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GUIA PRÁTICO

dos Blocos H e K
no Sped Fiscal
3ª Edição
GUIA PRÁTICO
dos Blocos H e K
no Sped Fiscal
3ª Edição
Presidente: Jorge Santos Carneiro
Diretor de Operação: Elton José Donato
Gerente de Produtos: Vlamir Neves
Editorial: Equipe Técnica IOB
Capa: Munir Abdo Baarini Junior
Diagramação: Rita de Cássia de Moraes
Revisão: Isis Rangel, Jane Silveira

Edição concluída em Janeiro 2018

CIP – Dados Internacionais de Catalogação na Publicação


_____________________________________________________________
G943 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal / editorial
Equipe Técnica IOB. – 3. ed. –São Paulo : IOB Sage,
2018.
348 p. ; 28 cm.

Inclui bibliografia.
ISBN: 978-85-379-3166-0

1. Escrituração fiscal digital. 2. SPED (Sistema de


recuperação de informação). 3. Contabilidade tributária -
Legislação - Brasil. I. Equipe Técnica IOB, coord.
II. Título: IOB Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal.

CDU : 657:336.2
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Catalogação: Bibliotecária Jucelei Rodrigues Domingues - CRB 10/1569

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Proibida a reprodução parcial ou total de qualquer matéria sem prévia autorização.
Registro na Vara dos Registros Públicos e no 1o Cartório de Títulos e Documentos de São Paulo - Nome e Marca Registrados no INPI.
Preâmbulo
Prezado leitor, o Guia Prático do Bloco H e Bloco K reúne as informações mais relevantes sobre a
Escrituração Fiscal Digital (EFD), sempre focando no correto preenchimento do Bloco H - Registro de
Inventário - e do Bloco K - Controle de Produção e Estoque.

Esta obra divide-se em 7 capítulos, sendo que o Capítulo 5 foi dedicado a ilustrar exemplos de
industrialização e os reflexos das referidas operações no preenchimento do Bloco K, que passou a ser
exigido a contar de 1º.01.2017, respeitando o cronograma de implantação trazido pelo Ajuste Sinief nº
2/2009 (alterado pelo Ajuste Sinief nº 25/2016).

Portanto, vários segmentos econômicos já estão promovendo a entrega do Livro Controle de Pro-
dução e Estoque no formato digital, ainda que na modalidade simplificada. A obrigatoriedade é progres-
siva e, em breve, todas as indústrias, os equiparados à indústria e os atacadistas estarão compelidos ao
cumprimento de mais esta obrigação acessória.

As dificuldades iniciam-se com o cadastramento dos itens e vão mais além, tendo em vista que o
Bloco K exigirá um maior controle e detalhamento dos processos produtivos da empresa.

O fato de termos o livro Registro de Inventário inserido no Sistema Público de Escrituração Fiscal
Digital (Sped Fiscal) já representou um grande avanço no processo fiscalizatório das empresas, sendo
que o ciclo se fecha com a obrigatoriedade de apresentação do novo bloco.

Combinando a exigência do Sped Contábil e a introdução dos Blocos H e K no Sped Fiscal, as in-
formações devem manter uma coerência, a fim de que os contribuintes não sejam surpreendidos com
penalidades administrativas.

As informações prestadas no Bloco H, que, em geral, se resume a um único balanço anual, devem
fechar com as informações mensais prestadas ao longo do exercício fiscal no Bloco K. Assim, a preocu-
pação como perdas habituais ocorridas durante o processo de industrialização e a melhoria na execu-
ção das operações de industrialização por encomenda passam a fazer parte do cotidiano das empresas.

Este guia foi elaborado, pela equipe técnica da IOB, com base na legislação vigente e nos parâme-
tros de validação existentes no Programa Validador da EFD-ICMS/IPI.

O Guia Prático da Escrituração Fiscal Digital já teve 22versões diferentes, sendo que, na versão
2.0.19, foram incluídos os Registros K210, K215, K260, K265, K275 e K280, com validade desde janeiro/2017.
Na versão 2.0.21, mais uma inovação, o Bloco K, passará a exigir, a contar de janeiro/2019, registros espe-
cíficos para detalhamento do processo de produção conjunta adotado por algumas empresas.

Assim, nesta 3ª Edição, além de exemplificar os registros que já estão implementados no leiaute
atual da EFD, também discorreremos sobre os futuros Registros K290, K291, K292, K300, K301 e K302.

Uma boa leitura!


Sumário
CAPÍTULO 1.............................................................................................................................................................................................................9
INTRODUÇÃO.................................................................................................................................................................................................9
1.1. Introdução...........................................................................................................................................................................................9
1.2. Subprojetos do Sped.....................................................................................................................................................................9
1.3. eSocial................................................................................................................................................................................................ 12
1.4. ECF....................................................................................................................................................................................................... 12
1.5. EFD-Contribuições....................................................................................................................................................................... 13
1.6. EFD - Reinf........................................................................................................................................................................................ 18
1.7. e-Financeira......................................................................................................................................................................................20
1.8. NF-e.....................................................................................................................................................................................................20
1.9. NFS-e.................................................................................................................................................................................................. 21
1.10. CT-e....................................................................................................................................................................................................22
1.11. MDF-e................................................................................................................................................................................................24
1.12. Conhecendo a Escrituração Fiscal Digital ICMS e IPI................................................................................................24
1.13 Bloco D............................................................................................................................................................................................. 39
1.14. Bloco G.............................................................................................................................................................................................43
1.15. Bloco E..............................................................................................................................................................................................43
1.16. Bloco 1...............................................................................................................................................................................................45
1.17. Bloco 9 - Encerramento da EFD............................................................................................................................................47
1.18. ECD....................................................................................................................................................................................................48
1.19. Certificação digital......................................................................................................................................................................62

CAPÍTULO 2..........................................................................................................................................................................................................75
BLOCO 0..........................................................................................................................................................................................................75
2.1 Conhecendo o Bloco 0................................................................................................................................................................75
2.2 Registros vinculados ao cadastro do contribuinte/declarante................................................................................75
2.3 Tabelas Exigidas na Escrituração Fiscal Digital...............................................................................................................82
2.4 Tabelas oficiais................................................................................................................................................................................82
2.5 Tabelas intrínsecas ao programa............................................................................................................................................82
2.6 Tabelas de responsabilidade do contribuinte..................................................................................................................83
2.7 Tabela de participantes...............................................................................................................................................................83
2.8 Tabela de unidade de medidas...............................................................................................................................................89
2.9 Tabela de identificação do item (mercadoria, produtos e serviços)..................................................................... 90
2.10 Registro 0210: Controle Específico Padronizado.........................................................................................................100
2.11 Registro 0220: fatores de conversão de unidades......................................................................................................105
2.12 Registro 0205: alteração do Item........................................................................................................................................105
2.13 Registro 0206: código de produto conforme tabela publicada pela ANP (combustíveis)..................... 106
2.14 Registro 0400: tabela de natureza da operação/prestação................................................................................... 106
2.15 Registro 0450: tabela de informação complementar do documento fiscal.................................................. 106
2.16 Registro 0460: tabela de observações do lançamento fiscal................................................................................107
2.17 Cadastro do ativo imobilizado..............................................................................................................................................108

CAPÍTULO 3 ........................................................................................................................................................................................................111
BLOCO H........................................................................................................................................................................................................111
3.1. Conhecendo o Bloco H - Inventário físico........................................................................................................................111
8 Sumário

3.2. Registro H005 - Totais do inventário.................................................................................................................................. 112


3.3. Registro H010 - Inventário...................................................................................................................................................... 113
3.4. Registro H020 - Informação complementar do inventário...................................................................................... 115
3.5. Registro H990 - Encerramento do Bloco H.................................................................................................................... 116
3.6. Exemplo de arquivo “txt”..........................................................................................................................................................117
3.7. Avaliação de estoques...............................................................................................................................................................117
3.7.1. Avaliação de estoques de matérias-primas, mercadorias para revenda e materiais de consumo.... 118
3.8. Modelo Tradicional do Livro Registro de Inventário...................................................................................................126
3.9. Simulando o preenchimento do Bloco H........................................................................................................................ 127

CAPÍTULO 4........................................................................................................................................................................................................129
BLOCO K.......................................................................................................................................................................................................129
4.1 Introdução........................................................................................................................................................................................129

CAPÍTULO 5........................................................................................................................................................................................................ 161


CASO PRÁTICO.......................................................................................................................................................................................... 161
5.1 Introdução........................................................................................................................................................................................ 161
5.2 Industrialização própria............................................................................................................................................................ 161
5.3 Industrialização em estabelecimento de terceiro (fabricação de assentos para escritório)................... 179
5.4 Retorno de mercadoria enviada para industrialização em estabelecimento de terceiros........................185
5.5 Operação de remessa para industrialização em estabelecimento de terceiros (contratação de
mais de um industrializador)........................................................................................................................................................ 199
5.6 Relatórios da EFD-ICMS/IPI...................................................................................................................................................219
5.7 Simulação dos novos registros............................................................................................................................................. 220

CAPÍTULO 6....................................................................................................................................................................................................... 235


CRUZAMENTOS POSSÍVEIS DO SPED FISCAL......................................................................................................................... 235
6.1 Introdução....................................................................................................................................................................................... 235
6.2 Cruzamentos Inerentes ao PVA........................................................................................................................................... 235
6.3 Cruzamentos entre o Sped Fiscal e demais obrigações acessórias Estaduais............................................ 242
6.4 Classificação Fiscal de Mercadorias.................................................................................................................................. 242
6.5 Interação entre os setores da empresa........................................................................................................................... 243

CAPÍTULO 7....................................................................................................................................................................................................... 245


PERGUNTAS E RESPOSTAS................................................................................................................................................................. 245
7.1 Bloco 0............................................................................................................................................................................................... 245
Capítulo 1
INTRODUÇÃO

1.1. Introdução
Não há como falarmos sobre a escrituração do Bloco H ou mesmo do Bloco K sem antes conhe-
cermos a estrutura básica da EFD, bem como a função de cada projeto que compõe o Sped. Comece-
mos por conceituar o que é o Sped Fiscal.
O Sped pela definição que encontramos no próprio portal nacional consiste:
[...] na modernização da sistemática atual do cumprimento das obrigações acessórias, transmitidas pelos
contribuintes às administrações tributárias e aos órgãos fiscalizadores, utilizando-se da certificação digital
para fins de assinatura dos documentos eletrônicos, garantindo assim a validade jurídica dos mesmos apenas
na sua forma digital.
Desta forma, temos as mesmas obrigações impostas aos contribuintes, emissão de documentos
fiscais, Livros Fiscais e contábeis, contudo, com um formato diferente, mais moderno.

Os vários subprojetos do Sped propiciam aos órgãos de fiscalização uma maior agilidade na veri-
ficação dos processos e um controle melhorado com a possibilidade de cruzamento de informações. O
Sped torna possível até mesmo a realização de uma auditoria eletrônica sem a necessidade da presença
física do agente de fiscalização.
ECD

EFD ICMS/IPI

E-SOCIAL

ECF

EFD-CONTRIBUIÇÕES

EFD-REINF

E-FINANCEIRO

NF-E

NFC-E

NFS-E

CT-E

MDF-E

1.2. Subprojetos do Sped


O Sped é gênero do qual derivam diversos subprojetos. Os subprojetos que compõem o Sped
Fiscal têm suas particularidades e independência. Falemos agora sobre os principais aspectos de
cada subprojeto integrante do Sped Fiscal, no entanto, ressaltamos que alguns dos subprojetos ainda
encontram-se em fase de desenvolvimento pelo Fisco.
10 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

1.2.1. ECD

A Escrituração Contábil Digital (ECD) é parte integrante do projeto Sped e tem por objetivo a
substituição da escrituração em papel pela escrituração transmitida via arquivo digital, ou seja,
corresponde à obrigação de transmitir, em versão digital, os seguintes livros:
a) Diário e seus auxiliares, se houver;
b) Razão e seus auxiliares, se houver;
c) Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos ne-
les transcritos.

Devem apresentar a ECD as pessoas jurídicas e equiparadas obrigadas a manter escrituração


contábil nos termos da legislação comercial, inclusive entidades imunes e isentas.

Nota
(1) Estão dispensadas da entrega da ECD:
a) as pessoas jurídicas optantes pelo Simples Nacional (veja Nota 1);
b) os órgãos públicos, as autarquias e às fundações públicas; e
c) as pessoas jurídicas inativas, assim consideradas aquelas que não tenham realizado, durante o ano-calendário, ativi-
dade operacional, não operacional, patrimonial ou financeira, inclusive aplicação no mercado financeiro ou de capitais
as quais devem cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação específica;
d) às pessoas jurídicas imunes e isentas que auferiram, no ano-calendário, receitas, doações, incentivos, subvenções,
contribuições, auxílios, convênios e ingressos assemelhados cuja soma seja inferior a R$ 1.200.000,00 ou ao valor pro-
porcional ao período a que se refere a escrituração contábil; e
e) às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido que não distribuíram, a título de lucro, sem incidência
do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), parcela de lucros ou dividendos superior ao valor da base de cálculo
do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), diminuída dos impostos e contribuições a que estiver sujeita (veja Nota 1).
(2) A dispensa da entrega da ECD nas hipóteses mencionadas nas letras “a” e “e” da Nota 1 não se aplica à microempresa
(ME) ou empresa de pequeno porte que tenha recebido aporte de capital na forma prevista nos arts. 61-A a 61-D da Lei
Complementar nº 123/2006 (investidor anjo).
(3) Observar que os saldos contábeis das contas de estoques, consignados no Registro J100, Balanço Patrimonial, de-
vem ser idênticos aos escriturados no Bloco H na EFD (ICMS/IPI), podendo ser utilizado como elemento de cruzamento
de informações entre os 2 subprojetos do Sped (ECD e EFD-ICMS/IPI).
(4) O empresário e a sociedade empresária que não estejam obrigados, para fins tributários, a apresentar a ECD, podem
apresentá-la, de forma facultativa, a fim de atender ao disposto no art. 1.179 da Lei nº 10.406/2002 (Código Civil).
(5) A Sociedade em Conta de Participação (SCP) enquadrada nas hipóteses de obrigatoriedade de apresentação da
ECD deve apresentá-la como livros próprios ou livros auxiliares do sócio ostensivo.

(Instrução Normativa RFB nº 1.774/2017, art. 3º)

1.2.2. EFD - EFD-ICMS/IPI

A EFD é um arquivo digital, que se constitui de um conjunto de escriturações de documentos


fiscais e de outras informações de interesse dos Fiscos das Unidades da Federação e da Secretaria da
Receita Federal do Brasil, bem como de registros de apuração de impostos referentes às operações e
prestações praticadas pelo contribuinte.

Este arquivo deverá ser assinado digitalmente e transmitido, via Internet, ao ambiente Sped.

A EFD, também denominada Sped Fiscal, reúne os seguintes livros fiscais:

Registro de Entradas;
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 11

Registro de Saídas;

Registro de Apuração de ICMS;

Registro de Apuração de IPI;

Registro de Inventário;

Registro de Controle de Produção e Estoque; e

Ciap.

O Ciap não era considerado um livro fiscal, apenas um controle da tomada de crédito em face de
aquisição de ativos imobilizados pelos contribuintes, mas está hoje representado no Bloco G, ficando
assim incorporadas suas disposições.

O livro Registro de Controle de Produção e Estoque - Bloco K foi implementado a contar de


1º.01.2017, contudo, foi estabelecido um cronograma de exigência que leva em consideração o poder
econômico da empresa (faturamento) e o ramo de atividade que desempenha.

As indústrias, os equiparados à indústria e os comércios atacadistas, ainda que obrigados à


elaboração da EFD, continuarão a escriturar o “Livro Modelo 3” na forma tradicional (manual ou por
processamento de dados) enquanto não estiverem obrigados ao preenchimento e à entrega do Bloco
K na sua versão completa.

No tocante à obrigatoriedade de adoção da EFD, podemos dividir os contribuintes em três grupos:

Regime Normal de Apuração - Depois de um cronograma iniciado pelo Protocolo nº 77/2008, que
fixou a primeira grande lista de empresas obrigadas, atualmente, 100% dos contribuintes de ICMS e IPI
que estejam sediados nos Estados participantes do projeto encontram-se obrigados à adoção dessa
sistemática de Escrituração Fiscal1.

Empresas Enquadradas no Simples Nacional - Em princípio, havia previsão de exigência de entre-


ga da EFD para as ME e EPP optantes pelo Simples Nacional a contar de 1º.01.2016. Com as alterações
promovidas no Protocolo ICMS nº 3/2011 pelo Protocolo ICMS nº 49/2015 (DOU de 23.07.2015), apenas
os Estados que tenham fixado a obrigatoriedade da EFD para as ME e EPP até o 1º trimestre de 2014,
conforme § 4º-C do art. 26 da Lei Complementar nº 123/2006, poderão, de fato, exigir o cumprimento
dessa obrigação acessória.

Microempreendedor Individual (MEI) optante pelo Sistema de Recolhimento em Valores Fixos


Mensais dos Tributos abrangidos pelo Simples Nacional (Simei) desobrigados.

1.2.2.1. Divisão de blocos na EFD

Entre o registro inicial (0000) e o registro final (9999), o arquivo digital é constituído de blocos, cada
qual com um registro de abertura, com registros de dados e com um registro de encerramento, referin-
do-se cada um deles a um agrupamento de documentos e de outras informações econômico-fiscais.

1 Em abril de 2011, foi publicado o Protocolo nº 3/2011, que representou um compromisso de todas as Unidades da Federação participantes
do projeto de migrarem 100% (por cento) dos contribuintes não enquadrados no Simples Nacional na Escrituração Fiscal Digital até o ano de
2014, respeitado o cronograma proposto por esta norma federal.
12 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

A apresentação de todos os blocos, na sequência, conforme “Tabela de Blocos” a seguir ilustra a


“cláusula primeira” do Ato Cotepe/ICMS nº 9, de 18.04.2008, e por hora nos restringimos apenas em citá-
-la; em capítulo, específico faremos uma abordagem mais detalhada de cada bloco da EFD/ICMS e IPI
e sua importância.

Lembramos que os Blocos H e K fazem parte deste subprojeto do Sped.

Blocos da EFD

BLOCO DESCRIÇÃO

0 Refere-se à Abertura, Identificação e Referências

C Documentos Fiscais I - Informações sobre mercadorias (ICMS/IPI)

D Documentos Fiscais II - Serviços (ICMS)

E Apuração do ICMS e do PI

G Controle do Crédito de ICMS do Ativo Permanente (Ciap)

H Inventário Físico

K Livro de Controle de Produção e Estoque

1 Outras informações

9 Controle e Encerramento do Arquivo

1.3. eSocial

O Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial)


é um projeto do Governo federal e um instrumento de unificação da prestação das informações referen-
tes à escrituração das obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas que tem por finalidade padro-
nizar sua transmissão, validação, armazenamento e distribuição, constituindo um ambiente nacional.

1.4. ECF

A Escrituração Contábil Fiscal (ECF) é uma obrigação acessória de caráter eminentemente fiscal destinada a todas as pes-
soas jurídicas, inclusive imunes e isentas, sejam elas tributadas pelo lucro real, lucro arbitrado ou lucro presumido.

A ECF passou a ser exigida em relação aos fatos geradores ocorridos desde o ano-calendário de 2014, em substituição à
Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), ressalvada a hipótese de pessoas jurídicas incor-
poradas, fusionadas, cindidas ou encerradas no ano-calendário de 2014.

A ECF caracteriza-se como uma das engrenagens que compõem o Sped para onde será transmitida anualmente até o últi-
mo dia útil do mês de julho do ano seguinte ao ano-calendário a que se refira.

Na ECF, a pessoa jurídica deverá informar todas as operações que influenciem na composição da
base de cálculo e na apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social
sobre o Lucro (CSL).
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 13

Uma das inovações da ECF é ela que possibilita às empresas obrigadas à entrega da ECD a uti-
lização dos saldos e das contas da ECD para preenchimento inicial da ECF. Além disso, a ECF também
recuperará os saldos finais da ECF anterior, a partir do ano-calendário de 2015.

Na ECF, há o preenchimento e controle, por meio de validações, das Partes “A” e “B” do Livro Ele-
trônico de Apuração do Lucro Real (e-Lalur) e do Livro Eletrônico de Apuração da Base de Cálculo da
CSL (e-Lacs). Todos os saldos informados nesses livros também serão controlados e, no caso da Parte
“B”, haverá o “batimento” de saldos de um ano para outro.

É importante ressaltar que a ECF apresentará as fichas de informações econômicas e de informa-


ções gerais em novo formato de preenchimento para as pessoas jurídicas.

1.5. EFD-Contribuições

A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) instituiu a Escrituração Fiscal Digital da contribuição para o PIS/Pasep e da
Cofins (EFD-PIS/Cofins), para fins fiscais, por meio da Instrução Normativa RFB nº 1.052/2010.

Entretanto, posteriormente, a RFB editou a Instrução Normativa RFB nº 1.252/2012, renomeando a até então denominada
“EFD-PIS/Cofins” para “EFD-Contribuições”.

A EFD-Contribuições deve ser transmitida, pelas pessoas jurídicas a ela obrigadas, ao Sped, instituído pelo Decreto nº
6.022/2007, até o 10º dia útil do 2º mês subsequente ao que se refira a escrituração, inclusive nos casos de extinção, incor-
poração, fusão e cisão total ou parcial, e será considerada válida depois da confirmação de recebimento do arquivo que a
contém.

Estão obrigadas a adotar a EFD-Contribuições:


a) em relação à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, referentes aos fatos geradores ocorri-
dos a partir de 1º.01.2012, as pessoas jurídicas tributadas pelo IRPJ com base no lucro real;
b) em relação à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, referentes aos fatos geradores ocorri-
dos a partir de 1º.01.2013, as demais pessoas jurídicas sujeitas à tributação do IRPJ com base
no lucro presumido ou arbitrado;
c) em relação à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, referentes aos fatos geradores ocorri-
dos a partir de 1º.01.2014:
c.1) os bancos comerciais, os bancos de investimentos, os bancos de desenvolvimento, as
caixas econômicas, as sociedades de crédito, financiamento e investimento, as socieda-
des de crédito imobiliário, as sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mo-
biliários, as empresas de arrendamento mercantil, as cooperativas de crédito, as empre-
sas de seguros privados e de capitalização, os agentes autônomos de seguros privados e
de crédito e as entidades de previdência privada abertas e fechadas;
c.2) as pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos imobiliários, finan-
ceiros e agrícolas;
c.3) as operadoras de planos de assistência à saúde;
c.4) as empresas particulares que exploram serviços de vigilância e de transporte de valores;
d) em relação à contribuição previdenciária sobre a receita, referente aos fatos geradores ocorri-
dos a partir de 1º.03.2012:
d.1) as empresas exclusivamente prestadoras de serviços de Tecnologia da Informação (TI) e
Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC);
14 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

d.2) as empresas que fabriquem os produtos classificados na Tabela de Incidência do Imposto


sobre Produtos Industrializados (TIPI):
d.2.1) nos códigos 3926.20.00, 40.15, 42.03, 43.03, 4818.50.00, 63.01 a 63.05, 6812.91.00,
9404.90.00 e nos Capítulos 61 e 62;
d.2.2) nos códigos 4202.11.00, 4202.21.00, 4202.31.00, 4202.91.00, 4205.00.00, 6309.00, 64.01
a 64.06;
e) em relação à contribuição previdenciária sobre a receita, referente aos fatos geradores ocorri-
dos a partir de 1º.04.2012:
e.1) as empresas de TI e TIC que também se dedicam a outras atividades;
e.2) as empresas prestadoras de serviços de call center;
e.3) as empresas fabricantes dos produtos classificados na TIPI sob os códigos:
e.3.1) 41.04, 41.05, 41.06, 41.07 e 41.14;
e.3.2) 8308.10.00, 8308.20.00, 96.06.10.00, 9606.21.00 e 9606.22.00;
e.3.3) 9506.62.00;
f) em relação à contribuição previdenciária sobre a receita, relativamente aos fatos geradores
ocorridos a partir de 1º.08.2012, as pessoas jurídicas que desenvolvam as atividades relacio-
nadas nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011 (letras “d” e “e”), acrescidas pelo art. 55 da Lei nº
12.715/2012, quais sejam:
f.1) as empresas que fabricam os produtos classificados na TIPI, aprovada pelo Decreto
nº 7.660/2011, nos códigos referidos no anexo da Lei nº 12.546/2011, alterado pela Lei nº
12.715/2012;
f.2) as atividades de hotelaria (enquadradas na subclasse 5510-8/01 da Classificação Nacional
de Atividades Econômicas - CNAE); e
f.3) as empresas que prestam serviços de call center e aquelas que exercem atividades de
concepção, desenvolvimento ou projeto de circuitos integrados (Lei nº 11.774/2011, art. 14,
§ 5º, com a redação dada pela Lei nº 12.715/2012, arts. 54 e 79, III);
g) em relação à contribuição previdenciária sobre a receita, relativamente aos fatos geradores ocor-
ridos a partir de 1º.01.2013, as empresas de transporte rodoviário coletivo de passageiros, com
itinerário fixo, municipal, intermunicipal em região metropolitana, intermunicipal, interestadual e
internacional enquadradas nas classes 4921-3 e 4922-1 da CNAE 2.0, inclusive as empresas:
g.1) de manutenção e reparação de aeronaves, motores, componentes e equipamentos cor-
relatos, de transporte aéreo de carga, de transporte aéreo de passageiros regular, de
transporte marítimo de carga na navegação de cabotagem, de transporte marítimo de
passageiros na navegação de cabotagem, de transporte marítimo de carga na navegação
de longo curso, de transporte marítimo de passageiros na navegação de longo curso, de
transporte por navegação interior de carga, de transporte por navegação interior de pas-
sageiros em linhas regulares, e de navegação de apoio marítimo e de apoio portuário;
g.2) que fabricam os produtos classificados na TIPI, nos códigos referidos no anexo da Lei
nº 12.546/2011, ficam incluídos os códigos 9503.00.10, 9503.00.21, 9503.00.22, 9503.00.29,
9503.00.31, 9503.00.39, 9503.00.40, 9503.00.50, 9503.00.60, 9503.00.70, 9503.00.80,
9503.00.91, 9503.00.97, 9503.00.98, 9503.00.99;
g.3) que fabricam os produtos classificados nas posições 2515.11.00, 2515.12.10, 2516.11.00,
2516.12.00, 6801.00.00, 6802.10.00, 6802.21.00, 6802.23.00, 6802.29.00, 6802.91.00, 6802.92.00,
6802.93.10, 6802.93.90, 6802.99.90, 6803.00.00, 8473.30.99, 8504.90.10, 8518.90.90 e
8522.90.20 da TIPI;
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 15

g.4) que fabricam os produtos classificados nas posições 01.03, 02.06, 02.09, 05.04, 05.05, 05.07,
05.10, 05.11, 10.05, 11.06, 12.01, 12.08, 12.13, nos Capítulos 15, 16 e 19, nas posições 23.01, 23.04,
23.06, 2309.90, 30.02, 30.03, 30.04 da TIPI;
g.5) que fabricam os produtos classificados nos códigos da TIPI constante do anexo da Medi-
da Provisória nº 582/2012, convertida na Lei nº 12.794/2013;
h) em relação à contribuição previdenciária sobre a receita, relativamente aos fatos geradores
ocorridos a partir de 1º.11.2013, as empresas de manutenção e reparação de embarcações e as
de varejo, que exerçam as atividades:
h.1) como lojas de departamentos ou magazines, enquadradas na subclasse CNAE 4713-0/01;
comércio varejista de materiais de construção, enquadrado na subclasse CNAE 4744-
0/05; comércio varejista de materiais de construção em geral, enquadrado na subclas-
se CNAE 4744-0/99; comércio varejista especializado de equipamentos e suprimentos
de informática, enquadrado na classe CNAE 4751-2; comércio varejista especializado de
equipamentos de telefonia e comunicação, enquadrado na classe CNAE 4752-1; comércio
varejista especializado de eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo, enquadra-
do na classe CNAE 4753-9; comércio varejista de móveis, enquadrado na subclasse CNAE
4754-7/01; comércio varejista especializado de tecidos e artigos de cama, mesa e banho,
enquadrado na classe CNAE 4755-5; comércio varejista de outros artigos de uso domésti-
co, enquadrado na classe CNAE 4759-8; comércio varejista de livros, jornais, revistas e pa-
pelaria, enquadrado na classe CNAE 4761-0; comércio varejista de discos, CD, DVD e fitas,
enquadrado na classe CNAE 4762-8; comércio varejista de brinquedos e artigos recreati-
vos, enquadrado na subclasse CNAE 4763-6/01; comércio varejista de artigos esportivos,
enquadrado na subclasse CNAE 4763-6/02; comércio varejista de cosméticos, produtos
de perfumaria e de higiene pessoal, enquadrado na classe CNAE 4772-5; comércio vare-
jista de artigos do vestuário e acessórios, enquadrado na classe CNAE 4781-4; comércio
varejista de calçados e artigos de viagem, enquadrado na classe CNAE 4782-2; comércio
varejista de produtos saneantes domissanitários, enquadrado na subclasse CNAE 4789-
0/05; comércio varejista de artigos fotográficos e para filmagem, enquadrados na subclas-
se CNAE 4789-0/08;
h.2) do setor da construção civil, enquadradas nos grupos 412, 432, 433 e 439 da CNAE 2.0;
h.3) de fabricação de produtos classificados nos códigos da TIPI constante do Anexo I da Lei
nº 12.546/2011, observados os acréscimos e as exclusões dos códigos NCM, determinados
pela Lei nº 12.844/2013;
i) em relação à contribuição previdenciária sobre a receita, relativamente aos fatos geradores
ocorridos a partir de 1º.01.2014, as empresas:
i.1) de transporte ferroviário de passageiros, enquadradas nas subclasses 4912-4/01 e 4912-
4/02 da CNAE 2.0; de transporte metroferroviário de passageiros, enquadradas na sub-
classe 4912-4/03 da CNAE 2.0;
i.2) de construção de obras de infraestrutura, enquadradas nos grupos 421, 422, 429 e 431 da
CNAE 2.0;
i.3) que realizam operações de carga, descarga e armazenagem de contêineres em portos or-
ganizados, enquadrados nas classes 5212-5 e 5231-1 da CNAE 2.0; de transporte rodoviário
de cargas, enquadradas na classe 4930-2 da CNAE 2.0; de transporte ferroviário de cargas,
enquadradas na classe 4911-6 da CNAE 2.0;
i.4) jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens de que trata a Lei nº 10.610/2002,
enquadradas nas classes 1811-3, 5811-5, 5812-3, 5813-1, 5822-1, 5823-9, 6010-1, 6021-7 e 6319-
4 da CNAE 2.0.
16 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Contudo, vale destacar que são facultadas a entrega da EFD-Contribuições às pessoas jurídicas
referidas nas letras “a” e “b” e a entrega da EFD-Contribuições em relação à escrituração da contribuição
para o PIS/Pasep e da Cofins, referente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º.04.2011 e de 1º.07.2012,
respectivamente.

Ressalta-se que a obrigatoriedade de adotar e escriturar a EFD-Contribuições aplica-se também


às pessoas jurídicas imunes e isentas do IRPJ, cuja soma dos valores mensais das contribuições apura-
das, objeto dessa escrituração, seja superior a R$ 10.000,00, observado o disposto na letra “c” do subtó-
pico 2.1.

Notas
(1) Como regra, as pessoas jurídicas tributadas pelo IRPJ, na sistemática do lucro presumido, estão obrigadas à adoção
da EFD-Contribuições, no que diz respeito à escrituração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, somente em
relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º.01.2013. Todavia, aquelas que se enquadrarem nas hipóteses de
incidência da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), conforme mencionado nas letras “d” a “f” men-
cionadas, devem:
a) apresentar a EFD-Contribuições apenas com as informações da contribuição previdenciária sobre receita bruta,
em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º.03.2012 (letra “d”), ou 1º.04.2012 (letra “e”), ou, ainda, a partir de
1º.08.2012 (letra “f”), conforme o caso; e
b) apresentar a EFD-Contribuições com as informações das 3 contribuições (da CPRB, da contribuição para o PIS/Pasep
e da Cofins) a partir dos fatos geradores ocorridos em 1º.01.2013.
(2) Para os efeitos das letras “d.1” e “e.1” deste subitem, são considerados serviços de TI e TIC:
a) a análise e o desenvolvimento de sistemas;
b) a programação;
c) o processamento de dados e congêneres;
d) a elaboração de programas de computadores, inclusive de jogos eletrônicos;
e) o licenciamento ou cessão de direito de uso de programas de computação;
f) a assessoria e consultoria em informática;
g) o suporte técnico em informática, inclusive instalação, configuração e manutenção de programas de computação e
bancos de dados, bem como serviços de suporte técnico em equipamentos de informática em geral;
h) o planejamento, a confecção, a manutenção e a atualização de páginas eletrônicas; e
i) a execução continuada de procedimentos de preparação ou o processamento de dados de gestão empresarial, pú-
blica ou privada, e gerenciamento de processos de clientes, com o uso combinado de mão de obra e sistemas compu-
tacionais.
(3) As pessoas jurídicas que, mesmo dispensadas da transmissão da EFD-Contribuições, nos termos e nas situações
especificadas na Instrução Normativa RFB nº 1.252/2012, tenham efetuado a transmissão antecipadamente, em caráter
opcional, não passam à condição de obrigatoriedade nos demais períodos ainda dispensados, muito menos precisam
retificar a escrituração espontaneamente transmitida, salvo se na referida escrituração estejam relacionados os valores
de contribuições em montante diferente dos efetivamente devidos e informados em Declaração de Débitos e Créditos
Tributários Federais (DCTF). Nesse caso, deve-se retificar a EFD-Contribuições para que os valores das contribuições
relacionados no Bloco M (M200 para a contribuição para o PIS/Pasep e M600 para a Cofins) estejam em conformidade
com os efetivamente devidos e informados em DCTF.
(4) O anexo da Medida Provisória nº 582/2012, convertida na Lei nº 12.794/2013, acrescentou novos produtos classificados
nos códigos da TIPI ao anexo da Lei nº 12.546/2011 e também suprimiu os produtos classificados nos códigos 3923.30.00
(garrafões, garrafas, frascos e artigos semelhantes) e 8544.49.00 (outros fios, cabos - incluídos os cabos coaxiais e outros
condutores, isolados para usos elétricos - incluídos os envernizados ou oxidados anodicamente, mesmo com peças de
conexão; cabos de fibras ópticas, constituídos de fibras embainhadas individualmente, mesmo com condutores elétri-
cos ou munidos de peças de conexão). Entretanto, essas alterações passaram a vigorar somente a partir de 1º.01.2013.

Estão dispensados de apresentação da EFD-Contribuições:


a) as microempresas (ME) e as empresas de pequeno porte (EPP) enquadradas no Simples Na-
cional, relativamente aos períodos abrangidos por esse regime;
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 17

b) as pessoas jurídicas imunes e isentas do IRPJ, cuja soma dos valores mensais da contribui-
ção para o PIS/Pasep e da Cofins, apuradas sobre o faturamento, seja igual ou inferior a R$
10.000,00, observando-se que, caso esse limite seja excedido, estas ficarão obrigadas à apre-
sentação da EFD-Contribuições a partir do mês em que ocorrer o excesso, permanecendo
sujeitas a essa obrigação em relação ao(s) mês(es) seguinte(s) do ano-calendário em curso;
c) as pessoas jurídicas que se mantiveram inativas desde o início do ano-calendário ou desde a
data de início de atividades, relativamente às escriturações correspondentes aos meses em
que se encontravam nessa condição, observando-se que:
c.1) as pessoas jurídicas que passarem à condição de inativas no curso do ano-calendário, e
assim se mantiverem, somente estarão dispensadas da EFD-Contribuições a partir do 1º
mês do ano-calendário subsequente à ocorrência dessa condição;
c.2) a pessoa jurídica será considerada inativa a partir do mês em que esta não realizar qual-
quer atividade operacional, não operacional, patrimonial ou financeira, inclusive aplicação
no mercado financeiro ou de capitais;
c.3) o pagamento de tributo relativo a anos-calendário anteriores e de multa pelo descum-
primento de obrigação acessória não descaracteriza a pessoa jurídica como inativa no
ano-calendário;
d) os órgãos públicos;
e) as autarquias e as fundações públicas;
f) as pessoas jurídicas ainda não inscritas no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), des-
de o mês em que foram registrados seus atos constitutivos até o mês anterior àquele em que
foi efetivada a inscrição;
g) os condomínios edilícios;
h) os consórcios e grupos de sociedades, constituídos na forma dos arts. 265, 278 e 279 da Lei
nº 6.404/1976, observando-se que os consórcios que realizarem negócios jurídicos em nome
próprio, inclusive na contratação de pessoas jurídicas ou físicas, com ou sem vínculo empre-
gatício, poderão apresentar a EFD-Contribuições, ficando as empresas consorciadas solidaria-
mente responsáveis;
i) os consórcios de empregadores;
j) os clubes de investimento registrados em bolsa de valores, segundo as normas fixadas pela
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ou pelo Banco Central do Brasil (Bacen);
k) os fundos de investimento imobiliário, que não apliquem recursos em empreendimento imo-
biliário que tenha como incorporador, construtor ou sócio, quotista que possua, isoladamente
ou em conjunto com pessoa a ele ligada, mais de 25% das quotas do fundo;
l) os fundos mútuos de investimento mobiliário, sujeitos às normas do Bacen ou da CVM;
m) as embaixadas, missões, delegações permanentes, consulados-gerais, consulados, vice-con-
sulados, consulados honorários e as unidades específicas do Governo brasileiro no exterior;
n) as representações permanentes de organizações internacionais;
o) os serviços notariais e registrais (cartórios) de que trata a Lei nº 6.015/1973;
p) os fundos especiais de natureza contábil ou financeira, não dotados de personalidade jurídica,
criados no âmbito de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, bem como dos Ministérios Públicos e dos Tribunais de Contas;
18 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

q) os candidatos a cargos políticos eletivos e os comitês financeiros dos partidos políticos, nos
termos da legislação específica;
r) as incorporações imobiliárias sujeitas ao regime especial tributário do patrimônio de afetação,
de que trata a Lei nº 10.931/2004;
s) as empresas, fundações ou associações domiciliadas no exterior que possuam, no Brasil, bens
e direitos sujeitos a registro de propriedade ou posse perante órgãos públicos, localizados ou
utilizados no Brasil;
t) as comissões, sem personalidade jurídica, criadas por ato internacional celebrado pela Repú-
blica Federativa do Brasil e um ou mais países, para fins diversos; e
u) as comissões de conciliação prévia de que trata o art. 1º da Lei nº 9.958/2000.

Também estão dispensadas da apresentação da EFD-Contribuições as pessoas jurídicas tributa-


das pelo IRPJ, com base no lucro real ou presumido, em relação aos correspondentes meses do ano-
-calendário, em que:
a) não tiverem auferido ou recebido receita bruta da venda de bens e serviços, ou de outra natu-
reza, sujeita ou não ao pagamento das contribuições, inclusive no caso de isenção, não inci-
dência, suspensão ou alíquota zero;
b) não tiverem realizado ou praticado operações sujeitas à apuração de créditos da não cumula-
tividade do PIS/Pasep e da Cofins, inclusive referentes a operações de importação.

Observa-se, todavia, que essa dispensa não alcança o mês de dezembro do ano-calendário corres-
pondente, devendo a pessoa jurídica, em relação a esse mês, proceder à entrega regular da escrituração
digital, na qual deverá indicar os meses do ano-calendário em que não auferiu receitas e não realizou
operações geradoras de crédito.

A referida identificação, na escrituração do mês de dezembro de cada ano-calendário, dos meses


dispensados da apresentação será efetuada no Registro 0120 - Identificação de Períodos Dispensados
da Escrituração Digital.

1.6. EFD - Reinf

A Escrituração Fiscal Digital das Retenções e Informações da Contribuição Previdenciária Subs-


tituída (EFD-Reinf) é o mais recente módulo do Sped e foi instituída pela Instrução Normativa RFB nº
1.701/2017, em complemento ao eSocial.

Estão obrigados a adotar a EFD-Reinf, a partir de 1º.01.2018:


a) as pessoas jurídicas que prestam e que contratam serviços realizados mediante cessão de
mão de obra;
b) as pessoas jurídicas responsáveis pela retenção da contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins e
da CSL;
c) as pessoas jurídicas optantes pela desoneração da folha de pagamento da CPRB;
d) o produtor rural pessoa jurídica e agroindústria quando sujeitos à contribuição previdenciária
substitutiva sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural;
e) as associações desportivas mantenedoras de equipe de futebol profissional que tenham re-
cebido valores a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade,
propaganda e transmissão de espetáculos desportivos;
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 19

f) a empresa ou entidade patrocinadora que tenha destinado recursos à associação desportiva


mantenedora de equipe de futebol profissional a título de patrocínio, licenciamento de uso de
marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos desportivos;
g) as entidades promotoras de eventos desportivos realizados em território nacional, em qual-
quer modalidade desportiva, dos quais participe ao menos uma associação desportiva que
mantenha equipe de futebol profissional; e
h) as pessoas jurídicas e físicas que pagaram ou creditaram rendimentos sobre os quais haja
retenção do IRRF, por si ou como representantes de terceiros.

A obrigação deve ser cumprida:


a) para o 1º grupo, que compreende as entidades integrantes do Grupo 2 - Entidades Empresa-
riais, do Anexo V da Instrução Normativa RFB nº 1.634/2016, com faturamento no ano de 2016
acima de R$ 78.000.000,00, a partir das 8h de 1º.05.2018, em relação aos fatos geradores ocorri-
dos a partir dessa data;
b) para o 2º grupo, que compreende os demais contribuintes, exceto os previstos na letra “c”, a
partir das 8h de 1º.11.2018, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir dessa data; e
c) para o 3º grupo, que compreende os entes públicos, integrantes do Grupo 1 - Administração
Pública, do Anexo V da Instrução Normativa RFB nº 1.634/2016, a partir das 8h de 1º.05.2019, em
relação aos fatos geradores ocorridos a partir dessa data.

O faturamento mencionado na letra “a” compreende o total da receita bruta, nos termos do art.
12 do Decreto-lei nº 1.598/1977, auferida no ano-calendário de 2016 e declarada na ECF relativa ao ano-
-calendário de 2016 (incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1767/2017).

As entidades integrantes do Grupo 2 - Entidades Empresariais do Anexo V da Instrução Normativa


RFB nº 1.634/2016, com faturamento, no ano de 2016, menor ou igual a R$ 78.000.000,00, e as entidades
integrantes do Grupo 3 - Entidades Sem Fins Lucrativos do referido anexo podem optar pela utilização
da EFD-Reinf na forma da letra “a” (1º grupo), desde que o façam de forma expressa e irretratável, em
conformidade com a sistemática a ser disponibilizada em ato específico.

Não integram o grupo dos contribuintes a que se refere a letra “a” as entidades cuja natureza
jurídica os enquadre nos Grupos 1 - Administração Pública, 4 - Pessoas Físicas e 5 - Organizações Inter-
nacionais e Outras Instituições Extraterritoriais do Anexo V da Instrução Normativa RFB nº 1.634/2016.

A partir da competência de julho/2018 (para o 1º grupo), janeiro/2019 (para o 2º grupo) e julho/2019


(para o 3º grupo), as contribuições sociais previdenciárias passarão a ser recolhidas por meio de Docu-
mento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), gerado no sistema Declaração de Débitos e Créditos
Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos (DCTFWeb), conforme disciplinado
em ato específico da RFB (incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1767/2017).

O Comitê Gestor do Simples Nacional deverá estabelecer as condições especiais para o cumpri-
mento dessas determinações a serem observadas pela pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional.

A EFD-Reinf será transmitida mensalmente ao Sped até o dia 15 do mês subsequente ao que se
refira a escrituração, exceto para as entidades promotoras de espetáculos desportivos cuja transmissão
deverá ocorrer em até 2 dias úteis após a realização.

A RFB já disponibilizou, em seu site (http://sped.rfb.gov.br/), o conjunto de arquivos que compõem


os leiautes e esquemas XSD da Escrituração Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais (EFD-
-Reinf), assim dispostos:
20 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

a) leiautes:
a.1) EFD-Reinf, versão 1.0;
a.2) EFD-Reinf, versão 1.1;
a.3) EFD-Reinf, versão 1.2;
b) arquivos XSD: para cada leiaute da EFD-Reinf, há um correspondente arquivo XSD.

1.7. e-Financeira

A e-Financeira é constituída por um conjunto de arquivos digitais referentes a cadastro, abertura,


fechamento e auxiliares e pelo módulo de operações financeiras.

Ela foi instituída pela Instrução Normativa RFB nº 1.571/2015, que disciplina a obrigatoriedade de
prestação de informações relativas às operações financeiras de interesse da RFB.

Ela deve ser transmitida ao Sped pelos seguintes obrigados a adotá-la:


a) as pessoas jurídicas:
a.1) autorizadas a estruturar e comercializar planos de benefícios de previdência complemen-
tar;
a.2) autorizadas a instituir e administrar Fundos de Aposentadoria Programada Individual
(Fapi); ou
a.3) que tenham como atividade principal ou acessória a captação, intermediação ou aplica-
ção de recursos financeiros próprios ou de terceiros, incluídas as operações de consórcio,
em moeda nacional ou estrangeira, ou a custódia de valor de propriedade de terceiros; e
b) as sociedades seguradoras autorizadas a estruturar e comercializar planos de seguros de pes-
soas.

1.8. NF-e
Considera-se Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) o documento emitido e armazenado eletronicamente,
de existência apenas digital, com o intuito de documentar operações e prestações, cuja validade jurídi-
ca é garantida pela assinatura digital do emitente e autorização de uso pela administração tributária da
Unidade da Federação (UF) do contribuinte, antes da ocorrência do fato gerador.

A NF-e poderá ser utilizada pelos contribuintes do ICMS e do IPI em substituição:


a) à Nota Fiscal modelo 1 ou 1-A;
b) à Nota Fiscal de Produtor, modelo 4;
c) à Nota Fiscal de Venda a Consumidor, modelo 2;
d) ao Cupom Fiscal, emitido por equipamento Emissor de Cupom Fiscal (ECF).

Nota Fiscal de Produtor, modelo 4, somente pelos contribuintes que possuem inscrição estadual
e estejam inscritos no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ).

Quando a NF-e for emitida em substituição à:


a) Nota Fiscal, modelo 1 ou 1-A, ou à Nota Fiscal de Produtor, modelo 4, será identificada pelo
modelo 55;
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 21

b) Nota Fiscal de Venda a Consumidor, modelo 2, ou ao Cupom Fiscal emitido por equipamento
ECF, será identificada pelo modelo 65 e chamada de Nota Fiscal Eletrônica de Venda a Consu-
midor Final (NFC-e).

A Nota Fiscal eletrônica constitui um dos principais subprojetos do Sped e, apesar de representar
a diminuição da emissão de papéis, uma das vantagens apontadas pelo Governo, para adoção deste
novo modelo de documento fiscal, se fazia necessário a existência de um documento físico, que pudes-
se ser impresso e acompanhasse a circulação das mercadorias e com isto foi concebido o Danfe.

O Documento Auxiliar da Nota Fiscal eletrônica (Danfe) é uma representação gráfica simplificada
da Nota Fiscal eletrônica (NF-e), que obedece ao leiaute estabelecido pelo Manual de Integração - Con-
tribuinte - NF-e.

O Danfe é um documento auxiliar impresso em papel com os objetivos de:


a) acompanhar o trânsito de mercadorias;
b) colher a assinatura do destinatário/tomador para comprovação de entrega das mercadorias
ou prestações de serviços;
c) sanar a necessidade de representações impressas adicionais previstas expressamente na
legislação; e
d) auxiliar a escrituração da NF-e pelo destinatário não credenciado como emissor de NF-e.

Vale lembrar que o Danfe não substitui a nota fiscal, sendo utilizado apenas como instrumento
auxiliar para a consulta da NF-e, pois contém a chave de acesso que permite ao detentor confirmar, pela
página da Secretaria da Fazenda Estadual, ou da Receita Federal do Brasil, a efetiva existência de uma
NF-e que tenha tido seu uso regularmente autorizado.

A NF-e ganha destaque à medida que serve como suporte aos projetos de escrituração eletrônica
contábil e fiscal da Secretaria da Receita Federal, sem contar a melhoria no processo de controle fiscal
e a possibilidade de um melhor compartilhamento de informações entre os Fiscos.

A NF-e será informada na EFD/ICMS e IPI e é o ponto de partida para o registro das matérias-
primas, material secundário, embalagem e demais insumos que serão utilizados nos processos de
industrialização e no envio destes para industrialização em terceiros. O que interferirá diretamente no
preenchimento dos Blocos 0, C, H e K.

1.9. NFS-e

Não podemos confundir os dois projetos - NF-e e NFS-e. O primeiro vincula-se aos fatos geradores
dos tributos ICMS e IPI, enquanto que a NFS-e vincula-se ao ISSQN.

O Projeto Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e) está sendo desenvolvido de forma integrada,
pela Receita Federal do Brasil (RFB) e Associação Brasileira das Secretarias de Finanças das Capitais
(Abrasf), atendendo ao Protocolo de Cooperação Enat nº 2, de 7 de dezembro de 2007, que atribuiu a
coordenação e a responsabilidade pelo desenvolvimento e implantação do Projeto da NFS-e.

A Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e) é um documento de existência digital, gerado e


armazenado eletronicamente em Ambiente Nacional pela RFB, pela prefeitura ou por outra entidade
conveniada, para documentar as operações de prestação de serviços.
22 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Podemos observar, no entanto, certa resistência por parte das municipalidades à medida que
diversas prefeituras, a exemplo de São Paulo, desenvolveram sistemáticas próprias de emissão de Nota
Fiscal de Serviços Eletrônica.

Este modelo de documento fiscal não será escriturado na EFD-ICMS/IPI. Na EFD-ICMS/IPI, as


informações referentes ao ISSQN apenas serão prestadas pelo emitente do documento fiscal, uma
vez que se trate de Nota Fiscal eletrônica conjugada com serviços, para o qual será utilizado o CFOP
5.929/6.929 nos “Registros C130 e C172” do Sped Fiscal.

1.10. CT-e

O Conhecimento de Transporte eletrônico (CT-e) é um modelo de documento fiscal eletrônico,


instituído pelo Ajuste Sinief nº 9/2007, de 25.10.2007, que poderá ser utilizado para substituir um dos
seguintes documentos fiscais:

Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas, modelo 8;

Conhecimento de Transporte Aquaviário de Cargas, modelo 9;

Conhecimento Aéreo, modelo 10;

Conhecimento de Transporte Ferroviário de Cargas, modelo 11;

Nota Fiscal de Serviço de Transporte Ferroviário de Cargas, modelo 27;

Nota Fiscal de Serviço de Transporte, modelo 7;

Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas, modelo 26 (desde fevereiro de 2014).

Destaques: Quando o CT-e for emitido em substituição à Nota Fiscal de Serviço de Transporte,
modelo 7, em relação às prestações descritas nos incisos II a IV do § 2º da cláusula primeira do Ajuste
Sinief nº 9/2007 (transporte de pessoas, de valores e de passageiros), será identificado como CT-e OS,
modelo 67.

Esse documento fiscal é exigido desde 02.10.2017, nos termos do inciso VIII do caput da cláusula
vigésima quarta do Ajuste Sinief nº 9/2007.

Poderá ser autorizado o cancelamento do CT-e OS, modelo 67, quando emitido para englobar as
prestações de serviço de transporte realizadas em determinado período.

Nessa hipótese, o contribuinte deverá, no prazo não superior a 168 horas, contado a partir da data
de autorização do cancelamento, emitir novo CT-e OS, referenciando o CT-e OS cancelado.

O CT-e também poderá ser utilizado como documento fiscal eletrônico no transporte dutoviário.

Podemos conceituar o CT-e como um documento de existência exclusivamente digital, emitido e


armazenado eletronicamente, com o intuito de documentar uma prestação de serviços de transportes,
cuja validade jurídica é garantida pela assinatura digital do emitente e autorização de uso fornecida pela
administração tributária do domicílio do contribuinte.

No tocante à obrigatoriedade de adoção do CT-e, o Ajuste Sinief nº 9/2007 estabeleceu o seguinte


cronograma:
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 23

A - 1º.12.2012, para os contribuintes do modal:

A1) rodoviário relacionados no Anexo Único do próprio Ajuste;

A2) dutoviário;

A3) ferroviário;

B - 1º.03.2013, para os contribuintes do modal aquaviário;

C - 1º.08.2013, para os contribuintes do modal rodoviário, não optantes pelo regime do Simples
Nacional;

D - 1º.12.2013, para os contribuintes do modal rodoviário, optantes do Simples Nacional;

E - 1º.02.2013, para os contribuintes do modal aéreo;

F - 03.11.2014, para os contribuintes do transporte multimodal de carga;

G - 03.11.2014, para os contribuintes do transporte multimodal de carga; e

H - 02.10.2017, para o CT-e OS, modelo 67.

As Unidades da Federação durante a implantação do novo modelo de documento fiscal tinham a


opção de antecipar a obrigatoriedade e não seguir propriamente o cronograma apresentado pelo nor-
mativo federal.

Observando as datas definidas em Ajustes poderemos concluir que todos os transportadores já


emitem o CT-e em substituição aos modelos 7, 8, 9, 10, 11, 27, 26 e dutoviário.

A emissão do CT-e não interfere nas informações do Bloco H e do Bloco K, contudo, permite cruzar
informações com a NF-e.

Temos um evento vinculado à NF-e denominado “Evento de Marcação de Conhecimento de


Transporte de Cargas”. Os eventos de marcação de CT-e emitidos para NF-e são registrados automa-
ticamente quando um transportador de cargas autoriza um CT-e onde constem relacionadas Notas
Fiscais Eletrônicas.

Com isto, cada NF-e relacionada no CT-e receberá o registro de um evento indicando que foi au-
torizado determinado CT-e.

Para ilustrarmos a importância deste evento da NF-e, suponhamos que uma NF-e tenha sido emi-
tida com erro e que seja necessário proceder com o respectivo cancelamento. Este procedimento ape-
nas será possível se antes houver o cancelamento do CT-e vinculado ao respectivo documento fiscal.

Nota
Evento de NF-e é qualquer ocorrência realizada por agente envolvido ou relacionado com a operação acobertada pela
NF-e. Os eventos são documentos eletrônicos assinados com certificado digital, agregados à NF-e por meio dos siste-
mas informatizados dos Fiscos estaduais e da Receita Federal do Brasil (RFB).

As orientações sobre o processo de registro de eventos estão disponíveis no Manual de Orien-


tação do Contribuinte e nas Notas Técnicas, publicadas no Portal Nacional da NF-e. O Ajuste Sinief nº
7/2005 elenca quais os eventos relacionados a uma NF-e.
24 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

1.11. MDF-e

Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) é o documento emitido e armazenado ele-


tronicamente, de existência apenas digital, para vincular os documentos fiscais transportados na unida-
de de carga utilizada, cuja validade jurídica é garantida pela assinatura digital do emitente e autorização
de uso pelo Ambiente Autorizador.

O MDF-e deverá ser emitido por empresas prestadoras de serviço de transporte para prestações
com mais de um conhecimento de transporte ou pelas demais empresas nas operações, cujo transpor-
te seja realizado em veículos próprios, arrendados, ou mediante contratação de transportador autôno-
mo de cargas, com mais de uma nota fiscal.

A finalidade do MDF-e é agilizar o registro em lote de documentos fiscais em trânsito e identificar


a unidade de carga utilizada e demais características do transporte.

Também ensejará a emissão deste modelo de documento fiscal a ocorrência de transbordo, re-
despacho, subcontratação ou substituição do veículo, de contêiner ou inclusão de novas mercadorias
ou documentos fiscais, bem como na hipótese de retenção imprevista de parte da carga transportada.

Na forma do inciso III da cláusula décima sétima do Ajuste Sinief nº 21/2010, desde abril de 2016
a MDF-e deverá ser emitida pelo contribuinte emitente de CT-e, no transporte interestadual de carga
lotação, assim entendida a que corresponda a um único conhecimento de transporte, e no transporte
interestadual de bens ou mercadorias acobertadas por uma única NF-e, realizado em veículos próprios
do emitente ou arrendados, ou mediante contratação de transportador autônomo de cargas.

1.12. Conhecendo a Escrituração Fiscal Digital ICMS e IPI

Realizado um estudo preliminar dos diversos subprojetos que compõem o Sistema Público de
Escrituração Fiscal, a partir de agora, faremos um aprofundamento nos dois subprojetos mais importantes
para o nosso estudo sobre o Bloco H e Bloco K, ou seja, a EFD/ICMS e IPI e o ECD.

Comecemos pela Escrituração Fiscal digital ICMS e IPI.

1.12.1. Histórico

A Emenda Constitucional nº 42, aprovada em 19 de dezembro de 2003, introduziu o inciso XXII ao


art. 37 da Constituição Federal, que determina às Administrações Tributárias da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios atuarem de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de
cadastros e de informações fiscais.

Para atender ao dispositivo Constitucional, foi realizado, em julho de 2004, em Salvador, o I Enat
(Encontro Nacional de Administradores Tributários), reunindo o Secretário da Receita Federal, os Se-
cretários de Fazenda dos Estados e Distrito Federal, e o representante das Secretarias de Finanças dos
Municípios das Capitais.

O Encontro teve como objetivo buscar soluções conjuntas nas três esferas de Governo que pro-
movessem maior integração administrativa, padronização e melhor qualidade das informações; racio-
nalização de custos e da carga de trabalho operacional no atendimento; maior eficácia da fiscalização;
maior possibilidade de realização de ações fiscais coordenadas e integradas; maior possibilidade de in-
tercâmbio de informações fiscais entre as diversas esferas governamentais; cruzamento de informações
em larga escala com dados padronizados e uniformização de procedimentos.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 25

Em consideração a esses requisitos, foram aprovados dois Protocolos de Cooperação Técnica: um


objetivando a construção de um cadastro sincronizado que atendesse aos interesses das Administra-
ções Tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e, outro, de caráter geral,
que viabilizasse o desenvolvimento de métodos e instrumentos que atendessem aos interesses dos
respectivos Entes Públicos.

Em agosto de 2005, no evento do II Enat (Encontro Nacional de Administradores Tributários), em


São Paulo, o Secretário da Receita Federal, os Secretários de Fazenda dos Estados e Distrito Federal, e
os representantes das Secretarias de Finanças dos Municípios das Capitais, buscando dar efetividade
aos trabalhos de intercâmbio entre os mesmos, assinaram os Protocolos de Cooperação nos 02 e 03,
com o objetivo de desenvolver e implantar o Sistema Público de Escrituração Digital e a Nota Fiscal
eletrônica.

O Sped, no âmbito da Receita Federal, faz parte do Projeto de Modernização da Administração


Tributária e Aduaneira (PMATA) que consiste na implantação de novos processos apoiados por sistemas
de informação integrados, tecnologia da informação e infraestrutura logística adequados.

Dentre as medidas anunciadas pelo Governo Federal, em 22.01.2007, para o Programa de Acelera-
ção do Crescimento 2007-2010 (PAC) - programa de desenvolvimento que tem por objetivo promover a
aceleração do crescimento econômico no país, o aumento de emprego e a melhoria das condições de
vida da população brasileira - consta, no tópico referente ao Aperfeiçoamento do Sistema Tributário, a
implantação do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) e Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) no prazo
de dois anos.

Na mesma linha das ações constantes do PAC que se destinam a remover obstáculos adminis-
trativos e burocráticos ao crescimento econômico, pretende-se que o Sped possa proporcionar melhor
ambiente de negócios para o País e a redução do Custo Brasil, promovendo a modernização dos pro-
cessos de interação entre a administração pública e as empresas em geral, ao contrário do pragmatismo
pela busca de resultados, muito comum nos projetos que têm como finalidade apenas o incremento da
arrecadação.

1.12.2. Histórico de normas

ATO LEGAL ASSUNTO

Convênio ICMS nº 143/2006 Institui a Escrituração Fiscal Digital (EFD)


(Revogado tacitamente pelo Ajuste Sinief nº 2/2009)

Protocolo nº 77/2008 Fixa a Lista de Empresas Obrigadas desde o ano de 2009

Protocolo nº 3/2011 e suas alterações Fixa o prazo para a obrigatoriedade da Escrituração Fiscal
Digital (EFD) e dá outras providências

Ajuste Sinief nº 2/2009 Dispõe sobre a Escrituração Fiscal Digital - EFD e suas pre-
missas básicas

Ato Cotepe nº 9/2008 Dispõe sobre as especificações técnicas para a geração de


arquivos da Escrituração Fiscal Digital (EFD)

Instrução Normativa da Receita Federal nº 1.371/2013 Dispõe sobre a Escrituração Fiscal Digital (EFD) a ser elabo-
rada pelos contribuintes do Imposto sobre Produtos Indus-
trializados, situados no Estado de Pernambuco

Guia Prático da EFD-ICMS/IPI Regras de preenchimento e validação


26 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

1.12.3. Lista de estados participantes

O Sped Fiscal foi desenvolvido em parceria entre a Receita Federal e os Estados-membros do


Sped. Em relação à Escrituração Fiscal Digital ICMS/IPI, a adesão não abrange todas as Unidades da
Federação. Não fazem parte da lista o Estado de Pernambuco e o Distrito Federal.

Em especial o contribuinte pernambucano se depara com um desafio, pois para atender à legisla-
ção do seu próprio Estado deverá preencher e enviar ao SEF (Sistema de Escrituração Contábil e Fiscal)
que consiste na Escrituração Fiscal dos Livros Estaduais e possui a seguinte estrutura:

Bloco 0 - Identificação e referências

Bloco A - Documentos Fiscais do ISS (pertinente à ilha de Fernando de Noronha)

Bloco B - Livros de Registros Fiscais e Apuração do ISS

Bloco C - Documentos Fiscais do ICMS e do IPI - Mercadorias

Bloco D - Documentos Fiscais do ICMS - Serviços

Bloco E - Livros de Registros Fiscais e Apuração do ICMS e do IPI

Bloco F - Livros e Mapas de Controle

Bloco G - Informações Econômico-fiscais

Bloco H - Livro de Registro de Inventário

Bloco Z - Registros Complementares

Bloco 8 - Informações Complementares da Sefaz/UF

Bloco 9 - Controle e encerramento

Apesar da semelhança entre a SEF e o Sped Fiscal, as informações dos contribuintes de ICMS des-
te Estado não são compartilhadas em ambiente nacional, razão pela qual os contribuintes de IPI loca-
lizados no Estado de Pernambuco para atendimento à Receita Federal devem, independentemente da
entrega da “SEF” para o seu Estado, preencher e enviar a Escrituração Fiscal digital ICMS/IPI, observan-
do para isto as orientações específicas do Guia Prático da Escrituração Fiscal Digital. Dentre os registros
da EFD exigidos pela Receita Federal aos contribuintes pernambucanos está encontra-se o Bloco K.

Portanto, temos as seguintes Unidades da Federação que fazem parte do projeto do Sped Fiscal:
• Estado do Acre;
• Estado de Alagoas;
• Estado do Amapá;
• Estado do Amazonas;
• Estado da Bahia;
• Estado do Ceará;
• Estado do Espírito Santo;
• Estado de Goiás;
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 27

• Estado do Maranhão;
• Estado de Mato Grosso;
• Estado de Mato Grosso do Sul;
• Estado de Minas Gerais;
• Estado do Pará;
• Estado do Paraíba;
• Estado da Paraná;
• Estado do Piauí;
• Estado do Rio de Janeiro;
• Estado do Rio Grande do Norte;
• Estado do Rio Grande do Sul;
• Estado de Rondônia;
• Estado de Roraima
• Estado de Santa Catarina;
• Estado de São Paulo;
• Estado de Sergipe;
• Estado de Tocantins.

1.12.4. Conhecendo o programa validador

Vamos agora falar um pouco sobre o Programa Validador da Escrituração Fiscal Digital. A obra
literária em questão tem como foco uma abordagem mais prática da EFD e isto implica em conhecer o
PVA e suas peculiaridades.

O PVA é imprescindível mesmo para os contribuintes que previamente elaborem a sua escrita
fiscal em arquivo texto para somente então importarem para o validador.

O PVA possui diversas funcionalidades sobre as quais passaremos a tratar tomando por base o
menu “Ajuda” do Programa Validador, ferramenta importante no dia a dia do contribuinte/declarante.

Nenhuma escrituração será recepcionada sem previamente ter sido “Validada”. A validação con-
siste na verificação prévia do cumprimento dos requisitos exigidos da EFD.

A validação aqui referida não representa uma auditoria nas informações, o que significa dizer que
se o contribuinte cadastrar um produto com alíquota errada em seu sistema e emitir a NF-e com erro,
este fato não constituirá empecilho para validação pelo PVA. Nesta hipótese, o risco de eventual autua-
ção continua.

O Programa Validador não tem a função de verificar se o conteúdo das informações está de acor-
do com a legislação de ICMS e IPI. As verificações procedidas pelo sistema restringem-se ao que foi
informado seguindo o padrão do guia prático da EFD. Logo, podemos esquematizar da seguinte forma:

O Sistema verifica se o cadastro do contribuinte declarante foi totalmente informado. Estas infor-
mações constam do “Bloco 0” em especial do Registro 000, preenchido por ocasião do início da elabo-
ração da EFD e complementado nos Registros 0005 e 0015, todos do mesmo bloco.
28 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Por ocasião do envio, também será verificada a autenticidade da assinatura digital e se esta cor-
responde ao contribuinte declarante.

Também será verificada a integridade das informações, o que equivale dizer, se todos os campos
obrigatórios foram preenchidos.

Vale ressaltar que não existem dois arquivos originais, há apenas uma EFD original para cada com-
petência, as demais sempre serão retificadoras. Assim, havendo necessidade de novo envio será preciso
alterar de arquivo original para arquivo retificador, caso contrário o programa não fará a transmissão.

O contribuinte para envio da Escrituração Fiscal Digital deverá em regra estar credenciado pela
sua UF. O credenciamento poderá ocorrer de ofício ou mediante solicitação do próprio contribuinte que
sempre será o responsável direto pelo cumprimento das obrigações acessórias. Desta forma, na abertu-
ra de uma empresa contribuinte de ICMS (Regime Normal de Apuração) ou mesmo na mudança do regi-
me de tributação (perda das condições para opção no Simples Nacional) deve-se ter redobrada cautela.

Outro ponto relevante diz respeito às tabelas, aos códigos e à versão do PVA. Não estando
devidamente atualizados, não será possível enviar as informações. Observa-se que, para os contribuintes
que se utilizam do próprio programa validador para digitação das informações (não há importação de
informações), basta estar com a Versão do PVA atualizada para que as tabelas e os códigos estejam
ajustados.

No próximo tópico, vamos passar a conhecer um pouco mais sobre o Programa de Validação e
Assinatura (PVA) da EFD.

1.12.4.1. Das funcionalidades do PVA

1. importação de dados, a partir da geração de um arquivo de acordo com a descrição de leiaute


estabelecida em Ato Cotepe;

2. edição de dados;

3. validação do arquivo, conforme regras de negócios aplicadas;

4. correção dos erros detectados na validação;

5. visualização da escrituração;

6. impressão de relatórios;

7. gravação do arquivo para entrega;

8. exportação de arquivos;

9. assinatura digital;

10. transmissão do arquivo via Internet.

As informações estão agrupadas em blocos, registros e campos que contêm os dados de docu-
mentos fiscais, registros de apuração e demais informações econômico-fiscais, obedecendo às espe-
cificações técnicas que constam do Manual de Orientação anexo ao Ato Cotepe nº 9/2008 e no Guia
Prático da EFD.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 29

As regras de validação poderão ser alteradas, incluídas ou excluídas a qualquer tempo, sem qual-
quer prévio aviso, visto que as mesmas têm por única finalidade a verificação da integridade do arquivo
e consistência das informações.

Para a transmissão da EFD, é obrigatória a assinatura digital da declaração, mediante a utilização


de certificado digital válido, podendo ser empregado o e-CNPJ da empresa (verificação somente dos
oitos primeiros caracteres), o e-CPF do representante legal da empresa perante a Receita Federal do
Brasil (RFB) ou e-CPF de procuração eletrônica.

Caso a opção seja delegar esta responsabilidade à terceira pessoa, alheia ao quadro societário da
empresa, a procuração eletrônica deverá ser específica para esta finalidade e individualizada por esta-
belecimento.

O PVA possui um conjunto de telas com navegação interativa, permitindo uma visão completa da
EFD, possibilitando a escolha da sequência de preenchimento dos registros ou consulta por meio des-
sas telas, que podem ser abertas para maior detalhamento. A navegação entre os campos dos registros
é feita pela tecla <TAB>.

O PVA possibilita também a importação de dados, total ou parcial, em meio magnético, para pos-
terior complemento por digitação. O PVA não executa a junção de arquivos parciais de um mesmo
período. Por exemplo: importação do arquivo contendo a base de dados das notas fiscais de entradas e,
posteriormente, a importação das saídas realizadas por meio de cupons emitidos por ECF.

Depois da importação, a EFD poderá ser complementada ou corrigida mediante digitação. O PVA
sugere sempre a atualização das tabelas, visto que, para a transmissão, é necessário que as tabelas
estejam sempre atualizadas.

O arquivo será somente disponibilizado para assinatura, quando validado com sucesso, isto é,
sem nenhum erro (o arquivo poderá conter Advertências e este não é impedimento para a assinatura e
transmissão). Para a transmissão, é imprescindível que o arquivo esteja validado em versão atualizada
do PVA e das tabelas utilizadas.

Por fim, o PVA possui diversos relatórios para acompanhamento do preenchimento e correção da
escrituração, além de relatórios de visualização que exibem os dados em formato semelhante ao dos
livros fiscais em papel.

O próprio menu “Ajuda” do Programa Validador nos traz um diagrama de utilização a nosso ver
bastante interessante pois fornece uma visão macro do passo a passo de uso do PVA estando dividido
da seguinte maneira:

Opção 1: digitação de um arquivo da EFD (sem auxílio de sistema externo);

Opção 2: importação de arquivos com possibilidade de editar os registros.

Uma vez que o contribuinte tenha um programa próprio para geração da EFD, o validador passa
basicamente a ter a função de verificar pendências; pendências estas que poderão ser sanadas pela
função editar registros; depois de sanados os erros, segue o fluxo normal: gerar arquivo para transmis-
são, assinar e transmitir. No final de todo processo, o contribuinte recebe e deverá guardar o protocolo
de envio, a prova de que cumpriu com sua obrigação acessória.
30 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

À parte de todos os blocos, temos um Registro inicial “0000”. Efetivamente, este registro não faz
parte do Bloco “0”, mas entra na soma da quantidade de informações no registro de encerramento do
Bloco “0”.

Neste registro, é identificada a pessoa do declarante e, logo que seja preenchida a tela inicial, de-
mandará outros complementos no “Bloco 0”.

O Bloco 0 como veremos neste Guia Prático é crucial para o preenchimento da EFD, uma vez que
as informações e os códigos previamente cadastrados neste Bloco do Sped Fiscal alimentarão os cam-
pos de outros Blocos, tendo especial importância para o Bloco H e Bloco K.

1.12.4.2. Divisão de Blocos e sua finalidade na EFD

Como ressaltado anteriormente, a EFD é dividida em blocos que, por sua vez, contêm registros
de preenchimento, cada qual com sua hierarquia de apresentação, e os campos de preenchimento. No
tocante aos blocos que compõem a EFD-ICMS/IPI, temos:

BLOCOS DESCRIÇÃO

0 Refere-se à abertura e referências

C Lançamento de documentos fiscais que comportam operações com circulação de mercadorias: Ex.:
NF-e, Cupom fiscal etc.

D Lançamento de documentos fiscais referentes às prestações de serviços tributadas pelo ICMS: Nota
Fiscal de Serviço de Comunicação (modelo 21), CT-e, etc.

E Apurações [ICMS/ICMS-ST/ICMS Diferencial de alíquotas (Emenda Constitucional nº 87/2015) e IPI]

G Corresponde ao Ciap (finalidade crédito de ativo)

H Livro de Inventário

K Livro Registro de Controle de Produção e Estoque

1 Outras Informações de Interesse dos Fiscos

9 Encerramento da EFD-ICMS/IPI

1.12.5. Bloco 0

Este bloco é composto de informações de identificação do estabelecimento, do responsável, do


contabilista e de cadastros gerais. Pela sua importância, será tratado em capítulo específico neste Guia
Prático. Este Bloco é composto pelos seguintes registros:

BLOCO DESCRIÇÃO REG. NÍVEL OCOR.

0 Abertura do Arquivo Digital e Identificação da entidade 0000 0 1

0 Abertura do Bloco 0 0001 1 1

0 Dados Complementares da entidade 0005 2 1

0 Dados do Contribuinte Substituto ou Responsável pelo ICMS Destino 0015 2 V

0 Dados do Contabilista 0100 2 1

0 Tabela de Cadastro do Participante 0150 2 V

0 Alteração da Tabela de Cadastro de Participante 0175 3 1:N


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 31

BLOCO DESCRIÇÃO REG. NÍVEL OCOR.

0 Identificação das unidades de medida 0190 2 V

0 Tabela de Identificação do Item (Produtos e Serviços) 0200 2 V

0 Alteração do Item 0205 3 1:N

0 Código de produto conforme Tabela ANP 0206 3 1:1

0 Consumo Específico Padronizado 0210 3 1:N

0 Fatores de Conversão de Unidades 0220 3 1:N

0 Cadastro de bens ou componentes do Ativo Imobilizado 0300 2 V

0 Informação sobre a Utilização do Bem 0305 3 1:1

0 Tabela de Natureza da Operação/ Prestação 0400 2 V

0 Tabela de Informação Complementar do documento fiscal 0450 2 V

0 Tabela de Observações do Lançamento Fiscal 0460 2 V

0 Plano de contas contábeis 0500 2 V

0 Centro de custos 0600 2 V

0 Encerramento do Bloco 0 0990 1 1

Nota
No Guia Prático da EFD, o contribuinte encontrará a relação de cada bloco, registro e campo que compõem a EFD, bem
como a sua obrigatoriedade e características.
Obrigatoriedade:
O - Indica que o campo é de preenchimento obrigatório; a falta de informação acarretará erro na validação;
OC - Indica que o campo é do tipo “Obrigatório Condicionado”, ou seja, deve ser preenchido apenas na hipótese de
haver informações. Os campos com esta característica ainda que vazios de informação não causam erro na validação.

1.12.6. Bloco C

Conheceremos agora o “Bloco C”. Os contribuintes obrigados ao envio da EFD-ICMS/IPI, depois


do preenchimento do Bloco 0, podem realizar o lançamento dos documentos fiscais emitidos e recebi-
dos.

O “Bloco C” encontra-se no menu “Escrituração”. O Declarante irá escolher entre “Documentos


Fiscais de Entrada/Aquisições” ou “Documentos Fiscais Saídas/Prestações”.

O Bloco C, portanto, é composto do lançamento de todos os documentos fiscais reconhecidos


pela legislação de ICMS e IPI, e que envolvam circulação de mercadoria. Por uma questão óbvia, temos
uma quantidade maior de documentos de saída, pois existe uma série de documentos fiscais que se
destinam apenas a não contribuintes e que, portanto, somente poderiam ser escriturados nos livros de
saídas. Ex.: Cupom Fiscal.

As Notas Fiscais de Consumidor Eletrônica (NFC-e) - código 65 - não devem ser escrituradas nas
entradas.

Importante frisar que todos os documentos fiscais que envolvam prestação de serviços tributadas
pelo ICMS, serviço de transporte de natureza intermunicipal, interestadual e serviço de comunicação
serão escriturados em Bloco específico, qual seja, “Bloco D”.
32 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

O Bloco C associado ao Bloco D substitui os livros Registro de Entrada e Registro de Saídas do


contribuinte.
Nota
No Bloco C, em especial o Registro C100 e seus respectivos registros filhos, também serão escrituradas Notas Fiscais
modelo 1 ou 1-A, Nota Fiscal Avulsa, Nota Fiscal de Produtor e Nota Fiscal Eletrônica, que mesmo não acompanhando a
circulação de mercadoria, tenham sido emitidas para cumprimento de uma determinação da legislação. Exemplo: Nota
Fiscal emitida com a finalidade de transferência de crédito acumulado.

1.12.6.1. Pontos relevantes a serem observados sobre o Bloco C

Neste Bloco, além do Registro de Abertura - Registro C001 - que será preenchido automaticamen-
te pelo sistema, destaca-se o Registro Pai ou Principal C100 para o qual o Guia Prático da EFD-ICMS/IPI
faz importantes considerações.

No Registro C100, por ocasião do início de lançamento das operações, temos o campo com o
“Código de Situação do Documento”; a escolha por um ou outro código faz com que o PVA modifique
sua forma de validar os registros. Por essa razão, é muito importante assinalar com o COD_SIT correto,
conforme demonstrado a seguir:

1.12.6.2. Código de situação de documentos - Repercussão na forma de escriturar

Para documentos com código de situação (campo COD_SIT) cancelado (código “02”), cancelado
extemporâneo (código “03”), Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) denegada (código “04”), preencher somente
os campos REG, IND_OPER, IND_EMIT, COD_MOD, COD_SIT, SER, NUM_DOC e CHV_NF-e.

Para COD-SIT = 05 (numeração inutilizada), todos os campos referidos anteriormente devem ser
preenchidos, exceto o campo CHV_NF-e. Demais campos deverão ser apresentados com conteúdo
VAZIO “||”. Não informar registros filhos.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 33

Desde janeiro/2011, no caso de NF-e de emissão própria com código de situação (campo COD_
SIT) cancelado (código “02”) e cancelado extemporâneo (código “03”), deverão ser informados os cam-
pos supracitados incluindo ainda a chave da NF-e.

Observação
Assinalando qualquer dos códigos supracitados, teremos o mesmo efeito quando na escrita manual informávamos
apenas os campos “Documento Fiscal” e “Observações”.

1.12.6.3. Nota Fiscal Eletrônica de emissão própria

Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e) de emissão própria: como regra geral, devem ser apresentados
somente os Registros C100 e C190 e, se existirem ajustes de documentos fiscais determinados por
legislação estadual (tabela 5.3 do Ato Cotepe ICMS nº 9/2008), deverão ser apresentados também os
Registros C195 e C197.

Somente será admitida a informação do Registro C170 quando também tiver sido informado o Re-
gistro C176, hipótese de emissão de documento fiscal quando houver direito a Ressarcimento de ICMS
em Operações com Substituição Tributária. Foi permitida, desde julho de 2012, a apresentação dos Re-
gistros C110 e C120. O Registro C101 deverá ser informado desde janeiro/2016, nas operações interesta-
duais que destinem bens e serviços a consumidor final não contribuinte do ICMS, conforme EC 87/2015.

1.12.6.4. Notas fiscais complementares e notas fiscais complementares extemporâneas

Nesta situação, somente os campos REG, IND_EMIT, COD_PART, COD_MOD, COD_SIT, NUM_
DOC e DT_DOC são de preenchimento obrigatório, devendo ser preenchida a data de efetiva saída, para
os contribuintes das Unidades da Federação que utilizam a data de saída para a apuração. Os demais
campos são facultativos (se forem preenchidos inclusive com valores iguais a zero, serão validados e
aplicadas às regras de campos existentes).

O Registro C190 é sempre obrigatório e deve ser totalmente preenchido. Os demais campos e
registros filhos do Registro C100 serão informados, quando houver informação a ser prestada. Se for
informado o Registro C170, o campo NR_ITEM deverá ser preenchido.

1.12.6.5. Notas fiscais emitidas por regime especial ou norma específica (campo COD_SIT
igual a “08”)

Para documentos fiscais emitidos com base em regime especial ou norma específica, deverão
ser apresentados os Registros C100 e C190, obrigatoriamente, e os demais registros “filhos”, se estes
forem exigidos pela legislação fiscal. Nesta situação, somente os campos REG, IND_EMIT, COD_PART,
COD_MOD, COD_SIT, NUM_DOC e DT_DOC são de preenchimento obrigatório.

Os demais campos, com exceção do campo NR_ITEM do Registro C170, são facultativos (se forem
preenchidos inclusive com valores iguais a Zero, serão validados e aplicadas as regras de campos exis-
tentes) e deverão ser preenchidos, quando houver informação a ser prestada.

Exemplo: nota fiscal emitida em substituição ao cupom fiscal - CFOP igual a 5.929 ou 6.929 (lan-
çamento efetuado em decorrência de emissão de documento fiscal relativo à operação ou à prestação
também registrada em equipamento Emissor de Cupom Fiscal - ECF).
34 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Para os documentos fiscais emitidos de acordo com o estabelecido em regimes especiais ou


normas específicas, devidamente autorizados pelo fisco (campo COD_SIT igual a “08”), será permitida
a informação de data de emissão de documento maior que a data de entrada ou saída. Exemplo: aqui-
sição de cana-de-açúcar, venda de derivados de petróleo, etc. sendo apenas emitida Advertência pelo
PVA-EFD nestes casos.

Quando a legislação estadual permitir emissão de Nota fiscal sem informações de destinatário,
preencher com os dados do próprio emitente.

Importante
Cuidado, desde janeiro/2012, para todos os documentos diferentes de NF-e e com COD_SIT igual a “08” (documento
fiscal emitido com base em regime especial ou norma específica), deverá ser informada no Registro C110 (informação
complementar da nota fiscal) a norma legal que autoriza o preenchimento do documento fiscal nessa situação.

Conforme a legislação de cada Estado, teremos um número maior ou menor de documentos


fiscais emitidos não para acompanhamento de mercadoria, mas para acertos na escrita fiscal, como
é o caso da Nota Fiscal para creditamento de ICMS na aquisição de ativo fixo, CFOP 1.604. Caso o
Programa Validador não flexibilizasse a escrituração de documentos emitidos nestas circunstâncias,
não conseguiríamos realizar os lançamentos, pois em geral as notas emitidas não têm todos os campos
informados principalmente no que diz respeito aos Dados dos Produtos.

1.12.6.6. Venda de produtos que geram direito a ressarcimento com utilização de NF-e

Nos casos de vendas, para outro Estado, de produtos tributados por substituição tributária na
operação anterior, o contribuinte deverá indicar, no Registro C176, os dados para futura solicitação de
ressarcimento. O Registro C170 deverá ser preenchido apenas com os itens da nota fiscal que gerem
direito ao pedido de ressarcimento, devendo também ser preenchido o Registro C176. A UF determinará
a obrigatoriedade deste registro.

1.12.6.7. Escrituração de documentos emitidos por terceiros

Os casos de escrituração de documentos fiscais, inclusive NF-e, emitidos por terceiros (como o
consórcio constituído nos termos do disposto nos arts. 278 e 279 da Lei nº 6.404/1976) e das NF-e avulsas
emitidas pelas UF (séries 890 a 899) devem ser informados como emissão de terceiros, com o código
de situação do documento igual a “08 - Documento Fiscal emitido com base em Regime Especial ou
Norma Específica”. O PVA-EFD-ICMS/IPI exibirá a mensagem de advertência para esses documentos.

Os documentos fiscais emitidos pelas filiais das empresas que possuam inscrição estadual
única ou sejam autorizadas pelos Fiscos estaduais a centralizar suas escriturações fiscais deverão ser
informados como sendo de emissão própria e código de situação igual a “00 - Documento regular”.
Excepcionalmente, até junho/2012, poderão ser informados como sendo de emissão de terceiros e
código de situação de documento como sendo “08”.

1.12.6.8. Disposições específicas sobre NFC-e

Para NFC-e, modelo 65: regra geral, devem ser apresentados somente os Registros C100 e C190.
No Registro C100, não devem ser informados os campos COD_PART, VL_BC_ICMS_ST, VL_ICMS_ST,
VL_IPI, VL_PIS, VL_COFINS, VL_PIS_ST e VL_COFINS_ST. Os demais campos seguirão a obrigatoriedade
definida pelo registro. As NFC-e não devem ser escrituradas nas entradas.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 35

1.12.6.9. Registros que compõem o Bloco C


REGISTRO DESCRIÇÃO

C001 Registro tem por objetivo identificar a abertura do Bloco C, indicando se há informações sobre documen-
tos fiscais.

C100 Registro que deve ser gerado para cada documento fiscal código 01, 1B, 04, 55 e 65 (saída), conforme item
4.1.1 do Ato Cotepe/ICMS nº 9, de 18 de abril de 2008, registrando a entrada ou saída de produtos ou outras
situações que envolvam a emissão dos documentos fiscais mencionados. As NFC-e - código 65 não de-
vem ser escrituradas nas entradas.

C101 Informação complementar dos documentos fiscais quando das operações interestaduais
destinadas a consumidor final não contribuinte EC 87/2015 (código 55)

C105 Registro que tem por objetivo identificar a UF destinatária do recolhimento do ICMS-ST, quando esta for
diversa da UF do destinatário do produto. Ex.: leasing de veículo quando a entidade financeira está locali-
zada em uma UF e o destinatário do produto em outra.

C110 Registro que tem por objetivo identificar os dados contidos no campo Informações Complementares da
Nota Fiscal, que sejam de interesse do fisco, conforme dispõe a legislação. Devem ser discriminadas em
registros “filhos próprios” as informações relacionadas com documentos fiscais, processos, cupons fiscais,
documentos de arrecadação e locais de entrega ou coleta que foram explicitamente citadas no campo
“Informações Complementares” da Nota Fiscal.

C111 Registro que deve ser apresentado, obrigatoriamente, quando no campo - “Informações Complementares”
da nota fiscal - constar a discriminação de processos referenciados no documento fiscal.

C112 Registro que deve ser apresentado, obrigatoriamente, quando no campo - “Informações Complementares”
da nota fiscal - constar a identificação de um documento de arrecadação.

C113 Registro que tem por objetivo informar, detalhadamente, outros documentos fiscais que tenham sido
mencionados nas informações complementares do documento que está sendo escriturado no Registro
C100, exceto cupons fiscais, que devem ser informados no Registro C114. Exemplos: nota fiscal de remessa
de mercadoria originária de venda para entrega futura e nota fiscal de devolução de compras.

