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15/04/2018 Disciplina Portal

Tópicos em Libras: surdez e


inclusão

Aula 1 - Diferença, inclusão e identidade na


sociedade contemporânea
INTRODUÇÃO

Adquirir noções instrumentais da língua de sinais não é o único objetivo deste curso. A língua de sinais é utilizada por
sujeitos sinalizantes (surdos ou ouvintes que dominam a língua de sinais brasileira) em contextos específicos de
interação cujo histórico aponta para preconceitos e mal-entendidos acerca das diferenças como um todo e da
identidade do surdo na sociedade.

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Você já viu um grupo de surdos conversando? Pôde perceber a riqueza linguístico-comunicacional por detrás daqueles
movimentos que parecem estranhos aos ouvintes? Pois então, a partir de agora você irá conhecer um pouco mais
sobre a língua de sinais brasileira: seus usuários, seus costumes e formas como lidam com o mundo.

Nesta primeira aula, você deverá abrir os seus horizontes em relação a um mundo diferente, o mundo da língua de
sinais e dos sujeitos sinalizantes. Vamos começar?

OBJETIVOS

Reconhecer algumas mudanças na sociedade contemporânea em relação às formas de comportamento do sujeito na


vida social.

Identificar aspectos relacionados à identidade do sujeito contemporâneo em termos de inclusão social.

Identificar aspectos culturais e sociolinguísticos da surdez.

Estabelecer noções básicas de LIBRAS.

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COMEÇANDO A TRABALHAR

Que tal começarmos esta disciplina já com uma parte prática? Muitas vezes os ouvintes acreditam que as palavras em
LIBRAS são construídas letra a letra, mas isso não é bem verdade. Entretanto, para muitas palavras, especialmente
nomes de pessoas e lugares, as letras do alfabeto compõem uma palavra da mesma maneira como ocorre em
qualquer língua.

VÍDEO
No vídeo ao lado, você assiste a um surdo sinalizando as letras do alfabeto manual da Língua Brasileira de Sinais
(LIBRAS). Ao final, ele também irá sinalizar os números de 0 a 9.

Aproveite para rever quantas vezes quiser, pois esse é o seu primeiro contato com a LIBRAS, como ouvinte, para
aprender o "bê-á-bá" da comunidade surda.

A Datilologia é uma representação manual da ortografia do português ou de qualquer outra língua oral, cumpre a
função de empréstimo linguístico, ou seja, introduz na LIBRAS novas palavras que não têm sinais próprios.

VÍDEO
Neste vídeo, você verá uma série de sinais (nome, sinal, idade, casa/morar, onde) aplicados fora de contexto, somente
para você conhecer as palavras usadas na apresentação pessoal.

Informação Cultural (IC): Nas comunidades sinalizantes é hábito apresentar-se não somente informando o nome, mas
também com um SINAL. Esse SINAL pode ser entendido como uma espécie de “batismo” dentro dessas comunidades.
Cada pessoa tem um SINAL próprio que faz referência a alguma característica particular dela (somente referência
física; física com a primeira letra do nome; um evento marcante etc.).

VÍDEO
Neste vídeo, você viu os sinais aplicados dentro de frases, em contextos de uso efetivo da língua. No primeiro vídeo, as
palavras estavam isoladas; neste, elas são empregadas em situações práticas de comunicação em LIBRAS.

Informação Linguística (IL): as frases em LIBRAS, muitas vezes, omitem algumas palavras que são usadas; em outras
palavras, são construções sintéticas, econômicas. Lembre-se: LIBRAS não é a tradução de língua portuguesa. Quer um
exemplo? Em português, dizemos “qual é o seu nome?”, já em LIBRAS basta usar as palavras “seu” + “nome”, e a
interrogação é marcada pela expressão facial.

ENTENDENDO O CENÁRIO
Faremos, nesta primeira aula, algumas considerações sobre inclusão, identidade e diferença, principalmente no âmbito
dos estudos sobre surdez e língua de sinais.

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Ao verificarmos a história da educação de surdos e também de como a sociedade os tratou, verificaremos uma série
de equívocos que vão desde considerar a pessoa surda um “deficiente mental”, em sentido mesmo pejorativo, até
obrigá-la a métodos educativos que visavam apagar as diferenças entre surdos e ouvintes, impondo aos surdos a
língua e a cultura oral.

Para saber mais sobre essas estratégias para a inclusão, leia Lei de LIBRAS (glossário) e o decreto que a regulamenta
(glossário).

VOCÊ SABIA?

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As pessoas surdas não são mudas. O termo “surdo-mudo” é fruto de um equívoco do passado. Os surdos têm, salvo
exceção, o aparelho fonador preservado. Se aparentemente não falam, isso se deve a dificuldades impostas pela
memória auditiva e não percepção do som que emitem. Por isso, não se deve falar “surdo-mudo”.

Vamos começar, então, refletindo um pouco sobre a sociedade contemporânea e suas “novas” formas de
relacionamento, construção de identidade e preservação da cultura; em especial, as influenciadas pela chamada
globalização. Para tal, é necessário que se investiguem as relações entre língua, cultura e sociedade.

A sociedade contemporânea reivindica uma revisão das próprias formas de se pensar a língua, o papel e lugar das
ciências políticas que a tomam como objeto de pesquisa, reflexão e análise. Nesse sentido, a sociedade é convocada a
enfrentar as constantes incompletudes, provocadas por um mundo globalizado, onde o global e o local se
interpenetram e as diferenças não se encaixam na “completude” (BAUMAN, 2005).

