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Física
ensino
médio 

física
1º ano

Organizadora:
Edições SM
Obra coletiva concebida,
desenvolvida e produzida
por Edições SM.
Editora responsável:
Ana Paula Souza Nani
Ana Fukui
Madson de Melo Molina
Venê

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Física
1 ensino
médio 
FÍSICA
1º ano

Organizadora:
Edições SM
Obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida por Edições SM.

Editora responsável:
Ana Paula Souza Nani
• Licenciada em Matemática pela Universidade de São Paulo (USP).
• Editora de livros didáticos.

Ana Fukui
• Mestra em Ciências - Ensino de Física pela USP.
• Licenciada em Física pela USP.
• Atuou como professora de Física em escolas das redes pública e particular de ensino e em
projetos de formação de professores.
• Pesquisadora em Comunicação da Ciência.
Madson de Melo Molina
• Graduado em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica da USP. 3a edição
• Licenciado em Ensino de Física pela Universidade Católica de Brasília (UCB). São Paulo
• Professor de Física em escolas da rede particular de ensino. 2016
Venê
• Bacharel e Licenciado em Física pela Unicamp.
• Professor de Física em escolas das redes pública e particular de ensino e em curso pré-vestibular.
• Pesquisador em Ensino de Física e novas mídias em Educação.
• Autor de diversos materiais em divulgação científica e Ensino de Física.

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Ser protagonista – Física – 1
© Edições SM Ltda.
Todos os direitos reservados

Direção editorial Juliane Matsubara Barroso


Gerência editorial Roberta Lombardi Martins
Gerência de design e produção Marisa Iniesta Martin
Edição executiva Ana Paula Souza Nani
Edição: Andrezza Cacione, Danilo Yamaguti, Mateus Carneiro Ribeiro Alves,
Tomas Masatsugui Hirayama
Assistência editorial: Laura Stephano
Colaboração técnico-pedagógica: Marcia Maria de Moura
Coordenação de controle editorial Flavia Casellato Cunha
Suporte editorial: Alzira A. Bertholim Meana, Camila de Lima Cunha, Giselle Marangon,
Mônica Rocha, Talita Vieira, Silvana Siqueira, Fernanda D’Angelo
Coordenação de revisão Cláudia Rodrigues do Espírito Santo
Preparação e revisão: Berenice Baeder, Eliana Vila Nova de Souza,
Fátima Valentina Cezare Pasculli, Helena Alves Costa, Izilda de Oliveira Pereira,
Lourdes Chaves Ferreira, Mauricio Tavares, Sandra Regina Fernandes,
Marco Aurélio Feltran (apoio de equipe)
Coordenação de design Rafael Vianna Leal
Apoio: Didier Dias de Moraes
Design: Leika Yatsunami, Tiago Stéfano
Coordenação de arte Ulisses Pires
Edição executiva de arte: Melissa Steiner
Edição de arte: Vitor Trevelin, Elizabeth Kamazuka Santos
Diagramação: Selma Barbosa Celestino
Coordenação de iconografia Josiane Laurentino
Pesquisa iconográfica: Bianca Fanelli, Susan Eiko, Angelita Cardoso
Tratamento de imagem: Marcelo Casaro
Capa Didier Dias de Moraes, Rafael Vianna Leal
Imagem da capa ChameleonsEye/Shutterstock.com/ID/BR
Projeto gráfico cldt
Editoração eletrônica Setup Bureau Editoração Eletrônica
Ilustrações AMj Stúdio, Setup Bureau Editoração Eletrônica, João Miguel A. Moreira, Studio Caparroz,
Allmaps, Marcelo Castro, Luis Moura, Alex Argozino, Adilson Secco, Luiz Rodrigues, Helio
Senatore, HS

Fabricação Alexander Maeda


Impressão

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Fukui, Ana
Ser protagonista : física, 1o ano : ensino
médio / Ana Fukui, Madson de Melo Molina, Venê ;
organizadora Edições SM ; obra coletiva concebida,
desenvolvida e produzida por Edições SM ; editora
responsável Ana Paula Souza Nani. -- 3. ed. – São Paulo :
Edições SM, 2016. – (Coleção ser protagonista)

Suplementado pelo manual do professor.


Bibliografia.

ISBN 978-85-418-1357-0 (aluno)


ISBN 978-85-418-1358-7 (professor)

1. Física (Ensino médio) I. Fukui, Ana. II. Molina, Madson


de Melo. III. Venê. IV. Nani, Ana Paula Souza. V. Título. VI.
Série.

16-02553 CDD-530.07
Índices para catálogo sistemático:
1. Física : Ensino médio 530.07
3ª edição, 2016

Edições SM Ltda.
Rua Tenente Lycurgo Lopes da Cruz, 55
Água Branca 05036-120 São Paulo SP Brasil
Tel. 11 2111-7400
edicoessm@grupo-sm.com
www.edicoessm.com.br

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Apresentação
O progresso científico tem sido impressionante. Em
um curto intervalo de tempo (considerando o surgimento
do ser humano), fomos capazes de dominar diversos
aspectos da natureza, descobrir novos fenômenos, construir
instrumentos e propor invenções. Esse avanço se reflete em
nossas vidas, tanto que hoje não se concebe o mundo sem a
ciência. Muitas vezes, sem perceber, as pessoas utilizam no
dia a dia invenções oriundas do conhecimento científico —
por exemplo, geladeiras, micro-ondas e fogões elétricos (na
conservação e preparo das refeições); aviões, carros e trens
(para o transporte); videogames e aparelhos sonoros (para o
lazer); aparelhos cirúrgicos e de diagnóstico médico, como o
bisturi eletrônico e o ultrassom; televisão, telefone, internet
e rádio (para as telecomunicações); cartões eletrônicos
(usados em diversas transações comerciais).
Para compreender parte da complexidade do mundo
contemporâneo e, assim, agir com autonomia e desenvoltura,
é necessário que o ser humano entre em contato com
o conhecimento científico. Neste livro, esse contato é
intermediado pelo estudo da Física, uma das ciências
responsáveis por grandes transformações na História recente.
Articulando os conceitos mais importantes com a
emoção e a beleza próprias desse segmento da ciência,
esta coleção aborda a Física em sua relação com a
tecnologia e o mundo natural, destacando-se sua
contribuição à formação do pensamento moderno e os
impactos sociais e ambientais associados às descobertas
científico-tecnológicas.
Espera-se que este livro contribua para que o aluno
participe de alguma maneira da atividade humana de descobrir
e aprender sobre seu mundo, atitudes que estão na base da
ciência. Por essa razão, aprender Física significa aprender a ser
mais humano — este, o objetivo maior da coleção.
Equipe editorial
3

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A organização do livro
Pilares da coleção
Esta coleção organiza-se a partir de quatro pilares, cada qual com objetivo(s) próprio(s):

contextualização e
interdisciplinaridade compromisso visão crítica iniciativa

Relaciona o estudo dos Temas e questionamentos que Contribui para que você seja Incentivar a atitude proativa
conteúdos de Física a despertam a consciência da capaz de entender a realidade diante de situações-problema,
outras disciplinas, áreas do responsabilidade e incentivam que o cerca e refletir sobre para que você tome decisões
conhecimento e temas atuais, a reflexão e o entendimento do seu papel nessa realidade, e tenha participação ativa em
construindo, assim, uma mundo, para que você se torne desenvolvendo, dessa maneira, diversos contextos sociais.
visão ampla e integrada dos um cidadão responsável. sua visão crítica.
fenômenos estudados.

As seções e os boxes que se propõem a trabalhar esses eixos estão indicados pelos ícones que os representam.

Páginas de abertura
Abertura da unidade
A partir de um pequeno texto e de uma imagem,
você vai começar a refletir sobre o assunto da
unidade e a se questionar sobre o que já sabe
do assunto.
Abertura do capítulo
Uma imagem e perguntas introduzem e promovem
a reflexão sobre o assunto específico do capítulo.
capítulo

7 Impulso e colis
ões
o que você
vaI estudar

Quantidade de

Adrovando Claro/Fotoarena
movimento.
Colisões.

Jogadora Marta, da
seleção brasileira
jogadora influencia de
no resultado desse futebol, se prepara para dar um chute
chute. Torneio internacio na bola.
nal feminino, em Natal A distância tomada pela
(RN). Foto de 2015.
Debate inicial
• Por que, geralme
nte, os atletas se
• Qual seria a distanciam da bola
diferença observa ao se preparar
da no resultado para chutá-la?
ou cheia? do chute se a bola
estivesse murcha

Considere as resposta
s obtidas no debate
1. Em que aspecto inicial e respond

Apresentação dos conteúdos


s o ato de chutar a no caderno.
2. Quais são os a bola pode ser
conceitos físicos comparado a uma
envolvidos em colisão?
142 uma colisão?

Não escreva no livro.


SP_FIS1_LA_PNLD18_U
03_C07_142A150.indd
142

4/29/16 5:20 PM

Sistemas conservativos Aplicação do estudo de sistemas conservativos


Um corpo abandonado de certa altura, preso a um fio O estudo de sistemas conservativos é útil na análise de
Chris Ratcliffe/Bloomberg/Getty Images
Joseph Okpako/WireImage/Getty Images

esticado na horizontal, forma o sistema conhecido como várias situações, como as montanhas-russas dos parques
pêndulo simples. de diversão (fotografia ao lado).
No movimento do pêndulo, desprezando as forças de Nesse brinquedo, as pessoas ficam dentro de carrinhos
atrito e da resistência do ar, as forças aplicadas ao sistema que se deslocam com velocidade significativa por cima de
são a força peso (conservativa) e a força tração (não conser- um trilho ou de uma rede de trilhos, armados em declives e
vativa). Como a tração não realiza trabalho, pois é perpen- aclives acentuados e sucessivos.
dicular ao deslocamento, o sistema é conservativo. Anali- Durante a subida, o maquinário do brinquedo ergue o carri-
sando as energias envolvidas no movimento, temos o nho por uma espécie de esteira. Nesse processo, o maquinário
seguinte esquema: aplica forças que realizam trabalho, fornecendo energia ao car-
rinho, a qual fica armazenada sob a forma de energia potencial
A E gravitacional.
O
No ponto mais alto da trajetória, o carrinho é abandonado,
Um dos brinquedos mais radicais dos parques de diversão, a
solto da esteira que o mantinha, e a energia potencial gravita- montanha-russa, usa o princípio da conservação de energia.
T
B D cional se converte em energia cinética. Dubai, Emirados Árabes Unidos. Foto de 2014.
C P Desprezando as forças de atrito e de resistência do ar, podemos considerar o sistema de uma
solo montanha-russa como conservativo, e a energia mecânica, como constante.
Em algumas apresentações de circo, há uma atração conhecida Observe, no esquema e na tabela a seguir, alguns valores possíveis para o trabalho realiza-
como trapézio, no qual os artistas oscilam em um balanço
elevado a grandes alturas. Durante a elevação, os artistas
do pelas forças que o maquinário aplica ao carrinho em cada ponto da trajetória e os corres-
energia
pondentes valores das energias mecânica, cinética e potencial.
Setup Bureau/ID/BR

Legenda recebem, através da corda, a energia que fica armazenada como


energia potencial energia potencial gravitacional. Quando é abandonada do alto,
a energia potencial se converte em energia cinética. Yulia B
energia cinética Korosteleva realiza o ato solo no trapézio. Cirque Du Soleil,
energia mecânica Londres, Inglaterra. Foto de 2015. C
E
D
O esquema acima permite concluir que, do ponto de vista energético, o movimento do pên-
dulo é equivalente ao do esqueitista, apresentado no exemplo anterior. Isso porque a força nor-
mal aplicada ao rapaz produz o mesmo efeito que a força tração aplicada ao fio do pêndulo. A F
Ambas as forças são não conservativas e não realizam trabalho e, assim, não aumentam nem di-
minuem a energia dos sistemas de corpos. O efeito dessas forças, nessas situações, é alterar a
trajetória sem influenciar na energia mecânica dos sistemas. Já a força peso, que atua da mesma
maneira nos dois casos, é responsável pela conservação da energia mecânica dos sistemas.
Setup Bureau/ID/BR

Trabalho realizado
pelas forças da 0J 12000 J 0J 0J 0J 0J
máquina

Sistemas não conservativos e forças dissipativas Energia


cinética 0J 0J 2000 J 5000 J 4000 J 1200 J
Energia
0J 12000 J 10000 J 7000 J 8000 J 0J
Um sistema é chamado não conservativo quando as forças não conservativas que atuam sobre potencial
Energia
ele realizam trabalho. mecânica 0J 12000 J 12000 J 12000 J 12000 J 12000 J
Podemos observar os dois casos descritos a seguir.
A análise da tabela permite algumas conclusões.
Gregory Boissy/AFP

• As forças não conservativas realizam trabalho motor (positivo): então, a energia mecâni-
ca total do sistema aumenta. Exemplos: o motor elétrico de um elevador, ao aplicar sobre es- • Inicialmente, no ponto A, o carrinho não tem
te forças não conservativas que realizam trabalho, promove o aumento da energia mecânica energia.
do equipamento; o motor de um automóvel transfere energia mecânica ao carro pela aplica- • Com a realização de trabalho de A para B, o carri-
ção de forças não conservativas que aumentam sua velocidade. nho recebe do maquinário 12 000 J de energia, e
• As forças não conservativas realizam trabalho resistente (ne- sua energia mecânica aumenta.
Dashark/Dreamstime.com/ID/BR

gativo): então, a energia mecânica total do sistema diminui. O • Durante todo o movimento, as energias cinética e
Capítulo 8 – Energia e trabalho

exemplo típico é o de um sistema de corpos que se encontra sob potencial podem variar seguidamente, porém a
a ação de forças de atrito, como o sistema de frenagem de auto- soma dessas energias (energia mecânica) perma-
móveis. Nesses casos, o efeito das forças de atrito é diminuir a nece constante.
energia mecânica total do sistema. Pelo fato de dissipar a energia
mecânica, esse tipo de força é denominado força dissipativa, e o

O conteúdo é apresentado de maneira


trabalho realizado por essa força é chamado energia dissipada. Ao descer uma onda, a energia potencial do sistema
prancha-surfista é convertida em energia cinética. E o
No freio a disco de um automóvel, as pastilhas pressionam o oposto ocorre quando o surfista sobe a onda. Desprezando
disco aplicando forças de atrito. O trabalho realizado por as forças de atrito, o sistema prancha-surfista pode ser
essas forças é resistente e, por isso, diminui a energia considerado conservativo, o que permite ao surfista
mecânica do automóvel. A energia dissipada é convertida em
energia térmica, que aquece o sistema de freio.
deslizar na onda durante um intervalo de tempo
significativo. Tahiti. Foto de 2015.
organizada. Ilustrações, esquemas e
fotografias facilitam a compreensão.
178 Não escreva no livro. Não escreva no livro. 179

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0 300

Luis
4 400

8 500 A ideia de modelo


o princípio da ação e reação
12 e
Representação de um carro visto em dois
Chamamos
de provas:de ponto zerooe conjunto de hipóteses, leis e propriedades, geral-
no modelo
600
a terceira lei de Newton
momentos na pista
16 700 300 metros mente obtidas
depois. O e testadas
tempo começou a serpor meio de experimentos, que representam e des-
contado na marca de 300 metros.
crevem um fenômeno ou conjunto de fenômenos.
Força é uma interação, ou seja, uma ação mútua entre dois corpos. Ne- Do ponto de vista científico, o termo “modelo” indica que se trata de uma
nhum corpo pode se mover aplicando uma força Pelossobre
dadossidamesmo.
tabela, Ocorre
percebe-se que o automóvel percorreu 100 metros a
aproximação da realidade.
cada 4uma
sempre uma troca de forças entre os dois corpos: segundos.
força deOu seja,
ação ele percorreu distâncias iguais em intervalos de
e uma Um exemplo é o modelo do Big Bang, segundo o qual o Universo teve iní-
força de reação à força aplicada. As situaçõestempo iguais. Portanto,
apresentadas o automóvel
a seguir ajudam a realizou um movimento uniforme.
cio há cerca de 14 bilhões de anos, a partir da explosão de um ponto extraor-
entender melhor esse conceito. dinariamente denso, que originou todos os corpos celestes. O Big Bang é uma
Função de posição do movimento uniforme
explicação científica que se apoiou em hipóteses construídas por vários pen-

olaser/iStock/Getty Images

JM Guillon/European Space Agency/AFP


sportpoint/Shutterstock.com/ID/BR
A descrição dos movimentos uniformes (MU) sadores,é feita desdepor ameio Antiguidade.
de uma ex-
pressão matemática que descreve a posição de um móvel em função do tem-

meira lei de Newton Gráficos do movimento uniforme da posição no MU.


Boxesciência e religião na sociedade
po. A essa expressão dá-se o nome de funçãoModelagem de posição ou função de fenômenos
horária
Atualmente, é comum a utilização da palavra modelagem (elaboração de
Além da função de posição, outra ferramenta utilizada para descrever os t reLeMbre modelos) para
eXPeriMeNto a MateMÁtICa
t da ciência eada
designar busca
reli- de modelos
Fatosmatemáticos
e PersoNageNs que descrevam fe-

Setup Bureau/
ID/BR
orça e movimento, Galileu Galilei (1564-1642) De modo geral, quando a sociedade 0 debate os papéis
movimentos é o gráfico. No caso do movimento uniforme, dois gráficos são
as que eram colocadas em uma rampa inclina- gião, surgem muitas discussões a respeito donômenos,
modo como como cadao 1 crescimento
uma delas in-populacional, a demanda futura de energia
particularmente úteis: o que relaciona a Perceba posição aem função
inércia do tempo (s  t) s Triângulo
colocando retângulo
elétrica de s um país,
to de descida, atingiam outra rampa colocada terpreta a realidade. Essas discussões – que também aparecem emo estudos
comportamento
da Oda bolsa de valores, o padrão de ater- O texto principal é complementado por boxes
e o que relaciona a velocidade desenvolvida uma moeda emsobre função uma dofolha
tempo de0 (v  t). 0
Em Geometria,
rissagens eosdecolagens
lados de umde aviões nos aeroportos, a disseminação de um vírus
distância e, então, paravam. papel emFilosofia,
cima da mesa. da TeologiaPuxe oe da Sociologia,triângulo por exemplo – não fazem parte do de- G m V
retângulo recebem no-
do a superfícieGráficohorizontal, da posição em função
o movimento das Inicialmente,
senvolvimento
do tempona(sdireção
papel rapidamente pode-se
deste
 t) livro.considerar
Mas um
faremos corpo
uma em determinada
como
breve ponto
apresentação
mes especiais: catetos são os dois
população,
material de em
algumasa previsão do tempo,
uma G a variação
G da temperatura que promovem a reflexão, ampliam, retomam
trajetória com origem
pratica-e orientação realizando daum águaMU, dos comooceanos,
ilustrado a propagação
acima. de sinais elétricosmem uma rede de neurô-
cias maiores antesUm detrempararem.percorreuIsso o400 levou
km
horizontal.
aentre duas diferenças
cidades,
Nesse
A moeda
com
caso,
e semelhanças
velocidade
s é o espaço
entre essas
constante.
inicial do
duas
corpo,
lados atividades
t
menores
é a medida
nios, entre
humanas.
que
do
formam
instante
outros
seu
inicial
exemplos. e s é m m
ou contextualizam o conteúdo
m não devido à Seu Para caminhar,
ausência dode empurramos
impulso o chão
provocado para trás. mente
Para não
nadar, Aseociência
moverá,
atleta (do
empurra
0 pois,latim
parteem scientia,
da água que significa
Para subir,0 “conhecimento”)
o foguete expele
ângulo reto; o lado maior é a hipo- uma é um
grande conjunto
tempo percurso foi marcado repouso, a cada a100
para trás.
deposição
ela km ada
Chelyabinsk,
tem
saberes do ferrovia,
Rússia.em
móvel
tendência
construídos contados
Foto
de umde 2015. a de
instante
historicamente quantidade
tempo de gás parados
t posterior.
(no decorrer Vários baixo.
cientistas, Kourou,
séculos). dasSuamais G
diversas áreas, desenvolvem
ferra- m
modelos m matemáti-
da, mas pela atuação do atrito na parte plana. tenusa.
partir da posição 300 km em relação apermanecer um referencial. Os dados Guiana Francesa. Foto de 2015.
mentaComoemderepouso
setrabalho
trata a obtidos
de éme-
umo método sobrecientífico,
MU,para a velocidade escalar cos instantânea
aplicado para para essas e(v)
investigarmuitas outras
comsituações. Dessa maneira, pode-se imaginar a
a natureza,
coincide
to, reduzindo oasatrito,
Nas
posições o movimento
três situações,
e os instantes a passava
interação a entre os corpos
do movimento estão resulta
apresentados em movimento:
ormação de energia, as máquinas proporcio- nos AçãO
que uma
afazer resultante
Eprevisões
CIDADAnIA enesta
decriarfor-tabela.
modelos(v m). que expliquem A importância
coNceito em questão
os fenômenos do estudo
naturais. de modelos matemáticos para omfuturo da sociedade
para debater

Ilustrações: Setup
Bureau/ID/BR
velocidade escalar média pArA reFletir
efetivamente caminhar,
utilizado em usamos o solo como
sua finalidade. Es-apoio,ças empurrando-o
diferente A500de para aja
zero trás,nela.
religião (palavra
e, como resul-
cuja humana.
ao latim religare, que signi-
que Espaço s (km) 300de 400 600 700 origem se atribui
aleu a concluir
útil. tado,
No processo onãocorpo
de havia necessidade
é impelido
transformação para
surge, a frente; o atleta interage
Etanol: ficaria
uma opção
com
“religação”)
a água, empur-
engloba crenças, s2
Reação
_____ s0 à ação?
doutrinas e formas de pensamento A vantagem V de definir uma
A lei da correspondência
rando-a para
simàtrás (h)com suas v5 t2t
locidade
de energiadoquecorpo,
não mas Instante
atende tfinalidade
para da braçadas,
sua alteração.0má- e,1como consequência,
renovável
2 3consegue movi-
fundamentados, por exemplo, em conteúdos
4
NoB0dia ametafísicos,
dia, a palavraou reação
seja, além do função para descrever um mo-
O método científico
C Há quem pense que, após a
ea um mentar-se
corpodissipada.
está em paraque aele
frente; o afoguete
de ejeta grande quantidade de gás para baixo m possí-
energia Pararepouso,
Note
construir otende
um conceito
gráfico con-
com os dados da
O Brasilmundotabela,
é um representa-se
dos líderes o espaço tem o sentido de uma ação que vimento é que isso torna
rpo e assim adquire
está em amovimento, movimento
eleordenadas,
tende a continuar para cima.mundiais na Comofísico. essa expressão é válida paravem um Cada
depois
ângulo de
intervalo agudo tempo do triângu-
qualquer, uma m uma série de dados
vel extrair adoção de uma nova teoria, a
conforme finalidade
no eixo das da máquina. No fun-
e o instante, no eixo dasEmbora fabricação
abscissas. ciênciade eta- e religião tenham lo características
é formado Ode por outra
conhecimento
que asação,
um cateto tornamemo-
científico
pela distintas, é construído com base em um conjunto de mé- anterior deve ser completamen-
orme. Esses exemplos
conversãomostram que todanol. ação vez
implica fixados umao instante
reação.daNos e a posição
casos iniciais, tivadapode-se elaisolar em aresposta
grandeza s no pri- sobreOo m movimento sem que se-
por exemplo, ocorre de senergia
(km)
Obtido
existem
meiro
principalmente
aspectos
membro da comuns Dessa
equação. a ambas, comoapor
hipotenusa.
maneira, todos
o fato
descrição eedeprocedimentos
doserem a predefinidos,
aplicadas
movimento do para
cor- que
ja
podem
necessário,
não ser exatamente
por exemplo, m os mes-
fa- te abandonada. Porém, a ciência
nércia, e está apresentados,
descrita essa
na lei adalâmpada reação
inércia resulta em cana-de-açúcar,
movimentos o
contráriosetanol à brasi-
ação, mas nem ela. Mas não é assim que o ter-
energia térmica. Quando 900 de Gali-
é usada compreender e interpretar o mundo. Considere
Tanto mosque o há
ângulo
para todas agudo
cientistas as :que seguem
ciências. Há, porém, uma sequência básica
m experimentos.
m de procedimen- pode indicar outras possibilida-
sempre isso ocorre. Newton generalizou leiro essa
se po
destaca
é dada
ideia comopelaalternati-
enunciando função: 5 s 0  v ( t 2mo
suas terceira t 0 )“reação” deve ser entendido zer novos
tava que movimentos
rgia luminosa é a energia como útil,o circular
e 800
a energia unifor-
tér- va uma
energética religião
mais limpa e há que religiosos
os inde umnomóvel tos que éterceira
comum
A m lei a todas elas. São quatro
m etapas que podem m ser generalizadas des. Por exemplo, embora a teo-
Essa é a função de posição contexto em da
movimento de
uniforme. Se a
inércia,
ando o quelei:
a lâmpada éausada
não da verificou.
se açãoparae aquecer
reação.
700 um am- combustíveis m fósseis, pois emite Newton, A
em que
como seaexprime
descrito mumade tempo
a seguir. 1. Você acha possível descrever to-
m dos os tipos de fenômeno m (am- ria da relatividade para explicar
escolha do instante inicial for zero, isso significa que contagem
emplo),
n estudou a energia
maisQuando térmica é a energia
profundamente essa útil, e ae
600 questão menos gases poluentes e, por- ação que ocorre simultaneamen- o movimento de corpos seja

