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DIREITO CIVIL

TEORIA GERAL DO NEGÓCIO JURÍDICO


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SUMÁRIO

1. ESCADA PONTEANA ................................................................................................................................ 3


2. DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO ............................................................................................................ 5
2.1 ERRO ................................................................................................................................................... 5
2.2 DOLO .................................................................................................................................................. 7
2.3 COAÇÃO MORAL ................................................................................................................................. 9
2.4 ESTADO DE PERIGO ............................................................................................................................10
2.5 LESÃO ................................................................................................................................................10
2.6. SIMULAÇÃO ......................................................................................................................................13
3. INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO .............................................................................................. 15
4. CONVERSÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO .............................................................................................. 17
4.1. REQUISITOS DA CONVERSÃO .............................................................................................................17
5. FRAUDE CONTRA CREDORES .......................................................................................................... 19
5.1 REQUISITOS PARA CARACTERIZAÇÃO DA FRAUDE CONTRA CREDORES ................................................19
5.2 FRAUDE NÃO ULTIMADA OU NÃO APERFEIÇOADA ..............................................................................19
5.3 FRAUDE CONTRA CREDORES E BOA-FÉ OBJETIVA.................................................................................20
5.4 PRAZOS PARA ANULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO (INCLUSIVE FRAUDE CONTRA CREDORES) ................20
5.5 FRAUDE CONTRA CREDORES X FRAUDE À EXECUÇÃO ..........................................................................21
6. PLANO DE EFICÁCIA ....................................................................................................................... 21
7. DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO .................................................................................. 25
8. BIBLIOGRAFIA UTILIZADA .............................................................................................................. 25
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ATUALIZADO EM 16/07/2017

TEORIA GERAL DO NEGÓCIO JURÍDICO

1. ESCADA PONTEANA

Plano de eficácia
Plano de validade

Plano de existência

INEXISTENTE INVÁLIDO – NULO/ANULÁVEL INEFICAZ

A doutrina trata do plano de existência, embora o CC não trate, falando apenas em validade e eficácia.

(1) Plano de existência – compreende a análise dos elementos mínimos do negócio jurídico
(substantivos):

a) agentes ou partes;
b) objeto;
c) forma; e
d) vontade.

Obs.: a teoria dos atos existentes e inexistentes foi criada na França em 1808 por Zacarias para impedir
o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não havia a proibição na lei e ele precisava de uma
fundamentação. Hoje, no Brasil, existe, é válido e eficaz. O STF reconheceu a união estável. O STJ aplicou esse
entendimento para o casamento civil. O CNJ editou a Resolução nº 175, que trata do casamento entre pessoas
do mesmo sexo.

Obs.: qual a diferença entre negócio inexistente e nulo? Para aqueles que enxergam diferença entre
ato inexistente e nulo, o primeiro não depende de ação para ser declarado como tal, por não ter ingressado na

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As FUCS são constantemente atualizadas e aperfeiçoadas pela nossa equipe. Por isso, mantemos um canal aberto de
diálogo (setordematerialciclos@gmail.com) com os alunos da #famíliaciclos, onde críticas, sugestões e equívocos,
porventura identificados no material, são muito bem-vindos. Obs1. Solicitamos que o e-mail enviado contenha o título do
material e o número da página para melhor identificação do assunto tratado. Obs2. O canal não se destina a tirar dúvidas
jurídicas acerca do conteúdo abordado nos materiais, mas tão somente para que o aluno reporte à equipe quaisquer dos
eventos anteriormente citados.
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esfera jurídica. Na prática, é comum a propositura da ação declaratória de inexistência em situações mais
graves, não existindo mais nenhuma diferença. Sílvio Rodrigues diz que essa teoria dos atos inexistentes é inútil.

(2) Plano de validade – consiste em adjetivar os elementos do plano de existência.

a) Partes plenamente capazes. Se forem incapazes, devem ser representadas (absolutamente) ou


assistidas (relativamente). Obs.: deve ser analisada a legitimidade? Legitimidade é uma capacidade
específica/especial exigida de certas pessoas para a prática de determinados atos (ex.: vênia conjugal –
outorga uxória – na venda de bens imóveis para pessoas casadas). Qual a diferença entre legitimidade positiva e
negativa? Positiva é a exigência de um ato para validade do negócio. Legitimidade negativa é a proibição da
prática de certos atos por determinadas pessoas. O juiz está proibido de arrematar bens no processo em que
atua.

b) Objeto lícito (de acordo como ordenamento jurídico), possível (possibilidade física – ponte entre
Terra e Lua – e jurídica – bem de família voluntário sendo violado. Essa última é inútil, pois já entra no conceito
de objeto ilícito. Possibilidade objetivamente considerada; analisada em relação a qualquer pessoa) e
determinado (individualizado) ou determinável (individualizável). Art. 106. A impossibilidade inicial do objeto
não invalida o negócio jurídico se for relativa, ou se cessar antes de realizada a condição a que ele estiver
subordinado. Ex.: não tem dinheiro no momento da pactuação, vender o carro antes do carro ser entregue. Essa
impossibilidade inicial é relativa.

c) Forma prescrita ou não defesa em lei. No Direito Civil, em regra, a forma é livre (Art. 107. A validade
da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir). Qual a
diferença entre formalidade e solenidade? Alguns autores falam em espécie e gênero, uma da outra.
Formalidade é a exigência de forma escrita. Ex.: fiança, compromisso de compra e venda. Solenidade é a
exigência de instrumento público. Qual a diferença entre solenidade ad solemnitatem e ad probationem? A
solenidade ad solemnitatem é aquela exigida como requisito de validade do negócio jurídico. Ex.: venda de
bem imóvel acima de 30 salários mínimos deve ser feita mediante escritura pública (Art. 108 Não dispondo a lei
em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição,
transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior
salário mínimo vigente no País). A solenidade ad probationem é aquela exigida para a prova do ato em juízo. É
um requisito processual e não material, que não atinge a validade do negócio jurídico. Obs.: O art. 227 do CC
(que só admitia prova exclusivamente testemunhal nos negócios jurídicos cujo valor não ultrapassasse o
décuplo do maior salário mínimo vigente) foi revogado pelo NCPC.

