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ESCOLA ESTADUAL MAURÍCIO MURGEL

ANA LUIZA ARAÚJO (03), BIANCA LACERDA (07), JÚLIA SILVEIRA (23), MARIA
EDUARDA MACHADO (36), REYSLA CORRÊA (39)
2AM

TRABALHO INTERDISCIPLINAR HISTÓRIA/SOCIOLOGIA

A arquitetura da escola brasileira e sua influência no processo de educação

BELO HORIZONTE

2017
ANA LUIZA ARAÚJO (03), BIANCA LACERDA (07), JÚLIA SILVEIRA (23), MARIA
EDUARDA MACHADO (36), REYSLA CORRÊA (39)
2AM

A ARQUITETURA DA ESCOLA BRASILEIRA E SUA INFLUÊNCIA NO


PROCESSO DE EDUCAÇÃO

Projeto Interdisciplinar de Sociologia/História - Oficina de Iniciação


Científica no Ensino Médio

Trabalho Interdisciplinar referente à disciplina


de História e Sociologia da Escola Estadual
Maurício Murgel.

Orientado pelos professores: Múcio Andrade


Araújo e Leonardo Caldeira.

BELO HORIZONTE

2017

Sumário
1- Resumo 3
2- Introdução 4
3- Desenvolvimento 4
4- Conclusão 6
5 - Referências bibliográficas 8
1- Resumo

Este trabalho interdisciplinar busca mostrar a relação entre a arquitetura das


escolas brasileiras e as influências que elas exercem nos aspectos pedagógicos.
Baseado em autores como Doris Kowaltowski e Michel Foucault, vemos como
a falta de planejamento e a dominação e hierarquia exercida pelo sistema influencia
o processo de aprendizado dos alunos diretamente. Assim como um bom
planejamento do espaço escolar também influencia, agora, de forma positiva. Desse
modo, buscamos argumentos e sugestões para possíveis soluções da problemática
em questão.
2- Introdução

Atualmente, há muitas discussões sobre o aprimoramento das propostas


pedagógicas, mas ainda não se relaciona um bom ensino com a arquitetura escolar.
De acordo com Doris Kowaltowski, a autora do livro Arquitetura Escolar, o projeto
arquitetônico deve caminhar junto com projeto pedagógico da escola. E as salas de
aula devem ser alteradas de acordo com a atividade do professor1. A problemática
surge diante da precariedade do sistema educacional brasileiro, quando há
necessidade de atender um número grande de crianças, primeiro se faz o mínimo: a
garantia das vagas para esses alunos. Em geral, quando isso ocorre os outros
pilares da educação ficam defasados - como o planejamento de um espaço para a
comunidade- e isso pode afetar o aprendizado do aluno.

3- Desenvolvimento

O sistema de ensino necessita sofrer uma mudança de paradigma. Embora


hoje se tenha muitas novas concepções pedagógicas, e novos ambientes e práticas
educativas, em geral, o que se tem é ainda muito próximo dos moldes educativos do
início da República. Fazem-se mudanças, mas mudanças rasas, que não alteram
estruturalmente as bases do ensino. Os professores ainda estão em pé na frente da
sala de aula lançando conteúdos que não evoluem a séculos, isso mostra que que
convivemos com um ensino improdutivo e inflexível.

As escolas ainda incentivam a concorrência, a aceitação, a obediência e a


padronização, as crianças são moldadas e condicionadas dentro de um modelo de
fábrica da educação para serem operárias. Esse contexto reflete na arquitetura das
escolas que podem ser comparadas aos espaços carcerários nas questões
relacionadas - dominação e inflexibilidade.
Michel Foucault, filósofo e autor do livro “Vigiar e punir”, estabelece um
paralelo sobre a arquitetura das chamadas “instituições de sequestro”: as prisões,
os quartéis, os hospitais e as escolas, que levavam este nome por retirarem os
indivíduos do convívio social, os internando com o objetivo de treinar e controlar
suas condutas e pensamentos.

1
Disponível em: <https://www.habitusbrasil.com/arquitetura-escolar-qualidade-de-ensino> Acesso
em: 22, set 2017.
“As disciplinas, organizando as “celas”, os “lugares” e as
“fileiras” criam espaços complexos: ao mesmo tempo
arquiteturais, funcionais e hierárquicos” (FOUCAULT, 2006,
p.122).
Seguindo essa linha de pensamento, podemos observar que do formato das
salas de aula, a disposição das carteiras e o pátio central, são exemplos destes
elementos que condicionam as condutas dos alunos, pois facilitam o ensino, a
vigilância e principalmente a disciplina. O ambiente escolar ainda assemelha-se
muito à arquitetura carcerária em questões de educação, disciplina e estrutura. As
salas de aula são uma do lado da outra como na prisão e ambas possuem
corredores bem estreitos. O pátio pode ser relacionado com a hora de lazer dos
presidiários, em que se reúnem em um lugar totalmente cercado e vigiado por
agentes, que no caso da escola são os zeladores e a coordenação da escola que
personificam a disciplina. Assim como nas prisões, temos a sensação que estamos
o tempo todo sendo observados.