C114 Registro que será utilizado para informar, detalhadamente, nas operações de saídas, cupons fiscais que
tenham sido mencionados nas informações complementares do documento que está sendo escriturado
no Registro C100. Nas operações de entradas, somente informar quando o emitente do cupom fiscal for o
próprio informante do arquivo.

C115 Registro que tem por objetivo informar o local de coleta, quando este for diferente do endereço do emi-
tente do documento fiscal e/ou local de entrega, quando este for diferente do endereço do destinatário
do documento fiscal, além de informar a modalidade de transporte utilizada. As informações prestadas
referem-se a transporte próprio ou de terceiros.

C116 Registro que será utilizado para informar, detalhadamente, nas operações de saídas, cupons fiscais eletrô-
nicos que tenham sido mencionados nas informações complementares do documento que está sendo
escriturado no Registro C100. Nas operações de entradas no Registro C100, somente informar quando o
emitente do cupom fiscal for o próprio informante do arquivo.

C120 Registro que tem por objetivo informar detalhes das operações de importação, que estejam sendo docu-
mentadas pela nota fiscal escriturada no Registro C100, quando o campo IND_OPER for igual a “0” (zero),
indicando operação de entrada.

C130 Registro que tem por objetivo informar dados da prestação de serviços sob não incidência ou não tributa-
dos pelo ICMS e ainda detalhes sobre a retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e de contri-
buições previdenciárias. Essas três situações possuem características próprias e tratamentos específicos
na legislação, não guardando entre elas nenhuma relação.

C140 Registro que tem por objetivo informar dados da fatura comercial, sempre que a aquisição ou venda de
mercadorias for a prazo, por meio de notas fiscais modelo 1 ou 1-A. Devem ser consideradas as informações
quando da emissão do documento fiscal, incluindo a parcela paga no ato da operação, se for o caso.
36 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

REGISTRO DESCRIÇÃO
C141 Registro que deve ser apresentado, obrigatoriamente, sempre que for informado o Registro C140, devendo
ser discriminados o valor e a data de vencimento de cada uma das parcelas.
C160 Este registro tem por objetivo informar detalhes dos volumes, do transportador e do veículo empregado no
transporte nas operações de saídas.
C165 Registro que deve ser apresentado pelas empresas do segmento de combustíveis (distribuidoras, refina-
rias, revendedoras) em operações de saída. Postos de combustíveis não devem apresentar este registro.
C170 Registro obrigatório para discriminar os itens da nota fiscal (mercadorias e/ou serviços constantes em
notas conjugadas), inclusive em operações de entrada de mercadorias acompanhadas de Nota Fiscal ele-
trônica (NF-e) de emissão de terceiros.
Conforme item 2.4.2.2.1 do Ato Cotepe/ICMS nº 9, de 18 de abril de 2008, o termo “item” é aplicado às
operações fiscais que envolvam mercadorias, serviços, produtos ou quaisquer outros itens concernentes
às transações fiscais suportadas pelo documento, como nota fiscal complementar, nota fiscal de ressarci-
mento, transferências de créditos e outros casos.
C171 Registro que deve ser apresentado pelas empresas do comércio varejista de combustíveis, somente nas
operações de entrada, para informar o volume recebido (em litros), por item do documento fiscal, conforme
Livro de Movimentação de Combustíveis (LMC), Ajuste Sinief nº 1/1992.
C172 Este registro tem por objetivo informar dados da prestação de serviços.
C173 Este registro deve ser apresentado pelas empresas do segmento farmacêutico (distribuidoras, indústrias,
revendedoras e importadoras), exceto comércio varejista.
C174 Registro que deve ser apresentado pelas empresas que realizam operações com armas de fogo (indústria,
comércio e demais) e deve ser fornecido apenas para operações de saída.
C175 Registro que deve ser apresentado pelas empresas do segmento automotivo (montadoras - Capítulo 87
da NCM, concessionárias e importadoras) para informar os itens relativos aos veículos novos. Deve ser
informado nas operações de entrada e saída exceto quando se tratar de operações de exportação.
É considerada faturamento direto toda operação efetuada nos termos do Convênio ICMS nº 51/2000.

C176 Este registro deve ser informado quando da emissão de documento fiscal, destinado a outra UF, que en-
sejará futuro pedido de ressarcimento de ICMS, em operações com produtos submetidos à substituição
tributária na operação anterior. Aplica-se somente aos contribuintes domiciliados nos estados, cuja legis-
lação obriga a emissão de nota fiscal para documentar processo de pedido de ressarcimento de ICMS/ST.
Este registro não se aplica a contribuintes que utilizam o Scanc.
C177 Registro que tem por objetivo informar o tipo e a quantidade de selo de controle utilizada na saída dos
produtos sujeitos ao selo de controle, pelos fabricantes ou importadores desses produtos. Ex.: bebidas
quentes, cigarros e relógios. Se o produto vendido está sujeito à selagem, o registro é obrigatório. O regis-
tro não deve ser informado nas operações de aquisição de produtos.
C178 Registro que tem por objetivo fornecer informações adicionais sobre os produtos cuja forma de tributação
do IPI, fixada em reais, seja calculada por unidade ou por determinada quantidade de produto, conforme
tabelas de classes de valores.
C179 Registro que tem por objetivo informar operações que envolvam repasse, dedução e complemento de
ICMS-ST nas operações interestaduais e nas operações com substituído intermediário.
C190 Este registro tem por objetivo representar a escrituração dos documentos fiscais totalizados por CST,
CFOP e Alíquota de ICMS.
C195 Este registro deve ser informado quando, em decorrência da legislação estadual, houver ajustes nos do-
cumentos fiscais, informações sobre diferencial de alíquota, antecipação de imposto e outras situações.
Estas informações equivalem às observações que são lançadas na coluna “Observações” dos Livros Fiscais
previstos no Convênio s/nº 70 - Sinief, art. 63, I a IV.

C197 Este registro tem por objetivo detalhar outras obrigações tributárias, ajustes e informações de valores do
documento fiscal do Registro C195, que podem ou não alterar o cálculo do valor do imposto. Este registro
será utilizado ainda por contribuinte onde a Administração Tributária Estadual exige, por meio de legisla-
ção específica, apuração em separado (subapuração).
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 37

REGISTRO DESCRIÇÃO

C300 Este registro deve ser apresentado pelos contribuintes que utilizam notas fiscais de venda ao consumidor,
não emitidas por ECF. Trata-se de um resumo diário, por série e subsérie do documento fiscal, de todas as
operações praticadas. Existirão tantos Registros C300 quantos forem os agrupamentos de séries e subsé-
ries dos documentos fiscais emitidos no dia. Os valores de documentos fiscais cancelados não devem ser
computados no valor total dos documentos (campo VL_DOC).

C310 Este registro tem por objetivo informar os números dos documentos fiscais cancelados.

C320 Este registro tem por objetivo informar a consolidação diária dos valores das notas fiscais de venda ao
consumidor, não emitidas por ECF, e deve ser apresentado de forma agrupada na combinação CST_ICMS,
CFOP e Alíquota de ICMS.

C321 Este registro é o detalhamento, por itens de mercadoria, da consolidação diária dos valores das notas fis-
cais de venda ao consumidor, não emitidas por ECF.

C350 Este registro deve ser apresentado pelos contribuintes que utilizam notas fiscais de venda ao consumidor,
não emitidas por ECF. As notas fiscais canceladas não devem ser informadas.
Obs.: Os CNPJ e CPF citados neste registro NÃO devem ser informados no Registro 0150.

C370 Este registro é o detalhamento por itens das notas fiscais de venda ao consumidor, modelo 2.

C390 Este registro é o detalhamento por itens das notas fiscais de venda ao consumidor, modelo 2.

C400 Este registro tem por objetivo identificar os equipamentos de ECF e deve ser informado por todos os con-
tribuintes que utilizem tais equipamentos na emissão de documentos fiscais.

C405 Este registro deve ser apresentado com as informações da Redução Z de cada equipamento em funcio-
namento na data das operações de venda à qual se refere a redução. Inclui todos os documentos fiscais
totalizados na Redução Z, inclusive as operações de venda realizadas durante o período de tolerância do
Equipamento ECF.

C410 Este registro deve ser apresentado sempre que houver produtos totalizados na Redução Z que acarre-
tem valores de PIS e Cofins a serem informados. Os contribuintes que entregarem a EFD-Contribuições
relativa ao mesmo período de apuração do Registro 0000 estão dispensados do preenchimento deste
registro.

C420 Este registro tem por objetivo discriminar os valores por código de totalizador da Redução Z.

C425 Este registro tem por objetivo identificar os produtos comercializados na data da movimentação relativa à
Redução Z informada, sendo obrigatório, quando os totalizadores forem iguais a xxTnnnn, Tnnnn, Fn, In, Nn.

C460 Este registro deve ser apresentado para a identificação dos documentos fiscais emitidos pelos usuários de
equipamentos ECF, que foram totalizados na Redução Z.

C465 Este registro deve ser apresentado para a identificação adicional dos cupons fiscais eletrônicos emitidos
pelos usuários de equipamentos ECF, que foram totalizados na Redução Z.

C470 Este registro deve ser apresentado para informar os itens dos documentos fiscais emitidos pelos usuários
de equipamentos ECF, que foram totalizados na Redução Z. O serviço de competência municipal (sujeito
ao ISSQN) também deverá ser informado nesse registro. Para tanto, deverá ser criado o correspondente
item no Registro 0200, cujo conteúdo do campo TIPO_ITEM será igual “09” (Serviços). Não informar o regis-
tro para o item cuja venda foi totalmente cancelada. Não informar este registro no caso de Cupom Fiscal
Eletrônico emitido por ECF - CF-e-ECF (Código 60).

C490 Este registro tem por objetivo representar a escrituração dos documentos fiscais emitidos por ECF e tota-
lizados pela combinação de CST, CFOP e Alíquota. Não informar este registro para os totalizadores Can-T,
Can-S e Can-O informados no C420.

C495 Este registro deve ser apresentado pelo contribuinte domiciliado no estado da Bahia até 31.12.2013, resu-
mindo todas as informações num único registro por item de mercadorias, não dispensando a apresen-
tação do Registro C400 e registros filhos. A partir de 1º.01.2014, os contribuintes situados na Bahia não
apresentam este registro e devem apresentar o Registro C425.
38 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

REGISTRO DESCRIÇÃO

C500 Este registro deve ser apresentado, nas operações de saída, pelos contribuintes do segmento de energia
elétrica e não obrigadas ao Convênio ICMS nº 115/2003, pelos contribuintes do segmento de fornecimento
de gás e, nas operações de entrada, por todos os contribuintes adquirentes.
IMPORTANTE: para documentos de entrada, os campos de valor de imposto, base de cálculo e alíquota
só devem ser informados se o adquirente tiver direito à apropriação do crédito (enfoque do declarante).

C510 Este registro deve ser apresentado para informar os itens das Notas Fiscais/Contas de Energia Elétrica
(código 06 da Tabela Documentos Fiscais do ICMS), Notas Fiscais/Contas de fornecimento de água canali-
zada (código 29) e Notas Fiscais Consumo Fornecimento de Gás (código 28 da Tabela Documentos Fiscais
do ICMS), nas operações de saída.

C590 Este registro representa a escrituração dos documentos fiscais dos modelos especificados no C500, to-
talizados pelo agrupamento das combinações dos valores de CST, CFOP e Alíquota dos itens de cada
documento. Deve haver um Registro C590 com os totais de cada combinação de valores de CST, CFOP
e Alíquota, informados nos itens dos Registros C510 (operações de saída) ou com base nos documentos
fiscais de entrada.

C600 Este registro deve ser apresentado na consolidação diária de Notas Fiscais/Conta de Energia Elétrica (có-
digo 06 da Tabela Documentos Fiscais do ICMS), Notas Fiscais de Fornecimento d’Água (código 29 da
Tabela Documentos Fiscais do ICMS) e Notas Fiscais/Conta de Fornecimento de Gás (código 28 da Tabela
Documentos Fiscais do ICMS) para empresas não obrigadas ao Convênio ICMS nº 115/2003.

C601 Este registro tem por objetivo informar a numeração dos documentos cancelados da consolidação diária
dos documentos fiscais do C600.

C610 Este registro tem por objetivo discriminar por item os registros consolidados apresentados no C600.

C690 Este registro tem por objetivo representar a escrituração dos documentos fiscais dos modelos especifica-
dos no C600, totalizados pelo agrupamento das combinações dos valores de CST, CFOP e Alíquota dos
itens de cada registro consolidado. Existirá um Registro C690 para cada combinação de valores de CST,
CFOP e Alíquota que existir nos itens (Registro C610), totalizando estes itens.

C700 Este registro deve ser apresentado com a consolidação das Notas Fiscais/Conta de Energia Elétrica (có-
digo 06 da Tabela Documentos Fiscais do ICMS) pelas empresas obrigadas à entrega do arquivo previsto
no Convênio ICMS 115/2003.
Este registro deve ser apresentado pelas empresas fornecedoras de gás canalizado domiciliadas nas Uni-
dades da Federação que utilizam o Convênio ICMS 115/2003.
Informações interestaduais devem estar englobadas na consolidação deste registro e também devem ser
informadas no Registro 1500. Neste caso, as informações repetidas no 1500 terão apenas efeito declarató-
rio, não sendo consideradas no cálculo da apuração.
A apresentação deste registro implica a não apresentação do Registro C600.

C790 Este registro representa a escrituração dos documentos fiscais dos modelos especificados no C700, totali-
zados pelo agrupamento das combinações dos valores de CST, CFOP e Alíquota dos itens de cada registro
consolidado.

C791 Registro de Informações de ST por UF, para documentos fiscais com código de modelo 06

C800 Este registro deve ser gerado para cada CF-e-SAT (Código 59) emitido por equipamento SAT-CF-e, confor-
me Ajuste Sinief nº 11, de 24 de setembro de 2010.

C850 Este registro tem por objetivo representar a escrituração do CF-e-SAT (código 59) segmentado por CST,
CFOP e Alíquota do ICMS

C860 Este registro tem por objetivo identificar os equipamentos SAT-CF-e e deve ser informado por todos os
contribuintes que utilizem tais equipamentos na emissão de documentos fiscais.

C890 Este registro tem por objetivo promover a consolidação dos CF-e-SAT emitidos no período, por equipa-
mento SAT-CF-e.

C990 Este registro destina-se a identificar o encerramento do Bloco C e informar a quantidade de linhas (regis-
tros) existentes no bloco.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 39

Nota
Temos 3 perfis de apresentação:
Perfil A - Registros são apresentados com informações mais detalhadas;
Perfil B - Registros são apresentados com informações mais sintéticas; e
Perfil C
Na hipótese de não ter sido atribuído nenhum perfil de apresentação ao contribuinte, este deverá gerar o arquivo digital
da EFD com base no leiaute correspondente ao perfil de apresentação mais detalhado dentre aqueles definidos em Ato
Cotepe/ICMS.
As informações deverão ser gravadas em arquivo digital da EFD de acordo com leiaute correspondente ao perfil de
apresentação definido em ato Cotepe e atribuído ao contribuinte por meio de Protocolo ICMS ou em ato administrativo
expedido pela autoridade competente.

1.13 Bloco D

O Bloco D foi concebido para receber informações sobre documentos fiscais referentes à presta-
ção de serviços sujeita a ICMS, quais sejam, serviço de transporte de natureza interestadual e intermu-
nicipal e serviço de comunicação.

1.13.1. Serviço de transporte

O Bloco D apresenta uma série de Registros, contudo, as empresas tomadoras apenas estão obri-
gadas a informar os Registros D100 e D190, todos os demais são de uso de empresas executoras dos
serviços. Assim, iremos detalhar e demonstrar apenas estes registros.

Relação de Documentos Fiscais lançados no Registro D100

• Nota Fiscal de Serviço de Transporte (Código 07);

• Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (Código 08);

• Conhecimentos de Transporte de Cargas Avulso (Código 8B);

• Aquaviário de Cargas (Código 09);

• Aéreo (Código 10);

• Ferroviário de Cargas (Código 11);

• Multimodal de Cargas (Código 26);

• Nota Fiscal de Transporte Ferroviário de Carga (Código 27);

• Conhecimento de Transporte eletrônico (CT-e) (Código 57).

Escriturarão estes modelos de documentos os prestadores e os tomadores de serviço, pois ambos


preenchem o Registro D100.
Nos demais registros do Bloco D, ainda serão requeridos, mas apenas para os prestadores de ser-
viços os documentos fiscais destinados a consumidor:

• Bilhete de Passagem Rodoviário (Código 13);

• Bilhete de Passagem Aquaviário (Código 14);


40 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

• Bilhete de Passagem e Nota de Bagagem (Código 15);

• Bilhete de Passagem Ferroviário (Código 16).

Com advento no Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e), as informações desse documen-


to serão informadas também na Escrituração Fiscal Digital, sob o código 57 ou 67, quando tratar-se de
Conhecimento de Transporte Eletrônico para Outros Serviços (CT-e OS).

Registro Analítico (D190)


Este registro tem por objetivo informar as Notas Fiscais de Serviço de Transporte (Código 07) e
demais documentos elencados no título deste registro e especificados no Registro D100, totalizados
pelo agrupamento das combinações dos valores de CST, CFOP e Alíquota dos itens de cada documento.

No Bloco D, temos vários registros analíticos em face dos diversos modelos de documentos emi-
tidos por este seguimento de atividade.

Nota
Em face da publicação da Emenda Constitucional nº 87/2015, foi incluído ao leiaute da EFD (ICMS/IPI) o Registro D101.
Este registro deve ser apresentado a partir de janeiro/2016 para prestar informações complementares do CT-e em ope-
rações interestaduais destinadas a consumidor final NÃO contribuinte de ICMS, segundo dispôs esta norma. Deverão
ser informadas as apurações nos Registros E300 e filhos para as UF de origem e destino da operação. O Registro em
questão será entregue pelo prestador de serviço responsável pelo recolhimento deste diferencial de alíquotas.

1.13.2. Serviços de comunicação


As prestações de serviço de comunicação quando sujeitas à tributação de ICMS devem ser decla-
radas na EFD. Todas as modalidades de comunicações desde que onerosas constituem fator gerador
de ICMS.

Relação de Modelos de Documentos


• Serviço de Comunicação modelo 21;
• Nota Fiscal de Serviço de Telecomunicação modelo 22.

Os serviços de comunicação e telecomunicação passam a ser informados a partir do Registro


D500 e filhos. Este registro será utilizado por todos os contribuintes; nas prestações de serviço, pelos
contribuintes não enquadrados no Convênio ICMS nº 115/2003. Empresas sujeitas ao disposto no Con-
vênio ICMS nº 115/2003 deverão utilizar este registro para informar os documentos emitidos nos mode-
los 21 e 22, nos casos não previstos no referido convênio, se houver.

O Convênio ICMS nº 115/2003 dispõe:


Sobre a uniformização e disciplina a emissão, escrituração, manutenção e prestação das informações dos documentos fis-
cais emitidos em via única por sistema eletrônico de processamento de dados para contribuintes prestadores de serviços
de comunicação e fornecedores de energia elétrica. Os prestadores enquadrados nas disposições deste convênio farão o
Registro D695. Este registro apenas será preenchido pelos prestadores.

1.13.3. Relação dos registros do Bloco D

No Bloco D, encontraremos uma divisão de Registros em face da natureza da prestação de servi-


ços. O Registro Pai D100 e seus respectivos Registros Filhos têm vinculação com o registro dos docu-
mentos fiscais utilizados na prestação de serviço de transporte em suas diversas modalidades.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 41

BLOCO DESCRIÇÃO REG. NÍVEL OCOR.

D Abertura do Bloco D D001 1 1

D REGISTRO D100: NOTA FISCAL DE SERVIÇO DE TRANSPORTE (CÓDIGO D100 2 V


07) E CONHECIMENTOS DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS (CÓDIGO
08), CONHECIMENTOS DE TRANSPORTE DE CARGAS AVULSO (CÓDIGO 8B),
AQUAVIÁRIO DE CARGAS (CÓDIGO 09), AÉREO (CÓDIGO 10), FERROVIÁRIO DE
CARGAS (CÓDIGO 11), MULTIMODAL DE CARGAS (CÓDIGO 26), NOTA FISCAL
DE TRANSPORTE FERROVIÁRIO DE CARGA (CÓDIGO 27), CONHECIMENTO
DE TRANSPORTE ELETRÔNICO – CT-e (CÓDIGO 57) E CONHECIMENTO DE
TRANSPORTE ELETRÔNICO PARA OUTROS SERVIÇOS - CT-e OS (CÓDIGO 67).

D Informação complementar dos documentos fiscais quando das prestações in- D101 3 1:1
terestaduais destinadas a consumidor final não contribuinte EC 87/15 (código
57 e 67)

D Itens do documento - Nota Fiscal de Serviços de Transporte (código 07) D110 3 1:N

D Complemento da Nota Fiscal de Serviços de Transporte (código 07) D120 4 1:N

D Complemento do Conhecimento Rodoviário de Cargas (código 08) e Conheci- D130 3 1:N


mento de Transporte de Cargas Avulso (Código 8B)

D Complemento do Conhecimento Aquaviário de Cargas (código 09) D140 3 1:1

D Complemento do Conhecimento Aéreo de Cargas (código 10) D150 3 1:1

D Carga Transportada (CÓDIGO 08, 8B, 09, 10, 11, 26 E 27) D160 3 1:N

D Local de Coleta e Entrega (códigos 08, 8B, 09, 10, 11 e 26) D161 4 1:1

D Identificação dos documentos fiscais (código 08,8B, 09,10,11,26 e 27) D162 4 1:N

D Complemento do Conhecimento Multimodal de Cargas (código 26) D170 3 1:1

D Modais (código 26) D180 3 1:N

D Registro Analítico dos Documentos (CÓDIGO 07, 08, 8B, 09, 10, 11, 26, 27, 57 e 67) D190 3 1:N

D Observações do lançamento (CÓDIGO 07, 08, 8B, 09, 10, 11, 26, 27, 57 e 67) D195 3 1:N

D Outras obrigações tributárias, ajustes e informações de valores provenientes do D197 4 1:N


documento fiscal.

D Registro Analítico dos bilhetes consolidados de Passagem Rodoviário (código D300 2 V


13), de Passagem Aquaviário (código 14), de Passagem e Nota de Bagagem (códi-
go 15) e de Passagem Ferroviário (código 16)

D Documentos cancelados dos Bilhetes de Passagem Rodoviário (código 13), de D301 3 1:N
Passagem Aquaviário (código 14), de Passagem e Nota de Bagagem (código 15) e
de Passagem Ferroviário (código 16)

D Complemento dos Bilhetes (código 13, código 14, código 15 e código 16) D310 3 1:N

D Equipamento ECF (Códigos 2E, 13, 14, 15 e 16) D350 2 V

D Redução Z (Códigos 2E, 13, 14, 15 e 16) D355 3 1:N

D PIS E COFINS totalizados no dia (Códigos 2E, 13, 14, 15 e 16) D360 4 1:1

D Registro dos Totalizadores Parciais da Redução Z (Códigos 2E, 13, 14, 15 e 16) D365 4 1:N

D Complemento dos documentos informados (Códigos 13, 14, 15, 16 E 2E) D370 5 1:N
42 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

BLOCO DESCRIÇÃO REG. NÍVEL OCOR.

D Registro analítico do movimento diário (Códigos 13, 14, 15, 16 E 2E) D390 4 1:N

D Resumo do Movimento Diário (código 18) D400 2 V

D Documentos Informados (Códigos 13, 14, 15 e 16) D410 3 1:N

D Documentos Cancelados dos Documentos Informados (Códigos 13, 14, 15 e 16) D411 4 1:N

D Complemento dos Documentos Informados (Códigos 13, 14, 15 e 16) D420 3 1:N

D Nota Fiscal de Serviço de Comunicação (código 21) e Serviço de Telecomunica- D500 2 V


ção (código 22)

D Itens do Documento - Nota Fiscal de Serviço de Comunicação (código 21) e Ser- D510 3 1:N
viço de Telecomunicação (código 22)

D Terminal Faturado D530 3 1:N

D Registro Analítico do Documento (códigos 21 e 22) D590 3 1:N

D Consolidação da Prestação de Serviços - Notas de Serviço de Comunicação (có- D600 2 V


digo 21) e de Serviço de Telecomunicação (código 22)

D Itens do Documento Consolidado (códigos 21 e 22) D610 3 1:N

D Registro Analítico dos Documentos (códigos 21 e 22) D690 3 1:N

D Consolidação da Prestação de Serviços - Notas de Serviço de Comunicação (có- D695 2 V


digo 21) e de Serviço de Telecomunicação (código 22)

D Registro Analítico dos Documentos (códigos 21 e 22) D696 3 1:N

D Registro de informações de outras UFs, relativamente aos serviços “não-medi- D697 4 1:N
dos” de televisão por assinatura via satélite

D Encerramento do Bloco D D990 1 1

1.13.3.1. Serviço de transporte com emissão de bilhetes


Os Registros D300 e seus Respectivos Registros Filhos e os Registros D400 e filhos referem-se à
prestação de serviços de transporte, mas que envolvam transporte de passageiros, portanto, com emis-
são de bilhetes de passagens a saber:
Registro D300:
- bilhete de passagem rodoviário;
- bilhete de passagem aquaviário;
- bilhete de passagem e nota de bagagem; e
- bilhete de passagem ferroviário.
Registro D400
- resumo de movimento diário.

1.13.3.2. Registro D500 e filhos


O Registro D500 e filhos destina-se ao lançamento de documentos fiscais vinculados ao serviço
de comunicação.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 43

1.14. Bloco G

Todo contribuinte de ICMS obrigado ao envio da Escrituração Fiscal Digital e que pretenda apro-
priar-se do crédito do ICMS incidente na compra de ativo imobilizado precisa providenciar o preenchi-
mento do Bloco G.

Conforme com a Lei Complementar nº 87/1996, é assegurado ao contribuinte, desde 1º.11.1996, o


direito de se creditar e de uma só vez (regra válida até 31.12.2000) do valor integral do ICMS correspon-
dente à entrada de mercadoria destinada ao ativo permanente, observadas todas as demais regras de
lançamento e vedação previstas no RICMS de cada Estado.

Com as alterações da Lei Complementar nº 87/1996, introduzidas pela Lei Complementar nº


102/2000, foi estabelecido, entre outras situações, que, a partir da entrada no estabelecimento do con-
tribuinte que tenham ocorrido ou venham a ocorrer a datar de 1º.01.2001, o crédito do valor do ICMS
referente a mercadorias destinadas ao ativo permanente será efetuado, de forma parcelada, ao longo
de 48 (quarenta e oito) meses.

O valor do crédito a ser apropriado, em cada período de apuração, será obtido multiplicando-se o
valor total do respectivo crédito, segundo o valor constante no documento fiscal escriturado/lançado
no Registro C100 Entradas (sem direito a crédito do imposto), como também o valor correspondente ao
diferencial de alíquota (aquisições de ativo permanente em operações interestaduais), pelo fator igual a
1/48 (um quarenta e oito avos) da relação entre o valor das operações de saídas e prestações tributadas
e o total das operações de saídas e prestações do período, equiparando-se às tributadas, para esse fim,
as saídas ou prestações que tiverem destinado mercadorias ou serviços ao exterior e as operações ou
prestações isentas ou não tributadas com previsão legal de manutenção de crédito.

O Bloco G permite ao contribuinte demonstrar exatamente a parcela de crédito que fará jus mês
a mês seguindo as limitações legais estabelecidas.

1.14.1. Relação dos registros do Bloco G

OBRIGATORIEDADE
DO REGISTRO
BLOCO DESCRIÇÃO REG. NÍVEL OCOR.
(TODOS OS
CONTRIBUINTES)

G Abertura do Bloco G G001 1 1 O

G ICMS - Ativo Permanente - CIAP G110 2 V OC

G Movimentação de Bem do Ativo Imobilizado G125 3 1:N O(se existir G110)

G Outros créditos CIAP G126 4 1:N OC

G Identificação do documento fiscal G130 4 1:N O (se existir G125)

G Identificação do item do documento fiscal G140 5 1:N O (se existir G130)

G Encerramento do Bloco G G990 1 1 O

1.15. Bloco E

O Bloco E refere-se às apurações que o contribuinte/declarante terá que realizar e está dividido
da seguinte forma:
44 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

BLOCO E

Apuração ICMS Próprio Registro E100 e filhos

BLOCO E

Apuração ICMS-ST Registro E200 e filhos

Bloco E

Apuração ICMS - Diferencial de Registro E300 e filhos


Alíquotas (EC 87/2015 e o FCP)

BLOCO E

Apuração de IPI E500 e filhos

O Bloco E, como todos os demais blocos da EFD, têm um registro de abertura, no caso o Bloco
E001 que não está habilitado para os declarantes.

O Registro E100 tem por objetivo informar o(s) período(s) de apuração do ICMS. Os períodos infor-
mados devem abranger todo o intervalo da escrituração fiscal, sem sobreposição ou omissão de datas
ou períodos.

Não podem ser informados dois ou mais registros com a mesma combinação de valores dos cam-
pos 02 (DT_INI) e 03 (DT_FIN). Não devem existir lacunas ou sobreposições de datas nos períodos de
apuração informados nestes registros, em comparação com as datas informadas no Registro 0000.

No Bloco E, o contribuinte deve prestar as informações da sua apuração de ICMS, ICMS-ST nas
situações em que figure como substituto tributário, seja nas operações internas ou interestaduais e IPI,
caso seja contribuinte deste imposto.

Para poder preencher os registros referentes à apuração dos impostos, o contribuinte terá que
utilizar, também, tabelas de ajustes divulgadas em cada UF.

As tabelas de ajustes são uniformes; levam o contribuinte a adaptar as informações constantes


em seu sistema de processamento de dados, para poder se adequar às regras estabelecidas em cada
UF e poder entregar essa obrigação.

O Registro de Apuração se faz necessário para determinação do valor a ser recolhido pelo con-
tribuinte, porque além das entradas e saídas que geram o débito e o crédito é necessário promover os
ajustes, decorrentes das situações que não apresentam documentos fiscais, que são “outros débitos e
outros créditos” e “estorno de débito”.

O contribuinte deverá ainda informar se a empresa tem algum benefício fiscal específico que exija
ajustes na apuração ou ingressou com alguma ação administrativa ou judicial. Havendo uma destas
situações, haverá registros específicos que deverão ser preenchidos.

Nota
O Registro E200 e Filhos deverá ser gerado nas operações interestaduais independentemente de ter ou não inscrição
de substituto tributário; na ausência de inscrição, deverá ser gerado um Registro E250 para cada GNRE (ou documento
equivalente).
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 45

1.15.1. Registros que compõem o Bloco E


BLOCO DESCRIÇÃO REG. NÍVEL OCOR.

E Abertura do Bloco E E001 1 1

E Período de Apuração do ICMS E100 2 V

E Apuração do ICMS - Operações Próprias E110 3 1:1

E Ajuste/Benefício/Incentivo da Apuração do ICMS E111 4 1:N

E Informações Adicionais dos Ajustes da Apuração do ICMS E112 5 1:N

E Informações Adicionais dos Ajustes da Apuração do ICMS - Identificação dos E113 5 1:N
documentos fiscais

E Informações Adicionais da Apuração do ICMS - Valores Declaratórios E115 4 1:N

E Obrigações do ICMS Recolhido ou a Recolher - Obrigações Próprias E116 4 1:N

E Período de Apuração do ICMS - Substituição Tributária E200 2 V

E Apuração do ICMS - Substituição Tributária E210 3 1:1

E Ajuste/Benefício/Incentivo da Apuração do ICMS - Substituição Tributária E220 4 1:N

E Informações Adicionais dos Ajustes da Apuração do ICMS Substituição Tribu- E230 5 1:N
tária

E Informações Adicionais dos Ajustes da Apuração do ICMS Substituição Tributá- E240 5 1:N
ria - Identificação dos documentos fiscais

E Obrigações do ICMS a Recolher - Substituição Tributária E250 4 1:N

E Período de Apuração do ICMS Diferencial de Alíquota – UF Origem/Destino EC E300 2 1:N


87/15

E Apuração do ICMS Diferencial de Alíquota – UF Origem/Destino EC 87/15 E310 3 1:1

E Ajuste/Benefício/Incentivo da Apuração do ICMS Diferencial de Alíquota – UF E311 4 1:N


Origem/Destino EC 87/15

E Informações Adicionais dos Ajustes da Apuração do ICMS Diferencial de Alí- E312 5 1:N
quota – UF Origem/Destino EC 87/15

E Informações Adicionais da Apuração do ICMS Diferencial de Alíquota – UF Ori- E313 5 1:N


gem/Destino EC 87/15 Identificação dos Documentos Fiscais

E Obrigações do ICMS recolhido ou a recolher – Diferencial de Alíquota – UF Ori- E316 4 1:N


gem/Destino EC 87/15

E Período de Apuração do IPI E500 2 V

E Consolidação dos Valores de IPI E510 3 1:N

E Apuração do IPI E520 3 1:1

E Ajustes da Apuração do IPI E530 4 1:N

E Informações Adicionais dos Ajustes da Apuração do IPI - Identificação dos Do- E531 5 N
cumentos Fiscais

E Encerramento do Bloco E E990 1 1

1.16. Bloco 1

Este Bloco destina-se à apresentação de outras informações exigidas pelo Fisco.


46 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

A EFD possibilita à fiscalização ampliar seus controles e também promover para determinados
ramos de atividade um acompanhamento diferenciado exigindo informações adicionais, como é o caso
do Registro 1390 de preenchimento específico de usina de cana-de-açúcar e álcool. Outros exemplos:
• exportações;
• controle de créditos fiscais;
• utilização de créditos;
• informações pertinentes a combustíveis, como volume de venda, lacre da bomba, bicos da
bomba, etc.;
• informações sobre valores agregados;
• energia elétrica;
• cartão de débito e crédito.

1.16.1. Registro 1010

Registro 1010 - Obrigatoriedade de Registros do Bloco 1

Este registro deverá ser apresentado por todos os contribuintes. Caso a resposta seja “S”, o
contribuinte está obrigado à apresentação do registro respectivo. Se houver dispensa de apresentação
do registro pela UF, a resposta para o campo específico do registro deverá ser “N”.

O conteúdo a ser preenchido neste registro é fator determinante do preenchimento dos demais
registros do Bloco 1.

Este registro se apresenta em forma de questionário e, à medida que a resposta seja “Sim”, os
registros respectivos do Bloco 1 passam a ser habilitados para preenchimento.

Digitadas as informações, o contribuinte/declarante deverá salvar para dar início ao preenchimento


dos demais registros e blocos iniciando pelo Bloco “0”.

1.16.2. Registros que compõem o Bloco 1


BLOCO DESCRIÇÃO REG. NÍVEL OCOR.

1 Abertura do Bloco 1 1001 1 1

1 Obrigatoriedade de registros do Bloco 1 1010 2 1

1 Registro de Informações sobre Exportação 1100 2 V

1 Documentos Fiscais de Exportação 1105 3 1:N

1 Operações de Exportação Indireta - Mercadorias de terceiros 1110 4 1:N

1 Controle de Créditos Fiscais - ICMS 1200 2 V

1 Utilização de Créditos Fiscais - ICMS 1210 3 1:N

1 Movimentação diária de combustíveis 1300 2 V

1 Movimentação diária de combustíveis por tanque 1310 3 1:N

1 Volume de vendas 1320 4 1:N

1 Bombas 1350 2 V
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 47

BLOCO DESCRIÇÃO REG. NÍVEL OCOR.

1 Lacres das bombas 1360 3 1:N

1 Bicos da bomba 1370 3 1:N

1 Controle de produção de Usina 1390 2 V

1 Produção diária da usina 1391 3 1:N

1 Informação sobre Valor Agregado 1400 2 V

1 Nota fiscal/Conta de energia elétrica (código 06) - Operações Interestaduais 1500 2 V

1 Itens do documento Nota fiscal/Conta de energia elétrica (código 06) 1510 3 1:N

1 Total das operações com cartão de crédito e/ou débito 1600 2 V

1 Documentos fiscais utilizados 1700 2 V

1 Documentos fiscais cancelados/inutilizados 1710 3 1:N

1 DCTA - Demonstrativo de crédito do ICMS sobre transporte aéreo 1800 2 1

1 Indicador de sub-apuração do ICMS 1900 2 V

1 Período da sub-apuração do ICMS 1910 3 1:N

1 Sub-apuração do ICMS 1920 4 1:1

1 Ajuste/benefício/incentivo da sub-apuração do ICMS 1921 5 1:N

1 Informações adicionais dos ajustes da sub-apuração do ICMS 1922 6 1:N

1 Informações adicionais dos ajustes da sub-apuração do ICMS - Identificação dos 1923 6 1N


documentos fiscais

1 Informações adicionais da sub-apuração do ICMS - Valores declaratórios 1925 5 1:N

1 Obrigações do ICMS a recolher - Operações referentes à sub-apuração do ICMS 1926 5 1:N

1 Encerramento do Bloco 1 1990 1 1

1.17. Bloco 9 - Encerramento da EFD

O Bloco 9 representa os totais de registros e serve como forma de controle para abatimentos e
verificações.

BLOCO DESCRIÇÃO REG. NÍVEL OCOR.


9 Abertura do Bloco 9 9001 1 1
9 Registros do Arquivo 9900 2 V
9 Encerramento do Bloco 9 9990 1 1
9 Encerramento do Arquivo Digital 9999 0 1

1.17.1. Registros que compõem o Bloco 9

Este Bloco será gerado automaticamente pelo programa, sendo apenas visualizado no TXT.

Assim, como primeiros passos, temos:


1º) o preenchimento do Nome do Declarante;
2º) o preenchimento do CNPJ ou CPF (ao escolher um deles o outro campo será desabilitado);
48 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

3º) identificação da UF;


4º) identificação do Código do Município;
5º) Inscrição Estadual;
6º) Inscrição Municipal (este campo é obrigatório condicional, ou seja, o seu não preenchimento
não gerará erro por ocasião da validação);
7º) Suframa (este campo é obrigatório condicional, ou seja, o seu não preenchimento não gerará
erro por ocasião da validação);
8º) Indicador de Atividade (aqui o contribuinte dirá se sua atividade enquadra-se como industrial
ou equiparado a industrial ou outra como atividade comercial ou mesmo prestação de serviço,
etc.).

Observação: nos próximos capítulos abordaremos com mais detalhes os Blocos 0, H e K.

1.18. ECD
A Escrituração Contábil Digital (ECD) é parte integrante do projeto Sped e tem por objetivo subs-
tituir a escrituração em papel pela escrituração transmitida via arquivo digital, dos seguintes livros:
a) Diário e seus auxiliares, se houver;
b) Razão e seus auxiliares, se houver;
c) Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos ne-
les transcritos.

Os livros contábeis devem ser assinados digitalmente, utilizando-se de certificado emitido por
entidade credenciada pela Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), a fim de garantir a
autoria, a autenticidade, a integridade e a validade jurídica do documento digital.

(Instrução Normativa RFB nº 1.774/2017, art. 2º)

1.18.1. Obrigatoriedade de entrega

Devem apresentar a Escrituração Contábil Digital (ECD) todas as pessoas jurídicas obrigadas a
manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial, inclusive as equiparadas, as imunes
e as isentas.

A Sociedade em Conta de Participação (SCP) enquadrada nas hipóteses de obrigatoriedade de


apresentação da ECD deve apresentá-la como livros próprios ou livros auxiliares do sócio ostensivo.

O empresário e a sociedade empresária que não estejam obrigados, para fins tributários, a apre-
sentar a ECD, podem apresentá-la, de forma facultativa, a fim de atender ao disposto no art. 1.179 da Lei
nº 10.406/2002 (Código Civil).

Notas
(1) Estão dispensadas da entrega da ECD:
a) as pessoas jurídicas optantes pelo Simples Nacional (veja Nota 2);
b) os órgãos públicos, as autarquias e às fundações públicas; e
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 49

c) as pessoas jurídicas inativas, assim consideradas aquelas que não tenham realizado, durante o ano-calendário, ativi-
dade operacional, não operacional, patrimonial ou financeira, inclusive aplicação no mercado financeiro ou de capitais
as quais devem cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação específica;
d) às pessoas jurídicas imunes e isentas que auferiram, no ano-calendário, receitas, doações, incentivos, subvenções,
contribuições, auxílios, convênios e ingressos assemelhados cuja soma seja inferior a R$ 1.200.000,00 ou ao valor pro-
porcional ao período a que se refere a escrituração contábil; e
e) às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido que não distribuíram, a título de lucro, sem incidência
do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), parcela de lucros ou dividendos superior ao valor da base de cálculo
do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), diminuída dos impostos e contribuições a que estiver sujeita (veja Nota 2).
(2) A dispensa da entrega da ECD nas hipóteses mencionadas nas letras “a” e “e” da Nota 1 não se aplica à microempresa
(ME) ou empresa de pequeno porte que tenha recebido aporte de capital na forma prevista nos arts. 61-A a 61-D da Lei
Complementar nº 123/2006 (investidor anjo).
(3) As empresas registradas em cartórios estão dispensadas da autenticação para fins fiscais, exclusivamente em rela-
ção aos tributos administrados pela RFB. No entanto, para fins do cumprimento da obrigação acessória, as empresas
sujeitas ao registro em cartório devem transmitir a ECD, via Sped Contábil. Posteriormente, a escrituração deve ser
autenticada por um módulo exclusivo, denominado “Módulo de Registro de Livros Fiscais para os Cartórios de Títulos e
Documentos e Pessoa Jurídica”. Isso porque os cartórios não possuem interface com os sistemas da RFB. Por isso, é ne-
cessário que a empresa registrada em cartório transmita o mesmo arquivo da ECD que foi transmitido ao Sped para os
cartórios, por meio do referido módulo. O software referente ao módulo pode ser acessado no site www.rtdbrasil.org.br.

(Instrução Normativa RFB nº 1.774/2017, art. 3º)

1.18.2. Prazo de entrega e penalidades

A ECD deve ser transmitida anualmente ao Sped até as 23h59min59s, horário de Brasília, do últi-
mo dia útil do mês de maio do ano seguinte ao ano-calendário a que se refira a escrituração.

Nos casos de extinção, cisão parcial, cisão total, fusão ou incorporação, a ECD deve ser entregue
pelas pessoas jurídicas extintas, cindidas, fusionadas, incorporadas e incorporadoras, até o último dia
útil do mês subsequente ao do evento, observando-se que:
a) a obrigatoriedade de entrega da ECD, na hipótese de incorporação, não se aplica à incorpo-
radora, nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o
mesmo controle societário desde o ano-calendário anterior ao do evento;
b) em relação aos eventos de extinção, cisão parcial, cisão total, fusão ou incorporação, ocorridos
de janeiro a abril do ano-calendário da entrega da ECD para situações normais, o prazo de
entrega da ECD encerra-se no último dia útil do mês de maio do ano de ocorrência.

A não apresentação da ECD no prazo fixado ou a apresentação com incorreções ou omissões


acarretará aplicação, ao infrator, das seguintes multas (Medida Provisória nº 2.158-35/2001, art. 57; Lei nº
12.873/2013, art. 57):
a) por apresentação extemporânea:
a.1) R$ 500,00 por mês-calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem
em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apre-
sentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional;
a.2) R$ 1.500,00 por mês-calendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas;
b) por não cumprimento à intimação da RFB para cumprir obrigação acessória ou para prestar
esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 por mês-calendário;
c) por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas:
50 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

c.1) 3%, não inferior a R$ 100,00, do valor das transações comerciais ou das operações finan-
ceiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável
tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta;
c.2) 1,5%, não inferior a R$ 50,00, do valor das transações comerciais ou das operações finan-
ceiras, próprias da pessoa física ou de terceiros em relação aos quais seja responsável
tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta.
(Instrução Normativa RFB nº 1.774/2017, art. 11)

1.18.3. Funcionalidades

A ECD deve ser gerada por meio do Programa Gerador de Escrituração (PGE), desenvolvido pela
RFB e disponibilizado na Internet, no endereço: http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/
declaracoes-e-demonstrativos/sped-sistema-publico-de-escrituracao-digital/escrituracao-contabil-di-
gital-ecd/escrituracao-contabil-digital-ecd.

O PGE dispõe das seguintes funcionalidades, a serem utilizadas no processamento da ECD:


a) validação do arquivo digital da escrituração: permite validar os arquivos de escrituração contá-
bil informados pelo usuário;
b) assinatura digital: permite assinar arquivos de escrituração contábil já validados;
c) gerenciamento de requerimento: permite gerenciar (gerar, visualizar, assinar, imprimir ou ex-
cluir) requerimentos de autenticação de livro digital referentes a escriturações contábeis vali-
dadas e assinadas;
d) transmissão da escrituração contábil: permite transmitir para o servidor do Sped-Contábil es-
criturações contábeis validadas, assinadas e que tenham requerimento de autenticação assi-
nado digitalmente. O programa utiliza o Receitanet (também disponível para download no site
da RFB) para efetuar a transmissão da escrituração contábil via Internet;
e) consulta à situação da escrituração: permite consultar a situação de escriturações contábeis
na base de dados do servidor do Sped Contábil e obter os arquivos de termos de autenticação
ou notificações de exigências/indeferimento, quando disponíveis;
f) exclusão de escrituração contábil: permite excluir escriturações contábeis da base de dados
do sistema;
g) cópia de segurança: permite gerar cópia de segurança de escriturações contábeis que cons-
tam na base de dados do sistema;
h) restauração de cópia de segurança: permite restaurar escriturações contábeis por meio de um
arquivo de cópia de segurança gerado anteriormente pelo sistema;
i) configuração da aplicação: permite alterar os parâmetros predeterminados do sistema;
j) ajuda: permite acesso ao conteúdo de ajuda do programa Sped Contábil;
k) sair: permite sair do programa Sped Contábil.

Nos tópicos a seguir, examinaremos algumas dessas funcionalidades.

1.18.4. Leiaute do PGE

O Ato Declaratório Executivo Cofis nº 83/2017 aprovou o Manual de Orientação do Leiaute da ECD
constante do seu Anexo Único, disponível na Internet, no Portal do Sped, no endereço: http://sped.rfb.
gov.br/pasta/show/1569.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 51

Na versão 3.X do PVA do Sped Contábil e alterações posteriores, o mapeamento para os planos de
contas referenciais é facultativo.

Desde o ano-calendário de 2014, o PGE do Sped Contábil adota os mesmos planos de contas refe-
renciais constantes no Manual de Orientação do Leiaute da ECF, em relação ao Balanço Patrimonial e a
Demonstração do Resultado do Exercício, respectivamente, nos Registros L100 e L300 (lucro real); P100
e P150 (lucro presumido); e U100 e U150 (imunes e isentas).

Na versão 3.X do PVA do Sped Contábil (desde 1º.07.2013):


a) a chave é o [HASH]. Portanto, a partir dessa versão, será possível, caso o atendimento da exi-
gência dependa de modificação do Número de Inscrição no Registro de Empresas na Junta
Comercial (Nire), efetuar a substituição da escrituração;
b) de acordo com o roteiro prático para substituição do livro digital, a partir da dessa versão, será
possível corrigir as informações no próprio PVA que possui a funcionalidade de edição de cam-
pos;
c) o mapeamento para o plano de contas referencial da RFB é facultativo.

Assim, até a versão 2.X do PVA do Sped Contábil, foi utilizado o leiaute 1. Já a partir da versão 3.X
e alterações posteriores do PVA do Sped Contábil, há um controle de versões. Portanto, será possível
utilizar o leiaute 1 e o leiaute 2, conforme a regra a seguir:

- leiaute 1: até o ano-calendário 2012;

- leiaute 2: ano-calendário de 2013;

- leiaute 3: ano-calendário de 2014;

- leiaute 4: ano-calendário de 2016;

- leiaute 5: ano-calendário 2016; e

- leiaute 6: a partir do ano-calendário de 2017.

1.18.5. Validação da escrituração digital

Esta função do programa permite verificar a consistência das informações existentes no arquivo
de escrituração contábil a ser validado. Primeiramente, é necessário indicar a localização do arquivo da
escrituração contábil a ser validado e, posteriormente, o sistema valida a estrutura, consistência e regras
contábeis. Ao final do processo de validação, o programa exibe um relatório de erros e advertências en-
contrados na escrituração contábil, se for o caso.

Para validar a escrituração contábil, deve ser feito o seguinte:


a) acesse o menu “Escrituração Contábil” e selecione a função “Validar Escrituração Contábil”.
Feito isso, será apresentada a tela “Validar Arquivo Contábil” para que se indique a localização
do arquivo de escrituração contábil a ser validado;
b) localize o arquivo a ser validado, digitando o caminho completo na caixa de texto “Arquivo” ou
utilize a tecla “Localizar” para indicar a referida localização;
c) clique no botão “Validar” para iniciar a operação ou no botão “Cancelar” para desistir da ope-
ração, será apresentada a tela de progresso da operação; a operação poderá ser cancelada a
qualquer momento, clicando no botão “cancelar”;
52 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

d) se, durante o processo de validação, o limite máximo de erros for atingido, o programa apre-
sentará uma tela de aviso, indicando que a validação será interrompida; os erros impedem a
validação do arquivo, enquanto que as advertências não;
e) finalizado o processamento, será exibido o relatório “Resultado da Validação”.

1.18.6. Tabelas de referência

Na validação dos arquivos que contêm escriturações contábeis digitais, são utilizadas as tabelas
externas, chamadas de tabelas de referência.

As tabelas de referência foram definidas com valores iniciais, os quais poderão sofrer atualizações
posteriores. A determinação de qual item utilizar será feita considerando-se a data final da escrituração
a ser validada.

Deverão ser mantidas versões das tabelas, sendo permitido ao usuário proceder a sua atualização
independentemente da alteração da versão do sistema. A última versão das tabelas conterá todos os
itens incluídos, excluídos ou alterados em versões anteriores, mantendo, assim, um histórico das alte-
rações.

I - Tabela de Relacionamentos

CÓDIGO DESCRIÇÃO

01 Matriz no exterior

02 Filial, inclusive agência ou dependência, no exterior

03 Coligada, inclusive equiparada

04 Controladora

05 Controlada (exceto subsidiária integral)

06 Subsidiária integral

07 Controlada em conjunto

08 Entidade de Propósito Específico (conforme definição da CVM)

09 Participante do conglomerado, conforme norma específica do órgão regulador, exceto as que se enqua-
drem nos tipos precedentes

10 Vinculadas (art. 23 da Lei nº 9.430/1996), exceto as que se enquadrem nos tipos precedentes

11 Localizada em país com tributação favorecida (art. 24 da Lei nº 9.430/1996), exceto as que se enquadrem
nos tipos precedentes

II - Tabela de Naturezas das Contas/Grupo de Contas

CÓDIGO DESCRIÇÃO

01 Contas de ativo

02 Contas de passivo

03 Patrimônio líquido

04 Contas de resultado
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 53

CÓDIGO DESCRIÇÃO

05 Contas de compensação

09 Outras

III - Tabela de Entidades Responsáveis pela Manutenção do Plano de Contas Referencial

CÓDIGO DESCRIÇÃO

10 Secretaria da Receita Federal (RFB)

20 Banco Central do Brasil (Bacen)

IV - Tabela de Instituições Responsáveis pela Administração do Cadastro das Entidades

CÓDIGO DESCRIÇÃO

00 Nenhuma Inscrição em Outras Entidades

01 Banco Central do Brasil

02 Superintendência de Seguros Privados (Susep)

03 Comissão de Valores Mobiliários (CVM)

04 Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)

AC Secretaria da Fazenda do Estado do Acre, ou equivalente

AL Secretaria da Fazenda de Alagoas, ou equivalente

AM Secretaria da Fazenda de Amazonas, ou equivalente

AP Secretaria da Fazenda do Amapá, ou equivalente

BA Secretaria da Fazenda da Bahia, ou equivalente

DF Secretaria da Fazenda do Distrito Federal, ou equivalente

CE Secretaria da Fazenda do Ceará, ou equivalente

ES Secretaria da Fazenda do Espírito Santo, ou equivalente

GO Secretaria da Fazenda de Goiás, ou equivalente

MA Secretaria da Fazenda do Maranhão, ou equivalente

MT Secretaria da Fazenda do Mato Grosso, ou equivalente

MS Secretaria da Fazenda do Mato Grosso do Sul, ou equivalente

MG Secretaria da Fazenda de Minas Gerais, ou equivalente

PA Secretaria da Fazenda do Pará, ou equivalente

PB Secretaria da Fazenda da Paraíba, ou equivalente

PE Secretaria da Fazenda de Pernambuco, ou equivalente

PR Secretaria da Fazenda do Paraná, ou equivalente

PI Secretaria da Fazenda do Piauí, ou equivalente

RJ Secretaria da Fazenda do Rio de Janeiro, ou equivalente

RN Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Norte, ou equivalente


54 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

CÓDIGO DESCRIÇÃO

RS Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, ou equivalente

RR Secretaria da Fazenda de Roraima, ou equivalente

RO Secretaria da Fazenda de Rondônia, ou equivalente

SC Secretaria da Fazenda de Santa Catarina, ou equivalente

SP Secretaria da Fazenda de São Paulo, ou equivalente

SE Secretaria da Fazenda de Sergipe, ou equivalente

TO Secretaria da Fazenda de Tocantins, ou equivalente

V - Tabela de Indicador de Situação Especial

CÓDIGO DESCRIÇÃO

0 Abertura

1 Cisão

2 Fusão

3 Incorporação

4 Extinção

5 Transformação

VI - Tabela de Qualificação do Assinante

CÓDIGO DESCRIÇÃO 1 DESCRIÇÃO 2

203 Diretor  

204 Conselheiro de Administração  

205 Administrador  

206 Administrador do Grupo  

207 Administrador de Sociedade Filiada  

220 Administrador Judicial - Pessoa Física  

222 Administrador Judicial - Pessoa Jurídica - Profissional Responsável  

223 Administrador Judicial/Gestor  

226 Gestor Judicial  

309 Procurador  

312 Inventariante  

313 Liquidante  

315 Interventor  
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 55

CÓDIGO DESCRIÇÃO 1 DESCRIÇÃO 2

801 Empresário  

900 Contabilista Contabilista

999 Outros  

VII - Tabela de Unidades da Federação

CÓDIGO DESCRIÇÃO CORRESPONDÊNCIA NO NIRE

AC Acre 12

AL Alagoas 27

AM Amazonas 13

AP Amapá 16

BA Bahia 29

DF Distrito Federal 53

CE Ceará 23

ES Espírito Santo 32

GO Goiás 52

MA Maranhão 21

MT Mato Grosso 51

MS Mato Grosso do Sul 54

MG Minas Gerais 31

PA Pará 15

PB Paraíba 25

PE Pernambuco 26

PR Paraná 41

PI Piauí 22

RJ Rio de Janeiro 33

RN Rio Grande do Norte 24

RS Rio Grande do Sul 43

RO Rondônia 11

RR Roraima 14

SC Santa Catarina 42

SP São Paulo 35

SE Sergipe 28

TO Tocantins 17

VIII - Planos de Contas Referenciais


56 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

O plano de contas referencial tem por finalidade estabelecer uma relação (de/para) entre as con-
tas analíticas do plano de contas da empresa e um plano de contas padrão.

A ECD adotou, desde o ano-calendário de 2014, os mesmos planos de contas referenciais cons-
tantes no Manual de Orientação do Leiaute da ECF, nos Registros L100, L300, P100, P150, U100 e U150.

IX - Tabelas do Registro

Código da Instituição Responsável pela Manutenção do Plano de Contas Referencial

CÓDIGO GRUPO/CONTA

1 PJ em Geral (L100A + L300A da ECF)

2 PJ em Geral - Lucro Presumido (P100 + P150 da ECF)

3 Financeiras (L100B + L300B da ECF)

4 Seguradoras (L100C + L300C da ECF)

5 Imunes e Isentas em Geral (U100A + U150A da ECF)

6 Financeiras - Imunes e Isentas (U100B + U150B da ECF)

7 Seguradoras - Imunes e Isentas (U100C + U150C da ECF)

8 Entidades Fechadas de Previdência Complementar (U100D + U150D da ECF)

9 Partidos Políticos (U100E + U150E da ECF) ECF

Veja, a seguir, exemplos das telas de validação da escrituração contábil:

I - Tela “Validar Arquivo Contábil”


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 57

II - Tela “Resultado da Validação”

1.18.7. Assinatura da escrituração contábil

O livro digital deve ser assinado por, no mínimo, 2 pessoas: a pessoa física que tiver poderes para
a prática de tal ato e o contabilista. Não existe limite para a quantidade de signatários, e as assinaturas
podem ser feitas em qualquer ordem.

Nessa etapa, a escrituração contábil já validada deve ser assinada digitalmente. Para assinar a
escrituração contábil, o CPF do(s) respectivo(s) signatário(s) deve estar identificado no Registro J930. O
processo de assinatura termina quando todos os signatários identificados no Registro J930 assinam a
escrituração.

Para iniciar o processo de assinatura da escrituração contábil já validado, deve ser acessado da
seguinte forma:
a) clique no ícone “ASSINAR”;
b) será apresentada a tela “Selecionar Assinante”, na qual o usuário deverá selecionar, na lista
apresentada, qual a pessoa que assinará o arquivo e clicar no botão “OK” para iniciar a opera-
ção ou no botão “Cancelar” para desistir;
c) na tela “Lista de Certificados”, selecione o certificado que será utilizado para a assinatura
digital. Caso não existam certificados, será exibida a mensagem: “Nenhum certificado com
as características necessárias foi encontrado. Para assinar a escrituração contábil o certifi-
cado precisa ser A3, pertencer à ICP-Brasil e o CPF do certificado deverá ser igual ao CPF
do respectivo signatário.” Clique no botão “OK” para prosseguir ou no botão “Cancelar” para
desistir;
58 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

d) será exibida a tela para a digitação da senha do certificado. Se, no arquivo de ECD (Registro
J930), foi informado que mais de uma pessoa assinará a escrituração, o programa apresenta-
rá a tela “Aviso”, com a seguinte mensagem: “O arquivo de escrituração não está totalmente
assinado. Deseja realizar a outra assinatura?” Clique em “Não” para não inserir a próxima assi-
natura. Caso o botão “Sim” seja selecionado, o programa repetirá os passos descritos anterior-
mente, até a última assinatura necessária;
e) ao final, será apresentada a mensagem “Escrituração assinada com sucesso”.

1.18.8. Gerenciar requerimento

É o processo que permite gerar o requerimento para escriturações de empresas. Nesta versão, é
possível enviar tanto escriturações de empresas que possuem registro na Junta Comercial como tam-
bém de empresas que não possuem tal registro (não possuem Nire).

Os tipos de requerimento possíveis de serem gerados são:

1 - original com Nire;

2 - original sem Nire;

3 - substituta da escrituração com Nire;

4 - substituta da escrituração sem Nire;

5 - substituta da escrituração com troca de Nire.

Para iniciar o processo, clique no ícone “GERENCIAR”:

A seguir, é apresentado o Requerimento de Autenticação de Livro Digital. Preencha os campos


solicitados e clique em “Avançar”.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 59

I - Tela de Requerimento de Autenticação de Livro Digital

Em seguida, é solicitada a assinatura digital do assinante do requerimento. Selecione a qualifica-


ção do assinante do requerimento.

II - Tela de seleção da qualificação do assinante do requerimento

Clique em assinar.

II - Tela da assinatura digital

Na tela “Lista de Certificados” que será aberta, selecione o certificado que será utilizado para a
assinatura digital. Caso não existam certificados, será exibida a mensagem: “Nenhum certificado com
as características necessárias foi encontrado. Para assinar a escrituração contábil o certificado precisa
ser A3, pertencer à ICP-Brasil e o CPF do certificado deverá ser igual ao CPF do respectivo signatário.”
Clique no botão “OK” para prosseguir ou no botão “Cancelar” para desistir.

Será exibida a tela para a digitação da senha do certificado.

Caso a assinatura seja feita com sucesso, a mensagem a seguir será exibida. Clique em “OK” para
retornar à tela “Passo a Passo” a fim de continuar a próxima etapa do processo.

Veja, a seguir, o exemplo da tela de transmissão da escrituração.

Essa função permite transmitir a ECD para o Sped Contábil. O programa utiliza o Receitanet para
efetuar a transmissão da Escrituração Contábil via Internet. O usuário deverá fazer download e instalar
a versão atualizada do Receitanet disponível no site da RFB, www.receita.fazenda.gov.br. Somente será
transmitida a escrituração que estiver com todas as assinaturas eletrônicas necessárias e para a qual
tenha sido gerado o requerimento correspondente.

1.18.9. Requerimento

Possibilita a visualização e impressão do requerimento de autenticação (ou substituição de livro


não autenticado) dirigido ao órgão de registro do comércio que jurisdiciona o requerente.
60 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Caso o requerimento ainda não esteja assinado, será possível fazê-lo clicando no botão “Assinar”.

Para excluir o requerimento visualizado e produzir um novo requerimento, utilize o botão “Excluir
Requerimento”.

É possível, ainda, imprimir o requerimento utilizando o botão “Imprimir”.

1.18.10. Consultar a situação da escrituração contábil

Esta função permite consultar o status da escrituração transmitida para a base do Sped.

Possibilita a visualização do Termo de Autenticação, da Notificação de Exigências ou da Notifica-


ção de Indeferimento.

Ao clicar em “Consultar Situação/Situação de Escrituração”, o processo de consulta é iniciado.

Em seguida, é retornado relatório informando o status da escrituração.

I - Tela Situação do arquivo da escrituração

Se a escrituração ainda não foi transmitida, o relatório informa que a escrituração visualizada não
se encontra na base de dados do Sped.

Se a escrituração foi transmitida, as seguintes situações podem ocorrer:


a) em análise;
b) em exigência;
c) autenticado;
d) substituído;
e) recebido;
f) recebido parcialmente;
g) aguardando processamento;
h) aguardando pagamento.

Conforme o status da escrituração, ao consultar-se sua situação, serão “baixados” os termos de


autenticação, de notificação de exigências de notificação de indeferimento.

Os termos e as situações supraelencados só são possíveis para as escriturações que possuem


Nire, isto é, com cadastro na Junta Comercial.

1.18.11. Editar escrituração

Essa função permite a alteração da escrituração que ainda não foi transmitida. Contudo, esta al-
teração implica o reinício de todo o processo, ou seja, a escrituração voltará para a etapa de validação.
Ao clicar em “Editar Escrituração”, o aviso a seguir é emitido. Clique em “Sim” para habilitar a alteração
da escrituração.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 61

1.18.12. Substituição de ECD transmitida

A ECD autenticada somente pode ser substituída caso contenha erros que não possam ser corri-
gidos por meio de lançamento contábil extemporâneo, conforme previsto nos itens 31 a 36 da Interpre-
tação Técnica Geral (ITG) 2000 (R1) - Escrituração Contábil, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC).

Na hipótese de substituição da ECD, sua autenticação será cancelada e deverá ser apresentada
ECD substituta, à qual deve ser anexado o Termo de Verificação para Fins de Substituição que passará
a integrá-la, o qual deve conter:

a) a identificação da escrituração substituída;

b) a descrição pormenorizada dos erros;

c) a identificação clara e precisa dos registros com erros, exceto quando estes decorrerem de
erro já descrito;

d) autorização expressa para acesso às informações pertinentes às modificações por parte do


Conselho Federal de Contabilidade (CFC); e

e) a descrição dos procedimentos pré-acordados executados pelos auditores independentes


quando estes julgarem necessário.

O Termo de Verificação para Fins de Substituição deve ser assinado pelo profissional da contabi-
lidade que assina os livros contábeis substitutos e, no caso de demonstrações contábeis auditadas por
auditor independente, também por este.

O profissional da contabilidade que não assina a escrituração poderá manifestar-se no Termo de


Verificação para Fins de Substituição, desde que essa manifestação se restrinja às modificações nele
relatadas.

A ECD somente pode ser substituída até o fim do prazo de entrega da escrituração relativa ao
ano-calendário subsequente.

São nulas as alterações efetuadas em desacordo com este artigo ou com o Termo de Verificação
para Fins de Substituição.
62 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Roteiro prático para substituição do livro digital (Para ECD com Nire ou sem Nire)

1º Se o arquivo é o que foi assinado, remova a assinatura. A assinatura é um conjunto de caracteres


“estranhos” que fica após o Registro 9999. Apague tudo que fica após tal registro, editando a
escrituração com algum editor de texto do tipo “Bloco de Notas”.

2º No Registro 0000, campo IND_FIN_ESC, defina que a ECD é “Substituta”.

3º No Registro 0000, campo COD_HASH_SUB, identifique o HASH (código de 40 caracteres hexa-


decimais) da ECD a ser substituída.

4º Corrija as demais informações no próprio editor de texto do tipo “Bloco de Notas” ou no PVA do
Sped Contábil. Se for utilizar o PVA do Sped Contábil, importe o arquivo sem assinatura para o
PVA.

5º Valide o livro no PVA do Sped Contábil utilizando a funcionalidade “Arquivo/Escrituração Contá-


bil/Validar Escrituração Contábil”.

6º Assine.

7º Transmita. Essa função permite a alteração da escrituração que ainda não foi transmitida. Con-
tudo, essa alteração implica o reinício de todo o processo, ou seja, a escrituração voltará para a
etapa de validação. Ao clicar em “Editar Escrituração”, o aviso a seguir é emitido. Clique em “Sim”
para habilitar a alteração da escrituração.

(Decreto nº 8.683/2016; Instrução Normativa RFB nº 1.774/2017, art. 7º; Manual de Orientação do Leiaute da
ECD, pág. 12, aprovado pelo Ato Declaratório Executivo Cofis nº 83/2017)

1.19. Certificação digital

1.19.1. Breve conceito da certificação digital

Com a informatização cada vez mais globalizada, tendo seu maior avanço nas comunicações, em
que os computadores e a Internet estão envolvidos nesta troca de informações, desde meras mensa-
gens, passando por troca e apresentações de documentos e seguindo além das transações financeiras
por este meio eletrônico, para tais procedimentos, se fazem necessários mecanismos de segurança,
que permitam garantir a autenticidade, a confidencialidade e a integridade às referidas informações/
operações. A certificação digital é a tecnologia que promove esses recursos.

Esse processo consiste basicamente em habilitar o transmissor de uma informação, mediante sua
certificação, que é a sua chave privada, e ter sua mensagem criptografada, isto é, codificada no padrão
da chave pública reconhecível pelo destinatário, que, por sua vez, com a sua chave privada tenha condi-
ções de desfazer a codificação, de forma que lhe permita apenas a leitura desta informação, sem poder
alterá-la.

1.19.2. Surge a certificação digital

A Medida Provisória nº 2.200-2/2001 define as regras para a criação da ICP-Brasil e da Declaração


de Prática de Certificação (DPC), bem como a utilização de certificados digitais no Brasil, aspectos
legais e aspectos necessários para uma entidade se tornar uma Autoridade Certificadora (AC) interme-
diária e, assim, emitir certificados digitais para outras entidades, garantindo autenticidade, integridade,
aceitação e validade jurídica de trâmites eletrônicos realizadas por essas entidades.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 63

Um certificado digital é um arquivo de computador que contém um conjunto de informações refe-


rentes à entidade para o qual o certificado foi emitido (seja uma empresa, pessoa física ou computador),
mais a chave pública referente à chave privada, que se acredita ser de posse unicamente da entidade
especificada no certificado.

1.19.3. Empresas fornecedoras de certificação digital

Normalmente, um certificado digital é usado para ligar uma entidade a uma chave pública. Para
garantir digitalmente, no caso de uma Infraestrutura de Chaves Públicas (ICP), o certificado é assinado
pela AC que o emitiu e, no caso de um modelo de Teia de Confiança (Web of trust) como o PGP (abre-
viação da expressão inglesa Pretty Good Privacy, significando algo como “Privacidade Bastante Boa”,
sendo este PGP um programa de computador desenvolvido por Phil Zimmermann, em 1991, que utiliza
criptografia para proteger a privacidade do e-mail e dos arquivos guardados no computador do usuário),
o certificado é assinado pela própria entidade e por outras que dizem confiar naquela entidade. Em am-
bos os casos, as assinaturas contidas em um certificado são atestamentos feitos por uma entidade que
diz confiar nos dados contidos naquele certificado.

Para que possam ser aceitos e utilizados por pessoas, empresas e Governos, os certificados di-
gitais precisam ser emitidos por entidades apropriadas. Sendo assim, o 1º passo é procurar uma AC ou
uma Autoridade de Registro (AR) para obter um certificado digital. Uma AC tem a função de associar
uma identidade a uma chave e “inserir” esses dados em um certificado digital. Para tanto, o solicitante
deve fornecer documentos que comprovem sua identificação. Quanto à AR, sua função é de intermedia-
ção, uma vez que ela pode solicitar certificados digitais a uma AC, mas não pode emitir esse documento
diretamente.

A ICP-Brasil atende a um conjunto de políticas, técnicas e procedimentos para que a certificação


digital tenha amparo legal e forneça benefícios reais à sua população. Ela trabalha com uma hierarquia
em que a Autoridade Certificadora Raiz (AC Raiz), isto é, a instituição que gera as chaves das AC e que
regulamenta as atividades de cada uma, é o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), site
www.iti.gov.br.

A ICP-Brasil possui, até a data da edição deste Guia, nove AC credenciadas, quais sejam:

- Serpro;

- Caixa Econômica Federal;

- Serasa;

- Receita Federal;

- Certisign;

- Imprensa Oficial;

- AC-JUS (Autoridade Certificadora da Justiça);

- ACPR (Autoridade Certificadora da Presidência da República);

- Casa da Moeda do Brasil;

- Valid Certificadora Digital;


64 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

- Soluti Certificação Digital;

- AC Digital Sign;

- AC Boa Vista; e

- Ministério das Relações Exteriores.

São essas instituições que devem ser procuradas por quem deseja obter certificado digital legal-
mente reconhecido no Brasil. Note que cada uma dessas entidades pode ter critérios distintos para
a emissão de certificados, o que inclusive resulta em preços diferentes, portanto, é conveniente ao
interessado saber qual AC é mais adequada às suas atividades. Observe também que essas entidades
podem ter AC “secundárias” ou AR ligadas a elas.

A Autoridade Certificadora Raiz da ICP-Brasil é a 1ª autoridade da cadeia de certificação. É execu-


tora das políticas de certificados e normas técnicas e operacionais aprovadas pelo Comitê Gestor da
ICP-Brasil. Portanto, compete à AC Raiz emitir, expedir, distribuir, revogar e gerenciar os certificados das
autoridades certificadoras de nível imediatamente subsequente ao seu.

A AC Raiz também está encarregada de emitir a lista de certificados revogados e de fiscalizar e au-
ditar as autoridades certificadoras, autoridades de registro e demais prestadores de serviço habilitados
na ICP-Brasil. Além disso, verifica se as AC estão atuando em conformidade com as diretrizes e normas
técnicas estabelecidas pelo comitê gestor.

O Serpro foi a 1ª AC credenciada pela ICP-Brasil. A empresa busca desde a criação de seu Centro
de Certificação Digital (CCD), em 1999, divulgar o uso dessa tecnologia para os vários segmentos com
que trabalha.

A Caixa Econômica Federal - atualmente única instituição financeira credenciada como AC ICP-
-Brasil - utiliza, desde 1999, a tecnologia de certificação digital para prover a comunicação segura na
transferência de informações referentes ao FGTS e à Previdência Social, dentro do projeto Conectivida-
de Social.

Para a Serasa, a tecnologia de certificação digital é o instrumento que viabiliza a inserção dos
diversos agentes econômicos e cidadãos brasileiros em uma sociedade digital. A Serasa fornece a se-
gurança dos certificados digitais para quase todos os grupos financeiros participantes do Sistema de
Pagamentos Brasileiro (SPB).

A Receita Federal do Brasil (RFB) disponibiliza uma grande quantidade de serviços na Web, com
o objetivo de simplificar ao máximo a vida dos contribuintes e facilitar o cumprimento espontâneo das
obrigações tributárias. Por meio do serviço Receita 222, a RFB presta atendimento aos contribuintes de
forma interativa, pela Internet, com uso de certificados digitais, garantindo a identificação inequívoca
dos usuários.

Com o apoio da Certisign, empresa fundada em 1996 com foco exclusivamente no desenvolvi-
mento de soluções de certificação digital para o mercado brasileiro, importantes instituições vêm ado-
tando a tecnologia nas mais diversas formas.

A Imprensa Oficial é a AC Oficial do Estado de São Paulo e está credenciada e preparada para
oferecer produtos e serviços de certificação digital para os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário,
incluindo todas as esferas da administração pública, direta e indireta, nos âmbitos federal, estadual e
municipal.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 65

A Autoridade Certificadora da Justiça (AC-JUS) é gerenciada por um comitê gestor que, a partir de
outubro de 2005, é composto por representantes do STF, STJ, TST, TSE, STM, CNJ, CJF e CSJT. Trata-se
da 1ª AC do Poder Judiciário no mundo. Sua implementação possibilitou a definição de regras e perfis de
certificados, específicos para aplicações do Judiciário e resulta da necessidade crescente de transpor a
mesma credibilidade e segurança existentes hoje no “mundo do papel” para o “mundo digital”.

A Autoridade Certificadora da Presidência da República (ACPR) foi criada em abril/2002, por uma
iniciativa da Casa Civil, no âmbito do Governo Eletrônico (e-Gov), e tem como objetivo emitir e gerir
certificados digitais das autoridades da Presidência da República, ministros de estado, secretários-exe-
cutivos e assessores jurídicos que se relacionem com a Presidência da República.

A Autoridade Certificadora da Casa da Moeda do Brasil (AC CMB) é a mais nova AC credenciada
à ICP-Brasil. Com mais de 300 anos de existência, a Casa da Moeda do Brasil é uma das mais antigas
instituições públicas brasileiras. Possui uma tradicional atuação na produção de formulários seguros e,
ao entrar na era da segurança eletrônica de documentos, consolida o objetivo de modernização de sua
estrutura produtiva e administrativa, bem como se habilita para atender ao mercado de segurança na
era virtual.

1.19.4. Da segurança do certificado

O Certificado Digital da ICP-Brasil, além de personificar o cidadão na rede mundial de computa-


dores, garante, por força da legislação atual, validade jurídica aos atos praticados com seu uso. A cer-
tificação digital é uma ferramenta que permite que aplicações, como comércio eletrônico, assinatura
de contratos, operações bancárias, iniciativas do e-Gov, entre outras, sejam realizadas. São transações
feitas de forma virtual, ou seja, sem a presença física do interessado, mas que demandam identificação
inequívoca da pessoa que a está realizando pela Internet.

Tecnicamente, o certificado é um documento eletrônico que, por meio de procedimentos lógicos


e matemáticos, asseguram a integridade das informações e a autoria das transações. Esse documento
eletrônico é gerado e assinado por uma terceira parte confiável, ou seja, uma AC que, seguindo regras
emitidas pelo Comitê Gestor da ICP-Brasil e auditada pelo ITI, associa uma entidade (pessoa, processo,
servidor) a um par de chaves criptográficas.

Os certificados contêm os dados de seu titular, tais como: nome, número do registro civil, assina-
tura da AC que o emitiu, entre outros, conforme detalhado na política de segurança de cada AC.

A troca de chaves simétricas (codificações idênticas) entre o emissor e o receptor de uma deter-
minada informação segura tornou-se impraticável, pois a possibilidade de interceptação e alteração,
podendo até ocasionar fraudes nesta é enorme no universo da Internet. Sendo assim, a criptografia de
chaves públicas torna-se essencial para solucionar este problema.

Para ilustrarmos um pouco mais sobre a segurança de um certificado digital, descrevemos um


breve esclarecimento histórico e técnico sobre o desenvolvimento desse mecanismo.

Existem diversos métodos para assinar digitalmente documentos, e esses métodos estão em
constante evolução. Porém, de maneira resumida, uma assinatura típica envolve 2 processos criptográ-
ficos: o hash (resumo) e a encriptação deste hash.

Em um 1º momento, é gerado um resumo criptográfico da mensagem por algoritmos complexos


que reduzem qualquer mensagem sempre a um resumo de mesmo tamanho. A este resumo criptográ-
fico se dá o nome de hash. Uma função de hash deve apresentar necessariamente as seguintes carac-
terísticas:
66 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

• deve ser impossível encontrar a mensagem original a partir do hash da mensagem;


• o hash deve parecer aleatório, mesmo que o algoritmo seja conhecido. Uma função de hash é
dita forte se a mudança de um bit na mensagem original resulta em um novo hash totalmente
diferente;
• deve ser impossível encontrar 2 mensagens diferentes que levam a um mesmo hash.

Neste ponto, não é preciso muito esforço para perceber um problema: se as mensagens possíveis
são infinitas, mas o tamanho do hash é fixo, é certo que mensagens diferentes levem a um mesmo hash.
De fato, isso ocorre. Quando se encontram mensagens diferentes com hashes iguais, é dito que foi en-
contrada uma colisão de hashes. Um algoritmo onde isso foi obtido deve ser abandonado. As funções
de hash estão em constante evolução para evitar que colisões sejam obtidas. Cabe destacar, porém,
que a colisão mais simples de encontrar é uma aleatória, ou seja, obter colisões com 2 mensagens ge-
radas aleatoriamente, sem significado real. Quando isso ocorre, os estudiosos de criptografia já ficam
atentos, contudo, para comprometer de maneira imediata a assinatura digital seria necessário obter
uma mensagem adulterada que tenha o mesmo hash de uma mensagem original fixa, o que é teorica-
mente impossível de ocorrer com os algoritmos existentes hoje. Dessa forma, garante-se a integridade
da assinatura.

Depois de gerar o hash, ele deve ser criptografado por um sistema de chave pública, para garantir
a autenticação e a irretratabilidade. O autor da mensagem deve usar sua chave privada para assinar a
mensagem e armazenar o hash criptografado com a mensagem original.

Para verificar a autenticidade do documento, deve ser gerado um novo resumo a partir da mensa-
gem que está armazenada, e este novo resumo deve ser comparado com a assinatura digital. Para isso, é
necessário descriptografar a assinatura obtendo o hash original. Se ele for igual ao hash recém-gerado,
a mensagem estará íntegra. Além da assinatura, existe o selo cronológico que atesta a referência de
tempo à assinatura, e, assim, o ciclo da segurança estará concluído.

Nos manuais de integração do contribuinte emitente de NF-e, em que são determinados os pa-
drões técnicos de comunicação, entre o emitente e a entidade autorizadora da utilização do documento
eletrônico até o destinatário, constam os critérios de verificação do certificado digital do solicitante.
Estão eles reproduzidos com adaptações necessárias, na sequência.

1.19.5. Padrão de certificado digital

O certificado digital utilizado é emitido por AC credenciada (vejam tópico específico sobre essas
entidades) pela ICP-Brasil, tipo A1 ou A3, devendo conter o CNPJ da pessoa jurídica titular do certificado
digital no campo otherName OID = 2.16.76.1.3.3.

1.19.6. Validação de assinatura digital pela Secretaria de Fazenda Estadual

Para a validação da assinatura digital, seguem as regras que são adotadas pelas Secretarias de
Fazenda Estaduais:
1) extrair a chave pública do certificado;
2) verificar o prazo de validade do certificado utilizado;
3) montar e validar a cadeia de confiança dos certificados legitimando também a Lista de Certi-
ficados Revogados (LCR) de cada certificado da cadeia;
4) validar o uso da chave utilizada (assinatura digital) de tal forma a aceitar certificados somente
do tipo A (não serão aceitos certificados do tipo S);
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 67

5) garantir que o certificado utilizado é de um usuário final e não de uma AC;


6) adotar as regras definidas pelo RFC 3280 para as LCR e cadeia de confiança;
7) validar a integridade de todas as LCR utilizadas pelo sistema;
8) prazo de validade de cada LCR utilizada (verificar data inicial e final).

A forma de conferência da LCR fica a critério de cada Secretaria de Fazenda Estadual, podendo
ser feita de 2 maneiras: online ou download periódico. As assinaturas digitais das mensagens serão
verificadas considerando a lista de certificados revogados disponível no momento da conferência da
assinatura.

1.19.7. Tipos de certificados da ICP-Brasil

Inicialmente, cabe salientar que as empresas que optarem pela utilização do certificado digital na
versão A3 devem questionar a entidade certificadora que fornecê-lo se este já foi testado nos programas
validadores, pois foram detectadas diversas rejeições com este tipo de certificado.

A ICP-Brasil oferece 2 categorias de certificados digitais, A e S, e cada uma se divide em 4 tipos:


A1, A2, A3 e A4; S1, S2, S3 e S4. A categoria A é direcionada para fins de identificação e autenticação,
enquanto a do tipo S é direcionada a atividades sigilosas. Veja as características que tornam as versões
de ambas as categorias diferentes entre si:

A1 e S1: a geração das chaves é feita por software; chaves de tamanho mínimo de 1024 bits; arma-
zenamento em dispositivo de armazenamento (como um HD); validade máxima de 1 ano;

A2 e S2: a geração das chaves é feita por software; chaves de tamanho mínimo de 1024 bits; arma-
zenamento em cartão inteligente (com chip) ou token (dispositivo semelhante a um pen drive); validade
máxima de 2 anos;

A3 e S3: a geração das chaves é feita por hardware; chaves de tamanho mínimo de 1024 bits; arma-
zenamento em cartão inteligente ou token; validade máxima de 3 anos;

A4 e S4: a geração das chaves é feita por hardware; chaves de tamanho mínimo de 2048 bits; arma-
zenamento em cartão inteligente ou token; validade máxima de 3 anos.

Os certificados A1 e A3 são os mais utilizados para assinatura da EFD. O primeiro (A1) é geralmente
armazenado no computador do solicitante, enquanto o segundo (A3) é guardado em cartões inteligen-
tes (smart cards) ou tokens protegidos por senha.

1.19.8. e-CPF e e-CNPJ

No Brasil, a certificação digital partiu para uma iniciativa relevante, sendo elas: o e-CPF e o
e-CNPJ. O primeiro é, essencialmente, um certificado digital direcionado a pessoas físicas, sendo uma
espécie de extensão do CPF, enquanto o segundo é um certificado digital que se destina a empresas ou
entidades, de igual forma, sendo um tipo de extensão do CNPJ.

Ao adquirir um e-CPF, uma pessoa tem acesso pela Internet a diversos serviços da Receita Fede-
ral, muitos dos quais, até então, disponíveis apenas em postos de atendimento da instituição. É possível,
por exemplo, transmitir declarações de Imposto de Renda de maneira mais segura, consultar detalhes
das declarações, pesquisar a situação fiscal, corrigir erros de pagamentos, entre outros. No caso do e-
-CNPJ, os benefícios são semelhantes.
68 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

O e-CPF e o e-CNPJ estão disponíveis nos tipos A1 e A3. As imagens a seguir mostram os modelos
dos cartões inteligentes (tipo A3) para esses certificados.

O e-CNPJ é o documento de identificação pelo qual a empresa é reconhecida na Internet.

Com ele, o representante pode acessar os serviços da Receita Federal, assinar documentos ele-
trônicos com validade jurídica e autenticar-se em sites.

Na Receita Federal, o representante realiza serviços online para sua empresa, como:
• envio da ECF e DCTF, entre outros;
• serviços online da Receita Federal (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte);
• procuração eletrônica para seu contador, entre outros.

O e-CNPJ deve ser emitido em nome do representante legal da empresa na Receita Federal. Pode
ser utilizado também para assinatura das NF-e, caso este seja responsável.

1.19.9. Benefícios do e-CNPJ


• Acesso serviços online da Receita Federal;
• desburocratização de processos;
• autenticação na Internet com segurança;
• redução de custos.

O e-CPF é o documento de identificação da pessoa física na Internet.


Com ele, a pessoa poderá acessar os serviços da Receita Federal, assinar documentos eletrônicos
com validade jurídica e autenticar-se em sites.

Na Receita Federal, com o e-CPF, com exceção da emissão da NF-e, é possível o representante
legal da empresa realizar também operações da pessoa jurídica, como:
• entrega da DCTF;
• acessar serviços online (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte);
• Siscomex (operações relacionadas a comércio exterior);
• procuração eletrônica para seu contador;
• escrituração digital (Sped Contábil - e-CPF A3), entre outros.
O Poder Judiciário e áreas como saúde e educação também são exemplos de segmentos que já
utilizam a certificação digital em suas atividades.

1.19.10. Benefícios do e-CPF

Os benefícios do e-CPF ao acesso a diversas aplicações, como os serviços da Receita Federal,


tanto da pessoa física quanto da pessoa jurídica, são:
• economia de tempo;
• desburocratização de processos;
• autenticação na Internet com segurança;
• redução de custos.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 69

1.19.11. Responsável pelo certificado


Neste processo, existem organizações responsáveis diretamente pelo processo de certificação
e outras com responsabilidade subsidiária, por estarem ligadas por uma estrutura hierarquicamente
formada.

1.19.11.1. Instituto Nacional de Tecnologia da Informação


O Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) é uma autarquia federal vinculada à Casa
Civil da Presidência da República, cujo objetivo é manter a ICP-Brasil, sendo a 1ª autoridade da cadeia
de certificação, ou seja, a AC Raiz.

A Medida Provisória nº 2.200-2/2001 deu início à implantação do Sistema Nacional de Certificação


Digital da ICP-Brasil. Isso significa que o Brasil possui uma infraestrutura pública, mantida e auditada
por um órgão público, no caso, o ITI, que segue regras de funcionamento estabelecidas pelo Comitê
Gestor da ICP-Brasil, cujos membros são nomeados pelo Presidente da República, entre representantes
dos poderes da República, bem como de segmentos da sociedade e da academia, como forma de dar
estabilidade, transparência e confiabilidade ao sistema.

1.19.11.2. ICP-Brasil
A ICP-Brasil é uma cadeia hierárquica e de confiança que viabiliza a emissão de certificados digi-
tais para identificação do cidadão quando este estiver transacionando no meio virtual, como a Internet.