VÍDEO
As novas formas de relacionamento através da internet, redes sociais – ciberespaço etc. e o intercâmbio cultural são
significativamente mais velozes e dinâmicos do que no passado. Além da internet, o celular é hoje um aparelho quase
que indispensável à sobrevivência na sociedade urbana. Este aspecto atinge inclusive as pessoas surdas, cujo uso do
celular é bastante frequente, tornando-se um excelente meio de comunicação para esse grupo social.

Além disso, a própria disciplina que você está fazendo neste exato momento faz parte da evolução tecnológica que
permite a comunicação a qualquer hora e em qualquer lugar, como você pôde observar no vídeo acima.

Através dessas novas relações, o local e o global passaram a se interpenetrar constantemente, dificultando sua
identificação e tornando incoerente um conceito de identidade (linguística e cultural) que não seja o mesmo para
qualquer indivíduo; em outras palavras, uma identidade fluida, comum a todos.

MAS SERÁ QUE SOMOS IGUAIS?

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LÍNGUA E IDENTIDADE PARA OS SURDOS

Fonte da Imagem:

Esse fenômeno da crise de identidade pode ser observado em vários setores da sociedade. Em relação aos surdos e às
comunidades sinalizantes não é diferente. Após vários anos de total exclusão e subjugamento a padrões culturais
inerentes a uma vida tipicamente ouvinte, os surdos – conduzidos pelas pesquisas na área da linguística, da educação
e outras – puderam reconhecer-se como seres dotados de uma língua. Suas comunidades linguísticas apresentam
peculiaridades culturais a elas inerentes.

Fonte da Imagem:

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Os surdos passam, então, a afirmar suas identidades com base, principalmente, em características linguísticas e
culturais. Devido aos longos anos de uma experiência não favorável ao seu reconhecimento, foi necessária a criação
de associações diversas, a produção de discurso de defesa e luta, entre outros, que garantissem esse espaço na
sociedade.

DESFAZENDO MITOS E PRECONCEITOS


Assim, fazer da identidade linguística uma tarefa e um objetivo do trabalho, pode ser considerado um ato de libertação:
libertação da inércia dos costumes tradicionais, das autoridades imutáveis, das rotinas pré-estabelecidas e das
verdades inquestionáveis. A exacerbação disso levou, por um lado, a conquistas imprescindíveis, mas, por outro, a
equívocos prejudiciais. Por isso, propomos agora um esquema para que você possa rever algumas informações
consideradas “verdadeiras”:

PRECONCEITO X PRECONCEITO
Muito surdos passaram a negar veementemente a possibilidade de aprendizado da língua portuguesa, uma vez que, para muitos,
isso significaria uma perda de sua “identidade surda”.

OUVINTE X SURDO
O novo olhar da sociedade sobre a surdez, evidentemente, não pode e não deve implicar subordinação, no sentido de se concluir
que há uma comunidade melhor e superior a outra. No entanto, não se pode esquecer que a categoria “surdo” tem seu significado
construído a partir da oposição “ouvinte” e vice-versa. Mesmo que se possam admitir diferentes dimensões de significados para
essas categorias, o que se tem constantemente é que surdos e ouvintes são comumente tomados como um sendo o contrário do
outro.

SURDEZ E A LÍNGUA PORTUGUESA


Há necessidade de se repensar as formas de discutir identidade surda no campo da surdez. Não se pode, em nome da defesa de
uma causa, intensificar implicitamente o aumento das dificuldades do surdo em relação à língua portuguesa. Uma coisa é dizer
que o surdo tem a LIBRAS como primeira língua (ou língua nativa), outra coisa é, baseado em uma visão biologizante, fazê-lo
acreditar que não tem capacidade para aprender língua portuguesa.

O SURDO E A RELAÇÃO FAMILIAR


Sempre é bom lembrar que a maioria dos surdos é filho de pais ouvintes e possui uma família de ouvintes. A despeito do fato de
que muitas famílias o renegam ou demoram a aceitá-lo como ser capaz, não se pode propor que os surdos simplesmente
ignorem a existência de suas bases familiares, sejam elas quais forem.

ATIVIDADE
Para finalizar esta aula, propomos a você um desafio. Abaixo você dispõe de alguns termos importantes utilizados
nessa aula e a descrição deles. Leia atentamente a descrição e tente encaixar ao termo correto.

• INES;
• Sinal;
• Inclusão;
• Sinalizante;
• Integração;
• Libras.

•______________: Conjunto de ações que visam incluir pessoas portadores de necessidades (educativas) especiais na
sociedade como um todo, mas que para tal promove modificações/adaptações também da parte da sociedade para
receber e incluir essas pessoas.

•______________: Conjunto de ações que visam integrar pessoas portadoras de necessidades (educativas) especiais à
sociedade sem, contudo, exigir mudanças da sociedade.

•______________: Neste curso, refere-se ao elemento linguístico que corresponde aos itens lexicais formadores do léxico
da língua de sinais.

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•______________: Refere-se a toda pessoa que domina a língua de sinais e é dela usuário no seu cotidiano.

•______________: Sigla referente a Língua Brasileira de Sinais. Trata-se da língua de sinais utilizada por grande parte dos
surdos brasileiros que a têm como primeira língua. A língua brasileira de sinais foi reconhecida como meio legal de
comunicação entre pessoas das comunidades de surdos brasileiros através da Lei 10436 de 24 de abril de 2002.

•______________: Instituto Nacional de Educação de Surdos, fundado em 1857 pelo Imperador D. Pedro II sob orientação
do professor francês Ernest Huet.

Resposta Correta

Glossário

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