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BUNDLE DE PREVENÇÃO DE INFECÇÃO

DE TRATO URINÁRIO (ITU)

Introdução:

A Infecção de Trato Urinário (ITU) associada ao uso de sonda vesical de demora é umas das
infecções mais adquiridas em ambientes hospitalares e o risco de desenvolver esta infecção varia de
3-7%. 1
O uso de SV por mais de 6 dias é um fator de risco que pode ser modificado lembrando que
depois de 72 horas bactérias estão presentes na urina de pacientes sondados em concentrações maiores
que 103 UFC. Após 30 dias de uso de SVD com sistema fechado 100% dos pacientes apresenta
bacteriúria. 2
Uma bactéria que entra no sistema coletor chega à bexiga em 32 a 48 horas pela via
intraluminal (quebra no sistema fechado ou contaminação da bolsa coletora) e 72 a 168 horas pela
via extraluminal (precocemente pela inserção da sonda e tardiamente pela ascensão da bactéria pela
parede da sonda – biofilme).
Por esta razão, ITU são responsáveis pela substancial mortalidade, morbidade, duração
prolongada de permanência no hospital, e custos adicionais. Evidencias sugerem que a prevenção da
ITU é crucial para uma assistência de segurança ao paciente em todas as faixas etárias.2
O Institute for Healthcare Improvement (IHI) desenvolveu bundles de cuidados para melhorar
o atendimento ao paciente. Bundle é um conjunto de práticas baseadas em evidências que comprovam
a melhoraria os resultados em pacientes, desde que sejam concluídos coletivamente e de forma
confiável.
Evidências crescentes sugerem que a adição do bundle de inserção e manutenção de sonda
vesical de demora para a prevenção de infecção de trato urinário pode ser ainda mais efetivo em
crianças e recém-nascidos.2

Objetivo:
Padronizar os cuidados relacionados à prevenção de ITU para pacientes internados no HCM
na inserção de ou em uso de sonda vesical de demora por meio de implantação de “Bundle de
Prevenção de Infecção de Trato Urinário” em duas partes (Parte I: Bundle de Inserção de Sonda
Vesical de Demora e Parte II: Bundle de Manutenção de Sonda Vesical de Demora) visando assegurar

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a melhoria da qualidade da assistência e segurança do paciente.

Implantação:
Multiplicadores membros equipe da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, Educação
Permanente, e líderes/supervisores dos setores do HCM abordarão o conteúdo e sua importância em
treinamentos para as equipes assistenciais multidisciplinares do HCM.
A divulgação será realizada por meio de panfletos disponibilizados nos setores e protocolo
divulgado em rede hospitalar.

Conclusão:
A implantação do Bundle de Prevenção de ITU espera atingir os profissionais envolvidos nos
cuidados oferecidos visando padronizar e melhorar a qualidade da assistência aos pacientes e seus
resultados.

Referências bibliográficas

1. The Society for Healthcare Epidemiology of America (SHEA) Healthcare Associated


Infections: A Compendium of Prevention recommendations. 2008.
2. Center for Disease Control (CDC). Guidelines for the Prevention of Intravascular Catheter-
Related Infections. 2011.
3. International Quality Improvement Collaborative (IQIC) webinar: Preventing Urinary Tract
Infections. 2016.

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BUNDLE DE PREVENÇÃO DE ITU
PARTE I: BUNDLE DE INSERÇÃO DE SONDA VESICAL DE DEMORA

1. Higienizar as mãos;
2. Inserção com técnica asséptica;
3. Evitar sondagem desnecessária;
4. Orientação adequada aos profissionais e pacientes/responsáveis.

Justificativas e recomendações:
1. Higiene de mãos:
Profissionais responsáveis pela sondagem e auxilio durante o procedimento deverão
higienizar as mãos com sabão antisséptico (clorexedina degermante) e água.

2. Inserção com técnica asséptica:


Após a higiene de mãos, o profissional responsável pela sondagem deverá se paramentar com
luvas estéreis, campo estéril, e todos os itens estéreis necessários para a sondagem do paciente
(conforme POP institucional).
Realizar a higiene do local com água e sabão e após com clorexedine aquosa 1%.
Lubrificar a sonda com gel estéril imediatamente antes da inserção.
O profissional deverá interromper/recomeçar o procedimento se for observada quebras
na técnica asséptica.

3. Evitar sondagem desnecessária:


Considerar alternativas para o uso de sonda vesical de demora, como a preferência pelo
URIPEN assim como a sondagem vesical de alívio.
Documentar a indicação para a sondagem vesical de demora.
A sondagem vesical de demora deverá ser realizada quando for necessário:
a) Balanço hídrico rigoroso;
b) Uso de bloqueio neuromuscular;
c) Devido à retenção urinária aguda ou obstrução de bexiga;

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d) Uso de anestesia peridural;
e) Uso peri-operatório ou para procedimentos geniturinários;
f) Devido à incontinência com lesões em sacral abertas ou lesões perineais;
g) Imobilização prolongada.

4. Orientação adequada dos profissionais e pacientes/responsáveis:


Todos os profissionais, pacientes e/ou responsáveis pela sondagem vesical de demora deverão
ser orientados adequadamente quanto aos itens do Bundle, assim como a sua importância na
prevenção de infecções de trato urinário.

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BUNDLE DE PREVENÇÃO DE ITU
PARTE II: BUNDLE DE MANUTENÇÃO DE SONDA VESICAL DE DEMORA

1. Manter sistema de drenagem estéril fechado;


2. Manter higiene da sonda;
3. Manter bolsa coletora abaixo do nível da bexiga;
4. Manter fluxo de urina desobstruído;
5. Fixação correta da sonda vesical de demora;
6. Discutir a necessidade diariamente e remover assim que possível.

Justificativas e recomendações:

1. Manter sistema de drenagem estéril fechado;


Em caso de quebra em técnica asséptica, desconexão, ou vazamento, realizar nova sondagem
vesical utilizando técnica asséptica e equipamentos e materiais estéreis.

2. Manter higiene da sonda;


a) Realizar higiene de mãos imediatamente antes e depois de qualquer manipulação da sonda
vesical, bolsa coletora ou sítio de inserção.
b) Utilizar precaução padrão para qualquer manipulação com a sonda vesical, bolsa coletora
ou sítio de inserção.
c) Realizar limpeza do períneo pelo menos uma vez ao dia usando sabão neutro e água. Não
utilizar antissépticos em períneo ou em sonda vesical, bolsa coletora ou sítio de inserção.
d) Desprezar diurese de bolsa coletora uma vez por plantão, ou pelo menos duas vezes em
24 horas.

3. Manter bolsa coletora abaixo do nível da bexiga;


Não levantar a bolsa coletora acima do nível da bexiga, evitando assim o retorno de bactérias
em biofilme para o trato urinário.
Não deixar a bolsa coletora tocar no chão.

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4. Manter fluxo de urina desobstruído;
Manter sonda vesical de demora e bolsa coletora desobstruídas.

5. Fixação correta da sonda vesical de demora;


Manter a fixação adequada da sonda vesical de demora para prevenir movimentação e tração
na uretra.

6. Discutir a necessidade diariamente e remover assim que possível.


Rever a necessidade e documentar indicação da necessidade diariamente em evolução. Se o
paciente não apresentar indicação, remover imediatamente a sonda vesical de demora.

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ALGORITIMO DE SONDAGEM VESICAL DE DEMORA

Paciente admitido com SVD

Sim Não

- Coletar U1 e Paciente tem critérios de necessidade de SVD?


URC na
admissão e 48 1. Paciente hemodinamicamente instável com necessidade de
horas pós controle de débito urinário rigoroso;
admissão. 2. Pacientes complexos com necessidade de balanço hídrico
- Retirar SVD rigoroso (por exemplo: diabetes insípidos, cetoacidose
de outro diabética)
serviço. 3. Paciente quimicamente paralisado ou sedado profundamente e
incapaz de urinar espontaneamente;
4. Protocolo peridural;
5. Paciente com ferimento/lesões em área sacral ou genital;
6. Paciente com obstrução de bexiga;
7. Cuidados paliativos para conforto;

OBS: Presença de cateter femoral ou falência renal não são


indicações para SVD. Realizar ultrassonografia de bexiga
(beira-leito) e sondagem de alívio para falência renal.

Sim Não

Seguir o Bundle
de Prevenção de Micção espontânea
Infecção do Trato observando critérios de
Urinário necessidade de SVD

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APROVAÇÕES

______________________________ _________________________________
Isabela de Souza Colombo Bruna Cury Borim
Enfermeira CCIH HCM Enfermeira Educação Permanente HCM

________________________________ _________________________________
Dra. Márcia Wakai Catelan Alari Furlan de Jesus
Médica CCIH HCM Coordenadora de Enfermagem HCM

________________________________ ________________________________
Dr. Paulo Poiatti Dr. Antônio Carlos Gusson
Diretor Clinico HCM Diretor Administrativo HCM

________________________________
Dra. Eloisa Aparecida Galão
Vice-Diretora Administrativa HCM

São José do Rio Preto, SP


2016

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