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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA PRIMEIRA

VARA CÍVEL DA COMARCA DE BARRA DO GARÇAS – MT

CÓDIGO Nº 178.275

N° PROCESSO: 134-47.2014.811.0004

PARTE AUTORA: MARIA BIHAIN

PARTE REQUERIDA: MUNICÍPIO DE BARRA DO GARÇAS – MT

ÉRIKA DE LIMA LULA FREITAS LACERDA, infra-assinado,


compromissada nos autos em epígrafe, tendo concluído a diligência, vistoria e os estudos
que honrosamente realizou, vem à presença de Vossa Excelência, com o devido respeito
e acatamento, apresentar suas:

CONCLUSÕES DE PERÍCIA TÉCNICA DE INSALUBRIDADE

Requerendo, pois, seja juntado aos autos com posterior apreciação por este douto Juízo.

Termos em que, pede e espera deferimento.

Barra do Garças – MT, Quinta-feira, 28 de Abril de 2016.

ERIKA DE LIMA LULA FREITAS LACERDA


CREA-MT 022.542
LAUDO TÉCNICO PERICIAL

1. LOCAL DA PERÍCIA, HORA E DATA.

A perícia foi realizada em Barra do Garças – MT, no dia 15/03/2016, com início ás
10h05min e término ás 10h35min.

2. OBJETIVO

Verificar se a função do reclamante tem direito a percepção de recebimento do


adicional de insalubridade. O Perito vistoriou, avaliou e emite parecer técnico relativo às
atividades e operações exercidas pelo Reclamante durante o pacto laboral com a
Reclamada.

3. NÍVEL DE PRECISÃO DA AVALIAÇÃO

Esta perícia foi feita qualitativamente.

4. DESCRIÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DA EMPRESA E DO LOCAL DE


TRABALHO AVALIADO

4.1 - Características Gerais do Local de Trabalho


O ambiente de trabalho é residências de sua área de abrangência.

4.2 - Atividades Exercidas na Função


Exerce a função de agente comunitário de saúde que consiste em realizar
mapeamento de sua área; cadastrar as famílias e atualizar permanentemente esse cadastro;
identificar indivíduos e famílias expostos a situações de risco; identificar a área de risco;
orientar as famílias para utilização adequada dos serviços de saúde, encaminhando-as e
até agendando consultas, exames e atendimento odontólogico, quando necessário;
realizar ações e atividades, no nível de suas competências, na áreas prioritárias da atenção
básicas; realizar, por meio da visita domiciliar, acompanhamento mensal de todas as
famílias sob sua responsabilidade; estar sempre bem informado, e informar aos demais
membros da equipe, sobre a situação das família acompanhadas, particularmente aquelas
em situações de risco; desenvolver ações de educação e vigilância à saúde, com ênfase na
promoção da saúde e na prevenção de doenças; promover a educação e a mobilização
comunitária, visando desenvolver ações coletivas de saneamento e melhoria do meio
ambiente, entre outras;

4.3 - Uso dos EPI’s E EPC’s


Ressaltou que no seu trabalho não era usado nenhum equipamento de proteção
individual-EPI nem coletivo-EPC.

4.4 - Participantes da Perícia


A perícia foi acompanhada pela Senhora:
- Sra. Maria Bihain (Parte Autora).

5. METODOLOGIA DA AVALIAÇÃO
Análise dos Locais de Trabalho em condições de insalubridade, conforme definido
pela Portaria nº 3.214, de 08 de junho de 1978, do Ministério do Trabalho através da
Norma Regulamentadora NR-15 (Atividades e Operações Insalubres) no seu Anexo 14
(Agentes Biológicos), que instituiu o adicional de insalubridade para Atividades e
Operações Insalubres que exponham o trabalhador a Agentes Biológicos.
Após o reconhecimento, foi realizada a avaliação qualitativa dos riscos ambientais,
de acordo com a necessidade de comprovação da exposição do trabalhador.

6. DOS FUNDAMENTOS LEGAIS


O conceito de insalubridade está inserido na Orientação Normativa nº 2, de 19 de
fevereiro de 2010:
Serão consideradas atividades insalubres aquelas que por sua
natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os
servidores a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de
tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do
agente e do tempo de exposição e seus efeitos.

