Você está na página 1de 57

‘1DEFESA PESSOAL

POLICIAL

Belo Horizonte, 2017


TREINAMENTO POLICIAL BÁSICO
9º BIÊNIO – 2018/2019

DEFESA PESSOAL POLICIAL

1
Belo Horizonte, 2017

Apresentação

Caro (a) policial militar o conteúdo apresentado tem como objetivo promover a
difusão das técnicas de defesa pessoal policial mais comuns e acessíveis ao não praticante de artes
marciais, mas que, respeitando os parâmetros técnicos, legais e táticos permitam o êxito na atuação
policial diante de infratores resistentes. Além da descrição das técnicas propriamente, você poderá
observar a execução do movimento em vídeos e imagem. Consultem o material sempre que
necessário e pratiquem as técnicas propostas. Acreditamos que o suor derramado no treinamento
seca as lágrimas dos momentos de agruras do serviço policial. Nesse biênio, você também será
avaliado no desempenho dessas técnicas de defesa policial, dedique-se para obter êxito e mostre no
seu dia-a-dia desenvoltura no agir policial.

Centro de Treinamento Policial

“Tornando o policial mais forte”

2
Sumário
Digite o título do capítulo (nível 1)1
Digite o título do capítulo (nível 2)2
Digite o título do capítulo (nível 3)3
Digite o título do capítulo (nível 1)4
Digite o título do capítulo (nível 2)5
Digite o título do capítulo (nível 3)6

3
UNIDADE 1 - GOLPES TRAUMÁTICOS

1.1 Introdução

Nas intervenções policiais em que se faz necessário o uso da força, não raramente
o policial necessita quebrar a resistência do resistente ativo. Para obter sucesso, você, policial
encarregado de aplicar a lei pode se valer de técnicas de socos, chutes e uso do bastão tonfa.
Genericamente chamaremos essas técnicas de golpes traumáticos em função das lesões que podem
resultar no resistente ativo, agressor não letal. O emprego dessas condutas, normalmente precedem
a ação de imobilização e algemação. Salienta-se, contudo, que o emprego de uma técnica de soco,
chute ou uso do tonfa, não precisa ser aplicada como regra para a solução de um conflito com
resistentes ativos. Sempre que possível, adote condutas que sejam menos lesivas ao cidadão,
esforce-se para que a própria presença policial somada a verbalização sejam elementos dissuasivos
da ação condenável. As técnicas de golpes traumáticos podem ser empregadas diretamente no
cidadão infrator resistente e, também se prestam à conclusão de um contragolpe quando conjugado
com outra técnica. Nessa unidade será apresentado as posições de guarda, socos, chutes e golpes
com uso do tonfa.

1.2 Posição de guarda

A posição de guarda é uma postura policial que é fundamental para a aplicação


de golpes em desfavor de um ofensor motivado. Além de demonstrar uma atitude segura e confiante
do policial, que serve de elemento dissuasivo da vontade do infrator, propicia melhor condição de
ataque ou defesa. Essa posição corporal é a mesma manifestada no caderno doutrinário n. 01 e é
entendida como postura defensiva (MTP 3.01.01/2013). Os golpes traumáticos na posição de pé,
iniciam e terminam com essa postura. Lembre-se que ao finalizar a execução do golpe você deverá
retornar à posição inicial de guarda e manter a sua proteção.

Se você for destro, o seu pé dianteiro será o esquerdo, e vice-versa. Os seus pés
devem estar afastados na largura dos seus ombros, com o pé esquerdo à frente do direito, girando a
25º para dentro, e o direito a 40º por fora e ligeiramente elevado na ponta.

O seu tronco deverá estar ligeiramente inclinado à frente (para que no momento
que executar o golpe permaneça equilibrado) e girado para a direita. As suas mãos deverão estar

4
fechadas, com os dedos fechados, colados à testa e os cotovelos deverão estar colados no tronco,
protegendo as costelas.

Entre as mãos, que na posição de guarda estarão coladas na testa, você deixará
um pequeno espaço para poder enxergar o ofensor motivado. Essa posição compõe uma boa base
para lançar seus golpes, e lhe dará a oportunidade de bloquear a maioria dos golpes desferidos contra
você ou de se esquivar deles.

Observe na foto os detalhes da posição de guarda.

Figura 1: Posição de guarda

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Ao movimentar-se na posição de guarda, opte por permanecer com os pés em


contato com o solo. Desloque-se por meio do deslizamento dos pés. A execução de saltos na
execução de golpes é desaconselhável pois assim você perderá o equilíbrio e a intensidade do seu
soco ou chute diminuirá e, soma-se a isso, a promoção de fadiga prematura, o que em última instância
pode colocar você em risco.

5
1.3 Socos

O soco é um golpe com punho fechado que visa repelir uma injusta agressão.
Existem diversos tipos de forma de executar soco e, no Treinamento Policial Básico, 9º biênio, serão
estudados 04 (quatro) golpes de soco.

1.3.1 JAB ou Soco Curto

Golpe frontal com o punho que está à frente da guarda (para o destro, a mão
esquerda; e, para o canhoto, a mão direita). Não é tão potente, mas é muito eficaz e rápido. Também
é utilizado para afastar o oponente, para mediar a distância e para tampar a visão deste para que
limite sua capacidade de defesa do golpe a ser desferido com a mão forte. Para lançar um Jab
arremesse seu punho à frente numa linha reta, girando seu braço para dentro até que ele chegue à
extensão máxima. Imediatamente recolha seu punho de volta, colando novamente os dedos na testa,
na posição de guarda. Observe o movimento do golpe a partir do vídeo.

Inserir vídeo SOCO JAB

1.3.2 Direto ou Soco Longo

Golpe frontal com o punho que está atrás na guarda (para o destro, a mão direita;
e, para o canhoto, a mão esquerda). É um golpe muito rápido e forte, pois será desferido por sua
“mão forte”. O poder desse soco vem de uma rotação dos ombros a 90º, enquanto que a posição do
punho gira a 180º, trazendo o ombro dianteiro até a guarda. No caso de você ser destro observe a
descrição e execute os movimentos do direto de direita começando com o seu punho direito
encostado na testa, a posição de guarda fechada e cotovelo perto das costelas. Avance o braço à
frente, reto, gire o lado direito do seu quadril à frente, até que a perna direita fique reta, com a parte
da frente do seu pé direito no chão. Lance o soco e volte à posição de guarda fechada, em um único
movimento. Observe o movimento do golpe a partir do vídeo.

Inserir vídeo SOCO DIRETO

6
1.3.3 Cruzado

É um golpe de média distância, executado com um rápido movimento de braço da


esquerda para a direita, ou da direita para a esquerda, voltado a atingir a lateral (face/queixo) da
cabeça do ofensor motivado, mas também pode ser desferido na linha de cintura (nas laterais na
cintura) e é chamado de “cruzado ao tronco”. Neste golpe, você deverá girar seu peso e seu ombro
para a frente, para acrescentar potência ao golpe. Para esse soco, impulsione o cotovelo para cima,
de maneira que seu antebraço fique paralelo ao chão e então solte seu soco. Use o corpo fazendo
uma rotação no seu tronco, começando das pernas e indo até os ombros, isso dará potência ao soco
cruzado. Observe o movimento do golpe a partir do vídeo.

Inserir vídeo SOCO CRUZADO

1.3.4 Gancho

Golpe dado na linha de cintura do ofensor resistente ativo, quase frontal, com um
pouco de inclinação de baixo para cima, para gerar mais potência, que visa atingir o abdômen,
estômago e plexo, ou seja, desferido sempre na parte da frente do corpo. Diferente do “cruzado ao
tronco”, que é desferido na parte lateral. Observe o movimento do golpe a partir do vídeo.

Inserir vídeo GANCHO

1.4 Chutes

Conforme é visto no Manual Técnico Profissional 3.04.13/2013 – CG, MTP – 13,


o chute é um golpe que desfere maior energia e potência que um soco e são utilizados em diversos
tipos de artes marciais. Para fins de treinamento no 9º biênio, serão abordados 04 (quatro) tipos de
chutes, quais sejam: “Chute Frontal”, “Chute Baixo” (Low Kicks), “Chute Semi Circular” e “Chute
Circular”.

