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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA __ª VARA DA

CÍVEL DA COMARCA DE APUCARANA, PARANÁ.

CONSTRUTORA SUIÇA LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ


sob n.º 81.457.533/0001-07, representada por seu sócio administrador, CAIO JUNIOR DE
LIMA (contrato social anexo), com sede à Rua Clovis da Fonseca, 221, Centro, Apucarana,
Paraná, por seus procuradores abaixo-assinados, inscritos na OAB/PR n 31740 e 46895,
ambos com escritório profissional localizado na Rua Osvaldo Cruz, 1110, Apucarana,
Paraná, no qual recebe intimações, vem respeitosamente a presença de Vossa Excelência,
propor a presente
AÇÃO INDENIZATÓRIA POR SERVIDÃO ADMINISTRATIVA

em face de COPEL – COMPANHIA PARANAENSE DE ENERGIA ELÉTRICA ,


pessoa jurídica de direito público interno, com sede à rua Coronel Dulcidio, n.º 800, CEP
80420-170, Batel, Curitiba, Paraná, pelo que passa a expor e requerer:

1. FATOS

A autora adquiriu, conforme escritura pública de compra e venda de imóvel, lavrada no 1º


Serviço Notarial de Apucarana, Paraná, fls. 170/172, livro 0424/E, em 14.04.2010, o
imóvel de matricula n. 8.291, constante no 2º Oficio de Registro de Imóveis desta
Comarca, LOTE 69-K/A, com a seguinte delimitação e metragem: área de 30.250,00
metros quadrados; limite ao norte com a estrada Nova Ukrania, 140,00 m; limite ao
leste com o LOTE n. 30-F, 222,00 m; limite ao sul com o LOTE n. 60 K/B, 138,17 m;
limite ao oeste com o LOTE n. 69-D, 215,85 m (certidão de registro anexa).

Visando utilizar o referido imóvel para loteamento residencial, a autora o subdividiu em


dois lotes: 69 K/A -1, com área de 3.497,50 metros quadrados e 69 K/A-REM, com
área de 26.752,50 metros quadrados, dividindo este último em várias unidades
imobiliárias menores (documentos e planta anexos).
Entretanto Excelência, como se analisa da planta do loteamento, bem como do projeto
topográfico do mesmo, o lote de terras n. 1, da quadra “Q-E”, com área de 593,98
metros, (com as seguintes divisas, metragens e confrontações: ao norte, divisa com a
Estrada Nova Ucrânia, 20,40 metros; a leste, divisa com a rua projetada n. 01, com
13,19 metros; ao sul, divisa com lote 02, no rumo SO 19 º 47’ 16”, com 36,82 metros; a
oeste, divisa com o Lote nº 69-D, com 45,15 metros) está sob ônus de servidão
administrativa de passagem de fiação e torres de energia elétrica pela COPEL –
Companhia Paranaense de Energia, ora requerida. (documento anexo).

A referida restrição administrativa derivou do Decreto Estadual n. 1768 de 07/05/1996, o


qual declarou de utilidade pública as áreas de terra correspondente á faixa de
segurança da linha de transmissão 138 kV entre Faxinal – Seccionamento da linha de
transmissão Apucarana – Ivaiporã. (legislação anexa).

Entretanto, a autora deveria ter sido indenizada por tal restrição administrativa,
conforme dispõe legislação federal especifica, já que o referido imóvel está com o ônus
de direito real de uso por parta da requerida, impossibilitando ser utilizado como
deveria pela autora. Porém, tal não ocorreu, apesar de ter buscado administrativamente o
ressarcimento em razão da servidão. Portanto, não resta outra alternativa a não ser propor a
presente Ação Indenizatória.

2. FUNDAMENTOS

2.1.1 DA EXISTÊNCIA DE DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA


Excelência, conforme já exposto, o Decreto Estadual n. 1768 de 07/05/1996, declarou de
utilidade o referido imóvel em favor da requerida, já que sobre o mesmo existe linha
de transmissão de energia elétrica da mesma. FRIZA-SE QUE O IMÓVEL FOI
DECLARADO DE UTILIDADE PÚBLICA PARA FINS DE CONSTITUIÇÃO DE
SERVIDÃO ADMINISTRATIVA E NÃO DE DESAPROPRIAÇÃO, APESAR DE
QUE A AUTORA NÃO TEM MAIS DOMINIO ALGUM SOBRE O BEM, MESMO
ESTANDO NA MATRÍCULA DO REFERIDO IMÓVEL A AUTORA COMO
PROPRIETÁRIA (CERTIDÃO ANEXA).