Atividades
um corpo interage com outro, tanto, começa
aplicando-lhe
é s
menos com o cronômetro
uma força
agressivo ao (ação),zerado. Nesse caso a função de posição é: bientais, sociais, culturais, etc.)
issipada.
eral do princípio da inércia, 500 te a outra ação, e não depois de- mais ampla que a teoria criada
recebe desse que corpo passou
400
a ser
a aplicação de
meio outra
t ambiente. força (reação),
Além disso,dea mesma I. Elaboração de um problema: o cientista
la. OuB seja, as forças uatuam aos
por meio identifica
de funções?
m umDebata
tema, uma si-
me Newton.
o funcionamento de uma máquina: tecnologia de produção é mais s 5 s  v  t tua ção ou umC evento que merece com
ser os colegas.
estudado. por Newton, ela não invalida
ciado como segue.
intensidade e mesma 300 direção, mas de sentido dogmat oposto.
barata, sobretudo em compara- smo e cet c smo0pares. Há uma força de ação e
cateto adjacente ao ângulo : BC XXX o pensamento newtoniano. Tan-
Setup Bureau/ID/BR

energia útil200 outra de reação II. (simultâneas),


Observação do fato ou experimentos: o cientista se propõe a observar to que os estudos de Newton so-
ção à do petróleo. m A partir de m cateto oposto ao ângulo : AB
XXX
As forças de ação 100e reação em cada2003, caso oexemplificado acima, bem como logo, o par de m forçasm representa a
NãoVestibular
no e Enem
etanol passou a ser uti- o fenômeno bre o movimento dos corpos fa-
um corpo, ou se a resultante das forças
suas consequências para o corpo em lizado estudo, emestão
escreva no livro.
m sintetizadas
automóveis det (h)
motor quadro aD minteração m entre os dois corpos. mou faz experimentos que o recriam a fim de coletar dados 51
ica em repouso ou em movimento retilíneo
máquina Função
Vestibular e Enem
polinomial que o doajudem
1 o
grau em sua análise. zem parte do currículo de Física Não escreva no livro.

seguir. 0 1 2flex e, 3desde 4 5


2010, surgiram os C m
do Ensino Médio e também são
Uma seleção modelos de de questões de oumfunçãoIII. afim
1. (Unifesp) A massa da Terra é aproximadamente oi- 3. (UFMG) José aperta uma ta- 6. (Unesp) O relevo submarino de determinada região

Ilustrações: Setup Bureau/ID/BR


primeiros motoci- m tenta vezes a massa da Lua, e a distância entre os chinha entre os dedos, co- está representado pelas curvas de nível mostradas na 8. (Ufam) Um cubo de ferro de 60 cm3 de volume e

Estudo dos dados e interpretação: o cientista analisa os dados coletados


400 gramas de massa é suspenso por um fio, con-
bastante utilizados para a com-
centros de massa desses astros é aproximadamente mo mostrado nesta figura: figura, na qual os valores em metros representam as
sessenta vezes o raio da Terra. A respeito do siste- alturas verticais medidas em relação ao nível de refe- forme indicado na figura. O cubo está em equilí-
Capítulo 1 – Física, ciência da natureza

A cabeça da tachinha está

Sendoenergiaum movimento
Sistema em uniforme, acleta
expressão que da
bicombustível. o descreve
Am produção é a função de brio, imerso em um recipiente com água de densi-

vestibulares do país egera


do Enem para
rência mais profundo, mostrado pela linha vermelha.
C m m Chama-se m função polinomial
m
ma Terra-Lua, pode-se afirmar que:
dissipada
apoiada no polegar, e a

Situação Descrição ação e reação Efeitos das forças


dade 1 000 kg/m3. (Adote g 5 10 m/s2) A tensão

na etapa anterior e os interpreta, usando expressões matemáticas para preensão de diversos casos de
a) a Lua gira em torno da Terra com órbita elíptica ponta, no indicador. Sejam
no fio em newtons vale:

Ilustrações: Setup Bureau/ID/BR


Para reFletir
e, em um dos focos dessa órbita, está o centro de Curvas de nível – Relevo submarino
do etanol, no entanto, emim-
Fi o módulo da força, e pi a
SP_FIS1_LA_PNLD18_U02_C03_051A062.indd 51 4/29/16 4:34 PM
posição,
analisada representada estudograficamente por uma (escolha
reta inclinada
arbitrária) relação aos
m do 1o graudeou açãofunção
e reação afim toda
massa da Terra. pressão que a tachinha faz 2 a) 2,8 c) 3,4 e) 4,4

movimento.
Integre o
b) a Lua gira em torno da Terra com órbita circular, sobre o dedo indicador de b) 4,0 d) 3,6
criar um modelo e formulando hipóteses sobre o problema em questão.
você se
pactos familiarizar
ambientais, como coma quei- os exames
e o centro de massa da Terra está no centro dessa José. Sobre o polegar, essas

eixos, como secorpo


vê no gráfico acima. Além disso, como os espaços aumentam função do tipo y 5 mx  b, em
órbita. Resolução comentada
Se o está em Integre o aprendizado grandezas são, respectivamente, Fp e pp. Consideran-
A. and I. Kruk/Shutterstock.com/ID/BR

Alix Kreil/Shutterstock.com/ID/BR

Não escreva no livro.

m T m m
P
c) a Terra e a Lua giram em torno de um ponto co- do-se essas informações, é correto afirmar que: 30 m 90 m

ma ade combustíveis fósseis no A pessoa é empurrada para a


Dados: m 5 400 g 5 0,4 kg

1.  Com base no que


sobrevocê apren- De acordo com Niels Böhr a) Fi . Fp e pi 5EXERCÍCIOS c) Fi RESOLVIDOS
120 m

repouso, permanecerá Ação: força que


0m

pessoa aplica o solo, empurrando-o para trás.


mum, o centro de massa do sistema Terra-Lua, lo- 60 m
pp . Fp e pi . pp 1

(1885-1962): “Quando uma no- aprendizado


calizado no interior da Terra. V 5 60 cm3 5 6,0 · 1025 m3
v50 com o passar dorepouso.
tempo, a velocidade éprocesso positiva, deocultivo
que caracteriza o gráfico do quefrente;
m é denominado coeficiente
de ingresso ao e Ensino um Superior.
b) Fi 5da Fp eexploração
pi 5 pp do espaço d) Fi 5 Fp ecorpos
pi . ppdotados de velocidade, por inércia, deve-
pessoa em
pessoa-solo deu sobre m inércia, transporte
elabore IV. éReplicação
o chão empurrado do experimento: o cientista refaz suas observações e expe-
para d) a Terra e a Lua giram em torno de13. umCom
mum, o centro de massa do sistema Terra-Lua,
calizado no meio da distância entre os culares
o desenvolvimento
ponto co-
próximolo-à Terra,4.as(Uece)
centrostornaram-se
de
chamadas
bastante
forme
Um tubo atividades
igual comuns,
em U, de
a 1 cm2, como
extravei-
seção transversal
contém mos-água (
riamretaseguir
5 103 kg/m3)
uni-viajando em linha reta.
15. Quando vai Comoà feira,o àcubo
unidades detantemedida
quitanda
das você
está emouequilíbrio,
forçasobserva
ao mercado, quea resul- capital. Se for ímpar, o número mostra quantos quilô-
então
é nula. que são utiliza-
das nos diversos produtos à venda? Existe algum
metros a rodovia dista da capital.

dos re-empurrando-a paraangular (m Þ não 0), e perceba


b é onacoefi-
Em seguida abordaremos as rodovias federais que
espaço como uma reta crescente.
14.
A Dois corpos, de massas 1 kg e 2 kg, respectivamen-

caminhando Reação: força daquecana,o solo


pequeno aplica
texto sobre
o esgotamento com oa pessoa,
objetivo trás (embora se
rimentos esse
tentativa de obter resultados semelhantes aos anteriores
massa da Terra e da Lua. tra a fotografia a seguir.
em equilíbrio estático. te, encontram-se a 1 cm de distância um do outro.
Dois peixes, 1 e 2, estão inicialmente em repouso
produto em Logo:
que não se utiliza nenhuma unidade de usam a sigla BR, de Brasil. As numeradas de 010 a 080

va teoria for proposta, ela deve


e) a Terra e a Lua giram em torno de um ponto co- medida? CiteP alguns
5 E 1 exemplos.
T são radiais, partindo de Brasília em direção aos esta-
NASA/ISS

2 cm a) Calcule a intensidade da força gravitacional nas en-


posições indicadas e deslocam-se para o
movimento).
explicar os mesmos fenômenos Ao final de cada capítulo,
mum, o centro de massa do sistema Terra-Lua, lo-
a frente. cursos naturais,
de orientar o desmatamen-
os motoristas de ca- ciente linear. Osque gráficos que re- sua hipótese. É uma etapa de testes. calizado no interior da Lua. óleo tre eles. Dado: G 5 6,67 ? 1021 1 N ? ponto m2/kg2P,. onde param novamente. Considere 16.que
m?g5m?V?g1T
Em alguns calçados, o tamanho é medido em várias
dos. As rodovias de 100 a 199 são as longitudinais,
que cruzam o país de norte a sul. As de 200 a 299 são
comprovem
Exercícios resolvidos
b) Calcule o peso de cada uma das massas todaeacom-região mostrada na figura esteja submer- 0,4 ? 10 5
unidades diferentes. No Brasil, por exemplo, o núme- as transversais, que cortam o Brasil de leste a oeste.

Determinação gráfica da velocidade


2. (Enem) Pelas normas vigentes, o litro do álcool hi- 5 1 000
pare esse valor com a força de atração gravita-
sa, que a água do mar esteja em equilíbrio e que com? 6? 2610 ? 10 1T
25
ro de um calçado cm de comprimento é 39;
to para o cultivo canavieiro em
água

presentam essas funções sempre


dratado que abastece os veículos deve ser consti- As diagonais, de 300 a 399, passam pelo interior ou
minhão quePara transportam, por
cional entre elas, considerando g 5 9,8 suam/s .
densidade
2
seja igual a 103 kg/m3. Se g = 10

odebater
no padrão 4 5 0,6 1 T ä T 5 3,4 N
europeu, 42; 8½ no padrão americano; pelo litoral. Aquelas cujos números estão acima de
tuído de 96% de álcool puro e 4% de água (em vo- m/s2 e 1 atm = 105 Pa, pode-se afirmar, conside- 8 no padrão australiano; 26½ no padrão japonês.
no domínio de validade da teoria há um conjunto de
Resolução
Ação: força larga
horizontal para trás que nadador aplica na água.
lume). As densidades desses componentes são da- rando-se apenas os pontos de partida e de chega- 400 são rodovias de pequeno porte, que ligam uma
A alternativa c é a correta.
atleta
A inclinaçãocorpo da reta escala
exemplo, e o
grandesdesgaste
pode ser representada por um ângulo , cuja tangente blocos do
de so-
pe- serãoO nadador
retas. se move para a frente,
Oa água
passo seguinte,para estando o cientista certo de suas observações, é a pu-
das na tabela.
Assinale a alternativa que contém o volume
a) Cálculo da força gravitacional.
d 5de1óleo
cm 5 1 ? 1022 m; m1 5 1 kg; m a)
Dados:
da, que,
5 2 kg
durante seu movimento, o peixe:
2 2 sofreu uma redução de pressão de 3 atm.
estrada à outra. […]”
roBson, Daniel. Disponível em: <http://minhocaseminhocos.wordpress.

Reação:Apresenta
dra sobre oaporquê resolução de tais blo-de alguns anteriormente estabelecida”.
Os astronautas Robert (
L. Curbeam Jr. (esquerda)
3 e Christer
5 900 kg/m ), em centímetros cúbicos, que G deve com/2007/12/18/como-se-da-nome-as-estradas/>. Acesso em: 12 abr.

lo. Outra preocupação com a


Substância Densidade (g/L) Fuglesang (direita) em missão ? M ? m ä F 5 6,67 ? 10211 ? b) 1?2
nadando emSe o nadador-água está em enquanto é empurrada
O
na Estação Espacial ____________
F 5causar 1 sofreu um aumento de pressão de 4 atm. 9. (Unesp) Em uma aula sobre o princípio de Arqui-2016.
ser colocado
Internacional. Foto de 2006. em um dos ramos do tubo para d2 (1 ? 1022)2 medes, um professor colocou um objeto em forma

C m no exercícios que integram os


água 1 000 uma diferença de 2 cm entre as superfícies superio- c) 1 sofreu um aumento de pressão de 6 atm.
éuma
chamada de coeficiente angular (m)
força e horizontal
écosdada por:
para a frenteé aque a água
ex- aplica trás. blicação dey um artigo com a descrição do seu trabalho em alguma revista
As reportagens sobre 13,34 ? 10211 de ovo para flutuar na água em três posições dis-a) Utilizando seus conhecimentos sobre grande-
res dotaisóleoatividades
e da água,costumam
piscinamovimento, continuará produção do etanol sua
ä F 5 13,34 ? 10
conforme mostra a figura.F5 d) 2Nsofreu uma redução de pressão de 6 atm.
27

serem considerados cargas


álcool 800 reforçar a ideia de que os astronautas nessas 1 ? 1022 tintas, tomando o cuidado de garantir que o objeto zas vetoriais, explique por que é importante,
situações flutuama)livremente,
10 b) 20como estão c) 40 d) 90 e) 1 sofreu uma redução de pressão de 3 atm. se mantivesse nas posições de equilíbrio que apa- no Brasil, saber identificar a numeração das

exercícios com estratégias que


pois,
nadador. pansão por áreas de plantio de
F 5 1,334 ? 1026 N

vÞ0 em movimento
cateto oposto
perigosas e quais m cuidados são m científica.
U Essa é uma etapa
m tão importante
H m quanto as anteriores, pois é 1. Pesquise sobre outros modelos Um técnico de um órgão de defesa do consumidor
inspecionou cinco postos suspeitos de venderem
no espaço, não5.há(PUC-MG)
correta?ál-Justifique.
gravidade. A Essa afirmação
figura representa é duas caixas-d’água,
b) Cálculo dos pesos. 7. (Fuvest-SP) Um recipiente, contendo determina-
recem na figura. Em seguida, perguntou aos seus estradas, geralmente apresentadas em placas
estudantes, caso acontecesse, em qual, ou quais, nas rodovias.

retilíneo, com m 5 _____________ científicos (ou teorias) que ex- assuntos do capítulo.
cool hidratado fora das normas. Colheu uma amos- abertas para o ar, interligadas por um P cano5m com ? g 5 1 ? 9,8 ⇒ P1 5 9,8 N do volume de um líquido, é pesado em uma ba- das três situações o volume de líquido deslocadob) No caso de rodovias estaduais de número par,
tra do produto em cada posto, mediu a Resolução uma válvula de passagem. A caixa da esquerda 1 1
está lança (situação 1). Para testes de qualidade, duas

força alimentos. Issoaopode ser atenua-


densidade seria maior.
Indaiatuba Louveira

Marcelo Parducci/ID/BR
Jarinu
P2 5 m2 ? g 5 2 ? 9,8 ⇒ P2 5 19,6 Nesferas de mesmo diâmetro e densidades diferen- que informação é fornecida pelo número?
m para Os gases dessa m
forma quepara o conhecimento U científico é compartilhado e pode ser
Bom Jesus

Ação: que necessários


os propulsores se foguete
do utilizarem os nos gases
aplicam cheia. Quando
já que aa válvula é aberta,
o a caixa da direita Atibaia dos Perdões
de cada uma, obtendo: A afirmação é incorreta, cena mostra
cateto adjacente
podem servir como inspiração para a baixo;comprovado
começa a encher atésituação,
que o nívela da água Notenasque duas o valor da atração gravitacional tes, sustentadas
da por fios, são sucessivamente co- c) O mapa Itupeva a seguir mostra Jundiaí diversas rodovias esta-
velocidade constante são empurrados plicam algum modelo anterior
astronauta em órbita da Terra. Nessa
Terra é muito superior ao valor da atração locadas no líquido da situação 1. Uma delas é
gravita- Salto duais que passam pela capital de São Paulo.
Nazaré

do, contudo, com o etanol de se-


caixas seja oe mesmo.
Terra mantém a espaçonave o astronauta pre- Campo Limpo Paulista

que sejam expelidos.


Posto Densidade do combustível (g/L)
foguete freios.
Várzea Paulista
cional entre os dois corpos. Por essa razão, mais densa que o líquido (situação 2) e a outra
as forças
ou para
refutado por outros cientistas em laboratórios de todo o
sos a ela por meio da força gravitacional, que atua Itu Paulista

(MRU).
Francisco
Região da rodovia Raposo Tavares46°45’O Morato
foguete-gases a nave é empurrada de atração gravitacional raramente são menos densa que o líquido (situação 3). Os valo-
percebidas
e o complementa.
I 822 como uma força centrípeta, associada à trajetória
Veja como obter o coeficiente angular gunda dogeração.
gráfico…acima. res indicados
muito pela balança, nessas três pesagens,

João Miguel A. Moreira/ID/BR


quando as massas envolvidas são ambas
N n C n R cima. mundo. n n n P
Mairiporã
curvilínea executada pelo conjunto. Se não hou-
decolando
a) O que explica que o mesmo comprimento seja ex- Cabreúva
Franco da

resoluçãoforça que osdos Exercícios


serem expelidos, propostos.
II 820 são tais que:
NO NE
Rocha
vesse gravidade (e mais nenhuma outra força), os pequenas, mesmo estando muito próximas. presso por diversas unidades diferentes?
47°O
Cajamar
46°45’O

X
Caieiras

Reação: gases, ao aplicam no foguete.


Pirapora do
III 815 b) Você acha que 1seria útil existir 2um único padrão3 Bom Jesus
SO SE

0 É correto afirmar: Santana de

• O cateto oposto equivale ao módulo1. do


de medida para a numeração de calçados?
deslocamento escalar, dado por: m
Parnaíba
IV 808 Guarulhos

R o… m m m m m …
Araçariguama
a) Ao final do processo, a pressão no fundo da caixa
De acordo com texto, o etanol é
c) Qual é a importância de utilizarmos um único pa-
V 805 EXERCÍCIOS
menor que no PROPOSTOS Com obase nessas informações,depode-se afirmar 23°30’S
que Barueri

ir.
à esquerda será início. drão, como Sistema Internacional Unidades
m .0
P1 P2 P3 SP-270 São Roque Ferraz de
(SI), naociência?
volume deslocado será:

∆s 5 suma
Jandira Trópico
Rod. Vasconcelos

2 sboa
b) Durante o processo, a velocidade de escoamento Alumínio Carapicuíba Osasco de Capricórnio

M renovável, m porém
15.concluir
A fotografia
que ao lado mostra professores ex-
0 opção
A partir desses dados, o técnico pôde Itapevi

Ra
Mehdi Fedouach/AFP

De volta para
Mairinque
da água a) maior na situação 1. os
deégravidade
constante.zero

p
o Ta SP-270 São Paulo São Caetano
estavam com o combustível adequado somente perimentando
os a sensação 17. Leitura e interpretação
vares

16
Vargem Grande do Sul
situação 1 situação 2 situação 3 b) maior na situação 2.
Cotia Taboão
em um avião quec)sobe Ao final do processo,
altitudea pressão no fundo da caixa Paulista

2 suaExercícios propostos
postos: a grande e da Serra

y Não escreva no livro.


Embu

produção R e utilização gerat0 al-


Santo Mauá
à direita será maior que a pressão no fundo da

Exemplo ∆t 5 t 2 m m m m A d) III e V mergulha durante alguns segundos em que- Como se dá c) nome


maior àsnaestradas?
situação 3. Ibiúna Diadema André

• para
a) I e II a) P1 5 P2 5 P3 d) P3 . P2 . P1
Oescreva
cateto no adjacente equivale ao intervalo de tempo: 115
Ribeirão Pires
da livre, simulando caixa à esquerda.
a ausência de peso vi- “[…] as estradas brasileiras, além de receberem nomes
Itapecerica São Bernardo
do Campo
d) igual nas três situações.
Não livro. em geral b) I e III e) IV e V venciada em missões b) P2 . P3 . P1 e) P3 . P2 5 P1 0 10 20 km da Serra

(à esquerda) usada iluminação tem espaciais


d) Durante na órbitaa da
o processo, velocidade de escoamento Piedade

o começo
de figuras ilustres da história ou mesmo da região por
guns impactos ambientais Quais
Rio Grande
c) II e IV Terra. da água aumenta. c) P2 5 P3 . P1 e) igual em 1 e 3 e menor em 2. da Serra

os 92% restantes são transformados em calor. s2 s0 m m m m N É correto dizer que, quando se está em órbi-
onde passam, também são batizadas com letras e nú-
meros. Embu-Guaçu

são_____
eles?
258 ta, a flutuação de pessoas e objetos no inte- 259

• Orendimento Reúne
m 5 exercícios com diferentesm
Primeiramente falaremos das estaduais, que são indi- Fonte de pesquisa: Ministério dos São Lourenço

coeficiente angular é dado por:


Adilson Secco/ID/BR

Vuk Vukmirovic/Shutterstok.com/ID/BR

Transportes. Disponível em: Cubatão


rior das naves é decorrente da ausência de
m m m m m m
da Serra

direita), porém, tem em torno de 30%.


cadas pela sigla do estado onde se localizam, seguida de <http://www.dnit.gov.br/dowload/mapas-multimodais/multimodais/sp.pdf>.
Juquitiba
peso? Justifique.
t 2 t0
Acesso em: 26 mar. 2016.
números. Se o número for par, ela é uma estrada radial, São Vicente

Promove a retomada do
ou seja, passa pela capital do estado. O interessante é A rodovia Raposo Tavares (SP-270) está destaca- Praia Grande

2. Junte-se a um colega. Façam umam m m


SP_FIS1_LA_PNLD18_U04_C11_256A262.indd 258 Passageiros civis experimentando a sensação 4/30/16 5:05 PM SP_FIS1_LA_PNLD18_U04_C11_256A262.indd 259 4/30/16 5:05 PM
que o número mostra a quantos graus a estrada está da em amarelo. O número dessa rodovia está
Capítulo 9 – Gravitação

de gravidade zero, EUA. Foto de 2013.

níveis de dificuldade e éde eta-aplicação


de uma linha imaginária Norte-Sul traçada a partir da coerente com a informação do texto? Justifique.
Essa
ervação da energia total, temos:expressão é a mesma da velocidade. pesquisaPortanto, conclui-se
para saber o que que a velo- SP_FIS1_LA_PNLD18_U01_C01_016A020.indd X 16 4/30/16 9:44 AM 16. A distância da Lua à Terra é de aproximadamente 60 vezes o raio da Terra (6 400 km). A massa da Lua é
m 0 D aproximadamente 7,36 ? 1022 kg. De volta para o começo

SP_FIS1_LA_PNLD18_U03_C06_113A118.indd
cidade é numericamente 115 igual ao próprio coeficiente angular de inclinação da
dos conceitos nol de segunda m geração e escre-
estudados no capítulo. m ,0 m
4/30/16 3:50 PM
debate inicial da abertura a) Calcule a força gravitacional que a Lua exerce sobre uma pessoa de 80 kg na superfície da Terra.
b) Compare o resultado com o peso da pessoa e verifique quantas vezes essa força é menor do que a
exercida pela Terra.
1. Retome as respostas que você deu às questões propostas na abertura deste capítulo. Que alterações você
faria?
2. Considerando apenas a imprecisão relativa à escala utilizada nas marcações do tanque de areia, faça uma

reta no dissipada
gráfico do movimento uniforme, ou: vam um texto sobre seus benefí- estimativa da incerteza na medida da distância saltada por Maurren Maggi.

energia útil 1 energia


cios para o meio ambiente e para
mdo produto.
m m m m N m do capítulo. 204 Não escreva no livro.
32

N a competitividade
v 5m
SP_FIS1_LA_PNLD18_U03_C09_201A208.indd 204 4/29/16 5:23 PM

SP_FIS1_LA_PNLD18_U01_C02_030A037.indd 32 4/30/16 4:03 PM

a pelo intervalo de tempo em que ocorreu a

Seções especiais
m m m
3. Procurem saber se o rendimento m m m
elecer a seguinte relação
No casoentre potências:
do exemplo apresentado, temos: dos motores a álcool é menor,
geiros movimentam-se para a frente catetoUmoposto maior
carro inicialmente
100 ou equivalente
em repouso é posto em m ao dos
movimento m
v 5 m 5 _____________ ____
N
otência
os. útil 1 potência dissipada por uma pessoa5que motores
o 5 100
empurra. a Æ v 5Construam
gasolina. 100 km/h
cateto adjacente 1
uma tabela comparativa com os

Física tem história


dados obtidos na pesquisa.
co atual tem possibilitado a otimização do fun-
eja, a redução da parcela de energia que é dissi-Laboratório
Não escreva no livro. Não escreva no livro. 109
Laboratório
53

r for a parcela de energia útil convertida (e, por-a lata energética


Objetivo
Experimentos que Discute o contexto em que algumas das
a dissipada), maior será a eficiência da máquina.
dezaSP_FIS1_LA_PNLD18_U02_C03_051A062.indd
rendimento (η) de uma máquina:
Construir um sistema de armazenamento de energia mecânica.