“Nos pátios ficavam os “bedéis”, os vigias dos alunos, rondando


todo o movimento (...) A sala de diretoria, toda envidraçada para
dar uma visão do pátio, representa a “guarita” da vigilância total”
(MELATTI, 2004, p.42).

A necessidade de massificação do ensino no Brasil, leva à adoção de


soluções possíveis de reprodução em grande escala, como a padronização dos
ambientes escolares. Essa situação inibe a criação de projetos personalizados e
desconsidera a necessidade e os objetivos da comunidade escolar.

Como forma de solucionar esses inúmeros problemas citados, nos baseamos


no livro Arquitetura Escolar, escrito por Doris Kowaltowski. Ela constrói um paralelo
entre aprendizado e arquitetura das escolas. De acordo com Doris a qualidade do
desempenho escolar é influenciada pelo edifício e suas instalações e mostra que a
coparticipação da arquitetura com a vida escolar proporciona um melhor rendimento
para o aluno.
Em entrevista para o Portal Aprendiz2, Doris ressalta que cada aprendizado
exige um ambiente apropriado. Por isso, as salas de aula deveriam oferecer mais
flexibilidade para o professor poder alterar o ambiente de acordo com as atividades
propostas. E ainda que esse ambiente deve ter elementos básicos como, por
exemplo, organização para a criança enxergar a lousa, ler com tranquilidade os
materiais que estão na mesa dela, ter calma suficiente para refletir e escutar o que
os professores ou os próprios alunos falam. Se essas questões não estão resolvidas
o aluno pode ter o aprendizado defasado.

Um trabalho recente mostra, por outro lado, que um ambiente muito


confortável também não garante o aprendizado, pois o aluno precisa ser desafiado,
colocado em situações não tão confortáveis, para que ele reaja e busque o
conhecimento.

O grande problema, como já citado, é quando todos os espaços são iguais e


não há flexibilidade. O que acabar por instalar uma situação monótona, tanto o
aluno como o professor que não têm as melhores condições para criar um clima de
aprendizado eficaz.

4- Conclusão

A análise realizada durante a elaboração deste artigo apontou, portanto, para


a necessidades da elaboração de projetos mais flexíveis que tem por objetivo
atender as condições de cada projeto pedagógico, mas ao mesmo tempo sem
"engessar" estes ambientes.

A escola deve proporcionar alguns requisitos necessários para a integração


do aluno na sociedade, e não tirá-los desse convívio. O MEC pode, assim, tomar
como base, para a criação de novas possibilidades que alteram a o problema em
questão, o movimento de renovação do ensino "Escola Nova", que tem como
objetivo a elaboração de escolas colaborativas, com envolvimento de todos os
agentes do processo e que tenha apenas o apoio do governo, mas que não seja
determinado por ele. A escola acima de tudo deve ser um espaço democrático,

2
Disponível em: <http://portal.aprendiz.uol.com.br/arquivo/2011/10/06/arquitetura-da-escola-deve-
dialogar-com-o-projeto-pedagogico-afirma-arquiteta/ > Acesso em: 22, set 2017
aberto para debates e construção de consensos. E por fim, sua arquitetura deve
refletir isso.
5 - Referências bibliográficas

BORGES, Ellen. Reflexos do pensamento de Foucault na constituição da cultura escolar


brasileira. Disponível em:
<http://revistapandorabrasil.com/revista_pandora/materialidade/ellen.pdf>. Acesso em: 20
set. 2017.

FÁTIMA, de Jucélia. A Crise Educacional. Disponível em:


<http://www.educacional.com.br/articulistas/outrosEducacao_artigo.asp?artigo=jucelia>.
Acesso em: 22 set. 2017.

QUANDO sinto que já sei: filme mostra alternativas para a educação. Disponível em:
<https://www.terra.com.br/noticias/educacao/quando-sinto-que-ja-sei-filme-mostra-
alternativas-para-a-educacao,29ad2f6dd8652410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html>.
Acesso em: 22 set. 2017.

GOMES, Larissa. ARQUITETURA ESCOLAR E SUAS RELAÇÕES COM A


APRENDIZAGEM. Disponível em:
<http://www.ffp.uerj.br/arquivos/dedu/monografias/lgm.pdf>. Acesso em: 22 nov. 2017.

FLAVIO, Antônio. O pensamento de Foucault e suas contribuições para a educação.


Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-
73302004000200014> Acesso em: 22 set. 2017.