Observa-se que o modelo adotado pelo Brasil foi o de certificação com raiz única, e o ITI, além de
desempenhar o papel de AC Raiz, também tem o papel de credenciar e descredenciar os demais parti-
cipantes da cadeia, supervisionar e fazer auditoria dos processos.

1.19.11.3. AC Raiz
A AC Raiz da ICP-Brasil é a 1ª autoridade da cadeia de certificação. Executa as políticas de cer-
tificados e as normas técnicas e operacionais aprovadas pelo Comitê Gestor da ICP-Brasil. Portanto,
compete à AC Raiz emitir, expedir, distribuir, revogar e gerenciar os certificados das AC de nível imedia-
tamente subsequente ao seu.

A AC-Raiz também está encarregada de emitir a lista de certificados revogados e de fiscalizar e


auditar as AC, autoridades de registro e demais prestadores de serviço habilitados na ICP-Brasil. Além
disso, verifica se as AC estão atuando em conformidade com as diretrizes e normas técnicas estabele-
cidas pelo comitê gestor.

1.19.11.4. AC
Uma AC é uma entidade, pública ou privada, subordinada à hierarquia da ICP-Brasil, responsável
por emitir, distribuir, renovar, revogar e gerenciar certificados digitais. Desempenha como função essen-
cial a responsabilidade de verificar se o titular do certificado possui a chave privada que corresponde
à chave pública que faz parte do certificado. Cria e assina digitalmente o certificado do assinante que,
emitido pela AC, representa a declaração da identidade do titular, que possui um par único de chaves
(pública/privada).

Cabe também à AC emitir listas de Certificados Revogados (LCR) e manter registros de suas ope-
rações, sempre obedecendo às práticas definidas na DPC, além de estabelecer e fazer cumprir, pelas
70 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

autoridades registradoras a ela vinculadas, as políticas de segurança necessárias para garantir a auten-
ticidade da identificação feita.

1.19.11.5. AR

A AR é a entidade responsável pela interface entre o usuário e a AC. Vinculada a uma AC, tem por
objetivo o recebimento, a validação, o encaminhamento de solicitações de emissão ou revogação de
certificados digitais às AC e a identificação, de forma presencial, de seus solicitantes. É responsabilida-
de da AR manter registros de suas operações. Pode estar fisicamente localizada em uma AC ou ser uma
entidade de registro remota.

1.19.12. Quem pode adquirir um certificado e como fazê-lo?

O certificado, na prática, equivale a uma carteira de identidade virtual ao permitir a identificação


de uma pessoa no meio digital/eletrônico por ocasião do envio de uma mensagem ou em alguma tran-
sação pela rede mundial de computadores que necessite de validade legal e identificação inequívoca.
Um certificado digital contém dados de seu titular, tais como: nome, identidade civil, e-mail, nome e as-
sinatura da AC que o emitiu, entre outras informações. É importante saber que essa tecnologia confere
a mesma validade jurídica ao documento assinado digitalmente do equivalente em papel assinado de
próprio punho.

Conforme consta no parágrafo anterior, o certificado digital poderá ser adquirido tanto por pessoa
física quanto por pessoa jurídica.

No site do ITI, constam orientações para solicitação do certificado digital, inclusive nas diversas
modalidades em que este poderá ser utilizado, seja na esfera federal, estadual ou municipal.

1.19.13. Como obter o certificado digital?

Para a obtenção do certificado digital, o interessado deve observar os seguintes procedimentos:

1) escolher uma AC (veja titulo específico) da ICP-Brasil;

2) solicitar, no próprio portal da Internet da AC escolhida, a emissão de certificado digital de


pessoa física (ex.: e-CPF) e/ou jurídica (ex.: e-CNPJ). Os tipos mais comercializados são: A1 (va-
lidade de 1 ano - armazenado no computador) e A3 (validade de até 3 anos - armazenado em
cartão ou token criptográfico). A AC também pode informar sobre aplicações, custos, formas
de pagamento, equipamentos, documentos necessários e demais exigências;

3) para a emissão de um certificado digital é necessário que o solicitante se dirija a uma AR da


AC escolhida para validar os dados preenchidos na solicitação. Esse processo é chamado de
validação presencial e será agendado diretamente com a AR que instruirá o solicitante sobre
os documentos necessários. Quem escolher o certificado tipo A3 poderá receber na própria
AR o cartão ou token com o certificado digital;

4) a AC e/ou AR notificará o cliente sobre os procedimentos para baixar o certificado;

5) quando o seu certificado digital estiver perto do vencimento, esse poderá ser renovado eletro-
nicamente, uma única vez, sem a necessidade de uma nova validação presencial.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 71

1.19.14. Onde poderá ser usado o certificado digital, além da assinatura da EFD?

Os exemplos de uso da certificação digital são múltiplos, tanto na esfera governamental como na
privada. A seguir, alguns exemplos do uso de certificados digitais ICP-Brasil:

Governo federal

Com o objetivo de dar celeridade e segurança aos processos internos ou para prestar informações
sensíveis ao cidadão, o Governo federal brasileiro adotou a certificação em várias iniciativas. Veja alguns
exemplos:
- Programa Universidade para Todos (Prouni) - Iniciativa do Ministério da Educação (MEC) que
concede bolsas de estudo integrais e parciais a estudantes de baixa renda. O sistema é aces-
sado pela instituição de ensino superior por meio de certificado digital;
- Programa Juros Zero - Iniciativa da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), está direciona-
da a empresas inovadoras com faturamento anual de até R$ 10,5 milhões. O programa oferece
financiamentos que variam de R$ 100.000 a R$ 900.000, corrigidos apenas pelo Índice de Pre-
ços ao Consumidor Amplo (IPCA). Para participar do programa, as empresas devem possuir
certificado digital de pessoa jurídica;
- Troca de Informações de Saúde Suplementar (TISS) - A Agência Nacional de Saúde Suplemen-
tar (ANS) implantou a certificação digital para viabilizar o TISS, programa que determina os
padrões e as regras para fazer o registro e intercâmbio de dados entre operadoras de planos
de saúde e prestadores de serviços da área, ou seja, gerenciar a troca de informações que se
dá entre os planos de saúde com clínicas, laboratórios e consultórios;
- Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) - O certificado digital é usado no cadastra-
mento da marca por meio de formulário eletrônico e no uso do sistema de Vista Eletrônica de
Petições;
- Compras Net - Nesse sistema de compras do Governo federal, administrado pelo Ministério do
Planejamento, Orçamento e Gestão, todos os pregoeiros utilizam a certificação para encami-
nhar os processos de compras governamentais feitos na modalidade pregão eletrônico;
- Sistema de Diárias e Passagens - Para porporcionar maior agilidade e segurança na aquisição
de passagens e no pagamento de diárias dos servidores públicos, foi implantado sistema in-
formatizado sem a necessidade de tramitação de documento em papel. A certificação é usada
para dar transparência ao processo e permitir a identificação inequívoca da autoridade que
autorizou a despesa;
- Serviço de Documentos Oficiais (Sidof) - Tramitação de documentos oficiais entre os Minis-
térios e a Casa Civil da Presidência da República com uso do certificado digital, eliminando o
papel e dando celeridade ao processo;
- Receita Federal - Um dos órgãos federais que mais faz uso da certificação digital é a RFB como
alternativa para dar agilidade e comodidade ao contribuinte, sem deixar de garantir o sigilo
fiscal estipulado por lei. Conheça algumas iniciativas:
• Central Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) - Oferece consulta da situação
fiscal dos contribuintes, prestação de contas, procuração eletrônica, entre outros;
• registro de operações e prestação de impostos federais, como: DCTF, DIRPF, DIRPJ, PAF
(SRF/MF);
72 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

• Sped - A escrituração fiscal das empresas de todos os portes deve ser enviada para o Fis-
co por meio de arquivos eletrônicos validados com a certificação digital. Já o Sped Con-
tábil disponibiliza um programa no qual o livro Diário é importado, assinado digitalmente
pelo representante legal e pelo contador;
• NF-e - Tem o objetivo de facilitar a vida do contribuinte e as atividades de fiscalização
sobre operações e prestações tributadas pelo Imposto sobre Circulação de Mercadorias
e Serviços (ICMS) e pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Os estabelecimen-
tos estão implantando o documento fiscal eletrônico e, assim, substituindo a emissão do
documento fiscal em papel;
- Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) - Gerencia o processo de compensação e liquidação
de pagamentos por meio eletrônico, interligando as instituições financeiras credenciadas ao
Banco Central do Brasil. Utiliza certificados digitais da ICP-Brasil para autenticar e verificar a
identidade dos participantes em todas as operações realizadas;
- Sistema do Banco Central do Brasil (Sisbacen) - O Sistema de Informações do Banco Central
é um conjunto de recursos de tecnologia da informação, interligados em rede, utilizado pelo
Banco Central na condução de seus processos de trabalho. A certificação digital é utilizada na
autenticação de remessa de informações das empresas com capital estrangeiro para o Banco
Central;
- Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) - Instrumento informatizado, por meio
do qual é exercido o controle governamental do comércio exterior brasileiro. Promove a inte-
gração das atividades de todos os órgãos gestores do comércio exterior, inclusive o câmbio,
permitindo o acompanhamento, a orientação e o controle das diversas etapas do processo
exportador e importador. O acesso ao sistema pode ser feito com certificado digital.

Governos estadual e municipal


Várias prefeituras estão em processo de implementação do certificado digital. Destaca-se a utiliza-
ção da tecnologia em pregões eletrônicos de São Paulo, Santa Catarina e Minas Gerais, no Departamen-
to Estadual de Trânsito de Minas Gerais (Detran/MG) e na Companhia de Tecnologia de Saneamento
Ambiental (Cetesb/SP). Além disso, alguns Estados, como o de São Paulo, estão implantando o Diário
Oficial Eletrônico, dando maior rapidez à publicação e à consulta das matérias legais, bem como redu-
zindo os custos de impressão.

Sistema jurídico

A Lei nº 11.419/2006 regulamentou o processo eletrônico no Judiciário, que tem demonstrado agili-
dade na implantação de alternativas que viabilizem o acesso às cortes pelo meio eletrônico, bem como
simplificam e reduzem custos processuais. As entidades que se relacionam com a área jurídica também
aderiram a esse esforço. Veja alguns exemplos:
- o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 4ª Região foi a 1ª instituição do Judiciário a dispo-
nibilizar para advogados de todo o País o Sistema de Peticionamento Eletrônico (Sipe) com
certificação digital, permitindo o envio eletrônico de petições e eliminando o uso de papel.
Nesse tribunal, também, foi implantado o e-JUS, responsável pela informatização das sessões
de julgamento, eliminando o papel antes, durante e depois dos julgamentos;
- os Tribunais de Justiça de São Paulo, do Paraná, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul
são exemplos de órgãos do Judiciário que implantaram iniciativas que dispensam o uso de
documentos em papel em várias etapas do processo. Ao utilizar a certificação digital, essas
unidades conseguiram garantir a tramitação e o despacho dos processos com segurança e
agilidade;
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 73

- o Superior Tribunal de Justiça (STJ) também está apto a receber, por meio eletrônico, petições
referentes a processos de competência originária do presidente do Tribunal, aos habeas cor-
pus (HC) e aos recursos em habeas corpus (RHC);
- Diário da Justiça online tem se tornado uma prática em vários Estados. Essa iniciativa permite
que o cidadão verifique a autenticidade das informações, garantindo, também, que o texto não
foi alterado indevidamente;
- Cartório Eletrônico: Certidão de Protesto; Registro Civil (certidão de nascimento, de casamen-
to, de óbito); Certidão de Registro; Registro de Imóveis; Tabelionato de Notas (certidão de
escritura e procuração).

Outras iniciativas
- Carteiras de identidade profissional. Os advogados, corretores e contadores possuem cartei-
ras de identidades profissionais, emitidas pelos respectivos órgãos de classe, com certificado
digital, o que permite a esses profissionais a execução de inúmeras atividades com segurança
e sem a necessidade de se deslocar fisicamente;
- Correio eletrônico (e-mail). Garante a identidade do emissor, a integridade e a inviolabilidade
do conteúdo da mensagem enviada;
- Microempresas e pequenas empresas. Com o e-CPF Simples, as microempresas e as peque-
nas empresas podem comprovar a identidade no meio virtual, realizar transações comerciais e
financeiras com validade jurídica e trocar mensagens eletrônicas com segurança e agilidade.
Também permite às empresas comprar e vender pela Internet, participar de pregões eletrôni-
cos, fornecer ao Estado, fechar negócios e contratos de câmbio, entre outros benefícios.

1.19.15. Pode haver procuração na certificação digital?

Sim. Poderá haver procuração na certificação digital. No entanto, cabe esclarecer o sentido dessa
afirmativa, pois não estamos nos referindo àquela procuração tradicional que, inclusive houve publi-
cação de instrução normativa por parte da Receita Federal em reconhecer a uma procuração, como
instrumento público que outorga poderes a outro, em sua versão digital.

O contexto dessa nossa afirmação é no sentido de reconhecer uma nova modalidade de certifica-
ção digital que está sendo desenvolvida por algumas empresas certificadoras, inclusive tendo os tipos
A1 e A3, representando, assim, a validade de 1 ano ou 3 anos, respectivamente. Essa é uma espécie de
procuração que o detentor de um certificado digital do tipo e-CNPJ outorgou poderes específicos.

O certificado digital, do tipo e-CNPJ, permite ao seu possuidor acesso a toda a vida fiscal da
empresa, possibilitando, ainda, a realização de determinadas operações e a confirmação de diversas
transações perante vários órgãos públicos, o que acaba por expor demais a empresa, em termos de
sigilo administrativo, ao permitir que vários funcionários ou prepostos tenham permissão de uso de sua
certificação.

Portanto, com o acesso à maioria das informações da empresa, inclusive com a possibilidade de
assinar digitalmente documentos, com validade jurídica, pelo seu e-CNPJ, as empresas sentiram neces-
sidades para aumentar a segurança na preservação do sigilo de suas informações econômicas e fiscais,
restringindo o número de funcionários que teriam acesso ao seu certificado digital.
Capítulo 2
BLOCO 0

2.1 Conhecendo o Bloco 0

O Bloco 0 é crucial para o preenchimento da Escrituração Fiscal Digital, pois será neste Bloco que
o contribuinte promoverá a sua identificação e os dados a serem referenciados nos demais Blocos da
EFD, incluindo os Blocos H e K.
O declarante deverá promover uma série de cadastros. Como exemplo, temos o cadastro de pro-
dutos, cadastro de participantes (fornecedores, cliente, etc.), cadastramento de unidades de medidas,
dentre outras informações importantes para validação pelo programa.
Na EFD-ICMS/IPI, temos regras específicas para cada registro e que deverão ser seguidas pelo
contribuinte iniciando pelo seu próprio cadastro.

2.2 Registros vinculados ao cadastro do contribuinte/declarante


Para dar início ao preenchimento da EFD-ICMS/IPI, o contribuinte declarante deverá providenciar
seu autocadastro. Para melhor visualização, vamos demonstrar o passo a passo de todo o processo.
Como nosso objetivo maior é preencher os Blocos H e K, nossa simulação levará em consideração a
competência “fevereiro/2018”.

Dados do Declarante:

CAMPOS DO REGISTRO 0000 DADOS DO DECLARANTE


Registro Texto fixo contendo “0000”
Código da versão do leiaute Conforme tabela indicada em Ato Cotepe
Código de finalidade do arquivo 0 - para remessa do arquivo original (não é possível existir mais de um arquivo original);
1 - remessa do arquivo substituto (deverá sempre ser precedido por um arquivo origi-
nal e em regra é enviado quando exista necessidade de retificação das informações já
enviadas).
Data Inicial das Informações 01.02.2018
Data Final das informações 28.02.2018
Nome Empresarial da Entidade Indústria de Móveis Modelo
Número de inscrição no CNPJ 38569737/0001-00
CPF -
Sigla da UF SP
Inscrição Estadual da Entidade 741410539989
Código do município do domicí- Obs.: Tabela do IBGE
lio fiscal da entidade
Inscrição Municipal da Entidade 22222222222222222
Suframa Apenas terão nº de Inscrição no Suframa as empresas situadas nas Regiões Incentiva-
das da Zona Franca de Manaus, Área de Livre Comércio e Amazônia Ocidental
Perfil de apresentação do arquivo No Estado de São Paulo, todas as empresas estão enquadradas no Perfil A, a definição
fiscal do perfil de apresentação é uma decisão de cada UF. Em caso de omissão por parte do
Estado, o perfil a ser utilizado será o perfil A.
Indicador do tipo de atividade 0 - para estabelecimento industrial ou equiparado a industrial;
1 - Outros.
76 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Visualizando na EFD-ICMS/IPI:
Tendo baixado o programa em seu computador, a primeira etapa a ser adotada para a criação de
uma nova EFD é optar na “Tela de Abertura” por uma “Nova EFD”. Nesta tela, existe a opção “Criar” ou
“Importar”. Tratando-se de uma simulação diretamente no PVA, optaremos por “Criar”. Com isto, todos
os campos da EFD deverão ser preenchidos manualmente.

Tela de Abertura

Realizada a opção “Criar”, iniciamos o cadastro de um novo contribuinte, conforme ilustra a Figura
abaixo:
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 77

Observar que para estar obrigado ao preenchimento do Bloco K, o contribuinte deverá estar clas-
sificado como estabelecimento industrial ou equiparado a industrial.

Os campos, quando têm cunho obrigatório e não são preenchidos, apresentam um alerta em
vermelho.

Cadastro todo preenchido, assinalar “SALVAR”.

Assim que o declarante optar por salvar o cadastro, o PVA solicitará que seja indicado o período
objeto da Declaração. Ressalta-se que o período sempre deverá coincidir com um único mês civil, ou
seja, dia 01 até o último dia do mês.

Isto somente não irá ocorrer nos meses de início e término de atividade, circunstância que justifi-
ca uma escrituração realizada sobre um período inferior ao período de um mês.

É nesta tela que teremos ainda a indicação do perfil da declaração e a indicação se a EFD é original
ou retificadora (substitutiva).
78 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Com relação ao nosso exemplo, o perfil é “A”, pois no Estado de São Paulo até o momento todos os
contribuintes foram classificados neste tipo de perfil por decisão da própria Secretaria da Fazenda deste
Estado (ver Portaria CAT nº 147/2009).

Cada UF realiza o enquadramento no perfil, lembrando que o perfil “A” exige um maior detalhamen-
to ao prestar as informações; no perfil “B”, temos um menor detalhamento e no perfil “C” sem definição
específica, mas também exigindo a apresentação de forma mais simples das informações.

O Guia Prático da Escrituração Fiscal Digital na “Seção 5” intitulada “Obrigatoriedade de Registros”


traz por perfil os Registros a que o declarante encontra-se obrigado.

Depois de salvar as informações, o PVA avisa ao contribuinte que a nova EFD foi criada com su-
cesso estando pronta para receber novas informações.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 79

Na próxima etapa, novo “Menu” se abre. Você deve clicar em Escrituração Fiscal mesmo estando
previamente assinalada a opção “Relatórios”.
80 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Nesta figura, o contribuinte/informante visualiza a divisão dos Blocos e os registros principais


(Registros Pai).

No Menu Escrituração Fiscal, clicar em “Abertura da Declaração” e na sequência Informações Ca-


dastrais para que possamos continuar com a fase da identificação do contribuinte/declarante e do con-
tabilista.

Contabilista

Registrar o contabilista responsável pela escrituração fiscal do estabelecimento (Registro 0100).

A EFD-ICMS/IPI apresenta ainda o Registro 0015 para os casos em que o contribuinte tenha “Ins-
crição de Substituto” em outra UF.

Nos termos do Convênio ICMS nº 52/2017,cláusula décima oitava, os Estados signatários de con-
vênios ou protocolos para recolhimento de ICMS por substituição tributária, poderão conceder ao su-
jeito passivo por substituição inscrição no cadastro da Secretaria da Fazenda, Finanças ou Tributação
da Unidade da Federação destinatária das mercadorias, mediante remessa dos seguintes documentos:
a) requerimento solicitando sua inscrição no cadastro de contribuinte do Estado;
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 81

b) cópia autenticada do instrumento constitutivo da empresa devidamente atualizado e, quando


se tratar de sociedade por ações, também da ata da última assembleia de designação ou elei-
ção da diretoria;
c) cópia do documento de inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazen-
da (CGC/MF);
d) cópia do CPF e RG do representante legal, procuração do responsável, certidão negativa de
tributos estaduais e cópia do cadastro do ICMS;
e) outros documentos que a UF de destino considerar necessários, desde que divulgue tal exi-
gência mediante publicação no seu órgão de imprensa oficial;
f) registro ou autorização de funcionamento expedido por órgão competente pela regulação do
respectivo setor de atividade econômica;
g) declaração de imposto de renda dos sócios nos 3 (três) últimos exercícios;
h) outros documentos previstos na legislação da UF de destino.

Na hipótese de não ser concedida a inscrição ao sujeito passivo por substituição ou esse não
providenciá-la, deverá efetuar o recolhimento do imposto devido ao Estado destinatário, em relação a
cada operação, por ocasião da saída da mercadoria de seu estabelecimento por meio de GNRE, deven-
do uma via acompanhar o transporte da mercadoria.

Com a publicação da Emenda Constitucional nº 87/2015, os Estados passaram a conceder inscri-


ção cadastral para viabilizar o recolhimento do diferencial de alíquotas devido nas operações/presta-
ções interestaduais com consumidor/tomador não contribuinte do ICMS. Em face a isto este registro foi
renomeado para “REGISTRO 0015: DADOS DO CONTRIBUINTE SUBSTITUTO OU RESPONSÁVEL PELO
ICMS DESTINO”.

No nosso caso prático, não praticaremos operações interestaduais com mercadoria sujeita à
substituição tributária ou saída interestadual para consumidor final não contribuinte do ICMS, de forma
a ser dispensável o preenchimento deste registro.

Em todas as etapas apresentadas, depois do preenchimento das informações, clicar em “Salvar”.

A seguir, um resumo dos registros tratados até agora no Bloco “0”

• Registro 0001: (Abertura do Bloco 0)


• Refere-se a um registro de abertura de informações
• Será sempre obrigatório
• Serve para indicar se este bloco possui (ou não) informações

• Registro 0005: (Dados complementares da entidade)


• Nome Fantasia, CEP, endereço, bairro, telefone, e-mail

• Registro 0015: (Dados do contribuinte substituto)


• Sigla da UF contribuinte substituto
• IE contribuinte substituto na UF contribuinte substituído
82 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

• Registro 0100: (Dados do contabilista)


• Nome, CPF, CRC, CNPJ e outros

2.3 Tabelas Exigidas na Escrituração Fiscal Digital

As operações e os documentos fiscais relacionados no arquivo da escrituração serão identificados


por meio de códigos associados a:
• tabelas externas oficiais previamente publicadas;
• tabelas intrínsecas ao campo do registro informado;
• tabelas elaboradas pela própria pessoa jurídica.

2.4 Tabelas oficiais

Durante o preenchimento da Escrituração Fiscal Digital, o programa solicitará uma série de infor-
mações codificadas baseadas em normativo próprio.

São tabelas já divulgadas por órgãos oficiais. As empresas com sistema próprio e que utilizam do
PVA basicamente para validação, assinatura e envio devem zelar para que seu programa esteja sempre
atualizado; caso contrário, terão dificuldades, uma vez que um dos elementos verificados pelo PVA por
ocasião da validação é justamente se as tabelas encontram-se atualizadas.

Os contribuintes que alimentarem as informações pelo próprio Programa Validador não terão di-
ficuldades, pois o PVA por ocasião do preenchimento dos campos confere ao declarante as opções de
acordo com o que seja solicitado de informação.

Exemplos de Tabelas Externas Oficiais:

IBGE (Tabelas de municípios) <www.ibge.gov.br>

Banco Central do Brasil (Tabela de Países) <ww.bbb.gov.br>

Confaz (CFOP/CST) <www.fazenda.gov.br/confaz>

Secretaria da Receita Federal (NCM e Campo EX da TIPI) <http://legislação.planalto.gov.br>

ECT (CEP) <www.correios.com.br>

2.5 Tabelas intrínsecas ao programa

As tabelas intrínsecas ao campo do registro informado constam no próprio leiaute e são o seu
domínio.

Seu conteúdo é válido somente para aquele campo.

As referências a estas tabelas seguirão a codificação definida no respectivo campo.

Exemplo: Bloco 0/Registro 0500/Campo 3 - Plano de Contas Contábeis


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 83

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM. DEC. OBRIG.

03 COD_NAT_CC Código da natureza da conta/grupo de contas: N 001 - O


01 - Contas de ativo;
02 - Contas de passivo;
03 - Patrimônio líquido;
04 - Contas de resultado;
05 - Contas de compensação;
09 - Outras.

2.6 Tabelas de responsabilidade do contribuinte

Relação de Tabelas que demanda elaboração própria do contribuinte:


• Tabela de Cadastro de Estabelecimento (Estabelecimentos Próprios);
• Tabela de Cadastro do Participante (Fornecedores e Clientes);
• Tabela Identificação das Unidades de Medida;
• Tabela Identificação do Item (Mercadorias, Produtos e Serviços);
• Tabela de Natureza da Operação/Prestação (Diversa da Tabela de CFOP);
• Tabela de Informação Complementar do Documento Fiscal;
• Plano de Contas e Centro de Custos.

Todas as tabelas de criação do contribuinte serão utilizadas para o preenchimento do Bloco “0”,
afinal neste bloco estarão às informações que alimentarão os demais blocos. Tudo o que for cadastrado
previamente no “Bloco 0” terá que ser utilizado necessariamente em um dos demais blocos. O sistema
não permite cadastros inúteis, ou seja, que não se apresentem em outros registros.

Para criação dos códigos/tabelas, há critérios que deverão ser observados previamente.

2.7 Tabela de participantes

A tabela de participantes corresponde ao Registro 0150. Este registro é utilizado para informações
cadastrais das pessoas físicas ou jurídicas envolvidas nas transações comerciais com o estabelecimen-
to, no período.

Em destaque:

Participantes sem movimentação no período não devem ser informados neste registro. Para uma
melhor organização, o contribuinte deve uniformizar o cadastro de participantes, entendido este como
84 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

clientes, fornecedores, prestadores de serviços (que emitam documento fiscal exigido pela legislação
de ICMS ou IPI).

É indicado que a empresa mantenha um cadastro geral; contudo, somente irão declarar na EFD
os participantes com os quais realizou alguma operação de venda, industrialização, tomada de serviços,
etc., no período objeto da informação.

Conforme o Guia Prático da Escrituração Fiscal Digital, o código criado para um determinado par-
ticipante (seja pessoa física ou jurídica) não poderá ser atribuído a outrem ainda que o declarante nunca
mais venha a fechar operações com determinado cliente ou fornecedor.

O código, portanto, deve ser interpretado como uma digital do cliente/fornecedor/prestador.

Em especial os participantes pessoas físicas com mais de um endereço, podem ser fornecidos
mais de um registro, com o mesmo NOME e CPF. Neste caso, deve ser usado um COD_PART para cada
registro, alterando os demais dados.

As informações deste registro representam os dados atualizados no último evento fiscal (emissão/
recebimento de documento fiscal) da EFD-ICMS/IPI.

Importante frisar que não devem ser informados como participantes os CNPJ e os CPF; apenas
citados nos Registros C350, C460 e C100, quando se tratar de NFC-e, modelo 65.

Registro C350: Nota Fiscal de Venda a Consumidor.

Registro C460: Documento Fiscal Emitido pelo Emissor de Cupom Fiscal.

O Registro de 0150 pede as seguintes informações:


• código de identificação do participante (até 60 caracteres que podem ser constituídos de le-
tras e/ou números, uma vez que é alfanumérico);
• nome pessoal ou empresarial do participante (até 100 caracteres);
• outras identificações: CNPJ, CPF, IE, Suframa.

Uma constatação interessante com relação ao cadastro praticado nas empresas é que em muitas
delas existe uma divisão entre cadastro de clientes e cadastro de fornecedores. Uma mesma empresa
que em algumas ocasiões seja cliente e, em outras, seja fornecedora acaba possuindo dois códigos ca-
dastrais. Para fins de Cadastro da Escrituração Fiscal Digital, este padrão não será o mais indicado, pois
esta prática desrespeita o critério estabelecido pelo Guia Prático da EFD. Desta forma, o cadastro será
único independentemente da condição da empresa, fornecedora ou cliente.

A Indústria de Móveis Modelo para a qual já foi iniciada a EFD realizou as seguintes operações:
a) aquisição de insumos para seu processo interno de industrialização;
b) remessa para industrialização em terceiro com a utilização de um único industrializador; e
c) remessa de matéria-prima para industrialização de mercadorias, com passagem por mais de
um industrializador.

Todos devem ser cadastrados no Registro 0150, o fornecedor e os industrializadores.

Em cada um dos documentos fiscais que farão parte desta escrituração, temos um emitente e um
remetente ou destinatário.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 85

2.7.1 Cadastrando um participante

Como ilustrado na figura do Registro 0150, o primeiro passo será no Menu escrituração, clicar em
“Tabela do Contribuinte”. Na sequência, deverá selecionar “Participante”, para abertura dos campos do
referido registro (0150) e clicar em “ +”.

Observar que todos os campos assinalados em vermelho são obrigatórios e o seu não preenchi-
mento ocasionará erro na validação.

Exemplo de Registro 0150

Foram preenchidos todos os campos obrigatórios; realizado este procedimento, o declarante de-
verá apertar o botão “SALVAR”. Para dar sequência no cadastro de participantes, clicar em “+”.

A partir do momento que tivermos pelo menos um Registro 0150 preenchido, passará a ficar habi-
litado o Registro filho, 0175, na parte inferior da tela “Alterações”.

2.7.2 Registro 0175: alteração Tabela de Participantes

Este registro é de preenchimento obrigatório quando houver, dentro do período, alteração nos
dados informados no Registro 0150. Exemplos:

1 - Cliente “A” realiza operações com a nossa indústria no mês de fevereiro de 2017 e coinciden-
temente neste mesmo mês ocorre alteração no nome da empresa. Neste caso, além de apresentar as
informações deste cliente já atualizadas no Registro 0150, também deverá apresentar o Registro filho
0175, informando o que foi alterado;

2 - Cliente “B” tem seu nome alterado no mês de fevereiro de 2017, mas, diversamente do Cliente
“A”, apenas irá realizar operações com o declarante no mês de março. Por ocasião da apresentação da
EFD do mês 03 de 2017, bastará a Indústria Modelo preencher o Registro 0150, sem incluir o Registro
0175, pois o mês em que o seu nome foi alterado não coincide com o mês de realização das operações
com o declarante.

Especificadamente para mudanças de endereços, o registro em questão apenas deverá ser gera-
do quando houver emissão ou recebimento, no mesmo mês, de duas ou mais notas fiscais para ende-
86 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

reços diferentes do mesmo participante. Na hipótese da mudança de endereço implicar alteração de


inscrição estadual, deverá ser informado o Registro 0150 para este novo participante e, portanto, não
deve ser informado o Registro 0175.

O Registro 0175 demanda as seguintes informações:


• data da alteração do cadastro;
• número campo alterado;
• conteúdo anterior do campo.

Não havendo nenhuma alteração a ser procedida no Registro 0175, continuamos no processo do
cadastramento dos nossos participantes.

2.7.3 Cadastrando empresa transportadora

Observar que, por ocasião do preenchimento do Registro 0150, o campo código do participante é
de livre elaboração do declarante. Havendo a utilização de empresa de transporte ou transportador au-
tônomo, os documentos fiscais por eles emitidos deverão ser lançados no Bloco D e, portanto, também
deverão possuir um cadastro no Registro 0150.

2.7.4 Cadastrando fornecedor de energia elétrica

As contas de consumo à medida que sejam tratadas como documento fiscal pela UF respectiva
devem ser objeto de lançamento na EFD e, por conseguinte, as concessionárias, fornecedores de água,
luz e gás devem fazer parte da tabela de cadastro de participantes.

2.7.5 Casos específicos de autocadastro

Há circunstâncias que para seguir a legislação o próprio contribuinte declarante deverá gerar um
Registro 0150 para si mesmo. Trazemos como exemplo a operação de brindes.

Conforme a legislação tributária de ICMS de algumas Unidades da Federação, por ocasião da


aquisição de brindes, o contribuinte adquirente deverá emitir um documento fiscal de saída simbólica
com destaque de imposto, ficando liberado da emissão de uma nota fiscal individualizada para cada
brinde que entregar, desde que o mesmo seja retirado na própria empresa.

O documento fiscal em questão no campo razão social deverá conter a expressão “Diversos Brin-
des”. Assim, por ocasião do preenchimento do Registro 0150, teremos um código de participante para a
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 87

própria empresa; contudo, nos campos Razão Social a expressão “Diversos Brindes” e os demais campos
serão informados os dados do declarante.

2.7.6 Importância do Registro 0150 para o Bloco H

O Bloco H como veremos representa o livro “Registro de Inventário”, devendo informar a quantida-
de de mercadoria em estoque no seu estabelecimento por ocasião da contagem do inventário físico. Os
contribuintes, de acordo com seu Regime de Tributação, devem preencher este Bloco ao menos uma
vez por ano, no nosso exemplo - 31.12.2017. Nos meses em que não há inventário, este Bloco também não
será informado.

Dentre os Registros constantes deste Bloco, iremos encontrar os “Registros Filhos” H010. O H010
deve ser informado para todos os itens constantes no estoque na época do inventário, em face desta
característica, haverá tantas ocorrências quanto forem os itens inventariados.

Uma das informações requisitadas refere-se à indicação de propriedade da mercadoria, campo 07


deste registro:
a) 0 - Item de propriedade/posse do informante e em seu poder;
b) 1 - Item de propriedade do informante em posse de terceiros;
c) 2 - Item de propriedade de terceiros em posse do informante.

A exigência em questão decorre do fato de que os contribuintes de ICMS e IPI podem realizar ope-
rações de industrialização por encomenda, e os insumos adquiridos por um estabelecimento poderão
estar em outra empresa contratada por ele com o objetivo de industrialização.

A empresa declarante também poderá estar com mercadorias em seu estoque que não sejam de
sua propriedade, pois estaria para iniciar um processo de industrialização para terceiros.

Sempre que o proprietário/possuidor não seja o próprio informante da EFD, passa a ser neces-
sário informar o campo 08 COD_PART do Registro H010, e para isto deverá existir um prévio cadastro
da indústria ou equiparada à indústria que seja proprietária do insumo ou esteja na posse da mesma.

Exemplo:

Registro 0150
88 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Registro H010

2.7.7 Importância do Registro 0150 para o Bloco K

O Bloco K foi disponibilizado no leiaute do Programa Validador da EFD (ICMS/IPI) a contar de


1º.01.2016, contudo a sua implementação passou a ser exigida a contar da competência dezembro de
2016 para as empresas do segmento de cigarros e bebidas, e para as demais atividades temos o cro-
nograma de entrega fixado pelo Ajuste Sinief nº 2/2009, alterado pelo Ajuste Sinief nº 25/2016. O Bloco
K representa o livro Registro de Controle de Produção e Estoque e entre os registros que o compõem,
temos o Registro K200: Estoque Escriturado. A função deste registro é de informar o estoque final es-
criturado do período de apuração indicada no Registro K100, por tipo de estoque e por participante nos
casos em que couber da mercadoria dos tipos:

00 Mercadoria para Revenda;

01 Matéria-prima;

02 Embalagem;

03 Produtos em Processo;

04 Produto Acabado;

05 Subproduto;

06 Produto Intermediário; e

10 Outros Insumos.

Assim, como ocorre no Registro H010, o declarante deverá indicar a propriedade/posse do item
objeto da informação e sempre que houver a indicação de que o proprietário/possuidor é diverso da
pessoa do contribuinte informante, deverá ser preenchido, conforme demonstrado abaixo, o campo 06
do Registro K200.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 89

2.8 Tabela de unidade de medidas

Antes de realizarmos o cadastro de produtos, se faz necessário o preenchimento do Registro 0190.


Este registro corresponde ao cadastro de medidas. Nesta ocasião, o declarante deve selecionar quais
unidades-padrão de medidas deverá cadastrar, conforme as utilize em suas operações.

Para o caso prático da Indústria Modelo, vamos cadastrar as medidas, metro, litro e unidade. No
dia a dia das empresas, outras medidas podem ser utilizadas, mas apenas farão parte da EFD as unida-
des de medida que foram trabalhadas no mês objeto da declaração. Novamente, aqui, o programa não
permitirá informações inúteis, ou seja, não utilizadas nos demais blocos de informações.

Registro 0190: Identificação das Unidades de Medida

Devem ser informados:


• ο código de unidade de medida (até 6 caracteres);
• a descrição da unidade de medida.

Exemplo Prático:

O primeiro passo é escolher a opção “Unidade de Medida”, no menu Escrituração Fiscal, Tabela de
Contribuintes. Para abertura do Registro 0190, clicar no botão “+”.

Cadastrando Metro

No término do processo, clicar em “SALVAR”.


90 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Importante frisar que no campo descrição da Unidade de Medida deverá conter a descrição exata,
como foi feito no caso em questão - Metro.

Cadastrando Litro

Cadastrando Unidade

Observar que, para cada novo cadastro, deverá clicar em “+”.

2.9 Tabela de identificação do item (mercadoria, produtos e serviços)

A tabela de identificação do item corresponde ao Registro 0200. Este registro tem por objetivo
informar mercadorias, serviços, produtos ou quaisquer outros itens concernentes às transações fiscais.

Para isto, são observados alguns critérios, sendo necessário relacionar cada item, com seu tipo,
NCM, código EX da TIPI, quando houver e código gênero do item alíquota do ICMS aplicável nas ope-
rações internas.

A discriminação do item deve ser indicado precisamente, sendo vedadas discriminações genéri-
cas (como “diversas entradas”, “diversas saídas”, “mercadorias para revenda”, etc.).

Desta forma, as empresas da geração “Sped” ficam obrigadas a codificar todas as suas mercado-
rias que tenham a destinação como insumos, revenda, uso e consumo e ativo.

Isto requer em alguns casos uma mudança de cultura, pois nem todos os contribuintes possuíam
esta prática e hoje é uma condição absoluta para que as empresas possam informar suas operações na
EFD.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 91

Como foi salientado, não podem ser utilizados para criação desta tabela termos genéricos; contu-
do, temos algumas poucas exceções e mesmo estas devem ser analisadas com cautela pelo declarante.
São operações não destinadas à posterior saída ou industrialização ou seja que se destinem a:
• material de “uso ou consumo” sem crédito fiscal;
• operações que discriminem com gênero aquisições para ativo fixo;
• operações que contenham registros consolidados relativos aos contribuintes com atividade
econômica de fornecimento de energia elétrica, de fornecimento de água canalizada, de for-
necimento de gás canalizado e de prestação de serviços de comunicação e telecomunicação,
que poderão a critério do Fisco utilizar registros consolidados por classe de consumo para
representar suas saídas ou prestações.

No entanto, mesmo na primeira hipótese, aquisição de material para uso e consumo, pela sua
particularidade, caso possa no futuro demandar, por exemplo, uma devolução, deixa de ser indicado a
utilização de um código genérico. Vamos aos exemplos:
• aquisição de material de escritório - pode-se utilizar uma codificação genérica como “material
de escritório”;
• aquisição de material de limpeza para conservação do prédio - pode-se utilizar uma codifica-
ção genérica como “material de limpeza”;
• aquisição de peça para reposição em máquina, mas que, por seu valor agregado, possa ensejar
devolução junto ao fornecedor, não é indicada a utilização de código genérico (mesmo que a
mercadoria seja classificada como consumo).

2.9.1 Codificando um produto

A identificação do item (produto ou serviço) deverá receber o código próprio do informante do


arquivo em qualquer documento, lançamento efetuado ou arquivo informado (o que significa que o có-
digo de produto deve ser o mesmo na emissão dos documentos fiscais, na entrada das mercadorias ou
em qualquer outra informação prestada ao Fisco), observando-se ainda que:
• o código utilizado não pode ser duplicado ou atribuído a itens (produto ou serviço) diferentes;
• os produtos e serviços que sofrerem alterações em suas características básicas deverão ser
identificados com códigos diferentes;
• em caso de alteração de codificação, deverão ser informados o código e a descrição anteriores
e as datas de validade inicial e final (Registro 0205);
• não é permitida a reutilização de código que tenha sido atribuído para qualquer produto ante-
riormente;
• o Código do Item deverá ser preenchido com as informações utilizadas na última ocorrência
do período;
• o campo COD_NCM é obrigatório para empresas industriais e equiparadas a industrial, refe-
rente aos itens correspondentes à atividade-fim, ou quando gerarem créditos e débitos de IPI
ou, ainda, para contribuintes de ICMS que sejam substitutos tributários. Também “estão neste
critério as empresas que realizarem operações de exportação ou importação”;
• o campo COD_GEN é obrigatório a todos os contribuintes somente na aquisição de produtos
primários;
• o código de item/produto a ser informado no Inventário deverá ser aquele utilizado no mês
inventariado.
92 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Atenção
Para visualizarmos os critérios acima descritos, vamos realizar o cadastro prévio dos insumos adquiridos e que serão
mais à frente objeto de industrialização no estabelecimento e na industrialização em terceiros.

Para o custeio da mão de obra cobrada pelos industrializadores, também faremos cadastro prévio no Bloco 0.

Telas de Preenchimento na EFD referentes a cadastro dos itens e mercadorias:

O primeiro passo, no “Menu” “Escrituração”: clicar em “Tabelas do Contribuinte”. Escolher “Itens e


Produtos a que se refere o Registro 0200 e clicar em “+”. O PVA abrirá o Registro para preenchimento.

Cadastrando Placas em MDF em espessura de até 9 mm

Observar que todos os critérios exigidos pelo Guia Prático da EFD foram seguidos:
- no campo Código do Item, foi criada uma codificação que respeitou o limite de até 60 caracte-
res com uso opcional de letras e números, pois o campo é alfanumérico;
- no campo Descrição do Item, é utilizada a descrição completa e que identificou plenamente a
mercadoria em questão;
- código de barras - campo obrigatório para as empresas que utilizam esta forma de controle em
suas mercadorias;
- unidade de medida - foi escolhida a unidade de medida previamente cadastrada no Registro
0190 mais adequada para o produto em questão;
- quanto ao campo de NCM, a partir do momento em que assinalamos que se tratava de uma
“Matéria-prima”, o sistema interpreta que o estabelecimento proverá industrialização da mes-
ma e torna este campo de preenchimento obrigatório. Caso tivéssemos escolhido, por exem-
plo, material de uso e consumo, o campo passaria a ser de preenchimento não obrigatório.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 93

Cadastrando Parafusos para Madeira

Cadastrando Tecido Rústico

Cadastrando Verniz
94 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Cadastrando Artefatos Têxteis para Estofamento (Espuma)

Cadastrando Rodízios para Cadeiras

Cadastrando Parafuso para Cadeira


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 95

Cadastrando Ferragens para uso em móveis

Cadastrando Ferragens para aplicação em móveis com preponderância de metal

Cadastrando Mão de Obra Cobrada pelo Industrializador


96 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Nota
A mão de obra aplicada no processo de industrialização em estabelecimento de terceiros deverá ser cadastrada no item
0200, pois o custo deste trabalho comporá ao final o preço da mercadoria acabada. Para item cadastrado como “Outros
Insumos” não haverá exigência de NCM. Apesar de ser cadastrado no Bloco 0, não fará parte das informações a serem
prestadas no Bloco K.

Cadastrando Produto Acabado: Mesa de Madeira para uso em escritório

O produto em questão é de produção da nossa “Indústria de Móveis Modelo”. Este produto acaba-
do teve que ter seu cadastro realizado, pois irá alimentar os Registros K230 e K235 do Bloco K.

Cadastrando Produto Acabado: Cadeira de Escritório

Como veremos no último capítulo desta obra, a Indústria de Móveis Modelo depois de remeter in-
sumos para o “Industrializador de Cadeiras” receberá deste o produto acabado - cadeira para escritório.
Na NF-e de retorno de industrialização, o produto acabado aparece como um item independente sem,
contudo, interferir no campo “Valor Total” do documento visando apenas demonstrar o resultado final
do processo e pontuar perante a legislação de IPI o NCM do produto final.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 97

Na Escrituração Fiscal Digital, o produto deverá ser cadastrado no Registro 0200 para alimentar o
Bloco K.

Cadastrando o Produto Acabado: Mesa com Preponderância de Metal

A Empresa Indústria de Móveis Modelo também realizou remessa de Placa em MDF para indus-
trialização em estabelecimento de terceiros, insumo que mais tarde resultou no retorno do produto
acabado - mesa com preponderância de metal - item que, por compor o Bloco K, também deverá ser
cadastrado.

Cadastrando Placa em MDF Moldada

Este item consta da Nota Fiscal de Retorno promovido pelo segundo industrializador, na operação
de industrialização em estabelecimento de terceiros com mais de uma etapa de industrialização.
98 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Visualizando relação completa dos itens no Registro 0200

2.9.1.2 Produto com diversas destinações na empresa

No campo 07 do Registro 0200, a empresa deverá, por ocasião do cadastro do produto, identificar
qual a destinação da mercadoria no estabelecimento.

Quando houver a possibilidade do item ser destinado à industrialização, uso e consumo ou ainda
destinado à revenda, na classificação do “Tipo do Item”, dever-se-á optar pelo tipo de maior relevância.
Para isto, observar as designações de cada item:
a) 00 Mercadoria para revenda: produto adquirido para comercialização;
b) 01 Matéria-prima: a mercadoria que componha, física e/ou quimicamente, um produto em pro-
cesso ou produto acabado e que não seja oriunda do processo produtivo. A mercadoria recebida
para industrialização é classificada como Tipo 01, pois não decorre do processo produtivo, mes-
mo que no processo de produção se produza mercadoria similar classificada como Tipo 03;
c) 02 Embalagem: apenas serão classificadas com o Tipo 02 as embalagens vinculadas ao proces-
so de industrialização, ou seja, que agregam valor à mercadoria. São embalagens de apresen-
tação nos termos do art. 6º, inciso II do Regulamento de IPI - Decreto nº 7.212/2010.
d) 03 Produto em processo: o produto que possua as seguintes características, cumulativamen-
te: oriundo do processo produtivo; e, preponderantemente, consumido no processo produtivo.
Dentre os produtos em processo, está incluído o produto resultante caracterizado como retor-
no de produção. Um produto em processo é caracterizado como retorno de produção quando
é resultante de uma fase de produção e é destinado, rotineira e exclusivamente, a uma fase de
produção anterior à qual o mesmo foi gerado. No “retorno de produção”, o produto retorna (é
consumido) a uma fase de produção anterior à qual ele foi gerado. Isso é uma excepcionalida-
de, pois o normal é o produto em processo ser consumido em uma fase de produção posterior
à qual ele foi gerado, e acontece, portanto, em poucos processos produtivos;
e) 04 Produto acabado: o produto que possua as seguintes características, cumulativamente:
oriundo do processo produtivo; produto final resultante do objeto da atividade econômica do
contribuinte; e pronto para ser comercializado;
f) 05 Subproduto: o produto que possua as seguintes características, cumulativamente: oriundo
do processo produtivo e não é objeto da produção principal do estabelecimento; tem aprovei-
tamento econômico; não se enquadre no conceito de produto em processo (Tipo 03) ou de
produto acabado (Tipo 04);
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 99

g) 06 Produto intermediário: aquele que, embora não se integrando ao novo produto, for consu-
mido no processo de industrialização;
h) 07 Materiais de uso e consumo: são aqueles que não se agregam, fisicamente, ao produto final,
sendo meramente utilizados nas atividades de apoio administrativo, comercial e operacional
(exemplo: material de limpeza, material de escritório, lâmpadas para utilização nos prédios ad-
ministrativos, dentre outros);
i) 08 Ativo Imobilizado: conforme o CPC 27 é conceituado como todo ativo tangível ou corpóreo
que é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias e/ou serviços, para alu-
guel e para fins administrativos que se espera usar por mais de um ano;
j) 09 Serviços: perante a legislação do ICMS, são considerados fato gerador deste tributo as
prestações de serviço de transporte de natureza intermunicipal e interestadual, bem como o
serviço de comunicação oneroso;
k) 10 Outros Insumos: a legislação que versa sobre a Escrituração Fiscal Digital não define o que
deverá ser cadastrado como “Outros Insumos”, na nossa interpretação, insumo é gênero po-
dendo ser definido como o conjunto de “fatores” que se fazem necessário para a produção de
um produto. Não se confunde com matéria-prima, pois esta é apenas um dos elementos que
compõem os insumos. Assim, citamos como exemplo de “Outros Insumos” as ferramentas, ou,
ainda, a mão de obra utilizada na confecção da mercadoria;
l) Outras: deverá ser utilizado quando não estiver enquadrado em nenhuma das hipóteses ante-
riores.

Nota: A classificação da mercadoria não se altera a cada movimentação. Exemplo: não há impedimento para que uma
mercadoria classificada como produto em processo - Tipo 03 seja vendida, assim como não há impedimento para que
uma mercadoria classificada como produto acabado - Tipo 04 seja consumida no processo produtivo para obtenção de
outro produto resultante.

Deve ser considerada a atividade econômica do estabelecimento informante, e não da empresa.

2.9.1.3 Obrigatoriedade de NCM

No campo 08 do Registro 0200, o declarante deverá informar o NCM da mercadoria. Contudo, para
fins de validação da EFD-ICMS/IPI, a obrigatoriedade de preenchimento varia de acordo com a condição
da empresa e a classificação do item.

Para as empresas industriais ou equiparadas, é obrigatório informar o Código NCM, conforme a


Nomenclatura Comum do Mercosul. Não existe COD-NCM para serviços.

Para as demais empresas, é obrigatória a informação da NCM para os itens importados, exporta-
dos ou, no caso de substituição tributária, para os itens sujeitos à substituição, quando houver a reten-
ção do ICMS.

O programa não exigirá o preenchimento deste campo quando o tipo de item informado no cam-
po TP_ITEM for igual a 07 - Material de Uso e Consumo; ou 08 - Ativo Imobilizado; ou 09 - Serviços; ou
10 - Outros insumos; ou 99 - Outras.

Nota
O Decreto nº 8.950/2016 aprovou a nova Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) com
vigência a contar de 1º.01.2017.
100 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

2.10 Registro 0210: Controle Específico Padronizado


A partir de janeiro/2018, a obrigatoriedade da apresentação deste registro ficará a critério de cada
UF, caso exista produção e consumo nos Registros K230/K235 e K250/K255. Deve ser informado o con-
sumo específico padronizado esperado e a perda normal percentual esperada de um insumo/compo-
nente para se produzir uma unidade de produto resultante, segundo as técnicas de produção de sua
atividade e o projeto do produto resultante, referentes aos produtos que foram fabricados pelo próprio
estabelecimento ou por terceiro. Este registro somente deve existir quando o conteúdo do campo 7 -
TIPO_ITEM do Registro 0200 for igual a 03 (produto em processo) ou 04 (produto acabado).
Se existirem insumos interdependentes (insumos em que o aumento da participação de um resul-
ta em diminuição da participação de outro ou outros), deverá ser eleito um insumo de cada grupamento
interdependente para informação do total de consumo específico padrão ou perda normal percentual
do conjunto de insumos que representa (na unidade do insumo eleito).
Os demais insumos do grupamento interdependente serão considerados substitutos e deverão
ser informados somente nos Registros K235 ou K255 com a informação do insumo substituído. A uni-
dade de medida é, obrigatoriamente, a de controle de estoque constante no Registro 0200 - campo
UNID_INV. Não podem ser informados 2 ou mais registros com o mesmo campo COD_ITEM do Registro
0200 e o mesmo campo COD_ITEM_COMP..
Pela hierarquia de apresentação dos registros, inicialmente, o contribuinte deverá possuir um
“Produto Acabado” ou “Produto em Processo” no Registro 0200 para vinculação da Ficha Técnica (Re-
gistro 0210).
Observar que até o momento não existe um padrão, podendo variar de empresa para empresa,
pois, ainda que duas indústrias produzam a mesma mercadoria, seus processos internos podem ser
diferentes.
Como pode ser observado, o Registro 0210 apenas será preenchido pelos contribuintes que, nos
termos do Ajuste Sinief nº 25/2016, ficarem obrigados à entrega completa do Bloco K, ou seja, estejam
obrigados a informar os Registros K230/K235 ou K250/K255. Enquanto for prevista pela legislação a
entrega simplificada de maneira a ser informado apenas o Registro K200 (Informação do estoque final
escriturado do período de apuração informado no Registro K100) e K280 (Correção de Apontamentos -
Estoque escriturado), não será necessário informar o Controle Específico Padronizado. Como o objetivo
deste livro é realizar a abordagem mais completa possível sobre o tema, em nossos exemplos vamos
presumir, independentemente da atividade do contribuinte, que ele está obrigado a apresentar o Bloco
K na sua forma “Completa” e simularemos todos os registros.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 101

Como podemos observar, temos o produto “Cadeira para Escritório” e, na sequência, todos os
insumos atrelados a este e que foram utilizados no processo de industrialização do declarante para
confecção de uma unidade do item composto/resultante.

Neste exemplo, temos uma cadeira para escritório na qual para cada unidade foram utilizados 2
(dois) metros do insumo “Tecido Rústico” com perda no processo de 3% (três por cento).

Na última ficha técnica do produto, teremos uma unidade de placa de espuma (artefato têxtil para
estofamento) e perda normal de 2% (dois por cento).

Sobre o Registro 0210, o declarante deverá observar que os materiais secundários, assim como o
custo de mão de obra não são reconhecíveis no produto final, e portanto não serão informados neste
registro também conhecido como Ficha Técnica.

São declarados os seguintes tipos de componente/insumo (campo TIPO_ITEM do Registro 0200):


a) 00 - Mercadoria para revenda;
b) 01 - Matéria-prima;
c) 02 - Embalagem;
d) 03 - Produto em processo;
e) 04 - Produto Acabado;
f) 05 - Subproduto;
g) 10 - Outros Insumos.
102 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

2.10.1 Segredo Industrial

O Registro 0210 vem gerando uma série de questionamentos por parte dos contribuintes de ICMS
e IPI que farão parte da obrigatoriedade de entrega do Bloco K e seus registros correlatos. A alegação
é de que este registro fere o segredo industrial, a medida que os componentes das fórmulas seriam
revelados.

A seguir transcrevemos a resposta dada pelo Fisco e a possibilidade que se abre para cifrar a des-
crição dos insumos/componentes:

- Do ponto de vista técnico, o consumo específico padronizado (Registro 0210), bem como o con-
sumo efetivo (Registros K235/K255) não ferem o segredo industrial, pois trata-se de uma composição
física, e não uma composição química. Segredo industrial se refere a conhecimentos técnicos, experiên-
cias, fórmulas, processos e métodos de fabricação. Fórmula se refere a composição química;

Do ponto de vista legal:


a) não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito do Fisco
de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais,
dos comerciantes, industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los, nos termos
do art. 195 do CTN - Lei nº 5.172/1966;
b) as informações existentes na escrituração fiscal digital - EFD-ICMS/IPI estão protegidas pelo
sigilo fiscal, nos termos do art. 198 do CTN - Lei nº 5.172/1966.

Entretanto, se ainda assim o contribuinte entender que a composição física poderá estar ferindo
o segredo industrial, o mesmo poderá cifrar a descrição dos insumos/componentes. Em uma eventual
auditoria fiscal, formalizada nos termos da legislação vigente, essa descrição poderia ser decifrada me-
diante intimação do Auditor Fiscal. Dessa forma, apenas o Auditor Fiscal que está efetuando a auditoria
fiscal conhecerá os insumos/componentes da composição dos produtos.

2.10.2 Perda ou quebra normal

A perda ou quebra normal percentual refere-se à parte do insumo que não se transformou em pro-
duto resultante. Este campo depende da eficiência dos processos de cada contribuinte. Não se incluem
neste campo fatos como inundações, perecimento por expiração de validade, deterioração e quaisquer
situações que impliquem a diminuição da quantidade em estoque sem relação com o processo produ-
tivo do contribuinte.

A perda normal não deverá ser confundida com a quebra de estoque na empresa. Sobre este
tema, trazemos o Parecer Normativo CST nº 45, de 1977:

A admissibilidade de quebras de estoque para produtos acabados estende-se às quebras de estoque de


insumos, obedecidas as mesmas condições estabelecidas no Regulamento. Tratamento fiscal das quebras
decorrentes do processamento industrial dos insumos.
Imposto sobre Produtos Industrializados
4.36.01.01 - Livros Fiscais, Escrituração
4.20.04.00 - Estorno do Crédito. Quebra, Incêndio, Roubo ou Deterioração
1. Em exame a admissibilidade de quebras de insumos no sistema de controle do Imposto sobre Produtos
Industrializados e a manutenção, ou não, do crédito fiscal correspondente.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 103

2. Cumpre, de início, distinguir-se, de um lado, a faculdade que a lei defere ao contribuinte para, em casos
especiais, expressamente autorizados, baixar no Registro de Controle da Produção e do Estoque os produtos
acabados, perdidos em razão de quebras; de outro lado, a possibilidade de o Fisco considerar as quebras
de insumos ou de produtos decorrentes do próprio processo industrial, ao efetuar o levantamento físico da
produção, previsto no artigo 188 do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 70.162, de 18.02.72.
3. AS QUEBRAS DE ESTOQUE DE PRODUTOS ACABADOS
A norma do artigo 189 do referido Regulamento, embora impropriamente colocada no Capítulo “Do Exame da
Escrita”, regula, na realidade, “a escrituração” do livro de controle da produção e do estoque. Esta colocação,
originária da Lei nº 4.502, de 30.11.1964 (artigo 58, § 1º), está evidenciada nos artigos 90, § 1º e 125 dos Regu-
lamentos de 1965 e 1967, respectivamente. O deslocamento da referida norma deste seu contexto natural
para o capítulo pertinente ao exame da escrita fiscal pela fiscalização, no atual Regulamento, pode conduzir à
errônea interpretação de que, nos levantamentos físicos da produção, não se possam admitir outras quebras,
que não as normatizadas pelo artigo 189.
4. Na escrituração de quebras, facultada pelo artigo 189 do RIPI/72 para situações excepcionais, “o próprio
contribuinte” ajusta à realidade o estoque de produtos acabados registrado em sua escrita fiscal, dentro de
um limite, de tolerância previamente estabelecido pela autoridade fiscal, para aquela empresa. Evita-se, as-
sim, que a divergência entre o estoque escritural e o estoque físico possa vir a ser tomada pelo Fisco como
indício de possível omissão na escrituração das saídas de produtos acabados (PN nº 65/75).
5. AS QUEBRAS DE ESTOQUE DE INSUMOS
Como no regime do Decreto nº 70.162/72 controlam-se não apenas os estoques de produtos acabados,
como também os estoques de insumos, no Registro de Controle da Produção e do Estoque (artigo 157, § 4º,
itens VI e VII), é de admitirem-se, por analogia do artigo 189 do mesmo Regulamento, as quebras de “esto-
que” de insumos, em casos excepcionais, previamente justificados e aprovados em processo. Retifique-se,
neste aspecto, o item 3 do PN nº 351/71, que estende a norma do artigo 189 citado às quebras de insumos
“no processo” de industrialização.
6. AS QUEBRAS DE INSUMOS OCORRIDAS NO PROCESSO INDUSTRIAL
Já no levantamento físico da produção, autorizado pelo artigo 188, do RIPI/72, o Fisco reconstitui a produção
do estabelecimento a partir dos insumos aplicados ao processo industrial, num dado período: se, para fabricar
tal produto, consomem-se tais quantidades de um dado insumo, inversamente, da quantidade que se tenha
consumido do mesmo insumo, num dado período de tempo, pode-se inferir o volume da produção, do esta-
belecimento. Tal técnica, a qual se refere o artigo 108 da Lei nº 4.502/64 tem por objetivo apurar “a verdade”, a
produção que realmente ocorreu, e “nunca arbitrar” a produção. Para que isto ocorra é necessário que todas
as partes do raciocínio acima sejam também verdadeiras. Assim, se no processamento dos insumos ocorrer
quebras e estas não são consideradas no levantamento, fica distorcida a apuração da produção real. Ora, é
sabido que podem ocorrer quebras no processo fabril. O próprio Regulamento refere-se aos desperdícios
resultantes do emprego industrial dos insumos: aparas, resíduos, fragmentos etc. (artigo 37, § 2º). Desta
forma é de concluir-se que a apuração de tais quebras, seja através de controles fidedignos do contribuinte,
seja através de verificação direta, está implícita na própria sistemática de levantamento físico da produção.
7. O CRÉDITO FISCAL DOS INSUMOS NOS CASOS DE QUEBRAS DECORRENTES DO PROCESSO INDUSTRIAL
Resta determinar se deve ou não ser estornado o crédito fiscal correspondente aos insumos perdidos, por
quebra decorrente do próprio processo industrial. O Regulamento, em seu artigo 32, I, admite, expressa-
mente, a manutenção do crédito fiscal dos insumos que “embora não se integrando no novo produto, forem
consumidos”, imediata e integralmente, no processo de industrialização”. Interpretando esta norma, o PN nº
181/74 em seu item 11 estabeleceu três condições para o crédito:
a) que o insumo seja empregado na industrialização de produto tributado (em oposição aos produtos isentos,
de alíquota zero e não-tributados);
104 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

b) que o insumo participe direta e intrinsecamente do processo industrial; e


c) que o insumo seja integralmente consumido no processo industrial de tal forma que, após o término de
cada etapa do processo, ele não mais se preste à finalidade que lhe é própria. Desta forma, é de concluir-
-se que se o insumo passa pelo processo fabril e nele se perde, sob a forma de paras, resíduos, evaporação
etc.; ou se inutiliza inteiramente, em decorrência de deficiências inerentes ao processo, tais como falhas do
equipamento, rompimento de embalagens e semelhantes, ocorre a hipótese de o insumo ter sido “consu-
mido” no processo de industrialização. Deve, portanto, no caso, ser mantido o crédito fiscal correspondente
a esses insumos.
Entre as UF poderá haver interpretações diversas sobre matéria consultada pelo contribuinte, ra-
zão pela qual, quando o declarante do Sped tiver um caso singular em seu processo produtivo e de difí-
cil enquadramento, deve buscar orientação da Administração Tributária do seu Estado, veja a questão a
seguir que ilustra muito bem as dualidades de interpretação da fiscalização:

Caso Prático do Contribuinte

No nosso processo de metalurgia um insumo tem a função de catalisador da reação, sendo utili-
zado somente para acelerar a fusão do produto. Apenas de 2 a 3% de todo esse insumo que é utilizado
fica presente na liga fundida. A dúvida surge quando lemos a resposta à pergunta ..... Se utilizarmos o
conceito descrito naquele item teremos uma perda de 97%, porém o nosso pessoal de produção não
concorda, informando que a perda normal é de apenas 0,4%, gerada por deficiência do transporte do silo
para o forno. Nesta situação devemos informar o percentual de perda de 97%?

Resposta do Fisco: Considerando as especificidades das legislações de cada UF, para ter seguran-
ça jurídica neste caso consulte a administração tributária de seu domicílio.

Resposta para Minas Gerais:

Perda normal é a quantidade que se perde de insumo para se obter uma unidade do produto
resultante, ou seja, a parcela que não foi agregada ao produto resultante. O insumo referido compõe
residualmente o produto resultante. Grande parte dele se perde na reação química. Considerando que
se agrega apenas 3% desse insumo no produto resultante, a perda normal percentual será de 97%. So-
mente devem ser escriturados no Registro 0210 os insumos que compõem o produto resultante, mesmo
que de forma residual. Portanto, os insumos que não são agregados ao produto resultante não devem
ser escriturados.

Aproveitando a oportunidade, considerando que a função do insumo não é de ser uma matéria-
-prima, entendemos que o mesmo deve ser classificado no Registro 0200 como ’Outros Insumos - Tipo 10’.

Resposta para São Paulo:

O catalisador tem a função de viabilizar a reação química acelerando a sua velocidade. Por isso,
não se espera que faça parte do produto. Eventualmente, pode se impregnar por contato no produto
final. O que se obtém, depois de concluído o processo produtivo, é o próprio catalisador que será usado
novamente em outra ordem de produção. Se 3% é impregnado no produto, 97% não é utilizado e não
constitui rejeito, nem subproduto.

O que se pode categorizar como perda é o total evaporado no processo ou perdido na sua movi-
mentação. Logo, não há 97% de perdas. Não se considera seu papel como matéria prima (insumo direto)
e nem sempre se consideram relevantes os totais impregnados no produto final. Por isso, nestes casos,
para declaração no SPED fiscal no Registro 0200, é considerado como “Produto Intermediário - Tipo 6” e
apenas seus saldos são declarados no Registro K200 e não se aponta o consumo. Não se incluem nessa
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 105

resposta peças ou partes que integrem um produto, do qual sejam vendidas como parte integrante. Por
exemplo, catalisadores agregados a veículos automotores.

2.11 Registro 0220: fatores de conversão de unidades

Este registro tem por objetivo informar os fatores de conversão dos itens discriminados na Tabela
de Identificação do Item (Produtos e Serviços) entre a unidade informada no Registro 0200 e as unida-
des informadas nos registros dos documentos fiscais.

Quando for utilizada unidade de inventário diferente da unidade comercial do produto, será ne-
cessário informar o Registro 0220, fatores de conversão de unidades, para informar os fatores de conver-
são entre as unidades. Desta forma, caso a empresa compre uma mercadoria em “Metro”, uma vez que
esta é unidade-padrão utilizada pelo fornecedor, o documento fiscal será escriturado em metro; contu-
do, se no estoque do adquirente é trabalhado em peça, preenche-se o Registro 0220, para esclarecer
que o produto adquirido como metro corresponderá a “X” peças em seu estoque. Veja o esclarecimento
abaixo e depois visualize o Registro.

Importante
Por ocasião da entrada da mercadoria, a informação a ser prestada no Registro C170 “Entradas” obedecerá o critério
do emitente do documento fiscal.
Contudo, toda vez que a unidade informada no documento de entrada for diferente daquela que será utilizada para
o inventário, deve ser informado, além do Registro 0190 com a unidade de medida, o Registro 0220 com o fator de
conversão.

Por tratar-se de um Registro Filho, o Registro 0220 apenas será habilitado depois do preenchimen-
to do Registro 0200.

Primeiramente, indica-se a Unidade de Medida Comercial que foi cadastrada por ocasião do lan-
çamento do documento fiscal de aquisição e depois o fator de conversão para acerto nos estoques.
Conforme o exemplo já citado, poderíamos ter a compra em peça e o Fator de Conversão corresponde a
2 o que indicaria que cada peça representa no meu estoque dois metro de um produto qualquer.

Sobre a “Tabela de Cadastro de Itens e Produtos”, ainda citamos a existência de dois outros Re-
gistros Filhos o 0205 e o 0206.

2.12 Registro 0205: alteração do Item

Este registro tem por objetivo informar alterações ocorridas na descrição do produto, desde que
não o descaracterize ou haja modificação que o identifique como sendo novo produto; caso não tenha
ocorrido movimentação no período da alteração do item, deverá ser informada no primeiro período em
que houver movimentação do item.
106 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

2.13 Registro 0206: código de produto conforme tabela publicada pela ANP (combustíveis)

Este registro tem por objetivo informar o código correspondente ao produto constante na Tabela
da Agência Nacional de Petróleo (ANP) para os produtos denominados “Combustíveis”.

Deve ser apresentado apenas pelos contribuintes produtores, importadores e distribuidores de


combustíveis.

2.14 Registro 0400: tabela de natureza da operação/prestação

Este registro tem por objetivo codificar os textos das diferentes naturezas da operação/presta-
ção discriminadas nos documentos fiscais. Esta codificação e suas descrições são livremente criadas e
mantidas pelo contribuinte.

Este registro não se refere o CFOP. Algumas empresas utilizam outra classificação além das apre-
sentadas nos CFOP. Esta codificação permite informar estes agrupamentos próprios. Como exemplo,
podemos citar uma empresa que aproveita a sua escrita fiscal para paralelamente realizar um controle
de qualidade, assim, quando uma mercadoria é recebida em virtude de troca por defeito de fabricação,
o contribuinte se utiliza deste registro para codificar este evento e diferenciá-lo das demais operações
que envolvam troca de mercadoria.

Depois de selecionar o Registro 0400, clicar no sinal de “+” para abertura dos campos de preenchi-
mento conforme exemplo abaixo:

TXT - |0400|AB030|Troca em virtude de Defeito de Fabricação|

2.15 Registro 0450: tabela de informação complementar do documento fiscal

Este registro tem por objetivo codificar todas as informações complementares dos documentos
fiscais, exigidas pela legislação fiscal. O preenchimento do Registro 0450 baseia-se nas informações
contidas no campo “Dados Adicionais” das notas fiscais.

Esta codificação e suas descrições são livremente criadas e mantidas pelo contribuinte e não po-
dem ser informados dois ou mais registros com o mesmo conteúdo no campo COD_INF.

Deverão constar todas as informações complementares de interesse do fisco existentes nos do-
cumentos fiscais.

Exemplo 1: nos casos de mercadorias que gozam de benefícios, o fundamento legal correspon-
dente.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 107

Exemplo 2: artigo 471 do RICMS/SP (será emitida uma Nota Fiscal para efeito de faturamento en-
globando todas as remessas das mercadorias remetidas em consignação industrial).

O código cadastrado no Registro 0450 será utilizado no Registro C110.

Exemplo de Preenchimento do Registro

2.16 Registro 0460: tabela de observações do lançamento fiscal

Este registro é utilizado para informar anotações de escrituração determinadas pela legislação
pertinente aos lançamentos fiscais, tais como: ajustes efetuados por diferimento parcial de imposto,
antecipações, diferencial de alíquota e outros.

Esta codificação e suas descrições são de atribuição do contribuinte e não podem ser informados
dois ou mais registros com o mesmo conteúdo no campo COD_OBS.

Vincula-se com o Registro C195 - Observação de Lançamento Fiscal.

No Campo 3 deste registro, serão lançadas informações que constam por obrigação legal no cam-
po de “Observações” dos Livros Registros de Entrada, Saída e Apuração.

Visualizando o Registro:

Este Registro tem especial importância nas Unidades da Federação que determinam que para
o cálculo do diferencial de alíquota o valor deverá ser informado no campo de observações e somado
ao final do período. Nestes Estados, em geral, o valor devido a título de diferencial não pode ser com-
pensado com os créditos eventualmente existentes. Como exemplo, temos o Estado do Rio de Janeiro
(Decreto nº 27.427/2000).
108 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

2.17 Cadastro do ativo imobilizado

No “Menu” “Escrituração”, ainda falando em Bloco 0, mas como um tópico separado e composto
pelos registros 0300, 0305, 0500 e 0600, temos as informações a serem prestadas referentes a ativo
imobilizado.

2.17.1 Registro 0300: cadastro de bens ou componentes do ativo imobilizado

Este registro tem o objetivo de identificar e caracterizar todos os bens ou componentes arrolados
no registro G125 do Bloco G e os bens em construção.

O bem ou componente deverá ter código individualizado atribuído pelo contribuinte em seu con-
trole patrimonial do ativo imobilizado e não poderá ser reutilizado, duplicado e atribuído a bens ou com-
ponentes diferentes.

A discriminação do bem ou componente deve indicar precisamente o mesmo, sendo vedadas discri-
minações diferentes para o mesmo bem ou componente no mesmo período ou discriminações genéricas.

Observação:
Deverá também ser apresentado registro que identifique e caracterize o bem que está sendo construído no estabeleci-
mento do contribuinte, a partir do período de apuração em que adquirir ou consumir o 1º componente.

Diferença entre bem e componente


a) bem: uma mercadoria será considerada “bem” quando possuir todas as condições necessárias
para ser utilizado nas atividades do estabelecimento. Quando se tratar de “bem”, não poderá
ser informado registro G125 com tipo de movimentação igual a “IA”;
b) componente: uma mercadoria será considerada “componente” quando fizer parte de um bem
móvel que estiver sendo construído no estabelecimento do contribuinte, onde somente o bem
móvel resultante é que possuirá as condições necessárias para ser utilizado nas atividades do
estabelecimento. Para “componentes”, não poderá ser informado o registro G125 com tipo de
movimentação igual a “IM” e “CI”.

Observação
Para gerar este registro, o contribuinte deverá previamente cadastrar o código da Conta e isto demanda o preenchimen-
to do Registro 0500.

2.17.2 Registro 0305: informação sobre a utilização do bem

Este registro tem o objetivo de prestar informações sobre a utilização do bem, sendo obrigatório
quando o conteúdo do campo IDENT_MERC do registro 0300 for igual a “1”. Neste registro, será informa-
da a descrição sucinta da utilização do bem e sua vida útil estimada.

Trata-se de um registro filho, ou seja, que apenas será habilitado para preenchimento depois do
contribuinte alimentar as informações no “Registro 0300”.

Observação:
Para o preenchimento do Registro 0305, deve-se cadastrar previamente o “código do Centro de Custo” que compreende
o Registro 0600.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 109

2.17.3 Registro 0500: plano de contas contábeis

Este registro tem o objetivo de identificar as contas contábeis utilizadas pelo contribuinte infor-
mante em sua Contabilidade Geral, no que se refere às contas referenciadas no registro 0300.

Não podem ser informados dois ou mais registros com a mesma combinação de conteúdo nos
campos DT_ALT e COD_CTA.

Validação: a data não pode ser maior que a constante no campo DT_FIN (data final das informa-
ções contidas no arquivo - último dia do período que está sendo informado) do Registro 0000 - Abertura
do Arquivo.

2.17.4 Registro 0600: centro de custos

Este registro tem o objetivo de identificar os centros de custos referenciados no registro 0305.

Não podem ser informados dois ou mais registros com a mesma combinação de conteúdo nos
campos DT_ALT e COD_CCUS.

2.17.5 Registro 0990: encerramento do Bloco 0

Este registro tem por objetivo identificar o encerramento do bloco 0 e informar a quantidade de
linhas (registros) existentes no bloco.

Este registro não está disponível para o Declarante apenas por ocasião de gerar o txt. é que o en-
cerramento do bloco poderá ser visualizado.
Capítulo 3
BLOCO H

3.1. Conhecendo o Bloco H - Inventário físico

Este bloco corresponde ao livro Registro de Inventário. Para os efeitos da legislação do ICMS e
do IPI, esse livro destina-se ao arrolamento de mercadorias, matérias-primas, produtos intermediários,
materiais de embalagem, produtos manufaturados e em acabamento existentes no estabelecimento na
data de encerramento do balanço patrimonial, de acordo com valores e especificações que permitam a
perfeita identificação dos elementos registrados. Para ser utilizado também para os efeitos da legislação
do Imposto de Renda, deve-se:
a) acrescentar os bens cujo inventário não é exigido para fins do IPI/ICMS, mas apenas pela legis-
lação do Imposto de Renda (bens em almoxarifado);
b) acrescentar o valor unitário dos bens, de acordo com os critérios exigidos pela legislação do
Imposto de Renda, quando discrepante dos critérios previstos na legislação do IPI/ICMS, con-
duzindo-se ao valor contábil dos estoques. Esse acréscimo é autorizado pelo Convênio Sinief
de 1970, art. 63, § 12, como “Outras indicações” e deve ser informado no campo 11 - VL_ITEM_IR
do Registro H010 - Inventário.

As pessoas jurídicas do segmento de construção civil dispensadas de apresentar a Escrituração


Fiscal Digital (EFD) pelos estados e obrigadas a escriturar o livro Registro de Inventário devem apre-
sentá-lo na Escrituração Contábil Digital (ECD), como um livro auxiliar (Instrução Normativa RFB nº
1.774/2017, art. 3º, § 3º).

3.1.1 Registro H001 - Abertura do Bloco H

Este registro deve ser gerado para abertura do Bloco H, indicando se há informações no bloco.
Obrigatoriamente, deverá ser informado “0” no campo IND_MOV no período de referência fevereiro de
cada ano.

A pessoa jurídica que apresenta inventário com periodicidade anual ou trimestral, caso apresente
o inventário de 31 de dezembro na EFD-ICMS IPI de dezembro ou janeiro, deve repetir a informação na
escrituração de fevereiro.

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM. DEC. OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “H001” C 004 - O

02 IND_MOV Indicador de movimento: C 001* - O


0 - Bloco com dados informados
1 - Bloco sem dados informados

Observações:

Nível hierárquico - 1

Ocorrência - um por Arquivo

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [H001]


112 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Campo 02 (IND_MOV) - Valores Válidos: [0,1]

Validação: se preenchido com “1” (um), devem ser informados os Registros H001 e H990 (encer-
ramento do bloco), significando que não há escrituração de inventário. Se preenchido com “0” (zero),
então deverá ser informado pelo menos um registro além do Registro H990 (encerramento do bloco).

No Programa Validador gratuito disponível no “Portal Nacional do Sped”, os registros de abertura


e encerramento são preenchidos automaticamente pelo sistema.

Observar que o contribuinte obrigado a apresentar inventário com periodicidade anual ou tri-
mestral, caso apresente o inventário em 31/12 na EFD (ICMS/IPI) de dezembro ou janeiro, deve repetir a
informação na escrituração de fevereiro.

3.2. Registro H005 - Totais do inventário

Este registro deve ser apresentado para discriminar os valores totais dos itens/produtos do inven-
tário realizado em 31 de dezembro de cada exercício, ou nas demais datas estabelecidas pela legislação
fiscal ou comercial.

O inventário deve ser apresentado no arquivo da EFD-ICMS/IPI até o segundo mês subsequente
ao evento. Ex.: inventário realizado em 31.12.2017 deve ser apresentado na EFD-ICMS/IPI de período de
referência fevereiro de 2018.

As empresas que exerçam as atividades descritas na Classificação Nacional de Atividades Eco-


nômicas-Fiscal (CNAE-Fiscal) sob os códigos 4681-8/01 (comércio atacadista de álcool carburante, bio-
diesel, gasolina e demais derivados de petróleo, exceto lubrificantes, não realizado por transportador
retalhista - TRR) e 4681-8/02 (comércio atacadista de combustíveis realizado por transportador reta-
lhista - TRR) devem apresentar este registro, mensalmente, para discriminar os valores itens/produtos
do inventário realizado ao final do mesmo período de referência do arquivo da EFD-ICMS/IPI. Informar
como MOT_INV o código “01”. Por exemplo, o inventário realizado no final do mês de janeiro deverá ser
apresentado na escrituração do mês de janeiro.

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM. DEC. OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “H005” C 004 - O

02 DT_INV Data do inventário N 008* - O

03 VL_INV Valor total do estoque N - 02 O

04 MOT_INV Informe o motivo do Inventário: C 002* - O


01 - No final no período;
02 - Na mudança de forma de tributação da mercadoria
(ICMS);
03 - Na solicitação da baixa cadastral, paralisação tempo-
rária e outras situações;
04 - Na alteração de regime de pagamento - condição do
contribuinte;
05 - Por determinação dos fiscos.

Observações:

Nível hierárquico - 2

Ocorrência - 1:N
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 113

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [H005]

Campo 02 (DT_INV) - Preenchimento: informar a data do inventário no formato “ddmmaaaa”, sem


separadores de formatação.

Validação: o valor informado no campo deve ser menor ou igual ao valor no campo DT_FIN do
Registro 0000. O inventário (MOT_INV = 1) não pode ser apresentado depois do 2º mês subsequente à
data informada no campo 02 (DT_INV).

Campo 03 (VL_INV) - Validação: deve ser igual à soma do campo VL_ITEM do Registro H010. Se
não houver Registro H010, o valor neste campo deverá ser “0” (zero).

Campo 04 (MOT_INV) - Valores Válidos: [01, 02, 03, 04, 05]

Preenchimento: Informe o motivo do Inventário:

01 - no final no período - quando se tratar do estoque final mensal ou outra periodicidade. Deverá
ser informado pela empresa que está obrigada a inventário periódico ou que espontaneamente queira
apresentá-lo;

02 - na mudança de forma de tributação da mercadoria - quando, por exigência da legislação ou


por regime especial, houver alteração da forma de tributação da mercadoria. Neste caso, se a legis-
lação determinar, o inventário poderá ser parcial. Exemplo: mercadoria no sistema de tributação por
conta corrente fiscal (crédito e débito) e a legislação passa a cobrar o ICMS por substituição tributária.
Exemplo: Exclusão de mercadoria do regime de substituição tributária de ICMS;

03 - na solicitação de baixa cadastral - por ocasião da solicitação da baixa cadastral, paralisação


temporária e outras situações;

04 - na alteração de regime de pagamento - condição do contribuinte - quando o contribuinte


muda de condição, alterando o regime de pagamento. Exemplo: mudança da condição “Normal” por
inclusão no “Simples Nacional” ou inclusão em “Regime Especial”;

05 - por solicitação da fiscalização - quando se tratar de solicitação específica da fiscalização.

Visualizando o Registro:

3.3. Registro H010 - Inventário

Este registro deve ser informado para discriminar os itens existentes no estoque na data do inven-
tário. Este registro não pode ser fornecido se o campo 03 (VL_INV) do Registro H005 for igual a “0” (zero).
114 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Desde o ano-calendário de 2015, caso a pessoa jurídica utilize o Bloco H para atender à legislação
do Imposto de Renda, especificamente, o art. 261 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), esta
deverá informar neste registro, além dos itens exigidos pelas legislações do ICMS e do IPI, aqueles bens
exigidos pela legislação do Imposto de Renda., quais sejam:
a) os bens cujo arrolamento não é exigido para fins do IPI/ICMS, mas apenas pela legislação do
Imposto de Renda (bens em almoxarifado);
b) o valor unitário dos bens, de acordo com os critérios exigidos pela legislação do Imposto de
Renda, quando discrepante dos critérios previstos na legislação do IPI/ICMS, conduzindo-se
ao valor contábil dos estoques. Tal acréscimo é autorizado pelo § 12 do art. 63 do próprio Con-
vênio Sinief s/nº, de 15.12.1970 como “outras indicações”.

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM. DEC. OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “H010” C 004 - O

02 COD_ITEM Código do item (campo 02 do Registro 0200) C 060 - O

03 UNID Unidade do item C 006 - O

04 QTD Quantidade do item N - 03 O

05 VL_UNIT Valor unitário do item N - 06 O

06 VL_ITEM Valor do item N - 02 O

07 IND_PROP Indicador de propriedade/posse do item: C 001* - O


0 - Item de propriedade do informante e em seu poder;
1 - Item de propriedade do informante em posse de terceiros;
2 - Item de propriedade de terceiros em posse do informante.

08 COD_PART Código do participante (campo 02 do Registro 0150): C 060 - OC


- proprietário/possuidor que não seja o informante do arqui-
vo

09 TXT_COMPL Descrição complementar C - - OC

10 COD_CTA Código da conta analítica contábil debitada/creditada C - - OC

11 VL_ITEM_IR Valor do item para efeitos do Imposto de Renda N - 02 OC

Observações:

Nível hierárquico - 3

Ocorrência - 1:N

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [H010].

Campo 02 (COD_ITEM) - Validação: o valor informado no campo deve existir no campo COD_ITEM
do Registro 0200.

Campo 03 (UNID) - Validação: o valor deve ser informado no Registro 0200, campo UNID_INV.

Campo 07 (IND_PROP) - Valores Válidos: [0, 1, 2].

Validação: se preenchido com valor ‘1’ (posse de terceiros) ou ‘2’ (propriedade de terceiros), o cam-
po COD_PART será obrigatório.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 115

Campo 08 (COD_PART) - Preenchimento obrigatório quando o indicador de propriedade do item


do campo 07 for “1” ou “2”.

Validação: o valor fornecido deve constar no campo COD_PART do Registro 0150.

Campo 10 (COD_CTA) - Preenchimento: informar o código da conta contábil analítica correspon-


dente. Deve ser a conta credora ou devedora principal, podendo ser informada a conta sintética (nível
acima da conta analítica). Nas situações de um mesmo código de item possuir mais de uma destinação
deve ser informada a conta referente ao item de maior relevância. Este campo é obrigatório somente
para os perfis A e B.

Campo 11 (VL_ITEM_IR) - Preenchimento: válido desde 1º.01.2015. É igual ao campo 06 - VL_ITEM


com adições ou exclusões previstas no RIR/1999. Informar o valor do item utilizando os critérios previs-
tos na legislação do Imposto de Renda, especificamente arts. 292 a 297 do RIR/1999, por vezes, discre-
pantes dos critérios previstos na legislação do IPI/ICMS, conduzindo-se ao valor contábil dos estoques.
Esse acréscimo é autorizado pelo Convênio Sinief de 1970, art. 63, § 12, como “Outras indicações”. Um
exemplo de diferença entre as legislações é o valor do ICMS recuperável mediante crédito na escrita
fiscal do adquirente, que não integra o custo de aquisição para efeito da legislação do Imposto de Ren-
da. O montante desse imposto, destacado em nota fiscal, deve ser excluído do valor dos estoques para
efeito do Imposto de Renda. Tratamento idêntico deve ser aplicado ao PIS/Pasep e à Cofins não cumu-
lativos, instituídos pelas Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Observe-se, porém, que
as legislações do IPI e do ICMS não contemplam essas exclusões. Trata-se dos valores para fins fiscais
não contemplando as informações da contabilidade societária.

Visualizando o Registro H010

3.4. Registro H020 - Informação complementar do inventário

Este registro deve ser preenchido para complementar as informações do inventário, quando o
campo MOT_INV do Registro H005 for de “02” a “05”, não devendo ser preenchido, todavia, se o campo
03 (VL_INV) do Registro H005 for igual a “0” (zero).

No caso de mudança da forma de tributação do ICMS da mercadoria (MOT_INV=2 do H005),


somente deverá ser gerado esse registro para os itens que sofreram alteração da tributação do ICMS.
116 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM. DEC. OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “H020” C 004 - O

02 CST_ICMS Código da Situação Tributária referente ao ICMS, conforme N 003* - O


a Tabela indicada no item 4.3.1

03 BC_ICMS Informe a base de cálculo do ICMS N - 02 O

04 VL_ICMS Informe o valor do ICMS a ser debitado ou creditado N 02 O

Nível hierárquico - 4

Ocorrência - 1:N

Campo 02 (CST_ICMS) - Preenchimento: informar o código CST (sob o enfoque do declarante)


aplicável ao item, válido na data do levantamento do estoque. Se MOT_INV = 2 ou 4 (campo 04 do Regis-
tro H005), informar o CST aplicável ao item, depois da alteração.