No caso em epígrafe, a base legal para o fundamento da atividade insalubre está


inserida na Norma Regulamentadora nº 15, da Portaria nº 3.214/78, Anexo 14, que assim
dispõe:
NR-15 ATIVIDADES E OPERAÇÕES INSALUBRES (115.000-6)
ANEXO XIV
AGENTES BIOLÓGICOS
Relação das atividades que envolvem agentes biológicos, cuja
insalubridade é caracterizada pela avaliação qualitativa.

Insalubridade de grau máximo Trabalho ou operações, em contato


permanente com:
- pacientes em isolamento por doenças infecto-contagiosas, bem
como objetos de seu uso, não previamente esterilizados;
- carnes, glândulas, vísceras, sangue, ossos, couros, pêlos e
dejeções de animais portadores de doenças infectocontagiosas
(carbunculose, brucelose, tuberculose);
- esgotos (galerias e tanques); e
- lixo urbano (coleta e industrialização).

Insalubridade de grau médio Trabalhos e operações em


contato permanente com pacientes, animais ou com material
infecto-contagiante, em:
- hospitais, serviços de emergência, enfermarias, ambulatórios,
postos de vacinação e outros estabelecimentos destinados aos
cuidados da saúde humana (aplica-se unicamente ao pessoal que
tenha contato com os pacientes, bem como aos que manuseiam
objetos de uso desses pacientes, não previamente esterilizados);
- hospitais, ambulatórios, postos de vacinação e outros
estabelecimentos destinados ao atendimento e tratamento de
animais (aplica-se apenas ao pessoal que tenha contato com tais
animais);
- contato em laboratórios, com animais destinados ao preparo de
soro, vacinas e outros produtos;
- laboratórios de análise clínica e histopatologia (aplica-se tão-só
ao pessoal técnico);
- gabinetes de autópsias, de anatomia e histoanatomopatologia
(aplica-se somente ao pessoal técnico);
- cemitérios (exumação de corpos);
- estábulos e cavalariças; e
- resíduos de animais deteriorados.
Cumpre destacar que os serviços de saúde foram contemplados com a NR-32, que
entrou em vigor em 16/04/2006, numa demonstração do rigor que a legislação quis dar
especificamente a este setor, pelos riscos da atividade tanto para os seus operadores
quanto aos pacientes.
O item 32.2 que trata de agentes biológicos considera Risco Biológico a
probabilidade da exposição ocupacional a agentes biológicos, constituídos por
microrganismos, geneticamente modificados ou não; as culturas de células; os parasitas;
as toxinas e os príons.

32.2.1 Para fins de aplicação desta NR, considera-se Risco Biológico a


probabilidade da exposição ocupacional a agentes biológicos.
32.2.1.1 Consideram-se agentes biológicos os microrganismos,
geneticamente modificados ou não; as culturas de células; os
parasitas; as toxinas e os príons.

O Guia Técnico de Riscos Biológicos, no âmbito da NR 32, entende que a


“exposição ocupacional a agentes biológicos decorre da presença desses agentes no
ambiente de trabalho”, e também que “esses agentes são capazes de provocar dano à
saúde humana, podendo causar infecções, efeitos tóxicos, efeitos alergênicos, doenças
autoimunes e a formação de neoplasias e malformações”.
Conclui-se, que os agentes biológicos que causem infecções, efeitos tóxicos,
efeitos alergênicos, doenças autoimunes e a formação de neoplasias e malformações,
presentes no ambiente de trabalho, que podem causar exposição do trabalhador, é que
devem ser considerados para fins de classificação de risco biológico.
Somente aos trabalhadores expostos a esses agentes biológicos, que são definidos
mediante o PPRA - Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, é que se pode exigir a
aplicação dos itens 32.2 a 32.2.4.17.7 da NR-32, dispositivos que traçam regras de
proteção aos trabalhadores sujeitos ao risco biológico.
Levando-se em consideração a função desempenhada pela autora que é de
agente comunitária de saúde, na qual, a coloca em contato direto com vários tipos
de doenças (hanseníase, tuberculose, aids, entre outras), inclusive
infectocontagiosas, pois o trabalho prestado em visitas periódicas às pessoas em suas
residências envolve conversas e administração de medicamentos, expondo-a a risco.
Entendo sua atividade como insalubre, nos termos da NR supracitada.
7. DOS PROGRAMAS DE PREVENÇÕES
Durante a perícia este perito solicitou os documentos supracitados e a requerida
deixou de apresentá-los, oportunidade em ficou caracterizado a falta dos seguintes
documentos: Ficha de entrega de Equipamentos de Proteção Individual –E.P.I., PPRA -
Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, PCMSO - Programa de Controle Médico
e Saúde Ocupacional, A.S.O -Atestados de Saúde Ocupacional, Comprovante de
vacinação, PERFIL PROFISSIOGRÁFICO PREVIDENCIÁRIO – PPP e Programa de
Gerenciamento de Resíduos Sólidos-PGRS da Unidade, expondo, assim, a autora aos
riscos biológicos.

