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DIREITO CRIMINAL

MATERIAL AULA-2

EMENTA
1. Normas Penais em Branco. 1.1 Classificação. 1.1.1 Homogênea /Imprópria /em sentido lato /em sentido amplo. 1.1.2
Heterogêneas/Próprias/ Em sentido estrito. 1.1.3 Ao avesso/Ao revés/Invertidas. 2. Lei Penal no Tempo. 2.1 Conflito de leis
penais no tempo. 2.2 Lex Tertia. 2.3 Leis de Vigência Temporária. 2.4 Tempo do Crime. 3. Lei Penal no Espaço. 4. Concurso
ou conflito aparente de normas penais. 4.1 Princípios que resolvem o conflito aparente de normas.

LEGISLAÇÃO CITADA:
1.Art. 22, I, art. 5º, XL, da Constituição da República Federativa do Brasil.
2. Art. 304, do Código Penal.
3. Art. 297, § 2º, Código Penal.
4. Art. 312, Código Penal.
5. Artigo 327 Código Penal.
6. Art. 237 do Código Penal.
7. Art. 1.521 do Código Civil de 2.002.
8.Art. 33, Lei n. 11.343/06 - Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas - Sisnad; prescreve medidas para
prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece normas para
repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas;
drogas define crimes e dá outras providências.
9.Art. 14 da lei n. lei n. 10.826/03 - Dispõe sobre registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição, sobre o
Sistema Nacional de Armas – Sinarm, define crimes e dá outras providências.
10.Art. 3º, art. 15, art. 16, art. 17 do Decreto n. 3665/00 - Dá nova redação ao Regulamento para a Fiscalização de Produtos
Controlados (R-105).
11. Art. 121 do Código Penal.
12. Art. 1º da lei n. 2889/56 - Define e pune o crime de genocídio.
genocídio
13. Vide art. 43 do Código Penal.
14. Art. 226 do Código Penal.
15. Art. 219 do Código Penal.
16. Art. 148, inciso V, parágrafo 1º do Código Penal.
17. Art. 213 e art. 214 do Código Penal.
18. Art. 107, III, Código Penal.
19. Art.132 do Código Penal.
20. Art. 240 do Código Penal.
21. Art. 66 da Institui a Lei de Execução Penal.
22. Art. 219 do Código Penal.
23. Art. 273 do Código Penal.
24.Art. 36 da Lei n. 12.663/2012 – Dispõe sobre as medidas relativas à Copa das Confederações FIFA 2013, à Copa do
Mundo FIFA 2014 e à Jornada Mundial da Juventude - 2013, que serão realizadas no Brasil; altera as Leis nos 6.815, de 19 de
agosto de 1980, e 10.671, de 15 de maio de 2003; e estabelece concessão de prêmio e de auxílio especial mensal aos
jogadores das seleções campeãs do mundo em 1958, 1962 e 1970. 1970
25.Art. 2º do Decreto n. 4657/1942 - Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro
26. Art. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º do Código Penal.
27. Art. 71, 163, 155, § 4º, I, 101 do Código Penal.
28. Art. 2º da lei n 9.455/97- Define os crimes de tortura e dá outras providências.
29. Art. 123, 129, do Código Penal.
31. Art. 25 289 do Código Penal.
SÚMULAS E JURISPRUDÊNCIA CITADA:

1. Súmula n. 611 do Supremo Tribunal Federal


2. Vide súmula n. 513 do Superior Tribunal de Justiça
3. Recurso Extraordinário n. 600.817 do Supremo Tribunal Federal
4. Súmula n. 501 do Superior Tribunal de Justiça
5. Arguição de Inconstitucionalidade no HC n. 239363 do Supremo Tribunal Federal
6. Habeas Corpus n. 265912 do Superior Tribunal de Justiça
7. Súmula n. 711 do Supremo Tribunal Federal
8. Súmula n.17, Superior Tribunal de Justiça

