidade impõe que as condutas praticadas por
agentes públicos tenham o objetivo precípuo de satisfazer o interesse público,
sem favorecer ou prejudicar determinados grupos ou categorias em razão de
condições pessoais, diferentemente da conduta do Policial Militar, que, em razão
da amizade, liberou o seu amigo da prisão.
Gabarito: Letra e.

10. (FGV/Analista Judiciário – TJ BA/2015) Os princípios administrativos


implícitos são diretrizes que orientam a Administração Pública, como
regras gerais de proceder, reconhecidas pela doutrina e pela
jurisprudência. Nesse contexto, destaca-se o princípio da:

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a) supremacia do interesse público, segundo o qual os direitos


individuais dos cidadãos isoladamente considerados devem prevalecer
sobre os interesses da coletividade;
b) autotutela, segundo o qual a Administração Pública exerce o controle
sobre os seus próprios atos, com a possibilidade de anular os ilegais e
revogar os inconvenientes ou inoportunos, independentemente de
recurso ao Poder Judiciário;
c) indisponibilidade, segundo o qual os bens e interesses públicos
pertencem à Administração Pública e a seus agentes, que têm a livre
disposição sobre eles;
d) moralidade, segundo o qual os agentes administrativos devem agir
com improbidade administrativa, com escopo de observar a necessária
impessoalidade na prática do ato, para se atingir o interesse público;
e) eficiência, segundo o qual os agentes administrativos são obrigados a
utilizar moderna tecnologia e métodos mais eficazes do que aqueles
disponíveis na iniciativa privada, com o objetivo de atingir o interesse
público.
Comentários
a) Apesar de não constar expressamente no texto constitucional, o princípio da
supremacia do interesse público sobre o privado é um dos responsáveis pela
estruturação do regime jurídico-administrativo, estabelecendo a posição de
supremacia da Administração Pública nas relações jurídicas travadas com os
particulares (relação vertical). Assertiva incorreta.
b) A Administração Pública, mesmo após a edição de seus atos, continua
realizando sobre eles efetivo e constante controle administrativo. Assim, caso
verifique posteriormente que editou ato ilegal, está autorizada a anulá-lo. No
mesmo sentido, caso edite ato legal que futuramente se torne inconveniente
ou inoportuno, poderá realizar a revogação. Trata-se de uma consequência do
princípio da autotutela. Assertiva correta.
c) De acordo com o princípio da indisponibilidade, os bens e interesses públicos
não pertencem à Administração, cabendo aos agentes administrativos apenas
geri-los e conservá-los em prol da coletividade. Assertiva incorreta.
d) O princípio da moralidade, também previsto expressamente no artigo 37,
caput, da Constituição Federal de 1988, determina que os atos e atividades da
Administração devem obedecer não só à lei, mas também à própria moral, pois
nem tudo que é legal é honesto. Como consequência do princípio da moralidade,

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os agentes públicos devem agir com honestidade, boa-fé e lealdade,


respeitando a isonomia e demais preceitos éticos. Assertiva incorreta.
e) O professor Diógenes Gasparini informa que esse princípio é conhecido entre
os italianos como “dever de boa administração” e impõe à Administração Pública
direta e indireta a obrigação de realizar suas atribuições com rapidez, perfeição
e rendimento. Todavia, não existe a obrigatoriedade de que sejam utilizados
métodos mais eficientes do que aqueles utilizados na iniciativa privada, o que
seria uma violação ao bom senso. Assertiva incorreta.
Gabarito: Letra b

11. (FGV/Analista Judiciário – TJ RJ/2015) Maria, diretora de


determinada creche municipal, recusou o pedido de matrícula do menor
Caio, de 3 anos, com o argumento de que a criança não tinha idade para
ser matriculada. Na semana seguinte, a direção da creche foi modificada,
assumindo Fernanda. A nova diretora, argumentando que a Constituição
da República estabelece que o dever do Estado com a educação será
efetivado mediante a garantia de educação infantil, em creche e pré-
escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade, declarou a invalidade do
ato administrativo que indeferiu a matrícula e matriculou Caio na creche.
A Administração Pública é autorizada a rever seus próprios atos,
inclusive declarando a nulidade dos ilegais, pelo princípio administrativo
da:
a) nulidade;
b) autotutela;
c) segurança jurídica;
d) eficiência;
e) moralidade.
Comentários
A Administração Pública, mesmo após a edição de seus atos, continua realizando
sobre eles efetivo e constante controle administrativo. Assim, caso verifique
posteriormente que editou ato ilegal, está autorizada a anulá-lo. No mesmo
sentido, caso edite ato legal que futuramente se torne inconveniente ou
inoportuno, poderá realizar a revogação. Trata-se de uma consequência do
princípio da autotutela.
É o que consta no teor da súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, que assim
dispõe:

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A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os
tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo
de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e
ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.
A anulação e revogação de ato administrativo podem ocorrer tanto de ofício, por
iniciativa da própria administração, quanto por provocação de particulares
atingidos pelos seus efeitos. Entretanto, a possibilidade de a própria
administração revisar os seus atos não afasta eventual controle pelo Poder
Judiciário, que possui a prerrogativa de analisar a legalidade de todos os atos
administrativos, sejam eles vinculados ou discricionários.
Gabarito: Letra b.
12. (FGV/Analista Administrativo – PROCEMPA/2015) Assinale a opção
que apresenta somente princípios previstos expressamente no Art. 37,
caput, da Constituição da República Federativa do Brasil.
a) Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
economicidade.
b) Liberdade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficácia.
c) Legalidade, indelegabilidade, moralidade, pluralidade e eficiência.
d) Legalidade, impessoalidade, modicidade, publicidade e eficiência.
e) Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
Comentários
Mais uma vez, a banca elaborou uma questãozinha sobre os princípios básicos da
Administração Pública. É muita moleza!
Lembre-se de que os princípios básicos da Administração Pública são aqueles
expressos no art. 37 da Constituição Federal de 1988, a saber: legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (o famoso “L.I.M.P.E.”).
Esse é o entendimento da doutrina majoritária.
Todavia, o art. 37 da Constituição Federal não é taxativo, pois, outros princípios
existem, previstos em leis esparsas, ou, mesmo, não expressamente
contemplados no direito objetivo, aos quais se sujeita a Administração Pública
Gabarito: Letra e.

13. (FGV/Tecnologia da Informação – TCM SP/2015) Membros da


comissão permanente de licitação de determinado Município fraudaram
um certame, para favorecer sociedade empresária cujo sócio

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administrador é amigo íntimo de um dos membros da citada comissão.


No caso em tela, os agentes públicos envolvidos afrontaram diretamente
o princípio administrativo expresso no art. 37, caput, da Constituição da
República. Trata-se do princípio da:
a) razoabilidade;
b) competitividade;
c) economicidade;
d) isonomia;
e) impessoalidade.

Comentários
O princípio de direito administrativo que objetiva o tratamento igualitário aos
administrados por parte da administração, representando um desdobramento do
princípio da isonomia, é o princípio da impessoalidade.
O princípio da impessoalidade impõe à Administração Pública a obrigação de
conceder tratamento isonômico a todos os administrados que se encontram
em idêntica situação jurídica. Assim, fica vedado o tratamento privilegiado a
um ou alguns indivíduos em função de amizade, parentesco ou troca de favores.
O princípio também proíbe que administradores públicos pratiquem atos
prejudiciais aos particulares em razão de inimizades ou perseguições políticas.
Gabarito: Letra e.

14. (FGV/Fiscal - Prefeitura de Florianópolis – SC/2015) Na clássica


comparação do doutrinador de Direito Administrativo Hely Lopes
Meirelles, enquanto os indivíduos no campo privado podem fazer tudo o
que a lei não veda, o administrador público só pode atuar onde a lei
autoriza. Tal afirmativa está relacionada diretamente ao princípio
administrativo expresso do Art. 37, caput, da Constituição da República
chamado princípio da:
a) igualdade;
b) impessoalidade;
c) moralidade;
d) legalidade;
e) eficiência.
Comentários

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Atualmente, o princípio da legalidade pode ser estudado sob dois enfoques


distintos: em relação aos particulares e em relação à Administração Pública.
Em relação aos particulares, o princípio da legalidade está consagrado no
inciso II, artigo 5º, da Constituição Federal de 1988, segundo o qual
"ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude
da lei".
Isso significa que, em regra, somente uma lei (ato emanado do Poder
Legislativo) pode impor obrigações aos particulares.
Em relação à Administração, o princípio da legalidade assume um enfoque
diferente. Nesse caso, está previsto expressamente no caput, do artigo 37, da
Constituição Federal de 1988, significando que a Administração Pública somente
pode agir se existir uma norma legal autorizando.
Segundo o professor Celso Antônio Bandeira de Mello, o princípio da legalidade
“implica subordinação completa do administrador à lei. Todos os agentes
públicos, desde o que ocupe a cúspide até o mais modesto deles, devem ser
instrumentos de fiel e dócil realização das finalidades normativas”.
Gabarito: Letra d.