Campo 03 (BC_ICMS) - Preenchimento: informar a base de cálculo aplicável ao item (valor uni-
tário). Se MOT_INV = 2 ou 4 (campo 04 do Registro H005), informar a base de cálculo aplicável ao item
(valor unitário), depois da alteração.

Campo 04 (VL_ICMS) - Preenchimento: informar o ICMS aplicável ao item (valor unitário), utilizan-
do a alíquota interna. Se MOT_INV = 2 ou 4 (campo 04 do Registro H005), informar o ICMS aplicável ao
item (valor unitário), depois da alteração.

Visualizando o Registro:

3.5. Registro H990 - Encerramento do Bloco H

Este registro destina-se a identificar o encerramento do Bloco H e a informar a quantidade de


linhas (registros) existentes no bloco.

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM. DEC. OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “H990” C 004 - O

02 QTD_LIN_H Quantidade total de linhas do Bloco H N - - O

Observações:

Nível hierárquico - 1 Ocorrência - um por arquivo

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [H990]


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 117

Campo 02 (QTD_LIN_H) - Preenchimento: a quantidade de linhas a ser informada deve considerar


também os próprios registros de abertura e encerramento do bloco.

Validação: o número de linhas (registros) existentes no Bloco H é igual ao valor informado no cam-
po QTD_LIN_H.

3.6. Exemplo de arquivo “txt”


Para fins de visualização dos lançamentos do Bloco H, reproduzimos a seguir representação de
arquivo-texto (“TXT”) e o seu correspondente detalhamento:
• Representação:
• |H001|0|
• |H005|31122017|10.000,00|
• |H010|TR|MT|100|100,00|1000,00|0|||10203|8200,00
• |H990|10|

3.7. Avaliação de estoques


Segundo a legislação societária (art. 183, II, da Lei nº 6.404/1976), os direitos que tiverem por objeto
mercadorias e produtos do comércio da companhia, assim como matérias-primas, produtos em fabrica-
ção e bens em almoxarifado, pelo custo de aquisição ou produção, deduzido de provisão para ajustá-lo
ao valor de mercado, quando este for inferior.
Diversos critérios de avaliação podem ser adotados, os quais, entretanto, conduzem a resultados
diferentes. Tais critérios são adotados segundo as peculiaridades da empresa, seu grau de controle e de
organização, permitindo aplicar o critério com economia de tempo e de trabalho ou demonstrar seus
resultados de uma forma que ela considera mais adequada ou mais representativa.
Afastando-se um pouco da questão da aceitabilidade dos diversos critérios por parte das
autoridades fiscais, é importante notar que o critério de avaliação adotado seja uniforme no tempo, ou
seja, uma vez feita a opção por um deles, este deve ser conservado período após período, para que os
resultados que vierem a ser apurados sejam comparativamente uniformes. Caso isso não ocorra, há o
risco de se chegar a um resultado operacional inteiramente irreal, por mérito exclusivo da mudança do
critério de avaliação dos estoques, de um período para outro.
Isso não significa que as mudanças sejam proibidas. Pelo contrário, elas são desejáveis quando
concorrem para facilitar as operações ou para melhorar a apresentação das demonstrações contábeis.
Contudo, quando isso ocorrer, seus efeitos devem ser quantificados e revelados pela nota explicativa.
Embora já exista um acordo geral quanto aos princípios que norteiam a determinação dos custos
dos estoques, diferentes conceitos e certas limitações práticas resultam em variações na execução
desses princípios, mesmo quando diz respeito aos custos de aquisição facilmente identificados. Pro-
curando evitar que as diferentes aplicações desses princípios afetem significativamente a apuração
dos resultados, a legislação societária e fiscal entra em cena determinando os métodos de avaliação
e critérios a serem utilizados para fins de custo dos estoques, isso porque, embora se avaliem os fatos
contábeis em termos monetários, a moeda não é um padrão uniforme para avaliação em períodos de
alteração de preço.
Assim, para apurar o custo das mercadorias ou produtos vendidos, é necessário fazer um levanta-
mento daqueles que estão no estoque e dar-lhes valor, ou seja, avaliá-los conforme as regras dispostas
nos arts. 292 a 298 do RIR/1999, comentadas adiante.
118 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

3.7.1. Avaliação de estoques de matérias-primas, mercadorias para revenda e materiais de


consumo
Os arts. 293 e 295 do RIR/1999, combinados com o Parecer Normativo CST nº 6/1979, estabelecem
que as mercadorias para revenda, as matérias-primas utilizadas na produção e os materiais de consumo
próprio que se encontram no almoxarifado devem ser avaliados por um dos 3 métodos descritos nos
subitens a seguir.

3.7.2. Avaliação pelo custo médio de aquisição


É o método mais utilizado no Brasil, e consiste em atribuir aos bens em estoque e, consequente-
mente, aos bens vendidos ou utilizados na produção, um valor unitário obtido pela média dos respecti-
vos custos de aquisição, sendo admitido somente às empresas que mantêm tem controle permanente
dos estoques.

Este método consiste em avaliar o estoque a custo médio de aquisição, apurado em cada entrada
de mercadoria ou matéria-prima, ponderado pelas quantidades adicionais e pelas anteriores existentes.
Por esse critério, cada entrada (a custo diferente do custo médio anterior) modifica o custo médio, e
cada saída, enquanto mantenha inalterado o custo médio, altera o fator de ponderação e, consequente-
mente, altera também o custo médio que for calculado na entrada seguinte.

A título de exemplo, consideremos a seguinte movimentação no estoque de determinada merca-


doria:
a) em 1º.12.20x1: compra de 120 unidades, ao custo unitário de R$ 800,00;
b) em 08.12.20x1: compra de 80 unidades, ao custo unitário de R$ 805,00;
c) em 10.12.20x1: venda de 100 unidades;
d) em 16.12.20x1: compra de 100 unidades, ao custo unitário de R$ 810,00;
e) em 20.12.20x1: venda de 100 unidades;
f) em 23.12.20x1: compra de 100 unidades, ao custo unitário de R$ 815,00;
g) em 30.12.20x1: venda de 100 unidades.

Aplicando-se a técnica do custo médio permanente, esse movimento serie registrado da seguinte
forma:
ENTRADAS SAÍDAS SALDOS

DATA HISTÓRICO CUSTO CUSTO CUSTO


QTD. UNITÁRIO TOTAL R$ QTD. MÉDIO TOTAL R$ QTD. MÉDIO TOTAL R$
R$ R$ R$

1º.12.20x1 Compra 120 800,00 96.000,00 120 800,00 96.000,00

08.12.20x1 Compra 80 805,00 64.400,00 200 802,00 160.400,00

10.12.20x1 Venda 100 802,00 80.200,00 100 802,00 80.200,00

16.12.20x1 Compra 100 810,00 81.000,00 200 806,00 161.200,00

20.12.20x1 Venda 100 806,00 80.600,00 100 806,00 80.600,00

23.12.20x1 Compra 100 815,00 81.500,00 200 810,50 162.100,00

30.12.20x1 Venda 100 810,50 81.050,00 100 810,50 81.050,00

Totais 400 322.900,00 300 241.850,00 100 810,50 81.050,00


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 119

Conforme demonstrado, cada entrada a custo unitário de aquisição diferente do custo médio
anterior implica ajuste ao custo médio. Como o custo médio resulta da divisão do saldo monetário pelo
saldo físico, cada saída, conquanto mantenha inalterado o custo médio, altera o fator de ponderação,
influindo, assim, no cálculo do custo médio na entrada seguinte.

3.7.3. Com base nos custos das aquisições mais recentes (método Peps)

Por esse método, conhecido pela abreviatura Peps (Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair), que
corresponde à tradução do inglês First In, First Out, as saídas de estoque são avaliadas pelos respectivos
custos de aquisição, pela ordem de entrada; dessa forma, o estoque sempre será avaliado pelos custos
das aquisições mais recentes.

Nesse método, assume-se que os fatores de custo fluem em estrita ordem cronológica em função
da data de aquisição de cada unidade - a primeira unidade comprada é a primeira a ser utilizada. Lite-
ralmente, admite-se que o fluxo se movimenta como uma fileira de soldados. Ele se baseia no princípio
de que o custo deve ser carregado pelo valor efetivo do material consumido na produção, pressupondo
que os primeiros materiais a serem usados na produção são os mais antigos do estoque.

Aplicando-se o método Peps, para registro da movimentação de estoques mencionada no subi-


tem 4.7.2, teríamos:

ENTRADAS SAÍDAS SALDOS

DATA HISTÓRICO CUSTO CUSTO CUSTO


QTD. UNITÁRIO TOTAL R$ QTD UNITÁRIO TOTAL R$ QTD. UNITÁRIO TOTAL R$
R$ R$ R$

1º.12.20x1 Compra 120 800,00 96.000,00 120 800,00 96.000,00

08.12.20x1 Compra 80 805,00 64.400,00 120 800,00 96.000,00


80 805,00 64.400,00
200 160.400,00

10.12.20x1 Venda 100 800,00 80.000,00 20 800,00 16.000,00


80 805,00 64.400,00
100 80.400,00

16.12.20x1 Compra 100 810,00 81.000,00 20 800,00 16.000,00


80 805,00 64.400,00
100 810,00 81.000,00
200 161.400,00

20.12.20x1 Venda 20 800,00 16.000,00 100 810,00 81.000,00


80 805,00 64.400,00
100 80.400,00

23.12.20x1 Compra 100 815,00 81.500,00 100 810,00 81.000,00


100 815,00 81.500,00
200 162.500,00

30.12.20x1 Venda 100 810,00 81.000,00 100 815,00 81.500,00

Totais 400 322.900,00 300 241.400,00 100 815,00 81.500,00

3.7.4. Método do preço de venda a varejo

Esse método originou-se da necessidade de controle para empresas comerciais com um


elevadíssimo número de itens de estoque à venda, como lojas de departamentos, supermercados,
120 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

magazines etc. Trata-se de uma avaliação a valores de entrada (na linha do custo) pela média ponderada
móvel, apesar de os controles serem a preços de venda.

O método do preço de venda a varejo é adotado quando a aplicação dos métodos tradicionais
torna-se extremamente difícil, tendo em vista a impossibilidade de manter um controle permanente dos
estoques. Essa impossibilidade ocorre por causa do elevado número de diferentes itens transacionados,
a existência de vários pontos de estoque com os mesmos produtos, a dificuldade de avaliação dos
estoques ao custo (decorrente do elevado número de compras) etc., inviabilizando, assim, uma forma
de controle mais rígida, sendo os custos de manutenção dos controles considerados superiores aos
benefícios oferecidos.

O método consiste na apuração do total do estoque a preço de venda por meio de contagem física,
ou por meio de controles permanentes valorizados aos preços unitários de venda, que são convertidos
a valores de entrada mediante sua multiplicação por um quociente médio do custo com relação aos
preços de venda a varejo para o período corrente. Essa forma de controle e avaliação representa avaliar
os estoques finais aos preços aproximados de custo, pois dos estoques valorizados a preços de venda
elimina-se, por totais, a margem de lucro, apurando assim os estoques finais a preço de custo.

É importante observar que este critério de avaliação, com base no preço de venda, subtraído da
margem de lucro, por motivos óbvios, não se aplica aos estoques de insumos da produção (matérias-
-primas etc.), para os quais, para efeitos fiscais, só cabe a avaliação pelo custo médio ou pelo Peps.

3.7.5. Registro permanente de estoques

3.7.5.1. Aspectos formais e critérios de registro

O registro permanente de estoques pode ser feito em livros, fichas (Kardex) ou formulários contí-
nuos emitidos por sistema de processamento de dados, cujos modelos são de livre escolha da empresa
(Parecer Normativo CST nº 6/1979).

Para cada espécie de bem estocado, deve ser aberta ficha própria (ou página do livro, se for o
caso), na qual as entradas e as saídas serão registradas em ordem cronológica.

O custo das mercadorias vendidas ou das matérias-primas utilizadas na produção deverá corres-
ponder à soma dos valores lançados durante o período de apuração de resultado na coluna “Saídas”.

No registro de estoque de matérias-primas, as saídas são lançadas com base nas requisições de
materiais transferidos para a produção.

O livro ou as fichas de estoque não necessitam ser autenticados, mas os respectivos registros
deverão ser mantidos em boa guarda durante o prazo prescricional aplicável ao Imposto de Renda, para
eventual exibição aos agentes do Fisco (RIR/1999, art. 264).

3.7.5.2. Registro de devoluções

Nos casos de devolução de mercadorias ao fornecedor ou de recebimento de devolução de clien-


tes, ocorridos depois de terem sido efetuados os registros da entrada ou da saída, respectivamente, na
ficha de estoque, tecnicamente, devem ser observados os seguintes procedimentos:
a) as devoluções ao fornecedor devem ser lançadas na ficha de estoque na coluna “Entradas”,
negativamente (entre parênteses), e não na coluna “Saídas”;
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 121

b) as devoluções recebidas de clientes são lançadas na coluna “Saídas”, também negativa-


mente.

Com a adoção de tais procedimentos, a soma das “Entradas” corresponderá ao valor das compras
líquidas e a das “Saídas” equivalerá ao valor do custo das mercadorias vendidas, registradas na conta-
bilidade.

3.7.5.3. Valor das devoluções

Quanto ao valor a ser atribuído às devoluções, observe-se que:


a) o valor da devolução ao fornecedor será o mesmo pelo qual tiver sido registrada a compra das
mercadorias devolvidas;
b) o valor da devolução de cliente será aquele pelo qual foi registrada a respectiva saída, sendo
irrelevante o preço médio (se adotado esse critério de avaliação de estoque) vigente na data
do registro da devolução.

É oportuno observar, também, que o lançamento da devolução implica ajuste no custo médio
em virtude da alteração nos saldos físico e monetário, mas não há necessidade de se refazer a ficha de
estoque, recalculando toda a movimentação a partir da data da compra ou da venda, conforme o caso.

3.7.6. Inexistência de registro permanente de estoques

Se a empresa não possuir registro permanente, não poderá adotar o critério de avaliação de esto-
que com base no custo médio (Parecer Normativo CST nº 6/1979).

Nesse caso, efetuado o inventário do estoque existente na data de encerramento do período-


-base, as quantidades encontradas, por contagem física, serão avaliadas segundo os preços unitários
praticados nas compras mais recentes, constantes de notas fiscais (excluindo-se o valor do IPI e do
ICMS, quando recuperáveis, e da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas).

3.7.6.1. Avaliação de unidades inventariadas

Admitamos que, na contagem física de determinada espécie de mercadoria ou matéria-prima,


foram encontradas 200 unidades. Na última compra desse bem, efetuada antes do encerramento do
período de apuração do resultado, foram adquiridas 120 unidades, ao custo unitário de R$ 25,00, e na
compra imediatamente anterior foram adquiridas 150 unidades, ao custo unitário de R$ 23,50 (em am-
bos os casos, já excluídos os impostos recuperáveis).

Nesse caso, as 200 unidades inventariadas são avaliadas da seguinte forma:

120 unidades (total da última compra) a R$ 25,00 R$ 3.000,00

80 unidades (parte da penúltima compra) a R$ 23,50 R$ 1.880,00

Custo total das 200 unidades R$ 4.880,00

Caso as duas últimas aquisições tivessem somado uma quantidade inferior à inventariada, tería-
mos de nos reportar, sucessivamente e pela ordem, às compras imediatamente anteriores, tomando por
base sempre o custo da aquisição (excluídos os impostos recuperáveis).
122 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

3.7.7. Produtos acabados e em elaboração

De acordo com o RIR/1999, art. 290, e o Parecer Normativo CST nº 6/1979, nas empresas que ex-
ploram atividade industrial, o custo dos produtos fabricados deve ser determinado com observância do
método conhecido como custeio por absorção (também chamado de custeio pleno ou integral), não
sendo admitida, para efeitos fiscais, a adoção do custeio direito ou variável.

Portanto, o custo de produção deve compreender, além da matéria-prima e da mão de obra direta
empregada (custos diretos), os chamados gastos gerais de fabricação (custos indiretos).

3.7.7.1. Componentes obrigatórios do custo de produção

Nos termos do art. 290 do RIR/1999, devem integrar obrigatoriamente o custo dos produtos:
a) custo de aquisição de matérias-primas empregadas e de quaisquer outros bens ou serviços
aplicados ou consumidos na produção;
b) o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda
das instalações de produção;
c) os custos de locação, manutenção e reparo e encargos e depreciação dos bens aplicados na
produção;
d) os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; e
e) os encargos de exaustão dos recursos naturais empregados na produção.

Notas
(1) Essa relação não é exaustiva e, portanto, comporta outros elementos que na prática sejam identificados como for-
madores do custo.
(2) A obrigatoriedade de computar no custo da produção os encargos de depreciação e exaustão não se estende à
depreciação acelerada admitida a título de incentivo fiscal nem à exaustão mineral incentivada calculada com base na
receita bruta (na parte que exceder a quota de exaustão com base no custo de aquisição dos direitos minerais), que
devem ser registradas apenas no Livro de Apuração do Lucro Real (RIR/1999, arts. 313, § 1º, e 331, § 6º; Parecer Normativo
CST nº 96/1978).

3.7.7.2. Bens de consumo eventual

Conforme previsto no parágrafo único do RIR/1999, art. 290, a aquisição de bens de consumo
eventual cujo valor não exceda 5% do custo total dos produtos vendidos no período de apuração ante-
rior poderá ser registrada diretamente como custo.

Isso significa que a compra de materiais de consumo eventual, desde que não excedente ao valor
do limite fixado, poderá ser imputada imediatamente ao custo da produção, ainda que os materiais não
tenham sido imediata e integralmente empregados ou consumidos. Essa permissão tem por finalidade
desobrigar a empresa do esforço administrativo do controle de referidos materiais em contas de esto-
que.

Alerte-se, entretanto, que somente poderão ser enquadrados como de consumo eventual os ma-
teriais utilizados de forma esporádica no processo produtivo, os quais, normalmente, a empresa não
empregaria na obtenção do produto, tais como (Parecer Normativo CST nº 70/1979):
a) materiais destinados a restaurar a integridade ou a apresentação de produtos danificados;
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 123

b) embalagem especial (utilizada, por exemplo, para atender a determinadas necessidades de


transporte);
c) produtos para retificar deficiências reveladas pelas matérias-primas ou produtos intermediá-
rios etc.

Nota
Os materiais cujo uso é previsível no processo produtivo e que são periodicamente empregados ou regularmente con-
sumidos na produção, ainda que de forma intermitente, não poderão ser considerados como de consumo eventual.
Tais materiais, independentemente de limite de valor, somente poderão ser computados no custo da produção quando
forem efetivamente empregados ou consumidos (Parecer Normativo CST nº 70/1979).

3.7.7.3. Custo-padrão

A apuração de custos com base em padrões preestabelecidos (custo padrão ou standard), que
muitas empresas adotam como instrumento de controle de gestão, é aceita para efeitos fiscais, desde
que (Parecer Normativo CST nº 6/1979):

I - o padrão preestabelecido incorpore todos os elementos constitutivos do custeio por absorção


(matéria-prima, mão de obra e gastos gerais de fabricação);

II - as variações de custos (negativas e positivas) sejam distribuídas aos produtos de modo que a
avaliação final dos estoques não difira da que seria obtida com o emprego do custo real;

III - as variações de custos sejam identificadas em nível de item final de estoque de forma a per-
mitir a verificação do critério de neutralidade do sistema adotado de custos sobre a valoração dos in-
ventários.

Segundo, ainda, o mencionado Parecer Normativo, a distribuição das variações entre os produtos
(em processo e acabados) em estoque e o custo dos produtos vendidos deverá ser feita em intervalos
não superiores a 3 meses ou em intervalos de maior duração, desde que, em qualquer caso, não seja
excedido qualquer um dos seguintes prazos:
a) o período de apuração do lucro real;
b) o ciclo usual de produção, assim entendido o tempo normalmente despendido no processo
industrial do produto avaliado.

3.7.8. Avaliação dos estoques de produtos com base em contabilidade de custos

Segundo o RIR/1999, art. 294, § 1º, a empresa industrial que mantiver sistema de contabilidade de
custos integrado e coordenado com o restante da escrituração poderá utilizar os custos apurados con-
tabilmente para avaliação dos estoques de produtos acabados e em elaboração.

3.7.8.1. Sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escritu-


ração

Considera-se sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escri-


turação aquele que, cumulativamente (RIR/1999, art. 294, § 2º):
a) seja apoiado em valores originados da escrituração contábil (matéria-prima, mão de obra dire-
ta e gastos gerais de fabricação);
124 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

b) permita a determinação contábil, ao fim de cada mês, do valor dos estoques de matérias-
-primas e outros materiais, produtos em elaboração e produtos acabados;
c) seja apoiado em livros auxiliares, ou fichas, ou formulários contínuos, ou mapas de apropriação
ou rateio, tidos em boa guarda e de registros coincidentes com aqueles constantes da escritu-
ração principal;
d) permita avaliar os estoques existentes na data de encerramento do período de apropriação de
resultados segundo os custos efetivamente incorridos.

Os lançamentos contábeis de custos podem ser feitos mensalmente ou em períodos menores,


desde que apoiados em comprovantes e demonstrativos adequados (Parecer Normativo CST nº 6/1979).

3.7.8.2. Necessidade da existência de registro permanente de estoques

O sistema integrado de custos pressupõe a existência de controle escritural permanente de esto-


ques, sendo incompatível com tal sistema a avaliação de estoque baseada em contagem física (Parecer
Normativo CST nº 6/1979).

Nas fichas de estoque de produtos acabados, as entradas serão avaliadas com base nos valores
apurados por meio do sistema de custos integrado com a escrituração, e as saídas serão avaliadas com
base no custo médio de produção ou pelo custo das produções mais antigas (Peps ou Fifo), ficando o
estoque final, consequentemente, avaliado pelo custo médio ponderado de produção ou pelo custo das
produções mais recentes, respectivamente.

3.7.9. Arbitramento do valor do estoque de produtos acabados e em fabricação

De acordo com o RIR/1999, art. 296, se a empresa industrial não mantiver sistema de contabilida-
de de custos ou o sistema mantido não possuir os requisitos para ser considerado integrado e coorde-
nado com o restante da escrituração, os estoques existentes no final do período de apuração devem,
obrigatoriamente, ser avaliados de acordo com as regras examinadas nos subitens a seguir.

3.7.9.1. Produtos acabados

Os produtos acabados serão avaliados em 70% do maior preço de venda verificado no período-
-base, sem a inclusão do IPI, quando for o caso.

Saliente-se que, para esse fim, o maior preço de venda será tomado sem a inclusão apenas do IPI,
não se admitindo a exclusão de qualquer parcela a título de ICMS (RIR/1999, art. 296, § 1º).

Exemplo

Admitamos que na contagem física sejam encontradas 80 unidades de determinado produto, cujo
maior preço unitário de venda no período-base tenha sido R$ 500,00 (sem IPI).

Nesse caso, teríamos então:

Valor unitário atribuído ao produto (70% de R$ 500,00) R$ 350,00

Quantidade inventariada: 80 unidades x R$ 350,00 R$ 28.000,00


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 125

3.7.9.2. Produtos em elaboração

Os materiais que se encontrarem em processamento no setor de produção (produtos em elabo-


ração), na data de encerramento do período-base, deverão ser avaliados por um dos seguintes critérios:
a) uma vez e meia o maior custo de aquisição das matérias-primas adquiridas no período-base
(excluídos o IPI, o ICMS, o PIS/Pasep e a Cofins quando recuperáveis); ou
b) 80% do valor-base para avaliação dos produtos acabados, determinado de acordo com o crité-
rio exposto no subtópico anterior.

Exemplo

I - Avaliação com base no custo da matéria-prima:

Supomos que, no encerramento do seu período-base, uma indústria tenha em andamento uma
Ordem de Produção na qual foram empregados 300 kg do material “A” e 400 kg do material “B”. Consi-
derando que durante o período-base o maior custo de aquisição dessas matérias-primas (excluídos os
impostos recuperáveis) tenha sido de R$ 30,00 por quilograma (material “A”) e R$ 50,00 por quilograma
(material “B”), teríamos:

ORDEM DE PRODUÇÃO Nº 001


AVALIAÇÃO
MATÉRIAS-PRIMAS EMPREGADAS

MAIOR CUSTO
ESPÉCIE BASE: 150% VALOR TOTAL
REQUISIÇÃO QUANTIDADE UNITÁRIO DE
DE UNIDADE DO MC (B) (Q X B)
Nº (Q) AQUISIÇÃO (MC)
MATERIAL R$ R$
R$

001 “A” 300 Kg 30,00 45,00 13.500,00

002 “B” 400 Kg 50,00 75,00 30.000,00

Valor total desta Ordem de Produção 43.500,00

II - Avaliação com base no preço de venda do produto acabado:

Admitindo a existência de 30 unidades de determinado produto em fase de acabamento e consi-


derando que o maior preço de venda do produto acabado, no período-base, tenha sido de R$ 200,00 por
unidade (excluído o IPI), teríamos:

Maior preço de venda do produto acabado no período-base (sem IPI) R$ 200,00

Avaliação do produto acabado: 70% de R$ 200,00 R$ 140,00

Avaliação do produto em elaboração: 80% de R$ 140,00 R$ 112,00

Quantidade de produtos em elaboração: 30 unidades

Valor do estoque: 30 x R$ 112,00 R$ 3.360,00

Notas
(1) O valor unitário a ser atribuído ao produto em elaboração pode ser determinado simplesmente calculando-se 56% do
maior preço de venda do produto acabado: 56% de R$ 200,00 = R$ 112,00.
(2) O arbitramento do valor do estoque final, conforme explanado neste subtópico, somente se aplica às matérias-
-primas em processamento (produtos em elaboração), isto é, àquelas que estiverem sendo empregadas na produção
na data do encerramento do período-base; as matérias-primas estocadas devem ser avaliadas pelo custo médio (se a
empresa tiver registro permanente do estoque) ou pelo custo das aquisições mais recentes.
126 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

3.7.10. Contabilidade de custos integrada


De acordo com a legislação fiscal (art. 294 do RIR/1999, § 1º), a empresa que mantiver sistema de
contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração pode utilizar os custos
por ela apurados para avaliação dos estoques de produtos em fabricação e acabados.

Em resumo, segundo a interpretação fiscal, o sistema de contabilidade de custos integrado e


coordenado com o restante da escrituração é aquele:
• apoiado em valores originados da escrituração contábil (matéria-prima, mão de obra direta e
custos gerais de fabricação);
• que permite determinação contábil, ao fim de cada mês, do valor dos estoques de matérias-
-primas e outros materiais, produtos em elaboração e produtos acabados;
• apoiado em livros auxiliares, fichas, formulários contínuos ou mapas de apropriação ou rateio,
tidos em boa guarda e de registros coincidentes com aqueles constantes da escrituração con-
tábil;
• que permite avaliar os estoques existentes na data de encerramento do período-base de apro-
priação de resultados segundo os custos efetivamente incorridos.

Os estoques existentes na data de encerramento do período-base devem avaliados de acordo


com os critérios fixados no art. 295 do RIR/1999, combinado com o Parecer Normativo CST nº 6/1979,
que são:
a) matérias-primas:
a.1) pelo custo médio de aquisição; ou
a.2) pelo custo das aquisições mais recentes, conhecido também como Peps;
b) produtos acabados e em elaboração:
b.1) pelo custo médio da produção; ou
b.2) pelo custo das produções mais recentes, Peps.

Tratando-se de produtos acabados, é admitida, ainda, a avaliação com base no preço de venda,
subtraída a margem de lucro bruto, conhecido como mark-up. Este método de avaliação de estoques,
como regra, é mais viável nas empresas comerciais que tão somente revendem mercadorias.

Para as empresas industriais que tenham sistema de custo integrado à contabilidade, o mais viá-
vel é a avaliação pelo custo médio da produção apontado nos controles e nas planilhas preparadas pelo
departamento de custos.

3.8. Modelo Tradicional do Livro Registro de Inventário


No modelo tradicional do livro Registro de Inventário (sistema manual) encontraremos as seguin-
tes colunas:
a) na coluna “Classificação Fiscal”: código da TIPI em que os produtos estão classificados;
No Bloco H, esta informação será prestada no Registro H010, campo 02 “COD_ITEM”. O campo
em questão conterá o código estabelecido para a mercadoria previamente cadastrada no Re-
gistro 0200.
b) na coluna “Discriminação”: especificação que permita a perfeita identificação dos produtos
(espécie, qualidade, marca, tipo, modelo e número, se houver);
Informações consolidadas no Registro 0200.  
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 127

c) na coluna “Quantidade”: quantidade em estoque à época do balanço;


No Bloco H do Sped Fiscal, esta informação será prestada no campo 04 “QTD” do Registro
H010.
d) na coluna “Unidade”: especificação da unidade (quilograma, metro, litro etc.); No Bloco H, esta
informação é prestada no campo 03 “UNID” do Registro H010.
e) nas colunas sob o título “Valor”:
e.1) coluna “Unitário”: valor de cada unidade dos produtos pelo custo de aquisição ou de fabri-
cação ou pelo preço corrente no mercado ou bolsa, prevalecendo o critério de estimar-se
pelo preço corrente, quando este for inferior ao preço de custo; no caso de matérias-
-primas ou de produtos em fase de fabricação, o valor será o de seu preço de custo; No
Bloco H, equivale ao campo 05 “VL_UNIT” do Registro H010.
e.2) coluna “Parcial”: valor resultante da multiplicação da quantidade pelo valor unitário; e
e.3) coluna “Total”: soma dos valores parciais constantes do mesmo Código da TIPI; e
No Bloco H, não temos um campo equivalente a coluna “Parcial”, o contribuinte encontra-
rá apenas o campo 06 “VL_ITEM” do Registro H010.
f) na coluna “Observações”: anotações diversas.
No Registro H010, ainda encontraremos os campos:
07 (IND_PROP) e 08 (COD_PART) para indicar a propriedade ou a posse da mercadoria e quan-
do houver indicação de propriedade ou posse de terceiros deverá no campo 08 informar o
código de participante do Registro 0150;
09 descrição complementar, que poderá ser utilizado para complementar algum detalhamento
do item inventariado; o campo;
10 código da Conta Analítica contábil debitada/creditada;
11 valor do item para efeitos de Imposto de Renda (o valor com exclusão dos tributos tidos
como recuperáveis: Ex.: ICMS).

3.9. Simulando o preenchimento do Bloco H


Para exemplificarmos o preenchimento do Bloco H, vamos simular que a nossa empresa “Indústria
de Móveis Modelo”, em 31.12.2017, tem apenas um produto em estoque:

TECIDO RÚSTICO

O valor total do item em estoque nesta data resulta no valor de R$ 10.000,00, conforme demonstrado
no Registro H005, Registro Pai, onde teremos os valores totais dos itens/produtos, conforme demonstrado
a seguir:
128 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Tecido Rústico

Nota
Exemplo meramente ilustrativo com presunção de apenas um tipo de mercadoria no estoque.

O Registro H020 não foi preenchido, pois o motivo do inventário 01 indica “No final do Período”, não
sendo exigida informação complementar neste registro.
Capítulo 4
BLOCO K

4.1 Introdução

O livro Registro de Controle de Produção e Estoque, modelo 3, destina-se à escrituração dos do-
cumentos fiscais e dos documentos de uso interno do estabelecimento, correspondentes às entradas
e saídas, à produção e às quantidades relativas aos estoques de mercadorias.

Este modelo de livro fiscal é exigido das empresas;


a) com atividade industrial (art. 8º do Regulamento de IPI);
b) equiparadas à indústria (art. 9º do Regulamento de IPI); e
c) atacadistas (art. 14, I, do Regulamento de IPI)

Os contribuintes de ICMS e IPI obrigados a este modelo de livro fiscal podiam a critério da au-
toridade fiscal da circunscrição do estabelecimento autorizar a substituição por fichas desde que elas
fossem:
a) impressas com os mesmos elementos do livro substituído;
b) numeradas tipograficamente em ordem crescente de 1 a 999.999;
c) prévia e individualmente autenticadas pelo Fisco.

O contribuinte que optasse pela utilização de ficha deveria utilizar, ainda, ficha-índice previamente
visada pelo Fisco, na qual, observada a ordem crescente, registraria o uso de cada ficha.

As informações deveriam ser prestadas individualmente, ou seja, operação a operação, com utili-
zação de uma folha ou ficha para cada espécie, marca, tipo e modelo da mercadoria.

Apesar de constituir uma obrigação acessória dos contribuintes de ICMS e IPI há longa data, na
prática, não era executada a contento pela maioria dos estabelecimentos e pela dificuldade encontrada
pela fiscalização em promover real análise e cruzamentos de dados a partir de informações prestadas
neste Livro; em geral, não era verificada em detalhes pela fiscalização.

O Bloco K é a versão eletrônica e atualizada do livro Registro de Controle de Produção e Estoque.


Este bloco foi concebido para ser entregue todos os meses e conterá de maneira mais precisa as infor-
mações relativas ao processo produtivo da empresa declarante, ainda que parte do processo ou todo
ele seja realizado em estabelecimento de terceiros.

A obrigatoriedade do Bloco K manteve em princípio o mesmo critério já estabelecido na legislação


para o livro modelo 3. Estão obrigados ao preenchimento e envio das informações exigidas neste bloco
os estabelecimentos industriais, os equiparados a industriais e os estabelecimentos atacadistas, con-
tudo, a critério do Fisco, poderá ser exigido de estabelecimento de contribuintes de outros segmentos
econômicos (conforme § 4º do art. 63 do Convênio s/nº de 1970).
130 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

4.1.1 Histórico do Bloco K


O Conselho Nacional de Política Fazendária publicou o Ajuste Sinief nº 33/2013 com o objetivo de
introduzir o Bloco K na EFD, assim, em princípio, os contribuintes que eram obrigados à escrituração do
livro Registro de Controle de Produção e Estoque (modelo 3) em sistema manual ou por processamento
de dados e que entregavam a EFD passariam a preencher e entregar o novo bloco de informações.
Este Ajuste trazia inicialmente como data de início do Bloco K janeiro/2015. Posteriormente, foi
publicado o Ajuste Sinief nº 17/2014 para postergar o início de vigência para janeiro/2016.
Contudo, em face da conjuntura econômica vivida pelo nosso País em contraponto da necessida-
de de investimentos em tecnologia por parte dos contribuintes de ICMS e IPI para implantação do Bloco
K, a sua exigência foi novamente prorrogada para o ano de 2017, nos termos do Ajuste Sinief nº 13/2015.
Posteriormente, atendendo ao anseio desses mesmos contribuintes, foi estabelecido cronograma de
obrigatoriedade que leva em consideração a atividade da empresa (enquadramento conforme CNAE)
e o respectivo faturamento. Estas novas disposições foram fixadas pela publicação do Ajuste Sinief nº
25/2016, que, por sua vez, alterou a redação do § 7º da cláusula terceira do Ajuste Sinief nº 2/2009.

4.1.1.1 Critérios de Apresentação do Bloco K


A escrituração do Registro de Controle da Produção e do Estoque (RCPE), que corresponde ao
Bloco K da EFD, será exigido a partir de:
a) para os estabelecimentos industriais pertencentes a empresa com faturamento anual igual ou
superior a R$ 300.000.000,00:
a.1) 1º.01.2017, restrita à informação dos saldos de estoques escriturados nos Registros K200 e
K280, para os estabelecimentos industriais classificados nas divisões 10 a 32 da Classifi-
cação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE);
a.2) 1º.01.2019, correspondente à escrituração completa do Bloco K, para os estabelecimentos
industriais classificados nas divisões 11 e 12 e nos grupos 291, 292 e 293 da CNAE;
a.3) 1º.01.2020, correspondente à escrituração completa do Bloco K, para os estabelecimentos
industriais classificados nas divisões 27 e 30 da CNAE;
a.4) 1º.01.2021, correspondente à escrituração completa do Bloco K, para os estabelecimentos
industriais classificados na divisão 23 e nos grupos 294 e 295 da CNAE;
a.5) 1º.01.2022, correspondente à escrituração completa do Bloco K, para os estabelecimentos
industriais classificados nas divisões 10, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 24, 25, 26, 28, 31 e
32 da CNAE;
b) 1º.01.2018, restrita à informação dos saldos de estoques escriturados nos Registros K200 e
K280, para os estabelecimentos industriais classificados nas divisões 10 a 32 da CNAE perten-
centes a empresa com faturamento anual igual ou superior a R$ 78.000.000,00, com escritura-
ção completa, conforme escalonamento a ser definido; e
c) 1º.01.2019, restrita à informação dos saldos de estoques escriturados nos Registros K200 e
K280, para os demais estabelecimentos industriais classificados nas divisões 10 a 32; os esta-
belecimentos atacadistas classificados nos grupos 462 a 469 da CNAE e os estabelecimentos
equiparados a industrial, com escrituração completa conforme escalonamento a ser definido.

Conforme podemos verificar, foram estabelecidas duas formas de apresentação:


- a simplificada, composta apenas dos Registros K001 (Abertura do Bloco K); Registro K100 (Pe-
ríodo de Apuração do ICMS/IPI); Registro K200 (Estoque Escriturado) e Registro K280 (Corre-
ção de Apontamentos - Estoque Escriturado); e
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 131

- a completa, situação em que os contribuintes com atividade industrial deverão apresentar de


acordo com suas operações, além do registro de abertura:
- Registro K100 - para informar o período de apuração do ICMS/IPI;
- Registro K200 - informação do estoque final escriturado do período de apuração informado no
Registro K100;
- Registro K210 - Desmontagem de Mercadorias - Item de Origem;
- Registro K215 - Desmontagem de Mercadorias - Item de Destino;
- Registro K220 - Outras Movimentações Internas entre Mercadorias;
- Registro K230 - itens produzidos (produção acabada de produto em processo e produto aca-
bado);
- Registro K235 - consumo de mercadoria no processo produtivo, vinculado ao produto resultan-
te informado no COD_ITEM do Registro K230;
- Registro K250 - industrialização efetuada por terceiros - itens produzidos;
- Registro K255 - industrialização em terceiros - insumos consumidos;
- Registro K260 - Reprocessamento/Reparo de Produto/Insumo;
- Registro K265 - Reprocessamento/Reparo - Mercadorias Consumidas e/ou Retornadas;
- Registro K270 - Correção de Apontamento dos Registros K210, K220, K230, K250, K260; K291,
K292, K301 e K302;
- Registro K275 - Correção de Apontamento dos Registros K215, K220, K235, K255 e K265;
- Registro K280 - Correção de Apontamentos - Estoque Escriturado.
Nota
A partir da competência janeiro/2019, farão parte do Bloco K os registros a seguir descriminados e que executem ativi-
dade industrial por meio de produção conjunta:
Registro K290: Produção conjunta - Ordem de produção;
Registro K291: Produção conjunta - Itens produzidos;
Registro K292: Produção conjunta - Insumos consumidos;
Registro K300: Produção conjunta - Industrialização efetuada por terceiros;
Registro K301: Produção conjunta - Industrialização efetuada por terceiros - Itens produzidos; e
Registro K302: Produção conjunta - Industrialização efetuada por terceiros - Insumos consumidos.

Desta forma podemos resumir os critérios de obrigatoriedade conforme o quadro a seguir:

a) indústrias com faturamento anual igual ou acima de 300 milhões:


COMPETÊNCIA INICIAL INFORMAÇÃO CNAE
1º.01.2017 K200 e K280 Divisões 10 a 32.
1º.01.2019 Bloco K completo Divisões 11 e 12 (bebidas e fumo)
Grupos 291, 292 e 293 (automóveis, camionetes, utilitá-
rios, caminhões, ônibus, cabines, carrocerias, reboques).
1º.01.2020 Bloco K completo Divisões 27 e 30 (maquinas e outros equipamentos de
transporte).
1º.01.2021 Bloco K completo Divisões 23 (produtos de minerais não metálicos).
Grupos 294 e 295 (peças e acessórios automotivos e re-
cuperação de motores para veículos).
1º.01.2022 Bloco K completo Demais divisões:
10, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 24, 25, 26, 28, 31 e 32.
132 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

b) indústrias com faturamento anual igual ou acima de 78 milhões:


COMPETÊNCIA INICIAL INFORMAÇÃO CNAE
1º.01.2018 K200 e K280 Divisões 10 e 32.
- Bloco K completo Escalonamento a ser definido.

c) demais empresas:
COMPETÊNCIA INICIAL INFORMAÇÃO CNAE
1º.01.2019 K200 e K280 Divisões 10 e 32 (indústrias).
Grupos 462 a 469 (atacadistas).
Equiparadas a industrial
- Bloco K completo Escalonamento a ser definido.

Para determinação do início de entrega do Bloco K, o contribuinte deve considerar faturamento


a receita bruta de venda de mercadorias de todos os estabelecimentos da empresa no território na-
cional, industriais ou não, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas e os descontos
incondicionais concedidos.

O exercício de referência do faturamento deverá ser o 2º exercício anterior ao início de vigência


da obrigação.

4.1.1.2 Obrigatoriedade do Bloco K para o segmento de bebidas e cigarros


Os fabricantes de bebidas e de produtos do fumo devem apresentar o Bloco K, correspondente
aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º.12.2016.

A obrigatoriedade será exigida dos estabelecimentos industriais:


a) fabricantes de bebidas (divisão CNAE 11), excetuando-se os que fabricam exclusivamente
águas envasadas (classe CNAE 1121-6); e
b) fabricantes de produtos do fumo (grupo CNAE 122).

Para fins de cumprimento dessa obrigação, esses estabelecimentos deverão observar os critérios
previstos no art. 2º da Instrução Normativa RFB nº 1.672/2016, a saber:
a) para os fatos ocorridos entre 1º.12.2016 e 31.12.2018, a escrituração do Bloco K da EFD fica res-
trita à informação dos saldos de estoques escriturados nos Registros K200 e K280; e
b) para os fatos ocorridos a partir de 1º.01.2019, a escrituração do Bloco K da EFD deverá ser com-
pleta.

Cabe observar que a obrigação da escrituração do Bloco K, segundo os critérios apontados, inde-
pende de faixa de faturamento estabelecida na cláusula terceira do Ajuste Sinief nº 2/2009.

Ficam dispensadas dessa obrigação as microempresas (ME) e as empresas de pequeno porte


(EPP), como tal definidas pelo art. 3º da Lei Complementar nº 123/2006.

4.1.1.3 Obrigatoriedade do Bloco K para empresas habilitadas no Recof


As empresas habilitadas ao Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle
Informatizado (Recof), desde a publicação do Ajuste Sinief nº 1/2016, não tinham uma regra distinta para
entrega do Bloco K. Contudo, a Receita Federal, baseando-se na Instrução Normativa nº 1.612/2016, aler-
ta que exigirá, independentemente do faturamento, a entrega do Bloco K na sua versão completa para
as empresas enquadradas nesse regime.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 133

O Recof-Sped permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com sus-
pensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de
produtos, partes ou peças destinados à exportação ou ao mercado interno.

Para fins de aplicação dos benefícios do Recof, as operações de industrialização limitam-se a:


a) montagem;
b) transformação;
c) beneficiamento; e
d) acondicionamento e reacondicionamento.

As mercadorias importadas deverão destinar-se a produtos, partes ou peças de fabricação do


próprio beneficiário.

As operações de transformação, beneficiamento e montagem de partes e peças utilizadas na


montagem de produtos finais poderão ser realizadas total ou parcialmente por encomenda do benefi-
ciário a terceiro, habilitado ou não ao regime.

Poderão também ser admitidos no regime:


a) produtos e suas partes e peças, inclusive usadas, para serem:
a.1) submetidos a testes de performance, resistência ou funcionamento; ou
a.2) utilizados no desenvolvimento de outros produtos; e
b) mercadorias a serem utilizadas nas operações de montagem.

Nos termos do art. 15 da Instrução Normativa nº 1.612/2016, são requisitos para que a empresa
habilitada possa usufruir dos benefícios fiscais do Recof-Sped manter de forma segregada a escritura-
ção fiscal das operações promovidas pelos estabelecimentos autorizados a operar o regime e escriturar
o Bloco K.

4.1.1.4 Listas dos códigos da CNAE vinculados à apresentação do Bloco K

ATIVIDADE INDUSTRIAL
CÓDIGO DENOMINAÇÃO
10 Fabricação de produtos alimentícios
11 Fabricação de bebidas
12 Fabricação de produtos de fumo
13 Fabricação de produtos têxteis
14 Confecção de artigos do vestuário e acessórios
15 Preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados
16 Fabricação de produtos de madeira
17 Fabricação de celulose, papel e produtos de papel
18 Impressão e reprodução de gravações
19 Fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis
20 Fabricação de produtos químicos
21 Fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos
134 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

ATIVIDADE INDUSTRIAL
CÓDIGO DENOMINAÇÃO
22 Fabricação de produtos de borracha e de material plástico
23 Fabricação de produtos de minerais não metálicos
24 Metalúrgica
25 Fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos
26 Fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos
27 Fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos
28 Fabricação de máquinas e equipamentos
29 Fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias
30 Fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores
31 Fabricação de móveis
32 Fabricação de produtos diversos

ATIVIDADE COMERCIAL

CÓDIGO DENOMINAÇÃO

46.2 Comércio atacadista de matérias-primas agrícolas e animais vivos

46.3 Comércio atacadista especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo

46.4 Comércio atacadista de produtos de consumo não alimentar

46.5 Comércio atacadista de equipamentos e produtos de tecnologias de informação e comunicação

46.6 Comércio atacadista de máquinas, aparelhos e equipamentos, exceto de tecnologias de informação e comu-
nicação

46.7 Comércio atacadista de madeira, ferragens, ferramentas, material elétrico e material de construção

46.8 Comércio atacadista especializado em outros produtos

46.9 Comércio atacadista não especializado

4.1.2 Modelo tradicional de livro Registro de Controle de Produção e Estoque e Bloco K


REGISTRO DE CONTROLE DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE
MODELO 3
UNIDADE
PRODUTO CLASSIFICAÇÃO FISCAL

DOCUMENTO LANÇAMENTO ENTRADAS SAÍDAS


DATA REGISTROS CODIFICA- DIVER-
PRODUÇÃO (QUANTIDADE) PRODUÇÃO (QUANTIDADE) DIVERSAS
_____ FISCAIS ÇÃO SAS
SÉRIE ESTOQUE OBSERVA-
ESPÉ- NÚ-
E SUB- NO PRÓPRIO EM OUTRO VALOR IPI NO PRÓPRIO EM OUTRO VALOR IPI QUANTIDADE ÇÕES
CIE MERO RE/ NÚ- FO- CON- FIS- QUANTI- QUANTI-
SÉRIE DIA MÊS ESTABELECI- ESTABELECI- ESTABELECI- ESTABELECI-
RS MERO LHAS TÁBIL CAL DADE DADE
MENTO MENTO MENTO MENTO
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 135

Livro Registro de Controle de Produção e Estoque - No livro, modelo 3, tradicional, a legislação


exige, no quadro do produto, a identificação da mercadoria, em especial a unidade de medida e a res-
pectiva classificação fiscal.

EFD-ICMS/IPI - Todas as informações para o Bloco K serão prestadas pelo correto cadastro nos
Registros 0190 (unidade de medidas), 0200 (cadastro de itens) e 0210 (ficha técnica do produto) quando
cabível.

Livro Registro de Controle de Produção e Estoque - Deveria ser detalhada a produção ocorrida no
próprio estabelecimento e em estabelecimento de terceiros.

EFD-ICMS/IPI - As informações do Bloco K serão prestadas no Registro K200 (Estoque Escritura-


do).

As vinculações referentes aos documentos fiscais lançados no livro Registro de Entradas (Registro
C100 Entradas) e documentos referentes às saídas informados no livro Registro de Saídas (Registro C100
Saídas) serão promovidas todas no Bloco C e respectivos registros filhos.

As Ordens de Produção (documentos de uso interno na empresa) são informadas no Bloco K: Re-
gistros K230 (quando de produção própria) , K250 (produção em terceiros) e K290 (Produção Conjunta).

A coluna “Quantidades” será informada no Bloco K, nos registros e campos a seguir demonstrados:

REGISTRO CAMPO DESCRIÇÃO

K210 06 QTD_ORI Quantidade de origem - saída do estoque

K215 03 QTD_DES Quantidade de destino - entrada em estoque

K220 05 QTD Quantidade movimentada

K230 06 QTD_ENC Quantidade de produção acabada

K235 04 QTD Quantidade consumida item

K250 04 QTD Quantidade produzida

K255 04 QTD Quantidade de consumo insumo

K291 03 QTD Quantidade de produção acabada

No tocante à coluna valor, não encontraremos no Bloco K campo compatível e que exija preenchi-
mento de valores. A fiscalização poderá tomar como base outros blocos e registros, como o Bloco C e
o próprio Bloco H que, por ocasião do balanço, deverá refletir todas as movimentações promovidas ao
longo do ano.

4.1.3 Registro K001: Abertura do Bloco K

Este registro deve ser gerado para abertura do Bloco K, indicando se há registros de informações
no bloco.

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG


01 REG Texto fixo contendo “K001” C 004 - O

02 IND_MOV Indicador de movimento: C 001* - O


0- Bloco com dados informados;
1- Bloco sem dados informados
136 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Campo 02 (IND_MOV) - Valores Válidos: [0,1].

Validação: se preenchido com “1” (um), devem ser informados os Registros K001 e K990 (encerra-
mento do bloco), significando que não há informação do controle da produção e do estoque. Se preen-
chido com “0” (zero), então deve ser informado pelo menos um Registro K100 e seus respectivos regis-
tros filhos, além do Registro K990 (encerramento do bloco).

Os contribuintes que utilizarem o programa validador fornecido gratuitamente não precisarão in-
formar o registro de abertura, pois a partir do momento que forem prestadas informações em qualquer
registro o programa interpretará que há movimentação.

4.1.4 Registro K100: Período de Apuração do ICMS/IPI

Este registro tem o objetivo de informar o período de apuração do ICMS ou do IPI, prevalecendo
os períodos mais curtos. Contribuintes com mais de um período de apuração no mês declaram um Re-
gistro K100 para cada período no mesmo arquivo. Não podem ser informados dois ou mais registros com
os mesmos campos DT_INI e DT_FIN.

Os períodos informados neste registro deverão abranger todo o período da escrituração, confor-
me informado no Registro 0000.

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “K100” C 4 - O

02 DT_INI Data inicial a que a apuração se refere N 8 - O

03 DT_FIN Data final a que a apuração se refere N 8 - O

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K100].

Campo 02 (DT_INI) - Validação: a data inicial deve estar compreendida no período informado nos
campos DT_INI e DT_FIN do Registro 0000.

Campo 03 (DT_FIN) - Validação: a data final deve estar compreendida no período informado nos
campos DT_INI e DT_FIN do Registro 0000.

4.1.5 Registro K200: Estoque Escriturado

Este registro tem o objetivo de informar o estoque final escriturado do período de apuração infor-
mado no Registro K100, por tipo de estoque e por participante, nos casos em que couber, das mercado-
rias de tipos:

00 - Mercadoria para revenda;

01 - Matéria-prima;

02 - Embalagem;

03 - Produtos em processo;

04 - Produto acabado;
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 137

05 - Subproduto;

06 - Produto intermediário; e

10 - Outros insumos.

Estas informações serão prestadas no Registro 0200 - campo TIPO_ITEM.

A quantidade em estoque deve ser expressa, obrigatoriamente, na unidade de medida de controle


de estoque constante no campo 06 do Registro 0200 - UNID_INV.

A chave deste registro são os campos: DT_EST, COD_ITEM, IND_EST e COD_PART (este, quando
houver).

O estoque escriturado informado no Registro K200 deve refletir a quantidade existente na data
final do período de apuração informado no Registro K100, estoque este derivado dos apontamentos de
estoque inicial/entrada/produção/consumo/saída/movimentação interna.

Considerando isso, o estoque escriturado informado no Registro K200 é resultante da seguinte


fórmula:

Estoque final = estoque inicial + entradas/produção/movimentação interna - Saída/consumo/mo-


vimentação interna.

A informação de estoque zero (quantidade = 0) não deixa de ser uma informação, e o PVA não a
impede. Entretanto, caso não seja prestada essa informação, será considerado que o estoque é igual a
zero. Portanto, é desnecessária a informação de estoque zero caso não exista quantidade em estoque,
independentemente de ter havido movimentação.

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “K200” C 4 - O

02 DT_EST Data do estoque final N 8 - O

03 COD_ITEM Código do item (campo 02 do Registro 0200) C 60 - O

04 QTD Quantidade em estoque N - 3 O

05 IND_EST Indicador do tipo de estoque: C 1 - O


0 = Estoque de propriedade do informante e em seu
poder;
1 = Estoque de propriedade do informante e em pos-
se de terceiros;
2 = Estoque de propriedade de terceiros e em
posse do informante

06 COD_PART Código do participante (campo 02 do Registro 0150): C 60 - OC


- proprietário/possuidor que não seja o informante
do arquivo

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K200].

Campo 02 (DT_EST) - Validação: a data do estoque deve ser igual à data final do período de apura-
ção - campo DT_FIN do Registro K100.
138 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Campo 03 (COD_ITEM) - Validação: o código do item deverá existir no campo COD_ITEM do Re-
gistro 0200. Somente podem ser informados nesse campo valores de COD_ITEM cujos tipos sejam
iguais a 00, 01, 02, 03, 04, 05, 06 e 10 - campo TIPO_ITEM do Registro 0200.

Campo 05 (IND_EST) - Valores Válidos: [0, 1, 2].

Validação: se preenchido com valor ‘1’ (posse de terceiros) ou ‘2’ (propriedade de terceiros), o cam-
po COD_PART será obrigatório.

Campo 06 (COD_PART) - Preenchimento: obrigatório quando o IND_EST for “1” ou “2”.

Validação: o valor fornecido deve constar no campo COD_PART do Registro 0150.

4.1.6 Desmontagem de mercadorias

A indústria nacional tem processos extremamente diversificados, sendo assim, algumas empre-
sas incluem, no seu cotidiano operacional, o processo de desmontagem de mercadorias, visando à
reutilização de peças e partes resultantes da desmontagem, na elaboração de novos produtos.

Quando da introdução do Bloco K na EFD-ICMS/IPI, não existia um registro específico para


informar este procedimento, sendo sugerido pelo Fisco informar, no Registro K220, a título de outras
movimentações internas. Em face da criação de novos registros, a questão passou a ser tratada de for-
ma diversa, neste sentido, observe a pergunta e a resposta disponibilizada no Portal Nacional do Sped
Fiscal, versão 5.1, sobre a matéria, que seguem:

16.4.1.12 - Efetuamos a montagem de Máquina de Tornear Automáticas, estas máquinas possuem modelo pa-
drão mas podem ser customizadas com opcionais conforme pedido do Cliente. Ocorre que, na customização
é extraída parte de peças já agregadas e incluídas novas (Opcionais), onde gerou nova Ordem de Produção.
É correto informar no Bloco K, desindustrialização de Parte da Máquina Montada gerando a devolução de
peças e partes para o estoque e por meio de Nova Ordem de Produção a reestruturação da Maquina Cus-
tomizada? Como devo informar parte da Máquina no K200 sabendo que devolvi ao estoque somente parte
representada por algumas peças e até mesmo a parte que resta da máquina?

Opção 01: A máquina “sem a customização” e “com a customização” têm o mesmo código: podem-se usar os
registros K260/K265 para demonstrar os itens que são retirados da máquina e os novos que foram agregados.
Enquanto estiver ocorrendo o reprocessamento da máquina, não há necessidade de se declarar a máquina
sendo trabalhada, pois não faz parte do estoque.

Opção 02: A máquina muda de código após a customização: a desmontagem deverá ser escriturada por
meio dos Registros K210/K215, onde a “máquina de tornear automática” será escriturada no K210 e o “restante
da máquina” e os demais insumos resultantes serão escriturados no K215. O restante da máquina deverá
receber um código correspondente a uma máquina “incompleta” e ao retornar para o estoque onde será
declarado no registro K200 com o código correspondente. Neste caso, o processo de customização deverá
ser informado nos registros K230/K235.

Na nossa visão a “Opção 2” é mais assertiva e condizente com as orientações do Guia Prático da
Escrituração Fiscal Digital, pois entendemos que o contribuinte não deve trabalhar um único código de
mercadoria para “máquina sem customização” e “máquina com customização” tendo em vista que as
modificações promovidas podem caracterizar processo de industrialização.

Nos termos da legislação de ICMS e IPI, a desmontagem não é considerada modalidade de indus-
trialização, constituindo apenas um mecanismo de obtenção de insumos. Estes sim farão parte de um
processo de industrialização.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 139

O art. 4º do Regulamento do IPI - Decreto nº 7.212/2010 - traz o conceito e as modalidades de in-


dustrialização, conforme transcrito a seguir:

Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acaba-
mento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de
1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único):

I - a que, exercida sobre matérias-primas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova
(transformação);

II - a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o
acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento);

III - a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade
autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem);

IV - a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em subs-
tituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria
(acondicionamento ou reacondicionamento); ou

V - a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove
ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento).

Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado
para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados.

Como visto, a desmontagem realmente não faz parte das modalidades de industrialização, o que
inviabiliza o preenchimento dos Registros K230, K235, K250 e K255.

O processo de industrialização inicia-se quando as partes e peças obtidas pela desmontagem


forem utilizadas na elaboração de novos produtos, dando início a transformação, benficiamento, mon-
tagem, etc.

Para facilitar o controle destas operações, foram criados dois registros específicos:
a) Registro K210 - Desmontagem de Mercadorias - Item de Origem; e
b) Registro K215 - Desmontagem de Mercadorias - Intens de Destino.

4.1.6.1 Registro K210: Desmontagem de Mercadorias - Item de Origem

O Registro K210 tem o objetivo de escriturar a desmontagem de mercadorias de tipos: 00 - Mer-


cadoria para revenda; 01 - Matéria-prima; 02 - Embalagem; 03 - Produtos em processo; 04 - Produto aca-
bado; 05 - Subproduto; e 10 - Outros insumos - campo TIPO_ITEM do Registro 0200, no que se refere à
saída do estoque do item de origem.

A quantidade deve ser expressa, obrigatoriamente, na unidade de medida de controle de estoque


constante no campo 06 do Registro 0200 (UNID_INV).

Quando houver identificação da ordem de serviço, a chave deste registro são os campos COD_
DOC_OS e COD_ITEM_ORI.

Nos casos em que a ordem de serviço não for identificada, o campo chave passa a ser COD_ITEM_
ORI.
140 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “K210” C 004 - O

02 DT_INI_OS Data de início da ordem de serviço N 008* - OC

03 DT_FIN_OS Data de conclusão da ordem de serviço N 008* - OC

04 COD_DOC_OS Código de identificação da ordem de serviço C 030 - OC

05 COD_ITEM_ORI Código do item de origem (campo 02 C 060 - O


do Registro 0200)

06 QTD_ORI Quantidade de origem – saída do estoque N - 03 O

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K210].

Campo 02 (DT_INI_OS) - Preenchimento: a data de inicio deverá ser informada se existir ordem de
serviço, ainda que iniciada em período de apuração (K100) anterior.

Validação: obrigatório se informado o campo COD_DOC_OS ou o campo DT_FIN_OS. A data in-


formada deve ser menor ou igual a DT_FIN do Registro K100.

Campo 03 (DT_FIN_OS) - Preenchimento: informar a data de conclusão da ordem de serviço. Fi-


cará em branco, caso a ordem de serviço não seja concluída até a data de encerramento do período de
apuração.

Validação: se preenchido, DT_FIN_OS deve estar compreendida no período de apuração do K100


e ser maior ou igual a DT_INI_OP.

Campo 04 (COD_DOC_OS) - Preenchimento: informar o código da ordem de serviço, caso exista.

Validação: obrigatório se informado o campo DT_INI_OS.

Campo 05 (COD_ITEM_ORI) - Validação: o código do item de origem deverá existir no campo


COD_ITEM do Registro 0200.

Campo 06 (QTD_ORI) - Preenchimento: não é admitida quantidade negativa.

A desmontagem de mercadorias também poderá ensejar a mera operação de revenda das partes
e peças originadas, situação em que serão informados os Registros K210, K215 e K200, na hipótese em
que, no final do período de apuração, as partes e peças resultantes da operação de desmontagem es-
tejam no estoque da empresa.

Diante de todo exposto, as operações de desmontagem não mais precisam ser informadas no
Registro K220.

4.1.6.2 Registro K215: Desmontagem de Mercadorias - Item de Destino

O registro K215 tem o objetivo de escriturar a desmontagem de mercadorias de tipos: 00 - Merca-


doria para revenda; 01 - Matéria-prima; 02 - Embalagem; 03 - Produtos em processo; 04 - Produto aca-
bado; 05 - Subproduto; e 10 - Outros insumos - campo TIPO_ITEM do Registro 0200, no que se refere à
entrada em estoque do item de destino.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 141

A sua obrigatoriedade depende da existência do Registro Pai K210 e o controle da desmontagem


não for por ordem de serviço (campos DT_INI_OS, DT_FIN_OS e COD_DOC_OS do Registro K210 em
branco). Nesse caso, a saída do estoque do item de origem e a entrada em estoque do item de destino
têm de ocorrer no período de apuração do Registro K100. A quantidade deve ser expressa, obrigato-
riamente, na unidade de medida de controle de estoque constante no campo 06 do Registro 0200
(UNID_INV).
A chave deste registro é o campo COD_ITEM_DES.
Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “K215” C 004 - O

02 COD_ITEM_DES Código do item de destino (campo 02 C 060 - O


do Registro 0200)

03 QTD_DES Quantidade de destino – entrada em estoque N - 03 O

Campo 02 (COD_ITEM_DES) Validação:


a) o código informado deve ser diferente do campo COD_ITEM_ORI do Registro K210;
b) o código do item de destino deverá existir no campo COD_ITEM do Registro 0200.
Campo 03 (QTD_DES) – Preenchimento: não é admitida quantidade negativa.

4.1.7 Registro K220: Outras Movimentações Internas entre Mercadorias

Este registro tem o objetivo de informar a movimentação interna entre mercadorias de tipos: 00
- Mercadoria para revenda; 01 - Matéria-prima; 02 - Embalagem; 03 - Produtos em processo; 04 - Produ-
to acabado; 05 - Subproduto; e 10 - Outros insumos - campo TIPO_ITEM do Registro 0200, que não se
enquadre nas movimentações internas já informadas nos Registros K230 - Itens Produzidos - e K235 -
Insumos Consumidos - produção acabada e consumo no processo produtivo, respectivamente.
Exemplo: reclassificação de um produto em outro código em função do cliente a que se destina.
O contribuinte aponta a quantidade produzida de determinado produto, por exemplo, código 1. Este
produto, quando destinado a determinado cliente, recebe outra codificação, código 2. Neste caso, há a
necessidade de controle do estoque por cliente. Assim, o contribuinte deverá fazer um Registro K220,
dando saída no estoque do produto 1 e entrada no estoque do produto 2.
As hipóteses de desmontagem de mercadorias com o objetivo de reaproveitamento das partes e
peças resultantes deste processo, para industrialização de novos produtos, eram demonstradas neste re-
gistro. Contudo, com as alterações promovidas pelo Ato Cotepe ICMS nº 7/2016, as operações em questão
ganharam registros específicos, visando ao melhor detalhamento destas ocorrências no Bloco K.
Assim, foram incluídos os Registros K210 - Desmontagem de Mercadorias - Item de Origem - e
K215 - Desmontagem de Mercadorias - Itens de Destino.
Continuam a ser informados neste registro a reclassificação de um produto em função do con-
trole de qualidade quando o produto não conforme receber novo código, como por exemplo: venda de
produto com defeito ou subproduto; consumo em outra fase de produção. Caso o produto não confor-
me tiver como destino o reprocessamento, em que o produto reprocessado permanecerá com o mesmo
código do produto a ser reprocessado, deverá ser escriturado no Registro K260.
A quantidade movimentada deve ser expressa, obrigatoriamente, na unidade de medida do item
de origem, constante no campo 06 do Registro 0200 (UNID_INV).
142 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

A chave deste registro são os campos DT_MOV, COD_ITEM_ORI e COD_ITEM_DEST.


Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.
01 REG Texto fixo contendo “K220” C 4 - O
02 DT_MOV Data da movimentação interna N 8 - O
03 COD_ITEM_ORI Código do item de origem (campo 02 do C 60 - O
Registro 0200)
04 COD_ITEM_DEST Código do item de destino (campo 02 do C 60 - O
Registro 0200)
05 QTD Quantidade movimentada N - 3 O
05 QTD_ORI Quantidade movimentada do item de origem N - 3 O

06 QTD_DEST Quantidade movimentada do item de destino N - 3 O

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K220].

Campo 02 (DT_MOV) - Validação: a data deve estar compreendida no período informado nos cam-
pos DT_INI e DT_FIN do Registro K100.

Campo 03 (COD_ITEM_ORI) - Validação: o código do item de origem deverá existir no campo


COD_ITEM do Registro 0200.

Campo 04 (COD_ITEM_DEST) - Validação: o código do item de destino deverá existir no campo


COD_ITEM do Registro 0200. O valor informado deve ser diferente do COD_ITEM_ORI.

Campo 05 (QTD_ORI) - Preenchimento: informar a quantidade movimentada do item de origem


codificado no campo COD_ITEM_ORI.

Campo 06 (QTD_DEST) - Preenchimento: informar a quantidade movimentada do item de destino


codificado no campo COD_ITEM_DEST.

4.1.8 Registro K230: Itens Produzidos

Este registro tem o objetivo de informar a produção acabada de produto em processo (tipo 03 -
campo TIPO_ITEM do Registro 0200) e produto acabado (tipo 04 - campo TIPO_ITEM do Registro 0200),
inclusive daquele industrializado para terceiro por encomenda. O produto resultante é classificado
como tipo 03 - produto em processo, quando não estiver pronto para ser comercializado, mas estiver
pronto para ser consumido em outra fase de produção. O produto resultante é classificado como tipo
04 - produto acabado, quando estiver pronto para ser comercializado.
Deverá existir mesmo que a quantidade de produção acabada seja igual a zero, nas situações em
que exista o consumo de item componente/insumo no Registro Filho K235. Nessa situação, a produção
ficaria em elaboração. Essa produção em elaboração não é quantificada, uma vez que a matéria não é
mais um insumo nem é ainda um produto resultante.
Devem ser informadas:
a) as ordens de produção iniciadas e concluídas no período de apuração (K100);
b) as ordens de produção iniciadas e não concluídas no período de apuração (ordens de pro-
dução em que a produção ficou em elaboração), em que haja informação de produção e/ou
consumo de insumos (K235);
c) as ordens de produção iniciadas em período anterior e concluídas no período de apuração;
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 143

d) as ordens de produção iniciadas em período anterior e não concluídas no período de apura-


ção, em que haja informação de produção e/ou consumo de insumos (K235).
Quando a informação for por período de apuração (K100), o K230 somente deve ser informado
caso ocorra produção no período, com o respectivo consumo de insumos no K235 para se ter essa pro-
dução, uma vez que não se teria como vincular a quantidade consumida de insumos com a quantidade
produzida do produto resultante envolvendo mais de um período de apuração.
Somente podemos ter produção igual a zero no K230 quando a informação for por ordem de pro-
dução e quando essa ordem de produção não for concluída até a data final do período de apuração do
K100 e quando houver o apontamento de consumo de insumos no K235.
A ordem de produção que não for finalizada no período de apuração deve informar a data de con-
clusão da ordem de produção em branco, campo 03 (DT_FIN_OP). No período seguinte, e assim suces-
sivamente, a ordem de produção deve ser informada até que seja concluída e caso exista apontamento
de quantidade produzida e/ou quantidade consumida de insumo (K235).
A quantidade de produção acabada deve ser expressa, obrigatoriamente, na unidade de medida
de controle de estoque constante no campo 06 do Registro 0200 (UNID_INV).
Quando houver identificação da ordem de produção, a chave deste registro são os campos COD_
DOC_OP e COD_ITEM.
Nos casos em que a ordem de produção não for identificada, o campo chave passa a ser COD_
ITEM.

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “K230” C 4 - O

02 DT_INI_OP Data de início da ordem de produção N 8 - OC

03 DT_FIN_OP Data de conclusão da ordem de produção N 8 - OC

04 COD_DOC_OP Código de identificação da ordem de produção C 30 - OC

05 COD_ITEM Código do item produzido (campo 02 do Registro C 60 - O


0200)

06 QTD_ENC Quantidade de produção acabada N - 3 O

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K230].


Campo 02 (DT_INI_OP) - Preenchimento: a data de início deverá ser informada se existir ordem de
produção, ainda que iniciada em período de apuração cujo Registro K100 correspondente esteja em um
arquivo relativo a um mês anterior.
Validação: obrigatório se informado o campo COD_DOC_OP ou o campo DT_FIN_OP. O valor
informado deve ser menor ou igual a DT_FIN do Registro K100.
Campo 03 (DT_FIN_OP) - Preenchimento: informar a data de conclusão da ordem de produção.
Ficará em branco, caso a ordem de produção não seja concluída até a data de encerramento do período
de apuração. Nesta situação, a produção ficou em elaboração.
Validação: se preenchido, DT_FIN_OP deve estar compreendida no período de apuração do K100
e ser maior ou igual a DT_INI_OP.
Campo 04 (COD_DOC_OP) - Preenchimento: informar o código da ordem de produção.
144 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Validação: obrigatório se informado o campo DT_INI_OP.


Campo 05 (COD_ITEM) - Validação: o código do item produzido deverá existir no campo COD_
ITEM do Registro 0200.
Campo 06 (QTD_ENC) - Preenchimento: não é admitida quantidade negativa. Validação: a) deve
ser maior que zero quando: os campos DT_INI_OP e DT_FIN_OP estiverem preenchidos e compreendi-
dos no período do Registro K100 ou todos os 3 campos DT_FIN_OP, DT,_INI_OP e COD_DOC_OP não
estiverem preenchidos; b) deve ser igual a zero quando o campo DT_FIN_OP estiver preenchido e for
menor que o campo DT_INI do Registro 0000.

4.1.9 Registro K235: Insumos Consumidos

Este registro tem o objetivo de informar o consumo de mercadoria no processo produtivo, vincula-
do ao produto resultante informado no campo COD_ITEM do Registro K230 - Itens Produzidos.
Na industrialização efetuada para terceiro por encomenda, devem ser considerados os insumos
recebidos do encomendante e os insumos próprios do industrializador.
Este registro é obrigatório quando existir o Registro Pai K230 e:
a) a informação da quantidade produzida (K230) for por período de apuração (K100); ou
b) a ordem de produção (K230) se iniciar e concluir no período de apuração (K100); ou
c) a ordem de produção (K230) se iniciar no período de apuração (K100) e não for concluída no
mesmo período.
A quantidade consumida deve ser expressa, obrigatoriamente, na unidade de medida de controle
de estoque constante no campo 06 do Registro 0200 (UNID_INV).
Desde 1º.01.2017, a chave deste registro são os campos DT_SAÍDA, COD_ITEM e, quando existir, o
COD_INS_SUBST.
Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “K235” C 4 - O

02 DT_SAÍDA Data de saída do estoque para alocação ao N 8 - O


produto

03 COD_ITEM Código do item componente/insumo (campo C 60 - O


02 do Registro 0200)

04 QTD Quantidade consumida do item N - 3 O

05 COD_INS_SUBST Código do insumo que foi substituído, caso ocorra a C 60 - OC


substituição (campo 02 do Registro
0210)

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K235].


Campo 02 (DT_SAÍDA) - Validação: a data deve estar compreendida no período da ordem de pro-
dução, se existentes, campos DT_INI_OP e DT_FIN_OP do Registro K230. Se DT_FIN_OP do Registro
K230 - Itens Produzidos estiver em branco, o campo DT_SAÍDA deverá ser maior que o campo DT_INI_
OP do Registro K230 e menor ou igual a DT_FIN do Registro K100. E, em qualquer hipótese, a data deve
estar compreendida no período de apuração - K100.
Campo 03 (COD_ITEM) - Validações:
a) o código do item componente/insumo deverá existir no campo COD_ITEM do Registro 0200;
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 145

b) caso o campo COD_INS_SUBST esteja em branco, o código do item componente/insumo


deve existir também no Registro 0210 para o mesmo produto resultante - K230/0200;
c) o código do item componente/insumo deve ser diferente do código do produto resultante
(COD_ITEM do Registro K230);
d) o tipo do componente/insumo (campo TIPO_ITEM do Registro 0200) deve ser igual a 00, 01, 02,
03, 04, 05 ou 10.
A quantidade consumida de produto intermediário - tipo 06 no processo produtivo não é escritu-
rada neste registro.

Campo 04 (QTD) - Preenchimento: não é admitida quantidade negativa. O apontamento de insu-


mo/componente, cujo controle não permita um apontamento direto ao produto resultante, poderá ser
efetuado pelo critério de rateio do contribuinte, limitado ao total consumido no período de apuração.

Campo 05 (COD_INS_SUBST) - Preenchimento: informar o código do item componente/insumo


que estava previsto para ser consumido no Registro 0210 e que foi substituído pelo COD_ITEM deste
registro.

Validação: o código do insumo substituído deve existir no Registro 0210 para o mesmo produto
resultante - K230/0200.

4.1.10 Registro K250: Industrialização Efetuada por Terceiros - Itens Produzidos

Este registro tem o objetivo de informar os produtos que foram industrializados por terceiros e sua
quantidade.

A quantidade produzida deve ser expressa, obrigatoriamente, na unidade de medida de controle


de estoque constante no campo 06 do Registro 0200: UNID_INV.

No tocante ao campo 04 “QTD” a quantidade produzida deve considerar a quantidade que foi
recebida do terceiro e a variação de estoque ocorrida em terceiro. Cada legislação estadual prevê si-
tuações específicas. Desta forma, deve-se consultar a Secretaria de Fazenda/Tributação do Estado do
contribuinte.

A chave deste registro são os campos DT_PROD e COD_ITEM.

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “K250” C 4 - O

02 DT_PROD Data do reconhecimento da produção ocorrida no N 8 - O


terceiro

03 COD_ITEM Código do item produzido (campo 02 do Registro C 60 - O


0200)

04 QTD Quantidade produzida N - 3 O

4.1.11 Registro K255: Industrialização em Terceiros - Insumos Consumidos

Este registro tem o objetivo de informar a quantidade de consumo do insumo que foi remetido
para ser industrializado em terceiro, vinculado ao produto resultante informado no campo COD_ITEM
do Registro K250. É obrigatório caso exista o Registro Pai K250.
146 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

A quantidade consumida deve ser expressa, obrigatoriamente, na unidade de medida de controle


de estoque constante no campo 06 do Registro 0200 (UNID_INV).

O Estado de São Paulo, até a publicação do Guia Prático da EFD-ICMS/IPI, versão 2.0.19, mantinha
uma regra diferenciada quanto às informações que seriam prestadas neste registro, pois o encomen-
dante, no processo de industrialização, além de informar os insumos enviados para industrialização,
também deveria quantificar, no campo 4 do Registro K255, os insumos acaso aplicados pelo industriali-
zador contratado. As mercadorias aplicadas pelo industrializador são especificadas e tributadas na nota
fiscal de retorno de mercadoria recebida para industrialização (CFOP 5.124/6.124).

Contudo, na versão 2.0.20 e na versão 2.0.21 do Guia Prático da EFD-ICMS/IPI, combinada com as
Perguntas e Respostas selecionadas e divulgadas pelo Fisco no Portal Nacional do Sped (ver capítulo
7 desta obra),não mais visualizamos tratamento específico para este Estado, desta forma, no Registro
K255 apenas serão informados os insumos remetidos pelo encomendante.

Veja a questão a seguir:

Devem-se reportar os componentes enviados para subcontratação?

Considerando as especificidades das legislações de cada UF, para ter segurança jurídica neste caso faça
uma consulta tributária formal em sua UF.

Resposta para Minas Gerais:

O processo de subcontratação como o processo de industrialização por encomenda. A quantidade con-


sumida em terceiros é resultante da seguinte equação:

Consumo do Insumo/Embalagem = EIT + SPT – EOT – EFT

Onde:

EIT = estoque inicial em terceiro;

SPT = saída para o terceiro, que é igual à entrada no terceiro;

EOT = entrada oriunda do terceiro, por devolução parcial ou integral, que é igual à saída do terceiro; EFT
= estoque final em terceiro.

Resposta para São Paulo:

Entendemos que a pergunta se refere a processo de subcontratação como sendo processo de indus-
trialização por encomenda.

Na remessa para o industrializador, os componentes enviados devem ser retirados dos registros de
estoque próprio e acrescentados aos estoques de terceiros. No retorno do produto acabado, a quanti-
dade consumida em terceiros, relacionada aos componentes enviados, corresponde a todos os itens de
retorno simbólico com CFOP 5.902 e 5.925 e deve ser declarada no Registro K255.

A fórmula que descreve os totais de insumo em terceiro é:

EFT = EIT + SPT – EOT – Consumo do Insumo/EmbalagemK255


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 147

Onde:

EFT = estoque final em terceiro (variável a ser calculada);


EIT = estoque inicial em terceiro (obtido da apuração anterior);
SPT = saída para o terceiro (originado do documento fiscal), relacionado à remessa para industrialização;
EOT = entrada oriunda do terceiro, por devolução parcial ou integral (originado do documento fiscal),
nos casos em que o insumo não foi utilizado ou foi perdido, com os CFOP 5.903 e 5.949, respectiva-
mente. A perda, neste caso, se refere a perdas sem relação ao processo produtivo, que serão objeto de
estorno de crédito no encomendante.
Consumo do Insumo/Embalagem [K255] = corresponde aos itens da nota de retorno com CFOP 5.902
e 5.925, no retorno do industrializador, contendo insumos remetidos pelo encomendante e consumidos
na industrialização.

Desde 1º.01.2017, a chave deste registro são os campos DT_SAÍDA, COD_ITEM e, quando existir, o
COD_INS_SUBST.

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “K255” C 4 - O

02 DT_CONS Data do reconhecimento do consumo do insumo N 8 - O


referente ao produto informado no
campo 04 do Registro K250

03 COD_ITEM Código do insumo (campo 02 do Registro C 60 - O


0200)

04 QTD Quantidade de consumo do insumo. N - 3 O

05 COD_INS_SUBST Código do insumo que foi substituído, caso ocorra a C 60 - OC


substituição (campo 02 do Registro
0210)

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K255].


Campo 02 (DT_CONS) - Validação: a data deve estar compreendida no período informado nos
campos DT_INI e DT_FIN do Registro K100.
Campo 03 (COD_ITEM) - Validações:
a) o código do insumo deverá existir no campo COD_ITEM do Registro 0200;
b) caso o campo COD_INS_SUBST esteja em branco, o código do item componente/insumo
deve existir também no Registro 0210 para o mesmo produto resultante - K250/0200;
c) O código do insumo deve ser diferente do código do produto resultante (COD_ITEM do Regis-
tro K250 - Industrialização efetuada por terceiros - itens produzidos);
d) o tipo do componente/insumo (campo TIPO_ITEM do Registro 0200) deve ser igual a 00, 01, 02,
03, 04, 05 ou 10.

Campo 04 (QTD) - Preenchimento: a quantidade de consumo do insumo deve refletir a quanti-


dade consumida para se ter a produção acabada informada no campo QTD do Registro K250. Não é
admitida quantidade negativa. O apontamento de insumo/componente, cujo controle não permita um
apontamento direto ao produto resultante, poderá ser efetuado pelo critério de rateio do contribuinte,
limitado ao total consumido no período de apuração.
148 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Campo 05 (COD_INS_SUBST) - Preenchimento: informar o código do item componente/insumo


que estava previsto para ser consumido no Registro 0210 e que foi substituído pelo COD_ITEM deste
registro.

Validação: o código do insumo substituído deve existir no Registro 0210 para o mesmo produto
resultante - K250/0200.

4.1.12 Registro K260: Reprocessamento/Reparo de Produto/Insumo

Este registro tem o objetivo de informar o produto que será reprocessado ou que foi reprocessado
e o insumo que será reparado ou que foi reparado no período de apuração do Registro K100. Observar
que para ensejar o preenchimento do Registro K260 o produto/insumo reprocessado/reparado deve
permanecer com o mesmo código do produto/insumo a ser reprocessado/reparado no próprio estabe-
lecimento do informante.

O reprocesso a ser escriturado no Registro K260 será aquele em que a quantidade produzida do
produto a ser reprocessado já tiver sido apontada no Registro K230 (entrada em estoque) e cujo código
do produto reprocessado permaneça o mesmo do produto a ser reprocessado.

Quando a informação for por período de apuração (K100), em que não existirá o controle por or-
dem de produção ou serviço, o Registro K260 somente deve ser informado caso ocorra saída e respec-
tivo retorno ao estoque de produto/insumo no período de apuração, com o respectivo consumo de
mercadorias no K265 para se ter esse reprocessamento/reparo, caso seja necessário, uma vez que não
se teria como vincular a quantidade consumida de mercadorias com a quantidade que saiu do produto/
insumo envolvendo mais de um período de apuração.

As quantidades de saída ou retorno ao estoque devem ser expressas, obrigatoriamente, na unida-


de de medida de controle de estoque constante no campo 06 do Registro 0200 (UNID_INV).

Este registro apresenta os seguintes campos:

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “K260” C 004 - O

02 COD_OP_OS Código de identificação da ordem de produção, no C 030 - OC


reprocessamento, ou da ordem de serviço, no reparo

03 COD_ITEM Código do produto/insumo a ser reprocessado/re- C 060 - O


parado ou já reprocessado/reparado (campo 02 do
Registro 0200)

04 DT_SAÍDA Data de saída do estoque N 008* - O

05 QTD_SAÍDA Quantidade de saída do estoque N - 03 O

06 DT_RET Data de retorno ao estoque (entrada) N 008* - OC

07 QTD_RET Quantidade de retorno ao estoque (entrada) N - 03 OC

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K260].

Campo 02 (COD_OP_OS) - Preenchimento: informar o código de identificação da ordem de pro-


dução, no reprocessamento, ou da ordem de serviço, no reparo, caso exista.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 149

Validação: obrigatório se o campo DT_RET não for preenchido, e o campo DT_SAÍDA estiver no
período de apuração do K100.
Campo 03 (COD_ITEM) - Validação: o código do produto/insumo a ser reprocessado ou já proces-
sado deverá existir no campo COD_ITEM do Registro 0200. No nosso exemplo, informaríamos o código
da camisa acabada que será reprocessada para tornar-se camisa de manga curta.
Campo 04 (DT_SAÍDA) - Validação: a data informada deve ser menor ou igual a DT_FIN do Registro
K100.
Campo 05 (QTD_SAÍDA) - Preenchimento: não é admitida quantidade negativa. Quantidade de
camisas que precisaram ser reprocessadas.
Campo 06 (DT_RET) - Validação: a data deve estar compreendida no período de apuração (K100)
e ser maior que DT_SAÍDA.
Campos 04 e 06 (DT_SAÍDA e DT_RET) - as datas de saída e retorno ao estoque do produto/insu-
mo substituem, respectivamente, as datas de início e conclusão da ordem de produção/serviço.
Campo 07 (QTD_RET) - Preenchimento: não é admitida quantidade negativa.
Validação: este campo será obrigatório caso o campo DT_RET estiver preenchido.

4.1.13 Registro K265: Reprocessamento/Reparo Mercadorias Consumidas e/ou Retornadas

Este registro tem o objetivo de informar o consumo de mercadoria e/ou o retorno de mercadoria
ao estoque, ocorridos no reprocessamento/reparo de produto/insumo informado no Registro K260.
A quantidade deve ser expressa, obrigatoriamente, na unidade de medida de controle de estoque
constante no campo 06 do registro 0200 (UNID_INV).
A chave deste registro é o campo COD_ITEM.
Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “K265” C 004 - O

02 COD_ITEM Código da mercadoria (campo 02 do Registro 0200) C 060 - O

03 QTD_CONS Quantidade consumida – saída do N - 03 OC


estoque

04 QTD_RET Quantidade retornada – entrada em estoque N - 03 OC

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K265].


Campo 02 (COD_ITEM) - Validações:
a) o código da mercadoria deverá existir no campo COD_ITEM do Registro 0200;
b) o código da mercadoria deve ser diferente do código do produto/insumo reprocessado/ repa-
rado (COD_ITEM do Registro K260);
c) o tipo da mercadoria (campo TIPO_ITEM do Registro 0200) deve ser igual a 00, 01, 02, 03, 04, 05
ou 10.
Campos 03 (QTD_CONS) e 04 (QTD_RET) - Preenchimento: não é admitida quantidade negativa.
Validação: pelo menos um dos campos é obrigatório.
150 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

4.1.14 Registro K270: Correção de Apontamento dos Registros K210, K220, K230, K250,K 260,
K291, K292, K301 e K302

Este registro tem o objetivo de escriturar correção de apontamento de período de apuração ante-
rior, relativo ao registro pai, por tipo de registro e por período de apuração em que o apontamento será
corrigido.

Caso ocorra correção de apontamento apenas do registro filho, este registro deverá ser informado
com os campos de quantidade zerados.

A correção de apontamento tem que ocorrer, obrigatoriamente, entre o levantamento de 2 inven-


tários (campo 02 do Registro H005), uma vez que, com a contagem do estoque, se terá conhecimento
de uma eventual necessidade de correção de apontamento.

As quantidades devem ser expressas, obrigatoriamente, na unidade de medida de controle de


estoque constante no campo 06 do Registro 0200 (UNID_INV).

Quando houver identificação da ordem de produção ou da ordem de serviço e do período de


apuração, a chave deste registro são os campos DT_INI_AP, DT_FIN_AP, COD_OP_OS,,COD_ITEM e
ORIGEM.

