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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÀRIDO – UFERSA

CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS E HUMANAS


CURSO DE DIREITO
DISCIPLINA: DIREITO PROCESSUAL CIVIL III

LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA

Profª Ma. Maria do Socorro Diógenes Pinto

Mossoró/RN
2018
LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA
• Para a execução, é indispensável título líquido que
permita a identificação do quantum debeatur.

• O que é um título líquido?

• É aquele que indica a quantidade de bens ou valores que


constituem a obrigação.

• Ela deve constar do próprio título, podendo, quando muito,


exigir cálculos aritméticos para apurá-la.
LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA

• O título executivo extrajudicial há de ser sempre


líquido.

• Se o quantum debeatur não resultar diretamente da


leitura do que dele consta, ou de cálculos aritméticos,
ele perderá a sua eficácia executiva.

• CUIDADO:
• Não existe liquidação de título extrajudicial.
LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA
• Já a sentença pode ser ilíquida.

• Contudo, para que possa ter início a execução, é indispensável que


passe por prévia liquidação, para que se apure o quantum.

• A liquidação de sentença é a atividade judicial cognitiva pela qual


se busca complementar a norma jurídica individualizada
estabelecida num título judicial.

• Assim, sempre que na fase cognitiva for prolatada sentença


condenatória ilíquida, antes de ter início a fase de
cumprimento de sentença, haverá uma etapa intermediária, de
liquidação.
LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA
➢ Considerações
• Há casos em que a decisão define todos os elementos da norma jurídica
individualizada, mas é necessário fazer cálculos aritméticos, de acordo com os
parâmetros indicados na própria decisão ou na lei, para que se possa aferir, em
pecúnia, o quantum debeatur.
• Nesse caso, seria um liquidação da sentença?
• O CPC-1973 considerava que a elaboração desses cálculos era liquidação -
chamava-a de "liquidação por cálculo do credor”.
• O CPC-2015 não mais considera isso liquidação.
Art. 786. [...]
Parágrafo único. A necessidade de simples operações aritméticas para apurar o
crédito exequendo não retira a liquidez da obrigação constante do título.
Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida,
proceder-se-á à sua liquidação, a requerimento do credor ou do devedor:
[...]
§ 2o Quando a apuração do valor depender apenas de cálculo aritmético, o credor
poderá promover, desde logo, o cumprimento da sentença.
LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA
• Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia
ilíquida, proceder-se-á à sua liquidação, a requerimento do credor
ou do devedor.

• A liquidação se restringe apenas à decisão que impõe o


pagamento de quantia?
• Não, qualquer decisão condenatória pode ser ilíquida, não apenas
aquela que impõe o pagamento de quantia. A incompletude da
decisão ilíquida, qualquer que seja ela, deve ser integrada mediante
liquidação.
• Ex: Nas ações universais, se o autor não puder individuar os bens
demandados; quando não for possível determinar, desde logo, as
consequências do ato ou do fato; quando a determinação do objeto
ou do valor da condenação depender de ato que deva ser praticado
pelo réu (art. 324, § 1º, I, II e III, do CPC)
LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA

• A liquidação de sentença só pode acontecer na fase cognitiva?

• Não, tendo em vista que quando as obrigações de fazer, não fazer


ou de entrega de coisa não podem ser cumpridas na forma
específica, abre-se, no curso da fase executiva do processo ou do
próprio processo autônomo de execução, um incidente cognitivo
para apurar o valor em dinheiro dessa prestação, a fim de que se
possa convertê-la numa obrigação de pagar quantia; essa
atividade de apuração do quantum debeatur também é
liquidação.
LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA
➢ Existem três técnicas processuais para viabilizar a liquidação de
sentença:
1. Fase de liquidação: a liquidação ocorre dentro de um processo já
existente, como questão principal de uma fase do procedimento
exclusivamente destinada a esse objetivo;
2. Processo de liquidação: a liquidação é objeto de um processo de
conhecimento autônomo, instaurado com essa exclusiva finalidade;
• Ocorre sentença em face de sentença penal condenatória transitada em
julgado, sentença arbitral (que não possa, eventualmente, ser liquidada no
juízo arbitral), sentença estrangeira homologada pelo STJ, do acórdão
que julga procedente revisão criminal (art. 630 do CPP), bem como a
sentença coletiva nas ações que versam sobre direitos individuais
homogêneos.
3. Liquidação incidental: a liquidação ocorre como um incidente
processual da fase executiva do procedimento ou do processo
autônomo de execução.
ESPÉCIES DE LIQUIDAÇÃO
• No CPC, são duas as formas de liquidação, a liquidação por
arbitramento e de procedimento comum.