Entretanto, na pratica, não se tem observado o instituto da


servidão administrativa, mas sim a ocorrência de DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA.
Como expõe Maria Sylvia Zanella Di Pietro, em sua obra Direito Administrativo Editora
Atlas:

“Às vezes, a Administração não se apossa diretamente


do bem, mas lhe impõe limitações ou servidões que
impedem totalmente o proprietário de exercer sobre
imóvel os poderes inerentes ao domínio; neste caso,
também se caracterizará a desapropriação indireta, já
que as limitações e servidões somente podem,
licitamente, afetar em parte o direito de propriedade.”

É o que ocorre no presente caso. Apesar da restrição á


propriedade privada ter-se configurado como servidão administrativa, nota-se
claramente que a requerente não tem mais domínio algum sobre o imóvel, já que em
razão das instalações elétricas constantes no mesmo, a requerente está impossibilitado
totalmente de utilizar o bem, já que tal está isolado em razão dos perigos derivados da
eletricidade.
Portanto, é necessário reconhecer-se não a servidão administrativa, mas sim a
desapropriação indireta, pois a limitação está restringindo totalmente o exercício dos
poderes inerentes ao domínio.

2.1.2 DO DIREITO À INDENIZAÇÃO PELOS PREJUIZOS CAUSADOS

Excelência, a requerente deve ser indenizada


integralmente pelo valor do imóvel objeto de desapropriação, visando recompor
integralmente o patrimônio do expropriado, de tal modo que ele não sofra qual quer
redução, corregidos monetariamente, com base no preço que o referido bem teria caso
estivesse disponível no mercado.

Salienta-se ainda que devem incidir juros compensatórios


de 12% ao ano, a contar da ocupação do imóvel pela requerida, bem como de juros
moratórios, conforme regra do artigo 100 da Constituição Federal e artigo 15-B, do
Decreto-Lei 3.365/1941, contados a 6% ao ano, ambos corrigidos monetariamente,
além de honorários advocatícios, pela norma do artigo 27 do mesmo diploma legal.

A jurisprudência entende da mesma forma:

ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA.


IMPLANTAÇÃO DE RODOVIA ASFÁLTICA.
PRESCRIÇÃO VINTENÁRIA. INTERRUPÇÃO PELA
PUBLICAÇÃO DO DECRETO EXPROPRIATÓRIO
COMPENSAÇÃO DO VALOR DA ÁREA
EXPROPRIADA COM O MONTANTE DA
VALORIZAÇÃO DA ÁREA REMANESCENTE DO
IMÓVEL. DESCABIMENTO. JUROS
COMPENSATÓRIOS. TERMO INICIAL E FINAL.
INCIDÊNCIA DA SÚMULA 114, DO STJ E DO § 12º
DO ART. 100, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL COM A
REDAÇÃO DA EC Nº 62/2009. JUROS MORATÓRIOS.
HONORÁRIOS.114§ 12º100CONSTITUIÇÃO
FEDERAL621.

A superveniente publicação do decreto de


desapropriação acarreta a interrupção da prescrição
vintenária da indenização de área já ocupada em época
antecedente.

2. Não cabe descontar ou compensar com o valor da


indenização por desapropriação indireta o eventual
plus de valorização provocado pela implantação de
rodovia asfáltica. "Se houve a valorização, a
recuperação há de ser feita através da contribuição de
melhoria" (Resp nº 50.554-SP).

3. "Os juros compensatórios, na desapropriação


indireta, incidem a partir da ocupação, calculados
sobre o valor da indenização, corrigido
monetariamente" (Súmula 114, STJ) e cessam a partir
da promulgação da Emenda Constitucional nº
62/2009. Enquanto isso, o termo inicial dos juros de
mora deve observar o art. 15-B, do Decreto-Lei
3.365/41.6215-B3.3654. Também na ação de
desapropriação indireta os honorários advocatícios
devem ser arbitrados segundo a regra especial do § 1º
do art. 27, do mesmo diploma normativo.