No caso em que a ordem de produção ou a ordem de serviço não forem identificadas, a chave
deste registro passa a ser DT_INI_AP, DT_FIN_AP, COD_ITEM e ORIGEM.

No caso em que a ordem de produção ou a ordem de serviço e o período de apuração não forem
identificados, a chave deste registro passa a ser COD_ITEM.

Nota
No nosso posicionamento, este registro será muito útil, principalmente para as empresas com atividade contínua, ou
seja, indústria que se mantém em atividade por 24 horas. Estas empresas sempre ficam mais suscetíveis a erros no
apontamento do consumo de insumos, pois, durante o processo de industrialização, podem haver imprevistos, sendo
necessário um consumo maior ou menor de um determinado insumo, por exemplo.

Antes da criação deste registro, eventuais diferenças percebidas no mês seguinte, ou seja, após o
envio da EFD original, obrigavam o contribuinte a retificar as informações do Bloco K.

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “K270” C 004 - O

02 DT_INI_AP Data inicial do período de apuração em que ocorreu N 008* - OC


o apontamento que está sendo corrigido

03 DT_FIN_AP Data final do período de apuração em que ocorreu o N 008* - OC


apontamento que está sendo corrigido

04 COD_OP_OS Código de identificação da ordem de produção ou C 030 - OC


da ordem de serviço que está
sendo corrigida

05 COD_ITEM Código da mercadoria que está sendo corrigido C 060 - O


(campo 02 do Registro 0200)

06 QTD_COR_POS Quantidade de correção positiva de apontamento N - 03 OC


ocorrido em período de apuração anterior

07 QTD_COR_NEG Quantidade de correção negativa de apontamento N - 03 OC


ocorrido em período de apuração anterior
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 151

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

08 ORIGEM 1 - correção de apontamento de produção e/ou con- C 001 - O


sumo relativo aos Registros K230/K235;
2 - correção de apontamento de produção e/ou con-
sumo relativo aos Registros K250/K255;
3 - correção de apontamento de desmontagem e/ou
consumo relativo aos Registros K210/K215;
4 - correção de apontamento de reprocessamento/
reparo e/ou consumo relativo aos Registros K260/
K265;
5 - correção de apontamento de movimentação in-
terna relativo ao Registro K220;
6 - correção de apontamento de produção relativo
ao Registro K291;
7 - correção de apontamento de consumo relativo
ao Registro K292;
8 - correção de apontamento de produção relativo
ao Registro K301;
9 - correção de apontamento de consumo relativo
ao Registro K302

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K270].

Campos 02 e 03 (DT_INI_AP e DT_FIN_AP) - Preenchimento: estes campos poderão não ser preen-
chidos somente na hipótese em que o campo 4 (COD_OP_OS), na correção de apontamento, se referir:
a) a uma ordem de produção que esteja em aberto (DT_FIN_OP do Registro K230 em branco) com
o campo 08 (ORIGEM) do Registro K270 igual a 1, no presente período de apuração do K100 ou
em período de apuração imediatamente anterior ao presente período de apuração do K100;
b) a uma ordem de serviço que esteja em aberto (DT_FIN_OS do Registro K210 em branco) com
o campo 08 (ORIGEM) do Registro K270 igual a 3, no presente período de apuração do K100 ou
em período de apuração imediatamente anterior ao presente período de apuração do K100;
c) a uma ordem de produção ou ordem de serviço que esteja em aberto (COD_OP_OS do Re-
gistro K260 em branco) com o campo 08 (ORIGEM) do Registro K270 igual a 4, no presente
período de apuração do K100 ou em período de apuração imediatamente anterior ao presente
período de apuração do K100.

Validação: a data inicial e a data final têm de ser anteriores à data inicial do período informado no
Registro 0000.

Campo 05 (COD_ITEM) - Validação: o código do item produzido que está sendo corrigido deverá
existir no campo COD_ITEM do Registro 0200.

Campos 06 e 07 (QTD_COR_POS e QTD_COR_NEG) - Validação: não é admitida quantidade ne-


gativa.

Validação: somente um dos campos pode ser preenchido.

Campo 08 (ORIGEM) - Valores Válidos: [1, 2, 3, 4, 5].

Preenchimento: quando a correção de apontamento se referir ao Registro K220 - origem 5: a cor-


reção deste registro será relativa ao item de origem da movimentação interna; no Registro Filho K275,
será apontada a correção do item de destino.
152 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

4.1.15 Registro K275: Correção de Apontamento e Retorno de Insumos dos Registros K215,
K220, K235, K255 e K265

Este registro tem o objetivo de escriturar correção de apontamento de período de apuração ante-
rior, relativo ao registro filho, por tipo de registro e por período de apuração em que o apontamento será
corrigido.

A correção de apontamento tem que ocorrer, obrigatoriamente, entre o levantamento de 2 inven-


tários (campo 02 do Registro H005), uma vez que, com a contagem do estoque, se terá conhecimento
de uma eventual necessidade de correção de apontamento.

Este registro poderá também ser escriturado para substituição ou retorno de insumo/componente
que já tenha sido baixado do estoque por consumo efetivo em período de apuração de exercício ante-
rior, desde que vinculado à ordem de produção não encerrada no próprio exercício de abertura da ordem
de produção.

Caso ocorra correção de apontamento apenas do Registro Pai K270, este registro não deverá ser
escriturado, exceto quando a correção tiver como origem o Registro K220 (origem 5 do Registro 270), em
que este registro será obrigatório para identificação do item de destino, mesmo que não ocorra correção
de quantidades.

As quantidades devem ser expressas, obrigatoriamente, na unidade de medida de controle de


estoque constante no campo 06 do Registro 0200 (UNID_INV).

A chave deste registro é o campo COD_ITEM.

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.


01 REG Texto fixo contendo “K275” C 004 - O
02 COD_ITEM Código da mercadoria (campo 02 do Registro 0200) C 060 - O

03 QTD_COR_POS Quantidade de correção positiva de apontamento N - 03 OC


ocorrido em período de apuração anterior
04 QTD_COR_NEG Quantidade de correção negativa de apontamento N - 03 OC
ocorrido em período de apuração anterior
05 COD_INS_SUBST Código do insumo que foi substituído, caso ocorra C 060 - OC
a substituição, relativo aos Registros K235/K255.

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K275].

Campo 02 (COD_ITEM) - Validação: o código da mercadoria deverá existir no campo COD_ITEM


do Registro 0200 e somente são admitidas mercadorias de tipos 00 a 05 e 10 - campo TIPO_ITEM do
Registro 0200.

Campos 03 e 04 (QTD_COR_POS e QTD_COR_NEG) - Validação: não é admitida quantidade ne-


gativa.

Validação: somente um dos campos pode ser preenchido.

Campo 05 (COD_INS_SUBST) - Preenchimento: este campo deverá ser informado quando se es-
tiver escriturando quantidade consumida não apontada em período anterior, e desde que exista a subs-
tituição.

Validação: este campo somente pode existir quando a origem da correção de apontamento for
dos tipos 1 ou 2 (campo ORIGEM do Registro K270).
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 153

4.1.16 Registro K280: Correção de Apontamento - Estoque Escriturado


Este registro tem o objetivo de escriturar correção de apontamento de estoque escriturado de
período de apuração anterior, escriturado no Registro K200.

A correção de apontamento tem que ocorrer, obrigatoriamente, entre o levantamento de 2 inven-


tários (campo 02 do Registro H005), uma vez que, com a contagem do estoque, se terá conhecimento
de uma eventual necessidade de correção de apontamento.

A correção do estoque escriturado de um período de apuração poderá influenciar estoques escri-


turados de períodos posteriores, até o período imediatamente anterior ao período de apuração em que
se está fazendo a correção, uma vez que o estoque final de um período de apuração é o estoque inicial
do período de apuração seguinte.

As quantidades devem ser expressas, obrigatoriamente, na unidade de medida de controle de


estoque constante no campo 06 do Registro 0200 (UNID_INV).

A chave deste registro são os campos DT_EST, COD_ITEM, IND_EST e COD_PART (este, quando
houver).
Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “K280” C 004 - O

02 DT_EST Data do estoque final escriturado que está sendo N 008* - O


corrigido

03 COD_ITEM Código do item (campo 02 do Registro 0200) C 060 - O

04 QTD_COR_POS Quantidade de correção positiva de apontamento N - 03 OC


ocorrido em período de apuração anterior

05 QTD_COR_NEG Quantidade de correção negativa de apontamento N - 03 OC


ocorrido em período de apuração anterior

06 IND_EST Indicador do tipo de estoque: C 001 - O


0 = Estoque de propriedade do informante e em seu
poder;
1 = Estoque de propriedade do informante e em pos-
se de terceiros;
2 = Estoque de propriedade de terceiros e em posse
do informante

07 COD_PART Código do participante (campo 02 do Registro 0150): C 060 - OC


- proprietário/possuidor que não seja o
informante do arquivo

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K280].

Campo 02 (DT_EST) - Validação: a data do estoque deve ser anterior à data inicial do período de
apuração - campo DT_FIN do Registro K100.

Campo 03 (COD_ITEM) - Validação: o código do item deverá existir no campo COD_ITEM do Re-
gistro 0200. Somente podem ser informados nesse campo valores de COD_ITEM cujos tipos sejam
iguais a 00, 01, 02, 03, 04, 05, 06 e 10 - campo TIPO_ITEM do Registro 0200.

Campos 04 e 05 (QTD_COR_POS e QTD_COR_NEG) - Validação: não é admitida quantidade ne-


gativa.
154 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Validação: somente um dos campos pode ser preenchido.

Campo 06 (IND_EST) - Valores Válidos: [0, 1, 2].

Validação: se preenchido com valor “1” (posse de terceiros) ou “2” (propriedade de terceiros), o
campo COD_PART será obrigatório.

A quantidade em estoque existente no estabelecimento industrializador do produto industrializa-


do para terceiro por encomenda deverá ser:
a) quando o informante for o estabelecimento industrializador, do tipo 2 - estoque de propriedade
de terceiros e em posse do informante;
b) quando o informante for o estabelecimento encomendante, do tipo 1 - estoque de propriedade
do informante e em posse de terceiros.

A quantidade em estoque existente no estabelecimento industrializador de insumo recebido do


encomendante para industrialização por encomenda deverá ser:
a) quando o informante for o estabelecimento industrializador, do tipo 2 - estoque de propriedade
de terceiros e em posse do informante;
b) quando o informante for o estabelecimento encomendante, do tipo 1 - estoque de propriedade
do informante e em posse de terceiros.

Campo 07 (COD_PART) - Preenchimento: obrigatório quando o IND_EST for “1” ou “2”.

Validação: o valor fornecido deve constar no campo COD_PART do Registro 0150.

4.1.17 Produção conjunta

A contar de 1º.01.2019, os contribuintes do ICMS/IPI obrigados ao preenchimento e envio do Bloco


K em sua versão mais completa e que realizarem produção conjunta terão a sua disposição novos regis-
tros que visam permitir um melhor detalhamento deste processo produtivo.

A produção conjunta se caracteriza por apresentar, no processo de produção, produtos conjuntos,


ou seja, 2 ou mais produtos decorrentes de um mesmo processo até um ponto de separação, no qual os
produtos ditos conjuntos se tornam separados e podem ser identificáveis, conforme ilustrado a seguir:

Ponto de Separação
OUTPUTS

INPUTS PROCESSAMENTO

OUTPUTS
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 155

Como exemplo, podemos citar a matéria-prima “laranja” que pode resultar em suco, bagaço e óleo.
Uma matéria-prima, 2 ou mais produtos resultantes.
Para demonstração adequada de produção conjunta, foram criados os seguintes Registros:

K Produção conjunta - Ordem de Produção K290 3 1:N OC

K Produção conjunta - Itens Produzidos K291 4 1:N OC

K Produção conjunta - Insumos Consumidos K292 4 1:N OC

K Produção conjunta - Industrialização Efetuada por Terceiros K300 3 1:N OC

K Produção conjunta - Industrialização Efetuada por Terceiros - K301 4 1:N OC


Itens Produzidos

K Produção conjunta - Industrialização Efetuada por Terceiros - K302 4 1:N OC


Insumos Consumidos

4.1.17.1 Registro K290: Produção conjunta - Ordem de Produção

Este registro tem o objetivo de informar a ordem de produção relativa à produção conjunta. Enten-
da-se por produção conjunta a produção de mais de um produto resultante a partir do consumo de um
ou mais insumos em um mesmo processo.
Devem ser informadas:
a) as OP iniciadas e concluídas no período de apuração (K100);
b) as OP iniciadas e não concluídas no período de apuração (OP em que a produção ficou em
elaboração), em que haja informação de produção e/ou consumo de insumos (K292);
c) as OP iniciadas em período anterior e concluídas no período de apuração;
d) as OP iniciadas em período anterior e não concluídas no período de apuração, em que haja
informação de produção e/ou consumo de insumos (K292).
A ordem de produção que não for finalizada no período de apuração deve informar a data de con-
clusão da ordem de produção em branco, campo 03 - DT_FIN_OP. No período seguinte, e assim suces-
sivamente, a ordem de produção deve ser informada até que seja concluída e, caso exista apontamento
de quantidade produzida e/ou quantidade consumida de insumo (K292).
Quando o processo não for controlado por ordem de produção, os campos DT_INI_OP, DT_FIN_
OP e COD_DOC_OP não devem ser preenchidos.
Quando DT_FIN_OP for menor que o campo DT_INI do Registro 0000, não devem ser escriturados
os registros K291 e K292.
Quando houver identificação da ordem de produção, a chave deste registro é o campo COD_
DOC_OP.

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “K290” C 4 - O

02 DT_INI_OP Data de início da ordem de produção N 8 - OC

03 DT_FIN_OP Data de conclusão da ordem de produção N 8 - OC

04 COD_DOC_OP Código de identificação da ordem de produção C 30 - OC


156 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K290]

Campo 02 (DT_INI_OP) - Preenchimento: a data de início deverá ser informada se existir ordem de
produção, ainda que iniciada em período de apuração cujo Registro K100 correspondente esteja em um
arquivo relativo a um mês anterior.

Validação: obrigatória se informado o campo COD_DOC_OP ou o campo DT_FIN_OP. O valor


informado deve ser menor ou igual a DT_FIN do Registro K100.

Campo 03 (DT_FIN_OP) - Preenchimento: informar a data de conclusão da ordem de produção.


Ficará em branco, caso a ordem de produção não seja concluída até a data de encerramento do período
de apuração. Nessa situação, a produção ficou em elaboração.

Validação: se preenchido:
a) DT_FIN_OP deve ser menor ou igual a DT_FIN do Registro K100 e ser maior ou igual a DT_INI_
OP;
b) quando DT_FIN_OP for menor que o campo DT_INI do Registro 0000, a mesma deve ser infor-
mada no primeiro período de apuração do K100;
c) quando DT_FIN_OP for menor que o campo DT_INI do Registro 0000, não devem ser escritu-
rados os Registros K291 e K292.

Campo 04 (COD_DOC_OP) - Preenchimento: informar o código da ordem de produção.

Validação: obrigatório se informado o campo DT_INI_OP.

4.1.17.2 Registro K291: Produção Conjunta - Itens Produzidos

Este registro tem o objetivo de informar a produção acabada de produto em processo (tipo 03 -
campo TIPO_ITEM do Registro 0200) e produto acabado (tipo 04 - campo TIPO_ITEM do Registro 0200),
originados de produção conjunta, inclusive daquele industrializado para terceiro por encomenda.

O produto resultante é classificado como tipo 03 - produto em processo, quando não estiver
pronto para ser comercializado, mas estiver pronto para ser consumido em outra fase de produção.

O produto resultante é classificado como tipo 04 - produto acabado, quando estiver pronto para
ser comercializado. A quantidade de produção acabada deve ser expressa, obrigatoriamente, na unida-
de de medida de controle de estoque constante no campo 06 do Registro 0200, UNID_INV. Este registro
não deve ser escriturado quando DT_FIN_OP do Registro K290 for menor que o campo DT_INI do Re-
gistro 0000.

O campo chave é COD_ITEM.

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “K291” C 4 - O

Código do item produzido (campo 02 do Registro


02 COD_ITEM C 60 - O
200)

03 QTD Quantidade de produção acabada N - 3 O


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 157

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K291]

Campo 02 (COD_ITEM) - Validação:


a) o código do item produzido deverá existir no campo COD_ITEM do Registro 0200;
b) o tipo do produto resultante (campo TIPO_ITEM do Registro 0200) deve ser igual a 03 ou 04.

Campo 03 (QTD) - Preenchimento: não é admitida quantidade negativa.

Validação: deve ser maior que zero

4.1.17.3 Registro K292: Produção Conjunta - Insumos Consumidos

Este registro tem o objetivo de informar o consumo de insumo/componente no processo produti-


vo, relativo à produção conjunta. Na industrialização efetuada para terceiro por encomenda, devem ser
considerados os insumos recebidos do encomendante e os insumos próprios do industrializador.

O consumo de insumo componente cujo controle não permita um apontamento direto não preci-
sa ser escriturado neste Registro.

A quantidade consumida deve ser expressa, obrigatoriamente, na unidade de medida de controle


de estoque constante no campo 06 do Registro 0200 - UNID_INV. Este registro não deve ser escriturado
quando DT_FIN_OP do Registro K290 for menor que o campo DT_INI do Registro 0000.

A chave deste registro é o campo COD_ITEM.

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “K292” C 4 - O

Código do insumo/componente consumido (campo


02 COD_ITEM C 60 - O
02 do Registro 0200)

03 QTD Quantidade consumida N - 3 O

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K292]

Campo 02 (COD_ITEM) - Validações:


a) o código do item componente/insumo deverá existir no campo COD_ITEM do Registro 0200;
b) o código do item componente/insumo deve ser diferente do código do produto resultante
(COD_ITEM do Registro K291);
c) o tipo do componente/insumo (campo TIPO_ITEM do Registro 0200) deve ser igual a 00, 01,
02, 03, 04, 05 ou 10. Campo 03 (QTD) - Preenchimento: não é admitida quantidade negativa.
Validação: deve ser maior que zero.

4.1.17.4 Registro K300: Produção Conjunta - Industrialização Efetuada por Terceiros

Este registro tem o objetivo de informar a data de reconhecimento da produção ocorrida em ter-
ceiro, relativa à produção conjunta. Entenda-se por produção conjunta a produção de mais de um pro-
duto resultante a partir do consumo de um ou mais insumos em um mesmo processo.
158 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “K300” C 4 - O

Data do reconhecimento da produção ocorrida no


02 DT_PROD N 8 - O
terceiro

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K300] Campo 02 (DT_PROD) - Validação: a data deve estar com-
preendida no período informado nos campos DT_INI e DT_FIN do Registro K100.

4.1.17.5 Registro K301: Produção Conjunta - Industrialização Efetuada por Terceiros - Itens
Produzidos

Este registro tem o objetivo de informar os produtos que foram industrializados por terceiros por
encomenda e sua quantidade, originados de produção conjunta. A quantidade produzida deve ser ex-
pressa, obrigatoriamente, na unidade de medida de controle de estoque constante no campo 06 do
Registro 0200, UNID_INV. A chave deste registro é o campo COD_ITEM.

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “K301” C 4 - O

Código do item produzido (campo 02 do Registro


02 COD_ITEM C 60 - O
0200)

03 QTD Quantidade produzida N - 3 O

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K301]

Campo 02 (COD_ITEM) - Validações:


a) o código do item produzido deverá existir no campo COD_ITEM do Registro 0200;
b) o TIPO_ITEM do Registro 0200 deve ser igual a 03 - Produto em Processo ou 04 - Produto
Acabado. Campo 03 (QTD) - Preenchimento: a quantidade produzida deve considerar a quan-
tidade que foi recebida do terceiro e a variação de estoque ocorrida em terceiro. Cada legisla-
ção estadual prevê situações específicas. Consulte a Secretaria de Fazenda/Tributação de seu
Estado. Não é admitida quantidade negativa.

Validação: deve ser maior que zero.

4.1.17.6 Registro K301: Produção Conjunta - Industrialização Efetuada por Terceiros - Itens
Consumidos

Este registro tem o objetivo de informar a quantidade de consumo do insumo que foi remetido
para ser industrializado em terceiro, relativo à produção conjunta. O consumo de insumo componente
cujo controle não permita um apontamento direto não precisa ser escriturado neste registro. A quan-
tidade consumida deve ser expressa, obrigatoriamente, na unidade de medida de controle de estoque
constante no campo 06 do Registro 0200- UNID_INV. A chave deste registro é o campo COD_ITEM.

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG.

01 REG Texto fixo contendo “K302” C 4 - O


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 159

02 COD_ITEM Código do insumo (campo 02 do Registro 0200) C 60 - O

03 QTD Quantidade consumida N - 3 O

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K302]

Campo 02 (COD_ITEM) - Validações: a) o código do insumo deverá existir no campo COD_ITEM do


Registro 0200; b) o código do insumo deve ser diferente do código do produto resultante (COD_ITEM
do Registro K301); c) o tipo do componente/insumo (campo TIPO_ITEM do Registro 0200) deve ser igual
a 00, 01, 02, 03, 04, 05 ou 10. Campo 03 (QTD) - Preenchimento: a quantidade de consumo do insumo
deve refletir a quantidade consumida para se ter a produção acabada informada nos Registros K301.
Não é admitida quantidade negativa. Validação: deve ser maior que zero.

4.1.18 Registro K990: Encerramento do Bloco K

Este registro destina-se a identificar o encerramento do Bloco K e a informar a quantidade de


linhas (registros) existentes no bloco.

Nº CAMPO DESCRIÇÃO TIPO TAM DEC OBRIG


01 REG Texto fixo contendo “K990” C 004 - O

02 QTD_LIN_K Quantidade total de linhas do Bloco K N - - O

Campo 01 (REG) - Valor Válido: [K990].

Campo 02 (QTD_LIN_K) - Preenchimento: a quantidade de linhas a ser informada deve considerar


também os próprios registros de abertura e encerramento do bloco.

Validação: o número de linhas (registros) existentes no Bloco K é igual ao valor informado no cam-
po QTD_LIN_K.

4.1.18 Ordem de produção

No Bloco K, originalmente, o documento intitulado “Ordem de Produção” era informado apenas no


Registro K230 (para produção no próprio estabelecimento) e, no Registro K250 a Ordem de Produção do
industrializador contratado, mesmo não sendo referenciada diretamente no Bloco K do declarante, terá
a sua data de reconhecimento do consumo de insumo no processo informada no campo 02 do Registro
K250 do encomendante.

Com as alterações promovidas no Guia Prático da EFD-ICMS/IPI, versão 2.0.19, e, após, na versão
2.0.20, este documento de uso interno da empresa passou a ser informado pelo contribuinte na ocorrên-
cia de uma desmontagem (Registro K210) e também nos eventos de reprocessamento de mercadorias/
insumos (Registro K260).

Todos os processos operacionais de uma empresa são executados mediante ordens e, no caso
das indústrias, suas unidades fabris trabalham sob prescrição das ordens de produção. Uma Ordem de
Produção possui todas as especificações do produto com descrição, matérias-primas necessárias, data
em que deve ser entregue e quantidades requisitadas.

A data de início da Ordem de Produção marca o início do processo, ou seja, a saída interna do
insumo para o setor respectivo onde haverá início da industrialização. Toda Ordem de Produção terá
160 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

ainda a data final ou encerramento, que poderá ocorrer no mesmo mês de abertura ou em períodos
subsequentes.

Como regra, nas Ordens de Produção, teremos:

1. descrição do item a ser produzido;

2. número da Ordem de Produção e lote (são códigos que permitem a rastreabilidade dos produ-
tos produzidos e cruzamento de informações pelo Fisco);

3. data de emissão da ordem e prazo de entrega (identificação a data que foi emitida a ordem e
qual o prazo de conclusão da produção para entrega);

4. produto e quantidade (identificação dos tipos de produtos a serem produzidos e suas respecti-
vas quantidades; 

5. matérias-primas utilizadas (informações referentes à fórmula de composição dos produtos aca-


bados, demonstrando as quantidades de matérias-primas a serem utilizadas com suas respectivas me-
didas.

Observação
Fatores como atraso na produção devem ser informados na Ordem de Produção.
Capítulo 5
CASO PRÁTICO

5.1 Introdução

Neste capítulo, faremos o preenchimento da Escrituração Fiscal Digital (EFD), simulando a ativi-
dade industrial de uma empresa, com foco nos Blocos H e K. Em face do cruzamento de informações
promovido pelo sistema entre os vários blocos e registros, iremos consolidar as informações do Bloco
0 e do Bloco C.

Os processos de industrialização, objeto de nossos exemplos, têm como escopo demonstrar o


correto preenchimento da EFD. Desta forma, levamos em consideração os aspectos fiscais e nos basea-
remos em algumas etapas mais simples de fabricação dos bens.

As orientações de preenchimento trazidas pelo Guia Prático da Escrituração Fiscal Digital não
esgotam a matéria, razão pela qual o Fisco tem recebido muitos questionamentos a respeito dos seus
casos concretos.

O exemplo a seguir foi elaborado com base na legislação vigente. Contudo, o leitor/contribuinte
deve sempre estar atento com as inovações e a mudança de posicionamento do Fisco, que, muitas ve-
zes, acarretam a publicação de novas versões do Guia da EFD-ICMS/IPI.

Ao elaborarmos o caso prático, partimos do pressuposto de que a empresa encontra-se na obriga-


toriedade de entrega do Bloco K na modalidade completa sem nos preocuparmos com o cronograma
de implantação instituído pelo Ajuste Sinief nº 25/2016.

5.1.1 Detalhamento da empresa declarante


DECLARANTE INDÚSTRIA DE MÓVEIS MODELO

Endereço (fictício) da empresa Avenida Marquês de São Vicente, nº 100 - Água Branca - São Paulo - Capital

Cnae Principal 3101-2/00

CNPJ 38.569.737/0001-00

Inscrição Estadual 741.410.539.989

Inscrição Municipal (fictícia) 22222222222222222

5.2 Industrialização própria

A nossa empresa, contribuinte do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Prestação


de Serviços de Transporte Intermunicipal e Interestadual e Serviço de Comunicação) e do IPI (Imposto
sobre Produtos Industrializados), tem como escopo a fabricação e comercialização de móveis do tipo
utilizado em escritórios. Temos três produtos para ilustrar o preenchimento da EFD-ICMS/IPI:

O primeiro produto, mesa de madeira para escritório, será industrializado totalmente na nossa In-
dústria de Móveis Modelo. Para a produção dos assentos para escritório e da mesa com preponderância
de metal, o contribuinte utilizará a operação de remessa para industrialização em terceiros.
162 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

5.2.1 Industrializando “Mesa de madeira para escritório”


PRODUTO MESA DE MADEIRA PARA ESCRITÓRIO

NCM do Produto 9403.30.00

Insumo Utilizado Placas em MDF de até 9 milímetros

Insumo Utilizado Parafuso para madeira

Insumo Utilizado Verniz

Insumo Utilizado Ferragens para uso em móveis de madeira

5.2.2 Nota Fiscal de Aquisição (Fornecedor 01) e reflexos na EFD

A empresa “Fornecedor 01” realizou a venda de parte dos insumos a serem utilizados nos proces-
sos de industrialização da mesa de madeira para escritório no estabelecimento da Indústria de Móveis
Modelo.
RECEBEMOS DE Fornecedor 01 OS PRODUTOS/SERVIÇOS CONSTANTES DA NOTA FISCAL INDICADA AO LADO NF-e

Nº 000.000.001
DATA DE RECEBIMENTO IDENTIFICAÇÃO E ASSINATURA DO RECEBEDOR
SÉRIE: 1

DANFE CONTROLE DO FISCO


Fornecedor 01 Documento auxiliar da Nota
Fiscal Eletrônica
0 - Entrada 1 CHAVE DE ACESSO
Avenida Marques de São Vicente, 300 - - Água Branca, São 1 - Saída
Paulo, SP - CEP: 00000000 3516 0212 1668 2400 0115 5500 1000 0000 0110 1900 0056
Nº 000.000.001
SÉRIE: 1 Consulta de autenticidade no portal nacional da NF-e
Página 1 de 1 www.nfe.fazenda.gov.brportal

NATUREZA DA OPERAÇÃO
Venda
INSCRIÇÃO ESTADUAL INSCRIÇÃO ESTADUAL DO SUBST. TRIB. CNPJ
735885645261 12.166.824/0001-15
DESTINATÁRIO/REMETENTE
NOME/RAZÃO SOCIAL CNPJ/CPF DATA DA EMISSÃO
Indústria de Móveis Modelo 38.569.737/0001-00 02/02/20XX
ENDEREÇO BAIRRO/DISTRITO CEP DATA DE ENTRADA/SAÍDA
Avenida Marques de São Vicente, 100, Água Branca 00000-000 02/02/20XX
Pré-Visualização

MUNICÍPIO FONE/FAX UF INSCRIÇÃO ESTADUAL HORA DE ENTRADA/SAÍDA


Sem Valor Fiscal

São Paulo SP 741410539989 12:00


FATURA

PAGAMENTO À VISTA
CÁLCULO DO IMPOSTO
BASE DE CÁLCULO DO ICMS VALOR DO ICMS BASE DE CÁLCULO DO ICMS ST VALOR DO ICMS ST VALOR TOTAL DOS PRODUTOS
2.300,00 414,00 0,00 0,00 2.300,00
VALOR DO FRETE VALOR DO SEGURO DESCONTO OUTRAS DESPESAS ACESSÓRIAS VALOR DO IPI VALOR TOTAL DA NOTA
0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 2.300,00
TRANSPORTADOR/VOLUMES TRANSPORTADOS
RAZÃO SOCIAL FRETE POR CONTA CÓDIGO ANTT PLACA DO VEÍCULO UF CNPJ/CPF
9 - Sem Frete
ENDEREÇO MUNICÍPIO UF INSCRIÇÃO ESTADUAL

QUANTIDADE ESPÉCIE MARCA NUMERAÇÃO PESO BRUTO PESO LÍQUIDO

DADOS DO PRODUTO/SERVIÇO
BC VLR ALIQ. ALIQ.
CÓDIGO DESCRIÇÃO DO PRODUTO/SERVIÇO NCM/SH CST CFOP UNID QDT VLR UNIT VLR TOTAL VLR IPI
ICMS ICMS ICMS IPI
MDF01 Placas em MDF em espessura de até 9mm 44111399 000 5102 UNI 15.0000 100,0000 1.500,00 1.500,00 270,00 18,00
PF Parafusos para madeira 731812200 000 5102 UNI 1.000.0000 200,00 200,00 200,00 36,00 18,00
FR Ferragens para uso em móveis 83023000 000 5102 UNI 60.0000 10,0000 600,00 600,00 108,00 18,00

CÁLCULO DO ISSQN
INSCRIÇÃO MUNICIPAL VALOR TOTAL DOS SERVIÇOS BASE DE CÁLCULO DO ISSQN VALOR DO ISSQN
444444444444444

DADOS ADICIONAIS
INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES RESERVADO AO FISCO

Modelo Nota Fiscal.indd 1 26/05/2017 14:57:31


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 163

O documento fiscal em questão enseja as seguintes etapas na escrituração fiscal do adquirente:

Registro 0150 - Cadastro de Participantes

Registro 0190 - Cadastro de Unidades

BLOCO 0 Registro 0200 - Tabela de Identificação de Itens

Nota: Depois de encerrarmos a nossa Ordem de Produção, ou seja, com o produto acabado, iremos
preencher o Registro 0210, no qual constarão os insumos adquiridos deste fornecedor e que tenham
sido utilizados para fabricação da mesa de madeira para escritório.

Registro C100 - Para lançamento da NF-e do fornecedor

BLOCO C Registro C170 - Detalhamento de Itens do documento

REGISTRO C190 - Registro Analítico

Registro K200 - Estoque Escriturado


Registro K230 - Itens produzidos - vincula-se em face do produto acabado e produzido no estabeleci-
BLOCO K mento

Registro K235 - Insumos Consumidos

Visualização dos registros do Bloco 0:

Conforme exposto no Capítulo 2 deste livro, o Registro 0150 deverá conter o prévio cadastro dos
participantes, ou seja, cliente, fornecedores, transportadoras, entre outros, com os quais o declarante
tenha realizado operações que ensejaram emissão de documentos fiscais. Exceção da Nota Fiscal de
Venda ao Consumidor, modelo de documento informado no Registro C350, documento fiscal emitido
por ECF e lançado nos Registros C460 e C100, quando se tratar de NFC-e (Nota Fiscal eletrônica a Con-
sumidor Final);
164 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 165

O Fornecedor 01 realizou a venda de três matérias-primas, todas cadastradas no Registro 0200 e


que alimentarão as informações dos Blocos C e K. Cada produto possui sua codificação, que não poderá
ser duplicada ou atribuída a itens diferentes.

Visualização dos registros do Bloco C:

No Registro C100, os dados da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) serão informados incluindo-se a cha-
ve de acesso do documento fiscal modelo 55. Uma vez que se trata de matéria-prima a ser utilizada no
processo de industrialização, o adquirente/industrializador fará jus ao crédito de ICMS. Tratando-se de
estabelecimento atacadista não equiparado a industrial, o crédito de IPI será permitido nos termos do
art. 227 do Regulamento de IPI - Decreto nº 7.212/2010, mesmo não estando destacado na nota fiscal.

Art. 227. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão, ainda, creditar-se do im-
posto relativo a matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos de comerciante
atacadista não contribuinte, calculado pelo adquirente, mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito
o produto, sobre cinquenta por cento do seu valor, constante da respectiva nota fiscal (Decreto-Lei nº 400,
de 1968, artigo 6º).

Observar que o crédito de IPI em questão será tomado diretamente no Bloco E520, campo 06
“Outros Créditos”.

Para documentos de entrada, os campos de valor de imposto, base de cálculo e alíquota só


deverão ser informados se o adquirente tiver direito à apropriação do crédito pelo enfoque do decla-
rante.
166 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Registro C170:
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 167

Tendo em vista que a NF-e do fornecedor contém 3 itens, foram gerados 3 Registros C170, um para
cada item, devendo ser observado o número sequencial (campo 02) 1, 2 e 3, respectivamente.

Registro Analítico:

Este registro tem por objetivo representar a escrituração dos documentos fiscais totalizados por
CST, CFOP e alíquota de ICMS. Uma vez que todos os itens tiveram coincidência de CST, CFOP e alíquo-
ta, o sistema gerou automaticamente apenas um Registro C190, totalizando as informações.
168 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

5.2.3 Nota Fiscal de Aquisição (Fornecedor 02) e reflexos na EFD

A nossa Indústria de Móveis Modelo fez uma 2ª aquisição de insumos, e a NF-e a seguir também
gerou reflexos na EFD-ICMS/IPI da competência fevereiro/2017:
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 169

Registro 0150 - Cadastro de Participantes

Registro 0190 - Cadastro de Unidades

BLOCO 0 Registro 0200 - Tabela de Identificação de Itens

Nota: Depois de encerrarmos a nossa Ordem de Produção, ou seja, com o produto acabado, iremos
preencher o Registro 0210, no qual constarão os insumos adquiridos deste fornecedor e que tenham
sido utilizados para fabricação da mesa de madeira para escritório.

Registro C100 - Para lançamento da NF-e do fornecedor

BLOCO C Registro C170 - Detalhamento de Itens do documento

Registro C190 - Registro Analítico

Registro K200 - Estoque Escriturado


Registro K230 - Itens produzidos - vincula-se em face do produto acabado e produzido no estabeleci-
BLOCO K mento

Registro K235 - Insumos Consumidos

5.2.3.1 Visualizando os registros do Bloco 0

Registro 0150

Registro 0190 Cadastro de Litro (Verniz)


170 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Registro 0190 Cadastro de Metro (Tecido Rústico a ser utilizado em outro processo de industria-
lização)

Registro 0200 (Tabela de Identificação de Itens)


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 171

5.2.3.2 Visualizando o Registro C100 - Lançamento de Documento Fiscal

Registro C170 (Produto Tecido Rústico)


172 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Registro C170 (Verniz)

Registro C190 (Registro Analítico)


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 173

5.2.3.3 Visualizando os registros do Bloco K

Para dar início ao preenchimento deste bloco, o contribuinte deverá selecionar o período objeto
da EFD-ICMS:

Registro K100

Observar que a “Data Inicial” e a “Data Final” devem coincidir com o período informado no Registro
0000 da EFD.

Registro 0200 (cadastramento prévio)

O produto “Mesa de Madeira para Escritório”, de fabricação no próprio estabelecimento, deverá ser
previamente cadastrado no Registro 0200, mesmo não fazendo parte de documento fiscal de aquisição,
pois esta informação alimentará o Registro K200, campo 03 “COD_ITEM”. Portanto, não há documento
fiscal emitido por terceiros e sim uma Ordem de Produção - documento interno.

Visualizando:

Na sequência, teremos a demonstração da Ordem de Produção (com data de abertura em


16.02.2018 e data de encerramento em 28.02.2018) e a respectiva ficha técnica deste produto final:
174 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Registro 0210 Consumo Específico Padronizado

Neste registro, detalharemos os insumos utilizados para confeccionar o produto acabado “Mesa
de Madeira para uso em Escritório”, devendo ser informado o insumo necessário para fabricação de uma
unidade do produto, bem como a perda ocorrida.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 175

Observar que o código do componente/insumo deverá existir no campo COD_ITEM do Registro


0200, devendo este ser diverso do código utilizado para cadastro do produto acabado, conforme de-
monstrado a seguir:
176 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Podemos verificar que os Registros 0210 estão vinculados ao produto acabado “Mesa em Madeira”
do Registro Pai 0200.

Demonstraremos em seguida o preenchimento do Registro K200. Este registro é mensal e deve


corresponder ao estoque existente no último dia do período.

Tendo em vista que neste mês foram produzidas 15 mesas, o Registro K200 deverá conter estas
quantidades.

No tocante ao Bloco K, o contribuinte/declarante deve atentar que este bloco não realiza em seus
vários registros validações de quantidades, nem ao menos faz exigência de que os itens informados no
Registro K200 estejam no Registro C100, indicando haver documento fiscal de aquisição da matéria-
-prima no mesmo mês.

Os insumos para fabricação do produto acabado poderão estar no estoque há vários meses e se-
rem utilizados apenas na produção desta competência.

No exemplo hipotético, consumimos no mês todo o MDF e a ferragem adquirida do Fornecedor


01, contudo, houve sobra no estoque dos produtos: parafusos para madeira e verniz (adquirido do For-
necedor 02). Sendo assim, em relação a estas duas matérias-primas, preencheremos o Registro K200.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 177

A “Indústria de Móveis Modelo” promoveu industrialização de mesa de madeira do tipo utilizado


em escritório com início do processo em 16.02.2017 e término em 28.02.2017.

O Registro K200 refletirá a posição do estoque do declarante no último dia do período indicado
no Registro K100.

Visualizando o Registro K230


178 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Este registro deverá ser informado quando a produção ocorrer no estabelecimento do informante,
devendo ser pontuadas a data de início da “Ordem de Produção” e a data de conclusão do processo a
ser espelhada na respectiva “OP”. A quantidade de produção refere-se ao total pontuado na Ordem de
Produção. Caso o processo tivesse iniciado em 16.02.2018 e a finalização ocorrido no mês seguinte, por
exemplo, esta data ficaria em branco, justificando o tipo do campo “OC”.

Visualizando o Registro K235


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 179

No exemplo elaborado, temos um Registro Filho K230 para quatro Registros K235, que demons-
tram o consumo total do período.

No Registro K235, a informação a ser prestada deve se referir ao consumo efetivo no processo pro-
dutivo no período de apuração. Como consumo efetivo, devemos considerar o resultado da quantidade
requisitada ao almoxarifado menos a quantidade de retorno ao almoxarifado. Quando a necessidade de
correção da quantidade consumida (K235) for conhecida depois da transmissão da EFD, o contribuinte/
declarante poderá promover os ajustes necessários no Registro K275 - Correção de Apontamento e Re-
torno de Insumos dos Registros K215, K220, K235 e K265. Observar que as correções de apontamento
têm que ocorrer, obrigatoriamente, entre o levantamento de 2 inventários (informação do “Campo 02
do Registro H005), uma vez que, com a contagem do estoque se terá conhecimento de uma eventual
necessidade de correção de apontamento.

Antes de a versão 2.0.20 do Guia Prático da EFD-ICMS/IPI ser disponibilizada para o contribuinte,
havia discussão sobre o exato período disponível para o declarante da EFD preencher os Registros des-
tinados para correções.

Diferenças conhecidas depois do período subsequente ensejarão a retificação do Sped Fiscal.

5.3 Industrialização em estabelecimento de terceiro (fabricação de assentos para escritório)

Passamos agora para a análise da operação de Remessa para Industrialização. A empresa “In-
dústria de Móveis Modelo” adquire insumos e, em seguida, remete para a empresa “Industrializador de
Cadeiras”, na qual se processará a industrialização para posterior retorno do produto acabado.

5.3.1 Industrialização por encomenda

Perante a legislação do ICMS, considera-se industrialização qualquer operação que modifique a


natureza, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto ou o aperfeiçoe para consumo.

As empresas industriais podem promover a industrialização de seus produtos no próprio estabe-


lecimento ou, ainda, contratar outras empresas para realizarem todo o processo de industrialização ou
parte do processo. Decidindo terceirizar sua produção, o encomendante fará jus ao benefício da sus-
pensão do ICMS. Deve-se observar, ainda, as peculiaridades de cada UF. Em São Paulo, por exemplo, a
suspensão de ICMS apenas poderá ser aplicada, entre outros requisitos, quando o produto destinar-se
à posterior revenda ou industrialização.
180 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

O Estado de Minas Gerais não permite que a operação ocorra entre estabelecimentos da mesma
empresa, ficando, neste caso, caracterizada transferência de mercadoria e não remessa para industria-
lização.

As chamadas operações triangulares de industrialização possuem características próprias que


repercutem no momento da emissão da NF-e de remessa e retorno, bem como na EFD. Com o advento
do Bloco K, em 2016, as empresas parceiras (encomendante e industrializadores) farão troca de informa-
ções, pois pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) associada ao Código Fiscal de Operações e
Prestações (CFOP) indicado nas Notas Fiscais de Remessa e dados do produto (informados nos Regis-
tros 0200 e 0210), o Fisco terá condições de validar o saldo do produto, inclusive os retornos, sejam eles
simbólicos ou físicos.

5.3.1.1 Tratamento tributário na remessa e no retorno

A suspensão de ICMS e IPI aplica-se tanto nas operações internas como nas operações interes-
taduais.

A suspensão compreende a saída:


a) que, antes do retorno dos produtos ao estabelecimento autor da encomenda, por ordem des-
te, for promovida pelo estabelecimento industrializador com destino a outro, também indus-
trializador;
b) promovida pelo estabelecimento industrializador em retorno ao do autor da encomenda.

Salvo disposição em contrário, na saída de mercadoria em retorno ao estabelecimento que a tiver


remetido nas referidas condições, o estabelecimento que tiver efetuado a industrialização deverá calcu-
lar e recolher o imposto sobre o valor acrescido. Para efeito de recolhimento do imposto, entende-se por
valor acrescido o total cobrado pelo estabelecimento industrializador, nele incluídos o valor dos serviços
prestados e o das mercadorias empregadas no processo industrial.

O Estado de São Paulo vai mais longe: confere diferimento sobre o valor da mão de obra cobrada
no retorno de mercadoria remetida para industrialização, desde que em operação interna (dentro do
Estado).

Desta forma, dois benefícios alcançam o retorno de mercadoria remetida para industrialização, a
suspensão, em relação aos insumos enviados e o diferimento da mão de obra, por ocasião do retorno.

Atualmente, o diferimento do ICMS incidente sobre o custo da mão de obra, no Estado de São
Paulo, baseia-se na Portaria CAT nº 22/2007, antes, porém, estava disciplinado no próprio Regulamento
do ICMS no art. 403, agora revogado.

Nota
A operação de industrialização por encomenda é matéria conveniada e, portanto, aplicável em todas as Unidades da
Federação. O exemplo prático utilizado neste Guia baseia-se na legislação paulista, pois os contribuintes fictícios estão
estabelecidos em São Paulo.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 181

5.3.1.2 Prazo de retorno

No tocante à suspensão de ICMS e IPI, constitui condição para fruição deste tratamento tribu-
tário o retorno dos produtos industrializados ao estabelecimento de origem, dentro do prazo de 180
dias contados da data da saída da mercadoria do estabelecimento autor da encomenda. Esse prazo,
a critério do Fisco, poderá ser prorrogado por igual período, permitida uma segunda prorrogação pelo
mesmo prazo.

Salvo prorrogação autorizada pelo Fisco, decorrido o prazo citado sem que ocorra o retorno da
mercadoria ou dos produtos industrializados, o imposto devido será exigido por ocasião da saída e o
recolhimento espontâneo ficará sujeito à atualização monetária e aos acréscimos legais.

5.3.2 Industrializando assentos para escritório

PRODUTO ASSENTOS PARA ESCRITÓRIO

NCM 94018000

Insumo Tecido rústico (propriedade do encomendante)

Insumo Artefatos têxteis para estofamento (espuma) (propriedade do encomendante)

Insumo Custo de mão de obra cobrança pelo industrializador

Insumo Parafuso para cadeira propriedade do industrializador

Insumo Rodízios para cadeira propriedade do industrializador


182 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

5.3.2.1 Nota Fiscal de Remessa para Industrialização e os reflexos na EFD


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 183

O documento fiscal em questão ensejará o preenchimento dos seguintes blocos e registros na


EFD do autor da encomenda:

Registro 0150 - Cadastro de Participantes

Registro 0190 - Cadastro de Unidades

Registro 0200 - Tabela de Identificação de Itens


BLOCO 0
Nota: Depois de recebermos a Nota Fiscal de Retorno de Industrialização e uma vez com o produto
acabado no estoque, preencheremos o Registro 0210 em relação aos insumos utilizados no processo
e que tenham sido remetidos para o estabelecimento industrializador (informações que repercutirão
no Registro K255). O Fisco paulista chegou a exigir que neste registro também fossem informados os
insumos aplicados pelo industrializador. A contar de 01.01.2017, São Paulo deixa de promover tal exigên-
cia. O Registro 0210 deverá estar compatível com as informações prestadas neste Registro.

Registro C100 - Para lançamento da NF-e de remessa e retorno de industrialização


Registro C110 - Informações Complementares

BLOCO C
Registro C170 - Detalhamento de Itens do Documento

Registro C190 - Registro Analítico

Registro K200 - Estoque Escriturado


BLOCO K
Registro K250 - Industrialização Efetuada por Terceiros (Itens produzidos)
Registro K255 - (Insumos consumidos)

Visualização dos registros do Bloco 0:

Registro 0150 - Tabela de Cadastro do Participante

Registro contendo o cadastro do Industrializador.


184 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

5.3.3 Visualizando o lançamento da NF-e referente à remessa para industrialização

Bloco C

Tratando-se de Nota Fiscal Eletrônica de Emissão Própria, não será necessário o preenchimento
do Registro C170. Os insumos enviados apenas foram informados no Bloco 0, cadastramento de item no
Registro 0200, para atender às regras de preenchimento do Bloco K.

Registro C110
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 185

O preenchimento deste registro é necessário, pois a nota fiscal de remessa para industrialização
contém observações exigidas na legislação de ICMS referente ao tratamento tributário de suspensão.

O registro em questão tem por objetivo identificar os dados contidos no campo “Informações
Complementares” da nota fiscal, que sejam de interesse do Fisco, conforme dispõe a legislação. Devem
ser discriminadas em registros “filhos próprios” as informações relacionadas com documentos fiscais,
processos, cupons fiscais, documentos de arrecadação e locais de entrega ou coleta que foram explici-
tamente citadas no campo “Informações Complementares”.

Registro C190

Este registro tem por objetivo representar a escrituração dos documentos fiscais totalizados por
CST, CFOP e alíquota de ICMS.

5.4 Retorno de mercadoria enviada para industrialização em estabelecimento de terceiros

Terminada a industrialização, o estabelecimento “Industrializador de Cadeira” deverá emitir nota


fiscal de retorno de mercadoria recebida para industrialização. Neste documento fiscal, o emitente de-
verá promover o retorno simbólico da mercadoria enviada pelo encomendante, com o objetivo de fechar
a operação e, com isto, cumprir as exigências legais para manutenção da suspensão de ICMS e IPI, pro-
mover a cobrança do insumo próprio aplicado, incluindo a mão de obra e pontuar o produto acabado
(meramente declaratório).
186 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Visualizando a NF-e
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 187

Registros 0200 e 0210

Para melhor visualização dos reflexos do lançamento desta NF-e na EFD-ICMS/IPI, fizemos um
comparativo para relacionar os itens do documento fiscal e a exigência de cada registro.

ITEM REGISTRO 0200 REGISTRO 0210 APLICAÇÃO

Mão de Obra Informar Não informar Custo adicionado pelo in-


dustrializador

Parafuso para cadeira Informar Não informar Material acrescido pelo


industrializador

Rodízios para cadeira Informar Não informar Material acrescido pelo


industrializador

Tecido rústico Informar Informar Retorno simbólico de in-


sumo de propriedade do
encomendante

Artefatos têxteis para es- Informar Informar Retorno simbólico de in-


tofado sumo de propriedade do
encomendante

Cadeira para escritório Informar (item cadastrado No Registro 0210 serão informa- Produto acabado mera-
neste registro apenas com o dos os insumos utilizados na fabri- mente declaratório na
objetivo de preenchimento da cação da cadeira e que sejam de NF-e
Ficha Técnica - 0210) propriedade do encomendante

Visualizando Registro 0200 referente à mão de obra

Observar que este item foi classificado como “Outros insumos”, não sendo exigido para este tipo
de item o preenchimento da NCM.

Visualizando Registro 0200 referente à aplicação de parafuso para cadeira


188 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Visualizando Registro 0200 referente a rodízio para cadeira

Os insumos “parafusos para cadeira” e “rodízios para cadeira” foram aplicados pelo industrializador.
Estes itens não devem alimentar o estoque, apenas repercutirão no Bloco C.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 189

Visualizando cadastro de tecido rústico

Matéria-prima de propriedade do encomendante remetida para industrialização no “Industrializa-


dor de Cadeiras” e que retorna simbolicamente. Este item não alimentará o estoque do encomendante,
devendo ser cadastrado para fins de informação no Bloco C e também na ficha técnica.

Visualizando cadastro de artefatos têxteis para estofamento (espuma)

Matéria-prima de propriedade do encomendante remetida para industrialização no “Industrializa-


dor de Cadeiras” e que retorna simbolicamente. Este item não alimentará o estoque do encomendante,
devendo ser cadastrado para fins de informação no Bloco C e também na ficha técnica.
190 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Visualizando Registro 0200 referente à Cadeira para Escritório

Registro 0210 Consumo Específico Padronizado

A remessa de insumos para industrialização ocorreu em 16.02.2018, o “Produto Acabado” - Assen-


tos para Escritório -, tendo ocorrido seu retorno em 28.02.2018. Uma vez que a remessa e o retorno fazem
parte do mesmo período e, por consequência, da mesma EFD do declarante, iremos preencher o Re-
gistro 0210, vinculando ao cadastro das “Cadeiras para Escritório”. Observar que o Registro 0210 apenas
envolve informações sobre mercadorias, o que excluirá o lançamento da cobrança de mão de obra do
industrializador no Registro 0210 deste.

Como estamos demonstrando a EFD da empresa “Indústria de Móveis Modelo”, o Registro 0210
em questão refere-se apenas às informações do encomendante. Vale ressaltar que apenas farão parte
deste registro os insumos de propriedade do encomendante, ou seja, tecido rústico e espuma. Os de-
mais insumos empregados no processo, mas que fizeram parte do estoque do industrializador contrata-
do serão informados no Registro 0210 deste contribuinte, sendo possível a realização de comparativos
e cruzamentos pelo Fisco.

Por ocasião do retorno da mercadoria remetida para industrialização o industrializador emitirá a


NF-e detalhando e cobrando todos os insumos que eram de sua propriedade e que foram empregados
no processo. Independentemente da quantidade de matéria-prima aplicada.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 191

Quanto mais detalhado o documento fiscal, menores serão as chances de erros ou imprecisões
no Bloco K de ambos os sujeitos passivos desta operação.
Neste livro, simulamos uma operação em que o encomendante e o industrializador estão estabe-
lecidos no Estado de São Paulo
Visualizando os registros vinculados:

Temos “Cadeira para Escritório”, produto acabado que se vincula aos dois insumos de proprieda-
de do encomendante - tecido rústico e artefatos têxteis para estofamento (espuma). Lembramos que
o Registro 0200 possui uma hierarquia 2, que indica ser o Registro Pai do Registro 0210 de hierarquia 3
(somente habilitado depois do preenchimento do Registro 0200).

Visualizando o Registro C100 referente à nota fiscal de retorno


192 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Visualizando o Registro C170: mão de obra aplicada na industrialização

Visualizando o Registro C170: parafuso para cadeira


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 193

Visualizando o Registro C170: rodízios para cadeiras

Visualizando o Registro C170: tecido rústico


194 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Visualizando o Registro C170: artefatos têxteis para estofamento

Visualizando o respectivo Registro Analítico

Por ocasião do retorno de industrialização, os itens constantes do documento fiscal possuem


tratamento diverso e, em função desta característica, o Programa de Validação e Assinatura (PVA) criou
três Registros Analíticos utilizando-se do critério CST, alíquota e CFOP.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 195

Importante
O somatório dos valores do campo “Valor da Operação” deve, em princípio, corresponder ao valor total do documento
informado no Registro C100. No exemplo citado, R$ 4.000,00.
196 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Visualizando o Bloco K
Registro K200

Registro K250
No dia 28.02.2018 teremos o produto acabado cadeira para escritório. Como este produto teve a
industrialização realizada em estabelecimento de terceiros, ao invés de preenchermos o Registro K230
e Filhos, utilizamos o Registro K250 e Filhos.

No Registro K255, informaremos os insumos de propriedade do encomendante utilizados no pro-


cesso de industrialização da cadeira, ou seja, aqueles que fizeram parte da NF-e 5.901/6.901
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 197

Importante
Os insumos enviados para industrialização em estabelecimento de terceiros e que foram aplicados na industrialização
do produto final estão descritos no documento fiscal de retorno de mercadoria enviada para industrialização, contudo,
não retornam de fato. Isto se deve em virtude dos insumos já estarem aplicados no produto acabado, constituindo
retorno simbólico.

Os insumos “tecido rústico” e “espuma” não voltam efetivamente para o estoque, mas constarão
dos Registros C100 e seus respectivos registros.

5.4.1 Registros K230 e K235 - preenchimento pelo estabelecimento industrializador

Enquanto o estabelecimento encomendante informa os Registros K250 e K255, sobre a industria-


lização contratada por ele, cabe ao estabelecimento industrializador informar os Registros K230 e K235
sobre a industrialização promovida para terceiros em seu estabelecimento.

Apenas para ilustrar, vejamos o preenchimento dos Registros K230 e K235 sobre a ótica do indus-
trializador contratado - “Indústria de Cadeiras”.

Registro K230 pelo enfoque do industrializador


198 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

O encomendante “Indústria de Móveis Modelo” enviou tecido rústico e artefatos têxteis para es-
tofado (espuma) para o estabelecimento industrializador promover a industrialização da “Cadeira para
Escritório”. Pela regra estabelecida no Guia Prático da EFD versão 2.0.20, os industrializadores informa-
rão no Registro K235 os insumos recebidos do encomendante e os insumos próprios do industrializador.

Desta forma, temos ainda a informação dos dois insumos recebidos da empresa contratante, ob-
jeto do exemplo prático:
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 199

5.5 Operação de remessa para industrialização em estabelecimento de terceiros (contra-


tação de mais de um industrializador)

O desenvolvimento industrial brasileiro se deu lentamente e somente aconteceu depois do rom-


pimento de obstáculos e de medidas políticas como nos Governos de Getúlio Vargas e Juscelino Ku-
bitschek, que foram imprescindíveis para que as indústrias se proliferassem no Brasil, pois, durante os
longos anos em que o território brasileiro foi colônia portuguesa, a economia se restringiu à prática da
agricultura, conhecida também como monocultura, isto é, o plantio de um único tipo de produto, como
a cana-de-açúcar.

O crescimento industrial ganhou maior dimensão a partir do Governo de Juscelino Kubitschek


(1956-1961) com a criação de medidas alfandegárias para a vinda de empresas internacionais para o
Brasil. Esse período foi conhecido pelo seu otimismo, no que se referia ao crescimento da economia
brasileira, em que medidas como o Plano de Metas incentivaram a produção industrial.

Essa política de Juscelino Kubitschek (JK), para estimular o crescimento industrial, ficou conhe-
cida como nacional-desenvolvimentista. Ela concentrava suas atenções em investimentos na área de
energia e de transportes. Para isso, JK utilizou o capital estrangeiro, permitindo a entrada de empresas
multinacionais no Brasil, como a montadora de automóveis Volkswagen.

Destarte, foram com essas medidas políticas do Governo de Getúlio Vargas e de Juscelino Ku-
bitschek que a industrialização brasileira adquiriu vida própria e obteve um crescimento vertiginoso,
principalmente nos últimos anos do século XX e início do século XXI.

Atualmente, o Brasil é considerado um dos países mais industrializados, por isso, ocupa o 15º lugar
nesse segmento em escala global (dados de 2014). A intensificação da indústria brasileira faz com que
o País possua um enorme e variado parque industrial (ainda que concentrado na Região Sudeste), que
produz desde bens de consumo à tecnologia de ponta2.

A legislação de ICMS e IPI acompanha a evolução histórica da nossa industrialização. Na indus-


trialização moderna, é comum que os processos de fabricação ocorram de forma consorciada, ou seja,
uma empresa adquire insumos e os envia para outras indústrias que farão parte ou todo o processo de
industrialização, retornando ao estabelecimento contratante o produto acabado ou semiacabado. Por
ocasião do retorno, o produto recebido poderá sofrer nova etapa de industrialização no estabelecimento
encomendante, ou apenas ser revendido por este (equiparando-o a industrial).

O próximo exemplo descreve uma operação em que a “Indústria de Móveis Modelo” adquire insu-
mos - Placas de MDF - e os remete para industrialização (moldagem) em estabelecimento de terceiros.
Quando ao invés de promover o retorno ao estabelecimento encomendante o industrializador, que con-
cluiu a primeira etapa do processo, a pedido do contratante, envia o produto para um 2º industrializador,
adota os seguintes procedimentos fixados pela legislação:

I - emite Nota Fiscal para acompanhar o transporte da mercadoria com destino ao industrializador
seguinte, sem destaque do valor do imposto, na qual, além dos demais requisitos, constarão:

a) a indicação de que a remessa se destina à industrialização por conta e ordem do autor da encomenda,
que será qualificado nessa Nota Fiscal;

b) o número, a série e a data da emissão, o nome, o endereço e os números de inscrição, estadual e no CNPJ,
do emitente da Nota Fiscal que tiver acompanhado a mercadoria recebida em seu estabelecimento (essas
informações serão necessárias a contar do 2º industrializador);
2 Baseado no texto de Fabrício Santos. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/historiab/industrializacao-bra-
sileira.htm> - 10.08.2015.
200 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

II - emite Nota Fiscal em nome do estabelecimento autor da encomenda, na qual, além dos de-
mais requisitos, constarão:
a) o número, a série e a data da emissão, o nome, o endereço e os números de inscrição, estadual e no CNPJ,
do emitente da Nota Fiscal que tiver acompanhado a mercadoria recebida em seu estabelecimento;
b) o número, a série e a data da emissão da Nota Fiscal que acompanhou o transporte da mercadoria até o
industrializador;
c) o valor da mercadoria recebida para industrialização, o valor das mercadorias empregadas e o total cobrado
do autor da encomenda;
d) o destaque do valor do imposto, que será calculado sobre o valor total cobrado do autor da encomenda,
ressalvada a aplicação do diferimento estabelecido na Portaria CAT nº 22/2007.
A operação será finalizada pelo último industrializador.
No Estado de São Paulo, local em que ocorre a simulação, não há Nota Fiscal de Remessa Simbó-
lica do encomendante para o 2º industrializador, prevalecendo apenas a nota fiscal emitida pelo indus-
trializador que realizou a 1ª etapa de industrialização.

Visualizando a operação:

Detalhamento da operação:
OPERAÇÃO INÍCIO DA ETAPA TÉRMINO DA ETAPA INSUMO APLICADO/ENVIADO
Remessa para industrialização 02.02.2018 - Placa em MDF em espessura de até 9 mm
Retorno simbólico da indústria - 10.02.2018 Mão de obra e retorno simbólico da placa
contratada para realizar a 1ª em MDF de espessura de até 9 mm
etapa Indicação do produto resultante da indus-
trialização nesta etapa, ou seja, placa em
MDF moldada
Remessa de insumos para in- 10.02.2018 - Placa em MDF moldada
dústria da 2ª etapa (emitida
pela indústria da 1ª etapa)
Encerramento da operação re- 10.02.2018 28.02.2018 Mão de obra (2ª etapa)
torno ao autor da encomenda
Ferragens para aplicações em móveis em
metal
Mesa com preponderância de metal (pro-
duto acabado)
Placa em MDF moldada (retorno simbólico
do insumo recebido por conta e ordem)
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 201

5.5.1 Nota Fiscal de Remessa para o 1º Industrializador


202 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

O documento fiscal em questão enseja as seguintes etapas no Sped Fiscal da indústria enco-
mendante:

Registro 0150 - Cadastro de Participantes

Registro 0190 - Cadastro de Unidades

BLOCO 0 Registro 0200 - Tabela de Identificação de Itens

Registro 0450 - Código a ser utilizado no Registro C110

Registro 0210 - Quando do produto acabado, os insumos utilizados farão parte da ficha técnica

Registro C100 - Para lançamento da NF-e do fornecedor e posteriormente dos industrializadores

BLOCO C Registro C110 - Informações Complementares

Registro C190 - Registro Analítico

Registro K200 - Estoque Escriturado


Registro K250 - Itens produzidos - vincula-se em face do produto acabado e produzido no estabeleci-
BLOCO K mento de terceiros

Registro K255 - Insumos Consumidos

5.5.1.1 Bloco 0

Registro 0150 Industrializador da 1ª Etapa


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 203

Registro 0200

Registro 0210

No preenchimento deste registro tecemos algumas considerações adicionais. O Registro 0210


apenas será informado caso o industrializador tenha prestado informações nos Registros K230/K235
ou K250/K255. Em face de a industrialização estar sendo promovida em terceiros, informaremos os
Registros K250/K255. No caso simulado neste Guia, a remessa de insumos para o industrializador da “1ª
etapa” ocorre em 02.02.2018 e o produto acabado retornará em 28.02.2018, sendo que o retorno final foi
promovido pelo industrializador da “2ª etapa” de industrialização.

Quando na operação de remessa para industrialização existirem mais de um industrializador en-


volvido no processo, o contribuinte/declarante, autor da encomenda, terá duas maneiras de escriturar o
Bloco K e os registros vinculados a este bloco:
a) por meio de um Processo Único: a nota fiscal de retorno referente à 1ª etapa de industrializa-
ção seria lançada no Registro C100, contudo, o Registro K250 apenas conteria informações
relativas à última etapa de industrialização (retorno do 2º industrializador) com preenchimento
da seguinte forma:
a.1) Registro K250, baseado na quantidade existente na NF-e de industrialização emitida pelo
último industrializador, mais a variação de estoque em terceiro, porventura existente;
204 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

a.2) Registro K255, baseado na quantidade remetida mais a variação de estoque em terceiros,
porventura existente;

b) todas as Etapas do Processo: nesta hipótese, o contribuinte escritura todos os retornos e não
apenas o retorno referente ao último industrializador, e possuirá um Bloco K mais completo.
No exemplo, optamos por demonstrar todas as etapas. Desta forma, o retorno simbólico pro-
movido pelo 1º industrializador ensejará o preenchimento do Registro 0210 referente à placa
em MDF de até 9 mm, vinculada ao Registro Pai 0200 da Placa em MDF Moldada, produto em
processo enviado por sua conta e ordem ao 2º industrializador.

Nota
Como já ressaltamos, até o momento, não existe posicionamento oficial sobre a melhor forma de preenchimento do
Bloco K nas operações triangulares de industrialização. Este Guia reflete o posicionamento da equipe técnica da IOB,
baseado na legislação de ICMS e do IPI, bem como no Guia Prático da EFD-ICMS/IPI, não substituindo a necessidade
de eventual consulta ao Fisco.

Registro 0210 vinculado ao Registro Pai 0200 da Placa em MDF Moldada


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 205

Registro 0450

5.5.1.2 Bloco C
Registro C100 referente ao documento fiscal de remessa para industrialização no industrializador
da 1ª etapa
206 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Registro C110

Registro Analítico C190


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 207

5.5.1.3 Nota fiscal de retorno simbólico de mercadoria enviada para industrialização


208 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

A nota fiscal referente ao retorno simbólico da mercadoria recebida para industrialização ensejará
o preenchimento dos Registros 0150, 0190 e 0200 no Bloco 0, Registros C100, C110, C170 e C190 do Bloco
C, seguindo o padrão exigido pelo Guia Prático da Escrituração Fiscal Digital.

Cadastro de itens da NF-e emitido pelo industrializador da 1ª etapa em retorno ao encomen-


dante

Registro 0200 (mão de obra cobrada na 1ª etapa de industrialização)

Registro 0200 (Retorno simbólico da Placa em MDF)


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 209

Registro 0200 referente ao produto em processo enviado para o 2º industrializador (Indústria da


Etapa 02) por conta e ordem do autor da encomenda. O item em questão constará do Registro 0200
apenas para fins de detalhamento no Bloco K.
v

Reflexos no Bloco C

Tratando-se de NF-e de terceiros, o contribuinte deverá preencher o Registro C170


210 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Cobrança da mão de obra

Registro C170 (Retorno simbólico do insumo recebido)


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 211

Registro Analítico (em face de tratamentos tributários distintos dos dois itens, temos dois Regis-
tros Analíticos gerados pelo PVA)
212 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

5.5.3.1 Reflexos no Bloco K (método de escrituração de toda etapa)

Registro K250 referente à placa de MDF moldada (produto em processo)

Registro K255 referente à Placa em MDF Moldado

5.5.1.4 NF-e de remessa para industrialização por conta e ordem de terceiros

O documento fiscal em questão foi emitido com o objetivo de remeter os insumos recebidos pelo
Industrializador da 1ª Etapa para a segunda fase de industrialização no Industrializador da 2ª Etapa. O
referido documento fiscal fará parte da EFD-ICMS/IPI apenas dos industrializadores envolvidos, por-
tanto, não fará parte do Sped Fiscal da “Indústria de Móveis Modelo”. No entanto, é imprescindível para
compreendermos o respectivo retorno de industrialização que será promovida pelo Industrializador da
2ª Etapa para o autor da encomenda “Indústria de Móveis Modelo”.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 213

Observação
Para fixar o valor do insumo enviado - Placa em MDF Moldada -, realizamos a consolidação de todo custo ocorrido nas
etapas anteriores de industrialização.
214 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

5.5.1.5 NF-e de Retorno de mercadoria industrializada (NF-e emitida pelo industrializador da


2ª etapa)
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 215

INSUMO APLICAÇÃO VALOR

Custo de mão de obra Cobrança referente à 2ª Etapa de R$ 3.000,00


Industrialização

Ferragens para aplicação em matéria-prima adicionada pelo R$ 900,00


móveis com predominância em 2º industrializador
metal

Mesa com preponderância de Produto acabado R$ 8.000,00 (informação meramente declaratória


metal para fins de controle; o valor resulta da somatória
dos custos de produção ocorridos no processo)

Placa em MDF moldada Retorno Simbólico de mercado- R$ 4.100,00. Este item não alimentará o estoque (Re-
ria recebida por conta e ordem gistro K200), contudo, será escriturado no Registro
do encomendante K255.

O documento fiscal em questão enseja as seguintes etapas no Sped Fiscal da indústria encomen-
dante:
Registro 0150 - Cadastro de Participantes
Registro 0190 - Cadastro de Unidades
BLOCO 0 Registro 0200 - Tabela de Identificação de Itens
Registro 0450 - Código a ser utilizado no Registro C110
Registro 0210 - Quando do produto acabado, os insumos utilizados farão parte da ficha técnica
Registro C100 - Para lançamento da NF-e do fornecedor
BLOCO C Registro C110 - Informações Complementares
Registro C190 - Registro Analítico
Registro K200 - Estoque Escriturado
Registro K250 - Itens produzidos - vincula-se em face do produto acabado e produzido no estabeleci-
BLOCO K mento
Registro K255 - Insumos Consumidos

Visualizando os Registros do Bloco 0

Registro 0150
216 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Registro 0200: custo de mão de obra

Registro 0200: ferragens para aplicação em móveis com predominância em metal

Registro 0200: produto acabado


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 217

O produto acabado apenas aparece na NF-e para fins de controle e fará parte do Registro 0200,
em virtude da necessidade de informação no Bloco K e demais registros vinculados.

Registro 0200 referente ao insumo que retornou

Registro 0210

O Registro 0210 em questão integrará a ficha técnica da mesa com preponderância de metal.
218 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

(O insumo aplicável fará parte do Registro 0210 apenas se o declarante da EFD-ICMS/IPI estiver
no Estado de São Paulo.

Vinculação dos Registros 0200 & 0210

Fechamento do Bloco K referente ao Exemplo 03


Registro K200

Registro K250
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 219

Registro K255

Registro K255

No caso em questão, foram produzidas 50 mesas para escritório com preponderância de metal.
Para cada mesa, foi utilizada uma placa de MDF moldada (insumo previamente industrializado pelo 1º
industrializador), resultando em consumo total de 50 placas de MDF moldada.

Nos termos do Guia Prático da EFD-ICMS/IPI versão 2.0.20, o encomendante apenas in-
formaria o insumo de sua propriedade produzida na primeira Etapa da Industrialização, no nos-
so exemplo “Placa em MDF Moldada”

5.6 Relatórios da EFD-ICMS/IPI

Operações de saída
220 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Operações de Entrada

5.7 Simulação dos novos registros

O Bloco K, desde que foi introduzido na EFD-ICMS/IPI em 2014, com exigência a contar de janei-
ro/2016, tendo sido prorrogado para o ano de 2017, nos termos do Ajuste Sinief nº 25/2016, passou por
um processo de aperfeiçoamento.

As mudanças são o resultado de reivindicações dos contribuintes que alegavam que o Bloco K
era muito inflexível e que, portanto, havia uma grande dificuldade em informar algumas movimentações
ocorridas no chão de fábrica.

Outro ponto refere-se às correções dos apontamentos, as empresas ansiavam por mecanismos
mais práticos para corrigir as informações. Diante de todo cenário, os registros que foram adicionados
em 2016 com entrega a contar de 2017 são:

REGISTRO DESCRIÇÃO

K210 Desmontagem de mercadoria - Item de origem

K215 Desmontagem de Mercadoria - Item de destino

K260 Reprocessamento/Reparo de Produtos/Insumo

K265 Reprocessamento/Reparo - Mercadorias Consumidas e/ou retornadas

K270 Correção de Apontamento dos Registros K210, K220, K230, K250 e K260

K275 Correção de Apontamento e Retorno e insumos dos Registros K215, K220, K235,
K255 e K265

K280 Correção de Apontamento - Estoque escriturado

Observar que os novos registros, com exceção do Registro K280, apenas serão enviados pelos con-
tribuintes obrigados à entrega completa do Bloco K, que, em princípio, são as empresas pertencentes
ao Recof (Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial).

Para melhor aproveitamento, faremos a simulação dos novos registros sem levar em conta as re-
gras de obrigatoriedade estabelecidas no Ajuste Sinief nº 25/2016.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 221

Visualização dos Novos Registros

5.7.1 Exemplificando o Registro K210 e K215.

A nossa empresa “Indústria de Móveis Modelo” fabrica entre outras mercadorias cadeira para es-
critório. Um dos modelos fabricados refere-se a uma cadeira de estofamento azul. Um cliente faz um
pedido diferenciado, a cadeira com a mesma estrutura apresentada pela cadeira com estofamento azul,
contudo em tecido “corino”.

Em face da pressa apresentada pelo cliente, a Indústria de Móveis Modelo decide promover a tro-
ca do estofamento e para isto precisará informar o Bloco K, em especial os Registros K210 e K215.

Veja os registros informados:

Registro 0190 (Identificação de Unidades de Medidas)

O contribuinte objeto do nosso exemplo prático, já terá em seus cadastros as unidades de me-
didas utilizadas para informar o Registro 0200, referente à cadeira pronta, cadeira com estofamento
azul, bem como o tecido que foi utilizado para a fabricação do produto que será objeto da desmon-
tagem.

Também foi cadastrado na cadeira sem estofamento que comporá a próxima industrialização, pas-
sando a ser tratada como matéria-prima para a industrialização da cadeira em corino.
222 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 223

Registro 0200 (Tabela de Identificação do Item)

Registro 0200 (Tabela de Identificação do Item)


224 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Registro 0200 (Tabela de Identificação do Item)

Registro 0200 (Tabela de identificação do Item)

Registro K210 (Desmontagem de mercadorias)


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 225

A desmontagem não é um processo de industrialização e, portanto, não deve ser escriturada nos
Registros K230/K235. Essa desmontagem deverá ser escriturada por meio dos Registros K210/K215.

O Registro K210 é o registro “pai”, e, após o seu preenchimento, será habilitado o Registro filho
K215.

No Registro K210 informamos a data de início e término da ordem de serviço, se houver. Pode
ocorrer de a ordem de serviço ter início em um determinado mês e sua finalização em mês ou meses
posteriores.

No nosso exemplo, o item de origem será cadeira pronta com estofamento azul, tendo sido baixa-
das do estoque 100 unidades.
226 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Preenchido o Registro Pai, é habilitado o registro k215.


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 227

O processo de desmontagem da cadeira resultou em dois insumos. O primeiro “cadeira sem es-
tofamento”, sendo utilizado no processo de industrialização da cadeira com estofamento em corino, o
segundo “tecido Azul”, que voltará para o estoque e será utilizado em processo futuro.

Visualizando o Registro K215.

5.7.2 Exemplificando os Registros K260 e K265.

Vamos supor agora que a cadeira com estofamento azul, após avaliação do departamento de
qualidade, teve 10 peças apontadas com defeito de fabricação e a decisão administrativa foi consertar
as mercadorias e após revendê-las.
228 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Foram reprocessadas 10 cadeiras em face dos problemas no tecido utilizado por ocasião da indus-
trialização.

O preenchimento do Registro K265 apenas se faz necessário quando, por ocasião do reprocesso,
houver consumo de mercadorias para corrigir o problema. Não havendo emprego de novos insumos, o
K265 será dispensado. Ver a questão a seguir respondida e disponibilizada no Portal Nacional da EFD:

“– Com relação aos novos Registros K260/K265 referentes às informações de reprocessamento/reparo,


gostaríamos de esclarecer uma dúvida quanto à validação do PVA. Temos a seguinte situação: ocor-
rência de reparo de um produto sem o consumo de insumo (com data de retorno informada), gerando
apenas um registro K260 sem K265. Esta informação será aceita ou será criticada pelo validador PVA?
Essa situação – reprocessamento sem consumo de insumo, ou seja, K260 sem K265 – será admi-
tida pelo PVA.” (transcrição)
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 229

Visualizando o registro filho após o respectivo preenchimento:

5.7.3 Exemplificando os Registros K270/K275 e K280.

O Registro K270 deve ser preenchido sempre que houver em relação a meses anteriores informa-
ção a ser corrigida que tenha sido objeto de lançamento nos registros K210, K220, K230 e K260.

Destacamos que podem ser corrigidos apontamentos ocorridos no período compreendido entre
dois inventários (informação do campo 02 do Registro H005).

Em geral, as correções promovidas nos Registros K270 e K275 afetam o Registro K200 e, desta
forma, também deverá ser gerado o Registro K280.

Simulação:

A Indústria de Móveis Modelo enviou a EFD-ICMS/IPI referência janeiro/2018. Nesta competên-


cia, foi apontada no Registro K235 a utilização de 200 metros de tecido azul para produzir 100 cadeiras.
,Contudo em face da melhoria no processo de industrialização, houve uma economia de 20 metros e
portanto o consumo correto para produção de 100 cadeiras é de 180 metros de tecido. Com isto houve
incorreções na quantidade informada no Campo 04 (QTD - quantidade consumida) do Registro K235 e
por conseguinte o Registro K200 - Estoque Escriturado foi entregue com erro.
a) Registro K100 = 01.01.2018 a 31.01.2018
b) Registro K200 com data de estoque final 31.01.2018. Foi apontado que havia 100 metros de te-
cido azul em estoque, contudo o correto seria informar 120, pois, no Registro K235, o consumo
correto era de 180 metros e, logo, 20 metros deveriam ter voltado o estoque.
230 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

c) Registros K230 e K235 referentes à competência janeiro 2017 com erro:


c.1) Registro K230 correto

c.2) Registro K235 com erro de apontamento no campo 04, o correto seria 180 metros, e não
200 metros:

Procedimento para correção


O erro apenas foi conhecido pelo contribuinte em abril/2016. Desta forma, no tocante ao Re-
gistro K200, o erro da referência janeiro/2018 impacta na EFD de fevereiro/2018 e março/2018,
tendo em vista que o estoque final de uma competência será o estoque inicial da competência
seguinte.

d) Registro K100 = 01.04.2018 a 30.04.2018

e) Registro K270
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 231

Como podemos observar, não há informação relativa à quantidade positiva ou negativa de apon-
tamento, pois o Registro K230 da referência janeiro/2018 está correto, apenas precisamos alterar as
informações relativas ao Registro K235, conforme segue:

Como foi dito anteriormente, vamos corrigir o Registro K200 por meio do preenchimento do Re-
gistro K280. Teremos 1 Registro K280 para cada período objeto de correção.

Referência Janeiro/2018 - no Registro K200 deveria conter 120 metros de tecido ao invés de 100
metros, significando uma correção positiva no estoque do contribuinte.
232 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Em face de o estoque final do contribuinte na referência janeiro/2018 estar errado, ou seja,


com quantidade inferior ao que de fato consta numericamente no estoque, pela aplicação da fórmu-
la - Estoque final = estoque inicial + entradas/produção/movimentação interna - Saída/ consumo/
movimentação interna - a referência fevereiro/2018 está errada da mesma forma que a competência
março/2018.

Referência fevereiro/2018
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 233

Referência março/2018
Capítulo 6

CRUZAMENTOS POSSÍVEIS DO SPED FISCAL

6.1 Introdução

O Código Tributário Nacional (CTN) estabelece, em seu art. 113, a obrigação tributária principal
(pagamento do tributo) ou as obrigações acessórias (como, por exemplo, a prestação de informações ao
Fisco). As obrigações acessórias decorrem da legislação tributária (decretos, regulamentos, portarias,
resoluções etc.) e têm por objeto as prestações, positivas (fazer) ou negativas (não fazer), nela previstas
no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.

Nota-se que as obrigações acessórias, pelo simples fato de sua inobservância, convertem-se em
obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária.

No Brasil é notório o excesso de obrigações acessórias impostas pela legislação tributária aos
contribuintes, esta realidade trás como consequências o aumento da burocracia e a redução da lucra-
tividade das empresas. Apesar de numerosas as obrigações acessórias exigidas antes da era Sped não
representaram ao Fisco excelência nos processos de fiscalização.

Desta forma, um dos principais objetivos para a implantação do projeto Sped foi à melhoria dos
processos fiscalizatórios, existindo a promessa de redução das obrigações acessórias e maior agilidade
no recebimento e cruzamento de informações.

Podemos afirmar que parte dos objetivos da criação do projeto Sped foi realmente atingida, pois
não resta dúvida que as informações são recebidas com maior velocidade e os cruzamentos mais efi-
cazes.

Neste capítulo trataremos sobre alguns dos cruzamentos possíveis entre o Sped Fiscal, particular-
mente os Blocos H e K e os demais registros existentes na própria EFD ICMS/IPI. Também abordaremos
sobre a possibilidade de existir uma verdadeira malha fina entre o Sped Fiscal e outras obrigações aces-
sórias que ainda fazem parte do rol de preocupações dos empresários brasileiros.

6.2 Cruzamentos Inerentes ao PVA

O Programa Validador do Sped Fiscal, não promove auditoria das informações, por exemplo, um
contribuinte que declare uma alíquota errada não receberá por parte do PVA qualquer aviso sobre a
carga tributária errada atribuída ao produto. Contudo o programa, tomando por base as regras gerais de
ICMS e IPI, promove alguns cruzamentos internos que podem gerar erros (que impedirão a validação e
a transmissão da EFD ICMS/IPI) ou advertências. Para melhor visualização elaboramos a tabela abaixo
contendo os principais cruzamentos entre os Blocos e Registros.
236 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

6.2.1 Cruzamentos entre os Blocos e Registros da EFD ICMS/IPI e o Bloco H:


a)

Bloco 0 (Abertura,
Bloco H (Inventário)
identificação e referências)

b)
 
Registro 0000
 Registro H005

c)
 
Registro 0150
 Registro H010 (Campo 08)

d)
 
Registro 0200
 Registro H010 (Campo 02)

 
e)

Bloco C (Documentos Fiscais)


 Registro H010 e H020


(Registros C 100/C170 e C190
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 237

a) Bloco 0 & Bloco H - No Bloco 0 da EFD ICMS/IPI serão criados as primeiras referências e os
cadastros de uso obrigatório em determinados registros do Bloco H;
b) Registro 0000 & Registro H005 - O valor informado no campo 02 “DT_INV” do Registro H005,
deve ser menor ou igual ao valor no campo DT_FIN do Registro 0000. Isto significa que se es-
tamos fazendo um EFD ICMS/IPI da competência 02/2018, onde a data final do Registro 0000
é dia 28.02.2018, não poderemos indicar como data do inventário 01.03.2018 em diante (por
exemplo), pois esta seria maior ou posterior a data indicada na referencia do Registro 0000.
c) Registro 0150 & Registro H010 - No Registro 0150 será realizado o cadastro de participantes,
no campo 07 “IND_PROP” do Registro H010 deverá ser indicada a propriedade ou a posse da
mercadoria que está sendo inventariado e no campo 08 será exigido detalhamento da infor-
mação sempre que não coincidirem a pessoa do declarante com o indicador de propriedade/
possuidor;
d) Registro 0200 & Registro H010 - No Registro H010, campo 02 COD_ITEM, deve ser informado o
código do item, necessariamente cadastrado no Registro 0200. No mês de envio do inventário
o Registro 0200 conterá todos os itens que fazem parte do Bloco H, mesmo que não tenham
feito parte de documento fiscal de aquisição ou saída;
e) Bloco C e Bloco H - No Bloco C ao longo do exercício fiscal o contribuinte de ICMS e IPI foi
promovendo o registro dos documentos fiscais de entrada e saída, ou seja, suas operações de
venda, remessa para industrialização, doações de mercadorias, saídas em amostra grátis,dentre
outras, bem como todas as suas aquisições (de terceiros ou em transferências). O resultado
de uma escrituração eficiente aparecerá por ocasião do balanço, pois se todas as informações
foram informadas corretamente, então no Bloco H não aparecerão diferenças que precisem
ser esclarecidas ao fisco. Importante frisar que não será permitida emissão de documento
fiscal quando este não estiver vinculado a uma entrada ou saída de fato de mercadoria, exceto
nos casos excepcionados na própria legislação, logo, o contribuinte não pode cogitar de emitir
documentos fiscais meramente para acerto de quantidades no inventário.Veja a seguir o posi-
cionamento do fisco acerca de erros ocorridos no Bloco H:

Na contagem física do inventário (anual ou conforme legislação) podemos ter duas situações. A
primeira indica uma quantidade física maior que a quantidade constante do sistema de controle (a con-
tagem do produto A foi de 100 peças, mas, no sistema, há um saldo de 90 peças, necessitando um ajuste
no inventário de +10 peças). A segunda indica uma quantidade física menor que a quantidade constante
do sistema de controle (a contagem do produto A foi de 100 peças, porém, no sistema, há um saldo de
110 peças, necessitando um ajuste no inventário de –10 peças). Como representar estas movimentações
de ajustes no Bloco K?

As informações do K200 – Estoque Escriturado têm origem diferente do Bloco H – Inventário.


O estoque escriturado (K200) é calculado pelos apontamentos de entrada/produção/consumo/saída
e tem periodicidade mensal. Já o estoque inventariado – H010 – deve ser gerado sempre que a legisla-
ção obrigar a efetuar o levantamento físico das mercadorias, insumos e produtos, à época do balanço
patrimonial, conforme determinar a legislação. Portanto, esses estoques têm origem, obrigatoriedade e
periodicidade diferentes.

As causas de diferenças entre o estoque escriturado e o estoque inventariado podem ser diversas.
Tanto podem ser originadas de erros de apontamentos nas movimentações, como podem ser causadas
por erros de cálculo no saldo final escriturado ou, ainda, na contagem durante o inventário. Uma vez
identificada a (s) causa (s), as correções devem ocorrer com os seguintes registros:
a) K270/K275: para a correção do item de movimentação em que ocorreu o apontamento, relati-
vos a apontamentos ocorridos em mês de referência anterior.
238 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

b) K280: correção dos saldos de estoque escriturados no registro K200.

Lembramos que uma correção não obriga outra e depende da causa que gerou a divergência.

