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EXCELENTISSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA 6ª VARA DA SEÇÃO


JUDICIÁRIA DE BELÉM - PARÁ

Processo nº 2005.39.00.002364-1

MARIA DE LOURDES DE FIGUEIREDO GÓES, brasileira,


paraense, viúva, portadora do RG nº 1311931 2ª VIA SSP/PA, inscrita no CPF sob
o nº 483.254.652-04, residente e domiciliada à Av. Magalhães Barata, Vila Judith,
Casa 127, Bairro São Brás, CEP: 66.063-150, Belém-Pará, vem mui
respeitosamente perante Vossa Excelência, por intermédio de sua advogada,
habilitada nos autos, arguir a IMPENHORABILIDADE do bem objeto da penhora
realizada às fls 211, pelos motivos a seguir:

Para garantia da presente execução o Sr. Oficial de Justiça procedeu


a penhora do imóvel situado nesta cidade, à Av. Magalhães Barata, Vila Judith,
Casa 127, Bairro São Brás, CEP: 66.063-150, Belém-Pará.
Ocorre, que em tal imóvel e desde NOVEMBRO DE 1979, reside a
suplicante com seus familiares, tratando-se de bem utilizado para moradia,
conforme farta documentação anexa, dentre elas diversas faturas, e até
assinatura de jornal no nome da requerente.
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Além disso, várias notificações judiciais foram recebidas pela
requerente no imóvel penhorado (vide fl’s 137, 195verso, 210), em datas
diversas, comprovando que esta reside no imóvel, sendo, portanto, impenhorável
face ao que dispõe o art. 1.º da Lei n.º 8.009/90.

EXECUÇÃO - IMPENHORABILIDADE DE BEM DE FAMÍLIA - Art.


1º da Lei nº 8.009/90 – Agravantes que demonstraram que utilizam o imóvel
constrito como moradia, sendo caso de se conferir a proteção do bem de família -
RECURSO PROVIDO. (TJ-SP - AI: 21008077220158260000 SP 2100807-
72.2015.8.26.0000, Relator: Sérgio Shimura, Data de Julgamento: 02/09/2015, 23ª
Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 08/09/2015)

EMBARGOS DE TERCEIRO. CASO CONCRETO. MATÉRIA DE


FATO. A impenhorabilidade do bem de família exige demonstração inequívoca da
sua destinação residencial, assim como prova de que se trata do único imóvel
pertencente à embargante de terceiro, ônus do qual não desincumbiu a contento.
Apelo desprovido.((Apelação Cível Nº 70033345505, Décima Quinta Câmara
Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Vicente Barrôco de Vasconcellos,
Julgado em 15/09/2010)

EXECUÇÃO - IMPENHORABILIDADE DE BEM DE FAMÍLIA - Art.


1º da Lei nº 8.009/90 – Executado que demonstrou que utiliza o imóvel constrito
como moradia, sendo caso de se conferir a proteção do bem de família –
Cancelamento da penhora sobre o bem - RECURSO DESPROVIDO. (TJ-SP - AI:
21456035120158260000 SP 2145603-51.2015.8.26.0000, Relator: Sérgio
Shimura, Data de Julgamento: 30/09/2015, 23ª Câmara de Direito Privado, Data
de Publicação: 06/10/2015)
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Excelência, tem-se como aplicável a regra benéfica do dispositivo
legal, colocando-se a salvo tal bem por servir o mesmo à moradia do suplicante e
seus familiares, que não podem ser desabrigados com a penhora e consequente
arrematação caso prossiga o processo nessa condição.
Além disso, a requerente já está idosa, com quase 72 anos, com
problemas de saúde (documentos médicos anexos), e ainda sofre pela perda de
seu marido (atestado de óbito anexo)
Não obstante já tenha ultrapassado o prazo para o oferecimento de
embargos por parte da executada, por ser matéria de ordem pública, a qualquer
tempo, em simples incidente da execução, independentemente de tal via (Ac. 4.ª
Turma do STJ, no REsp. 21.253-8-PR, rel. Min. Sálvio de Figueiredo, j. 31-05-93,
RSTJ 78/228 e RT 677/189), cuja arguição pode ser feita até o exaurimento da
execução (Ac. 3.ª Turma do STJ, no REsp. 187.935-SP, rel. Min. Carlos Alberto
Menezes Direito, j. 09-12-99).
AGRAVO DE INSTRUMENTO - EXECUÇÃO - EMBARGOS À
PENHORA - ALEGAÇÃO DE IMPENHORABILIDADE DE BEM DE FAMÍLIA -
MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA NÃO SUJEITA A PRECLUSÃO TEMPORAL -
RECURSO DESPROVIDO. Embora opostos intempestivamente, devem os
embargos ser conhecidos, por tratarem de matéria de ordem pública, não sujeita a
preclusão temporal. (TJ-MG - AI: 10024143166940001 MG, Relator: Amorim
Siqueira, Data de Julgamento: 03/11/2015, Câmaras Cíveis / 9ª CÂMARA CÍVEL,
Data de Publicação: 12/11/2015)

