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A Psicologia de Carl Jung – Principais Ideias e Conceitos

A Psicologia de Jung

Ideias básicas e conceitos explicados de modo


breve em linguagem para o leigo
A discordância entre Freud e Jung
O Objetivo da Vida
Deus existe?

Roberto Lima Netto

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Roberto Lima Netto
A Psicologia de Carl Jung – Principais Ideias e Conceitos

Sumário
A Psicologia de Carl Jung ......................................................................................................... 3
Carl G. Jung (1875-1961) ......................................................................................................... 3
A psique ....................................................................................................................................... 4
Arquétipos ................................................................................................................................... 5
Complexo ..................................................................................................................................... 6
Ego ............................................................................................................................................... 6
Outros principais arquétipos ..................................................................................................... 7
Persona ........................................................................................................................................ 7
Sombra ......................................................................................................................................... 8
Anima / Animus ........................................................................................................................... 8
Self ................................................................................................................................................ 9
Herói / Heroína ............................................................................................................................ 9
Tipos Psicológicos .................................................................................................................... 10
Extroversão ............................................................................................................................... 10
Introversão ................................................................................................................................. 10
Funções ..................................................................................................................................... 10
Interpretação dos Sonhos ....................................................................................................... 13
Imaginação Ativa ...................................................................................................................... 14
Individuação .............................................................................................................................. 16
Projeção ..................................................................................................................................... 17
Inflação psicológica .................................................................................................................. 18
Neurose ..................................................................................................................................... 19
Participação Mística ................................................................................................................. 20
O sentido da vida ...................................................................................................................... 21
A existência de Deus ............................................................................................................... 23
Principais diferenças entre as escolas de Freud e Jung .................................................... 24
Uma pequena bibliografia comentada ................................................................................... 26
O autor ....................................................................................................................................... 28
Outros livros de Lima Netto .................................................................................................... 28

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A Psicologia de Carl Jung – Principais Ideias e Conceitos

A Psicologia de Carl Jung

O objetivo deste livro é apresentar os conhecimentos básicos da psicologia de


Jung, conhecida como psicologia analítica, em linguagem simples para que
todos possam entender mesmo sem qualquer conhecimento prévio de
psicologia. Serão apresentados e explicados os principais conceitos e ideias de
Jung.
Especialmente hoje, quando a humanidade parece ter perdido seu rumo, os
conceitos e visões de Jung, com sua abordagem espiritual para a vida, são
essenciais para nos possibilitar sobreviver no mar de turbulência que engolfa o
mundo atual.

Carl G. Jung (1875-1961)

Jung era médico e psiquiatra suíço. No início de sua vida profissional, foi
atraído pelas ideias de Freud que o preparou para ser seu sucessor na
liderança do movimento psicanalítico. No entanto, seus caminhos se
separaram, e a razão para isso será discutida em capítulo posterior neste livro.
Jung chamou sua psicologia de Psicologia Analítica para distingui-la da
Psicanálise de Freud. As principais diferenças entre estas duas escolas
também seram apresentadas em um próximo capítulo.
Na minha opinião e na de muitos especialistas na matéria, Jung, como também
Freud, foi uma das personalidades mais influentes do século XX.

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A psique

A psique humana, de acordo com a psicologia analítica, é composta de três


partes:
• Consciente;
• Inconsciente pessoal;
• Inconsciente coletivo.
A parte consciente, o ego, é o que muitas pessoas consideram ser a totalidade
da psique, a personalidade total. Isso está longe da verdade.
A psique tem uma camada inconsciente que não está sob o controle do ego. O
inconsciente não é comandado pelo Ego, e, às vezes, assume o controle de
nosso corpo.
O inconsciente pessoal guarda todas as informações que o indivíduo recebeu,
mas das quais não está consciente. Porém, elas não são perdidas; ficam
armazenadas no inconsciente pessoal. Ai se encontram todas as partes que, a
longo da vida, nós rejeitamos. Alguns vão mais longe, chegando a afirmar que
mantemos informações recebidas desde a concepção no ventre materno.
Aconteça o que acontecer, tudo fica registrado e armazenado.
Em resumo, as coisas que aconteceram conosco, mas que nós esquecemos,
não estão perdidas. Ficam armazenados em nosso inconsciente pessoal.
Jung também chama a atenção para a existência de uma parte da psique
humana, que ele denominou como inconsciente coletivo ou de psique objetiva.
Alojadas no inconsciente coletivo estão todas as informações recebidas por
todos nossos ancestrais desde os primeiros tempos da raça humana na Terra.
Os instintos e os arquétipos – um termo que explicaremos a frente - são parte
do inconsciente coletivo. Este inconsciente coletivo foi um dos principais
motivos da discordância com Freud, como veremos mais tarde.
Como surgiu a ideia do inconsciente coletivo? No início de sua vida
profissional, Jung trabalhava na Clínica Burghölzli, onde cuidava de psicóticos.
Um deles chamou a atenção de Jung para um tubo que via saindo do sol, que
ele chamou de pênis do sol. Muitos anos mais tarde, Jung descobriu que este
era um motivo que aparecia na antiga religião mitraica, mas que o paciente, um
homem ignorante, não poderia conhecer. Jung também percebeu que muitos
mitos e contos populares em todo o mundo apresentam motivos semelhantes.
Esses motivos também aparecem com frequência nos sonhos de pessoas
normais. A partir dessas evidências, concluiu a existência de uma parte da
psique, o inconsciente coletivo. Da mesma forma que nossos corpos carregam
traços do passado - o cóccix no lugar de uma cauda, por exemplo - a mente

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também carrega no inconsciente coletivo a experiência de nossos primeiros


ancestrais.
Jung estava convencido de que os seres humanos devem tentar atingir níveis
cada vez mais elevados de consciência. Em outras palavras, tentar absorver,
trazer à consciência, incorporar no Ego, partes que estão escondidas no
inconsciente pessoal.
Jung é ainda mais radical. Afirma que o objetivo da vida de cada ser humano
deve ser a busca por ume maior consciência. Isso coincide com um
ensinamento grego bastante antigo. A entrada do Templo de Apolo em Delfos
tem uma inscrição:
Conhece-te a ti mesmo.
Isso é exatamente o que Jung sugere. O Ego tem que se tornar consciente de
partes da personalidade escondida no inconsciente.