(188023 SC 2011.018802-3, Relator: Newton Janke,


Data de Julgamento: 18/07/2011, Segunda Câmara de
Direito Público, Data de Publicação: Apelação Cível n.
, de Pinhalzinho)
ADMINISTRATIVO - DESAPROPRIAÇÃO -
VALOR FIXADO CONFORME O LAUDO
PERICIAL - PARÂMETROS ADEQUADOS - JUROS
COMPENSATÓRIOS DE 12% AO ANO DESDE A
DATA DA OCUPAÇÃO - ORIENTAÇÃO
MAJORITÁRIA DO GRUPO DE CÂMARAS DE
DIREITO PÚBLICO.Na ação de desapropriação
direta o laudo de avaliação do bem expropriado
elaborado com critérios razoáveis pelo perito judicial
deve ser acolhido como parâmetro para a fixação da
justa indenização. O Grupo de Câmaras de Direito
Público deste Tribunal pacificou a orientação de que
nas desapropriações indiretas os juros
compensatórios, de 12% ao ano, são devidos desde a
data da ocupação do imóvel e calculados sobre o valor
da indenização corrigido monetariamente, nos termos
da Súmula n. 114, do STJ.

(137985 SC 2011.013798-5, Relator: Jaime Ramos,


Data de Julgamento: 22/07/2011, Quarta Câmara de
Direito Público, Data de Publicação: Apelação Cível
n. , de Rio do Sul.)
APELAÇÃO CÍVEL AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO
VALOR DA INDENIZAÇÃO CORRETAMENTE
FIXADO EM CONSONÂNCIA COM O PREÇO DE
MERCADO E COM FUNDAMENTO NO LAUDO
PERICIAL FIXAÇÃO DOS JUROS MORATÓRIOS
EM 12% A.A. INADMISSIBILIDADE OS JUROS
MORATÓRIOS DEVEM SER FIXADOS EM 6%
A.A. A PARTIR DE 1º DE JANEIRO DO
EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O
PAGAMENTO DEVERIA SER FEITO, NOS
TERMOS DO ARTIGO 15-B, DO DECRETO LEI N.º
3.365/41 INCIDÊNCIA DE JUROS
COMPENSATÓRIOS ADMISSIBILIDADE OS
JUROS COMPENSATÓRIOS SÃO CABÍVEIS,
TANTO NA DESAPROPRIAÇÃO DIRETA COMO
NA INDIRETA NO PERCENTUAL DE 12% (DOZE
POR CENTO) A.A. VERBA HONORÁRIA
MANTIDA RECURSO PARCIALMENTE
PROVIDO.15-B3.365

(87419868260581 SP 0000008-74.1986.8.26.0581,
Relator: Franco Cocuzza, Data de Julgamento:
07/02/2011, 5ª Câmara de Direito Público, Data de
Publicação: 07/02/2011).

Desta feita, a autora deve ser indenizada pela desapropriação


indireta, nos moldes acima traçados.
2.2.1 DA EXISTÊNCIA DE SERVIDÃO ADMINISTRATIVA DE ENERGIA
ELÉTRICA

Caso Vossa Excelência não entenda ter ocorrido desapropriação indireta, a autora pede seja
reconhecida a servidão administrativa.

A autora está impossibilitada de exercer os direitos que advém de sua propriedade, quais
sejam os de usar, gozar e dispor do referido imóvel, já que sobre ele pesa este ônus da
servidão administrativa. Assim, não pode utiliza-lo em seus empreendimentos, seja
direta ou indiretamente, muito menos aliená-lo. Com a servidão, a autora sofre um
ônus de direito real sobre coisa alheia por parte da ré.

Os artigos 1225, inciso III e artigo 1228, caput, ambos do


Código Civil, dispõem respectivamente:

“São direitos reais: [...]

III – as servidões;”

[...]

“O proprietário tem a faculdade de usar, gozar, dispor


da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer
que injustamente a possua ou detenha.”

Em análise aos fatos e toda documentação acostada, conclui-se que estão presentes os
elementos que demostram a existência de servidão, quais sejam:
1. o direito real sobre coisa alheia (jus in re aliena);

2. coisa serviente (res serviens) – imóvel de propriedade da requerente;

3. a coisa dominante (res dominans) – a requerida e sua rede de transmissão;

4. o conteúdo – passagem e afixação de torres de alta tensão, com o propósito de rede


de transmissão de energia elétrica.

Assim, deve ser reconhecida a servidão administrativa sobre o


imóvel especificado.

