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ELEMENTOS DE ANALISE DE SISTEMAS DE POTENCIA William D. Stevenson Jr. ~ELEMENTOS DE ANALISE DE SISTEMAS DE POTENCIA 48 Edi¢do americana 2 Edigo em portugues William D. Stevenson, Jr. Professor Emérito de Eng.® Eldtriea - North Caroling State University Tradugiio e Revisio Técnica Aslindo Rodrigues Mayer tdr do Centro de Tecnologia da Universidade Federal de Sante Maria Jogo Paulo Minussi Coordenador do Curso de Engenharia Elétrica do Centio de Tecnologia da Universidade Federal de Senta Maria Somehai Ansuj Chefe do Departamento de Eletromecinica e Sistemas de Pottncia do Centro de Tecnologia da Universidade Federal de Santa Moria McGraw-Hill Sio Paulo Rua Tabapua, 1.105, Itaim-Bibi CEP 04533 (011) 881-8604 e (011) 881-8528 Rio de Janeiro ® Lisboa ® Porto ® Bogotd ® Eunos Aires ® Guatemala ® Madrid ® México ® Milan New York ® Panamd ® San Juan ® Santiez0 Auckland © Hamburg © Johannesburg ® Kuala Lumpur ® London ® Montreal © New Delhi Paris @ Singapore © Sydney ® Tokyo ® Toronto Do original Elements of power system analysis Copyright © 1982, 1975, 1962, 1955 by McGraw-Hill, Inc. Copyright © 1986, 1974 da Editora McGraw-Hill, Ltda, Todos os direitos para a lingua portuguesa reservados pela Editora McGraw-Hill, Ltda Nenhuma parte desta publicagao poderd ser reproduzida, guardada pelo sistema “retrieval” ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, seja este eletrnico, mecénico, de fotocépia, de gravarG0, ou outros, sem prévia autorizagao, por escrito, da Editora Editor: Alberto da Silveira Nogueira Jr. Coordenadora de Revisio: Daisy Pereira Daniel Supervisor de Produgdo: Edson Sant’ Anna Capa: Layout: Cyto Giordano Arte final: Ademir Aparecido Alves Dados de Catalogagdo na Publicag4o (CIP) Internacional (Camara Brasileira do Livro, SP, Brasil) ‘Stevenson, William D. ‘sB68e, Elementos de anilise de sistemas de poténcia / William D. Steven- 2ed. son, J. ; tadugio e revisfo téenica Arlindo Rodrigues Mayer, Jogo Paulo Minussi, Somehal Ansuj. ~ 2. ed. ~ So Paulo : McGraw-Hill, 1986, 1. Energia elétrica — Distribuigfo. 2. Energia elétrica ~ Sistemas 1. Titulo. cpp621.319 86.0551 62.3191 Indices para catélogo sistemético: . Distribuiglo : Energin Elétrica : Engenharia eltrica 621.319. . Energia elétrica : Distribuigfo : Engenharia elétrica 621.319. Energia elétrica : Transmisso : Engenharia elétrica 621.319 Poténcia :Sistemas elétricos : Engenharia elétrica 621.3191. 5. Sistemas de energia elérica : Engenharia elétrica 621.3191. ‘Transmissio de energiaelétrica: Engenharia elétrica 621.319. SUMARIO Preficio .. oar xI Capitulo 1 Fundamentos Gerais... .. beeen ees : 1 1.1 O Crescimento dos Sistemas Elétricos de Poténcia 1 1.2 Produgao de Energia 3 1.3. Transmissfo e Distribuiggo ..... 4 14 Estudos de Carga ....... 5 15 Despacho Econémico de Carga. . 6 1.6 Calculos de Falhas 6 1.7 Protecdo de Sistemas 7 1,8 Estudos de Estabilidade : 8 19 O Engenheiro de Sistemas de Poténcia : 9 1.10 Leitura Complementar . beveeees 9 Capitulo |2 Conceitos Bésicos .. 10 2.1 Introdugso : 10 22 Notagdo com Subscrito Unico " 2.3. Notagdo com Subscrito Duplo . - 2 24 Poténcla em Circultos Monofésicos CA... 14 2$ PoténciaComplexa......... eeeeeeeeeeee 19 2.6 Trldngulo de Poténcia ....... = 19 20 2.7, Sentido do Fluxo de Poténeia . . ee 28 Tensfo e Corrente em Circuitos Teiftsicos Equilibrados ss... sss... 23 29° Poténcia em Circultos Trifisicos Equilibrados 30 2.10 Grandezas em por-unidade 31 2.11 Mudanga de Base de Grandezas em por-unidade . 35 . ce 36 Problemas . . VI Elementos de anélise de sistemas de poténcia Capitulo 3 31 32 33 34 35 36 37 38 39 3.10 3a Baz 3.3 3.14 3.15 Capitulo 4 41 42 43 44 45 46 47 48 49 Capitulo 5 Sul 52 53 54 55 56 37 58 39 5.10 S.A 5.12 Impedéncia em Série de Linhas de Transmissfo. Tipos de Condutores . . Resisténcia ...... Valores Tabelados de Resisténcia . Definigdo de Induténcia . Indutdneta de um Condutor devida a0 Fluxo Interno « Fluxo Coneatenado entre Dois Pontos Externos de um Condutor Isolado Indutdncia de uma Linha Monofésica a Dois Fios : Fluxo Concatenado com um Condutor em um Grupo de Condutores Induténcia de Linhas com Condutores Compostos . Uso de Tabelas....... Indutancia de Linhes Trifésicas com Espagamento Equilitero Indutancia de Linhas Trifésicas com Espagamento Assimétrico ...... Cabos Méitiplos : Linhas Trifésias de Circuitos em Paralelo ‘Sumério dos Céleulos de Induténcias de Linhas Trifésicas . Problemas ........ : Capacitancia de Linhas de Transmissao : Campo Elétrico de um Condutor Reto e Longo... none Diferenga de Potencial entre Dois Pontos devido a uma Carga ......-- Capacitancia de uma Linha a Dois Fios . : Capacitancia de uma Linha Trifésica com Espagamento Eaiilétero Capacitancia de oma Linha Trifésica com Espagamento Assimétrico .. Efeito da Terra sobre a Capaciténcia de Linhas de Transmissdo Trifésicas Cabos Miltiplos . . cence Linhas Trifésicas de Sumério . Probiemas ircuitos ein Paralelo Relagoes de Tensao e de Corrente em Linhas de Transmissio : Representagao de Linhas cote eee Linha de Transmissio Curta. wee : Linha de Transmisso Média... eevee eee ee Linha de Transmissdo Longa: Solugio das Equagdes Diferen Linha de Transmissio Longa: Interpretaglo das Equagies . .. Linha de Transmisso Longa: Forma Hiperbdlica das Equacdes Circuito Equivalente de uma Linha Longa . Fluxo de Poténcia em uma Linha de Transmissio ‘Compensagao Reativa de Linhas de Transmissao Transitérios em Linhas de Transmissio Andlise de Transitérios: Ondas Viajantes Analise'de Transit6rios: Reflexses n 3 74 15 82 85 88 90 a 93 95 96 98 99 102 105 110 113 116 120 10 125 Sumério vit 5.13 Transmissdo em Corrente Continua . . 130 S14 Sumétio 62.06. cee eee ee cece ; 131 Problemas . . ve 132 Capitulo 6 Simulagdo de Sistemas ....... 7 136 ‘6.1 Construgao da Maquina Sincrona........ 137 62 Reagdo da Armadura na Maquina Sincrona.. 140 63 Modelo de Circuito de uma Méquina Sincrona . 142 64° Efeito da Excitaggo da Méquina Sincrona 146 6.5. Transformador Ideal. . 147 64 Circuito Equivalente de um Transformador Real 152 6.7 Autotransformador . oop 155 68 _Impedancia por Unidade em Circuitos com Transformadores Monofésicos 156 69. Transformadores Trifisicos . 159 6.10 Impedsincia por Unidade de Transformadores de Trés Enrolamentos 163 6.11 Diagrama Unifilar : 165 6.12. Diagramas de Impedincid e Reatancia : 167 6.13" Vantagens dos Célculos em por-unidade im 6.14 Sumério . nm Problemas ..... ; 173 Capitulo 7 Cilculo de Rede 5 117 7.1 Equivaléncia de Fontes... . 177 7.2 Equaco de Nos 179 7.3 Partigfo de Matri2.. : 184 74 Bliminagfo de Nés por Algebra Matrical 185 7.5. Matrizes Admitancias e Impedéncia de Barra. 190 7.6 Modificagao de uma Matriz.de Impedincia de Barra jé Existente .. 195 7.7 Determinago Direta da Matriz Impedéncia de Barra 200 78 Sumério 203 Problemas 204 Capitulo 8 Solugdes ¢ Controle de Fluxo de Carga . 206 8.1 Dados para Estudos de Fluxo de Carga 206 8.2 Método de Gauss-Seidel .......... 62045 aoe 207 8.3 Método de Newton-Raphson . 209 8.4 Estudos de Fluxo de Carga em Computador Digital . 216 8.5 Informages Obtidas em um Estudo de Fluxo de Carga : 217 8.6 Resultados Numéricos . . . enone 219 8.7 Controle de Poténcia numa Rede « .- Bonboo | 21) 8.8 Especificagao das TensOes de Barra 22 8.9 Bancos de Capacitores ....... 25 VI Elementos de andlise de sistemas de poténcia 8.10 8.1L Capitulo 9 94 92 93 94 95 4104 103 , 103° 10.4 10.5, 10.6 Capitulo 11 Th 02 nd 14 * ns 16 WT (3, A110 MAL 12 Capitulo 12 24 Controle por Transformadores Sumario Problems . Operagdo Econdmiica de Sistemas de Poténcia ...... jo da Carga entre us Unidades de uma mesma Usina Perdas de Transmissio em Fungo da Geragdo da Usina . Distribuigdo de Carga entre Usinas = Método de Céleulo de Fatores de Penalidude e Coeficientes de Perda Controle Automstico de Geragio . Problemas Faltas Trifisicas Simeétricas Transit6rios em Circuitos-Série RI Correntes de Curto-Circuito e Reatancias das Maquinas Sincronas Tensdes Internas de Maquinas com Carga sob CondigOes Transitérias .. .. Matriz Impedancia de Barra para Calculo de Faltas Rede Equivalente da Matriz de Impedancia de Barra. Selegio de Disjuntores viene Problemas. Componentes Simétricos Sintese de Fasores Assimétricos a partir de seus Componentes Simétricos Operadores . Componentes Simétricos de Fasores Assimétricos Defasugem dos Componentes Simétricos em Bancos de Transformadores ligados em Y-A ....... = Poténcia em Fungo dos Componentes Siméiricos Impedincias-Série Assimétricas . Impediincias de Sequiéneia e Redes de Sequin Redes de Sequncia de Geradores em Vazio Impedancias de Sequiéncia de Elementos de Circuito Redes de Seqiiéneias Positiva e Nog Redes de Sequiéncia Zero Concludes. Problemas Faltas Assimeuicas : Falta entre Fase e Terra em um Gerador em Vazio Falta Linha-Linha em win Gerador em Vazio Falta entre Duas Fases e Terra em um Gerador em Vazio . Faltas Assimétricas em Sistemas de Poténcia . . Falta Fase-Terra em unt Sistema de Poténcia Falta Linha-Linha em um Sistema de Poténci ‘alta entre Duas Fases ¢ Terra em um Sistema de Poténeia Interpretagav day Redes de Sequénciy Interconectadas 228 238 239 242 243 250 254 258 260 262 265 265 268 273 279 283 286 291 295 295 297 298 wi 308 310 3 312 314 316 37 323 323 326 327 331 334 337 340 340 341 342 Sumério a ‘ps 1300 1241 Capitulo 13 13. 13.2 133 Ba Bs 13.6 137 138 139 Capitulo 14 14a 142 143 144 145 146 147 148 149 14.10 iat Analise de Faltas Assimétricas usando a Matriz de Impedéncia de Barras . Faltas Através de uma Impedincia . . cite ee ees Calculo de Correntes de Falta por Computador eee Problemas .. 6... 2.0005 cect etna eee Protegdo de Sistemas . Auibutos dos Sistemas de Protego... Zonas de Protesao - Transdutores . : Projeto Logico de Relés . .. . Protegdo Priméria e de Retaguarda Protegdo de Linhas de Transmissio . . Protegdo de Transformadores de Poténcia Dispositivos do Relé . .. Sumério cee Problemas Estabilidade do Sistema de Poténcia O Problema da Estabilidade ...... Dinimica do Rotor e Equagdo de Oscilaglo . : Outras Consideragdes sobre e Equacfo de Orcgfo : Equago do Angulo-de-Poténcia Coeficientes de Poténcia Sincronizante Critero da Igualdade de Area para Establidade. Aplicagdes Adicionais ao Critério de Igualdade de Areas Estudos de Estabilidade de MultimSquinas: Representago Classica Solugo Passo a Passo da Curva de Oscilaggo Programas Computacionais para Estudos de Establidade Transitria Fatores que Afetam a Estabili wee Problemas Apéndice ... Indice Analitico . . 350 353 356 356 360 361 363 365 368 315 377 389 393 393, 394 396 396 398 402 406 413 417 423 42s 433 439 441 444 446 452 PREFACIO Cada revisfo deste livro tem incorporado muitas mudangas, sendo que nesta, mais do que usual. Ao longo dos anos, entretanto, 0 objetivo permaneceu o mesmo. O caminho tem sido sempre o de desenvolver 0 racioc{nio do estudante para alcangar 0 entendimento a respeito de muitos t6picos da drea de sistemas elétricos de poténcia. Ao mesmo tempo, outro alvo foi o de estimular o interesse do estudante em aprender mais sobre a indiistria de energia elétrica. objetivo ndo é atingir grande profundidade no assunto, mas o tratamento é suficiente para dar a0 estudante a teoria bésica em um nivel que pode ser compreendido pelo aluno de graduagao. Com essa iniciagao, 0 estudante terd a base para continuar seus estudos, por ocasigo de sua atividade profissional, ou em um curso de pésgraduagdo. Notas de rodapé ao longo do livro sugerem fontes de consulta para posteriores informagdes na maioria dos tépicos apresentados. Como na preparagao de revisdes anteriores, enviei um questionério a vérios professores de todo o pais, e apreciei muito a imediata e, em muitos casos, detalhada resposta a questdes especificas, como também os valiosos comentarios adicionais. A sugesto mais constante foi a de acrescentar um capitulo sobre protegdo de sistemas de poténcia e, dessa maneira, esse assunto foi inclufdo aos outros quatro tépicos principais sobre fluxo de carga, despacho econdmico, cdleulo de faltas, ¢ estabilidade. Surpreendentemente, houve muitas solicitagSes para conservar (© material sobre pardmetros de linhas de transmissdo. O sistema por-unidade € introduzido no Capitulo 2 e desenvolvido, gradualmente, para propiciar ao estudante familiaridade com grandezas normalizadas. A necessidade em revisar circuitos de cortente altemada em regime permanente ainda existe e, portanto, ndo foi alterado 0 capitulo sobre conceitos basicos. Foi adicionada uma formulagio direta da matriz impedancia de barra. E, ainda, foi desenvolvido, de uma maneira mais completa, o método de Newton-Raphson para o céleulo de fluxo de carga. Deu-se uma atengdo especial a0 desenvolvimento de circuitos equivalentes de transformadores © méquinas sincronas com a finalidade de ajudar os alunos que precisam estudar sistemas de poténcia antes de terem cursado disciplinas de méquinas elétricas. Foram desenvolvidos estudos x XII Elementos de anlice de sistemas de poténcia de equagdes de transitérios ern linhas sem perdas para conduzir 20 estudo de péra-raios. Outros tépicos discutidos, brevemente, so: transmissio em corrente continua, compensagdo reativa € cabos subterraneos. Foi ampliado 0 assunto referente a despacho automitico de carga. Tive duas valiosas e principais colaborag6es a esta edigao. Arun G. Phadke, Engenheiro Consultor da American Electric Power Service Corporation, € 0 autor do nosso capitulo sobre protesao dle sistemas de poténcia. John J. Grainger, meu colege da North Carolina State University, reescreveu completamente 0 capitulo sobre estabilidade de sistemas de poténcia. A ambos, que contribuiram tanto para esta edigao, dirijo meus sinceros agradecimentos. W. H. Kersting da New Mexico State University contribuiu na segdo sobre compensacao reativa. Ele, como também J. M, Feldman da Northeastern University, G. T. Heydt da Purdue University, e H. V. Poe da Clemnson University acrescentaram novos problemas a virios capitulos. A todos eles sou extremamente grato. Devo agradecer a trés pessoas que se colocaram sempre a disposigao quando precisava de suas opinides sobre esta revisio. Homer E. Brown com sua longa experiéncia em Sistemas de Poténcia como também sua experiénicia no ensino constituiu-se em grande ajuda para mim. A.J. Goetze, que jd ministrou muitas vezes 0 Curso na North Carolina State University, baseando-se neste livro, mostrou-se pronto para fornecer sugestdes sempre que solicitado e, finalmente, John Grainger deve ser mencionado, novamente, porque ele me forneceu sugestoes € informagoes atualizadas. Dirijo meus agradecimentos, também, as companhias que foram Zo solfcitas em abaste- corme de informagdes, fotografias € até de revisoes de alguns dos novos assuntos descritivos. Estas companhias so: Carolina Power and Light Company, Duke Power Company, General Electric Company, Leeds and Northup Company, Utility Power Corporation, Virginia Electric and Power Company e Westinghouse Electric Corporation. E, como sempre, fui beneticiado com as cartas recebidas de usudrios das edigSes passadas. Espero que essa correspondéncia dos leitores continue. William D. Stevenson, Jr. CAPFTULO, 1 FUNDAMENTOS GERAIS © desenvolvimento de fontes de energia para realizar um trabalho proveitoso é @ chave para © progresso industrial que € bésico para a melhoria continua no padrdo de vida do povo em geral. Descobrir novas fontes de energia disponfvel onde for necessério, converter a energia de uma forma para outra e usé-la sem criar poluigdo que destruiré nossa biosfera sao, entre outros, 0s malores desafios enfrentados pelo mundo de hoje. O sistema elétrico de poténcia é uma das ferramentas para converter e transportar energia e que esté desempenhando um importante papel para vencer esse desafio. Engenheiros altamente treinados sio necessérios para desenvolver € implementar os avangos da ciéncia, para resolver os problemas de energia elétrica e para assegurar lum grau muito elevado de confiabilidade do sistema juntamente com 0 méximo cuidado na protegdo de nossa ecologia, Um sistema de poténcia consiste em trés divisies principais: as centrais geradoras, as linhas de transmissao e 05 sistemas de distribuigdo. A utilizagio da energia entregue aos usudrios das companhias de energia elétrica ndo & da responsabilidade dessas empresas ¢ nfo serd con- siderada neste livro. As linhas de transmissio constituem 0 elo de ligagdo entre as centrais geradoras ¢ os sistemas de distribuigo ¢ conduzem a outros sistemas de poténcia através de interconexdes. Um sistema de distribuigdo liga todas as cargas individuais as linhas de transmiss0 nas subestagdes que realizam transformagdes de tensdo e fungdes de chaveamento. 0 objetivo deste livro ¢ apresentar métodos de andlise; dedicamos a maior parte de nossa atengdo as linhas de transmissdo e a0 sistema de operagto. Nao abordaremos sistemas de distri- buigfo ou quaisquer outros aspectos de centrais elétricas que néo sejam as caracteristicas elétricas de geradores. 1.1 O CRESCIMENTO DE SISTEMAS ELETRICOS DE POTENCIA desenvolvimento dos sistemas de corrente altemada (CA) comegou nos Estados Unidos em 1885, quando George Westinghouse comprou as patentes americanas referentes aos sistemas 1 2 Elementos de anéiise de sistemas de poténcla de transmissio em CA, desenvolvidos por L. Gaulard e J. D. Gibbs, de Paris. William Stanley, sbcio antigo de Westinghouse, testava transformadores em seu laborat6rio em Great Barrington, ‘Massachusetts. Af, no inverno de 1885-1886, Stanley instalou o primeiro sistema de distribuicfo experimental em CA, alimentando 150 Idmpadas na cidade. A primeira linha de transmissfo em CA nos Estados Unidos foi posta em operago em 1890 para transportar energia elétrica Berada em uma usina hidroelétrica desde Willamette Falls até Portland, Oregon, numa distancia de 20 km. AAs primeiras linhas de transmissio eram monofisicas ¢ a energia, geralmente, utilizada apenas para iluminago, Os primeiros motores também eram monofésicos, porém, em 16 de maio de 1888, Nicola Tesla apresentou um trabalho descrevendo motores de indugo e motores sincronos bifésicos. As vantagens dos motores polifésicos tornaram-se evidentes imediatamente, € na “Columbian Exibition” de Chicago, em 1893, foi mostrado a0 pliblico um sistema de distribuigdo bifésico em CA. Depois disso, a transmissdo de energia elétrica por corrente alternada, especialmente corrente alternada trifésica, substituiu gradualmente os sistemas em corrente continua (CC). Em janeiro de 1894, existiam cinco usinas geradoras polifésicas nos Estados Unidos, das quais uma era bifisica e as outras trifésicas. Atualmente, a transmissd0 de energia elétrica nos Estados Unidos é feita quase que inteiramente em CA. Uma razio para a aceitacio atual de sistemas em CA foi o transformador que torna possivel a transmissio de energia elétrica em uma tensio mais elevada que a tensfo de geragio ou de consumo, com a vantagem da capacidade maior de transmissio. Em um sistema de trinsmissio em CC, os geradores CA alimentam a linha CC através de um transformador e de tim retificador eletronico. Um inversor eletronico transforma a corrente continua em corrente alternada no fim da linha de transmissio para que a tensfo possa ser reduzida pelo transformador. Através da retificago ¢ inversto em cada extremidade da linha, a cenergia elétrica pode ser transferida em ambos os sentidos. Estudos econémicos mostram que 2 transmissfo aérea em CC nfo € econdmica, nos Estados Unidos, para distancias menores que 560 km. Na Europa, onde as linhas de transmissio em geral so mais longas que nos Estados Unidos, existem linhas de transmisséo CC em operaco em diversos locais, tanto em instalagbes, aéreas como subterrineas. Na Califrnia, grandes quantidades de poténcia hidroelétrica s30 transferidas da Pacific Northwest para a parte sul da California em linhas CA de 500 kV ao longo da costa ¢ mais adiante através do Estado de Nevada em linhas CC de 800 KV (tensfo linha a linha). Dados estatisticos registrados desde 1920 até a década de 70-80 mostram uma taxa de crescimento quase constante, tanto para a capacidade instalada de geragdo como para a producao anual de energia, cujas quantidades praticamente dobram a cada dez anos. A partir daf, o cresci- mento tomna-se mais erratico e imprevisfvel, porém, em geral, de modo mais lento. No infcio da transmissdo em CA nos Estados Unidos, a tensdo de operaggo cresceu rapidamente. Em 1890, a linha Willamette-Portland operava em 3300 V. Em 1907, uma linha jf estava operando em 100KV. As tensbes atingiam 150 kV em 1913, 220 kV em 1923, 244 kV em 1926 e 287 kV na linha de Hoover Dam a Los Angeles que comegou a operar em 1936. Em 1953, surgiu a primeira linha em 345 kV. Em 1965, estava em servigo a primeira linha em 500 kV. Quatro anos mais tarde, entrava em operagdo a primeira linha em 765 kV. Até 1917, os