Jung disse mais, que o aumento no nível de consciência de cada ser humano
contribui para a consciência da humanidade em geral. Tudo que ganhamos,
tudo de que nos conscientizamos, fica guardado no inconsciente coletivo da
humanidade, para uso de qualquer ser humano que consiga ter acesso a essas
informações. Explicando melhor; o inconsciente coletivo seria como uma
biblioteca pública, aberto a qualquer membro da raça humana que consiga a
senha de entrada.
Porque é a consciência tão importante? Raciocine comigo. Um pobre pescador
tinha uma esposa e cinco filhos. A captura da semana havia sido escassa, e a
família passava fome. Um tesouro jazia enterrado sob seu barraco, ali colocado
por seu bisavô, mas o pescador não estava consciente da existência desse
tesouro. Ele era rico ou pobre?
Sem estar consciente do tesouro, ele era pobre. Sem estar consciente do que
você tem dentro de sua psique, você também pode ser pobre, incompleto.

Arquétipos

Este é um conceito complexo, mas que pode ser explicado de maneira simples
com uma metáfora. O leito seco de um rio não é o rio, mas está preparado para
levar a água quando a chuva cair. Quando a água chegar, o leito vai dar forma
ao rio.
O mesmo acontece com os arquétipos do inconsciente coletivo na mente
humana. Eles estão preparados para canalizar os estímulos que chovem em

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seu leito seco. Eles podem aparecer em sonhos, vestidas por imagens -
imagens arquetípicas.
Jung explica que o conceito de arquétipo deriva da observação recorrente de
que os mitos e as histórias da literatura universal abrangem temas bem
definidos que se repetem constantemente. Encontramos esses mesmos temas
em nossas fantasias e em nossos sonhos. Estas imagens são representações
dos arquétipos que aparecem na psique do homem moderno.

Complexo

A definição técnica do complexo é difícil para o leigo. Um complexo é um


conjunto de imagens e ideias que se juntam em torno do núcleo de um ou mais
arquétipos, e são caracterizados por um tom emocional comum. Quando eles
entram em ação (se constelam), eles podem forçar um comportamento
indesejado pelo ego. O complexo é marcado pelo afeto, esteja ou não a pessoa
consciente dele.
Simplificando, fica tudo mais fácil de entender. Podemos dizer que um
complexo é uma personalidade que vive no inconsciente, que tem energia
psíquica própria, e que, quando provocada por uma circunstância exterior,
assume o comando de nossas ações, desafiando o controle do Ego e
perturbando o individuo.
De acordo com Jung, todo mundo sabe que as pessoas têm complexos, o que
não é tão bem conhecido é que os complexos podem nos ter, podem assumir o
controle de nosso corpo e de nossas vontades contrariando os desejos do Ego.

Ego

O Ego é o governante da parte consciente da psique. Muitos pensam que o


Ego compreende toda a personalidade, que o ego engloba toda a psique.
Como estão errados! O Ego não é mais um dos muitos complexos que temos
dentro de nossa psique. É essencial, com certeza, mas não é o único.
Vamos supor que uma pessoa seja um fumante inveterado, mas sabe
racionalmente que deve parar de fumar. O ego não quer fumar o próximo
cigarro, mas ainda assim a pessoa não resiste ao próximo cigarro . Você pode
racionalizar: só mais um, só hoje. É uma decisão de ego? Ha, ha, ha! Não me
diga que sim. E dizem que os seres humanos são seres racionais. Apenas
parcialmente.

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Quando você, durante um acesso de raiva, faz coisas de que se arrepende


mais tarde, estava o Ego no controle de seu corpo e suas ações? Você já
presenciou um bobo acidente automobilístico que resulta em uma briga feia?
Você acha que o Ego estava no controle? Tenha sempre em mente que o ser
humano é apenas parcialmente racional, E tenha cuidado, pois, quando
dominado por forte emoção, você (seu Ego) pode perder o controle de seus
atos e fazer coisas de que você se arrependerá.
Todos os seres humanos – eu, você, todos nós – somos assassinos em
potencial. Sei que essa afirmação é muito forte, mas lembre-se de que
carregamos no inconsciente coletivo os instintos assassinos de antepassados
primitivos que matavam seus semelhantes para preservar suas áreas de caça.
Lembro-me de um crime relatado no Globo, na década de 80. O pai,
flamenguista, assistia ao jogo Vasco x Flamengo ao lado do filho, vascaíno. Era
final de campeonato. Nos últimos minutos, Roberto Dinamite faz o gol do título.
O filho vibra. O pai pega um martelo e lhe aplica um golpe mortal na cabeça.
Esse caso é, graças a Deus, muito raro. Porém, quantos milhares de crimes
passionais são relatados na mídia? Repito minhas palavras fortes: somos
todos assassinos potenciais. Nossa proteção é nos tornarmos mais
conscientes.