Material
Ciência, tecnologia e sociedade
4/30/16 4:09 PM
contribuem para ideias científicas foram construídas e
53 4/29/16 4:34 PM
Embolia gasosa
entender o conteúdo propõe questões que estimulam a discussão.
• uma lata com tampa
• um elástico (do tipo comum, de borracha)
Um tempo considerável transcorre antes que uma pes-
Norbert Probst/Alamy/Latinstock

Pútil • um parafuso grosso, com porca


soa em determinada profundidade atinja a saturação total

η 5 ____
• dois palitos (de fósforo ou de dente) com nitrogênio. Durante os mergulhos curtos, isso é uma

Ptotal Procedimento
1. Faça um furo bem no meio da tampa da lata
vantagem, mas, depois de um mergulho longo, quando os
tecidos estão quase saturados com nitrogênio em alta pres-
são, o perigo aumenta. [...]
O perigo de formação de bolhas é maior quando o gás é
estudado no capítulo. Física tem história
e outro no fundo dela. dissolvido em pressão mais alta. O aumento dos movi- As estátuas da ilha de Páscoa
mentos, o esforço muscular e a maior circulação tendem a
Setup Bureau/ID/BR

2. Rosqueie a porca até a cabeça do parafuso.


Faça um laço no meio do elástico e prenda o aumentar a formação de bolhas, análogos ao efeito de sa- A ilha de Páscoa fica no oceano Pacífico, a 3 700 km do Chile, país ao qual pertence. Foi descoberta por um gru-
pé do parafuso nesse laço (veja a figura ao cudir uma garrafa de cerveja ou de refrigerante antes de po de exploradores holandeses, no domingo de Páscoa de 1722. Essa ilha possui grandes estátuas de pedra, ergui-
lado). Quanto maior for a profundidade e o tempo de mergulho, maior será abri-la. As bolhas, em geral, formam-se nas articulações, o das pela população nativa entre os anos de 1100 e 1600. O texto a seguir descreve como foi esse trabalho.
risco de embolia gasosa, síndrome geralmente causada pelo gás que causa dor considerável. Se as bolhas ocorrerem na cor-
3. Passe uma extremidade do elástico pelo
Não escreva no livro. nitrogênio. Oceano Índico. Foto de 2014. rente sanguínea, elas bloquearão os vasos mais delicados e, O ahu é uma plataforma retangular, feita não de pedra em todas as ilhas do Pacífico, para transportar pesados

Ciência, tecnologia e
furo do fundo da lata, e a outra extremidade quando isso acontece no sistema nervoso central, é parti- sólida e, sim, de um recheio de cascalho retido por quatro troncos de madeira, que eram cortados na floresta, escava-
pelo furo da tampa. Com os palitos, pren- Essa síndrome perigosa [a embolia gasosa] é conhecida paredes de contenção de basalto cinza. [...] Os ahus têm até dos como canoas e então transportados para o litoral. [...]
cularmente perigoso, podendo causar morte súbita.
da as extremidades do elástico por fora da por várias denominações: doença do mergulhador, mal dos 4 metros de altura, e muitos se estendem em alas laterais de
lata. A lata estará bem fechada pelo elásti- caixões e aeroembolia. Ela ocorre quando um mergulhador O único tratamento possível para a aeroembolia é Os pascoenses contaram [...] como seus ancestrais er-
uma extensão de até 150 metros. Portanto, o peso total de guiam as estátuas do ahu. Sentiam-se indignados que os
co, ficando o parafuso com a porca dentro e humano retorna para a superfície, após passar um período aumentar a pressão rapidamente, de modo que as bolhas um ahu – cerca de 300 toneladas no caso de um pequeno

sociedade
no centro dela. prolongado em profundidade considerável, abaixo de 20 m tornem a se dissolver. Isso pode ser feito retornando o arqueólogos nunca tivessem pensado em perguntar aqui-
[...] – é muito maior que o das estátuas que suporta. lo para eles e, para provar que sabiam como fazê-lo, ergue-
mais ou menos. A síndrome agrava-se quanto maior a pro- mergulhador para a profundidade de onde subiu ou trans-
4. Coloque a lata em uma superfície horizontal e dê um impulso nela, para que role. Observe o ferindo-o para uma câmara de pressão onde o ar possa ser
Quanto aos moais, que representam ancestrais de mem- ram uma estátua sem usar um guindaste. [...] Os insulares
fundidade e o tempo de mergulho. É causada por bolhas de
comportamento da lata e pense a respeito. bros da elite, [há] um total de 887. [...]. A estátua “padrão” começavam construindo uma rampa de pedra, ligeira-
ar nos tecidos e na corrente sanguínea, do mesmo modo recomprimido para o nível desejado. Para explorar
tinha 4 metros de altura e pesava cerca de 10 toneladas. mente inclinada, que ia da praça até o topo da plataforma,
5. Coloque agora a lata sobre uma rampa de pequena inclinação, sem dar impulso nela. Obser- que bolhas se formam em uma garrafa de refrigerante O modo de evitar a aeroembolia é voltar lentamente para
ve o que acontece e pense a respeito. Como todos esses pascoenses, sem guindastes, conse- sobre a Aqual puxavam
seguir a estátua
são dadas deitada
sugestões devocê
para bruços com aseu desenvolvimento sobre os temas abordados neste capítulo.
ampliar
4/29/16 5:55 PM
Apresenta um texto com detalhes,
quando a tampa é removida. Em ambos os casos, as bolhas a superfície, em estágios. É razoavelmente seguro deixar um
aparecem quando a pressão é reduzida em líquido que está guiram entalhar, transportar e erguer tais estátuas? É claro extremidade da base voltada para o topo. Assim que a ba-
mergulhador ascender até um ponto em que a pressão é me- que não sabemos com certeza, uma vez que nenhum euro-
saturado de gás em alta pressão. se chegava à plataforma, erguiam a cabeça da Leiaestátua al-
Depois do experimento tade daquela em que ele estava trabalhando e ali mantê-lo até peu viu aquilo sendo feito para escrever a respeito. Mas po- guns centímetros usando toras como alavancas, punham
A aeroembolia também pode ocorrer durante a ascensão que uma quantidade considerável de nitrogênio tenha sido Física do dia a dia, de Regina Pinto de Carvalho (Org.). São Paulo: Autêntica, 2011.
demos presumir a partir da tradição oral dos próprios pedras sob a cabeça para apoiá-la na nova posição, e repe-
Interpretação dos resultados rápida em aeronaves (balões ou aeroplanos) com cabines eliminada, ou seja, 20 a 30 minutos. Assim, é possível que ele São 105 perguntas e respostas sobre Física fora da sala de aula, acompanhadas

pontos de contato entre a Física e


insulares (especialmente a respeito do meio de erguer está- tiam a rotina inclinando a estátua cada vez mais para a po-
de respostas curtas, sem o uso de fórmulas.
não pressurizadas; nesses casos, o perigo de aeroembolia ascenda novamente e continue o processo de estágio. [...] tuas), a partir de estátuas nas pedreiras em sucessivos es-
1. Qual é a função, na lata, do elástico e do parafuso com a porca? sição vertical. Isso deixava os proprietários com uma
ocorre quando a pressão é reduzida para cerca de 0,5 atm Nossa discussão até agora tratou apenas de mergulha- tágios de produção e de testes recentes experimentais de Guia mangá de Física mecânica clássica, de Hideo Nitta e Keita Takatsu. São Paulo: Novatec,
(acima de 6 000 metros). longa rampa de pedras, que então podia ser desmontada
2010. e
2. Que tipos de transformação de energia estão envolvidos no comportamento da lata nas duas dores que têm suprimento de ar sob pressão. Um mergu- diferentes métodos de transporte. reciclada para criar as laterais do ahu. O pukao era prova-o aprendizado da protagonista do livro, Megumi, é possível compreender mais
Acompanhando
Photon-Photos/
iStock/Getty Images

situações (quando rolada na superfície horizontal e quando colocada na rampa)? [...] O gás que causa a aeroembolia é sempre o nitrogê- lhador sem equipamento, que desce repetidamente a uma

outras disciplinas e outras áreas


[...] os pascoenses modificaram as velmente erguido ao mesmo tempo que a estátua, ambos
facilmente os conceitos da mecânica clássica, que são
nio (a menos que o mergulhador esteja respirando uma profundidade considerável, também está sob o risco de chamadas “escadas” de canoas, usadas montados juntos na mesma armação de apoio. apresentados com linguagem descomplicada e próxima de situações do cotidiano. De maneira
3. Que modificações você propõe para que a lata atinja maior alcance ao ser rolada na super-
mistura artificial de gases que contenha outros gases iner- desenvolver embolia gasosa. Toda vez que ele enche o pul- divertida, rápida, prática e muito bem ilustrada, esse Guia aborda, além das leis de Newton,
fície horizontal? A parte mais perigosa da operação era a inclinação
conceitos como fi-deslocamento, impulso e colisão.
tes, como o hélio). [...] O oxigênio não causa a aeroembolia
Autêntica/Arquivo da editora

mão e desce, a pressão da água sobre seu tórax comprime a


porque é rapidamente usado pelos tecidos. [...] A pressão Localização dos moais nal da estátua de um ângulo muito inclinado para a posi-
4. Escreva um texto relacionando o funcionamento dos brinquedos e dos relógios de corda com caixa torácica, de modo que a pressão do ar nos pulmões
ção vertical, por causa do risco de a estátua ganhar

de conhecimento e questões
a “lata energética”. na água aumenta em cerca de 1 atm para cada 10 metros na ilha de Páscoa
aumenta. Se ele descer 20 m, a pressão do ar no pulmão se-
Allmaps/ID/BR

de aumento na profundidade. [...] O sangue dissolve nitro-


109°24’O 109°18’O impulso, ultrapassar a vertical e tombar pela traseira da
rá de 3 atm. Embora um ou poucos mergulhos a uma pro- CHILE
5. Pense em uma maneira de fazer a lata rolar sem receber o impulso inicial. Execute o proce-
NO NE

gênio em pressão mais alta e gradualmente toda a água te- plataforma. Evidentemente, de modo a reduzir este ris-
fundidade de 20 m não tenham muito significado, muitos Assista
dimento imaginado e o descreva. Quais transformações de energia acontecem nesse caso? cidual se equilibra com o nitrogênio nessa pressão. SO SE co, os escultores projetavam a estátua de modo que não
mergulhos repetidos são arriscados. [...]
fosse completamente perpendicular à sua base Céu deplana (p.Direção de Joe Johnston, EUA, 1999, 107 min.
outubro.

que estimulam a reflexão e o


6. É possível substituir a lata por uma garrafa PET transparente e, assim, observar o funciona- 27°06’S
schmidt-nielsen, K. Fisiologia animal: adaptação e meio ambiente. 5. ed. São Paulo: Santos, 2011. p. 179-181. ex., em um ângulo de 87° em relação à base, em vez
Trata-se de real de Homer Hickman, que, no final da década de 1950, presencia a
da história
mento do mecanismo de rolagem. passagem
90°). Deste modo, quando erguessem a estátua para douma satélite russo Sputnik. Essa visão é um incentivo para que o jovem se junte a um
grupo de amigos a fim de construir foguetes. Homer Hickman tornou-se engenheiro da Nasa e
PARA DISCuTIR Hanga Roa posição estável com a base posicionada sobre a platafor-
escreveu o livro Rocket boys, no qual esse filme é inspirado.
190 OCEANO ma, o corpo ainda estaria ligeiramente inclinado para a
1. O que é embolia gasosa? Em que situações ela pode ocorrer? Os eleitos: onde o futuro começa. Direção de Philip Kaufman, EUA, 1983, 187 min.

posicionamento sobre assuntos


PACÍFICO
0 4,4 8,8 km
frente, sem risco de tombar para trás. Então, lenta e cui-
2. De acordo com o texto, qual é o único tratamento possível para a embolia gasosa? Como ela pode ser evitada? dadosamente, podiam levantar com alavancas
Os soviéticos saíram na frente na corrida espacial com o lançamento do
a borda
Moais Sputnik. Em 1960, John Kennedy, então presidente dos Estados Unidos, anuncia que, em um
3. Explique o que significa dizer que um líquido está saturado de gás. Se necessário, pesquise em livros da frente da base, recuperando os últimos poucos graus
prazo de dez anos, um norte-americano pisaria na Lua. Sete astronautas são treinados para a
Novatec/Arquivo da editora

SP_FIS1_LA_PNLD18_U03_C08_185A190.indd 190 4/29/16 5:57 PM


de Química ou na internet. Fonte de pesquisa: DiamonD, 2005.
que faltavam, introduzindo pedras sob a parte da Ofrente
missão. filme mostra os duros treinamentos que esses homens suportaram.
Estátuas na ilha de Páscoa. As esculturas em
4. No final do primeiro parágrafo, o texto afirma que as bolhas da embolia gasosa aparecem quando a da base de modo a estabilizá-la, até o corpo ficar na ver-

relacionados ao tema do capítulo.


forma humana são chamadas de moais.
pressão sobre um líquido que está saturado de gás é reduzida. Explique por que isso acontece. A base de pedras é chamada de ahu; a pedra tical. Ainda assim, trágicos acidentes podiam ocorrer
acima da cabeça é o pukao. Foto de 2008. nesta última fase, e evidentemente aconteceram […].
255 DiamonD, J. Colapso: como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso. Rio de Janeiro: Record, 2005. p. 124, 125, 129-131. Navegue
Não escreva no livro.
Laboratório Didático Virtual (LABVIRT)
Compreender e relacionar Aprender Física fica mais interessante quando podemos observar ou simular um fenômeno. O
Laboratório Didático Virtual, da Escola do Futuro da Universidade de São Paulo (USP), oferece
SP_FIS1_LA_PNLD18_U04_C11_250A255.indd 255 4/30/16 4:33 PM
1. Faça um desenho mostrando a estrutura de alavancas necessária para levantar os ahu, os pukao inúmeras
e os moaissimulações de fenômenos físicos, com aplicação de conceitos como quantidade de
(lembre­se de que não havia nenhum tipo de motor, somente força muscular). movimento, trabalho e potência, todas acompanhadas de instruções de uso. Disponível em:
2. O texto afirma que os pascoenses atuais sabem como foram erguidas aquelas estátuas. Explique<http://linkte.me/tt5g4>.
como esse Acesso em: 2 abr. 2016.
conhecimento pode ter sido preservado, já que não se conhece documento escrito a respeito.
e-física – ensino de Física on-line
Warner Home Vídeo/ID/BR

Trata-se de um portal integralmente dedicado ao ensino de Física. Classificado em 2012 entre os


228 dez melhores sites de Física do Brasil pelo site InfoEnem, o e-física traz seis diferentes níveis de

Projeto 1 Não escreva


abordagem no livro. contemplando desde o leigo em conteúdos de Física até aqueles que
de conteúdos,
cursam pós-graduação. O portal oferece ainda exercícios, oportunidades de experimentação e
materiais de apoio. Disponível em: <http://linkte.me/m5915>. Acesso em: 2 abr. 2016.

a representação do movimento da Lua


SP_FIS1_LA_PNLD18_U04_C10_222A229.indd 228 4/29/16 7:18 PM
Leitura prévia
Distribuídas as tarefas, para fundamentar o trabalho, todos os alunos devem ler o texto a seguir.
O que você vai fazer

Para explorar
A Física utiliza diversos recursos linguísticos para descrever os movimentos, embora sua O movimento da Lua
representação mais comum seja matemática e gráfica. Neste projeto serão trabalhadas diversas
Dos astros que observamos no céu, a Lua é aquele que mais prende a nossa atenção, não só pelos diferentes
maneiras de explicar um mesmo fenômeno. Ao final, você e seu grupo farão análises das vantagens e
aspectos que apresenta, mas também pelo seu rápido deslocamento em relação às estrelas. Apesar de girar em
desvantagens de cada uma, sobretudo no que se refere a sua utilização. torno da Terra a uma distância que, do ponto de vista astronômico, se pode considerar muito pequena (384 000 km,
Procedimento dos grupos em média), o nosso satélite natural parece “deslizar” na esfera celeste, tal como os planetas mais longínquos pelo

Indicações de livros, sites ou


fato de, dadas as distâncias envolvidas, não conseguirmos ter a noção de “profundidade” no espaço. Embora o
De acordo com a orientação do professor, os alunos devem ser distribuídos em seis grupos. Cada movimento da Lua seja executado em torno de um ponto que se encontra bem distante do centro da Terra (o cen-
grupo ficará responsável por descrever o movimento da Lua utilizando determinada linguagem. tro de massa do sistema Terra-Lua), é comum dizer-se que ela gira em volta da Terra ao mesmo tempo que roda 213
Não escreva no livro.
Essa descrição será apresentada aos colegas de classe e a uma comissão formada por membros da sobre si própria, razão pela qual vira para a Terra sempre a mesma face.
comunidade escolar, que vai avaliar o resultado dos trabalhos.

filmes para você continuar


Das posições que a Lua ocupa relativamente à Terra (de onde a observamos) e ao Sol (de que recebe luz) resul-
tam aspectos diferentes a que chamamos fases da Lua.
Grupo 1 A fase de lua nova [...] corresponde ao momento em que a Lua passa entre a Terra e o Sol, não sendo então pos-
SP_FIS1_LA_PNLD18_U03_C09_209A213.indd 213 4/30/16 8:34 PM

Linguagem matemática sível observá-la a partir do nosso planeta. Dois a três dias depois, a Lua é observada a Oeste, logo depois do pôr

explorando o assunto.
Pesquisem em livros de Física as principais equações que descrevem o movimento da Lua. Identifiquem cada do Sol.
uma das variáveis (posição, tempo, etc.); como elas se relacionam; que função matemática as representa. Tem-se então o período de observação mais interessante, dado que na “linha” que separa a parte iluminada di-
retamente pela luz solar daquela que (ainda) não recebe luz do Sol – linha que tem o nome de terminador – é no-
Grupo 2 tável o contraste em montanhas e crateras, iluminadas de um lado e sombrias do outro.
Descrição gráfica Observação da Lua. Disponível em: <http://www.cienciaviva.pt/veraocv/astronomia/astro2002/materiais/observ_lua.pdf>. Acesso em: 4 abr. 2016.
Pesquisem os vários gráficos que descrevem o movimento da Lua. Procurem compreendê-los em sua
profundidade. Tirem dúvidas com o professor. Apresentem esses gráficos num cartaz ou em data-show. apresentação
Uma vez lido o texto, você e seu grupo vão preparar a apresentação. Para isso, preocupem-se com os
Grupo 3 seguintes critérios, que serão utilizados pela comissão avaliadora.
Linguagem técnica • Clareza. Qual grupo conseguiu fazer com que todos compreendessem mais claramente a

Projeto No final do livro, você terá acesso ao


Descrevam o movimento da Lua por meio de maquetes. Observem se é possível respeitar as escalas em informação?
relação ao tamanho da Terra, da Lua e da distância entre ambas. Montem a maquete de maneira tal que • Abrangência da explicação. Qual grupo conseguiu dar conta da maior quantidade de informação
uma pessoa leiga possa interagir com ela e, assim, compreender como se dá o movimento. possível acerca do movimento?
• Rigor conceitual. Qual linguagem foi a mais rigorosa conceitualmente (não cometeu erros ou

Glossário, que apresenta a explicação de


Grupo 4 imprecisões conceituais de Física) ou qual foi a mais objetiva (não permitiu margem excessiva à

Dois projetos propõem a


Expressão artística, artes visuais visão de um grupo ou de uma pessoa)?
Representem o movimento da Lua por meio de desenhos. Pode-se representar separadamente cada uma • Poder de síntese. Qual grupo conseguiu apresentar a maior quantidade de informações no menor
das fases. Procurem fazer com que o desenho de vocês seja o mais autossuficiente possível quanto à tempo/espaço possível?
• Beleza estética. Qual grupo apresentou uma linguagem mais bonita? (Lembrem-se de que o

termos de Física e o Apêndice que traz


descrição do movimento. Pode-se enriquecê-lo utilizando recursos audiovisuais, como animações em vídeo.

realização de atividades
conceito de beleza é relativo.)
• Poder de sedução. Qual grupo atraiu mais a atenção do público?
Grupo 5
Linguagem artística, dramaturgia
Em conjunto com o professor e a turma, deve-se organizar um calendário para estabelecer horários e
o tempo de duração da apresentação de cada grupo à comissão avaliadora.

algumas informações adicionais, como


Escrevam uma peça de teatro cujo enredo contenha a descrição do movimento da Lua. Pensem em como

que envolvem a
será construído o roteiro, quem cuidará do figurino, da sonoplastia, da maquiagem, etc. Peçam ajuda ao Durante a apresentação, observem como os outros grupos estão se saindo em relação aos critérios
professor de Português nessa tarefa ou pesquisem como se elabora um roteiro de peça teatral e seu enredo. descritos anteriormente.
Como se trata de uma obra artística, que tal transformar, por exemplo, a Lua e a Terra em personagens? Divulgação

a tabela com as unidades de medida do


O evento pode ser divulgado na escola por meio de cartazes.
Grupo 6
Linguagem artística livre
Expliquem o movimento da Lua por meio de uma linguagem artística que não seja teatro ou artes visuais.
avaliação da atividade
1. O seu grupo concorda com o parecer da comissão avaliadora? Por quê? comunidade escolar em
Sistema Internacional de Unidades (SI).
O grupo pode criar uma poesia ou uma música, entre outras possibilidades. Deve-se organizar o processo 2. O que o grupo aprendeu com o conjunto das apresentações?

busca de um bem coletivo.


de criação – no caso de música: criação da letra, da melodia e dos arranjos; no caso de poesia: definição de
3. Ao final dessa análise, é possível perceber por que a Física escolhe gráficos e a linguagem matemática para
estilo (soneto, versos livres, etc.) e da interpretação (monólogo, diálogo, jogral).
descrever seus fenômenos? Justifiquem.

102 103

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Sumário
 Unidade 1  Introdução à Física 8 Capítulo 5 Movimento circular ........................................... 80
Introdução .............................................................................. 81
Capítulo 1 Física, ciência da natureza .................... 10
Movimento circular uniforme (MCU) ......... 88
Ciências da Natureza .................................................. 11
Transmissão de movimento circular .......... 91
Ciência, tecnologia e ética .................................... 13
Integre o aprendizado .................................... 93
Ciência e religião na sociedade ....................... 15
Física tem história:
Integre o aprendizado .................................... 18
A história da roda ................................................... 95
Física tem história: Ciência, tecnologia e sociedade:
História do método científico .................... 19 Primeiro satélite brasileiro
Ciência, tecnologia e sociedade: completa 21 anos em órbita ....................... 96
Ciência e arte ............................................................... 20 Laboratório:
Capítulo 2 Medidas ................................................................................ 21 Investigação do movimento
A importância das medições .............................. 22 circular uniforme ................................................... 97
Grandezas físicas e medidas .............................. 23 Vestibular e Enem ............................................................................................ 98
Grandezas escalares e Para explorar ...................................................................................................... 101
grandezas vetoriais ...................................................... 24
Projeto 1:
Representações de medidas ............................... 28
A representação do movimento da Lua .................................. 102
Integre o aprendizado .................................... 32
Física tem história:  Unidade 3  Dinâmica 104
O Nordeste contra o quilo:
a revolta do quebra-quilos ............................ 33 Capítulo 6 Forças e as leis de Newton ............... 106
Força como interação ............................................. 107
Laboratório:
A inércia e a primeira
Medindo volumes de
lei de Newton .................................................................. 109
corpos com forma irregular ........................ 34
O princípio fundamental da
Vestibular e Enem ............................................................................................ 35 dinâmica e a segunda
Para explorar .......................................................................................................... 37 lei de Newton .................................................................. 111
O princípio da ação e reação e
 Unidade 2  Cinemática 38 a terceira lei de Newton ...................................... 115
Capítulo 3 Movimento uniforme .................................... 40 Aplicações das leis de Newton ..................... 126
O estudo do movimento ........................................... 41 Forças no movimento circular ....................... 135
Conceitos iniciais ............................................................ 42 Integre o aprendizado ................................ 138
Movimento uniforme (MU) .................................... 51 Física tem história:
Integre o aprendizado .................................... 58 A amplitude de Newton ................................ 140
Física tem história: Laboratório:
Galileu e o nascimento da Coeficiente de atrito estático ............... 141
ciência moderna ....................................................... 60
Ciência, tecnologia e sociedade:
Mobilidade urbana ................................................ 61
Laboratório:
benkrut/iStock/Getty Images

Velocidade escalar média ............................. 62

Capítulo 4 Movimento uniformemente


variado ................................................................................ 63
Movimentos com velocidade variável ...... 64
Lançamento oblíquo .................................................... 73
Integre o aprendizado .................................... 77
Ciência, tecnologia e sociedade:
Paraquedista austríaco supera
barreira do som em salto
recorde em queda livre .................................... 78
Laboratório:
Aceleração e movimentos
uniformemente variados ............................... 79

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Capítulo 7 Impulso e colisões ........................................... 142 Laboratório:
Quantidade de movimento ............................... 143 Experimento 1 – Centro de gravidade
Colisões ................................................................................. 151 do corpo humano
Integre o aprendizado ................................ 155 Experimento 2 – Equilíbrio estático
Física tem história: do corpo humano ................................................ 229
A Polêmica entre os Conceitos Capítulo 11 Estudo dos fluidos ........................................ 230
de Quantidade de Movimento, O que são fluidos ........................................................ 231
Força-Viva, Energia Cinética
Grandezas básicas no estudo
e Impulso .................................................................... 157 dos fluidos .......................................................................... 232
Ciência, tecnologia e Princípios básicos no estudo
sociedade ................................................................... 158 dos fluidos .......................................................................... 238
Laboratório: Alguns fenômenos que
Colisões intrigantes ........................................ 159 envolvem fluidos líquidos ................................. 249
Capítulo 8 Energia e trabalho .......................................... 160 Integre o aprendizado ................................ 251
Energia e trabalho ...................................................... 161 Física tem história:
Trabalho de uma força ........................................... 164 A invenção do avião ......................................... 254
Energia cinética ............................................................ 168 Ciência, tecnologia e sociedade:
Energia potencial e Embolia gasosa ...................................................... 255
forças conservativas ................................................ 171
Laboratório:
Energia mecânica ........................................................ 176
Experimento 1 – Densidade 1
Conservação da energia total ........................ 181
Experimento 2 – Densidade 2 .............. 256
Potência e rendimento .......................................... 183
Experimento 3 – Pressão ........................... 257
Integre o aprendizado ................................ 187
Ciência, tecnologia e sociedade: Vestibular e Enem ........................................................................................ 258
A força dos ventos .............................................. 189 Para explorar ...................................................................................................... 260
Laboratório: Projeto 2:
A lata energética ................................................ 190 Física e segurança ......................................................................................... 261
Capítulo 9 Gravitação ..................................................................... 191
Apêndice .................................................................................................................. 263
Os primeiros modelos
cosmológicos ................................................................... 192 Glossário ................................................................................................................. 265
Leis do movimento planetário ...................... 198 Respostas dos exercícios .................................................................... 270
Lei da gravitação universal .............................. 202 Referências bibliográficas ................................................................. 286
Movimento dos satélites Siglas dos exames e das universidades ............................ 288
artificiais .............................................................................. 205
Integre o aprendizado ................................ 207
Física tem história:
Brahe, Kepler e a órbita
Jens Büttner/dpa/AFP

dos planetas .............................................................. 209


Ciência, tecnologia e sociedade:
A Terra sem a Lua ................................................ 210
Vestibular e Enem ........................................................................................ 211
Para explorar ...................................................................................................... 213

 Unidade 4  Estática 214


Capítulo 10 Equilíbrio ........................................................................ 216
Relação entre equilíbrio e força ................. 217
Torque ..................................................................................... 218
Centro de massa .......................................................... 220
Alavancas ............................................................................. 222
Integre o aprendizado ................................ 226
Física tem história:
As estátuas da ilha de Páscoa .............. 228

SP_FIS1_LA_PNLD18_LA_INICIAIS_006A007.indd 7 5/5/16 3:15 PM


unidade

1
Introdução
à Física

Primeiras ideias
Nesta unidade
A Física é uma das ciências que estudam os
1 Física, ciência fenômenos da natureza, buscando descrevê-
da natureza -los por meio de leis e de teorias construídas
de acordo com um método específico.
2 Medidas
Nesta introdução, situaremos a Física no
campo das Ciências da Natureza, que incluem
também a Química e a Biologia.
A Física busca o rigor conceitual para
descrever seus objetos de estudo, que
abrangem desde o extremamente pequeno
(o átomo e as partículas que o compõem) até
o extremamente vasto (o próprio Universo).
E para buscar esse rigor, o uso da Matemática,
devido à sua estrutura lógica, se faz necessário
para expressar os conceitos e teorias da Física.