Execução - Penhora. Bem absolutamente impenhorável. Oportunidade de


arguição. Matéria de ordem pública. Inexistência de preclusão. A oportunidade
para a parte alegar a impenhorabilidade do bem objeto de constrição judicial não
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se restringe ao prazo dos embargos à execução ou à penhora, pois referida
matéria é de ordem pública, podendo ser deduzida incidentalmente no processo de
execução, através de simples petição, razão por que tal arguição não é atingida
pelo instituto da preclusão. Agravo de petição a que se dá provimento (TRT - 24ª
Região; AP nº 00295/2002-001-24-00-0-Campo Grande-MS; Rel. Juiz Abdalla
Jallad; j. 12/2/2003; v.u.).

Processual Civil. Penhora. Bem absolutamente impenhorável. CPC, art. 649, VI.
Nulidade absoluta. Preclusão. Ausência. Renúncia do devedor. Impossibilidade.
Recurso parcialmente provido. I - Em se tratando de nulidade absoluta, a exemplo
do que se dá com os bens absolutamente impenhoráveis (CPC, art. 649),
prevalece o interesse de ordem pública, podendo ser ela argüida em qualquer fase
ou momento, devendo inclusive ser apreciada de ofício. II - O executado pode
alegar a impenhorabilidade de bem constrito mesmo quando já designada a praça
e não tenha ele suscitado o tema em outra oportunidade, inclusive em sede de
embargos do devedor, pois tal omissão não significa renúncia a qualquer direito,
ressalvada a possibilidade de condenação do devedor nas despesas pelo
retardamento injustificado, sem prejuízo de eventual acréscimo na verba honorária,
a final." (STJ, Recurso Especial nº 192133-MS, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo
Teixeira, decisão de 4/5/1999, publicada no DJ de 21/6/1999, pág. 165).

Processo do Trabalho. Execução. Penhora. Bem de família. Nulidade.


Oportunidade da arguição. Tratando-se de nulidade absoluta, como a penhora de
bem de família, a matéria, pelo interesse de ordem pública, pode ser arguida a
qualquer momento, e mesmo apreciada de ofício, sem que se possa falar em
preclusão. Agravo de petição a que se dá provimento." (AP nº 918/2001, DJ nº
5757 de 22/5/2002, pág. 47).

Isso posto, fica suscitada a impenhorabilidade do bem em apreço,


por ser um BEM DE FAMÍLIA, requerendo seja o presente incidente recebido e
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processado, determinando-se o cancelamento da penhora realizada às fls 211, e
nulidade de todos os atos posteriores à penhora do referido bem de família, o que
se pede por ser medida de direito e de inteira Justiça.

Termos em que,
Pede deferimento.
Belém, 12 de julho de 2016

Kátia Reale da Mota


OAB/PA 9542
Anexos:
- Registro de casamento
- Certidão de óbito
- Cópia RG da requerente
- Faturas diversas, vários anos
- Contas de Luz, vários anos
- Recibo do Recanto da Saudade de 2003
- Comprovante de assinatura de jornal
- Contas de água, várias
- Receituários médicos