7
1.4.1 Chute Frontal

O chute frontal é um golpe desferido no abdômen do ofensor motivado, com o


intuito de mantê-lo distante, bloquear a ação e para quebrar sua resistência, permitindo o uso, na
sequência, de técnicas de imobilização.

Para desferir este chute, você deverá elevar o joelho da perna do chute de modo
que a coxa esteja paralela ao chão, aproximadamente à altura do quadril ou cintura, e esticar a perna,
lançando-a rapidamente para a frente, esticando os dedos do pé para cima, e batendo no ofensor
motivado com a base do pé (localizado abaixo dos dedos) e retornando a perna de modo a manter a
coxa novamente paralela ao chão, voltando à posição de base.

Inserir vídeo CHUTE FRONTAL

1.4.2 Chute Baixo (Low Kicks)

O chute baixo é empregado para quebrar a resistência e também pode ser


empregado de forma conjugada a outras ações em desfavor do ofensor motivado. O objetivo desse
golpe é acertar a coxa do suspeito, na parte interna ou externa causando uma lesão temporária e
diminuindo a resistência do ofensor.

Para desferir este chute, você deverá elevar o joelho da perna do chute de modo
que a coxa esteja paralela ao chão, aproximadamente à altura do quadril ou cintura, girando o
calcanhar do pé de apoio 180º, permitindo, ao mesmo tempo, o giro do corpo no sentido do chute,
chutando a coxa do ofensor motivado com a parte da perna localizada logo acima dos pés; girando o
tornozelo 180º, recolhendo a perna de volta à posição de base.

Inserir vídeo CHUTE BAIXO

1.4.3 Chute Semicircular

Chutes semicirculares têm por objetivo atingir a lateral do tronco e comprometer a


capacidade de reagir do suspeito. Ao serem atingidas as costelas e órgãos internos abdominais
provoca uma reação de dor no agressor e, como consequência, diminuem a possibilidade de resistir
a ação policial.

8
O chute semicircular será desferido na lateral do tronco do agressor. Você deverá
elevar o joelho da perna do chute de modo que a coxa esteja paralela ao chão, aproximadamente à
altura do quadril ou cintura, girando o calcanhar do pé de apoio 180º, permitindo, ao mesmo tempo,
o giro do corpo no sentido do golpe, chutando a lateral do tronco do ofensor motivado com a parte da
perna localizada logo acima dos pés, girando o tornozelo 180º, recolhendo a perna de volta à posição
de base. No vídeo é possível observar esse movimento em detalhe.

Inserir vídeo CHUTE SEMICIRCULAR

1.4.4 Chute Circular

O objetivo desse golpe é atingir a cabeça do ofensor motivado. Sua aplicação


requer treinamento e bom equilíbrio, que é conseguido a partir da execução correta do movimento do
golpe.

Ao executar o golpe, você deverá elevar o joelho da perna do chute de modo que
a coxa esteja paralela ao chão, aproximadamente à altura do quadril ou cintura, girando o calcanhar
do pé de apoio 180º, permitindo, ao mesmo tempo, o giro do corpo no sentido do chute e lançando o
pé na cabeça do agressor. Você deve atingir o agressor com a parte da perna localizada logo acima
dos pés e deve girar o tornozelo 180º para a posição inicial, recolhendo a perna de volta à posição de
base. Observe o vídeo.

Inserir vídeo CHUTE CIRCULAR

1.5 Conclusão

Golpes traumáticos são um importante recurso para quebrar a resistência de


suspeitos com um comportamento de resistência ativa, agressores não letais. O emprego dessas
técnicas deve ser sempre condicionado aos princípios do uso da força e balizadas pelo modelo do
uso diferenciado da força adotado institucionalmente.

Os golpes apresentados e as variações e conjugações de ações possibilitam maior


efetividade na administração dessa técnica de controle físico. Mantenha-se em constante
treinamento.

9
RESUMO

Nessa Unidade você viu que a posição de guarda é uma postura policial básica
que permite tanto a defesa quanto o ataque e que mostra uma atitude segura do policial diante de um
suspeito resistente.

Também foram apresentados quatro tipos de socos e chutes.

Entre os socos, o jab é considerado um soco curto, com a finalidade de mensurar


a distância do ofensor motivado e mantê-lo afastado. Não é muito potente, mas pode ser executado
com rapidez. O Direto é um soco com muita potência, pois é desferido com a mão forte do policial e
concentra a energia transmitida pelo quadril e tronco do policial. O Cruzado é um golpe com
movimento rotacionado que visa atingir a costela, baço e fígado, quando direcionado à lateral do
corpo e o queixo se desferido na face do agressor ativo. O gancho é um golpe que é feito de baixo
para cima e busca atingir abdômen, estômago e plexo, quebrando a resistência a partir do trauma
nos tecidos moles.

Os chutes são golpes com maior potência e requerem equilíbrio na sua execução.
O movimento correto do corpo, aliado a flexibilidade das pernas permitem resultados mais
expressivos. Entre os chutes foram apresentados o chute frontal, aplicado com a planta do pé num
movimento para frente do corpo. O low-kick que é o chute baixo e é desferido nas coxas do agressor.
O chute semicircular direcionado às costelas e quadris e o chute circular que visa atingir a cabeça.

Revisem o material sempre que sentirem dúvidas e assistam a execução dos


vídeos com a demonstração do uso da técnica.

Referências

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Manual de Defesa Pessoal Policial. Belo


Horizonte: Centro de Pesquisa e Pós-Graduação da PMMG, 2010.

10
UNIDADE 2 - PROJEÇÕES

2.1 Introdução

Para imobilizar um suspeito que esteja oferecendo resistência à abordagem


policial, a primeira preocupação deve ser a de levá-lo ao solo, com segurança, para que você, então,
tenha maior controle do agressor.

A projeção é o movimento de arremessar o suspeito ao solo e que permite a


aplicação de outras técnicas.

Uma vez no solo, você deve utilizar das habilidades adequadas para proceder a
sua imobilização, algemação e condução, visando a minimizar os possíveis ferimentos decorrentes
do uso da força.

Visando apresentar técnicas funcionais e simples, nessa Unidade será mostrada


duas projeções de fácil aplicação.

2.2 Projeção pela frente

A Projeção pela frente deve ser utilizada principalmente quando você estiver
sendo agredido por socos, a uma distância curta (um passo). Entende-se que nessa condição você
estará em posição defensiva e o objetivo dessa técnica é permitir uma ação segura que coloque o
agressor numa condição desfavorável, ao mesmo tempo em que, propicia condições ao policial
aplicar um contragolpe. Você sairá da linha de ataque dos socos e executará a projeção do agressor.
Diante da necessidade do uso de força, para controlar o suspeito, você militar deve:

● manter-se em posição defensiva;

● avançar uma de suas pernas na direção entre as pernas do suspeito; especial


atenção deve ser dada à posição do seu rosto, que deve estar pela lateral do corpo do infrator, de
forma a evitar que seja atingido por um chute no momento de aplicação da técnica;

● flexionar seus joelhos e segurar as duas pernas do agressor, aplicando o


“Double Leg”1 por detrás dos seus joelhos, com as mãos em forma de “concha”;

1
Double leg é a ação de abraçar as duas pernas do opositor.

11
● dar um passo à frente, apoiando seu ombro na região da cintura do suspeito, e,
ao mesmo tempo, laçar a perna pelo lado externo aplicando uma “varrida” na sua direção, projetando
o agressor vigorosamente ao chão;

● o policial militar deve estar preparado para finalizar o movimento com


imobilização do agressor no solo apoiando seu joelho no abdômen do suspeito;

● após a queda, avançar pela lateral do corpo do infrator, para promover sua
imobilização.

DICA: A Posição defensiva consiste em manter a distância tal do agressor


que diminua a energia do impacto de um golpe desferido contra você. Aliado a isso, você deve
manter uma base que lhe permita flexibilidade e a energia para um contragolpe. Para tanto,
deve manter as pernas afastadas lateralmente na largura de seus ombros e a perna forte
afastada à retaguarda, ambas levemente flexionadas, lhe permitindo um maior equilíbrio. Por
fim, para proteção do rosto e da caixa torácica, cerra-se os punhos, levando-os na altura do
rosto, e o prolongamento do braço protegendo a região das costelas.