2.2.2 DO DIREITO À INDENIZAÇÃO PELOS PREJUIZOS CAUSADOS

O Decreto n. 35.851/1954 trata especificamente sobre


servidões administrativas instituídas para o estabelecimento de linhas de transmissão
e distribuição de energia elétrica, conforme detalha o seu artigo 1º. O mesmo Decreto,
em seu artigo 5º, garante o direito de indenização àqueles proprietários de áreas
sujeitas á servidão:

“Art. 5º - Os proprietários das áreas sujeitas á servidão


tem o direito à indenização correspondente à justa
reparação dos prejuízos a eles causados pelo uso
publico das mesmas e pelas restrições estabelecidas ao
seu gozo.”
Em ensinamento ao instituto da Servidão, Maria Sylvia Zanella Di Pietro, em sua já
citada obra, dispõe sobre a fixação da indenização:

“No caso da servidão de energia elétrica, que é a mais


frequente, a jurisprudência fixa a indenização em
valor que varia entre 20% e 30% sobre o valor da terra
nua (acórdãos in RT 404:212, 406:272, 389:127,
391:130, 1987:139)”

Os Tribunais tem proferido acórdãos no mesmo sentido:

SERVIDÃO ADMINISTRATIVA - LINHAS DE


TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA -
INDENIZAÇÃO A INDENIZAÇÃO PELA
SERVIDÃO DECORRENTE DA INSTALAÇÃO DE
LINHAS DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA
ELÉTRICA DEVE SER FIXADA DE 20% A 30% DO
VALOR DA ÁREA ATINGIDA, OBSERVADAS AS
PECULIARIDADES DE CADA IMÓVEL. "OS
JUROS MORATÓRIOS, NA DESAPROPRIAÇÃO
DIRETA OU INDIRETA, CONTAM-SE DESDE O
TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA". (STJ
SÚM. 70). RECURSO CONHECIDO E NÃO
PROVIDO. (148330620048070004 DF 0014833-
06.2004.807.0004, Relator: ANA MARIA DUARTE
AMARANTE BRITO, Data de Julgamento:
22/04/2009, 6ª Turma Cível, Data de Publicação:
29/04/2009, DJ-e Pág. 92).

Desta forma, a requerente deve ser indenizada em 30% do valor do referido imóvel,
conforme valores a serem apurados em instrução processual.
Maria Sylvia Zanella Di Pietro expõe sobre a incidência de juros sobre as indenizações
pagas em decorrência de servidões administartivas:

“Tem-se entendido, na jurisprudência, que, além dos


acréscimos legais (juros moratórios, correção
monetária, honorários do advogado, do perito oficial,
do assistente técnico e custas) a indenização, na
servidão administrativa, inclui juros compensatórios, a
semelhança da desapropriação, quando a
Administração tome posse da área antes de pagar o
preço justo.”

A jurisprudência é incisiva neste entendimento, como segue:

DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. SERVIDAO DE


PASSAGEM. IMPLANTAÇÃO DE TORRES E DE
REDE ELETRICA DE ALTA TENSAO.
PERCENTUAL DE DESVALORIZACAO DA AREA
SERVIENDA. JUROS COMPENSATORIOS E
MORATORIOS. DATAS DE OCUPACAO.
REDUCAO DE VERBA HONORARIA,
INADMISSIVEL. LEVANTAMENTO DO PRECO
CONDICIONADO A PROVA DA PROPRIEDADE.1
Evidenciado que o perito oficial tivera em mente, na
elaboração do seu laudo, adotado pela sentença, o
principio constitucional da justa indenização (art. 5o.,
XXIV de CF de 1988), fundamentando devida e
convincentemente o seu trabalho, que se baseara,
inclusive, em pesquisa feita junto ao mercado
imobiliário, para então estabelecer o grau de
desvalorização da área servienda, decorrente da
implantação de torres de sustentação e de rede elétrica
de alta tensão, justo e razoavel se afigura o percentual
de 30% fixado, considerando a limitacao imposta do
uso da propriedade. Quando inexistem provas
inequivocas nos autos relativamente as datas em que
as ocupacoes se processaram, ha que prevalecer
aquelas constantes da publicacao dos decretos de
utilidade pública.3. Os juros compensatorios são
devidos, pelo apossamento antecipado das areas
serviendas e tambem porque os proprietarios ficaram
impedidos de ali procederem qualquer atividade de
uso, valia ou aproveitamento, sem se considerar ainda
o perigo que envolve as areas circunvizinhas. Devem
ser contados, dadas as peculariedades do caso em
exame, da data dos decretos de declaracao de utilidade
pública.4. Os juros moratorios decorrem do atraso no
pagamento da indenizacao, somente que sua
incidencia ocorre a partir do trânsito em julgado da
sentenca, podendo ser pleiteados quando da execução,
e nao a partir da citacao inicial.5. Inadmissivel a
reducao da verba honoraria advocaticia, em razao do
tempo de servico despendido, a qualidade do servico
profissional desenvolvido e grau de zelo e dedicacao,
elementos aferidores que estavam a impor a fixacao, no
seu grau maximo, nos termos do art. 20, parágrafo 3o.
do CPC.20parágrafo 3o.CPC6. O art. 34, do Dec. lei n.
3.365/41, e inaplicavel as desapropriacoes indiretas,
pelo que injustificavel a exigencia do levantamento do
preco condicionado a prova atual da propriedade do
imovel, atingido pela servidao. 1o. E 2o. APELOS,
PROVIDOS PARCIALMENTE.343.365 (174210 PR
Apelação Cível - 0017421-0, Relator: Silva Wolff, Data
de Julgamento: 09/03/1993, 3ª Câmara Cível).

