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Escola Ulisses Guimarães

Professora: Jane oliveira turma: 5º ano C vespertino


Período:12/08/2018 a 16/08/2018
Plano de aula semanal
Habilidades

1. Conhecer lendas e mitos, diferenciando lendas de lendas urbanas.


2. Compreender a medida de comprimento calculando e transformando as
unidades;
3. Calcular m.m.c. e m.d.c.;
4. Entender a capoeira como uma maneira eficaz que beneficia a saúde do corpo e
da mente;
5. Identificar e diferenciar modos de reprodução dos animais e vegetais;
6. Conhecer o conceito de republica nova e velha estabelecendo comparações
entre o passado e o presente;
7. Resgatar a importância do Folclore Brasileiro;
8. Valorizar a escrita, a interpretação e compreensão dos textos;
9. Analisar e conhecer o comercio brasileiro e o acordo Mercosul;
10. Conscientizar e discutir os diferentes tipos de drogas e seus efeitos
colaterais;

Componente curricular /unidades temáticas/objeto do conhecimento

Língua portuguesa
 Lendas, lendas urbanas do Folclore Brasileiro;
 Conjugação dos verbos; (revisão)
Matemática
 Medidas comprimento;
 MMC e MDC;
Artes
 Meu pai minha vida...
Ciências
 A reprodução dos animais e vegetais.
Historia
 A República velha e nova.
Geografia
 O Brasil é nosso: O comercio brasileiro;
Religião
 As drogas e sua influência na vida das pessoas;
Educação física;
 Capoeira
 Brincadeira: Vamos brincar de Curupira.

Possibilidades Metodológicas:
Língua portuguesa
 Levantamento do conhecimento prévio dos alunos sobre lendas;
 Leitura da Lenda: “A loira do banheiro” em voz alta pela professora e em
Segunda-feira

grupo;
 Comentários orais sobre a lenda com a classe (versões populares
conhecidas);
 Produção textual: criando uma lenda;
 Atividade sobre verbo;
Matemática
 Jogos de multiplicação imprimíveis
 Para casa: Pesquisar sobre as lendas e mitos do folclore brasileiro;
Matemática
 Aula explicativa dialogada sobre conversão de unidade;
 Resolução de problemas envolvendo medidas de comprimento;
Terça-feira

 Correção individual e coletiva;


Ciências
 Aula áudio visual: A reprodução dos animais e vegetais.
 Atividade interativa: reprodução sexuada e assexuada;
 Recorte e colagens;
 Para casa: atividade de matemática;
Língua portuguesa
 Leitura das lendas produzidas na aula anterior; (Exposição das lendas –
Quarta-feira

varal).
Historia
 Vídeo informativo sobre a republica nova e velha;
 Atividade xerografada;
Matemática
Correção coletiva do para casa.

Ciências
Quinta-feira

Conclusão da atividade sobre reprodução animal;


Montagem de cartazes informativos em grupo;
Educação física
Capoeira e brincadeira: Vamos brincar de Curupira
Geografia.
Organização e apresentação do trabalho sobre o comercio brasileiro;
Sexta-feira

Religião / Português
Apresentação do trabalho sobre drogas;
Roda de bate-papo...
Artes
11. Homenagens e recordações (coral e palestra).
Avaliação
A avaliação será contínua e sistemática observando o aprendizado das crianças
através da participação em sala, desempenho nas atividades e trabalhos individuais e
em grupo etc.
Gramatica: verbo
A todo o momento estamos praticando uma ação, como ler, pular, brincar, passear.
E durante esses momentos em que fazemos algo, manifestamos nossos sentimentos, nosso estado de
espírito de diversas maneiras, tais como: alegres, tristes, cansados, eufóricos, entre outros.

Para que possamos entender melhor sobre isto, analisaremos as devidas orações:

Paulo soltou a pipa A garota está contente


A primeira expressa uma ação – soltar a pipa
A segunda expressa um estado em que a garota se encontra - feliz
Agora se dissermos que está chovendo muito hoje, a oração representa um fenômeno da natureza, que é
chover.
Logo, podemos definir o verbo como o termo que expressa ação, estado ou fenômeno da natureza.
O verbo é o elemento que mais se flexiona. Para compreendermos sobre este termo, observe:
Os artistas chegaram para a apresentação.
Percebemos que o verbo está no plural, justamente para concordar com o substantivo – artistas.
Aprofundando nosso conhecimento sobre esta classe, é importantíssimo sabermos sobre os seguintes
casos:

As pessoas do verbo:
1ª pessoa – Quem fala- eu e nós
2ª pessoa - Quem ouve – Tu e vós
3ª pessoa – De quem se fala – Ele/eles- Ela/elas

Os números do verbo:
Singular – Eu, tu, ele
Plural – Nós, vós, eles

Os tempos:
Presente – hoje – Indica que a ação está acontecendo no exato momento: Eu leio a história.
Passado ou pretérito – ontem – indica que a ação já ocorreu: Meu irmão foi ao passeio.
Futuro – amanhã – Indica uma ação que ainda vai acontecer: Mamãe fará minha festa.
As conjugações do verbo:
1ª conjugação – os verbos terminados em “ar” – brincar, nadar, passear.
2ª conjugação – São terminados em “er” – vender, ler, correr.
3ª conjugação – terminados em “ir” – partir, sorrir, preferir.

Os modos:
Indicativo – representa uma certeza: Nós vamos ao cinema.
Subjuntivo – Expressa uma dúvida: Se você fosse comigo, ficaria contente.

Imperativo – Expressa uma ordem: Não faças isto, pode se machucar.


Além de todas estas particularidades, o verbo ainda possui as formas nominais. São elas:
Infinitivo – É o verbo na sua forma original – falar (-ar)
Gerúndio – Revela uma ação em continuidade – brincando (-ndo)
Particípio – Expressa uma ação passada – cantado, participado (-do)
ATIVIDADES DE GRAMÁTICA - ESTUDO DOS VERBOS - 6º ANO
Verbo é a palavra que exprime um fato representado no tempo e que varia em número, pessoa, tempo e
modo.

1. Grife os verbos das orações abaixo. b) Joana treina para o campeonato.


c) Eu leio as obras de Machado de Assis.
a) Os alunos leram um livro.
b) Muitas pessoas viajam nas férias. d) Os garotos falam ao celular.
c) Hoje é dia 7 de fevereiro.
d) Talvez eu participe do campeonato. e) Eu estou na escola.
e) Gosto muito de meus pais. f) Jorge Carlos joga futebol.
f) Seremos bons amigos.
g) Fiz todas as atividades. g) As meninas desfilam bem.
h) Os animais correm o tempo todo.
2. Assinale a alternativa que possui uma locução
verbal.
6. Passe as orações abaixo para o tempo futuro
a) Somente as mulheres participarão da dança. do modo indicativo.
b) Os jovens tocam violão muito bem.
c) Fiquei alegre com a boa notícia.
d) Ele ficou sabendo da festa. a) Os alunos leram um texto sobre festas
juninas.
3. Identifique a conjugação dos verbos nas
b) Muitas pessoas gostam de festas juninas.
orações abaixo.
c) O cliente solicitou ao vendedor uma bola de
a) Cantamos uma música romântica. basquete.
b) Sonhei com você.
c) Somos bons amigos. d) Maria Rita começou a praticar esportes.
d) Não fui à escola ontem. e) Provocaram um desmatamento no local.
e) Compusemos uma bela canção.
f) Não partiremos o bolo agora. f) Poluíram nossos rios.
g) Nossa terra brasileira é um país bonito.
4. Identifique o modo dos verbos nas orações
abaixo. h) Poucos conhecem esse jogo.

a) Choveu muito ontem.


