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TEOLOGIA BÍBLICA DO NOVO TESTAMENTO

I. DEFINIÇÃO TEOLOGIA BÍBLICA:


Nós somos parte dos cristãos que afirmam, veementemente, que Bíblia é a Palavra de Deus inspirada,
infalível, inerrante, autoritativa e a sua única regra de fé e prática.
Nela Deus revelou tudo o que Lhe aprouve revelar para o bem dos seus filhos.
...foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar à sua Igreja
aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro
estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi
igualmente servido fazê-la escrever toda...”1
O conceito acima é conhecido como um conceito ortodoxo de inspiração das Escrituras.

Gerhardus Vos:2
A Teologia Bíblica é o braço da Teologia Exegética que lida com o processo da auto-revelação de
Deus registrado na Bíblia 3
Gerard Van Groningen4 concorda e acrescenta:
Finalmente, o assunto da teologia bíblica é o processo da revelação divina. De fato, a teologia bíblica,
como disciplina, se endereça particularmente e especificamente à história da revelação porquanto
executada no curso do tempo de Adão a Malaquias e desde a anunciação do nascimento de Cristo até
o último escrito inspirado do apóstolo João, o Livro de Apocalipse.

A teologia bíblica é a história sobre Deus e seu interesse e cuidado para com a humanidade. Ela existe unicamente
em virtude da iniciativa divina realizada em uma série de atos divinos cujo objetivo é a redenção humana.
Constitui-se basicamente na descrição e interpretação da atividade divina no contexto do cenário da história humana,
procurando a redenção da humanidade.
O interesse divino é motivado pelo pecado do homem, que o lveou a um estado de separação de Deus, trazendo
consigo o aguilhão da morte. A rebelião humana tem afetado não apenas a existência no campo individual, mas
também o curso da hsitória e o reino da natureza no qual o homem foi colocado. A redenção é a atividade divina
cujo objetivo é a libertação dos homens, como indivíduos e como sociedade, de seu dilema pecaminoso e sua
restauração a uma posição de comunhão e favor com Deus.

O que Deus revela não é somente informação acerca de si mesmo e do destino humano; Ele revela a sua própria
pessoa, e esta revelação tem acontecido em uma série de enventos históricos.Exemplos:
1. O maior ato revelatório de Deus no Antigo Testamento foi o livramento do povo de Israel da escravidão do
Egito. Este não foi atribuído ao gênio e habilidade de liderança de Moisés. Foi um ato de Deus. “Vós
tendes visto o que fiz aos egípcios, e como vos levei com asas de águias” (Êxodo 19.4). Este livramento
não foi apenas um ato de Deus; foi um ato através do qual Deus tornou-se conhecido e através do qual
Israel deveria conhecer e servir a Deus. “Eu Sou Jeová; eu vos tirarei de debaixo das cargas dos egípcios,
livrar-vos-ei da sua servidão – e vós sabereis que Eu Sou Jeová” (Êxodo 6.6-7).
2. O Novo Testamento está neste fluxo de “história sagrada”. Uma confissão do Credo dos Apóstolos é
encontrada em I Coríntios 15.3 e é uma recitação de eventos: Cristo morreu, foi sepultado, ressuscitou e

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Confissão de Fé de Westminster – Capítulo I, tópico I. Referências bíblicas - Sal. 19: 1-4; Rom. 1: 32, e 2: 1, e 1: 19-20, e 2:
14-15; I Cor. 1:21, e 2:13-14; Heb. 1:1-2; Luc. 1:3-4; Rom. 15:4; Mat. 4:4, 7, 10; Isa. 8: 20; I Tim. 3: I5.
2
Gerhardus Vos foi professor de Teologia Bíblica durante várias décadas no Seminário de Princenton e é considerado o “pai” da
disciplina no campo ortodoxo em nosso século.
3
Ibid, Biblical Theology: Old and New Testament. Edinburgh: The Banner of Trush Trust, 1975.
4
Da Criação a Consumação – Editora Cultura Cristã – Gerard Van Groningen.
2

apareceu. O ato de Deus enviar seu único filho ao mundo não é uma simples obervação é um fato citado:
“Deus tanto amou que deu” (João 3.16). Deus mostra seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós
(Romanos 5.8). A revelação de Deus na história redentora de Israel encontra sua palavra mais clara
no evento histórico da vida, morte e ressurreição de Cristo (Hebreus 1.1-2).

Simplificando: Teologia Bíblica estuda a iniciativa divina realizada em uma série de atos divinos cujo objetivo é a
redenção humana.

II- ESTRUTURA DA REVELAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO


Para determinar a Estrutura da Revelação do Novo Testamento observaremos 3 aspectos na Bíblia:
1. Das Indicações do Antigo Testamento
A Antiga Aliança (Antigo Testamento) é aponta para o futuro e prediz o futuro.
A profecia é o melhor indicador é o maior indicador da estrutura. Mais particularmente a profecia
escatológica e messiânica não meramente fala de um estado futuro como mais alto, mas como sendo
absolutamente perfeito, contrastando-se com o presente.
Observe que se há a profecia no Antigo Testamento então torna-se necessário o Novo Testamento.
Outro ponto importante, a palavra “novo” não quer dizer que o Novo Testamento existe fora do Antigo
Testamento, veja que, o significado da palavra Novo (Kainê) “Novo” no sentido de “renovado”, “renovo” (Is. 65:17;
Ez. 11:19), veja o vocabulário do cumprimento da nova aliança: Mt. 13:52; Mc. 16:17; 2Co.5:17; Ap. 2:17. O texto
que cristaliza as idéias é: Jr. 31:31-34.
• neos: novo em termos de surgimento, não existia antes; totalmente novo.
• Kainós (kainój - grego): novo em natureza, nova qualidade, renovo; existia antes e foi renovado5
Jeová criará obediência à lei escrevendo-a no coração (idéia progressiva, avanço, restauração). Haverá
completo perdão dos pecados. Todos conhecerão a Deus (universalidade do Evangelho) Pentecostes (línguas e
dialetos – universalização do Evangelho).
• Em Jeremias 31:31 e seguintes (LXX 38:31), Deus estabelece uma nova aliança (renovada aliança –
diatheke kaine6), em contraste com a aliança em Sinai, na qual Javé implantará a Sua vontade no coração
de Israel, a fim de levar a efeito uma nova obediência (renovada obediência) entre Seu povo.
• Ezequiel registra uma promessa muito semelhante, a respeito de um novo → Espírito e um novo →
coração, que o próprio Javé criará dentro do homem (Ez.11.19, 18.31, 36.26).
• Isaías 43.18-19 apresenta a formulação programática e antitética de: “Não vos lembreis das coisas
passadas, nem considereis as antigas. Eis que faço coisa nova” (cf. Is.42.9; 48.6).
• Entende a nova atividade de Javé, ao trazer Israel de volta do exílio na Babilônia como sendo uma nova →
criação que abrangerá a nação e a totalidade da ordem criada (Is.43.16-21).
• Isaías 65:17-18 proclama a criação de novos → céus e nova → terra (Is.65.17-18). A “coisa nova” que se
aguarda e se promete na proclamação escatológica dos profetas, como ato futuro de Javé, se estende ao
mais íntimo do homem até às dimensões universais de um mundo novo. A comunidade israelita da
aliança responde aos atos salvíficos de Javé, já experimentados e ainda esperados, mediante a nova
canção que se entoa em alta voz nos Salmos (Sl.33.3; 40.3; 149.1 e seguintes).

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Você encontra ampla discussão em Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento nas pg.1402-1408.
diaqh/khn kainh/n – texto conforme escrito na versão Septuaginta (LXX)
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3

2. Dos Ensinos de Jesus


Jesus usou a mesma expressão na Ceia:
• “Nova aliança em meu sangue” (Mateus e Marcos7).
• “Meu sangue da Nova aliança” (Mateus e Marcos).
• “Cálice da Nova Aliança (kaine diatheke8) no meu sangue” (Lucas e Paulo).
A expressão de Jesus foi, segundo a própria palavra dEle, o retornar e cumprir as declarações do Antigo
Testamento acerca da aliança – “Este é o sangue da aliança9 que o SENHOR fez com vocês” (Ex.24.8 - NVI). O
sangue de Jesus é a base e inauguração do novo (nova qualidade) relacionamento espiritual do crente com Deus. É a
nova era de acesso espiritual a Deus. Portanto, está plenamente justificado indicar que em Jeremias 31:31-34 se
pode escutar em cada variação das palavras pronunciadas ao tomar o “cálice”, que as promessas proféticas acham
ali o seu cumprimento.

3. Dos ensinos de Paulo e Outros Apóstolos


O apóstolo Paulo é o grande expoente da bisseção fundamental na história da redenção e da revelação. Fala
de dois regimes – Lei e Fé; vinda da Fé – Gal.3:25 – Letra e Espírito – 2Co. 3:6, 14-18 (Lei – condenação X
Espírito – Justiça); Moisés (leitura 2Co. 3.14, 15, i.é, LEI) Nova Aliança (fala, visão do Senhor da glória – 12, 14,
15, 16); Hb. 9:15 – “Mediador da Nova Aliança”; Hb. 1:1-3 - falou10.

4. Continuidade do Antigo Testamento para o Novo Testamento


Dito isso, podemos afirmar que há uma continuidade do Antigo Testamento para o Novo Testamento.
• O simples fato do AT ser citado algumas centenas de vezes no NT, e de existirem, segundo alguns autores, mais
de 1100 alusões do AT no NT, é suficiente para que se reconheça o quanto o NT depende, na sua formação, do
AT. Não só nisto, mas também com relação aos temas, vocabulário, relações tipológicas e demonstração do
progresso da revelação, fica clara a interdependência dos testamentos. Só nisto temos suficiente evidência de
continuidade entre os testamentos.
É muito importante que o teólogo bíblico tenha uma noção muito clara da continuidade e unidade das Escrituras, o
seu material básico na construção da TB.

Implicações práticas
Ainda que existam questões a serem discutidas quanto a um tema teológico central, elas não são insuperáveis. Como
vimos, as dificuldades não nos impedem de buscar um “centro unificador” ou um Mitte para a teologia.
O reino, o pacto e o mediador são os temas que interligam as Alianças (os Testamentos) e os livros de cada
um, mostrando a unidade essencial da revelação progressiva de Deus ao seu povo.

Em Mateus 26:28 e Marcos 14:24 não aparece a palavra “nova” - th=j diaqh/khj – “a aliança” – evidenciando que há
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referência ao sangue da aliança do Antigo Testamento: “Então, tomou Moisés aquele sangue, e o aspergiu sobre o povo, e
disse: Eis aqui o sangue da aliança que o SENHOR fez convosco a respeito de todas estas palavras” (Ex. 24.5-8). A obra de
Jesus foi, segundo a própria palavra dEle, o retornar e cumprir as declarações do Antigo Testamento acerca da aliança.
kainh\ diaqh/kh – “nova aliança” – 1 Coríntios 11:25 e Lucas 22:20. As palavras significam que o sangue ou a morte de Jesus
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é a base da nova alinça.


diaqh/khj - Aliança – assim registra a LXX em Ex.24.8. LXX identifica a Bíblia Septuaginta que é uma tradução grega do
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Antigo Testamento, feita em 250-150 antes de Cristo (A.C.).


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Particípio aoristo: Finito 1ª- preparação 2ª - Consumação - (tendo/ havendo falado) – falou.
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5. Centro Unificador do Novo Testamento

5.1 Reino
• O Reino é o reinado dinâmico de Deus em todos os acontecimentos no céu e terra.
• O domínio soberano de Deus.
• O Reino não deve ser identificado com as pessoas que pertencem a ele.
• As pessoas são o povo do domínio de Deus que entra no Reino, vive sob a autoridade do Reino, e é
governado e orientado pelo Reino.
• O Reino é maior que a Igreja.
Os textos abaixo mostram o conceito de Reino com a criação e observe como os escritores bíblicos viam a extensão
do Reino:
a. Salmo 47.9 g. Isaías 52.7
b. Salmo 93.1 h. Daniel 7 e 11
c. Salmo 96.10 i. Mateus 3.2
d. Salmo 97.1 j. Mateus 4.17
e. Salmo 99.1 k. Atos 28.31
f. Salmo 146.10 l. Apocalipse 1.9

O Ensino de Jesus Sobre o Reino de Deus


• O ensino de Jesus sobre o Reino de Deus ocupa lugar proeminente no ministério de Jesus.
• O seu ministério público foi aberto na Galiléia com o anúncio de que o reino está próximo11 (Mt.4:17;
Mc.1:15).
• Em Lc. 4:43, Jesus declara que o principal propósito de sua missão consiste na pregação das boas novas do
Reino de Deus – “É necessário que eu anuncie o evangelho do reino de Deus ... pois para isso é que fui
enviado”.
• A concepção reaparece nos pontos culminantes do seu ensino (Sermão da Montanha e nas parábolas do
Reino - Mt. 5 e 13, 25, etc.).
• Depois de ressuscitado - Atos 1:3 - A importância dada por Jesus ao ensino do Reino - É o grande evento
que Jesus liga com seu aparecimento e sua atividade.
• Os discípulos - Igualmente para eles o ensino do Reino forma o supremo objeto de ocupação - era ordem de
Jesus – “à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus” Mt. 10:7.
• Jesus faz referência ao Reino do A.T. – Mt 8.12 “filhos do Reino” – Não como possuidores do Reino antes
da vinda de Cristo, mas como judeus membros do povo das promessas. Mt 21.43 – “Reino de Deus tirado
dos judeus e dado a uma nação” – Expressão para dizer dos privilégios como povo que tivera uma aliança
com Deus (privilégios). Reconhecimento indireto – Mt 5.35 (Jerusalém- cidade do Grande Rei).

5.2 A ALIANÇA RENOVADA (KAINÓS)


A Vinda de Jesus, segundo Paulo, só se deu na “Pleroma12” do Tempo – Gal.4:4. Os profetas prenunciaram
Jesus e os Apóstolos dele testemunharam e foram seus intérpretes.
Conforme o Dr. Héber Carlos em Hb 1.1-4 nos diz que “nestes últimos dias nos tem falado através do

Hggiken: “tem estado próximo”. Perfeito no grego que expressa: começou o movimento, continua, continuará, chegando a
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um alvo. Vindo o Messias já vem o processo de inauguração (inauguração, “ponto alto” do processo é no pentecoste). O reino
começou a vir, está vindo e chegará. Estamos em pleno processo.
e de\ h)=lqen to\ plh/rwma tou= xro/nou - "vindo, porém, a plenitude do tempo” – Tempo (substantivo singular).
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Filho”. Jesus Cristo é o clímax da Revelação progressiva de Deus. Nada depois dele diz mais que ele sobre Deus.
Todas as coisas que os apóstolos vieram dizer de Deus eram apenas uma explanação daquilo que, em gérmen, já
havia sido revelado por Cristo e em Cristo. Ele é a expressão máxima do ser de Deus. Ele é o próprio Deus conosco,
o ‘Emanuel’. E o propósito da sua encarnação, morte e ressurreição é a Revelação do seu pai celestial visando
a redenção do seu povo. Ele é o Deus manifestado em carne. Seu ministério total é a Revelação de Deus que ele
faz em atos e palavras.
Em Cristo está revelada corporalmente “a plenitude da divindade”(Cl 2.9).
Ele não somente veio revelar Deus em si mesmo, mas ele é o próprio Deus se revelando (ver o caso de
Filipe em Jo 14); ele não meramente revelou o propósito redentivo de Deus, mas ele próprio é a nossa
redenção. As teofanias são meras sombras daquele que é o Deus verdadeiro. Elas são manifestações temporárias de
Deus aos homens, mas Jesus é a manifestação presencial de Deus aos homens para sempre. Ele não é uma
teofania (porque esta é uma manifestação visível e temporária de Deus), mas ele é o Deus para sempre conosco, e
para sempre será o Deus-Homem.
Cristo tem de ser tomado como centro da revelação organizado em torno dEle e envolvendo todo o
processo de revelação. Não é Jesus, em sua atividade terrena um expositor exaustivo da verdade; é antes, a verdade a
ser exposta. O que já vimos nos dá justificativa para falar da revelação do NT, e de sua exposição histórica, a
Teologia do Novo Testamento.
Cristo veio inaugurar, DIATHEKE13 a que é chamado a “Eterna Aliança” (Hb. 13:20).
É uma aliança escatológica, e com referência a ela, comparações de tempo estão fora.
Do ponto de vista escatológico Cristo é o “consumador”. Chamamos de Novo Testamento, considerando-
o apenas no sentido canônico, quando na verdade, se estende até a eternidade – “Eterno Testamento”.
A teologia Bíblica do NT. está dividida em dois grandes períodos: (1) O da revelação por meio de Cristo
diretamente, e (2). A revelação em que Cristo foi intermediário através do apostolado.
Chamando isto de abertura da dispensação do Novo Testamento, podemos ainda distinguir certos prelúdios
tocados antes do princípio ou inicio da abertura. Tudo o que precede ao ministério público de Jesus está dentro desse
prelúdio. Antes de entrar no conteúdo revelatório da sua obra, é mister a atenção à natividade, à pregação de João
Batista, o batismo de Jesus por João e a tentação de Jesus. Observaremos tais fatos a partir do ponto II.
Qual a relação entre a palavra aliança e testamento? Qual palavra se adequa melhor a história da redenção?

a) Aliança X Testamento
1. Aliança não é testamento.
2. Aliança e testamento relacionam-se com a morte.
3. No caso de uma aliança, a morte está no princípio da relação entre duas partes, pressupondo que a parte que
violar a aliança experimente, realmente, a morte como conseqüência de seu compromisso anterior.
4. Testamento – o testador não morre como conseqüência de violação de seu testamento.
5. Aliança oferece as opções de vida ou morte.
6. Testamento – a morte em substituição de outro não tem lugar algum. O testador morre no seu próprio lugar,
não no lugar de outrem. Nenhuma outra morte pode substituir a morte do testador.
7. Aliança – mas Cristo morreu em lugar do pecador. Por causa das violações da aliança, os homens foram
condenados a morrer. Cristo tomou sobre si mesmo as maldições da aliança e morreu no lugar do pecador.

diaqh/kh - aliança.
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6

Sua morte foi pactual, não testamental.