*#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: Para fins do art. 108, deve-se adotar o preço dado pelas partes ou o valor
calculado pelo Fisco? O valor calculado pelo Fisco. O art. 108 do CC fala em valor do imóvel (e não em preço do
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negócio). Assim, havendo disparidade entre ambos, é o valor do imóvel calculado pelo Fisco que deve ser levado
em conta para verificar se será necessária ou não a elaboração da escritura pública. A avaliação feita pela
Fazenda Pública para fins de apuração do valor venal do imóvel é baseada em critérios objetivos, previstos em
lei, os quais admitem aos interessados o conhecimento das circunstâncias consideradas na formação do
quantum atribuído ao bem. Logo, trata-se de um critério objetivo e público que evita a ocorrência de fraudes.
Obs.: está superado o Enunciado 289 das Jornadas de Direito Civil do CJF. STJ. 4ª Turma. REsp 1.099.480-MG,
Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 2/12/2014 (Info 562).

d) Vontade livre, isto é, manifestada sem vícios do negócio jurídico.

(3) Plano de eficácia – será estudado no tópico 6 da FUC.

2. DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO

O grande jurista Emilio Betti, em sua clássica obra Teoria Geral do Negócio Jurídico (tomo 1), lembra que
o negócio é alicerçado em dois pilares: liberdade (iniciativa consciente) e autorresponsabilidade (necessidade
de suportar as consequências jurídicas do próprio ato).

Ora, os defeitos do negócio jurídico podem interferir nessa liberdade negocial, conduzindo à própria
invalidade do ato que se realiza, daí porque a importância do seu estudo.

Obs.: Vício da vontade/do consentimento – o defeito está na formação da vontade (vontade interna) e o
prejudicado é um dos contratantes. Vícios sociais – o defeito está na manifestação da vontade (vontade
externa) e o prejudicado é sempre um terceiro (simulação e fraude contra credores).

2.1 ERRO

Embora a doutrina costume diferenciar abstratamente erro (falsa percepção da realidade) de ignorância
(ausência de conhecimento), o CC, a partir do artigo 138, não cuida de estabelecer essa diferenciação, pois,
lembrando Caio Mário (Instituições do Direito Civil), seja qual for o caso, teremos o mesmo defeito invalidante
do negócio jurídico. Essa diferença é meramente teórica.

São anuláveis os negócios jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial
que poderia ser percebido por pessoa de diligência normal – escusável –, em face das circunstâncias do
negócio.
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O erro, causa de invalidade do negócio jurídico (anulabilidade), segundo a doutrina clássica exigiria dois
pressupostos: que o erro fosse essencial ou substancial e também escusável ou perdoável, isto é, qualquer
homem médio cometeria o mesmo erro. Os autores mais modernos têm se insurgido contra esse último
pressuposto, pois não seria justo exigir da vítima a prova de que o erro era escusável, pois ela confiou na outra
parte. Olhar a banca.

Obs.: a despeito da importância do pensamento clássico e tradicional, ainda aplicável (REsp


744311/MG), uma corrente mais moderna sustenta que, à luz do princípio da confiança, é dispensável o
requisito da escusabilidade do erro. Enunciado 12 da 1ª jornada – Art. 138: na sistemática do art. 138, é
irrelevante ser ou não escusável o erro, porque o dispositivo adota o princípio da confiança. Para que se opere o
erro a outra parte tem que ter conhecimento (o vendedor)? José Fernando Simão diz que a cognoscibilidade da
outra parte seria também pressuposto do defeito. Não pensamos assim, pois, nesse caso ingressaríamos na
seara do dolo (vício por dolo da outra parte).

Com base na doutrina de Roberto de Ruggiero (Instituições de Direito Civil), teríamos,


fundamentalmente, sob a perspectiva fática, três tipos de erro:

(1) Erro sobre objeto – aquele que incide nas qualidades do próprio objeto do negócio jurídico. Ex.:
compra biju pensando ser ouro.
(2) Erro sobre negócio – é aquele que incide na própria categoria jurídica do negócio que se realiza;
imagina-se estar celebrando um negócio por outro. Ex.: achou que era comodato (empréstimo gratuito de coisa
infungível), mas era aluguel.
(3) Erro sobre pessoa – com especial aplicação no direito de família (art. 1556 e 1557), é aquele que
incide sobre a identificação da outra parte do negócio. Ex.: casamento, que para maioria da doutrina é negócio
jurídico de natureza especial. Ver o inusitado julgado AC 70016807315.

O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando expresso no contrato como razão
determinante para a sua celebração.

O CC inovou em seu artigo 139, III, ao admitir o erro de direito, ou seja, aquele que incide sobre a
própria ilicitude do ato. Clóvis Beviláqua não o admitia, razão pela qual o CC de 16 não o contemplou.
Entretanto, ouvindo os reclamos de autores como Carvalho Santos, Eduardo Spínola e Caio Mário, o atual CC
admite o erro de direito, desde que não traduza intencional recusa à aplicação da lei, incidindo, por
consequência, no âmbito interpretativo da própria norma.

Obs.: Finalmente, invocando a doutrina da Professora Ana Magalhães (O erro no negócio jurídico), o
direito brasileiro não acolheu a categoria do erro impróprio ou obstáculo (criado por Savigny), aquele que
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incidiria na própria vontade manifestada. Vale dizer, a vontade foi perfeitamente formada, mas o declarante
se manifesta equivocadamente (ex.: ao comprar um carro, escreve no instrumento “locação” ao invés de
“compra e venda”). É tudo erro da mesma forma. O nosso ordenamento não faz essa diferença. Deverá ser
visto na grade de Teoria do Contrato o tema atinente à diferença entre vício redibitório e erro.

Art. 1.556. O casamento pode ser anulado por vício da vontade, se houve por parte de um dos nubentes, ao
consentir, erro essencial quanto à pessoa do outro.

Art. 1.557. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge:


I - o que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama, sendo esse erro tal que o seu conhecimento
ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado;
II - a ignorância de crime, anterior ao casamento, que, por sua natureza, torne insuportável a vida conjugal;
*III - a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável que não caracterize deficiência ou de
moléstia grave e transmissível, por contágio ou por herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou
de sua descendência (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015);
*IV – REVOGADO pela Lei 13.146/2015.

Art. 139. O erro é substancial quando:


I - interessa à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração, ou a alguma das qualidades a ele
essenciais;
II - concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade, desde
que tenha influído nesta de modo relevante;
III - sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo único ou principal do negócio
jurídico.

2.2 DOLO

Causa de anulação do negócio jurídico é carregado de má-fé, é o artifício enganoso utilizado por uma
das partes ou terceiro para induzir a outra parte do negócio a praticar um ato que lhe seja prejudicial. O dolo é
um erro provocado de má-fé. Os clássicos (direito romano) chamavam de dolus malus, que é diferente do dolus
bonus (dolo socialmente aceito que não vicia o negócio). Hoje esse dolus bonus é muito utilizado em
publicidade e propaganda, como no caso de propaganda de shampoo com cabelos maravilhosos que não são
fruto apenas do uso do produto. Obs.: o exagero publicitário (puffing) é uma técnica aceitável como dolus
bonus, desde que não deturpe as características do produto anunciado, nem induza o consumidor ao erro.