sistemas elétricos eram geralmente operados como unidades individuais porque comecaram como sistemas isolados e se expandiram gradualmente de modo a cobrir Fundamentos 3 todo 0 pais. A demanda de grandes quantidades de poténcia ¢ @ necessidade de maior confiabi- lidade conduziram a interligagao de sistemas vizinhos. A interligacdo é vantajosa economicamente Porque sio necessérias menos maquinas como reserva para operago em picos de carga (capacidade de reserva) ¢ também sdo necessérias menos méquinas funcionando em vazio para atender carges repentinas ¢ inesperadas (reserva girante). A redugfo no mimero de méquinas ¢ possivel porque uma. companhia geralmente pode solicitar a companhias vizinhas o fornecimento de poténcias adicionais. A interligaggo também permite que uma companhia aproveite a vantagem de utilizar fontes de poténcia mais econdmica, ¢ as vezes uma companhia pode achar mais barato comprar cenergia durante alguns periodos do que usé-la de sua propria geragao. A interligago de sistemas aumentou de tal maneira que a energia atualmente € trocada entre os sistemas de diferentes companhias de uma forma rotineira. A continuidade de operagdo de sistemas que dependem principalmente de usinas hidroelétricas s6 € possivel, em perfodo de estiagem, gracas a energia obtida de outros sistemas por intermédio da interligagdo. Porém, a interligagdo de sistemas trouxe muitos ¢ novos problemas, a maioria dos quais ja foi resolvida satisfatoriamente. A interligag2o provoca o aumento da corrente que circula quando ocorre um curto-ircuito no sistema e requer a instalagdo de disjuntores de maior capacidade. O distirbio causado no sistema por um curto-circuito pode se estender para os siste- ‘mas @ ele interligados, a menos que os pontos de interconexo estejam equipados com relés € disjuntores apropriados. Os sistemas interligados devem ter nao s6 a mesma freqiéncia como também todos os geradores sincronos devem estar em fase. planejamento da opera¢o, 0 aperfeigoamento e a expansio de um sistema de poténcia exigem estudos de carga, célculo de faltas, projeto de protecdo do sistema contra descargas atmosféricas e surtos de chaveamento € contra curto-circui sistema. Para a operagdo eficiente de um sistema, um problema importante é determinar como a poténcia total de geragZo solicitada a cada instante deve ser distribuida entre as varias unidades de cada usina, Neste capftulo, consideraremos a natureza geral desses tipos de problemas apés uma breve anélise sobre a produgao de energia ¢ a transmissao ¢ distribuigdo. Veremos a grande contribuigdo prestada pelos computadores no planejamento e operagfo de sistemas de poténcia 1.2 PRODUGAO DE ENERGIA ‘A maior parte da energia elétrica nos Estados Unidos € gerada em usinas termoelétricas, através de turbinas a vapor. As hidroelétricas contribuem com menos de 20% do total e essa percentagem tende a cair porque a maloria das fontes hidroelétricas disponiveis jé foram aproveitadas. As turbinas a gés sfo usadas em menor extens4o durante pequenos perfodos quando © sistema esté atendendo aos picos de carga O carvéo é 0 combustivel mais usado nas usinas a vapor. As usinas nucleares abastecidas com urdnio tendem 2 aumentar continuamente sua patticipagdo no atendimento da carga, mas sua construgio é lenta e incerta, tendo em vista a necessidade de capitais, cada vez maiores, devido as custos elevados de construcdo, constantemente aumentando as exigéncias de seguranga. Essas exigéncias provocam a necessidade de novos projetos, causam oposicdo piblica na operacdo dessas usinas e atraso em seu licenciamento. 4 Blementos de anélise de sistemas de poténcia Muitas usinas foram convertidas para usar leo entre 1970 ¢ 1972 mas, em face do aumento continuo no prego do dleo e a necessidade de ser reduzida a dependéncia de dleo estrangeiro, tem havido reconversio, sempre que possivel, dessas usinas a leo para carvao. suprimento de urénio é limitado, porém os reatores de fast breeder, proibidos atualmente nos Estados Unidos, aumentaram grandemente, na Europa, a energia total dispontvel a partir do uranio. A fusio nuclear se constitui na grande esperanga para o futuro, entretanto as perspec: tivas do surgimento de um processo de fusio controlada em escala comercial so de que ocorra bem depois do ano 2000. Esse ano, porém, é a data escolhida para funcionar o primeiro modelo- piloto de um reator de fusio controlada. Enquanto isso, os sistemas de poténcia devem continuar a crescer e substituir as utilizagdes diretas do éleo. Por exemplo, o carro elétrico provavelmente serd usado intensamente de modo a reservar os combustiveis fésseis (inclusive petréleo € gés sintetizado do carvao) para avides ¢ transporte rodovisrio de longa distancia. Existem alguns aproveitamentos de energia geotérmica na forma de vapor obtido da terra, tanto nos Estados Unidos como em outros paises. Quanto & energia solar, que é atualmente usada principalmente na forma de aquecimento direto da agua em residéncias, poderd tomar-se de uso mais prético, porém necessitando de mais pesquisa sobre células fotovoltaicas que convertam diretamente a luz do sol em eletricidade. J4 foram alcangados grandes progressos no aumento da eficiéncia e na redugdo dos custos dessas células, mas a distancia a ser percorrida ainda é muito grande. Esto em operagio, em varios locais, aproveitamento do vento (cataventos) acionando geradores para fornecer pequenas quantidades de energia elétrica a sistemas de poténcia. Esforgos estdo sendo feitos para aproveitar energia das marés. Uma forma indireta de aproveitamento da energia solar € 0 ilcool obtido de cereais ¢ misturado com gasolina para formar um combustivel adequado para automéveis. Outra forma de energia solar é 0 gis sintetizado do lixo e do esgoto. Finalmente, produzindo energia de vérias origens, torna-se muito importante a protecio de nosso meio ambiente. A poluicdo atmosférica € muito evidente aos habitantes de paises industrializados. A poluigdo térmica ndo é to notada, porém, o resfriamento da égua em reatores nnucleares € muito importante ¢ eleva demais os custos de construgdo desses reatores. Um grande aumento na temperatura dos rios € perigoso aos peixes e, por outro lado, a utilizacdo de lagos artificiais para resfriar a dgua ocuparia grandes dreas de terras produtivas. Assim, as torres de resfriamento, embora dispendiosas, parecem constituir-se na solugdo para o resfriamento em usinas nucleares. 13 TRANSMISSAO E DISTRIBUICAO A tensio de grandes geradores geralmente esta na faixa de 13,8 kV 2 24 kV. Entretanto, os grandes € modernos geradores s4o construidos para tensdes de 18 a 24 kV.-Nao foram adotadas tensdes padronizadas para geradores. ‘As tensdes dos geradores so elevadas para niveis de transmissio de 115 a 765 KV. As tensoes padronizadas de alta tensfo (AT) sdo 115, 138 ¢ 230 kV. As extra-altas tensdes (EAT) so 345, 500 ¢ 765 KV. Esto sendo feitas pesquisas em linhas para niveis de ultra-atas tensOes (UAT) de 1.000 a 1.500KV. A vantagem dos niveis mais elevados de tenséo das linhas de transmisséo toma-se evidente quando se leva em conta a capacidade de transmissio da linha ‘em megavolt-ampéres (MVA). A capacidade das linhas de mesmo comprimento varia aproximada- Fundamentos 5 ‘mente segundo uma relagdo um pouco maior do que 0 quadrado da tensio, Entretanto, nfo posstvel especificar a capacidade de uma linha para uma dada tens4o porque a capacidade depende de limites térmicos do condutor, queda de tensio permitida,:confiabilidade ¢ exigéncias para ser mantido 0 sincronismo entre as méquinas do sistema, 0 que € conhecido por estabilidade Muitos desses fatores sfo dependentes do comprimento da linha. Os cabos de transmisséo subterranea para uma determinada tensfo parecem desenvolver-se durante cerca de 10 anos apés terem entrado em funcionamento. A transmissdo subterranea é desprezivel em termos de quilometragem mas est aumentando significativamente. Ela é mais recomendada para dreas urbanas densamente povoadas, ou é usada sob largos leitos de agua. ‘A primeira redugdo de tensto da linha de transmissfo se dé na subestago de transmissi0 onde a redugo ocorre na faixa de 34,5 a 138 kV, dependendo, naturalmente, da tensdo da linha. Alguns usudrios industriais podem ser abastecidos nesses niveis de tensfo. A redugdo de tensdo seguinte ocorre na subestagto de distribui¢do, onde a tensfo das linhas que saem dessa subestacto ficam em tomo de 4 a 34,5 kV e mais comumente entre I] e 15 kV. Este é 0 sistema primario de distribuigo. Um valor de tensdo muito usado nesse estégio ¢ 12470V entre linhas, 0 que significa 7.200V entre uma linha e a terra, ou neutro. Essa tensio é geralmente descrita como 12.470 ¥/7.200 V. Uma outra tensfo de valor menor no sistema primério e que é menos usada € 4.160 ¥/2.400 V. -Muitas cargas industriais sf0 alimentadas a partir do sistema pi também alimenta os transformadores de distribuig2o que fornecem tens6es secundas circuitos monofésicos a trés fios para uso residencial. Aqui, a tensGo 6 240 V entre dois fios ¢ 120 V entre cada um desses fios e 0 terceiro condutor, 0 qual é aterrado. Outros circuitos secundérios so os sistemas trifésicos a quatro fios nos valores 208 Y/120V ou 480/277 V. 1.4 ESTUDOS DE CARGA Um estudo de carga consiste na determinaggo da tensio, da corrente da poténcia e do fator de poténcia ou poténcia reativa nos diversos pontos de uma rede elétrica sob condigdes reais ou ideais de opera¢do normal. Os estudos de carga sfo essenciais para planejar a expansio do sistema, uma vez que a operacdo satisfatdria desse sistema depende do conhecimento dos efeitos da interligagdo com outros sistemas, de novas cargas, de novas centrais geradoras e de novas linhas de transmissdo antes que elas sejam instaladas. Antes do desenvolvimento de computadores digitais de grande porte, os estudos de fluxo de carga etam feitos em analisadores de rede CA, 08 quais eram uma réplica monofésica e escala reduzida do sistema real por intermédio da interligago de elementos de circuito e de fontes de tensio. A realizago de conexdes, ajustes e leitura de dados era cansativa e demorada. Atualmente, ‘os computadores digitais fornecem as solugdes para estudos de fluxos de carga em sistemas complexos. De fato, um programa computacional pode comportar mais de 1.500 barras, 2.500 linhas, $00 transformadores com mudanga de derivacfo sob carga e 25 transformadores defasa- dores. Os resultados completos so impressos répida e economicamente. Os planejadores de sistemas esto interessados em estudar como serd o sistema de poténcia 10 ou 20 anos depois. E mais do que 10 anos o tempo que transcorre entre o infcio do planeja- mento de uma nova usina nuclear ¢ 0 seu inicio de operacdo. Uma empresa de energia elétrica 6 Blementos de anditse de sistemas de poténcla deve saber, com muita antecedéncia, dos problemas relacionados com a alocagfo da usina e a ‘melhor disposigo das linhas para transmitir a energia 20g centros de caiga,,os quais no existem quando o planejamento deve ser feito. Veremos, no Capitulo 8, como os estudos de fluxo'de carga sio Tealizados com 0 auxilio. do computador. A Figura 8.2 mostra a listagem de safda do computador de um fluxo de carga relativo a um pequeno sistema que estaremos estudando. 1.5 DESPACHO ECONOMICO DE CARGA ‘As empresas de energia elétrica podem dar a impressio de que no existe concorréncia entre elas. Esta idéia surge tendo-se em vista que cada empresa opera numa érea geogréfica ndo servida por outras. No entanto, a concorréncia esté presente nos esforgos para atrait novas indistrias para a area. Taxas elétricas favordveis constituem 0 fator que incentiva a localizagao de uma inddstria, embora esse fator seja muito menos importante em épocas que os custos ‘erescem rapidamente ¢ as tarifas para a indiistria elétrica s40 incertas do que nos perfodos de situagdo econdmica estivel. A regulamentagZo das tarifas por comissdes estaduais, entretanto, serve de pressio sobre essas empresas, para que elas operem da mancira mais econdmica ¢ obtenham lucros razodveis em face de custos crescentes de produgdo. Despacho econdmico & 0 termo dado a0 processo de distribuir 0 total da carga de um sistema entre as varias usinas geradoras, de modo a alcangar a maxima economia de operago. Veremos que todas as usinas de um sistema so controladas continuamente por um computador, 4 medida que ocorrem mudangas na carga de tal modo que a gerago seja alocada para se ter a operago econdmica méxima. 1.6 CALCULO DE FALHAS ‘Uma falta num circuito é qualquer falha que interfere com o fluxo normal da corrente. ‘A maioria das faltas em linhas de transmissio de 115kV ou mais & causada por descargas atmosféricas, que resultam no centelhamento dos isoladores. A alta tensdo existente entre um condutor da linha e a torre (que é aterrada) causa a ionizacSo, provocando um caminho, para a terra, para a carga induzida pela descarga atmosférica. Uma vez estabelecido o caminho jonizado para a terra, a baixa impeddncia desse caminho faz com que circule corrente da linha para a terra e através da terra para o neutro aterrado de um transformador ou gerador, comple- tando, assim, o circuito. Faltas entre duas fases nfo envolvendo a terra s4o menos comuns. A abertura de disjuntores, para isolar a porgo da linha em falta do resto do sistema, interrompe a circulago de corrente no caminho ionizado e permite que ocorra a desionizagfo. Apés um intervalo de cerca de 20 ciclos para a desionizagfo, os disjuntores geralmente podem ser religados sem que se estabelega o arco novamente. A experiéncia na opera¢fo de linhas de transmissfo ‘mostra que os disjuntores com velocidade ultra-rdpida de refechamento conseguem religarse com sucesso ap6s muitas faltas. Aqueles casos em que o refechamento nfo ocorre com sucesso, um mimero aprecidvel causado por faltas permanentes onde ele seria impossivel, independente do intervalo de tempo entre a abertura e o refechamento. As faltas permanentes sfo causadas por linhas cafdas no solo, por nuptura de uma cadeia de isoladores, devido a cargas de gelo, por danos Fundementos 7 permanentes em torres e por falhas de péra-raios. A experiéncia tem mostrado que entre 70 e 80% das faltas em linhas de transmissdo sfo faltas entre uma fase ¢ terra, a8 quais ocorrem * devido 20 centelhamento de apenas uma fase da linha para a torre ¢ daf para a terra. O menor miimero de faltas, cerca de 5%, envolve todas as trés fases, 0 que é chamado de faltas triffsicas. utros tipos de faltas em linhas de transmissfo sfo as faltas entre duas fases, as quais no envolvem a terra, ¢ as faltas entre duas fases ¢ terra. Todas as faltas acima, exceto a falta trifésica, sfo assimétricas ¢ causam um desequilibrio entre as fases. ‘A comrente que circula nas diferentes partes de um sistema de poténcia, imediatamente apés a ocorréncia de uma falta, difere daquela que circula poucos ciclos mais tarde, justamente antes de os disjuntores abrirem a linha em ambos os lados da falta. Essas duas correntes citadas diferem em muito da corrente que estaria circulando sob condig6es de estado permanente se a falta ndo fosse isolada do resto do sistema pela operagdo de disjuntores. Dois dos fatores a respeito dos quais depende a sele%o adequada dos disjuntores sio: a corrente que circula imediatamente apés a ocorréncia da falta e a corrente que 0 disjuntor deve interromper. O célculo de faltas consiste em determinar essas correntes para varios tipos de faltas em vérios pontos do sistema. Os dados obtidos desses calculos de faltas também servem para determinar o ajuste dos relés que controlam os disjuntores. ‘A anilise por componentes simétricos ¢ uma ferramenta poderosa que estudaremos mais. tarde e que toma o cilculo de faltas assimétricas quase tZ0 fécil como o célculo de faltas tri- fésicas. Novamente, 0 computador digital aparece como fundamental para a realizagdo dos célculos de faltas. Examinaremos as operag0es bésicas utilizadas nos programas computacionais. 1.7 PROTECAO DE SISTEMAS As faltas podem ser muito prejudiciais a um sistema de poténcia. Muitos estudos, desenvolvimento de dispositivos € projetos de esquemas de proteedo tém resultado em continuo aperfeigoamento na prevengfo de danos em linhas de transmissio ¢ equipamentos, como também de interrupgdes na geragdo apés a ocorréncia de uma falta. Estaremos examinando 0 problema de transitérios em uma linha de transmissfo para um ‘caso muito simplificado. Esse caso nos levaré ao estudo de como péra-raios de surtos protegem equipamentos, tais como transformadores nos barramentos de uma usina ¢ nas subestagdes, contra 08 surtos de tensio muito elevada causados por descargas atmosféricas e, no caso de linhas de EAT e UAT, por chaveamento. As faltas causadas por surtos so geralmente de durago tdo curta que qualquer disjuntor do circuito que tenha aberto religard automaticamente apés alguns poucos ciclos, restabelecendo a operagdo normal. Se néo estiverem envolvidos péra-raios ou se as faltas forem permanentes, as segGes em falta do sistema devem ser isoladas para manter em operagdo normal o resto do sistema. © funcionamento de disjuntores é controlado por relés que percebem a falta. No emprego de relés, so especificadas zonas de protegdo para definir as partes do sistema pelas quais virios relés sfo responsdveis. Um relé também atuaré em auxilio a outro relé numa zona ou zonas adjacentes onde a falta ocorre, no caso em que o relé da zona adjacente falhe em responder. No Capitulo 13 estudaremos as caracteristicas dos tipos bésicos de relés e veremos alguns exemplos numéricos na utilizaggo © coordenagio de relés. 8 ——_Elementos de andlise de sistemas de poténcia 1.8 ESTUDOS DE ESTABILIDADE A corrente que circula em um gerador de CA ou em um motor sinerono depende do médulo de sua tensio interna gerada, da fase de sua tensdo interna em relagao 4 fase da tensio interna de cada uma das outras méquinas do sistema e ainda das caracteristicas da rede e da carga. Por exemplo, dois geradores CA funcionando em paralelo, sem quaisquer outras ligages externas do citcuito entre os dois, fargo circular corrente nula se suas tenses intemas forem iguais em modulo e em fase. Se suas tensdes internas forem iguais em médulo, porém diferentes em fase, a diferenga das tenses no ser zero e circularé uma corrente, determinada pela diferenga das tensdes e pela impedancia do circuito. Uma maquina fornecerd poténcia para a outra, que funcionaré como motor em vez de gerador. AAs fases das tensdes internas dependem da posigdo relativa dos rotores das méquinas. Se © sincronismo no for mantido entre os geradores de um sistema de poténcia, as fases de suas tensoes internas estardo variando constantemente, cada uma em relagdo as outras, sendo impossivel uma operagao satisfatéria As fases das tensdes internas das maquinas sincronas permanecem constantes apenas enquanto as velocidades das vérias maquinas permanecerem constantes ¢ iguais a velocidade que corresponde & freqiéncia do fasor de referéncia. Quando varia @ carga de um gerador ou do sistema, a corrente do gerador ou do sistema também varia. Se a variagdo da corrente ndo resultar nna variag3o do médulo das tensbes internas das méquinas, as fases dessas tensbes deverdo variar Portanto, s8o necessérias variagGes momentaneas na velocidade para ser obtido o ajuste das fases das tens6es, uma vez que as fases so determinadas pelas posigdes relativas dos rotores. Quando as maquinas jé tiverem se ajustado aos novos valores de fase, ou quando tiver desaparecido perturbagdo causadora da variagao momenténea da velocidade, as méquinas deverdo funcionar novamente na velocidade s{ncrona. Se qualquer méquina nfo permanecer em sincronismo com © resto do sistema, resultard a circulagdo de correntes elevadas; em um sistema projetado adequa- damente, a agdo de relés de disjuntores isolard essa maquina do sistema. O problema de estabi- lidade consiste em manter os geradores ¢ motores do sistema funcionando de modo sincrono, Os estudos de estabilidade so classificados conforme a ocorréncia de condigdes de estado permanente ou condigdes transitérias. Existe um limite definido para a poténcia que um gerador CA € capaz de fornecer, como também para carga que um motor s{ncrono pode suportar. A instabilidade ocorre quando se procura aumentar a energia mecinica fornecida ao gerador, ov a carga mecinica de um motor, acima daquele limite definido, chamado limite de estabilidade. O valor-limite da poténcia € alcangado mesmo quando a variagdo é feita gradualmente. As pertur- bagdes em um sistema, causadas por cargas aplicadas repentinamente, por ocorréncia de faltas, por perda de excitacgo no campo de um gerador e por acdo de disjuntores, podem provocar a perda de sincronismo mesmo quando a variagio no sistema, causada pela perturbacdo, no ultrapassar o limite de estabilidade quando feita essa variagao gradualmente. O valor-limite de poténcia é chamado limite de estabilidade em regime transitério ‘ov limite de estabilidade em regime permanente, conforme 0 ponto de instabilidade for alcangado por uma variagdo sibita ou gradual nas condigdes do sistema. Felizmente, os engenheiros encontraram métodos para melhorar a estabilidade ¢ para predizer os limites de funcionamento estavel, tanto em condigdes de regime permanente como de que faremos para um sistema com duas méquinas si0 Fundamentos 9 ‘menos complexos que os estudos para sistemas multiméquinas, porém muitos dos métodos para melhorar a estabilidade podem ser vistos pela andlise de um sistema com duas méquinas. s computadores digitais s40 usados na previsio dos limites de estabilidade de um sistema complexo. 