8. Observação – Certamente é verdade que o cristão é apresentado na Escritura na condição de herdeiro de
Deus. Mas é o herdeiro pelo processo de adoção na família do Deus que nunca morre, não pelo processo de
disposição testamentária.
9. Aliança na Santa Ceia: nessa ocasião de uma refeição pactual, Jesus introduziu as estipulações da refeição
da nova aliança. Sua intenção era claramente proclamar-se como o Cordeiro Pascal que estava tomando
sobre si mesmo as maldições da aliança. Sua morte foi vicária; seu sangue foi “derramado” pelo seu povo.
Suas palavras não eram as de uma disposição testamentária, mas de firmamento e estabelecimento de
aliança.
10. Aliança é um pacto de sangue. Envolve compromissos com conseqüências de vida e morte. No ato de
estabelecimento da aliança, as partes se comprometem mutuamente, por meio de um processo formal de
derramamento de sangue. Este derramamento de sangue representa a intensidade do comprometimento da
aliança. Por meio da aliança elas se ligam para a vida e para a morte.
Concluindo:
• Aliança é um pacto de sangue soberanamente administrado.
• Pacto é o instrumento administrativo do Reino.
• Aliança é um pacto de sangue, ou pacto de vida e morte, expressa o caráter absoluto do compromisso
entre Deus e o homem. As implicações de seus pactos estendem-se às últimas conseqüências de vida e
morte.
• Aliança é um pacto soberanamente administrado de forma unilateral. Nada de barganha, troca ou
contrato caracteriza as alianças divinas nas Escrituras. O Soberano Senhor do céu e da terra dita os
termos da sua aliança.

b) Fator de continuidade da aliança considerado, especialmente, em Jeremias, o profeta.


1. Caráter perpetuo – “Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas
gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência.” (Gn.17.7; Sl.105.10; Ex.40.15;
Lv.16.34; 24.8; Is.24.5; 2 Sm.7.13, 16; Sl.89.3,4; 132.11-12). Os homens virão a Sião para juntar-se ao
Senhor numa aliança perpetua que não será esquecida – “Perguntarão pelo caminho de Sião, de rostos
voltados para lá, e dirão: Vinde, e unamo-nos ao SENHOR, em aliança eterna que jamais será esquecida.”
(Jr.50.5).
2. Jeremias não condena a velha aliança. Condena Israel por quebrar a aliança (Jr.31.32). Na verdade, Deus
escreverá sua vontade nas tábuas de carne do coração, em contraste com a velha gravação da sua lei em
tábuas de pedra. Mas será essencialmente a mesma lei de Deus que será a substância dessa gravação.
Paulo14 aponta para o cumprimento da “nova aliança” quando disse: “... pelo Espírito do Deus vivente, não
em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações” (2 Co.3.3). Hoje, o Espírito dá vida, e
com a vida ele confere o poder interior e também o desejo de fazer a vontade de Deus.
3. Jeremias mostra que não há contradição entre a velha aliança e a nova aliança, que ele mesmo anuncia, pois
há o aspecto redentivo em ambas (“...eles serão o meu povo ... Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos
seus pecados jamais me lembrarei” Jr.31:33-34). A nova aliança tem um novo fator de perdão:
• A renovação constante dos sacrifícios pelos pecados sob a velha aliança ofereceu indicação clara
de que o pecado não era realmente removido, mas apenas não levado em conta.
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• Conforme Hebreus o sangue de bois e de bodes não tinha poder inerente de remover pecados na
estrutura da justa ministração de Deus ao mundo. As cláusulas da velha aliança, fundadas em tais
sacrifícios de animais, não podiam efetuar a remoção real das transgressões.
• Jeremias prevê o dia em que o real substituirá o simbólico.
• Ao dizer que os pecados não seriam mais lembrados, Jeremias antevê o fim do sistema sacrifical
da Velha Aliança.
• O novo fator de perdão previsto na nova aliança é o daquele perdão de uma vez para sempre.

5.3 Mediador: perfeito capaz de restabelecer Unidade entre Deus e o seu povo.
• Maior necessidade: necessidade de mediador capaz de estabelecer unidade entre Deus e o seu povo.
• Essa unidade foi interrompida com a entrada do pecado.
• Lembre-se o tema central e alvo da Aliança da Redenção é restabelecer a unidade entre Deus e o seu
povo.
• Os mediadores da Antiga Aliança não foram capazes de estabelecer essa unidade. Por quê?
• Exemplo: Moisés como mediador entre Deus e Israel implicava a ausência de unidade de aliança.
Por quê? Porque Moisés participava de uma comunhão com Deus que era negada ao resto de
Israel. Só ele conversava e ouvia a voz do Deus Vivo.
• Questão importante – ou a aliança atinge a unidade essencial de Deus imediatamente com o seu povo, ou
a aliança fracassa em seu propósito. A unidade deve ser alcançada com Deus na sua inteireza e com nada
menos.
• Essa unidade de aliança é atingida na pessoa de Jesus Cristo. Por quê?
• Paulo ensina que devido à perfeita divindade de Jesus Cristo.
• Jesus não é um mediador subdivino, algo menos do que Deus.
• Paulo fala que Jesus Cristo é o mediador entre Deus e o homem (1 Tm.2.5) porque Ele é
plenamente e completamente Deus.
• Através da unidade com Jesus Cristo, o povo da nova aliança experimenta aquele conhecimento
imediato de Deus que torna completamente desnecessária uma série de mestres mediadores.
• Unidade real com Deus mesmo é atingida por meio de Jesus Cristo, o Filho de Deus.
• Ele efetua a unidade essencial entre Deus e o seu povo, a qual tem sido o alvo último da aliança
através da história por seus atributos: todo povo pode desfrutar de Sua presença, Ele é
onipresente; todo o povo pode falar a Deus em Cristo, pois Ele é infinito; todo o povo pode
desfrutar de cuidado e proteção, pois Ele é onipotente, onisciente, ...
• Cristo representa o cristão diante do Pai em todas as áreas. Não fosse pela atuação dele não
teríamos justificação e não teríamos vida abundante. Restaria apenas receber a maldição do pacto
da criação, ou seja, a morte em todos os níveis. Porém, sendo Cristo o representante do eleitos em
todas as áreas da existência, recebemos vida abundante.

5.4 Igreja
Vamos trabalhar duas propostas:
Primeiro: A Igreja é o Israel de Deus – somos o povo de Deus de todos os tempos.

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F. F. Bruce – Paulo o apóstolo da graça – pg.193.
8

• Afirmamos que a história da redenção é contínua e que a vinda do Messias é o cumprimento da


promessa feita por Deus a Adão e Eva em Gênesis 3, no que chamamos de o proto-evangelho. O
propósito de Deus na redenção é único: redimir um povo para si, sem a distinção entre Israel e a
Igreja.
• A igreja é o verdadeiro Israel de Deus e Jesus Cristo, o Rei da aliança davídica, é o mesmo Rei e
Senhor da Igreja.
• A igreja não inicia no Novo Testamento ela continua.
• A igreja é o remanescente fiel, é o Israel fiel a Deus, fiel a aliança.

Segundo: A Igreja e o Reino de Deus – qual é a relação existente?


• A igreja é a comunidade do Reino, mas nunca o próprio Reino.
• O Reino é o domínio de Deus; a Igreja é sua agência.
• “Não existe em parte alguma a menor insinuação de que a Igreja visível possa ser ou produzir o Reino
de Deus” John Bright.

a) A Igreja é o Israel de Deus – o povo fiel ao pacto


1. Para o Dr. Herman Ridderbos, o significado histórico-redentor da Igreja do Novo Testamento como povo
de Deus já encontra expressão clara no nome prevalecente – ekklesia que é atribuído à Igreja cristã do povo
de Deus do Antigo Testamento – Qahal – Yahweh.
2. “A igreja é a comunidade de todos os cristãos de todos os tempos”, diz Wayne Gruden15. De fato, o termo
grego ekklesia, traduzido por “igreja” no Novo Testamento, é a palavra que a Septuaginta mais
freqüentemente usa para traduzir o termo qahal do Antigo Testamento, palavra usada para referir-se à
“congregação” ou à “assembléia” do povo de Deus. Ekklesia traduz qahal, “assembléia”, 69 vezes na LXX.

Muitos versículos do Novo Testamento dão nos a certeza que a igreja é o “novo Israel” ou o novo “povo de
Deus”.
3. Mas esse processo pelo qual Cristo edifica a igreja é apenas uma continuação do modelo estabelecido pro
deus no Antigo Testamento, por meio do qual ele chamou o povo para si mesmo para ser uma assembléia
em adoração diante dele. Quando Moisés diz ao povo que o Senhor havia-lhe dito: “Reúne este povo, e os
farei ouvir as minhas palavras, a fim de que aprenda a temer-me todos os dias que na terra viver...”
(Dt.4.10), a Septuaginta traduz a palavra “reúne” (heb. Qahal) pelo termo grego ekklesiazo, “convocar uma
assembléia”, verbo cognato do substantivo do Novo Testamento ekklesia, “igreja”.
4. O próprio Jesus Cristo edifica a igreja chamando o seu povo a si mesmo. Ele prometeu: “Edificarei a
minha igreja” (Mt.16.18). Lucas é cuidadoso quando nos informa que o crescimento da igreja não se deu
apenas pelo esforço humano, mas “acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia os que iam sendo salvos”
(At.2.47).
5. Não é surpreendente que os autores do Novo Testamento possam falar do povo de Israel do Antigo
Testamento como uma “igreja” (ekklesia) no deserto” (Estevão em At.7.38).
6. Hebreus 12 afirma que quando nós, cristãos do Novo Testamento, adoramos a Deus, entramos na
presença da “assembléia” (tradução literal “igreja” – no grego ekklesia) dos primogênitos arrolados nos
céus”.
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7. O autor de Hebreus entende que os cristãos de hoje, que constituem a igreja na terra, estão rodeados de uma
grande “nuvem de testemunhas” (Hb.12.1) que retrocede até aos primeiros períodos do Antigo Testamento
e inclui Abel, Enoque, Noé, Abrão, Sara, Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, Samuel e os profetas
(Hb.11.4-32).
8. O próprio “Cristo amou a igreja e entregou-se a si mesmo por ela” (Ef.5.25). Aqui o termo igreja é usado
para referir-se a todos aqueles pelos quais Cristo morreu para redimir, todos os salvos pela morte de Cristo.
Isso, porém, inclui todos os verdadeiros cristãos de todos os tempos, tanto os salvos do Novo como os do
Antigo Testamento.
• A presente era da igreja, que trouxe a salvação de muitos milhões de cristãos, não é uma interrupção ou
um parêntese no plano de Deus16, mas a continuação de seu plano de chamar um povo para si
mesmo, expresso em todo o Antigo Testamento.
9. Paulo diz: “Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na
carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não
segundo a letra” (Rm.2:28-29).
• Paulo reconhece que ainda que haja um sentido literal ou natural no qual os fisicamente descendentes
de Abrão devem ser chamados judeus, há também um sentido mais profundo e espiritual no qual um
“verdadeiro judeu” é quem tem a fé interiormente, cujo coração foi purificado por Deus.
10. Abraão foi justificado “antes ou depois de ter sido circuncidado”? (Rm.4:10ª) A resposta de Paulo a sua
própria indagação é curta e objetiva: Não foi depois, mas antes17 (Rm.4:10b). Paulo continua, havia um
propósito no fato de Abraão ter sido justificado pela fé, e só depois ter sido circuncidado.
• Primeiro, para que Abraão pudesse ser (como de fato o é) o pai de todos os que crêem, e que assim
foram justificados, sem ser circuncidados (Rm.4:11b). Abraão é o pai dos gentios que crêem18.
• Segundo propósito dessa combinação entre fé, justificação e circuncisão era que Abraão pudesse
igualmente ser (como de fato o é) o pai dos circuncisos que, além de sua circuncisão, também andam
nos passos da fé que teve nosso pai Abraão antes de passar pela circuncisão (Rm.4:12). Assim ele é o
pai de todos os crentes, independente de serem ou não circuncidados.
• Portanto, Paulo pode dizer: “Nem todos os de Israel são, de fato, israelitas; nem por serem
descendentes de Abraão são todos seus filhos ... estes filhos de deus não são propriamente os da carne,
mas devem ser considerados como descendência os filhos da promessa” (Rm.9:6-8). Paulo indica que
os verdadeiros filhos de Abraão, que são no sentido mais correto “Israel”, não são a nação de Israel
fisicamente descendente de Abraão, mas si os que creram em Cristo. Aqueles que verdadeiramente
crêem em Cristo são agora (Igreja) os que têm o privilégio de serem chamados “meu povo” pelo
Senhor (Rm.9:25).
11. O plano de Deus para a igreja é tão grande que ele exaltou Cristo a uma posição de suprema autoridade por
amor à igreja: “E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à
igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas” (Ef.1.22-23).
12. Longe de considerar a igreja um grupo separado do povo judeu, Paulo escreve aos cristãos gentios de

15
Wayne Grudem – Teologia Sistemática. Editora Vida Nova, pg.715.
16
Esses termos sublinhados são expressões usados por Lewis Sperry Chafer – Systematic Theology, um proeminente teólogo que
adota a forma de estrutura dispensacionalista. Com essa frase ele quer dizer que não há relação da igreja com Israel.
17
Na verdade, sua justificação aconteceu muito antes, pois ela é registrada em Gênesis 15 e sua circuncisão em Gênesis 17, e
pelo menos 14 anos (ou mesmo 29 anos, segundo os rabinos) separam os dois eventos.
18
Frase de John Stott – Romanos, pg. 149.
10

Éfeso, dizendo-lhes que:


• Anteriormente estavam “separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa”
(Ef.2:12), mas agora eles foram “aproximados pelo sangue de Cristo” (Ef.2:13).
• E quando os gentios forma incluídos na igreja, judeus e gentios forma unidos em um novo corpo. Paulo
afirma que Deus “de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a
inimizade ... para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse
ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz” (Ef.2:14-16).
• Portanto, Paulo pode dizer que os gentios são “concidadãos dos santos e da família de Deus,
edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra
angular” (Ef.2:19-20).
• Com o seu amplo conhecimento do pano-de-fundo do Antigo Testamento aplicado à igreja do Novo
Testamento, Paulo pode ainda dizer que “os gentios são como herdeiros, membros do mesmo corpo”
(Ef.3.6).
• O texto inteiro fala enfaticamente da unidade entre cristãos judeus e gentios em um corpo em Cristo e
não apresenta nenhuma indicação de algum plano distinto para o povo judeu ser salvo fora dessa
inclusão no único corpo de Cristo, a igreja. A igreja incorpora em si mesma todo o verdadeiro povo
de Deus e quase todos os títulos usados para o povo de Deus no Antigo Testamento são em uma
passagem ou outra aplicados à igreja no Novo Testamento.
13. Tiago escreve uma carta geral para muitas das primeiras igrejas cristãs e diz que está escrevendo “as doze
tribos que se encontram na Dispersão” (Tg.1:1). Isso indica que ele evidentemente vê os cristãos do Novo
Testamento como sucessores e como cumprimento das doze tribos de Israel.
14. Portanto, embora haja certamente novos privilégios e novas bênçãos dadas ao povo de Deus no Novo
Testamento, tanto o uso do termo “igreja” nas Escrituras como o fato de em toda a Bíblia Deus sempre
chamar o seu povo para, reunido, adorá-lo, mostram que é correto pensar na igreja como o povo de Deus
de todos os tempos, tanto os salvos do Antigo Testamento como do Novo Testamento.

