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ELEMENTOS DE PROJETO – PARTIDA MOTORES

1- Dispositivos de comando e proteção


- Sinaleiros
- Botoeiras
- Fusíveis diazed e NH
- Relé de sobrecarga
- Disjuntores motores
- Contatores
- Relés auxiliares
2- Diagrama de ligação motores
3- Partida direta
4- Partida estrela-triângulo
5- Partida compensadora
6- Chave partida Soft starter
7- Chave partida Inversor frequência
8- Dimensionamento motor bomba

1- DISPOSITIVOS DE COMANDO E PROTEÇÃO

1.1- Sinaleiros: tem a função de indicar para os operadores um determinado estado.


Determinação das cores:
- Vermelho: ligado
- Verde: desligado
- Amarelo: alarme, alerta
- Branco ou Azul: qualquer função diferente das anteriores, por ex: painel energizado

1.2- Botoeiras: chaves auxiliares comandadas manualmente com finalidade de interromper ou


estabelecer o circuito de comando. Podem ser:
- Impulso sem retenção: o contato é comutado enquanto é mantida pressionada, voltando a
posição inicial após cessar a pressão.
- Impulso com retenção: mesmo após cessar o acionamento, os contatos se mantêm
comutados. Para voltar à posição inicial é necessária outra ação de pressão.
Determinação das cores:
- Vermelho: parar, desligar ou botão de emergência.
- Verde: ligar, partida
- Amarelo: retorno, reset, cancelar
- Preto: pode substituir o botão verde
- Branco ou Azul: qualquer função diferente das anteriores

1.3- Chave seletora: tem a função de selecionar os diversos estados de um comando, por ex:
comando manual ou automático.

1.4- Contatos: os contatos são divididos em:


- contato normalmente abertos ( NA ): a posição original do contato é aberta.
- contato normalmente fechado ( NF ): a posição original do contato é fechada.

1.5- Chave comutadora: é uma chave seletora, porém com arranjos específicos de contatos para
uma determinada função, por ex: comutadora para voltímetro e comutadora para amperímetro.

1.6- Chave fim de curso: dispositivo auxiliar de comando que quando acionado determina um
estado ou executa uma determina função. São constituídos por alavanca ou haste, com ou sem
roldanas na extremidade, transmitindo o movimento para os contatos ( fechar ou abrir ). Ex:
proteção de segurança na abertura de portas de máquinas, acionamento de lâmpadas em painéis
elétricos.

1.7- Classificação de dispositivo elétrico em BT: se classificam de acordo com a sua função, sendo:
- Seccionamento: tem a função de seccionar um determinado trecho do circuito, isolando-o
eletricamente. Ex: chave faca, chave seccionadora, etc.
- Proteção: dispositivos que possuem função de proteção de equipamentos. Ex: disjuntores,
fusíveis, relés de sobrecarga etc.
- Comutação: estabelece ou interrompe um determinado estado. Ex: contator, disjuntor-motor
etc.

1.8- Fusíveis: são dispositivos que têm a função de proteção contra corrente de curto circuito,
atuando como limitador dessa corrente. Sua operação baseia-se em um elemento fusível projetado
para atuar na ocorrência de uma falta. 9º A
Os fusíveis se classificam de acordo com a sua faixa de atuação e classe de serviço, sendo:
- g: fusível de ação rápida – suporta a corrente nominal por tempo indeterminado, porém são
capazes de operar a partir do menor valor de sobrecorrente até a corrente nominal de
desligamento.
- a: fusível de ação normal – suporta a corrente nominal por tempo indeterminado, porém são
capazes de operar a partir de um determinado múltiplo da corrente nominal até a corrente
nominal de desligamento.
Classes de serviço:
- gL: proteção total de cabos e linhas
- aM: proteção parcial de equipamentos eletromecânicos
- aR: proteção parcial equipamentos eletrônicos
- gR: proteção total equipamentos eletrônicos
- gB: proteção total de equipamentos em minas.
Tipos:
- Tipo D: conhecido também como diazed ( Siemens ). Indicado para correntes de 2 a 63A,
capacidade ruptura de 50kA e tensão máxima de 500V.