6.2.2 Cruzamentos entre os Blocos e Registros da EFD ICMS/IPI e o Bloco K:

a)

Bloco 0 (Abertura,
identificação e referências)
 Bloco k (Controle de
Produção e estoque)

b)
 
Registro 0000
 Registro K100

c)
 
Registro 0150
 Registro K200 (campo 06)

d)
 
Registro 0200
 Registro K220 (campos 03 e 04)

 
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 239

e)

Registro 0200
 Registro K230 (campos 05)

 
f)

Registro 0200
 Registro K235

 
g)

Registro 0210
 Registro K235

 
h)

Registro 0200
 Registro K250

 
i)

Registro 0200
 Registro K255 (campo 03)

 
240 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

j)

Registro 0210
 Registro K255 (campo 05)

k)
 
Registro 0200
 Registro K291 (campo 02)

 
l)

Registro 0200
 Registro K292 (campo 02)

 
m)

Registro 0200
 Registro K301 (campo 02)

 
n)

Registro 0200
 Registro K302 (campo 02)

a) Bloco 0 & Bloco K - O Bloco 0 é imprescindível para o preenchimento do Bloco K, principal-


mente o registro 0200, tendo em vista que no controle de produção e estoque as informações
sobre os itens constantes do estoque mensal vão a todo momento serem exigidos pelo PVA.
b) Registro 0000 & Bloco K100 - No Registro K100 deve ser informado o período objeto de apura-
ção devendo observar que:
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 241

No campo 02 (DT_IN) - a data inicial deve estar compreendida no período informado nos cam-
pos DT_INI e DT_FIN do Registro 0000;
No campo 03 (DT_FIN) - a data final deve estar compreendida no período informado nos cam-
pos DT_INI e DT_FIN do Registro 0000.
c) Registro 0150 & Registro K200 - no registro referente ao estoque escriturado, sempre que no
campo 05 for indicado que o item não está na posse do declarante, ou quando este estiver
com mercadorias de terceiros deve-se proceder com o detalhamento para identificar o partici-
pante, ou seja, o proprietário ou possuidor. Para isto o contribuinte irá se valer do pré-cadastro
realizado no Registro 0150.
d) Registro 0200 & K220 - O Registro K220 foi concebido para possibilitar ao contribuinte decla-
rante informar outras movimentações ocorridas na empresa que não possam ser informadas
em outros Registros da EFD. O exemplo trazido pelo Guia Prático da Escrituração Fiscal Digital
é de reclassificação de um produto em função de uma exigência do cliente, algo muito comum
no setor de autopeças. Com isto o contribuinte precisará declarar o código original do produto
e o código reclassificado, campos 03 e 04 respectivamente do Registro K220. Como não podia
deixar de ser, a base da informação será extraída do Registro 0200.
e) Registro 0200 & K230 - No Registro K230 temos a possibilidade com o cruzamento de infor-
mações em relação a documentos internos, haja vista a necessidade de informar as datas de
início e encerramento das Ordens de Produção, e também no Registro 0200, uma vez que o
item produzido deverá estar previamente cadastrado no Registro 0200.
f) Registro 0200 & K235 - No Registro K235 o contribuinte deverá informar a quantidade consu-
mida de insumo e para isto no campo 03 deverá informar o código do item previamente cadas-
trado no Registro 0200.
g) Registro 0210 & K235 - Caso o campo “Código do insumo que foi substituído”, esteja em bran-
co, o “código do item componente/insumo” deve existir também no Registro 0210 para o mes-
mo produto resultante – K230/0200.
h) Registro 0200 & K250 - No Registro K250 constarão as informações referentes à industriali-
zação efetuada em terceiros, sendo necessário preencher o campo 03 com o código do item,
previamente cadastrado no Registro 0200.
i) Registro 0200 & K255 - Para o correto preenchimento do Registro K255 o contribuinte deverá
efetuar o Cadastro do Registro 0200 referente ao insumo utilizado na industrialização e que
tenha sido por ele enviado a terceiros para industrialização.
J) Registro 0210 & K255 - Nas hipóteses em que tenha havido substituição de insumo, em face
uma necessidade apresentada durante o processo de industrialização, o declarante deverá
informar no campo 05 do Registro K255 o código utilizado no campo 02 do Registro 0210.
k) Registro 0200 & K291 - No Registro K291, o contribuinte informará a produção acabada de
produto em processo e produto acabado, originados de produção conjunta, inclusive quando
industrializado em estabelecimento de terceiro. No campo 02, deverá constar o código do item
que, por sua vez, foi previamente cadastrado no Registro 0200.
l) Registro 0200 & K301 - Este registro tem o objetivo de informar os produtos que foram indus-
trializados por terceiros por encomenda e sua quantidade, originados de produção conjunta.
Para isso, no campo 02, deverá ser informado o código do item produzido.
m) Registro 0200 & K302 - Neste novo registro do Bloco K, será informada a quantidade de con-
sumo do insumo que foi remetido para ser industrializado em terceiro, relativo à produção
conjunta. Para isso, no campo 02, deverá ser informado o insumo, previamente cadastrado no
Registro 0200.
242 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

6.3 Cruzamentos entre o Sped Fiscal e demais obrigações acessórias Estaduais

No âmbito estadual, as obrigações acessórias pertinentes ao tributo ICMS estão previstas no


convênio s/nº de 1970 e em geral são incorporadas nos respectivos Regulamentos de ICMS de cada UF.
No âmbito estadual, temos ainda normas complementares como os Manuais de Preenchimento das
Declarações de Apuração (Ex: Gia-ICMS/Gia-ST/Dief etc).

Com o advento do Sped os contribuintes obrigados ao envio da EFD (ICMS/IPI) ficaram dispen-
sados do envio do Sintegra (arquivo digital Convênio ICMS 57/1995), já referente as declarações de apu-
ração mensal, a maioria dos contribuintes aguardam a decisão de seu Estado sobre a dispensa.

Para exemplificar temos o Estado da Paraíba que já dispensou o envio da Guia de Informação
Mensal - GIM para as empresas obrigadas ao Sped Fiscal, mas a Paraíba constitui uma exceção, já que
a maioria das Secretarias de Fazenda ainda estão relutantes nesta dispensa, como ocorre com o Estado
de São Paulo, em que a Gia-ICMS continua sendo exigida na forma da Portaria CAT nº 92/1998.

A partir do momento que não existe dispensa do envio da Guia de Apuração Mensal as informa-
ções prestadas nesta declaração poderão ser utilizadas como comparativo pelo Fisco e as incompatibi-
lidades de informações, principalmente no que se refere aos acertos promovidos pelas ocorrências ca-
dastradas no programa que podem cruzam com os Ajustes nos Registros E111 e E220 da EFD ICMS /IPI.

Outro elemento muito importante diz respeito à possibilidade de cruzamento entre as Notas Fis-
cais Eletrônicas emitidas e o Sped Fiscal. O Fisco poderá traçar um comparativo entre o valor do ICMS
e o valor de IPI destacado no documento eletrônico e o respectivo crédito a ser apropriado no Registro
C100.

O CT-e apesar de não ter vinculação direta com os Bloco H e Bloco K, com o evento da NF-e refe-
renciada em CT-e, esta informação constituirá mais um elemento de cruzamento, dificultando a emissão
de documentos fiscais que não correspondam a circulação de mercadorias e para os quais não exista
previsão na legislação.

6.4 Classificação Fiscal de Mercadorias

Conforme leiaute estabelecido no Ato Cotepe nº 09/2008 e no Guia Prático da Escrituração Fiscal
Digital podemos perceber que o Bloco K exigirá por parte dos declarantes da EFD o correto enquadra-
mento de seus insumos e produtos acabados no NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), pois além
de cruzar informações prestadas entre os vários projetos do Sped Fiscal pela empresa (NF-e/ECD/ECF/
EFD Contribuições) o fisco poderá promover verificação dos dados informados pelos fornecedores de
insumos da empresa, bem como com o Sped Fiscal de seus clientes.

Possíveis divergências entre clientes e fornecedores devem ser discutidas e solucionadas em si


através de reuniões e na hipótese de impasse pode-se utilizar como recurso consulta de NCM perante
a Receita Federal do Brasil.

A consulta formulada por escrito é o instrumento que o contribuinte possui para dirimir dúvidas
sobre a correta classificação fiscal de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), a qual
é muito importante, especialmente para efeito de determinação da alíquota do IPI incidente nas opera-
ções de importação e na saída de produtos do estabelecimento industrial e equiparado a industrial. Em
princípio, a própria pessoa jurídica, deve determinar a respectiva classificação fiscal (NCM) do produto,
o que requer familiaridade com o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadoria e
com as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado, por meio de pesquisa efetuada na
Tarifa Externa Comum (TEC) ou na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), nas Notas Explicativas do Sistema
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 243

Harmonizado (NESH) e nas ementas de Pareceres e Soluções de Consulta publicados no Diário Oficial
da União.

A Instrução Normativa RFB nº 1.396/2013 , dispõe sobre o processo de consulta relativo à interpre-
tação da legislação tributária e aduaneira e à classificação de serviços, intangíveis e outras operações
que produzam variações no patrimônio, no âmbito da Secretária da Receita Federal do Brasil (RFB).

As dúvidas sobre classificação fiscal poderão ser dirimidas por intermédio de consulta ao Fisco,
observadas as disposições contidas na Instrução Normativa RFB nº 1.464/2014.

6.5 Interação entre os setores da empresa

Desde janeiro/2017, mais do que nunca os estabelecimentos industriais, equiparados à industrial


e os atacadista (este com menor complexidade) tiveram que integrar internamente suas áreas. Para o
correto preenchimento do Bloco K deverá existir um trabalho conjunto dos profissionais de vários de-
partamentos:

Quando analisamos os objetivos do Sped (Sistema Público de Escrituração Digital) conseguimos


vislumbrar a importância do envio das informações de maneira coerente e precisa entre todos os proje-
tos do Sped Fiscal a que o estabelecimento se vê obrigado a cumprir e a necessidade dos vários depar-
tamentos manterem uma comunicação ativa entre si.

Objetivos do Sped:
• Promover a integração dos fiscos, mediante a padronização e compartilhamento das informa-
ções contábeis e fiscais, respeitadas as restrições legais;
• Racionalizar e uniformizar as obrigações acessórias para os contribuintes, com o estabeleci-
mento de transmissão única de distintas obrigações acessórias de diferentes órgãos fiscaliza-
dores;
• Tornar mais célere a identificação de ilícitos tributários, com a melhoria do controle dos pro-
cessos, a rapidez no acesso às informações e a fiscalização mais efetiva das operações com o
cruzamento de dados e auditoria eletrônica.

Com a implementação do Bloco K a fiscalização conseguirá controlar o que faltava, os estoques


da empresa, em tempo real, tendo em vista que as informações serão enviadas mensalmente e não
mais apenas na época do balanço. Em verdade diferenças que muitas vezes apenas seriam percebidas
quando do envio do Bloco H, agora poderão ser questionadas muito antes pela fiscalização.
Capítulo 7
PERGUNTAS E RESPOSTAS

No sentido de propiciar ao leitor maior subsídio referente à matéria tratada neste Guia, compila-
mos no Capítulo 7 do seu “Guia Prático dos Blocos H e K” as perguntas e respostas disponibilizadas no
Portal do Sped (revisadas ortograficamente) e válidas a contar de 1º.01.2017.

Este conteúdo reflete a posição do Fisco sobre diversas questões propostas pelos contribuintes/
usuários da EFD-ICMS/IPI.

Diante do exposto, fazem parte deste capítulo as questões que versam sobre o Bloco 0, Bloco C,
Bloco H e Bloco K.

7.1 Bloco 0

7.1.1 Em meses anteriores, foi enviado registro sobre determinado cadastro, como fornecedor ou pro-
duto. Havendo movimento em um período subsequente, este cadastro deve ser enviado novamente?

Em cada arquivo EFD-ICMS/IPI devem ser informados todos os registros de cadastro que sejam refe-
renciados no arquivo, independentemente de já ter sido enviado tal cadastro em EFD-ICMS/IPI anterior,
exceto se for apresentado o fator de conversão no Registro 0220 (exceção válida desde julho de 2012).

7.1.2 Qual número de inscrição no CRC deverá ser informado no Registro 0100: “Originário” - principal do
contabilista ou o “Secundário” onde a filial estiver domiciliada?

Deverá ser informado o número de inscrição no CRC da UF do estabelecimento informante da EFD-


-ICMS/IPI.

7.1.3 Podem ser informados dados de endereço e número do logradouro no mesmo campo?

Não. Por haver campos específicos, cada informação deve vir no seu local apropriado.

7.1.4 Como informar participante, pessoa física, que possui mais de um endereço?

Devem ser informados códigos diferentes para os vários endereços do mesmo participante.

7.1.5 Quando um participante estiver cadastrado como fornecedor e cliente no cadastro do estabe-
lecimento, com códigos distintos, será preciso unificar os dois para informar no Registro 0150 da
EFD-ICMS/IPI?

Não. É possível atribuir para o mesmo participante dois códigos diferentes, mas é vedada a utilização do
mesmo código para participantes distintos.

7.1.6 As regras de preenchimento do Registro 0150, com relação a transações com o exterior, são as
mesmas aplicadas ao Sintegra: CNPJ - ZERADO; IE - ISENTO; UF - EX; CEP - BRANCO?

Não. Verificar as regras de preenchimento desses campos no Guia Prático da EFD-ICMS/IPI.


246 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.1.7 Como deverão ser informados os dados do participante domiciliado no exterior?

Verificar as regras de preenchimento desses campos no Guia Prático da EFD-ICMS/IPI. Não será infor-
mado o campo CNPJ e será informado o código do país.

7.1.8 Como registrar as transações com o país Kuwait?

O nome utilizado por órgãos do Governo Brasileiro é COVEITE. Ver Tabelas de Países IBGE ou na Tabela
Siscomex, conforme o registro que você está preenchendo.

7.1.9 Como registrar as transações com cidades satélites no Distrito Federal?

O Distrito Federal não é dividido em municípios. Deve ser utilizado o código de município de Brasília
(5300108).

7.1.10 Pode ser informado o nome de fantasia do estabelecimento em substituição ao Nome Empresa-
rial no Registro 0150?

Não. Deverá ser informado o Nome Pessoal ou Empresarial do estabelecimento.

7.1.11 É possível utilizar o PVA para validar dados cadastrais do participante (cliente/fornecedores)?

Não.

7.1.12 Quando deve ser informado o Registro 0175?

O Registro 0175 deve ser informado apenas no mês em que coincidir a ocorrência da alteração com
a existência de transação com aquele participante. Não ocorrendo transação no mês da alteração, o
Registro 0150 será informado com os dados atualizados, no mês em que houver transação com o parti-
cipante, sem necessidade de informar o Registro 0175.

7.1.13 Há necessidade de se criar códigos específicos para um produto que ora é adquirido no mercado
externo ora no mercado interno?

Não, o código independe da origem. O cadastro é do produto. Facultativamente, podem ser criados
códigos distintos em função da origem para atender ao disposto na Resolução nº 13 do Senado Fede-
ral ( http://legis.se- nado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=264825) e no Convênio ICMS nº
38/2013 (http://www1.fa- zenda.gov.br/confaz/confaz/diversos/ResolucaoSenado/CV038_13.pdf).

7.1.14 O campo ALIQ_ICMS do Registro 0200, destinado ao preenchimento da alíquota do ICMS nas
operações internas, somente deverá ser preenchido quando o item constante no Registro 0200 for
objeto de uma operação interna? Ou mesmo que referido item tenha sido adquirido ou comercializado
em operação interestadual, este campo deverá ser preenchido?

Informar a alíquota do ICMS utilizada nas operações de saídas internas, como parte integrante do ca-
dastro dos produtos, independentemente de que o referido item tenha sido adquirido ou comercializa-
do em operação interestadual.

7.1.15 O Campo COD_ITEM do Registro 0200 pode conter espaço em branco?

O campo não pode ser preenchido com espaço em branco antes e após o “pipe”.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 247

7.1.16 Podem ser utilizados códigos diferentes para o mesmo produto na emissão da NF-e e na EFD-
ICMS/IPI?

Não. Deve ser utilizado o mesmo código nos documentos fiscais e na escrituração.

7.1.17 Na EFD-ICMS/IPI, os itens não são informados na NF-e de emissão própria, portanto não é infor-
mado o Registro 0200, porém o produto deverá ser informado no inventário. Como deverá ser gerado
esse inventário? Não haverá divergência entre a NF-e e o inventário?

Os códigos de produtos utilizados para emissão da NF-e serão baixados pelos fiscos federal e estadual
da base compartilhada do Sped. O contribuinte não informará os Registros C170 e 0200 no caso de NF-e
de emissão própria. Quando for informar o Bloco H ou NF-e de terceiros, o Registro 0200 deve ser infor-
mado. O código de produto utilizado para emissão da NF-e, informado no Bloco H e no Registro 0200,
deve ser exatamente o mesmo.

7.1.18 O campo COD_ANT_ITEM do Registro 0200 deve ser gerado apenas no mês em que ocorreu a
criação do novo código ou em todas as gerações?

O Campo COD_ANT_ITEM do Registro 0200 não deve ser preenchido. Se houver a informação, esta
deve ser prestada no Registro 0205 no primeiro período em que houver movimentação do item ou no
inventário.

7.1.19 O Registro 0200 - campo COD_LST - Código do serviço conforme lista do Anexo I da Lei Comple-
mentar Federal nº 116/03 - é aplicável apenas aos serviços prestados ou só aos serviços tomados?

O campo COD_LST do Registro 0200 deve ser preenchido na prestação e também na tomada de servi-
ços.

7.1.20 Quando o declarante for substituto tributário do ICMS, é obrigatório para todos os produtos mo-
vimentados ou apenas para os produtos cujo CFOP for de substituição tributária? Na importação ou
exportação é obrigatório para todos os produtos movimentados ou só para o produto específico que
foi importado ou exportado?

O campo COD_NCM é obrigatório:

1) para empresas industriais e equiparadas a industrial, referente aos itens correspondentes à atividade
fim, ou quando gerarem créditos e débitos de IPI;

2) para contribuintes de ICMS que sejam substitutos tributários quando houver retenção;

3) para empresas que realizarem operações de exportação ou importação;

4) não existe COD-NCM para serviços.

7.1.21 Um produto com mais de uma destinação, como, por exemplo, revenda e matéria-prima, deve ter
dois códigos no Registro 0200?

Nas situações em que um mesmo produto possuir mais de uma destinação, deve ser informado o tipo
de item de maior relevância. Neste caso, deve ser criado apenas um código para o produto.
248 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.1.22 Empresa varejista que adquire o mesmo item de diversos fornecedores, cada um deles adota uma
unidade de medida diferente na emissão dos documentos. Na venda, a empresa, por sua vez, pode uti-
lizar mais de uma unidade de medida, dependendo da quantidade. No Registro 0200, é possível ter mais
um código para o mesmo produto com unidades diferentes?

Só deve haver um Registro 0200 por produto, com a unidade de medida utilizada na quantificação do
estoque.

No caso de comercialização ou aquisição com unidade diferente da constante no Registro 0200, deve
ser informado um Registro 0220 com o fator de conversão entre a unidade de medida informada no item
e a unidade de inventário do Registro 0200. Para cada unidade de venda ou compra diferente da utiliza-
da na quantificação do estoque haverá um Registro 0220 correspondente.

7.1.23 No Campo 4 do Registro 200 é necessário informar o GTIN do produto descrito na nota fiscal ou o
GTIN que se refere a unidade de venda no varejo (cEANTrib), considerando que, de acordo com a Nota
Técnica da NFe 2013.005, existem dois códigos cEAN e cEANTrib no XML, conforme descrito: cEAN:
Código de barras GTIN (antigo código EAN) do produto que está sendo faturado na NF-e e cEANTrib:
Código de barras GTIN (antigo código EAN) do produto tributável, ou seja, a unidade que é utilizada
para calcular o ICMS de Substituição Tributária, como por exemplo a unidade de venda no varejo.

O código “cEAN” está relacionado à unidade de comercialização do produto e o “cEANTrib”, à unidade


de tributação utilizada para calcular o ICMS-ST. Se não houver diferença entre as unidades de comer-
cialização e de tributação deve ser informado o mesmo código. Segue orientação publicada no site da
GS1 sobre o assunto:http://www.gs1br.org/main.jsp?lumPageId=402881762C7491E5012CBBFB943E0BE9
&lumI=gs1.faqs.details&lumItemId=480F89A83577 196C0135812237BC205B

Dessa forma, de acordo com o conceito da identificação do produto no Registro “0200”, deve ser infor-
mado o código de comercialização do produto.

7.1.24 Como proceder se houver alteração na descrição do item?

O Registro 0205 deve ser informado no mês em que coincidir a ocorrência da alteração na descrição do
item, sem que haja descaracterização deste, com a existência de transação com este item. Não ocor-
rendo transação no mês da alteração, o Registro 0205 deverá ser informado no primeiro período em que
houver movimentação do item ou no inventário.

7.1.25 No Registro 0400 deve ser informado o detalhe do CFOP?

Não. O Registro 0400 não se refere ao CFOP. Algumas empresas utilizam outra classificação além das
apresentadas nos CFOP. Esta codificação se destina a facilitar estes tipos de agrupamentos e suas des-
crições são livremente criadas e mantidas pelo contribuinte.

7.1.26 Qual informação deve ser prestada no Registro 0450?

A tabela do Registro 0450, criada e mantida pelo declarante, corresponde às informações complemen-
tares dos documentos fiscais exigidas pela legislação fiscal. Estas informações constam no campo “Da-
dos Adicionais” dos documentos fiscais. Estes dados estão vinculados às informações de interesse do
fisco prestadas no Registro C110, campo COD_INF.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 249

7.1.27 Qual informação deve ser prestada no Registro 0460?

A tabela do Registro 0460, criada e mantida pelo declarante, corresponde às informações lançadas na
coluna “Observação” dos Livros Fiscais de Entradas e Saídas, de acordo com o estabelecido na legisla-
ção de cada UF.

Este registro é usado para informar anotações de escrituração determinadas pela legislação pertinente
aos lançamentos fiscais, tais como: ajustes efetuados por diferimento parcial de imposto, antecipações,
diferencial de alíquota e outros. Estes dados estão vinculados às informações prestadas no Registro
C195, campo COD_OBS.

7.2 Bloco C

7.2.1 Caso o emitente ou destinatário de um documento fiscal possua regime especial, deve-se preen-
cher o campo COD_SIT do Registro C100 com o código “08”?

Não, o campo COD_SIT do Registro C100 se refere à situação do documento fiscal, não guardando cor-
relação com o emitente ou destinatário. Assim, o uso do código “08” se aplica especificamente àqueles
documentos emitidos ou recebidos em virtude de regime especial ou norma específica. Ex.: emissão de
nota fiscal modelo 01 que referencie um cupom fiscal. A partir de janeiro de 2012, para todos os docu-
mentos diferentes de NF-e e com COD_SIT igual a “08”, deverá ser informada no Registro C110 a norma
legal que autoriza o preenchimento do documento fiscal nessa situação.

7.2.2 Nota fiscal emitida em referência à operação ou prestação também registrada em equipamento
emissor de cupom fiscal deve ser informada no Registro C100?

Nota fiscal emitida em referência à operação ou à prestação também registrada em equipamento emis-
sor de cupom fiscal deve obrigatoriamente ser declarada, informando o Registro C100 e os Registros
filhos C110, C114 e C190, sem informação do ICMS. No caso de NF-e emitida em substituição ao cupom
fiscal - CFOP igual a 5.929 ou 6.929 (ver exceção 4 do Registro C100 no Guia Prático), informar os Re-
gistros C100 e C190. O contribuinte do Estado do Paraná deve efetuar a escrituração de acordo com a
regra estabelecida na tabela de código de ajustes e os contribuintes de outras UF devem verificar se a
regulamentação estadual dispõe de modo diferente. O cupom fiscal referenciado deve ser informado no
Registro C400 e filhos, com o respectivo lançamento do ICMS.

7.2.3 O campo CHV_NFE do Registro C100 é obrigatório?

Sim, exceto para COD_SIT = 5 (NF-e ou NFC-e com numeração inutilizada).

Até dezembro/2011: obrigatório somente para Nota Fiscal Eletrônica de emissão própria.

A partir de janeiro/2012: obrigatório para NF-e de emissão própria e facultativo para NF-e de emissão de
terceiros.

A partir de abril/2012: obrigatório para todas as operações que envolvam este documento.

A partir de janeiro/2013: obrigatório também para a Nota Fiscal Eletrônica para Consumidor Final - NFC-
e (modelo 65) de emissão própria.
250 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.2.4 Qual código da tabela de modelo de documento fiscal deve ser usado no caso de uma Nota Fiscal
Fatura (NFF)?

Não existe o modelo fiscal de nota fiscal fatura. Este documento pode corresponder aos modelos 1/1A
ou 55, constantes na tabela 4.1.1 do Ato Cotepe nº 09/2008.

7.2.5 Qual a relação existente entre o valor total do documento (campo VL_DOC do Registro C100) com
o valor da operação (campo VL_OPR do Registro C190)?

Como regra geral, o valor do campo VL_DOC do Registro C100 deve corresponder ao somatório do valor
do campo VL_OPR dos Registros C190. Na ocorrência de divergência entre os valores será emitida uma
“Advertência” pelo programa validado, o que não impedirá a assinatura e transmissão do arquivo.

7.2.6 Devem ser informados os valores de base de cálculo, alíquota e valor do ICMS nas aquisições de
mercadorias fornecidas por empresas optantes pelo Simples Nacional?

Caso o contribuinte tenha direito a crédito do ICMS, o valor deste deve ser informado, de acordo com a
legislação de cada UF:

- Via ajuste de documento fiscal (Registro C197) ou;

- Via ajuste de apuração (Registro E111) ou;

- Via lançamento no Registro C100 e filhos.

7.2.7 Onde informar os créditos do ICMS provenientes de aquisições de mercadorias de contribuintes


do Simples Nacional?

Caso o contribuinte tenha direito a crédito do ICMS, o valor deste deve ser informado via ajuste de docu-
mento fiscal (Registro C197) ou de apuração (Registro E111), conforme determina a legislação estadual.

7.2.8 Os campos relativos ao PIS e à Cofins retidos por substituição tributária, do Registro C100, devem
ser preenchidos por todos os contribuintes?

Os campos referentes a valores de impostos e contribuições somente deverão ser informados quando o
informante do arquivo tiver o direito ao crédito ou a obrigação de debitar-se. Assim, se houver destaque
na saída, é obrigatório o preenchimento; na entrada, só é obrigatório se houver direito ao crédito. Os
contribuintes que entregarem a EFD-Contribuições, relativa ao mesmo período de apuração do Registro
0000, estão dispensados do preenchimento dos campos referentes às contribuições para PIS/Cofins na
EFD- ICMS/IPI, desde a publicação do Guia Prático 2.0.10, em junho/2012.

7.2.9 O que deve ser informado no campo modelo quando escrituramos um Danfe?

Danfe é uma representação gráfica da Nota Fiscal Eletrônica, que deve ser informada no Registro C100,
com o código 55.

7.2.10 Como escriturar a carta de correção ou a carta de correção eletrônica na EFD-ICMS/IPI?

Conforme Ajuste Sinief nº 01/2007, é permitida a utilização de carta de correção para regularização de
erro ocorrido na emissão de documento fiscal, desde que o erro não esteja relacionado com:
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 251

I - as variáveis que determinam o valor do imposto tais como: base de cálculo, alíquota, diferença de
preço, quantidade, valor da operação ou da prestação;

II - a correção de dados cadastrais que implique mudança do remetente ou do destinatário;

III - a data de emissão ou de saída.

Dessa maneira, considerando que não há alteração que reflita na apuração do imposto, não há que se
falar em escrituração da carta de correção ou da carta de correção eletrônica na EFD-ICMS/IPI. Quando
dentro do período, escriturar a nota fiscal ou NF-e já com as alterações necessárias permitidas pela
legislação.

7.2.11 Na aquisição de bem do Ativo Imobilizado, objeto de uma NF, modelo 1/1A ou 55, como deve ser
lançado o crédito de ICMS (1/48) apropriado mensalmente?

Nos Registros C100, C170 e C190 não informe o valor de ICMS. O cálculo das parcelas de crédito do
ICMS a ser apropriado na apuração referente ao Ativo Imobilizado deve ser efetuado no bloco G. O valor
a ser apropriado deve constar de ajuste de documento, ajuste da apuração, ou emissão de documento
fiscal, conforme legislação estadual.

7.2.12 Quando recebo uma mercadoria acompanhada de NF, na qual o ICMS-ST vem destacado, como
devo proceder com o lançamento nos Registros C100, C170 e C190? Sempre que receber uma nota fis-
cal que tenha ICMS ST destacado, tenho que informar os Registros E200 e seus filhos?

O Registro E200 é de exclusividade para os contribuintes substitutos tributários. Regra geral, o adqui-
rente não deve apropriar créditos de ICMS-ST, nada informando, pois, nestes campos.

7.2.13 O participante deve ser informado no preenchimento do Registro C100 para uma nota fiscal can-
celada?

O COD_PART não deve ser informado em notas fiscais canceladas. Observar a exceção 1 do Registro
C100 no Guia Prático.

7.2.14 O campo QTD do Registro C170 deverá ser maior do que zero. No caso de UF que exige a emissão
de nota fiscal para complementar dados, como será informado?

No caso específico, preencher o campo COD_SIT (código da situação do documento) com o código 06:
documento complementar. Se não existir item no documento fiscal, não informar o Registro C170.

7.2.15 Devemos informar dados da prestação de serviços constantes em nota fiscal conjugada?

Sim, mesmo que só haja serviço sujeito a ISSQN na nota fiscal conjugada, tanto em notas fiscais de
entrada quanto em notas fiscais de saída. Tratar o serviço como um item do documento fiscal não tri-
butado pelo ICMS.

7.2.16 Devo informar as Notas Fiscais de Serviços ou NFS-e na EFD-ICMS/IPI?

Não. As Notas Fiscais de Serviços ou NFS-e autorizadas exclusivamente pelas prefeituras cujos serviços
estão sujeitos ao ISSQN não devem ser escrituradas na EFD-ICMS/IPI.
252 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.2.17 Como deve ser informada a operação de “venda à ordem”?

As notas de faturamento, assim como a de remessa, devem ser informadas no Registro C100 e filhos.

7.2.18 No Registro C100 não existe indicador de operações parte À VISTA e parte A PRAZO. Como infor-
mar essa situação?

Qualquer operação de compra/venda é considerada à vista, se for quitada em sua totalidade no ato da
transação. No caso em questão, a operação é a prazo, sendo que a entrada é considerada como a pri-
meira parcela e o saldo a pagar, como as parcelas remanescentes.

72.19 Como informar a venda com recebimento antecipado integral?

Qualquer operação de compra/venda é considerada à vista, se for quitada em sua totalidade no ato da
transação. No caso em questão, a operação deve ser informada como à vista.

7.2.20 Qual participante deverá ser informado nas movimentações com Nota Fiscal Avulsa Eletrônica?
A Sefaz ou o fornecedor que enviou a mercadoria?

O participante é o fornecedor ou o cliente com o qual foi realizada a transação comercial. As NF-e “avul-
sas” emitidas pelas UF (séries 890 a 899) devem ser informadas como emissão de terceiros, com o có-
digo de situação do documento igual a “08 - Documento Fiscal emitido com base em Regime Especial
ou Norma Específica”.

7.2.21 Com a implementação da NF-e 3.10 foram criadas tags específicas para valores desonerados do
ICMS. Como informar estes valores na EFD-ICMS/IPI?

Temos algumas situações no ICMS que determinam que a isenção do ICMS concedida deva ser con-
vertida no abatimento do preço da mercadoria. Casos típicos são as vendas para a região da SUFRAMA
e vendas a órgãos públicos estaduais. Algumas Sefaz entendiam que, no valor do item, deveria ser in-
formado o valor líquido da mercadoria e que o abatimento do ICMS deveria ser informado no campo de
informações complementares, outras Sefaz entendiam que o valor do abatimento deveria ser informado
no campo próprio para desconto comercial. A fim de tornar transparente o valor desse abatimento, foi
criado o campo para desconto tributário na NF-e. Nos casos de desconto já existia uma tag própria
(vDesc). Para os CST que possibilitem o abatimento, na forma de desconto tributário, foi criado o campo
“vICMSDeson”. Para este caso, já existe na EFD-ICMS/IPI o campo próprio para lançar o valor do ICMS
desonerado. Está no Registro C100, campo 15 - VL_ABAT_NT.

7.2.22 Com a implementação da NF-e 3.10 foram criadas tags específicas para valores relativos a diferi-
mento de ICMS. Como informar estes valores na EFD-ICMS/IPI?

Antes da criação dos campos para o diferimento parcial, tínhamos a Nota Técnica 2010/010, orientando
a emitir a NF-e com o CST “90” (genérico), ou seja, se o contribuinte estava lançando com o CST de
redução de base de cálculo, ele estava fazendo errado, pois são tipos de tributação distintos. Com os
novos campos para dar transparência ao diferimento parcial, o contribuinte deverá adotar o CST corre-
to (51=Diferimento), lançando o valor a ser tributado no campo próprio da EFD, de forma a demonstrar
corretamente que, apesar do diferimento, parte da operação está sendo tributada, correspondendo ao
diferimento parcial.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 253

7.2.23 Como registrar as informações complementares que excedam o tamanho do campo TXT_COM-
PL do registro C110?

Podem ser informados tantos registros C110 quantos forem necessários

7.2.24 Quando existe informação relativa aos Registros C111, C112 ou C113, deve ser preenchido o C110,
considerando que pode não existir observação expressa na NF?

Sim. Os registros referidos são filhos do Registro C110, portanto deve ser sempre preenchido, conside-
rando a hierarquia dos registros.

7.2.25 Nas entradas, quais informações de interesse fiscal devem ser prestadas nos Registros C110 e
filhos?

Para documento fiscal emitido por terceiro, que exija detalhamento previsto nos Registros C111, C112 ou
C113 o Registro C110 deve ser informado, junto com o(s) filho(s) correspondente(s). Para documento fis-
cal de emissão própria, deve ser informado o Registro C110 e seus detalhamentos, conforme determinar
a legislação aplicada.

Nas entradas, o Registro C114 só será informado quando o emitente da nota fiscal e do cupom fiscal for
o mesmo. Exemplo: devolução, desfazimento.

7.2.26 Quando do lançamento da nota fiscal de entrada emitida por terceiros, é necessário informar
regimes especiais e a legislação de benefícios fiscais constantes no quadro de informações adicionais
relativos à operação de saída do emitente?

Nos casos citados não é necessária a informação nos Registros C110 e 0450, se o benefício não influen-
ciar a apuração dos impostos do informante do arquivo. A informação nas entradas deve ser prestada
quando, por exemplo, tiver sido citado um documento fiscal de devolução de mercadoria.

7.2.27 Nas saídas, quais informações de interesse fiscal devem ser prestadas nos Registros C110 e fi-
lhos?

Nas saídas (documentos - códigos 01, 1B e 04), o Registro C110 deverá trazer todas as informações com-
plementares que constam dos documentos fiscais de saídas emitidos. Se a informação do Registro C110
fizer referência a documento de arrecadação, nota fiscal, cupom fiscal ou outros deverá ser discriminado
no registro filho correspondente. A partir de julho de 2012, quando se tratar de NFe, a critério de cada UF,
devem ser informados os Registros C110 e C120.

7.2.28 Como informar um documento de arrecadação relativo a várias notas fiscais?

Para cada documento fiscal (Registro C100) deve ser informado o Registro C112, observando-se que
deve constar o valor total do documento de arrecadação.

7.2.29 Como preencher o Registro C115, quando se tratar de venda para o exterior?

Nas operações de exportação, o Registro C115 não deve ser informado.


254 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.2.30 Como tratar importações via Sedex (ou Courier), relativas à aquisição de bens sem finalidade
comercial, na qual não é emitida a DI ou DSI? E as remessas expressas com emissão de Declaração de
Importação de Remessa Expressa (Dire)?

O Registro C120 não deve ser informado no caso de aquisição de bens integrantes de remessas postais
internacionais, sem cobertura cambial e sem finalidade comercial, até o limite de US$ 3.000,00 ou o
equivalente em outra moeda, submetidos a despacho aduaneiro com base no documento Declaração
para Aduana emitido pela ECT, dispensada a apresentação de DSI. As remessas expressas relacionadas
na Instrução Normativa RFB nº 1.073/2010, e alterações, com emissão de Dire, não devem ser informadas
no Registro C120. A NF-e de entrada relativa a essa importação deve ser informada no Registro C100.

7.2.31 Qual a finalidade do registro C130?

Devem ser informadas na EFD-ICMS/IPI as notas fiscais autorizadas pelo Fisco estadual que se referem
à venda de mercadorias e de serviços (notas conjugadas). Quando no fornecimento dos serviços houver
destaque de um desses tributos, o registro deve ser informado.

7.2.32 Notas fiscais de prestação ou de tomada de serviços devem ser escrituradas na EFD- ICMS/IPI?

Notas fiscais de prestação de serviços, autorizadas pelo Fisco municipal, não devem ser escrituradas na
EFD ICMS/IPI. Notas fiscais conjugadas, mesmo com incidência exclusiva do ISSQN, autorizadas pelo
Fisco estadual, devem obrigatoriamente ser escrituradas, tanto na tomada, quanto na prestação de
serviços.

7.2.33 O “leiaute” só permite um único Registro C140 para cada nota fiscal, ocorre que em uma mesma
operação de compra ou venda, pode existir uma duplicata, um cheque e uma promissória. Como fazer
o registro destes diversos tipos de títulos de uma nota fiscal, se o validador não aceita mais de um Re-
gistro C140 por documento fiscal?

Havendo mais de um tipo de título, informar um registro com o IND_TIT sendo “99” (Outros). Na des-
crição deste registro identificar os outros títulos, com números e valores. No valor do título (VL_TIT),
informar o somatório dos valores dos títulos referenciados.

7.2.34 Posso consolidar em uma única fatura vários documentos fiscais?

Sim.

7.2.35 Como informar um pagamento que contém diversas Notas Fiscais?

Nos casos onde uma única fatura diz respeito a diversas notas fiscais, para cada nota apresentada no
C100, a fatura deve ser informada no Registro C140, sempre com o seu valor original, sem nenhum rateio.

7.2.36 Uma rede de varejo que também comercializa combustíveis deve gerar o Registro C165? Posto de
combustível se enquadra no conceito de revendedor?

Não. O posto de combustível não irá apresentar o Registro C165

7.2.37 O código de enquadramento legal do IPI (COD_ENQ) deve ser preenchido conforme tabela indi-
cada no item 4.5.3. Onde se encontra esta tabela? Que informação deverá ser gravada neste campo?

Esta tabela não foi publicada pela RFB. Enquanto pendente de publicação, informe o campo vazio (||).
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 255

7.2.38 Nas operações com brindes ou presentes com entrega em endereço de pessoa diversa da do
adquirente são emitidas duas NF. Na NF que acompanha a mercadoria, o PVA fará alguma verificação
de consistência no Registro C170 em razão de informar documento fiscal sem valor?

Obrigatório informar o valor zero, pois este campo não poderá ser informado com o conteúdo vazio.

7.2.39 É comum às empresas sucroalcooleiras possuírem postos de abastecimento, onde todo o com-
bustível adquirido é utilizado somente para máquinas e equipamentos próprios. É necessário preen-
cher o Registro C171?

Este registro deve ser apresentado somente pelas empresas do comércio varejista de combustíveis.
Não apresentar quando se tratar de combustíveis adquiridos para consumo próprio.

7.2.40 Há necessidade de preencher o Registro C171 (armazenamento de combustível), quando se tratar


de posto de combustível?

O Registro C171 deve ser apresentado pelas empresas do comércio varejista de combustíveis nas ope-
rações de entrada, para informar o volume recebido (em litros), por item do documento fiscal, conforme
Livro de Movimentação de Combustíveis (LMC), Ajuste Sinief nº 01/1992. Os postos de combustíveis
devem informar também os Registros 1300 e filhos.

7.2.41 O registro é obrigatório para todos os contribuintes, se houver ressarcimento?

Não. Este registro deve ser informado apenas pelos contribuintes para os quais a legislação estadual
obriga a emissão, nas operações interestaduais, de documento fiscal para o ressarcimento de ICMS em
operações com substituição tributária pelo valor da última entrada.

7.2.42 Que segmento empresarial deverá preencher o Registro C178?

O Registro C178 deverá ser informado pelo fabricante ou importador (equiparado a industrial) de cigar-
ros e bebidas quentes nas operações de saídas. Empresas varejistas e atacadistas destes segmentos
não devem apresentar. Como estes setores econômicos estão obrigados à emissão de NF-e (código 55),
este registro não é preenchido na EFD.

7.2.43 O que é consolidação na combinação CST/CFOP/Alíquota?

Seria como o exemplo abaixo: Nota Fiscal: Nº 0001

Item 1: CST_ICMS = 000


CFOP = 5102
ALIQ_ICMS = 17%
Valor ICMS: 1000,00
Item 2: CST_ICMS = 000
CFOP = 5102
ALIQ_ICMS = 17%
Valor ICMS: 1000,00
256 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Item 3: CST_ICMS = 000


CFOP = 5101
ALIQ_ICMS = 17%
Valor ICMS: 500,00.
Consolidação do Registro C190:
1º Registro C190: CST_ICMS = 000, CFOP = 5102, ALIQ_ICMS = 17% Valor ICMS: 2000,00
2º Registro C190: CST_ICMS = 000, CFOP = 5101, ALIQ_ICMS = 17% Valor ICMS: 500,00.

7.2.44 Estabelecimentos não contribuintes do IPI que adquiram mercadorias cuja NF contenha desta-
que do IPI devem informar o campo VL_IPI do Registro C190?

Não. Regra geral: os campos de valor de imposto/contribuição, base de cálculo e alíquota só devem ser
informados se o adquirente tiver direito à apropriação do crédito. No caso, como não há direito a crédito,
o valor do IPI será adicionado ao valor da operação, campo 5 do Registro C190; os valores do ICMS/ST
e/ou IPI destacados devem ser adicionados ao valor das mercadorias no campo 16 - “VL_MERC” do Re-
gistro C100, bem como no campo 07 - “VL_ITEM” do Registro C170, uma vez que compõem o custo das
mercadorias. Como o informante não tem direito à apropriação do crédito, os campos “VL_ICMS_ST” e/
ou “VL_IPI” dos Registros C100, C170 e C190 não devem ser informados.

7.2.45 Porque o PVA não disponibiliza códigos de ajuste para o preenchimento do registro C197?

Nem todos os estados utilizam o Registro C197. Para estabelecimento domiciliado em UF que não publi-
cou a tabela 5.3, este registro não deve ser apresentado, devendo os ajustes a créditos e débitos serem
feitos em ajustes da apuração, utilizando os códigos da Tabela 5.1.1 do Ato Cotepe/ICMS nº 09/2008. Para
Pernambuco, não existe a tabela 5.3.

7.2.46 Como preencher o Registro C197 na ausência de publicação da tabela de códigos de ajuste de
algumas UF?
O Registro C197 não deve ser informado pelos estabelecimentos domiciliados nas UF que não publi-
caram a tabela constante no item 5.3 do Ato Cotepe/ICMS nº 09/2008. Para Pernambuco, não existe a
tabela 5.3.

7.2.47 Como deverão ser escriturados os cupons fiscais emitidos pelas empresas varejistas?
Os estabelecimentos emissores de cupons fiscais devem apresentar os Registros C400 e os filhos rela-
cionados ao perfil em que o contribuinte está enquadrado. Observar a tabela constante do item 2.6.1.2
do Ato Cotepe nº 09/2008 e suas alterações. O perfil pode ser conferido em: https://www.sped.fazenda.
gov.br/spedfiscalserver/ConsultaContribuinte/Default.aspx.

7.2.48 Como devo informar no Registro C420 uma situação em que existe a possibilidade de ocorrer
mais de uma alíquota efetiva do ICMS no ECF, por exemplo:
1 - 7% - integral;
2 - 12% - base de cálculo 58,333% = 7%;
3 - 17% - base de cálculo 41,176% = 7%.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 257

Hoje, no ECF, existe um único totalizador T0700, onde são acumuladas as vendas de qualquer uma das
situações do exemplo acima. Devo informar um ou três Registros C420?

Para a situação em que houver mais de uma carga tributária efetiva, o código do totalizador deverá
estar no formato xxTnnnn, conforme a tabela 4.4.6, sendo obrigatório o campo “número do totalizador,
quando ocorrer mais de uma situação com a mesma carga tributária efetiva”, que poderá variar de 01 a
30. No exemplo, haveria três Registros C420, com os campos “código do totalizador”: 01T0700, 02T0700
e 03T0700, sendo obrigatório informar os campos NR_TOT, no exemplo: 01, 02 e 03, respectivamente. No
caso de ECF, que possua um único totalizador T0700, onde são acumuladas as vendas, deve ser infor-
mado apenas um Registro C420.

7.2.49 Em um estabelecimento foram feitas duas reduções Z em um mesmo equipamento ECF. A primei-
ra foi em decorrência de uma intervenção no equipamento e foi alterado o número de CRO. Na EFD-I-
CMS/IPI devo enviar as duas reduções Z com seus respectivos valores e informações, ou devo somar
todos os valores e itens vendidos e apenas uma redução Z?

Duas reduções. No caso de intervenção técnica no ECF, deve ser informado um Registro C405 para cada
redução Z emitida.

7.2.50 No campo VL_FORN do Registro C500 deve ser informado o valor total fornecido/consumido ou
o valor do consumo descontados os valores de impostos, taxas, contribuições, etc.?

O valor informado deve ser igual à quantidade multiplicada pelo preço de kW/h ou m³ para energia elé-
trica ou gás, respectivamente. Os impostos incidentes já estão incluídos neste valor.

7.2.51 O que deve ser informado no campo VL_DA do Registro C500?

Neste campo devem ser informados os valores, excluído o consumo de energia elétrica ou gás, sobre os
quais incidam o ICMS e/ou contribuição.

7.2.52 No campo VL_TERC do Registro C500 deve ser informado o valor total cobrado em nome de
terceiros. Sendo assim, devem-se informar as outras contribuições constantes na conta de energia
elétrica, por exemplo, os valores referentes à taxa de iluminação pública?

Neste campo devem ser informados todos os valores cobrados que sejam receitas de terceiros, inclusi-
ve a taxa de iluminação pública.

7.2.53 Como preencher o campo 23 do Registro C500 quando houver mais de uma informação comple-
mentar (dados adicionais) na nota fiscal?

O campo só permite a informação de um código, cuja descrição deverá estar no Registro 0450, onde po-
derá, resumidamente, ser informada uma ocorrência ou mais dentro daquele código. Informe somente
os de interesse fiscal.

7.2.54 Notas fiscais/conta de fornecimento d’água canalizada (modelo 29), nas aquisições, devem ser
escrituradas?

Aquisição de água por meio das notas fiscais/conta de fornecimento d’água canalizada (modelo 29)
deve ser informada nos Registros C500 e C590.
258 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.3 Bloco H

7.3.1 Considerando que devem ser informadas, no Registro de Inventário, as mercadorias fisicamente
existentes no estabelecimento à época do balanço, temos a seguinte situação:

a) emissão de nota fiscal 7.101 de exportação em 31.12.2015 (efetiva circulação da mercadoria até o porto);
b) emissão do bill of lading (BL), quando do efetivo embarque da mercadoria em 05.01.2016 (momento
de baixa do estoque contábil).
Nesse sentido, como devem ser informadas, no Bloco H, as mercadorias em trânsito próximas à data de
encerramento do balanço no ano de 2015, considerando que o estoque contábil será baixado posterior-
mente, em que momento a baixa desse estoque deverá ser reconhecida no Bloco H, no momento da
emissão da nota fiscal com CFOP 7.101 ou no momento do reconhecimento da baixa de estoque pela
contabilidade, ou seja, no momento em que a mercadoria for efetivamente embarcada para exportação,
5 dias após a emissão da nota fiscal?
A saída da mercadoria destinada à exportação direta ocorre com a emissão da NF-e com o CFOP 7.101
ou com a saída efetiva do estabelecimento comercial, conforme a legislação estadual. Se a exportação
não se efetivar, caberá a emissão de NF-e de entrada com o retorno efetivo da mercadoria que seria
exportada.
A NF-e emitida com o CFOP 7.101 tem como destinatário (participante) o cliente situado no exterior.
Portanto, não cabe falar em outro terceiro (transportador). Após a emissão dessa NF-e não haverá ne-
nhuma outra movimentação (emissão de outra NF-e) até a efetiva exportação. Portanto, caberá apenas
a escrituração de estoque tipo 0 nos Registros K200 e H010, deduzido da saída ocorrida com a emissão
da NF-e com CFOP 7.101.
Não há que se falar em estoque tipo 1 nos Registros K200 e H010 em relação à mercadoria que não foi
ainda efetivamente exportada. Caso a empresa queira reconhecer a transmissão da propriedade apenas
quando se efetivar a exportação, caberá à mesma criar uma conta contábil transitória. Essa conta con-
tábil transitória não tem nenhuma relação com o Registro de Inventário.

7.3.2 Na validação do Sped Fiscal, quando ocorrer venda/transferência de produtos ou mercadorias e


estas estejam em trânsito, ou seja, foi registrada a saída na origem (ponto A), mas ainda não foi registra-
da fisicamente a entrada no destino (ponto B), em virtude da distância entre os 2 pontos, por exemplo,
origem RJ e destino AM, o transportador poderá ser informado como possuidor do estoque em trânsito
no Registro H010 - Inventário - campo 7 - IND_PROP 1 - Item de propriedade do informante e em posse
de terceiros e no campo 8 - COD_PART (campo 2 do Registro 0150)?

Para fins de escrituração dos Registros K200 e H010 do estabelecimento “B”, a mercadoria somente po-
derá ser reconhecida em estoque quando ocorrer a efetiva entrada por meio da escrituração do Registro
C170. Também não será reconhecida no estoque do estabelecimento “A”. A mercadoria que já saiu do
estabelecimento “A” e ainda não entrou no estabelecimento “B” poderia ser reconhecida contabilmente
numa conta transitória denominada “mercadoria em trânsito”. Essa conta contábil transitória não tem
nenhuma relação com o Registro de Inventário.

7.4 Bloco K - Controle da Produção e do Estoque

7.4.1 Como classificar no “Registro 0200 - Tabela de Identificação do Item”, campo 07 - um produto pro-
duzido em um estabelecimento que será destinado para outro estabelecimento da mesma empresa?
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 259

Nesta outra empresa sua finalidade será dar continuidade ao processo produtivo que irá compor um
produto acabado final para comercialização.

No primeiro estabelecimento o produto deverá ser classificado como tipo 03 - produto em processo,
pois o mesmo não está pronto para ser comercializado. Entretanto, no segundo estabelecimento não
deverá ter a mesma classificação, pois não é oriundo do processo produtivo deste estabelecimento.
Portanto, deverá ser classificado como matéria-prima - tipo 01.

7.4.2 Uma indústria que produz calçados possui uma filial que produz solas. No Registro 0200, campo 7
(TIPO_ITEM), como se deve classificar a sola nas seguintes situações: 1) A Filial 1 produz a sola e tam-
bém consome a sola. Como classificar a sola? 2) A Filial 1 produz a sola e transfere para a Filial 2. Como
classificar a sola na Filial 1? Como classificar a sola na Filial 2? 3) A Filial 1 produz a sola e vende para a
Empresa 2. Como classificar a sola na Filial 1? Como classificar a sola na Empresa 2?

O produto resultante (sola) deverá ter uma única classificação em cada estabelecimento da empresa.
No estabelecimento “Filial 1” a sola é:

a) resultante de seu processo produtivo;

b) consumida no processo produtivo em outra fase de produção;

c) transferida para o estabelecimento “Filial 2”;

d) vendida para outra empresa.

Considerando essas características, deve-se classificar a sola no estabelecimento “Filial 1” em função


da preponderância de sua destinação: se a maior parte de sua produção for destinada ao consumo no
processo produtivo da “Filial 1”, deve-se classificá-la como tipo 03 - produto em processo; caso a maior
destinação de sua produção for a venda para outra empresa, deve-se classificá-la como tipo 04 - produto
acabado. Entretanto, qualquer uma das classificações não impedirá a sua destinação para alguma das
situações colocadas.

Já no estabelecimento “Filial 2” e na “Empresa 2” a sola deverá ser classificada como tipo 01 - matéria-
-prima, uma vez que não é resultante de seus processos produtivos.

7.4.3 Empresa calçadista trabalha com código do produto (modelo calçado) (Registro 0200) com o tipo
04 (produto acabado); porém este mesmo código de produto quando está em produção deveria ser
tratado como tipo 03 (produto em processo) para fins dos Registros K200 e K250. No Guia Prático exis-
te a seguinte condição relativamente ao Registro 0200: “Nas situações de um mesmo código de item
possuir mais de um tipo de item (destinação), deve ser informado o de maior relevância”. No caso das
indústrias de calçados seria o tipo 04; sendo assim não estariam sendo apresentados ao Fisco os pro-
dutos em elaboração?

Um mesmo produto resultante do processo produtivo não pode ter mais de uma classificação (TIPO_
ITEM do Registro 0200). O produto resultante pode ser do tipo 03 - produto em processo ou do tipo 04
- produto acabado. O produto será classificado como tipo 03 quando não estiver pronto para ser comer-
cializado, mas estiver pronto para ser consumido em outra fase de produção. E será classificado como
tipo 04 quando estiver pronto para ser comercializado. Não podemos confundir “produto em processo”
com “produção em elaboração”. Produto em processo é o produto resultante do processo produtivo que
está pronto para ser consumido em outra fase de produção. Produção em elaboração é a matéria que
não é mais insumo e não é ainda um produto resultante. Portanto, ao se classificar um produto resultan-
te como tipo 03 não se estará quantificando a produção em elaboração.
260 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.4.4 Existem produtos iguais, importados e similares nacional. Os nacionais são produzidos pela em-
presa. Deve-se criar dois Registros 0200?

Isso vai depender do controle interno da empresa. Caso ela queira controlar separadamente o produto
importado do produto nacional, poderá criar códigos específicos. Nesse caso, a entrada no estoque do
produto importado será informada por meio da NF-e (Registros C100 e C120). A entrada no estoque do
produto nacional será informada por meio dos Registros K230 ou K250.

7.4.5 A empresa possui o mesmo código de produto em estoque em diversas situações: o mesmo pode
ser produto acabado ou subproduto ou produto em processo. No Registro 0200, é permitido enviar o
mesmo código quantas vezes aparecer nos estoques específicos?

Não. Inicialmente, no Registro 0200 temos o tipo de mercadoria (campo TIPO_ITEM), em que cada có-
digo deverá ter uma única classificação (tipo). Já no Registro K200 um mesmo código por ter tipos de
estoque distintos (campo IND_EST).

7.4.6 Com relação ao tipo de item, qual deve ser relacionado para sucata que uma indústria venderia
para outro estabelecimento? Por exemplo, uma indústria que fabrica moldes para indústria automobi-
lística, porém há resíduos, os quais podem ser definidos como aqueles provenientes da fabricação ou
acabamento do produto, como também as obras definitivamente inservíveis como tais em decorrência
de quebra, corte, desgaste ou outros motivos. Estes produtos são de natureza muito variada e apresen-
tam-se geralmente com as seguintes formas: desperdícios e resíduos obtidos no decurso da fabricação
ou do acabamento do produto (por exemplo: aparas, limalhas e pedaços), artefatos definitivamente
inaproveitáveis como tais em consequência de fraturas, corte, desgaste ou outros motivos, bem como
seus resíduos. O que informar no Registro 0200? No Bloco K, como registrar?

No caso indicado, a mercadoria vendida como sucata e que teve origem no processo produtivo deve ser
classificada no Registro 0200 como subproduto - tipo 05. Veja o conceito existente no Guia Prático da
EFD - Registro 0200:

“05 - Subproduto: o produto que possua as seguintes características, cumulativamente: oriundo do


processo produtivo e não é objeto da produção principal do estabelecimento; tem aproveitamento
econômico; não se enquadre no conceito de produto em processo (tipo 03) ou de produto acabado
(tipo 04)”.

Os resíduos gerados no processo produtivo e que têm aproveitamento econômico podem ter a seguin-
te destinação:

a) ser consumidos no próprio processo produtivo - Registros K235/K255;

b) ser vendidos no mercado - Registro C100 - NF-e. No Bloco K devem ser escriturados:

b.1) a quantidade em estoque - Registro K200;

b.2) a quantidade consumida no processo produtivo - Registros K235/K255.

A quantidade gerada de subproduto não é informada no Bloco K. Caso o Fisco queira conhecer essa
quantidade, bastará aplicar a fórmula:

Quantidade gerada = estoque final + consumo + saída - estoque inicial.


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 261

7.4.7 Em relação à matéria-prima “leite in natura”, adquirida de produtores rurais, a mesma passa por um
processo de beneficiamento, na qual se tem como resultado dois novos itens, sendo o “creme de leite”
e o “leite padronizado”. Pergunta-se: a) O leite in natura deve ser considerado como matéria-prima? b) É
necessário criar uma ficha técnica para a fabricação do leite padronizado, na qual o insumo será o leite
in natura? c) Se assim o for, como deveria ser classificado o leite padronizado? d) E como fica a situação
do creme de leite?

No caso apresentado, o leite in natura é considerado matéria-prima, tipo 01.

Sim. Deverá ser informado o consumo específico padronizado (0210) do “leite in natura” para se produzir
tanto o “leite padronizado” quanto o “creme de leite”, uma vez que esses produtos são resultantes de
uma produção.

Caso seja comercializado, deverá ser classificado como tipo 04 - produto acabado. Se o “leite padroni-
zado” for consumido no processo produtivo para se fabricar outros produtos ou for envasado em outro
processo em embalagem para ser comercializado, deverá ser classificado como tipo 03 - produto em
processo.

Caso seja comercializado, deve ser classificado como tipo 04 - produto acabado. O “creme de leite” é
resultante de uma produção conjunta, e, provavelmente, será consumido no processo produtivo para se
produzir outro produto. Dessa forma, deverá ser classificado como tipo 03 - produto em processo.

7.4.8 Como classificar no Registro 0200 do Bloco K, campo 07, um produto produzido em um estabele-
cimento matriz e transferido para outro estabelecimento filial (centro de distribuição)? A filial apenas
vende o produto, não faz nenhuma industrialização. Na matriz o produto sai com a classificação 04, na
filial pode ser tratado da mesma forma?

Para a classificação das mercadorias no Registro 0200, deve ser considerada a atividade econômica
do estabelecimento informante, e não da empresa, observados, ainda, os conceitos existentes no
Guia Prático - campo 07 do Registro 0200. Considerando o caso em questão, o estabelecimento “cen-
tro de distribuição” tem como atividade econômica o comércio (recebe a mercadoria de outro esta-
belecimento da empresa e vende). Considerando o conceito de “Produto acabado - tipo 04” existente
no Guia Prático: 04 - Produto acabado: o produto que possua as seguintes características, cumulati-
vamente: oriundo do processo produtivo; produto final resultante do objeto da atividade econômica
do contribuinte; e pronto para ser comercializado; entende-se que a mercadoria recebida em trans-
ferência de outro estabelecimento da empresa e comercializado não se enquadra nesse conceito,
pois não existe processo produtivo e, portanto, não é oriundo do processo produtivo. Concluindo, a
classificação dessa mercadoria no estabelecimento “centro de distribuição” deve ser “tipo 00 - Mer-
cadoria para revenda”. A classificação dessa mercadoria como tipo 00 não impedirá a tributação pelo
IPI na saída do centro de distribuição (estabelecimento equiparado a industrial), na hipótese de que
a mercadoria tenha saído do estabelecimento industrial com suspensão do IPI na operação anterior.
Quando se tratar de bebidas, a suspensão do IPI é inadmissível, pois o regime monofásico afasta a
possibilidade de suspensão do IPI.

7.4.9 Peças de reposição bem como manutenções em equipamentos da linha de produção devem ser
considerados no Bloco K?

Não. Esses materiais não são insumos/componentes dos produtos resultantes do processo produtivo
nem são produtos intermediários - tipo 06 - consumidos no processo produtivo.
262 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.4.10 Insumos utilizados no tratamento da água utilizada para limpeza devem ser considerados no Blo-
co K?

O tratamento da água não faz parte do processo produtivo do estabelecimento informante, portanto
não deve ser considerado no Bloco K.

7.4.11 Restos de embalagens e outros materiais devem ser considerados como subprodutos, visto que
repassados à reciclagem?

Esses materiais poderão ser classificados como subprodutos - tipo 05 - desde que atendam às carac-
terísticas previstas no Guia Prático da EFD-ICMS/IPI - Registro 0200. Considerando a sua destinação à
reciclagem, a sua escrituração no Bloco K se restringirá ao Registro K200.

7.4.12 A empresa não efetua a segregação das etapas do seu processo produtivo, Ex.: uma matéria-
-prima com código AA continua com o mesmo código até a finalização do projeto, mesmo que tenha
ocorrido modificações durante o processo de produção. Pergunta-se: é necessário mudar o código da
matéria-prima após sua modificação, por exemplo: compra de chapa de metal transformada em rolda-
na e inserida no produto final?

A escrituração do Bloco K dependerá dos apontamentos e controles internos do estabelecimento infor-


mante. Se há o apontamento da produção e do estoque da “roldana” e é esta roldana que será consumi-
da para se ter o produto acabado - tipo 04, temos, então, a figura do produto em processo “roldana” - tipo
03. Caso contrário, deverá ocorrer o apontamento do consumo da matéria-prima “chapa de metal” - tipo
01 para se obter o produto acabado resultante - tipo 04.

7.4.13 Tem-se um produto (sapato) que é comprado de terceiros e também fabricado pela empresa. Este
produto teria duas classificações = 00 - revenda e 04 - produto acabado. Para esta situação a empresa
deverá ter dois códigos de produtos para o mesmo produto (sapato)?

O controle da movimentação do produto adquirido e do produto fabricado em códigos distintos ou em


um único código fica a critério do contribuinte. O controle em códigos distintos traz uma melhor orga-
nização dos controles internos, pois esses produtos provavelmente possuem custos distintos e têm
origens diferentes. Caso o contribuinte queira controlar em um único código e considerando: que um
código deve ter uma única classificação (tipo) - Registro 0200; que um produto resultante do processo
produtivo do estabelecimento informante deve ser dos tipos 03 ou 04 (K230); o produto sapato deve ser
classificado como tipo 04 - produto acabado no Registro 0200.

7.4.14 Temos em nosso estoque matéria-prima - metal 1, utilizado na fabricação de materiais, que passa
por um processo interno de transformação resultando em um “metal ligado”, por meio da mistura de
ligas que pode ser metal 2, metal 3 etc., todos identificados no Registro 0200 com código de item 01 -
matéria-prima. Este processo de transformação interna será registrado conforme a seguir: 0200 - metal
ligado, dois Registros 0210 filhos do 0200 - Um para o metal 1 e outro para o metal 2. O Registro K230
teria então o “metal ligado” com os Registros filhos K235 - metal 1 e metal 2. O “metal ligado” deverá ser
registrado como uma nova matéria-prima ou um produto em processo?

De acordo com os conceitos existentes no Guia Prático da EFD-ICMS/IPI - Registro 0200 - Tipos de
mercadorias, a mercadoria classificada como matéria-prima - tipo 01 não pode ser oriunda do processo
produtivo e o produto em processo - tipo 03 é oriundo do processo produtivo. Todos os dois tipos são
consumidos no processo produtivo. Considerando a situação colocada, o “metal ligado”, como é oriundo
de uma fase do processo produtivo, deve ser classificado no Registro 0200 como produto em processo
- tipo 03.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 263

7.4.15 Um estabelecimento industrial compra determinada matéria-prima em uma determinada unida-


de de medida (por exemplo - metal em kg), sendo assim registrada no 0200. No processo de industria-
lização a matéria-prima é dividida em outra unidade (por exemplo - metal em folhas), que registramos
como novo item no 0200, também como matéria-prima. Como demonstrar isto na EFD-ICMS IPI?

A conversão da matéria-prima controlada em kg para as matérias-primas controladas em folhas poderá


ser escriturada por meio de movimentação interna - Registro K220, com os respectivos fatores de con-
versão para os itens de destino (0200) informados no Registro 0220.

7.4.16 A empresa, cuja atividade preponderante é a industrialização para venda posterior, importa uma
matéria-prima que possui duas destinações diferentes e, dependendo da destinação, a tributação é
diferenciada. Atualmente a empresa classifica o mesmo item com dois códigos diferentes, resultante
da destinação e tributação diferenciada. Em consulta às perguntas frequentes, nos deparamos com
a questão 7.4.4, que permite a criação de dois códigos para o mesmo item. Na situação apresentada,
como proceder?

Na resposta à questão 7.4.4 foram criados 2 códigos em função da origem do insumo. Já na atual ques-
tão, estariam sendo criados 2 códigos em função da destinação do insumo. Não há impedimento. Fica
a critério da empresa.

7.4.17 Existem alguns produtos que são industrializados pela própria empresa que ora são vendidos in-
dividualmente ora fazem parte de outro produto como componente. É possível vender um “produto em
processo”? Deve ser enquadrado desta forma? Como tratá-lo dentro do Bloco K?

Não há impedimento para que um produto em processo - tipo 03 seja vendido, assim como não há
impedimento para que um produto acabado - tipo 04 seja consumido no processo produtivo para ob-
tenção de outro produto. A classificação do produto no Registro 0200 deve ser única e permanente, não
se alterando a cada movimentação. Nos casos em que um mesmo produto pode ter mais de uma des-
tinação, orientamos que a classificação seja definida em função da relevância da movimentação física
em um determinado período.

7.4.18 Os abatedouros e frigoríficos, na industrialização, desmontam o animal no abate. Um boi vivo


equivale a uma quantidade de carne. Tem-se a seguinte sequência de processamento - o boi vivo se
transforma em uma carcaça inteira. A carcaça inteira é dividida em dianteiro, traseiro e costela. Cada
parte resulta em peças de carne (costela minga, coxão mole, picanha, fraldinha etc.) e, por fim, estas
peças podem se transformar em carne moída. É um processo complexo, cheio de perdas e difícil de
mensurar peça a peça. Como informar na EFD-ICMS/IPI? Especificamente no Registro 0200?
Neste caso existem os seguintes processos:
a) processo que resulta a “carcaça”, que é um produto em processo - tipo 03, utilizando como insumo o
boi vivo;
b) processo que resultam o “dianteiro”, o “traseiro” e a “costela”, que são produtos em processo - tipo 03
(pois são consumidos em outra fase de produção) ou produtos acabados - tipo 04 (pois podem ser ven-
didos), utilizando como insumo a “carcaça”;
c) processo que resultam as “peças de carne”, que são produtos acabados - tipo 04 (se forem vendidos)
ou produtos em processo - tipo 03 (se forem consumidos em outra fase de produção), utilizando como
insumos os produtos resultantes citados na letra anterior;

d) processo que resulta a “carne moída”, que é um produto acabado - tipo 04 (pois é vendido).
264 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Todos os produtos resultantes de cada fase de produção devem ser escriturados no Registro K230, com
os respectivos consumos de insumos no K235, com a devida correspondência no Registro 0210. Os
produtos resultantes referidos nas letras “b” e “c” devem ter uma única classificação no Registro 0200
(03 ou 04) e esta deve ser permanente nos diversos períodos de apuração (K100). Para efetuar essa clas-
sificação, orientamos que se utilize a preponderância da destinação.

7.4.19 A empresa realiza o reprocessamento de material quando recebe devoluções de clientes de pro-
dutos com defeitos. Exemplo: entrada em estoque por devolução de cliente: 03 itens com defeito (itens
A, B e C). Processo interno: ordem de retrabalho para reprocessamento dos itens. Com baixa de esto-
que do A, B e C e inclusão de estoque no item D (tipo 03). Após classificação do material reprocessado
(conforme qualidade, material e cor), há uma transferência do item tipo 03 para item correspondente
tipo 01. Como informar a ordem de retrabalho, já que a baixa de estoque ocorre de muitos e variados
materiais para um item tipo 03. Não temos lista técnica deste item tipo 03, pois varia de acordo com
materiais reprocessados. Como informar?

A separação do “item com defeito” do estoque de “produto acabado” deve ser efetuada por meio de
movimentação interna entre essas mercadorias - Registro K220, em que o “item com defeito” seria
classificado no Registro 0200 como produto em processo - tipo 03. Quanto à reclassificação desse
“item com defeito” em matéria-prima - tipo 01, entendemos que não haveria necessidade, pois com a
classificação como tipo 03 poderia ser consumido no reprocesso. O produto resultante do reproces-
so deve ser codificado como “item reprocessado”. Caso o “item reprocessado” for igual ao “produto
acabado” e o contribuinte queira controlar o estoque desses itens num único código, basta fazer uma
movimentação interna entre esses produtos (K220), dando baixa no estoque do “item reprocessado”
e entrada no estoque do “produto acabado”. O “item reprocessado” e seus respectivos componentes
(K230/K235) deverão ter correspondência nos Registros 0200/0210. Caso o produto reprocessado per-
maneça com o mesmo código do produto a ser reprocessado, a escrituração deverá ocorrer por meio
dos Registros K260/K265.

7.4.20 Além do produto final (produto acabado), a empresa realiza a venda de partes e peças do produto
acabado, classificadas como “produto em elaboração”, deve-se classificá-las como “produto acabado”
uma vez que as mesmas já estão prontas para venda?

Regra geral, orientamos classificar a mercadoria no Registro 0200 em função da relevância da movi-
mentação física. Entretanto, uma vez classificado, essa classificação deverá ser única e permanente.
Não há impedimento para que uma mercadoria classificada como produto em processo - tipo 03 seja
vendida, assim como não há impedimento para uma mercadoria classificada como produto acabado -
tipo 04 seja consumida no processo produtivo para obtenção de outro produto resultante. Portanto, o
contribuinte poderá classificar os produtos referidos tanto como produto em processo - tipo 03, como
produto acabado - tipo 04.

7.4.21 Em uma indústria de confecção, em que o produto acabado será o “Conjunto Moletom”, teremos
o consumo de malha que também será industrializada, ou seja, a empresa compra o fio, manda tecer e
depois tingir. Como devemos escriturar a malha nesse caso, pois ela não entrará como produto acaba-
do e sim como matéria-prima?

Nesse caso, o processo de industrialização da malha fará parte do processo produtivo do estabeleci-
mento informante, sendo o 1º processo, antes do processo de corte. O fio adquirido será classificado no
Registro 0200 como matéria-prima - tipo 01. A “malha tecida” e a “malha tingida” devem ser classificadas
como produto em processo - tipo 03.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 265

7.4.22 No processo produtivo da empresa geramos um produto em processo que pode tanto ser pro-
duzido em uma unidade fabril (na sua totalidade ou parcial) da empresa quanto ser produzido em um
fornecedor terceirizado. Fisicamente este produto em processo é o mesmo, porém temos dúvida em
como contemplar esta situação na ficha técnica (consumo previsto e Ordem de Produção/Bloco K) já
que existem as seguintes situações produtivas que podem ocorrer: 1) podemos iniciar o processo de
fabricação do produto acabado e concluir na mesma unidade fabril da empresa; 2) podemos iniciar o
processo de fabricação do produto acabado em uma unidade fabril, gerar produtos em processos que
serão transferidos para outra unidade fabril da empresa e concluir a fabricação do produto acabado
nesta 2ª unidade; 3) podemos iniciar o processo de fabricação do produto acabado em uma unidade
fabril, gerar produtos em processo e transferi-los para uma 2ª unidade fabril para finalizar um estágio
de produção específico e, ao final, este novo produto em processo retorna para a 1ª unidade fabril ou
ainda pode ser transferido para uma 3ª unidade fabril para conclusão deste produto acabado. Sabemos
que o Bloco K não leva em considerações valores, mas esta questão de classificação nos traz dúvidas
quanto à valorização dos estoques entre produzidos e comprados: o produto produzido (internamente
ou em terceiros) tem valorização pelo cálculo do seu preço de custo, enquanto que os comprados têm
o preço médio montado pelo seu custo de aquisição. Se houver classificações diferentes, podemos ge-
rar problemas de valorização entre a saída de uma filial e a entrada na filial de destino. Como conciliar
para que os valores de estoque de uma saída por transferência (produto em processo) com a entrada
desta transferência (matéria-prima), sendo que a forma de valorização dos dois produtos é diferente?

A codificação das mercadorias envolvidas com o processo produtivo deve atender às necessidades de
controle do contribuinte, observadas as regras existentes no Registro 0200 e no Bloco K. Como o con-
tribuinte quer diferenciar o produto fabricado do produto adquirido, caberá atribuir códigos específicos
para cada um, de tal forma que permita controlar os custos de cada um, permitindo avaliar qual seria
mais vantajoso: produzir ou adquirir. A classificação do produto/mercadoria (0200) deve levar em con-
sideração o estabelecimento informante, e não a empresa. Considerando a situação citada em que um
produto em processo é fabricado em um estabelecimento e posteriormente transferido para outro esta-
belecimento da mesma empresa, a classificação em cada estabelecimento deverá ser: tipo 03 - produto
em processo no estabelecimento fabricante e tipo 01 - matéria-prima no outro estabelecimento, pois
não é originado do processo produtivo deste estabelecimento.

7.4.23 A empresa fabrica produto “molde de areia”. Esse molde é utilizado na fabricação dos produtos da
atividade da empresa, ainda, o molde de areia se desintegra quando retirado do produto e é reaprovei-
tado na fabricação de novos moldes. Destaca-se que o “molde de areia” é classificado como 06 - produ-
to intermediário, por não integrar o produto acabado. Como deve ser tratada, no Bloco K, a fabricação
do produto “molde de areia”, considerando que é um produto intermediário? Deverá ser produzido via
Ordem de Produção? Se sim, ele será classificado como produto em processo? Como deverá ser feita a
baixa no estoque, visto que foi consumido no processo produtivo?

O “molde de areia” utilizado na fundição de peças é um produto intermediário - tipo 06. E como tipo 06,
somente deverá ser escriturado o estoque no K200, caso exista. O processo de produção do “molde de
areia” não deverá ser escriturado no K230, pois somente são escriturados produtos tipos 03 - produto
em processo e 04 - produto acabado.

7.4.24 Qual a classificação de pallets?

Quando o pallet for destinado ao acondicionamento para transporte, que visa apenas facilitar o trans-
porte, este não compõe o produto resultante do processo produtivo, sendo classificado como tipo 07 -
material de uso e consumo. Portanto, não deve ser classificado como tipo 02 - embalagem - no Registro
0200. Não sendo um insumo/componente, não deve ser escriturado nos Registros 0210/K235/K255.
266 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Caso o pallet seja caracterizado como material de embalagem destinado a garantir e assegurar resis-
tência e durabilidade dos produtos nele inseridos, o mesmo deve ser classificado como tipo 02 - emba-
lagem - no Registro 0200 e quando utilizado deve ser escriturado nos Registros 0210/K235/K255.

7.4.25 Quando um insumo deve ser classificado como tipo 10 - Outros Insumos?

O insumo classificado no tipo 10 é qualquer insumo adquirido que componha o produto resultante e
não possa ser classificado no tipo 01 - matéria-prima ou tipo 02 - embalagem.

7.4.26 No processo de abate, são gerados dois tipos de carcaça (códigos distintos): um tipo que será
utilizado no processo produtivo (carcaça será desossada) e outra carcaça com mesma característica é
classificada como produto acabado - tipo 04 no Registro 0200. As carcaças classificadas no item tipo
04 - produto acabado por muitas vezes não são vendidas e serão consumidas na produção. Se isso for
necessário, poderão ser apontadas em ordem de produção como ingredientes e mantidas no tipo 04 -
produto acabado. Resumindo, pode-se ter um produto acabado classificado como tal e apontado em
uma ordem como ingrediente sem reclassificar?

Sim. Não há impedimento para que um produto acabado - tipo 04 seja consumido no processo produti-
vo, assim como não há impedimento para que um produto em processo - tipo 03 seja vendido.

7.4.27 O contribuinte quer tratar cada veículo produzido com um código distinto (por chassi), ou seja,
se houver 1.000 carros produzidos no mês, teríamos 1.000 listas técnicas, sendo que grande parte delas
teriam o mesmo conteúdo, mas que formariam produtos acabados distintos. Detalhe: os arquivos XML
fariam referência ao código único de veículo produzido, conforme Registro K230 e lista técnica no Re-
gistro 0210. Como seria tratada a questão no Bloco K?

Considerando que a saída do estoque (NF-e) ocorre com o código específico por chassi, a entrada no
estoque por produção (K230) deverá utilizar o mesmo código, de tal forma que dê origem ao veículo
vendido. Não há impedimento para que códigos distintos tenham a mesma composição (0210/K235).

7.4.28 Em relação ao Bloco K, como proceder quando se consome uma matéria-prima - tipo 01, como
material de uso e consumo - tipo 07?

1) Emite-se nota fiscal de “empresa a contra empresa a”, com CFOP 5/6.949 (Bloco C) e estorna-se os
créditos (ICMS/IPI)?

2) Com o intuito de melhorar o controle interno, pode-se cadastrar dois códigos de materiais exatamen-
te iguais, um para uso e consumo - tipo 07, e outro para matéria-prima - tipo 01?

O contribuinte não está propondo criar dois códigos, e sim, criar dois Registros 0200 com mesmo códi-
go e tipos de mercadorias diferentes: 01 e 07. A chave do Registro 0200 é apenas o campo COD_ITEM.
O campo TIPO_ITEM não faz parte da chave e, portanto, o PVA não admite dois Registros 0200 com o
mesmo COD_ITEM.

Uma mercadoria (COD_ITEM) deve ter uma única classificação (TIPO_ITEM). Conforme previsto no Guia
Prático da EFD-ICMS/IPI - Registro 0200 - campo TIPO_ITEM, nas situações de um mesmo código de
item possuir mais de um tipo de item (destinação), deve ser informado o tipo de maior relevância na
movimentação física, observadas, no que couberem, as regras de escrituração do Bloco K.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 267

Considerando o exemplo, a classificação da mercadoria no Registro 0200 seria tipo 01. Não há impedi-
mento que essa mercadoria tenha uma destinação diferente. Considerando que a destinação foi para
uso e consumo no estabelecimento, a baixa do estoque deve ocorrer por meio da emissão de NF-e, caso
a legislação estadual permita, tendo como destinatário o próprio estabelecimento emitente, resultando
no estorno de crédito de ICMS/IPI.

7.4.29 Em uma indústria de bebidas com produção do mesmo tipo de bebidas vendidas de duas for-
mas diferentes: líquido com vasilhame não retornável, em que se considera o vasilhame material de
embalagem e, líquido com vasilhame retornável, em que o vasilhame é um ativo da empresa (existe
remessa e retorno deste). Entendemos que no segundo caso, como o vasilhame é retornável, não deve
ser apontado como insumo. Por se tratar do mesmo tipo de produto, existe reclassificação de um para
outro. Como essa reclassificação deve ser tratada no processo produtivo, visto que existe inclusão ou
exclusão do vasilhame sem retornar para a linha de produção, em qual registro do Bloco K deve ser
informado?

A situação colocada se refere a uma exceção do processo produtivo e não deve ser tratada como uma
simples reclassificação. A escrituração deve ocorrer da seguinte forma:

1) “bebida com embalagem não retornável” x “bebida com embalagem retornável”:

a) desmonte da “bebida com embalagem não retornável” em “bebida líquida” e “embalagem não retorná-
vel”, a ser escriturado nos Registros K210/K215;

b) acondicionamento da “bebida líquida” em embalagem retornável, a ser escriturado nos Registros


K230/K235;

2) “bebida com embalagem retornável” x “bebida com embalagem não retornável”:

a) desmonte da “bebida com embalagem retornável” em “bebida líquida”, a ser escriturado nos Registros
K210/K215;

b) acondicionamento da “bebida líquida” em embalagem não retornável, a ser escriturado nos Registros
K230/K235, inclusive com o consumo da embalagem não retornável.

7.4.30 Indústria de vestuário que produz camisas. Uma determinada camisa, código CAMISA1, de diver-
sas cores e tamanhos, cada combinação cor x tamanho com seu devido consumo. Como informar no
Registro 0210, considerando tratar-se de um mesmo produto?

Se a empresa mantém o controle de produção da camisa (K230), sem diferenciar o tamanho ou cor, o
controle de consumo do insumo também deve se referir à camisa, sem diferenciar o tamanho ou cor.
A quantidade consumida efetiva deve ser informada no Registro K235 e o consumo específico padrão
deve ser informado no 0210. No caso em questão, deve ser informado um consumo específico padrão
médio por camisa.

7.4.31 Uma empresa trabalha com projetos por encomenda em que são fabricadas estruturas projeta-
das de acordo com a necessidade do cliente. Internamente as estruturas possuem um único código de
item. Como informar o Registro 0210 neste caso?

Como a atividade econômica é fabricar produtos por encomenda, em que cada encomenda/produto
possui características diferentes (composição física, custo, preço de venda), deve-se atribuir códigos
específicos para cada projeto/encomenda/produto, pois são produtos diferentes.
268 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.4.32 Como informar a produção conjunta de N produtos utilizando-se X insumos?

Para o caso de produção conjunta, em que o consumo de uma mesma matéria-prima gera mais de um
produto resultante, devem ser informadas as quantidades de consumo de matéria-prima para cada pro-
duto resultante. Considerando como exemplo uma matéria-prima “A”, em quilos, gerando 03 produtos
resultantes: “B”, “C” e “D”, devem ser informados: “X” quilos da matéria-prima “A” para se produzir o produ-
to resultante “B”; “Y” quilos da matéria-prima “A” para se produzir o produto resultante “C” e “Z” quilos da
matéria-prima “A” para se produzir o produto resultante “D”.

Para o exemplo em questão, suponhamos que exista uma perda de 15% se comparado o peso da maté-
ria-prima “A” com o somatório do peso dos 03 produtos resultantes, teremos, caso a empresa considere
que a perda é equivalente para os três produtos resultantes, o seguinte consumo específico: (1/0,85 =
1,176470). Se a empresa concluir que a perda não é uniforme, ou seja, que a perda da matéria-prima “A”
para se produzir o produto resultante “B” diverge da perda da matéria-prima para se produzir os demais
produtos resultantes “C” e “D”, deverá informar consumos específicos diferentes para cada um desses
produtos resultantes (Registro 0210).

Sendo assim, para informar a quantidade consumida para cada produto resultante (Registro K235), a
empresa deverá utilizar o próprio consumo específico informado para determinar quanto de matéria-
-prima está sendo utilizada em cada um desses produtos.

7.4.33 Quando a empresa possuir um produto que pode ser fabricado tanto internamente quanto em
terceiros, produto esse que estará devidamente cadastrado no Registro 0200 “Tabela de Identificação
do Item (Produtos e Serviços) e os insumos utilizados na sua produção informados no Registro 0210
- “Consumo Específico Padronizado”, e ocorrer de quando da produção em terceiros os materiais se-
cundários utilizados no processo serem por conta do terceiro. Tem-se, então, que quando a produção
é interna a lista técnica contempla os materiais secundários e quando a produção é em terceiros, há
somente o consumo da matéria-prima, pois os materiais secundários serão por conta de terceiros e
estarão inclusos no custo da prestação do serviço. Haja vista o Sped/Bloco K prever um único cadastro
de lista técnica por produto, como serão tratados esses casos?

No Registro 0210 somente devem ser informados os insumos que compõem o produto resultante e que
são de propriedade do estabelecimento informante. Os “materiais secundários” compõem o produto
resultante? Se sim, devem ser atribuídos códigos distintos para o produto fabricado no estabelecimento
informante e para o produto fabricado em terceiro.

7.4.34 Nas situações em que existirem insumos que são usados esporadicamente no processo produti-
vo, via de regra, a utilização desses pode depender, por exemplo, da qualidade da matéria-prima que se
está utilizando, eles deverão constar no Registro 0210 - “Consumo Específico Padronizado” mesmo não
sendo constante o seu consumo? Dentro desse contexto, considerando-se que as informações para o
Sped serão transmitidas em periodicidade mensal, poderá ocorrer que durante o mês em questão ora
se tenha utilizado esse insumo em algumas produções e ora não, ou seja, num intervalo inferior a um
mês podemos ter mais de uma lista técnica. Não sendo isso uma substituição de item, mas sim “uso
ocasional”, qual o tratamento a ser dado?

O consumo específico padronizado informado no 0210 deve compreender apenas o consumo da ma-
téria-prima. Quando do consumo efetivo do insumo ocasional (K235), deve-se informar que está subs-
tituindo a matéria-prima, ou seja, o consumo do insumo ocasional estará substituindo parcialmente a
matéria-prima, pois a complementa.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 269

7.4.35 Quando um insumo constante no Registro 0210 - “Consumo Específico Padronizado” for substi-
tuído por outro durante a produção, essa substituição será informada no campo 5 COD_INS_SUBST no
Registro K235 “Insumos Consumidos”. Pode ocorrer de o insumo utilizado ter uma concentração maior
do que o que foi substituído, logo, o seu consumo no processo será menor do que o cadastrado no Re-
gistro 0210 para o insumo que foi substituído. Como serão tratados esses casos?

A informação do consumo específico padrão no Registro 0210 deve considerar todas as variáveis que
poderão ocorrer no consumo real em função do consumo de insumos substitutos.

7.4.36 Quando são gerados subprodutos derivados da produção principal tem-se uma produção con-
junta produto principal - subproduto? Como informar no Bloco K?

Produção conjunta é quando se gera dois ou mais produtos principais. A geração de subproduto não
caracteriza produção conjunta e esta não será apontada nos Registros 0200/0210 e K230/K235. Somente
será informado o subproduto quando houver estoque (K200) ou o seu consumo no processo produtivo
(K235), caso exista.

7.4.37 No processo de produção do estabelecimento há um consumo excessivo de matéria-prima (tone-


lada) e seu resultante (produto acabado), proporcionalmente, é muito baixo. Seguindo a regra do Bloco
K, tem-se uma perda de 80% a 88% para produzir uma unidade resultante em kg. Porém, no processo
fabril, não temos na estrutura de produto essa informação, pois se trabalha com rendimento. Como
informar essa perda?

Rendimento é quanto se obtém de produto resultante a partir do consumo do insumo. Exemplo: a partir
do consumo de 1.000 kg de insumo obtenho 200 kg de produto resultante. Dessa forma, o rendimento
é de 20%.

Perda normal é a quantidade que se perde de insumo para se obter uma unidade do produto resultan-
te. Exemplo: a partir do consumo de 1.000 kg de insumo, perde-se 800 kg. Dessa forma, a perda normal
percentual é de 80%.