b) A Igreja e o Reino de Deus – qual é a relação existente entre a Igreja e o Reino de Deus?
1. A igreja não é o reino – pois Jesus e os primeiros cristãos pregaram que o reino de Deus estava próximo e
não que a igreja estava próxima; eles pregaram as boas novas do reino e não as boas novas da igreja:
At.8.12; 19.8, 20:25; 28.23,31.
2. O reino cria a igreja – porque quando as pessoas entram no reino de Deus elas unem-se a uma comunhão
humana da igreja.
3. A igreja testemunha do reino – pois Jesus disse: “E será pregado esse evangelho do reino por todo o
mundo” (Mt.24014).
4. A igreja é o instrumento do reino – porque o Espírito Santo, manifestando o poder do reino, age por meio
dos discípulos para curar os enfermos e expulsar demônios, conforme fez no ministério de Jesus: Mt.10.8;
Lc.10.17).
5. Portanto, não devemos identificar o reino de Deus com a igreja – como na teologia católica romana, nem
ver o reino de Deus como inteiramente futuro, algo distinto da era da igreja – como na teologia
dispensacionalista mais antiga.
6. Há uma relação próxima entre reino de Deus e igreja. À medida que a igreja proclama as boas novas do
reino, pessoas virão para a igreja e começarão a experimentar as bênçãos do domínio de Deus em suas
11

vidas.
7. Deve ser recebido como as crianças recebem uma dádiva (Mc.10.15; Lc.18.16,17).
8. O reino manifesta-se através da igreja, e assim o futuro domínio de Deus irrompe no presente – ele “já’ está
aqui: Mt.12.28; Rm.14.17; e “não ainda” plenamente aqui: Mt.25.34; 1 Co.6.9-10.
9. Os que crêem em Cristo começarão a experimentar um pouco de como será o futuro domínio do
reino: mesmo que a idéia suprema é a glória de Deus e não o bem-estar humano. Contudo há bênçãos
grandiosas ligadas à presença de Deus soberano e centralizado em nossas vidas.
• Dar a Deus o primeiro e mais elevado lugar na vida já deve causar-nos imensa satisfação pois é para
esse fim que existimos – buscando o Reino, todo tipo de bênçãos que necessitamos nos sobrevém
(Mt.6.33); representa a satisfação de todas as necessidades (Lc.13.31).
• O Pai promete dar-nos as bênçãos do seu reino – “... vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino”
(Lc.12.32);
• Eles conhecerão um pouco da vitória sobre o pecado (Rm.6.14; 14.17);
• Sobre a oposição dos demônios (Lc.10.17);
• Sobre as enfermidades (Lc.10.9).
• Eles viverão do poder do Espírito Santo (Mt.12.28; Rm.8.4-17; 14.17), que é o poder divino do reino
vindouro;
ƒ Mateus 12.28 – onde o Espírito opera, o Reino é chegado.
ƒ Lucas 4.18 – O Espírito o ungiu para fazer milagres (Lc 1.17,35 - Espírito e poder)
ƒ Lucas 24.49; Atos 1.8; 10.38 – O Espírito Santo – autor dos grandes atos salvadores – quando a
Igreja busca o Espírito Santo há grandes operações.É o Espírito Santo a fonte de toda renovação
moral e espiritual – aplica as virtudes de Cristo em nós. “Nascer da água e do Espírito” – Jo
3.5 – água – morrer para o passado. Espírito – ser recriado num novo homem. Negativo +
positivo. (É ver e entrar no Reino).
ƒ Espírito – guiando os discípulos ao conhecimento da verdade – João 16.
ƒ Resumindo – É o Espírito Santo que opera atos miraculosos e confere bênçãos espirituais e morais
no Reino de Deus. Há portanto, grande necessidade nossa de relacionamento com o Espírito Santo.
• Por fim Jesus voltará, e o domínio do seu reino se estenderá por toda a criação (1 Co.15.24-28).
10. Concluindo: é importante salientar que a igreja se constitui no povo do Reino, contudo, ela não forma o
povo em seu caráter ideal, pois inclui presentemente algumas pessoas que não são realmente filhos do
Reino. Logo se conclui que a entrada no Reino significa participação na Igreja; mas a entrada na
Igreja não é uma expressão sinônima da entrada no Reino.

III – REVELAÇÃO LIGADA À NATIVIDADE


Natividade – palavra sinônima de encarnação. Descreve-se um movimento vertical do céu a terra, do divino
ao humano, quando o Messias pré–existente aparece entrando para a natureza humana, o super-histórico descendo a
corrente história (ver João 1: 1-18). Tais alusões aparecem no estilo do nosso Senhor; no ensino joanino (de Jesus)
são bem mais claras e numerosas; como Paulo, a doutrina emerge em forma explícita acabada. Todavia são alusões
que marcam estágios posteriores no progresso da revelação do NT.
Aqui, no ponto onde o evento realmente ocorre o movimento participa de um caráter horizontal. Todavia,
sem excluir de maneira alguma e negar o outro aspecto da ocorrência que está velado atrás da cortina de mistérios,
preferiu continuar falando em termos de profecia e cumprimento, movendo assim ao longo do nível do caminho da
12

história.
O que Yavé prometeu (no Antigo Testamento) pais da realidade messiânica, agora aconteciam. A realidade
agora assume a forma concreta do real.

Aspectos da Natividade
As partes pertencentes a esse grupo são: Anunciação do Anjo a José (Mt.1: 20-23); O anuncio de Gabriel a
Zacarias (Lc.1:11-22); o anúncio de Gabriel a Maria (Lc.1:26-38); a profecia de Isabel (Lc.1:42–45); o cântico de
Maria – “Magnificat” (Lc.1:46-55); a profecia de Zacarias (Lc.1.68-79); o anuncio do Anjo aos pastores, seguido do
cântico angelical (Lc.2.10-14); a profecia de Simeão – o Nunc demitis- (Lc.2:29-35); a profecia de Ana (v.38).

Os traços característicos Desses Textos são os Seguintes


a) Há neles uma adaptação íntima ao Antigo Testamento quanto ao modo de expressão usado. Esse traço
revela que há uma continuidade entre as duas revelações/alianças. A nova alinça começa com a fala
dos patriarcas. Além de ser próprio para tal ligação de alianças, também serve de propósito de tornar as
revelações mais facilmente inteligíveis. O Magnificat, por exemplo, está cheio de reminiscências dos
Salmos e de seu protótipo vetero - testamentário = A oração / cântico de Ana (I Sam. 2: 1-10).
b) Há um propósito de ligar os fatos à história da Redenção. A natividade está ligada a Davi como
prenunciara Deus pelos santos profetas (Lc. 1: 67, 69, 70); é o cumprimento do juramento feito a
Abraão. Lc. 1: 73 é um cumprimento de promessa feita desde o início do mundo (v. 70 – antiguidade).
Abraão, Davi e Criação – representam as épocas dominantes do Antigo Testamento.
c) São enfaticamente redentores – Jesus = Salvador; Cristo = Ungido. Reconhece-se que a graça soberana
de Deus é a fonte – (Lc. 1: 46-55) Deus ungiu soberana e graciosamente. Por parte dos receptores as
revelações de Deus, demonstra-se um estado de pecado e indignidade; Por isso reconhecem na mesma
revelação: graça e salvação. Reconhecimento de um ato da soberana misericórdia. Israel estava
totalmente apostatado de Deus. Ver predições do nascimento de João Batista a Zacarias (Lc. 1: 16, 17)
- “converter muitos ao Senhor seu Deus”.
d) Total ausência de propósitos políticos – Em si mesmo o elemento não seria censurável, pois no
Antigo Testamento a Teocracia nacional e os interesses espirituais se mesclavam. Há uma aparente
idéia ou reminiscência política (Lc. 1: 71, 74), mas mesmo aqui esse traça apenas serve como
subsidiário ao fim proposto no v. 75.
e) Ausência do legalismo judaico – (Mt. 1: 21). Dentro do judaísmo, a idéia era de que cumprindo a Lei,
receberiam a benção messiânica era uma benção adquirida por justiça própria. O Messias viria como
recompensa ao cumprimento da Lei. Mas na nova seqüência, primeiro apareceria o Messias como um
dom da graça divina, e por meio dele Israel estaria apto para produzir a obediência própria. O efeito
disso é duplo: 1) Transferindo a Lei do início para o fim, a auto-justiça judaica é eliminada; 2) Colocar
a Lei como permanente no final, implica que a salvação é enfatizada. Quanto a João Batista, Gabriel
prediz que ele conduziria muitos filhos de Israel a Yahweh seu Deus (Lc.1:16). A José foi anunciado
que a principal obra de Jesus consistiria em Salvar seu povo de seus pecados (Mt. 1:21) JESUS = Jeová
Salva.
f) Há algo de universalismo – (Lc. 2: 32). Inclusão de outras pessoas/ nações. Mostra que o Evangelho é
universal. Simeão fala da salvação preparada por Deus como luz para iluminar os gentios, lado a lado
com o ser uma glória para o povo de Israel. E anuncia Simeão a Maria que a criança é destinada ‘a
13

queda/ ruína e levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradições (34). Além disso a
própria mãe teria o coração traspassado pela espada (35) = ver seu filho na cruz.
g) Revelar o nascimento sobrenatural desta criança, especialmente pelo fato de não ter paternidade
humana. Razões: 1) Impedir a transmissão de pecado (Lc. 1:35). Prevenção contra o pecado – O
Espírito Santo tem a função de santificar. 2) Modo de introduzir na natureza humana Aquele que é o
Filho de Deus (Lc. 1:31) “Filho de Maria” – 32, 35 ”Filho do Altíssimo” e “Filho de Deus”. Do
Espírito Santo veio a transmissão do poder do Altíssimo. É a paternidade de Deus.

O Dr. Sinclair Ferguson19 diz que o nascimento de Jesus é uma obra divina da nova criação. Como na criação
original, a obra é de novo, mas não é ex-nihilo20. Ao contrário, ele opera em materiais já existentes (a humanidade
de Maria) a fim de produzir o “segundo homem” e através dele restaurar a verdadeira ordem, justamente como ele
trouxe ordem e plenitude ao informe e vazio da criação original.

IV – REVELAÇÃO LIGADA A JOÃO21, O BATISTA


É comum designar João Batista como “o precursor22” de Cristo. João Batista, pela sua atividade histórica
preparou o caminho para a obra de Jesus (Lc. 1:17, 76). Precursor (v.76) é aquele que prepara a chegada do
Messias. De certo modo, a nossa pregação é o pré-curso para a salvação. Quando vamos a uma casa estamos sendo
(ver citação 9)
de certo modo precursor. Viveu nos desertos (Lc.1.80); predições quanto a modo-vivente (Lc.1.13-17).
Muitos liberais separam as atividades de Jesus das atividades de João, interpretando-os como chefes de dois grupos
religiosos diferentes. Nos evangelhos, especialmente o quarto, testemunham a subordinação de João a Jesus. Um dos
problemas levantados é o texto de Mateus 11: 223, 324-6 (no momento de crise João mostra fraquezas). João, ainda
na idéia do Antigo Testamento, se mostra impaciente quanto a vagarosidade de Deus em destruir o ímpio. João foi
enviado para proclamar o julgamento. Daí um certo desapontamento no procedimento de Jesus. Não significa,
portanto, falta de intimidade entre os dois.
O texto de Mateus 11:7-19, é exatamente um testemunho que Jesus dá de João para evitar algumas
opiniões errôneas que estavam fazendo de João, especialmente, pelo que parece, devido àquela pergunta do verso
três. Parece que estavam atribuindo a João um espírito de inconstância, leviandade e volubilidade. Jesus quer
corrigir tal pensamento.25 A resposta de Jesus é maravilhosa Mt.11.4-5. Como resposta de Jesus – Dá ênfase
exclusiva ás suas obras. Suas obras lhe testemunhavam ser Ele o Filho de Deus. Eram credenciais – O julgamento
vinha depois num estágio subseqüente. Coisa maravilhosa quando a gente está encurvado e lembramos do que as
escrituras falam. Quando orar devemos nos lembrar da Bíblia. João lembra-te das escrituras (cf. Is.35.5,6; 61,1;
Lc.7.22,23).

19
Sinclair B. Ferguson – O Espírito Santo, Editora Os Puritanos, pg.49.
20
A Bíblia claramente requer que creiamos que Deus criou o universo do nada. (Algumas vezes a expressão latina ex nihilo ,”do
nada”, é usada; diz-se então que a Bíblia ensina a criação ex nihilo). Isso significa que, antes de Deus ter começado a criar o
universo, nada mais existia exceto o próprio Deus.
Essa é a inferência de Gênesis 1.1 que diz: “No princípio Deus criou os céus e a terra”.A frase “os céus e a terra” inclui a totalidade do universo,
O salmo 33 também nos diz: “Mediante a palavra do SENHOR foram feitos os céus, e os corpos celestes, pelo sopro de sua boca [...] Pois ele
falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo surgiu” (Sl 33.6,9). No NT encontramos uma afirmação de caráter universal no começo do evangelho de
João: “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito” (Jo 1.3). A expressão “todas as coisas” é
mais bem entendida como referindo-se à totalidade do universo (cf.At 17.24; Hb 11.3). Paulo é totalmente explícito em Colossenses 1 quando
especifica todas as partes do universo, tanto as visíveis como as invisíveis: “pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e sobre a terra, as
visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele” (Cl 1.16).
21
“O Senhor é gracioso”.
22
Deserto símbolo da aridez espiritual do povo – “Hermom”
23
Parece que João não via tanto avanço na obra de Cristo.
24
“Outro” – Outro diferente. Não algo melhor. Será que João manifestava sua visão judaica?
25
O holandês Bultmann: esvaziou as igrejas da Europa, porque dizia que Jesus não existiu, isso é invenção, um emaranhado feito por denominações humanas.
14

1. Ele não era um caniço (cana fina26) agitado pelo vento – v.7 Alguns referiam-se à pregação e ao caráter de
João, desta forma. Mas Jesus sai em sua defesa: João não é um “vira folha”, seu caráter é honesto, não
volúvel. Homem que teve coragem de confrontar o pecado de Herodes (Mc.6.17-29).
2. Sua vacilação não era devido ao desconforto da vida na prisão de João – Ele estava acostumado, não as
vestes finas, nem a vida confortável – v.8. Ele não é materialista. João não usa o slogan do existencialismo:
“você merece ser feliz” uma proposta de que o crente não pode sofrer. Essa é a idéia materialista – “Dane-se
a quem quiser se danar, você deve ser feliz”.
3. Na terceira resposta Jesus reconhece que há uma verdade fundamental na classificação de João como profeta,
mas “mais que profeta”. (v.9) João pode estar passando por uma crise, mas apesar da fraqueza, esse não é o
seu caráter. O que aprendemos: “Deus usa homens que se encurvam, mas não se deitam27”.
Antes de tudo, ele é um mensageiro preparador, enviado ante a face do Senhor, o que apenas em linguagem
metafórica pode-se dizer dos outros profetas antecessores a ele. Eles escreveram sobre Jesus – João Batista é alguém
sobre quem os profetas escreveram. Era ele meio-caminho da era de cumprimento messiânico.
Mateus 11.9-10 – A culminação da profecia do Antigo Testamento está nele, e tal posição o intitula “o
maior dos nascidos de mulher”. Como mensageiro veio logo antes da realidade – os outros profetas e a lei
profetizaram de algo futuro.
Mateus 11: 11b – “mas o menor do Reino dos céus é maior do que ele”. Significa que João Batista não
participaria dos privilégios do reino já vindo, do qual outros já participavam pela associação com Jesus. João
continuava levando sua vida a parte, sobre a base do Antigo Testamento (maior em privilégios e não em pessoa) os
privilégios da Lei eram inferiores aos da graça.
Mateus 11.12-13 28 – Começando nos dias de João, o Reino dos céus causa novo impacto. “O Reino sofre
violência”. Por meio dele o Reino deixara de ser algo de futuridade, estando sob o Antigo Testamento. Tornara
alguma coisa real, ocupando os pensamentos e abalando as emoções dos homens. Era violento no abalo de vida. E o
desejo dos homens seria inflamado (excitado) com o desejo ante o conhecimento do Reino de Deus, que fariam tudo
para tomar posse dele. E não haveria nenhuma mornidão/timidez ou desleixo no esforço para tomar posse desse
Reino. “Invadir e tomar um reino”. Antes de João todos esperavam quietantemente o reino messiânico, sem
qualquer esforço a se prepararem para recebê-lo. Agora muitos queriam introduzir-se nele, vencendo toda a
oposição. A verdade implícita no texto é que o reino opera com poder e se estende com força irresistível. Os homens
são abalados pelo reino. O reino toma, ele não é tomado. Dessa forma podemos entender o texto de Mateus 16.18,
“... as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. A palavra no original para a tradução de inferno é: “#(/dou” –

estado de morte – Jesus desceu ao hades (#(/dhj), ou seja, desceu ao estado dos mortos. Jesus não desceu ao inferno.
Desceu ao estado dos mortos, o maior estado de humilhação. A aplicação é que o “estado de morte não resiste ao
ataque da vida”. A igreja arrebenta a morte. “Hades” – “sepultura” por causa do estado de morte que há lá dentro.
A mensagem de vida anunciada pela igreja não depende de existir uma igreja grande, não existe igreja grande,
existe, sim, comunidade pequena. A Igreja em Filadélfia é vista como pobre – “tens pouca força” (Ap.3.8) – mas
uma benção (Ap.3.8, 10, 11).