Imagem da página ao lado:


Miranda, G. Chip da USP flagra malária e mal de
Chagas. Folha de S.Paulo, São Paulo, 22 jul.
2012. Ciência.
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/
ciencia/2012/07/1123618-chip-da-usp-flagra-
malaria-e-mal-de-chagas.shtml>. Acesso em: 16
abr. 2016.

SP_FIS1_LA_PNLD18_U01_C01_008A015.indd 8 4/30/16 9:42 AM


Editoria de Arte/Folhapress. AMj Studio/ID/BR
DIAGNÓSTICO EM UMA GOTINHA
Brasileiros criam chip que detecta
rapidamente malária, leishmaniose
e doença de Chagas com apenas
um pingo de sangue.

1 COLETA
proteínas
O sangue é colocado
chip
em contato com um chip
especial, que contém
nanopartículas.
Para cada uma das doenças
é utilizada uma
nanopartícula específica.

2 NANOPARTÍCULAS
São esferas de 50 nanometros
(cada nanometro tem um
bilionésimo de metro). Dentro delas
está uma proteína específica.
3 ELETRICIDADE O pequeno tamanho dos sensores
Após a infecção, o organismo começa a aumenta a velocidade do teste.
produzir anticorpos, que circulam no sangue.
Ao entrar em contato com a proteína,
esses anticorpos provocam correntes corrente
elétricas, que podem ser detectadas. elétrica

anticorpos
em contato com
a proteína do chip 4 DETECTOR
O sistema detecta
essas alterações e, a partir
daí, dá o diagnóstico de
positivo ou negativo em
poucos segundos.

VANTAGENS NO FUTURO
MAIS BARATO MAIS RÁPIDO “PORTÁTIL” O SISTEMA pode ser
O sistema pode ser Hoje os métodos Cientistas esperam o adaptado para outras
construído com menos de detecção precisam interesse da indústria para doenças, como a dengue.
de R$ 200 e cada chip, ser avaliados em moldar o sistema de um
que é descartável, custa laboratórios, o que jeito mais amigável para o
cerca de R$ 2. demanda mais tempo transporte em áreas de
e estrutura para a infecção.
realização dos exames.

SP_FIS1_LA_PNLD18_U01_C01_008A015.indd 9 4/30/16 9:42 AM


capítulo

Física, ciência
1 da natureza

William L. Stefanov/NASA-JSC
o que você
vai estudar

Ciências da
Natureza.
Ciência,
tecnologia e
ética.
Ciência e religião
na sociedade.

Imagem de Brasília, em 2011, tirada por astronautas da Estação Espacial Internacional, distribuída pela Nasa.
É possível ver Brasília e as cidades satélites à noite, graças à iluminação urbana. A eletricidade promoveu o
desenvolvimento de várias áreas tecnológicas, como as pesquisas na área da saúde, as redes de comunicação e
o sistema de iluminação pública. Embora hoje seja difícil pensar em como a vida seria sem a eletricidade,
houve época em que a eletricidade era apenas um fenômeno observado na natureza, e foram necessárias várias
pessoas, incluindo cientistas, e muitos séculos de pesquisa, estudo e desenvolvimento de tecnologias para que
ela pudesse ser utilizada por grande parte da humanidade. A eletricidade é um dos objetos de estudo da Física.

Debate inicial
• Cite alguns benefícios que o desenvolvimento da eletricidade trouxe ao homem
moderno.
• Em sua opinião, qual é a importância do uso da eletricidade na iluminação urbana?
• Reflita sobre o atual uso da eletricidade e tente imaginar como seria a vida sem ela.

Considere as respostas obtidas no debate inicial e responda no caderno.


1. Em sua opinião, qual é o objeto de estudo da Física? Que importância ela tem para
a sociedade?
2. Discorra sobre como a Física pode ajudar no desenvolvimento da vida moderna.
3. Qual é a importância do trabalho de pesquisadores e cientistas nos diversos campos
da ciência? Cite alguns exemplos.

10 Não escreva no livro.

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Ciências da Natureza
A natureza e seus fenômenos sempre intrigaram o ser humano. A formação das nuvens e do
arco-íris, a evaporação da água, os relâmpagos, a atração dos ímãs e o aparecimento de ferrugem
nas palhas de aço são alguns exemplos de fenômenos naturais.

Veetmano/FotoArena
Cadu Rolim/Fotoarena

Vista de Florianópolis (SC) em noite chuvosa com Arco-íris sobre a BR-232, chegando à cidade de
relâmpagos. Foto de 2014. Bezerros (PE). Foto de 2014.

As Ciências da Natureza (ou ciências naturais) são um campo do conhecimento que busca
compreender os fenômenos da natureza, prever quando e como eles vão acontecer e também des-
cobrir meios de controlar alguns deles, com o objetivo de evitar desastres e melhorar a qualidade
de vida das pessoas, por exemplo.

Três importantes áreas das ciências naturais


As ciências naturais são compostas de diversas áreas. A Biologia, a Química e a Física são al-
gumas delas. Embora alguns fenômenos naturais sejam simultaneamente estudados por dife-
rentes áreas, cada uma tem sua própria maneira de observá-los e interpretá-los.
••Biologia (bio vem do grego e significa “vida”). É a ciência que estuda a vida e seus processos.
Seu campo envolve as características, as funções e o comportamento dos seres vivos, a origem
e a evolução das espécies, a maneira como os indivíduos interagem uns com os outros e com
o ambiente. Exemplos de aplicação do conhecimento biológico: identificação de pessoas pelo
exame de DNA, clonagem de organismos e controle de pragas agrícolas.
••Química (do latim chimia, que significa “mistura”). É a ciência que estuda a matéria, sua com-
posição, suas transformações e aplicações. Graças a esses conhecimentos, são criados e me-
lhorados inúmeros produtos, como combustíveis, medicamentos, cosméticos, alimentos e
insumos agrícolas.
••Física (do grego physis, que significa “natureza”). É a ciência que estuda a matéria e a energia
que compõem o Universo, o movimento dos corpos, as interações entre os corpos e as con-
sequências dessas interações.
Os fenômenos estudados pela Física abrangem todas as escalas de tamanho conhecidas: das
partículas que compõem o átomo aos corpos celestes e ao Universo como um todo. Muitas co-
modidades da vida moderna existem graças à aplicação do conhecimento produzido pela Física.
Por exemplo, a obtenção e a distribuição da energia elétrica, que faz funcionar equipamentos
domésticos, hospitalares e industriais; o desenvolvimento de diversos instrumentos emprega-
dos na medicina (como o aparelho de ressonância magnética, usado para diagnosticar doenças);
a expansão da comunicação (por meio dos computadores, da internet, dos telefones fixos e ce-
lulares); o aprimoramento dos meios de transporte, propiciando agilidade nos deslocamentos
(aviões­, carros, motos, trens de alta velocidade); entre outros.

Não escreva no livro. 11

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As grandes áreas da Física
Para facilitar os estudos, a Física é tradicionalmente dividida de acordo para debater
com propriedades específicas dos fenômenos estudados. Assim, a Mecânica
é a parte da Física que se ocupa dos fenômenos que envolvem movimento e As situações naturais podem​
condições para que os corpos fiquem em repouso; a Termodinâmica estuda ser observadas e descritas em di-
sistemas que, à custa de trocas de calor, conseguem produzir movimento, ou ferentes aspectos pelas diversas
áreas da ciência. Veja o exemplo
vice-versa; a Óptica trata dos fenômenos que envolvem a luz e a visão; o Ele- a seguir, que mostra, do ponto de
tromagnetismo, dos fenômenos relacionados às cargas elétricas e ao magne- vista da Biologia, da Química e da
tismo; a Ondulatória trata das ondas, ou seja, das perturbações que se pro- Física, a análise de um beija-flor
pagam através do espaço ou de um meio material. suspenso no ar e se alimentando.
Outra abordagem comum do estudo da Física a divide em Física clássica,
que se baseia nas leis de Newton e no eletromagnetismo para explicar os fe-
nômenos do dia a dia, e Física moderna, referindo-se ao conjunto de
teorias surgidas no fim do século XIX e começo do século XX, com base nos
trabalhos desenvolvidos pelos físicos alemães Max Planck (1858-1947) e
Albert Einstein (1879-1955).
Biologia
Os objetos de estudo da Física moderna vão do extremamente pequeno à
vastidão do Universo, subdividindo-se em duas grandes áreas: a Mecânica Análise da relação de
interdependência entre a ave e
quântica, que se concentra no estudo dos eventos que ocorrem nas escalas

SteveByland/iStock/Getty Images
a planta: enquanto o beija-flor
atômica e subatômica, e a área que se baseia na Teoria da relatividade, cuja obtém o néctar (seu alimento),
aplicação encontra-se nos fenômenos relacionados ao espaço e ao tempo que também realiza a polinização,
auxiliando na reprodução das
ocorrem em escala astronômica. plantas.

Relação entre ciência e tecnologia Química


A ciência procura compreender a natureza sem a intenção deliberada Análise das transformações
químicas dos alimentos ingeridos,
de modificá-la. É comum que determinados fenômenos sejam descober- que proporcionam energia
tos e estudados sem que haja, necessariamente, uma aplicação prática necessária à contração muscular
desse conhecimento. do bater de asas do beija-flor.
Já a tecnologia, embora tenha muitas definições, pode ser entendida como Física
a aplicação dos conhecimentos científicos no desenvolvimento e aprimoramen-
Análise do equilíbrio entre forças
to de ferramentas, instrumentos e procedimentos. Nesse aspecto, é importante para que o beija-flor permaneça
lembrar que muitos facilitadores da vida diária, alguns já mencionados, são no ar na mesma posição.
produtos da tecnologia: trens, ônibus, aviões, equipamentos para diagnósticos
1. Em grupo, escolha com os cole-
e tratamentos médicos, computadores, internet, entre outros. gas um fenômeno natural e rela-
A tecnologia utiliza conhecimentos científicos de diversas áreas. Por exem- cione possíveis análises do pon-
plo, a tecnologia agrícola depende de conhecimentos da Biologia, da Química to de vista da Física, da Química
e da Agronomia, ao passo que a informática se desenvolve com base em conhe- e da Biologia, seguindo o mode-
lo do exemplo apresentado.
cimentos da Física e da Matemática.
Ciência e tecnologia fazem parte da cultura, mas precisam ser utilizadas com
ponderação, pois podem redundar em benefícios ou prejuízos, dependendo do
uso. Muitas soluções tecnológicas podem acarretar problemas para a sociedade
ges
e para o meio ambiente. Um exemplo são os veículos automotores, que, etty
Ima
Capítulo 1 – Física, ciência da natureza

ia G
embora facilitem a vida cotidiana, ao mesmo tempo contribuem om
ber
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para a poluição do ar e o aquecimento do planeta, pois, ao h i Ota
os
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queimar combustíveis fósseis como gasolina, óleo
diesel e querosene, liberam gases que intensifi-
cam o efeito estufa. Por isso, as inovações pre-
cisam ser muito bem analisadas, discutidas e
avaliadas quanto aos usos que podem ter e
suas implicações de médio e longo prazos.
O trem de levitação magnética (também
chamado de maglev) é um exemplo de
aplicação da tecnologia nos transportes.
Ao lado temos um trem maglev em
Lathen, Alemanha. Foto de 2015.

12 Não escreva no livro.

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Ciência, tecnologia e ética
Conforme foi apresentado, a ciência procura compreender a natureza, sem a intenção delibe-
rada de modificá-la. Para discutir sua relação com a ética, vamos retomar alguns desdobramen-
tos de sua aplicação.

Benefícios e prejuízos
A tecnologia é ciência aplicada, ou seja,

Bruno Fernandes/Fotoarena
aborda de que maneira uma descoberta
científica pode ser utilizada no desenvolvi-
mento de instrumentos, objetos, aparelha-
gens e procedimentos técnicos. Nesse as-
pecto, é importante lembrar que muitos
facilitadores da vida diária são resultado da
tecnologia: trens, ônibus, metrô, os avan-
ços da medicina, a internet, entre outros.
Muitos recursos tecnológicos podem resul-
tar, porém, em problemas para a sociedade
e para o meio ambiente – um exemplo são
os veículos automotores (carros, aviões,
etc.) que, ao mesmo tempo que facilitam a
vida cotidiana, contribuem para a poluição
do ar e o aquecimento do planeta, pois, ao
queimar combustíveis fósseis (gasolina e Todo automóvel movido a combustível fóssil polui. Por
razões de políticas ambientais, os carros mais novos
óleo diesel, por exemplo), liberam gases poluem menos. Mas ainda poluem! Foto da Avenida 23 de
que ampliam o efeito estufa. maio, em São Paulo (SP), 2015.

Direitos e deveres
Agora se pode definir a ética e considerá-la do ponto de vista da ciência e da tecnologia. Mui-
tas pessoas relacionam ética com moral, mas há grandes diferenças entre ambas. A ética inde-
pende de convenções. A moral é variável, pois pode mudar com a época e a cultura de cada po-
vo. Por exemplo, em alguns países, a poligamia (casamento com mais de um cônjuge) é
permitida por lei; já nos países monogâmicos, a poligamia é considerada imoral, pois contraria
os costumes dessa cultura. De acordo com o educador Paulo Freire (1921-1997), em seu livro
Pedagogia da autonomia (São Paulo: Paz e Terra), a ética é sinônimo de decência. Resumidamen-
te falando, a ética é a capacidade de viver bem com o outro, o que leva obrigatoriamente ao res-
peito dos limites entre direitos e deveres dos seres humanos como cidadãos. O estudo da ética
se desenvolve no campo da Filosofia.
Desde o século XX, quando as descobertas científicas e os avanços tecnológicos alteraram de
maneira significativa o dia a dia das pessoas, surgiram debates sobre a ética na ciência. Esta é a
questão mais recorrente: Como evitar que experimentos científicos e novas descobertas tecno-
lógicas coloquem em risco o bem-estar social?
Esses debates ocorrem entre vários segmentos da sociedade (cientistas, jornalistas, estu-
dantes, artistas, líderes religiosos, políticos, etc.). Os enfoques são diversificados. Apresen-
tam-se a seguir alguns exemplos. É válido ou perigoso o desenvolvimento de organismos
transgênicos para aplicações diversas, como o aumento da oferta de alimento para a popula-
ção mundial? É apropriado ou contraria o direito à vida liberar o uso de células-tronco em-
brionárias para o tratamento de doenças? Como incentivar o desenvolvimento econômico de
um país e, ao mesmo tempo, diminuir o efeito estufa reduzindo a emissão de gás carbônico
na queima de combustíveis fósseis pelas indústrias e pelos veículos automotores?
Como se vê, é importante que as pessoas estejam atentas às inovações tecnológicas e partici-
pem de alguma maneira dos debates que envolvem temas sobre ciência, ética e tecnologia.

Não escreva no livro. 13

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A importância do argumento ético
Embora nem sempre os argumentos éticos prevaleçam, debates sobre ciência e tecnologia
merecem uma ponderação nesse sentido. Um exemplo de argumento ético que não foi levado
em conta e resultou em catástrofe para a humanidade foi a fabricação da bomba atômica. Em
seus estudos, o cientista alemão Albert Einstein (1879-1955) demonstrou que teoricamente era
possível usar a energia atômica, mas não imaginava que isso pudesse ser posto em prática para
a fabricação de uma bomba. Com o início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Einstein,
em seu nome e em nome de vários físicos, escreveu uma carta ao presidente dos Estados Uni-
dos, Franklin Roosevelt (1882-1945), expressando-lhe o temor de que os nazistas produzissem
a bomba atômica. Esse alerta estimulou os Estados Unidos a agirem rapidamente, a fim de pro-
duzir essa bomba primeiro. Coube novamente a Einstein fazer o pedido formal em nome da co-
munidade científica para que os Estados Unidos não lançassem a bomba sobre o Japão (a Ale-
manha já havia sido derrotada). Mas Roosevelt não teve tempo de ler essa carta, pois morreu
repentinamente. Seu sucessor, Harry Truman (1884-1972), ignorou os pedidos e os argumen-
tos de Einstein e autorizou o lançamento das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki.

Universal History Archive/UIG/Fotoarena


Capítulo 1 – Física, ciência da natureza

Foto da explosão da bomba atômica lançada pelos Estados Unidos sobre Hiroshima, em 6 de agosto de 1945. Três
dias depois, outra bomba atômica foi lançada sobre Nagasaki. As duas cidades japonesas foram arrasadas e
milhares de civis foram mortos, incluindo crianças e idosos.

A evolução da ciência resulta em avanços da tecnologia, em surgimento de novas ideias, e


isso tem determinado o desenvolvimento de nossa civilização.

para refletir

Quando lhe perguntaram como seria uma terceira guerra mundial, Einstein respondeu mais
ou menos assim: “A terceira eu não sei, mas a quarta certamente será com paus e pedras”.
1. O que Einstein quis dizer com essa resposta?

14 Não escreva no livro.

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Ciência e religião na sociedade
De modo geral, quando a sociedade debate os papéis da ciência e da reli- fatos e personagens
gião, surgem muitas discussões a respeito do modo como cada uma delas in-
terpreta a realidade. Essas discussões – que também aparecem em estudos da O poder da razão
Filosofia, da Teologia e da Sociologia, por exemplo – não fazem parte do de- Giambattista Vico (1668-
senvolvimento deste livro. Mas faremos uma breve apresentação de algumas -1744) e Galileu Galilei (1564-
diferenças e semelhanças entre essas duas atividades humanas. -1642) entraram para a história
A ciência (do latim scientia, que significa “conhecimento”) é um conjunto do pensamento com registros
de saberes construídos historicamente (no decorrer dos séculos). Sua ferra- opostos. Galileu como o már-
menta de trabalho é o método científico, aplicado para investigar a natureza, tir que quase foi crucificado por
fazer previsões e criar modelos que expliquem os fenômenos naturais. discordar do dogma católico
A religião (palavra cuja origem se atribui ao latim religare, que signi­ que colocava a Terra no centro
do universo. Vico por defender
ficaria “religação”) engloba crenças, doutrinas e formas de pensamento
que, ao enfraquecer a fé e as su-
fundamentados, por exemplo, em conteúdos metafísicos, ou seja, além do perstições, o ceticismo científi-
mundo físico. co era um perigo para a civiliza-
Embora ciência e religião tenham características que as tornam distintas, ção. O maravilhoso, no caso, é
existem aspectos comuns a ambas, como o fato de serem aplicadas para que visões tão opostas tenham
compreender e interpretar o mundo. Tanto que há cientistas que seguem sido ambas exemplos do uso
uma religião e há religiosos interessados na ciência. Além disso, no pensa- mais requintado da mente hu-
mento científico pode haver crenças religiosas que influenciam nas ativida- mana e de seu instrumento, a
des de pesquisa. razão.
A Ciência e a fé já foram unidas. Veja, São
Paulo, Ed. Abril, p. 89, 11 fev. 2009.
Dogmatismo e ceticismo
São manifestações extremas de ausência (o dogmatismo) ou excesso (o ce-
ticismo) da capacidade crítica. Dogmatismo é a atitude de quem se recusa a
criticar suas próprias crenças. Ceticismo é a crítica que leva à convicção de
que não se pode crer em nada que seja metafísico e religioso.
Contar com um sistema de crenças – sejam científicas, sejam religiosas –
pode ser necessário para dar um sentido à vida e ajudar as pessoas a orientar-
-se no mundo. Tanto o dogmático quanto o cético tendem à certeza absoluta
em suas crenças.

para debater

Ciência e religião como aliadas


Fragmento de entrevista com o doutor Frank Usarski, pós-doutorado em Ciências Humanas na área de Ciência da
Religião e professor no programa de pós-graduação em Ciências da Religião na PUC-SP.
[…] Na sua opinião, Ciência e Religião são divergentes ou convergentes? Por quê?
R.: […] a divergência mais marcante é que cientistas empíricos não trabalham com conceitos metafísicos. […]
Mas além de divergências há várias convergências. [...]
Religião e ciência são ambas sistemas de compreensão e interpretação do mundo. A teoria de big-bang e a doutri-
na cristã de criação têm o mesmo objetivo: responder à questão de onde vem nosso universo. No decorrer do pro-
cesso de secularização, ou seja, na medida em que a ciência como uma forma específica de compreensão do mun-
do ganhou cada vez mais aceitação coletiva na cultura ocidental, a interpretação cosmológica religiosa tem perdido
sua plausibilidade para a maioria da população dos países correspondentes. Devido ao “triunfo” das ciências exatas
na modernidade é inevitável aceitar, do ponto de vista de um indivíduo religioso, que a doutrina bíblica de criação
seja “apenas” uma imaginação simbólica de “verdadeiros” eventos cósmicos. Neste sentido podem coexistir na cons-
ciência moderna os dois referenciais, ou seja, os relevantes textos bíblicos e as teorias astrofísicas atuais.
Usarski, F. Interações entre Ciência e Religião. Espaço Acadêmico, ano II, n. 17, out. 2002. Disponível em: <http://www.espacoacademico.com.
br/017/17cusarski.htm>. Acesso em: 22 mar. 2016.

1. Debata com os colegas quais são as convergências e as divergências entre ciência e religião, expondo seus argumentos.

Não escreva no livro. 15

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A ideia de modelo
Chamamos de modelo o conjunto de hipóteses, leis e propriedades, geral-
mente obtidas e testadas por meio de experimentos, que representam e des-
crevem um fenômeno ou conjunto de fenômenos.
Do ponto de vista científico, o termo “modelo” indica que se trata de uma
aproximação da realidade.
Um exemplo é o modelo do Big Bang, segundo o qual o Universo teve iní-
cio há cerca de 14 bilhões de anos, a partir da explosão de um ponto extraor-
dinariamente denso, que originou todos os corpos celestes. O Big Bang é uma
explicação científica que se apoiou em hipóteses construídas por vários pen-
sadores, desde a Antiguidade.

Modelagem de fenômenos
Atualmente, é comum a utilização da palavra modelagem (elaboração de
modelos) para designar a busca de modelos matemáticos que descrevam fe-
nômenos, como o crescimento populacional, a demanda futura de energia
elétrica de um país, o comportamento da bolsa de valores, o padrão de ater-
rissagens e decolagens de aviões nos aeroportos, a disseminação de um vírus
em determinada população, a previsão do tempo, a variação da temperatura
da água dos oceanos, a propagação de sinais elétricos em uma rede de neurô-
nios, entre outros exemplos.
Vários cientistas, das mais diversas áreas, desenvolvem modelos matemáti-
cos para essas e muitas outras situações. Dessa maneira, pode-se imaginar a
importância do estudo de modelos matemáticos para o futuro da sociedade para refletir
humana.
A lei da correspondência
O método científico Há quem pense que, após a
adoção de uma nova teoria, a
O conhecimento científico é construído com base em um conjunto de mé- anterior deve ser completamen-
todos e procedimentos predefinidos, que podem não ser exatamente os mes- te abandonada. Porém, a ciência
mos para todas as ciências. Há, porém, uma sequência básica de procedimen- pode indicar outras possibilida-
tos que é comum a todas elas. São quatro etapas que podem ser generalizadas des. Por exemplo, embora a teo-
como descrito a seguir. ria da relatividade para explicar
o movimento de corpos seja
I. Elaboração de um problema: o cientista identifica um tema, uma si- mais ampla que a teoria criada
tua​ção ou um evento que merece ser estudado. por Newton, ela não invalida
o pensamento newtoniano. Tan-
II. Observação do fato ou experimentos: o cientista se propõe a observar to que os estudos de Newton so-
o fenômeno ou faz experimentos que o recriam a fim de coletar dados bre o movimento dos corpos fa-
que o ajudem em sua análise. zem parte do currículo de Física
do Ensino Médio e também são
III. Estudo dos dados e interpretação: o cientista analisa os dados coletados bastante utilizados para a com-
Capítulo 1 – Física, ciência da natureza

na etapa anterior e os interpreta, usando expressões matemáticas para preensão de diversos casos de
criar um modelo e formulando hipóteses sobre o problema em questão. movimento.
De acordo com Niels Böhr
IV. Replicação do experimento: o cientista refaz suas observações e expe- (1885-1962): “Quando uma no-
rimentos na tentativa de obter resultados semelhantes aos anteriores va teoria for proposta, ela deve
que comprovem sua hipótese. É uma etapa de testes. explicar os mesmos fenômenos
no domínio de validade da teoria
O passo seguinte, estando o cientista certo de suas observações, é a pu- anteriormente estabelecida”.
blicação de um artigo com a descrição do seu trabalho em alguma revista
científica. Essa é uma etapa tão importante quanto as anteriores, pois é 1. Pesquise sobre outros modelos
dessa forma que o conhecimento científico é compartilhado e pode ser científicos (ou teorias) que ex-
plicam algum modelo anterior
comprovado ou refutado por outros cientistas em laboratórios de todo o e o complementa.
mundo.