15. (FGV/Fiscal - Prefeitura de Florianópolis – SC/2015) De acordo com


o texto constitucional, em matéria de disposições gerais da
Administração Pública, a publicidade dos atos, programas, obras,
serviços e campanhas dos órgãos públicos:
a) somente pode ser realizada por meio de veiculação, pela imprensa
oficial, de informações de caráter educativo ou de orientação social, dela
podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem
promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos, desde que
verdadeira a publicidade;
b) deve ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela
não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem
promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos;
c) tem natureza informativa, visando ao controle social das atividades
desempenhadas pelos Administradores, podendo constar nomes,
símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades
ou servidores públicos, pelo princípio da transparência;

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d) deve ter caráter informativo, eleitoral ou de orientação social, dela


não podendo constar informações que caracterizem promoção pessoal
de autoridades ou servidores públicos;
e) pode ser feita apenas em ano eleitoral e possui caráter educativo,
político ou de orientação social, dela não podendo constar nomes,
símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades
ou servidores públicos.
Comentários
O princípio da impessoalidade afirma que os atos praticados pela Administração
Pública não podem ser utilizados para a promoção pessoal de agente público,
mandamento expresso na segunda parte, do § 1º, artigo 37, da Constituição
Federal de 1988:

§ 1º. A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos
públicos deverão ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela
não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem
promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.
Os atos praticados pelos agentes púbicos devem ser imputados à entidade
política (União, Estados, Municípios e Distrito Federal) ou administrativa
(autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações
públicas e consórcios públicos de direito público) às quais se encontram
vinculados, portanto, não poderão ser utilizados para a promoção pessoal de
quem quer que seja.
Gabarito: Letra b.

16. (FGV∕Auditor – TCE BA∕2013) Tendo em vista o princípio da ampla


defesa, aplicado no âmbito da Administração Pública, analise as
afirmativas a seguir.
I. O advogado é indispensável no processo administrativo disciplinar.
II. O direito de recorrer integra o princípio da ampla defesa.
III. A defesa anterior ao ato decisório mostra-se medida inerente à
ampla defesa.
Assinale:
a) se apenas a afirmativa I estiver correta.
b) se apenas a afirmativa II estiver correta

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c) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas.


d) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas

Comentários
Item I – A súmula vinculante nº 5 do Supremo Tribunal Federal dispõe
que “a falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar
não ofende a Constituição”. Assim, pode-se concluir que a presença de advogado
no processo administrativo disciplinar não é imprescindível. Trata-se de uma
faculdade assegurada ao agente público que está sendo processado. Assertiva
incorreta.
Item II - Em relação ao princípio da ampla defesa, afirma-se que está
inserido no âmbito do princípio do contraditório, assegurando aos administrados
a possibilidade de se valerem de todos os meios permitidos legalmente para
fundamentar suas alegações, inclusive a propositura de recursos em face de
decisões que não lhes sejam favoráveis. Assertiva correta.
Item III – Se a defesa é apresentada antes do ato decisório, não restam
dúvidas de que a autoridade responsável pela decisão terá acesso aos
argumentos daquele que está sendo processado, garantindo-se, assim, a
observância da ampla defesa. Assertiva correta.
Gabarito: Letra d.

17. (FGV∕Técnico – DPE RJ∕2014) Os princípios administrativos são os


postulados fundamentais que inspiram o modo de agir da Administração
Pública. Entre os princípios da Administração Pública, destaca-se:
a) impessoalidade, que diz que a pena não passará da pessoa do
condenado e que os sucessores responderão pelos débitos do falecido
apenas nos limites da herança.
b) moralidade, segundo o qual, no caso de aparente colisão, se deve
analisar no caso concreto qual direito fundamental deve prevalecer,
através da técnica da ponderação de interesses.
c) autotutela, segundo o qual qualquer lesão ou ameaça de lesão a direito
não será excluída da apreciação do Poder Judiciário, razão pela qual os
atos da Administração Pública também estão sujeitos ao controle
judicial.
d) publicidade, que prevê que a ampla publicidade dos atos, programas,
obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter
educativo, informativo ou eleitoral.

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e) continuidade dos serviços públicos, excetuado quando se permite a


