Você está na página 1de 3

Brincadeira é coisa séria.

O cristão é possuidor de uma alegria indescritível, pois ele possui aquilo


que mais importa durante o percurso de qualquer ser humano aqui na
terra: a paz de Deus; a amizade de Deus; a satisfação da Justiça e ira de
Deus; a salvação em Cristo Jesus; e a ação do Espirito Santo, confortando
e trazendo segurança à alma. Por isso ele tem os motivos mais nobres e
importantes para sorrir, brincar, se divertir e aproveitar a vida da melhor
forma possível. Em tudo, porém, deve fazer tudo para a glória de Deus (1
Co 10.31).
No entanto, nos dias atuais, muitos cristãos, movidos por esta segurança
e alegria, não param para pensar sobre até que ponto vai a sua liberdade
em “zoar” ou tirar “brincadeiras” com o seu semelhante. Será que a Bíblia
tem algo a dizer sobre este assunto? Abaixo traremos alguns princípios
bíblicos para nortear o nosso comportamento neste aspecto e estabelecer
limites à nossa tendência para o humor mórbido.
1. CUIDADO PARA NÃO SER UM ENGANADOR
Provérbios é um livro que apresenta conselhos importantíssimos para uma
vida sábia. Em Provérbios 26:18-19, a bíblia diz: “Como o louco que lança
fogo, flechas e morte, assim é o homem que engana a seu próximo e diz:
Fiz isso por brincadeira”. Este conselho nos ajuda a zelarmos por
relacionamentos sadios. Ele apresenta uma pessoa que promove
desordem social por meio do engano e o compara com um louco. O
personagem ilustrado, tudo que faz, o faz de forma velada, com uma má
intenção, mas a oculta dizendo que fez tal ação “por brincadeira”. Bruce K.
Waltke (2011) chama a atenção para o fato que o texto fala de alguém que
diverte-se em meio a uma “distorção inesperada” e que o verbo enganar
mostra que o brincalhão tem a intensão de “prejudicar o seu vizinho”. Para
o brincalhão, o praticar maldade é divertimento, tornando-se assim um
insensato (Pv 10.23). Este versículo sempre cativou a minha atenção, pois
sempre que eu fazia alguma coisa e dizia “foi brincadeira”, ele vinha em
meu pensamento e de imediato eu refletia sobre tal ação ou palavra que
havia dito, pois as vezes, minhas brincadeiras, sem que eu percebesse,
acabavam por maltratar alguma pessoa. Portanto, tome cuidado com
brincadeiras que enganam o próximo e o prejudica. Pense como está o
seu “fiz por brincadeira”.
2. NÃO OFENDA, ESCANDALIZE, ENFRAQUEÇA OU FAÇA
TROPEÇAR ALGUM IRMÃO
A Bíblia nos ensina que possuímos liberdade. Mas essa liberdade só existe
até onde não ofendemos, escandalizamos, enfraquecemos ou fazemos
tropeçar um irmão. Fazer isso é pecar contra Deus, que é vingador de seu
povo (1 Ts 4.6). Jesus nos ensina em Mateus 5.22 que “quem proferir um
insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe
chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo”. Logo, insultar um irmão é
pecado e todo pecado sujeita-nos ao inferno (graças a Deus que Cristo é
nosso redentor). Em Romanos 10.21 Paulo nos instrui que “É bom não
comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que
teu irmão venha a tropeçar [ou se ofender ou se enfraquecer].” Aos
coríntios, disse “se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais
comerei carne, para que não venha a escandalizá-lo” (1 Co 8.13). O limite
de nossas brincadeiras, palavras e atitudes, esbarra no limite do nosso
irmão em Cristo. E tal como Paulo, se algo fere a consciência de alguém,
nunca mais façamos.
3. NÃO BRINQUE COM O NOME DE DEUS
Deus disse “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão” (Êxodo
20:7). Muitas vezes nós cristãos não atentamos para a preciosidade desse
texto. Mesmo sendo um mandamento atrelado ao antigo testamento, o
principio extraído desta passagem contínua válido. No terceiro
mandamento, não tomar o nome do Senhor em vão, é não banalizá-lo, não
torna-lo vulgar, pois o que está em questão não é apenas o seu nome,
mas sim a sua natureza e atributos. Por isso ao usar o nome de Deus,
temos que ter certeza de que o que iremos falar dá o devido
reconhecimento de Deus em todo seu ser. Sendo assim, devemos fazer
conforme Jesus nos ensina na oração do Pai-Nosso, e orar “santificado
seja o teu nome” (Mt 6.9). Isso quer dizer que “nós santificamos Seu nome
quando honramos algum aspecto de Seu caráter” (BOICE 2011, p. 201).
Será que temos honrado a Deus por meio de nossos comportamento, de
nossas palavras? Lembre-se que o nome de Deus não é motivo para piada