Outros principais arquétipos

Persona

Na antiga Grécia, os atores usavam uma máscara para representar seus


personagens. No mundo atual, não cobrimos nosso rosto com uma máscara
em nossos contatos do dia-a-dia, mas fazemos uso , metaforicamente falando,
de uma máscara, a nossa persona.
Quando nos relacionamos com o mundo, agimos como um personagem com
quem nos identificamos. Você percebe como um médico se relaciona com seus
clientes em um hospital? Como um professor fala para seus alunos? Usamos
até um termo descritivo para isso – atitude professoral.
Essa máscara é frequentemente carregada fora do hospital ou da sala de aula .
Esconde a pessoa real, o indivíduo que está por trás dessa máscara Quando o
médico vai para casa e relaxa, ele pode tirar a máscara. Ou não. Ele pode
colocar outra máscara: o pai, o governante ou o governado .

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Sombra

A Sombra é um conceito central da psicologia junguiana. O ser humano nasce


completo, não sabendo distinguir o bem e o mal . Quando começa seu
processo de formação do Ego - quando, no Jardim do Éden, ele come a maçã,
o fruto do conhecimento do bem e do mal - ele se torna potencialmente capaz
de discernir entre o que é bom e o que é ruim. Então, no processo de se tornar
adulto, no processo de formação de seu ego, ele escolheu certas
características que ele julga necessárias para a sua pessoa e reprime os outras
que ele considera indesejáveis. Como este é um processo inconsciente, o
indivíduo não tem consciência das escolhas que ele faz. Características
recusadas, no entanto, não são apagadas da psique, mas vão se refugiar em
seu inconsciente, constituída com o que Jung chamou de Sombra, um dos
arquétipos fundamentais da psique humana.
Na Sombra são armazenadas as características que o ego não reconhece
como pertencente ao indivíduo. Poderíamos pensar que a Sombra é composta
por características ruins, o lado feio desse indivíduo. Isso está errado. A
Sombra abrange todas as características que o ego considera inadequadas
para imagem que fazemos de nós mesmos, mesmo aquelas que podem ser
consideradas boas por uma pessoa diferente
Um homem que se vê como muito prático, um executivo de uma empresa
conhecido por sua busca por resultados e sua sede de poder, pode
desvalorizar e suprimir boas características que não são úteis para aqueles que
priorizam a acumulação de bens materiais, dinheiro e poder. A compaixão, a
bondade, a capacidade de cuidar do próximo são características que podem
ser rejeitados pelo seu ego. São reprimidas e ficam abrigada em sua sombra.

Anima / Animus

Cada ser humano carrega em sua psique, lado a lado com as características
do seu sexo, características do outro sexo . O arquétipo Anima na psique
masculina (Animus, na feminina) representa essas características. Estes são
personificações do lado feminino dos homens e do lado masculino das
mulheres. Eles são arquétipos que funcionam como nossos guias no
inconsciente. A Anima guarda a parte feminina do homem, seu lado yin,
enquanto o Animus representa o lado masculino de uma mulher, seu lado
yang.

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Self

Enquanto o Ego é o centro da psique consciente, o Self é o centro da psique


como um todo, tanto consciente e inconsciente. Diferentemente do Ego, que
controla nossa mente consciente , O Self orienta nossa psique. Uma metáfora
muito útil aqui é de um treinador de futebol. Ele pode dar orientações para os
jogadores antes da partida e durante os intervalos, mas não pode determinar o
que cada jogador vai fazer a cada vez que ele tem a bola.
Dizem que Deus lhe concedeu a liberdade de escolha para os seres humanos,
o livre arbítrio. Isso é parcialmente verdadeiro. O livre-arbítrio so existe
quando o Ego controla o show. As outras personalidades que habitam nossa
psique tem energia e vontade própria. Não é só o Ego que tem essa liberdade,
mas também outras personalidades que estão dentro de nossa mente
inconsciente. Nem o Ego nem o Self controlam a Anima . É por isso que
usamos a metáfora do treinador de futebol, e não a do patrão, para explicar o
Self. O Self orienta, não comanda.
O arquétipo do Self é extremamente importante , pois representa o Deus
psicológico, aquele refletido na Bíblia, e ao qual iremos nos referir neste livro.
Os seres humanos não podem ter contato direto com Deus, a grande força que
criou o universo. Talvez os místicos possam, mas as deficiências de nossa
línguagem não permitem que nos expliquem suas experiências. Nós, os
mortais normais, só podem ter acesso à imagem de Deus que habita dentro
de nossa psique. Jung disse que o Self é essa imagem de Deus. Portanto,
sempre que mencionarmos o Senhor, Elohim, Alá ou Deus, estaremos nos
referindo ao Self, este arquétipo central de nossa psique.

Herói / Heroína

Mitos, contos de fadas e obras literarias estão cheias de imagens de heróis e


heroínae. Joseph Campbell dedica um livro ao estudo da figura dos heróis
como eles aparecem em todo o mundo, e constatou que eles compartilham
algumas características comuns. Isso prova que eles têm uma base
arquetípica. Temos, dentro de nossa psique, o arquétipo do herói.

Estes são apenas alguns exemplos de arquétipos, os mais importantes na


psicologia junguiana. Nós carregamos muitos mais dentro de nosso
inconsciente coletivo, dezenas, centenas, talvez milhares.

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Tipos Psicológicos

Os seres humanos agem e reagem de forma diferente. Jung classificou-os em


dois tipos de atitudes:
• Extrovertidos
• Introvertidos .

Extroversão

A atitude que caracteriza certas pessoas que têm mais facilidade para lidar
com pessoas e objetos externos à psique.

Introversão

A atitude que caracteriza certas pessoas que têm mais facilidade para lidar
com as personalidades interiores de sua psique.

Funções

Além desses dois tipos de atitudes - extroversão e introversão - Jung também


classificou as pessoas em quatro funções, de acordo com suas preferências de
como coletar informações e tomar decisões.
• Coletar informações
o Sensação
o Intuição
• Tomar decisões
o Pensamento
o Sentimento
A maneira como percebemos a informação irá determinar a nossa preferência .
Um tipo de sensação (S) vai preferir uma resposta específica . Se ele perguntar
as horas , o tipo sensação prefere ouvir 09:58 em vez de quase dez anos. Ele
prefere trabalhar com fatos e números. A intuição (I) tipo é o seu exato oposto.

