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ESCOLA DE COMANDO E ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO

ESCOLA MARECHAL CASTELLO BRANCO

TC Com ALEXANDRE SANTANA MOREIRA

Um Estudo sobre a Estratégia da Presença Militar na


Região Amazônica, no Século XXI: a Relação entre a
Presença Tangível e Intangível.

Rio de Janeiro

2016
TC Com ALEXANDRE SANTANA MOREIRA

Um Estudo sobre a Estratégia da Presença Militar na


Região Amazônica, no Século XXI: a Relação entre a
Presença Tangível e Intangível.

Tese de Doutorado apresentado à Escola de


Comando e Estado-Maior do Exército no
programa de pós-graduação stricto sensu em
Ciências Militares.

Orientador: Dr Ândrei Clauhs

Rio de Janeiro – RJ
2016
M835e MOREIRA, Alexandre Santana
Um Estudo sobre a Estratégia da Presença Militar na Região
Amazônica, no Século XXI: a Relação entre a Presença Tangível
e Intangível. / Alexandre Santana Moreira. 2016.

289 f.; 30 cm.

Orientador: Ândrei Clauhs


Tese (Doutorado em Ciências Militares) – Escola de Comando
e Estado-Maior do Exército, Rio de Janeiro, 2016.

Bibliografia: f. 264-277.

1. Estrategia da Presença. 2. Presença Tangível. 3. Presença


Intangível. 4. Amazônia. I. Título.

CDD 355.02
Dedico à minha esposa Patrícia e aos meus
filhos Maria Luíza e Luiz Felipe, com todo meu
amor, pela paciência sem fim, pelo incentivo
constante e pelo apoio incondicional. Amo
vocês!
AGRADECIMENTOS

Como gratidão ao apoio recebido, na realização deste trabalho, desejo


agradecer a todos aqueles que, de forma direta ou indireta, contribuíram para a
conclusão do mesmo.
Agradeço à Deus, primeiramente, pela força de chegar até aqui e concluir
esta tarefa com saúde.
A minha família, pelo apoio incondicional nas horas dífices, pelo amor
constante, pela compreensão de sempre. Sem vocês nada disso seria possível.
A minha mãe, pela torcida e apoio sempre que se fizeram necessários.
Obrigado pelas preces e pela paciência.
Ao meu orientador, Cel Clauhs, pela confiança em todos os momentos, pelos
conselhos precisos e pela paciência nas diversas atividades desenvolvidas para com
este doutorando.
Ao meu amigo Eugênio, o qual me ensinou tudo sobre a parte quantitativa
desta tese, sem o qual não seria possível realizar a presente abordagem estatística.
O meu, muito obrigado! Tenho uma eterna dívida de gratidão pela paciência e apoio
para a realização deste trabalho.
Aos Professores e auxiliares do Instituto Meira Mattos (IMM), meus
agradecimentos pela retirada de dúvidas, pelo incentivo hodierno, pelo apoio nas
aulas e atividades diversas.
A todos da Cooperação Militar Brasileira no Paraguai (CMBP), meus
agradecimentos pela paciência e apoio para a conclusão deste trabalho.
Aos amigos do CCEM 13-14, pelo apoio no preenchimento das diversas
pesquisas aplicadas, bem como pela paciência e ajuda nas diversas atividades
deste doutorado.
A todos aqueles que, de uma forma ou de outra, compartilharam comigo essa
caminhada, meus sinceros agradecimentos.
“(...) porque também sou homem sujeito à
autoridade, e tenho soldados sob meu poder, e digo
a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao
meu servo: Faze isto, e ele o faz.” Lucas 7:8.
RESUMO

MOREIRA, A. S. Um Estudo sobre a Estratégia da Presença Militar na Região


Amazônica, no Século XXI: a Relação entre a Presença Tangível e Intangível.
2016. ___ f. Tese (Doutorado). Escola de Comando e Estado-Maior do Exército,
Instituto Meira Mattos, Rio de janeiro, 2016.

A presente Tese busca identificar os parâmetros que contribuem para a


adoção de uma eficaz Estratégia da Presença Militar para a Amazôna no século XXI,
buscando compreender a relação existente entre a Presença Tangível ou material
das forças na região amazônica e a Presença Intengível ou imaterial dos mesmos
elementos, por meio de uma abordagem multidisciplinar. Para tanto, buscou-se
entender as influências internas e externas existentes na área analisada, bem como
a importância da Geopolítica, do entendimento do que é política pública de defesa e
a caracterização teórica do que seria a Presença Tangível e Intangível. Depois, por
meio de um trabalho qualitativo, com uma análise de conteúdo, buscou-se clarificar
os principais componentes das duas presenças por meio de 20 entrevistas com
especialistas. Na sequência, buscou-se realizar uma análise fatorial inicial, com mais
de 200 (duzentos) respondentes, a fim de analisar a validade dos construtos
analisados, bem como a pertinência ou não de cada variável identificada
inicialmente. Por fim, foi realizada uma análise fatorial confirmatória, com mais de
300 (trezentos) respondentes, usando a técnica da modelagem de equações
estruturais, para chegar ao modelo final para esta estratégia, o qual prevê a validade
dos dois construtos, tangível e intangível, sendo o intangível, que apresenta o maior
peso nesta equação, contribuindo para as ciências militares com o entendimento,
mais claro, dos fatores securitizados, os quais influenciam a adoção de uma política
pública de defesa para Amazônia pelos órgãos competentes.

Palavras-chave: Amazônia. Estratégia. Presença. Tangível. Intangível. Modelagem


de Equações Estruturais.
ABSTRACT

MOREIRA, A. S. A Study on the Strategy of Military Presence in the Amazon


region, in the XXI century: the Relationship between the Tangible and
Intangible Presence. 2016. ___ f. Tese (Doutorado). Escola de Comando e Estado-
Maior do Exército, Instituto Meira Mattos, Rio de janeiro, 2016.

This thesis seeks to identify the parameters that contribute to the adoption of an
effective strategy Presence Military for Amazon in the XXI century, trying to
understand the relationship between the Tangible Presence or material of the forces
in the Amazon region and Intengível presence or immaterial thereof elements, by
means of a multidisciplinary approach. Therefore, we sought to understand the
internal and external influences existing in the analyzed area as well as the
importance of geopolitics, the understanding of what is public policy advocacy and
theoretical characterization of what would be the Tangible and Intangible Presence.
Then, by means of a qualitative work with content analysis, we attempted to clarify
the presence of the two main components by 20 interviews with specialists.
Following, we sought to perform an initial factor analysis, with more than 200 (two
hundred) respondents in order to analyze the validity of the analyzed constructs, as
well as the relevance or otherwise of each variable identified initially. Finally, a
confirmatory factor analysis, with more than 300 (three hundred) respondents, using
the technique of structural equation modeling to reach the final model for this strategy
was carried out, which provides the validity of two constructs, tangible and intangible,
being intangible, which has the highest weight in this equation, contributing to the
military sciences with the understanding, clearer, securitized factors, which influence
the adoption of a public policy defense to Amazon by the competent bodies.

Keywords: Amazon. Strategy. Presence. Tangible. Intangible. Structural Equation


Modeling.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AM Amazonas
CBM Medidas Construtoras de Confiança
CINDACTA Centro Integrado de Defesa Aérea e Tráfego Aéreo
CMA Comando Militar da Amazônia
COMGAR Comando de Operações Aéreas
ComOpNav Comando de Operações Navais
COTER Comando de Operações Terrestres
CPE Centro de Poder Econômico
CPEAEx Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército
CREDEN Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional
EB Exército Brasileiro
ECEMAR Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica
ECEME Escola de Comando e Estado-Maior do Exército
EGN Escola de Guerra Naval
END Estratégia Nacional de Defesa
ESG Escola Superior de Guerra
EME Estado-Maior do Exército
EUA Estados Unidos da América
FGV Fundação Getúlio Vargas
LBDN Livro Branco de Defesa Nacional
MD Ministério da Defesa
MEE Modelagem de Equações Estruturais
MRE Ministério das Relações Exteriores
OM Organização Militar
ONU Organização das Nações Unidas
ONG Organização Não-Governamental
OSI Organismos de Segurança Internacionais
OTAN Organização do Tratado do Atlântico Norte
OTCA Organização do Tratado de Cooperação Amazônico
PA Pará
PND Política Nacional de Defesa
PROFORÇA Projeto de Força do Exército Brasileiro
RAM Revolução em Assuntos Militares
Rg Região
RO Rondônia
RR Roraima
Sec Século
SISFRON Sistema de Monitoramento de Fronteira
TNP Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares
TCA Tratado de Cooperação Amazônico
UnB Universidade de Brasília
UE União Européia
URSS União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
USP Universidade de São Paulo
LISTA DE QUADROS

Quadro Nr 1 – Espectro dos Conflitos ......................................................... 72


Quadro Nr 2 - OM do EB na Amazônia do Sec XVIII até 1900 ................... 105
Quadro Nr 3 - Distribuição dos efetivos do EB na Amazônia ...................... 107
Quadro Nr 4 - Organização da Marinha criadas na Amazônia .................... 112
Quadro Nr 5 - Distribuição dos efetivos da MB na Amazônia ..................... 113
Quadro Nr 6 - Ano de criação dos COMAR ................................................ 114
Quadro Nr 7 - Distribuição dos efetivos do FA na Amazônia ...................... 115
Quadro Nr 8 – Concepções Filosóficas ....................................................... 153
Quadro Nr 9 – Desenho de Pesquisa .......................................................... 155
Quadro Nr 10 – Fase Quali-quantitativa com amazônidas .......................... 156
Quadro Nr 11 – Fase Quantitativa ............................................................... 157
Quadro Nr 12 – Subcategorias da Categoria 1 (PRESENÇA TANGÍVEL) .. 168
Quadro Nr 13 – Vinculação positiva das respostas com as subcategorias
da categoria Presença Tangível ................................................................. 169
Quadro Nr 14 – Indicadores da subcategoria a (Contraparte da
Mobilidade) ................................................................................................. 172
Quadro Nr 15 – Indicadores da subcategoria b (Contenção) ..................... 174
Quadro Nr 16 – Indicadores da subcategoria c (Ocupação Territorial) ........ 177
Quadro Nr 17 – Indicadores da subcategoria d (Distribuição Territorial) .... 179
Quadro Nr 18 – Indicadores da subcategoria e (Desenvolvimento
Nacional) ..................................................................................................... 181
Quadro Nr 19 – Subcategorias da Categoria 2 (PRESENÇA INTANGÍVEL) 182
Quadro Nr 20 – Vinculação positiva das respostas com as subcategorias
da categoria Presença Intangível ............................................................... 183
Quadro Nr 21 – Indicadores da subcategoria a (Monitoramento) ................ 186
Quadro Nr 22 – Indicadores da subcategoria b (Cibernético) ...................... 189
Quadro Nr 23 – Indicadores da subcategoria c (Metafísico) ........................ 193
LISTA DE TABELAS

Tabela Nr 1 – Formulação de Políticas Públicas ......................................... 49


Tabela Nr 2 – Ativos intangíveis ................................................................. 55
Tabela Nr 3 – Evolução Histórico-Militar ..................................................... 57
Tabela Nr 4 – Forças Armadas em três Eras .............................................. 58
Tabela Nr 5 – Forças Armadas em “Estado de Segurança” ........................ 58
Tabela Nr 6 – Estrutura da Sociedade Internacional Sul-Americana ......... 78
Tabela Nr 7 – Distinções epistemológicas .................................................... 145
Tabela Nr 8 – Percepções de ameaças (por região) ................................... 149
Tabela Nr 9 – Percepção de ameaças em relação ao interesse na
amazônia brasileira e uma possível agressão militar estrangeira (por
região) ........................................................................................................ 150
Tabela Nr 10 – Percepção de ameaças em relação ao interesse na
amazônia brasileira e uma possível agressão militar estrangeira (por faixa
etária) ........................................................................................................... 150
Tabela Nr 11 – Percepção de ameaças em relação ao interesse na bacia
do pré-sal e uma possível agressão militar estrangeira (por região) ......... 150
Tabela Nr 12 – Percepção de ameaças em relação ao interesse na bacia
do pré-sal e uma possível agressão militar estrangeira (por faixa etária) .... 151
Tabela Nr 13 – Percepção de ameaça militar estrangeira (por região) ...... 151
Tabela Nr 14 – Perguntas para Presença Tangível e suas letras código ... 196
Tabela Nr 15 – Perguntas para Presença Intangível e suas letras código ... 199
Tabela Nr 16 – Fator e variáveis (Contraparte da mobilidade) ................... 201
Tabela Nr 17 – Matriz de Comunalidades (Contraparte da mobilidade) ..... 202
Tabela Nr 18 – Descrição Estatística (Contraparte da mobilidade) ........... 203
Tabela Nr 19 – Fator e variáveis (Contenção) ............................................ 204
Tabela Nr 20 – Matriz de Comunalidades (Contenção) ............................. 204
Tabela Nr 21 – Descrição Estatística (Contenção) .................................... 205
Tabela Nr 22– Fator e variáveis (Ocupação Territorial) .............................. 206
Tabela Nr 23 – Matriz de Comunalidades (Ocupação Territorial) ............... 207
Tabela Nr 24 – Descrição Estatística (Ocupação Territorial) ...................... 207
Tabela Nr 25 – Fator e variáveis (Distribuição Territorial) ............................ 208
Tabela Nr 26 – Matriz de Comunalidades (Distribuição Territorial) .............. 209
Tabela Nr 27 – Descrição Estatística (Distribuição Territorial) .................... 209
Tabela Nr 28 – Fator e variáveis (Desenvolvimento Nacional) .................... 210
Tabela Nr 29 – Matriz de Comunalidades (Desenvolvimento Nacional) ..... 211
Tabela Nr 30 – Descrição Estatística (Desenvolvimento Nacional) ........... 212
Tabela Nr 31 – Descrição das variáveis finais com análise por subcategoria 213
Tabela Nr 32 – Fator e variáveis (Análise global presença Tangível) .......... 215
Tabela Nr 33 – Matriz de Comunalidades (Análise global presença
Tangível) ..................................................................................................... 216
Tabela Nr 34 – Descrição Estatística (Análise global presença Tangível) ... 217
Tabela Nr 35 – Descrição das variáveis finais com análise global da
Presença Tangível ....................................................................................... 219
Tabela Nr 36 – Fator e variáveis (Monitoramento) ..................................... 220
Tabela Nr 37 – Matriz de Comunalidades (Monitoramento) ........................ 221
Tabela Nr 38 – Descrição Estatística (Monitoramento) .............................. 221
Tabela Nr 39 – Fator e variáveis (Cibernético) .......................................... 223
Tabela Nr 40 – Matriz de Comunalidades (Cibernético) ............................ 224
Tabela Nr 41 – Descrição Estatística (Cibernético) ................................... 224
Tabela Nr 42 – Fator e variáveis (Mentalidade de Defesa) ......................... 226
Tabela Nr 43 – Matriz de Comunalidades (Mentalidade de Defesa) .......... 227
Tabela Nr 44 – Descrição Estatística (Mentalidade de Defesa) ................. 228
Tabela Nr 45 – Descrição das variáveis finais com análise por subcategoria 230
Tabela Nr 46 – Fator e variáveis (Análise global presença Intangível) ......... 232
Tabela Nr 47 – Matriz de Comunalidades (Análise global presença
Intangível) ...................................................................................................... 233
Tabela Nr 48 – Descrição Estatística (Análise global presença Intangível) ... 235
Tabela Nr 49 – Descrição das variáveis finais com análise global da
Presença Intangível ..................................................................................... 236
Tabela Nr 50 – Índices de Ajuste do Modelo ............................................. 243
Tabela Nr 51 – Índices utilizados em Análise de Covariância .................... 243
Tabela Nr 52 – CR do construto PTA .......................................................... 244
Tabela Nr 53 – CR do construto PIA ........................................................... 245
Tabela Nr 54 – Estimativa de Peso de Regressão do construto PTA ......... 246
Tabela Nr 55 – Estimativa de Peso de Regressão do construto PIA ........... 247
Tabela Nr 56 – Estimativa do Efeito de PTA nas variáveis de PIA .............. 248
Tabela Nr 57 – Correlação entre variáveis observadas de PTA e PIA ........ 249
LISTA DE FIGURAS

Figura Nr 1 – Amazônia Legal ............................................................................ 36


Figura Nr 2 – Pan-Amazônia ............................................................................... 37
Figura Nr 3 – Densidade Populacional na Amazônia .......................................... 38
Figura Nr 4 – Arco do Desmatamento .................................................................. 40
Figura Nr 5 – Trindade de Clausewitziana Clássica e Expandida ....................... 60
Figura Nr 6 – O espectro do grau de amizade ................................................... 66
Figura Nr 7 – Eixo de Conexão ........................................................................... 75
Figura Nr 8 – Distribuição dos Grandes Comandos Navais ................................ 79
Figura Nr 9 – Distribuição dos Grandes Comandos Terrestres ........................... 80
Figura Nr 10 – Distribuição dos Grandes Comandos Aéreos .............................. 81
Figura Nr 11 – Forças distribuídas de acordo com Doutrina de Operações
Conjuntas ........................................................................................................... 82
Figura Nr 12 – Distribuição de Forças Terrestres ............................................... 84
Figura Nr 13 – Posições Geoestratégicas ........................................................... 95
Figura Nr 14 – Áreas alvo potenciais de uma ameaça ....................................... 97
Figura Nr 15 – Área Pivô na teoria de Mackinder................................................ 100
Figura Nr 16 – As Fortificações Históricas da Amazônia..................................... 104
Figura Nr 17 – Área de atuação do CMA e CMN................................................. 106
Figura Nr 18 – OM de Engenharia na Amazônia ................................................. 106
Figura Nr 19 – Pelotões Especiais de Fronteira ................................................. 108
Figura Nr 20 – Distribuição dos NPOR ............................................................... 109
Figura Nr 21 – Distribuição dos Tiros-de-Guerra ................................................ 110
Figura Nr 22 – Distribuição dos Grandes Comandos Navais ............................. 113
Figura Nr 23 – Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro ..................... 116
Figura Nr 24 – Quantidade de Rondonistas por Município ................................. 117
Figura Nr 25 – Abrangência do SIVAM/SIPAM .................................................. 119
Figura Nr 26 – Área de cobertura dos radares de Defesa Aérea e Controle de
Tráfego Aéreo (CINDACTA) no Brasil ............................................................... 120
Figura Nr 27 – Sistemas do SIVAM/SISFRON ................................................... 122
Figura Nr 28 – Abrangência do SISFRON .......................................................... 122
Figura Nr 29 – Subsistemas do SISFRON .......................................................... 124
Figura Nr 30 – Subsistemas de Sensoriamento .................................................. 125
Figura Nr 31 – Limites da Plataforma Continental................................................ 128
Figura Nr 32 – Abrangência do SisGAAZ ............................................................ 131
Figura Nr 33 – Iceberg Científico - Tecnológico ................................................... 138
Figura Nr 34 – Infovias do Projeto Amazônia Conectada ................................... 143
Figura Nr 34 – Modelo Conceitual ...................................................................... 240
Figura Nr 35 – Diagrama de caminhos do Modelo de Mensuração de 2ª Ordem 240
Figura Nr 36 – Diagrama de caminhos do Modelo de Mensuração Final ............ 250
APÊNDICES

Apêndice A – Roteiro de entrevista realizada com Militares Brasileiros


(Marinha, Exército e Aeronáutica), do Quadro de Estado-
Maior, servindo na Amazônia ou que tenham experiência
na região ........................................................................... 278
Apêndice B – Roteiro de entrevista realizada com Acadêmicos
(Brasileiros e Estrangeiros) que tenham experiência na
Amazônia .......................................................................... 280
Apêndice C – Questionário quantitativo sobre a PRESENÇA TANGÍVEL,
para análise fatorial inicial com SPSS 16.0, para Militares
Brasileiros (Marinha, Exército e Aeronáutica), do Quadro
de Estado-Maior, servindo na Amazônia e Acadêmicos
(Brasileiros e Estrangeiros) que tenham experiência na
Amazônia ........................................................................... 282
Apêndice D – Questionário quantitativo sobre a PRESENÇA
INTANGÍVEL, para análise fatorial inicial com SPSS 16.0,
para Militares Brasileiros (Marinha, Exército e
Aeronáutica), do Quadro de Estado-Maior, servindo na
Amazônia e Acadêmicos (Brasileiros e Estrangeiros) que
tenham experiência na Amazônia ................................... 285
Apêndice E – Questionário quantitativo para análise fatorial confirmatória
para Militares Brasileiros (Marinha, Exército e
Aeronáutica), do Quadro de Estado-Maior, servindo na
Amazônia e Acadêmicos (Brasileiros e Estrangeiros) que
tenham experiência na Amazônia ...................................... 288
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ................................................................................... 23

2 REFERENCIAL CONCEITUAL ........................................................... 25


2.1 O PROBLEMA ..................................................................................... 25
2.2 OBJETIVOS ......................................................................................... 28
2.3 HIPÓTESES ........................................................................................ 28
2.4 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO .............................................................. 30
2.5 RELEVÂNCIA DO ESTUDO ............................................................... 31

3 REFERENCIAL TEÓRICO: A PRESENÇA TANGÍVEL E


INTANGÍVEL NA AMAZÔNIA .......................................................... 34
3.1 A AMAZÔNIA ...................................................................................... 34
3.1.1 O Ambiente Amazônico ........................................................... 36
3.1.2 Geopolítica da Amazônia .......................................................... 42
3.2 POLÍTICAS PÚBLICAS DE DEFESA ................................................... 46
3.3 PRESENÇA MILITAR TANGÍVEL E INTANGÍVEL ............................. 52
3.3.1 Os Conceitos de Tangível e Intangível ..................................... 52
3.3.1.1 Ativos Tangíveis ....................................................... 53
3.3.1.2 Ativos Intangíveis .................................................... 53
3.3.2 A Presença Militar Tangível e Intangível .................................. 56

4 A PRESENÇA TANGÍVEL .................................................................. 64


4.1 O PODER MILITAR E TERRITORIALIDADE ...................................... 64
4.1.1 O Poder e o Território ............................................................... 64
4.1.2 Segurança e Defesa ................................................................. 68
4.1.3 O Poder Militar .......................................................................... 73
4.2 AMEAÇAS SOBRE A AMAZÔNIA ....................................................... 85
4.2.1 Teoria das Fronteiras ................................................................ 85
4.2.2 As Ingerências e as Ameaças sobre as Amazônias Verde e
Azul .......................................................................................... 90
4.3 DISPOSITIVO MILITAR AMAZÔNICO ............................................... 98
4.3.1 Presença e Mobilidade ............................................................. 98
4.3.2 Distribuição Terrritorial ............................................................. 103

5 A PRESENÇA INTANGÍVEL ............................................................. 118


5.1 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO ..................................................... 118
5.1.1 Sistemas de Monitoramento em Execução: SIVAM/SIPAM e
SISFRON ................................................................................. 118
5.1.2 Sistemas de Monitoramento em Planejamento: SISGAAZ ...... 127
5.2 CIBERNÉTICO ................................................................................... 131
5.3 MENTALIDADE DE DEFESA, SECURITIZAÇÃO e FRONTEIRAS
METAFÍSICAS ..................................................................................... 143

6 REFERENCIAL METODOLÓGICO .................................................. 153


6.1 TIPO DE PESQUISA ........................................................................... 153
6.2 DESENHO METODOLÓGICO DA PESQUISA ................................... 154
6.3 CORPO DE DADOS, UNIVERSO E AMOSTRA .................................. 158
6.4 COLETA DE DADOS ..................................................................... 159
6.5 TRATAMENTO DOS DADOS ....................................................... 161
6.6 LIMITAÇÕES DO MÉTODO ......................................................... 162

7 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS ........................ 163


7.1 FASE QUALITATIVA DOS DADOS .................................................... 163
7.1.1 Preparação para Fase Qualitativa ............................................ 163
7.1.2 Resultado da Pesquisa Exploratória ........................................ 166
7.1.2.1 Primeira Questão de Estudo (Presença Tangível) ..... 167
7.1.2.2 Segunda Questão de Estudo (Presença Intangível) ... 182
7.2 FASE QUANTITATIVA DOS DADOS ................................................. 193
7.2.1 Pré-Teste ................................................................................. 193
7.2.1.1 Análise dos Resultados sobre a Presença Tangível .. 200
7.2.1.1.1 Análise de cada subcategoria da Presença
Tangível ....................................................... 200
7.2.1.1.2 Análise global da Presença Tangível .......... 214
7.2.1.2 Análise dos Resultados sobre a Presença Intangível .. 219
7.2.1.2.1 Análise de cada subcategoria da Presença
Intangível ..................................................... 219
7.2.1.2.2 Análise global da Presença Intangível ........ 231
7.2.2 MODELAGEM DE EQUAÇÕES ESTRUTURAIS ................... 237
7.3 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .................................................... 251

8 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES................................................ 258


8.1 CONCLUSÕES ................................................................................... 258
8.2 RECOMENDAÇÕES ......................................................................... 263

9 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO....................................................... 264

10 APÊNDICES 278
23

1. INTRODUÇÃO

A ingerência sobre a Amazônia foi buscada ao longo da história quando as


grandes potências da era colonial, buscavam nestas terras um espaço de ampliar
seus domínios e suas riquezas, provocando por parte dos portugueses uma reação
por meio da construção de fortes no litoral e no interior da amazônia, como forma de
marcar o território e expulsar as constantes invasões inglesas, francesas,
holandesas, entre outros, estabelecendo, por exemplo, o Forte do Macapá no
Estado do Amapá. (BENTO, 2003)
Atualmente, o Brasil mantém relações com diversos atores, os quais são
parceiros em diversas áreas. Contudo, alguns atores podem tornar-se adversários,
dependendo dos interesses envolvidos, como no tocante as riquezas da Amazônia.
Apesar de pouco provável, um conflito generalizado entre Estados pode
ocorrer, entretanto, renovam-se conflitos de caráter étnico e religioso, exacerbam-se
os nacionalismos e fragmentam-se os Estados, situações que afetam a ordem
mundial, podendo ser intensificadas disputas por áreas marítimas, pelo domínio
aeroespacial e por fontes de água doce, de alimentos e de energia, cada vez mais
escassas. (BRASIL, 2013a)
Neste quadro, as Forças Armadas precisam estar em condições de confrontar os
novos desafios que o Brasil enfrenta “em concordância com o Política Nacional de
Defesa (PND) (Brasil, 2013a) e a Estratégia Nacional de Defesa (END) (BRASIL,
2013b), sendo que esta afirma que “as Forças Armadas devem ser organizadas sob
a égide do trinômio monitoramento/controle, mobilidade e PRESENÇA [...] Do
trinômio resulta a definição das capacitações operacionais de cada uma das
Forças”.
O Exército Brasileiro (EB), nesta perspectiva, vem realizando seu
planejamento, visando transformar a Força Terrestre1, apta a responder aos desafios
e incertezas do futuro, seguindo as orientações da PND e da END, entre as quais

1
Os termos Exército Brasileiro (EB), Exército e Força Terrestre serão utilizados
com o mesmo significado neste trabalho.
24

destacam-se os macroprojetos2: SISFRON, AMAZÔNIA PROTEGIDA, VLS-1 e


PROSUB.
Por isso, “a Transformação será, porém, compatibilizada com a estratégia da
PRESENÇA, em especial na região amazônica, em face dos obstáculos ao
deslocamento e à concentração de forças.”. (BRASIL, 2010)
Contudo, Paulino (2009) adverte que existe uma dimensão intangível do
campo de batalha, no qual fatores invisíveis influem nos fatores visíveis,
impactando no moral da tropa e na sua motivação.
Este trabalho visa a contribuir com soluções possíveis para uma eficaz política
de defesa para a região, com base nas orientações citadas na PND e END,
buscando definir as partes componentes de uma ESTRATÉGIA DA PRESENÇA
para a amazônia, promovendo uma relação entre a Presença Tangível ou material
e a Presença Intangível ou imaterial, sendo o esforço deste trabalho, contribuir para
tal fim.
Assim, o presente projeto tem por finalidade apresentar, por meio de pesquisa
quali-quantitativa (CRESWELL, 2008), uma proposta de definição de uma
Estratégia da Presença para Região Amazônica, por meio de uma abordagem
multidisciplinar, bem como colher reflexões e novas ideias para que se ofereça ao
Ministério da Defesa (MD) elementos que possam contribuir para uma renovação
contínua dos conceitos vigentes.
Ressalte-se que este projeto de pesquisa não tem a pretensão de esgotar o
assunto, mas, sim, de servir de instrumento inicial para sua discussão, por envolver
uma diversidade de abordagens sobre várias áreas da ciência, a fim de chegar uma
conclusão sobre o tema em questão.

2
Os macroprojetos das Forças Armadas, constam do Livro Branco de Defesa
Nacional, sendo o SISFRON (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras,
cuja finalidade é o monitoramento das fronteiras terrestres brasileiras diuturnamente
pelo Exército Brasileiro) um dos 6 (seis) projetos estratégicos do EB; o AMAZÔNIA
PROTEGIDA (Plano Amazônia Protegida envolve o aumento da presença militar na
área e o uso de tecnologia de monitoramento das fronteiras para salvaguardar os
interesses nacionais); VLS-1 (Veículo Lançador de Satélites Brasileiro, principal
projeto espacial brasileiro em desenvolvimento pelo Instituto de Aeronáutica e
Espaço (IAE), da Força Aérea Brasileira); PROSUB (Programa de Desenvolvimento
de Submarinos, que inclui o lançamento ao mar, a partir de 2016, de quatro
submarinos convencionais “Scorpène” e, a partir de 2022, um de propulsão nuclear).
25

2. REFERENCIAL CONCEITUAL

2.1 O PROBLEMA

Após o fim da guerra Fria e a débâcle3 do socialismo real, houve a construção


de novos espaços de conexão (CASTELLS, 2002), facilitando a interligação das
Nações e fazendo com que a disputa entre a Organização de Tratados do Atlântico
Norte (OTAN), a qual reunia as nações capitalistas, e o Pacto de Varsóvia, a qual
reunia as nações socialistas, perdessem o sentido, levando a conclusão que, com o
fim da URSS e do Pacto de Varsóvia, a OTAN também acabaria por entrar em
colapso.
“Em tese, a retirada das bases militares e a dissolução da OTAN abririam as
portas para que a Alemanha e Japão recuperassem a soberania e praticassem
políticas externas independentes da vontade de Washington” (GONÇALVES, 2012,
p. 27). Assim, a preocupação norte-americana estava na possibilidade destes dois
atores seguirem caminhos independentes e a Europa voltar as disputas
nacionalistas de antes da Primeira Guerra Mundial, diminuindo seu poder em âmbito
global.
Contudo, a OTAN permanece ativa, seguindo o pressuposto de que a paz seria
mantida na Europa, enfrentando as indefinições da situação da Rússia em relação
aos países de sua influência tradicional na Europa.
Neste contexto, surge o projeto da globalização, a qual passou a ser de grande
interesse dos estrategistas norte-americanos, os quais “visualizaram a possibilidade
de colocar em prática as idéias de Zbigniew Brzezinski, o qual afirmava a vitória
sobre o comunismo, devido a difusão das conquistas por meio da tecnologia
eletrônica”. (GONÇALVES, 2012, p. 31)

O fenômeno da globalização, caracterizado pela interdependência crescente


dos países, pela revolução tecnológica e pela expansão do comércio
internacional e dos fluxos de capitais, resultou em avanços para uma parcela
da humanidade. Paralelamente, a criação de blocos econômicos tem acirrado
a concorrência entre grupos de países. Para os países em desenvolvimento,
o desafio é o de uma inserção positiva no mercado mundial, ao mesmo tempo
em que promovem o crescimento e a justiça social de modo soberano. A

3
Débâcle, palavra de origem francesa, significa ruína, colapso, falência, derrota militar.
(Ferreira, 2009)
26

integração entre países em desenvolvimento – como na América do Sul –


contribui para que alcancem esses objetivos. (BRASIL, 2013a, p. 3)

Por isso, a idéia de globalizar o capitalismo liberal sob a égide norte-americana


forjou as condições para uma nova concepção de segurança internacional,
transferindo o foco do Estado para o indivíduo. (WAEVER, 1995)
Esta concepção veio acompanhada de “fenômenos diversos como
separatismos, regionalismos, terrorismo, ameaças ao meio ambiente, crime
organizado” (GONÇALVES, 2012, p. 33), confrontando o poder do Estado e, por
conseguinte, provocando seu esvaziamento 4, ampliando a discussão em torno de
uma nova agenda sobre segurança internacional.
Assim, como a discussão sobre a defesa da soberania dos Estados passou a
ser esvaziada, o combate as ameaças neotradicionais5 passou a ser o grande
motivo de emprego militar, sendo a OTAN o grande braço armada de ingerência,
onde estivesse o interesse das grandes potências capitalistas. (GONÇALVES,
2012).
Destarte, ocorreram diversas intervenções em questões internas dos Estados,
“na década de 1990, como no caso da Iugoslávia, Haiti, Timor-Leste, Serra Leoa”
(GONÇALVES, 2012, p. 37), significando que “o direito da intervenção humanitária
devia preceder o princípio da soberania do Estado. O acionamento desse direito
ficava ao arbítrio dos Estados Unidos e dos aliados da OTAN, atendendo
exclusivamente a suas estritas conveniências” (GONÇALVES, 2012, p. 37), abrindo
uma agenda de “securitização”6. (BRASIL, 2012)

4
A tese do esmaecimento do Estado cresceu no âmbito das reflexões a respeito da segurança
internacional, quando se relacionou com o conceito de globalização e o de fragmentação. Por isso, o
Estado estava enfraquecendo, pois não era a última instância que detém o monopólio da violência
legítima, além disso, essa mesma sociedade global sofria o impacto da fragmentação advindos de
vários movimentos que surgiam como separatismos, regionalismos e outros, os quais desafiavam sua
capacidade de controle e repressão (CLARK, 1997)
5
Utilizamos o termo do Almirante Rui Silva em detrimento do termo recorrente “novas
ameaças”. (GONÇALVES, 2012, p. 64)
6
O conceito de securitização engloba a ideia de que não existe uma segurança internacional
objetivamente considerada. Assim, toda ameaça é construída por meio de discursos de atores
significativos na esfera da segurança internacional, passando pela aceitação do público.
Securitização é o uso do discurso sobre uma ameaça com o objetivo de levar um assunto para fora
das condições da normais da política, justificando assim a adoção de medidas de emergência, de
procedimentos políticos extraordinários e eventualmente o uso da força. (BUZAN et. al., 1998)
27

Na América do Sul, segundo Gonçalves (2012, p. 37-38), as relações do Brasil


com os EUA não sofreram modificações significativas, contudo no âmbito das
Relações Exteriores, na parte do Brasil, buscou-se uma aproximação, uma
compatibilização, vencendo esta tradicional disputa desde os anos 1970, passando
de uma “autonomia pela exclusão, considerada típica do terceiro mundo, em favor
de uma prática de autonomia pela integração”. (PECEQUILO, 2009, p. 194)
A América do Sul é o ambiente regional no qual o Brasil se insere. Buscando
aprofundar seus laços de cooperação, o País visualiza um entorno
estratégico que extrapola a região sul-americana e inclui o Atlântico Sul e os
países lindeiros da África, assim como a Antártica. Ao norte, a proximidade do
mar do Caribe impõe que se dê crescente atenção a essa região. (BRASIL,
2013a, p. 4)

Neste contexto, o Brasil estabelece uma Política Nacional de Defesa,


assumindo uma vertente preventiva, a qual está baseada numa existência de
capacidade militar com credibilidade, apta a gerar efeito dissuasório. (BRASIL,
2013a)
A fim de obter a dissuasão, a Estratégia Nacional de Defesa (END) estabelece
que as Forças Armadas tenham mobilidade estratégica e tática, de forma a
compensar a Estratégia da Presença em todo território nacional, especialmente na
região amazônica. Contudo, a END e a PND não especificam os fatores que
influenciam esta Estratégia, mas lembra que “presença não significa onipresença”
(BRASIL, 2013b, p. 5).
O imperativo de mobilidade ganha importância decisiva, dadas a
vastidão do espaço a defender e a escassez dos meios para defendê-lo. O
esforço de presença, sobretudo ao longo das fronteiras terrestres e nas
partes mais estratégicas do litoral, tem limitações intrínsecas. É a
mobilidade que permitirá superar o efeito prejudicial de tais limitações
(BRASIL, 2013b, p. 3)

Contudo, o combate tem evoluído das tradicionais dimensões: frente de


batalha, profundidade e espacial, para uma nova, a dimensão intangível,
englobando as inovações tecnológicas e não-tecnológicas, atuando sobre o espectro
eletromagnético, as estruturas das redes lógicas, os sistemas de comando e
controle e o processo decisório. (Azevedo e Mota, 2012)
A Amazônia, devido a sua extensa área e existência de interesses plurais e
conflituosos, como a demarcação de reservas indígenas na área de fronteira, a
questão fundiária, os recursos minerais abundantes, entre outros, aguçam os
28

interesses de atores nacionais e estrangeiros sobre essas riquezas, exigindoa


presença das forças Armadas nesta região de forma a gerenciar os conflitos de toda
ordem.
Nesse contexto, a fim de enfrentar os problemas do Século XXI, as Forças
Armadas vem implementando modificações estruturais, a fim de enfrentar os
desafios que se apresentam, como é o caso do Exército Brasileiro, o qual vem
implementando seu Processo de Transformação (BRASIL, 2010), visando ter em
2030, um Exército melhor preparado.
Como “o problema investigado deve ser uma questão a ser respondida através
de uma pesquisa científica” (RODRIGUES, 1996, p. 96) e “ não pode ser
solucionado se não for apresentado de maneira clara e precisa” (GIL, 2002, p. 27),
desponta-se o seguinte problema: qual a relação entre a Presença Tangível e a
Presença Intangível para que seja definida uma Estratégia da Presença Militar
para a Região Amazônica no século XXI?

2.2 OBJETIVOS

O objetivo geral desse estudo é definir as partes componentes da Presença


Tangível e da Presença Intangível e uma relação possível ente ambas, de forma
a compreender o que compõe uma Estratégia da Presença Militar para a região
amazônica.
O objetivo acima será atingido, tendo como norteador os objetivos específicos
essenciais para a realização da pesquisa. Dentre estes, pode-se citar:
Analisar a região amazônica, as Forças Armadas e as políticas públicas de
defesa;
Analisar a Estratégia da Presença Tangível;
Analisar a Estratégia da Presença Intangível;
Analisar a relação entre a Presença Tangível e a Presença Intangível.

2.3 HIPÓTESE

Desde a colonização portuguesa no Brasil, segundo Gadelha (2002), a


amazônia foi explorada, seguindo alguns princípios, entre os quais destacamos, o
29

regime dos ventos e das correntes marítimas e o caráter político, mostrando a


dicotomia entre o desinteresse espanhol e ocupação portuguesa na região, os quais,
de certa forma, foram seguidos pelo governo brasileiro ao estabelecer sua política
de ocupação da Amazônia.
A Amazônia ressurge, no século XX, como uma área de grande interesse dos
atores globais capitalistas pelas várias riquezas existentes, podendo sofrer influência
de organismos de segurança internacionais (OSI), sob o pretexto de defender os
direitos humanos, das minorias, das tribos indígenas, entre outros.
Assim, o Brasil por meio do Ministério da Defesa (MD) estabelece uma PND,
uma END e um Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN), preconizando a dissuasão
como atividade prioritária, estabelecendo a presença e a mobilidade como dois
conceitos centrais, podendo-se inferir que uma é a contraparte da outra.
Além disso, assim como os portugueses a entendiam, a Estratégia da
Presença é entendida mediante diversos proposta, ora como ocupação territorial,
ora como marcação de posições na fronteira e até como pontos de controle nas
fronteiras terrestres. (GONZALES, 2008)
Contudo, a Amazônia, também, recebe influência dos conflitos modernos, dos
conflitos de 4ª Geração, os quais buscam o apoio da população para apoio de toda
ordem, segundo Visacro (2009), sendo a Amazônia suscetível de várias ameaças e
problemas, as quais podem são potenciais de futuros conflitos, segundo Paiva
(2012).
Neste contexto, esta pesquisa tem como objetivo estabelecer uma Estratégia
da Presença Militar para a Região Amazônica, no século XXI, relacionando os
fatores tangíveis ou materiasi dos conflitos com os fatores intangíveis ou imaterias
dos combats modernos, conforme alerta paulino (2009).
Para chegar a uma Hipótese, é necessário ter “uma suposta, provável e
provisória resposta a um problema” (MARCONI E LAKATOS, 2000b, p. 104), sendo
“formulado sob a forma de afirmação” (VERGARA, 2003, p. 28).
Portanto, baseado no acima exposto, chegou-se à seguinte HIPÓTESE
PRINCIPAL (Hp) desta pesquisa, conforme afirma Creswell (2008) que em pesquisa
quali-quantitativa é possível estabelecer uma hipótese para as duas fases do
projeto:
30

Hp - O modelo de Estratégia da Presença para a Região Amazônica, no


século XXI, é produto da relação da Presença Tangível com a Presença
Intangível.

2.4 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO

O presente estudo possui limitações diversas, os quais impactam na


identificação correta de uma solução para o problema em voga, o modelo de uma
Estratégia da Presença Militar para região amazônica, atualmente, possui algumas
limitações.
No que se refere ao Sistema de Classificação Militar, constante do Manual C
124-1, ESTRATÉGIA MILITAR (BRASIL, 2004), o presente trabalho será elaborado,
conduzindo uma abordagem, conforme preceitos e argumentos vigentes no referido
manual e demais manuais do Ministério da Defesa, do Exército Brasileiro e demais
Forças.

Quanto ao recorte geográfico:


- a pesquisa restringir-se-á ao estudo das questões amazônicas, entendendo o
ambiente amazônico para a compreensão da problemática da pesquisa. Desta
forma, serão abordados os conceitos geopolíticos relacionados com a Amazônia,
além da teoria de formação das fronteiras, destacando-se as fronteiras metafísicas e
as várias formas de fronteira existentes na Amazônia. A finalidade é identificar os
principais fatores que possam influenciar na formulação de uma estratégia da
presença eficaz para a região.

Quanto ao quesito tempo:


- A presente investigação terá como foco o entendimento das principais
características dos conflitos atuais, bem como das principais diretrizes estabelecidas
pela política nacional da defesa para a região amazônica, no período pós-guerra fria.
Contudo, no decorrer da pesquisa, serão abordados temas e assuntos geopolíticos
tradicionais, de cronologia mais antiga, de forma a embasar o tema pesquisado.

Quanto ao assunto:
31

- A pesquisa limitou-se a estudar a política nacional da defesa, enfocando as


relações entre os Estados, além dos Organismos de Segurança Internacionais, a
formulação de políticas públicas, a PND, a END, o LBDN, conceitos de tangibilidade
e intangibilidade, buscando identificar os principais fatores que influenciam na
Estratégia da Presença Militar. Assim, também, serão abordados os principais
conceitos relativos ao ambiente amazônico e as guerras do século XXI.
Não é objetivo desta pesquisa aprofundar-se nos diferentes fatores de cada
assunto elencados, mas buscar as conceituações principais, as mais relevantes, as
quais influenciem e possuam relação com a Estratégia da Presença, foco do
trabalho.

2.5 RELEVÂNCIA DO ESTUDO

A relevância deste tema está na salvaguarda das riquezas da Amazônia, sendo


um dos motivos pelo qual o Ministério da Defesa elencou, em seus planos e
documentos, esta região como prioritária para suas atividades de Defesa.
As Forças Armadas vêm priorizando suas ações naquela região,
estabelecendo suas políticas internas de defesa voltadas para o cumprimento desta
diretrizes. Assim, por exemplo, destaca-se o trabalho da 7ª Subchefia do Estado-
Maior do Exército (EME) ao estabelecê-lo como tema de estudo para os futuros
trabalhos monográficos da ECEME, mostra a relevância do tema para o EB nos dias
atuais.
A região amazônica continua distante dos centros de poder nacional e distante
do debate nacional, apesar da constante e sorrateira campanha internacional sobre
a ingerência nesta região. Desta forma, a pesquisa se aprofundará no estudo da
Estratégia da Presença, buscando definir os fatores que influenciam na definição de
uma estratégia de forma científica, baseada em parâmetros, adequando as Forças
às exigências dos tempos modernos.
Portanto, acredita-se que o estudo agregará considerável valor às ciências
militares, dando elasticidade ao conhecimento sobre o assunto em questão e
aproximando o saber e o fazer das Forças Armadas ao que se tem de melhor no
mundo, pois apesar das Forças Armadas estarem presentes na região amazônica
32

desde a consolidação do seu território, não há uma Estratégia da Presença definida


como tal para à região.
O presente trabalho, também, possibilitará as Forças Armadas, em especial o
Exército Brasileiro, pela ampla presença militar e pela sua importância histórica na
região amazônica, avaliar a atual gestão de suas organizações militares na
Amazônia, bem como a distribuição das mesmas.
A forma como o assunto em questão será abordado é inédita, não havendo
outros trabalhos de pesquisa, nível “stricto sensu”, que tratem da definição dos
parâmetros científicos para a definição de uma Estratégia da Presença para a região
amazônica no século XXI, mediante a relação entre a Presença Tangível e
Intangível, favorecendo uma salutar discussão científica sobre o assunto,
contribuindo para um amplo debate sobre a região Amazônica e seus desafios.
Vale ressaltar que as ideias e conclusões a serem apresentadas por esta
pesquisa serão passíveis de serem implementadas pelo MD e pelas Forças
Armadas (Marinha, Exérctio e Aeronáutica), tendo em vista que o resultado final
deste trabalho está na aplicabilidade destas informações ao contexto amazônico.

Relevância Prática

A definição de uma fórmula para definir uma estratégia da presença para


região amazônica possibilitará entender a problemática e permitir uma eficaz
distribuição de tropas naquela região. O MD poderá estabelecer de forma científica
uma discussão sobre o assunto, de forma a possibilitar aos Comandantes das
Forças Armadas Brasileiras uma judiciosa distribuição de suas forças,
principalmente na Amazônia.
Assim, o modelo a ser proposto permitirá ampliar o entendimento e a
identificação dos critérios necessários para uma eficaz ocupação do espaço
amazônico, diminuindo custos e favorecendo futuras propostas de desenvolvimento
local.

Relevância Doutrinária
33

Um modelo para a Estratégia da Presença para região amazônica trará


benefícios às Forças Armadas, inclusive na questão doutrinária, pois estabelecerá
conceituações e discussões, as quais poderão ser utilizadas para fins doutrinários.
Os dados obtidos, no processo de construção, do presente modelo poderão
subsidiar os estudos dos Estado-Maiores das Forças Armadas, bem como das
Escolas militares e congêneres, de forma a favorecer uma discussão e um possível
aperfeiçoamento doutrinário.

Relevância Econômica

O desenvolvimento de uma fórmula para definir a estratégia da presença como


uma política nacional proporciona grande economia de recursos de toda ordem, pois
será possível uma judiciosa distribuição dos meios e recursos financeiros
necessários ao desenvolvimento da vasta área amazônica, associado aos custos
para manutenção de estruturas diversas em lugares de grande vazio demográfico.
Desta forma, os erros tendem a diminuir, pois os critérios estabelecidos geram
uma maior confiabilidade ao processo, diminuindo, por conseguinte, os custos de
translado e reposição de organizações militares, contribuindo para que o MD possa
articular seus meios com uma maior equidade entre os comandos das Forças
Armadas.

Relevância Educacional

O modelo a ser definido como uma estratégia da presença, por meio de uma
fórmula, trará contribuições importantes no aspecto educacional, pois os conceitos,
exarados no estudo da problemática em questão, favorecerão novos estudos e
discussões acerca do assunto, seja nas escolas militares, seja nos centros
universitários, por meio de um esforço multidisciplinar, entre vários campos da
ciência hodierna.
Além disso, a técnica empregada, também, na formulação da estratégia da
presença, por meio de uma modelagem de equações estruturais (HAIR et al., 2005)
servirá como exemplo a futuras pesquisas, podendo ser utilizada em várias
abordagens e contextos diferentes, de acordo com a necessidade.
34
35

3. REFERENCIAL TEÓRICO: A PRESENÇA TANGÍVEL E INTANGÍVEL NA


AMAZÔNIA.

Neste capítulo serão estudados alguns aspectos teóricos que fundamentarão o


estudo realizado no presente trabalho. Os temas relacionados a Amazônia, ao
entendimento das políticas públicas, em especial as de Defesa, as quais serão
estudadas, buscando sua ligação com o objeto de estudo. Além disso, será
realizada uma análise sobre a Presença Tangível e Intangível, buscando entender
as bases em que estão assentadas e relacionando-as com a Amazônia e as Guerras
atuais.

3.1 A AMAZÔNIA

Nesta Tese serão discutidas diversos conceitos como, por exemplo, as


ameaças sobre a Amazônia, a teoria sobre as fronteiras e a discussão sobre
fronteiras metafísicas e dessecuritização, de forma a buscar um entendimento sobre
as mesmas e sua relação com a Amazônia. Além da sua relação com as ingerências
e ameaças sobre a mesma.
Neste contexto, faz-se necessário definir alguns pontos como o uso da
geopolítica como premissa básica de sustentação deste trabalho, como parte
integrante da Ciência Política. A geopolítica brasileira possui uma escola própria,
tendo ao longo da história nacional, destacado-se autores como Mário Travassos, no
começo das abordagens nacionais sobre o assunto, na década de 1920; na década
de 1950, Golbery do Couto e Silva, no estabelecimento do pensamento que
redundaria na criação da Escola Superior de Guerra (ESG), além da política de
segurança e desenvolvimento, dentro de um realismo conservador, destacando-se
como projetos nacionais a necessidade de desenvolvimento da economia, além da
modernização das forças armadas com tecnologia própria e de tecnologias críticas,
como a nuclear. (GONÇALVES, 1984)
Contudo, destaca-se, no pensamento geopolítico brasileiro, o pensamento de
Carlos de Meira Mattos, como um teórico, contemporâneo de Golbery, mas que
desenvolveu toda uma temática própria, sendo catalizador da fase posterior,
seguindo até a atualidade (MIYAMOTO, 1995; VIEIRA, 2005). Assim, este trabalho
36

busca, nas teorias de Meira Mattos, a base de entendimento do problema de


pesquisa, apesar dos demais autores geopolíticos brasileiros terem influenciado e
contribuído com suas pesquisas o estudo e a obra do autor em questão,
destacando-se, também, as obras de Bertha Becker, por ser uma autora mais atual
e possuir contribuições efetivas para a Amazônia.
Outra teorização importante está na definição dos termos geografia política e
geopolítica. Primeiro, é importante lembrar que, o uso pela Alemanha Nazista de
conceitos geopolíticos criaram uma aversão ao uso destes termos no ocidente,
sendo encontrados pouquíssimos textos nos EUA ou Europa designados como
geopolíticos. (CHILD, 1979)
Por isso, existe uma separação nítida entre a Geopolítica e a Geopolitik, sendo
a primeira um corpo científico e a segunda um “subproduto espúrio e ilegítimo”, o
qual foi usado pelo nazismo alemão, distorcendo-o de sua proposta inicial, sendo
considerada, inclusive, uma pseudo-ciência. (MELLO, 1999)
Este fato não gerou o fim do uso da geopolítica, mas confundiu-o com o termo
mais brando, geografia política, apesar do cunho geopolítico em muitos dos textos
produzidos, sendo difícil e irrelevante estabelecer uma distinção entre ambos, pois
ao envolver o assunto "poder" na temática discutida, envolve-se, também, os
interesses e preconceitos dos envolvidos, perdendo-se o enfoque puramente
acadêmico. (COSTA, 2008)
Contudo, para Wanderley Messias da Costa (2008), a geografia política
compreende um estudo sistemático à geografia, as relações entre espaço e Estado,
entre outras. Já, na geopolítica, as discussões estão voltadas para as relações de
poder entre os Estados e as suas estratégias.
Destarte, este trabalho reconhece a existência de conceitos similares de
assuntos empregados seja pela geopolítica e pela geografia política, porém
considera-se este projeto de cunho geopolítico, usando como prioritárias as obras de
Meira Mattos, pois vincula o estudo do poder nacional, suas estratégias e
capacidades, estando mais afeta às ciências políticas do que ao campo da
geografia.
37

3.1.1 O AMBIENTE AMAZÔNICO7

O ambiente amazônico possui peculiaridades e características que o


distinguem das demais regiões do país, pelas dimensões colossais que apresenta,
com cerca de 3/5 do Brasil e 4/10 da América do Sul, tem despertado a cobiça por
suas riquezas ao longo do tempo (MATTOS, 1980), englobando a região
denominada de Amazônia legal, conforme figura 1.

Figura 1 - Amazônia Legal


Fonte: NETO et al., 2012

Pela diversidade e amplitude desta região, pensadores geopolíticos, como


Mário Travassos, Therezinha de Castro e o Carlos de Meira Mattos, dentre outros,
ressaltam a necessidade de integração da região amazônica entre todos os países
possuidores desta floresta latifoliada, denominando esta sub-região como Pan-
Amazônia, a qual pode ser visualizada na figura 2, refletindo um ideal de integração
com todos os países amazônicos (MATTOS, 1980, p. 174).
7
Parte expressiva desta seção faz parte do Artigo “A DESSECURITIZAÇÃO DA AMAZÔNIA E
AS FRONTEIRAS METAFÍSICAS”, apresentado na ENABED 2013, em Belém - PA, em coautoria
entre este doutorando e o Doutor Ândrei Clauhs.
38

Figura 2 - Pan-Amazônia
Fonte: NETO et al, 2012

De maneira geral, a floresta amazônica ou equatorial possui características


diversas, apesar de existir uma grande parte dominante, podendo-se dividi-la em
duas partes principais: a floresta de terras firmes e a floresta de terras inundáveis.
Além disso, as demais regiões apresentam as seguintes características vegetais:
- florestas de transição, com vegetação de altitude e savanas, nas
encostas do maciço das Guianas, cordilheira dos Andes e planalto central
brasileiro;
- cerrados e campos, na faixa central e NE de Roraima (lavrados),
área do NO e NE do Pará, na ilha de Marajó, áreas do centro-este do
Amapá, áreas no SO de Rondônia e na região de Humaitá/AM, no médio
Madeira;
- cocais, principalmente no Maranhão, na região de transição para
o nordeste brasileiro; e
- manguezais, na planície litorânea. (BRASIL, 2007, p. 19).
39

Figura 3 - Densidade Populacional da Amazônia


Fonte: Neto et al., 2012

O desenvolvimento econômico desta região apresentava duas possibilidades,


no entender do General Meira Mattos: “a do crescimento a qualquer custo, mesmo
com o sacrifício da própria liberdade do homem, ou crescer respeitando o primado
da liberdade e da dignidade” (MATTOS, 1980, p.115), apesar de alguns autores
perceberem a Pan-Amazônia como um grande vazio demográfico, como Edna
Castro (2004), pesquisadora do Núcleo de altos Estudos Amazônicos (NAEA) da
Universidade Federal do Pará.
Após vários projetos governamentais, como a transferência da Capital do País
para Brasília e a criação do Distrito Industrial em Manaus, incrementando a
territorialidade brasileira, abrindo caminho para uma efetiva integração nacional,
conforme figura 3.
O conceito geopolítico de áreas interiores de intercâmbio fronteiriço, reúnem,
resumidamente, a frente Atlântica, a frente do Planalto Central Brasileiro e a frente
Fronteiriça. A primeira, seguindo a rota do Rio Amazonas, da foz para as nascentes
(Rota de Pedro Teixeira); a segunda, descendo as linhas secas da margem direita
40

dos afluentes do Rio Amazonas (Rota de Raposo Tavares); e, a terceira, descendo


os Andes no rumo de seus formadores (MATTOS, 1980, p. 152).
Um outro elemento importante da integração reside nas cidades
gêmeas – Santa Helena e Pacaraima em Roraima, Tabatinga e Letícia no
Amazonas, além de outras no Acre, onde já existem embriões de
integração, fluxos e equipamentos que podem acelerar o intercâmbio. Aliás,
a cidade é um elemento fundamental no desenvolvimento e planejamento
da Amazônia, porque nela a população está concentrada, constitui o nó das
redes de relações, e pode, inclusive, impedir a expansão demográfica na
floresta. (BECKER, 2005, p. 80)

Desta forma, ressalta-se a emergência de cidades-pólos dentro das áreas


interiores, como a cidades de Boa Vista (RR), Tabatinga (AM), Cruzeiro do Sul (AC)
e Porto Velho (RO), as quais formam áreas-pólos em torno de si, induzindo o
desenvolvimento na região por meio da polarização econômica (MATTOS, 1980, p.
157), conforme figura 3.
Por isso, em regiões de ausência estatal, escassez material do governo e
baixa densidade demográfica, como na Amazônia Brasileira, em muitas regiões
fronteiriças e interiores, foi estimulado pelo governo Federal, principalmente nas
décadas de 70 e 80, uma política de humanização destas regiões, promovendo a
ocupação territorial e aumentando a coesão societária. (NASCIMENTO, 2005)
Para analisar as três dimensões do Estado, segundo O´Donnell (1993, 124-
144), ficou estabelecido a adoção de três cores em uma determinada região de
análise, de forma a expressar a realidade sociopolítica vigente, sendo a cor AZUL
representa alto grau de presença do Estado em todas as dimensões do poder, a cor
VERDE representa um alto grau de penetração territorial, mas em menor
capacidade em burocracia e leis. Na Cor MARROM, um grau muito pequeno destas
duas dimensões estatais. Assim, O´Donnell cita a Amazônia como um caso da cor
marrom, mostrando que apesar do muito que já foi feito na região, muito ainda
precisa ser implementado.
41

Figura 4 - Arco do Desmatamento


Fonte: Neto et al., 2012

Porém, os modelos de desenvolvimento para a região produziram profundas


alterações territoriais, modificando a paisagem natural e, em alguns casos,
comprometendo a qualidade ambiental (BECKER, 2009; AB’SABER, 2003), gerando
a região conhecida por arco do desmatamento, conforme figura 4.
Este arco do desmatamento possui características singulares, possuindo em
seu interior a prevalência da agropecuária, extração mineral e da exploração
madeireira, associada ao processo de urbanização, a construção de estradas e a
expansão demográfica.
Por isso, surgiram as unidades de conservação, visando proteger estas áreas,
mas mesmo assim, apesar da existência de unidades de conservação dos níveis
federal, estadual e municipal, o desmatamento continua grande. Estas unidades são
divididas em: de uso sustentável ou de proteção integral. As de uso sustentável são
as Áreas de Proteção Ambiental, Áreas de Relevante Interesse Ecológico, Florestas
Nacionais, Reservas Extrativistas, Reservas de Fauna e Reservas de
Desenvolvimento Sustentável. Já, as de proteção integral são Estações Ecológicas,
Reservas Biológicas, Parques Nacionais, Monumentos Naturais e Refúgios de Vida
42

Silvestre (FERREIRA et al, 2005, p. 161), criando extensas áreas reservadas,


impactando no desenvolvimento regional, apesar do desmatamento continuar
mesmo assim.
Um dos motivos elencados para o aumento do desmatamento fora das áreas
protegidas ser maior do que nas áreas não protegidas, apesar de ambas terem
crescido, está ligado as atividades econômicas, tais como a extração de madeira, a
pecuária e a agroindústria, sempre nas redondezas das cidades e das estradas.
(FERREIRA et al, 2005, p. 159-161)
Contudo, apresenta-se uma sugestão denominada Zoneamento Ecológico-
Econômico (ZEE), sendo esta uma forma de ordenamento espacial, onde seria
possível unir o planejamento socioambiental ao desenvolvimento econômico.
(FERREIRA et al, 2005, p. 164)
Além disso, a “geopolítica da biodiversidade” advoga “aplicação do manejo
sustentável como procedimento estratégico para a conservação da diversidade
biológica e dos ecossistemas na Amazônia”, tendo como base de sustentação a
“rentabilidade financeira”, sem que, tudo isto seja uma verdade, devido a “vários
estudos que mostram esta dificuldade de rentabilidade”. (NASCIMENTO, 2005, p.
227)
Nesta mesma linha, seguem os trabalhos de Filho et al (2005), os quais
aplicaram a técnica de modelagem de cenários prospectivos, tendo como áreas de
partida os desmatamentos nas cidades-polos e nas estradas amazônicas.
Apesar da existência de áreas de proteção, pode-se concluir que o
desmatamento aumentaria na região, em detrimento das leis, ocasionando a perda
de biodiversidade e aumentando a emissão de gases do efeito estufa, sendo
necessário investimento no controle do desmatamento, na detecção de queimadas
(FILHO et al, 2005, p. 145-147), no desenvolvimento de ZEE e no aumento da
fiscalização ambiental (op. cit., 2005, p. 148).
Outra questão bastante controversa diz respeito à situação dos indígenas na
região amazônica, o qual, após a assinatura da Declaração dos Direitos dos Povos
Indígenas, passou a ter, além da população e terras, diversos direitos, pouco
faltando para terem sua nação reconhecida por algum órgão do Sistema
Internacional, podendo gerar intervenções humanitárias na região, a fim de
43

preservar a independência deste povo, criando, assim, um quisto em território


nacional.
Contudo, Cunha (1994), em seu artigo “O futuro da questão indígena”,
argumenta que esta preocupação não é relevante, tendo em vista que a Convenção
169 da OIT, de 1989, e o Acordo Constitutivo do Fundo para o Desenvolvimento dos
Povos Indígenas na América Latina e Caribe, de 1991, rechaçam esta ideia,
conforme seu terceiro parágrafo: “a utilização do termo povos nesta Convenção
(169) não deverá ser interpretada como tendo qualquer implicação com respeito aos
direitos que se possa conferir a esse termo no direito internacional”. (CUNHA, 1994,
p. 129-130).
Destarte, afirma Cunha (op. cit.) que, embora a Carta das Nações Unidas, em
seu Art 1.2, reconhecer a autodeterminação dos povos, ela não vê perigo à
integridade territorial brasileira, pois os conceitos de povos e autodeterminação
possuem entendimentos diversos (op. cit., p. 129). Desse modo, tais conceituações
dão margem a interpretações diversas, acrescidas das problemáticas das
explorações das riquezas minerais, hídricas e da biodiversidade, dentre outras. Por
essa razão, talvez, países como Estados Unidos e China não tenham assinado a
declaração dos povos indígenas.
Para a formulação da Estratégia da Presença, neste contexto, deve-se
observar a Amazônia legal e suas principais características, como a ausência do
Estado de forma física e com poucas instituições, a existência de enormes áreas de
proteção ambiental, acrescidas da problemática indígena atual, entre outros
aspectos.