paralisação temporária da atividade, como no caso de necessidade de
reparos técnicos.
Comentários
a) O princípio da impessoalidade impõe à Administração Pública a obrigação
de conceder tratamento isonômico a todos os administrados que se encontram
em idêntica situação jurídica. Assim, fica vedado o tratamento privilegiado a
um ou alguns indivíduos em função de amizade, parentesco ou troca de favores.
O princípio também proíbe que administradores públicos pratiquem atos
prejudiciais aos particulares em razão de inimizades ou perseguições políticas.
O enunciado está se referindo ao princípio da personalização da pena,
desenvolvido no âmbito do Direito Penal e que também, em situações específicas,
pode ser utilizado no âmbito do Direito Administrativo. Assertiva incorreta.
b) O princípio da moralidade também está previsto expressamente no
artigo 37, caput, da Constituição Federal de 1988, impondo que agentes
públicos e particulares que se relacionem com a Administração Pública atuem
com honestidade, boa-fé e lealdade, respeitando a isonomia e demais preceitos
éticos. Assertiva incorreta.
c) O princípio da autotutela encontra fundamento na súmula 473 do
Supremo Tribunal Federal, ao dispor que “a administração pode anular seus
próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não
se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação
judicial”. Analisando-se o enunciado, constata-se que a banca está se referindo
ao princípio do amplo acesso ao Poder Judiciário, um dos princípios
constitucionais, inerentes ao processo civil, previstos no art. 5º da CF∕1988.
Assertiva incorreta.
d) A CF/1988, em seu art. 37, § 1º, dispõe que “a publicidade dos atos,
programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter
educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes,
símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou
servidores públicos”. Perceba que não há qualquer referência a fins eleitorais
na divulgação dos atos da Administração Pública, portanto, assertiva incorreta.
e) Apesar da essencialidade, destaca-se que a Lei nº 8.987∕1995, no seu
art. 6º, § 3º, prevê duas hipóteses legais de interrupção da prestação de
serviços públicos sem violação ao princípio da continuidade: “Art. 6º. § 3º.
Não se caracteriza como descontinuidade do serviço a sua interrupção em
situação de emergência ou após prévio aviso, quando: I - motivada por

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razões de ordem técnica ou de segurança das instalações; e, II - por


inadimplemento do usuário, considerado o interesse da coletividade”. Assertiva
correta.
Gabarito: Letra e.

18. (FGV∕Auditor – AL BA∕2014) No que concerne ao princípio da


autotutela, analise as afirmativas a seguir.
I. A autotutela poderá envolver o reexame de mérito de atos
administrativos.
II. A autotutela poderá envolver a revisão de atos ilegais.
III. A autotutela tem um de seus limites no instituto da decadência.
Assinale:

a) se todas as afirmativas estiverem corretas.


b) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
c) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
d) se apenas a afirmativa II estiver correta.
e) se apenas a afirmativa I estiver correta.

Comentários
Item I - A autotutela, uma decorrência do princípio constitucional da
legalidade, é o controle que a administração exerce sobre os seus próprios atos,
o que lhe confere a prerrogativa de anulá-los ou revogá-los (reexaminar o
mérito), sem necessidade de intervenção do Poder Judiciário. Assertiva correta.
Item II – Decorre do princípio da autotutela a prerrogativa assegurada à
Administração Pública de anular os seus próprios atos administrativos, quando
ilegais, mediante provocação de terceiros ou de ofício. Assertiva correta.
Item III – O art. 54 da Lei 9.784∕1999 dispõe que “o direito da
Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos
favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que
foram praticados, salvo comprovada má-fé”. Assertiva correta.
Gabarito: Letra a.

19. (FGV∕Juiz Substituto – TJ AM∕2013) A CRFB/88 colocou-se como


marco do Estado Democrático brasileiro, dando uma nova leitura à

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legislação que foi por ela recepcionada. Possibilitou a sedimentação de


vários princípios administrativos, abrindo caminho para que, hoje, se fale
sobre a expectativa legítima, também chamada de proteção à confiança.
A esse respeito, assinale a afirmativa correta.
a) A proteção à confiança está intimamente ligada à publicidade, pois é
por causa desta, e imediatamente a esta, que se cria uma expectativa
legítima a ser defendida.
b) A expectativa legítima é um princípio que possui nascente no direito
alemão, não sendo aceito pelos tribunais brasileiros por violar o princípio
da legalidade
c) A expectativa legítima, a acarretar a necessidade de proteção à
confiança criada por uma conduta aparentemente legal da
Administração, recebe a chancela do princípio da segurança jurídica e
vem sendo aceita pelos tribunais brasileiros
d) A expectativa legítima se prende ao princípio da eficiência, e apenas
pode ser chancelada se conveniente e oportuno ao interesse interno da
Administração, por meio de um juízo de razoabilidade econômica
e) A expectativa legítima liga-se à ideia de justa indenização no âmbito
da desapropriação, como forma de proteção à confiança no cumprimento
dos preceitos constitucionais

Comentários
Maria Sylvia Zanella di Pietro afirma que, “na realidade, o princípio da
proteção à confiança leva em conta a boa-fé do cidadão, que acredita e espera
que os atos praticados pelo Poder Público sejam lícitos e, nessa qualidade, serão
mantidos e respeitados pela própria Administração e por terceiros”.
A atividade administrativa deve ser pautada na estabilidade e
previsibilidade, prestigiando-se a confiança depositada pelo administrado de
boa-fé e que o levou a usufruir dos direitos concedidos pelo respectivo ato.
Assim, não deve ser surpreendido e prejudicado futuramente por eventual
decisão administrativa de extinção de seus efeitos sob a alegação de equivocada
ou má interpretação da legislação vigente. Trata-se de uma decorrência do
princípio da segurança jurídica, com ampla aceitação da jurisprudência nacional.
Gabarito: Letra c.

