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Capítulo 11

Prof. Dr. Benedito Gomes Bezerra

Funcionalismos em linguística

INTRODUÇÃO

Este capítulo apresenta a você as principais questões relacionadas com as tendências funcionalistas
em linguística, começando por um olhar contrastivo entre os formalismos que caracterizaram a
maior parte do século XX e os funcionalismos que se opuseram a estes a partir dos anos de 1970.
Em seguida, você compreenderá mais a fundo o que são as diversas teorias funcionalistas, divididas
em dois grandes ramos, quais sejam, o funcionalismo europeu e o funcionalismo norte-americano,
além de algumas informações sobre esse tipo de linguística no Brasil. O capítulo se encerra com
uma discussão em detalhe dos principais conceitos propostos por uma linguística funcional.

1. A polêmica formalismos x funcionalismos

Conforme Marcuschi (2008), o século XX testemunhou o triunfo dos formalismos de


variada espécie. Na linguística, disciplina cuja constituição nos tempos modernos tem como marco
fundador a publicação do Curso de linguística geral de Ferdinand de Saussure em 1916, os
formalismos estiveram representados pelo estruturalismo, iniciado a partir dos estudos do próprio
Saussure, e pelo gerativismo, teoria proposta por Noam Chomsky em fins da década de 1950.
Já as diversas teorias e tendências da linguística caracterizadas como funcionalismos
tomaram forma especialmente no decorrer da segunda metade do século XX e aos poucos
ofuscaram as tendências formalistas, assumindo uma posição central nos estudos da linguagem ao
fim da primeira década do século XXI. Uma vez que os formalismos representados pelo
estruturalismo e pelo gerativismo já foram estudados em Linguística I, não entraremos em detalhes
sobre eles. Assim, vamos nos concentrar, ao longo deste capítulo, em algumas tendências
funcionalistas, detendo-nos de forma especial no chamado funcionalismo norte-americano.
Mas em que consiste a oposição formalismo x funcionalismo? Tentaremos entender isso
com mais clareza. Primeiro, é preciso dizer que o mestre de Genebra, Saussure, não podia senão
refletir e em parte reproduzir um legado que já recebera dos estudiosos que o precederam, em
especial no século XIX. Nesse século, os estudos da linguagem assumiram uma forte conotação
historicista e comparativista, ou seja, os fenômenos linguísticos eram estudados em sua evolução
histórica e também numa perspectiva comparativa entre as diversas línguas conhecidas.

1 Este capítulo será utilizado apenas para fins didáticos, não sendo permitida sua reprodução e/ou divulgação
completa ou parcial.
De acordo com Marcuschi (2008), Saussure recebeu como legado da linguística histórico-
comparativa a concepção de que a língua pode e deve ser vista como uma instituição social cuja
forma é a de um sistema autônomo de significação, totalmente organizado como um sistema de
signos arbitrários que pode, em consequência, ser estudado em si e por si mesmo, sem
considerações a respeito do uso linguístico ou do contexto, por exemplo.
Esta era uma maneira de ver a língua inteiramente voltada para a sua forma, e não para a sua
função, como se tornou mais comum na linguística contemporânea. Embora Saussure definisse a
língua (langue) como uma instituição social e não individual, o termo “social” não tinha o sentido
que a linguística lhe atribui hoje, isto é, um sentido ligado ao uso da língua pelas pessoas na
sociedade. Nas palavras de Marcuschi, “o mestre genebrino concebia a língua como um fenômeno
social, mas analisava-a como um código e um sistema de signos” (2008, p. 27).
Assim, tanto o estruturalismo como o gerativismo, em suas formas clássicas, negaram
qualquer espaço para considerações sobre o uso concreto da linguagem ou, dizendo de outra
maneira, sobre a sua função. Diversos conceitos, formulados de maneira dicotômica (isto é, na
forma de pares opostos), caracterizaram a linguística formalista do século XX, na maioria dos casos
definindo o que deveria e o que não deveria ser objeto de estudo. O que ficava de fora
invariavelmente tinha a ver com o uso individual, real e concreto da língua e da linguagem. O que
era incluído dizia respeito a considerações sobre o sistema abstrato, desvinculado do uso e apegado
às formas.
Entre as diversas dicotomias, típicas da linguística do século XX e hoje decididamente em
crise, Marcuschi (2008) aponta as seguintes:

Língua (Langue) x fala (parole)


Sincronia x diacronia
Significante x significado
Sintagmático x paradigmático
Social x individual
Competência x desempenho
Sentido x referência
Conotação x denotação
Literal x figurado
Escrita x fala

A principal característica de um projeto formalista, na linguística do século XX, é a exclusão


dos aspectos relacionados ao uso e ao funcionamento do sistema linguístico. Em função disso,
determinou-se que não cabia à linguística preocupar-se com a fala, que por ser individual seria
consequentemente tão caótica que não poderia ser objeto de estudo científico.
Entretanto, a preocupação de linguistas como Saussure e Chomsky, entre outros, com um
estudo rigorosamente científico da linguagem e da língua não gerou como consequência o sucesso
desse estudo. Na opinião de Marcuschi, “ao que tudo indica, uma das tristes heranças do século XX
foi a insuficiência explicativa e o reducionismo decorrente do projeto formalista” (2008, p. 31).
Quer dizer, a preocupação exclusiva com os aspectos formais empobreceu a linguística, diminuiu
sua eficácia, e a impediu de apresentar explicações mais completas e adequadas dos fenômenos da
linguagem.
Nesse contexto, floresceram as tentativas de descrever a língua não apenas de um ponto de
vista formal, mas também do ponto de vista de seu funcionamento. O que importava, diziam os
funcionalistas, não era apenas o estudo do sistema como abstração, mas o estudo da língua em sua
relação com os usuários e com as situações concretas em que ela é usada. Vejamos a seguir a
proposta funcionalista em detalhe.

2. Os funcionalismos: panorama

Para uma visão de conjunto dos modelos funcionalistas em oposição aos formalistas, veja o
quadro:

Formalismos Funcionalismos
Estudo da linguagem como sistema autônomo Estudo da linguagem em relação com suas
funções sociais
A língua como fenômeno mental A língua como fenômeno social
Os universais linguísticos como derivados de Os universais linguísticos como derivados dos
herança genética usos da linguagem
A aquisição da linguagem como capacidade A aquisição da linguagem como
inata desenvolvimento de necessidades
comunicativas

As oposições enfocadas no quadro refletem já uma polêmica aberta entre as propostas


funcionalistas que iam se delineando no final do século XX e o paradigma gerativista, a quem se
pode atribuir com exclusividade todas as teses formalistas com exceção da primeira, que também
era uma marca central no estruturalismo. Quer dizer, a batalha principal dos funcionalistas
contemporâneos foi contra Chomsky e o gerativismo, e não contra o estruturalismo saussureano,
que a essa altura já tinha seu prestígio bastante diminuído.
Como se pode perceber no quadro, o funcionalismo se apresenta, em contraposição ao
estruturalismo e ao gerativismo, como um conjunto de perspectivas teóricas que se preocupam em
estudar a relação entre a estrutura gramatical das línguas e os diferentes contextos comunicativos
em que são usadas. Não se considera suficiente, portanto, estudar apenas o sistema linguístico como
tal. Para os funcionalistas, a linguagem tem como função central propiciar a interação social, mais
do que transmitir informações ou expressar o pensamento individual, embora essas funções não
sejam descartadas. O essencial é que num modelo funcionalista o estudo da linguagem concentra-se
no uso real da língua e não nas possibilidades abstratas do sistema.
Em síntese, poderíamos afirmar, conforme Cunha (2008), que os funcionalistas defendem
duas teses essenciais:
A língua desempenha funções que são externas ao sistema linguístico como tal.
As funções externas, controladas pelo uso, influenciam a organização interna do sistema
linguístico.
Consequentemente, é necessário admitir a existência de fenômenos linguísticos que não
podem ser explicados pelo simples apelo à análise gramatical. Imagine o seguinte diálogo:

A: Você é desonesto.
B: Desonesto é você.

Do ponto de vista de uma análise formal e tradicional, a diferença de A para B é que em A


temos uma frase na ordem direta (sujeito + verbo de ligação + predicativo do sujeito), enquanto em
B encontramos a “mesma” frase em ordem inversa (predicativo do sujeito + verbo de ligação +
sujeito). O sentido de ambas as frases seria idêntico e a inversão é apenas uma possibilidade do
sistema. Note que não há, nessa explicação, nenhuma referência ao contexto de uso dos enunciados.
Já numa explicação do ponto de vista funcionalista, o que causa a inversão em B é um fator
externo ao sistema linguístico. No hipotético contexto de uso, que agora é centralmente levado em
conta, o primeiro enunciado é um insulto de A dirigido a B, em que “você” é o tópico de que se fala
e “desonesto” é o comentário sobre o tópico. Na réplica de B dirigida a A, o tópico passa a ser
“desonesto” e o comentário, “você”. Portanto, o que causa a inversão no segundo enunciado é o ato
de replicar a um insulto, de modo que as necessidades dos falantes acabam interferindo e moldando
a organização da própria estrutura linguística.
Traçando uma síntese das tendências teóricas da linguística no século XX, Marcuschi (2008)
oferece um quadro composto de cinco diferentes modelos, que de forma simplificada mostra os
principais desenvolvimentos da disciplina desde seu surgimento até os dias de hoje.

Modelos Caracterização
1. Modelos formalistas Foco na estrutura e no sistema linguístico;
estudos da língua como código verbal
(estruturalismo, gerativismo)
2. Modelos pragmáticos Foco na relação entre a língua e seus usuários;
estudos da língua como forma de ação
(pragmática)
3. Modelos sociolinguísticos Foco na percepção e identificação da variação
social da linguagem; estudos da língua em sua
relação com a sociedade (sociolinguística)
4. Modelos cognitivistas Foco na linguagem como fenômeno cognitivo;
estudos da língua numa perspectiva dos
processos e modelos cognitivos (cognitivismo,
sociocognitivismo)
5. Modelos discursivos Foco no discurso, no texto e na enunciação;
estudos da língua numa perspectiva textual e
discursiva (análises do discurso, linguística de
texto, teorias enunciativas)

Observe que os modelos de 2 a 5 podem todos ser considerados funcionalistas num sentido
amplo, uma vez que todos eles se caracterizam por abandonar uma abordagem meramente formal
aos fenômenos da linguagem, embora com ênfases por vezes muito diferentes. Acrescente-se ainda
que as distinções entre um modelo e outro são pouco mais do que distinções didáticas, pois na vida
real os modelos tendem a se comunicar bastante e provavelmente pode-se dizer que nenhum
linguista pratica um determinado modelo sem nenhuma consideração pelos demais. A prática de
aproveitar contribuições teóricas e metodológicas de um e de outro modelo ao invés de se isolar
numa perspectiva única parece ser, ademais, uma marca que a cada dia vai caracterizando a
linguística brasileira por oposição a tendências internacionais.

Figura 1: Microlinguística e macrolinguística


Fonte: (WEEDWOOD, 2002, p. 11)

A figura acima, em que as subdisciplinas que constam no centro se caracterizam como o


“núcleo duro” da linguística por oposição às tendências circundantes, representa outra maneira de
caracterizar abordagens essencialmente formalistas em sua relação com os modelos funcionalistas.
Noutras palavras, também análise da conversação, pragmática, psicolinguística e outras
subdisciplinas da linguística podem ser consideradas funcionalistas em sentido amplo, enquanto
fonologia, morfologia e sintaxe, por exemplo, na maioria das vezes estão associadas a um estudo
linguístico mais formal do que funcional.
Conforme Pezatti (2004), as principais teses funcionalistas poderiam ser resumidas como se
segue:

Recusa das explicações formalistas para os fatos da linguagem.


A linguagem como instrumento de comunicação e interação social.
Objeto de estudos baseado no uso real (não-separação entre sistema e uso; estudo do sistema
subordinado ao uso).
Linguagem como ferramenta cuja forma se adapta às funções que exerce.
Processos diacrônicos têm motivação funcional.
A linguagem não é um fim em si mesmo, mas um requisito pragmático da interação verbal.
A pragmática abrange e determina a semântica e a sintaxe.

É possível classificar os modelos funcionalistas em dois grandes grupos por procedência


geográfica: o funcionalismo europeu e o funcionalismo norte-americano. Vamos a uma breve
caracterização de ambos.

3. O funcionalismo europeu

Cunha (2008, p. 159) lembra que, embora muitas vezes contrastado com o estruturalismo
clássico, é exatamente das fileiras deste que o funcionalismo emerge. Nesse sentido, as primeiras
análises funcionalistas, especialmente voltadas para os estudos da fonologia, provêm do Círculo
Linguístico de Praga, destacando o papel dos fonemas em distinguir e demarcar as palavras. Nessa
escola, fundada pelo tcheco Vilém Mathesius em 1926, os linguistas não concordavam com a
distinção rígida entre sincronia e diacronia conforme defendida por Saussure, assim como não
aceitavam a ideia de que a língua fosse um sistema homogêneo.
Os linguistas do Círculo de Praga foram responsáveis pelas seguintes contribuições para o
funcionalismo:

(1) O uso dos termos “função” e “funcional”.


(2) O estabelecimento dos fundamentos básicos do funcionalismo.
(3) A inclusão de parâmetros pragmáticos e discursivos em suas análises.

Entretanto, foi na área dos estudos fonológicos que a Escola de Praga obteve maior
destaque, em especial com dois de seus mais ilustres representantes, os russos Nikolaj Trubetzkoy e
Roman Jakobson. Responsável por desenvolver os fundamentos da fonologia em geral, Trubetzkoy
nos legou as seguintes contribuições:

A definição de uma teoria estruturalista do fonema.


A distinção funcional entre os conceitos de fonética e fonologia.
O conceito de fonema como feixe de traços distintivos simultâneos.
A teoria dos sistemas fonológicos desenvolvida em parceria com Jakobson.

Segundo a teoria da Escola de Praga, os fonemas, embora tidos como elementos mínimos do
sistema linguístico, caracterizam-se como feixes de traços distintivos perfeitamente funcionais no
interior do sistema. Dessa forma, se considerarmos o par mínimo /p/ - /b/, temos os seguintes traços,
respectivamente:
/p/ - oclusivo, bilabial, surdo
/b/ - oclusivo, bilabial, sonoro

Portanto, os fonemas /p/ e /b/ distinguem-se tão somente pelo traço de sonoridade. Dizemos
que o /b/ é + sonoro e o /p/ é – sonoro. Essa distinção (+ ou – sonoro) caracteriza ambos os fonemas
como um par mínimo e permite a diferenciação entre palavras como pata x bata, e pico x bico.
De acordo com Trubetzkoy, os fonemas possuem uma função tríplice: distintiva (vista
acima), demarcadora e expressiva. A função demarcadora é responsável por indicar os limites entre
uma e outra palavra na fala. Em português, o acento gráfico, ao indicar a tonicidade da sílaba na
palavra, configura-se como um importante traço suprassegmental do fonema, capaz de demarcar a
diferença entre “fábrica” (substantivo) e “fabrica” (verbo). A função expressiva refere-se à
possibilidade de um fonema ser usado para manifestar o estado emocional do falante, como no
alongamento da vogal em /liiindo/.

Embora os linguistas de Praga pensassem em situações de fala convencionais,


hoje será bastante produtivo considerar a exploração expressiva dos fonemas em
práticas de interação virtual (chats e outras ferramentas da Internet), em que o
alongamento de vogais é um fenômeno bem frequente.

Jakobson, por sua vez, foi o introdutor do conceito de marcação, primeiramente na


fonologia e depois na morfologia. O conceito de marcação comporta a oposição entre duas
categorias (marcada e não marcada) com base em um traço distintivo e funcional. Na fonologia, a
distinção entre /p/ e /b/, vista anteriormente, é um bom exemplo. Nesse par, o /b/ é marcado como
sonoro, enquanto o /p/ é não marcado quanto a esse traço. No par “meninos” x “menino”, a primeira
forma traz a marca “+ plural”, ausente na segunda. “Meninos”, pois, é uma forma marcada quanto à
categoria de número. A forma no singular, “menino”, é não marcada (– plural).
Os estudos do linguista fundador do Círculo Linguístico de Praga, Vilém Mathesius, deram
origem ao que posteriormente se chamaria de análise funcional da sentença ou perspectiva
funcional da sentença. No enfoque de Mathesius, um par de orações como o exposto abaixo, que
aparentemente se refere ao mesmo fato apenas ordenando os componentes das orações de forma
variada, no entanto não é equivalente do ponto de vista pragmático:

a) Eu já li esse livro.
b) Esse livro eu já li.

O que motivaria a colocação de “esse livro” no final da frase seria seu status informacional
como informação nova. Inversamente, em b), o segmento “esse livro” viria para o início do
enunciado por se tratar de informação dada ou velha.
Jan Firbas, no começo dos anos de 1960, denomina tema a parte da sentença que contém
informação dada e, portanto, apresenta menor dinamismo comunicativo. A parte da sentença que
contém informação nova e consequentemente possui um elevado grau de dinamismo chama-se
rema. Trata-se de uma maneira de descrever funcionalmente a ordenação da sentença de acordo
com o status da informação. Veja o diálogo:

A: O que Maria comprou?


B: Maria comprou [T] uma bolsa preta [R].

Em B, “Maria comprou” representa o tema (informação dada em A) e “uma bolsa preta” é o rema
(informação nova). A ideia é que os segmentos com menor dinamismo comunicativo sejam
expressos no início da sentença, enquanto as partes de maior dinamismo vêm no final.
A contribuição da Escola de Praga, portanto, foi extremamente relevante por enfatizar o
caráter multifuncional da linguagem num contexto em que, como lembra Cunha (2008, p. 161), se
enfocava “o estudo da linguagem enquanto expressão do pensamento”.
Outras contribuições para o funcionalismo na Europa vieram da Escola de Genebra, em que
Charles Bally desenvolveu estudos sobre a estilística e seu impacto sobre o sistema, enquanto Henri
Frei analisou desvios da gramática normativa do ponto de vista funcional.
No âmbito da Escola de Londres, Michael Halliday, na década de 1970, desenvolve uma
teoria funcional que abrange desde as unidades estruturais menores até os textos, além de defender
uma semiótica social em que a linguagem é tratada como sistema semiótico encarado no contexto
dos papéis sociais de cada indivíduo.
Na Holanda, Simon Dik defende, no final da década de 1970, uma sintaxe funcional em três
níveis (sintático, semântico e pragmático), conforme o exemplo:

João chegou cedo.

Em que “João” é sujeito (sintaxe), agente (semântica) e tema (pragmática). Portanto, para Dik, a
linguística deve tratar de regras (1) semânticas, sintáticas, morfológicas e fonológicas (estrutura)
bem como de regras (2) pragmáticas (interação verbal).
Por último, mas não menos importante, cabe aqui uma também rápida referência ao linguista
romeno Eugenio Coseriu, que teve uma longa e produtiva atividade na linguística da segunda
metade do século XX. Essa atividade desenvolveu-se em diversos países onde Coseriu trabalhou ou
os quais visitou, incluindo entre eles a Itália, o Uruguai e a Alemanha, além de passagens pela
Argentina, Brasil e outros países. As publicações de Coseriu abrangem os idiomas romeno, italiano,
espanhol, alemão, inglês e francês.
Para esse linguista tão importante e culto, o estudo de muitos fenômenos linguísticos,
particularmente o estudo dos textos como nível autônomo da linguagem, só poderia se dar como
uma abordagem funcional. Para Coseriu (2007), a “verdadeira” e “própria” linguística do texto
necessariamente deveria receber uma “fundamentação funcional”, pois a mera compreensão do
significado linguístico presente em um texto não garante a compreensão do sentido desse texto.
No exemplo dado por Coseriu, alguém pode entender perfeitamente o conto A metamorfose
de Franz Kafka do ponto de vista do que ele significa, digamos, ao pé da letra: um homem chamado
Gregor Samsa acorda e se vê, numa determinada manhã, transformado em um monstruoso inseto. O
eventual leitor pode compreender ainda os eventos narrados a partir desse fato. Mesmo assim,
poderá não alcançar o sentido do texto num sentido muito mais profundo.

Funcionalismo norte-americano

A diversidade de enfoques autodenominados funcionalistas fez surgir uma inusitada


comparação. Segundo Elisabeth Bates (citada por NEVES, 1997), o funcionalismo seria como o
protestantismo: diversos grupos separados que concordam em um só assunto – a rejeição ao papa
(no caso dos funcionalistas, entenda-se o “papa” como Noam Chomsky, o fundador do
gerativismo).
Nos Estados Unidos, o cenário linguístico foi dominado inicialmente pelo estruturalismo na
linha de Leonard Bloomfield na primeira metade do século XX, até que este veio a perder prestígio,
sendo ofuscado pelo gerativismo proposto pelo já citado Chomsky nos últimos anos da década de
1950.
O funcionalismo iria se impor gradativamente a partir do trabalho de alguns precursores que
chamaram a atenção para aspectos pragmáticos e funcionais em meio ao estruturalismo e
gerativismo prevalecentes. Nomes como Dwight Bolinger e Joseph Greenberg fizeram parte dessa
história.
Entretanto, é a partir de 1975 que estudos propriamente funcionalistas se tornam comuns na
linguística norte-americana. Passa-se a defender, em comum com os funcionalistas europeus, a
impossibilidade de uma descrição linguística que não leve em conta os aspectos comunicativos e a
vinculação entre discurso e gramática. A explicação dos fatos da língua deveriam se prender à
análise tanto do contexto linguístico como da situação extralinguística.
Uma tese comum no funcionalismo será a afirmação de que a gramática é modificada pelo
uso. Isso equivale a defender que a língua está sujeita a mudança e variação. Essa tese hoje não
causa mais nenhum espanto, mas não era nada comum no contexto do apogeu do gerativismo e da
influência continuada do estruturalismo.
Conforme Cunha (2008), o funcionalismo norte-americano tem como marco a publicação de
The origins of syntax in discourse [A origem da sintaxe no discurso], de autoria de Gillian Sankoff
e Penelope Brown, no ano de 1976. Na obra, as autoras demonstram que as mudanças sintáticas
podem efetivamente ser motivadas pelo discurso. Uma segunda publicação importante foi From
discourse to syntax [Do discurso para a sintaxe] (1979), em que Talmy Givón busca oferecer
explicações funcionais para os fatos gramaticais. Uma terceira obra relevante foi Transitivity in
grammar and discourse [Transitividade na gramática e discurso] (1980), em que os autores, Sandra
Thompson e Paul Hopper, argumentam sobre a existência de fatores discursivos que condicionam a
gramática no que diz respeito à transitividade.
Outro enfoque bastante produtivo resultou da aproximação entre linguística funcional e
linguística cognitiva, em particular a tendência representada por dissidentes do gerativismo como
Ronald Langacker, George Lakoff e outros que rejeitaram a tese chomskyana da autonomia da
sintaxe. Esses autores defendem, particularmente, a incorporação dos processos sociocognitivos nos
estudos linguísticos.
Em síntese, de acordo com Pezatti (2004), três grupos se destacam no funcionalismo norte
americano:

O grupo da Califórnia, que inclui Talmy Givón, Sandra Thompson, Wallace Chafe e Paul Hopper,
entre outros.
O grupo de Buffalo, Nova Iorque, organizado em torno de Van Valin sob o rótulo de Gramática de
Papel e Referência (Role and Reference Grammar).
O terceiro e último grupo, situado em Berkeley, também na Califórnia, representa uma tendência
funcional-cognitiva promovida por George Lakoff e Ronald Langacker, conforme visto acima.

Como você pode ver, diversidade é, de fato, uma boa palavra para descrever as diversas
formas de funcionalismo.

4. Funcionalismo no Brasil

Em nosso país, os estudos funcionalistas ganharam impulso a partir da década de 1980 com
a constituição de vários grupos de pesquisa e com o espaço criado por esses pesquisadores em
eventos científicos e programas de pós-graduação de várias universidades. Cunha (2008) destaca
como representante pioneiro do funcionalismo no Brasil o trabalho de Rodolfo Ilari, publicado em
1987 com o título Perspectiva funcional da frase portuguesa. Nesse trabalho, o autor explora os
conceitos de tema e rema aplicados à frase em português, seguindo, portanto, na linha do
funcionalismo europeu da Escola de Praga.
Entre os projetos e grupos de pesquisa constituídos segundo os princípios funcionalistas,
Cunha (2008) aponta:

O conhecido Projeto Norma Urbana Culta (NURC), que foi aplicado a cinco capitais
brasileiras, entre elas o Recife. Muitos estudos ainda são feitos hoje com base nos dados
reunidos por esse Projeto.
O Projeto de Estudo do Uso da Língua (Peul), ligado à Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ), de tendência sociolinguística, em que se destacou a presença do
linguista Anthony J. Naro. O grupo foi influenciado pelo funcionalismo norte-
americano e, em especial, pelos trabalhos de Talmy Givón.
O Grupo de Estudos Discurso & Gramática, composto por pesquisadores de várias
universidades do Rio de Janeiro e pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN), criado por Sebastião Votre e também baseado no funcionalismo norte-
americano, desenvolvendo estudos principalmente na temática da gramaticalização (ver
definição adiante). O livro Manual de linguística, organizado por Mário Eduardo
Martelotta, embora não se dedique exclusivamente ao funcionalismo, foi produzido por
autores ligados ao Grupo.

Funcionalismo norte-americano: principais conceitos


Considerando que o funcionalismo norte-americano apresenta categorias bastante influentes
no pensamento linguístico brasileiro, destacaremos os principais conceitos dessa corrente que, como
se verá, são conhecidos e aplicados por muitos pesquisadores que não se identificam a si mesmos
primeiramente como funcionalistas, mas como linguistas de texto ou sociolinguistas, por exemplo.

6.1. Informatividade

De acordo com Cunha (2008, p. 166), “o princípio da informatividade focaliza o


conhecimento que os interlocutores compartilham, ou supõem que compartilham, na interação
verbal”. Na linguística funcional, a aplicação do princípio da informatividade está relacionada com
o status informacional das palavras numa sentença, o qual interfere em sua posição no enunciado.
Do ponto de vista do status, a informação contida numa palavra (referente) pode ser classificada
como dada, nova, disponível ou inferível. Vejamos detalhadamente cada uma dessas situações:

(1) Informação dada – Também chamada de informação velha, acontece em duas situações
distintas. A informação pode ser considerada velha ou dada quando: a) já ocorreu no texto ou b)
está disponível no contexto de interação. Chamamos a informação que já ocorreu no texto de
referente textualmente dado. Por sua vez, a informação disponível na situação de fala chama-se
de referente situacionalmente dado. Veja os exemplos dados por Cunha (2008, p. 166):

a) aí o mecânico falou que... (ø) não sabia qual o homem que tinha apertado aquilo ((riso))
e: e:: agora eu queria que você me... me dissesse... alguma coisa que você sabe fazer... Ou que
você... goste de fazer... e como é que se faz isso...

No primeiro caso, o sujeito de “não sabia” é omitido (a omissão é representada pelo símbolo
ø) por já ser conhecido dos interlocutores. Trata-se do referente “o mecânico”, que é dado no
enunciado anterior. Trata-se de um referente textualmente dado.
No segundo caso, somente as pessoas que estão envolvidas na situação de fala expressa pelo
enunciado sabem quem está sendo representado pelo termo “você”. Sabemos que “você” é aquela
pessoa a quem nos dirigimos como interlocutor. Embora não saibamos de quem exatamente se trata
nesse caso, o referente é dado ou velho para os interlocutores. É um exemplo de referente
situacionalmente dado.

(2) Informação nova – é aquela que está sendo introduzida pela primeira vez no discurso. Veja o
exemplo, em que os referentes “um ônibus” e “um caminhão” representam informação nova
para o interlocutor:
c) aí quando chegou... ali na:: descida/ porque é... Barra... Tijuca... né? quando estava quase chegando
a... Tijuca... vinha... um ônibus na:: direção deles... e tinha um caminhão... parado aqui...

Informação disponível – refere-se a uma informação que já consta na mente do ouvinte por
ser geralmente um referente único no contexto. É o caso de termos como “o sol”, “a
lua”, “a terra”, “Pelé” ou nomes de cidade como “Petrópolis”:

d) ... mas... eu fui a Petrópolis com uma amiga... que nunca tinha subido a serra.

Informação inferível – neste caso, o referente identificável por um processo inferencial a


partir de certas informações disponibilizadas para o interlocutor. Cunha (2008) afirma
que informações inferíveis normalmente são introduzidas por artigo definido. No
exemplo a seguir, apesar de que não constitui informação dada, o referente “motorista”
pode ser inferido da referência a “ônibus”.

e) ... quando ela viu o ônibus passar... mas o ônibus já estava indo... e ela começou a gritar e todo o
ponto de ônibus assim lotado... né? ela começou a gritar pro motorista... mas ela estava um pouco
longe...

6.2. Iconicidade

Este é um princípio caro aos funcionalistas, uma vez que para eles a estrutura da língua
revela a estrutura da experiência, ou o funcionamento da mente. Deste modo, o princípio da
iconicidade expressa a tese de que há uma correlação natural e motivada entre a forma linguística e
sua função, ou entre o código linguístico e o significado, entre a expressão e o conteúdo. O
princípio não é sempre fácil de sustentar, pois em muitos casos a relação forma e função é arbitrária
ou perdeu sua motivação original. Vejamos alguns exemplos em que a relação de motivação
(iconicidade) se perdeu:

(1) Perda da iconicidade por modificação na estrutura fonética e morfológica:

Em boa hora > embora

A expressão “em boa hora”, além de sofrer alteração fonética e morfológica na sua mudança para
“embora”, ainda passa por alterações semânticas, perdendo a relação com “hora”, isto é, tempo.
Assim, para se recuperar o aspecto icônico em “embora”, será necessário retomar a história da
palavra, ou seja, será necessário entrar em considerações diacrônicas.
Alteração semântica como resultado de processos metafóricos: o termo “entretanto” passa,
no processo histórico, de um sentido temporal para um sentido adversativo, de modo
que sua iconicidade se anula ou fica enfraquecida.

Percebe-se, portanto, que a noção de iconicidade se torna problemática em várias situações,


até porque há situações em que uma só forma corresponde a várias funções bem como diversas
formas podem corresponder a uma única função. Confira o quadro:

Uma forma Diversas funções


 Concessiva: “Embora tenha estudado, não passou.”
Embora  Partícula de afastamento: “Vou-me embora pra
Pasárgada...”
Diversas formas Uma função
Embora
Mesmo que Concessiva
Ainda que
Apesar de

Em função dessas dificuldades, a iconicidade recebeu uma versão moderada que se


manifesta em três princípios:

Princípio da quantidade – pelo qual “quanto maior a quantidade de informação, maior a


quantidade de forma” (CUNHA, 2008, p. 168). De acordo com esse princípio, a
quantidade de estrutura linguística corresponde à complexidade do pensamento que se
expressa. Confira o exemplo apresentado por Cunha (2008) em que o progressivo
aumento no tamanho das palavras corresponderia a uma ampliação do nível de
complexidade dos respectivos conceitos:

Belo > beleza > embelezar > embelezamento

Princípio da integração – o qual estabelece que “os conteúdos que estão mais próximos
cognitivamente também estarão mais integrados no nível da codificação” (CUNHA,
2008, p. 168). Dito de outra forma, significaria que a proximidade mental se reflete
numa proximidade sintática, confirmando a tese funcionalista de que a estrutura
linguística reflete os usos sociais bem como os processos cognitivos. Segundo o
princípio da integração, nas frases a seguir haveria um progressivo distanciamento entre
as ações expressas pelos verbos “ordenar” e “ficar”, “fazer” e “ficar” e “querer” e
“ficar”, respectivamente, que se reflete na ampliação da distância sintática entre a
primeira e a última frase:

a) Maria ordenou: fique aqui.


b) Maria fez a filha ficar ali.
c) A filha não queria ficar ali.

Princípio da ordenação sequencial – segundo o qual, em primeiro lugar, tende a haver uma
ordenação linear das orações no discurso representando a sequência temporal em que os
eventos ocorrem:

Sabe como é feito um bom strogonoff... compra o camarão:: limpa o camarão... põe o camarão... boto
cebola... pimentão... tomate... cozinho ele... deixo ele cozinhar um pouquinho assim...

Ligado a esse princípio, existe ainda um subprincípio da relação entre ordem sequencial e
topicalidade. Por esse subprincípio, há uma correlação entre o status informacional e a posição que
o referente assume na frase: informações novas tendem a ocorrer no final da sentença, enquanto as
informações velhas vêm no início:

Tenho vários amigos, mas meu preferido é Carlos. Carlos está sempre comigo nas horas de diversão.

6.3. Marcação

O conceito de marcação se refere à oposição estabelecida entre dois elementos de uma


categoria linguística, nos planos fonológico, morfológico ou sintático, em que um dos elementos
será considerado marcado e o outro, não marcado. A forma marcada se caracteriza por apresentar
um traço ausente na forma oposta, tida como não marcada. Um exemplo de forma marcada e não
marcada, na morfologia, pode ser dado pela categoria de número, em que o elemento no plural será
marcado e o elemento no singular, não marcado:

Livros [+ plural]
Livro [– plural]

Cunha (2008, p. 170) salienta que as formas não marcadas apresentam várias características:

Maior frequência de ocorrência.


Contexto de ocorrência mais amplo.
Forma mais simples ou menor.
Aquisição mais precoce pelas crianças.
Assim, no nível sintático, a marcação resulta numa frase mais rara e, por isso mesmo, mais
expressiva, menos neutra. A forma marcada pode expressar as emoções do falante de um modo
muito mais claro do que a forma não marcada. Compare os exemplos:

Eu uso esta roupa.


Esta roupa eu uso.

Você entendeu qual é a forma marcada (ou seja, qual é a forma menos comum, menos frequente
etc.)? Se você pensou na opção b), está completamente certo. Agora observe como a opção b) é
muito mais expressiva do que a opção a), em que a ordem direta é respeitada.

6.4. Transitividade e plano discursivo

Ao contrário da gramática tradicional, a gramática funcionalista não opõe binariamente


verbos transitivos a intransitivos. Para Hopper e Thompson (citados por CUNHA, 2008, p. 171), a
transitividade é uma “propriedade escalar que focaliza diferentes ângulos da transferência da ação
de um agente para um paciente em diferentes porções da oração”. Nesse sentido há uma escala
crescente de transitividade nas frases de a) a d), considerando fatores como a dinamicidade do
verbo, a agentividade do sujeito e o efeito sobre o objeto:

a) Esse rio tem uma forte correnteza.


b) A Mulher Gato não gostava do Batman.
c) Então o Pinguim chegou na festa.
d) Batman derrubou o Pinguim com um soco.

Segundo o pensamento funcionalista, a transitividade tem uma função pragmática, sendo


construída de acordo com os objetivos do falante e sua percepção sobre o interlocutor. Dessa forma,
uma transitividade elevada corresponderia, no texto, à importância do segmento no conjunto do
plano discursivo. Expressões menos centrais no pensamento do produtor do texto poderão ter um
grau menor de transitividade.

6.5. Gramaticalização

Conforme Cunha (2008, p. 173), a gramaticalização designa “um processo unidirecional,


segundo o qual itens lexicais e construções sintáticas, em determinados contextos, passam a assumir
funções gramaticais e, uma vez gramaticalizados, continuam a desenvolver novas funções
gramaticais”. É o que acontece nos exemplos abaixo, em que os elementos destacados sofrem um
desgaste semântico e assumem funções meramente gramaticais. Veja o exemplo, em que o verbo
“querer” passa a ser utilizado como uma simples conjunção alternativa:

Quer chova, quer faça sol...


RESUMO

Neste capítulo, vimos um panorama das teorias funcionalistas que vêm sendo desenvolvidas no
âmbito da Linguística. Para introduzir o capítulo, abordamos a oposição entre formalismos e
funcionalismos como uma possibilidade de síntese do pensamento linguístico que vigorou no século
XX. Em seguida, apresentamos o funcionalismo em geral, para depois nos determos
especificamente nas correntes europeias da teoria bem como no chamado funcionalismo norte-
americano. Depois de algumas informações sobre o impacto do funcionalismo no pensamento
linguístico brasileiro, estudamos os principais conceitos teóricos apresentados pelas correntes
funcionalistas.

Saiba mais
Se você desejar aprofundar o conteúdo deste capítulo, pode encontrar muitos subsídios
disponíveis na Internet. Veja aqui algumas sugestões de leitura:
 Para uma boa síntese da abordagem de Pezatti (2004) a respeito do funcionalismo em
linguística, veja a página Web http://teoriadalinguagem.wikispaces.com/Aula+30-04-2009, em
que você encontrará a apresentação PowerPoint preparada pela mestranda Amanda D’Alarme
Gimenez sobre o texto da autora. Se, depois, você desejar ler o texto integral de Pezatti, veja a
referência ao final deste capítulo.
 Para uma perspectiva integradora entre linguística formal e linguística funcional, leia o artigo
“Formalismo e funcionalismo: fatias da mesma torta” (OLIVEIRA, 2003), disponível em
http://www.uefs.br/sitientibus/pdf/29/formalismo_e_funcionalismo_fatias_da_mesma_torta.pdf.
 Para saber sobre a contribuição do funcionalismo para o ensino de língua portuguesa, confira o
artigo escrito por Mariangela Rios de Oliveira e Maria Marta Cezario, intitulado “PCN à luz do
funcionalismo linguístico” (OLIVEIRA e CESARIO, 2007), disponível no endereço
http://rle.ucpel.tche.br/php/edicoes/v10n1/03Maria.pdf.

Atividades

Escolha um livro didático de língua portuguesa do ensino fundamental ou médio, de sua


preferência, e responda:

1. Examinando o livro didático, ainda que superficialmente, você diria que a abordagem contida
nele é predominantemente formalista ou funcionalista? Justifique sua resposta.
2. Entre os temas funcionalistas destacados neste capítulo, quais deles estão contemplados nas
leituras e atividades propostas pelo livro didático? De que forma?

REFERÊNCIAS

CUNHA, Angélica Furtado da. Funcionalismo. In: MARTELOTTA, Mário Eduardo (Org.).
Manual de linguística. São Paulo: Contexto, 2008. p. 157-176.
MARCUSCHI, Luiz A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo:
Parábola, 2008.
NEVES, Maria Helena de Moura. A gramática funcional. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
OLIVEIRA, Luciano Amaral. Formalismo e funcionalismo: fatias da mesma torta. Sitientibus,
Feira de Santana, n. 29, p. 95-104, jul./dez. 2003. Disponível em:
<http://www.uefs.br/sitientibus/pdf/29/formalismo_e_funcionalismo_fatias_da_mesma_torta.pd
f> Acesso em: 29 abr. 2010.
OLIVEIRA, Mariangela Rios de; CEZARIO, Maria Marta. PCN à luz do funcionalismo
linguístico. Linguagem & Ensino, v. 10, n. 1, p. 87-108, jan./jun. 2007. Disponível em:
<http://rle.ucpel.tche.br/php/edicoes/v10n1/03Maria.pdf.> Acesso em: 29 abr. 2010.
PEZATTI, Erotilde Goreti. O funcionalismo em linguística. In: MUSSALIM, Fernanda;
BENTES, Anna Christina (Org.). Introdução à linguística: fundamentos epistemológicos (v.
3). São Paulo: Cortez, 2004. p. 165-218.
WEEDWOOD, Barbara. História concisa da linguística. São Paulo: Parábola, 2002.