e deve ser honrado em atitudes e palavras.
4. NÃO BRINQUE COM O ENGANO NA IGREJA DE CRISTO
Uma das causas que tem levado muitos rirem e brincarem dentre o povo
cristão, são os erros e heresias na Igreja de Cristo. Conquanto para muitos
pareça algo engraçado, Jesus não acharia graça. Houve uma ocasião que
Jesus, passando pela cidade, chora sobre Jerusalém. A bíblia diz que
“quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a
chorar. E disse: ‘Se tu também compreendesses hoje o que te pode trazer
a paz!’”. Ele, quando observou a incredulidade do povo de Jerusalém, não
achou nisso motivo para graça, mas sim para choro. Se ao menos eles
compreendessem!, lamentou Jesus. Isto porque aquelas pessoas não
davam ouvidos à sua mensagem. “Jerusalém, Jerusalém, quantas vezes
eu quis juntar o teu povo como uma galinha junta os seus pintinhos
debaixo das suas asas e você não quis!”, disse Ele.
Jesus não foi o único a ter dor no coração ao se preocupar com a
incredulidade dos outros. Paulo em certa ocasião disse que possuía
grande tristeza e incessante dor no coração por causa da incredulidade
dos judeus (Rm 9.2). Aos gálatas ele diz que sentia dores de parto (Gl
4.19) pelos irmãos que haviam se desviado do caminho. Aos coríntios, ele
expressa a preocupação com eles, possuído de angústia no coração (2 Co
2:4). Aos colossenses, ele menciona a grande luta em sua alma por causa
dos irmãos (Cl 2.1) que estavam expostos a falsos ensinos (Cl 2.8). O
exemplo que a bíblia nos ensina diante do falso ensino e heresia na igreja
não é fazer disso motivo de riso e chacota, mas sim de choro e
preocupação. Afinal de contas, a igreja de Cristo vale o Seu sangue.
5. FALE UNICAMENTE O QUE FOR PARA A EDIFICAÇÃO
O apóstolo Paulo em sua carta aos Efésios nos instrui: “Não saia da vossa
boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a
edificação, para que dê graça aos que a ouvem. E não entristeçais o
Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção.
Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia
sejam tiradas dentre vós, antes sede uns para com os outros benignos,
misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos
perdoou em Cristo”. (Efésios 4:29-32 NVI). Neste texto o apóstolo traz uma
exortação para que os nascidos em Cristo procedam de forma diferente
da sua antiga natureza. Em primeiro lugar, ele fala acerca de pessoas que
falam palavras torpes, ou seja, palavras impróprias, podres, corruptoras,
perversiva e injuriosas (HENDRIKSEN, 2004) que produzem embaraços,
destruição. Enquanto cristãos, nossas palavras, por mais simples que
sejam, devem produzir edificação, estar de acordo com a necessidade, e
transmitir graça a todos que ouvem. Ou seja, é preciso que as conversas
gerem benefícios espirituais. A forma de combater tais palavras é seguir o
fruto do Espírito (Gl 5:22) e viver conforme Filipenses 4:8, que diz
“Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo
o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que
for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem
nessas coisas”.
Paulo ainda fala que tais comportamentos entristecem a parte mais
interessada em nós, o Espírito Santo (Ef 4.30). Depois de falar de
entristecer o Espírito Santo, ele volta para os pecados da língua. Desta
feita ele menciona seis elementos: a) Toda a amargura, diz respeito à
língua afiada como uma navalha, vinculada a pessoa que guarda algum
rancor ou ressentimento contra o próximo, estando sempre pronto a dar
resposta que o fere, b) ira, é o ser dominado pela indignação, deixando o
coração explodir desgrenhadamente c) cólera, é um intenso antagonismo,
expresso por réplicas saturadas de paixão, indicando assim homicídio em
potencial (Mt 5.21,22) d) gritaria, são pessoas que perdem o seu controle
e passam agredir outros por meio de gritos e) blasfêmia ou maledicência,
é o uso exagerado da língua com intensão de ferir outrem f) malícia, é a
perversidade do pensamento voltado para injuriar ao próximo ou causar-
lhe prejuízo. Paulo conclui dizendo que todas estas coisas “sejam tiradas
dentre vós, antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos,
perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em
Cristo” (v. 31,32).
Que sejamos santos em todo o nosso proceder, conforme Deus é santo (1
Pe 1:16). “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer
coisa, fazei tudo para glória de Deus” (1 Co 10:31).