Evidencia-se assim Excelência, que sobre a indenização a ser paga a autora, deverá incidir
juros moratórios, a contar do trânsito em julgado da sentença que fixar o montante
devido a titulo de condenação; incidirá ainda juros compensatórios, pela limitação do
uso da propriedade e impedimento de uso adequado da área.

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INSTITUIÇÃO DE


SERVIDÃO ADMINISTRATIVA FUNDADA EM
DECLARAÇÃO DE UTILIDADE PÚBLICA.
PASSAGEM DE REDE ELÉTRICA.
INDENIZAÇÃO. VALOR DETERMINADO COM
BASE EM LAUDO PERICIAL REALIZADO POR
PERITO NOMEADO JUDICIALMENTE.
OBSERVÂNCIA DOS ELEMENTOS DISPOSTOS
NA NORMA DA ABNT. INEXISTÊNCIA DE
MOTIVOS PARA A INVALIDAÇÃO DO REFERIDO
LAUDO. OFERTA INICIAL INFERIOR AO
DEVIDO. JUROS COMPENSATÓRIOS.
INCIDÊNCIA A PARTIR DA EFETIVA
OCUPAÇÃO À TAXA DE 12% AO ANO, COM A
RESSALVA CONSTANTE NA ADI 2.332/DF.
JUROS MORATÓRIOS. APLICAÇÃO DO ART. 15-
B DO DECRETO-LEI N. 3.365/41 (CF. MP 2.183-
56/01). SENTENÇA REFORMADA NESTES PONTOS.
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.Apelaçao Civel
n. AC 693974 SC 2009.069397-4, Relator Ricardo
Roesler,TJ/SC, 13/05/2010.

Portanto Excelência, a requerente tem o direito de ser indenizado pela servidão sofrida.
A empresa não pode utilizar o imóvel em seu empreendimento, pois apesar de o
mesmo ter feito parte das divisões do lote para comercialização, o imóvel em destaque
não poderá fazer parte da venda, pois o ônus que sobre ele incide impossibilita a
construção de residências ou prédios. Em outras palavras, a requerente praticamente
perdeu um imóvel do loteamento.

Não resta duvidas que a requerente tem o direito a ver-se indenizada pelo referido imóvel.

3. DOS PEDIDOS

Diante de todo o exposto, pede-se a Vossa Excelência que receba a presente ação,
julgando-a procedente, condenando a ré a indenizar integralmente a autora pelos
danos sofridos com a desapropriação indireta sofrido, com juros e correção monetária
e honorários advocatícios no valor de 20% da condenação, conforme já exposto;

Caso a Vossa Excelência não entenda ser caso de desapropriação indireta, pede-se seja
reconhecida a servidão administrativa, indenizando-se a autora no valor de 30% do
valor do imóvel, com juros e correção monetária e honorários advocatícios no valor de
20% da condenação, nos moldes já expostos;

Requer ainda:
- a citação da requerida na pessoa de seu representante legal,
para que querendo, apresentar defesa no prazo legal, sob risco de revelia e confissão;

- a produção de prova pelos meios admitidos em direito, em


especial a prova testemunhal, documental e pericial, esta com o intuito de apurar o valor
indenizatório devido, acrescido de juros e correção monetária;

Atribui-se à presente o valor de R$..........................

Termos em que,

Pedem deferimento.

Apucarana, 02 de Janeiro de 2012.

RUBENS HENRIQUE DE FRANÇA VINICIUS BARNEZE

OAB/PR nº 31.740 OAB/PR nº 46.895

MAICON HENRIQUE BURIOLA

Bacharel em Direito

Rubens Henrique de França │ OAB/PR 31740 Rua Dr. Osvaldo Cruz, 1110 │ CEP 86.800-720

Vinicius Barneze │ OAB/PR 46895 Centro – Apucarana – Paraná

Maicon Buriola │ Bacharel Tel. 43 3422-2929 e 43 9108-2928


Pedro Paulo Oliveira Barros rhf.advogados@gmail.com