Obs.: Nesse contexto, merece referência também as mensagens subliminares, geralmente estudadas
no âmbito da prática comercial abusiva. Embora não tenhamos lei específica, as normas e princípios do CDC
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combatem este tipo de prática, que pode levar o consumidor a um comportamento prejudicial. Segundo o
professor Henrique Soares Pinheiro, em seu artigo “Mensagem Subliminar na Teoria do Negócio Jurídico”,
mensagens subliminares são estímulos enviados de forma dissimulada, abaixo dos limites da percepção
consciente, mas capazes de influenciar as nossas escolhas e atitudes. Henrique Pinheiro: por ausência de
previsão específica não há como enquadrar a mensagem subliminar como defeito do negócio jurídico. Assim
não pensamos, na medida em que houve captação dolosa da vontade da vítima.

Para que o dolo invalide o negócio, ele deve ser principal (art. 145 CC) e não meramente acidental
(art. 146), na medida em que este último apenas resulta em perdas e danos. Se a parte soubesse daquele
aspecto acidental, teria realizado o negócio de outra forma, como oferecido proposta em menor preço.

Art. 145. São os negócios jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa.

Art. 146. O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos, e é acidental quando, a seu despeito, o
negócio seria realizado, embora por outro modo.

O que é dolo negativo? E dolo bilateral? O denominado dolo bilateral é previsto no art. 150 e se
caracteriza quando as partes tentam reciprocamente enganar uma a outra. Dolo negativo – à luz do princípio
da boa-fé objetiva, do dever de informação, e a teor do art. 147 do CC, consiste no silêncio intencional ou
omissão dolosa que induza a parte ao erro.

Finalmente, vale lembrar que o negócio também é anulável por dolo de terceiro, se o beneficiário DELE
SABIA ou tinha como saber. Nesse caso, há a anulação e a indenização em prejuízo do terceiro e do
beneficiário. Se o beneficiário não sabia nem poderia saber, o negócio não é anulável, respondendo pelas
perdas e danos apenas o terceiro. Ex.: irmão de dono de fazenda que faz a ligação da venda de cabeças de gado
que estão para morrer, enganando a parte compradora.

Art. 150. Se ambas as partes procederem com dolo, nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio, ou reclamar
indenização.

Art. 147. Nos negócios jurídicos bilaterais, o silêncio intencional de uma das partes a respeito de fato ou
qualidade que a outra parte haja ignorado, constitui omissão dolosa, provando-se que sem ela o negócio não se
teria celebrado. DOLO NEGATIVO

Art. 148. Pode também ser anulado o negócio jurídico por dolo de terceiro, se a parte a quem aproveite dele
tivesse ou devesse ter conhecimento; em caso contrário, ainda que subsista o negócio jurídico, o terceiro
responderá por todas as perdas e danos da parte a quem ludibriou.
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Art. 149. O dolo do representante legal de uma das partes só obriga o representado a responder civilmente
até a importância do proveito que teve; se, porém, o dolo for do representante convencional, o representado
responderá solidariamente com ele por perdas e danos.

2.3 COAÇÃO MORAL

Enquanto o dolo se manifesta pelo ardil, a coação traduz violência. Na doutrina, há dois tipos de
coação: física e moral, chamadas pelos romanos de vis absoluta e vis compulsiva, respectivamente. A coação
física absoluta resulta na inexistência do negócio, por ausência de vontade. Na coação moral, a vontade é
apenas viciada, adentrando no campo da validade do negócio jurídico.

Conceito: a coação, causa de anulação do negócio jurídico, consiste na violência psicológica que conduz
a vítima a realizar negócio contra a sua própria vontade (art. 151). Pode atingir pessoa da família, bens ou
pessoa próxima (ex.: namorada).

A ameaça, diferentemente do erro, não leva em consideração o homem médio. O art. 152 deixa claro
que não se pode fazer essa relação, analisando em concreto a coação realizada.

Obs.: nos termos do art. 153, não se considera coação a ameaça do exercício regular de um direito (ex.:
ameaça colocar no Serasa, SPC, quando cobra um crédito), nem o simples temor reverencial (respeito à
autoridade militar, familiar, religiosa, trabalhista. Ex.: respeitar o sogro).

Assim como no dolo, a coação proveniente de terceiro poderá anular o negócio jurídico, se o
beneficiário dele soubesse ou tivesse como saber (art. 154 e 155). O art. 154 prevê solidariedade entre o
beneficiário e o terceiro coator no pagamento da indenização, previsão esta que não há na norma específica
do dolo de terceiro (art. 148). Essa coação de terceiros envolve negócios comuns. Os negócios especiais, em que
a vontade deve ser plenamente livre, não se subordinam à manutenção sem voluntariedade, como no
casamento e testamento.

Art. 151. A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de
dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens. Parágrafo único. Se disser respeito
a pessoa não pertencente à família do paciente, o juiz, com base nas circunstâncias, decidirá se houve coação.

Art. 152. No apreciar a coação, ter-se-ão em conta o sexo, a idade, a condição, a saúde, o temperamento do
paciente e todas as demais circunstâncias que possam influir na gravidade dela.
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Art. 153. Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito, nem o simples temor
reverencial.

Art. 154. Vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro, se dela tivesse ou devesse ter conhecimento a
parte a que aproveite, e esta responderá solidariamente com aquele por perdas e danos.

Art. 155. Subsistirá o negócio jurídico, se a coação decorrer de terceiro, sem que a parte a que aproveite dela
tivesse ou devesse ter conhecimento; mas o autor da coação responderá por todas as perdas e danos que
houver causado ao coacto.

2.4 ESTADO DE PERIGO

Trata-se de um defeito que não estava previsto no CC/16 e que veio a ser regulado pelo artigo 156 do
CC/2002. O estado de perigo, causa de anulação do negócio jurídico, configura-se quando o agente, diante de
uma situação de perigo de dano, conhecida pela outra parte, assume uma obrigação excessivamente onerosa.
De todos os defeitos, na perspectiva do princípio da função social, certamente é o mais grave e emergencial
diante do grave perigo de dano à vida, à integridade física ou a outros direitos da personalidade.