1. João Batista e Elias


Mateus 11: 14 – “João, o Elias” – Os judeus pela profecia, de Malaquias 4: 5 esperavam a ressurreição de

26
Folha de bananeira.
27
Exemplo: os 300 homens de Gideão.
28
Tradução NIV: “Desde os dias de João Batista até agora o reino dos céus tem avançado forçosamente e forçosamente muitos homens com força (debaixo da força
do reino) entram nele.”
15

Elias. Jesus mostra que João é o Elias (características) no sentido da capacidade de juízo, viria para um trabalho
semelhante – Introdutor do grande movimento de arrependimento. Além disso, a aparência externa era idêntica a de
Elias (2 Reis 1:8; Lc.1.13-17). Vestimenta, comida, nazireu. João é Elias porque tem o espírito ministerial de Elias,
grande avivalista: “irá adiante de Deus no espírito e poder de Elias ... a fim de preparar um povo para o Senhor”
(Lc.117). No Evangelho de João 1.21, João, o Batista deixa claro que não é Elias: “Perguntaram-lhe, quem és, pois?
És tu Elias? Ele respondeu: não sou”.
Talvez o modo externo de João se apresentar e viver está associado com o seu lugar dentro do Antigo
Testamento. Ele foi um nazireu por toda vida. O ambiente do deserto era significante, de maneira que o antigo
(testamento) está associado com a preparação para arrependimento (Os29. 2.14,15; Is. 40.1-4). Ele era uma
reprodução de Elias, o grande profeta do arrependimento (Mt.11.14; 17.10-13)30. Na primeira passagem as palavras
“se o quereis reconhecer” indicam que alguns duvidaram do caráter de João como precursor Elias, e também que
Jesus aceitou isto. Mas havia uma diferença, talvez, entre a compreensão que Jesus tinha da reaparição de Elias e a
que os judeus tinha. O citado por último (judeus) parece ter esperado uma ressurreição literal de Elias. Assim nós
podemos explicar a declaração de João sobre ele não ser Elias (Jo.1.21). Ele negou ser Elias naquele sentido real do
judaísmo (visão judaica), mas não teria negado ser, quanto ao sentido simbólica afirmado por Jesus, tão pequeno
quanto, ele deveria ter negado que estavam sendo cumpridas as profecias de Isaias e Malaquias nele.
Talvez o texto da Septuaginta fornece evidência para a antiga convicção judaica relativa ao retorno atual do
profeta, porque em Mal. 4.5 traz “Elias o Tesbita”31, considerando que o original tem “Elias o profeta”32. A origem
da crença advém devido forma da ascensão de Elias para céu. O evangelista Lucas parece reconhecer o significado
simbólico desta exterioridade a respeito de João, quando ele fala de “o dia em que havia de manifesta-se a Israel”
(1.80).
Nós deste modo vemos que o precursor de Jesus, João, era por todos os intentos um precursor de todo Antigo
Testamento com referência para o Cristo. E isto aplicou não só por meios externos; a real substância do Antigo
Testamento foi resumida em João. Se nós distinguimos os dois elementos de lei e profecia, ambos foram resumidos
claramente na mensagem: “Arrependei, pois o Reino do Céu está à mão (próximo)”.A ligação entre os dois não é a
mera adição de duas coisas sem ligações; a conjunção “Pois” indica que o motivo para arrependimento está ligado à
aproximação do Reino, porque o que foi citado por ultimo significa para João, em primeiro lugar, julgamento.
Compare a pá na mão, o machado à raiz.
Mateus 11.16-19 – Crédito ao Nome de Jesus.
Jesus não é volúvel. Seu caráter é firme. Vejamos alguns textos sobre o propósito de Jesus em ir a
Jerusalém sabendo que lá iria padecer em sua morte na cruz.
" Lc.9.51-53 – intrépida resolução de ir para Jerusalém
" 13.22 – caminhando para Jerusalém
" 17.11 – de caminho
" 18.31 – já está subindo. Seu objetivo Lc.18.32,33; Mc.10.32-34.
" 19.11 – já está perto
" 19.41 – vendo a cidade, chorou.

29
“O vale de Acor por porta de esperança” – ‘Vale da tribulação’. Esta área ficava localizada perto de Jerico e foi o lugar do apedrejamento de Acã (Js.7.24-26).
Embora associado ao pecado e à morte, esse vale seria transformado em uma “porta de esperança”.
30
Jesus identifica João Batista com o Elias profetizado por Malaquias, que viria como precursor do Messias (Ml.4.5). esta identificação exige os olhos da fé (“se o
quereis reconhecer”). Deve ter havido uma má compreensão de que Elias seria reencarnado, porém o próprio João negou que era Elias (Jo.1.21). o anúncio de
Gabriel disse que João viria “no espírito de Elias” (Lc.1.17). Em Mt.17.11, “Elias virá” os escribas estavam certos, mas falharam em reconhecer tanto a Elias
quanto ao Messias quando vieram.
31
Ηλιαν το εν Θεσβιτην” (Ml.3.22). Texto da Septuaginta.
32
“)yibfNah hfYil")” (Ml.3.23). Texto original.
16

Só Jesus em seu amor mui terno poderia ter feito tão grande obra em favor de inimigos imerecedores,
tornando-os amigos do Pai, filhos do Pai, amados do Pai por estarem unidos ao Amado, Jesus Cristo.
O objetivo de Cristo era exclusivamente fazer a vontade do Pai, é o que vamos ver a frente – a atitude de Jesus
diante da tentação de satanás.

2. Testemunho de João batista Sobre Jesus


Há dois estágios no seu testemunho – Sinótico e no 4º Evangelho:
Sinóticos: Julgamento – Mt. 3: 3, 11, 12; Mc. 1: 3, 7; Lc. 3: 4, 16, 17. O fogo do juízo. Mt. 3: 1 a 12 – ou o
espírito ou o fogo.
4º Evangelho – Substituição vicária – Jô. 1: 29, 36 – Cordeiro.

3. O Batismo de João
O Batismo de João em geral e o batismo de Jesus por João em particular não devem ser separados. Naquele
tempo e posteriormente havia muitos círculos em que os ritos batismais eram praticados, mas todos os sujeitos à
repetição, ao passo que o batismo de João era de uma vez por todos (com. Mt.28:19; At.19:3; Hb.6:2).
Em João baseava tal tipo de batismo? Alguns procuram seu antecedente e analogia no Antigo Testamento,
não tanto na lei cerimonial, pois este requeria repetição. Mas por um lado a purificação preparatória para a produção
da velha aliança (Ex. 19: 10, 14) por outro lado na grande efusão da água que os profetas anunciaram que precederia
a era escatológica (Is. 1: 6; 4: 4; Miq. 7: 19; Ez. 36: 25 – 33; Zc. 13: 1).
Deve-se notar que a água aparece na profecia como um elemento de Dar vida, frutificar, além de ser um
instrumento de purificação (Is. 35: 7; 41: 18; 44: 3; Zc. 14: 8).
Tem-se tentado explicar o batismo de João baseado em tais acontecimentos do Antigo Testamento, mas
estes foram em parte proféticos, em parte típicos, de forma que para o cumprimento ou repetição, recomendação/
ordem/ sobrenatural específica seria requerida; João não poderia simplesmente proceder sobre a base do Antigo
testamento em tal questão, e isso é reconhecido de todos os lados (Jo. 1: 25, 33; Mt. 21: 25).
Muito menos ainda podemos considerar o batismo de João como uma simples imitação do assim chamado
“batismo prosélito” do judaísmo. Não era tão relevante esse batismo para ser imitado por João. Era apenas uma
aplicação da lei Levítica geral de purificação a um prosélito, que após ter-se circuncidado, ainda estava imundo pelo
contato com os gentios anteriormente.
O verdadeiro sentido do batismo de João deve ser inferido, parcialmente das descrições dadas nos
evangelhos e parcialmente da situação geral. Marcos e Lucas nos dizem que era um “batismo de arrependimento
para perdão de pecados”. Mateus diz que ele batizava “para arrependimento” e que o povo era batizado por ele
“confessando seus pecados” (Mt. 3:11).
De acordo com Mateus, a confissão de pecados era o acompanhamento do fato. De acordo com Marcos e
Lucas, o perdão de pecados era o fim o alvo, mas na verdade não existe contradição: Pode parecer contraditório
quando Mateus coloca a confissão anterior ao batismo e o arrependimento sucedendo a ele. Mas a solução está em
distinguir entre o reconhecimento mais externo do pecado e um reconhecimento aprofundado, arrependimento
intensificado (Mt. 3: 6, 11).
É algo incerto como deve se entender a frase de Lucas e Marcos, “ Batismo de arrependimento”. O mais
certo é tomar o genitivo como um genitivo de propósito (Batismo para produzir arrependimento). Daí concorda com
Mateus 3:11.
Se arrependimento era o esperado resultado do ato do Batismo de João, é claro que o rito não era um
simples simbolismo, mas constituía em verdadeiro sacramento, destinado a conduzir alguma forma de graça. E com
17

isso concorda a recomendação de João ao povo para “produzir frutos dignos de arrependimento”.
“Água e Espírito” – Devemos lembrar que água como elemento purificador simbolizava Nova Era (Is. 4: 4;
Mq. 7:19; Ez. 36: 25-33; Zc. 13: 1) (preparação para uma nova era).
João está fazendo um contraste de duas eras – Velha dispensação e Nova dispensação.
O batismo de João era um rito externo, apenas um sinal do que viria nos dias posteriores. A água
representava, ou prenunciava a purificação interna feita por Cristo no seu sangue e aplicado pelo Espírito Santo
purificador.

4. Batismo de Jesus por João


Não seria sensato dizer que o batismo administrado por João a Jesus foi diferente do que os outros
recebiam. Deve-se ter cuidado também para não negar a impecabilidade de Jesus.
O texto de Mateus 3: 13-15, cuidadosamente explorado danos a solução do problema. Como o batismo de
Jesus pode encaixar-se no esquema do ministério de João, todavia, permanecendo livre daqueles elementos
relacionados a ele – pecado e arrependimento (vejamos o diálogo):
a) João reconhece a posição e o caráter de Jesus, excluindo-o das necessidades de seu batismo. “João o
dissuadia” – V.14 – Reconhece não ter as fraquezas do povo;
b) Tal convicção de João está baseada na posição messiânica de Jesus. As palavras “eu é que preciso ser
batizado por Ti”, não podem significar que Jesus aplicaria um batismo de água, apenas revertendo os
papéis. Após João ter anunciado que “o mais poderoso” batizaria com o Espírito Santo, sua confiança
de necessidade de batismo por Jesus nada mais é do que uma referência a tal batismo. João reconheceu
a diferença entre eles;
c) Jesus endossa o reconhecimento de João e não o contradiz, quando diz: “deixa por enquanto”. Com
isso Jesus reconheceu que não haveria necessidade subjetiva para tal batismo, mas necessidade
objetiva. Precisava Jesus cumprir a justiça (justiça nacional). Ele toma sobre si uma confissão nacional.
Jesus era o representante. Não era um arrependimento por si mesmo, mas pela nação – “vicário”. O
batismo de Jesus foi um batismo penitencial vicário.
Brece Metzger: “Aceitando o batismo de João, Jesus mostrou a aceitação da mensagem de João: Vinda
iminente do Reino e a condenação dos que a rejeitariam. A pregação de Jesus ecoava a pregação de João – Mt. 4:
17 e Mc. 1: 15”.
Por que Jesus aceita o batismo de João, se ele nada tinha de que se arrepender? Trata-se de arrependimento
não-pessoal, mas para cumprir a justiça de Deus. Para o povo o batismo significava o rompimento com a vida
passada. Para Jesus, significava uma nova fase na Sua missão.

Revelação no Batismo – Duas coisas importantes


1) A descida do Espírito Santo em forma de pomba;
2) A voz do céu concernente à filiação e messianidade de Jesus.
Há uma teoria que afirma ter Jesus tomado consciência de Sua divindade no momento em que ouviu a voz
após o ato do batismo.
Todavia, aquela voz tinha uma significação sacramental para Jesus. Quando ocorreu tal fenômeno, pode-se
inferir claramente, teve o propósito específico de confirmar e suster o ministério público de Jesus.
Não recebeu Jesus de fato o Espírito Santo como o agente de Santificação, pois isto seria pressupor
pecabilidade. Todavia, recebeu ele o espírito como sinal da aprovação do Pai de sua mente e propósito expressos na
18

submissão ao batismo e do efeito que Deus daria a isso, quando realizado. Seria como um selo assim como o
Espírito é um selo no batismo do cristão.
Além do mais Jesus precisava do Espírito como um real equipamento de sua natureza humana para a
execução de sua obra messiânica. Todo o Seu poder e graça, Suas graciosas palavras, seus atos salvíficos, Jesus os
atribuía à possessão do Espírito (Mt. 12: 28; Lc. 4: 18; At. 10: 36-38).
A locomoção da pomba do céu repousando sobre Jesus significa que o Espírito passou a habitar nele. Nos
profetas, a adoção do Espírito era apenas temporária e abrupta.
A forma de pomba nunca é encontrada no Antigo Testamento para o Espírito Santo. É uma manifestação
nova – parece dar a entender que a obra do Messias constituía uma segunda criação, ligada à primeira, pela função
do Espírito em conexão com ela.

5. Testemunho Pós Batismo de João Batista sobre Jesus


1) Primazia – Jo. 1: 15, 30 – “tem a primazia”. “Depois de mim” – referência ao ministério de Jesus que
se estabeleceria após o batismo – ministério público. “Antes de mim” – reconhecimento e testemunho
do ministério de terna existência do Senhor, geralmente chamada – pré-existência (Jo. 1: 1, 18). João
está fazendo uma ligação entre o Antigo Testamento e o Novo, quando parece referir à profecia de
Mal. 3: 1. Reconhece ser Jesus o “Anjo da Aliança” do Antigo Testamento, que se interpunha na
história do Antigo Testamento.
2) Cordeiro de Deus – Jo. 1: 29, 36. Esta expressão está fielmente refletindo a ocasião histórica, o batismo
de Jesus. Esta figura de Jesus como “Cordeiro”, está fundamentada em dois precedentes do Antigo
Testamento, a do cordeiro sacrificial e a do cordeiro como o Servo do Senhor em Isaías 53. É o
cordeiro manso e pronto para suportar o pecado pelos outros por ser inocente. Ver vs, 6, 7. Por ser
inocente, pode carregar o pecado de outros; por ser manso está disposto a fazer isto.
Sendo Jesus do rebanho (judeu), ele pode sofrer pelo rebanho. O elemento vicário é bem explícito nos vs. 5,
6 de Isaías 53.
No verso 10 “Oferta pela culpa” (ASHAM). Tal oferta ou sacrifício estava impresso a idéia de débito e
restituição – pagamento de dívida. É a expiação pelo pecado e a oferta pela dívida do pecado para com Deus.
No batismo de Jesus, as duas idéias estavam presentes, o conceito de tomar o pecado sobre si e o de ser
destinado à remoção do mesmo pela sua morte. A frase “Cordeiro de Deus” é a duplicação exata da frase “Servo do
Senhor”. Só que João Batista dá uma visão mais ampla da expressão. Em Isaías – pecado de Israel; aqui – pecado
do mundo.
3) Filho de Deus – Jo. 1: 34. Ao dar tal testemunho está João refletindo sua fidelidade de testemunho ao
observar o sinal dado por Deus na descida do Espírito Santo dobre Jesus – “Vi e tenho (eu mesmo)
testificado”. Mostra que era um testemunho ocular e um testemunho oficial. É um testemunho solene,
tendo em vista que tinha sido o mesmo dado por João e o evangelista ao concluir o 4º evangelho (20:
31). De acordo com João, o apóstolo, os registros sobre Jesus e Sua obra foram para criar a fé na
filiação divina do Salvador. O testemunho de João deu base a uma série de discursos subseqüentes
sobre a filiação de Jesus. Esse confirma primeiro que afirmava a pré-existência do Messias.
Há também um momento que João revela profundo testemunho de Jesus, quando seus discípulos parecem
ficar com inveja ao verem Jesus sendo cercado de multidões para o batismo (discípulos é que batizavam) – Jo. 3: 27-
30. João mostra que nenhum motivo de inveja havia, pois era ele como superintendente duma festa de casamento.
Era Jesus maior do que o superintendente da festa. Sua obra era enaltecer o noivo. Em tal obra encontrava sua
19

alegria. A figura lembra a relação de Yahveh com Israel.

V - REVELAÇÃO NA PROVAÇÃO DE JESUS – A TENTAÇÃO NO DESERTO.