Observa-se que, além da questão do posicionamento técnico, você deve manter-


se atento, num estado de prontidão adequado para se defender e realizar o contragolpe com o objetivo
final de imobilizar esse agressor.

DICA: Estado de prontidão alarme: O risco é real e uma resposta é


necessária (caderno doutrinário 1, p. 24). Observe o vídeo da aplicação dessa técnica.

INSERIR VÍDEO PROJEÇÃO PELA FRENTE

2.3 Projeção pela retaguarda

Entende-se que a técnica de projeção pela retaguarda deve ser aplicada em


momentos em que não é possível a aplicação de uma técnica frontal. Traz mais segurança, em
relação à primeira por não invadir o espaço de proteção pessoal do suspeito. Essa possibilidade é
muito comum no trabalho policial, quer seja por uma tática de aproximação na posição 3, ou seja,
pela retaguarda do agressor ou resistente, quer seja por uma resistência apresentada no momento
de uma algemação ou execução de busca pessoal. A técnica consiste no seguinte:

● realizar a aproximação pela Posição 3, pela retaguarda do resistente;

● levar a mão à lateral da face do resistente, pressionando-a no sentido contrário


ao seu e em seguida puxar o rosto do abordado à retaguarda trazendo-o ao solo;

12
● na posição sentado, segurar a mão esquerda do suspeito, esticando-a para trás,
enquanto a mão direita segura debaixo do queixo do resistente, em forma de concha, pressionando-
o para o lado direito;

● Em seguida colocar o resistente em posição de algemação com o braço


esquerdo deste entre suas pernas, com o cotovelo esticado, imobilizando-o.

INSERIR VÍDEO PROJEÇÃO PELA RETAGUARDA

2.4 Conclusão

As técnicas de projeção são simples e devem ser executadas quando houver uma
ação de resistência em que o policial está sendo agredido com socos ou esteja realizando um
procedimento e o resistente ativo esteja com as costas disponíveis para a ação policial.

Referências

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Manual de Defesa Pessoal Policial. Belo Horizonte: Centro de
Pesquisa e Pós-Graduação da PMMG, 2010.

13
UNIDADE 3 - DEFESAS

3.1 Introdução

Você, policial militar, em seu trabalho, muitas vezes se vê em vias de ser atingido
por agressões realizadas sem armas, aquelas que são realizadas por meio de chutes e socos.
Agressões desse tipo podem ser muito danosas, quando aplicadas por pessoas que detêm
conhecimento de artes marciais. Na atualidade isso pode acontecer mais facilmente, face à grande
massificação das lutas com MMA e o crescimento do número de praticantes. Para além disso, mesmo
aplicado por alguém sem conhecimento técnico, um golpe desta natureza pode, ainda, ser muito
gravoso e até mesmo letal. Igualmente pode ser vitimado por pessoas empregando algum tipo de
instrumento. Não há uma forma de descrever os inúmeros objetos que podem ser empregados por
um resistente ativo, contra um policial, se não de forma genérica: Cortantes, contundentes ou perfuro-
cortantes.

Nessa unidade são apresentadas as principais técnicas de defesa contra socos e


chutes, e são mostradas as ações de esquivas. Além disso, apresenta-se as técnicas de defesa com
uso do bastão tonfa. Esse instrumento policial é muito versátil e pode ser empregado tanto para
realizar um contragolpe contra um suspeito resistente, agindo sem armas, ou portando instrumentos
variados. A pretensão aqui é esta; apresentar a possibilidade de realizar vários tipos de defesa.

3.2 Esquivas

A esquiva tem por finalidade evitar que você seja atingido pelo agressor.
Quando bem realizada, além de evitar o ataque, facilita a aplicação de uma técnica de contragolpe.
A experiência nos mostra que o uniforme, os armamentos e os equipamentos utilizados por você
limitam significativamente a mobilidade. Por conseguinte, as técnicas básicas de esquiva, aqui
apresentadas, foram selecionadas levando-se em consideração essas particularidades e
características da atuação policial-militar.

As técnicas de esquiva mais simples e eficientes para a atividade policial, serão


explicadas com base na representação gráfica, conforme figura 02.

14
O ponto central representa o seu centro de gravidade na postura defensiva; a linha
pontilhada mostra o alcance da esquiva do policial.

Figura 2 – Representação gráfica da esquiva Centro de gravidade

Centro de gravidade

Distância para esquiva

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Partindo do centro de gravidade, o policial militar pode se esquivar de um ataque,


avançando ou recuando meio passo em diagonal à direita ou à esquerda, movendo-se à direita ou à
esquerda, afastando-se um passo a retaguarda ou diminuindo a posição de guarda poderá se desviar
de ataques. Observe no vídeo a aplicação prática das técnicas de esquiva.

INSERIR VIDEO

15
3.3 Defesa contra socos com as mãos livres

As defesas de socos são ações que protegem os pontos vitais de um policial,


evitando que fique incapacitado de agir na situação de risco. Diferentemente da esquiva que
apresenta uma ação em que se evita que o golpe desferido pelo suspeito resistente atinja você, a
defesa minimizará o efeito do trauma provocado pela ação do agressor. Importante salientar que uma
defesa reduz o efeito, mas ainda assim, resta em alguma medida a transferência de energia do golpe
e você não deve se assustar ou ficar intranquilo nessa situação.

3.3.1 Defesa contra Jab e Direto

O soco denominado Jab é o golpe frontal com o punho que está à frente na guarda,
e o soco Direto é o golpe frontal com o punho do braço que está atrás na guarda.

Para se defender do soco Jab/Direto, você deverá girar o corpo aproximadamente


30% à frente, mantendo a guarda alta, permanecendo com um dos braços bloqueando o soco, e um
dos olhos visualizando o cidadão agressor.

Inserir vídeo DEFESA CONTRA JAB / DIRETO.

3.3.2 Defesa contra soco cruzado

O soco cruzado é o golpe desferido por parte do agressor, pelo lado, para acertar
a lateral do seu rosto.

Para se defender do soco Cruzado, você deverá retirar os dedos da testa e,


posicionando a mão na nuca, manter o cotovelo protegendo o queixo do lado em que o soco for
desferido.

Vídeo DEFESA CONTRA SOCO CRUZADO.

3.3.3 Defesa contra gancho

16
O soco gancho é o golpe desferido em movimento curvo do punho, visando atingir
o abdômen do adversário.

Para se defender do soco Cruzado você deverá inclinar o tronco lateralmente, do


lado em que for desferido o soco, e bloqueá-lo com o braço, permanecendo com os dedos dobrados
na testa, na posição de guarda alta.

Vídeo DEFESA CONTRA GANCHO.

3.3.4 Defesa contra soco Uppercut

O soco Uppercut é o golpe desferido de baixo para cima, visando atingir o queixo
do oponente.

Para se defender do soco Uppercut, você deverá utilizar a mesma defesa do golpe
Jab e Direto, ou seja, girar o corpo 30º à frente, bloqueando o golpe com o braço, permanecendo com
os dedos dobrados na testa, na posição de guarda alta.

vídeo DEFESA CONTRA UPPERCUT.

3.4 Defesa contra chutes com as mãos livres

As técnicas de defesa contra chute são muito simples e ocorrem de forma quase
natural, assim como as defesas contra socos, é comum que o golpe desferido pelo infrator atinja
alguma parte do seu corpo. O objetivo das defesas contra chutes é minimizar o efeito dos golpes.

3.4.1 Defesa contra chute frontal

Para se defender do chute frontal, você deverá agachar levemente e girar o


cotovelo de um dos braços em direção ao umbigo, bloqueando o chute com o braço.

Inserir vídeo DEFESA CONTRA CHUTE FRONTAL.

17
3.4.2 Defesa contra chute Low Kick

Para se defender do chute Low Kick, você deverá elevar a perna do lado da
agressão e bloquear o chute com o joelho.

Inserir DEFESA CONTRA CHUTE LOW KICK.

3.4.3 Defesa contra chute Semicircular

Para se defender do chute Semicircular, você deverá dobrar levemente o joelho


do lado da agressão, bloqueando o chute com o braço, permanecendo com os dedos dobrados na
testa, na posição de guarda alta.