b) Faz frio. 7) Complete as frases de acordo com os verbos
c) Não arrumamos o quarto. entre parênteses e os tempos pedidos.
d) Talvez eu experimente desse sorvete.
e) Abra essa porta garoto!
f) Toquem a viola e dancem. a) Preciso passar no vestibular, por
g) Resolveremos as atividades após o jantar. isso...........muito. (estudar - futuro do presente do
h) Gritamos muito. indicativo).
i) Ah! se meu time vencesse...
j) Não jogue lixo nas ruas. b) ..............boas lembranças da minha infância.
(ter - presente do indicativo).
5. As orações abaixo estão no tempo presente e
c) Marcela e Bruna..........ao cinema ontem. (ir -
modo indicativo. Passe-as para o tempo pretérito
pretérito perfeito do indicativo).
perfeito e imperfeito do mesmo modo.
d) Nesta vida..........o que plantamos. (colher -
presente do indicativo).
a) Eu estudo muito.
e) Pedro..........futebol muito bem se 2ª conjugação.
tiver oportunidade. (jogar - futuro do presente do f) partiremos - partir - 3ª conjugação.
indicativo). 4. a) indicativo; b) indicativo; c) indicativo; d)
subjuntivo; e) imperativo; f) imperativo; g)
f) Os homens..........viola durante a serenata.
indicativo; h) indicativo; i) subjuntivo; j)
(tocar - futuro do presente do indicativo).
imperativo.
g) O aluno...........um prêmio ao final do 5.
semestre. (ganhar - futuro do presente do a) Eu estudei muito. / Eu estudava muito.
indicativo). b) Joana treinou para o campeonato. / Joana
treinava para o campeonato.
h) A menina..............alto durante as aulas. (falar c) Eu li as obras de Machado de Assis. / Eu lia
- pretérito imperfeito do indicativo). as obras de Machado de Assis.
d) Os garotos falaram ao celular. / Os garotos
8. Identifique o número e a pessoa do verbo das falavam ao celular.
orações abaixo. e) Eu estive na escola. / Eu estava na escola.
f) Jorge Carlos jogou futebol. / Jorge Carlos
Modelo: Eu gosto de sorvete. (verbo na 1ª jogava futebol.
pessoa do singular) g) As meninas desfilaram bem. / As meninas
desfilavam bem.
a) Moramos no planeta terra. h) Os animais correram o tempo todo. / Os
b) Juliano corria muito nas competições animais corriam o tempo todo.
escolares. 6. Futuro do presente/ Futuro do pretério
c) Os alunos estudaram muito para a prova. a) Os alunos lerão um texto sobre festas juninas.
d) Tu jogaste bem hoje. / Os alunos leriam um texto sobre festas juninas.
e) Vós não sabeis que este produto é tóxico? b) Muitas pessoas gostarão de festas juninas. /
f) Fomos bem recebidos na primeira aula deste Muitas pessoas gostariam de festas juninas.
ano. c) O cliente solicitará ao vendedor uma bola de
g) Marcelino Carioca chutava muito bem as basquete. / O cliente solicitaria ao vendedor uma
cobranças de faltas. bola de basquete.
d) Maria Rita começará a praticar esportes. /
Versão das atividades em PDF. Maria Rita começaria a praticar esportes.
e) Provocarão um desmatamento no local. /
Recomendo que você, aluno, primeiro responda Provocariam um desmatamento no local.
as atividades, e só após o término delas, faça a f) Poluirão nossos rios. / Poluiriam nossos rios.
correção conforme segue o gabarito. g) Nossa terra brasileira será um país bonito. /
Nossa terra brasileira seria um país bonito.
h) Poucos conhecerão esse jogo. / Poucos
GABARITO: conheceriam esse jogo.
7. a) estudarei; b) tenho; c) foram; d) colhemos;
1. a) leram; b) viajam; c) é; d) participe; e) gosto; e) jogará; f) tocarão; g) ganhará; h) falava.
f) seremos; g) fiz. 8.
2. D (ficou sabendo). a) 1ª pessoa do plural.
3. b) 3ª pessoa do singular.
a) cantamos - cantar - 1ª conjugação. c) 3ª pessoa do plural.
b) sonhei - sonhar - 1ª conjugação. d) 2ª pessoa do singular.
c) somos - ser - 2ª conjugação. e) 2ª pessoa do plural.
d) fui - ir - 3ª conjugação. f) 1ª pessoa do plural.
e) compusemos - compor (do arcaico compoer) - g) 3ª pessoa do singular.
A Lenda da Galinha Assombrada