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Recolhe a informação no ar, sem reconhecer como ela chegou. Podemos


quase dizer que rece a informação como uma inspiração.
A forma como fazemos decisões determina nosso tipo: Pensamento (T) ou
Sentimento (F). Se somos chamados para resolver uma disputa, um tipo
pensamento vai tomar sua decisão pesando o que acha justo e verdadeiro,
sem levar em consideração a possibilidade de que sua decisão possa ferir
sensibilidades. O tipo de sentimento considera uma boa decisão aquela que
leva em consideração o sentimento das pessoas envolvidas.
Estes quatro tipos foram os originais propostos por Jung. Um último conjunto
de funções foi introduzido posteriormente , com base na forma como preferem
conduzir suas vidas. Julgadores (J ) preferem vidas estruturadas e organizadas
enquanto Percebedores (P) são espontâneos e adaptativos.

Os dois tipos de atitude (Extroverttidos e Introvertidos), somados aos seis tipos


de funções geram dezesseis combinações. Existem testes para determinar
qual o tipo a que pertencemos, sendo o mais conhecido o Indicador de Tipo
Myers- Briggs. O livro Type Talk, de Otto Krueger e Janet M. Thuesen fornece
características detalhadas para nos ajudar a determinar o nosso e os tipos do
nossos amigos. Em uma exposição de cada um dos tipos, o livro faz uma
pequena caracterização – uma dica para tentar reconhecer cada tipo -
mostrada a seguir:
• ISTJ : faz o que deve ser feito
• ISFJ : um elevado sentido do dever
• INFJ : uma inspiração para os outros
• INTJ : tudo tem espaço para melhorias
• ISTP : pronto para tentar qualquer coisa uma vez
• ISFP : vê muito, mas passa pouco
• INFP : cumprimento do serviço nobre para ajudar a sociedade.
• INTP : adora resolver problemas
• ESTP : o super realista
• ESFP : só se vive uma vez na vida
• ENFP : dar a vida um aperto adicional
• ENTP : um desafio emocionante após o outro
• ESTJ : os administradores da vida
• ESFJ : recepcionistas do mundo
• ENFJ : de fala suave e persuasiva
• ENTJ : líderes naturais da vida

Jung ensinou que cada pessoa tem uma das quatro funções (Pensamento,
Sentimento , Sensação e Intuição ) como o dominante. Esta função está

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consciente, sob o controlo do ego. Seu oposto é a função inferior, não


controlada pelo Ego.
Quem for do tipo Pensamento, tem o Sentimento como função inferior, afogada
no inconsciente, e vice-versa. Quem for tipo Sensação, tem a Intuição como
função inferior, e vice-versa.
O processo de individualização (a ser explicado a seguir) pode ser visto como o
desenvolvimento da função inferior. O crescimento do ser humano requer a
conscientização, ainda que parcial, da função inferior.

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Interpretação dos Sonhos

Jung disse: "O sonho é uma pequena porta para os recessos mais íntimos e
mais secretos da alma, abrindo a noite cósmica que era psique muito antes de
existir qualquer consciência do ego .... " ( Significado da psicologia para o
homem moderno - Obras Completas vol . 10).
Para simplificar, digamos que o sonho é uma porta para o inconsciente.
Podemos distinguir dois tipos de sonhos: o pessoal e arquetípico. Também
poderíamos mencionar um terceiro sonho, o profético. Neste último grupo,
podemos colocar alguns dos sonhos de Jung, quando ele previu o banho de
sangue que esperava a Europa pouco antes da Primeira Guerra Mundial. Mas
não vamos lidar aqui com os sonhos proféticos.
Um sonho pode ser pessoal, tendo a ver exclusivamente com a vida pessoal do
sonhador, ou arquetípico, dando origem a uma interpretação que transcende a
esfera pessoal.
Interpretação dos sonhos na psicologia junguiana é um assunto complexo,
especialmente quando estamos lidando com um sonho arquetípico. Jung
propõe a amplificação do sonho, buscando paralelos no mundo dos mitos e
contos de fadas. Um analista junguiano competente deve ter uma cultura vasta,
familiarizando-se com os mitos mundiais, os contos de fadas, as diversas
religiões, a alquimia e a literatura.
Quanto aos sonhos pessoais, temos duas opções: tratá-los como uma
mensagem externa ou interna. Melhor explicando, se seu sonho traz como
personagem uma pessoa que você conhece na vida real, o sonho pode se
referir a essa pessoa - interpretação externa - ou com as características que
você considera que essa pessoa possua - interpretação interna. Um exemplo
esclarece melhor. Se você sonha com um amigo comilão, o sonho pode se
referir a esta pessoa – interpretação externa – ou lembrar-lhe que você precisa
cuidar de seu peso – interpretação interna.
Devido ao espaço limitado deste livro, vou parar por aqui. O próprio Jung e
muitos junguianos escreveram livros e livros sobre a interpretação dos sonhos.
Se você estiver interessado em se aprofundar um pouco, sugiro-lhe o livro:
Inner Work de Robert Johnson que eu recomendo enfaticamente. Johnson era
um analista junguiano e um escritor prolífico, capaz de transformar alguns dos
conceitos complexos de Jung em um livro de fácil entendimento.