Salvaguarda não só o indivíduo, mas toda a sociedade. É como se fosse o estado de necessidade no
âmbito dos negócios jurídicos. Ex.: barco começa a naufragar e o barco que passa por ali cobra um milhão para
transportar a família. Obs.: a despeito da crítica doutrinária (Gustavo Nicolau), o art. 156 exige que a outra
parte conheça a situação de perigo de dano (dolo de aproveitamento). REsp. 918392/RN. Obs.: Opera-se na
exigência do cheque caução como condição prévia para atendimento emergencial hospitalar. A exigência
desse tipo de garantia e ato negocial correlato poderá estar eivada pelo vício do estado de perigo (combatido
pela própria jurisprudência – Ap 833355-7/TJ SP, REsp 918392/RN, Ap 70024412397). Finalmente, a exigência
desse tipo de garantia foi criminalizada pela Lei nº 12.653/12, a par de, no âmbito administrativo, a resolução
normativa nº 44/2003 da ANS, observadas as suas condições, proibir também a exigência desse tipo de garantia,
podendo resultar inclusive em representação junto ao MPF. Para Pablo era para ser causa de nulidade absoluta.

Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de
sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. Parágrafo
único. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz decidirá segundo as circunstâncias.

2.5 LESÃO
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Estado perigo e lesão são as novidades do CC/2002. Está prevista no art. 157. É o vício do negócio
jurídico caracterizado pela onerosidade excessiva em sua formação, em decorrência de uma situação de
premente necessidade ou inexperiência.

Natureza jurídica: a lesão é espécie de vício da vontade; vício do consentimento. Nos vícios da
vontade/do consentimento, o defeito está na formação da vontade, ou seja, na vontade interna,
diferentemente dos vícios sociais, em que o vício está na manifestação da vontade (é consciente. Simulação e
fraude contra credores). O prejudicado é sempre um dos contratantes. Segundo Pablo Stolze e Rodolfo
Pamplona, a lesão representa verdadeira limitação ao princípio da autonomia contratual, impedindo a
celebração do denominado “negócio da China”. Antes do CC/2002, o juiz só perguntava se a pessoa tinha sido
coagida pela outra parte. Se não tivesse sido, não haveria como anular o negócio. Vigorava o princípio do pacta
sun servanda.

Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a
prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta.
§ 1o Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o
negócio jurídico.
§ 2o Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida
concordar com a redução do proveito.

a) Requisito objetivo – prestação manifestamente desproporcional. Onerosidade excessiva. O CC não


estabelece um percentual para fixar a onerosidade excessiva, cabendo ao magistrado determinar no caso
concreto. Obs.: No direito romano se o prejuízo excedesse à metade do valor do bem estaria caracterizada a
lesão enorme. E se excedesse dois terços do valor do bem estaria caracterizada a lesão enormíssima. O juiz não
está preso a esses critérios no direito atual. Ontognoseologia jurídica (soma da teoria tridimensional com o
culturalismo jurídico) – juiz deve decidir com base na equidade. Não tem como afastar os seus valores pessoais.

#ATENÇÃO: A onerosidade excessiva deve ser analisada no momento da formação do contrato para que possa
ser aplicado o art. 157 do CC. Não se pode anular o contrato por onerosidade superveniente, a exemplo da
desvalorização do bem no futuro. O que pode ocorrer, nesse caso, é a revisão do contrato com base nos
artigos 317 e 478, pois atinge o plano de eficácia. O problema da revisão contratual no CC/02 é que o legislador
ressuscitou a antiga Teoria da Imprevisão do Direito Canônico: a revisão só é possível se o fato que originou a
onerosidade for extraordinário e imprevisível. Foi um avanço e um retrocesso, pois criou o instituto da revisão,
mas de forma atrasada. STJ e STF têm jurisprudência que mostra que ainda estamos muito atrasados. Eles não
consideram quase nada como fundamento para aplicação da teoria. Falta de emprego, aumento do dólar – não
cabe. Tem que acontecer um furacão. Essa Teoria antiga só tem base com fundamento nos princípios basilares
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da autonomia da vontade pura. Com um CC/2002 que enfatiza a boa-fé objetiva e a função social do contrato
não poderia ser assim.

Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação
devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure,
quanto possível, o valor real da prestação. Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a
prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em
virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os
efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação.

b) Requisito subjetivo – é a razão que levou a pessoa a contratar com onerosidade excessiva: premente
necessidade ou inexperiência. Com base no enunciado 290/CJF (organiza as jornadas de Direito Civil), esses
requisitos não devem ser presumidos pelo juiz. A lesão acarretará a anulação do negócio jurídico quando
verificada, na formação deste, a desproporção manifesta entre as prestações assumidas pelas partes, não se
presumindo a premente necessidade ou inexperiência do lesado. Para o professor, o juiz pode sim presumir.

(1) Premente necessidade – é a necessidade de contratar. Pode ser um problema financeiro, ou


qualquer outro que colocou a pessoa na condição de necessidade de contratar. Ex.: uma pessoa celebra um
contrato de locação não residencial com onerosidade excessiva para não perder seu ponto comercial.

(2) Inexperiência – pode ser de qualquer espécie: técnica, negocial, jurídica, etc. Aqui ocorre o mesmo
que acontece com o conceito de hipossuficiência. Enunciado 410/CJF – a inexperiência não deve
necessariamente significar imaturidade ou desconhecimento em relação à prática de negócios jurídicos em
geral. Pode ocorrer ainda que o lesado estipule contratos costumeiramente, mas não tenha conhecimento
específico sobre o negócio em causa (ex.: advogado pode ser lesado). Deve ser provado que a outra parte tinha
conhecimento da situação do contratante? DIVERSAMENTE do que ocorre no estado de perigo, na lesão não
precisa ser provado que a outra parte sabia da situação que levou a parte a contratar. Há aqui uma antinomia
valorativa – é muito mais fácil provar a lesão que o estado de perigo. Entra com a ação pedindo que se anule
com base em estado de perigo e, não conseguindo provar, por lesão. Na lesão basta que o outro contratante
tenha se aproveitado da situação; não é necessária a intenção de se aproveitar. Ele se aproveitou quando
comprou um carro pela metade do preço. Enunciado 150/CJF – a lesão de que trata o art. 157 do CC não exige
dolo de aproveitamento.