01 TEORIA DA NORMA PENAL

1. Normas Penais em Branco


Gênero - Leis Penais Incompletas, em que são suas espécies: Normas Penais em Branco e Tipos Penais abertos.
1. Classificação
As normas penais em branco podem ser três:
1. Homogênea /Imprópria /em sentido lato /em sentido amplo:
amplo o complemento da lei penal advém do mesmo órgão
que cria a norma penal (art. 22, I, CF: compete privativamente à União legislar sobre direito penal...), ou seja, a
mesma fonte material (lei complementando lei).
Subclassificação:
a.Homogêneas/Homovitelíneas/Homólogas: lei penal complementa lei penal. Ex.: art. 304, CP1 (uso de documento falso),
este dispositivo não define os papeis alterados. Assim deve-se reportar ao art. 297, § 2º2 do CP (documento público por
equiparação). Assim, busca-se em outro dispositivo do CP; art. 312, CP3 (peculato), este dispositivo não define
funcionário público no seu tipo, e sim o artigo 3274(define funcionário público), que o complementa.
b. Homogêneas Heterovitelíneas/Heterólogas: A lei penal é complementada por lei extrapenal. Ex.: art. 237 do CP5

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Art. 304 - Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302: Pena - a cominada à falsificação
ou à alteração.

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Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
§ 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se
prevalecendo do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte.
§ 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se
se a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou
transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular.

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Art. 312 - Apropriar-se
se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse
em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:
Pena - reclusão, de dois a doze anos, e multa.
§ 1º - Aplica-se
se a mesma pena, se o funcionário público, embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre
concor
para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.

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Art. 327 - Considera-se
se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo,
ca
emprego ou função pública.
§ 1º - Equipara-se
se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para
empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública.
§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em
comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou
fundação instituída pelo poder público.

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Art. 237 - Contrair casamento, conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta: Pena - detenção, de três
meses a um ano.
(conhecimento prévio de impedimentos matrimoniais - art. 1.5216 e seguintes do CC/02). Considerando que a fonte
material de produção é a mesma (art. 22, I, da CF/88)7, a norma é homogênea. Entretanto, observando-se que a Lei penal
está sendo completada pela lei civil, caracteriza-se também como heterovitelínea.

2. Heterogêneas/Próprias/ Em sentido estrito: o complemento advém de um órgão distinto daquele órgão que cria a lei penal
(Lei federal: ordinária ou complementar), ou seja, atos administrativos. Ex.: Lei de Drogas, art. 33. A antiga lei de drogas
trabalhava com substância entorpecente, enquanto que a lei atual trata tão somente de droga no referido artigo. O termo
droga, que está na lei n. 11.343/06, tem a lista definida como tal inserta na Portaria n. 344/98 da ANVISA (ato do Ministério
da Saúde).
Exemplo: Lei de Armas – lei n. 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento), o art. 14 8não traz a definição de arma, munição,
uso permitido... O complemento advém do decreto n. 3665/00, do Poder Executivo, o chamado R 105 (vide art. 3º, art. 15,
art. 16, art. 17).

3. Ao avesso/Ao revés/Invertidas: a incompletude diz respeito ao preceito secundário (parte da pena). O


tipo penal no Brasil é formado por duas partes:
Preceito Primário: é a conduta incriminada. Ex: art. 121 do CP: “Matar alguém:” (conduta), em que se apresentam como
destinatárias todas as pessoas. Preceito Secundário: é a pena cominada no tipo. Ex: art. 121 do CP: “Pena – reclusão, de seis a
vinte anos.”; Destinatário: Estado-Juiz. Dessa forma, pode haver a incompletude da norma penal, tanto no preceito primário,
como no preceito secundário.
Exemplo: art. 304 (exemplo referido anteriormente), não há pena específica. Assim, utilizam-se as penas de outros crimes
semelhantes.

Exemplo: a lei n. 2889/56, define e pune o crime de genocídio (vide art. 1º)9. Ao analisar a aludida lei, verifica-se que o crime
de genocídio não tem pena, apenas remete às penas de outros crimes que são aplicados a este.

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Art. 1.521 do CC02. Não podem casar:
I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil;
II - os afins em linha reta;
III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante;
IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive;
V - o adotado com o filho do adotante;
VI - as pessoas casadas;
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte

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Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;

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Porte ilegal de arma de fogo de usopermitido
Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter,
empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com
determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo quando a arma de fogo estiver registrada em nome do agente.