Composição:
- Fusível: elemento que contém o elo fusível que funde quando percorrido por uma
corrente maior que o valor de referência dentro de determinado tempo.
- Base: parte fixa do dispositivo, constituída de porcelana.
- Tampa: tem a função de fixar o fusível à base, constituída de porcelana.
- Anel de proteção: elemento em formato de anel que tem a função de evitar contato
acidental na parte energizada na troca do fusível. Constituído de porcelana
- Parafuso de ajuste: tem a função de impedir o uso de fusível de capacidade de
corrente superior à indicada. Constituído de porcelana.

- Tipo NH: fusível de capacidade superior ao tipo D, com corrente normatizada de 4 a 630A,
capacidade ruptura de 120kA e tensão máxima de 500V.

Composição:
- Fusível: elemento que contém o elo fusível que funde quando percorrido por uma
corrente maior que o valor de referência dentro de determinado tempo. Corpo
retangular em porcelana com extremidades metálicas.
- Base: material a base de esteatita ( elemento mineral encontrado na composição da
pedra sabão ). Possui contatos em forma de garras pressionadas por molas.

Tabela com código e capacidade de interrupção:

Código Capacidade ( A )
NH00 4 a 160
NH 1 50 a 250
NH 2 125 a 400
NH 3 315 a 630

Dimensionamento: deve ser levado em consideração


- Tempo de fusão virtual: o fusível deve suportar sem fundir a corrente de pico de um
motor ( IP ) durante a partida do mesmo.
- If ≥ 1,2In: deve ser dimensionado para uma corrente no mínimo 20% da corrente
nominal.
- Critério dos contatores e relés: o fusível deve proteger os contatores e relés de
sobrecarga

1.9- Relé de sobrecarga: são dispositivos de proteção para motores elétricos contra sobrecarga.
Sobrecarga: situação “anormal” de operação de um motor com corrente acima da
nominal. A corrente acima da nominal eleva a temperatura no motor. Um motor com
temperatura de 10°C acima da especificada, sofrerá uma redução de 50% em sua vida
útil.
A detecção da sobrecarga é de forma indireta, visto que, não é coletada a temperatura do motor.
O dispositivo de atuação do relé de sobrecarga pode ser através do efeito térmico ou eletrônico.
O relé de sobrecarga com dispositivo térmico possui pares de lâminas bimetálicas com coeficientes
de dilatação diferentes. Quando há deflexão do par bimetálico, em função da corrente da carga e
ajuste da mesma, o mecanismo mecânico é acionado provocando a comutação dos contatos de
proteção. Como a deflexão é função da temperatura, a temperatura ambiente poderá influenciar a
atuação do mesmo. Para minimizar o efeito da temperatura ambiente é instalado um bimetálico de
compensação, onde o mesmo sofre influência somente da temperatura ambiente. O relé térmico
compensado é sensível às variações de temperatura ambiente entre - 40° a + 60°C.
Dimensionamento: o relé deve ser dimensionado em função da corrente nominal do motor. A
corrente nominal deverá ficar dentro da faixa de ajuste do relé. Deve ser observado se o motor
possui fator de serviço superior a 1 e havendo necessidade de uso, o relé deverá permitir.

Aplicações: para proteção de motores elétricos e transformadores em função de sobreaquecimento


devido:
- Sobrecarga mecânica
- Longo tempo de partida
- Rotor bloqueado
- Falta de fase
- Elevada freqüência de manobra
- Desvio de tensão e freqüência

1.10- Disjuntor motor: equipamentos com dispositivos de proteção contra sobrecarga e curto
associados, substituindo o relé de sobrecarga e os fusíveis.

Funções:
- Proteção elétrica de sobrecorrente
- Proteção elétrica de curto circuito
- Manobra com comando e abertura e fechamento

Características:
- Atuação multipolar ao contrário do fusível unipolar
- grande faixa de correntes nominais com ajustes nos disparadores. Melhor
coordenação
- Pode ser religado após atuação da proteção ao contrário do fusível que deve ser
substituído
- Proteção contra sobrecorrente e curto circuito
Recomendações:
- Comando local
- Freqüência de operação baixa
- Pouco espaço interno no painel
- Deve ser usado, sempre que possível, em conjunto com contatores

1.11- Contatores: equipamento eletromecânico com função de efetuar manobra em condições


normais de operação. A ação de fechamento e abertura dos contatos ocorre quando a bobina e
energizada ou desenergizada. Os contatores podem ser empregados no circuito principal ( força ) e
auxiliar ( comando ).