• Além destas, existe também um tipo especial previsto no


Código do Consumidor: a apuração do quantum devido às
vítimas, quando proferida sentença condenatória genérica nas
ações civis públicas para a defesa de interesses individuais
homogêneos.

• São essas as três formas de liquidação que persistem em nosso


ordenamento jurídico.
FASE DE LIQUIDAÇÃO
• Tal como o cumprimento de sentença, a liquidação não constitui
um novo processo, mas apenas uma fase do processo único,
sincrético.

• Essa fase de liquidação vem regulada no CPC, arts. 509 a 512.

• O devedor não será citado, mas intimado na pessoa de seu


advogado para acompanhá-la (arts. 510 e 511, do CPC).
• Se for revel, não haverá necessidade de intimá-lo, conforme art.
346 do CPC.

• No entanto, se a liquidação for por processo autônomo em virtude


de sentença penal condenatória, arbitral ou estrangeira, como não
há nenhum processo civil de conhecimento precedente, o devedor
será citado, pois é a primeira vez que comparece ao juízo cível.
LEGITIMIDADE PARA A LIQUIDAÇÃO
• A liquidação pode ser requerida tanto pelo credor quanto
pelo devedor.
• A legitimidade deste deriva do interesse em pagar, para obter
a extinção da obrigação, quando necessária a apuração do
quantum.

• Porém, na liquidação da sentença condenatória genérica


proferida nas ações civis públicas, somente o credor estará
legitimado, porque o devedor não terá condições de saber
quem são as vítimas, e quais os danos que cada qual sofreu.
• A iniciativa é do credor, pois cabe a ele provar que tem tal
qualidade, demonstrando ser uma das vítimas do dano objeto
da ação.
COMPETÊNCIA

• Liquidação-fase: a competência para proceder à liquidação da


sentença será do juízo que proferiu a decisão liquidanda,
aplicando-se aqui os incisos I e II do art. 516 do CPC.

• Liquidação-incidente: a competência para conhecê-lo é do


mesmo juízo competente para conhecer da execução.

• Processo autônomo de liquidação: será julgado pelo juízo cível


competente, aplicando-se o inciso III do art. 516.
NATUREZA DA LIQUIDAÇÃO
• Há enorme controvérsia sobre a natureza do ato judicial
que julga a liquidação.

• A lei é expressa em atribuir-lhe natureza de decisão


interlocutória, e não mais de sentença, como anteriormente.

• Mas discute-se se teria caráter declaratório ou constitutivo.


Não pode ser condenatório porque a fase de liquidação
pressupõe prévia condenação.

• Parte da doutrina entende liquidação possui natureza


meramente declaratória.
NATUREZA DA LIQUIDAÇÃO
• A liquidação é indispensável porque, sem a apuração do quantum,
não é possível executar, mas não é ela que constitui o título
executivo.
• Entretanto, a liquidação da sentença condenatória genérica na
ação civil pública tem caráter constitutivo, pois serve para que
as vítimas comprovem sua qualidade, demonstrando que se
enquadram naquela situação jurídica indicada na sentença
genérica.

• Atenção:
• Contra o ato judicial que aprecia a liquidação, qualquer que
ela seja, o recurso cabível será o agravo de instrumento (art.
1.015, parágrafo único, do CPC).
LIQUIDAÇÃO PROVISÓRIA
• Nos casos em que se admite a execução provisória, será possível
também liquidação provisória, caso a sentença não seja líquida.

• Se houver recurso pendente, desprovido de efeito suspensivo, o


credor já poderá promover a execução, e, se a sentença for ilíquida,
necessita-se a prévia liquidação, para apurar o quantum debeatur.