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Art. 1º Quem, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como tal:
a)matar membros do grupo;
b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo;
grupo
c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial;
d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo;
grupo
e)efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo;
Será punido:
Com as penas do art. 121, § 2º, do Código Penal, no caso da letra a;
Com as penas do art. 129, § 2º, no caso da letra b;
Com as penas do art. 270, no caso da letra c;
Com as penas do art. 125, no caso da letra d;
Com as penas do art. 148, no caso da letra e;
Ainda, deve-se
se destacar a posição de Eugenio Raul Zaffaroni, que considera a lei heterogênea inconstitucional, muito embora
não sendo este o entendimento majoritário, o qual entende ser constitucional.

2. Lei Penal no Tempo

1. Conflito de leis penais no tempo: Esse conflito ocorre quando uma lei nova entra em vigor, ab-rogando (revogação total) ou
derrogando (revogação parcial) a lei anterior. Assim, deve-se se saber qual a lei que será aplicada.
Regra: tempos regit actum, ou seja, aplica-se
se a lei vigente no tempo do fato.
Exceção: Lex mitior, ou seja, lei penal posterior mais benéfica (CF, art. 5º, XL)10. A presente lei é informada pelo princípio da
extra-atividade, termo genérico para retroatividade (aplicar a lei penal para fatos que ocorreram antes de sua vigência) e ultra-
atividade (estender os efeitos da lei penal para além de sua revogação).
revogação)

Espécies de Lex Mitior: são duas:


a.Novatio legis in mellius: não há abolição do crime, apenas se melhora a condição jurídico-penal do réu, de várias formas,
por exemplo: diminuição de pena, extinção de qualificadora, criação de atenuantes, etc.; A lei n. 9.714/98, Lei das Penas
Alternativas, é uma espécie da aludida lei.
Vide art. 43 (espécies de PRD) do CP11 e seguintes (Penas Restritivas de Direito): redação dada pela lei 9714/98.
Vide art. 226 do CP (aumento da pena no caso de estupro, inciso III)12: revogado pela lei n. 11.606/2005.

b. Abolitio criminis: é uma lei posterior que descriminaliza uma conduta que, até então, era típica. Ocorre a revogação formal e
substancial de um crime.
Princípio da continuidade normativo-típica: existe apenas a revogação formal do tipo criminal, ou seja, o referido crime segue
previsto em outra fonte legislativa. Ex.: A lei 11.106/05, ao mesmo tempo em que revogou formalmente o art. 219 do CP13,
criou o inciso V, parágrafo 1º do artigo 148 do CP14, ou seja, não houve uma descontinuidade normativo-típica (revogação
substancial) e sim uma readequação típica.
Lei que altera o capítulo dos crimes sexuais – lei 12.015/2009: Antes da referida lei, apresentava-se o estupro (art. 213)15 e o

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Art. 5º, XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
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Art. 43. As penas restritivas de direitos são: (Redação dada pela Lei nº 9.714, de 1998)
I - prestação pecuniária; (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
II.- perda de bens e valores; (Incluído pela Lei nº 9.714, de 1998)
III.- limitação de fim de semana. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
IV.- prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas; (Incluído pela Lei nº 9.714, de 25.11.1998)
V - interdição temporária de direitos; (Incluído pela Lei nº 9.714, de 25.11.1998)
VI - limitação de fim de semana. (Incluído pela Lei nº 9.714, de 25.11.1998)

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Art. 226. A pena é aumentada: (Redação dada pela Lei nº 11.106, de 2005)
I. – de quarta parte, se o crime é cometido com o concurso de 2 (duas) ou mais pessoas; (Redação dada pela Lei nº 11.106, de 2005)
II. – de metade, se o agente é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou
empregador da vítima ou por qualquer outro título tem autoridade sobre ela; (Redação dada pela Lei nº 11.106, de 2005).
III.- (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005).

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Rapto violento ou mediante fraude
Art. 219 - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005).

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Art. 148 - Privar alguém de sua liberdade, mediante sequestro ou cárcere privado: (Vide Lei nº 10.446, de 2002)
Pena - reclusão, de um a três anos.
§ 1º - A pena é de reclusão, de dois a cinco anos:
I. – se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro do agente ou maior de 60 (sessenta) anos; pela (Redação dada
Lei nº 11.106, de 2005)
II.- se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou hospital;
III.- se a privação da liberdade dura mais de quinze dias.
IV – se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos; (Incluído pela Lei nº 11.106, de 2005)
V – se o crime é praticado com fins libidinosos. (Incluído pela Lei nº 11.106, de 2005).