16 Não escreva no livro.

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A Física como construção humana
A ideia de modelo é importante para que se compreenda a ciência como construção humana.
Ou seja, trata-se de um conhecimento construído pelo ser humano e para o ser humano; portan-
to, como tal, é passível de transformações.
Para ser considerado científico, o conhecimento deve passar por todas as etapas do método
e ser aceito pela comunidade científica.
Nesse sentido, é importante compreender o conceito de paradigma, proposto pelo historia-
dor de ciência Thomas Kuhn (1922-1996). Em linhas gerais, Kuhn define paradigma como um
conjunto de conhecimentos que perduram por períodos relativamente longos e que, muitas ve-
zes, norteiam o desenvolvimento de pesquisas; estas são feitas para que se descubram soluções
para problemas levantados pelo próprio conhecimento. Quando a explicação de um fenômeno
rompe com esse conjunto de conhecimentos estabelecidos, o paradigma começa a ser questio-
nado. Com isso, pode-se chegar ao que Kuhn chama de quebra de paradigma.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

1. Leia este trecho de uma entrevista feita pelo mé- 2. Em meados da década de 1940, cientistas desco-
dico Dráuzio Varella (1944-) com Aziz Ab’Sáber briram que a emissão de uma radiação fraca na
(1924-2012), um renomado geógrafo brasileiro. faixa das micro-ondas (ondas eletromagnéticas
entre 1 mm e 1 cm de comprimento) é capaz de
Dráuzio: Quais os reflexos do conhecimento fazer vibrar as moléculas de água, provocando um
científico na sociedade humana? rápido aquecimento em qualquer substância que
Ab’ Sáber: A ciência em si é inocente. Posso tra- tenha água em sua composição (como é o caso
balhar em todos os níveis do conhecimento e sei dos alimentos). Tal fato levou à invenção do forno
que a ciência básica não tem conotações beligeran- de micro-ondas.
tes com a vida e com a natureza. Para que as ciên-
Tony MCConnell/SPL/Latinstock

cias sejam úteis às sociedades, é preciso que estejam


combinadas entre si. [...] Existem ciências que, se
combinadas, aplicam-se a descobertas novas.  As
ciências, no entanto, têm de dirigir-se à sociedade,
à comunidade humana, e isso torna o tema mais
complexo. Por isso, as ciências do homem são fun-
damentais em todo o corpo geral das ciências, a fim
de que o progresso científico não fique por demais
distanciado da realidade das comunidades huma-
nas às quais será aplicado. De um lado, temos o blo-
co da consciência social, científica, ética e jurídica e,
de outro, temos a pirâmide social. A ética científica
deve zelar pelo cruzamento dessa consciência social
com todos os segmentos da pirâmide social.
Por meio de uma câmera com capacidade de diferenciar a
Site do dr. Dráuzio Varella. Disponível em: <http://drauziovarella. temperatura por cores (vermelho mais quente, azul mais
com.br/drauzio/aziz-absaber/>. Acesso em: 22 mar. 2016. frio), podemos perceber que a tigela foi mais aquecida por
conter alimentos, com água em sua constituição.
a) “A ciência em si é inocente. Posso trabalhar em
todos os níveis de conhecimento e sei que a Quarenta anos depois, o resultado é uma inven-
ciência básica não tem conotações beligeran- ção tecnológica de grande sucesso comercial: o
tes com a vida e com a natureza.” Nesta parte forno automático de micro-ondas.
do texto, Ab’Sáber aponta uma diferença bási-
ca entre ciência e tecnologia. Identifique-a. Mesmo sem conhecer os conceitos de radiação e
ondas eletromagnéticas, é possível interpretar o
b) O físico brasileiro César Lattes (1924-2005)
texto acima e fazer o que se pede a seguir.
disse que “o homem como cientista é amoral. Só
é moral como homem”. Essa afirmação está de a) Pesquise e identifique qual foi a descoberta
acordo com a de Ab’Sáber de que “a ciência em científica e cite o nome da invenção tecnoló-
si é inocente”? gica dela decorrente.
c) Para Ab’Sáber, como a reflexão sobre a ética na b) Cite algumas diferenças entre ciência e tecno-
ciência pode beneficiar a sociedade humana? logia.

Não escreva no livro. 17

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Integre o aprendizado
Não escreva no livro.

3. Explique o que é um fenômeno natural. enorme entusiasmo. Sempre recebo uma série de
perguntas encadeadas. Elas nunca ouviram falar da
4. Dê três exemplos de fenômenos naturais que fazem noção de “perguntas imbecis”. [...]
parte dos estudos da Física.
Mas há outra coisa: conheço muitos adultos que
5. Fundamente-se no que você aprendeu neste capítu- ficam desconcertados quando as crianças peque-
lo e escreva um texto diferenciando Física e Mate- nas fazem perguntas científicas. Por que a Lua é
mática. redonda?, perguntam as crianças. Por que a grama
6. Fundamente-se no que você aprendeu neste capítulo é verde? O que é um sonho? Até onde se pode ca-
e escreva um texto diferenciando ciên­cia e religião. var um buraco? Quando é o aniversário do mun-
do? Por que nós temos dedos nos pés? Muitos pro-
7. Em relação ao método científico: fessores e pais respondem com irritação ou zom-
a) defina-o; baria, ou mudam rapidamente de assunto: “Como
b) enumere seus principais procedimentos; é que você queria que a Lua fosse, quadrada?”. As
crianças logo reconhecem que de alguma forma
c) responda: seus procedimentos se desenvolvem ri- esse tipo de pergunta incomoda os adultos. Novas
gorosamente em uma ordem estipulada? Explique experiências semelhantes, e mais uma criança per-
sua resposta. de o interesse pela ciência. Por que os adultos têm
8. Justifique a afirmação de que é possível fazer ciên- de fingir onisciência [pleno conhecimento] diante
cia na cozinha. de crianças de 6 anos de idade é algo que nunca
vou compreender. O que há de errado em admitir
9. Explique por que a Física é uma construção humana. que não sabemos alguma coisa? A nossa autoesti-
10. Geralmente, quando as pessoas escutam a palavra ma é assim tão frágil?
cientista, a imagem que formam é estereotipada Além do mais, muitas dessas perguntas se refe-
(preconcebida, baseada em suposições generaliza- rem a problemas profundos da ciência, alguns dos
das), ou seja, é comum os cientistas serem vistos quais ainda não estão plenamente resolvidos. [...]
como pessoas “pouco normais”, esquisitas, sem vi- Sagan, C. O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma
vela no escuro. Trad. Rosaura Eichemberg. 1a reimpr. São Paulo:
da social e sem vaidades.
Companhia das Letras, 2007. p. 362-3.
a) Concentre-se na imagem que você tem da figura
do cientista e descreva-a com detalhes. a) Identifique no texto as razões que fizeram o autor
b) Verifique se sua descrição se aproxima da ima- afirmar que as crianças são “cientistas natos”.
gem estereotipada que em geral se tem dos Você concorda com essa afirmação? Justifique.
cientistas. b) O autor afirma que não há perguntas imbecis. Enu-
c) Os cientistas são pessoas normais: brincam na mere algumas perguntas aparentemente simples
infância, se apaixonam na adolescência, podem que você sempre quis fazer a alguém, mas nunca fez.

ou não ter sido alunos aplicados, etc. Na sua opi- c) Juntem-se em grupos de três ou quatro colegas de
nião, por que os cientistas geralmente não são sua classe. Troquem entre si as questões que cada
apresentados assim? um escreveu no item anterior. Analisem-nas. Veri-
11. Leia o texto a seguir e faça o que se pede. fiquem se há algumas questões em comum. Caso
haja, busquem identificar as razões para essa
De vez em quando, tenho a sorte de lecionar num
jardim de infância ou numa classe do primeiro ano
coincidência: será que é uma pergunta típica de
primário. Muitas dessas crianças são cientistas na- um jovem de sua época? Justifiquem.
tos – embora tenham mais desenvolvido o lado da d) Com o seu grupo, escolha uma dessas pergun-
admiração do que o do ceticismo. São curiosas, in- tas e tente responder cientificamente. Antes de
telectualmente vigorosas. Perguntas provocadoras e perguntar a um professor ou consultar um livro,
perspicazes saem delas aos borbotões. Demonstram elabore possíveis soluções.

De volta para o começo


1. Retome as respostas que você deu às questões propostas na abertura deste capítulo. Que alterações você
faria naquelas respostas?
2. O método científico dá credibilidade aos resultados das pesquisas científicas. Considerando isso, é correto
dizer que a ciência nunca erra? O aval da ciência tem o poder de resolver todos os assuntos e encerrar
discussões? O que se pretende dizer quando se afirma que algo foi “cientificamente comprovado”?
3. O desenvolvimento da ciência pode resultar em avanços tecnológicos. Quais interesses podem estar
envolvidos na aplicação da ciência? Seu desenvolvimento está diretamente vinculado às suas aplicações?

18

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Física tem história
História do método científico
No século XV, a Europa ingressou no período históri- parecia não se encaixar nos modelos existentes. Seria
co conhecido hoje como Renascimento, caracterizado praticamente impossível realizar tal tarefa não fosse a
pelo intenso debate entre dois tipos de pensamento: o criação de um método próprio.
antigo e o moderno. Os relatos dos navegadores, que O método científico começou a ser criado e estabele-
traziam de lugares distantes práticas, objetos, plantas e cido ainda na Idade Média. Johann Mulle, mais
animais até então desconhecidos pelos europeus, gerou conhecido como Regiomontanus (1436-1476), ao con-
na mente dos pensadores a seguinte questão: Esse trário de seus companheiros, observou sistematicamen-
“mundo novo” deveria ser explicado pela concepção an- te o céu. Leonardo de Pisa, também conhecido como
tiga ou uma nova ciência deveria ser estabelecida? Fibonacci (c. 1170-c. 1240) desenvolveu uma matemá-
Enquanto uma parte dos europeus se aventurava em tica voltada para problemas práticos. Guilherme de
grandes navegações à procura de um novo caminho para Ockham (1285-1349) elaborou uma lógica fundamen-
as Índias, outra parte se dedicava a traduzir, diretamente tal nas ciências, conhecida como navalha de Ockham
(ou Occam), popularizada da seguinte forma: entre
do grego para o latim, escritos da cultura clássica grega
duas teorias que explicam igualmente os fatos observa-
que, por um motivo ou por outro, não estavam presentes
dos, a mais simples é a mais correta.
nas traduções árabes ou foram adaptados de acordo com
No Renascimento, Francis Bacon (1561-1626) de-
os textos bíblicos. O pensamento de Aristóteles, filósofo fendeu a ideia de que para a ciência progredir é necessá-
grego de suma importância, ditava basicamente as regras rio um grande número de experimentos dos quais é
do céu e da terra, uma vez que suas concepções sobre o possível retirar novos axiomas que, por sua vez, geram
movimento dos corpos celestes e dos objetos eram tidas novos experimentos. Galileu Galilei (1564-1642) con-
como certas. Mesmo quando as previsões não se aproxi- tribuiu enormemente a favor de uma nova mecânica e
mavam da realidade, explicações complementares eram de um novo modelo de Universo ao realizar experimen-
propostas para “salvar os fenômenos”. tos e observar sistematicamente o céu por meio de ins-
A nova ciência, para romper com esse pensamento, trumentos. René Descartes (1596-1650) sistematizou
deveria ser capaz de explicar, simultaneamente, tanto o regras para o método científico por acreditar que assim
conhecimento já estabelecido quanto a realidade que chegaria à “verdade”.
Assim, a ciência foi adquirindo uma
Museu do Vaticano, Itália. Fotografia: Bridgeman Images/Easypix

forma de pensar e vocabulários pró-


prios, que foram sendo empregados e
reformulados à medida que as ideias ne-
cessitavam de transformação, chegando
ao patamar que conhecemos hoje.

Escola de Atenas, de Rafael


Sanzio (1483-1520).
Afresco, 5 m 3 7,7 m.
Pintada entre 1509 e 1511,
a obra retrata alguns dos
grandes pensadores da
Antiguidade, como Platão,
Sócrates, Pitágoras,
Ptolomeu, etc.

Compreender e relacionar
1. Durante a discussão de um problema prático no laboratório de Física, dois alunos argumentam e
discordam sobre a possível solução. De acordo com o princípio da “navalha de Ockham”, como o professor
deveria interceder para encerrar a discussão?
2. O surgimento de um padrão de estudos e de vocabulário permitiu a construção de uma sociedade científica
mais ampla. O que você entende por padrão de estudos e de vocabulário?

19
Não escreva no livro.

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Ciência, tecnologia e sociedade
Ciência e arte
Fala-se muito no grande abismo entre ciência e arte diferentes, de a ciência ter uma aceitação baseada no mé-
[…]. O poeta inglês John Keats acusou seu conterrâneo todo científico, que provê meios para que teorias sejam
Isaac Newton de ter “desafiado o arco-íris” com suas ex- testadas frente a observações, não muda a minha opi-
plicações físicas sobre a […] luz. Ou seja, explicar racional- nião. Ciência é criação do homem, fruto de nossos cére-
mente algo de belo que existe no mundo é insultar a sua bros e de nosso modo de ver o mundo. Para entender
existência, tirar a sua poesia. […] isso, basta examinarmos um exemplo de sua história.
Um leitor […] me escreveu recentemente pedindo que Aristóteles dizia que a gravidade vinha da tendência
eu esclarecesse a distinção entre descoberta e criação. dos corpos de voltarem ao seu lugar de origem: uma pe-
Mais especificamente, a diferença entre as duas dentro dra caía no chão porque foi de lá que ela tinha vindo.
da ciência. Newton, no século 17, propôs que a gravidade era uma
Nós criamos ou descobrimos a ciência? Será que as força entre quaisquer corpos materiais, com intensidade
nossas teorias e os nossos teoremas estão codificados de proporcional ao produto de suas massas e inversamente
algum modo na natureza e tudo o que faz um cientista é proporcional ao quadrado de sua distância. Einstein, em
1916, disse que a gravidade vem da curvatura do espaço
“descobri-los”, levantar a coberta que os esconde, revelan-
em torno de um corpo maciço, reduzindo-a a um efeito
do seu significado? Ou será que os criamos, usando nossa
geométrico.
intuição, observação e lógica?
Todas essas teorias foram propostas para explicar os
Complicada, essa pergunta. […] Se fosse prudente, pa-
mesmos fenômenos. Imagino que Einstein não terá a
rava por aqui, citando a minha sábia avó, que dizia que
última palavra: a gravidade será explicada de formas di-
“criar é coisa de Deus, descobrir é coisa de gente”. Mas por
ferentes, na medida em que o conhecimento científico
que não tentar inverter isso, fazer do homem criador e
avançar. Junto com novas tecnologias e novos concei-
não só criatura? Afinal, descobrir é emocionante, mas
tos surgem novas representações do mundo natural.
bem mais passivo do que criar.
Pode-se descobrir um novo fenômeno, mas sua explica-
Comecemos pelo “Aurélio”. “Criar” significa dar exis- ção é criada.
tência a; dar origem a; formar; imaginar. “Descobrir” sig- Pensemos agora em uma outra história, a da represen-
nifica tirar a cobertura que ocultava, deixando à vista; tação gráfica da crucificação de Cristo. No século 13 era
encontrar pela primeira vez; revelar etc. […] uma coisa, na Renascença, outra, no século 18, ainda ou-
O artista é o criador, ele ou ela dá existência a algo que tra, e no 21, outra completamente diferente. O evento é o
não existia, enquanto o cientista é o descobridor, aquele mesmo, mas a sua representação gráfica muda, porque
que revela o significado oculto das coisas, sem criá-las. muda a perspectiva artística. É perfeitamente razoável
Beethoven criou a sua Nona Sinfonia, certo? Ela não exis- para um artista recriar a crucificação como um amálgama
tia antes de ele existir. Já Newton descobriu as três leis do [mistura, união] do seu subjetivismo e dos valores cultu-
movimento – elas estavam lá, escondidas na natureza, es- rais da época em que vive. A visão artística está sempre
perando para serem reveladas pela mente certa. em transformação.
Muita gente pode se contentar com essa explicação e A científica também está. Ciência é uma construção
dar o caso por encerrado. Mas eu não. Para mim, a ciên- humana, criada para que possamos compreender o mun-
cia é uma criação, tão criação quanto uma obra de arte. O do em que vivemos. O que se descobre são novos modos
fato de arte e ciência obedecerem a critérios de validade de criar.
Gleiser, M. Criação ou descoberta? Folha de S.Paulo. Caderno Mais!, 14 set. 2003. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u10092.
shtml>. Acesso em: 22 mar. 2016.

Para discutir
1. No terceiro parágrafo, o autor pergunta: “Nós criamos ou descobrimos a ciência?” Qual foi a resposta do
próprio autor para essa questão?
2. O texto cita três explicações diferentes sobre a gravidade dos corpos. Quais são elas? Responda
identificando o nome do autor de cada explicação.
3. Releia: “explicar racionalmente algo de belo que exista no mundo é insultar a sua existência, tirar a sua
poesia”.
Em sua opinião, o próprio autor do texto concorda com esse trecho?

20
Não escreva no livro.

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capítulo

2 Medidas

Caio Guatelli/Folhapress
o que você
vai estudar

A importância
das medições.
Grandezas físicas
e medidas.
Grandezas
escalares e
grandezas
vetoriais.
Representações
de medidas.

Maurren Maggi, vencedora da medalha de ouro na Olimpíada de Pequim, em 2008. Maurren foi a primeira
mulher brasileira a conquistar medalha de ouro olímpica em esportes individuais.

Debate inicial
• Na fotografia acima, podemos visualizar números dispostos ao lado do tanque de
areia. Para que você acha que servem e o que representam esses números? Qual
grandeza é medida?
• Você consegue intuir, a partir da fotografia, se as marcações utilizadas estão em
metros, centímetros ou quilômetros?
• Pela fotografia, procure identificar exatamente a marca alcançada por Maurren
Maggi.
• Tente imaginar um modo mais preciso de realizar esse tipo de medição. Quais efei-
tos você acredita que o desenvolvimento de técnicas mais precisas de medição
teve e ainda pode ter no esporte e em outras atividades humanas? Cite algumas
situações do seu dia a dia que envolvem medidas de grandezas físicas.

Considere as respostas obtidas no debate acima e responda no caderno.


1. Em sua opinião, é possível medir uma grandeza de maneira totalmente precisa?
2. Considerando as diferentes escalas possíveis para medir o salto de Maurren e outras
medidas com as quais você está acostumado no seu dia a dia, responda: faz sentido
expressar o valor de uma medida física sem explicitar qual é a unidade de medida?

Não escreva no livro. 21

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A importância das medições
Provavelmente devido ao surgimento da agricultura e do comércio, a humanidade passou a
ter necessidade de comparar, de maneira cada vez mais precisa, quantidades de alimentos, vo-
lumes, distâncias, etc. O estabelecimento de um padrão confiável para as medições foi um pro-
cesso lento. Houve épocas em que partes do corpo humano – como o pé, o dedo polegar, a pal-
ma da mão e o braço – foram usadas como padrões naturais de medidas. Como os corpos das
pessoas, contudo, têm tamanhos distintos, o uso desses padrões gerava discordâncias.
Apesar dessas divergências, algumas medições específicas ainda hoje usam como parâmetro
partes do corpo humano, como ocorre na medida da distância entre a barreira e a bola numa
cobrança de falta no futebol: a distância oficial é de 9,15 metros, mas o árbitro mede essa dis-
tância de maneira aproximada, contando suas passadas.
Um dos marcos na adoção de padrões universais de medidas ocorreu durante a Revolução
Francesa, quando a França passou a utilizar um sistema de medidas com múltiplos e submúl-
tiplos de base 10 – o chamado Sistema Métrico Decimal. A praticidade desse sistema contri-
buiu para a criação do Sistema Internacional de Unidades, em 1960.
A importância das medições pode ser verificada em atividades simples do cotidiano. Por exem-
plo, ao comprar 1 quilograma (1 kg) de feijão, 1 litro (1 L) de leite ou 200 gramas (200 g) de quei-
jo, percebe-se como a medida é uma informação fundamental.
Dado o avanço da ciência e da tecnologia, as medições tornam-se cada vez mais precisas, e
os valores medidos, mais confiáveis.
Manuel Blondeau/AOP Press/DPPI/A

Cobrança de falta em
jogo na Espanha, em
2015. Segundo a
regra, em uma
cobrança de falta a
barreira deve estar
posicionada a
9,15 metros de
distância da bola.

fatos e personagens
Medidas extremas
[...] Há cerca de 30 mil anos, enquanto lascava pedras e manuseava ossos para fabricar instrumentos de caça e de
defesa, o homem começou a avaliar dimensões. Comparava as lascas entre si e analisava se eram adequadas para o
uso que esperava delas. Quando caçava, aprendeu – após repetidas tentativas – a calcular a distância do alvo, a força
com que deveria atirar a lança e a velocidade que deveria conferir ao arremesso. “Não se trata apenas de um compor-
tamento instintivo”, diz o historiador da ciência Ubiratan D’Ambrosio, da Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo (PUC-SP). “A capacidade de avaliar dimensões surge de um pensamento abstrato que começa a despontar de
modo tênue nesse homem primitivo.”
[...]
Capítulo 2 – Medidas

Erros e acertos também modela­ram a experiência humana. Mas o desenvolvimento da linguagem e, posteriormen-
te, da cultura possibilitou ao homem identificar as diferentes dimensões presentes no ambiente e conferir-lhes um
significado. “A vida em sociedade exigiu comunicação”, diz Ubiratan. “A troca de impressões com os demais mem-
bros do grupo foi a base para a criação de um padrão comum.” Assim surgiram os primeiros sistemas de medidas, que
permitiam a todos compreender determinados conceitos, mesmo que não tivessem lidado com eles anteriormente.
Vomero, M. F. Medidas extremas. Superinteressante, n. 186, mar. 2003. Disponível em: <http://super.abril.com.br/historia/medidas-extremas-443692.
shtml>. Acesso em: 20 mar. 2016.

22 Não escreva no livro.

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Grandezas físicas e medidas
Chamamos de grandeza física tudo aquilo que pode ser quantificado. Tempo, massa, deslo-
camento e velocidade, por exemplo, são grandezas físicas.
Medir uma grandeza física significa compará-la com uma unidade de medida escolhida como
padrão, indicando quantas vezes a grandeza contém a unidade. Dessa maneira, a resposta para
a pergunta feita no início do capítulo – “Faz sentido expressar o valor de uma medida física sem
explicitar qual é a unidade de medida?” – é: Não, pois medir uma grandeza física é compará-la
com uma unidade de medida escolhida como padrão.
Para indicar a unidade de medida associada a uma grandeza física em determinada situação,
iguala-se o símbolo da grandeza representado entre colchetes à unidade correspondente. Por
exemplo, se a massa m de um corpo é dada em quilograma, escrevemos: [m] 5 kg

Instrumentos de medida
Para medir diversas grandezas físicas, utilizamos instrumentos de medida. De acordo
com as características do que se deseja medir, usam-se instrumentos e métodos diferentes.
Com uma régua graduada em centímetro, por exemplo, não é viável medir a espessura de um
fio de cabelo ou a distância entre duas cidades, mas é possível medir o comprimento de uma
folha de papel. A seguir, apresentamos alguns exemplos de instrumentos de medida e suas
aplicações.

Sergey Ogaryov/Shutterstock.com/ID/BR
studioVin/Shutterstock.com/ID/BR

Béquer Balança
Usado para Usada para
medir volumes medir a massa
líquidos. de um corpo.
Jiri Hera/Shutterstock.com/ID/BR

DVARG/Shutterstock.com/ID/BR

Fita métrica Termômetro


Usada para Usado para
medir medir
comprimentos. temperaturas.
t_kimura/iStock/Getty Images

Hodômetro Cronômetro
Usado para Usado para
medir distâncias medir intervalos
percorridas. de tempo.
Paulpaladin/
Dreamstime.
com/ID/BR

Em algumas situações não é conveniente ou não é possível medir uma grandeza diretamente
por meio de instrumentos de medida. Nesses casos, pode-se recorrer à medição indireta, que
consiste em obter a medida de uma grandeza por meio de medições diretas – isto é, medições
feitas com instrumentos de medida – de outras grandezas, as quais possuem uma relação co-
nhecida com aquela que se deseja medir. Para medir a distância entre alguns corpos celestes,
por exemplo, os astrônomos fazem cálculos usando medidas de ângulos obtidas de forma dire-
ta em observações feitas na superfície da Terra.

Não escreva no livro. 23

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Grandezas escalares e
grandezas vetoriais
Grandezas escalares
Quando dizemos que a massa de um automóvel é 1 100 kg, a informação para refletir
fica completa, ou seja, não é necessário acrescentar nenhum dado para que
um interlocutor compreenda quanto mede a massa do automóvel. Do mesmo Convenção de medidas
modo, quando dizemos que a temperatura ambiente em dado momento é O valor assumido por uma
23 °C, determinamos completamente a grandeza “temperatura” indicando o grandeza depende das conven-
valor numérico e a unidade de medida. Grandezas desse tipo são chamadas ções adotadas para medi-la.
grandezas escalares. Um exemplo de convenção de
Além da massa e da temperatura, são exemplos de grandezas escalares o medidas é o uso de números ne-
gativos em painéis de elevado-
tempo, o comprimento e a área.
res. Associando o zero ao andar
térreo, os números mostrados no
Grandezas vetoriais painel indicam a posição dos ou-
tros andares em relação ao tér-
Se uma pessoa diz “Eu vou me deslocar 3 metros”, a informação fica in- reo. Assim, o número 22 indica
completa, pois, apesar de indicar a medida do deslocamento, essa informação um andar que está dois andares
não nos permite concluir para onde a pessoa vai se deslocar. Só poderíamos abaixo do térreo.
determinar a posição da pessoa após o deslocamento de 3 metros se soubés- O mesmo ocorre com a tem-
semos a direção (vertical, horizontal, noroeste, etc.) e o sentido (para a direi- peratura, que pode assumir va-
ta, para a esquerda, do sul para o norte, etc.) desse deslocamento. Grandezas lores negativos dependendo da
escala utilizada.
desse tipo são chamadas grandezas vetoriais. Além do deslocamento, são
exemplos de grandezas vetoriais a velocidade e a força. 1. Você conhece alguma escala que
não adota números negativos?
Para representar grandezas vetoriais, utilizamos o conceito de vetor.
O  vetor é um ente matemático representado por um segmento de reta
orientado cujo comprimento é proporcional à medida da grandeza que o
vetor representa.
Considere o segmento de reta orientado representado na figura abaixo. para refletir

AB r Na sala de aula, coloque uma


A B venda nos olhos de um dos cole-
​_____› gas e posicione um objeto a três
No segmento orientado ​AB ​  , o ponto A é a origem e o ponto B é a extremi- passos de distância dele. Em se-
dade. A reta r, que contém o segmento orientado, indica a ​_direção, e a seta, guida, peça ao colega que encon-
____› tre o objeto, dando a ele apenas a
o sentido do segmento. O módulo do segmento orientado ​AB ​_​  ____ é a medida do informação de que o objeto está

seu comprimento. Assim, o vetor representado pelo segmento ​AB ​  tem origem a uma distância de três passos.
no ponto A e extremidade no ponto B, direção horizontal e sentido para a di- 1. Foi possível encontrar o objeto
reita (de A para B). ​_____› com somente essa informação?
Para indicar o vetor
​_____›
representado pelo segmento orientado​__ AB, ​
​    podemos 2. Que outra informação é neces-

usar duas notações: AB ​
​   ou uma letra qualquer, por exemplo, d ​ ​    sária para que ele encontre o
objeto de maneira precisa?
Ilustrações:
Setup
Bureau/
ID/BR

d r
A B

​__›
Capítulo 2 – Medidas

_​_› Indicamos o módulo (ou a intensidade) do vetor ​d ​   da seguinte forma:


​ d ​ 
​   ​ou d ​__›
Por exemplo, se o vetor d ​ ​   representa um deslocamento de módulo igual a
​__›
2 metros, escrevemos: ​ d ​ ​   ​5 2 m ou d 5 2 m
Caracterizamos um vetor quando definimos seus elementos: módulo,
direção e sentido.