Composição:
- bobina: elemento quando energizado gera uma campo magnético que possibilitará a
comutação dos contatos. A alimentação pode ser em CA ou CC com diversos níveis de
tensão.
- núcleo de ferro: elemento de ferro magnético que é atraído pelo campo gerado pela
bobina efetuando a comutação dos contatos.
- contatos: elemento com função de fechar e abrir o circuito, sendo de força e
comando.
- mola: elemento responsável pelo retorno dos contatos para a posição de repouso
após desenergização. Tem a função também de manter os contatos na situação de
repouso.

Categorias: os contatores se dividem em função da carga a ser acionada, sendo:

Corrente alternada
- AC1: carga com FP ≥ 0,95. Cargas leves resistivas ou pouco indutivas. Ex: aquecedores
resistivos, lâmpadas incandescentes, lâmpadas fluorescentes com FP corrigido.
- AC2: motores de indução com manobras leves, motores de anéis coletores. Ex:
Guinchos, compressores etc.
- AC3: motores de indução de gaiola com interrupção do motor em regime. Ex: bombas,
ventiladores etc.
- AC4: usado para manobras pesadas como partida de motores a plena carga, comando
intermitente, reversão a plena carga, parada por contra corrente. Ex: ponte rolante.

Corrente contínua
- DC1: usado para acionar cargas resistivas ou pouco indutivas.
- DC2/DC3: acionamento motores CC com excitação em paralelo
- DC4/DC5: acionamento de motores CC com excitação em série

Dimensionamento: para o correto dimensionamento do contator deve-se levar em consideração:


- categoria da carga;
- corrente da carga;
- tensão e freqüência
- freqüência de manobras
- nº de contatos auxiliares

1.12- Relés auxiliares:


- Relé de tempo com retardo na energização: os contatos são comutados após relé ser
energizado e transcorrido tempo selecionado

- Relé de tempo com retardo na desenergização: os contatos são comutados após relé
ser desenergizado e transcorrido tempo selecionado.

- Rele de tempo estrela-triângulo ( Y - ∆ ): relé desenvolvido para partida de motores


em estrela triângulo

- Relé sequência de fase: usado em sistemas trifásico para detecção da inversão na


sequência de fases R, S e T.

- Relé de proteção PTC: associado a um termistor para proteção de motor devido


aumento de temperatura no estator
- Relé de falta de fase: usado em sistema trifásico com defasagem de 120° entre as
fases. Detecta a falta de uma ou mais fase. Possui um retardo na atuação de +/- 5 seg. –
Relé de sub e sobre tensão

2- DIAGRAMA LIGAÇÃO MOTORES -9º A

Ligação dos enrolamentos: no sistema trifásico existem duas configurações de ligação, sendo:
estrela e triângulo.
Configuração estela:
VL – tensão de linha
VF – tensão de fase
IL – corrente de linha
IF – tensão de fase
VL = √3 x VF
IL = I F
As tensões entre os terminais 1, 2 e 3 em relação ao neutro são as tensões de fase ( V F1,
VF2 e VF3 ). As tensões entre os terminais 1-2, 2-3 e 3-1 são as tensões de linha ( V L1, VL2 e
VL3 )

Configuração triângulo:
V L = VF
IL = √3 x IF
As correntes entre os terminais 1-2, 2-3 e 3-1 são as correntes nas fases ( I F1, IF2 e IF3 ). As
corretes de linha são as composições dessas correntes
IF1 ( terminais 1 e 2 )
IF2 ( terminais 2 e 3 )
IF3 ( terminais 3 e 1 )
IL1 = IF1 – IF3
IL2 = IF2 - IF1
IL3 = IF3 – IF2