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Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele
el se
pratique outro ato libidinoso: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
atentado violento ao pudor (art. 214)16;

1. Natureza jurídica: extinção da punibilidade (art. 107, III, CP)17;

2. Efeitos: art. 2º do CP18. Os efeitos extrapenais são mantidos, ou seja, o réu continua obrigado a reparar o dano. Vide art.
240 do CP (revogado pela lei n. 11.106/05)19.

Autoridade competente para declará-la: o juiz que tem competência para receber os autos do inquérito policial. Se ocorrer em
fase recursal, o colegiado terá competência para tal declaração.
declaração Por fim, se for após o trânsito em julgado da sentença
condenatória, competirá ao juízo das execuções aplicar a lei mais benigna (súmula n. 611 do STF)20. Vide art. 66 da LEP21. Dessa
forma, não é necessário provocar o Tribunal. Basta uma petição protocalada no Cartório da Vara de Execução Criminal – VEC.

Abolitio Temporalis ou Indireta: está relacionado ao Estatuto do Desarmamento – lei n. 10.826/03, pois, quando este surgiu,
nasceram prazos para que as pessoas pudessem entregar as armas de fogo, mediante indenização. Esses prazos foram sendo
estendidos, no decorrer do tempo. Já a lei 11.922/09, dispõe sobre os juros da Caixa Econômica Federal. No seu art. 2022, fala da
prorrogação do prazo estipulado no Estatuto do Desarmamento.
Desarmamento No âmbito penal, o que interessa que se pode regularizar a
arma até 31/12/09, até esse prazo não há crime. Esse prazo vale somente para posse (intramuros) e não para porte
(extramuros). Vide súmula n. 513 do STJ23.
Após a referida lei, houve a revogação do art. 214.

Houve abolitio criminis do art. 214 do CP? Não, pois somente ocorreu a revogação formal, seguindo a existência do crime,

Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
§ 1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: (Incluído
pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
§ 2o Se da conduta resulta morte: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)

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Art. 214 - (Revogado pela Lei nº 12.015, de 2009)
Violação sexual mediante fraude (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)

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Art. 107 - Extingue-se a punibilidade: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) I
- pela morte do agente;
II.- pela anistia, graça ou indulto;
III.- pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso;
(...)

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Art. 2º - Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos
penais da sentença condenatória. Parágrafo único - A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos
anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.

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Adultério
Art. 240 - (Revogado pela Lei nº 11.106, de 2005).

20
S. 611 do STF: TRANSITADA EM JULGADO A SENTENÇA CONDENATÓRIA, COMPETE AO JUÍZO DAS EXECUÇÕES A APLICAÇÃO DE LEI MAIS
BENIGNA.

21
Art. 66. Compete ao Juiz da execução:
I - aplicar aos casos julgados lei posterior que de qualquer modo favorecer o condenado;
(...)
22
Art. 20. Ficam prorrogados para 31 de dezembro de 2009 os prazos de que tratam o § 3o do art. 5o e o art. 30, ambos da Lei no 10.826,
de 22 de dezembro de 2003.

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Súmula 513-STJ:
A abolitio criminis temporária prevista na Lei n. 10.826/2003 aplica-se
se ao crime de posse de arma de fogo de uso permitido com
numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou adulterado, praticado somente até 23/10/2005.
alterando a redação do art. 213 do CP. Concluindo, o conteúdo do art. 214 foi para o art. 213 do CP, incidindo o princípio da
continuidade normativo-típica.

Houve abolitio criminis do rapto violento (art. 219 do CP)? Não houve a abolitio criminis do rapto violento, uma vez que nesta lei
ocorre a revogação formal. Na continuidade normativo-típica,
típica, o fato segue como criminoso, mas com outro nome e em outro
lugar. Existe apenas a revogação formal do tipo criminal, ou seja, o referido crime segue previsto em outra fonte legislativa. Ex.: A
lei 11.106, ao mesmo tempo em que revogou formalmente o art. 219 do CP, criou o inciso V, parágrafo 1º do artigo 148 do CP,
ou seja, não houve uma descontinuidade normativo-típica e sim uma readequação típica.

