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Instituto Brasileiro de Estudos Tributários

ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS

Jair Augusto Gomes Damasceno

Seminário II – Espécies Tributárias 1


Natal/RN, março de 2018
Instituto Brasileiro de Estudos Tributários

1. Efetue, de forma fundamentada, proposta de classificação jurídica


dos tributos, evidenciando os critérios classificatórios adotados. A
destinação do produto da arrecadação tributária é relevante para a
classificação jurídica dos tributos e consequente definição das
espécies tributárias? Considerar, na análise da pergunta, o art. 167,
inciso IV, da CF/88, e o art. 4º do CTN. (Vide anexo I).

Através da interpretação do o artigo 4º do Código Tributário Nacional e


artigo 167, inciso IV da Constituição Federal, podemos identificar e relacionar os
critérios de classificação dos tributos, que são:

• Vinculação ou não do fato gerador a uma atividade estatal;

• Destinação ou não da receita arrecadada;

• Restituição ou não dos valores.

Por meio dos critérios citados podemos reconhecer as espécies


normativas, quais sejam:

• Imposto: possui como fato gerador uma situação independente de


qualquer atividade estatal, pois não é vinculado a atividade estatal (artigo
16, Código Tributário Nacional). O artigo 167, IV da Constituição Federal
proíbe que a receita do imposto tenha destinação específica;

• Taxa: o fato gerador é uma atividade estatal vinculada ao sujeito passivo.


A receita auferida possui destinação específica;

• Contribuição de melhoria: é uma modalidade que tem por fato gerador


uma atividade estatal diretamente relacionada ao sujeito passivo, artigo
81 do Código Tributário Nacional. Não possui destinação específica,

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sendo definida pelo o Estado a destinação da renda arrecadada;

• Empréstimo compulsório: seu fato gerador não está determinado na


Constituição Federal. Poderá ser instituído pela União conforme versa o
artigo 148 da Constituição Federal. A destinação da receita arrecadada
será definida para as situações que motivaram sua criação;

• Contribuição especial: seu fato gerador não está instituído na Constituição


Federal. O conceito de tal modalidade é formado a partir do motivo da sua
destinação.

Entendemos que a o conhecimento da destinação da receita tributária é


indispensável para a classificação jurídica, bem como é relevante para a
definição deles, como exemplo para as Contribuições Especiais que formam seu
conceito a partir da destinação.

2. Que é taxa? Que se entende por o “serviço público” e “poder de


polícia”? (Vide anexo II). Há necessidade de comprovação da efetiva
fiscalização para cobrança da taxa de poder de polícia? (Vide anexos
III, IV e V).

Conforme questão anterior, taxa possui como fato gerador uma atividade
estatal vinculada ao sujeito passivo, sua receita possui destinação específica.
Ampliando o conceito de taxa, entendemos que é um tributo cobrado a
pessoa privada ou jurídica, para que estes usufruam de serviços públicos, é
fixada pelo Estado, possuindo destinação de receita específica.
Podemos conceituar serviço público, como a agregação de atividades e
serviços, ligadas à administração do Estado através de seus agentes e
representantes, podendo ser exercida por outras entidades.
O poder de policia é o exercício da fiscalização ou expedição de algum ato
através do ente público ou agente. Seu conceito está presente no artigo 78 do
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Código Tributário Nacional, “a atividade da administração pública que, limitando


ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou
abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à
higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao
exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização
do poder público, a tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos
direitos individuais ou coletivos.”

3. Que diferencia taxa de preço público? (Vide voto do Min. Carlos


Velloso na ADI 447). Os serviços públicos de energia elétrica,
telefone, água e esgoto, quando prestados diretamente pelas
pessoas jurídicas de direito público, são remuneráveis por taxa? E
no caso de concessão desses serviços? (Vide anexos VI, VII e,
Ag.Rg. no RE 429.664 no site www.stf.jus.br). E os serviços que,
embora prestados pelo Poder Público, são suscetíveis de prestação
pela iniciativa privada em regime concorrencial? (Vide anexo VIII).

Taxa e preço público não são análogos, pois a primeira é definida na


Constituição Federal e pelo Código Tributário Nacional, ou seja, decorrente de
lei, devida pela utilização de serviços públicos ou pelo exercício do poder de
policia. Já o segundo, não é definido em lei, é obrigação contratual, sendo
assumida voluntariamente.
Os serviços citados no enunciado possuem prestação especifica,
mensurável, individual, sendo apresentados de forma contrata ao usuário do
serviço.
A utilização dos serviços nunca será igualitária pelos usuários, que
poderão utilizá-los da forma mais conveniente, de acordo com a necessidade de
cada um.

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Tais serviços são específicos, são prestados com independência, sendo


divisíveis, em que o uso efetivo ou potencial pode ser aferido individualmente.
A remuneração de tais serviços é feita por meio das taxas de serviços.
Os serviços prestados pelo poder público poderão ser delegados, assim
existindo uma atividade privada de concorrência.