20. (FGV∕Analista Judiciário – TJ AM∕2013) A administração, revendo


interpretação de determinada lei, suprimiu direitos adquiridos por
servidores. A esse respeito, assinale a afirmativa correta.

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a) A atitude é correta pois a administração pode agir da forma


mencionada com base na autotutela.
b) A administração agiu corretamente com base no princípio da
indisponibilidade do interesse público.
c) A administração agiu corretamente com base no princípio da
impessoalidade.
d) A administração agiu corretamente com base no princípio da
supremacia do interesse público.
e) A administração agiu incorretamente, pois violou a segurança jurídica.

Comentários
A Lei nº 9.784/1999, em seu art. 2º, XIII, dispõe que nos processos
administrativos serão observados, entre outros, os critérios de:
XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor
garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada
aplicação retroativa de nova interpretação.
Analisando-se a regra em comento, que versa sobre o princípio da
segurança jurídica, constata-se que a as entidades e órgãos administrativos
podem alterar as interpretações que possuem sobre a execução dos dispositivos
legais vigentes. Entretanto, a nova interpretação somente poderá ser aplicada
às situações jurídicas futuras, não prejudicando, assim, aqueles que foram
beneficiados pela interpretação administrativa anterior.
Desse modo, não restam dúvidas de que a administração agiu
incorretamente no caso em concreto, pois violou a segurança jurídica.

Gabarito: Letra e.

21. (FGV∕Auxiliar Judiciário – TJ AM∕2013) A Administração Pública


direta e indireta de qualquer dos poderes da União obedecerá aos
princípios relacionados a seguir, à exceção de um. Assinale-o.
a) Publicidade.
b) Eficiência.
c) Moralidade.
d) Arbitrariedade.
e) Impessoalidade.

Comentários

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Segundo a doutrina majoritária, PRINCÍPIOS BÁSICOS da Administração


Pública são aqueles previstos expressamente no art. 37 da Constituição Federal,
a saber: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência (o
famoso L.I.M.P.E.). Nesse sentido, os demais princípios poderiam ser
classificados como GERAIS, pois estão previstos em leis esparsas ou são fruto do
entendimento doutrinário e jurisprudencial.
Analisando-se o inteiro teor do enunciado, perceba que somente a
“arbitrariedade” não pode ser considerada um princípio, pois se trata, na verdade,
de conduta repudiada pela legislação.

Gabarito: Letra d.

22. (FGV∕Analista Judiciário – TJ AM∕2013) A administração pública


interpretou uma determinada lei, reconhecendo que determinado
grupo de pessoas não deve ser tributado. Posteriormente alterou
essa interpretação e quer cobrar o tributo dessas pessoas de forma
retroativa. Tal atitude é vedada pelo nosso ordenamento jurídico.
Assinale a alternativa que indica o princípio que possui ligação direta e
imediata com essa vedação.
a) Indisponibilidade do interesse público.
b) Segurança jurídica.
c) Impessoalidade.
d) Supremacia do interesse público.
e) Autotutela.

Comentários
A Lei nº 9.784/1999, em seu art. 2º, XIII, dispõe que nos processos
administrativos serão observados, entre outros, os critérios de:
XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor
garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada
aplicação retroativa de nova interpretação.
Analisando-se a regra em comento, que versa sobre o princípio da
segurança jurídica, constata-se que a as entidades e órgãos administrativos
podem alterar as interpretações que possuem sobre a execução dos dispositivos
legais vigentes. Entretanto, a nova interpretação somente poderá ser aplicada

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às situações jurídicas futuras, não prejudicando, assim, aqueles que foram


beneficiados pela interpretação administrativa anterior.
Gabarito: Letra b.

23. (FGV∕Advogado – INEA RJ∕2013) Acerca do princípio de confiança


legitima (Proteção da Confiança) no Direito Administrativo, analise as
afirmativas a seguir.
I. É o princípio que exige do administrador um agir conforme a lei,
mesmo que isso implique em prejuízo da Administração.
II. É o princípio que deriva da ideia de segurança jurídica e boa-fé
objetiva do administrado.
III. É o princípio segundo o qual a Administração Pública não pode mudar
de conduta se isso prejudica o administrado, uma vez que é vedado um
comportamento contraditório.
Assinale:
a) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.
b) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
c) se somente a afirmativa III estiver correta.
d) se somente a afirmativa II estiver correta.
e) se somente a afirmativa I estiver correta.