2.2 Lex Tertia (instituto da combinação de leis): o juiz toma pontos de duas ou mais leis e os combina para favorecer o réu, nunca
para prejudicá-lolo (sempre pró réu). Quanto a sua admissibilidade, apresentam-se
apresentam dois entendimentos:

Posição favorável (Cezar Roberto Bitencourt e Rogério Greco): fundamenta-se


fundamenta num princípio básico de
hermenêutica penal: quem pode o mais, pode o menos;

Posição contrária (Nélson Hungria Hoffbaue): o juiz estaria legislando. A jurisprudência, de maneira majoritária, tem
se manifestado contrária a combinação de leis.

Tráfico Privilegiado: lei n. 11.343/06, art. 33, § 4º: apresenta 4 requisitos a serem preenchidos, cumulativamente, para a
diminuição da pena de 1/6 até 2/3, são eles: réu primário, portador de bons antecedentes, não pode se dedicar a atividades
criminosas e não pode integrar organizações criminosas.

Tráfico:
 Lei n. 11. 343/06: pena mínima de 5 anos;
 Lei n. 6368/76 (revogada): pena mínima de 3 anos.

Observa-se que se houver a redução máxima de 2/3 da pena, a lei atual aplicará 1 ano e 8 meses de pena ao réu. Assim,
verifica-se que, dependendo do caso concreto, a lei revogada pode ser mais benéfica. O pleno do STF julgou no sentido de que é
impossível retroagir o § 4º do art. 33 da lei n. 11.343/06. Deve-se aplicar integralmente uma lei ou outra, não havendo a
possibilidade de combinação de leis.
Vide RE n. 600.817, data: 07.11.2013:
EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. PENAL. PROCESSUAL PENAL.
TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES. CRIME COMETIDO NA VIGÊNCIA DA LEI 6.368/1976. APLICAÇÃO
RETROATIVA DO § 4º DO ART. 33 DA LEI 11.343/2006. COMBINAÇÃO DE LEIS. INADMISSIBILIDADE.
PRECEDENTES. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. PROVIDO I – É inadmissível a aplicação da causa de diminuição
prevista no art. 33, § 4º, da Lei 11.343/2006 à pena relativa à condenação por crime cometido na vigência da Lei
6.368/1976. Precedentes. II – Não é possível a conjugação de partes mais benéficas das referidas normas, para
criar-se uma terceira lei, sob pena de violação aos princípios da legalidade e da separação de Poderes. III – O juiz,
contudo, deverá, no caso concreto, avaliar qual das mencionadas leis é mais favorável ao réu e aplicá-la em sua
integralidade. IV - Recurso parcialmente provido.
provido

Súmula n. 501 do STJ:


É cabível a aplicação retroativa da Lei n. 11.343
343/2006, desde que o resultado da incidência das suas disposições,
na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da Lei n. 6.368/1976, sendo vedada a
combinação de leis.

Arguição de inconstitucionalidade no n. HC239363 do STF em relação ao art. 273 do CP24 (preceito secundário: pena), mandando
aplicar a pena do tráfico do art. 33 da lei de Drogas, que começa em 5 anos: Aplicação da Lex tertia.

24
Art. 273 - Falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais: (Redação dada pela Lei nº
9.677, de 2.7.1998). Pena - reclusão, de 10 (dez) a 15 (quinze) anos, e multa.
multa (Redação dada pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998). (...)produtos
em qualquer das seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998
1998)
I.- sem registro, quando exigível, no órgão de vigilância sanitária competente; (Incluído pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)
II.- em desacordo com a fórmula constante do registro previsto no inciso anterior; (Incluído pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)
III.- sem as características de identidade e qualidade admitidas para a sua comercialização; (Incluído pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)
IV - com redução de seu valor terapêutico ou de sua atividade; ((Incluído pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)
V.- de procedência ignorada; (Incluído pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)
VI.- adquiridos de estabelecimento sem licença da autoridade sanitária competente.
competente (Incluído pela Lei nº 9.677, de 2.7.1998)
Vide Habeas Corpus – HC n. 265912 do STJ:

3. Leis de Vigência Temporária: é o gênero das espécies:

Leis Temporárias: é aquela que vige durante um prazo pré- estabelecido. Ex.: lei n. 12.663/2012 – Lei Geral da Copa do Mundo.
Vide art. 3625

Leis Excepcionais: são aquelas que vigem durante situações de anormalidade. Ex.: durante guerra, estado de sítio, calamidades
climáticas, calamidades públicas, etc..