A tentação de Jesus está relacionada tanto aos fatos precedentes quanto aos que seguem.
Teorias:
Teoria Mitológica: seria algo mitológico – uma dramatização literária. Um encontro pessoal entre satã e o Messias é
essencial para o drama escatológico. Pelo fato disto ter que acontecer, segundo a teoria devia acontecer com Jesus.
Se acontecesse, passaria a ser o Messias real.
Teoria parabólica: Diz que Jesus contou uma parábola e os discípulos entenderam que era um fato.
Teoria da realidade objetiva: Foi realmente um fato – Hb. 4: 15.
A tentação foi planejada pelo Espírito de Deus. A tentação de Jesus foi à armação do valente – Mateus 12:
29. E o encontro de Jesus com Satanás foi o objetivo e não subjetivo.
No texto de Mateus 12: 29, há duas frases: “amarrar” e “roubar bens”:
a) Referência: estar seguro para agir (referência a algo feito a satanás)
b) Partir para a ação (expulsão dos demônios)
A vitória na tentação seria o inicio da eterna vitória sobre o maligno. Nesse texto (Mt. 12), também, Jesus
declara que a expulsão do demônio é pelo Espírito de Deus.
Na narrativa da tentação o Espírito Santo é proeminente referido. Jesus foi levado ao deserto pelo Espírito
para ser tentado por Satanás. Lucas (4:1) diz que estando Jesus cheio do Espírito, foi levado para o deserto, sendo
tentado por quarenta dias pelo diabo (Lc.4.2).
A tentação é parte do programa messiânico. Como messias Ele devia passar pela tentação – embora levado
a efeito por satanás, estava no propósito divino.
O mesmo Espírito que O levou ao deserto capacitou-O a expulsar os demônios. Encarando tal episódio do
ponto de vista de satanás, era uma tentação33. Encarando-o do ponto de vista do alto propósito de Deus, era uma
provação. Teve um propósito de Jesus experimentar as operações do Espírito Santo para Sua obra redentora.

A Tentação de Cristo e a Nossa.


A nossa dificuldade de entender o sentido de tal evento decorre do fato de queremos encontrar na tentação
de Jesus uma analogia primária às nossas próprias tentações. Foi única em sua natureza. A nossa preocupação é a
vitória sem perda de nada. A de Jesus, muito embora essa realidade estivesse presente, também, todavia, a
preocupação maior não era evitar a perda, mas procurar o proveito positivo dela.
Veja Romanos 5: 15. Havia na provação de Jesus um elemento de sofrimento e humilhação a nosso favor e
não simplesmente um árduo esforço à obediência (vicária). Para nós a tentação não é humilhação. O que nos
humilha é o pecado em nosso coração. E nossa tentação há uma analogia aquela do início do seu ministério, mas
ligada à paixão, no final de seu ministério (Hb. 5: 7-9).
Em que princípio se baseia a tentação de Jesus como elemento do plano redentor? A expulsão de demônios
era parte do espólio de batalha de sua vida e foi feito quando sua obra estava quase ameaçada. Significa – A vinda
do Reino se fez sentir com a expulsão de demônios (Mt. 12: 28; Lc. 11: 20).
Há uma antítese entre o Reino e Satanás. Aonde Jesus chega satanás sai.

O diabo não age com poder mas com estratégia Ef.6.11 – “panopli/an" (panóplia) é a armadura do soldado, o diabo perdeu
33

sua armadura, ele age agora apaisana.


20

A Forma específica Assumida pela Tentação de Nosso Senhor


Foi Jesus tentado dentro dos padrões éticos ou foi especificamente relacionada com o chamado messiânico?
As três tentações atacam ao status messiânico de Jesus e não a uma questão ética meramente. “Se34 tu és
Filho de Deus”.
As duas primeiras são especificamente messiânicas. A terceira, implicitamente. As suas respostas
aparentemente são do ponto de vista humano comum: “Não só de pão viverá o homem”. “Não tentarás o Senhor teu
Deus”. “Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele darás culto”.
Na verdade, Jesus não está diretamente afirmando sua posição messiânica; todavia não a está negando.
Como Messias, na teoria, Jesus não teria cometido qualquer pecado, se, no momento de intensa fome,
transformasse pedras em pães. Seria simplesmente assumir sua soberania sobre a natureza. Todavia, dentro do
programa messiânico estava a humilhação. Jesus existia como Messias no estado de humilhação. Depois seguir-se-ia
o estado de exaltação. O ânimo e interesse/ intenção da tentação do ponto de vista de satanás:
Consistia em tentar movê-Lo desse espírito e atitude de serviço e humilhação, a um desejo natural
de Sua glória Messiânica sem passar pelo sofrimento que culminaria com a cruz. Por isso satanás o
aconselha a agir como um Super-Homem. Seria como se dissesse: Sacia Sua própria vontade.
Jesus repudia tal alto-exaltação. Jesus responde-o com as palavras da Torá, mostrando-se servo da Lei (Dt.
8: 3). Principio = Jesus depende exclusivamente de Deus. Resumo: Fé absoluta. E essa submissão íntima é que
sustenta a vida de um cristão. Satanás tenta desviar Jesus deste terreno positivo da fé na promessa de Deus – Sua
palavra. Deus promete nos sustentar. Logo após a tentação foi Ele sustentado por anjos. Contexto = Sustento dos
israelitas no deserto como Maná.
2ª Tentação – Dt. 6:16 (pináculo do templo); o evento é descrito em Ex. 17 e novamente referido
em Dt. 9: 22; 33:8. O texto é uma referência ao ocorrido em Meribá – Ex. 17: 7. Tentar o Senhor – por
Deus à prova. Procurar averiguar por provas se Seu poder para leva-los a Canaã podia ser confiado e crido.
Era uma prova surgida da dúvida/ incredulidade manifesta. Pecado da incredulidade (Sl. 95: 8; Hb. 3, 4).
Jesus mostra que o pular do pináculo do templo teria o mesmo objetivo – Testar o poder de Deus.
Satanás queria que Jesus fizesse experiências ímpias de dependência de Deus. Jesus estava certo de que
não precisava fazer testes com Deus ou pô-lo à prova. Isso implicaria que no Seu ministério, Jesus teria
uma confiança baseada, não nas promessas de Deus, mas na demonstração solicitada por Ele. O fato de
Jesus pular seria solicitar provas de Deus, se era Ele ou não poderoso. A 2ª tentação refere-se à proteção de
Deus nos perigos externos.
3ª Tentação – Difere das duas outras em dois aspectos: (Mt.4:8-9)
1) Sugere um ato aberto de pecado – Adorar (até aqui as tentações eram aparentemente
inocentes).
2) Satanás se manifesta em interesse próprio (antes ele queria mostrar que aquilo não era interesse
dele).
A questão em foco é: querer colocar-se em lugar de Deus. Se o Messias devia ser de Deus ou de satanás.
Daí o “Se” (promessa de glórias e reinos). Não seria um simples pecado isolado – era uma auto-entrega à direção em
suas mãos. Por isso Jesus responde “afasta-te” (Dt. 6: 13).

34
“se” - dá-nos o sentido de dúvida (?),no sentido de que satanás tenta colocar dúvida no coração do Filho de Deus! Em grego
as expressões são escritas de maneira a não deixar margem para dúvida – Devemos ler: “uma vez que és o Filho de Deus” (Ei)
ui(o\j ei)= tou= qeou). Em Lucas 4:41 temos evidência dessa verdade: “...de muitos saíam demônios, gritando e dizendo: Tu és o
Filho de Deus! ... pois sabiam ser ele o Cristo”.
21

Por Que Usou este Método


1) Quis tomar de choque/ assalto;
2) Apela para um instinto de desobediência – para satanás o importante era obedecer, não importa a
quem. É aquela forma de subjetividade religiosa. Era melhor adorá-lo e ter glórias terrenas do que
adorar a Deus e ir à cruz. Jesus mostra que a religião não é só obedecer. É obedecer ao Deus vivo e a
Ele prestar culto.
3) A vontade de satanás é que Jesus fizesse seu reino terrestre.
Satanás se retirou – Resumo – Um dos problemas que se levanta é sobre a tentativa de Jesus. Como podia
ser Ele tentado? Se uma pessoa é capaz de ser tentada por algo, isso parece envolver imperfeição. A absoluta
bondade seria imunização contra o pecado, tal como Deus e os que já atingiram a glorificação.
De fato a tentação achou entrada no primeiro e segundo Adão. Todavia sua entrada apenas não implica a
presença de pecados. Jesus e Adão foram tentados, mas isso não indica a presença de pecados. A verdade é que
o curso da ação feito para apelar a eles, não foi um curso de ação inerentemente pecaminosa, mas no abstrato
inocente e permissível, e que se tornou produtiva de pecado apenas devido à proibição positiva sob a qual Deus
colocou o ato. O pecado não estaria na tentação em si, mas na inclinação para qualquer alternativa que é
contrária às ordens de Deus.

Revelação de Deus em Cristo Através da Tentação


1) Caráter do tentador – Absoluto, insolente, conhecedor da Palavra de Deus, pronto a torcê-la em seu
benefício, conhecedor dos desejos mais profundos da natureza humana.
2) Com respeito as Jesus Cristo – A sua obediência e sujeição ao Espírito Santo, a Sua fidelidade à
Palavra de Deus; a Sua imperturbabilidade; a Sua consciência absoluta da missão.

VI – REVELAÇÃO NO MINISTÉRIO PÚBLICO DE JESUS


A revelação divina tem haver com ambos estágios de Jesus - Sua pré-existência e Sua pós-existência. Além
do período confinado à sua estadia aqui na Terra.
A Sua revelação e comunicação não dispensaram o que veio antes por outros órgãos de revelação e o que
viria depois em outros órgãos no Novo Testamento.

Há Quatro Divisões na Revelação


1) Revelação ministrada por Cristo na Revelação Geral;
2) Revelação ministrada sob a economia do Antigo Testamento, desde a queda até à encarnação;
3) Revelação no ministério público e terreno, desde a natividade até sua ressurreição e ascensão;
4) Revelação por meio dos servos escolhidos, da ascensão á morte de suas últimas testemunhas, que
falaram sob a direção infalível do Espírito Santo.
Nos encontramos essas quatro funções/ estágios no prólogo do Quarto Evangelho. Parece que esses quatro
estágios estão catalogados dentro do nome Logos, dado a Cristo. Logos – Revelador visível da mente interna de
Deus.
Uma cuidadosa exegese do prólogo leva-nos à conclusão de que os seguintes estágios são parte da obra do
Logos a que João se refere:
a) A meditação para a humanidade do conhecimento comunicada pela natureza; essa função não se
22

encerrou quando se tornou carne, mas continuou análoga à sua atividade redentora do início até o fim;
b) Em segundo lugar, há uma revelação redentora dada ao povo de Deus do Antigo Testamento. É uma
referência a redenção, ainda que mediada pelo Cristo – não encarnado. Era o mesmo estado, no qual
mediava, idêntico ao do início do mundo;
c) Depois alcançou no Logos seu clímax , quando o verbo tornou-se carne, e esse estado encarnado, para
nunca mais sofrer mudança novamente, resultou a plena interpretação da obra redentora de Deus,
tanto durante Sua própria carreira terrena no estado de humilhação, como durante Seu estado de
exaltação, possuído desde a ressurreição, e agora tornou-se o condutor da revelação redentora dos céus.

Revelação do Ministério de Jesus nos evangelho (Dois aspectos que Jesus é o Revelador de Deus na Terra)
1) Revelação que ele era na Sua pessoa – Sua natureza, caráter, o Emanuel. È o caráter
teantrópico de Jesus.
2) Revelação de Deus pela mensagem que pregou (que trouxe). Tais aspectos não se separam
um do outro. Na Sua fala está o Seu caráter; sua filosofia de Vida, sua pessoa é a própria
mensagem.
A Revelação dos sinóticos é mais acentuadamente nas palavras – Mt. 11: 25, 26. Em João, a idéia da
revelação de Deus é muito enfática. Nos sinóticos o Reino de Deus e Sua justiça são mais evidentes; em João há
uma forte ênfase na preexistência de Jesus, de onde ele traz a revelação, por isso a mensagem de João é altamente
soteriológica. Nos sinóticos faz-se referência mais freqüente a o Espírito como fonte de revelação trazida por Jesus.
No quarto evangelho palavras são usadas para mostrar que Jesus é a expressão pessoal de Deus – Luz, Vida, Água
Viva.
Parece que em João o Espírito se apresenta mais como revelador futuro – Jo. 16: 13.

"Verdadeiro" e "Verdade" no Quarto Evangelho.


Coisas verdadeiras no conceito de João:
• "Luz verdadeira" - Luz da qual emana todas as outras luzes no mundo - cópias derivativas (1: 9)
• "o Pão verdadeiro", "videira35 verdadeira" - Jo, 6: 32, 33; 15: 1.
• Ele é a verdade, não porque é Ele veraz e fidedigno, mas simplesmente porque Ele tem a realidade do
céu n'Ele mesmo.
• João 14: 6 - Ele é o caminho. "Verdade e vida" explicam o primeiro. Jesus é o caminho para céu
porque n'Ele a substância celestial está presente e mais especificamente, porque a vida celestial está
presente n'Ele. O ensino de Jesus- Parábolas. Milagres. Entrevistas. Sermões e discursos.
Os milagres de Jesus - Os milagres tinham uma conotação didática. É uma revelação. Alguns milagres são
parábolas dramatizadas - ex.: figueira estéril - condição de Israel. A nação Israelita apresentava vigor na folhagem,
no entanto, era estéril. Caná - água em vinho - poder transformador/ transformação. Cristo veio a este mundo para
operar transformações.
Discursos de Jesus - À luz destes discursos Jesus fez revelações magníficas - Ex. Jo. 6: 35 e outros.
Entrevistas Pessoais - Nicodemos - revela sua capacidade do conhecimento do íntimo. Maior revelação
quanto a Sua missão terrena (Jo. 3: 16) é um dos mais ricos capítulos - o amor de Deus é o grande motivo da vinda
de Jesus. Ë um amor de tal maneira incomparável. Mulher samaritana - capítulo 4 - João. Jesus que a procurou. Deus

35
Símbolo do vinho segundo os profetas das abundâncias messiânicas (Am.9). Símbolo de vida, no milagre da transformação, da
vinda do Espírito Santo.
23

se compraz em ser adorado em espírito e em verdade.

A Atitude de Jesus para com as Escrituras do Antigo Testamento.


A ênfase que dá Jesus ao Antigo Testamento não repousa, em primeiro lugar, no testemunho da fidelidade e
do valor das Escrituras em existência. Havia alguma coisa em sua consciência sobre as Escrituras que era exclusiva
dele mesmo, algo que nem mesmo Paulo, nem qualquer outro mestre do Novo Testamento, ou qualquer órgão da
Revelação puderam partilhar com Ele. Além de derivar muito material do Antigo Testamento, e além de estar
cônscio de que Seu ensino estava em estrita conformidade com o A.T. tinha outra convicção que ia além destas.
Cristo encarou o movimento do Antigo Testamento todo como um movimento divinamente inspirado e dirigido
chegando ao fim e alvo - nEle mesmo. De forma que Ele mesmo, em sua aparição histórica e Sua obra, sendo tirados
fora, o Antigo Testamento perderia o seu sentido e propósito.
Era Ele a confirmação e consumação do Antigo Testamento36 em Sua pessoa.

VII - A MENSAGEM APOSTÓLICA A RESPEITO DE JESUS


A Igreja cristã primitiva centralizou toda a sua pregação na pessoa de Cristo Jesus e no reino de Deus - Rei
e reino messiânico.
Os Evangelhos terminam com narrativas da ressurreição de Jesus e com declarações breves a respeito de
sua ascensão. Marcos tem um final interrompido; Mateus registra uma comissão do Jesus ressurreto aos seus
discípulos para que pregassem o evangelho a todo o mundo. Lucas, porém, registra os fatos subseqüentes à
ressurreição. Mostra que um pequeno grupo de 120 pessoas/discípulos, convicto da ressurreição do Mestre dentre os
mortos, começou a proclamar o seu caráter messiânico e a conclamar ao povo de Israel a se arrepender e a se voltar,
numa atitude de fé, àquele que haviam crucificado.
A princípio foram tratados como uma pequena seita dentro do próprio judaísmo. Lucas mostra que de
forma coesa a Igreja rompeu com o judaísmo e começou a se estender por todo o mundo mediterrâneo. O maior
instrumento desse movimento cristão foi o apóstolo Paulo. Através de seus escritos podemos estruturar a verdadeira
interpretação do significado de Cristo.
É importante analisar os primeiros capítulos de Atos a fim de compreendermos a interpretação primitiva
tinha de si mesma. Através de sermões e discursos registrados em Atos podemos entender o teor da pregação da
Igreja primitiva.
Em Atos encontramos um elo vital entre o ministério de Jesus e o estabelecimento da igreja gentílica. O
movimento do livro lança luz na formação da Igreja e de Cristo no Pentecoste, o derramamento do Espírito na Igreja
e o crescimento da Igreja de Jerusalém (cap. 2) a Roma (cap. 28). A expansão da Igreja foi devido à pregação do
evangelho sob o enchimento do Espírito. A palavra fiel da promessa dada no passado encontrou seu cumprimento no
Messias de Deus e na vinda do reino.
Pela loucura do que foi pregado, Jesus estabeleceu sua Igreja (1 Co 1.21). O centro daquela pregação era o
evangelho de Jesus Cristo (1 Co 15.1-2) e o centro do evangelho era a cruz e a ressurreição de nosso Senhor (At
1.22; 4.33; 24.21; I Cor. 1.18; 15.1-8). Qual seria a súmula da pregação na Igreja Primitiva? A pregação apostólica
traz claramente o que o próprio Jesus havia ensinado! Jesus, o servo de Deus, o Messias, o Filho de Deus, é o
Glorioso Soberano sobre o Reino Messiânico. E age no Reino de Deus por meio do seu presente governo (1 Co
15.25-28). Seu poder é plenamente estabelecido pelo Espírito de Deus entre judeus e gentios em cumprimento à
palavra profética. A pregação apostólica é a expressão teológica da autoridade de Jesus sobre céus e terra.
24

Antes de Atos falar propriamente de Jesus como o Messias, fala do estabelecimento da era cristã.