Inserir DEFESA CONTRA CHUTE SEMI CIRCULAR

3.4.4 Defesa contra chute Circular

Para se defender do chute Circular, você deverá dar um passo na diagonal à frente
com a perna do lado oposto ao da agressão, ao mesmo tempo que também deverá levar a mão do
lado oposto ao da agressão, bloquear o

, juntamente com o braço do lado da agressão, que permanecerá na posição de


guarda alta.

Inserir DEFESA CONTRA CHUTE CIRCULAR

3.5 Defesa uso do bastão tonfa

O Bastão tonfa é um Instrumento de Menor Potencial Ofensivo (IMPO) com


inúmeras possibilidades de utilização. Na defesa de golpes desferidos contra os policiais é muito
eficiente, desde que se dominem as técnicas adequadas.

18
3.5.1 Varreduras

As varreduras possibilitam que se defenda de um ataque desferido por um


suspeito resistente e serve, ao mesmo tempo, para contundir esse ofensor, minimizando a
possibilidade de continuidade das ações de agressão. Os contra-ataques de varreduras são
muito eficientes para a atividade policial. São de fácil execução e permitem golpes velozes.

Você pode iniciar um golpe de varredura partindo da empunhadura básica ou


da empunhadura ostensiva.

No momento em que atinge o agressor, o bastão tonfa deve estar firme na sua
mão. O giro de pulso é o que faz o bastão se movimentar e ajuda na potência dos golpes.

Figura 5: Posição inicial da varredura vertical

Fonte: Centro de Treinamento Policial

19
Figura 6: Giro do Punho para varredura vertical

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Para o movimento de varredura ter potência, você deve girar o quadril no


momento do contra-ataque e deixar que o ombro amplifique a força à frente. É muito comum
acreditarem, erroneamente, que a potência nos movimentos de varredura depende de força nos
braços. Na verdade, é o giro de quadril que dá força ao movimento.

20
Figura 7: Varredura diagonal

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Recomendamos quatro tipos de golpes de varredura: vertical, horizontal (ou


paralela), diagonal e em “X”.

3.5.1.1 Movimento de varredura vertical

O movimento de varredura vertical tem eficiência não só para contra-atacar


agressores, mas também para desarmá-los (contra armas brancas). Para este movimento,
empunhando o bastão tonfa de forma ostensiva (ou com empunhadura básica) você deve fazer
um movimento de giro descendente. Quando o tonfa está na posição mais baixa (figura 08, foto),
a sua postura permanece ereta, você não abaixa a cabeça, nem inclina a colun a. Isso evita que
a sua cabeça fique vulnerável a ataques.

21
Figura 8: varredura vertical

Fonte: Centro de treinamento policial

3.5.1.2 Movimento de varredura horizontal

A varredura horizontal pode ser usada para afastar o agressor e é também é


um contra-ataque eficiente.

Figura 9: varredura horizontal

Fonte: Manual do bastão Tonfa PMMG

22
3.5.1.3 Movimento de varredura diagonal

A varredura diagonal é ideal para golpes rápidos. Deve ser usada,


principalmente, para contra-ataques que atinjam braços, pernas e ombros do agressor

Figura 10: varredura diagonal

Fonte: Manual do bastão Tonfa PMMG

3.5.2 Bloqueio contra golpe traumático vertical

3.5.2.1 Bloqueio de ataques à cabeça

Para se defender de um ataque contra a cabeça, você deve erguer o bastão


tonfa, mantendo-o firme no alinhamento do antebraço. O tonfa deve ficar na diagonal, para que

23
o braço não receba todo o impacto do ataque, pois nessa posição, o golpe tende a deslizar pelo
bastão.

Figura 10: bloqueio de ataques à cabeça

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Quando o policial é agredido, há uma resposta natural de afastar-se do agressor,


recuando um pouco. Devemos lembrar que, se o agressor desfere um golpe de cima para baixo
(com uma barra de ferro ou pedaço de madeira, por exemplo), quanto mais distante das mãos do
indivíduo abordado, maior será a força da agressão. Logo, para realizar esse tipo de defesa,
você deve controlar esse impulso de se afastar do agressor.

Há outra maneira de defender-se de golpes contra a cabeça. Partindo da


empunhadura ostensiva, você pode erguer o bastão tonfa, neutralizando o ataque.

24
Figura 11: neutralização de golpe

Fonte: Manual do bastão Tonfa PMMG

25
Figura 12: empunhadura ostensiva

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Contudo, ao se defender de golpes direcionados à área da cabeça, utilizando


a empunhadura ostensiva, você deve segurar o tonfa pelo punho e utilizar a outra mão para
ajudar a dar firmeza. A figura 13 demonstra que não se segura o corpo principal do bastão.
Empunhando-o de forma correta, o tonfa ficará apoiado na palma da mão, que deverá estar
esticada. Desta forma, os seus dedos não serão atingidos pelo ataque.

Figura 13: empunhadura ostensiva (detalhe)

Fonte: Centro de treinamento policial

26
5.4 Bloqueio contra golpe traumático horizontal

5.4.1 Bloqueios de ataque na altura do tronco

Para este tipo de bloqueio, partindo da empunhadura básica, você deve erguer
o tonfa, bloqueando o ataque e, ao mesmo tempo, girar o tronco, protegendo o corpo atrás do
bastão.

Para isso, deve adotar uma base flexível, com os joelhos ligeiramente
flexionados e as pernas abertas na largura dos ombros. Você pode distribuir o peso do corpo de
forma desigual nos membros inferiores, para que a posição se torne confortável e, ao mesmo
tempo, permita o rápido contragolpe.

Figura 13: bloqueio contra golpe na altura do tronco

Fonte: Manual do bastão Tonfa PMMG

Para que você se defenda de golpes vindos de outra direção, basta erguer o
tonfa, com o punho virado para dentro, e girar o tronco, protegendo o corpo.

27
Figura 14: Defesa de golpes vindos da direção contrária

Fonte: Centro de Treinamento Policial

O corpo principal do tonfa deve ficar no prolongamento do seu antebraço. Para


que o bastão fique firme, basta usar a articulação do punho, conforme é visto na figura 15.

Figura 15: Giro do punho

Fonte: Centro de Treinamento policial

28
5.4.2 Bloqueio de ataque ao baixo ventre

Para bloquear ataques contra a região do baixo ventre, você deve utilizar a
empunhadura básica e fazer um movimento descendente com o tonfa. O tronco deve girar
ligeiramente, dando mais força e segurança ao movimento.

A cabeça permanece erguida e o tronco ereto. Um erro muito comum é abaixar


a cabeça no momento de se defender contra golpes na região do baixo ventre. Apesar de comum,
trata-se de um erro grave, pois deixa a cabeça e o pescoço do policial vulnerável ao agressor.

Figura 16: Defesa de golpes ao baixo ventre

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Há outra maneira de defender golpes contra a região do baixo ventre. Gire o


bastão para a empunhadura ostensiva e, com ajuda da outra mão, bloqueie o golpe.

29
Figura 17: Empunhadura ostensiva

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Você não deve segurar o bastão tonfa com a outra mão. Ela deve ficar
espalmada, evitando que os seus dedos sejam atingidos pelo ataque.

5.5 Conclusão

Agir assertivamente muitas vezes requer uma ação mais comedida. Isso não
significa dizer que o policial deve ser vitimado de qualquer forma, então, ter recursos que possibilitam
uma proteção significativa diante de suspeitos resistentes é algo fundamental para a segurança das
ações policiais. As defesas são ações que garantem que golpes traumáticos que poderiam ser muito
lesivos a integridade física dos policiais sejam mitigadas.

Saber se defender, mantendo a sua integridade física, é condição elementar para


que o policial possa dar continuidade a qualquer intervenção policial. Daí a importância de você,
policial, observar o estado de prontidão adequado, isso o capacitará a se antecipar, esquivar e se
proteger. A vitimização de um policial por meio de um golpe traumático pode ter consequências
trágicas. Fique atendo e treine sempre.

30
RESUMO

Nesse capítulo você conheceu técnicas de defesa contragolpes traumáticos


que podem ser desferidos contra o policial durante uma intervenção policial, ou durante o policiamento
rotineiro. Para alcançar a eficiência na sua defesa e consequente preservação da sua integridade
física é necessário observar o estado de prontidão adequado – no mínimo estado de atenção,
representado pela cor amarela - Desta forma você poderá antecipar uma agressão.