Comentários
Item I – O enunciado da questão está se referindo ao princípio da
legalidade e não ao princípio da proteção da confiança. Assertiva incorreta.
Item II - O princípio da proteção à confiança não possui previsão expressa
no ordenamento jurídico brasileiro. Para a doutrina majoritária, trata-se de
princípio que corresponde ao aspecto subjetivo da segurança jurídica,
prestigiando-se a confiança depositada pelo administrado de boa-fé e que o levou
a usufruir dos direitos concedidos por ato editado pela Administração Pública.
Assertiva correta.
Item III – Não há qualquer princípio administrativo que impeça a
Administração Pública de alterar o seu entendimento ou mudar de conduta.
Todavia, caso isso ocorra, deve ficar claro que a nova conduta ou entendimento
somente serão aplicados a situações que ainda não estejam concluídas, vedando-
se a aplicação retroativa. Assertiva incorreta.

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Gabarito: Letra d.

24. (FGV∕Técnico Judiciário – TRE PA∕2012) De acordo com a


Constituição Federal de 1988, a Administração Pública obedecerá aos
seguintes princípios:
a) legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
b) legalidade, impessoalidade, moralidade, probidade e externalidade.
c) legitimidade, impessoalidade, moralidade, probidade e externalidade.
d) razoabilidade, proporcionalidade, improbidade e personalismo.
e) discricionariedade, ponderação, isenção e separação de poderes.

Comentários
É difícil acreditar que a Fundação Getúlio Vargas cobre esse tipo de questão,
todavia, está aí para que você possa tirar a prova! Por isso é importante também
fazer uma atenta leitura dos dispositivos constitucionais que foram citados
durante a aula, pois, assim, fica mais fácil a fixação do conteúdo.
A propósito, destaca-se que o art. 37, caput, da CF∕1988, dispõe que “a
administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”.
Gabarito: Letra a.

25. (FGV∕Técnico de Contabilidade – MPE RS∕2013) Princípios


administrativos são fundamentos que inspiram todo o modo de agir da
Administração Pública, estabelecendo as regras de conduta do Estado
quando no exercício da atividade administrativa. Com relação aos
princípios administrativos, analise as afirmativas a seguir.
I. Princípio da Legalidade - toda e qualquer atividade administrativa deve
ser autorizada por Lei.
II. Princípio da Impessoalidade - aos administrados, que se encontram
em idêntica situação jurídica, deve ser dada igualdade de tratamento.
III. Princípio da Moralidade - os princípios éticos devem estar presentes
na conduta do administrador público.
Assinale:
A) se somente a afirmativa I estiver correta.
B) se somente a afirmativa II estiver correta.
C) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.

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D) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.


E) se todas as afirmativas estiverem corretas.

Comentários
Item I – Enunciado correto. Em relação à Administração Pública, o
princípio da legalidade dispõe que o administrador público está, em toda a sua
atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem
comum, e dele não pode se afastar ou se desviar, sob pena de praticar ato
inválido e se expor à responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso
Item II – Enunciado correto. O princípio da impessoalidade impõe à
Administração Pública a obrigação de conceder tratamento isonômico a todos
os administrados que se encontram em idêntica situação jurídica. Assim, fica
vedado o tratamento privilegiado a um ou alguns indivíduos em função de
amizade, parentesco ou troca de favores. O princípio também proíbe que
administradores públicos pratiquem atos prejudiciais aos particulares em razão
de inimizades ou perseguições políticas.
Item III – Enunciado correto. O princípio da moralidade também está
previsto expressamente no artigo 37, caput, da Constituição Federal de 1988,
impondo que agentes públicos e particulares que se relacionem com a
Administração Pública atuem com honestidade, boa-fé e lealdade, respeitando a
isonomia e demais preceitos éticos.
Gabarito: Letra e.

26. (FGV∕Agente Penitenciário – SEGEP MA∕2013) “Princípios


administrativos são os postulados fundamentais que inspiram todo o
modo de agir da administração pública. Representam cânones pré-
normativos, norteando a conduta do Estado quando no exercício de
atividades administrativas.” (Carvalho Filho, J. S., 2012).
Tendo em conta a existência de princípios expressos e também dos
chamados princípios implícitos ou reconhecidos, assinale a alternativa
que apresenta somente princípios implícitos ou reconhecidos.
a) Razoabilidade, publicidade e autotutela.
b) Continuidade do serviço público, supremacia do interesse público e
segurança jurídica.
c) Eficiência, indisponibilidade do interesse público e segurança jurídica.
d) Moralidade, proporcionalidade e indisponibilidade do interesse
público.