3.1.2 GEOPOLÍTICA DA AMAZÔNIA

A geopolítica é um campo do conhecimento que envolve conceitos da


geografia, teoria política, entre outras. Assim, a geopolítica clássica considera a
relação entre a geografia de um território com os processos políticos vigentes,
pensando um Estado como um organismo territorial. (MATTOS, 1980)
Para Vesentini (2000), geopolítica é “algo que diz respeito às disputas de poder
no espaço mundial e que, como a noção de poder já o diz, não é exclusivo da
geografia”.
44

Para Bertha Becker (2005, p. 71), geopolítica tem como “sujeito fundamental o
Estado, o qual era entendido como única fonte de poder”, contudo, hoje, a
geopolítica ”tem poder de influir na tomada de decisão dos Estados sobre um
território, uma vez que a conquista de territórios e as colônias tornaram-se muito
caras”. Contudo, “o espaço sempre foi associado ao tempo, acentuando diferentes
espaços-tempos como uma das raízes da geopolítica contemporânea”.
As redes são desenvolvidas nos países ricos, nos centros do
poder, onde o avanço tecnológico é maior e a circulação planetária permite
que se selecionem territórios para investimentos, seleção que depende
também das potencialidades dos próprios territórios. Ocorre que ao se
expandirem e sustentarem as riquezas circulante, financeira e
informacional, as redes se socializam. E essa socialização está gerando
movimentos sociais importantes, os quais também tendem a se
transnacionalizarem. (Op. Cit., p. 71)

A geopolítica é “um campo de conhecimento que analisa relações entre poder


e espaço geográfico” (Becker, 2005, p. 71), sendo o fundamento básico português
para sua ocupação histórica desde o descobrimento do Brasil.
Foi o fundamento do povoamento da Amazônia, desde o tempo colonial,
uma vez que, por mais que quisesse a Coroa, não tinha recursos
econômicos e população para povoar e ocupar um território de tal extensão.
Portugal conseguiu manter a Amazônia e expandi-la para além dos limites
previstos no tratado de Tordesilhas, graças a estratégias de controle do
território. Embora os interesses econômicos prevalecessem, não foram
bem-sucedidos, e a geopolítica foi mais importante do que a economia no
sentido de garantir a soberania sobre a Amazônia, cuja ocupação se fez,
como se sabe, em surtos ligados a demandas externas seguidos de
grandes períodos de estagnação e de decadência. (Op. Cit., p. 71)

Ainda, segundo Becker (Op. Cit., p. 71) existem “pressões de todo tipo para
influir na decisão dos Estados sobre o uso de seus territórios”, caracterizando-se a
chamada coerção velada. “Essa mudança está ligada intimamente à revolução
científico-tecnológica e às possibilidades criadas de ampliar a comunicação e a
circulação no planeta através de fluxos e redes que aceleram o tempo e ampliam as
escalas de comunicação e de relações, configurando espaços-tempos
diferenciados”.
Para Mattos (2011b), a geopolítica pode ser dividida, na sua origem, em escola
determinista e possibilista, sendo a escola alemã exemplo de determinista, pois
“defendia qua a geografia determina o destino dos povos”, e a segunda ligada ao
geográfo Vidal Le Blanche, o qual “ancorava-se na ideia de que a geografia
possibilita soluções favoráveis”.
45

Contudo, segundo Mattos (MATTOS, 2011b), no final século XX, as escolas


geopolíticas podiam ser divididas em três: a escola de paisagem política, escola de
ecologia política e escola organicista, sendo a primeira “contemplativa dos
fenômenos de relação-território-habitante”, a segunda “interpreta os fenômenos e
oferece aos políticos essa interpretação”, e a terceira “imprime uma marca dinâmica
à política inspirada na geografia”.
Atualmente, as tradicionais teorias geopolíticas são acrescidas de temas novos
como Ecologia e Meio Ambiente aos já existentes poder e ambiente, estado e
território, chegando a uma moderna configuração didática de estudos, como a
relação entre poder-política-estratégia e geografia-ambiente-território.
Contudo, o Brasil possui posição geoestratégica de destaque, pois sua
projeção natural sobre a América do Sul, com cerca da metade deste subcontinente,
e sendo uma ponte estratégica com o continente africano, asiático e europeu,
favorecendo a projeção nacional. (MATTOS, 2011a)
A ligação do Brasil com Portugal seria uma ponte natural, pelos laços históricos
e culturais, com os demais países europeus e africanos, tendo em vista os vários
países de língua portuguesa em território africano, pois segundo Toynbee, no mundo
atual, somente um país multirracial e multinacional poderá exercer a condição de
potência. (MATTOS, 2011a)
Assim, diversos autores destacam a projeção natural do Brasil no mundo
moderno como Lester Pearson, ex-presidente da Assembleia Geral da ONU, Walter
Lipmann, escritor norte-americano, e Adolf Berle Jr, diplomata dos EUA, os quais
ressaltam a crescente projeção brasileira no mundo. (MATTOS, 2011a)
Assim, é necessário aliar a punjança e a riqueza proveniente do território
nacional com a criatividade e virtudes brasileiras, sem, contudo, esquecer das
advertências de Toynbee, o qual ressalta que as elites precisam estar atentas para
influir as massas e atraí-las para o engrandecimento nacional, sem perder a
vitalidade. (MATTOS, 2011a)
Mattos (1980) afirma que estratégia portuguesa de ocupação da Amazônia
visava ocupar os espaços amazônicos, colocando nomes portugueses, construindo
fortes e interpostos entre a Amazônia e as demais regiões.
Becker (2005, p. 72) afirma que “todos os agentes sociais organizados,
corporações, organizações religiosas, movimento sociais etc., têm suas próprias
46

territorialidades, acima e abaixo da escala do Estado, suas próprias geopolíticas, e


tendem a se articular, configurando uma situação mundial bastante complexa”,
sendo a “Amazônia um exemplo vivo dessa nova geopolítica, pois nela se
encontram todos esses elementos. Constitui um desafio para o presente, não mais
um desafio para o futuro”.
Por isso, a “formação latino-americana é caracterizada pelo paradigma da
economia de fronteira, baseando-se na contínua incorporação de terra e de recursos
naturais”, “alcançando o seu auge nas décadas de 1960 a 1980”. (Becker, 2005)
Não se trata mais apenas de conflito pela terra; é o conflito de uma
região em relação às demandas externas. Esses conflitos de interesse,
assim como as ações deles decorrentes contribuem para manter imagens
obsoletas sobre a região, dificultando a elaboração de políticas públicas
adequadas ao seu desenvolvimento. (Op. Cit., p. 72)

A grande problemática está em “compatibilizar o crescimento econômico com a


conservação dos recursos naturais e a inclusão social”, de forma a solucionar os
seguintes questionamentos: “qual é o novo significado geopolítico da Amazônia em
âmbito global como a grande fronteira do capital natural? Qual o novo lugar da
Amazônia no Brasil? Qual a urgência de uma nova política de desenvolvimento e de
estratégias básicas para implementá-la?”. (Becker, 2005)
Neste contexto, a ”consequência de sua situação geopolítica, é importante para
o Brasil que se aprofunde o processo de desenvolvimento integrado e harmônico da
América do Sul, que se estende, naturalmente, à área de defesa e segurança
regionais.” (BRASIL, 2013a)
Por isso, “em 1978, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname
e Venezuela, assinaram o Tratado de Cooperação Amazônica (TCA), o qual passou
a ser um instrumento jurídico, reconhecendo a natureza transfronteriça da
Amazônia”. (BRASIL, 1978)
Tem como objetivo central, a promoção do desenvolvimento harmônico da
Amazônia, e a incorporação de seus territórios às respectivas economias
nacionais, o que é fundamental para a manutenção do equilíbrio entre
crescimento econômico e preservação do meio ambiente. (TCA, 1978)

Assim, em 1998, o TCA foi transformado em Organização do Tratado de


Cooperação Amazônica (OTCA), sendo o “órgão responsável pelo aperfeiçoamento
e fortalecimento do processo de cooperação” (BRASIL, 1998), ampliando os
esforços de todos os atores estatais nesta região.
47

Prevê o incremento da pesquisa científica e tecnológica, o


intercâmbio de informações, a utilização racional dos recursos naturais, a
liberdade de navegação, a preservação do patrimônio cultural, os cuidados
com a saúde, a criação de centros de pesquisa, o estabelecimento de uma
adequada infraestrutura de transportes e comunicações, e o incremento do
turismo e do comércio fronteiriço. (BRASIL, 1998)

Desta forma, a iniciativa da OTCA absorveu parte das ideias do General Meira
Mattos (2002), que propugnava que somente “uma estratégia comum, sustentada
pela vontade firme dos condôminos, poderia levar ao êxito a iniciativa de
desenvolver a região”, por isso estabelecia algumas propostas:
- selecionar a área mais crítica da região, por ser mais isolada a
Amazônia Ocidental, como alvo prioritário do plano de desenvolvimento;
- realizar a abordagem desta área, Amazônia Ocidental, partindo
de três frentes – a tradicional, saindo da foz e subindo o rio, a do planalto
central brasileiro e, finalmente, descendo dos Andes e do sistema guiano;
cada país participante de cada frente se empenharia em realizar programas
de desenvolvimento nacionais que arrastassem a fronteira econômica em
direção a Amazônia Ocidental;
- estimular as áreas de conexão fronteiriça – Clevelândia (Guiana
Francesa), Tiriós (Suriname), Normandia (República da Guiana), BV-8
(Venezuela), auaris, Cucuí e Letícia (Colômbia), Tabatinga e Assis Brasil
(Peru), Brasiléia, Porto Velho e Guajará Mirim (Bolívia) -, a criação, em torno
delas, de um pólo binacional de desenvolvimento social e prosperidade
econômica, tomando como modelo os exemplos de convivência
internacional profícua alcançados na fronteira sul (Livramento/Riveira e
Uruguaiana/Los Libres);
- estimular em toda a Amazônia brasileira a execução de projetos
e programas de transportes, de navegação, de construção de aeroportos,
de educação, saúde, saneamento básico, telecomunicações, agricultura,
pecuária e indústria. (MATTOS, 2002)

Assim, a Estratégia da Presença a ser adotada precisa entender as iniciativas


realizadas na Amazônia, como a OTCA, de maneira a ser implementada de forma
eficaz pela defesa, a fim de fazer face as visões geopolíticas sobre a região,
destacando as de Meira Matos e Bertha Becker.

3.2 POLÍTICAS PÚBLICAS DE DEFESA

A ciência política8 pode ser definida como o estudo da política, dos processos e
sistemas políticos, além das organizações, sendo teoria e prática da política,

8
O termo ciência política foi criado pelo professor Adams, em 1880, na Universidade John
Hopkins, abrangendo diversos campos do conhecimento como as tradicionais disciplinas políticas
(teoria política, sistemas políticos, entre outros), economia política, política comparada, relações
48

descrevendo e analisando os sistemas políticos e o comportamento político. O


grande objeto de estudo é o Estado, para outros o Poder, sendo esta a visão mais
abrangente e aceita. (DUVERGER, 1966)
Para entender o conceito de política pública9, é necessário diferenciar os
termos politics e policy, oriundos do termo política. Politics seria “a obtenção e
manutenção dos recursos necessários para o exercício do poder sobre o homem”.
Policy seria “mais concreto”, pois possui “relação com orientações para a decisão e
ação”. (SECCHI, 2010)
Política pública, portanto, descreve um conceito interdisciplinar, abrangendo
diversas áreas do conhecimento, tendo como foco o processo decisório
governamental dos países (BUCCI, 2002). Contudo, para Souza (2007) as políticas
públicas visam sanar conflitos, estabilizando as disputas sociais, por meio da ação
da autoridade.
Uma política pública implica o estabelecimento de uma ou mais estratégias
orientadas à solução de problemas públicos e/ou à obtenção de maiores níveis de
bem-estar social. Outro fator relevante é que não existe um modelo ideal ou correto,
pois elas são respostas contingentes à situação de uma cidade, região ou um país
(BID, 2007). Ou seja, o que pode funcionar em dado momento da história, em um
determinado país, pode não dar certo em outro lugar, ou no mesmo lugar em outro
momento.
Em alguns casos, certas características de sua implementação podem ser
tão importantes quanto à orientação geral dessa política, como por exemplo,
aspectos como a coerência com que se executou, qual o órgão encarregado de
fazê-la, a forma como ela foi combinada, ou não, com outros objetivos de política e
quão previsível seria o futuro dessa política. (BID, 2007)
Assim, Política Pública, orienta SECCHI (2010, p. 2), que alguns atores
defendem a abordagem estatista, enquanto outros defendem abordagens
multicêntricas. A abordagem estadista é entendida como decisões sendo monopólio
de atores estatais. A abordagem multicêntrica é entendida como decisões

internacionais, estudos sobre políticas públicas, geopolítica, entre outros. (DUVERGER, 1966)
9
As obras As Ciências Políticas, de Daniel Lerner e Harold D. Lasswell, e O Processo
Governamental, de David B. Truman, foram um marco nos estudos das políticas públicas,
constituindo-se em uma área disciplinar específica. (SECCHI, 2010)
49

envolvendo “organizações privadas, organizações não-governamentais, organismos


multilaterais, redes de políticas públicas, juntamente com atores estatais”.
A formulação de políticas públicas segue um processo dialético de
negociações entre diversos atores, os quais podem ser divididos em políticos ou
jogadores, que se inter-relacionam nos ambientes formais e informais, podendo ser
em ambientes mais ou menos transparentes. (BID, 2007)
Por isso, na elaboração da PND e END, houve um protagonismo estatal na
sua confecção, estando mais relacionada à abordagem Estadista do que a
Multicêntrica, pois o ator protagonista é o Estado. Se for seguida a mesma linha de
construção teórica, a Estratégia da Presença estará mais ligada a abordagem
Estadista, como uma política pública estatal.
Contudo, é importante ressaltar que atores políticos mobilizam seus recursos
para realização das políticas públicas, influenciando de forma direta ou indireta, a
implementação e os resultados, mediante interesses diversos, exigindo uma
abordagem sistêmica para o seu entendimento. (BID, 2007)
No que tange ao Estado, a adoção de políticas públicas sofre influência de
indivíduos, organizações, partidos, entre outros, os quais defendem seus interesses
próprios ou dos grupos que representam, por meio de greves, mobilizações ou lobby
(RODRIGUES, 2010), transformando os discursos sobre a solução de determinado
problema em realidade concreta.
Por isso, a formulação de política pública pode ser decomposta em ciclos,
em uma série de etapas, formando uma cadeia lógica e clara, podendo ser descrita
como a identificação de um problema, formulação de soluções, tomada de decisões,
implementação e avaliação (JONES, 1970), conforme tabela 1. Este modelo passa a
ser aplicável na análise de qualquer política, facilitando a compreensão do assunto
em pauta (FREY, 2002).

1. Identificação do 2. Formulação 3. Tomada de 4. Execução da 5. Reação à


Problema de uma Decisão Ação Solução
Solução (Implementação) (avaliação)
Definição do Elaboração de Construção de Execução Reações à ação
Problema alternativas alianças
Agregação de Estudo de Legitimidade da Gestão e Juízo de valor
interesses soluções política adotada administração sobre os efeitos
50

Organização das Produção de


demandas efeitos
Representação e
acesso às autoridades
públicas
Demanda da ação
pública
Entrada na agenda Proposta de Impacto sobre o Reajuste da
pública uma solução terreno política adotada
ou encerramento
Tabela 1 - Formulação de Políticas Públicas
Fonte: FERNÁNDEZ, 2008

Apesar de, na prática, as ações não corresponderem, exatamente, ao


modelo proposto, é possível usá-lo como ferramenta de análise, sendo a etapa da
implementação fundamental, pois é nesta fase que os discursos transformam-se em
fatos concretos. (PASQUINO, 2010)
A fase da implementação possui uma complexidade maior do que aparenta,
já que a existência de diversos atores e instituições influem neste processo. Além
disso, as relações intergovernamentais representam um problema a mais,
dificultando a execução de políticas públicas interministeriais. (FERNÁNDEZ, 2008)
A avaliação é um passo fundamental para o sucesso das políticas públicas,
sendo um processo transversal a toda política, produzindo informações válidas
sobre o processo de tomada de decisão de uma política ou programa público
(MAGGIOLO, e PEROZO MAGGIOLO, 2007), sendo dividida em quatro tipos, ou
seja, a instrumental, conceitual, como persuasão e para esclarecimento (FARIA,
2005).
A avaliação instrumental é realizada quando as implicações das descobertas
não são muito controvertidas; a conceitual está relacionada com os técnicos locais
do programa, os quais não possuem poder de decisão; a avaliação como
instrumento de persuasão é feita para possibilitar o apoio dos tomadores de decisão
sobre as mudanças necessárias; e como esclarecimento está relacionado com os
conhecimentos adquiridos com origem nas diversas avaliações. (FARIA, 2005)
Contudo, a avaliação das políticas públicas continua sendo um processo
político, envolvendo, portanto, as discussões sobre seus resultados, como a escolha
entre conceitos, teorias, sistemas de classificação, entre outros. (DIAS, 2008)
51

Por isso, após a tomada de decisão de como aplicar a Estratégia da


Presença, da formulação de uma solução e de sua implementação, deverá ser
avaliada de forma permitir compreender sua evolução, seguindo uma das quatro
visões apresentadas, a fim de permitir seu aperfeiçoamento constante.
Contudo, na área de defesa, a tomada de decisão de um Estado possui três
formas didáticas, segundo a proposta de Allison e Zelikow10 (1999): como um “ator
racional”, “comportamento organizacional” ou “política governamental”.
O modelo ator racional encara o Estado como um corpo único, tendo como
características principais, os seguintes princípios: os Estados são tratados como o
ator principal e o Estado examina um conjunto de ações, avaliando conforme sua
utilidade, escolhendo aquela que tem a maior "recompensa", o maior retorno.
(ALLISON e ZELIKOW, 1999)
O modelo ator racional, contudo possui muitas deficiências quando da
tentativa de explicar a crise dos mísseis em Cuba, em parte porque muitas decisões
não foram tomadas, exatamente, de forma racional, na origem da palavra, além do
que, existe uma burocracia em cada Estado no sistema internacional, ampliando o
número de decisores no processo.
O modelo comportamento organizacional encara o processo de tomada
de decisão do Estado, como tendo uma burocracia, a qual influi neste processo,
tendo como características principais, os seguintes princípios:
- os decisores buscam soluções de forma a diminuir as incertezas no curto
prazo, esquecendo-se, amiúde, das soluções de longo prazo.
- o decisores, no estado de crise, dentro das limitações de recursos e tempo,
buscam a primeira proposta que atenda adequadamente suas necessidades,
princípio denominado de satisficing11.

10
Allison escreveu em 1971 o livro “Essence of Decision: Explicando a Crise dos Mísseis
Cubanos”, explicando o processo de tomada de decisão do governo dos EUA na crise dos mísseis
em Cuba com a ex-URSS. Contudo, esta obra foi reeditada e ampliada em 1999 com a
disponibilidade de novos arquivos daquele momento histórico, tendo o cientista político Phillip Zelikow
chamado a compor a 2ª Ed. O nome “essência da decisão” tem origem em um discurso de John F.
Kennedy, no qual ele teria dito a frase: "A essência da decisão final permanece impenetrável ao
observador, muitas vezes, de fato, ao próprio decisor", a qual resume a ideia central da obra dos
autores citados.
11
Satisficing é uma forma de tomada de decisão, desenvolvida por Herbert A. Simon, em 1956, a
qual significa que os decisores buscam alternativas até alcançarem linhas de ação satisfatórias ao
problema analisado, de forma que ele possa ser resolvido, sendo uma ferramenta cognitiva por
excelência, sem que se espere pela solução ótima ou melhor decisão. (ALLISON e ZELIKOW, 1999)
52

- os líderes de um Estado, quando em um estado de crise, não observam o


Estado como um corpo único, mas setorizado, conforme linhas organizacionais pré-
estabelecidas;
- os decisores usam planos pré-existentes, devido à limitação de recursos e
tempo, pois planejamentos governamentais custam tempo e recursos de toda
ordem. (ALLISON e ZELIKOW, 1999)
O modelo política governamental, também chamado, política do palácio ou
da corte, foi proposto como uma terceira opção, apesar de muitos estadistas não
gostarem de admitir que fazem política em situações de crise, tendo como
características principais, os seguintes princípios:
- As ações de um Estado são derivadas da negociação e da politicagem de
seus membros, pois os interesses pessoais e governamentais pesam na decisão de
como alcançá-los, apesar dos objetivos em comum;
- Os tomadores de decisão de um Estado, mesmo tendo um poder absoluto,
como um presidente ou comandante-em-chefe das forças armadas, devem buscar o
consenso, para que suas ordens não sejam mal compreendidas;
- As características de liderança do chefe/líder influencia diferentes níveis de
poder baseadas na sua personalidade, carisma e habilidades de persuasão. Desta
forma, quanto mais determinado for, mais os assessores não o confrontam, mas
buscam sua aprovação, gerando conselheiros, que no desejo de ter influência no
seu trabalho, caminhem na mesma direção que o chefe já tomou, e, portanto, este
chefe terá uma grande participação na decisão final;
- os chefes devem buscar o consenso em seu círculo pessoal, pois se não
conseguir, os adversários podem tirar proveito dessas divergências. Apesar disso,
chefes diferentes podem tomar ações diferentes, independente da aprovação de seu
círculo mais próximo. (ALLISON e ZELIKOW, 1999)
Cada um dos três modelos possuem pontos fortes e fraquezas a serem
exploradas de acordo com a situação, havendo uma interdependência entre os três
modelos, pois a realidade é mais complexa que a teoria consegue abarcar, apesar
de certos momentos acontecer o destaque de uma das três vertentes, o que pode
ser percebido quando Allison e Zelikow (1999) analisam a crise dos mísseis sob
estes três modelos, apresentando similitudes e divergências a cada modelo, mas
todos possíveis, dependendo do enfoque ou forma de análise.
53

Assim, na tomada de decisão para construir a Estratégia da Presença,


qualquer um dos três modelos apresentam-se em condições de influenciar o
processo de tomada de decisão nacional.
Contudo, o Ministério da Defesa brasileiro possui suas características que
poderiam aproximá-lo do comportamento organizacional e da política
governamental, podendo ser observado no caso da criação da PND 2005 e END
2008. (OLIVEIRA, 2009)
A Estratégia de Defesa Nacional foi elaborada em cerca de quinze
meses da gestão de Nelson Jobim no ministério da Defesa e de Mangabeira
Unger na Secretaria de Assuntos Estratégicos. Esses ministros são os
autores públicos, enquanto os autores institucionais são as instituições
militares que há muito se debruçam sobre mudanças necessárias nas
Forças Armadas. (OLIVEIRA, 2005)

3.3 PRESENÇA MILITAR TANGÍVEL E INTANGÍVEL

3.3.1 OS CONCEITOS DE TANGÍVEL E INTANGÍVEL

Para entendermos os conceitos de tangível e intangível, buscaremos as


diferentes definições em torno do tema, de várias partes das ciências acadêmicas,
sendo um esforço multidisciplinar, a fim de buscar uma aproximação para o trabalho
em curso, de forma a compreender que houve uma evolução da grande
preocupação de valorização dos ativos tangíveis para uma crescente importância
dos ativos intangíveis, principalmente a partir da década de 80. (Perez e Famá,
2006)
Para Walker (1985), a diferença entre tangível e intangível está vinculado ao
processo de produção, pois se a produção de bens é direta do trabalho aplicado,
gerando um resultado concreto, então é tangível. Mas, se o trabalho é indireto, ou
seja, não está ligado ao processo de produção, como a atividade de serviço, então é
intangível.
Contudo, Hill (1999) rompe com a ideia de que serviço seria intangível, pois
apesar de ter uma parte imaterial, ou seja, o serviço seria um produto, este também
é visto de forma integrada e interativa, e, portanto, tangível, já que possui direitos
como o de propriedade e de comercialização.
54

Para Iudícibus (2000, p. 129) “o ativo é, o conjunto de meios ou matéria posta à


disposição do administrador para que este possa operar de modo a conseguir os fins
que a entidade entregue a sua direção tem em vista”, de forma que tenha um caráter
relativamente permanente, um direito exclusivo, algum benefício, além de ser
exclusivo.
Os ativos também devem ter um caráter relativamente permanente, não se
destinando a venda e ser usada nos negócios, sendo obrigatório possuir estas três
características, mas podem ser divididos em tangível ou corpóreo e intangível ou
incorpóreo. (MARION, 2005, p. 171-172).

3.3.1.1 ATIVOS TANGÍVEIS

Os ativos tangíveis estão relacionados, de maneira geral aos bens tangíveis


como os imóveis, os terrenos, entre outros, os quais estão relacionados com o
processo produtivo da empresa, conforme nos elucida Iudícibus (2000).
Assim, cresce de importância a necessidade de mensuração dos ativos, os
quais, segundo Catelli et al (2001, p. 36) são “um conjunto específico de
procedimentos para atribuir números a objetos e eventos com o objetivo de prover
informações válidas, confiáveis, relevantes e econômicas, para os tomadores de
decisão”.
Também, nos alerta para a questão da mensuração dos ativos tangíveis,
Hendriksen e Breda (1999), os quais ressaltam que a depreciação é inato aos bens
tangíveis, estando relacionado, entre outros fatores ao tempo de vida útil do bem, da
forma de avaliação e de como ocorre a depreciação.
Contudo, nos alerta Lev (2001) que a busca pelos ativos intangíveis está
relacionada com o aumento da competição entre as empresas e incremento da
tecnologia da informação.

3.3.1.2 ATIVOS INTANGÍVEIS

Os ativos intangíveis estão relacionados com diversos componentes de um


negócio, que não necessariamente bens tangíveis, os quais devem permitir uma fácil
identificação e descrição, mas deve possuir uma evidência tangível de sua
55

existência, como um contrato, por exemplo, além de estar sujeito a proteção legal,
ao direito de propriedade individual, ter uma data de criação e ter uma data de
término ou passível de eliminação. (REILLY, 1996)
Assim, Reilly (1996) apresenta uma forma de categorização destes ativos
intangíveis em 8 partes: a) o cliente, b) a tecnologia, c) o processamento de dados,
d) os contratos, e) o capital humano, f) a localização, g) o marketing e h) o goodwill,
que é valor do negócio se ele continuar no tempo. Mas, além destes, ele propõe a
existência de mais dois ativos intangíveis, separados dos demais, os quais
denominou de capital intelectual, são eles: a) criativo, englobando os direitos
autorais, software específicos, entre outros, e b) inovação, envolvendo as patentes,
as fórmulas específicas de uma empresa, entre outros.
Na economia industrial, as empresas criavam valor a partir
de ativos tangíveis, mediante a transformação de matérias-primas
em produtos acabados. Um estudo do Brookings Institute, de 1982,
mostrou que o valor contábil dos ativos tangíveis representavam 62%
do valor de mercado das organizações industriais. Dez anos mais
tarde, o índice caiu para 38%. E estudos recentes estimam que, em
fins do Século XX, o valor contábil dos ativos tangíveis correspondia
a apenas 10 a 15% do valor de mercado das empresas. Sem dúvida,
as oportunidades para a criação de valor estão mitigando da gestão
de ativos tangíveis para a gestão de estratégia baseadas no
conhecimento, que exploram os ativos intangíveis da organização
relacionamento com os clientes, produtos e serviços inovadores,
tecnologia da informação e banco de dados, além de capacidades,
habilidades e motivação dos empregados. (KAPLAN; NORTON,
2000, p. 12)

Barbosa e Gomes (2002), propõem que os ativos intangíveis geram impactos


sobre as empresas, podendo ser classificados: a) processos facilitadores de
conhecimento, b) relacionamento com agentes do mercado, c) conhecimento dos
funcionários e d) capacitação em pesquisa e desenvolvimento.
Uma outra definição é apresentada por Kayo (2002), que também divide os
ativos intangíveis quatro categorias: a) ativos estruturais, b) ativos humanos, c)
ativos de inovação e d) ativos de relacionamento. Os ativos estruturais estão ligados
aos processos, ao banco de dados, entre outros. Os ativos humanos estão ligados
56

aos administradores, ao conhecimento específico da empresa, entre outros. Os


ativos de inovação estão relacionados as patentes, a pesquisa e desenvolvimento,
entre outros. Os ativos de relacionamento estão ligados a marca, aos direitos
autorais, entre outros. Contudo, ressalta que a principal característica estratégica de
um ativo intangível está na sua singularidade, como a marca Coca-Cola, que só
existe uma no mundo.
Contudo, Sveiby (1998) existem três grandes categorias para a avalição de
ativos intangíveis: Estrutura Externa, Estrutura Interna e Competência dos
Funcionários, os quais podem ser mais facilmente visualizados, na tabela 2, a
seguir:

Ativos Intangíveis
Estrutura Externa Estrutura Interna Competência dos
Funcionários
- Relacionamento com - Organização - Experiência
clientes - Estrutura Jurídica - Educação
- Relacionamento com - Sistema manuais
fornecedores - Administração
- Marcas - Pesquisa e
Desenvolvimento
- Software
- Atitudes
Tabela 2 - Ativos intangíveis
Fonte: Sveiby, 1998, p. 12

“Os ativos intangíveis surgiram em resposta a um crescente reconhecimento de


que fatores extracontábeis podem ter uma importante participação no valor real de
uma empresa.” (Edvinsson e Malone, 1998, p. 22). Por isso, a singularidade é a
forma mais contundente das empresas de diferenciarem no mercado atual.
Contudo, além da singularidade, Lev (2001) ressalta que os ativos intangíveis
possuem algumas características estratégicas fundamentais, que são a não-
rivalidade, sua capacidade de escala, as externalidades de rede e o risco. A não-
rivalidade refere-se a capacidade de um ativo ser usado de forma simultânea e
diferentes formas, como um programa de reservas de passagens aéreas, o qual
57

pode ser acessado simultaneamente por vários clientes. A capacidade de escala


significa que seus ativos podem ser explorados indefinidamente, sem investimentos
adicionais, como as patentes e marcas. As externalidades de rede referem-se as
demandas que são dependentes das demandas de outros consumidores, gerando o
efeito imitação, o qual pode ser positivo ou negativo, como no caso do lançamento
de novos celulares, que gera o efeito imitação, a grande demanda por novos
celulares provoca o aumento da demanda. O risco está associado ao
desenvolvimento lento, arriscado e de alto custo e o gerenciamento dos ativos
intangíveis, como o alto custo de desenvolvimento de novos medicamentos que não
se sabe se terão eficácia no final do processo.

3.3.2 A PRESENÇA MILITAR TANGÍVEL E INTANGÍVEL

Para discutir a presença militar nos campos tangível e intangível, faz-se


necessário abordar a contextualização militar que envolve o tema, entendendo as
gerações das guerras até chegar na atualidade, a fim de estabelecer as interligações
corretas.
A primeira geração das guerras está relacionada com a Era do mosquete com
suas formações em linha e coluna, sendo preponderantes nas guerras
Napoleônicas. Eram tropas com pouco treinamento, formada por conscritos e
empregados em massa. Este modelo tornou-se obsoleto com o advento do rifle de
carregamento mais rápido e eficaz. (LIND et al, 1989)
A segunda geração das guerras está relacionada com o advento dos obuses,
início das metralhadoras, além do emprego do arame farpado, mas dentro da ideia
de guerra linear. Este modelo foi usado nas guerras de unificação da Alemanha até
a Primeira Guerra Mundial (I GM), onde originaram-se as táticas iniciais de fogo e
movimento e a utilização de fogos indiretos com dispersões laterais. (LIND et al,
1989)
A terceira geração foi marcada por mudanças na doutrina militar, ocasionando
alterações na organização das forças, gerando um aumento do elemento manobra e
a consequente diminuição da guerra de atrito. Este modelo teve seu início no final da
58

I GM e seu amadurecimento na Segunda Guerra Mundial (II GM), com o advento da


“blitzkrieg”12. (LIND et al, 1989)
A quarta geração das guerras envolvem características novas, conforme se
segue:
i) aumento na atuação de grupos pequenos, mas altamente
dispersos e orientados por missões que englobam o inimigo como um todo,
toda a sociedade; ii) a diminuição da dependência da logística concentrada
e o aumento na capacidade de explorar os recursos do inimigo; iii) a maior
ênfase em operações de manobra, em decorrência do aumento ainda maior
do poder de fogo; e iv) a proposta de provocar o colapso do inimigo
internamente, sem destruí-lo, utilizando-se das operações psicológicas, das
comunicações e internet com todo seus recursos. (LIND et al, 1989, p. 24)

Contudo, existe outro conceito muito importante a ser abordado que é o de


Revoluções em Assuntos Militares (RAM), proveniente dos EUA da sua “revolution in
military affairs”, na década de 1980. Conceitualmente, a RAM pode ser entendida
com a introdução de inovações tecnológicas com efeitos revolucionários13 nas
atividades militares.

14
Tabela Nr 3 – Evolução Histórico-Militar

Fonte: CORREIA, 2010.

12
Blitzkrieg significa guerra-relâmpago, sendo utilizada pelas Forças Nazistas como uma doutrina militar, a
qual consistia em utilizar forças blindadas para realizarem ataques rápidos e de surpresa, provocando o efeito-
surpresa no inimigo, além da sua desorganização e desmoralização, tendo como grande mentor, o general Erich
von Manstein. (PAGET, 1951)
13
O conceito de revolução neste momento está em oposição ao conceito de evolução. Aqui, revolução
significa uma ruptura com modelos antigos. Evolução significa um crescimento linear baseado em princípios e
fatores naturais.
14
O autor cita que as épocas histórico-militares foram inspiradas no livro “L’influence de l’armament sur
l’histoire” e os modelos da sociedade foram inspiradas no livro “O Processo Histórico”.
59

Pela análise da tabela Nr 3, é possível identificar diversos momentos na


história em que foi possível marcar uma ruptura de conceitos e formas de atuação
das Forças Armadas, sinalizando que, dentro das Revoluções Militares, gerando
mudanças sociais e políticas, mais abrangentes, existem suas RAM, focadas nas
mudanças tecnológicas, as quais geram mudanças na doutrina e organização das
forças.
Moskos (2000) foi responsável pela construção da ideia de pós-modernismo
militar, devido às mudanças quanto às ameaças, missões e estruturas militares,
ocorreria uma minimização do esforço militar, tendo em vista que as guerras inter-
estatais decairiam, “transformando os exércitos da era industrial para exércitos da
era da informação” (CASTELLS, 1999, P. 483), os quais podem ser identificados na
tabela Nr 4.

Tabela Nr 4 – Forças Armadas em três Eras.


Fonte: MOSKOS et al, 2000, p. 15.

Após os ataques de 11 de setembro de 2001, às torres gêmeas nos EUA,


verificou-se uma mudança do pós-modernismo militar para o estado de segurança,
caracterizado por uma volta a alguns conceitos como defesa do território. Contudo, o
inimigo passava a ter características diferentes, sendo volátil e difuso, passando o
terrorismo de âmbito regional para transnacional, exigindo pequenos efetivos
militares bem treinados, conforme tabela Nr 5. (KUHLMANN, 2007a)
60

Tabela Nr 5 – Forças Armadas em “Estado de Segurança”.


Fonte: MOSKOS et al, 2000 (PÓS-MODERNO I); WILLIAMS, 2004 (PÓS-MODERNO II).

Contudo, esta abordagem analítico-acadêmica sofreu severas críticas, pois


acabava por apontar um único caminho a ser trilhado pelas forças armadas, focando
no combate ao terrorismo, mas que não refletia a verdade dos países, pois o foco
dos EUA, nesta questão, estava no terrorismo internacional; já, por exemplo, na
América do Sul, a preocupação estava no narcoterrorismo, conforme United States
South Command15. (KUHLMANN, 2007a)
Desta forma, mantêm-se firmes os princípios da guerra de Clausewitz, que
teorizava sobre a natureza da guerra, elegendo a “trindade paradoxal”, a violência, o
acaso e o propósito racional.
A guerra é mais do que um verdadeiro camaleão que, para uma
dada circunstância, adapta suas características ligeiramente. Como um
fenômeno total, suas tendências dominantes sempre tornam a guerra uma
trindade paradoxal – formada principalmente pela violência, ódio e
inimizade, que podem ser tratados como uma força natural, cega; pelo jogo
do acaso e das probabilidades, onde o espírito criativo pode enveredar-se
livremente; e por seu elemento de subordinação, como um instrumento de
política, que a torna subordinada somente à razão. (CLAUSEWITZ, 1986, p.
101).

Contudo, Clausewitz é um teórico sobre a guerra, analisando-a em um


contexto puramente filosófico, concluindo que “a guerra é uma empreitada perigosa”
ou que “a guerra é um ato de violência destinado a obrigar um oponente a cumprir a
nossa vontade” (CLAUSEWITZ, 1986, p. 87-99), podendo assumir várias formas, e
todas podem ser interpretadas como uma combinação de forças irracionais (emoção

15
UNITED STATES SOUTH COMMAND (Comando Sul dos Estados Unidos da América) – É comando
militar dos EUA que possui como área de atuação toda a América Latina. Artigo intitulado “ Our Mission.”
Disponível em <http://www.southcom.mil/AppsSC/pages/ourMission.php> Acesso em: 17 maio 2014.
61

violenta), não racionais (acaso e sorte) e racionais (guerra como um instrumento de


política). (SCHUURMAN, 2011)
Clausewitz após definir sua trindade primária, passa a definir uma trindade
secundária, na qual existem “o primeiro desses três aspectos [violência] diz respeito
principalmente à população, o segundo [acaso] ao comandante e seu exército, e o
terceiro [propósito racional] ao governo”. Este último aspecto passou a ser atacado
pelos defensores das novas guerras, alegando que o governo deixou de ser o único
ator responsável, mas guardadas as devidas proporções, é possível aplicar a ideia
da trindade primária, gerando novas trindades secundárias, seja na guerra
tradicional ou nas de guerra de quarta geração ou irregular, conforme figura 5.
(SCHUURMAN, 2011)

Figura 5 – A Trindade Clausewitziana Clássica e Expandida.


Fonte: Força Aérea Australiana (2012)

Neste contexto, Creveld (1998) adverte que, com o fim da guerra fria,
eclodiram outros tipos de conflitos, tribais, étnicos, religiosos e civis em vários
continentes do globo, principalmente na África e Ásia. Assim, as guerras
convencionais e a ameaça nuclear seriam suplantadas pelas guerras de baixa
intensidade, devido ao surgimento de unidades políticas dispersas, sendo difícil
combatê-las, pois não concentram forças, recursos e demais necessidades, apesar
de terem grande poder de destruição em suas mãos.
62

Assim, ressalta de importância uma definição de guerra irregular, a qual pode


ser entendida como um “conflito conduzido por uma força que não dispõe de
organização militar formal e, sobretudo, de legitimidade jurídica institucional”
(VISACRO, 2009), sendo um conceito abrangente e que abarca diversas
denominações concebidas acerca do tema: guerra assimétrica, insurrecional, de
resistência, revolucionária, insurgência, de guerrilhas, entre outras.
A guerra irregular, portanto possui diversas características como a mudança
de foco com relação ao Centro de Gravidade16 (CG), buscando afetar a vontade de
combater do inimigo e não confrontá-lo de forma direta e pela busca pelo “terreno
humano”, buscando o apoio da população para o apoio logístico e para o fluxo de
informações (inteligência). (VISACRO, 2009).
[...] louco seria o rebelde se reunisse todas as forças ao seu dispor e
atacasse o adversário de um modo convencional, tomando como objetivo a
destruição das forças do inimigo e a conquista do território. Ao invés disso,
a lógica força-o a levar a luta para um terreno diferente, onde ele tem
melhor possibilidade de equilibrar suas desvantagens físicas. (GALULA,
1966, p.19).

Além disso, os problemas estratégicos dos insurgentes, a percepção de que o


combate nunca pode tomar uma forma convencional, o uso correto do terreno, a
quantidade de armas a serem conseguidas para os combates, associado a outros
fatores, também, contribuem para o combate de quarta geração ou irregular.
(GALULA, 1966).
Malásia é a primeira campanha de contra-insurgência moderna associada à
política de ‘conquistar corações e mentes’, mas esta abordagem levou
tempo para evoluir e foi certamente ausente no início: a queima da vila de
Kachau em Selangor, em novembro de 1948 pela polícia e o assassinato de
vinte e quatro trabalhadores rurais chineses por uma patrulha, [...] foram
atípicos da conduta britânica na campanha como um todo, mas sintomático
da confusão e inexperiência das forças de segurança no início. (GREY,
2003, p. 73)

Neste contexto, o francês Roger Trinquier, na sua obra La guerre moderne,


estabelece a impossibilidade por parte da potência superior de controlar toda a
população, favorecendo os insurgentes, os quais podem explorar esta grande
vulnerabilidade, devido sua experiência na Guerra da Argélia (1954-1962):
16
Centro de Gravidade (CG) é o ponto essencial de um Estado (ou causa que sustenta uma
vontade política), de forças militares ou de sistemas diversos, cujo funcionamento é imprescindível à
sobrevivência do conjunto. Os CG não se limitam a forças militares e servem como fonte de energia
que fornece força moral ou física, liberdade de ação ou vontade de agir. (BRASIL, 2014a, p. 5-5)
63

A guerra é, atualmente, um sistema combinado de ações políticas,


econômicas, psicológicas e militares que visa à derrubada da autoridade
estabelecida em um país e a sua substituição por outro regime. Para atingir
este fim, o agressor tenta explorar as tensões internas do país atacado –
ideológicas, sociais, religiosas, econômicas – qualquer conflito suscetível de
ter uma profunda influência sobre a população a ser conquistada.
(TRINQUIER, 2008, p. 5)

Assim, é possível identificar na guerra de quarta geração ou irregular, vários


princípios e características, consagrados pelo emprego em combate, os quais
podem ser adaptados a cada país ou região, dentro de sua realidade cultural,
política ou do terreno, gerando resultados em conformidade com os interesses dos
envolvidos, mas sempre com grandes desgastes para os envolvidos.
Assim, Pinheiro (2006) esclarece que a guerra de 4ª Geração é o conflito
armado do século XXI, onde realçadas algumas características como a difícil
detecção de atividades clandestinas, o uso midiático do terror, ambiente fluidos,
entre outros.
Neste contexto, o combate tem evoluído das tradicionais dimensões: frente
de batalha, profundidade e espacial, para uma nova, a dimensão intangível,
englobando as inovações tecnológicas e não-tecnológicas, atuando sobre o espectro
eletromagnético, as estruturas das redes lógicas, os sistemas de comando e
controle e o processo de decisão do inimigo, além do próprio pensamento do
oponente, possibilitando o estabelecimento de alvos anteriormente inimagináveis,
produzindo transformações nas doutrinas militares, integrando cada vez mais os
tradicionais sistemas de combate para as modernas funções de combate. (Azevedo
e Mota, 2012)
Nesta mesma direção aborda Paulino (2009) que existe uma dimensão
intangível do campo de batalha, no qual fatores invisíveis influem nos fatores
visíveis, impactando no moral da tropa, na sua motivação, destacando o papel das
inovações tecnológicas, em especial da mídia, de forma a conquistar os corações e
as mentes.
Nesta mesma linha, o Exército Brasileiro editou uma série de novos manuais,
abordandoa temática em questão, ampliando as tradicionais visões de Campo de
Batalha para Espaço de Batalha, englobando conceitos mais abrangente, como o
conceito de intangível.
64

O Espaço de Batalha é, portanto, a dimensão física e virtual


onde ocorrem e repercutem os combates, abrangendo as expressões
política, econõmica, militar, científico-tecnológica e psicossocial do
poder, que interagem entre si e entre os beligerantes. Compreende
todas as dimensões tangíveis e intangíveis, nas quaiso comandante
de ve aplicar o seu Poder de Combate. O campo de Batalha está
incluso no Espaço de Batalha. (BRASIL, 2014a, p. 2-7)

Em outra parte, explica o que a dimensão intangível, “os aspectos


informacionais, espectro eletromagnético e fatores relacionados ao espaço
cibernético são considerados dimensões intangíveis do Espaço de Batalha”.
(BRASIL, 2014a, p. 2-7)
Em outra seção, complementa dizendo que os “Centro de Gravidade morais
são intangíveis e mais difíceis de influenciar, como por exemplo, um líder
carismático, uma elite dominante, uma tradição religiosa, uma influência ou força de
vontade da população nativa.” Continua explicando que “o emprego de meios
militares de forma isolada, gerelamente, revela-se ineficaz quando o direcionamento
das ações é sobre CG morais”, havendo a necessidade de integrar todos os
intrumentos do Poder Nacional. (BRASIL, 2014a, p. 5-5)
Desta forma, esclare, ainda, que “vulnerabilidade crítica pode ser a estrutura
de uma instalação, material ou equipamento, ou pode ser uma percepção
intangível, crença da população ou suscetibilidade.” (BRASIL, 2014a, p. 7-11)
Neste contexto, a Estratégia da Presença deve estar atenta as características
da guerra de quarta geração, o que segundo diversos autores, é a guerra do século
XXI, exigindo do geverno ações integradas com os vários campos do poder, sem
esquecer as premissas da guerra convencional, deixando espaço para uma
presença tangível, material, clássica e uma presença intangível, baseada no uso das
mais novas tecnologias e na conquista dos corações e mentes.
65

4. A PRESENÇA TANGÍVEL

Neste Capítulo serão estudados alguns aspectos teóricos que fundamentarão o


estudo sobre a Presença Tangível na região amazônica. Os temas relacionados ao
poder e a territorialidade serão estudados buscando entender os principais
pensadores sobre a ocupação da região amazônica. Além disso, serão estudadas as
ameaças sobre a Amazônia e o dispositivo militar presente, embasando a análise
qualitativa e quantitativa sobre o tema em questão.

4.1 O PODER MILITAR E TERRITORIALIDADE

4.1.1 O PODER E O TERRITÓRIO

Na discussão acadêmica sobre poder e território, existem diversas abordagens


pertinentes, por isso vamos buscar um entendimento que alinhe as diversas
correntes, buscando, desta forma, uma unidade relativa dentro da diversidade de
perspectivas. Assim, começamos com a visão de Huntington sobre o Estado-Nação.
O Estado-Nação é a organização política de mais alto valor que estabelece as
regras de convivência entre seus concidadãos, de forma que, no plano interno, é o
principal responsável pela necessidade de segurança, detendo o monopólio do uso
da força por meio de instituições como o judiciário, polícia e todo sistema legal.
(HUNTINGTON, 1996)
Contudo, no plano externo, o Estado-Nação não dispõe de elementos para ter
a certeza das intenções dos demais Estados do sistema internacional, possuindo,
ainda, a primazia no uso da força, por meio das forças armadas. Por isso, os
militares17 possuem uma forma de pensar que orbita entre a possibilidade da guerra
e sua consequente manutenção do aparato bélico, tendo em vista que o
pensamento militar valoriza o realismo conservador, possuindo as características de
irracionalidade, fraqueza, imutabilidade e maldade, dentro de um contexto
hobbesiano do emprego da força. (Huntington, 1996)

17
No livro “O Soldado e o Estado”, o autor norte-americano Samuel P. Huntington escreve sobre
as relações entre civis e militares, concluindo sobre o papel do Estado nos planos interno e externo.
Cabe ressaltar que esta obra analisa a sociedade dos EUA, mas os conceitos exarados pelo autor
são válidas, em grande parte, para sociedades com culturas semelhantes, como no caso a brasileira.
66

Neste contexto hobbesiano, a paz deriva da relação de poder entre os Estados,


pela incapacidade de dominação dos demais Estados, mantendo a anarquia no
Sistema Internacional, cabendo aos militares a manutenção da ordem, de acordo
com a sua forma conservadora de enxergar este sistema. (Huntington, 1996)
Alsina (2009) define “os termos em que a inter-relação polaridade/identidade se
processa no mundo atual”, delimitando o que ficou conhecido como a “teoria da
polaridade complexa”, a qual tipifica “três tipos de Estados: superpotências, grandes
potências e potências regionais”.
As superpotências teriam as seguintes características: possuem
interesses globais multifacetados e são capazes de os defender das mais
variadas maneiras, em qualquer parte do mundo, sobretudo por meios
ideológicos, político-militares e/ou econômicos; da mesma forma, são
percebidas pelos demais atores relevantes da cena internacional como
possuidoras do estatuto de superpotência e atribuem a si próprias esse
estatuto – tendo peso decisivo na conformação da ordem mundial em seus
diversos aspectos.
As grandes potências, por sua vez, teriam o seguinte perfil: seu
espectro de atuação externa não tem alcance verdadeiramente global, ou o
tem somente em setores específicos; a grande potência é aquela que é
percebida pelos demais Estados como possível futura candidata ao estatuto
de superpotência ou, em outro sentido, como superpotência declinante.
Finalmente, as potências regionais são Estados cujas capacidades
representam dados fundamentais para o equilíbrio de uma região, mas que
não exercem papel sistêmico relevante; a importância regional desse tipo de
potência permite que sejam capazes de atuar como mediadoras entre o
plano internacional e a sua zona imediata de influência. (ALSINA, 2009, p.
176-177)

O Brasil apresenta-se sob a forma de potência regional, mas apresenta


características de um Estado periférico, já que um “Estado é periférico quando não
pertence ao núcleo central do capitalismo, apresentando disparidades domésticas
em escala variável, porém mais acentuada do que a encontrada nos países
centrais”. (ALSINA, 2009, p. 181)
Os Estados periféricos são “mais frágeis e vulneráveis a influências externas,
refletindo-se na existência de instabilidade doméstica, as quais representam
67

preocupação adicional para os formuladores das políticas de segurança e defesa


dos países periféricos”. (ALSINA, 2009, p. 175)
Além dos conceitos exarados, o Sistema Internacional pode ser caracterizado,
também, pelos princípios das três culturas da anarquia propostas por Wendt, as
quais variam do caos, do conflito, até a comunidade de segurança, seguindo os
padrões de inimizade, rivalidade e amizade, variando de um ponto a outro da escala,
conforme figura 6. Neste contexto, cresce a necessidade de se entender os
fundamentos do poder e suas relações entre o ambiente interno e externo, gerando
três possíveis níveis de internalização: a coerção, o auto-interesse e a legitimidade.
(WENDT, 1999)

Figura 6 – O espectro do grau de amizade


Fonte: OSCAR FILHO, 2010

Contudo, Buzan utiliza as conceituações de Wendt, mas estabelece que, no


Sistema Internacional, os princípios podem coexistir, como por exemplo
rivalidade/inimizade, mas prevalecem os princípios de rivalidade e amizade, no qual
a identidade18 dos atores exerce influência sobre a cultura da anarquia, definindo, de
certa forma, sua estabilidade. (BUZAN, 2004)
Por isso, dentro de um contexto realista das Relações Internacionais (RI), é
possível a manutenção de relações externas com atores que claramente possuem
interesses diversos em nosso território, em nossas riquezas, principalmente sobre a
Amazônia, de forma pragmática, extraindo o que tem de melhor desta relação para
nossa nação, mantendo-se o poder nacional sobre o País.
De acordo com Castro19 (2012, p. 161), que possui uma visão mais realista 20
da realidade, “o poder representa, simultaneamente, essência e matéria do objeto do

18
Identidade significa que apesar das diferenças entre as nações, o que deve ser ressaltado é o
há de igual, de positivo entre os países analisados.
19
Professor Thales de Castro é professor de Relações Internacionais e Diplomata, tendo seu
trabalho foco nas relações de poder, sobressaindo sua visão realista da realidade. (Nota do Autor)
68

saber internacional. O poder é etéreo e é concreto; sua transcendência é substantiva


e adjetiva”. Por isso, neste contexto, os Estados Nacionais buscam alcançar este
status, preservando e aumentando seu “poder em jogo em múltiplos tabuleiros”.
Uma nação pode aumentar seu poder de diversas formas, “por meio de vitórias
em guerras, por meio de processos de conquista ou anexações, pela renovação do
parque bélico ou ainda pelo progresso quantitativo do contingente militar de primeira
linha” (CASTRO, 2012, p. 162). Contudo, Castro adverte que “há fluxos de poder
que emanam dos entes em uma busca de equacionamento e encaixe dos interesses
e dos ganhos que poderão ser mútuos, a depender da estratégia dominante dos
atores envolvidos”. (op. cit., p. 164)
Contudo, Raffestin21 advoga a existência de um “Poder”, com letra maiúscula, e
de um “poder”, com letra minúscula.
Mas o primeiro (Poder) é mais fácil de cercar porque se manifesta
por intermédio dos aparelhos complexos que encerram o território,
controlam a população e dominam os recursos. É o poder visível, maciço,
identificável. Como consequência é o perigoso e inquietante, inspira a
desconfiança pela própria ameaça que representa. Porém o mais perigoso é
aquele que não se vê, ou que não se vê mais porque se acreditou tê-lo
derrotado, condenando-o a prisão domiciliar. (RAFFESTIN, 1980)

Portanto, para Raffestin, apesar de sua visão mais construtivista22, o ‘Poder” se


manisfesta por meio de aparelhos, órgãos do governo, os quais controlam a
população, dominam os recursos e exercem o controle efetivo sobre o território.
Contudo, o “poder” não visível, mas influente, como as relações políticas
clandestinas, os conchavos, as negociatas, são também muito perigosos, pois, não
vê, influenciando toda a nação, inclusive a Amazônia, objeto de estudos da tese.
Contudo, Costa (2008, p.18) explica que um ator territorializa um espaço,
quando se apropria dele, passando a delimitá-lo nas questões de produção e
vivência. Já, Raffestin (1980, p. 143-145) afirma que este território é estabelecido
quando há uma relação de dependência, a partir de uma ação de um ator em um

20
O Realismo é uma das Escolas das Relações Internacionais, a qual, em resumo, busca
entender o mundo como realmente é, tendo como principal representante Hans Morgenthau, com seu
famoso livro “Política entre as Nações”.
21
O Professor Claude Raffestin é professor de Geografia Humana, tendo seu trabalho foco na
construção da territorialidade, com uso de teorias de Foucault, sobressaindo sua visão construtivista
da realidade. (Nota do Autor)
22
O Construtivismo é uma das Escolas das Relações Internacionais, sendo considerada uma
terceira geração de debates, a qual, em resumo, busca entender o mundo como uma construção
social, sendo, portanto, multidisciplinar, tendo como principal representante Alexander Wendt, com
seu famoso livro “O Problema Estrutura-Agente na Teoria das Relções Internationals”.
69

espaço. O estabelecimento de redes, fluxos e circuitos em um determinado espaço


define-o como território, surgindo as redes de estradas, os fluxos bancários, os
circuitos comerciais, entre outras ações.
Assim, o entendimento de poder sobre um território cria uma relação de
informação e energia, ou seja, cria-se relações de trabalho e poder, tendo nos
trunfos do poder, os elementos dinâmicos deste processo, como por exemplo a
população, a qual age sobre um território por meio dos recursos disponíveis, sendo
a principal origem de energia em um território, tendo em questões como etnia,
idioma, religião, entre outros, elementos que podem ser recursos ou entraves nesta
relação. (RAFFESTIN, 1980, p. 50-61)
Neste contexto, surge a ideia de sistema territorial, apoiando-se de três
elementos básicos: as quadriculas do poder ou a repartição das superfícies, a
implantação de nós (nodosidade) e as redes de poder. (RAFFESTIN, 1980, p. 149-
159).
De acordo com Moraes (2002, p. 74-75), o território é uma construção militar,
jurídica, política, econômica e ideológica. A construção militar está relacionada a
conquista espacial; a construção jurídica está relacionada a legitimidade em fóruns
internacionais; a construção política está relacionada a vigência de um poder
soberano; a construção econômica está relacionada as atividades produtivas e com
um mercado de uso destas mercadorias; e a construção ideológica está relacionada
a identidade social e uma psicologia coletiva com base espacial. (MORAES, 2002, p.
73-76)
Como conclusão, poder-se-ia afirmar que as interações políticas, econômicas,
sociais e culturais de indivíduos ou grupos sobre um espaço forma um sistema
territorial com seu respectivo sistema de malhas, nós e redes, contribuindo para o
ordenamento, integração e coesão do territorial, favorecendo o desenho dos limites
e fronteiras de um país, como ocorreu, também, na região amazônica, de forma a
integrar as visões de Raffestin, com viés mais construtivista, com as visões de outros
autores, como Castro, com um viés mais realista das RI, devido a complexidade e a
diversidade de atores presentes na região amazônica.

4.1.2 SEGURANÇA E DEFESA


70

A discussão sobre segurança e defesa impacta diretamente o entendimento


sobre a presença tangível na Amazônia, pois embasa e define a conceituação do
poder militar nacional.
Assim, iniciamos, novamente, com Huntington, o qual advoga que o Estado
Nacional é detentor do uso da força no plano interno, também possui, no plano
externo, a mesma responsabilidade. Contudo, no plano interno, usa do sistema
judicial e da força policial para tal, e, no plano externo, faz uso das forças armadas.
(Huntington, 1996)
Neste contexto, cresce de importância o entendimento dos conceitos de
segurança e defesa, a fim aplicar o Poder Nacional, em conformidade com o
ambiente estratégico em que está inserido, além da pujança nacional na garantia
dos interesses vitais da Nação.
O termo segurança expressa uma sensação ou estado, a qual produz a
percepção de não existência de ameaças, e defesa expressa a atividade que provê
a segurança (SAINT-PIERRE, 2008). Assim, a PND (BRASIL, 2013a, p. 2) define
segurança como “a condição que permite ao país a preservação da soberania e da
integridade territorial, a realização dos seus interesses nacionais, livre de pressões e
ameaças de qualquer natureza, e a garantia aos cidadãos do exercício dos direitos e
deveres constitucionais”.
A segurança é tradicionalmente vista somente do ângulo da
confrontação entre nações, ou seja, a proteção contra ameaças de outras
comunidades políticas ou, mais simplesmente, a defesa externa. À medida
que as sociedades se desenvolveram e que se aprofundou a
interdependência entre os Estados, novas exigências foram agregadas.
(Op. Cit., p. 1)

Além disso, a PND (Op. Cit., p. 2) esclarece que Defesa Nacional é “o


conjunto de medidas e ações do Estado, com ênfase no campo militar, para a
defesa do território, da soberania e dos interesses nacionais contra ameaças
preponderantemente externas, potenciais ou manifesta”.
A ESG possui uma visão mais abrangente sobre o assunto, pois apresenta a
ideia de que segurança é “uma necessidade, uma aspiração e um direito inalienável
do ser humano”, sendo, portanto, ”a sensação de garantia necessária e
indispensável a uma sociedade e a cada um de seus integrantes, contra ameaças
de qualquer natureza”. (BRASIL, 2009, p. 64)
71

Já, quanto à defesa, define-a como “um ato ou conjunto de atos realizados
para obter ou resguardar as condições que proporcionam a sensação de
Segurança”, concluindo que “segurança é uma sensação, ao passo que defesa é
ação”. (BRASIL, 2009, p. 66)
Assim, a segurança não se restringe apenas à garantia de
liberdade, de propriedade, de locomoção e de proteção contra o crime, mas,
também, de outras necessidades básicas do indivíduo e da coletividade
para atingir o referido bem-estar, como saúde, educação, moradia,
alimentação, emprego, lazer, respeito e outros valores. Extrapolando-se
para o nível das organizações, comunidades e Estados, pode-se inferir o
quanto o conceito de segurança coletiva, regional ou continental pode ter de
subjetivo e complexo, pois envolve todos os campos do poder. A busca de
segurança é aspiração legítima de todas as nações e abrange todas as
formas de conter ameaças, seja em relação ao indivíduo, aos grupos sociais
ou aos interesses nacionais. (SILVEIRA, 2004, p. 157)

Contudo, para ONU, segurança é “uma condição na qual os Estados


consideram que não há perigo de ataque militar, pressão política e coerção
econômica, de modo que possam, livremente, buscar o seu próprio desenvolvimento
e progresso”23. (SILVEIRA, 2004, p. 158)
Neste contexto, Silveira (2004) nos lembra as palavras do Marechal Castelo
Branco sobre o conceito de segurança e defesa, reforçando a ideia de que
segurança é mais abrangente que a defesa.
o conceito tradicional de Defesa Nacional coloca ênfase sobre os
aspectos militares de segurança e correlatamente aos problemas de
agressão externa. A noção de Segurança Nacional é mais abrangente.
Compreende, por assim dizer, a defesa global das instituições, incorporando
por isso aspectos psicológicos, a preservação do desenvolvimento.
(SILVEIRA, 2004, p. 159)

Oscar Filho (2010) alerta que:


A ampliação de ameaças oriundas da transnacionalização das relações
sociais tem gerado porosidade nas “fronteiras” do Estado Nacional, tanto do
ponto de vista horizontal (diluição da ideia de separação entre assuntos
internos e externos) como do ponto de vista vertical (em relação aos
diferentes níveis de análise: segurança internacional, segurança nacional e
segurança humana). (OSCAR FILHO, 2010, p. 40)

Por isso, com o fim da Guerra Fria, novos conceitos começaram a fazer parte
da política hodierna, como a ampliação do conceito de segurança, mudando o
contexto tradicional de defesa territorial para a segurança do homem, da população,

23
European Security in 1990s – Challenges and Perspectives – United Nations Institute for
Disarmament Research – UNIDIR. (SILVEIRA, 2004)
72

de forma que as coletividades seriam afetadas por cinco fatores principais: político,
militar, econômicos, societais e ambientais.
A segurança militar se refere à intenção das capacidades armadas
ofensivas e defensivas dos Estados, e percepções que os Estados têm
sobre as intenções dos demais. A segurança política se refere a
estabilidade organizacional dos Estados, dos sistemas de governo e das
ideologias que lhes proporcionam legitimidade. A segurança econômica se
refere ao acesso a recursos, financiamento e mercados necessários para
manter níveis aceitáveis de bem-estar e poder naval. A segurança da
sociedade se refere à sustentabilidade dentro de condições aceitáveis da
evolução, dos padrões tradicionais de língua, cultura e religião e identidade
nacional e costumes. A segurança ambiental se refere à manutenção da
biosfera e global como sistema essencial de sustentabilidade da qual
dependem todas as atividades humanas. (BUZAN, 1991, p. 18-20)

Neste contexto, a ONU utilizou o termo “segurança humana”24 em seus


relatórios, reforçando esta nova tendência, destacando-se o conceito de índice de
desenvolvimento humano (IDH) como fator prioritário (PNUD, 1994), reforçando a
ideia de que os cinco fatores de BUZAN (1991) estão inter-relacionados, não sendo
mais possível trabalhá-los de forma independente.
Esta ampliação dos conceitos gera zonas cinzentas ou constabulares, na qual
fica difícil definir as diferenças entre as ações da defesa nacional e da segurança
pública, principalmente quando ligados as questões do narcotráfico, ilícitos
transnacionais, crime organizado, terrorismo, degradação do meio ambiente, os
quais passaram a ser conhecidos pelo termo “novas ameaças”25.
Neste contexto, o conceito de segurança-estado e defesa-ação não explica a
totalidade dos fenômenos, pois ao tentar incorporar diversas dimensões ao conceito
de segurança, perdeu-se sua capacidade analítica, mas o conceito antigo, também,
não abarca as novas guerras. (OSCAR FILHO, 2010)
Buzan (1991) nos sinaliza um caminho, sendo defesa voltada para temas
tradicionais (político e militar), em que unidades políticas estão em disputa no
Sistema Internacional. A segurança está voltada para temas novos (sociais,
econômicos e ambientais), em que as unidades estão inseridas nas regras comuns

24
Este conceito está no Relatório sobre Desenvolvimento Humano do Programa de Desenvolvimento das
Nações Unidas (PNUD), no texto “Novas dimensões da segurança humana” (PNUD, 1994, p. 39)
25
Novas Ameaças foi um termo cunhado por Mary Kaldor, a qual defende que a guerra clássica de
Clausewitz, como “o emprego de meios militares para derrotar outro Estado”, não mais se aplica aos conflitos
atuais, sustentando que os Estados já não são os principais atores na guerra, tendo sido substituídos por “grupos
identificados em termos de filiação étnica, religiosa ou tribal” e que essas forças raramente se engajam em
batalhas decisivas. (SCHUURMAN, 2010, p. 48)
73

da Sociedade de Estados, de forma que a definição de Oscar Filho (2010), resume a


ideia deste trabalho sobre segurança e defesa.
DEFESA – pressupõe um conjunto de ações relacionadas a
conflitos entre unidades políticas soberanas, geralmente de natureza
territorial, realizadas à “sombra da guerra”, em um sistema internacional
anárquico (aquilo que Wendt denomina de cultura hobbesiana). Envolve,
portanto, ameaças oriundas da disputa de poder entre unidades políticas, o
risco de guerra e a possibilidade constante de emprego das forças armadas.
As ameaças são de natureza geralmente externa,, estatal e militar.
SEGURANÇA – envolve ameaças ligadas a crimes (independente
da escala em que eles ocorrem, inclusive os transnacionais) sugerindo,
geralmente, o emprego de natureza policial (polícias nacionais,
gendarmerias, etc). As ameaças de segurança não são oriundas de um
inimigo político, mas antes de vulnerabilidades sociais e de fragilidade de
deter4minadas políticas públicas, o que sugere a adoção cooperativas para
o seu tratamento. (OSCAR FILHO, 2010, p. 45)

Neste contexto, é possível entender o espectro dos conflitos atuais, tendo em


vista a complexidade do ambiente de combate moderno, onde as ameaças são
difusas e de difícil previsão, conforme quadro 1. Ressalta-se, também, as questões
relativas ao “dilema estratégico” (MANWARING, 2011), o qual reforça a necessidade
das Forças Armadas, com seu foco na defesa externa, darem uma resposta às
novas demandas da segurança e da defesa, sendo um discurso presente nas
discussões atuais sobre o assunto.