As duas características inerentes às referidas espécies de leis:


Autorrevogáveis: foge à LINDB. Vide art. 2º (princípio da continuidade das leis). Em relação às leis de vigência
temporária, tal princípio não incide. Art. 2o Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou
revogue.
Ultra-atividade gravosa (art. 3º do CP): é necessário para evitar impunidade. Art. 3º - A lei excepcional ou
temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato
praticado durante sua vigência.

4.Tempo do Crime:
São 3 teorias:

I. Atividade/Ação/Conduta: o crime é praticado no momento da conduta. O Código Penal adota, em seu art. 4º26, a presente
teoria;
II. Resultado: o crime é praticado no momento da produção do resultado;
III. Ubiquidade (Mista): o crime é praticado tanto no momento da conduta, como no momento do resultado.

Crimes Permanentes: São aqueles cuja consumação se prolonga no tempo. Ex.: cárcere privado (art. 148 do CP), o qual só termina
quando a vítima for libertada.
Crimes Continuados (art. 71 do CP)27: são infrações penais da mesma espécie, que são praticadas de forma subsequente à primeira.
Como se houvesse praticado um grande crime, que será aumentada a pena de 1/6 até 2/3. Adota-se a Ficção Jurídica, ou seja, todas
as ações são consideradas como uma só conduta delituosa.

Súmula n. 711 do STF: se a lei mais grave incide antes de cessar a permanência ou a continuidade do crime, esta deve ser aplicada.
A LEI PENAL MAIS GRAVE APLICA-SE AO CRIME CONTINUADO OU AO CRIME PERMANENTE, SE A SUA VIGÊNCIA É
ANTERIOR À CESSAÇÃO DA CONTINUIDADE OU DA PERMANÊNCIA.

3. Lei Penal no Espaço

a. Princípio da Territorialidade: aplica-se a lei brasileira aos crimes ocorridos em território brasileiro. Pode ser absoluto ou relativo. A
lei brasileira pode ser relativizada, consoante o art. 5º, do CP28. No momento em que o legislador abre essa possibilidade, este
ocorre de forma abrangente, fazendo com que o Brasil adote o princípio da territorialidade temperada (a lei brasileira pode ser
temperada pela lei estrangeira).

25
Art. 36. Os tipos penais previstos neste Capítulo terão vigência até o dia 31 de dezembro de 2014.

26
Art. 4º - Considera-sese praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado.
27
Art. 71 - Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de
tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes, devem os subseqüentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-se-
lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços
28
Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no território
nacional.
Vide art. 5º,§ 4º da CRFB/88: O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado
adesão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004).

Artigo 5º do Estatuto de Roma - Crimes da Competência do Tribunal


1.A competência do Tribunal restringir-se-áá aos crimes mais graves, que afetam a comunidade internacional no seu conjunto. Nos
termos do presente Estatuto, o Tribunal terá competência para julgar os seguintes crimes:
a) O crime de genocídio;
b) Crimes contra a humanidade;
c) Crimes de guerra;
d) O crime de agressão.

b.Conceito de território nacional:


I.Sentido jurídico: é o espaço submetido à soberania de um determinado Estado.
II.Sentido Real, Concreto, Efetivo: superfície terrestre (solo e subsolo), águas territoriais (marítimas, lacustres e fluviais), espaço
aéreo (o Brasil adota a teoria da soberania absoluta do espaço adjacente);
III.Por Extensão/Flutuante: as embarcações e as aeronaves (§§ 1ºº e 2º do art. 5º do CP)29: se o meio de transporte for brasileiro e
público ou está a serviço do Brasil, este é considerado território brasileiro.
brasileiro Por sua vez, se a embarcação for brasileira e privada ou
brasileira e está em águas neutras, vale o princípio da bandeira.
bandeira Se o meio de transporte for estrangeiro e privado e estiver em
território brasileiro, a lei do Brasil será considerada. Por outro lado, se for estrangeiro e público, estando no Brasil, será considerada
a lei do país em questão.