• Se o recurso for provido (para o devedor), a liquidação e a


execução subsequente ficarão sem efeito e as partes deverão ser
restituídas à situação anterior.
LIQUIDAÇÃO PROVISÓRIA
• O art. 512 do CPC prevê ainda a possibilidade de promover a
liquidação, mesmo que esteja pendente recurso provido de efeito
suspensivo.
• Art. 512. A liquidação poderá ser realizada na pendência de
recurso, processando-se em autos apartados no juízo de origem,
cumprindo ao liquidante instruir o pedido com cópias das peças
processuais pertinentes.
• A ideia parte do pressuposto de que a liquidação não se confunde
com a execução e de que nela ainda não é tomada nenhuma
providência concreta satisfativa.
• Portanto, mesmo que a execução não possa ter início, será possível
promover a liquidação, com o que se ganhará tempo.
LIQUIDAÇÃO PROVISÓRIA
• Enquanto o recurso tramita no órgão ad quem, poderá ter curso a apuração
do quantum debeatur no órgão a quo.
• Essa liquidação é feita por conta e risco de quem a propuser, já que
haverá o risco de reversão do julgamento, com a perda das despesas até
então realizadas com a liquidação.
• Desse modo, cumpre ao requerente ponderar os prós e contras dessa
liquidação antecipada.
• Como ela deve processar-se no órgão a quo, enquanto os autos principais
estão no órgão ad quem para exame do recurso, será necessário extrair
autos suplementares.

• Atenção:
• Enquanto pende o curso, a liquidação pode até ser concluída e decidida. A
partir do momento em que o recurso for julgado, e não couber nenhum outro
com efeito suspensivo, poder-se-á passar à execução; mas enquanto pender
recurso com tal efeito, ela não poderá ter início.
VEDAÇÃO DE SENTENÇA ILÍQUIDA
• Somente os títulos judiciais podem ser ilíquidos.
• Mesmo assim, há casos em que o legislador os veda
expressamente, como no caso do art. 491 do CPC, em que
mesmo nos casos em que se admite pedido genérico (art. 324,
§ 1°, do CPC), a sentença deve ser líquida.
• Só se admitirá que não o seja nas hipóteses dos incisos I e II
do art. 491, quando então será necessária a liquidação.

• Nos termos da Súmula 318 do STJ, "Formulado pedido certo


e determinado, somente o autor tem interesse recursal em
arguir o vício da sentença ilíquida".
VEDAÇÃO DE SENTENÇA ILÍQUIDA
• Art. 491. Na ação relativa à obrigação de pagar quantia, ainda
que formulado pedido genérico, a decisão definirá desde logo a
extensão da obrigação, o índice de correção monetária, a taxa de
juros, o termo inicial de ambos e a periodicidade da capitalização
dos juros, se for o caso, salvo quando:
• I - não for possível determinar, de modo definitivo, o montante
devido;
• II - a apuração do valor devido depender da produção de prova de
realização demorada ou excessivamente dispendiosa, assim
reconhecida na sentença.
• § 1o Nos casos previstos neste artigo, seguir-se-á a apuração do
valor devido por liquidação.
• § 2o O disposto no caput também se aplica quando o acórdão
alterar a sentença.
SENTENÇA PARTE LÍQUIDA, PARTE ILÍQUIDA

• O art. 509, § 1°, do CPC trata da possibilidade de haver uma


sentença que seja parte líquida e parte ilíquida.
• Ex: uma sentença proferida em ação de reparação de danos
pode condenar o réu a pagar os danos emergentes,
correspondentes aos gastos que ele teve, em determinado
valor, e em lucros cessantes, a serem apurados em liquidação.

• O credor pode promover simultaneamente a execução da


parte líquida, e, em autos apartados, a liquidação da outra
parte.
CÁLCULO DO CONTADOR
• Não é necessária a liquidação, quando o quantum debeatur
puder ser apurado por simples cálculo aritmético.

• Cumpre ao credor, ao requerer a execução, apresentar memória


discriminada do cálculo do débito, indicando de forma especificada
os itens da cobrança e os acréscimos de correção monetária, juros e
outros fixados na condenação (art. 524, do CPC).

• Essa solução trouxe preocupação com a possibilidade de o credor


cobrar mais do que seria devido, ao apresentar os cálculos.
• Por esse motivo, cabe ao juiz examiná-los e, de ofício, determinar a
correção de eventuais erros.
• Também há a possibilidade de o devedor defender-se, por
objeções de pré-executividade ou impugnação, cuja apresentação
prescinde de prévia garantia do juízo, pela penhora.

• Quando tiver dúvida, o juiz poderá valer-se de contabilista do


juízo, que terá o prazo máximo de trinta dias para efetuar a
verificação dos cálculos, exceto se outro prazo lhe for
determinado. Porém, isso não se trata do retorno da liquidação
por cálculo do contador, pois o juízo não decidirá, ao final, se os
cálculos do credor estão corretos ou incorretos.
• O legislador teve o cuidado de evitar que, nessa fase que antecede o
início da execução, possa surgir algum incidente que, sob vias
transversas, obrigue o juízo a decidir a respeito do quantum
debeatur, o que acabaria por ressuscitar a liquidação por cálculo do
contador.