1 - O Tempo da Salvação

1º lugar - A era do cumprimento apareceu. Textos: At 2.16 - "Isso é o que foi dito pelo profeta Joel"; At 3.18 -
"Deus cumpriu..."; At 3.18 - "Todos os profetas anunciaram estes dias" At 3.24.
2º lugar - O surgimento da era messiânica aconteceu através do ministério, morte e ressurreição de Jesus, com
provas extraídas das Escrituras, de que tudo aconteceu pelo determinado desígnio/conselho e
presciência de Deus (At 2.23).
3º lugar - Por causa da ressurreição Jesus foi exaltado à destra de Deus, como cabeça do novo Israel (At 2.33-
36; 3.13).
4º lugar - O Espírito Santo na Igreja é sinal do presente poder e glória de Cristo (At. 2:33).
5º lugar - A era messiânica vai atingir sua consumação no retorno de Cristo (At 3.21).
Finalmente - Apelo ao arrependimento, oferecimento do dom do Espírito Santo e promessa de vida eterna (At
2.38, 39).

Estudo ampliado destes temas

2 - O servo sofredor de Deus


O apóstolo Pedro, tendo testificado da vida de Jesus, pregou que Jesus é o Messias de quem os profetas
falaram. A crucificação de Jesus não foi um incidente. A trajetória do sofrimento que o levou à sua morte estava de
acordo com a vontade de Deus e fora predito pelos profetas (At 2.23; 3.18; 4.28) - Herodes e Pilatos, judeus e
gentios fizeram apenas o que a mão de Deus predeterminou. Aqueles que crucificaram-no foram culpados de matar
o servo de Deus. O discurso de Estevão complementa o sermão de Pedro uma vez que ele acusa o povo com a
história de resistência a Deus. Seus antepassados perseguiram e mataram os profetas, os servos de Deus. Os profetas
predisseram a vinda do "Justo", mas a presente geração não se deteve em matar o Filho do Homem, de quem os
profetas testemunharam (7.51-53). Ao pregar Jesus como o Servo, a Igreja é assim o verdadeiro e contínuo povo de
Deus.
Jesus é o servo sofredor, o qual, por meio de sua humilhação provou-se digno de sua messianidade (At
3.13-14, 26; 4.26-27). A pregação da Igreja primitiva inclui o elemento vital do evangelho: o sofrimento vicário do
Messias, do Senhor - de acordo com o plano de Deus e a palavra profética - é para perdão, reconciliação, restauração
e para unção com o Espírito Santo. A ressurreição e a presente glória de Jesus, o Messias e servo do Senhor
asseguram a todos que se arrependem de seus pecados e são batizados no nome de Jesus, o Messias, de que já
pertencem à era escatológica (2.38; 3.6; 4.10; 8.12). O eschaton ("últimos dias"), já operante na vida de Jesus, é
poderosamente evidente em sua glorificação a posição real, da qual o Espírito Santo é o sinal. O servo sofredor é,
além de tudo, "o Santo de Deus" (3.14; 4.27, 30)).

3 - O Messias e Senhor Ressurreto


A ressurreição é o ponto alto na pregação dos apóstolos. A verdade do evangelho repousa na historicidade.
E no significado da ressurreição como um evento histórico - redentivo da maior significância. Os apóstolos estavam
plenamente persuadidos de que Jesus se levantou de dentre os mortos e apresentavam ao judeu e gentio o Cristo

36
“Cristo é o centro dos centros”, Gerard Van Groningen. O fim das escrituras.
25

ressurreto como a única esperança. Fé em um Jesus que não ressuscitou dos mortos não oferece qualquer perspectiva
futura. A ressurreição de Jesus significa o começo de seu glorioso domínio como o Messias de Deus. Enquanto a
ascensão marca a real entronização, a ressurreição prova que Jesus é o Messias que o Pai apontara como Soberano
para reinar. A morte não podia detê-lo porque é o Messias de Deus de quem os profetas falaram (At 2.22-36). A
ressurreição é o testemunho do Pai de que Jesus, rejeitado por seu povo, e "Senhor e Cristo" (vv. 36). A linguagem
do Novo Testamento da ressurreição demonstra tacitamente que Jesus se levantou pela vontade e poder do Pai. Seu
envolvimento na ressurreição prova que a obra de Cristo foi uma perfeita expiação e que Jesus é o Messias. A
atividade messiânica de Jesus não cessou com sua morte mas continua por ter se levantado dos mortos. Ele é tanto
Senhor quanto Messias - Rei.
A Ressurreição também marca a intrusão/entrada do "eschaton" no tempo. Jorge Ladd chama-o de "um
evento escatológico". Pela pregação da Palavra e demonstração de milagres, o Senhor continuou seu ministério. A
continuidade do ministério apostólico com o ministério de nosso Senhor e os apóstolos testificaram a presença
contínua de Cristo. A ressurreição de Jesus confirmou a inauguração do Reino de Deus no pentecoste. O Apóstolo
Pedro convocou seus ouvintes para crer em Jesus, pois ele abre o futuro prometido pelos profetas (At 3.24-26).
A ressurreição do nosso Senhor também garante que o novo povo de Deus são herdeiros da nova aliança,
com todos os seus benefícios.

4. O Rei - assunto aos céus


A ascensão de Cristo demonstra que todos os benefícios de sua ressurreição se mantém verdadeiros. O Pai
aceitou sua obra na terra quando ele retornou como vitorioso, tendo completado sua missão. Assim como Elias fora
assunto à glória. Além do mais, ele recebeu a glória do Pai ao assentar à sua direita (At 2.32, 33; 7.55).
Em sua ascensão, Cristo continua a obra que iniciou na terra. Todos os benefícios de seu ministério se
firmam como verdadeiros pois o Pai o reconheceu, como também sua obra. A ascensão marca a consumação
vitoriosa do ministério de nosso Senhor como servo sofredor, enquanto afirma sustenta a continuidade de seu
ministério em seu glorioso corpo ressurreto (Jo 3.13). A designação "Filho do Homem", embora usada uma só vez
em Atos, caracteriza com precisão estreitamento para com o Pai, assim como sua glória e autoridade. Ele é "o Filho
do Homem" assentado à direita de Deus (At 7.56). É este um tema proeminente em todo o Novo Testamento.

5. O Messias de Deus
Jesus é Senhor e Messias (At 2.36). Se ele é Messias, onde está seu reino? É o reino um evento futuro ou há
uma realidade presente por ser ele o Messias?
A questão é um pouco complexa. Nos Evangelhos a proximidade e presença do Reino na vinda de Jesus.
Ele é o reino em si mesmo. Contudo, como pode alguém explicar a omissão aparente de referências ao reino de
Deus no livro de Atos e epístolas?
Primeiro, a proclamação do Evangelho é a proclamação do reino. O uso de "reino" em Atos dá-nos uma
chave. De acordo com Atos 8.12; 19.8; 28.23, a pregação das boas novas de Jesus é equivalente à pregação do reino.
O sentido dessas palavras é expresso mais claramente por Lucas, o autor do Evangelho e Atos, como afirma Ladd:
“é de grande interesse que Lucas resume o conteúdo da pregação de Paulo aos gentios na expressão completamente
estranha à mentalidade helenística: "O reino de Deus" (Teologia do Novo Testamento, 316).
Segundo, a entronização messiânica de Jesus à direita do Pai significa a nomeação do Pai do Messias (ou
do Messias pelo Pai) e seu presente domínio messiânico sobre seu reino. Não há qualquer ambigüidade na pregação
apostólica com respeito ao ofício messiânico presente de Jesus o argumento apostólico, como já vimos, enfatiza o
26

apontamento/designação de Jesus como o Messias davídico como também sua glória e vitória.
O domínio vitorioso de Cristo, contudo, está presente no Espírito e na Igreja. Não é ele um dominador
político, contudo, sabemos que Ele virá julgar o mundo e todos os reinos se lhe submeterão.
Terceiro, a extensão da Igreja no terreno gentílico requer uma adaptação de linguagem a respeito do reino.
A palavra "reino" tinha conotações negativa no império romano. Aos ouvidos judaicos representava uma expectativa
profética, contudo aos ouvidos gentílicos sugeria insurreição e ideologia política estranha aos Romanos. Assim
como Jesus fora cuidadoso em não se denominar Cristo/Messias devido às conotações políticas, da mesma forma os
apóstolos adaptaram sua mensagem na diáspora a fim de não levantarem suspeitas de subterfúgio político. A
confissão de que Jesus é o Cristo/Messias manteve sua relevância no diálogo judaico - cristão.
Quarto, como o começo da era apostólica a questão já não era mais a inauguração do Reino Messiânico,
mas novos aspectos de seu reino. A estratégia radicalmente mudada da pregação pós-ressurreição e ascensão
focaliza os benefícios imediatos da morte do Messias: a realidade do perdão, a Igreja e a presença do Espírito Santo.
Os apóstolos assumem a existência da era messiânica, assim como a presença do reino, na base da ressurreição e
glorificação do Messias. A designação de "Cristo" desta forma se torna parte da frase fixada: "Jesus Cristo" ou
"Cristo Jesus". Os apóstolos assumem tudo o que é verdadeiro sobre Jesus, o Messias e não vêem qualquer
necessidade de estabelecer/repetir suas afirmações messiânicas. A existência de seu reino está pressuposta no
evangelho deles, isto é, trazido por eles por meio da inspiração.

6. Jesus é Senhor
Já nos últimos capítulos do Evangelho de João torna-se aparente que o Cristo ressurreto é o Senhor da
glória. Uma vez que João emprega a designação "Senhor" como referência a Jesus apenas três vezes nos primeiros
dezenove capítulos de seu Evangelho (Jo.4:3; 6.23; 11.2) ele usa o título "Senhor" nada menos que nove vezes nos
capítulos 20 e 21. Para Jesus não é outro senão a presença mesma do próprio Deus. A prática apostólica em Atos
também reconhece o senhorio de Jesus. A palavra "Senhor" – “kyrou” - (Kuriou") é mais do que uma referência

genérica ou título tal como "senhor". A pregação de que Jesus é – “kyrou” - “kuriou" chama o povo a aceitar a
verdade de que Jesus é Deus. Ele é a fonte da Salvação(2:20,21), é o doador do Espírito Santo (v.33), perdoador de
pecados (5.31; 10.43), o Santo (3.14), o Justo (3.14;7.52) e o juiz de todos (10.42). Sua autoridade é simbolizada na
expressão de estar assentado à direita de Deus (2.33-36).
Em Atos 2.36 – “kyrios” – “Deus o fez Senhor e Cristo” – A exaltação de Jesus significa que ele é Senhor
e também Messias.
Na pregação apostólica Jesus é tanto Senhor quanto Messias. Pedro advertiu: "esteja certa, pois toda casa de
Israel que a esse Jesus que vós crucificastes Deus o fez Senhor e Cristo/Messias" (At 2.36) Ele é o Messias de Deus
e Deus o Messias. Dos discursos em Atos Leon Morris conclui: “Há toda razão, portanto, para manter os cristãos
primitivos na confissão de Jesus como "Senhor". Não há qualquer distinção entre ser ele o Salvador, o Rei-Messias
davídico e o Senhor da glória. Seu Senhorio requer submissão, fé, devoção, e adoração.

O Salvador Presente- Jesus é Messias, Senhor e o Príncipe da vida. Ele é também o "Salvador" um título
que não se separa de sua autoridade como Messias-Rei. Ele é Senhor, mas nunca à parte da idéia de ser o Salvador.
(At 4.12), o qual tem o poder de perdoar pecados(At 2.38; 13.38). A ressurreição e ascensão de Jesus garante a
presente eficácia de seu domínio. Salvação é aquela experiência da bênção de Deus na presente vida em antecipação
da plenitude da restauração vindoura na consumação. Salvação é também aquela experiência na qual o crente sabe
que ele recebeu a justificação em Jesus Cristo. Jesus como Salvador tem autoridade de perdoar alguém do pecado e
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do juízo de Deus. Ele é justo e tem a autoridade de justificar de maneira muito mais ampla do que a lei de Moisés
previa (13.39).
A presença de Jesus e a presença do escaton (últimos dias proféticos) é mais claramente revelado na vinda
do Espírito Santo. O domínio vitorioso do nosso Senhor teve seu início/inauguração na dádiva do dom do Espírito à
Sua Igreja. assim como prometera anteriormente. Quando estava com Cornélio, Pedro "se lembrou das palavras
que o Senhor dissera:.. vós sereis batizados com o Espírito Santo" (At 11.16). Paulo também comenta: aquele que
desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus para encher todas as coisas. E ele mesmo concedeu uns
para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres" (Ef 4.10-11).Todos
esses ofícios são expressões do dom e dos dons do Espírito Santo (1 Co 12.4-11).
A vinda do Espírito Santo foi o Sinal do exato estabelecimento do reino Messiânico de Jesus. (At
2.32-36; 10.44-48; 11.15-17). Por todo o livro Lucas apresenta a operação do Espírito Santo nos judeus, nos meio-
judeus e nos gentios. Dentre eles há inclusive os chamados “temedores de Deus”. O Espírito Santo operava tanto nos
apóstolos quanto nos membros da Igreja. Ele não discriminava o judeu do gentio, o apóstolo do leigo. O Espírito
Santo está presente em todos os que são salvos e mostra evidências de seu novo relacionamento com o Pai e Jesus.

O Retorno do Rei- O senhorio de Jesus Cristo recebeu maior glória do que na sua encarnação, tendo sido
levantado de entre os mortos e sido glorificado pelo Pai. Jesus está assentado no trono de Deus à Sua direita (At
2.30-33). Ele é conhecido como o autor da vida, Príncipe e Salvador (At 3.15; 5.31), que tem autoridade tanto para
trazer a era da restauração ao seu clímax como para estender as bênçãos futuras aqui e agora. Pedro convoca os
judeus a abraçar Jesus como o Messias e o príncipe da vida a fim de que recebam as bênçãos de Deus em Jesus e
que gozem tempos de refrigério até a era de restauração (At 3.19,21). Após a era de restauração ter vindo pode ser
tarde demais para abraçar este Jesus que virá para executar juízo sobre todos aqueles que não o receberam pela fé. O
apóstolo Paulo expressa claramente que Jesus virá um dia para julgar o mundo com justiça (At 17.31).

VIII - O ENSINO APOSTOLICO


As Epístolas apostólicas contribuem para uma melhor compreensão do significado da vinda de Jesus e da
inauguração da era final (reino de Deus). Os Evangelhos, Atos e as epístolas harmoniosamente contribuem para uma
apresentação multifacetária de Jesus o Messias. Examinando as cartas de Paulo e as Gerais podemos ter mais ampla
percepção da pessoa e obra de Jesus.

Jesus nas Epístolas Paulinas- Ao encontrar Jesus no caminho de Damasco o apóstolo Paulo tem a
percepção de que é o último dos apóstolos que testificaram do Cristo ressurreto e glorificado (1 Co 15.8). ele,
contudo, pode reivindicar o ofício apostólico por meio da graça de Deus para com ele (1 Co 15.9-11; At 1.22). Ele
recebeu uma revelação direta do Senhor Jesus Cristo (Gl 1.12). Ele recebera de seus mestres, incluindo Gamaliel,
“as tradições dos meus pais” (v.14). Com a experiência transformadora de Cristo, contudo, ele aprendera a ler o
Antigo Testamento à luz da nova "tradição", que incluía a essência do evangelho (Ver com particularidade 1 Co
15.1-3). A revelação que recebeu de Cristo mudou sua vida e sua teologia; contudo, a avaliação teológica de Jesus,
ainda que diferente em ênfase, mas em pleno acordo/concordância com o Jesus apresentado nos Evangelhos e Atos.