c. Extraterritorialidade: é a aplicação da lei penal brasileira a fatos que aconteceram fora do Brasil. Este instituto somente se aplica aos
crimes (sinônimo de delito) e não às contravenções penais (art. 2º da LCP)30.

c.1 Espécies de Extraterritorialidade: consoante o art. 7º do CP31

29
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza
pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes
ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 1984)
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade
privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em voo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar
territorial do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)

30
Art. 2º A lei brasileira só é aplicável à contravenção praticada no território nacional.
31
Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)
I - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública,
sociedade de economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
d)de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
II - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
e) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
f) praticados por brasileiro; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
g) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não
sejam julgados. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro.(Incluído pela
Lei nº 7.209, de 1984)
§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 7.209, de
1984)
a) entrar o agente no território nacional; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
I. Incondicionada (inciso I: a, b, c, d, c/c § 1º): não há qualquer requisito para aplicação da lei penal brasileira, pela relevância dos
bens jurídicos tutelados;

II. Condicionada (inciso II c/c § 2º): existem condições para a aplicação da lei brasileira, sendo estes cumulativos, quais sejam: a entrada
do agente em território brasileiro, ser o fato punível também no país em que foi praticado (dupla tipicidade), estar o crime incluído
entre aqueles, os quais a lei brasileira autoriza a extradição, não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter cumprido a
pena, não ter sido perdoado no estrangeiro ou não ter ocorrido a atipicidade do ato.
III. Hipercondicionada (§§ 3º e 2º): crime praticado por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil. Além dos requisitos do § 2º,
mencionado acima, são necessários: a) não foi pedida ou negada a extradição e b) houve requisição do ministro da justiça.

2. Princípios da Extraterritorialidade:
I.Da Nacionalidade: em regra geral, aplica-se a lei da nacionalidade do agente. Há alguns autores que dividem em
nacionalidade/personalidade ativa e nacionalidade passiva. Ativa: quando o autor da ação for ação; Passiva: quando a vítima ou bem
jurídico ofendido for brasileiro.
II. Da Defesa/Proteção/Real: aplica-se
se a lei da nacionalidade do bem jurídico ofendido.
III.Da Justiça Penal Universal/Cosmopolita/Internacional/Universalidade:
Universal/Cosmopolita/Internacional/Universalidade aplica-se a lei da nacionalidade do local em que se encontrar o
agente.
IV.Da Representação/Bandeira/Pavilhão/Substituição/Subsidiário: aplica-se
aplica a lei da nacionalidade do meio de transporte privado em
que praticado o crime.

 Atente-se para a extraterritorialidade em Lei de Tortura, lei n 9.455/97, artigo 2º.


Art. 2º O disposto nesta Lei aplica-se
se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional,
sendo a vítima brasileira ou encontrando-se se o agente em local sob jurisdição brasileira.

d. Lugar do crime (lócus delicti): É explicado pelas 3 teorias:

I. Atividade: é praticado no lugar da conduta;


II. Resultado: é praticado no lugar da produção do resultado;
III. Ubiquidade ou mista (art. 6º do CP)32: é praticado tanto no lugar da conduta como no lugar do resultado. Serve
para resolver os crimes a distância (a conduta ocorre em um país e o resultado se produz em outro país).
4. Concurso ou conflito aparente de normas penais
4.1 Princípios que resolvem o conflito aparente de normas:
a.Princípio da Especialidade (Lex specialis derogati legi generali):
): a lei especial (é a que contem todos os elementos da lei geral e
acresce os elementos especializantes) afasta a aplicação da lei geral.
Pode-se trabalhar com a especialidade em crimes diversos? Sim, desde que ambos tutelem o mesmo bem jurídico.
Por exemplo:
Homicídio (art. 121, CP)33: “matar alguém:”.

c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições
previstas no parágrafo anterior: (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
a)não foi pedida ou foi negada a extradição; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
b)houve requisição do Ministro da Justiça. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984)
Pena cumprida no estrangeiro (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

32
Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu
ou deveria produzir-se o resultado.