Consequência: anulabilidade do negócio jurídico por meio da Ação Anulatória, no prazo decadencial
de 4 anos, a contar da celebração do negócio, mesmo que tenha conhecimento depois (no CDC conta do
conhecimento do fato, privilegiando a justiça e não a segurança, como geralmente ocorre no direito civil).
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Princípio da conservação dos contratos (decorre do princípio da função social): a anulação pode ser
evitada, se for oferecido suplemento suficiente ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito.
Sempre que estiver num caso de revisão ou anulação de contrato, a primeira opção deve ser sempre pela
revisão, pois a pura e simples existência do contrato interessa à coletividade. De acordo com o Enunciado
149/CJF, é dever do juiz provocar os contratantes a realizar a revisão do contrato. O enunciado 291/CJF diz que
nas hipóteses de lesão pode o lesionado optar por não pleitear a anulação, requerendo desde logo a revisão do
contrato, por meio da redução do proveito do lesionador ou do complemento do preço. Tem base no art. 157,
§2º. Esse enunciado é genial. Tem base na função social do contrato e na conservação do contrato. Ex.:
comprador que tem a casa há algum tempo já. Quer ficar na casa. Se anular terá que mudar de imóvel. Pede a
revisão.

2.6. SIMULAÇÃO

É a manifestação de vontade com desacordo proposital entre a vontade interna (intenção) e a vontade
externa (manifestação/declaração). A pessoa declara uma coisa, quando na verdade queria outra, ou nada
queria.

O que diferencia a simulação da reserva mental? Diversamente do que ocorre na reserva mental, na
simulação os contratantes agem em conluio para prejudicar terceiro. Na reserva mental o declarante não age
em conluio com o declaratário, pretendendo prejudicá-lo. A simulação invalida o negócio jurídico e a reserva
mental não. Entretanto, se a outra parte (declaratário) tinha conhecimento da reserva mental, o negócio
jurídico será nulo.

Art. 110. A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não
querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento. (se tinha conhecimento se equipara à
simulação). Reserva mental + ciência da outra parte = simulação.

Natureza jurídica: (1) simulação ainda como espécie de vício social, em que pese o deslocamento da
matéria no CC/02 para o capítulo que trata das invalidades. Vício da vontade/do consentimento – o defeito está
na formação da vontade – MHD, Stolze, Tartuce. (2) simulação como simples causa de nulidade – Gonçalves e
Francisco Amaral. Prova – segunda corrente.

Consequências: nulidade do negócio jurídico. Ação declaratória de nulidade. Único que o legislador
determina a nulidade. Imprescritível. Tanto a simulação absoluta como a relativa determinam a nulidade do
negócio. Entretanto, a extensão da nulidade (parte do negócio ou o negócio por inteiro, se possível, pois se o
negócio dissimulado não preencher os requisitos legais também levará à nulidade) varia de acordo com a
espécie de simulação.
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a) Simulação absoluta: é aquela que tem a aparência de um negócio, mas na essência as partes não
desejam realizar qualquer negócio. Há negócio simulado e não há negócio dissimulado. Ex.: marido que simula
negócio com um amigo para prejudicar a esposa na partilha dos bens. Tudo é mentira, logo, tudo é nulo!

b) Simulação relativa: é aquele que tem a aparência de um negócio, mas na essência as partes desejam
realizar negócio diverso. ATENÇÃO – o negócio dissimulado só será válido se preencher os demais requisitos
substanciais e formais exigidos em lei. Nem tudo é mentira, logo, nem tudo é nulo! Pode ser subjetiva – o
elemento falso é subjetivo, isto é, um dos contratantes (ex.: se vale de interposta pessoa para fazer doação à
amante. Usa a mãe da amante. Art. 550 do CC proíbe a doação à amante. Interposta pessoa = testa de ferro,
laranja. Nesse caso o negócio será nulo por inteiro, pois o negócio dissimulado não preenche os requisitos
substanciais e formais); e objetiva – o elemento falso diz respeito ao próprio objeto, sua natureza, data,
condição, cláusula, etc. Ex.: a escritura pública de imóvel com valor abaixo do real.

Quem pode alegar e requerer a nulidade? No CC/16, apenas terceiros poderiam requerer a declaração
de nulidade do negócio. No CC/02, até mesmo os contratantes podem, pois existe um interesse público.

*#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: Informativo 538 do STJ – Maio/2014. Simulação alegada pelo réu em sede de
contestação.
É nulo o compromisso de compra e venda que, em realidade, traduz-se como instrumento para o credor ficar
com o bem dado em garantia em relação a obrigações decorrentes de contrato de mútuo usurário, se estas não
forem adimplidas. Trata-se de simulação. Essa simulação poderá ser alegada pelo contratante/réu como matéria
de defesa, em contestação, por se tratar de nulidade absoluta. A alegação dessa simulação em contestação vale
mesmo que o negócio jurídico tenha sido celebrado sob a égide do Código Civil de 1916. STJ. 4a Turma. REsp
1.076.571-SP, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 11/3/2014.

Logo, a simulação provoca a nulidade absoluta do negócio jurídico. Como se trata de nulidade absoluta, a
simulação poderia ter sido alegada por qualquer pessoa, mesmo pela parte que participou do negócio simulado.

Enunciado 294-CJF: Sendo a simulação uma causa de nulidade do negócio jurídico, pode ser alegada por uma
das partes contra a outra.

Na verdade, a nulidade absoluta poderia ter sido até mesmo declarada de ofício pelo juiz.

Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado (ABSOLUTA), mas subsistirá o que se dissimulou (RELATIVA), se
válido for na substância e na forma.
§ 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:
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I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou
transmitem;
II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira;
III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados.
§ 2o Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado.

Validade. Simulação maliciosa: é aquela que tem como objetivo prejudicar terceiro ou fraudar lei
imperativa. Simulação inocente: é aquela que não tem o objetivo de prejudicar terceiro ou fraudar lei
imperativa. Ex.: simular compra e venda de um carro para amigo, quando na verdade era uma doação, para não
causar ciúmes. Existem duas correntes: (1) majoritária – no CC/02 qualquer espécie (maliciosa ou inocente)
determina a nulidade do negócio, pois o CC se baseou no direito alemão, que é assim – Moreira Alves, Sílvio
Rodrigues, Gonçalves. Enunciado 152/CJF – toda simulação, inclusive a inocente, é invalidante; (2) apenas a
simulação maliciosa determina a nulidade do negócio. Tem por base o direito francês pás de nullité sans grief
(não há nulidade sem prejuízo) – MHD, Venosa, etc.

3. INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO

NULIDADE ANULABILIDADE
Negócio é nulo. No CC/16 se falava em nulidade Negócio é anulável. No CC/16 se falava em nulidade
absoluta. No CC/02 nulidade é sempre absoluta. relativa. No CC/02 anulabilidade é sempre relativa
Ação declaratória de nulidade – (1) majoritária -
imprescritível, com base no art. 169 do CC,
Ação anulatória – prazo especial. Estão espalhados
jurisprudência e doutrina. (2) Prescreve em 10 anos,
no Código Civil. Há um prazo geral, quando não
que é prazo geral de prescrição no art. 205 CC. Caio
houver prazo específico – art. 179, CC – 2 anos. Ex.: a
Mário. (3) Declaração de nulidade é imprescritível,
anulação da venda de ascendente para descente. Art.
mas para desfazer os efeitos patrimoniais teria um
496. Súmula 494 do STF está superada. Ex nunc.
prazo de 10 anos. – Stolze e enunciado 536/CJF. Ex
tunc.
Hipóteses: (1) art. 166 + 167; (2) casos expressos
espalhados pelo CC (nulidades expressas); (3) quando Hipóteses: art. 171 – (1) incapacidade do agente; (2)
a lei proíbe a prática de um ato e não estabelece vícios do CC; e (3) casos expressos.
sanção – nulidade virtual. Art. 166, VII.
Interesse público (norma de ordem pública). Coisa Interesse particular (norma de ordem privada).
julgada erga omnes. Coisa julgada inter partes.
Juiz deve declarar de ofício. Juiz não pode declarar de ofício.
Não pode ser sanado/suprido/convalidado, mas Pode ser suprido/sanado – confirmação ou
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pode ser objeto de conversão. assentimento/convalidado (gênero). Ex.: simples
decurso do tempo.

Art. 169. O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso do tempo.

Art. 205. A prescrição ocorre em dez anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor.

Art. 179. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo para pleitear-se a
anulação, será este de dois anos, a contar da data da conclusão do ato.

Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:


I - celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;
III - o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;
IV - não revestir a forma prescrita em lei;
V - for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;
VI - tiver por objetivo fraudar lei imperativa;
VII - a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção.

*#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA: Não são convalidáveis os negócios jurídicos celebrados com o intuito de alterar
o quadro societário de sociedade empresária por meio da falsificação de assinatura de sócio, ainda que o
próprio sócio prejudicado pelo falso tenha, por escritura pública, concedido ampla, geral e irrevogável quitação,
a fim de ratificar os negócios jurídicos. STJ. 3ª Turma. REsp 1.368.960-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze,
julgado em 7/6/2016 (Info 585).

Para o STJ, a questão posta em discussão não trata de nulidade relativa, mas sim de evidente nulidade absoluta,
nos termos do art. 166, II, do CC:

Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:


II - for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;

Convalidação x Renovação
É preciso esclarecer que existe diferença entre convalidação (ratificação) e renovação (repetição) do negócio
jurídico.
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No caso concreto, tentou-se fazer a convalidação de um negócio jurídico nulo (cessão das cotas com assinatura
falsa), o que é proibido pelo Código Civil, conforme vimos acima. No entanto, a renovação é diferente.
Renovação significa fazer o ato de novo sem os vícios que o macularam anteriormente.

#DEOLHONATABELA:
CONVALIDAÇÃO RENOVAÇÃO
Consiste em ratificar um negócio jurídico realizado de
Consiste em fazer o ato ou negócio de novo sem os
maneira ilegal ou contrariando as formalidades
vícios que o macularam anteriormente.
exigidas.
O ato ou negócio não será refeito, mas apenas O ato ou negócio será feito novamente, agora de
confirmado. maneira correta.
Os efeitos da renovação não são retroativos (eficácia
ex nunc). Trata-se de um novo negócio,
completamente autônomo em relação ao primeiro
Os efeitos da convalidação são retroativos (eficácia ex
(nulo), tendo validade, portanto, a partir da data em
tunc).
que for celebrado, desprezando-se completamente o
tempo transcorrido entre o negócio jurídico nulo e o
novo negócio realizado.
Não é possível a convalidação de negócio jurídico
É possível a renovação de negócio jurídico nulo.
nulo.

Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico:
I - por incapacidade relativa do agente;
II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores.

4. CONVERSÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO

Conceito: o CC alemão (BGB), em seu parágrafo 140, dispôs a respeito da conversão do negócio inválido,
tendência seguida por outros códigos do mundo, a exemplo do português (art. 293) e do brasileiro (art. 170).
Trata-se de uma medida sanatória, por meio da qual aproveitam-se os elementos materiais de um negócio
inválido, convertendo-o em outro negócio válido e de fins lícitos. Vale dizer, é como se houvesse um nova
categorização jurídica do negócio (Rachel Schmiedel).

4.1. REQUISITOS DA CONVERSÃO


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Segundo Karl Larenz (Direito Civil – Parte Geral, Editora Revista de Direito Privado, 1978), o novo
negócio jurídico convertido deve ter sempre fins lícitos. O negócio anulável pode ser confirmado, ao contrário
do negócio nulo. Ex.: criança de 14 anos realiza contrato. Quando completar 18 não pode confirmar. Criança de
17 anos realiza contrato. É apenas anulável e não nulo. Aos 18 pode confirmar o negócio.

Também é bom observar que “confirmação” do negócio anulável (art. 173 e 174) não se confunde
com a conversão do negócio jurídico inválido (art. 170). Isso porque, a confirmação mantém os elementos do
negócio, sem que haja uma nova categorização jurídica.

Essa conversão pode também se aplicar ao negócio anulável? Se ele pode ser confirmado, para que
converter? Até pode, mas não existe utilidade. Por óbvio, uma vez que, para os negócios anuláveis existe a
confirmação, a conversibilidade perde interesse prático. Por isso mesmo o art. 170 só fala da conversibilidade
do negócio nulo. São requisitos da conversão:

a) Requisito material: é o aproveitamento dos elementos fáticos do negócio inválido para convertê-
lo em negócio válido.

b) Requisito imaterial: se as partes tivessem previsto a nulidade teriam aquiescido o negócio


convertido. Ex. compra e venda de apartamento entre João e Pedro. Por ignorância lavraram instrumento
particular, mesmo sendo imóvel de valor maior de 30 salários mínimos. Um terceiro da família do devedor
ajuizou ação declaratória de nulidade. Vício de forma é absoluto. Pode ser convertido em promessa de compra e
venda, que não exige a forma pública. O juiz não pode suscitar de ofício a conversão. (João Del Nero)

Art. 170. Se, porém, o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro, subsistirá este quando o fim a que
visavam as partes permitir supor que o teriam querido, se houvessem previsto a nulidade.

Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico:
I - por incapacidade relativa do agente;
II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores.

Art. 172. O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, salvo direito de terceiro.

Art. 173. O ato de confirmação deve conter a substância do negócio celebrado e a vontade expressa de mantê-
lo.