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e) Publicidade, autotutela e proporcionalidade.

Comentários
Princípios expressos são aqueles taxativamente previstos em uma
norma jurídica de caráter geral, obrigatória para todas as entidades políticas
(União, Estados, Municípios, Distrito Federal e seus respectivos órgãos públicos),
bem como para as entidades administrativas (autarquias, fundações públicas,
empresas públicas e sociedades de economia mista).
Por outro lado, princípios implícitos são aqueles que não estão previstos
expressamente em uma norma jurídica de caráter geral, pois são consequência
dos estudos doutrinários e jurisprudenciais. São princípios cujos nomes não irão
constar claramente no texto constitucional ou legal, mas que, de qualquer forma,
vinculam as condutas e atos praticados pela Administração Pública.
Dentre as alternativas apresentadas pela questão, somente a letra “b”
apresenta apenas princípios implícitos. Perceba que em todas as demais
alternativas aparece, pelo menos, um dos princípios expressos contidos no caput
do art. 37 da CF∕1988.
Gabarito: Letra b.

27. (FGV∕Agente Penitenciário – SEGEP MA∕2013) "A Administração


Pública Direta e Indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios
constitucionais".”Os princípios constitucionais a que se refere o
fragmento acima estão relacionados a seguir, à exceção de um. Assinale-
o.
A) Legalidade.
B) Moralidade.
C) Pessoabilidade.
D) Publicidade.
E) Eficiência.

Comentários
O art. 37, caput, da CF∕1988, dispõe que “a administração pública direta e
indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência”.

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Não há qualquer referência ao princípio da “pessoalidade” no caput do art.


37 da CF∕1988, portanto, a letra “c” deve ser marcada como resposta da questão!
Gabarito: Letra c.

28. (FGV∕Analista Técnico – SUDENE∕2013) A Administração Pública é


regida por uma série de princípios. Em relação ao princípio da
publicidade, assinale a afirmativa correta.
a) Em um Estado Democrático como o Brasil, o princípio da publicidade
é completamente irrestrito.
b) Por instrumentos, como o direito de certidão, é concretizado o
princípio da publicidade.
c) O princípio da publicidade é um princípio implícito.
d) O princípio da publicidade é um princípio absoluto.
e) O princípio da publicidade permite realizar a promoção pessoal de
agentes públicos.

Comentários

a) Assim como ocorre na esfera judicial, em que certos atos podem ter sua
publicidade restrita em virtude da preservação da intimidade das partes, alguns
atos administrativos também poderão ter sua publicidade restrita com amparo
em dispositivo da Constituição Federal, a exemplo do que ocorre em relação aos
atos imprescindíveis à segurança do Estado e da sociedade (CF∕1988, art. 5º,
XXXIII). Assertiva incorreta.
b) Não restam dúvidas de que a emissão obrigatória de certidões, imposta
à Administração Pública, é uma conseqüência do princípio da publicidade.
Assertiva correta.
c) O princípio da publicidade encontra-se previsto expressamente no art.
37, caput, da CF∕1988. Assertiva incorreta.
d) Não existem princípios absolutos na seara do Direito Administrativo.
Diante de eventual conflito entre princípios, compete ao administrador ou à
autoridade judiciária fazer a ponderação de valores e aplicar o princípio mais
incidente sobre o caso em concreto, reduzindo (e não excluindo) a força
normativa do outro. Assertiva incorreta.
e) A CF/1988, em seu art. 37, § 1º, dispõe que “a publicidade dos atos,
programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter
educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar

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nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de


autoridades ou servidores públicos”.
Gabarito: Letra b.

29. (FGV∕Analista Técnico – SUDENE∕2013) Quanto aos princípios


constitucionais relativos à Administração Pública, analise as afirmativas
a seguir e assinale V para a verdadeira e F para a falsa.
( ) A Constituição estabelece que a Administração Pública obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência.
( ) A obediência ao princípio da eficiência pelos órgãos da Administração
Pública, por ter sido o último princípio acrescentado à Constituição
Federal, é facultativa.
( ) O princípio da eficiência está voltado para a ação idônea, a ação
econômica e a ação satisfatória na Administração Pública.
As afirmativas são respectivamente:

a) V, F e V.
b) V, V e F.
c) F, V e F.
d) V, F e F.
e) F, F e V.