Portanto, para se obter a perda normal percentual a partir da informação de rendimento, basta aplicar a
fórmula: (1 - rendimento/100) x 100.

7.4.38 No Registro 0210, devemos informar os insumos indiretos, exemplo água, não aparecendo na
ordem de produção e nem na lista técnica, por tratar-se de despesa contábil e não controlada no esto-
que?

Considerando que não há apontamento da quantidade consumida do insumo água por produto resul-
tante, o mesmo não deverá ser escriturado no Bloco K (consumo e estoque - K235 e K200) e Registro
0210.

7.4.39 Existe um limite máximo de divergência entre o consumo específico informado no Registro 0210
e a quantidade realmente consumida informada no K235? Esta análise é feita por ordem de produção
ou durante o período de apuração?

Cabe ao contribuinte informar o consumo específico padronizado (Registro 0210) previsto no projeto
do produto. Quanto às divergências admitidas entre o consumo específico real e o consumo específico
padronizado e a forma de comparação, por ordem de produção ou por período de apuração, são meto-
dologias de auditoria fiscal que cabem somente ao Fisco.
270 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.4.40 A empresa tem em uma de suas plantas a produção na modalidade “Produção para Ordem ou
Make-to-Order”. Neste cenário o item produzido é feito não para estocagem, mas para venda direta a
um cliente. Neste contexto o item produzido não possui uma lista técnica padronizada já que sofre mo-
dificações baseadas nas especificações de cada cliente. Deve-se apresentar o Registro 0210?

O consumo específico padronizado de insumos/componentes (0210) surge quando se decide produzir


um produto, em seu projeto, independentemente desse produto ser estocado ou não. Neste caso, como
a composição física do produto varia por cliente, o produto a ser fabricado deverá ter código específico
para cada cliente ou configuração. Portanto, não existe a possibilidade de termos produção/consumo
informados no K230/K235 ou K250/K255 sem o respectivo consumo específico padronizado - 0200/0210.

7.4.41 No caso de produção por encomenda em que um mesmo produto (mesma codificação) possui al-
guns insumos comuns e os demais seguem a especificação de cada cliente, como informar no Registro
0210? Se não informado no Registro 0210 deve-se informar no Registro K220?

A fabricação de produtos por encomenda conforme a especificação de cada cliente deve possuir co-
dificação específica para cada um destes clientes, uma vez que possuem características próprias. Os
insumos consumidos efetivamente (K235) devem ter relacionamento com o consumo específico padrão
informado no Registro 0210. Dessa forma, caberá ao contribuinte customizar seus processos, de tal for-
ma que permita a correta escrituração do livro “Registro de Controle da Produção e do Estoque - RCPE”.
O Registro K220 não se destina a prestar esse tipo de informação.

7.4.42 Como se deve informar nos registros do Bloco K, se houve ganho de produção em determinada
ordem de produção? Considerando que no Bloco K está prevista apenas a situação de perda/quebra
(informação de consumo específico padronizado e perda normal percentual - 0200/0210). Exemplo: em
determinada ordem de produção foi estipulada a produção de 100 camisetas, sendo consumidos os
insumos/materiais constantes na ficha técnica para esta produção. Após o término da operação, veri-
fica-se que houve um ganho de produção (otimização do processo), pois foram produzidas 105 camise-
tas, em vez das 100 previstas na ordem de produção. Como tratar esta situação nos registros do Bloco
K (estas 5 camisetas produzidas a mais)?

“Ganho de produção” significa que houve uma otimização do processo produtivo e ocorreu uma menor
perda ou nenhuma perda no processo, ou seja, houve um “ganho” em relação ao consumo específico pa-
dronizado. Quando da informação do Bloco K (K230/K235 - K250/K255), deve ser informada a produção
efetiva (105 camisetas) e não a produção prevista (100 camisetas). O consumo específico padronizado e
a perda normal percentual - Bloco 0 - (0200/0210) devem se referir a uma média, quando existe a possi-
bilidade de ocorrerem variações na produção e no consumo efetivos.

7.4.43 Como se deve informar nos registros do Bloco K, especificamente no Registro 0210, o consumo
não padronizado de produtos intermediários, como por exemplo, produto utilizado na limpeza de mol-
de, em que o consumo do produto intermediário depende, dentre outros, da quantidade do produto
fabricado, da habilidade do operador da máquina etc.?

No Bloco K e no Registro 0210 somente devem ser escriturados os insumos que compõem o produto
resultante. Pela descrição da situação, a mercadoria utilizada não é um insumo e nem é um componente
do produto resultante.

7.4.44 Como informar no Bloco K a situação existente em indústrias petroquímicas, em que vários fa-
tores externos e internos influenciam no processo produtivo? Exemplo, os insumos informados no Re-
gistro 0210 para a produção de determinado produto não contêm certo ingrediente para diminuir um
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 271

pH. Isso porque ele não é matéria-prima principal do produto, mas somente algo aplicado para, caso
necessário, proceder a uma correção química. Como poderei fazer o apontamento de insumo utilizado
em determinada ordem de produção para gerar determinado produto acabado? Ex.: para produzir A,
utiliza-se a fórmula padrão b+c+d. Diante da necessidade de corrigir uma situação química, adiciona-se
certa quantidade de Y (lembrando, não integrante da fórmula padrão, pois sua utilização é eventual,
diante de uma necessidade específica de correção de processo produtivo). Ressaltando que, ao aplicar
Y, não se substitui nenhuma outra matéria-prima integrante da fórmula. Como indicar no Bloco K seu
consumo?

Como o insumo Y está corrigindo a composição química do produto A, mesmo que ele esteja sendo
agregado a esta composição, quando do seu consumo efetivo no K235 ele deverá ser informado como
insumo substituto de algum dos insumos B, C ou D, o que seria uma substituição parcial, pois estariam
sendo consumidos também os demais insumos B, C ou D. Pode também ocorrer que o insumo Y esteja
substituindo parte do conjunto de insumos, caso esses insumos sejam interdependentes (veja o con-
ceito de insumos interdependentes e os procedimentos a serem adotados na informação do Registro
0210 no Guia Prático da EFD-ICMS/IPI).

7.4.45 O consumo específico a ser informado no Registro 0210 deve ser elaborado para a produção de
uma unidade do produto resultante ou podem ser consideradas quantidades maiores, como, por exem-
plo, produção em lotes?

O consumo específico padronizado (0210) se refere à quantidade esperada de consumo de insumo para
se produzir uma unidade de produto resultante (0200), baseada no projeto de criação do produto. A
quantidade em lote se refere à quantidade de consumo efetiva informada nos Registros K235 ou K255,
para se produzir a quantidade de produto resultante informada nos Registros K230 ou K250, respecti-
vamente.

7.4.46 A apresentação da relação insumo-produto ou lista técnica não fere segredos industriais?

Do ponto de vista técnico, o consumo específico padronizado (Registro 0210), bem como o consumo
efetivo (Registros K235/K255) não ferem o segredo industrial, pois se trata de uma composição física,
e não uma composição química. Segredo industrial refere-se a conhecimentos técnicos, experiências,
fórmulas, processos e métodos de fabricação. Fórmula se refere à composição química;

Do ponto de vista legal:

a) não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito do Fisco de
examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comer-
ciantes, industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los, nos termos do art. 195 do CTN
- Lei nº 5.172/1966;

b) as informações existentes na Escrituração Fiscal Digital (EFD-ICMS/IPI) estão protegidas pelo sigilo
fiscal, nos termos do art. 198 do CTN - Lei nº 5.172/1966.

Entretanto, se ainda assim o contribuinte entender que a composição física poderá estar ferindo o se-
gredo industrial, o mesmo poderá cifrar a descrição dos insumos/componentes. Em uma eventual audi-
toria fiscal, formalizada nos termos da legislação vigente, essa descrição poderia ser decifrada mediante
intimação do auditor fiscal. Dessa forma, apenas o auditor fiscal que está efetuando a auditoria fiscal
conhecerá os insumos/componentes da composição dos produtos.
272 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.4.47 Determinado produto da empresa tem sua relação insumo x produto informada no Registro 0210.
Porém há casos em que o cliente solicita que seja acrescentado um insumo para a fabricação do pro-
duto resultante e há casos em que o cliente pede para que seja excluído um insumo para fabricação
do produto. Esses dois casos se enquadram como itens substitutos? Como devemos tratá-los já que a
estrutura do produto vai estar diferente da ordem de produção?

Primeiro, deve-se avaliar se os insumos/componentes são interdependentes (insumos em que o aumen-


to da participação de um resulta em diminuição da participação de outro ou outros). Caso positivo, de-
verá ser eleito um insumo de cada grupamento interdependente para informação do total de consumo
específico padrão ou perda normal percentual do conjunto de insumos que representa (na unidade do
insumo eleito). Os demais insumos do grupamento interdependente serão considerados substitutos e
deverão ser informados somente nos Registros K235 ou K255 com a informação do insumo substituído.
Caso os insumos não forem interdependentes, deverá ser atribuído código específico para o produto de
cada cliente, tendo em vista as composições distintas de cada um.

7.4.48 Nos casos em que determinado insumo (matéria-prima) não se transformou em produto acaba-
do, mas que retornou ao processo produtivo, devo considerá-lo como perda?

Vai depender da classificação que será aplicada ao material que resultou da fase de produção: sub-
produto - tipo 05 ou produto em processo - tipo 03. Se for um subproduto - tipo 05, a sua quantidade
estará implícita na perda normal do processo produtivo, pois o insumo/componente terá relação com
um único produto resultante. Se for um produto em processo - tipo 03, a sua quantidade não deve ser
considerada como perda normal da fase de produção, pois ele será um dos produtos resultantes, com
composição específica. Será um subproduto - tipo 05 se for um resíduo que tenha aproveitamento
econômico e que não seja quantificado no momento da produção. Será um produto em processo - tipo
03 se for relevante; se for, exclusivamente, consumido no processo produtivo e se for quantificado no
momento da produção.

7.4.49 Se recebermos um pedido do produto A com quantidades entre 1 e 2.000 unidades a produção
será executada em um processo manual, o Consumo Específico Padronizado será: Produto A Compo-
nentes 2 kg de X1 + 3 UN de X2. Porém, se no mesmo mês recebermos outro pedido com quantidades
maiores que 2.000 unidades de A, outro processo deverá ser utilizado, pois o custo de produção, mes-
mo com setup mais alto, é favorável. Neste caso os componentes serão os seguintes: 2,3 kg de X1 + 2
UN de X2 + 0,5 kg de X3. Veja que no caso de X1 e X2 eu terei duas quantidades diferentes para infor-
mar no Registro 0210 e o componente X3 não está substituindo outro componente, o catalisador será
acrescentado para apressar as reações químicas. Como informar no Bloco K?
Produtos resultantes que possuem processos distintos, técnicas de produção distintas, composições
diferentes e custos distintos devem ser controlados separadamente, em códigos distintos (0200), pois
possuem características distintas. Se ao comercializar o contribuinte quiser adotar um único código,
deverá fazer uma movimentação interna entre esses códigos (K220).
Considerando o exemplo citado, teríamos os produtos resultantes:
a) “A” (0200/K230), composto pelos insumos “X1” e “X2”, nas quantidades efetivas (K235) e específicas
(0210);
b) e “A1” (0200/K230), composto pelos insumos “X1”, “X2” e “X3”, nas quantidades efetivas (K235) e espe-
cíficas (0210).

Ao final do período de apuração, caso o contribuinte quiser adotar um único código, toda a quantidade
produzida do código “A1” deverá ser transferida para o código “A” (K220).
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 273

7.4.50 Nas situações em que existirem insumos variados que são usados no processo produtivo, po-
rém estes insumos variados não alteram o produto final, todas as possibilidades de composição deve-
rão ser informadas no Registro 0210, mesmo que não sejam utilizadas no momento da produção? Por
exemplo, tenho um computador modelo X, ele pode ser fabricado com 1 cartão de memória de 4 GB
ou 2 cartões de memória de 2 GB e hard disk de 500 modelo W ou hard disk de 500 modelo Y, indepen-
dentemente do insumo utilizado tem-se no final um computador modelo X. Como fica a composição
do Registro 0210?

A composição padronizada a ser informada no 0210 deve considerar um dos insumos que podem ser
utilizados e que tem a mesma função. Quando do consumo efetivo (K235) o outro insumo deve ser
considerado como substituto, informando o insumo que foi substituído e que estava previsto no 0210.

7.4.51 Em fabricações em que há reações químicas, como o caso de fabricação de graxas, por conta do
limite das especificações das matérias-primas e particularidades de controle do reator de fabricação,
podemos ter rendimentos diferentes. Como informar o Registro 0210 - campo 4 - Perda/quebra normal
percentual do insumo/componente para se produzir uma unidade do item composto/resultante?

No caso da existência de variáveis no processo produtivo que possam influenciar no consumo espe-
cífico, o consumo específico padronizado e a perda normal percentual esperados serão médios (0210).

7.4.52 No campo 03 do 0210 o Guia Prático indica - “Campo 03 (QTD_COMP) - deverá ser preenchido
tendo como base a quantidade bruta de insumo a ser consumida por unidade do item composto, con-
siderando-se apenas a perda normal do processo industrial”. Qual a forma de escrituração a seguir
está correta, principalmente em relação à “quantidade bruta de insumo” ali tratada: utilizados 125 kg do
produto A para produção de 100 kg do produto B: a) 0210: campo 03: 1,25/campo 04: 25%/K235: campo
04: 100 ou b) 0210: campo 03: 1,00/campo 04: 25%/K235: campo 04: 100?

As informações não estão corretas. Considerando o exemplo: consumo de 125 kg de insumo para obter
100 kg de produto resultante, teríamos as seguintes informações no Registro 0210:

a) consumo específico padronizado - campo QTD_COMP:

125/100 = 1,250000, ou seja: espera-se consumir 1,25 kg de insumo para produzir 1,00 kg de produto re-
sultante;

b) perda normal percentual - campo PERDA:

(125 - 100)/125 x 100 = 20%, ou seja: dos 125 kg que se planeja consumir, espera-se uma perda normal de
20% do insumo.

7.4.53 No nosso processo de metalurgia um insumo tem a função de catalisador da reação, sendo utili-
zado somente para acelerar a fusão do produto. Apenas de 2 a 3% de todo esse insumo que é utilizado
fica presente na liga fundida. A dúvida surge quando lemos a resposta à pergunta 7.4.37. Se utilizarmos
o conceito descrito naquele item teremos uma perda de 97%, porém o nosso pessoal de produção não
concorda, informando que a perda normal é de apenas 0,4%, gerada por deficiência do transporte do
silo para o forno. Nesta situação devemos informar o percentual de perda de 97%?

Considerando as especificidades das legislações de cada UF, para ter segurança jurídica neste caso
consulte a administração tributária de seu domicílio.
274 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Resposta para Minas Gerais:

Perda normal é a quantidade que se perde de insumo para se obter uma unidade do produto resultante,
ou seja, a parcela que não foi agregada ao produto resultante. O insumo referido compõe residualmente
o produto resultante. Grande parte dele se perde na reação química. Considerando que se agrega ape-
nas 3% desse insumo no produto resultante, a perda normal percentual será de 97%.

Somente devem ser escriturados no Registro 0210 os insumos que compõem o produto resultante,
mesmo que de forma residual. Portanto, os insumos que não são agregados ao produto resultante não
devem ser escriturados.

Aproveitando a oportunidade, considerando que a função do insumo não é de ser uma matéria-prima,
entendemos que o mesmo deve ser classificado no Registro 0200 como “Outros Insumos - Tipo 10”.

Resposta para São Paulo:

O catalisador tem a função de viabilizar a reação química acelerando a sua velocidade. Por isso, não se
espera que faça parte do produto. Eventualmente, pode se impregnar por contato no produto final. O
que se obtém, depois de concluído o processo produtivo, é o próprio catalisador que será usado nova-
mente em outra ordem de produção. Se 3% é impregnado no produto, 97% não é utilizado e não consti-
tui rejeito, nem subproduto. O que se pode categorizar como perda é o total evaporado no processo ou
perdido na sua movimentação. Logo, não há 97% de perdas. Não se considera seu papel como matéria-
-prima (insumo direto) e nem sempre se consideram relevantes os totais impregnados no produto final.
Por isso, nestes casos, para declaração no Sped Fiscal no Registro 0200, é considerado como “Produto
Intermediário - Tipo 6” e apenas seus saldos são declarados no Registro K200 e não se aponta o consu-
mo. Não se incluem nessa resposta peças ou partes que integrem um produto, do qual sejam vendidas
como parte integrante. Por exemplo, catalisadores agregados a veículos automotores.

7.4.54 Uma indústria do setor sucroenergético, a qual realiza o processo industrial da cana-de-açúcar,
gera seus produtos (açúcares, etanol ou energia elétrica), a partir da apuração final do rendimento da
quantidade de matéria-prima consumida em relação à quantidade de produto acabado produzida, ren-
dimento este, que é resultado do teste de análise da concentração da sacarose de sua matéria-prima
realizado antes da produção. Devido à natureza desta operação e respectivos controles de produção, o
Registro 0210 deve ser informado? Como este cenário deve refletir no reporte do Bloco K?

Para todo insumo/componente escriturado nos Registros K235/K255 deverá haver uma correspondên-
cia no Registro 0210, ressalvado se for um insumo substituto, em que deverá ser informado o insumo
substituído e que estava previsto no Registro 0210. No caso da existência de variáveis no processo
produtivo que possam influenciar no consumo específico, o consumo específico padronizado e a perda
normal percentual serão médios.

7.4.55 Para a ficha técnica existem os Registros 0200 e “0210 Cadastro de Consumo Específico Padroni-
zado”, cujo “Campo 3 - QTD_COMP” possui 6 casas decimais. No sistema de origem utilizamos mais de
6 casas e existem situações de insumos que irão ficar com o campo “Quantidade” zeradas (0,000000)
pela restrição a 6 casas decimais.

Ex.: Sistema Origem, QNTDE (0,0000007359), com 10 casas decimais; Ex.: Sistema Fiscal, QNTDE
(0,000000), com 6 casas decimais;

Como tratar essa situação se existe a restrição de apenas 6 casas decimais na Ficha Técnica (Reg.
0210)?
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 275

Informações complementares:
Insumo (FITA POLIP. 12 X 0,75MM ARQ. MECAN. PALET. MOSCA), cuja unidade de medida é (RL Rolo) e
a sua quantidade consumida foi (0,0000007397).

a) traduzir a descrição do insumo;

R: FITA POLIPROPILENO 12 X 0,75MM ARQUIVO MECAN. PALETE MOSCA.

b) qual é o produto resultante em que é utilizado o insumo e a sua unidade de medida?

R: Caixa de Papelão Ondulado 500.

c) qual é a função do insumo na produção do produto resultante?

R: Embalagem final do conjunto de caixas.

d) em qual fase de produção o insumo é utilizado? R: fase final, embalagem.

Considerando as especificidades das legislações de cada UF, para ter segurança jurídica neste caso
consulte a administração tributária de seu domicílio.

Resposta de Minas Gerais:

Considerando as informações citadas, entendemos que o material citado - fita - não deve ser classifi-
cado como embalagem - tipo 02, uma vez que não tem relação direta com o produto resultante “caixa”,
e, portanto, deve ser considerado como material de acondicionamento de um conjunto de caixas para
facilitar o transporte.

Dessa forma, como não é um insumo tipo 02, não deve ser escriturado nos Registros 0210/K235/K255.

7.4.56 No Ramo Alimentício, temos o seguinte processo:

1 Formulação Padrão versus Consumo Real

A qualidade final dos produtos industrializados é altamente dependente das matérias-primas utilizadas
na fabricação e do comportamento dessas nas etapas de processamento.

Para que os produtos se mantenham constantemente adequados aos requisitos das Normas de Indus-
trialização e com as características desejáveis pelos clientes/consumidores, são estabelecidos contro-
les para sua produção, como especificações de ingredientes, formulações de produtos e padrões de
processo de fabricação, com a fixação de valores mínimos e máximos para determinados parâmetros.

Comumente na indústria ocorrem situações adversas, que podem influenciar diretamente nas carac-
terísticas físicas dos produtos industrializados, necessitando então de adaptações das formulações
padrão e/ou regulagens nos equipamentos para determinado tipo de produto e assim conseguir os
padrões de qualidade.

Os fatores que influenciam na variação de componentes da formulação padrão versus o consumo real
(ordem de produção) são: características das matérias-primas; fatores externos e funcionalidade dos
equipamentos e/ou ruptura do processo produtivo.
276 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

2 Características das matérias-primas

No caso dos ingredientes utilizados na elaboração de um determinado produto, a definição de parâ-


metros, com mínimos e máximos, decorre da natureza de cada um dos ingredientes e em função das
variações observadas nas matérias-primas das quais o ingrediente é originado.

Existem matérias-primas, que a depender do lote produtivo, apresentam características diferentes entre
si. Estes insumos nunca serão exatamente igual uns aos outros.

Logo, para abranger as variações da origem e ao mesmo tempo atender os requisitos da aplicação final,
os insumos são especificados em faixas de valores (com mínimo, máximo ou ambos) para características
como umidade, teor dos componentes, estabilidade, impurezas e outros. Nunca serão valores únicos e
exatos.

Esse raciocínio pode ser aplicado para grande parte dos ingredientes utilizados, de modo que é abso-
lutamente necessária a especificação de cada ingrediente com faixas de valores para as características
específicas desejadas.

3 Fatores externos

Na área de produção, fatores ambientais como temperatura e umidade do ar exercem in- fluência sobre
o processo de fabricação e nem sempre esses fatores podem ser mantidos padronizados na área inter-
na, dada a intensidade de ocorrência no ambiente externo.

Para certos tipos de produto final, por exemplo, o tempo de atingimento da característica esperada,
pode ser afetado pela temperatura e umidade ambientes, de modo que são necessárias intervenções
no processo de fabricação para que se mantenham os padrões estabelecidos, em geral com a dosagem
adicional de ingredientes ou aditivos, originalmente previstos em quantidades menores na formulação
do produto.

Importante destacar que em processos específicos, há a transformação de componentes originais em


compostos que nem sempre podem ser medidos, como o gás carbônico. Também há perda de umidade
por evaporação. Para ambos os casos, é possível se estimar os fatores de conversão ou perda, mas nun-
ca se determinar os valores exatos para cada produto ou lote de produção.

Em maior ou menor grau, os fatores ambientais e os processos específicos afetam a fabricação de todos
os produtos, sendo necessários os ajustes durante o processo de fabricação para que se alcancem os
padrões definidos para o produto acabado.

4 Funcionalidade dos equipamentos e/ou ruptura do processo produtivo

Quanto aos equipamentos de produção, embora sejam programados e regulados para repetirem cons-
tantemente as condições de processo definidas (temperatura, pressão, tempo etc.), pequenas oscila-
ções podem ocorrer, com reflexos no rendimento da produção e mesmo nos produtos acabados, os
quais somente serão liberados para comercialização se atenderem às faixas de valores mínimos e máxi-
mos para os parâmetros especificados.

Na hipótese de um mesmo produto ser fabricado em linhas de produção (equipamentos) diferentes, é


bastante provável que a formulação padrão tenha que ser ajustada para que resulte no produto acabado
com as características desejadas, tendo em vista que é esperado que existam pequenas variações entre
os equipamentos que compõem as linhas de produção diferentes.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 277

Equipamentos estão sujeitos a interrupções em seu funcionamento, seja pela necessidade de manu-
tenção pontual ou pela falha no fornecimento de energia elétrica, por exemplo. Em qualquer dos casos,
e desde que não ocorra a desqualificação do produto para o consumo, será necessária a intervenção
por meio do ajuste da formulação ou por meio do reprocessamento do produto em fabricação, visando
restabelecer as condições de processo definidas, para que se obtenham os produtos acabados, confor-
me as especificações. De todo modo, serão impactados o rendimento e as quantidades de ingredientes
previstas para utilização.

A produção esperada pode sofrer alterações devido aos fatores já mencionados anteriormente, em que
se faz necessário as correções das formulações iniciais com adição ou diminuição dos ingredientes,
influenciando no rendimento e na produção final obtida.

Considerando-se todas as questões expostas, as quais são inerentes à fabricação de alguns tipos de
produtos, é esperado que as quantidades de ingredientes e de produtos representadas pelas listas téc-
nicas (formulações) não correspondam com exatidão ao consumo real de ingredientes e às quantidades
finais de produtos acabados.

5 Reprocesso gorduras e margarinas


Na qualidade de indústria de gorduras e margarinas existem duas plantas industriais dentro de uma
mesma unidade, refinaria e produção de margarina, em que uma depende da produção da outra. A
refinaria recebe o óleo vegetal, que é refinado e entregue como matéria-prima para a produção de mar-
garina.
Entendemos como um reprocesso o produto voltar à fase de elaboração através das seguintes fontes:
• Produto avariado, margarina ou gordura, que já foi apontado na ordem de produção da fábrica de
margarinas.
• Produto avariado, margarina ou gordura, oriundo de devoluções de mercado.
• A troca de produção na linha (conclusão da produção do produto A e início da produção do produto
B), sobrando um resíduo entre o processo final e o início do outro processo.

O processo ocorre da seguinte forma:

Todos os produtos são recebidos, misturados e levados à estação de tratamento, onde é extraída, ape-
nas, a gordura. Essa é encaminhada para a refinaria e utilizada, novamente, no processo como insumo
de vários produtos. Todas as fontes de reprocesso tornam-se um único produto, gorduras diversas e a
mesma é utilizada na produção de vários outros produtos, não havendo a relação origem e destino. A
gordura diversa é consumida como base hidrogenada e não se faz necessário uma descriminação deste
processo.

Como adequar esse processo ao Bloco K?

No caso da existência de variáveis no processo produtivo que possam influenciar no consumo específi-
co, o consumo específico padronizado e a perda normal percentual serão médios.

Quanto ao retorno de “produtos avariados” ao processo produtivo, deve-se, inicialmente, efetuar uma
movimentação interna - K220, dando saída do estoque de “produto pronto” e entrada no estoque de
“produto avariado”. Posteriormente, a quantidade consumida do “produto avariado” no processo produ-
tivo deve ser escriturada no K235 do Registro K230 do produto resultante.
278 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Quanto ao resíduo existente na troca de produção na linha, o mesmo deve ser classificado como sub-
produto tipo 05, e, quando consumido no processo produtivo, ser escriturado no Registro K235. A quan-
tidade gerada de subproduto não é escriturada no Bloco K.

7.4.57 A indústria possui um considerável desvio de matéria-prima como: parafuso, arruela, rebite, mola
etc., que caem no chão e não voltam para o estoque, pois vem o pessoal da limpeza de hora em hora
limpando. Neste sentido, esta perda poderá se enquadrar neste percentual que compõe a ficha técni-
ca? Se não, como devo escriturar este desvio?

Considerando as especificidades das legislações de cada UF, para ter segurança jurídica neste caso
consulte a administração tributária de seu domicílio.

Resposta para Minas Gerais:


A perda a ser considerada no Registro 0210 deve ser apenas a perda normal, ou seja, aquela perda em
que não se consegue produzir sem que ela ocorra. As perdas referidas são perdas anormais e devem ser
baixadas do estoque por meio da emissão de NF-e, com o respectivo estorno de crédito de ICMS/IPI.

Resposta para São Paulo:


Entende-se que a queda de parafusos, rebites e arruelas no chão é consequência natural do modelo
produtivo de produção manual. No caso específico desses itens que caem no chão e são descartados,
consideram-se como perda normal, dado que o custo de controle do que cai no chão é maior que o cus-
to do item descartado. Indica-se que o volume descartado seja apontado como consumo efetivo e que
não se considere como perda na lista técnica. Não se deve fazer paralelos com outros insumos a partir
desse exemplo. Em caso de dúvida, faça uma consulta tributária.

7.4.58 Levando-se em conta que o teste de qualidade realizado no “produto em processo” é fundamen-
tal (baseado em laudos e estudos técnicos) à produção do “produto acabado”, pode-se considerar a
perda decorrente do teste como sendo uma perda inerente ao processo produtivo, devendo informá-la
no campo 4 da ficha técnica?

Informações complementares:
Ao longo do processo, com o objetivo de garantir a qualidade do produto, amostras são selecionadas
em meio aos produtos que estão sendo fabricados para a comercialização. Ou seja, não há, em nenhum
momento, intenção de produzir protótipos. Considera-se parte do processo produtivo, eis que o lote do
produto não é vendido sem que tenha passado por testes. Como devo proceder?

O que você chama de “produto em processo” estamos considerando que se trata de “produção em
elaboração”, ou seja, a matéria que não é mais insumo e ainda não é o produto resultante. Sendo as-
sim, a quantidade de amostra retirada dessa produção em elaboração para testes em laboratório pode
ser considerada como perda normal do processo produtivo e estaria implícita no consumo específico
padronizado e perda normal percentual escrituradas no Registro 0210, bem como no consumo efetivo
escriturado no Registro K235.

7.4.59 Perda é aquela que desaparece no processo em transformação a outro? Exemplo: ao aquecer 1
litro de leite, obtenho 900 ml de leite quente, então teria uma perda de 10% de leite?

Perda é aquilo que sobra de uma produção? Exemplo: ao enviar 1 chapa de 100 kg, sobram 49 kg e 1 kg
de aparas, essas aparas podem ser consideradas perdas ou posso vendê-las como subproduto? Posso
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 279

apenas dizer que consumi 50 kg de chapas no Registro K235 com 0% de perda? E os 49 kg apenas dei-
xar no estoque sem apontar consumo?
A perda normal no processo de produção de um produto resultante pode desaparecer, por evaporação
etc., ou resultar em rejeito, se não tiver aproveitamento econômico, ou em subproduto - tipo 05, se tiver
aproveitamento econômico, seja no próprio processo produtivo ou no mercado.

Portanto:
a) considerando o 1º exemplo, temos uma perda normal de 100 ml de leite por evaporação, não resultan-
do em rejeito ou subproduto;
b) considerando o 2º exemplo, a quantidade consumida efetivamente (K235) será de 50 Kg, com uma
perda normal de 01 Kg, que resultou no subproduto “aparas”, pois tem aproveitamento econômico.

Lembramos que a quantidade gerada de subproduto não é escriturada no Bloco K.

7.4.60 Deverá ser reportada uma lista técnica - lista de todos os materiais e quantidades necessários
em um processo no Registro 0210?

O consumo específico padronizado a ser informado no Registro 0210 se refere ao consumo que se espe-
ra realizar para se produzir uma unidade do produto resultante (constante do Registro pai - 0200 - Tabela
de identificação do item).

7.4.61 Em processos que são utilizados insumos que não fazem parte da lista técnica (consumo especí-
fico padronizado), porém fazem parte da produção, como lixas utilizadas na produção de móveis, como
informar no Bloco K?

Todos os insumos que compõem física e quimicamente o produto resultante (constante de determina-
do Registro 0200 - Tabela de identificação do item) devem ser informados no respectivo Registro filho
0210 - Consumo Específico e, quando da produção, no Registro K235 - Insumos Consumidos. Os produ-
tos intermediários (aquele que, embora não se integrando ao novo produto, for consumido no processo
de industrialização), deverão ser informados somente no Registro K200 - Estoque Escriturado.

7.4.62 Quando um insumo constante de lista técnica não for consumido no mês e não for substituído
por outro produto, como informar no Bloco K?

Se o insumo estiver previsto no Registro 0210 - Consumo Específico e não for consumido ou substituído
não deve ser informado no Registro K235 - Insumos Consumidos.

7.4.63 Quando um insumo substituto estiver substituindo outros dois insumos de lista técnica, como
informar no Bloco K?
Quando um insumo estiver substituindo dois ou mais insumos previstos no 0210, temos a figura dos
insumos interdependentes. Neste caso, no Registro 0210 - Consumo Específico deve ser eleito um dos
insumos para representar o conjunto de insumos interdependentes.

7.4.64 Na estrutura do produto devo considerar lista técnica alternativa?

Lista técnica alternativa se refere a insumos substitutos da lista técnica principal. Os insumos subs-
titutos NÃO devem ser informados no Registro 0210, e sim, no Registro K235 - Insumos Consumidos
quando do consumo efetivo, informando o insumo que foi substituído.
280 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.4.65 Devo considerar serviços na lista técnica?

Não. Somente mercadorias - Registro 0210.

7.4.66 Nas industrializações efetuadas por terceiros devo informar a lista técnica do terceiro no Regis-
tro 0210?

Não. Somente devem ser considerados produtos e insumos de propriedade do informante (Registros
0200 e 0210).

7.4.67 Quando um insumo da lista técnica for um subproduto, aqui entendido como um produto fabrica-
do pela própria empresa, deve ser informada uma lista técnica deste subproduto?

Não. Os insumos a serem apresentados no Registro 0210 se referem a produto em processo (tipo 03 do
campo 7 - TIPO_ITEM do Registro 0200) e a produto acabado (tipo 04 do mesmo campo 7). Não se deve
informar no Registro 0210 a composição do subproduto (tipo 05 do campo 7 - TIPO_ITEM do Registro
0200). Veja a regra existente no Guia Prático da EFD, que diz: “Este registro somente deve existir quando
o conteúdo do campo 7 - TIPO_ITEM do Registro 0200 for igual a 03 ou 04.”

A quantidade gerada de subproduto (tipo 05) no período de apuração será conhecida pelo Fisco utili-
zando-se as informações de consumo (K235/K255), saída (C170) e estoque escriturado (K200). Portanto,
o consumo do subproduto (tipo 05) deve ser informado nos Registros K235/K255 (consumo real) e no
Registro 0210 (consumo padrão).

7.4.68 Na indústria, no decorrer do mês podem ocorrer alterações na ficha técnica, em função de: ajus-
tes feitos no processo produtivo; trocas de matérias-primas e correções em relação à ficha técnica
incluída inicialmente. Ao mesmo tempo, também já ocorreram abastecimentos de materiais (futuros
Registros K235). Neste caso, deve ser informada a ficha técnica vigente no último dia do mês?

O consumo específico padronizado de um(uns) insumo(s) para produzir uma unidade de produto resul-
tante nasce quando se cria um novo produto (projeto). Alterações ocorridas no decorrer da produção do
produto, tais como as citadas, devem ser tratadas como insumos substitutos no K235, informando qual
insumo estava previsto no 0210 que foi substituído. Qualquer alteração no consumo específico padroni-
zado resultará em um novo produto. Considerando que a EFD-ICMS/IPI é gerada mensalmente e que o
Registro 0210 é filho do Registro 0200 que, por sua vez, é filho do Registro 0000, o consumo específico
padronizado se referirá a este período. Qualquer alteração ocorrida no decorrer da produção (K230/
K235, vinculados a cada período de apuração - K100) deve ser tratada no K235 como insumo substituto.

7.4.69 A empresa utiliza insumos que não constam da lista técnica. Como proceder?

O consumo de insumo efetivo (K235) que não conste do consumo de insumos padronizado (0210) deve
ser informado como insumo substituto, identificando o insumo que foi substituído (K235).

7.4.70 A lista técnica (insumos da produção) será apresentada em sua totalidade para atendimento à
obrigação, porém existe um produto que não terá os seus componentes revelados, por questão de sigi-
lo industrial. Como proceder?

Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou
limitativas do direito do Fisco de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos
comerciais ou fiscais, dos comerciantes, industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los,
conforme dispõe o art. 195 do CTN - Lei nº 5.172/1966. A composição padrão do produto resultante (0210)
ou a composição efetiva (K235) se refere a uma composição física e não química (fórmula), muito menos
à tecnologia empregada no processo industrial. Portanto, não cabe a alegação de sigilo industrial. Entre-
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 281

tanto, caso o contribuinte queira se resguardar, poderá cifrar a descrição dos insumos que entende que
afetam o sigilo industrial. Em eventuais procedimentos de auditoria as descrições dos insumos seriam
decifradas.

7.4.71 Existe variação da lista técnica, com relação ao produto final, isto é, pode existir variação da quan-
tidade utilizada de insumos para a fabricação do produto. Como proceder?

O consumo específico padronizado (0210) deve levar em consideração todas as variáveis que podem
ocorrer no processo produtivo. Portanto, caso existam variáveis que possam interferir na quantidade de
consumo específico, esse consumo específico deve ser médio.

7.4.72 É comum no processo de negócio das empresas utilizar-se de um código de mercadoria para
mais de um produto final, em que não há alteração de NCM, mas com utilização de insumos diferentes,
como por exemplo, carro, reboques ou semirreboques que são produtos que podem ter componentes
opcionais. Desta forma, tenho uma mudança na lista técnica de produção interna sempre que há inclu-
são de opcionais, mas o produto continua o mesmo. Como informar os Registros 0200 e 0210 devido à
inclusão e/ou exclusão de opcionais no produto?

Pelo questionamento, pode-se supor que o exemplo citado seja referente a uma empresa montadora
de veículos. Um mesmo insumo pode ser consumido em mais de um produto resultante. Entretanto,
não podemos ter listas de insumos/componentes (0210) diferentes para um mesmo produto resultante.
Considerando o exemplo citado, sugere-se que a escrituração do RCPE seja efetuada da seguinte forma:

a) produto resultante (0200/K230): carro básico, com os insumos/componentes de série (0210/K235);

b) produto resultante (0200/K230): carro com opcionais, que teria como insumos/componentes o carro
básico e os opcionais (0210/K235).

Dessa forma, teríamos tantos produtos resultantes quanto as combinações de opcionais. Caso os car-
ros básicos e os carros com opcionais sejam comercializados com o mesmo código (NF-e), seria efetua-
da uma movimentação interna (K220) dos produtos resultantes fabricados para os produtos comercia-
lizados.

Observar que não teríamos um Registro 0210 para todos os carros produzidos (por chassi), mas sim para
os carros que contenham uma mesma configuração (carro básico sem opcionais; carro com opcionais 1;
carros com opcionais 2), como mostrado. Resultariam, então, tantos conjuntos de Registros 0200/0210/
K230/K250 quantos fossem o número de configurações. Isso consolida bastante as informações a se-
rem prestadas no RCPE. Posteriormente, caso o carro for comercializado com o mesmo código (NF-e),
far-se-ia a movimentação interna (K220), dando saída no estoque do produto resultante do processo
produtivo e entrada no estoque do produto comercializado.

7.4.73 A empresa trabalha com diversas versões de listas técnicas para o produto acabado, por exemplo:
lista técnica A para o produto X, com vigência entre 01.01.2016 a 10.01.2016, com os insumos 1, 2, 3 e 4.
Por falta do produto 4, a lista técnica A foi alterada para lista técnica B, com vigência de 11.01.2016 a
31.01.2016 com os insumos 1, 2, 3 e 5. Como devemos apresentar o Registro 0210 do período de janeiro
de 2016?

O consumo específico padronizado (0210) deve ser único. Neste caso a empresa poderia informar a lista
técnica A no Registro 0210. Quando do consumo efetivo (K235), a utilização de outro insumo (no caso
o 5) deve ser informada como insumo substituto, informando-se o insumo que consta do 0210 e que foi
substituído (no caso insumo 4).
282 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.4.74 Como informar listas técnicas não padronizadas como no caso de produtos que demoram meses
para serem fabricados e a lista técnica sofre alterações no decorrer da construção do produto? Pode-
mos enviar a lista técnica diferente no Registro 0210 para um mesmo produto a cada mês? Por exemplo,
na construção de embarcações, a quantidade e a variedade de insumos aumentam na lista técnica (Re-
gistro 0210) até a conclusão da construção, portanto os meses posteriores à primeira entrega do Sped
Fiscal compreenderiam mais insumos registrados no 0210.

O consumo específico padronizado (Registro 0210) deve refletir o que está previsto no projeto do pro-
duto a ser fabricado. No caso em questão - fabricação de embarcações, e considerando que essa fabri-
cação pode durar por vários períodos de apuração e considerando ainda que possa haver alteração no
projeto, com a inclusão de mais insumos, a lista de insumos a serem utilizados (0210) poderá ser dife-
rente (com mais insumos) em períodos de apuração distintos. Entretanto, caso ocorra substituição de
insumos quando do consumo efetivo (K235), a lista de insumos a serem consumidos (0210) não deve ser
alterada, informando-se, quando do consumo efetivo, qual foi o insumo substituído (K235).

7.4.75 Para a fabricação de um produto final temos várias listas técnicas, como devemos informar no
Registro 0210, uma vez que o PVA permite somente uma lista técnica para cada produto?

O consumo específico padronizado dos insumos/componentes do produto resultante (0210) deve ser
único. Listas técnicas alternativas devem ser tratadas como insumos/componentes substitutos quando
do consumo efetivo (K235/K255), informando-se o insumo/componente que foi substituído e que estava
previsto para ser consumido no 0210.

7.4.76 Para a fabricação de um produto final temos uma lista técnica padrão e conforme o início da or-
dem de produção acrescentamos um produto. Como fabricamos bolos, temos uma lista técnica com
massa e ovos. Uma ordem de produção adiciona chocolate. Como informar no 0210?

Normalmente, os bolos teriam códigos específicos de produção e comercialização de acordo com o tipo
de recheio, uma vez que teriam custos de produção e preços de comercialização distintos. Entretanto,
caso a empresa controle a produção e a comercialização dos bolos com um código único, sem especi-
ficar o tipo de recheio, e considerando os exemplos, o consumo específico padrão (Registro 0210) deve
ser informado com um tipo de recheio (por exemplo: chocolate) e quando do consumo efetivo (K230) na
produção de bolo com outro recheio (doce de leite), esse insumo deve ser informado como substituto,
informando o insumo substituído (chocolate).

7.4.77 Em uma produção de “requeijão” temos duas fases. A primeira é a constituição de uma massa e
a segunda é o envase, realizado em embalagens de 200g, 400g e 500g. Cada embalagem é um produto
distinto, com códigos específicos no sistema de gestão. Pergunta-se: a) Devemos criar uma lista técni-
ca para a “massa” e outra para cada produto acabado final? b) se assim o for, a lista técnica do produto
acabado deve levar em sua composição os insumos: massa de requeijão e respectivas embalagens? c)
O item “massa de requeijão” é um produto em processo (03) ou produto intermediário (06)?

O processo da fabricação, conforme informado, possui duas fases de produção: a primeira é a fabricação
do “requeijão”, que deve ser classificado como tipo 03 - produto em processo; e na segunda este produto
em processo é envasado em várias embalagens, gerando vários produtos, que devem ser classificados
como tipo 04 - produto acabado. Tanto para o produto em processo quanto para os produtos acabados
devem ser informados os consumos específicos padrões (0210). A lista técnica do produto acabado deve
levar em sua composição os insumos: massa de requeijão e respectivas embalagens. O item “massa de
requeijão” é um produto em processo (03).
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 283

7.4.78 De acordo com a resposta da questão 7.4.74, a lista de insumos a serem utilizados (0210) poderá
ser diferente (com mais insumos) em períodos de apuração distintos no caso de fabricação de embar-
cações, considerando que essa fabricação pode durar por vários períodos de apuração e considerando
ainda que possa haver alteração no projeto, com a inclusão de mais insumos. Com base nesta afirma-
ção, a lista de insumos a serem utilizados (0210) poderá ser diferente (com mais insumos) em períodos
de apuração distintos também no caso de fabricação de outro tipo de produto (exemplo: calçados),
cujo processo produtivo não dura por vários períodos de apuração, mas que, a partir de um determina-
do período, foi acrescentado apenas um insumo (detalhe/enfeite) a mais no produto?

Conforme resposta do item 7.4.74, o consumo específico padronizado (Registro 0210) deve refletir o que
está previsto no projeto do produto a ser fabricado. Regra geral, quando se agrega um novo insumo (não
é substituição), teríamos um novo produto resultante (novo código), uma vez que esse produto resultan-
te teria suas características alteradas (composição, custo, preço etc.) e, de tal forma que pudéssemos
diferenciar o produto antigo do novo produto. Portanto, os consumos específicos padronizados relati-
vos a períodos de apuração distintos seriam relativos também a produtos resultantes distintos. Como
exceção, podemos citar o caso da fabricação de embarcação, em que o código do produto resultante
é o mesmo em períodos de apuração distintos. Entretanto, caso essa agregação de novo insumo não
resulte em novo produto resultante (novo código), seria admissível termos listas de consumos específi-
cos padronizados diferentes em períodos de apuração distintos, o que seria justificável numa eventual
auditoria fiscal.

7.4.79 No Registro 0210 devo apresentar uma lista técnica por mês ou temos que apresentar a mesma
lista técnica todo mês?

A lista técnica a ser apresentada é a referente ao mês de apuração, Registro K100. Então, nem sempre a
lista técnica de determinado produto vai ser a mesma durante todo um ano.

7.4.80 Manuais técnicos ou de instruções são considerados insumos? Devem constar da lista técni-
ca?

Manuais técnicos ou de instruções, quando vendidos separadamente do produto final, e folhetos de


propaganda não são insumos/componentes do produto acabado (tipo 04) que está pronto para ser co-
mercializado. Portanto, esse material não deve ser escriturado no Bloco K e no Registro 0210.

Por outro lado, a documentação técnica que contiver explicações indispensáveis à instrução de ins-
talação, operação, utilização ou consumo do produto deve ser escriturada no Bloco K e no Registro
0210. Entenda-se como “documentação técnica” aquela que efetivamente acompanha, em quantidade
apropriada, o produto final e é constituída de instruções impressas ou gravadas em mídias eletrônicas,
cuja importância é esclarecer a correta utilização do produto. É o conjunto de informações sobre os
comportamentos específicos a serem adotados pelos usuários, incluindo-se aí instruções de instala-
ção, leiautes, manuais de operação/utilização, descrições técnicas, bulas, recomendações, advertências
sobre cuidados especiais, instruções para usos alternativos, termos de garantia - enfim, toda a sorte
de informações indispensáveis ao seu pleno e melhor uso. Nesse caso, esses manuais técnicos ou de
instruções serão classificados como “Outros Insumos - Tipo 10”.

7.4.81 A empresa trabalha com diversas versões de listas técnicas para o produto acabado, por exemplo:
lista técnica A para o produto X, com vigência entre 01.01.2016 a 10.01.2016 com os insumos 1, 2, 3 e 4.
Por falta do produto 4, a lista técnica A foi alterada para lista técnica B , com vigência de 11.01.2016 a
31.01.2016 com os insumos 1, 2, 3 e 5. Como devemos apresentar o Registro 0210 do período de janeiro
284 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

de 2016? Considerando que a lista técnica A será utilizada somente em janeiro, posso a partir de feve-
reiro passar a utilizar a lista técnica B? Podemos alterar o Registro 0210 de um mês para o outro ou o
Registro 0210 é inalterável?

Considerando o exemplo citado, em janeiro seria utilizada a lista “A” no 0210, e quando do consumo
efetivo no K235 do insumo 5, seria informado que ele substituiu o insumo 4. Como a lista “B” será perma-
nente a partir de fevereiro, teria justificativa a alteração da lista entre os períodos (0210).

7.4.82 Como informar lista técnica de produtos configuráveis no Registro 0210? Entendemos por pro-
dutos configuráveis aqueles em que o produto final é feito a partir de um produto base, alterando-se
algumas características. Como exemplo temos os automóveis ou um coletor de frutas motorizado em
que o tipo de terreno, os frutos a serem colhidos etc., podem alterar a configuração original do produto.
Nos sistemas é permitido configurar o produto final a partir de um produto base de forma que não seja
necessário criar um novo código para cada item produzido.

As regras existentes na norma complementar “Guia Prático da EFD-ICMS/IPI” devem ser observadas
pelos contribuintes, tais como:

a) um mesmo produto fabricado (mesmo código - 0200) não pode ter composições diferentes (insumos/
componentes diferentes). Caso contrário, teríamos produtos distintos, com características distintas
(composição, custo, preço);

b) um mesmo insumo ou um mesmo produto fabricado deve ter um único código em todos os blocos
da EFD-ICMS/IPI, cuja identificação está escriturada no Registro 0200, desde a sua origem (entrada/
produção) até a sua destinação (consumo/saída/estoque).

A situação colocada deve ter o seguinte tratamento na EFD, dentre outros procedimentos:

a) deverá ser escriturada a produção do “produto base” no Registro K230, e este poderá ser classificado
no 0200 como produto em processo - tipo 03, uma vez que será consumido no processo produtivo, ou
produto acabado - tipo 04, uma vez que será também vendido;

b) deverá ser escriturada a produção de cada “produto configurado” no Registro K230, em que haverá o
consumo do “produto base” e de outros insumos (K235);

c) na saída dos produtos fabricados (C100/NF-e) deverá ser adotado o mesmo código (0200) que os
originou (produção - K230).

7.4.83 Minha empresa recebe o produto de terceiros em unidade e industrializa com um insumo inven-
tariado em litros, por exemplo. A sua ordem de produção sempre tem uma quantidade mínima, ou seja,
é sempre produzido em lote de 100, 1.000... seria utilizado 0,0001 litros do insumo pigmento, por exem-
plo, em uma unidade. No Bloco K, é possível que o produto gerado pelo processo, ou seja, o produto de
determinada lista técnica (Registro 0210) seja em centena ou milheiro? Ou a lista técnica deve remeter
a uma única unidade sem exceções? Podemos ter uma lista técnica para o produto, só que este produ-
to representará mil unidades?

Toda a movimentação do insumo/componente ou do produto resultante (estoque/entrada/produção/


consumo/saída/movimentação interna) deve ser expressa na unidade de medida de controle de esto-
que informada no Registro 0200. O consumo específico padronizado do insumo/componente (Registro
0210), que reflete o consumo esperado para se produzir uma unidade do produto resultante, pode ser
expresso com até 06 casas decimais. Já o consumo efetivo do insumo/componente (Registro K235) re-
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 285

flete o consumo global de insumo para se ter a quantidade produzida do produto resultante informada
no Registro K230. Normalmente a quantidade produzida num período de apuração ou numa ordem de
produção (K230) se refere a várias unidades do produto resultante, e, portanto, a quantidade consumida
do insumo (K235) não ultrapassaria 03 casas decimais.

Considerando o exemplo, em que as ordens de produção expressam lotes mínimos de 1.000 unidades
do produto resultante (K230), provavelmente a quantidade consumida de insumo para se produzir essas
1.000 unidades não é menor que a milésima parte da unidade do insumo/componente (03 casas deci-
mais).

7.4.84 A empresa é fabricante de moldes e matrizes. Nosso produto não é seriado, ele é um projeto que
vai se desenvolvendo ao longo do tempo. Por este motivo não temos a ficha técnica completa já no
início do seu desenvolvimento. Ela muda como também agrega mais itens na medida em que a matriz
vai sendo fabricada. Como informar a ficha técnica neste exemplo e os percentuais de perda?

Regra geral, a lista de insumos/componentes a serem utilizados na fabricação de um produto não se


altera, pois, caso contrário, estaria se produzindo outro produto (outro código). Uma exceção à regra é a
fabricação de produtos por encomenda, em que seria admissível que a lista de insumos/componentes
se altere ao longo do período de fabricação, que pode abranger vários períodos de apuração.

7.4.85 A empresa produz esmaltes e não tem lista técnica específica, ou seja, mistura os insumos de
forma a produzir uma coloração específica e, após a utilização dos insumos, escritura os itens con-
sumidos no processo para a produção daquele lote de esmaltes (isto ocorre porque dependendo do
fornecedor o insumo pode ser mais eficiente do que outro). Vamos optar pela escrituração por período
de apuração. A lista técnica seria todos os insumos consumidos para produzir determinado esmalte
dividido pela quantidade total de esmalte produzido. Podemos proceder desta forma?

A situação colocada se refere a uma composição de insumos interdependentes (insumos em que o


aumento da participação de um resulta em diminuição da participação de outro ou outros). Nesse caso,
deverá ser eleito um insumo de cada grupamento interdependente para informação do total de consu-
mo específico padrão ou perda normal percentual (0210) do conjunto de insumos que representa (na
unidade de medida do insumo eleito). Os demais insumos do grupamento interdependente serão con-
siderados substitutos e deverão ser informados somente nos Registros K235 ou K255, com a informação
do insumo substituído (insumo eleito). Portanto, nesse caso, o consumo específico padronizado é do
conjunto de insumos, e existe, então, um padrão. O consumo específico padronizado (0210) se refere
ao consumo esperado, definido no projeto do produto a ser fabricado. Da forma como está propondo
o contribuinte, estar-se-ia informando o consumo específico real do período de apuração. Além disso,
a escrituração da produção por ordem de produção ou período de apuração não é uma opção. Caso o
controle da produção seja por ordem de produção, necessariamente a escrituração do K230 deverá ser
por ordem de produção.

7.4.86 A ficha técnica do meu produto XXX é composta pelos itens A, B, C, D, E e F, sendo que o com-
ponente D = A, E = B e o F = A, ou seja, para produzir o meu item XXX eu utilizo somente 3 itens. Minha
ficha técnica será informada com os 06 itens, pois não temos como controlar a substituição, portanto,
no decorrer do mês teremos produção feita com os itens A+B+C e casos com produção D+E+F e assim
sucessivamente. Isso é permitido?

O consumo específico padronizado (0210) deve se referir apenas aos insumos “A”, “B” e “C”. Quando do
consumo efetivo dos insumos “D”, “E” e “F” (K235), a informação dos insumos substituídos: “A”; “B” e “C”;
poderá ser obtida pelo programa extrator de dados que irá gerar as informações do Bloco K e Registro
0210, sabendo-se que: “D” substitui “A”; “E” substitui “B” e “F” substitui “C”.
286 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.4.87 No setor de lubrificantes, antes da comercialização do produto as fórmulas devem ser aprovadas
pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Para cada produto é possível
ter diferentes fórmulas aprovadas, sendo uma escolha estratégica da empresa que a utilizar. Dentro de
um mesmo mês posso ter diferentes fichas técnicas (fórmulas). Como podemos proceder entendendo
que não se trata de insumos substitutos e sim de fórmulas diferentes regulamentadas? Como exemplo
posso fabricar o produto (A) utilizando insumos (B+C), mas também posso fabricar o mesmo produto A,
utilizando insumos (X+Y+Z). Trata-se do mesmo produto final (A) devidamente cadastrado na Agência
Nacional do Petróleo tanto com a fórmula (B+C) quanto (X+Y+Z), que são formulações alternativas. A
Agência Nacional do Petróleo entende desta maneira?

Composições alternativas se referem à composição de insumos interdependentes (insumos em que


o aumento da participação de um resulta em diminuição da participação de outro ou outros). Nesse
caso deverá ser eleito um insumo de cada grupamento interdependente para informação do total de
consumo específico padronizado ou perda normal percentual (0210) do conjunto de insumos que repre-
senta (na unidade de medida do insumo eleito). Os demais insumos do grupamento interdependente,
inclusive os insumos alternativos, serão considerados substitutos e deverão ser informados somente
nos Registros K235 ou K255, com a informação do insumo substituído (insumo eleito). Portanto, nesse
caso, o consumo específico padronizado é do conjunto de insumos. Considerando o exemplo citado, e
considerando que seja eleito o insumo “B” para informar o consumo específico padronizado do conjunto
de insumos (B + C) no Registro 0210, quando do consumo efetivo de insumos (K235), tanto o insumo “C”
quanto os insumos alternativos “X”, “Y” e “Z” serão considerados como insumos substitutos do insumo
eleito “B”.

7.4.88 O Registro K200 - Estoque Escriturado possui informações iguais ao Registro H010. Por que infor-
mar novamente?

As informações do K200 - Estoque Escriturado têm origem diferente do Bloco H - Inventário. O estoque
escriturado (K200) é calculado pelos apontamentos de entrada/produção/consumo/saída e tem perio-
dicidade mensal. Já o estoque inventariado - H010 - deverá ser gerado sempre que a legislação obrigar
a efetuar o levantamento físico de mercadorias, insumos e produtos, à época do balanço patrimonial.
Portanto, esses estoques têm origem, obrigatoriedade e periodicidade diferentes.

7.4.89 A empresa é equiparada a industrial, pois importa uma parte do estoque. Desta forma devemos
informar o Bloco K apenas com o estoque escriturado? O estoque a ser informado deve ser só do que
foi importado, que caracterizou a empresa como indústria?

Os estabelecimentos equiparados a industriais e atacadistas devem informar o estoque escriturado -


K200, e, caso ocorram:

a) movimentações internas, o K220;

b) correções de estoque escriturado de períodos anteriores ao período do Registro 0000, o K280;

c) correções de movimentações internas de períodos anteriores ao período do Registro 0000, o K270 e


o K275.

Considerando que o Guia Prático (K200) define que devem ser informados os estoques escriturados das
mercadorias de tipo 00 (mercadoria para revenda), dentre outros, o contribuinte equiparado à indústria
e o atacadista devem informar todas as mercadorias de tipo 00.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 287

7.4.90 No Registro K200 deverão ser escriturados os produtos classificados nos tipos 00 - Mercadoria
para revenda, 01 - Matéria-prima, 02 - Embalagem, 03 - Produtos em processo, 04 - Produto acabado,
05 - Subproduto e 10 - Outros insumos. Como informar os produtos classificados como 06 - Produtos
intermediários que integram o novo produto? Deverão ser considerados no Registro K200?

Para fins de escrituração fiscal digital do RCPE, devemos nos ater ao conceito definido no Guia Prático
da EFD-ICMS/IPI que diz que produto intermediário - tipo 06 é aquele que, embora não se integrando ao
novo produto, for consumido no processo de industrialização. O que diferencia o produto intermediário -
tipo 06, da matéria-prima - tipo 01 e da embalagem - tipo 02 é exatamente por ele não compor o produto
resultante. Portanto, não deve ser escriturado nos Registros 0210/K235/K255. O produto intermediário
- tipo 06 deve ser escriturado no Registro K200.

7.4.91 Determinada empresa faz movimentação de estoque utilizando-se de documentos internos. Uti-
liza um formulário referente às movimentações de ajustes de inventário, sucata e consumo interno.
Porém, este documento não é utilizado para movimentação de ordem de produção. Como proceder?

a) Ajustes de inventário são decorrentes, teoricamente, de erros no apontamento da produção do pro-


duto resultante ou do consumo de insumos ou de outro tipo de movimentação. Portanto, cabe a identi-
ficação de quando esse erro de apontamento ocorreu e em qual tipo de movimentação, escriturando as
correções nos Registros K270/K275. Considerando que qualquer correção em um tipo de movimentação
resultará na alteração do estoque escriturado - K200, deve-se também efetuar a correção do estoque
escriturado por meio do Registro K280, a partir do período de apuração da correção de apontamento
nos Registros K270/K275 e até o período de apuração imediatamente anterior ao mês de referência da
correção;

b) a sucata gerada no processo produtivo deve ser classificada como subproduto - tipo 05. Como tal, de-
vem ser prestadas apenas as informações relativas: ao estoque escriturado (K200); consumo no proces-
so produtivo (K235/K255) e saídas do estabelecimento, por meio do documento fiscal (Bloco C e NF-e);

c) regra geral, o consumo interno de produtos resultantes do processo produtivo ou de insumos deve
ser escriturado por meio de documento fiscal (Bloco C - NF-e), uma vez que gera a obrigação de estor-
no do crédito de ICMS e/ou IPI apropriados. Para aquelas Unidades da Federação em que não haja a
previsão de emissão de NF-e, a movimentação da mercadoria que for consumida internamente ficará
inconsistente, o que seria justificável numa eventual auditoria fiscal.

7.4.92 Na contagem física do inventário (anual ou conforme legislação) podemos ter duas situações.
A primeira indica uma quantidade física maior que a quantidade constante do sistema de controle (a
contagem do produto A foi de 100 peças, mas, no sistema, há um saldo de 90 peças, necessitando um
ajuste no inventário de +10 peças). A segunda indica uma quantidade física menor que a quantidade
constante do sistema de controle (a contagem do produto A foi de 100 peças, porém, no sistema, há
um saldo de 110 peças, necessitando um ajuste no inventário de –10 peças). Como representar estas
movimentações de ajustes no Bloco K?

As informações do K200 - Estoque Escriturado têm origem diferente do Bloco H - Inventário. O estoque
escriturado (K200) é calculado pelos apontamentos de entrada/produção/consumo/saída e tem perio-
dicidade mensal. Já o estoque inventariado - H010 - deve ser gerado sempre que a legislação obrigar
a efetuar o levantamento físico de mercadorias, insumos e produtos, à época do balanço patrimonial,
conforme determinar a legislação. Portanto, esses estoques têm origem, obrigatoriedade e periodicida-
de diferentes.
288 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

As causas de diferenças entre o estoque escriturado e o estoque inventariado podem ser diversas. Tan-
to podem ser originadas de erros de apontamentos nas movimentações, como podem ser causadas
por erros de cálculo no saldo final escriturado ou, ainda, na contagem durante o inventário. Uma vez
identificada(s) a(s) causa(s), as correções devem ocorrer com os seguintes registros:

a) K270/K275: para a correção do item de movimentação em que ocorreu o apontamento, relativos a


apontamentos ocorridos em mês de referência anterior;

b) K280: correção dos saldos de estoque escriturados no Registro K200.

Lembramos que uma correção não obriga outra e depende da causa que gerou a divergência.

7.4.93 Determinado produto da empresa (um código) pode estar em terceiros ou estar em elaboração
no próprio estabelecimento ou disponível em estoque. Como informar no Registro K200?

A mercadoria de propriedade do estabelecimento informante e existente em estoque na data final do


período de apuração (K100) nesse estabelecimento será classificada como tipo “0” (campo IND_EST do
K200). Já a mercadoria de propriedade do estabelecimento informante existente em estoque na data
final do período de apuração (K100) em estabelecimento de terceiro será classificada como tipo “1”.

7.4.94 Nos casos de itens em elaboração, o produto ainda não está pronto, existirá apenas no final da
produção. Este deve constar como estoque estando com o IND_EST = 1 Estoque de propriedade do
informante e em posse de terceiros?

A produção que ficou em elaboração no período de apuração não é quantificada, pois não é mais um
insumo e não é ainda um produto resultante do processo produtivo. Portanto, essa matéria não é infor-
mada no Registro K200 - Estoque Escriturado.

O valor dessa matéria é reconhecido contabilmente, pois o seu custo ainda não foi agregado ao custo
de produção do produto resultante.

7.4.95 Como informar no K200 o estoque de produto acabado no caso de ordem de produção de 100
unidades aberta em julho, sendo iniciada a produção de 10 unidades em julho, em agosto não produziu
nada, em setembro produziu mais 10 unidades, em outubro não produziu nada e em dezembro o clien-
te cancelou as 80 unidades faltantes? Devo apresentar o K200 para os meses de agosto e outubro? E
como fica o Registro 0210 em julho e nos demais meses? Todos iguais?

O K200 deverá ser informado caso exista estoque nos meses de agosto e outubro, independentemen-
te de ter havido produção. A informação do Registro 0210 se refere a consumo específico padrão, que
não se altera a cada mês. Ele será exigido pelo PVA caso exista informação nos Registros K230/K235 ou
K250/K255.

7.4.96 Não havendo estoque no período, devo informar o Registro K200 para todos os itens indicadores
de estoque (0 = Estoque de propriedade do informante e em seu poder; 1 = Estoque de propriedade do
informante e em posse de terceiros; 2 = Estoque de propriedade de terceiros e em posse do informan-
te)?

Caso não exista quantidade em estoque na data final do período de apuração (K100) não há necessida-
de de se informar o Registro K200.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 289

7.4.97 Após a conclusão de um processo produtivo, os itens ficam por um período de 48 horas em
regime de quarentena, pois se está aguardando o resultado das análises do controle de qualidade
para liberação de lotes para fins de vendas. Caso isso ocorra na virada do mês e, consequentemente,
a liberação ocorra no outro exercício, como deve ser informado o Registro K200 - Estoque Escritura-
do? A finalização da produção deve ser contemplada apenas na liberação por parte do controle de
qualidade? O produto em fase de quarentena deve ser declarado como produto acabado ou produto
em processo?

O apontamento da quantidade produzida (K230) acontece antes do controle de qualidade. Como essa
quantidade produzida ainda não pode ser comercializada até o último dia do mês, ela deve ser conside-
rada em estoque no último dia do mês (K200). A classificação do produto deve ser tipo 04 - produto aca-
bado (0200). Na conclusão do controle de qualidade, aqueles produtos que não passarem nesse contro-
le de qualidade devem ser baixados do estoque de produto acabado por meio de uma movimentação
interna entre mercadorias - K220 (novo código), pois esses produtos não estão prontos para venda.

7.4.98 No Registro K200 - Estoque Escriturado, considerando que o contribuinte não realizou nenhum
processo produtivo e nenhuma venda, porém, realizou uma aquisição de matéria-prima no mês de ja-
neiro/XXXX. No mês de fevereiro/XXXX, o contribuinte não realizou nenhum processo produtivo, ne-
nhuma venda e nenhuma aquisição de matéria-prima ou outros produtos. Considerando os fatos men-
cionados, e considerando que o contribuinte deverá informar o Registro K200 no período de janeiro/
XXXX para demonstrar a quantidade da matéria-prima adquirida, há necessidade de o contribuinte
informar o Registro K200 no mês de fevereiro/2016 para demonstrar a quantidade da matéria-prima
adquirida no período anterior?

A EFD-ICMS/IPI é apresentada mensalmente. O estoque escriturado informado no Registro K200 deve


refletir a quantidade existente na data final do período de apuração informado no Registro K100, estoque
este derivado dos apontamentos de estoque inicial/entrada/produção/consumo/saída/movimentação
interna. Considerando isso, o estoque escriturado informado no K200 é resultante da seguinte fórmula:

Estoque final = estoque inicial + entradas/produção/movimentação interna - saída/consumo/movimen-


tação interna. Sendo assim, na escrituração de fevereiro/XXXX o contribuinte deve informar o estoque
existente de matéria-prima. Como no presente caso não houve aquisição ou utilização da matéria-pri-
ma, o Registro K200 vai ser informado com os mesmos valores de janeiro/XXXX.

7.4.99 A empresa adquire leite in natura de produtores rurais. Por conta de regimes especiais, não existe
a necessidade de acobertar a entrada diária via nota fiscal. Há sim a obrigatoriedade de que a indústria
emita uma nota fiscal de entrada, com data do último dia do mês, na qual deverá constar o volume total
fornecido no período, individualizado por produtor. Neste caso, este leite adquirido é uma matéria-pri-
ma e seu saldo em estoque deverá ser identificado no Registro K200 (estoque escriturado)? Existe al-
guma orientação adicional por conta de se utilizar leite in natura nos processos produtivos sem existir
um documento fiscal que oficializou a entrada antes do consumo no processo?

A entrada do leite in natura deve ser escriturada na EFD por meio do Bloco C (C100) e da NF-e de entra-
da, mesmo que essa NF-e seja emitida somente no último dia do mês. A escrituração da entrada dessa
matéria-prima apenas no último dia do mês não impede que existam ordens de produção (K230) ao lon-
go do período de apuração, bem como os respectivos consumos (K235). O estoque escriturado dessa
matéria-prima existente no último dia do período de apuração deverá ser escriturado no K200.
290 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.4.100 Os produtos acabados decorrentes da produção do estabelecimento enviados para terceiros


em operações de empréstimo devem ser escriturados no Registro K200 do Bloco K?

Sim. O estoque de produto acabado (tipo 04 do Registro 0200) que esteja em posse de terceiro deve ser
informado no K200 com o tipo “1” - estoque de propriedade do contribuinte informante e em posse de
terceiro.

7.4.101 Considerando que o material não teve nenhuma movimentação para o período e está com seu
saldo de estoque zerado, devo demonstrá-lo no K200 com estoque igual a zero?

Estoque zero não deixa de ser uma informação e o PVA não impede a informação. Entretanto, caso não
seja prestada essa informação, será considerado que o estoque é igual a zero. Portanto, é desnecessá-
ria a informação de estoque zero, caso não exista quantidade em estoque, independentemente de ter
havido movimentação.

7.4.102 Os itens classificados como 06 - produto intermediário - deverão ter seu saldo informado no
K200. Como informar as baixas por utilização no processo produtivo já que estes itens não compõem o
consumo específico padronizado do Registro 0210? A baixa por utilização no processo, não por consu-
mo específico padronizado, seria feita por documentação interna ou seria necessária emissão de nota
fiscal?

A quantidade consumida de produto intermediário - tipo 06 no processo produtivo não é escriturada na


EFD-ICMS/IPI, tanto no Bloco K quanto no Bloco C (NF-e). Se o Fisco quiser saber qual foi a quantidade
consumida de produto intermediário no processo produtivo basta aplicar a fórmula: Quantidade consu-
mida = estoque inicial (K200) + entrada (C170) – saída (C100/NF-e) – estoque final (K200). Para os estados
que não permitem emitir NF-e nestes casos, o contribuinte poderá esclarecer ao Fisco o consumo, se
for o caso.

7.4.103 Sou um estabelecimento que realiza pinturas em itens de ferro. Recebo 30 portões de ferro do
cliente A, em que tenho o controle de estoque de terceiros em meu poder de 30 portões de ferro s/
pintura. Realizo uma ordem de produção (OP) para pintar os portões do cliente A. Baixo do estoque os
30 portões que entram na linha de produção, neste mês foi concluída a pintura de 20 portões. No Blo-
co K, o saldo de estoque de terceiros em meu poder deve ser apresentado com o valor zero (nenhum
portão de ferro s/ pintura, uma vez que estão na linha de produção), 10 (portões de ferro s/ pintura que
são os faltantes para pintura) ou 30 (portões de ferro s/ pintura, pois é o mesmo saldo que o cliente A
apresentará no Bloco K)?

Considerando o exemplo citado, a quantidade em estoque de “portão de ferro s/ pintura” na posse do


industrializador será igual a zero, pois toda a quantidade recebida do encomendante (30) foi consumida
no processo produtivo (K235). A OP escriturada no K230 deve ter a data de conclusão em branco, pois
ficou produção em elaboração ao final do período de apuração e a quantidade acabada de “portão de
ferro pintado” é igual a 20 unidades.

7.4.104 Temos a situação de enviar para o porto remessa para formação de lotes, estamos com entendi-
mento que temos que informar no K200 que se trata de Estoque Próprio em Poder de Terceiros, porém
se trata de uma área aduaneira e não temos inscrição lá e também não temos uma inscrição de um
terceiro (que irá no Registro 0150 vinculado), emitimos a NF-e em nosso próprio nome para o trânsito
da soja, estamos entendo que é poder de terceiros por se tratar de um outro local/unidade. Está correta
a classificação? E quem é o terceiro a ser indicado?
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 291

O estoque de mercadoria existente em recinto alfandegado para formação de lote deverá ser escritu-
rado no Registro K200 com tipo de estoque 1 - estoque de propriedade do informante e em posse de
terceiros e o código do participante deverá ser do próprio informante, uma vez que a NF-e de remessa é
destinada ao próprio remetente.

7.4.105 O inventário geral de estoques é finalizado no dia 31 de dezembro, sendo que após as análises
devidas, as notas fiscais de ajustes de inventário são emitidas no mês seguinte com o objetivo de ajus-
tar os estoques e recolher os impostos devidos. Para fins de apuração do imposto e reconhecimento
do ajuste de estoque no Bloco K, qual o período correto para se considerar a nota fiscal de ajuste de
inventário? Data de competência (dezembro) ou emissão (janeiro)?

Para gerar efeitos na movimentação da mercadoria, de tal forma que fique coerente com o estoque in-
ventariado, a NF-e deverá ser emitida com a data de 31.12.

7.4.106 Como informar no Bloco K a operação de transferência entre filiais? Devo reconhecer a entrada
no estoque da mercadoria quando houver a entrada do material físico na filial de destino, ou quando a
NF de transferência for emitida pelo emitente? Por exemplo: a filial “A” emite uma NF de transferência
no dia 27.11.2015 e a mercadoria chega no destino no dia 02.12.2015, com isso, a filial de destino “B” deve
reconhecer a entrada da mercadoria no Bloco K no mês de novembro, quando houve a saída da merca-
doria da filial “A” ou no mês de dezembro, quando houve a entrada física no estoque na filial “B”? E no
Bloco H de inventário como devemos proceder?

Para fins de escrituração dos Registros K200 e H010 do estabelecimento “B”, a mercadoria somente po-
derá ser reconhecida em estoque quando ocorrer a efetiva entrada por meio da escrituração do Registro
C170.

A título de ilustração, a mercadoria que já saiu do estabelecimento “A” e ainda não entrou no estabele-
cimento “B” é reconhecida contabilmente como “mercadoria em trânsito”. A saída está escriturada no
Registro C100.

7.4.107 O que são movimentações internas para o Registro K220?

As movimentações internas para o Registro K220 são todas aquelas movimentações não informadas
nos demais tipos de registros.

7.4.108 Quais são os exemplos de movimentações internas no Registro K220?

1) Reclassificação de um produto em outro código em função do cliente a que se destina: o contribuinte


aponta a quantidade produzida de determinado produto, por exemplo, código 1. Este produto, quando
destinado a determinado cliente, recebe uma outra codificação, código 2. Neste caso, há a necessidade
de controle do estoque por cliente. Assim, o contribuinte deverá fazer um Registro K220 dando saída no
estoque do produto 1 e entrada no estoque do produto 2.

2) Reclassificação de um produto em função do controle de qualidade: quando o produto não conforme


não permanecerá com o mesmo código, por exemplo: venda como produto com defeito ou subproduto;
consumo em outra fase de produção. Caso o produto não conforme tiver como destino o reprocessa-
mento, onde o produto reprocessado permanecerá com o mesmo código do produto a ser reprocessa-
do, deverá ser escriturado no Registro K260.
292 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.4.109 As movimentações internas indicadas no Registro K220 podem resultar em novo item?

Sim, necessariamente. Como no exemplo da reclassificação de um produto em outro, em função do


controle de qualidade.

7.4.110 Devo informar todas as movimentações de estoque no Bloco K?

As movimentações de estoque a serem informadas no Bloco K são:

a) a quantidade produzida no estabelecimento informante (K230);

b) a quantidade consumida no estabelecimento informante (K235);

c) a quantidade produzida em terceiros (K250);

d) a quantidade consumida em terceiros (K255);

e) outras movimentações internas entre mercadorias (K220);

f) a quantidade de produto/insumo a ser reprocessado/reparado ou já reprocessado/reparado (K260);

g) a quantidade de consumo de mercadoria e/ou retorno de mercadoria ao estoque, ocorridos no repro-


cessamento/reparo de produto/insumo (K265);

h) a quantidade de mercadoria a ser desmontada (K210);

i) a quantidade de mercadoria desmontada (K215).

As demais movimentações (entrada e saída de estoque) são informadas por meio dos documentos
fiscais (Bloco C).

7.4.111 As perdas de mercadorias ou insumos em decorrência de obsolescência ou, ainda, em decorrên-


cia de caso fortuito deverão ser registradas no Registro K220?

Não. Estes tipos de perdas deverão ser registrados no Bloco C, por meio de documento fiscal.

7.4.112 As perdas de mercadorias ou insumos em decorrência de extravio dentro da produção e as per-


das de produto acabado por sinistro deverão ser registradas no Registro K220?

Não. Estes tipos de perdas deverão ser registrados no Bloco C, por meio de documento fiscal.

7.4.113 Movimentações não oriundas do processo produtivo, tais como contagem cíclica de inventário,
consumo de itens consumíveis e outras, são informadas neste registro?

Não. O Registro K220 se destina a prestar informações sobre a movimentação interna entre merca-
dorias, onde sai do estoque da mercadoria de origem e entra no estoque da mercadoria de destino
(exemplos: movimentações oriundas de reclassificação de um código em outro código, movimentações
oriundas de reclassificação de um produto em função do controle de qualidade, etc.). Ajustes de esto-
que ou consumo interno não são movimentações internas entre mercadorias e, portanto, não devem
ser informados no Registro K220.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 293

7.4.114 Uma concessionária agrícola cuja oficina requisita itens do estoque próprio para alocar na ma-
nutenção de tratores de clientes, a empresa é equiparada à indústria. Esse tipo de movimentação tam-
bém deve ser detalhado no Bloco K?

Na manutenção de veículos de terceiros (item 14.01 da Lista de Serviços) ocorrem a prestação de servi-
ços (tributada pelo ISSQN) e a revenda de mercadorias utilizadas na manutenção (tributada pelo ICMS).
Portanto, comumente, não se trata de atividade industrial, e essa revenda de mercadorias não é informa-
da no Bloco K. Entretanto, o contribuinte afirma que é equiparado a industrial, mas não informa em qual
modalidade de equiparação estaria enquadrado pelo RIPI. No caso de equiparação a industrial, caberia a
informação dos estoques escriturados (K200) e, caso exista uma reclassificação de mercadorias, caberia
informar também a movimentação interna (K220).

7.4.115 Ver questão 7.4.248

7.4.116 Realizamos a produção de 30 unidades do produto cód. XXX, porém 02 unidades não foram apro-
vadas pela qualidade, assim, meu estoque de produto bom é igual a 28 un. e de produto ruim é igual a
2 un. Neste caso a empresa cria um novo código de produto para as unidades defeituosas código JJJ,
pois serão comercializadas. A comercialização se dará em kg e não em unidade. As duas unidades re-
sultaram em 300 kg do produto JJJ. Como registrar isto no Bloco K?

Para a situação colocada, deverá ser gerado um Registro K220, tendo como origem o produto XXX e
como destino o produto JJJ, com a quantidade expressa na unidade de medida do produto de origem -
02 unidades. Deverá ainda ser gerado um Registro 0220 para o produto de destino JJJ (0200), com fator
de conversão igual a 150,000000. Com estas informações, o Fisco saberá que houve uma saída do esto-
que do produto XXX de 02 unidades e que houve uma entrada no estoque do produto JJJ igual a 300 kg.

7.4.117 Uma empresa de joalheria quer fundir um produto acabado (tipo - 04) que resultará 2 tipos de
matéria-prima (tipo - 01). Como devemos proceder, considerando que o resultado se dará em unida-
des diferentes? Exemplo: o produto acabado anel de ouro com esmeralda, tratado como unidade, terá
como resultante no processo 2,20 g de ouro ligado e 0,24 qt de pedra preciosa.

Essa situação deverá ser escriturada por meio dos Registros K210/K215, onde existirão:

a) um Registro K210 com o produto “Anel de Ouro” - quantidade igual a 1,000;

b) um Registro K215, filho do K210, com a mercadoria “Ouro Ligado” - quantidade igual a 2,200;

c) um Registro K215, filho do K210, com a mercadoria “Pedra Preciosa - quantidade igual a 0,240.

7.4.118 Efetuamos a montagem de máquinas de tornear automáticas, estas máquinas possuem mode-
lo padrão, mas podem ser customizadas com opcionais, conforme pedido do cliente. Ocorre que, na
customização, são extraídas partes de peças já agregadas e incluídas novas (opcionais), onde gerou
nova ordem de produção. É correto informar no Bloco K a desmontagem de parte da máquina mon-
tada, gerando a devolução de peças e partes para o estoque e por meio de nova ordem de produção
a reestruturação da máquina customizada? Como devo informar parte da máquina no Registro K200,
sabendo que devolvi ao estoque somente parte, representada por algumas peças e até mesmo a parte
que resta da máquina?

Opção 1: A máquina “sem a customização” e “com a customização” têm o mesmo código: podem-se usar
os Registros K260/K265 para demonstrar os itens que são retirados da máquina e os novos que foram
294 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

agregados. Enquanto estiver ocorrendo o reprocessamento da máquina, não há necessidade de se de-


clarar a máquina sendo trabalhada, pois não faz parte do estoque.

Opção 2: A máquina muda de código após a customização: a desmontagem deverá ser escriturada
por meio dos Registros K210/K215, onde a “máquina de tornear automática” será escriturada no K210
e o “restante da máquina” e os demais insumos resultantes serão escriturados no K215. O restante da
máquina deverá receber um código correspondente a uma máquina “incompleta” e ao retornar para o
estoque onde será declarado no Registro K200 com o código correspondente. Neste caso, o processo
de customização deverá ser informado nos Registros K230/K235.

7.4.119 A empresa é do segmento da Linha Branca, em seu processo, a ordem de produção finalizada ge-
rou o produto resultante fogão, produto acabado. Ao estocar identificou-se parte avariada, a exemplo
do vidro da tampa trincado. Mantemos no estoque partes e peças para abastecimento ao mercado de
Assistência Técnica. Como iremos demonstrar no Bloco K as operações internas de reparo de um item
acabado que será recuperada ou trocada parte do fogão, conforme exemplo dado o “vidro” da tampa
trincado?
Caso o reprocesso resulte em produto reprocessado (fogão) com o mesmo código do produto a ser
reprocessado (fogão), esse reprocesso deverá ser escriturado por meio dos Registros K260/K265.
Caso o reprocesso resulte em produto reprocessado (fogão reprocessado) com código diferente do
produto a ser reprocessado (fogão), implicará os seguintes procedimentos:
a) o “produto acabado com defeito” deverá se originar de movimentação interna (Registro K220), onde
haverá a saída do estoque de “produto acabado” e a entrada no estoque de “produto acabado com de-
feito”;
b) deverá ser aberta uma ordem de produção, tendo como produto resultante (K230) o “produto acaba-
do reprocessado” e, como insumos, o “produto acabado com defeito” e a “tampa de vidro”;
c) a transferência do “produto acabado reprocessado” para o estoque de “produto acabado” deverá ser
efetuada por meio de movimentação interna - Registro K220.

7.4.120 No Registro K220 deverei registrar as transferências de quantidades de um produto utilizado


ora na produção ora na administração (exemplo fita adesiva e etc.)? Hoje não tenho segregado no meu
estoque por tipo de item, haverá a necessidade de assim fazer? Exemplo - Fita adesiva item de USO e
CONSUMO e fita adesiva item INTERMEDIARIO e etc.?

Inicialmente, cabe lembrar que o Registro K220 somente deve ser utilizado para as movimentações
internas de mercadorias classificadas no Registro 0200 com os tipos 00 a 05 e 10. Movimentações inter-
nas de produto intermediário - tipo 06 e material de uso e consumo - tipo 07 não devem ser escrituradas
no Registro K220. Caso se refira a estes tipos de mercadorias, somente deveria ser utilizada a movimen-
tação interna (K220) caso o contribuinte queira controlar separadamente o estoque em função da desti-
nação da mercadoria. Não há impedimento para uma mercadoria classificada como matéria-prima - tipo
01, por exemplo, seja consumida internamente para outros fins.

7.4.121 Uma determinada empresa trabalha com produtos injetados (plásticos). Com o passar do tempo,
existem vários produtos prontos obsoletos em estoque. Estes produtos serão transformados em mate-
rial reciclado e reutilizados no processo produtivo. Como informar no Bloco K?

O produto acabado obsoleto, que não se presta mais para a finalidade para a qual foi produzido, mas que
pode ser reutilizado no processo industrial como insumo, deverá ser reclassificado pelo Registro K220.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 295

7.4.122 Conforme Guia Prático, no campo 05 - QTD do Registro K220 deve ser informada a quantidade
movimentada do item de origem codificado no campo COD _ITEM_ORI. Como devemos informar a
quantidade quando o mesmo produto de origem teve destinos diferentes?
Quando temos movimentações internas entre um item de origem e mais de um item de destino, a
quantidade de cada Registro K220 deve expressar a quantidade destinada a cada item de destino, com
o respectivo fator de conversão para o item de destino (0200) no Registro filho 0220. Portanto, teremos
tantos K220 e 0220 quantos forem os itens de destino.

7.4.123 A empresa é uma indústria que também adquire mercadorias e as revende como estabelecimen-
to atacadista ou varejista. Os itens produzidos por ela são vendidos tanto para indústrias quanto para
estabelecimentos atacadistas, varejistas e consumidores finais. Questiona-se a respeito da situação
específica de aquisição de produtos com destino à comercialização, onde há alteração de códigos des-
de sua aquisição até o momento da venda, e também de produtos adquiridos para industrialização que,
em algumas situações, acabam sendo destinados para revenda. Os estabelecimentos varejistas estão
obrigados à escrituração do Registro K220? É necessário escriturar o Registro K220 com as movimen-
tações internas dos produtos adquiridos para revenda? É necessário escriturar o Registro K220 com as
movimentações internas dos produtos adquiridos como insumo e que houve mudança de finalidade?
Sempre que houver troca de código interno deverá haver escrituração no Registro K220?
Inicialmente, cabe esclarecer que, além dos estabelecimentos industriais, apenas os estabelecimentos
equiparados a industriais, segundo a legislação de IPI, e os estabelecimentos atacadistas estão obri-
gados à escrituração fiscal digital do Registro de Controle da Produção e do Estoque (RCPE) - Bloco
K, inclusive do Registro K220, nos termos do § 7º da cláusula terceira do Ajuste Sinief nº 02/2009. Pela
sua exposição, em um mesmo estabelecimento existem operações de industrialização e revenda de
mercadorias, no atacado e no varejo. Portanto, esse estabelecimento estaria obrigado a escriturar o
Bloco K. Em relação às mercadorias para revenda, se restringiria ao Registro K200 e, caso ocorram movi-
mentações internas, ao K220. Somente se o estabelecimento fosse exclusivamente varejista não estaria
obrigado à escrituração do Bloco K. Uma mercadoria adquirida ou um produto fabricado, uma vez codifi-
cado e classificado (por tipo) no Registro 0200, deverá ter esse mesmo código e tipo desde a sua origem
(entrada - C170 ou produção - K230/K250) até o seu destino (saída - C100/NF-e ou consumo - K235/K255
ou movimentação interna - K220 ou estoque escriturado - K200 ou estoque inventariado - H010). Caso
ocorra troca de código entre a origem e o destino, seja por qual motivo for, necessariamente deverá
ocorrer uma movimentação interna entre os códigos envolvidos, dando saída do estoque do item de ori-
gem e entrada no estoque do item de destino. Isso é válido tanto para os insumos/componentes e pro-
dutos fabricados quanto para as mercadorias de revenda. Entretanto, caso haja alteração de finalidade
(exemplo: foi adquirida como mercadoria para revenda - tipo 00 e depois foi consumida como insumo/
componente no K235/K255), não há necessidade de se criar um novo código e tipo, uma vez que não
há impedimento de uma mercadoria classificada como tipo 00 ser consumida no processo produtivo -
K235/K255, assim como não há impedimento de uma mercadoria classificada como matéria-prima - tipo
01 ser vendida, a não ser que a empresa queira controlar o estoque em separado.