• Então, a solução encontrada foi fazer prevalecer o valor


apresentado pelo credor, cumprindo ao devedor defender-se,
impugnando-o, para que então o juízo possa decidir qual é o quantum
debeatur.

• Contudo, para que não haja prejuízo ao executado, conquanto a


execução se faça pelo valor indicado pelo credor, a penhora far-se-á
pelo valor que o juiz entender adequado, até que, no curso da
execução, ele decida qual é efetivamente o quantum, podendo então
mandar ampliar ou reduzir a penhora.
• Os parágrafos 3° a 5° do art. 524 tratam da hipótese de os cálculos
a serem apresentados pelo credor, no início da execução,
dependerem de dados existentes em mãos do devedor ou de
terceiros, caso em que o juiz, a requerimento dele, poderá
requisitá-los, concedendo prazo de até trinta dias para
cumprimento.

• Se a diligência for descumprida pelo devedor, o juiz considerará


corretos os cálculos do credor;

• Se descumprida por terceiro, poderá ficar caracterizado crime de


desobediência.
LIQUIDAÇÃO POR ARBITRAMENTO
• Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida,
proceder-se-á à sua liquidação, a requerimento do credor ou do devedor:
• I - por arbitramento, quando determinado pela sentença, convencionado pelas
partes ou exigido pela natureza do objeto da liquidação;

• É aquela que se presta à apuração do valor de um bem ou serviço.


• Aqui a única tarefa é a apuração desse valor, o que demandará a apresentação de
pareceres e documentos elucidativos pelas partes e, se isso não for suficiente, a
nomeação de um perito.
• Não há nenhum fato novo a ser demonstrado.

• Exemplo: o juiz condena o réu a pagar ao autor indenização correspondente ao


aluguel do imóvel por ele indevidamente ocupado, durante doze meses.
• Nesse caso, a sentença é ilíquida porque não se sabe qual é o aluguel daquele
imóvel. A liquidação será feita por arbitramento porque a única coisa a ser feita é
apurá-lo. Para tanto, as partes podem valer-se de pareceres, documentos e, caso
necessário, haverá a nomeação do perito.
• A diferença da liquidação de procedimento comum é que, nesta, há
necessidade de prova de fatos novos, que vão além da simples apuração do
valor do bem ou do serviço.

• Muitas vezes, ao proferir a sentença condenatória, o juiz estabelece a forma pela


qual se fará a liquidação.
• Mas isso não tem caráter definitivo: mesmo que nela conste o arbitramento,
pode ser necessária a de procedimento comum, caso se constate a necessidade
da prova de fatos novos.

• Requerido - pelo credor ou devedor - o arbitramento, o juiz, não sendo possível


decidir de plano, após a intimação das partes para apresentação de pareceres e
documentos elucidativos, nomeará um perito e fixará prazo para a entrega
do laudo.

• O procedimento a ser observado é o mesmo previsto para a prova pericial.


Prevalece o entendimento de que não há honorários advocatícios na
liquidação por arbitramento, já que não se discutem fatos novos.
LIQUIDAÇÃO PELO PROCEDIMENTO COMUM

• Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia


ilíquida, proceder-se-á à sua liquidação, a requerimento do credor ou do
devedor:
• [...]
• II - pelo procedimento comum, quando houver necessidade de alegar e
provar fato novo.

• É aquela em que há necessidade de comprovação de fatos novos, ligados


ao quantum debeatur.

• Por fato novo entende-se não o que tenha ocorrido após sentença, mas o
que não tenha sido apreciado, quando do julgamento, e que diga respeito
ao quantum.
• Exemplo: o art. 324, II, do CPC permite sentença genérica, quando não é possível
determinar, de modo definitivo, as consequências do ato ou fato ilícito. Por vezes, a
vítima sofre lesões cuja extensão não pode ser apurada quando da sentença. O juiz
condenará o réu a arcar com todos os danos e despesas de tratamento da vítima.
• Mas a apuração do quantum exigirá a demonstração de fatos novos, relacionados à
extensão dos danos e dos cuidados exigidos pela vítima.
• Na petição inicial, o autor os apresentará e eles constituirão a causa de pedir da
liquidação, à qual o juiz deverá ater-se, sob pena de proferir julgamento extra petita.
• O procedimento da liquidação por artigos é o comum, ainda que a fase de
conhecimento tenha observado o especial.
• O réu será intimado para apresentar contestação, sob pena de presumirem-se
verdadeiros os fatos novos relacionados ao quantum debeatur. Todos os meios de
prova serão admitidos, podendo o juiz determinar prova técnica e designar audiência
de instrução e julgamento.

