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Pré-Projeto Direção 5

Romeu e Julieta

Conrado Cerqueira

UFRJ
Escola de Comunicação
1. Texto

(Platéia entra, Julieta está dormindo debruçada sobre laguinho (?) /superfície/grama.
Veste um vestido branco leve, parecido com uma camisola, porém mais elegante. Dado o
terceiro sinal, entra a música)

(MÚSICA)

(Prokofiev: Romeo and Juliet – Act 1: No. 1, Introduction


https://open.spotify.com/track/4C4aTbYAcyQQ0sIvMctB6Y )

(Julieta, desperta em dança durante a música)

JULIETA

Duas casas, iguais em seu valor,


Em Verona, que a nossa cena ostenta,
Brigam de novo, com velho rancor,
Pondo guerra civil em mão sangrenta.
Dos fatais ventres desses inimigos
Nasce, com má estrela, um par de amantes,
Cuja derrota em trágicos perigos
Com sua morte enterra a luta de antes.
A triste história desse amor marcado
E de seus pais o ódio permanente,
Só com a morte dos filhos terminado,
Duas horas em cena está presente.
Se tiverem paciência para ouvir-nos,
Havemos de lutar pra corrigir-nos.

(Pega uma carta da ama e lê)

O qua nto fa lta


Para um de agosto?
… Mais uns vinte dias .

Por mais ou menos , ne ste mes mo ano,


No dia primeiro, à noite, fa z 14.

Susana e ela — D eus nos s alve a todos —


Na sc eram juntas . Ela foi pro cé u.
Eu nã o a merec ia. Como e u diss e ,
Em agos to ela fa z 14 a nos .
Is s o mes mo, e u me lembro muito bem.
Faz 11 a nos que tremeu a terra,
E ela des mamou — nunc a me es queç o —
Do a no inteiro, bem na quele dia .
Eu pas s e i óle o amargo no meu pe ito
E s ente i, be m ao s ol, junto ao pombal.
A s e nhora e o patrão — ’sta vam em Mâ ntua —
A c ac hola es tá boa . C omo e u dis se ,
Qua ndo s entiu no s eio o óleo a ma rgo,
A pombinha a chou ruim, a chou a margo,
Fez c ara feia e brigou com me u peito.
O pombal s a cudiu! N em precis ei
Repetir a re ce ita .
E des de entã o pas s aram-se 11 anos .
J uro por D eus que já fica va e m pé,
J á a ndava e c orria por aí,
Pois ne ss e dia ba teu com a cabe ça ;
E então meu marido — D eus o tenha —
Ele era muito alegre — levantou-a,
Dizendo — “Mas se cai assim, de cara?
Quando souber das cois as, cai de costas,
Não é, Julinha?” E por tudo o que é santo,
A boba ficou quieta e disse “É.”
Vejam só como os chistes aparecem!
Nem que viva mil anos, eu lhes juro,
Eu hei de me esquecer, “Não é, Julinha?”
E a boba, sem chorar, responder: “É.”