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Introdução aos Sistemas de Comunicação

Folha Prática nº8 – Trabalho Prático – “Balanços de Potência com Ruído”

Walter Lopes dos Santos – 21271065

a) Diagrama do sistema de comunicação

GTX-RX = 7 dBi
f = 5320 MHz
P TX = 10 dBm
S RX = -82 dBm

GTX-RX = 7 dBi
GTX-RX = 7 dBi f = 5280 MHz
f = 5300 MHz P TX = 10 dBm
P TX = 10 dBm S RX = -82 dBm
S RX = -82 dBm

GTX-RX = 2 dBi
EIRP = 5 dBm
S RX = -76 dBm

Aproveito para tecer algumas considerações relativamente ao sistema proposto, tendo em conta as dimensões do
campo, o posicionamento dos APs no mesmo e os dados do fabricante relativamente ao modelo em questão.

A Cisco anuncia uma sensibilidade de -73 dBm e um alcance estimado de 30 metros (no exterior) para o débito de
54 Mbps, proposto no enunciado, sob a norma IEEE802.11a. Veremos mais tarde (alínea c) que a potência do sinal
recebida pelo AP é inferior ao valor anunciado pelo fabricante e, da mesma forma, concluiremos (na alínea b) que,
na condição mais desfavorável, a bola se encontra a cerca de 187 metros de um AP (a 150 m de outro e ainda a 110
m do mais próximo), ficando assim muito além do alcance anunciado.

Uma solução que respeitaria o enunciado seria baixar o débito para 24 Mbps, para o qual o fabricante anuncia uma
sensibilidade de -82 dBm e um alcance, no exterior, de 152 metros. Para efeitos académicos, passarei às questões
seguintes.
b) Cálculo da Potência do sinal recebido pela antena da bola no local mais desfavorável do campo

AP 1

AP 3

AP 2

Bola

A posição mais desfavorável do campo é aquela mostrada no gráfico supra inserido. Iremos considerar, como
resposta à alínea, o cálculo para a posição relativa ao AP 1, não obstante estarem os AP 3 e AP 2 mais perto.

Calculemos em primeiro lugar a distância ao AP1 e as perdas, seguidamente a potência recebida pela bola:


l = [{√(110² + 150²)}² + 20²] = 187,083 metros
Lf = 92,442 + 20 · log₁₀(lkm) + 20 · log₁₀(fGHz) =
92,442 + 20 · log₁₀(0,187083) + 20 · log₁₀(5,32) = 92,4009 dB
PrxBola = PtxAP1 + GtxAP1 + GrxBola – Lf = 10 + 7 + 2 – 92,4009 =
Resposta: – 73,4009 dBm
A potência do sinal recebido pela antena da bola no local mais desfavorável do campo é de – 73,4009 dBm.

c) Cálculo da Potência do sinal recebido pelos APs (também consideraremos a posição mais desfavorável):
Prx AP1 = EIRPBola + Grx AP1 – Lf = 5 + 7 – 92,4009130894 =
Resposta: – 80,4009 dBm > – 82 dBm
A potência recebida pelo AP é superior à sensibilidade enunciada do AP (-82 dBm), pelo que podemos dizer que a
transmissão no sentido Bola→AP assegura os níveis de sinal necessários para o bom funcionamento da ligação.
d) Cálculo da SNR à saída do front-end
Antes de procedermos aos cálculos finais, vamos fazer uma compilação dos valores fundamentais para
chegarmos ao resultado. Temos que a atenuação do cabo é de 1 dB, pelo que, para o cabo, teremos:
F(dB) = Ap = 1 dB
Fcabo = 10¹⁄¹⁰
G(dB) = -Ap = -1 dB
gcabo = 10⁻¹⁄¹⁰
Tcabo = 290 · (Fcabo – 1) = 290 · (10¹⁄¹⁰ – 1) = 75,0883694203 K
O front-end apresenta um ganho linear de 32 e um factor de ruído de 5, pelo que iremos ter:
F(dB) = 10 · log₁₀(5) = 6,98970004336 dB
Frx = 5
G(dB) = 10 · log₁₀(32) = 15,05115 dB
grx = 32
Trx = 290 · (Frx – 1) = 290 · (5 – 1) = 1160 K
A temperatura equivalente de ruído à saída da antena é de 300K, esta será a temperatura inicial (Ti) de
ruído da cascata. A partir daqui já podemos calcular a temperatura equivalente de ruído da cascata:
Teq = Tcabo + T rx = 1535,4418471 K
gcabo
e podemos calcular finalmente a SNR à saída do front-end, considerando também a situação mais
desfavorável referida nas alíneas anteriores, precisando converter, em primeiro lugar, a potência recebida
pelo AP de dBm para dBW:

PrxAP1 = – 80,4009 dBm → PrxAP1[dBW] = – 80,4009 – 30 = – 110,4009 dBW


SNROut(dB) = PrxAP1[dBW] – 10 · log₁₀[KB · BN · (Ti + Teq)] =
= – 110,4009 – 10 · log₁₀[1,3806 · 10⁻²³ · 20 · 10⁶ · (300 + 1535,441)]
Resposta: 12,53375 dB

e) Possibilidade de melhorar a SNR à saída do front-end em 5 dB, para compensação de perdas adicionais

Considerando que a SNR é directamente proporcional à potência do sinal recebido pela antena do AP,
subtraída da potência de ruído na cascata, apenas podemos aumentar o valor da SNR de duas formas
distintas – diminuindo o Factor de ruído no front-end (que diminuiria a sua temperatura de ruído e
consequentemente aumentaria a SNR), mas como me parece impossível realizar esta tarefa sem alterar a
arquitectura do AP, passo à segunda hipótese, que será aumentar a potência do sinal recebido pelo AP em
5dB. Isto poderá ser conseguido também de duas formas diferentes:

• Instalar uma antena de ganho 12 dBi (+5 dBi que o seu valor no enunciado) em cada AP
• Instalar uma antena de 7 dBi (+5 dBi que o seu valor no enunciado) na bola
Passamos aos cálculos para provar esta teoria, também para a situação mais desfavorável:

SNROut(dB) = PrxAP1[dBW] – 10 · log₁₀[KB · BN · (Ti + Teq)] 


12,53375 + 5 = PrxAP1[dBW] – 10 · log₁₀[1,3806 · 10⁻²³ · 20 · 10⁶ · (300 + 1535,441)] 
PrxAP1 = – 105,4009 dBW  PrxAP1 = – 105,4009 + 30 = – 75,4009 dBm

pelo que aplicando a fórmula:

Prx AP1 = EIRPBola + Grx AP1 – Lf, podemos tomar dois caminhos distintos:

• Provando que o ganho de recepção da antena do AP será de +5 dBi:


– 75,4009 = 5 + Grx AP1 – 92,4009, chegando ao resultado de
Grx AP1 = 12 dBi, como proposto, o que prova que poderá ser solução.

• Provando que o ganho de transmissão da antena da bola é de +5 dBi, tendo em consideração que
uma antena de maior ganho melhora simultaneamente a transmissão e a recepção, e que o EIRP é
a soma do Sinal transmitido com o Ganho de transmissão, sendo que o proposto no enunciado é de
5 dBm, teremos de calcular a sua Potência de transmissão:
EIRPBola = Gtx Bola + Ptx Bola e consequentemente Ptx Bola = EIRPBola – Gtx Bola = 3 dBm
Calculemos então o novo EIRP da bola:
– 75,4009130894 = EIRPBola + 7 – 92,4009130894, chegando ao resultado de
EIRPBola = 10 dBm, com Gtx Bola = EIRPBola – Ptx Bola = 10 – 3 = 7 dBi

que é a segunda solução proposta, o que prova a sua possibilidade.

Apenas a título de opinião, a primeira solução será de mais fácil implementação, pois apenas terão
de ser instaladas antenas nos APs uma única vez, não obstante o preço, ao passo que, nas bolas,
teria de ser instalada uma antena em cada uma delas, aquando da sua manufactura.

f) Modificação do sistema como alternativa à alínea anterior


Como alternativa podemos deslocar os APs de forma a darem uma melhor cobertura e tirar partido do seu
alcance, aumentando a SNR à saída do front-end, sem grandes custos. Temos então, para o AP que
apresenta maiores perdas, com o valor anteriormente calculado da potência recebida (para a SNR
pretendida de +5 dB) e ainda os valores de EIRP da bola (5 dBm) e Ganho dos APs (7 dBm) inalterados:
PrxAP1 = – 75,4009130894 dBm = EIRPBola + Grx AP1 – Lf 
Lf = 75,4009130894 + EIRPBola + Grx AP1 = 87,4009130894 dB, ao que então retiramos:
Lf = 92,442 + 20 · log₁₀(lkm) + 20 · log₁₀(fGHz) 
20 · log₁₀(lkm) = Lf – 92,442 – 20 · log₁₀(fGHz) 
log₁₀(lkm) = Lf – 92,442 – 20 · log₁₀(fGHz) 
20
lkm = 0,10520443  lAP1 = 105,20443 metros
Esta é a distância máxima admissível em linha recta entre o AP com maior perda (AP1) e a bola
(considerando as 3 dimensões, x,y e z).
Visto que vou apresentar uma solução de distribuição alternativa, apresento também a distância
máxima que os restantes APs admitem (calculados pelo mesmo método usado para o AP1):
lAP2 = 105,601427 metros
lAP3 = 106,001432 metros
Nota: quando me refiro a AP com maior perda, refiro-me ao facto de dois APs com duas portadoras distintas
apresentarem perdas diferentes para uma mesma distância, pela proporcionalidade directa da frequência com as
perdas.
A partir destes valores temos de calcular as distâncias ao nível do solo, da projecção vertical dos APs
à posição da bola (i.e, em x e y apenas) em que a SNR tem o valor mínimo que pretendemos (em suma, o
alcance nas duas dimensões do campo em que cada AP assegura uma boa recepção com as condições que
nos estão a ser impostas), usando o teorema de Pitágoras (relembramos que a altura das torres é de 20 m):

lxyAP1 = √(105,20442866428² – 20²) = 103,286 metros


lxyAP2 = √(105,601426508² – 20²) = 103,690 metros
lxyAP3 = √(106,001431912² – 20²) = 104,098 metros

Fiz os cálculos todos para optimizar a distribuição das antenas, tendo em conta que se pretende a
SNR ≥ 17,53375 dB em pelo menos dois APs, o que será o mesmo que dizer que a bola tem de comunicar
com dois APs distintos, não podendo ultrapassar o alcance máximo que cada um deles admite, para a SNR
pretendida. A distribuição que proponho é a mostrada no seguinte gráfico, em que também evidencio
alguns pontos críticos de posição da bola relativamente aos APs e a forma como comunicará nessas
situações:

AP 3
AP 1

AP 2

Passo então a apresentar os cálculos para posicionamento dos AP2 e AP3 nas linhas laterias, visto
que o posicionamento do AP1 será na linha de fundo, à meia distância da largura do campo (55 metros).
Usaremos igualmente o teorema de Pitágoras, em que a hipotenusa é a distância anteriormente calculada
para o alcance bidimensional do AP1:

llateralAP2/3 = √(103,285874206² – 55²) = 87,9014 metros

Vamos arredondar este valor, pelo que os AP2 e AP3 ficarão instalados nas linhas laterais, a uma
distância da linha de fundo de 87,90 metros e de 72,10 metros da linha de fundo oposta. Vamos desprezar
os evidentes inconvenientes causados pela instalação de torres na linha de vista do público, esta proposta
serve apenas para mostrar academicamente a viabilidade de melhorar a SNR à saída de um front-end, pelo
reposicionamento de APs. Aqui apresento um diagrama grosseiro das áreas de cobertura distintas dos APs,
em que a bola terá sempre a desejada cobertura, com a SNR pretendida:

De salientar que nas zonas assinaladas com 4, os APs mais afastados de cada uma delas asseguram:
o Zona 4 superior: SNR≥15,9043308239 dB (no AP3)
o Zona 4 inferior: SNR≥15,8714918826 dB (no AP2)
O AP mais próximo da cada uma das zonas assegura sempre uma SNR superior ao valor pretendido.

Também calculei o integral da área em que a SNR não é satisfeita por dois APs simultaneamente, usando a
equação das circunferências do alcance de cada um dos APs e as linhas laterais como limites superior e
inferior, paras as duas áreas 4 respectivas:

⌠¹⁵⁰ √[104,097…² - (x – 87,42…)²] + ⌠¹⁵⁰ √[103,69…² - (x – 87,42…)²]


⌡₈₇ˏ₄₂… ⌡₈₇ˏ₄₂…
Chegando a um resultado de uma área combinada de 1599,92 m², desprezando o arco que o alcance do AP1
faz para além da linha de meio campo.

Considerando esse arco, teremos uma distribuição de SNR garantida por dois APs em simultâneo, por área do
campo, similar ao diagrama seguinte, em que se mantém as SNR referidas anteriormente para as duas zonas 4:

SNR ≥ 17,53375 dB

Apenas como conclusão, numa situação real, tendo em conta a configuração actual das torres de iluminação
dos estádios (inclinadas para dentro do campo) e a existência de bancadas cobertas (pelo menos num dos topos e
nas duas laterais), seria possível optimizar este sistema, baseado na metodologia empregue nesta proposta,
resolvendo não só a questão da SNR mínima garantida (seria apenas necessário pôr os AP2 e AP3 nas torres de
iluminação, ou nas platibandas das coberturas das bancadas, de maneira a cada um deles cobrir o canto
diagonalmente oposto com o seu alcance mínimo em que a SNR pretendida é satisfeita), como também
resolvendo o problema de impedimento de vista que traria a colocação de torres nas linhas laterais.

Walter Lopes dos Santos Mealhada, 2017