Art. 174. É escusada a confirmação expressa, quando o negócio já foi cumprido em parte pelo devedor, ciente
do vício que o inquinava.
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5. FRAUDE CONTRA CREDORES

Trata-se de um vício social do negócio jurídico presente quando o devedor insolvente, ou que beira a
insolvência, realiza negócios gratuitos ou onerosos, com o intuito de prejudicar credores.

Os negócios praticados em fraude contra credores são anuláveis (art. 171, CC) – prova objetiva. A ação
anulatória é chamada de pauliana (origem romana) ou ação revocatória. O art. 161 prevê contra quem é
proposta a ação pauliana. Esta deverá ser proposta contra o devedor insolvente, a pessoa que com ele celebrou
o negócio fraudulento e terceiros adquirentes de má fé – litisconsórcio passivo necessário.

Art. 161. A ação, nos casos dos arts. 158 e 159, poderá ser intentada contra o devedor insolvente, a pessoa que
com ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta, ou terceiros adquirentes que hajam procedido de má-
fé.

Obs.: alguns julgados do STJ consideram que o ato praticado em fraude contra credores são ineficazes
(Informativo 467). Do mesmo modo, alguns doutrinadores também entendem dessa forma (Carlos Roberto
Gonçalves, Alexandre Câmara). O credor que promove a ação anulatória pode ganhar, mas não levar, em razão
do disposto no art. 165, CC. Por esse motivo alguns julgados considerando que o negócio é ineficaz.

5.1 REQUISITOS PARA CARACTERIZAÇÃO DA FRAUDE CONTRA CREDORES

Quando há disposição onerosa (ex.: compra e venda), a fraude contra credores tem dois requisitos:
colusão fraudulenta entre quem vendeu e comprou (consilium fraudis – elemento subjetivo) e o prejuízo ao
credor (eventus damni).

Obs.: presume-se o conluio fraudulento quando a insolvência do devedor for notória ou existir motivos para ser
conhecida pelo outro negociante (presunção relativa) – art. 159, CC. Ex.: negócio celebrado entre irmãos.

Quando há disposição gratuita (ex.: doação ou remissão da dívida), a fraude contra credores tem
apenas um requisito: basta o prejuízo ao credor (eventus damni).

5.2 FRAUDE NÃO ULTIMADA OU NÃO APERFEIÇOADA

Art. 160. Se o adquirente dos bens do devedor insolvente ainda não tiver pago o preço e este for,
aproximadamente, o corrente, desobrigar-se-á depositando-o em juízo, com a citação de todos os interessados.
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Parágrafo único. Se inferior, o adquirente, para conservar os bens, poderá depositar o preço que lhes
corresponda ao valor real.

O adquirente pode pagar em juízo em sede de ação pauliana afastando a fraude, pois não paga em
favor do insolvente. Consagra o princípio da conservação do negócio jurídico.

Existe uma relação umbilical entre conservação do negócio jurídico e função social do contrato.
Enunciado 22 – I Jornada do STJ: “a função social do contrato prevista no art. 421, CC, constitui cláusula geral
que reforça o principio da consagração de conservação do contrato, assegurando trocas úteis e justas”.

5.3 FRAUDE CONTRA CREDORES E BOA-FÉ OBJETIVA

Art. 164. Presumem-se, porém, de boa-fé e valem os negócios ordinários indispensáveis à manutenção de
estabelecimento mercantil, rural, ou industrial, ou à subsistência do devedor e de sua família.

A boa-fé objetiva nesse caso está relacionada a dois conceitos: (i) função social da empresa (quando a lei
menciona negócios ordinários indispensáveis à manutenção de estabelecimento) e (ii) valorização da ideia de
patrimônio mínimo (quando a lei fala em subsistência do devedor e de sua família).

5.4 PRAZOS PARA ANULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO (INCLUSIVE FRAUDE CONTRA CREDORES)

Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado:
I - no caso de coação, do dia em que ela cessar;
II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio
jurídico;
III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade.

Obs.: é divergente o entendimento acerca do momento da realização do negócio jurídico. Para a doutrina
majoritária é a data da escritura, enquanto para a jurisprudência majoritária é a data do registro imobiliário.

*#OLHAOGANCHO: É de 4 anos o prazo de decadência para anular partilha de bens em dissolução de união
estável, por vício de consentimento (coação), nos termos do art. 178 do Código Civil.

Cuidado:
 Prazo para anulação da partilha do direito sucessório (morte): 1 ano.
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 Prazo para anulação da partilha em caso de divórcio ou dissolução de união estável: 4 anos. STJ. 4ª Turma.
REsp 1.621.610-SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 7/2/2017 (Info 600).

5.5 FRAUDE CONTRA CREDORES X FRAUDE À EXECUÇÃO

#DEOLHONATABELA:
FRAUDE CONTRA CREDORES FRAUDE À EXECUÇÃO
Instituto de direito civil. Instituto de direito processual civil.
O devedor tem ações executivas ou
O devedor tem obrigações assumidas e
condenatórias propostas contra si e
aliena o patrimônio.
aliena o patrimônio.
Fraude à parte, ou seja, envolve ordem Fraude ao processo, ou seja, envolve
privada. ordem pública.
Há necessidade de uma ação específica Não há necessidade de uma ação
(pauliana) para o seu reconhecimento. específica para o seu reconhecimento.
Os atos praticados são inválidos (sentença Os atos praticados são ineficazes (decisão
constitutiva negativa) – plano da validade. declaratória) – plano de eficácia.

Obs.: a jurisprudência entendia pela presunção absoluta de má-fé na fraude à execução. Porém, a súmula 375,
STJ, representa uma mudança de pensamento, pois dispõe que “o reconhecimento da fraude à execução
depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé de terceiro adquirente”. Essa súmula
aproxima a fraude à execução da fraude contra credores.

*#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA #CUIDADO #NOVOCPC: VÍCIOS DO NEGÓCIO JURÍDICO. A Venda do bem pelo


sócio antes da desconsideração da personalidade jurídica. A fraude à execução só poderá ser reconhecida se o
ato de disposição do bem for posterior à citação válida do sócio devedor, quando redirecionada a execução que
fora originariamente proposta em face da pessoa jurídica. STJ. 3ª Turma. REsp 1.391.830-SP, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 22/11/2016 (Info 594).

O entendimento acima exposto permanece válido com o CPC/2015? Haverá polêmica, mas pela redação literal
do novo CPC, não. Isso porque o CPC/2015 traz uma nova regra, que não havia no Código passado, afirmando
que a fraude à execução tem como marco a data da citação da pessoa jurídica que é objeto da desconsideração:
Art. 792 (...) § 3º Nos casos de desconsideração da personalidade jurídica, a fraude à execução verifica-se a
partir da citação da parte cuja personalidade se pretende desconsiderar.