Comentários
Item I – O enunciado simplesmente reproduziu o texto do art. 37, caput,
da CF∕1988. Assertiva correta.
Item II - O princípio da eficiência não constava expressamente no texto
original da Constituição Federal de 1988. Somente com a promulgação da
emenda constitucional nº 19, que ocorreu em 04 de junho de 1998, foi inserido
no caput do art. 37 da CF/1988. Todavia, isso não significa que se trata de
princípio de observância facultativa, apresentando-se como obrigatório para toda
a Administração Pública brasileira, assim como os demais previstos no texto
constitucional. Assertiva incorreta.
Item III - Para Hely Lopes Meirelles, o princípio da eficiência exige que a
atividade administrativa seja exercida com presteza, perfeição e rendimento

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funcional. É o mais moderno princípio da função administrativa, que já não se


contenta em ser desempenhada apenas com legalidade, exigindo resultados
positivos para o serviço público e satisfatório atendimento das necessidades da
comunidade e de seus membros. Assertiva correta.

Gabarito: Letra a.

30. (FGV∕Analista Técnico – SUDENE∕2013) Entre os princípios que


regem a Administração Pública, listados a seguir, assinale o que está
mais diretamente vinculado à probidade administrativa.
a) Igualdade.
b) Eficiência.
c) Publicidade.
d) Discricionariedade.
e) Moralidade.
Comentários
A Constituição Federal de 1988, em seu parágrafo 4º, dispõe que “os atos
de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos,
a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao
erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível”.
Para a doutrina majoritária, a probidade administrativa caracteriza-se como
espécie do gênero moralidade administrativa. Assim, a improbidade
administrativa também seria espécie do gênero imoralidade administrativa,
porém, qualificada pela conduta de agentes públicos ou particulares que atentam
contra os princípios da Administração Pública, causam prejuízos ao erário ou se
enriquecem ilicitamente.
Gabarito: Letra e.

31. (FGV∕Consultor Legislativo – AL MA∕2013) "Os bens e interesses


públicos não pertencem à administração pública nem a seus agentes.
Cabe-lhes apenas administrá-los em prol da coletividade, esta, sim, a
verdadeira titular dos direitos e interesses públicos". O fragmento acima
se refere à diretriz que norteia os princípios da Administração Pública,
denominada
a) supremacia do interesse público.
b) tutela ou controle.
c) presunção da legitimidade.

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d) indisponibilidade.
e) razoabilidade.

Comentários
Para evitar que abram mão do interesse público para beneficiarem a si
próprios ou a terceiros, os agentes públicos estão obrigados a observar diversas
restrições (também denominadas de sujeições) impostas pelo princípio da
indisponibilidade.
Como atuam apenas como administradores dos bens e interesses comuns
(considerados inalienáveis), não podem praticar atos sem que exista
autorização legal, principalmente se onerosos à coletividade.
Enquanto o princípio da supremacia do interesse público assegura
prerrogativas (privilégios) para a Administração Pública e seus agentes, o
princípio da indisponibilidade impõe sujeições (restrições). Ambos fundamentam
e disciplinam o regime jurídico-administrativo.
Gabarito: Letra d.

32. (FGV∕Auditor Fiscal – Pref. Angra dos Reis∕2010) A respeito dos


princípios básicos da Administração Pública, considera-se que
a) o princípio da eficiência é o único critério limitador da
discricionariedade administrativa.
b) o princípio da legalidade não autoriza o gestor público a, no exercício
de suas atribuições, praticar todos os atos que não estejam proibidos em
lei.
c) o princípio da eficiência faculta a Administração Pública que realize
policiamento dos atos administrativos que pratica.
d) o princípio da eficiência não pode ser exigido enquanto não for editada
a lei federal que deve estabelecer os seus contornos.
e) a possibilidade de revogar os atos administrativos por razões de
conveniência e oportunidade é manifestação do princípio da legalidade.

Comentários
a) Para responder às questões de prova, lembre-se de que vários outros
princípios também limitam a discricionariedade administrativa, a exemplo dos
princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Assertiva incorreta.
b) Nas palavras de Hely Lopes Meirelles, “enquanto na administração
particular é lícito fazer tudo o que a lei não proíbe, na Administração Pública só

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é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular significa ‘pode
fazer assim’; para o administrador público significa ‘deve fazer assim”. Assertiva
correta.
c) É o princípio da autotutela que assegura à Administração Pública a
prerrogativa de policiar e fiscalizar os atos administrativos que edita,
revogando-os, quando inconvenientes ou inoportunos, ou anulando-os,
quando ilegais. Assertiva incorreta.
d) O princípio da eficiência consta expressamente no caput do art. 37 da
CF∕1988, sendo de aplicabilidade imediata. Assertiva incorreta.
e) Trata-se de uma conseqüência do princípio da autotutela, que encontra
fundamento nas súmulas 346 e 473 do Supremo Tribunal Federal. Assertiva
incorreta.
Gabarito: Letra b.

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