Identificação das bobinas para motores de 6 pontas: normalmente as bobinas são


identificadas nos seus respectivos terminais e são representadas da seguinte forma, por
ex motor de 6 pontas
Quando as bobinas não são identificadas ou perdem a identificação, é necessário
efetuar a identificação antes de fechá-las e energizar o motor.
- com um ohmímetro identificar as bobinas através da continuidade, agrupando dessa
forma os terminais de cada bobina.
- Após identificação deve verificar a polarização das bobinas determinando a sequência
de numeração dos terminais, permitindo que o motor seja fechado corretamente.
- Verificação polarização bobinas 1 e 2:
- ligar a bobina 1 em série com a bobina 2
- ligar um voltímetro ou uma lâmpada de 24V nos terminais da bobina 3
- Aplicar 220V nas bobinas 1 e 2
- Se não indicar tensão ou a lâmpada não ascender a indicação da polaridade da
bobina 1 ou 2 está invertida. Inverter a da polarização da bobina 2. Se indicar
tensão ou a lâmpada ascender a indicação da polaridade da bobina 1 e da bobina
2 está correta.

- Verificação polarização bobinas 3:


- Executar o mesmo processo anterior, porém ligar em série as bobinas 2 e 3
aplicando tensão de 220V e na bobina 1 ligar o voltímetro.
Identificação das bobinas para motores de 12 pontas: o motor de 12 pontas possui os
mesmos conjuntos de bobinas que o motor de 6 pontas, sendo que em 12 pontas a
bobina é cortada ao meio.

Para identificação dos terminais é necessário utilizar: ohmímetro, bateria de 9V e


amperímetro com escala central.
1º Passo: identificar as bobinas com ohmímetro ( teste de continuidade )
2º Passo: Identificação dos pares de bobinas. Em uma bobina aleatória ligue o
amperímetro. Nas demais bobinas separadamente e uma por vez ligue a bateria de 9V.
Na maior deflexão do ponteiro do amperímetro indica o par correspondente. Efetuar o
mesmo processo até identificar todos os pares.
3º Passo: Determinar a polarização das bobinas: escolha um par de bobinas identificado
no passo 2. Em uma das bobinas ligue o amperímetro e determine que na entrada do
amperímetro será o início da bobina ( 1, 2, 3, 7, 8, 9 ) e na saída do amperímetro o final
da bobina ( 4, 5, 6, 10, 11,12 ). No par correspondente ligue a bateria de 9V. Se o
ponteiro do amperímetro indicar negativo o terminal ligado ao pólo positivo da bateria
será início da bobina.

Repetir o procedimento para todos os pares de bobinas.

Esquema fechamento motores: os motores elétricos são fornecidos com 3, 6,9 ou 12


terminais ( pontas ).
Fechamento com 3 pontas: conforme indicado na plaqueta de identificação para
a tensão especificada.
Fechamento 6 pontas: possibilidade de fechamento em dois níveis de tensão
220/380V ou 440/760V, sendo a tensão menor em triângulo e a maior em estrela.
Fechamento 12 pontas: possibilidade de fechamento em quatro níveis de tensão
220/380V/440/760V, sendo a tensão maior usada somente na partida. 9º B

Fechamento 9 pontas: os terminais 10, 11 e 12 respectivamente das bobinas 4, 5


e 6 são fechados internamente, não sendo acessíveis. Fechamento em 220/440V
ou 380/760V. A tensão maior é duas vezes a tensão menor.

Fechamento motor monofásico:


3- PARTIDA DIRETA – 9º A

Forma mais simples e barata de partida de motores. Devido seu custo e simplicidade, sempre que
possível, deve ser usada.
- Pela NBR5410 ( 6.5.3.2 ) quando a alimentação for pela rede pública secundária, a
potência do motor fica limitada ao tipo de fornecimento da concessionária ( ND5.1 –
CEMIG ).
Quando adotar:
- baixa potência do motor ( não provoca perturbações no sistema de alimentação );
- necessidade de conjugado de partida elevado;
- máquina acionada não necessita de aceleração progressiva.
Vantagens:
- equipamento simples, baixo custo e fácil construção;
- conjugado de partida elevado;
- partida rápida
Desvantagens:
- queda de tensão na partida;
- limitação pela concessionária (CEMIG ND 5.1);
- equipamentos devem ser dimensionados para suportar a corrente de partida
Notas:
- a corrente de partida é proporcional à tensão de alimentação e diminui à medida que
a velocidade aumenta.
- Conjugado de partida do motor Varia proporcional ao quadrado da tensão.
Esquema de ligação:
Dimensionamento: dimensionar uma chave de partida direta para um motor de 15CV, 6 polos,
440V, 60Hz, FP= 0,89, η= 0,91, Ip/In= 7,5, Tp= 2seg
In= P / √3 x V x Cosφ x η = 15 x 0,736 / (√3 x 0,44 x 0,89 x 0,91 ) = 17,89A
Ip= 7,5 x In = 7,5 x 17,89 = 134,18A
- Contator ( K1 ): deve-se levar em conta a corrente nominal do motor
IK1 ≥ In IK1 ≥ 17,89A Catálogo WEG CWM25 ( 25A ) – Fusível
máximo: 50A
- Relé de sobrecarga ( FT1 ): deve-se observar a faixa de ajuste da corrente
Catálogo WEG RW27-1D3-U023 ( 15 a 23A ) – Fusível máximo: 50A
- Fusível ( F1 a F3 ): deve-se tomar como base a corrente e o tempo de partida
Ip= 134A
Tp= 2seg
Curva para fusível NH

If = 35A
Fusível deve satisfazer:
If ≥ 1,2In If ≥ 1,2 x 17,89 I f ≥ 21,5A
If ≤ ImaxK1 If ≤ 50A – ( corrente do fusível deve ser menor que a corrente
máxima dimensionada para o contator )
If ≤ ImaxFT! If ≤ 50A – ( corrente do fusível deve ser menor que a corrente
máxima dimensionada para o relé )
- Cabo: deve ser verificado pelo critério de queda de tensão, corrente e corrente de
curto circuito. Como a corrente máxima em regime contínuo está limitada em 23A,
o cabo deverá suportar no mínimo essa corrente ( 4mm² ).

Exercício de fixação: Dimensionar uma chave de partida direta para um motor de 20CV, 6 polos,
380V, 60Hz, FP= 0,85, η= 0,89, Ip/In= 6,5, Tp= 2,5seg. Elaborar diagrama de força. Elaborar diagrama
de comando considerando sistema de movimentação horizontal com repouso nas extremidades.

4- PARTIDA ESTRELA – TRÂNGULO

Método de partida que consiste na redução da tensão em função do fechamento das bobinas. O
motor parte em estrela ( tensão em torno de 58% da nominal ) e após determinado tempo comuta
para o fechamento em triângulo ( tensão nominal ).
Na partida a corrente é reduzida para aproximadamente 33% da corrente nominal.
Como o conjugado é proporcional ao quadrado da tensão, têm-se, portanto uma redução no
conjugado de partida na mesma proporção.
C∆ = K.Vn²
C∆ - Conjugado ligação em triângulo
K - Constante do motor
Vn² - Tensão de fase nominal ( VL = Vf = Vn )
Na ligação em estrela Vf = VL / √3, logo:
Cy = K.( VL /√3 )² K . V n² / 3 Cy = C∆/3
Para partida estrela triângulo é necessário ter no mínimo seis bornes de ligação e os motores com
possibilidade em dupla tensão ( ex: 220/380V, 380/660V, 440/760V ).

Vantagens:
- apesar do custo superior à partida direta, seu custo continua reduzido em relação às
demais formas de partidas;
- limite de manobras está relacionado à capacidade dos equipamentos;
- ocupa pouco espaço;
- corrente de partida reduzida.
Desvantagens:
- usada somente com motores com no mínimo 6 bornes de ligação;
- a tensão da rede deve coincidir com a tensão em triângulo ;
- conjugado de partida reduzido em 1/3;
- motor deve atingir 90% da velocidade nominal na partida no momento da comutação.
Caso não atinja, a corrente assumirá um pico que quase será correspondente a uma
partida direta.