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Imaginação Ativa

A Imaginação Ativa é um método poderoso, desenvolvido por Jung para


dialogar com as nossas personalidades interiores. Já mencionamos que o Ego
não é o governante de nossa psique. Na verdade, temos várias entidades que
vivem dentro de nossas cabeças. Vamos chamá-los de demônios ou daemons,
uma palavra romana que adquiriu conotação pejorativa ao longo dos tempos.
Referindo-se aos nossos muitos daemons, sempre gosto de repetir a bela frase
de Joseph Campbell, o grande mitólogo do século XX: "Minha definição de
demônio é um anjo que não foi reconhecido como tal. Pelo contrário, é um
poder que você negou expressão, e você reprimida. Então , com toda "energia
reprimida , ele começa a crescer e torna-se muito perigoso."
Poderíamos chamar esses daemons, de múltiplas personalidades. Elas não
nos dominam constantemente, mas podem fazê-lo quando o Ego, sujeito a
uma forte emoção, perde o controle de nossos atos. Em outras palavras,
quando o ser humano perde o livre arbítrio.
Algumas pessoas são mais propensas a serem dominada por essas
personalidades internas. Eu recomendo um livro fascinante, uma ficção
baseada em um caso real: "Sybil" escrito por Flora Rheta Schreiber, em que a
personagem tem dezesseis personalidades, algumas que se conheciam entre
si enquanto outras, não. Claro que o livro apresenta um caso extremo, mas não
podemos descartar o fato de que outras personalidades (daemons) podem
assumir o controle do Ego. Quando dominado pela raiva, por exemplo, agimos
de maneira que pode ser motivo de arrependimento.
Imaginação ativa é um método para conversar com nossos demônios, com
essa outras personalidades que compartilham nossa psique com nosso Ego. É
importante saber o que querem de nós, e negociar um modus-vivendi
satisfatório. Não devemos nos curvar a todas as demandas desses daemons,
mas negociar um compromisso aceitável pelo Ego. O preço da não negociação
pode ser uma invasão em um momento tenso.
Para fazer imaginação ativa, devemos entrar em um estado relaxado e deixar
algumas fantasias virem à nossa mente. Você pode ver ou ouvir ou sentir a
presença de uma pessoa ou animal. Relacione-se com ele/ela. Não comece a
fazer perguntas, mas tente ouví-lo.
O "Livro Vermelho" de Jung descreve seu processo de imaginação durante um
período de quinze anos. É um livro fantástico, e Jung credita todos os futuros
desenvolvimentos da Psicologia Analítica a essas interações com seus
daemons.

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Alguns psicólogos afirmam que você não deve fazer imaginação ativa sem a
orientação de um especialista. Você corre o risco de sofrer um surto psicótico.
Esta é a opinião de Barbara Hannah, uma das primeiras discípulas de Jung e
autora do livro "imaginação Ativa" (1981). Hillman , um conhecido psicólogo
junguiano, não concorda com essa opinião. Ele afirma que podemos parar o
processo a qualquer momento e voltar ao controle Ego . Minha opinião é que
não precisamos ser tão cautelosos como Hannah, mas acho que devemos ter
cuidado em caso de pessoas com personalidades limítrofes. Nestes casos, a
imaginação ativa seria desaconselhável.
Gostaria de conversar com seus demônios, compreendê-los e transformá-los
em anjos? Você pode, usando o método da imaginação ativa. Como? Eu
recomendo enfaticamente o livro de Robert Johnson, acima referido,' Inner
Work '. Tanto aprecio a escrita de Johnson, que li todos os seus livros. Inner
Work trata da interpretação dos sonhos e da imaginação ativa. Johnson explica
imaginação ativa em seu estilo simples e fácil. Apenas esta seção sobre
Imaginação Ativa, cobrindo metade do livro, seria suficiente para justificar
minha recomendação, mas os capítulos sobre a interpretação dos sonhos são
também excelentes.
Você prefere um demônio em suas costas ou um anjo ao seu lado? Converse
com seus daemons, negocie com eles, tenha-os ao seu lado e nunca em suas
costas.

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Individuação

O objetivo central da Psicologia Analítica é orientar a pessoa no caminho da


individuação. O que é a jornada de individuação? É um caminho em busca de
maior consciência, em busca de se conscientizar de partes do seu
inconsciente, tornar estas partes, antes inconscientes, conhecidas pelo Ego. Já
mencionei o dito na entrada do Templo de Apolo em Delfos: Conheça-te a ti
mesmo.
Muitos gostam de comparar individuação com o conceito budista da
iluminação, mas eles são diferentes. Ambos têm o objetivo de tornar a pessoa
mais consciente, um pela absorção de parte do inconsciente, outro por ficar
mais perto de Deus. Alguns budistas podem se opor à meu uso da palavra
Deus, mas acho que descreve melhor o processo. A diferença essencial é que
a iluminação é um estágio que se busca atingir, e individualização é um
processo, uma jornada. Individuação é uma viagem e iluminação, a estação
final da estrada.

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Projeção

Projeção foi definida por Jung como uma transferência inconsciente de


elementos subjetivos psíquicos para um objeto externo, pessoa ou coisa.
Um exemplo pode esclarecer esta definição. Suponha que alguém perceba -
certo ou errado – que seu pai é um tirano. Como adulto, ele pode ter a
tendência não só para agir de forma tirânica, mas também a projetar essa
característica em pessoas com autoridade. Ele será convencido - de novo certo
ou errado - que o objeto de sua projeção é de fato um tirano.

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Inflação psicológica

A situação em que o indivíduo pensa que é melhor do que é. Ele se vê quase


como um semideus, pensando que pode executar ações bem acima de sua
capacidade. Inflação descreve uma sensação de poder, um sentimento de
dispor de uma força desconhecida que não é a nossa. O melhor exemplo de
inflação nos é dado no mito de Ícaro, voando perto do sol e morrendo no
oceano por sua "hubris" (um termo grego que significa orgulho ou arrogância )

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Neurose

A neurose é uma situação de conflito entre desejos incompatíveis do ego e um


complexo do inconsciente, ou, se preferir, de um demônio que vive dentro de
nossa mente inconsciente.
Jung costumava dizer que nós não curamos nossa neurose , mas,
eventualmente, ela pode nos curar . Quando trabalhamos para compreender e
tentar curar a neurose, estamos, indiretamente, conversando com nossos
demônios, e negociando uma solução que serve ao ego e ao inconsciente. A
neurose pode nos curar, pois nos causa desconfortos que nos obrigam a agir e
a resolver o problema.

