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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA.

CENTRO DE TECNOLOGIA.
DEPARTAMENTO DE TECNOLOGIA QUÍMICA E DE ALIMENTOS.
PROCESSOS UNITÁRIOS I.

BALANÇO DE ENERGIA

Agosto/ 2009
SUMÁRIO

Introdução

1. Conceitos de B.E.
2. Formas de Energia
3. Balanço Macroscópico de Energia
4. Equação Geral do B.E.
5. B.E. para Sistemas Fechados Estacionários
6. B.E. para Sistemas Fechados Não-estacionários
7. B.E. para sistemas Abertos Estacionários
8. B.E. para sistemas Abertos Não-estacionários
INTRODUÇÃO

Quanta potência é necessária para bombear 1250 gal/min de água a


partir de um tanque para outra unidade de processo?

Quanto carvão deve ser queimado por dia para produzir calor suficiente
para gerar vapor para movimentar as turbinas para produzir eletricidade
suficiente para satisfazer as necessidades de uma população de 50.000
habitantes?

Problemas como esses, e tantos outros presentes na indústria química


podem ser solucionados a partir da formulação e aplicação de balanços de
energia.

Esses balanços são muito importantes na indústria, como no primeiro caso,


em que a partir dele se encontra a potência a fim de se escolher o melhor
equipamento a ser empregado no processo.
1. Conceitos de Balanço de Energia

1.1. Sistema

È a quantidade de matéria ou região no espaço rodeada por uma


fronteira e escolhida para ser estudada.

1.2. Fronteira

Separa o sistema das vizinhanças, e pode ser real ou imaginária, rígida


ou móvel.

1.3. Vizinhanças

É tudo o que não faz parte do sistema e está do lado de fora da


fronteira do sistema.

1.4. Sistema Aberto

É aquele que possui escoamento ocorrendo troca de massa com suas


vizinhanças, seguida, ou não, de trocas de calor e trabalho.
1.5. Sistema Fechado

É um sistema que não realiza troca de massa com suas vizinhanças,


pois não tem escoamento, mas calor e trabalho podem ser trocados.

1.6. Propriedade

São características do sistema. São exemplos de propriedades a


pressão, temperatura, o volume, etc.

1.7. Estado

São as condições em que o sistema se encontra. È especificado por


valores de temperatura, composição, pressão, etc.)

1.8. Estado Estacionário

As vazões de entrada e saída do sistema são iguais, não havendo


acúmulo de massa. As propriedades são invariantes.
1.9. Estado Não-estacionário (ou Transiente)

As vazões de entrada e saída são diferentes, e a massa dentro do


sistema não permanece constante e as propriedades variam.

1.10. Estado de Equilíbrio

Quando o sistema atinge o equilíbrio suas propriedades são


invariantes, ou seja, forças motrizes internas não são mais presentes. Os
equilíbrios podem ser térmicos, mecânicos, de fase e químicos.

1.11. Fase

É a parte (ou todo) do sistema fisicamente distinta e


macroscopicamente homogênea, que possui composição fixa ou variável,
como gás, líquido ou sólido.

1.12. Sistema Adiabático

É aquele que não realiza troca de calor com suas vizinhanças durante o
processo. É um sistema termicamente isolado.

1.13. Sistema Isotérmico


Nesse sistema a temperatura se mantém invariante durante o
processo.

1.14. Sistema Isobárico

É aquele que durante o processo a pressão se mantém constante.

1.15. Sistema Isocórico

É aquele que durante o processo tem o volume constante.

1.16. Variável de Estado (Função de Estado)

É qualquer variável (ou função) cujo valor depende somente do estado


do sistema. Um exemplo de função de estado é a energia interna.

1.17. Variável de Caminho (Função de Caminho)

É aquela variável (ou função) cujo valor depende de como o processo


ocorre. O trabalho é um exemplo de função de caminho.
1.18. Conservação de Energia

Na interação de um sistema e suas vizinhanças a quantidade de


energia recebida pelo sistema tem que ser igual à quantidade de energia
perdida pelas vizinhanças. Esta constatação foi feita a partir de medições
experimentais muito bem fundamentadas.