Esquema de ligação:

Dimensionamento:
- Fechamento: ligação em triângulo
IL: corrente de linha I L = In In = √3 x If
VL: tensão de linha V L = Vn V n = Vf
IK1 = IK2 = I∆= In/√3 = 0,58 x In
Impedância do motor:
Z = V f / If Z = Vn / ( In / √3 ) Z = √3 x V n / In
- Fechamento: ligação em estrela
IL: corrente de linha I L = In I n = If
VL: tensão de linha V L = Vn V n = √3 x Vf
Iy = IK3 = Vf / Z IK3 = ( Vn / √3 ) / (√3 x Vn / In ) Ik3 = In / 3 IK3 = 0,33 x In

Exercício de fixação: dimensionar uma chave de partida estrela triângulo para um motor de 15CV, 6
polos, 220/380/440/760V, 60Hz, FP= 0,89, η= 0,91, I p/In= 7,5, Tp= 5seg. Alimentação: 440V
In= P / √3 x V x Cosφ x η = 15 x 0,736 / (√3 x 0,44 x 0,89 x 0,91 ) = 17,89A
Ip= 7,5 x In / 3 = 7,5 x 17,89 / 3 = 44,7A
- Contator ( K1 ): deve-se levar em conta a corrente nominal do motor
IK1 ≥ 0,58 x In IK1 ≥ 10,34A Catálogo WEG CWM12 ( 12A )
- Contator ( K2 ): k2 = k1 – Máximo fusível: 25A
IK2 ≥ 0,58 x In IK2 ≥ 10,34A Catálogo WEG CWM12 ( 12A )
- Contator ( K3 ): deve-se levar em conta a corrente nominal do motor
IK3 ≥ 0,33 x In Ik3 ≥ 5,9A Catálogo WEG CWM9 ( 9A ) – Máximo
fusível: 25A
- Relé de sobrecarga ( FT1 ): deve-se observar a corrente que passa pelo contator K1
e a faixa de ajuste da corrente no relé. IFT1 = In / √3 = 17,89 / √3 = 10,33A
Catálogo WEG RW27-1D3-D125 ( 8 a 12,5A ) - Máximo fusível: 25A
ou RW27-1D3-D015 ( 10 a 15A )- Máximo fusível: 35A
- Fusível ( F1 a F3 ): deve-se tomar como base a corrente e o tempo de partida
Ip= 44,7A
Tp= 5seg
Curva para fusível NH – Curva anterior
If = 16A
Fusível deve satisfazer as seguintes condições:
1- If ≥ 1,2In If ≥ 1,2 x 17,89 I f ≥ 21,5A
2- If ≤ ImaxK1 If ≤ 25A – ( corrente do fusível deve ser menor que a corrente
máxima dimensionada para o contator )
3- If ≤ ImaxFT1 If ≤ 25A – ( corrente do fusível deve ser menor que a corrente
máxima dimensionada para o relé )
Para satisfazer todas as condições acima o fusível deverá ser de 25A.
Obs: Caso a corrente de proteção dos contatores K1 e K2 fiquem abaixo da condição 1,
deve-se escolher o contator imediatamente superior.

5- PARTIDA COMPENSADORA

Método de partida de motores com redução da tensão através de um autotransformador em série


com as bobinas do motor.
O autotransformador é fechado em estrela. Possui vários taps ( 50%, 60%, 80% e 85% ) que
conforme fechamento efetuará a redução da tensão aplicada.
O conjugado e a corrente de partida são reduzidos conforme o tap escolhido para operação.
A corrente fica reduzida ao longo do processo de partida em função da tensão reduzida.
- TAP 50%: usado para partida em vazio ou carregamento muito baixo. Reduz a corrente
de partida para 25% da corrente nominal;
- TAP 65%: Reduz a corrente de partida para 42% da corrente nominal,
- TAP 80%: Reduz a corrente de partida para 64% da corrente nominal

Determinação do conjugado:
a – Relação de transformação
Vs – tensão secundário ( saída )
Vp – tensão primário ( entrada )
a = Vs / Vp
Cpn – conjugado de partida nominal do motor
Cpc – conjugado de partida do motor com chave compensadora
k – constante do motor
V – tensão no motor
- Conjugado de partida normal: Cpn = k x Vn² = k x Vp²
- Conjugado de partida com chave compensadora
Cpc = k x Vs² Cpc = k x ( a x Vp )² Cpc = a² x k x Vp² Cpc = a²Cpn

Nota: partida com chave compensadora é importante conhecer o conjugado resistente


imposto pela carga, pois a redução do conjugado de partida é muito grande
Vantagens:
- na comutação do tap de partida para a tensão da rede, o motor não é desligado
reduzindo o segundo pico de corrente;
- Para que o motor possa partir satisfatoriamente pode-se variar os taps para a melhor
condição;
- a tensão da rede pode ser igua a tensão estrela ou triângulo do motor;
- motor necessita somente de três bornes externos.
Desvantagens:
- limitação de manobras devido aquecimento do auto transformador;
- Custo mais elevado;
- necessidade de maior espaço para instalação.