Quadro 1 - Espectro dos Conflitos


Fonte: BRASIL, 2014
74

O quadro 1 mostra, também, que a expressão militar do Poder Nacional pode


ser empregada desde a prevenção de ameaças, passando pelo gerenciamento de
crises até a solução de conflito armado. Assim, da situação de paz estável até a
situação de guerra existe uma caminhada, na qual as operações passam da
situação de não-guerra para a situação de guerra, onde os instrumentos variam da
negociação, maior no primeiro caso, até o emprego da força, maior no segundo
caso.
Assim, a diplomacia deve ser valorizada como primeira solução dos conflitos,
contudo, ela deve estar amparada em uma eficaz estrutura militar com capacidade
de fazer face às ameaças que possam surgir. (ALSINA, 2002; BERTONHA, 2010)
Para Buzan (2004), “a configuração do sistema internacional contemporâneo
não deve sofrer modificações substanciais a médio prazo”, mantendo-se o
predomínio dos atuais integrantes do Conselho de Segurança da ONU. Contudo, “o
nível de conflitividade do Sistema Internacional deverá permanecer moderado no
que se refere às guerras entre Estados”. Contudo, o contexto apresentado pode
sofrer modificações, de acordo com a eclosão de algumas tendências.
a) aprofundamento do fosso tecnológico entre os exércitos de
países desenvolvidos e em desenvolvimento, com ênfase nas
transformações suscitadas pelo aumento do alcance, letalidade, precisão e
automação dos sensores e plataformas de combate – além da perspectiva
iminente de militarização do espaço; b) intensificação dos efeitos da
degradação ambiental sobre os ecossistemas, além da aparente aceleração
da mudança climática e da redução das fontes de suprimento de água
potável; c) progressivo esgotamento das reservas conhecidas de matérias-
primas essenciais como o petróleo; d) ampliação do número de cidadãos de
países pobres em relação ao número de cidadãos de países ricos, causada
pelas baixas taxas de natalidade encontradas nos primeiros; e) ampliação
do diferencial de renda entre países ricos e pobres. (ALSINA, 2009, p. 179)

Para Alsina (2009, p. 179) “o perfil atual deve ser mantido até 2020”, mas “as
forças armadas continuarão a ser importante”, pois a “competição entre Estados não
será eliminada e, por conseguinte, os usos indiretos de força”.
Então, como a PND (BRASIL, 2013a) destaca as áreas de interesse
estratégico do Brasil, as quais estão no Atlântico Sul, na América do Sul, na África
(costa ocidental) e a Antártica, sendo a Amazônia brasileira e o Atlântico Sul, as
áreas prioritárias para a defesa, cresce de importância as Forças Armadas estarem
preparadas para estas realidades.
75

Por isso, a Estratégia da Presença Militar na Amazônia, vige desde a paz


estável, sendo uma proposta de segurança e também de defesa, pois abarca
características da defesa nacional bem como da segurança nacional ao fazer face a
ameaças diversas para esta região em análise.

4.1.3 O PODER MILITAR

Nestas discussões, crescem de importância o entendimento do que vem a ser


poder militar e como empregá-lo no território nacional, principalmente, na região
amazônica, devido as suas características e peculiaridades, como grande extensão,
vazios demográficos e fraca presença estatal.
Desta forma, iniciamos com Castro (2012), o qual lembra que “o poder no
sentido restrito está ancorado nos vários cenários do estudo tradicional da ciência
política contemporânea envolvendo os órgãos do Estado em todos os seus níveis, e
também fora dele, com direto interesse e conjugação”. (op. cit., p. 164)
Poder é um conceito multifacetado e em constante mutação que permite a um
determinado Estado ter seus interesses sobrepostos aos demais Estados, ou
quaisquer outros atores internacionais, pelo uso de ameaça (poder potencial)
ou mesmo de efetivação de conflitos armados e demais instrumentos
coercitivos (poder atual). Poder é energia cinética de relevância nas
engrenagens internacionais; é fonte de discórdia e é nascedouro de
conquistas; é, ademais, essência dinâmica do estudo da política
internacional. (CASTRO, 2012, p. 168)

Castro estabelece, ainda, que “a capacidade de influenciar o ambiente


circundante na maneira como se assim prefere e determina”, lembrando que “não há
Estado sem poder, contudo, há poder fora do Estado”. (op. cit., p. 169)
Quando analisamos a relação da política interna e externa verificamos sua
interdependência, conforme nos alerta Castro, “na atual lógica assimétrica dos
processos de globalização, regionalização e interdependência complexa, as linhas
que separam a esfera interna, da esfera exterior, estão se tornando cada vez mais
embaçadas”. (op. cit., p. 156)
Contudo, “a política interna e externa de um Estado é permeada de influências
recíprocas e constantes”, sendo “produtos de forças diversas, manuseadas
complexamente por diversos atores políticos, diplomáticos, sociais e econômicos”.
(op. cit., p. 156)
76

O conceito de eixo de conexão é uma “linha tênue que separa os assuntos


domésticos dos assuntos da seara externa”, trazendo “importantes reflexões sobre o
grau, a intensidade e a direção dos temas prioritários da agenda externa do Estado”
(Castro, 2012, p. 157), conforme a Figura 7, a seguir:

Figura 7 – Eixo de Conexão


Autor: CASTRO (2012. p. 159)

Neste contexto, o poder militar, como parte integrante do poder nacional, pode
ser definido como uma “manifestação, de natureza preponderantemente militar, do
conjunto dos homens e dos meios de que a Nação dispõe que, atuando em
conformidade com a vontade nacional e sob a direção do Estado”, tendo como
principais componentes o “Poder Naval, o Poder Militar Terrestre e o Poder Militar
Aeroespacial” (BRASIL, 2007, p. 16).
O Poder Naval é a parte integrante do Poder Marítimo capacitada a atuar
militarmente no mar Poder Naval, devendo cumprir as seguintes tarefas básicas: a)
controlar áreas marítimas; b) negar o uso do mar ao inimigo; c) projetar poder sobre
terra; e d) contribuir para a dissuasão. O Poder Militar Terrestre é a parte integrante
do Poder Terrestre capacitada a atuar militarmente em terra, devendo cumprir as
seguintes missões: a) operações básicas ofensivas e defensivas; b) operações
complementares; e c) operações com características especiais. O Poder Militar
Aeroespacial é a parte integrante do Poder Aeroespacial que compreende a Força
Aérea, suas bases e suas estruturas de C2, logísticas e administrativas, devendo
dispor de capacidade para cumprir as seguintes operações: a) aeroestratégicas; b)
de defesa aeroespacial; c) aerotáticas; e d) especiais. (Op. Cit, p. 16-17)
77

Esta definição segue a subdivisão do poder nacional nas expressões política,


econômica, militar, psicossocial e científico-tecnológica, oriunda dos estudos de
Segurança Nacional da Escola Superior de Guerra (ESG), sendo criticada por
diversos autores, os quais entendem que esta abordagem possui consequências
funestas para o entendimento e tomada de decisão. (PROENÇA JR e DINIZ, 1998)
Neste contexto, entendendo o entorno estratégico brasileiro, a América do Sul
é uma das regiões menos violentas do mundo, tendo ao longo do século XX
ocorridos poucos conflitos e de curta duração, com cerca de três guerras
interestatais entre 1945 e 1997. Porém, predomina um ambiente de “paz armada”
neste subcontinente, pois entre 1884 e 1997 teriam ocorrido cerca de 289 disputas
interestatais militarizados (DIM) na região. Assim, existe uma “paz armada” na
região, que envolve todos os atores regionais. (MARES, 2001)
Neste contexto, o Brasil possui papel primordial neste Complexo de Segurança
Regional (CSR), pois na condição de potência regional periférica está interessada na
manutenção da paz na região, o que pode ser comprovada pela postura da política
externa brasileira na busca da paz, sem buscar posições hegemônicas. (ALSINA,
2009, p. 181)
um grupo de unidades cujos principais processos de securitização,
dessecuritização, ou ambos, estão tão interligados que os seus problemas
de segurança não podem ser corretamente analisados ou resolvidos
independentemente um do outro. (BUZAN, 1998, p. 201)

Mas, cabe ressaltar que a identidade nacional faz-se presente na postura


brasileira neste CSR, mediante a busca pela “conciliação de interesses
antagônicos”, porém este princípio basilar na política externa, também é encarado
como derivado das fraquezas de projeção de poder do Brasil. (ALSINA, 2009, p.
182)
Com o fim da bipolaridade entre EUA e a URSS, o Brasil entrou num período
no qual houve um abandono das preocupações de defesa, a exaustão de toda uma
tradição de defesa e do pensamento estratégico no Brasil (SILVA, 2012). Este
processo foi, ainda mais, prejudicado pela intensa divulgação das obras de Alvin
Toffler, o qual propugnava, para a guerra do futuro, a ineficiência dos gastos
militares para acompanhar a revolução em assuntos militares (RAM) e a necessária
redução de efetivos das Forças Armadas. (TOFFLER, 1995)
78

Neste contexto, a política de defesa brasileira adquiriu uma baixa prioridade em


relação aos seus temas, possuindo uma dificuldade de articulação entre as políticas
de defesa e política externa, devido a “baixa prioridade da política de defesa, da
ausência de direção política efetiva sobre a política de defesa, do perfil não-
confrontacionista da política externa e da ausência de mecanismos operacionais de
articulação entre as duas”. (ALSINA, 2009, p. 185)
a limitada capacidade de proposição e de fiscalização de políticas
públicas complexas por parte do poder Legislativo, a ênfase conferida à
problemática do desenvolvimento, a falta de interesse por assuntos militares
em função do insulamento burocrático e do histórico de intervenção das
Forças Armadas na política, a ausência de securitização de ameaças
externas e a maior intensidade da percepção de ameaças internas.
(ALSINA, 2009, p. 184)

Estas dificuldades entre as duas políticas, dificultando sua articulação,


necessária e essencial para a inserção internacional do Brasil, dificulta, inclusive, a
construção de políticas para a área da defesa coerentes com a proposta de política
exterior, atrapalhando uma visão clara sobre o assunto.
O Brasil, neste contexto, vem promovendo, no entorno estratégico, um
processo de integração por meio da União Sul-Americanas (UNASUL) e outra
iniciativas, de forma que a América do Sul seria uma Sociedade Internacional
Cooperativa26, pois está baseada em normas de coexistência (HURREL, 2000) ou
uma Comunidade Pluralista de Segurança27, pois os conflitos diminuíram, após
soluções das questões fronteiriças, sem contudo formar, ainda, uma Comunidade de
Segurança, mas caminha de uma situação que ele chama de no-war zone para uma
zona de paz28. (HOLSTI, 1996, p. 175)

Instituições Primárias Instituições


Secundárias
Mestres Derivadas Regimes da Região
Soberania Nãointervenção e Direito Carta da OEA e Tratado
Internacional Interamericano Constitutivo da UNASUL
Territorialidade Fronteiras e Uti Possidetis Tratados Bilaterais Sobre

26
A Escola Inglesa estabelece quatro tipos de sociedades interestatais: a Política de Poder, a
Coexistência, a Cooperação e a Convergência. (HURREL, 2000)
27
Comunidade Pluralista de Segurança significa que é uma região que não resolve mais seus
conflitos pelo uso da força, pois alcançou um sentido de comunidade. (DEUTSCH, 1969)
28
Uma zona de paz envolve uma estabilidade maior, uma estabilidade internacional, mas no-war
zone existe somente uma região com ausência de conflitos armados.
79

Formação de Estados
Diplomacia Bilateral, Multilateral e Diplomacia Embaixadas, OEA,
Presidencial UNASUL, Reuniões de
Chefes/as de Estado e de
Governo da UNASUL
(etc.)
Igualdade dos Direitos Humanos Pacto de São José da
Povos Costa Rica etc.
Nacionalismo Soberania Popular, Democracia Declaração de Santiago
(1995), Declaração de
Georgetown (2010) etc.
Segurança Medidas de Construção de Pacto de Bogotá, a
Coletiva Confiança (CBMs), Resolução Convenção de
Pacífica de Conflitos etc. Transparência
da OEA, Declaração de
Bariloche de 2009
(UNASUL)
Mercado Liberalismo Comercial e Financeiro Aliança entre Mercosul e
CAN
Tabela 6: Estrutura da Sociedade Internacional Sul-Americana
Autor: FIGUEIREDO, 2012

Assim, é possível depreender da tabela 6, conceitos importantes, os quais


estão presentes nas políticas externas da América do Sul e que devem influenciar as
políticas de defesa dos países integrantes, como a Política Nacional de Defesa
(PND) brasileira, a qual deve levar em consideração os conceitos de soberania,
territorialidade, diplomacia, igualdade dos povos, nacionalismo, segurança coletiva e
mercado.
Por isso, o Poder Militar Brasileiro segue estes mesmos princípios exarados
anteriormente, mas trabalhados para uma maior efetividade da defesa, tendo na
Política Nacional de Defesa (2013a) especificado que a Defesa Nacional teria vários
objetivos, destacando-se: “I. garantir a soberania, o patrimônio nacional e a
integridade territorial; III. contribuir para preservação da coesão e unidades
nacionais”.
Estes dois objetivos possuem estreita relação com a Amazônia, pois acrescida
da prioridade dada a mesma, aumenta a preocupação e as medidas de incremento
do poder militar naquela região.
Desta forma, segue a articulação do Poder Militar Marítimo, com seus
principais meios e bases em território nacional, conforme Figura 8:
80

Figura 8 - Distribuição dos Grandes Comandos Navais


Fonte: BRASIL, 2012, p. 87

Da mesma forma, segue a articulação do Poder Militar Terrestre em todo


território nacional, conforme Figura 9:
81

Figura 9 - Distribuição dos Grandes Comandos Terrestres


Fonte: BRASIL, 2016, p. 88

Segue também, a articulação do Poder Militar Aeroespacial em todo território


nacional, conforme Figura 10:
82

29
Figura 10 - Distribuição dos Grandes Comandos Aéreos

Fonte: BRASIL, 2016, p. 105

De acordo com o Livro Branco de Defesa (2012), o poder militar é gerido pelo
Ministério da Defesa, tendo no Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas
(EMCFA) o órgão de assessoramento e responsável pelo emprego conjunto das

29
Grandes Comandos Aéreos – a presente divisão em Comandos Aéreos, constante, inclusive,
da revisão do Livro Branco de Defesa, de 2016, em análise no congresso até a presente data, está
em processo de mudança pela Força Aérea Brasileira, mas que nada vem a afetar o desenrolar desta
Tese.
83

Forças Armadas, sendo responsável pelo Comando e Controle 30 no nível do


Ministério da Defesa, proporcionando uma consciência situacional31.
Assim, o preparo e o emprego das Forças visam adequar-se aos princípios da
Doutrina de Operações Conjuntas32, de forma a dotar forças militares de
flexibilidade, versatilidade e mobilidade, em qualquer tipo de operação que se faça
necessária, conforme Figura 11.

Figura 11 - Forças distribuídas de acordo com Doutrina de Operações Conjuntas.


Fonte: BRASIL, 2012, p. 154

Cabe ressaltar, também, as Operações de Garantia da Lei e da Ordem, as


quais estão previstas na Constituição Federal de 1988, no Artigo 142:

30
COMANDO E CONTROLE – Ciência e arte que trata do funcionamento de uma cadeia de
comando. Nesta concepção, envolve, basicamente, três componentes: a autoridade legitimamente
investida, apoiada por uma organização; a sistemática de um processo decisório que permite a
formulação de ordens, estabelece o fluxo de informações e assegura mecanismos destinados à
garantia do cumprimento pleno das ordens; e a estrutura, incluindo pessoal, equipamento, doutrina e
tecnologia necessários para a autoridade acompanhar o desenvolvimento das operações. (BRASIL,
2008)
31
CONSCIÊNCIA SITUACIONAL - Percepção precisa dos fatores e condições que afetam a
execução da tarefa durante um período determinado de tempo, permitindo ou proporcionando ao seu
decisor, estar ciente do que se passa ao seu redor e assim ter condições de focar o pensamento à
frente do objetivo. É a perfeita sintonia entre a situação percebida e a situação real. (BRASIL, 2008)
32
Operações Conjuntas caracterizam-se pelo “emprego dos meios ponderáveis de mais de uma
Força Singular, sob um comando único, constituem a evolução natural na forma de utilização da
Expressão Militar do Poder Nacional. A integração das forças navais e aéreas na Era do
Conhecimento é condição capital para o êxito, desde a fase de geração de capacidades conjuntas até
o emprego em operações”. (BRASIL, 2014, p. 7-4)
84

As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército


e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e
regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a
autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à
defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por
iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. (BRASIL, 1988)

De forma que a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) foi sendo demanda e


regulamentada pelas Leis Complementares No 97/1999, modificadas pelas Leis No
117/2004 e No 136/2010. Assim, estas operações exigem da tropa um
comportamento diferenciado do caso de guerra convencional, onde existe um
inimigo externo, com uma força uniformizada e identificável, estando relacionado à
defesa externa, para uma característica diferente de emprego, onde o emprego das
Forças Armadas serão mediante acionamento do Presidente da República, as quais
desenvolverão seu trabalho por tempo limitado, em área previamente estabelecida e
de forma episódica. (BRASIL, 2012, p. 156)
Estas considerações se fazem necessárias, pois o emprego das Forças
Armadas, em um ambiente de paz jurídica e dentro dos preceitos constitucionais, só
pode ocorrer, conforme o Art 144 da Constituição, após “esgotados os instrumentos
destinados à preservação da ordem pública e do patrimônio”. (BRASIL, 1988)
Para estas atividades, as Forças Armadas vem se preparando, em particular o
Exército Brasileiro, que criou o Centro de Instrução de Operações da Garantia da Lei
e da Ordem (CIOpGLO) com a finalidade de estudar e desenvolver doutrina sobre
este tema. A Marinha e a Força Aérea, por não terem órgãos de controle estaduais
do Ar e Mar, executam suas missões constitucionais de defesa do Ar e Mar, com
seus meio próprios e em conformidade com a operação corrente, quando acionados.
(BRASIL, 2012)
85

Figura 12 – Distribuição de Forças Terrestres.


Fonte: BRASIL, 2016, p. 90

Assim, Silveira (2004, p. 180) ressalta que nas ações de GLO nas regiões
fronteiriças, faz-se necessário definir quais os delitos transfronteiriços a serem
combatidos, pois nem todos atos praticados exigem a atuação das forças Armadas,
por não comprometerem a ordem pública ou a segurança nacional.
As Op GLO caracterizam-se como Operações de Não-Guerra, pois apesar de
empregar parcela das Forças Armadas, em âmbito interno e não externo, o uso da
força militar é usada de forma limitada e episódica. (BRASIL, 2014c, p. 17)
Além disso, a Lei No. 97 especifica que a atuação das forças Armadas, por
meio de ações preventivas e repressivas, na faixa de fronteira, no mar e nas águas
interiores, contra delitos transfronteiriços, isoladamente ou em cooperação com
órgãos do poder Executivo, é uma atribuição subsidiária. (BRASIL, 20014c, p. 17)
A articulação do Poder Militar na Amazônia proporciona uma ocupação e
distribuição territorial sobre a mesma, que contribui para entender a Presença
Tangível, como parte integrante da política interna, da política de defesa,
absorvendo-se os conceitos exarados nesta seção, de forma a possibilitar uma
86

construção de uma política coerente e eficaz com as normas vigentes,


principalmente na PND, na END e no Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN),
apesar da influência, direta ou indireta, nas políticas internas exercidas pela
comunidade internacional.

4.2 AMEAÇAS SOBRE A AMAZÔNIA

4.2.1 TEORIA DAS FRONTEIRAS33

O entendimento das questões de fronteira são de fundamental importância


para a definição de políticas públicas para a região amazônica, por isso os Estados
Nacionais concentram atenção especial ao espaço geográfico, sendo um aspecto
soberano de sua organização política, a compartimentação do espaço entre os
Estados. (MATTOS, 2011c)
A primeira condição para se evitar que a fronteira se transforme
em região crítica, de confrontos e de choques, é que sua delimitação seja
nítida e precisa. Particularmente quando se trata de fronteira terrestre, sua
demarcação não deve levantar controvérsias. (MATTOS, 2011c, p. 13)

Contudo, as fronteiras possuem um caráter temporário, evoluindo para uma


expansão ou encolhimento, de acordo com as circunstâncias nacionais do momento
analisado, conforme o entendimento da geopolítica, a qual pode ser entendida como
“a política aplicada aos espaços geográficos” (MATTOS, 2011c, p. 13).
Historicamente, os limites marcavam até onde o poder de uma nação se
expandia, como foi o caso do Império Romano, sendo retomados a cada nova
expansão territorial de uma nação poderosa no mundo. Contudo, somente após a
Revolução Francesa, quando o conceito de Estado-Nação ganhou força, que
emergiu o conceito de fronteira, como o limite da soberania nacional. (MATTOS,
2011c)
Atualmente, existem três grandes vertentes sobre a formação das fronteiras: a
fronteira natural, a fronteira-faixa e a fronteira-linha. A fronteira natural é baseada em
um rio, lago, montanhas, entre outros acidentes naturais. A fronteira-faixa é

33
Nesta seção, será feita uma abordagem sobre as obras de Meira Mattos, devido a amplitude e
diversificação, além de sua contribuição para as Ciências Militares e Políticas, ampliando o conceito
de Geopolítica, parte importante desta Tese.
87

caracterizada “por um espaço de transição onde se mesclam e convivem os


interesses diferentes”. A fronteira-linha era marcada com base em meridianos e
paralelos, ou seja, nas linhas geodésicas. (MATTOS, 2011c)
Assim, os pensadores norte-americanos Preston James e Kempton Webb, da
Universidade de Princeton, estabelecem três princípios: o de que qualquer
sociedade humana tem que inter-relacionar-se operativamente com a terra; que não
existe terra que seja inteiramente favorável ou desfavorável a qualquer sociedade; e
que nenhuma sociedade forma um permanente sistema entre o relacionamento da
sociedade e do ambiente, reforçando a teoria de que “a geografia influi no
comportamento das sociedades, portanto na política”. (MATTOS, 2011c, p. 29)
As fronteiras são a faixa de contato entre soberanias diferentes, cujos limites
jurisdicionais terrestres, aéreos ou marítimos são regulados por leis internacionais,
sendo regiões sensíveis por definição, exigindo permanente vigilância para que não
se transforme em uma área de tensão, acrescidas pela fronteira espacial, que exige
grande domínio no campo tecnológico-científico. (MATTOS, 2011c)
As fronteiras podem ser divididas em quatro formas principais: compacta,
alongada, recortadas e fragmentadas. Assim, cada forma influencia na
administração e na segurança, levando aos países a adotarem medidas diferentes
aos estímulos recebidos em contrapartida as questões geográficas existentes.
(MATTOS, 2011c)
Assim, as fronteiras possuem três finalidades: separadora, proteção e
isolacionismo. A função separadora visa separação dos espaços geográficos entre
os Estados. A função protetora está na proteção do território e dos interesses
nacionais nos tempos de paz e na faixa a ser defendida na guerra. A função
isolacionista está na tentativa de isolar uma população do contato com outra, muito
usado nos tempos medievais. (MATTOS, 2011c)
Desta forma, Mattos ressalta algumas características das fronteiras, segundo a
natureza da linha limite, podem ser naturais, “limitadas por acidentes naturais, rios,
montanhas, lagos, desertos, mar” e artificiais, “traçadas por linhas imaginárias,
astronômicas, geodésicas ou matemáticas”. (MATTOS, 2011c, p. 40)
Quanto ao grau de ocupação, as fronteiras podem ser vazias, “quando
desabitadas” ou ocupadas, “quando habitadas”. Já, quanto ao estado de evolução,
podem ser esboçadas, “quando em áreas desabitadas ou pouco habitadas ou ainda
88

não se impõe uma demarcação clara”, vivas ou de tensão, “quando há confronto


entre os interesses das populações vizinhas” e morta, “onde não existe pressão
política ou populacional, em regiões decadentes”. (MATTOS, 2011c, p. 41)
Contudo, o geopolítico Rudolf Kjellén, classifica as fronteiras como histórica,
“oriundas de tradições seculares”; natural, “quando traçadas seguindo acidentes da
geografia física”; planejada ou de construção, “como as linhas astronômicas ou
geodésicas”; e as fronteiras étnica, linguística, estratégica ou econômica, “cujo
objeto classificador está no próprio nome”. (MATTOS, 2011c, p. 41)
Assim, de acordo com Hildebrando Accioly, quanto à situação jurídica, as
fronteiras podem ser de jure, “quando delimitada de comum acordo entre as partes”;
em litígio, “quando contestada por uma ou ambas as partes, mas em processo de
negociação”; e em conflito, “quando contestada por uma ou ambas as partes, em
estado de tensão, com a negociação interrompida”. (MATTOS, 2011c, p. 42)
Por fim, destaca-se as classificações dos geógrafos Whitemore e Boggs,
quanto ao critério realístico das fronteiras, estabelecendo uma classificação em
fronteiras físicas, baseadas em “montanhas, rios, lagos, etc”; geométricas, baseadas
em linhas “astronômicas, geodésicas e matemáticas”; e antropogeográficas,
baseadas em critérios “étnicos, linguísticos, religiosos, econômicos, históricos,
culturais, estratégicos ou militares”. (MATTOS, 2011c, p. 42)
Cada conceituação apresentada acerca das fronteiras, destaca um aspecto,
um conceito neste vasto assunto. Contudo, atualmente ficam difíceis de aplicação
como o conceito de fronteira antropogeográfica, a qual geraria imprecisões e tornaria
a demarcação conflituosa para os Estados envolvidos. (MATTOS, 2011c)
Por isso, Mattos (2011c) reforça a teoria de Ratzel sobre a realidade da
fronteira-faixa e a subjetividade da fronteira-linha, pois existe uma faixa de transição,
onde interpenetram-se valores do homem fronteiriço como língua, costumes,
ideologia, comércio, entre outros, favorecendo a coexistência de países amigos, mas
dificultando a vida de países rivais.
Os Estados Nacionais atuais possuem três tipos de fronteiras: as fronteiras
terrestres, as fronteiras marítimas e as fronteiras aéreas, sendo a fronteira espacial
um derivado desta última, havendo legislação específica sobre cada uma delas.
(MATTOS, 2011c)
89

As fronteiras terrestres possuem legislações consolidadas, regulando o direito


internacional, o traçado, funcionalidade, entre outros fatores, cabendo às
autoridades litigantes estabelecer os critérios de demarcação, por meio dos marcos
fronteiriços, seja em fronteiras naturais ou artificiais. (MATTOS, 2011c)
As fronteiras marítimas possuem legislações específicas, dividindo-se em duas
grandes questões, a linha fronteiriça marítima e o das águas territoriais. A linha
litorânea evoluiu para uma fronteira além do litoral, chegando ao conceito de águas
territoriais, a qual passou do campo de visão de uma pessoa na praia até 200 milhas
(cerca de 300 km) após a 2ª Segunda Guerra Mundial. Neste contexto, a ONU
realizou a Conferência sobre o Direito do Mar, em 1958, estabelecendo conceitos
atuais de mar territorial, zona contígua, alto-mar e plataforma continental. (MATTOS,
2011c)
As fronteiras aéreas possuem legislação própria baseada na Convenção de
Chicago, em 1944, a qual estabelece as regras gerais sobre o controle do espaço
aéreo. Contudo, não ficou claro a extensão destas regiões, sendo acrescidas, em
reuniões posteriores os conceitos de zonas contíguas aéreas, mas sem limites
quanto à sua extensão. (MATTOS, 2011c)
As fronteiras espaciais possuem um entendimento de que não existe o conceito
de soberania nacional nestas regiões extra-atmosféricas, cabendo a participação de
todas as nações. Contudo, à medida que o espaço sideral vai sendo povoado de
satélites, estações orbitais, naves, entre outros artefatos, mais premente fica a
necessidade de regulação de um direito internacional sobre o assunto. (MATTOS,
2011c)
Neste contexto, as fronteiras sofrem evoluções baseadas em três fatores
principais, a convencionalidade, a instabilidade e a mutabilidade. Os Estados
litigantes, ao estabelecerem um acordo, uma convenção sobre suas fronteiras, estão
dentro do conceito de convencionalidade. (MATTOS, 2011c)
A instabilidade das fronteiras está coerente com as ideias de Ratzel sobre
“Estado, organismo vivo” e coerente com o posicionamento de Jaques Ancel, o qual
adverte que as fronteiras evoluem, dependendo de um equilíbrio tênue, onde
fronteiras “antigas ou recentes, naturais ou artificiais, vinculadas a um território,
consentidas ou arbitrárias, segundo o espírito, a audácia ou a passividade de dois
90

vizinhos, as fronteiras, portanto, nunca possuíram, nem possuem em parte alguma


seu valor próprio”. (MATTOS, 2011c, p. 49)
A mutabilidade das fronteiras está claro no decorrer da própria história do
mundo, mas deriva de dois tipos de expansionismo político: o pacífico e o
imperialista. O pacífico deriva das anexações naturais e o imperialista deriva da
imposição da vontade do mais forte. Contudo, Ratzel estabelece as sete leis do
expansionismo:
1. O espaço dos Estados cresce com a expansão de sua cultura.
2. O crescimento dos Estados apresenta outros fatores de
desenvolvimento: ideias, produção comercial, atividade missionária.
3. O crescimento dos Estados processa-se pela absorção e
amálgama de unidade menores.
4. A fronteira é o órgão periférico do Estado e, como tal, a prova
de crescimento se encontra na força e nas mudanças desse órgão.
5. Em seu crescimento o Estado tem a tendência de absorver
áreas politicamente valiosas: litoral, foz de rios, planícies, regiões ricas e
recursos.
6. O primeiro impulso de crescimento territorial de um Estado
primitivo vem de fora, inspirado por uma civilização superior.
7. A orientação geral, até a amálgama, transmite a tendência de
crescimento territorial de Estado a Estado e aumenta esta tendência em
processo de transmissão. (MATTOS, 2011c, p. 50-51)

Diversos autores atribuem as leis de Ratzel, uma tentativa de justificativa


do expansionismo alemão, contudo é possível utilizá-las com um critério isento,
a fim de entender a questão em voga. (MATTOS, 2011c)
Assim, Toynbee estabelece três leis comparando a expansão da cultura à
irradiação física, conforme se segue:
1. Um raio de cultura integral, como um raio de luz, se refrata em
espectros de seus elementos componentes, ao penetrar no objetivo
refringente.
2. Essa refração pode dar-se sem choque com outro corpo social
(objeto refringentes), se esta sociedade refringente já entrou em colapso e
caminha para a desintegração (uma civilização em colapso pode definir-se
como aquela em que os componentes de cultura – econômica, política e
“cultural” no sentido do pensamento integral – estão em discordância. A
civilização em ascensão pode ser considerada aquela em que esses três
elementos estão em harmonia.
3. A velocidade e o poder do raio da cultura integral são iguais à
média das diversas velocidades e poder de penetração que os
componentes político, econômico e “cultural” desenvolvem, quando, em
virtude da refração, atuam independentemente. Os componentes
econômico e político penetram mais depressa do que a “cultura”; o
componente cultural, no sentimento integral do pensamento, é mais lento.
(MATTOS, 2011c, p. 52-53)
91

Estas leis de Toynbee podem ser identificadas em várias contextos históricos


desde a expansão da cultura e romana até os dias atuais, reforçando a teoria de
Ratzel, de que as “fronteiras são a epiderme dos Estados”. (MATTOS, 2011c)
Everardo Backheuser, geopolítico brasileiro, adverte que as fronteiras estão
sujeitas à vontade humana, o que gera mudanças nos seus contornos. Por isso,
estabelece quatro leis, conforme se segue:
1. Lei da Vontade ou Força – a localização da fronteira é um ato
de vontade dos dois contratantes agindo de acordo, ou de força de um
deles ou de terceiros, suficientemente poderosos, intervindo na vida dos
confrontantes;
2. Lei do Equilíbrio Dinâmico – em virtude de pressões recíprocas,
a fronteira não é estável senão como expressão de um equilíbrio dinâmico
(transitório), resultante das ações que mutuamente exerçam os estados
confrontantes;
3. Lei da Fricção – a faixa fronteiriça é sempre uma zona de atritos
(fricções) entre os Estados confrontantes, na qual se podem encontrar
germes de futuras flutuações da linha limítrofe;
4. Lei da Pressão – a pressão que se exerce nas fronteiras é
função da vitalidade relativa das confrontantes e dos elementos de força à
sua disposição. (MATTOS, 2011c, p. 52-53)

Assim, estas leis entram em ação formando e fazendo evoluir as fronteiras de


um determinado país, conforme a história exemplifica, influenciando na construção
de uma política, como a PND e a END, influenciando a construção de uma
Estratégia da Presença, a qual possui uma vertente física, presencial, que deriva de
tais interações.

4.2.2 AS INGERENCIAS E AMEAÇAS SOBRE AS AMAZÔNIAS VERDE E AZUL34

A ingerência sobre a Amazônia Verde foi buscada ao longo da história


quando as grandes potências da era colonial, buscavam nestas terras um espaço de
ampliar seus domínios e suas riquezas, provocando por parte dos portugueses uma
reação por meio da construção de fortes no litoral e no interior da amazônia, como
forma de marcar o território e expulsar as constantes invasões inglesas, francesas,

34
Parte expressiva desta seção faz parte do Artigo “AS AMEAÇAS DA AMAZÔNIA VERDE E
AMAZÔNIA AZUL: UMA RELAÇÃO POSSÍVEL?”, apresentado na ENABED 2014, em Brasília - DF,
por este doutorando. E, atualmente, está em processo de admissão na Revista da Escola de Guerra
Naval.
92

holandesas, entre outros, estabelecendo, por exemplo, o Forte do Macapá no


Estado do Amapá. (BENTO, 2003)
O Império Brasileiro sofreu pressão para a liberação da navegação no Rio
Amazonas, tendo como interlocutor principal, Matthew Fontaine Maury, tenente da
marinha dos EUA, o qual publicou seu relatório, em 1853, intitulado "Exploration of
the Valley of the Amazon", após sucessivas negativas do governo brasileiro de
iniciar sua expedição na região saindo de Belém, inverteu o percurso da viagem,
saindo dos países andinos, nascentes do Rio Amazonas até sua foz. (PALM, 2009)
Assim, que RODRIGUES (2011, p. 29-30), realça que a soberania nacional
sobre a região amazônica sofreu influência das fortalezas incluídas em porntos
estratégicos das fronteiras, das cidades e das colônias agrícolas e militares, num
primeiro momento, seguidas, em um segundo momento pela presença do exército
na região.
Neste contexto, BENCHIMOL (1992) ressalta que a Amazônia sofreu um
processo de inserção internacional, que pode ser dividida, didadicamente, de duas
formas, as quais denominou de internacionalização e planetarização. A
internacionalização é um processo de “transferência e alienação de soberania
política nacional em favor de uma entidade supranacional que passaria a exercer o
domínio político-jurídico sobre uma área, em nome de um grupo ou comunidade de
nações” (ibdem, p. 92), além disso outras formas são possíveis como a “cessão, a
confederação, a ocupação colonial, o fideicomisso, o comissariato, entre outras”
(ALVES, 2009, p. 5). A planetarização difere da internacionalização, por não
envolver a política, mas a defesa na sobrevivência na Terra, por meio da
preservação ambiental, gerando os discursos preservacionistas sobre a Amazônia
Verde. (ALVES, 2009)
Assim, um dos projetos recentes de internacionalização na Amazônia de
grande expressão internacional, foi o projeto do Instituto Internacional da Hileia
Amazônica, criado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura (UNESCO), que gerou o Acordo de Iquitos (1948), visando
realizar pesquisas científicas na região da Pan-Amazônia em convênio com alguns
países europeus como a França, Itália e Países Baixos, mas que não se
concretizou, após o congresso Nacional não ter ratificado tal empreendimento.
(MATTOS, 1980)
93

Além disso, deve-se ter atenção ao conceito de balcanização ecológica na


Amazônia ou divisão do território através da ecologia dever ser de preocupação do
governo brasileiro, conforme adverte Benchimol (1992), pois busca-se criar enclaves
econômicos ou repúblicas ambientais, dificultando a soberania nacional sobre esta
região, tendo diversos autores como seus defensores.
Estas considerações podem ser observadas, por exemplo na obra Les
guerres de demain, do geopolítico francês Pascal Boniface (2001), fundador e diretor
do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas da França, o qual apresentou
sua percepção sobre a Amazônia e a soberania brasileira sobre esta região.
O governo brasileiro decidiu, no início dos anos 90, subsidiar o
desmatamento de florestas da Amazônia, ameaçando a sua integridade. A
Amazônia certamente pertence totalmente ao Brasil. Mas se as potências
ocidentais fizeram uma exceção ao sacrossanto princípio da soberania do
Estado para empreender a guerra na Iugoslávia e ajudar os kosovares [...],
por que não o fariam contra o Brasil para se apropriar da Amazônia? A
desculpa não é mais a proteção da população, mas da "raça humana". A
Amazônia é o pulmão da Terra, se o Brasil não protegê-la corretamente,
será o dever de outros Estados fazê-lo em nome de toda a humanidade.
(BONIFACE, 2001, p. 107-108).

Estes conceitos geram tensões na região amazônica, devido à multiplicidade


de atores que advogam a ideia preservacionista, sendo a questão securitizada a tal
ponto, que pode levar a ações de toda ordem, inclusive a “manu militare”, conforme
Boniface (2001).
Em 2005, a ONU criou o conceito R to P (R2P), entendido como a
responsabilidade por proteger, sendo cada Estado “responsável por proteger suas
populações contra o genocídio, crimes de guerras, [...] A comunidade internacional
[...] deve apoiar a ONU na criação de um dispositivo de alerta rápido”. (ONU, 2005,
p. 40)
Depois, o conceito de R2P evoluiu para assistência internacional, resposta
oportuna e proteção do Estado (ONU, 2009), gerando uma certa relativização do
conceito de soberania dos Estados, podendo criar enclaves em qualquer lugar no
mundo, inclusive na Amazônia Verde, sob as mais variadas alegações, como a
defesa da cultura indígena, devido aos intensos conflitos na região, por exemplo.
Por isso, a fim de fazer face à esta cobiça internacional é potencializada pela
questão ambiental, expressa no potencial madeireiro e sua participação no equilíbrio
climático e no efeito estufa, e a questão da água, como reserva estratégica,
94

reforçando uma visão nacionalista para fazer face a possíveis interferências


estrangeiras de potências militares. (NASCIMENTO, 2005)
Uma questão bastante controversa diz respeito à situação dos indígenas na
região amazônica, o qual, após a assinatura da Declaração dos Direitos dos Povos
Indígenas, passaram a ter diversos direitos sobre as terras em que vivem, o que
pode gerar conflitos no futuro, sob a alegação de proteção e preservação de seus
direitos, criando, assim, um quisto em território nacional.
Porém, segundo Silva (2008), apesar da matriz de segurança ser securitizada
na região amazônica a bastante tempo, devido a todas as ameaças já relatadas, a
região do Oiapoque, no Estado do Amapá, com a sua vertente para a Amazônia
Verde e a outra para Amazônia Azul, apresenta-se como de maior vulnerabilidade,
pois agrega os riscos das duas amazônias, exigindo do Ministério da Defesa uma
resposta eficaz. Tendo em vista, que as áreas de interesse estratégico do Brasil
estão no Atlântico Sul, na América do Sul, na África (costa ocidental) e a Antártica,
sendo a Amazônia brasileira e o Atlântico Sul, as áreas prioritárias para a defesa.
(BRASIL, 2013a)
Desta forma, relembraremos os conceitos de segurança e defesa, sendo a
ideia de segurança “uma necessidade, uma aspiração e um direito inalienável do ser
humano”, e, portanto, ”uma sensação de garantia necessária e indispensável a uma
sociedade e a cada um de seus integrantes, contra ameaças de qualquer natureza”.
(BRASIL, 2009)
Já, quanto a defesa, é “um ato ou conjunto de atos realizados para obter ou
resguardar as condições que proporcionam a sensação de Segurança”, de forma
que “segurança é uma sensação, ao passo que defesa é ação”. (BRASIL, 2009)
Assim, a segurança não se restringe apenas à garantia de
liberdade, de propriedade, de locomoção e de proteção contra o crime, mas,
também, de outras necessidades básicas do indivíduo e da coletividade
para atingir o referido bem-estar, como saúde, educação, moradia,
alimentação, emprego, lazer, respeito e outros valores. Extrapolando-se
para o nível das organizações, comunidades e Estados, pode-se inferir o
quanto o conceito de segurança coletiva, regional ou continental pode ter de
subjetivo e complexo, pois envolve todos os campos do poder. A busca de
segurança é aspiração legítima de todas as nações e abrange todas as
formas de conter ameaças, seja em relação ao indivíduo, aos grupos sociais
ou aos interesses nacionais. (SILVEIRA, 2004)

A PND (BRASIL, 2013a) esclarece que Defesa Nacional é “o conjunto de


medidas e ações do Estado, com ênfase no campo militar, para a defesa do
95

território, da soberania e dos interesses nacionais contra ameaças


preponderantemente externas, potenciais ou manifesta”.
Desta forma, faz-se necessário conceituar ameaça, a qual pode ser entendida
como fatores que colocam um país em perigo.
Uma ameaça – concreta (identificável) ou potencial – pode ser
definida como a conjunção de atores, estatais ou não, entidades ou forças
com intenção e capacidade de realizar ação hostil contra o país e seus
interesses nacionais com possibilidades de causar danos à sociedade e ao
patrimônio. Ameaças ao país e a seus interesses nacionais também podem
ocorrer na forma de eventos não intencionais, naturais ou provocados pelo
homem, como por exemplo: catástrofes climáticas, movimentos
descontrolados de pessoas, propagação de epidemias, bem como a
interrupção de fluxos de recursos vitais. (BRASIL, 2014)

Desta forma, Paiva (2012) lembra que é importante fazer uma distinção entre
problema e ameaça, que que a ESG (2009) chama de risco e ameaça. O problema
ou risco é algo que afeta a segurança e a defesa, mas a nação possui ferramentas
para neutralizá-lo ou mantê-lo em níveis sustentáveis. Contudo, um problema ou
risco pode se transformar em ameaça, se não for enfrentado com vontade política,
quando o país não tem mais condições de neutralizá-lo ou tem dúvidas sobre sua
capacidade em fazê-lo.
Paiva (2012, p. 35) nos alerta que o eixo de poder, caracterizado pelo EUA,
União Europeia, China e Japão, são capazes de “defender o patrimônio e respaldar
as decisões do Estado quando este projeta poder político-militar para satisfazer
interesses em qualquer parte do mundo”.
Em um choque de interesses com potencial para gerar conflito,
crise ou guerra, ao fazer a análise do evento, deve-se, com relação aos
atores principais:
1. identificar aspirações, interesses, objetivos e estratégias
afetados e se são importantes ou vitais;
2. analisar o poder nacional (político, econômico, científico-
tecnológico e militar):
• identificando fortalezas e vulnerabilidades;
• avaliando a vontade nacional (a relação Estado – sociedade
e o histórico nacional);
• identificando as alianças em vigor e as possíveis; e
• concluindo sobre a liberdade de ação de cada ator. (PAIVA,
2012, p. 37)
96

Figura 13 - Posições Geoestratégicas


Fonte: PAIVA, 2012

Os conflitos na Amazônia podem ser internos ou externos, sendo os primeiros


relativos à “posse de terras; exploração de recursos florestais, minerais e outros;
minorias locais, inclusive indígenas; ações de movimentos sociais ou ditos sociais,
na realidade ideológicos; e ilícitos diversos, inclusive os transnacionais com ligações
no País”; e os externos relativo “a defesa e exploração soberana de recursos; pela
migração de populações nacionais e estrangeiras na faixa de fronteiras; além disso,
no âmbito externo, também são relativo a “reação à ingerência de potências extra-
regionais, que usem temas da agenda global como pretexto, pelo controle de
posições estratégicas importantes como a foz do rio Amazonas e pela liderança na
97

América do Sul com países da região ou com potências alienígenas”. (PAIVA, 2012,
p. 33-34)
De forma didática, Côrtes (2006) divide os possíveis problemas na fronteira
brasileira, passíveis de acontecer, como sendo uma reivindicação jurídica,
implicações de reivindicações de terceiros, pressões para adoção de legislação
interna ou assinatura de acordos lesivos ao interesse nacional, ameaça militar,
ameaça armada de movimentos subversivos, atividades ilícitas, porosidade
decorrente de intensa atividade econômica e vazios demográficos.
Na Amazônia Azul, o poder naval, por sua mobilidade, flexibilidade e alcance
geográfico permite a projeção sobre a massa continental, penetrando nos rios e em
especial na bacia amazônica, contribuindo para integrar o território e dissuadir
futuras pretensões estrangeiras em solo brasileiro. (VIDIGAL et al, 2006, p. 269-270)
Assim, as ameaças à Amazônia Azul estão relacionadas as principais
vulnerabilidades desta região, sendo, portanto a dependência do tráfego marítimo, a
extensão da nossa ZEE, a importância do petróleo e gás natural, a concentração
brasileira no litoral, a concentração dos principais parques indústrias próximos do
litoral. (VIDIGAL et al, 2006, p. 262-263)
A figura 14 ilustra muitas dessas preocupações, reforçando a ideia que as
principais ameaças estão relacionadas com a Amazônia Azul do que a Amazônia
Verde, sendo para esta, mais problemas do que ameaças, podendo ser reforçadas
com a questão da “Guerra da Lagosta”, na qual navios de guerra brasileiro, fazendo
uma demonstração de força, a fim desestimular a pesca da lagosta, nas águas
jurisdicionais brasileiras, por navios de pesca franceses, escoltados por navios de
guerra franceses. (BRAGA, 2004, p. 163)
Novos temas — ou novas formas de abordar temas tradicionais —
passaram a influir no ambiente internacional deste século. As implicações
para a proteção da soberania, ligadas ao problema mundial das drogas e
delitos conexos, a proteção da biodiversidade, a biopirataria, a defesa
cibernética, as tensões decorrentes da crescente escassez de recursos, os
desastres naturais, ilícitos transnacionais, atos terroristas e grupos armados
à margem da lei explicitam a crescente transversalidade dos temas de
segurança e de defesa.[...] proteção contra ataques cibernéticos. (BRASIL,
2012, p. 28 e 69)

Contudo, a “defesa e proteção do Brasil diante de potenciais ameaças


externas continuam a ser, assim, a missão essencial das Forças Armadas do País”.
Contudo, “o fenômeno da globalização trouxe consigo o agravamento de ameaças
98

de naturezas distintas, como o narcotráfico, o tráfico de armas e a pirataria marítima,


que põem à prova a capacidade do Estado” defender-se. (BRASIL, 2012, p. 28-29)

Figura 14 - Áreas Alvo Potenciais de uma Ameaça


Fonte: PAIVA, 2012

A figura 14, segundo PAIVA (2012) mostra que a região conhecida como
amazônia ocidental, possui mais problemas que ameaças. Contudo, a percepção
deste autor está na possibilidade de uma ação militar por parte da OTAN, tendo
como base a Guiana Francesa, com ações a partir de Roraima ou na foz do
amazonas.
99

Neste contexto, a Presença Militar Tangível deve buscar como referência as


localidades e áreas problema, onde a ameaça é real ou latente, securitizando as
regiões, que apesar da baixa preocupação nacional, carecem de atenção e incentivo
do poder central, aumentando a importância de ações pelo poder militar vigente.

4.3 DISPOSITIVO MILITAR AMAZÔNICO

Nesta seção serão discutidas as principais questões relativas ao dispositivo


militar amazônico, começando pelo entendimento do que é mobilidade e o que é
presença, de forma a esclarecer seus conceitos e bases teóricas. Além disso, serão
abordados a distribuição territorial das Forças Armadas e a estrutura dos tiros-de-
guerra na região.

4.3.1 PRESENÇA E MOBILIDADE

A presença e a mobilidade são dois conceitos centrais na Estratégia Nacional


de Defesa (BRASIL, 2013b), contudo trazem em si uma dicotomia no seu
entendimento e emprego, necessitando uma análise a fim de melhor compreendê-
los.
A Presença em todo território nacional foi buscada pelos portugueses desde a
colonização, quando o colonizador estabeleceu um sistema de fortificações ao longo
do território, de forma a marcar sua presença nos confins da recente colônia criada,
conforme Cortesão (1971), a posição e o espaço facilitaram a ocupação territorial do
país e, dessa forma, beneficiaram a ocupação da hinterlândia brasileira pelos
portugueses, ainda no século XVI.
Gadelha (2002, p. 64), afirma que “ao norte e ao sul se estendem as
cabeceiras e os afluentes das duas maiores bacias fluviais quiçá do planeta, a
amazônica e a platina, que correm relativamente paralelas em direção ao Atlântico e
em direção contrária ao Pacífico”, assim estas bacias facilitaram o deslocamento e a
integração do homem português ao espaço colonial.
antes mesmo da chegada dos europeus, os índios e, depois, os
bandeirantes e sertanistas, mamelucos e portugueses que partiam de vários
pontos do território vararam por terra e canoas de um rio a outro, na região
comum das respectivas vertentes dos afluentes formadores dos rios
Amazonas. (CORTESÃO, 1971)
100

A Espanha conhecia o espaço amazônico, desde a viagem feita por Vicente


Pinzón ao Amazonas (1499-1500), passando pelo cabo de Santo Agostinho
(Pernambuco), de acordo com relatos de Francisco de Orellana (GADELHA, 2002).
Assim, Portugal iniciou seu desbravamento ao novo território, destacando a
carta de Diogo Nuñes, em 1553, produzindo um dos primeiros documentos sobre o
vale amazônico.
Gadelha (2002, p. 68) lembra os relatos de Capistrano de Abreu, o qual reforça
a importância das Bandeiras, saindo de vários pontos do recém-descoberto território,
para o interior, compondo três movimentos (sertanistas paulistas, baianos e
pernambucanos) básicos, formando “o amálgama daqueles mamelucos que
desbravaram os sertões do Maranhão, as águas e as florestas do Grão-Pará, ou
seja, a Amazônia”, reforçando, também, que “esses sertanistas foram responsáveis
pela penetração dos luso-brasileiros através do grande rio, no rumo leste-oeste, daí
se espalhando em todas as direções”.
Desta forma, Gadelha (2002) ressalta que Arthur Cézar Ferreira Reis
demonstrou como a ocupação da fronteira norte e sua inflexão no rumo leste-oeste
ligam-se definitivamente ao núcleo da colonização de Pernambuco.
Após a União Ibérica (1580-1640), Portugal interiorizou suas expedições na
hinterlândia brasileira, por meio de várias expedições, que podem ser resumidas na
frente Atlântica, na frente do Planalto Central Brasileiro e na frente Fronteiriça. A
primeira, seguindo a rota do Rio Amazonas, da foz para as nascentes (Rota de
Pedro Teixeira); a segunda, descendo as linhas secas da margem direita dos
afluentes do Rio Amazonas (Rota de Raposo Tavares); e, a terceira, descendo os
Andes no rumo de seus formadores (MATTOS, 1980, p. 152), as quais “são
essenciais para a compreensão da ocupação da região norte, do vale e da
hinterlândia amazônica, pois a expulsão dos franceses é o verdadeiro marco da
conquista do litoral, no sentido leste-oeste, e do início da ocupação do Grão-Pará.”
(GADELHA, 2002, p. 73)
Existem, segundo Gadelha (2002, p. 74), três fatores que influenciam o
entendimento da expansão das fronteiras portuguesas pela vastidão amazônica,
determinando “a entrada definitiva dos mamelucos do Brasil e levando os lusitanos a
ultrapassar os limites estabelecidos por Tordesilhas, incorporando definitivamente a
101

Amazônia ao estado brasileiro.”, sendo o primeiro fator, a realidade geográfica,


“expressa no mito da ilha Brasil e que diz respeito às raízes geográficas da
expansão.”; o segundo fator, trata-se do regime dos ventos e das correntes
marítimas, “essenciais para a compreensão das possibilidades das navegações na
época”; e o terceiro fator é de caráter político, mostrando a dicotomia entre o
desinteresse espanhol e ocupação portuguesa na região.
Cabe, lembrar, também, que muitos países abandonaram suas políticas de
presença militar, inclusive os EUA, os quais não usam mais sua política da presença
militar na fronteira com o Canadá, a qual foi desmilitarizada no século XIX. Com o
México, após a expedição punitiva contra Pancho Vila, a fronteira também foi sendo
desmilitarizada, contudo a guarda nacional dos EUA tem aumentado sua presença
na região, devido a outros problemas como o combate ao tráfico de pessoas e
drogas na faixa de fronteira.
Neste contexto, os EUA mantêm tropas ao redor do mundo, em locais onde as
questões de defesa nacional o exigem, como na Alemanha, Afeganistão, Coreia do
Sul e outros lugares, mantendo a política da presença em âmbito global, de forma a
facilitar operações futuras e estar presente nos enclaves mundiais, seguindo a teoria
do porta-aviões, pela qual estes países seriam a ponta de lança de tropas já
estacionadas para qualquer parte do mundo, como se fossem um porta-aviões.
Contudo, durante a Guerra Fria, os EUA desenvolveram e aplicaram a teoria da
Contenção, a qual foi formulada por George Kenan, discípulo de Spykman, sendo
este defensor da política realista e intervencionista dos EUA, advogando uma ação
norte-americana em casos de agravamento da segurança nacional. (MELO, 1999)
102

Figura 15 - Área Pivô na teoria de Mackinder


Fonte: Mackinder (1904, p. 435)

Spykman visualizava em sua teoria que o Heartland, postulado por Mackinder,


deveria ser contido pelo Rimland, o qual é uma espécie de cordão sanitário em torno
da Eurásia, sendo, portanto, a primeira linha de defesa dos EUA. (MAFRA, 2006)
[...] para concretizar a idéia de que “quem controla o Rimland controla a
Eurásia” fazia-se necessário aos EUA possuir grande poder naval; nesse
sentido Spykman se apoiava na teoria do poder marítimo do Almirante
Mahan em complementação à teoria do poder terrestre de Mackinder.
Entretanto, Spykman realiza uma crítica sobre Mahan e Mackinder, pois
Spykman reconhecia a necessidade de ocupação efetiva dos espaços do
Rimland, de onde forças terrestres seriam capazes de exercer a função de
tamponamento da Eurásia. (GABRIEL, 2012, p. 11)

Por isso, associam-se à teoria da contenção o nome de Spykman, pois foi a


base de tal teoria, contudo ela foi formulada por Kenan, quando foi Embaixador dos
EUA na URSS, realizando diversos acordos e alianças, a fim de conter o avanço da
ideologia comunista no mundo, inclusive o envolvimento em guerras, como a do
Vietnã. (MAFRA, 2006)
Na América do Sul, seguindo a teoria de Mackinder sobre a área pivô no centro
da Eurásia, a área pivô seria o Planalto boliviano, constituído pelas cidades Santa
Cruz - Sucre - Cochabamba), seguindo as ideias de Mário Travassos, mas
corroborada pelos autores geopolíticos brasileiros, inclusive, Meira Mattos. (COSTA,
2008)
103

Contudo, MIYAMOTO (1995) lembra que, apesar do reconhecimento da área


pivô na América do Sul, o grande foco sulamericano estava na disputa Brasil e
Argentina, na disputa por áreas de interesse no interior do subcontinente, buscando
estabelecer com a Bolívia, ligações por meio da construção de ferrovias e outros
meios de locomoção, os quais favorecessem a integração da Amazônia e o acesso
boliviano aos mercados europeus e norte-americano, aumentando a esfera de
influência brasileira na região.
O Manual de Fundamentos do Exército (BRASIL, 2014) estabelece as
estratégias de emprego das Forças Armadas, as quais poderão ser empregadas, de
forma singular ou conjunta, por meio das estratégias da Ação Independente, Aliança,
Defensiva, Dissuasão, Ofensiva, Presença, Projeção de Poder e Resistência.
A presença, como estratégia militar, encontra no Manual de Estratégia C 124-1
(BRASIL, 2004, p. 3-11) uma definição, estabelecendo um duplo entendimento, ora
como presença militar em todo o território nacional, ora como presença seletiva,
configurando-se uma mobilidade estratégica.
A mobilidade é um conceito de amplo uso no meio militar, sendo implementada
em território nacional desde a colonização portuguesa, quando os portugueses
usavam os meios disponíveis na época, como barcos e animais para realizarem
seus deslocamentos pelo interior, permeando todas as estratégias em vigor.
Contudo, em muitas regiões do Brasil, as Forças Armadas, ainda, representam
a única presença do Estado e, por consequência, de um sentimento de brasilidade,
agindo como um vetor de coesão nacional, o qual pode ser confundido como
onipresença, pelo sentimento de exclusividade neste processo (KUHLMANN, 2001).
Porém, a ação quase que exclusiva das Forças Armadas conduziu a uma “hipertrofia
da estratégia da presença” para se transformar em uma “onipresença política da
instituição na vida da Nação”, sendo, portanto, anacrônica. (ALVES, 2003, p. 22)
Na Estratégia Nacional de Defesa (BRASIL, 2013b, p. 3), a “mobilidade
estratégica é entendida como a aptidão para se chegar rapidamente ao teatro de
operações – reforçada pela mobilidade tática [...]”, “exigindo das Forças Armadas
ação que, mais do que conjunta, seja unificada.”
Contudo, a END ressalta que:
Deve-se ter claro que, dadas as dimensões continentais do território
nacional, presença não pode significar onipresença. A presença ganha
104

efetividade graças à sua relação com monitoramento/controle e com


mobilidade.
[...] a mobilidade ganha importância decisiva, todas a vastidão do espaço a
defender e a escassez dos meios para defende-lo. O esforço de presença,
sobretudo ao longo das fronteiras terrestres e nas partes mais estratégicas
do litoral tem limitações intrínsecas. É a mobilidade que permitirá superar o
efeito prejudicial de tais limitações. (BRASIL, 2013b, p. 3-5)

Desta forma, a END advoga a causa de que a presença será compensada pela
mobilidade das forças em presença, sem, contudo, especificar os detalhes do que é
a presença e o que é a mobilidade.
O LBDN (BRASIL, 2012) ressalta que o SISFRON e o SISGAAZ permitirão
manter o monitoramento e o controle efetivos sobre as fronteiras terrestres e a
porção jurisdicional do mar sob controle nacional.
Além disso, ressalta, também, a necessidade de mobilidade para as Operações
Conjuntas, havendo vários projetos das 3 Forças, visando adequar-se a esta nova
realidade, inclusive o Projeto Mobilidade Estratégica do Exército Brasileiro, cuja
finalidade é aperfeiçoar a interoperabilidade do EB com as demais Forças.
O Exército Brasileiro caracteriza-se por seu emprego ser flexível, adaptável,
modular, elástico e sustentável (FAMES35), devendo atuar de forma letal, como
pronta resposta a seu acionamento pelos órgãos competentes. Para isso, deverá
possuir mobilidade estratégica36 e tática37, as quais são “os fundamentos para a
rápida concentração ou dispersão, a manobra e a projeção de forças”. (BRASIL,
2014b, p. 3-10)
Assim, o Manual EB20-MF-10.101 (BRASIL, 2014b) traz como características
para fazer frente a evolução dos conflitos atuais que a Força Terrestre, entre outras,
seja dotada de estruturas operacionais racionalizadas (combate, apoio ao combate e
apoio logístico), centralizando os meios, de forma a privilegiar a mobilidade.
Para a Projeção da Força Terrestre em um determinado lugar, são exigidos
características semelhantes como a mobilidade e flexibilidades estratégicas,

35
FAMES é um acrônimo adotado pelo Exército para designar suas principais características de
atuação: flexibilidade, adaptabilidade, modularidade, elasticidade e sustentabilidade. (BRASIL, 2014,
p. 3-10)
36
Mobilidade estratégica é “entendida como a aptidão para se chegar rapidamente à região em
conflito”. (BRASIL, 2013b, p. 3)
37
Mobilidade tática é “entendida como a aptidão para se mover dentro daquela região”. (BRASIL,
2013b, p. 3)
105

estruturas de comando e Controle desdobradas, além da disponibilidade ou a


capacidade de convocação de uma força. (BRASIL, 2014, p. 7-3)

4.3.2 DISTRIBUIÇÃO TERRITORIAL

O Ministério da Defesa se faz presente na Amazônia por meio de suas Forças


componentes, Marinha, Exército e Aeronáutica.
O Exército Brasileiro está presente na Amazônia desde antes de 1900, por
meio de fortificações, colônias militares e presídios. Inicialmente, a Coroa
Portuguesa estava presente somente no Pará, no Estado do Grão-Pará, enviando
dois regimentos para ocupar novo território, após o Tratado de Madri (1750).
(MORAES, 2000)
Meira Mattos (1980, p. 40) apresenta uma relação de fortificações que
demonstram a presença militar brasileira na Amazônia, contudo BENTO (2003)
lembra que, já em 1900, muitos destes fortes não encontravam-se mais atuantes,
tendo sido abandonados e alguns desapareceram pelas precárias construções
executadas, conforme figura 16.
106

Figura Nr 16 - As Fortificações Históricas da Amazônia


Fonte: MATTOS, 1980, p. 40

Assim, apesar do papel ativo do EB na Amazônia, sua presença nunca foi


muito expressiva, como por exemplo, no fim do século XIX, quando a província do
107

Amazonas possuía apenas cerca de 300 homens baseados por lá. (FRANCHI,
2013)

Quadro Nr 2 - OM do EB na Amazônia do Sec XVIII até 1900


Fonte: FRANCHI, 2013

Ao longo do Século XX, poucas organizações militares foram criadas, conforme


quadro 2, mas a ampliação de novas OM continuava com a criação de novas
colônias, presídios e unidades militares. Contudo, durante os governos militares, nas
décadas de 60 e 70, a Amazônia receberia novo impulso, seguindo esta política de
criação de novas OM. A partir de 1990, foram instaladas três novas brigadas38 na
Amazônia, mostrando a tradicional preocupação com aquela região.

38
Brigada é uma Grande Unidade do Exército, que possui todas as funções de combate.
108

Figura Nr 17 - Área de atuação do CMA e CMN


39
Fonte: CMA , 2013

Assim, pela figura Nr 17, depreende-se que a Amazônia, no contexto do EB,


divide-se em duas partes, em dois Comandos: Comando Militar da Amazônia (CMA) e o
Comando Militar do Norte (CMN). O CMA possui quatro Brigadas: a 1ª Brigada de
Infantaria de Selva (Boa Vista/RR), a 2ª Brigada de Infantaria de Selva (São Gabriel da
Cachoeira/AM), a 16ª Brigada de Infantaria de Selva (Tefé-AM) e a 17ª Brigada de
Infantaria de Selva (Porto Velho/RO); e uma no CMN: a 23ª Brigada de Infantaria de
Selva (Marabá/PA), sendo prevista mais uma brigada para a cidade de Macapá no
Estado do Amapá. (BRASIL, 2012)

39
Palestra proferida na ECEME pelo chefe do Centro de Operações do Comando Militar da Amazônia
(CMA) no dia 14 Agosto 2013.
109

Figura Nr 18 - OM de Engenharia na Amazônia


Fonte: Departamento de Engenharia de Construção, 2013

Contudo, pela análise da figura Nr 18, depreende-se que a engenharia de


Construção do EB está espalhada pela região amazônica, de forma a proporcionar a
mobilidade necessária para as funções de engenharia e facilitar a manutenção e a
construção de obras diversas, sendo o 7º Batalhão de Engenharia de Construção (BEC)
em Rio Branco - Acre, o 5º BEC em Porto Velho – Rondônia, o 6º BEC em Boa Vista –
Roraima, o 8º BEC em Santarém – Pará, a 21ª Companhia de Engenharia de
Construção em São Gabriel da Cachoeira – Amazonas e o Comando do 2º Grupamento
de Engenharia em Manaus - Amazonas.
No Estado do Amazonas, estão cerca 37% do efetivo presente na Amazônia,
sendo um ponto focal na distribuição de forças na região, sendo seguida pelo Estado do
Pará com cerca de 25% do efetivo. Estes dois Estados possuem os maiores efetivos e
são as sedes dos comandos militares, o CMA e o CMN, conforme quadro 3.
110

Quadro Nr 3 - Distribuição dos efetivos do EB na Amazônia


Fonte: FRANCHI, 2013

Além disso, é importante ressaltar a existência de 23 Pelotões Especiais de


Fronteira (PEF), os quais mantêm a vigilância diuturna sobre as fronteiras
brasileiras. Como forma de ampliar a capacidade de vigilância 40 e segurança, o EB
está viabilizando a criação de novos PEF, cerca de 28 novas OM, conforme figura
19.