24 Não escreva no livro.

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​___›
Um vetor cujo módulo é igual a zero é chamado vetor nulo, sendo representado por ​0 ​  . 1m
Para o vetor nulo, não se define direção nem sentido.

Setup Bureau/ID/BR
1m
Embora a representação das operações matemáticas com vetores utilize símbolos e formatos
d
iguais aos utilizados com números, as soluções dessas operações exigem métodos próprios, que
veremos adiante. Fazer uma soma de vetores, por exemplo, não é o mesmo que somar números. c
Observe os _vetores representados na figura ao lado.
​_› ​_›_
Os vetores a ​
​   e b ​
​   têm mesmo módulo, mesma direção _​›_ e​__› mesmo sentido. Quando isso acon- a b
tece, dizemos que os vetores são iguais e indicamos: a ​ ​   5 b ​
​   
Dois vetores são diferentes quando ao menos um dos seus elementos difere. Quando os ve-
tores têm mesmo módulo, mesma __
direção e sentidos opostos, dizemos__ __
que são vetores opostos.
_​_› ​› _​_› ​› ​› ​__›
Por exemplo, os vetores ​a ​  e d ​
​   são opostos, e indicamos: a ​​   5 2​d ​  ou d ​
​   5 2​a ​ 
Nos exemplos apresentados, observe os seguintes detalhes sobre a representação de grande-
zas vetoriais: ​__›
••O símbolo ​d ​  representa a grandeza vetorial com todas as suas características: módulo, direção
e sentido. ​__› ​__›
••Não__é correto escrever ​d ​  5 2 m, pois o vetor d ​
​›
​   não é igual a 2 m. O correto é dizer que o ve-
tor ​d ​  possui módulo ou intensidade d 5 2 m, direção horizontal e sentido para a esquerda.
••Como o comprimento é uma grandeza sempre positiva, não existem grandezas vetoriais de
módulo negativo.

Soma vetorial
Muitas situações estudadas em Física envolvem operações matemáticas com vetores. Uma des-
sas operações é a soma vetorial.

EXPERIMENTO
Para ilustrar uma aplicação da soma vetorial, podemos fazer uma experiência na própria sala
de aula. Inicialmente, peça a um colega que fique em pé no fundo da sala e de frente para a lou-
sa. Marque essa posição inicial (com uma fita adesiva, por exemplo). Em seguida, peça a ele que
se desloque três passos em direção à lousa. Na sequência, ele deve se deslocar mais quatro pas-
sos para a direita. Marque essa posição final, como ilustrado na figura abaixo.

Lousa
Ilustrações: Setup Bureau/ID/BR

4 passos
Posição
final
3 passos

Posição inicial
Fundo da sala

Agora, peça ao colega que conte o número de passos que ele dará para se deslocar diretamen-
te da posição inicial até a posição final. O resultado deve ser próximo de cinco passos, que cor-
responde ao módulo da soma vetorial dos deslocamentos em cada trecho.
Lousa
4 passos
Posição
final
3 passos
5 passos

Posição inicial
Fundo da sala

Nessa experiência, pode-se perceber que o módulo de uma soma vetorial não é necessaria-
mente igual à soma dos módulos das grandezas vetoriais envolvidas.

Conforme veremos a seguir, a soma vetorial pode ser efetuada de duas maneiras: pelo método
da linha poligonal ou pelo método do paralelogramo.

Não escreva no livro. 25

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Método da linha poligonal
_​_› _​›_
Dados dois vetores não nulos a ​
​   e c ​
​  ,  vamos determinar pelo método da linha poligonal o ve-
_​›_ _​_› _​›_
tor soma s ​
​   5 a ​
​   1 c ​
​  . 

Ilustrações: Setup Bureau/ID/BR


c c
a a a

s
c

​____› _​__›
Consideremos dois vetores Na extremidade do vetor a, ​
​    ​___› O vetor soma s ​
​   é obtido
​____› ​___› ​____›
quaisquer não nulos a ​
​   e c ​
​   . desenhamos um vetor igual a c ​
​   . ligando-se a origem do vetor a ​ ​   
​___›
com a extremidade do vetor ​c ​  .
_​›_ _​›_ _​›_
Nesse caso, o módulo do vetor s ​
​   não é igual à soma dos comprimentos de a ​
​   e b ​
​  :  s , a 1 b.
Observe duas situações particulares representadas abaixo, em que os vetores têm mesma
direção.

a c a
s s b

​___› ​____› ​____› ​___› _​___› _​___›


s ​
​    5 a ​
​   1 b ​
​    ​    5 a ​
s ​ ​   1 b ​ ​   
_​__› ​___›
A intensidade do vetor ​s ​  é​____igual à soma A intensidade do vetor____s ​ ​   é​____›igual à diferença
​____› › ​›
dos comprimentos de a ​
​   e b ​​  :  s 5 a 1 b dos comprimentos de ​a ​  e b ​ ​  :  s 5 a 2 b
_​_›
Para qualquer vetor a ​
​  ,  temos: ​___› ​___›
​__› ​__› ​_›_ ​__›
••A soma do vetor a ​

​__›
   com ​   é o próprio vetor a ​
o vetor nulo 0 ​
​_›_
​  :  a ​
​   1
_ __ ​   5 a ​
0 ​
​ › ​_›_
​   
​__› _​__›
••A soma do vetor a ​​   com o seu vetor oposto 2​a ​  é o vetor nulo 0 ​ ​  :  a ​ ​   )​5 0 ​
​   1 (​ 2a ​  ​   

Método do paralelogramo
__ _​_› ​›
Considerando dois vetores ​a ​  e ​b ​  como
​_›_
ilustrados abaixo, vamos determinar pelo método do
​_›_ ​__›
paralelogramo o vetor soma s  ​
​   5 a ​
​   1 b ​​   .

_​›_ _​›_
Escolhemos um ponto O como origem e desenhamos dois vetores iguais a ​a ​  e ​b ​  com origem
em O. Note que os vetores formam um ângulo α entre si.
Capítulo 2 – Medidas

a
O b

26 Não escreva no livro.

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_​_› _​›_
Traçamos
​_›_
uma reta paralela ao vetor a ​
​   que passa pela extremidade de b ​​   , e uma reta paralela
​__›
ao vetor b ​
​   que passa pela extremidade de a ​ ​  ,  obtendo um paralelogramo.
_​›_
O vetor soma ​s ​  é o vetor que vai do ponto O até o ponto de intersecção das retas. Assim, o
​_›_
vetor ​s ​  tem a direção da diagonal do paralelogramo.

Setup Bureau/ID/BR
a
a
s
O

O módulo s do vetor soma é calculado pela expressão:

s 2 5 a 2 1 b 2 1 2 ? a ? b ? cos a

Note que para vetores que formam um ângulo de 90° entre si, caimos em um caso particular.
Nesse caso, a 5 90°, e como cos 90° 5 0, obtemos a expressão para calcular a intensidade
do vetor soma quando os vetores têm direções perpendiculares entre si:

s 2 5 a 2 1 b 2

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

1. Sempre que observavam a estrela Sírius surgir a estação C, a 2 km da estação B. Considerando os


no mesmo local do céu, à mesma hora, os egíp- deslocamentos do trem como grandezas veto-
cios antigos sabiam que o período de cheias do riais, determine o módulo do deslocamento total
rio Nilo se aproximava. Com essa informação eles do trem.
desenvolveram uma escala de tempo que permi-
tia determinar a melhor época para o cultivo. 5. Observe a figura a seguir e represente, em seu ca-
Indique outros fenômenos periódicos da natu- derno, os vetores dos itens na sequência em uma
reza que podem ser utilizados como padrão de malha quadriculada.
tempo.
Setup Bureau/ID/BR

2. Em um dia de verão com temperatura média de


R
30 °C, uma pessoa de 75 kg e 1,80 m de altura
está caminhando na pista de um parque com uma S
velocidade de 1,3 m/s, tendo se deslocado 60 m
da linha de largada.
a) Quais são as grandezas escalares e quais são
as vetoriais apresentadas no enunciado? T U
b) O que é preciso para caracterizar as grandezas
vetoriais?
3. Cite, no mínimo, três exemplos de grandezas es-
​____› ​____› ​____› ​____› ​____› ​____›
calares e três de grandezas vetoriais.
a) ​A ​  5 R ​
​   1 S ​
​    d) ​D ​   5 T ​
​   2 U 
​   ​
​____› ​____› ​____› ​____› ​____› ​____› ​____›
4. Um trem desloca-se sobre trilhos retilíneos. Par-
b) ​B ​  5 R ​
​   1 T ​
​    e) ​E ​  5 U ​
​    1 T 
​  ​ 2 R 
​  ​ 
tindo da estação A, ele se desloca 5 km e chega a ​____› ​____› ​____› ​____› ​____› ​____› ​____›
uma estação B. Daí, em sentido oposto, parte para c) ​C ​  5 S ​
​   1 U ​
​    f) ​F ​  5 S ​
​   2 T 
​  ​ 1 U 
​   ​

Não escreva no livro. 27

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Representações de medidas
Erros de medida
Sempre que se mede uma grandeza, há fatores que causam imprecisões na leitura da medida.
Entre esses fatores estão as eventuais inabilidades da pessoa que está medindo, falhas na fabri-
cação dos instrumentos e, principalmente, imprecisões relativas às escalas dos instrumentos.
As alterações nas medidas decorrentes desses fatores são conhecidas como e­ rros de medida
e podem ocorrer em medições de quaisquer grandezas. A ciência leva em consideração esses er-
ros e os expressa em suas medições, aplicando o conceito de algarismos significativos e o con-
ceito de incerteza.

Algarismos significativos
Considere, por exemplo, dois velocímetros com graduações diferentes medindo a mesma
velocidade.

Velocímetro 1: escala de 5 km/h Velocímetro 2: escala de 1 km/h


Sérgio Dotta Jr./ID/BR

Sérgio Dotta Jr./ID/BR


De acordo com este velocímetro, o módulo da Nesta situação, o velocímetro marca uma velocidade
velocidade parece estar próximo de 77 km/h, de módulo entre 76 km/h e 77 km/h, porém não se
porém não se pode ter certeza do valor medido. pode dizer com precisão absoluta o valor medido.
A estimativa dependerá de cada leitor – e Olhando para o mostrador, o motorista pode fazer a
certamente haverá erros na estimativa. Olhando seguinte estimativa:
para o mostrador, o motorista pode fazer a seguinte
estimativa: 76,8 km/h
7 7 km/h O algarismo 8 é uma estimativa;
O algarismo 7 é uma estimativa; portanto, ele será chamado de
portanto, ele será chamado de algarismo duvidoso.
algarismo duvidoso.
Pode-se ter certeza destes dois
Pode-se ter certeza deste algarismos, então eles serão
algarismo, então ele será chamados de algarismos corretos.
chamado de algarismo correto.

São considerados algarismos significativos de uma medida os algarismos corretos mais


o primeiro duvidoso.

Para representar uma medida, escrevemos apenas os algarismos significativos, ou seja, não
podemos escrever mais do que um algarismo duvidoso. Por isso, nos casos acima, não podemos
escrever, por exemplo, 77,8 km/h para o velocímetro 1 nem 76,82 km/h para o velocímetro 2.
Capítulo 2 – Medidas

Imagine agora que a medida x 5 8,43 cm seja convertida para quilômetro. Assim, temos:
x 5 8,43 cm 5 0,0000843 km
Note que a medida continua com três algarismos significativos (8, 4 e 3), uma vez que a pre-
cisão não foi alterada. Os zeros à esquerda do algarismo 8 servem apenas para posicionar a vír-
gula decimal. Portanto, os zeros à esquerda do primeiro algarismo diferente de zero não são
significativos.

28 Não escreva no livro.

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Notação científica
A notação científica é uma maneira de escrever um número como uma multiplicação de
dois outros números, na qual o primeiro fator é um número real maior ou igual a 1 e menor que
10, e o segundo fator é uma potência de base 10. Ou seja, para escrever um número N em no-
tação científica, fazemos: N 5 x ? 10n, em que x é um número real tal que 1 < x , 10 e n é um
número inteiro. Por exemplo, os números 14,20 e 0,0023 são escritos em notação científica da
seguinte forma:
••14,20 5 1,420 ? 101
••0,0023 5 2,3 ? 1023
Quando estamos trabalhando com grandezas físicas de números muito grandes ou muito pe-
quenos, é mais conveniente que esses números sejam escritos na forma de notação científica.
Veja os exemplos a seguir:
••Sabendo que a massa da Terra é aproximadamente 5 974 200 000 000 000 000 000 000 kg,
podemos escrever: mT ù 59 742 ? 1020 kg 5 5,9742 ? 1024 kg
••Sabendo que o diâmetro do maior vírus conhecido (Megavirus chilensis) é aproximadamente
0,00000044 m, podemos escrever: dM ù 44 ? 1028 m 5 4,4 ? 1027 m

Ordem de grandeza
Em algumas situações, o valor exato de uma medida é irrelevante. Quando isso acontece, é
comum dar como resultado a potência de 10 mais próxima do valor exato. Esse resultado apro-
ximado é chamado ordem de grandeza.
Para determinar a ordem de grandeza de um número, primeiro devemos escrevê-lo em nota-
ção científica, isto é, na forma N 5 x ? 10n. Em seguida comparamos x com 5,5: se x > 5,5, a
ordem de grandeza do número é 10n 1 1; se x , 5,5, a ordem de grandeza do número é 10n.
Leia os exemplos a seguir.
••Sabendo que o raio do Sol é aproximadamente 696 000 000 m, vamos calcular sua ordem de
grandeza. Usando a notação científica, temos: 696 000 000 m 5 6,96 ? 108 m. Como
6,96 . 5,5, concluímos que a ordem de grandeza do raio do Sol é 109 m.
••Sabendo que a distância da Terra à Lua é de aproximadamente 384 000 000 m, vamos calcular
sua ordem de grandeza. Usando a notação científica, temos: 384 000 000 m 5 3,84 ? 108 m.
Como 3,84 , 5,5, concluímos que a ordem de grandeza da distância da Terra à Lua é 108 m.

Setup Bureau/ID/BR

Terra
Lua

Distância mínima: 356 375 km

Distância média: 384 400 km

Distância máxima: 406 720 km

A distância entre a Terra e a Lua varia ao longo do tempo. Na representação esquemática, temos a distância
máxima, a distância mínima e a distância média. Perceba que em todas as distâncias, a ordem de grandeza é
sempre a mesma, ​10​ 8​m. Imagem fora de escala.

Não escreva no livro. 29

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O Sistema Internacional de Unidades (SI)
Para normatizar as medidas em todo o mundo, a comunidade científica pa- fatos e personagens
dronizou algumas unidades. Assim, em 1960, na Conferência Geral de Pesos
e Medidas (CGPM), em Paris, na França, foi criado o Sistema Internacional de Quilograma-padrão
Unidades (SI), que estabelece diversos padrões. A unidade de massa do SI é o
O Brasil adotou o SI em 1962, mas apenas em 1988 essa adoção se tornou quilograma (kg), definido como a
obrigatória em todo o território nacional. massa de um cilindro de platina
De acordo com o SI, as grandezas e as unidades podem ser classificadas em iridiada armazenado no Escritó-
grandezas e unidades de base ou grandezas e unidades derivadas. A tabela rio Internacional de Pesos e Me-
abaixo mostra todas as grandezas e unidades de base e algumas derivadas. didas, em Sèvres, na França. O ci-
lindro de 39 mm de diâmetro e
Grandezas e unidades do Sistema Internacional 39 mm de altura, composto de
Grandezas e unidades de base Grandezas e unidades derivadas
90% de platina e 10% de irídio, é
conservado no interior de três re-
Símbolo da Símbolo da domas de vidro desde 1889,
Grandeza Unidade Grandeza Unidade
unidade unidade quando a 1a Conferência Geral de
metro por Pesos e Medidas sancionou o pro-
comprimento metro m velocidade m/s
segundo tótipo do quilograma-padrão.
quilograma

BIPM/AFP
kilograma ou
massa kg densidade por metro kg/​m​3​
quilograma
cúbico
metro por
tempo segundo s aceleração segundo ao m/​s​2​
quadrado
quilograma
intensidade
vezes metro
de corrente ampere A força kg  m/s2
por segundo
elétrica
ao quadrado
metro
temperatura kelvin K área ​m​2​
quadrado
quantidade
mol mol volume metro cúbico ​m3​ ​
de matéria
candela Protótipo internacional do
intensidade quilograma-padrão armazenado no
candela cd luminância por metro cd/​m2​ ​
luminosa Escritório Internacional de Pesos e
quadrado
Medidas, na França. Foto de 2003.
Fonte de pesquisa: Inmetro. Disponível em: <http://www.inmetro.gov.br/noticias/conteudo/sistema-
internacional-unidades.pdf>. Acesso em: 20 jan. 2016.

Prefixos de unidades
O SI adotou prefixos para representar algumas potências de 10 na for-
mação dos múltiplos e submúltiplos das unidades de medida. A tabela abai-
xo apresenta alguns desses prefixos.
Prefixos do Sistema Internacional
Fator Prefixo Símbolo Fator Prefixo Símbolo
10 215
femto f 10 1
deca da
10212 pico p 102 hecto h
10 29
nano n 10 3
quilo k
Capítulo 2 – Medidas

10 26
micro m 10 6
mega M
1023 mili m 109 giga G
10 22
centi c 10 12
tera T
10 21
deci d 10 15
peta P
Fonte de pesquisa: Inmetro. Disponível em: <http://www.inmetro.gov.br/noticias/conteudo/sistema-
internacional-unidades.pdf>. Acesso em: 20 jan. 2016.

30 Não escreva no livro.

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EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

6. Determine a ordem de grandeza da duração de dade de arroz consumida no almoço é dada por:
um dia medido em segundo. m  150 g  6 000  900 000 g  9  105 g
Resolução Portanto, a ordem de grandeza da quantidade de
Sabe-se que a duração de um dia é aproximada- arroz consumida no almoço é 106 g.
mente 24 horas. Como em cada hora há 60 minu-
tos, e em cada minuto, 60 segundos, temos: 8. Nos veículos automotores, como carros, ­ônibus e
caminhões, existe um instrumento, conhecido co-
duração do dia  24  60  60  86 400 mo hodômetro, que mede a distância percorrida.
duração do dia  8,6  ​10​4​ s Sabendo que determinado hodômetro é graduado
Como o fator de multiplicação da potência de 10 em quilômetro, indique a alternativa que expres-
é 8,6 (8,6 ù 5,5), a ordem de grandeza da dura- sa corretamente a distância percorrida por um
ção do dia, medido em segundo, é 105 s. caminhão. Justifique.
7. A nutricionista de uma fábrica planeja para a re- a) 18 784 km
feição um prato típico da cozinha brasileira: arroz b) 18 784,0 km
de carreteiro. Sabendo que, no almoço, cada fun- c) 18,784 km
cionário come em média 150 g de arroz e que a
fábrica tem 6 mil funcionários, determine a or- d) 18 784,02 km
dem de grandeza, em grama, da quantidade de e) 18 784,002 km
arroz consumida no almoço.
Resolução
Resolução Alternativa b. Como o hodômetro é graduado em
Como cada funcionário come em média 150 g de quilômetro, o algarismo duvidoso consiste na pri-
arroz e serão servidas 6 mil refeições, a quanti- meira casa decimal após a vírgula.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

9. Observe a fotografia ao lado, que 13. Um trecho da canção “A dois passos do paraíso”,
mostra um termômetro graduado em da banda Blitz, diz:
ID/ES

graus Celsius (°C), e responda às


Norbert Tomas/

perguntas. Longe de casa há mais de uma semana


a) Quantos algarismos significativos Milhas e milhas distantes do meu amor.
é possível obter na medida do Mesquita, E.; Barreto, R. A dois passos do paraíso. Intérprete: Blitz.
termômetro? In: Radioatividade. Rio de Janeiro: EMI Odeon, 1984. 1 CD.
b) Qual é a temperatura indicada Faixa 5.
pelo termômetro?
Sabe-se que 1 milha equivale aproximadamente
10. Converta as seguintes medidas pa- a 1 600 metros, e que em média um passo mede
ra metro. 1 metro. Qual será a ordem de grandeza da dis-
a) 3,4 km c) 187 cm tância, em passos, se a personagem da canção
b) 2 000 mm d) 0,008 mm estiver a 2 milhas de distância de seu amor?
11. Escreva os valores destacados abaixo em notação
científica. 14. Um fator importante na análise da economia do
a) Período de translação da Lua em torno da Ter- Brasil é o preço da Cesta Básica Nacional, conjun-
ra: aproximadamente 27,32 dias. to de treze produtos alimentícios. Ela é constituí-
b) População brasileira estimada em 2012: da por itens como arroz, feijão, achocolatado,
aproximadamente 194 000 000 de habitantes. açúcar, óleo e leite.
c) Diâmetro do vírus da hepatite B: a) Que unidades de medida são utilizadas para
aproximadamente 0,000000042 m. quantificar os alimentos citados?
12. Represente as seguintes medidas de massa em b) Sabendo que a massa de um grão de arroz é
notação científica, utilizando o grama como uni- aproximadamente 20 mg, quantos grãos deve
dade de medida. haver em um saco de 1 kg? Escreva a resposta
a) 0,2 kg b) 200 mg c) 25 000 kg d) 379 kg usando a notação científica.

Não escreva no livro. 31

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Integre o aprendizado
Não escreva no livro.

15. Quando vai à feira, à quitanda ou ao mercado, que capital. Se for ímpar, o número mostra quantos quilô-
unidades de medida você observa que são utiliza- metros a rodovia dista da capital.
das nos diversos produtos à venda? Existe algum Em seguida abordaremos as rodovias federais que
produto em que não se utiliza nenhuma unidade de usam a sigla BR, de Brasil. As numeradas de 010 a 080
medida? Cite alguns exemplos. são radiais, partindo de Brasília em direção aos esta-
dos. As rodovias de 100 a 199 são as longitudinais,
16. Em alguns calçados, o tamanho é medido em várias que cruzam o país de norte a sul. As de 200 a 299 são
unidades diferentes. No Brasil, por exemplo, o núme- as transversais, que cortam o Brasil de leste a oeste.
ro de um calçado com 26 cm de comprimento é 39; As diagonais, de 300 a 399, passam pelo interior ou
no padrão europeu, 42; 8½ no padrão americano; pelo litoral. Aquelas cujos números estão acima de
8 no padrão australiano; 26½ no padrão japonês. 400 são rodovias de pequeno porte, que ligam uma
estrada à outra. […]”
Robson, Daniel. Disponível em: <http://minhocaseminhocos.wordpress.
com/2007/12/18/como-se-da-nome-as-estradas/>. Acesso em: 12 abr.
2016.

a) Utilizando seus conhecimentos sobre grande-


zas vetoriais, explique por que é importante,
no Brasil, saber identificar a numeração das
estradas, geralmente apresentadas em placas
nas rodovias.
b) No
Indaiatuba
estaduais de número par,
caso de rodoviasLouveira
Marcelo Parducci/ID/BR

Jarinu
que informação é fornecida pelo número? Atibaia
Bom Jesus
dos Perdões

c) O mapa Itupeva diversas rodovias esta-


a seguir mostra Jundiaí Nazaré
Salto duais que passam pela capital deCampo
São Paulo.
Limpo
Paulista
Paulista
Várzea
Itu Paulista
Francisco
Região da rodovia Raposo Tavares46°45’O Morato

João Miguel A. Moreira/ID/BR


Mairiporã
a) O que explica que o mesmo comprimento seja ex- NO NE
Cabreúva
Franco da
Rocha
47°O 46°45’O
presso por diversas unidades diferentes? Cajamar
Caieiras
Pirapora do
b) Você acha que seria útil existir um único padrão SO SE
Bom Jesus
Santana de
de medida para a numeração de calçados? Parnaíba
Guarulhos
Araçariguama
c) Qual é a importância de utilizarmos um único pa- 23°30’S Barueri
drão, como o Sistema Internacional de Unidades SP-270 São Roque Jandira Ferraz de
(SI), na ciência? Alumínio
Rod.
Itapevi
Trópico
Carapicuíba Osasco de Capricórnio
Vasconcelos
Ra

Mairinque os
p

o Ta SP-270 São Paulo São Caetano


vares
17. Leitura e interpretação Vargem Grande
Paulista
Cotia Taboão
do Sul
da Serra
Embu Santo Mauá
Como se dá nome às estradas? Ibiúna Diadema André
Ribeirão Pires
Itapecerica São Bernardo
do Campo
“[…] as estradas brasileiras, além de receberem nomes
Piedade
0 10 20 km da Serra

de figuras ilustres da história ou mesmo da região por Rio Grande


da Serra
onde passam, também são batizadas com letras e nú-
meros. Embu-Guaçu

São Lourenço
Primeiramente falaremos das estaduais, que são indi- Fonte de pesquisa: Ministério dos Transportes.
Disponível em:
da Serra Cubatão

cadas pela sigla do estado onde se localizam, seguida de <http://www.dnit.gov.br/dowload/mapas-multimodais/multimodais/sp.pdf>.


Juquitiba
Acesso em: 26 mar. 2016.
números. Se o número for par, ela é uma estrada radial, São Vicente
ou seja, passa pela capital do estado. O interessante é A rodovia Raposo Tavares (SP-270) está destaca- Praia Grande
que o número mostra a quantos graus a estrada está da em amarelo. O número dessa rodovia está
de uma linha imaginária Norte-Sul traçada a partir da coerente com a informação do texto? Justifique.

De volta para o começo


1. Retome as respostas que você deu às questões propostas na abertura deste capítulo. Que alterações você
faria?
2. Considerando apenas a imprecisão relativa à escala utilizada nas marcações do tanque de areia, faça uma
estimativa da incerteza na medida da distância saltada por Maurren Maggi.