1.9 OENGENHEIRO DE SISTEMAS DE POTENCIA Este capitulo procurou mostrar um pouco da histéria do desenvolvimento inicial dos sistemas elétricos de poténcia como também descrever alguns dos estudos e técnicas analiticas importantes no planejamento da operacdo, melhoria e expansfo de um sistema de poténcia moderno. O engenheiro de sistema de poténcia deve conhecer os métodos para fazer estudos de cargas, andlise de faltas ¢ estudos de estabilidade e para saber os princfpios de despacho econdmico, tendo em vista que esses estudos afetam 0 projeto © operagdo do sistema, bem como a escolha de sua aparelhagem de controle. Antes que possamos estudar esses problemas em maior detalhe, devemos ver alguns conceitos fundamentais relacionados a sistemas de oténcia, de modo a entender como esses conceitos fundamentais afetam aqueles problemas. 1.10 LEITURA COMPLEMENTAR ‘AS notas de rodapé a0 longo deste livro indicam fontes de informagio a respeito de muitos dos t6picos que estaremos abordando. O leitor também seré informado a respeito dos livros relacionados abaixo, os quais tratam em sua maioria dos mesmos assuntos deste livro embora alguns incluam outros t6picos ou os mesmos em maior profundidade. Elgerd, ©. 1, Electric energy systems theory: an introduction, 28 ed., McGraw-Hill Book Company, New York, 1982. Gross, C.A., Power system analysis, John Wiley & Sons, New York, 1979. Neuenswander, J. R., Modern power systems, Intext Educational Publishers, New York, 1971. Weedy, B.M., Electric power systems, 38 ed., John Wiley & Sons Ltd., London, 1979. CONCEITOS BASICOS © engenheiro de sistema de poténcia tanto esté voltado para a operagdo normal do sistema ‘como para as condigdes anormais que possam ocorrer. Ele deve, ainda, estar bastante familiarizado com os circuitos CA em regime permanente, particularmente com circuitos trifésicos. E 0 propésito deste capitulo rever algumas das idéias fundamentais de tais circuitos, estabelecer a notagdo que seré usada no desenvolver do livro € introduzir as expressdes de valores de tensio, corrente, impedincia e poténcia em valores por unidades. 2.4 INTRODUCAO ‘A forma de onda de tensio nos barramentos de um sistema de poténcia pode ser assumida como sendo puramente senoidal e de freqiiéncia constante. No desenvolvimento te6rico deste livro, na maioria dos casos, estaremos voltados para a representagto fasorial das tensbes © correntes senoidais e usaremos letras maidsculas, Ve J, para indicar esses fasores (com subs- eritos apropriados quando necessério). Barras verticais incluindo V e I, istoé |V| e |/|, designardo 0 médulo dos fasores. Letras mindsculas indicarfo valores instantaneos. Quando uma tensio gerada (forga eletromotriz) est especificada, a letra E em vez de V seré usada para enfatizar 0 fato de que uma fern, em vez de uma genérica diferenca de poténcia entre dois pontos, esta sendo considerada. Se uma tensio € uma corrente sio expressas como fungdes do tempo, tais como 41,4 cos (wt + 30°) 7,07 cos ont 10 Conceitos bésleos 11 seus valores méximos serdo obviamente Vmax = 141,4V € Jmax = 7,07 A, respectivamente. Barras verticais nfo so necessérias quando 0 subscrito max, com V e J, € usado para indicar valor méximo. 0, termo médulo se refere a0 valor-quadrético-médio ou valores rms, 0 qual & igual aos valores’ mdximos divididos por \/2. Logo, para as expresses acima para uv ¢ i, [V}=100V ef =5A Estes sfo os valores lidos por tipos comuns de voltimetros e amperimetros. Um outro nome para o valor rms é 0 valor eficaz. A poténcia média dispendida em um resistor é [1]? R. Para expressar estas quantidades como fasores, deve ser escolhida uma referéncia. Se a corrente é 0 fasor referéncia 5/0? = 5 +j0A 4 tensdo, em avango, de 30% em relagao ao fasor referéncia, € V= 100/20 = 86,6 1 50 _V Obviamente, nao sdo escolhidas como fasor referéncia tanto a tensdo como a corrente instantanea, cujas expresses sio ve i; neste caso, suas express0es fasoriais envolveriam outros angulos n diagramas de circuitos é mais conveniente usar marcas de polaridades na forma de sinais-mais e sinais-menos para indicar 0 terminal considerado positivo quando da especificagao da tensio. Uma seta sobre 0 diagrama especifica o sentido suposto positivo para 0 fluxo de corrente. No equivalente monofésico de um circuito-trifésico, a notaggo com subscrito tnico € geralmente suficiente, mas a notagZo com subscrito duplo é usualmente mais simples quando se trata com todas as trés fases 2.2. NOTAGAO COM SUBSCRITO UNICO A Figura 2.1 indica um circuito CA com uma fem representada por um cfrculo. A corrente no circuito é I, © a tensio através de Z,, ¢ Vz. Entretanto, para especificar estas tensdes ‘como fasores, s40 necessérias as marcagdes de + € ~, sobre o diagrama chamadas marcas de polaridade, e uma seta para o sentido da corrente. Figura 2.1. Um circuito CA com fem Ey. © impedincia de car 12 Blementos de andlise de sistemas de poténcia Num cireuito CA, 0 terminal marcado com o sinal + € positivo com respeito 20 terminal marcado com o sinal -. para a metade de um ciclo de tensio, ¢ é negativo com respeito 20 outro terminal durante a metade seguinte do ciclo. Marcamos os terminais para permitir-nos dizer que @ tenso entre os terminais € positiva a qualquer instante, quando o terminal marcado por um mais estiver atualmente num potencial maior que o terminal marcado por um menos. Conse- qientemente, na Figura 2.1, a tensio instanténea vy ¢ positiva quando o terminal marcado com mais esté instantaneamente num potencial maior que o terminal marcado com o sinal negativo. Durante o semiciclo seguinte, 0 terminal marcado positivamente esta instantaneamente nnegativo, ¢ u; & negativo. Alguns autores usam uma seta, mas neste caso, é necessério especificar quando a seta esté apontando no sentido do terminal denominado por um mais ou no sentido do terminal denominado por um menos na conven¢do descrita acima. A seta de correitte realiza uma fungdo semethante. © subscrito, neste caso L, ndo é neces sério a menos que outras correntes estejam presentes. Obviamente, o sentido instanténeo do fluxo da corrente, em um circuito CA, € trocado a cada semiciclo. A seta aponta no sentido que seré chamado positivo para a corrente. Quando a corrente estd instantaneamente fluindo no sentido oposto ao da seta, a corrente é negativa. O fasor corrente é Qa) zy V,=E,-1,2, (2.2) Como certos nés no circuito possuem letras a eles associadas, as tens6es podem ser desig- nadas por subscrito como uma tinica letra, identificando 0 n6 cujas tensbes so expressas com respeito a0 né de referéncia. Na Figura 2.1, a tensio instantinea vg 0 fasor tensfo Vy expres- sam a tenséo do né a com respeito ao né de referéncia 0, € Ug € positiva quando a esté em potencial maior que 0. Entdo 2.3 NOTACAO COM SUBSCRITO DUPLO © uso das marcas de polaridade para tensdes ¢ sentido de setas para correntes pode ser evitado usando-se @ notago com subscrito duplo. O entendimento do circuito trifésico € consi- deravelmente clarificado pela adogdo de um sistema de duplo subscrito. A convengfo a ser seguida 6 bastante simples. Representando uma cortente, a ordem do subscrito assinalado a0 simbolo da corrente define 0 sentido do fluxo desta quando ela € considerada positiva, Na Figura 2.1 a seta aponta de a para b, definindo sentido positivo para a corrente I, associada a seta. A corrente instan- tanea ij & positiva quando a corrente esté instantaneamente no sentido de @ para b, e em notagdo com duplo subscrito, esta corrente é ig. A corrente igg é igual a ~ipg- ie 3 a Conceitos bésicos 13 Na notagdo com duplo subscrito, as letras subscritas em uma tensGo indicam os nés do ireuito entre os quais a tensfo existe. Seguiremos a convengdo que diz que 0 primeiro subscrito representa a tensfo daquele n6 com respeito a0 n6 identificado pelo segundo subscrito. Isto significa que a tensio vgp através de Z4 do circuito da Figura 2.1 é a tensio do né a com tespeito a0 né b € que v9p € positivo durante o semiciclo para o qual a esté num potencial maior que 5. O fasor tensfo correspondente é Vp, € 3) onde Z4 € a impedancia complexa, pela qual Jap flui, entre os nds a e b, ¢ que também poderd ser chamada Zo» Invertendo a ordem dos subscritos, tanto da corrente como da tensio, dé uma corrente ou tensdo defasada de 180° com a original; isto € € notagdes com subscrito duplo para o A ‘relagdo entre notagdes com subscrito circuito da Figura 2.1 estd resumida como segue Para escrever a lei de Kirchhoff das tenses, a ordem dos subscritos € a ordem na qual aparecem as tensGes, tragando um caminho fechado em torno do circuito. Para a Figura 2.1 aay + Van + Vow Nébs_n © 0 sio 0s mesmos neste circuito, em foi introduzido para identificar mais precisa- mente 0 caminho. Substituindo Vog por -Vgo ¢. observando que Ves =lasZA, temos Vag + ap Za + Vig =O (2.5) enti awe 26) 14 Blementos de andlise de sistemas de poténcia 24 — POTENCIA EM CIRCUITOS MONOFASICOS CA Embora a teoria fundamental da transmisso de energia descreva 0 deslocamento de cenergia em termos da interagfo de campos elétricos ¢ magnéticos, o engenheiro de sistemas de poténcia esté, na maioria das vezes, preocupado com a descri¢do da taxa de variagfo da energia ‘com respeito a0 tempo (a qual & a definigio de poténcia) em termos de tensio e corrente. A unidade de poténcia é 0 watt. A poténcia em watt absorvida pela carga a qualquer instante é © produto da queda de tensfo instanténea através da carga em volts ¢ a corrente instanténea na carga em ampéres. Se 08 terminais da carga estdo indicados por a ¢ n, ¢ se a tensio ¢ corrente fo expressas. por an = Vinny COS OF © iag = Igy COS (wt ~ 8) 4 poténcia instantanea 6 P= Conan = Vaastu 608 ct 608 (ct ~ 8) @7) Figura 22 Corrente, tensfo ¢ poténcia em fungfo do tempo. aingulo 6 nestas equagdes é positivo para corrente atrasada da tensdo ¢ negativo para corrente adiantada da tensio. Um valor positive de p expressa a taxa pela qual a energia est sendo absorvida pela parte do sistema, entre os pontos a ¢ n. A poténcia instantanea obviamente positiva quando ambas, sy € fan, SHO positives mas tornar;se-do negativas quando Yen © ion estiverem opostas em sinal. A Figura 2.2 ilustra este ponto. A poténcia positiva calculada por Yenian tesulta quando a corrente esté fluindo na dirego da queda de tensdo e é a taxa de trans- feréncia de energia para a carga. Inversamente, potencia negativa calculada por Venian resulta quando a corrente esté fluindo na diregdo de um crescimento da tensfo ¢ significa que uma ‘energia esté sondo transferida da carga para o sistema no qual a carga estd ligada. Se von € ign esto em fase, como no caso de carga puramente resistive, a poténcia instanténea nunca ficaré negativa. Se a corrente ¢ a tensto est¥o defasadas de 90°, como num elemento ideal de citcuito puramente indutivo ou’ puramente capacitivo, a poténcia instantinea teré semiciclos positivos e negativos iguais e seu valor médio serd zero. Conceitos biésicos 15 Usando identidades trigonométricas, a expresso da Equagdo (2.7) é reduzida a (2.8) Veal max p= 2552 c0s 0 (1 + 008 2wt) + onde Vmaxtmax/2 pode ser substituido pelo produto do valor rms da tensio ¢ corrente [Yan | ow |¥]> [7] Outra apresentagdo da expressio para poténcia instanténea é obtida considerando a componente de corrente em fase com ty, ¢ a componente de corrente defasada de 90° com Yan. A Figura 2.3a indica um circuito em paralelo para o qual a Figura 2.30 indica o diagrama fasorial. A componente de ign em fase com ven € ig, ¢ da Figura 2.38 concluimos que [2x | = Lancos8. Se 0 valor maximo de ign € Imax, 0 maximo valor de ig € Imaxcosd. A cortente instantanea ig deve estar em fase com Vay Para tg, = Vinax OS Cf, ig = Ing, 608 0 COS «ot 9) Figura 23 Circuito paralelo RL ¢ correspondente diagrama fasorial Analogamente, a componente de igq atrasada de vg, por 90° & ix, cujo méximo valor é Tmaxsen9, como iz deve estar atrasada de Ug, por 90°, (2.10) Entao Canin = Veraalmas 608 6 COS? cot Favela cos 0 (1 + co8 201) ew que € a poténcia instantanea na resisténcia e € o primeiro termo na Equagio (2.8). A Figura 2.4 indica Ug ig em fungdo do tempo . 16 Elementos de onélise de sistemas de poténcia Analogamente, Coie = Vian man 98080 (OF COS wt (2.12) sen 0 sen ut que é a poténcia instantanea na indutancia e é o segundo termo na Equagdo (2.8). A Figura 2.5 indica Ugq ix, € seu produto plotado em fungao do tempo 1. Figura 2.4 Tensfo,corrente em fase com tensfo e a poténcia resultante como fungdo do tempo. Um exame da Equagdo (2.8) indica que 0 primeiro termo, que contém cosd, ¢ sempre positivo e tem um valor médio de p= Youloe cos 0 (213) ou, quando os valores de tensdo e corrente em rms sao substitufdos, =|V|-|1] cos 0 (2.14) Figura 25 Tensio, corrente atrasada da tensio por 90° e a poténcia resultante em fungi do tempo. Conceitos basicos 17 P € a grandeza para a qual a palavra poténcia se refere quando nao modificada por um adjetivo, identificando-a. A poténcia média P é também chamada poténcia real. A unidade fundamental ara ambas, poténcia instanténea ¢ poténcia média, € 0 watt mas é uma unidade pequena em felagdo as grandezas inerentes aos sistemas de poténcia, cujo P é usualmente medido em quilo- watts ou megawatts. © coseno do ngulo de fase @ entre a tensio e a corrente & chamado fator de poténcia. Um circuito indutivo tem um fator de poténcia em atraso e um circuito capacitivo tem um fator de poténcia adiantado. Em outras palavras, os termos fator de poténcia em atraso e fator de poténcia adiantado indicam, respectivamente, quando a corrente estd em atraso ou adiantado a tensio aplicada. © segundo termo da Equaga0 (2.8), 0 termo contendo send, € alternadamente positivo € negativo e tem um valor médio igual a zero. Esta componente da poténcia instantnea p & chamada poténcia reativa instanténea ¢ expressa o fluxo de energia alternativamente na diregdo da carga e para fora da carga. O valor méximo desta poténcia pulsante, designada Q, é chamado poténcia reativa ou volt-ampére reativo ¢ ela é utilfssima na descrico da operagdo de um sistema de poténcia, como ficaré gradativamente evidente em futuras discussies. A poténcia reativa é Q = vm gong (2.15) Q=|V| [I] sen (2.16) A raiz quadrada da soma dos quadrados de P ¢ Q é igual ao produto de |V|¢ |/| gpar /PPS OQ = AV] [eos OF + (VT [tn 8) = [V] [1] (217) Naturalmente, P e Q tém as mesmas unidades dimensionais, mas é usual designar as unidades para Q como vars (por volt-ampére reativo). As unidades mais praticas para Q sZo quilovars ‘ou megavars. Para um simples circuito-série onde Z é igual a R +X, podemos substituir |1| + [Z| por | P| nas Equagoes (2.14) e (2.16) para obter P= |I/?-|Z| cos 0 (2.18) Q=|I)P-|Z[send (2.19) Ento, identificando R= |Z| cos ¢ X= |Z| sen8, achamos P=|IPR oe Q=|IPX (2.20) como esperado 18 Blementos de andlise de sistemas de poténcia. vAs Equaget (2.14) « (2.16) fornecem outro mito de computato da {tor dept observando que Q/P = tand. 0 fator de poténcia é, portanto, iy A bevlsP as cee ou das Equagdes (2.14) e (2.17) Se a poténcia instanténea expressa pela Equacio (2.8) é a poténcia num circuito predomi- nantemente capacitivo com a mesma tensfo aplicada, 6 seria negativo, tomando send e Q negativos. Se circuitos capacitivos e indutivos estdo em paralelo, a poténcia reativa instantinea para o circuito RL estaré 180° defasada da poténcia reativa instantanea do circuito RC. A poténcia reativa liquida é a diferenga entre Q para o circuito RL e€ Q para o circuito RC. Um valor positivo & assumido a Q para uma carga indutiva e um sinal negativo a Q para uma carga capacitiva. Engenheiros da area de sistemas de poténcia usualmente vém um capacitor como sendo um gerador de poténcia reativa positiva em vez de uma carga necessitando poténcia reativa negativa. Este conceito ¢ bastante I6gico, pois um capacitor consumindo Q negativo em paralelo com uma carga indutiva reduz Q que, por outro lado, terd de ser suprido pelo sistema a carga indutiva. Em outras palavras, 0 capacitor supre Q requerido pela carga indutiva. Isto ¢ 0 mesmo que considerar 0 capacitor como um dispositivo que entrega uma corrente atrasada em vez de um dispositivo que absorve uma corrente adiantada, como indicado na Figura 2.6. Um capacitor ajustavel, em paralelo com uma carga indutiva, pode ser ajustado tal que a corrente ‘em avango para 0 capacitor seja exatamente igual em médulo a componente da corrente na carga indutiva que esté atrasada da tensfo por 90°. Entfo, a corrente resultante estd em fase com a tensfo. O circuito indutivo continua requerendo poténcia reativa positiva, mas a potér reativa liquida & zero. £ por esta razo que os engenheiros da rea de sistemas de poténcia acham conveniente considerar um capacitor como supridor desta poténcia reativa para a carga indutiva. Quando as palavras positiva e negativa nfo sfo usadas, poténcia reativa positiva € assumida, 1 vooaRe v + © 1 esté 90° avancade de ¥ T esté 90° atrasads de @ » Figura 26 Capacitor considerado (2) como um elemento passivo absorvendo corrente em avango € (b) como tum gerador suprindo corrente em atraso. Concettos bésieos 19 2.5 POTENCIA COMPLEXA Se as cxpressbes fasoriais para tensfo e corrente so conhecidas, o célculo da poténcia real ¢ reativa é efetivado convenientemente na forma complexa. Se a tensfo e a corrente numa certa carga ou parte de um circuito sdo expressas por V= |V| /a e 1= |J|/8, 0 produto da tensio pelo conjugado da corrente é Vt = Vax 1[-8= ||| a=8 e2n Esta grandeza, chamada poténcia complexa, € usualmente designada por 5. Na forma retangular = [FI || cos (a — p) +s ¥]- [4] sen (a — p) (2.22) Como a~f, 0 Angulo de fase entre tensdo e corrente é 6 nas equagies anteriores, S=P+iQ (2.23) ‘A poténcia reativa Q seré positiva quando 0 Angulo de fase a-f entre tensto e corrente for positivo, isto é quando a>, 0 que significa que a corrente esta atrasada da tensdo. Inversa- mente, Q serd negativo para >a, o que indica que a corrente esté em avango da tensio. Isto concorda com a selego de um sinal positivo para a poténcia reativa de um circuito indutivo e de um sinal negativo para a poténcia reativa de um circuito capacitivo. Para se obter 0 apropriado sinal de Q, € necessirio calcular S como VI*, em vez de V*/, o que inverteria o sinal de Q. 2.6 TRIANGULO DE POTENCIA ‘A Equacao (2.23) sugere um método grafico de obtencao da resultante para P,Q ¢ angulo de fase para varias cargas em paralelo visto que cos@ é P/|S|. Um tridngulo de poténcia pode set desenhiado para uma carga indutiva, como indicado na Figura 2.7. Para varias cargas em paralelo, o P total serd a soma das poténcias médias das cargas individuais, P Figura 2.7 Tengulo de poténcia para uma carga indutiva, 20 ——Blementos de andlse de sistemas de poténcia a qual seria tragada no eixo horizontal para uma andlise gréfica. Para uma carga indutiva, Q serd tragada verticalmente para cima, visto que é reativa negativa e Q serd vertical para baixo. A Figura 2.8 ilustra 0 tridngulo de poténcia composto de P,Q, ¢ S para uma carga atrasada tendo um angulo de fase @, combinado com o tridngulo de poténcia composto de P;,Q2 © S, que € uma carga capacitiva com um 6 negativo. Estas duas cargas em paralelo resultam, num tridngulo tendo lados P, +P; © Q, *Qz, e hipotenusa Sp. O Angulo de fase entre tensio e cortente fornecida para as cargas combinadas é Op 2.7. SENTIDO DO FLUXO DE POTENCIA A telagdo entre P,Q e tensfo de barra V, ou tensio gerada E com respeito ao sinal de Pe Q € importante quando o fluxo de poténcia num sistema é considerado. A questio envolve © sentido do fluxo de poténcia, isto é, se a poténcia esta sendo gerada ou absorvida quando tensdo e a corrente sao especificadas. A questo de entrega de poténcia para um circuito ou absorgdo de poténcia de um circuito € bastante Gbvia para um sistema CC. Consideré a relagdo entre corrente € tenséo indicada na Figura 2.9, onde a corrente CC J esté fluindo para a bateria. Se 1= 108 e B= 100V, a bater estd sendo carregada (absorvendo energia) numa taxa de 1000W. Por outro lado, com a seta ainda 1no sentido indicado, a corrente pode ser 1 = -10A. Entdo, 0 sentido convencional da corrente € oposto ao sentido da seta, a bateria esta descarregando (entregando energia), Figura 2.8 Tridngulo de poténcia para cargas combinadus. Note que Qz ¢ negative © 0 produto de E ¢ J -1000W. Pelo desenho da Figura 29 com I fluindo através da bateria do terminal positive para o negativo, o carregamento da bateria parece ser 0 indicado, mas este € 0 caso somente se Ee J forem positivos, tal que a poténcia calculada como produto de E e I seja positiva. Com este relacionamento entre E e J, 0 sinal positive para a poténcia € obvia- mente relacionado ao carregamento da bateria. 