40
VIGILÂNCIA - Ato realizado no sentido de detectar, registrar e informar, com os meios
disponíveis, qualquer anormalidade ocorrida no setor de observação. (BRASIL, 2008)
111

Figura Nr 19 - Pelotões Especiais de Fronteira


Fonte: BRASIL, 2012

Cabe ressaltar, que os Centro de Preparação de Oficias da Reserva (CPOR),


os quais possuem sede própria e estrutura independente, e os Núcleos de
Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR), vinculados a uma OM, cumprem um
papel importante na formação de oficiais mobilizáveis, em caso de guerra, os oficias
R2, ampliando a permeabilidade da Força na sociedade, pois difunde seus princípios
e valores. Os CPOR funcionam em Porto Alegre – RS, Rio de Janeiro – RJ, São
Paulo – SP, Recife - PE e Belo Horizonte – BH. Já, os NPOR seguem Figura 20.
112

Figura Nr 20 – Distribuição dos NPOR


Fonte: GONZALES, 2008

Ainda, existem os Tiro-de-Guerra, os quais são unidades militares


responsáveis pela formação do reservista de 2ª categoria, distribuídos por todo
território nacional. No caso da Amazônia, os tiros-de-guerra estão concentrados nas
cidades que possuem centralidade sub-regional, polarizando outros municípios do
entorno, conforme Figura 21. (GONZALES, 2008) Contudo, há uma concentração
destas organizações militares no sul e sudeste do país, tendo a amazônia uma baixa
quantidade e dispersas por toda a região
113

Dentre as missões41 destes Tiros-de-guerra, podem ser ressaltadas estas três:


contribuir para estimular a interiorização e evitar o êxodo rural; constituir-se em pólos
de difusores do civismo, da cidadania e do patriotismo; e colaborar em atividades
complementares, mediante convênio com órgãos federais, estaduais e municipais,
no funcionamento de ensino profissionalizante em suas dependências e na
utilização das mesmas em práticas cívicas, esportivas e sociais, em benefício da
comunidade local, as quais refletem a complexidade e a responsabilidade de um
comandante de tiro de guerra. (GONZALES, 2008)

Figura Nr 21 – Distribuição dos Tiros-de-Guerra

41
As missões dos Tiros-de-Guerra estão expressas na Portaria nº 001, de 2 de janeiro de 2002.
(GONZALES, 2008)
114

Fonte: GONZALES, 2008

Estas missões devem ser atendidas de forma a conciliar a atividade militar com
o trabalho e o estudo dos alistados, ficando o jovem, portanto, cerca de duas horas
por dia nas atividades da caserna e o restante na sua vida normal na sua cidade.
(GONZALES, 2008)
A presença da Marinha do Brasil na Amazônia data de 1729 com a criação da
Casa das Canoas, em Belém, passando a ser, também, a primeira base naval na
região. Contudo, só em 1868 seria criada a Flotilha do Amazonas (FlotAm), sendo o
marco oficial do Marinha na Amazônia. (FRANCHI, 2013)
Contudo, a Marinha também tem um crescimento lento na região, fazendo-se
presente com suas embarcações, que possuem sua atuação limitada às calhas dos
principais rios e ao uso dos Batalhões de Operações Ribeirinhas. (MARQUES, 2007,
p. 154)
As embarcações da Marinha na Amazônia são navios de patrulha fluvial, de
apoio a operações logísticas, navios-hospitais e outros ligados à
salvaguarda da navegação, tais como os navios balizadores responsáveis
pela manutenção das hidrovias, além de embarcações de menor porte,
como lanchas operacionais. (FRANCHI, 2013)
115

Quadro Nr 4 - Organizações da Marinha criadas na Amazônia


Fonte: FRANCHI, 2013

Ao longo dos anos, a Marinha foi mobiliando a Amazônia com diversas


organizações militares, dentre as quais ressaltam-se as OM do 4º DN e do 9º DN,
com as principais cidades em destaque, conforme quadro Nr 4, demonstrando que
houve um crescimento nas décadas de 1980 e 1990, mas atualmente o crescimento
segue de forma um pouco mais lenta.
116

Figura Nr 22 - Distribuição dos Grandes Comandos Navais


Fonte: BRASIL, 2012

Da figura Nr 22, observa-se que a Marinha também divide sua área de atuação
semelhante ao EB, sendo, na verdade, anterior à divisão do EB, com o 4º Distrito
Naval (4 DN) sediado em Belém-PA, sendo responsável pelos Estados do Pará,
Amapá, Maranhão e Ceará. O 9º Distrito Naval (9 DN) sediado em Manaus-AM,
sendo responsável pelos Estados do Amazonas, Roraima, Acre e Rondônia.

Quadro Nr 5 - Distribuição dos efetivos da MB na Amazônia


Fonte: FRANCHI, 2013
117

Do total de cerca de 6030 militares, o Estado do Pará, tem cerca de 50% do


efetivo presente na Amazônia, e o Estado do Amazonas, tem cerca 45% do efetivo,
concentram a maioria dos meios e pessoal, sendo polos radiadores para as demais
regiões, conforme quadro 5.
A aviação militar tem suas origens no emprego de aviões em combates como a
Guerra do Contestado em 1915 e a Revolução Constitucionalista de São Paulo em
1932. Contudo, a criação do Ministério da Aeronáutica somente ocorreria,
oficialmente, em 1941, com a assinatura do Decreto-Lei nº 2961, no qual o
presidente Getúlio Vargas destinou os materiais, instalações e pessoal da aviação
do Exército e da aviação naval para tal fim. (LAVENÈRE-WANDERLEY, 1975).

Quadro Nr 6 - Ano de criação dos COMAR


Fonte: FRANCHI, 2013

O quadro 6 mostra os Comandos Aéreos (COMAR) da Força Aérea Brasileira


(FAB), a qual divide o País em 7 (sete) sub-regiões, de forma a facilitar o controle
aéreo e defesa do espaço aéreo. Além disso, a FAB possui 4 (quatro) Forças Aéreas
(F Ae), as quais são os braços armados para cumprir todas as missões que lhe são
dadas.
118

Quadro Nr 7 - Distribuição dos efetivos do FA na Amazônia


Fonte: FRANCHI, 2013

Do total de cerca de 9485 militares, o Estado do Amazonas, tem cerca 37% do


efetivo presente na Amazônia, o Estado do Pará, tem cerca de 30% do efetivo,
Rondônia e Maranhão tem cerca de 10% cada e Roraima tem cerca 9%. Os demais
Estados possuem pequenos efetivos. Contudo, a maioria dos meios e pessoal estão
no Amazonas e no Pará, sendo polos radiadores para as demais regiões, conforme
o quadro 7.
119

Figura Nr 23 – Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro


Fonte: BRASIL, 2012

A FAB possui controle de todo espaço aéreo nacional, por meio dos Centro
Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (CINDACTA), conforme
figura 23, cujas principais funções são a vigilância patrimonial da Amazônia e do
espaço aéreo nacional; o provimento de informações para os órgãos
governamentais; e a orientação dos vetores responsáveis pela interceptação de
aeronaves desconhecidas ou consideradas hostis sobre a região. (FRANCHI, 2013)
Para cumprir sua função, foi necessária a modernização e construção de
uma série de radares e outros equipamentos. Concluído em 2005, o sistema
passou a operar de forma integrada ! mais de três dezenas de Órgãos
Remotos operados pelo Destacamento de Controle do Espaço Aéreo
(DTCEA), distribuídos por toda a região. [...] esses destacamentos são
geralmente operados por pequenos contingentes da Aeronáutica, alojados
em uma vila militar instalada junto a Pelotões de Fronteira do Exército ou
nas cidades, e responsáveis por operar os equipamentos de radares.
(FRANCHI, 2013)

Cabe acrescentar, que o Ministério da Defesa possui vários programas


sociais, os quais visam aumentar a participação da sociedade nos assuntos de
Defesa, entre os quais destacam-se: o Projeto Soldado Cidadão, Projeto Calha
120

Norte, Projeto Força no Esporte e o Projeto Rondon, os quais possuem impacto


sobre todo o Brasil, inclusive sobre a região amazônica. (BRASIL, 2012, p. 169)
Ressalta-se o Projeto Rondon, o qual busca viabilizar a participação de
estudantes universitários de todo o Brasil nas ações e projetos sociais de
comunidades do interior do País, principalmente, nas regiões mais isoladas da
Amazônia, visando melhorar o bem-estar da população, formando multiplicadores
das boas práticas de gestão e manejo social, com a ajuda das Forças Armadas para
o apoio logístico da atividade. (BRASIL, 2012, p. 170)

Figura Nr 24 – Quantidade de Rondonistas por Município


Fonte: BRASIL, 2012

Assim, a Estratégia da Presença vem sendo implementada ao longo do tempo


pelas três Forças Armadas, cabendo ao Exército uma maior amplitude pelo número
de militares e organizações militares espalhados pela região. Contudo, a marinha e
a Força Aérea também vêm priorizando esta região, de forma a proporcionar uma
eficaz distribuição de suas organizações na Amazônia.
121

5 A PRESENÇA INTANGÍVEL

Os conceitos de intangível proveem de outras ciências, como economia,


ciências contábeis, administração e outras, mas todas concordam que houve uma
crescente valorização destes ativos em relação aos tradicionais tangíveis, conforme
adverte Perez e Famá (2006).
Os ativos intangíveis estão relacionados com os aspectos não tangíveis,
como a competição entre grupos de empresas, a tecnologia da informação, o capital
humano, entre outros assuntos, mas sempre aspectos que possuem uma forte
ligação com a parte material ou tangível da organização analisada, conforme nos
informa Reilly (1996), Kayo (2002) e Barbosa e Gomes (2002).
Por isso, os conflitos atuais ou de 4ª Geração, onde são utilizados ativos
intangíveis como as atividades clandestinas, o uso midiático do terror, os meios
tecnológicos, entre outros, corroborando com as ideias de Paulino (2009), o qual
lembra que existe uma dimensão intangível do campo de combate.
Desta forma, a Força Terrestre (BRASIL, 2014a) estabelece que a dimensão
intangível está relacionada com o espectro eletromagnético, com o cibernético e
com os aspectos informacionais, influenciando a tomada de decisão militar, que
neste trabalho, influencia no estabelecimento de uma eficaz Estratégia da Presença
para a região amazônica.
Assim, neste Capítulo serão estudados alguns aspectos teóricos que
fundamentarão o estudo sobre a Presença Intangível na região amazônica. Os
temas relacionados a tecnologia da informação, ao campo cibernético e aos
aspectos informacionais, subjetivos da guerra serão estudados, buscando entender
os principais pensadores sobre estes temas para a região amazônica. Além disso,
serão estudadas a cultura e a mentalidade de defesa sobre o tema em questão.

5.1 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO

5.1.1 Sistemas de Monitoramento em Execução: SIVAM/SIPAM e SISFRON

O Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) é um sistema gigantesco,


concebido pela Comissão de Assuntos Estratégicos (já extinta), que abrange áreas
122

que vão desde o monitoramento de queimadas à qualidade das águas da Região


Amazônica, tendo imensas aplicações civis e militares, conforme Figura 25. O
Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA) e a da
região são apenas uma parte do sistema, de acordo com os mais modernos
conceitos de Comando e Controle, seguindo a teoria do ciclo OODA42.

Figura 25 - Abrangência do SIVAM/SIPAM


Fonte: RODRIGUES, 2004

Por isso, nos esclarece o Livro Branco de Defesa (BRASIL, 2012) que o
Centro Gestor e Operacional do sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) é o
órgão central, subordinado ao Ministério da Defesa, que coordena e gerencia as
atividades do SIPAM, sendo, também, um sistema C4IVR (sistemas de Comando,

42
Ciclo OODA, refere-se a teoria de Boyd, o qual afirmava que um eficiente sistema de
Comando e Controle segue o ciclo Observa, Orienta, Decide e Atua. (Barbosa, 2014, p. 75)
123

Controle, Comunicações, Computação, Inteligência, Vigilância e Reconhecimento 43),


coincidindo a área de cobertura da CINDACTA IV com a área de cobertura do
SIVAM, conforme Figura 26.

Figura Nr 26 - Área de cobertura dos radares de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo
(CINDACTA) no Brasil
Fonte: FRANCHI, 2013

O SIPAM é constituído por um sistema de aquisição, um sistema de


processamento e um sistema de gestão, sob um centro de coordenação. Assim,
terá a seguinte estrutura: um Centro de Coordenação Geral (CCG), localizado em
Brasília-DF; três Centros Regionais de Vigilância (CRV) em Manaus-AM, Belém-PA
e Porto Velho-RO; Órgãos Usuários (OU) são órgãos do governamentais regionais;
Unidades de Vigilância (UV) são as unidades que concentram os meios de aquisição

43
RECONHECIMENTO – Operação cujo propósito é obter informações referentes às atividades
e meios do inimigo ou coletar informações de caráter geográfico, hidrográfico, meteorológico e
eletrônico, referentes à área provável de operações. (BRASIL, 2008)
124

e transmissão; e as Unidades de Telecomunicações (UT) onde estão os meios de


telecomunicações (RODRIGUES, 2004, p. 18-21).
O SIPAM apresenta diversas áreas de contribuição, destacando-se a
proteção ambiental, a vigilância das fronteiras, a proteção de terras indígenas, a
vigilância e o controle do tráfego aéreo, entre outros, por meio da integração de
diversos órgãos, tais como: o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA),
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), entre outros. (RODRIGUES, 2004, p. 18 e 21)
O SIPAM representa um novo paradigma de segurança e defesa para o Brasil
(LOURENÇÃO, 2001), pois foi concebido visando a implantação de um sistema
capaz de gerar informações que favoreçam a formulação de políticas públicas e não
somente dentro de ações estratégicas e militares, como se fazia convencionalmente
até então, e, depois de pronto, passou a denominar-se Sistema de Vigilância da
Amazônia (SIVAM) ou, pelo conjunto da obra, SIPAM/SIVAM.
Por isso, pode-se dizer que o SIVAM serviu de modelo para o Sistema
Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), possuindo a mesma ideia de
interoperabilidade das Forças Armadas com os diversos órgãos do governo como o
Departamento de Polícia Federal (DPF), a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN),
vários ministérios, entre outros, otimizando os sistemas já existentes.
O SIVAM e o SISFRON estão concebidos em três partes, sendo um Sistema
de Sensoriamento, um Sistema de Apoio à Decisão e um Sistema de Apoio à
Atuação, de forma a dar uma resposta eficaz às ameaças detectadas pelps
sensores diversos, proporcionando uma tomada de decisão oportuna pelos
responsáveis, conforme Figura 27.
125

Sensores Decisores Atuadores

C2

Apoio à
Decisão

Logística

Sensoriamento Processa - Compara e Decide Ação

Figura 27 – Sistemas do SIVAM/SISFRON


Fonte: Projeto SIVAM/SISFRON

Contudo, o SISFRON está sendo implantado de forma a fortalecer a presença


do Estado na faixa de fronteira terrestre, a qual possui cerca de 16 mil km de
extensão, em completação ao SIVAM, conforme Figura 28.

Figura 28 - Abrangência do SISFRON


Fonte: LBDN (BRASIL, 2012, p. 72)

Assim, o SISFRON apresenta as seguintes finalidades, conforme BARBOSA


(2014, p. 62-63), algumas muito semelhantes as finalidades previstas pela Força
Aérea na construção do SIVAM:
126

- garantir o fluxo ágil e seguro de informações confiáveis e


oportunas, de modo a possibilitar o exercício do comando e controle
em todos os níveis de atuação;
- Prover com estruturas físicas e lógicas adequadas ao ciclo
de comando e controle em todos os níveis do processo decisório,
contemplando enlaces apropriados para comunicação entre todos os
escalões, com capacidade de transmissão compatível com a missão
e possibilidade de operar em rede, conforme estabelecido na
Estratégia Nacional de Defesa;
- Contribuir para que o Exército Brasileiro obtenha as
capacidades operacionais necessárias para responder prontamente
a qualquer ameaça ou agressão, dotando-o de meios de mobilidade
tática e de apoio logístico adequado aos diversos ambientes
operacionais em que será implantado o sistema;
- Preparar o combatente da força terrestre para operar em
ambiente de alta complexidade tecnológica, adaptando-o à
consciência situacional ampliada e ao conceito da guerra centrada
44
em redes ; e
- Consolidar a capacidade nacional em sistemas de
monitoramento, vigilância; e reconhecimento, mobilizando a base
industrial de defesa e organizações integradoras nacionais, de modo
a assegurar independência tecnológica na manutenção, ampliação e
atualização do sistema. (Barbosa, 2014, p. 62-63)

O SIVAM e o SISFRON foram concebidos e subdivididos nos subsistemas de


Sensoriamento, o qual captura as informações de interesse; Tecnologia da
Informação e Comunicações (TIC), onde os dados circulam; Apoio à Decisão,
compila todas as informações recebidas e gera uma informação; Logística, apoio
logístico ao funcionamento do sistema como um todo; Segurança da Informação e
das Comunicações (SIC), é a segurança de todo o sistema; e Capacitação e
Simulação, o qual prepara e adestra os integrantes do sistema, conforme Figura 29.

44
GUERRA CENTRADA EM REDES - Guerra que reúne em rede os mais diversos elementos
das forças armadas de um país, permitindo-lhe administrar diversas tarefas que vão desde a coleta
até a distribuição de informações críticas entre esses muitos elementos. Outorga-lhe maior
capacidade de combate ao ligar em rede os elementos de sensoriamento, de combate e de comando.
(BRASIL, 2008)
127

Subsistemas do SISFRON
SENSORES DECISORES ATUADORES

SENSORIAMENTO
ENTO APOIO À DECISÃO
SÃO APOIO À ATUAÇÃO

TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E DAS COMUNICAÇÕES

SIMULAÇÃO E CAPACITAÇÃO

LOGÍSTICA

SEGURANÇA
RA DA INFORMAÇÃO

AQUISIÇÃO E PROCESSAMENTO FUSÃO DE DADOS, GERAÇÃO PLANEJAMENTO, GERAÇÃO DE


DE DADOS DE INFORMAÇÕES, ORDENS, DIFUSÃO DE
ESTABELECIMENTO DE SITUAÇÃO E
SITUAÇÃO ACOMPANHAMENTO

Figura 29 – Subsistemas do SIFRON


Fonte: Projeto SISFRON

O subsistema de sensoriamento será o responsável pela observação da área


de operações estabelecidas pelo sistema, permitindo a observância de diferentes
aspectos, devido aos diversos sensores previstos, tais como os sensores humanos,
provenientes das comunidades indígenas e dos Pelotões Especiais de Fronteira, a
cooperação das diversas agências, como o SIPAM e a Polícia Federal, conforme
Figura 30. “Sendo assim, fica evidenciado que a origem das informações (dados)
para análise não se resume as obtidas somente pelo Subsistema, mas também
aquelas de origem externa ao SISFRON, como é o caso do SIPAM”. (Barbosa,
2014, p. 68)
128

Figura 30 – Subsistemas de Sensoriamento


Fonte: Barbosa, 2014, p. 71

O Subsistema de Tecnologia da Informação e Comunicações (TIC) congrega


toda a infraestrutura necessária ao funcionamento do sistema, como as redes de
comunicações de voz, dados e vídeo, facilitando a disseminação de informações,
provendo os “meios de transmissão necessários para o estabelecimento dos enlaces
de comunicações entre as diversas localidades de interesse”. (Barbosa, 2014, p. 72)

[...] proporcionar redes aos seus usuários incluindo os


serviços de voz; textos; dados; imagens; vídeos; transmissão de
dados de sensoriamento dos radares, satélites e ARP;
videoconferência; trafego de informações entre centros de
processamento, dentre outras. Ainda, a especificação e configuração
do Subsistema levará em consideração os projetos, sistemas e
equipamentos do Exército Brasileiro, como a Rede Corporativa do
Exército (EBNet) e a Rede Integrada de Telecomunicações do
Exército (RITEx), contribuindo para a compatibilidade entre as redes
existentes e as futuras. (Barbosa, 2014, p. 72)

O Subsistema de Apoio à Decisão recebe as informações oriundas do


Subsistema de Sensoriamento e de outras fontes, disponibilizando as ferramentas
necessárias para a consolidação, armazenamento e processamento deste dados,
favorecendo a construção da “consciência situacional dentro das regiões de
129

interesse, em consonância com o princípio da oportunidade e de necessidade do


conhecimento”. (Barbosa, 2014, p. 73)
O Subsistema engloba diferentes ferramentas de análise que
viabilizam a síntese e a associação dos dados e informações do
repositório, facilitando o processo de geração do conhecimento. Tais
ferramentas terão a capacidade de fornecer informações para o
planejamento e para a condução de operações em seus diversos
escalões; disponibilizar dados e informações de interesse aos órgãos
governamentais interessados, por meio de funções de análise,
45
integração e fusão de dados para estabelecimento de um banco de
dados de evidências e de casos de análise; e explorar e analisar os
dados para a produção de conhecimento visando apoiar a tomada de
decisão e a manutenção da consciência situacional. (Barbosa, 2014,
p. 73)

O Subsistema de Logística usará o sistema logístico do Exército Brasileiro


como base, evoluindo da situação de normalidade até uma situação de conflito,
sendo organizados em quatro escalões. (Barbosa, 2014, p. 76)
O primeiro, realizado por militares alocados na própria
Organização Militar; o segundo, de manutenção de média
dificuldade, apoiada por militares dos Batalhões Logísticos; o
terceiro, de intervenções mais complexas, realizado em oficinas ou
laboratórios dos Batalhões Logísticos; e o quarto, caracterizado por
revisão completa dos equipamentos e sistemas, a ser realizada em
laboratórios ou oficinas do fornecedor ou pelo próprio no local
designado. (Barbosa, 2014, p. 76-77)

O Subsistema de Segurança da Informação e das Comunicações é o


responsável pela segurança das informações, seguindo as “recomendações dessa
matéria no âmbito do Exército Brasileiro, do Gabinete de Segurança Institucional da
Presidência da República (GSI-PR) e com a família de normas ABNT 27000”.
Destacam-se os princípios da integridade, disponibilidade, confidencialidade,
autenticidade, irretratabilidade e atualidade. (Barbosa, 2014, p. 78)

45
FUSÃO DE DADOS - consiste no processamento e na combinação de dados e informações
heterogêneas (vídeos e imagens, dados geoespaciais, linguagens escrita e verbal, dentre outros) de
múltiplas origens – tanto de sensores como de elementos de processamento – para alcançar maior
precisão e abrangência no planejamento e monitoramento das operações. (BRASIL, 2014b)
130

O Subsistema de Capacitação e Simulação é o responsável pelo treinamento


do pessoal que irá trabalhar dentro do sistema, por meio de simulações. (Barbosa,
2014, p. 79)
No que se refere ao campo da simulação, serão
disponibilizadas ferramentas como o Simulador de Cenários, com a
capacidade de simulação de operações logísticas e de mobilidade no
tratamento de eventos e alertas; os Simuladores de Sensores e
Plataformas, para avaliação da configuração/reconfiguração dos
sensores dentro do ciclo de treinamento de usuários em sua
operação; o Simulador de Missão, a fim de avaliar resultados e ciclos
de comando e controle vocacionados para a tomada de decisão; e o
Gerador de Estruturas de Dados, para o exercício do pessoal em
treinamento, com capacidade de importar dados de sensores e de
gerar dados associados a um comportamento fictício de interesse.
(Barbosa, 2014, p. 79)

Desta forma, o SIVAM e o SIPAM mantem o controle do território amazônico,


proporcionando uma percepção de segurança, de forma a fortalecer a dimensão
intangível da Estratégia da Presença para a região amazônica.

5.1.2 Sistemas de Monitoramento em Planejamento: SisGAAz46.

O conceito de Amazônia Azul foi cunhada pelo Comandante da Marinha47, a


fim de ressaltar ao Brasil que “essa extensão atlântica, que se projeta para além do
litoral e das ilhas oceânicas, e corresponde a cerca de metade da superfície do
Brasil, se tem chamado de Amazônia Azul. Azul por comparar-se à Verde, pela
dimensão e pela biodiversidade”, existindo de forma tão ignorada, por boa parte dos
brasileiros, abrangendo a plataforma continental e a zona econômica exclusiva, que
nos cabem pelos tratados internacionais. (VIDIGAL et al, 2006, p. 18)
No mar, a ZEE brasileira, cujo limite exterior é de 200 milhas
náuticas, tem uma área oceânica aproximada de 3,54 milhões de km2. A
área em questão, somada aos cerca de 960 mil km2 de plataforma

46
SisGAAz (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul) foi concebido para ser um sistema
de monitoramento e controle relacionado ao conceito internacional de segurança marítima e para
proteção do litoral brasileiro. (BRASIL, 2016, p. 60)
47
Foi publicado na Folha de São Paulo, em 26 de fevereiro de 2004, um artigo sobre este
assunto, conforme entrevista no site, a seguir:
http://www.record.com.br/autor_entrevista.asp?id_autor= 4714&id_entrevista=145.
131

continental (PC), situados além das 200 milhas náuticas e reivindicados


junto à Comissão de Limites da Plataforma Continental da ONU, perfaz um
total aproximado de 4,5 milhões de km2. Essa extensa área oceânica
delimita o que se denomina “Amazônia Azul”, que é adjacente ao continente
e corresponde a aproximadamente 52% da área continental brasileira.
(BRASIL, 2012)

Contudo, é importante lembrar que o mar apresenta duas grandes funções


básicas: é um meio de comunicação entre pessoas e bens; e, também, é um
“reservatório de recursos vivos e não-vivos”, favorecendo aos Estados costeiros uma
busca pelo controle deste espaço, provocando discussões a cerca do limite
jurisdicional destas fronteiras de além-mar. (GONÇALVES E GRANZIERA, 2012, p.
145)
Assim, entender este complexo ambiente, faz-se mister esclarecer os
conceitos de mar territorial, zona contígua, zona economicamente exclusiva e
plataforma continental brasileira.
132

Figura 31 - Limites da Plataforma Continental


Fonte: BRASIL, 2012

O mar territorial abrange a área compreendida do litoral até 12 milhas


náuticas, abrangendo além do mar propriamente dito, com seu leito e subsolo, o
espaço aéreo sobrejacente. Neste espaço, a soberania brasileira é plena sobre esta
região. A zona contígua vai a partir das 12 milhas até 24 milhas náuticas, cabendo
ao Brasil à tomada de medidas que evitem e reprimam as infrações às Leis e
regulamentos. (GONÇALVES E GRANZIERA, 2012)
A zona econômica exclusiva (ZEE) vai das 12 milhas até 200 milhas náuticas,
de forma que o Brasil possui soberania para explorar, conservar e gerir os recursos
nela existentes, cabendo, ainda, a exclusividade quanto à “investigação científica
marinha, proteção do meio marinho, bem como a construção, operação e uso de
todos os tipos de ilhas artificiais, instalações e estruturas”. (GONÇALVES E
GRANZIERA, 2012, p. 148)
A plataforma continental (PC) é um conceito que abarca o leito e o subsolo
marinho até a borda exterior na margem continental. Contudo, quando esta borda
exterior não atinge as 200 milhas, vale as 200 milhas da zona econômica exclusiva.
Por isso, o Brasil possui nesta região, por definição, exclusividade no uso,
regulamentação, proteção e exploração de suas riquezas. (GONÇALVES E
GRANZIERA, 2012)
Desta forma, é possível entender a definição de Amazônia Azul como a soma
da ZEE com a PC, de forma a proporcionar a conservação e o uso sustentável de
toda biodiversidade nesta extensa área, conforme a Declaração da Conferência das
Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. (ONU, 2012)
Assim, frente às dimensões da Amazônia Azul e da continuidade do espaço
oceânico pode-se analisá-la sob as vertentes econômica, ambiental, científica,
soberania nacional e diplomática, a fim de entender a governança das riquezas
subjacentes, dos recursos vivos e dos movimentos das correntes. (JUNIOR, 2012)
Na vertente econômica, destaca-se que 95% do comércio exterior do Brasil é
feito pelo mar, sendo que 30% dele está no eixo sul-sul (América do Sul e África),
acrescido da necessidade de controle da atividade de pesca ao longo do litoral, bem
como da proteção a exploração de petróleo e gás natural. (JUNIOR, 2012)
133

Na vertente ambiental, a preservação do ambiente marinho face à exploração


econômica necessária, passa ser um fator vital para o emprego de métodos e
procedimentos, conforme a legislação internacional, em uso no Brasil, como a
Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição causada por Navios, o
Código de Conduta para Pesca Responsável, entre outros. (JUNIOR, 2012)
Na vertente científica, a Amazônia Azul caracteriza-se como um grande
desafio, devido ao escasso conhecimento sobre os oceanos, que vem sendo
diminuído pelos diversos programas voltados para o estudo e análise deste
ambiente, no caso brasileiro, como os programas Antártico Brasileiro, Levantamento
da Plataforma Continental, entre outros. (JUNIOR, 2012)
Na vertente Soberania Nacional, apresenta oportunidades e ameaças sobre o
uso do mar como espaço de projeção de poder nas relações internacionais, pois
nele estão a “marinha de guerra com todos os seus meios; a Força Aérea baseada
em terra, operando sobre o mar; a marinha mercante; as estruturas logísticas
(portos, estaleiros e estabelecimentos comerciais); e o pessoal” (VIDIGAL et al,
2006), as quais estão inseridas nas normas internacionais, como o da Coordenação
da Área Marítima do Atlântico Sul (CAMAS) e o Organização Marítima Internacional
(OMI), as quais visam contribuir na segurança das belonaves em âmbito
internacional, seja no contexto safety, que está voltado para salvaguarda da vida
humana no mar, e o security, está voltada para proteção do patrimônio e dos
cidadãos. (JUNIOR, 2012, p. 227-228)
Na vertente diplomática, o desenvolvimento de programas científicos, bem
como a aquisição de novos sistemas de armas exige uma permanente eficiência do
meio diplomático, a fim de esclarecer o porquê das medidas tomadas. As
convenções internacionais assinadas pelo Brasil influenciam na forma de exercer a
soberania no mar, bem como no uso da marinha de guerra
De acordo com a Política Nacional de Defesa (BRASIL, 2012), o Brasil deve
dispor de meios com capacidade de exercer vigilância, o controle e a defesa de suas
águas jurisdicionais brasileiras, mantendo a segurança das linhas de comunicações
marítimas, especialmente no Atlântico Sul, sendo, também, uma prioridade para a
Defesa, pois foi securitizado, devido a diversos fatores, como a extensão e o valor
de suas riquezas de toda ordem.
134

Por isso, neste trabalho, cresce de importância a influência do SisGAAz no


controle da Foz do Amazonas, área comum com a administração militar do
Comando Militar do Norte (CMN) do EB com a mesma região, fortalecendo a
presença militar brasileira na Amazônia.

Figura 32 - Abrangência do SisGAAz


Fonte: LBDN (BRASIL, 2012, p. 72)

5.2 CIBERNÉTICO48

As missões militares, atualmente, possuem características bem diferentes das


tradicionais, exigindo capacidades novas, pois a internet, devido ao seu crescimento
mundial, expandiu-se e tornou-se a principal ferramenta de propagação da

48
Parte expressiva desta seção foi publicado no Artigo “O SPIN-IN NA INDÚSTRIA DE DEFESA
BRASILEIRA VOLTADA PARA O SETOR CIBERNÉTICO”, na Revista da ESG, Vol 29, Nr 58, Jan -
Jun 2014, em coautoria entre este doutorando e o Mestre Sandro Silva Cordeiro.
135

informação do planeta, devido a grande e rápida evolução tecnológica, além do


barateamento dos equipamentos dedicados a isto. (WENDT e JORGE, 2012, p. 12)
Para Saldan (2011), “O ambiente cibernético pode ser entendido como um novo
palco de batalha, além dos já existentes: terra, mar, ar, espaço exterior e espectro
eletromagnético”.
O Espaço Cibernético49, portanto, nasce deste ambiente virtual, da expansão
dos equipamentos de rede, dos computadores e das redes de dados, eliminando as
fronteiras nacionais. O conceito de Guerra Cibernética (G Ciber) é derivado deste
entendimento, pois os Estados começaram a usar, como armas de guerra, as
técnicas desenvolvidas aparentemente para obter vantagens financeiras de
cidadãos ou empresas civis.
(...) corresponde ao uso ofensivo e defensivo de informação e
sistemas de informação para negar, explorar, corromper ou destruir
capacidades de C2 do adversário. Compreende ações que envolvem
as ferramentas de Tecnologia da Informação para desestabilizar os
STIC2 (Sistemas de Tecnologia da Informação e Comando e
Controle) do oponente e defender os próprios STIC2. Abrange,
essencialmente, as Operações em Redes de Computadores
(BRASIL, 2006, p.44).

Clarke e Knake (2010, p.18) destacam em sua obra cinco premissas


importantes a respeito da G Ciber: que ela é real; que ela acontece na velocidade da
luz; que ela é global; que ela ignora o campo de batalha, devido à existência e à
abrangência do espaço cibernético; e que ela já começou, pois segundo eles, as
Nações já estão preparando suas bombas lógicas para serem empregadas no
momento oportuno.
Para Kamal (2005, p. 76), os itens críticos de infraestrutura de uma nação,
como aeroportos, ferrovias, gasodutos, usinas de energia, entre outros, já não
precisam mais ser fisicamente destruídos como antigamente, porque agora são
paralisados usando a dependência as redes de computadores, os quais se tornam
alvos em potencial de ataques cibernéticos por hackers50.

49
Conjunto de pessoas, empresas, equipamentos e interconexões dos sistemas de informação e
das informações que por eles trafegam (MANDARINO JR, 2010, p.67).
50
Hacker: pessoa que possui grande facilidade de análise, assimilação e compreensão,
aplicados ao trabalho com um computador. Ele sabe perfeitamente que nenhum sistema é
completamente livre de falhas, e sabe onde procurá-las utilizando técnicas das mais variadas
(OLIVEIRA, 2006, p. 26).
136

Assim, a “Paralisia Estratégica”, na visão de Mandarino Jr (2010, p. 132), é


ganhar as guerras, as batalhas sem a necessidade de engajar-se no combate direto,
devido à dominação moral sobre o adversário, sendo uma analogia ao preceito de
Sun Tzu.
Assim citamos casos recentes, como a da Estônia em 2007, em que Carrero
(2012, p. 131) demonstra o poderio da atual G Ciber, pois em 17 de maio, o governo
estoniano divulgou que estava sofrendo ataques cibernéticos provenientes da
Rússia e, pela primeira vez, a OTAN admitiu em público a relação entre ataques
virtuais e uma guerra real.
Um outro caso foi o ataque cibernético norte-americano ao programa nuclear
iraniano tornados públicos em 2010, evidenciando as múltiplas capacidades do uso
de armas cibernéticas para fins militares e de segurança, neste caso com o uso do
vírus Stuxnet.
Neste contexto, surge a ideia de difusão de poder, que segundo Nye (2012,
p.152) significa que o poder dos Estados estão se tornando cada vez mais difuso e,
portanto, menos influentes para as pessoas deixando espaço para novos atores,
organizações e indivíduos. Por isso, o poder cibernético destaca-se como um dos
mais influentes.
A geografia do espaço cibernético é muito mais mutável que outros
ambientes. As montanhas e os oceanos são difíceis de mover, mas
porções do espaço cibernético podem ser ligadas e desligadas com o
clique de um interruptor. […] É mais barato e mais rápido mover
elétrons pelo globo do que mover grandes navios em longas distâncias
[...] (NYE JR, 2012, p. 164).

Neste contexto, a Política de Defesa Nacional (PDN), de 2005, já fazia


referência ao assunto, expressando preocupação do país com as vulnerabilidades
advindas dos avanços de TI.
Os avanços da tecnologia da informação, a utilização de satélites, o
sensoriamento eletrônico e inúmeros outros aperfeiçoamentos
tecnológicos trouxeram maior eficiência aos sistemas administrativos e
militares, sobretudo nos países que dedicam maiores recursos
financeiros à Defesa. Em consequência, criaram-se vulnerabilidades
que poderão ser exploradas, com o objetivo de inviabilizar o uso dos
nossos sistemas ou facilitar a interferência à distância (BRASIL, 2005,
p. 3).

Sendo revisados em 2013.


137

[...] estabelecer os fundamentos da Doutrina Militar de Defesa


Cibernética, proporcionando unidade de pensamento sobre o assunto,
no âmbito do Ministério da Defesa (MD), e contribuindo para atuação
conjunta das Forças Armadas (FA) na defesa do Brasil no espaço
cibernético (BRASIL, 2013, p. 13).

Assim, a Estratégia Nacional de Defesa (END) definiu três setores decisivos


para a Defesa Nacional: o cibernético, o espacial e o nuclear. Lançou-se, desta
forma, as bases para a organização e fortalecimento do setor cibernético no âmbito
do Ministério da Defesa. (BRASIL, 2013b)
Uma das consequências desta diretriz foi a criação do Centro de Defesa
Cibernética (CDCiber) (BRASIL, 2010), sendo coordenado pelo Exército Brasileiro
(EB), o qual ficou responsável pelo desenvolvimento de uma Doutrina Nacional de
Defesa Cibernética e coordenação das atividades perante o MD (BRASIL, 2012b).
O Livro Branco de Defesa afirma que a atuação do EB no espaço cibernético
com liberdade de ação é uma das capacidades prioritárias a serem desenvolvidas
pela Força Terrestre (F Ter) na atualidade. (BRASIL, 2012, p. 122)
Assim, o Comandante (Cmt) do Exército expediu as orientações necessárias
e destacou a elevada prioridade das ações no setor cibernético em sua Diretriz
Geral 2011-2014.
O Sistema de Comando e Controle do Exército (SC²E) permeia todos
os sistemas de primeira ordem da Força. Sua eficiência é decisiva
para a sinergia dos esforços decorrentes da ordem emanada e
economiza recursos materiais e humanos.
O Processo de Transformação será mais facilmente implementado, na
medida em que o SC²E incorporar modernos meios de comunicações,
defesa cibernética, equipamentos e infraestrutura de Tecnologia da
Informação, sensores, atuadores e os correspondentes meios de
mobilidade e logísticos. (BRASIL, 2011, p. 15).

A partir desse momento, a participação da informática nos sistemas de Com


do EB em apoio às Op Mil passou a ser cada vez mais significativa e novos software
foram surgindo. Atualmente, o programa C2 em Combate (C2 Cmb) é a ferramenta
mais importante de C2 em apoio ao Sistema Tático de Comunicações (SISTAC) 51,
totalmente estruturado em uma rede de dados. (CORDEIRO, 2014)

51
Sistema Tático de Comunicações é o conjunto harmônico e homogêneo de meios de
comunicações empregados por tropas em operações, utilizando-se de pessoal e material orgânicos.
Destina-se a apoiar as necessidades de comando e controle, dos elementos subordinados e em
apoio, com comunicações rápidas e eficazes (BRASIL, 1997, p. 4-16).
138

Para tanto, a inovação passou a ser a palavra-guia deste setor, a qual é a


exploração com sucesso de novas ideias. Considera-se sucesso aquilo que traga
consequência positiva, um acontecimento favorável.
Considerando que as inovações são capazes de gerar vantagens
competitivas a médio e longo prazo, inovar torna-se essencial para a
sustentabilidade das empresas e dos países no futuro. Aqueles que inovam, seja de
forma incremental ou radical, ficam em posição de vantagem em relação aos
demais.
De um modo geral, as empresas são o centro da inovação. É por meio delas
que as tecnologias, invenções, produtos, enfim, ideias, chegam ao mercado. A
grande maioria das empresas de vulto possuem áreas inteiras dedicadas à
inovação, com laboratórios de P&D que contam com diversos pesquisadores que se
interagem com diferentes parceiros, os quais os ajudam a agregar diferenciais
competitivos.
Por esse motivo, as ações implementadas pelo país no ramo de Defesa, têm
estimulado o surgimento de novas empresas, as quais têm investido fortemente em
Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), com o intuito de adquirir superioridade
tecnológica que lhes dê vantagens a curto e médio prazos.
O aumento significativo de sistemas e redes de informação,
concomitantemente com o aumento crescente do acesso a internet e avanços das
Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), têm proporcionado o crescimento
das ameaças e do risco de vulnerabilidades. Tal fato aponta para a urgência atual de
ações na direção do fortalecimento dos sistemas de dados, o que estimula as
empresas a buscarem inovações no ramo da Defesa Cibernética.
A Guerra de Quarta Geração, com base na Revolução dos
Assuntos Militares, a Guerra Centrada em Redes e a Guerra Cibernética são
expressões atuais de conflitos da Era do Conhecimento, na qual a inovação, a
tecnologia e o conhecimento se tornaram os principais fatores produtivos e
competitivos das organizações e dos Estados e, ao mesmo tempo, os principais
mecanismos de destruição e de dissuasão de ameaças. (DOMBROWSKI e
GHOLZ, 2006)

Existem várias definições de Defesa Cibernética disponíveis em diversas


fontes nacionais e internacionais, uma vez que o tema vem sendo bastante
explorado na atualidade. Para facilitar a discussão neste artigo, a definição a ser
abordada será a que passará a ser adotada no âmbito do Ministério da Defesa (MD),
139

fazendo parte da proposta de Manual de Doutrina Militar de Defesa Cibernética,


encaminhado para análise e aprovação no corrente ano:
[...] conjunto de ações defensivas, exploratórias e ofensivas,
realizadas no Espaço Cibernético, no contexto de um planejamento nacional de
nível estratégico coordenado e integrado pelo Ministério da Defesa, com as
finalidades de proteger os sistemas de informação do País, obter dados para a
produção de conhecimento de Inteligência e comprometer a eficácia de sistemas
de informação do oponente. (BRASIL, 2013c, pág 18)

Sendo assim, no ramo da cibernética, as inovações tecnológicas a serem


implementadas devem estar voltadas aos produtos e processos que visem
proporcionar maior segurança às ações executadas pelo país no espaço cibernético,
bem como lhe facilitem a obtenção de dados de inteligência, que trafegam pela rede
mundial de computadores.
No entanto, apesar da crescente necessidade de produtos de defesa
cibernética, especialmente no âmbito das Forças Armadas, investimentos privados
no setor de defesa, principalmente em P&D, não são tão fáceis de ser obtidos, tendo
em vista a limitação do poder de mercado exercido pelo cliente único (Estado –
Forças Armadas) e pelas incertezas decorrentes do processo político.
Nesse ramo, porém, tal dificuldade é minimizada pelo fato de os produtos
desenvolvidos serem de uso dual52, podendo ser empregados tanto para fins
militares quanto civis. Ao contrário do que normalmente tem ocorrido ao longo da
história, ou seja, tecnologias criadas para fins bélicos passam a ser aplicadas na
indústria civil (Spin-off), quando o assunto é Defesa Cibernética, tendo em vista o
avanço das tecnologias empregadas na proteção dos diversos sistemas de dados
espalhados ao redor do mundo, pode-se considerar a ocorrência do inverso, ou seja,
que as tecnologias desenvolvidas para uso civil sejam empregadas para fins
militares (Spin-in).
Desta forma, diversos produtos disponíveis no mercado para proteção às
redes de computadores civis, podem também ser aplicados para protegerem redes
de dados do país em tempo de paz ou de guerra, ou mesmo para auferir-lhe

52
Tecnologia de uso dual refere-se àquela que é desenvolvida e aplicada, simultaneamente, pelos setores
militar e civil do mercado. Desse modo, o aspecto dual da tecnologia pode ser visto como algo a ser promovido e
perseguido na pesquisa e no desenvolvimento das inovações, por atender a dois aspectos importantes – permitir a
manutenção de uma boa base tecnológica de defesa, ainda que de forma restrita pelos limitados orçamentos
disponíveis, e melhorar a competitividade econômica do país como um todo, por meio de uma alocação mais
eficiente dos fundos de P&D (KULVE e SMIT, 2003).
140

vantagens na busca de informações sobre seus oponentes. Exemplo disso são os


bancos, os quais têm trabalhado incessantemente na busca por aprimorar a
segurança de seus sistemas, desde que passaram a oferecer novos serviços
através da internet.
O Sistema Financeiro Brasileiro caracteriza-se por um alto grau de automação
de processos, por uma rápida adoção de novas tecnologias e por uma reconhecida
capacidade de inovação, apoiada por TIC, muitas das quais poderão ser importadas
para a Defesa Cibernética dos sistemas de dados do país. Incentivos, no entanto,
deverão ser cada vez maiores no intuito de valorizar o desenvolvimento de
tecnologias exclusivamente nacionais, evitando-se o emprego de softwares e
hardwares importados, os quais poderão conter códigos maliciosos que exponham
nossos sistemas à invasão inimiga.
Ações recentes desencadeadas pela China têm demonstrado que, no setor
cibernético, o desenvolvimento de tecnologia de defesa própria é fundamental para a
plena segurança dos sistemas de dados, reforçando a premência de o país atuar
fortemente neste objetivo.
De acordo com o livro Cyber War – The next threat to National Security and
what to do about it, com receio do que o Sistema Operacional Windows fosse capaz
de proporcionar às suas diversas redes de dados, os chineses, em um acordo com a
Microsoft, modificaram a versão que lhes foi vendida, introduzindo um componente
seguro com codificação própria. Além disso, eles também desenvolveram seu
próprio sistema operacional, chamado KYLIN, inspirado no sistema de código aberto
estável conhecido como BSD gratuito.
Cientes da necessidade em investir cada vez mais em tecnologia própria, na
busca de uma proteção crescente em seus sistemas, os chineses também
desenvolveram seu próprio microprocessador seguro para uso em servidores e
roteadores Huawei. O governo chinês também tem buscado instalar o software
"Green Dam Youth Escort", em todos os seus computadores, supostamente para
rastrear pornografia infantil, mas com o principal objetivo de rastrear seus sistemas
em busca de malwares instalados por Estados inimigos.
Além do Green Dam, os chineses também desenvolveram o Grande Firewall
da China, através do qual o governo consegue monitorar o tráfego de material
subversivo na rede. Eles também têm a capacidade de desconectar todas as redes
141

chinesas do resto da Internet, caso recebam a informação de que, os EUA ou outro


país, estejam prestes a lançar uma guerra cibernética contra seus sistemas.
Ainda de acordo com o livro, James Mulvenon, um dos maiores especialistas
americanos em capacidades chinesas de guerra cibernética, afirmou que, em
conjunto, o Green Dam, o Grande Firewall, e outros sistemas com tecnologia
nacional, desenvolvidos pelos chineses, representam um investimento significativo
por parte do país no aprimoramento do bloqueio, filtragem e monitoramento do seu
próprio ciberespaço.
Desenvolver produtos voltados à Defesa Cibernética, com tecnologia
totalmente nacional, não é algo assim tão fácil de se fazer, mesmo com todo o
aparato atualmente disponível e com o “know-how” dos profissionais que fornecem
sistemas de proteção aos bancos e demais redes de dados complexas espalhadas
pelo país.
Mesmo com o incentivo do emprego dual, uma indústria de defesa sozinha
não possui condições para estabelecer a capacitação nacional de abastecimento de
produtos e serviços militares. Segundo AMARANTE (2013), essa capacitação
somente será atingida na sua plenitude se toda a infraestrutura de Ciência,
Tecnologia e Inovação (C,T&I) for devidamente estabelecida, ativada e trabalhada
integradamente.
Este autor destaca a existência do “Iceberg Científico-Tecnológico de
Defesa”, que é:
[...] uma estrutura complexa composta de várias instituições e
empresas, com diferentes especializações, de difícil relacionamento e, por
vezes, de conflitantes interesses, que precisaria operar de forma harmoniosa
para produzir os materiais e serviços necessários às forças combatentes.
(AMARANTE, 2013, pág 11)

Ainda segundo o autor:


[...] a obtenção da tecnologia militar passa a ser o objetivo da
operação das cinco bases de defesa, quais sejam: científica, tecnológica,
infraestrutural, industrial e logística. A integração funcional dessas cinco bases
constitui a espinha dorsal para a capacitação tecnológica militar de um país,
sinteticamente cognominada Base Industrial de Defesa (BID) ou também iceberg
científico-tecnológico de defesa. O sucesso da BID decorre do trabalho conjunto
e harmônico do setor produtivo, normalmente realizado pela gestão privada, e do
setor de desenvolvimento, usualmente a cargo da gestão pública.
142

Figura 33 – Iceberg Científico - Tecnológico


Fonte – AMARANTE, 2013

O primeiro passo dado pelo país para o estímulo à formação de uma base
científica da indústria de material destinado à Defesa Cibernética foi a criação do
Centro de Defesa Cibernética (CDCiber), por meio das Portarias Cmt Exército nº 666
e 667, de 4 de agosto de 2010, publicadas no Boletim do Exército n° 31, de 6 de
agosto de 2010. Elas estabeleceram as bases para a ativação do Núcleo do Centro
de Defesa Cibernética, tendo como um de seus encargos, fornecer as bases para a
sustentação do Iceberg definido por AMARANTE, ou seja, discutir a geração,
manutenção e transmissão do conhecimento sobre Defesa Cibernética. Em 20 de
setembro de 2012, o Decreto Presidencial nº 7.809, efetivamente incluiu, na
Estrutura Regimental do Comando do Exército, o Centro de Defesa Cibernética.
Como resultado de discussões e debates no âmbito da Defesa Cibernética,
atualmente existe um projeto de criação da Escola Nacional de Defesa Cibernética
(ENaDCiber) com a missão de ser uma Instituição de Ensino com o foco em
capacitar profissionais para exercerem funções específicas na manutenção da
defesa cibernética, contribuindo com a segurança cibernética. Tal ação irá reforçar
ainda mais a base do Iceberg.
A Portaria nº 3.405-MD, de 21 de dezembro de 2012, publicada no Boletim do
Exército n° 52, de 28 de dezembro de 2012, atribuiu ao CDCiber, a responsabilidade
pela coordenação e integração das atividades de defesa cibernética, no âmbito do
143

Ministério da Defesa (MD), o que proporcionou maior autonomia ao Exército na


gestão do processo de desenvolvimento da indústria de defesa no setor cibernético.
A aprovação da END 2013 contemplará novos incentivos para o avanço do
Iceberg científico-tecnológico das indústrias de defesa cibernética, pelo fato de
estabelecer projetos prioritários e proporcionar maiores investimentos em P&D. Um
dos locais de P&D, contemplados com recursos, foi o Centro Tecnológico do
Exército (CTEx), o qual tem se debruçado em diversos projetos, dentre os quais, o
mais importante, tem sido o do Rádio Definido por Software (RDS), cuja missão é
proporcionar comunicações em voz e rede de dados seguras entre as três Forças
Armadas.
Outros projetos também estarão recebendo incentivos, particularmente após a
aprovação da END 2013, destacando-se, dentre eles, a implementação de sistemas
computacionais de defesa, baseados em computação de alto desempenho, para
emprego no Setor Cibernético e com possibilidade de uso dual; a criação de um
sistema modular de defesa cibernética (Sistema HARPIA), composto de 8 (oito)
módulos de hardware e software distribuídos dentro de estruturas matriciais que
aumentarão a capacidade de resiliência, coordenação e adequação de respostas às
diferentes ameaças cibernéticas; e a implementação de soluções de segurança
completa e integrada, em rede local e/ou em rede virtual de computação em nuvem,
a partir de produtos já desenvolvidos e comercializados por empresas nacionais.
No que diz respeito à base infraestrutural do Iceberg do setor cibernético,
muitos recursos têm sido dispendidos em projetos de implementação dos diversos
sistemas, com a contratação de empresas civis com o encargo de desenvolvê-los,
dentro das orientações e dos requisitos operacionais levantados pelo CDCiber.
A base industrial do Iceberg tem sofrido bastante mudança, uma vez que este
setor ficou por um longo período sem investimento. Novos incentivos da atualidade
têm feito com que empresas civis criem ramos especificamente destinados ao setor
militar, ao mesmo tempo em que fusões têm ocorrido com vistas à nova demanda do
setor cibernético. Uma ação relevante para o fortalecimento da base industrial do
setor de defesa foi a publicação do Decreto nº 7970, de 28 de março de 2013, que
regulamenta dispositivos da Lei 12.598/2012, marco legal para as compras, as
contratações e o desenvolvimento de produtos e sistemas de defesa no país. A Lei
12.598 assinala um ponto de inflexão no modo como o Brasil cuida da indústria de
144

defesa, instituindo um marco regulatório para o setor, ao diminuir o custo de


produção de companhias legalmente classificadas como estratégicas e estabelecer
incentivos ao desenvolvimento de tecnologias indispensáveis ao Brasil. De imediato,
a regulamentação traz a possibilidade de credenciar Empresas Estratégicas de
Defesa (EED), homologar Produtos Estratégicos de Defesa (PED) e mapear as
cadeias produtivas do setor. A norma também permite estimular as Compensações
Tecnológicas, Industriais e Comerciais e fomentar o conteúdo nacional da BID, bem
como incrementar a pauta de exportações de produtos de defesa.
A base logística do iceberg está relacionada com a distribuição do material
produzido, após ser aprovado em todos os testes operacionais. Esta base depende
de investimentos do governo na infraestrutura de estradas, portos e aeroportos, de
tal formas a proporcionar a distribuição do material produzido a todas as
Organizações Militares destinatárias.
Ao se considerar o potencial disponível em tecnologias e produtos de defesa
cibernética do meio civil que podem ser empregados no meio militar,
concomitantemente com experiências dos diversos setores, como o setor bancário
que efetivamente o emprega a algum tempo, e os incentivos que vem sendo feitos
por parte do governo federal no desenvolvimento das bases para o fortalecimento de
uma indústria de material de defesa cibernética, o Brasil tem plenas condições de,
em curto prazo, se tornar referência nesse setor no âmbito do continente sul-
americano.
O Brasil é uma potência hegemônica regional na América do Sul e, por este
motivo, pode empregar sua influência para expandir sua indústria de defesa
cibernética para fora de suas fronteiras, caso esta receba o impulso necessário e
consiga se estabelecer no país.
Diversos fatores, segundo GUIMARÃES (2012, pág 26), servem de critério
para reconhecimento desta condição hegemônica do Brasil na região:
- ele é parte de uma região definida;
- já exerce, com um estilo diplomático e discreto, essa liderança a partir das
relações bilaterais, na estruturação da diplomacia de cúpula multilateral e na
iniciativa de criação de instituições regionais;
145

- tem influência política e geoestratégica na construção regional,


destacando-se como principal instrumento o Conselho de Defesa Sul-Americano
(CDS);
- detém os maiores recursos financeiros, comerciais, capital diplomático e
participa na construção da identidade da América do Sul como um espaço singular
através da concepção de uma comunidade sul-americana;
- tem uma notável interdependência política, econômica e cultural regional;
- dispõe de destacada influência nos assuntos regionais – a liderança da
Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH) demonstra o
reconhecimento da importância do país como também a própria institucionalização
da UNASUL é uma prova dessa influência, pois a criação desse bloco continental é
um projeto brasileiro que está sendo compartilhado pelos demais sócios;
- é porta-voz em alguns assuntos regionais nos fóruns internacionais;
- possui a sexta economia do mundo;
- é detentor de um parque industrial avançado e diversificado;
- oscila entre a décima e décima primeira posição em termos de gastos
militares;
- faz parte do arranjo diplomático do agrupamento BRICS e possui intensa
participação nos mais diversos fóruns internacionais, sendo parceiro estratégico nas
relações bilaterais de grandes potências como China, Estados Unidos e França
(União Europeia);
- em termos sul-americanos, sua economia é a única plenamente
desenvolvida da região, sendo que o país possui um PIB superior à soma de todos
os países da UNASUL; e
- já é o principal fornecedor de bens de alto valor agregado e de bens semi-
industrializados para a região, que é uma das principais fornecedoras de matérias
primas e recursos naturais para o Brasil, tornando a relação do país com o resto da
região de uma progressiva interdependência econômica crescente.
Por isso, a Amazônia cresce de importância, neste contexto, pois é o caminho
natural de conexão com os demais países amazônicos, conhecido como infovias, as
quais são corredores de dados entre os vários entes estatais e não-estatais presentes
na região, baseado na tecnologia de cabos ópticos subfluviais, a partir dos quais
trafegam serviços, tais como internet, telemedicina, telesaúde, ensino à distância e
146

outros. Este projeto é conhecido como Amazônia conectada e está sob a coordenação
do EB.

Figura 34 – Infovias do Projeto Amazônia Conectada


Fonte – SALES, 2015

5.3 MENTALIDADE DE DEFESA, SECURITIZAÇÃO e FRONTEIRAS


53
METAFÍSICAS

É necessário entender o significado de cultura, a qual seria “o complexo dos


padrões de comportamento, das crenças, das instituições, das manisfestações
artísitcas e intelectuais, transmitidas coletivamente e típicos de uma sociedade”.
53
Parte teórica das Fronteiras Metafísicas presente nesta seção foi publicado no Artigo “A
DESSECURITIZAÇÃO DA AMAZÔNIA E AS FRONTEIRAS METAFÍSICAS”, na ENABED 2013, em
Belém - PA, em coautoria entre este doutorando e o Doutor Ândrei Clauhs.
147

Contudo, mentalidade pode ser entendida como um “conjunto das manifestações


intelectuais e psíquicas de um indivíduo ou de uma coletividade”. (FERREIRA et al,
2010)
Apesar dos conceitos cultura e mentalidade possuirem semelhanças, os
conceitos de segurança a e defesa possuem diferenças, sendo segurança uma
sensação, uma percepção e defesa uma ação.
Assim, mentalidade de defesa seria a maneira de agir e pensar de uma
sociedade em relação a assuntos de defesa (ações do Estado para com a Defesa).
Contudo, esta mentalidade de defesa, após a redemocratização dos anos 80,
passou a segundo plano, tendo em vista a necessidade de focar em áreas como
saúde e educação. (ALMEIDA, 2005)
“Não se vislumbra na classe política brasileira qualquer
inclinação a preocupar-se verdadeiramente com assuntos de defesa
nacional...A pouca preocupação dos políticos é resultado direto do baixo
interesse social no assunto, o que faz das discussões sobre defesa
nacional discussões de menor importância política em especial domponto
de vista eleitoral. (ALMEIDA, 2005, p 19)”

Contudo, o grande traço político brasileiro foi a resolução pacífica dos


contenciosos, pois “o Brasil não se envolve em conflitos regionais há quase 150
anos, não tem inimigos nem enfrenta ameaças internacionais”. (LAMPREIA, 2012)
Durante o regime militar, as forças Armadas avocaram para si o
monopólio da atuação política e de boa parte do pensamento estratégico.
Fora dos círculos militares, entre os quais incluíam-se poucos civis
afinados com a doutrina da ESG, praticamente nehuma discussão era
travada. [...] um dos mais nefastos resultados desse afastamento histórico
é, sem dúvida, a deseducação da sociedade brasileira em relação aos
assuntos de defesa. (ALMEIDA, 2005, p. 19)

Apesar da visão militar ser mais Realista do que Idealista, encontra na Escola
de Copenhague54 algumas ferramentas interessantes, as quais podem fornecer
novas abordagens para o setor de segurança do Estado e dos indivíduos, sendo
divididas em política, societal, militar, econômica e ambiental. A segurança, portanto,

54
Escola de Copenhagen, os Construtivistas, surge como uma terceira via na tradicional
discussão nas Relações Internacionais entre os Realistas e Idealistas.
148

não se reduz às considerações militares, mas é uma evolução da disputa nuclear da


Guerra Fria, sendo construída socialmente. (BUZAN et al., 1998)
Para entender o processo de análise da Escola de Copenhague, faz-se
necessário compreender suas três visões epistemológicas ou concepções distintas:
a objetiva, a subjetiva e a discursiva.

Concepção Objetiva Concepção Subjetiva Concepção Discursiva


A ausência/presença de O sentimento de estar Segurança não pode ser
ameaças concretas. sendo ameaçado ou não. definida como questão
objetiva.
Normalmente define Enfatiza o contexto social, Segurança é um ato de
segurança em relação a histórico e psicológico do fala (discurso)
questões materiais. medo e
percepções/equívocos
Foca o processo de
intersubjetividade através
do qual ameaças se
manifestam como
problemas de segurança
na agenda política.
Tabela Nr 7 - Distinções Epistemológicas
Fonte: BUZAN; HANSEN, 2009

De acordo com a tabela 7, depreende-se que a concepção objetiva está


relacionada com as questões materiais de segurança dos Estados. A concepção
subjetiva está relacionada com o contexto social e a história vividos pelos atores de
um Estado e o sentimento de ameaça derivado desta percepção, do sentimento de
medo histórico deste processo. A concepção discursiva está relacionada à
intersubjetividade do discurso para a manifestação da ameaça, sendo contrária às
duas concepções anteriores (objetiva e subjetiva), de forma a conceber a segurança
como um ato da fala de seus agentes.
A Escola de Copenhague aplica a epistemologia construtivista em seus
trabalhos (DUQUE, 2008, p. 477), de forma que a ameaça e o inimigo são definidos
pelos atos de fala, pela representação discursiva e práticas (MIGUEL, 2012).
Por isso, falar de mentalidade de defesa, leva-nos a falar de securitização. A
ideia de securitização norteia muitas discussões sobre política e relações
internacionais, já que “securitização de um assunto significa sua apresentação como
tão urgente e importante que não deva ser exposto ao manejo político normal,
institucionalizado, democrático. Basicamente, a segurança deve ser vista como
149

negativa, como uma falha em lidar com certos assuntos como sendo integrantes da
política normal”. (BUZAN et al., 1998)
Quando um Estado securitiza fortemente um tema, destacando de várias
formas a legitimidade de sua soberania, esta dinâmica promove o aumento da
insegurança do seu vizinho. Este dilema gera a necessidade da real adoção de tal
agenda de relações exteriores, a fim de não escalonar uma crise equivocadamente.
Assim, o conceito de securitização envolve a ideia de que não existe um
conceito de segurança internacional único, pois a ameaça varia dentro de cada
sociedade, conforme os discursos são construídos, passando a ser aceitos por seus
integrantes. Um determinado assunto deve ficar no âmbito da política normal,
promovendo, de maneira geral, a dessecuritização dos assuntos de preocupação
nacional. (BUZAN et al, 1998, p. 29).
Buzan et al (1998) explica que existem três unidades diferentes para entender
a segurança: os objetos de referência, os atores securitizadores e os atores
funcionais.
Os objetos de referência são as unidades com legitimidade para lutar por sua
sobrevivência, pois não possuem ameaças reais; por isso, o Estado e a Nação são
os mais comuns, sendo este ligado à identidade e aquele à soberania. Os atores
securitizadores são unidades ligadas ao processo de securitização, tendo como
função eleger as ameaças, securitizando um tema ao declarar um objeto como
ameaça existencial. (BUZAN et al, 1998)
Em geral, os atores securitizadores são líderes políticos,
burocratas, representantes governamentais e porta-vozes de grupos de
pressão. Eles podem falar em nome do objeto referente, em caso de serem
representantes do Estado - como costuma ocorrer nos setores militar e
político. Em outros casos, em que o objeto referente não corresponde ao
Estado, é possível fazer a distinção analítica entre objeto referente e ator
securitizador. (DUQUE, 2008, p. 483)

Os atores funcionais são unidades que afetam as dinâmicas de um setor, mas


que podem ou não exercer influência sobre o setor de segurança, como uma
empresa poluidora qualquer, a qual afeta o setor ambiental, mas pode não ser
securitizado por não ser um objeto referente ou agente securitizador. (BUZAN et al,
1998)
Por isso, a securitização de um assunto é o uso da retórica da ameaça
existente com o objetivo de levar um assunto para fora da política hodierna (BUZAN
150

et al, 1998). Assim, na abordagem do assunto Amazônia, existe, de maneira geral,


uma dupla maneira de securitizar a questão: a visão ambientalista e a
desenvolvimentista. (BENTES, 2005).
Os ambientalistas visualizam a destruição da floresta amazônica como o
principal mote de securitização, passível de eliminação da biodiversidade e de
riquezas diversas. Ressaltam Buzan et al (2003, p.333) que o Brasil preocupa-se
com uma possibilidade de intervencionismo norte-americano. Os
desenvolvimentistas possuem forte caráter nacionalista, apresentando a ameaça da
internacionalização da Amazônia e do perigo das “novas ameaças”. (PAIVA, 2012)
Bertha Becker (2005) ressalta em sua publicação “Geopolítica da Amazônia”
a existência de dois movimentos geopolíticos internacionais, sendo “um de nível
financeiro, da informação, do domínio de poder das potências, e outro uma
tendência ao internacionalismo dos movimentos sociais”, sendo a Amazônia um
exemplo desta dicotomia.
Becker enfatiza a necessidade de achar um novo significado geopolítico para
a Amazônia, propondo-a como a grande fronteira do capital natural, entendida como
uma área a ser preservada por um grupo de pensadores e de ambientalistas, e uma
área a ser explorada no futuro por outros grupos, como reserva estratégica.
(BECKER, 2005).
Sob essa ótica, a integração sul-americana ocorre por meio da Organização
do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), ressaltando a necessidade de
investimento e integração com base nos deslocamentos fluviais, além de valorizar as
cidades fronteiriças gêmeas como Letícia-Tabatinga no Amazonas, reforça a
necessidade de se realizar uma revolução técnico-científica na Amazônia, a fim de
aproveitar suas riquezas, sem depredá-las. (BECKER, 2005).
Além disso, Nascimento (2005) lembra que o acesso às riquezas minerais já
acontece e que estas explorações seguem as determinações comerciais
internacionais e acordos nacionais, como são os casos da Albras (Alumínio do Brasil
S.A.) e do Projeto Jari, entre outros, demonstrando que a exploração de recursos
minerais já ocorre sem o uso de forças militares e intervenções estrangeiras.
Contudo, as demais questões amazônicas continuam a ser motivo de preocupações
nacionais.
151

Graças ao trabalho do Barão do Rio Branco, no passado, integrando o


trabalho iniciado pelos portugueses, do Itamaraty e das Forças Armadas, foram
consolidadas as fronteiras jurídicas brasileiras, e o Brasil não possui problemas de
fronteira com seus países lindeiros, em destaque os amazônicos.
Segundo o Embaixador Côrtes, uma fronteira jurídica “é o limite legal entre as
jurisdições soberanas de dois Estados”, sendo dividida em terrestre,
marítima/oceânica e aérea. Contudo, estabelece uma nova conceituação, chamada
de fronteira metafísica, podendo ser definida como “a linha de defrontação entre
interesses de dois (ou mais) Estados”. (CÔRTES, 2006, p. 1).
Côrtes lembra a dificuldade de definir todas as categorias desta última,
afirmando ser interessante deixá-las em aberto, apesar de especificar alguns tipos
de fronteira metafísica: espacial, cibernética, institucional, dentre outras. (CÔRTES,
2006).
Desta forma, ressalta Côrtes que as mais importantes são as fronteiras
institucionais, pois quando da “confrontação entre dois Estados, um deles consegue
impor a aceitação de atos internacionais (adesão a tratados, celebração de acordos,
entre outros) ou a adoção de medidas executivas, legislativas ou jurídicas nocivas
ao interesse do Estado mais fraco”, ressaltando também que esta questão pode ter
longo prazo de preparação ”invisível” e emprego de “agentes de influência” das mais
variadas formas. (CÔRTES, 2006, p. 2).
De forma didática, Côrtes (2006) divide os possíveis problemas na fronteira
brasileira, passíveis de acontecer, como sendo uma reivindicação jurídica,
implicações de reivindicações de terceiros, pressões para adoção de legislação
interna ou assinatura de acordos lesivos ao interesse nacional, ameaça militar,
ameaça armada de movimentos subversivos, atividades ilícitas, porosidade
decorrente de intensa atividade econômica e vazios demográficos.
Cada uma destas questões estão relacionadas com a fronteira metafísica
institucional, as quais não possuem uma linha nítida, mas são difíceis ou mesmo de
impossível detecção, sendo que o ”agredido” só percebe a violação, após o fato
estar consumado (CÔRTES, 2006), levando as instituições nacionais, como
Congresso Nacional, Senado, FUNAI, IBAMA, entre outras, a tomarem decisões
sem a percepção destas ameaças silenciosas, pois “ambientes culturais afetam não
só os incentivos para os diferentes tipos de comportamento estatais, mas também o
152

caráter básico dos Estados – o que chamamos de identidade” (KATZENSTEIN,


1996, p. 9).
Côrtes (2005) cita, ainda, o caso da assinatura do Tratado de Não-
Proliferação Nuclear (TNP), por “ordem direta do Presidente Fernando Henrique
Cardoso, contrariando décadas de resistência, amplamente fundamentada às
pressões dos Estados Unidos. O TNP contém dispositivos que o tornam uma
verdadeira imposição da desigualdade jurídica dos Estados e que violam de modo
irretorquível a soberania nacional. Portanto, essa adesão significou gravíssima perda
na fronteira (metafísica) “institucional”, mostrando a amplitude e a gravidade da
referida conceituação, refletindo uma forma de pensar das instituições no momento
da escolha, uma identidade institucional baseada apenas na vontade dos indivíduos
presentes.
Essa percepção fica evidenciada nas pesquisas realizadas pelo Sistema de
Indicadores de Percepção Social (SIPS)55, o qual no seu eixo temático – Defesa
Nacional – apresentou os seguintes dados:

Tabela 8 – Percepção de ameaças (por região)


Fonte: Pesquisa SIPS (Ipea, 2011)

Conforme a Tabela 8, a principal percepção de ameaça está relacionado com o


crime organizado com 54,2% em detrimento de uma possível guerra com potência

55
A leitura das tabelas do SIPS em questão não devem ser pelo somatório das respostas até
chegar em 100%, pois cada respondente pode responder mais de uma pergunta por vez.
153

estrangeira 34,7%, reforçando a tese de que a população brasileira não percebe as


ameaças externas de forma clara.

Tabela 9 – Percepção de ameaças em relação ao interesse na amazônia brasileira e uma


possível agressão militar estrangeira (por região)
Fonte: Pesquisa SIPS (Ipea, 2011)

Tabela 10 – Percepção de ameaças em relação ao interesse na amazônia brasileira e uma


possível agressão militar estrangeira (por faixa etária).
Fonte: Pesquisa SIPS (Ipea, 2011)

Com relação as tabelas 9 e 10, a maior percepção de ameaça a amazônia


brasileira vem exatamente daqueles que vivem lá com 62,4%, apesar da maioria
nacional acreditar muito em uma agressão militar estrangeira na amazônia com
45,55. Contudo, a faixa etária que mais se identifica com isso são as pessoas de 45
a 54 anos com 52,7%.
154

Tabela 11 – Percepção de ameaças em relação ao interesse na bacia do pré-sal e uma


possível agressão militar estrangeira (por região).
Fonte: Pesquisa SIPS (Ipea, 2011)

Tabela 12 – Percepção de ameaças em relação ao interesse na bacia do pré-sal e uma


possível agressão militar estrangeira (por faixa etária).
Fonte: Pesquisa SIPS (Ipea, 2011)

Com relação as tabelas 11 e 12, percebe-se que a maior percepção em relação


as ameaças a bacia do pré-sal vem daqueles que vivem na região norte com 62,4%,
apesar da maioria nacional acreditar muito em uma agressão militar estrangeira na
mesma bacia com 45,55. Contudo, a faixa etária que mais se identifica com isso são
as pessoas de 25 a 34 anos com 50,9%.

Tabela 13 – Percepção de ameaça militar estrangeira (por região).


Fonte: Pesquisa SIPS (Ipea, 2011)
155

Com relação a tabela 13, percebe-se que a maior percepção de ameaça militar
estrangeira vem dos Estados Unidos com 37,1%, seguida da Argentina com 15,6%.
Contudo, a região Centro-Oeste é que mais percebe os estados Unidos como
ameaça com 43,7%, seguida da região Norte com 40,9%.
Estes dados mostram a necessidade de criar uma mentalidade de defesa a
nível nacional, baseada em dados reais, nas ameaças possíveis e latentes. Por isso,
apesar deste tema estar em segundo plano, alguns setores do Estado vem
buscando a criação de órgãos e a aprovação de documentos atinentes a pasta, para
desenvolver este tema, tais como:
- a criação do Ministério da Defesa em 1999;
- a criação da Associação Brasileira dos Estudos de Defesa (ABED) em 2005;
- a aprovação da Política de Defesa Nacional (PDN) em 2005, aperfeiçoada
para Política Nacional de defesa (2008);
- a elaboração da Estratégia Nacional de Defesa em 2008, aperfeiçoada em
2012;
- a aprovação do Livro Branco de Defesa em 2012; entre outros.
Outra iniciativa, é o apoio da Assessoria Parlamentar (ASPAR/MD), que
acrescida das assessorias parlamentares das três Forças, exercem um apoio
cerrado junto ao Poder Legislativo, levando o pleito do setor militar aos decisores da
política nacional. (BRASIL, 2012)
Assim, a cultura de defesa e seu correlato desenvolvimento de uma
mentalidade de defesa precisa ser aperfeiçoado em âmbito nacional,
proporcionando criar um sentimento de defesa dos interesses nacionais, da defesa
dos recursos materiais e naturais, dissuadindo qualquer tentativa externa de
intervenção no território nacional, levando-se em consideração, entre outros
assuntos, as fronteiras metafísicas, os conceitos de securitização e
dessecuritização, o que pode levar os tomadores de decisão a equívocos, pois ao
admitir premissas ou entendimentos nocivos à Nação, sem que percebam tal
violação, poderá influir negativamente na adoção de políticas para Amazônia e, por
conseguinte, para o Brasil.
156

6. REFERENCIAL METODOLÓGICO

Este estudo obedecerá ao método de abordagem dedutivo, pois Marconi e


Lakatos (2000a) afirmam que “ciência não é possível sem o concurso de métodos
científicos”. Assim, tendo por base a percepção dos envolvidos sobre a Presença
Tangível e Intangível, será possível afirmar a ocorrência das particularidades
referentes à Estratégia da Presença Militar na Amazônia, por meio do resultado das
variáveis analisadas.
Conforme Marconi e Lakatos (2000a), o trabalho seguirá os métodos
monográfico e estatístico. Será monográfico porque a Estratégia da Presença será
estudada em profundidade, podendo-se tornar este estudo representativo para
outros casos semelhantes. Será estatístico, pois em determinadas partes da
pesquisa, será necessário reduzir os indicadores das variáveis a termos
quantitativos, comprovando a relação destes entre si.

6.1 TIPO DE PESQUISA

As visões filosóficas, também conhecidas como epistemologia ou paradigma,


podem ser entendidas como “um conjunto básico de crenças que direcionam a ação”
(Guba, 1990, p. 17), que precisam ser identificadas, pois influenciam a prática da
pesquisa, já que permanecem em grande parte ocultas. (CRESWELL, 2010)
A seguir, conforme quadro 8, estão as quatro concepções na visão de Creswell
(2010):
157

Quadro Nr 8 • Concepções Filosóficas


Autor: Creswell (2010)
Neste trabalho, optou-se pela epistemologia ou paradigma pós-positivista, pois
o pesquisador não é neutro no processo, apesar de haver uma realidade externa ao
contexto analisado, a qual dificilmente é absorvida na íntegra (ALVES-MAZZOTTI,
1999), sendo compatível com os métodos mistos ou pesquisas quali-quantitativas e
com o desenvolvimento deste trabalho (CRESWELL, 2010).
Além disso, o pós-positivismo é mais compatível com as pesquisas
quantitativas do que qualitativas, o que é reforçado pela forte tendência quantitativa
deste projeto, possuindo a aderência necessária a sua execução. (CRESWELL,
2010)
Assim, pode-se afirmar que a pesquisa adotará uma metodologia mista
(qualiquantitativa), pois a abordagem qualitativa busca a compreensão do construto
e a quantitativa é aquela que tem como suporte medidas e cálculos mensurativos,
pois visa à explicação (COSTA e COSTA, 2001; CRESWELL, 2010). Contudo, esta
pesquisa será forte na abordagem quantitativa.
Uma pesquisa pode ter abordagem qualitativa e/ou quantitativa. A qualitativa
se preocupa com uma realidade que não pode ser quantificada. Ela trabalha
com o subjetivo dos sujeitos (crenças, valores, atitudes, etc.). Esta abordagem
também pode trabalhar com dados, porém, o tratamento não deve envolver
estatística avançada. A abordagem quantitativa é aquela que tem como
suporte medidas e cálculos mensurativos. A abordagem qualitativa busca a
compreensão e a quantitativa a explicação. (COSTA E COSTA, 2001, p. 39)

6.2 DESENHO METODOLÓGICO DA PESQUISA

O presente trabalho seguirá o desenho de pesquisa do quadro Nr 9, tendo uma


fase qualitativa e uma fase quantitativa.
158

Quadro Nr 9 • Desenho de Pesquisa


Fonte: Elaboração própria

Na fase qualitativa do trabalho, será buscada uma interpretação dos dados


coletados na bibliografia e na documentação atinente ao tema. Em seguida, durante
a pesquisa de campo, as opiniões e percepções dos entrevistados serão
consideradas para o estudo, a fim de aumentar a percepção sobre os fatores que
influenciam na definição da Estratégia da Presença, usando a técnica de análise de
conteúdo de Laurence Bardin (BARDIN, 2009), conforme quadro Nr 10.
159

Quadro Nr 10 • Fase Quali-quantitativa com amazônidas


Fonte: Elaboração própria

Após a etapa anterior, será iniciada a abordagem quantitativa, empregando a


tabulação e o tratamento estatístico por meio de uma análise fatorial inicial com o
programa SPSS 16.0, segundo Hair et al (2005), a fim de se obter relação de
influência e determinação do grau de pertinência dos indicadores levantados na fase
qualitativa, buscando um modelo sobre a Presença Tangível e um modelo sobre a
Presença Intangível. Por isso, os indicadores levantados das variáveis, na fase
qualitativa, serão essenciais para realizar essa relação.
Na fase quantitativa, também será usada a Modelagem de Equações
Estruturais (MEE), a fim de estabelecer uma relação entre a Presença Tangível e a
Presença Intangível, confirmando ou não o modelo da Estratégia da Presença Militar
para a região amazônica no século XXI. Está parte comporá a parte metodológica da
presente pesquisa, conforme quadro Nr 11.
160

Quadro Nr 11 • Fase Quantitativa


Fonte: Elaboração própria

“As pesquisas podem ser divididas quanto aos fins e quanto aos meios”
(Vergara, 2003). Por isso, quanto aos meios, a pesquisa será bibliográfica,
documental e de campo. Será bibliográfica e documental, pois servirá para prover o
suporte teórico necessário para o estudo da estratégia da presença percebido pelo
Estado Brasileiro. Uma criteriosa seleção será realizada em livros, revistas, teses,
dissertações, artigos científicos, documentos, manuais. As pesquisas serão
realizadas em bibliotecas militares e civis, em livros adquiridos no comércio e pela
rede mundial de computadores. Será de campo, porque serão realizadas pesquisas
de campo de forma a perscrutar e entender a problemática do projeto em
andamento.
No tocante aos fins, esta pesquisa será descritiva, metodológica e aplicada.
Será descritiva, pois permitirá descrever as características dos principais fatores
envolvidos no processo, de forma a estabelecer uma Estratégia da Presença. Será
metodológica, pois além da captação da realidade entre as variáveis, permitirá
mostrar o caminho para se chegar a uma Estratégia da Presença eficaz. Finalmente,
será aplicada, pois seus resultados serão factíveis de serem aplicados na região
amazônica.
161

6.3 CORPO DE DADOS, UNIVERSO E AMOSTRA

Na fase qualitativa da pesquisa, será buscado um corpo de dados relativo a


cada grupo de pesquisa elencados até atingir o ponto de saturação das entrevistas
realizadas.
Serão buscados os especialistas no assunto, como oficiais com experiências na
região amazônica, acadêmicos que trabalham com assunto Amazônia e autoridades
civis com experiência em assuntos amazônicos.
Na fase quantitiativa, o universo ou população “é o conjunto de seres animados
ou inanimados que representam pelo menos uma característica em comum”
(MARCONI e LAKATOS, 2000a, p. 41).
Assim, nesta nova fase, será buscado uma representação equitativa sobre os
substratos, sendo representado por oficiais, pertencentes ao quadro de Estado-
Maior, com conhecimento adequado sobre a região amazônica nas três Forças
(Marinha, Exército e Aeronáutica), mas com foco nos oficiais do EB, por ser o grupo
com maior representatividade sobre aquela área, além de ser o subgrupo social,
dentro do EB, que estuda a temática em questão, tendo conhecimento de causa
sobre o assunto Amazônia, além das Escolas de Altos Estudos Nacionais, pelos
mesmos motivos anteriores, sejam civis ou militares, a saber:
- Oficiais do Ministério da Defesa, com experiência na Amazônia;
- Oficiais das três Forças (Marinha, Exército e Aeronáutica), servindo na
Amazônia;
- Oficiais do EME, COTER, COMGAR, ComOpNav, com experiência na
Amazônia;
- Corpo Docente e Discente da ESG e Escola Pandiá Calógeras, com
experiência na Amazônia;
Um segundo substrato é composto pelos acadêmicos dos vários centros
universitários que estudam a temática sobre a Amazônia, a saber:
- Centro de Estudos acadêmicos sobre Segurança e Defesa, com foco na
Amazônia;
- Centro de Estudos de Estratégicos, com foco na Amazônia;
- Especialistas acadêmicos no assunto Amazônia.
162

Quanto à amostragem, será utilizada a classificação de Lakatos (2000b). A


técnica de amostragem empregada será a Modelagem de Equações Estruturais
(MEE), de forma a verificar a relação entre os construtos, suas variáveis
independentes observadas e o problema estabelecido neste trabalho. (HAIR et al.,
2005)
Uma determinada quantidade de integrantes do universo será submetida à
pesquisa, sendo os estratos diretamente relacionados ao local onde a população
esteja servindo. Conforme exposto, a amostra será selecionada seguindo o método
de amostragem probabilística, garantindo uma margem de erro de cerca de 5% e um
nível de significância de cerca de 95%. (HAIR et al., 2005)
Este critério para a formação das variáveis tem por finalidade evitar distorções
na composição da amostra, dando maior abrangência, tanto regional quanto de
escalão. Ao mesmo tempo, tal método visa evitar que um mesmo indivíduo pertença
a dois ou mais estratos ao mesmo tempo.
Da mesma forma, o critério da proporcionalidade será verificado, de modo que
as amostras sejam escolhidas de forma aleatoriamente simples e retiradas
proporcionalmente da população contida em cada estrato. (HAIR et al., 2005)

6.4 COLETA DE DADOS

Após as pesquisas bibliográfica e documental, a coleta de dados prosseguirá


com uma pesquisa de campo, na fase qualitativa, a fim de levantar as variáveis até o
ponto de saturação, para posteriormente, comparar com as variáveis levantadas na
parte teórica, nas entrevistas e questionários, por meio da triangulação 56, entre o
conteúdo levantado e as opiniões dos dois grupos elegidos, os militares e os
acadêmicos. As entrevistas a serem realizadas serão semi-estruturadas, e, após a
sua conclusão, serão sequenciadas e analisadas de acordo com o método de
análise de conteúdo, “porque a análise de conteúdo se faz pela prática”. (BARDIN,
2009, p. 51)

56
Triangulação pode ser entendida como uma combinação de abordagens, feitas pelo
esquisador, utilizando a análise de narrativa, de discurso, de fonética, até mesmo de estatísticas,
gráficos e números. (DENZIN E LINCON, 2006, p. 20)
163

“Nem todo o material de análise é susceptível de dar lugar a uma


amostragem, e, nesse caso, mais vale abstermos-nos e reduzir o próprio
universo (e, portanto, o alcance da análise) se este for demasiado
importante”. (BARDIN, 2009, p.123)

Após a fase qualitativa, será iniciada a fase quantitativa, com o pré-teste, o qual
utilizará as variáveis da fase anterior para montar um questionário com perguntas
fechadas. Depois, será aplicado aos integrantes contidos na amostra. Este
questionário será validado por especialistas na área, a fim de comprovar sua
confiabilidade por meio da validação facial, também conhecido como validação
aparente (FREITAS et al, 2000). Este questionário utilizará uma pesquisa de Survey
por meio de questionários estruturados com escala Likert, constituída de cinco
alternativas de resposta para as perguntas fechadas, o qual será realizado de forma
presencial.
Estes questionários de pré-teste serão realizados com os militares da amostra
(oficiais do curso de Altos Estudos Militares e alunos da ESG) e especialistas no
asunto, a fim de verificar a consistência interna dos construtos elencados e sua
variância por meio do Alfa de Cronbach, a qual deve ser superior a 0,7 para ser um
constructo excelente e abrangente. (HAIR et al., 2005)
Após esta resolução, os quesitos foram analisados com o objetivo de verificar
se todas as perguntas foram respondidas adequadamente e também se houve
qualquer inadequação do questionário, enquanto instrumento de coleta de dados.
Além disso, será realizada uma rápida entrevista com um militar do CPEAEx e com
um aluno da ESG, que responderam ao questionário de pré-teste, com a finalidade
de se levantar as dificuldades encontradas e a existência, ou não, de termos
confusos e que pudessem vir a gerar interpretações outras.
Posteriormente, após análise dos constructos e a sua consistência, serão
aplicados, com parcela dos universos elencados, os novos questionários, sob a
forma de pesquisa Survey com escala de Likert estruturada, com base na
Modelagem de Equações Estruturais, a fim de determinar a pertinência e a relação
com a Estratégia da Presença, objeto final desta pesquisa, chegando a uma fórmula
que a defina.
164

6.5 TRATAMENTO DOS DADOS

Os dados coletados na pesquisa de campo receberão o tratamento


qualiquantitativo, de acordo com os quesitos formulados. Na fase qualitativa, serão
usadas entrevistas com perguntas semi-abertas, as quais serão submetidas à
análise manual ou com um programa de análise de conteúdo, a fim de identificar as
variáveis levantadas.
Na fase quantitativa, serão usados questionários fechados, por meio de
pesquisa Survey, semi-estruturados, na escala Likert, constituída de cinco
alternativas de resposta, iniciando-se pelo pré-teste, o qual verificará a confiabilidade
do questionário por meio da técnica do Alfa de Cronbach, usando o programa SPSS
16.0, a fim de estabelecer a consistência do referido constructo.
Posteriormente, após estabelecida a confiabilidade dos itens do questionário
final, será aplicada a Modelagem de Equações Estruturais (MEE), para analisar o
resultado das amostras, estabelecendo as relações entre as variáveis e o problema
desta pesquisa, inferindo o grau de pertinência e causalidade entre as variáveis, a
fim de chegar a uma fórmula possível para o problema desta pesquisa, que é a
Estratégia da Presença.
O entendimento da MEE será baseado na Tese de Doutorado, em
Administração, de Bandeira (2009) e na Dissertação de Mestrado, em
administração, de Souza Júnior (2010), os quais explicam que a MEE pode se dar
de três formas: com a análise da matriz de componentes generalizados, com análise
da matriz de covariância e com os mínimos quadrados parciais, bem como com base
em outros autores renomados no assunto, como Hair et al (2005). Assim, será
buscado o uso da matriz de covariância, pelos resultados mais robustos produzidos
com o uso da ferramenta de suporte para processamento de dados, o programa
AMOS 22.0.
No estudo em questão, será possível precisar qual o comportamento das
variáveis latentes, em relação à Estratégia da Presença, objeto da pesquisa, com
uma mínima margem de erro, clarificando sua pertinência e estabelecendo o grau de
165

relação entre as mesmas, até chegar a uma fórmula que expresse esta correlação
entre as variáveis.

6.6 LIMITAÇÕES DO MÉTODO

Uma das críticas ao método dedutivo, segundo Marconi e Lakatos (2000a), “é a


de que a dedutibilidade não só não é condição suficiente de explicação, mas
também não é condição necessária, pois muitas são as explicações que não têm
qualquer lei como premissa”. Logo, as teorias que regem a relação entre as
variáveis podem não ser suficientes para explicar a Estratégia da Presença à luz
dessas mesmas teorias. Mesmo assim, acredita-se que o aprofundamento da
pesquisa será suficiente para corrigir uma possível distorção dessa ordem.
O método estatístico, por permitir obter, de conjuntos complexos,
representações simples e constatar se essas verificações simplificadas têm relação
entre si, apresenta uma grande limitação que é a possibilidade de escolha de forma
incorreta das amostras. Para minimizar esse problema, a obtenção da amostra
seguirá rigidamente os critérios que a metodologia impõe.
O fato deste autor buscar a percepção dos respondentes sobre a Amazônia,
assunto do seu conhecimento prático, favorecerá o processo de institucionalização
do discurso, pela adoção de uma postura de observador participante. Contudo,
sserá buscado a coerência entre os discursos militares e acadêmicos, conforme o
pensamento de Kuhlmann.
[...] a busca de tentar estruturar-se como um observador participante,
considerando a complexidade de analisar crítica e imparcialmente seu
próprio grupo, sem cumprir o triste papel de ser um representante dos
interesses da força militar fantasiado de acadêmico, já que a cultura do
grupo estava incutida no observador; ou de criar no extremo de tornar-se o
alter ego da força militar, criticando-a impunemente. (KUHLMANN, 2007, p.
12)
166

7. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

Neste Capítulo serão apresentados os resultados das pesquisas qualitativa e


quantitiva. A qualitativa constará da apresentação das entrevistas e sua análise até
chegar uma conclusão sobre a Presença Tangível e a Presença Intangível. A fase
quantitativa será apresentada e analisada em duas partes, uma com uma análise
fatorial inicial com SPSS 16.0 e a outra será uma análise fatorial confirmatória com a
modelagem de equações estruturais com o AMOS 22.0, a fim de confirmar o modelo
proposto nesta tese.

7.1 FASE QUALITATIVA DOS DADOS

7.1.1 Preparação para Fase Qualitativa57

Para as entrevistas dos dois substratos elelgidos nesta Tese, utilizou-se a


técnica semi-estruturada, por meio dos questionários constantes do Apêndice A
(Roteiro de entrevista realizada com Militares Brasileiros, do Quadro de
Estado-Maior, servindo na Amazônia ou que tenham experiência na região) e
Apêndice B (Roteiro de entrevista realizada com Acadêmicos, Brasileiros e
Estrangeiros, que tenham experiência na Amazônia), os quais possuem uma
ordem, mas nem sempre seguem a ordem estabelecida, tendo em vista que os
entrevistados podem responder uma questão ou introduzir uma ideia pertencente a
outra parte da entrevista.
Todavia, as entrevistas seguiram uma ordem para facilitar sua organização e
tabulação:
- Esclarecimento aos respondentes sobre a entrevista a ser realizada;
- Perguntas de preparação, para um melhor conhecimento dos entrevistados;
- Perguntas sobre a divisão da presença em tangível e intangível, de forma a
começar a compreender a percepção dos entrevistados sobre o tema em análise;

57
Nesta fase, antes do início das entrevistas, explicavam-se os objetivos e a metodologia da
pesquisa, reforçando a forma de análise de dados a ser empregada, o tratamento das discrepâncias
entre o dado informado e o obtido na pesquisa, solicitando-se, quando fosse o caso, uma evidência
da afirmativa apresentada pelo entrevistado.
167

- Perguntas sobre a presença Tangível; e


- Perguntas sobre a Presença Intangível.
a. Perguntas de preparação
- Qual o seu nome? Qual a sua função na Academia? Qual sua vinculação com
os assuntos amazônicos e defesa?

- Qual a importância das Forças Armadas (Marinha, Exército e Força Aérea)


para a Amazônia?

- O(a) senhor(a) pode discorrer sobre a Presença Militar das Forças Armadas
na região amazônica?
- Quais foram ou são os aspectos favoráveis ou positivos desse
processo?
- Quais foram ou são os aspectos desfavoráveis ou negativos desse
processo?

b. Perguntas sobre a divisão da presença em tangível e intangível


- O(a) senhor(a) acredita que a Presença Militar na Amazônia possa ser
dividida em PRESENÇA TANGÍVEL ou MATERIAL (presença física de
organizações militares) e PRESENÇA INTANGÍVEL ou IMATERIAL (outras formas
de presença como virtuais, monitoramento, entre outras)?

c. Perguntas sobre a Presença Tangível


- Sobre a PRESENÇA TANGÍVEL, o(a) senhor(a) pode discorrer sobre as
vantagens e desvantagens de cada subdivisão a seguir?
- a presença como contraparte da mobilidade? (Seria uma presença
focado na dissuasão extra-regional, voltada para o combate externo)
- a presença como contenção? (Seria uma presença focado na lógica
dos PEF - Pelotões Especiais de Fronteira)
- a presença como ocupação territorial? (Seria uma presença focada
na lógica das OM voltadas mais para as missões de GLO e missões
subsidiárias das Forças)
168

- a presença como distribuição territorial? (Seria uma presença


focada na lógica dos Tiros-de-Guerra)
- a presença como desenvolvimento nacional? (Seria uma presença
focada na lógica das OM voltadas para as missões de engenharia,
direcionadas ao desenvolvimento nacional)

- Sobre a PRESENÇA TANGÍVEL, o(a) senhor(a) pode discorrer como seria a


forma de medi-las?
- Como medir a presença como contraparte da mobilidade? (Por
Ex.: Quantidade de organizações militares operacionais da Marinha, Exército e
Aeronáutica na região amazônica; Quantidade de Navios, Aeródromos e Força
de Ação Rápida regionais que poderiam apoiar a dissuasão extra-regional na
Amazônia; Possibilidades de invasões ao território nacional; entre outras)

- Como medir a presença como contenção? (Por Ex.: quantidade de


PEF existentes; Quantidade de rios penetrantes na Amazônia; Principais
regiões de vazios demográficos na fronteira; entre outras)
- Como medir a presença como ocupação territorial? (Por Ex.:
quantidade de organizações militares operacionais da Marinha, Exército e
Aeronáutica na região amazônica voltadas para missões de GLO e missões
subsidiárias; Principais regiões da Amazônia com graves problemas sociais e
políticos que exigem a presença de organizações militares; entre outras)
- Como medir a presença como distribuição territorial? (Por Ex.:
quantidade de Tiros-de-guerra na Amazônia; Quantidade de Municípios
amazônicos distantes do poder central estadual sem a presença de tropas;
entre outras)
- Como medir a presença como desenvolvimento nacional? (Por
Ex.: Quantidade de organizações militares da Marinha, Exército e Aeronáutica
na região amazônica voltadas para o desenvolvimento nacional; Quantidade de
trabalhos realizados por esta organizações; entre outras)

d. Perguntas sobre a Presença Intangível


169

- Sobre a PRESENÇA INTANGÍVEL, o senhor pode discorrer sobre as


vantagens e desvantagens de cada subdivisão a seguir?
- a presença como monitoramento? (Seria uma presença focada nos
projetos das Forças como o SIVAM, SISFRON e SISGAAZ)
- a presença cibernética? (Seria uma presença focada na lógica
cibernética, nas redes de dados, no controle deste meio para o fluxo de
informações militares)
- a presença metafísica? (Seria uma presença focada na lógica do
desenvolvimento da mentalidade de defesa em âmbito nacional, seja nas
universidades, nas mídias ou no meio político nacional)

- Sobre a PRESENÇA INTANGÍVEL, o senhor pode discorrer como seria a


forma de medi-las?
- Como medir a presença como monitoramento? (Por Ex.:
Quantidade de sensores na fronteira e no interior da região amazônica dentro
dos projetos SIVAM, SISFRON E SisGAAz; capacidade de monitoramento dos
projetos SIVAM, SISFRON E SisGAAz; entre outras)

- Como medir a presença cibernética? (Por Ex.: Quantidade de


backbones (eixos centrais de dados) na região amazônica; Capacidade das
redes de dados estaduais; Existência de organizações militares na Amazônia
voltadas para defesa cibernética; entre outras)

- Como medir a presença metafísica? (Por Ex.: Quantidade de civis


com curso da Escola Superior de Guerra; Quantidade de participações de
universitários no projeto Rondon; Quantidade de visitas de parlamentares à
região amazônica; entre outras)

7.1.2 RESULTADO DA PESQUISA EXPLORATÓRIA

Esta pesquisa exploratória está relacionada com o entendimento de dois


construtos, o que é a Presença Tangível ou Material militar na Amazônia e o que é a
170

Presença Intangível ou Imaterial militar na mesma região. Com a finalidade de


alcançar tal objetivo, foram realizadas entrevistas, com áudios gravados,
semiestruturadas com militares das três Forças (Marinha, Exército e Aeronáutica) e
acadêmicos com experiência no assunto presença militar na Amazônia. Foram
realizadas vinte entrevistas, pois se atingiu o ponto de saturação58 para esta
pesquisa, sendo que os entrevistados59 E1 a E10 são militares que exercem ou
exerceram atividades militares na Amazônia das três Forças Armadas. Os
entrevistados E11 a E13 são militares pertencentes ao Ministério da Defesa e que
possuem grande experiência sobre a presença militar na Amazônia. Os
entrevistados E14 a E20 são acadêmicos que possuem grande experiência no
assunto Amazônia e na aplicação do poder militar.
Foi utilizada a análise de conteúdo por meio da triangulação, tentando definir
o escopo dos dois construtos ou categorias: 1. PRESENÇA TANGÍVEL OU
MATERIAL e 2. PRESENÇA INTANGÍVEL OU IMATERIAL, os quais balizaram as
seguintes Questões de Estudos, nesta fase:
- 1ª) Quais são os fatores que compõem a Presença Tangível ou
Material?
- 2ª) Quais são os fatores que compõem a Presença Intangível ou
Imaterial?

7.1.2.1 Primeira Questão de Estudo (Presença Tangível)

Sobre o construto 1 (PRESENÇA TANGÍVEL), as subcategorias de análise


criadas, assim o foram a partir das respostas obtidas e da triangulação de conteúdo,
segundo Bardin (2009), as categorias podem ser definidas a priori ou serem
progressivas no decorrer do trabalho (categorias emergentes), sendo estabelecidas
as seguintes: a. Contraparte da Mobilidade; b. Contenção; c. Ocupação

58
Ponto de saturação – Número de entrevistas suficientes para compreender o assunto
pesquisado, sendo, também, o momento em que se identifica padrões, práticas, sistemas
classificatórios, pois as respostas se repetem, não sendo necessário novas entrevistas. (Dauster,
1999, p.2)
59
Os entrevistados, os especialistas no tema em questão foram numerados de E1 a E20, tendo
seus nomes preservados, por uma questão de sigilo e análise das ideias e não das personalidades.
171

Territorial; d. Distribuição Territorial e e. Desenvolvimento Nacional. Para uma


melhor visualização, apresenta-se o quadro a seguir:

Subcategoria Unidades de Registro


a – Contraparte da - brigadas estratégicas; mobilidade; dissuasão
mobilidade extraregional; força expedicionária; força estratégica;
presença seletiva; fazer-se presente; manobra; defesa
externa;
b – Contenção - pelotão especial de fronteira; PEF; vigilância;
colonização; vivificar; vivificação;
c – Ocupação - brigada mobilizável; missão subsidiária; brigadas
Territorial flexíveis; concentrar; presença física; muitas regiões;
d – Distribuição - tiro-de-guerra; valorização dos sargentos; aproximação
Territorial com a sociedade; poder público; sensibilizar governo;
região militar; maior envolvimento;
e – Desenvolvimento - engenharia; desenvolvimento; pesquisa; competência;
Nacional engenharia de combate; engenharia de construção de
construção; obras de infraestrutura; projeto calha norte;
Quadro 12 – Subcategorias da Categoria 1 (PRESENÇA TANGÍVEL)
Fonte: Autor

Para esta pesquisa exploratória foram seguidas as seguintes questões de


estudo, para esta fase, balizadas na entrevista, sobre a Presença Tangível Militar
na Amazônia:
a) A Presença Tangível pode ser definida como o desdobramento militar,
visando a defesa externa, ocupando ponto fixos na Amazônia, devido as
dificuldades naturais de mobilidade.
b) A Presença Tangível na Amazônia pode ser entendida como o
desdobramento de tropas, as quais visam demarcar o território, garantindo a
soberania na fronteira.
c) A Presença Tangível na Amazônia pode ser medida pelo
desdobramento de tropas, pelo interior da Amazônia, todavia distantes das
áreas fronteiriças e de potenciais conflitos externos.
d) A Presença Tangível pode ser medida pelo desdobramento de
organizações militares, visando manter uma aproximação com a sociedade
interiorana, características de áreas distantes do poder militar central
instituído.
172

e) A Presença Tangível, também, pode ser medida pelo dedobramento


de tropas dispersas na Amazônia, visando o desenvolvimento nacional, sendo
muito característico da engenharia militar.
Após as entrevistas, englobando os 20 entrevistados (E1 a E20), conseguiu-
se a seguinte vinculação positiva das respostas com as subcategorias da categoria 1
(PRESENÇA TANGÍVEL).

Subcategoria
a b c d e
E1 X X X X X
E2 X X X X X
E3 X X X X X
E4 X X X
E5 X X X X X
E6 X X X X
E7 X X X X
E8 X X X
E9 X X X X
E10 X X X X
E11 X X X X X
E12 X X X X
E13 X X
E14 X X X X
E15 X X X X
E16 X X X X X
E17 X X X
E18 X X X X
E19 X X X X X
E20 X X X X X
Quadro 13 – Vinculação positiva das respostas com as subcategorias da categoria Presença Tangível
Fonte: Autor

Subcategoria a (Contraparte da Mobilidade)

As respostas dos 20 entrevistados, E1 a E20, apresentaram uma vinculação


positiva de 100% com as subcategoria a (Contraparte da Mobilidade). Este grupo
de entrevistados envolve especialistas no assunto, os quais concordam que, a
distribuição de organizações militares (OM) na Amazônia seguem uma lógica de
Defesa Externa, ou seja, estão disposta na região de forma a permitir uma reação
173

imediata a um possível ataque ao território nacional, principalmente nas localidades


onde existem comunidades e vias de acesso.
Castro (2012) reforça a existência de uma linha tênue entre a política interna
e a externa, a qual influencia diretamente no poder militar, principalmente em
regiões muito amplas como a Amazônia. Neste contexto, surgem iniciativas como a
OTCA (1998), aumentando o processo de cooperação entre as nações amazônicas,
incentivando, entre outras coisas, a conexão entre as referidas cidades-gêmeas,
bem como a execução de programas e projetos.
Assim, a adoção de políticas públicas visa sanar conflitos, disputas sócias,
segundo Souza (2007), envolvendo o estabelecimento de uma ou mais estratégias,
segundo BID (2007), tendo que se observar a fase de implementação, a qual recebe
mais influência de atores externos ao processo, segundo Fernández (2008). No caso
da Defesa, as políticas seguem em sua maioria um comportamento organizacional,
tendo na burocracia de defesa, uma estrutura de tomada de decisão para estes
assuntos, como a adoção de uma Estratégia da Presença para Amazônia.
Estas afirmativas reforçam os argumentos de Nascimento (2005), o qual
adverte que, devido a baixa densidade demográfica e ausência estatal na região, foi
incentivado uma política de humanização. Por isso, Mattos (1980) e Becker (2005),
lembram que as cidades gêmeas também surgiram e cresceram, demandando
também questões de segurança.
Conforme ressalta Raffestin (1980) o poder do Estado é apresentado no
controle que exerce sobre a população, recursos e seu território, reforçando o
emprego de OM nestas regiões. Neste mesmo contexto, esse poder, segundo
Castro (2012) cresce com a busca da segurança em todos os níveis pelas mesmas
unidades militares.
Como estas organizações militares não são dotadas de plena mobilidade, o
que permitiria estarem mais distantes da fronteira e quando necessitarem
deslocariam para a área problema, tornam-se integrantes das referidas cidades, as
quais tornam-se o ponto de apoio para a vida cotidiana das referidas tropas.
Esta lógica é muito característica do Exército Brasileiro, o qual possui OM de
diversos níveis (Pelotão, Companhia, Batalhão e Brigada) espalhados pela região
fronteiriça de toda Amazônia, provendo, não somente a defesa do território, mas
também a segurança, segundo Silveira (2004) e Oscar Fillho (2010).
174

Neste contexto, a Força Aérea, por definição, possui seus meios centralizados
pelo comando, mas dispersos em unidades aéreas, as quais proporcionam a
flexibilidade necessária e a dispersão devida dos meios orgânicos.
A Marinha, por sua vez, não necessita de diversas bases instaladas pela
Amazônia, mas de meios navais aptos a durar na ação de combate, no mar ou em
águas fluviais, quando se façam necessárias, tendo algumas bases de
reabastecimento para prolongar e prover o apoio logístico devido, reforçando as
ideias de Vidigal (2006).
[...] muitos países da região não tem a mesma preocupação que
nós temos sobre as vulnerabilidade e ameaças sobre a Amazônia. [...] o
Brasil descobriu a pouco tempo a Amazônia, não era uma preocupação
60
nacional.
[...] as organizações na faixa de fronteira, como batalhões,
companhias especias e até mesmo pelotões, ou qualquer outra forma, está
61
configurando a estratégia da presença.

As ideias de Paiva (2012) ganham grande relevância, pois aborda o


desdobramento de forças militares na Amazônia baseado nas principais ameaças e
problemas existentes na região, as quais reforçam a localização atual das unidades
na região, tendo em vista, que existe uma paz armada na região, segundo Mares
(2011).
Desta forma, com base nas entrevistas, foi possível enumerar os possíveis
indicadores desta subcategoria, tendo em vista que os entrevistados são
especialistas no assunto abordado.

Subcategoria Indicadores Teoria e Autor


a – Contraparte 1) A quantidade de organizações militares,
da mobilidade vocacionadas para o combate operacionais da E1, E6, E2 e
Marinha, Exército e Aeronáutica na região Vidigal (2006)
amazônica favorecem a soberania sobre a mesma.
2) A quantidade de Navios, Aeródromos e Forças PND (2012), E9,
de Ação Rápida regionais que poderiam apoiar a E13 e Vidigal

60
Depoimento do Embaixador Camilo Côrtes, que tem mais de 30 anos de serviços
diplomáticos, juitos deles dedicados a Amazõnia e a defesa dos interesses brasileiros, sendo
professor convidado em várias escolas militares, destacando-se a ECEME, ECEMAR e EGN, além da
ESG.
61
Depoimento do General Franklimberg, que, atualmente, é Secretário da FUNAI, e que tem
muitos anos de serviço na Amazônia, tendo inclusive, comandado a 1ª Brigada de Infantaria de Selva
em Boa Vista-Roraima.
175

dissuasão extra-regional na Amazônia favorecem a (2006)


soberania sobre a mesma.
3) As possibilidades de invasões ao território E3, E5, Côrtes
nacional favorecem a soberania sobre a Amazônia. (2005)
4) As tropas operacionais sem encargos
administrativo favorecem a soberania sobre a E7, E1
Amazônia.
5) A capacidade de mobilidade estratégica e tática Paiva (2012),
aérea, naval e terrestre favorece a soberania sobre a E13, E9 e Vidigal
Amazônia. (2006)
6) A quantidade de unidades militares completas,
E7, E9, E4 e PND
com todos os elementos de combate favorecem a
(2012)
soberania sobre a Amazônia.
7) A capacidade logística, a capacidade de durar na
ação (transporte, fluxo logístico e
E9 e PND (2012)
recompletamento) favorece a soberania sobre a
Amazônia.
8) A quantidade de exercícios de adestramento
voltados à defesa externa, dentro da hipóteses de E5, E3
emprego, favorece a soberania sobre a Amazônia.
9) A capacidade de projetar poder na região Silveira (2004) e
favorece a soberania sobre a Amazônia. Paiva (2012)
10) O número de vezes que as Organizações
E8, E5 e Paiva
Militares se fizeram presentes na fronteira
(2012)
favorecem a soberania sobre a Amazônia.
11) O nível operacional das OM voltadas para o
E5, E11 e Paiva
combate externo favorece a soberania sobre a
(2012)
Amazônia.
Quadro 14 – Indicadores da subcategoria a (Contraparte da Mobilidade)
Fonte: Autor

Desta forma, confirmou-se a questão de estudo a), desta fase, a qual


afirma que a Presença Tangível pode ser definida como o desdobramento militar,
visando a defesa externa, ocupando ponto fixos na Amazônia, devido as dificuldades
naturais de mobilidade.

Subcategoria b (Contenção)
176

Sobre a subcategoria b (Contenção), as respostas dos entrevistados


chegam a 90% (18) de vinculação positiva, mostrando uma alta aderência com o
assunto analisado.
Esta subcategoria está relacionada, não mais com a lógica da defesa externa,
mas sim, com a necessidade de dispor de pequenas frações ao longo da fronteira
para manter uma vigilância inicial, mas principalmente para demarcar e ratificar as
fronteiras estabelecidas nos mapas e acordos internacionais, reforçando as ideias
de Raffestin (1980) de repartição de poder e implantação de nós.
No passado, esta forma de ocupação das fronteiras, inclusive na Amazônia,
visava vivificar os vazios demográficos, conforme lembra Mattos (2011c), reforçando
a finalidade separadora das fronteiras, a qual se deve muito em parte ao
desinteresse espanhol e a consequente ocupação portuguesa, segundo Gadelha
(2002), reforçando, também, a teoria de Castro (2012), pois os atores envolvidos
buscam um equacionamento de seus interesses nas questões de poder.
[...] o apoio ao desenvolvimento está ligada a vida, combate e
trabalho (slogan dos tropas no CMA) [...] apoio ao desenvolviento é amplo,
62
envolve vários campos. (Acréscimo/explicação deste Doutorando)

Hoje, contudo, a lógica está em ter presença na fronteira mais longíqua,


levando os serviços públicos possíveis a população isolada destes locais ou
simplesmente ocupando as regiões desabitadas ou pouco habitadas, reforçando a
finalidade protetora das fronteiras, segundo Mattos (2011c).
Esta subcategoria possui muita aderência, também, com as ideias de Mattos
(2011c) sobre a mutabilidade e instabilidade das fronteiras, pois na tentativa de
evitar estas tendências, esta teoria entra em prática.
Outra questão está existência de terras indígenas na região de fronteira da
Amazônia Verde, conforme alerta Bento (2003) e Manuela (1994), bem como
ameaças sobre a Amazônia Azul, segundo Vidigal et al (2006), reforçam a
necessidade de controle das fronteiras terrestres e marítimas.
Inclusive para enfrentar a assinatura da Declaração dos Povos indígenas, o
qual atribui diversos direitos aos indígenas em regiões fronteiriças, que apesar de
Manuela (1994) e Cunha (1994) afirmarem que não deve existir preocupação com

62
Depoimento do Tenente-Coronel Pastor, que atualmente é assessor de história militar do
Comando Militar da Amazônia, e tem mais de 20 anos de serviços na Amazônia, tendo exercido
diversos cargos na região, em várias localidades.
177

estes povos se tornarem independentes, a presença de pelotões militares nestas


regiões, reforça a presença do Estado na localidade e que aquelas terras pertencem
a toda a Nação e não a um grupo em particular, tendo em vista as pressões que o
Brasil recebe de todo tipo que influenciam suas decisões, conforme nos alerta
Becker (2005).
Iniciativas como desta subcategoria vem se confrontar, também, com as
ideias da responsabilidade de proteger (R2P) da ONU (2005) e da soberania relativa
defendidas, entre outros, por Boniface (2001).
Assim, esta forma de atuar está muito ligada a ocupação do território e, por
isso, possui estreita ligação com a Força Terrestre, tendo pouca ligação prática com
a Força Aérea e Marinha, apesar de seus integrantes compreenderem e aceitarem
esta lógica, como é observável na alta porcentagem de aderência desta
subcategoria em relação ao construto ou categoria Presença Tangível.
Desta forma, com base nas entrevistas, foi possível enumerar os possíveis
indicadores desta subcategoria, tendo em vista que os entrevistados são
especialistas no assunto abordado.

Subcategoria Indicadores Teoria e Autor


b – Contenção 1) A capacidade operacional dos Pelotões Especiais E1, E2, E11 e E8
de Fronteira favorece a soberania sobre a Amazônia.

2) A quantidade de eixos penetrantes fluviais, aéreos E11, E1, E7, E6,


e terrestres na Amazônia favorecem a soberania Paiva (2012) e
sobre a mesma. Vidigal (2006)
3) Os principais regiões de vazios demográficos e E3, E5, E10,
cidades de pequeno e médio porte na fronteira Paiva (2012) e
favorecem a soberania sobre a Amazônia. Mattos (2011c)
4) A eficiência no combate aos crimes E7, E5
transfronteiriços favorece a soberania sobre a
Amazônia.
5) O controle das penetrantes que adentram ao País e E20, E1, E2,
pontos de confluência fluviais no interior da Vidigal (2006)
Amazônia favorecem a soberania sobre a mesma.
6) A quantidade de penetrantes fluviais, aéreos e E9, E10, E13,
terrestre favorecem a soberania sobre a Amazônia. Vidigal (2006) e
Paiva (2012)
178

7) Identificar os eixos de riscos ao território nacional Paiva (2012),


favorece a soberania sobre a Amazônia. Vidigal (2006)

8) O resultado das operações de vigilância de E5, E8 e E12


fronteira favorece a soberania sobre a Amazônia.

9) O número de áreas cegas dos projetos SIVAM, E4, E3


SISFRON e SisGAAz favorecem a soberania sobre
a Amazônia.
Quadro 15 – Indicadores da subcategoria b (Contenção)
Fonte: Autor

Desta forma, confirmou-se a questão de estudo b), desta fase, que afirma
que a Presença Tangível na Amazônia pode ser entendida como o desdobramento
de tropas, as quais visam demarcar o território, garantindo a soberania na fronteira.

Subcategoria c (Ocupação Territorial)

Com relação a subcategoria c (Ocupação Territorial), temos 55% (11) de


vinculação positiva dentre os entrevistados. Apesar de ser a menor vinculação,
ainda assim, possui uma aderência suficiente para dar respaldo a análise corrente.
Esta lógica tem relação com as organizações de combate dispersas pelo
território nacional, mas que em verdade não estão relacionadas ao combate externo
como as OM de fronteira, mas sim em áreas estratégicas do território, como
bifurcações de rios importantes, com penetrantes ao território nacional ou em
regiões centrais.
São OM que não disponhem de efetivos completos ou unidades incorporadas
em sua plenitude, sendo importantes na manutenção da presença física em suas
regiões, tendo alto valor social e importância militar. Contudo, estão mais propensas
as missões subsidiárias da Força, do que necessariamente destinadas ao combate
externo, como ajuda em caso de calamidades, apoio a sociedade e missões de
GLO, de acordo com PND (2012).
[...] nós (17ª Brigada de Infantaria de Selva, Porto Velho-
Rondônia) temos a intenção de criar um NPOR aqui e, após consultar o
Estado-Maior do Exército, está complementealinhado com as dretrizes do
179

63
chefe do DGP e do Cmt do EB. (Acréscimo/explicação deste
Doutorando)

A afirmação de que uma unidade militar não está voltada para o combate, não
agrada seus comandantes e seus integrantes, o que de certa forma corrobora com a
baixa aceitação deste critério pelos entrevistados. Contudo, segundo Alsina (2009),
o Brasil, como potência regional periférica, adota uma postura de busca da paz, sem
buscar posições hegemônicas, o que reforça as ideias desta subcategoria.
Para a Força Aérea, estas OM não possuem emprego, pois suas unidades
são enxutas e voltadas para a atividade-fim, o combate aéreo.
A Marinha segue a mesma direção da Força Aérea no que tange a Marinha
de Guerra e seus meios navais. Contudo, os Fuzileiros Navais, parte integrante da
Marinha de Guerra, possuem a capacidade de emprego em GLO, mas devido a seu
pequeno efetivo, ficam concentrados em algumas partes do território nacional, mas
podem ser desdobrados em outras áreas, conforme necessidade.
Assim, ressalta-se a necessidade de uma resposta das forças Armadas as
novas demandas de segurança e defesa, conforme as ideias do “dilema estratégico“
(MANWARING, 2011), a fim de enfrentar os desafios da nova geopoliítica, conforme
alerta Becker (2005), a qual envolve a ação de diversos agentes sociais,
organizações não-governamentais, entre outras, acerca das decisões estatais,
constituindo-se uma parte complexa e um desafio atual.
A Força Terrestre é a que possui maior aderência, com por exemplo a 16ª
Brigada de Infantaria de Selva de Tefé-AM, além de outras unidades e grandes
unidades espalhadas na Amazônia ocidental e oriental, reforçando as ideias de
Paiva (2012), o qual advoga que esta Unidades ou Grande Unidades teriam uma
maior vocação para as missões subsidiárias do que para missões de defesa externa.
Deve-se ter cuidado para não entender esta subcategoria como uma
onipresença do território nacional, conforme adverte Kuhlmann (2001), apesar de
hoje, as Forças Armadas serem a principal instituição gevernamental presente em
toda a Amazônia, o que acaba gerando uma hipertrofia da presença militar,
conforme afirma Alves (2003).

63
Depoimento do General-de-Brigada Novais, que atualmente é o Comandante da Academia
Militar das Agulhas Negaras (AMAN), e exerceu diversos cargos durante sua carreira, inclusive
Comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva, em Porto Velho-Rondônia.
180

Contudo, Silveira (2004) reforça a ideia de uso da doutrina de GLO para


combater os ilícitos transfronteiriços na amazônia, devido as dificuldades naturais da
região, complicando ou impedindo o bom trabalho das forças de repressão do
Estado para estes crimes, devido a existência de diversos atores no contexto
amazônico, conforme adverte Becker (2005).
Desta forma, com base nas entrevistas, foi possível enumerar os possíveis
indicadores desta subcategoria, tendo em vista que os entrevistados são
especialistas no assunto abordado.

Subcategoria Indicadores Teoria e Autor


c – Ocupação 1) A quantidade de organizações militares da PND (2012), E13,
Territorial Marinha, Exército e Aeronáutica na região E15 e E20
amazônica voltadas para missões de GLO e
missões subsidiárias favorecem a soberania sobre
a Amazônia.
2) As principais regiões da Amazônia com graves Paiva (2012), E3,
problemas sociais e políticos que exigem a E12 e Becker
presença de organizações militares favorecem a (2005)
soberania sobre a Amazônia.
3) O número de operações na faixa de fronteira E3, E10
favorece a soberania sobre a Amazônia.
4) A quantidade de exercício de GLO favorece a PND (2012), E2,
soberania sobre a Amazônia. E11
5) A quantidade de missões eventuais provindas E7, Côrtes (2005)
do Exército Brasileiro, do Ministério da Defesa e
da Presidência da República favorecem a
soberania sobre a Amazônia.
6) A quantidade de meios adequados para cumprir Paiva (2012), E2,
este tipo de missão favorece a soberania sobre a E16
Amazônia.
7) A quantidade de órgãos de segurança pública PND (2012), E5,
estaduais e federais na região favorecem a E13
soberania sobre a Amazônia.
8) A proximidade dos centros políticos favorece a Paiva (2012), E10,
soberania sobre a Amazônia. E6
9) O nível operacional das Organizações Militares PND (2012), E2,
voltadas para GLO e missões subsidiárias E10
favorece a soberania sobre a Amazônia.
181

10) O resultado das operações de GLO e missões E1, E4, E8


subsidiárias favorece a soberania sobre a
Amazônia.
11) A quantidade de Operações Interagências PND (2012), E7
favorece a soberania sobre a Amazônia.
Quadro 16 – Indicadores da subcategoria c (Ocupação Territorial)
Fonte: Autor

Desta forma, confirmou-se a questão de estudo c), desta fase, a qual


afirma que a Presença Tangível na Amazônia pode ser medida pelo desdobramento
de tropas, pelo interior da Amazônia, todavia distantes das áreas fronteiriças e de
potenciais conflitos externos.

Subcategoria d. (Distribuição Territorial)

Com relação a subcategoria d. (Distribuição Territorial), temos 70% (14)


de vinculação positiva dentre os entrevistados. Esta porcentagem apresenta uma
boa margem de reforço sobre a análise corrente.
A lógica presente nesta subcategoria está em relação a distribuição de
organizações militares de pequeno porte, as quais visam estreitar os laços com a
sociedade distante do poder militar central. Contudo, os meios empregados são
diminutos, sendo muito mais uma aproximação com este grupo social e uma
sensibilização do governo local vigente.
O Exército Brasileiro possui os conhecidos Tiros-de-guerra, os quais
desempenham esta função de estreitamento com a sociedade em localidades
distantes do poder federal instituído, todavia são unidades militares de pequeno
valor militar, em sua totalidade comandados por Praças64, conforme Gonzales
(2008)
A Força Aérea e a Marinha não possuem esta lógica, devido entre outras
razões o emprego enxuto de seus meios, os quais são voltados para a atividade-fim
de voar e por navios no mar, respectivamente, não se voltando para as questões de
controle do território amazônico como o EB, de acordo com Marques (2007).

64
Praça – Termo genérico para designar o grupo de militares constituídos eplos sargentos de
todas as graduações e subtenentes.
182

[...] nós (17ª Brigada de Infantaria de Selva, Porto Velho-


Rondônia) temos a intenção de criar um NPOR aqui e, após consultar o
Estado-Maior do Exército, está complementealinhado com as diretrizes do
65
chefe do DGP e do Cmt do EB. (Acréscimo/explicação deste
Doutorando)

Iniciativas como desta subcategoria vem se confrontar, também, com as


ideias da responsabilidade de proteger (R2P) da ONU (2005) e da soberania relativa
defendidas, entre outros, por Boniface (2001).
Apesar de suas características de emprego serem um pouco diferentes das
do EB, a grande maioria (70%) concorda da sua importância e manutenção no
cenário nacional, conforme as ideias de Castro (2012), o qual reforça o exercício do
poder é algo que deve ser concreto, bem como Raffestin (1980), o qual destaca que
o estabelecimento de redes, fluxos e circuitos em um espaço definem o território.
Desta forma, com base nas entrevistas, foi possível enumerar os possíveis
indicadores desta subcategoria, tendo em vista que os entrevistados são
especialistas no assunto abordado.

Subcategoria Indicadores Teoria e Autor


d – Distribuição 1) A quantidade de Municípios amazônicos E6, E8,
Territorial distantes do poder central estadual, sem a
presença de tropas, favorece a soberania sobre a
Amazônia.
2) Os vazios populacionais no interior da E1, E11 e Raffestin (1980)
Amazônia favorecem a soberania sobre a
Amazônia.
3) O número de cidades entre 10 mil e 50 mil E3 e Becker (2005)
habitantes favorecem a soberania sobre a
Amazônia.
4) A quantidade de atiradores formados nos tiros- E2, E12
de-guerra favorece a soberania sobre a
Amazônia.
5) A demanda em caso de mobilização nacional Paiva (2012), E10
favorece a soberania sobre a Amazônia.

65
Depoimento do General-de-Brigada Novais, que atualmente é o Comandante da Academia
Militar das Agulhas Negaras (AMAN), e exerceu diversos cargos durante sua carreira, inclusive
Comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva, em Porto Velho-Rondônia.
183

6) A satisfação do poder público municipal E15 e E7


favorece a soberania sobre a Amazônia.
Quadro 17 – Indicadores da subcategoria d (Distribuição Territorial)
Fonte: Autor

Desta forma, confirmou-se a questão de estudo d), desta fase, a qual


afirma que a Presença Tangível pode ser medida pelo desdobramento de
organizações militares, visando manter uma aproximação com a sociedade
interiorana, características de áreas distantes do poder militar central instituído.

Subcategoria e. (Desenvolvimento Nacional)

Com relação a subcategoria e. (Desenvolvimento Nacional), temos 100%


(20) de vinculação positiva, mostrando uma total aceitação da lógica exposta.
Esta lógica se prende ao desdobramento de organizações militares pela
amazônia, com destaque para as unidades de engenharia, visando desenvolver e
manter o trabalho realizado, pois segundo Costa (2000) um ator territorializa um
espaço, como o amazônico, delimitando-o por questões de vivência e produção.
O Exército Brasileiro possui diversas OM desdobradas pela Amazônia, as
quais foram posicionadas, visando o bom andamento das obras de construções de
estradas, pontes e muitas outras obras de artes. Assim acontece com os batalhões
de engenharia de construção, hoje, existentes em toda região amazônica,
reforçando as ideias de Raffestin (1980), onde cria-se uma relação de dependência
a partir da ação de um ator como estes batalhões, criando-se, também, relações de
trabalho e poder.
[...] o apoio ao desenvolvimento está ligada a vida, combate e
trabalho (slogan das tropas no CMA) [...] apoio ao desenvolviento é amplo,
66
envolve vários campos. (Acréscimo/explicação deste Doutorando)

Além disso, ressalta-se a necessidade de uma resposta das forças Armadas


as novas demandas de segurança e defesa, conforme as ideias do “dilema
estratégico“ (MANWARING, 2011), como ocorreu e ocorre com os batalhões de
66
Depoimento do General Villas Bôas, que atualmente é Comandante do Exército, e exerceu as
funções de Chefe da Assessoria de Atividades Especiais do COTER, Comandante Militar da
Amazônia Chefe da Assessoria Parlamentar do Exército, Comandante da Escola de Aperfeiçoamento
de Oficiais Chefe do Estado-Maior do CMA e. Comandante do 1º Batalhão de Infantaria de Selva
(Manaus-AM).
184

engenharia, transformando o ambiente de forma a integrar a Amazônia ao território


nacional.
A Força Aérea e a Marinha não possuem OM dentro desta lógica na
Amazônia, todavia seus integrantes analisados concordam na importância e no valor
do desdobramento de unidades deste porte, de forma a se contrapor as ideias da
responsabilidade de proteger (R2P) da ONU (2005) e da soberania relativa
defendidas, entre outros, por Boniface (2001).
Desta forma, com base nas entrevistas, foi possível enumerar os possíveis
indicadores desta subcategoria, tendo em vista que os entrevistados são
especialistas no assunto abordado.

Subcategoria Indicadores Teoria e Autor


e – 1) A quantidade de organizações militares da Paiva (2012), E1 e E4
Desenvolvimento Marinha, Exército e Aeronáutica na região
Nacional amazônica voltadas para o desenvolvimento
nacional favorecem a soberania sobre a mesma.
2) A quantidade de trabalhos de engenharia E1, E3 e Costa (2000)
realizados e em andamento favorecem a
soberania sobre a Amazônia.
3) A participação em projetos nacionais de E1, E8
engenharia favorece a soberania sobre a
Amazônia.
4) A capacidade logística para apoiar obras de E9, E20
engenharia na Amazônia favorece a soberania
sobre a mesma.
5) O número de convênios com órgãos E1, E5 e PND (2012)
municipais, estaduais e federais favorece a
soberania sobre a Amazônia.
6) O número de áreas populacionais com E7, E2 e Boniface (2001)
reduzida infraestrutura e presença do Estado
favorece a soberania sobre a Amazônia.
7) O número de cidades surgidas a partir de E1, E6 e E2
Organizações Militares de engenharia favorece
a soberania sobre a Amazônia.
185

8) A quantidade de localidades atendidas pelo PND (2012), E1 e E10


programa calha norte favorece a soberania
sobre a Amazônia.
Quadro 18 – Indicadores da subcategoria e (Desenvolvimento Nacional)
Fonte: Autor

Desta forma, confirmou-se a questão de estudo e), desta fase, que afirma
que a Presença Tangível, também, pode ser medida pelo dedobramento de tropas
dispersas na Amazônia, visando o desenvolvimento nacional, sendo muito
característico da engenharia militar.
Por fim, confirmou-se a primeira questão de estudo, a partir das respostas
obtidas e da triangulação de conteúdo, com as seguintes subcategorias: a.
Contraparte da Mobilidade; b. Contenção; c. Ocupação Territorial; d.
Distribuição Territorial e e. Desenvolvimento Nacional.

7.1.2.2 Segunda Questão de Estudo (Presença Intangível)

Sobre o construto 2 (PRESENÇA INTANGÍVEL), as subcategorias de análise


criadas, assim o foram a partir das respostas obtidas e da triangulação de conteúdo,
segundo Bardin (2009), as categorias podem ser definidas a priori ou serem
progressivas no decorrer do trabalho (categorias emergentes), sendo estabelecidas
as seguintes subcategorias: a. Monitoramento; b. Cibernético; c. Metafísico. Para
uma melhor visualização, apresenta-se o quadro a seguir:

a – Monitoramento SISFRON; SISGAAE; SIVAM; SIPAM; monitoramento;


controle à distância; radar;
b – Cibernético Cibernético; mundo virtual; não tem fronteiras; satélite; fibra
ótica; data center; rede de computadores; controle à
distância;
c – Metafísico Cursos; escola superior de guerra; instituto pandiá
Calógeras; projeto rondon, centro de preparação de oficiais
da reverva; CPOR, núcleo de preparação de oficias da
reserva; NPOR; aproximação com a sociedade;
Quadro 19 – Subcategorias da Categoria 2 (PRESENÇA INTANGÍVEL)
Fonte: Autor
186

Para esta pesquisa exploratória foram seguidas as seguintes questões de


estudo, nesta fase, balizadas na entrevista:
a) A Presença Intangível na Amazônia pode ser medida pelos processos
de monitoramento como SIVAM, SISFRON e SISGAAZ.
b) A Presença Intangível na Amazônia pode ser medida pelo ambiente
cibernético existente na região amazônica.
c) A Presença Intangível na Amazônia pode ser medida pelo ambiente
metafísico, como a realização de cursos e estágios de sobre o assunto defesa
para a sociedade, entre outros, criando-se uma mentalidade de defesa.
Após as entrevistas, conseguiu-se a seguinte vinculação positiva das
respostas com as subcategorias da categoria 2 (PRESENÇA INTANGÍVEL).

Subcategorias
a b c
E1 X X
E2 X X X
E3 X X X
E4 X X
E5 X X X
E6 X X X
E7 X X X
E8 X X
E9 X X X
E10 X X
E11 X X X
E12 X X X
E13 X X
E14 X X
E15 X X X
E16 X X X
E17 X X X
E18 X X X
E19 X X X
E20 X X X
Quadro 20 – Vinculação positiva das respostas com as subcategorias da categoria Presença
Intangível
Fonte: Autor

Subcategoria a (Monitoramento)
187

As respostas dos 20 entrevistados, E1 a E20, apresentaram uma vinculação


positiva de 100% com a subcategoria a (Monitoramento). Este grupo de
entrevistados envolve especialistas no assunto, os quais concordam que o
monitoramento exercido pelos sistemas como SIVAM, SISFRON e SISGAAZ
contribuem para um controle das atividades na região amazônica. Este controle
contribui para aumentar a percepção de presença, pois ao controlar uma área, tem-
se esta área como sua, criando uma relação de informação e energia, conforme
Raffestin (1980).
[...] é uma ótima presença (o monitoramento do SISFRON) [...]
os sensores fazem parte de um sistema [...] e o sistema, que é o SISFRON,
67
tem os atuadores e os sensores. Uma coisa não adianta nada sem a outra.
(Acréscimo/explicação deste Doutorando)

O SIVAM por ser o único sistema já completamente instalado e em


funcionamento, contribui para reforçar este sentimento de pertencimento, sendo, de
certa forma, usado como exemplo, bem sucedido, pelo Exército Brasileiro, quando
da execução de seu sistema, o SISFRON, e pela Marinha, com seu sistema,
SISGAAZ, aumentando o poder nacional sobre esta região, conforme adverte Castro
(2012), que a renovação do parque bélico e do progresso quantitativo militar na
região, favorecem tal perspectiva.
Desta forma, segundo Buzan (2004) é possível coexistir princípios de
rivalidade/inimizade e amizade, reforçando que os sistemas em questão são
implementados dentro de uma política de cooperação, apesar de despertar,
inicialmente, nos países vizinhos preocupações do uso do referido sistema,
confirmando que existem fatores intangíveis sobre o valor real dos processos em
ação, segundo Edvinsson e Malone (1998).
Além disso, segundo Reilly (1996) estes ativos intangíveis (os sistemas de
monitoramento) devem permitir uma fácil identificação e descrição com o bem
tangível, neste caso a Amazônia, devendo possuir, também, uma evidência de sua
existência, como as partes materiais dos sistemas em estudo.
De acordo com Barbosa e Gomes (2002), geram impactos sobre as
empresas, neste caso as Forças Armadas, devido, entre outros aspectos, a

67
Depoimento do Coronel Palaia, integrante do Ministério da Defesa, e que exerceu diversas
funções no âmbito da Amazônia, exerceu a função do Comandante do Centro de Instrução do Guerra
na Selva, de Sub-Chefe do Centro de Operações do Comando Militar da Amazônia, entre outras
funções de relevo.
188

capacitação em pesquisa e desenvolvimento e ao conhecimento de seus


integrantes, fatores confirmados por Lourenção (2001) e Barbosa (2014).
Segundo Kayo (2002), um ativo intangível pode ser dividido em quatro partes,
sendo as mesmas cobertas pelos sistemas em questão, ressaltando principalmente
seu aspecto de singularidade, ou seja, só existe um SIVAM, ou um SISFRON ou um
SISGAAZ na América do Sul, pois as suas características de implementação e uso
são únicas, sendo a sua principal característica estratégica de singularidade.
Sveiby (1998) adverte que há três grandes categorias de avaliação de ativos
intangíveis, sendo as três aplicáveis aos sistemas de monitoramento em estudo, que
são a estrutura externa, com a análise do relacionamento com todos os usuários do
sistema, fornecedores e o trato com a marca; a estrutura interna, com a observância
de como a Força (Exército, Marinha e Aeronáutica) trata a organização, a
administração, a estrutura jurídica e os sistemas manuais; e a competência dos
funcionários, que relacionam-se com a experiência dos envolvidos e a educação
para o uso.
Estas categorias são confirmadas por Junior (2012) e Vidigal et al (2006) ao
analisarem aspectos ligados ao SISGAAZ, Rodrigues (2004) e Lourenção (2001) ao
analisarem aspectos ligados ao SIVAM/SIPAM; e Barbosa (2014) e Paiva (2012) ao
analisarem aspectos ligados ao SISFRON.
Lev (2001) ressalta que além da singularidade, os ativos intangíveis possuem
outras características estratégicas fundamentais, como a não-rivalidade, que a
possibilidade dos sistemas em análise serem usados de diferentes formas entre si; a
capacidade de escala, que é a possibilidade de seus ativos serem explorados
indefinidamente, como as marcas e patentes; as externalidades de rede, que são o
efeito imitação para outros sistemas, como ocorreu com o SIVAM; e o risco, que é
não se ter a certeza de eficácia no final do sistema pronto, como no caso dos
sistemas SISFRON e SISGAAZ.
Estes fatores encontram amparo nos argumentos de Barbosa (2104), Vidigal
et al (2006), Junior (2012), Gonçalves e Granziera (2012) e Paiva (2012), os quais
reforçam aspectos desta teoria.
Contudo, Creveld (1998) adverte que eclodiram outros tipos de conflitos, com
o fim da guerra fria, os quais, segundo Visacro (2009) tornaram a guerra irregular
sua ferramenta de trabalho.
189

Para enfrentar esta nova realidade, para esta guerra de quarta geração,
segundo Pinheiro (2006), enfrentando, segundo Azevedo e Mota (2012), uma nova
dimensão, a dimensão intangível, englobando a dimensão tecnológica e a não-
tecnológica, as estruturas de redes, os sistemas de comando e controle e o próprio
pensamento do oponente, os sistemas em análise contribuem e favorecem o
controle e entendimento do espaço amazônico analisado.
Desta forma, com base nas entrevistas, foi possível enumerar os possíveis
indicadores desta subcategoria, tendo em vista que os entrevistados são
especialistas no assunto abordado.

Subcategoria Indicadores Teoria e Autor


a – 1) A quantidade de sensores na fronteira e no E4, E12 e PND (2012)
Monitoramento interior da região amazônica dentro dos projetos
SIVAM, SISFRON E SisGAAz favorecem a
soberania sobre a Amazônia.
2) A capacidade de monitoramento dos projetos E7, E14 e Junior (2012)
SIVAM, SISFRON e SisGAAz favorecem a
soberania sobre a Amazônia.
3) A integração entre os projetos SIVAM, SISFRON E9 e Gonçalves e
e SisGAAz favorecem a soberania sobre a Graziera (2012)
Amazônia.
4) A quantidade e área de cobertura dos satélites e Barbosa (2014) e E4
radares favorecem a soberania sobre a Amazônia.
5) A capacidade de reação dos atuadores favorece a E12, E4 e Barbosa
soberania sobre a Amazônia. (2014)
6) O tempo de resposta dos sistemas SIVAM, Vidigal et al (2006) e
SISFRON e SisGAAz a um ilícito na região Paiva (2012)
favorece a soberania sobre a Amazônia.
7) O número de apreensões e detecções favorecem a E4 e E12
soberania sobre a Amazônia.
8) A quantidade de centros de Comando e Controle E4, E12 e Paiva (2012)
nas OM de fronteira favorecem a soberania sobre a
Amazônia.
Quadro 21 – Indicadores da subcategoria a (Monitoramento)
Fonte: Autor
190

Desta forma, confirmou-se a questão de estudo a), desta fase, que afirma
que a Presença Intangível na Amazônia pode ser medida pelos processos de
monitoramento como SIVAM, SISFRON e SISGAAZ.

Subcategoria b. (Cibernético)

Com relação a subcategoria b. (Cibernético), temos 90% (18) de vinculação


positiva, mostrando uma alta aceitação da lógica exposta.
Esta lógica se prende ao desdobramento de meios cibernéticos pela
amazônia e seu eventual controle ou coordenação pelas organizações militares.
Assim, o controle deste mundo virtual aumenta a percepção de controle do território,
pois é possível manter um controle à distância das atividades desenvolvidas na
região.
Segundo Paulino (2009), existe uma dimensão intangível do campo de
batalha, a qual segundo Jorge (2012) possui na internet e nos meios de informática
a principal ferramenta de informações do planeta.
Para Clarke e Knake (2010), a guerra cibernética é real, global, que acontece
na velocidade na luz, que ignora o campo de batalha e existe um espaço cibernético
do conflito, sendo estas cinco premissas aplicáveis aos sistemas em análise. Estas
premissas possibilitam criar, segundo Mandarino Jr (2010), a Paralisia Estratégica, a
qual seria ganhar as guerras sem enganjar-se no conflito.
[...] a cibernética permeia todos os setores (da vida pública) [...]
o CDCiber já ocupou o cargo de órgão coordenador junto a todos os órgãos
68
públicos e privados ligados ao setor cibernético. (Acréscimo/explicação
deste Doutorando)

Por isso, segundo Nye (2012) o poder dos Estados está se tornando cada vez
mais difuso, deixando margem para novos atores, organizações e indivíduos. No
que tange a Amazônia este problema cresce, pois há a presença de diversas
organizações não-governamentais em aquele ambiente, parando os sistemas vitais
do oponente.

68
Depoimento do General-de-Divisão Carvalho, chefe do Centro de Defesa Cibernética do
Exército Brasileiro, e que exerceu diversas funções no âmbito das Comunicações nacionais, como
Chefe de Comando e Controle do Ministério da Defesa, entre outras funções de relevo.
191

Assim, a adoção de uma política pública para a Amazônia segue uma


abordagem mais estadista do que multicêntrica, conforme afirma Secchi (2009), pois
devido a complexidade da Amazônia, o apoio estatal é fundamental para iniciar e
terminar os projetos necessários a região. Contudo, a adoção desta política de
defesa, ou seja, a criação da defesa cibernética no Brasil segue uma linha mais de
comportamento organizacional, segundo a visão de Allison e Zelikow (1999), pois
segue as diretivas de uma burocracia estatal envolvida no assunto.
Por isso, Trinquier (2008) reforça que a guerra atual é um combinado de
ações políticas, econômicas, psicológicas e militares, tornando a guerra de quarta
gerçaõ ou irregular numa guerra moderna.
Neste campo cibernético, a inovação é fator fundamental, conforme adverte
Ronconi (2013), sendo inovação a exploração com sucesso de novas ideias,
também, reforçado pelas ideias de Dombrowski e Gholz (2006), que a inovação, a
tecnologia e o conhecimento de tornaram os principais fatores produtivos e
competitivos dos Estados.
Assim, na Guerra Cibernética encontra dificuldades naturais, devido a
evolução constante dos materiais de informática do mundo civil para esta atividade,
criando uma dependência destes meios para a atividade militar, num fluxo conhecido
como spin-in.
Este emprego dual ajuda, mas não possui condições sozinhas de desenvolver
uma indústria de defesa, a qual, segundo Amarante (2013) deve seguir as regras do
iceberg científico-tecnológico de defesa, ou seja, as universidades tem que estar
empenhadas no ensino e pesquisa; devem ser criados centro de pesquisa e
desenvolvimento; incentivar empresas de engenharia para esta área; incentivar
empresas industriais neste setor; incentivar o desenvolvimento de empresas de
serviços; até o desenvolvimento do produto, como parte final.
Desta forma, segundo Guimarães (2012), o brasil possui uma posição
hegemônica, devido a diversos fatores, entre os quais destacamos a influência
política e geoestratégica na construção regional; detém os maiores recursos
financeiros na região sulamericana; possui a maior economia da região; é detentor
de um parque industrial avançado e diversificado; e é o principal fornecedor de bens
de alto valor agregado e bens semi-industrializado para a região.
192

As Forças Armadas por seu amplo desdobramento na região amazônica,


possuem acesso e controle de muitos sistemas como, por exemplo, o SISCOMIS,
proporcionando uma percepção de pertencimento nas áreas em que este sistemas
tem permeabilidade.
Desta forma, com base nas entrevistas, foi possível enumerar os possíveis
indicadores desta subcategoria, tendo em vista que os entrevistados são
especialistas no assunto abordado.

Subcategoria Indicadores Teoria e Autor


b – Cibernético 1) A infraestrutura de backbones (eixos centrais E4, E12 e Guimarães
de dados), satelitais e fibra ótica na região (2012)
amazônica favorece a soberania sobre a mesma.
2) A capacidade de tráfego nas redes de dados Barbosa (2014), E5
estaduais favorece a soberania sobre a
Amazônia.
3) A existência de organizações militares na E4, E11 e Paiva
Amazônia voltadas para defesa cibernética (2012)
favorece a soberania sobre a mesma.
4) O nível de controle de dados das redes E4, Barbosa (2014) e
favorece a soberania sobre a Amazônia. E10

5) O nível de segurança na transmissão de dados E4 e E12


(contra ataques, tentativas, invasões e infecções)
favorece a soberania sobre a Amazônia.
6) O grau de subordinação ao Centro de Defesa E4, E12 e Amarante
Cibernético favorece a soberania sobre a (2013)
Amazônia.
7) O número de centro cibernéticos favorecem a Mandarino Jr (2010) e
soberania sobre a Amazônia. E4
8) O número de elementos capacitados para E12 e Mandarino Jr
Defesa Cibernética favorece a soberania sobre a (2010)
Amazônia.
9) O tempo de resposta a um problema E4, E12 e Mandarino
cibernético favorece a soberania sobre a Jr (2010)
Amazônia.
10) A capacidade de monitoramento das redes E12 e Mandarino Jr
favorece a soberania sobre a Amazônia. (2010)

11) Os gargalos físicos do sistema cibernético Barbosa (2014) e E4


(nós de redes, satélites e servidores) favorecem a
193

soberania sobre a Amazônia.

Quadro 22 – Indicadores da subcategoria b (Cibernético)


Fonte: Autor

Desta forma, confirmou-se a questão de estudo b), desta fase, que afirma
que a Presença Intangível na Amazônia pode ser medida pelo ambiente cibernético
existente na região amazônica.

Subcategoria c. (Metafísico)

Com relação a subcategoria c. (Metafísico), temos 80% (16) de vinculação


positiva, mostrando uma alta aceitação da lógica exposta.
Esta lógica está relacionada com todas as atividades e cursos em geral que
agreguem valor a ideia de presença militar na Amazônia, porque a política de defesa
no Brasil padece de falta de clareza e continuidade, não existindo uma cultura de
defesa, segundo Almeida (2005). Um dos motivos, segundo Lampreia (2012), é que
o Brasil não se envolve em conflitos e não tem inimigos claros, bem definidos.
Segundo Almeida (2005), durante os governos militares ocorreu um
monopólio na atuação política e do pensamento estratégico pelos militares, o que,
de certa forma, distanciou os demais atores nacionais das discussões deste teor,
dificultando a formação de uma mentalidade de defesa, que no entender de ferreira
(2010) é o conjunto de manisfetações de uma coletividade.
Após a redemocratização, a mentalidade de defesa nacional ficou em
segundo plano, segundo Almeida (2005), o que pode ser confirmado pelos dados do
Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS).
Nas referidas tabelas, pode-se retirar diversos dados, mas, principalmente,
ressalta-se que a maior ameaça para a sociedade está relacionada ao narcotráfico.
A Região Norte é a que mais percebe ameaças ao interesse nacional na Amazônia,
na bacia do pré-sal e uma possível agressão estrangeira em detrimento das demais,
sendo que a faixa etária, que mais corrobora com estas idéias, estão entre os 18 e
34 anos e entre 45 e 54 anos.
Estes dados mostram a necessidade da participação de civis e militares em
cursos da Escola Superior de Guerra (ESG), Universidades e demais cursos livres
194

gerando uma mentalidade de defesa, de forma a valorizar a presença destes


espaços vazios, a fim de manter a soberania sobre esta região.
[...] é criar uma mentalidade de defesa no alto escalão (do
69
governo federal) [...] para fazer frente as ameaças.
(Acréscimo/explicação deste Doutorando)
[...] não é trazer (autoridades e o meio acadêmico) para
estudar a defesa da amazônia somente, o melhor é estudar a defesa do
70
Brasil, porque a defesa é integrada. (Acréscimo/explicação deste
Doutorando)

A quantidade de oficiais dos Centros de Preparação de Oficiais da Reserva


(CPOR) e dos Núcleos de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR) contribuem
para divulgar as ideias sobre a mentalidade de defesa da amazõnia, os quais depois
de formados, retornam as suas atividades hodiernas, amplificando os
conhecimentos adquiridos na caserna.
A participação de universitários no Projeto Rondon contribui para ampliar o
conhecimento destes sobre a Amazônia, despertando a consciência para a
necessidade de uma mentalidade de defesa para este amplo território, que é a
Amazônia.
Cõrtes (2005) adverte para a existência de uma violação de interesses entre
dois ou mais Estados, neste caso, sobre o assunto Amazônia, alegando que a
fronteira metafísica amazônica foi violada, devido, entre outros motivos, a pressão
recebida pelo Brasil para adoção de legislação interna ou assinatura de acordos
lesivos ao interesse nacional, sendo uma das características deste tipo de violação,
que o agredido somente percebe a violação depois de ocorrido, depois do fato
consumado.
Contudo, o tema Amazônia foi securitizado, conforme Buzan et al (1998), ou
seja, este assunto adquiriu uma ameaça existencial, e pode ser encarado, de forma
geral, em duas formas: nas vertentes ambientalista ou desenvolvimentista, segundo
Bentes (2005), devido, entre outros fatores, a existência de uma pressão
internacional sobre a região amazônica, segundo Becker (2005).

69
Depoimento da Doutora Selma, Major do EB, integrante da 7ª Subchefia do Estado-Maior do
Exército, e que exerceu diversas funções no âmbito do EB e Acadêmicas, como professora da
Instituito Meira Mattos da ECEME, de outras universidades, entre outras funções de relevo.
70
Depoimento do General Franklimberg, que, atualmente, é Secretário da FUNAI, e que tem
muitos anos de serviço na Amazônia, tendo inclusive, comandado a 1ª Brigada de Infantaria de Selva
em Boa Vista-Roraima.
195

A presença de cidadãos com a mentalidade de defesa contribui para a


adoção de políticas de defesa mais para um comportamento organizacional,
seguindo uma estrutura, uma hierarquia, uma burocracia estatal, do que uma política
governamental ou política do palácio, conforme adverte Allison e Zelikow (1999),
favorecendo a concretização de políticas de Estado e não de Governo, como foram
a criação da PND e da END, segundo Oliveira (2009).
Após as entrevistas, algumas entrevistas sugeriram a mudança do termo
METAFÍSICO para MENTALIDADE DE DEFESA, o qual resume melhor a ideia
desta pesquisa, não deixando margem a dúvida, ficando subcategoria c.
(Mentalidade de Defesa).
Desta forma, com base nas entrevistas, foi possível enumerar os possíveis
indicadores desta subcategoria, tendo em vista que os entrevistados são
especialistas no assunto abordado.

Subcategoria Indicadores Teoria e Autor


c – Mentalidade 1) A quantidade de reivindicações jurídicas da Côrtes (2005) e E20
de Defesa fronteira e implicações de reivindicações de
terceiros favorecem a soberania sobre a Amazônia.
2) As pressões para adoção de legislação interna ou Côrtes (2005) e E17
assinatura de acordos lesivos ao interesse nacional
favorecem a soberania sobre a Amazônia.
3) A existência de ameaça militar favorece a Côrtes (2005) e E13
soberania sobre a Amazônia.

4) A existência de ameaça armada de movimentos Côrtes (2005)


subversivos favorece a soberania sobre a Amazônia.

5) A existência de atividades ilícitas na fronteira Côrtes (2005), E1 e E5


favorece a soberania sobre a Amazônia.

6) A existência de porosidade decorrente de intensa Côrtes (2005), E8 e E10


atividade econômica favorece a soberania sobre a
Amazônia.
7) A existência de vazios demográficos favorece a Côrtes (2005), E1, E2 e E5
soberania sobre a Amazônia.

8) A quantidade de civis em cursos da ECEME, E20, Paiva (2012) e E14


EGN, Escola Superior de Guerra e do Instituto
Pandiá Calógeras favorece a soberania sobre a
196

Amazônia.

9) A quantidade de participações de universitários E1 e E7


no projeto Rondon favorece a soberania sobre a
Amazônia.
10) A quantidade de visitas de parlamentares à E14 e E17
região amazônica favorece a soberania sobre a
Amazônia.
11) A percepção da população quanto ao nível de E17 e SIPS (2011)
importância das Forças Armadas favorece a
soberania sobre a Amazônia.
12) A quantidade de atividades junto ao meio E14, E17 e E20
acadêmico de forma a incentivar o debate sobre a
defesa da Amazônia favorece a soberania sobre a
mesma.
13) A quantidade de debates na mídia sobre o tema E11, E10
defesa da Amazônia favorece a soberania sobre a
mesma.
14) A presença da assessoria parlamentar no E15 e E16
Congresso e Senado Federal favorece a soberania
sobre a Amazônia.
15) A formação de pesquisadores (graduação e pós- E20, E14 e E7
graduação) e trabalhos de brasileiros amazônicos
em instituições civis e militares de ensino
favorecem a soberania sobre a Amazônia.
16) Aumentar o pronunciamento em órgãos de E7, Côrtes (2005) e Paiva
segurança internacionais favorece a soberania sobre (2012)
a Amazônia.
17) A quantidade de seminários, estudos, artigos, E16, E20 e E9
dissertações e teses voltadas para o tema Amazônia
favorece a soberania sobre a mesma.
18) A quantidade de matérias veiculadas na mídia E5, E16 e E14
relativas ao tema Amazônia favorece a soberania
sobre a mesma.
19) A quantidade dos centros de estudos de defesa E7, E9 e PND (2012)
favorece a soberania sobre a Amazônia.

20) O número de universidades que possuem E14 e E16


centros de estudos de defesa favorece a soberania
sobre a Amazônia;
Quadro 23 – Indicadores da subcategoria c (Mentalidade de Defesa)
Fonte: Autor
197

Desta forma, confirmou-se a questão de estudo c), desta fase, que afirma
que a Presença Intangível na Amazônia pode ser medida pelo ambiente metafísico,
como a realização de cursos e estágios de sobre o assunto defesa para a
sociedade, entre outros, criando-se uma mentalidade de defesa.
Por fim, confirmou-se a segunda questão de estudo, a partir das respostas
obtidas e da triangulação de conteúdo, com as seguintes subcategorias: a.
Monitoramento; b. Cibernético; c. Mentalidade de Defesa.

7.2 FASE QUANTITATIVA

7.2.1 Pré-Teste

Este trabalho segue uma abordagem explicativa e descritiva, pois busca


discutir as questões da Presença Tangível e da Presença Intangível, descrevendo
seus pontos essenciais, a partir de um trabalho de análise de conteúdo, com a
consolidação de opiniões de estudiosos do assunto.
Sendo assim, foi realizada uma pesquisa de campo, por intermédio de um
questionário estruturado do tipo Survey71 com cinco níveis de resposta na escala
Likert72, contendo duas partes, sendo a primeira voltada para o entendimento da
Presença Tangível de forma a favorecer a compreensão da estratégia militar de
ocupação da amazônia, conforme Apêndice C (Questionário quantitativo sobre a
PRESENÇA TANGÍVEL, para análise fatorial inicial com SPSS 16.0, para
Militares Brasileiros (Marinha, Exército e Aeronáutica), do Quadro de Estado-
Maior, servindo na Amazônia e Acadêmicos (Brasileiros e Estrangeiros) que
tenham experiência na Amazônia). Em sua segunda parte, o questionário
apresentou o questionamento aos respondentes sore a Presença Intangível, de

71
Survey é um método de pesquisa de levantamento de opinião pública, de mercado e, atualmente, em
pesquisas sociais, de forma a descrever ou explicar variáveis de uma população, a partir da análise estatística de
uma amostra.
72
Escala Likert é a escala mais usada em pesquisas de opinião. Por intermédio dela, os entrevistados
especificam seu nível de concordância com uma afirmação, com base em cinco níveis de respostas, apesar de
que alguns pesquisadores preferem usar sete ou mesmo nove níveis. Ela tem seu nome devido à publicação de
um relatório explicando seu uso por Rensis Likert.
198

forma a contribuir para a compreensão da estratégia da presença na Amazônia,


conforme Apêndice D (Questionário quantitativo sobre a PRESENÇA
INTANGÍVEL, para análise fatorial inicial com SPSS 16.0, para Militares
Brasileiros (Marinha, Exército e Aeronáutica), do Quadro de Estado-Maior,
servindo na Amazônia e Acadêmicos (Brasileiros e Estrangeiros) que tenham
experiência na Amazônia).
Como parâmetro para os questionamentos feitos na pesquisa, foram
consideradas as opiniões dos especialistas no assunto, devido a falta de variáveis
elencadas por outros autores para a análise da estratégia da Presença Tangível e
Intangível na Amazônia pelo setor militar para o século XXI, conforme se segue:
Perguntas para Presença Tangível Letras
indicadoras
1) A quantidade de organizações militares, vocacionadas para o combate
operacionais da Marinha, Exército e Aeronáutica na região amazônica qom
favorecem a soberania sobre a mesma.
2) A quantidade de Navios, Aeródromos e Forças de Ação Rápida regionais
que poderiam apoiar a dissuasão extra-regional na Amazônia favorecem a qna
soberania sobre a mesma.
3) As possibilidades de invasões ao território nacional favorecem a soberania
pit
sobre a Amazônia.
4) As tropas operacionais sem encargos administrativo favorecem a soberania
tos
sobre a Amazônia.
5) A capacidade de mobilidade estratégica e tática aérea, naval e terrestre
cme
favorece a soberania sobre a Amazônia.
6) A quantidade de unidades militares completas, com todos os elementos de
qgc
combate favorecem a soberania sobre a Amazônia.
7) A capacidade logística, a capacidade de durar na ação (transporte, fluxo
cda
logístico e recompletamento) favorece a soberania sobre a Amazônia.
8) A quantidade de exercícios de adestramento voltados à defesa externa,
qea
dentro da hipóteses de emprego, favorece a soberania sobre a Amazônia.
9) A capacidade de projetar poder na região favorece a soberania sobre a
cpp
Amazônia.
10) O número de vezes que as Organizações Militares se fizeram presentes na
nvp
fronteira favorecem a soberania sobre a Amazônia.
11) O nível operacional das OM voltadas para o combate externo favorece a
noo
soberania sobre a Amazônia.
199

12) A capacidade operacional dos Pelotões Especiais de Fronteira favorece a


cop
soberania sobre a Amazônia.
13) A quantidade de eixos penetrantes fluviais, aéreos e terrestres na
qep
Amazônia favorecem a soberania sobre a mesma.
14) Os principais regiões de vazios demográficos e cidades de pequeno e
pvd
médio porte na fronteira favorecem a soberania sobre a Amazônia.
15) A eficiência no combate aos crimes transfronteiriços favorece a soberania
ecc
sobre a Amazônia.
16) O controle das penetrantes que adentram ao País e pontos de confluência
ccf
fluviais no interior da Amazônia favorecem a soberania sobre a mesma.
17) A quantidade de penetrantes fluviais, aéreos e terrestre favorecem a
cpf
soberania sobre a Amazônia.
18) Identificar os eixos de riscos ao território nacional favorece a soberania
ier
sobre a Amazônia.
19) O resultado das operações de vigilância de fronteira favorece a soberania
rov
sobre a Amazônia.
20) O número de áreas cegas dos projetos SIVAM, SISFRON e SisGAAz
nac
favorecem a soberania sobre a Amazônia.
21) A quantidade de organizações militares da Marinha, Exército e
Aeronáutica na região amazônica voltadas para missões de GLO e missões qgl
subsidiárias favorecem a soberania sobre a Amazônia.
22) As principais regiões da Amazônia com graves problemas sociais e
políticos que exigem a presença de organizações militares favorecem a gps
soberania sobre a Amazônia.
23) O número de operações na faixa de fronteira favorece a soberania sobre a
nof
Amazônia.
24) A quantidade de exercício de GLO favorece a soberania sobre a
qeg
Amazônia.
25) A quantidade de missões eventuais provindas do Exército Brasileiro, do
Ministério da Defesa e da Presidência da República favorecem a soberania qme
sobre a Amazônia.
26) A quantidade de meios adequados para cumprir este tipo de missão
qma
favorece a soberania sobre a Amazônia.
27) A quantidade de órgãos de segurança pública estaduais e federais na
qoe
região favorecem a soberania sobre a Amazônia.
28) A proximidade dos centros políticos favorece a soberania sobre a
pcp
Amazônia.
29) O nível operacional das Organizações Militares voltadas para GLO e
nog
missões subsidiárias favorece a soberania sobre a Amazônia.
200

30) O resultado das operações de GLO e missões subsidiárias favorece a


rog
soberania sobre a Amazônia.
31) A quantidade de Operações Interagências favorece a soberania sobre a
qoi
Amazônia.
32) A quantidade de Municípios amazônicos distantes do poder central
qmc
estadual, sem a presença de tropas, favorece a soberania sobre a Amazônia.
33) Os vazios populacionais no interior da Amazônia favorecem a soberania
vpi
sobre a Amazônia.
34) O número de cidades entre 10 mil e 50 mil habitantes favorecem a
ncd
soberania sobre a Amazônia.
35) A quantidade de atiradores formados nos tiros-de-guerra favorece a
qaf
soberania sobre a Amazônia.
36) A demanda em caso de mobilização nacional favorece a soberania sobre a
dcm
Amazônia.
37) A satisfação do poder público municipal favorece a soberania sobre a
spp
Amazônia.
38) A quantidade de organizações militares da Marinha, Exército e
Aeronáutica na região amazônica voltadas para o desenvolvimento nacional qdn
favorecem a soberania sobre a mesma.
39) A quantidade de trabalhos de engenharia realizados e em andamento
qte
favorecem a soberania sobre a Amazônia.
40) A participação em projetos nacionais de engenharia favorece a soberania
ppn
sobre a Amazônia.
41) A capacidade logística para apoiar obras de engenharia na amazônia
cle
favorece a soberania sobre a mesma.
42) O número de convênios com órgãos municipais, estaduais e federais
nco
favorece a soberania sobre a Amazônia.
43) O número de áreas populacionais com reduzida infraestrutura e presença
nri
do Estado favorece a soberania sobre a Amazônia.
44) O número de cidades surgidas a partir de Organizações Militares de
ncs
engenharia favorece a soberania sobre a Amazônia.
45) A quantidade de localidade atendidas pelo programa calha norte favorece
qla
a soberania sobre a Amazônia.
Tabela 14 – Perguntas para Presença Tangível e suas letras código
Fonte: Autor

Perguntas para Presença Intangível Letras


indicadoras
1) A quantidade de sensores na fronteira e no interior da região amazônica
qsf
dentro dos projetos SIVAM, SISFRON E SisGAAz favorecem a soberania
201

sobre a Amazônia.

2) A capacidade de monitoramento dos projetos SIVAM, SISFRON e


cmp
SisGAAz favorecem a soberania sobre a Amazônia.
3) A integração entre os projetos SIVAM, SISFRON e SisGAAz favorecem a
ips
soberania sobre a Amazônia.
4) A quantidade e área de cobertura dos satélites e radares favorecem a
qac
soberania sobre a Amazônia.
5) A capacidade de reação dos atuadores favorece a soberania sobre a
cra
Amazônia.
6) O tempo de resposta dos sistemas SIVAM, SISFRON e SisGAAz a um
trs
ilícito na região favorece a soberania sobre a Amazônia.
7) O número de apreensões e detecções favorecem a soberania sobre a
nad
Amazônia.
8) A quantidade de centros de Comando e Controle nas OM de fronteira
qcc
favorecem a soberania sobre a Amazônia.
9) A infraestrutura de backbones (eixos centrais de dados), satelitais e fibra
ibs
ótica na região amazônica favorece a soberania sobre a mesma.
10) A capacidade de tráfego nas redes de dados estaduais favorece a
ctr
soberania sobre a Amazônia.
11) A existência de organizações militares na Amazônia voltadas para defesa
odc
cibernética favorece a soberania sobre a mesma.
12) O nível de controle de dados das redes favorece a soberania sobre a
ncd
Amazônia.
13) O nível de segurança na transmissão de dados (contra ataques, tentativas,
nst
invasões e infecções) favorece a soberania sobre a Amazônia.
14) O grau de subordinação ao Centro de Defesa Cibernético favorece a
gsc
soberania sobre a Amazônia.
15) O número de centro cibernéticos favorecem a soberania sobre a
ncc
Amazônia.
16) O número de elementos capacitados para Defesa Cibernética favorece a
nec
soberania sobre a Amazônia.
17) O tempo de resposta a um problema cibernético favorece a soberania
trp
sobre a Amazônia.
18) A capacidade de monitoramento das redes favorece a soberania sobre a
cmr
Amazônia.
19) Os gargalos físicos do sistema cibernético (nós de redes, satélites e
gfs
servidores) favorecem a soberania sobre a Amazônia.
202

20) A quantidade de reivindicações jurídicas da fronteira e implicações de


qrj
reivindicações de terceiros favorecem a soberania sobre a Amazônia.
21) As pressões para adoção de legislação interna ou assinatura de acordos
pal
lesivos ao interesse nacional favorecem a soberania sobre a Amazônia.
22) A existência de ameaça militar favorece a soberania sobre a Amazônia. eam
23) A existência de ameaça armada de movimentos subversivos favorece a
eaa
soberania sobre a Amazônia.
24) A existência de atividades ilícitas na fronteira favorece a soberania sobre
eai
a Amazônia.
25) A existência de porosidade decorrente de intensa atividade econômica
epe
favorece a soberania sobre a Amazônia.
26) A existência de vazios demográficos favorece a soberania sobre a
evd
Amazônia.
27) A quantidade de civis em cursos da ECEME, EGN, Escola Superior de
Guerra e do Instituto Pandiá Calógeras favorece a soberania sobre a csg
Amazônia.
28) A quantidade de participações de universitários no projeto Rondon
qpu
favorece a soberania sobre a Amazônia.
29) A quantidade de visitas de parlamentares à região amazônica favorece a
qvp
soberania sobre a Amazônia.
30) A percepção da população quanto ao nível de importância das Forças
ppf
Armadas favorece a soberania sobre a Amazônia.
31) A quantidade de atividades junto ao meio acadêmico de forma a
incentivar o debate sobre a defesa da Amazônia favorece a soberania sobre a qaa
mesma.
32) A quantidade de debates na mídia sobre o tema defesa da Amazônia
qdm
favorece a soberania sobre a mesma.
33) A presença da assessoria parlamentar no Congresso e Senado Federal
pap
favorece a soberania sobre a Amazônia.
34) A formação de pesquisadores (graduação e pós-graduação) e trabalhos de
brasileiros amazônicos em instituições civis e militares de ensino favorecem a fpt
soberania sobre a Amazônia.
35) Aumentar o pronunciamento em órgãos de segurança internacionais
apo
favorece a soberania sobre a Amazônia.
36) A quantidade de seminários, estudos, artigos, dissertações e teses
qse
voltadas para o tema Amazônia favorece a soberania sobre a mesma.
37) A quantidade de matérias veiculadas na mídia relativas ao tema Amazônia
qmv
favorece a soberania sobre a mesma.
203

38) A quantidade dos centros de estudos de defesa favorece a soberania sobre


qce
a Amazônia.
39) O número de universidades que possuem centros de estudos de defesa
nuc
favorece a soberania sobre a Amazônia.
Tabela 15 – Perguntas para Presença Tangível e suas letras código
Fonte: Autor

Assim, para uma população de cerca de 420 (quatrocentos e vinte) alunos das
Escolas de Altos Estudos Militares das três Forças Armadas (Marinha, Exército e
Aeronáutica) e da Escola Superior de Guerra, compostos por civis e militares das
três Forças com conhecimento sobre o assunto Amazônia, devido a sua importância
e ênfase dada nestes cursos, além da vivência de seus integrantes na Amazônia. A
amostra foi selecionada seguindo o método de amostragem probabilística por
conglomerados73, garantindo uma margem de erro de 5%, com um nível de
confiança de 95%.
Assim, a amostra foi de 203 respondentes, do Curso de Política e Estratégia e
Alta Administração do Exército (CPEAEx) da Escola de Comando e Estado-Maior do
Exército (ECEME) e do Curso de Estudos de Política e Estratégia (CAEPE) da
Escola Superior de Guerra (ESG), composta por alunos do CPEAEX 2013 (46
respondentes), CPEAEx 2014 (43 respondentes) e do CAEPE 2013 (54
respondentes) e CAEPE 2014 (58 respondentes). Os questionários foram aplicados
no mês de novembro de 2013 e 2014, por meio de um corte-transversal74,
atendendo ao critério da acessibilidade.
O tratamento dos dados seguiu o método quantitativo, usando o software
SPSS 16.0 como ferramenta de processamento, de forma a auxiliar a Análise
Fatorial inicial, o que garante dados estatisticamente confiáveis.
As limitações do presente estudo estão na seleção da amostra, já que somente
alunos do CPEAEX e do CAEPE foram ouvidos, o que pode prejudicar os
resultados, levando a generalizações. Contudo, fica a proposta a futuros
pesquisadores de aplicação do questionário empregado como subsidío para outros
institutos de pesquisa e inovação, a fim de ampliar as referidas generalizações.

73
Amostragem Probabilística por Conglomerados ocorre quando uma população é dividida
fisicamente em conglomerados, em grupos característicos. Depois, selecionam-se aleatoriamente os
conglomerados ou grupos que farão parte da amostra, ao passo que todos os elementos dos
conglomerados selecionados serão amostrados.
74
Corte transversal significa que a coleta de dados ocorreu em um único momento.
204

Ressalta-se, ainda, que os resultados são baseados nas opiniões pessoais dos
entrevistados e não possuem caráter conclusivo sobre o assunto.
As hipóteses da investigação foram as seguintes:
- H1: a teoria da Presença Tangível pode ser aplicada à Estratégia da
Presença Militar na Amazônia.
- H2: a teoria da Presença Intangível pode ser aplicada à Estratégia da
Presença Militar na Amazônia.

7.2.1.1 Análise dos Resultados sobre a Presença Tangível

7.2.1.1.1 Análise de cada Subcategoria da Presença Tangível

Para análise de cada subcategoria da Presença Tangível, foram


estabelecidos algumas hipóteses intermediárias para esta fase do trabalho,
conforme se segue:
- Hat: a teoria da Contraparte da Mobilidade pode ser aplicada a
teoria da Presença Tangível.
- Hbt: a teoria da Contenção pode ser aplicada a teoria da Presença
Tangível.
- Hct: a teoria da Ocupação Territorial pode ser aplicada a teoria da
Presença Tangível.
- Hdt: a teoria da Distribuição Territorial pode ser aplicada a teoria
da Presença Tangível.
- Het: a teoria do Desenvolvimento Nacional pode ser aplicada a
teoria da Presença Tangível.

a) ANÁLISE DA SUBCATEGORIA A (CONTRAPARTE DA MOBILIDADE)

No processamento das pesquisas, após realizada a coleta de dados por fatores


principais, inicialmente, foi verificado o Alfa de Cronbach75, da subcategoria a
(CONTRAPARTE DA MOBILIDADE), a fim de determinar se os fatores levantados

75
O Alfa de Cronbach é um tipo de medida diagnóstica do coeficiente de confiabilidade que avalia a
consistência da escala inteira, sendo o mais usado para tal tarefa. (HAIR, 2005, p. 112)
205

neste constructo eram suficientes para explicá-lo, com base na pesquisa realizada
na ECEME e ESG. Conforme orienta HAIR et. al. (2005), os valores desejáveis são
os acima de 0,7 sendo que, os abaixo de 0,5, invalidam a pesquisa. O valor
encontrado foi de 0,812 e, portanto, acima do recomendado. Desta forma,
confirmou-se a possibilidade de explicar o constructo por meio das perguntas feitas
na pesquisa de opinião apresentada aos respondentes, o que confirma,
estatisticamente, a hipótese Hat da investigação.
Após a verificação da confiabilidade interna do constructo, foi realizada uma
Análise Fatorial, com o intuito de se verificar a situação da contraparte da mobilidade
em relação a Presença Tangível, com base em algumas variáveis apresentadas
pelos especialistas e consolidadas neste trabalho pela análise de conteúdo,
encontrando-se, como resultado, apenas um fator englobando 5 (cinco) dentre as
11 (onze) variáveis iniciais, com uma capacidade de explicação de 51,724 % da
variância total.

Factor
1

QNA .789
CME .713
CDA .800
QEA .661
NOO .615
Tabela 16 – Fator e variáveis (Contraparte da mobilidade)
Fonte: Autor

Da análise da tabela 16, no constructo “contraparte da mobilidade”, conclui-se


que três variáveis destacam-se como mais importantes: capacidade logística,
capacidade de durar na ação (cda); quantidade de navios, aeródromos e força de
ação rápida regionais que poderiam apoiar a disuassão extra-regional na Amazônia
(qna); e capacidade de mobilização estratégica e tática aérea, naval e terrestre
(cme) com valores de 0,800; 0,789 e 0,713, respectivamente.
A capacidade de durar na ação e a capacidade logística influenciam no
desdobramento das forças militares na amazônia, pois se a distãncia de
reabastecimento for muito grande, isso gera a necessidade de desdobramento de
organizações militares pela região, em distâncias que permitam o reabastecimento e
206

o prosseguimento da missão, como as organizações militares em São Gabriel da


Cachoeira-AM ou Belém-PA.
A quantidade de navios, aeródromos e força de ação rápida regional em
condições de apoiar a dissuassão extra-regional na amazônia favorecem o
desdobramento de OM das três Forças na amazônia, as quais são dispersas
visando aumentar a presente disuassão.
A capacidade de mobilização estratégica e tática, seja aérea, naval e terrestre,
é um dos principais fatores para o desdobramento de forças na região, favorecendo
o desdobramento de tropas em Belém-PA ou em Porto Velho-RO.

Initial Extraction

QNA .501 .623


CME .503 .508
CDA .561 .641
QEA .403 .437
NOO .373 .378
Tabela 17 – Matriz de Comunalidades (Contraparte da mobilidade)
Fonte: Autor

A Tabela 17 reflete o quanto de cada variável representa ou explica a


variância total, destacando-se, por coincidência, como as mais representativas as
variáveis cda (0,641) e qna (0,623) e cme (0,508).
Por fim, foi estabelecida uma descrição estatística com a finalidade de verificar
os valores máximos e mínimos, a média e o desvio-padrão sobre a “contraparte da
mobilidade”, conforme a tabela 18:

N Range Minimum Maximum Mean Std. Deviation Variance


Statistic Statistic Statistic Statistic Statistic Std. Error Statistic Statistic

QOM 203 4 1 5 3.48 .072 1.026 1.053


QNA 203 4 1 5 3.27 .085 1.207 1.456
PIT 203 4 1 5 3.77 .076 1.081 1.169
TOS 203 4 1 5 3.65 .077 1.096 1.200
CME 203 4 1 5 3.66 .080 1.142 1.305
QGC 203 4 1 5 3.68 .081 1.151 1.326
CDA 203 4 1 5 3.60 .090 1.288 1.658
QEA 203 4 1 5 3.54 .072 1.021 1.042
CPP 203 4 1 5 3.83 .068 .966 .932
NVP 203 4 1 5 3.55 .071 1.010 1.021
207

N Range Minimum Maximum Mean Std. Deviation Variance


NOO 203 4 1 5 3.58 .060 .854 .730
Tabela 18 – Descrição Estatística (Contraparte da mobilidade)
Fonte: Autor

Pela estatística descritiva, em uma escala de 1 a 5, valores superiores a 3


(três) demonstram concordância dos respondentes com as perguntas feitas, ou seja,
que os indicadores possuem aderência com o Construto “contraparte da
mobilidade”, segundo os respondentes, pois todos os indicadores foram acima de 3
(três).
Pela tabela 18, destacam-se as variáveis: Capacidade de projetar poder na
região (cpp), possibilidades de invasões ao território nacional (pit) e quantidade de
grande comandos, grande unidades e unidades completas com todos os elementos
de combate (qgc), como os fatores de maior concordância dos respondentes sobre
o assunto pesquisado.

b) ANÁLISE DA SUBCATEGORIA B (CONTENÇÃO)

No processamento das pesquisas, após realizada a coleta de dados por fatores


principais, inicialmente, foi verificado o Alfa de Cronbach, da subcategoria b
(CONTENÇÃO), a fim de determinar se os fatores levantados neste constructo eram
suficientes para explicá-lo, com base na pesquisa realizada na ECEME e ESG.
Conforme orienta HAIR et. al. (2005), os valores desejáveis são os acima de 0,7
sendo que, os abaixo de 0,5, invalidam a pesquisa. O valor encontrado foi de 0,820
e, portanto, acima do recomendado. Desta forma, confirmou-se a possibilidade de
explicar o constructo por meio das perguntas feitas na pesquisa de opinião
apresentada aos respondentes, o que confirma, estatisticamente, a hipótese Hbt
da investigação.
Após a verificação da confiabilidade interna do constructo, foi realizada uma
Análise Fatorial, com o intuito de se verificar a situação da contenção em relação a
Presença Tangível, com base em algumas variáveis apresentadas pelos
especialistas e consolidadas neste trabalho, encontrando-se, como resultado,
apenas um fator englobando 6 (seis) dentre as 9 (nove) variáveis iniciais, com uma
capacidade de explicação de 51,724 % da variância total.
208

Factor
1
QEP .525
PVD .564
CCF .576
IER .699
ROV .697
NAC .723
Tabela 19 – Fator e variáveis (Contenção)
Fonte: Autor

Da análise da tabela 19, no constructo “contenção”, conclui-se que três


variáveis destacam-se como mais importantes: número de áreas cegas dos projetos
SIVAM, SISFRON e SisGAAz (nac); identificar os eixos de riscos ao território
nacional (ier); e resultado das operações de vigilância de fronteira (rov) com valores
de 0,723; 0,699 e 0,697, respectivamente.
O número de áreas cegas dos projetos SIVAM, SISFRON e SisGAAz gera um
descontrole do território, reforçando a necessidade e dispor de meios que favoreçam
o desdobramento de OM na região como os Pelotões Especiais de Fronteira.
Ao identificar os eixos de riscos ao território nacional, torna-se possível
desdobramento de meios para ocupar e proteger estas partes longíquas do país
como as OM em Macapá-AP e Belém-PA.
O resultado das operações de vigilância de fronteira reforçam a necessidade
de ter meios no local para prover a segurança e a defesa do território amazônico,
tendo em vista que o retorno destas operações favorecem o argumento para criar
OM na região, como os mais recentes Destacamentos de Fronteira do Acre.

Initial Extraction
QEP .263 .338
PVD .259 .333
CCF .242 .306
IER .359 .478
NAC .353 .478
Tabela 20 – Matriz de Comunalidades (Contenção)
Fonte: Autor
209

A Tabela 20 reflete o quanto de cada variável representa ou explica a


variância total, destacando-se como as mais representativas as variáveis ier (0,478),
nac (0,478) e a quantidade de eixos penetrantes fluviais, aéreos, terrestres qep
(0,338).
Por fim, foi estabelecida uma descrição estatística com a finalidade de verificar
os valores máximos e mínimos, a média e o desvio-padrão sobre a “contenção”,
conforme a tabela 21:

N Range Minimum Maximum Mean Std. Deviation Variance


Statistic Statistic Statistic Statistic Statistic Std. Error Statistic Statistic

COP 203 4 1 5 3.23 .080 1.134 1.285


QEP 203 4 1 5 3.74 .073 1.045 1.092
PVD 203 4 1 5 3.60 .079 1.119 1.252
ECC 203 4 1 5 3.27 .084 1.190 1.416
CCF 203 4 1 5 3.28 .087 1.240 1.537
CPF 203 4 1 5 3.59 .077 1.097 1.203
IER 203 4 1 5 3.86 .066 .941 .885
ROV 203 4 1 5 3.40 .078 1.110 1.231
NAC 203 4 1 5 3.50 .073 1.045 1.093
Tabela 21 – Descrição Estatística (Contenção)
Fonte: Autor

Pela estatística descritiva, em uma escala de 1 a 5, valores superiores a 3


(três) demonstram concordância dos respondentes com as perguntas feitas, ou seja,
que os indicadores possuem aderência com o Construto “contenção”, segundo os
respondentes, pois todos os indicadores foram acima de 3 (três).
Pela tabela 21, destacam-se as variáveis: identificar os eixos de riscos ao
território nacional (ier), quantidade de eixos penetrantes fluviais, aéreos e terrestres
na amazônia (qep) e principais regiões de vazios demográficos e cidades de
pequeno e médio porte na fronteira (pvd), como os fatores de maior concordância
dos respondentes sobre o assunto pesquisado.

c) ANÁLISE DA SUBCATEGORIA C (OCUPAÇÃO TERRITORIAL)

No processamento das pesquisas, após realizada a coleta de dados por fatores


principais, inicialmente, foi verificado o Alfa de Cronbach, da subcategoria c
(OCUPAÇÃO TERRITORIAL), a fim de determinar se os fatores levantados neste
210

constructo eram suficientes para explicá-lo, com base na pesquisa realizada na


ECEME e ESG. Conforme orienta HAIR et. al. (2005), os valores desejáveis são os
acima de 0,7 sendo que, os abaixo de 0,5, invalidam a pesquisa. O valor encontrado
foi de 0,647 e, portanto, abaixo do recomendado. Desta forma, não se confirmou a
possibilidade de explicar o constructo por meio das perguntas feitas na pesquisa de
opinião apresentada aos respondentes, não confirmando, estatisticamente, a
hipótese Hct da investigação.
Após a verificação da confiabilidade interna do constructo, foi realizada uma
Análise Fatorial, com o intuito de se verificar a situação da ocupação territorial em
relação a Presença Tangível, com base em algumas variáveis apresentadas pelos
especialistas e consolidadas neste trabalho, encontrando-se, como resultado,
apenas um fator englobando 3 (três) dentre as 11 (onze) variáveis iniciais, com uma
capacidade de explicação de 41,454 % da variância total.

Factor
1
QME .528
ROG .647
QOI .741
Tabela 22 – Fator e variáveis (Ocupação Territorial)
Fonte: Autor

Da análise da tabela 22, no constructo “ocupação territorial”, conclui-se que


duas variáveis destacam-se como mais importantes: quantidade de operações
interagências (qoi); e resultado das operações de GLO e missões subsidiárias (rog)
com valores de 0,741 e 0,647, respectivamente.
A quantidade de operações interagências na amazônia favorecem o emprego
de tropas com várias agências, de forma que se torna identificável as regiões que
necessitam de forças militares em condições de atuarem de imediato e que estão
distantes do poder militar central.
O resultado das operações de GLO e missões subsidiárias contribuem para
manter a ordem nacional, contudo exigem tropas preparadas ao desempenho de
suas funções, contribuindo para a criação de OM no interior da amazônia, com
vocação para o desempenho destas atividades, como a Brigada de Marabá-PA.

Initial Extraction
211

Initial Extraction
QME .184 .279
ROG .257 .418
QOI .289 .549
Tabela 23 – Matriz de Comunalidades (Ocupação Territorial)
Fonte: Autor

A Tabela 23 reflete o quanto de cada variável representa ou explica a


variância total, destacando-se como as mais representativas as variáveis qoi (0,549)
e rog (0,418).
Por fim, foi estabelecida uma descrição estatística com a finalidade de verificar
os valores máximos e mínimos, a média e o desvio-padrão sobre a “ocupação
territorial”, conforme a tabela 24:

N Range Minimum Maximum Mean Std. Deviation Variance


Statistic Statistic Statistic Statistic Statistic Std. Error Statistic Statistic
QGL 203 4 1 5 3.18 .072 1.024 1.048
GPS 203 4 1 5 3.38 .073 1.044 1.089
NOF 203 4 1 5 3.46 .074 1.054 1.111
QEG 203 4 1 5 3.17 .065 .925 .856
QME 203 4 1 5 3.29 .069 .990 .979
QMA 203 4 1 5 3.34 .078 1.117 1.247
QOE 203 4 1 5 2.91 .095 1.358 1.844
PCP 203 4 1 5 3.05 .071 1.006 1.012
NOG 203 4 1 5 3.26 .068 .966 .934
ROG 203 4 1 5 3.44 .065 .923 .852
QOI 203 4 1 5 3.51 .072 1.021 1.043
Tabela 24 – Descrição Estatística (Ocupação Territorial)
Fonte: Autor

Pela estatística descritiva, em uma escala de 1 a 5, valores superiores a 3


(três) demonstram concordância dos respondentes com as perguntas feitas, ou seja,
que os indicadores possuem aderência com o Construto “contenção”, segundo os
respondentes, pois a maioria dos indicadores foram acima de 3 (três).
Pela tabela 24, destacam-se as variáveis: quantidade de operações
interagências (qoi); número de operações na faixa de fronteira (nof); e resultado das
operações de garantia da lei e da ordem e missões subsidiárias (rog), como os
fatores de maior concordância dos respondentes sobre o assunto pesquisado.
212

Assim, também, destacam-se como variável de menor concordância dos


respondentes sobre o assunto pesquisa: quantidade de órgãos de segurança pública
estaduais e federais na região (qoe).

d) ANÁLISE DA SUBCATEGORIA D (DISTRIBUIÇÃO TERRITORIAL)

No processamento das pesquisas, após realizada a coleta de dados por fatores


principais, inicialmente, foi verificado o Alfa de Cronbach, da subcategoria d
(DISTRIBUIÇÃO TERRITORIAL), a fim de determinar se os fatores levantados neste
constructo eram suficientes para explicá-lo, com base na pesquisa realizada na
ECEME e ESG. Conforme orienta HAIR et. al. (2005), os valores desejáveis são os
acima de 0,7 sendo que, os abaixo de 0,5, invalidam a pesquisa. O valor encontrado
foi de 0,687 e, portanto, abaixo do recomendado. Desta forma, não se confirmou a
possibilidade de explicar o constructo por meio das perguntas feitas na pesquisa de
opinião apresentada aos respondentes, não confirmando, estatisticamente, a
hipótese Hdt da investigação.
Após a verificação da confiabilidade interna do constructo, foi realizada uma
Análise Fatorial, com o intuito de se verificar a situação da distribuição territorial em
relação a Presença Tangível, com base em algumas variáveis apresentadas pelos
especialistas e consolidadas neste trabalho, encontrando-se, como resultado,
apenas um fator englobando 3 (três) dentre as 6 (seis) variáveis iniciais, com uma
capacidade de explicação de 58,908 % da variância total.

Factor
1
QAF .693
DCM .889
SPP .705
Tabela 25 – Fator e variáveis (Distribuição Territorial)
Fonte: Autor

A análise da tabela 25, no constructo “distribuição territorial”, conclui-se que


duas variáveis destacam-se como mais importantes: demanda em caso de
mobilização nacional (dcm); e satisfação do poder público municipal (spp) com
valores de 0,889 e 0,705, respectivamente.
213

A demanda em caso de mobilização nacional faz surgir a necessidade de se ter


elementos responsáveis pela catalogação, treinamento básico e recrutamento de
reservistas, o que pode ser desempenhado em parte pelos diversos Tiros-de-
guerras no interiror do amazonas.
A satisfação do poder público municipal com o desempenho das Forças
Armadas favorece o pleito dos mesmos para a criação de OM no interior, visando
atender fins diversos como um maior envolvimento com a sociedade e a
sensibilização do governo para o atendimento de algumas necessidades das
populações do interior.

Initial Extraction

QAF .397 .481


DCM .520 .790
SPP .409 .496
Tabela 26 – Matriz de Comunalidades (Distribuição Territorial)
Fonte: Autor

A Tabela 26 reflete o quanto de cada variável representa ou explica a


variância total, destacando-se como as mais representativas as variáveis dcm
(0,790) e spp (0,496).
Por fim, foi estabelecida uma descrição estatística com a finalidade de verificar
os valores máximos e mínimos, a média e o desvio-padrão sobre a “distribuição
territorial”, conforme a tabela 27:

N Range Minimum Maximum Mean Std. Deviation Variance


Statistic Statistic Statistic Statistic Statistic Std. Error Statistic Statistic
QMC 203 4 1 5 3.67 .072 1.026 1.052
VPI 203 4 1 5 3.77 .076 1.081 1.169
NCD 203 4 1 5 3.53 .064 .908 .824
QAF 202 4 1 5 3.21 .068 .962 .925
DCM 203 4 1 5 3.42 .074 1.052 1.107
SPP 203 4 1 5 3.10 .079 1.132 1.281
Tabela 27 – Descrição Estatística (Dsitribuição Territorial)
Fonte: Autor

Pela estatística descritiva, em uma escala de 1 a 5, valores superiores a 3


(três) demonstram concordância dos respondentes com as perguntas feitas, ou seja,
que os indicadores possuem aderência com o Construto “distribuição territorial”,
segundo os respondentes, pois a maioria dos indicadores foram acima de 3 (três).
214

Pela tabela 27, destacam-se as variáveis: vazios populacionais no interior do


amazonas (vpi); e quantidade de municípios amazônicos distantes do poder central
estadual sem a presença de tropas (qmc), como os fatores de maior concordância
dos respondentes sobre o assunto pesquisado.

e) ANÁLISE DA SUBCATEGORIA E (DESENVOLVIMENTO NACIONAL)

No processamento das pesquisas, após realizada a coleta de dados por fatores


principais, inicialmente, foi verificado o Alfa de Cronbach, da subcategoria e
(DESENVOLVIMENTO NACIONAL), a fim de determinar se os fatores levantados
neste constructo eram suficientes para explicá-lo, com base na pesquisa realizada
na ECEME e ESG. Conforme orienta HAIR et. al. (2005), os valores desejáveis são
os acima de 0,7 sendo que, os abaixo de 0,5, invalidam a pesquisa. O valor
encontrado foi de 0,701 e, portanto, acima do recomendado. Desta forma,
confirmou-se a possibilidade de explicar o constructo por meio das perguntas feitas
na pesquisa de opinião apresentada aos respondentes, o que confirma,
estatisticamente, a hipótese Het da investigação.
Após a verificação da confiabilidade interna do constructo, foi realizada uma
Análise Fatorial, com o intuito de se verificar a situação do desenvolvimento nacional
em relação a Presença Tangível, com base em algumas variáveis apresentadas
pelos especialistas e consolidadas neste trabalho, encontrando-se, como resultado,
apenas um fator englobando 4 (quatro) dentre as 8 (oito) variáveis iniciais, com uma
capacidade de explicação de 46,764 % da variância total.

Factor
1

QDN .542
PPN .686
CLE .817
NCO .661
Tabela 28 – Fator e variáveis (Desenvolvimento Nacional)
Fonte: Autor

Da análise da tabela 28, no constructo “desenvolvimento nacional”, conclui-se


que duas variáveis destacam-se como mais importantes: capacidade logística para
215

apoiar obras de engenharia na amazônia (cle); e participação em projetos nacionais


(ppn) com valores de 0,817 e 0,686, respectivamente.
A capacidade logística para apoiar obras de engenharia na amazônia
promovem a distribuição de OM de engenharia para que possam desempenhar suas
funções a contento, como ocorreu com a criação de OM deste porte em Boa Vista-
RR e Porto Velho- RO.
A participação em projetos nacionais também contribuem para criar ou manter
OM desta especialidade em regiões da amazônia, devido a necessidade de
manutenção e construção de obras de arte para engenharia, como a Companhia de
engenharia em São Gabriel da Cachoeira-AM.

Initial Extraction
QDN .291 .294
PPN .362 .471
CLE .477 .668
NCO .408 .437
Tabela 29 – Matriz de Comunalidades (Desenvolvimento Nacional)
Fonte: Autor

A Tabela 29 reflete o quanto de cada variável representa ou explica a


variância total, destacando-se como as mais representativas as variáveis cle (0,668)
e ppn (0,471).
Por fim, foi estabelecida uma descrição estatística com a finalidade de verificar
os valores máximos e mínimos, a média e o desvio-padrão sobre a
“desenvolvimento nacional”, conforme a tabela 30:

N Range Minimum Maximum Mean Std. Deviation Variance


Statistic Statistic Statistic Statistic Statistic Std. Error Statistic Statistic
QDN 203 4 1 5 3.38 .075 1.062 1.128
QTE 203 4 1 5 3.75 .067 .959 .919
PPN 203 4 1 5 3.73 .066 .943 .889
CLE 203 4 1 5 3.38 .072 1.020 1.040
NCO 203 4 1 5 3.30 .067 .950 .902
NRI 203 4 1 5 3.58 .082 1.163 1.354
NCS 203 4 1 5 3.35 .073 1.040 1.082
QLA 203 4 1 5 3.51 .064 .914 .835
Tabela 30 – Descrição Estatística (Desenvolvimento Nacional)
216

Fonte: Autor

Pela estatística descritiva, em uma escala de 1 a 5, valores superiores a 3


(três) demonstram concordância dos respondentes com as perguntas feitas, ou seja,
que os indicadores possuem aderência com o Construto “desenvolvimento nacional”,
segundo os respondentes, pois todos os indicadores foram acima de 3 (três).
Pela tabela 30, destacam-se as variáveis: quantidade de trabalhos de
engenharia realizados e em andamento (qte); participação em projetos nacionais
(ppn); e número de áreas populacionais com reduzida infraestrutura e presença do
Estado (nri) como os fatores de maior concordância dos respondentes sobre o
assunto pesquisado.
Então, como conclusão da análise de cada subcategoria, a Presença
Tangível seria reduzida de 5 subcategorias, com 45 variáveis, para 3
subcategorias somente (CONTRAPARTE DA MOBILIDADE), (CONTENÇÃO) e
(DESENVOLVIMENTO NACIONAL), com 15 variáveis no total, confirmando a
Hipótese H1 desta fase, conforme se segue:

Categoria Subcategorias Perguntas para Presença Tangível Letras


indicadoras
1) A quantidade de Navios, Aeródromos e
Forças de Ação Rápida regionais que
poderiam apoiar a dissuasão extra-regional qna
na Amazônia favorece a soberania sobre a
Amazônia.
2) A capacidade de mobilidade estratégica e
tática aérea, naval e terrestre favorece a cme
soberania sobre a Amazônia.
3) A capacidade logística, capacidade de
Presença a) Contraparte da
durar na ação (transporte, fluxo logístico e
Tangível mobilidade cda
recompletamento) favorece a soberania
sobre a Amazônia.
4) A quantidade de exercícios de
adestramento voltados à defesa externa,
qea
dentro da hipótese de emprego favorece a
soberania sobre a Amazônia.
5) O nível operacional das OM voltadas
para o combate externo favorece a soberania noo
sobre a Amazônia.
217

1) A quantidade de eixos penetrantes


fluviais, aéreos e terrestres na Amazônia qep
favorece a soberania sobre a mesma.
2) As principais regiões de vazios
demográficos e cidades de pequeno e médio
pvd
porte na fronteira favorece a soberania sobre
a Amazônia.
3) O controle das penetrantes que adentram
ao País e pontos de confluência fluviais no
ccf
interior do País favorece a soberania sobre a
b) Contenção
Amazônia.
4) Identificar os eixos de riscos ao território
nacional favorece a soberania sobre a ier
Amazônia.
5) O resultado das operações de vigilância
de fronteira favorece a soberania sobre a rov
Amazônia.
6) O número de áreas cegas dos projetos
SIVAM, SISFRON e SisGAAz favorece a nac
soberania sobre a Amazônia.
1) A quantidade de organizações militares
da Marinha, Exército e Aeronáutica na
região amazônica voltadas para o qdn
desenvolvimento nacional favorece a
soberania sobre a Amazônia.
c) 2) A participação em projetos nacionais
ppn
Desenvolvimento favorece a soberania sobre a Amazônia.
Nacional 3) A capacidade logística para apoiar obras
de engenharia na Amazônia favorece a cle
soberania sobre a mesma.
4) O número de convênios com órgãos
municipais, estaduais e federais favorece a nco
soberania sobre a Amazônia.
Tabela 31 – Descrição das variáveis finais com análise por subcategoria
Fonte: Autor

Contudo, a forma mais eficiente de análise do construto Presença Tangível é


sua análise global, abordando o modelo como um todo e não por subcategorias. Por
isso, o esforço seguinte será nesta direção, de acordo com a próxima seção.

7.2.1.1.2 Análise Global da Presença Tangível


218

No processamento das pesquisas, foi realizado uma análise fatorial


convergente, a fim de verificar a unidimensionalidade76, a qual expressa o
entendimento dos respondentes sobre todos os itens que compõem o mesmo
assunto, por meio da abordagem de Componentes Principais77, com a rotação
varimax, obtendo um Alfa de Cronbach78 de 0,825, com uma capacidade de
40,215% de explicação da variâncai total, mostrando que a Presença Tangível usa
como parãmetros de investigação, as variáveis elencadas, segundo a opinião dos
respondentes, como parte do processo de purificação deste construto.
Na sequência, foi realizada a análise global deste construto, a qual é o
processo indicado para este tipo de abordagem. Realizada a coleta de dados por
fatores principais, inicialmente, foi verificado o Alfa de Cronbach, como um teste de
fidedignidade da presença tangível, a fim de determinar se os fatores levantados
neste constructo eram suficientes para explicá-lo, com base na pesquisa realizada
na ECEME e ESG. Conforme orienta HAIR et. al. (2005), os valores desejáveis são
os acima de 0,7 sendo que, os abaixo de 0,5, invalidam a pesquisa. O valor
encontrado foi de 0,825 e, portanto, acima do recomendado.
Desta forma, confirmou-se a possibilidade de explicar o constructo por meio
das perguntas feitas na pesquisa de opinião apresentada aos respondentes, o que
confirma, estatisticamente, a hipótese H1 da investigação, sendo uma análise de
confiabilidade deste construto.
A validade da referida escala foi buscada, de forma a medir realmente o que se
deseja medir, buscando a validação interna por meio da equidade na aplicação do
instrumento de pesquisa e a validação externa por meio da validade de conteúdo,
também chamada de face validity, onde um especialista confirma a qualidade da
pesquisa. Assim, após a verificação da confiabilidade interna do constructo, foi
realizada uma Análise Fatorial, com o intuito de se verificar a situação da Presença
Tangível, com base em algumas variáveis apresentadas pelos especialistas e

76
Unidimensionalidade é a “característica de um conjunto de indicadores que tem apenas um
traço inerente ou conceito em comum”. (HAIR et al, 2005, p. 470)
77
A Análise de Componentes Principais do inglês Principal Components Analysis (PCA) é um dos
métodos empregados pelo SPSS para realizar a análise fatorial, tendo como objetivo contribuir para a
compreensão da unidimensionalidade dos construtos. (HAIR, 2005)
78
O Alfa de Cronbach é um tipo de medida diagnóstica do coeficiente de confiabilidade que avalia a
consistência da escala inteira, sendo o mais usado para tal tarefa. (HAIR, 2005, p. 112)
219

consolidadas neste trabalho, encontrando-se, como resultado, apenas um fator,


doravante chamado de “proteção da amazônia“ (pam), englobando 11 (onze)
dentre as 45 (quarenta e cinco) variáveis iniciais, com uma capacidade de
explicação de 33,840% da variância total.

Factor
1
QDN .608
NCO .563
CCF .615
CPF .494
ROV .679
NAC .640
QGL .496
QME .640
NOG .517
QOI .584
NCS .529
Tabela 32 – Fator e variáveis (Análise global Presença Tangível)
Fonte: Autor

Da análise da tabela 32, no constructo “Presença Tangível”, conclui-se que três


variáveis destacam-se como mais importantes: resultado das operações de
vigilância de fronteira (rov); número de áreas cegas dos projetos SIVAM, SISFRON
e SisGAAz (nac) e quantidade de missões eventuais provindas do EB, MD e PR
(qme) com valores de 0,679; 0,640 e 0,640, respectivamente.

Initial Extraction
QDN .387 .369
NCO .395 .317
CCF .381 .378
CPF .271 .244
ROV .444 .461
NAC .437 .410
QGL .239 .247
QME .411 .410
NOG .334 .267
QOI .348 .341
NCS .360 .280
Tabela 33 – Matriz de Comunalidades (Análise global Presença Tangível)
Fonte: Autor
220

A Tabela 33 reflete o quanto de cada variável representa ou explica a


variância total, destacando-se como as mais representativas as variáveis rov (0,461)
e nac (0,410) e o controle das penetrantes que adentram ao País e pontos de
confluência fluviais no interior da Amazônia ccf (0,3780).
Por fim, foi estabelecida uma descrição estatística com a finalidade de verificar
os valores máximos e mínimos, a média e o desvio-padrão sobre a “Presença
Tangível”, conforme a tabela 34:

N Range Minimum Maximum Mean Std. Deviation Variance


Statistic Statistic Statistic Statistic Statistic Std. Error Statistic Statistic

QOM 203 4 1 5 3.48 .072 1.026 1.053


QNA 203 4 1 5 3.27 .085 1.207 1.456
PIT 203 4 1 5 3.77 .076 1.081 1.169
TOS 203 4 1 5 3.65 .077 1.096 1.200
CME 203 4 1 5 3.66 .080 1.142 1.305
QGC 203 4 1 5 3.68 .081 1.151 1.326
CDA 203 4 1 5 3.60 .090 1.288 1.658
QEA 203 4 1 5 3.54 .072 1.021 1.042
CPP 203 4 1 5 3.83 .068 .966 .932
NVP 203 4 1 5 3.55 .071 1.010 1.021
NOO 203 4 1 5 3.58 .060 .854 .730
COP 203 4 1 5 3.23 .080 1.134 1.285
QEP 203 4 1 5 3.74 .073 1.045 1.092
PVD 203 4 1 5 3.60 .079 1.119 1.252
ECC 203 4 1 5 3.27 .084 1.190 1.416
CCF 203 4 1 5 3.28 .087 1.240 1.537
CPF 203 4 1 5 3.59 .077 1.097 1.203
IER 203 4 1 5 3.86 .066 .941 .885
ROV 203 4 1 5 3.40 .078 1.110 1.231
NAC 203 4 1 5 3.50 .073 1.045 1.093
QGL 203 4 1 5 3.18 .072 1.024 1.048
GPS 203 4 1 5 3.38 .073 1.044 1.089
NOF 203 4 1 5 3.46 .074 1.054 1.111
QEG 203 4 1 5 3.17 .065 .925 .856
QME 203 4 1 5 3.29 .069 .990 .979
QMA 203 4 1 5 3.34 .078 1.117 1.247
QOE 203 4 1 5 2.91 .095 1.358 1.844
PCP 203 4 1 5 3.05 .071 1.006 1.012
NOG 203 4 1 5 3.26 .068 .966 .934
ROG 203 4 1 5 3.44 .065 .923 .852
QOI 203 4 1 5 3.51 .072 1.021 1.043
221

QMC 203 4 1 5 3.67 .072 1.026 1.052


VPI 203 4 1 5 3.77 .076 1.081 1.169
NCD 203 4 1 5 3.53 .064 .908 .824
QAF 202 4 1 5 3.21 .068 .962 .925
DCM 203 4 1 5 3.42 .074 1.052 1.107
SPP 203 4 1 5 3.10 .079 1.132 1.281
QDN 203 4 1 5 3.38 .075 1.062 1.128
QTE 203 4 1 5 3.75 .067 .959 .919
PPN 203 4 1 5 3.73 .066 .943 .889
CLE 203 4 1 5 3.38 .072 1.020 1.040
NCO 203 4 1 5 3.30 .067 .950 .902
NRI 203 4 1 5 3.58 .082 1.163 1.354
NCS 203 4 1 5 3.35 .073 1.040 1.082
QLA 203 4 1 5 3.51 .064 .914 .835
Valid N (listwise) 202
Tabela 34 – Descrição Estatística (Análise global Presença Tangível)
Fonte: Autor

Pela estatística descritiva, em uma escala de 1 a 5, valores superiores a 3 (três)


demonstram concordância dos respondentes com as perguntas feitas, ou seja, que
os indicadores possuem aderência com o Construto “Presença Tangível”, segundo
os respondentes, pois a maioria dos indicadores foram acima de 3 (três). Além disso,
o Desvio Padrão não é tão acentuado, o que indica baixa variação em torno da
média, podendo-se dizer que não há opiniões contraditórias expressivas, na amostra
considerada.
Pela tabela 34, destacam-se as variáveis: Capacidade de projetar poder na
região (cpp), possibilidades de invasões ao território nacional (pit) e vazios
populacionais no interior da Amazônia (vpi), como os fatores de maior
concordância dos respondentes sobre o assunto pesquisado.
Destacam-se, também, como variável de menor concordância dos
respondentes sobre o assunto pesquisa: quantidade de órgãos de segurança pública
estaduais e federais na região (qoe).
Cabe ressaltar que as variáveis (ccf), (rov), (nac), (qdn) e (nco), desta
análise global, também se repetem na análise01 FATOR por subcategorias,
mostrando sua relevância e importância neste construto.
Pela análise global da Presença Tangível, chegou-se a 01 (um) fator,
denominado “proteção da amazônia“, com somente 11 variáveis das 45 iniciais,
222

pertencentes a 3 subcategorias: (CONTENÇÃO), (OCUPAÇÃO TERRITORIAL) e


(DESENVOLVIMENTO NACIONAL), confirmando a Hipótese H1 desta fase, após
o processo de purificação, conforme se segue:

Categoria Perguntas para Presença Tangível Letras


indicadoras
1) O controle das penetrantes que adentram ao País e
pontos de confluência fluviais no interior do País ccf
favorecem a soberania sobre a Amazônia.
2) A quantidade de penetrantes fluviais, aéreos e terrestre
cpf
favorece a soberania sobre a Amazônia.
3) O resultado das operações de vigilância de fronteira
favorece a soberania sobre a Amazônia favorece a rov
soberania sobre a Amazônia.
4) O número de áreas cegas dos projetos SIVAM,
SISFRON e SisGAAz favorece a soberania sobre a nac
Amazônia.
5) A quantidade de organizações militares da Marinha,
Exército e Aeronáutica na região amazônica voltadas para
qgl
missões de GLO e missões subsidiárias favorecem a
soberania sobre a Amazônia.
6) A quantidade de missões eventuais provindas do
Presença
Exército Brasileiro, do Ministério da Defesa e da
Tangível qme
Presidência da República favorecem a soberania sobre a
Amazônia.
7) O nível operacional das OM voltadas para GLO e
missões subsidiárias favorece a soberania sobre a nog
Amazônia.
8) A quantidade de Operações Interagências favorece a
qoi
soberania sobre a Amazônia.
9) A quantidade de organizações militares da Marinha,
Exército e Aeronáutica na região amazônica voltadas para
qdn
o desenvolvimento nacional favorece a soberania sobre a
Amazônia.
10) O número de convênios com órgãos municipais,
estaduais e federais favorece a soberania sobre a nco
Amazônia.
11) O número de cidades surgidas a partir de OM de
ncs
engenharia favorece a soberania sobre a Amazônia.
Tabela 35 – Descrição das variáveis finais com análise global da presença Tangível
Fonte: Autor
223

7.2.1.2 Análise dos Resultados sobre a Presença Intangível

7.2.1.2.1 Análise de cada Subcategoria da Presença Intangível

Para análise de cada subcategoria da Presença Intangível, foram


estabelecidas algumas hipóteses intermediárias para esta fase do trabalho,
conforme se segue:
- Hai: a teoria do Monitoramento pode ser aplicada a teoria da
Presença Intangível.
- Hbi: a teoria da Cibernética pode ser aplicada a teoria da Presença
Intangível.
- Hci: a teoria da Mentalidade de Defesa pode ser aplicada a teoria
da Presença Intangível.

a) ANÁLISE DA SUBCATEGORIA A (MONITORAMENTO)

No processamento das pesquisas, após realizada a coleta de dados por fatores


principais, inicialmente, foi verificado o Alfa de Cronbach, da subcategoria a
(MONITORAMENTO), a fim de determinar se os fatores levantados neste constructo
eram suficientes para explicá-lo, com base na pesquisa realizada na ECEME e ESG.
Conforme orienta HAIR et. al. (2005), os valores desejáveis são os acima de 0,7
sendo que, os abaixo de 0,5, invalidam a pesquisa. O valor encontrado foi de 0,925
e, portanto, acima do recomendado. Desta forma, confirmou-se a possibilidade de
explicar o constructo por meio das perguntas feitas na pesquisa de opinião
apresentada aos respondentes, o que confirma, estatisticamente, a hipótese Hai
da investigação.
Após a verificação da confiabilidade interna do constructo, foi realizada uma
Análise Fatorial, com o intuito de se verificar a situação do monitoramento em
relação a Presença Intangível, com base em algumas variáveis apresentadas pelos
especialistas e consolidadas neste trabalho, encontrando-se, como resultado,
apenas um fator englobando 8 (oito) dentre as 8 (oito) variáveis iniciais, com uma
capacidade de explicação de 67,688 % da variância total.
224

Factor
1
QSF .863
CMP .854
IPS .857
QAC .871
CRA .890
TRS .867
NAD .600
QCC .735
Tabela 36 – Fator e variáveis (Monitoramento)
Fonte: Autor

Da análise da tabela 36, no constructo “monitoramento”, conclui-se que três


variáveis destacam-se como mais importantes: capacidade de reação dos atuadores
(cra); quantidade e área de cobertura dos satélites e radares (qac); e tempo de
resposta dos sitemas SIVAM, SISFRON e SisGAAz (trs) com valores de 0,890;
0,871 e 0,867, respectivamente.
A capacidade de reação dos atuadores proporciona um aumenta na dimensão
intangível, pois a certeza desta reação, aumenta a sensação de segurança,
favorecendo a defesa militar da amazônia.
A quantidade e área de cobertura dos satélites e radares, também, favorecem
o monitoramento da amazônia, gerando uma consciência situacional e, por sua vez,
uma sensação de segurança, favorecendo a defesa da Amazônia.
O tempo de resposta dos sistemas SIVAM, SISFRON e SisGAAz cria uma
cultura de defesa, a qual entende que a resposta dos sitemas de monitoramento
serão tão mais eficazes, quanto menor for o tempo de resposta de seus meios,
favorecendo a defesa da amazônia.

Initial Extraction
QSF .754 .746
CMP .762 .730
IPS .728 .735
QAC .738 .759
CRA .767 .792
TRS .729 .752
NAD .420 .361
225

Initial Extraction
QCC .542 .541
Tabela 37 – Matriz de Comunalidades (Monitoramento)
Fonte: Autor

A Tabela 37 reflete o quanto de cada variável representa ou explica a


variância total, destacando-se como as mais representativas as variáveis cra
(0,792), qac (0,759) e trs (0,752).
Por fim, foi estabelecida uma descrição estatística com a finalidade de verificar
os valores máximos e mínimos, a média e o desvio-padrão sobre a “contraparte da
mobilidade”, conforme a tabela 38:

N Range Minimum Maximum Mean Std. Deviation Variance


Statistic Statistic Statistic Statistic Statistic Std. Error Statistic Statistic

QSF 203 4 1 5 3.52 .088 1.248 1.558


CMP 203 4 1 5 3.68 .080 1.135 1.288
IPS 203 4 1 5 3.71 .078 1.117 1.247
QAC 203 4 1 5 3.56 .078 1.108 1.228
CRA 203 4 1 5 3.43 .079 1.130 1.276
TRS 203 4 1 5 3.51 .079 1.123 1.261
NAD 203 4 1 5 3.11 .075 1.062 1.127
QCC 203 4 1 5 3.26 .073 1.045 1.092
Tabela 38 – Descrição Estatística (Monitoramento)
Fonte: Autor

Pela estatística descritiva, em uma escala de 1 a 5, valores superiores a 3


(três) demonstram concordância dos respondentes com as perguntas feitas, ou seja,
que os indicadores possuem aderência com o Construto “contraparte da
mobilidade”, segundo os respondentes, pois todos os indicadores foram acima de 3
(três).
Pela tabela 38, destacam-se as variáveis: integração entre os projetos
SIVAM, SISFRON e SisGAAz (ips), capacidade de monitoramento dos projetos
SIVAM, SISFRON e SisGAAz (cmp) e quantidade e área de cobertura dos satélites
e radares (qac), como os fatores de maior concordância dos respondentes sobre o
assunto pesquisado.
226

b) ANÁLISE DA SUBCATEGORIA B (CIBERNÉTICO)

No processamento das pesquisas, após realizada a coleta de dados por fatores


principais, inicialmente, foi verificado o Alfa de Cronbach, da subcategoria b
(CIBERNÉTICO), a fim de determinar se os fatores levantados neste constructo
eram suficientes para explicá-lo, com base na pesquisa realizada na ECEME e ESG.
Conforme orienta HAIR et. al. (2005), os valores desejáveis são os acima de 0,7
sendo que, os abaixo de 0,5, invalidam a pesquisa. O valor encontrado foi de 0,926
e, portanto, acima do recomendado. Desta forma, confirmou-se a possibilidade de
explicar o constructo por meio das perguntas feitas na pesquisa de opinião
apresentada aos respondentes, o que confirma, estatisticamente, a hipótese Hbi
da investigação.
Após a verificação da confiabilidade interna do constructo, foi realizada uma
Análise Fatorial, com o intuito de se verificar a situação da cibernética em relação a
Presença Intangível, com base em algumas variáveis apresentadas pelos
especialistas e consolidadas neste trabalho, encontrando-se, como resultado,
apenas um fator englobando 11 (onze) dentre as 11 (onze) variáveis iniciais, com
uma capacidade de explicação de 60,776 % da variância total.

Factor
1
IBS .697
CTR .786
ODC .802
NCD .835
NST .737
GSC .596
NCC .820
NEC .851
TRP .851
CMR .834
GFS .726
Tabela 39 – Fator e variáveis (Cibernético)
Fonte: Autor
227

Da análise da tabela 39, no constructo “cibernético”, conclui-se que três


variáveis destacam-se como mais importantes: número de elementos capacitados
para defesa cibernética (nec); tempo de resposta a um problema cibernético (trp); e
capacidade de monitoramento das redes (cmr) com valores de 0,851; 0,851 e 0,834,
respectivamente.
O número de elementos capacitados para defesa cibernética está diretamente
relacionado com a formação de mão-de-obra em todos os níveis, o que gera uma
sinergia em torno do tema, aumentando a sensação de uma permanente
capacitação sobre um tema estremamente sensível.
O tempo de resposta a um problema cibernético está relacionado com a
infraestrutura cibernética existente, além, logicamente, de pessoal capacitado, o
gera na dimensão intangível uma sensação de segurança, pois quanto menor for
esta resposta, maior é a sensação de inviolabilidade dos sistemas nacionais de
vigilância e proteção da amazônia.
A capacidade de monitoramento das redes envolve tecnologia e uma estrutura
física e de pessoal com capacidade de realizar tal tarefa, o que agrega um aumento
na segurança dos sistemas cibernéticos na amazônia, aumentando, também, a
defesa na região.

Initial Extraction
IBS .548 .485
CTR .641 .618
ODC .701 .643
NCD .747 .698
NST .639 .543
GSC .442 .355
NCC .684 .672
NEC .753 .723
TRP .782 .725
CMR .715 .695
GFS .550 .528
Tabela 40 – Matriz de Comunalidades (Cibernético)
Fonte: Autor
228

A Tabela 40 reflete o quanto de cada variável representa ou explica a


variância total, destacando-se como as mais representativas as variáveis trp (0,725),
nec (0,723) e o nível de controle de dados das redes ncd (0,698).
Por fim, foi estabelecida uma descrição estatística com a finalidade de verificar
os valores máximos e mínimos, a média e o desvio-padrão sobre a “cibernética”,
conforme a tabela 41:

N Range Minimum Maximum Mean Std. Deviation Variance


Statistic Statistic Statistic Statistic Statistic Std. Error Statistic Statistic

IBS 203 4 1 5 3.14 .079 1.122 1.258


CTR 203 4 1 5 3.20 .081 1.153 1.330
ODC 203 4 1 5 2.83 .089 1.267 1.605
NCD 203 4 1 5 3.14 .081 1.154 1.331
NST 203 4 1 5 3.29 .078 1.111 1.235
GSC 203 4 1 5 3.32 .067 .954 .910
NCC 203 4 1 5 2.98 .076 1.083 1.173
NEC 203 4 1 5 3.09 .086 1.224 1.497
TRP 203 4 1 5 3.33 .080 1.136 1.292
CMR 203 4 1 5 3.28 .075 1.065 1.134
GFS 203 4 1 5 3.30 .080 1.144 1.308
Tabela 41 – Descrição Estatística (Cibernético)
Fonte: Autor

Pela estatística descritiva, em uma escala de 1 a 5, valores superiores a 3


(três) demonstram concordância dos respondentes com as perguntas feitas, ou seja,
que os indicadores possuem aderência com o Construto “Presença Intangível”,
segundo os respondentes, pois a maioria dos indicadores foram acima de 3 (três).
Pela tabela 41, destacam-se as variáveis: tempo de resposta a um problema
cibernético (trp), grau de subordinação ao CDCiber (gsc) e gargalos físicos do
sistema cibernético (gfs), como os fatores de maior concordância dos
respondentes sobre o assunto pesquisado.
Assim, também, destacam-se como variável de menor concordância dos
respondentes sobre o assunto pesquisa: número de centros cibernéticos (ncc) e
existência de organizações militares na Amazônia voltadas para defesa cibernética
(odc).
229

c) ANÁLISE DA SUBCATEGORIA C (MENTALIDADE DE DEFESA)

No processamento das pesquisas, após realizada a coleta de dados por fatores


principais, inicialmente, foi verificado o Alfa de Cronbach, da subcategoria c
(MENTALIDADE DE DEFESA), a fim de determinar se os fatores levantados neste
constructo eram suficientes para explicá-lo, com base na pesquisa realizada na
ECEME e ESG. Conforme orienta HAIR et. al. (2005), os valores desejáveis são os
acima de 0,7 sendo que, os abaixo de 0,5, invalidam a pesquisa. O valor encontrado
foi de 0,902 e, portanto, abaixo do recomendado. Desta forma, confirmou-se a
possibilidade de explicar o constructo por meio das perguntas feitas na pesquisa de
opinião apresentada aos respondentes, confirmando, estatisticamente, a hipótese
Hci da investigação.
Após a verificação da confiabilidade interna do constructo, foi realizada uma
Análise Fatorial, com o intuito de se verificar a situação da mentalidade de defesa
em relação a Presença Intangível, com base em algumas variáveis apresentadas
pelos especialistas e consolidadas neste trabalho, encontrando-se, como resultado,
apenas um fator englobando 11 (onze) dentre as 20 (vinte) variáveis iniciais, com
uma capacidade de explicação de 54,974 % da variância total.

Factor
1
CSG .686
QPU .742
QVP .740
QAA .725
PAP .778
FPT .832
APO .592
QSE .786
QMV .754
QCE .776
NUC .717
Tabela 42 – Fator e variáveis (Mentalidade de Defesa)
Fonte: Autor
230

Da análise da tabela 42, no constructo “mentalidade de defesa”, conclui-se que


três variáveis destacam-se como mais importantes: formar pesquisadores e
trabalhos de brasileiros amazônicos em instituições civis e militares de ensino (fpt);
quantidade de seminários, estudos, artigos, dissertações e teses voltadas para o
tema amazônia (qse) e presença da assessoria parlamentar no Congresso e
Senado Federal (pap) com valores de 0,832, 0,786 e 0,778, respectivamente.
A formação de pesquisadores e trabalhos de brasileiros amazônicos em
instituições civis e militares de ensino gera uma massa de estudos e discussões
acadêmicas sobre a amazônia, criando uma mentalidade de defesa e de segurança
sobre esta região tão distante do poder central, favorecendo a dimensão intangível.
A quantidade de seminários, estudos, artigos, dissertações e teses voltadas
para o tema amazônia, da mesma forma, gera uma gama de entendimentos e cria
uma mentalidade nacional e internacional sobre a defesa da amazônia,
proporcionando um aumento da presença intagível sobre esta região.
A presença da assessoria parlamentar no Congresso e Senado Federal
contibui para divulgar as informações pertinentes sobre a presença militar na
amazônia, gerando um entendimento da classe política sobre o referido tema, a qual
amplia os conhecimentos, gerando políticas públicas, as quais favoreçam não só a
segurança, mas também a defesa da amazônia.

Initial Extraction
CSG .530 .471
QPU .618 .551
QVP .586 .548
QAA .536 .526
PAP .720 .605
FPT .743 .692
APO .415 .351
QSE .649 .618
QMV .594 .569
QCE .617 .602
NUC .570 .514
Tabela 43 – Matriz de Comunalidades (Mentalidade de Defesa)
Fonte: Autor
231

A Tabela 43 reflete o quanto de cada variável representa ou explica a


variância total, destacando-se como as mais representativas as variáveis fpt (0,692),
qse (0,618) e pap (0,605).
Por fim, foi estabelecida uma descrição estatística com a finalidade de verificar
os valores máximos e mínimos, a média e o desvio-padrão sobre a “mentalidade de
defesa”, conforme a tabela 44:

N Range Minimum Maximum Mean Std. Deviation Variance


Statistic Statistic Statistic Statistic Statistic Std. Error Statistic Statistic

QRJ 203 4 1 5 3.33 .067 .958 .917


PAL 203 4 1 5 3.37 .075 1.066 1.136
EAM 203 4 1 5 3.52 .070 .992 .983
EAA 203 4 1 5 3.67 .067 .952 .907
EAI 203 4 1 5 4.16 .066 .941 .886
EPE 203 4 1 5 3.63 .073 1.038 1.077
EVD 203 4 1 5 3.91 .076 1.084 1.174
CSG 203 4 1 5 3.30 .083 1.183 1.399
QPU 203 4 1 5 3.44 .080 1.139 1.297
QVP 203 4 1 5 3.51 .082 1.162 1.350
PPF 203 4 1 5 3.85 .081 1.152 1.328
QAA 203 4 1 5 3.53 .086 1.220 1.488
QDM 203 4 1 5 3.45 .085 1.215 1.476
PAP 203 4 1 5 3.54 .085 1.211 1.467
FPT 203 4 1 5 3.50 .088 1.252 1.568
APO 203 4 1 5 3.70 .075 1.063 1.130
QSE 203 4 1 5 3.69 .072 1.027 1.055
QMV 203 4 1 5 3.65 .077 1.096 1.200
QCE 203 4 1 5 3.40 .085 1.204 1.450
NUC 203 4 1 5 3.14 .089 1.263 1.595
Tabela 44 – Descrição Estatística (Mentalidade de Defesa)
Fonte: Autor

Pela estatística descritiva, em uma escala de 1 a 5, valores superiores a 3


(três) demonstram concordância dos respondentes com as perguntas feitas, ou seja,
que os indicadores possuem aderência com o Construto “mentalidade de defesa”,
segundo os respondentes, pois a maioria dos indicadores foram acima de 3 (três).
Pela tabela 44, destacam-se as variáveis: existência de atividades ilícitas na
fronteira (eai), existência de vazios demográficos (evd) e percepção da população
232

quanto ao nível de importância das Forças Armadas (ppf), como os fatores de maior
concordância dos respondentes sobre o assunto pesquisado.
Então, como conclusão da análise de cada subcategoria, a Presença
Intangível continuaria com 3 subcategorias (MONITORAMENTO),
(CIBERNÉTICO) e (MENTALIDADE DE DEFESA), mas, somente, com 30
variáveis das 39 variáveis iniciais, confirmando a Hipótese H2 desta fase,
conforme se segue:

Categoria Subcategorias Perguntas para Presença Intangível Letras


indicadoras
1) A quantidade de sensores na fronteira e no
interior da região amazônica dentro dos projetos
qsf
SIVAM, SISFRON E SisGAAz favorecem a
soberania sobre a Amazônia;
2) A capacidade de monitoramento dos projetos
SIVAM, SISFRON e SisGAAz favorecem a cmp
soberania sobre a Amazônia;
3) A integração entre os projetos SIVAM,
SISFRON e SisGAAz favorecem a soberania ips
sobre a Amazônia;
4) A quantidade e área de cobertura dos satélites
a) e radares favorecem a soberania sobre a qac
Monitoramento Amazônia;
5) A capacidade de reação dos atuadores
Presença cra
favorece a soberania sobre a Amazônia;
Intangível
6) O tempo de resposta dos sistemas SIVAM,
SISFRON e SisGAAz a um ilícito na região trs
favorece a soberania sobre a Amazônia;
7) O número de apreensões e detecções
nad
favorecem a soberania sobre a Amazônia;
8) A quantidade de centros de Comando e
Controle nas OM de fronteira favorecem a qcc
soberania sobre a Amazônia;
1) A infraestrutura de backbones (eixos centrais
de dados), satelitais e fibra ótica na região ibs
amazônica favorece a soberania sobre a mesma;
b) Cibernético
2) A capacidade de tráfego nas redes de dados
estaduais favorece a soberania sobre a ctr
Amazônia;
233

3) A existência de organizações militares na


Amazônia voltadas para defesa cibernética odc
favorece a soberania sobre a mesma;
4) O nível de controle de dados das redes
ncd
favorece a soberania sobre a Amazônia;
5) O nível de segurança na transmissão de
dados (contra-ataques, tentativas, invasões,
nst
infecções, etc) favorece a soberania sobre a
Amazônia;
6) O grau de subordinação ao CDCiber favorece
gsc
a soberania sobre a Amazônia;
7) O número de centro cibernéticos favorecem a
ncc
soberania sobre a Amazônia;
8) O número de elementos capacitados para
Defesa Cibernética favorece a soberania sobre a nec
Amazônia;
9) O tempo de resposta a um problema
cibernético favorece a soberania sobre a trp
Amazônia;
10) A capacidade de monitoramento das redes
cmr
favorece a soberania sobre a Amazônia;
11) Os gargalos físicos do sistema cibernético
(nós de redes, satélites, servidores, etc) gfs
favorecem a soberania sobre a Amazônia;
1) A quantidade de civis em cursos da ECEME,
EGN, Escola Superior de Guerra e do Instituto
csg
Pandiá Calógeras favorece a soberania sobre a
Amazônia;
2) A quantidade de participações de
universitários no projeto Rondon favorece a qpu
soberania sobre a Amazônia;
3) A quantidade de visitas de parlamentares à
c) Mentalidade
região amazônica favorece a soberania sobre a qvp
de Defesa
Amazônia;
4) A quantidade de atividades junto ao meio
acadêmico de forma a incentivar o debate sobre
qaa
a defesa da Amazônia favorece a soberania
sobre a mesma;
5) A presença da assessoria parlamentar no
Congresso e Senado Federal favorece a pap
soberania sobre a Amazônia;
234

6) A formação de pesquisadores (graduação e


pós-graduação) e trabalhos de brasileiros
amazônicos em instituições civis e militares de fpt
ensino favorecem a soberania sobre a
Amazônia;
7) Aumentar o pronunciamento em órgãos de
segurança internacionais favorece a soberania apo
sobre a Amazônia;
8) A quantidade de seminários, estudos,
artigos, dissertações e teses voltadas para o
qse
tema Amazônia favorece a soberania sobre a
mesma;
9) A quantidade de matérias veiculadas na
mídia relativas ao tema Amazônia favorece a qmv
soberania sobre a mesma;
10) A quantidade dos centros de estudos de
qce
defesa favorece a soberania sobre a Amazônia;
11) O número de universidades que possuem
centros de estudos de defesa favorece a nuc
soberania sobre a Amazônia;
Tabela 45 – Descrição das variáveis finais com análise por subcategoria
Fonte: Autor

Contudo, a forma mais eficiente de análise do construto Presença Intangível é


sua análise global, abordando o modelo como um todo e não por subcategorias. Por
isso, o esforço seguinte será nesta direção, de acordo com a próxima seção.

7.2.1.2.2 ANÁLISE GLOBAL DA PRESENÇA INTANGÍVEL

No processamento das pesquisas, foi realizado uma análise fatorial


convergente, a fim de verificar a unidimensionalidade79, a qual expressa o
entendimento dos respondentes sobre todos os itens que compõem o mesmo
assunto, por meio da abordagem de Componentes Principais80, com a rotação

79
Unidimensionalidade é a “característica de um conjunto de indicadores que tem apenas um traço inerente
ou conceito em comum”. (HAIR et al, 2005, p. 470)
80
A Análise de Componentes Principais, do inglês Principal Components Analysis (PCA), é um dos
métodos empregados pelo SPSS para realizar a análise fatorial, tendo como objetivo contribuir para a
compreensão da unidimensionalidade dos construtos. (HAIR, 2005)
235

varimax, obtendo um Alfa de Cronbach81 de 0,916, com uma capacidade de


48,478% e 11,495% de explicação da variâncai total, mostrando que a Presença
Intangível usa como parâmetros de investigação, as variáveis elencadas, segundo a
opinião dos respondentes, como parte do processo de purificação deste construto.
No processamento das pesquisas, foi realizada a análise global deste
construto, a qual é o processo indicado para este tipo de abordagem. Realizada a
coleta de dados por fatores principais, inicialmente, foi verificado o Alfa de Cronbach,
como um teste de fidedignidade da presença intangível, a fim de determinar se os
fatores levantados neste constructo eram suficientes para explicá-lo, com base na
pesquisa realizada na ECEME e ESG. Conforme orienta HAIR et. al. (2005), os
valores desejáveis são os acima de 0,7 sendo que, os abaixo de 0,5, invalidam a
pesquisa. O valor encontrado foi de 0,920 e, portanto, acima do recomendado.
Desta forma, confirmou-se a possibilidade de explicar o constructo por meio
das perguntas feitas na pesquisa de opinião apresentada aos respondentes, o que
confirma, estatisticamente, a hipótese H2 da investigação, sendo uma análise de
confiabilidade deste construto.
A validade da referida escala foi buscada, de forma a medir realmente o que se
deseja medir, buscando a validação interna por meio da equidade na aplicação do
instrumento de pesquisa e a validação externa por meio da validade de conteúdo,
também chamada de face validity, onde um especialista confirma a qualidade da
pesquisa. Assim, após a verificação da confiabilidade interna do constructo, foi
realizada uma Análise Fatorial, com o intuito de se verificar a situação da Presença
Intangível, com base em algumas variáveis apresentadas pelos especialistas e
consolidadas neste trabalho, encontrando-se, como resultado, 2 (dois) fatores
englobando 14 (quatorze) dentre as 39 (trinta e nove) variáveis iniciais, com uma
capacidade de explicação de 45,733% e 53,704%, respectivamente, da variância
total.

Factor
1 2
CSG .730

81
O Alfa de Cronbach é um tipo de medida diagnóstica do coeficiente de confiabilidade que avalia a
consistência da escala inteira, sendo o mais usado para tal tarefa. (HAIR, 2005, p. 112)
236

Factor
QPU .725
QAA .734
FPT .781
QMV .748
NUC .766
CRA .752
QCC .761
IBS .701
NST .630
CMR .724
EPE .656
EVD .793
PPF .553
Tabela 46 – Fator e variáveis (Análise global Presença Intangível)
Fonte: Autor

Da análise da tabela 46, no constructo “Presença Intangível”, conclui-se que


três variáveis destacam-se como mais importantes no fator 1, doravante chamado
de “mentalidade de defesa dos sistemas de C2” (mds): formar pesquisadores e
trabalhos de brasileiros amazônicos em instituições civis e militares de ensino (fpt);
número de universidades que possuem centros de estudos de defesa (nuc) e
quantidade de centros de comando e controle nas OM de fronteira (qcc) com
valores de 0,781; 0,766 e 0,761, respectivamente.
Sobre o fator 2, doravante chamado de “vazio de poder” (vpo), conclui-se que
duas variáveis compõem o mesmo: existência de vazios demográficos (evd) e
existência de porosidade decorrente de intensa atividade econômica (epe) com
valores de 0,793 e 0,656, respectivamente.

Initial Extraction

CSG .577 .555


QPU .551 .527
QAA .565 .538
FPT .627 .612
QMV .577 .576
NUC .628 .590
CRA .598 .575
QCC .602 .581
237

Initial Extraction
IBS .539 .495
NST .486 .420
CMR .558 .545
EPE .395 .491
EVD .412 .676
PPF .408 .334
Tabela 47 – Matriz de Comunalidades (Análise global Presença Intangível)
Fonte: Autor

A Tabela 47 reflete o quanto de cada variável representa ou explica a


variância total, destacando-se como as mais representativas as variáveis evd
(0,676), fpt (0,612) e nuc (0,590).
Por fim, foi estabelecida uma descrição estatística com a finalidade de verificar
os valores máximos e mínimos, a média e o desvio-padrão sobre a “Presença
Intangível”, conforme a tabela 48:

N Range Minimum Maximum Mean Std. Deviation Variance


Statistic Statistic Statistic Statistic Statistic Std. Error Statistic Statistic

QSF 203 4 1 5 3.52 .088 1.248 1.558


CMP 203 4 1 5 3.68 .080 1.135 1.288
IPS 203 4 1 5 3.71 .078 1.117 1.247
QAC 203 4 1 5 3.56 .078 1.108 1.228
CRA 203 4 1 5 3.43 .079 1.130 1.276
TRS 203 4 1 5 3.51 .079 1.123 1.261
NAD 203 4 1 5 3.11 .075 1.062 1.127
QCC 203 4 1 5 3.26 .073 1.045 1.092
IBS 203 4 1 5 3.14 .079 1.122 1.258
CTR 203 4 1 5 3.20 .081 1.153 1.330
ODC 203 4 1 5 2.83 .089 1.267 1.605
NCD 203 4 1 5 3.14 .081 1.154 1.331
NST 203 4 1 5 3.29 .078 1.111 1.235
GSC 203 4 1 5 3.32 .067 .954 .910
NCC 203 4 1 5 2.98 .076 1.083 1.173
NEC 203 4 1 5 3.09 .086 1.224 1.497
TRP 203 4 1 5 3.33 .080 1.136 1.292
CMR 203 4 1 5 3.28 .075 1.065 1.134
GFS 203 4 1 5 3.30 .080 1.144 1.308
QRJ 203 4 1 5 3.33 .067 .958 .917
238

PAL 203 4 1 5 3.37 .075 1.066 1.136


EAM 203 4 1 5 3.52 .070 .992 .983
EAA 203 4 1 5 3.67 .067 .952 .907
EAI 203 4 1 5 4.16 .066 .941 .886
EPE 203 4 1 5 3.63 .073 1.038 1.077
EVD 203 4 1 5 3.91 .076 1.084 1.174
CSG 203 4 1 5 3.30 .083 1.183 1.399
QPU 203 4 1 5 3.44 .080 1.139 1.297
QVP 203 4 1 5 3.51 .082 1.162 1.350
PPF 203 4 1 5 3.85 .081 1.152 1.328
QAA 203 4 1 5 3.53 .086 1.220 1.488
QDM 203 4 1 5 3.45 .085 1.215 1.476
PAP 203 4 1 5 3.54 .085 1.211 1.467
FPT 203 4 1 5 3.50 .088 1.252 1.568
APO 203 4 1 5 3.70 .075 1.063 1.130
QSE 203 4 1 5 3.69 .072 1.027 1.055
QMV 203 4 1 5 3.65 .077 1.096 1.200
NUC 203 4 1 5 3.14 .089 1.263 1.595
Valid N (listwise) 203
Tabela 48 – Descrição Estatística (Análise global Presença Intangível)
Fonte: Autor

Pela estatística descritiva, em uma escala de 1 a 5, valores superiores a 3


(três) demonstram concordância dos respondentes com as perguntas feitas, ou seja,
que os indicadores possuem aderência com o Construto “Presença Intangível”,
segundo os respondentes, pois a maioria dos indicadores foram acima de 3 (três).
Além disso, o Desvio Padrão não é tão acentuado, o que indica baixa variação em
torno da média, podendo-se dizer que não há opiniões contraditórias expressivas, na
amostra considerada.
Pela tabela 48, destacam-se as variáveis: existência de atividade ilícita na
fronteira (eai), existência de vazios demográficos (evd) e percepção da população
quanto ao nível de importância das Forças Armadas (ppf), como os fatores de maior
concordância dos respondentes sobre o assunto pesquisado.
Destacam-se, também, como variáveis de menor concordância dos
respondentes sobre o assunto pesquisa: número de centro cibernéticos (ncc) e
existência de organizações militares na Amazônia voltadas para defesa cibernética
(odc).
239

Cabe ressaltar que as variáveis (cra), (qcc), (ibs), (nst) (cmr), (csg), (qpu),
(qaa), (fpt), (qmv) e (nuc), desta análise global, também se repetem na análise por
subcategorias, mostrando sua relevância e importância neste construto.
Assim, pela análise global da Presença Intangível, chegou-se a 02 (dois)
fatores, sendo o fator 1, denominado “mentalidade de defesa dos sistemas de
C2“, com 12 variáveis, e o fator 2, denominado “vazio de poder“, com somente 02
variáveis, totalizando 14 variáveis das 39 variáveis iniciais, pertencentes as 3
subcategorias: (MONITORAMENTO), (CIBERNÉTICO) e (MENTALIDADE DE
DEFESA), confirmando a Hipótese H2 desta fase, após o processo de purificação,
conforme se segue:

Categoria Fator Perguntas para Presença Intangível Letras


indicadoras
1) A capacidade de reação dos atuadores favorece a
cra
soberania sobre a Amazônia;
2) A quantidade de centros de comando e controle nas
Organizações Militares de fronteira favorece a soberania qcc
sobre a Amazônia;
3) A infraestrutura de backbones (eixos centrais de
dados), satelitais e fibra ótica na região amazônica ibs
favorece a soberania sobre a mesma;
4) O nível de segurança na transmissão de dados (contra
ataques, tentativas, invasões e infecções) favorece a nst
soberania sobre a Amazônia;
5) A capacidade de monitoramento das redes favorece a
Presença cmr
1 soberania sobre a Amazônia;
Intangível
6) A quantidade de civis em cursos da ECEME, EGN,
Escola Superior de Guerra e do Instituto Pandiá csg
Calógeras favorece a soberania sobre a Amazônia;
7) A quantidade de participações de universitários no
qpu
projeto Rondon favorece a soberania sobre a Amazônia;
8) A quantidade de atividades junto ao meio acadêmico
de forma a incentivar o debate sobre a defesa da qaa
Amazônia favorece a soberania sobre a mesma;
9) A formação de pesquisadores (graduação e pós-
graduação) e trabalhos de brasileiros amazônicos em
fpt
instituições civis e militares de ensino favorecem a
soberania sobre a mesma;
240

10) A quantidade de matérias veiculadas na mídia


relativas ao tema Amazônia favorecem a soberania sobre qmv
a mesma;
11) O número de universidades que possuem centros de
nuc
estudos de defesa favorece a soberania sobre a Amazônia
12) A percepção da população quanto ao nível de ppf
importância das Forças Armadas favorece a soberania
sobre a Amazônia;
1) A existência de porosidade decorrente de intensa
atividade econômica favorece a soberania sobre a epe
2 Amazônia;
2) A existência de vazios demográficos favorece a evd
soberania sobre a Amazônia;
Tabela 49 – Descrição das variáveis finais com análise global da Presença Intangível
Fonte: Autor

7.2.2 MODELAGEM DE EQUAÇÕES ESTRUTURAIS

A fim de dar prosseguimento a análise fatorial inicial, realizada com SPSS 16.0,
buscou-se a Modelagem de Equações Estruturais (MEE82), sendo realizada uma
pesquisa de campo, por intermédio de um questionário estruturado do tipo Survey
com cinco níveis de resposta na escala Likert, contendo duas partes, sendo a
primeira voltada para o entendimento da Presença Tangível de forma a favorecer a
compreensão da estratégia militar de ocupação da amazônia. Em sua segunda
parte, o questionário apresentou o questionamento aos respondentes sobre a
Presença Intangível, de forma a contribuir para a compreensão da estratégia da
presença na amazônia, conforme Apêndice E (Questionário quantitativo para
análise fatorial confirmatória para Militares Brasileiros (Marinha, Exército e
Aeronáutica), do Quadro de Estado-Maior, servindo na Amazônia e
Acadêmicos (Brasileiros e Estrangeiros) que tenham experiência na
Amazônia).

82
“a MEE tem uma origem histórica híbrida e aplicada a resolução de problemas práticos de testagem de
modelos complexos, com múltiplas variáveis simultâneas e traços latentes.” (Pilati e Laros, 2007, p. 206)
241

O tratamento dos dados seguiu o método quantitativo, usando o software


AMOS 2283, de forma a efetuar a modelagem de equações estruturais, sendo
analisados 315 (trezentos e quinze) questionários válidos, sendo “analisado na
totalidade e de modo integrado”. (BYRNE, 2010)
Para Modelagem de Equações Estruturais, este trabalho seguiu os sete
estágios sugeridos por HAIR et al (2005): Estágio 1 – Desenvolver um modelo
teórico; Estágio 2 – Construir um diagrama de caminhos; Estágio 3 – Converter o
diagrama de caminhos; Estágio 4 – Escolher o tipo de matriz de entrada de dados;
Estágio 5 – Avaliar a identificação do modelo; Estágio 6 – Avaliar as estimativas do
modelo e qualidade do ajuste; Estágio 7 – Interpretação e modificação do modelo.
Como parâmetro para os questionamentos feitos na pesquisa, foram
considerados o resultado da análise fatorial inicial, conforme a tabela 35 para o
Construto Presença Tangível e tabela 49 para Construto Presença Intangível.
Assim, para uma população de cerca de 1590 (mil quinhentos e noventa)
possíveis respondentes, compostos pelos corpos docente e discente da Escola de
Comando e Estado-Maior (ECEME), com efetivo de cerca de 478, da Escola de
Guerra Naval (EGN), com efetivo de cerca de 368, Escola de Comando e Estado-
Maior da Aeronáutica (ECEMAR), com efetivo de cerca de 343, da Escola Superior
de Guerra (ESG), com efetivo de cerca de 359, e da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ), com efetivo de cerca de 42, do recém-criado curso de defesa,
compostos por civis e militares das três Forças Armadas com conhecimento sobre o
assunto Amazônia, devido a sua importância e ênfase dada nestes cursos, além da
vivência de seus integrantes neste assunto Amazônia. A amostra foi selecionada
seguindo o método de amostragem probabilística por conglomerados84, garantindo
uma margem de erro de 5%, com um nível de confiança de 95%.
Hair et al (2005, p. 604) recomenda de 5 a 10 respondentes por parâmetro, por
pergunta feita. Assim, a amostra, nesta pesquisa, foi de 315 respondentes, ou seja,
acima do recomendado, os quais integram os cursos de Altos Estudos do Curso de
Política e Estratégia e Alta Administração do Exército (CPEAEx), da Escola de

83
O software AMOS (Analysis of Moment Structures) 22.0 pertence ao pacote estatístico do software de
análise estatística em ciências sócias (SPSS), sendo indicado para fazer a modelagem em equações estruturais e
testar modelos.
84
Amostragem Probabilística por Conglomerados ocorre quando uma população é dividida fisicamente em
conglomerados, em grupos característicos. Depois, selecionam-se aleatoriamente os conglomerados ou grupos
que farão parte da amostra, ao passo que todos os elementos dos conglomerados selecionados serão amostrados.
242

Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), da Escola de Comando e Estado-


Maior da Aeronáutica (ECEMAR), da Escola de Guerra Naval (EGN) e do Curso de
Estudos de Política e Estratégia (CAEPE) e do Curso de Logística e Mobilização
Nacional (CLMN) da Escola Superior de Guerra (ESG) e do Curso de Defesa da
UFRJ. Os questionários foram aplicados no meses de outubro e novembro de 2014
e 2015, por meio de um corte-transversal85, atendendo ao critério da acessibilidade.
A amostra final encontra-se adequada, pois o teste de Keiser-Meyer-Olkin
(KMO) foi de 0,924, mostrando um alto índice de admissibilidade para a amostra
final, e no teste de esfericidade de Bartlett, o nível de significância foi de 0,000,
mostrando que há significativas correlações entre os itens da amostra, desta forma,
a análise fatorial é apropriada.
Após a verificação, em toda a amostra, se havia erros de digitação, foi
eliminado os questionários que tinham muitos itens em branco. Contudo, nenhum
item apresentou dados omissos86 em um número expressivo, variando de 0 a 1 %
do total de itens.
Ainda, segundo Hair et al (2005), as análises multivariadas devem ser
analisadas a normalidade87, a multicolinearidade88, a homoscedasticidade89 e a
linearidade90. Assim, nesta Tese, os itens estão dentro da normalidade, sem
multicolinearidade, com relações lineares e dentro da homocedasticidade, pois este
último não apresenta variações em seu gráfico de resíduos.
As limitações do presente estudo estão na seleção da amostra, já que os
resultados são baseados nas opiniões pessoais dos entrevistados e não possuem
caráter conclusivo sobre o assunto, levando a generalizações. Contudo, fica a
proposta a futuros pesquisadores de aplicação do questionário empregado como

85
Corte transversal significa que a coleta de dados ocorreu em um único momento.
86
Os dados omissos devem estar entre 5% e 10% de um item específico, devendo haver aleatoriedade na
omissão. Se ocorrer um grande número de omissões sobre um único item, pode significar que o item em questão
não perfeitamente organizado. (KLINE, 1998)
87
A normalidade é analisada com base na assimetria e em curtose. A Assimetria positiva possui valores
abaixo da média e assimetria negativa possui valores acima da média. Curtose positiva possui valores
concentrados na média e curtose negativa possui muitos casos fora da média. (KLINE, 1998)
88
A multicolinearidade quando possui valores acima de 0,85 para as correlações e R2 acima de 0,90 são
redundantes. (KLINE, 1998)
89
A homoscedasticidade mede os resíduos padronizados com a variável dependente padronizada. (HAIR et
al, 2005)
90
A linearidade implica em prever mudança com unidade constante da variável dependente em relação a
uma mudança com unidade constante da variável independente. (HAIR et al, 2005)
243

subsidío para outros institutos de pesquisa e inovação, a fim de ampliar as referidas


generalizações.
A hipótese desta investigação foi a seguinte:
- H3: a Presença Tangível exerce influência sobre a Presença Intangível.

Após o uso do SPSS 16.0, para a análise fatorial exploratória, foi empregado
o AMOS 22 para a Modelagem de Equações Estruturais, buscando uma análise
fatorial confirmatória (AFC), usando o seguinte modelo conceitual como base, no
Estágio 1, sendo as variáveis latentes PTA (construto Presença Tangível) e a PIA
(construto Presença Intangível) e variáveis observadas a PAM (grupo de variáveis
Proteção da Amazônia), a MDS (grupo de variáveis Mentalidade de Defesa sobre os
Sistemas de Comando e Controle) e o VPO (grupo de variáveis Vazio de Poder),
conforme a figura 34:

Figura Nr 34 – Modelo Conceitual


Fonte: Autor

Assim, buscou-se a representação gráfica de um diagrama de caminhos,


como Estágio 2, e a conversão deste diagrama em um conjunto de modelos
estrutural e de caminhos, durante o Estágio 3, conforme se segue:
244

Figura Nr 35 – Diagrama de Caminhos do Modelo de Mensuração de 2ª Ordem


Fonte: Autor

O Modelo Estrutural visa verificar a significância das relações levantadas na


hipótese, sendo representado pela relação entre as variáveis latentes PTA e a PIA,
sendo que PIA é um construto endógeno, pois possui variáveis dependentes, e PTA
é um construto exógeno, pois possui variáveis independentes. O Modelo de
Mensuração é representado pela relação entre as variáveis latentes PTA e PIA com
as variáveis observadas em PAM, MDS e VPO, os quais são construtos exógenos,
pois são variáveis independentes.
Contudo, na figura 35, apresenta o modelo de mensuração com a 1ª Ordem
(PTA - PIA) e com a 2ª Ordem (de PTA para as suas variáveis e de PIA para suas
variáveis), sendo um modelo de pequena complexidade. Além disso, estão
representados os erros de mensuração associados a cada item, sendo as cargas
fatorias representadas em cada enlace. Devido a simplicidade do referido modelo de
mensuração, foram calculadas as cargas somente do modelo de 2ª Ordem, o qual já
incluem as cargas de 1ª Ordem.
No Estágio 4 (Escolher o tipo de matriz de entrada de dados), a entrada de
dados pode se dar de três formas: com a análise da matriz de componentes
generalizados, com análise da matriz de covariância e com os mínimos quadrados
parciais, conforme Hair et al (2005). Por isso, será buscado o uso da matriz de
245

covariância, pelos resultados mais robustos produzidos com o uso da ferramenta de


suporte para processamento de dados, neste caso, o programa AMOS 22.0.
A técnica de estimação utilizada foi a da Máxima Verossimilhança (MLE), pois
está coerente com a amostra desta Tese e por ser o mais indicado para modelagem
com análise fatorial confirmatória, sendo escolhida dentre as quatro técnicas
disponíveis: Mínimos Quadrados Ordinários (OLS), Mínimos quadrados
Generalizados (GLS) e Estimação Assintomatica Livre de Distribuição (ADF), além
da MLE já citada. As técnicas GLS e ADF exigem amostram superiores a 400
respondentes, sendo a ADF na proporção de 20:1. (HAIR et al, 2005)
Além da técnica, foi escolhido o processo de estimação conhecida como
Bootstrapping, pois usa os dados da pesquisa como base de cálculo para as
estimativas e erros padrão, dentre os quatros disponíveis: Estimação Direta,
Simulação e Jackknifing, além do já citado Bootstrapping.
No Estágio 5 (Avaliar a identificação do modelo), busca-se a identificação do
modelo estrutural estabelecido, podendo ser de três formas: Modelo subidentificado,
o qual possui uma quantidade negativa de graus de liberdade; Modelo exatamente
identificado, no qual todos os parâmetros estão determinados unicamente; e Modelo
superidentifiicado, deve ser perseguido por qualquer pesquisador, pois tem um
número de graus de liberdade maior que zero, permitindo a generalização do
modelo. No caso desta Tese, o modelo é superidentificado, possibilitando
generalizações futuras. (HAIR et al, 2005)
Como medida complementar de confiança, sobre os construtos PTA e PIA,
buscou-se a Confiabilidade Composta91 (CC) e a Variância Média Extraída92
(AVE). Os valores CC obtidos para PTA e PIA foram, respectivamente, 0,70 e 0,78.
Os valores obtidos de AVE para PTA e PIA foram, respectivamente, 0,48 e 0,52. A
validade do construto foi medida usando a análise da Validade Discrimante93 (VD),
que para os construtos PTA e PIA foram obtidos os seguintes valores 0,69 e 0,96.
Portanto, os construtos PTA e PIA são confiáveis e válidos para a análise da
Estratégia da Presença.

91
A Confiabilidade Composta mede a consistência interna de cada construto, sendo 0,70 um
valor comumente aceito para validação. (HAIR et al, 2005)
92
A Variância Média Extraída mede a quantidade total de variância dos indicadores explicada
pela variável latente, sendo recomendado valores acima 0,50. (HAIR et al, 2005)
93
A Validade Discriminante envolve a comparação das correlações entre os construtors do
modelo e com um modelo teórico. (HAIR et al, 2005)
246

Após a análise dos dados, como parte integrante do Estágio 6 – Avaliar as


estimativas do modelo e qualidade do ajuste, bem como do Estágio 7 –
Interpretação e modificação do modelo, foi possível realizar o teste do modelo,
avaliando os critérios de qualidade do ajuste, iniciando com as estimativas
transgressoras, não sendo identificado coeficientes padronizados excedentes ou
próximos a 1 e erros padrão elevados.
Depois, foi observado uma ou mais medidas de ajuste do modelo teórico,
dentre as três medidas gerais de ajuste existentes: Medidas de Ajuste Absoluto, o
qual indica o ajuste geral do modelo; Medidas de ajuste Incremental, o qual compara
o modelo proposto com o modelo nulo; e Medidas de Ajuste Parcimonioso, o qual
compara o modelo com os parâmetros estimados necessários para chegar um
determinado nível de ajuste. (HAIR et al, 2005)

Medida Valor Aceitável


2
Qui-quadrado ( ) Valores menores resultam em maiores níveis
Sobre grau de liberdade de significância: a matriz verdadeira não é
estatisticamente diferente da prevista.
Parâmetro de não Valores mais perto de zero são melhores.
centralidade (NCP)
Medidas de
Índice de qualidade do Varia de zero (ajuste nulo) a 1 (ajuste perfeito).
Ajuste absoluto ajuste (GFI)
Raiz do resíduo quadrático Valores inferiores a 0,10.
médio (RMSR)
Raiz do erro quadrático Menor que 0,05 o ajuste é excelente. Entre
médio de aproximação 0,05 e 0,08 existe um bom ajuste. Entre 0,08 e
(RMSEA) 0,1 o ajuste é aceitável. Maior que 0,1 o ajuste
é pobre.
Medidas de Índice ajustado de Varia de zero (ajuste nulo) a 1 (ajuste perfeito),
qualidade do ajuste (AGFI) recomenda-se acima de 0,90.
Ajuste
Índice de Tuker-Lewis (TLI) Varia de zero (ajuste nulo) a 1 (ajuste perfeito),
Incremental ou Índice de ajuste não- recomenda-se acima de 0,90.
ponderado (NNFI)
Índice de ajuste ponderado Varia de zero (ajuste nulo) a 1 (ajuste perfeito),
(NFI) recomenda-se acima de 0,90.
Índice de ajuste Varia de zero (ajuste nulo) a 1 (ajuste perfeito).
comparativo (CFI)
Medidas de Índice de ajuste incremental Varia de zero (ajuste nulo) a 1 (ajuste perfeito).
Ajuste (IFI)
Critério de informação Varia de zero (ajuste perfeito) a um valor
Parcimonioso Akaike (AIC) negativo (ajuste nulo).
Qui-quadrado ponderado** Valores inferiores a 1 indicam um ajuste pobre;
valores acima de 5 indicam necessidade de
ajuste. O valor aceitável deve ser igual ou
menor a 5.
Tabela 50 - Índices de Ajuste do Modelo
Fonte: Hair et al (2005) e Bandeira (2009)
247

Além dos índices da Tabela 50, também, foram verificados alguns parâmetros
de validação, constantes da Tabela 51. Esses parâmetros são úteis tanto para
análise do modelo em si, considerando a pertinência de cada variável componente
dos construtos, como para verificar se a amostra selecionada é adequada.

INDICADOR DEFINIÇÃO NÍVEL ACEITÁVEL


CR (Critical Ratio) Verifica se o parâmetro é relevante Maior que 1,96
no modelo
CMIN/DF Qui-quadrado/graus de liberdade Menor ou igual a 5
Resíduos padronizados Número de desvios padrão que os Deve ser menor ou igual a
resíduos encontrados estão do 2,58.
desvio zero
Tabela 51 - Índices utilizados em Análise de Covariância
Fonte: Sousa Jr (2010) e Bandeira (2009)

Após o processamento dos dados obteve-se dados positivos com relação ao


modelo considerado. Sobre a medidas de ajuste absoluto, o GFI do modelo foi de
0,795. Embora seja um valor compatível, seria mais adequado um GFI mais
elevado. O Qui-quadrado pelo grau de liberdade foi de 3,511. O NCP encontrado
foi de 688,134. De forma semelhante, o RMSEA encontrado foi de 0,090, indicando
um ajustamento apenas aceitável.
Sobre as medidas de ajuste incremental, o AGFI foi de 0,757, sendo que o
recomendado são valores acima de 0,90; o TLI foi de 0,793, sendo, também, que o
recomendado são valores acima de 0,90, mostrando que existente uma referência
aceitável em relação ao modelo proposto, contudo ele pode ser aperfeiçoado.
Sobre as medidas de ajuste parcimonioso, o NFI foi de 0,756, embora seja um
valor compatível, seria mais adequado um NFI mais elevado; o CFI foi de 0,811; o
IFI encontrado foi de 0,813; o RFI foi de 0,733; e o AIC foi de 1064,134 todos
elevados, mostrando um forte ajustamento ao modelo proposto.
Além disso, o CMIN/DF foi de 3,511; os resíduos padronizados foram bastante
inferiores a 2,58; e o menor CR encontrado foi de 6,498, entre as variáveis da
Presença Tangível (pta) e a Presença Intangível (pia), mostrando a pertinência das
variáveis selecionadas.
A partir dessa análise preliminar do modelo, pode-se analisar se de fato havia a
influência de PTA em PIA que é a hipótese desta investigação. No caso de
confirmação da hipótese, é interessante também compreender se essa relação é
248

expressiva, ou seja, qual o peso dessa influência. Na tabela 52 e 53, verificam-se


um elevado CR entre PTA e PIA (10,707), com estimativa de 1,043. Além disso, o
Peso de Regressão também é bastante elevado, atingindo 0,862.

Peso da Regressão Estimativa S.E. C.R. Label


PIA <---- PTA 1,043 0,097 10,707 par-23
ccf <---- PTA 1,000 -- -- --

cpf <---- PTA 0,644 0,085 7,585 par-1

rov <---- PTA 0,870 0,089 9,825 par-2

nac <---- PTA 0,779 0,086 9,079 par-3

qgl <---- PTA 0,656 0,084 7,847 par-4

qme <---- PTA 0,805 0,084 9,592 par-5

nog <---- PTA 0,685 0,079 8,666 par-6

qoi <---- PTA 0,787 0,081 9,694 par-7

qdn <---- PTA 0,896 0,090 9,992 par-8

nco <---- PTA 0,796 0,082 9,702 par-9

ncs <---- PTA 0,645 0,084 7,676 par-10


Tabela 52 - CR do construto PTA
Fonte: Autor

Peso da Regressão Estimativa S.E. C.R. Label

cra <---- PIA 0,874 0,063 13,857 par-11

qcc <---- PIA 0,967 0,060 16,140 par-12

ibs <---- PIA 1,000 -- -- --

nst <---- PIA 0,846 0,065 13,104 par-13

cmr <---- PIA 0,763 0,060 12,742 par-14

csg <---- PIA 0,984 0,069 14,187 par-15

qpu <---- PIA 0,957 0,067 14,301 par-16

qaa <---- PIA 0,743 0,069 10,815 par-17

fpt <---- PIA 0,761 0,071 10,783 par-18

qmv <---- PIA 0,525 0,066 7,951 par-19

nuc <---- PIA 0,937 0,068 13,717 par-20


249

ppf <---- PIA 0,880 0,070 12,614 par-21

epe <---- PIA 0,510 0,068 7,526 par-22

evd <---- PIA 0,479 0,074 6,498 par-24


Tabela 53 - CR do construto PIA
Fonte: Autor

O processamento dos dados permite ir além da confirmação estatística da


hipótese. É possível também determinar a relevância das variáveis em cada
construto, e a influência destas no outro construto. Para isso, é preciso observar os
CR obtidos e os pesos da regressão constante em cada relação considerada.
Cabe observar que em cada construto, para se processar os dados, o AMOS
estima o CR de uma das variáveis em 1, por este motivo não foi auferido o CR
referente à variável ccf do construto PTA e ibs do construto PIA. Cabe ressaltar,
que isso é realizado, considerando o escopo que engloba em um construto único,
todas as variáveis de PTA e todas as variáveis de PIA. Desta forma, apesar de na
análise fatorial inicial com SPSS aparecer dois fatores em PIA, a MEE demonstra
que os mesmos compõem um único construto, o qual simplificadamente
chamaremos de Mentalidade de Proteção Intangível (MPI).
A tabela 54 demonstra que existe forte influência da Presença Tangível (PTA)
sobre a Presença Intangível (PIA). Pode-se inclusive dizer que o CR de 10,707 e o
Peso na regressão de 0,862 excederam a expectativa inicial da pesquisa,
comprovando a hipótese H3 deste estudo, ou seja, existe uma forte influência da
Presença Tangível que impacta a Presença Intangível, comprovando o modelo
elaborado por este autor.

Peso da Regressão Estimativa


PIA <---- PTA 0,862
ccf <---- PTA 0,649
cpf <---- PTA 0,474
rov <---- PTA 0,636
nac <---- PTA 0,582
qgl <---- PTA 0,495
qme <---- PTA 0,627
nog <---- PTA 0,548
qoi <---- PTA 0,628
qdn <---- PTA 0,650
nco <---- PTA 0,635
ncs <---- PTA 0,491
250

Tabela 54 - Estimativa de Peso de Regressão do construto PTA.


Fonte: Autor

Todas as variáveis que compõe o construto Presença Tangível (PTA)


mostraram-se relevantes. No entanto, pode-se destacar a maior importância, nesta
ordem: a quantidade de organizações militares da Marinha, Exército e Aeronáutica
na região amazônica voltadas para o desenvolvimento nacional (qdn), o controle
das penetrantes que adentram ao País e pontos de confluência fluviais no interior do
País (ccf) e o resultado das operações de vigilância de fronteira (rov).
Por outro lado, destaca-se a menor relevância de: a quantidade de
penetrantes fluviais, aéreos e terrestre (cpf), o número de cidades surgidas a partir
de OM de engenharia (ncs) e a quantidade de organizações militares da Marinha,
Exército e Aeronáutica na região amazônica voltadas para missões de GLO e
missões subsidiárias (qgl).
Pode-se verificar que os resultados indicam que, de forma geral, as variáveis
mais relevantes na Presença Tangível (PTA) estão presentes em duas
subcategorias (contenção e desenvolvimento nacional), as quais são subcategorias
que se mantiveram no pré-teste, quando analisadas em separado. Já as menos
relevantes pertencem a três subcategorias (contenção, ocupação territorial e
desenvolvimento nacional), tendo talvez como ponto em comum, a dificuldade de
serem corretamente mensuradas.

Peso da Regressão Estimativa


cra <---- PIA 0,725
qcc <---- PIA 0,811
ibs <---- PIA 0,789
nst <---- PIA 0,694
cmr <---- PIA 0,679
csg <---- PIA 0,748
qpu <---- PIA 0,753
qaa <---- PIA 0,593
fpt <---- PIA 0,592
qmv <---- PIA 0,450
nuc <---- PIA 0,717
ppf <---- PIA 0,675
epe <---- PIA 0,428
evd <---- PIA 0,374
Tabela 55 - Estimativa de Peso de Regressão do construto PIA.
Fonte: Autor
251

Observando o construto Presença Intangível (PIA), pode-se perceber que


todas as variáveis são relevantes. A maior importância das variáveis é expressa,
nesta ordem: a quantidade de centros de comando e controle nas Organizações
Militares de fronteira (qcc), a infraestrutura de backbones (eixos centrais de dados),
satelitais e fibra ótica na região amazônica (ibs) e a quantidade de participações de
universitários no projeto Rondon (qpu). Por outro lado, destaca-se a menor
relevância a existência de vazios demográficos (evd), a existência de porosidade
decorrente de intensa atividade econômica (epe) e a quantidade de matérias
veiculadas na mídia relativas ao tema Amazônia (qmv).
É interessante verificar que os resultados indicam que, de forma geral, as
variáveis mais relevantes na Presença Intangível (PIA) estão presentes nas três
subcategorias (monitoramento, cibernético e mentalidade de defesa), as quais são
subcategorias que se mantiveram no pré-teste, quando analisadas em separado. Já
as menos relevantes pertencem a subcategoria mentalidade de defesa, tendo talvez
como ponto em comum, a dificuldade de serem corretamente mensuradas.

Efeito Estimativa
PIA 1,043
evd 0,500
epe 0,531
ppf 0,918
nuc 0,977
qmv 0,548
fpt 0,794
qaa 0,775
qpu 0,998
csg 1,026
cmr 0,795
nst 0,882
ibs 1,043
qcc 1,008
cra 0,912
Tabela 56 - Estimativa do Efeito de PTA nas variáveis de PIA.
252

Fonte: Autor

Em seguida, pode-se verificar a influência que a Presença Tangível (PTA)


exerce sobre cada variável que compõe a Presença Intangível (PIA). Para tal,
verifica-se a estimativa desse efeito, por meio da Modelagem de Equações
Estruturais. Nesse contexto, a tabela 56 demonstra que o efeito é bastante
significativo em todas as variáveis. Em consequência disso, pode-se dizer que a
Influência da Presença Tangível (PTA) sobre a Presença Intangível (PIA) não se
atém apenas a uma parte do construto. Pelo contrário, este é um fenômeno que está
presente em toda a extensão dos itens da Estratégia da Presença Militar para a
Região Amazônica.
A maior importância do efeito de PTA pode ser verificada, nesta ordem, a
infraestrutura de backbones (eixos centrais de dados), satelitais e fibra ótica na
região amazônica (ibs), a quantidade de civis em cursos da ECEME, EGN, Escola
Superior de Guerra e do Instituto Pandiá Calógeras (csg) e a quantidade de centros
de comando e controle nas Organizações Militares de fronteira (qcc). Por outro lado,
ainda que significativos, os menores efeitos observados são, respectivamente, a
existência de vazios demográficos (evd), a existência de porosidade decorrente de
intensa atividade econômica (epe) e a quantidade de matérias veiculadas na mídia
relativas ao tema Amazônia (qmv). Pode-se dizer, dessa forma, que os menores
efeitos estão justamente nas variáveis menos relevantes do construto PIA.

evd epe ppf nuc qmv fpt qaa qpu csg cmr nst ibs qcc cra
ncs 0,365 0,336 0,359 0,283 0,204 0,336 0,276 0,285 0,371 0,211 0,275 0,274 0,367 0,270
nco 0,253 0,271 0,421 0,362 0,200 0,389 0,369 0,472 0,572 0,308 0,423 0,470 0,585 0,465
qdn 0,270 0,252 0,381 0,412 0,304 0,383 0,365 0,380 0,395 0,446 0,344 0,467 0,463 0,362
qoi 0,214 0,186 0,285 0,360 0,354 0,411 0,355 0,441 0,515 0,413 0,484 0,451 0,465 0,478
nog 0,094 0,170 0,302 0,260 0,139 0,235 0,176 0,311 0,360 0,272 0,365 0,328 0,397 0,392
qme 0,165 0,233 0,350 0,417 0,320 0,336 0,343 0,368 0,387 0,350 0,324 0,416 0,416 0,389
qgl 0,203 0,118 0,297 0,302 0,176 0,264 0,295 0,250 0,242 0,277 0,239 0,264 0,300 0,213
nac 0,285 0,243 0,391 0,338 0,178 0,324 0,308 0,329 0,352 0,290 0,347 0,334 0,341 0,357
rov 0,376 0,296 0,401 0,397 0,181 0,291 0,332 0,358 0,392 0,343 0,346 0,383 0,421 0,366
cpf 0,235 0,285 0,288 0,278 0,200 0,304 0,222 0,285 0,202 0,309 0,337 0,287 0,242 0,272
ccf 0,161 0,149 0,344 0,399 0,186 0,329 0,367 0,368 0,373 0,363 0,448 0,444 0,485 0,436
Tabela 57 - Correlação entre variáveis observadas de PTA e PIA.
Fonte: Autor
253

É possível também se estudar a correlação entre as variáveis dos dois


construtos considerados na investigação. Para tal, deve ser observada a matriz de
correlação entre as variáveis observadas de PTA e PIA. Isso se mostra útil,
principalmente, na formulação da estratégia de indicadores, referentes aos
construtos. É importante, nesse caso, não desprezar o efeito maior que todo
construto exerce sobre cada variável.
Considerando o valor base de 50% de covariância, é possível destacar
algumas relações explícitas na tabela 57. Nesse sentido, a quantidade de
organizações militares da Marinha, Exército e Aeronáutica na região amazônica
voltadas para o desenvolvimento nacional (qdn) está correlacionada com a
infraestrutura de backbones (eixos centrais de dados), satelitais e fibra ótica na
região amazônica (ibs), a quantidade de centros de comando e controle nas
Organizações Militares de fronteira (qcc) e a capacidade de monitoramento das
redes (cmr).
O controle das penetrantes que adentram ao País e pontos de confluência
fluviais no interior do País (ccf) está correlacionado com a quantidade de centros de
comando e controle nas Organizações Militares de fronteira (qcc), a infraestrutura
de backbones (eixos centrais de dados), satelitais e fibra ótica na região amazônica
(ibs) e o nível de segurança na transmissão de dados (contra-ataques, tentativas,
invasões e infecções) (nst).
Por fim, o resultado das operações de vigilância de fronteira (rov) encontra-se
correlacionada com a quantidade de centros de comando e controle nas
Organizações Militares de fronteira (qcc) e a percepção da população quanto ao
nível de importância das Forças Armadas (ppf).
Desta forma, o modelo proposto pode ser traduzido em equações estruturais,
observando-se as setas unidirecionais, estando todas as variáveis presentes, sendo
expressas pelas seguintes fórmulas:
PTA = 0,862.PIA + e1, ou seja, a Presença Tangível (PTA) tem 86,2% de
causas as influências da Presença Intangível (PIA) acrescidas de uma parte não
explicada neste trabalho (e1).
- Para o construto Presença Intangível:
Pi = i.PIA + ei
254

Onde: Pi é a equação referente a variável i; i é o peso de cada variável; ei é o


erro aderente a variável analisada; para i = 11 a 22.
Assim, por exemplo, teremos qcc = 0,811.PIA + e14.
- Para o construto Presença Tangível:
Pi = i.PTA+ ei
Onde: Pi é a equação referente a variável i; i é o peso de cada variável; ei é o
erro aderente a variável analisada; para i = 1 a 10.
Assim, por exemplo, teremos rov = 0,870.PTA + e2.
Depois dos estudos, o modelo final ficou o seguinte, conforme a figura 36:

Figura Nr 36 – Diagrama de caminhos do Modelo de Mensuração Final


Fonte: Autor
7.3 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Incialmente, cabe destacar que a estatística inferencial inicial feita com SPSS
16.0, demonstrou que os dois construtos desta pesquisa “Presença Tangível” e
“Presença Intangível” foram confirmadas pelos testes de confiabilidade interna, no
qual o Alfa de Cronbach foi de 0,825 e 0,920, respectivamente, portanto, acima do
recomendado. Assim, é possível afirmar que as variáveis de cada construto são
suficientes para explicar cada um deles.
A confirmação da confiabilidade dos construtos PTA e PIA reforçam a visão
de Marion (2005), onde os ativos podem ser divididos em tangível e intangível.
Contudo, Paulino (2009) corrobora esta ideia ao afirmar que existe uma dimensão
255

intangível dos conflitos, além da dimensão material conhecida, o qual está de acordo
com LBDN, que, também, reconhece esta divisão de atuação militar.
A Presença Tangível (PTA) com apenas um fator - proteção da amazônia
(pam), englobou 11 (onze) variáveis, com uma capacidade de explicação de
33,840% da variância total, sendo que três variáveis destacaram-se como mais
importantes: resultado das operações de vigilância de fronteira (rov); número de
áreas cegas dos projetos SIVAM, SISFRON e SisGAAz (nac) e quantidade de
missões eventuais provindas do EB, MD e PR (qme) com valores de 0,679; 0,640 e
0,640, respectivamente.
O resultado das operações de vigilância de fronteira reforçam a necessidade
de ter meios no local para prover a segurança e a defesa do território amazônico ou
meios de deslocamento para chegar ao local desejado em tempo oportuno,
reforçando a dialética sobre a presença e a mobilidade, conforme observa-se na
END (2012), quando afirma que a presença está relacionado com o controle e a
mobilidade das forças disponíveis.
O número de áreas cegas dos projetos SIVAM, SISFRON e SisGAAz gera um
descontrole do território, reforçando a necessidade e dispor de meios que favoreçam
o desdobramento de OM na região como os Pelotões Especiais de Fronteira, o que
em muitas regiões, conforme Kuhlmann (2001), é a única presença do Estado.
A quantidade de missões eventuais provindas do Exército Brasileiro, do
Ministério da Defesa e da Presidência da República, a fim de resolverem problemas
na amazônia, reforçam a necessidade de desdobramento de forças para atender tais
fins, dispondo o Exército de dois Comandos Militares de Área, o CMA e o CMN; a
Marinha de dois Distritos Navais, o 4º DN e o 9º DN e a Força Aérea com o
CINDACTA IV, de acordo com Franchi (2013).
Pela Matriz de Comunalidades, destacaram-se como as mais representativas,
as variáveis (rov), (nac) e a quantidade de penetrantes fluviais, aéreas e terrestre
(ccf).
Por isso, o resultado das operações de vigilância de fronteira, o número de
áreas cegas dos projetos SIVAM, SISFRON e SisGAAz e a quantidade de
penetrantes fluviais, aéreas e terrestre, destacam-se como as mais representativas
para explicar a variância total, corroborando com as ideias de Paiva (2012) e Vidigal
256

et al (2006), sobre a necessidade de controle do território amazônico, visando a


defesa do mesmo.
Além disso, destaca-se a importância das cidades-polos, de acordo com Mattos
(1980), as quais servem de base de apoio às operações militares, facilitando o
deslocamento para regiões mais isoladas.
Pela estatística descritiva, destacam-se as variáveis: Capacidade de projetar
poder na região (cpp), possibilidades de invasões ao território nacional (pit) e vazios
populacionais no interior da Amazônia (vpi), como os fatores de maior
concordância dos respondentes sobre o assunto pesquisado, confirmando as
ideias de Côrtes (2005) sobre as vulnerabilidades da Amazônia.
Assim, também, destacou-se como variável de menor concordância dos
respondentes sobre o assunto pesquisado, a quantidade de órgãos de segurança
pública estaduais e federais na região (qoe), devido, entre outros fatores, que a
principal presença na região se deve as Forças Armadas e não aos órgãos de
segurança pública, conforme adverte Alves (2003).
A Presença Intangível (PIA) apresentou 2 (dois) fatores, os quais englobaram
14 (quatorze) variáveis, com uma capacidade de explicação de 45,733% e 53,704%,
respectivamente, da variância total, destacando-se três variáveis como mais
importantes no fator 1 - mentalidade de defesa dos sistemas de C2 (mds): formar
pesquisadores e trabalhos de brasileiros amazônicos em instituições civis e militares
de ensino (fpt); número de universidades que possuem centros de estudos de
defesa (nuc) e quantidade de centros de comando e controle nas OM de fronteira
(qcc) com valores de 0,781; 0,766 e 0,761, respectivamente.
A formação de pesquisadores e trabalhos de brasileiros amazônicos em
instituições civis e militares de ensino gera uma massa de estudos e discussões
acadêmicas sobre a amazônia, criando uma mentalidade de defesa e de segurança
sobre esta região tão distante do poder central, deixando de ser uma exclusividade
do meio militar, conforme alerta Almeida (2005).
O número de universidades que possuem centros de estudos de defesa
aumenta o estudo e o entendimento de assuntos de defesa, inclusive sobre o tema
defesa da amazônia, conforme alertam Côrtes (2005) e Becker (2005),
securitizando-o para benefício nacional, de acordo com Buzan et al (1998) e Bentes
(2005). Contudo, também, reforçam as ideias de Reilly (1996) de capital humano
257

como um bem intangível, de Sveiby (1998), o qual ressalta a importância da


educação e experiência.
A quantidade de centros de comando e controle nas OM de fronteira aumenta o
controle sobre as atividades na fronteira, aumentando, por conseguinte, a percepção
de segurança na região amazônica, conforme Paiva (2012) e Vidigal et al (2006).
Sobre o fator 2 - vazio de poder (vpo), concluiu-se que, somente, duas
variáveis o compõem: existência de vazios demográficos (evd) e existência de
porosidade decorrente de intensa atividade econômica (epe) com valores de 0,793 e
0,656, respectivamente.
A existência de vazios demográficos dificulta o controle do território amazônico,
aumentando a possibilidade de crescimento das ameaças a região, conforme
adverte Paiva (2012) e Vidigal et al (2006).
A existência de porosidade decorrente de intensa atividade econômica gera um
fluxo na faixa de fronteira que favorece a entrada de toda sorte de materiais e
pessoas, requerendo uma atenção especial nas cidades gêmeas, de acordo com
Becker (2005).
Pela Matriz de Comunalidades, destacaram-se como as mais representativas
as variáveis evd (0,676), fpt (0,612) e nuc (0,590). Desta forma, a existência de
vazios demográficos, a formação de pesquisadores e trabalhos de brasileiros
amazônicos em instituições civis e militares de ensino e o número de universidades
que possuem centros de estudos de defesa, reforçam as ideias de Sveiby (1998) e
Kayo (2002).
Pela estatística descritiva, destacaram-se as variáveis: existência de atividade
ilícita na fronteira (eai), existência de vazios demográficos (evd) e percepção da
população quanto ao nível de importância das Forças Armadas (ppf), como os
fatores de maior concordância dos respondentes sobre o assunto pesquisado. A
pesquisa SIPS (2011) reforça a questão da importância das Forças Armadas e do
problema do crime organizado, o que pode explicar a alta concordância dos
respondentes sobre os itens citados.
Assim, também, destacam-se como variáveis de menor concordância dos
respondentes sobre o assunto pesquisado, o número de centro cibernéticos (ncc) e
existência de organizações militares na Amazônia voltadas para defesa cibernética
(odc), contrariando as visões de Lev (2001), que vê no aumento da busca pela
258

tecnologia da informação, bem como a visão de Barbosa e Gomes (2002), que veem
na capacitação e pesquisa e desenvolvimento, um aumento da dimensão intangível.
Assim, ao usar a Modelagem de Equações Estruturais, buscou-se
processar os dados com relação ao modelo considerado. A partir desta análise
preliminar, pode-se analisar se de fato havia a influência de PTA em PIA, que é a
hipótese H3 desta investigação.
Inicialmente, os construtos PTA e PIA foram analisados, buscando-se avaliar
sua confiabilidade e a sua validade para a análise da Estratégia da Presença,
obtendo valores elevados para a Confiabilidade Composta, Variância Média
Extraída e Validade Discrimante, o que confirma as buscas iniciais, chegando-se a
PTA e a PIA, sem subgrupos, somente com as variáveis diretamente ligadas a seus
construtos latentes. No caso de PIA, apesar de na análise fatorial inicial com SPSS
dar duas siubcategorias, a MEE concentrou-as em uma somente, confirmando a
unidemensionalidade deste construto latente.
Desta forma, existe uma forte influência da Presença Tangível (PTA) sobre a
Presença Intangível (PIA), porque possui um CR de 10,707 e o Peso na regressão
de 0,862, o CMIN/DF foi de 3,511, os resíduos padronizados foram bastante
inferiores a 2,58; e o menor CR encontrado foi de 6,498, excedendo a expectativa
inicial da pesquisa, confirmando a pertinência do modelo elaborado pelo autor e a
hipótese H3, pois existe uma influência da Presença Tangível sobre a Presença
Intangível.
O Modelo teve um ajuste parcimonioso, pois o NFI foi de 0,756, o CFI foi de
0,811, o IFI encontrado foi de 0,813, o RFI foi de 0,733, e o AIC foi de 1064,134,
mostrando um forte ajustamento ao modelo proposto.
O processamento dos dados, no AMOS, permite ir além da confirmação
estatística da hipótese, sendo possível determinar a relevância das variáveis em
cada construto, além da influência destas no outro construto. Para isso, é preciso
observar os CR obtidos e os pesos da regressão constante em cada relação
considerada.
No construto Presença Tangível (PTA), destacam-se as seguintes variáveis
como de maior importância, nesta ordem, a quantidade de organizações militares
da Marinha, Exército e Aeronáutica na região amazônica voltadas para o
desenvolvimento nacional (qdn), o controle das penetrantes que adentram ao País e
259

pontos de confluência fluviais no interior do País (ccf) e o resultado das operações


de vigilância de fronteira (rov).
Assim, a quantidade de organizações militares da Marinha, Exército e
Aeronáutica na região amazônica voltadas para o desenvolvimento nacional ajudam
a desenvolver a região, reforçando os conceitos da visão desenvolvimentista de
Bentes (2005) e sendo enumeradas no LBDN (2012) e por Franchi (2013).
O controle das penetrantes que adentram ao País e pontos de confluência
fluviais no interior do País e o resultado das operações de vigilância de fronteira,
comprovam os estudos de Paiva (2012) e Vidigal et al (2006) sobre a necessidade
de uma maior atenção sobre as ameaças com relação a Amazônia, reforçando
iniciativas como a OTCA, a qual prevê a identificação das áreas críticas e a solução
conjunta pelos condôminos
Por outro lado, destaca-se a menor relevância, a quantidade de penetrantes
fluviais, aéreos e terrestre (cpf), o número de cidades surgidas a partir de OM de
engenharia (ncs) e a quantidade de organizações militares da Marinha, Exército e
Aeronáutica na região amazônica voltadas para missões de GLO e missões
subsidiárias (qgl).
A quantidade de penetrantes fluviais, aéreos e terrestre possui uma baixa
percepção dos respondentes, talvez devido esta variável mais como um problema
do que uma ameaça, conforme orienta Paiva (2012).
Assim também acontece com o número de cidades surgidas a partir de OM de
engenharia, onde os respondentes devem perceber uma pequena relevância dessa
variável para o entendimento global da Presença Tangível, bem como da quantidade
de organizações militares da Marinha, Exército e Aeronáutica na região amazônica
voltadas para missões de GLO e missões subsidiárias.
No construto Presença Intangível (PIA), destacam-se as seguintes variáveis de
maior importância, nesta ordem, a quantidade de centros de comando e controle nas
Organizações Militares de fronteira (qcc), a infraestrutura de backbones (eixos
centrais de dados), satelitais e fibra ótica na região amazônica (ibs) e a quantidade
de participações de universitários no projeto Rondon (qpu).
A quantidade de centros de comando e controle nas Organizações Militares de
fronteira e a infraestrutura de backbones (eixos centrais de dados), satelitais e fibra
ótica na região amazônica aumentando a percepção de valorização da Presença
260

Intangível, reforçando os conceitos de Edvinsson e Malone (1998), sobre a


singularidade destas ações, e da não-rivalidade de Lev (2001). Além disso, confirma
Nye (2012) ao reforçar a importância da cibernética, dos conceitos de Dombrowsky
e Gholz (2006) sobre a inovação neste setor e do Iceberg Científico-tecnológico de
Defesa de Amarante (2013).
Contudo, a quantidade de participações de universitários no projeto Rondon
reforça o desenvolvimento de uma mentalidade de defesa, de acordo com Almeida
(2005), aproximando o meio universitário para estes assuntos tão caros a nação.
Por outro lado, destaca-se a menor relevância a existência de vazios
demográficos (evd), a existência de porosidade decorrente de intensa atividade
econômica (epe) e a quantidade de matérias veiculadas na mídia relativas ao tema
Amazônia (qmv). Provavelmente, devido à dificuldade dos respondentes em fazer
uma associação mais clara destas variáveis com o construto analisado.
É possível afirmar que a Estratégia da Presença Militar para a Amazônia para o
século XXI é composta de duas partes, por dois construtos: “Presença Tangível” e
“Presença Intangível”, as quais foram, pela análise qualitativa dos dados,
separadas em dois construtos, e, pela estatística inferencial, chegou-se a
confirmação destes.
Por fim, após a Modelagem de Equação Estruturais, confirmou-se a Hipótese
principal deste trabalho, que é “modelo de Estratégia da Presença para a Região
Amazônica, no século XXI, é produto da relação da Presença Tangível com a
Presença Intangível”, além de identificar, que o maior peso está na Presença
Intangível, com 86,2% da equação inicial.
261

8. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

8.1 CONCLUSÕES

Esta pesquisa teve como propósito analisar os fatores que influenciam na


adoção de uma Estratégia da Presença Militar para a região Amazônica na
atualidade, estabelecendo-se como hipótese principal que o modelo da Estratégia da
Presença para a Região Amazônica seria produto da relação da Presença Tangível
com a Presença Intangível.
Por isso, buscou-se entender os conceitos envolvidos na tangibilidade e
intangibilidade dos conflitos, oriundos de diversas áreas da ciência, tentando chegar
a uma unidade dentro da diversidade de assuntos envolvidos para o entendimento
desta Tese, discutindo a relação entre o Poder-Política-Estratégia e a Geografia-
Ambiente-Território, conforme Mattos (2011b), Becker (2005) e outros autores.
Estabelecer uma Estratégia da Presença Militar para a região Amazônica é
uma tarefa complexa e envolve muitos fatores e categorias de análise, a fim de
esclarecer as variáveis de cada dimensão, seja a face tangível ou material dos
conflitos, bem como a sua face intangível ou imaterial.
Esta complexidade tem relação com vários fatores, entre os quais, detacam-se
o poder visível e invisível atuam sobre o espaço em questão, transformando-o,
territorializando-o, em conformidade com os interesses nacionais e identidades
regionais dos países vizinhos, de forma a integrar as visões de Raffestin (1980) e
Castro (2012), os quais, apesar de terem dimensões de RI diferentes, contudo
contribuem para uma análise e entendimento da realidade amazônica, devido a
complexidade e diversidade de atores presentes nesta área analisada. Contudo, o
poder militar continua a ser um instrumento de destaque naquele vasto território,
devido seu tamanho, riquezas e interesses diversos, garantindo o Poder eficaz do
Estado.
Desta forma, buscou-se realizar uma pesquisa qualitativa, entrevistando
especialistas no assunto Amazônia, a fim de demonstrar que os contrutos
“Presença Tangível“ e “Presença Intangível“ possuem consistência, os quias
foram consolidando-se com o desenvolvimento deste trabalho.
262

Nesta fase, chegou-se ao construto “Presença Tangível”, o qual estava


constituído pelas subcategorias “Contraparte da mobilidade“, “Contenção“,
“Ocupação Territorial“, “Distribuição Territorial“ e “Desenvolvimento Nacional“, com
respectivamente, 11 variáveis, 9 variáveis, 11 variáveis, 6 variáveis e 8 variáveis,
totalizando 45 variáveis.
De forma resumida, a lógica predominante na subcategoria “Contraparte da
mobilidade“ está na dispersão de Organizações Militares (OM) na amazônia em
lugares que dificultam a chegada rápida de tropas, dificultam sua mobilidade, sendo
mais voltadas para o combate externo. Na subcategoria “Contenção“, a lógica está
na construção de OM na linha de fronteira, marcando o território, como é a lógica
dos PEF do EB. Na subcategoria “Ocupação Territorial“, a lógica está na ocupação
de regiões estratégicas na Amazônia, sem, contudo, estarem com seus efetivos
completos, com pouco poder combativo e com uma predisposição maior para as
atividades de GLO. Na subcategoria “Distribuição Territorial“, a lógica está na
distribuição de OM de pequeno porte, visando estreitar os laços com a sociedade,
como é a lógica dos tiros-de-guerra, CPOR e NPOR. Na subcategoria
“Desenvolvimento Nacional“, a lógica está no desdobramento de OM de Engenharia,
visando o desenvolvimento da região amazônica.
No construto “Presença Intangível”, chegou-se a conclusão que estava
constituído pelas subcategorias “Monitoramento“, “Cibernético“ e “Mentalidade de
Defesa“, com respectivamente, 8 variáveis, 11 variáveis e 20 variáveis, totalizando
39 variáveis.
De forma resumida, a lógica predominante na subcategoria “Monitoramento“
está na possibilidade de monitoramento exercido pelos sistemas SIVAM, SISFRON
e SisGAAZ sobre a região amazônica. A lógica predominante na subcategoria
“Cibernético“ está no controle dos meios virtuais existentes na região amazônica, as
quais aumentam a percepção de controle do território. Na subcategoria “Mentalidade
de Defesa“, a lógica predominante está relacionada com todas as atividades, cursos
ou especializações acadêmicas que agreguem valor a ideia de presença militar na
Amazônia.
Em conformidade com as ideias de Paulino (2009) e Azevedo e Mota (2012),
os quais afirmam existir uma dimensão intangível, além da tradicional tangível,
ressaltando o que está expresso em vários documentos militares modernos e
263

coerente com vários ramos de outras ciências acadêmicas, as quais corroboram e


substanciam a presente argumentação, como as visões de Reilly (1996), Barbosa e
Gomes (2002) e Sveiby (1998).
Prosseguindo com o estudo, foi realizado a análise fatorial inicial, feita com
SPSS 16.0, onde pode-se confirmar a validade dos dois construtos “Presença
Tangível“ e “Presença Intangível“, definindo-se a consistência de suas
subcategorias, relativa ao poder militar aplicado na região amazônica.
No construto “Presença Tangível“, confirmou-se apenas uma subcategoria, a
qual passou a ser denominada de “Proteção da Amazônia“, contendo 11 variáveis
das 45 iniciais. No construto Presença Intangível, confirmaram-se duas
subcategorias, uma denominada “Mentalidade de Defesa dos sistemas C2“ e uma
outra denominada “Vazio de Poder“, contendo, respectivamente, 12 variáveis e 2
variáveis, das 39 iniciais.
O construto “Presença Tangível“ apresenta-se apenas com uma subcategoria,
a qual englobava variáveis das 5 subcategorias iniciais, de forma mais consistente.
Contudo, variáveis de três subcategorias antigas (Contenção, Ocupação Territorial e
Desenvolvimento Nacional) foram aproveitadas para recompor este construto, sendo
cortados variáveis de duas subcategorias antigas (Distribuição Territorial e
Contraparte da mobilidade).
Por isso, algumas variáveis ganharam destaque e relevo em relação as
demais, entre as quais destacam-se algumas ideias da antiga subcategoria
“Contenção“, voltadas mais para o controle de penetrantes, para as operações de
vigilância e atenção as dificuldades dos programas de monitoramento da Amazônia,
em detrimento da capacidade operacional dos PEF, do combate aos crimes
transfronteiriços e da existência de vazios demográficos.
Destacam-se, também, na subcategoria “Ocupação Territorial“, algumas ideias
como a quantidade de OM em condições de realizar GLO, a quantidade de
exercícios na Amazônia, bem como o nível operacional destas OM e a quantidade
de operações interagências, em detrimento das operações na faixa de fronteira, do
número de órgãos de segurança pública na região e da proximidade dos centros
políticos da região amazônica
Além disso, na subcategoria “Desenvolvimento Nacional“, sobressaiu as ideias
da quantidade de OM voltadas para o desenvolvimento da Amazônia, do número de
264

convênios com outros órgãos e da construção de cidades na amazônia, em


detrimento da quantidade de trabalhos realizados, da participação em projetos
nacionais voltados para a Amazônia, da capacidade logística para desenvolver os
projetos amazônicos e das comunidades atendidas pelo Projeto Calha Norte.
No tocante ao construto “Presença Intangível“, este apresenta-se apenas com
duas subcategorias “Mentalidade de Defesa dos sistemas C2“ e “Vazio de Poder“,
as quais englobavam variáveis das 3 subcategorias antigas (Monitoramento,
Cibernético e Mentalidade de Defesa), de forma mais consistente.
Destacam-se, na subcategoria “Mentalidade de Defesa dos sistemas C2“, a
capacidade de reação dos atuadores e a quantidade de centros de Comando e
Controle, em detrimento da quantidade de sensores na fronteira, da capacidade de
monitoramento dos projetos SISFRON, SisGAAZ e SIVAM, da área de cobertura dos
satélites, do tempo de resposta a um ilícito na Amazônia e do número de
apreensões na região, todas essas ideias são oriundas da subcategoria inicial
MONITORAMENTO.
Relativo a subcategoria CIBERNÉTICO, destacam-se as ideias da existência
de backbones, satélites e fibra ótica, do nível de segurança na transmissão de dados
e da capacidade de monitoramento das redes, em detrimento da capacidade de
tráfego nas redes de dados, da existência de OM na Amazônia voltadas para defesa
cibernética, do número de elementos capacitados em defesa cibernética e dos
gargalos ao sistema de dados.
Relativo a subcategoria MENTALIDADE DE DEFESA, destacam-se as ideias
da quantidade de civis fazendo cursos na ECEME, ESG e Pandiá Calógeras, da
quantidade de universitários no projeto Rondon, da percepção da população quanto
ao nível de importância das Forças Armadas, da quantidade de atividades junto ao
meio acadêmico, da formação de pesquisadores amazônicos, da quantidade de
matérias veículadas na mídia sobre a Amazônia e do número de universidades que
possuem centros de estudos amazônicos, em detrimento da quantidade de
reinvidicações jurídicas na fronteira, de pressões para adoção de acordos lesivos a
Amazônia, da existência de ameaça armada na região amazônica, da existência de
atividades ilícitas na fronteira amazônica, da quantidade de visitas de parlamentares
à região, da quantidade de debates na mídia ou do aumento de pronunciamento em
órgãos de segurança internacional sobre a soberania da Amazônia.
265

Da mesma forma, destacam-se, na subcategoria “Vazio de Poder“, a existência


de porosidade decorrente de intensa atividade econômica e a existência de vazios
demográficos, oriundo da categoria MENTALIDADE DE DEFESA, as quais, de tão
importante, constituíram-se em uma subcategoria independente.
Depois da confirmação e detalhamento dos dois construtos, “Presença
Tangível“ e “Presença Intangível“, cresceu a necessidade de relacioná-los com a
Estrategia da Presença Militar, conforme o enfoque Estadista de Secchi (2010) e do
modelo de comportamento organizacional de Allison e Zelikow (1999), as quais
reforçam a participação estatal e da burocracia de governo na participação na
construção de uma política pública, principalmente, na área de Defesa.
Além destes fatores, sobressai as características dos conflitos armados do
século XXI, que é a Guerra de 4ª Geração ou Guerra Irregular, tendo seus
fundamentos presentes nos principais conflitos do mundo, e, por isso, devendo ser
observados na análise sobre a região amazônica, a fim de amenizar ou rechaçar
intenções alienígenas ao território nacional, observando as ameaças e problemas
identificados por diversos autores, destacando-se Paiva (2012) e Vidigal et al (2006).
Na sequência, foi realizada uma análise fatorial confirmatória com a
Modelagem de Equações Estruturais (MEE), buscando-se uma confirmação do
modelo proposta nesta Tese, além de estabelecer os pesos e as relações de cada
variável analisada, chegando-se a uma proposta, onde os construtos latentes
“Presença Tangível” e a “Presença Intangível” possuem variáveis observáveis
ligadas diretamente a cada construto, sem subcategorias.
Após a confirmação do modelo proposto pela MEE, pode-se dizer que a
Estratégia da Presença Militar para a Amazônia para o século XXI possui duas
partes principais, a “Presença Tangível” e a “Presença Intangível”, sendo esta, a
intangível, a que tem maior peso, sendo, sozinha, responsável por mais de 80%
desta equação.
Assim, os conceitos expressos no construto “Presença Intangível” tem uma
relevância maior para a adoção de uma política pública de defesa para Amazônia,
do que a “Presença Tangível”, sem que, com isso, afirmemos que a “Presença
Tangível”, não seja importante, mas sim que a “Presença Intangível” possui um
peso muito grande na adoção de uma Estratégia da Presença Militar, contrariando,
de certa forma, a lógica portuguesa de ocupação do território, bem como as
266

estratégias militares adotadas para a região ao longo dos séculos seguintes, as


quais, de certa forma, mantiveram a ideia portuguesa de ocupação, fortificação e
controle.
Por isso, no século XXI, uma Estratégia Militar da Presença para Amazônia
deve ter em suas diretrizes de análise e elaboração, uma maior atenção ao
construto “Presença Intangível“, com suas 2 (duas) subcategorias e 14 (catorze)
variáveis, favorecendo a construção, a ocupação e o controle deste vasto território,
tão rico e tão importante para a Nação Brasileira.

8.2 RECOMENDAÇÕES

Recomenda-se ampliar e diversificar, ainda mais, o número de entrevistados


para a pesquisa qualitativa, a fim de ampliar as visões dos especialistas, bem como
a percepção dos respondentes nas pesquisas quantitativas, proporcionando uma
maior amplitude de entrevistados, envolvendo civis e militares em torno deste tema
tão importante para a Nação.
Além disso, sugere-se ampliar as pesquisas estatísticas feita com SPSS 16.0,
aumentando a seleção da amostra, já que somente alunos do CPEAEX e do CAEPE
foram ouvidos no pré-teste, o que pode prejudicar os resultados, levando a
generalizações.
Contudo, fica a proposta a futuros pesquisadores de aplicação do questionário
empregado como subsidío para outros institutos de pesquisa e inovação, a fim de
ampliar as referidas generalizações, identificando, separando e confirmando outras
possíveis variáveis de peso para as referidas subcategorias, bem como compor a
análise global com uma maior exatidão.
Sugere-se, também, ampliar as pesquisas sobre os construtos analisados, de
forma que as categorias “Presença Tangível“ e “Presença Intangível“, sejam
reanalisadas e reconfirmadas, aumentando o conhecimento sobre o assunto.
Sobre a Modelagem de Equações Estruturais, sugere-se ampliar, ainda mais, a
amostra analisada, diversificando o máximo possível os respondentes, de forma a
buscar a percepção dos respondentes sobre o assunto estudado, reestudando as
relações e pesos obtidos nesta Tese.
267

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25 maio 2014.
281
282

10. APÊNDICES

APÊNDICE A - Roteiro de entrevista realizada com Militares Brasileiros


(Marinha, Exército e Aeronáutica), do Quadro de Estado-Maior, servindo na
Amazônia ou que tenham experiência na região.

Esta pesquisa visa subsidiar o trabalho de Doutorado da Escola de Comando e Estado-Maior


do Exército (ECEME), versando sobre a Estratégia da Presença na Amazônia.
A. Qual o seu nome? Qual a sua função com relação à defesa e à região amazônica? A que Estado
amazônico o Sr possui maior relação?

B. Qual a importância das Forças Armadas (Marinha, Exército e Força Aérea) para a Amazônia?

C. O(a) senhor(a) pode discorrer sobre a Presença Militar das Forças Armadas na região
amazônica?
1. Quais foram ou são os aspectos favoráveis ou positivos desse processo?
2. Quais foram ou são os aspectos desfavoráveis ou negativos desse processo?

D. O(a) senhor(a) acredita que a Presença Militar na Amazônia possa ser dividida em PRESENÇA
TANGÍVEL ou MATERIAL (presença física de organizações militares) e PRESENÇA INTANGÍVEL
ou IMATERIAL (outras formas de presença como virtuais, monitoramento, entre outras)?

E. Sobre a PRESENÇA TANGÍVEL, o(a) senhor(a) pode discorrer sobre as vantagens e


desvantagens de cada subdivisão a seguir?
1. a presença como contraparte da mobilidade? (Seria uma presença focado na dissuasão
extra-regional, voltada para o combate externo)
2. a presença como contenção? (Seria uma presença focado na lógica dos PEF - Pelotões
Especiais de Fronteira)
3. a presença como ocupação territorial? (Seria uma presença focada na lógica das OM
voltadas mais para as missões de GLO e missões subsidiárias das Forças)
4. a presença como distribuição territorial? (Seria uma presença focada na lógica dos Tiros-
de-Guerra)
5. a presença como desenvolvimento nacional? (Seria uma presença focada na lógica das
OM voltadas para as missões de engenharia, direcionadas ao desenvolvimento nacional)

F. Sobre a PRESENÇA TANGÍVEL, o(a) senhor(a) pode discorrer como seria a forma de medi-las?
1. Como medir a presença como contraparte da mobilidade? (Por Ex.: Quantidade de
organizações militares operacionais da Marinha, Exército e Aeronáutica na região amazônica;
283

Quantidade de Navios, Aeródromos e Força de Ação Rápida regionais que poderiam apoiar a
dissuasão extra-regional na Amazônia; Possibilidades de invasões ao território nacional; entre outras)

2. Como medir a presença como contenção? (Por Ex.: quantidade de PEF existentes;
Quantidade de rios penetrantes na Amazônia; Principais regiões de vazios demográficos na fronteira;
entre outras)
3. Como medir a presença como ocupação territorial? (Por Ex.: quantidade de
organizações militares operacionais da Marinha, Exército e Aeronáutica na região amazônica
voltadas para missões de GLO e missões subsidiárias; Principais regiões da Amazônia com graves
problemas sociais e políticos que exigem a presença de organizações militares; entre outras)
4. Como medir a presença como distribuição territorial? (Por Ex.: quantidade de Tiros-de-
guerra na Amazônia; Quantidade de Municípios amazônicos distantes do poder central estadual sem
a presença de tropas; entre outras)
5. Como medir a presença como desenvolvimento nacional? (Por Ex.: Quantidade de
organizações militares da Marinha, Exército e Aeronáutica na região amazônica voltadas para o
desenvolvimento nacional; Quantidade de trabalhos realizados por esta organizações; entre outras)

G. Sobre a PRESENÇA INTANGÍVEL, o(a) senhor(a) pode discorrer sobre as vantagens e


desvantagens de cada subdivisão a seguir?
1. a presença como monitoramento? (Seria uma presença focado nos projetos das Forças
como o SIVAM, SISFRON e SISGAAZ)
2. a presença cibernética? (Seria uma presença focado na lógica cibernética, nas redes de
dados, no controle deste meio para o fluxo de informações militares)
3. a presença mentalidade de defesa? (Seria uma presença focado na lógica do
desenvolvimento da mentalidade de defesa em âmbito nacional, seja nas universidades, nas mídias
ou no meio político nacional)

H. Sobre a PRESENÇA INTANGÍVEL, o(a) senhor(a) pode discorrer como seria a forma de medi-las?
1. Como medir a presença como monitoramento? (Por Ex.: Quantidade de sensores na
fronteira e no interior da região amazônica dentro dos projetos SIVAM, SISFRON E SisGAAz;
capacidade de monitoramento dos projetos SIVAM, SISFRON E SisGAAz; entre outras)
2. Como medir a presença cibernética? (Por Ex.: Quantidade de backbones (eixos centrais
de dados) na região amazônica; Capacidade das redes de dados estaduais; Existência de
organizações militares na Amazônia voltadas para defesa cibernética; entre outras)
3. Como medir a presença mentalidade de defesa? (Por Ex.: Quantidade de civis com curso
da Escola Superior de Guerra; Quantidade de participações de universitários no projeto Rondon;
Quantidade de visitas de parlamentares à região amazônica; entre outras)

I. O senhor possui outras informações que possam contribuir para a pesquisa em pauta?
284
285

APÊNDICE B - Roteiro de entrevista realizada com Acadêmicos (Brasileiros e


Estrangeiros) que tenham experiência na Amazônia.

Esta pesquisa visa subsidiar o trabalho de Doutorado da Escola de Comando e Estado-Maior


do Exército (ECEME), versando sobre a Estratégia da Presença na Amazônia.
A. Qual o seu nome? Qual a sua função na Academia? Qual sua vinculação com os assuntos
amazônicos e defesa?

B. Qual a importância das Forças Armadas (Marinha, Exército e Força Aérea) para a Amazônia?

C. O(a) senhor(a) pode discorrer sobre a Presença Militar das Forças Armadas na região
amazônica?
1. Quais foram ou são os aspectos favoráveis ou positivos desse processo?
2. Quais foram ou são os aspectos desfavoráveis ou negativos desse processo?

D. O(a) senhor(a) acredita que a Presença Militar na Amazônia possa ser dividida em PRESENÇA
TANGÍVEL ou MATERIAL (presença física de organizações militares) e PRESENÇA INTANGÍVEL
ou IMATERIAL (outras formas de presença como virtuais, monitoramento, entre outras)?

E. Sobre a PRESENÇA TANGÍVEL, o(a) senhor(a) pode discorrer sobre as vantagens e


desvantagens de cada subdivisão a seguir?
1. a presença como contraparte da mobilidade? (Seria uma presença focado na dissuasão
extra-regional, voltada para o combate externo)
2. a presença como contenção? (Seria uma presença focado na lógica dos PEF - Pelotões
Especiais de Fronteira)
3. a presença como ocupação territorial? (Seria uma presença focada na lógica das OM
voltadas mais para as missões de GLO e missões subsidiárias das Forças)
4. a presença como distribuição territorial? (Seria uma presença focada na lógica dos Tiros-
de-Guerra)
5. a presença como desenvolvimento nacional? (Seria uma presença focada na lógica das
OM voltadas para as missões de engenharia, direcionadas ao desenvolvimento nacional)

F. Sobre a PRESENÇA TANGÍVEL, o(a) senhor(a) pode discorrer como seria a forma de medi-las?
1. Como medir a presença como contraparte da mobilidade? (Por Ex.: Quantidade de
organizações militares operacionais da Marinha, Exército e Aeronáutica na região amazônica;
Quantidade de Navios, Aeródromos e Força de Ação Rápida regionais que poderiam apoiar a
dissuasão extra-regional na Amazônia; Possibilidades de invasões ao território nacional; entre outras)
286

2. Como medir a presença como contenção? (Por Ex.: quantidade de PEF existentes;
Quantidade de rios penetrantes na Amazônia; Principais regiões de vazios demográficos na fronteira;
entre outras)
3. Como medir a presença como ocupação territorial? (Por Ex.: quantidade de
organizações militares operacionais da Marinha, Exército e Aeronáutica na região amazônica
voltadas para missões de GLO e missões subsidiárias; Principais regiões da Amazônia com graves
problemas sociais e políticos que exigem a presença de organizações militares; entre outras)
4. Como medir a presença como distribuição territorial? (Por Ex.: quantidade de Tiros-de-
guerra na Amazônia; Quantidade de Municípios amazônicos distantes do poder central estadual sem
a presença de tropas; entre outras)
5. Como medir a presença como desenvolvimento nacional? (Por Ex.: Quantidade de
organizações militares da Marinha, Exército e Aeronáutica na região amazônica voltadas para o
desenvolvimento nacional; Quantidade de trabalhos realizados por esta organizações; entre outras)

G. Sobre a PRESENÇA INTANGÍVEL, o senhor pode discorrer sobre as vantagens e desvantagens


de cada subdivisão a seguir?
1. a presença como monitoramento? (Seria uma presença focada nos projetos das Forças
como o SIVAM, SISFRON e SISGAAZ)
2. a presença cibernética? (Seria uma presença focada na lógica cibernética, nas redes de
dados, no controle deste meio para o fluxo de informações militares)
3. a presença mentalidade de defesa? (Seria uma presença focada na lógica do
desenvolvimento da mentalidade de defesa em âmbito nacional, seja nas universidades, nas mídias
ou no meio político nacional)

H. Sobre a PRESENÇA INTANGÍVEL, o senhor pode discorrer como seria a forma de medi-las?
1. Como medir a presença como monitoramento? (Por Ex.: Quantidade de sensores na
fronteira e no interior da região amazônica dentro dos projetos SIVAM, SISFRON E SisGAAz;
capacidade de monitoramento dos projetos SIVAM, SISFRON E SisGAAz; entre outras)

2. Como medir a presença cibernética? (Por Ex.: Quantidade de backbones (eixos centrais
de dados) na região amazônica; Capacidade das redes de dados estaduais; Existência de
organizações militares na Amazônia voltadas para defesa cibernética; entre outras)

3. Como medir a presença mentalidade de defesa? (Por Ex.: Quantidade de civis com curso
da Escola Superior de Guerra; Quantidade de participações de universitários no projeto Rondon;
Quantidade de visitas de parlamentares à região amazônica; entre outras)

I. O senhor possui outras informações que possam contribuir para a pesquisa em pauta?
287

APÊNDICE C - Questionário quantitativo sobre a PRESENÇA TANGÍVEL, para


análise fatorial inicial com SPSS 16.0, para Militares Brasileiros (Marinha,
Exército e Aeronáutica), do Quadro de Estado-Maior, servindo na Amazônia e
Acadêmicos (Brasileiros e Estrangeiros) que tenham experiência na Amazônia.

QUESTIONÁRIO SOBRE A PRESENÇA TANGÍVEL MILITAR NA AMAZÔNIA

Agradecemos a sua participação nessa pesquisa. A sua ajuda é muito importante, pois a
sua opinião é a parte fundamental dessa investigação. Muito Obrigado por seu tempo e
atenção!
A resposta de cada item varia de 1 a 5, sendo o 1 (discordo totalmente), 2 (discordo), 3
(não concordo nem discordo), 4 (concordo parcialmente) e o 5 (concordo totalmente). Marque
um X no número de sua escolha na coluna Resposta.

Indicadores Resposta
1) A quantidade de organizações militares, vocacionadas para o combate
operacionais da Marinha, Exército e Aeronáutica na região amazônica favorecem 1-2-3-4-5
a soberania sobre a mesma.
2) A quantidade de Navios, Aeródromos e Forças de Ação Rápida regionais que
poderiam apoiar a dissuasão extra-regional na Amazônia favorecem a soberania 1-2-3-4-5
sobre a mesma.
3) As possibilidades de invasões ao território nacional favorecem a soberania
1-2-3-4-5
sobre a Amazônia.
4) As tropas operacionais sem encargos administrativo favorecem a soberania
1-2-3-4-5
sobre a Amazônia.
5) A capacidade de mobilidade estratégica e tática aérea, naval e terrestre
1-2-3-4-5
favorece a soberania sobre a Amazônia.
6) A quantidade de unidades militares completas, com todos os elementos de
combate favorecem a soberania sobre a Amazônia. 1-2-3-4-5

7) A capacidade logística, a capacidade de durar na ação (transporte, fluxo


1-2-3-4-5
logístico e recompletamento) favorece a soberania sobre a Amazônia.
8) A quantidade de exercícios de adestramento voltados à defesa externa, dentro
1-2-3-4-5
da hipóteses de emprego, favorece a soberania sobre a Amazônia.
9) A capacidade de projetar poder na região favorece a soberania sobre a
1-2-3-4-5
Amazônia.
10) O número de vezes que as Organizações Militares se fizeram presentes na
1-2-3-4-5
fronteira favorecem a soberania sobre a Amazônia.
11) O nível operacional das OM voltadas para o combate externo favorece a
1-2-3-4-5
soberania sobre a Amazônia.
12) A capacidade operacional dos Pelotões Especiais de Fronteira favorece a
1-2-3-4-5
soberania sobre a Amazônia.
288

13) A quantidade de eixos penetrantes fluviais, aéreos e terrestres na Amazônia


1-2-3-4-5
favorecem a soberania sobre a mesma.
14) Os principais regiões de vazios demográficos e cidades de pequeno e médio
1-2-3-4-5
porte na fronteira favorecem a soberania sobre a Amazônia.
15) A eficiência no combate aos crimes transfronteiriços favorece a soberania
1-2-3-4-5
sobre a Amazônia.
16) O controle das penetrantes que adentram ao País e pontos de confluência
1-2-3-4-5
fluviais no interior da Amazônia favorecem a soberania sobre a mesma.
17) A quantidade de penetrantes fluviais, aéreos e terrestre favorecem a soberania
1-2-3-4-5
sobre a Amazônia.
18) Identificar os eixos de riscos ao território nacional favorece a soberania sobre
1-2-3-4-5
a Amazônia.
19) O resultado das operações de vigilância de fronteira favorece a soberania
1-2-3-4-5
sobre a Amazônia.
20) O número de áreas cegas dos projetos SIVAM, SISFRON e SisGAAz
1-2-3-4-5
favorecem a soberania sobre a Amazônia.
21) A quantidade de organizações militares da Marinha, Exército e Aeronáutica
na região amazônica voltadas para missões de GLO e missões subsidiárias 1-2-3-4-5
favorecem a soberania sobre a Amazônia.
22) As principais regiões da Amazônia com graves problemas sociais e políticos
que exigem a presença de organizações militares favorecem a soberania sobre a 1-2-3-4-5
Amazônia.
23) O número de operações na faixa de fronteira favorece a soberania sobre a
1-2-3-4-5
Amazônia.
24) A quantidade de exercício de GLO favorece a soberania sobre a Amazônia.
1-2-3-4-5
25) A quantidade de missões eventuais provindas do Exército Brasileiro, do
Ministério da Defesa e da Presidência da República favorecem a soberania sobre 1-2-3-4-5
a Amazônia.
26) A quantidade de meios adequados para cumprir este tipo de missão favorece
1-2-3-4-5
a soberania sobre a Amazônia.
27) A quantidade de órgãos de segurança pública estaduais e federais na região
1-2-3-4-5
favorecem a soberania sobre a Amazônia.
28) A proximidade dos centros políticos favorece a soberania sobre a Amazônia.
1-2-3-4-5
29) O nível operacional das Organizações Militares voltadas para GLO e missões
1-2-3-4-5
subsidiárias favorece a soberania sobre a Amazônia.
30) O resultado das operações de GLO e missões subsidiárias favorece a
1-2-3-4-5
soberania sobre a Amazônia.
31) A quantidade de Operações Interagências favorece a soberania sobre a
1-2-3-4-5
Amazônia.
32) A quantidade de Municípios amazônicos distantes do poder central estadual, 1-2-3-4-5
289

sem a presença de tropas, favorece a soberania sobre a Amazônia.

33) Os vazios populacionais no interior da Amazônia favorecem a soberania


1-2-3-4-5
sobre a Amazônia.
34) O número de cidades entre 10 mil e 50 mil habitantes favorecem a soberania
1-2-3-4-5
sobre a Amazônia.
35) A quantidade de atiradores formados nos tiros-de-guerra favorece a soberania
1-2-3-4-5
sobre a Amazônia.
36) A demanda em caso de mobilização nacional favorece a soberania sobre a
1-2-3-4-5
Amazônia.
37) A satisfação do poder público municipal favorece a soberania sobre a
1-2-3-4-5
Amazônia.
38) A quantidade de organizações militares da Marinha, Exército e Aeronáutica
na região amazônica voltadas para o desenvolvimento nacional favorecem a 1-2-3-4-5
soberania sobre a mesma.
39) A quantidade de trabalhos de engenharia realizados e em andamento
1-2-3-4-5
favorecem a soberania sobre a Amazônia.
40) A participação em projetos nacionais de engenharia favorece a soberania
1-2-3-4-5
sobre a Amazônia.
41) A capacidade logística para apoiar obras de engenharia na amazônia favorece
1-2-3-4-5
a soberania sobre a mesma.
42) O número de convênios com órgãos municipais, estaduais e federais
1-2-3-4-5
favorece a soberania sobre a Amazônia.
43) O número de áreas populacionais com reduzida infraestrutura e presença do
1-2-3-4-5
Estado favorece a soberania sobre a Amazônia.
44) O número de cidades surgidas a partir de Organizações Militares de
1-2-3-4-5
engenharia favorece a soberania sobre a Amazônia.
45) A quantidade de localidade atendidas pelo programa calha norte favorece a
1-2-3-4-5
soberania sobre a Amazônia.
290

APÊNDICE D - Questionário quantitativo sobre a PRESENÇA INTANGÍVEL,


para análise fatorial inicial com SPSS 16.0, para Militares Brasileiros (Marinha,
Exército e Aeronáutica), do Quadro de Estado-Maior, servindo na Amazônia e
Acadêmicos (Brasileiros e Estrangeiros) que tenham experiência na Amazônia.

QUESTIONÁRIO SOBRE A PRESENÇA MILITAR INTANGÍVEL NA AMAZÔNIA

Agradecemos a sua participação nessa pesquisa. A sua ajuda é muito importante, pois a
sua opinião é a parte fundamental dessa investigação. Muito Obrigado por seu tempo e
atenção!
A resposta de cada item varia de 1 a 5, sendo o 1 (discordo totalmente), 2 (discordo), 3
(não concordo nem discordo), 4 (concordo parcialmente) e o 5 (concordo totalmente). Marque
um X no número de sua escolha na coluna Resposta.

Indicadores Resposta
1) A quantidade de sensores na fronteira e no interior da região amazônica dentro
dos projetos SIVAM, SISFRON E SisGAAz favorecem a soberania sobre a 1-2-3-4-5
Amazônia.
2) A capacidade de monitoramento dos projetos SIVAM, SISFRON e SisGAAz
1-2-3-4-5
favorecem a soberania sobre a Amazônia.
3) A integração entre os projetos SIVAM, SISFRON e SisGAAz favorecem a
1-2-3-4-5
soberania sobre a Amazônia.
4) A quantidade e área de cobertura dos satélites e radares favorecem a soberania
1-2-3-4-5
sobre a Amazônia.
5) A capacidade de reação dos atuadores favorece a soberania sobre a Amazônia. 1-2-3-4-5
6) O tempo de resposta dos sistemas SIVAM, SISFRON e SisGAAz a um ilícito
1-2-3-4-5
na região favorece a soberania sobre a Amazônia.
7) O número de apreensões e detecções favorecem a soberania sobre a Amazônia. 1-2-3-4-5
8) A quantidade de centros de Comando e Controle nas OM de fronteira
1-2-3-4-5
favorecem a soberania sobre a Amazônia.
9) A infraestrutura de backbones (eixos centrais de dados), satelitais e fibra ótica
1-2-3-4-5
na região amazônica favorece a soberania sobre a mesma.
10) A capacidade de tráfego nas redes de dados estaduais favorece a soberania
1-2-3-4-5
sobre a Amazônia.
11) A existência de organizações militares na Amazônia voltadas para defesa
1-2-3-4-5
cibernética favorece a soberania sobre a mesma.
12) O nível de controle de dados das redes favorece a soberania sobre a
1-2-3-4-5
Amazônia.
13) O nível de segurança na transmissão de dados (contra ataques, tentativas,
1-2-3-4-5
invasões e infecções) favorece a soberania sobre a Amazônia.
291

14) O grau de subordinação ao Centro de Defesa Cibernético favorece a soberania


1-2-3-4-5
sobre a Amazônia.
15) O número de centro cibernéticos favorecem a soberania sobre a Amazônia. 1-2-3-4-5
16) O número de elementos capacitados para Defesa Cibernética favorece a
1-2-3-4-5
soberania sobre a Amazônia.
17) O tempo de resposta a um problema cibernético favorece a soberania sobre a
1-2-3-4-5
Amazônia.
18) A capacidade de monitoramento das redes favorece a soberania sobre a
1-2-3-4-5
Amazônia.
19) Os gargalos físicos do sistema cibernético (nós de redes, satélites e servidores)
1-2-3-4-5
favorecem a soberania sobre a Amazônia.
20) A quantidade de reivindicações jurídicas da fronteira e implicações de
1-2-3-4-5
reivindicações de terceiros favorecem a soberania sobre a Amazônia.
21) As pressões para adoção de legislação interna ou assinatura de acordos lesivos
1-2-3-4-5
ao interesse nacional favorecem a soberania sobre a Amazônia.
22) A existência de ameaça militar favorece a soberania sobre a Amazônia. 1-2-3-4-5
23) A existência de ameaça armada de movimentos subversivos favorece a
1-2-3-4-5
soberania sobre a Amazônia.
24) A existência de atividades ilícitas na fronteira favorece a soberania sobre a
1-2-3-4-5
Amazônia.
25) A existência de porosidade decorrente de intensa atividade econômica
1-2-3-4-5
favorece a soberania sobre a Amazônia.
26) A existência de vazios demográficos favorece a soberania sobre a Amazônia. 1-2-3-4-5
27) A quantidade de civis em cursos da ECEME, EGN, Escola Superior de Guerra
1-2-3-4-5
e do Instituto Pandiá Calógeras favorece a soberania sobre a Amazônia.
28) A quantidade de participações de universitários no projeto Rondon favorece a
1-2-3-4-5
soberania sobre a Amazônia.
29) A quantidade de visitas de parlamentares à região amazônica favorece a
1-2-3-4-5
soberania sobre a Amazônia.
30) A percepção da população quanto ao nível de importância das Forças
1-2-3-4-5
Armadas favorece a soberania sobre a Amazônia.
31) A quantidade de atividades junto ao meio acadêmico de forma a incentivar o
1-2-3-4-5
debate sobre a defesa da Amazônia favorece a soberania sobre a mesma.
32) A quantidade de debates na mídia sobre o tema defesa da Amazônia favorece
1-2-3-4-5
a soberania sobre a mesma.
33) A presença da assessoria parlamentar no Congresso e Senado Federal favorece
1-2-3-4-5
a soberania sobre a Amazônia.
34) A formação de pesquisadores (graduação e pós-graduação) e trabalhos de
brasileiros amazônicos em instituições civis e militares de ensino favorecem a 1-2-3-4-5
soberania sobre a Amazônia.
292

35) Aumentar o pronunciamento em órgãos de segurança internacionais favorece


1-2-3-4-5
a soberania sobre a Amazônia.
36) A quantidade de seminários, estudos, artigos, dissertações e teses voltadas
1-2-3-4-5
para o tema Amazônia favorece a soberania sobre a mesma.
37) A quantidade de matérias veiculadas na mídia relativas ao tema Amazônia
1-2-3-4-5
favorece a soberania sobre a mesma.
38) A quantidade dos centros de estudos de defesa favorece a soberania sobre a
1-2-3-4-5
Amazônia.
39) O número de universidades que possuem centros de estudos de defesa
1-2-3-4-5
favorece a soberania sobre a Amazônia.
293

APÊNDICE E - Questionário quantitativo para análise fatorial confirmatória com


AMOS 22.0 para Militares Brasileiros (Marinha, Exército e Aeronáutica), do
Quadro de Estado-Maior, servindo na Amazônia e Acadêmicos (Brasileiros e
Estrangeiros) que tenham experiência na Amazônia.

QUESTIONÁRIO SOBRE A PRESENÇA MILITAR NA AMAZÔNIA

Agradecemos a sua participação nessa pesquisa. A sua ajuda é muito importante, pois a
sua opinião é a parte fundamental dessa investigação. Muito Obrigado por seu tempo e
atenção!
A resposta de cada item varia de 1 a 5, sendo o 1 (discordo totalmente), 2 (discordo), 3
(não concordo nem discordo), 4 (concordo parcialmente) e o 5 (concordo totalmente). Marque
um X no número de sua escolha na coluna Resposta.

Indicadores Resposta
1) O controle das penetrantes que adentram ao País e pontos de confluência
fluviais no interior do País favorecem a soberania sobre a Amazônia. 1-2-3-4-5

2) A quantidade de penetrantes fluviais, aéreos e terrestre favorece a soberania


sobre a Amazônia. 1-2-3-4-5

3) O resultado das operações de vigilância de fronteira favorece a soberania


sobre a Amazônia favorece a soberania sobre a Amazônia. 1-2-3-4-5

4) O número de áreas cegas dos projetos SIVAM, SISFRON e SisGAAz


favorece a soberania sobre a Amazônia. 1-2-3-4-5

5) A quantidade de organizações militares da Marinha, Exército e Aeronáutica


na região amazônica voltadas para missões de GLO e missões subsidiárias 1-2-3-4-5
favorecem a soberania sobre a Amazônia.
6) A quantidade de missões eventuais provindas do Exército Brasileiro, do
Ministério da Defesa e da Presidência da República favorecem a soberania 1-2-3-4-5
sobre a Amazônia.
7) O nível operacional das OM voltadas para GLO e missões subsidiárias
favorece a soberania sobre a Amazônia. 1-2-3-4-5

8) A quantidade de Operações Interagências favorece a soberania sobre a


Amazônia. 1-2-3-4-5

9) A quantidade de organizações militares da Marinha, Exército e Aeronáutica


na região amazônica voltadas para o desenvolvimento nacional favorece a 1-2-3-4-5
soberania sobre a Amazônia.
10) O número de convênios com órgãos municipais, estaduais e federais
favorece a soberania sobre a Amazônia. 1-2-3-4-5

11) O número de cidades surgidas a partir de OM de engenharia favorece a


soberania sobre a Amazônia. 1-2-3-4-5
294

12) A capacidade de reação dos atuadores favorece a soberania sobre a


Amazônia; 1-2-3-4-5

13) A quantidade de centros de comando e controle nas Organizações Militares


de fronteira favorece a soberania sobre a Amazônia; 1-2-3-4-5

14) A infraestrutura de backbones (eixos centrais de dados), satelitais e fibra


ótica na região amazônica favorece a soberania sobre a mesma; 1-2-3-4-5

15) O nível de segurança na transmissão de dados (contra ataques, tentativas,


invasões e infecções) favorece a soberania sobre a Amazônia; 1-2-3-4-5

16) A capacidade de monitoramento das redes favorece a soberania sobre a


Amazônia; 1-2-3-4-5

17) A quantidade de civis em cursos da ECEME, EGN, Escola Superior de


Guerra e do Instituto Pandiá Calógeras favorece a soberania sobre a Amazônia; 1-2-3-4-5

18) A quantidade de participações de universitários no projeto Rondon favorece


a soberania sobre a Amazônia; 1-2-3-4-5

19) A quantidade de atividades junto ao meio acadêmico de forma a incentivar


o debate sobre a defesa da Amazônia favorece a soberania sobre a mesma; 1-2-3-4-5

20) A formação de pesquisadores (graduação e pós-graduação) e trabalhos de


brasileiros amazônicos em instituições civis e militares de ensino favorecem a 1-2-3-4-5
soberania sobre a mesma;
21) A quantidade de matérias veiculadas na mídia relativas ao tema Amazônia
favorecem a soberania sobre a mesma; 1-2-3-4-5

22) A quantidade dos centros de estudos de defesa favorecem a soberania sobre


a Amazônia; 1-2-3-4-5

23) O número de universidades que possuem centros de estudos de defesa


favorece a soberania sobre a Amazônia 1-2-3-4-5

24) A percepção da população quanto ao nível de importância das Forças


Armadas favorece a soberania sobre a Amazônia; 1-2-3-4-5

25) A existência de porosidade decorrente de intensa atividade econômica


favorece a soberania sobre a Amazônia; 1-2-3-4-5

26) A existência de vazios demográficos favorece a soberania sobre a


Amazônia; 1-2-3-4-5