Esquema de ligação:

Dimensionamento:

Ik1 – Corrente no contator K1


Ik2 – Corrente no contator K2 ( primário do auto transformador )
Ik3 – Corrente no contator K3 ( fechamento estrela do autotransformador )

Determinar corrente no contator K1


Ik1 = In – corrente nominal

Determinar corrente contator K2


Tensão secundário: Vs = a x Vn
Corrente secundário: Is
Impedância do motor: Z = Vn / In ( vista do primário )
Impedância do motor: Z = a Vn / Is ( vista do secundário )
Como a impedância do motor não varia, temos:
Vn / In = a Vn / Is Is = a x In
A potência no primário do autotransformador é igual a potência do secundário:
Pp – Potência primário: Pp = Vp x Ip
Ps – Potência secundário: Ps = VS x Is
Ps = Pp Vs x Is = Vp x Ip ( a x Vn ) x ( a x In ) = Vn x Ik2 Ik2 = a² x In

Determinar corrente contator K3


Is = Ik2 + Ik3 Ik3 = Is – Ik2 Ik3 = Is – Ip Ik3 = Is – a² x In
Ik3 = ( a x In ) – ( a² x In ) Ik3 = In x ( a – a² )

Determinar corrente relé FT: a corrente no relé é a mesma corrente do contator K1

Resumo:
Ik1 = In
Ik2 = a² x In
Ik3 = In x ( a – a² )
FT = Ik1 = In

Tap autotrafo Fator ( a ) Ik2 IK3

85% 0,85 0,72 x In 0,13 x In

80% 0,80 0,64 x In 0,16 x In

65% 0,65 0,42 x In 0,23 x In

50% 0,50 0,25 x In 0,25 x In

Exercício de fixação: : dimensionar uma chave de partida compensadora para um motor de 15CV, 6
polos, 220/380/440V, 60Hz, FP= 0,89, η= 0,91, Ip/In= 7,5, Tp= 10seg, Tap= 80%. Alimentação: 440V.
In= P / √3 x V x Cosφ x η = 15 x 0,736 / (√3 x 0,44 x 0,89 x 0,91 ) = 17,89A
Ip= 7,5 x In / 3 = 7,5 x 17,89 / 3 = 44,7A
- Contator ( K1 ): deve ser dimensionado pela corrente nominal do motor
Ik1 ≥ In Ik1 ≥ 17,89A Catálogo WEG CWM25 ( 25A )
- Contator ( K2 ): corrente em k2 depende do tap em que está ligado
Ik2 ≥ a² x In Ik2 ≥ 0,8² x 17,89A Ik2 ≥ 11,45A Catálogo WEG
CWM12 ( 12A )
- Contator ( K3 ): fechamento estrela do autotransformador
Ik3 ≥ (a – a² ) In Ik3 ≥ 0,16 x In Ik3 ≥ 0,16 x 17,89A Ik3 ≥ 2,9A
Catálogo WEG CWM9 ( 9A )
- Relé de sobrecarga ( FT1 ): deve ser dimensionado pela corrente nominal do motor
e a faixa de ajuste da corrente no relé.
Catálogo WEG RW27-1D3-U023 ( 15 a 23A )
- Fusível ( F1 a F3 ): deve-se tomar como base a corrente de partida, o tap do
autotransformador e o tempo de partida
Ip= 44,7A
Tap= 80%
Ip = a² x Ip Ip = 0,8² x 44,7 Ip = 28,61A
Tp= 10seg
Curva para fusível NH – Curva anterior
If = 10A

6- DIMENSIONAMENTO DE MOTORES
Um motor elétrico é dimensionado para fornecer um conjugado nominal Cn, a uma velocidade
nominal Nn. Isto é, para uma potência nominal Pn, temos:

Pn = Cn x Nn

Conjugado é o produto da força aplicada pela distância. Quanto maior a distância em um sistema de
alavanca, menor será a força a ser aplicada, porém o conjugado é o mesmo.