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Participação Mística

Este foi um termo cunhado pelo antropólogo Lévy -Bruhl para descrever um
estado no qual a pessoa não se sente como um indivíduo, mas se vê como
parte de um grupo . A pessoa vive em um estado de simbiose entre o seu ego
e o grupo.
Nos primórdios da civilização egípcia, somente os corpos dos faraós eram
preservados, pois acreditava-se que apenas estes indivíduos tinham uma alma.
As outras pessoas estavam vivendo em um estado de " participação mística " .
Com o desenvolvimento da consciência, mais pessoas passaram a se julgar
indivíduos e a fazer arranjos para preservar seus corpos. Mais pessoas se
reconheceram como indivíduos.
Por que trazer este assunto ? Isso é relevante para o mundo moderno? Bem,
muitas pessoas modernas vivem em um estado parcial de "participação
mística", recusando-se a crescer como indivíduos, sem buscar o
desenvolvimento de sua consciência.

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O sentido da vida

Jung relata em seu livro "Memórias , Sonhos, Reflexões", uma passagem de


sua vida, quando, em 1925 , ele visitou os índios Pueblo, que vivem no
sudoeste dos Estados Unidos. Este povo se definia como Filhos do Sol. Seu
Mito Central afirmava que somente com a ajuda dos Pueblos o Sol poderia
continuar aparecendo diariamente. Eles deviam orar ao Pai Sol para manter o
seu movimento. Caso contrário, em dez anos o sol já não iria iluminar a terra. O
chefe Mountain Lake disse, com a convicção de quem está salvando o mundo:
"Os americanos querem acabar com nossa religião Por que não nos deixam
tranquilos; que nós fazemos, fazemos não somente para nós, mas eles.
Fazemos isso para todo o mundo".
Você acredita que o sol não apareceria se os Pueblos parassem de rezar para
ele? Não importa se você acredita. O que importa é que eles acreditam. Salvar
o mundo é a motivação central de suas vidas, é a sua razão de viver.
E você? O que você está fazendo aqui na terra? Qual é o significado da sua
vida? Ganhar dinheiro? Ficar rico? Ser poderoso? Criar seus filhos esperando
que, através deles, vai se tornar imortal? Será que esses objetivos têm
importância suficiente para constituir-se em um mito que sustente a nossa
civilização? Você não sente um pouco de inveja dos índios Pueblo, que estão
convencidos de que suas vidas têm um significado, que estão salvando o
mundo?
Edward Edinger, um conhecido escritor e analista junguiano, abre seu livro, “A
Criação da Consciência”, afirmando: “A história e a antropologia nos ensinam
que a sociedade humana não pode sobreviver por muito tempo a menos que
seus membros estão psicologicamente contida em um mito vivo central. Tal
mito fornece ao indivíduo uma razão de ser.”
O problema é que estamos vivenciando a erosão do mito cristão. Os seres
humanos anseiam por . Nos séculos anteriores, este objetivo era assegurado,
pelo menos para os ocidentais, seguindo os preceitos da igreja cristã. Depois
de dois mil anos dominando as mentes ocidentais, o mito cristão está perdendo
seu brilho. Isso deve nos preocupar uma vez que cada civilização necessita de
um mito central para apoiá-la.
De acordo com Jung, estamos aqui na Terra para aumentar nossa consciência
e também a consciência de toda a humanidade. Quanto mais se ganha, mais é
armazenado no inconsciente coletivo da humanidade. Este ganho não
beneficia apenas seus descendentes , mas à humanidade em geral.

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Roberto Lima Netto
A Psicologia de Carl Jung – Principais Ideias e Conceitos

Acho que estamos aqui na Terra para aprender, para crescer e ser feliz. Jung
acha que o nosso único objetivo é o aumento da consciência.

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A Psicologia de Carl Jung – Principais Ideias e Conceitos

A existência de Deus

Nietzsche, através de Zaratustra, disse: "Deus está morto" . Deus não está
morto, mas o moderno homem ocidental não pode vê-lo nas árvores, nos rios,
nas montanhas, como nossos antepassados e alguns grupos indígenas.
Jung , quando perguntado se ele acreditava em Deus, respondeu que não, "
que ele sabia " . Qual o significado de suas palavras? Difícil de decifrar. Mas ,
seu "Livro Vermelho", seu diário escrito em sua meia-idade, você pode de
adivinhar o significado . Ele estava realmente experimentando Deus, ou
deuses.
A família de Jung bloqueou a publicação do "Livro Vermelho" até 2000,
provavelmente com medo que muitos consideram Jung como um louco, um
homem à beira de um ataque psicótico. No século XXI, quando as ideias de
Jung já estavam espalhadas e amplamente reconhecidas, não há necessidade
de se preocupar com isso. Mesmo assim, não sugiro que você leia este livro
sem um conhecimento profundo das ideias de Jung. È um livro que retrata o
processo de Imaginação Ativa que durou quinze anos.
Jung era um cientista, mas também um místico. Ele era o filho de um clérigo
protestante e estudou o cristianismo em profundidade. Mas ele também
mergulhou em gnosticismo, religiões orientais, alquimia, I Ching, mitologia e
muitas das chamados ciências ocultas. Sua dissertação de pós-graduação
como um médico versou sobre fenômenos espirititualistas.