Certa vez, uma galinha chocava sob um limoeiro frondoso. De repente, desprendeu-se do
limoeiro um limãozinho murcho que caiu-lhe mesmo em cima da crista.
__ Espanto! Alarme!
A galinha imaginou que aquilo poderia ser o fim do mundo e fugiu, correndo como louca.
Encontrou o galo e comunicou-lhe:
__ Chefe amigo, o mundo vai acabar! Corramos!
O galo tomou um choque brutal.
__ Vai acabar mesmo. Caiu uma bola do céu mo meu cocuruto...
e, sem dar tempo ao galo de refletir, a desmiolada arrastou-o numa correria louca, ouvindo-se
angustiosos cocorocós. Encontraram o pato que grasnava feliz e descuidado.
__ Pato amigo, corramos, que o mundo vai acabar! Caiu uma bola do céu no cocuruto da galinha.
O galo falou, o pato obedeceu e saiu aflito, acompanhando os dois.
Mais adiante encontraram um pavão bonito, vaidoso, revirando-se, como príncipe da elegância.
__ Pavão amigo, corramos, que o mundo vai acabar! Caiu uma bola do céu no cocuruto da
galinha.
Pavão, esquecido de si mesmo, fugiu acompanhando os três, na carreira sem destino.
Ao cabo de meia hora, toda a população de aves desfilava atrás da galinha maluca, que fugia do
fim do mundo.
Por fim encontraram a raposa.
O galo contou-lhe aflito:
__ Caiu uma bola do céu no cocuruto da galinha e o mundo vai acabar.
A raposa, esperta, fingiu nada ignorar e disse séria:
__ Amigos, eu já sabia disso. Também no meu cocuruto caiu uma bola do céu. Mas eu tenho
uma casinha aqui perto, onde todos estarão fora de perigo. Venham.
Inconscientes, as aves seguiram-na.
A raposa, esperta, prendeu-as todas, e teve bons petiscos para vários dias...
E o mundo acabou mesmo...
Nair Starling. Nossas lendas
A Loira do Banheiro - Heloísa Prieto
Região: Avaré, São Paulo
Informante: Lauro da Cruz Correa
Idade: 36 anos
Profissão: Divulgador Editorial

Na vida, tenho duas grandes paixões: literatura e cinema. Quando era menino, eu queria ser ator, trabalhar em
filmes de aventuras, fazer papel de astronauta, de soldado, tudo que envolvesse muito perigo.Mas eu nasci no
interior de São Paulo. Difícil realizar um sonho desses.
Durante vários anos vivi todas as emoções mais intensas, o medo, o amor, o perigo, lendo livros ou sentado no
cantinho escuro de um cinema.

Sou um cara de sorte. Trabalho com aquilo que mais gosto: livros. Atuo como divulgador de uma grande
editora. Percorro as escolas mostrando os lançamentos, contando as histórias, enfim, sou pago para ler, veja só.
E sempre que eu tentava vender uma boa história de fantasmas, depois fechava o livro aliviado e comentava
com os professores: escritores têm tanta imaginação... Já pensou se tudo isso fosse verdade? Até o dia em que
descobri que o mistério nos ronda, nos assombra, também fora dos livros e dos filmes.
E se os fantasmas existirem? Afinal, há histórias assim no mundo todo...
Essa dúvida me persegue e tudo começou por causa de uma história que me foi contada por três garotos
apavorados. Eu caminhava pelos corredores de uma escola levando meus livros, minha maleta com os catálogos
editoriais, os braços repletos de panfletos anunciando os lançamentos. Vi a porta do banheiro masculino abrir-se
com toda violência. Dela saíram três jovens de mais ou menos dezessete anos de idade. Cabelos molhados, respiração
ofegante, o rosto em pânico. Aquilo despertou minha
curiosidade.
Na saída da escola, encontrei um deles, Ricardo era
seu nome. Normalmente sou muito discreto, mas a
curiosidade me matava.
—Vem cá, me conte, por que foi que vocês saíram
correndo daquele jeito? Viram alguma assombração?
Ele custou um tempo para responder. Mas de
repente disse bem baixinho:
— Mas eu vi mesmo, eu vi um fantasma.
— Que fantasma, garoto? Você está passando
bem? Quer que eu chame sua professora?
—Não, escuta, eu só vou contar pro senhor, depois eu
quero esquecer.
—Então conte, mas é melhor sair daqui, do meio do
corredor.
Fomos até o pátio, o garoto respirou fundo e começou a me contar:
—Bom, o negócio começou assim: eu tenho mais dois amigos. Eu sou o Rico, depois vem o Betão. O Betão é cético.
Ele tem que ver para crer. Só que ele nunca vê nada. Aliás, ele vê sim. Garotas. O cara é magrinho, tropeça em
tudo, mas faz o maior sucesso. Dá raiva, até. Bom, tem também o João. Ele ri muito, é o contrário do Beto, acredita
em tudo que se fala. Chupa-cabra, ET de Varginha, Loira do Banheiro e daí vai.
—E você? É cético ou crédulo? — perguntei, achando engraçado o jeito do menino.
—Eu? Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, como dizia minha avó. Eu acredito e não acredito. Não vou dizer que
preciso ver para crer, porque dá de ver...
— E você já viu alguma coisa estranha, certo? — sugeri.
—Certo. Foi assim: nós três estávamos no banheiro falando das meninas. O único de nós que já teve namorada foi
o Beto, claro. O João estava sentado no chão. E eu estava louco da vida. Tinha levado um fora de uma garota. Foi
então que tive uma ideia. Era maligna, agora eu sei. Até hoje me arrependo. Mas quando vi, já tinha falado “E se a
gente chamasse a tal da Loira do Banheiro?” O senhor já ouviu falar?
—Não — respondi, achando aquela conversa engraçada.
—É uma loira fantasma. Ela aparece para quem invoca seu nome.
—Vai me dizer que ela apareceu para vocês — eu disse incrédulo.
—Bem, nós fizemos tudo que era preciso: bater três vezes no espelho, falando bem baixo, com voz de apaixonado
o, loira, loira, loira, depois a gente deu descarga três vezes e três pulinhos ridículos. Mas eu estava tão bravo
naquele dia... resolvi fazer palhaçada, pensava que era só brincadeira.