1 E =} Figura 2.9. Uma representagfo CC de carga de uma bateria te Ee J slo ambas positivas ou ambas negativas, Conceitos bésicos 20 Se o sentido da seta para J. na Figura 2.9 fosse invertido, a descarga da bateria seria indicada pot um sinal positivo para J e para poténcia. Entdo, o diagrama de circuito determina quando um sinal positivo para poténcia esté associado com:o carregamento ou o descarregamento da bateria. Esta explanagdo parece desnecesséria, mas fomnece o embasamento para interpretagdo das relagbes nos circuitos CA. 1 ; | @ » yura 2.10 Uma representagéo de fem e corrente em um ciscuito de CA para ilvstrar as marcagSes de polaridades. TABELA 2.4 Diagrama do ciscuito Calculada a partir de 1° Se P é+,fem fornece poténcia Se P é ~,fem absorve poténcia Se Q € +, fem fornece poténcia reativa (I atrasado de £) ‘Se Q ~,fem absorve poténcia reativa (I adiantado de £) Se P +, fem absorve poténcia Se P € -, fem fornece poténcia Se Q & +,fem absorve poténcia reativa (J atrasado de £) Considerando ago motora se @ ¢ —, fem fornece poténcia reativa (/ adiantado de £) A Figura 2.10 indica, para um sistema CA, uma fonte de tensio (médulo constante, freqiiéncia constante, impedancia zero) com marcagoes de polaridades que, como usualmente, indica 0 terminal que & positivo durante 0 semiciclo positivo da tenséo instantanea. Por conse Buinte, o terminal marcado positivamente € presentemente terminal negativo durante o semi- Ciclo negativo da tensZo instantanea. De maneira semelhante, a seta indica 0 sentido da corrente durante 0 semiciclo positivo da corrente. Na Figura 2.10a, tem-se a expectativa da representagdo de um gerador ja que a corrente € positiva quando fluindo do gerador pelo terminal marcado positivamente. Entretanto, 0 terminal marcado positivamente pode ser negativo quando a corrente flui dele. A técnica para compreender 0 problema € a de decompor o fasor J’ em uma componente a0 longo do eixo do fasor E € na componente 90° defasada de E. O produto de |£| ¢ 0 médulo da compo- ente de 1 a0 longo do eixo E é P. O produto de |£| © 0 médulo da componente de que esté 90° defasada de E é Q. Se a componente de 1 ao longo do eixo de E esté em fase 22. Blementor de andlise de sistemas de poréncla com £, a poténcia é uma poréncia gerada a qual esté sendo entregue_ ag sistem; esta com- ponente de corrente estd sempre fluindo do terminal marcado positivamente Guando,este terminal std presentemente positivo (¢ na diregio do terminal quando este, terminal é:negativo). P, a parte real de EY*, 6 positivo. ; o a Figura 2.11 Uma fem alternnda aplicada (a) sobre um elemento indutivo puro ¢ (b) sobre um elemento capacitive puro. Se a componente da corrente a0 longo do eixo de £ ¢ negativa (180° defasado de E), a poténcia esté sendo absorvida ¢ a situagdo é aquela do motor. P, a parte real de EI*, seria A relagio entre tensfo corrente deve ser como a indicada na Figura 2.10b, se poderia esperar que fosse um motor. Entretanto, uma poténcia média absorvida ocorreria somente se a componente do fasor I a0 longo do eixo do fasor & fosse encontrado em fase em vez de estar defutado de 180° com £, tal que esta componente de corrente estaria sempre na dieqHo da queda de potencial. Neste caso P, a parte real de EI*, seria positiva, Um P negativo, aqui, indicaria poténcia gerada, Para considerar o sinal de Q, a Figura 2.11 6 util. Na Figura 2.114, a poténcia reativa positive igual a |7|?X & suprida para a indutdncia, uma vez que indutdncia absorve Q positiva Entdo, I esté atrasada de E por 90°, e Q, a parte imagindria de E7*, € positiva. Na Figura 2.11, Q negative deve ser suprida d capacitancia do circuito, ov a fonte com fem E esté recebendo Q positiva do capacitor. / esté avangada de E por 90°. Se o sentido da seta na Figura 2.110 for invertido, J estard em avango com relagdo a E por 90° e a parte imagindria de EY* serd negativa. A indutancia poderia ser vista como suprindo @ negativa em vez de absorvendo Q positiva. A Tabela 2.1. sumaria estas relagBes Figura 2.12 Fontes Ideais de Tensio conectadas através de uma impedéncia 2. Conceitos bésicos 23 Exemplo 2.1 Duas fontes ideais de tensdo designadas como méquinas | 2 estdo conecta- das como indicadas na Figura 2.12. Se E,=100/0° V, E,=100/30°V e Z=0+/52, determine: (@) quando cada méquina est4 gerando ou consumindo poténcia ¢ as respectivas quantidades, (6) quando cada méquina esté recebendo ou suprindo poténcia reativa ¢ as respec- tivas quantidades, (c) P € Q absorvidas pela impedincia. Solugao 100 + 10 — (86,6 + 550) ite ,68) = ~ 1000 4 7268 100(— 10 + (86,6 + (50)(—10 + j2,68) = 866 + j232 — j500 ~ 13 |1PX = 10,35? x 5 = 536 var ~ 1000 — 7268 Poderse ia esperar que a Maquina 1 é um gerador por causa da corrente € marcagies de polaridade. Uma vez que P é negativa e Q & positiva, a méquina consqme energia na taxa de 1000 W ¢ supre a poténcia reativa de 268 var. A mdquina é na verdade um motor. Maquina 2, que se espera ser um motor, tem um P negativo um Q negativo. Portanto, esta mdquina gera energia na taxa de 1000 W e supre poténcia reativa de 268 var. A méquina nna verdade um gerador. Observe que a poténcia reativa suprida de 268+ 268 ¢ igual a 536 var, o que é requerido pela reatancia indutiva de 59. Como a impedancia é puramente reativa, nenhuma P é consumida pela impedincia, e todas as P geradas pela méquina 2 sZo transferidas para a mdquina 1. 2.8 TENSAO E CORRENTE EM CIRCUITOS TRIFASICOS EQUILIBRADOS Sistemas elétricos de poténcia so alimentados por geradores trifésicos. Usualmente, os sgeradores alimentam cargas trifésicas equilibradas, o que significa cargas com impedancias idénticas nas trés fases. Cargas com iluminagdo e pequenos motores sio, obviamente, monofisicas mas sistemas de distribuigo sfo projetados tal que todas as fases sejam essencialmente equilibradas. ‘A Figura 2.13 indica um gerador em conexio'Y com o neutro marcado o ¢ alimentando uma carga equilibrada-Y com o neutro marcado n. Na discussfo deste circuito estaremos supondo ue as impedancias de conexdes entre 05 terminais do gerador ¢ da carga, bem como as impedan- cias das conexdes diretas entre 0 © 1, sejam despreziveis. circuito equivalente do gerador trifésico consiste em uma fem em cada uma das trés fases, como indicado pelos circulos no diagrama. Cada fem esté em série com uma resisténcia ¢ uma reatancia indutiva compondo a impedancia Zg. Os pontos a’, b’ e c’ sio ficticios ja que a fem gerada nio pode ser separada da impedancia de cada fase. Os terminais da maquina so 0s pontos a, b e c. Alguma atengdo serd dada a este circuito equivalente em um capitulo posterior. i 1 ligado em Y conectado a uma carga equilibrada em Y. Figura 2.13 Diagrama de um ge Ep'o, Ec'o. Si0 iguais em modulo e deslocadas uma da outra de 120° na No gerador as fems Ey'o, ma é 100 V. com Eg'y como seferéneia, fase. Se o médulo de cada 1oo/oe V wo 22a VK, = 100/120" V assegurada uma seqiéncia de fase abc, 0 que significa que Ep" estd adiantada 120° de Ep‘ € Ey'o por seu turno esta adiantada 120° de E¢'o. O diagrama de circuito ndo dé indicacdo da seqiiéncia de fase, mas a Figura 2.14 indica estas fems com seqiiéncia de fase abc. Nos terminais do gerador (e na carga, neste caso), as tensbes entre terminal € neutro sio Z, Ven = Eau = dant in = Exe bneZ, (2.24) Veg = Bow — deny Eve Figura 2.14 Diagrama fasorial das fems do circuito indicado na Figura 2.13. Concetios bésicos 25 Como o © m est&0 no mesmo potencisl, Vay, Vio € Veo SHO iguais a Van, Vin € Von, tespec- tivamente, e as correntes de linha (as quais so também as correntes de fase para a conexdo Y) (2.25) Como E,'o. Eb'o e Ec'g sio iguais em modulo e defasadas de 120°, ¢ as impedincias vistas por cada uma destas fems sfo idénticas as correntes também serdo iguais em médulo e des- locadas 120° uma das outras. O mesmo também deve ser verdade para Vay, Vin ¢ Vey. Neste caso, descrevemos as tensdes € as correntes como equilibradas. A Figura 2.15q indica trés cor- rentes de linha de um sistema equilibrado. Na Figura 2.15b a soma destas correntes esta indicada ‘como sendo um triangulo (fechado) equilétero. E dbvio que sua soma ¢ zero. Portanto, Jy na conexio indicada na Figura 2.13 entre os neutros do gerador e da carga deve ser zero. Entdo, a conexdo entre m e 0 pode ter qualquer impedancia, ou mesmo estar aberta, em e 0 perma- necerdo no mesmo potencial Se a carga é desequilibrada, a soma das correntes no serd nula ¢ uma corrente fluiré entre oe n. Para a condigio desequilibrada, na auséncia de uma conexdo de impedincia zero, 0 ¢ 1 ndo estardo no mesmo potencial. As tensdes entre duas linhas si0 Vap, Voc € Vog- Percorrendo um caminho de a para b através dem no circuito da Figura 2.13, chega-se a Van = Van + Van = Vn = Vin (2.26) h L L Figura 2.15 Diagrama fasorial das correntes em uma carga tifésica equilibrada: (a) fasores desenhados a partit de um ponto comum; (b) adigdo dos fasores formando um triingulo equilitero. 26 ——_Elementos de andlise de sistemas de poténcia Embora Eq'o ¢ Vay nio estejam em fase, poderemos decidir pelo uso de Voy em vez de Ey'g como referéncia na definigdo das tensdes. Entdo, a Figura 2.16a € 0 diagrama fasorial das tensbes ao neutro e a Figura 2.168 indica como Vap ¢ encontrada.O médulo de Vay & Pees [al = 211 608 30 on a » Figura 2.16 Tenses em um circuito trifésico equilibrado: (a) tensBes com referéncia a0 neutro; (b) relacbes ‘entre tensdes de linha tenses com relagio a0 neutto. Como fasor, Vap esté adiantada 30° de Vag, © portanto (2.28) [As outras tensdes entre duas linhas sio encontradas de maneira semelhante ¢ a Figura 2.17 indica todas as tensdes entre linhas e todas as tensdes entre linha e neutro. Yas Vee Figura 2.17 Diagrama fasorial de tensBes em um citcuito trifésico equilibrado. Conceitos basicos 27 Figura 2.18 Método alternativo para o tragado dos fasores da Figura 2.17 ‘A Figura 2.18 6 uma outra maneira de mostrar as tensdes entre duas linhas ¢ entre linha € neutto. Os fasores de tensGo entre duas linhas séo desenhados de tal maneira que fornecem um tridngulo equilétero orientado no sentido de concordancia com a referéncia escolhida, neste caso Von. Os vértices do triangulo so denominados de tal maneira que cada fasor inicie e termine no vértice correspondente 4 ordem dos subscritos daquele fasor de tensio. Tensdes entre linha € neutro so desenhadas na dite¢go do centro do tridngulo. Uma vez que este diagrama esteja entendido, verifica-se ser bastante simples determinar varias outras tenses. ‘A ordem na qual os vértices a, b ec do tridngulo seguem um ao outro, quando 0 tringulo é rotacionado na direg0 contraria aos ponteiros do relégio e em torno de 1, indica a sequéncia de fase. Veremos mais tarde um exemplo da importancia da sequéncia de fase quando discutirmos componentes simétricos como um meio de analisar faltas desequilibradas sobre sistemas de poténci Um diagrama de corrente em separado pode ser desenhado para relacionar cada corrente com respeito a sua tensfo de fase. 5 » Figura 2.19 Diagramva fasorial de tensio para o Exemplo 2.2. Exemplo 2.2 Em um circuito trifésico equilibrado, a tensio Vay é 173/0°V. Determine todas as tensdes e as correntes numa carga em conexio Y tendo Z, = 10 (20°92. Suponha que a seqiiéncia de fase € abe. Solugio O diagrama fasorial das tensOes esté desenhado como indicado na Figura 2.19, do qual € determinado que Vay = 173,220" V Vy = 100 /= 30° V 17322240 Vig = 100/210" V Vr, = 173,22120° V1, = 100/90" V 28 Elementor de anélise de sistemas de poténcts Cada corrente esté 20° atrasada da tensdo através da sua impedincia de carga e cada médulo de corrente & 10 A. A Figura 2.20 é 0 diagrama fasorial das correntes 102190" A. 10/70 A 0-507 Ay Figura 2.20 Diagrama fasorial das correntes para © Exemplo 2.2 Cargas equilibradas sdo comumente ligadas em A, como indicado na Figura 2.21. Aqui, deixamos para 0 leitor verificar que o médulo de uma corrente de linha, tal como Zg, € igual a V3 vezes 0 médulo de uma corrente de fase, tal como Jyp. € que fg esté 30° atrasada de Jap, quando a sequéncia de fase € abc. Figura 2.21 Diagrama de cirouito da carga ufisica coneetada em A, Para a solugéo de circuitos trifisicos equilibrados, ndo é necessério trabalhar com o diagrama do circuito trfisico inteiro da Figura 2.13. Para resolver o citcuito supde-se que existe uma conexdo ao neutro de impedéncia zero para transportar a soma das correntes trifésicas, 0 que ¢ zero, entretanto, para as condigbes equilibradas. O circuito € solucionado pela aplicagéo da lei de tensfo de Kirchhoff em tomno do caminho fechado que inclui uma fase e o neutro. Tal caminho fechado esté indicado na Figura 2.22. Este circuito € 0 equivalente monofésico do Conceitos basicos 29 an Figura 2.22 Uma fase do circuito da Figura 2.13, ircuito da Figura 2.13. Célculos feitos para este caminho sio estendidos a todo circuito tr- fisico, levando em considerago que as correntes nas outras duas fases sio iguais em médulo a corrente da fase calculada e esto deslocadas 120° ¢ 240° em fase. F irrelevante se a carga equi- librada, especificada por sua tensfo de linha, poténcia total e fator de poténcia, é conectada em ‘A ouem Y porque uma configurag3o A pode sempre ser substituida com propésitos de célculos por sua equivalente configuraggo Y. Para fazer essa substituigdo, a impedancia de cada fase do equivalente Y seré um tergo da impedincia de cada lado do 0. 1475" 2670/2,2° V 20/30 0] 2540/ 0° Figura 2.23 Diagrama de circuito com os valores para 0 Exemplo 2.3 Exemplo 2.3 A tensio terminal de uma carga conectada em Y consistindo em trés impe- dancias iguais de 20/30° 4,4 kV linha a linha. A impedincia em cada uma das trés linhas que conectam a carga a0 barramento numa subestagfo € Zz = 1,4/75°. Achar a tensSo entre linhas na barra da subestacao. Solugo O médulo da tensfo ao neutro na carga € 4404/3 = 2540 V. Se Van, a tensifo na carga, € escolhida como referéncia, Vy = 2540/0° V e t= Se = 1270L30° A ‘A tensfio linha para neutro na subestagfo é Veg + 1, Z1, = 2540/0° + 127 (30° x 1,4/75° = 2540/0° + 177,8/45° = 2666 + j125,7 = 2670 2,70" V 30 Blementos de andlise de sistemas de poténcia € 0 médulo da tensfo na barra da subestaclo & J3 x 2,67 = 4,62 kV ‘A Figura 2.23 indica 0 circuito ¢ as grandezas envolvidas. 2.9 POTENCIA EM CIRCUITOS TRIFASICOS EQUILIBRADOS ‘A poténcia toial entregue por um gerador trifésico ou absorvida por uma carga trifésica & facilmente encontrada pela adigfo da poténcia de cada uma das trés fases. Em um circuito ‘equilibrado, isto ¢ feito pela multiplicagZo da poténcia de alguma das fases por 3, jf que a poténcia 6a mesma em todas as fases. Se 0 médulo das tensdes com relagZo a0 neutro Vp para uma carga em conexfo Y é Yy= [Venl = [Youl = [Veal (2.29) ese 0 médulo da corrente de fase Jy para uma carga em conexao Y é [al = [eal (2.30) a poténcia total trifésica é P =3%1, cos Oy 231) conde Op € 0 Angulo pelo qual a corrente de fase esté atrasada da tensfo de fase, isto é, 0 Angulo da impedancia em cada fase. Se Vz, € 1, sio os médulos da tensdo entre linhas ¢ corrente de linha, respectivamente, e 1, 2.32) ¢ substituindo na Equagdo (2.31), fica P=\/3¥,1, cos 8, (2.33) Os vats totais sfo Q=3¥,1, sen 0, (234) Q=J/3Mt, send, (2.35) € 0s volt-ampéres da carga sto |S] = /P? +9? = /3¥, 1, (2.36) Conceitos bésicos 31 ‘As Equagbes (2.33), (2.35) ¢ (2.36) sfo as usuais para o cdleulo de 2, Qe |S| em redes trifésicas equilibradas, j4 que os valores usualmente conhecidos sfo tensfo entre linhas, corrente de linha e fator de poténcia, cos. Falando de sistema trifésico, condigSes equilibradas sio admitidas, a menos que existam informag&es ao contrério, e 0s termos tensfo, corrente ¢ poténcia, 4 menos que identificados a0 contrério, so entendidos como significando tensfo entre linhas, corrente de linha e poténcia iotal das trés fases. ‘Se a carga esté ligada em A, a tensfo em cada impedancia & a tensdo entre linhas, ¢ a corrente através de cada impedancia € 0 médulo da corrente de linha dividida por /3, ou =v oe 237) A poténcia trfisica total é P=3¥,1, cos 0, (238) ¢ substituindo nesta equagio 0s valores de Vp ¢ Jp da Equagto (2.37) d4 P= /3¥,1, cos 0, (2.39) a qual € idéntica 4 Equagdo (2.33). Isto resulta que as Equagdes (2.35) e (2.36) também sfo vélidas, a menos que uma carga especial esteja conectada em ou Y. 2.10 GRANDEZAS EM POR-UNIDADES As linhas de transmissio em sistemas de poténcia sfo operadas em niveis de tensfo onde 0 quilovolt é a unidade mais conveniente para expressar a tensfo. Por causa da grande soma de poténcia transmitida, quilowatts ou megawatts e quilovolt-ampére ou megavolt-ampére so termos comuns. Entretanto, estas quantidades, bem como amperes e ohms, so comumente expressas como percentagens ou como per-unidade de uma base ou valor de referéncia especi- ficadas para cada uma. Neste caso, se uma tensdo base de 120 kV é escolhida, tensoes de 108, 120 € 126 kV tornar-se-fo 0,90, 1,00 e 1,05 por-unidade, ou 90, 100 ¢ 105%, respectivamente, valor por-unidade de qualquer quantidade ¢ definido como a relagfo da quantidade pelo valor de sua base, expressa como um decimal. A relagdo em percentagem € 100 vezes o valor em por- unidade. Tanto 0 método de célculo que usa percentagem como 0 que usa por-unidade so mais simples do que os que usam 0s atuais amperes, ohms e volts. O método por-unidade tem vantagem sobre 0 método de percentagem porque o produto de duas quantidades expressas em por- unidade resulta em quantidade por-unidade, mas 0 produto de duas quantidades expressas em por cento deve ser dividido por 100 para chegar ao resultado. Tensfo, corrente, quilovolt-ampére € impedancia sfo to relacionados que a selegao de valores bases para quaisquer dois deles determina os valores bases dos dois restantes. Se especi- ficamos 0s valores bases da corrente e da tens4o, a impedancia base € o quilovolt-ampére base 32° Blementos de anilise de sistemas de poréncia podem ser determinados. A impedancia base ¢ a impedancia que terd a queda de tens0 sobre ela igual ao valor base da tensio, quando a corrente, fluindo na impedancia, é igual a0 valor base da corrente. Os quilovolt-amipéres base nos sistemas monofésicos sfo 0 produto da tensto base em quilovolts pela corrente base em ampéres."Usualmente, megavolt-ampéres base ¢ tensdes bases em quilovolts s4o as quantidades escolhidas para especificar as bases. Para sistemas mono- fésicos, ou sistemas triffsicos onde o termo corrente se refere A corrente de linha, onde o termo tensdo se refere a tensdo com rela¢do ao neutro € onde o termo quilovglt-ampére se refere a quilovolt-ampére por fase, as seguintes formulas relacionam as vérias quantidades: KVA, ¢ base (20) Conrente base, A= Tessa base RV py tensio base, Vw Impedancia base = 41) (Lensdo base, kViw)? x 1000 edincia Aensfo bates EV iw) * 1000 42) Impedncia ba iicghed 2.42) . (tenso base, kV iv)? Impedance base = SR ase (2.43) Poténcia base, kW,g = kVA, g base (2.44) Poténcia bse, MWi g = MVAig base (245) Impedincia por-unidade de um circuito = 1mPedancia atual, £2 (246) impedancia base, 9 Nestas equagOes, os subscritos 19 e LN denotam “por fase” e “linha para neutro”, respectiva- mente, quando as equagdes se aplicam a circuitos trifésicos. Se as equagdes so usadas para circui- tos monofisicos, kV significa a tensdo através da linha monofisica ou a tensfo entre linha terra se um lado esté aterrado. Como os circuitos triffsicos s80 solucionados como se fossem linhas monofésicas com retorno pelo neutro, as bases para quantidades no diagrama de impedancia s40 quilovolt-ampéres por fase e quilovolts de linha para neutro. Os dados so usualmente fornecidos como quilo- volt-ampéres ou megavolt-amperes trifésicos e quilovolts entre linhas. Por causa desse costume de se especificar a tensfo entre linhas ¢ quilovolt-ampéres ou megavolt-ampéres totais, uma confusfo pode surgir com vista a relagZo entre o valor por-unidade da tensfo de linha e o valor por-unidade da tensio de fase. Embora a tensdo de linha possa ser especificada como base, a tensio no circuito monofésico necesséria para a solugdo ¢ ainda a tensfo para o neutro. A tensGo base de fase & a ‘tenso base de linha dividida por ./3. Ja que esta é também a relago entre tenses de linha € tensdes de fase de um sistema trifésico equilibrado, 0 valor porsunidade de uma tensdo de fase na base da tensdo de fase é