7.4.124 A empresa adquire tintas utilizadas como insumo no processo produtivo, essas tintas são registras
no estoque pela aquisição com códigos específicos e individualizados por cor, exemplo: código 1. Tinta
Amarela, 2. Tinta Verde, 3. Tinta Vermelha, alimentando o Registro K200. No processo seguinte, essas
tintas são transferidas para um código aglutinador (199999), o qual aglutinará, dependendo do modelo
da embalagem, as tintas dos diferentes códigos. Neste momento, o consumo do código aglutinador será
realizado no Registro K235. Pergunta: neste caso específico, poderemos utilizar o Registro K220 para de-
monstrar a movimentação de transferência dos códigos das tintas para o código aglutinador?
Sim. A movimentação interna deverá ser escriturada no Registro K220, pois, caso contrário, o consumo
(K235) do código aglutinador ficará sem origem (entrada em estoque).
296 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.4.125 Determinado produto é recusado pelo controle de qualidade. Este produto é reclassificado e
então desmontado para que suas partes sejam reaproveitadas em novo processo produtivo. Como in-
formar esta situação no Bloco K? Como informar este novo produto e suas partes no Registro K220?

Com a inclusão dos Registros K210/K215, o processo de desmontagem de mercadorias deverá ser escri-
turado nesses Registros.

7.4.126 Em virtude da exigência de estoque mínimo feita por determinados clientes, realizo o controle
segregado por cliente. Desse modo, para tornar tal fato possível no sistema da empresa, possuo dois
códigos para o mesmo item (um código vinculado a cliente específico e outro para atender à demanda
de mercado). Neste caso, por se tratarem de códigos distintos, teria duas fichas técnicas idênticas,
para códigos distintos, mas que significam exatamente a mesma coisa (inclusive a mesma descrição
do produto). Há algum risco fiscal nestes casos:
a) duas fichas técnicas iguais para códigos distintos (que significam o mesmo produto); e
b) códigos distintos com a mesma descrição, pois são o mesmo produto?
Considerando a sugestão dada, a entrada em estoque do “produto por cliente” ocorrerá por meio de mo-
vimentação interna, a ser escriturada no Registro K220. Não há impedimento da existência de produto
acabado - tipo 04 sem a composição padronizada a ser escriturada no Registro 0210.

Também não há impedimento para a existência de códigos distintos (“código por cliente” e “código para
atender a demanda”) com a mesma composição padronizada (0210) ou efetiva (K235). A forma de escri-
turação dependerá dos controles internos da empresa.

7.4.127 Gostaria de saber como reportar no Bloco K o cenário descrito a seguir. Cenário: Baixa de produ-
to em elaboração

Descrição do cenário: Estou em processo de fabricação do produto AAA, porém, antes de embalá-lo,
houve uma queda de energia e o produto deteriorou. Note que este produto ainda não foi embalado e
não foi apontada a produção, ou seja, não existe o estoque do produto acabado nem física nem siste-
micamente. Note que também não há mais estoque físico da matéria-prima, pois a mesma já está no
processo de produção, porém no sistema há o estoque dela ainda, pois sua baixa só ocorre quando
aponto a produção do produto AAA.

Este produto que deteriorou no processo de fabricação será vendido, porém com código diferente e
com custo inferior ao do produto acabado.

O código de produto deteriorado que utilizo para venda não é atrelado a nenhuma lista técnica.

Dúvidas: Como devo registrar estas ocorrências? Como devo fazer a baixa da matéria-prima? Como
devo classificar o produto que deteriorou no processo de fabricação? Devo controlar o estoque desse
material considerando que ele é impróprio para a sua destinação inicial?

Considerando que a escrituração do Registro K235 (saída do estoque de insumo) acontece somente
quando é apontada a produção acabada do produto resultante no Registro K230 e considerando que o
“produto deteriorado” tem aproveitamento econômico (é vendido), deve-se proceder da seguinte forma:
o “produto deteriorado” deve se originar (entrada) por meio de movimentação interna, a ser escriturada
no Registro K220, onde ocorrerá a saída do estoque de matéria-prima e a entrada no estoque de “produ-
to deteriorado”. Posteriormente, a venda do “produto deteriorado” será escriturada no Bloco C por meio
da NF-e.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 297

O “produto deteriorado” deve ser classificado no Registro 0200 com o código 05 - Subproduto. Consi-
derando essa classificação, o estoque porventura existente ao final do período de apuração deve ser
escriturado no Registro K200.

7.4.128 No Bloco K, Registro K220 - Movimentações internas entre mercadorias, existe o campo COD_
ITEM_ORI e COD_ITEM_DEST. Minha dúvida é se o tipo de item da origem e do destino podem ser
diferentes.
Exemplo:
Item Origem: B, tipo de item = 01 - matéria-prima. Item Destino: A, tipo de item = 03 - produto em pro-
cesso. Normalmente produzo um item A, o qual está classificado como produto em processo. Even-
tualmente compro o item B, classificado como matéria-prima, similar ao item A. Posso realizar uma
movimentação interna do item B para o item A?
Não há impedimento para que o tipo de mercadoria de destino seja diferente do tipo de mercadoria de
origem na movimentação interna entre mercadorias - Registro K220. Entretanto, deve haver coerência
na movimentação interna entre mercadorias. A origem (entrada em estoque) da mercadoria tipo 03 -
produto em processo é a produção ocorrida no estabelecimento informante, escriturada no Registro
K230. Se eventualmente se adquire mercadoria similar (B), que deve ser classificada como tipo 01 -
matéria-prima, para substituir o produto em processo (A) fabricado pelo estabelecimento informante,
essa substituição deve ser informada quando do consumo efetivo dessa mercadoria (B) no Registro
K235, informando o insumo substituído (A). Dessa forma, não haveria a necessidade de se efetuar uma
movimentação interna entre “B” e “A”.

7.4.129 A escrituração da reclassificação de um produto em função do controle de qualidade ainda deve


ser feita no Registro K220? Pergunto porque, no novo Guia Prático versão 2.0.19, o exemplo de reclassi-
ficação por qualidade foi retirado do texto do Registro K220.

Retiramos o exemplo da reclassificação do produto em outro código por motivos de controle de qualida-
de em função da inclusão dos Registros K260/K265, que tratam do reprocessamento, um dos destinos
possíveis do produto que não passa no controle de qualidade. Quanto aos demais possíveis destinos
desse produto (venda como subproduto, consumo em outra fase de produção, etc.), poderá continuar
sendo utilizado o Registro K220 para promover a saída do estoque do produto resultante e a entrada no
estoque do produto não conforme.

7.4.130 Registro K230 - Itens Produzidos

7.4.131 Geral

7.4.132 Como será tratada a reabertura de ordem de produção encerrada no período 1, reaberta para
nova produção, e encerramento no período 2?

Deverá ser tratada como uma nova ordem de produção, pois a primeira foi encerrada no período 1.

7.4.133 Como informar no Registro K230 as ordens de produção com término parcial? Devem ser cria-
dos dois registros, um para a produção acabada e outro para produtos em processo? Exemplo: Produto
1 - Quantidade planejada 100 unidades, concluída a produção no fim do mês de somente 30 unidades.

Não. Para o caso em questão, deverá ser gerado um único Registro K230 com a data de conclusão da
ordem de produção - campo 03 - DT_FIN_OP do Registro K230 em branco, com quantidade acabada de
30 unidades, tendo em vista que a ordem de produção não foi finalizada até a data de encerramento do
período de apuração.
298 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.4.134 As ordens de produção que não forem finalizadas no mês devem ser repetidas no mês seguinte
e assim sucessivamente até a finalização?

Sim. As ordens de produção que não forem finalizadas no período de apuração devem informar a data de
conclusão da ordem de produção em branco, campo 03 - DT_FIN_OP do Registro K230. No período se-
guinte, e assim sucessivamente, a ordem de produção deve ser informada até que seja concluída e caso
exista apontamento de quantidade produzida (K230) e/ou quantidade consumida de insumo (K235).

7.4.135 Qual a diferença entre “Produção Acabada” e “Produto Acabado”?

Produto acabado se refere ao produto resultante do processo produtivo que está pronto para ser comer-
cializado - tipo 04 do campo 7 - Tipo_Item do Registro 0200 - Tabela de Identificação do Item. Produção
acabada se refere à quantidade de produção do produto resultante que foi concluída. Portanto, pode-
mos ter produção acabada tanto de produto em processo - tipo 03 do campo 7 - Tipo_Item do Registro
0200 (produto resultante do processo produtivo que está pronto para ser consumido em outra fase de
produção), quanto produto acabado - tipo 04 do mesmo campo 7.

7.4.136 Quando informar no Registro K230 - Itens Produzidos - a produção acabada de produtos em pro-
cesso, se, quando a produção está acabada, já é um produto acabado?

Neste caso, a pergunta confunde “produção em elaboração” e “produto em processo” - tipo 03 do campo
7 - Tipo_Item do Registro 0200 e “produção acabada” e “produto acabado” - tipo 04 do campo 7 - Tipo_
Item do Registro 0200.

Vamos supor que, no processo produtivo de produção de camisas, existam 02 fases de produção: “corte”
e “costura”, onde exista o controle interno do que foi produzido em cada fase de produção. A fase de
produção “corte” produz o produto em processo - tipo 03 - “camisa cortada”, pois este produto ainda não
está pronto para ser comercializado. Já a fase de produção “costura” produz o produto acabado - tipo
04 - “camisa pronta”, pois este produto está pronto para ser comercializado. Na fase de produção “corte”,
seria consumida a matéria-prima - tipo 01 - “tecido” e, na fase de produção “costura”, seria consumido o
produto em processo - tipo 03 - “camisa cortada”, gerado na fase de produção anterior. Dessa forma, te-
ríamos a quantidade de produção acabada do produto em processo - tipo 03 - “camisa cortada” (produto
resultante do processo produtivo que está pronto para ser consumido em outra fase de produção) e a
quantidade de produção acabada do produto acabado - tipo 04 - “camisa pronta”.

Agora, vamos supor que exista o controle interno da produção de uma única fase de produção, que pro-
duz o produto acabado - tipo 04 - “camisa pronta”. Nesse caso, não existirá produto em processo - tipo
03, pois se consumirá matéria-prima - tipo 01 - para se produzir produto acabado - tipo 04. A “produção
em elaboração” (matéria que não é mais insumo e não é ainda produto resultante) ficará caracterizada
pela ordem de produção (lote) em aberto (Registro K230 - data de conclusão da ordem de produção em
branco).

7.4.137 Como informar o campo QTD_ENC - quantidade de produção acabada no Registro K230 quando
o estabelecimento não controla seu processo de industrialização através de ordem de produção?

O não controle do processo produtivo por ordem de produção não inviabiliza a prestação da informa-
ção de produção acabada dos produtos gerados nesse processo produtivo. Assim como era exigido no
Modelo 3 (veja art. 72 do Convênio s/nº/1970), a EFD exige também que seja informada a quantidade de
produção dos produtos gerados no processo produtivo (produtos em processo e produtos acabados)
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 299

- K230, bem como as quantidades dos insumos respectivos utilizados nessa produção - K235. Nessa
situação em que não se controla o processo produtivo por ordem de produção, os campos DT_INI_OP,
DT_FIN_OP e COD_DOC_OP do K230 ficarão em branco, conforme consta do Guia Prático da EFD-
-ICMS/IPI. A quantidade de entrada no estoque de produtos em processos e produtos acabados fabri-
cados no estabelecimento do contribuinte é originada da informação prestada no Registro K230.

7.4.138 Qual a diferença entre “produção em elaboração” e “produto em processo”? Como identificar no
Registro K230?

Inicialmente, deve-se conceituar:

a) produção em elaboração: entenda-se por “produção em elaboração” a quantidade de matéria que


não é mais insumo e ainda não se transformou em produto resultante, pois se encontra em elaboração
na fase de produção. Podemos ter produção em elaboração, tanto de produto em processo quanto de
produto acabado.

b) Produto em processo: é o produto resultante de uma fase de produção intermediária do processo


produtivo e que será consumido em uma fase posterior. Exemplo: em uma siderurgia integrada que fa-
brica aços longos (fio máquina), o gusa é um produto em processo neste processo produtivo, pois não
está pronto para ser comercializado e será consumido em uma fase de produção seguinte (aciaria).

A “produção em elaboração”, seja de produto em processo ou produto acabado, não é quantificada no


Registro K230, uma vez que não é mais insumo e ainda não é produto resultante. O que indica a existên-
cia de “produção em elaboração” é a ordem de produção não ser concluída até a data de encerramento
do período de apuração, situação em que a data fim da ordem de produção ficará em branco.

Nestes casos em que a ordem de produção não se encerrou, não há necessidade de a quantidade de
insumos ficar coerente com a quantidade produzida do produto resultante. Essa coerência somente
será verificada quando do encerramento da ordem de produção.

7.4.139 Uma empresa produz embarcações por encomenda conforme especificações fornecidas pelo
cliente. O processo produtivo não utiliza ordem de produção para fabricar o produto final. Existem inú-
meras ordens de produção para fabricar subprodutos e, por sua vez, esses subprodutos irão compor o
produto final. Gostaria de saber, como este tipo de operação deverá ser representado no Registro K230
(ITENS PRODUZIDOS) do SPED Fiscal.

O que o contribuinte denomina como “subproduto”, para a EFD-ICMS/IPI denomina-se como “produto
em processo - tipo 03”. No Registro K230, devem ser informados tanto os produtos em processo - tipo
03 (produto resultante do processo produtivo que está pronto para ser consumido em outra fase de
produção), quanto o “produto acabado - tipo 04”.

7.4.140 Caso um industrializador adquira componentes para montar uma máquina para utilizar em seu
processo produtivo, como ficaria o preenchimento do Bloco K? O que informar no K230 (ITENS PRO-
DUZIDOS)?

A aquisição de componentes para a construção de ativo imobilizado no próprio estabelecimento do


contribuinte e que irá gerar direito ao crédito de ICMS no momento da sua entrada ou no momento da
conclusão da construção do ativo imobilizado, conforme a legislação de cada UF, deve ser informado
no Bloco G (e consequentemente no Registro 0300 - tipo 2) com o tipo de movimentação IA - Registro
G125. Portanto, essa aquisição de componentes não tem nenhuma relação com o Bloco K.
300 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.4.141 No Registro K230 deverão ser informadas somente as ordens de produção (OP) concluídas no
período de apuração?

Não. No Registro K230 devem ser informadas:

a) as OP iniciadas e concluídas no período de apuração (K100);

b) as OP iniciadas e não concluídas no período de apuração (OP em que a produção ficou em elabora-
ção), em que haja informação de produção e/ou consumo de insumos (K235);

c) as OP iniciadas em período anterior e concluídas no período de apuração;

d) as OP iniciadas em período anterior e não concluídas no período de apuração, em que haja informa-
ção de produção e/ou consumo de insumos (K235).

7.4.142 Quando recebo mercadoria para industrialização por encomenda, preciso informar no Bloco K e
Registro 0210 ou deixamos a cargo do encomendante esta informação?

Nesse caso, o informante é o industrializador, que deverá prestar as informações de: quantidade produ-
zida (K230) e insumos consumidos (K235), o consumo específico padronizado (0200/0210) e a quantida-
de em estoque, caso exista (K200).

7.4.143 Como informar no Bloco K as situações em que a ordem de produção foi finalizada, ou seja, o
produto foi construído, porém, dois meses depois o cliente solicita uma alteração no projeto inicial para
incluir um novo sistema de refrigeração?

A situação colocada deve ser informada na escrituração fiscal digital do RCPE da seguinte forma:

a) no período de apuração em que a ordem de produção foi finalizada e o produto resultante estava
pronto para ser comercializado, deve ser gerado um Registro K230 informando a quantidade produzida,
bem como os insumos utilizados no Registro K235;

b) no 2º período seguinte, deve ser gerado um novo Registro K230, contendo uma nova ordem de pro-
dução e um novo produto resultante, informando a quantidade produzida e informando os insumos
utilizados no Registro K235, inclusive o produto devolvido.

7.4.144 Se tenho uma ordem de produção de 100 peças que se inicia em 31/01, com produção de 80 pe-
ças, e finalizada em 03/02 com produção de 20 peças: a) No Registro K230 do mês de fevereiro, devo
demonstrar a data de início real (do mês anterior 31/01) ou o 1º dia do mês da escrituração do RCPE
01/02? b) No Registro K230, devo demonstrar a quantidade produzida no período ou a quantidade total
do produto acabado da Ordem de Produção (em fevereiro a quantidade será 20 ou 100?)?

a) No Registro K230 de fevereiro, o estabelecimento vai informar como data de início aquela de início
real da ordem de produção que, no caso, é 31/01.

b) A quantidade produzida (K230) se refere ao período de apuração (K100). No caso citado, em janeiro
serão informadas 80 peças e no mês de fevereiro serão informadas 20 peças.

7.4.145 No manual consta que o preenchimento do campo 03 do Registro K230 deve conter a data de
conclusão da ordem de produção. Neste caso, como deveremos proceder nos casos que não existir o
código da ordem de produção: deveremos considerar a data de conclusão da produção?

A prestação da informação de quantidade produzida (K230) pode se referir:


Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 301

a) a uma ordem de produção, caso o contribuinte controle a produção por ordem de produção; ou

b) ao período de apuração informado no K100, caso o contribuinte não controle a sua produção por or-
dem de produção. Nesse caso, os campos DT_INI_OP, DT_FIN_OP E COD_DOC_OP do K230 não devem
ser preenchidos.

7.4.146 O PVA aceita Registros K230 sem seus respectivos Registros K235?

Essa situação (K230 sem K235) somente é admitida no período de apuração em que se concluir uma
ordem de produção, cuja produção ficou em elaboração no período de apuração anterior (K230), hi-
pótese em que a informação de insumos consumidos (K235) foi prestada no período de apuração
anterior.

7.4.147 Determinada empresa produz em uma primeira etapa um produto “M”. A partir deste produto “M”
são produzidos três outros produtos: “A”, “B” e “C”. Ocorre que, no final da produção de “A” verifica-se
que este produto não tem determinada característica. Assim, a empresa reprocessa o produto “A”, in-
cluindo os produtos “B” e “C” (que possuem a característica desejada. Como indicar a produção de “A”
com a inclusão dele mesmo como insumo?

a) na 1ª etapa, onde se produz o mosto, deverá ser apontada a quantidade produzida no K230, utilizando
como insumos uva, enzimas e corantes (K235);

b) na 2ª etapa, onde se produz os vinhos, deverá ser apontada a quantidade produzida de cada vinho
no K230, utilizando como insumo o mosto (K235). O envelhecimento não aparece, pois ele acontecerá
com o vinho em estoque;

c) na 3ª etapa, se produz um vinho “D”, utilizando como insumos os vinhos “A”, “B” e “C”;

d) em uma 4ª etapa, ocorrerá o envasamento do vinho “D” em embalagens, gerando novos produtos. O
PVA aceita Registros K230 sem seus respectivos Registros K235?

Para a primeira etapa (produção de “M”), será indicado no Registro K230 o respectivo produto “M” com
seus insumos no K235. Na segunda etapa, deverá ser registrada a produção de “A”, “B” e “C” em três Re-
gistros K230, tendo o produto “M” como insumo (K235). Na última etapa, considerando que o PVA tem
uma regra que diz que o código do insumo (K235) tem de ser diferente do código do produto resultante
(K230), pois, do contrário, não estaria ocorrendo uma industrialização, o contribuinte deverá atribuir um
novo código, por exemplo, “D”, ao produto resultante informando os produtos “A”, “B” e “C” no K235 ou ele
reclassifica o estoque de “A” em “D” no Registro K220, informa o “A” no K230 e informa “B”, “C” e “D” como
insumos (K235).

7.4.148 Atualmente não existe um informativo de Entrada ou Saída para a Ordens de Produção (K230/
K235) e Industrialização (K250/K255), compatível com esta informação no Registro de Controle de Pro-
dução e de Estoque, modelo 3. O PVA não aceita quantidade negativa, mas também não prevê campo
no arquivo com a indicação de Entrada/Saída como o livro citado. Sem essa informação não será pos-
sível demonstrar as movimentações corretamente. Como fazer?

Estorno de produção (K230/K250) ou de consumo (K235/K255) se refere a erros de apontamentos ou


retorno de insumos de ordens de produção em aberto. Erros de apontamentos deverão ser corrigidos
nos períodos de apuração em que ocorreram os apontamentos, por meio da escrituração dos Regis-
tros K270/K275. Entrada e Saída normais são escrituradas por meio do Bloco C (Registro C170 relativo
à NF-e).
302 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.4.149 Nas instruções de preenchimento do Registro K230, há instruções dando conta da produção
que permanece em processo de um período para outro (conforme a instrução de periodicidade do
K100). Nele considera que será zero ou quando houver a conclusão da ordem de produção. Ocorre que,
quando há produção parcial, no período declarado, e a contabilidade reconhece esta situação, haverá
contabilização parcial da produção - tanto dos gastos até então quanto da produção realizada. Por
exemplo, ordem de produção iniciada em dia/mês/ano para fabricação de 10 produtos “A”. Ao final do
mês, haverá consumo de matérias-primas e outros custos para a produção de 7 unidades acabadas e 3
unidades não acabadas. A contabilidade já reconhecerá a produção e permitirá inclusive o faturamen-
to das 7 unidades do produto “A”. Mas como reconhecer no Bloco K, uma vez que as instruções são em
sentido oposto?
A interpretação dada na pergunta sobre a regra existente no Guia Prático da EFD - Registro K230 - está
equivocada. A regra “Deverá existir mesmo que a quantidade de produção acabada seja igual a zero...”.
Diz que poderá nem haver produção acabada, nos casos em que a produção ficou totalmente em elabo-
ração. Isso não impede que seja informada em um período de apuração parte da produção que estava
prevista na OP e que foi acabada nesse período. Não se pode confundir “produção prevista na OP” com
“produção efetivamente acabada no período de apuração”. Veja o objetivo do Registro K230: “Este regis-
tro tem o objetivo de informar a produção acabada...”, e veja a descrição do campo QTD_ENC do K230:
“Quantidade de produção acabada”. Portanto, caso exista produção acabada no período de apuração,
esta deverá ser informada no K230, mesmo que não seja toda a produção prevista na OP. No exemplo,
deverão ser informadas 7 unidades.
7.4.150 Na produção de bens de capital de longo prazo. EX.: início mês1/ano1 e finalizada mês2/ano2, o
bem final é montado na planta do cliente, devido ao seu tamanho. Na execução do projeto, o fatura-
mento é feito antes da entrega final, nas saídas de partes e peças parciais, emitimos notas fiscais com
o CFOP 5.949/6.949. As saídas parciais não necessariamente definem o final do projeto, pois se faz ne-
cessário arcar com custos de instalações do bem (EX.: fiação, placas de metal, etc.), que são mensura-
dos no momento da instalação final. Pergunta-se: (i) Qual o momento que deve ser considerado como
final do projeto? (ii) Como incluir os custos de produção incorridos após a saída das partes e peças para
a montagem final?
a) Durante a fabricação do produto, os insumos/componentes utilizados em cada período de apuração
(K100) deverão ser informados no K235, com o K230 indicando quantidade produzida igual a zero e data
de conclusão da OP em branco;
b) no período de apuração em que se concluir a fabricação do produto, ou seja, quando este produto
estiver pronto para ser comercializado pelo fabricante e pronto para ser utilizado pelo encomendante,
deverá ser escriturada a quantidade produzida do produto resultante (K230), com ou sem o K235 (de-
penderá da utilização de insumo/componente neste período de apuração de conclusão do produto
resultante);
c) todos os insumos que compõem o produto resultante até o momento em que este estiver pronto
para ser comercializado pelo fabricante e pronto para ser utilizado pelo encomendante deverão ser es-
criturados no K235;
d) a baixa do estoque do insumo/componente acontecerá pela quantidade consumida escriturada no
K235.

7.4.151 Como informar no Bloco K a produção de protótipos e o consumo de insumos empregados na


sua elaboração, visto que não existe estrutura de produto ou ordem de produção até que o protótipo
seja aceito?
A elaboração de protótipo não deve ser escriturada no Bloco K e Registros 0200/0210, pois não é resul-
tante do processo produtivo da empresa. Os insumos utilizados na sua elaboração devem ser baixados
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 303

do estoque por meio da emissão de NF-e (se a legislação estadual permitir) e respectivo estorno de
crédito de ICMS e de IPI. A utilização desses insumos é considerada como “consumo interno”, ou seja,
tem destinação diversa do consumo no processo produtivo. O objeto social da empresa não é produzir
“protótipos”. A sua elaboração é efetuada pela área de engenharia, fora, portanto, do processo produti-
vo da empresa. As mercadorias utilizadas na sua construção são consideradas para uso ou consumo
do estabelecimento e o inciso I do art. 33 da Lei Complementar nº 87/1996 veda o direito ao crédito de
ICMS dessas mercadorias. Mesmo que, porventura, esse protótipo venha a ser tributado pelo ICMS na
sua saída, não geraria o direito ao crédito das mercadorias utilizadas na sua construção.

Os Registros K230/K250 somente devem ser escriturados em função da produção de produtos em pro-
cesso - tipo 03 ou produto acabado - tipo 04, e, de acordo com o conceito desses produtos constante no
Guia Prático - Registro 0200, eles devem ser oriundos do processo produtivo. O protótipo não é oriundo
do processo produtivo.

7.4.152 Como informar o cancelamento de uma ordem de produção no Bloco K? Durante o processo
pode haver o cancelamento da ordem sem a produção resultante, mas com o consumo de insumos?

Não existe a possibilidade de informar OP com data de conclusão, mas com quantidade de produção
acabada igual a zero.

As hipóteses de cancelamento de uma OP e seus respectivos procedimentos são as seguintes:

a) se o cancelamento de uma OP ocorrer no mesmo período de apuração em que se iniciou, basta não
a informar no K230;

b) se ocorrer o cancelamento da OP em outro período de apuração e antes da transmissão da EFD,


basta não a informar no K230;

c) se ocorrer o cancelamento da OP em outro período de apuração e depois que a EFD foi transmitida,
a correção do apontamento do consumo de insumo escriturada no K235 deverá ser efetuada por meio
do Registro K275.

O consumo de insumo/componente que não resultou em produto não deve ser escriturado no K235, e
sim no Bloco C, pela emissão de NF-e, com o respectivo estorno de crédito de ICMS/IPI. Dessa forma,
a escrituração da saída do estoque de insumo/componente ocorrerá por meio do Bloco C, e não pelo
Bloco K.

7.4.153 No caso de reprocessamento, como fazer o Registro K230? Por exemplo, a empresa produz soda
cáustica. Em uma situação normal, sua lista técnica é registrada no 0210 e sua produção é detalhada
nos Registros K230 e K235. No entanto, ao enviar o produto final (soda cáustica) para o departamento
de qualidade, o mesmo o reprova e determina a inclusão de novo insumo. Como escriturar os Registros
0210, K230 e K235?

O reprocessamento, onde há agregação de novo insumo, pode ser tratado de 2 formas:

a) quando se conhece a necessidade de reprocessamento antes de se apontar a quantidade produzida


(K230);

b) quando se conhece a necessidade de reprocessamento depois de se apontar a quantidade produzi-


da (K230).

Na primeira situação será necessário apenas apontar a quantidade consumida do novo insumo (K235).
Na segunda situação, temos ainda outras duas hipóteses:
304 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

a) quando o reprocessamento resultar em produto reprocessado com mesmo código do produto a ser
reprocessado, deverão ser escriturados os Registros K260/K265;

b) quando o reprocessamento resultar em produto reprocessado com código diferente do produto a ser
reprocessado, deverá se proceder da seguinte maneira:

I - efetuar a reclassificação do produto que foi recusado pelo controle de qualidade em outro código,
uma vez que o mesmo não está pronto para ser comercializado, por meio de movimentação interna
(K220);

II - abrir uma nova ordem de produção (K230) para produção da soda cáustica, onde haverá o consumo
do produto reclassificado e do novo insumo (K235).

7.4.154 Em uma indústria de queijo, o processo de maturação transforma o produto somente pelo fator
tempo, para cada mês é gerada uma ordem de produção com o objetivo de gerar um novo produto.
Seria uma industrialização, considerando que o produto se transforma em função do tempo? Onde
registrar no Bloco K?

O processo de maturação do queijo é um processo de industrialização, onde há, inclusive, perda normal
no processo. Portanto, deve ser escriturado nos Registros K230/K235.

7.4.155 Em nosso processo produtivo, a abertura de uma ordem de produção prevê uma certa quantida-
de de produto final. Eventualmente a ordem de produção é encerrada sem ter sido produzida a quan-
tidade prevista. Por exemplo, foi criada uma ordem de produção de 100 canetas, mas ao produzir 50
canetas essa ordem foi fechada (foi consumido material para 50 canetas). Como informar no Bloco K?

A quantidade planejada da ordem de produção não é escriturada no Registro K230. Deverá ser escritu-
rada no Registro K230 a quantidade efetivamente acabada (50 unidades) no período de apuração (K100),
com a escrituração da quantidade respectiva efetiva consumida dos insumos no Registro K 235.

7.4.156 Compramos produtos e os reacondicionamos em embalagens menores. É necessário ter uma


embalagem associada ao produto para passar de matéria-prima para produto final? Tenho que apre-
sentar os Registros K230/K235, visto que haverá somente a embalagem?

O reacondicionamento é considerado um processo de industrialização e, portanto, deve ser escriturado


nos Registros K230/K235, com a consequente escrituração dos Registros 0200/0210. Os insumos/com-
ponentes desse processo serão o produto que será reacondicionado e a embalagem - tipo 02.

7.4.157 Temos uma empresa que faz apenas industrialização para terceiros, o que deve ir para o Bloco K?
Os produtos acabados resultantes da industrialização e os insumos próprios utilizados? Não devemos
informar o que veio de terceiros?

Na EFD-ICMS/IPI do estabelecimento industrializador devem ser escriturados todos os insumos/com-


ponentes utilizados na fabricação por encomenda, tanto os insumos recebidos do encomendante quan-
to os insumos próprios do industrializador.

7.4.158 Tenho uma ordem de produção 1 para o produto X, que foi finalizada no mesmo mês que entrou
para produção. No mês seguinte, envio para produção o mesmo produto X com a mesma ordem de
produção 1. Uma outra industrialização, porém, com o mesmo número da ordem. Como registrar no
bloco K?

Desde que a OP seja encerrada no mesmo período de apuração (K100) em que se iniciou, não há proble-
ma em utilizar o mesmo número em outra OP em outro período de apuração.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 305

7.4.159 Considerando a produção de um conjunto moletom (produto acabado - tipo 04) que são consu-
midas, sendo primeiro produzida a blusa com o consumo de malha e botões e, posteriormente, a calça,
com o consumo de malha e cordões. A sequência do processo de produção é: 01 - Corte; 02 - Costura
(feita em terceiros); 03 - Estamparia (feita em terceiros); 04 - Bordado (feito em terceiros); 05 - Embala-
gem; 06 - Estoque Acabado. Como informar no Bloco K?

No processo ocorrido no estabelecimento informante (corte), antes dos processos em terceiros, devem
ser escrituradas:

a) a produção da “blusa cortada” no K230, com o respectivo consumo do insumo “malha” no K235;

b) a produção da “calça cortada” no K230, com o respectivo consumo do insumo “malha” no K235;

c) estoque porventura existente dos insumos e dos produtos em processo resultantes - K200.

Os produtos “blusa cortada” e “calça cortada” devem ser classificados no 0200 como produto em proces-
so - tipo 03. Para cada produto em processo, deverá existir o consumo específico padronizado no 0210.
Quanto aos processos ocorridos em terceiros (costura, estamparia e bordado), existem 02 opções de
escrituração: escrituração de processo único e escrituração de todos os processos. Caso exista a possi-
bilidade de existência de estoque escriturado (K200) do insumo/componente ou do produto resultante
em cada um dos industrializadores, necessariamente, devem ser escriturados todos os processos:

1) processo único:

a) remessa dos produtos em processo “blusa cortada” e “calça cortada” e das matérias-primas: “botão” e
“cordão”- ao 1º industrializador (corte): Registro C100/NF-e;

b) produção do produto em processo “blusa costurada, estampada e bordada” no K250, baseada na


quantidade existente na NF-e de industrialização emitida pelo último industrializador (bordado), mais a
variação de estoque em terceiro porventura existente, com o respectivo consumo do produto em pro-
cesso “blusa cortada” - K255, baseado na quantidade remetida mais a variação de estoque em terceiro
porventura existente;

c) produção do produto em processo “calça costurada, estampada e bordada” no K250, baseada na


quantidade existente na NF-e de industrialização emitida pelo último industrializador (bordado), mais a
variação de estoque em terceiro porventura existente, com o respectivo consumo do produto em pro-
cesso “calça cortada” - K255, baseado na quantidade remetida mais a variação de estoque em terceiro
porventura existente ;

d) estoque porventura existente em terceiro dos produtos em processo remetidos e dos produtos re-
sultantes - K200. Os produtos “blusa costurada, estampada e bordada” e “calça costurada, estampada e
bordada” devem ser classificados no 0200 como produto em processo - tipo 03. Para cada produto em
processo, deverão existir os consumos específicos padronizados dos componentes no 0210.

2) Todos os processos:

Processo no 1º Industrializador - costura:

a) remessa dos produtos em processo “blusa cortada”, “calça cortada” e das matérias-primas: “botão” e
“cordão” - ao industrializador : Registro C100/NF-e;

b) produção do produto em processo “blusa costurada” no K250, baseada na quantidade existente na


NF-e de industrialização emitida pelo industrializador, mais a variação de estoque em terceiro porven-
306 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

tura existente, com o respectivo consumo do produto em processo “blusa cortada” - K255, baseado na
quantidade remetida, mais a variação de estoque em terceiro porventura existente;
c) produção do produto em processo “calça costurada” no K250, baseada na quantidade existente na
NF-e de industrialização emitida pelo industrializador, mais a variação de estoque em terceiro porven-
tura existente, com o respectivo consumo do produto em processo “calça cortada” - K255, baseado na
quantidade remetida, mais a variação de estoque em terceiro porventura existente;
d) estoque porventura existente em terceiro dos produtos em processo remetidos e dos produtos resul-
tantes - K200.
Os produtos “blusa costurada” e “calça costurada” devem ser classificados no 0200 como produto em
processo - tipo 03. Para cada produto em processo, deverão existir os consumos específicos padroniza-
dos dos componentes no 0210.
Processo no 2º Industrializador - estamparia:
a) remessa dos produtos em processo “blusa costurada” e “calça costurada” ao industrializador: Registro
C100/NF-e;
b) produção do produto em processo “blusa estampada” no K250, baseada na quantidade existente na
NF-e de industrialização emitida pelo industrializador, mais a variação de estoque em terceiro porventu-
ra existente, com o respectivo consumo do produto em processo “blusa costurada” - K255, baseado na
quantidade remetida, mais a variação de estoque em terceiro porventura existente;
c) produção do produto em processo “calça estampada” no K250, baseada na quantidade existente na
NF-e de industrialização emitida pelo industrializador, mais a variação de estoque em terceiro porventu-
ra existente, com o respectivo consumo do produto em processo “calça costurada” - K255, baseado na
quantidade remetida, mais a variação de estoque em terceiro porventura existente;
d) estoque porventura existente em terceiro dos produtos em processo remetidos e dos produtos resul-
tantes - K200.
Os produtos “blusa estampada” e “calça estampada” devem ser classificados no 0200 como produto em
processo - tipo 03. Para cada produto em processo, deverá existir o consumo específico padronizado do
componente no 0210.
Processo no 3º Industrializador - bordado:
a) remessa dos produtos em processo “blusa estampada” e “calça estampada” ao industrializador: Regis-
tro C100/NF-e;
b) produção do produto em processo “blusa bordada” no K250, baseada na quantidade existente na
NF-e de industrialização emitida pelo industrializador, mais a variação de estoque em terceiro porventu-
ra existente, com o respectivo consumo do produto em processo “blusa estampada” - K255, baseado na
quantidade remetida, mais a variação de estoque em terceiro porventura existente;
c) produção do produto em processo “calça bordada” no K250, baseada na quantidade existente na NF-e
de industrialização emitida pelo industrializador, mais a variação de estoque em terceiro porventura
existente, com o respectivo consumo do produto em processo “calça estampada” - K255, baseado na
quantidade remetida, mais a variação de estoque em terceiro porventura existente;
d) estoque porventura existente em terceiro dos produtos em processo remetidos e dos produtos resul-
tantes - K200.
Os produtos “blusa bordada” e “calça bordada” devem ser classificados no 0200 como produto em pro-
cesso -tipo 03. Para cada produto em processo, deverá existir o consumo específico padronizado do
componente no 0210.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 307

No processo ocorrido no estabelecimento informante (embalagem), depois dos processos ocorridos em


terceiros, devem ser escrituradas:

a) a produção do “conjunto moletom” no K230, com o respectivo consumo dos produtos em processo
“blusa bordada” e “calça bordada” e da “embalagem” no K235;

b) estoque porventura existente dos produtos em processo e do produto acabado resultante - K200;

O produto “conjunto moletom” deve ser classificado no 0200 como produto acabado - tipo 04 e deverão
existir os consumos específicos padronizados dos componentes no 0210.

7.4.160 Minha empresa trabalha com o processo de montagem de kit, que consiste na reunião de vários
produtos acabados que são transformados em um novo produto - kit. Como informar no Bloco K?

O kit é um produto resultante acabado, com código específico, a ser escriturado no Registro K230, com
o respectivo consumo de outros produtos acabados escriturados no Registro K235. Não há impedimen-
to de que o insumo/componente seja um produto acabado - tipo 04.

7.4.161 Considerando que a empresa é atacadista e indústria, alguns itens são comprados e revendi-
dos apenas. Porém, ocasionalmente, a peça sofre defeito e precisa de reparo. O reparo é executado na
mesma empresa, porém são usados outros componentes que são somente revenda ou componentes
da produção de outros produtos. Como fica esse lançamento no Bloco K, visto que esse item somente
teve utilização de outros componentes em determinado mês?

Essa situação poderá resultar em 02 hipóteses:

a) quando o reparo resultar em mercadoria reparada com mesmo código da mercadoria a ser reparada;

b) quando o reparo resultar em mercadoria reparada com código diferente da mercadoria a ser reparada.

Na 1ª hipótese, deverão ser escriturados os Registros K260/K2765.

Na 2ª hipótese, deverão ser escriturados os Registros:

K230 - Produto reparado;

K235 - Mercadoria a ser reparada;

K235 - Mercadoria para revenda;

K235 - Outro insumo.

Com os respectivos 0200/0210:

0200 - Produto reparado;

0210 - Mercadoria a ser reparada;

0210 - Mercadoria para revenda;

0210 - Outro insumo.

Não há impedimento de que sejam consumidas mercadorias classificadas no 0200 como “mercadorias
para revenda - Tipo 00”.
308 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.4.162 Consideremos uma empresa que industrializa e presta serviços de recuperação. Quais registros
do Bloco K deverão ser apresentados para a parcela de serviços prestados, considerando que há con-
sumo de insumos nesta prestação? Apenas K200 - controle do estoque dos insumos consumidos nos
serviços? E caso os insumos utilizados no serviço sejam comuns à industrialização, ou seja, insumos
utilizados em linha produtiva e em serviços de recuperação? Como será informado? E no caso de re-
messa para industrialização de bens que estão sendo recuperados por meio da prestação de serviço,
ou seja, bens de terceiros? Deverá haver K250?

Esse caso é similar ao caso da indústria gráfica: temos em um mesmo estabelecimento as atividades
de industrialização e prestação de serviços, onde poderá ocorrer o consumo de um mesmo insumo em
processo de industrialização e em prestação de serviços. Portanto, entendemos que o contribuinte de-
verá proceder da seguinte forma:

a) a quantidade consumida de insumos que são comuns às 2 atividades econômicas - industrialização


e prestação de serviços - será baixada do estoque:

a.1) na prestação de serviços, tributada pelo ISSQN, por meio de movimentação interna - Registro K220.
A mercadoria de destino (outro código) dessa movimentação interna seria classificada no 0200 como
tipo 10 - Outros Insumos;

a.2) a quantidade consumida no processo de industrialização será escriturada no Registro K235;

b) o insumo exclusivo da atividade de prestação de serviços não será escriturado no Bloco K (consumo/
estoque escriturado);

c) o processo ocorrido em terceiro derivado da prestação de serviços não será escriturado nos Registros
K250/K255. Estes registros têm o objetivo de prestar informações de processos pertinentes ao processo
de industrialização do informante que são efetuados por terceiro.

7.4.163 O artigo 76 da Seção VIII do Livro de Inventário consta que devem ser arrolados, pelos seus valo-
res e com especificações que permitam sua perfeita identificação, as mercadorias, as matérias-primas,
os produtos intermediários, os materiais de embalagem, os produtos manufaturados e os produtos em
fabricação, existentes no estabelecimento à época do balanço. Diante disso, o nosso entendimento é
que os produtos em fabricação serão considerados no inventário anual, entretanto, não serão conside-
rados no Bloco K mensalmente, já que no manual/SPED ref. ao Registro K 230 consta que a produção
que ficou em elaboração não é quantificada. Qual é o entendimento da RFB?

Os “produtos em fabricação” a que se refere o Convênio s/nº/1970 são os “produtos em processo - tipo
03”, previstos na EFD-ICMS/IPI, e não à “produção em elaboração”, que pode ser tanto de “produto em
processo - tipo 03” quanto de “produto acabado - tipo 04”.

7.4.164 Em nossa empresa há ordem de produção que SEMPRE inicia às 6h da manhã de um dia e fecha
às 6h da manhã do dia seguinte. Para fins de controle, a empresa considera sempre essa ordem dentro
de um mesmo dia, sendo considerado o dia de abertura da ordem. Podemos seguir essa regra para o
envio das ordens no Bloco K? E quando iniciar no dia 30 de um mês e fechar às 06h do mês seguinte,
posso considerar essa ordem dentro do dia 30? Quais os impactos?

Se o contribuinte reconhecer toda a quantidade produzida da OP no mesmo dia de abertura, essa OP


deverá ser concluída no mesmo dia (campo DT_FIN_OP do K230).
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 309

7.4.165 Qual tratamento deve ser dado aos produtos que são resultantes da produção de protótipos e
que acabam virando amostras? Conforme a pergunta 7.4.153, os protótipos não serão informados no
Bloco K, pois são de uso interno da empresa e não são oriundos do processo produtivo. Devo conside-
rar a produção de amostras tal qual a produção de protótipos? Afinal de contas, minha empresa comer-
cializa produtos de linha e não amostras.

Todos os protótipos, ainda que venham a dar origem a amostras, não devem ser informados no Bloco K,
conforme demonstrado na resposta ao quesito 7.4.151.

7.4.166 Alguns produtos da empresa são controlados por ordem de produção e a produção de outros é
controlada mensalmente. Consideramos duas formas para a escrituração no Bloco K:

- Escriturar parte do processo produtivo com as informações de ordem de produção e a outra parte
sem ordem de produção (por período de apuração);

- Abrir uma OP e utilizá-la para escriturar o Registro K230/K235 em diversos períodos. Neste caso, utili-
zaríamos a mesma OP em diversos períodos sem escriturar o campo 03 (DT_FIN_OP) do Registro K230.

Sendo assim, questionamos:

- A empresa pode optar pela opção 1?

- A empresa pode optar pela opção 2?

- Qual a forma com a melhor evidenciação do processo produtivo da empresa?

A escrituração dos Registros K230/K235 deve ser um espelho do controle de produção do estabeleci-
mento informante. Se o controle da produção é por ordem de produção, necessariamente os K230/K235
deverão ser escriturados por ordem de produção. Caso contrário, a escrituração será por período de
apuração. Portanto, não é uma opção do contribuinte. Lembramos que, se a escrituração for por período
de apuração, a quantidade consumida escriturada no K235 deverá ser a quantidade necessária para se
produzir a quantidade de produção acabada do produto resultante escriturada no K230.

A ordem de produção somente poderá ficar aberta (sem data de conclusão) se realmente ficou produ-
ção em elaboração.

7.4.167 A produção da nossa empresa é contínua e o número da ordem de produção é sempre o mesmo.

Esta prática é para todos os materiais do início ao fim do nosso processo produtivo, inclusive o cimento
(produto acabado).

Deverá ser feita uma ordem de produção por mês? Ou o campo DT_FIN_OP do Registro K230 deverá
ficar sempre em branco, conforme regra do Guia Prático?

Complementando: o envio será por Ordem de Produção sim, a questão é a escolha da forma de envio
do K230, se será, no “cenário em questão”:

1) sempre com a data fim em “aberto”, pois se trata da mesma Ordem de Produção (contínua), e a cada
mês que for transmitido, continuo deixando com a data fim em aberto, pois essa ordem não se encer-
rará;

Obs.: (esse entendimento se dá devido à regra de fechamento de ordem em períodos diferentes, onde
haverá data fim quando a ordem for efetivamente fechada).
310 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

2) ou teremos que, em cada período, “informar a data fim da Ordem” e enviar novamente com o mesmo
número de ORD PROD no mês seguinte com suas respectivas informações e com a Data Fim “para
fechamento de período”.

Poderíamos, nesse caso, escolher por se tratar de ordem contínua? Ou seria uma das opções a ser
seguida?

Uma ordem de produção somente poderá ficar em aberto se ficou produção em elaboração no final do
período de apuração (K100), ou seja, produção que foi iniciada e ainda não se concluiu completamente,
com o respectivo consumo de insumos para se ter essa produção escriturado no K235.

Considerando a situação colocada, a OP sempre terá que ser encerrada ao final do período de apura-
ção, escriturando a produção acabada no K230 e a quantidade consumida de insumos para se ter essa
produção no K235.

7.4.168 Uma indústria do ramo de fibras sintéticas (CNAE 23.30.3.03) tem como produção apenas um
produto final e um semiacabado (usado como insumos para o PA). Sendo assim, a empresa usa um mo-
delo de produção contínua, onde NÃO são criadas ordens de produção (K230), sendo apenas criados
códigos de centros de trabalhos, onde são atreladas as listas de consumo detalhadas (K235) e alo-
cados os custo produtivos, com fechamentos mensais. Como esse procedimento produtivo deve ser
informado no Bloco K? Posso informar esses centros de trabalho como Ordens Produtivas?

O estabelecimento industrial que não controla a produção por ordem de produção pode escriturá-la
por período de apuração informado no Registro K100. A quantidade de insumos consumida a ser es-
criturada no Registro K235 respectivo deve refletir a quantidade necessária para se obter a quantidade
produzida do produto resultante escriturada no Registro K230. Nesse caso, os campos do K230 que se
referem à ordem de produção (campos 02, 03 e 04) devem ficar em branco.

Cabe alertar que devem ser escrituradas no K230 as produções tanto de produtos em processo - tipo 03
(denominado pelo contribuinte como semiacabado) quanto os produtos acabados - tipo 04 (denomina-
do pelo contribuinte como produto final).

7.4.169 Caso uma empresa tenha ordem de produção, ela pode repetir a numeração em uma nova or-
dem de produção? Ex.: Ordem de compra continuada?

A OP “001” relativa a um produto “X” (K230) iniciada e encerrada no período de apuração “1” (K100) é di-
ferente da OP “001” relativa a um produto “X” e iniciada e encerrada em outro período de apuração - “2”.
O que não pode ocorrer é de a OP “001” relativa ao produto X ficar em aberto no período “1” e no período
“2” se iniciar outra OP relativa ao produto “X” com o mesmo número.

7.4.170 Nossa atividade é frigorífico de bovinos e temos dúvidas de como estruturar corretamente as
fichas técnicas.

Compramos o boi vivo “a rendimento” dos produtores, a nota do produtor não contém o peso do boi
vivo e nem pesamos quando da entrada dos animais na empresa. Após abate, temos o peso da “carcaça
de boi”, que é o início do nosso processo, entrada no estoque de matéria-prima: carcaça de boi.

Nossa dúvida é se posso considerar a matéria-prima inicial carcaça (nota do produtor) ou se preciso
informar que se inicia do boi vivo (nossa nota com peso da carcaça)?

Obs.: (A “contranota” para o produtor rural é emitida com os pesos de carcaça).

A atividade econômica “1011-2/01 - Frigorífico - Abate de Bovinos” compreende os processos de abate e


a produção de carne verde, congelada e frigorificada de bovinos em carcaças ou em peças. Portanto, o
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 311

processo produtivo se inicia com o abate, onde o insumo é o boi vivo e o produto resultante é a carcaça,
e de onde se originam também subprodutos (couros e peles sem curtir, dentes, etc.).

Conforme conceito existente no Guia Prático da EFD-ICMS/IPI, matéria-prima é aquela mercadoria que
não é originada do processo produtivo, ou seja, é adquirida ou recebida de terceiros. O frigorífico não
adquire ou recebe carcaças, e sim boi vivo, cuja unidade de medida é kg ou arroba. A escrituração de
sua entrada no estabelecimento é efetuada no Bloco C - Registros C100/C170/NF-e. Já a carcaça é resul-
tante do processo produtivo e deve ser classificada no Registro 0200 como produto em processo - tipo
03, pois pode ser consumida em outra fase de produção, tendo como produtos resultantes as peças de
carne ou como produto acabado - tipo 04, pois pode ser vendida. A quantidade produzida deverá ser
escriturada no Registro K230 (entrada em estoque).

7.4.171 Indústria química, antes de ser dada entrada no estoque do produto acabado, ao ser identificada
alguma não conformidade, o mesmo é enviado para reprocesso, sendo que parte dos insumos desses
produtos são reutilizados em novas ordens de produção. Para alimentar o estoque do saldo a ser re-
processado, a empresa possui na ficha técnica uma quantidade negativa que resultará em um ajuste
de estoque positivo. Sendo assim, qual o procedimento a ser adotado para fins de Bloco K, sendo que
a empresa não consegue mensurar em que momento poderá ocorrer a sobra para reprocesso, pois
automaticamente retorna ao processo para ser consumida e também não sabe em qual ordem será
reutilizado o insumo/subproduto? Informações complementares:

Para o processo produtivo do produto X são abertas várias ordens de produção e, ao final do processo
produtivo, caso seja identificada alguma irregularidade no produto X, o mesmo é reenviado ao proces-
so produtivo (ele é aberto e os insumos voltam ao processo, no entanto ele ainda não foi alimentado no
estoque), sendo reutilizado em novas ordens de produção.

Ao ser reutilizado em uma nova ordem consequentemente altera o consumo dos insumos na nova or-
dem de produção, pois o consumo da parte reutilizada altera o consumo dos demais insumos. Contudo,
como esses insumos são baixados do estoque pela ficha técnica, acabam sendo baixadas do estoque
quantidades maiores do que efetivamente foi consumido. A diferença é alimentada no estoque pelo in-
sumo D que aparece na ficha técnica de forma negativa que, em vez de consumir, faz um ajuste positivo
no estoque.

A empresa faz isso porque não há como saber quanto gerou de subproduto e ainda não há como saber
em qual ordem de produção foi consumido o subproduto para criar uma nova ficha técnica consumin-
do o subproduto.

Assim pergunto: qual a melhor tratativa no Bloco K?

Para fins de escrituração do Bloco K, um produto resultante somente entra no estoque quando a sua pro-
dução está acabada, por meio da escrituração do Registro K230. E para essa produção acabada, devem ser
escriturados os insumos efetivamente consumidos no Registro K235. Aquilo que acontece no processo
produtivo antes do reconhecimento da produção acabada não deve ser escriturado no Bloco K.

7.4.172 Uma empresa do ramo de leite tem a situação:

- Recebe-se leite de terceiros para beneficiamento;

- Deste processo é devolvido o leite beneficiado e na geração de leite desnatado ocorre a geração de
um subproduto que é o creme de leite;

- No retorno do beneficiamento é feita uma nota com o valor integral do que foi recebido, pois não há
perda;
312 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

- Por um acordo comercial, este creme de leite fica com a empresa beneficiadora que depois o envasa
e vende.

Dúvidas: com o Bloco K, como justificar essa entrada em estoque do creme de leite na empresa benefi-
ciadora? E, fiscalmente, como tratar essa situação já que hoje não ocorre emissão de nota?

Considerando as especificidades das legislações de cada UF, para ter segurança jurídica neste caso,
faça uma consulta tributária formal em sua UF.

Resposta para Minas Gerais:

O creme de leite produzido não é um subproduto e sim um coproduto. Dessa industrialização do leite
obtêm-se dois produtos: leite desnatado e creme de leite. Portanto, temos uma produção conjunta,
onde de um mesmo insumo obtém-se mais de um produto resultante. Dessa forma, a produção desses
produtos pelo industrializador para terceiro por encomenda deverá ser escriturada no Registro K230,
com o respectivo consumo de leite do encomendante sendo escriturado no K235. Já o encomendante
fará a escrituração dessa produção no Registro K250, com o respectivo consumo de leite no Registro
K255. Considerando que esses produtos são de propriedade de terceiro, o industrializador deve remeter
esses 2 produtos ao encomendante por meio de NF-e, mesmo que a remessa de creme de leite seja
simbólica.

Para complementar a transação, o encomendante vende o creme de leite ao industrializador, por meio
de NF-e. O industrializador escritura a entrada de creme de leite no Registro C170.

Posteriormente, o industrializador produz o “creme de leite envasado” e escritura no Registro K230, com
o respectivo consumo de “creme de leite” e “embalagem”, escriturados no Registro K235.

Resposta para São Paulo:

No industrializador, o leite desnatado e o creme de leite devem ser declarados no registro K230, apon-
tando-se como insumo o leite do encomendante. Nas operações internas a SP, a NF-e de retorno da
industrialização trará apenas o retorno simbólico do leite do encomendante (CFOP 5902) e a mão de
obra faturada (CFOP 5124). Nas operações interestaduais em que a UF do emitente da nota de retorno
exige que o produto industrializado seja declarado como um item, a NF-e de industrialização trará o re-
torno simbólico do leite do encomendante (CFOP 5902) e o com o CFOP 5124, o creme de leite e o leite
desnatado. O encomendante fará a escrituração da industrialização em terceiro do leite desnatado e
do creme de leite, através do Registro K250, apontando uma parcela do leite remetido como insumo do
leite desnatado e outra parcela do leite remetido como insumo do creme de leite. O registro da venda
do creme de leite deve ser feito através de NF-e do encomendante para o industrializador. O industria-
lizador escritura a entrada de creme de leite no Registro C170. O processo de envase do creme de leite
no industrializador é declarado através do Registro K230, apontando-se como insumos (K235) o creme
de leite e a embalagem.

7.4.173 Empresa produtora de pneus tem diversas fases de produção e, em muitas delas, ainda não há
sistema integrado de produção com o meu ERP, de modo que a produção não é controlada por ordens
de produção. Dessa forma, posso informar, no Bloco K, parte da produção por período de apuração (a
parte que não tenho controle por ordens) e outra parte da produção por ordem de produção?

A informação de produção no Registro K230 está vinculada ao produto resultante e, portanto, não há im-
pedimento para que a produção de alguns produtos resultantes seja informada por período de apuração
e, para outros produtos resultantes, a produção seja informada por ordem de produção.
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 313

7.4.174 No nosso sistema durante o apontamento da produção é possível informar a quantidade boa
produzida (que entra no estoque) e a quantidade de refugo (que NÃO gera estoque). Contabilmente
esse processo está correto, pois baixa os insumos e as atividades para a quantidade total. Como devo
informar essas quantidades no Bloco K? E se o refugo for TOTAL? Lembrando que a quantidade de re-
fugo não gera estoque e não realizamos movimento de baixa para ele.

Da exposição podemos depreender que o refugo é uma perda anormal no processo produtivo (não
esperada) e cujo produto resultante não tem aproveitamento econômico, seja no próprio processo pro-
dutivo ou no mercado. Dessa forma, segundo a legislação vigente, esse refugo resultará no estorno de
crédito de ICMS/IPI dos insumos utilizados, e, portanto, precisa ser quantificada. Para tanto, o contri-
buinte deverá apontar a produção no K230 da quantidade boa e da quantidade refugada, posteriormen-
te, baixar do estoque de produto resultante a quantidade refugada por meio da emissão de NF-e em
nome do próprio contribuinte.

7.4.175 Como reportar retorno de componentes ao estoque?

No Registro K235, a informação a ser prestada deve se referir ao consumo efetivo no processo produ-
tivo no período de apuração. Como consumo efetivo, devemos considerar o resultado da quantidade
requisitada ao almoxarifado menos a quantidade de retorno ao almoxarifado. Quando a necessidade de
correção da quantidade consumida (K235) é conhecida após a transmissão da EFD, caberá a correção
da quantidade consumida do período em que ocorreu o apontamento do consumo (K235) por meio do
Registro K275, de tal forma que fique refletida a quantidade consumida de insumo para se produzir a
quantidade de produto resultante informada no K230.

7.4.176 Como informar no Registro K235 os casos de empresas que produzem itens que utilizam como
insumos reprocessados, como no caso de indústrias químicas?

Podemos depreender que esse reprocessamento resulta em produto reprocessado com mesmo código
do produto a ser reprocessado. Dessa forma, deverão ser escriturados os Registros K260 e K265, caso
exista consumo de insumo/componente.

7.4.177 Como informar no Registro K235 os casos em que, no período de apuração, houve somente re-
torno de insumos ao estoque?

Se está ocorrendo devolução ao estoque de um insumo, significa que houve erro de apontamento de
consumo em período anterior, ou seja, na prestação da informação do K235, o consumo efetivo escri-
turado está errado. Neste caso, a correção do apontamento de consumo deverá ocorrer por meio do
Registro K275.

7.4.178 Fabricante de calçados efetua o abastecimento da matéria-prima para a produção antes de ini-
ciar a Ordem de Produção. Portanto, para evitar perda de produtividade, o abastecimento já ocorre no
dia anterior ao da produção. Exemplo: Segunda-feira (04.08.2014) 17h = abastecimento/saída do Esto-
que. Terça-feira (05.08.2014) 7h = início OP 1; 8h = início OP 2. Como informar o campo 2 do Registro
K235, uma vez que a data de saída deve ser maior que o início da OP?

A informação de consumo efetivo de insumo (K235) está vinculada ao produto resultante informado
no K230, via ordem de produção ou não. Portanto, a informação de quantidade consumida para se
produzir um produto somente é alocada ao produto resultante quando se conhece o produto que
será produzido. Assim, a data de saída do estoque do insumo deve ser a data de início da ordem de
produção.
314 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

7.4.179 Em nossa empresa damos saída dos insumos do almoxarifado para a produção NÃO na quanti-
dade exata necessária a uma determinada ordem de produção. Um exemplo é a cola de sapato. A saída
é feita em bombona, um reservatório plástico ou metálico, com capacidade de armazenagem muito
maior do que a necessária para uma ordem de produção. O setor de produção vai utilizar a cola contida
na bombona em várias ordens de produção até acabar, quando então faz a requisição de nova bom-
bona para o almoxarifado. Neste caso, como devemos informar o Registro K235 (insumo consumido)?
Qual a data de saída a ser considerada no K235?

No caso em questão, o consumo efetivo (K235) será apontado por meio do consumo específico padrão
(0210), considerando a quantidade produzida informada no K230 (Itens Produzidos). A quantidade a ser
baixada no estoque do insumo (cola) será o somatório das quantidades consumidas informadas no
K235 no período de apuração (K100). Dessa forma, a quantidade de insumo (cola) existente na bombona
ao final do período de apuração deverá ser considerada ainda em estoque (K200), alterando-se apenas
o local físico em que se encontra o estoque. A data de saída a ser escriturada no K235 deve estar com-
preendida no período da ordem de produção, se existente, campos DT_INI_OP e DT_FIN_OP do Regis-
tro K230. Se DT_FIN_OP do Registro K230 - Itens Produzidos estiver em branco, o campo DT_SAÍDA
deverá ser maior que o campo DT_INI_OP do Registro K230 e menor ou igual a DT_FIN do Registro K100.
E em qualquer hipótese a data deve estar compreendida no período de apuração - K 100.

7.4.180 Como registrar erros de apontamento no Bloco K? Exemplo: a matéria-prima “A” é utilizada na
fabricação do produto “B”. Em algumas situações a matéria-prima “A” acaba sobrando na ordem de
produção. Entre estas situações temos: erro na ficha técnica (0210), qualidade da matéria-prima melhor
que a habitual (aumentando o rendimento esperado no 0210), eficiência do empregado na manipula-
ção da matéria-prima, erro no abastecimento (almoxarifado para a produção), abastecimento de mate-
riais por solicitação da produção.

O exemplo citado se refere a erro de apontamento da quantidade consumida, não importa por qual
motivo. Caso a ciência do erro de apontamento ocorrer em outro período de apuração, mas antes da
transmissão da EFD-ICMS/IPI, o erro deve ser corrigido antes da transmissão, por meio da informação
da correta quantidade consumida em cada OP. Quando se tiver conhecimento desse erro de apon-
tamento em outro período de apuração e já tiver ocorrido a transmissão da EFD-ICMS/IPI, deverá ser
corrigida a quantidade consumida relativa ao período em que ocorreu o erro de apontamento por meio
do Registro K275.

7.4.181 Determinada ordem de produção utilizou matéria-prima que não constou em registro de saída
do almoxarifado e, consequentemente, tal matéria-prima não foi alocada como item consumido (K235).
Como fazer?

Mesmo que o erro seja conhecido após o fechamento da OP, a quantidade consumida do insumo de-
verá ser informada no K235, vinculado à OP e produto resultante informado no K230. Não tem como
informar a quantidade consumida (K235) sem vincular a um produto resultante ou a uma OP, uma vez
que o Registro K235 é filho do K230. Se a ciência do erro ocorrer antes da transmissão da EFD-ICMS/
IPI, o problema deverá ser corrigido antes de se gerar a EFD. Caso a ciência do erro ocorrer após a
transmissão, deverá ser corrigida a quantidade consumida relativa ao período em que ocorreu o erro de
apontamento por meio do Registro K275.

7.4.182 Como informar no Registro K235, campo 05 COD_INS_SUBST (código do insumo que foi substi-
tuído, caso ocorra substituição - campo 02 do Registro 0210), quando o mesmo produto substitui vários
insumos/componentes no Registro 0210? Por exemplo, para produzir um produto X, utilizo os seguintes
insumos informados no Registro 0210 - insumo 1, insumo 2 e insumo 3. Porém, algumas vezes, posso
substituir os três insumos por uma liga que é composta destes mesmos três insumos. Como informar
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 315

no Registro K235, sendo que a liga substitui os insumos 1, 2 e 3, porém tenho somente um campo para
informar o produto substituído?

Essa é uma situação onde há o consumo de insumos interdependentes (insumos em que o aumento
da participação de um resulta em diminuição da participação de outro ou outros). Nesse caso, para
informação do consumo específico padronizado (Registro 0210), esses insumos deverão ser agrupados,
mediante a eleição de um dos insumos (considerando o exemplo, deverá ser eleito o insumo “Liga”).
Quando do consumo efetivo (K235), os demais insumos (insumo 1/insumo 2/insumo 3) deverão ser con-
siderados substitutos, informando como substituído o insumo eleito (Liga).

7.4.183 Determinado produto é recusado pelo controle de qualidade. Este produto é reclassificado e
então desmontado para que suas partes sejam reaproveitadas em novo processo produtivo. Como in-
formar esta situação no Bloco K? Como informar este novo produto e suas partes no Registro 0210?

Essa situação deverá ser escriturada nos Registros K210/K215.

7.4.184 Quando ocorre a devolução de vendas em período futuro (divergente do esperado), ora já infor-
mada como encerrada a ordem de produção, podemos reabrir e efetuar as tratativas complementares
e fechar novamente a Ordem? Exemplo: Ordem fechada em julho, em setembro recebemos a solicita-
ção para reabertura da ordem encerrada em julho para agregar insumos e novamente será encerrada
em setembro. Como informar nos Registros K200 e K235?

Podemos depreender que esse reprocesso resultará em produto reprocessado com o mesmo código do
produto a ser reprocessado. Nesse caso, esse reprocesso deverá escriturado nos Registros K260/K265.

7.4.185 Se tenho uma ordem de produção de 100 peças que se inicia em 31/01 com produção de 80 peças
e finalizada em 03/02 com produção de 20 peças: no registro K235, devo demonstrar a quantidade de
insumo consumida no período ou a quantidade total do insumo consumido na ordem de produção?

No mês de janeiro haverá o consumo de insumo (K235) para se produzir 100 peças. Entretanto, neste
mês apenas foram acabadas 80 peças (K230). Nesse caso, a ordem de produção ficará em aberto nes-
te mês. No mês de fevereiro haverá a produção de 20 peças (K230) sem nenhum consumo de insumo
(K235), pois o consumo já foi apontado no mês de janeiro.

7.4.186 No Registro K235 serão aceitos valores negativos nos casos de devoluções?

Em nenhum registro são aceitas quantidades negativas. Se a devolução ocorrer no mesmo período de
apuração, informar a quantidade consumida efetiva (saída - devolução). Se a devolução ocorrer em outro
período, caberá a correção da quantidade consumida em período anterior por meio do Registro K275.

7.4.187 Como informar no Registro K235 os casos em que um insumo gerou mais de um produto?

Para o caso de produção conjunta, onde o consumo de uma mesma matéria-prima gera mais de um pro-
duto resultante, devem ser informadas as quantidades de consumo de matéria-prima para cada produto
resultante (K235/K230). Para informar a quantidade consumida para cada produto resultante (Registro
K235), a empresa deverá utilizar o próprio consumo específico informado (0210) para determinar quanto
de matéria-prima está sendo utilizada em cada um desses produtos resultantes. Como exemplo temos
o caso do petróleo, em que, para uma determinada quantidade da matéria-prima, são gerados diversos
produtos como a gasolina, gás GLP, querosene, óleo diesel, parafina e asfalto. Para o exemplo citado,
considerando que a perda normal no processo seja equivalente para os 06 produtos resultantes, tería-
mos o seguinte consumo específico:

100 l (petróleo) / 85 l (produtos resultantes) = 1,176471 l


316 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Dessa forma, teríamos as seguintes quantidades de consumos efetivos (K235): Produção (K230)

PRODUTOS QUANT. CONSUMO ESPECÍFICO (0210) QUANT. CONSUMIDA PETRÓLEO (K235)

Gasolina 20 1,176471 23

Gás GLP 5 1,176471 06

Querosene 10 1,176471 12

Óleo Diesel 15 1,176471 18

Parafina 5 1,176471 06

Asfalto 30 1,176471 35

Total 100

Se a empresa concluir que a perda normal não é uniforme, ou seja, que a perda normal da matéria-prima
“petróleo”, para se produzir o produto resultante “gasolina”, diverge da perda normal da matéria-prima
para se produzir os demais produtos resultantes, deverá informar consumos específicos diferentes para
cada um desses produtos resultantes (Registro 0210).

7.4.188 Como tratar um “reprocesso” quando significar a substituição de uma peça no produto já finali-
zado, como nos casos de troca de cor externa de um notebook, assim, a capa não utilizada volta ao es-
toque, ou seja, o saldo de capas não sofre alteração, visto que ocorreu substituição do mesmo produto
característico?

A troca de peças não altera o código do produto acabado. Considerando as informações prestadas,
onde o código do insumo/componente não se altera, pois o estoque não é alterado. Esse reprocesso
não precisa ser escriturado no Bloco K.

7.4.189 No Registro K235, posso substituir um produto constante da lista técnica por diversos produtos?
Por exemplo, tenho na minha lista técnica que, para produzir o produto A, preciso de “x” quantidade do
produto B. Porém, na minha produção tive que substituir o produto B pelos produtos C e D.

Sim. Não há impedimento para que mais de um insumo (C e D) substitua o mesmo insumo (B). Neste
caso, considera-se que cada insumo (C e D) estaria substituindo parcialmente o insumo original (B).

7.4.190 Temos o negócio de fabricação de tintas, um dos componentes é a água in natura. Devo in-
formar estoque de origem para registrar posterior consumo no Registro 235, sabendo que possuímos
controle de captação por hidrômetro?

Se houver o controle do consumo de “água canalizada” por produto resultante e do estoque, caberá a
escrituração dos Registros K235 e K200, respectivamente.

7.4.191 Industrialização de soja e trigo e outros. A prática operacional no processamento da soja é uma
quantidade X de matéria-prima para uma produção, Y de farelo de soja, Z de óleo bruto, A de casca. Ini-
cialmente se tem uma expectativa de produto acabado baseado na amostra da matéria-prima. A maté-
ria-prima poderá dar maior ou menor rendimento em função da qualidade da mesma. O trigo em grãos,
que segue a mesma prática da soja, X quilos de matéria-prima, para Y de farinha de trigo e Z de farelo de
trigo, a variação na produção se dará de acordo com a qualidade do trigo. Como informar no Bloco K?

Essas situações se referem à produção conjunta, onde o consumo de uma mesma matéria-prima gera
mais de um produto resultante. Nesse caso, devem ser informadas as quantidades de consumo de
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 317

matéria-prima para cada produto resultante (K235). Considerando como exemplo a matéria-prima “soja”,
em quilos, gerando 03 produtos resultantes: “farelo de soja”, “óleo bruto” e “casca”, devem ser informa-
dos: “X” quilos da matéria- prima “soja” para se produzir o produto resultante “farelo de soja”; “Y” quilos
da matéria-prima “soja” para se produzir o produto resultante “óleo bruto” e “Z” quilos da matéria-prima
“soja” para se produzir o produto resultante “casca”.

Para o exemplo em questão, suponhamos que exista uma perda de 15% se comparado o peso da maté-
ria-prima “soja” com o somatório do peso dos 3 produtos resultantes. Teremos, caso a empresa conside-
re que a perda é equivalente para os três produtos resultantes, o seguinte consumo específico: (1/0,85 =
1,176470). Se a empresa concluir que a perda não é uniforme, ou seja, que a perda da matéria-prima “soja”
para se produzir o produto resultante “farelo de soja” diverge da perda da matéria-prima para se produzir
os demais produtos resultantes “óleo bruto” e “casca”, deverá informar consumos específicos diferentes
para cada um desses produtos resultantes (Registro 0210). Considerando que o consumo específico pa-
dronizado pode variar em função da qualidade da matéria-prima, esse consumo específico será médio.
Considerando ainda a especificidade desse processo produtivo, seriam admissíveis consumos específi-
cos padronizados médios diferentes entre os períodos de apuração.

Sendo assim, para informar a quantidade consumida para cada produto resultante (Registro K235), a
empresa deverá utilizar o próprio consumo específico informado (0210) para determinar quanto de ma-
téria-prima está sendo utilizada em cada um desses produtos.

7.4.192 Se um insumo substitui parcialmente mais de um insumo/componente no Registro 0210, como


deve ser feita a indicação de substituição? Em outras palavras, a utilização de A, por exemplo, em uma
fórmula acarreta a diminuição nas quantidades utilizadas nos insumos B e C (por exemplo, porque A é
de composto B e C), não substituindo totalmente os insumos B e C. Como faço o registro? Apontar no
K235, no campo COD _INS_SUBST, significa uma substituição total de um item por outro ou pode ser
uma substituição parcial/percentual? Se puder registrar percentuais, onde vou indicar esses percen-
tuais utilizados e/ou reduzidos?

A substituição do insumo/componente, que expressa o consumo específico de um conjunto de insu-


mos previsto no 0210, quando do consumo efetivo no K235, pode ser total ou parcial, e não cabe infor-
mação de percentual de substituição.

7.4.193 Para produzir A, utilizo em minha fórmula padrão B+C+D. Diante da necessidade de corrigir
uma situação química, terei que adicionar certa quantidade de Y (lembrando, não integrante da minha
fórmula padrão, pois sua utilização é eventual, diante de uma necessidade específica de correção de
processo produtivo). Ressalto que, ao aplicar Y, não estou substituindo nenhuma outra matéria-prima
integrante da fórmula. Como indicar no Bloco K seu consumo? Quais são os registros corretos a serem
feitos para escriturar essa operação?

Como o insumo Y está corrigindo a composição química do produto A, mesmo que ele esteja sendo
agregado a esta composição, quando do seu consumo efetivo no K235, ele deverá ser informado como
insumo substituto de algum dos insumos B, C ou D, o que seria uma substituição parcial, pois estariam
sendo consumidos também os demais insumos B, C ou D. Pode também ocorrer que o insumo Y esteja
substituindo parte do conjunto de insumos, caso esses insumos sejam interdependentes (veja o con-
ceito de insumos interdependentes e os procedimentos a serem adotados na informação do Registro
0210 no Guia Prático da EFD-ICMS/IPI).

7.4.194 Utilizo o produto A em minha produção. A quantidade do produto A utilizada em cada modelo
produzido, bem como a sua perda, pode ser matematicamente calculada e informada no Registro 0210
(consumo específico padronizado). Dependendo do operador que estiver realizando o trabalho, a quan-
tidade efetivamente utilizada do produto A poderá sofrer pequenas oscilações, tanto para mais quanto
318 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

para menos. Neste caso, poderá haver divergência entre o que informamos que seria consumido do
produto A no Registro 0210 e o que efetivamente consumimos e informamos no Registro K235. Como
devo proceder para corrigir esta divergência que só pode ser verificada ao final do processo?

O consumo específico padronizado informado no Registro 0210 é um consumo específico padronizado


médio, podendo ocorrer desvios para mais ou para menos em função de variáveis pertinentes ao pro-
cesso produtivo. Portanto, seriam admissíveis consumos específicos efetivos (K235) diferentes do con-
sumo específico padronizado, observados os desvios possíveis. Não há que corrigir divergências entre o
consumo específico padronizado (0210) e o consumo específico efetivo (K235).

7.4.195 A empresa, em seu processo produtivo, utiliza-se de fornos com altas temperaturas. É comum
acontecer uma interrupção no meio do processo de produção, por exemplo, queda de energia, o que irá
fazer com que todo o lote que estava sendo produzido no momento seja inutilizado e toda a matéria-pri-
ma e insumos deste lote sejam descartados como perda, elevando neste caso o percentual de perda a
100%, ficando em desconformidade com o percentual de perda da ficha técnica. Como proceder neste
caso para baixa da matéria-prima e insumos como perda da produção?

A perda anormal de insumos ou de produtos resultantes deve ser baixada do estoque por meio da emis-
são de NF-e (se a legislação estadual permitir), com o respectivo estorno de crédito de ICMS e IPI, e não
deve, portanto, ser escriturada como consumo no K235. A perda informada no Registro 0210 se refere a
uma perda normal.

7.4.196 Em nossa empresa temos várias baixas de estoque do mesmo insumo de uma mesma ordem de
produção no mesmo período. Podemos agrupar e mandar em um único registro com a última data da
baixa, evitando assim um grande volume de registros?

Desde que seja relativo a um mesmo número de ordem de produção e a um mesmo período de apura-
ção (K100), as quantidades consumidas poderão ser consolidadas em um só registro.

7.4.197 Trabalhamos com 90% da produção sendo feita através da desmontagem de uma matéria-pri-
ma em diversos produtos. A origem da nossa matéria-prima é o abate do frango vivo, dando origem a
vários outros produtos: filé de peito de frango, coração, coxa, miúdo e etc. Precisamos saber quais são
os registros obrigatórios para estes casos, onde os produtos não possuem uma estrutura definida para
ordem de produção para informar os Registros: 0210, K230 e K235.

A situação colocada se refere a uma produção conjunta, onde o consumo de um mesmo insumo (frango
abatido) gera mais de um produto resultante (frango inteiro, peito, coxa, asa, etc.). Nesse caso, devem
ser informadas as quantidades de consumo efetivo de insumo (K235) para cada produto resultante
(K230), com a respectiva correspondência nos Registros 0210/0200.

A escrituração fiscal digital do Registro de Controle da Produção e do Estoque (RCPE) - Bloco K relativa
à atividade de abate de aves e preparação de produtos de carne deve ser efetuada da seguinte forma:

a) o primeiro processo é o abate de frango vivo, onde o insumo é o “frango vivo” (K235/0210) e o produto
resultante é o produto em processo “frango abatido” (K230/0200);

b) no segundo processo se inicia a produção conjunta, com a preparação de produtos de carne, onde o
insumo é o “frango abatido” (K235/0210) e os produtos resultantes são “frango inteiro”, peito, coxa, asa,
etc. (K230/0200). Suponhamos que neste processo não ocorra nenhuma perda normal e os produtos
resultantes sejam apenas três: peito, coxa e asa. Supondo ainda que 1 kg de “frango abatido” resulte em:
0,600 kg de peito; 0,300 kg de coxa e 0,100 kg de asa. O consumo específico de frango abatido para cada
um desses produtos resultantes será igual a 1,000000 (0210), pois: 0,600 kg de “frango abatido” resultará
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 319

em 0,600 kg de peito; 0,300 kg de “frango abatido” resultará em 0,300 kg de coxa e 0,100 kg de “frango
abatido” resultará em 0,100 kg de asa. Para informar a quantidade consumida de “frango abatido” (K235)
para se produzir a quantidade de cada produto resultante informada no K230, o contribuinte poderá
utilizar o próprio consumo específico, onde:

Quantidade consumida (K235) = quantidade produzida (K230) x consumo específico (0210).

Podemos ter ainda a geração de subprodutos. A quantidade gerada de subprodutos não é escriturada
no Registro K230. Apenas o estoque (K200) e um eventual consumo no processo produtivo (K235) é que
devem ser escriturados.

7.4.198 O estabelecimento utiliza para geração de vapor em sua caldeira de gás natural fornecido por
empresa de gás. Na situação atual, a nota fiscal é registrada com o CFOP 1.101, contudo este consumo
de gás não transita pelo estoque, a nota fiscal é lançada diretamente no centro de custos da caldeira,
onde é apurado o custo da geração do vapor. Este gás deve transitar pelo estoque? Caso afirmativo,
como devemos baixar de estoque, pois não abrimos ordem de produção para geração de vapor?

O gás natural consumido no processo produtivo não é um insumo/componente do produto resultante


do processo produtivo, e não deve, portanto, ser escriturado no Registro K235. A quantidade consumi-
da é a quantidade que entrou no estabelecimento, pois não há estoque. Essa quantidade de entrada
é escriturada no Bloco C - Registro C170. Como não há estoque de gás natural, não há que se falar em
escrituração do Registro K200.

7.4.199 Temos uma dúvida quanto à sobra de material utilizado na produção e que poderá voltar para
estoque. Por exemplo: para produzir um determinado material é requisitada do estoque uma chapa de
alumínio, essa chapa está prevista na lista técnica para produzir esse material, no entanto, após o pro-
cesso, não foi utilizada toda a chapa, digamos que se utilizou apenas metade dela. A dúvida surge no
tocante ao Bloco K, em como retornar esse material para o estoque, sendo que consta na lista técnica
a chapa como um todo?

Considerando as especificidades das legislações de cada UF, para ter segurança jurídica neste caso,
faça uma consulta tributária formal em sua UF.

Resposta para Minas Gerais:

Inicialmente, a situação referida não se trata de perda no processo. O consumo específico padronizado
a ser escriturado no Registro 0210 se refere à quantidade de insumo/componente que é necessário
para se produzir uma unidade do produto resultante, incluindo-se as perdas normais. Considerando o
exemplo, se consome apenas metade da chapa de alumínio para se produzir uma unidade do produto
resultante. Portanto, o consumo específico padronizado do alumínio a ser escriturado no Registro 0210
se refere a 0,500000 chapa.

Quanto à quantidade consumida a ser escriturada no Registro K235, deve ser escriturada a quantidade
efetivamente consumida para se produzir a quantidade de produto resultante escriturada no Registro
K230, não sendo possível escriturar devolução ao estoque.

Resposta para São Paulo:

Inicialmente, a situação referida não se trata de perda no processo. O consumo específico padronizado
a ser escriturado no Registro 0210 se refere à quantidade de insumo/componente que é necessário
para se produzir uma unidade do produto resultante, incluindo-se as perdas normais. Considerando o
exemplo, se consome apenas metade da chapa de alumínio para se produzir uma unidade do produto
resultante. Portanto, o consumo específico padronizado do alumínio a ser escriturado no Registro 0210
320 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

se refere a 0,500000 chapa. Quanto à quantidade consumida a ser escriturada no Registro K235, há dois
cenários possíveis:

a) a ordem de produção foi concluída no período de apuração em que se iniciou: o consumo efetivo deve
ser apontado no registro K235 com o valor de metade da chapa de alumínio.

b) a ordem de produção será concluída no período de apuração seguinte: pode ser escriturada a quanti-
dade total transferida para a produção (uma chapa de alumínio) em um registro K235 na EFD do período
anterior. Na ocorrência de sobras detectadas no período seguinte, o registro K275 permite o retorno de
insumos não utilizados para o estoque, diminuindo o consumo apontado por registros K235 em perío-
dos anteriores.

7.4.200 Considerando que o industrializador deva indicar o consumo no K235, tanto dos insumos de
terceiros consumidos, quanto os próprios, como ficará o controle do K200 diante da obrigatoriedade
de emissão de nota fiscal de cobrança dos serviços e das mercadorias aplicadas na industrialização?
Não pode ocorrer uma duplicidade de movimentação, visto que a mercadoria será informada no K235
e devolvida através de emissão de nota fiscal (Bloco C)?

Considerando as especificidades das legislações de cada UF, para ter segurança jurídica neste caso,
faça uma consulta tributária formal em sua UF.

Resposta para Minas Gerais:

A devolução dos insumos do encomendante pelo industrializador via emissão de NF-e é uma “devolu-
ção simbólica”, com o objetivo de encerrar o processo de suspensão da cobrança do imposto. Portanto,
não deve ser considerada como baixa do estoque. A baixa de estoque efetiva no industrializador ocorre-
rá por meio do consumo escriturado no Registro K235.

Resposta para São Paulo:

Há duas devoluções possíveis na NF-e de retorno da industrialização: uma simbólica (com CFOP 5902)
e outra física (com CFOP 5903). Ambas encerram o processo de suspensão. A devolução feita com o
CFOP 5903 é considerada como baixa de estoque no industrializador e aumento de estoque no enco-
mendante. Do ponto de vista do industrializador, a devolução com CFOP 5902 não é considerada uma
baixa no industrializador, pois já foi escriturada através do Registro K235.

7.4.201 Nas industrializações efetuadas por terceiros, devo informar mão de obra?

Não. Na industrialização efetuada por terceiros, devem ser informados a quantidade produzida (K250) e
o respectivo consumo de insumos próprios no registro K255. Não deve ser informada a mão de obra ou
insumos de terceiros.

7.4.202 O campo 02 - DT_PROD do Registro K250 pode ser entendido como a data em que o industriali-
zador emite o documento fiscal de industrialização e encaminha o produto acabado ao encomendante?

Considerando as especificidades das legislações de cada UF, para ter segurança jurídica neste caso faça
uma consulta tributária formal em sua UF.

Resposta para Minas Gerais:

Considerando que o produto que retorna da industrialização em terceiros pode não ser diretamente
resultante da quantidade dos insumos/embalagens enviados no período, tendo em vista a variação de
estoques em terceiros do insumo/embalagem e/ou do próprio produto resultante, não há como efetuar
Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal 321

o vínculo direto do “envio do insumo” com o “consumo - K255” e do “retorno do produto resultante” com
a “produção - K250”.
Em vista disso, as quantidades de consumo e produção a serem informadas nos registros mencionados
devem ser obtidas pelas empresas por meio das seguintes equações:
Consumo do Insumo/Embalagem - K255 = EIT + SPT - EOT - EFT
Onde:
EIT = estoque inicial em terceiro;
SPT = saída para o terceiro (originado do documento fiscal), que é igual à entrada no terceiro;
EOT = entrada oriunda do terceiro, por devolução parcial ou integral (originado do documento fiscal),
que é igual à saída do terceiro;
EFT = estoque final em terceiro.
Produção do Produto Resultante - K250 = EFT + EOT - EIT
Onde:
EFT = estoque final em terceiro.
EOT = entrada oriunda do terceiro (originado do documento fiscal), que é igual à saída do terceiro; EIT =
estoque inicial em terceiro;
Todos os elementos destas equações são de pleno domínio da empresa, tendo em vista os seguintes
pressupostos:
a) as remessas de insumos e os retornos do produto resultante ocorrem por meio de documentos fis-
cais;
b) o conhecimento dos estoques é rotina fundamental para o controle de qualquer processo produtivo,
sendo necessário, inclusive, o conhecimento dos estoques separadamente por local de armazenagem,
tendo em vista que as mercadorias podem se encontrar fora do estabelecimento - em terceiro.
Dependendo do nível de controle do contribuinte, essas informações (produção - K250 e consumo -
K255) podem ser diárias ou podem se referir ao período de apuração de ICMS/IPI - K100. Nesse caso, a
data informada seria o último dia do período.
Entende-se que é possível associar o consumo dos insumos remetidos ao produto resultante a partir
dos retornos simbólicos, uma vez que o produto resultante não retorna em um único item, mas des-
membrado no documento fiscal em insumos remetidos pelo encomendante, insumos adquiridos pelo
industrializador e excedentes não utilizados no processo industrial.
Resposta para São Paulo:

Sim. O DT_PROD corresponde à data de entrada no estoque do encomendante.

Entende-se que, do ponto de vista do encomendante, a produção em terceiro será reconhecida a partir
da entrada do produto resultante no estoque do encomendante, correspondendo, portanto, ao campo
02 do registro K250, DT_PROD (Data do reconhecimento da produção ocorrida no terceiro).

Do ponto de vista do encomendante, para cálculo do saldo do estoque final do produto acabado: EFT =
EIT + Produção do Produto Resultante K250 - EOT
322 Guia Prático dos Blocos H e K no Sped Fiscal

Onde:

EFT = estoque final em terceiro (valor a ser calculado)

Produção do Produto Resultante (K250) = produção reconhecida a partir da emissão de documento


fiscal

EOT = entrada oriunda do terceiro corresponde à produção que já teve o retorno físico no encomendan-
te EIT = estoque inicial em terceiro (obt