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Tema: Diagnóstico Socioambiental

Participante: Luiz Eduardo C. de Azevedo


ATIVIDADE DE CONCLUSÃO DE CURSO
Tema: Diagnóstico Socioambiental da área de influência da Ferrovia Paraense S.A
localizada no estado do Pará.
A escolha do tema foi devido ao fato de ser um empreendimento de grande
porte que no qual este participante como analista ambiental da Secretaria de Estado
e Meio Ambiente e integrante da equipe técnica responsável pelo licenciamento deste
empreendimento, possui conhecimento técnico e informações interessantes que
podem servir para debates proveitosos no curso, já que o mesmo trata sobre questões
relativa a Educação Ambiental na Gestão Pública. A seguir será iniciado o diagnóstico
sócio ambiental da área onde irá ser criada a Ferrovia Paraense S.A (FERPASA).
O empreendimento trata-se de uma linha ferroviária, denominada Ferrovia
Paraense S.A, localizado na Região Norte do Brasil, Estado do Pará, com extensão
de 1.319 (um mil trezentos e dezenove) quilômetros. A Ferrovia Paraense S.A. irá
abranger o território de 23 municípios do estado, são eles: Abaetetuba, Abel
Figueiredo, Acará, Barcarena, Bom Jesus do Tocantins, Dom Eliseu, Eldorado do
Carajás, Ipixuna do Pará, Marabá, Moju, Nova Ipixuna, Paragominas, Pau D’arco,
Piçarra, Redenção, Rio Maria, Rondon do Pará, Santa Maria das Barreiras, Santana
do Araguaia, Sapucaia, Tailândia, Tomé-Açú e Xinguara, onde se prevê impactos
diretos e indiretos em 08 comunidades e vilas, 19 assentamentos com 101.346,86
hectares e 2.542 famílias, 05 acampamentos com 2.128 famílias e uma área de
34.942,01 hectares, além de 337 fazendas e 07 Comunidades Quilombolas.
O governo do estado do Pará passou a incentivar projetos ligados à
agropecuária e à mineração. Além dessas atividades, as madeireiras também tiveram
contribuição no processo de desenvolvimento da região. Tais incentivos trouxe
desenvolvimento, porém gerou conflitos. Índios e posseiros foram expulsos e até hoje
lutam por terra.
A população possui um grau de escolaridade muito baixo. É significativo a
quantidade de adultos que analfabetos. De cada 100 pessoas, entre 11 a 14 anos 06
são analfabetas, e para cada 100 pessoas com mais de 15 anos, 18 são analfabetas.
Existem quase 2.800 escolas nos 23 municípios. Mesmo assim, de cada 100 pessoas,
apenas 04 possuem curso de nível superior.
São pessoas de baixa renda e baixa escolaridade que vivem em
assentamentos, vilas, comunidades e fazendas. A maioria ganha a vida como
trabalhador rural. Quem tem a própria lavoura encontra dificuldades para vender a
produção. As mulheres normalmente não trabalham fora e são donas de casa. Na
Área de Influência Direta (AID), de uma maneira geral a população que vive nos
assentamentos e vilas, reside em casas simples. Existem casas feitas de madeira,
alvenaria e algumas de barro. Estas casas são abastecidas por poços e as fossas
sépticas ou sistemas de tratamento de esgoto rudimentares são o destino dos dejetos
desta população.
Algumas comunidades se organizam por meio de associações de moradores
ou de trabalhadores rurais. Essas associações são importantes para obtenção de
melhorias nas comunidades. Das 337 fazendas, a maioria é de grande porte. A maior
tem 52.000ha e a menor, 4,8ha. A maioria das fazendas cria gado de corte. Outras
atividades também são praticadas como agricultura, piscicultura, mineração
reflorestamento e exploração de madeira.
Após consulta na Fundação Nacional do Índio (FUNAI) constatou-se que não
há interferências do empreendimento em Terras Indígenas demarcadas, bem como
comunidades em fase de demarcação, dentro do limite de 10 km do empreendimento
considerado.
Ao longo da linha ferroviária da Ferrovia Paraense S.A. existem 09
comunidades quilombolas. No município de Abaetetuba está a Comunidade Ramal do
Piratuba, que já possui titulação pelo ITERPA. No município de Moju estão 07
comunidades tituladas (Comunidade Santana do Axé do Baixo Jambuaçu, Santa
Luzia do Tracuateua, Santa Maria do Tracuateua, São Sebastião, Bom Jesus do
Centro Ouro, Nossa Senhora das Graças e São Bernandino) e uma em processo de
regularização (Comunidade Poacê).
Durante a construção da Ferrovia as atividades de cortes em solo/rocha,
circulação de máquinas e equipamentos, retirada da vegetação, instalação de
dormentes e trilhos poderão causar alterações no cotidiano dos moradores em relação
a circulação de pessoas, sobrecarga nas principais vias de acesso das áreas de
influência.
Para as obras de construção da ferrovia a previsão é de que serão ofertados
na 1ª fase 4.329 empregos e na 2ª fase 1.650 empregos, totalizando 5.979 postos de
trabalho, resultando em aumento da renda para as famílias dos contratados e
consequentemente dinamizando a economia local. Por outro lado, parte desses
trabalhadores poderão ser trazidos de outras regiões do estado, aumentando a
procura por moradia, saúde e educação podendo gerar conflitos por terra durante esse
período. Porém, é importante saber que a dinamização da economia e a arrecadação
de impostos nesta etapa poderão contribuir de forma positiva para a melhoria dos
serviços públicos nos municípios da área de influência.
Essas alterações possuem tempo de permanência, abrangência e intensidades
diferentes em cada aspecto, algumas são sentidas por um período de tempo pequeno
e outras mudanças podem ser de caráter permanente.
A principal forma de medida adotada pela empresa sobre as questões
ambientais em relação a sociedade, é a proposta de educação ambiental como
subsídios a uma discussão saudável e participação efetiva da sociedade durante a
implantação do empreendimento. Com essa medida a empresa visa estar em sintonia
real com a sociedade afetada pelo empreendimento afim de atender seus interesses
econômicos, sociais e ambientais.
A proposta de educação no processo de gestão ambiental parte do princípio de
que cabe ao Estado criar as condições para que o espaço da gestão ambiental seja
um espaço público, evitando que as decisões tomadas privilegiem os atores sociais
com mais visibilidade e influência na sociedade e deixem de fora outros atores,
geralmente, os mais impactados negativamente. Portanto, é o Estado que media os
interesses e conflitos entre atores sociais, definindo os modos de destinação dos
recursos ambientais na sociedade.
Portanto, faz-se necessário a participação de todos (Estado, sociedade e
empresa privada) em prol de um objetivo comum: Desenvolvimento Sustentável. Pois
somente assim conseguiremos viver com os recursos ambientais disponíveis sem
prejudicar que nossos filhos e netos possam usufruir das mesmas condições que
tivemos.