32

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Física tem história
O Nordeste contra o quilo: a revolta
do quebra-quilos
O quilo, o metro, o litro, medidas sem as quais muita Para o governo, o aumento
gente hoje não saberia como viver, foram implantados à de impostos era a solução. Para
custa de muita desavença e conflitos por todo o mundo. o povo, porém, os tributos, as-
Depois de determinadas por comissões científicas no sim como as novas medi-
fim do século 18, as unidades demoraram décadas para das, ofendiam os costu-

Bernd Juergens/Dreamstime.com/ID/BR
serem estabelecidas – ainda hoje ingleses custam a ren- mes e a tradição do país.
der-se às unidades francesas. Aderir a uma unidade […] Como os tributos
alheia significava deixar a própria cultura de lado – e, eram calculados utili-
quando a mudança se tornou obrigatória, queixas eram zando as novas medidas
quase inevitáveis. Foi assim em todo o planeta – e pouca (quilos, litros e metros),
gente sabe que no Brasil também. Em 1874, a obrigato- a obrigatoriedade de
riedade do uso do quilo foi a gota-d’água para a “revolta utilizá-las foi a gota-
do quebra-quilos”, um movimento que começou na Pa- -d’água para a revolta.
raíba, se espalhou por mais três estados do Nordeste e […] Líderes passa-
só foi contido pelo envio de tropas federais. ram a ser perseguidos
Em 31 de outubro, em Campina Grande, na Paraíba,
no começo de 1875, Corpo utilizado como referência
centenas de pessoas invadiram a feira da cidade protes- para medir massas.
com o crescimento da
tando contra os novos pesos e medidas. Aos gritos, a
revolta. No Rio Grande do Norte, duas pessoas morre-
massa quebrava os moldes de quilos dos feirantes, que
ram e cinco se feriram depois de um dia de reação das
eram fornecidos (vendidos ou alugados) pela adminis-
forças imperiais. As tropas do governo, armadas de
tração municipal. Os revoltosos invadiram os mercados,
coletorias e a Câmara Municipal, destruíram os novos baionetas e espingardas, chegaram por mar, a bordo do
padrões e queimaram os arquivos contábeis do governo. navio Werneck, vindas do Maranhão para o Rio Grande
[…] do Norte. Os cabeças do movimento foram processados
Aos poucos, a revolta se alastrou para outras vilas e e, alguns, obrigados a restabelecer os novos pesos e me-
cidades paraibanas, além dos estados de Pernambuco, didas por eles destruídos nos mercados e feiras, e obri-
Alagoas e Rio Grande do Norte. Em todos esses lugares, garam-se a indenizar aos particulares o dano causado
a multidão revoltada tinha a mesma característica: a de nos seus estabelecimentos. O ato mais ferrenho da re-
buscar nas sedições uma espécie de legitimação para pressão foi a aplicação dos chamados “coletes de cou-
seus costumes, que de repente vinham sendo atacados ro”. Segundo o historiador Armando Souto Maior,
pelas autoridades. […] “amarrados, os prisioneiros eram em seguida metidos
Quem não utilizasse os novos padrões poderia ser em grosseiros coletes de couro cru; ao ser molhado, o
punido com prisão de cinco a dez dias e pagaria multa. couro encolhia-se, comprimindo o tórax das vítimas,
O clima esquentou ainda mais por causa do aumento da quase asfixiando-as”. O método causou a revolta de
cobrança de tributos. O país vinha enfrentando uma muitos comerciantes, mas também medo – à custa do
crise econômica devido à queda das vendas internacio- qual a medida do quilo foi finalmente implantada no
nais de açúcar e de algodão. […] Nordeste.
Aventuras na História. Disponível em: <http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/historia/nordeste-quilo-revolta-quebra-quilos-433572.shtml>. Acesso em:
21 mar. 2016.
Compreender e relacionar
1. No primeiro parágrafo do texto, o autor faz a seguinte afirmação: “O quilo, o metro, o litro, medidas sem as
quais muita gente hoje não saberia como viver”. Você concorda com isso? Justifique.
2. Pesquise na internet ou entreviste um professor de História para responder ao que se pede.
a) O movimento popular do “quebra-quilos” espalhou-se por outras regiões ou ficou restrito ao Nordeste
brasileiro?
b) Como terminou a revolta do “quebra-quilos”?
3. Do ponto de vista do comércio nacional e internacional, qual é a importância de o Brasil ter adotado o
Sistema Internacional de Unidades?

33
Não escreva no livro.

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Laboratório
Medindo volumes de
corpos com forma irregular
Objetivo seu volume, como é o caso do motor de um carro,
Medir o volume de corpos que não têm forma definida. do corpo de um cachorro ou de uma berinjela, por
exemplo.
Material a) De acordo com o experimento, o volume de água
deslocada correspondeu a qual propriedade do
Seringa nova sem agulha; fita adesiva; uma pedra cujo ta- corpo que a deslocou?
manho não ultrapasse muito o tamanho de uma borracha
b) O que se obtém ao medir o volume de água des-
nova, por exemplo; recipiente no qual caiba a pedra; água
suficiente para encher esse recipiente; recipiente gradua- locada por um corpo?
do em mililitros (pode ser uma jarra ou um copo); um pe- 2. Extrapolação do experimento
daço de massa de modelar.
a) Se for colocado na água um corpo que flutua
nela, qual seria o volume medido?
Atenção! b) Caso o corpo seja muito grande, para medir seu
Nunca recolha seringas e agulhas de lixo hospitalar volume pode-se utilizar um protótipo em minia-
nem de qualquer outro lixo, pois em geral estão conta- tura, ou seja, um modelo reduzido do corpo com
minadas por vírus e bactérias que transmitem diver- as mesmas proporções de seu tamanho original.
sas doenças. Como seria feita a correspondência do volume do
protótipo com o volume do corpo? (Dica: utilize
o conceito de figuras semelhantes e razão de se-
Procedimento melhança.)
1. No recipiente não graduado, coloque água até um c) Dê exemplos de situações em que essa forma de
medir volumes não é adequada.
pouco além da metade.
d) Com um pedaço de massa de modelar, construa
2. Marque com um pedaço de fita adesiva o nível de um cubo de 1 cm de lado (utilize a régua). O vo-
água no recipiente. lume desse cubo será de 1 c​m​​ . Seguindo os
3

3. Coloque uma pedra no recipiente de modo que ela procedimentos dados para a experiência, meça
o volume desse corpo. Sabe-se que 1 ​cm​​ equi-
3
fique totalmente imersa na água, a qual não deve
transbordar. vale a 1 mL.
4. Marque com outro pedaço de fita adesiva o nível de
Setup Bureau/ID/BR

água. O volume de água que alcançou esse nível cor-


responde exatamente ao volume do corpo nela colo- 1 cm
cado (a pedra).
1 cm
5. Com a seringa, vá retirando a água do recipiente até Cubo de lado 1 cm, a ser construído
que o nível atinja a primeira marca feita com fita com massa de modelar.
adesiva (no procedimento 2). A água retirada com a
seringa dever ser colocada no recipiente graduado. •• Compare o volume do cubo com o valor do volu-
me previamente conhecido. Os valores são mui-
6. Verifique no recipiente graduado o volume corres- to diferentes? Justifique.
pondente à água nele colocada. Esse é o volume da
pedra. •• Estime um valor para a incerteza de seu instru-
mento de medição.
Depois do experimento •• Represente com notação científica os valores
obtidos para a pedra e para o cubo. Na repre-
Interpretação dos resultados
sentação da medida, coloque o número de al-
1. Em alguns casos, os matemáticos usam equações garismos significativos e a incerteza que você
para saber o volume de determinados sólidos estimou.
geométricos, como uma esfera, um cubo ou um •• Identifique as causas para os eventuais erros
cone. A maioria dos corpos que nos cercam, po- que podem ter tornado discrepantes o valor ob-
rém, tem forma irregular e não é simples calcular tido experimentalmente e o valor esperado.

34

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Vestibular e Enem
Não escreva no livro.

1. (Enem) 4. (UFRN) Leia o fragmento de texto:


Depois de longas investigações, convenci-me por fim A origem do universo é um tema que sempre interes-
de que o Sol é uma estrela fixa rodeada de planetas sou à humanidade. [...] No passado, a religião e a mi-
que giram em volta dela e de que ela é o centro e a cha- tologia eram as únicas fontes de conhecimento. [...]
ma. Que, além dos planetas principais, há outros de [Depois] surgiu o pensamento filosófico. [...] Por fim,
segunda ordem que circulam primeiro como satélites com o desenvolvimento da ciência, apareceu outro
ao redor dos planetas principais e com estes em redor modo de estudar a evolução do universo.
do Sol. (…) Não duvido de que os matemáticos sejam
da minha opinião, se quiserem dar-se ao trabalho de Atualmente, a ciência predomina. [...] [Mas a] ciência
tomar conhecimento, não superficialmente mas duma não é o único modo de se estudar e tenta captar a rea-
maneira aprofundada, das demonstrações que darei lidade. O pensamento filosófico e o religioso têm tam-
nesta obra. Se alguns homens ligeiros e ignorantes qui- bém grande importância. [...]
serem cometer contra mim o abuso de invocar alguns Somente conhecendo todas as fases pelas quais já pas-
passos da Escritura (sagrada), a que torçam o sentido, sou o pensamento humano, podemos tentar avaliar
desprezarei os seus ataques: as verdades matemáticas corretamente o estágio atual de nossos conhecimentos
não devem ser julgadas senão por matemáticos. [relativamente a qualquer assunto, em particular sobre
Copérnico, N. De revolutionibus orbium coelestium. a origem e a evolução do universo]. Para isso, não pode-
Àqueles que se entregam à prática sem ciência são mos nos limitar apenas às investigações mais recentes
como o navegador que embarca em um navio sem leme nem apenas à ciência. [...]
nem bússola. Sempre a prática deve fundamentar- se Martins, Roberto de Andrade. O Universo: teorias sobre sua origem e
em boa teoria. Antes de fazer de um caso uma regra evolução. São Paulo: Moderna, 1994.
geral, experimente-o duas ou três vezes e verifique se
Do fragmento, pode-se concluir que:
as experiências produzem os mesmos efeitos.
Nenhuma investigação humana pode se considerar a) as concepções míticas, religiosas, filosóficas e
verdadeira ciência se não passa por demonstrações históricas tiveram sua função, mas estão ultra-
matemáticas. passadas e devem ser substituídas pelas concep-
Vinci, Leonardo da. Carnets.
ções científicas.
b) o estudo da origem e evolução do universo feito
O aspecto a ser ressaltado em ambos os textos é exclusivamente pela via científica é mais preciso
a) a fé como guia das descobertas. porque a ciência é o melhor modo para se estu-
b) o senso crítico para se chegar a Deus. dar a realidade.
c) a limitação da ciência pelos princípios bíblicos. c) a compreensão do desenvolvimento do pensa-
mento humano envolve, além das concepções
d) a importância da experiência e da observação. científicas, concepções míticas e religiosas, his-
e) o princípio da autoridade e da tradição. tória e filosofia.
2. (Uece) A aceleração da gravidade próximo à super- d) com o desenvolvimento da ciência, os outros mo-
fície da Terra é, no Sistema Internacional de Unida- dos de entender a evolução do universo passa-
des, aproximadamente 10 m/s². Caso esse sistema ram a contribuir apenas como fundamentação
passasse a usar como padrão de comprimento um histórica.
valor dez vezes menor que o atual, esse valor da ace-
leração da gravidade seria numericamente igual a 5. (UERJ)
a) 10. c) 100. O acelerador de íons pesados relativísticos de Brookha-
b) 1. d) 0,1. ven (Estados Unidos) foi inaugurado com a colisão
entre dois núcleos de ouro, liberando uma energia de
3. (Unicamp-SP) Leia abaixo os versos do poeta in- 10 trilhões de elétrons-volt. Os cientistas esperam, em
glês do século XVII Alexander Pope: breve, elevar a energia a 40 trilhões de elétrons-volt,
A natureza e as leis da natureza permaneciam escondi- para simular as condições do Universo durante os pri-
das na noite meiros microssegundos após o Big Bang.
Deus disse, “Faça-se Newton”, e tudo ficou claro. Ciência Hoje, set. 2000.
Traduzido de J. M. Roberts. History of the World, Oxford University
Press, 1993. Sabendo que 1 elétron-volt é igual a 1,6 ? ​10​219​jou-
a) Descreva a principal descoberta científica a que les, a ordem de grandeza da energia em joules, que
se refere o poema. se espera atingir em breve, com o acelerador de
b) Quais eram as bases do novo método científico Brookhaven, é:
do século XVII? a) ​10​28​ b) ​10​27​ c) ​10​26​ d) ​10​25​

35

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Vestibular e Enem
Não escreva no livro.

6. (UFR-RJ) O censo populacional realizado em 1970 10. (UFPE) Em um hotel com 500 apartamentos, o con-
constatou que a população do Brasil era de 90 mi- sumo médio de água por apartamento é de cerca de
lhões de habitantes. Hoje, o censo estima uma po- 170 litros por dia. Qual é a ordem de grandeza do
pulação de 150 milhões de habitantes. A ordem de volume que deve ter o reservatório do hotel, em me-
grandeza que melhor expressa o aumento popula- tros cúbicos, para abastecer todos os apartamentos
cional é: durante um dia de falta de água?
a) ​10​6​ d) ​10​9​ a) ​10​1​ d) ​10​4​
b) ​10​7​ e) ​10​10​ b) ​10​ ​
2
e) ​10​5​
c) ​10​8​ c) ​10​3​

7. (UFRN) O coração de uma pessoa bate, em média,


70 vezes a cada minuto. Se ela viver 80 anos, o nú- 11. (Unifor-CE) Levando em conta a precisão das
mero de vezes que o seu coração terá batido será da medidas, o resultado da operação 0,43 tonela-
ordem de: das 1 97 quilogramas 1 400 gramas é:
a) ​10​5​ c) ​10​9​ a) 497,3 g
b) ​10​ ​
7
d) ​10​11​ b) 140,4 kg
c) 527,4000 kg
8. (FEI-SP) O diâmetro de um fio de cabelo é 1 ​ 0​24​ m.
Sabendo-se que o diâmetro de um átomo é de​ d) 5,3 ? 102 kg.
10​210 m​, quantos átomos colocados lado a lado se- Resolução comentada
riam necessários para fazer uma linha que divida o Antes de tudo, é necessário colocar todas as
fio de cabelo ao meio exatamente no seu diâmetro? medidas no SI. Transformando ton em kg:
a) ​10​4​ átomos d) ​10​7​ átomos 0,43 ? 1 000 5 430 kg
b) ​10​5​ átomos e) ​10​8​ átomos
Transformando gramas em kg:
c) ​10​6​ átomos
400
________
​    ​ 5 0,4 kg
1 000
9. (UEL-PR)
Somando todos os valores, tem-se a massa total
As experiências e erros do cientista consistem de hi-
(​m​  T​):
póteses. Ele as formula em palavras, e muitas vezes
por escrito. Pode então tentar encontrar brechas em ​m​  T​ 5 430 1 97 1 0,4 ä ​m​  T​ 5 527,4 kg
qualquer uma dessas hipóteses, criticando-a experi-
Como o número final deve ser apresentado
mentalmente, ajudado por seus colegas cientistas, que
com o mínimo de casas decimais e conside-
ficarão deleitados se puderem encontrar uma brecha
rando que isso ocorre para o valor em tonela-
nela. Se a hipótese não suportar essas críticas e esses
das (que tem dois algarismos significativos),
testes pelo menos tão bem quanto suas concorrentes,
então o valor que deve ser considerado é:
será eliminada.
d) 5,3 ? ​10​2​ kg
Popper, Karl. Conhecimento objetivo. Trad. de Milton Amado. São Paulo:
Edusp & Itatiaia, 1975. p. 226.

Com base no texto e nos conhecimentos sobre ciên- 12. (UFG-GO)


cia e método científico, é correto afirmar: Pois há menos peixinhos a nadar no mar
a) O método científico implica a possibilidade cons- Do que os beijinhos que eu darei na sua boca
tante de refutações teóricas por meio de experi- Vinícius de Moraes.
mentos cruciais.
b) A crítica no meio científico significa o fracasso Supondo que o volume total de água nos oceanos
do cientista que formulou hipóteses incorretas. seja de cerca de um bilhão de quilômetros cúbicos e
c) O conflito de hipóteses científicas deve ser resol- que haja em média um peixe em cada cubo de água
vido por quem as formulou, sem ajuda de outros de 100 m de aresta, o número de beijos que o poe-
cientistas. ta beijoqueiro teria que dar em sua namorada, para
não faltar com a verdade, seria da ordem de:
d) o método crítico consiste em impedir que as hi-
póteses científicas tenham brechas. a) ​10​10​ d) ​10​16​
e) a atitude crítica é um empecilho para o progresso b) ​10​ ​
12
e) ​10​18​
científico. c) ​10​14​

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Para explorar

A seguir, sugestões para ampliar seu conhecimento sobre temas desta unidade.

Leia
O que é Física, de Ernst W. Hamburger. São Paulo: Brasiliense, 1988.
O físico nuclear Hamburger, fundador da área de pesquisa em ensino de Física no Brasil e
defensor da popularização da Ciência, descreve, em linguagem simples, o que é a Física, seus
campos de atuação, sua maneira de pensar e seus grandes conceitos.

editora
Ciências Físicas no Brasil, de Ernst W. Hamburger. São Paulo: Ed. Livraria da Física, 2006.
Brasiliense/Arquivo da
Coletânea de textos com explicações e ilustrações sobre as diversas áreas da Física. Muito
adequado para interessados em descobrir o fascinante mundo desse campo da Ciência.
A Física: seu estudo e seu desenvolvimento, de Moacyr Costa Ferreira. Rio de Janeiro: Zahar, 1963.
Esse livro descreve com riqueza de detalhes as diferentes áreas da Física (Mecânica, Termologia,
Óptica, Física Moderna, etc.), com uma linguagem de fácil acesso. Alguns acontecimentos
importantes da história da Física também são descritos de maneira rica e interessante.
Biografia da Física, de George Gamow. Rio de Janeiro: Zahar, 1963.
O físico russo George Gamow (1904-1968), um dos formuladores da teoria do Big Bang,
escreveu diversos livros para divulgar a ciência. Em Biografia da Física, Gamow explica os
editora

principais conceitos físicos, juntamente com uma série de informações de bastidores da


da

produção científica, já que foi membro atuante e presente em vários momentos importantes da
Livraria da Física/Arquivo

Física do século XX. Destaque para o bom humor da escrita.

Navegue
Inmetro
Um dos mais completos sites do Brasil sobre medidas, indispensável para qualquer cidadão
brasileiro conhecer seus direitos e deveres no que se refere ao tema. Destaque para o link de
informações ao consumidor. Disponível em: <http://linkte.me/z757u>. Acesso em: 26 mar. 2016.
Disponível em:
<http://www.inmetro.gov.br/>.
Acesso em: 12 nov. 2015

Sociedade Brasileira de Metrologia


Site que busca divulgar e tirar dúvidas relativas à área de Metrologia no Brasil. O destaque
vai para o link com as principais publicações, sempre atualizadas, dessa área. Disponível em:
<http://linkte.me/o461y>. Acesso em: 26 mar. 2016.

Não escreva no livro. 37

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unidade

2 Cinemática

O movimento está presente em toda a


Nesta unidade natureza: nos movimentos de translação e de
rotação dos astros, nas massas de ar, nas marés,
3 Movimento na migração de aves, dentre inúmeros outros
uniforme
exemplos.
4 Movimento A maioria das atividades humanas também
uniformemente está relacionada ao movimento. Observe a
variado fotomontagem ao lado, que mostra a sequência
de movimentos de um esqueitista.
5 Movimento
circular Movimentos como o realizado pelo atleta
na situação apresentada ao lado ou como o
de um carro percorrendo uma estrada podem
ser descritos matematicamente por meio de
gráficos e funções. Nesta unidade, estudaremos
conceitos da Cinemática, a parte da Física que
descreve os movimentos sem que suas causas
sejam levadas em consideração.

Imagem da página ao lado:


Esqueitista realiza manobra em pista de
esqueite em São Bernardo do Campo,
região metropolitana de São Paulo. Foto de
2016.

38

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Marcelo Parducci/ID/BR
IMAGEM

39

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capítulo

3 Força Aérea Brasileira/CLA


Movimento uniforme

Força Aérea Brasileira/CLA


o que você
vai estudar

O estudo do
movimento.
Conceitos
iniciais.
Movimento
uniforme (MU).

Lançamento do primeiro foguete brasileiro com combustível líquido, em Alcântara (MA). Fotos de 2014.

Debate inicial
• O rastro luminoso na fotografia da direita ilustra algo importante quando se estuda
o movimento dos corpos. Que grandeza física do movimento do foguete pode ser
associada a esse rastro? Você conhece algum outro nome que poderia ser dado ao
rastro registrado?
• O estudo do movimento dos corpos é fundamental para descrever ou fazer previ-
sões de algumas grandezas físicas. Na sua opinião, quais são as grandezas físicas
relevantes para esse estudo?

Considere as respostas obtidas no debate inicial e responda no caderno.


1. Qual é a importância de se estudar o movimento dos foguetes durante o seu
lançamento?
2. Descreva outros exemplos de movimentos de corpos em que se pode identificar
uma linha similar ao rastro iluminado da segunda fotografia.

40 Não escreva no livro.

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O estudo do movimento
A importância do estudo do movimento dos corpos pode ser percebida em diversos eventos
cotidianos, como:
••uma viagem de ônibus, de carro ou até mesmo a pé;
••a trajetória de naves, foguetes e sondas espaciais;
••o deslocamento de trens em uma malha ferroviária ou metroviária;
••o deslocamento de animais como aves migratórias, baleias e gafanhotos entre diferentes par-
tes do planeta em determinadas épocas.
A área da Física que estuda o movimento dos corpos é chamada Mecânica. Para facilitar o seu
estudo, ela é dividida em três partes:
1. Cinemática: descreve o movimento dos

Jales Valquer/Fotoarena
corpos, sem considerar suas causas. To-
mando como exemplo um carro se deslo-
cando por uma estrada, a Cinemática
aborda algumas características desse mo-
vimento, como: trajetória, distância per-
corrida, tempo de duração da viagem, etc.

Geralmente em viagens temos uma


previsão do horário de chegada. Essas
previsões são calculadas por meio de
conhecimentos da Cinemática.

2. Dinâmica: estuda as causas do movimen-

Corey Hochachka/Pantherstock/Glowimages
to. Considerando-se um chute na bola de
futebol, a Dinâmica aborda, por exemplo:
os motivos pelos quais a bola, inicialmen-
te em repouso, passa a se movimentar e
o porquê de a bola tender a retornar ao
chão após o chute.

Ao chutar uma bola de futebol, o garoto faz


com que a bola saia do estado de repouso e
entre em movimento.

3. Estática: estuda as condições para que


um corpo fique em repouso. No edifí-
cio ao lado, por exemplo, conhecimen-
Sergio Pedreia/Fotoarena

tos de Estática são fundamentais para


que sua construção seja bem sucedida.

A Estática é muito utilizada por engenheiros civis e


arquitetos na projeção de edificações. Foto da Casa
do Comércio em Salvador (BA). Foto de 2014.

Não escreva no livro. 41

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Conceitos iniciais
Referencial
Um corpo está em movimento quando sua posição varia ao longo do tempo. Se a posição do
corpo não varia com o passar do tempo, ele está em repouso. Para identificar se um corpo está
em repouso ou em movimento, é necessário adotar outro corpo ou uma posição como referên-
cia, o que é conhecido como referencial ou sistema de referência.

Referencial é um corpo ou uma posição de referência utilizados para identificar se um


corpo está em movimento ou em repouso em relação a esse referencial.

Como exemplo, pode-se imaginar um passageiro sentado em um ônibus que se desloca em


uma avenida. Ao se adotar como referencial um dos assentos do ônibus, pode-se dizer que o
passageiro está em repouso, pois sua posição não varia em relação a esse referencial. No entan-
to, caso se adote como referencial uma pessoa parada na calçada, pode-se dizer que o passagei-
ro está em movimento, pois a sua posição varia em relação a esse referencial.

EXERCÍCIO RESOLVIDO

1. Uma pessoa (A), parada ao lado da via férrea, ob- a) Em relação a A, B está em movimento e C está
serva uma locomotiva passar sem vagões. Ela vê o em repouso.
maquinista (B) e uma lâmpada (C) acesa dentro da b) Em relação a A, B está em repouso e C está em
locomotiva. movimento.
Studio Caparroz/ID/BR

c) Em relação a A, B e C estão em movimento.


C
Resolução
B a) A afirmativa está incorreta, pois C está em mo-
vimento em relação a A.
Correção possível: Em relação a C, A está em
movimento e B está em repouso.
A b) A afirmativa está incorreta, pois B está em mo-
vimento em relação a A.
Analise as afirmativas a seguir e reescreva no ca- Correção possível: Em relação a B, C está em
derno aquelas que estão incorretas, fazendo as repouso e A está em movimento.
correções necessárias e justificando-as. c) A afirmativa está correta.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

2. Com base na situação apresentada no exercício 4. Forme dupla com um colega. Cada um elaborará
resolvido 1, reescreva no caderno as afirmativas uma questão sobre movimento que leve em conta
abaixo que estiverem incorretas, fazendo as cor- um referencial fixo (um poste, por exemplo). Es-
reções necessárias e justificando-as. creva e guarde a resposta para a questão que você
Capítulo 3 – Movimento uniforme

a) Em relação a B, A está em repouso e C está em elaborou. Sua questão deve ser resolvida pelo co-
movimento. lega da dupla, e você resolverá a questão que ele
criou. Depois de respondidas, as questões devem
b) Em relação a C, B está em repouso e A está em ser corrigidas pelos próprios criadores.
movimento.
5. Considere uma pessoa sentada em um barco que
c) Em relação a B, A e C estão em movimento. navega por um rio e responda às perguntas.
3. Uma pessoa caminha segurando uma sacola de a) Essa pessoa está em repouso em relação a um
compras. Tendo como referência a pessoa, pode- ponto fixo na margem do rio?
-se dizer que a sacola que ela carrega está em b) Ela está em repouso em relação a um ponto fixo
repouso. Você concorda? Explique sua resposta. no barco?