igual ao valor em por-unidade da tensdo de linha no mesmo ponto, na base de tensdo de linha se o sistema esté equilibrado. De maneira semelhante, 0 quilovolt- Conceitos bisievs 33 ampére trifésico é trés vezes 0 quilovolt-ampére por fase e 0 quilovolt-ampére trifisico base tés vezes 0 quilovolt-ampére por fase. Portanto, 0 valor porunidade do quilovolt-ampére tri fisico sobre 0 quilovolt-ampére trifisico base é idéntico ao valor por unidade do quilovolt-ampére or fase sobre 0 quilovolt-ampére por fase base. Um exemplo numérico poderd servir para esclarecer as relagdes discutidas. No caso de KVAsg base = 30.000 KVA KV,, base = 120 kV rifésico” e “linha para linha”, respectivamente, 30.000 KVAi¢ base = 6 Ve onde os subscritos 39 ¢ LL significam “ 10.000 kVA kVp y base 69.2 kV Pura uma tensZo existente de linha de 108 kV, a tensdo de fase € 1084/3 = 62,3 kV,e — 108 _ 62,3 Tensio por-unidade = 35 = f5°5 0.90 Para a poténcia trfésica total de 18.000 kW, a poténcia por fase € 6.000 kW, ¢ Poténeia por-unidade = 18:00 _ 6.000 _ Naturalmente, valores em megawatt e megavolt-ampére podem ser substituidos por valores em quilowatt e quilovolt-ampére com base na discusso acima. A menos que exista especificagao em contrério, um dado valor de tensfo base num sistema trifisico é a tensio entre linhas e um dado valor de quilovolt-ampere base ou megavolt-ampére base é a poténcia total trifésica. Impedancia base e corrente base podem ser calculadas diretamente a partir de valores tri- fisicos de quilovolts base e quilovolt-ampéres base. Se interpretarmos quilovolt-ampére base € tensio base em quilovolts para significar quilovolt-ampéres base para 0 conjunto total das trés {fases e tensdo entre linhas , obterernos ——WVArg base__ (247) Corrente ase, A= tens base, KVL da Equagfo (2.42) _ (tensao base, kVinh/F)? x 1000 i Impedéncia base = WV Agg base (2.48) 34 Elementos de onélise de sistemas de poréncla (tensto base, kV zz)? * 1000 KVAg¢ base Cy Impedincia base = (tensto base, KVzz)? (2.50) MVA3@ base Cy Impedancia base = Exceto pelo subscrito, as Equagdes (2.42) © (2.43) sfo idénticas as Equarbes (2.49) ¢ (2.50), respectivamente. Subscritos foram usados para expressar estas relagdes com o objetivo de enfatizar a distinggo entre trabalhar com quantidades trifésicas e quantidades monofésicas. Usaremos estas quantidades sem os subscritos, mas devemos (1) usar tensOes entre linhas com quilovolt-ampére ‘ou megavolt-ampére trifésicos e (2) usar quilovolts entre linha e neutro com quilovolt-ampére ‘ou megavolt-ampére por fase. A Equacdo (2.40) determina a corrente base para sistemas mono- fsicos ou sistemas triffsicos onde as bases so especificadas em quilovolt-ampére por fase € quilo- volt com relagdo ao neutro. A Equagao (2.47) determina a corrente base para sistemas trifésicos onde as bases sZo especificadas em quilovolt-ampere total das trés fases e em quilovolt entre linhas. Exemplo 2.4 Ache a solugdo do Exemplo 2.3 trabalhando em por-unidade sobre uma base de 4,4 kV, 127 A, tal que as grandezas de tensfo e corrente serd0 1,0 por-unidade. A corrente, em vez de quilovolt-ampére, esté especificada aqui j4 que esta ultima quantidade nfo entra no problema. Solugdo A impedancia-base ¢ €, portanto, a magnitude da impedancia da carga ¢ também 1,0 por-unidade. A infpedancia da linha ¢ MALTS. _ y07/75¢ pu 2-0 Ven = 10L0° + 1,02.45° = 1,0495 + 70,0495 = = 1,05 22,70" p.u. 4400 Yin = OSL x Ty = 2670 V. 00 2,67 kv Maa. ,051 x 4,4 = 4,62 kV Quando problemas a serem resolvidos sfo mais complexos e, particularmente, quando hé envolvimento de transformadores, as vantagens de célculos em por-unidade serdo mais evidentes. Conceitos bésicos 35 MUDANGA DE BASE DE GRANDEZAS EM POR-UNIDADE. ‘Algumas vezes, a impedincia em por-unidade de um componente do sistema ¢ expressa numa base diferente daquela selecionada como base para a parte do sistema na qual o compo- niente esté localizado. Como todas as impedancias em qualquer parte do sistema devem ser expres sas na mesma base de impedncia quando efetuando célculos, € necessério ter um meio de converter impedancias por-unidade de uma base para outra. Substituindo a expressfo para impedéncia base dada pela Equacdo (2.42) ou (2.49) pela impedancia base na Equacfo (2.46) dé Impedincia por-unidade _ (impedancia existente, 2) x (kVA base) eal de um elemento de circuito (tensio base, kV)? x 1.000 oy indicando que a impedéncia em por-unidade ¢ diretamente proporcional a quilovolt-ampéres base e inversamente proporcional a0 quadrado da tensfo base. Portanto, para mudar a impe- dancia em uma dada base para uma impedéncia em por-unidade em uma base nova, a seguinte equagdo € aplicada : KVaado baS6)” /kVnove (252) Znoyo Por-unidade = Z4,,¢, por-unidade (wee base) (eVAuen Esta equago nfo tem nada a ver com a transferéncia do valor Shmico da impedincia de um lado do transformador para outro lado. O grande valor da equago é na mudanga da impedancia por-unidade dada numa base em particular para uma nova base. Em vez de usar a Equagdo (2.52), entretanto, a mudanga de base pode ser obtida pela con- verso do valor em por-unidade numa dada base para ohms e dividindo-o pela nova impedancia base. Exemplo 2.5 A reatancia de um gerador, designada por X", € dada como sendo 0,25 por- unidade baseado nos dados de placa do gerador de 18 kV, SOOMVA. A base para cdlculos é 20 KV, 100 MVA. Encontre X"" na nova base. Solugéo Pela Equago (2.52) = 02s( 3) (3 = cu pela conversto do valor dado para ohms e dividindo pela nova base de impedancia 2/500) 0405 p.u, = 0,0405 p.u. ‘A resisténcia ¢ a reatincia de um dispositivo em percentagem ou por-unidade sdo geral- mente fornecidas pelo fabricante. Entende-se como base 0s quilovolt-ampéres e quilovolts nominais do dispositive. As Tabelas A.4 € A.S no Apéndice listam alguns valores representativos de reatincia para geradores ¢ transformadores. Discutiremos quantidades em por-unidade, poste- riormente, no Capitulo 6 em conexdo com nosso estudo de transformadores. 30 Elementos de andlise de sistemas de poténcia PROBLEMAS 2 Se v= 1414 senQwr +30°)V e i= 11,31 cos(wt ~ 30°)A, ache para cada um: (a) 0 valor indximo, (b) 0 valor rms € (c) a expressio fasorial na forma polar e retangular se a tenséo, € a referéncia. O circuito é indutivo ou capacitivo? 2.2 Se 0 Circuito do Problema 2.1 consiste em um elemento puramente resistivo e em um elemento puramente reativo, obtenha R © X, (a) se os elementos estéo em série e (b) se os elementos estdo em paralelo. 23 Em um circuito monofisico Vz = 120/45°V e Vy = 100/-15~¥ com respeito a um n6 de referencia 0. Obtenha Vj. na forma polar. 24 Uma tensio CA monofisica de 240 V é aplicads a um circuito série cuja impedancia é 10/60° $2. Obtenha R, X, P, Q € 0 fator de poténcia do circuito. 2.5 Se um capacitor ¢ ligado em paralelo com o circuito do Problema 2.4 ¢ se este capacitor fornece 1.250 VAr, obtenha P ¢ Q formecidos pela fonte de 240 V, ¢ encontre ainda o fator de poténcia resultante 2.6 Uma carga indutiva monofisica eonsome 10 MW com um fator de poténcia em utraso dJe 0.6, Desenhe o tridngulo de poténcia e determine a poténcia reativa de um capacitor ligado em paralelo com a carga para elevar 0 fator de poténcia para 0,85. 2.7 Um motor de indugdo monofésico est operando com uma carga muito leve durante uma grande parte do dia ¢ consome 10A da fonte, Um dispositivo € proposto para “aumentar a eficiéncia” do motor. Durante a demonstragdo, o dispositive € colocado em paralelo com 0 motor a vazio e a corrente absorvida da fonte cai para 8 A. Quando dois dos dispositivos sdo colocados ‘em paralelo, a cortente cai para 6 A. Que simples dispositivo causars esta queda em corrente? Discuta as vantagens do dispositive, (Lembramos que um motor de indugdo absorve corrente em atraso.) 28 Sea impedineis entre a maquina 1 ea 2 do Exemplo 2.1 € Z=0 -/5 2, determine: (a) quando cada miiquina esté gerando ou consumindo poténcia, (b) quando cada maquina esta recebendo ou suprindo poténcia reativa e a quantidade, (c) 0 valor de P e Q absorvidas pela impedancia 2.9 Repita o Problema 2.8 se Z +702. 2.10 A fonte de tensio La, = -120/210°V e a corrente fornecida pela fonte € dada como sendo Ing = 10Z60°A. Oblenha os valores de P © Q © especifique quando a fonte esté entre- gando ou recebendo cada uma dessas poténcias, 2.11 Resolva o Exemplo 2.1 se £, = 100/0°V e Ey = 120/30°V. Compare os resultados com os do Exemplo 2.1 e tire algumas conclusbes com relag0 ao efeito da variago da grandeza de E, no circuito. 2.12 Trés impedancias idénticas de 10/-15° 9 s4o ligadas em Y para equilibrar tenses de linha trifésicas de 208 V. Especifique todas as tensdes de linha e tensbes de fase ¢ as correntes, como fasores na forma polar,com Veg como referéncia, para uma sequéncia abc, Conceitos bisicos. 37 2.13. Em um sistema trifésico equilibrado, as impedancias conectadas em Y sdo 10/30° 2. Se Vie = 416/90°V, especifique Jen na forma polar. 2.14 Os terminais de uma fonte trifésica sfo denominados a, 6 ¢ c. Entre qualquer par, lum voltimetro mede 115 V. Um resistor de 100 9 e um capacitor de 100.9 na frequéncia da fonte estdo ligados em série de a para b com o resistor conectado em a. O ponto de conexfo dos elementos entre si é denominado n. Determine, graficamente, a leitura do voltimetro entre € € m sea seqiiéncia de fase € abc € se a seqiiéncia de fase € acb. 2.15 Determine a cortente fornecida de uma linha trifésica de 440 V para um motor trifésico 15hp operando a plena carga, 90% de eficiéncia e 80% fator de poténcia em atraso. Obter 05 valores P € Q absorvidos da linha. 2,16 Se a impedincia de cada uma das trés linhas c6hgétadas:é0 motor do Problema 2.15 98 uma barra é 0,3 +/1,0 ©, obtenha a tenso entre-linhas na barra que supre 440 V ao motor. 217 Uma carga A. equilibrada, composta de resisténcias puras de 15 9 por fase, esté em paralelo com uma carga Y equilibrada tendo a impedincia de fase de 8 + 76.9. Impedancias identicas de 2+75 9 estdo em cada uma das trés linhas, ligando as cargas combinadas a uma fonte trifésica de 110 V. Obtenha a corrente absorvida da fonte ¢ a tensfo de linha no ponto correspondente & combinagdo das cargas. 2.18 Uma carga trifésica absorve 250 kW com um fator de poténcia de 0,707 atrasada uma linha de 400 V. Em paralelo com a carga, existe um banco de capacitor trifisico que absorve 60 KVA. Obtenha a corrente total absorvida da fonte eo fator de poténcia resultante. 2.19 Um motor trifisico absorve 20 kVA com 0,707 de fator de poténcia de uma fonte de 220 V. Determine os quilovolt-ampéres nominais dos capacitores para fazer o fator de poténcia combinado de 0,90 em atraso ¢ determine a cortente de linha antes € depois de adicionar 0 ‘capacitor. 2.20 | Uma méquina de dragagem de uma mina de carvao a céu aberto consome 0,92 MVA com 0,8 de fator de poténcia em atraso quando esta puxa carvio e gera (entrega para o sistema elétrico) 0,10 MVA a 0,5 de fator de poténcia adiantado quando a pa carregada balanca para fora da parede do buraco. No final do periodo de escavago, a mudanga na amplitude da cor- rente fornecida pode causar o acionamento de um relé de protecdo de estado sdlido. Portanto, € desejével minimizar a mudanga na amplitude de corrente. Considere a colocagdo de capacitores nos terminais da maquina e determine a quantidade de poténcia reativa capacitiva (em kVAr), necesséria para eliminar a variagdo na amplitude da corrente permanente. A méquina é ener- gizada por uma fonte triffsica de 36,5 kV. Comece a solugdo considerando @ a quantidade total de MVAr dos capacitores conectados nos terminais da méquina e escreva uma expressfo para a amplitude da corrente de linha absorvida para a méquina em termos de Q para ambas ‘as operagdes de escavacdo e de geragto. 2.21 Um gerador (que pode ser representado por uma fem em série com uma reatancia Iindutiva) & especificado nominalmente 500 MVA, 22 kV. Seus enrolamentos conectados em Y tém uma reatancia de 1,1 por-unidade. Obtenha o valor dhmico das reatancia dos enrolamentos. 38 ——_Elementos de andlise de sistemas de poténcia '2.22° © gerador do Problema 2.21 est4 num circuito para o qual as bases so especificadas como 100 MVA, 20 kV. Partindo com o valor em por-unidade dado no Problema 2.21, encontre © valor em por-unidade da reatdncia dos enrolamentos do gerador na base especificada. 2.23 Desenhe 0 circuito equivalente monofésico para o motor (uma fem em série com a reatincia indutiva denominada Zm) e sua ligagSo a fonte de tensfo descrita nos Problemas 2.15 € 2.16. Indique, no diagrama, os valores em por-unidade da impedancia da linha e a tensfo nos tetminais do motor numa base de 20kVA, 440V. Entfo, usando valores em por-unidade, encontre a tensfo da fonte em por-unidade ¢ converta essa tensfo da fonte em por-unidade para um valor em volts. ‘CAPITULO, 3 IMPEDANCIA EM SERIE DE LINHAS DE TRANSMISSAO Uma linha de transmissfo de energia elétrica possui quatro parimetros: resisténcia, indutancia, capacitincia e condutancia, que influem em seu comportamento como componentes de um sistema de poténcia. Estudaremos os dois primeiros neste capitulo e a capaciténcia no préximo. A condutancia entre condutores ou entre condutor ¢ terra leva em conta a corrente de fuga mos isoladores das linhas aéreas de transmissto ou na isolago dos cabos subterraneos. No entanto, a condutancia entre condutores de uma linha aérea pode ser considerada nula pois a fuga nos seus isoladores é desprezivel. Por meio dos campos elétrico e magnético presentes em um circuito percorrido por uma corrente, explicamos algumas das propriedades do circuito. A Figura 3.1 mostra uma linha mono- fsica e 0s campos elétrico € magnético a ela associados. As linhas de fluxo magnético sdo linhas fechadas que envolvem os condutores ¢ esto concatenadas com 0 circuito. As linhas de fluxo Figura 3.1 Campos elétrico © magnético associados a uma linha com dois fios. 39 40 Blementos de andlise de sistemas de poténcia elétrico originam-se nas cargas positivas de um condutor ¢ terminam nas cargas negativas do outro. Uma variagdo de corrente nos condutores provoca uma variagfo do mimero de linhas de fluxo_magnético concatenadas com o circuito. Por sua vez, qualquer varia¢o do fluxo concate- nado com o circuito the induz uma tensio, cujo valor é proporcional a taxa de variaclo do fluxo, Induténcia ¢ 0 pardmetro do circuito que relaciona a tenso induzida por variag#o de flux com ‘a taxa de variago da corrente Também existe capacitancia entre condutores ¢ ela € definida pela carga nos condutores por unidade de diferenga de potencial entre eles. A resisténcia e a indutincia uniformemente distribuidas a0 longo da linha formam a impedincia em série. A condutancia e a capacitincia existentes entre condutores de uma linha monofésica ou entre o condutor € 0 neutro de uma linha trifésica formam a admiténcia em derivagdo. Ao longo do texto, veremos que apesar de a resisténcia, a induténcia e a capacitancia serem distribuidas, 0 circuito equivalente da linha € constituido de parémetros concentrados. 3.1 TIPOS DE CONDUTORES No periodo inicial da transmissio de energia elétrica foram usados condutores de cobre, porém estes jé foram completamente substituidos pelos de aluminio por consideragdes de custo © de peso. Para uma resisténcia desejada, 0 condutor de aluminio custa e pesa menos do que 0 de cobre. O condutor de aluriinio ainda tem a vantagem de apresentar um diémetro maior do que 0 condutor de cobre equivalente, E que, com maior diémetro, a densidade de fluxo el -na_ superficie do condutor de aluminio € menor para a mesma tensfo. Isto significa menor gr diente de potencial na superficie € menor tendéncia a ionizagdo do ar em volta do condutor. Esta ionizagdo do ar produz um efeito indesejavel chamado efeito corona. Os simbolos utilizados para identificar os diversos tipos de condutores de aluminio sao: CA condutores de aluminio puro AAAC condutores de liga de aluminio pura* CAA condutores de aluminio com alma de ago ACAR condutores de aluminio com alma de liga de aluminio* s condutores de liga de aluminio possuem maior resisténcia a trago do que os condutores de aluminio comum para fins elétricos. 0 CAA ¢ constitu/do por um niicleo central (alma) de fios, de ago, envolvido por coroas de fios de aluminio. O ACAR possui um niicleo central de fios de liga, de aluminio de maior resisténcia mecénica, envolvido por coroas de fios de aluminio para fins elétricos. © N-T, AAACem inglés: al-aluminum-alloy conductors ACAR em inglés: aluminum conductor, alloy-reinforced. Impedéncia em série de linhas de transmissio 41 Cada coroa de fios de um cabo & encordoada em sentido oposto a0 da coroa inferior, para evitar que 0 cabo se desenrole e para fazer com que 0 raio extemno de uma coroa coincida com © rai interno da seguinte. A disposigéo em coroas mantém a flexibilidade até mesmo de cabos de grande seco transversal. O mimero de fios depende do ntimero de coroas e do fato de serem ‘0u nfo todos eles do mesmo diémetro. O nimero total de fios em cabos concéntricos, nos quais todo o espaco ¢ preenchido por fios de diémetro uniforme, é 7, 19, 37, 61.91 ou mais. Figura 3.2 Segdo transversal de um condutor reforgado com ago, vom 7 fios de ago e 24 fios de au A Figura 3.2 mostra um cabo CAA tipico. O condutor apresentado possui sete fios de ago formando uma alma em torno da qual esto dispostas duas camadas com um total de 24 fios de aluminio. Este cabo € designado por 24 Al/7 St ou simplesmente 24/7. Usando-se combinagoes varidveis de aluminio e de aco, s70 obtidos condutores com grande variedade de seg6es, de resis téncia a tragdo e de capacidade de corrente. ‘A Tabela A.1 do Apéndice fornece algumas caracteristicas dos cabos CAA, inclusive os nomes-cédigo*, de utilizagdo universal, por serem mais convenientes. Outro tipo de condutor, conhecido como CAA expandido, possui um enchimento, em eral de papel, separando os fios internos de ago das coroas externas de fios de aluminio, Para mesma condutividade © mesma resisténcia a tragdo, 0 papel aumenta o diémetro e portanto diminui o efeito corona. 0 CAA expandido é usado em algumas linhas de extra-alta-tensso (EAT). Os cabos para transmissio subterrénea so usualmente construidos com condutores encor- doados de cobre, em vez de aluminio. Os condutores so isolados com papel impregnado em leo. Para tensdes de até 46 KV, os cabos sfo do tipo solido, © que significa que o tinico dleo que existe na isolagao do cabo é aquele que é impregnado durante a fabricago. A tensio nominal deste tipo de cabo ¢ limitada pela tendéncia de formagao de bolhas entre as camnadas de isolagfo, ‘As bolhas provocam, prematuramente, fuga de corrente através da isolado. Uma bainha de chumbo envolve 0 cabo que pode consistir em um simples condutor ou em trés condutores. © NT. 0s nomes-eédigo dos cabos CAA sf nomes de aves (em inglés) e os dos cabos CA so de flores (também em inglés). 42 Elementos de andlise de sistemas de poténcia | Para tensves de 46 a 345KV, so dispontveis cabos com éleo circulante a baixa pressfo. Et intervalos ao longo do percurso do cabo, sf0'¢olocados reservatdrios de leo para 0 seu supri- mento aos ductos que existem no centro dos cabos simples ou nos espagos entre os condutores Ros cabos trifésicos. Esses condutores também sto envolvidos por uma bainha de chumbo. Os cabos tubulares de alta pressfo sfo mais usados na transmissfo subterrinea em tensdes de 69 a 550 KV. Os cabos, isolados com papel, ficam dentro de um tubo de ago de didmetro um pouco maior do que 0 necessério para conter os condutores isolados que ficam juntos na base do tubo. ‘Também sto utilizados cabos isolados com gés para tensbes de até 138 kV. A pesquisa esté constantemente dirigida para outros tipos de cabos, especialmente para niveis de tensdo de 765 a 1.100 kV. Os detalhes de construgo de todos 0s cabos sfo fornecidos pelos fabricantes. Neste texto dedicaremos quase toda a atengo as linhas aéreas porque a transmissfo sub- terrdnea esté usualmente restrita as grandes cidades ou as transposigOes de grandes rios, lagos ou baias, As linhas subterraneas custam no minimo oito vezes mais caro do que as linhas aéreas ce chegam até a vinte vezes mais nas tenses mais altas, 3.2 RESISTENCIA A resisténcia dos condutores ¢ a principal causa da perda de energia das linhas de trans- missfo. © termo resisténcia, exceto quando especificamente indicado, significa resisténcia efetiva. A resisténcia efetiva de um condutor é pboteacis pesdida no condutor Rx Poténcia EE condutor ay onde a poténcia ¢ dada em watts e J ¢ 0 valor eficaz em ampéres da corrente do condutor. A resisténcia efetiva de um condutor s6 serd igual a resisténcia em corrente continua se a distribui- go de corrente no condutor for uniforme. Apés a revisio de alguns conceitos fundamentais sobre a resisténcia em corrente continua, discutiremos brevemente os efeitos da distribuigfo fo-uniforme de corrente. A resisténcia em corrente cont inua é dada pela formula, fa G2) onde p = esistividade do condutor comprimento rea da segdo transversal A= Pode ser usado qualquer conjunto coerente de unidades. Nos Estados Unidos as vezes ainda se usa especificar J em pés, A em circular mils (cmil) e p em ohms-circular mils por pé, as Impedincia em slrie de linhas de transmisséo 43, vezes chamado ohms por circular mil-pé, Em unidades SI*,! 