O Servo Sofredor- Paulo proclamou Jesus como o Messias que teve que morrer mas que foi ressuscitado
antes de ser glorificado. Era impossível para Paulo separar a messianidade de Jesus de sua morte e ressurreição (1
Co 15.3-4). Paulo sabia que a mensagem da cruz era uma pedra de tropeço para os judeus e uma loucura para os
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gentios (1 Co 1.18-25); ele, contudo, sustentava que a mensagem da cruz é o poder de Deus para a salvação (Rm
1.16; 1 Co 1.18). A cruz é a verdadeira expressão do amor de Jesus, pois nela ele se deu a favor da Igreja (Gl 2.20).
Jesus demonstrou seu amor por nós pelo fato de ser ele o Justo e morrer para o injusto/ímpio (Rm 5.6). Jesus veio
para servir seres humanos dando-se aos pecadores (1 Co 15.3 e Fp 2.6-11). A cruz revela, assim, a justiça de Deus
(Rm 3.21-26) na qual o próprio Deus é justo, ainda que justifique pecadores que compartilham da glória que
pertence aos Messias por meio da graça ímpar de Deus. O ensino do sofrimento de Jesus como servo é mais claro
em Romanos (4:25; 8:32-34) , mas a glória da Ressurreição brilha no tratamento que Paulo dá a Jesus como Servo.
A mensagem da ressurreição e ascensão de Jesus também confirma a renovação da vida em que todos os
crentes participam. Jesus veio em semelhança de carne pecaminosa (Rm 8.3), não cometeu pecado (2 Co
5.21),morreu pelos pecadores mas ressuscitou. Para Paulo a ressurreição de Jesus é de central importância pois traz
esperança para a vida presente e a vindoura. A ressurreição de Cristo dá aos crentes a segurança de que sua fé não é
fútil. Seus pecados são perdoados (1 Co 15.17) e aqueles que morreram se levantarão novamente para a vida (v.20-
21) .Os crentes podem se manter encorajados a fim de enfrentarem sua própria morte, sabendo que quando Cristo
voltar eles receberão um corpo glorioso, incorruptível e espiritual (v.35-49) .Paulo afirma que a ressurreição geral
significa a morte da morte e a vitória do povo de Deus por intermédio de Jesus Cristo (v.50-58).

1. O Senhor Glorificado e Vitorioso


O Paulo das Epístolas raramente faz referência à tradição da vida e ministério de Jesus na terra. Ele
conhece o Senhor ressurreto e exaltado e portanto sua teologia se desenvolve em torno da revelação futura de Jesus
Cristo, o que se pode chamar de o Jesus Escatológico. Ele conhece os elementos da tradição, mas aborda
especialmente as implicações da obra de Jesus na base de sua exaltação e glória a serem reveladas na sua vinda.
Ladd afirma: “Paulo conhece alguma coisa da tradição sobre a vida de Jesus (1 Co 11.23 segs.); todavia, devido sua
própria experiência com Jesus não ser com o Jesus da história, mas com o Jesus exaltado, ele é capaz, sob a
influência do Espírito Santo, de extrair as implicações da pessoa divina de Jesus”.
Em primeiro lugar, o apóstolo encontra em Jesus o começo na nova era, a era Messiânica. Embora não
aplique a terminologia de reino de Deus, sua teologia flui da convicção de que o reino está presente. O uso da
palavra “Cristo” como nome próprio dá lugar à expressão “Jesus Cristo ou Cristo Jesus”- o que não significa que
Jesus não seja o Messias. Ao contrário, em seu tratamento do relacionamento de Jesus com o mundo, a Igreja, e os
crentes individualmente, é evidente e aparente que Jesus é o Messias exaltado. Escrevendo aos crentes de Éfeso,
Paulo fala de Jesus como “Nosso Senhor Jesus Cristo” (1.3). Ele define as bênçãos como sendo: eleição, adoção,
graça, perdão de pecados, sabedoria, salvação e o selo do Espírito Santo (4-14). Que este dom representa o eschaton
está claro devido à referência de Paulo ao ponto “na dispensação da plenitude dos tempos” e “o santo Espírito da
promessa até ao resgate da sua propriedade” (Ef 1.10,13-14). Além do mais, o dom é também evidência do
domínio/governo presente de Cristo, pelo fato de Jesus ter autoridade “nos lugares celestiais”; Paulo descreve-o
como “assentado acima de todo principado e potestade e poderes e domínio e de todo nome que se possa referir não
só no presente século, mas também no vindouro" (v.20-21).
Segundo, para Paulo o próprio Jesus é “rei sobre o mundo inteiro” (1 Co 15.25) .Ele originalmente foi o
agente da criação de todas as coisas (Cl.1.16-17), triunfou sobre Satanás e os principados e potestades (2.15), e virá
“subordinar todas as coisas” (Fp 3.21), especialmente a morte (1 Co15.26). O próprio Pai o exaltou a Filho e lhe
deu autoridade sobre todas as nações, para que toda nação e língua “confesse que Jesus Cristo é Senhor" (Fp 2.9-
11).
29

Jesus nas Epístolas Gerais- As epístolas Gerais não contribuem de maneira tão significante como as
paulinas para a Cristologia do Novo Testamento. Elas afirmam e confirmam as tradições dos Evangelhos, Atos e
Epístolas Paulinas. Os títulos de Jesus, exceto raras exceções, têm um uso formulário/ padrão de vida. A abordagem
dos autores se relaciona mais com a aplicação da verdade da vinda de Jesus do que com a defesa de quem é Jesus.
Por exemplo, Pedro desenvolve o tema de Jesus como Servo Sofredor (1 Pe 1.19; 2:21-25; 3.18; 5.1), como
fundamento para a abnegação e perseverança no sofrimento do cristão (2.13-3:22; 4.12-19).
Uma das maiores contribuições é feita pelo autor aos Hebreus. Ele apresenta uma compreensão distinta da
encarnação de Jesus e sua humanidade, assim como também seu estado de exaltação. Ele procura tecer um contraste
entre a pessoa/ministério de Jesus e de seus predecessores do Antigo Testamento. Enquanto apresenta aspectos
passados, presentes e futuros da obra de nosso Senhor, o sabor escatológico domina seu tratamento de Jesus. Jesus
veio para salvar pecadores (Hb 2.14,17),viveu uma vida sem pecado, embora tenha sido tentado como homem
(4.15). Sofreu grandemente, submetendo-se ao Pai e sendo fiel até ao fim (5.7-10). Sua morte proveu para o presente
e futuro benefícios ao povo de Deus (3.1; 6.4-5; 9.26; 10.10,12). O Cristo exaltado é o próprio eschaton já (já
realizado) por intermédio do sacrifício na cruz “no fim dos tempos” (9.26).

IX - A IGREJA: O MINISTÉRIO DE JESUS NO ESPIRITO SANTO


O ministério dos apóstolos é o segundo estágio do ministério de Jesus. O Evangelho de Lucas registra a
vida de Jesus do nascimento à Sua ascensão aos céus. Ele dá seqüência, em Atos, de maneira sumária o ministério
de Jesus encarnado e a presença do reino de Deus em sua vida (At 1.3). O reino de Deus veio na pessoa do Grande
Rei na pessoa do próprio Jesus. O mesmo Jesus ensinou aos seus discípulos serem agentes desse reino, de Jerusalém
até os confins da terra. O conteúdo de Atos tem a ver com a expansão do reino. Na pessoa de Jesus exaltado está
o reino de Deus. Pregando o nome de Jesus, o reino é promovido.
A Igreja primitiva é caracterizada pelo ministério dos apóstolos escolhidos por Jesus e que estiveram
envolvidos com ele e com seu ministério durante os três ou mais anos. Foram as testemunhas plenipotenciárias do
Senhor. O testemunho apostólico foi revestido de poder pelo Espírito Santo que veio como cumprimento da
promessa de Jesus. Pelo Espírito Santo os apóstolos evidenciaram a nova era de restauração; como o seu Senhor
foram conhecidos pela pregação e pela operação de sinais e milagres (2.43; 3.6; 4.33; 5.12). Esta atividade
demonstra a contínua presença de nosso Senhor. O ensino apostólico e o ministério da cura era uma seqüência do
ministério de Jesus; contudo, gradualmente mudou da igreja judaica para uma igreja gentílica. O livro de Atos
registra a progressão geográfica e cultural da Igreja apostólica para demonstrar a presença do Espírito Santo à
medida que dava continuidade à obra de Jesus por intermédio da liderança apostólica, e forçou a igreja a sair das
suas raízes provinciais.
As epístolas refletem teologicamente a obra do Espírito Santo. Para Paulo o ministério do Espírito Santo na
Igreja tem relação com outros temas centrais tais como a pessoa e obra de Cristo escatologia e a natureza do reino de
Deus. A compreensão da igreja para Paulo se entende em três áreas: povo de Deus, reino de Deus e os dons do
Espírito
A Igreja como povo de Deus — A palavra característica para Igreja é Ekklesia que designa a congregação
local (1 Co 1.2; 2 Co 1.1) como também a Igreja universal da qual Cristo é o cabeça (Ef 1.22; Cl 1.18). Ridderbos
sustenta o argumento de que a Igreja universal precede à idéia de congregação local. Crê que a Igreja universal é
refletida na igreja local. A expressão “Ekklesia to Theos” (igreja de Deus) no entanto nos mostra que por ser a
Igreja os que são de Deus, significa que todos aqueles que Deus reúne, sejam localizados ou universalizados, são a
Igreja. Ela existe quando Deus chama e reúne os seus. Não temos dúvida de que, como afirma Ridderbos, a Igreja
30

local reflete a universal.


A doutrina paulina da igreja revela a continuidade do conceito do Antigo Testamento do povo de Deus. No
Antigo Testamento o “povo de Deus” é sinônimo de congregação (lx;q') traduzida na LXX por Ekklesia. A
diferença entre o A.T. e o N.T. é que a igreja no Novo consiste de Judeus e gentios que juntos formam o corpo e
constituem o alvo de Deus na história redentiva: um povo de todas as nações. A Igreja (Ekklesia) é um todo
orgânico em que a congregação local não é um grupo isolado mas se coloca num estado de solidariedade com a
Igreja como um todo.
O elemento orgânico se expressa através de várias metáforas para a Igreja como povo de Deus: corpo de
Cristo templo de Deus Sião e Israel de Deus.
Corpo de Cristo- A idéia de corpo expressa tanto a unidade quanto a diversidade existente dentro da
Igreja. A Igreja é um corpo em Cristo e mostra a diversidade em Cristo. A unidade da Igreja representa o plano de
Deus de unir todas as Coisas em Jesus (Ef 1.10). É um alvo escatológico como a Igreja já goza o que Deus tem
proposto para toda a criação: um Deus e um povo espiritual de Deus (Ef. 4.4-6) composto de judeus e gentios (1 Co
12.12-13). Todos os membros da Igreja devem se relacionar uns com os outros em lealdade a Jesus Cristo o único
cabeça (Ef 4.15; Cl.1.18).
Paulo também revela a diversidade dentro do corpo (Rm12.3-8; 1 Co 12.14-31). A diversidade se expressa
nos dons e ofícios da Igreja. O Espírito soberanamente concede a indivíduos os dons (vv.7,11) para o bem comum
do corpo. Por meio dos diversos dons o Espírito opera uma renovação em indivíduos e na Igreja como sinal da
restauração que se processa. A maior manifestação da vida no corpo ocorre quando os membros do corpo procuram
servir ao invés de serem servidos; a amar ao invés de procurarem ser amados; a se humilharem ao invés de humilhar
outros (Rm 12.3; 1 Co 12.31; 13.13; Fp 2.1-4).

Templo de Deus- A Igreja é o templo espiritual de Deus (Ef 2.21-22) por ser a habitação do Espírito Santo
e por ser caracterizada pela obra do Espírito. O Espírito de Deus purifica e santifica o povo para si mesmo (1 Co
3.17). Em Cristo todos os filhos de Deus são membros da mesma casa e são concidadãos (v.9). Em Cristo deus
ajuntou e reuniu em seu templo aqueles que estavam longe e os que estavam perto (Ef 2.14-22).
Sião- Paulo refere à "Jerusalém lá em cima" em contraste com o Monte Sinai (Gl.4.25-26). Jerusalém é
chamada “nossa mãe" um conceito derivado das expectativas proféticas de que Jerusalém será tão amplamente
habitada que sua população não pode ser numerada (Zc 2.10-13; ver também Is 54.1-15). O Senhor habita nela e
abençoa tanto judeus quanto gentios com sua presença. Desta mesma forma a bela expressão poética do salmo 87
inclui gentios como sendo nascidos em Sião cujos nomes são registrados “no registro dos povos" (4-6). Sião é a
cidade dos fiéis (Is 60.1-22; 66.7-13). A associação do Velho Testamento com Sião se reflete na compreensão de
Paulo sobre Sião. Ela é a fonte da vida da salvação e de alegria - “um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus"
(Sl 46.4; 87.7; Is 12.3; Ez 47.1-12; Ap 22.1-5). Para Paulo a Jerusalém que está acima é livre e é ela nossa mãe (Gl
4.26).

Israel de Deus- Por um lado o apóstolo Paulo vê claramente a continuidade na relação da Igreja aos pactos
história redentiva e ao povo de Deus do Velho Testamento.. Neste sentido a Igreja é o Israel de Deus (Gl 6.6). Por
outro lado se percebe na mente do apóstolo que pela fé em Cristo Judeus e gentios formam um só povo como
herdeiros e filhos de Abraão o verdadeiro cumprimento de Israel (Ef 2.11-20).

X - A IGREJA E OS DONS DO ESPÍRITO


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Há uma importante diferença entre o fruto do Espírito e os dons do Espírito. Todos aqueles que estão em
Cristo devem andar no Espírito (Gl 5.16,25), e por viver em novidade de vida devem desenvolver o fruto do
Espírito. O fruto do Espírito são aquelas qualidades de vida que nos conformam à imagem de Deus refletida em
Jesus Cristo (Rm 8.29; 2 Co 3.18):amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão,
domínio próprio (Gl 5.22-23; Ef 5.9). Todos os cristãos, sem exceção têm o alto e santo chamado a cultivarem tal
fruto espiritual.
Os dons do Espírito, todavia pertencem à variedade de funções dentro do corpo de Cristo. O Apóstolo
enfatiza a diversidade dentro do corpo como temos visto e amplia isto de maneira prática em seus ensinos a respeito
dos diversos dons (Rm 12.6-8; 1 Co 12.8-10,28-30; Ef 4.11). A variedade de dons revela que todos os membros da
Igreja de Cristo são batizados com o mesmo Espírito (1 Co 12.13; Ef 4.4); esses dons são os charismata, ou dons
espirituais. Eles são soberanamente concedidos pelo Espírito de Deus para a edificação do corpo (v.12,13)
O indivíduo recebe um chamado único para servir dentro da Igreja. A lista de Paulo dos dons não é teórica ,
mas funcional. nem esgota a diversidade dos dons: apóstolo, profeta, mestre, pastor, etc.
Os dons não são para usufruto próprio ou para medir grau de espiritualidade, mas para o desenvolvimento e
construção do corpo. Os dons do Espírito trazem unidade e onde está a unidade, Jesus está presente entre seu povo.
Onde Jesus está a maturidade espiritual se expressa "até que alcancemos a unidade na fé e no conhecimento do
Filho de Deus, à perfeita varonilidade, até que cheguemos à medida da plenitude de Cristo" (Ef 4.13).

Conclusão
A Igreja de Cristo foi construída por intermédio da pregação e do ensino da Palavra, da poderosa presença
do Espírito, pela evidência dos sinais e milagres e pela transformação de vidas. A Igreja era a continuação do povo
de Deus no Velho Testamento, mas com a vinda de Jesus, somente os que confessavam a Jesus como Messias de
Deus podiam pertencer à assembléia messiânica. Jesus Cristo é Senhor da criação e cabeça da Igreja. Ele tem
concedido dons de maneira abundante a seus membros e o sinal deste domínio vitorioso repousa na dádiva do
Espírito Santo. O Espírito Santo está em todos os membros do corpo de Cristo mas opera em conjunto com eles e
encoraja - os para o serviço com a diversidade dentro do corpo concedendo a variedade dos dons.
A Igreja é a agência promotora do reino do Senhor Jesus Cristo pela operação do Espírito Santo. Os
membros da Igreja de Cristo regularmente se reúnem em Igrejas locais com propósitos característicos como marcas
da Igreja de Cristo: pregação, oração, comunhão, e administração dos sacramentos. De maneira que a Igreja de hoje
continua sendo uma continuidade do ministério de Jesus através do Espírito Santo.