• Ao final, proferirá decisão interlocutória, julgando a liquidação. Poderá considerar


provados, total ou parcialmente, os fatos novos, declarando líquida a obrigação e
apontando o quantum debeatur.
LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA GENÉRICA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA

• A sentença genérica proferida em ação civil pública, ajuizada para a defesa


de interesses individuais homogêneos, também passará pela fase de
liquidação.

• Proposta a ação civil pública, como não se sabe quem são as vítimas,
quantas são e qual é a extensão dos danos, o juiz, em caso de procedência,
proferirá sentença genérica, que condenará o réu ao pagamento de
indenização a todas as pessoas que comprovarem enquadrar-se na
condição de vítimas do ato ou fato discutido.

• Nesse caso, além da sentença ser ilíquida; ela nem sequer nomeia as
pessoas a serem indenizadas, limitando-se a genericamente condenar o
réu a pagar a todos aqueles que comprovem ser vítimas do evento.

• Na fase de liquidação, que haverá de ser sempre individual, a vítima


precisará demonstrar não apenas a extensão dos danos, mas, antes de
tudo, que eles são provenientes daquele produto nocivo.
• Em virtude dessas peculiaridades, esse tipo de liquidação difere das
tradicionais (por arbitramento e pelo procedimento comum) do CPC,
pois, ao contrário delas, pode ser julgada improcedente, caso não se
comprove que o liquidante foi vítima do acidente e sofreu danos.

• Na liquidação comum, a condição de vítima há de ter sido provada


na fase condenatória, ao passo que nesta, há de ser demonstrada na
liquidação.

• Ela formará um processo autônomo (não apenas uma fase), ajuizado


pelas vítimas individuais, e para o qual o réu deve ser citado.

• A decisão final não será meramente declaratória, como nas outras


formas de liquidação, mas constitutiva, pois só a partir dela cada
vítima obterá título executivo.
LIQUIDAÇÕES NO CURSO DA FASE DE EXECUÇÃO

• Mas, às vezes, a liquidação, conquanto desnecessária antes da execução,


pode tornar-se indispensável no seu curso. Haverá liquidação incidente.

• É o que ocorrerá, por exemplo, sempre que não houver mais a


possibilidade de execução específica de obrigação, e a conversão em
perdas e danos (ou quando o credor preferir essa forma).

• A obrigação, até então líquida, tornar-se-á ilíquida, já que será


necessário apurar as perdas e danos.

• Na liquidação incidente, o exequente indicará os danos que pretende


ver ressarcidos, e o juiz determinará as provas necessárias para
comprová-los.

• Ao final, proferirá decisão interlocutória, indicando o quantum debeatur,


e a execução prosseguirá, na forma do art. 523 do CPC.
SUSPENSÃO E EXTINÇÃO DO
PROCESSO DE EXECUÇÃO
SUSPENSÃO E EXTINÇÃO DAS EXECUÇÕES
• São variadas as razões pelas quais a execução pode ser suspensa. O art.
921 enumera algumas, em rol que não é taxativo.

Art. 921. Suspende-se a execução:


I - nas hipóteses dos arts. 313 e 315, no que couber;
II - no todo ou em parte, quando recebidos com efeito suspensivo os
embargos à execução;
III - quando o executado não possuir bens penhoráveis;
IV - se a alienação dos bens penhorados não se realizar por falta de
licitantes e o exequente, em 15 (quinze) dias, não requerer a adjudicação
nem indicar outros bens penhoráveis;
V - quando concedido o parcelamento de que trata o art. 916.
➢ Nas hipóteses dos arts. 313 e 315, no que couber (Art. 921, I)

✓ Causas de Suspensão do Processo – Art. 313

1. Morte ou perda da capacidade processual de qualquer das partes,


de seu representante legal ou de seu procurador
• Desde o momento da morte ou da perda de capacidade, o processo se
considera suspenso, independentemente de determinação judicial.
• A suspensão é automática e se os fatos só vierem ao conhecimento do
julgador posteriormente, terá efeitos ex tunc, sendo nulos todos os atos
praticados nesse ínterim.
• Em caso de morte da parte, o processo seguirá quando houver a
sucessão pelo seu espólio ou herdeiros.
• Em caso de perda de capacidade processual ou morte de
representante legal ou advogado, o juiz fixará prazo para regularização
(art. 76 do CPC).
• A suspensão deverá observar o disposto no art. 313, §§ 1º, 2º e 3º.
2. Convenção das partes
• Havendo concordância das partes, o juiz não pode indeferir o
requerimento.