6 dado em metros, A em metros quadrados, ep em ohm-metro, Um circular-mil é a érea de um cfrculo com um didmetro de um milésimo de polegada (mil). A Grea da sego transversal de um condutor cilindrico sélido em CM é igual a0 quadrado do idmetro do condutor dado em mils. A rea em CM multiplicada por 1/4 ¢ igual a érea em mils quadrados, ou em milionésimos de polegada quadrada. Como os fabricantes nos EUA identificam 05 condutores por sua érea de segdo transversal em CM, deveros ocasionalmente usar esta unidade. A tea em milimetros quadrados ¢ igual a drea em CM multiplicada por 5,067 x 10°. A condutividade padrdo internaoional ¢ a do cobre recozido. O fio de cobre témpera dura tem 97,3% € 0 aluminio tem 61% da condutividade do cobre recozido padrio. A 20°C para 0 cobre témpera dura, p vale 1,77 x 10-° Q+m (10,66 ohms- w= 2x 10°7(1, Pir ry in 22 4 1, in De v tytn 2 ty in BP Fyn BE que, pela expansdo e reagrupamento dos termos logaritmicos dé oer nt ! 1 Viv= 2x 10 (1 ha thing thhy + $1, In Dyp + Ly I Dap + Ly In Dyp +--+ Iq In Dyp} (3.42) Sendo nula a soma das correntes fasoriais, hththt +120 ¢, resolvendo para In, obtemos a -(hth tht t dyad (3.43) Substituindo a Equagfo (3.43) no valor de Jy da Equago (3.42) e recombinando alguns termos logaritmicos, teremos 1 1 1 werx tot h 7 , Wi ( in tain th my, Dw Dip Dyp FT in BE dyin Ds In Removendo 0 ponto P para bem longe, de modo que o conjunto dos termos com logaritmos de quocientes de distancias 20 ponto P se tornem infinitesimais, pois estas distancias tendem a unidade, obtemos +1,ln Wy 2% 107 ) Woe/m (3.45) Impedincia em série de linhas de transmisséo 5 afastamento do ponto P a uma disténcia infinitamente grande do conjunto de condutores equivalente a incluso de todo o fluxo concatenado com o condutor 1. A EquagSo (3.45) repre- senta, portanto, todo 0 fluxo concatenado com 0 condutor 1, em um grupo de condutores nos quais a soma das correntes seja nula. Se estas correntes forem alternadas, o fluxo concatenado instanténeo seré obtido através dos valores instanténeos das correntes e 0 fluxo concatenado fasorial serd obtido a partir dos valores eficazes complexos das correntes. 3.9 INDUTANCIA DE LINHAS COM CONDUTORES COMPOSTOS Um condutor constituido de dois ou mais elementos ou fios em paralelo ¢ chamado condutor composto, € nesta classificagdo esto incluidos os condutores encordoados ou cabos condutores. J4 nos encontramos em condigdes de estudar a induténcia de uma linha de trans missio constituida de condutores compostos, mas nos limitaremos a0s casos nos quais todos os fios sejam idénticos ¢ conduzam igual parcela de corrente. Pode-se aplicar uma extensfo do método apresentado a todos os tipos de condutores constituidos de fos de diferentes bitolas e condutividades, mas ndo a apresentaremos porque os valores da indutancia interna dos condutores disponiveis podem ser obtidos em manuais fornecidos pelos fabricantes. 0 método a ser desenvol- vido € 0 ponto de pattida para os problemas mais complicados de condutores ndo homogéneos € de divisao desigual de corrente entre fios. © método € aplicdvel a determinagao da indutdncia de linhas constituidas de circuitos em paralelo, pois dois ou mais condutores em paralelo podem ser considerados como um condutor composto. Uma linha monofésica constituida de dois condutores compostos ¢ apresentada na Figura 3.8. Para manter a generalidade, mostramos 0 condutor de cada lado da linha constituido de ‘um arranjo arbitrério de um nimero indefinido de fios. A tinica restrigao é que 0s fios em paralelo sejam cilindricos ¢ repartam de cada lado a corrente de modo igual. O condutor X composto den fios idénticos em paralelo, cada um dos quais leva uma corrente J/n. Ocondutor ¥, que € 0 circuito de retorno do condutor X, € composto de m fios idénticos em paralelo, cada um dos quais leva uma corrente-//m. As distincias entre os elementos serdo designadas pela letra D com subscritos adequados. Aplicando a Equaci0 (3.45) ao fio a do condutor X, obtemos o fluxo concatenado do fio a. int bin + +p} ts Duy ac dD. Wa=2x 10-74 (in +In zx) (3.46) tf, -2x 10 (In 5 donde, agrupando os termos, Day Das Dac Dam VTDasDac Dan 2x 10-7 In Wht/m (47) 56 Blementos de andlise de sistemas de poténcia Figura 3.8 -Linha monofisica constituida de dois condutores compostos. Dividindo a Equagg0 (3.47) pela corrente /n achamos a indutancia do fio a. Be man 10°" n Oe Hym Gas) Do mesmo modo, a indutancia do fio b é 2n x 107 In ee Hm (3.49) A indutancia média dos fios do condutor composto X & babe t bet bet the (3.50) O condutor composto X € constituido de nm fios eletricamente em paralelo. Se todos tivessem ‘a mesma indutancia, a indutincia do condutor composto sera I/n vezes a indutancia de um fio, [As induténcias deste caso sfo diferentes, porém a indutdncia de todos eles em paralelo € 1/n vezes a indutncia média, Portanto, a indutancia do condutor composto X é Ltbthtoth, (51) Substituindo na Equagdo (3.51) a expresso logaritmica da indutancia de cada fio e recombinando 08 termos, obtemos Ly=2x 107 ve tn (Pag Da Dac: Dan)(Dag Day Dre = Da) “= (Dua Dy Dre Dam) YDesDegDar DanDsaDssDse Dyn)" (DysDyp Dye = Dyn) H/m (3.52) onde rj, rh © rm foram substituidos por Daz, Dyy ¢ Dnn, rtespectivamente, para tornar a cexpressdo mais simétrica Impedéncia em strie de linhas de transmissio 57 Vése que o numerador do argumento do logaritmo na Equagfo (3.52) € a raiz_mn-ésima de mn termos que sf0 0s produtos das distancias de todos os 1 fios do condutor composto X a todos os m fios do condutor ¥. Para.cada fio no condutor X, existem m distancias aos fios do condutor Y, ¢ existem 1 fios no condutor X. O produto das m distancias para cada uum dos m fios resulta em mn termos. A raiz mnésima do produto das mn distincias € chamada disténcia média geométrica entie os condutores X ¢ Y. Bla é abreviada por Dy ou DMG e¢ também chamada a DMG muitua entre os dois condutores. © denominador do axgumento do logaritmo da Equagfo (3.52) é a raiz n?-ésima do produto de n? termos. Existem 7 fios, e para cada fio existem n termos que consistem no produto do r’ deste fio pelas distancias dele a cada um dos outros fios do condutor X. Conta- mot entlo com n? termos. Algumas vezes, r), 6 denominado distincia do flo s si proprio, especialmente quando ¢ indicado por Dgg. Dentro desta idéia, os termos sob 0 radical do Genominador podem ser descritos como os produtos das distancias de cada fio do condutor a si mesmo € 20s outros fios. A raiz n?-ésima deste produto é denominada DMG propria do condutor X, ¢ 0 valor de r’ de cada fio € denominado DMG propria do fio. A DMG propria também € denominada raio médio geométrico, ou RMG. A denominagdo matemética correta € DMG propria, mas 0 uso tem sido, de preferéncia, RMG. Usaremos a denominaggo RMG para ficar de acordo com esta pritica e a identificaremos por D,. Em termos de Dm € Dy, a Equagdo (3.52) ficaré Ly=2x 1077 In Him (3.53) Comparando-se as Equagdes (3.53) e (3.34) verificamos de imediato que s40 anélogas. A ‘equaggo da indutancia de um condutor de uma linha de condutor composto ¢ obtida substituindo na Equagao (3.34) a distincia entre os condutores sélidos de uma linha de condutores simples pela DMG entre condutores de uma linha de condutores compostos e pela substituiggo do RMG (r') do condutor simples pelo RMG do condutor composto. A Equagfo (3.53) da a indutancia de uum condutor de uma linha monofisica. O condutor é constituido de todos os fios que estiverem. conectados em paralelo, A indutancia é igual ao fluxo concatenado total do condutor composto por unidade de corrente da linha. Pela EquacZo (3.34), calcula-se a indutancia de um condutor de uma linha monofésica para 0 caso particular em que 0 condutor seja apenas um fio sélido de seco circular. ‘A indutancia do condutor composto Y é determinada de modo semelhante, e a induta da linha L=Ly+Ly Exemplo 3.2 Um circuito de uma linha de transmissdo monofésica é composto de trés fios s6lidos de 0,25 em de raio. O circuito de retorno & composto de dois fios de 0,5 cm de raio. A isposi¢ao dos condutores € mostrada na Figura 3.9. Determine a indutincia devida & corrente em cada lado da linha e a indutdncia da linha completa em henrys/metro (¢ em milihenrys por rilha). 58 Blementos de anélise de sistemas de poténcla Solugio Determinemos a DMG entre os lados X ¢ Y Dy = DetDueDuaDreDezDeg Dgy = Dy = 9m Dye = Dyg = Dee = (OF + F = /187 - 10,82, Deg = JF + 12? = 15m Dy = PRIS x GT = 10,743 m Para 0 RMG do lado X: = Dus Das Doc Dra Dos Dre Dea Deb Dec = O25 % 0,788 x 10-7) x 6 x 12? = 0,481 m sa c Ou Os O7 6m lL. aa x Laas Figura 3.9 Distribuigdo dos condutores para o Exemplo 3.2. e para olado Y: », 7, 10,743) Ly = 2x 1077 In Dapp 10,743 = =7 tp, 10743 = 503 x 10-7 Ly=2x 10°" In 0153 8,503 x 10°? H/m L= Ly + Ly = 14715 x 10°? H/m (L 9/05 x 0,788 x 10-*)? x 6 = 0,153 m = 6212 x 10°" H/m 14,715 x 10-7 x 1609 x 10? = 2,37 mH/mi) Impedéncia em série de linkas de transmisséo 59 * Se uma linha monoSésica for constituida de dois cabos encordoados, raramente serd neces- sfrio-calcular a DMG entre os fios, uma vez que esta seré aproximadamente igual a distancia centre os centros dos dois cabos. Este célculo da DMG miitua s6 seré necessério quando os diversos fios (ou condutores) em paralelo estiverem separados entre si por disténcias da mesma ordem de gandeza que a distincia entre os dois lados do circuito. No Exemplo 3.2, os condutores em paralelo de um lado estdo separados 6 m entre si e a distancia entre 05 dois lados da linha é de 9m. Neste caso, ¢ importante 0 célculo da DMG mitua. Para cabos encordoados, a distancia entre os lados da linha € em geral to grande que a DMG miitua pode ser tomada como igual A distincia entre 0s centros dos cabos, com erro desprezivel. Se, em um cabo CAA, for desprezado 0 efeito do miicleo dos fios de ago no calculo da induténcia, obteremos um resultado bastante preciso desde que os fios de aluminio estejam dispostos em um nimero par de camadas. 0 efeito daquele nticleo serd mais evidente quando os fios de aluminio formarem um mimero impar de camadas, porém,mesmo assim, considerando-se apenas 0 aluminio, o resultado obtido serd razoavelmente preciso. 3.10 USO DE TABELAS Normalmente, so disponiveis tabelas de valores de RMG dos condutores encordoados, onde também constam informag6es para serem utilizadas no célculo da reatancia indutiva, da reatncia capacitiva em derivagdo e também da resisténcia. Nestas tabelas, as unidades utilizadas sfo pés, polegadas e milhas, pois as industrias continuam utilizando-as. Por isso, usaremos pés ¢ milhas em alguns exemplos e, em outros, metros € quilémetros como unidades de medida de comprimento. © conhecimento da reatancia indutiva € preferivel ao da indutdncia. Esta, para um dos condutores de uma linha monofdsica a dois condutores. & 1 = da L = Inf x 2x 10 rin Bs oy = dap x 107 in om f nD gm (35a) ou DI Xy,= 2022 x 10-%f In B® Demi (355) onde Dm a distancia entre condutores. As unidades de Dm € D, devem ser as mesmas, nor: malmente metros ou pés. Os valores de RMG dados nas tabelas sfo valores de D, equivalentes considerando o efeito pelicular que afeta significativamente o valor da indutancia, O efeito peli- cular é maior nas frequéncias mais altas para qualquer didmetro de condutor. Os valores de Ds dados na Tabela A.1 so calculados para a frequéncia de 60 Hz, ‘Algumas tabelas, além dos valores do RMG, fornecem valores da reatancia indutiva, Um dos métodos usados & @ expansfo do termo logaritmico da Equagio (3.55), da seguinte forma: 022 x 107 Yn 3 42,022 10-5 InD, — Q'mi G56) xy 60 Blementos de andlise de sistemas de poténcia Se Dz € Dm forem dados em pés, 0 primeiro termo da Equagdo (3.56) serd a reatancia indutiva de um condutor de uma linha constituida por dois condutores afastados em 1 pé, como pode ser verificado comparandose as Equagdes (3.55) ¢ (3.56). O primeiro termo da Equagdo (3.56) € portanto, chamado reatdncia indutiva para 1 pé de espagamento ov Xg, sendo fungio do RMG e da freqiéncia. O segundo termo da Equagao (3.56) € chamado fator de espagamento da reatincia indutiva ow Xq. Este segundo termo € independente do tipo de cabo, dependendo apenas da freqincia e do espagamento, Este fator seré nulo quando espagamento for de 1 pé. Se Dm for menor do que | pé, ele serd negativo. Pata calcular a reatancia indutiva de uina linha, calculamos a reatancia para um pé de espagamento, correspondente ao condutor usado, € acrescentamos o fator de espacamento correspondente a0 espacamento usado, ambos calculados para a freqiiéncia desejada. As Tabelas Al fornecem os valores da reatancia indutiva para um pé de espagamento e 0 fator de espagamento da reaténcia indutiva, respectivamente Exemplo 3.3 Determine a reaténcia indutiva por niilha de uma linha monofisica, que opera na freqiiéncia de 60 Hz. Os cabos so do tipo Patridge e a distancia entre os centros dos cabos 6 de 20 pés. Solugo Da Tabela A.1, para esse tipo de condutor, 1, = 0,0217 pé. Da Equagdo (3.55), para um cabo au] X= 2022 x 10 2 x Oln go, © O37 = 0,828 Omi © método acima s6 seri usado quando for conhecido o valor de Ds. Pela Tabela A.1, no entanto, ‘obtemos 0 valor da reaténcia indutiva para 1 pé de afastamento, Xq=0,465 2/milha. Da Tabela A.2, 0 fator de espagamento da reatancia indutiva € Xq =0,3635 Q/milha. A reatincia indutiva de um cabo & entdo 0465 + 0,3635 = 08285 Q/mi Como a linha € composta de dois cabos idénticos, a reatdneia indutiva da linha seri Ny = 2% 08285 = 1,657 Omi 3.11 INDUTANCIA DE LINHAS TRIFASICAS COM ESPACAMENTO EQUILATERO Consideramos até 0 momento apenas as linhas monofésicas. A equagdes obtidas, entretanto, podem ser adaptadas, sem grandes dificuldades, ao céloulo da indutdncia das linhas trifésicas. A Figura 3.10 mostra 05 condutores de uma linha trifésica que ocupam os vértices de um triéngulo eqiilétero. Admitindo que nfo exista fio neutso, ou que as correntes sejam equilibradas, temos que [,+l+1e=0. O fluxo concatenado com condutor @ é determinado através da Equagio (3.45), Inpedincia em série de linhas de transmissso 61 ee 1 1 1 We=2x 10 (1. tn tam ten Al Whe/m (357) Figura 3.10. Vista em segZo transversal dos condutores com espagamento equilitero de uma linha tifisice, Sendo [y= = (Ip + Ic), a Bquagio (3.57) fica 2x 101m t= tin i) %10 71, In A Woelm (3.58) e Le2xtotm 2 nm 359) A Equagio (3.59) € andloga 4 Equagdo (3.34). referente a uma linha monofésica, exceto pela substituica0 de r’ por Ds. Por razdes de simetria, as indutancias dos condutores be ¢ slo iguais 4 do condutor a. Sendo cada fase constituida por apenas um condutor, a Equaygo (3.59) dé a indutancia por fase de uma linha trifésica 3.12. INDUTANCIA DE LINHAS TRIFASICAS COM ESPAGAMENTO ASSIMETRICO 0 cileulo da indutancia ficara mais complicado quando a linha trfésica tiver seus condutores com espagamento assimétrico. Neste caso, o fluxo concatenado ¢ a indutincia correspondentes a cada fase no so os mesmos. O circuito fica desequilibrado quando cada fase tem indutancia diferente. Pode-se restaurar 0 equilibrio entre as trés fases trocando, a intervalos regulares, a posigdo relativa entre os condutores, de modo que cada condutor ocupe a posigdo original de cada um dos outros por uma distancia igual. Chamase transposigdo a essa troca de posigdes. Um ciclo completo de transposiggo é apresentado na Figura 3.11. Os condutores de cada fase so designados pelas letras a, b © c, © as posigbes indicadas pelos nimeros 1,2 ¢ 3. A transposigdo resulta em que a induténcia média de cada condutor, em um ciclo completo de transposigdo, seja a mesina FHL agin $1 62 Elementos de andlise de sistemas de poténcia Figura 3.11 Ciclo de transposigao. Modernamente, as linhas de potncia ndo so em geral transpostas a intervalos regulares, embora a transposigdo possa ser feita nas estagdes de chaveamento, com o objetivo de melhorar © equilibrio de indutancia entre as fases. Felizmente, & pequena a assimetria entre as fases de uma linha nfo transposta ¢ ela pode ser desprezada na solugo de muitos problemas. Desprezando a assimetria, a indutancia da linha ndo transposta pode ser considerada igual ao valor médio da reatincia indutiva de uma fase da mesma linha, calculada considerando a linha como se fosse transposta. Os célculos que se seguem aplicam-se a linhas transpostas. Para determinar a indutancia de um condutor de uma linha transposta, calculamos 0 fluxo concatenado com o condutor em cada uma das posi¢Oes ocupadas na transposi¢do, determinamos © fluxo concatenado médio. Vamos aplicar a Equacgo (3.45) ao condutor a da Figura 3.11 para obter a expressio fasorial do fluxo concatenado com a na posi¢go 1, quando b esti na posigdo 2 ¢ na posigdo 3, como segue 7 1 wa = 2x 10 (1. In D, +1, In Woe/m (3.60) Com @ na posigdo 2, b na posiggo 3 ¢ na posigto 1, Yor = 2% 10°%(IgIn A tytn 5 + 1. In 5h Woe) at eI 5 elm pe + Dolm pt im (361) ¢,finalmente, com a na posigd0 3, b na posigfo 1 e c na posigdo 2 y= 2x 10°%(J In Woe/m (3.62) 0 valor meio do fluxo concatenado com a € +1, in iu +h ! ) (3.63) OP DyDuy *'"DDndy) 28% Impedincia em série de linhas de transmissio 63. Aplicando a restrigfo I 1 nh 55m) =2x 10 71, In YPuPn Pst Weim (3.64) eainduténcia média por fase serd (3.65) onde (3.66) ‘onde D, € 0 RMG do condutor. Comparando as Equagbes (3.65) ¢ (3.59), verifica-se que Deg, @ média geométrica das trés distncias da linha assimétrica é 0 espagamento eqiiltero equivalente. Deve-se notar a semelhanga existente entre todas as equagbes da induténcia de um condutor. Se a indutncia for dada em henrys por metro, o fator 2x 107 apareceré em todas as equas0es ¢ © denominador do argumento do logaritmo seré sempre 0 RMG do condutor. O numerador serd a distancia entre os condutores de uma linha de dois condutores, ou a DMG miitua entre os lados de uma linha monofésica com condutores compostos, ou a distancia entre condutores de uma linha eqiilateralmente espagada, ou ainda, o espagamento equildtero equivalente de uma linha ‘com espagamento assimétrico. Exemplo 3.4 A Figura 3.12 mostra uma linha trifésica de circuito simples para operagso ‘em 60 Hz. Os condutores sfo de CAA tipo Drake. Determine a reaténcia indutiva por milha por fase. Figura 3.12 Distibuigio dos condutores para © Exemplo 3.4 Solugo Pela Tabela A.1 D, = 00373 pe D,, = «20 x 20 x 38 = 24,8 pé = 13,00 x 10°? H/m X, = 260 x 1609 x 13,00 x 107 = 0,788 Q:mi por fase 64 Elementos de andlise cle sistemas de poténcic ‘Também poderia ser utilizada a Equago (3.55) 01. Tabelas A.1 e A.2, pelas quais x, 0,399 € para 248 pés Ny = 0,389 ¥, = 0,399 1 0,389 = 0,288 Qjmi por fase 3.13 CABOS MULTIPLOS © eleito corona toniase excessive nas tensdes acima de 230 KV, isto é, para extraaltas tenses (EAT), aumentando excessivamente, en conseqiiéncia, as perdas de poténcia € a inter- feréncia nas comunicag0es, quando o circuito é constituido apenas de um condutor por fase. Na faixa de EAT. a colocaggo de dois ou mais condutores em paralelo por fase, bastante proximos em -selugio a distancia entre fase ibstancial o gradiente de potencisl nos condutores (Os condutores com esta disposigdo sf0 denominades cabos mailtiplos e consistem em dois, trés ou quatro condutores. Os condutores dos cabos triplos sdo geralmente colocados nos vértices de um tridngulo eqiilétero, enquanto os cabos quiédruplos os tém nos vértices de um quadrado. Estas disposig6es so mostradas na Figura 313. A menos que exista uma transposigdo entre os condutores de um cabo multiplo, a corrente nao sera distribuida de maneira uniforme entre os condutores, mas esta diferenca ndo tem importancia fdtica eo método da DMG é suficientemente preciso. ‘A seduefo da reatdncia ¢ outra vantagem impostunte dos cabos miltiplos. O aumento do _imero_de_condutores em_uim_cabo.miltiplo reduz_o efeito corona e a reatancia. A redugio da reatncia no cabo miltiplo resulta de um aumento do RMG. Com eerteza, o eélculo do RMG € feito do mesmo modo como para cabos encordoados. Por exemplo, cada condutor de um cabo duplo é tratado como um fio de um condutor a dois fios. Sejam D® © RMG de um cabo miltiplo © Dz 0 RMG dos condutores individuais que compdem o cabo. Referindo-nos Figura (3.13), Para um cabo de dois condutores DE = g(D, xy D, xd (367) @ Avd } a oo ¢- A a Figura 3.13 _Disposigdo de cabos miltiplos. Impedincia em série de linhas de transmissto 65 Para um cabo de trés condutores Di = yD, xd x dP =D, xP (3.68) Para um cabo de quatro condutores (3.69) ‘Ao utilizarmos a Equagdo (3.65) para o célculo da indutancia, devemios substituir D, de um condutor simples pelo D8 do cabo multiplo. Para Deg, obtém-se precisio suficiente utilizando as distancias entre os centros dos cabos miltiplos para Dgp, Die € Dea. O cilculo da DMG real entre os condutores de um cabo € os de outro resultaria em uma distincia quase igual 4 existente entre 0s centros dos cabos. Exemplo 3.5 Cada condutor da Jinha multipla apresentada na Figura 3.14 € de CAA tipo Pheasant com 1.272.000 CM. Determine a reaténcia indutiva em ohms por km (¢ por milha) por fase para d= 45 cm. Determine a reatancia em série em p.u. se a linha tem 160 km e uma base de 100 MVA, 345 KV. Solugio Da Tabela A.1, Ds = 0,0466 pé; multiplicamos por 0,3048 para inverter a unidade de pé para metro DS = ,/0,0466 x 0,3048 x 0,45 = 0,080 m Duy = 8% 8 x 16 = 10,08 m > oe 10? tq 10.08 M6) x 2x 10-7 x 10 In 5g 365 2k por fase (0,365 x 1,609 = 0,587 Q.mi_ por fase ) 1190.0 0,365 x 160 = 0,049 pu. 3.14 LINHAS TRIFASICAS DE CIRCUITOS EM PARALELO- Dois circuitos trifésicos idénticos em construgdo ¢ eletricamente em paralelo possuem a ‘mesma reatancia indutiva. Para o circuito dos dois em paralelo, a reatancia indutiva serd a metade de cada circuito considerado isoladamente, desde que a distancia entre eles seja to grande que a 65 Elementos de anéiise de sistemas de poténcla induténcia mitua possa ser desprezada. Se 0s dois circuitos estiverem montados na mesma torre, 0 método da DMG pode ser usado para determinar a indutincia por fase, considerando-se os condu- tores de cada fase como componentes de um condutor composto. Figura 3.14 Espagamento dos condutores de uma linha de cabos miltiplos. Uma disposigao tipica adotada para linhas trifésicas de circuitos em paralelo é mostrada nna Figura 3.15. Mesmo que no seja transposta a linha, a suposigo da transposiggo dé um valor bastante razoével, além de simplificar os célculos. A fase a € constituida pelos condutores a ¢ a em paralelo, ¢ as fases 6 € c s8o constituidas de modo semelhante. Vamos supor que os condutores a e a’ assumam sucessivamente as posigdes de b e b’ ede c ec’, nas rotagdes do ciclo de transposigao. 