42 Não escreva no livro.

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Trajetória Instante de tempo (t)
Você já aprendeu que durante o movimento de um e intervalo de tempo (Dt)
corpo, a sua posição varia. O conjunto das diversas po- A ocorrência de quaisquer tipos de fenômeno da na-
sições ocupadas pelo corpo é conhecido como trajetória. tureza pressupõe a presença de um conceito primitivo
conhecido como tempo. No estudo do movimento dos
Trajetória é o lugar geométrico das diversas posi-
corpos, é essencial diferenciar dois conceitos ligados ao
ções ocupadas por um corpo em movimento em re-
tempo: instante de tempo (t) e intervalo de tempo (∆ t).
lação a um referencial.
O instante de tempo (t) é uma medida realizada a
Observando as ilustrações abaixo, pode-se concluir partir de um instante inicial (​t0​ ​) ao qual se associa o va-
que a trajetória do corpo abandonado no trem depende lor zero (​t​  0​ 5 0). Como exemplo, caso a indicação de
do referencial adotado. Para uma pessoa dentro do trem, um relógio seja 08:00 (8 h da manhã), a grandeza que
a trajetória do corpo é uma reta (I). Adotando uma pes- está sendo considerada é o instante de tempo, medido a
soa na terra como referencial, porém, a trajetória do cor- partir do instante inicial ​t​  0​ 5 0:00 (meia-noite).
po é uma curva, conhecida como arco de parábola (II). O intervalo de tempo (∆ t) corresponde à duração de
um determinado evento, e, para o seu cálculo, deve-se

Ilustrações: Studio Caparroz/ID/BR


I realizar a subtração entre o instante final (t) e o instante
inicial (​t​  0​). Como exemplo, pode-se considerar uma si-
tuação em que uma pessoa chega a um ponto de ônibus
no instante inicial ​t​  0​ 5 14 horas. Após alguma espera, o
ônibus chega ao ponto no instante final t 5 14 h 15 min.
Portanto, o intervalo de tempo (∆ t) correspondente à
espera do ônibus pela pessoa pode ser calculado assim:
Dt 5 t 2 ​t0​​ ä Dt 5 14 h 00 2 14 h 15
Dt 5 0 h 15 min π Dt 5 15 min
É importante ressaltar que, dependendo da duração
II de determinado evento, pode-se utilizar diferentes uni-
dades de medida para o tempo, como segundos, minu-
tos, horas, dias, meses e anos.
Observação
Na Física, e em outras ciências, a letra grega ∆ (del-
ta) é usada para indicar a variação entre dois valores
de uma mesma grandeza.

Ponto material
Em alguns casos, as dimensões de um corpo são irre-
para refletir levantes para o estudo de seu movimento. Por exemplo,
caso um carro se movimente em uma estrada, pode-se
Sonda Spirit considerar suas dimensões desprezíveis em comparação
A sonda Spirit foi en- com as dimensões da via. Sendo assim, suas dimensões
Setup Bureau/ID/BR

viada pela Nasa (agên- não são relevantes para o estudo de seu movimento, de
cia espacial norte-ame- modo que se pode representar esse carro por um ponto.
ricana) a Marte em 10 de
Trajetória
junho de 2003 e lá pou-
sou em 3 de janeiro de conceito em questão
2004. O conhecimento e
Spirit
controle de sua trajetó- GPS
IA

Shutterstock.com/ID/BR
R

ria foram essenciais pa- Terra TÓ A imagem ao lado é da tela


ra o sucesso da missão. TRAJE
de um aparelho de GPS (Glo-
Marte
Fonte de pesquisa: Nasa. bal Positioning System), utili-
3d brained/

Disponível em: <http://www.


jpl.nasa.gov/news/news.
Imagem representativa, fora de zado para localização de veí-
php?release=2003-085>. escala e em cores-fantasia. culos, ciclistas e até pedestres.
Acesso em: 11 nov. 2015.
1. Podemos considerar pontos materiais esses três ca-
1. A trajetória que está em verde na ilustração é de qual re- sos? Justifique e compartilhe seus argumentos com os
ferencial adotado? colegas.

Não escreva no livro. 43

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EXERCÍCIO RESOLVIDO

6. Com base na fotografia ao lado, e fundamentando-se no

Joao Henriques/Anadolu Agency/AFP


conceito de movimento, responda às questões.
a) Tomando como referência a Terra, pode-se afirmar
que a surfista está em movimento? Explique.
b) Tomando como referência a prancha de surfe, é
correto afirmar que a surfista está em repouso?
Explique.

Resolução
a) Sim. O rastro de espuma deixado pela prancha na
água demonstra que, conforme o tempo passa, sua
posição varia em relação ao referencial adotado.
b) Sim. À medida que o tempo passa, a surfista não al-
tera sua posição em relação à prancha. Surfista brasileira Maya Gabeira surfando em onda gigante
na Praia do Norte, em Nazaré, Portugal. Foto de 2015.

Espaço (s) A localização precisa de um corpo em deslocamento


em trajetórias conhecidas exige a diferenciação de duas
posições que estejam a uma mesma distância da origem.
para refletir
Tomando como exemplo a situação ilustrada na figura,
O número indicado no pai- caso se afirme que o corpo ocupa uma posição a 3 m da
antpkr/Shutterstock.com/ID/BR

nel de um elevador indica o origem da trajetória, a sua posição ainda não pode ser
andar (espaço) da cabine do definida com exatidão, pois há duas posições a 3 m da
elevador no instante em que origem, como indicado a seguir.
a fotografia foi registrada.
Na trajetória vertical des-

Ilustrações: Setup
Bureau/ID/BR
se dispositivo, a sua origem 3m 2m 1m 1m 2m 3m
O
é adotada no térreo.
1. Sabendo que a orientação da origem
trajetória é para cima, qual é
o significado de o número ser A diferenciação de duas posições equidistantes da
negativo?
origem pode ser feita atribuindo-se sinais positivos ou
negativos para regiões distintas da trajetória. Para facili-
tar a representação desses sinais, é utilizado um símbolo
Um dos principais objetivos no estudo do movimen- conhecido como orientação da trajetória. Observe-o na
to de um corpo é determinar a sua posição. Uma situa- figura a seguir.
ção particular que nos interessa é o caso de corpos que
orientação
se movimentam em trajetórias conhecidas, como indi- da trajetória
cado na figura a seguir.
1
23 m 22 m 21 m O 11 m 12 m 13 m
Capítulo 3 – Movimento uniforme

trajetória
Assim, no exemplo de que estamos tratando, pode-se
Em uma trajetória conhecida, para se localizar o corpo dizer que o corpo ocupa uma posição 13 m. Esse nú-
com precisão, deve-se tomar um ponto de referência co- mero, que determina a posição de um corpo em uma
mo origem (O) da trajetória e adotar uma escala de uni- trajetória conhecida, com origem e orientação, é deno-
dades, por exemplo, como indicado na figura a seguir. minado espaço.

3m 2m 1m O 1m 2m 3m Espaço é uma grandeza escalar que permite locali-


zar um ponto material em uma trajetória conhecida
origem
que possui origem e orientação.

44 Não escreva no livro.

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Deslocamento escalar (Ds) O deslocamento escalar é uma grandeza que admite
um sinal positivo ou negativo. O deslocamento escalar é
O movimento de um corpo é caracterizado pela va-
positivo quando o espaço final do corpo é maior que o
riação de sua posição ao longo do tempo. Caso ele se
espaço inicial. Isso significa que o movimento ocorreu
desloque em uma trajetória conhecida, o seu movimen-
predominantemente a favor da orientação da trajetória.
to pode ser identificado pelo deslocamento escalar (∆ s),

Ilustrações: Setup
Bureau/ID/BR
que representa a variação do espaço ao longo do tempo. Ds . 0
1
Deslocamento escalar (Ds) é uma grandeza escalar 0 s0 s . s0

que representa a variação do espaço de um corpo Quando o corpo se desloca predominantemente a favor da
em uma trajetória, em certo intervalo de tempo. orientação da trajetória, o seu deslocamento escalar é positivo.

Caso o espaço final do corpo seja menor que o espa-


ço inicial, o seu deslocamento escalar é negativo. Isso
para refletir
significa que o movimento ocorreu predominantemente
Deslocamento escalar contra a orientação da trajetória.

Vanessa Volk/Fotoarena
As placas de quilometra- Ds , 0
gem na beira das rodovias 1
indicam o espaço do auto- 0 s , s0 s0
móvel quando ocupa essa
posição da trajetória. Quando o corpo se desloca contra a orientação da trajetória, o seu
deslocamento escalar é negativo.
1. É correto dizer que o moto-
rista que está ao lado da
placa da foto se deslocou Distância percorrida (d)
41 km? É importante que se destaque a diferença entre deslo-
camento escalar e distância percorrida.

A figura abaixo ilustra um corpo de dimensões des- para refletir


prezíveis (ponto material) em uma trajetória conhecida
que possui origem e orientação. Em um instante inicial Hodômetro
O hodômetro (cujo vi-

Alexander Davidyuk/Shutterstock.com/ID/BR
(​t​  0​), o corpo possui um espaço inicial s​ ​  0​. Após certo in-
tervalo de tempo, o corpo possui um espaço final s em sor pode ser visto na foto)
um instante final t. é um instrumento presen-
te no automóvel, destina-
t0 t do a medir sua distância
1 total percorrida. Em al-
0 s0 s guns veículos, além desse
hodômetro, existe um se-
O deslocamento escalar (∆s) é definido como: gundo hodômetro em que
é possível “zerar” a indicação, de modo a medir dis-
tâncias em determinados trajetos.
Ds 5 s 2 ​s​  0​
1. Se não houver este segundo hodômetro, como é possível
calcular a distância entre dois lugares?
Como exemplo, pode-se considerar um corpo que,
em um instante inicial ​t​  0​ 5 0, encontra-se em um espa-
ço inicial ​s​  0​ 5 14 m e, em um instante final t 5 2 s, O deslocamento escalar expressa apenas a variação
encontra-se em um espaço final s 5 18 m. da posição do corpo, sem levar em conta a maneira co-
mo esse deslocamento ocorreu. Já a distância percorrida
t0 5 0 t 5 2s
leva em conta todos os deslocamentos parciais que po-
1 dem ocorrer durante o movimento do corpo.
0 s0 5 14 m s 5 18 m
Distância percorrida é a soma dos módulos dos
deslocamentos parciais realizados pelo corpo. No
Sendo assim, o deslocamento escalar desse corpo po-
caso de o corpo realizar um movimento em um
de ser calculado como:
único sentido da trajetória, a distância percorrida
corresponde ao módulo do deslocamento escalar
Ds 5 s 2 ​s​  0​ 5 8 2 4 ä Ds 5 14 m nesse trajeto.

Não escreva no livro. 45

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Como exemplo, pode-se considerar um corpo que no A análise dessa relação permite algumas observações:
instante ​t​  0​ 5 0 ocupa um espaço 14 m. A seguir, ele se ••O sinal da velocidade escalar média coincide com o si-
desloca a favor da orientação da trajetória e atinge o es- nal do deslocamento escalar. Assim, quando o deslo-
paço 18 m no instante t 5 2 s. Em seguida, se desloca camento escalar é positivo, a velocidade escalar média
novamente e atinge o espaço 14 m no instante t 5 4 s. é positiva. De modo contrário, quando o deslocamen-
Esse movimento está ilustrado nas figuras a seguir. to escalar é negativo, a velocidade escalar média é
t0 5 0
negativa.

Ilustrações: Setup Bureau/ID/BR


1 ••No Sistema Internacional de Unidades, a unidade da
0 s0 5 14 m velocidade escalar média é: [​v​  m​] 5 m/s.

t52s Interpretação da velocidade


1 escalar média
0 14 m 18 m
Para se conhecer o significado da velocidade escalar mé-
dia, pode-se tomar como exemplo um carro que está no
t54s quilômetro 200 de uma rodovia às 14 horas e, às 16 horas,
1 encontra-se no quilômetro 440 da mesma rodovia.
0 14 m 18 m
t0 5 14 h t 5 16 h

1
Nesse caso, o deslocamento escalar do corpo é zero, km 200 km 440
O
pois:
A velocidade escalar média do carro pode ser calcula-
Ds 5 s 2 ​s​  0​ 5 4 2 4 ä Ds 5 0 da por meio da seguinte expressão:
s 2 ​s​  0​ __________
Ds ​ 5 ______
Apesar de o deslocamento escalar ser igual a zero no ​v​  m​  5 ​ ___ ​  5 ​ 440 2 200
 ​ 
  ä ​v​  m​  5 120
 ​ 

exemplo apresentado, a distância percorrida não é nula, Dt t 2 ​t​  0​ 16 214
pois deve-se levar em conta os módulos dos desloca- [ ​v​  m​  5 120 km/h
mentos parciais em cada trecho, como indicado a seguir:
Nesse exemplo, o fato de a velocidade escalar média
t0 5 0 t52s ser 120 km/h não significa que o corpo se deslocou
Ds1 5 1 4 m
1 sempre a essa velocidade, pois ele pode ter desenvolvi-
0 14 m 18 m do velocidades maiores ou menores que 120 km/h.
Também não significa que o corpo se desloca 120
t54s t 52s
Ds2 5 2 4 m 0 quilômetros a cada hora, pois o corpo pode ter um des-
1 locamento escalar diferente desse na primeira hora do
0 14 m 18 m movimento.
Na realidade, a velocidade escalar média de 120 km/h
Sendo assim, para se determinar a distância percorri- significa que, caso o corpo se desloque com velocidade
da, devem-se somar os módulos dos deslocamentos constante desde o quilômetro 200, para que ele atinja o
parciais realizados pelo corpo. quilômetro 440 às 16 horas, deverá desenvolver uma
velocidade de 120 km/h.
d 5 u​Ds​  1​u 1 u​Ds​  2​u 5 u 4u 1 u24u 5 4 1 4 ä d 5 8 m
Capítulo 3 – Movimento uniforme

A velocidade escalar média expressa a velocidade


que, se fosse constante, ocasionaria o mesmo deslo-
Velocidade escalar média camento escalar sofrido pelo corpo no mesmo in-
tervalo de tempo considerado.
Para o movimento de um corpo em uma trajetória, é
cabível a noção de rapidez. A velocidade média é uma
grandeza que expressa a rapidez de um corpo em mo- conceito em questão
vimento, e é definida como:
1. Considerando que em 1 quilômetro há 1 000 metros, e
Ds
​vm​ ​  ___ em 1 hora há 3 600 segundos, de que maneira podemos
​   ​  escrever 1 m/s em km/h e 1 km/h em m/s?
Dt

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Velocidade escalar instantânea Para refletir
A velocidade média apresentada permite uma análise da rapidez de um cor- Um dos meios de controle de
po em determinado intervalo de tempo. Em muitos casos, porém, é importan- velocidade dos veículos nos gran-
te que se conheça a velocidade do corpo em um intervalo de tempo muito des centros urbanos é a lombada
pequeno. Essa velocidade é conhecida como velocidade escalar instantânea. eletrônica. Geralmente, seu fun-
cionamento é por meio de sen-
A velocidade escalar instantânea (v) de um ponto material em um instan- sores que ficam no chão.
te (t) é a velocidade escalar média em um intervalo de tempo (Δt) muito 1. Que tipo de velocidade é detec-
pequeno. tada? Média ou instantânea?

Gerson Gerloff/Pulsar Imagens


Matematicamente, tem-se:
Lombada
​  Ds   ​ 
v 5 _______ eletrônica na
Dtpequeno BR-158
próximo à
Como exemplo, a indicação do velocímetro de um automóvel indica a ve- cidade Santa
Maria (RS).
locidade do corpo em determinado instante, ou seja, o módulo da velocidade Foto de 2013.
instantânea.

EXERCÍCIO RESOLVIDO

7. Um carro vai da cidade A à cidade B, situada a Assim:


50 km a leste de A, em 1 hora. Em seguida, esse ∆
​ s​  1​  50 km; ​∆s​  2​ 25 km;
carro volta pela mesma estrada até a cidade C, a ∆​ t​  1​  1 h; ∆ ​t​  2​  0,5 h; ∆​ tt​otal​  1,5 h
25 km de B, demorando meia hora nesse percur-
so. Calcule: a) A distância total percorrida é obtida pela soma
dos espaços percorridos em cada trecho:
a) a distância percorrida para ir de A até C.
d  ​∆ s​  1​  ​∆ s​  2​  50 km  25 km ä d  75 km
b) o deslocamento escalar de A até C.
b) Considerando s​A a posição inicial e s​C a posição
c) a velocidade escalar média no trecho AC. final de 25 km, o deslocamento escalar ∆s de
Resolução A até C é:
Considere ​∆ s​  1​ o espaço percorrido no trecho AB,​ ∆s  ​s​C​ ​sA​ ​ 25 km  0 km ä ∆ s  25 km
∆ s​  2​ o espaço percorrido no trecho BC, ∆ ​t​  1​o in- c) Para calcular a velocidade escalar média do
tervalo de tempo do trecho AB, ∆​ t​2​o intervalo de carro no trajeto de A até C, fazemos:
tempo do trecho BC e ∆  ​t​  total​o intervalo de tem-
​ ​  ∆s   ​   25 _ù 16,6 π ​v​m​ù 16,6 km/h
vm​ ​ ________
po total. ∆​tt​otal​ 1,5

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

8. Uma partícula se desloca entre os pontos A e B do 9. Considerando-se o problema anterior, qual é o in-
sistema de referência abaixo, em que os valores tervalo de tempo gasto pela partícula para ir de A
são dados em metro. até B, se sua velocidade escalar média for 2 m/s?
10. Um ciclista percorre 10 km com velocidade esca-
Setup Bureau/
ID/BR

A B
lar média de 15 km/h; nos 10 km seguintes, sua
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15
velocidade escalar média é 10 km/h; nos 10 km
finais, sua velocidade escalar média é 15 km/h.
a) Segundo o sistema de referência, quais são os Qual foi a velocidade escalar média relativa a to-
valores da posição inicial e da posição final da do o percurso? (Dica: analise cada percurso sepa-
partícula? radamente e depois considere o percurso total.)
b) Qual é o deslocamento escalar para ir de A a B? 11. Considere que o som tem velocidade de 340 m/s
c) Qual é a distância total percorrida para ir de A no ar. Uma pessoa está parada em frente a uma
a B e depois retornar de B a A? caverna e dá um grito. Depois de 2 s, ela ouve o
eco. Calcule a profundidade da caverna.

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Velocidade vetorial v

Ilustrações: Setup Bureau/ID/BR


v v
Até agora o estudo do movimento dos corpos consi-
derou casos em que a trajetória do corpo é conhecida. v v v
Essa particularidade permite considerar as grandezas
relevantes para esse estudo: espaço, velocidade e acele- v
ração – grandezas escalares, pois as informações de v v
orientação espacial são conhecidas pela direção da traje-
tória e pelo sinal algébrico associado a essas grandezas. Movimento Movimento Movimento
retilíneo retilíneo retilíneo
Existem situações, porém, em que é importante co- e uniforme e acelerado e retardado
nhecer o caráter vetorial de algumas grandezas. Como Três situações de movimento em um plano inclinado. 1a situação: a
exemplo, pode-se considerar um barco realizando uma esfera sobe com velocidade constante (vetores com o mesmo
viagem no mar. Nesse tipo de movimento, além de o pi- tamanho e paralelos ao plano). 2a situação: a esfera sobre com
movimento acelerado (vetores que vão aumentando de tamanho e
loto precisar da informação sobre a intensidade da ve- paralelos ao plano). 3a situação: a esfera sobe freando (vetores que
locidade indicada por um velocímetro, é importante vão diminuindo de tamanho e paralelos ao plano).
que ele possua outra informação, indicada por uma v
v v
bússola: a direção do movimento. Nesse caso, deve-se
considerar a velocidade uma ​___› grandeza vetorial, denomi- v v
v
nada velocidade vetorial (​V ​  ).
Gusev Mikhail Evgenievich/
Shutterstock.com/ID/BR

v
v v
Tipo de bússola utilizada em
embarcações marítimas. Esse
instrumento auxilia o navegador a Movimento Movimento Movimento
manter o rumo da embarcação e é curvilíneo curvilíneo curvilíneo
indispensável para viagens e uniforme e acelerado e retardado
afastadas da costa litorânea. Três situações de movimento curvilíneo. 1a situação: a esfera faz a
curva com velocidade constante (vetores com o mesmo tamanho e
A velocidade vetorial possui intensidade (V) igual ao tangentes à curva). 2a situação: a esfera faz a curva com movimento
módulo da velocidade escalar (|v|). Se a trajetória for re- acelerado (vetores que vão aumentando de tamanho e tangentes à
tilínea, a velocidade vetorial possui direção paralela à curva). 3a situação: a esfera sobe freando (vetores que vão
diminuindo de tamanho e tangentes à curva).
trajetória. Em trajetórias curvilíneas, ela possui direção
tangente à trajetória. Quanto ao sentido, a velocidade
para debater
vetorial possui o mesmo sentido do movimento do cor-
po. A figura a seguir ilustra as características da veloci- O mapa de ventos ilustrado abaixo é um gráfico
dade vetorial e sua representação em um corpo. utilizado pela climatologia para análise das condi-
Intensidade: V 5 uvu ções atmosféricas de determinada região. As setas
_​___› Direção: paralela ou tangente à
​V  ​ t  trajetória indicam o vetor velocidade das massas de ar em re-
giões diferentes, facilitando a interpretação de co-
Sentido: do movimento mo elas se movimentam.
Uma das vantagens de se representar a velocidade ve- Faça uma pesquisa de como são coletados esses
torial em um corpo é que a análise de seu comporta- dados e converse com os colegas sobre qual é a im-
mento permite classificar o seu movimento de acordo portância desse tipo de mapa.
com dois critérios:
Mapa dos ventos do litoral Sul do Brasil
••Direção do movimento: se a direção do movimento
Allmaps/ID/BR

50°O
PR
se mantém constante, o movimento é classificado co-
Capítulo 3 – Movimento uniforme

NO NE
SC
mo movimento retilíneo. Caso contrário, o movimen- RS
30°S
to é classificado como curvilíneo. SO SE

••Intensidade da velocidade: se a intensidade da velo-


cidade se mantém constante, o movimento é unifor-
OCEANO
me. Se essa intensidade aumenta, o movimento é ATLÂNTICO
acelerado; se ela diminui, o movimento é retardado. 40°S

0 555 1110 km
As figuras a seguir representam a velocidade vetorial
em três situações distintas de um corpo que se movi-
Fonte de pesquisa: INPE. Disponível em: <http://ondas.cptec.
menta em determinada trajetória e a classificação desse inpe.br/mapas.php?regiao=brasil>. Acesso em: 26 mar. 2016.
movimento de acordo com os critérios descritos.

48 Não escreva no livro.

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Composição de movimentos em relação à água. Pode-se perceber que as velocida-
des possuem a mesma direção (horizontal) e senti-
Ao se estudar o movimento de um corpo, a escolha dos opostos (o barco sobe o rio, contra o sentido da
do referencial é essencial para a compreensão das infor- correnteza).
mações relevantes para a descrição desse movimento. A velocidade do barco em relação à Terra (velocida-
Como exemplo, o movimento de um barco que percor- ​_›_
de resultante
​_›_
v ​
​   R) é obtida pela soma vetorial das ve-
​_›_
re o curso de um rio pode ser analisado em relação às locidades ​v ​  C e ​v ​  B. Como as velocidades possuem
águas do rio ou em relação à Terra. A seguir, analisare- mesma direção e sentidos opostos, a velocidade do
mos alguns casos particulares dessa situação, conside- ​_›_
barco em relação à Terra (​v ​  R) será a diferença dos
rando que o rio possua correnteza, ou seja, as águas do módulos da velocidade do barco em relação​__ à água
rio se movimentam em relação à Terra. (chamada de velocidade relativa do barco, ​v ​ r ) e da

Exemplo 1 velocidade da correnteza _​›_ (denominada velocidade


O barco desce o rio, portanto ele se movimenta na de arrastamento, ​v ​  arr).
mesma direção e no mesmo sentido da correnteza. _​›_ _​›_ _​›_
v ​
​​  ​  R​ 5 v ​ ​​  ​  C​ ä ​v​  R​ 5 ​v​  B​ 2 ​v​  C​ou ​v​  R​ 5 ​v​  rel​ 2 ​v​  arr​
​​   ​  B​ 2 v ​

Ilustrações: Marcelo Castro/ID/BR


vC
Portanto, é importante notar que em uma composi-
vB ção de movimentos sempre haverá algo sendo arras-
tado por alguma coisa. Conforme os exemplos da-
dos, o barco é arrastado pela correnteza do rio, quer
no mesmo sentido, quer em sentido oposto. No ca-
vR
so de o sentido da velocidade relativa do barco ser
contrário ao sentido da velocidade de arrastamento,
o vetor velocidade resultante possui o mesmo senti-
_​›_ do daquele de maior intensidade.
Na figura acima, v ​​ C  é a velocidade ​_›_
da correnteza em re-
lação às margens do rio e v ​​ B  é a velocidade do barco em Exemplo 3
relação à água. Pode-se perceber que ambas as veloci- O barco atravessa a correnteza de um rio com sua tra-
dades possuem a mesma direção (horizontal) e o mes- jetória (em relação à Terra) perpendicular à margem.
mo sentido (descendo o rio, a favor da correnteza).
A velocidade ​_›_
do barco em relação à Terra (velocidade vC
resultante
​_›_ ​_›_ R
v ​
​   ) é obtida pela soma vetorial das velocida-
des v ​​ C  e v ​​ B  . Como as velocidades possuem mesma dire-
ção e mesmo sentido, o módulo da velocidade vetorial
vR
será a soma dos módulos da velocidade do barco em
relação à água_​_ (também chamada de velocidade relati-

va do barco, v ​​ rel   ) e da velocidade da correnteza
_​›_ (tam- vB
bém denominada velocidade de arrastamento, v ​​ arr   ).
_​›_ _​›_ _​›_
v ​
​​  ​  R​ 5 v ​ ​​  ​  C​ ä ​v​  R​ 5 ​v​  B​ 1 ​v​  C​ou ​v​  R​ 5 ​v​  rel ​1 ​v​  arr​
​​  ​  B​ 1 v ​

Exemplo 2
O barco agora sobe o rio, movimentando-se na mesma _​›_
direção, mas em sentido contrário ao da correnteza. Na situação desse esquema, a velocidade ​​v ​ ​  r​do barco
em relação às​__ margens ​_›_
do rio também é dada pela re-

sultante
​_›_
de
​_›_
v ​
​​   ​ e ​​v ​ C


B  ​ ​
. Como nesse caso as velocida-
vC des ​​v ​​ B  ​ e ​​v ​​ C  ​não têm a mesma ​_›_
direção, pode-se obter
a velocidade resultante ​​v ​​ R  ​por meio do método da li-
vB nha poligonal, estudado no capítulo anterior. O mó-