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A Psicologia de Carl Jung – Principais Ideias e Conceitos

Principais diferenças entre as escolas de Freud e Jung

Em essência, qual é a diferença entre as escolas psicológicas de Freud


(psicanálise) e Jung (Psicologia Analítica).
Freud definiu o inconsciente como uma coleção de material pessoal reprimido.
Jung foi mais longe. Ele dividiu a psique em três partes: consciente (o ego),
inconsciente pessoal e inconsciente coletivo. Esta última parte foi uma
importante razão de discordância entre esses dois gênios. Embora Freud não
pudesse negar a existência dos instintos, ele não aceitava a teoria dos
arquétipos. Para ser justo com Freud, ele desenvolveu seus conceitos após a
separação, expandindo seu inconsciente, mas nunca aceitando o inconsciente
coletivo proposto por Jung .
Jung explicava que, similar à evolução de nossos corpos que manter traços
dos corpos de nossos ancestrais (o cóccix , por exemplo), a psique humana
mantém toda a história anterior do desenvolvimento humano.
Freud não poderia aceitar tal afirmação ampla, e eles se separaram quando
Jung publicou seu livro " Símbolos da Transformação", em 1912, quando tinha
37 anos de idade.
A partir daí, Jung entrou em uma carreira solo, e suas teorias continuam a
divergir. Desde o início, Freud considerou a libido sexual como o motor de uma
pessoa. Jung iscordava, dizendo que a libido sexual era uma força muito
importante na psique humana , mas não única. Quando você é jovem, a libido
sexual provavelmente rege a sua vida, mas, à medida que envelhece , outros
fatores adquirem importância .
Jung dizia que a psique humana era, por natureza, religiosa. Na verdade, ele
fez disso um foco de sua exploração da psique. Ele estudou, além do
cristianismo, as religiões orientais, alquimia , o gnosticismo , mitologia, I Ching ,
Astrologia , e quase tudo o que poderia ser classificada como ciências ocultas .
Os estudos e teorias de Jung elevaram o nível da psicologia bem acima dos
desenvolvimentos originais de Freud. Isso não diminui a importância de Freud.
Não poderia haver um Einstein sem um Newton, sem que este houvesse
desenvolvido a física anteriormente. Não sei se Jung poderia ter alcançado as
alturas a que ele chegou se não tivesse sofrido a influência precoce de seu
professor.
O fato é que as duas teorias estão anos aparte. Na interpretação dos sonhos ,
por exemplo, Freud considera qualquer objeto pontiagudo nos sonhos como
um símbolo do pênis, enquanto Jung considera que mesmo o pênis poderia,
eventualmente , dependendo do conteúdo do sonho , simbolizar algo mais, a

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A Psicologia de Carl Jung – Principais Ideias e Conceitos

criatividade. Essa é a distância entre os dois gênios. Jung deu um novo nome à
sua escola psicológica, para a distinguir da psicanálise de Freud. Ele a chamou
de psicologia analítica.

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A Psicologia de Carl Jung – Principais Ideias e Conceitos

Uma pequena bibliografia comentada

Espero que este pequeno livro pode ter provocou em você a curiosidade e o
desejo de aprender mais, de aprofundar o tema da psicologia analítica e
mitologia. Se assim for, tenho alguns livros para sugerir.

Psicologia Junguiana

O Homem e Seus Símbolos - CG Jung e outros – Nova Fronteira.


Este é o primeiro livro que recomendo sobre Psicologia Junguiana. Excelente
para o iniciante, foi escrito por Jung e alguns de seus colaboradores mais
próximos como base para uma série de televisão da BBB- British Broadcast
Corp. Serve como uma introdução para aqueles que querem aprender mais
sobre as grandes ideias de Jung. Esta foi a minha porta de entrada na
psicologia de Jung. Depois de lê-lo, cerca de 35 anos atrás, fiquei viciado, e
nunca mais parei de estudar a Psicologia Analítica e as ideias de Jung.
A Busca do Símbolo - Edward Whitmont – Editora Cultrix
Este livro pode ser a segunda para o leitor que quer aprender mais sobre os
conceitos do junguianos .
Ego e Arquétipo - Edward Edinger - Editora: Bookworld Services
Um dos principais discípulos de Jung , Edinger apresenta as idéias básicas de
psicologia junguiana , com uma profundidade maior do que os dois acima
mencionados . Ele não deve ser lido como um primeiro livro, porque você
precisa de uma compreensão básica da psicologia junguiana para melhor
compreender este livro . Eu recomendado para aqueles que , depois de ler os
outros dois livros sugeridos acima , querem aprofundar as idéias de Jung.
The Creation of Counciousness - Edward Edinger - Inner City Books
Este livro complementa a anterior, ficando mais fundo no assunto do sentido da
vida.
Obras Completas de CG Jung - Carl Gustav Jung – Editora Vozes
Não tente ler esses livros sem um bom conhecimento do assunto . Eles são de
um curso de doutorado em psicologia junguiana, recomendado para aqueles
que querem ir muito fundo no assunto. São de difícil compreensão, já que Jung
admitia que ele não tentava escrever de forma clara, mas de forma a obrigar o
leitor a pensar e interpretar suas ideias de diversas maneiras.