4. Em que consiste o princípio da referibilidade das taxas? Há


necessidade do valor exigido referir-se a uma parcela do serviço
prestado? Caso isso não seja verificado, é possível a restituição? No
caso de excessiva dificuldade de mensurar o custo do serviço
prestado, como fixar a base de cálculo da taxa? (considerar em sua
resposta o exemplo das taxas judiciais – vide anexos IX, X e XI)

O conceito sobre o princípio da referibilidade das taxas consiste na


contraprestação do serviço público.
Entendemos que a taxa somente será cobrada na existência de fato da
atividade estatal.
A taxa cobrada terá que ser equivalente ao serviço público prestado.
Sobre a base de cálculo, o professor Paulo de Barros entende que tal
deverá “exibir, forçosamente, a medida da intensidade da participação do
Estado”. Tal tributo não possui natureza arrecadatória, mas sim deverá refletir
nos custos dos serviços prestados ao contribuinte.
Ainda, na mesma questão, entendemos que a taxa poderá sim ser
restituída total ou parcialmente conforme o artigo 165 do Código Tributário
Nacional, ressalvado o disposto no artigo 162, §4º do mesmo caderno legislativo.

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5. Sobre a contribuição de melhoria pergunta-se: (i) Quais os requisitos


e limites à cobrança da contribuição de melhoria? (ii) A Lei que a
institui deve ser produzida antes do início da obra ou pode ser
posterior à sua conclusão e à valorização imobiliária? Nesta última
hipótese, haveria violação ao princípio da irretroatividade? E se for
apresentado laudo comprovando a perspectiva de gastos, poderia
ser exigido o tributo antes da conclusão da obra e da valorização
imobiliária? (Vide anexos XII e XIII).

i. Tal tributo somente poderá ser cobrado mediante obras públicas,


quando evidenciada a valorização dos imóveis e áreas
beneficiadas pelo fato da administração pública realizar o ato,
artigo 81 do Código Tributário Nacional. A lei prescreve a
imposição de dois limites para a contribuição de melhoria, sendo o
limite individual e o limite total. O limite individual, proíbe que o
contribuinte responda por parcela superior à efetiva valorização
individual de seu imóvel, ou seja, se a valorização do imóvel é de
10,00, a Fazenda Pública não pode cobrar por uma valorização de
100. Porém o limite total, define que o somatório das contribuições
individuais não pode ser superior ao custo total da obra, assim, no
exemplo anterior, se a obra teve um custo de R$ 100.00,00 a
fazenda pública não pode, somadas as contribuições individuais,
arrecadar mais do que o R$ 100.000,00 que foi gasto;

ii. Entendemos que após a realização da obra pública, realizando-se


o levantamento sobre a possível valorização imobiliária dos
imóveis, o Poder Público poderá editar lei instituindo o tributo de
contribuição de melhoria. Importante lembrar que a hipótese de

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incidência será a valorização imobiliária decorrente de obra


pública;
iii. Não desrespeita o princípio da irretroatividade, pois somente após
a conclusão da obra e avaliação da valorização dos imóveis
poderemos preencher os requisitos para instituição do tributo;

iv. Não, pois a instituição da contribuição de melhoria depende da


avaliação da valorização imobiliária.

6. Os adicionais ao IPI, ICMS e ISS sobre supérfluos destinados ao Fundo


de Combate a Erradicação da Pobreza, constantes do Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias (art. 79, introduzido pela EC n.
31/00), se enquadram em qual espécie? Pode o “adicional” de imposto
ter destinação específica? E ser de natureza tributária diversa do tributo
adicionado? A regra-matriz de incidência tributária do adicional é
distinta do imposto adicionado? (Vide anexos XV e XVI e XVII)

Tais adicionais se classificam como contribuições especiais, sendo


vedada a vinculação das receitas destes.
A receita da arrecadação do adicional de imposto não poderá ser
destinada para finalidade específica.
A natureza tributária é diversa, pois a contribuição especial é criada a
partir do motivo da sua destinação.
Entendemos que a RMIT é distinta do adicional do imposto adicionado.

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7. Agência reguladora nacional, pela cobrança anual da Taxa de emissão e


renovação de certificado de licença, arrecada dez vezes mais do que o
custo total da fiscalização. Ao receber o quantum arrecadado, a União
destina o recurso “a maior” para outros fins. O contribuinte tem direito
a repetição da taxa, vez que o valor arrecadado é superior ao custo da
prestação estatal tomada como hipótese de incidência? E se, ao invés
de taxa, fosse uma contribuição social?

A receita da taxa possui vinculação específica, sendo direcionada ao


custeio da atividade estatal oferecida ao sujeito passivo ou poder de polícia.
Assim, entendemos que o contribuinte terá direito a repetição se a taxa
for cobrada ou majorada de forma desproporcional.
Não poderíamos utilizar a espécie da contribuição social, pois seu
conceito difere ao de taxa.

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REFERÊNCIAS

CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 18. ed. São Paulo:
Saraiva, 2007.

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