2. Formas de Energia

2.1. Trabalho (W)

É a transferência de energia (de diversas naturezas) entre m sistema e


suas vizinhanças. Quando as vizinhanças executam trabalho sobre o
sistema, diz-se que o trabalho é positivo. Caso contrário, se o sistema
executar trabalho sobre suas vizinhanças diz-se que o trabalho é negativo.

O trabalho pode ser: mecânico, elétrico, de eixo ou de escoamento.

O trabalho mecânico, que é o mais conhecido, tem unidades de força x


distância, e é representado matematicamente por:

2.2. Calor (Q)

É uma parcela de energia (da parte total) que foi transferida devido a
uma diferença de temperatura (potencial térmico) entre um sistema e suas
vizinhanças ou entre dois sistemas.

Caso o calor seja transferido para o sistema ele é positivo.


O fato de o calor” não poder ser armazenado nem criado, podendo ser
chamado mais corretamente de “transferência de calor”, gera uma certa
confusão e alguns erros conceituais, tais como:
- calor é uma substância;
- um corpo frio não contém calor;
- calor só se move para cima.

Por convenção, usa-se para estimar a taxa de transferência de calor:

Onde:
Q = taxa de transferência de calor
U = coeficiente empírico obtido a partir de dados experimentais, de acordo
com o equipamento utilizado
A = área disponível para transferência de calor
T2 – T1 = diferença de temperatura entre as vizinhanças (∆T)

Para encontrarmos a quantidade total de calor transferido para o


sistema em um determinado intervalo de tempo, podemos somar ou
integrar a taxa de transferência de calor no tempo.

2.3. Energia Cinética (K)

É a energia associada à velocidade de um material ou sistema em


relação à vizinhança. No S.I. a energia cinética é calculada como:

2.4. Energia Potencial (PE)

É a energia relacionada com o trabalho exercido sobre a massa de um


sistema para deslocá-lo, com relação a uma superfície de referência, num
campo gravitacional ou eletromagnético.

É calculada por:

,onde:

h = distância medida a partir da superfície de referência

2.5. Energia Interna (U)

Do ponto de vista macroscópico é a energia resultante da combinação


de todas as energias que compõem um sistema (molecular, atômica e
subatômica), seguindo regras de conservação definidas para sistemas
dinâmicos de grande número de partículas microscópicas.
A energia interna é uma função do trabalho e do volume.

U = f(T, V). Tomando a diferencial:

. Como e na maioria dos casos

é muito pequeno e pode ser desprezado, sendo nulo para gases


ideais:

2.6. Entalpia (H)

É a função de estado resultado da combinação de U + pV. Ou seja:

H = U + pV

Para a entalpia específica consideramos a entalpia uma função com


diferencial exata.

H = H(T,p), diferenciando-se:

. Como e considerando-se que a

pressões moderadas é relativamente pequeno chegamos a:

3. Balanço Macroscópico de Energia

É uma aplicação do conceito de Conservação de Energia e considera


que a variação de energia dentro do sistema é igual à troca líquida de calor
e trabalho com as vizinhanças, somada com a energia líquida transportada
pelo escoamento de massa para o sistema.
4. Equação Geral do Balanço de Energia

∆U + ∆PE +∆K = ∆E = Q + W

5. Balanço de Energia para Sistemas Fechados Estacionários

Para realizarmos o Balanço de Energia para esse sistema devemos


considerar que o acúmulo de massa e energia no sistema é zero, uma vez
que ele é estacionário. Assim Q e W são constantes tanto para dentro como
para fora do sistema. Aplicando isso na equação geral temos que:

∆E= Q + W, mas ∆E= 0 → Q + W= 0 → W= -Q

Isto implica dizer que todo o trabalho realizado sobre este tipo de
sistema é transferido para fora como calor. Porém o contrário não ocorre. O
calor absorvido por esse sistema não é igual ao trabalho realizado por ele,
já que esse calor é o calor total, formado pelo calor absorvido e pelo calor
rejeitado.