XI - A OBRA EXPIATÓRIA DE CRISTO


A palavra expiação não é uma palavra do Novo Testamento, mas a idéia de que a morte de Cristo
contornou o problema do pecado humano e reconciliou os homens com Deus é uma das idéias centrais do Novo
Testamento.
O assunto da morte de Cristo desempenha um papel tão relevante na estrutura do pensamento Paulino, que
merece um estudo mais detalhado. A centralidade do tema pode ser vista na sua declaração confessional de fé, não
criada por ele, mas recebida por ele da Igreja primitiva(ver 1 Co 15.3). Praticamente em todas as suas cartas Paulo
menciona de uma forma ou de outra a morte de Cristo Seu sangue sua cruz/crucificação.
O amor de Deus - Não se pode desenvolver qualquer estudo sobre expiação, sem mencionar antes de tudo o
amor de Deus. A expiação é a revelação suprema do amor de Deus. Em João 3.16 temos uma revelação fundamental
de Deus. Ninguém se gloriava mais no amor de Deus do que o apóstolo Paulo (Rm 5.8; 8.31,32; Rm 8.29; Ef 1.4,5).
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Muito embora tanto no Novo quanto no Antigo Testamento se vê como base, para a obra reconciliatória de Cristo a
ira de Deus, e que não se deve interpretar como sendo uma ira transformada em amor, Paulo repetidamente afirma
que foi o próprio amor de Deus que cumpriu a reconciliação, lavrada pela morte de Cristo. Para ele a mais infame e
cruel execução transformou - se naquilo em que Deus demonstrou supremamente seu amor. A cruz é o grande
púlpito de onde Deus expressa seu amor. É o amor de Deus que nos assegura a expiação. A expiação não persuade e
nem compele o amor de Deus. Pelo contrário, o amor de Deus é que compele à expiação, como o meio para cumprir
o propósito determinante deste mesmo amor. Sendo assim, este amor é a causa ou a fonte da expiação.
Paulo afirma que a cruz não é apenas a medida do amor de Cristo, mas do próprio Deus.(2 Co 5.19; Rm
5.8; 8.3; 8.32). Está claro que a expiação não é uma questão em que Cristo toma a iniciativa, enquanto o Pai adota
um papel passivo. É resultado do conselho de Deus. Tanto a mor de Deus quanto o de Cristo são vistos na cruz. O
amor de Cristo é o amor de Deus.
Ao mesmo tempo que reconhecemos que a cruz é a obra de um Pai amoroso temos que reconhecer que a
necessidade de expiação é vista à luz da ira de Deus contra o pecado. Paulo fala disso em Romanos quando afirma o
seguinte: (Rm 1.18). A verdade é que enquanto Deus em seu amor deseja redimir os homens, ele tem que cumprir
seu propósito em perfeita fidelidade com sua própria natureza, sem negar sua justiça. A ira é o juízo que cai sobre o
pecado na ordem moral em que Deus governa. A ira é a reação divina ao pecado. A expiação é necessária porque os
homens estão debaixo da ira e do juízo de Deus. A obra expiatória de Cristo não transforma a ira de Deus em amor,
pois o amor de Deus é, ele mesmo, a fonte da reconciliação.

Morte expiatória - Para o apóstolo Paulo, a morte de que Cristo foi expiatória. Ele associa a morte de Cristo
com o conceito do ritual do sacrifício do Velho Testamento: "oferta e sacrifício a Deus em cheiro suave" (Ef 5.2).É
uma referência à oferenda que o Sumo sacerdote fazia no dia da Grande Expiação. A expressão clássica usada por
Paulo está em Romanos 3:25" Deus propôs no seu sangue como propiciação (hilasterion)...". Paulo fala de Cristo
como cordeiro pascal que foi sacrificado (1 Co 5.7).
O aspecto expiatório da morte de Cristo é visto nas freqüentes referências ao seu sangue. "Somos
justificados pelo seu sangue" (Rm 5.9) "...no qual temos a redenção pelo seu sangue" (Ef 1.7), “fostes aproximados
pelo sangue de Cristo" (Ef 2.13). "havendo feito a paz pelo sangue de sua cruz" (Cl 1.20).
Idéia de sangue - As referências não têm a ver com o sangue físico/líquido real de Jesus, pois de fato Jesus
quase não derramou sangue na sua morte. A idéia de sangue se refere à matança do cordeiro sacrificial, cuja
garganta era cortada e o sangue jorrava. Não aconteceu nada disso com Jesus. No Novo Testamento, sangue
significa vida tirada violentamente, vida oferecida em sacrifício. Leon Morris faz a observação de no Novo
Testamento a palavra sangue aparece 98 vezes e dentre elas, 25 vezes indicam morte violenta. 12 vezes se refere ao
sangue de sacrifício de animais, todas essas referências estão em Hebreus. Todas as demais passagens se referem de
um modo ou de outro ao sangue de Cristo, grande parte delas falando da Sua morte, sem qualquer implicação
necessária de sacrifício.
Há uma referência especial ao sangue quando Jesus falou em João de beber o sangue, significando a
participação na vida de Cristo37.

Morte vicária e substitutiva - O apóstolo Paulo descreve a obediência de Cristo em duas dimensões: ativa e
passiva. John Murray faz uma importante observação de que não se pode vincular a idéia de ser a obediência ativa
em vida e a passiva em morte, pois não se trata de uma distinção de períodos. O verdadeiro uso e propósito da
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fórmula é para enfatizar os dois aspectos distintos da obediência vicária de nosso Senhor. Essa verdade repousa no
reconhecimento de que a lei de Deus tem suas sanções penais como também suas exigências positivas. Ela não
apenas exige o pleno cumprimento de seus preceitos , mas também a aplicação da pena para todas as infrações e
falhas. E é essa dupla exigência da lei de Deus que é levada em conta quando falamos da obediência ativa e passiva
de Cristo. Cristo, como o substituto do seu povo, assumiu a maldição e condenação que o pecado trouxe, e cumpriu
a lei em todas as suas exigências positivas, isto é, ele cuidou da culpa do pecado e cumpriu perfeitamente as
exigências da justiça.
A idéia de morte vicária significa que Jesus não morreu por causa própria ou meramente como um evento
histórico. Paulo diz: "ele morreu por nós" (I Tess 5.10); "quando ainda éramos pecadores Cristo morreu por nós"
(Rm 5.8); "Ele foi entregue por todos nós” (Rm 8.32); "Ele se entregou a si mesmo por nós" (Ef 5.2). “ele se fez
maldição por nós" (Gl 3.13).Ver a atitude do próprio Jesus (Mc 10.45) e perceber que o apóstolo Paulo está
refletindo o próprio conceito de Jesus sobre sua morte.
Mas, também, a morte de Jesus foi substitutiva. Significa que não foi apenas por mim mas também em meu
lugar. Significa que por sua morte eu não mais morrerei , mas viverei eternamente com ele. Ao sofrer a penalidade e
a tristeza da morte Jesus me livra dessa triste experiência. Ao submeter - se ao julgamento de Deus ele me tira essa
julgamento. Significa uma pessoa agindo em lugar da outra. Significa que Jesus tornou uma maldição em nosso
lugar.

Morte propiciatória - A morte de Cristo tem a ver não apenas com o homem e seu pecado; ela também está
concentrada em Deus, e como tal, é propiciatória. A palavra hilastérion traz em si o conteúdo central da doutrina
de Paulo quando à morte de Cristo (Rm 3.24,25). Esse substantivo é derivado do verbo exhiláskomai que em toda
literatura grega quer dizer propiciar ou acalmar uma pessoa que foi ofendida. Nesse caso a morte de Cristo
funcionou como um calmante da ira de Deus contra o pecado, através da qual o pecador é liberto da ira de Deus, e
transformado no recipiente de sua dádiva graciosa do amor
A palavra propiciação aparece traduzida comumente em nossas versões como expiação. O Sentido é que a
obra expiatória de cristo tem como objetivo a propiciação. Ela tem no contexto hebreu do Antigo Testamento o
sentido de cobrir e remover. É uma idéia oriunda do sacrifício do Dia da Grande Expiação - idéia inerente aos dois
bodes(o da expiação e o azazel) . A palavra kapper do Piel infinitivo de kaphar , pode trazer duas idéias: um fruto
do paganismo, que seria o pecador por si mesmo cobrir a face de Deus. Cremos que o homem não pode trazer algo
dele mesmo para Deus. O homem não pode tomar iniciativa. Ele não ser seu próprio protetor. O sentido bíblico é
que Deus mesmo é quem toma providências/iniciativa para fazer a cobertura. Se a ira é o santo e justo desprazer de
Deus, segue - se que Deus procura cobrir sua própria visão do pecador. A cobertura é a providência que remove esse
santo desprazer provocado pelo pecado. Naturalmente, se Deus está no propiciatório, faz - se expiação diante da
face de Deus para lhe aplacar a ira e não no pecador. Deus se cobre com o sangue de Cristo.

Morte reconciliatória - A propiciação focaliza nossa atenção na ira de Deus e na provisão divina para a
remoção/aplacamento dessa ira. A reconciliação focaliza a questão de restauração do favor divino para com o
pecador. Reconciliação pressupões interrupção nas relações entre Deus e o homem. Tem a ver com inimizade e
alienação. A ênfase bíblica está na alienação de Deus para conosco, uma vez que ele é o ofendido pelo nosso
pecado(ver Is. 59:2).
Ao examinarmos as Escrituras de maneira bem detalhada perceberemos que é nosso pecado que desperta a

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Ver um estudo mais detalhado no livro de livro de Leon Morris The Apostolic Preaching of the Cross,112 - 128.
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reação de alienação entre Deus e nós. É sua alienação para conosco que se destaca na reconciliação.
Vale a pena examinar algumas ocorrências do termo reconciliar no Novo Testamento.
• Ver Mateus 5.23,24. Neste texto o sentido do imperativo vai primeiro reconciliar - te com teu irmão,
oferece as seguintes considerações: a) Alguma coisa penetrou nas relações entre dois irmãos. O que o
texto diz é que há um obstáculo que precisa ser removido. Precisa - se remover o obstáculo . O
resultado será o retorno à amizade. O que está em jogo é o obstáculo. Começa - se com uma ação.
Segue-se o efeito = o reinício das novas relações. Quando se removeu o obstáculo da mente do
ofendido, as relações são renovadas.
• Outro texto é 1 Coríntios 7.11. Referindo-se à mulher separada a exortação é para que ela, como
ofendida, procure se reconciliar com o marido. Ela, que é ofendida irá remover o obstáculo para que
haja reconciliação.
• Romanos 5.8-11 - A morte de Jesus, pela qual a reconciliação foi consolidada é manifestação suprema
do amor de Deus como ele se expressa numa ação bem definida como a morte de Cristo. Nossa atenção
se volta para o fato de que a atitude é de Deus e não do homem;
a) Paulo nos fala que fomos reconciliados por Deus por meio da morte de seu Filho. O verbo nos faz ver
que é um ato de uma vez por todas, quando Cristo morreu.
b) A segunda coisa que vemos (v.9), é que fomos justificados por seu sangue. Justificação é sempre
forense e não a mudança subjetiva na disposição do homem.
c) A reconciliação é algo recebido (v.11) -"Acabamos de receber a reconciliação"- É algo entregue a
nós como dádiva divina e gratuita.
d) Paulo afirma que quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus.é mais que evidente que a
palavra inimigos não se refere à nossa inimizade com Deus e sim, a alienação de Deus para conosco.
• 2 Coríntios 5.18-21 –
a) a reconciliação é representada como uma obra de Deus. Ela inicia - se com Deus e é consumada por
ele. É um monergismo divino
b) a reconciliação é uma obra concluída - Não é algo que Deus realizando paulatina e continuamente
c) O v. 21 aponta para Cristo que carregou vicariamente o pecado, ele que levou a reconciliação à sua
realização. O caráter forense é demonstrado no v. 19 onde diz que “Deus não imputou aos homens
as suas transgressões”.
d) Essa obra de reconciliação, consumada, é a mensagem confiada aos mensageiros do Evangelho
(v.19) Ela constitui a substância/conteúdo da mensagem. A mensagem deve ser anunciada como um
fato A conversão não é o evangelho Qualquer transformação ocorrida no pecador é uma resposta ou
efeito daquilo que já foi realizado.
e) A exortação "que vos reconcilieis com Deus" (v.20) é um convite para que o pecador já não mais
permaneça no estado de alienação com Deus, mas, pelo contrário, entre na relação de favor e paz
estabelecida pela obra reconciliatória de Cristo É um convite para que se apodere da graça de Deus.

A Cruz e a justificação- Embora muitos liberais procuram combater a idéia de que Justificação seja um
tema fundamental para a doutrina paulina por aparecer quase que exclusivamente nas cartas de Gálatas e Romanos (
o verbo justificar - dikaioo = 14 vezes e o substantivo justificação - dikaiosune = 52 vezes) e que ele apenas está
abordando o assunto no contexto de uma controvérsia com os judaizantes, os expoentes da teologia reformada são
unânimes em afirmar que a doutrina da Justificação Pela fé é o centro do pensamento paulino.
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A idéia expressa por dikaioo é "declarar justo" e não "transformar em justo". De onde Paulo extraiu seu
embasamento? Não poderia se dos gregos pois para Platão justiça era uma das quatro virtudes cardeais: justiça,
prudência, temperança e coragem. A base para Paulo é o Velho Testamento. O verbo traduzido "justificar" é tsadaq.
Que tem o sentido de conformar a uma norma. Justiça tem seu significado como sendo "a norma, nas questões do
mundo, à qual os homens e as coisas têm que se conformar e pela qual podem ser medidos". O homem justo é o que
vive de acordo com a norma dada, e, em certas formas, especialmente no hiphil, significa "declarar justo/ causar a
justiça ou justificar".
Basicamente a justiça é um conceito de relacionamento. Justiça é um conceito de fidelidade a um
relacionamento. Como tal, a justiça torna - se uma palavra de grande significado teológico. Justiça é o padrão que
Deus determinou para a conduta humana. O homem justo é aquele que, no juízo de deus, se encontra no padrão
divino e por conseguinte, se encontra num relacionamento justo com Deus. Como conseqüência só Deus pode
decidir se um homem encontra na norma que Ele decretou para a justiça humana.
A idéia de justiça com freqüência é encontrada num contexto forense: o homem justo é aquele que o juiz
declara estar livre de culpa. É justo quem é julgado estar em justiça (Ex.23.7;Deut. 25.1).Segundo Eichrodt, quando
o termo é aplicado à conduta de Deus, o conceito é restrito e quase que exclusivamente empregado num sentido
forense.
No judaísmo justiça passou a ser definida amplamente em termos de conformidade com a Torá - a Lei de
Moisés. Segundo os rabinos, o homem justo era o que nutria um impulso bom em direção a Deus e continha o
impulso mau em direção ao mal, de modo que no fim das contas, os bons feitos deveriam contrapesar os feitos
maus. Desta maneira, justiça de Deus foi concedida para recompensar os homens estritamente segundo os seus
feitos. Aí vinha a idéia do mérito das boas obras. Cada um deveria acumular um estoque reservado para o futuro.
Para o judaísmo era muito chocante o uso de Paulo do termo que implica que em Cristo, Deus justifica os
ímpios(Rm 4.5).
A idéia forense da justificação - significa que Deus é concebido como o legislador e juiz e a justificação é
a declaração do juiz de que um homem é justo. O homem injusto permanece em relação a Deus, como pecador, e
tem que finalmente, experimentar a condenação do justo juiz. O homem justificado tem, em Cristo, o começo de um
novo relacionamento com Deus. Deus agora o vê como justo e o trata como tal. A justificação é o pronunciamento
do juiz justo de que o homem em Cristo é justo. Contudo essa justificação é uma questão de relacionamento e não de
caráter ético. Deus é quem provê este relacionamento.
A justiça segundo Paulo é tida como dom de Deus - (Rm 5.17) - não é uma qualidade de vida. Ver também
2 Coríntios 5.21. Um comentarista deste texto afirma: " não se pode dizer outra coisa senão que Deus tratou o
Cristo sem pecado como se ele fosse culpado e impôs sobre ele o castigou que nossos pecados mereceram. E essa
imposição tornou possível tratar os pecadores como se eles fossem realmente justos" (Rashdall).
A idéia da imputação - a imputação é o corolário da visão forense da justificação. A imputação significa
que os méritos de Cristo são imputados aos crentes. Calvino diz: " o Filho de Deus, embora sem mancha, tomou
sobre si a desgraça e a ignomínia de nossas iniqüidades, e em troca vestiu - nos com sua pureza". Significa um
status conferido aos homens por Deus na base da obra sacrificial de Cristo.
Por um lado é forense e por outro é pela fé. Paulo afirma com forte ênfase que a justificação é adquirida
apenas pela fé. Naturalmente é uma fé objetiva e não apenas subjetiva. Ela parte do princípio de confiar na realidade
e suficiência da obra de Cristo em seu favor (Rm 4.11,13; 9.30; 10.6; Fp.3.9 etc).
Ademais, para o apóstolo, a justificação é uma experiência presente e não apenas futura. Paulo sempre usa
a palavra "agora" (ex: Rm 3.21). Ela é presente e futura; contudo o seu aspecto presente é que recebe maior ênfase
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na teologia paulina e em todo o Novo Testamento.


Fé e obras em Tiago - "pelas obras um homem é justificado e não por fé somente" (2.24). Tiago usa as
obras de Abraão e Raabe como exemplo. Nota-se com facilidade que ele não está negando a fé mas é contra fé sem
obras (ver 2.17,26). Fé viva produz frutos. Sua visão de obras é sinônima de "fruto do Espírito" de Paulo.