8. QUESITOS PARTE REQUERIDA

1. Informe que atividade da reclamante exercia na reclamada;


R: VIDE ITENS 4.1 e 4.2.

2. O serviço desempenhado pelo reclamante, assim como o local e o ambiente


em que laborava apresentavam condições insalubres?
R: SIM.

3. Em caso de resposta afirmativa ao quesito n° 2, supra, informe qual o agente


ou agentes deletérios que envolvem a atividade e o ambiente.
R: AGENTES BIOLÓGICOS, TAIS COMO, VÍRUS E
BACTÉRIAS.

4. Ainda, sendo afirmativa a resposta ao quesito n° 2, o agente ou agentes


deletérios contatados se enquadram no NR 15, Anexo 13, da Portaria n°
3214/78 do Ministério do Trabalho?
R: SE ENQUADRA NA NR 15, ANEXO 14.

5. Sendo afirmativa a resposta ao quesito n° 4, qual o grau de enquadramento?


R: GRAU MÉDIO – 20%.
6. Informe o Sr. Perito se na seção ou localidade em que trabalhava o
reclamante algum outro empregado que exerça a mesma função recebe
adicional de insalubridade.
R: NÃO, NENHUM OUTRO FUNCIONÁRIO RECEBE
ADICIONAL.

7. Informe o Sr. Perito tudo o mais que lhe parecer relevante para a apuração
da perícia, fornecendo os elementos que considerar importantes para a
elucidação do presente feito, relativamente à constatação da existência de
agentes deletérios no ambiente e na atividade desempenhada pelo
reclamante durante a vigência da relação de emprego.
R: OS ELEMENTOS RELEVANTES ESTÃO DESCRITOS NOS
ITENS 4.2; 4.3; 6 E 7.

9. DOS QUESITOS DA PARTE AUTORA


1. Pode o Sr. Perito informar detalhadamente como são desenvolvidas as
atividades do reclamante junto ao reclamado?
R: VIDE ITENS 4.1 e 4.2.

2. Faça o Sr. Perito uma descrição detalhada dos locais onde a reclamante
exercia suas funções, bem como se a mesma trabalhava de forma direta ou
indireta com agentes nocivos à saúde, biológico, químicos, especialmente
em manuseios com pessoas e/ou objetos expostos a endemias ou doenças
contagiosas, produtos químicos tais como inseticidas e familiares, etc?
R: VIDE ITENS 4.1 e 4.2. Levando-se em consideração a função
desempenhada pela autora a coloca em contato direto com vários
tipos de doenças (hanseníase, tuberculose, aids, entre outras),
inclusive infectocontagiosas, pois o trabalho prestado em visitas
periódicas às pessoas em suas residências envolve conversas e
administração de medicamentos, expondo-a a risco.
3. Se em decorrência dos serviços executados ficava o reclamante exposto à
ação de agentes agressivos/nocivos à sua saúde? Em caso afirmativo, quais
e por quê? E qual o potencial danoso de cada um deles?
R: SIM, AGENTES BIOLÓGICOS, PELO FATO DE ESTAR EM
CONTATO DIRETO COM LIXO URBANO E DOENÇAS
INFECCIOSAS. DE MÉDIO POTENCIAL DANOSO.

4. Quais os EPI’s que a reclamada disponibilizam ao reclamante?


R: NÃO DISPONIBILIZAM NENHUM EPI, SEGUNDO A
RECLAMANTE.

5. Os eventuais EPI's fornecidos pela Reclamada eram adequados e suficientes


para neutralizar os agentes insalubres?
R: NÃO HAVIA EPI, SEGUNDO A RECLAMANTE.

6. Havia troca periódica dos EPI's ?


R: NÃO HAVIA EPI, SEGUNDO A RECLAMANTE.

7. Havia treinamento para a utilização dos EPI’s?


R: NÃO.

8. Havia fiscalização da utilização dos EPI’s ?


R: NÃO.