0 método da DMG exige que utilizemos D2, Df, D2, no célculo de Dgq, onde os superscritos indicam que estes valores sdo, eles mesmos, valores de DMG e onde D>, é a DMG édia entre os condutores da fase a ¢ 0s da fase 6. © D, da Equagao (3.65) é substituido por DP, que € a média geométrica dos valores do RMG dos dois condutores ao ocuparem, sucessivamente, as posigdes ae a’, be b'e ce c’. O melhor modo de compreender 0 procedimento é, possivelmente, 0 acompanhamento dos passos do Exemplo 3.6. on ce DY i @———— 11 ——_o* Figura 3.15. Disposigdo tipica dos condutores de uma linha trifisica de circuitos em paralelo. Impediincia em strie de linhas de transmissfo 67 Exemplo 3.6 Uma linha triftsica de circuito duplo é constituida de condutores CAA 26/7 tipo Ostrich de 300.000 CM dispostos de acordo com o esquema da Figura 3.15. Determine a seaténcia indutiva a 60 Hz em olims por milha por fase. Solugdo Da Tabela A.1 para o condutor tipo Ostrich , D, = 0,029 pé Distancia de @ a b: Posigdo original = \/10? ¥ 1,5? = 10,1 pés Distdncia de a a b’: Posigao original = ,//10? + 19,5? = 21,9 pés ‘As DMG entre fases so Ds, = DI DE, = Dag = 914,88 & 14,88 x 18,97 6,1 pés RMG para a linha de circuitos em paralelo € enconirado a partir dos valores de RMG para as trés posighes. A distancia real de @ até a’ é /20? +18? = 269 pés. Entdo, o RMG de cada fase € Na posiggo a-a': \/26,9 x 0,0229 = 0,785 pé Na posigo b-h’: /21 x 0,029 = 0,693 pé 9 = 0,785 pé Na posigio e-c': \/269 x 0 Entto aa ay 16 b= 2x 107m pes X= 2n60 » 1609 x 6,13 x 10°? = 0,372 Q/mi por fase 6,13 x 10°? H/m por fase 3.15 SUMARIO DOS CALCULOS DE INDUTANCIAS DE LINHAS TRIFASICAS Embora existam ou possam ser preparados, com relativa facilidade, programas de compu- tador para 0 célculo da indutancia de todos os tipos de linhas, toma-se compensador 0 conheci- mento do desenvolvimento das equagbes usadas nesses cilculos, pela compreensfo que traz. dos efeitos das variéveis no projeto de linhas. No entanto, exceto para linhas de circuitos em paralelo, as tabelas dos tipos A.1 € A.2 tornam bastante simples estes célculos, sendo que a Tabela A.1 fornece ainda a resistencia. 68 ——_Elementos de andlise de sistemas de poténcia A principal equagdo para 0 cileulo da indutdneia por fase das linhas trifisicas de circuito simples €, aqui, repetida por conveniéncia. D, Le2xto Tne D, H/m por fase (3.70) 7 i cia em A teatincia indutiva em ohms por quilémetro a 60 Liz é obtida multiplicando a indu snrys/metro por 2760 ~ 1000: TN, = 00754 x In a QJkm por fase 7m) ou a |X, 50,1213 In Dey Q2/mi por fase | (3.72) Deq © Dz devem ser referidos & mesma unidade, usualmente em pés. Para linkas com um condu- to por fase. 0 valor de D, pode ser obtido diretamente das tabelas. Para os cabos multiplos, D, & substituide por_D%, como foi definido na Seeao 3.13. Para linhas de cabos simples e multiplos (3.73) Para linhas de cabos multiple’, Dyp, Die € Deg sivas distincias entre os centros dos eabos das fases a,b ec Para linhas com apenas um condutor por fase, & conveniente determinar X;, somando 0 valor de Xg_ para o condutor, obtido de tabelas como A.1, 0 valor de Xy obtido da Tabela A.2 correspondente a Deg Seguindo o procedimento sugerido pelo Exemplo 3.6 podem ser calculadas a indutancia € a reatancia indutiva de linhas de circuitos em paraleto. PROBLEMAS. 3.1 0 condutor de aluminio puro, identificado pelo nome-cédigo Bluebell, & composto de 37 fios com didmetro de 0,1672 polegadas cada um. As tabelas de caracteristicas de condutores de aluminio puro apresentam uma drea de 1.033.500 CM para este condutor. Concordam entre si estes valores? Determine a érea em milimetros quadrados. 3.2 Determine a resisténcia CC em ohms por quilémetro para 0 Bluebell a 20°C usando ‘2 Equagdo (3.2) € a informagfo dada no Problema 3.1, e compare 0 resultado com o valor tabe- lado de 0,01678 2 por mil pés. Calcule a resisténcia CC em ohms por quil6metro a 50°C € ‘compare 0 resultado com a resisténcia CA a 60 Hz de 0,1024 2/milha, apresentado nas tabelas, para este condutor 2 50°C. Explique qualquer diferenca nos valores obtidos Impedincla em série de linhas de tranemissdo 69. 3.3. Um condutor de aluminio puro é composto de 37 fios com didmetro de 0,333 cm cada tum, Calcule a resisténcia CC em ohms por quilémetro a 75°C. 34 Uma linha de poténcia monofisica de 60 Hz é suspensa em uma cruzeta horizontal. A distancia entre 0s condutores € de 2,5 m. Uma linha telefonica ¢ suspensa em outra cruzeta hori zontal situada 1,8_m abaixo da linha de poténcia e com uma distancia de 1.0 m entre os seus ‘condutores. Determine a indutdncia miitua entre os circuitos de poténcia e de telefone e a tensto induzida por quilémetro 4 60 Iz na linha telefonica por uma corrente de 150A na linha de poténcia, 3.5 Seas linhas de poténcia e de telefonia descritas no Problema 3.4 estiverem no mesmo plano horizontal e a distancia entre os condutores mais préximos das duas linhas for de 18 m, qual seré a indutancia miitua entre os dois circuitos € qual seri a tensdo induzida por milha na linha telefénica para uma corrente de 150 A na linha de poténcia? 3.6 ois condutores sélidos de segao circular com didmetro de 0,412 cm esto afastados de 3m e constituem uma linha monofésica de 60 Hz. Determine a indutincia da linha em mH/milha. Que parcela desta indutincia ¢ devida ao fluxo interno? Considere desprezivel o efeito pelicular 1Y3.7) Determine o RMG de um condutor de trés fios em termos do raio r de cada um dos fios fituintes. 9) 3.8 Determine 0 RMG de cada um dos condutores nfo convencionais mostrados na Figura 3.16 em fungao do raio r de cada um dos fios individuais. 3.9 A distancia entre os condutores de uma linha monofisica é de 10 pés. Cada condutor & constituido de sete fios idénticos. O didmetro de cada fio ¢ de 0,1 pol. Mostre que o valor de D, para o condutor 6 de 2.177 vezes 9 raio de cada fio, Determine a indetineta desta linha em mH/milha, 3.10 Determine a reatancia indutiva do condutor CAA tipo Rail em oluns por quilémetro um metro de espagamento. 3.11 Qualdos condutores listados na Tubela A.1 possui uma reatincia indutiva de 0,651 $2/mitha 7 pés de espagamento? BH 8 de Figura 3.16 Vista em seo transversal dos condutores ngo convencionais do Problems 3.8 70 Blementos de andlise de sistemas de poténcia 3.12 Uma linha trifisica € projetada com espagamento eqiilétero de 16 pés. Decide-se por construir a linha com distribuigo horizontal (Dy = 2D12 = 2Das), € com transposicfo. Qual deverd ser 0 espagamento entre condutores adjacentes para que se mantenha a mesma induténcia do espagamento original? 3.13 Os condutores de uma linha trifisica de 60 Hz esto colocados nos vértices de um tridngulo cujos lados medem 25 pés, 25 pés ¢ 42 pés. Os condutores sfo CAA tipo Ospray. Determine a indutancia ¢ a reatancia indutiva por fase por milha. 3.14 Uma linha trifésica de 60 Hz tem os seus condutores alinhados horizontalmente. Estes condutores possuem um RMG de 0,0133 m com 10 m entre condutores adjacentes. Determine a reatancia indutiva por fase em ohms/km. Qual é 0 nome deste condutor? 3.5 Se for desprezada a resisténcia, a méxima poténcia por fase que uma linha de trans- Jo curta pode transportar é onde V, € Vp sto as tensdes entre fase e neutro nos terminais transmissor e receptor, respec- tivamente, ¢ X € a reaténcia indutiva da linha. Esta condigdo se tomard evidente no estudo do Capitulo 5. Mantendo constantes as amplitudes de V, e de Vp e considerando o custo de um condutor proporcional a drea de sua se¢o transversal, determine, usando a Tabela A.1, qual condutor teria a méxima capacidade de transmiss4o de poténcia por custo de condutor. 3.16 Uma linha tiffsica de distribuigo subterrénea opera com 23 kV. Cada um dos trés condutores ¢ isolado com 0,5 em de polietileno s6lido preto e os trés sf0 colocados lado a lado diretamente em uma vala no solo. Cada condutor possui se¢fo circular com didmetro de 1,46 em € 33 fios de aluminio. O fabricante informa um valor de RMG de 0,561 cm e uma érea de 1,267 cm?. O limite térmico da linha enterrada em solo normal, cuja temperatura seja de 30°C, € de 350 A. Determine as resisténcias CC e CA a 50°C € a reatancia indutiva, em ohms/km. Com 0 objetivo de decidir se deve ou ndo ser considerado o efeito pelicular no célculo da resisténcia, determine o valor percentual do efeito pelicular a S0°C no condutor CAA de bitola mais préxima 4 do condutor subterréneo, Note-se que a resisténcia predomina sobre a impedancia em série nesta linha de distfibuigso, devido a baixa indutdncia causada pela aproximaggo dos condutores. 3.17 A linha de poténcia monofisica do Problema 3.4 ¢ substitifda por uma linha trifésica colocada na mesma cruzeta horizontal da linha monofésica. As distdncias entre os condutores desta linha sf0 D,y = 2D,, ="2D3y € 0 espagamento equilétero equivalente de 3m. A linha telefonica permanece na mesma posigZo descrita no Problema 3.4. Para uma corrente de 150 A nna linha de poténcia, determine a tensSo induzida por quilémetro na linha telefonica. Comente as relagbes de fase entre a tensfo induzida na linha telefOnica e a corrente na linha de poténcia. 3.18 Uma linha trifésica de 60 Hz possui um Unico condutor CAA tipo Bluejay por fase, disposto horizontalmente com espagamento de 11m entre condutores. adjacentes. Compare a reatancia indutiva em ohms por km por fase desta linha com a de outra, na qual fossem usados Impedéncla em série de linhas de transmisafo 71 dois condutores CAA 26/7 com a mesma sego transversal total de aluminio que a de uma linha de condutor nico e 11 m medidos de centro a centro dos cabos duplos. Os condutores de cada fase esto 40 cm afastados. 19 Uma linha triffsica de 60 Hz de cabo muiltiplo tem 3 condutores de CAA tipo Rail por fase com espagamento de 45 cm entre eles. Calcule a reatancia indutiva em ohms por quild- metro, considerando que os espacamentos entre 0s cabos sfo de 9 m, 9m e 18 m. 3.20 Seis condutores de CAA tipo Drake constituem uma linha trifésica de 60 Hz circuito duplo, posicionados como ¢ indicado na Figura 3.15. Entretanto, 0 espagamento vertical ¢ de 14 és, enquanto a distancia horizontal maior € de 32 pés e a menor é de 25 pés. Determine a indutancia por fase por milha e a reatancia em ohms por milha. sinpos ded fife re Vey CAPITULO CAPACITANCIA DE LINHAS DE TRANSMISSAO ‘A admiténcia em derivagdo de uma linha de transmissfo consiste em uma condutancia e uma reaténcia capacitiva, conforme foi discutido no principio do Capitulo 3. Também foi mencio- nado que a conduténcia € usualmente desprezada devido 4 sua pequena contribuigfo com a admiténcia em derivagfo. Por esta razdo foi dado a este capitulo o titulo de capaciténcia ¢ nfo 0 de admitancia em derivacao. Outra razdo para que se despreze a condutancia reside no fato de nao existir nenhum meio apropriado de consideré-la, por ser ela muito varidvel. A fuga pelos isoladores, que é a principal fonte de conduténcia, varia apreciavelmente com as condigdes atmosféricas e com as propriedades de condugdo da poeira que se deposita sobre os isoladores. O efeito corona, que resulta em fuga através dos condutores das linhas, 6 também bastante varidvel com as condigdes atmosféricas. Felizmente, 0 efeito da condutancia ¢ um componente to desprezivel da admitincia em deri- vagdo que pode ser ignorado, pir frase. fer I ‘A capacitancia de uma linha de transmissfo resulta da diferenga de potencial entre os condutores; ela faz com que estes se tornem carregados de modo semelhante as placas de um capacitor entre as quais exista uma diferenga de potencial. A capacitancia entre condutores € a carga por unidade de diferenca de potencial. A capacitancia entre condutores em paralelo é uma constante que depende das dimens6es e do afastamento entre os condutores. Para linhas menores do que 80 km (50 milhas) de comprimento, 0 efeito da capacitancia é minimo e usualmente € desprezado. Para linhas mais longas de tenses mais elevadas, torna-se mais importante a capacitancia. Uma tensfo alternada aplicada sobre uma linha de transmissfo faz com que, em qualquer ponto, as cargas dos condutores crescam e decrespam com o aumento e a diminuigfo do valor instanténeo da tensfo entre os condutores naquele ponto. O deslocamento de cargas € uma corrente, € 2 corrente causada pelo carregamento e descarregamento alternados de uma linha devidos a uma tensdo alternada ¢ chamada corrente de carregamento da linha. A corrente de n Veh (Capaciténcia de linhas de transmisido 73 ‘carregamento existe na linha de transmissdo mesmo quando ela estd em vazio. Ela afeta tanto ‘8 queda de tensdo a0 longo da linha quanto o seu rendimento ¢ o fator de poténcia e a estabilidade do sistema ao qual pertence a linha. 4.1 CAMPO ELETRICO DE UM CONDUTOR RETO E LONGO (0 campo elétrico € tao iinportante no estudo da capacitancia quanto 0 ¢ o campo magnético no estudo da indutancia. No capitulo precedente, estudamos ambos os campos elétrico e magné- tico de uma linha a dois condutores. As linhas de fluxo elétrico se originam nas cargas positivas de um condutor e terminam nas cargas negativas do outro. O flux elétrico total que emana de uum condutor é numericamente igual a carga do condutor em coulombs. A densidade de fluxo elétrico € 0 fluxo elétrico por metro quadrado e € medida em coulombs por metro quadrado. Se um condutor cilindrico, reto € longo, estiver mergulhado em um meio uniforme como © ar, tendo uma carga uniforme em toda a sua extensio ¢ se estiver isolado de outras cargas, sua carga estaré uniformemente distribuida sobre toda a sua superficie ¢ 0 fluxo sera radial. Todos os pontos eqiidistantes de um tal condutor serdo pontos eqiiipotenciais e terdo uma mesma densi dade de fluxo elétrico. A Figura 4.1 mostra um condutor isolado como este, carregado com uma Aistribuigso uniforme de carga. A densidide de campo elétrico a uma distancia de x metros do centro do condutor pode ser calculada imaginando uma superficie cilindrica concéntrica a0 con- dutor, que tenha x metros de raio. Como todos os pontos da superficie sfo eqiidistantes do condutor, que possui uma distribuigo uniforme de carga, a superficie cilindrica ¢ equipotencial € 4 densidade do fluxo elétrico sobre ela ¢ igual ao fluxo que sai do condutor por metro de com- primento, dividido pela area da superficie contida em um comprimento axial de um metro. A densidade de fluxo elétrico & D sf Sim? 4) onde q ¢ a carga no condutor em coulombs por metro de comprimento e x € a distancia em: metros do centro do condutor até o ponto onde deve ser calculada a densidade de fluxo elétrico. A intensidade de campo elétrico, ou 0 negativo do gradiente de potencial, ¢ igual a densidade de fluxo elétrico dividida pela permissividade* do meio. A intensidade do campo elétrico é, portanto 4. Vim 42) * No sistema SI de unidades, a permissividade do vicuo ko vale 8,85 X107!F/m. A permissividade rela- iva k, € a razfo entre a permissividade real de un’ material © a permissividade do vicuo. Entéo, K,skiko. Para o ar seco, k,=1,00054 © € considerado igual a 1,0 m em edleulo de linhas 74 Elementos de andiise de sistemas de poténcia Figura 4.1. Linhas de fluxo elétrico que tém origem nas cargas positivas uniformemente distribuidas sobre a superficie de um condutorcilindrico isolado, 4.2 DIFERENCA DE POTENCIAL ENTRE DOIS PONTOS DEVIDO A UMA CARGA AA diferenca de potencial, em volts, entre dois pontos é numericamente igual a0 trabalho em joules por coulomb necessério para mover um coulomb de carga entre os dois pontos. A inten- sidade de campo elétrico é uma medida da forga sobre uma carga no campo. A intensidade de campo elétrico em volts por metro € igual a forea, em newtons por coulomb, sobre um coulomb de carga considerada. A integral de linha de forga em newtons que age sobre um coulomb de carga positiva entre dois pontos é trabalho realizado para mover a carga do ponto de potencial mais baixo para o ponto de potencial mais alto e é numericamente igual 4 diferenga de potencial entre os dois pontos. Consideremos um fio reto € longo carregado com uma carga positiva de qC/m, como é mostrado na Figura 4.2. Os pontos P, ¢ P, esto afastadosem D, e D; metros do centro do fio. A carga positiva do fio exerce uma forga de repulsfo sobre uma carga positiva colocada no campo. Por esta razo e porque neste caso Dz é maior do que D,, deve ser realizado trabalho sobre a carga positiva para mové-la de P, para P,, ¢ assim P, estaré a um potencial mais alto do que P,. A diferenga de potencial é o trabalho realizado por coulomb de carga movida. Por ‘outro lado, se a carga se move de P, para P3, ela fornece energia e 0 trabalho ou energia, em newton-metros, é a queda de tensio de Py até P;. A diferenca de potencial ¢ independente do caminho percorrido. © modo mais simples de se calcular esta diferenga entre os dois pontos é calcular a diferenga de potencial entre as superficies equipotenciais que passam por P, © por P2_ por integracdo da intensidade de campo sobre uma trajetéria radial entre as duas superficies equipotenciais. . A queda de tensdo instantanea entre P, ¢ Py é,entdo, o bs 5 4 4 4, Pa m2 ole 6 dx i ea OY (43) (Capacitincia de linhas de trensmisséo 75 Caminho de integragio Figura 4.2 Caminho de integragdo entre dois pontos exteriores a um condutor cilindrico que possui uma carga positiva uniformemente distribuida, ‘onde q a carga instantanea no conduior em coulombs por metro de comprimento. Deve-se notar que a queda de tensio entre dois pontos, dada pela Equago (4.3), pode ser positiva ou negativa conforme a carga que provoca a diferenga de potencial seja positiva ou negativa e con- forme a queda de potencial seja calculada de um ponto mais préximo a um ponto mais afastado do condutor, ou vice-versa. O sinal de q pode ser positivo ou negativo, ¢ 0 termo logaritmico é positivo ou negativo conforme 2); seja maior ou menor do que Di 43. CAPACITANCIA DE UMA LINHA A DOIS FIOS ‘A capaciténcia entre os dois condutores de uma linha a dois fios foi definida como a quantidade de carga nos condutores por unidade de diferenca de potencial entre eles. Na forma de uma equacdo, a capacitancia por unidade de comprimento da linha & c Fim (44) onde q € a carga sobre a linha, em coulombs por metro, ¢ v é a diferenga de potencial entre 0s condutores em volts, Daqui para a frente, por comodidade, diremos apenas capacitincia quando nos referirmos & capacitincia por unidade de comprimento, mas indicaremos as unidades de forma correta nas equagdes deduzidas. Podemos obter a capacitancia entre dois condutores substituindo na Equago (4.4) 0 valor de v em fungo do valor de q dado pela Equagto (4.3). A tensfo qb entre os dois condutores da linha a dois fios mostrada na Figura 4.3 pode ser obtida determinando a diferenga de potencial entre os dois condutores da linha, calculando primeiro a queda de tensdo devida carga qq do condutor a ¢ depois a queda de tensfo devida a carga dp do condutor b. Pelo principio da superposi¢go, a queda de tensfo entre 0 condutor @ ¢ 0 condutor b, devida a carga dos dois condutores, é a soma das quedas de tensio devidas a cada um deles, Elementos de andlise de sistemas de poténcia oS a Figura 4.3 Seg transversal de uma linha de fos paralelos.. Consideremos a carga qq do condutor a ¢ admitamos que 0 condutor b esteja carregado ¢ seja simplesmente uma superficie equipotencial no campo elétrico criado pela carga do condutor a, Na Figura 4.4, sfo mostradas a superficie equipotencial do condutor b ¢ as superficies eqiiipotenciais devidas 4 carga de a. A distorgao das superficies equipotenciais nas proximidades do condutor é causada pelo fato de 0 condutor & ser também parte de uma superficie equipotencial. Na dedugdo da Equardo (4.3), todas as superficies equipotenciais devidas a uma carga uniformemente distribuida sobre um condutor cilindrico foram consideradas cilindricas € concéntricas a0 condutor. Esta consideragao é vélida no caso em discuss4o, exceto nas vizinhangas do condutor 6. O potencial do condutor b é igual ao da superficie equipotencial que 0 intercepta. Portanto, para a determinac&o de v,p, pode ser seguido um caminho do con- dutor a, indo através de uma regio de superficies eqdipotenciais sem distorcao até a superficie que intercepta 0 condutor 6. A partir daf, movendo-se ao longo da superficie Caminho de integragio deg para b \ Figura 44 Superficies eqlipotencinis de uma parte do campo ¢l (nfo mosteado). O condutor b provoca uma distorgio nas superficies equipotencials. Ax sets indicam opgBes para caminhos de integraggo entre um ponto da superficie eqbipotencial do con- dutor B €0 condutor a, cuja carga qq cria as superficies equipotenciais mostradas. (Copacttincia de linhes de transmissdo 77 eqdipotencial até 0 condutor b, nfo sfo produzidas mudangas no valor da tensfo, Este caminho de integragfo, juntamente com o caminho direto, ¢ indicado na Figura 4.4. 