6. PLANO DE EFICÁCIA
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Pontes de Miranda dividiu o negócio jurídico em três planos: da existência (elementos mínimos), da
validade (elementos mínimos com qualificadores) e da eficácia (consequências do negócio jurídico).

Existência: partes, vontade, objeto e forma.

Validade: partes capazes, vontade livre, objeto possível, lícito e determinado (determinável) e forma
prescrita ou não defesa em lei.

Eficácia (modificação e extinção de direitos): elementos acidentais para o negócio jurídico produzir
efeitos.

1) Condição: elemento acidental do negócio jurídico que relaciona a sua eficácia a evento futuro e
incerto (“se” e “enquanto”).

Classificação da condição:

 Quanto à licitude:

a) Lícita: está de acordo com o ordenamento jurídico (art. 122, CC).

Art. 122. São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes;
entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao
puro arbítrio de uma das partes.

b) Ilícita: contraria os parâmetros da lei, ordem pública e bons costumes.

Obs.: condição, em regra, está no plano da eficácia. Porém, o art. 123, CC, prevê casos em que a condição se
desloca para o plano da validade. Trata-se de nulidade absoluta.

Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados:


I - as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas;
II - as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita;
III - as condições incompreensíveis ou contraditórias.

Obs.: Condição perplexa: priva de todo efeito o negócio jurídico.


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 Quanto à possibilidade:

a) condição possível: pode ocorrer no plano fático e jurídico.


b) condição impossível: não pode ocorrer no plano fático ou jurídico.

Obs.: se a condição for suspensiva o negócio jurídico será inteiramente nulo (e não somente a condição); se
resolutiva, será considerada não escrita e o negócio jurídico continua.

 Quanto à origem:

a) Causal (casual): é a condição relacionada a um fenômeno da natureza (fato jurídico em sentido


estrito).

b) Condição potestativa:
b.1) simplesmente (meramente potestativa): vontade de um + vontade de outro. É lícita.
b.2) puramente potestativa: vontade de apenas um. Ex.: dou-lhe um carro se eu quiser. É ilícita e gera
nulidade do negócio jurídico, pois sujeita o negócio ao puro arbítrio de uma das partes.

*#OUSESABER #CONCEITOSIMPORTANTES: O que é condição promíscua?

Antes de explicar em que consiste a condição promíscua, vale conceituar a condição simplesmente potestativa.
Esta é aquela condição cuja implementação depende da vontade humana, mas não totalmente (ao contrário da
meramente potestativa, vedada pelo art. 122 do Código Civil). O clássico exemplo é o do negócio jurídico cuja
condição é uma das partes vencer uma competição esportiva. A condição promíscua, por sua vez, é aquela que
surge como simplesmente potestativa, mas que depois se torna impossível por fato posterior. É o caso de uma
doação submetida à condição suspensiva de o donatário vencer uma prova de atletismo. No entanto, o
beneficiário sofre uma lesão irreversível e não pode mais competir. Nesse caso, vê-se que a condição surgiu
perfeitamente válida, porém, em razão de um acontecimento posterior, seu implemento tornou-se fisicamente
impossível. Assim, deve-se aplicar o art. 123, I, do Código Civil, invalidando-se o próprio negócio jurídico.

c) Mista: é aquela que tem vontade de um e de outro + fenômeno natural. Ex.: dou-lhe um carro se você
cantar no show e estiver chovendo.

 Quanto aos efeitos:


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a) Condição suspensiva: suspende a aquisição e o exercício do direito. Não há direito adquirido.

Art. 125. Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar,
não se terá adquirido o direito, a que ele visa.

b) Condição resolutiva: gera a extinção do negócio jurídico (é resolvido). Há direito adquirido. Pode ser
expressa (decorre da convenção das partes) ou tácita (decorre da lei – ex.: exceção de contrato não cumprido).

Obs.: venda a contento é exemplo de negócio jurídico com condição suspensiva e resolutiva.

Art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta não se realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo
exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido.

Art. 128. Sobrevindo a condição resolutiva, extingue-se, para todos os efeitos, o direito a que ela se opõe; mas,
se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua realização, salvo disposição em contrário,
não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e
conforme aos ditames de boa-fé.

2) Termo: relaciona a eficácia do negócio jurídico a evento futuro e certo.

 Quanto à origem:

a) Legal (decorre da lei). Ex.: inventariante.


b) Convencional (decorre do contrato). Ex.: termo inicial e final da locação.

 Quanto à certeza (ou determinação):

a) Determinado: sabe-se que ocorrerá e quando ocorrerá.


b) Indeterminado: sabe-se que ocorrerá, mas não se sabe quando ocorrerá. Ex.: morte.

 Quanto ao tempo (aos efeitos):

a) Termo inicial: quando começa o negócio jurídico (dies a quo).


b) Termo final: quando termina o negócio jurídico (dies ad quem).

Obs.: prazo é o lapso temporal existente entre o termo inicial e final.


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Art. 135. Ao termo inicial e final aplicam-se, no que couber, as disposições relativas à condição suspensiva e
resolutiva.

Assim, para o termo inicial são aplicadas as disposições da condição suspensiva, enquanto para o termo
final aplicam-se as disposições da condição resolutiva.

Art. 131. O termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito. Há direito adquirido.

3) Encargo ou modo: seria um fardo, um gravame ou um ônus introduzido em ato de liberalidade.

Art. 136. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo quando expressamente imposto
no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva.

Art. 555. A doação pode ser revogada por ingratidão do donatário, ou por inexecução do encargo.

Art. 137. Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível, salvo se constituir o motivo determinante da
liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico.

Art. 124. Têm-se por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa
impossível.

Obs.: quando o encargo é ilícito possui o mesmo efeito da condição resolutiva impossível.

#SELIGANATABELA:
CONDIÇÃO SUSPENSIVA “SE” TERMO “QUANDO” ENCARGO “PARA QUE”
Suspende a aquisição e o Suspende o exercício, mas Não suspende a aquisição
exercício do direito. Não tem não a aquisição do direito. nem o exercício do direito.
direito adquirido. Tem direito adquirido. Tem direito adquirido.

7. DISPOSITIVOS PARA CICLOS DE LEGISLAÇÃO

DIPLOMA DISPOSITIVOS
Código Civil Art. 104/188

8. BIBLIOGRAFIA UTILIZADA

Anotações de aula.
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Anotações pessoais.

Manual de Direito Civil do Tartuce.

Jurisprudência do Dizer o Direito.