33
Art. 121. Matar alguem:
Pena - reclusão, de seis a vinte anos.
Infanticídio (art. 123 do CP)34: “matar alguém” + três elementos especializantes: filho, parto e estado puerperal. Transformou lei
geral em lei especial.
b. Princípio da Subsidiariedade (Lex
Lex primaria derogat legi subsidiariae):
subsidiariae uma norma que prevê uma ofensa maior ao bem jurídico afasta
outra norma que prevê uma ofensa menor a este mesmo bem jurídico (“soldado de reserva” – Hungria).

A subsidiariedade pode ser:

I. Expressa ou Explícita: a própria lei já declara formalmente que só será aplicada, se o fato não constituir crime
mais grave. Ex.: art. 132 do CP35, art. 129, § 3º do CP36 -
II. Tácita ou Implícita: a norma menos grave funciona como elementar ou como circunstância da menos grave.
Ex.: art. 163 (soldado de reserva)37 e art. 155, § 4º, I do CP38.
c. Consunção ou Absorção (Lex
Lex consumens derogat legin consumptae):
consumptae fatos que funcionam como preparo ou execução de outros
crimes são por estes absorvidos.

c. 1 Crime complexo:é o que resulta da fusão de dois ou mais crimes autônomos. Fato típico + fato típico: complexo. Ex.:
roubo+homicídio=latrocínio; ameaça+furto=roubo. Ação penal (art. 101 do CP)39: sempre que um dos crimes que forme o
complexo for de Ação Pública Incondicionada, todo o complexo o será).

c. 2 Crime progressivo: a prática de um delito pressupõe, necessariamente, a prática de outro. Na origem, o dolo do agente
está voltado para o crime mais grave. O crime absorvido é chamado de Crime de Ação de Passagem.

c.3 Progressão criminosa: há uma mutação no dolo do agente.


agente Na origem, o dolo do agente está voltado ao crime menos
grave. É durante a prática do crime menos grave que se decide praticar o mais grave. Todos os fatos devem ter ocorrido no
mesmo contexto fático.

34
Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após:
Pena - detenção, de dois a seis anos.

35
Perigo para a vida ou saúde de outrem
Art. 132 - Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.
Parágrafo único. A pena é aumentada de um sexto a um terço se a exposição da vida ou da saúde de outrem a perigo decorre do
transporte de pessoas para a prestação de serviços em estabelecimentos de qualquer natureza, em desacordo com as normas legais.

36
Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:
(...)
Lesão corporal seguida de morte
§ 3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo:
produzi
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.

37
Dano
Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

38
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Furto qualificado
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
39
A ação penal no crime complexo
Art. 101 - Quando a lei considera como elemento ou circunstâncias do tipo legal fatos que, por si mesmos, constituem crimes, cabe
ação pública em relação àquele, desde que, em relação a qualquer destes, se deva proceder por iniciativa do Ministério Público.
4.Fato anterior impunível: o crime-meio
meio é absorvido pelo crime-fim.
crime Ex.: art. 25 do CP40 e art. 155, § 4º, III do CP41. Vide
súmula n.17, STJ: Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido.

5.Fato posterior impunível: depois de consumar o crime, o agente torna a ofender o mesmo bem jurídico, visando a obter
vantagem com a prática anterior. Ocorre o exaurimento. Vide art. 289 do CP42.

d.Princípio da Alternatividade: serve para resolver conflitos nos chamados tipos mistos alternativos ou de conteúdo variado.
Ex.: art. 33 da lei de Drogas43.

40
Legítima defesa
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou
iminente, a direito seu ou de outrem.

41
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 1º - A pena aumenta-se se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno.
§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção,
detençã
diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa.
§ 3º - Equipara-se
se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico.
Furto qualificado
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
II.- com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
III.- com emprego de chave falsa;
IV.- mediante concurso de duas ou mais pessoas.

42
Moeda Falsa
Art. 289 - Falsificar, fabricando-a ou alterando-a,
a, moeda metálica ou papel-moeda
papel de curso legal no país ou no estrangeiro:
Pena - reclusão, de três a doze anos, e multa.

43
Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar,
trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar: (...).