9. As pessoas que acompanharam a vistoria trabalharam com a Reclamante?


R: SIM.

10. A reclamada possui PPRA e PCMSO?


R: NÃO APRESENTOU.

11. As atividades desempenhadas pela reclamante são consideradas insalubres?


Em caso positivo, qual o grau devido do respectivo adicional? Quais as
técnicas utilizadas pelo Sr. Perito para chegar a tal conclusão?
R: SIM, 20%. VERIFICAÇÃO DAS FUNÇÕES EXERCIDAS NOS
LOCAIS DE TRABALHO E VERIFICAÇÃO DO TIPO DE
TRABALHO EXECUTADO; LEGISLAÇÃO
NORMATIZADORA E EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL DO
PERITO NA ÁREA POR SER ENGENHEIRA DE SEGURANÇA
DO TRABALHO.

10. DOS QUESITOS DO RECLAMADO

8. De acordo com o pedido inicial, se trata de servidor contratado, via contrato


de trabalho por tempo determinado, de 11/2009 à 07/2012; esclarecer as
funções desempenhadas no cargo de Agente de Saúde Ambiental;
R: VIDE ITENS 4.1 e 4.2.

9. As funções desempenhadas consistem sempre no mesmo local?


R: VIDE ITENS 4.1 e 4.2.

10. Caso a execução dos trabalhos sejam desenvolvidas em vários locais, é


possível precisar o tempo de permanência em cada local?
R: SEGUNDO O RECLAMANTE CADA VISITA DURAVA EM
TORNO DE 10 A 20 MINUTOS, DEPENDENDO DA SITUAÇÃO
EM QUE SE ENCONTRAVA O LOCAL.

11. Existe algum estudo, detectando os locais insalubres e os cargos à que fazem
jus o pagamento de adicional?
R: HÁ FUNDAMENTOS TÉCNICOS DESDE OS CÓDIGOS
QUE REGEM NOSSO ORDENAMENTO JURÍDICO ATÉ
LIVROS ESPECÍFICOS DE PERÍCIA E INSALUBRIDADE.

12. Caso detectada, qual o local; tempo de permanência do servidor no local;


precisar a existência de habitualidade, se houver.
R: VIDE ITENS 4.1 e 4.2.
11. DA CONCLUSÃO
O presente trabalho possui o único escopo de auxiliar tecnicamente ao
Juízo, onde após minucioso levantamento das atividades e das condições ambientais da
área de trabalho onde o obreiro exercia suas funções, CONCLUÍMOS que, nos termos da
NR 15, em seu anexo 14, bem como NR 32, o reclamante laborou em operações com
pessoas, materiais e locais infectocontagiantes, com probabilidade de exposição
ocupacional, sendo que nestes casos o Adicional de Insalubridade é de grau médio, ou
seja, de 20% (vinte por cento).

12. BIBLIOGRAFIA
BRANDIMILLER, Primo A. Perícia judicial em acidentes e doenças do
trabalho. Edição 1. São Paulo. SENAC.

FUNDACENTRO. (Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e


Medicina do Trabalho/Ministério do Trabalho). Curso de Engenharia de
Segurança do Trabalho. v. 1 a 6. s.n.t.

GONÇALVES, Edwar Abreu. Manual de Segurança e Saúde no Trabalho.


São Paulo: LTr, 2000. 1136 p.

Segurança e Medicina do Trabalho em 1200 Perguntas e Respostas. 3. ed. São


Paulo: LTr, 2000. 648 p.

SALIBA, Tuffi Messias e CORREA, Márcia Angelim Chaves. Insalubridade


e Periculosidade: Aspectos técnicos e práticos. São Paulo: LTr, 1994. 196 p.

SALIBA, Tuffi Messias e SALIBA, Sofia C. Reis. Legislação de segurança,


acidente do trabalho e saúde do trabalhador. São Paulo: LTr, 2002. 454 p.
VIEIRA, Sebastião Ivone e PEREIRA, Casimiro Júnior. Guia prático do
perito trabalhista. Belo Horizonte: ERGO, 1997.

MAYR, Anthon. GUERREIRO, Milton G. Virologia Veterinária. 3.ed. rev.


amp. Porto Alegre: Sulina, 1988. 474p.

Barra do Garças – MT, 08 de Maio de 2015.

ERIKA DE LIMA LULA FREITAS LACERDA


CREA-MT 022.542