C (kgfm) x n (rpm) C (Nm) x n (rpm)


P (CV) = ——————— = ——————
716 7024

C (kgfm) x n (rpm) C (Nm) . n (rpm)


P (kW) = ——————— = ———————
974 9555

7- CÁLCULO MOTOR BOMBA

Em alguns projetos prediais são necessários a previsão de instalação de conjunto motor bomba para
elevação de água. Segue abaixo de forma simplificada para cálculo de um conjunto.
O conjunto deve ser dimensionado de forma atender as condições técnicas e necessidades dos
usuários.
- Técnica: diferença de nível, perdas de carga, vazão, pressão
- Usuários: sistema sempre disponível e com eficácia
- Cálculo potência do motor: P = ϒQH / 75η
- P: Potência do motor em CV
- ϒ: peso específico do líquido a ser elevado ( água ou esgoto: 1000kg/m³ )
- H: altura total, inclusive a perda de carga em m
- η: rendimento da bomba conforme catálogo
- Q: vazão em m³/s
- Valores de referência para consumo:
- residência: 200 litros / pessoa-dia
- Apartamento: 200 litros / pessoa-dia
- Volumes mínimos nos reservatórios:
- Inferior: 2/3 do volume diário
- superior: 1/3 do volume diário
- Tempo de operação não deve ser superior a 8 horas
- Rendimento das bombas: em função das características construtivas de cada
fabricante, da altura de elevação, da rotação e do tamanho.
- Para efeito prático deve-s e admitir uma reserva de potência para os motores elétricos
em função do tamanho do motor, conforme tabela:

Potência - CV Acréscimo - %
Até 2 50
2a5 30
5 a 10 20
10 a 20 15
Acima de 20 10

- Cálculo corrente do motor:


- Trifásico: I = P / √3 x V x FP x η
- Monofásico: I = P / V x FP x η

1- Exemplo de cálculo: Calcular motor-bomba para atender um prédio de oito andares, sendo 2
apartamentos/andar com ( três quartos sociais e um de serviço )
- População estimada: 16 apartamentos – 7pessoas/apto – 16 x 7 = 112 pessoas
- Consumo diário: 200 litros/pessoa-dia x 112 pessoas = 22400 litros ≈ 25m³
- Volume a ser elevado diariamente: 25m³
- Vazão: 25m³ / 8h = 25 / 8 x 3600s = 0,868 x 10-³m³/s
- Vazão adotada: 1 x 10-³m³/s = 60 litros / min
- Diferença de nível: 35m
- Perdas: 3m
- Altura total: 38m
- Altura de elevação: 40m
- Rendimento da bomba: h = 40m; η= 0,50
Cálculo da potência do motor:
- Potência mínima do motor: P = ϒQH / 75η = 1000 x 1 x 10-³ x 38 / 75 x 0,5 = 1,02CV
- Acréscimo de 50% na potência: P= 1,02 x 1,5 = 1,53CV – Motor a adotar: P= 1,5CV

2- Exemplo de cálculo: um sistema de guincho com tambor rotativo é utilizado para elevar um peso
de 100kgf. Sabe-se que o tambor tem raio de 0,1m. Determinar o conjugado para elevar a carga.

C=Fxd C = 100kgf x 0,1m C = 10kgfm.


3- Exemplo de cálculo: um sistema de guincho com tambor rotativo é utilizado para elevar um peso
de 100kgf. Será instalada uma alavanca de 60cm aumentando a distância de acionamento.
Determinar a força aplicada de forma a manter o conjugado.

F=C/d F = 10kgfm / 0,5m F = 20kgf.

4- Exemplo de cálculo: considerando um motor de 6 polos determinar a potência do motor para


elevar a carga.

C (kgfm) x n (rpm) 10 x 1200


P (CV) = ——————— = —————— = 16,8CV
716 716
1Nm = 0,10197 kgfm 10kgfm = 98,07Nm
Pela tabela abaixo da WEG podemos determinar o motor: