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XXII Encontro de Iniciação à Pesquisa

Universidade de Fortaleza
17 à 21 de Outubro de 2016
INTRODUÇÃO DE UM MODELO DE SINDICALISMO DIGITAL
Everton Lima de Oliveira 1* (IC), Thales Amaro de Lima 2 (IC), Saulo Nunes de Carvalho Almeida 3 (PQ)
1. Unicatólica de Quixadá – Curso Direito.
2. Unicatólica de Quixadá – Curso Direito.
3. Unicatólica de Quixadá – Curso Direito.
evertonlima-18@hotmail.com
saulonunes@hotmail.com
nort.thales@hotmail.com

Palavras-chave: Sindicalismo. Modelo. Introdução. Digital. Novo.

Resumo
O debate sobre a democratização das organizações sindicais sempre esteve limitado por estar focado
apenas na tão sonhada reforma sindical. Pretende-se oferecer uma visão alternativa à democratização dos
sindicatos, pautada em um encontro de fenômenos ainda não estudados em conjunto no âmbito do direito
do trabalho, qual seja, uma associação entre movimentos sindicais e os avanços no campo da tecnologia
da informação e comunicação (TIC), alcançando aquilo que se chamará de Sindicalismo Digital. É evidente
que a rede mundial de computadores detém a capacidade de ofertar soluções para muitos dos desafios
contemporâneos enfrentados pelo modelo sindical brasileiro, permitindo não apenas uma maior
transparência de sua gestão, mas, também, um novo grau de cooperação, possibilitando uma maior
participação dos trabalhadores nos processos decisórios.

Introdução
A humanidade vive um momento decisivo na história, marcado pelo transbordamento da
virtualização, onde as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) não mais se restringem a campos
específicos, a integração da ciência e tecnologia invadem as mais distintas esferas da vida, influenciando o
modo como decisões são tomadas, escolhas selecionadas e, acima de tudo, como se vive em sociedade.

É fato que não só a internet, mas a tecnologia em geral, modificou para sempre a forma como se
vive, seja na maneira como nos comunicamos, trabalhamos, pagamos contas ou nos locomovemos. Diante
de tais mudanças, os governos também não poderiam ficar na inércia conversadora, e procuraram produzir
mecanismos para se adaptar aos impactos trazidos por essas mudanças, eis que surge o que chamados de
Governo Eletrônico ou simplesmente E-GOV.

Esse conceito, no entanto, é bem mais amplo, abrangendo não só a forma como o Estado faz uso
das tecnologias da informação para se fazer mais presente na sociedade, isso inclui outros serviços como
postos de atendimento e uso de mecanismos para disseminar mais informações e conhecimento, a medida
que a qualidade desses serviços crescem, o nível de exigência da sociedade também aumenta.

O conceito que se tem de governo eletrônico surgiu durante a década de 90, o cenário global
passava por uma rápida mudança, a sociedade estava cada vez mais adepta das tecnologias da
informação e o mundo experimentava um forte avanço da internet, cientes das mudanças que vinham,
vários governos resolveram então aproveitar essas alterações para melhorar sua comunicação, aumentar
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sua presença na sociedade e consequentemente a democracia por meio de mecanismos que abrangem as
TIC’s, surge aí o Governo Eletrônico.

As iniciativas do governo eletrônico além de procurar expandir o alcance do Estado para as


diversas esferas da sociedade e assim promover serviços de interesse público por meio da criação de um
canal de comunicação entre governo e cidadãos, também busca promover iniciativas para a modernização
da organização estatal através da informatização dos serviços públicos.

No Brasil, por exemplo, o site Rede Governo foi um dos pioneiros do Governo Federal na ideia de
implementação de governo eletrônico, o site era responsável pela circulação de serviços indispensáveis
para a população como emissão de documentos, matrícula escolar, entrega de declarações de imposto de
renda e informações relevantes do governo à sociedade em geral.

Em exemplos para fortalecer a democracia e transparência, o portal contava com uma sessão em
que o usuário podiam mandar sugestões, críticas ou fazer comentários acerca dos serviços disponibilizados
pela site. Outro exemplo que pode ser citado são os informativos do Governo Federal acerca de assuntos
de interesse público e centrais de conteúdo com imagens, vídeos, áudios e aplicativos.

Mais um exemplo que pode ser citado, é que a política de governo eletrônico não fica restrita
apenas ao poder executivo, tanto o legislativo como o judiciário também estão inseridos nessa política de
maior participação e transparência dos cidadãos, que se torna ainda mais importante na esfera do judiciário
já que nesse poder, os participantes não são eleitos pelo povo.

Na esfera do legislativo, pode-se citar como exemplos que servem para ampliar a democracia e
transparência, o próprio site desse poder em que é possível acompanhar as sessões legislativas, votações
de projetos, além disso, o usuário pode acompanhar na íntegra e opinar sobre futuros projetos serão
votados pelos parlamentares, podendo deixar sugestões e críticas.

Já no âmbito do judiciário, também é possível acompanhar as sessões plenárias e julgamentos, o


julgamento do réus do mensalão por exemplo pode ser acompanhada ao vivo tanto pela TV justiça como
via internet. Também é possível que usuário possa acessar jurisprudrências dos principais tribunais do
país– STF e STJ – , além de poder acompanhar o andamento de processos.

Esse fênomeno não fica centrado apenas na administração pública federal, os estados-membros
estão cada vez mais a aderir as iniciativas do E-Gov, se no ambito jurídico as constituições do estados-
membros precisam ter a constituição federal como parâmetro, no uso das TICs o processo é similar, um
bom exemplo são os sites de tribunais de contas estaduais que assim como o governo federal, possui o
chamado Portal da Transparência, onde é possível que os cidadãos acompanhem detalhadamente como o
dinheiro arrecadado pelos estados está sendo gasto, além de poder conferir os salários dos servidores
públicos tanto da união, estados ou municípios.

Frente a esse fenômeno em constante expansão, impossível não se perguntar: Até que ponto a
internet poderia influenciar o grau de democracia interna das entidades sindicais, propiciando ações sociais
capazes de produzir repercussões concretas para os trabalhadores de determinada categoria? Essa
corresponde à grande questão que se procurará desenvolver. Reconhece-se que as entidades sindicais
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sempre foram, e continuam a ser, objeto de inúmeras pesquisas e estudos inseridos nas mais distintas
ciências, passando pelo campo jurídico, econômico, social, entre outros.

O atual cenário sindical brasileiro passa por uma grave crise. Não é preciso fazer uma análise
minuciosa para constatar isso. A constituição de 1988 apesar de ser considerada a mais democrática das
constituições ganhando a alcunha de “Constituição cidadã”, optou por preservar o modelo de estado
intervencionista na estrutura sindical. Esse controle estatal, aliado a presença de ideologias anti-capitalistas
na organização sindical, fazem com que os sindicatos ainda adotem formas de organização oriundas de 70
anos atrás.

Durante grande parte da história os sindicatos passaram por crises, mas nenhuma delas como a
atual. O modelo de organização sindical vigente parou no tempo, ainda adotando parâmetros que se
tornaram defasados e ineficientes com o passar dos anos. Influenciado principalmente por correntes
marxistas e anarquistas, os sindicatos recusam-se a se reformular e adaptar às mudanças do século XXI
por acharem que esses meios foram os mesmos que fizeram com que as grandes cooporações pudessem
crescer junto com o avanço da globalização.

Porém, apesar desses constantes debates, nosso sistema sindical continua, basicamente, o
mesmo que sempre foi. Propõe-se aqui uma nova forma de estudo dessas entidades, um estudo específico
sobre as organizações sindicais ainda sem registro em no país, em que o seu desenvolvimento repousaria
sobre os valores já existentes da autonomia sindical. Trata-se de uma análise sobre a interação desses
órgãos coletivos com o ciberespaço, tendo como fio condutor nossa crença de que o ambiente virtual se
manifesta como um cenário propício para o resgate dos seus valores estruturantes, como participação,
criatividade e, acima de tudo, democracia.

Metodologia

A metodologia a ser utilizada na pesquisa será realizada mediante um estudo descritivo-analítico,


desenvolvido através de pesquisa: I. Quanto ao tipo: Documental, através de projetos, leis, normas,
resoluções, pesquisas on-line, dentre outros que tratam sobre o tema, sempre procurando fazer uso do
material que ainda não sofre tratamento analítico. II. Quanto à utilização e abordagem dos resultados:
Pura, à medida que terá como único fim a ampliação dos conhecimentos. Qualitativa, buscando apreciar a
realidade do tema no ordenamento jurídico pátrio. III. Quanto aos objetivos: Descritiva, posto que buscará
descrever, explicar, classificar, esclarecer o problema apresentado. Exploratória, objetivando aprimorar as
idéias através de informações sobre o tema em foco.

Resultados e Discussão
Aplicando-se as premissas que estruturam os campos de pesquisa da Cyberdemocracia, bem como
do Governo Eletrônico, percebe-se que o atual movimento virtual tem gerado a consolidação de um
ambiente on-line que pode ser utilizado por distintos organismos coletivos como um canal próprio de
comunicação.

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Acredita-se que a rede mundial de computadores detém a capacidade de ofertar soluções para
muitos dos desafios contemporâneos que vêm sendo enfrentados pelo modelo sindical brasileiro,
permitindo, não apenas, uma maior transparência de sua gestão, mas, também, um novo grau de
cooperação, possibilitando uma maior participação dos trabalhadores nos processos decisórios,
remodelando as estruturas sindicais arcaicas através dos meios eletrônicos, alterando a realidade sindical
brasileira sem a necessidade de forças políticas ou prévio aval do Estado.

A caminhada proposta rumo ao Sindicalismo Digital aparenta possuir elevado potencial


democrático, capaz de produzir efeitos que ultrapassariam os limites do virtual e adentram no território real.
Todavia, o desenvolvimento dessa proposta teórica necessita de seu avanço concreto, ou seja, a
implementação de suas ideais por entidades sindicais, o que somente poderá ser alcançado mediante uma
ampla difusão da teoria defendida, motivo o qual argumentamos ser imperativo a publicação de um
“manual” a ser distribuindo, gratuitamente, para entidades sindicais.

Em síntese conclusiva, almeja-se também: I) Estabelecer uma ligação entre a crise sindical atual e
a necessária mudança de paradigmas das relações coletivas de trabalho, confeccionando os aspectos
estruturantes de um sindicalismo digital. II) Evidenciar que a utilização dos recursos da internet pode
corresponder a uma ferramenta moderna e condizente com a necessidade de enfrentamento da falta de
prestígio experimentado por tais entidades. III) Difundir a reflexão acerca da desconstrução de velhos
paradigmas e a proposição de novos, partindo da premissa básica da propagação do modelo de
Sindicalismo Digital.

Conclusão
Da mesma forma que a tecnologia e a internet revoluicionaram para sempre a maneira como a
humanidade vive, é possível que isso também possa ser aplicado ao modelo sindical, é necessário no
entanto uma mudança de mentalidade de quem dirige sincatos e confederações sindicais, uma postura
mais aberta e menos conservadora e principalmente uma mentalidade não utilitarista com resultados
imediatos.

As tecnologias da informação podem ajudar a melhorar a democracia sindical, por meio das redes
sociais por exemplo, os sindicatos podem atrair novos membros – principalmente os jovens – para assim,
não só fortalecer a organização sindical, como também fazer uma renovação em sua estrutura por meio da
absorção e disseminação de novas ideias. As redes sociais se fazem úteis também para aumentar a
transparência do órgão principalmente na parte que concerne à divulgação de gastos.

Deve-se fazer ressalvas da maneira como está se tratando o assunto tecnologias da informação e
redes sociais diante da situação que exige-se uma mudança tanto de postura como de mentalidade por
parte das organizações sindicais, fica evidente que elas não são “A solução” para todos os problemas que
os sindicatos enfrentam, contudo, como já foi citado anteriormente, é preciso uma mundança de
mentalidade para considerar a tecnologia como uma alternativa viável para que os sindicatos não tornem-
se orgãos meramente ilustrativos da esfera estatal – algo que já está acontecendo hoje em dia.

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Por tudo isso, da mesma maneira que as TIC’s foram úteis para ajudar na criação do Governo
Eletrônico e consequentemente em uma democracia mais transparente e sólida, elas também podem ser
muito bem aproveitadas para mudar e melhorar a organização dos sindicatos, aumentando a participação
dos membros, descentralizando assim o poder sindical dos dirigentes, melhorando a comunicação entre
seus membros e sociedade, além de consolidar um novo modelo sindical mais transparente, participativo e
democrático, criando assim o que chamaremos de “Sindicalismo Digital”.

Referências
ALMEIDA, S. N. C. Redes Sociais como uma nova ferramenta de organização e democratização
sindical. Revista de Direito do Trabalho (São Paulo), v. 39, p. 155-175, 2013.

ALMEIDA, S. N. C. Como a Internet pode revolucionar as relações sindicais: premissas iniciais para
um sindicalismo digital. Revista de Direito do Trabalho (São Paulo), v. 39, p. 131-154, 2013

ALMEIDA, S. N. C. Sindicalismo Digital e as Redes Sociais como ferramenta de combate a abusos


patronais. Revista Síntese Trabalhista e Previdenciária, v. XXIV, p. 80-94, 2014.

ANDRADE, Everaldo Gaspar Lopes de. Princípios de Direito do Trabalho – Fundamentos Teóricos-
Filosóficos. LTr: São Paulo, 2008.

BRANDÃO, Adélio. Liberdade Sindical e Sociologia do Trabalho – A Constituição Brasileira e o


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CARDON, Dominique. La Démocratie Internet – Promesses et Limites. Paris: La République des Idées
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COULAGES, Fustel de. A Cidade Antiga – Ensaios sobre o Culto, o Direito e as Instituições da Grécia
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CROZIER, Michel. Sociologia do Sindicalismo. In Sindicalismo e Sociedade. Organizado por Leôncio


Martins Rodrigues. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1968.

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