Buscou-se uma aproximação à realidade policial, onde muitas vezes o


agressor não sabe o nome do soco que está desferido contra o policial, tampouco o nome do chute,
mas o soco e o chute são as agressões mais comuns contra os aplicadores da lei, em seguida se vê
a utilização de instrumentos contundentes, como madeira, barra de ferro e similares.

Foram apresentadas defesas com as mãos livres e com uso de tonfa. Foi
esclarecido que as defesas não impedem que os golpes atinjam o policial. Em grande medida,
minimizaram sobremaneira a potência dos ataques desferidos contra você. Todas as técnicas são
bastante úteis se aplicadas no momento adequado. Treine!

Referências

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Manual de Defesa Pessoal Policial. Belo Horizonte: Centro de
Pesquisa e Pós-Graduação da PMMG, 2010.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Manual de Bastão Tonfa. Belo Horizonte, Comando-Geral, 2010.

31
UNIDADE 4 - IMOBILIZAÇÕES

4.1 Introdução

Para imobilizar um agressor que esteja oferecendo resistência à abordagem


policial, a primeira preocupação deve ser a de levá-lo ao solo, com segurança, para que o policial,
então, tenha maior controle sobre ele.

Uma vez no solo, devem ser utilizadas das habilidades técnicas adequadas para
proceder a imobilização, algemação e condução do agressor, visando minimizar os possíveis
ferimentos decorrentes do uso da força, devendo observar o que determina a lei para esses casos,
em especial o artigo 292 do CPP2.

4.2 Técnicas de imobilização a mãos livres na posição de pé


pela frente

Consiste no forçamento da articulação do ombro do conduzido, provocado por


uma pressão na articulação do cotovelo, com o objetivo de manter o seu controle pela resposta ao
estímulo de dor. Será realizada com aproximação pela frente do suspeito, de acordo com os passos
a seguir:

● aproxime-se na diagonal, pela frente do suspeito resistente, preferencialmente


após a distração deste, por outro policial;

● com uma das mãos, levar o punho do suspeito em direção às suas costas e,
simultaneamente, com a outra mão, puxar o seu braço na altura do cotovelo, proporcionando o ângulo
para a torção;

● com a mão que direcionou o punho do suspeito resistente, levar o braço à altura
do cotovelo do suspeito resistente, e com a mão estendida, forçar o cotovelo deste para baixo.

2 Art. 292 (Decreto Lei 3689/41, Código de Processo Penal). Se houver, ainda que por parte de terceiros, resistência à
prisão em flagrante ou à determinada por autoridade competente, o executor e as pessoas que o auxiliarem poderão
usar dos meios necessários para defender-se ou para vencer a resistência, do que tudo se lavrará auto subscrito
também por duas testemunhas.
32
● deslizar o braço que não está segurando o cidadão infrator, até conseguir
segurar o tríceps do agressor (no mesmo braço);

● deslocar-se para a retaguarda do suspeito, e, já, com a chave de braço


encaixada, fazer o apoio do ombro do suspeito com sua outra mão livre;

DICA 1 Você não deve colocar a mão no ombro do cidadão infrator, pois
corre o risco do suspeito resistente luchar ou deslocar o seu braço. Também não pode dar
espaço entre o seu corpo e o braço do cidadão infrator, pois você corre o risco do cidadão
infrator realizar uma volta debaixo de você e lhe derrubar.

DICA 2 Para que um policial possa imobilizar um cidadão infrator é


necessário que o outro PM esteja realizando a segurança do companheiro, caso necessite de
auxílio.

Inserir vídeo IMOBILIZAÇÃO POSIÇÃO DE PÉ PELA FRENTE

4.3 Técnica de Imobilização a mãos livres na posição de pé


pela retaguarda

A imobilização é um meio que o policial tem de prevenir ou cessar uma agressão


contra ele ou terceiros. Ela tem por objetivo final limitar os movimentos do agressor. Secundariamente
o desestimula a continuar nessa ação delituosa. A imobilização a mãos livres se aplica em resistentes
desarmados. Seguem duas técnicas de imobilização a mãos livres.

Basicamente esta técnica consiste no forçamento da articulação do ombro do


conduzido, provocado por uma pressão na articulação do cotovelo, com o objetivo de manter o seu
controle pela resposta ao estímulo de dor. Em uma abordagem policial, os policiais empregam a tática
de aproximação triangular como forma de dispersar a percepção do suspeito. Nessa técnica de
imobilização a mãos livres na posição de pé pela retaguarda um dos policiais se desloca para a
retaguarda enquanto o outro realiza a verbalização objetivando controlar e distrair o suspeito. E segue
os passos a seguir:

● O policial que está na retaguarda se aproxima pela diagonal do cidadão infrator


(posição 2,5);

33
● Aproxima uma das mãos na direção do punho e a outra no tríceps oposto do
suspeito, aplicando a “Kimura3” partindo da posição 3;

DICA: ao realizar a técnica, o policial deve trazer o braço do suspeito


resistente para trás do próprio agressor, sendo que a transição das mãos deve ser simultânea
e rápida, pois do contrário, o cidadão infrator poderá se desenvencilhar.

● Simultaneamente, com a outra mão, puxa o punho do suspeito e direciona para


cima do seu braço, que está segurando o tríceps dele, formando o ângulo para a torção;

● com a chave de braço encaixada, faz o apoio do ombro do suspeito com sua
outra mão livre e realiza a estabilização do resistente;

● Caso o conduzido esteja muito resistente, a mão que está em apoio, no ombro
do suspeito, se desloca em direção ao ombro oposto, envolvendo o pescoço do suspeito, fornecendo,
assim, de maneira segura, uma opção de aumentar o nível de imobilização.

Inserir vídeo IMOBILIZAÇÃO NA POSIÇÃO DE PÉ PELA RETAGUARDA

4.4 Técnica de Imobilização a mãos livres na posição deitado


decúbito dorsal

Após aplicar uma técnica de projeção onde o cidadão infrator já foi conduzido de
costas ao solo, o policial deve mantê-lo nesta posição, para conseguir realizar a imobilização,
projetando o peso do seu corpo em seu joelho (ou pela canela) que está sobre o abdômen do
agressor. Ao mesmo tempo, segura um dos punhos, e com a outra mão, controla o pescoço ou o
ombro oposto do agressor.

DICA: Quando aplicar esta técnica, não se deve abaixar a cabeça próximo ao
peito do cidadão infrator, pois corre-se o risco de ser dominado. Por isso, deve-se manter a
postura ereta.

3
Kimura é nome dado ao golpe tecnicamente chamado reverse ude-garami, torção reversa da articulação do ombro, o
nome é em homenagem ao judoca japonês Masahiko Kimura.

34
● Mantenha o equilíbrio afastando sua perna de apoio para longe do agressor,
“abrindo o compasso” (para que este não consiga agarrar sua perna) e, assim, possa projetá-lo para
o lado oposto, invertendo a posição. Aproxime o seu joelho na direção do peito do agressor, sempre
que este esboçar maior resistência, de forma que, ao sentir um estímulo de dor momentâneo, não
consiga ter confiança para uma tentativa de inverter a posição

● preparar para a transição, que irá possibilitar a algemação, simulando um ataque


ao cidadão infrator com um golpe de soco na direção do rosto; ele provavelmente irá tentar se
defender direcionando seus braços para cobrir o rosto;

● Neste momento, dominar um dos braços e efetuar uma chave de braço,


terminando na posição de imobilização deitado.

Inserir vídeo IMOBILIZAÇÃO DEITADO DECUBITO DORSAL

4.5 Técnica de imobilização com o infrator em decúbito ventral

Utiliza-se, preferencialmente, a imobilização com o infrator deitado, quando este


resistente ativo ou quando os policiais julgarem que há perigo iminente para a guarnição policial,
devido à atitude do suspeito e seu histórico. O autor pode ser levado ao chão por meio da
verbalização, aliada ao controle físico ou ao uso dissuasivo da arma de fogo.