Caso W não fosse fornecido os valores de Qabsorvido e Qrejeitado seriam


estimados a partir de relações empíricas. Como Q absorvido=U A ∆T ele
nunca seria igual a –W.

5.1. Aplicação – Aquecimento de água em um vaso fechado com perda de


calor para as vizinhanças

Como Q = Qabsorvido + Q rejeitado,


Q = 10 kJ + (-10 kJ) = 0.
Assim W = -Q → W = 0.

6. Balanço de Energia para Sistemas Fechados Não-estacionários

Nesse balanço devemos nos lembrar que não ocorre entrada ou saída
de massa no sistema, já que ele é fechado, e também que o estado de
material varia com o tempo, porque o sistema é não-estacionário. Dessa
forma apenas trabalho e calor podem ser trocados entre esse sistema e
suas vizinhanças.

A partir dessas considerações podemos escrever o balanço de energia


para esse sistema como, num dado intervalo de tempo, sendo:

Matematicamente:

∆U + ∆PE + ∆K = ∆E = Q + W

Para a grande maioria dos sistemas fechados os valores de ∆K e ∆P


são muito pequenos ou nulos. Assim teremos:

∆U = ∆E = Q + W

Esta equação representa o balanço de energia realizado para esse


sistema.

6.1. Aplicação

Os alcalóides são compostos químicos contendo nitrogênio que podem


ser produzidos pelas células de vegetais. Em um experimento, um vaso
fechado de 1,673 m³ de volume foi alimentado com uma solução aquosa
diluída contendo dois alcalóides, ajmacilina e reserpina. A temperatura da
solução estava em 10ºC. Para obter-se um resíduo de alcalóides
essencialmente seco, toda a água do vaso (1 kg) teve que ser evaporada.
Admita que as propriedades da água podem ser usadas em substituição às
propriedades da verdadeira solução. Quanto calor teve que ser transferido
para o vaso se 1 kg de água líquida saturada, inicialmente a 10ºC, foi
totalmente vaporizado, sendo levado às condições finais de 100ºC e 1 atm?
Estado inicial (líquido) Estado final (gás)
P 1 atm 1 atm
T 10,0ºC 100ºC
U 35 kJ/ kg 2506,0 kJ/ kg

∆E = ∆U + ∆PE + ∆K = Q + W

Sistema em repouso (água) → ∆K = 0


Deslocamento mínimo do centro de massa do sistema → ∆PE = 0
W=0

Base de cálculo → 1 kg de H2O evaporado

Q = m∆U = m(U2 – U1)

Q = 1 kg H2O . (2506 – 35) kJ/ kg → Q= 2471 kJ

7. Balanço de Energia para Sistemas Abertos Estacionários

Sistemas abertos estacionários são os mais comuns nos processos da


indústria química.

Nesse estado todas as propriedades e energias dentro do sistema


permanecem constantes ao passar do tempo, o que implica em ∆E = 0.
Assim ficamos com:

Q + W = ∆H + ∆P + ∆K

Como na maioria dos balanços de energia para esses sistemas os


termos mais representativos são Q, W e ∆H; raramente os termos ∆P e ∆K
aparecem nas equações.

A partir daí temos:

Q + W = ∆H

7.1. Aplicação – Cálculo da potencia necessária para bombear água em


um sistema aberto em estado estacionário

Água é bombeada de um poço cujo nível é constante, estando 20 ft


abaixo do nível do solo. A água é descarregada a uma vazão de 0,5 ft³/s
em um tubo horizontal que se encontra 5 ft acima do solo. Admita que a
taxa de transferência de calor da água é desprezível durante o escoamento.
Calcule a potência elétrica requerida pela bomba, sabendo que sua
eficiência de conversão de energia elétrica em mecânica é de 100%.
Despreza o atrito nos tubos e na bomba.
Q=0

W = ∆PE = mg (hsaída – hentrada)

Base de cálculo → 1 segundo

Para calcularmos a vazão mássica de escoamento:

W = PE saída – PE entrada →