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TIPICIDADE SUBJECTIVA

Dolo eventual/negligência consciente

1. A conduz em excesso de velocidade e atropela B, peão, por não poder travar a tempo.

2. C passa um sinal vermelho, no escuro da noite, numa estrada frequentada e em alta


velocidade, provocando um acidente.

3. A e B decidem roubar C, apertando-lhe o pescoço com uma correia de couro até que
ele perca a consciência. Propondo-se evitar a morte de C, que previram como possível,
resolveram golpeá-lo antes na cabeça com um saco de areia até que perdesse um
conhecimento. No acto, porém, o saco de areia rebentou e A e B reverteram ao plano
inicial, aplicando a correia de couro que tinham levado e apertando o pescoço de C até
que este se imobilizou, para em seguida se apoderarem dos seus pertences. Após o que,
receando que C já não respirasse, levaram a cabo procedimentos de reanimação; no
entanto C, já havia morrido.

4. E, portador do vírus da SIDA e conhecedor do seu estado, mantém contactos sexuais


não protegidos com F, movido pela atracção que nutre por esta. E prevê como possível a
doença/morte do parceiro, mas resolve continuar. F não sabe que E está infectado. F é
infectada e acaba por morrer.

5. História de Guilherme Tell.

6. J e M, mendigos, mutilam R, S e T, crianças, para conseguir maior compaixão das


pessoas a quem estas pedem esmola. R morre em consequência dos ferimentos. J e M
arrependem-se de a ter mutilado, pois agora obtêm menos dinheiro.

7. Numa feira popular, D e E fazem uma aposta para ver qual deles consegue atingir a
bola que F, menina da barraca de tiro, segura na mão. D acaba por acertar em F,
provocando-lhe graves ofensas à integridade física.
8. Para receber o dinheiro do seguro, Arnaldo faz arder um prédio seu que não utilizava
há muito. No incêndio morre Bruno, um velhote que vinha habitando o prédio há uns
meses e que não conseguiu fugir por causa da embriaguez em que se encontrava.
Arnaldo nunca quis mal a Bruno, mas, durante a semana que antecedeu o incêndio,
todas as suas tentativas para convencer o velhote a deixar o prédio saíram frustradas.
(ANTÓNIO NEVES)

9. A, adepto de um clube de futebol, foi ao estádio ver o jogo e resolveu disparar


foguetes, prevendo que estes sobrevoassem a bancada em frente, reservada aos adeptos
rivais.
O primeiro foguete sobrevou as bancadas, tal como A tinha previsto.
Ao efectuar este segundo lançamento do foguete “very-light”, A previu que tal
instrumento se dirigisse na direcção norte, sendo sua intenção que o mesmo sobrevoasse
a bancada de espectadores, confiando que seguisse uma trajectória idêntica ao primeiro.
Quando o disparou, verificava-se no respectivo grupo de espectadores uma grande
agitação, havendo abraços, empurrões, saltos, gritos e outras exaltações. Em virtude do
seu estado de euforia e da permanente agitação das pessoas que se encontravam junto a
si, envolvendo-o, A, no momento em que empurrou a patilha que accionava a respectiva
propulsão, inclinou mais o foguete do que havia feito aquando do primeiro lançamento.
Por conseguinte, o segundo foguete atingiu um adepto da bancada em frente, causando a
sua morte.
Nessa noite, ao ver as imagens na televisão em companhia de um seu amigo, o arguido
ficou emocionado e chocado, não contendo o incómodo que as mesmas lhe causavam.

Erro e casos análogos

10. Num campo de treino de tiro, A dispara sobre B, pensando que se tratava de um
boneco.

11. A, caçador, quer matar B, que também anda no campo a caçar. Vendo movimento
num arbusto, supõe que é B que lá está e dispara. No entanto, B estava noutro lugar e a
bala perdeu-se.
12. A não consegue dormir por causa de L, cão do seu vizinho G, que está sempre a
ladrar.
Desesperado, vai para a janela do seu quarto e dispara para um vulto que está no quintal
do vizinho, que julga ser L. No entanto, o vulto que atinge era G, que tinha ido ao quintal
tentar acalmar L. G tem morte imediata.

13. C dispara, de longe, sobre D. D morre de imediato.


Imagine que:
a) C dispara porque pensa que trata de E, seu inimigo.
b) C dispara sem perceber que a vítima é, na verdade, seu pai.

14. F atira G de uma ponte, prevendo que ela morra ao cair no rio. No entanto, G bate
com a cabeça no pilar da ponte, o que causa a sua morte.

15. H pretende matar I.


Imagine que:
a) H pensa ter morto I com uma pancada na cabeça, tentando depois simular um
suicídio, enforcando-a. No entanto, I estava apenas inconsciente, vindo a morrer com o
enforcamento.
b) H anestesia I para depois a enforcar. No entanto, I é alérgica à anestesia, morrendo
logo com esta.

16. Bernardina, uma jovem muito ciumenta, aponta, de uma janela, uma arma ao ex-
companheiro, Anacleto, que passeia com o seu novo namorado. Por causa dos tremores e
da excitação, porém, erra o tiro e mata o namorado de Anacleto.
(ANTÓNIO NEVES)

17. M quer afastar de uma competição hípica o seu rival desportivo N. Assim, dispara
para atingir N ou o cavalo deste. Quid juris se atingir o cavaleiro? Quid juris se atingir o
cavalo?
(HELENA MORÃO)

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