O infrator deve ser colocado deitado em decúbito ventral (barriga para baixo), com
os braços abertos no prolongamento dos ombros, como um “crucifixo”. Essa posição pode ser
adaptada, podendo o infrator ser colocado com as mãos por sobre a cabeça. O importante é ter
sempre os pontos quentes monitorados, não devendo, as mãos, estarem escondidas embaixo do
corpo;

Em seguida, realizar as seguintes ações:

● aproxime-se do infrator deitado, partindo da proximidade da cabeça do


abordado, preferencialmente, pelo lado contrário ao que o infrator está virado, evitando ficar próximo
das pernas, que é outro ponto quente.

● domine uma das mãos do agente, segurando a maior parte dos seus dedos e o
dorso da mão, torcendo em direção ao tronco e ajoelhando no dorso e na cintura deste.

● com o infrator dominado, o policial, ao manter seu tronco ereto e em equilíbrio,


poderá exercer três formas de forçamento de articulações: no pulso, no cotovelo e no ombro;
35
● após domínio do braço, sacar a algema com a mão que está livre, aplicar na
mão do infrator que está dominada e, na sequência, algema a outra.

Inserir vídeo DEITADO DECUBITO VENTRAL

4.6 Conclusão
A imobilização é um meio de limitar as ações agressivas do resistente, bem
como evitar fugas e o consequente agravamento do resultado esperado em uma intervenção policial.
Invariavelmente a imobilização só é possível quando o resistente estiver desarmado, do contrário a
aproximação é desaconselhada e devem ser utilizados outros meios para realizar o desarmamento
do infrator, o que poderá ser feito por meio de verbalização, uso de instrumentos de menor potencial
ofensivo, ou uso dissuasivo da arma de fogo.

Partindo desta premissa o policial se aproximará, quer seja de frente ou pela


retaguarda ao resistente, de pé ou deitado; em decúbito ventral ou dorsal, fazendo o uso legal da foça
previsto no art. 292 do CPP. A imobilização é um marco na evolução da intervenção e no uso da
força, uma vez imobilizado e neutralizada a resistência, passasse ao monitoramento do resistente,
minguando a possibilidade de evolução negativa da ocorrência policial.

As técnicas apresentadas condicionam o policial militar a realizar a imobilização


do resistente a mãos livres, sendo esta situação muito comum no trabalho policial.

36
RESUMO

Neste capítulo foram apresentadas técnicas variadas de imobilização a mãos livres,


podendo o policial imobilizar a partir das posições mais comuns em que se encontra o resistente, estando ele de
pé ou deitado, a aproximação e a imobilização poderão ser feitas pela frente ou pela retaguarda. Comumente se
imobiliza o infrator na posição de pé pela frente ou pela retaguarda, deitado decúbito ventral ou decúbito dorsal.

É necessário que você seja rápido e técnico para alcançar sucesso nessas
imobilizações, para tanto, é necessário que as ações sejam automatizadas. Treine!

Referências

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Manual de Defesa Pessoal Policial. Belo Horizonte: Centro de
Pesquisa e Pós-Graduação da PMMG, 2010

37
UNIDADE 5 - ALGEMAÇÃO

5.1 Introdução

A algema é um Instrumento de Menor Potencial Ofensivo (IMPO) primordial para


a atividade policial. Os aspectos doutrinários de aplicação devem ser baseados na legislação
processual vigente e estão descritos no MTP 02 (Seção 4.3). Na legislação, você deve observar o
que é disposto na Súmula Vinculante n. 11 do STF, que abarca a utilização lícita das algemas quando
há, por parte do suspeito abordado, resistência e fundado receio de fuga. Utiliza-se, também, quando
o resistente traz risco à integridade física própria ou alheia.

A utilização das algemas por você visa a controlar uma pessoa, diminuindo
sua mobilidade, sendo respeitada a sua integridade física e dignidade da pessoa humana.

DICA: Súmula vinculante 11: Só é lícito o uso de algemas em casos de


resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por
parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de
responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão
ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.

5.2 Posição das mãos

Ao algemar o conduzido, as mãos do cidadão deverão ficar para trás. O bloco de


trancamento deve estar em posição voltada para o dorso das mãos, no punho do conduzido. Também
é possível colocar a algema acima do punho, acima do osso denominado “cabeça da Ulna”, pois o
posicionamento das algemas nesse local dificulta que o conduzido tente retirá-las ou mesmo passá-
las para frente do corpo. Após a algemação, as mãos do conduzido deverão estar com os dorsos
voltados um ao outro. A fechadura deverá estar voltada para os cotovelos e as algemas deverão estar
travadas. Trata-se de uma questão de segurança, pois dificulta q u e o infrator algemado tenha
acesso ao sistema de fechadura e travamento do equipamento.

38
Figura 18: Posição final das mãos

Fonte: Centro de Treinamento Policial

5.3 Algemação na posição de pé

Para algemar um infrator na posição em pé, primeiramente você deve colocá-lo de


costas para você visando a uma maior segurança e aproximar-se pela posição “3”. O algemado pode
ser colocado com as mãos em um anteparo, se houver; caso não haja, você deve ordenar que o
abordado coloque as mãos na testa com os dedos entrelaçados. Você deve sempre ter o controle
sobre os pontos quentes do abordado.

39
Figura 19 - Posição de pé com anteparo

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Figura 20 – Posição de pé sem anteparo

Fonte: Centro de Treinamento Policial

40
5.3.1 Algemação com apoio em anteparo

Para esta algemação, você deve ordenar que o abordado se vire de costas,
coloque as mãos sobre o anteparo, permaneça com os braços abertos, com os pés afastados,
informando-o que será submetido a uma busca pessoal.

Quando você se sentir seguro para uma aproximação, vá em direção ao abordado


pela posição “3”. Próximo ao abordado, proceda ao contato físico, colocando uma das mãos na linha
de cintura do abordado, posicionando-o contra a parede. Em seguida:

● segure o antebraço do abordado, colocando o cotovelo sobre o braço dominado,


com a outra mão executar a algemação;

● proceda a algemação do outro braço, trocar a base, imobilizar o outro braço,


executando uma chave nos dedos do abordado e executar a algemação.

Inserir vídeo ALGEMAÇAÕ COM APOIO EM ANTEPARO

5.3.2 Algemação sem apoio em anteparo

Para esta algemação, você deve ordenar que o abordado se vire de costas,
coloque as mãos sobre a cabeça e entrelace os dedos, mantenha os pés afastados, informando-o
que será submetido a uma busca pessoal.

● quando você se sentir seguro para uma aproximação, vá em direção ao


abordado pela posição “3”. Próximo ao abordado proceda ao contato físico, aplicando uma chave de
dedos no abordado e conduzindo suas mãos até a testa do suspeito. Mantenha o seu tronco ereto,
uma das pernas entre as pernas do abordado e com o pé da mesma perna ao lado do pé do
conduzido.

● em seguida, algeme um dos braços do abordado, executar uma manobra


girando o braço do cidadão para trás, com a outra mão executar chave nos dedos do abordado e
proceder a algemação para trás.

Inserir vídeo ALGEMAÇÃO SEM APOIO EM ANTEPARO

41
5.3.3 Algemação na posição de joelhos

Utiliza-se preferencialmente a algemação com o infrator ajoelhado, quando este


se portar em resistência ativa ou quando os policiais julgarem que há perigo iminente para a guarnição
policial, devido à atitude do suspeito, bem como seu comportamento em ocorrências anteriores. Siga
os passos:

● determine ao infrator que se poste na posição de joelhos e com as mãos na testa


com os dedos das mãos devem estar entrelaçados e as pernas devem estar cruzadas.

● aproxime-se do infrator, por trás, posição “3” e de forma lateral. Com a mão da
frente, segura firme as mãos do infrator, entrelaçadas por sobre a testa. A perna à frente pode ser
colocada por debaixo do cruzamento das pernas do Infrator.

● após colocada no braço do abordado, a algema deve ser ajustada conforme as


dimensões do seu braço, sem que esteja folgada ou demasiadamente apertada.

● com um leve giro da algema juntamente com o braço do abordado, você conduz
o braço algemado para trás. Nesse momento, segure o par de algemas, de forma que firme pelo bloco
de trancamento, e segura a outra mão, realizando uma chave nos dedos do abordado, até colocar a
algema no outro.

