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O uso abusivo de álcool e de outras drogas, como a maconha, a cocaína, o crack ou de

medicamentos, representam atualmente um dos problemas de saúde mais graves e


prevalentes na sociedade.

Embora a dependência química seja classificada como um transtornos psicológicos, o


consumo abusivo de álcool ou de outras drogas também podem levar a sérios problemas
físicos, sociais e inclusive com a lei.

Além disso, as pessoas que possuem dependência química têm maiores taxas de
prevalência de depressão, ansiedade e transtornos de personalidade, quando comparadas
a outras pessoas na população em geral.

Assim, uma pessoa com dependência química enfrenta diversas outras dificuldades, que
vão desde a ruptura de relacionamentos, danos cerebrais, prisão, e, inclusive, a morte.

A dependência química envolve um padrão de consumo de substâncias que leva a um


comprometimento ou sofrimento significativo, e que afeta a vida social, os
relacionamentos, estudos e o trabalho.

Na dependência química o padrão de consumo recorrente de substâncias perdura por no


mínimo 12 meses, e envolve uma série de sintomas, como tolerância, abstinência,
desejo persistente e uso contínuo.

Ao contrário das crenças negativas, comumente aceitas, a dependência química é


passível de tratamento.

Uma das principais ferramentas utilizadas na recuperação da dependência química é a


terapia cognitivo-comportamental.

As pesquisas demonstram que o tratamento de dependência pode ser tão bem sucedido
como o de condições como hipertensão, diabetes ou asma.

No entanto, pessoas com dependência química podem ser difíceis de avaliar e de tratar
por uma série de razões.

A Terapia Cognitiva para a dependência química parte do pressuposto de que fatores


como pensamentos disfuncionais, comportamentos problemáticos e estratégias de
enfrentamento inadequadas, iniciam e mantêm a dependência química.
Existem diversas crenças que os pacientes e seus familiares possuem em relação à
dependência química.

Ou seja, a maneira como o pacientes e seus familiares pensam em relação à dependência


química afeta o comportamento tanto do paciente, como da família.

Uma das técnicas utilizadas na terapia cognitiva é abordar as crenças disfuncionais. Por
exemplo, é comum os pacientes chegarem ao consultório e negarem que precisam de
ajuda ou que são dependentes. Essa é a crença do: “eu paro quando eu quiser”!

Isso é uma crença disfuncional porque não está baseada em evidências.

As pessoas não param quando querem. A continuidade do uso já é um sinal da


dependência.

Existem também crenças disfuncionais presentes nos familiares, como por exemplo: “o
meu companheiro não gosta de ficar em casa, por isso ele fica bebendo com os amigos”.

Ficar bebendo constantemente é um possível sintoma da dependência e não significa


que ele não goste da convivência familiar.

Outra crença limitante é: “meu filho é um doente, por isso ele não se recupera”, ou
meu filho possui uma má índole, por isso ele escolheu usar drogas”.

Você pode ter certeza que ninguém escolhe ser dependente químico. O que acontece é
que a pessoa começou a experimentar uma substância, mas ninguém quer ficar
dependente químico.

Existe também essa crença que a pessoa quer permanecer dependente química: “é
sacanagem, é falta de vontade”!.

Muitas pessoas possuem a crença de que basta o dependente químico ser internado que
o problema está resolvido. A internação pode ser uma medida necessária no tratamento,
mas a internação não é o tratamento.

É importante destacar que a família possui um papel essencial na recuperação da pessoa


que possui dependência química, oferecendo suporte, motivação, mantendo acesa a
esperança na mudança e reforçando positivamente essas mudanças.

Os comportamentos dos familiares influenciam na recuperação ou na recaída.

Eu estou lembrando agora do exemplo de um paciente que já havia se recuperado da


dependência química, mas a esposa desse paciente costumava beber nas festas e nos
eventos sociais perto do paciente. Ela até brincava com a situação dizendo que estava
testando pra ver se o marido estava mesmo firme no propósito de parar de beber. Pouco
tempo depois, esse paciente teve uma recaída.

Ou seja, o tratamento não é individual, mas envolve todo o núcleo familiar.


Nós precisamos também tomar cuidado com a rotulação do paciente: “ele é um fracasso,
ele não quer melhorar”.

É importante você separar a pessoa do sintoma que ela possui. Muitas vezes nós vemos
como se a dependência química fosse o próprio indivíduo.

Ele não é “o dependente químico”. Ele é seu filho, seu marido, companheiro, seu pai.

A essência dessa pessoa continua a mesma. Ele não nasceu dependente químico.

No tratamento é importante destacar que nós estamos sempre aprendendo algo e que nós
precisamos comemorar os pequenos avanços.

A pessoa quando passa por um processo de mudança na forma de pensar, ela pode até
recair, mas ela já não é mais a mesma pessoa. Ela já passou a encarar o uso de
substâncias de uma outra maneira.

E é importante que os familiares tenham isso em mente e percebam as mudanças que o


paciente já alcançou.

Mas, muitas vezes, tudo o que a família faz é ficar criticando, criticando, nunca há um
elogio pelo progresso.

A mudança de qualquer comportamento ocorre de forma gradual. E é importante


perceber quando a pessoa já deu início a um processo de mudança.

Nós sabemos que pode ser difícil motivar essas pessoas para prosseguirem no
tratamento, especialmente durante a dependência ativa.

Na terapia cognitiva para dependência química, os pacientes são ensinados a avaliar a


ambivalência existente no tratamento, a fim de desenvolver a sua motivação em relação
aos seus objetivos no tratamento.

Para algumas pessoas com dependência química, a vergonha e o estigma associados


com os comportamentos dependentes podem desencorajar essas pessoas a procurarem
ajuda.

A dependência química é um transtorno de difícil manejo, porque ela se manifesta de


modo diferente em pessoas diferentes.

A dependência química é um fenômeno muito complexo e o grande desafio no


tratamento desse transtorno psicológico é individualizar o tratamento. Ou seja, não
existe um tratamento único, padrão para a dependência química que possa ser utilizado
para todos os dependentes.

Por isso, os profissionais de saúde que tratam de pessoas com dependência química
devem estar preparados para adaptar uma abordagem de tratamento a cada indivíduo.

De qualquer forma, nós sabemos que a terapia cognitiva é uma abordagem eficaz no
tratamento da dependência química, mas a gente sabe que nem todos os pacientes se
beneficiam esse tipo de tratamento.

Existem pessoas que se recuperam utilizando o tratamento baseado nos 12 passos, ou


com a medicação ou por meio da espiritualidade e assim por diante. Geralmente, há a
sobreposição desses diversos recursos.

O pressuposto da Terapia Cognitiva é que o abuso de substâncias é aprendido e,


portanto, pode ser "desaprendido" e interrompido através do uso de técnicas cognitivo-
comportamentais.

É verdade que uma pessoa com dependência química enfrenta muitos desafios e,
possivelmente, algumas consequências do uso abusivo.

Mas, ao iniciar um tratamento na Terapia Cognitiva, o paciente inicia um tratamento


que pode ser eficaz, uma vez que ele é baseado em evidências científicas.

Ao iniciar um tratamento na Terapia Cognitiva, o paciente pode ter ao seu dispor um


plano de tratamento único, adaptado às suas necessidades, um relacionamento
terapêutico respeitoso e colaborativo, e uma terapia focada na solução de problemas, o
que pode facilitar a mudança no estilo de vida e uma recuperação da dependência que
você tanto precisa.