3. Arguição de impedimento ou de suspeição


• Desde a apresentação da arguição, o processo ficará suspenso e
assim permanecerá até que haja decisão do relator do incidente, no
Tribunal, a respeito dos efeitos em que ele o recebe.
• Se o receber no efeito suspensivo, o processo continuará suspenso
e só voltará a correr depois que a arguição for julgada.
• Se receber a arguição sem efeito suspensivo, o processo voltará a
correr.
4. Admissão de incidente de resolução de demandas repetitivas
• Esse incidente é admitido quando existem diversos processos que
contenham controvérsia sobre a mesma questão jurídica, com risco
de ofensa ao princípio da isonomia ou segurança jurídica.
• Nos termos do art. 982, II, admitido o incidente, o relator
suspenderá os processos pendentes, individuais ou coletivos,
que tramitam no Estado ou na região em que o incidente corre.
• A suspensão abrangerá todos os processos que versem sobre a
mesma questão jurídica.
• Caso haja necessidade, a tutela provisória será requerida ao juízo
onde tramita o processo suspenso.
• Além disso, é possível a qualquer interessado solicitar ao STF ou
STJ a suspensão de todos os processos individuais ou coletivos que
versem sobre a mesma questão jurídica, em todo o território
nacional (art. 982, § 3º).
5. Sentença de mérito que depende:
a) do julgamento de outro processo;
b) da declaração de existência ou inexistência de relação jurídica que
constitua o objeto principal de outro processo pendente;
c) que só possa ser proferida após a verificação de fato, ou da produção de
certa prova, requisitada a outro juízo;
• O dispositivo alude a dois tipos de relação de prejudicialidade:
✓ a externa, quando a sentença depende do julgamento de outro processo; e
✓ a interna, quando depende da verificação de fato ou produção de prova,
requisitada a outro juízo.
• A prejudicialidade externa, em regra, torna conexas as ações, o que permite a
reunião para julgamento conjunto. Mas ela nem sempre será possível, pois cada
uma das ações pode estar vinculada a determinado juízo, por regras de
competência absoluta.
• Para que não haja decisões conflitantes, suspende-se uma até que a outra seja
julgada.
• Tem prevalecido o entendimento de que, mesmo na hipótese de prejudicialidade
externa, a suspensão não pode ultrapassar o prazo de um ano a que alude o
art. 313, § 4º.
6. Força maior
• São os fatos imprevistos e inevitáveis, que impedem o prosseguimento do
processo.
• Ex: greves, catástrofes naturais, guerras, revoluções.

7. Discussão em juízo de questão decorrente de acidente e fatos da


navegação de competência do Tribunal Marítimo
• O Tribunal Marítimo é um órgão administrativo, vinculado ao Ministério da
Marinha e regulamentado pela Lei n. 2.180/54.
• De acordo com o art. 1º da lei, ele é órgão auxiliar do Poder Judiciário, que
tem por atribuição julgar os acidentes e fatos das navegações marítima, fluvial e
lacustre e as questões relacionadas com tais atividades, especificadas na referida
Lei.
• Quando há acidente ou fato de navegação, o processo deverá ficar suspenso,
aguardando a apuração pelo Tribunal Marítimo.
➢ Atenção:
• As conclusões dele não vinculam o Poder Judiciário, que não está impedido
de concluir de forma diversa daquilo que foi decidido pelo Tribunal
Marítimo.
• Inclusive foi vetado o art. 515, X, do CPC, que considerava título executivo
judicial o acórdão do Tribunal Marítimo quando do julgamento de acidentes e
fatos da navegação. Haja vista que esse Tribunal é órgão administrativo, e a sua
decisão não pode subtrair a questão do exame do Judiciário.
8. Demais casos previstos em lei

• Há outros exemplos de suspensão do processo estabelecidos no


CPC, por exemplo:
• a instauração do incidente de desconsideração da personalidade
jurídica (art. 134, § 3º);
• a dúvida quanto à sanidade mental do citando (CPC, art. 245 e
parágrafos);
• a existência de processo crime versando sobre fato delituoso
discutido também no juízo cível, caso em que é facultado ao juiz
suspender o julgamento deste até a solução daquele (art. 315 do
CPC).
9. Parto ou concessão de adoção, quando a advogada responsável
pelo processo constituir a única patrona da causa
• Trata-se de hipótese introduzida pela Lei nº 13.363/2016.
• O prazo de suspensão do processo será de 30 dias, a contar do parto
ou da concessão da adoção, que deverão ser comprovados
mediante apresentação de certidão de nascimento ou documento
similar que comprove a realização do parto, ou de termo judicial que
tenha concedido a adoção, desde que haja notificação ao cliente.
• Se houver outros advogados responsáveis, não haverá suspensão.

10. Advogado responsável pelo processo tornar-se pai, quando


constituir o único patrono da causa
• Essa hipótese também foi introduzida pela Lei nº 13.363/2016.
• O prazo de suspensão será de oito dias, a contar do parto ou da
concessão da adoção, comprovados na forma indicada no item
anterior.
• Art. 315. Se o conhecimento do mérito depender de verificação
da existência de fato delituoso, o juiz pode determinar a
suspensão do processo até que se pronuncie a justiça criminal.

• § 1o Se a ação penal não for proposta no prazo de 3 (três) meses,


contado da intimação do ato de suspensão, cessará o efeito desse,
incumbindo ao juiz cível examinar incidentemente a questão
prévia.

• § 2o Proposta a ação penal, o processo ficará suspenso pelo prazo


máximo de 1 (um) ano, ao final do qual aplicar-se-á o disposto na
parte final do § 1o.
➢ No todo ou em parte, quando recebidos com efeito suspensivo os
embargos à execução (art. 921, II).
• Apesar de excepcional, o efeito suspensivo pode ser concedido, tanto aos
embargos quanto à impugnação, caso em que a execução ficará suspensa
até que eles sejam julgados;
Art. 525 [...]
§ 6o A apresentação de impugnação não impede a prática dos atos
executivos, inclusive os de expropriação, podendo o juiz, a requerimento
do executado e desde que garantido o juízo com penhora, caução ou
depósito suficientes, atribuir-lhe efeito suspensivo, se seus fundamentos
forem relevantes e se o prosseguimento da execução for manifestamente
suscetível de causar ao executado grave dano de difícil ou incerta
reparação.

Art. 919. Os embargos à execução não terão efeito suspensivo.


§ 1o O juiz poderá, a requerimento do embargante, atribuir efeito
suspensivo aos embargos quando verificados os requisitos para a
concessão da tutela provisória e desde que a execução já esteja garantida
por penhora, depósito ou caução suficientes.
➢ Quando o devedor não possuir bens penhoráveis (art. 921, III)

• Essa é a causa mais frequente de suspensão.


• A execução por quantia só pode prosseguir com a penhora de bens,
que serão oportunamente excutidos para pagamento da dívida.
• Porém, se o devedor não tem bens, nada resta senão a
suspensão, até que o devedor venha a adquirir algum bem, que
possa garantir o pagamento do débito.

➢Atenção:
• A falta de bens não ensejará a extinção, mas apenas a
suspensão da extinção até que sejam localizados.
➢ O processo ficará suspenso por prazo indeterminado?
• Não, se não existir bens, o processo fica suspenso pelo prazo de um
ano, durante o qual não corre o prazo de prescrição intercorrente
(Art. 921, § 1º, CPC).
• Decorrido o prazo, para que a prescrição continue suspensa, é preciso
que o exequente se manifeste, realizando as diligências necessárias e
tomando as providências para que a execução possa ter andamento, ou
seja, indicando bens.
• Se exequente o fizer, manifestando-se em termos de prosseguimento, a
prescrição não corre, ainda que o processo venha a ser suspenso por mais
um período, por continuarem inexistindo bens.
• Todavia se, passado um ano não houver manifestação do exequente, a
execução continuará suspensa, mas o prazo de prescrição
intercorrente terá início.
• Uma vez consumada a prescrição, o juiz poderá decretá-la de ofício,
depois de ouvir as partes, que terão prazo de 15 dias para manifestar-se.
Prescrição Intercorrente

• A prescrição intercorrente é aquela que ocorre no decorrer do


processo, em razão da paralisação deste por prazo superior ao
exigido para o do exercício do direito de ação.

• A inércia do exequente, ao não promover o regular andamento do


processo, tem que ser continuada e ininterrupta
➢ Se a alienação dos bens penhorados não se realizar por falta de
licitantes e o exequente, em quinze dias, não requerer a
adjudicação nem indicar outros bens penhoráveis (art. 921, IV)

• Nada impede que o exequente postule, após algum tempo, nova


tentativa de alienação dos bens penhorados.

• Pode ser que a primeira tentativa fracasse, mas as posteriores sejam


bem sucedidas. Por isso, é garantido ao réu outras tentativas.
➢ Quando concedido o parcelamento de que trata o art. 916 (art. 921, V)

• Trata-se da hipótese de moratória convencional, em que o executado, no


prazo de embargos, depositando 30% do valor do débito, poderá
requerer o parcelamento do restante em até 6 prestações.
• Deferido o pedido, a execução ficará suspensa até o pagamento integral.

• À medida que o devedor for efetuando os depósitos, o credor poderá


requerer o imediato levantamento.

• O exequente será intimado para manifestar-se sobre o preenchimento


dos pressupostos do caput do art. 916 .

• Porém, o parcelamento é um direito do devedor, não podendo ser


recusada pelo credor, a não ser que não sejam cumpridas as
disposições do caput do art. 916.
• Ademais, o art. 922 permite que, convindo às partes, o juiz declare
suspensa a execução durante o prazo concedido pelo exequente
para que o executado cumpra voluntariamente a obrigação.

• Lembrando que o rol do art. 921 do CPC não é taxativo.

• A execução também pode ficar suspensa:


✓ em razão de ação autônoma, anteriormente ajuizada, na qual se
postula a inexigibilidade do título executivo.
✓ em razão de ação rescisória da sentença, na qual tenha sido
deferida liminar.
• Determinada a suspensão do processo, não serão praticados atos
processuais, ressalvadas as providências urgentes, na forma do art.
923 do CPC.
EXTINÇÃO DAS EXECUÇÕES
• O art. 924 do CPC enumera, em rol meramente exemplificativo, algumas formas
de extinção da execução, estabelecendo que ocorrerá quando:

➢ A petição inicial for indeferida (art. 924, I)

Art. 330. A petição inicial será indeferida quando:


I - for inepta;
II - a parte for manifestamente ilegítima;
III - o autor carecer de interesse processual;
IV - não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321.
§ 1o Considera-se inepta a petição inicial quando:
I - lhe faltar pedido ou causa de pedir;
II - o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite
o pedido genérico;
III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão;
IV - contiver pedidos incompatíveis entre si.
EXTINÇÃO DAS EXECUÇÕES
➢ A obrigação for satisfeita (art. 924, II)

• É a forma natural de extinção, em que a execução alcança o resultado


almejado e a pretensão do credor é satisfeita.
• A lei não distingue entre a satisfação obtida por ato voluntário do devedor,
quando ele faz o pagamento; ou obtida coativamente, com a alienação de
bens e o pagamento da dívida;

➢O executado obtém, por qualquer outro meio, a extinção total da


dívida (art. 924, III)

• Existem várias formas de obter a extinção de uma obrigação. O


pagamento é apenas uma delas. Outras formas poderão ocorrer:
compensação, novação, confusão e transação, dentre outros;
EXTINÇÃO DAS EXECUÇÕES
➢O exequente renunciar ao crédito (art. 924, IV)
• Se ocorrer a renuncia, não há mais nada a executar, devendo o juiz
extinguir a execução;

➢ Ocorrer a prescrição intercorrente (art. 924, V)

• Essas hipóteses não esgotam os possíveis casos de extinção.


• É possível, por exemplo, que a execução seja extinta quando do
acolhimento de embargos, impugnação ou qualquer outro meio de defesa,
nos quais o devedor demonstre que ela não pode prosseguir; ou se
inexistir título executivo, ou for inexigível; ou ainda se faltar uma das
condições da ação executiva ou um dos pressupostos processuais da
execução.

• Também pode haver extinção em caso de desistência da execução pelo


credor.
A SENTENÇA DE EXTINÇÃO
• A extinção da execução será sempre declarada por sentença,
esteja ela fundada em título executivo judicial ou em título
executivo extrajudicial.

• A finalidade dessa sentença é simplesmente encerrar a execução


porque alguma das causas extintivas está presente.

• Portanto, ela tem função estritamente processual, de dar por


encerrada a execução.