Inserir vídeo ALGEMAÇÃO NA POSIÇÃO DE JOELHOS

5.3.4 Algemação na posição deitado

Utiliza-se preferencialmente a algemação com o infrator deitado, quando este se


portar em resistência ativa ou quando julgarem que há perigo iminente para a guarnição policial.

● o autor pode ser levado ao chão por meio da verbalização, aliada ao controle
físico ou ao uso dissuasivo da arma de fogo;

● o infrator deve ser colocado deitado em decúbito ventral (barriga para baixo),
com os braços abertos no prolongamento dos ombros, como um crucifixo, o abordado não
poderá estar olhando para o policial que faz a imobilização e as palmas das mãos do abordado
deverão estar voltadas para cima. Essa posição pode ser adaptada. O importante é sempre
monitorar os pontos quentes, as mãos não devem estar escondidas embaixo do corpo do
abordado;

42
● em seguida, aproxime-se do infrator deitado, próximo à cabeça,
preferencialmente pelo lado contrário ao que o infrator está virado, evitando ficar próximo das pernas,
que é outro ponto quente;

● então, domine uma das mãos do agente, segurando a maior parte dos seus
dedos e o dorso da mão, torcendo em direção ao tronco e ajoelhando no pescoço e na cintura deste.
O fato de dominar os dedos da mão do infrator é uma questão de força. Enquanto, ao segurar nos
dedos no dorso da mão, a força da sua mão é maior que as dos dedos do infrator.

● Após domínio do braço, saque a algema com a mão que está livre, procede
a algemação no braço dominado do abordado.

● Segurando entre os blocos de trancamento das algemas, exerça uma torção


leve no pulso algemado e, com a outra mão, pega a mão do infrator do outro lado do corpo e encaixa
na algema livre. Nesse caso, você pode determinar que o infrator traga a mão para ser algemada.

Inserir vídeo ALGEMAÇÃO NA POSIÇÃO DEITADO

5.4 Conclusão

A algemação pode ser considerada como uma imobilização definitiva, vez


que ela limita os movimentos do resistente ou infrator de maneira tal que a retirada deste instrumento
de menor potencial ofensivo deve ser feito quando o resistente estiver acautelado em local seguro.

A algemação de uma pessoa deve ser criteriosa, sendo observados os


critérios estipulados pela súmula vinculante 11, que em suma orienta a utilização apenas nos casos
de real necessidade, o que deve ser relatado por escrito justificando o seu uso.

A algemação apesar de fazer parte do dia-a-dia do policial é algo que muitas


vezes apresenta falhas na sua execução, geralmente por falta de treinamento e automação das
técnicas disponíveis. O material aqui apresentado tem por objetivo apresentar as posições e técnicas
de algemação mais comuns, de forma simples e objetiva, possibilitando ao policial militar acessar o
material e extrair conhecimento para sanar dúvidas do que e como deve ser treinado no que concerne
ao uso das algemas.

43
RESUMO
Nesse capítulo você conheceu além dos aspectos legais que envolvem o udo de
algemas, as técnicas mais comuns para executa-la. Aprendeu que há uma posição final ideal das
mãos para que algemação seja eficiente, bem como descobriu a possibilidade de que a algema seja
posicionada acima do osso do punho denominado “cabeça da Ulna”. Também aprendeu as técnicas
para algemar nas posições de pé sem anteparo, de pé com anteparo, posição de joelhos e posição
deitado.

Referências

- MINAS GERAIS. Manual de Defesa Pessoal Policial: Polícia Militar de Minas


Gerais; Centro de Pesquisa e Pós-Graduação da PMMG, 2010.

44
UNIDADE 6 - CONDUÇÃO

6.1 Introdução

Após imobilização e algemação do indivíduo, você deve conduzir o cidadão no


compartimento fechado da viatura, em seguida à presença da Autoridade Policial para encerrar a
ocorrência. Sendo assim, deve adotar alguns métodos, que serão comentados abaixo.

6.2 Método de condução com forçamento de punho

Esse método é utilizado quando o indivíduo que será conduzido estiver algemado
e totalmente dominado, já na posição de pé. Se posicione de forma que a arma fique do lado contrário
ao do conduzido. A mão forte pega o braço do conduzido na região do cotovelo e a mão fraca pega
o dorso da mão do conduzido, onde é feita uma leve pressão para cima. Caso haja reação por parte
do conduzido, você imprime mais pressão com o intuito de que o conduzido cesse a tentativa de fuga.

Figura 21: forçamento de punho

Fonte: Centro de Treinamento Policial

45
Se ainda for necessário imprimir mais força moderada, traga o braço do conduzido
para a sua axila, segure firme o dorso da mão do indivíduo e faça pressão na chave.

Figura 22: Forçamento do punho com mais pressão

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Inserir vídeo CONDUÇÃO COM FORÇAEMNTO DE PUNHO

6.3 Método de forçamento de articulações dos dedos

Esse método também é utilizado quando o indivíduo que será conduzido estiver
algemado e totalmente dominado, já na posição de pé. Posicione-se de forma que a arma fique
afastada do conduzido. A mão forte pega o braço do conduzido na região do cotovelo e com a mão
fraca você fecha a mão deixando para fora o indicador e o polegar, o que se assemelha a um
“revólver”, introduz o dedo indicador na articulação de um dos dedos da mão do conduzido, o polegar
fica na palma da mão do conduzido.

46
Figura 23: Forçamento da articulação do dedo

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Caso haja necessidade o durante a condução, o militar imprimira força, imprime


pressão moderada com o intuito de que o conduzido cesse a tentativa de fuga.

Inserir vídeo CONDUÇÃO COM FORÇAMENTO DA ARTICULAÇÃO DOS


DEDOS

6.4 Método de forçamento das algemas

Neste método, após a imobilização do indivíduo e algemação, coloca-se o


conduzido na posição de pé. Posicione-se de forma que a arma fique do lado contrário ao do
conduzido. A mão forte pega o braço do conduzido na região do cotovelo e a mão fraca pega o elo
das algemas, sendo que os quatro dedos da sua mão envolvem todos os elos da algema, já o seu
dedão fica sobre a haste da algema

Nesse momento, caso seja necessário ou haja tentativa de fuga do conduzido,


exerça uma força moderada, onde é imprimida uma força no dedão de cima para baixo, esse
movimento causa um desconforto no conduzido. Esse método visa cessar a tentativa de fuga do
conduzido.

Inserir vídeo CONDUÇÃO COM FORÇAMENTO DAS ALGEMAS

47
6.5 Método de forçamento das articulações cotovelo e ombro

Essa técnica é mais realizada quando o indivíduo não está algemado, mas pode
ser aplicada também com o conduzido algemado. Consiste em um forçamento da articulação do
ombro do conduzido, através de um apoio na articulação do cotovelo, com o objetivo de manter o seu
controle pela resposta ao estímulo de dor.

Posicione-se de forma que a arma fique do lado contrário ao do conduzido. Sua


mão forte pega o braço do conduzido na região do cotovelo e a mão fraca entra por trás do braço do
conduzido, na altura do cotovelo, fornecendo o ângulo para a torção, nesse momento deslize seu
braço até conseguir segurar o tríceps do agressor onde é colocado os dedos para que o braço do
conduzido fique preso e não possa sair. Ao realizar essa condução você estará na retaguarda do
conduzido, com a chave de braço encaixada, fará o apoio do ombro do suspeito com sua outra mão
livre. Caso o conduzido reaja ou tente fuga ou haja necessidade de imprimir força moderada é
possível. Uma opção que você poderá utilizar para conduzir o indivíduo agressivo é executar uma
“gravata” no pescoço do conduzido, fornecendo, assim, de maneira segura, uma opção de
estrangulamento.

Inserir vídeo CONDUÇÃO COM FORÇAMENTO DO COTOVELO E OMBRO

6.6 Conclusão
Uma intervenção policial em que culmina com prisão de alguma pessoa, por
força da lei, esta deve ser conduzida à presença da autoridade de polícia judiciária. Não são raros os
casos de pessoas que conseguem empreender fuga mesmo após estarem algemadas. Para tanto, é
necessário que o policial tenha condições de executar técnicas de condução que mitigam a tentativa
de fuga, ou até mesmo uma agressão por parte do conduzido.