6 claro que a diferenga de potencial ¢'a mesma seja qual for o caminho através do qual ¢ feita a integragao da intensidade de campo. Seguindo 0 caminho pela regifo sem distorgfo, vemos que as distancias correspondentes a D, © Dy da Equagdo (4.3) slo, respectivamente, D ¢ rq, na determinacdo Je vyp devido 4 qq. Da meima forma, na determinago de va» devido a qp, a8 distincias correspondentes 4 Dz € D da Equagio (4.3) sio ry e D, respectivamente. Convertendo a notacto fasorial Ge © ap passam a ser nimerds complexos), obtemos G2, ine + Bint ov Ya = Fak 5. * Oak ™ D (45) isa, Saldana, , como para a linha a dois fios @ = aa. Dian ne tn 4. (I p-mg) oy (46) ‘ou, combinando os termos logaritmicos Me v 47) ‘A capacitncia entre condutores é (4.8) 49) ‘A Equasio (4.9) dé a capacitancia entre condutores de uma linha a dois fios. As vezes, 6 desejével ‘conhecer a capacitancia entre um dos condutores ¢ um ponto neutro entre eles. Por exemplo, se allinha for alimentada por um transformador com uma derivagdo central aterrada, a diferenca de potefcial entre cada condutor © a terra seré igual a metade de diferenga de potencial entre os {dois condutores © a capacitincia é terra, ou capaciténcia ao neutro, seré a carga em um" Feondutor por unidade de diferenca de potencial entre o condutor e a terra. A capacitincia a0 ‘eutro para a linha a dois fios ¢ 0 dobro da capaciténcia linha-linka (capaciténcia entre condutores). Se a capaciténcia entre linhas for considerada composta por duas capacitin 78 Blementos de andlise de sistemas de poténcle iguais em série, a tensdo de linha se dividiré igualmente entre elas ¢ sua jungfo estard ao potencial de terra. A capacitancia 20 neutro ser4, portanto, igual a qualquer das duas capaciténcias iguais em série, ou seja, duas vezes a capacitancia linhaJinha. Portanto, 2nk C= Coy npn F/m a0 neutro (4.10) O conceito de capaciténcia a0 neutro é ilustrado pela Figura 4.5. G et (a) Representago ds capacitincia de linha (b)_ Representagio da capaciténcia por fase Figura 4.5 Comparagdo dos conceitos de capaciténcia de linha e capaciténcia por fase. ‘A Equagfo (4.10) corresponde a Equarfo (3.34) para a induténcia. Devese tomar cuidado ‘com uma diferenga que existe entre as equagbes de capaciténcia e de indutancia, O raio na equaggo da capacitincia € 0 raio extemno real do condutor e no o raio médio geométrico (RMG) do condutor, como na formula da indutancia. ‘As Equagbes (4.5) ¢ (4.10) foram deduzidas a partir da Equagdo (4.3), que se baseia na supo- sigdo de distribuigéo uniforme de carga sobre a superficie do condutor. Quando estiverem pre- sentes outras cargas, a distribuigdo de carga sobre a superficie do condutor ndo seré uniforme € as equagbes deduzidas a partir da Equagao (4.3) no serfo precisamente corretas. No entanto, a desuniformidade da distribuigao de cargas pode ser inteiramente desprezada em linhas aéreas. pois © erro na Equago (4.10) serd apenas de 0,01% mesmo para um afastamento de condutores que resulte em um quociente Djr = 50. Resta uma questo a ser respondida, que se refere ao valor a ser usado no denominador do argumento do logaritmo na Equagdo (4.10), quando 0 condutor for encordoado, uma vez que a equagio foi deduzida para um condutor sélido de sega circular. Sabendo que 0 fluxo elétrico é perpendicular a superficie de um condutor perfeito, o campo elétrico na superficie de um con- dutor encordoado no ¢ igual ao que existe na superficie de um condutor cilindrico. Portanto, estaremos cometendo um erro a0 calcularmos @ capacitancia de um condutor encordoado pela substituigfo de r pelo raio externo do. condutor na Equagdo (4.10), devido a diferenga entre (© campo na vizinhanga de um condutor deste tipo € 0 campo préximo a um condutor cilindrico para 0 qual foi deduzida a Equagfo (4.10). Este erro, no entanio, é muito pequeno porque somente 0 campo muito proximo a superficie do condutor € afetado. Assim sendo, ¢ usado 0 rajo externo do condutor encordoado no célculo da capacitancia, Tendo sido obtida a capacitancia a0 neutro, a reatancia capacitiva entre um condutor ¢ 0 neutro, para uma permissividade relativa k,=1, € caleulada usando a expresso de C dada nna Equagdo (4.10) 2 D Xen sae =P x 107 In 2 Q-mpara oneutzo tty Copacitincia de linhas de tranemisaéo 79 Sendo o valor de C na Equagdo (4:11) dado em farads por metro, @ unidade apropriada para Xc_serd ohms-metros. Devemos também notar que a Equagdo (4.11) representa a reatancia a0 neutro para um metro de linha. Como as reatancias capacitivas estfo em paralelo ao longo da linha, Xc¢ em ohms-metros deve ser dividida pelo comprimento da linha em metros para que se obtenha a reatdncia capacitiva ao neutro em ohms para toda a linha. Dividindo a Equagio (4.11) por 1.609, obtemos a reatancia capacitiva em ohms-milhas. Xoo um x 10 me Q: mi para o neutro (4.12) A Tabela A.J apresenta os didmetros externos mais ‘usados em condutores CAA. Se D € 7 na Equagao (4.2) forem dados em pés, a reaténcia capacitiva para um pé de espacamento X4 sed o primeiro termo € 0 fator de espacamento de reaténcia capacitiva X4 seré o segundo termo na equagdo seguinte 1,779 14779 = ton < 10 ln D— Qemiparsoneutro (4.13) A Tabela A.1 inclui os valores de Xj, para as bitolas mais comuns de cabos CAA, ¢ existem 8 disposigdo tabelas para os outros tipos de condutores, em suas diferentes bitolas. Na Tabela A.3, é apresentada uma lista de valores de X) Exemplo 4.1 Determine a susceptancia capacitiva por mitha de uma linha monofésica que opera a 60 Hz. condutor ¢ 0 Purtridge, © 0 espagamento entre centros & de 20 pés. Solugéo Para este condutor, a Tabula A.1 apresenta um diémetro externo de 0,642 pol ¢, portanto, 0,642 Ix 0,0268 pé da Equagto (4.12) ui 0,1961 x 10° Q: mi para 0 neutro 5,10 x 10°* S/mi para o neutro ‘ou, em termos da reatancia capacitiva a 1 pé de espagamento e do fator de espacamento da reatncia capacitiva obtidos nas Tabelas A.1 ¢ A.3 0,1074 MO mi Ni, = 0,0889 MQ: mi X, = 0,1074 + 0,0889 = 0,1963 MQ: mi por condutor 80 ——_Elementos de andlise de sistemas de poréncia AA reatancia e a susceptincia capacitivas da linha (linha-linha) so X= 2 x 0,1963 x 10° = 0,3926 x 10° Q/mi 2,55 x 10° S/mi Be an 4.4 CAPACITANCIA DE UMA LINHA TRIFASICA COM ESPACAMENTO EQUILATERO Trés condutores idénticos de raio r so mostrados na Figura 4.6, formando uma linha trifésica de espagamento equilétero. Para uma distribuigdo de cargas sobre os condutores consi- derada uniforme, a Equagdo (4.5) fornece a tensfo entre dois condut sres devida carga em cada um deles. Portanto, @ tensdo vy, de uma linha trifésica devida somente as catgis dos condutores ae b & 1 D r taegty(uin? rain t) v devide ag, © ay lay A D © Figura 4.6 Sogo wansversal de uma linha tiisica com espagamento equilster ‘A Equagto (4:3) nos permite incluir 0 efeito de q. pois a distribuigdo uniforme de carga sobre a superficie de um condutor é equivalente a uma carga concentrada no centro do condutor. Portanto, devido somente 4 carga q, que € igual a zer0 pois qe ¢ eqiidistante de a e de b. Entretanto, para mostrar que estamos considerando todas as trés cargas, podemos escrever sil Vo D r D — - = v (4.15) pn? rain 5 tain 3) (4.15) Capactténeia de linhas de transmissd0, 1 Da mesma forma 1 D D ' a t a (4.16) stile in? qin 2 te geln o) v ) Somando as Equagoes (4.15) ¢ (4.16) obtemos v 17) Vay + Vee apa Pela tadin gs Na dedugdo destas equagdes, admitimos que a terra esteja {0 afastada que tenha efeito des prezivel. Sendo as tens6es tomadas como sendides com notagéo fasorial, as cargas também serdo sen6ides com notacfo fasorial. Se ndo existirem outras cargas nas vizinhangas, a soma das, cargas nos trés condutores seré nula e poderemos substituir, na Equacdo (4.17), 45+ ae por ~da, obtendo : D y. = dey 2 Vast Ve = 54 In = V (4.18) w Yon vy Figura 4.7. Diagrama fasorial das tensSes equilibradas de uma linha trifésica, A Figura 4.7 6 0 diagrama fasorial das tens6es. Obtemos, desta forma, as seguintes relagSes entre as tensdes de linha Voy € Var € a tensio Vy entre a fase a © 0 neutro do circuito trfésico = /3¥aq(0,866 + j0,5) (4.19) Vag = —Veq = «/Wan(0,866 — 0,5) (4.20) ‘Somando as Equagbes (4.19) ¢ (4.20), obtemos Vg + Vor 4.21) 82 Elementot de andlise de sistemas de poténcia Substituindo, na Equagfio (4.18), Vay + Vac por 3Van, temos sin 2 Vv (4.22) Como a capacitancia a0 neutro é 0 quociente da carga em um condutor pela queda de tensio entre aquele condutor e o neutro, temos fe 2 2a Tein (opp Fm paso neutro (4.23) G Comparando as Equagdes (4.23) ¢ (4.10), vemos que as duas sfo idénticas. Estas equagdes repre- sentam a capacitincia a0 neutro de linhas trifésicas com espagamento eqiildtero e de linhas mono- fésicas, respectivamente. N6s vimos no Capitulo 3 que as equag6es da indutancia por condutor eram as mesmas para linhas monofésicas e linhas trifésicas com espagamento equilétero, termo corrente de carregamento € aplicado a corrente associada com a capacitancia de uma linha, Para um circuito monofisico, a corrente de carregamento € 0 produto da tensfo de linha pela susceptancia linha-linha, ou, em notago fasorial Tagg = HOC Vow (424) Para uma linha trifésica, a corrente de carregamento é obtida multiplicando a tensio de fase pela susceptancia capacitiva ao neutro. Com isto, obtemos a corrente de carregamento por fase, 0 que estd de acordo com o céleulo de citcuitos trifésicos equilibrados com base em um circuito mono- fésico com retorno pelo neutro. A corrente de carregamento, em notago fasorial, para a fase a € ogg = JOC Van Ali (425) ‘Como o valor eficaz da tensdo varia ao longo da linha, a corrente de carregamento nao é igual em toda a sua extens4o. Freqientemente, a tensZo utilizada no célculo da corrente de carregamento é a tensfo nominal de projeto da linha, como 220 ou 500 KV, que provavelmente no serd igual & tensfo real emnenhum dos terminais da linha, 4.5 CAPACITANCIA DE UMA LINHA TRIFASICA COM ESPAGAMENTO ASSIMETRICO Quando os condutores de uma linha trifésica no est40 com espagamento equilitero, torna-se mais dificil o problema do célculo da capacitancia. Na linha usual, sem transposigSo, as capacitan- cias de cada fase a0 neutro no so iguais. Em uma linha transposta, a-capaciténcia média a0 neutro, em um ciclo completo de transposicfo, é a mesma para qualquer das fases pois 0 condutor de cada fase ocupa a mesma posigfo de qualquer dos outros numa distancia igual, uma vez a0 longo do ciclo de transposigfo. A assimetria das linhas ndo transpostas é pequena nas configuragdes usuais, de forma que todos 0s céleulos serfo realizados considerando como se todas as linhas fossem transpostas. Capaciténcla de linhas de transmisado 83 Da Figura 4.8 Segfo transversal de uma linha trfésica com espagamento assimétrico, Para a linha mostrada na Figura 4.8, serdo obtidas 3 equagbes de Vap para as trés posigbes diferentes no ciclo de transposig0. Com a fase a na posiggo 1, 6 na posigo 2€ ¢ na posigto 3, D, 1 2 Vea 5i5 (aan 2? + aytn a ten v (4.26) Com @ na posigio 2, b na posiglo 3 € cna posigdo 1, Vv, (4 In =2? + q, In +4ain 3) v (4.27) Unk \" ee Day Diy ¢,com a na posigd0 3, b na posigio |e c na posigg0 2, 1 D: ae Dar 4. Vas (am 2H + gy tn (4.28) ‘As Equag0es (4.26) a (4.28) sto semelhantes as Equagdes (3.60) a (3.62) para os enlaces de fluxo de um condutor de uma linha transposta. Entretanto, nas equagdes para os enlaces de fluxo, notalinos que a corrente em qualquer das fases era a mesma em qualquer parte do ciclo de transposig#o. Nas Equagdes (4.26) a (4.28), se desconsiderarmos a queda de tensfo ao longo da linha, a tenso ao neutro de uma fase em uma parte do ciclo de transposigdo serd igual 4 tenso 20 neutro da mesma fase em qualquer outra parte do mesmo ciclo. Portanto, a queda de tensfo entre dois condutores quaisquer sera a mesma em todas as partes do ciclo de transposig&o. Segue-se que a carga sobre um condutor deve ser diferente quando a posigao do condutor varia com respeito 205 outros condutores. Dai, ndo ser rigoroso um tratamento das Equacdes (4.26) a (4.28) conforme ao que ¢ dado as Equagdes (3.60) a (3.62). A solugo rigorosa para a capacitincia é excessivamente trabalhosa, exceto talvez para espagamento horizontal com iguais distancias entre condutores. Para os espagamentos ¢ para os condutores usuais, obtém-se preciséo suficiente supondo que a carga por unidade de compri- mento da linha seja a mesma em qualquer seco do ciclo de transposiga#o. Quando se faz esta 84 Elementos de anilise de sistemas de poténcia consideragio a respeito da carga, a tensio entre um par de condutores seré diferente em cada sego do ciclo de transposigdo. Podemos entdo obter um valor médio da tensfo entre condutores ¢ calcular a capaciténcia a partir deste valor. Obtemos o valor médio das tensdes, somando € dividindo por trés as Equagdes (4.26), (4.27) ¢ (4.28). A tensfo média entre os condutores a e b, baseada na suposiggo de mesma carga sobre um condutor, independente de sua posigio no ciclo de transposigao, € v-! ( jy) DesDasPas , rn vain DebnPas one EM Dy Di sDyy | Dy: DasDay | Dd. r In de v (4.29) aaa (#8 eae vd 2) onde Y/DiDrsPor (4.30) Da mesma forma, a queda de tens4o média entre 0 condutor a eo condutor ¢ & 1 D. r y 9 yin 43 hy aail 4 ge ln pal v (431) Aplicando a Equagdo (4.21) para ober a tensdo ao neutro, temos t b, , ' spun oS ain Fain Yo (432) Bat Re Como ge +p + ae = 0 em um ciscuito trilésico equilibrado, 3 D, 3g = stg, In Os 4.33 n= 35 da In v (4.33) e Ink F/m para o neutro (434) “in (Dir) A Equacfo (4.34) para a capacitancia a0 neutro de uma linha trifésica transposta corresponde 4 Equaglo (3.65) para a indutancia por fase de uma linha semethante. Para se obter a reatancia capacitiva a0 neutro correspondente a Cy, ela pode ser desenvolvida em componentes de reaténcia capacitiva a 1 pé de espagamento X; e de fator de espacamento da reatincia capaci- tiva X4, como foi definido pela Equagao (4.13). ia de linhas de ransmisiio 85 wee wy) Exemplo 4.2 Determine a capacitancia ¢ a reatancia capacitiva}por milha, da linha descrita no Exemplo 3.4. Se 0 comprimento da linha for de 175 milhas e a tensfo normal de operago de 200 KV, determine a reaténcia capacitiva ao neutro para toda a linha ¢ a sua corrente de carrega- mento por mitha, bem como os megavolt-ampéres totais de carregamento. Solugio dul ot" Capacit 0,0462 pé 2m x 885 x 10°? Tn (24,8/0,0462) _ 10"? In x 0 x 88466 x 1609 = 8,846 x 10-1? F/m = 0,1864 x 10° O: mi ou, pelas tabelas X,=0,0912 x 10° x, = 0,0953 x 108 X= (0,0912 + 0,0953) x 10° = 0,1865 x 10° Q- mi para o neutro Para um comprimento de 175 milhas Rentini capacitive = 21855 * 1" «19650 puao neato 220.000 . Ta 2160 x 88466 x 10°!? x 1609 = 0,681 A, m4 = 2060 sd ‘ou 0,681 x 175 = 119A para toda a linha. A poténcia reativaseré Q= 4/3 x 220 x 119 x 107? = = 45,3 MVAr. O sinal desta poténcia reativa absorvida pela linha € negativo de acordo com a convengio discutida no Capitulo 2. Em outras palavras, esté sendo gerada uma poténela r positiva pela capaciténcia distribu‘da pela linha 4.6 _ EFEITO DA TERRA SOBRE A CAPACITANCIA DE LINHAS . DE TRANSMISSAO TRIFASICAS ‘A terra afeta a capacitincia de uma linha de transmissdo porque sua presenga altera o campo elétrico da linha. Supondo que a terra seja um condutor perfeito na forma de um plano horizoptal, de extensfo infinita, fica evidente que 0 campo elétrico dos condutores acima da terra nfo é 0 mesmo que existiria se a superficie eqdipotencial da terra nfo estivesse presente. O campo elétrico 86 ——_Blementos de andlise de sistemas de poténels dbs condutores carregados'€ forgado'a mudar de formna devido a prééeiica di buperficie da terra. A cbrisiderapdo ‘de uma superficie eqilpotencial plank ¢ evidesteitiditelniftada pélas irrégulari- dades do terreno e pelo tipo de superficie da terra. Entretanto, étta cbnsiderag#o nos permite ‘compreender 0 efeito de um solo condutor sobre os eélculos de capacitéricia, Consideremos um circuito constituido de um tinico condutor aéreo com retomo pela terra. ‘Ao carregarmos o condutor, chegam cargas da terra para o condutor, ¢ passa a existir uma diferenga de potencial entre os dois. A terra estard carregada com uma carga de igual valor ¢ de sinal contrério a do condutor. O fluxo elétrico que liga as cargas do condutor as cargas da terra é perpendicular a superficie eqipotencial da terra, pois esta superficie é supostamente um con- dutor perfeito. Imaginemos um condutor ficticio de mesma forma ¢ bitola que o condutor aéreo, colocado verticalmente abaixo do mesmo, ¢ a uma distincia do primeiro igual a duas vezes a distancia entre o condutor aéreo e a terra. Este condutor ficticio estard abaixo da superficie da terra, a uma distincia igual 4 que a separa do condutor aéreo, Se a terra for removida € consi- derarmos uma carga igual e oposta 4 do condutor aéreo colocada no condutor ficticio, © plano ‘a meio caminho entre os dois condutores seré uma superficie equipotencial ¢ estard na mesma posigdo da superficie equipotencial da terra. Ent¥o, o fluxo elétrico entre 0 condutor elétrico € esta superficie equipotencial seré 0 mesmo que existiria entre o condutor e a terra. Assim, no que concerne ao célculo da capacitancia, a terra pode ser substituida por um condutor ficticio denominado condutorimagem colocado abaixo da superficie da terra a uma distancia igual 4 distancia do condutor aéreo a terra carregado com uma carga igual e de sinal contrério 4 do condutor aéreo. 0 método de célculo da capacitincia pela substituiggo da terra pela imagem de um condutor aéreo pode ser estendido a mais de um condutor. Se colocarmos um condutor-imagem para cada condutor aéreo, o fluxd entre os condutores originais e suas imagens serd perpendicular ao plano que substitui a terra e este plano serd uma superficie equipotencial. O fluxo acima do plano & 0 ‘mesmo que existiria com a presenga da terra no lugar dos condutores-imagem. Para aplicarmos 0 método das imagens ao célculo da capaciténcia de linhas trifésicas, usare- mos a Figura 4.9 como referéncia. Admitiremos que a linha seja transposta ¢ que os condutores, a,b ec possuam cargas qa, 94 © Ge € ocupem as posighes 1, 2, 3, respectivamente, na pri meira segdo do ciclo de transposig&o. Sf mostradas a superficie (plana) da terra, ¢ sob ela os condutores com as curgas-imagens ~qa, -qy € ~Qe- Pata as trés seqdes do ciclo de transposico, podem ser escritas equagdes para a queda de tensfo do condutor a para o condutor 5, deter- minadas pelos trés condutores carregados e por suas imagens. Com 0 condutor a na posi¢#o 1, 'b na posi¢ao 2e ¢ na posigdo 3, temos Ua Sh fol» Para as outras segbes do ciclo de transposigfo, podem ser escritas equagBes semelhantes para Vp. Partindo da aproximagao de carga constante por unidade de comprimento de cada con- dutor em todas as segbes do ciclo de transposig0, podemos obter um valor médio para 0 fasor