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A Psicologia de Carl Jung – Principais Ideias e Conceitos

Memórias, Sonhos e Reflexões - CG Jung – Ed. Nova Fronteira


Esta é uma obrigação, uma auto- biografia que narra a vida interior de Jung . É
de fácil leitura. Um livro emocionante.
Inner Work - Robert Johnson - Harper & Row Publishers.
A interpretação de sonhos e a técnica de imaginação ativa, fundamental para o
ego de ter um relacionamento saudável com outras personalidades dentro da
psique, são explicadas neste livro :

Mitologia

A Psicologia junguiana utiliza bastante os arquétipos, que são retratados nos


mitos, religiões, contos de fada e na literatura mundial. Por esta razão, os mitos
são tão importantes para compreender alguns sonhos arquetípicos.
O Poder do Mito - Joseph Campbell - Ed. Pallas Athena.
Joseph Campbell, um seguidor de Jung, foi um dos mitólogos mais importante
do século XX. Este livro é baseado em uma série de entrevistas para a BBC -
London, feita por Bill Moyers, e serve como uma introdução ao tema.
As Máscaras de Deus - Joseph Campbell - Ed. Pallas Athena
Um estudo completo dos mitos da humanidade, em quatro volumes : Mitologia
Primitiva, Mitologia Oriental , Mitologia ocidental e Mitologia criativa .
O Ramo de Ouro - James Frazer – Editora LTC.
Um dos primeiros estudos sérios sobre mitologia. Um livro cheio de
curiosidades; seu subtítulo é: "Um estudo de mágica e religião". A obra é
composta de muitos livros, e recomendo a edição abreviada.

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Roberto Lima Netto
A Psicologia de Carl Jung – Principais Ideias e Conceitos

O autor
Roberto Lima Netto

Robert Byrne disse: "O propósito da vida é uma vida de propósito." Tenho treze
livros publicados no Brasil e, depois de me aposentar em minha carreira de
administrador de empresas, decidi ser um escritor em tempo integral. Espero
conseguir , com um pouco de sorte e um pouco de sabedoria, meu objectivo de
passar aos leitores as lições que a vida me ensinou.
Além de escrever livros com interpretação junguiana, eu também estou
escrevendo ficção. Jesus Cristo passou seus ensinamentos por meio de
parábolas que eram fáceis de ler e apreciar . Como escritor, eu tento seguir o
Grande Mestre, tentando passar ideias através da ficção.
(*) Lima Netto freqüentou a Universidade de Stanford , onde completou seu
doutorado em Sistemas de Planejamento Econômico (1969). No mundo dos
negócios , seu maior sucesso foi a reviravolta da CSN, a maior siderúrgica da
América Latina. Foi idealizador e primeiro presidente do SEBRAE.

Outros livros de Lima Netto

O Pequeno Príncipe Gente Grande


"O Pequeno Príncipe para Gente Grande" chega às raízes do Pequeno
Príncipe de Antoine de Saint- Exupéry, utilizando a mitologia e os conceitos da
psicologia junguiana para expor alguns dos tesouros escondidos no livro. O
acidente que leva o piloto a pousar no deserto torna-se o início de uma jornada
de autoconhecimento. Os companheiros de Antoine são o garoto loiro com o
lenço ao redor do pescoço e do Velho Sábio, que lhes conta histórias que
levam Antoine a reflexões intensas. Você vai encontrar muitas histórias de
textos gnósticos , a Bíblia, e mitologia grega. Embora o livro seja baseado nas
ideias de Jung, ele não requer nenhum conhecimento de psicologia. "O
Pequeno Príncipe para Gente Grande", foi publicado no Brasil, pela Editora
BestSeller do Grupo Editorial Record e está em sua quarta edição .

O Xamã
O livro é um thriller psicológico junguiano. Guilherme, o principal personagem,
luta para proteger a ecologia da floresta Amazônica contra criminosos à
procura de ouro, ervas medicinais e madeira , tudo isto no meio de uma guerra
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A Psicologia de Carl Jung – Principais Ideias e Conceitos

contra as bandidos colombianos que tentam instalar uma base na Amazônia


para fugir da repressão do Governo Colombiano.
Quando o avião de Guilherme cai no meio da floresta amazônica, ele é salvo
por um xamã que o treina para se tornar também um xamã. Aliás, vale
considerar, lembrar que Jung considerava o xamanismo um paradigma do
processo de individuação, que é uma característica central da psicologia
junguiana.
O livro descreve o treinamento Guilherme. Enquanto isso, ele toma a iniciativa
de ajudar os índios a resolver os muitos problemas causados por criminosos
que querem tomar sua terra.

A Bíblia junguiana
A Bíblia, este trabalho fantástico que tem sobrevivido ao longo dos séculos, fala
com as pessoas de diferentes maneiras. Antropólogos pode ler para descobrir
como os povos do Oriente Médio viviam nas épocas em que foi escrita.
Teólogos pode lê-la a aprender para as verdades religiosas, de modo a definir
os dogmas de sua religião.
Hoje, existem duas correntes principais que estão em desacordo em sua
interpretação da Bíblia. Aqueles que olham para as afirmações da Bíblia como
que não podem ser contestados, que acreditam ter sido o mundo criado por
Deus em seis dias, que Adão e Eva foram nossos primeiros antepassados, e
que viviam no Jardim do Éden. Eles acreditam nessas e em outras declarações
na Bíblia, mesmo que a ciência aponte em uma direção diferente.
Outra corrente vê a Bíblia como uma forma de fantasia, refletindo as crenças
de povos primitivos que precisavam explicar o nosso mundo, mas que não têm
à sua disposição o conhecimento científico do século 21.
Estas duas formas de interpretar a Bíblia, que prevaleceram nos últimos
séculos, estão em frontal oposição e não podem ser reconciliados. Existe,
contudo, uma terceira forma de ler os textos bíblicos como um guia para a
compreensão da mente humana. Esta terceira corrente não entra em conflito
com as anteriores, mas acrescenta a elas. É uma nova perspectiva, provocada
pelas conclusões do psicólogo suíço Carl Gustav Jung. Essa terceira corrente é
ainda relativamente desconhecida , mas nos oferece ensinamentos valiosos e
nos permite ver uma nova compreensão do Livro Sagrado. Está de acordo com
aqueles que querem ver a Bíblia através de lentes científicas, mas não entra
em conflito com aqueles que a veem através dos olhos da fé. Este é o caminho
que seguimos neste livro.

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rlimanetto@gmail.com

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