Mas não era, não.


Lembro de tudo até hoje.
Corri para o espelho.
Beijei minha boca.
Sussurrei: loira, loirinha, vem cá...
Meus amigos morriam de rir.
Fizeram igual.
Depois, todos nós demos três descargas.
Ríamos tanto que a barriga doía.
Depois demos os três pulinhos.
Foi nisso que apareceu o diretor.
Resultado: suspensão para todos nós.
Na volta para casa, meus amigos estavam muito bravos comigo.
De repente, eu vi. Uma loira linda. Atravessando a rua.
—A loira! — gritei.
—Você está louco? Essa loira é gente, não é fantasma coisa nenhuma! —o João falou.
Do outro lado da calçada, a loira caminhava, sorria e acenava de longe. Quase desmaiei. Só não desmaiei porque
apareceu outra loira. É isso mesmo. Eu ia gritar, mas aí surgiu a última loira. Idêntica.
Loiras trigêmeas. Uma para cada um de nós.
Bom, atravessamos a rua feito loucos. As loiras nos acenavam do outro lado. Nem vimos os carros, nem ouvimos a
buzina, nem o ruído do breque.
Quando acordamos, estávamos no hospital. Uma maca ao lado da outra. Todos nós machucados, braços, perna na
tipoia.
De repente, Betão estendeu a mão para o espelho do quarto do hospital e gritou assim:
- Olha lá as loiras!
Eu olhei. Antes não tivesse olhado.
As trigêmeas. Lindas. Idênticas. Uma para cada um de nós.
Sabe onde?
Dentro do espelho.
Acenando adeus. Rindo.
Desmaiamos outra vez.
É por isso que nunca vamos ao banheiro sozinhos, de jeito nenhum. E se ela aparecer?
Depois, era só entregar o caminhão. Eu tinha combinado que voltava de ônibus pra São Paulo. Ainda
bem. Depois daquela noite, fiquei uns trinta dias sem dirigir. O medo me matava.
Quando o menino acabou sua história, levantou-se e foi embora rapidamente.
Fiquei pensando, essa história dava um bom conto de terror, a garotada inventa cada coisa para acabar com o
tédio... Loira do Banheiro!
Mas naquela noite, sonhei com lindas loiras fantasmagóricas, dançando nos reflexos dos espelhos, na tela da
televisão... Acordei pensando que aquilo já estava virando um exagero. Afinal, era só um desses casos malucos,
bobagem de criança. Acontece que, daquele dia em diante, cada vez que entro no banheiro de uma escola, lembro-
me da Loira Fantasma.
Confesso que, ao longo do tempo, encontrei várias outras crianças assustadas com essa mesma assombração.
Parece epidemia. Um medo que contagia. É, porque aos poucos, vou ser sincero, eu também comecei a sentir
medo. Mesmo sendo um adulto, mesmo conhecendo tantas histórias e tantos filmes de terror, há dias em que
entro no banheiro bem rápido, lavo as mãos sem olhar para o espelho e, quando fecho a porta, respiro bem
aliviado.
E se for tudo verdade? E se os fantasmas existirem? Como é que ficam os vivos?
Uma coisa eu sei. Depois da Loira, todas as outras histórias viraram bobagem, invenção de escritor.
(Heloísa Prieto. A Loira do Banheiro e outras histórias. São Paulo: Ática, 2007. p. 27-32.)
A partir da leitura da lenda urbana “A Loira do Banheiro”, de Heloísa Prieto, produza uma lenda urbana.
Pense em histórias de mistérios que envolvem cenas cotidianas. Lembre-se que seu texto será publicado no blog da
escola. Dê um título ao seu texto.