Neste capítulo foram apresentadas técnicas de condução de presos, as quais


por meio do forçamento das articulações proporcionam mais segurança para o policial, com um
método simples e eficaz. O policial pode utilizar uma quantidade considerável de técnicas para
condução dessas pessoas.

RESUMO

48
Foram, em suma, explicitadas técnicas com baixo de grau de dificuldade de
execução, portanto, o treinamento simples pode habilitar o policial a ser eficiente na ao conduzir
pessoas. Foram apresentadas técnicas de forçamento do punho normal e com mais pressão,
forçamento do pinho com as algemas, forçamento dos dedos, forçamento dos ombros e cotovelos.

Referências

MINAS GERAIS. Manual de Defesa Pessoal Policial: Polícia Militar de Minas Gerais; Centro de
Pesquisa e Pós-Graduação da PMMG, 2010.

49
UNIDADE 7 – AVALIAÇÃO

A disciplina Defesa Pessoal Policial, diferente dos biênios anteriores, não terá
aulas ministradas de forma presencial. Está sendo disponibilizado o material didático com
demonstração das técnicas que serão ministradas pelos instrutores nas Unidades Operacionais e
Administrativas. No CTP e nas Unidades executoras do TPB, somente será realizada a avaliação, a
qual se dará em duas horas-aulas, sendo avaliadas técnicas das seis unidades citadas. Portanto, o
discente treinará as técnicas aqui disponibilizadas, em suas Unidades operacionais ou
administrativas, quando deve se preparar para a realização da prova. Não haverá aulas de Defesa
Pessoal Policial durante o Treinamento Policial Básico, somente a Prova de DPP.

A turma deverá aguardar do lado de fora do “dojô”. O aplicador da avaliação


chamará 03 ou 04 discentes para dentro, o primeiro fará a avaliação, enquanto o segundo fará o papel
de oponente e o terceiro o papel de observador. Assim que terminar a avaliação desse primeiro aluno
esse será liberado. Em seguida serão chamados um a um, sendo que o que havia sido oponente,
passa ser o avaliado, o último será o observador, e a sequência seguirá até que restem os últimos
três que deverão acompanhar o encerramento das avaliações. Durante a avaliação serão seguidos
os seguintes passos:

- O aplicador (professor) irá determinar que o discente execute uma técnica


contida nos seguintes grupos:

a) Golpes traumáticos;

b) Projeções;

c) Defesa;

d) Imobilizações;

e) Algemação;

f) Condução.

50
Dentro desses grandes grupos existem uma variedade de técnicas que podem ser
aplicadas. Desta forma o avaliado deve estar em condições de realizar qualquer técnica que o aplicador
determinar. Segue um quadro com as técnicas que serão exigidas durante a prova.

QUADRO 1: RELAÇÃO DAS TÉCNICAS DE DEFESA POLICIAL

GRUPO TÉCNICA ESPECIFICA VARIAÇÃO

1- jab

2- direto

TÉCNICA DE SOCOS 3- cruzado


APLICAÇÃO DE
4- gancho
GOLPES
TRAUMÁTICOS 1- frontal

2- baixo (low kick)

CHUTES 3- semicircular

4- circular

PROJEÇÃO PELA FRENTE -


PROJEÇÕES

PROJEÇAÕ PELA RETAGUARDA -

ESQUIVA -
1- defesa contra jab e direto

DEFESA CONTRA SOCOS A 2- defesa contra soco cruzado


MAOS LIVRES
3- defesa contra gancho

4- defesa contra uppercut

1- defesa contra chute frontal

DEFESAS DEFESA CONTRA CHUTES A 2- defesa contra chute baixo (low kick)
MÃOS LIVRES
3- defesa contra chute semicircular

51
4- defesa contra chute circular

1- varredura vertical

VARREDURAS COM TONFA 2- varredura diagonal

3- varredura horizontal

1- bloqueio de ataque à cabeça

BLOQUEIOS CONTRA GOLPE 2- bloqueio de ataque na altura do tronco


TRAUMATICO
3- bloqueio contra ataque ao baixo ventre

DE PÉ PELA FRENTE -

DE PÉ PELA RETAGUARDA -

IMOBILIZAÇÕES DECUBITO DORSAL -

DECUBITO VENTRAL -

DE PÉ SEM ANTEPARO -

ALGEMAÇÃO DE PÉ COM ANTEPARO -

DE JOELHOS -

DEITADO -

FORÇAMENTO DO PUNHO

CONDUÇAÕ FORÇAMENTO DA -
ARTICULAÇÃO DOS DEDOS

FORÇAMENTO DA ALGEMA -

FORÇAMENTO DA ARTICULÇAÕ -
DO OMBRO E COTOVELO

FONTE: Centro de treinamento policial 2018

52
Estando o discente no centro do tatame juntamente com o discente figurante, o
aplicador vai determinar claramente a técnica que ele deve aplicar, em seguida irá perguntar VOCÊ ESTA
PRONTO? Se afirmativo, vai apitar para que seja realizada a execução apenas uma vez.

Importante saber que será cobrada a execução de apenas uma técnica contida nos
grupos, ou seja, o avaliador vai solicitar uma técnica de aplicação de golpe traumático, qual técnica específica e
variação desta técnica:

Exemplos:

a) Aplique um soco direto, Aluno pronto? Apito, EXECUÇÃO;

b) Aplique uma projeção pela retaguarda, Aluno pronto? Apito, EXECUÇÃO;

c) Execute uma defesa contra chute baixo, Aluno pronto? Apito, EXECUÇÃO;

d) Execute uma imobilização na posição de pé pela frente Aluno pronto? Apito,


EXECUÇÃO;

e) Execute uma algemação na posição de pé sem anteparo Aluno pronto? Apito,


EXECUÇÃO;

f) Execute uma condução com forçamento das articulações dos dedos Aluno
pronto? Apito, EXECUÇÃO.

O avaliador vai definir aleatoriamente qual variação que irá determinar que
seja executada pelo avaliado, totalizando seis técnicas por avaliado.

Cada técnica executada será avaliada em três critérios, quais sejam:

a) Efetividade: observância do procedimento técnico e alcance do objetivo;

b) Energia: execução da técnica com vigor e confiança;

c) Destreza: execução da técnica sem embaraços e interrupções.

Cada um desses critérios é um objetivo a ser alcançado na execução de uma


técnica. Em não sendo alcançado o avaliador deverá marca um “x” no critério nesse critério. Ao final
da avaliação se fará o cômputo dos erros cometidos em todas as técnicas determinadas e emitida a
nota do policial militar conforme escala abaixo na qual determina o número de erros e a nota atribuída.

53
Assim, para fins de notas ficam definidos os parâmetros abaixo:

Quadro 2: Tabela de conversão e pontuação a avaliação de DPP

Número de erros Nota atribuída


0 2,0
1 1,9
2 1,8
3 1,7
4 1,7
5 1,6
6 1.6
7 1,4
8 1,4
9 1,2
10 1,0
11 1,0
12 0,8
13 0,8
14 0,6
15 0,6
16 0,4
17 0,2
18 0,0

Fonte: Centro de treinamento policial

54
Quadro 3: Minuta do Barema

Golpes
traumátic
os
Nota
imobilizaç Algemaç
projeções defesas condução
ões ão
Nº P/G NOME

E E D E E D E E D E E D E E D E E D
F N. E F N. E F N. E. F. N. E F. N. E. F. N. E.

X
X 1,8

Fonte: Centro de Treinamento Policial

A avaliação terá a duração de 100 minutos, os 10 primeiros minutos serão


destinados às orientações, 80 minutos para execução e os 10 minutos finais para considerações finais
antes da liberação da turma. Após a realização da prova cada aluno deve assinar à frente da sua
nota.

Em casos de turmas muito grandes, acima de trinta alunos, com a


possibilidade de insuficiência de tempo, o professor poderá determinar que cada avaliado execute no
mínimo 04 técnicas, sendo que nas técnicas não exigidas o aluno recebe o total dos escores, ou
poderá avaliar de forma conjugada a projeção com a imobilização, de igual modo a algemação com
a condução, determinando a nota conforme os critérios de cada técnica.

55
56